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Há um movimento que impulsiona pessoas cada vez mais a buscar o espiritual sob diversos

contextos. Crise existencial, doenças, insatisfações, angústias, problemas na relação amorosa,


desemprego, etc. são narrativas que servem de pano de fundo para queixas, as mais diversas, cujos
contextos muito parecidos movimentam para essa busca.
A complexidade, cada vez maior, que se encontra na vida e consequentemente no viver provoca
demandas que não comportam mais as explicações simplistas e reducionistas de compreender as
ocorrências, que a todo momento denunciam a falta de habilidade nas interações que estabelecemos.
Muitos são os recursos criados para que possamos nos aperfeiçoar e criar condições favoráveis para
vivermos. Porém, sempre haverá um limite prejudicial se não contemplamos o espiritual. Nessa
dimensão, encontramos um vasto horizonte de possibilidades, mas que, se não bem aproveitadas,
tendem a cair em meio ao vão da credulidade. O espiritual é subjetivo por natureza e, assim sendo,
impulsiona o indivíduo ao acesso de aspectos mais profundos e ainda muito incompreendidos.
O Espiritismo fornece princípios que proporcionam a busca por essa compreensão, legitimada
através da própria experiência, levando à constatação de que somos Espíritos imortais.
Apresentando Deus como uma causa e tratando o fenômeno da reencarnação como mecanismo de
atualização de habilidades e aquisição de valores, o Espiritismo favorece encontrarmos os
indicativos que aplicados nos posicionam positivamente na vida.
Muito se fala em espiritualização, evolução, iluminação, mas pouco se faz pelo espiritual.
Espiritualidade não é isso nem aquilo, não está nos templos, nas igrejas, nos terreiros nem nos
centros espíritas; não está no dar nem no fazer, mas sim em como tudo isso ocorre, transpondo
as conversões do subjetivo.
Podemos entender a espiritualidade como um conjunto de elementos que proporcionam viver com
coerência e sensatez, como amorosidade, respeito, responsabilidade, firmeza, espontaneidade,
alegria, perspicácia, maturidade, autodeterminação, etc. Espiritualidade é ir ao encontro do sentido
existencial, novos conceitos e entendimentos, ampliar a visão de mundo e apreensão da realidade,
que mobiliza forças internas para realização de ações que promovam o entendimento do
funcionamento da vida, o funcionamento de si mesmo, para alcançar a profundidade da
subjetividade individual.
Não basta fazer algo ou alguma coisa, é preciso fazer com sentido, ir além, implicar-se em tudo que
se faz, pois a espiritualidade está presente em cada gesto, cada pensamento, cada sentimento que
existe em nós. Espiritualidade é também viver cada experiência como ela é, levando em
consideração aspectos considerados favoráveis e desfavoráveis, mantendo a compostura e também
perdendo a compostura, “acertando” e “errando”, criando e recriando, mas sempre buscando o
sentido de cada experiência para progressivamente alcançar a adequação nas interações da vida.
Sentido gera vida, que gera movimento, que gera experiências, que gera aprendizados, que gera
adequações e aperfeiçoamento, que gera vida. Espiritualizar-se é encontrar o sentido para cada
momento, cada objeto, cada movimento, adicionando alegria e bom ânimo, identificando o
propósito e viver com intensidade, aproveitando as possibilidades sem medo das experiências de
viver.

Autor: Júlio Leão