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UNIVERSIDADE NILTON LINS

OCIMARA OLIVEIRA REMIGIO

EDUCAÇÃO DIREITO FUNDAMENTAL COMO RESPONSABILIDADE DE TODOS

Manaus
2018
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OCIMARA OLIVEIRA REMIGIO

EDUCAÇÃO DIREITO FUNDAMENTAL COMO RESPONSABILIDADE DE TODOS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao


Curso de Direito da Universidade Nilton Lins como
requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em
Direito.

Orientador: Professor Antônio Lucena B. Neto

Manaus
2018
9

OCIMARA OLIVEIRA REMIGIO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à


Universidade Nilton Lins, como parte das exigências
para a obtenção do título de Bacharel em Direito.

Manaus, 05 de Dezembro de 2018.

BANCA EXAMINADORA

________________________________________
Prof. Antônio Lucena B. Neto
Afiliações

________________________________________
Prof. (Nome do professor avaliador)
Afiliações

________________________________________
Prof. (Nome do professor avaliador)
Afiliações
10

A Deus, por nos conceder o livre arbítrio,


garantia fundamental para escolhermos o
caminho a seguir. Que me deu coragem
para questionar realidades е propor
sempre um novo mundo de
possibilidades.
11

AGRADECIMENTOS

A Deus por ter me dado saúde e força para superar as dificuldades.


À Universidade Nilton Lins, seu corpo docente, direção e administração que
oportunizaram a janela que hoje vislumbro um horizonte superior, eivado pela
acendrada confiança no mérito e ética aqui presentes.
Ao meu orientador Antônio Lucena, pelo suporte no pouco tempo que lhe
coube, pelas suas correções e incentivos.
Dedico esta, bеm como todas аs minhas demais conquistas, аоs meus
amados pais em especial a minha mãe Odenise, professora aposentada, que
dedicou 35 anos de sua vida alfabetizando e educando.
Ao meu esposo e filhos, de onde tiro força todos os dias para não desistir,
pelo amor, incentivo e apoio incondicional.
E a todos que direta ou indiretamente fizeram parte da minha formação, o
meu muito obrigado.
12

EDUCAÇÃO DIREITO FUNDAMENTAL COMO RESPONSABILIDADE DE TODOS

RESUMO

O presente trabalho teve como objetivos explorar o direito fundamental e a


importância de se fazer cumprir a Lei quanto à educação princípios da dignidade,
igualdade e a aplicação de valores humanos como responsabilidade e desafio que
compete a todos. Bem como se dá a sua construção nas famílias, nas escolas e na
sociedade. O ser humano precisa conviver com os demais, e quanto mais harmônica
for essa convivência melhor será o mundo em que vivemos e evitar o retrocesso.
Considerando a necessidade de estudo dessa questão. Primeiramente buscou-se
nos artigos pétreos da nossa legislação uma base para se discutir questões tais
como conceitos, formação e constituição de valores humanos, através da
responsabilidade de educar, como ponte para se fazer cumprir esse direito. Tudo
dependerá do esforço coletivo para garantir uma educação de melhor qualidade. Por
fim, a inserção de valores humanos na vida cotidiana como fundamental importância
para uma melhor qualidade de vida nos relacionamentos humanos, considerando
todo o processo social pelo qual o homem irá passar ao longo de sua vida.

Palavras-chave: direito fundamental, igualdade e retrocesso .

ABSTRACT

The objective of this study was to explore the fundamental right and importance of
enforcing the Law on education principles of dignity, equality and the application of
human values as a responsibility and a challenge for all. As well as its construction in
families, schools and society. The human being needs to live with the others, and the
more harmonious the coexistence, the better will be the world in which we live and
avoid backtracking. Considering the need to study this issue. First of all we sought in
the stony articles of our legislation a basis for discussing issues such as concepts,
formation and constitution of human values, through the responsibility of educating,
as a bridge to enforce this right. Everything will depend on the collective effort to
ensure a better quality education. Finally, the insertion of human values in daily life
as fundamental importance for a better quality of life in human relationships,
considering the whole social process that man will go through his life.

Key words: fundamental right, equality and retrocession.


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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .................................................................................... 07

1. EDUCAÇÃO DIREITO FUNDAMENTAL.............................................. 07

2. DA RESPONSABILIDADE DE EDUCAR ............................................. 10

3. PRINCÍPIO DO NÃO RETROCESSO SOCIAL................................... 14

CONCLUSÃO ...................................................................................... 17

REFERÊNCIAS .................................................................................... 19

mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm

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7

INTRODUÇÃO

O presente artigo tem por objeto a análise do direito à educação como um


direito fundamental, sobretudo no aspecto do direito de acesso não só no ensino
básico, mas tecnológico e com qualidade. Este exame tem por finalidade apontar
quanto à responsabilidade ora governo, ora família, quanto a negligência desta e
seu descumprimento das disposições constitucionais de acesso à educação.
Demostrar o direito fundamental/social à educação no Brasil, principalmente a
no advento da Constituição da República de 1988 (CR/88).
Na proporção da legislação consagradora dos direitos fundamentais sociais,
aparecem também preocupações com o nível de efetivação dos mesmos direitos,
isto é, os direitos devem deixar o plano textual normativo em busca de
concretização, de consumação, ou seja, devem sair da previsão para a vivência
social, evitando o não retrocesso social. Assegurando esse direito fundamental
contra a abolição pelos Poderes, Legislativo e Executivo, bem como qual seria a
atuação do Poder Judiciário para garantir a eficácia e efetividade, não só desse
como dos demais direitos fundamentais sociais.
Assim sendo, há a necessidade de uma compreensão sobre os aspectos que
permeiam o direito à educação e as mudanças trazidas pela Constituição vigente, a
fim de saber a importância desse direito para a concretização do Estado
Democrático de Direito.

1. EDUCAÇÃO DIREITO FUNDAMENTAL

O direito à educação está arrolado na nossa Carta Magna no artigo 6º, como
direito social, a primori o mais importante direito social, o qual passa a garantir todos
os outros direitos alencados neste artigo. Reitera este é um direito fundamental para
que o homem possa evoluir, neste sentido segundo o momento histórico da reforma
dos princípios fundamentais que refletem a “independência social do indivíduo”.

Este reformismo, que acompanha o intervencionismo estatal típico do


Estado providência, veio suscitar a declaração como fundamental, de novos
direitos. Estes visam assegurar a todos uma vida digna e a igualdade de
oportunidades. São os direitos ao trabalho, à educação, à saúde, ao
sustento na doença e na velhice, ao lazer, etc. [...]. Não são meros poderes
de agir, meras liberdades, mas têm por característica maior reclamarem
8

contrapartida da parte da sociedade por meio do Estado. (FERREIRA


FILHO, 2009, p.27)

Dessa forma, por ser um direito social é um direito público subjetivo, ou seja,
equivalem a pretensões jurídicas dos indivíduos exigirem do Estado a execução ou a
omissão desta prerrogativa, em virtude do que preconiza a norma jurídica.

"A educação é direito de todos e deve ser ministrado pela família e pelos
poderes públicos, cumprindo a estes proporcioná-la a brasileiros e a
estrangeiros domiciliados no País, de modo que possibilite eficientes fatores
da vida moral e econômica da Nação, e desenvolver num espírito brasileiro
a consciência da solidariedade humana". (Poletti, 2012, p.138)

O direito à educação e o direito de aprender são direitos de todos. Mas, não


uma educação qualquer. O direito à educação de qualidade é um direito de “toda
pessoa”, sem qualquer tipo de discriminação, independente de origem étnica, racial,
social ou geográfica. É direito dos brancos, dos negros, dos mestiços e dos
amarelos, dos pobres e dos ricos, dos emigrantes, dos refugiados, dos presos, dos
sem terra, das populações indígenas e de todas as minorias.
Realçando a importância da educação, revela-se sua essencialidade no modo
e na liberdade de pensamento, o direito a petição, a liberdade de reunião, o direito
ao voto e à democracia. Assim como o direto de comunicação, à informação, o
direito à memória histórica e cultural (incluindo a língua portuguesa, disposto no art.
210, §2º da CF).
Nesse sentido, esse direito significa, primeiramente, o direito de (igual)
acesso à educação, que deve ser concedido a todos, especialmente para os níveis
mais basilares do ensino. Assim, o conteúdo inicial (mínimo) do direito à educação é
o de acesso ao conhecimento básico e capacitações, que devem ser oferecida de
forma regular e organizada.
Direito este positivado desde a Constituição Imperial de 1824. Começando
pequena, básica, mas com grande valor. Pois começara a esperança do
desenvolvimento através dos princípios de extrema importância como a dignidade
humana, de igualdade, da gestão democrática, da qualidade, da gratuidade entre
outros.
O Imperador D. Pedro I outorga a primeira constituição em 1924, enunciando
o direito à educação primária gratuita a todos os cidadãos.
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No ano de 1934, a Assembleia Nacional Constituinte, convocada pelo


Governo Provisório da Revolução de 1930, redigiu e promulgou a segunda
constituição republicana do Brasil. Reformando profundamente a organização da
República Velha, realizando mudanças progressistas, a Carta de 1934 durou apenas
até 1937. Foi consequência direta da Revolução Constitucionalista de 1932, tendo
sido importante por institucionalizar a reforma da organização político-social
brasileira — não com a exclusão das oligarquias rurais, mas com a inclusão dos
militares, classe média urbana e industriais no jogo de poder. Com a constituição de
1967 foi institucionalizado e legalizado o regime militar ao qual tratou da educação e
da cultura, dever do Estado, e será dada no lar e na escola. Sendo esta base para a
constituição atual alargando o sentido dos direitos sociais.
Tudo para que todos possam ter acesso à oportunidades com igual
consideração e respeito. Usando a educação como ponte de instrumento de
libertação, justiça social, inerentes à dignidade da pessoa humana. Direito
fundamental que veio crescendo até aqui, programático-participativo que envolve o
Estado e a família, que promove o incentivo e a colaboração da sociedade,
objetivando o desenvolvimento da pessoa, assim como o seu preparo para o
exercício da cidadania, artigo 205, da CF. E neste mesmo a Constituição especificou
o referido direito, estabelecendo que deve visar ao “pleno desenvolvimento da
pessoa”, “seu preparo para o exercício da cidadania” e a sua “qualificação para o
trabalho”. Esses objetivos expressam o sentido que a Constituição concedeu ao
direito fundamental à educação.
Também no art. 214, inc. V, fala-se em promoção humanística, científica e
tecnológica, no sentido de que o Estado deve articular essas realizações com o
ensino que há de promover. Ora, resultado claro nos dispositivos que além da
educação básica, o conteúdo mínimo do direito à educação há de se cumprir,
devendo, doravante, ser considerado o próprio conteúdo do direito constitucional
fundamental à educação.
Assim se compreendem as palavras de Clarice Duarte (2007, p. 2697):

“embora a educação, para aquele que a ela se submete, represente uma


forma de inserção no mundo da cultura e mesmo um bem individual, para a
sociedade que a concretiza, ela se caracteriza como um bem comum, já
que representa a busca pela continuidade de um modo de vida que,
deliberadamente, se escolhe preservar.”
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Esses valores constitucionais “básicos” alcançam todos aqueles que estejam


engajados com a prestação educacional no país, sejam entidades públicas, sejam
privadas ou mesmo núcleos menores, como a família. Nesse sentido, são conteúdos
que geram obrigações para todos.

2. DA RESPONSABILIDADE DE EDUCAR

Atravessamos um período desorganizado, no qual a declinação dos costumes


e valores humanos é vista como normal. A educação atual encontra-se defasada por
transmitir ás crianças por parte das escolas e por parte da família, apenas
informações, conhecimentos em forma de conteúdos que, muitas vezes, não
condizem com a realidade atual, alienada. Em decorrência desta situação seria de
grande importância o investimento em uma educação baseada em valores humanos.
Mas afinal, de quem é a responsabilidade?
O art. 205 e 299 de nossa Constituição Federal de 1988 é claro, in verbis:

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será


promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e
sua qualificação para o trabalho.

Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores.

Conceito, bonito e forte ao mesmo tempo, avançaram-se outras formalidades


visando à efetivação desse direito no artigo 6º da mesma Constituição como o
primeiro direito social como já citado. Tal efetivação dá ao Estado um dever de
garantir através da Escola e projetos sociais diversos para assegurar o bem estar, o
desenvolvimento com igualdade, qualidade e dignidade. Ao Estado implicando-lhe
conteúdos e qualificação para o mundo do trabalho, por ser gratuita e obrigatória no
ensino fundamental, por ser gratuita e progressivamente obrigatória no ensino
médio, por ser também dever do Estado na educação infantil, garantidos nos art.
206, incisos IV e VII e art. 208 e seus incisos da nossa Carta Magna.
Cabendo aos pais a responsabilidade de educar e inserir valores humanos,
com observância nas tomadas de consciência que estimulam meios de
transformação social, através de processos que são aprendidos pelo ser humano
desde seu nascimento, como prepará-los para cumprir regras, horários e saber que
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é necessário respeitar para ser respeitado e que além de direitos, tem deveres, e a
respeitar as hierarquias nas relações, o que parece estar esquecido nos dias de
hoje. Mostrar que existe um caminho e que trilhar esse caminho requer tempo e
persistência. Há obstáculos e que o resultado nem sempre será positivo. Diante de
todas essas afirmações a questão está em como podemos melhorar a educação
trabalhando com os valores humanos, já que isto diz respeito à moral, pois, devido à
inversão de valores, educar está se tornando uma missão das instituições de ensino.
Sobre a importância da participação dos pais, Tiba assevera que:

Educar é formar valores que devem pertencer ao humano, não importa a


idade. Os valores básicos são: gratidão, disciplina, religiosidade, ética e
cidadania. Educar também é desenvolver competências profissionais:
estudo, aprender sempre, independência financeira com base na autonomia
comportamental, habilidade e conhecimento profissional. (TIBA, 2007, p.17)

Cumpre-se claramente como ideia de dignidade humana. Nas lições de Luís


Roberto Barroso, “a dignidade da pessoa humana é o valor e o princípio subjacente
ao grande mandamento, de origem religiosa, do respeito ao próximo. Todas as
pessoas são iguais e têm direito a tratamento igualmente digno”.
O direito a dignidade e da personalidade envolvidos neste rol, envolve um
principio universal educador com fundamentos que ligam a sua espécie, à sua
sociedade, à linguagem, cultura e valores, sendo estes essenciais para o
desenvolvimento de uma nação íntegra e com certeza menos violenta.
No mesmo sentido, o art. 1.634 do Código Civil, não deixa dúvida que a
escola tenha uma missão importante, mas não a principal, não é ela que cabe
educar, mas sim aos pais. E no descumprimento destes deveres de criar e educar
os filhos pode implicar no crime de abandono intelectual, inserido no art. 246, Código
Penal. Esse dever de educação, impondo aos pais matricular o filho na rede regular
de ensino.
Voltando à responsabilidade de educar é preciso conceituar o conceito de
família e o dever do exercício familiar.
Quanto ao caráter jurídico da família, leciona Lôbo:

Sob o ponto de vista do direito, a família é feita de duas estruturas


associadas: os vínculos e os grupos. Há três sortes de vínculos, que podem
coexistir ou existir separadamente: vínculos de sangue, vínculos de direito e
vínculos de afetividade. A partir dos vínculos de família é que se compõem
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os diversos grupos que a integram: grupo conjugal, grupo parental (pais e


filhos), grupos secundários (outros parentes e afins). (LÔBO, 2009. p. 2).

Nesse sentido, para o Direito, família consiste na organização social formada


a partir de vínculos sejam laços sanguíneos, jurídicos ou afetivos. O poder familiar
tem como titulares os pais, e o mesmo não decorre da guarda e sim da condição de
genitores, sendo obrigados a exercer esse poder baseado no princípio da
Responsabilidade Parental. O indivíduo como si próprio, é reflexo de uma série de
orientações dos mais variados tipos que o cercam. E o grupo primário onde essas
orientações serão experimentadas é o núcleo familiar. É neste ambiente onde se
dará a transferência de valores (preceitos morais ou regras sociais) e crenças
(religiosa, ceticista, convicção intima).
Cuidando deste momento de formação do indivíduo o legislador buscou
incumbir os genitores e assegurar aos gerados, o exercício de um poder que
circundasse esse ambiente de desenvolvimento pessoal. Assim traz o artigo 1.364
do Código Civil, in verbis:

Art. 1.634. Compete a ambos os pais, qualquer que seja a sua situação
conjugal, o pleno exercício do poder familiar, que consiste em, quanto aos
filhos:
I - dirigir-lhes a criação e a educação;

Verifica-se novamente que o dever de introduzir nos filhos tudo o que diz
respeito a educação, porque criar dando o alimento, agregar valores humanos e
matricular na escola, não é difícil. Difícil é tentar reverter essa situação quando este
individuo se torna um adulto problemático. Contudo cada individuo cada lar ou
família tem uma especificidade, uma realidade social moderna ou não. No âmbito
jurídico atualmente possuímos várias noções novas de família: são elas
a homoafetiva, anaparental, monoparental, a mosaico ou pluriparental, a
família eudomonista e por último a família paralela. Nesse sentido, todos envolvidos
terão a mesma responsabilidade a respeito da educação. Há também muita
abrangência no sentido de que esta não se restringe apenas ao encaminhamento do
menor à escola, mas a todo um estímulo e transmissão de valores e crenças já
citados anteriormente, como os religiosos, filosóficos, morais e sociais, formadores
de caráter.
13

Diniz (2007, p. 515) destaca que “o poder familiar decorre tanto da


paternidade natural como da filiação legal, e é irrenunciável, intransferível,
inalienável e imprescritível. As obrigações que dele fluem são personalíssimas”.
Trata-se de um encargo atribuído pelo Estado aos pais, no intuito de que
estes zelem pelo futuro de seus filhos, que serão posteriormente entregues à
sociedade. Afirma a autora que o poder familiar “é uma espécie de função
correspondente a um encargo privado, sendo o poder familiar um direito-função e
um poder-dever, que estaria numa posição intermediária entre o poder e o direito
subjetivo”. É portanto, um encargo atribuído pelo Estado aos pais, em benefício dos
filhos, de forma irrenunciável. Reconhecendo que a criança, para o pleno e
harmonioso desenvolvimento de sua personalidade, deve crescer no seio da família,
em um ambiente de felicidade, amor e compreensão.
Assim, as duas instituições (escola e família) dignas de considerações na
formação escolar e profissional da criança, porém com “peso diferente”. Não é fácil
lidar com a realidade de muitas crianças, não importando sua classe social, a
maioria desacreditada pelos próprios pais e sociedade, pesando que é impossível
mudar essa realidade, nota-se que com a degradação desses valores há uma
mudança na qualidade de vida de uma sociedade, interferindo nos relacionamentos
humanos, que se tornam permeados pelo medo, desamor e engano. Se as nossas
crianças são demasiadamente imaturos, alienados e pobres objetivamente e
subjetivamente, será posturas voltadas aos valores humanos considerados
tradicionais que vamos cumprir o nosso papel, seja como pais ou profissionais.
Qualquer que seja a responsabilidade merece destaque a importância da
família e seu papel na ação socializadora e na educação das crianças e
adolescente.
Quanto à importância, destaca Salazar:

A família tem um papel fundamental na formação da sociedade. Os seres


humanos têm de viver em grupos e a família cumpre o papel essencial da
humanização do ser biológico em sua conversão em um ser social,
garantindo a transmissão do patrimônio cultural e internalizando valores
sociais, tradições, afetos, costumes e padrões. A família continua sendo o
alicerce de uma abordagem global para o desenvolvimento social, no
processo e na base fundamental para a elevação e a proteção das crianças,
bem como o primeiro e principal veículo de transmissão de valores
(SALAZAR, 2008, p. 26-27).
14

O futuro da educação com qualidade inclusiva em nosso país dependerá de


um esforço coletivo, que obrigará a uma revisão na postura de pesquisadores,
políticos, prestadores de serviços, familiares e indivíduos com necessidades
educacionais especiais ou não, a fim de trabalhar uma meta comum: a de garantir
uma educação de melhor qualidade para todos. (MENDES, 2004, p.228)
Educar implica todo um conceito de conhecimento, de trabalho, de atenção
completamente distinta de décadas anteriores. O importante é saber que seus
direitos estão resguardos na nossa Lei maior, independente da evolução ou
circunstância em que vivem, temos que fazer cumpri-las, inserindo sempre os
valores humanos, princípios e exemplos, sim, já que somos reflexos e muitas das
vezes referencia na vida delas, ajudando-os a desenvolver responsabilidade pelo
seu comportamento e a sua consciência.

3. PRINCÍPIO DO NÃO RETROCESSO SOCIAL

Vimos que a garantia da educação como direito de todos é feita através do


dever do Estado de ofertá-la, sendo incumbência do poder público o serviço
educacional, assim como a responsabilidade da família. Para tanto os princípios da
democracia social e econômica remontam o Princípio da proibição do retrocesso
social. O que esclarece Canotilho, responsável por delimitar o conceito e dispor
sobre a aplicação deste principio objeto deste tópico. Segundo o autor:

Os direitos sociais e econômicos já conquistados, passam a constituir,


simultaneamente, uma garantia institucional e um direito subjetivo. Desta
forma, “o reconhecimento dessa proteção é um limite jurídico a atividade do
legislador, que deverá agir de forma a continuar garantindo os direitos já
concretizados. (CANOTILHO, 2003, p. 469).”

Defender esse direito é defender as conquistas sócias através do princípio do


não retrocesso social, considerando o consenso conceitual, “é a vedação ao
legislador de suprimir arbitrariamente a disciplina constitucional ou infraconstitucional
de um direito fundamental social”. (CUNHA, 2011, p. 8).”
Através deste conceito busca-se o dever de se fazer cumprir a Lei. Pois o que
ocorre nestes tempos é a inversão de prioridades ou até mesmo de valores
humanos, através de ataques contra os direitos sociais, via emendas constitucionais
e medidas provisórias. No que tange a educação, a reforma do ensino médio, foi
15

viável a retirada de matérias como filosofia e sociologia? Pois uma formação crítica é
importante para qualquer cidadão. Para que nossas gerações não virem penas
jovens operários, sem o poder critico contestador.
Para tanto não posso deixar de citar a PEC 241, que congela os gastos com a
saúde e educação por 20 anos, direitos sociais fundamentais para uma sociedade
sadia, sociedade que vem sofrendo a anos por conta de recursos mal distribuídos
que não dão conta de atender todas as necessidades do ensino, reduzindo as
despesas primárias, só beneficiando o sistema financeiro, isto é retrocesso social.
A educação tem garantia de direito fundamental assim como garantia de
padrão de qualidade de ensino, o artigo 206, inciso VII da C.F., e artigo 3º, inciso IX
da Lei 9.394/96 (L.D.B. Leis de Diretrizes Brasileiras), pressupõe que uma educação
com qualidade, a qual deve ser constantemente avaliados e fiscalizados e sanados
pelo Estado e não suprimidos. Temos também na Constituição, em seu artigo 212,
caput, e seus Parágrafos, procuram garantir a manutenção, o desenvolvimento e a
garantia de padrão de qualidade do ensino, mediante a aplicação de recursos
financeiros, resultantes de impostos das unidades federadas, devendo ser
respeitadas as disposições constantes do artigo 213. Da mesma forma o artigo 60,
§4º, IV da C.F. nos diz que não será objeto de abolição os direitos e garantias
fundamentais. Para tanto não há justificavas para o ferimento causado por uma
PEC, no seu tocante de limitar investimentos à educação. Que é base para uma vida
digna de toda uma sociedade, num país rico em biodiversidade e de tamanha
dimensão, o qual essa qualidade intrínseca do indivíduo o torna merecedor do
respeito e consideração do Estado, membros da comunidade em que esta inserido,
sendo a ela assegurado a proteção contra qualquer ato desumano e degradante,
garantindo-lhe, em contrapartida, as condições de existência mínima para uma vida
saudável e condizente a realidade pretendida pelo Texto Constitucional, assim
sendo seus direitos hão de ser ampliados e não reprimidos, atacando o próprio texto
constitucional.
Por sua vez, Mendonça (2003, p. 218) entende que:

A proibição de retrocesso fundamenta-se no princípio da efetividade das


normas constitucionais, segundo o qual, tornando eficaz e efetivo um
dispositivo da Constituição por meio de uma lei ordinária, fica interdito ao
legislador proceder a revogação pura e simples dessa legislação, pois, se a
Constituição é um dever-ser, que adquire força normativa a partir do
momento em que logra realizar progressivamente a sua vontade expressa
no pacto constituinte, nada mais natural do que obstar a ab-rogação da lei
16

concretizadora; significa evitar a destruição, inutilização, degradação,


mitigação de certas instituições ou serviços sociais.

Importante salientar que todas as normas constitucionais possuem grau de


eficácia, como o direito à educação. E quando se trata de criança e adolescente,
temos uma absoluta prioridade em se fazer cumprir esse direito estabelecido não só
no estatuto da Criança e do Adolescente, mas também o art. 5º, §1º da C.F. o qual
tem aplicação imediata, contra-atacando qualquer ameaça e lesão a este direito.
E apesar deste princípio não está diretamente expresso na Constituição
brasileira, a proibição de retrocesso social, entende-se como integrante do nosso
ordenamento jurídico por conta de interpretação previstas no próprio texto
Constitucional como já vimos desde o inicio. Reforçando esta posição:

Assim, a proibição de retrocesso assume feições de verdadeiro principio


constitucional fundamental implícito, que pode ser reconduzido tanto ao
principio do Estado de direito (no âmbito da proteção da confiança e da
estabilidade das relações jurídicas inerentes a segurança jurídica) quanto
ao principio do Estado Social, na condição de garantia da manutenção dos
graus mínimos de segurança social alcançados, sendo, de resto, corolário
da máxima eficácia e efetividade das normas de direitos fundamentais
sociais e do direito a segurança jurídica, assim como da própria dignidade
da pessoa humana. (SARLET, 2006, p. 223).

A proibição do não retrocesso social está acontecendo e na medida se sua


supressão estamos vendo e calados estamos diante de um judiciário inerte,
congelado e estagnado deixando o legislativo agir de forma autoritária, sem
fundamentos concretos baseados apenas no rombo de sua própria administração. A
finalidade de ilustrar a preservação do núcleo essencial dos direitos fundamentais
como forma de se garantir o princípio da proibição de retrocesso social, pode-se dar
continuidade ao exemplo supra exposto, uma vez que, aumentadas as demandas
sociais em prestações como saúde e previdência social e diminuídas a necessidade
de investimento em educação infantil, em razão da diminuição da taxa de natalidade
e do aumento da expectativa de vida, e natural que haja uma redução dos
investimentos do Poder Publico no segmento educação. Todavia, cumpre advertir
que, essa redução não poderá comprometer o direito social educação ao ponto de
suprimir ou abolir esse direito, em outras palavras, o núcleo essencial devera ser
preservado, pois o seu descumprimento implica na nulificação do próprio direito
fundamental social, a educação.
17

CONCLUSÃO

Nos últimos tempos, a escola tornou-se alvo de preocupação da sociedade,


dos intelectuais, dos políticos. Qualidade do ensino, exclusão de novas disciplinas,
abordagem de problemas atuais, capacitação de professores, adoção de novas
tecnologias etc. São temas discutidos por toda parte. Pais acusam a escola de não
cumprir satisfatoriamente o seu papel. Professores querem os pais como parceiros
na formação das crianças. Parte dessa preocupação está na confusão que existe
entre educar e ensinar – que não são sinônimos e nem, necessariamente,
acontecem ao mesmo tempo ou depende um do outro.
Para uma educação de qualidade é necessário uma ação educativa eficiente
e capaz de transformação. A educação tem que ser uma prática de liberdade, como
expresso por Paulo Freire. Bons professores, bem remunerados, investimento em
infraestrutura, bibliotecas, atividades criativas, formação continuada de professores,
avaliações periódicas. Assim, se a sociedade não se modernizar em suas relações
sociais construídos através de um sistema educacional fundamentado em princípios
humanistas e ajustados às necessidades do homem, correrá o risco de o processo
educacional apenas reproduzir relações sociais de acordo com as conveniências do
capital.
Porém, para alcançar o pressuposto faz-se necessária ação conjunta do
Estado, da família e da sociedade como um todo. Direito prestacional que determina
uma atitude garantivista que perpassa pela consciência de humanidade a que
estamos submetidos e pelas práticas cotidianas de reconhecimento dos direitos
humanos como direitos a serem sempre e cotidianamente reconstruídos nas práticas
sociais, em particular, na educação.
Direitos sociais são autênticos direitos fundamentais, pelo fato de estarem
agasalhados no Capítulo II, Título II, da Constituição, que trata dos Direitos e
Garantias Fundamentais, bem como pelo fato de tais direitos terem aplicabilidade
direta e imediata, a teor da Constituição, cabendo aos órgãos estatais propiciarem a
máxima eficácia e efetividade desses direitos.
Portanto, tem aplicabilidade imediata, embora sua realização integral só
possa se dar de forma progressiva, não podendo ser suprimida pelo ordenamento
jurídico por meio de emenda Constitucional, direito e dever pertencentes a todos,
mas deve priorizar categorias de pessoas que se encontram numa mesma posição
18

de carência ou Vulnerabilidade, tem como sujeito passivo o Estado, realiza-se por


meio de políticas públicas ou programas de ação governamental, vincula a todos os
poderes públicos (Executivo, Legislativo e Judiciário), que devem adotar medidas –
legislativas, técnicas e financeiras – até o máximo dos recursos disponíveis, para a
satisfação daquilo que foi eleito como prioritário (núcleo mínimo obrigatório),
reconhecendo o direito à educação como um verdadeiro direito.
19

REFERENCIAS

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CANOTILHO, J.J. Gomes. Direito constitucional e teoria da constituição. 7ª ed.,


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