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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS

RELATÓRIO PARCIAL DO ALUNO E PARECER DO


ORIENTADOR
INICIAÇÃO CIENTÍFICA-2017/2018

Orientando: Gabryel Henrique Pires


NUSP: 9852056

Orientadora: Ana Lúcia de Paula Müller

Projeto: O tempo presente no português


brasileiro e na língua latina
Índice

Identificação 1

Introdução 1

Metodologia 2

Resultados 2

Análises

Referências
1- Identificação

1.1 Identificação do projeto

Título do projeto: O tempo presente no português brasileiro e na língua latina

Vigência: setembro de 2017 a julho de 2018

Orientadora: Dra. Ana Lúcia de Paula Müller

Departamento de Linguística da FFLCH, USP

1.2 Identificação do orientando

Nome: Gabryel Henrique Pires, graduando em Letras – Português, com ênfase


em Latim, FFLCH, USP

NUSP: 9852056

2- Introdução

No começo do mês de setembro do ano de 2017 teve início oficialmente as


atividades referentes ao projeto: O tempo presente no português brasileiro e na
língua latina. Juntamente da Dra. Ana Müller, se organizou um cronograma de
estudos para a primeira etapa, a base teórica necessária para a melhor organização
e análise de dados.
A partir disso, estipulou-se encontros a cada semana, discutindo e estudando
os textos propostos, formado um pequeno grupo de estudos. O projeto em questão
tem como intuito a percepção das possíveis heranças deixadas pelo latim em nosso
português brasileiro, e para esse fim, uma sólida base de textos já publicados na área
de linguística, brasileiros como também estrangeiros, foram estudados e discutidos,
nesse primeiro momento de projeto. Também houve a participação nos encontros do
Grupo de Estudos de Semântica Formal da USP, organizado pelo Dr. Marcelo Barra
Ferreira.

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3- Metodologia

O projeto consiste em pesquisas bibliográficas, estudo de trabalhos de


importância e a análise teórica com os dados arrolados.
Nesse primeiro estágio da pesquisa, houve a preocupação em entender a
fundo a bibliografia existente, os preceitos e conceitos formais, para então se ter mais
propriedade com a manipulação dos dados levantados que, envolvem textos em
língua latina e portuguesa. Confrontaremos a partir desse semestre, os dados escritos
em português e em latim, com sua devida tradução, como base de análise da
estruturação do tempo presente, utilizando a semântica formal como guia para nossas
observações e discussões.

4- Resultados

Após várias rodadas de discussão e leituras, pode-se garantir um nível de


entendimento consistente acerca do assunto, e abaixo estão arrolados os textos ou
livros trabalhados nesse período juntamente dos comentários pertinentes.

Tense and Aspect: A Survey.


Rodolfo Ilari, Maria Fátima Oliveira, And Renato Miguel Basso.

Esse capítulo fora retirado do livro: The handbook of portuguese lingusitics,


ainda sem tradução para o português. Os três autores, de já renomada atuação na
área, expõem no texto um panorama bem completo em relação ao tempo e aspecto,
assunto chave da pesquisa, por esse motivo não se poderia deixar de estudá-lo à
exaustão, e o que resultou em uma percepção mais apurada, mesmo que o português
de Portugal também tenha sido utilizado para base de análise, a discussão não deixou
de ser frutífera, como ressalta-se no trecho a seguir, em tradução nossa:

“ O tempo e o aspecto entraram na agenda dos gramáticos


portugueses em diferentes momentos: enquanto o tempo já era
um tópico das primeiras gramáticas portuguesas (e seus

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modelos latinos), o aspecto teve que esperar até o final dos
anos sessenta do século XX para ser reconhecido como uma
pesquisa independente área em linguística portuguesa...”
(ILARI et al, 2016. Página 404)

A principal informação reiterada pelo excerto acima é a importância dos estudos


sobre aspecto, que outrora não haviam sido considerados, mas que a menos de
sessenta anos vêm sendo abordados por estudiosos da língua portuguesa. A
necessidade de tomar intimidade com os materiais já existentes nesse tópico é salutar
para a pesquisa científica, enriquecendo e embasando a proposta do projeto.

From Latin to Portuguese: Main Phonological Changes

Eric Holt

Esse texto, também retirado do: The handbook of portuguese linguistics, teve
um propósito diferenciado em relação à semântica formal que coteja o projeto, o papel
das informações contidas fora então, o de estabelecer um contato com outra questão
importante entre o latim e o português: suas características fonológicas. A percepção
de uma sentença se dá por meio da linearidade de seus participantes, os adjuntos, o
verbo, os argumentos que preenchem ao verbo, e após isso, o tempo e aspecto, que
embora sejam, em alguns casos, coincidentes, por vezes podem trabalhar de forma
diferenciada, significando muito mais do que o tempo verbal prediz. Por esse motivo,
o entendimento de como houve as transformações fonológicas entre o latim e o
vernáculo português fora de importância em um âmbito geral. Tal como as sentenças
se formam com a aglutinação de “peças de lego” seguindo regras mais ou menos
fixas, tanto como, o próprio vocábulo se transforma procedendo em forma análoga.
Como demonstra o trecho abaixo, tradução nossa, os meandros que percorrem as
línguas românicas, com suas raízes em verbos latinos:

“ Uma segunda questão da morfo-fonologia é a evolução do


sistema verbal das línguas românicas, onde emergem novas
construções para expressar o tempo futuro e o modo
condicional. Estes são baseados no uso da forma infinitiva de
um verbo junto com uma forma de tempo presente de habere
auxiliar "para ter" (eventual futuro) ou um aspecto imperfeito de
ire "para ir" (eventual condicional), de modo que comer + he (to
eat I have") > comerei ("I have to eat", com sentido semântico
da obrigação, mas retenção de futuro implícito para "I will eat");
similarmente para comer + ia ("to eat I was going"> comeria ("I
was going to eat", ainda usado como um futuro do passado na
sequência dos tempos, bem como com o deslocamento

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semântico para o significado condicional, “I would eat”). (HOLT,
2016. Páginas 465-66)

Introdução ao estudo do aspecto verbal na Língua Portuguesa

Ataliba Castilho

O texto acima fora lido integralmente, e se mostra uma forte referência no


estudo sobre aspecto verbal em português, mesmo sendo datado do final da década
de sessenta do século XX, onde teve início as primeiras grandes pesquisas sobre a
tópica no Brasil e no mundo. O autor é nome reconhecido por seus amplos estudos
na língua portuguesa e que, na referida obra, discorre a respeito das manifestações
linguísticas e aspectuais dentro do sistema da língua portuguesa, juntamente com
algumas reflexões sobre as influências latinas.

O Verbo

Rodolfo Ilari & Renato Basso

Para solidificar as informações teóricas em respeito à língua portuguesa,


buscou-se um material de estudo que trouxesse exemplos e uma dinamicidade
didática para a assimilação dos conceitos já apreendidos. O capítulo escolhido
pertence a uma obra maior: Gramática do Português culto falado no Brasil: vol. III:
Palavras de classe aberta, e abrange grandes questões, como classes acionais,
adjuntos, complementos, etc. Traz também uma linha de raciocínio e estruturação de
análise de dados, exemplificados em sua maioria com trechos do NURC,
demonstrando os possíveis enquadramentos que cada constituinte de uma sentença
possui, e averiguando como a noção de aspecto se correlaciona com diversos
periféricos sentenciais, e não exclusivamente ao verbo.

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Sobre a noção de aspecto

Teresa Cristina Wachowicz & Maria José Foltran

A pesquisa em questões bibliográficas fora extensa e não se manteve em


apenas alguns títulos, de modo a se ter o máximo de visões possíveis e então poder-
se averiguar com maior tato o objeto de estudo: o tempo presente na língua
portuguesa e no latim. Assim, foi a pauta de estudo em encontro com a orientadora
Ana Müller, onde se discutiu as várias classificações que as autoras propõem à título
de entendimento sobre como se organizam as noções de aspecto na língua
portuguesa, baseadas em conceitos Vlenderianos.

Aspecto verbal: Do latim ao português e sua atual produtividade

Renato Basso

Esse texto curto, porém, longo em conteúdo, auxiliou na compreensão dos


sentidos morfológicos que acompanhavam o aspecto na língua latina, e como
passaram sutilmente a exercer contornos cada vez mais expressivos em relação aos
tempos verbais. A anterior simultaneidade entre aspecto e tempo fora sendo dividida
entre, como temos hoje em dia também, um pretérito do passado, significando um
aspecto diferenciado por vezes do pretérito simples.