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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

FACULDADE DE EDUCAÇÃO

Sofia Fernandez Macedo

A ARTE E A SENSIBILIDADE DA CRIANÇA

CAMPINAS
2008
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
FACULDADE DE EDUCAÇÃO

Sofia Fernandez Macedo

A ARTE E A SENSIBILIDADE DA CRIANÇA

"Memorial apresentado ao Curso de Pedagogia -


Programa Especial de Formação de Professores
em Exercício nos Municípios da Região
Metropolitana de Campinas, da Faculdade de
Educação da Universidade Estadual de Campinas,
como um dos pré-requisitos para conclusão da
Licenciatura em Pedagogia."

CAMPINAS
2008
© by Sofia Fernandez Macedo, 2008.

Ficha catalográfica elaborada pela biblioteca


da Faculdade de Educação/UNICAMP

Macedo, Sofia Fernandez.


M151a A arte e a sensibilidade da criança : memorial de formação / Sofia
Fernandez Macedo. -- Campinas, SP : [s.n.], 2008.

Trabalho de conclusão de curso (graduação) – Universidade Estadual


de Campinas, Faculdade de Educação, Programa Especial de Formação de
Professores em Exercício da Região Metropolitana de Campinas (PROESF).

1. Trabalho de conclusão de curso. 2. Memorial. 3. Experiência de vida.


4. Prática docente. 5. Formação de professores. I. Universidade Estadual de
Campinas. Faculdade de Educação. III. Título.

08-452-BFE
“Educador ensina o sensível olhar - pensante.
Olhar sensível, e que é, portanto, afetivo. Olhar
que pensa, reflete, interpreta, avalia”.
Mirian Celeste Martins
AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar agradeço a Deus por mais uma vez, poder confiar e acreditar
que podemos conquistar um sonho.
A meus amigos, minha família, que muitas vezes tive que deixá-los para poder
me dedicar exclusivamente ao curso, principalmente nos momentos finais, na
elaboração do tão temido MEMORIAL.
Mas graças a Deus e ao apoio que tive principalmente do meu melhor amigo e
companheiro Rogério e a compreensão dos meus amados filhos Rhiana e Rheniter, aqui
estamos prontos, eu e o memorial!
E a minha querida mãe, que mesmo não estando mais entre nós tenho a certeza
de que esta compartilhando comigo esta vitória na minha vida.
E não posso me esquecer da excelente pessoa e profissional na qual procuro me
espelhar, a minha primeira professora “Dona Terezinha”.
“Devemos ter a Arte como eixo norteador em
diferentes áreas da educação e não como única
disciplina (fechada) e sim ampliando
conhecimentos e maneiras de se trabalhar
pedagogicamente com as crianças”

Rosimary Santiago, Doutora em Políticas da


Educação
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO ............................................................................................ 01

1 INICIO DE UM SONHO.................................................................................... 03

2 INGRESSO AO MAGISTÉRIO ....................................................................... 06

3 DAS REFLEXÕES AS PRÀTICAS PEDAGÓGICAS ................................... 08

4 ARTES............................................................................................................... .13

5 LINGUAGEM MUSICAL..................................................................................16
5.1 A LINGUAGEM MUSICAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL.............................17
5.2 VIVENCIANDO OS REFLEXOS DA LINGUAGEM MUSICAL ................. 19

6 LINGUAGEM VISUAL ...................................................................................21


6.1 A CRIANÇA E SUAS CRIAÇÕES .................................................................. 23

7 AFETIVIDADE ..................................................................................................26

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..............................................................................27

9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................28
APRESENTAÇÃO

A princípio, a proposta do MEMORIAL, era um bicho de sete cabeças, para


mim, mas no decorrer do curso, mais exatamente quando vimos à disciplina de “artes”
que era ministrada pelo auxiliar pedagógico Perci, que no dia 23 de outubro de 2006,
em um seminário desta mesma disciplina, comecei a perceber que o “bicho de sete
cabeças só tinha uma cabeça”!
Comecei a perceber que não seria tão difícil assim, pois a partir desta disciplina
muita coisa mudou em minha pratica pedagógica, até então, eu gostava de trabalhar com
musica, histórias, fantoches, pinturas, coisas que distraíam as crianças. Mas nada com
uma base teórica, e sim por ter vivenciado essa experiência em minha infância.
Na década de 70, e com uma situação financeira não muito boa, minha mãe
sempre dava um “jeitinho” de arrumar algo novo e diferente para brincar com os quatro
filhos pequenos. E para isso ela se utilizava das coisas mais diversas, retirava idéias de
onde ninguém imaginava, por exemplo: usava batatas, cenouras, chuchus, que viravam
bonecos, personagens de alguma história que ela mesma inventava também nos
divertíamos com os carimbos por ela criados.
Minha mãe também fazia massinha de modelar caseira, e nós participávamos
entusiasmados de todo o processo. Na hora de modelar quase sempre não conseguíamos
fazer os bonecos de massinha, nem mesmo parecidos com os que ela fazia, mas nem por
isso nos desanimava, dizia que os nossos eram integrantes do “BARBAPAPA”, antigo
programa infantil, no qual os bonecos eram feitos de massinha, e não tinham muita
estética.
A partir das aulas de Teoria e Produção em Artes, essas lembranças da minha
infância vieram à tona, e contribuíram muito para o enriquecimento de minha prática
pedagógica, pois percebi que, unindo o que vivenciei com minha mãe, mais a prática
teórica que adquiri no PROESF, percebi o quanto é importante o conhecimento teórico
para um melhor aproveitamento do desenvolvimento afetivo, social, perceptivo motor e
cognitivo da criança.
Estudando os diversos autores dessa área e relacionando-os de modo a sustentar
nossa prática, percebemos que o uso da Arte na Educação só tem a enriquecer o nosso

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trabalho, especialmente considerando o caráter humano de nossa área, podendo
inclusive, proporcionar prazer pelo prazer...
Essa disciplina pode ser de muito valor na educação, e engrandecedora da
humanidade, por trabalhar todos os sentidos do ser, ela sendo aplicada corretamente,
pode auxiliar na educação prazerosa e na construção de cidadãos melhores, que
respeitem mais aos outros e a si próprios, ou seja, a “ARTE” em seu pleno conceito por
uma melhor qualidade de vida.
Desse modo, pretendo aqui abordar a relação entre a minha vivência com arte,
sua fundamentação teórica e a minha prática pedagógica.

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1 – INICIO DE UM SONHO

Na minha infância eu tinha três opções profissionais, que aparentemente não


tinham nenhuma ligação entre si. Entretanto, hoje consigo estabelecer algumas
conexões. Gostaria de ser Bióloga marinha, médica legista ou Pedagoga. Bióloga
marinha porque tinha o desejo de desvendar os segredos do mar; médica legista para
poder estudar o corpo humano e Pedagoga para poder dar aulas.
Hoje, cursando Pedagogia, percebo que essa área, nada mais é do que a junção
das profissões que eu desejava ter quando menina. Afinal, enquanto pedagogos temos
que estudar os mistérios do ser humano e procurar respeitar cada um em sua
individualidade, como o Biólogo Marinho a estudar os mistérios do mar, mas sem
jamais deixar de respeitá-lo em sua grandeza; estudar a complexidade que envolve o
aprendizado do ser humano, como o Médico Legista estuda a maravilhosa máquina que
é o corpo humano.
Agora percebo que não basta ser apenas uma Pedagoga para poder dar aulas, é
muito mais que isso, é estar em contato com pessoas em desenvolvimento, sob a sua
responsabilidade, o que envolve todo esse conjunto de profissões e muito mais.
Desde 1996, ano em que havia me mudado da cidade de Santos, no litoral
paulista, para a cidade de Nova Odessa, não tinha a menor perspectiva de voltar a
estudar. Até então só tinha trabalhado como comerciária e secretária. Os cursos que eu
tinha feito foram cursos de datilografia e de departamento pessoal. Já tinha prestado o
concurso para o cargo de babá na Prefeitura de Nova Odessa, o qual só foi exigido
apenas até a 8ª série. Em fevereiro de 1998, fui chamada para assumir o cargo de babá, a
partir de então, voltei a me interessar pela possibilidade de voltar a estudar.
Antes disso, o meu único contato com artes e crianças tinha sido na minha
infância, com minha mãe, e na minha adolescência, em que eu gostava muito de ir ao
cinema, teatro e exposições que aconteciam no Sesc de Santos, instituição da qual eu era
sócia, por trabalhar no comércio. A criança com quem tinha contato era a minha filhinha
que iria completar quatro anos.
Ao ser efetivada no quadro de funcionários da Prefeitura Municipal de Nova
Odessa, comecei a trabalhar em uma creche situada em um bairro periférico, bem
carente, que atendia aproximadamente cem crianças.

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Ao começar a trabalhar com estas crianças, tive que “rebolar”, pois naquela
época as creches tinham o caráter específico assistencialista, tanto que os responsáveis
por essa área eram do setor de Serviço Social. Mas, creio que sempre fui persistente, e
por ter vivido experiências em minha infância, que ficaram marcadas em mim, fui
“tentando” desenvolver o trabalho, mesmo sem ter nenhuma base teórica e até mesmo
prática. As minhas lembranças me auxiliaram ao trabalhar com estas crianças apenas
por relembrar que aquelas brincadeiras eram “gostosas”.
No começo tive algumas dificuldades, pois algumas de minhas colegas de
trabalho chamavam-me de “bagunceira”, porque ao invés de fazer com que as crianças
ficassem quietas eu fazia “bagunça” junto com as crianças.
Porém, com o tempo eu ia percebendo, sentindo o que dava mais certo para que
as crianças pudessem ter momentos mais livres, ou seja, de “bagunça” e também outros
momentos mais calmos, ou seja, mais “quietinhos”.
Em dezesseis de outubro de 1998 participei de um curso oferecido pela
Prefeitura da minha cidade que me ajudou muito, foi “A arte de Contar Histórias”
ministrado pela Psicopedagoga Suzana Montariol. Este curso enriqueceu muito meu
trabalho, pois veio de encontro com a minha maneira de pensar, ajudando a sustentar
minha prática pedagógica.
Logo depois de ingressar no quadro de funcionários, resolvi voltar a estudar,
desse modo, matriculei-me no então chamado curso supletivo, e foi assim que concluí o
segundo grau, hoje ensino médio.
Em 2000, participei da IX Jornada de Educadores da Unicamp “Brincando e
Interagindo no cotidiano da Educação”, para mim foi um acontecimento muito
importante e que me marcou muito, tanto profissionalmente como pessoalmente. Não
havia vagas para todas as funcionárias da rede, e nessa época eu estava em outra
unidade cobrindo uma licença de três meses de outra educadora, a Coordenadora de
Educação Infantil da rede foi até essa unidade em que eu estava e comunicou que a vaga
da IX Jornada de Educadores da Unicamp era minha. As outras educadoras, mesmo não
gostando muito de participarem de cursos e palestras, não aceitaram que eu recebesse a
vaga para esse evento por que eu não pertencia àquela unidade.
Para evitar maiores constrangimentos e por ser novata na rede, sugeri que a vaga
fosse oferecida para outra pessoa. A Coordenadora não achou justo, pois eu estava
trabalhando naquela unidade, então ela sugeriu um sorteio com todas as educadoras que
estavam trabalhando naquela unidade, inclusive eu.

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E qual não foi minha surpresa, fui sorteada!
Como diria minha mãe o que é do homem o bicho não come!
Amei todas as palestras das quais participei entre os dias trinta e um de agosto a
primeiro de setembro de 2.000, da IX Jornada de Educadores da Unicamp, que foram as
seguintes: * A importância de brincar; com a Palestrante Profª Gisele W.;
*Corporeidade na Escola, Prof. Fábio O.B.; * Brincadeira e Leitura... que
gostosura. , Prof. Paulo de Moraes; * As Relações Interétnicas e o Juízo Moral no
contexto Escolar, Profª Eliete Ap. de Godoy; * Uma Creche em Busca de Inclusão,
Profª Carla S. da S. Mauach;* Inteiração: Eixo da Organização do Cotidiano nas
Instituições de Educação Infantil , Profª Rosana Ap. Dutoit ; *Relacionamentos
Interpessoais : O Diferencial Competitivo das Organizações , Profª Valéria Regina
Prado.
Estas palestras foram muito proveitosas para mim, pois a partir da minha
participação nesta semana de Educadores meus horizontes foram ampliando-se, porque
até então eu trabalhava baseada em meu senso comum, porque eu não tinha formação de
professora e com babá também não tínhamos um suporte pedagógico que pudesse
orientar nosso trabalho.
Sempre fui curiosa e persistente, conversando com as colegas de mais tempo de
serviço, pois elas tinham mais prática que eu. Algumas tinham o magistério, por isso
pedia a elas livros relacionados à educação infantil que pudessem me auxiliar de alguma
forma em meu trabalho diário com as crianças.
Acredito que nada é por acaso, essa oportunidade que me foi dada transformou-
se em uma mola propulsora para eu chegar onde estou hoje, cursando Pedagogia no
PROESF.

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2- INGRESSO AO MAGISTÉRIO

Em agosto de 2002, tive a oportunidade de cursar o magistério que fora


oferecido pela prefeitura municipal de minha cidade com duração de dois anos, e fora
concluído em 2004.
Com o meu ingresso neste curso de Magistério, tive a oportunidade de ter um pouco
mais de conhecimento e orientação com alguma base teórica para o meu trabalho, que
até então, fora os cursos e palestras de que eu tinha participado, não tinha outras bases
teóricas. Comecei a tentar direcionar melhor o meu trabalho, estava sempre em busca de
mais conhecimento e pesquisando sobre algo que pudesse acrescentar.
Contudo, mesmo assim me sentia insatisfeita, tinha a impressão de que faltava
algo mais, mesmo participando de todos os cursos que a Prefeitura Municipal oferecia
às educadoras de creche da cidade, alguns não eram possíveis de participar, pois nem
sempre havia vagas para todas.
Em maio de 2004, começou a se cogitar a possibilidade de nós, como babás,
termos a possibilidade de participar do vestibular da Unicamp, para concorrermos a uma
vaga para a Faculdade de Educação da Unicamp, ou seja, participar do PROESF. Este
convênio firmado com a Região Metropolitana de Campinas e a Unicamp não nos era
ainda uma realidade por sermos babás, e não professoras. Com isso, a Prefeitura relutou
um pouco para nos permitir a participação neste convênio, pois estamos lotadas na área
administrativa.
Quando surgiu a primeira oportunidade não me inscrevi, pois estava passando
por problemas pessoais, que faziam com que eu não me sentisse em condições de
ingressar em uma faculdade, pois sabia que exigiria muita dedicação, que não poderia
dispor no momento.
Em junho de 2005, refeita do problema por qual tinha passado, me inscrevi no
vestibular para o PROESF, e para minha alegria consegui ser aprovada e ingressar no
curso de Pedagogia da Unicamp, o que para mim foi o inicio da realização de um sonho.
O sol começa a iluminar algumas das minhas muitas indagações e outras as
quais eu nem imaginava que existiam.
Na minha primeira aula no curso de Pedagogia, tive a grande felicidade de
participar da aula de Multiculturalismo e Diversidade Cultural, com a auxiliar
pedagógica Dalva, que se mostrou uma profissional e pessoa maravilhosa.

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Mesmo com toda a minha vontade e sede de saber, a faculdade para mim
significava algo quase inatingível, que iria exigir muito de mim, o que gerava uma
grande insegurança.
E como sempre, para me provar que nada é por acaso, nesta primeira aula a AP
Dalva nos deu as boas vindas com algumas dinâmicas, uma delas foi na sala com a
entrega de uma bala e uma mensagem, e a outra na quadra com uma bexiga cheia de
talco e uma mensagem dentro.
As duas mensagens caíram como uma luva para mim, a primeira foi a mensagem
da bala: “Nada acontece a alguém que a natureza não dê forças para suportar”.
Marco Aurélio.
A mensagem da bexiga, cada aluna tinha uma bexiga com uma frase diferente, e
no final da dinâmica todas jogamos as nossas bexigas para o alto e cada uma pegou
uma, a que eu peguei veio com uma mensagem que para mim completou a primeira:
“Sua vida agora será maravilhosa, seja bem vinda”.

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3- DAS REFLEXÕES AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS

Uma das aprendizagens foi que antes eu tentava colocar para as crianças a
importância de se respeitar o seu próximo em todas as situações. Com a disciplina de
Multiculturalismo e Diversidade Cultural, pude ter o embasamento teórico para que o
meu trabalho tivesse um aproveitamento ao estudarmos Multiculturalismo,
Pluriculturalismo, Interculturalismo e Transculturalismo são vistos como utopia, por ser
quase impossível de acontecer.
De acordo com Candau:

Os termos multiculturalismo e interculturalismo são muitas vezes utilizados


como sinônimos.No entanto, neste trabalho empregamos a palavra
multiculturalismo para significar uma realidade social para significar uma
realidade social : a presença de diferentes grupos culturais numa mesma
sociedade. (CANDAU, 2000, p.54)

Pude ampliar meu trabalho Pedagógico em cima do Interculturalismo, o qual é


apenas uma porta de entrada, pois, através dele pude passar de uma prática à uma
concretização teórica em meu dia-a-dia, que estava restrito apenas ao meu local de
trabalho. Agora com reflexões à respeito do assunto, vejo que vamos incorporando os
conhecimentos que adquirimos ao nosso modo de ver as coisas. Desse modo, Candau,
observa:
O interculturalismo supõe a deliberada inter-relação entre diferentes culturas.
O prefixo inter indica uma relação entre vários elementos diferentes: marca
de uma reciprocidade (interação, intercâmbio, ruptura do isolamento) e, ao
mesmo tempo, uma separação ou disjuntiva (interdição, interposição,
diferença. (CANDAU, 2000, p.55)).

Com essa base teórica pude direcionar-me melhor profissionalmente.


Quando surge o diferente, o novo para uma situação, também aparecem
sentimentos dos mais diversos, as pessoas se fecham, evitam contatos físicos e
emocionais e tem como o certo o bom, aquilo que possuem como verdade, ou seja, sua
visão de mundo.
O indivíduo procura preservar a sua identidade a todo custo, e paralelamente está
sempre a se construir e se reconstruir como pessoa. Neste processo, tem que ir
separando as coisas que acontecem em sua vida, para não perder a sua essência e ao
mesmo tempo, crescer como pessoa.

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A identidade pessoal vai sendo adquirida nos momentos em que se tem o ganho
de uma consciência que vai aumentando as capacidades, possibilidades e probabilidades
de serem colocadas em prática.
Em um dado momento da minha vida profissional me vi “cara-a-cara”, com dois
problemas se é que posso chamar estas situações de problema, mas foram ocasiões em
que comecei a por em prática as reflexões que havia feito sobre os embasamentos
teóricos que estava recebendo. Na disciplina de Multiculturalismo, do curso de
Pedagogia do PROESF.
Destes dois casos, um era de uma menina que tinha a mãe branca, (descendente
de italianos), e o pai negro, esta criança não aceitava o pai nem alguns amiguinhos da
sala por serem negros. A criança em questão não era tão branquinha assim chegava a ser
mais morena que outras crianças, confesso que essa situação me deixou um pouco
chocada, pois até então, na minha concepção criança não era preconceituosa .
Minha mãe era mulata e meu pai é espanhol, eu e meus irmãos não puxamos
nada da aparência da minha mãe, pois temos a pele bem clara, não temos nem a cor da
pele, nem os traços de negro, mas nossa mãe era negra! E isso nunca foi motivo para
que a rejeitássemos.
Em muitos momentos da minha infância e adolescência me envolvi até em briga
dos outros colegas pelo fato de serem negros e estarem sofrendo algum tipo de
discriminação, e costumava escutar que nem morena eu era para estar defendendo
negros.
A outra situação que não posso chamar de problema, mas sim um desafio, foi o
ingresso de uma criança boliviana na creche, que além de apresentar alguns problemas
de saúde e higiene, não falava praticamente nada em português, ou seja, era difícil a sua
comunicação com os outros. Sobre essa questão, Santos, afirma:

Na verdade, se a compreensão da cultura exige que se pense nos diversos


povos, nações, sociedades e grupos humanos, é porque eles estão em
interação . Se não estivessem não haveria necessidade, nem motivo nem
ocasião para que se considerasse variedade nenhuma.(SANTOS,1994,
p.11).

Fui trabalhando com as crianças através de fotos, cartazes, livros, etc., algumas
das diferentes raças e culturas que existem. Em uma das nossas rodas da conversa,
propus a eles o que achariam de pedir aos pais que mandassem para nós, alguns fatos de

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sua infância e vida, para que fosse compartilhado com todos os seus amiguinhos. As
crianças ficaram super animadas, falavam todas ao mesmo tempo.
Logo que consegui uma melhor “organização” das idéias, começamos a
relacionar qual era a curiosidade deles, em relação aos pais, pois, alguns deles não
tinham a convivência com outros membros da família. E eles queriam saber de tudo, o
que os pais comiam, do que brincavam que histórias ouviam, onde moravam, o que lhes
tinha acontecido de diferente, entre outras coisas.
Fiz uma seleção do que iria pedir e mandei um bilhete aos pais explicando o
questionário que estava pedindo para ser respondida, era para um trabalho em sala de
aula e que iria ser compartilhado com todas as crianças, para que pudessem enriquecer o
seu conhecimento.
E com o início desta pesquisa, dei andamento, à tentativa de solucionar as
situações divergentes que eu encontrava no meu grupo de crianças naquele momento.
Através desta pesquisa que, por sinal foi de muita importância para todas as
crianças e para mim também, tivemos uma grande diversidade cultural, pois em um
grupo de vinte crianças, havia várias raças diferentes negros, bolivianos, gaúchos, letos,
nordestinos e italianos.
Juntos vieram não apenas o que foi pedido no questionário, elaborado pelas
próprias crianças com as respostas tivemos também a oportunidade de aumentarmos
nosso campo de visão, pois , ao termos a pesquisa de cada criança.
Algumas das coisas que as crianças mais gostaram foram das comidas e
histórias, a maior parte destas eram de “causos”, pois a maioria morava em sítios.
Então, fiz uma pesquisa fotográfica com eles, procuramos em revistas fotos das
comidas típicas referentes a cada região ou cultura colocada no questionário, algumas
foram estas:
Feijoada - Negro
Churrasco e chimarrão - Gaúcho
Lasanha - Italiano
Carne seca com abóbora - Nordestino
Galeto - Leto
Majão - Boliviano (não sabia, mas fui pesquisar e coloquei
para eles que era quase a mesma coisa que o arroz de carreteiro, comida típica do sul do
nosso Brasil, ou seja, Gaúcho).

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Montamos um mural com as fotos e discutimos se havia algum deles que não
comeria alguma daquelas comidas só porque eram de um costume diferente do seu. Fora
os que não gostavam de determinada comida, ninguém ficou contra uma boa
comidinha!
Aproveitei para falar para as crianças que eu ouvia histórias de livros, ou
inventadas pela minha mãe, porque eu morava em área urbana, onde não havia este
costume. Expliquei que “causos” ela é que escutava, pois morava na parte rural da
cidade em que nasceu, a diferença é que no campo as famílias se juntavam em
determinados momentos nos quais na maioria das vezes, acontecia o conto dos
“causos”, muitos eram historias que punham medo nas crianças.
Fechei o assunto das diferenças com uma das coisas que eu mais gosto, com um
teatrinho. Contei a eles a historia “Menina Bonita do Laço de Fita”, escrita por Ana
Maria Machado e fizemos um teatrinho baseado na história. Para minha surpresa, a
mesma menina que discriminava o próprio pai e os coleguinhas que eram um pouco
mais morenos que ela, quis ser a menina do laço de fita, que era negra. Fiquei muito
feliz! O que me fez também compreender que “a identidade somente se torna questão
quando esta em crise , quando algo que se supõe como fixo , coerente e estável é
deslocado pela experiência da duvida e da incerteza”. (HALL, 2000, p.09, apud
MERCER, 1990) Percebi que minha aluna que tinha um grande preconceito em relação
a cor do seu pai e de outros amiguinhos, também por causa da cor, começou a ver as
coisas de uma maneira diferente. Com esse processo de desconstrução e reconstrução,
essa criança começou a demonstrar o que gerou tal preconceito. Percebi que se tratava
da não aceitação do pai pela família da mãe, que o marginalizavam devido a sua cor.
Não sei se essa reconstrução será efetiva. Mas posso afirmar que pelo menos
com os coleguinhas ela começou a demonstrar respeito e até o próprio pai, pois, os
chamava por nomes pejorativos. O que expliquei a ela é que não podíamos chamar as
pessoas por estes nomes, por ser falta de respeito e também era um crime de racismo, o
que levava as pessoas que agissem assim a responder na justiça pelo que falaram.
Com a boliviana foi mais fácil, pois ela era motivo de novidade, a prioridade era
a de estabelecermos uma boa comunicação.
Trabalhamos com figuras, cartazes, fotos, jogos, etc., nós falávamos o nome do
que era mostrado a ela, e, assim, ela repetia o nome. As crianças tentavam falar igual a
ela, o que na maioria das vezes provocava risos, pois ela dizia que: No, no. Tá errado!

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Era uma forma natural de as crianças perceberem que temos que respeitar cada
um em sua individualidade. Logo, começamos a nos entender melhor, mas sim o nosso
dia-a-dia foi fluindo normalmente.
Hoje quase na reta final do curso de Pedagogia do PROESF, percebo que é
praticamente impossível que eu consiga me libertar deste “vício” que é a sede de saber,
pois descobri que quanto mais nós Professores estudamos, buscamos, pesquisamos,
mais achamos que podemos oferecer algo melhor para os nossos alunos.
E melhor ainda, se for de uma maneira gostosa, prazerosa de se partilhar o
conhecimento, pois o que se aprende com prazer não se esquece.
Ou seja, sempre temos algo a mais para aprender!

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4- Artes

Antes do PROESF, eu era uma educadora que gostava de trabalhar “artes” com
as crianças. Depois de quase três anos na graduação, ao refletir sobre tudo que vimos no
curso, percebo que podemos beneficiar o desenvolvimento afetivo, social, perceptivo
motor e cognitivo da criança propiciando um ambiente sem tensões, com
relacionamentos nos quais se evidencia o respeito, compreensão, afeto e carinho.
Albano acredita que:

Pensar a atividade artística na Escola é, necessariamente, pensar a educação


do olhar, a educação sensível e inteligente do olhar. Olhar todas as coisas
como se as estivéssemos vendo pela primeira vez, entrar em dialogo com elas
e neste dialogo criar símbolos que expressem o que sentimos e pensamos.
(ALBANO, 1999, p.46).

Desse modo, possibilitar que a criança adquira confiança em si própria e nas


pessoas que a rodeiam, é possível elevar a sua auto-estima, possibilitar à criança um
espaço em que ela possa expressar livremente seus sentimentos e emoções, sendo
independente, curioso e criativo, e as atividades artísticas oferecem imensa
contribuição, de modo que as crianças possam expressar sua realidade, emoções,
sentimentos e experiências de vida.
Martins considera que:

(...) esse aprendiz terá de ser envolvido na rede de linguagem da arte por
outros caminhos. É preciso abrir espaço para que possa desvelar o que pensa,
sente, sabe, ampliando sua percepção para uma compreensão de mundo mais
rica e significativa. Desvelar /ampliar e propor desafios estéticos são como
porção mágica, pó de pirlim-pimpim, na possível experimentação lúdica e
cognitiva, sensível e afetiva do poetizar, do fruir e do conhecer arte.
(MARTINS, 1998, p.130)

Não quero ter a pretensão de me considerar uma artista, nem uma arte
educadora, pois começo a me aprofundar no tema agora, nem desenhar direito sei.
Entretanto, através da experiência vivenciada no curso de Pedagogia do PROESF,
descobri que pelo menos tenho que ter um olhar diferente, no qual eu perceba nas coisas
mais simples, as mais maravilhosas, e desta forma, perceber no olhar de cada criança
como posso pôr em prática a minha “arte”, que deve ser a de respeitar, descobrir,
estimular, olhar e ver o belo das coisas mais simples, ou seja, passar o conhecimento de
forma prazerosa, pois, como afirma Dias “O olhar sensível é o olhar curioso, descobridor,
olhar de quem olha querendo ver além. Ver cores, luzes, formas, matérias, detalhes,

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diferenças”. (DIAS, 1999, p.179). Assim, devemos ver a arte como um domínio que nos
favorece nas informações sobre o mundo em que vivemos.
A arte está presente no homem desde os tempos da caverna. Quando o primeiro
homem das cavernas desenhou e registrou nas paredes as suas caçadas, expondo para
todos o seu feito e porque não dizer até o seu método de caça, já estava praticando o que
conhecemos hoje por arte rupestre. Da mesma forma que não foi ensinado como
desenhar para este homem da caverna, também não ensinamos arte para as crianças,
pois a criança é uma artista inata. Portanto, nós, os adultos, tínhamos que prestar mais
atenção em nossas crianças e aprender mais com elas.
Não devemos “ensinar artes” e sim proporcionar às crianças a possibilidade de
vivenciar as artes em seu dia-a-dia na escola, através da música, desenho, pinturas,
expressão corporal, dança, entre tantas outras possibilidades. A arte está presente em nós,
e usá-la em nosso cotidiano, tornaria a vida muito mais gostosa. E como seria bom e
proveitoso trazê-la para o dia-a-dia da escola, em todos os seus estágios, e tendo a
preocupação de ter um olhar diferenciado para cada criança, respeitando assim a
individualidade de cada um.
A criança, desde a mais tenra idade, já pode e deve ter contato com a arte, pois,
no convívio com a arte e o lúdico a criança tem auxílio em todos os momentos de seu
desenvolvimento. Para Forquin:

O importante, de qualquer modo, é a idéia de uma aprendizagem das


aparências, aprender a ver, a ouvir, a saborear as formas sensíveis em si
mesmas, a perceber os objetos de acordo com a sua estrutura e a sua forma, e
não apenas segundo a sua utilização imediata (...) A sensibilização ao meio
ambiente pressupõe um desvio do caminho habitual: é preciso perceber o
mundo como paisagem , como uma soma de estímulos, não como uma série
de utensílios.(FORQUIN, apud DIAS,1999,p,176).

Por essa razão, acredito que a arte, não só a arte obra – prima, mas a arte que
permite criar, sonhar, brincar, experimentar coisas, sabores, texturas, cheiros diferentes,
traz grandes contribuições para o desenvolvimento do indivíduo como um todo.
Afinal, através das diferentes linguagens artísticas é possível ter uma visão
diferente de algo que é muito comum para todos. Todas estas possibilidades são
pertinentes à criança quando o adulto se dispõe a aprender este olhar diferenciado com a
criança, ao invés de querer fazer com que a criança desaprenda essa simplicidade
complexa que lhe é tão peculiar.

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O indivíduo que cresce sendo respeitado e aprendendo a respeitar, sabendo que é
capaz de ousar, ir além, criar, imaginar, sonhar, brincar, pode tornar-se um ser humano
mais feliz. Desejo fazer a minha parte na construção deste mundo melhor, pois quanto
maior o número de pessoas que estiverem se considerando felizes, de bem com a vida,
melhor será o mundo em que vivemos.
Assim,

“Recuperar o ser poético que é a criança só é possível quando os professores


se percebem como pessoas capazes de viver o estranhamento, que é o ser da
poesia, quando o professor descobre nele mesmo o prazer da criação”.
(Moreira, apud, DIAS, 1999, p.179).

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5 - LINGUAGEM MUSICAL

A integração entre os aspectos sensíveis, afetivos, estéticos e cognitivos,


assim como a promoção de interação e comunicação social, conferem caráter
significativo á linguagem musical. É uma das formas importantes de uma
expressão humana, o que por si só justifica sua presença no contexto da
educação, de um modo geral, e na educação infantil, particularmente” .
(BRASIL , vol.3 ,1998, p.45 )

Pretendo falar da música porque esta linguagem artística atua na vida da criança
desde o inicio de sua história, pois é quase impossível que uma criança nunca tenha sido
embalada, acariciada, com músicas de ninar.
A criança deve ser vista como um todo, devemos nos empenhar para o seu total
desenvolvimento, afetivo, social, perceptivo motor e cognitivo, desse modo, a música é
um importante intermediário entre o desenvolvimento da criança e suas capacidades
físicas, mentais, verbais, sociais e emocionais.
Ao ler o volume 3 do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil
considero alguns pontos muito importantes, tais como: Uma característica própria da
música é a liberdade de criar e adaptar, diante da qual as atividades se tornam atraentes
aos olhos das crianças que buscam incansavelmente novidades, descobertas e vivências
que lhes satisfaçam a curiosidade. O próprio corpo da criança pode ser um ponto de
partida para o trabalho com música.
A criança é levada a praticar, a reconhecer e a descobrir o ritmo e o som de
maneira livre e organizada, a partir dos movimentos corporais e depois fora dele (sons
ambientais, sons da natureza, instrumentais, eletrônicos, etc.).
Enfim, a música exerce um trabalho de desenvolvimento global, o que
possibilita à criança usar toda a sua capacidade para uma aprendizagem de acordo com
seu ritmo.

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5.1- A LINGUAGEM MUSICAL NA EDUCAÇÃO
INFANTIL

A música é uma das formas mais importantes da expressão humana, o que por si
só justifica a sua presença no contexto da educação infantil. Com a linguagem musical
podemos englobar vários pontos do desenvolvimento afetivo e cognitivo da criança.

A música é a linguagem que se traduz em formas sonoras capazes de


expressar e comunicar sensações, sentimentos e pensamentos, por meio da
organização e relacionamento expressivo entre o som e o silencio. A música
esta presente em todas as culturas, nas mais diversas situações. (BRASIl ,
1998, 3 v; p.47).

Temos a música em vários momentos de nossas vidas, temos uma música para
cada coisa, música para ninar, para dançar, músicas que nos remetem a datas
comemorativas, natal, carnaval, etc.
E dentro do contexto escolar da Educação Infantil não é diferente. Existem
músicas para cada atividade, música para lavar as mãos antes de comer, para comer,
para escovar os dentes, para fazer fila, para a hora que entra na escola, para a hora que
sai da escola, para fazer fila, ou seja, uma música para cada atividade que é feita dentro
da escola.
Mas, essa grande quantidade de músicas não quer dizer que tenham qualidade,
que as crianças tenham acesso a todo tipo de música, para que possam ouvir de música
clássica a modas de viola, e por si só saber qual lhe agrada mais.
Com essa musicalização maçante a criança vai formando hábitos, atitudes e
comportamentos, ou seja, a assimilação da rotina diária da escola.
Sabe-se que a linguagem musical é muito mais que essa formação, pois desde
que nasce a criança começa a realizar a sua musicalização de maneira intuitiva. As
famílias, os pais, estão sempre a cantar músicas de ninar, fazem brincadeiras cantando,
com rimas, etc. Com a linguagem musical temos algumas funções importantes como
produção, apreciação e reflexão.
Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998), os
objetivos gerais com crianças de 0 a 03 anos visam o desenvolvimento das seguintes
capacidades:

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- Ouvir, perceber e discriminar eventos sonoros diversos, fontes sonoras e
produções musicais;
- Brincar com a música, imitar, inventar e reproduzir criações musicais.
Já o objetivo com crianças de 03 a 06 anos é o de explorar e identificar
elementos da música para se expressar e interagir com os outros e ampliar seu
conhecimento de mundo, percebendo e expressando sensações, sentimentos e
pensamentos, por meio de improviso, composições e interpretações musicais.
Estes conteúdos estão separados em duas partes:
1- O fazer musical, que é a possibilidade de criar ritmos, cantar de diferentes
modos com as crianças, ou seja, é toda a forma de produção de som com a criança,
trabalhando com a imaginação, audição e sensibilidade da criança.
2 - Apreciação musical, com ela podemos possibilitar à criança todos os tipos e
gêneros de musicas.
De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, “a
música não deve funcionar como pano de fundo permanente para o desenvolvimento de
outras atividades, impedindo que o silêncio seja valorizado”.
Seguindo as orientações do Referencial citado vemos que:

“o trabalho com a apreciação musical deverá apresentar obras que despertem


o desejo de ouvir e interagir, pois para essas crianças ouvir é, também,
movimentar-se, já que as crianças percebem e expressam-se globalmente”.
(BRASIL, 1998, vol.3, p.64).

5.2 - VIVENCIANDO OS REFLEXOS DA


LINGUAGEM MUSICAL

Fazendo uma reflexão de minha prática profissional, antes do Curso de


Pedagogia e atualmente, percebo como mudei, pois antes cantava com as crianças
apenas para estabelecer uma certa ordem na sala, e hoje no meu dia-a-dia com as
crianças, sei que a música é um grande universo que nos auxilia a desenvolver um bom
trabalho pedagógico, ou seja, várias formas de propiciar um bom desenvolvimento da
criança. Podemos “brincar” com os movimentos do corpo e com a música.

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O brincar para a criança é a sua maior ocupação, tudo pode virar brincadeira,
inclusive o próprio corpo e voz.
Com a música e suas várias formas, podemos auxiliar no processo de
desenvolvimento da criança, podendo lhe oferecer grandes ganhos em seu
desenvolvimento. Como defendem as autoras Gomes, Biagioni e Visconti.

A música , além de suas próprias atribuições, sociabiliza e sensibiliza o


individuo desenvolve o seu poder de concentração e raciocínio , tão
importante em todas as fases de nossas vidas . Auxilia, ainda, na coordenação
motora e na parte fono da criança. (GOMES ,BIAGIONI e VISCONTI,
1996, p.26)

Com o grupo de crianças que trabalho atualmente, de idade de 02 á 03 anos,


costumo levar cd’s de vários gêneros musicais, música clássica, MPB, músicas de
relaxamento, músicas atuais que eles ouvem no rádio em casa e na rua, para que eles
possam ter contato com todos os tipos de música. Através destas músicas desenvolvo
algumas atividades de jogos, brincadeiras, danças, cantigas de roda, entre outras.
Tive a oportunidade de trabalhar com uma criança de dois anos e três meses
muito agitada, que não falava, não comia sozinho, não controlava a esfíncter, não
participava das atividades e mantinha-se isolado dos outros. Então, passei a tentar
perceber de que maneira poderia me aproximar melhor dessa criança, e como trabalhar
para auxiliar em seu progresso.
Todos os dias logo que chegamos à sala, ouvimos música ou cantamos algumas
músicas acompanhadas de gestos, e neste dia estávamos cantando e gesticulando uma
determinada música, quando percebi que ele demonstrou um certo interesse pela música
ou os gestos que eu fazia ao cantar a música.
Comecei a cantar outras músicas que envolviam expressão corporal e ele
demonstrou maior interesse. Escolhi sua música preferida e passei a cantá-la de várias
formas: bem devagar, rápido, baixinho, alto, forte e fraco, sempre usando a expressão
corporal de acordo com maneira que eu ia cantando.
Passei a pesquisar em textos e outras fontes, de modo que pudessem trazer novas
contribuições. Continuei a trabalhar de forma que o estivesse estimulando, provocando-
o a reagir e ao mesmo tempo auxiliando as outras crianças á também ter um bom
desenvolvimento de todas as suas capacidades afetivas e cognitivas.
Fui registrando as reações da criança citada e com o passar dos dias, percebi que
começava a apresentar diferenças no seu comportamento, estava mais calmo e atento,

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chegando a se sentar na roda para cantar comigo e as outras crianças. Com a linguagem
gestual das músicas, estava colaborando para que ele e as outras crianças
desenvolvessem melhor a fala, aumentassem seu vocabulário e enfatizando a pronuncia
correta das palavras. Ao trabalhar a construção do esquema corporal, estimulando a
coordenação motora e membros inferiores, pude favorecer a socialização dele e das
outras crianças do grupo.
A cada jogo, brincadeira de roda, brincadeira de imitar, músicas com gestos, que
cantamos sons que produzimos com o próprio corpo ou com outros materiais, via seus
olhinhos brilhando.
A partir dos três anos, aproximadamente, os jogos com movimentos são
fontes de prazer, alegria e possibilidades efetiva para o desenvolvimento
motor e rítmico, sintonizados com a música, uma vez que o modo de
expressão característico dessa faixa etária integra gestos, som e movimento.
(BRASIL, v.3, 1998, p.52).

Enfim essa criança, antes apática e agitada, que não participava das atividades,
isolava-se, não comia sozinho, não controlava sua esfíncter, em pouco tempo começou a
demonstrar um progresso muito significativo.
Respeitando as limitações dele, ou seja, à sua maneira ele participa das
brincadeiras, canta, faz gestos, apresenta um melhor controle de suas necessidades
fisiológicas. Até já se alimenta sozinho.
Para mim é um prêmio, uma constatação de que todo trabalho que fazemos,
tendo um objetivo e uma base teórica bem fundamentada, nos leva a essa realização
profissional, que em meu caso não é a salarial! E sim, poder ver “o sorriso no olhar de
uma criança!”.

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6 – LINGUAGEM VISUAL

A linguagem visual entra em cena quando não temos palavras para


manifestarmos a nossa maneira de ver o mundo e temos que usar outra linguagem, que
se manifesta pelas tintas, lápis, pincel, recortes, papel, e todo tipo de material que possa
ser usado para exprimir o seu sentimento e visão de mundo naquele momento.
A linguagem visual pode comunicar e expressar sentimentos e pensamentos, e
isso se dá através da pintura, desenho, escultura, e tantas outras formas. Conforme o
Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil:

As artes visuais expressam, comunicam e atribuem sentido a sensações,


sentimentos, pensamentos, e realidade por meio da organização de linhas,
formas, pontos, tanto bidimensional como tridimensional, além de volume,
espaço, cor e luz na pintura, no desenho, na escultura, na gravura, na
arquitetura, nos brinquedos, bordados, entalhes, etc. O movimento, o
equilíbrio, o ritmo, a harmonia, o contraste, a continuidade, a proximidade, e
a semelhança são atributos da criação artística. A integração entre os aspectos
sensíveis, afetivos, intuitivos, estéticos e cognitivos, assim como a promoção
de interação e comunicação social, conferem caráter significativo às Artes
Visuais. (BRASIL, V.3, P.85).

A linguagem visual é uma forma de expressão e comunicação humana, e é de


fundamental importância que seja trabalhada desde cedo. Se dá pelas linhas, cores,
formas, texturas que são uma das primeiras expressões da criança.
A criança aprende a desenhar desenhando, pois este aprendizado não se dá de
forma mecânica, ela tem a influência da cultura do meio e da forma cognitiva, pois a
criança vai vivendo e pensando sobre aquilo que faz. Não devemos subestimar a
criança, pois ela é capaz de várias construções, só precisa de estimulo. O olhar do
educador é essencial para o desenvolvimento da criança, pois ela sente e percebe este
olhar. Martins argumenta que,

A linguagem visual também pode ser revelada à criança através de um olhar


pensante. O olhar já vem carregado de referencias pessoais e culturais;
contudo, é preciso investigar o aprendiz também para um olhar cada vez mais
curioso e mais sensível às sutilezas.. (MARTINS, GUERRA, e PICOSQUE,
1998, p.136).

O adulto precisa inserir-se novamente no universo infantil, voltar a ver as coisas


da mesma forma que a criança, pois, para a criança essa barreira não existe, o olhar da
criança é puro e, portanto, vê as coisas de forma mais simples e ao mesmo tempo

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maravilhosa. Através de seus desenhos, suas brincadeiras, ela cria várias formas de
linguagem visual.
Tal como diz Albano, “a experiência com artes visuais começa, portanto, de
forma espontânea, a partir da necessidade das crianças organizarem sua compreensão do
mundo através das brincadeiras”. (ALBANO, 1999, p.48)
Não devemos nunca tentar ensinar uma criança a desenhar ou a pintar por
modelos prontos. Uma criança com um ano e meio, tendo um lápis na mão, já começa a
rabiscar tudo e todos que achar pela frente.
Conforme observado em Albano (1999) podemos perceber que os desenhos das
crianças, dos dezoito meses aos quatro anos, são chamados de “garatujas”.Estas
garatujas têm três fases: de inicio a criança não tem a intenção de retratar nada, é
simplesmente uma atividade motora. Ainda são “desenhos” desordenados, pois a
criança ainda não detém o controle de sua motricidade. Aos dois anos mais ou menos a
criança já começa a sentir a existência de uma ligação entre os traços que faz e os seus
movimentos. Começa então a relação entre o desenho que ela está fazendo e o objeto
que pretende desenhar. Quando chega entre os três e quatro anos, inicia-se uma nova
forma de pensamento na criança, então ela vai criando uma base para a retenção visual.
A criança começa a fazer seus desenhos tendo a certeza do que vai desenhar e dá
nome aos seus desenhos.

6.1 - A CRIANÇA E SUAS CRIAÇÕES

No meu trabalho com as crianças procuro perceber e sentir como eles estão a
cada dia, pois mesmo tendo planejado as atividades do dia, meu planejamento é flexível
para não perder nenhuma oportunidade que as crianças me oferecem.
Quando comecei a trabalhar com crianças, eu procurava trabalhar sempre de
uma forma que as “distraísse” sem ter maiores preocupações com seu desenvolvimento
como um todo. Hoje, fazendo uma reflexão dos textos lidos, das falas das Assistentes
Pedagógicas, das aulas magnas, seminários, etc., percebo o quanto cresci, como portas
foram abertas na minha maneira de pensar e ver a criança, como um ser completo e
único.

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Percebo que a criança é como uma caixinha de música e para você ouvir a
música que esta lá dentro é preciso apenas abri-la, ou seja, a criança só precisa que nós
paremos um pouco para ouvir, sentir, ver, e o mais importante, interagir com ela neste
processo de evolução, em que não é apenas a criança em seu desenvolvimento que
aprende, mas nós também, ao passo em que nos permitimos esse momento, também
progredimos e não apenas como profissional, mas também como pessoa.
Uma certa manhã chuvosa, eu estava com o meu grupo de crianças na sala, era o
momento da história, eu já havia selecionado um livro anteriormente, inclusive já tinha
lido antes para poder contar a história a eles.
Foi então que uma das crianças que estava mal humorada porque queria jogar
bola no gramado, e não podia porque estava chovendo, falou que não queria aquele
livro. Eu perguntei por que ele não queria aquele livro, e ele não soube responder. Disse
a ele que se as outras crianças concordassem ele poderia escolher outro livro de
histórias.
As crianças concordaram, e ele escolheu o livro com a história: A Festa lá no
Céu, que é a história da tartaruga. Como eu e as crianças já conhecíamos a história
resolvi contá-la de uma forma diferente! Fiz uso de gestos e um bichinho de pelúcia
para fazer a tartaruga. Ao final da história, quando a tartaruga cai no chão e se quebra
toda, e depois tem seu casco remendado, veio a pergunta “Sofia, porque não fazemos
uma tartaruga de “verdade” para contar história ?
Pronto! Desordem geral!
Eles queriam a tartaruga “pra já”, conversei com eles e trocamos idéias de como
poderia ser a nossa tartaruga, mas a escola não dispunha de muitos recursos materiais,
apenas jornais velhos, e alguns potes de guache. O que eu poderia fazer apenas com
aqueles poucos materiais. “Bingo”! Lembrei-me de um seminário de bichinhos de
jornal, que nos foi apresentado durante o curso na Disciplina de Teoria Pedagógica e
Produção em Arte.
Expliquei para as crianças que iríamos todos juntos selecionar e organizar o
material necessário para a confecção da tartaruga para contar historias ou música com
tartaruga e que ela ficaria na escola. Eles gostaram da tartaruga para ficar na escola, mas
também queriam uma para levar para casa.
Separamos o jornal, fita crepe, pincel e tinta, essa última era um dos problemas
também, não tínhamos a cor verde para o casco. Então, lembrei que para termos a cor

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verde era só misturar amarelo e azul, e então teríamos o verde para o casco, mas não
estava satisfeita com o casco que tínhamos que seria todo de jornal.
No dia seguinte quando as crianças estavam comendo a fruta da manhã, uma das
merendeiras ia pôr no lixo uma bandeja de maçã, foi o suficiente para que uma das
crianças observasse “olha o casco da tartaruga”!
Pronto! Tínhamos o material para confeccionarmos as nossas tartarugas, antes de
começarmos a pintar tínhamos que preparar a tinta, pois não tínhamos o verde, misturei
um pouco em um prato plástico, primeiro para que eles pudessem visualizar melhor, foi
ótimo ver a carinha deles falando “Olha! A Sofia fez o verde!”.
Deixei que eles participassem do processo também, pois assim estariam
passando do imaginário para o concreto. Naquele dia pintamos as bandejas de maçã,
que seriam os cascos das tartarugas, a de ficar na escola e a deles levarem para casa.
Participar do processo de criação e construção é muito importante para a criança, pois
ela vai desenvolver a sua auto estima.
Segundo as autoras Gomes, Biagioni, e Visconti (1996), ao propiciar o
desenvolvimento afetivo da criança, estamos gerando um espaço sem tensões, com
relacionamentos que são identificados pelo respeito, compreensão afeto e carinho.
Possibilitando-lhes ganhar a confiança em si próprio e no outro, levando-o a valorizar-
se positivamente.
Quando terminamos a nossa tartaruga de contar historias, comemoramos
cantando uma música com a tartaruga, e as crianças levaram, cada uma, sua
tartaruguinha para casa.
Ao me deparar com uma situação que a principio poderia ser vista como
conflitante, consegui mudá-la em uma situação de criação. De acordo com as
explicações do auxiliar pedagógico Perci, na disciplina de Teoria Pedagógica e
Produção de Conhecimento em Arte, e as palestrantes do Seminário de Artes da sétima
aula, no dia dezoito de setembro de 2006. Percebi que, além de trabalharmos as
linguagens visuais, através da criação e construção da tartaruga, trabalhei várias outras
coisas com a criança, pois a atividade com o jornal trabalha a coordenação motora fina
da criança, auxiliando futuramente na aprendizagem da escrita, além disso, essa técnica
acalma e tranqüiliza a criança.
E essa percepção, respeito e maneira de olhar a criança como um todo, devo a
este curso de Pedagogia que abriu muitas portas em minha maneira de pensar, algumas
eu tinha a chave e não sabia, outras eu nem sonhava que existiam. Acredito que, sem

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essas portas abertas, eu não veria o que as crianças viram. Não teria diferença para mim
em contar a história usando um bichinho de pelúcia que faria o papel da tartaruga na
história ou usar uma tartaruga feita pelas crianças para contar a mesma história.
Hoje posso me envolver neste olhar, nesta criação e construção, uma vez que,

“Olhar o olhar do outro é refazer o caminho do pensamento entre o real e a


sua representação. Caminho que está sempre em processo, envolvendo o
cognitivo, o afetivo, o social. Percurso que se mostra através das linguagens”.
(MARTINS, 1995, p.29).

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7 – AFETIVIDADE

Não poderia deixar de falar sobre afetividade, pois está presente em tudo que
fazemos, tudo que nos rodeia, seja de maneira positiva ou negativa.
Pela minha história de vida, pessoal e profissional, acredito que algumas
situações negativas dentro da escola não se dão por falta de material didático nem por
falta de formação dos profissionais envolvidos, e sim, por um fator que a principio
parece muito simples, mas que ao estudarmos com maior profundidade percebemos que
é a AFETIVIDADE. E não me refiro à afetividade “melosa”, que faz uso das expressões
que bonitinho, fofinho, lindinho, etc., uma vez que esta, a meu ver, não traz grandes
contribuições para a formação da criança. Tratando-se de afetividade,

Podemos dizer a afetividade constitui-se como um fator de grande


importância na determinação da natureza das relações que se estabelecem
entre os sujeitos (alunos) e os demais objetos de conhecimento (áreas e
conteúdos escolares), bem como na disposição dos alunos diante das
atividades propostas e desenvolvidas. É possível, assim, afirmar que a
afetividade está presente em todos os momentos ou etapas do trabalho
pedagógico desenvolvido pelo professor, e não apenas em suas relações “tête-
à-tête” com o aluno” .(LEITE, e TASSONI, 2002, p.03)

As ligações nos relacionamentos afetivo e intelectual são indispensáveis para um


melhor aproveitamento no processo de constituição do sujeito, por isso, percebo que é
muito importante o olhar, o respeito com que trabalhamos, ou melhor, que vivemos e
conseqüentemente, o modo como lidamos com nosso dia-a-dia, pois temos que
oportunizar a estas crianças condições de terem a sua auto-estima preservada,
alimentada. Comentam os mesmos autores.

“O afeto é indispensável na atividade de ensinar , entendendo que as relações


entre ensino e aprendizagem são movidas pelo desejo e pela paixão e que ,
portanto , é possível identificar e prever condições afetivas favoráveis que
facilitam a aprendizagem”( Leite e Tassoni , 2002 , p.114.)

E como cuidar desta auto-estima?


É na relação diária do professor /aluno, essa mediação deve ter como objetivos a
aprendizagem prazerosa, ou seja, cognição e afetividade transformando-se em uma
mesma unidade.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ás vezes é preciso parar em algum momento de nossas vidas, para nos darmos
conta das transformações vividas, o quanto aprendemos a cada dia que nos é dado.
A escrita do memorial, antes temida, tornou-se um processo de reflexão, no qual
pude perceber minha trajetória ao longo do curso. Receios, preocupações, angústias,
expectativas, sonhos, desejos e perspectivas, que foram transformando-se em conceitos,
teorias, discussões, trocas de experiência, aprendizagem, conhecimento, e
conseqüentemente na formação de uma nova profissional e pessoa.
Hoje, com o auxilio dos textos lidos, discutidos e trabalhados em sala, e com a
maravilhosa ajuda dos nossos Assistentes Pedagógicos, percebo o quanto o PROESF
me fez refletir sobre a educação como um todo.
As experiências compartilhadas com o grupo também trouxeram grandes
contribuições para meu crescimento, pois se trata da troca de experiência, do modo
como o outro enxerga a mesma profissão. Poder recriar e repensar o mundo é uma das
descobertas mais fascinantes, ensinar isso às crianças é uma obrigação, afinal,
precisamos cada vez mais de seres pensantes e sensíveis em nossa sociedade. Não
podemos perder os valores que nos tornam humanos. E acima de tudo olhar, respeitar,
incentivar, auxiliar, a cada criança tendo em mente a sua individualidade, sabendo que
cada um é um ser único, e o mais importante mostrar para essa criança o quanto ela é
especial!
Agora posso dizer pra mim mesma que não dá para parar de estudar, ler,
pesquisar, procurar, e estar sempre em busca de uma melhor maneira de se trabalhar
com nossas crianças, pois, como professora, tenho plena consciência de que tipo de
responsabilidade temos em nossas mãos.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALBANO, Ana Angélica Medeiros. Artes Visuais. Santo André /SP: Caderno de
Formação. 1999.

BRASIL. Ministério da Educação. Referencial Curricular Nacional para a Educação


Infantil. , vol. 3, Brasília, 1998

CANDAU, Vera Maria. (org.), Reinventar a Escola, Petrópolis RJ, editora Vozes, 2000.

DIAS, Karina Sperle. Formação estética: Em busca do olhar sensível, In: Kramer, Sonia
et al (org.) Infância e Educação Infantil . Campinas: Papirus, 1999.

GOMES, Neide Rodrigues, BIAGIONI, Maria Zeí, VISCONTI, Márcia, A criança é a


música, Fermata do Brasil, SP, 1996.

HALL, Stuart, A Identidade Cultural na Pós-Modernidade, 4ª edição, RJ, DPCA, 2000.

LEITE, S. A. da S. e TASSONI, E. C. M. “A afetividade em sala de aula: as condições


de ensino e a mediação do professor”, in:AZZI , R. G. e SADALLA, A. M. F. de A.
(org.).

MARTINS, Mirian Celeste; GUERRA, M. Terezinha Telles; PICOSQUE, Gisa,


Didática do ensino de arte: a língua do mundo; poetizar, fruir e conhecer arte. São
Paulo, FTD, 1998.

SANTOS, José Luiz, O que é cultura, 14ª edição, SP, 1994, Editora Brasiliense,
Coleção Primeiros Passos, 110.

WEFFORT, Madalena Freire, Observação, Registro, Reflexão. Instrumentos


metodológicos I, SP. Espaço Pedagógico, 1995, Série Seminário.

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