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OI, NÓS SOMOS O PRÉVIA

O Prévia – curso pré-vestibular do Instituto de Artes - é uma iniciativa de um grupo de estudantes do curso
de Licenciatura e Bacharelado em Artes Visuais da UNESP que atua desde 2008.

aprendizagem e encontram-se na condição de estudantes de arte.


As aulas, divididas entre teoria e prática, propõem uma forma mais colaborativa e menos linear de construir
o conhecimento desse coletivo formado. E esse conhecimento se vale das trocas entre pessoas diferentes, com
referências e referenciais diferentes, opiniões, gostos e desejos diferentes.
Com relação às aulas práticas, pretende-se desconstruir as convenções criadas a cerca do bom desenho e
do saber desenhar, para, a partir daí, tentar criar um espaço no qual se possa experimentar sem medo de ser feliz.

organizar suas aulas em temas em torno dos quais é possível tecer relações diversas, sensíveis às mais variadas
manifestações estéticas existentes e aos contextos que as cercam.
A elaboração desse material foi pensada como forma de apoio a essa opção pela ausência de cronologia e
linearidade nas aulas. No entanto, a escolha por esse formato de folhas e imagens avulsas ainda se deve a essa
tentativa de olhar a história como uma construção e uma seleção. Construção essa que poderá ser (re)feita por você
e por nós; seleção que ainda se restringe àquela contada pelos livros e esperada pelo vestibular.
Mas como foi dito, é uma tentativa. Vamos tentar juntos. : )

Pessoas envolvidas, Prévia 2013/2014:


No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
Beatriz Ruco Letícia Nakano O delírio do verbo estava no começo, lá
Elise Marie Mayara Wui onde a criança diz: Eu escuto a cor dos
Fabio Kanashiro Raquel Sena passarinhos.
Fernanda Aiub Rafael Limberger A criança não sabe que o verbo escutar não
funciona para cor, mas para som.
Gabriela Motta Rita Bredariolli
Então se a criança muda a função de um
Gabriela Sakata Rosana Ferreira verbo, ele delira.
Gabrielle Navarro Shoji Hirotsu E pois.
Iramaya Haddad Em poesia que é voz de poeta, que é a voz
de fazer nascimentos -
O verbo tem que pegar delírio.

Manoel de Barros

Uma didática da Invenção, In: O livro das


Ignorãças, 1993.
Apoio

Licença Creative Commons


Atribuição - Uso não comercial - Compartilhamento pela mesma licença
(CC BY-NC-SA 3.0)
COMO USAR
Olá caríssimos colegas!
Essa é a apostila do PRÉVIA. Saiba que você tem em mãos um magnífico material para estudos. Cuide bem dele!

Aqui vamos falar de algumas formas de usar o material. De que maneira posso usufruir do meu material para melhor
aproveitamento? É bem simples e divertido:

A Apostila
Este material é dividido em fichas que estão organizadas e numeradas em ordem cronológica. Porém as fichas são
móveis, para que você possa organizá-las da forma que achar mais coerente ou incoerente. Assim, se você se
interessar por uma ordem cronológica, você pode organizar assim; se você quiser ordenar temas relacionados, você
também pode. Como as fichas são móveis, você também pode pegar uma delas (aquela ficha especial que você
tanto gosta), dobrá-la e levá-la consigo para onde for.
Cada ficha abordará um assunto da apostila. Dentre os assuntos abordados temos movimentos artísticos, alguns
conceitos sobre arte, informações a respeito da arte no Brasil e algumas considerações sobre desenho. Além da
numeração das fichas, temos algumas palavras que categorizarão esses assuntos, para quando você olhar a ficha, já
saber do que ela se trata. As palavras são: Movimento, Conceito, Brasil e Desenho. Essas palavras ficarão no canto
superior direito de cada ficha ou folha.

Folha de Índice
Para facilitar a localização da ficha que você quer estudar, existe a FOLHA DE ÍNDICE. Lá você encontrará a lista de
todos os temas abordados nessa apostila, organizados em ordem numérica e em sequência cronológica. Por
exemplo: se você quer consultar a ficha de Pop Art, você irá ver no índice “27-Pop Art”, e a partir daí irá procurar nas
ficha a de número 27. Fácil né?

O Conteúdo
A ficha é composta de dois lados: frente e verso. Na frente há o texto sobre o assunto abordado. Na parte superior
você irá encontrar o título da ficha e uma etiqueta com o tipo de assunto que ela trata (Movimento, Conceito, Brasil
ou Desenho), além da sua numeração. Em toda a lateral direita, há vários quadradinhos com informações que dão
ênfase ao texto (alguma citação de um artista, ou uma informação muito importante e/ou peculiar). Embaixo, no
rodapé, colocamos algumas palavras-chave a respeito do assunto da ficha.
No verso da folha, estão algumas imagens relacionadas ao assunto. Algumas têm imagens com uma borda cinza:
isto quer dizer que elas não se relacionam diretamente com o assunto, mas influenciaram ou foram influenciadas
pelo assunto discutido. No canto direito do verso da folha há uma linha do tempo, em que você está livre para
acrescentar informações que achar importante, ir ligando às outras linhas do tempo de outras fichas e montar um
imenso dominó.

Figurinhas
Para finalizar, temos duas folhas com imagens coloridas. A ideia é que elas sejam consideradas como figurinhas. É só
recortar e colar na ficha que você achar mais apropriada, no espacinho mais legal que você encontrar!

Bora lá! : )
COMO USAR

Etiqueta que especifica se


a ficha se trata de um Imagens sobre o
Movimento, Conceito, tema da Ficha.
Onde e quando. Brasil (movimento
Fatos que acon-
brasileiro) ou Desenho.
teceram durante o
Número Ficha. Tema da Ficha. período do Tema da
Tema da Ficha.
Ficha.

Espaço que contém


citações, curiosidades
ou detalhes importantes
sobre o tema da ficha.

Espaço para colar


figurinha (opcional).

Especificações
sobre as
imagens.

Nomes em destaque
Palavras-chave para do Tema da Ficha. Palavras-chave para
recordar da ficha. recordar da ficha.

Imagem com borda cinza.


Imagem que possui
alguma relação indireta
com o tema da ficha
(Referência/Influência).
ÍNDICE
Número - Movimento / Conceito/ Brasil

01 - Missão Artistica Francesa


02 - Arte Moderna
03 - Arts & Crafts Número - Desenho
04 - Impressionismo
05 - Simbolismo 39 - O Seu Estilo de Desenhar
06 - Pós-Impressionismo 40 - Segurança e Insegurança
07 - Nabis 41 - O Bom Desenho
08 - Art Nouveau 42 - Sua Intenção Contra o Resultado
09 - Die Brücke 43 - O Truque da Perspectiva
10 - Fauvismo 44 - Luz e Sombra Fatal
11 - Cubismo 45 - Exercícios
12 - Futurismo
13 - De Blaue Reiter
14 - Suprematismo
15 - Dadá
16 - De Stijl
17 - Bauhaus
18 - Construtivismo
19 - Surrealismo
20 - Modernismo Brasileiro
21 - Instalação
22 - Realismo Socialista
23 - Grupo Santa Helena
24 - Expressionismo Abstrato
25 - Minimalismo
26 - Concretismo
27 - Pop Art
28 - Op Art
29 - Neoconcreto
30 - Happening
31 - Arte Contemporânea
32 - Performance
33 - Land Art
34 - Video Art
35 - Grupo Rex
36 - Arte Conceitual
37 - Geração 80
38 - Hiper-Realismo
Brasil
FICHA

01

MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA


Brasil, 1816 "Debret vê no Brasil um povo
ainda na infância, contudo de
A Missão Artística Francesa foi um grupo de artistas franceses que exuberância atordoante. Esse
aportou no Rio de Janeiro em 26 de março de 1816, figurando como uma olhar estrangeiro, por vezes
referência fundamental para a compreensão das profundas mudanças assemelha-se ao olhar da criança
sofridas pela história das artes plásticas no Brasil durante o século XIX. - o olhar-imaginação, que
estabelece conflito entre o que vê
Liderado por Joachim Lebreton (1760-1818), o grupo tinha por e o que acha que vê. Debret vê o
objetivo fundar a primeira Academia de arte no Reino Unido de Portugal, Brasil como imensas manchas de
Brasil e Algarves, título dado ao Brasil, até então colônia, por se tornar reino cor, seu olhar é pictórico; não
unido de Portugal, fato intimamente relacionado à mudança da corte obstante, em sua narrativa, por
lusitana para o Brasil e às decisões do Congresso de Viena. vezes o imaginário precede o
Acompanhavam-no o pintor histórico Jean-Baptiste Debret (1768-1848), o diagnóstico – o real é construído.
paisagista Nicolas Taunay (1755-1830) e seu irmão, o escultor Auguste Marie Especialmente no que se refere à
Taunay (1768-1824), o arquiteto Grandjean de Montigny (1776-1850) e o figura silvícola: os índios xavantes
gravador de medalhas Charles-Simon Pradier (1786-1848). que retrata são parrudos,
grandiosos e belos [o imaginário
A missão passou por várias dificuldades. A Escola Real de Ciências, em ação], não se vinculam ao
Artes e Ofícios foi criada por decreto em 1846 mas não chegou de fato a real imediato." (BETA, Janaína
funcionar devido a entraves políticos e sociais, como a resistência de Laport. Debret: um olhar
membros governo português à presença francesa, a falta de materiais e estrangeiro, 2007)
infraestrutura e até a falta de interesse da população por temas ligados à arte.
A escola só abriu as portas dez anos depois do primeiro decreto.

Durante o esse período de espera, os artistas continuaram com suas


atividades. Debret e Montigny aceitaram encomendas reais. O primeiro
realizava diversas telas para a família real (Foto 1) e também se dedicava ao
ensino de desenho e pintura num espaço alugado, ao mesmo tempo em que "Após a morte do Conde da Barca,
criava as aquarelas que marcariam sua obra da fase brasileira (Foto 2). O em 1817, Lebreton percebeu que
último era o responsável pelo edifício da Academia Imperial de Belas Artes seu projeto de implantação da
(AIBA) (Foto 3) e outras obras públicas, como o prédio da Alfândega (atual Academia de Artes demoraria
Casa França-Brasil). Idealizam também, juntamente com Auguste Taunay, a ainda muito a se realizar. Cansado
ornamentação da cidade do Rio de Janeiro. Nicolas Taunay, que se viu de lutar contra a inércia e a má
encantado pela natureza tropical do país, seguiu pintando paisagens. vontade governamentais, retirou-
se para uma chácara na praia do
A morte de Lebreton, as novas direções da escola e a volta de Taunay Flamengo, onde faleceu em 1819
para a França são fatores que contribuíram para uma novo ideal de academia, aos cinquenta e nove anos." (
distante dos planos originais. TAUNAY, Afonso de Escragnolle. A
missão artística de 1816, 1983)
O grupo fixou sua importância na história não só por introduzir o
ensino formal de artes no Brasil, mas por mostrar que o artista poderia tomar
a posição de homem livre, diferente do artista-artesão, submetido
geralmente aos temas da igreja e seus paradigmas.

Principais Nomes:
Joachim Lebreton (1760-1819), Jean-Baptiste Debret (1768-1848), Nicolas
Taunay (1755-1830), Auguste Marie Taunay (1769-1824), Grandjean de
Montigny (1776-1850), Charles-Simon Pradier (1786-1847)

ligações: queda de napoleão, portugal, academia, ínicio do século XIX, neoclassicismo, frança, rio de janeiro
MISSÃO ARTÍSTICA FRANCESA linha do tempo
1800 A população mundial atinge
um bilhão de pessoas.

1801 Primeira demonstração prática


do tear automático de Joseph-Marie
Jacquard.
02

1808 Chegada da família real portu-


01 guesa ao Brasil.

1816 O Grupo aporta no Rio de Janeiro.

1819 Morte de Lebreton.

03
04
1826 Inauguração da Escola Academia
Imperial.

05

01. Debret, Jean-Baptiste. Retrato de D. João VI, 1817 - óleo sobre tela, 60 x 42 cm. 02. Debret,
Jean-Baptiste. Caboclo, 1820-1830 - aquarela sobre papel, 22 x 27,2 cm. 03. Montigny, Grandjean de.
Frontispício da Academia Imperial, 1891 - Reprodução fotográfica. 04. Ferrez, Marc. Busto de D. Pedro I,
1826 - gesso. 05. Taunay, Nicolas-Antoine. Moisés salvo das águas, 1827 - óleo sobre tela 65 x 81,5 cm.

ligações: queda de napoleão, portugal, academia, ínicio do século XIX, neoclassicismo, frança, rio de janeiro.
Conceito
FICHA

02

ARTE MODERNA É importante lembrar que o


realismo e seus pintores não
A chamada Arte Moderna se refere aos desenvolvimentos estéticos das artes fizeram parte da Arte Moderna,
nos fins do século XIX e início do século XX, período marcado pelas que tem seu marco com o Impres-
revoluções industriais e pelas novas descobertas da ciência que sionismo, mas começaram a
proporcionaram ao mundo e, mais precisamente às economias capitalistas superar as estéticas clássicas e
europeias, uma nova onda de progresso e anseio pelo moderno. românticas.

A burguesia industrial se consolida no poder e, de classe revolucionária,


passa a ser tradição, estabelecendo uma “nova cultura romântica”, feita para “A arte moderna cria ou cristaliza
enobrecer os bons costumes burgueses. A prática do neocolonialismo, uma consciência estética
caracterizada pela dependência econômica e dominação política das realmente continental. É talvez o
potências capitalistas sobre os povos tidos como primitivos, por estarem mais profundo e inesperado
alheios às revoluções tecnológicas, gerou contato com a cultura de outras indício, depois da formação dos
civilizações que até então sofriam pouca influência ocidental e capitalista. Estados nacionais europeus, de
Isso significou a descoberta de novas formas de expressão e novos valores que no substrato estão os funda-
estéticos, independentes, não “aburguesados” nem “domesticados” pela mentos de uma cultura efetiva-
economia industrial. Também instigou os artistas a procurarem uma mente europeia. Esta, no entanto,
linguagem clássica. sente-se em crise, e daí o empenho
de seus artistas em revivê-la pela
Outro fator importante para tal mudança é a industrialização: a fabricação de contribuição de outras culturas até
tintas em tubo, a produção em larga escala, a popularização da fotografia então consideradas primitivas ou
(que contribuiu para a contestação da utilidade da pintura). Essas mudanças esteticamente inferiores.” (Pedrosa,
foram designadas por Walter Benjamin (1892- 1940) como “era da p. 154)
reprodutibilidade técnica” abrem para discussão novas potencialidades da
obra de arte, questionando sua autenticidade.
O termo “primitivo” é usado em
oposição à ideia de “civilização”, e
A modernidade instala-se definitivamente e, inerente a ela, o caráter efêmero
ambos possuem denotações
das novidades, das necessidades, das imagens e tendências, das vanguardas
variáveis de acordo com o lugar
artísticas caracterizadas durante a maior parte do século XX pelos “ismos”.
de onde se fala, sendo que o
primeiro geralmente ocupa um
O rompimento com os temas clássicos e o advento da tecnologia são
lugar inferior. Aqui nesse contexto,
acompanhados na arte moderna pela superação das tentativas de
primitivo era empregado sob um
representar um espaço tridimensional sobre um suporte bidimensional. A
ponto de vista eurocêntrico, isto é,
consciência da tela plana, seus limites e rendimentos, inaugura o espaço
aplicava-se aos povos não indus-
moderno na pintura. Os primeiros indícios de distanciamento acontecem
trializados, não cristãos, portanto,
quando os pintores do realismo introduzem em suas obras figuras até então
não civilizados...
rejeitadas, negando-se a idealizar o mundo como faziam os clássicos e os
românticos. Gustave Courbet (1819 - 1877), pintor realista, foi um dos
primeiros a balançar as bases estáveis do bom gosto burguês ao exibir sua “Só surgirá uma fotografia de alto
tela A Origem do Mundo. nível estético quando os fotógra-
fos, deixando de se envergonha-
A arte moderna é composta por características e exigências de uma cultura rem por serem fotógrafos e não
preocupada com a ideia de progresso, desejosa de afastar-se de todas as pintores, cessarem de pedir à
tradições, voltada para a superação contínua de suas próprias conquistas. pintura que tornem a fotografia
artística e buscarem fonte do valor
estético na estruturalidade
intrínseca à sua própria técnica.”
(Argan, p. 81)

ligações: industrialização, rompimento com o clássico, vanguardas, reprodutibilidade técnica, neocolonialismo, primitivo, burguesia
ARTE MODERNA linha do tempo

1835 Início da Guerra dos Farrapos,


que durou até 1845.

1859 Charles Darwin publica “A


origem das espécies”.

1871 Fundada a Comuna de Paris.

01

1880 Rodin esculpe “O pensador”.

1886 - Gustave Courbet exibe pela


primeira vez sua tela “A origem do
mundo”;
02 02 - Pemberton, farmacêutico norte-
americano, inventa a coca-cola.

1895 Irmãos Lumière constroem o


primeiro aparelho cinematográfico.

04 05 06 1936 É publicado o ensaio “A obra de


arte na sua reprodutibilidades técnica”,
do filósofo alemão Walter Benjamin.
01. Primeira fotografia da história “Vista da Janela em Le Gras”(1826) - Nicéphore Niépce(1765 - 1833) – 20
x 25 cm, fotografia. 02. Mont-Saint Victorie(1900) - Paul Cézanne (1839–1906). 78 x 99 cm, pintura sobre
tela.03. A origem do mundo, 1866 - Gustave Courbet(1819- 1877). – 46 x 55 cm, óleo sobre tela 04. Essai de
figure en plein-air: Femme à l'ombrelle tournée vers la gauche, 1886 - Claude Monet(1840-1926).- 131 x 88
cm, oleo sobre tela 05. Autorretrato(1907) - Pablo Picasso(1881 –1973)- 50 x 46 cm, Óleo sobre tela. 06.
Girassóis(1888) – Vincent van Gogh.( 1853-1890)- 92,1 x 73 cm, óleo sobre tela.

ligações: industrialização, rompimento com o clássico, vanguardas, reprodutibilidade técnica, neocolonialismo, primitivo, burguesia
Movimento
FICHA

03

ARTS & CRAFTS


Inglaterra desde 1960 e, posteriormente, EUA e Japão

O movimento Arts & Crafts surgiu durante o fim do período Vitoriano


na Inglaterra e logo espalhou-se pela Europa e Estados Unidos até emergir “Se você quer uma regra de outro
finalmente no Japão, sob o nome Mingei (Folk Crafts). Foi uma reação direta que sirva para tudo, é esta: não
à Primeira Revolução Industrial, cuja produção em massa vinha extinguindo tenha nada em sua casa que você
a produção artesanal, substituindo-a por produtos industriais esteticamente em que você não veja função ou
pobres e de má qualidade. acredite ser bonito.”

William Morris, designer e filósofo, liderou este movimento cujas bases — William Morris
ideológicas eram de cunho socialista e reformista, inspiradas em Walter
Crane e John Ruskin, entre outros. Revoltado com a desumanização do
trabalho, Morris acreditava que a produção deveria ser feita "para pessoas e
por pessoas, e ser uma fonte de prazer para o produtor e o usuário".

A rejeição à maquina surgiu, naturalmente, mas o movimento como um todo


não era de modo algum anti-moderno ou anti-industrial. Apenas buscava
resgatar a relação direta entre produtor e produto, imensamente prejudicada
pela linha de montagem, na qual o trabalhador realizava um trabalho "Nós não rejeitamos a máquina,
mecânico seccionado e que o distanciava da criação. Trabalhar se tornara nós damos as boas vindas a ela.
uma experiência desagradável e isso se refletia nos produtos. Mas gostaríamos de ver ela
dominada."
Em 1884, foi criada a "Art Worker's Guild", uma oficina em que a barreira entre
arquitetos, designers, artesãos e trabalhadores manuais era dissolvida. O - Charles Ashbee
sucesso do movimento não se deve somente à sua estética, e sim às
convicções apaixonadas que o moviam. As oficinas e guildas que eram
inauguradas tinham grande impacto positivo na vida das comunidades.

Para objetos produzidos pela Arts & Crafts - em sua maioria peças para casas
e mobiliário - não era estipulada uma estética, mas alguns princípios
determinavam uma semelhança global entre eles. As formas deveriam ser as
mais simples possíveis, contrariando a complexidade gratuita e pesada
criada pela indústria. O formato deveria respeitar e ser verdadeiro com o
material, de preferência regional, cujas qualidades específicas deveriam ser
contempladas e valorizadas. As superfícies, normalmente lisas, eram
decoradas com padrões e motivos inspirados na natureza porém sem
intenção realística.

Infelizmente, os custos de uma produção artesanal eram extremamente


altos, levando a um preço de mercado que limitava os compradores às
camadas mais ricas da sociedade. Desde modo, a ideia de arte para as
pessoas se perdeu e aos poucos tornou-se impraticável se sustentar como
artesão.

Principais Nomes
William Morris (1834-86), John Ruskin (1819-1900), Walter Crane
(1845–1915)

ligações: artesanato, revolução industrial, design, produção em massa


ARTS & CRAFTS linha do tempo

1887 Inaugurada em Londres “Arts


and Crafts Exhibition Society” cujo
objetivo era promover a exibição de arte
decorativa lado a lado com as belas artes.
Esta exposição deu origem ao nome do
movimento.

02

1897 A cidade de Boston recebe a


primeira Sociedade das Artes e Ofícios
da América do Norte, marcando o início
da disseminação do movimento no meio
artístico norte-americano.

01

1913 Henry Ford concebe a linha de


montagem, inicialmente utilizada na
03 produção de automóveis e posterior-
mente considerada uma das mais
importantes inovações na história da
tecnologia.

Obs.: antes desta data, o sistema já era utilizado


nas fábricas em formas primitivas

04

05 1914 Início da Primeira Guerra


Mundial, tempo em que o movimento
Arts & Crafts já estava praticamente
morto.
01. MORRIS, William. Tulipa e Salgueiro, 1873. 02. GREENE, Charles Sumner. Cadeira, 1907-9. 03. GALNER,
Sara. Vaso, 1915. 04. TIFFANY, Louis Comfort. Luminária pendente, 1899. 05. WRIGHT, Frank Lloyd. Sala de
estar da Pequena Casa em Wayzata, Minnesota, 1912-14.

ligações: artesanato, revolução industrial, design, produção em massa


Movimento
FICHA

04

IMPRESSIONISMO
França, entre as décadas de 1860 e 1880
“Em relação ao trabalho com as
cores pela técnica da mistura ótica
O movimento surge na ascensão do sistema capitalista e da
- cores que se formam na retina do
industrialização, que trazia uma nova concepção materialista do mundo e
observador e não pela mistura de
inaugurava o que chamamos de Arte Moderna. Muitas ideias revolucionárias
pigmentos - , cabe observar o
se desenvolvem nesse período e a ciência conhece um grande avanço com
diálogo que estabelecem com as
as pesquisas no campo da ótica, física e química, que estabelecem um
de Chevreul, Helmholtz e Rood.”
diálogo com as ideias impressionistas.
(itaucultural.org.br)
Foi principalmente a fotografia que instigou os impressionistas a
redefinirem sua essência e finalidade e a separarem-se radicalmente das
tradições. A fotografia abalou a imagem e função do pintor: este não era mais
o responsável pela captação da imagem em seus mínimos detalhes, com O termo Impressionismo tem
extrema perfeição. A partir daí iniciou-se a busca de outras possibilidades origem no comentário pejorativo
para a pintura. Com o advento da tinta em tubo, os pintores começaram a feito pelo crítico de arte Louis Leroy
sair de seus ateliês e buscar paisagens externas. Desse modo, procuravam com relação à tela “Impressão, Sol
captar a impressão cromática que a luz causava aos olhos e como ela poderia Nascente”, pintada em 1872 por
ser representada em uma tela de forma rápida e sincera. Consequentemente Claude Monet. Assim escreve no
começou um movimento de questionamento do que poderia ser, enfim, a “Charivari”: “Impressão, Nascer do
realidade. Sol – eu bem o sabia! Pensava eu,
se estou impressionado é porque lá
Com figuras que pareciam inacabadas, os artistas criavam um há uma impressão. E que liber-
movimento mais orgânico e natural. Também na escultura encontramos dade, que suavidade de pincel! Um
nomes importantes do impressionismo, como Degas (1834-1917) e Renoir papel de parede é mais elaborado
(1841-1919), que foram os únicos pintores que também esculpiram, e ainda que esta cena marinha”. Continua
Rodin (1840-1917) e Rosso (1858-1928), que foram exclusivamente Leroy: “Selvagens obstinados, não
escultores. querem por preguiça ou incapaci-
dade terminar seus quadros.
Trabalhos de outros artistas também influenciaram este movimento, Contentam-se com uns borrões
como o de Manet (1832-1883), que pode ser considerado o precursor do que representam suas impressões.
grupo, embora nunca tenha se considerado um impressionista; e as Que farsantes! Impressionistas!”
estamparias japonesas, que não seguiam a perspectiva e as normas de (abstracaocoletiva.com.br)
composição da academia ocidental.

Os impressionistas buscavam registrar as sensações visuais imediatas,


libertando-as das experiências anteriores que pudessem interferir em seu
“Ao desembocar do século, a
caráter imediatista. Eles queriam registrar o aspecto efêmero da vida e
revolução espiritual trazida pelas
interessavam-se por temáticas referentes a experiências cotidianas em
artes pláticas tinha vencido,
detrimento das temáticas tidas como nobres, desconsiderando as
praticamente, sua fase inicial
convenções e regras da academia.
desbravadora. Os líderes do
impressionismo não causavam
mais revolta nem escândalo, nem
morriam de fome. Iam entrar, com
Principais Nomes
Renoir, Monet e , junto com eles,
Manet (1832-1883), Monet (1840-1926), Camille Corot (1796-1875), Gustave
Degas, na fase de glória, da consa-
Coubert (1819-1877), William Turner (1775-1851), John Constable
gração e da fortuna.
(1776-1837), Degas (1834-1917), Renoir (1841-1919), Rodin (1840-1917),
Rosso (1858-1928).

ligações: revolução industrial, fotografia, luz, paisagens externas, efêmero, França.


IMPRESSIONISMO linha do tempo

1826 O francês Nicéphore Niépce


consegue reproduzir e fixar a vista
descortinada da janela do sótão de
sua casa através da ação direta da luz,
o que seria o início da fotografia.

01
1867 Publicação da principal obra do
filósofo alemão Karl Marx, O Capital:
Crítica da Economia e da Política.

1871 Promulgada a Lei do Ventre


Livre que dá liberdade aos filhos de
escravos nascidos no Brasil.
02 03

1872 Monet pinta a tela “Impressão, Sol


Nascente”(foto 01).

1874 Primeira apresentação pública


dos novos artistas impressionistas no
estúdio do fotógrafo Nadar.

04 05
01.Monet, Claude. Impressão, sol nascente, 1872 - óleo sobre tela, 48x63cm. 02. Manet, Édouard. Almoço 1876 Alexander Graham Bell patenteia
sobre a relva, 1862–1863 - óleo sobre tela, 208x264cm (REFERÊNCIA). 03. Degas, Edgar. A primeira uma invenção que ele chama de
bailarina,1878 - pastel sobre papel, 58x42cm. 04. Monet, Claude. A Canoa Sobre o Epte, 1890 - óleo sobre telefone.
tela, 133x145cm. 05. Rodin,Auguste. O beijo, 1882–1889 - mármore, 1,82 m x 1,12 m x 1,17 m.

ligações: revolução industrial, fotografia, luz, paisagens externas, efêmero, França.


Movimento
FICHA

05

SIMBOLISMO
França, década de 1880 e 1890
O Simbolismo pode ser entendido
com uma reação ao desenvolvi-
É uma corrente artística de timbre espiritualista.
mento da sociedade industrial e
Apresentou forte ligação entre modalidades de arte: música, literatura e
do cientificismo, pois ele não
pintura. Todas as artes queriam expressar a vida interior, a “alma das coisas”
busca a técnica, o estudo nem a
numa linguagem poética.
representação naturalista dos
impressionistas. O que ele almeja
Em 1886 torna-se um movimento consciente com o Manifesto
é a pura expressão poética e lírica.
Simbolista do poeta Jean Moréas. Nos termos de Moréas, a arte deve ser
Nessa época o pensamento
pensada como fusão de elementos sensoriais e espirituais. Trata-se, diz ele,
realista e parnasiano entrava em
de “revestir a ideia com formas sensíveis”.
decadência na Europa e ali
chegavam influêcias orientais
O simbolismo pretendia superar a pura visualidade defendida pelo
impressionismo. Enquanto os artistas impressionistas fundamentam a
pintura sobre leis científicas da visão, os simbolistas seguem uma trilha
espiritualista e anticientífica: a arte não representa a realidade mas revela,
através de símbolos, uma realidade que escapa à consciência. Se o
impressionismo fornece sensações visuais, o simbolismo almeja apreender O simbolismo é disseminado na
valores transcendentes - o Bem, o Belo, o Verdadeiro, o Sagrado. França com a ajuda de uma série
de revistas, como por exemplo Le
A arte visa a retomar a paixão, o sonho, a fantasia e o mistério, Simbolisme (1886), La plume
explorando um universo situado além das aparências sensíveis. Mobiliza um (1889), La Revue Blanche (1891) e
imaginário povoado de símbolos religiosos, de imagens tiradas da natureza, Le Mercure de France (1889),
de fantasias oníricas, de figuras femininas (tanto a ninfa quanto a "mulher considerado órgão oficial do
fatal"), dos temas da doença e da morte. Os artistas trabalham esse repertório movimento.
comum a partir de estilos diferentes.

A "pintura literária" de Gustave Moreau (1826-1898), por exemplo,


focaliza civilizações e mitologias antigas, com o auxílio de imagens místicas, Na História da Arte existem
tratadas com forte sensualidade (”A Aparição”, imagem 1). Odilon Redon pintores que são considerados
(1840-1916), por sua vez, explora em desenhos e litografias diversos temas autodidatas. Um exemplo é o
fantásticos, sob inspiração da literatura de Edgar Allan Poe (1809-1849). Paul artista Henri Rousseau, que
Gauguin (1848-1903) e seu grupo de Pont-Aven (1886-1891) são pintava paisagens primitivas,
freqüentemente aproximados do simbolismo, sobretudo em função das fantásticas e é considerado um
obras expostas no Café Volpini, em 1891. Aí apresentam trabalhos precursor do Surrealismo.
antinaturalistas, com amplas áreas de cores planas e contornos marcados. A
partir desses estudos de Gauguin se desenvolverá o termo Sintetismo e o
grupo Nabis (Ficha 5).
A musicalidade é uma das carac-
terísticas que mais se destaca na
estética simbolista. Para conseguir
Principais Nomes
aproximação da poesia com a
Gustave Moreau (1826-1898), Odilon Redon (1840-1916), Maurice Denis
música os simbolistas lançaram
(1970-1943), Paul Sérusier (1864-1927), Paul Gauguin (1848-1903), Edvard
mão de alguns recursos: a alitera-
Munch (1863-1944).
ção (repetição sistemática de um
Na literatura: Charles Baudelaire (1821-1867) - As Flores do Mal
mesmo fonema consonantal), e a
Na literatura brasileira: Augusto dos Anjos (1884-1914) - Eu
assonância (repetição de fonemas
vocálicos).

ligações: decandentismo, inconsciente, subjetividade, eu interior.


SIMBOLISMO linha do tempo
1848 Acontece a Primavera dos
Povos.

1848 Marx e Engels escrevem o


Manifesto Comunista.

1857 É publicado o livro “As Flores do


Mal”, de Charles Baudelaire.

1886 O Manifesto Simbolista é


escrito pelo poeta Jean Moréas.

1893 Chega o Simbolismo no Brasil,


01 02 com a publicação das obras Missal
(prosa) e Broquéis (poesia), ambas de
autoria de Cruz e Sousa.

1905 Primeira exibição fauvista.

1905 Die Brücke é fundada.

03 04

1922 Considerado o fim do simbo-


lismo, com a Semana de Arte Moderna
no Brasil.
01. Moreau, Gustave. A Aparição, 1876 - óleo sobre tela, 103x142cm. 02. Redon, Odilon. Orfeu, 1898 -
pastel, 69x56 cm. 03. Rousseau, Henri. A Cigana Adormecida, 1897 - óleo sobre tela, 129,5x200,7cm. 04.
Gauguin, Paul. Breton Bathers, 1889 - litografia, 24,5×20cm.
1924 Surrealistas lançam Manifesto.

ligações: decadentismo, inconsciente, subjetividade, eu interior.


Movimento
FICHA

06

PÓS-IMPRESSINISMO
França, entre os anos 1885 e 1905
“Não se sentiam obrigados a
O pós-impressionismo não é considerado uma vanguarda com respeitar a natureza tal como a
manifesto ou um movimento artístico com período, estilo e ideologia viam. Seus quadros [de Cézanne]
definidos. são, antes, arranjos de formas que
aprenderam com o estudo da
O termo pós-impressionismo, criado pelo teórico Roger Fry antiguidade clássica.” (Gombrich)
(1866-1934), é usado para designar uma arte que se desenvolve a partir do
impressionismo (ficha 04) ou reage a ele. Consideravam a ideia de análise da
realidade dos impressionistas restritiva, superficial e ilusionista. Usando como ponto de partida o
método impressionista de pintura,
Cada artista pós-impressionista tinha um estilo e pesquisas próprias. Seurat estudou a teoria científica
Essas pesquisas possibilitaram aos artistas posteriores uma infinidade de da visão cromática e decidiu
novas práticas, fazendo com que surgissem novas linhagens nas artes e construir seus quadros por meio
começando a era das vanguardas. Para trazer renovação na arte ocidental, os de pequenas e regulares pincel-
artistas pós-impressionistas buscavam inspiração em culturas diferentes das adas de cor ininterrupta como um
que estavam inseridos. Podemos destacar a relação de Toulouse Lautrec mosaico. Esperava que as cores se
(1864-1901) com a arte japonesa e de Gauguin (1848-1903) com a cultura das misturassem no olho sem que
ilhas do pacífico. perdessem sua consistência e
luminosidade. Essa técnica se
Paul Cézanne (1839-1906), um dos mais importantes artistas tornou conhecida como pontil-
pós-impressionistas, influenciou vanguardas marcantes da história da arte, hismo, ou neoimpressionismo.
como o Fauvismo (ficha 10) e o Cubismo (ficha 11), por causa de seu método
de estruturação geométrica das formas naturais e apreciação direta dos
efeitos de luz e cor. Ele é considerado o progenitor do abstracionismo.

Vincent van Gogh (1853-1890), outro importante pós-impressionista,


influenciou mais tarde os expressionistas e fauvistas com suas pinceladas “Um domingo de verão na grande
largas de cores fortes e expressivas que não tentavam imitar as cores da jatte” de Seurat, exposta na última
natureza. mostra impressionista de 1886,
anuncia o neo-impressionismo,
Toulouse-Lautrec precedeu a publicidade e as artes gráficas, além ter explicitando divergências no
influenciado estilos como a Art Noveau (ficha 08). Gauguin, simplificando o interior do movimento que reuniu
desenho e usando cores puras e planas, exerceu influência sobre os fauvistas. Claude Monet (1840-1926), Pierre
Auguste Renoir (1841-1919),
Edgar Degas (1834-1917) e tantos
outros.

Principais Nomes
Paul Cézanne (1839-1906), Vincent van Gogh (1853-1890), Paul Gauguin
(1848-1903), Henry de Toulouse-Lautrec (1864-1901), Maurice Brazil
Prendergast (1858-1924), Stuart Davis( 1892-1964). No Brasil se destacam
Eliseu Visconti (1866-1944), Milton Dacosta (1915-1988), Anita Malfatti
(1889-1964).

ligações: cores puras, expressão, abstração, vanguardas, França, primitivo.


PÓS-IMPRESSINISMO linha do tempo

1873 Aparecem as primeiras fotogra-


fias coloridas.

1874 Os impressionistas fazem a


primeira exposição em grupo.

01 02

1880 Van Gogh inicia sua carreia de


pintor.

1885 Primeiro automóvel a motor é


fabricado.

1886 Os impressionistas fazem a


última exposição.
03 04
1888 Van Gogh corta o lóbulo da
orelha.

1889 Nasce Hitler.

1889 Van Gogh produz “A Noite Estre-


lada”.

1891 Gauguin vai para o Taiti.

1893 Difunde-se o Art Nouveau.

1895 Os irmão Lumière introduzem o


cinema.
05
1896 Toulouse Lautrec produz
cartazes como “Le Chat Noir”.
01.Lautrec, Toulouse. Baile no Moulin Rouge, 1890 - óleo sobre tela, 115x150cm 02.Lautrec, Toulouse. Le
Chat Noir , 1896 - cartaz, 135,9x95,9cm. 03.Gauguin,Paul. Femmes de Tahiti, 1892 - óloe sobre tela, 67x91
cm. 04.Cézanne, Paul. Natureza Morta com Maçã e Laranjas, (1895-1900) - óleo sobre tela, 73x92cm.

ligaçoes: cores puras, expressão, abstração, vanguardas, França, primitivo.


Movimento
FICHA

07

NABIS
Paris, 1888 a 1900 “Nenhum outro artista pode mos-
trar melhor do que Bonnard a
Grupo de pintores franceses atuantes em Paris de 1888 a 1900. enorme influência do pensamento
Grandemente influenciados pelo uso expressivo da cor e dos padrões filosófico de Henri Bergson sobre
rítmicos da obra de Paul Gauguin (1848 – 1903), dedicaram-se a perseguir toda a cultura e a arte francesa das
este padrão estético. primeiras décadas do século XX,
empenhado em explicar os proces-
Paul Sérusier (1864-1927) ao retornar a Paris de Pont-Aven no outono sos da vida interior, o sentido
de 1888, apresenta a seus colegas estudantes da Académie Julian um novo profundo do tempo, da memória,
modo de usar cor e design dentro do Sintetismo. Esse modo é exemplificado da imaginação e da matéria; isto
numa paisagem corajosamente simplificada pintada em uma tampa de caixa explica por que, na história da
de charutos sob orientação de Gauguin, que mais tarde ficou conhecida pintura, cabe a Pierre Bonnard um
como “O Talismã” (foto 01). papel sob muitos aspectos
próximo ao de Marcel Proust na
Já partilhando interesse comum pela filosofia idealista e pelos história da literatura”. (ARGAN,
recentes desenvolvimentos do simbolismo na literatura, o grupo se uniu e 2006, p.142)
adotou o nome esotérico de Nabis, do hebraico “profetas”, por sugestão do ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna
poeta Henri Cazalis, o que revela o entusiasmo do grupo frente aos Do Iluminismo aos movimentos
revolucionários ensinamentos de Gauguin e seu desejo anti-academicista. contemporâneos, Denise Bott-
mann e Federico Carotti (trad.), São
Embora não possa ser identificado um verdadeiro estilo do grupo, Paulo: Companhia das Letras, 2006
houve uma exploração comum de certos recursos estilísticos decorativos,
tais como o desenho simplificado, as manchas de cor planas e os contornos,
inspirados na obra de Gauguin e Emile Bernard, assim como arabescos e
“A pintura é essencialmente
outros dispositivos de padronização inspirados por gravuras japonesas. Estas
uma superfície plana coberta de
características podem ser observadas na foto 02.
cores organizadas segundo
uma certa ordem”
O grupo frequentemente pintava em suportes não convencionais,
como papelão ou mesmo veludo, e explorou um amplo espectro de
Maurice Denis, Definição do
trabalhos decorativos, que vão desde cartazes, telas, papel de parede e
Neotradicionalismo (artigo
luminárias à pintura de cenários ou figurinos para o teatro simbolista.
publicado na revista Art et
Critique em 1890)
A falta de um programa estético claro, objetivo e unificado deixou o
caminho aberto para que os membros do grupo perseguirem seus próprios
caminhos independentes, embora estreitas colaborações em exibições e
outros projetos terem continuado até 1900. Os Nabis se dividiram entre os “De um modo geral a pintura nabi
que mantiveram seu papel no século 20 como disseminadores da estética se subdividia em duas correntes
Nabis e aqueles que se afastaram radicalmente, como Bonnard e Vuillard, principais: uma que remetia
embora mantivessem algo da ênfase original dos Nabis, no propósito plano Sérusier,Denis, Verkade, Roussel e
de pintura decorativa. O grupo teve curta duração, mas deixou à Art Nouveau Ranson para a idade média e para
(ficha 08) seu legado de exploração de linhas sinuosas e de planos de cor Gauguin; a outra remetia a
delimitados por contornos. Bonnard, Vuillard, Vallotton e
outros pintores intimistas ou
Principais Nomes protofauvistas para os japoneses e
Paul Sérusier (1864–1927), Maurice Denis (1870-1943), Pierre Bonnard para Degas...” Sypher; 1960.
(1867-1947), Jéan-Édoaurd Vuillard (1868-1940), Paul Ranson (1864-1909),
Henri-Gabriel Ibels (1867-1936).

ligações: experimentalismo com cores, exploração das formas, Gauguin, cores chapadas.
NABIS linha do tempo

1900 Jogos olímpicos em Paris.


1900 A Grande Feira Mundial, evento
que reunia as inovações tecnológicas
do mundo, acontece em Paris.

1907 Albert Munsell publica “ A Color


Notation”, uma tentativa de organizar
um sistema de cores.

02
01 esqueça de numeras as imagens.
Não

1920 Publicado livro teórico “Teorias


do Simbolismo, de Gauguin a uma nova
ordem clássica” de Maurice Denis.

03

04

01. Paul Sérusier, O Talismã (1888) Óleo sobre madeira. 27 x 21.5 cm. 02. Maurice Denis (1870 -1943) Mme
Ranson with a Cat (1892) Óleo sobre tela, 89 x 45 cm. 03. Jéan-Édoaurd Vuillard, The Green Interior or
Figure in front of a Window with Drawn Curtains (1891). Óleo sobre cartão montado em madeira, 31.1 x 21
cm. 04.Pierre Bonnard , Nu a contre jour (1908) 124,5 x 109 cm.

ligações: experimentalismo com cores, exploração das formas, Gauguin, cores chapadas.
Movimento
FICHA

08

ART NOVEAU
Europa e Estados Unidos, 1890
O art nouveau é um estilo
eminentemente internacional,
Desenvolve-se entre 1890 e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918),
com denominações variadas nos
na Europa e nos Estados Unidos. Estabeleceu-se num período em que se
diferentes países. Na Alemanha, é
iniciava a Segunda Revolução Industrial (1850-1870), o que possibilitava a
chamado jugendstil, em
produção de novos artefatos como móveis, que até então não eram
referência à revista Die Jugend,
produzidos em maior escala e cartazes, que passaram a ser linguagens mais
1896; na Itália, stile liberty; na
exploradas com a invenção da litogravura colorida.
Espanha, modernista; na Áustria,
sezessionstil. (Itaú cultural)
A Art Noveau rompeu com a arte acadêmica e naturalismo, pois
buscava a essência da natureza e não sua superfície. Foi influenciado pelos
impressionistas no que diz respeito a seu apreço por temas naturais e a busca
pelo orgânico.
Enquanto o Impressionismo (ver ficha 4) buscava impressões Em fins do século XIX, na
efêmeras e sensações luminosas, a Art Nouveau baseava-se nas formas, Inglaterra em particular, críticos e
curvas e arabescos, complementados por tons frios. A fonte de inspiração artistas lamentavam o declínio
primeira dos artistas é a natureza e as linhas sinuosas e assimétricas das flores geral do artesanato causado pela
e animais. Victor Horta (1861-1947), um dos seus principais expoentes, revolução industrial e
aprendera com a arte japonesa a descartar a simetria e explorar o efeito das detestavam a própria visão
curvas sinuosas, transpondo-as para estruturas de ferro que harmonizavam dessas imitações baratas e
perfeitamente com os requisitos modernos. pretensiosas, produzidas por
máquinas. (GOMBRICH, Ernst
Apesar de grandes nomes da Art Nouveau serem conhecidos por suas Hans Josef,2000).
pinturas, o movimento exerceu – e exerce até hoje – grande influência na
produção de objetos de decoração e está ligado à origem do design.

Na arquitetura os artistas passaram a pensar em todas as partes, A divulgação de tais críticas não
dando valor aos menores detalhes de um edifício. Buscava a valorização das tinha menor possibilidade de
artes aplicadas: arquitetura, artes decorativas, design, artes gráficas, abolir a produção industrial em
mobiliário, joalheria, etc. Assim colocava-se a “arte nova” ao alcance de todos, massa, embora ajudasse as
pela articulação estreita entre arte e indústria. O foco era atenuar as pessoas abrir os olhos para os
fronteiras entre belas-artes e artesanato pela valorização dos ofícios e problemas que se haviam criado e
trabalhos manuais e pela recuperação do ideal de produção coletiva, como a disseminar o gosto pelo autên-
no movimento social e estético inglês Arts and Crafts (ver ficha 3), liderado tico e o genuíno, o simples e o
por William Morris (1834-1896). “caseiro”. (GOMBRICH, Ernst Hans
Josef,2000).
Principais Nomes
Antonio Gaudí (1852 - 1926), Gustav Klimt (1862 - 1918), Alfons Mucha (1860
-1939), Henri de Toulouse-Lautrec, Victor Horta (1861 - 1947), Emile Gallé
(1846- 1904); August Endell (1871 - 1925), Louis Comfort Tiffany (1848 - 1933), Se a tradição ocidental estava
Jan Toorop (1858 - 1928), Hector Guimard (1867 - 1942), Henry van de Velde excessivamente vinculada aos
(1863 - 1957), Joseph Olbrich (1867 - 1908), Josef Hoffmann (1870 - 1956), velhos métodos de construção,
Ferdinand Hodler (1853 - 1918). poderia o oriente fornecer um
novo conjunto de padrões e novas
ideias? (GOMBRICH, Ernst Hans
Josef,2000).

ligações: jugendstil, arte nova; modern style; liberty; stilo floreale; organicidade; busca pelo artesanal; influência oriental
ART NOVEAU linha do tempo
1891 Promulgada a primeira
constituição republicana no Brasil,
abolindo o voto censitário.

1892 O confete é usado pela primeira


vez no carnaval brasileiro.

1894 Em Londres é inaugurada a Tower


01 Bridge, com a presença do então Príncipe
de Gales, Eduardo VII.

1895 O artista tcheco Alphonse


Mucha produziu um pôster litografado
que apareceu em 1º de janeiro nas ruas
de Paris como uma propaganda para a
peça Gismonda.

02 03
1896 O físico e inventor italiano
Guglielmo Marconi faz a primeira
transmissão de rádio da história.

1899 Sigmund Freud publicou o livro


“A interpretação dos sonhos”, o primeiro
modelo dos processos mentais do
inconsciente.

04
01 . Gustav Klimt, O Beijo, 1907-1908- Óleo e folha de ouro sobre tela, 180 cm × 180 cm.. 02. Antoni Gaudí,
Casa Batlló, 1875-1877- Construção. 03. Victor Horta,A escadaria da Casa Solvay, 1900, reprofução
fotográfica. 04. Louis Comfort Tiffany, Blue Wisteria, 1900–1910- Vidro chumbado e bronze..

ligações: jugendstil, arte nova; modern style; liberty; stilo floreale; organicidade; busca pelo artesanal; influência oriental
Movimento
FICHA

09

DIE BRÜCKE
Dresden, Alemanha, 1905 Em 1906 é publicado o Manifesto
Die Brücke, em xilogravura,
No dia 7 de Junho de 1905 quatro estudantes de arquitetura - Ernst proclamando uma nova geração
Ludwig Kirchner (1880-1938), Fritz Bleyl (1880-1966), Erich Heckel “que deseja liberdade no trabalho
(1883-1970) e Karl Schmidt-Rottluff (1884-1976) – exibiram suas telas numa e na vida, independente das
fábrica de lâmpadas na Berlinstrasse, em Dresden, com uma nova e ousada velhas forças estabelecidas”.
forma de pintura expressionista.

Surgia assimo grupo Die Brücke, formado por expressionistas


alemães que recebeu influências do Fauvismo (ficha 10), movimento que O grupo começou inicialmente em
acontecia na França. Os dois grupos de artistas compartilhavam semelhanças Dresden e depois alguns compo-
em seus trabalhos; eles agiam em contra partida ao movimento nentes mudaram-se para Berlim.
impressionista e sentiam a necessidade de expor a sua interioridade ao invés Interessante notar que no mesmo
de retratar o mundo. Eram artistas que buscavam uma arte de dentro pra período o grupo Der Blaue Reiter
fora. (ficha 13) coexistia na região
germânica, porém em Munique.
O nome Die Brücke significa “A Ponte”, pois um dos ideais do grupo
era criar uma nova estética que servisse como elo entre a tradição alemã e o
mundo moderno. Desse modo, além dos movimentos de vanguarda, eles O Império Alemão, na época, era
também absorviam influências da arte da xilogravura e de artistas como uma região que hoje englobaria
Albrecht Dürer (1471-1528) e Mathias Grünewald (1470-1528). também o território da Polônia,
Bélgica, Armênia e Dinamarca. Só
Os trabalhos dos expressionistas se caracterizavam pelo uso de cores foi desmembrado em 1918, após o
contrastante, pinceladas vigorosas, figuras deformadas e por servir como fim da Primeira Guerra Mundial.
crítica social. Retratava uma sociedade angustiada, atormentada por
obsessões políticas, religiosas e sexuais.

Em 1910 o grupo instalou-se em Berlim, cidade que se transformava


no centro da vida artística na Alemanha e se desenvolvia na pesquisa e na Entre os artistas expressionistas
industria, competindo com a Inglaterra. Neste período torna-se mais que não fizeram parte das escolas
evidente a influência do Cubismo (ficha 11), como vê-se nas obras de Picasso, e movimentos destaca-se Ensor,
(1881-1973) e Braque (1882-1963) com a fragmentação das formas e do Emil Nolde e Edvard Munch.
Futurismo (ficha 12), em que vê-se o dinamismo e o mecanicismo inseridos Outros nomes importantes são os
na arte. austríacos Egon Schiele e Oskar
Kokoschka.
O grupo se dissolveu em 1913, por conflitos internos, sobretudo após
a uma publicação de uma crônica de Kirchner sobre o grupo, no qual ele se
colocava em terceira pessoa com certo destaque e importância histórica
frente aos outros. Frequentemente o termo Expres-
sionismo é designado somente à
arte alemã do início do século XX.
É pertinente, porém, configurá-lo
mais como uma vanguarda
Principais Nomes artística que teve diversas faces
Fritz Bleyl (1880-1966), Ernst Ludwig Kirchner (1880-1938), Karl em toda a Europa (Alemanha,
Schmidt-Rottluff (1884-1976), Emil Nolde (1867-1956), Max Pechstein França, Bélgica, Áustria, Holanda)
(1881-1955), Otto Mueller (1874-1930). até a década de 1920.

ligações: Alemanha, expressionismo alemão, Emil Nolde, xilogravura, contraste.


DIE BRÜCKE linha do tempo

1893 Edward Munch pinta a célebre


tela “O Grito”.

1905 Primeira exibição fauvista.

1905 Die Brücke é fundada.

1907 Período em que se inicia a desco-


02 berta da arte africana em Paris.

1908 Picasso e Braque fundam o


Cubismo.

1910 Kandinsky pinta primeiro quadro


abstrato.

1910 Os futuristas lançam seu Mani-


festo.

01 03
1911 Formação do Der Blaue Reiter.

1913 Henry Ford desenvolve linha de


produção.

1913 Dissolvido o grupo Die Brücke.

1914 Primeira Guerra Mundial.

1916 Começa o Dadaismo.

1917 De Stjil é fundado.

04 05 1918 Formação da Bauhaus.

01.Bleyl, Fritz. Cartaz para a primeira exibição do Die Brüche, 1906 - cartaz, 71,5x24,5cm 02.Nolde, Emil.
Dancer , 1913 - litografia, 60x76cm. 03.Rottluff, Karl Schmidt. Mãe, 1916 - xilogravura, 37,3x31,0cm .
04.Heckel, Erich. Portrait of a Man, 1919 - xilogravura, 61,6x50,8cm. 05.Kirchner, Ernst Ludwig. Street, 1913
- óleo sobre tela, 120,6x91,1cm.

ligações: Alemanha, expressionismo alemão, Emil Nolde, xilogravura, contraste.


Movimento
FICHA

10

FAUVISMO
França - século XX

O Fauvismo foi o primeiro movimento de vanguarda que surgiu na


França nos primeiros anos do século XX (1901-1905). Os pintores fauvistas “Nenhum outro artista pode mostrar
melhor do que Bonnard a enorme
foram os primeiros a quebrar com o impressionismo, assim como com os
influência do pensamento filosófico de
antigos e tradicionais métodos de percepção. Sua espontânea e Henri Bergson sobre toda a cultura e a
normalmente subjetiva resposta à natureza é expressa em corajosas arte francesa das primeiras décadas do
pinceladas de cores vibrantes vindas direto do tubo de tinta. século XX, empenhado em explicar os
processos da vida interior, o sentido
profundo do tempo, da memória, da
Henri Matisse e André Derain introduziram cores não realistas e
imaginação e da matéria; isto explica por
vívidas pinceladas em suas pinturas no verão de 1905, trabalhando juntos no que, na história da pintura, cabe a Pierre
porto de Collioure, costa mediterrânea da França (imagens 1 e 2). Quando Bonnard um papel sob muitos aspectos
suas pinturas foram expostas no fim daquele ano, no Salão de Outono em próximo ao de Marcel Proust na história
Paris (imagem 3) elas inspiraram o crítico de arte Louis Vauxcelles a da literatura”. (ARGAN, 2006, p.142)
ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna Do
chamá-los de “Les fauves” (As feras).
Iluminismo aos movimentos contem-
porâneos, Denise Bottmann e Federico
Os “fauves” eram um grupo de artistas que partilhavam a maneira de Carotti (trad.), São Paulo: Companhia das
perceber a natureza, tendo como eixo comum a exploração das amplas Letras, 2006
possibilidades do uso da cor, mas não possuíam um programa definido.
Foram influenciados pelo pós-impressionismo de Van Gogh, Gauguin e
Cézanne (imagem 5), pelo novo impressionismo de Seurat, Cross e Signac, e
pelas artes islâmica e africana. Essas influências os inspiraram a rejeitar o
“A pintura é essencialmente
tradicional espaço tridimensional e buscar um novo espaço pictórico pelo
uma superfície plana coberta de
movimento de planos de cores.
cores organizadas segundo
uma certa ordem”
Para os artistas do grupo, o fauvismo era um movimento transitório,
um momento de aprendizagem. Em 1908, um interesse revisitado na visão
Maurice Denis, Definição do
de ordem e estrutura da natureza de Paul Cézanne levou muitos deles a
Neotradicionalismo (artigo
rejeitar as turbulentas emoções do Fauvismo a favor da ordem do Cubismo.
publicado na revista Art et
Braque se tornou o cofundador do Cubismo, junto a Picasso. Derain se tornou
Critique em 1890)
um pintor popular de estilo neoclássico. Matisse sozinho perseguiu o
caminho do qual foi pioneiro, atingindo um balanço sofisticado entre suas
emoções e o mundo que pintava. (imagem 4)

A defesa da arte como expressão de estados psíquicos, impulsos e


paixões individuais e a utilização de cores vibrantes e pinceladas “De um modo geral a pintura
espontâneas, aproxima o fauvismo do expressionismo alemão (ficha 9). No nabis se subdividia em duas
entanto o movimento francês estava mais preocupado com os aspectos correntes principais: uma que
formais da organização pictórica, enquanto os expressionistas alemães eram remetia Sérusier,Denis, Verkade,
mais emocionalmente envolvidos nos assuntos abordados. Roussel e Ranson para a idade
média e para Gauguin; a outra
Principais Nomes remetia Bonnard, Vuillard, Vallot-
Henri Matisse (1869-1954), André Derain (1880-1954), Maurice de Vlaminck ton e outros pintores intimistas ou
(1876-1958) , Albert Marquet (1875-1947), Kees van Dongen (1877-1968), protofauvistas para os japoneses e
Charles Camoin (1879-1965), Othon Friesz (1879-1949), Jean Puy para degas...” Sypher; 1960.
(1876-1960), Louis Valtat (1969-1942), Georges Rouault (1871-1958), Georges
Braque (1882-1963) and Raoul Dufy (1877-1953).

ligações: cores puras, decorativismo, primitivo


FAUVISMO linha do tempo

1905 Primeira exposição


fauvista, no Salão de Outono,
em Paris.
- Início da Die Brucke, corrente
expressionista alemã.
- Albert Einstein expõe a Teoria
da Relatividade.
- Fundação da Pinacoteca do
Estado em São Paulo.
- Fauvismo é denominado
como movimento artístico.

01

1906 Matisse pinta a tela A


Alegria de viver

03
1907 Período em que se inicia a
descoberta da arte africana em
Paris.
- Picasso pinta Les Demoiselles
d’Avignon.
02

04

05
01.Le bonheur de vivre (1905-6) Henri Matisse (França, 1869-1954) Oil on canvas; 174 x 238 02. La femme
au chapeau, outono 1905. Henri Matisse (França, 1869–1954) Oil on canvas; 79.4 x 59.7 03.Fishing Boats,
Collioure, 1905. André Derain (French, 1880–1954) Oil on canvas. 04. Promenade among the Olive Trees,
1905–6. Henri Matisse (French, 1869–1954) Oil on canvas. 05. Bathers, 1880. Paul Cézanne (França, 1839-
1906) Oil on canvas; 57.4 x 61.6 cm.

Ligações: cores puras, decorativismo, primitivo


Movimento
FICHA

11

CUBISMO
Paris , 1907 a 1914

O Cubismo, um dos movimentos artísticos mais influentes do século


20, foi criado por Pablo Picasso (1881-1973) e Georges Braque (1882-1963) “Não se imita aquilo que se quer
em Paris entre 1907 e 1914. O crítico de arte Louis Vauxcelles cunhou o termo criar.“ Georges Braque.
Cubismo em 1907 após ver uma série de quadros de Braque em homenagem
a Cézanne no Salon d’Automne (foto 01). Também influenciaram o Cubismo
a arte primitiva e de fontes não ocidentais. A estilização e distorção da obra
de Picasso “Les Demoiselles d’Avignon”, provém da arte africana (foto 02).

Os pintores cubistas rejeitaram o conceito de que a arte devia copiar


a natureza e que o artista devia adotar as técnicas tradicionais de
perspectiva, modelagem e escorço. Almejavam, em vez disso, enfatizar a
bidimensionalidade da pintura. Para isso, reduziram e fraturaram objetos em “Segundo Gauguin, os fauvistas
formas geométricas e os realinharam com um espaço superficial. Eles haviam descoberto o apelo
também usaram múltiplos e/ou contrastantes aspectos de um objeto estética da escultura da África e
simultaneamente. da Oceania ; no entanto, foi
Picasso, mais do que eles, quem
Em trabalhos cubistas até 1910, o objeto da imagem é geralmente usou a arte primitiva como um
discernível. Embora figuras e objetos fossem “analisados” em uma aríete contra a concepção
multiplicidade de facetas menores, estas eram rearranjadas de forma que clássica de beleza.”
evocassem as mesmas figuras e objetos. Durante o alto período do Cubismo
analítico (1910-1912), Picasso e Braque abstraíram de tal forma seu trabalho JANSON, H.W. e JANSON,A.E.
que eles foram reduzidos a uma série de formas e facetas sobrepostas Iniciação à História da Arte.
normalmente quase monocromáticos de marrons, cinzas e preto (foto 03). Os Martins Fontes, 1996, pg 365-6.
motivos favoritos eram natureza morta com instrumentos musicais, garrafas,
copos, jornais, cartas de baralho e a figura e face humana. Paisagens eram
raras.

Durante o inverno de 1912-13, Picasso executou um grande número


de Papiers collés (foto 04). No espaço superficial do cubismo sintético, “O cubismo, eu acredito, é a
iniciado pelas colagens, grandes pedaços de papel aludiam ao objeto em tentativa mais radical de eliminar
particular, seja porque eram normalmente cortados no formato do objeto a ambiguidade e impor uma
em questão ou porque portavam algum elemento gráfico que esclarecia a leitura da imagem – aquela de
associação. Com isso, Picasso e Braque retiraram os últimos vestígios de uma construção feita pelo
tridimensionalidade (ilusionismo) que ainda permaneciam em seus homem, uma tela colorida.”
trabalhos.
Gombrich, E. H. Art and Illusion : a
O Cubismo exerceu uma influência profunda na escultura e Study in the Psychology of Picto-
arquitetura do século XX. Os maiores escultores cubistas são Alexander rial Representation. Phaidon,
Archipenko, Raymond Duchamp-Villon e Jacques Lipchitz. Os conceitos 1961, pg 226.
formais libertadores iniciados pelo cubismo também tiveram conseqüências
para o Dadá (ficha 15) e o Surrealismo (ficha 19).

Principais Nomes
Pablo Picasso (1881-1973), Georges Braque (1882-1963), Fernand Léger
(1881-1955), Robert e Sonia Delaunay (1885-1941/1979), Juan Gris
(1877-1927).

ligações: Cézanne, abstracionismo, arte africana, desconstrução, formas geométricas, colagem.


CUBISMO linha do tempo

1905 Picasso pinta Les Demoiselles


d’Avignon.

04 1910 - 1912 Cubismo Analítico


(Cubismo Cezzaniano).

01 1913 - 1914 Cubismo Sintético


(Cubismo de colagens).

05

1914 Início da Primeira Guerra


Mundial

03

1916 Zurique, no Cabaret Voltaire


surge o dadaísmo.

02

01. Georges Braque Viaduct at L'Estaque (1907) Óleo sobre tela, 72.5 x 59 cm. 02. Pablo Picasso, Les Demoi-
selles d'Avignon (1907) Óleo sobre tela, 243.9 x 233.7 cm. 03. Still Life with a Bottle of Rum, 1911. Pablo
Picasso (1881–1973) Óleo sobre tela, 61.3 x 50.5 cm. 04. The guitar, 1913, Pablo Picasso (1881–1973)
Papiers collés, 66.4 x 49.6 cm 05.Guitar, 1912, Pablo Picasso (1881–1973) Colagem com papelão, 77.5 x 35
cm

ligações: Cézanne, abstracionismo, arte africana, desconstrução, formas geométricas, colagem.


Movimento
FICHA

12

FUTURISMO
Itália, 1909
Movimento essencialmente italiano, literário em origem, cresceu para As pinturas usavam cores vivas e
se tornar um movimento internacional ao qual seus participantes contrastantes, sobreposições de
adicionaram manifestos para outras formas de arte, da pintura à moda. imagens, traços e pequenas
Foi lançado pela publicação em 1909 do manifesto “Le Futurisme”, deformações para passar a ideia
escrito por Felippo Marinetti no jornal parisiense “Le Figaro”. A intenção de de movimento e dinamismo.
Marinetti era rejeitar o passado, revolucionar a cultura e torná-la mais
moderna. A ideologia do Futurismo se lança com violento entusiasmo contra
o peso da herança artística amarrada à tradição cultural italiana e exalta a
ideia de uma estética gerada pelo mito moderno da máquina e da Exaltavam a guerra e a violên-
velocidade. O Manifesto também exalta a violência, incentivando o repúdio à cia, desvalorizavam a tradição e
cultura e valores políticos tradicionais e a destruição de instituições como o moralismo; valorizavam o
museus e bibliotecas. desenvolvimento industrial e
Os pintores futuristas assinaram seu primeiro manifesto em 1910. A tecnológico; usavam a propa-
pintura futurista olhou primeiramente para a cor e os experimentos ópticos ganda como principal forma de
do fim do século XIX, mas em 1911, Marinetti e os pintores futuristas comunicação.
visitaram o Salão de Outono em Paris e entraram em contato com o Cubismo
(ficha 11), que teve impacto imediato, o que se observa na obra “Materia” de
Boccioni (foto 01). Os futuristas se interessaram particularmente pelo “ Afirmamos que a magnificên-
trabalho do fotógrafo Étienne-Jules Marey, cujos estudos chronofotográficos cia do mundo enriqueceu-se de
retratavam os mecanismos do movimento animal e humano (foto 05). Por uma beleza nova: a beleza da
exemplo, a pintura de Giacomo Balla (foto 02) nos apresenta os pés do velocidade. Um automóvel de
cachorro (e de seu dono) como movimentos contínuos através do espaço ao corrida com o seu capot ornado
longo do tempo. com grossos tubos semelhantes
Uma vez introduzida a ideia de dinamicidade, os Futuristas buscavam a serpentes de sopro explosivo...
representar as sensações, ritmos e movimentos dos objetos em suas um automóvel que ruge e
imagens, poemas e manifestos. Tais características são perfeitamente parece correr sobre a metralha é
ilustradas na obra mais icônica de Boccioni, Formas Únicas de Continuidade mais belo do que a Vitória de
no Espaço (foto 03). A escolha do bronze empresta uma qualidade Samotrácia." (Manifesto Futur-
mecanizada à sua escultura, que representa a combinação futurista ideal ista de 1909, redigido por
entre homem e máquina. Felippo Tommaso Marinetti)
O Futurismo foi um dos movimentos artísticos mais politizados do
século XX. Fundiu agendas artísticas e políticas com a intenção de propagar
uma mudança na Itália e Europa. Os eventos futuristas apresentavam lado a As ideias futuristas serviram de
lado discussões políticas e exposições de arte. Eles acreditavam que a inspiração, em menor ou maior
agitação e a destruição acabariam com o status quo e abririam espaço para a escala, a grupos como o Racio-
regeneração de uma Itália mais forte. Essa posição levou os futuristas a nismo, Dadá e Der Blaue Reiter.
apoiarem a Primeira Guerra Mundial e a maioria de seus membros a se alistar No Brasil, os modernistas da
no exército. Depois da guerra, o intenso nacionalismo do movimento levou a Semana de 22 receberam a
uma aliança com Benito Mussolini e seu Partido Nacional Fascista. alcunha de futuristas paulistas,
O Futurismo teve seu irônico fim com a morte de Sant’Elia no campo devido a seu caráter renovador.
de batalha e de Boccioni por cair de um cavalo. A posterior prisão de O espírito do movimento refletiu
Marinetti acelerou mais ainda o processo de encerramento. -se também na tipografia
moderna, no design gráfico, e
Principais Nomes na maneira veloz de comunicar
Antonio Sant’Elia (1888-1916), Umberto Boccioni (1882-1916), Carlo Carrà a ideia de velocidade na publici-
(1881-1966), Luigi Russolo (1885-1947), Gino Severini (1883-1966), Giacomo dade e histórias em quadrinhos.
Balla (1871-1958) e Felippo Tommaso Marinetti (1876-1944).

ligações: 1ª guerra mundial, manifestos, cubismo, chronofotografias, política, fascismo, velocidade, indústria, modernidade
FUTURISMO linha do tempo

1899 Fundada a empresa Fiat em


Torino.

1905 Einstein publica a Teoria da


03 Relatividade Restrita.

1909 Primeiro Manifesto Futurista.

01
1912 Oswald de Andrade e Anita
Malfatti tiveram contato com o Manifesto
Futurista e com Marinetti em viagens à
Europa.

04

1913 Primeira grande manifestação


05 em massa na Itália.

02

1914 Estoura a Primeira Guerra


Mundial.

01. Umberto Boccioni, Materia, 1912, óleo sobre tela, 226 x 150 cm (Mattioli Collection empretado para
Peggy Guggenheim Collection,Veneza). 02. Giacomo Balla, Dynamism of a Dog on a Leash, 1912, oleo
sobre tela, 91 x 110 cm, Albright-Knox Art Gallery, Buffalo, NY, USA. 03. Umberto Boccioni, Formas Únicas
de Continuidade no Espaço, 1913, Bronze; 116 x 85 x 38 cm, MAC-USP (São Paulo).. 04. Artista grego
desconhecido, Vitória de Samotrácia, 200 a.c, 244 cm, Louvre, Paris.05. Étienne-Jules Marey, Fotografia de
um pelicano tirada por volta de 1882.

ligações: 1ª guerra mundial, manifestos, cubismo, chronofotografias, política, fascismo, velocidade, indústria, modernidade
Movimento
FICHA

13

DER BLAUE REITER


Munique, Alemanha, entre 1911 e 1914
"Ambos [Kandinsky e Klee], porém,
Der Blaue Reiter (em português, “O Cavaleiro Azul”) foi um grupo de têm um princípio em comum [...]
artistas expressionistas, criado por Franz Marc (1880-1916)  e Wassily as linguagens representativas
Kandinsky (1866-1944), que desenvolveu sua produção em Munique no cujas formas estão logicamente
período que antecede a Primeira Guerra Mundial. ligadas aos objetos são signos
pálidos, porque sua comunicação
O grupo tinha uma orientação profundamente espiritualista. Seus é mediada pelos objetos da
principais pontos de interesse eram a arte primitiva, a arte intuitiva infantil e experiência comum (a natureza).
o potencial das associações psicológicas e simbólicas da cor, da linha e da A comunicação estética quer ser,
composição. Não entendiam a fruição de uma obra de arte como mera pelo contrário, uma comunicação
contemplação, mas sim como estímulo que se dispõe a despertar reações e intersubjetiva, de homem a
sugestões distintas em cada indivíduo. Segundo o historiador Giulio Carlo homem, sem a intermediação do
Argan (1909-1992), Paul Klee (1879-1940) e Kandinsky compartilhavam do objeto ou da natureza."
princípio de que a comunicação estética deveria ser intersubjetiva, ou seja, (ARGAN, G. C., Arte Moderna, p.)
deveria acontecer diretamente de homem a homem, sem a intermediação
de objetos ou da natureza.

Em 1911, o grupo apresentou uma exposição coletiva e, pela


diversidade de inspirações e de tendências estéticas dos artistas "O nome, nós o achamos quando
participantes – Robert Delaunay (1885-1941), Heinrich Campendonk estávamos sentados numa mesa
(1889-1957), August Macke (1887-1914), Henri Rousseau (1844-1910), o de um café de Sindelsdorf; ambos
músico Arnold Schoenberg (1874-1951), entre outros – ficou evidente a amávamos o azul, Marc os cavalos
inexistência de uma orientação teórica rígida, o que reforça ainda mais seu e eu os cavaleiros. Assim o nome
caráter orgânico e aberto e a sua especial preocupação com os aspectos veio por si."
espirituais da criação artística.
(Kandinsky, na revista alemã
Kandinsky comparava a pintura à música, que é “abstrata” por Kunstblatt, em 1930)
natureza, fazendo analogias entre sons e cores e a capacidade que têm
ambas as linguagens de fazerem “vibrar a alma”. Muitas vezes nomeava suas
pinturas abstratas com termos musicais, como “Composição” (foto 1),
“Improvisação” (Foto 2) e “Fuga”.
“A Arte não reproduz o visível. Ela
torna visível.” (Paul Klee)
A eclosão da Guerra levou à dissolução do grupo. Entretanto os
desdobramentos de suas atividades tiveram grande alcance além desse
período. Influenciaram inclusive a escola Bauhaus (ficha 17), na qual
Kandinsky e Klee lecionaram mais tarde. A principal herança desse
movimento foi a inauguração da arte não figurativa, tendência que viria a “A cor é uma força que influencia
prevalecer na pintura por mais de meio século. diretamente na alma. A cor é a
tecla. O olho é o martelo. A alma é
Principais nomes um piano com muitas cordas. O
Wassily Kandinsky (1866-1944), Franz Marc (1880-1916), August Macke artista é a mão que, com esta ou
(1887-1914), Alfred Kubin (1877-1959) e Paul Klee (1879-1940). aquela tecla, faz vibrar a alma.”
(Wassily Kandinsky)

ligações: pintura, abstração, espiritualidade, música, subjetividade, simbologia das cores


DER BLAUE REITER linha do tempo
1906 Santos Dumont realiza o
primeiro voo do 14 Bis.

1907 Picasso pinta “Les Demoi-


Escolha a imagem que mais merece um destaque.
selles d’Avignon”.

1911 - Formação do grupo Der


Blaue Reiter, em Munique;
- Kandinsky publica o livro “Do
01 espiritual na arte”.

1912 Naufrágio do Titanic.

1914 -Início da Primeira Guerra


Mundial;
02 03 - Dissolução do grupo Der Blaue
Reiter.

1917 Revolução Russa.

04
05

01. Kandinsky, Wassily. Composição VII, 1923 - óleo sobre tela. 02. Kandinsky, Wassily. Improvisação 26,
1912 - óleo sobre tela. 03. Klee, Paul. Senecio, 1922 - óleo sobre tela. 04. Marc, Franz. Large Blue Horses,
1911 - óleo sobre tela. 05. Macke, August. Mulher com casaco verde,1913 - óleo sobre tela.

ligações: pintura, abstração, espiritualidade, música, subjetividade, simbologia das cores


Movimento
FICHA

14

SUPREMATISMO
Rússia, 1915

O Suprematismo, encabeçado pelo artista Kasimir Malevich


(1878-1935), evidenciava uma nova proposta pictórica: a libertação da "Eu sentia apenas noite dentro de
pintura através de formas geométricas e a nova relação entre sujeito e mim, e foi então que concebi a
objeto. Ou melhor: a ideia de “não objeto”. nova arte, que chamei Supre-
matismo."
Um quadro não era visto como objeto e sim um instrumento mental, - Malevich falando de sua obra
uma estrutura, um signo. O Suprematismo não se ocupa da exaltação e da “Quadrado negro sobre fundo
propaganda dos ideais revolucionários, mas da rigorosa formação intelectual branco” (foto 1)
das gerações que irão construir o socialismo. Daí a utilização de formas
básicas e facilmente assimiláveis pela população russa ainda
majoritariamente analfabeta.

O suprematismo visa extinguir o binômio homem/objeto e sua “Grande estudioso de


necessidade material. Toma-se o quadrado como forma zero, da qual todas as Cezanne(1839-1906) e
outras formas deviram. Trata-se de uma abstração inexistente na natureza, Picasso(1881-1973), Malevich
uma criação humana. acreditava na estrutura funcional
da imagem. Ressaltava que a
O nome do movimento foi usado pela primeira vez na exposição verdadeira revolução não seria a
coletiva “A Última Exposição de Quadros Futuristas 0.10 (Zero Dez)”, realizada substituição de um mundo deca-
em dezembro de 1915, em São Petesburgo, na Rússia. dente por uma nova concepção: e
sim um mundo destituído de
Em 1920, Malevich publica um ensaio denominado “O suprematismo objetos, noções, passado e futuro,
ou o mundo da não representação”, aprofundando os aspectos teóricos do uma transformação radical em
movimento. Segundo ele, o artista moderno deveria ter em vista uma arte que o objeto e o sujeito são igual-
finalmente libertada dos fins práticos e estéticos, trabalhando somente mente reduzidos ao “grau zero”.
segundo a pura sensibilidade plástica. ARGAN, Giulio Carlo. L’art Mod-
erna. 1988. Editora Schwarcz

Principais Nomes
Kazimir Malevich (1878-1935), El Lissitzky (1890-1941), Lyubov Popova
(1889-1924), Ivan Puni (1894-1956) e Aleksandr Rodchenko (1891-1956).

ligações: vanguarda russa, abstração geométrica, Revolução Russa, forma elementar, grau zero
SUPREMATISMO linha do tempo

1913 - Inauguração da primeira


linha de montagem industrial,
pelo empresário Henry Ford;
- Estreia envolta em escândalo de
“A Sagração da Primavera” de Igor
Stravinsky.

01 02 1914 Início da Primeira Guerra


Mundial

1915 Exposição que deu nome


ao Suprematismo: “A Última
Exposição de Quadros Futuristas
0.10 (Zero Dez)”, realizada em
04
dezembro de 1915, em São
Petesburgo, na Rússia.

1917 Revolução Russa

03

1925 Sistematização teórica do


Suprematismo através do mani-
festo “Do Cubismo ao Futurismo
01. Malevich, Kazimir. Quadrado negro sobre fundo branco, 1913-1915- óleo sobre tela, dimensões não
encontradas. 02. Lissitzky, El. 1o Kestnermappe Proun,1923 - impressão litográfica, 4,40 x 6m. 03. Malevich,
ao Suprematismo: o novo
Kazimir. Suprematism, 1915- óleo sobre tela, 710 x 8050mm. 04. Malevich, Kazimir. Branco sobre realismo na pintura” escrito por
Branco1918- óleo sobre tela, dimensões não encontradas. Malevich em colaboração com o
poeta Maiakóvski.

ligações: vanguarda russa, abstração geométrica, Revolução Russa, forma elementar, grau zero
Movimento
FICHA

15

DADÁ
Zurique, Suiça , 1916 O termo dadá apontado por
Por quanto tempo um cavalo pode dirigir um peixe que está acaso numa consulta a um
morrendo? A vanguarda dadaísta estendeu-se por várias metrópoles do dicionário francês, significa
mundo, como Nova York, Paris, Berlim, Hanover e Colônia. O movimento "Cavalo de brinquedo", o que não
iniciou-se como uma reação à Primeira Guerra Mundial por jovens artistas possui relação direta com o
indignados perante a falência e hipocrisia de valores estabelecidos pela movimento, porém sinaliza uma
sociedade. Foi um movimento de ruptura e desalinhamento, que propunha a escolha aleatória (princípio
seguinte pergunta, válida até os dias atuais: “Há limite para a arte?”. central da criação para os
Segundo Duchamp, o grande representante dessa vanguarda, mais dadaístas), contrariando qualquer
do que um movimento, o dadaísmo era antes um estado de espírito. sentido de eleição racional.
Para as convenções da época, esses artistas beiravam a loucura.
Usavam o primitivo e o irracional para questionar toda a razão e lógica até
então formada. Tinha, ao contrário de outras correntes artísticas, um cunho "Eu redijo um manifesto e não
crítico muito mais amplo, utilizando dos mais variados meios (revistas, quero nada, eu digo, portanto,
manifestos, exposições) para contestar valores passados e atuais, com gosto certas coisas e sou por princípios
pelo escândalo, pelo radical e, principalmente, pelo non-sense. contra manifestos (...). Eu redijo este
Antecipou questões e práticas básicas do pós-modernismo, como por manifesto para mostrar que é
exemplo a body art, a anstalação (ficha 21), a performance (ficha 32), a arte possível fazer as ações opostas
feminista, o happening (ficha 30) e a relação arte/vida. simultaneamente, numa única
Um marco na história do dadaísmo, a conhecida “Roda de Bicicleta” fresca respiração; sou contra a ação
(foto 02), nasceu para não ser obra. O próprio Duchamp disse em seu livro pela contínua contradição, pela
“Engenheiro do Tempo Perdido” que não sabe por que fez aquilo: fez por que afirmação também, eu não sou
tinha vontade e só. nem para nem contra e não explico
Este artista foi profundamente inconoclasta. Em “Nu Descendo uma por que odeio o bom-senso."
Escada nº2” (foto 01), (trabalho que foi rejeitado até mesmo pelos salões de (Tristan Tzara, trecho do Manifesto
arte vanguardistas) o corpo foi reduzido a um esquema elementar, se Dadaísta,1916 )
diferenciando portanto das vistas diferenciadas e descontínuas do cubismo.
O primeiro ready-made, de 1912, é uma roda de bicicleta montada “A obra de arte não deve ser a
sobre um banquinho (”Roda de Bicicleta”, foto 02) e o fundamento de seu beleza em si mesma, porque a
trabalho foi, daí por diante, “produzir” coisas não estéticas, que não se beleza está morta.”
prestassem à contemplação e, portanto, que não fossem obras de arte (Tristan Tzara)
segundo nenhum dos possíveis padrões da época. Ao transformar um objeto
qualquer escolhido por acaso em obra de arte, Duchamp realizou uma crítica
radical ao sistema artístico. “Cada coisa tem a sua palavra;
Embora o dadaísmo termine em 1922, teve fortes ressonâncias nos pois a palavra própria
movimentos e tendências subsequentes. Vários dos artistas dadaístas transformou-se em coisa. Porque é
tomaram as rédeas do surrealismo. que a árvore não há-de chamar-se
plupluch e pluplubach depois da
Principais nomes chuva? E porque é que raio há-de
Marcel Duchamp (1882-1968), Jean (Hans) Arp (1886-1966), Kurt Schwitters chamar-se seja o que for?
(1887-1948), Tristan Tzara (1896-1963), Hugo Ball (1886-1927), Man Ray Havemos de pendurar a boca
(1890-1976), Fraçois Picabia (1879-1953), Max Ernst (1891-1976). nisso? A palavra, a palavra, a dor
precisamente aí, a palavra, meus
senhores, é uma questão pública
de suprema importância.”
(Hugo Ball, trecho do Manifesto
Dadaísta, 1916)

ligações: cubismo, futurismo, arte&vida, conceito, polêmica, nonsense


DADÁ linha do tempo
1914 - Início da Primeira Guerra Mundial;
- O modelo Fordista de produção
ultrapassa a marca de vendas de todas as
outras montadoras de automóveis juntas.

1917 Revolução Russa.

1918 Fim da Primeira Guerra Mundial.

01 02
1929 Semana de Arte Moderna no Brasil

03

04

01. Nu descendo uma escada,147 x 89.2cm, 1912 - Marcel Duchamp 02. Roda de Bicicleta, altura
126cm,1912- Marcel Duchamp 03. Le violon d’Ingres, 31 x 24,7 cm, 1924 - Man Ray 04. In Absentia M.D,
1000 x 2000cm, 1983 - Regina Silveira (REFERÊNCIA)

ligações: cubismo, futurismo, arte&vida, conceito, polêmica, nonsense


Movimento
FICHA

16

DE STIJL
Países Baixos (Holanda, Bélgica, Luxemburgo), 1917 a 1928
“O neoplasticismo é uma lição de
De Stijl (”O Estilo” em neerlandês) também chamado de probidade, de pureza, de
Neoplasticismo, foi um movimento artístico surgido na Holanda que sabedoria. Ele disciplina a
envolveu artes plásticas, arquitetura e design. É também o nome da revista natureza sob as rédeas voluntari-
onde o grupo encabeçado por Piet Mondrian, Theo van Doesburg e Gerrit osas e tensas do espírito humano,
Rietveld publicava ideias, manifestos e pesquisas. senhor das forças cósmicas.
A ordem de Mondrian é
De Stijl tinha como objetivo criar uma nova arte internacional e um arquitetônica, sintética, espiritual
vocabulário visual de objetivos práticos. Por isso a influência do design e das e geométrica, lançando para os
artes aplicadas no pensamento neoplasticista, que queria comunicar através homens desarvorados de nosso
de seus objetos uma "sociedade melhor", onde a arte e a vida se integrassem tempo as bases de uma natureza
em hamornia. Nesse aspecto, o Neoplasticismo lembra muito a Bauhaus recriada e de uma vida que, de
(ficha 17), contemporânea que também contemplava a arte como retorno simples, vai de novo
instrumento para a construção de uma nova sociedade. encontrar unidas a razão e a
poesia.”
De acordo com Van Doesburg , o grupo se orientava pela necessidade (PEDROSA, Mário)
de "clareza, certeza e ordem" e buscava uma nova forma de expressão
plástica que não carregasse resíduos representativos e que se pautasse nos
elementos mínimos da composição, purificando a cor em cores primárias Ver Kandinsky em Der Balue Reiter.
(além de preto, branco e cinza), reduzindo a forma a linhas verticais e Para ele “o quadro não é uma
horizontais e rejeitando a modelagem, as texturas e a linha curva. transmissão de formas, mas uma
transmissão de forças: é a existên-
O De Stijl buscava uma arte clara e disciplinada e valorizava a cia do artista que se liga à dos
estrutura formal e o equilíbrio assimétrico. Mondrian trouxe do seu contato outros.”
pessoal com a teosofia o ideal de harmonia universal (expresso em (ARGAN, G.C.)
composições balanceadas) e a contemplação da estrutura matemática e
ordenada do universo (expressa no uso de formas geométricas). Para
Mondrian, o artista não deve influenciar emotiva ou sentimentalmente o
espectador - daí a redução do seu estilo a formas elementares, que tentam A vanguarda holandesa “(...)
evitar provocar reações individuais. Os neoplasticistas, inclusive, não nasce da revolta moral contra a
valorizavam a tradição lírica e sentimental da história da arte. violência irracional da guerra que
assolava a Europa. Dela se deriva
Ao pensar no Neoplasticismo, as pinturas mais famosas de Mondrian um juízo negativo sobre a história;
nos parecem a síntese perfeita do movimento. Mas seus primeiros quadros não a violência, e sim a razão é
estavam longe disso: eram pinturas impresionistas, neoimpressionistas e que deve determinar as transfor-
fauvistas. Apesar disso, Mondrian inventa seu caminho, carregando a mações da vida da humanidade, e
imagem de árvores em seus quadros durante um processo de simplificação as transformações devem se dar
que continou por anos até que ele não estivesse mais pintando uma árvore, nos diversos campos da atividade
e sim linhas e quadrados com cores primárias. As pinceladas fortes e cores humana através de uma revisão
vivas e emotivas sofreram metamorfose até se tornarem traços radical das premissase e das
perfeitamente retos e cores chapadas em uma camada lisa. finalidades. De Stijl não é uma
revolução contra uma cultura
Principais Nomes envelhecida a fim de imunizá-la
Piet Mondrian (1872-1944), Theo van Doesburg (1883-1931), Gerrit Rietveld contra os perigos de qualquer
(1888-1965) corrupção ou impureza possível.”
No Brasil são influenciados: Milton Dacosta (1915-1988) e Lygia Pape (1927- (ARGAN, C.G.)
2004), no Livro da Arquitetura e no desenho Mondrian de 1907.

ligações: abstração geométrica, Bauhaus, assimetria, cores primárias, linhas retas


DE STIJL linha do tempo

1914 Início da Prmeira Guerra


Mundial.

02
1916 Marco do Dadá.

01 03 1919 Fundação da Bauhaus por Walter


Gropius.

1920 Mondrian escreve o ensaio “O


Neoplasticismo” para o público francês,
05 04 através do qual defende as ideias De
Stijl.

1924 Rompimento de Modrian com


Theo Van Doesburg.

1929 Publicação do ensaio de


Mondrian pela Bauhaus.
06 07

01. MONDRIAN, Piet. Composition with Red, Yellow and Blue, 1921; Óleo sobre tela, 39 x 35 cm. 02.
MONDRIAN, Piet. The Red Tree, 1908; Óleo sobre tela, 31 x 42 1/2 in.03. MONDRIAN, Piet. The Gray Tree,
1911; Óleo sobre tela, 77.9 x 109.1 cm. 04. MONDRIAN, Piet. Flowering Appletree, 1912; Óleo sobre tela, 78,5
x 107,5 cm.05. MONDRIAN, Piet. Composition No. II; Composition in Line and Color, 1913; Óleo sobre tela,
88 x 115 cm.06. LAURENT, Yves Saint. Vestido Mondrian, 1965. 07. DOESBURG, Theo van. Contra-
Construction. Project, 1923.

ligações: abstração geométrica, Bauhaus, assimetria, cores primárias, linhas retas


Movimento
FICHA

17

BAUHAUS
Alemanha, 1919
Com o fim da escola, muitos
A Bauhaus (”casa da construção” em Alemão) foi uma escola de ofícios
professores emigraram da
manuais e arquitetura criada na Alemanha em 1919 por Walter Adolf Gropius
Alemanha difundindo a ideia da
(1883-1969) e concentrava sua ideologia na tentativa de alia forma e função
Bauhaus pelo mundo. Isso
dentro de um mesmo projeto, ou seja, os artistas-criadores deveriam trazer
resultou na Nova Bauhaus, em
suas bagagens estéticas a fim de aplicá-las em algum objeto que tivesse
Chicago; o Architectes's
funcionalidade dentro da vida cotidiana das pessoas. Esse pensamento traz
Collaborative (TAC), escritório de
em si os moldes da sociedade pós-Segunda Revolução Industrial.
arquitetura criado por Gropius
A proposta de Gropius para a Bauhaus unia em um único projeto as
em 1945; uma Bauhaus na
dimensões estética, social e política. Ele tentava trazer novos ares ao estilo
Cidade Branca de Tel Aviv, em
arquitetônico, refletindo a esperança de um novo período na história do
Israel; a Escola de Design de Ulm
mundo Pós-Primeira Guerra Mundial. Tratava-se de formar novas gerações de
(HFG) na Alemanha, (fundada
arquitetos, escultores e pintores de acordo com um ideal de sociedade
por ex-estudantes da Bauhaus) e
civilizada e democrática em que não há hierarquia, somente funções
a Black Mountain College, na
complementares.
Carolina do Norte.
Os projetos da Bauhaus que deviam abarcar baixo custo, produção
em larga escala, utilidade e beleza estética, direcionando sua produção de
acordo com as necessidades de uma faixa mais ampla da população, e não de No Brasil, a influência da
uma camada social e economicamente privilegiada (GROPIUS, Walter). Bauhaus pode ser vista no
Durante sua existência teve em seu corpo docente pessoas como Instituto de Arte contemporânea
Wassily Kandinsky (1866-1914) e Paul Klee (1879-1940), e seu programa de (IAC), na Escola Superior de
ensino focava habilidades de criação manual dos estudantes com oficinas de Desenho Industrial (ESDI) e no
madeira, pedra, argila, metal, desenho básico de arquitetura e de geometria. movimento concretista (ver ficha
Não se ensinava, porém, história dentro da instituição até o terceiro 26).
ano de curso, pois se acreditava que tudo deveria ser criado por princípios
racionais em vez de ser influenciado por padrões herdados do passado. Foi "Criemos uma nova guilda de
uma das primeiras escolas que aliava design, artes plásticas e arquitetura de artesãos, sem as distinções de
vanguarda. Suas produções tinham severa geometrização e utilizavam novos classe que erguem uma barreira
materiais. de arrogância entre o artista e o
Em 1933 a escola encerra suas atividades por conta da perseguição artesão” (GROPIUS, Walter).
nazista que considerava a escola uma disseminadora de pensamentos
comunistas com seu ideal de produtos de baixo custo, trabalho coletivo e de
cunho social.
A economia nas linhas e nos
A Bauhaus ainda é tida como um marco dentro do pensamento
ornamentos confronta-se com
arquitetônico e exerce grande influência para o design mundial com seu
outros estilos artísticos
pensamento simplificador e direto, que visa atingir o essencial dentro da
arquitetônicos, como por exem-
criação de objetos de consumo e de cartazes. Em 2007, foi reformada e
plo, a Art Nouveau (ver ficha 8).
reaberta, mantendo seu projeto arquitetônico original, com destaque para a
sala de Walter Gropius, que foi mantida inalterada.
Um dos movimentos que influen-
Principais nomes
ciou o pensamento da Bauhaus
Walter Gropius (1883-1969), Johannes Itten (1888-1967), Marcel Breuer
foi o Construtivismo Russo (ver
(1902-1981), Theo van Doesburg (1883-1931), Wassily Kandinsky
ficha 18), a função do artista
(1866-1914), Paul Klee (1879-1940), László Moholy-Nagy (1894-1946),
deveria servir às necessidades do
Hannes Meyer (1889-1954)
povo e seus objetos artísticos
deveria se inserir no cotidiano das
pessoas.

ligações: design, arquitetura, construtivismo russo, Wassily Kandinsky, Paul Klee, minimalismo.
BAUHAUS linha do tempo
1870 Segunda Revolução Industrial.

1918 Fim da Primeira Guerra Mundial.

1919 Fundação da Bauhaus por Walter


Adolf Gropius na cidade de Weimar..

01

1925 Transferência da sede da escola


para a cidade de Dessau.

03
02

1932 Transferência da sede da escola


para a cidade de Berlim.

1933 Fechamento da escola pelos


Nazistas.

04
1939 Começo da Segunda Guerra
01.Joost Schmidt, cartaz da exposição de Weimar, 1923 02. Walter Gropius, Maquete da Bauhaus de Mundial.
Dessau, 1999 - madeira e acrílico, 136 x 135 x 32 cm 03. Ludwig Mies van der Rohe, Cantilever Chair, 1927-
couro com tubular cilíndrica de aço. 04. Walter Gropius, diagrama dos cursos da Bauhaus, 1922

ligações: design, arquitetura, construtivismo russo, Wassily Kandinsky, Paul Klee, minimalismo.
Movimento
FICHA

18

CONSTRUTIVISMO RUSSO
Rússia, 1919
“A pintura e a escultura devem ser
A Rússia passava por um período de construção do socialismo, onde a vistas aqui como construções e
consciência de luta pretendia transformar uma economia rural em um não representações, pois não há
organismo industrial moderno. A realidade apresentava uma industria de mais valores institucionalizados
construção primitiva e atrasada. para representar. Agora a arte
deve ser informativa.”
Anteriormente, como vimos no Suprematismo (ficha 14), Kasimir ARGAN, Giulio Carlo. L’art
Malevich (1839-1935) produzia uma arte russa com formas puras para ser Moderna. 1988. Editora Schwarcz
fruida pela da população analfabeta (a maior parcela até então). Agora a
Rússia vivia outro momento, onde era claro o comprometimento da
revolução com a alfabetização do povo soviético, principalmente após a
assinatura do decreto Sobre a Mobilização (1918), que instituía que todos os
cidadãos deveriam aprender a ler e a escrever.
"Torre Eifel Proletária: gigantesca
Necessitava-se de artistas para consolidar o sonho do socialismo. espiral inclinada, assimétrica de
Tornou-se necessário vincular a arte à propaganda. Acreditava-se que a triliça metálica, que gira sobre si
revolução política estaria diretamente ligada a uma revolução cultural. Os mesma e funciona como uma
cartazes, aliados à propaganda do governo, supriam a ausência de outros antena emissora de notícias e
meios de comunicação em massa. Os temas giravam em torno do trabalho e sinais luminosos.”
do serviço militar. ARGAN, Giulio Carlo. L’art
Moderna. 1988. Editora Schwarcz
Alexander Rodchenko (1891-1956) foi um dos mais versáteis artistas
que surgiram na Rússia depois da Revolução de 1917. Foi expoente da sobre o Monumento à III
fotografia, pintura e colagem e do desenho publicitário. Rodchenko Internacional(1920) (foto 2)
produziu o Cartaz para o departamento estatal da imprensa de Leningrado
(foto 3), e muitos outros cartazes propagandistas. Suas fotos de objetos
retirados do contexto tradicional, eliminando detalhes e enfatizando as
composições diagonais e dinâmicas também são muito conhecidas, como a
foto “Escadarias” (foto 4). “Ao lado de Tátlin, Naum
Gabo(1890-1977), também
Vladmir Tátlin (1885-1953) é considerado o maior expoente do impulsionou o movimento
Construtivismo Russo. Com ideais próximos a Malevich, sua arte está a construtivista através da
serviço da revolução. Considerava que qualquer distinção entre as artes deve escultura, criando uma arte
ser eliminada como resíduo de uma hierarquia de classes. Sua arte tinha abstrata com ênfase na forma e
intenção funcional e visual, ligando propaganda política e uma nova estética. na textura de materiais usados.
Visava também pela sua aplicabilidade na indústria, utilizando materiais Gabo optou por construir, em
arquitetônicos, como o Monumento à III Internacional (foto 2) vez de entalhar ou fundir suas
esculturas geométricas, usando
Principais nomes: materiais artificias para reforçar
Vladmir Tátlin (1885-1953), Alexander Rodchenko (1891-1956), Naum Gabo a modernidade das obras.”
(1890-1977), Varvara Stepanova (1894-1958), Anton Pevsner (1886-1962), - FARTHING, Stephen. 501 Great
Olga Rosanova (1886-1918), Gustav Klutsis (1895-1938). Artists. 2008. Quintessence
Editions, p. 366

ligações: vanguarda russa, revolução, propaganda política, proletariado, Rússia, marxismo


CONSTRUTIVISMO RUSSO linha do tempo

1910 Início da Pimeira Guerra Mundial

1917 -Rússia se retira da Pimeira


Guerra;
-I nício da Revolução Russa: os bolchev-
iques, liderados por Lênin e Trótski,
ocuparam os prédios públicos da cidade
de São Petesburgo e assumiram o poder;
- EUA entram na Primeira Guerra.

01 02

1918 É assinado o decreto Sobre a


Mobilização, de instituía que todos os
cidadãos deveriam aprender a ler e a
escrever.

03 1919 Vladmir Tátlin projeta o Monu-


mento à III Internacional

1924 Morte de Lênin, Presidente do


Conselho de Comissários do Povo da
União Soviética.

04
01. Gabo, Naum. Head of a Woman.,1917-20 - celulose e metal. 02. Tátlin, Vladmir. Monumento à III
Internacional,1920 - triliça metálica 03. Rodchenko, Alexander .Cartaz para o departamento estatal da
imprensa de Leningrado, 1924 - colagem 04. Rodchenko, Alexander. Escadarias, 1930 - fotografia

ligações: vanguarda russa, revolução, propaganda política, proletariado, Rússia, marxismo


Movimento
FICHA

19

SURREALISMO
Paris, França, década de 1920 “A mente que mergulha no surre-
alismo revive, com exaltação, a
O movimento surrealista foi lançado em 1924 por André Breton (1896-1966) melhor parte de sua infância.”
através do Manifesto Surrealista, em Paris. Nos termos de Breton, trata-se de André Breton, Manifesto Surre-
"resolver a contradição até agora vigente entre sonho e realidade pela alista.
criação de uma realidade absoluta, uma suprarrealidade".
O A palavra surrealismo supõe-se
A importância do mundo onírico, do irracional e do inconsciente anunciada ter sido criada em 1917 pelo poeta
no texto se relaciona diretamente ao uso livre que os artistas fazem da obra Guillaume Apollinaire (1886-
de Sigmund Freud (1856-1939) e da psicanálise, permitindo-lhes explorar 1918), jovem artista ligado ao
nas artes o imaginário e os impulsos ocultos da mente. O caráter Cubismo, e autor da peça teatral
antirracionalista do surrealismo coloca-o em posição oposta às tendências “As Mamas de Tirésias” (1917),
construtivas e formalistas na arte que florescem na Europa após a Primeira considerada uma obra precursora
Guerra Mundial (1914-1918), e das tendências ligadas ao chamado retorno à do movimento.
ordem (influências das ideologias nacionalistas).

Os surrealistas mantinham relações próximas com os dadaístas, havendo


muitas questões em comum, como por exemploo acaso, a ressignificação e a Os surrealistas rejeitam a
reestruturação de coisas e conceitos. Outra semelhança importante é o chamada ditadura da razão e
espírito revolucionário de ambos. A diferença entre os dois movimentos, valores burgueses como pátria,
entretanto, reside na formulação teórica e nos princípios surrealistas, ao que família, religião, trabalho e honra.
se contrapõe ao anarquismo dadaísta. Humor, sonho e a contralógica
são recursos a serem utilizados
As colagens e assemblages constituem mais uma expressão caraterística da para libertar o homem da existên-
lógica de produção surrealista, ancorada na ideia de acaso e de escolha cia utilitária. Segundo esta nova
aleatória, princípio central de criação para os dadaístas. A célebre frase de ordem, as ideias de bom gosto e
Lautréamont (1846-1870) é tomada como inspiração forte: "Belo como o decoro devem ser subvertidas.
encontro casual entre uma máquina de costura e um guarda-chuva numa
mesa de dissecção". A sugestão do escritor se faz notar na justaposição de
objetos desconexos e nas associações à primeira vista impossíveis que
particularizam as colagens e objetos surrealistas. Que dizer de um ferro de Mais do que um movimento
passar cheio de pregos, de uma xícara de chá coberta de peles ou de uma estético, o surrealismo é uma
bola suspensa por corda de violino? Dalí (1904-1989) radicaliza a ideia de maneira de enxergar o mundo,
libertação dos instintos e impulsos contra qualquer controle racional pela uma vanguarda artística que
defesa do método da "paranoia crítica", forma de tornar o delírio um transcende a arte.
mecanismo produtivo, criador.

As relações controversas dos


artistas impressionistas com a
política aparecem na adesão de
Principais Nomes alguns ao trotskismo (Breton, por
Salvador Dalí (1904-1989), Man Ray (1890-1976), Luis Buñuel (1900-1983), exemplo) e nas posições
Max Ernst (1891-1976), Meret Oppenheim (1913-1985), René Magritte reacionárias de outros, como Dalí.
(1898-1967), Jean (Hans) Arp (1886-1966), Hans Bellmer (1902-1975), Yves
Tanguy (1900-1955), Alberto Giacometti (1901-1966), Joan Miró (1893-1983),
Antonin Artaud (1896-1948).

ligaçoes: Paris, dadaismo, manifesto, Freud, inconsciente, subconsciente, automatismo, entre guerras.
SURREALISMO linha do tempo

1899 Freud publica “A interpretação


dos sonhos”.

1924 Publicação do Manifesto


Surrealista.

01 1924 O partido fascista italiano vence


as eleições gerais e fica com 65% das
cadeiras no parlamento.

1929 Primeira Cerimônia de entrega


do Oscar.
02
1929 Exibição do filme “Um cão
Andaluz” de Luis Buñuel.
03

1930 Segundo Manifesto Surrealista.

01.Dalí, Salvador. A Tentação de Santo Antônio, 1946 - óleo sobre tela, 90x119,5cm 02.Magritte, René.
Perspectiva I, Madame Récamier de David, 1950-1951 - óleo sobre tela, 60x80cm. 03.Bellmer,Hans. Doll,
1936 - alumínio pintado, 48.5 x 26.9 x 37.6 cm.

ligaçoes: Paris, dadaismo, manifesto, Freud, inconsciente, subconsciente, automatismo, entre guerras.
Brasil
FICHA

20

MODERNISMO BRASILEIRO
Brasil, 1922
“Só me interessa o que não é
O Modernismo Brasileiro surgiu em 1922 em meio a um período de
meu. Lei do homem. Lei do
transição e contradição em que o Brasil se encontrava. Ao mesmo tempo em
antropófago.” (ANDRADE,
que começava a se caracterizar como uma nação independente, o país
Oswald de. O manifesto
continuava preso às estruturas tradicionais, mantendo, portanto, uma
antropófago, 1928)
mentalidade colonial ainda no início do século XX. Os ideais de progresso,
industrialização e modernidade coexistiam com a tradição e o
conservadorismo das oligarquias rurais. Este período que sucedeu a Primeira
Guerra Mundial favoreceu a elite paulista cafeeira, resultando numa
mudança radical nas estruturas políticas e econômicas do país. Todas as
movimentações das ideias modernistas que predominavam na Europa "A poesia existe nos fatos. Os
começaram a chegar ao Brasil, contaminando jovens intelectuais através da casebres de açafrão e de ocre nos
pintura de Anita Malfatti e da escultura de Victor Brecheret (foto 3). verdes da Favela, sob o azul
Considera-se que a primeira manifestação pública coletiva da cabralino, são fatos estéticos."
necessidade de renovação estética foi a Semana de Arte Moderna, que (ANDRADE, Oswald de. Manifesto
ocorreu entre os dias 8 e 13 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São da Poesia Pau-Brasil, 1924)
Paulo. Este evento foi uma etapa destrutiva de rejeição ao conservadorismo
e ficou conhecido como uma ruptura com o tradicionalismo cultural
associado às correntes literárias e artísticas anteriores: o parnasianismo, o
simbolismo (ficha 5) e a arte acadêmica, até então em voga. Voltando-se para
dentro, explorando temáticas de ordem social e colocando em evidência o
homem “vulgar” do interior do país, diferenciava-se das vanguardas
europeias (ficha 2), que procuravam voltar-se para outras culturas, afim de
buscar novas fontes de inspiração. Em sua primeira fase, foi apenas
Segundo Mário de Andrade (1893-1945), um dos principais um movimento de “burgueses
pensadores da Semana de 22, há controvérsias a respeito da autenticidade e querendo chocar burgueses”,
do “espírito revolucionário” do movimento modernista brasileiro. De acordo preocupando-se com a liberdade
com ele, o movimento foi apenas algo importado da Europa, não trazendo estética, no qual estava ausente
nada efetivamente novo para a arte, se comparado ao que já havia sido feito qualquer tipo de preocupação
fora, apesar de considerar “o direito permanente à pesquisa estética; a política. Na segunda fase, devido
atualização da inteligência artística brasileira; e a estabilidade de uma ao contexto de crise, enfrentada
consciência criadora nacional” (ANDRADE, Mário de. O Movimento pelo mundo na década de 30, os
Modernista, 1942). artistas assumem uma postura
O anseio por um nacionalismo primitivo e ingênuo, que recusa mais critica diante da realidade,
qualquer tipo de arte importada, encontrou no caboclo e na mestiçagem trazendo amadurecimento para a
(outrora considerados entraves para o crescimento nacional) fontes arte moderna brasileira, principal-
integradoras da cultura brasileira. Num primeiro momento, o modernismo mente a literatura.
brasileiro volta-se para o interior de seu país, buscando formas de expressão
que não tivessem sido domesticadas pela cultura burguesa, procurando uma
identidade nacional verdadeira e mestiça. Logo após essa "descoberta" do
Brasil pelos modernistas vieram o Manifesto da Poesia Pau-Brasil, de 1924, e
o Manifesto Antropófago/Antropofágico, de 1928, ambos de Oswald de
Andrade (1890-1954.

Principais Nomes:
Anita Malfatti (1889-1964), Di Cavalcanti (1897-1976), Victor Brecheret
(1894-1955), Tarsila do Amaral (1886-1973), Ismael Nery (1900-1934),
Cândido Portinari (1903-1962).

ligações: vanguardas europeias, antropofagia, pau-brasil, semana de 22, identidade nacional, nacionalismo, primitivo, modernização
MODERNISMO BRASILEIRO linha do tempo
1917 Exposição de Anita Malfatti.

1922 Semana de Arte Moderna no


Teatro Municipal.

1924 Manifesto da Poesia Pau-Brasil, de


Oswald de Andrade.

01

1928 Herbert Hoover derrota o


democrata Alfred E. Smith, sendo eleito
presidente dos Estados Unidos.

1928 Publicação da Revista de


Antropofagia.

1930 Hailé Selassié se torna imperador


da Etiópia.
02 03
1930 Segunda geração modernista
(1930-1945).

05
04
01. Malfatti , Anita. A Boba, 1915 - óleo sobre tela, 61 x 50,6 cm. 02. Cavalcanti, Di. Cartaz da exposição da
Semana de Arte Moderna, 1922. 03. Brecheret, Victor. Carregadora de Perfume, 1923 - escultura em
bronze. 04. Amaral, Tarsila do. Os operários, 1933 – óleo sobre tela, 150 x 205 cm. 05. Portinari, Candido.
Lavrador de café, 1934 - óleo sobre tela, 100 x 81 cm.

ligações: vanguardas europeias, antropofagia, pau-brasil, semana de 22, identidade nacional, nacionalismo, primitivo, modernização
Conceito
FICHA

21

INSTALAÇÃO
EUA e outros, década de 1960

O termo instalação surge no discurso artístico em meados da década


de 60, emergindo dentro do contexto da Arte Conceitual (ficha 36). A insta-
Quando a Arte deixou o Museu em
lação tem por objetivo pensar a obra de arte e o espaço na qual está
busca de um público maior,
inserida em relação ao espectador, que sai de uma posição passiva para
tornou, consequentemente, e de
ativa, onde sua presença é vital para que a obra tenha seu sentido
forma mais incisiva, ‘pública’ a
completo. Vale ressaltar que existem termos dentro dessa modalidade com
presença da arte e do artista. O
significados muito semelhantes. Um exemplo é o termo “site specific”, que
artista ‘público’ contemporâneo
relaciona direta e especificamente o objeto com o espaço, fundindo e
trabalha in situ, [...] visto que o
criando um sentido próprio para a instalação.
sucesso da obra depende da
recepção do observador. [...] A
A transmutação do objeto e o caminho percorrido até a instalação têm
transição das instalações
exemplos precursores nas obras de Kurt Schwitters, intituladas “Merz”, de
efêmeras para as construções
1919, e duas obras de Duchamp, realizadas para as exposições surrealistas
permanentes estabelece aproxi-
de 1938 e 1942, em Nova York. Na primeira, ele cobre o teto da sala com
mação com a arquitetura. [...] A
1200 sacos de carvão, um espaço não-usual para trabalhos de arte. Na
Arquitetura sempre foi, por
segunda, ele fecha uma sala com cordas, e intitula “Milhas de Barbante”.
definição, pública, contudo, as
Piet Mondrian , em 1926, projeta o “Salão da Madame B.” em Dresden, onde
transformações contextuais dos
recobre uma sala com suas cores características; a ideia porém, só foi
últimos vinte anos levaram esta
executado após sua morte, em 1970.
disciplina a um processo de
adaptação (tal qual a Arte).
Outros exemplos pioneiros que podem ser citados são: Claes Oldenburg ,
(CARTAXO, 2006, p. 73-79)
com objetos pop feitos em escala gigante; George Segal, com esculturas de
gesso em escala real que criam cenários específicos; e Louise Bourgeois ,
onde se pode citar “Maman”, aranha gigante feita de mármore, aço inox-
idável e bronze.

Por ser uma prática experimental, a instalação permite uma gama variada Segundo Miwon Kwon (2002) “o
de suportes, materiais e possibilidades, posicionando-se de forma confor- surgimento de uma arte acordada
tável dentro do circuito artístico contemporâneo, já que a própria Arte à realidade do site trouxe implícitas
Contemporânea (ficha 31) tem como característica, dentre outras, o quest- as seguintes questões: a vontade
ionamento do espaço e do tempo; as combinações com várias linguagens de superação dos meios tradicion-
como vídeos, filmes, esculturas, performances, projeções e o universo ais (pintura e escultura), incluindo-
virtual fazem com que o público participe de maneira cada vez mais ativa. se o papel da instituição; a substi-
tuição do ‘objeto-arte’ pela
Na produção brasileira, pode-se destacar nomes como Lygia Pape, com contingência contextual; o deslo-
“Divisor” e “Ovo”; Hélio Oiticica, com “Penetráveis”, “Ninhos” e “Cosmococa”; camento do sujeito-cartesiano
Tunga, com “True Rouge”; e Cildo Meirelles , com “Desvio para o Vermelho” para o fenomenal; e, finalmente, a
e “Através”. resistência ao mercado capitalista
que reduz a obra a bens mercado-
Principais nomes: lógicos.”
Marcel Duchamp (1887-1978), Claes Oldenburg (1929-), Tunga (1952-),
Cildo Meirelles (1948-), Hélio Oiticica (1937-1980), Lygia Pape (1927-2004),
Lygia Clark (1920-1988), Louise Bourgeois (1911-2010), Richard Smithson
(1938-1973), George Segal (1924-2000), Barbara Kruger (1945), Anish
Kapoor (1964-)

ligações: espaço, ambiente, arquitetura, interação, suporte, arte pública


INSTALAÇÃO linha do tempo

1961 - Janio Quadros renuncia à


presidência;
- Realizada a primeira viagem
espacial tripulada por Yuri Gagarin.
Escolha a imagem que mais merece um destaque.

01 1962 Morre Candido Portinari.

1964 - Início das Olimpiadas de


Toquio, Japão;
- Morre Anita Malfatti.
02

04 1966 - Mao-Tsé Tung inicia a


Revolução Cultural na China;
- Indira Ghandhi é eleita a
03 primeira-ministra mulher da Índia.

06
05
01. Bourgeois, Louise. Maman, 1999 - aço inoxidável, bronze, mármore. 02. Oiticica, Hélio. Ninhos, 1970 -
madeira e tecido. 03. Oiticica, Hélio. Penetráveis, 1969 - materiais diversos. 04. Kruger, Barbara. Sem título,

ligações: espaço, ambiente, arquitetura, interação, suporte, arte pública


Movimento
FICHA

22

REALISMO SOCIALISTA
Rússia, 1930

Diferentemente da situação no Suprematismo (ficha 14) e no


Construtivismo Russo (ficha 18), o Realismo Socialista na Rússia foi marcado
por uma queda no incentivo das vanguardas. Com a morte de Lênin em 1924, Na definição de Aleksandr Gera-
a burocracia stalinista que agora se encontrava no poder negava a pesquisa simov, o Realismo Socialista é
e autonomia da arte, como forma de censura aos meios de comunicação e “realista na forma e socialista no
expressão do regime. A estética oficial alinhada ideologicamente ao Partido conteúdo”
Comunista foi elaborada por Andrej Zdanov, comissário de Stálin
responsável pela produção cultural e propaganda do governo. site: ITAÚ CULTURAL. Realismo
Socialista
Com isso, o Construtivismo Russo antes presente deu lugar a uma arte
mimética e realista. Incrivelmente, o Realismo Socialista foi mais
compreendido pelas massas do que as formas básicas e geométricas do
Suprematismo. Vale lembrar que o caráter revolucionário visto no
Suprematismo e no Construtivismo, agora não tem vez no governo ditatorial
e facista de Stálin. Se agora o povo compreende a arte realista, de alguma
forma se aliena do ideal socialista proposto por Lênin.

A arte nesse período é predominantemente figurativa e com


temáticas rapidamente identificáveis. Frequentemente nas pinturas e Nos países da antiga URSS, o estilo
cartazes eram retratados proletários, líderes, soldados, camponeses de forma do Realismo Socialista é tomado
idealizada, seja pela exaltação de corpos vigorosos (indicando força e saúde), como sinônimo de Jdanovismo,
seja pela celebração de movimentos sociais e feitos políticos. em referência a Andrej Zdanov.

É flagrante a unanimidade da crítica sobre a pouca importância


estética dos trabalhos produzidos no realismo socialista. Do movimento,
poucos nomes são lembrados nas histórias e dicionários de arte. O realismo
socialista teve impacto sobre os países do Leste Europeu que gravitavam em
torno da antiga URSS, mais ou menos na mesma época.

O filme “Adeus, Lênin!”(2002) de


Principais Nomes Wolfgang Becker, fala sobre a
Yuri Pimenov (1903-1977), Alexander Deineka (1899-1969), Aleksander transição do governo de Lênin
Ivanovich (1910-1972) para o de Stálin na Rússia

ligações: stalinismo, propaganda política, realismo


REALISMO SOCIALISTA linha do tempo
1922 Formação da URSS(União
Soviética das Repúblicas Socialistas
Soviéticas).

1924 Morre Lênin, fundador do


primeiro Estado Socialista. Inicia-se uma
luta interna pela disputa do poder
soviético.

1929 - Stálin assume o poder da


URSS;
- Fundação do Museu de Arte Moderna
de Nova York (MoMA);
01 - Quebra da bolsa de valores de Nova
York.

1932 Revolução Constitucionalista em


São Paulo.

1933 Nos EUA, Franklin Roosevelt dá


início ao New Deal, plano de recuperação
econômica após a quebra da bolsa de
Nova York.

1937 No Brasil, inicia-se o governo


02 ditatorial de Getúlio Vargas, conhecido
como Estado Novo.

1939 Início da Segunda Guerra


Mundial.

1932 Jogos Olímpicos acontecem na


cidade de Moscou e, tardiamente,
representam a estética realista-
socialista, principalmente em suas
03 cerimônias e no design gráfico aplicado
ao evento.

01. Vladimirski, Boris. Rosas para Staline,1949 - óleo sobre tela 02. Pimenov, Yuri. New Moscow,1937 - óleo
sobre tela 03. Deineka, Alexander. The Model, 1936 - óleo sobre tela.

ligações: stalinismo, propaganda política, realismo


Brasil
FICHA

23

GRUPO SANTA HELENA


São Paulo, 1934
“Eu não falo, eu pinto”
O grupo surgiu sem programa preestabelecido, na união espontânea de Alfredo Volpi
alguns artistas que alugavam salas no Palacete Santa Helena (daí a origem do
nome), antigo edifício na praça da Sé, em 1934 em São Paulo, para utilizar
como ateliês. Esse prédio foi demolido em 1971, quando da construção da
estação de Metrô da Sé.
A plástica do grupo pode ser
A maioria era formada por imigrantes italianos, como Alfredo Volpi e Fúlvio determinada principalmente por
Penacchi; filhos de imigrantes italianos como Aldo Bonadei, Alfredo Rizzotti, sua origem proletária ou
Mario Zanini e Humberto Rosa; espanhóis, como Francisco Rebolo; ou pequeno-burguesa. Antes, ganha-
portugueses, como Manuel Martins. vam a vida como artesãos ou
pintores-decoradores, o que
Os primeiros artistas a se instalar no edifício foram Francisco Rebolo, seguido contribui para a consciência
por Mário Zanini. Com a chegada de novos artistas, criou-se um universo de artesanal de suas obras.
troca mútua no qual eram compartilhados conhecimentos técnicos de
pintura, sessões de modelo vivo e excursões de pintura ao ar livre.

Não possuiam nenhum compromisso conceitual coletivo, porém, Eram todos de origem humilde e,
demonstravam em comum o interesse pela representação da realidade para sobreviver, exerciam ativi-
concreta - pintando paisagens cujos focos eram as vistas dos subúrbios e dades artesanais e proletárias.
arredores da cidade, as praias, a paisagem urbana - além de transitarem entre Rebolo, Volpi e Zanini eram
as experimentações formais da vanguarda dos anos 1920 e o academicismo decoradores-pintores de paredes;
ainda presente na arte paulista, se preocupando portanto com o apuro Clóvis Graciano era ferroviário;
técnico e a volta à tradição do fazer pictórico, caracterizando assim um Fulvio Penacchi era dono de
“modernismo moderado”. açougue; Aldo Bonadei era
figurinista e bordador; Rizzotti era
Identifica-se em uma preferência por tons rebaixados, de fatura fosca, dando mecânico e torneiro; Manuel
uma tonalidade acinzentada aos quadros. Outros gêneros como a Martins era ourives; Rebolo
natureza-morta, o retrato e o autorretrato, também foram trabalhados pelos também era jogador de futebol; e
participantes. Com a dissolução natural do grupo, os artistas começaram a Humberto Rosa e Pennacchi eram
desenvolver suas carreiras individuais. Alfredo Volpi foi quem mais se professores de desenho. A pintura
destacou. era praticada nos fins de semana
ou nos momentos de folga.
Principais Nomes
Francisco Rebolo (1902-1980), Humberto Rosa (1908-1948), Vittorio Gobbis
(1894-1968), Manoel Martins (1911-1979), Rossi Osir (1890-1959), Clóvis
Graciano (1907-1988), Mário Zanini (1907-1971), Aldo Bonadeli (1906-1974),
Fulvio Pennacchi (1905-1992), Alfredo Volpi (1896-1988), Alfredo Rizzotti
(1909-1972).

ligações: pintura, modernismo, universo industrial paulista, naif


GRUPO SANTA HELENA linha do tempo

1922 Semana de Arte Moderna

1930 Revolução de 1930 no Brasil

1937 É realizada uma exposição da


chamada "Família Artística Paulista",
agregando um conjunto de artistas e
incluindo todo o Grupo Santa Helena
que, desse modo, apresentou seus
trabalhos ao público pela primeira vez.
A partir daí, o Grupo tornou-se conhe-
cido e despertou o interesse de Mário
de Andrade, que neles identificou uma
01 02 "escola paulista".

1937 A "Exposição de Pintores


Franceses", apresentando Cézanne,
Picasso, Braque e Gris, dentre outros,
causou enorme impacto e começou a
redirecionar os caminhos de vários
integrantes do Grupo, além de
distanciá-los em sua temática ou nos
aspectos formais.

03 1939 Início da 2º Guerra Mundial

01. Volpi, Alfredo. Bandeirinhas, 1896 - têmpera s/ tela 02. Rebolo, Francisco . Futebol, 1936 - óleo sobre tela
03. Zanini, Mário. Paisagem,1996 óleo sobre tela

ligações: pintura, modernismo, universo industrial paulista, naif


Movimento
FICHA

24
EXPRESSIONISMO ABSTRATO "Outro importante antecedente (à
EUA - Período pós-Segunda Guerra Mundial reelaboração da crítica dos
conceituais) é o Desenho de De
Foi o primeiro grande movimento artístico de repercurssão Kooning Apagado, apresentado
internacional que aconteceu nos Estados Unidos, país que naquele por Robert Rauschenberg em
momento emergia como novo o pólo artístico. A abertura do Museu de Arte 1953. Como o próprio título enun-
Moderna em 1929 e a vinda de vários artistas europeus para NY, propiciaram cia, em um desenho de Willem de
contato com o conteúdo inovador das vanguardas europeias. Nesse Kooning, artista ligado à
contexto, começa a se delinear uma arte “americana” que, embora recebesse abstração gestual surgida nos
todas as influências das vanguardas europeias, não se sentia devedora a ela e Estados Unidos no pós-guerra,
não tinha nenhum compromisso com as tradições artísticas. Rauschenberg, com a permissão
do colega, apaga e desfaz o seu
O Expressionismo Abstrato está numa zona de intersecção entre a abstração gesto. A obra final, um papel vazio
do Der Blaue Reiter, a intensidade emocional do expressionismo alemão e quase em branco, levanta a
heranças surrealistas (o inconsciente e o automatismo), fazendo com que as questão sobre os limites e as possi-
pinturas se voltassem mais para dentro, trazendo à tona um resultado bilidades de superação da noção
plástico que se baseava em formas não-figurativas. Alguns críticos sublinham moderna de arte."
as afinidades da Action Painting com o Jazz, música que se faz tocando, ao (Enciclopédia Itaú Artes Visuais,
sabor do improviso e da falta de projeto preliminar. Traz ainda um embrião Arte Conceitual)
do que mais tarde viria a ser a Performance .
Rauschenberg fala sobre De
Um dos seus principais expoentes, Jackson Pollock, criava suas obras através Kooning Apagado:
de respingos de tinta que deixava cair sobre grandes panos no chão, http://bit.ly/OXYlai
formando texturas únicas. A pintura deveria ceder a impulsos espontâneos, a
ação era ágil e não deveria ser premeditada.
“(...) a herança da arte moderna é
reacondicionada e oferecida de
A pintura sem planejamento e improvisada se relaciona com o automatismo
outra forma por Lichetenstein.
surrealista, no qual o artista permitia que sua mão se movesse
Uma série de “Pinceladas” de 1965,
'aleatoreamente' sobre o papel, evitando o controle consciente do desenho
cuidadosa e precisamente
e abrindo espaço para manifestações do inconsciente. Influenciados pelas
executadas, apresentava o Expres-
teorias de Jung e Sartre, muitos dos primeiros expressionistas abstratos
sionismo Abstrato como estilo,
buscam a expressão humana global e atemporal. Rothko, Pollock,
tornando óbvio o fato de que a
Motherwell, Gottlieb, Newman, e Baziotes: todos se voltaram para a arte
expressividade associada a ele
arcaica e o mito primitivo como fonte de inspiração.
não é um registro transparente e
absoluto de um estado emocional,
Pretendia-se criar uma arte mais livre e espontânea, nada convencional. O
mas um conjunto de símbolos
Expressionismo Abstrato trazia em si uma carga muito grande de tudo o que
culturalmente específicos por
fora deixado pela Segunda Guerra. Era, portanto, uma arte forte e violenta,
meio do qual se sente que aquele
que incorporava o emprego de uma palheta agressiva, conjugando traços
estado é mais bem representado.”
geométricos e aleatórios da "pintura automática" a um empaste pesado e
grosseiro de pigmentos sobrepostos. A busca do primitivo, assim como a
(ARCHER, Michel. Arte Contem-
recusa às técnicas tradicionais e a espontaneidade não-censurada
porânea – uma historia concisa.
correspondem a uma rejeição ao racionalismo tecnológico e a modernidade
p. 12)
civilizada.

Principais Nomes
Jackson Pollock (1912-56), Arshile Gorky (1904-48), Mark Rothko (1903-70),
Adolph Gottlieb (1903-74), Willem de Kooning (1904-97), Isamu Noguchi
(1904-88). No Brasil: Manabu Mabe (1924-97), Tomie Othake (1913).

ligações: expressão, abstração, automatismo, inconsciente, gesto, espontaneidade, performance, eua pós-guerra
EXPRESSIONISMO ABSTRATO linha do tempo

1945 Fim Fim da


da Segunda
Segunda Guerra
Guerra
Mundial.
Mundial.

1945 Fim
1950 da Segunda
Uruguai Guerra
é bicampeão mundial
Mundial.
de futebol.

1945 Fim
1951 da Segunda
I Bienal Guerra
Internacional de Arte
Mundial.
de São Paulo.

01 02

1945 Fim
1952 da Segunda
O termo Guerra
“Expressionismo
Mundial.
Abstrato” foi usado pela primeira vez
pelo crítico H. Rosernberg para designar
o movimento.

03 04

05

01. Jackson Pollock pintando. 02. KOONING, Willem de. Mulher, 1949-50. 03. ROTHKO, Mark. White Center
(Yellow, Pink and Lavender on Rose), 1950. 04.GOTTLIEB, Adolph. Rolando, 1961. 05. POLLOCK, Jackson.
Número 1, 1949.

ligações: expressão, abstração, automatismo, inconsciente, gesto, espontaneidade, performance, eua pós-guerra
Movimento
FICHA

25

MINIMALISMO
Estados Unidos, meados dos anos 1960
"Uma forma, um volume, uma
cor, uma superfície é algo em si.
O termo minimalismo evoluiu ao longo dos tempos para incluir um
Isso não deve ser escondido como
enorme número de obras de arte. Seus precedentes na história das artes
parte de um todo diferente."
visuais podem ser encontrados nas pinturas de Mondrian (1872-1944),
(JUDD, Donald. The New York
Reinhardt (1913-1967) e Malevich (1879-1935). No entanto, pode-se dizer
Times, 1964)
que ele teve início como um movimento no ambiente de efervescência
cultural estadunidense em meados dos anos 1960.
“A minha pintura se baseia no
O Construtivismo Russo (Ficha 18) e os readymades de Duchamp
fato de que só o que pode ser
(Ficha 15) foram importantes influências ao minimalistas. Isso pode ser
visto na tela é que está realmente
observado no diálogo da aproximação entre pintura e escultura e o uso de
lá. [...] Tudo o que eu quero que as
produtos industriais e na ideia de que a escultura pode fazer uso de materiais
pessoas extraiam dos meus
pré-fabricados ou lembrar a aparência de objetos manufaturados. Como
quadros, e tudo que eu extraio
uma reação ao Expressionismo Abstrato (Ficha 24) e sua paixão e
deles, é o fato de que você
expressividade, o minimalismo procurou distanciar-se de temas como o
consegue apreender a ideia em
simbolismo, a transcendência espiritual e as associações metafóricas. Em
seu todo sem confusão... O que
busca de apagar as distinções entre pintura e escultura, os minimalistas
você vê é o que você vê.” (STELLA,
procuraram criar o que Donald Judd (1928-1994) chamava de "objetos
Frank. Escritos de Artistas: Anos
específicos".
60/70, 2006)
Uma das maneiras encontradas pelos minimalistas de distanciar-se
do que era estabelecido como objeto artístico, foi a de retirar da obra
quaisquer vestígios de processos manuais ou decisões estéticas durante a “Veja, o grande problema é que
sua fabricação (uso de formas geométricas simples). Mais do que partes da qualquer coisa que não seja
obra sendo milimetricamente e cuidadosamente ordenadas e balanceadas, absolutamente simples começa,
para Judd o processo de criação deveria se tratar de "apenas uma coisa de algum modo, a ter partes. O
depois a outra". Outra característica comum aos artistas ligados ao chamado importante é ser capaz de traba-
Minimalismo, é a redução de objetos a sua estrutura primária. Sendo assim, lhar e fazer coisas diferentes e,
torna-se um movimento mais formal que ideológico, em que conceito e mesmo assim, não quebrar a
expressão eram muitas vezes descartados em função da essência estrutural inteireza que uma peça tem.”
do objeto, percepção pura e direta, sem mediar valores externos. (JUDD, Donald. Escritos de Arti-
stas: Anos 60/70, 2006
Principais Nomes:
Donald Judd, Sol LeWitt (1928-2007), John McCracken (1934-2011), Agnes
Martin (1912-2004), Dan Flavin (1933-1996), Robert Morris (1931-), Anne
Truitt (1921-2004), Carl Andre (1935-), Frank Stella (1936-). “A metade, ou mais, dos melhores
novos trabalhos que se têm
produzido nos últimos anos, não
tem sido nem pintura nem escul-
tura. Frequentemente, eles têm se
relacionado, de maneira próxima
ou distante, a uma ou a outra.”
(JUDD, Donald. Objetos específi-
cos, 1963)

ligações: estruturas primárias, bauhaus, john cage, concretismo, espaço, forma, design
MINIMALISMO linha do tempo
1945 Com o fim da 2ª Guerra Mundial,
cria-se um movimento de
artistas da Europa para os
Estados Unidos.

01

1955 As nações do bloco oriental firmam


o Pacto de Varsóvia, que as unifica
militarmente.

02 1957 O prefeito de São Paulo, Jânio


Quadros, proíbe o rock and roll nos
bailes.

1958 Yves Klein expõe uma sala comple-


tamente vazia.

1961 Começa a ser erguido o Muro de


03 Berlim.

1963 Donald Judd publica o texto


“Objetos específicos”, que é considerado o
manifesto do Minimalismo.
04

05

01. LeWitt , Sol. Incomplete Open Cube, 1974 - esmalte em alumínio. 02. Judd, Donald. Sem título, 1970 -
concreto. 03. Flavin, Dan. Monument, 1969 - lâmpadas fluorescentes e luminárias de metal. 04. Andre,
Carl. 144 Quadrados de magnésio, 1969 - magnésio. 05. Stella, Frank. Pintura Negra, 1967 - esmalte sobre
tela, 230,5 x 337,2 cm.

ligações: estruturas primárias, bauhaus, john cage, concretismo, espaço, forma, design
Brasil
FICHA

26

CONCRETISMO
São Paulo/Rio de Janeiro, 1950
O Concretismo, também chamado de Arte Concreta, é um O movimento concretista acontece
movimento que tomou bastante força entre artistas de São Paulo e do Rio de quando o modernismo declinava
Janeiro a partir da década de 1950, e vem de uma linhagem claramente como força artística no país, muito
embora Portinari, já consagrado nas
abstracionista moderna, cujas principais raízes estão localizadas nas
décadas anteriores, ainda fosse
experiências do grupo De Stijl (ficha 16), do qual faziam parte Piet Mondrian considerado o maior artista brasileiro
e Theo Van Doesburg, além de outros artistas ligados à Bauhaus (ficha 17) da época.
como Wassily Kandinsky e Max Bill.
O Concretismo tem como principal premissa a autonomia da arte em O concretismo na arte é a promessa
relação à natureza. Ele não busca representar o real muito menos da construção do novo. Prega uma
interpretá-lo, portanto rejeita qualquer conotação mais lírica do trabalho. arte democrática, acessível a todos
Para esses artistas, não há nada mais concreto do que a linha, as cores e os em sua simplicidade e objetividade.
planos, e eles são auto-suficientes, não há significados por trás do que Propaga uma linguagem universal,
vemos. livre de contextos específicos e livre
Nesse período, os artistas concretistas adotavam uma postura mais de um excesso de subjetividade e
racionalista, desejando superar a condição de país subdesenvolvido. Tais emotividade.
anseios refletiam o plano político e econômico do Brasil, que a partir dos
anos 1950 alinhava-se mais intensamente aos moldes do capitalismo “Pintura concreta e não abstrata,
internacional, experimentando um grande crescimento econômico e certo pois nada é mais concreto, mais real
que uma linha, uma cor, uma
otimismo com relação à modernização.
superfície... Uma mulher, uma
No Brasil, o artista estrangeiro mais influente para a formação desse
árvore, uma vaca, são concretos no
ideário foi Max Bill, ganhador do principal prêmio da 1º Bienal Internacional estado natural, mas no estado de
de São Paulo, ocorrido no ano de 1951, com sua obra “Unidade pintura são abstratos, ilusórios,
Tripartida”(foto 6). Outro importante premiado nessa Bienal foi Ivan Serpa vagos, especulativos, ao passo que
com a obra “Formas”(foto 1). um plano é um plano, uma linha é
O artista carioca Ivan Serpa criou em 1954 o Grupo Frente, do qual uma linha, nem mais nem menos.” -
faziam parte os críticos Ferreira Gullar e Mario Pedrosa e artistas como Lygia Van Doesburg, 1930
Pape, Hélio Oiticica, Lygia Clark e Franz Weissman. Em São Paulo surgiu outro
importante núcleo de artistas concretistas, o Grupo Ruptura, que teve seu A poesia concreta nasceu oficialmente
início marcado por uma exposição ocorrida em 1952 no Museu de Arte no Brasil na década de 1950, com a
Moderna de São Paulo, e tinha como integrantes Waldemar Cordeiro, Lothar obra dos poetas Augusto de Campos
Charoux, Luiz Sacilotto, Geraldo de Barros (que mais tarde integraria o grupo (1931-), Haroldo de Campos (1929-
2003) e Décio Pignatari (1927- 2012).
Rex [ficha 35]). Diferentemente dos contemporâneos cariocas, os paulistanos Caracteriza-se pelo abandono do verso,
focaram suas pesquisas na pura visualidade das formas, enquanto os da importância do tema e da expressão
integrantes do Grupo Frente se dedicavam às articulações entre arte e vida de emoções íntimas. A exploração do
“através” das formas. Alguns dos integrantes do Grupo Frente como Hélio som,e a disposição das letras no papel,
Oiticica e Lygia Clark darão origem ao neoconcretismo (ficha 29). que busca mum efeito gráfico,
eliminam a direção tradicional de
leitura. Na composição do texto, podem
Principais Nomes ser usados vários tipos de letra e
Grupo Frente: Da primeira exposição do grupo participaram: Aluísio Carvão tamanhos. Eventualmente a cor pode
(1920-2001), Carlos Val (1937), Ivan Serpa (1923-1973), Décio Vieira vir a ser um elemento fundamental na
(1922-1988), Lygia Clark (1920-1988), Lygia Pape (1927-2004). Já na segunda semântica do poema. Entre os precu-
rsores da poesia concreta estão os
exposição, em 1955 no MAM/RJ, aderiram ao grupo Franz poetas franceses Guillaume Apollinaire
Weissmann(1911-2005), Hélio Oiticica (1937 - 1980), Rubem Ludolf (1932 - (1880-1918), Stéphane Mallarmé
2010), Abraham Palatinik (1928). Grupo Ruptura: Waldemar Cordeiro (1925- (1842-1898), o norte-americano Ezra
1973), Lothar Charoux (1912 - 1987), Luiz Sacilotto (1924 - 2003), Geraldo de Pound (1885-1972), os futuristas e os
Barros (1923 - 1998). dadaístas

ligações: construtivismo, neoplasticismo, bienal, industrialização, modernização, abstração geométrica, matemática, racionalismo.
CONCRETISMO linha do tempo
1949 - Exposições: “19 Pintores”,
Galeria prestes Maia, SP ;
- “Do Figurativismo ao Abstra-
cionismo” MAM/SP;
-“Calder” – MASP/SP.

1950 – Início da Guerra da Coreia;


- No Brasil, Getúlio Vargas assume
novamente a presidência, dessa
03 vez eleito por voto direto;
- 1° Bienal Internacional de São
01 Paulo – obras premiadas: “
Unidade Tripartida”(foto 6) de
Max Bill, “formas” de Ivan Serpa
(foto1).

1952 - Exposição do Grupo Ruptura


MAM/SP;
01 02 - Lançamento da Revista Noigan-
04 dres (editada pelos irmãos
Haroldo e Augusto de Campos e
Décio Pignatari).

1956 - Exposição Nacional de Arte


Concreta MAM/SP;
- Juscelino Kubistchek assume a
presidência do Brasil sob o slogan
“Cinquenta anos em cinco”.
02
05
1957 Exposição Nacional de Arte
Concreta –Ministério da
Educação e Saúde – RJ.

1960 Inauguração de Brasília, projeto


arquitetônico de Oscar Niemeyer,
pelo então presidente Juscelino
Kubitschek.

06

01- Formas , 97 x 130,2 cm, óleo sobre tela - Ivan Serpa, 1951. 02- Movimento , têmpera sobre tela , 90,1 x
95,3 cm – Waldemar Cordeiro, 1951. 03- Planos em superfície modulada nº 5,Tinta industrial s/ madeira,
80,0 x 70,0 cm - Lygia Clark,1957. 04- Concreção 8074, têmpera sobre tela, 80x 80 cm - Luiz Sacilotto1974.
05- Profilograma 4 (Waldemar Cordeiro) - Augusto de Campos (Poema póstumo em homenagem a
Waldemar Cordeiro), 1993. 06- Unidade Tripartida- Max Bill,1948/49 REFERÊNCIA.

ligações: construtivismo, neoplasticismo, bienal, industrialização, modernização, abstração geométrica, matemática, racionalismo.
Movimento
FICHA

27

POP ART
Inglaterra e EUA, 1950
A origem do termo é
desconhecida, mas é comumente
O movimento surgiu em meio ao boom consumista e otimista.
creditada ao crítico de arte
Os artistas defendiam uma arte popular que se comunicasse diretamente
Lawrence Alloway (1926 - 1990),
com o público por meio de signos e símbolos retirados do imaginário que
apesar de que, no livro em que
cercava a cultura de massa e vida cotidiana. Como um dos maiores
esse termo aparece, ele tenha
movimentos artísticos do século XX, foi caracterizado por temas e técnicas
usado a expressão “cultura de
inspiradas na televisão, filmes, publicidade, quadrinhos e mídia em geral. Foi
massa popular” e não “art pop”.
largamente interpretado como reverso ou até mesmo a reação ao
Expressionismo Abstrato (ver ficha 24). Opôs-se ao elitismo cultural que
dominava o cenário artístico.

Uma das primeiras imagens relacionadas ao movimento da pop art


foi a colagem de Richard Hamilton (1992 - 2011), chamada “O que
Exatamente Torna os Lares de Hoje Tão Diferentes, Tão Atraentes?” (foto 05),
de 1956, que já carrega temas e técnicas dominantes desta nova expressão.

Andy Warhol (1928-1987) foi a figura mais conhecida e mais “No futuro todos serão famosos
controversa da pop art, mostrando sua concepção da produção mecânica da durante quinze minutos”
imagem em substituição ao trabalho manual. Suas obras remetiam à (Andy Warhol)
“impessoalidade dos objetos”, trazendo à tona seus aspectos vazios, sejam
eles latas de sopa, garrafas de Coca-Cola, automóveis ou figuras públicas
como Marilyn Monroe (foto 01) e Elvis Presley (foto 03).

A pop art surgiu objetivando criticar de uma forma irônica o


bombardeamento de objetos de consumo no qual a sociedade imergiu, mas Na década de 1960 a pop art
desde cedo - e até hoje - foi duramente criticada por não corresponder às influenciou os artistas brasileiros
suas próprias proposições: não raro as obras de pop art tornavam-se objeto em suas produções. Enquanto os
de consumo desenfreado, contribuindo assim para o fortalecimento do artistas americanos e ingleses
sistema que combatia. Nota-se essa ambiguidade no trabalho de Warhol, falavam sobre o consumismo e a
pois ao mesmo tempo em que ele criticou a cultura de massa, faz parte dela indústria de massa, os brasileiros
e lucrou com isso. usavam da linguagem pop para
fazer denúncia social e política,
A partir de 1963 a pop art começou também a conviver e a incorporar em plena Ditadura Militar (1964-
a suas manifestações a tragédia da violência racial e guerra provindas da 1985).
Guerra do Vietnã (1955-1975) e Guerra Fria (1945-1991). Atualmente
incorpora tanto manifestações de caráter contestatório, quanto
propagandas políticas, como nas recentes eleições para presidente dos EUA,
tal como os pôsteres do designer Shepard Fairey (1970) com influências
diretas da Pop Art e sua produção de ideias imagéticas massificadas.

Principais nomes
Andy Warhol (1928 - 1987), Peter Blake (1932), Wayne Thiebaud (1920), Roy
Lichtenstein (1923 - 1997), Jasper Johns (1930).

ligações: consumo, EUA, vídeo, publicidade, identidade, cultura de massa, reprodutibilidade, guerra fria, american way of life
POP ART linha do tempo
1945 Fim da Segunda Guerra
Mundial e início da Guerra Fria
(1945-1991).

1950 Henri Matisse recebe o prêmio


da Bienal de Veneza.
02
01
1951 Primeira Bienal de Artes de São
Paulo.

03 1953 Lança-se o filme “Os homens


04 preferem as loiras”, com Marilyn Monroe.

1955 Início da guerra do Vietnam


(1955-1975).

1961 Início da construção do Muro


de Berlim.

1962 Morte de Marilyn Monroe .

05

1964 Golpe militar no Brasil.

01. Andy Warhol, Marilyn Monroe(hot pink), 1967 - Serigrafia, 91.5 x 91.5 cm. 02. Roy Lichtenstein, Crying
girl, 1964- Litografia , 116.8 x 116.8 cm. 03. Andy Warhol, Elvis I & II, 1963- Serigrafia,208.3 x 208.3 cm. 04.
Jasper Johns, Three Flags, 1958- Encáustica, 78.4 × 115.6 × 12.7 cm. 05. Richard Hamilton, Just what is it
that makes today's homes so different, so appealing?, 1956- collage, 26 cm × 24.8 cm.

ligações: consumo, EUA, vídeo, publicidade, identidade, cultura de massa, reprodutibilidade, guerra fria, american way of life
Movimento
FICHA

28

OP ART
Estados Unidos, Ddécada de 1960

O termo, cunhado em 1964 pela Time Magazine, passou a ser usado


após a exposição “The Responsive Eye” (O olhar interativo), no MoMA, em Op Art é uma abreviação da
1965. Aplica-se aos artistas que buscaram se afastar visualmente do expressão em inglês “optical art”
simbólico, partindo de leis ópticas, contrastes simultâneos e dos dados que significa "arte óptica".
experimentais da Psicologia da Gestalt (Psicologia da Forma). Criando planos
e movimentos ilusórios (3D) e fazendo as formas vibrarem através da
mutação de cores e formas em um suporte liso (2D).

Tem heranças em Albers (1888-1976), docente da Bauhaus que, no


final da década de 40, nos Estados Unidos, passou a se dedicar à pintura, com
sua série abstrata “Homenagem ao Quadrado”. Também herdou o esforço
óptico que o pontilhismo de Seurat (1859-1891) e o orfismo de Delaunay
(1885-1941) exigiam dos olhos, além da interação e movimento da Arte
Cinética.
“Menos expressão e mais visua-
Baseou-se na construção científica das imagens que exigia do lização”
observador persistência e concentração, fazendo com que ele participasse (Josef Albers)
completamente da obra. Para Victor Vasarely (1908-1997), considerado o pai
da Op Art, a obra deveria ser passível de reprodução e também de ser
reproduzida por outras pessoas ou por máquinas.

A dita “Op Art” se refere ao grupo estadunidense envolvido


principalmente com a exposição no MoMA em 1965, porém existem outros
grupos e artistas que se interessaram pela pesquisa visual, buscando uma
autonomia da disciplina baseados na convergência entre ciência, técnica e Contrastes simultâneos: conceito
cinética da imagem. Alguns deles foram: Hard Edge (EUA), Arte Programmata proposto pelo químico francês
(Itália), Zero (Alemanha), Equipo 57 (Espanha) e Cruz-Diez (Venezuela). Michel Eugène Chevreul, a partir
do qual se estudava a percepção
das cores em simultaneidade.
Principais Nomes
Victor Vasarely (1908-1997), Richard Anuszkiewicz (1930), Bridget Rilley
(1931), Julian Stanczak (1928) e Josef Albers (1888-1976).

“[...] uma percepção selecionada,


organizada, estruturada: um
‘modelo’ de percepção. Possui, por
isso, uma função essencialmente
educativa: ensina a perceber com
clareza, com consciência das leis
físicas e matemáticas que fazem
da própria percepção um processo
intelectivo. ”
(Giulio Carlo Argan -
analisando a obra de Vasarely)

ligações: pesquisa visual, olho-máquina, gestalt, movimento, arte cinética, ilusão óptica
OP ART linha do tempo

1930-40 Período de efervescência


nos estudos sobre a Psicologia da
Gestalt.

1933 - O governo alemão fecha a


Bauhaus;
- Albers é convidado a lecionar nos EUA.

01

1950 A “era de ouro” do Cinema 3D:


primeira produção de um fillme em 3D
colorido, com a tecnologia estereoscó-
pia (óculos azul e vermelho).
02

03

1965 Exposição “The Responsive


Eye” no MoMA.

04 05
01. Vasarely, Victor. Zebras, 1938 ( ). 02. Riley, Bridget. Movement in Square, 1961 ( ). 03. Vasarely, Victor.
Vega 200, 1968 ( ). 04. Albers, Josef. Homenagem ao Quadrado, 1949-1976(série) ( ). 05. Parc, Julio Le.
Composição 523 nº13-5, 1970.

ligações: pesquisa visual, olho-máquina, gestalt, movimento, arte cinética, ilusão óptica
Brasil
FICHA

29

NEOCONCRETISMO
Rio de Janeiro, 1959
Na conclusão do texto do mani-
A expressão “neoconcreto” relaciona-se, primeiramente, ao festo neoconcreto, os signatários
movimento concreto no Brasil da década de 1950, e às diferenças entre os esclarecem que "não constituem
ideais do Grupo Frente, no Rio de Janeiro, e do Grupo Ruptura, em São Paulo. um grupo, não os ligam princípios
A arte concreta (ficha 26) no Brasil remonta ao contexto dogmáticos. A afinidade evidente
desenvolvimentista e progressista que a indústria fomentava na época. O das pesquisas que realizam em
programa concreto parte da aproximação entre produção artística e vários campos os aproximou e os
industrial, afastando-se de qualquer conotação lírica ou simbólica. reuniu".
Em 1959, é realizada a 1ª Exposição de Arte Neoconcreta no Museu de
Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, onde foi lançado o “Manifesto
Neoconcreto”, assinado por Amilcar de Castro (1920 - 2002), Ferreira Gullar
(1930 - ), Franz Weissemann (1911 - 2005), Lygia Clark (1920 - 1988), Lygia
Pape (1927 - 2004), Reynaldo Jardim (1926 - 2011) e Theon Spanudis (1915 - “Foi dado o nome de Bichos aos
1986). O manifesto defende a liberdade de experimentação e o resgate da meus últimos trabalhos pelo
subjetividade, incorporando o observador como parte da obra, a fim de caráter essencialmente orgânico
tentar eliminar a sombra do caráter racionalista e técnico-científico do que eles possuem. Além disso, a
concretismo. É importante ressaltar que na conclusão do texto do manifesto, maneira que achei para unir os
os signatários esclarecem que “não constituem um grupo, não os ligam planos, uma dobradiça, lembrou-
princípios dogmáticos. A afinidade evidente das pesquisas que realizam em me uma espinha dorsal.”
vários campos os aproximou e os reuniu”.
As esculturas de Amilcar de Castro, com suas dobras e cortes, em um Lygia Clark sobre a série “Bichos”,
material rígido como o ferro, realçam ainda mais o trabalho escultórico. Sua em 1960.
produção celebra a conquista do espaço tridimensional, concentrando seu
significado nas precisas relações estabelecidas pelo escultor, razão se
autojustifica e a razão de ser da forma é a própria forma. As séries de Hélio
Oiticica “Bilaterais” e “Relevos Espaciais”, de 1959, e “Trepantes”, de Lygia Clark, “Com o engajamento cada vez
de 1960, conquistam o espaço de maneira decisiva para, em seguida, tornar mais intenso em propostas radi-
a obra de arte ainda mais interativa, como os “Bichos” de Lygia Clark e os cais, esses artistas [Oiticica, Clark
“Livros” de Lygia Pape. O corpo e a expressão tornam-se indispensáveis para e Pape] - aparentemente
a construção das obras “Ballet Neoconcreto”, de Lygia Pape e Reynaldo desestabilizados demais para o
Jardim e “Penetráveis”, “Bólides” e “Parangolés”, de Hélio Oiticica, em 1960. circuito artístico brasileiro da
No campo literário, as mudanças também foram taxativas. Na poesia época - em determinado instante
concreta, a página se reduz a um espaço gráfico e a palavra a um elemento da trajetória do grupo pareciam
desse espaço. Ferreira Gullar passa a entender a poesia concreta como uma querer fundar não apenas uma
“tentativa de construir a poesia sem discurso”. Ao contrário do concretismo arte brasileira própria e nova,
racionalista, que toma a palavra como objeto e a transforma em mero sinal baseada na participação do
ótico, a poesia neoconcreta devolve-a a sua condição de “verbo”, isto é, de público, mas, inclusive, uma
ferramenta humana de representação do real. nova sociedade, pautada no
coletivo, na comunhão entre o
Principais nomes: artista e o público, entre arte e
Amilcar de Castro, Ferreira Gullar, Franz Weissemann, Lygia Clark, Lygia Pape, política.”
Reynaldo Jardim, Theon Spanudis, Reynaldo Jardim, Aluisio Carvão, Hélio
Oiticica, Willys de Castro, Cláudio Melo e Sousa e Fortes de Almeida. (Tadeu Chiarelli. Arte Internacional
Brasileira, 2002.)

ligaçoes: experimentação, subjetividade, formas, corpo, processo, estética relacional


NEOCONCRETISMO linha do tempo
1951 Acontece a 1ª Bienal
Internacional de São Paulo. O
grande grande prêmio foi
entregue a Max Bill pela obra
Unidade Tripartida.

1952 No dia 9 de dezembro, o


Grupo Ruptura realiza sua
primeira exposição no Rio de
Janeiro.

01 1956 Acontece a 1ª Exposição


Nacional de Arte Concreta,
realizada pelo Grupo Frente (RJ) e
pelo Grupo Ruptura (SP).

1959 - 1ª Exposição de Arte


Neoconcreta no MAM/RJ;
- Publicação do Manifesto Neo-
concreto.
02 03

1959 - Revolução Cubana;


- Início da Guerra do Vietnã.

1962 Fim das atividades neo-


concretas.
04

01. Pape, Lygia. Ballet Neoconcreto 02.Oiticica, Hélio. Caetano Veloso vestindo Parangolé 03. de Castro,
Amilcar. Sem Título 04. Clark, Lygia. Bichos.

ligaçoes: experimentação, subjetividade, formas, corpo, processo, estética relacional


Conceito
FICHA

30

HAPPENING
Estados Unidos, 1952
O termo happening (”acontecimento” em inglês) é criado no fim dos
Para John Dewey, um indivíduo
anos 1950 pelo americano Allan Kaprow (1927-2006) para designar uma
somente passa a ser um conceito
forma de arte que combina artes visuais e cênicas. Nos espetáculos, distintos
significante quando considerado
materiais e elementos são orquestrados de forma a aproximar o espectador,
uma parte inerente de sua socie-
fazendo-o participar da cena proposta pelo artista. O happening ocorre em
dade. Esta, por sua vez, nenhum
tempo real, assim como o teatro e a ópera, mas recusa as convenções
significado teria, sem a participa-
artísticas destes. Os eventos apresentam estrutura flexível, sem começo,
ção dos seus membros individuais.
meio ou fim. As improvisações conduzem a cena - ritmada pelas ideias de
acaso e espontaneidade, elementos que nunca se repetem da mesma
maneira a cada nova apresentação. O trabalho experimental do músico
estadunidense John Cage (1912 -1992), o zen-budismo, a filosofia de John
Dewey (1859-1952), filósofo e pedagogo norte-americano, sobretudo suas
reflexões sobre arte e experiência, assim como a action painting do pintor Os happenings também estão
americano Jackson Pollock (1912-1956) são matrizes fundamentais para a associados ao termo Flash Mob,
concepção de happening. Apesar de ser definido por alguns historiadores que são aglomerações
como um sinônimo de performance (ficha 32), o happening se difere pela instantâneas de pessoas em
imprevisibilidade e na participação direta ou indireta do público espectador. determinado local para a
Para o compositor John Cage, os happenings eram "eventos teatrais realização de determinada ação,
espontâneos e sem trama". inusitada aos espectadores mas
Cage é o responsável pelo “Theater Piece # 1”, ou simplesmente "o previamente combinada entre os
evento", realizado no Black Mountain College (instituição estadunidense de participantes, que se dispersa tão
ensino superior focada sobretudo no ensino das artes, tendo sido rápido como quanto se iniciou.
influenciado também pelas propostas pedagógicas de John Dewey, onde
artistas que participaram da Bauhaus, como Josef Albers, também
estiveram), na Carolina do Norte, Estados Unidos, em 1952, considerado o
primeiro happening da história da arte.
No Brasil, o Grupo Rex (ficha 35) também realiza uma série de
happenings, como o concebido por Wesley Duke Lee, O Grande espetáculo
das Artes, em 1963, no João Sebastião Bar. O chamado neorrealismo carioca
Em 1966, Allan Kaprow lança o
- Antonio Dias (1944), Rubens Gerchman (1942-2008), Carlos Vergara (1941),
disco “How To Make A
Pedro Escosteguy (1916-1989) e Roberto Magalhães (1940) - envolveu-se
Happening”, em que explica de
com o espetáculo e exposição coletiva PARE, em 1966. O evento é
forma detalhada aquilo que
considerado por certos comentaristas como o primeiro happening no Brasil.
devemos fazer, e não fazer, para
“Nesse happening eu chegava de carro e descia com uma pasta de
elaborar um “happening”:
executivo. Eu havia preparado uma parede no fundo da galeria e, por trás
dela, tinha deixado uma frase pronta e um recorte fotográfico de dois olhos
Transcrição do áudio:
muito severos olhando para a frente. Eu abria a pasta e tirava uma máquina
http://primaryinformation.org/fil
de furar. Desenhava um ponto a 80cm do chão e escrevia ‘Olhe aqui’. As
es/allan-kaprow-how-to-make-a-
pessoas se abaixavam e olhavam pelo buraco. Lá dentro estava escrito: ‘O
happening.pdf
que é que você está fazendo nessa posição ridícula, olhando por um
buraquinho, incapaz de olhar à sua volta, alheio a tudo o que está
Links do áudio:
acontecendo?” - Carlos Vegara descreve o considerado primeiro happening
https://soundcloud.com/primaryi
brasileiro, evento de inauguração da Galeria G4(RJ) 1966 – coletiva PARE.
nformation/allan
https://soundcloud.com/primaryi
Principais nomes:
nformation/allan-kaprow-how-t
Jim Dine (1935), Claes Oldenburg (1929), Rauschenberg (1925-2008), Roy
o-make-a-1
Lichtenstein (1923-1997), Georges Maciunas (1931-1978)

ligações: flash mob, improvisação, espontaneidade, interação, tempo-espaço, imprevisibilidade.


HAPPENING linha do tempo
1959 O termo happening, como
categoria artística, foi utilizado pela
primeira vez pelo artista Allan Kaprow.

1961 - Jânio Quadros, presidente do


Brasil, é capa na revista americana Time;
- Começa a ser erguido o Muro de
Berlim.

1963 O Presidente dos Estados Unidos


01 02 John Kennedy é assassinado.

1964 Golpe Militar no Brasil.

1964-1966 Movimento Provos, em


que os membros do grupo faziam
happening nas praças de Amsterdam
(foto 3).
03

05
04

01. KUSAMA, Yayoi. Anti-war naked Happening, 1968 - New York 02. KAPROW, Allan The Courtyard, 1962 -
New York 03. Movimento Provos Happening na Spui,1964, Amsterdam,. Link do vídeo:
http://youtu.be/omb23Qm_RG8 04. Murakami, Saburo “At One Moment Opening Six Holes” na “1st Gutai
Art Exhibition” , 1955, Tokyo. (REFERÊNCIA) 05- OLDENBURG, Claes .Circus: Ironworks/Fotodeath na
Reuben Gallery, 1961.

ligações: flash mob, improvisação, espontaneidade, interação, tempo-espaço, imprevisibilidade.


Conceito
FICHA

31

ARTE CONTEMPORÂNEA
Mundo todo, 1960 até os dias de hoje “Tornou-se manifesto que tudo o
Na década de 1960, a Pop Art (ver ficha 27) revolucionou a história da que diz respeito à arte deixou de
arte, transformando o modo de se fazer e principalmente de se ver a arte. ser evidente, tanto em si mesmo
Continuando o legado do Dadaísmo e seus ready-mades, a Pop Art estreitou como na sua relação ao todo.”
ainda mais a relação que viria a ser uma das premissas básicas desse nosso (Adorno - Teoria Estética, 1970)
período contemporâneo: a relação entre a vida cotidiana e a arte.
Uma característica importante da arte contemporânea é a
“teríamos uma arte melhor se as
divergência marcante de estilos e práticas. A narrativa modernista, baseada
pessoas não necessitassem gostar
em vanguardas e manifestos, é desafiada por artistas que não mais querem
de arte para, então, gostar de
descobrir a verdade definitiva sobre uma arte pura, mas pretendem criar
arte”
uma multiplicidade de atitudes e abordagens em uma história da arte
(Twitter, @hirstdamien, 2012)
não-linear, sem a ideia de progresso. A pluralidade de estilos e de linguagens
convivendo, contraditória e independentemente, é uma característica da
contemporaneidade. Não existem mais estilos ou movimentos de vanguarda “Durante os anos 90, a democra-
como se dava na modernidade, não há mais lugar para afirmações e tização da informática e o surgi-
verdades absolutas. mento do sampleaento criaram
Um fator importante para a leitura de uma obra de arte uma nova paisagem cultural,
contemporânea é o contexto em que ela está inserida. Algumas vezes esse cujas figuras emblemáticas são os
contexto (social, político, cultural, científico) toma tanta importância na obra DJs e os programadores. [...] A
que ela chega a ser confundida com uma pesquisa antropológica, uma supremacia das culturas da
reportagem ou uma experiência científica. A hibridização dos campos de apropriação e do novo trata-
conhecimentos são questões comuns não somente à arte, mas a toda a mento dado às formas gera uma
contemporaneidade. moral: as obras pertencem a
Alguns temas bastante caros à arte contemporânea são a política e as todos.”
identidades culturais em uma sociedade globalizada, em que as relações das (Bourriaud - Pós-Produção, 2004)
pessoas com o espaço e tempo são radicalmente alteradas pelos meios de
comunicação e transporte. Em meio a esse processo de globalização era “A América Latina tem cinco
impossível ignorar a existência e importância da produção artística de países séculos, de história de ser uma
do terceiro mundo (culturalmente dominados). A participação da mulher na colônia, sem nenhuma pausa
história da arte foi reavaliada, assim como passou-se a considerar a para assumir a si mesma. A tarefa
importância de toda a cultura marginal para o desenvolvimento da arte. De permanece - contruir a sua
uma maneira genérica, podemos dizer que dentro do conceito de arte própria cultura, achar uma identi-
contemporânea encontram-se experiências culturais muito díspares – tanto dade cultural”.
no sentido de englobar artistas de origens diversas, que incorporam atores (Luis Camnitzer - Arte contem-
sociais diversos (como as “minorias”), quanto no sentido do uso de novas porânea colonial, 1970)
mídias, tecnologias e suportes diversos. As obras muitas vezes articulam
diferentes linguagens – performance, música, pintura, escultura, instalação,
body art – , desafiando as classificações e a própria definição de arte, bem “[...] tendo descoberto a intermí-
como o mercado e as instituições. dia, agora o problema central não
A liberdade de práticas artísticas da contemporaneidade é mais apenas o formal, de apren-
proporcionou aos artistas a possibilidade de ter como suporte e material de der a usá-los, mas o problema
trabalho o lixo, o corpo, as palavras, os conceitos, o vídeo, as novas novo e mais social de para que
tecnologias, os espaços, a mídia e até mesmo a tela e a tinta. Todas as práticas usá-los? Tendo descoberto as
e técnicas podem ter uma abordagem contemporânea. ferramentas com um impacto
imediato, para que vamos usá-
Principais movimentos e práticas da arte contemporânea las?”
Pop Art, Minimalismo, Arte Conceitual, Land Art, Performance, Body Art, (Dick Higgins - Declarações sobe
Instalação, Videoarte, Arte Povera, Op Arte, Arte Cinética, entre outros. intermídia, 1966)

ligações: hibridismo, poética, processo, polêmica,experimentação, suportes, conceito, interatividade, proposições, autoria, reprodução
ARTE CONTEMPORÂNEA linha do tempo
1981 - Primeira Transmissão da Musical
Television Video- MTV, o canal de TV a
cabo norte-americano de música;
- Entra em operação o Sistema Brasileiro
de Televisão- SBT, com a transmissão do
discurso de seu proprietário, o apresenta-
dor e empresário Silvio Santos;
Escolha a imagem que mais merece um destaque. - Hosni Mubarak torna-se presidente do
Egito;
- Casamento da princesa Diana com o
01 Príncipe Carlos.

1989 Queda do muro de Berlim.

1991 Fim da URSS.

1992 Impeachment de Fernando Collor


de Mello, presidente do Brasil.

02 1994 - Implantado o Plano Real no


Brasil;
- Brasil tetracampião da copa do
Mundo.

1997 Exibição do primeiro episódio de


Pokémon no Japão.

1999 Cientistas escoceses produzem


clone de uma ovelha (Dolly).

03 2001 Atentados com aviões destroem o


World Trade Center e parte do
pentágono, em Nova York.

2006 - Na Bolívia, Evo Morales torna-se o


primeiro presidente de origem
indígena;
- Hugo Chávez é reeleito presidente da
Venezuela.

2008 Damien Hirst fatura 140 milhões de


euros em um único leilão, com 223
peças suas. Antes dele, o recorde era de
Picasso, que teve o lucro de 20 milhões
de dólares em 1993, num leilão que
contou com 88 obras de sua autoria.

2010 A obra “Bandeira branca” (imagem


02), de Nuno Ramos, exposta na 29º
Bienal de São Paulo, causa polêmica
entre ambientalistas e o Ibama revoga
04 licença retirando os três urubus vivos
expostos na obra.
01. Derrubando uma unra da dinastia Han, 1995 - Ai Weiwei 02. Bandeira Branca, 2010 - Nuno Ramos 03.
Head On, 2006, Dimensões variáveis - Cai Guo Qiang 04. Impossibilidade física da morte na mente de
alguém vivo, 213 cm × 518 cm - Damien Hirst

ligações: hibridismo, poética, processo, polêmica,experimentação, suportes, conceito, interatividade, proposições, autoria, reprodução
Conceito
FICHA

32

PERFORMANCE
Estados Unidos, Década de 1960

Teve seus primórdios com artistas e poetas como Tristan Tzara (1896-1963),
Richard Huelsenbeck (1892-1974) e Hugo Ball (1886-1927) que se juntavam “O jovem de hoje não precisa mais
no Antológico Cabaret Voltaire para declamar e interpretar poesias de forma dizer ‘ sou um pintor’ ou ‘um
pouco convencional. O início de termo "performance art" criou autonomia poeta’, ou ‘um dançarino’. Ele é
nas décadas de 1960 e 1970. O objetivo do performer é explorar as relações simpesmente um artista”
espaço-temporais entre seu corpo e o corpo coletivo: a audiência. Combina (Allan Kaprow)
elementos do teatro, das artes visuais e da música tentando dirigir a criação
artística às coisas do mundo, à natureza e à realidade urbana, colocando em
questão a própria definição de arte.

Muitos temas de performances propõem expor nossas necessidades físicas e


psicológicas para o alimento, abrigo, sexo; nossos medos individuais e
autoconsciência; nossas preocupações sobre a vida, e o mundo em que
vivemos. Performances muitas vezes nos obrigam a pensar sobre essas
questões de uma forma que pode ser perturbadora e desconfortável, como Os parangolés exploram o ambi-
nas obras de Marina Abramovic (1946). ente, privilegiando o comporta-
mento. Hélio Oiticica se volta para
O nome de Joseph Beuys (1921-1986) liga-se também ao conceito que se uma pesquisa do comportamento
particulariza pelas conexões que estabelece com um universo mitológico, do participante, que traz à tona a
mágico e espiritual conforme pode ser observado em Como explicar dimensão sensorial.
desenhos a uma lebre morta (1965).

No Brasil, Flávio de Carvalho (1899-1973) foi um pioneiro nas performances


em meados dos anos de 1950. No livro Experiência nº 2, ele relata sua
experiência em uma procissão de Corpus Christi e faz uma análise psicológia
das massas, a partir das reações obtidas durante sua performance.

A produção de Hélio Oiticica (1937-1980) dos anos de 1960 - por exemplo os


Parangolés; uma espécie de capa que só mostra plenamente seus tons, cores,
formas, texturas, grafismos e textos a partir dos movimentos de quem a Difere do happening por ser mais
veste; sendo considerados esculturas móveis - guarda relação com a cuidadosamente elaborada e não
performance, por sua ênfase na execução e no "comportamento-corpo", envolver necessariamente a
como define o artista. participação dos espectadores.
Em geral, segue um "roteiro"
Na década seguinte, devemos mencionar as Eletro performances, previamente definido, podendo
espetáculos multimídia concebidos por Guto Lacaz (1948). ser reproduzida em outros
momentos ou locais. É realizada
para uma plateia quase sempre
Principais Nomes restrita ou mesmo ausente e,
Yves Klein (1928-1962), Vito Acconci (1940), Hermann Nitsch (1938) , Chris assim, depende de registros -
Burden (1946), Yoko Ono (1933), Wolf Vostell (1932-1998), Allan Kaprow através de fotografias, vídeos
(1927-2006), Gilbert (1943) and George (1942), Carolee Schneemann (1939), e/ou memoriais descritivos - para
Nam June Paik (1932-2006), Joseph Beuys (1921-1986), Marina Abramovic se tornar conhecida do público.
(1946).

ligações: corpo, movimento, interação, registro, efêmero, improviso, experiência, hibridização de linguagens, tempo-espaço, plurissensorial
PERFORMANCE linha do tempo

1960 Acontece uma das primeiras


performances, feita pelo grupo Fluxus
através das obras de Joseph Beuys e
Wolf Vostell.

02

01
1960 Parangolés de Hélio Oiticica.

03

04

1965 Como explicar desenhos a


uma lebre morta de Joseph Beuys.

05 06

01. Oiticica, Hélio. Caetano Veloso usando Parangolé de Hélio Oiticica (?). 02. Schneemann, Carolee. Meat
Joy, 1964 . 03. Carvalho, Flávio de. Experiência nº 2 , 1931 . 04. Beuys, Joseph. Coyote. I like America and
America likes me, 1974 . 05. Beuys, Joseph. Como explicar desenhos a uma lebre morta, 1965 . 06. Klein,
Yves. Salto no Vazio, 1960 .v

ligações: corpo, movimento, interação, registro, efêmero, improviso, experiência, hibridização de linguagens, tempo-espaço, plurissensorial
Movimento
FICHA

33

LAND ART
Nova York, final da década de 1960
Os earthworks empregam muito
da linguagem minimalista.
O conceito surgiu nas exposição da Dwan Galery (Nova York, 1968) e
na exposição Earth Art, promovida pela Universidade de Cornell, em 1969.

A produção artístico-cultural estadunidense da década de 1960


apontava cada vez mais para a exaltação da massificação da tecnologia e da
indústria cultural. Expressões artísticas como o minimalismo (ficha 25) e sua Trata-se de uma busca pelo único
concisão formal, espacial e conceitual estavam em voga, criando (para os e natural. É uma arte inetiquetável,
adeptos da Land Art) obras muitas vezes vistas como frias e impessoais. sem valor agregado.

A "arte da terra" inaugurou uma nova relação com o ambiente


natural, tentando promover uma visão mais orgânica e diferenciada da
produção artística, discutindo questões ligadas à ecologia. Também
chamada de Earthwork ou Earth-Art, as paisagens deixam de ser
"O confinamento cultural ocorre
representações para se tornarem os próprios suportes, como por exemplo,
quando um curador impõe seus
desertos, lagos, canyons, planícies e planaltos que sofrerão intervenções.
próprios limites a uma exposição
de arte ao invés de pedir para o
Em Double Negative (1969) (foto 2), Michael Heizer (1944-) abre
artista fazê-lo. Alguns artistas
grandes fendas no topo de duas meseta do deserto de Nevada, Estados
imaginam ter o controle da
Unidos, com a remoção de 240 mil toneladas de terra. Um ano depois, Robert
situação, mas na verdade acon-
Smithson (1938-1973) realizou Spiral Jetty (foto 4), gigantesco caracol de
tece o contrário. Como resultado,
terra e pedras construído sobre o Great Salt Lake, em Utah, Estados Unidos. A
eles acabam apoiando uma
obra mais conhecida do artista Walter De Maria (1935-), The Lightning Field
prisão cultural que está fora de
(1977) (foto 3), consistiu em 400 estacas de aço inoxidável distribuídas numa
seu controle. Os próprios artistas
enorme planície; dependendo do clima e da hora do dia, os raios atraídos
não se limitam, mas a sua
pelos para-raios formavam diferentes padrões no céu .
produção sim. Uma obra de arte,
quando colocada em uma galeria,
As obras tem muitas vezes dimensões tão grandes que não passam
perde sua carga e torna-se um
da fase do projeto pela inviabilidade de sua execução. Sendo assim, não é
objeto portátil ou superficial,
possível que sejam expostas em museus, galerias e nem vendidas. É,
desligado do mundo exterior."
portanto, uma denuncia ao sistema institucional de validação dos objetos
(SMITHSON, Robert. Artforum,
artísticos. A recusa da rede alimentada por museus, galerias, colecionadores
1972)
e outros se explicita na defesa da arte/natureza/realidade e na realização de
trabalhos que não são feitos para vender e não podem ser colecionados.

Alguns aspectos da Land Art remetem ao Site Specifc, termo que faz
menção a obras pensadas para um espaço pré-determinado, onde
elementos do local de alguma forma dialogam diretamente com a obra e
vice-versa, incorporando-se.

Principais Nomes:
Michael Heizer (1944), Robert Smithson (1938-1976), Walter De Maria
(1935-2013), Sol LeWitt (1928-2007), Robert Morris (1931-), Carl Andre
(1935-).

ligações: organicidade, ecologia, espaço, natureza, institucionalização


LAND ART linha do tempo
1965 Tropas dos Estados Unidos
entram na Guerra do Vietnã enviando
exércitos para o Vietnã do Sul.

1968 O conceito estabeleceu-se nas


exposição organizada na Dwan Gallery em
01 Nova York e na exposição Earth Art.

1969 Neil Armstrong pisa na Lua.

02
1970 Spiral Jetty de Robert Smithson.

1973 Assinatura do Acordo de Paris


para o Fim da Guerra e Restauração da Paz
no Vietnam.

03

1975 Bill Gates e Paul Allen fundam a


Microsoft.

04

01. Smithson , Robert. Amarillo Ramp, 1973 - registro fotográfico. 02. Heizer, Michael. Double Negative,
1969 - registro fotográfico. 03. Maria, Walter de. The Lightning Field, 1977 - registro fotográfico. 04. Smith-
son, Robert. Spiral Jetty, 1970 - registro fotográfico.

ligações: organicidade, ecologia, espaço, natureza, institucionalização


Movimento
FICHA

34

VIDEOARTE
Estados Unidos, anos 1960 e 1970

Em 1884, um estudante alemão chamado Paul Gottlieb Nipkow fez a “Talvez, em alguma salinha escura de
primeira televisão. Durante as décadas seguintes o mecanismo primitivo foi vídeo em algum lugar, exista um
historiador de arte incansável
desenvolvido e aprimorado por cientistas de diversas nacionalidades, até preparado para uma maratona de 24
que, em 1928, acontece a primeira verdadeira transmissão de TV. O uso da anos de análise de vídeos necessários
televisão aumentou enormemente depois da Segunda Guerra Mundial para finalmente vir a tona com um
devido aos avanços tecnológicos surgidos com as necessidades da guerra e a panorama definitivo da Videoarte”
renda adicional disponível (televisores na década de 1930 custavam o (Mick Hartney)
equivalente a 7000 dólares atuais e havia pouca programação disponível).
“A década de 1960 tornou-se a era dos
A videoarte surgiu um pouco mais tarde, entre 1960 e 1970, à medida
protestos e o trabalho de Paik represen-
que artistas começavam a usar vídeos em seus trabalhos, muitas vezes tou a primeira batalha contra a hegemo-
utilizando a própria programação das transmissoras como base, dada a nia da mídia mainstream, controlada
dificuldade de se gerar imagens. Os artistas se limitavam a modificar o pela oligarquia comercial, política e
material bruto, ora visualmente, como no caso do uso de ímãs para distorcer militares. Paik e seus contemporâneos
acreditavam que eles poderiam
imagens do cubo catódico que Nam June Paik (um dos pioneiros da
aproveitar as ferramentas da mídia de
videoarte) fazia, ora simplesmente colocando-as em contextos inesperados. massa para despertar uma nova
consciência política e social. A Videoarte
A chegada da fita de vídeo e a acessibilidade da gravação coincidiram nasceu em um tempo de grande esper-
com o desenvolvimento da arte pop, da arte conceitual e da minimalista, ança política e pessoal. Artistas e
ativistas juntos acreditavam que suas
possibilitando o enriquecimento da videoarte. A imagem em movimento foi
ações poderiam fazer a diferença na
incorporada em instalações, happenings e performances, e as qualidades sociedade.” (Catherine Elwes, Video Art: A
próprias do vídeo como meio de expressão passam a ser exploradas. Guided Tour, 2005)

Embora 'videoarte' não seja um conceito facilmente definível, é


importante diferenciá-lo do de cinema. Na videoarte não há enredos ou “A televisão tem nos atacado por toda
narrativas - às vezes sequer há sentido. Muitas vezes não se usam atores ou nossa vida, agora é outra de contrata-
diálogos e é frequente a utilização de imagens cotidianas gravadas car.” (Nam June Paik)
espontaneamente. Além da estrutura, a diferença se delineia essecialmente
no intuito: enquanto o cinema (até mesmo como espaço cultural) se volta
para o entretenimento e/ou algum tipo de satisfação emocional, a videoarte
tem características variáveis de acordo com o artista.
“(Em meados dos anos 60) A desmateria-
É comum olhar para a videoarte não como uma espécie de “movimento lização do objeto de arte havia
-artístico”, mas como um meio de expressão, assim como a pintura ou a começado e os artistas procuravam
dança. O que a torna às vezes tão interessante é sua versatilidade. Os artistas novas formas de expressão que refletis-
sem a urgência de suas ideias revolu-
testam as mil possibilidades que o vídeo oferece, e cada obra aponta para
cionárias e a nova relação direta que eles
uma direção. Enquanto Bill Viola usa o vídeo para transmitir a relação entre o procuravam com os espectadores. Eles
campo visual e o tempo, Leth Jorgen filma Andy Warhol comendo um encontraram o vídeo e a performance.”
hambúrguer. (Catherine Elwes, Video Art: A Guided
Tour, 2005)
Principais Nomes

Vito Acconci (1940), Ira Schneider (1939), Nam June Paik (1932 - 2006), Bruce “No futuro, todo mundo terá 15 minutos
Nauman (1941), Bill Viola (1951). de fama.” (Andy Warhol, 1968)

ligações: video, televisão, movimento, instalação, performance, advento


VIDEOARTE linha do tempo
1884 Primeiro aparelho de televisão
primitivo.

1928 Primeira transmissão de TV.

1936 Uma das primeiras grandes


transmissões de TV - Jogos Olímpicos de
Berlim..

1939 Início da 2ª Guerra Mundial

1945 Fim da 2ª Guerra Mundial.


01

1963 Invenção da fita cassete e do


gravador.

1964 Sony lança o primeiro gravador


caseiro.

1969 Apolo 11 é enviada à Lua.


02
1970 Boom do uso de ecstasy nos
Estados Unidos.

1971 Lançado o filme Laranja


Mecânica nos cinemas.

1974 Surge o movimento Punk nos


Estados Unidos.

03
04
01. LETH, Jorgen. 66 Scenes from America, 1981 . 02. Bill Viola, Union, 2000, color video diptych on two
plasma display flat-panel monitors, 102.8 x 127 x 17.8 cm. 03. PAIK, Nam June. Electronic Superhighway:
Continental U.S., 1995, 49-channel closed circuit video installation, neon, steel and electronic components,
approx. 15 x 40 x 4 ft. 04. CYRIAK, "something", 2010. Video no youtube.

ligações: video, televisão, movimento, instalação, performance, advento


Brasil
FICHA

35

GRUPO REX
São Paulo, 1966

O Grupo Rex atuou intensamente na cidade de São Paulo durante seu


curto período de existência, de junho de 1966 a maio de 1967. Os mentores "AVISO: é a guerra", anuncia o
do grupo (Wesley Duke Lee, Geraldo de Barros e Nelson Leirner) projetaram primeiro número do Jornal Rex.
um espaço - a Rex Gallery & Sons - e um periódico - o Rex Time - com intuito
de que fossem espaços alternativos às instituições estabelecidas (museus,
galerias, catálogos, etc). Os alunos de Wesley, José Resende, Carlos Fajardo e
Frederico Nasser, também participavam do coletivo, que se propunha a
promover exposições, palestras, happenings, projeções de filmes e edições "Foi um dos happenings mais
de monografias. perfeitos que fizemos. A exposição
O grupo se origina das críticas e polêmicas a exposições e mostras de durou exatamente oito minutos. A
alguns membros do grupo, todas acontecidas em São Paulo entre 1964 e galeria foi toda depredada e os
1965. Além disso, a retirada de um quadro considerado subversivo de Décio quadros arrancados brutalmente
Bar da exposição Propostas 65, realizada na Faap em São Paulo, faz com que e vendidos na porta pelas pessoas
que vários artistas deixem a exposição. Como resultado, Nelson Leirner, que os tiraram de lá".
Geraldo de Barros e Wesley Duke Lee aproximaram-se e surgiu a ideia de criar - Wesley Duke Lee sobre a
uma cooperativa, batizada como "Rex", termo utilizado pelo poeta Carlos “Exposição-Não-Exposição”
Felipe Saldanha no texto de apresentação da exposição de Wesley de 1964.
A Rex Gallery foi inaugurada com um baile seguido de uma série de
atividades que envolviam a divulgação de trabalhos recentes dos artistas e
suas idéias. A produção do grupo era diversa em estilos, ainda que os Instruir e divertir são os lemas do
trabalhos tivessem influência das novas figurações e do novo realismo que Grupo Rex e seu jornal.
estavam em pauta nos EUA e Europa e sobretudo das experiências da Pop art
(ficha 27). Pode-se também relacionar a experiência do Grupo Rex ao espírito
contestador do Dadaísmo (ficha 15) e ao grupo Fluxus no que diz respeito ao
caráter interdisciplinar de feitio. Além disso, todos os membros dialogam Em apenas um ano exigiram um
com a realidade urbana em obras de caráter experimental. Essa convivência espaço produtivo para a arte
de linguagens distintas a partir de algumas inspirações comuns parecem contemporânea, inconformados
definir o perfil do grupo do ponto de vista de suas realizações. com a ausência de espaço para
As características mais marcantes do grupo eram a irreverência, o opiniões transgressivas e inovado-
humor e a crítica ao sistema de arte, feitas usando tom irônico e atuações ras no sistema de arte.
anticonvencionais. Tratava-se de interferir no debate artístíco da época.
Criticavam a redução dos objetos artísticos à condição de mercadoria
instituída pelo sistema de arte da época (o mercado da arte, a crítica
dominante nos jornais, museus, Bienais). Essa postura procurava recuperar o "Fazemos parte de uma tendência
espírito crítico e o caráter intervencionista da arte pela superação dos de experimentação, que podía-
gêneros tradicionais e pela íntima articulação entre arte e vida. mos dizer ser nascida nos Estados
No final de 1967, para encerrar as atividades do grupo, acontece um Unidos (...). O espírito de nossa
Happening (ficha 30), chamado “Exposição-Não-Exposição” em que se galeria (e do jornal), conseqüente-
anunciou que as obras de Nelson Leirner poderiam ser levadas. Em questão mente, é mostrar essa arte à
de minutos a galeria estava completamente vazia. Os artistas envolvivos medida que ela vai sendo proces-
continuaram suas produções politizadas apesar do término do grupo. sada e desenvolvida"
- Wesley Duke Lee sobre a aber-
Principais Nomes tura da Rex Gallery
Wesley Duke Lee (1931-2010), Geraldo de Barros (1923-1998), Nelson Leirner
(1932), José Resende (1945), Carlos Fajardo (1941), Frederico Nasser (1945)

ligações: reação ao mercado, arte política, happening, dadaísmo, pop art, ditadura, experimentação, diversão, polêmica
GRUPO REX linha do tempo

1964 João Goulart, presidente do


Brasil, é derrubado pelos militares.

1966 - Início do Grupo Rex;


- Os soviéticos enviam um robô para a
Lua.

01
1967 - Encerramento das atividades
do Grupo Rex com a Exposição Não-
Exposição, na qual foi anunciado que
obras de Nelson Leirner poderiam ser
levadas da mostra. Em poucos minutos a
sala estava vazia
- Beatles lança o álbum St. Pepper’s
Lonely Hearts Club Band.

03
02

04

01. Lee, Wesley Duke . O Guardião, a guardiã, as circunstâncias(tríptico), 1966 02. Lee, Wesley Duke. Hoje é
sempre ontem, 1972 03. Resende, José. Sem título, 1991 - parafina nylon e chumbo. 04. Leiner, Nelson.
Porco Empalhado, 1966- porco empalhado em caixote de madeira.

ligações: reação ao mercado, arte política, happening, dadaísmo, pop art, ditadura, experimentação, diversão, polêmica
Movimento
FICHA

36

ARTE CONCEITUAL
Começa em 1965 e se estende pelos anos 70 - EUA, Inglaterra e outros

Durante a década de 60 o clima de crescente politização – ligado às


Revoltas Estudantis e à Greve Geral de 1968 em Paris – trazia para o campo “O significado é o uso”
das artes perguntas como: O que é arte? Quem determina o que é arte? (Ludwig Wittgenstein)
Quem decide como ela é exposta e criticada?

As obras e ideias de Marcel Duchamp (ficha 15) abriam novos


horizontes para a arte ao lançar este tipo de pergunta e se tornam influência
primordial para o movimento. É importante lembrar que, embora Duchamp
esteja dentro de qualquer discussão sobre arte conceitual, ele não fez parte
do movimento Arte Conceitual.
“A única coisa a ser dita sobre arte
é que ela é uma coisa. A arte é
Outro pioneiro foi Alan Kaprow que, assim como o Grupo Fluxus,
arte-como-arte e todo resto é
organizava os chamados happenings (literalmente, “acontecimentos”, ver
todo resto. A arte como arte não é
ficha 30) em que o próprio acontecimento se tornava a obra de arte. O Grupo
nada além da arte. A arte não é o
Fluxus, um dos primeiros movimentos artísticos multinacionais (até então os
que não é arte.”
movimentos tendiam a se concentrar em um país só), reunia artistas de
(Ad Reinhardt)
diversos ramos – música, teatro, pintura, literatura – em torno da proposta
lançada por John Cage: dialogar com o cotidiano. Além disso, o Fluxus
preocupava-se com a acessibilidade da arte e acreditava que ela devia fazer
parte do cotidiano e que todos deveriam compreendê-la. A arte do “O ‘valor’ de determinados artistas
movimento tinha espírito social, político, revolucionário e questionador, depois de Duchamp pode ser
tendo sido polêmica em vários momentos. medido de acordo com o quanto
eles questionaram a natureza da
Mas o que é, enfim, a Arte Conceitual? Ela gira em torno da concepção arte”
da obra de arte como consequência de uma ideia, de modo que a obra em si, (Joseph Kosuth)
como entendida até então, pode ser dispensada e desmistificada. A arte se
desloca da obra física para a própria ideia originária.

Em seu texto “O Ato Criador,” Duchamp fala que durante a criação o


artista passa da intenção à realização, através de uma cadeia de reações Limpe do mundo a doença
totalmente subjetivas”. A Arte Conceitual trabalha a possibilidade de haver burguesa, ‘intelectual’, a cultura
uma ponte direta entre o ato de criação e o espectador, qual se cria a profissional e comercializada.
possibilidade de que o publico crie sua própria cadeia de relações. Limpe do mundo a arte morta,
imitação, arte artificial, arte
Basta que a ideia, conceito ou salto imaginativo seja registrado em abstrata, arte ilusionista, arte
forma de documentos, propostas escritas, filmes, performances, fotografias, matemática - limpe do mundo o
instalações, mapas ou qualquer outro suporte. Não raro, os artistas optam ‘europanismo’.
conscientemente por formas visualmente desinteressantes com o intuito de [..] Promova a artevida, antiarte,
focar a atenção do espectador no conceito e contexto. promova a realidade não artística
O que todas as obras conceituais compartilham, em suma, é a a ser apreendida por todos e não
necessidade de que o espectador as apreenda através de suas faculdades apenas críticos e profissionais.”
intelectuais. (Manifesto Fluxus)

Principais Nomes
Sol Le Witt (1928-2007), Joseph Kosuth (1945), Yoko Ono (1933), Lawrence
Weiner (1942), Hans Haacke (1936), John Baldessari (1931), On Kawara (1933).

ligações: política, antiarte, linguagem, contexto, conceito, duchamp, contempoânea, autoria


ARTE CONCEITUAL linha do tempo

1953 O filósofo Ludwig Wittgenstein


publica “Investigações Filosóficas”,
marco da Filosofia da Linguagem.

Escolha a imagem que mais merece um destaque.

1955-75 A Guerra do Vietnã causa


movimentos de protesto no mundo
todo.

01

1968 A “primavera de 68” marca a


presença do movimento estudantil,
sobretudo na França.

02 03 1969 Kosuth publica “Arte depois da


Filosofia”, um dos principais textos
produzidos sobre a Arte Conceitual.

04 05

06
01. KOSUTH, Joseph. Uma e três cadeiras, 1965.02. 02. MEIRELES, Cildo - Inserções em circuitos ideológicos:
Projeto Coca-Cola, 1970 - Garrafas de Coca-Cola com instrições decalcadas em silk-screen, 24,5 x 6,1
cm.03. WEINER, Lawrence. Dust & Water put somewhere/between the sky & the earth, 2000. 04.HAACKE,
Hans. Blue Sail, 1965. Tecido suspenso sobre ventilador.05. ONO, Yoko. Tunafish Sandwich Piece, 1965. 06.
ONO, Yoko. Sun Piece, 1962.

ligações: política, antiarte, linguagem, contexto, conceito, duchamp, contempoânea, autoria


Movimento
FICHA

37

GERAÇÃO 80
Brasil, Década de 1980

O termo “Geração 80” foi apropriado pela crítica de Arte Brasileira


para nomear um grupo de artistas jovens que participaram da histórica Coincidindo com o pluralismo
exposição “Como vai você, Geração 80?”, que aconteceu na Escola de Artes político que nascia no Brasil a
Visuais Parque Lage, no Rio de Janeiro. Participaram dessa exposição partir do início da década de 80,
majoritariamente artistas do Rio de Janeiro, estudantes da Instituição que jovens artistas representaram em
abrigou a exposição, mas também alunos paulistanos, do curso de artes suas obras o grito abafado da arte
plásticas da FAAP. Portanto, para muitos críticos, o que foi intitulado como durante o período militar. Não
geração 80 representa uma parcela pequena do que foi a arte brasileira dessa suportavam mais a repressão à
década. imaginação e à criação artística. A
pintura, por sua vez, exerceria um
Os artistas dessa época, de certa forma, celebravam o processo de papel importante neste momento.
redemocratização do país e a liberdade do fazer artístico, no entanto as Ela promoveria o desejo de
obras produzidas eram bem menos politizadas que as dos artistas da década expressão e armação do sujeito,
anterior. As obras desses artistas eram, em sua maioria, menos racionais, e antes anulado pela ditadura.”
menos conceituais que as da geração passada, em muitos casos o trabalho (macvirtual.usp.br)
acontecia pelo simples prazer do artista em fazê-lo.

Não podemos definir alguma diretriz estética que una os artistas da


Geração 80, portanto não associamos esse termo à ideia de movimento
artístico ou vanguarda. Esses artistas indicam diversas tendências da arte
desse período, com uma curiosa predominância da pintura tradicional, o Esses jovens artistas da década de
que pode ser causado pela declarada admiração pelo neoexpressionismo 80 se opunham à vertente
alemão (movimento artístico alemão surgido na década de 1980, que conceitualista dos anos 70 e
buscava resgatar a pintura como meio de expressão e a identidade cultural tinham por característica a
alemã, fortemente influenciado pelo Expressionismo, Simbolismo e pesquisa de novas técnicas e
Surrealismo). Outras influências fortes do grupo são a Pop art (Ver ficha 27) e materiais.
o grafiti.

Principais Nomes
Leonilson (1957-1993), Beatriz Milhazes (1960), Sergio Romagnolo (1957),
Leda Catunda (1961), Daniel Senise (1955), Ana Maria Tavares (1958), Luiz
Zerbini (1959), Jorge Guinle (1947-1987). “Nesta descontração criativa, onde
todos os alunos e professores se
envolviam, os curadores da
exposição Paulo Roberto Leal,
Marcus Lontra e Sandra Mager
consideraram que devido à
integração das obras e a ocupação
de todo o espaço da escola, à
própria exposição era uma obra de
arte.”
(macvirtual.usp.br)

ligações: pintura, experimental, indivíduo, democracia, pluralidade, subjetividade, hibridização de linguagens, abertura política
GERAÇÃO 80 linha do tempo

1980 John Lennon é assassinado.

1984 Exposição ”Como Vai Você,


Geração 80?” acontece na Escola de
02 Artes Visuais Parque Lage, no Rio de
Janeiro.

01

03 1984 - A Apple Computers Inc.


lança o Macintosh;
- No Brasil, acontece o movimento
pelas “Diretas Já!”.

05

04
1985 Tancredo Neves, do PMDB,
vence o candidato da situação
do regime militar, Paulo Maluf (PDS,
atual Partido Progressista), nas
eleições indiretas e é eleito presi-
dente da República, pondo fim ao
Regime Militar no Brasil.

07

06
01. Zerbini, Luiz. Tela 7 , 1995 . 02. Tavares, Ana Maria. Cabine , 1996 . 03. Senise, Daniel. Casamento , 1994
. 04. Milhares, Beatriz. Macho y Fémea , 1995 . 05. Romagnolo, Sérgio. Carro Abandonado , 1987 . 06.
Guinle, Jorge. Nos Confins da Cidade Muda (Homenagem a Man Ray) , 1984 . 07. Leonilson. Cada Delícia
Tem Seu Preço , 1988 .

ligações: pintura, experimental, indivíduo, democracia, pluralidade, subjetividade, hibridização de linguagens, abertura política
Movimento
FICHA

38

HIPER-REALISMO
Estados Unidos, década de 1960
"Não acredito que a fotografia dê
Representou a retomada do realismo na arte contemporânea, sobretudo no a última palavra sobre a realidade."
final da década de 1960, contrariando as direções abertas pelo minimalismo Mesmo assim, afirma, "O foto-
e pelas pesquisas da arte abstrata. realismo não poderia existir sem a
fotografia".
O final da década de 60 foi marcado pela efervescência cultural e (Richard Estes, 1932)
desenvolvimento tecnológico industrial nos Estados unidos, pós Segunda
Guerra Mundial. Em diálogo com a produção norte-americana, os artistas
ingleses aderem à nova linguagem pictórica.

Porém, o uso da palavra hiper-realismo para denominar este movimento


artístico apareceu pela primeira vez somente em 1973, como título de uma "O que não é pintura é o que
exposição organizada pela galeria belga Isy Brachot (1915). vemos na pintura"
(Charles Bell,1935)
Também conhecido como fotorrealismo, a tendência permite flagrar a
ambição dos artistas em conseguir a imagem em sua clareza objetiva. A
relação entre a foto e a pintura torna-se estreita nesse sentido, sendo um
recurso utilizado de muitas maneiras pelos "novos realistas". Antes de tudo, a
foto é utilizada como um registro das informações do mundo e então
pinta-se a partir delas. Diversos artistas utilizam também a fotografia como
suporte, pintando sobre a imagem revelada no papel.

Outra novidade foi o uso do aerógrafo (airbrush), que nunca toca a tela e que,
portanto, não deixa impressas as marcas do gesto e do pincel. A pintura é lisa,
sem texturas, e sua superfície espelhada - painéis com espelhos, vidros e
metal reluzente: deslocamento, distorção e reflexo. Na escultura, utiliza-se
silicone e fibra de vidro.

Tanto na pintura quanto na escultura, faz-se o uso de recursos, mecânicos ou


ópticos, para transferir a imagem fotográfica, como moldes, projetores de
slides e retículas para ampliação.

Principais Nomes
Chuck Close (1940), Ron Mueck (1958), Duane Hanson (1925-1996), Robert
Cottingham (1935), Audrey Flack (1931), Richard Thorpe McLean (1934),
Ralph Ladell Goings (1928), Don Eddy (1944), Robert Bechtle (1932), Tom
Blackwell (1938), John De Andrea (1941), John Salt (1937), Malcolm Morley
(1931), David Hockney (1937).

ligações: fotorrealismo, pós-Segunda Guerra, desenvolvimento tecnológico


HIPER-REALISMO linha do tempo

1960 Jânio Quadros vence as eleições


presidenciais no Brasil.

1960 John Kennedy é eleito como


um dos presidentes mais populares dos
EUA.

01

1961 A Alemanha é dividida em


duas pelo Muro de Berlim.

02 03

1965 O ativista americano Malcolm X


é assassinado.

1973 O termo “Hyperréalisme” é


04 05 criado pelo galerista belga Isy Brachot
para nomear a exposição em Bruxelas.
01. Hanson, Duane. Senhora de Supermercado, 1969 . 02. Mueck, Ron. Sem título, 2000 . 03. Close, Chuck.
Lucas, 1987 . 04. Cottinggham, Robert. Black Girl, 1980 . 05. Close, Chuck. Mark, 1978-79 .

ligações: fotorrealismo, pós-Segunda Guerra, desenvolvimento tecnológico


Desenho
FICHA

39
O SEU
DE DESENHAR Desenhe qualquer coisa que se
Com a segurança adquirida de seu traço, é possível que você caia em encontre a sua frente. Prefira
algo chamado zona de conforto. É quando nossos desenhos ficam parecidos primeiro pequenos objetos
entre si e - não raro - justificamos o ocorrido com a palavra estilo. De fato, comuns: garfo, vasos de flores,
estilo é o reconhecimento da repetição de alguns elementos, da criação de livros, etc.
um padrão. Mas isso ocorre naturalmente. Ao tentar forçar um estilo próprio
você acaba se privando de experimentar. Você pode sentir-se acomodado e
Pense primeiro na categoria.
passar a desenhar sempre a mesma coisa, achando que aprendeu e essa é a “Ferramentas”, “utensílios de
maneira correta de se desenhar. Mas se você acha que pregos são o melhor cozinha”, “chapéus”, “vermelho”
suporte para se pendurar um relógio na parede, quando você não tiver ...Com a categoria em mente,
pregos, como é que pendurará o relógio? É sempre bom procurar criar solu- poderá identificar alguns objetos
ções novas em sua vida e em seus desenhos. Não se preocupe em fugir do familiares. Por exemplo: a ideia de
seu estilo, pois isso pode te deixar engessado em uma forma de desenhar “pesado” leva você a pensar em
conformada. ”tijolo, âncora, bigorna”. O
“vermelho” o conduz a “tomate,
Exemplo: experimente desenhar aquela veeeeelha casinha com chaminé rosas, nariz de rena”. “Encaracola-
do” leva-o para “pretzel, trepadei-
sobre uma montanha com cerquinhas e árvores frutíferas e um sol sorriden-
ras, estradas rurais”.
te. Que soluções novas você dará a essa representação?

Tente explorar alfabeticamente.


Não fique rindo. Isso funciona
muito bem. Pode usar também
um dicionário para que funcione
ainda melhor. “ Abelha, avestruz,
avião... bacalhau, bactéria,
bolsa... caldeira, colher, carneiro...”

Desenhar um par de óculos com


brilho que pareçam verdadeiros
pode ser um desafio bem interes-
sante. Por isso, você deveria se
contentar com a possibilidade de
que os óculos por você desenha-
dos sejam reconhecíveis. Mas se
insistir em dar o melhor de si
mesmo, experimente óculos com
personalidade. Consulte a pilha
de sugestões: desenhe um par de
óculos que foram atropelados por
um carro, descartados por falhas
de fabricação, pertencentes a um
pirata, feitos de macarrão úmido,
com limpador de para-brisa,
desenhados por um cubista, para
serem usados em alta velocidade,
pertencentes a uma atriz famosa,
usados por uma velhinha.

ligações: estilo, zona de conforto, criar soluções


Desenho
FICHA

SEGURANÇA 40

E SEGURANÇA Quando éramos pequenos, muitas


As pessoas tendem a ficar menos seguras a partir do momento em vezes ultrapassávamos o limite da
que adquirem informação crítica. folha de papel. Nós não tínhamos
Como é sua relação com a segurança de seu traçado?? medo de ir além da margem, que
era a própria folha. Pensar nessa
liberdade pode ser um bom cami-
nho.

A coordenação motora é uma


característica do ser humano e é
adquirida com o treino. Quando
pequeninos, mal sabíamos pegar
em uma colher para tomar sopa.
Hoje, realizamos essa sequência
com perfeição. Com o desenho é a
mesma história. Nem sabíamos
pegar no lápis para desenhar,
Quando éramos crianças, ou quando tínhamos um corpo menor de porém nao tínhamos medo algum
um metro e vinte centímetros, costumávamos desenhar. E era um desenho de rabiscar. Talvez hoje em dia
certeiro. O traço era firme e decidido. Pois não tínhamos na cabeça nenhuma sejamos inseguros em relação ao
convenção criada sobre os valores do nosso desenho. Nós não nos importá- ato de nos alimentar. Mas pense na
ideia de treinar sua mão. Ela é útil
vamos com valores. Agora tendemos a aceitar a pressão do ambiente e fazer
para diversos fins. Observe como
julgamentos. aquela mão que normalmente não
Vamos rever alguns desenhos nossos da época em que rabiscávamos desenha é mais segura e não tem
rodapés. medo de arriscar a desenhar.
Quantas vezes você já tirou do papel a ponta do lápis enquanto dese- Experimente arriscar alguns traços
nhava hoje? Experimente ou reexperimente desenhar algo sem tirar a ponta com ela.
do lápis do papel.

Sugestão: desenhe o que você escolheu vestir hoje nos pés.


Desenhe sem olhar. Procure dese-
nhar uma xícara, por exemplo, sem
olhar (olhe apenas para sua mão).
Depois, para mudar, olhe apenas
para a xícara e não para sua mão.

Experimente desenhar no ônibus.

ligações: traço, decisão, desenho infantil


Desenho
FICHA

41

O DESENHO
O que é um bom desenho?
Quando desenhar, mantenha um
Se fizessem essa pergunta para você, o que você responderia? ritmo razoável. Não fique agonia-
Escreva aqui: do com a sua obra, nem tente
........................................................................................................................................................ fazê-la de uma vez. Nenhum
........................................................................................................................................................ desses extremos possui virtudes
........................................................................................................................................................ especiais.
........................................................................................................................................
Você acha o seu desenho um bom desenho?
.................................................................................................................................................... Estima-se que a população mun-
dial logo atingirá 8 bilhões de
pessoas. É muito difícil fazer com
que um grupo tão numeroso
concorde plenamente em muitas
questões. Portanto, a reação do
mundo perante sua arte será inevi-
tavelmente variada.

Desenhe, produza e crie.


Não tenha medo quando alguém
bisbilhotar seus desenhos e procu-
re não levitar extasiado quando
alguém os elogiar.
Trabalhe para si mesmo.

O que você acha dele?...................................................................................................... Alguns desenhos funcionam.


................................................................................................................................................... Outros não. Algumas vezes, o
primeiro traço o conduz natural-
O que sua mãe acha dele? ............................................................................................... mente para o traço seguinte, e esse
para um terceiro, e assim sucessi-
....................................................................................................................................................
vamente. Outras vezes, seu primei-
ro traço o leva a lugar nenhum.
Há convenções sobre os valores do seu desenho. Às vezes nós Qual é a diferença? Os mais reno-
mesmos somos as pessoas que criamos as convenções do próprio desenho. mados experts em arte concordam
E essas convenções são fatores limitantes, que acabam desestimulando o que se trata de...sorte. Alguns dese-
nosso gosto por desenhar. nhos são afortunados, outros não.
Mas não fique alarmado. Aqui
Por exemplo, você gosta de arroz doce? existe uma maneira de dar exce-
lente uso a esta verdade:
Você acha arroz doce certo ou errado? Quando um desenho funciona, a
responsabilidade é toda sua.
Quando um desenho não funcio-
É isso. Não há resposta certa ou errada para essa pergunta e não há
na, você não tem a ver com isso. A
resposta certa ou errada para o que se considera bom ou ruim em um dese- culpa é do desenho.
nho. Continue desenhando! : )

ligações: desenhar, convenções, arroz doce


Desenho
FICHA

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SUA
INTENÇÃO CONTRA
Quantas vezes você tentou desenhar algo que estava aí na sua
cabeça e, de repente, quando colocou no papel aquela folha A4 bem bran- A principal regra que determina
por onde deve começar seus
quinha no início, você se sentiu frustrado e por consequência até amaçou ou
desenhos é... variável. Em termos
rasgou a folha?
gerais, comece pela parte que
Escreva quantas: imagina ser a mais difícil. Assim,
caso você saia do rumo, isso irá
Você já parou para pensar que você não sabia o que estava desenhando? acontecer no início. se tudo sair
bem, você terá decolado.
Onde fica a parte mais difícil?
Se a intenção era desenhar um círculo bem circular, daqueles redon- Geralmente a parte mais difícil está
dinhos, e saiu um círculo mais ou menos circular, é porque você não estudou na “ideia essencial”, no núcleo do
seu objeto. desenho, alguma coisa sobre a
É preciso conhecer o que estamos desenhando; daquilo que vamos qual habitualmente deseja refletir
antes de pôr em movimento o lápis
falar, seja com palavras, linhas, borrões ou o que for. A prática tende a aproxi-
ou hidrocor.
mar a intenção do resultado. Não há atalhos: tem que estudar mesmo, dana-
dinho!
Vamos começar! Imagine que você está bebendo o que você mais
gosta de beber. Como é o recipiente em se encontra essa bebida dos
deuses? Quantos lados diferentes possui? Quando trabalhar com base em
um modelo real - alguma coisa na
frente de seus olhos - existe o
aqui as quatro vistas/quatro ângulos diferentes do seu recipiente: problema do excesso de informa-
ção: você está vendo muito mais
do que consegue colocar na folha.
Capturar tudo isso com lápis e
papel é algo como tratar de carre-
gar uma cachoeira em uma xícara.
Você é invadido por certa desespe-
rança.
Não se desespere. Os desenhos
melhoram com o tempo. Posterior-
mente, quando o objeto real não
estiver mais na sua frente, o
desenho, repentinamente, irá
florescer. Você ficará deslumbrado
ao ver quanta água de uma cacho-
eira cabe em uma xícara.

ligações: estudo, quatro vistas, folha em branco


Desenho
FICHA

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DA PERSPECTIVA
Há uma verdade diante de nossos olhos que muitas vezes não enxer-
gamos. E praticar essa verdade a partir de agora resolverá seu problema com
o bicho chamado perspectiva. É o que chamamos de truque de artista. Assim
você passará na prova de aptidão com mérito (se o mérito lhe for muito
importante).
Mas, basicamente, é o seguinte: o que está longe é menor do que o É relevante alertar que o uso de
que está perto. régua neste caso dá um traçado
Imagine ou desenhe uma fila de pessoas em profundidade. Indepen- mais preciso. As linhas provavel-
mente se encontrarão no momen-
dente de seu tamanho exclusivo, a primeira pessoa será sempre maior do
to certo.
que a última. Imagine ou desenhe uma fila de pessoas subindo uma monta-
nha. A primeira pessoa a chegar ao pico aparecerá por completo, enquanto
que a última desaparecerá atrás do morro.
Assim, tudo que está muito longe é praticamente invisível, Assim como acontece com as
resumindo-se num ponto. Chamado ponto de fuga. demais “regras” associadas ao
desenho, não a aplicamos de
Cada objeto tridimensional possui no mínimo um ponto de fuga, um
maneira rígida. Damo-nos por
lugar onde todas as linhas que partem dele se encontram e desaparecem. satisfeitos se você compreender
Num desenho que apresente perspectiva correta, haverá sempre o ponto de que o ponto e fuga existe. Em
fuga. qualquer um de seus desenhos
Experimente. Siga o exemplo e construa novos objetos no ambiente. poderá ignorá-la deliberada e
alegremente, ou comprimentá-la
ao passar, você terá nossa total
aprovação.

Experimente fazer um cubo maior


em perspectiva em outra folha. Dê
alguns detalhes a ele. Imagine-o
como uma casa. Construa janelas,
portas. Ruas e calçadas. Postes de
luz, árvores. E não se esqueça da
proporção humana. Coloque uma
pessoa que compativelmente
consiga entrar na sua construção.
E o mais importante de tudo,
divirta-se!

ligações: ponto de fuga, linha do horizonte, profundidade


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FICHA

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LUZ E SOMBRA
Esse era o golpe que faltava para você aplicar na sua provinha de apti-
dão. Aquela cartinha na manga. As sombras tem o poder de acen-
É sempre bom lembrar que você é livre para fazer suas escolhas. tuar o que estamos querendo
dizer. Elas conferem maior drama
Pode-se muito bem viver uma longa vida artística repleta de satisfações sem
ao desenho. Assim, as figuras
ter aplicado jamais uma sombra ou um matiz em seus desenhos. Ou pode-se podem ganhar mais peso, realis-
adicionar sombras em tudo o que fizer. Tudo dependerá de seu desenho, de mo, mistério, altura...
seus olhos e de como você se sente em determinado momento.
Quando decidir adicionar sombras, você deverá formular a pergunta
a seguir: de onde vem a luz que ilumina seu objeto? De cima? De baixo? Da
esquerda? Da direita? A luz chega de todas as partes, mas geralmente há Há diversos modos de se represen-
uma fonte principal, e isso é o que desejamos que você tenha em mente. tar uma sombra. Usualmente
Faça um teste. Observe essa singela exemplificação e construa outras. costuma-se esfregar com o dedo
Coloque alternativas para a luz emergir. Se alguma dúvida aparecer, tenha a ou utilizando um esfuminho. Mas
certeza de que, além de sua mãe, nós também teremos o imenso prazer de as hachuras podem lhe parecer
soluciná-la com você! bem interessantes. São sequên-
cias de traços finos, um ao lado do
outro, que vão se sobrepondo em
diferentes posições.

Nada melhor para um bom


estudo do que a observação. Use
seus olhos e comece a reparar nas
sombras pelos ambientes em que
frequenta. Pare. Olhe. Desenhe.
A noite pode ser um bom amigo-
tira-dúvidas. Nela, as sombras se
acentuam. Tire fotos, se possível, e
passe a desenhar com base nelas.

ligações: direção, volume, drama


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FICHA

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EXERCÍCIOS
(VUNESP - 2012) Faça um PROJETO para uma obra de arte que utilize um martelo, um chapéu e uma bicicleta.
Podem ser utilizadas as imagens desses elementos e os próprios objetos na obra, ou seja, a obra poderá ser um
desenho, uma pintura, uma fotografia, um vídeo, uma escultura, uma instalação, uma performance ou outras
modalidades de arte.
Para apresentar o PROJETO, utilize a linguagem visual (desenhos, plantas e esquemas) e a verbal (palavras,
textos) de maneira que qualquer pessoa possa entender como será a obra. Serão avaliadas criatividade,
organização e clareza.
Material: lápis preto e/ou caneta esferográfica preta.

(MACKENZIE - 2005) Amasse livremente a folha A4 fornecida e coloque-a sobre a mesa. Faça, em seguida, um
desenho da folha amassada, considerando, nesse desenho, fundamentos como luz, sombra, volume,
proporção, textura e perspectiva.
NÃO CORTE, NÃO RASGUE, NÃO FURE E NÃO PICOTE A FOLHA.

(VUNESP - 2011) Faça um desenho representando (VUNESP - 2011) Recorte e cole na folha de papel
um sonho. Avaliação: criatividade, composição, canson. Faça uma intevenção criativa a partir da
habilidade gráfica e temática. imagem.
Material: Lápis HB, 3B, 6B e lápis de cor.

(VUNESP - 2012) Escolha uma das seguintes


palavras e represente seu significado através do
próprio desenho da palavra.

• Rever
• Suave
• Corpo

Serão avaliadas criatividade, qualidade gráfica e Avaliação: criatividade e potencialidades


utilização das cores e do grafismo. conceituais.
Material: livre com utilização de cores. Material: Lápis HB, 3B, 6B e lápis de cor.

(FUVEST - 2009) Nas coleções de arte, particulares ou públicas, são conservados croquis, esboços, estudos,
anotações, escritas, projetos associados às obras de arte, sejam elas realizadas em desenho ou qualquer dos
outros meios das artes visuais. A relação entre os estudos e as obras é sempre instigante para analisarmos
aspectos ligados ao pensamento visual.
O que propomos para essa prova é que se utilize uma das duas folhas recebidas para anotar, fazer estudos,
projetar, esboçar elementos relacionados ao desenho que será realizado na segunda folha de papel. A escolha
dos materiais e as maneiras de proceder, assim como os temas a serem desenvolvidos, são de livre escolha de
cada candidato.
EXERCÍCIOS
(FUVEST - 2008) Muitas pessoas têm ou já tiveram um diário, onde a memória é retida mais comumente por
meio de palavras. Considere a folha de papel recebida um lugar para desenhar algo memorável, ocorrido nos
últimos dias. Inclua nesse ou nesses desenhos elementos que possam ser observados agora, no lugar onde você
está. O verso da folha poderá ser utilizado para estudos, esboços, anotações prévias, que serão levadas em
consideração na sua avaliação.
A utilização dos lápis de cor, que você recebeu, é opcional.

(UNICAMP - 2009) 1. Com o objeto fornecido (catavento), desenvolva um desenho de observação enfatizando
a linha.
Finalidade: Avaliar a capacidade de compreender e representar graficamente as estruturas e dimensões.
Tempo: 25 minutos.

2. Escolha um formato adequado da folha de papel canson e desenhe novamente seu objeto considerando
uma das relações de contraste abaixo apresentadas.

Finalidade: Avaliar a capacidade de realizar uma composição criativa a partir dos efeitos sugeridos pelos
binômios ou contrastes apresentados.
Tempo: 50 minutos

3. Com base nos resultados obtidos nas duas questões anteriores, construir uma terceira imagem relacionando
cor e forma, por meio de desenho, colagem ou outro procedimento que considerar mais adequado. Utilize
qualquer material indicado no Manual do Candidato.
Finalidade: Avaliar a capacidade de expressão e reflexão na construção da imagem.
Tempo: 50 minutos.

(UNICAMP - 2011) “Uma superfície bidimensional sem nenhuma articulação constitui uma experiência morta.
A base de todo processo vital é a contradição interna. A qualidade vital de uma imagem é gerada pela tensão
entre as forças espaciais, isto é, pela luta interna entre a atração e a repulsão dos campos de forças.”
(Gyorgy Kepes, Language of vision. Chicago: Paul Theobald, 1944, p.59.)

Faça um desenho de observação do entorno considerando o texto acima.


Material a ser utilizado:
Papel canson e lápis grafite em diferentes gradações.