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UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO

CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE TANGARÁ DA SERRA


DEPARTAMENTO DE AGRONOMIA

CRISTIANO SANTOS

POTENCIAL DE REDUÇÃO DE DERIVA COM O USO DE ADJUVANTES NA


PULVERIZAÇÃO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS

Tangará da Serra, MT.


2011
CRISTIANO SANTOS

POTENCIAL DE REDUÇÃO DE DERIVA COM O USO DE ADJUVANTES NA


PULVERIZAÇÃO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS

Monografia apresentada como requisito


obrigatório para obtenção do título de
Engenheiro Agrônomo à Universidade
do Estado de Mato Grosso – Campus
Tangará da Serra.

Orientador: Prof. M.Sc. Rafael Cesar Tieppo

Tangará da Serra, MT.

2011
Dados Internacionais de Catalogação na Fonte

S231p Santos, Cristiano.


Potencial de Redução de Deriva com o uso de Adjuvantes na
Pulverização de Produtos Agrícolas. – Tangará da Serra - MT / Cristiano
Santos. 2011.
21 f.

Orientador (a): Rafael Cesar Tieppo.


Universidade do Estado de Mato Grosso. Departamento de Engenharia.
Curso de Agronomia, 2011.

1. Túnel de Vento. 2. Surfactante. 3. Agroquímico. I. Título.

CDU 62(817.2)

Bibliotecária: Suzette Matos Bolito – CRB1/1945.


CRISTIANO SANTOS

POTENCIAL DE REDUÇÃO DE DERIVA COM O USO DE ADJUVANTES NA


PULVERIZAÇÃO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS

Esta monografia foi julgada e


aprovada como requisito para a
obtenção do Diploma de Engenheiro
Agrônomo no Curso de Agronomia da
Universidade do Estado de Mato
Grosso (UNEMAT).

Tangará da Serra, _____ de _______________________ 2011

BANCA EXAMINADORA

_________________________________
Prof. M.Sc. Rafael Cesar Tieppo
Departamento Agronomia – UNEMAT
(Orientador)

__________________________________
Prof. D.Sc. Miriam Hiroko Inoue
Departamento Agronomia – UNEMAT

__________________________________
Prof. D.Sc. Rivanildo Dallacort
Departamento Agronomia – UNEMAT
ÍNDICE

Páginas

1. RESUMO........................................................................................... 04
2. ABSTRACT....................................................................................... 04
3. INTRODUÇÃO................................................................................. 05
4. MATERIAL E MÉTODOS............................................................ 07
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO...................................................... 10
6. CONCLUSÕES................................................................................. 17
7. AGRADECIMENTOS..................................................................... 17
8. LITERATURA CITADA................................................................. 17
4

Potencial de redução de deriva com o uso de adjuvantes na pulverização de


produtos agrícolas

Cristiano Santos1 Rafael Cesar Tieppo2

[Preparado de acordo com as normas da Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental]


1
Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade do Estado de Mato Grosso, Tangará da Serra, Mato Grosso,
Brasil. docris@gmail.com; 2 Professor M.Sc., Departamento de Agronomia, Universidade do Estado de Mato Grosso,
Tangará da Serra, Mato Grosso, Brasil.

Resumo: O objetivo deste trabalho foi verificar a influência da adição de adjuvantes à


calda de pulverização no potencial de deriva das gotas pulverizadas com simulador de
aplicação de produtos agrícolas. O experimento foi composto por 5 adjuvantes mais a
testemunha, com 3 repetições. A aplicação foi realizada em túnel de vento de secção
quadrada de 2 m e 20 m de comprimento, utilizando pontas de pulverização AXI
110015. A deriva foi coletada a 5, 10 e 15 m distantes da barra de pulverização, nas
alturas de 0,2, 0,4, 0,6, 0,8 e 1,0 metros em relação ao piso do túnel. A composição da
calda influenciou o potencial de deriva das pulverizações. As caldas com presença de
adjuvante proporcionaram menores médias de potencial de deriva comparadas à
testemunha. O adjuvante etoxilado (In-Tec) proporcionou as menores médias de
potencial de deriva comparado aos demais tratamentos.

Palavras-chave: túnel de vento, surfactante, deposição, agroquímico

Spray drift reduction potential with adjuvants in agricultural applications

Abstract: The aim of this work was to verify the influence of adjuvants added to the
spray solution in the drift potential of the droplets sprayed in agricultural applications
with a agricultural products application simulator. The experiment was composed with
five adjuvants and a control treatment, with three repetitions. The application was
conducted in a wind tunnel of square cross section of 2 m and 20 m length, using AXI
110015 nozzles. Drift was collected at 5, 10 and 15 m distant from the spray bar, in the
heights of 0.2, 0.4, 0.6, 0.8 and 1.0 m from the tunnel floor. The spray solution
composition had influence on spray drift potential. The spray solutions with presence of
adjuvant showed lower average drift potential compared to control. The adjuvant
ethoxylated (In-Tec) showed the lowest average drift potential compared to the others
treatments.

Key words: wind tunnel, surfactant, deposition, agrochemical


5

INTRODUÇÃO

A agricultura moderna exige estudos específicos sobre a eficiência de

ferramentas que otimizem os sistemas de produção agrícola. Essa exigência é

consequência da necessidade de aumento na produção e produtividade agrícola, do

aumento do nível tecnológico aplicado aos cultivos e de melhorias no manejo dos

insumos utilizados, aliados à busca da sustentabilidade e preservação dos recursos

naturais.

No que se refere à aplicação de agroquímicos, a eficiência está na ação do

produto sobre um determinado organismo e qualquer quantidade do produto químico ou

agente utilizado que não atinja o alvo não terá qualquer eficácia e estará representando

uma forma de perda (Matuo, 2006).

O aumento no custo de produtos fitossanitários e da mão-de-obra, a energia

despendida e a crescente preocupação em relação à poluição ambiental promovem a

necessidade de novas tecnologias para avaliação e deposição do produto químico no

alvo (Matuo, 1998; Bauer et al., 2008).

A utilização e recomendação agronômica de adjuvantes têm crescido, visando

melhorar a eficiência e desempenho de agrotóxicos, diminuindo impactos ambientais e

aos operadores (Oliveira, 2011), proporcionando vantagens na redução da tensão

superficial da calda, espalhamento, absorção foliar e perda por deriva (Rodrigues, 2003;

Lallana, 2006).

No caso de herbicidas, a aplicação com adjuvantes controladores de pH permite

até mesmo reduzir a dose do herbicida, sem perda na eficácia do controle de plantas

daninhas, limitando ainda os riscos para o ambiente agrícola (Kucharski & Sadowski,

2006; Inoue et al., 2007).

A perda por deriva, grande problema enfrentado em pulverização aérea, pode

chegar a 50% do produto aplicado (Pessoa & Chaim, 1999), e além do impacto
6

econômico pode causar danos ambientais e à saúde humana, aspectos importantes que

estão sendo observados nos processos para registro de pesticidas (Stainier, 2006).

A deriva é fortemente influenciada pelo tamanho de gotas formadas, pelas

condições climáticas e, principalmente, pela velocidade do vento no momento da

aplicação (Iost, 2008).

Diferentes técnicas têm sido usadas para o estudo de deriva, porém,

experimentos de campo, embora englobem aspectos como turbulência do ar e condições

climáticas, são morosos, caros e complexos pelos muitos parâmetros envolvidos,

havendo a necessidade de medição direta (Stainier, 2006).

O uso de túneis de vento tem sido uma opção que possibilita quantificar o

potencial de deriva em condições controladas de variáveis envolvidas no processo

(Moreira Junior, 2009) que tornam difícil a interpretação dos resultados, principalmente

as condições climáticas, quais foram a principal razão do desenvolvimento de túneis de

vento para medição direta da deriva (Guler et al., 2007)

Independente do tipo de teste, ainda não se pode afirmar o quanto adjuvantes

agem sobre cada característica da calda, o quanto minimizam a ação de fatores externos

(Iost, 2008), ou a sua interferência na eficiência do produto ativo e fitossanidade das

plantas aplicadas.

Tal fato justifica-se devido às poucas informações disponíveis nos rótulos de

alguns produtos. Além disso, a classificação do Ministério da Agricultura, Pecuária e

Abastecimento (MAPA) para registro dos adjuvantes não contempla as reais funções

destes produtos, permitindo o emprego errôneo de informações de rótulo, bula ou do

próprio posicionamento dos produtos por parte dos fabricantes (Oliveira, 2011).

Esta situação é agravada pela falta de informação e métodos experimentais que

permitam conhecer suas propriedades e recomendar com segurança o tipo de adjuvante

e sua concentração (Montório, 2001).


7

No entanto, estudos sobre os grupos químicos, doses, propriedade surfactante

(Iost, 2008), produtividade (Maciel et al., 2005), temperatura, características físico-

químicas da calda (Cunha et al., 2010), deriva em aplicações aéreas (Ozkan, 2000), têm

verificado diversos fatores relacionados à calda, à qualidade e ambiente de aplicação e à

eficiência dos produtos, que podem estar correlacionados ou serem dependentes na

aplicação de agroquímicos.

O uso de adjuvantes é prática recomendável em muitas situações, pelo fato de

estes promoverem alterações na calda de pulverização. Estas alterações possibilitam

minimizar os efeitos do ambiente que podem comprometer a eficiência de um

tratamento fitossanitário (Carbonari et al., 2005).

Assim, o objetivo deste trabalho foi verificar a influência da adição de

adjuvantes à calda de pulverização no potencial de deriva das gotas pulverizadas e

comparar os resultados dos diferentes adjuvantes de acordo com suas funções

específicas, utilizando-se de metodologia de aplicação agrícola em condições

controladas, por meio de simulação da aplicação em túnel de vento.

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi realizado no Núcleo de Investigação em Tecnologia de Aplicação

de Agroquímicos e Máquinas Agrícolas – NITEC, da Universidade Estadual do Norte

do Paraná – UENP, Campus Luiz Meneghel, Bandeirantes, PR (latitude 23,1° S,

longitude 54,4° W e altitude de 440 m).

O experimento foi realizado em túnel de vento de secção transversal quadrada de

2,0 m, com 20 metros de comprimento e ventilação forçada por um ventilador axial de

dupla hélice de 0,90 m de diâmetro, acionado pela tomada de potência (TDP) de um


8

trator de 65 kW de potência, ajustada para a velocidade do vento de 2 m s-1, aferidas por

anemômetro no centro da secção quadrada do túnel, em cada posição de coleta.

As pulverizações foram realizadas por um circuito hidráulico instalado no terço

inicial do túnel constituído de uma bomba de pistão movida por um motor elétrico de

3,0 kW, com controlador de pressão mecânico, utilizando uma barra estática de 1,0 m

de comprimento com três pontas de pulverização espaçadas a cada 0,5 m, a 0,5 m do

piso do túnel e a 2,0 m após as lâminas defletoras do difusor do ventilador.

Foram utilizadas pontas de pulverização do tipo jato plano padrão modelo AXI

110015, pressão de trabalho de 276 kPa (40 psi), produzindo gotas finas de 150 10-6 a

250 10-6 m (150 a 250 µm) e vazão de 0,01 L s-1. O pH das caldas variou entre 6,7 e 7,3,

exceto o tratamento 5 (U-10) que proporcionou pH de 3,0, a temperatura variou entre

19,3 e 19,6 ºC, e a umidade relativa do ar entre 83 e 89%.

Os adjuvantes escolhidos foram de diferentes funções e grupos químicos,

caracterizados conforme a Tabela 1.

Tabela 1. Descrição dos adjuvantes utilizados no experimento, conforme informações das


bulas e rótulos dos produtos.
Nome Comercial / Composição FunçõesAdjuvantes/ Grupo Químico Formulação Concentração
Fabricante1 Principal Tensoativas Recomendada
Principais
Água
(Testemunha)

Virlon / Polímero Natural Antideriva Organosiliconado Pó Soluvel 0,5 Kg 1000 L-1


Poland Química (Não Informado) Espalhante adesivo (SP)

Ipon / (Não Informado) Espalhante adesivo Não iônico Concentrado 0,5 L 1000 L-1
Poland Química (Não Informado) Solúvel (SL)

Intec / Nonilfenol etoxilado Antideriva Etoxilado Concentrado 0,3 L 1000 L-1


Inquima Espalhante adesivo Solúvel (SL)

U-10 / Lauril éter Espalhante adesivo (Não Informado) Concentrado 0,5 L 1000 L-1
Inquima sulfato sódico Redutor de pH Solúvel (SL)

Agro'Óleo / Éster de ácidos Espalhante adesivo Óleo vegetal Concentrado 10 L 1000 L-1
Gota graxos Antievaporante emulsionável Emulsionável (EC)

1
A citação de nomes comerciais não indicam a recomendação ou anuência do autor
9

A calda pulverizada foi constituída de uma solução de água com adjuvante na

concentração recomendada pelo fabricante e mais o traçador NaCl, na concentração de

10% v v-1. Para avaliação das perdas e depósitos volumétricos da calda, utilizou-se o

método baseado na determinação da condutividade elétrica da calda pulverizada,

segundo metodologia descrita por Abi-Saab (1996).

As coletas das deposições foram realizadas com coletores horizontais

constituídos por fios de polietileno de 0,002 m de diâmetro, com 0,6 metros de

comprimento, fixados em 3 suportes de metal distantes 5, 10 e 15 m da barra de

pulverização, cada um com 5 fios nas alturas de 0,20, 0,40, 0,60, 0,80 e 1,00 m a partir

do piso do túnel. O tempo de cada pulverização foi de 120 s com retirada dos coletores

após mais 20 s.

Em seguida os coletores foram colocados em um tubo de PVC de 0,50 m de

comprimento com 0,05 L de água deionizada para lavagem, a qual posteriormente foi

utilizada para as leituras da condutividade elétrica com um condutivímetro digital com

precisão de 1,0 µS e escala máxima de 1999 µS. Foram realizadas também avaliações

de condutividade elétrica em dez tubos com dez fios sem uso, para correção da

condutividade presente no próprio alvo, assegurando com isso, a real leitura das

amostras.

Os valores obtidos do volume de líquido deslocado pelo vento durante as

pulverizações foram analisados para verificação do efeito de deriva em cada calda

pulverizada.

O experimento foi constituído de 6 tratamentos, 5 com adição de adjuvantes à

calda e mais a testemunha. As pulverizações foram realizadas com três repetições, os

dados foram analisados por meio da estatística descritiva exploratória, e a comparação

entre os tratamentos realizada através do Intervalo de Confiança para Diferenças entre

as Médias a 95% de probabilidade.


10

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os valores percentuais de potencial de deriva encontrados para as diferentes

distâncias e alturas de coleta, mostraram que a adição dos adjuvantes influenciou na

redução do potencial de deriva (RPD), proporcionando valores menores em relação à

testemunha. Observaram-se ainda diferenças entre os adjuvantes testados, e tendência

de intervalo de confiança com amplitude maior para a testemunha (Tabela 2.).

Tabela 2. Resultado das coletas de deposição nas distâncias de 05, 10 e 15 m, e alturas


(Alt.) de 0,20, 0,40, 0,60, 0,80 e 1,00 m dos tratamentos avaliados, com os valores
máximo (Max.), mínimo (Mín.) e médio (Méd.) das porcentagens (10-5 %) encontradas
05 m de distância 10 m de distância 15 m de distância
Tratamento Alt. Max. Mín. Méd. Max. Mín. Méd. Max. Mín. Méd.
(m) (10-5 %) (10-5 %) (10-5 %) (10-5 %) (10-5 %) (10-5 %) (10-5 %) (10-5 %) (10-5 %)
Água 1,00 115,58 101,87 108,72 99,20 34,52 66,86 97,47 32,90 65,19
Virlon 1,00 112,07 102,01 107,04 87,34 79,75 83,55 98,96 81,56 90,26
Ipon 1,00 109,03 91,63 100,33 82,31 74,73 78,52 83,48 76,91 80,20
In-Tec 1,00 88,57 78,53 83,55 95,27 65,15 80,21 58,65 54,86 56,75
U-10 1,00 112,59 91,43 102,01 84,43 69,26 76,85 93,35 67,07 80,21
Agr'Óleo 1,00 91,92 81,88 86,90 91,91 71,84 81,88 111,75 75,51 93,63
Água 0,8 167,31 130,93 149,12 130,71 116,99 123,85 103,82 90,12 96,97
Virlon 0,8 143,85 120,68 132,27 101,99 91,94 96,97 95,57 68,20 81,88
Ipon 0,8 137,18 110,53 123,86 88,80 85,00 86,90 86,89 76,85 81,87
In-Tec 0,8 108,85 95,16 102,01 83,48 76,91 80,20 80,86 69,48 75,17
U-10 0,8 129,00 98,55 113,77 85,67 78,08 81,87 75,83 64,46 70,15
Agr'Óleo 0,8 106,69 83,90 95,30 81,74 68,60 75,17 100,11 67,02 83,57
Água 0,6 196,03 159,57 177,80 149,20 118,71 133,96 129,40 108,22 118,81
Virlon 0,6 167,63 147,44 157,53 117,11 107,05 112,08 125,33 105,56 115,45
Ipon 0,6 171,69 160,23 165,96 113,19 94,18 103,69 96,96 86,91 91,94
In-Tec 0,6 123,98 110,27 117,12 85,89 74,51 80,20 79,69 75,67 77,68
U-10 0,6 200,70 117,93 159,32 110,29 93,73 102,01 100,12 80,40 90,26
Agr'Óleo 0,6 173,05 125,22 149,13 100,46 86,77 93,61 103,82 90,12 96,97
Água 0,4 259,31 201,27 230,29 147,50 117,05 132,27 128,88 118,81 123,85
Virlon 0,4 191,74 184,09 187,92 132,24 112,10 122,17 130,45 103,81 117,13
Ipon 0,4 191,27 160,93 176,10 129,03 115,31 122,17 94,50 79,31 86,91
In-Tec 0,4 154,47 137,00 145,73 95,51 91,71 93,61 78,74 74,95 76,84
U-10 0,4 167,54 150,90 159,22 117,63 96,46 107,05 93,54 86,97 90,26
Agr'Óleo 0,4 162,58 152,48 157,53 107,15 83,44 95,30 103,67 93,62 98,65
Água 0,2 256,41 231,23 243,82 144,03 46,84 95,44 120,71 116,90 118,80
Virlon 0,2 189,60 179,50 184,50 124,07 120,26 122,17 123,58 93,89 108,73
Ipon 0,2 210,01 179,37 194,69 132,77 111,57 122,17 93,83 90,04 91,93
In-Tec 0,2 161,34 153,71 157,53 102,03 35,05 68,54 90,06 70,35 80,20
U-10 0,2 194,41 164,55 179,48 132,77 111,57 122,17 105,17 82,07 93,62
Agr'Óleo 0,2 188,03 164,17 176,10 118,61 95,49 107,05 103,49 80,39 91,94
11

Os resultados da coleta na distância de 05 m indicaram que todos os adjuvantes

foram melhores que a testemunha a 0,20 e 0,40 m de altura. O tratamento 4 (In-Tec)

proporcionou as menores médias de potencial de deriva, exceto para a altura de 0,80 m.

Para a altura de 0,20 m o tratamento 4 (In-Tec) proporcionou diferença comparado aos

demais tratamentos. Na altura de 0,40 m, este não proporcionou diferença em relação

aos tratamentos 5 (U-10) e 6 (Agro’Óleo), assim como para o tratamento 5 (U-10) na

altura de 0,60 m e para o tratamento 6 (Agro’Óleo) a 1,00 m. O tratamento 6

(Agro’Óleo) proporcionou a menor média de potencial de deriva a 0,80 m, não

diferindo dos tratamentos 4 (In-Tec) e 5 (U-10), conforme apresentado na Figura 1.

Figura 1. Médias de porcentagem de deriva em função da adição dos adjuvantes à calda


de pulverização, em diferentes alturas de coleta na distância de 05 m, com Intervalos de
Confiança a 95% de probabilidade.

Para a distância de 10 metros, todos os tratamentos tiveram médias maiores que

a testemunha nas alturas de 0,20 e 1,00 m, com exceção do tratamento 4 (In-Tec) a 0,20

m. Nestes casos, destaca-se que o intervalo de confiança dos tratamentos com água
12

proporcionou amplitude superior comparado às outras alturas. Entre os adjuvantes, o

tratamento 4 (In-Tec) proporcionou menores médias de potencial de deriva, exceto para

altura de 0,80 m. Este, não diferiu do tratamento 6 (Agro’Óleo) a 0,20 e 0,40 m, e

diferiu dos demais tratamentos a 0,60 m. O tratamento 6 (Agro’Óleo) proporcionou a

menor média de deriva a 0,80 m, não diferindo dos tratamentos 4 (In-Tec) e 5 (U-10).

Na altura de 1,00 m não houve diferença entre os tratamentos (Figura 2).

Figura 2. Médias de porcentagem de deriva em função da adição dos adjuvantes à calda


de pulverização, em diferentes alturas de coleta na distância de 10 m, com Intervalos de
Confiança a 95% de probabilidade.

Na distância de 15 metros, todos os tratamentos tiveram médias de potencial de

deriva menores que a testemunha, exceto na altura de 1,00 m, na qual apenas o

tratamento 4 (In-Tec) ficou com média mais baixa. Nesta altura, o intervalo de

confiança da testemunha também foi superior comparado aos outros tratamentos e

alturas. O tratamento 4 (In-Tec) proporcionou as menores médias de potencial de

deriva, exceto para a altura de 0,80 m. Este tratamento não diferiu dos tratamentos 5 (U-
13

10) e 6 (Agro’Óleo) a 0,20 m, mas proporcionou diferença para todos os demais nas

alturas de 0,40, 0,60 e 1,00 m. Na altura de 0,80 m, o tratamento 5 (U-10) proporcionou

a menor média, não diferindo dos tratamentos 2 (Virlon), 4 (In-Tec) e 6 (Agro’Óleo)

(Figura 3).

Figura 3. Médias de porcentagem de deriva em função da adição dos adjuvantes à calda


de pulverização, em diferentes alturas de coleta na distância de 15 m, com Intervalos de
Confiança a 95% de probabilidade.

Observou-se que houve similaridade entre os resultados das médias de potencial

de deriva nas diferentes distâncias avaliadas. No entanto, existem fatores intrínsecos que

podem influenciar o efeito e a diferenciação de adjuvantes na RPD, como tamanho de

gotas, o tipo de bico em combinação com a pressão aplicada (Spanoghe et al., 2007) e

propriedades físico-químicas do líquido pulverizado (Schampheleire et al., 2008), assim

como o valor de pH da calda (Inoue et al., 2007) e comportamento dos produtos e da

pulverização em relação à temperatura e umidade relativa do ar (Nuyttens et al., 2006).


14

A composição e definição específica das funções desses adjuvantes, quando não

conhecidas com precisão podem gerar erro na escolha do produto, pois o efeito dos

adjuvantes nas características físico-químicas das soluções aquosas pode ser dependente

de sua composição química e formulação, mesmo para produtos com mesma indicação

de uso (Cunha et al., 2010).

O adjuvante antideriva etoxilado (In-Tec) testado, proporcionou os melhores

resultados na RPD, porém, no que se refere à característica surfactante, Iost (2008)

observou que os surfactantes siliconados em solução aquosa, foram mais eficientes na

redução da tensão superficial e proporcionaram maior molhamento de superfícies.

No entanto, dentre quatro adjuvantes de diferentes composições testados, Xu et

al. (2010), constataram que o adjuvante composto com nonilfenol etoxilado

proporcionou maior performance de espalhamento.

Esta característica está associada à diminuição de deriva pela formação de gotas

mais grossas (Schampheleire et al., 2008). No entanto, não está definida a magnitude da

elevação da viscosidade necessária para o aumento do diâmetro das gotas (Cunha et al.,

2010). A baixa tensão superficial dinâmica pode também causar efeito, mascarando a

eficiência de polímeros (poliacrilamida) redutores de deriva (Schampheleire et al.,

2008).

O adjuvante composto de polímero natural (Virlon) proporcionou baixo

desempenho na RPD comparado ao etoxilado (In-Tec). Em comparação ao adjuvante

composto de lauril éter sulfato sódico (U-10) o polímero também proporcionou médias

de potencial de deriva superior.

Entretanto, Oliveira (2011), em experimento em túnel de vento, encontrou

menores resultados para um polímero natural (marca Define) comparado ao etoxilado

(In-Tec). Moreira Junior & Antuniassi (2010), também encontraram diferentes

resultados, em experimento em túnel de vento, verificarando que o uso do adjuvante a


15

base de polímero reduziu o risco de deriva quando comparado ao surfactante (lauril éter

sulfato sódico).

Variações nas concentrações de polímeros em diferentes testes podem interferir

nos resultados pelo aumento do diâmetro mediano volumétrico (DMV) (Spanoghe et al.,

2007), inclusive de forma inversa, aumentando o DMV em comparação a outros

adjuvantes (Oliveira, 2011).

Utilizando-se de equações clássicas da mecânica dos fluidos, Cunha (2008)

verificou que o risco de deriva nas aplicações, mostrou-se altamente relacionado com o

diâmetro das gotas. Isso pode ter prejudicado o tratamento 2 (Virlon), pois a promoção

de gotas com diâmetros de 100 10-6 (100 µm) ou menores, são consideradas gotas com

alto potencial de deriva (Antuniassi & Boller, 2011).

A redução do pH da calda é outro fator que pode ser influenciado por adjuvantes,

visando promover melhor absorção dos produtos fitossanitários pelas plantas e até

possibilitar a redução da dose de herbicidas (Inoue et al., 2007).

O pH das caldas com adjuvante utilizadas variou entre 6,7 e 7,3, exceto para o

tratamento 5 (U-10) que proporcionou pH de 3,0, produto este que tem como

característica descrita a redução de pH. Resultado semelhante foi encontrado por Inoue

et al. (2008) com adição de 0,44 L 1000 L-1 obtendo pH de 3,5.

Considerando deriva como perda de ingrediente ativo aplicado que não atinge o

alvo, o não devido controle do pH da calda pode influenciar negativamente na deriva

por questão da dose utilizada e a influência no desempenho fitossanitário, induzindo a

inativação ou degradação de alguns ingredientes ativos (Antuniassi, 2009).

Podem também interferir na deriva as condições ambientais de temperatura

(Cunha, 2008) e umidade relativa do ar, por questão de evaporação, principalmente de

gotas menores, temperaturas acima de 36 ºC e umidade relativa abaixo de 50% (Santos,

2005).
16

Estes fatores estavam favoráveis dentro do túnel no momento das pulverizações,

a temperatura variou entre 19,3 e 19,6 ºC, e a umidade relativa entre 83 e 89%. Segundo

recomendações (JACTO, 2001), vento inferior a 2,78 m s-1 (10 km h-1) temperatura

ambiente entre 7 e 30 °C e umidade relativa do ar superior a 50% são condições

climáticas favoráveis para a pulverização.

Nuyttens et al. (2006) constataram a partir de 27 aplicações simuladas de

agrotóxicos realizadas a campo, que o aumento da umidade relativa e a diminuição na

velocidade do vento e na temperatura resultaram na redução da deriva.

Cunha (2010) observou ainda influências da temperatura da calda nas

características físico-químicas de maneira diferenciada para cada adjuvante, o que

demonstra a complexidade do estudo dessa relação e a impossibilidade de fazer

generalizações.

Além das influências das características físico-químicas e ambientais específicas

em cada produto, para muitos adjuvantes existem diferenças entre o que está descrito na

especificação técnica (rótulo) ou no posicionamento dos fabricantes e as reais funções

observadas em ensaios (Oliveira, 2011).

Observou-se que alguns destes produtos têm suas composições químicas

constituídas de misturas de diferentes compostos, e os ingredientes são mantidos em

segredo pelos fabricantes, principalmente devido a questões de registro no Ministério da

Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), dificultando a sua caracterização.

Assim, para uma aplicação eficiente deve-se tomar cuidado na seleção de um

adjuvante para alterar a performance do sistema de pulverização. O primeiro fator a se

observar na redução de deriva e na eficiência de produtos deve ser sempre um sistema

apropriadamente ajustado e operado. Pois, a adição de adjuvantes pode alterar a

característica da deposição para mais ou para menos comparado a caldas sem adjuvantes

(Lan et al., 2008).


17

Com isso, mesmo conhecendo-se as propriedades dos adjuvantes, é preciso

verificar, especificamente, qual a real necessidade de uso destes para cada situação, qual

característica se deseja alterar e com que finalidade, antes da escolha entre um ou outro

produto.

CONCLUSÕES

1 - A adição de adjuvantes à calda de pulverização proporcionou efeito positivo

para redução do potencial de deriva em relação à calda sem adjuvante.

2 - O adjuvante etoxilado (In-Tec) promoveu a maior redução do potencial de

deriva em relação aos demais tratamentos.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos ao Departamento de Agronomia da Universidade do Estado de

Mato Grosso, Campus de Tangará da Serra (Unemat); ao Núcleo de Investigação em

Tecnologia de Aplicação de Agrotóxicos e Máquinas Agrícolas (NITEC) da

Universidade Estadual do Norte do Paraná, Campus Luiz Meneghel, Bandeirantes, PR;

e à empresa Rondon Aviação Agrícola de Tangará da Serra, MT.

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