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Sindicato Nacional dos Editores de Livros, r]
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Qual o espaço do lugar?: geografia, epistemologia, feno- 57

menologia l [organização de Eduardo Marandola Jr., Werther Z"


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Holzer, Lívia de Oliveira. - São Paulo: Perspectiva, 2G]4. Y

21 ü. (Estudos; 302)

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ISBN 978-85-273-0959-2 l.

l' reimpr. da l' cd. de 2012

l. Geografia humana. 2. Fenomenologia e literatura. 3.


Literatura - Filosofia. i. Marandola Júnior, Eduardo. ii. Holzer, 1:=
Ê.
Werther. iii. Oliveira, Lívia de. iv. Série. S.'.

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L2-3708. CDD: 304.2 . .

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CDU: 316.74:502.2 S:

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o6.07.12 20.07.12 037163 .

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l' edição - i' reimpressão

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EDITORA PERSPECTIVA S.A.

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Reflexões Sobre a Emergência, ·


Aspectos e Essência de Lugar'
Edward Relph

Quando há quarenta anos comecei meus estudos sobre lugar,


muito pouco havia sido publicado sobre o tema em qualquer
disciplina, tanto como conceito quanto como fenômeno de ex-
periência vivida. Havia a definição da geografia como estudo de
lugares, mas com pouca discussão sobre o que isso poderia signi-
ficar. A expressão aparentemente era considerada autoevidente,
como se referindo à descrição de diferentes assentamentos e re-
giões da Terra. Houve algumas breves discussões sobre sentido
de lugar ou espírito de lugar por arquitetos, filósofos, críticos ii-
' terários, poetas e outros, mas não havia livros em inglês, francês
ou alemão dedicados diretamente a lugar. Em suma, o conceito
de "lugar" não era um tema que atraía a atenção dos estudiosos.
Mas isso mudou. Não tenho um número exato, mas em in-
glês calculo que haja mais de uma centena de livros e milhares
de artigos acadêmicos sobre lugar. Tornou-se, especialmente
desde 199O, um tema importante e muitas vezes contestado, não
apenas na Geografia, mas também, de meu conhecimento, na
psicologia, antropologia, sociologia, arquitetura, literatura in-
glesa, belas-artes, paisagismo, planejamento urbano, engenharia

1 Traduzido do manuscrito original em inglês por Eduardo Maranàola Jr.


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REFLEXÕES SOBRE A EMERGÊNCIA, ASPECTOS E ESSÊNCIA DE LUGAR 19


18 QUAL O ESPAÇO DO LUGAR? b

florestal e filosofia. Lugar tem sido interpretado a partir das ' newtoniana de espaço, como dimensão mensurável, deixaram
perspectivas comportamental, humanista e fenomenológica; t; lugar de fora da filosofia e das ciências físicas.
estudado como um problema da neurociência, na teoria lo- Levou cerca de trezentos anos para que os geógrafos ultra-
cacional e em SIG; os trabalhos de filósofos, artistas e poetas passassem essa mudança epistemológica e percebessem que sua
foram reinterpretados para identificar suas compreensões so- disciplina pode ser compreendida em termos de espaço e de
bre lugar; lugar tem sido criticado por feministas, marxistas relações espaciais. O atraso ocorreu provavelmente porque a
e por teóricos críticos; tem sido promovido por economistas geografia sempre foi uma disciplina dedicada à descrição e ao
neoliberais e empresas como um meio de comercializar seus inapeamento da diversidade de lugares da Terra; como foram
produtos de forma mais eficaz; tornou-se inspiração para pro- - explorados e colonizados, primeiro pelos gregos e romanos, e
jetos de arquitetos e urbanistas; e numerosas organizações não muito mais tarde pelos espanhóis, portugueses, ingleses, fran-
governamentais e agências governamentais têm surgido para ceses e alemães. Prosperou nesse sentido enquanto ainda havia
promover a construção do lugar (placemaking). partes do mundo para os europeus colonizarem. Em meados
Esse aumento do interesse em lugar levanta três questões. do século xx, as colônias entram em colapso e não sobram re-
Uma é simples: quais as razões para que isso ocorra agora? Ou- giões para descobrir e descrever. Outras ciências sociais ten-
tra: quais aspectos e assuntos são mais importantes nas várias tavam se tornar mais científicas, desenvolvendo leis com base
abordagens sobre lugar? E uma terceira questão, talvez a mais quantitativa para explicar os processos sociais. Esse foi um
importante: existe algo essencial por trás das diversas aborda- momento oportuno para propor uma redefinição da geogra-
gens sobre o lugar? fia como ciência espacial.
As respostas a essas perguntas são parte de um esquema do Em retrospecto, o momento dessa redefinição foi infeliz,
que será uma grande revisão que espero realizar ao longo dos pois os filósofos e os físicos já haviam ultrapassado os mode-
próximos anos sobre o que tem sido publicado a respeito de los cartesianos de espaço. Na primeira parte do século xx, fi-
lugar. Assim, este ensaio é uma espécie de arcabouço de mapa lósofos fenomenologistas, especialmente Husserl, Heidegger e
de pensamentos e ideias baseado no meu pensar e escrever de Merleau-Ponty, e físicos, como Einstein e Bohr, tinham, de ma-
várias décadas, razão pela qual não possui referências exaus- neiras muito distintas, identificado inadequações profundas na
tivas ou detalhadas. lógica cartesiana e na ciência newtoniana. "Positivismo': escre-
veu Husserl, "decapita a filosoíiâ'; o que significa que a ciência
empírica deixa de fora os sentimentos, emoções, experiências
POSSÍVEIS RAZÕES PARA e tudo que é humano. A ciência espacia!, pode-se dizer, acha-
O RECENTE INTERESSE POR LUGAR tava a geografia, reduzindo-a a uma única dimensão. Isso deixa
de fora a história, a estética, a poesia e a maioria das conexões
Parece que há várias razões para o aumento do interesse por lu- que as pessoas têm com regiões, cidades e ambientes naturais.
gar. Na geografia, isso teve relação, pelo menos em parte, com a A geografia foi concebida desde suas origens como o es-
chamada "virada espacial': Isso, no entanto, precisa ser colocado tudo de lugares e regiões e, embora nunca tenha ficado claro
num contexto mais amplo. Edward Casey mostrou que lugar o que isso significava, era mais subentendida do que evidente-
fazia parte da preocupação dos filósofos desde a antiguidade mente ciência espacial. A defesa do lugar na geografia nos anos
clássica até cerca de i6OO. Platão considerou lugar como "ali- de 1970 e ig8o foi inicialmente uma alternativa para o achata-
mento do serZ enquanto outros o aproximaram de um sentido mento da disciplina. Os cientistas espaciais haviam justificado
geográfico como o contexto em que os seres estão reunidos, sua abordagem apelando para a autoridade dos filósofos da
juntos. No entanto, no século xvii, as concepções cartesiana e ciência. Uma vez que lugar é o fenômeno da experiência, era
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20 QUAL O ESPAÇO DO LUGAR? REFLEXÕES SOBRE A EMERGÊNCIA, ASPECTOS E ESSÊNCIA DE LUGAR 21

apropriado que ele fosse explicado por meio de uma rigorosa


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acadêmicas. Arquitetura e planejamento, que apenas três déca-
abordagem fenomenológica que havia sido desenvolvida por F das antes haviam se dedicado à padronização e aos estilos inter-
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Husserl e Heidegger. Uma abordagem que fundamenta o tra- nacionais, se voltam em busca de inspiração para as tradições
balho de Yi-Fu Tuan, David Seamon, Anne Buttimer, o meu regionais e para a identidade de lugar. Tudo isso me pareceu
prÓprio e de outros. Essa perspectiva passou a ser chamada de muito positivo, mas havia dois problemas. O primeiro era que
geografia humanista. as corporações multinacionais constataram que as identidades
Havia também outra razão diferente para o desenvolvi- dos lugares tinham agora valor de mercado e, se necessário, co-
mento do interesse por lugar em meados do século xx. A pai- meçariam a explorar seu potencial, utilizando para isso a criação
sagem construída 'do mundo, especialmente na Europa e na e a manipulação. O segundo foi que, quase ao mesmo tempo,
América do Norte, estava sendo mudada rapidamente, ficando geógrafos radicais e economistas políticos, como David Harvey
claro que a rica diversidade de lugares que os geógrafos haviam e Doreen Massey, começaram a criticar as ideias humanistas de
descrito por décadas e séculos estava sendo erodida. Muito lugar como "locais de nostalgia': que eram limitados, autênti-
dessa erosão ocorria por causa do uso de projetos da arquite- cos e de algum modo entendido como eterno. Argumentaram
tura moderna, os quais olhavam para o futuro sem nenhuma que tais locais são excludentes, além de ser manifestações pro-
conexão com a história local, o ambiente ou as tradições. Os vincianas de tudo o que é radical, o que os geógrafos socialistas
projetos modernistas, em suas formas mais triviais e unifor- radicais abominavam. Forneceram uma visão alternativa que
mes, eram especialmente convenientes para corporações mul- considerava lugares como nÓs particulares das interações das
tinacionais porque tinham aparência de progresso e eram ao redes social, econômica e política global, na qual os lugares são
mesmo tempo baratos; as logomarcas poderiam distinguir os manifestações locais de macroprocessos econômicos ao invés de
edifícios das diferentes empresas e nenhuma outra forma de emergirem de um contexto histÓrico específico. Esses nÓs estão
identificação era necessária. Como resultado, os anos de 19 5'j associados a um progressivo "sentido global de lugar2 que pode
criaram paisagens sem-lugar, nas quais as diferenças foram re- servir como base de resistência contra as injustiças sociais, ex-
lacionadas às marcas, não às localidades. A perda da diver- clusão e desigualdade que resultam da globalização neoliberal.
sidade e da identidade geográficas foi palpável, expressa na Desde os anos de 199o, interpretações sobre lugar floresçe-
perda da continuidade histórica; como edifícios e bairros an- ram e foram refinadas. As interpretações são frequentemente
tigos que foram demolidos para abrir caminho para os novos. contraditórias e muitas vezes contestadas, mas na base parece
O surgimento do interesse em lugar, que foi contemporâneo ao haver uma visão geral de que lugar tem um papel importante a
aumento do interesse na preservação do patrimônio, pode ser desempenhar para compreender e, talvez, corrigir a insistência
entendido em parte como uma resposta direta dessas perdas. neoliberal na eficiência global de ganhos que diminui a qua-
Até cerca de 199O, o interesse em lugar como um tema lidade de nossas vidas, erodindo tudo que é local. Em suma,
acadêmico estava restrito à geografia humanista e a alguns ra- estudar e promover lugar, seja de uma perspectiva humanista,
mos da psicologia ambiental e da arquitetura. Não era mais radical, seja de uma perspectiva arquitetônica ou psicológica, é
que um campo menor de estudo. Desde então, lugar emergiu uma prática de resistência.
das sombras da academia. Isso estava relacionado em parte ao
movimento intelectual geral de se afastar de proposições uni-
versalistas do pensamento moderno e do projeto em direção ASPECTOS DE LUGAR
ao pós-modernismo e à celebração da diferença, seja racial,
sexual, política ou arquitetônica. Como fonte e expressão da Há uma série de aspectos ou temas recorrentes nas muitas dis-
diferença, lugar passou a atrair a atenção de várias disciplinas cussões recentes sobre lugar. Obviamente, nem todo artigo e

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livro se refere a todos os aspectos, mas são suficientemente co- ! ciai sobre a experiência de lugar precisam ser avaliadas com
muns para sugerir que eles, no seu conjunto, poderiam formar a í cautela, pois aparecem simultaneamente em todo lugar e em
base para uma teoria válida de lugar para a compreensão tanto lugar nenhum, alterando alguns dos princípios básicos da
de lugares particulares como o fenômeno lugar e suas limita- ' experiência de lugar.
ções. A distinção entre lugar e lugares é fundamental. Geografia " Fisionomia do lugar: a palavra alemã ortschaft pode ser tra-
como estudo de lugares se refere à descrição e comparação de duzida literalmente por "fisionomia do lugar" (placescape)'; em
diferentes partes específicas do mundo; geografia como estudo outras palavras, em seu sentido mais óbvio, o termo sugere a
de lugar baseia-se (e ao mesmo tempo transcende), naquelas forma de um lugar, colinas, vales, construções, ruas, letreiros
observações particulares para esclarecer as maneiras como os ' e todos os outros elementos de.sua aparência. Este é o aspecto
seres humanos se relacionam com o mundo. mais evidente de um lugar para quem o vê de fora, incluindo
Abaixo enumero e descrevo o que penso ser alguns dos arquitetos, planejadores, turistas e pessoas mais interessadas
mais importantes aspectos de lugar. A lista pretende ser um em ambientes construídos. Como fisionomia do lugar, parece
ponto de partida, um conjunto de sugestões de caminhos em uma forma óbvia e objetiva para se compreender as diferenças
que lugar tem sido ou pode ser pensado. Está longe de estar entre lugares; isso de fato é uma ideia difícil de definir, pois não
completa. Tampouco apresenta uma ordem de importância. é possível caminhar ao redor de uma paisagem, determinar
Ela dá ênfase às lacunas sobre lugar. onde ela começa e termina ou dividi-la em partes menores (que
Lugar como reunião: segundo a maioria dos comenta- consistem em ruas, edifícios, sinais, estacionamentos, pessoas
ristas, lugar é uma palavra usada comumente na linguagem e assim por diante, em vez de paisagens menores).
cotidiana, mas se trata de um conceito evasivo. Não há uma Espírito de lugar (genius loci): é uma ideia que deriva da
definição clara dele, sendo imprecisas as traduções entre as lín- crença segundo a qual certos lugares foram ocupados por deu-
guas. Provavelmente o melhor que podemos dizer é que, em ses ou espíritos cujas qualidades sobrenaturais eram evidentes
seu contexto, seja um objeto, um evento ou uma experiência. no cenário, cuja presença pode ser reconhecida por meio de ce-
Ele também está relacionado às diferenças entre esses contex- rimônias religiosas e construções. Os sítios de igrejas e templos
tos - esta sala, esta vila, esta cidade, esta praia, esta montanha, são frequentemente identificados pelo poderoso espírito de ju-
minha casa. Como indivíduos e membros de comunidades, nos gar. Atualmente o, termo "espírito de lugar" foi amplamente se-
conectamos com o mundo por meio de lugares que geralmente cularÍzado e refere-se a lugares que têm uma identidade muito
possuem nomes ou uma identidade específica - Toronto, Rio de forte e todas as partes parecem funcionar perfeitamente em
Janeiro, Greenwood (o bairro em Seattle onde estou escrevendo conjunto. t9dos os lugares possuem uma fisionomia própria (a
isso), minha casa, seu escritório. Um lugar "reúne". o_u aghítinâ fisionomia de lugar), mas o espírito de lugar é associado apenas
qualidades, experiências e significados em nossa expEriên.cia a lugares excepcionais.
imediata, e o nome se refere a lugar de uma reunião específica-e
única. Qualquer parte sem nome que não reúna não é um lugar. ' 2 O autor se refere à mesma raiz de constituição do vocábulo inglês landscape,
Lugar (em oposição a um lugar) tem em si o conceito de especi- traduzido por paisagem em português, que se origina da palavra alemã lati-
dschaft, que se refere a criar ou produzir a terra. Refere-se à morfologia, no
ficidade e abertura, que acontece em virtude da reunião. sentido de formatar ou modelar a terra, constituindo assim sua fisionomia,
Localização: é uma característica comum, mas não es- ideia fundamental atrelada ao conceito de paisagem. Sendo a palavra ort o
sencial de lugar; um avião ou um website pode ser entendido termo alemão para lugar, a palavra ortshaft e seu correlato em inglês, places-
cape (ambas sem um correspondente direto em português), mantém seu sentido
como um lugar, mesmo sem estar fixado em uma localiza- colado ao conceito que está sendo referendado, o de paisagem. Em vista disso,
ção. Websites são lugares virtuais, e o caráter desses lugares optamos pela tradução "fisionomia do lugar" para expressar o sentido da forma
específica que um lugar possui, no mesmo sentido atribuído à ideia de paisagem,
e, mais genericamente, o impacto da internet e da mídia so-
como morfologia própria que lhe confere identidade (N. da T.).
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24 QUAL O ESPAÇO DO LUGAR?

Sentido de lugar: entendo como capacidade de apreciar lu- Lugar-sem-lugaridade' e não-lugar: em sentido trivial, como
gares e apreender suas qualidades (tanto quanto podemos dizer locdllização, toda parte é um lugar, mas, em um nível mais com-
que alguém tem um forte senso de história ou moda). Há in- plexo, lugar se refere às configurações diferenciadas do seu
divíduos que têm pouco interesse por lugares e preferem plan- entorno, pois são focos que reúnem coisas, atividades e sig-
tas ou lojas, ou pessoas que não têm ou possuem um sentido niffificados. Sempre quê a capacidade do lugar de promover a
pouco desenvolvido de lugar. Isto pode ser inato, mas também reunião _é fraca _ou inexistente temos não-lugares ou lugares-
pode ser aprendido e melhorado. Em parte, a geografia como km lugaridade. Essas ideias são importantes porque permi
uma disciplina parece atrair aqueles que têm um forte sentido tem entender luirpela" au$ência, tanto quanto pela presença.
de lugar e também promove a melhora desse sentido. (Notem Não-lugar é mais óbvio em gynbientes construídos padroniza-
que em inglês não é incomum utilizar a expressão "sentido de dos, como supermercados, lanchonetesfastfood ou aeroportos
lugar" para expressar o que chamei de espírito de lugar, mas internacionais. Já a relação entre lugar e lugares-sem-lugari-
considero isso uma reflexão pobre, pois as pessoas têm senti- dade não é uma simples oposição binária. Os processos que
dos e lugares não.) levam à diferenciação de lugar estão em toda parte comprome-
Raízes e enraizamento: a partir da perspectiva da experiên- , tidos em uma luta contra aqueles que levam à ausência-de-lu-
cia cotidiana, lugar é muitas vezes entendido como o onde se. , garidade. Assim, qualquer parte, não importa o quão uniforme
tem nossas raízes, o que sugere uma profunda associação, e possa ser, tem alguns elementos de lugar. Não importa quão
pertencimento, mas também imobilidade. A teoria rizomática, " forte seja o espírito do lugar, este possuirá alguns aspectos de
proposta por Deleuze e Guattari, parece sugerir que a noção de ""~ ausência-de-lugaridade compartilhados com outros lugares. A
identidade de_alguma parte não é ser lugar nem ausência-de- _...
raízes precisa ser reconsiderada; que lugares podem se repro-
duzir por tubérculos que são invisíveis, ainda que conectados ":lugaridade: mas a expressão do equilíbrio entre particuÍari-
a uma fonte original. A teoria rizomática parece sugerir que dade e uniformidade.
""NÓs: a ideia de que lugares são onde os indivíduos e os gru-
podemos ter raízes simultaneamente em vários locais diferen-
tes, mantendo todos conectados. Essa é uma ideia que oferece pos possuem suas raízes e podem se sentir mais em casa tem
grandes possibilidades para a compreensão da transitoriedade e sido profundamente criticada por David Harvey, Doreen Massey
do transnacionalismo que agora parece permear a experiência e outros, em parte porque eles consideram isso como provin-
de lugar para muitos de nós. ciano e sentimental e em parte porque entendem que isso im-
Interioridade: refere-se à familiaridade, conhecendo lugar plica uma visão estreita e limitada de lugar. Sua interpretação
de dentro para fora, diferente de como faz o turista ou um ob- é que lugares são os nÓs de _redes nacionais e internacio,naií'
servador. Estar em casa é, para muitas pessoas, a forma mais
3 Rdph utiliza o termo placelessness para expressar a ausência da capacidade
intensa de interioridade. ' de lugaridade, ou seja, de constituição de lugar. A lugaridade (qualidade pró-
Lar: é onde as raízes são mais profundas e mais fortes, onde pria de lugar) se funda nos seus aspectos constitutivos (como a autentici-
dade, o encontro, o sentido de lugar, o espírito do lugar entre outros), sendo
se conhece e se é conhecido pelos outros, o onde se pertence. A
melhor entendida enquanto uma gradação, tendo níveis em contextos dife-
ausência de lar pode nos levar à saudade. Os sem-teto são uma rentes. Lugares autênticos seriam aqueles com forte lugaridade, enquanto os
enfermidade social. A partir da perspectiva da experiência, lar não-lugares e os placelessness seriam aqueles que possuem ausência de luga-
ridade, ou seja, lugares-sem-lugaridade. Devido à ausência de uma tradução
constitui o padrão contra o qual todos os outros lugares são direta da expressão original em inglês, preferimos esta expressão composta,
julgados, o que é captado nos inúmeros sentimentos popula- lugar-sem-lugaridade, para expressar o sentido não maniqueísta entre lugar
res: "Não há lugar como o lar7 "Lar doce lar': "Lar é onde está (lugaridade absoluta) e não-lugar (ausência de lugaridade absoluta) buscado
por Relph. Placelessness, portanto, constitui-se numa ideia mais abrangente
meu coração': Discutirei mais adiante o significado do lar na do que a de não-lugar (amplamente difundida pelo antropólogo Mare Augé),
terceira sessão deste ensaio. embora guarde parentesco com ela (N. da T.).

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Exclusão/lnclusão: a crítica oriunda da economia política Fabricação de lugar: em nosso mundo pós-moderno e
a lugar, como as de Harvey e Massey, tem mostrado que a ma- neoliberal, surgem casos em que a identidade de lugar e a
nifestação de forte apego a lugar é uma atitude exclusivista - difèrença dão lucro. Assim, a identidade de lugar tem sido
este é o meu lugar e você é diferente (por causa da renda, raça, rnanipulada e até mesmo inventada por empresas de desen-
crença política, gênero), então fique fora daqui. volvimento que visam o lucro e por políticos da cidade, para
Sentido contaminado de lugar: esse tipo de atitude exclu- atrair investimento e turismo. Identidades de lugar podem ser
sivista a que me referi é como um sentido contaminado de baseadas em uma vaga ligação histórica ou fictícia. Os roman-
lugar. É baseado no enraizamento e na convicção de que este é ces e filmes da saga Crepúsculo, atualmente muito populares,
· meu lar, manifestando-se como uma visão preconceituosa. Na estão situados na pequena e remota Forkes, localizada a oeste
sua forma mais extrema é revelado pela limpeza étnica e pelo do estado de Washington, cidade que a autora nunca havia
deslocamento compulsório daqueles que são considerados es- visitado, mas que escolheu simplesmente porque Forkes tem
tranhos, apenas porque são diferentes de alguma forma. Em uma precipitação pluviométrica muito elevada, o que era per-
outras palavras, lugar e envolvimento com lugar têm aspectos feito para a atmosfera fictícia desejada pela autora. agora vende
profundamente repulsivos. Lugar é geralmente representado a si mesma como o cenário da saga Crepúsculo, atraindo, por
como sempre bom, um jeito de enfrentar as forças do mal dos isso, um fluxo constante de adolescentes norte-americanos.
lugares-sem-lugaridade. É importante lembrar que lugar pode Mesmo se não houver nenhuma ligação regional ou tradição
ter um lado muito feio. local, uma identidade pode ser emprestada. Paris, na China,
Construção de lugar: a necessidade de construir lugares é é a nova cidade que reproduz o centro de Paris, completa, até
especialmente atrativa para arquitetos e planejadores. Cons- com uma pequena Torre Eiffel. Resumindo, lugar e identida-
trução de lugar é considerado por ongs como a Project for des de lugar estão abertos à exploração, e as fisionomias de
Public Spaces, nos Estados Unidos, e por instituições governa- lugar podem ser treinamentos em decepção; histórias e geo-
mentais tais como Cabe (Centre for Architecture and the Built grafias podem ser manipuladas e melhoradas. Esses lugares
Environment), na Inglaterra, como uma estratégia básica para podem, é claro, ser divertidos, e qualquer pessoa bem sinto-
conter a uniformidade da expansão de lugares-sem-lugaridade, nizada está sempre alerta para essas imitações. No entanto,
proteger ou recuperar patrimônios e para fazer agradáveis am- nunca é agradável ser levado a pensar que existem lugares em
bientes construídos. Entendem lugares quase inteiramente em que a imitação é autêntica.
termos da fisionomia de lugar, apresentando a maioria de suas Para mim, esses são os aspectos e tópicos mais importantes
propostas sobre a proteção do que já existe e sobre a criação de sobre lugar. Em muitos deles sublinhei o que talvez seja minha
espaços para pedestres. Minha perspectiva é mais complexa. principal preocupação: muito do que está escrito e o que é
Acredito que diferentes lugares só podem ser feitos por quem feito em nome de lugar parece assumir que ele é um fenômeno
vive e trabalha neles, pois são tais pessoas que conseguem en- inteiramente positivo, independente do caso. É fundamental
tender de forma conjunta as construções, atividades e signi- abordar lugar criticamente. Esforços bem-intencionados para
ficados. No entanto, é necessário um conhecimento técnico "Eesistir às mudanças impostas e promover o que é local pode
específico para conduzir e manter juntos em funcionamento facilmente transformar-se em formas de exclusão e opressão.
esgotos, sistemas de trânsito, escolas e parques. Planejadores Porém, é igualmente import,a,nte compreender que é por mejo
e arquitetos não podem fazer lugar, mas se forem sensíveis às çLe 1,ugar.e,s,:que_i,n,divíduos e sociedades se relacionam ço!n .o
condições locais, podem prover de infraestrutura e construir mundo, e que essa relação tem potencial para ser ao mesmo
ambientes que facilitem a criação de lugares por aqueles que tempo profundamente responsável e transformadora. Isso me
vivem neles. leva à terceira questão.

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28 QUAL O ESPAÇO DO LUGAR? REFLEXÕES SOBRE A EMERGÊNCIA, ASPECTOS E ESSÊNCIA DE LUGAR


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ESSÊNCIA DE LUGAR :xperiência de lugares se refletem em..mudanças dosignificado
Leiugar ou"liá um" núcleo permanente de significado?
Independentemente de se conceber o tempo como uma fle- Fm Placê and Placelessness (Lugar e Lugar-sem-lugari-
cha, uma volta ou uma espiral, nossa experiência do tempo dade, "sugeri quê o lar: com seu caráter Profundamente fami-
é sempre fugidia. Momentos são vividos e se vão, às vezes liar e ambiente particular, é a essência do lugar, e que todas as
obtidos em uma fotografia ou em uma nota, ou em uma me-
outras experiências de lugar são de alguma forma comparadas
mória, que imediatamente se tornam passado e, muitas vezes, com nossa experiência de lar. É evidente que a simples compa-
são esquecidos. "Dentro do mesmo rio, você não poderá en- ração da minha experiência "de lar" com a de meus avós, pelo
trar duas vezês'; declarou o filósofo pré-socrático Heráclito, aumento da mobilidade, também deve ter mudado. Minha in,
sugerindo não apenas que o mundo flui através de nós, mas terpretação de lar é mais complexa do que já fora. Esta deritva
também que somos transportados com ele. Refletir ainda que das recentes interpretações de Jç.ff Malpas do pensamento de
brevemente sobre nossas experiências do tempo é induzir a Heidegger como' uma fiiosofiX em que ser e lugar estão in
um lamento, porque não há maneira de reviver o momento trinsecamente ligados. Lugar, argumenta Malpas, refere-se à
de desfazer decisões. particularidade e à conectividade com a qual sempre expe-
Nossas experiências de lugar, no entanto, parecem Ksistir rienciamos o mundo. Às vezes é rico, às vezes é fraco, mas é
ao tempo. Construções, estradas e costumes locais, que são as uma inescapável parte do ser. Um lugar especial é a reunião
manifestações mais óbvias de uma lenta mudança do cenário que, em sentido geográfico, reúne a fisionomia de lugar, ativi-
variável de vidas individuais. Retornamos ao lugar onde cres- dades econômicas e sociais, história local e seus significados.
cemos e embora possa haver novas construções e pessoas, isso Em sentido mais psicológico, reunião integra nosso corpo, o
permanece no mesmo lugar. No caso do lugar ter sido com- estado do nosso bem-estar, a imaginação, o envolvimento com
pletamente reconstruído, ficaremos consternados, pois lugar
os outros e nossas experiências ambientais.
implica continuidade. Para Malpas, "lar" não se refere às nossas raízes e onde cres-
Esta simples tensão entre tempo e lugar é, entretanto, muito
cemos, mas tem a ver com '"a proximidade do ser': Ser é a existên-
simplista. Gostaria muito de acreditar que lugar e sentido de lugar cia de todas as coisas, por isso "a proximidade do ser" significa a
são constantes, isso claramente não é o caso. Tudo assegura que consciência da abertura, totalidade e conectividade do mundo.
minha experiência de lugar seja diferente da dos meus avós, por Nesse sentido ontológico, o lar aparece por meio de lugares es-
exemplo: o crescimento e a renovação urbana, novas modas na pecíficos, ainda que também os transcenda. Está associado fre-
arquitetura e jardins, novos meios de transporte e comunicação. quentemente ao lugar onde vivemos e crescemos, mas pode ser
A maior parte de suas vidas viveram em uma aldeia, raramente qualquer parte desde que esteja enraizado num lugar simulta-
viajando mais de 20 km de distância dali. Apesar de viagens mais neamente especial, familiar e significativo, levando em conta a
longas serem possíveis, eram caras e difíceis, por isso sua expe- diferenciação e a integridade do ser no mundo. O lar, e na ver-
riência de lugar foi, em grande parte, consequência das condições dade todo lugar, não é delimitado por limites precisamente de-
econômicas e tecnológicas da época. Em contrapartida, viaiar finidos, mas, no sentido de ser o foco de intensas experiências, é
hoje é relativamente barato e fácil; tenho vivido em várias cida-
ao mesmo tempo sem limites. Lugar é onde conflui a experiên-
des em três continentes diferentes e em poucos dias posso visitar cia cotidiana, e também como essa experiência se abre para o
lugares do outro lado do mundo. Tudo indica que o sentido de mundo. O ser C sempre articulado por meio de lugares específi- ,.
lugar deles era estreitamento limitado e profundamente enrai- cós, ainda que tenha sempre que se estender para além deles para '
zado. O meu é afetado por minha mobilidade e meios incomuns compreender o que significa existir no mundo. Essa interpretação
e cosmopolitas deste começo de século xxi. Essas mudanças em é, penso eu, não somente a mais importante contribuição recente

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REFLEXÕES SOBRE A EMERGÊNCIA, ASPECTOS E ESSÊNCIA DE LUGAR
30 QUAL O ESPAÇO DO LUGAR? 31

para os debates sobre lugar, mas também uma pers-p_ectiva de a partir do meu prÓprio exemplo: estou em um café numa rua
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""Unõfme significado ético e prático. de Seattle, longe de minha casa em Toronto, bebendo um café
-""sé"r""é 'üiii" fenômeno óbvio e evasivo, e Heidegger utilizou de El Salvador feito em uma máquina italiana, escrevendo um
.
muitas metáforas" pàPa tentar explicar sua compreeiisão do"séiZ ' artigo para ser publicado no Brasil e ocasionalmente lendo e-
A metáfora que ressoa de forma mais forte com lugar e geografla. -malis de amigos de cidades distantes. Minha experiência de
é o "habitarZ Estar na terra significa morar, relacionar-se com lugar é ao mesmo tempo intensamente local e sem limites por
lugar por meio da existência, estar ciente da própria morta- meio das tecnologias modernas. É difícil sustentar que isso só
lidade, falar com os outros, encontrar com as coisas não hu- '""diminui ao invés de aumentar minha experiência de lugar. No
manas, ter experiências de lugar que são transcendentais e entanto, reconheço que as tecnologias modernas têm a capa-
inexplicáveis. Não há.teSp_Qsta.al?arente à pergunta por que., - . cidade de prejudicar e explorar o lugar..É importante manter
nós e outras coisas existem, nem há resposta à pergunta do por uma atitude crítica e reflexiva frente às"í'"ír"iasi formas que a
que estamos cientes de nossa existência e temos a linguagem , experiência de lugar podem ser ameaçadas por pensamentos
para comunicar essa consciência. Heidegger sugere que junto __ reducionistas ou distorcida por processos que tratam o mundo
à consciência da existência vem a hsponsabilidade do cuidaçlg., : e seus lugares como recursos disponíveis para exploração. Lu-
do ser, uma responsabilidade que está associada ao habitar em gar é uma reunião e uma abertura do ser com potencial para
lugares. Essa é uma ideia difícil. Entendo que significa uma,.," , a continuidade, mas é constantemente desafiado pelas tecno-
forma de se relacionar com lugar que é sensível, que não impõe " logias e formas de pensamento que desejam diminuí-lo. A ex-
nossa vontade ou algum projeto abstrato, mas permite que as periência de lugar precisa estar continuamente lutando para
"coisas sejam elas mesmas, trabalhando com o que já existe e, ' "~. ser renovada e reforçada. Como o caráter dos desafios e das
atento à forma como lugar, estar aberto para o mundo. "" ' tecnologias muda, as formas de pensar lugar e habitar também
Há um aspecto romântico no pensamento de Heidegger precisam mudar.
que frequentemente se volta para exemplos tradicionais e clás- Lugar não é meramente aquilo,.que possui raízes, conhecer
sicos, como os templos gregos e a cabana de um camponês. e ser conhecidp no bairro; não é apenas a distinçã'o e aprecia
Talvez por isso ele tenha argumentado que a tecnologia mo- ção de fragmentos de geografia. O núcleo do significado de
derna e o pensamento calculador nos distanciam do habitar e , lygar se estende, pensO eu, em suas ligações inextricáveis com
do ser. Nisso, penso que ele estava apenas parcialmente correto. o ser, com a nossa própria existência. Lugar é um microcosmo.
A sem-lugaridade dos ambientes dos aeroportos internacionais É"onàe cada um de nós se relaciona com o mundQ e onde o
e da exploração manipuladora da identidade dos lugares por mundo se relaciona conosco. O_que acontece aqui, neste lugar,
, é parte de um processo em que o mundo inteiro eStá de alguma
corporações multinacionais parecem apoiar seu argumento.
Mas o estritamente delimitado, enraizado na experiência geo- : forma imYlicado. Isso é muito existencial e ontológico. Mas é
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gráfica, associado com cabanas camponesas, facilmente leva a também econômico e social, pois em toda parte estamos presos
atitudes de exclusão e a um senso contaminado de lugar (ao em maior ou menor grau nas forças neoliberais e da globaliza-
que o próprio Heidegger sucumbiu quando se associou ao na- ção. É o caso das comunicações eletrônicas que não conhecem
zismo). Acredito que viagem e experiência eclética foram possí- fronteiras. É o caso também do meio ambiente, pois é evidente
veis com as modernas formas de comunicação.e podem ajudar que tudo contribui e é afetado pela muãança climática. Então, . Ú '
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a superar a excludente estreiteza, ao invés de nos distanciar por algum estranho e improvável desvio, parece que ideias p"ro ' ff""
,
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do habitar, o qual promove uma valorização da diferença e da venientes de interpretações fenomenológicas de lugar e do ser
abertura do lugar. O geÓgrafo Paul Adams tem. escrito sobre o podem ter valor pragmático a fim de encontrar caminhos para
que denominou de "o eu sem limités'; que podemos entender lidar com os enormes temas global/local que surgiram no início
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32 QUAL O ESPAÇO DO LUGAR? '
O Triunfo do Lugar ,; " I'Ç r i
do século xxi Se geógrafos estão desempenhando um papel !
crucial nessa tarefa, será necessário que mantenham um en- :
Sobre o Espaço l
tendimento ponderado e crítico, um entendimento que admita ,' João Baptista Ferreira de Mello
fraquezas e susceptibilidade à exploração, ao mesmo tempo qu£,
promova a força e as possibilidades de lugar. l
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seamon, David; mugerauer, Robert. Dwelling, Placê and Environment: To- í--
Aqui é o meu lugar. Mas desconheço o que existe do outro
wards a Phenomenology ofPerson and World. New York: Colúmbia Uni- l
lado da montanha. Arno o meu bairro e a minha cidade. Todavia,
versity Press, I989.
tuan, Yi-Fu. Space and Placê. Minneapolis: University of Minnesota Press, não os conheço inteiramente. Estimo lugares onde nunca estive
'977.
,
' pessoalmente, porém a mim transmitidos por amigos, parentes ou
. Topophilia: A Study ofEnvironmental Perceptions, Attitudes and Values. !. pelos meios de comunicação tradicionais ou pela parafernália emi-
Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1974. i tida pela computação. Ao lado disso, a pátria amada e até mesmo o
planeta Terra - nestes tempos de consciência ecolÓgica - adquirem
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simbolicamente o status de lares ou lugares'. Ambivalentemente
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i 1 J. B. E de Mello, Explosões e Estilhaços de Centralidades no Rio de Janeiro,



Espaço e Cultura, n. l, p. 23-44.
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