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Disciplina: Contabilidade Avançada

Curso: Ciências Contábeis – Turmas: 833AN1 e 833BN1


Professora: Rosália Gonçalves Costa Santos

Anotações de Aula – Investimentos

I. Conceito de Investimento

O art. 179 da Lei 6404/76 item III estabelece como são classificados os investimentos.

em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de


qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à
manutenção da atividade da companhia ou empresa.

O CPC 18(R2) tem como objetivo estabelecer a contabilização de investimentos em coligadas,


controladas e em empreendimentos controlados em conjunto. Nesse caso todas as empresas
investidoras que possuem controle individual ou em conjunto ou com influência significativa deverá
adotar o que estabelece o CPC 18(R2).

Consideram-se participações permanentes os investimentos em outras empresas na forma de compra


de ações ou quotas de participação, com a intenção de aplicação do capital sem o caráter
especulativo e temporário. O normal é que essas aplicações de capital em outras sociedades são de
natureza voluntária, representando uma espécie de extensão da atividade econômica da empresa
investidora. São denominados como Participações em Sociedades Controladas e Coligadas e Outros
com característica de aplicação de capital permanente, ou seja, não de forma temporária ou
especulativa.

II. Classificação dos Investimentos

Os investimentos com caráter permanente serão classificados no Ativo Não Circulante –


Investimentos. Já os investimentos temporários decorrentes de aplicações de recursos com
necessidades imediatas ou temporárias serão classificados no Ativo Circulante ou Realizável a Longo
Prazo, dependendo do prazo da realização.

III. Avaliação de Investimentos

Os investimentos podem ser avaliados pelo Método de Custo ou Método da Equivalência Patrimonial
(MEP) e são definidos pela classificação do investimento. O MEP representa um critério de
contabilização, nele o investimento é realizado pelo custo e depois ajustado mediante
reconhecimento da participação decorrente da variação do patrimônio da investida.
Os investimentos temporários, classificados no Ativo Circulante ou Realizável a Longo Prazo e os
investimentos permanentes, não realizados entre coligadas ou controladas serão avaliados pelo
Método de Custo. Os investimentos avaliados pelo custo de aquisição devem obedecer ao CPC 38 –
Valor Justo. Esse método não registra as variações no Patrimônio Líquido da investida, somente será
contabilizada no momento da distribuição de dividendos.

Os investimentos permanentes realizados em empresas coligadas (com algumas exceções) e


controladas serão avaliados pelo Método da Equivalência Patrimonial. Esse critério de avaliação
registrará as variações no Patrimônio Líquido da investida.

IV. Definição de sociedades coligadas e controladas

A definição de sociedades coligadas e controladas está estabelecida no artigo 243 da Lei das
Sociedades por Ações.

São coligadas quando a investidora possui influência significativa com participação no capital de até
50% sem controle. As sociedades controladas são definidas quando a participação no capital da
investida for superior a 50%.

Influência significativa:
 CPC 18 (R2): presume-se que uma empresa possui influência significativa quando a
participação representar mais de 20% no capital da investida, a menos que possa ser
demonstrado, claramente, o contrário.
 CPC 18 (R2) assegura que a influência significativa é evidenciada quando uma ou mais das
ocorrências: representação no conselho de administração ou na diretoria da investida; poder
de decisão sobre as políticas financeiras e operacionais, inclusive em decisões sobre
dividendos e outras distribuições; intercâmbio de diretores ou gerentes; quando a investidora
fornece a principal matéria prima; fornecimento de informação técnica essencial.

Controle direto sobre a investida:


 ocorre sempre que a investidora tiver preponderância nas decisões sobre as políticas
financeiras e operacionais da investida, ou de outro modo tem o poder para dirigir as
atividades, o comando é exercido diretamente.

Controle indireto sobre a investida:


 ocorre quando a investidora exerce o controle de uma companhia por meio de outra
companhia que é controlada por ela.

Controle comum ou conjunto


 ocorre quando as decisões estratégicas, financeiras e operacionais exigirem o consentimento
unânime das partes que compartilham o controle da investida.
V. Diagrama de definição do critério de avaliação do investimento

O investidor tem controle? SIM = Investimento em controlada = MEP

O investidor tem controle? NÃO = O investidor tem influência significativa? SIM = MEP

O investidor tem controle? NÃO = O investidor tem influência significativa? NÃO = O investidor
controla a entidade em conjunto? SIM = MEP

O investidor tem controle? NÃO = O investidor tem influência significativa? NÃO = O investidor
contra a entidade em conjunto? NÃO = avaliado pelo valor justo CPC 38. Pela legislação societária será
adotado o Método de Custo.

VI. Exemplos de registro contábeis

Método de Custo

A empresa Confiante adquiriu em 20X1 10% das ações da Desanimada e comprovou que não há
influência significativa. O Patrimônio Líquido empresa investida representava R$ 500.000,00.

(a) Aquisição das ações


Investidora – Confiante
D – ANC – Investimentos – Participações Societárias
C – AC – Disponibilidades R$ 50.000,00

Investida – Desanimada
D – AC – Disponibilidades
C – PL – Capital Social R$ 50.000,00

(b) Encerramento do exercício de 20X1 a empresa Desanimada obteve lucro de R$ 10.000,00,


nesse caso não haverá registro na investidora, pois o método de custo não contabiliza as variações no
Patrimônio Líquido da investida e sim pelo valor pago.

(c) A empresa Desanimada aprovou e distribuiu 50% do lucro como dividendos.


A Investidora Confiante irá contabilizar a proporção de participação societária em relação aos
dividendos propostos que representa R$ 500,00.

Investidora – Confiante
D – AC – Disponibilidade
C – DRE – Receitas Financeiras – Dividendos R$ 500,00

Investida – Desanimada
D – PL – Lucros $ 5.000
C – AC – Disponibilidades $ 5.000

 No caso de investimento avaliado pelo método de custo, a distribuição de dividendos deverá ser
tratada no registro contábil como RECEITA FINANCEIRA.

Método da Equivalência Patrimonial – MEP


A empresa Alfha comprou ações 20% do capital da empresa Betha que representava em 20X1 o valor
de R$ 200.000,00 (200.000 ações no valor de R$ 1,00 cada), com influência na administração.

(a) Aquisição das ações

Investidora – Empresa Alfha


D – ANC – Investimentos – Participações Societárias
C – AC – Disponibilidades R$ 40.000,00

Investida – Empresa Betha


D – AC – Disponibilidades
C – PL – Capital Social R$ 40.000.00

(b) Encerramento do exercício de 20X1 a empresa Betha obteve lucro de R$ 8.000,00


Investida – Empresa Betha
O valor do Patrimônio Líquido passará para R$ 208.000,00

Capital Social R$ 200.000,00


Lucros R$ 8.000,00
Total R$ 208.000,00

Investidora – Empresa Alfha


A empresa Alfha irá reconhecer a diferença do valor registrado em relação à variação do Patrimônio
Líquido da investida na proporção de 20%.

D – ANC – Investimentos – Ganho com Equivalência Patrimonial


C – DRE – Resultado com equivalência patrimonial R$ 1.600,00

(c) A empresa Betha aprovou a distribuição de dividendos de 60%


Investida – Empresa Betha
D – PL – Lucros
C – Disponibilidades R$ 4.800,00
Investidora – Empresa Alfha
A empresa Alfha irá receber a proporção de 20% dos dividendos propostos, ou seja R$ 4.800,00 * 20%
= R$ 960,00, trocam-se investimentos por dinheiro.

D – AC – Disponibilidades
C – ANC – Ganho com Equivalência Patrimonial R$ 960,00

(d) Comprovação do registro de participação societária na empresa Investidora (Alfha)

O Capital da Social da Betha após a apuração e distribuição do lucro representava R$ 203.200,00,


nesse caso o investimento de 20% na empresa Alfha indica R$ 40.640,00.

Conferência do saldo da conta investimentos na investidora deverá corresponder a R$ 40.640,00


representando 20% do saldo do Patrimônio Líquido da Alfha (R$ 203.200,00)

VII. Aspectos tributários da equivalência patrimonial – MEP

(a) A receita de equivalência patrimonial não será tributada na investidora, já que representa lucros
tributados na investida;
(b) A despesa de equivalência patrimonial não será dedutível na investidora, já que será considerado
Prejuízo na investida e será dedutível no futuro nessa sociedade.

 Embasamento legal
o Lei das Sociedades por Ações 6404/76 alterada pela 11.638/07
o CPC 18 R2 – Investimentos em Coligada, em Controlada e em Empreendimento Contratado
em Conjunto.
 Contempla procedimentos do MEP e os conceitos de coligada
o CPC 19 – Negócios em Conjunto
 Contempla conceitos de empreendimentos em conjunto
o CPC 36 R3 – Demonstrações Consolidadas
 Contempla conceitos de controladas

 Sugestão de leitura

ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Curso de contabilidade avançada em IFRS e CPC. São Paulo. Atlas.
2014. ISBN 978-85-224-9000-4

IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de Contabilidade das
Sociedades por Ações. São Paulo. Atlas. 2009. ISBN 85-224-3547-2.

MARION, José Carlos. Contabilidade Empresarial: A contabilidade como instrumento de análise,


gerência e decisão. 10ª ed. São Paulo. Atlas. 2008. ISBN 85-224-3330-5