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TRIBUNAL DO JÚRI – AURY LOPES JR.

Art. 5º, XXXVIII:


Plenitude de defesa;
Sigilo das votações;
Soberania dos veredictos;
Competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida.
Arts. 406 a 497, CPP, alterada pela lei n. 11689/2008.
Competência: art. 74, CPP.
§1º: compete ao tribunal do júri o julgamento dos crimes previstos nos arts. 121, §§ 1º
e 2º, 122, paragrafo único, 123, 124, 125, 126 e 127 do Código Penal, consumados ou
tentados.
§3º: se o juiz da pronúncia desclassificar a infração para outra atribuída à competência
de juiz singular, observar-se-á o disposto no art. 410; mas, se a desclassificação for
feita pelo próprio Tribunal do Júri, a seu presidente caberá proferir a sentença (art.
492, § 2º).
Competência do júri é definida de forma taxativa, sem admitir analogias ou
interpretação extensiva. Assim, não são julgados aqui latrocínio, extorsão mediante
sequestro e estupro com resultado morte e demais crimes em que haja o resultado
morte, mas que não são crimes contra a vida. Pode julgar, ou qualquer outra, desde
que seja conexo com um crime doloso contra a vida.
Morfologia do procedimento:
Denúncia / queixa / subsidiária – defesa escrita em 10 dias – vista ao MP – audiência
de oitiva do ofendido, testemunhas, peritos, acareações, interrogatórios, debate oral –
decisão, pronúncia, impronúncia, absolvição sumária ou desclassificação – arrolar
testemunhas – plenário.

O procedimento do júri é bifásico: instrução preliminar + julgamento em plenário.


Instrução preliminar: recebimento da denúncia (nasce o processo) até a decisão de
pronúncia (irrecorrível).
Julgamento em plenário: da confirmação da pronúncia até a decisão proferida no
julgamento realizado no plenário do Tribunal do Júri.
Decisão de pronúncia, impronúncia, absolvição sumária ou desclassificação é feita pelo
juiz presidente do júri – juiz de direito titular daquela vara. Nesse momento o juiz,
após a coleta de provas, decide se encaminha o caso para julgamento do Tribunal do
Júri (7 jurados).
Então o processo pode acabar na primeira fase, dependendo da decisão do juiz. A
segunda fase só começa se a decisão do juiz for de pronúncia.
Primeira fase: atos da instrução preliminar:
Após o inquérito policial, o MP poderá oferecer a denúncia no prazo de 5 dias, se for
preso, ou 15 dias se não – art. 46, CPP. Depois desse prazo, se não oferecer, a vítima
pode representar subsidiariamente – art. 29, CPP.
Depois, o juiz pode receber ou rejeitar – art. 395, CPP. Se receber, cita o acusado para
oferecer defesa escrita em 10 dias, arrolando testemunhas (8 por réu), arguir as
preliminares, juntar documentos e postular provas. E exceções de incompetência,
suspeição e demais dos arts. 95 a 112. Se não tiver essa defesa, o juiz vai nomear
defensor dativo.
Aí é dada vista para o MP se manifestar. Possibilidade de réplica. Crítica (Direito de a
defesa sempre falar após a acusação) – violação do art. 5º, LV, CF.
Duas opções:
i. O juiz, apresentada a resposta da defesa, designa audiência de instrução.
ii. Juiz intima o MP, para se manifestar só sobre licitude ou não dos docs.
Juntados. Se não vai para outro momento.
Aí o juiz apraza audiência de instrução, para oitiva das testemunhas e outras provas.
Reforma da lei 11689/08. Mais celeridade. Mas não deu, muito utilitarismo processual,
sacrificando direitos e garantias. Art. 411. Os destinatários finais da prova são os
jurados não o juiz. Art. 412: máximo de 90 dias. Prazo incompatível com a tramitação
média desse tipo de processo. E não tem sanção processual.
Audiência de instrução: ouvida a vítima, testemunhas, primeiro da acusação, depois da
defesa. Depois os peritos.
Momento de postular a oitiva dos peritos: as testemunhas devem ser arroladas na
denúncia / queixa e na defesa escrita. Art. 411, §1º: os esclarecimentos dos peritos
dependem de requerimento. Em que momento? Art. 159, §5º: assim a oitiva dos
peritos deve ser requerida com antecedência mínima de 10 dias da audiência de
instrução e julgamento. Também podem ser apresentados os quesitos ou questões a
serem esclarecidos pelos peritos.
Depois, acareações: arts. 229 e 230, CPP.
Encerrando, há o interrogatório do réu.
Art. 384: MP pode aditar a denúncia se houver prova de fato novo. Em prazo de 5 dias.
O MP e a defesa podem arrolar até 3 testemunhas.
Se não houver, a instrução é encerrada, passando para debates orais, com 20 min.
Para cada parte, prorrogáveis por mais 10. Pode ser substituído por memoriais. A
decisão será proferida pelo juiz nessa audiência ou em até 10 dias – art. 411, §9º, CPP.

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