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A HISTÓRIA EM BANCAS DE JORNAL

Raquel Glezer1

Introdução

As experiências dos professores das disciplinas teórico-metodológicas em curso de


História, bacharelato ou licenciatura, podem ser generalizadas, pois usualmente
enfrentam incompreensões por parte do alunado e de colegas. Não importam as
denominações: Introdução aos Estudos Históricos ou Metodologia da História; Filosofia
da História; Teoria da História; História da Historiografia... Afinal, para que elas
servem? O que fazem em um currículo sobrecarregado?
As outras disciplinas obrigatórias de um curso de História possuem conteúdo definido
por espaços geográficos (América, Brasil, África, Ásia), ou recorte cronológico
(História Antiga, História Medieval, História Moderna, História Contemporânea). O
recorte cronológico ainda se impõe ao recorte geográfico, apesar dos questionamentos
apresentados nos últimos trinta anos, a partir da obra de Chesneaux2 sobre o uso
ideológico da periodização. As disciplinas optativas se organizam por temas, processos
explicativos, fontes ou campos historiográficos.
Diversamente, as disciplinas teórico-metodológicas deslocam-se em espaços e tempos
variados, pois podem se articular por conceitos, teorias explicativas, formulações
teóricas de processos históricos, análises historiográficas de autores, temas relevantes,
questões significativas ou momentos marcantes.... quase sempre fugindo ao recorte
espacial e/ou ao cronológico.
Para os alunos, as disciplinas teórico-metodológicas se apresentam como um conjunto
complexo. Têm dificuldade de reconhecer nelas o que conhecem como História, isto é,
o campo de conhecimento que aprenderam a reconhecer como tal nos livros didáticos,
manuais acadêmicos e livros dos historiadores. As discussões sobre o que são
documentos, fatos históricos, fontes, memórias, monumentos, os questionamentos sobre
os conceitos nos livros escritos pelos historiadores, ou os debates sobre os usos de
cultura material, cultura imaterial, história oral, memória social, micro-história e macro-
história, genealogia, memória local se apresentam como complicações do que aparenta
ser simples e conhecido.
Qual a finalidade de uma disciplina como Teoria da História no processo de formação
de um profissional da história? As reflexões que são propostas aos alunos têm qual
finalidade? As respostas podem ser tão múltiplas como o campo: conhecer a História da
História; perceber como o campo dos estudos históricos foi formado e quais as
transformações que sofreu; aprender a reconhecer os conceitos e as teorias que
embasam os trabalhos dos historiadores, identificar os pressupostos da seleção de temas,
fatos e dos arranjos dos conteúdos. De forma sintética, reconhecer que o conteúdo da
história que encontram nos livros é um produto cultural datado (linguagem, conceitos,
preconceitos), da mesma maneira que os textos que produzem em seus trabalhos.
Para nós, professores nestas disciplinas, as questões teóricas devem fundamentar os
trabalhos dos historiadores, quer os de pesquisa em campo, não importando o tipo de
fonte explorada - arquivística, bibliográfica ou de história oral, quer os de análise
historiográfica sobre as obras de historiadores, nas variadas formas que podem assumir.

1
Profa. Titular Teoria da História e Metodologia da História/Departamento de História/FFLCH/USP; e-
mail: raglezer@usp.br .
2
Cf. Jean Chesneaux. Du passé faisons table rase?: a propos de l'histoire et des historiens. Paris: F.
Maspero, 1976; trad. brasileira Devemos fazer tabula rasa do passado? Sobre a história e os
historiadores. São Paulo: Ática, 1995.
Tais questões estavam em nosso horizonte de preocupação quando propusemos aos
alunos matriculados na disciplina Teoria da História I – 0401 - Noturno, no primeiro
semestre de 2005, cujo programa havia sido formulado com o objetivo de possibilitar
uma visão panorâmica de algumas formas de reflexão sobre a história até o início do
século XX, com aulas teóricas e leituras de textos de alguns autores clássicos, algo a
mais: um trabalho empírico, levando em consideração as restrições e limitações aos
alunos dos cursos noturnos: biblioteca em horário restrito; arquivos, centros de
documentação e museus fechados, nos horários que os alunos poderiam dispor para
alguma atividade extra classe.
Que material poderia ser utilizado, que estivesse acessível e cujas informações
complementares pudessem ser localizadas por quem cumpre oito horas de trabalho
diárias em cinco dias por semana? A nossa proposta foi a de explorar um material
recente, visível e de fácil aquisição, que existe e se oferece nas bancas de jornal – as
revistas de divulgação de história, em suas múltiplas apresentações e em seus variados
níveis de formulação.
Temos a certeza que nem todas as publicações existentes foram exploradas, pois tal não
era a intenção da proposta, que tinha como objetivo proporcionar aos alunos quase todas
as etapas de um projeto de pesquisa, a partir da seleção de fonte e temas de interesse dos
autores dos trabalhos, que foi respeitada, quer pela possibilidade de acesso3. Apesar da
vasta rede de bancas de jornal existentes na área metropolitana, nem todas contém
exatamente o mesmo conjunto de publicações, dependendo do local em que estão e da
clientela a que atendem.

Em complementação

Depois dos trabalhos de pesquisa e redação realizados e entregues, na fase de


preparação e edição digital para inserção no sitio (www.raquelglezer.pro.br),
encontramos na rede algumas referências sobre o mesmo assunto, como a indicação do
trabalho de Iniciação Científica na Faculdade Cásper Libero de Marcela Rosa
Mastrocola, denominado “Aventuras na História: intermediários culturais, mercado
editorial e cultura de consumo”4, em nota, sem data, acesso ao texto ou resumo. E o
texto de Thathiana Murillo, datado de 05.12.2004, com o título de “Páginas do passado:
o boom das revistas de História”, no qual a autora traça um histórico das revistas de
história de divulgação em vários países e o início de tais periódicos do Brasil, a partir de
20035.
Não consideramos a nossa pesquisa exaustiva e é possível que existam outros estudos
sobre o mesmo tipo de material.

3
Os trabalhos, de modo previsível, concentraram-se nas revistas com maior facilidade de acesso: Nossa
História, História Viva, Aventuras da História. Outras publicações foram também localizadas e
selecionadas pelo interesse dos alunos. Ao menos uma publicação não foi explorada - a Brasilis, da
editora Atlântica, do Rio de Janeiro, coordenada por Luis Felipe Baeta Neves. Ela era inicialmente
vendida por assinatura, e só conhecemos os dois números iniciais. O sumário deles pode ser encontrado
no sítio: http://atlanticaeditora.com.br/ .
4
No sítio www.facasper.com.br/cip/inicientifica: “tema: Estudo sobre o fenômeno das revistas de
história no contexto da hipermodernidade, com base na análise da publicação Aventuras na História ...”;
e-mail: marcelamastrocola@gmail.com.
5
Thathiana Murillo. Páginas do Passado: o boom das revistas de História, datado de 12.05.2004, no
sítio O cisco, http://www.ocisco.net/thati10.htm ; e-mail thatianamurillo@uol.com.br .
1. Enfrentar os preconceitos

A seleção do material para ser pesquisado decorreu de sua facilidade de acesso, por um
lado. Em nossos dias, a história está nas bancas de jornal, em formas variadas. Está nos
jornais diários - que são uma das fontes para a história do tempo presente e para a
história contemporânea; nas revistas semanais e/ou mensais de viés informativo ou
analítico de variadas tendências políticas; nas coleções de obras clássicas para
divulgação – como a coleção ‘Os Pensadores’ ou a coleção ‘Pensadores Brasileiros’.
Selecionamos uma materialidade específica - as revistas de temas históricos, voltadas
para o público consumidor não-especializado.
A multiplicidade de periódicos e publicações de assuntos variados nas bancas de jornal
é indicativo de alguns processos característicos da sociedade contemporânea pós-
industrial: a ampliação do público leitor, decorrente dos processos de urbanização e
alfabetização; a ampliação do acesso ao conhecimento; o atendimento pelas empresas
editoras de todas as áreas de interesse do público leitor, em suas múltiplas identidades
sociais6. Este foi o outro elemento fundamental para a escolha do objeto – a
possibilidade de captar um fenômeno social ‘quente’, em sua concretização, na vivência
do processo, que precisa ser analisado e compreendido. Em nossos dias, a diversificação
da mídia impressa, em miríades de pequenas empresas gráficas – algumas das quais de
vida curta, ao lado dos conglomerados de empresas gráficas e das de mídias, soma-se ao
complexo jogo dos cruzamentos de todas as mídias – imprensa, cinema, televisão,
eletrônicas, digitais...
Lembremos também que em nossos dias há associações entre empresas, para atingir
determinados segmentos do público, com a criação de marcas novas, ocultando a
empresa principal e dificultando o acompanhamento das questões mercadológicas.

Alunos de graduação estão acostumados com a leitura de textos selecionados por


professores – capítulos de livros e/ou artigos publicados em periódicos acadêmicos,
cujos padrões correspondem aos parâmetros da comunidade científica. Não há a
preocupação com o perfil da publicação, pois a responsabilidade de seleção é do
professor. A valoração realizada é pela especialidade do autor, respeitabilidade da
revista, reconhecimento da instituição que a publica - todos elementos de identificação
de comunidade científica e de reconhecimento entre pares.
As próprias revistas acadêmicas se transformaram, no decorrer do século XX, de
recurso informativo e quase que exclusivamente erudito, em fontes reconhecidas para
os trabalhos historiográficos, e hoje são objetos de pesquisa para análises de conteúdo,
que variam conforme as orientações dos campos historiográficos.
Por outro lado, raramente o material de vanguarda do conhecimento, o da ‘literatura
cinza’7 é utilizado, mantendo-se como exclusividade do circuito especializado e restrito
dos pesquisadores.
No país, há crescente desenvolvimento do campo de pesquisa sobre a história do livro e
da leitura8. As revistas de literatura, de educação e as semanais gerais têm recebido

6
Sobre as identidades sociais contemporâneas, ver Serge Moscovici. Representações sociais.
Investigações em psicologia social. 3ª. ed. Petrópolis: Vozes, 2005.
7
Literatura não convencional, conhecida por ‘literatura cinza’ (teses, folhetos, anais, proceedings,
relatórios de pesquisas, notas técnicas, indicadores de ciência e tecnologia, preprints, publicações seriadas
e trabalhos não publicados). Cf. http://www.ige.unicamp.br/site.
8
Ver: a) sitio: www.livroehistoriaeditorial.pro.br/, do I Seminário Brasileiro sobre Livro e História
Editorial, realizado entre 8 e 11 de novembro de 2004, na Casa de Rui Barbosa, na cidade do Rio de
atenção sistemática desde a década de setenta do século XX, vasto material que pode ser
encontrado nas bibliotecas. Contudo, são escassos os estudos analíticos sobre as revistas
de história no país, com exceção dos estudos sobre o Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro, que utilizam o seu periódico, o mais antigo do país, datado de 1838, mais
como fonte sobre a instituição do que como objeto de análise 9.

A proposta de analisar as publicações encontradas em bancas de jornal foi, por alguns


alunos, questionada pelo fato de não ser este um material ‘respeitável’. A
desqualificação é devida ao fato de revistas comerciais não terem a mesma estrutura
formal dos periódicos acadêmicos, principalmente a revisão por pares. E que os artigos
não poderiam ter conteúdo acadêmico e ser resultado de trabalho de pesquisa de
historiadores. A maior crítica foi que a revistas comerciais tinham como alvo um
público genérico e não-especializado. Afinal, trabalhar com ‘material de divulgação ou
vulgarização’ não era um trabalho adequado aos historiadores em formação10.
No decorrer da pesquisa, mesmo os alunos mais renitentes acabaram mudando de
opinião, pois conseguiram verificar que entre as revistas para o grande público existem
níveis diferenciados de informação, apresentação de resultados de pesquisa, debates
sobre questões de momento e um trabalho de apresentação ao público de textos escritos
por historiadores. O conteúdo apresentado depende do público visado pela revista.

2. A popularização da cultura

O fenômeno do público consumidor de produto cultural oferecido em bancas de jornal


no Brasil data dos anos sessenta do século XX, quando a Editora Abril11 lançou edições
de obras em fascículos, mas continuou mantendo-se basicamente como uma editora de
histórias em quadrinhos infantis e juvenis, e, de publicações românticas destinadas a
adolescentes e mulheres jovens, vendidas em bancas. Na área específica da História, a
primeira foi a coleção ‘Grandes Personagens da Nossa História’ - biografias de
personagens da História do Brasil, em fascículos, com textos escritos por professores de
história. E depois, nos anos da ditadura militar, lançou a coleção ‘Os pensadores’-
volumes encadernados de obras de autores clássicos da cultura ocidental, que muitas

Janeiro; b) sitio da Intercom: www.intercom.org.br/, especificamente para os textos resultantes de


pesquisa apresentados nos eventos da área: http://reposcom.portcom.intercom.org.br.
9
Ver, entre outros: Isa Adonias. Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro - 150 anos. Rio de Janeiro:
Studio HMF, 1990; Virgílio Correia Filho. Como se fundou o Instituto Histórico. Revista do IHGB, Rio de
Janeiro, 255, 1962; Max Fleiüss. O Instituto Histórico através de sua Revista. Rio de Janeiro: IHGB,
1938; Lúcia Maria Paschoal Guimarães. "Debaixo da imediata proteção de Sua Majestade Imperial": o
Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1838-1889). Revista do Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro, Rio de Janeiro, 156, 388, 1995; Manoel Luís Salgado Guimarães. Nação e civilização nos
trópicos: o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o projeto de uma história nacional. Estudos
Históricos, Rio de Janeiro, CPDOC/Vértice, no. 1, 1988, pp. 5-27;--------.De Paris ao Rio de Janeiro: a
institucionalização da escrita da História. Acervo - Revista do Arquivo Nacional, Rio de Janeiro, volume 4,
no. 1, 1989, pp. 135-144; Lilia Moritz Schwarcz. "Os guardiões da nossa história oficial". Os institutos
históricos e geográficos brasileiros. São Paulo: IDESP, 1989; ---------. O espetáculo das raças: cientistas,
instituições e questão racial no Brasil, 1870-1930. São Paulo: Companhia das Letras, 1993; Arno
Wehling. As origens do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Revista do Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, 338, 1983, pp. 7-16;----------- .Historicisimo e concepção de História
nas origens do IHGB. In: ------------- (org.) Origens do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro: idéias
filosóficas, sociais e estruturas de poder no Segundo Reinado. Rio de Janeiro: IHGB, 1989, pp. 43-58.
10
Apesar dos questionamentos, uma grande parte dos alunos possuía alguns exemplares das revistas de
divulgação nacionais e recorreram ao seu próprio material; outros, de forma surpreendente, possuíam
exemplares de revistas editadas em outros países, o que aparece em seus trabalhos.
11
No sítio da Editora Abril está a história da empresa, ver http://www.abril.com.br/br/conhecendo/.
vezes estavam recebendo a primeira edição no país, com tradução por professores
especialistas no autor ou no assunto, quebrando o preconceito existente contra a compra
de livros em bancas de jornal. A série de sucessos editoriais foi interrompida com uma
coleção de história do Brasil, a ‘Saga’, que não foi completada. Embora a Editora Abril
se apresente como a pioneira na edição de obras de divulgação para o grande público
consumidor, apenas atualizou uma forma de divulgação que já existia, a da edição de
obras clássicas ou informativas em tiragens maiores que as usuais. Antes dela, existiram
outras iniciativas de divulgação e popularização da cultura no país, que ainda não foram
devidamente estudadas.
A coleção ‘Tesouro da Juventude’12, marco na vida de milhares de jovens leitores, foi
difundida por vendedores em muitas das cidades do país, independente de seu tamanho
e da existência de livrarias. O mesmo ocorreu com as coleções de obras de história
como Cesare Cantú13, H. G.Wells14 e Will Durant15.
A Editora Ediouro16 tinha e ainda tem forte atuação na área da divulgação de autores
clássicos, mas seus livros, em pequeno formato e em papel jornal, só podiam ser
encontrados em livrarias. Além das citadas, existiram outras coleções de obras literárias
destinadas a um público consumidor maior que o tradicional consumidor em livraria: a
coleção ‘capa amarela’ de grande formato da Editora Globo de Porto Alegre – hoje
Globo Livros17, com traduções de obras clássicas e contemporâneas, por intelectuais de
renome, e, a coleção Saraiva, da editora do mesmo nome18, com volumes de pequeno
formato, em papel jornal, que era vendida porta a porta para as famílias interessadas. A
Editora Agir19 também teve uma coleção de clássicos em pequeno formato e em
antologia, ‘Nossos Clássicos’.
A estrutura de venda porta a porta que foi desenvolvida na primeira metade do século
XX continua ainda em nossos dias, com enciclopédias escolares e coleções de obras
informativas em geral.

12
Esta obra teve diversas edições, pela W. M. Jackson Editores, dos anos vinte até os anos cinqüenta.
13
Cesare Cantú. História universal. Obra de tanto sucesso que recebeu várias edições, entre outras: a)
Rio de Janeiro: Fluminense, 1883; b) Rio de Janeiro: Livraria João do Rio, 1931; c) São Paulo: Américas,
1946. 32 v.; d) São Paulo: Edameris, 1970, ed. resumida.
14
H. G. Wells. História universal: da ascensão e queda do império romano até o renascimento da
civilização ocidental. São Paulo: Nacional, 1939. 3 v.
15
Will Durant. História da civilização. São Paulo: Ed. Nacional, 1943. 18 v. A obra teve edições em
1956 e 1967, e em outras editoras O autor continua sendo editado no país, podendo suas obras ainda
serem encontradas em livrarias. Dados sobre sua vasta produção podem ser encontrados no sítio da Will
Durant Foundation, http://www.willdurant.com/home.html
16
Ver em Wikipédia, a enciclopédia livre, sítio: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ediouro.
17
Cf. http://globolivros.globo.com/; a Rio Gráfica Editora adquiriu em 1986 a Editora Globo. A história
sintética da Editora Globo pode ser lida na Wikipédia, a enciclopédia livre. Sítio:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Editora_Globo. Sobre a editora há a indicação do livro de Elisabeth
Wenhausem Rochadel Torresini,. Editora Globo: uma aventura editorial nos anos 30 e 40 . São Paulo:
EDUSP, s.d., na Coleção Memória Editorial.
18
Ver sítio: http://sf.editorasaraiva.com.br/port/perfil/historico; cf. dados da empresa, em 1946 foi
lançada a Coleção Saraiva, dirigida por Mário da Silva Brito e Cassiano Nunes, que incluía autores
nacionais e internacionais como Machado de Assis, José de Alencar, Menotti del Picchia, Orígenes Lessa,
Henry James, Edgar Allan Poe, Herman Melville, ilustrada por artistas de renome, como Aldemir
Martins, Darcy Penteado, Nico Rosso, com traduções de Otávio Mendes Cajado, Décio Pignatari, Nair
Lacerda e José Geraldo Vieira. A forma de comercialização era por assinatura, feita por vendedores, com
entrega do exemplar publicado mensalmente; vendeu milhares de volumes, pois editou 287 títulos, alguns
dos quais com tiragem de até 50.000 exemplares.
19
Ver histórico da empresa no sítio: http://www.editoraagir.com.br/historico; cf. dados, foi adquirida
pela Ediouro, em 2002.
Da metade para o final do século XX, as bancas de jornal se tornaram o lugar de
exposição da mais ampla variedade de publicações, de todos os assuntos possíveis e
imagináveis, para todos os tipos de leitores.

3. O contexto

Há uma explicação corrente para o alto preço dos livros editados no Brasil: a falta de
público leitor, pois existem poucas livrarias pelo país e, portanto, poucos leitores.
Contudo, as vendas de ‘best-sellers’ desmentem tais afirmações: milhares de livros são
vendidos em curto espaço de tempo. Se existissem tão poucos leitores no país, como
afirmam as editoras de livros para venda em livrarias, as editoras que lançam seus
produtos culturais em bancas de jornal não teriam crescido e multiplicado.
O crescimento das editoras especializadas em publicações para bancas de jornal deve
ser relacionado com outros dados: aumento da população, predominância da
urbanização, crescimento da escolaridade, aumento da renda familiar, capilaridade dos
meios de divulgação de massa pelo país e interligação entre as diversas ‘mídias’.
Dos fenômenos citados, o aumento populacional se destaca: em 1950, a população do
país era de 51.949.397, e, em 2000, de 169.799.170 de habitantes20. No mesmo período,
a população urbana passou de crescente a dominante, decorrência de fatos distanciados
no tempo, mas que explicam alguns aspectos do fenômeno: em 1938, todas as sedes de
município passaram a ter o titulo de cidade, não importando a população; nos anos
cinqüenta a industrialização por substituição de importações e de bens de capital
deslocou uma grande parcela da população de áreas rurais para algumas áreas urbanas;
e, em 1988, a Constituição passou a permitir maior facilidade para a divisão de
municípios e ampliou os repasses do governo federal para os entes municipais, o que
possibilitou a expansão numérica deles. Em cada município, mesmo que não exista
biblioteca pública ou livraria, obrigatoriamente deve existir escola fundamental básica,
e, pode existir uma banca de jornal, mesmo que seja a única na estação rodoviária.
O processo de modernização econômica do país a partir de meados do século XX
possibilitou a melhoria da infra-estrutura em transportes e comunicação; a ampliação do
processo de escolarização com o objetivo da universalização do ensino fundamental e
posteriormente do ensino médio; o emprego em setores que previamente não existiam;
o crescimento da massa salarial; o crescimento do mercado educacional para atender a
demanda de mão-de-obra mais especializada; o desenvolvimento de redes de
comunicação via mídia eletrônica pelo país, que criaram um mercado nacional para
determinados produtos, inclusive para os da indústria cultural.
A existência de milhares de aparelhos de televisão pelo país substituiu em grande parte
a imprensa escrita como fonte de informação, por um lado, e, por outro, criou um outro
mercado produtor e consumidor com a possibilidade de intercruzamento de mídias. Os
produtos culturais da televisão promovem a venda de publicações escritas – sobre ela
mesma, os programas, os participantes de suas produções (autores, diretores, atores e
outros especialistas). Também algumas produções televisivas, como telenovelas e
minisséries promovem publicações escritas – os livros originais, as adaptações, e depois
os vídeos, os cds e os dvds. O lançamento de filmes, nacionais ou estrangeiros, com
chamadas em televisão, e com eventual apresentação posterior em horários especiais,
também alavanca publicações destinadas ao grande público, informando sobre a obra,
roteiro, diretor, atores e outros especialistas. Os temas épicos ou históricos, quando
explorados pelas mídias cinematográficas e televisivas, envolvem altos custos de

20
Conforme dados do IBGE, no sítio: www.ibge.gov.br/ , em Síntese dos censos demográficos.
produção, que são parcialmente recuperados ou ampliados pelos produtos em paralelo:
publicações impressas, vídeos, cds e dvds, além de outros produtos destinados ao
público infantil e/ou juvenil, da mesma forma que os filmes de entretenimento.

Se há momentos em que a sociedade ocidental parece esquecer da existência da história,


apesar de estar imersa nela, em outros há preocupação com ela. Geralmente, em datas
comemorativas de fatos históricos relevantes há a ressurgência do interesse pela
história, quer como processo, quer como narrativa. Em determinados momentos, a
sociedade como um todo se sente atraída por fatos históricos – em livros com temas
históricos, biográficos ou pseudo-históricos; em filmes biográficos, épicos, históricos ou
míticos; em docu-dramas históricos ou documentários sobre fatos históricos,
reconstituídos com material de época. Não é possível identificar claramente se tal
interesse é uma válvula de escape – fuga/refugio para um tempo mítico de paz e
segurança, ou, genuíno, para compreender a sociedade e o momento em que vive.
Em nossos dias, no início do século XXI, há retomada da curiosidade por fatos
históricos, que aparece tanto nas produções impressas, como nas cinematográficas e nas
televisivas. Os motivos que provocam tal interesse podem ser variados: insegurança
diante das transformações em curso; dificuldades de compreender a fase histórica em
que vive; medo diante do desconhecido; necessidade de reafirmar o conhecido diante
de outras propostas de organização social e tantas outras questões possíveis de serem
arroladas.

Quanto as motivações que levaram ao lançamento das revistas de divulgação de história


no país, Thatiana Murillo utiliza a referência das comemorações dos quinhentos anos do
descobrimento como o motivo para o lançamento de tais publicações21. A nosso ver, tal
explicação não se aplica totalmente – teria pleno sentido se estas tivessem começado a
ocorrer no mesmo ano ou no seqüente, o que não ocorreu, pois datam de 2003 em
diante. As explicações podem ser procuradas tanto no contexto nacional – a
consolidação do processo de urbanização, universalização da educação básica e suas
conseqüentes transformações, como no maior acesso a informações internacionais, na
divulgação em tempo real pela televisão dos fatos de setembro de 2001, na retomada do
ciclo de guerras simultâneas, na sensação de ameaça diante do desconhecido que pode
estar se aproximando – elementos que podem ter contribuído para que se concretizasse
no país algo de novo, as revistas de divulgação de história. Devemos lembrar que tal
tipo de publicação existe em outros países há muitos anos, desde o começo do século
XX, mantendo continuidade e possibilitando a divulgação do conhecimento
historiográfico a um grande número de pessoas, o que pode ter permitido o crescimento
do mercado editorial dos livros especializados em história e das grandes coleções do
final do século XX22.

21
Ver nota 3.
22
Além da venda de milhares de exemplares de algumas obras de história como Le Dimanche de
Bouvines: 27 juillet 1214, de Georges Duby. Paris: Gallimard, 1986, e, Montaillo, village occitan de 1294
a 1324, de Emmanuel Le Roy Ladurie. Paris : Gallimard, 1975, pensamos nas coleções como História das
Mulheres e História da Vida Privada, que foram sucesso editorial destacado, foram traduzidas no Brasil e
inspiraram coleções similares nacionais.
4. Cultura de massa

È muito interessante para o historiador verificar como a conceituação de ‘cultura de


massa’ tem sido vista pela sociedade, principalmente em uma proposta como a que
fizemos, de explorar uma fonte da cultura de massa impressa, destinada a um público
leitor não especializado.
A conceituação da existência de uma ´cultura de massa’ ou ‘cultura popular’ se opõe a
de uma ‘cultura erudita’, mais valorizada porque de ‘melhor qualidade’, mais restrita e
limitada aos que a ela têm acesso, por poder aquisitivo e domínio cultural.
A ‘cultura erudita’ é resultante da decantação da produção cultural da sociedade
ocidental cristã e é o cânone dos valores culturais - a ‘alta cultura’ é o conhecimento e
apreciação dos clássicos na literatura, música, balé, teatro, pintura e escultura, em
oposição a uma outra cultura, considerada inferior por não ter o mesmo conteúdo e
relevância, produzida e vivenciada no cotidiano pelas pessoas comuns, ‘a cultura
popular’, que é muitas vezes confundida com ‘folclore’, em uma concepção
conservadora e nacionalista estreita.
Tomada em senso estrito, a concepção canônica de cultura faz com que toda a produção
cultural do mundo moderno industrial do século XIX e do pós-industrial do século XX,
todos os questionamentos, críticas, leituras e releituras da sociedade contemporânea
fiquem fora dos parâmetros estabelecidos.
Mas a produção cultural possui a sua própria dinâmica, riqueza e complexidade, e é
indicativa da reflexão e crítica do mundo no qual o individuo produtor/consumidor está
inserido e vive. Para os artistas contemporâneos, o cânone não é um obstáculo. Na
realidade diária da sociedade pós-industrial, todas as artes se libertaram do cânone. A
multiplicidade das formas de expressão literária e artística é quase impossível de ser
totalmente conhecida em nossos dias. O rádio, o cinema e a televisão se inscreveram no
campo da produção e da reprodução cultural, da mesma forma que a imprensa. E o
mundo da produção digital está seguindo a mesma trajetória, de modo mais acelerado.
Contudo, a resistência às novas formas de arte e conhecimento ainda é grande. No
campo dos estudos humanísticos, o domínio do cânone se manteve por mais tempo. E
só no último quartel do século XX ele passou a ser questionado por grupos feministas,
étnicos, de culturas minoritárias e pelos pesquisadores pós-modernos, que exigem que a
noção de cultura seja mais inclusiva e menos restritiva.

A valorização da oposição entre a ‘cultura erudita’ e a ‘cultura popular’ pode ser


entendida como uma atitude socialmente conservadora, a partir da Revolução Francesa,
em que o conceito de ‘povo’ para os conservadores e contra-revolucionários era o de
uma ‘ameaça’ a seu modo de vida. A preservação dos valores da sociedade estamental
encontrou na valorização do cânone apoio e a justificativa de uma concepção de
sociedade, a partir de meados do século XIX, quando ‘povo’ e ‘massa’ se tornaram
quase que sinônimos de ameaça social.
Nos movimentos revolucionários políticos e sociais dos séculos XIX e XX, uma das
propostas mais atraente é a da democratização de acesso de todas as pessoas a todos os
bens, políticos e econômicos, a partir da alfabetização universal, e, principalmente aos
bens culturais.
A idéia de separação rígida entre a chamada ‘alta cultura’ e a ‘cultura popular’ foi
questionada por Bahktin23 ainda na primeira metade do século XX, e, o tema da
circularidade das idéias entre grupos sociais, no final do século XX, encontrou apoio em
historiadores da história cultural, como Roger Chartier e C. Guinzburg, entre outros, e,
principalmente nos autores pós-modernos.

Os resultados

Os resultados obtidos foram surpreendentes, para nós e para os alunos.


Para nós, pela localização de inúmeras publicações destinadas a suprir a curiosidade do
público sobre temas históricos – em níveis de informação diferenciados, desde as mais
elementares até as que apresentam resultados de pesquisas acadêmicas, em linguagem
acessível ao não-especialista. Nosso ponto de partida para a proposta do trabalho havia
sido o conhecimento das revistas Nossa História e História Viva. Os alunos conheciam
algumas outras e localizaram outras tantas, que não eram tão conhecidas, e que
aparecem nos textos que seguem. E também pela capacidade demonstrada pelos alunos
de pesquisar informações, mesmo as que exigiram contato direto com as editoras e com
os editores; analisar conteúdos sob aspectos variados, demonstrando que o processo de
formação fragmentada, proposto pelo Departamento de História, apesar da dificuldade
de explicitação, está proporcionando ao corpo discente uma formação adequada ao
mundo contemporâneo.

Para os alunos, podemos comentar de um lado que com a aprendizagem da prática de


pesquisa - seleção de tema, seleção de fontes, coleta de dados, análise de conteúdo,
contextualização e redação de um texto sobre a pesquisa e os resultados obtidos, houve
a possibilidade de aprender como usar material diferenciado do tradicional (textos de
livros e excertos de documentos), experiência que pode ser transmitida a práticas de
ensino de história em outros níveis. Por outro lado, esperamos que os mais renitentes
tenham aprendido a aceitar a produção cultural da sociedade em que vivem.
Consideramos que se há experiência e vivência da postura crítica em relação à formação
socioeconômica e cultural em que estão inseridos, a manutenção de preconceitos sobre a
‘cultura de massa’ e a exigência do cânone cultural são elementos contraditórios que
precisam ser enfrentados. E o que a nosso ver foi o mais importante: tiveram eles a
experiência da apreensão ‘a quente’ de dois conceitos teóricos que marcam a sociedade
atual – a da circularidade das idéias na cultura, e, a da fragmentação das identidades
sociais. Lembramos ainda que nas análises de conteúdo foram localizadas algumas das
teorias de história, que haviam sido apresentadas e discutidas no transcurso das aulas
teóricas e das leituras, demonstrando na prática a longa vigência de idéias na cultura e
na sociedade.

Os textos que seguem a esta apresentação são todos os trabalhos de curso da disciplina,
resultantes das pesquisas e análises dos alunos. Alguns são trabalhos individuais, outros
coletivos. Cada um deles representa a trajetória de pesquisa que foi percorrida, os
interesses, curiosidades e idiossincrasias dos autores. Não foi realizada a normalização

23
BAHKTIN, M.. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento. São Paulo: HUCITEC;
Brasília:UnB, 1987.
dos textos e nem estão apresentados os comentários da avaliação. A finalidade da
publicação é reconhecer os esforços empregados na pesquisa, o empenho e interesse
demonstrado, além de colaborar com outras pessoas que tenham alguma curiosidade
sobre o material de divulgação de história impresso disponível em bancas de jornal.

Agradeço a Silene Ferreira Claro, doutoranda no Programa de História


Social/FFLCH/USP, linha de pesquisa História da Cultura, monitora da classe no
PAE/FFLCH/USP primeira fase, o apoio, as sugestões e a relação estabelecida com a
classe, que muito contribuíram para o bom desenvolvimento do curso e das atividades.
E a todos os alunos que cursaram a disciplina e que no decorrer do semestre
selecionaram o material com que pretendiam trabalhar, defenderam suas escolhas,
descreveram as dificuldades encontradas, apresentaram as soluções e os resultados
obtidos. Eles se encontraram com o que os pesquisadores em história costumam
enfrentar: problemas de acesso a fontes e as informações, impossibilidade de usar o
material inicialmente previsto, desconforto com os resultados obtidos, questões que não
puderam ser respondidas, e tudo o mais que acontece depois do trabalho escrito e
entregue.

Espero que a experiência tenha sido tão proveitosa para eles como foi para nós e que a
noção de que estamos imersos na história – mesmo explorando um tema restrito e
aparentemente limitado, tenha se tornado mais clara e compreensível. E que a função da
disciplina Teoria da História no processo de formação tenha adquirido sentido.
São Paulo, segundo semestre de 2005.
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FACULDADE DE FILOSOFIA,LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS

PÚBLICOS

GRUPO DE TRABALHO: Julio Célio; José Ailton; Flavio Salgueiro.


PROFESSORA: Dra. Raquel Glezer.
CURSO: Teoria da História I.
PERÍODO: Noturno.
SEMESTRE: Primeiro Semestre de 2005.
PROPOSTA: Trabalho sobre documentos apresentados na revista Nossa História.
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SUMÁRIO

- INTRODUÇÃO ............................................................. III

- AMOSTRAGEM ............................................................ V

- FICHAMENTO DO CONTEÚDO DAS SUBSEÇÕES “DOCUMENTO” E


“DECIFRE SE FOR CAPAZ” ......................................... VII E XXIX

- ESTATÍSTICAS POR SUBSEÇÃO ............................... LIII E LV

- ESTATÍSTICAS GLOBAIS ....................................... LVII

- ENTREVISTA FEITA À REVISTA ............................... LIX

- CONSIDERAÇÕES E CONCLUSÕES .......................... LXI

- BIBLIOGRAFIA ............................................................... LXVII

- ANEXOS ................................................................ LXVII

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TRABALHO SOBRE DOCUMENTOS APRESENTADOS NA REVISTA NOSSA HISTÓRIA

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INTRODUÇÃO
Para a realização deste trabalho, foi escolhida a Revista Nossa História, editada pelo
Conselho de Pesquisa da Biblioteca Nacional, em parceria com a editora Vera Cruz. Esta Revista faz
parte de um conjunto de publicações relacionadas à História que apresentaram um crescimento
repentino e muitas delas surgiram por volta dos últimos três anos no mercado nacional. Algumas
tratam apenas de temas relacionados à História, nesse sentido são especializadas, outras
esporadicamente utilizam esses temas no conjunto de suas matérias científicas.
Este fato demonstra que há um público leigo com grande interesse por História. A demanda
foi certamente observada pelo mercado editorial, principalmente no que se refere aos assuntos
relacionados à História. Esta percepção do mercado editorial está inserida no recente aumento de
publicações de assuntos científicos, direcionados a leitores não especializados, mas que possuem
grande interesse pelas ciências num sentido genérico, como demonstram os exemplos de outras
revistas similares, História Viva, American Scientífic, Grandes Líderes, Super Interessante, entre
outras de grande tiragem.
Este processo desencadeou uma competição nesse mercado, existindo atualmente muitas
publicações, com abordagens diferenciadas da História, algumas de qualidade facilmente
perceptível, outras de qualidade duvidosa segundo a crítica especializada, mas que tentam atender de
formas diversas as necessidades dos leitores, voltadas para consumidores de variadas condições
sociais, considerando os diferentes perfis existentes. Um dos objetivos gerais desta análise é
averiguar como a utilização de documentos pela revista em estudo pode conferir qualidade ao
conjunto, bem como as possíveis impressões que pode ter o leitor desse material.
Tendo em vista que um dos objetivos gerais do conjunto dos trabalhos desenvolvidos pelos
alunos neste curso será busca da compreensão desse fenômeno na sociedade brasileira, é importante
observar se a demanda é a única responsável ou se em alguma medida, essas publicações despertam
ou estimulam o interesse do grande público, ou mesmo como se dá a interação desses dois fatores.

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Nesse sentido, será analisado como os documentos se inserem nesse contexto, e quais os
objetivos da Revista Nossa História na utilização desse material. (seja o princípio de democratizar o
acesso ao material; divulgá-lo; o posicionamento metodológico dos editores; intenção de conferir um
aspecto de idoneidade para a Revista e quais as implicações teóricas, entre outros).
Foram escolhidas entre as várias seções da Revista “Nossa História”, duas subseções que
trabalham invariavelmente com documentos em todos os números até então publicados: a subseção
“Documento” da seção “Por Dentro da Biblioteca” e a subseção “Decifre se for capaz” da seção
“Almanaque”.
A primeira seção apresenta informações gerais sobre a Biblioteca Nacional, sejam assuntos
relacionados à história da instituição, os serviços que presta à sociedade, estrutura administrativa,
eventos, etc. Além disso, a subseção Documento tem a função de divulgar aos leitores o acervo
documental alocado em seus arquivos, mas utiliza os documentos de maneira predominantemente
ilustrativa, de modo que a leitura, quando possível, é muito limitada.
A segunda localiza-se nas páginas finais da revista, a qual traz informações curtas sobre fatos
pitorescos, curiosidades, frases emblemáticas, charges, etc, relacionados a diversos temas e
acontecimentos da história brasileira. Especificamente na subseção Decifre se for Capaz, os editores
apresentam na íntegra um documento manuscrito, com uma grafia que apresenta certa dificuldade de
leitura e sugerem ao leitor, através de um sucinto enunciado, que tente lê-lo. Ao lado do documento
está a transcrição, numa estreita coluna na borda lateral da página, com letra pequena, em posição
invertida para que o leitor possa averiguar suas dúvidas, erros ou acertos.
As duas subseções escolhidas estão relacionadas pela utilização invariável de documentos de
época relacionados à história do Brasil, sendo preferencialmente parte do arquivo da Biblioteca
Nacional ou do Arquivo Nacional.
Partindo do princípio de que estas seções fazem um uso diferenciado dos documentos como
recurso, serão analisadas as subseções quanto à forma que os apresenta, se são comentados ou
acompanhados de um texto explicativo (no caso afirmativo, qual a abordagem desse texto), sua
procedência, a instituição em que estão guardados, disponibilidade ao público, estado de
conservação, temas, se os editores seguem uma tendência mais tradicional na seleção do material ou
seguem tendências mais progressistas da historiografia, em qual medida representa uma função ou

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objetivo didático para o grande público nesse contato com o acervo da biblioteca nacional, e num
sentido amplo, como esses documentos se adequam aos objetivos gerais da revista.
A revista Nossa História tem vinte números publicados entre Novembro de 2003 e Junho de
2005, dentre os quais foram escolhidos como uma amostragem para análise doze números, os quais
correspondem a 60% das publicações. Com referência à abordagem proposta, não foi necessário
adotar uma seqüência regular nesta escolha, mas pautou-se apenas pela seleção de alguns dos
primeiros números, outros intermediários e os mais recentes, para que fosse possível uma análise
abrangente, com um panorama mais completo para averiguar os objetivos dos editores e as
conseqüências do uso de tal recurso.
Assim, são os seguintes os números:

NÚMERO ANO PUBLICALÇÃO MÊS / ANO


01 01 NOVEMBRO 2003
03 01 JANEIRO 2004
09 01 JULHO 2004
10 01 AGOSTO2004
11 01 SETEMBRO 2004
12 01 OUTUBRO 2004
13 02 NOVEMBRO 2004
14 02 DEZEMBRO 2004
15 02 JANEIRO 2005
17 02 MARÇO 2005
18 02 ABRIL 2005
19 02 MAIO 2005

Serão analisadas as duas subseções mencionadas, sendo duas por cada revista. Desse modo,
teremos vinte e quatro subseções compondo o material desse trabalho.
Partindo do princípio de que é necessária uma padronização analítica para obtenção de
conclusões ou considerações plausíveis, uma vez que há grande variedade nesse material quanto à
realidade em que foram produzidos e os fins a que se destinavam, mas mesmo assim são utilizados

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pela revista de modo invariável ao longo dos vinte meses de publicação da revista, foram elaboradas
questões, as quais vão compor um fichamento comum às duas subseções, para que através delas
possa ser extraído o maior número de informações, com certa segurança por evidenciarem as
tendências e aproximações que se deseja obter.
A finalidade prática do questionário aplicado às subseções e em alguns casos especificamente
aos documentos, é a obtenção de uma expressão estatística da amostragem que pudesse nos conduzir
a uma análise final. O critério utilizado para as respostas foi definido quando da formulação das
questões, para que não houvesse erros de interpretação. Algumas perguntas requerem respostas que
vão além do óbvio, mas a padronização das respostas tem por objetivo captar não os termos
absolutos, mas sim o caráter predominante.
Desse modo, foram empregados nas estatísticas simplesmente os termos “sim” e “não” ou
outros enquadramentos específicos, com objetividade. Estará anexada na seqüência de cada
questionário, uma cópia da subseção analisada, para que possa ser visualizada e comparada com as
respostas fornecidas, com rapidez e facilidade. Mas a importância dos fichamentos é que neles estão
demonstradas, além das respostas objetivas a determinadas questões, conteúdos analíticos que
justificam esta determinação justamente por existirem algumas questões que indicam certa
relatividade.
Além disso, não há prejuízo para o resultado estatístico, pois não serão consideradas
precisamente as porcentagens, mas sim o que elas indicam como tendência, tendo sempre em vista
uma margem considerável de erro. A obtenção dessas tendências gerais é outro objetivo pretendido
com os fichamentos, porém sem descuidar das especificidades de cada uma das vinte e quatro
subseções averiguadas.
As questões vão da maneira como a revista apresenta os documentos, da qualidade de leitura
do documento, até sua contextualização. Nos preocupamos em saber, por exemplo, se os
documentos vinham acompanhados de explicações didáticas úteis ao leitor leigo. Por fim, é a nossa
proposta colher os dados das análises destes documentos caso a caso numa análise geral, que revele
como a revista Nossa História escolhe e publica os documentos que aparecem em suas páginas.
A seguir, reproduzimos o fichamento dos documentos:

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SUSEÇÃO “DOCUMENTO”

Nome: Nossa História


Editora: Vera Cruz
Seção: Por Dentro da Biblioteca
Subseção: Documento
Ano / Nº: 1 / 01
Data: Novembro / 2003
Número de Página: 8 e 9.
Preço: R$ 6,80

1º) Resumo da seção (assunto e conteúdo):


A subseção apresenta um texto em três colunas, com dois documentos sobre o mesmo assunto, um
impresso e predominantemente ilustrativo na página oito e outro, manuscrito, em toda a página
nove. O primeiro foi elaborado para divulgação ao publico em virtude da importância do
acontecimento a que se refere. O segundo foi apenas uma minuta de despachos habituais do poder
executivo. Com o título “Uma lei contra a infâmia”, esta subseção inicia o texto de apoio com a
contextualização destes documentos referentes ao decreto da lei Áurea.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Há os dois tipos, mas o impresso tem função predominantemente ilustrativa, o manuscrito preenche
uma página da revista.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Sim. A princesa Isabel.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim, o manuscrito está na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional, o impresso no Arquivo
Nacional.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


Abolição da escravidão, regime de trabalho, racismo, entre muitos outros que podem ser
relacionados.

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9º) O tema é recorrente na história nacional?
Sim.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Não.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


Predomina o caráter publico, oficial no sentido de ser comunicado pelo Estado.

12º) Há informações novas ou curiosas?


Sim, a edição em separado de um documento para divulgação ao público.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Não.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim. O aproveitamento da seção em seu conjunto pode servir de ensejo para outras questões sobre o
Brasil, principalmente os temas relacionados ao regime de trabalho, economia, composição étnica e
racial da sociedade brasileira, entre outros.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Análise e descrição são superficiais, predominando a contextualização.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Sim, mas o impresso é mais ilustrativo.

17º) Há iconografia no documento?


Não no manuscrito, no impresso há.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Economia e política.

19º) Em qual época se insere o documento?


Final do período monárquico.

Conclusão
A revista apresenta um documento de relevância como fonte para o estudo de História, pois
representa um marco para a sociedade brasileira. A revista valoriza o documento manuscrito ao
publicá-lo ampliado em uma página, democratizando assim o acesso do material ao grande público.
O texto de apoio tem um caráter didático destacado, com contextualização, informação sobre o
conteúdo do documento e análises.

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Nome: Nossa História


Editora: Vera Cruz
Seção: Por Dentro da Biblioteca
Subseção: Documento
Ano / Nº: 1 / 03
Data: Janeiro / 2004
Número de Página: 8 e 9.
Preço: R$ 6,80

1º) Resumo da seção (assunto e conteúdo):


A subseção apresenta um texto em praticamente duas colunas, em duas páginas, cada qual contendo
uma página do documento, o qual também totaliza duas páginas. O título da subseção é “Medida
provisória ... até hoje”, e a matéria contextualiza a carta de abertura dos portos, a qual refere-se a
uma medida tomada por Dom João VI em caráter provisório, logo que a corte se transferiu para a
colônia, em 1808. Ao final, a revista informa que o documento pertence ao acervo da Biblioteca
Nacional e naquele momento estava em exposição. O documento è conhecido como carta ao Conde
da Ponte, escrita por Dom João VI.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Manuscrito.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não, há apenas a coincidência do mês de janeiro, no qual circulou a revista e foi produzido o
documento.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Sim. O príncipe Dom João VI.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim, está na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


Comércio exterior e emancipação nacional.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Sim.

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10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Sim, o caráter provisório de tal iniciativa, mas que não resultou em revogação.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


Predomina o caráter oficial.

12º) Há informações novas ou curiosas?


Não.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Não. Apenas a informação sobre o caráter provisório, mas que não altera a concepção geral sobre
o fato.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim. O aproveitamento da seção em seu conjunto pode servir de ensejo para outras questões sobre o
Brasil, principalmente os relacionados à emancipação política.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Analise e descrição são superficiais, predominando a contextualização.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Sim, em duas páginas.

17º) Há iconografia no documento?


Não.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Economia e política.

19º) Em qual época se insere o documento?


Final do período colonial.

Conclusão
A revista apresenta um documento de relevância como fonte para o estudo de História, pois
representa um marco fundamental segundo a historiografia atual, no processo de emancipação
política do Brasil. O texto de apoio tem um caráter didático destacado, com contextualização,
informação sobre o conteúdo do documento e análises.

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Editora: Vera Cruz
Seção: Por Dentro da Biblioteca
Subseção: Documento
Ano / Nº: 1 / 9
Data: Julho / 2004
Número de Página: 12 e 13
Preço: R$ 6,80

1º) Resumo da subseção (assunto e conteúdo):


Com o título “Zumbidos ilustrados” a Revista apresenta três páginas do periódico humorístico “A
Lanterna Mágica”, de Manuel de Araújo Porto Alegre, e um texto de apoio que preenche duas
páginas da revista, juntamente com os documentos ilustrados e iconografias. O texto informa,
contextualiza e superficialmente analisa a importância desse material.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Não, impresso.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Não atualmente, mas foi produzido por um jornalista durante o primeiro reinado.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim, uma grande coleção de periódicos do Século XIX está na Divisão de Obras Raras da Biblioteca
Nacional.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


Políticos e sociais.

9º) O tema é recorrente na história nacional?

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Sim, considerando a variedade de assuntos tratados.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Sim, de certa maneira. Alguns ficcionais, outros ironizam a realidade.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?

É um jornal periódico de acesso público.

12º) Há informações novas ou curiosas?


Sim, uma vez que a imprensa trata com humor e sátiras temas do cotidiano urbano.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Não.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim. A matéria apresenta um jornal periódico que apresenta com humor e sátiras temas da política
e cotidiano do Rio de Janeiro, com charges e caricaturas.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Analisado, com indicação do conteúdo e contexto histórico, alem dos produtores e sua atuação
social. São analisados quanto aos recursos gráficos, a valorização da fotografia na imprensa e os
temas.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Sim, mas com destaque para a função ilustrativa, ainda que seja possível a leitura. Mas trata-se de
um periódico, contendo a matéria três imagens de documentos.

17º) Há iconografia no documento?


Sim. Charges e caricaturas de personagens que dialogam entre si ou passam mensagem ao leitor.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Política e cultura.

19º) Em qual época se insere o documento?


Monarquia, especificamente no período regencial.

Conclusão
Revista divulga acervo da Biblioteca Nacional, retomando a partir da história da imprensa uma boa
fonte de pesquisa para a história brasileira.

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Nome: Nossa História


Editora: Vera Cruz
Seção: Por Dentro da Biblioteca
Subseção: Documento
Ano / Nº: 1 / 10
Data: Agosto / 2004
Número de Página: 12
Preço: R$ 6,80

1º) Resumo da seção (assunto e conteúdo):


A seção apresenta um texto de três colunas, apresentando na parte superior à esquerda uma
imagem do documento, como representativo de um conjunto de cartas, com letra manuscrita e
legível, mas com destaque para a função ilustrativa. O título da seção é “Cartas de um amador” e
refere-se à produção de cartas escritas por Luis dos Santos Vilhena informando o príncipe
português sobre diversos temas da história da colônia e retratando a situação colonial. O texto de
apoio contextualiza os documentos, comenta seu conteúdo e analisa alguns aspectos.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


O texto é manuscrito.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Não.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim, uma cópia está na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


Produção de História colonial, política, administração e economia do período.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Sim. Genericamente os documentos tratam de temas variados, os quais se inserem em diversos
aspectos da produção histórica do período colonial.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?

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Não é possível saber, mas trata essencialmente da história da colônia.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


Predomina o caráter privado, mas de interesse do Estado.

12º) Há informações novas ou curiosas?


Segundo o texto de apoio, os documentos possuem diversas informações históricas, mas nada de
específico pode ser destacado porque o documento tem na matéria uma função basicamente
ilustrativa.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Não. Apenas acrescenta novas informações sobre a história a partir de diversos temas sobre a
colônia.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim. O aproveitamento da seção em seu conjunto pode servir de ensejo para outras questões do
Brasil colonial, mas o documento em si é apenas ilustrativo.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Analisado e contextualizado e descrito o seu conteúdo.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Não, apenas uma página ilustrativa.

17º) Há iconografia no documento?


Não.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Destaca política e economia, pois presta informações para estadistas portugueses sobre a história
da colônia.

19º) Em qual época se insere o documento?


Brasil colonial.

Conclusão
A revista apresenta um documento de relevância como fonte para o estudo de História, e o texto de
apoio tem um caráter didático destacado, com contextualização, informação sobre o conteúdo do
documento e análises superficiais.

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Nome: Nossa História


Editora: Vera Cruz
Seção: Por Dentro da Biblioteca
Subseção: Documento
Ano / Nº: 1 / 11
Data: Setembro / 2004
Número de Página: 12
Preço: R$ 6,80

1º) Resumo da subseção (assunto e conteúdo):


A matéria está na página doze da revista, tendo como título “Suspiros de um Imperador
apaixonado”. Refere-se às correspondências entre Dom Pedro I e Domitila C. C. Melo, as quais
foram produzidas entre 1822 e 1829, tempo que durou o romance. O texto tem início com um trecho
de uma das cartas, escrita pelo imperador em Maio de 1824. Segue indicando características da
personalidade do imperador e apontando detalhes do romance que teve com Domitila, bem como a
repercussão.A matéria faz referência a existência de muitas dessas correspondências em diversas
instituições, sendo que o Arquivo Nacional e a Biblioteca nacional possuem um conjunto de nove
cartas, uma de 1924 e as demais de 1928. Informa sobre a publicação desse material pela Nova
Fronteira com o título “Cartas de Dom Pedro I à Marquesa de Santos”.O trecho final do texto faz
referência ao tema do adultério, uma prática comum entre reis e rainhas das cortes européias,
informando ainda que Dom Pedro I teve outras amantes.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Manuscrito.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Sim. Os documentos especificamente não estão diretamente relacionados com o conteúdo de outras
matérias, mas estão inseridos no contexto de que trata o assunto da capa, a independência do
Brasil. Sendo Dom Pedro I o principal protagonista desse episódio, estes documentos apresentam
alguns indícios a respeito da vida privada e social do primeiro governante do Brasil.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Sim. Estão relacionam-se à independência do Brasil, data comemorada mês desta edição.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Sim. O nome mais destacado é o de Dom Pedro I, bem conhecido por nós todos. A pessoa com a
qual se corresponde é uma figura tanto secundária, a qual adquiriu maior destaque na história
nacional exatamente por ser amante de Dom Pedro.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim, uma cópia está na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional.

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8º) Quais os temas a que se refere o documento?


Não é possível saber, pois não estão apresentados na íntegra. Somente as informações do texto da
matéria destacam que eram cartas amorosas próprias de um casal de amantes, além do
compartilhamento de preocupações cotidianas.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Não. Somente se considerados os estudos de História da vida privada relacionados com figuras de
destaque da política nacional, os temas teriam abordagens similares.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Sim, o relacionamento entre um casal, fora das regras formais da sociedade. Não é possível
considerar outros dados porque os documentos não são apresentados na íntegra.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


A comunicação é estritamente privada, mas Dom Pedro I assina como Imperador, dirigindo-se a
uma personalidade com títulos, eram figuras de destaque ou influência na política nacional.

12º) Há informações novas ou curiosas?


Sim, segundo se depreende do texto da matéria.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Não, apenas informações sobre as preocupações com problemas cotidianos do casal para além das
frases afetivas, bem como a trajetória do relacionamento.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim, para ilustrar as relações cotidianas, despertar o interesse relacionado a uma figura de
destaque na história política do Brasil ao observar outros aspectos de sua vida. Também é possível
demonstrar a mentalidade da época, recursos materiais e humanos, e outros temas que podem
surgir segundo a criatividade do professor. Mas o uso apenas das ilustrações e dos comentários da
revista, ainda que muito mais limitados, podem dar ensejo à argumentação do professor e despertar
o interesse dos alunos.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Predomina a análise a partir de descrições breves.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Não, são apenas ilustrativos.

17º) Há iconografia no documento?


Não.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Social e político.

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19º) Em qual época se insere o documento?


Monarquia, especificamente o primeiro reinado.

Conclusão
Estes documentos não podem ser lidos, são meramente ilustrativos. Tudo que é afirmado deve ser
compreendido como contextualização, e análise contida no texto de apoio.

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Nome: Nossa História
Editora: Vera Cruz
Seção: Por Dentro da Biblioteca
Subseção: Documento
Ano / Nº: 1 / 12
Data: Outubro/2004
Número de Página: 14
Preço: R$ 6,80

1º) Resumo da subseção (assunto e conteúdo):


Trata-se de um documento em que a metrópole proíbe a instalação de indústrias manufatureiras no
Brasil. Assim, o documento demonstra a idéia de que Portugal tinha ciência de ser totalmente
dependente economicamente do Brasil. E de que o desenvolvimento do Brasil em termos industriais
não era interessante ao Estado Nacional Português.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Sim.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Sim, do ministro português Luís da Cunha

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim, uma cópia está na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


O tema é a dependência de Portugal em relação à colônia Brasil. Trata-se de um Alvará de janeiro de
1785, que proibia a instalação de manufaturas no Brasil.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Sim, é um dos mais estudados na historiografia.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Não.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS XXX


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Oficial, é uma ordem do governo.

12º) Há informações novas ou curiosas?


Não, é um documento amplamente conhecido por historiadores especializados.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Não.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim, demonstra de maneira clara as relações entre metrópole e colônia.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Analisado, o texto de apoio tenta explicar o que significava a dependência de Portugal em relação
ao Brasil e quais eram as relações políticas e econômicas entre os dois lados do Império.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Não, apenas uma página que não finaliza o documento.

17º) Há iconografia no documento?


Não.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Temas econômicos e políticos.

19º) Em qual época se insere o documento?


Brasil colonial.

Conclusão
A revista apresenta um documento de relevância para o entendimento da questão, e o texto de apoio
tem um caráter didático bem preservado.

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Nome: Nossa História
Editora: Vera Cruz
Seção: Por Dentro da Biblioteca
Subseção: Documento
Ano / Nº: 02 / 13
Data: Novembro / 2004
Número de Página: 14 e 15
Preço: R$ 6,80

1º) Resumo da subseção (assunto e conteúdo):


O documento é um relato que o Mestre de Campo Regente Inácio Correia Pamplona mandou fazer
de sua expedição contra o quilombo de São Gonçalo, na região de Araxá, Minas Gerais. No relato,
o autor se preocupa em destrinchar os aspectos técnicos da organização do quilombo. Por exemplo,
o documento conta com plantas para definir o quilombo.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Sim, com aspectos iconográficos, como as plantas do quilombo.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Sim, o artigo que encerra a revista é uma comparação entre Zumbi e Ganga Zumba. Uma das
reportagens é sobre como a Guerra do Paraguai contribuiu para o fim da escravidão. O documento
detalha uma expedição contra um quilombo.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Sim, o dia da Consciência Negra.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Sim, do caçador de quilombolas Inácio Correia Pamplona. Ele não é o autor do documento, mas o
encomendou.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim, uma cópia está na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional. Está na Internet, nos Anais
disponibilizados pela Biblioteca Nacional.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


As diversas expedições contra os quilombos.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Sim.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?

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Não, trata-se de um documento mais técnico.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


É o registro de uma expedição feito pelo autor da expedição. É um documento público.

12º) Há informações novas ou curiosas?


Sim, o documento certamente traz informações curiosas – o relato dia a dia de uma expedição
contra um quilombo, acrescida de detalhes técnicos e de mapas.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Não. O documento demonstra uma crença válida hoje, a extensa organização interna dos
quilombos.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim, ele é um relato bastante vívido das condições de organização dos quilombos. As imagens, como
plantas e mapas, dão ao professor um recurso eficaz para mostrar como o quilombo se organizada.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Analisado, o texto de apoio contrapõe as opiniões de historiadores importantes e descreve opiniões
que não constam do documento.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Não, apenas uma parte.

17º) Há iconografia no documento?


Sim, uma planta do quilombo.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Ele destaca temas políticos (a luta contra os quilombos) e sociais (a organização interna dos
quilombos).

19º) Em qual época se insere o documento?


Brasil colonial.

Conclusão
A revista apresenta um documento de relevância para o entendimento da questão, e o texto de apoio
tem um caráter didático bem preservado.

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS XXXIV


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Nome: Nossa História
Editora: Vera Cruz
Seção: Por Dentro da Biblioteca
Subseção: Documento
Ano / Nº: 2 / 14
Data: Dezembro / 2004
Número de Página: 13
Preço: R$ 7,80

1º) Resumo da subseção (assunto e conteúdo):


O documento é um tratado ilustrado sobre como pentear os cabelos. Ele estava originalmente na
biblioteca de D.João VI em Lisboa. Com a vinda da família real ao Brasil, o documento veio junto.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


É iconográfico.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Não, trata-se de um documento de pessoa não conhecida, mas do acervo de D. João VI.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim, uma cópia está na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


Etiqueta e comportamento social. Mais especificamente, um tratado sobre as maneiras de se pentear
nas cortes reais européias.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Não.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Sim, modos e maneiras de se pentear.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


É um documento público.

12º) Há informações novas ou curiosas?

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS XXXVII


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DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
Não.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Não.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Não muitos. Serve para estudar alguma coisa do comportamento da corte.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Os dois. A explicação descreve o tratado e finaliza com a consideração acima.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Não, apenas a parte iconográfica.

17º) Há iconografia no documento?


Sim.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Ele fala de comportamento.

19º) Em qual época se insere o documento?


Colônia.
Conclusão
A revista apresenta um documento que, à primeira vista, serve apenas à curiosidade do leitor.

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Nome: Nossa História
Editora: Vera Cruz
Seção: Por Dentro da Biblioteca
Subseção: Documento
Ano / Nº: 2 / 15
Data: Janeiro / 2005
Número de Página: 12
Preço: R$ 7,80

1º) Resumo da subseção (assunto e conteúdo):


Com o título “Armazém de histórias”, esta subseção apresenta como documento o primeiro
periódico brasileiro, o Correio Brasiliense ou Armazém Literário, criado e escrito por Hipólito da
Costa e Impresso em Londres, circulou clandestinamente entre os anos de 1808 e 1822, atendia a
um reduzido público leitor. A imagem do documento se resume a uma ilustração da capa frontal e
de fundo do periódico, em forma de livro, situada na parte inferior centro- direita da página.
Contém a matéria diversas informações sobre a trajetória de Hipólito após seu exilo (1798) e prisão
em Portugal (1800) e fuga para Londres (1805), relacionando seu envolvimento na maçonaria e
atuação na imprensa, além do contato com idéias liberais e conhecimento de países que as
empregaram com co contexto que precedeu a Independência do Brasil. Destaca ainda a matéria, o
caráter pioneiro do Correio Brasiliense e a raridade da obra.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Impresso.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Sim. O nome destacado é o de Hipólito da Costa, precursor da imprensa de periódicos no Brasil.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim, uma grande coleção de periódicos do Século XIX está na Divisão de Obras Raras da Biblioteca
Nacional.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


Não é possível saber, pois não estão apresentados na íntegra. Somente as informações da matéria
destacam que relacionava-se à política, comércio, artes, literatura, ciência, correspondência, e
“miscelânia”, mas as idéias liberais predominavam, no sentido da emancipação do Brasil, sendo
contra o regime de trabalho escravo, os monopólios e a favor da participação popular na política.

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9º) O tema é recorrente na história nacional?


Sim, considerando que era um periódico de assuntos variados, é uma fonte que comporta diversos
debates da época, destacando-se o tema da escravidão e participação política segundo a matéria.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Não é possível considerar outros dados porque os documentos não são apresentados na íntegra.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


A comunicação é pública, exceto pelo fato da circulação ser clandestina e destinada a um reduzido
público leitor.

12º) Há informações novas ou curiosas?


Sim, segundo se depreende do texto da matéria, destacando-se o tema da escravidão e participação
política do povo como idéias liberais avançadas para a época.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Não. Estas informações podem preencher lacunas no pensamento do leitor, mas não há uma crença
geral errônea disseminada atualmente que o documento esclareça.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim. Os documentos podem ser utilizados como recurso didático para ilustrar a política e o debate
de idéias entre 1808 e 1822, entre muitos outros temas relacionados.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Predomina a análise a partir de descrições breves.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Não, são apenas ilustrativos, porém legíveis.

17º) Há iconografia no documento?


Sim.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Predomina o tema da política, sendo possível observar em sentido mais restrito os outros aspectos,
segundo informa o texto da matéria.

19º) Em qual época se insere o documento?


Final do período colonial.

Conclusão
Revista divulga acervo da Biblioteca Nacional, retomando a partir da história da imprensa uma boa
fonte de pesquisa para a história brasileira. Está à mostra apenas a capa na matéria, com função
meramente ilustrativa. A revista usa o espaço para divulgação do acervo da Biblioteca Nacional,

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Isto pode ser afirmado a partir das referências no texto da matéria à existência de apenas duas
obras completas, sendo uma de um colecionador de São Paulo e outra da Divisão de Obras Raras
da Biblioteca Nacional. Nesse sentido a Revista divulga o seu acervo e destaca a raridade.

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Nome: Nossa História
Editora: Vera Cruz
Seção: Por Dentro da Biblioteca
Subseção: Documento
Ano / Nº: 02 / 17
Data: Março/2005
Número de Página: 13
Preço: R$ 7,80

1º) Resumo da seção (assunto e conteúdo):


O documento é um trecho de O Ateneu, de Raul Pompéia, que o autor decidiu não usar por motivos
desconhecidos.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Manuscrito.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Sim, é trecho suprimido da obra O Ateneu, de Raul Pompéia.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim, uma cópia está na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


É um documento de conteúdo artístico e ficcional. Que se encerra em si. O documento não é uma
peça de conhecimento histórico, embora conhecimento histórico posse ser extraído dele.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Não.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Sim, de certa maneira. Mas ficcionais.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


É um documento de acesso privado.

12º) Há informações novas ou curiosas?

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Para leitores não especializados, sim.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Não.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Não muitos. O texto serve para os estudiosos de literatura.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Não é analisado. O que há é uma descrição do Ateneu e de partes do documento.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Não, apenas seu início.

17º) Há iconografia no documento?


Sim, um dos desenhos feitos por Pompéia para ilustrar o livro.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Ele destaca temas artísticos e sociais (na medida em que descreve a vida social de uma época)

19º) Em qual época se insere o documento?


Transição do Império para a República.

Conclusão
Documento de interesse literário, não muito bem explorado pela revista.

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Editora: Vera Cruz
Seção: Por Dentro da Biblioteca
Subseção: Documento
Ano / Nº: 2 / 18
Data: Abril / 2005
Número de Página: 13
Preço: R$ 7,80

1º) Resumo da seção (assunto e conteúdo):


A seção apresenta um texto de três colunas, apresentando na parte superior e central à direita uma
imagem do documento, em forma de livro aberto, uma imagem ilustrativa. O título do texto é “Na
rota dos corsários”. Segundo a matéria da revista, o documento é um caderno de duzentos e oito
páginas, produzido anonimamente e sem indicação de autor, relatando sobre o ataque feito ao Rio
de Janeiro em 1710 pelo pirata francês Jean François Duclerc, e o seguinte feito pelo corsário
também francês René Duguay-Touin, que com três mil e trezentos homens e uma esquadra de
dezoito navios, tomaram o Rio de Janeiro, colocaram em fuga o governador e exigiram um resgate
para deixar a cidade.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


O texto é manuscrito.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não. Há apenas o artigo “Gangues do Rio” que trata sobre a capital do Império e outros dois que
tratam de temas do Brasil colonial, além do conteúdo do documento da subseção decifre se for
capaz, sobre a possibilidade de ataque dos franceses aos portugueses, mas em outro contexto.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Não. Segundo a revista, é um documento elaborado por escrivão anônimo, embora fale de pessoas
com destaque social na época.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim, uma cópia está na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


Pirataria, conflitos entre nacionalidades pela exploração colonial.

9º) O tema é recorrente na história nacional?

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Não. É um tema específico do período, só encontrando paralelo na atualidade com outros conflitos
internacionais, mas com expedientes diferenciados.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Sim, informa o leitor sobre minúcias do acontecimento.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


Predomina o caráter publico.

12º) Há informações novas ou curiosas?


O documento certamente traz informações curiosas sobre como funcionava a pirataria, o pedido de
resgate para deixarem a cidade, entre outras.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Não. Apenas acrescenta novas informações sobre a prática da pirataria.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim. O aproveitamento da seção em seu conjunto pode servir de ensejo para outras questões do
Brasil colonial, mas o documento em si é apenas ilustrativo.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Analisado e contextualizado e descrito o seu conteúdo.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Não, apenas duas páginas ilustrativas.

17º) Há iconografia no documento?


Não.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Destaca política e economia e o combate armado como conflito subjacente.

19º) Em qual época se insere o documento?


Brasil colonial.

Conclusão
A revista apresenta um documento de relevância para o entendimento da questão, e o texto de apoio
tem um caráter didático destacado, com contextualização, informação sobre o conteúdo do
documento e análises superficiais.

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS XLVIII


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Nome: Nossa História
Editora: Vera Cruz
Seção: Por Dentro da Biblioteca
Subseção: Documento
Ano / Nº: 2 / 19
Data: Maio / 2005
Número de Página: 13
Preço: R$ 7,80

1º) Resumo da subseção (assunto e conteúdo):


Com o título “Entre um Bordado e outro”, a revista apresenta “O jornal das senhoras”, que
começou a circular em 1852, editado por mulheres. Há contextualização do documento e breve
análise de alguns temas históricos e sociais que suscita, como a “emancipação feminina”.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Impresso.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Não.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim, o periódico está na Divisão de Obras Raras da Biblioteca Nacional.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


Sociais, como relações de gênero, além de economia, neste caso ligado ao mercado de trabalho e a
atividade produtiva e cultural feminina.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Sim, a emancipação feminina, assumindo outros papéis sociais além dos tradicionais.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Não é possível considerar outros dados porque os documentos não são apresentados na íntegra.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


Não, é um jornal periódico de acesso público.

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12º) Há informações novas ou curiosas?
Sim, informa ao leitor temas de interesse feminino e sobre o cotidiano.
13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo
do(s) documento(s)?
Sim, demonstram que as mulheres tinham uma atuação social além dos limites tradicionais que é
comum imaginar.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim, é possível utilização para tratar do período, concentrando-se nos temas da atuação feminina
na sociedade e outros relativos à história do cotidiano.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Analisado, com indicação do conteúdo e contexto histórico.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Não, apenas uma página de um jornal periódico.

17º) Há iconografia no documento?


Sim.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Culturais, religiosos e sociais.

19º) Em qual época se insere o documento?


Monarquia, especificamente o segundo reinado.

Conclusão
A revista apresenta um documento de relevância para o entendimento da história do Brasil, com as
inúmeras possibilidades de investigação histórica a partir do documento, e o texto de apoio tem um
caráter didático destacado.

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SUSEÇÃO “DECIFRE SE FOR CAPAZ”

Nome: Nossa História


Editora: Vera Cruz
Seção: Almanaque
Subseção: Decifre se for capaz
Data: Novembro / 2003
Ano / Nº: 1 / 01
Número de Página: 89
Preço: R$ 6,80

1º) Resumo da seção (assunto e conteúdo):


A subseção traz um enunciado sugerindo ao leitor que experimente ser paleógrafo e tente decifrar o
conteúdo do documento, informando que foi escrito pelo rei de Portugal em 1703, ao Governador
da Capitania do Rio de Janeiro, para que não permitisse que escravas usassem seda e ouro.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Sim.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Sim, o Rei de Portugal e o governador do Rio de Janeiro em 1703.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim, mas com certa dificuldade para o leitor.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


Predomina o tema social, especificamente com referência ao regime de trabalho escravo e
condições de mobilidade social e propriedade material.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Sim, uma informação específica que pode ser inserida na consideração dos temas sociais.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Sim, a determinação contrária indica a ocorrência do fato, ou seja, de que escravas usavam estes
objetos.

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11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


É um documento oficial.

12º) Há informações novas ou curiosas?


Sim, o uso de vestimentas e adornos de alto valor por escravas.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Sim, contraria a imagem recorrente no imaginário dos brasileiros de que os escravos não tinham
bens materiais. Ainda que essa possa ser a tendência predominante, o tema remete à complexidade
das formas tomadas na escravidão, variando conforme o tempo e a região, e que alguns escravos
tinham bens materiais.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim, a partir do documento pode-se analisar temas como o racismo e intolerância étnica na
sociedade brasileira e suas raízes históricas, além das variações e negociações empreendidas para
o funcionamento do regime de trabalho escravo, entre outros temas relacionados.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Não há análise nem descrição, apenas a transcrição do conteúdo e uma informação no enunciado
sobre o assunto, datas e autores.
16º) O documento é apresentado na íntegra?
Sim.

17º) Há iconografia no documento?


Não.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Ele destaca temas sociais e econômicos.

19º) Em qual época se insere o documento?


Brasil colonial.

Conclusão
A revista indica quem escreveu o documento e em qual data foi produzido, a quem foi endereçado e
o assunto, no enunciado. Demais conclusões e considerações sobre o assunto tratado ficam a cargo
do leitor do documento.

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DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
Nome: Nossa História
Editora: Vera Cruz
Seção: Almanaque
Subseção: Decifre se for capaz
Data: Janeiro / 2004
Ano / Nº: 1 / 03
Número de Página: 91
Preço: R$ 6,80

1º) Resumo da seção (assunto e conteúdo):


A subseção traz um enunciado sugerindo ao leitor que tente decifrar o conteúdo do documento,
informando que foi escrito pelo rei de Portugal D. João V em 1718, ao Governador do Rio de
Janeiro, para que não permitisse o desembarque de ciganos expulsos do Reino. O documento ocupa
a maior parte da página, com a transcrição legível ao lado da imagem.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Sim.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Sim, o Rei de Portugal e o governador do Rio de Janeiro em 1718.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim, mas com certa dificuldade para o leitor.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


Predomina o tema social, especificamente com referência à intolerância étnica e cultural.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Sim, uma informação específica que pode ser inserida na consideração dos temas sociais.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Sim, a determinação contrária indica a ocorrência do fato, ou seja, de que ciganos eram expulsos
de Portugal e não eram bem vindos no Rio de Janeiro.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


É um documento oficial.

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12º) Há informações novas ou curiosas?


Sim, para a maioria das pessoas, já que no Brasil há uma concepção generalizada de tolerância à
imigração de estrangeiros.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Sim, contraria a imagem recorrente no imaginário dos brasileiros de que pessoas marginalizadas
eram mandadas para as colônias sem nenhum critério, mas nesse caso a determinação é
direcionada especificamente para o Rio de Janeiro.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim, a partir do documento é possível analisar temas como o racismo e intolerância étnica na
sociedade brasileira e suas raízes históricas, além de outros temas relacionados.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Não há análise nem descrição, apenas a transcrição do conteúdo e uma informação no enunciado
sobre o assunto, datas e autores.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Sim.

17º) Há iconografia no documento?


Não.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Ele destaca temas sociais relacionados à administração colonial e intolerância étnica.

Em qual época se insere o documento?


Brasil colonial.

Conclusão
A revista indica quem escreveu o documento e em qual data foi produzido, a quem foi endereçado e
o assunto, no enunciado. Demais conclusões e considerações sobre o assunto tratado ficam a cargo
do leitor do documento.

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Nome: Nossa História
Editora: Vera Cruz
Seção: Almanaque
Subseção: Decifre se for capaz
Ano / Nº: 1 / 9
Data: Julho / 2004
Número de Página: 91
Preço: R$ 7,80

1º) Resumo da subseção (assunto e conteúdo):


O enunciado apresenta apenas o assunto, sobre os prejuízos causados por bebida alcoólica já na
época da colonização, e que “faz parte de nossa cultura”. Em seguida apresenta o documento
manuscrito na íntegra a solução.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Sim.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Não.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim, segundo a Revista Nossa História.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


Saúde publica, drogas, escravismo, economia e comércio.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Sim, o comércio de bebidas para fornecimento aos escravos. Podem ser estudados temas desde a
produção e comércio desta mercadoria, até os mecanismos de funcionamento de regime de trabalho
escravo.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Sim, os conflitos subjacentes ao comércio e consumo desta bebida.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


Predomina o caráter oficial.

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12º) Há informações novas ou curiosas?


Sim, Num sentido de que havia uma demanda dos escravos por este produto.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Sim, revela o consumo de bebida alcoólica inclusive por escravos.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim, principalmente com referencia a temas relacionados com o cotidiano e economia.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Não é analisado nem descrito, há apenas um enunciado que refere aos possíveis prejuízos causados
por um tipo de bebida que faz parte de nossa cultura.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Sim.

17º) Há iconografia no documento?


Não.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Política, administração, sociedade.

19º) Em qual época se insere o documento?


Brasil colonial.

Conclusão
O documento revela uma situação interessante, a demanda dos escravos por bebida alcoólica, e um
padre que protesta contra isso devido aos problemas que pode acarretar.

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Nome: Nossa História
Editora: Vera Cruz
Seção: Almanaque
Subseção: Decifre se for capaz
Data: Agosto / 2004
Ano / Nº: 1 / 10
Número de Página: 91
Preço: R$ 6,80

1º) Resumo da seção (assunto e conteúdo):


A subseção traz um enunciado sugerindo ao leitor que tente decifrar o conteúdo do documento,
informando que foi escrito por D. Pedro II, rei de Portugal, destinado ao governador do Brasil, na
data de 1698, o qual está na Divisão de manuscritos da Biblioteca Nacional. Não he menção no
enunciado sobre o conteúdo da carta, mas trata da realização de uma obra, a casa da alfândega.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Sim.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Sim, o Rei de Portugal D. Pedro II e o governador do Brasil em 1698, Conde de Alvor.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim, mas com certa dificuldade para o leitor.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


Predomina a economia, administração e política do Império português, concentrada na construção
de um órgão com função tributária e de intercambio mercantil.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Sim, uma informação específica que pode ser inserida na consideração destes temas.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Não, apenas informações sobre os expedientes de construção de uma infra-estrutura de
administração colonial

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS LXII


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É um documento oficial.

12º) Há informações novas ou curiosas?


Sim, a realidade da infra-estrutura necessária para a prática da política colonial do Império
português.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Não, apenas informações que confirmam o controle dos portugueses sobre o comércio externo em
sua colônia.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim, a partir do documento se pode analisar o funcionamento do aparato estatal português.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Não há análise nem descrição, apenas a transcrição do conteúdo e uma informação no enunciado
sobre a contextualização.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Sim.

17º) Há iconografia no documento?


Não.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Ele destaca temas políticos (o aparato burocrático português), administrativos e econômicos.

19º) Em qual época se insere o documento?


Brasil colonial.

Conclusão
A revista apenas indica quem escreveu o documento e em qual contexto foi produzido, no
enunciado. Demais conclusões e considerações sobre o assunto tratado ficam a cargo do leitor do
documento.

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Nome: Nossa História
Editora: Vera Cruz
Seção: Almanaque
Subseção: Decifre se for capaz
Data: Setembro / 2004
Ano / Nº: 1 / 11
Número de Página: 91
Preço: R$ 6,80

1º) Resumo da subseção (assunto e conteúdo):


A subseção sugere ao leitor que tente “decifrar”, ler um documento manuscrito apresentado na
íntegra. O documento atende a solicitação de um leitor do Estado de São Paulo, informando que
“tinha grande valia, para muitos, no Brasil escravista”. Datado de 1855, assinado por José de
Alencar, trata-se de uma carta de alforria para uma escrava de nome Ângela, a qual herdou de seus
pais e que lhe prestou serviços desde o tempo que era estudante em Pernambuco e ao longo de sua
vida, estando ambos então com mais de sessenta anos. Por motivo do aniversário de Alencar, a
torna forra gratuitamente e por espontânea vontade passa a ela essa Carta de Alforria, a qual deve
ter pleno vigor ainda que falte outra formalidade, podendo ser registrada em qualquer tabelião.
Acrescenta local, data, e assinatura. A subseção contém o título (“Decifre se for Capaz”), um
enunciado, o documento e uma coluna invertida com a transcrição digitada.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


O texto do documento é manuscrito.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não há uma relação direta, mas insere-se no contexto dos temas abordados em outros artigos e
seções: o regime de trabalho escravo, que surgem nos artigos “O Haiti não foi aqui” de Marcos
Morel, entre as paginas 58 e 63 (sobre a revolução dos escravos no Haiti e sua repercussão no
Brasil) e “Uma família de luta” de Keila Grimberg, entre as páginas 76 e 79, (sobre a família
Rebouças que, embora negros, tornaram-se figuras de renome nas ultimas décadas do Império).

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Sim, atende a solicitação de um leitor de São Paulo.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Sim, quem escreve é José Martiniano de Alencar, famoso escritor brasileiro.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?

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O regime de trabalho escravo; a liberdade como conceito; a legislação e vida social no segundo
reinado.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Sim. O regime de trabalho escravo foi praticado por quase quatro séculos no território nacional.
10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?
O escravo, para ser considerado livre, precisava possuir uma carta de alforria assinada por seu
ultimo proprietário. Os escravos eram bens transmitidos por herança.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


Oficial, uma vez que foi fornecido pelo proprietário à sua escrava, o que a partir de então passa a
comprovar a liberdade da mesma.

12º) Há informações novas ou curiosas?


As novidades são variáveis segundo as informações que o leitor já possui, mas o formato e termos
empregados nesse tipo de documento, além do fato de José de Alencar - uma pessoa muito
conhecida atualmente devido a seus livros - possuir uma escrava, são elementos curiosos para os
leitores em geral. A idade da escrava é outro dado que pode ser observado.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Um escritor como José de Alencar era proprietário de escravos. As informações apenas quanto à
produção literária de Alencar podem provocar no leitor uma ilusão sobre sua vida social. O
documento trás uma informação que pode preencher esta lacuna. Outro dado poderia ser a idade
avançava da escrava, o que leva o leitor a se indagar em qual medida essa liberdade era válida e se
outros escravos conseguiam alforria com menos anos de idade.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
O documento como é exposto na subseção presta-se à utilização pelo professor. O texto pode ser
lido e analisado segundo os temas nele contidos.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Não há análise nem descrição, apenas a transcrição do conteúdo e uma informação no enunciado
sobre a contextualização.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Sim.

17º) Há iconografia no documento?


Não.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Predomina os temas sociais e econômicos, mas com outros subjacentes.

19º) Em qual época se insere o documento?

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Império, especificamente o reinado de Dom Pedro II, em Outubro de 1855.

Conclusão
O leitor do documento entra em contato com uma fonte primária, nesse sentido, muitas informações
precisas são apreciadas, como a data, localidade, os sujeitos envolvidos, a formalidade legal para a
validade de Carta de Alforria, a disposição de Alencar em conceder a liberdade gratuitamente, a
justificativa desta ação, entre outros dados que permitem ao leitor considerar algumas hipóteses de
análise histórica e descartar outras. Uma das conclusões possíveis é que José Martiniano de
Alencar concede gratuitamente alforria à sua escrava de nome Ângela em 1855, a qual tem mais de
sessenta anos de idade.

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Nome: Nossa História
Editora: Vera Cruz
Seção: Por Dentro da Biblioteca
Subseção: Documento
Ano / Nº: 1 / 12
Data: Outubro/2004
Número de Página: 14
Preço: R$ 6,80

1º) Resumo da subseção (assunto e conteúdo):


Trata-se de um documento em que a metrópole proíbe a instalação de indústrias manufatureiras no
Brasil. Assim, o documento demonstra a idéia de que Portugal tinha ciência de ser totalmente
dependente economicamente do Brasil. E de que o desenvolvimento do Brasil em termos industriais
não era interessante ao Estado Nacional Português.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Sim.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Sim, do ministro português Luís da Cunha

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim, uma cópia está na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


O tema é a dependência de Portugal em relação à colônia Brasil. Trata-se de um Alvará de janeiro
de 1785, que proibia a instalação de manufaturas no Brasil.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Sim, é um dos mais estudados na historiografia.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Não.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


Oficial, é uma ordem do governo.

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12º) Há informações novas ou curiosas?


Não, é um documento amplamente conhecido por historiadores especializados.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Não.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim, demonstra de maneira clara as relações entre metrópole e colônia.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Analisado, o texto de apoio tenta explicar o que significava a dependência de Portugal em relação ao
Brasil e quais eram as relações políticas e econômicas entre os dois lados do Império.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Não, apenas uma página que não finaliza o documento.

17º) Há iconografia no documento?


Não.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Temas econômicos e políticos.

19º) Em qual época se insere o documento?


Brasil colonial.

Conclusão
A revista apresenta um documento de relevância para o entendimento da questão, e o texto de apoio
tem um caráter didático bem preservado.

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Nome: Nossa História
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Seção: Almanaque
Subseção: Decifre se for capaz
Ano / Nº: 02 / 13
Data: Novembro / 2004
Número de Página: 91
Preço: R$ 6,80

1º) Resumo da subseção (assunto e conteúdo):


Trata-se de uma carta que demonstra como a ação da pirataria na costa brasileira poderia
atrapalhar o funcionamento burocrático do Império marítimo português. No caso, um seqüestro
executado por piratas na costa da Bahia atravanca o trabalho da inquisição em Goa.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Manuscrito.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Não.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


Inquisição, pirataria e o Funcionamento do Estado Português.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


A combinação entre os temas (pirataria, inquisição) não é recorrente. Mas se formos olhar o
documento à luz do funcionamento do império português (o que é dar um passo além do que a
revista indica), a resposta deverá ser positiva.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Sim, como a preocupação com a saúde de outrem. Como os percalços da viagem marítima.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS LXXII


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FACULDADE DE FILOSOFIA,LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
É um documento privado, uma carta.

12º) Há informações novas ou curiosas?


Não.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Não.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim, a partir do documento se pode analisar o funcionamento do aparato estatal português.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Não há nem um nem o outro.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Sim.

17º) Há iconografia no documento?


Não.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Ele destaca temas políticos (o aparato burocrático português).

19º) Em qual época se insere o documento?


Brasil colonial.

Conclusão
A revista não explica o contexto em que o documento foi produzido. Há apenas uma menção a
piratas baianos e inquisidores em Goa. Ainda assim, é um documento útil para trabalhar a
interconexão do império português.

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS LXXIII


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REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS LXXIV


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FACULDADE DE FILOSOFIA,LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
Nome: Nossa História
Editora: Vera Cruz
Seção: Almanaque
Subseção: Decifre se for capaz
Ano / Nº: 2 / 14
Data: Dezembro / 2004
Número de Página: 97
Preço: R$ 7,80

1º) Resumo da subseção (assunto e conteúdo):


Trata-se de um cartão de natal do século XVIII, na cidade de Santos.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Sim.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não.

Trata-se de data comemorativa?


Sim, é um cartão de Natal.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Não.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Não se sabe.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


Nenhum, além da curiosidade do leitor.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Não.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Sim, um desejo de boas festas.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


Privado.

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FACULDADE DE FILOSOFIA,LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
12º) Há informações novas ou curiosas?
Não.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Não.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Não.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Não há nem um nem o outro.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Sim.

17º) Há iconografia no documento?


Não.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Tema social.

19º) Em qual época se insere o documento?


Brasil colonial.
Conclusão
O documento serve, como está apresentado, como mera curiosidade.

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS LXXVI


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DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS LXXVII


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FACULDADE DE FILOSOFIA,LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
Nome: Nossa História
Editora: Vera Cruz
Seção: Almanaque
Subseção: Decifre se for capaz
Ano / Nº: 2 / 15
Data: Janeiro / 2005
Número de Página: 91
Preço: R$ 7,80

1º) Resumo da seção (assunto e conteúdo):


A subseção sugere ao leitor que tente “decifrar”, ou seja, ler um documento manuscrito
apresentado na íntegra. O documento é da autoria de José Bonifácio de Andrada e Silva, mas não é
datado nem assinado. Trata-se de um texto com o título no qual o autor tenta definir características
do Brasileiro, com muitos valores positivos indicados, usa ao final a metáfora “athenienses da
América”, o que podem vir a se revelar caso não sejam oprimidos pelo despotismo. A subseção
contém o título (“Decifre se for Capaz”), um enunciado, o documento e uma coluna invertida com a
transcrição digitada.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


O texto do documento é manuscrito, de leitura difícil, mas possível.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não. Não há uma relação direta, mas insere-se no contexto somente do artigo da seguinte e ultima
seção “Nosso Historiador”, da professora Lilia Moritz Schwarcz, “Somos Cordiais?”, que fala a
respeito da sociedade brasileira sobre os temas miscigenação e racismo.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não. Os documentos não atendem especificamente à solicitação de leitores. Não há evidências de
elementos como datas comemorativas ou eventos circunstanciais do presente como ensejo para a
retomada dos temas relacionados. O documento propriamente é elemento para a retomada dessa
memória.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Sim, quem escreve é José Bonifácio de Andrada e Silva, ficou conhecido como o “patriarca da
independência” devido à sua influencia política nesse processo.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim. O material possui bom estado de conservação, apresentado em apenas uma folha, permite uma
leitura com certa dificuldade para o público.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim, segundo a Revista Nossa História.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


Identidade dos Brasileiros; Regime político; Educação e cultura.

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS LXXVIII


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DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Sim, os temas estão relacionados e são recorrentes principalmente como objeto de estudo da
História Social e Antropologia.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Não, contém apenas uma análise subjetiva sobre o caráter dos brasileiros.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


Aparentemente o documento não foi destinado diretamente à comunicação, mas sim uma anotação
do pensamento do autor.

12º) Há informações novas ou curiosas?


Sim, As novidades são variáveis segundo as informações que o leitor já possui, mas termos
empregados nesse tipo de documento permitem ao leitor um contato direto com o pensamento de
José Bonifácio, figura muitas vezes só conhecida por fontes secundárias.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Não, apenas revela a visão de um político experiente sobre o caráter dos brasileiros.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim, o documento como é exposto na subseção presta-se à utilização pelo professor. O texto pode
ser lido e analisado segundo os temas nele contidos.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Não é analisado nem descrito, há apenas uma transcrição de seu conteúdo e um breve enunciado
que informa sobre o conteúdo: “conheça um pouco da opinião do patriarca da independência sobre
os brasileiros”.histórica e descartar outras. Não é citada na subseção a localização do documento,
mas provavelmente faz parte do acervo da Biblioteca.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Sim.

17º) Há iconografia no documento?


Não.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Predominam os temas de caráter social e cultural, mas com outros subjacentes.

19º) Em qual época se insere o documento?


Não é possível precisar porque o documento não é datado, mas José Bonifácio viveu entre 1763 e
1838, sendo provavelmente de um período de transição entre Colônia e Império.

Conclusão

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS LXXIX


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DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
O leitor do documento entra em contato com uma fonte primária, nesse sentido, muitas informações
são apreciadas e permitem ao leitor considerar algumas hipóteses de análise

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS LXXX


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DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS LXXXI


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FACULDADE DE FILOSOFIA,LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
Nome: Nossa História
Editora: Vera Cruz
Seção: Almanaque
Subseção: Decifre se for capaz
Ano / Nº: 02 / 17
Data: Março/2005
Número de Página: 91
Preço: R$ 7,80

1º) Resumo da seção (assunto e conteúdo):


Trata-se de um pedido de um pai de família a Dom João VI. A filha do autor do documento, uma
menina de 12 anos, foi “desonrada”. E o autor do documento agora espera que ela se case com o
autor da “desonra”.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Manuscrito.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Não. Mas o destinatário é D. João VI.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Não se sabe.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


A organização da família no século XIX, o papel da mulher e da autoridade paterna.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Sim, os costumes morais no século XIX.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Sim, a sedução de uma jovem por um rapaz.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


Correspondência privada.

12º) Há informações novas ou curiosas?

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS LXXXII


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Não.
13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo
do(s) documento(s)?
Não.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim, por meio dessa história se entende as condições familiares da época.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Não há nem um nem o outro.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Sim.

17º) Há iconografia no documento?


Não.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Ele destaca temas sociais.

19º) Em qual época se insere o documento?


Em qual época se insere o documento?
Brasil colonial.

Conclusão
O documento revela um caráter curioso da época. Um caso de foro íntimo chega ao conhecimento
do governante. A sua intervenção é pedida. Trata-se de documento interessante para entendermos a
estruturação familiar da época.

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS LXXXIII


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FACULDADE DE FILOSOFIA,LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
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REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS LXXXV


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Nome: Nossa História
Editora: Vera Cruz
Seção: Almanaque
Subseção: Decifre se for capaz
Data: Abril / 2005
Ano / Nº: 2 / 18
Número de Página: 91
Preço: R$ 7,80

1º) Resumo da subseção (assunto e conteúdo):


A subseção traz um enunciado informando a data do documento e quem o escreve, o Ministro de
Dom João VI, Dom Rodrigo de Souza Coutinho, indicando que o documento revela o agravamento
da crise que resultou na transferência da corte portuguesa para o Brasil, assim sugere ao leitor que
tente decifrar o manuscrito. Em seguida, o documento ocupa a maior parte da página, estando
assinado e datado. O conteúdo do texto informa sobre a possibilidade de ataque francês às ilhas
portuguesas do Atlântico Norte.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Sim.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Sim, O Ministro Português no Governo de Dom João VI, Dom Rodrigo de Souza Coutinho, além do
Bispo de Funchal.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim, mas com certa dificuldade para o leitor.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


Conflitos políticos entre nações da Europa. A posição de Portugal nessa geopolítica, além do
poderio econômico e militar limitado dos portugueses. Assim, política e guerra estão em destaque.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Sim, a política de alianças de Portugal, a fragilidade econômica e militar do reino, além do conflito
entre nações européias que culminaram na transferência da corte portuguesa para o Brasil.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS LXXXVI


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DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
Não, apenas informações sobre os expedientes de defesa preventiva.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


É um documento oficial.

12º) Há informações novas ou curiosas?


Sim, a iminência de um ataque dos franceses já ocorria no ano de 1799, uma realidade que
antecedeu em anos o resultado drástico do conflito, em 1808.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Sim, o acirramento do conflito entre franceses e portugueses num prazo relativamente longo,
demonstrando que a transferência da corte portuguesa para o Brasil não ocorreu às pressas, mas
era uma possibilidade bem considerada há muito pelos estadistas portugueses.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim, a partir do documento se pode analisar o funcionamento do aparato estatal português.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Não há análise nem descrição, apenas a transcrição do conteúdo e uma informação no enunciado
sobre a contextualização.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Sim.

17º) Há iconografia no documento?


Não.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Ele destaca temas políticos (o aparato burocrático português) e de defesa militar estratégica.

19º) Em qual época se insere o documento?


Brasil colonial.

Conclusão
A revista apenas indica quem escreveu o documento e em qual contexto foi produzido, no
enunciado. Demais conclusões e considerações sobre o assunto tratado ficam a cargo do leitor do
documento.

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS LXXXVII


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Nome: Nossa História
Editora: Vera Cruz
Seção: Almanaque
Subseção: Decifre se for capaz
Ano / Nº: 2 / 19
Data: Maio / 2005
Número de Página: 91
Preço: R$ 7,80

1º) Resumo da subseção (assunto e conteúdo):


Inicia-se pelo enunciado, o qual indica quem se comunicava pela carta e o assunto tratado, que era
a reclamação de que um padre negligenciava o cuidado espiritual dos indígenas. Em seguida são
apresentados o documento manuscrito e a transcrição.

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Manuscrito.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Não.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Não.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Não muito. Carta do Capitão-Mor da Vila de Jacareí ao governador Morgado de Mateus, em 1776.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim, segundo a Revista Nossa História.

8º) Quais os temas a que se refere o documento?


Aculturação, catequese dos índios, administração colonial, Igreja como instituição, etc.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Sim, a catequese e aculturação dos indígenas no Brasil colonial.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Sim, a reclamação do capitão-mor, o que indica a necessidade de cooperação entre a administração
e a Igreja.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


Sim, correspondência entre um capitão-mor e o governador.

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DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

12º) Há informações novas ou curiosas?


Sim, a reivindicação de um administrador de que a Igreja cumprisse sua tarefa de cristianizar os
índios.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Sim. Demonstra que os conflitos entre Igreja e administração, apesar de serem graves, operavam
com certa reciprocidade segundo a forma de colonização adotada pelos portugueses.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim. Os documentos podem ser utilizados como recurso didático para ilustrar o funcionamento da
administração portuguesa e a aculturação e controle dos índios. Também é possível demonstrar a
mentalidade da época e muitos outros temas que podem surgir segundo a criatividade do professor.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Não é analisado nem descrito, há apenas uma transcrição de seu conteúdo e um breve enunciado
que informa sobre o conteúdo, quem escreve, a quem se destina e qual o assunto tratado.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Sim.

17º) Há iconografia no documento?


Não.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, pois lida com a formação da nação brasileira.

19º) Em qual época se insere o documento?


Brasil colonial.

Conclusão
O leitor do documento entra em contato com uma fonte primária, nesse sentido, muitas informações
precisas são apreciadas, como a data, localidade, os sujeitos envolvidos, entre outros dados que
permitem ao leitor considerar algumas hipóteses de análise histórica e descartar outras.
Mas toda análise e conclusão fica a cargo do leitor.

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RESULTADOS ESTATÍSTICOS

Seção - “Por Dentro da Biblioteca”


Subseção - “Documento”

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


São oito documentos manuscritos (66,6%) e quatro impressos (33,3%).

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Em apenas dois casos dos doze analisados (16,6%).

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Em apenas dois casos dos doze analisados (16,6%).

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Em sete dos doze casos analisados (58,3%)

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim, em 100% dos casos. Mas com variação de dificuldade, sendo maior no caso dos
documentos manuscritos, mas também devido à antiguidade do material.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim, em 100% dos casos, segundo informou a representante da revista Nossa História.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Sim, em dois (50%) dos casos.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Sim, em 50% dos casos.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS XCII


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DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
Há sete documentos públicos (58,3%), dois de comunicado oficial (16,6%) e três
documentos privados (25%).

12º) Há informações novas ou curiosas?


Sim, em apenas quatro casos. Ou seja, em 33,3% dos casos.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Sim, em apenas um caso, ou seja, em 8,3% dos casos.
14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim, em onze caso, ou seja, em 91,6% dos casos.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Dos doze documentos, onze são analisados e seis são descritos. Cinco deles são
analisados e descritos. Assim, temos: 91,6% de analisados e 50% de descritos. Nesse
campo, há uma intercessão de 41,6% de analisados e descritos.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Sim, em apenas quatro casos, ou seja, 33,3%.

17º) Há iconografia no documento?


Sim, em sete documentos (58,3%). Nos outros seis não há.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Esta especulação demonstrou uma grande faixa de intersecção entre os temas sócio-culturais,
políticos e econômicos, não sendo possível destacar uma característica predominante nos
documentos.

19º) Em qual época se insere o documento?Em sete dos casos, os documentos se inserem no período
do Brasil colonial, ou seja, 58,3%. Os outros seis correspondem à época do Império, 41,6%.

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RESULTADOS ESTATÍSTICOS

Seção - “Almanaque”
Subseção - “Decifre se for Capaz”

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


Todos os documentos apresentados nesta subseção são manuscritos, 100%.

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Em nenhum deles há uma relação direta com outros conteúdos ou assuntos da revista.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Em apenas dois casos dos doze analisados (16,6%).

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Em seis dos doze casos analisados (50,0%).

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim, em 100% dos casos. Mas com variação de dificuldade para possibilitar a
interação pretendida com o leitor.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim, em 100% dos casos, segundo informou a representante da revista Nossa História.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Sim, em dez casos analisados (83,3%) dos casos.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Sim, em nove dos casos analisados, correspondendo a 75%.

11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS XCIV


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DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
Nenhum documento estritamente público (0,0%), sete de comunicado oficial (58,3%)
e cinco documentos privados (41,6%).

12º) Há informações novas ou curiosas?


Sim, em oito casos. Ou seja, em 66,6% dos casos.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Sim, em seis casos analisados, ou seja, 50% dos casos.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim, em onze caso, ou seja, em 91,6% dos casos.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Dos doze documentos, três são analisados e dez são descritos. Um deles é analisado e
descrito. Assim, temos: 16,6% de analisados e 83,3% de descritos. Nesse campo, há
uma intercessão de 8,3% de analisados e descritos.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Sim, em 100% dos casos.

17º) Há iconografia no documento?


Sim, em apenas três documentos (25,%). Nos outros nove não há.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Esta especulação demonstrou uma grande faixa de intersecção entre os temas sócio-culturais,
políticos e econômicos, não sendo possível destacar uma característica predominante nos
documentos.

19º) Em qual época se insere o documento?

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS XCV


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FACULDADE DE FILOSOFIA,LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
Em dez casos, os documentos se inserem no Brasil colonial, ou seja, 83,3%. Os outros
dois correspondem à época do Império, 16,6%.

RESULTADOS ESTATÍSTICOS

Seção - “Por Dentro da Biblioteca” em conjunto com “Almanaque”


Subseção - “Documento” em conjunto com “Decifre se for capaz”

2º) O texto é manuscrito ou impresso?


São vinte documentos manuscritos (83,3%) e quatro impressos (16,6%).

3º) Há relação entre o documento e demais assuntos da revista?


Em apenas dois casos dos vinte e quatro analisados (8,3%). Em 91,7% não há.

4º) O documento atende a solicitação de algum leitor, retoma a memória a partir de alguma data
comemorativa, ou há outros possíveis motivos pelo qual é utilizado?
Em apenas quatro casos dos vinte e quatro analisados (16,6%). Em 83,3% não há.

5º) As pessoas mencionadas no documento possuem alguma fama ou destaque social ?


Em treze dos vinte e quatro casos analisados (58,3%). Em 45,8% não possuem.

6º) Trata-se de documento em boas condições de leitura?


Sim, em 100% dos casos. Mas com variação de dificuldade, sendo maior no caso dos
documentos manuscritos, mas também devido à antiguidade do material.

7º) Trata-se de documento de acesso público?


Sim, em 100% dos casos, segundo informou a representante da revista Nossa História.

9º) O tema é recorrente na história nacional?


Sim, em dezoito (75,0%) dos casos. Em 25% não.

10º) Há fatos, acontecimentos, situações corriqueiras ou cotidianas que o documento relata?


Sim, em 62,5% dos casos, o que equivale a 15 dos 24 analisados.

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11º) Predomina uma comunicação de caráter oficial, privado ou público?


Há sete documentos públicos (29,2%), nove de comunicado oficial (37,5%) e sete
documentos privados (29,2%).

12º) Há informações novas ou curiosas?


Sim, em doze casos, ou seja, em 50% dos casos.

13º) Há desmistificações, crenças equivocadas vigentes na atualidade, contrariadas pelo conteúdo


do(s) documento(s)?
Sim, em sete casos, ou seja, em 29,2% dos casos. Em 70,8% não há.

14º) Há possibilidade de utilização do documento como recurso didático por parte de professores?
Sim, em vinte e dois casos dos vinte e quatro analisados, ou seja, em 91,6% dos casos.

15º) O documento é analisado ou descrito?


Dos vinte e quatro documentos, treze são analisados e dezesseis são descritos. Seis
deles são analisados e descritos. Assim, temos: 54,1% de analisados e 66,6% de
descritos. Nesse campo, há uma intercessão de 25% de analisados e descritos.

16º) O documento é apresentado na íntegra?


Sim, em dezesseis casos, ou seja, 66,7%. Em 33,3% não é apresentado integralmente.

17º) Há iconografia no documento?


Sim, em dez documentos (41,7%). Nos outros quinze (58,3%) não há.

18º) Relatar qual a tendência predominante e outras destacáveis dos documentos, se relacionados a
temas: religiosos, culturais, políticos, sociais, econômicos, ou ainda outros.
Esta especulação demonstrou uma grande faixa de intersecção entre os temas sócio-culturais,
políticos e econômicos, não sendo possível destacar uma característica predominante nos
documentos.

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19º) Em qual época se insere o documento?
Em dezessete dos casos, os documentos se inserem no período do Brasil colonial, ou
seja, 70,8%. Os outros sete correspondem à época do Império, 29,2%.

ENTREVISTA

COMO A REVISTA NOSSA HISTÓRIA DEFINE A SI MESMA

Interessado em saber como a revista Nossa História define as mesmas questões que fariam
parte do trabalho, o grupo fez um sumário destas questões e enviou à revista. Isso foi feito da
maneira mais simples possível. Um e-mail foi enviado através do site da revista na Internet
(http://www.nossahistoria.net/).
Cerca de uma semana depois, uma pesquisadora da revista, Nívia Pombo Cirne dos Santos,
retornou o e-mail. Na resposta percebemos que a revista se preocupa em não definir regras que
norteiem a escolha dos documentos. Eles podem ser manuscritos ou não, ter iconografias ou não, ter
sido escritos por personalidades importantes ou não...
Noto que no campo “critério de seleção de documentos”, a primeira coisa a ser citada
pela pesquisadora é a “raridade” do documento. Em seguida ela faz uma defesa da diversidade do
documento e, por fim, do interesse que este possa despertar no leitor. A pesquisadora não considera
a relevância histórica do documento. Como já se disse, não é um objetivo da revista produzir
documentos que estejam conectados à edição da revista em si. A seguir, o questionário respondido
pela pesquisadora.

1) Os documentos são apresentados na íntegra?


[Nivia] Na maioria das vezes sim. Apenas em caso de obras raras ou periódicos raros, são
apresentados os frontispícios ou a capa do primeiro número do periódico. Na Seção
Almanaque, eles aparecem na íntegra.
2)Vocês só usam documentos manuscritos ou podem usar também os impressos?
[Nivia] Usamos manuscritos e impressos. No caso do Almanaque, apenas manuscritos e

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originais.
3) Os documentos preservam as iconografias originais?
[Nivia] Sim.
4) Os documentos são de acesso público?
[Nivia] Sim. Este é um critério de escolha.
5) Como é feita a seleção dos documentos?
[Nivia]O primeiro critério é a raridade, ou seja, documentos que não podem ser
encontrados em outros acervos, apenas na Biblioteca Nacional. Priorizamos documentos
produzidos em diferentes momentos da História do Brasil, temáticas que atendam as
diferentes áreas de produção do conhecimentos histórico: a História Cultural
[recentemente, o Jornal das Senhoras], do Cotidiano [as cartas de d. Pedro I a Domitila],
Econômica [Carta de Abertura dos Portos], Política [Manifesto de Manuel de Carvalho Paes de
Andrade...], e outras. Observamos também se os documentos podem despertar a
curiosidade do leitor, como o Tratado de pentear os cabelos. A Seção percorreu ao longo
destes meses todas as Divisões da BN (Manuscritos, Obras Raras, Periódicos,
Iconografia), na tentativa de mostrar também a riqueza e variedade do acervo da
instituição.
6) Os documentos se relacionam com o conteúdo geral da revista?
[Nivia] Não.
7) Os documentos são escritos necessariamente por personalidades conhecidas?
[Nivia] Não.

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CONSIDERAÇÕES E CONCLUSÕES

A julgar pelas estatísticas que obtivemos, não é possível denominar critérios absolutos para
a seleção dos documentos. Entretanto, existe uma linha editorial clara. A entrevista feita com a
pesquisadora reforça essa conclusão anterior, revelando um aspecto fundamental: o documento tem
que ser interessante para o público. O critério interesse é mais relevante do que o critério
importância histórica, critério este que, aliás, não está na resposta da pesquisadora.
Para construir um painel representativo dos documentos usados nas edições de Nossa
História, é preciso considerar especificidades das duas subseções trabalhadas - os documentos são
utilizados de dois modos.
A primeira subseção, “documento”, valoriza o documento ilustrativo, que dá ensejo à
matéria, sendo a análise predominante (91,6%), mas também a descrição (50%). A apresentação na
íntegra destes documentos aparece em apenas 33% dos casos.
Ao contrário, a subseção “Decifre se for Capaz” coloca todos os documentos manuscritos
(100%), sempre relacionados a situações corriqueiras (75%), com informações curiosas (66%) e,
principalmente, com o predomínio da descrição (83%), deixando qualquer análise possível por conta
do leitor. Ou seja, é a idéia de que o documento fala por si mesmo. Diferentemente do que ocorre na
outra subseção, o documento aqui é sempre apresentado na íntegra.
O critério de seleção dos documentos e os objetivos que se deseja atingir editorialmente, os
quais não são necessariamente os mesmos quando o documento é estudado por um historiador,
coloca em prática uma outra modalidade de uso do documento histórico. Analisemos por exemplo a
relação entre o documento e o conteúdo global da revista. O fato de 91,7% dos documentos não
estarem relacionados ao conteúdo da revista corrobora o critério de a importância histórica estar em
segundo plano, como se depreende da entrevista da pesquisadora. O fato de os documentos não
estarem vinculados a datas comemorativas (83,3%) é outro dado que indica isso.

A conclusão questão a questão:

Segue uma conclusão a partir dos dados apurados na amostragem, dividindo-se os termos
analisados pelo grupo de trabalho.

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Documentos manuscritos ou impressos?

Manuscritos, em 83% dos casos. Esta maioria deve-se ao uso contínuo na subseção “decifre”, em
que é importante o documento ter um certo mistério, ser de difícil leitura. Voltamos ao critério do
documento “interessante”. A subseção “documento” apresenta uma queda no uso do documento
manuscrito, embora este ainda seja maioria – 66%. O que corrobora o caráter ilustrativo, citando
apenas parte de um material mais volumoso.

Relação com assuntos da revista?

Não, só em 16,6% dos casos. Isto indica uso contínuo do documento como prática da revista,
divulgação do material da biblioteca, etc. Os documentos em si não são o motivo das matérias. Os
documentos devem se conformar ao padrão imposto pela subseção, o que faz questionar o critério
“raridade”. Subseções são independentes das demais e tem uma forma invariável nas publicações.

O documento retoma a memória por meio de data comemorativa ou efeméride?

Não, apenas em 16,6% dos casos. A conclusão confere com o mesmo sentido da questão anterior. O
documento em si atende a forma requerida pela subseção. Isso vale para uma subseção ou para a
outra. O presente não determina a escolha do documento, mas ele é escolhido para fundamentar a
retomada do passado. Uma revista mensal deve ter certamente um padrão de trabalho. Fazer uma
espécie de trabalho jornalístico adequando os temas atuais à investigação do passado seria o caminho
ideal para um sucesso editorial, mas o caminho mais fácil e constante foi adotado, ou seja, a partir da
variedade de documentos que compõem o acervo da Biblioteca nacional, simplesmente o material é
selecionado e utilizado segundo a forma da subseção.

O documento é escrito por pessoa notável?

Proporcional: 58% sim, 45% não. Isto indica que o destaque da figura envolvida não é um critério
fundamental, mas sim secundário na escolha dos documentos.

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O documento está em boas condições de leitura?

Em 100% dos casos sim. Isto indica outro critério de escolha que contraria a “raridade” mencionada
pela pesquisadora. E reforça o papel de divulgação do acervo da Biblioteca Nacional. Da mesma
maneira, 100% dos documentos estão disponíveis à consulta pública, o que quer dizer mais ou
menos a mesma coisa.

O tema tratado pelo documento é recorrente?

Em 75% dos casos, sim. Mais na “decifre” (83,3%) do que na “documento”. (66,6%). Mas isto é
mais uma conseqüência natural do documento do que um critério de escolha editorial da publicação.
A exceção demonstra isso, mas pode ser considerada a tentativa positiva de resgatar novos temas e
variar os assuntos.

O documento é oficial, público ou privado?

Há equilíbrio, o que é um valor positivo de retomada da história, e não apenas um sensacionalismo


bisbilhoteiro, caso predominassem os documentos privados, por exemplo. Também aponta o
compromisso dos editores com o seu ofício, uma vez que são pesquisadores de história ou áreas
afins, pois compreendem que um documento sempre tem algo a dizer sobre o passado,
independentemente do gênero.

O documento é relevante para informar o público alvo?

Precisaríamos primeiro delimitar qual é o público alvo da revista. Certamente, é um público-alvo


heterogêneo, mas com predomínio dos leigos (no sentido de pessoas não especializadas) em assuntos
de História, mas interessados o suficiente para comprarem uma revista com maior aprofundamento
científico do que algumas de suas concorrentes. Para o historiador, poderíamos dizer que cinqüenta
por cento dos documentos não trazem informações novas. Ou que apenas 30% desmistifica crenças
atuais. A questão é descobrir se há interação adequada com o presente, ou seja, se é possível retomar

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questões do presente a partir dos documentos e como isto pode estimular o interesse do público leigo
que é o público alvo da revista. A revista cumpre esse objetivo em cerca de metade dos documentos
que apresenta (50%).

Existe alguma preferência no período histórico estudado?

Existe, a maioria dos documentos (70,8%) se refere ao período colonial. O restante são sobre o
período monárquico.

Posto isso, retomamos aos objetivos expostos na introdução deste trabalho. Como a seleção
editorial dos documentos publicados se relaciona com o público-alvo, a que interesses
metodológicos ela serve? Primeiramente, devemos dizer que os documentos têm o objetivo de
divulgar o acervo da Biblioteca Nacional. Daí o fato de eles estarem todos em disponibilidade, e de
estarem todos em condições razoáveis de leitura. A democratização do acesso público também é um
objetivo louvável por parte dos editores.
Em segundo, temos que os documentos são usados para retomar a memória do passado, não
para discutir questões da sociedade contemporânea. Há uma certa busca do “exotismo” do
documento. Ele é um manuscrito perdido no tempo, muitas vezes referente ao longínquo Brasil
Colonial.
Não há explicitamente nenhum enquadramento político ou ideológico destacado no uso que
os editores fazem dos documentos. Eles são escolhidos com base em critérios de mercado (são
interessantes?), o que por sua vez reforça os aspectos de “exotismo” do qual falamos no parágrafo
anterior.
Os documentos algumas vezes aparecem descontextualizados, em outras eles não têm seques
explicação nenhuma. Com relação a isto, poderia-se argumentar a apresentação do documento sem
contexto é mais freqüente na subseção “Decifre”. Os editores poderiam argumentar que a subseção
presta-se apenas ao que está escrito no seu título. Ou seja, o leitor deve tentar ler o documento,
independentemente do que estiver escrito nele. Entretanto, isso gera alguma frustração. O leitor
interessado não saberá interpretar o documento, mesmo que chegue a decifrá-lo.

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A revista reproduz um certo fetichismo pelo documento, muito em voga na historiografia do


século XIX. Isto pode ser uma conclusão adicional aos fatores observados no fichamento e à
entrevista feita com a pesquisadora.
Reforçando essa conclusão está o fato de que os editores não se preocupam com história
material, história oral, arqueologia etc. Os documentos apresentados são aqueles mesmos que a
nossa mente forma quando pensamos na palavra documento. documentos raros, antigos, da época
colonial, em papel amarelado, manuscritos... São esses os papeis que a revista busca reproduzir. Ou
seja, a seleção dos documentos adota uma linha tradicionalista.
A grande questão para prosseguirmos o trabalho numa segunda etapa seria decifrar como o
público-alvo da revista, uma publicação mais especializada e com amparo em produtores
acadêmicos, mas não totalmente acadêmica e ainda muito presa a critérios editoriais de mercado,
interage com esse tipo de documentação. Para isso seria preciso ir a campo e entrevistar os
compradores da revista, o que não foi o caso neste trabalho. Pudemos, como foi explicado na
introdução, apenas supor quais foram as principais impressões que o leitor-padrão desta revista teve
ao travar contato com os documentos.
Desse modo, foi possível chegar a algumas conclusões sobre as condições de utilização
destes documentos, com vários aspectos positivos e outros nem tanto, mas sem a preocupação de
encontrar culpados ou heróis, mas apenas constatar uma nova circunstância de inserção social da
história e de uma de suas fontes básicas, que é o documento escrito. Tendo que se adequar aos
objetivos editoriais, os documentos ganham uma nova dimensão, caráter de ilustração legitimadora,
objeto pelo qual se retoma o passado sem conexão com o presente, brincadeira de decifrar similar a
uma palavra cruzada no final de um jornal, entre outras que contrariam em método os estudos
acadêmicos, pois será interessante o contato entre o documento e uma pessoa que não tem o
instrumental adequado para compreende-lo? Assim como os próprios editores que são
pesquisadores, tiveram que se adequar a estas inovações que algumas vezes contrariam seus métodos
tradicionais de abordagem, cabe uma consideração otimista, pois apesar do tom de crítica que possa
parecer pelo que foi dito, talvez não tenham sido tão radicais em sua mudança, pois com o recente
surgimento deste tipo de publicação, é o grande publico que vai dizer qual tipo de história quer para
si.

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BIBLIOGRAFIA

- Foram utilizadas as doze revistas como material do trabalho, com valorosa contribuição das
respectivas aulas, seminários dos demais grupos e textos do curso de Teoria da História I.

ANEXOS

- Tabelas do conteúdo das revistas, para localização das subseções, comparação com o
conteúdo geral, averiguação da metodologia de divulgação histórica para o público, seja pela
constância nas formas ou casualidades dos assuntos, entre muitas outras especulações
possíveis. Foram elaboradas três tabelas, com os seguintes números:

NÚMERO ANO PUBLICAÇÃO MÊS / ANO


11 01 SETEMBRO 2004
15 02 JANEIRO 2005
19 02 MAIO 2005

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NOME DA REVISTA: Nossa História


EDITORA: Vera Cruz
DATA: Setembro de 2004
ANO E NÚMERO: 01 / 11
NÚMERO DE PÁGINAS: 98
VALOR EM R$: 6,80

ORGANIZAÇÃO INTERNA:
SEÇÃO PÁG. SUBSEÇÃO PÁG.
Setembro 2004 6a9 (Artigos diversos) -----
Por dentro da Biblioteca 10 a 12 Documento 12
Capa 14 a 23 “Independência ou morte” e Artigos -----
Olhares 24 a 27 (Artigos) -----
Quem 30 a 33 ---------- -----
Entrevista 34 a 37 ---------- -----
Ensino 80 a 83 “Criatividade para a cidadania” 82
Letras e Escritas 84 a 87 ---------- -----
Almanaque 88 a 91 A frase do mês / Nossa charge / Histórias da nossa 88 / 89
história / Outros Janeiros / Decifre se for capaz 90 / 91
Acontece 92 a 95 Exposições e eventos / Turismo Histórico / 92/ 93
Portal de história / Livros 93/ 94
Cartas 96 a 97 Classificados / Pergunta do Leitor / Cartas / 95 / 96 /
Correções / Agradecimentos 97
Nosso Historiador 98 ---------- -----

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ORGANIZAÇÃO INTERNA:
RELAÇÃO DE ARTIGOS (Títulos) AUTOR(A) TEMA / ASSUNTO SEÇÃO / SUB. PÁG DOC BIBl
(palavra-chave)
1) Na Arena, a história do teatro brasileiro Sem assinatura Teatro / palco em círculo / 1953 Setembro 2004 6 não não
2) O abolicionismo de Nabuco .. era digital Sem assinatura Acervo hist. / abolicionismo / PE Setembro 2004(Box) 7 não* não
3) Restauração em movimento Sem assinatura Restauração patrim. Cultur. / MG Setembro 2004(Box) 7 não não
4) Catálogo c. todas as obras de Portinari.. Sem assinatura Portinari / acervo/ centenário Setembro 2004 8 não* não
5) Ender revisto, Brasil revisado Sem assinatura Pintura / 1817 – 18 / exposição Setembro 2004 9 não* não
6) Zweig em livros e filmes Sem assinatura Escritor áustria. / bibliot. Nac. Por dentro da biblioteca 10-11 sim não
7) Da biografia à ficção (entrevista) Sem assinatura Sylvio Back / filme Por dentro da biblioteca 11 não não
(Box)
8) Suspiros de um imperador apaixonado Sem assinatura Cartas manuscritas / D. P. I / Por dentro da biblioteca 12 sim não
Marq. de Santos / Documentos / Documento
9) As muitas independências Sem assinatura Senso comum / Questões frequent Capa 14 não não
10) A fuga da família real Sem assinatura Desmitificação / esclarecimento Capa (Box) 14 não* não
11) D. João VI e o reconhecimento Sem assinatura Articulação política / Capa (Box) 15 sim não
da independência independência pensada
12) Dia do Fico Sem assinatura Desmitificação / esclarecimento Capa 15 não* não
13) José Bonifácio Sem assinatura Desmitificação / esclarecimento Capa (Box) 16 não* não
14) Quadro independência ou morte Sem assinatura Desmitificação / esclarecimento Capa 16 não* não
15) O sete de Setembro Sem assinatura Curiosidade / esclarecimento Capa (Box) 17 não* não
16) D. Pedro I Sem assinatura Heroísmo / traição / política Capa 17 não* não
17) A independência foi pacífica Sem assinatura Desmitificação / esclarecimento Capa (Box) 18 não* não
18) Monarquia ou República? Sem assinatura Regime de governo/esclarec/tº Capa 18 não* não
19) Um dia que entrou para a história HendriK Kraay Data nacional/ 07/09 / política Capa 20 não* sim
20) Pano de boca para a Coroação de Elaine Dias Pintura / nacionalimo / teatro Olhares 24-27 não* sim
D. Pedro I, de J.- Baptiste Debret / Brasil indep. / ideais
21) A imagem de Napoleão Sem assinatura Arte/ Fra / Napoleão / política Olhares (Box) 27 não* não
22) A austríaca que amou o Brasil Clóvis Bulcão Esposa de D. P. I / costumes Capa 30-33 não* sim
23) “O Brasil teve que pagar caro Emília Vioti da Independe^ncia / Brasil Entrevista 34-37 não sim
pela independência” Costa contemporâneo / formação
24) O medo veio do mar Aug. C. M. Moutinho 2º G. M. / nazistas / naufrágios Artigo 38-43 sim sim
25) O Brasil na guerra Sem assinatura Fato / acontecimento / política Artigo (Box) 41 não* sim
26) Morreram mais brasileiros no mar Sem assinatura Dados / Fatos / esclarecimentos / Artigo (Box) 42 não não
que nos campos da Itália naufrágios / submarinos
27) Gregório, Gregórios João Adolfo Hansen Eclarecimento / poesia subvers. Artigo 44-50 sim sim
28) “Gaita de foles não quis tanger, Sem assinatura Formação / biografia / Artigo (Box) 47 não* sim
vejam diabos o que foi fazer” atividades
29) Nossa companheira, a morte Claudia Rodrigues H. Social / cotidiano / costumes Artigo 52-57 sim sim
30) O show dos funerais no Brasil antigo Sem assinatura Festa / ritual / literatura Artigo (Box) 56 não* sim
31) No sécV, os mortos conquistaram Roma Sem assinatura Crenças / mundo rom. / sepulta/tº Artigo (Box) 57 sim sim
32) O Haiti não foi aqui Marco Morel Esclar./ Revol. / política nacional Artigo 58-63 sim sim
33)”A pele de um branco por pergaminho, ... Sem assinatura Insurreição / fatos e dados Artigo (Box) 62 não* sim
34) “Geral êxito, explendido triunfo” Rodrigo Elias e Engenharia Hidráulica / Artigo 64-68 sim sim
Marcelo Scarrone abasteci/tº RJ séc. XIX
35) A imprensa do contra e a Sem assinatura Embate político / cenário de Artigo (Box) 68 não* sim
imprensa do a favor época / imprensa
36) Viagem ao tempo do cinema silencioso Carlos Rob. de Souza Produção 1898 – 30 / cotidiano / Artigo 70-74 não* sim
sociedade / documento visual
37) O Brasil e seu povo nas telas Sem assinatura Divulgação / filme / imagens Artigo (Box) 73 não* sim
antigas
38) Em cartaz, o centenário da Sem assinatura Cinema / independência nacional Artigo (Box) 74 sim não
independência do Brasil / centenário / memória do evento

39) Uma família de luta Keila Grinberg Advog. Negro / engenh. Negro / Artigo 76-79 sim sim
política / abolicionismo
40) O filho de Antonio Sem assinatura Formação / biografia / atividades Artigo (Box) 78 sim sim
41) A independência na Bahia Sem assinatura Desmitificação / esclarecimento Artigo (Box) 79 não sim
42) Os novos caminhos do ensino Marcus Vinicius T. Revisionismo / metodologia / Ensino 80-82 não sim
da História Ribeiro cidadania / ensino-pesquisa

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43) Memórias de açúcar e crise Iranilson B. Oliveira Literatura / regional. / Letras e Escritas 84-87 sim sim
Transição
44) Parceiros regionalistas Sem assinatura Gilberto Freyre e Lins do Rego Letras e Escritas 86 não* sim
/ parceria ideológica (Box)
45) A frase do mês Sem assinatura Independência / nacionalidade Almanaque / a f do mês 88 não não
46) Nossa Charge Sem assinatura Centenário indep. / gastos Almanaque 88 não sim
públicos / má gestão
47) Fiéis Soldados da princesa Sem assinatura Abolicionismo / Almanaque 88 não* sim
Republicanismo
48) Jovita, uma heroína esquecida Sem assinatura G. Paraguai / curiosidade / Almanaque 88 não* sim
voluntários / romance
49) O homem que não quis ser rei Sem assinatura Curiosidade política / Almanaque /H. N H. 89 não sim
Restauração
50) “Comida, trabalho e cacete” Sem assinatura Viajantes / escravidão Almanaque 89 não* não
51) E a “Passarola”? Voou? Sem assinatura Curiosidade / tecnologia Almanaque 89 não* não
52) Outros Setembros Sem assinatura Memória (mensal) Almanaque 90 não* não
53) Documento manuscrito José Martiniano de Memória / Curiosidade / Almanaque / Decifre se 91 sim não
Alencar for capaz
Fonte escrita / Diversão
54) Exposições e eventos Juliana Barreto Faria PA / RJ / SC / DF Acontece 92-95 não* não
55) Mossoró: uma cidade em Juliana Barreto RN / Abolição antecipada Acontece / Turismo 93 não não
festa com sua história Faria (1883) / festas / rituais Histórico
56) Acontece / Livros Juliana Barreto Faria Divulgação publicações Acontece / Livros 94-95 não não
recentes
57) “Irmandades” Mariza de C. Soares Interação com o leitor Pergunta do Leitor 96 não* não
58) História: por que e para quê? Caio Boschi Metodologia / teoria / cotidiano Nosso Historiador 98 não* não

* Refere-se apenas à inexistência de documentos impressos ou manuscritos que são objeto deste trabalho, mas contem diversas
outras fontes, como fotografias, iconografias, gravuras, charges, representações, imagens de objetos ou paisagens, desenhos,
entre outras imagens que podem servir ou não como fonte histórica, com função basicamente ilustrativa.

A anotação “Sem assinatura” no campo AUTOR(A) informa que os textos redigidos foram aprovados pelos editores da revista, podendo ser entendido
como assinado pela revista Nossa História (NH).

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NOME DA REVISTA: Nossa História


EDITORA: Vera Cruz
DATA: Janeiro de 2005
ANO E NÚMERO: 02 / 15
NÚMERO DE PÁGINAS: 98
VALOR EM R$: 7,80

ORGANIZAÇÃO INTERNA:
SEÇÃO PÁG. SUBSEÇÃO PÁG.
Janeiro 2005 6 a 11 (Artigos diversos) -----
Por dentro da Biblioteca 12 a 13 Documento 13
Capa 14 a 15 “O Brasil foi à Guerra” e Artigos -----
Olhares 40 a 45 (Artigos) -----
Entrevista 46 a 49 ---------- -----
Letras e escritas 72 a 75 ---------- -----
Quem 76 a 79 ---------- -----
Ensino 80 a 83 Castigos corporais 82
Viagens à memória brasileira 84 a 87 Acervo / Documento 86 / 87
Almanaque 88 a 91 A frase do mês / Histórias da nossa história / 88 / 89
Outros Janeiros / Decifre se for capaz 90 / 91
Acontece 92 a 95 Exposições e eventos / Turismo Histórico / 92/ 93
Portal de história / Livros 93/ 94
Cartas 96 a 97 Classificados / Pergunta do Leitor / Cartas / 96 /
Correções / Agradecimentos 97
Nosso Historiador 98 ---------- -----

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS CIX


UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE FILOSOFIA,LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
ORGANIZAÇÃO INTERNA:
RELAÇÃO DE ARTIGOS AUTOR(A) TEMA / ASSUNTO SEÇÃO / SUB. PÁG DOC BIBl
(Títulos) (palavra-chave)
1) A história nos trilhos Sem assinatura Tecnol. / memória / novela Janeiro 2005 6 não não
2) Obras raras e acessíveis Sem assinatura Acervo bibliot. em MG Janeiro 2005 (Box) 7 Sim não
3) Do tempo da colônia Sem assinatura Festa / tradição / memória Janeiro 2005 7 não* não
4) Choro com sotaque Sem assinatura H. da músia / arte / resgate Janeiro 2005 8 não* não
5) Enquanto isso no Japão Sem assinatura Interação / música universal Janeiro 2005 (Box) 8 não não
6) Uma história iluminada Sem assinatura Filme / religião / sociedade Janeiro 2005 9 não não
7) Línguas vivas (Mitos Indígenas) Sem assinatura índios / língua / extinção Janeiro 2005 (Box) 10 não não
8) A casa predestinada Sem assinatura Personalidades / patrimônio / Janeiro 2005 (Box) 10 não* não
museu / ONG arqueologia
9) O fim do segredo Sem assinatura Arq. Público / Dops / RJ Janeiro 2005 11 sim não
10) Uma jóia também por fora Sem assinatura Arquitetura / patrimônio Por dentro da biblioteca 12 não* não
11) Armazém de Histórias Sem assinatura Imprensa / independência Por dentro da biblioteca 13 sim não
/ Documento
12) O Brasil em guerra Sem assinatura 2º G. Mundial / Pracinhas Capa 14-15 não* sim
13) A luta antes da guerra Aureliano Moura Treinamento / preparação Capa 16-20 não* sim
14) Franzinos ... Mas sabiam lutar Sem assinatura Miséria / improviso / luta Capa (Box) 18 não* sim
15) Por que o Brasil entrou na Guerra Sem assinatura Política externa / polêmica Capa (Box) 19 não* sim
16) E a cobra fumou Luis Felipe Silva Neves Combate / dificuldade / vitória Capa 22-25 não* sim
17) Verd. e mentir. sob. a part. Bras. na G. Sem assinatura Desmitificação Capa (Box) 24 não* sim
18) A tarefa rotineira de matar César C. Maximiano Terror / morte / dor Capa 25-29 sim Sim
19) O teatro das operações Sem assinatura Mapa / Itália / Campanha Capa 30 não* Não
19) A guerra em tempo de paz Francº C. Alves Ferraz Desmobilização / retorno / paz Capa 31-35 sim sim
21) Das trincheiras ao pavilh. de d. mentais Maria L. C. de Resende Ingratidão / justiça tardia Capa (Box) 33 não* não
22) A vida longe do front Regina da Luz Moreira Efeitos locais / sacrifícios Capa 36-39 não* sim
23) A recuperação da Bahia todos os Jorge Victor A. Souza e Guerra / Holanda / colônia/ Olhares 40-45 não* sim
Santos por Juan Batista Mayno Silvia B. G. Borges. pintura / (1634 - 35)
24) O museu do Prado Sem assinatura Divulgação / grandes artistas Olhares (Box) 42 não não
24) Boris Fausto Sem assinatura Livro / BRA e ARG / hist. Entrevista 46-49 não não
25) Espetáculos a céu aberto André Carreira Teatro / evangelização / jesuitas Artigo 50-53 não* sim
26) À força das armas Sandra Jatahy Revl. Farrapos / RS / Artigo 54-58 sim sim
Pesavento Identidade reg. / Constituição
27) O nasc/tº do Sul: bandos armados Sem assinatura Origem / colonização / Artigo (Box) 58 não* não
disputando rebanhos disputas / evolução
28) O Imperador na terra do faraó Margaret Marchiori Divulgação / viagem imperador / Artigo 60-65 sim sim
Bakos diário / documentos
29) No Egito, uma Igreja para D. Alberto da Costa e Curiosidade / ritual Artigo (Box) 64 não* não
Pedro II. Silva cristão/ D. P. II / Egito
30) Escravos das águas Luis Geraldo da Silva Escravidão / pesca / marinha Artigo 66-71 sim sim
31) Na forca, marujos fujões Sem assinatura Revoltas/ desertores / escravos Artigo (Box) 71 não não
31) O panfletário Lima Barreto Beatriz Resende Literatura / imprensa / séc. XIX - Letras e Escritas 72-75 sim sim
XX / política / xenofobia / mulher
32) Um Príncipe em busca da Coroa Teresa Malatian Monarquia / restauração Quem 76-79 sim sim
33) Entre a palmatória e a moral Daniel C. de A. Lemos Castigos físicos / pedagogia Ensino / Cast. Corp. 80-82 não sim
34) Às margens do Ipiranga Sem assinatura Museu do Ipiranga / exposições / Viagens à memória 84-85 sim não
Turismo Histórico brasileira
35) Museu Paulista Sem assinatura Divulgação Viagens à memória 86 não* sim
brasileira / Acervo
36) Um brasileiro no Scala de Milão Sem assinatura Carlos Gomes / ópera / música / Viagens à memória 87 sim não
Itália / documentos no M. Pt ª. brasileira / Documento
37) A frase do mês Sem assinatura Getulio Vargas / Sucessão Almanaque / A f do mês 88 não não
38) Nossa Charge Sem assinatura Ironia / abismo / metáfora sobre Almanaque 88 não sim
Brasil contemporâneo
39) Ioiô, o bode cidadão Sem assinatura Bode boêmio e literato/ ironia Almanaque 88 não* não
40) Feliz Natal Sem assinatura Cidade / origem / povoamento Almanaque 88 não não
41) Crônica do pão com manteiga / Sem assinatura Culinária / costumes / hábitos Almanaque 89 não* não
Movidos a vinho alimentares
42) Em busca de Cabral Sem assinatura Memória / restos mortais / dúvida Almanaque / H. da 89 não* não
REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS
nossa História CX
43) Outros janeiros Sem assinatura Memória (mensal) Almanaque 90 não* não
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE FILOSOFIA,LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

44) Documento manuscrito: José Bonifácio de Memória / Curiosidade / Almanaque / Decifre 91 sim não
“Caráter geral do brasileiro” Andrada e Silva Documento / Fonte / Diversão se for capaz
45) Exposições e eventos Juliana Barreto Farias SP / IEB / Folclore (Mário de Acontece/ Exposições 91-92 não* não
Andrade) / RJ / música e eventos
46) “Salvador é uma festa” Juliana Barreto Farias Festas e rituais religiosos / Acontece / Turismo 93 não* não
sincretismo / abolição Histórico
47) Portal de História Juliana Barreto Farias Internet e sites de História Acontece / Port. Hist. 93 não não
48) Acontece / Livros Juliana Barreto Farias Divulgação publicações recentes Acontece / Livros 94-95 não* não
49) “Bilhetinhos” Marly Motta Interação com o leitor Pergunta do Leitor 96 não* não
50) Das ambigüidades de ser cordial Lilia Moritz Schwarcz Arte Brasileira / democracia Nosso Historiador 98 não* não
racial / mestiçlagem / antropolog.

* Refere-se apenas à inexistência de documentos impressos ou manuscritos que são objeto deste trabalho, mas contem diversas
outras fontes, como fotografias, iconografias, gravuras, charges, representações, imagens de objetos ou paisagens, desenhos,
entre outras imagens que podem servir ou não como fonte histórica, com função basicamente ilustrativa.

A anotação “Sem assinatura” no campo AUTOR(A) informa que os textos redigidos foram aprovados pelos editores da revista, podendo ser entendido
como assinado pela revista Nossa História (NH).

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS CXI


UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE FILOSOFIA,LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

NOME DA REVISTA: Nossa História


EDITORA: Vera Cruz
DATA: Maio de 2005
ANO E NÚMERO: 02 / 19
NÚMERO DE PÁGINAS: 98
VALOR EM R$: 7,80

ORGANIZAÇÃO INTERNA:
SEÇÃO PÁG. SUBSEÇÃO PÁG.
Maio 2005 6 a 11 (Artigos diversos) -----
Por dentro da Biblioteca 12 a 13 Documento 13
Capa 14 a 15 “Antes da Lei Àurea” -----
Olhares 28 a 47 (Artigos) -----
Entrevista 48 a 51 ---------- -----
Quem 72 a 75 ---------- -----
Letras escritas 76 a 79 ---------- -----
Ensino 80 a 83 Livro pioneiro 82
Viagens à memória brasileira 84 a 87 Acervo / Documento 86 / 87
Almanaque 88 a 91 A frase do mês / Histórias da nossa história / 88 / 89
Outros Maios / Decifre se for capaz 90 / 91
Acontece 92 a 95 Exposições e eventos / Turismo Histórico / 92/ 93
Portal de história / Livros 93/ 94
Cartas 96 a 97 Pergunta do Leitor / Cartas / Correções / 96 /
Agradecimentos / Classificados / No próximo mês 97
Nosso Historiador 98 ---------- -----

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS CXII


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FACULDADE DE FILOSOFIA,LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
ORGANIZAÇÃO INTERNA:
RELAÇÃO DE ARTIGOS AUTOR(A) TEMA / ASSUNTO SEÇÃO / SUB. PÁG DOC BIBl
(Títulos) (palavra-chave)
1) Memória do Café digitalizada Helena Aragão Tecnologia / memória Maio 2005 6 não não
2) Nossa História nas Gerais Sem assinatura Seminário na UFMG Maio 2005 (Box) 7 não não
3) Teatro a serviço da História Sem assinatura Arte e memória Maio 2005 7 não não
4) O Império português em questão Sem assinatura Império Português Maio 2005 8 não não
5) Lutz em nova dimensão Sem assinatura Ciência no Brasil Maio 2005 9 sim não
6) Pílulas de comportamento Sem assinatura Museu / tecnol. / costumes Maio 2005 10 não não
7) Cultura e prêmio na Bahia Rachel Zaroni Iniciativa privada Maio 2005 11 não não
8) Ilustres Visitantes Sem assinatura Personalidades e Por dentro da 12 sim não
Biblioteca Nacional Biblioteca
9) Entre um bordado e outro Sem assinatura Emancipação feminina Por dentro da 13 sim não
Biblioteca / Doc.
10) Antes da Lei Áurea Sem assinatura Escravidão / Abolição Capa 14-15 não* não
11) A Face Negra da Abolição Hebe M. Mattos Escravidão / Abolição Capa 16-20 sim sim
12 Homens de Luta Sem assinatura Biograf. / formação / atividades Capa (Box) 20 não* não
13) Um Príncipe Negro Contra o Eduardo Silva Movimento Negro emancip. Capa 22-24 sim sim
Racismo
14) “los camba” e a conquista da Abolição Sem assinatura Escravismo / guerra Paraguai /” Capa (Box) 24 não não
macaquitos”
15) A invenção de Anastácia Mônica D. de Souza Mitos fatos escravistas Capa 26-27 não* sim
16)Uma mártir da escravidão Sem assinatura Origem de Anastácia / fim Capa (Box) 27 não não
17) A morte de Herzog na arte Jardel D. Cavalcanti Ditadura, cidadania e arte Olhares 28-31 não sim
18) Síntese de resistência Sem assinatura Trajetória profissional Olhares (Box) 31 não não
19) Terras para todos Regia B. G. Neto Colonização, Amazônia Olhares 34-38 não* sim
20) Um crime no meio da mata Sem assinatura Violência / Q. agrária Olhares (Box) 38 não* não
21) Assim na Terra como no céu Paulo de Assunção Colonização, jesuítas Olhares 40-43 sim sim
22) Aliança “Café com Política” Claudia M. R.Viscardi República, eleições Olhares 44-47 não* sim
23) A Primeira República e seus Sem assinatura Seqüência cronológica dos Olhares (Box) 46 não não
presidentes presidentes do Brasil
24) Eduardo Giannetti da Fonseca Cris. Costa e L. P. Renda, educação e cidadania Entrevista 48-51 não não
25) Ondas grevistas no mar da Fernando T. da Silva Mov. Operário, anos 30 artigo 52-55 não* sim
República
26) Portas Fechadas Fabiane Popinigis Mov. Operário - comerciários artigo 56-58 sim sim
27) Estado da Discórdia Marieta de M. Ferreira Reescrita da História artigo 60-63 não* sim
28) Paixão e Morte na virada do século Magali Gouveia Engel Costumes, Cotidiano artigo 64-67 sim sim
29) Tragédia rodrigueana Sem assinatura Costumes / cotidiano / imprensa artigo (Box) 66 sim sim
30) Letras entre a cruz e a espada Regina Zilberman Censura em Portugal artigo 68-71 sim sim
31) De demolidor a construtor Marly Motta Jornalismo, política Quem 72-75 sim sim
32) A metralhadora giratória Sem assinatura Citações / imprensa / política Quem (Box) 75 não* sim
33) A vida real nos palcos João Roberto Faria Teatro e literatura Letras e escritas76-79 sim sim
34) História recém nascida Arlette M. Gasparello Educação e 1º reinado Ensino 81-82 sim sim
35) A Inconfidência na visão de Bellegarde Sem assinatura Livro didático do império Ensino (Box) 82 não não
36) Memória da Floresta Sem assinatura Museu de hist. Natural Viagens à mem. bras. 84-85 não não
37) Museu Paraense Emílio Goeldi Sem assinatura Divulgação Viagens à mem. Brás 86 não não
/ Acervo
38) Folheando histórias Sem assinatura Botânica / Documentos Viagens à mem. Brás 87 sim não
/ Documento
39) A frase do Mês Sem assinatura Ditadura / protestos Almanaque /A f. do mês 88 não não
40) Nossa Charge Sem assinatura Anos 80 / década perdida Almanaque 88 não não
41) O Marechal Carente Sem assinatura Imprensa / ditadura Almanaque 88 não* não
42) As ondas de Lisboa Sem assinatura Origem de desenho de calçada Almanaque 88 não não
43) O papagaio monarquista Sem assinatura Curiosidades Almanaque / Histórias 89 não não
da nossa História
44) Angu à carióca Sem assinatura Culinária Almanaque 89 não não
45) Vereador Cacareco Sem assinatura Curiosidade eleitoral Almanaque 89 não* não
REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS CXIII
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE FILOSOFIA,LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

46) Outros Maios Sem assinatura Memória ( mensal) Almanaque 90 não* não
47) Documento tipo carta Sem assinatura Memória / curiosidade / Almanaque / Decifre 91 sim Sim
oficial(1766) documento se for capaz fonte
48) Exposições e eventos Juliana Barreto Farias RS / RJ Acontece / Exposições e 92 sim não
eventos
49) Turismo Histórico Juliana Barreto Farias Jesuíta Pe. Anchieta Acontece / Turismo 93 não não
Histórico
50) Portal de História Juliana Barreto Farias Internet e sites de história Acontece / Port. de Hist. 93 não não
51) Acontece / Livros Juliana Barreto Farias Divulgação de public. recentes Acontece / livros 94-95 não não
52) “Abolição” Antonio E. M. Fernand. Interação com o leitor Pergunta do Leitor 96 não* não
53) Documentos explorados e ainda por Laura de Mello e Fontes de história – arquivos da Nosso Historiador 98 não* não
explorar Souza Torre doTombo

* Refere-se apenas à inexistência de documentos impressos ou manuscritos que são objeto deste trabalho, mas contem diversas outras fontes, como
fotografias, iconografias ou desenhos, com função basicamente ilustrativa.

REVISTA “NOSSA HISTÓRIA” E OS DOCUMENTOS PÚBLICOS CXIV


2

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS


HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

Disciplina: Teoria da História I


(Período: noturno)

Discente:

Rodrigo Medina Zagni


N° USP: 5205988

Apresentação de análise de material de divulgação histórica,


selecionado para trabalho de curso.
3

A DISCIPLINA HISTÓRICA COMO PRODUÇÃO


CULTURAL NAS PÁGINAS DA HISTÓRIA VIVA
Análise historiográfica e cultural do primeiro ano de
publicação da revista∗

Rodrigo Medina Zagni

Aluno de graduação do curso de História da Faculdade de Filosofia, Letras e


Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

“A única generalização cem por cento segura sobre a história é aquela que diz que
enquanto houver raça humana haverá história”.
Eric Hobsbawn∗∗

Resumo:

Este ensaio tem como objetivo analisar, sob o ponto de


vista da produção cultural, a decodificação da produção historiográfica, da
disciplina histórica e do conhecimento histórico-científico para o consumo de
massa. Para isso tomamos como objeto o primeiro ano de publicação da revista
“História Viva” (de novembro de 2003 a outubro de 2004), no período em que se
viu um verdadeiro revival das publicações que trazem a História como tema
central, fenômeno assistido fundamentalmente após o segundo semestre de 2003.
Nesta análise não nos interessa estabelecer critérios hierarquizados entre alta e
baixa cultura, teremos como principal hipótese de resultado o fato de o
estabelecimento de uma produção cultural de massa ter instituído uma confluência
entre as hierarquias culturais, erudita e popular, para uma linguagem que vem
tentando a síntese entre ambas. Como metodologia utilizaremos os preceitos
historiográficos da História Social1, História do pensamento político2, História da
Cultura3, das Idéias4, História vista de baixo5, História oral6, Micro-História7,


Trabalho de aproveitamento do curso de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
Humanas da Universidade de São Paulo, da disciplina de Teoria da História I, sob orientação da
Profª. Dra. Raquel Gleizer, apresentado durante o primeiro semestre de 2005.
∗∗
Era dos Extremos: O breve século XX,1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras,1995, p. 16.
1
Cf. CASTRO, Hebe. História Social, in: CARDOSO, Ciro Flamarion; VAINFAS, Ronaldo. Domínios da
História, ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Campus, 1997, pp. 45 a 60.
2
Cf. TUCK, Richard. História do pensamento político, in: BURKE, Peter (org.). A escrita da História,
novas perspectivas. São Paulo: UNESP, 1992, pp. 273 a 290.
3
Cf. VAINFAS, Ronaldo. História das mentalidades e História da cultura, in: CARDOSO, Ciro
Flamarion; VAINFAS, Ronaldo. Op. cit. pp. 127 a 164.
4
Cf. FALCON, Francisco. História das idéias, in: CARDOSO, Ciro Flamarion; VAINFAS, Ronaldo. Op.
cit. pp. 91 a 126.
5
Cf. SHARPE, Jim. História vista de baixo, in: BURKE, Peter. Op. cit. pp. 39 a 62.
4

História das imagens8 e História do cotidiano e da vida privada9. Esperamos com


este breve estudo não restabelecer o óbvio: que veículos destinados ao público em
geral no campo historiográfico não se tratam de publicações científicas,
metodologicamente alinhadas e cuidadosamente colocados sobre trilhos teóricos;
mas sim evidenciar através de quais mecanismos o conhecimento produzido pela
ciência histórica pôde ser socializado a um público muito maior que o acadêmico
especializado ou a uma elite intelectual restrita.

Palavras-chave: Ciência Histórica; Historiografia; revista “História Viva”;


produção cultural; publicações periódicas.

Introdução:

Para o Professor Luiz Tatit10

Você não precisa analisar para gostar de algo. Você entende uma poesia porque você
leu, entendeu e ela entrou dentro de você. Acabou. Análise é outra coisa: é entender
como foi construído. Aliás, a análise até incomoda um pouco porque tira toda a
empatia. É fria, é uma dissecação. É como pegar um sapo, abrir e mostrar os órgãos.
Você mata o sapo, e de fato a análise mata o texto porque o que você extraiu dele
não corresponde àquilo que você sentiu. Mostra uma análise e vê se alguém se
emociona com ela! Isso que fazia com que Drummond tivesse um ódio ao
pensamento acadêmico. Quando você começa a analisar, entra no nível do
conhecimento, do saber. É o preço da análise: destruir o objeto.11

Fatalmente é o que faremos!


Nosso objetivo é a análise de um veículo voltado à
produção cultural de massa, que utiliza preceitos da ciência histórica e literalmente
digere-os para públicos “não iniciados”. O preço da análise certamente é o de
aniquilar o objeto, conforme demonstra a metáfora de Luiz Tatit, e nesse caso
trata-se de um objeto que vem conquistando uma relevante fatia do mercado
editorial para revistas especializadas porém não acadêmicas, abrindo aos
profissionais de História novos campos para análise, não só em uma nova área de
atividade profissional, mas com a real possibilidade de socializar o conhecimento
histórico cujo dialeto propriamente característico restringe os resultados da
pesquisa científica à uma espécie de “confraria” há séculos.

6
Cf. PRINS, Gwyn. História oral, in: BURKE, Peter. Op. cit. pp. 163 a 198.
7
Cf. LEVI, Giovanni. Sobre a micro-história, in: BURKE, Peter. Op. cit. pp. 133 a 162.
8
GASKELL, Ivan. História das imagens, in: BURKE, Peter. Op. cit. pp. 237 a 272; e Cf. CARDOSO,
Ciro Flamarion; MAUAD, Ana Maria. História e imagem: os exemplos da fotografia e do cinema, in:
CARDOSO, Ciro Flamarion; VAINFAS, Ronaldo. Op. cit. pp. 401 a 418.
9
Cf. PRIORI, Mary de. História do cotidiano e da vida privada, in: CARDOSO, Ciro Flamarion;
VAINFAS, Ronaldo. Op. cit. pp. 259 a 274.
10
Do curso de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São
Paulo.
11
Quanto mais você sabe analisar, menos você critica. Jornal do Campus. Escola de Comunicação e
Artes – Universidade de São Paulo, 28/02/2005, p. 5, 4 col.
5

Ao invés de “matar nosso sapo”, tentaremos analisar


sua função social para além da mercantilização do conhecimento científico,
buscando explicações no âmbito da sociedade para o fenômeno poucas vezes
assistido no Brasil, de gigantesco interesse do público comum, excluído do ensino
de qualidade e de instituições de ensino superior de nível, em assuntos que antes
pareciam (e ainda parecem) pertencer a um número restrito de estudiosos.
Em países desenvolvidos como os europeus,
publicações desse gênero já têm um público consolidado há cerca de um século,
constituindo um grande sucesso editorial.
A história parece exercer um misterioso domínio sobre
uma parcela significativa de leitores ao redor do mundo. O cotidiano da civilização
egípcia abstraído através da análise de hieróglifos escapou à mesa dos paleógrafos
e ganhou as capas das revistas, a Europa medieval ganhou cores e gráficos nas
páginas de revistas para explicar desde a demografia das pestes até as lógicas
estratégico-militares. Esse fenômeno é significativo, apesar de não ter sido objeto
da pesquisa histórica, que se o referiu o fez tangencialmente.
Não nos propomos a preencher esta lacuna, que salta
aos olhos sem nos dar o principal fator necessário ao Historiador como artífice da
busca de dados para sua análise: o recuo histórico. O fato, no Brasil, é recente e
se no passado teve precedentes, não representaram o vulto comercial que hoje as
publicações no campo das revistas especializadas em uma História não acadêmica
o fazem, com acesso popularizado.
Não é a indústria de produção cultural que determina a
demanda, a procura do público: ela o testa. A produção cultural atende a demanda
do público consumidor, à procura por este tipo específico de publicação, e é no
seio da sociedade, no recalcamento das restrições sociais, na lacuna representada
pela perda da conexão entre o indivíduo e seu eu histórico, na perda da conexão
individual e coletiva com o próprio passado, na desagregação do tecido social ou o
que Eric Hobsbawn chamou de dissolidarização de classes determinada por um
individualismo associal absoluto12, que atomiza as relações sociais, transformando
o Homem do zõom politikón aristotélico13 em indivíduo egocentrado, que deitamos
nossa hipótese de resultado a fim de responder às questões relacionadas a este
fenômeno.

Desenvolvimento:

Estrutura e propostas da publicação

A Revista História Viva, cuja primeira publicação data


de novembro de 2003, foi desenvolvida com a finalidade de dar conta de uma
relevante parcela de público para revistas especializadas em história, obedecendo

12
Op. cit. passim.
13
Citado por DURANT, Will. História da Filosofia, Vida e idéia dos grandes Filósofos, São Paulo:
Editora Nacional, 1956, passim.
6

à demanda demonstrada por um crescente mercado consumidor acentuadamente


após o segundo semestre de 2003.
A publicação foi desenvolvida pela “Duetto Editorial
Ltda.”, fundada em abril de 2001 a partir da associação de duas das mais
importantes editoras brasileiras, a “Segmento”, com sede em São Paulo, e a
“Ediouro Publicações”, com sede no Rio de Janeiro. Por sua vez, a revista “História
Viva” foi desenvolvida em parceria com a editora francesa “Tallandier”,
responsável pela publicação “Historia”, fundada em 1909 e com expressivo público
consumidor na França. Segundo o Departamento de Assinaturas da Duetto
Editorial, “Historia” é “. . . considerada a mais tradicional publicação européia
sobre o tema . . .”14.
A publicação brasileira é a “ponta de lança” na
estratégia de vendas da “Duetto Editorial” e está inserida em um grupo de
conhecimento, junto de outros títulos como: “História Viva – Grandes Termas”
(derivado da publicação aqui estudada), “Scientific American Brasil”, “Especiais
temáticos de Scientific American”, “Viver Mente&Cérebro” e “Viver mente&Cérebro
– Memória da Psicanálise”.15
Outro grupo de publicações da Duetto Editorial é o de
“Beleza e Bem-estar”, com quatro títulos periódicos sobre estética16.
A editora mantém escritórios no Rio de Janeiro e São
17
Paulo , com um corpo de 46 funcionários, sendo seu Diretor Geral Alfredo Nastari.
A equipe que realiza a revista “História Viva” é
composta hoje por cinco funcionários, sendo uma Editora, Mirian Ibañez; um
Editor Assistente, Frank de Oliveira; uma Editora de Arte, Simone Vieira; uma
Assistente de Arte, Monique Elias; uma Coordenadora de Iconografia, Pietra
Diwan; e uma Assistente de Iconografia, Silvia Nastari.
Quando da publicação de seu primeiro número, em
novembro de 2003, a revista contava com outro corpo redatorial. O Jornalista
Luthero Maynard era o Editor, o Editor Assistente era Nicolas Tarfel, Repórter Eliza
Muto e Consultoria de Ricardo Maranhão. Trazia ainda a Coordenadora de
Iconografia, Pietra Diwan, e sua assistente, Silvia Nastari.
A edição n° 6, de abril de 2004, já não trouxe mais
Luthero Maynard como Editor, porém, não constou outro nome para o cargo,
permanecendo ainda Nicolas Farfel como Editor Assistente. Somente na edição de
n° 8, de junho de 2004, o cargo foi ocupado por Luciano Ramos, que não
promoveu nenhuma substituição imediata no time de redação, reforçando-o com
duas contratações: de Paula de Freitas Lopes como Assistente e de Marta Almeida
Sá, como Revisora. Em agosto de 2004, o n° 10 trouxe mais uma Assistente para o
14
Correspondência postada pelo Departamento de Assinaturas da “Duetto Editorial” à Rodrigo
Medina Zagni, em 21 de março de 2005.
15
http://www2.uol.com.br/historiaviva/. Acesso em: 13 jun. 2005.
16
“Cabelos & Cia”, “Guias de Beleza”, “Coleção 1000 Cortes & Cia” e “Coleção Colors: Louras,
Morenas, Ruivas e Negras”.
17
O endereço oficial de sua redação consta à Rua Cunha Gago, 412, 3o andar, conjunto 33, bairro
de Pinheiros, São Paulo.
7

corpo de redação: Monique Bruno Elias. No número seguinte, em setembro de


2004, Fabiana Guedes Viana, Gerson Martins e Paula de Freitas Lopes deixaram a
assistência de redação, permanecendo apenas Monique Bruno Elias. No mesmo
número, outra a deixar a equipe foi a Repórter Eliza Muto, que trabalhava na
publicação desde seu primeiro número, substituída por Renata Rondino.
Hoje a Editora conta com uma Diretora Adjunta, Ana
Luisa Astis, e em relação à equipe de redação do último número por nós analisado,
ou seja, o n° 12, foram substituídos o Editor Luciano Ramos, por Mirian Ibañez; e
Nicolas Farfel, Editor-Assistente que compunha a redação desde novembro de
2003, por Frank de Oliveira. Marta Almeida de Sá deixou a equipe de revisores e
Sara Alencar passou a compor a assistência de iconografia.
Da equipe original permaneceram apenas Pietra
Stefania Diwan e Silvia Nastari; e a equipe de arte e produção, com exceção da
Editora de Arte, Simone Oliveira, também foi substituída.
Já a equipe da publicação francesa permanece
inalterada desde novembro de 2003 até maio de 2005 (conforme demonstram os
números analisados e a edição de n° 19). Conta com Pierre Baron (Diretor de
Redação), Patrícia Créete (Redatora-chefe), Patrick Morvant (Primeiro Secretário
de Redação) e Catherine Decorian (Secretária de Redação).
Com relação aos Historiadores, estão presentes ao
longo dos 12 números analisados como colaboradores, com nomes já consagrados
de nossa historiografia nacional e internacional.
“História Viva” tem sua circulação auditada pelo IVC
(Instituto Verificador de Circulação)18, e anuncia em seu web-site19 uma tiragem
mensal de 70 mil exemplares20, com distribuição para todo o território nacional e
com exclusividade para Portugal, através da editora “Midesa”.
A proposta da revista é trazer em suas 100 páginas
uma parte destinada à História universal, desenvolvida a partir dos artigos e
ensaios selecionados da publicação francesa, e parte dirigida à História do Brasil,
África e Portugal, desenvolvida por brasileiros, não necessariamente Historiadores.
A soma entre estudos internacionais e brasileiros, que em sua proposta original
menciona a equidade de 50% para cada parte21, pretende compor “. . . um dos
mais completos conteúdos editoriais . . . ”22 em História.
Sua proposta metodológica é trabalhar a produção
historiográfica e assuntos relacionados à ciência histórica através de uma
linguagem que possa ser facilmente compreendida por um público não
especializado.
Alfredo Nastari afirma que sua tarefa
18
Ibid.
19
www.historiaviva.com.br.
20
http://www2.uol.com.br/historiaviva/estatica/publicidade.html. Acesso em: 13 jun. 2005.
21
Cf. NASTARI, Alfredo. História com prazer. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 1, nov. 2003,
p. 5.
22
Correspondência postada pelo Departamento de Assinaturas da “Duetto Editorial” à Rodrigo
Medina Zagni, em 21 de março de 2005.
8

É um desafio. Nosso compromisso [da equipe de “História Viva”] é oferecer


mensalmente ao leitor uma visão estimulante, dinâmica e esclarecedora da História,
dotada de rigor científico e vazada em uma linguagem clara e acessível.23

Segundo ainda seu Departamento de Assinaturas,


“História Viva abordará a História e seus episódios de maneira diferente,
procurando revelar as conexões entre passado e presente” (o grifo é nosso).24
Essa intencionalidade em trazer os resultados da
pesquisa histórica para o grande público através de um veículo que utilize
linguagem clara e acessível, contou com o respaldo da própria parceira francesa, a
“Historia”.
Segundo material de divulgação que antecedeu a
publicação do primeiro número de “História Viva”, “Historia se consagrou junto a
intelectualidade e aos leitores europeus como veículo referencial na divulgação da
História em linguagem acessível” (o grifo é nosso).
Desta forma “História Viva” tem uma função crítica e
ativa na formação de novos públicos ao círculo da História. Propõe debater
questões históricas que constituam raízes de problemas atuais, iluminando o
passado com vistas a melhor esclarecer o presente. Há portanto uma finalidade
pedagógica para a “conexão” proposta pela publicação, o que inclui
propositadamente em seu público consumidor os professores de ensino
fundamental e médio, que têm na revista um potencial recurso pedagógico a ser
explorado, certamente mais acessível ao universo dos alunos pela disposição
dinâmica de imagens e gráficos, e também pela facilidade de comercialização em
“bancas de jornal”, se comparada aos livros didáticos.
A revista tem um preço relativamente acessível, se
levarmos em consideração o valor de uma publicação acadêmica especializada em
História, e outras revistas que disputam o mesmo mercado de publicações, com
um discurso não acadêmico-formal.
No período por nós objetivado, de novembro de 2003 a
outubro de 2004, a publicação manteve o preço de R$ 8,90. A partir da edição de
n° 13, portanto fora do recorte temporal de nossa proposta, passou a R$ 9,90.
Outras publicações como as revistas: “Aventuras na
História” (Editora Abril), a R$ 8,95, com 22 números e em seu segundo ano de
publicação; “Conhecer Fantástico” (On Line Editora), a R$ 4,90, com 26 números e
em seu terceiro ano; “Grandes Guerras” (Editora Abril), a R$ 12,95, ainda em seu
primeiro ano, no volume 2; e “Nossa História” (Editora Vera Cruz), a R$ 7,80, em
seu segundo ano, no número 20; mantém preço compatível, concorrendo grosso
modo pelo mesmo perfil de leitores.

23
Op. cit. p. 5.
24
Correspondência postada pelo Departamento de Assinaturas da “Duetto Editorial” à Rodrigo
Medina Zagni, em 21 de março de 2005.
9

Por outro lado, aludidas publicações não rivalizam com


revistas acadêmicas especializadas. A forma de abordagem e os temas tratados
determinam públicos consumidores em sua grande maioria diametralmente
opostos.
Por outro lado isso não determinado que o público
especializado não consuma este tipo de publicação, pelo contrário, o conteúdo
trabalhado e mesmo a forma de transmissão de informações, constituem um
universo novo para ambos os perfis de leitores.
Para o Prof. Arno Alvarez Kern25

A revista História Viva será um meio de divulgação excepcional do que se realiza


pelos historiadores, tanto do ponto de vista das práticas metodológicas como das
teóricas. Esta iniciativa preenche uma importante lacuna no campo da História.26

Para a Profª. Maria do Socorro Ferraz Barbosa27 a iniciativa da publicação é


louvável

. . . principalmente porque será uma publicação menos acadêmica e de grande


circulação. O grande leitor poderá ler e compreender melhor a nossa História e a dos
outros povos28 (o grifo é nosso).

Estratégias editoriais

A revista segue uma clara estratégia mercadológica


para a seleção do tema principal da edição, e desta forma das imagens de capa,
bem como das chamadas para suas principais matérias, obedecendo a alguns
determinantes que tentaremos aqui identificar.
Via de regra o tema já é determinado pelo interesse
despertado, no público em geral, por outras mídias, como filmes em cartaz com
cifras relevantes de bilheteria ou livros com sucesso de venda. O apelo a este
segmento faz da publicação um complemento para as demais mídias, para aqueles
que desejam saber mais sobre o filme que acabaram de assistir, por exemplo,
garantindo de certa forma público consumidor para a edição.
É o caso do n° 3, que traz na capa a chamada para sua
matéria principal: “Piratas e Corsários: pilhagem e crueldade sem limites. Por conta
própria, ou em nome de Sua Majestade” (ver figura 1), que tem paralelo com o
período de exibição do filme “Piratas do Caribe” do diretor Gore Verbinski29. Por

25
Coordenador do Programa de Pós-Graduação em História da Pontífice Universidade Católica do
Rio Grande do Sul, Pós-doutor pela Ecole des hautes Etudes en Scienses Sociales de Paris.
26
Cartas. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 1, nov. 2003, p. 6.
27
Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de
Pernambuco – Recife.
28
Cartas. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 1, nov. 2003, p. 6.
29
Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl. Dir. Gore Verbinski. Walt Disney Pictures /
Touchstone Pictures / Jerry Bruckheimer Films. EUA. Buena Vista Pictures, EUA, 2003. 1 DVD (143
min.), son., col.
10

sua vez o n° 6 traz como tema de capa a matéria “Tróia: paixão, infâmia e
tragédia, em maio nas telas, a superprodução estrelada por Brad Pitt” (ver figura
2), que conforme o próprio nome denuncia, precede o lançamento do filme de
Wolfgang Petersen30. O n° 12 traz na capa a chamada para a matéria “Alexandre
O Grande: um jovem conquista o mundo” (ver figura 3), cuja referência direta é o
filme de Oliver Stone: “Alexandre”31.
Mais uma vez o exemplo vem da própria parceira
francesa, que já vinha se utilizando com sucesso desse tipo de estratégia editorial
(ver figura 4).
Outros fatores determinantes para escolha de temas e
imagens para a composição de capa são arquétipos sempre recorrentes em
história, constantemente retomados tanto em matérias de revistas como em
reportagens televisivas, em maior escala a partir da difusão de canais de televisão
já especializados em História32. Referimo-nos às imagens arquetípicas de Napoleão
Bonaparte, representado no n° 1 de “História Viva” com a matéria “Napoleão: um
herói sem sepultura. Ele dominou a Europa e mudou a face do mundo. Morreu no
exílio e seu túmulo pode ser uma fraude” (ver figura 5); Winston Churchill, no n° 8
com a matéria “Churchill: entre a paz e a guerra. Extravagante, contraditório e
intuitivo, ele venceu duas guerras mundiais” (ver figura 6); e o próprio Alexandre
Magno, como já vimos, no n° 12 (ver figura 3).
Nas chamadas de capa para outras matérias há o uso
de outros personagens históricos arquetípicos, como os estadistas: Herodes (n°
10), Confúcio (n° 10), Máo Tse-Tung (n° 10), Adolf Hitler (n°s 1 e 5) e Osama Bin
Laden (n° 7); líderes militares: general Junot (n° 2) e Joana D’Arc (n° 4); figuras
ligadas à religião: Judas (n° 1), Gandhi (n° 1), Santo Agostinho (n° 3) e Maomé
(n° 8); artistas como Pablo Picasso (n° 6); e finalmente figuras políticas da História
do Brasil: Getúlio Vargas (n°s 2 e 10), Frei Caneca (n° 3) e Duque de Caxias (n°
6).
As civilizações antigas, por exercerem fascínio nos
consumidores de produção cultural sob várias mídias, também são exploradas e
recorrentes nas capas da revista, como os romanos, no n° 2, que traz a matéria
“Roma: uma era de poder e glória” (ver figura 7); os troianos, como vimos no n° 6
(ver figura 2); os egípcios, no n° 11, com a matéria “Novas descobertas
desvendam enigmas do Egito” (ver figura 8); e os macedônios no n° 12 (ver figura
3).

30
Tróia. Dir. Wolfgang Petersen. Warner Bros. Pictures. EUA. Warner Home Vídeo Inc, São Paulo,
2004. 2 DVD’s (163 min.), son., col.
31
Alexandre. Dir. Oliver Stone. Intermédia Films. EUA. São Paulo, 2005, 2 DVD’s (164 min.), son.,
col.
32
“The History Channel”, “Discovery Channel” e “National Geographyc”.
11

Figura 1 - Capa (História Viva, São Paulo: Duetto, n.1, nov. 2003)
12

Figura 2 - Capa (História Viva, São Paulo: Duetto, n.6, abr. 2004)
13

Figura 3 - Capa (História Viva, São Paulo: Duetto, n.12, nov. 2004)
14

Figura 4 – Historia. Paris: Tallandier, n° 643, jul. 2003.


15

Figura 5 - Capa (História Viva, São Paulo: Duetto, n.1, nov. 2003)
16

Figura 6 - Capa (História Viva, São Paulo: Duetto, n.8, jun. 2004)
17

Figura 7 - Capa (História Viva, São Paulo: Duetto, n.2, dez. 2003)
18

Figura 8 - Capa (História Viva, São Paulo: Duetto, n.11, out. 2004)
19

As chamadas para matérias secundárias na capa fazem


referência a outras civilizações antigas, inclusive ameríndias, como no n° 2 (já
dedicado à Roma como tema central) com uma matéria sobre os rituais fúnebres
incas. No mesmo número a revista anuncia que demonstrará as origens do
monoteísmo no Egito através da biografia de Nefertiti e do faraó Akhenaton. Os
conceitos de democracia e exército moderno são retomados através da Grécia
Antiga no n° 3, a origem dos etruscos no n° 4, a “. . . redescoberta do Egito
Antigo pelos sábios de Napoleão” no n° 5, a queda de Roma e as invasões
bárbaras no n° 9, e o flagelo de Pompéia no n° 12.
As capas ainda representam outro tema em História
que em maior ou menor grau exerce atração sobre o público consumidor de
produção cultural: a Europa medieval. Três exemplares denunciam o fascínio pelo
assunto: o n° 5 com a matéria “Tolerante, progressista, social. Nos séculos XIV e
XV uma Idade Média desconhecida” (ver figura 9); o n° 7, com a o dossiê
“Bárbaros por definição, eles foram o flagelo da Europa, mas se transformaram em
uma refinada civilização, são eles, os Celtas” (ver figura 10); e o n° 10,
“Inquisição: terror, tortura e morte em nome da fé” (ver figura 11).
Dentro do que parece ser uma escala de prioridades da
editora em relação à escolha do tema principal para a imagem de capa,
aparentemente em menor número, com temática inserida no recorte temporal de
História Moderna, temos novamente o n° 3, com a matéria sobre piratas e
corsários (ver figura 1 – nesse caso parece-nos que o determinante foi de fato o
período de exibição do filme “Piratas do Caribe”) e o n° 9, com a matéria “A
sereníssima república de Veneza: mil anos de prosperidade e esplendor” (ver
figura 12). Em relação à História Contemporânea o n° 4 traz o dossiê “Os segredos
da KGB: o serviço secreto do regime comunista soviético. Espionagem, repressão e
poder” (ver figura 13), e mais uma vez o n° 8, com a biografia de Winston
Churchill (ver figura 6). Portanto ambos os recortes temporais aparecem em
menor número em relação às características determinantes da escolha da matéria
principal de capa.
Desta forma, no primeiro ano de publicação da revista
“História Viva”, não há nenhuma edição que privilegie a área de História do Brasil,
Portugal ou África com imagem de capa. Desta forma, os temas centrais foram
inteiramente importados da publicação francesa ao longo de seu primeiro ano33.

33
Esse perfil foi sutilmente alterado com a publicação do n° 14, de dezembro de 2004, que trouxe
como matéria principal a “Madeira Mamoré: a ferrovia da morte. A epopéia da construção da
estrada que ceifou a vida de milhares de trabalhadores em plena selva amazônica é tema de
minissérie para a televisão”. Como o próprio nome sugere, a matéria de capa obedece ao
determinante da estréia da minissérie televisiva “Mad Maria”, levada ao ar na TV Globo, em 38
capítulos, de 25 de janeiro a 25 de março de 2005. Por outro lado, a publicação mencionada não é
objeto do presente estudo, pois foge ao nosso recorte temporal, fazendo parte do segundo ano de
publicação da revista.
20

Figura 9 - Capa (História Viva, São Paulo: Duetto, n. 5, mar. 2004)


21

Figura 10 - Capa (História Viva, São Paulo: Duetto, n. 7, maio 2004)


22

Figura 11 - Capa (História Viva, São Paulo: Duetto, n.10, ago. 2004) voltar >>
23

Figura 12 - Capa (História Viva, São Paulo: Duetto, n.9, jul. 2004)
24

Figura 13 - Capa (História Viva, São Paulo: Duetto, n.4, fev. 2004)
25

Tabela demonstrativa dos determinantes para a escolha da imagem de


capa

n°1 n°2 N°3 n°4 n°5 n°6 n°7 n°8 n°9 n°10 n°11 n°12 %
Civilizações antigas 33,3%

Filmes em cartaz 25%

Europa Medieval 25%

Biografias 25%

Idade Moderna 16,6%

Idade 16,6%
Contemporânea
Brasil, Portugal ou 0%
África

Escolha da Matéria de Capa

12% 0%
23% Civilizações antigas
Filmes em cartaz
12%
Biografias
Europa Medieval
Idade Moderna
Idade Contemporânea
18% 17% História do Brasil

18%

Figura 14 - Gráfico de Germano d'Castro


26

Probabilidade de escolha dos temas para capa

0%
13% 11%

Filmes
Biografias
13% 15%
Civ.Antigas
Europa Medieval
Id. Moderna
Id. Contemporânea
Hist. Do Brasil

24% 24%

Figura 15 - Gráfico de Germano d'Castro

Outra estratégia adotada pela editora no intuito de


chamar a atenção do público leitor, é polemizar não só no título e tema da matéria
principal, mas na chamada para outras matérias, ainda na capa. A lógica é
jornalística e não acadêmica. O n° 1 traz a denúncia de que o cadáver de
Napoleão Bonaparte poderia não ser aquele encerrado no Museu dos Inválidos, na
França; ensaia desnudar as “razões ocultas” da traição de Judas; e afirma que “. .
. a cozinha mineira, quem diria, é paulista”. O n° 2 polemiza as relações
“obscuras” entre as empresas americanas e o III Reich; o n° 5 promete
demonstrar uma Idade Média contrária aos manuais tradicionais, polemizando
ainda os fatos pertinentes à morte de Adolf Hitler e ao paradeiro de seu cadáver; o
n° 6 promete elucidar como Pablo Picasso teria sido salvo por uma “baforada de
charuto” e o n° 11 denominar quem teria financiado “as revoltas do século XX”.
Não é incomum encontrarmos nas chamadas para as
matérias de capa adjetivações que remontam a uma significação misteriosa e
ambiciosa por elucidar os fatos passados. Remontamos ao conceito medieval de
“mirabilis” para designar um passado desconhecido, idealizado e mitificado que
maravilha o leitor e promete a revista “desvendar”. Conforme dissemos o n° 2
anuncia que desvendará as razões “ocultas” da traição de Judas; o n° 4 traz a
“intrigante” origem dos etruscos e os “segredos” da KGB; o n° 5, além de uma
Idade Média “desconhecida”, os “mistérios” da morte de Hitler; o n° 6 o “fascínio”
que Marte exerceu através dos séculos; o n° 7 a “surpreendente” descoberta do
Rio Amazonas; e finalmente o n° 11 promete “desvendar” os “enigmas” do Egito.
Oculto, intrigante, desconhecido, misterioso, fascinante,
secreto, surpreendente, enigmático: estes adjetivos servem a uma eficiente
estratégia propagandística que tem por finalidade cooptar o público leitor e
influenciá-lo diretamente no consumo da revista como produto cultural. A
27

eficiência da estratégia está na recorrente utilização do verbo “desvendar”: a ação


chave a qual se propõe a revista.
A morte também exerce um importante fascínio no
público leitor, e sua apropriação pela publicação e vinculação em chamadas para
matérias em capa, têm a finalidade de servir à mesma estratégia de vendas,
ensaiando uma espécie de sensacionalismo mais uma vez jornalístico. “Um milhão
de mortos na Guerra Civil Espanhola”, anuncia o n° 1; “Sacrifícios humanos, rituais
macabros, mumificação: a morte comanda a cultura Inca” no n° 2; “Mediterrâneo:
um mar de sangue cristão e muçulmano” no n° 3; “O julgamento de Klaus Barbie,
o carniceiro nazista de Lyon” no n° 4; “O massacre protestante na Noite de São
Bartolomeu” e “. . . Infâmia e tragédia” de Tróia no n° 6; a Peste Negra, que “. . .
dizimou um terço dos europeus” na Idade Média no n° 8; a Revolta da Armada
que lavou Santa Catarina com “. . . um banho de sangue” no n° 9; o “. . . terror,
tortura e morte . . .” promovidas pela Santa Inquisição na Europa Medieval, no n°
10; o povo “. . . massacrado” na Comuna de Paris e, finalmente, “. . . A morte cai
na indiferente e pacata cidade de Pompéia”, no n° 12 (todos os grifos são nossos).
Há algo de tétrico e mórbido no imaginário popular
sendo explorado por uma psicologia servil à lógica do mercado editorial, com
excelentes resultados demonstrados pelo número crescente de vendas.

As seções

O projeto inicial da revista trouxe, além do editorial e


uma seção de cartas, onde o leitor podia expor suas opiniões sobre a revista, mais
8 sessões.
A sessão “História em cartaz”, disposta logo após o
sumário de seções e artigos, do editorial e da seção de cartas, tem a finalidade de
informar os principais eventos relacionados à História como exposições,
lançamento de livros, filmes, peças de teatro, sugestões para viagens, museus, e
divulgação das mais recentes descobertas e estudos sobre a ciência histórica. Isso
é feito através das subseções: “Exposições”, “DVD”, “Internet”, “Televisão”,
“Livros”, “Passeio”, “Teatro” e “Panorama”; e se propõe “o mais completo roteiro
de cultura e lazer ligado à História”34.
“História em cartaz” possui uma interessantíssima
subseção denominada “Frases”, que traz máximas de grandes personagens de
nossa História e também de célebres Historiadores, Filósofos e literatos.
Na subseção “Para saber mais” são elencadas três teses
acadêmicas inéditas por edição, de caráter monográfico em programas de
mestrado ou doutorado em renomadas instituições de ensino superior em História,
como a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciência Humanas da Universidade de São
Paulo, a Universidade Estadual de Campinas, Pontífice Universidade Católica de
São Paulo, Pontífice Universidade Católica do Rio de Janeiro, Universidade Federal

34
S.n.t. Texto extraído de material promocional que antecedeu a publicação do primeiro número na
revista “História Viva”.
28

Fluminense, Universidade Estadual Paulista, Universidade Estadual Paulista de


Franca, Universidade Federal do Pernambuco, Universidade Federal do Pará,
Universidade de Brasília, Universidade do Sudoeste da Bahia, Universidade Federal
do Ceará, Universidade Federal do Rio de Janeiro e Universidade Federal de Santa
Catarina.
Dispõe até mesmo de uma subseção dedicada à
gastronomia, com receitas relacionadas às mais variadas épocas e fatos históricos,
como, por exemplo, a receita inaugural do “Vol-au-vent, o pastelzinho socialista”35,
criado para as mesas de uma sociedade sem classes; a torta polonesa36, cuja
origem no Brasil remonta à história da imigração dos poloneses; “A maniçoba
amazônica”37 que remete diretamente à cultura indígena amazonense; as alheiras
portuguesas que, por serem feitas a partir de carne de porco eram penduradas por
judeus defronte às suas casas em Portugal, durante a perseguição do Tribunal do
Santo Ofício, para ocultar sua crença e origem (evidentemente porque judeus não
comem carne de porco)38; e ainda numa brilhante demonstração sobre a origem
do chocolate, com a bebida preferida por Montezuma II: o “Xocotlatl”39. O n° 4 foi
o único analisado que não trouxe a esta subseção.
O n° 3 trouxe na seção “História em Cartaz” uma nova
subseção denominada “Evento”, que expunha uma espécie de agenda divulgando
eventos culturais; além de uma coluna assinada por Eduardo Martins, denominada
“Palavras vivas”, onde esclarece as origens históricas de frases feitas e termos
recorrentes no ideário popular, cuja raiz via de regra é ignorada por ter-se perdido
no tempo, como por exemplo: “debaixo de sete chaves” (n° 3), “Freguesia do Ó”
(n° 4), “para inglês ver” (n° 5), e “Inês é morta” (n° 6). A coluna de Eduardo
Martins trouxe no n° 10 um interessantíssimo artigo sobre nomes de pessoas que
deram origem a palavras, como: “brigadeiro”, originário da figura do brigadeiro
Eduardo Gomes, candidato à Presidência da República em 1945; “gari”, termo
originário de Aleixo Gary, antigo proprietário de uma empresa que fazia a limpeza
das ruas do Rio de Janeiro, então capital federal; “brechó”, cuja origem se refere a
Belchior, que segundo o autor teria sido o primeiro comerciante de artigos de
segunda mão; e “pinel”, sinônimo de louco por fazer referência ao médico Philippe
Pinel (1745-1826), pioneiro no tratamento de doenças mentais40.
A partir do n° 4 outras duas subseções foram
adicionadas: “Cinema” e “Filmes”. O n° 6 experimentou uma nova subseção
denominada “CD”, explorando a produção musical relacionada à História; logo
descartada nas edições seguintes. O n° 11 inovou com a subseção “Personagem”,
que trazia uma brevíssima reportagem sobre o lançamento da biografia de Stefan

35
História Viva, São Paulo: Duetto, n. 1, nov. 2003, p. 20.
36
A saga da torta polonesa. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 5, mar. 2004, p. 11.
37
História Viva, São Paulo: Duetto, n. 6, abr. 2004, p. 11.
38
Alheiras, contra a Inquisição. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 7, maio 2004, p. 11.
39
CHAVES, Guta. Xoclotlati, a paixão de Montezuma II. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 11,
set. 2004, p. 17.
40
Pessoas também viram palavras. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 10, ago. 2004, p. 17.
29

Zweig, escritor europeu da década de 1940, mas a subseção não foi repetida no n°
12.
Logo em seguida à “História em cartaz”, a revista traz a
seção que mais nos chamou a atenção, não por seu conteúdo, mas pelo título e a
relação que mantém com seu objeto. Trata-se da seção “Historiográfico”.
Segundo o “Novo Dicionário básico da Língua
41
Portuguesa” , “historiográfico” trata-se do adjetivo da palavra “historiografia”: a
“arte de escrever a história” ou o “estudo histórico e crítico acerca da história ou
dos historiadores”42. Outra flexão comum do mesmo radical é o termo
“historiógrafo”, que significa, no mesmo dicionário, “aquele que é designado para
escrever a história duma nação, duma época, duma dinastia, etc.”, um “cronista”,
ou o sinônimo de “Historiador”43, que por sua vez é o “especialista em história”44.
Historiográfico, portanto, é relativo à historiografia, é o
adjetivo que tipifica um estudo, caracterizando seu objeto como os fatos passados.
Por outro lado, a sessão referida, ao que nos parece, significa o termo como o
estudo histórico de um gráfico. Grosso modo é uma seção da revista que pretende
narrar fatos históricos através de breve texto e, portanto, da exposição de um
gráfico. Mas tecnicamente não é isso que ocorre. Não só o significado do termo
“historiográfico” foi interpretado erroneamente neste caso, como não há nenhum
gráfico na seção “Historiográfico”, nas 12 edições analisadas, se levarmos em
consideração sua significação técnica como a disposição de “coordenadas e curvas
que ligam pontos das ordenadas e abscissas para representação de um fenômeno
qualquer”45. O que há, em 10 das edições estudadas, são croquis que utilizam
mapas, sem referência à escala ou critérios de proporção, sendo que as duas
restantes também não exibem gráficos.
A relação entre o termo e seu objeto faz sentido apenas
se levarmos em consideração que “historiográfico” designa um estudo cujo objeto
são os fatos passados, e interpretarmos “gráfico” como qualquer “representação
por desenho ou figuras geométricas”46. Ainda assim, para profissionais da área de
História habituados com o termo e sua significação técnica, tem que se fazer um
gigantesco esforço nesse sentido. Para o público leigo fica a distorção de
significação de “historiográfico”.
Via de regra os fatos sob análise na seção são
estratégico-militares, como o deslocamento de tropas de um exército sob o campo
de batalha ou algo similar. O número inaugural trouxe a ilustração da vitória do

41
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio básico da Língua Portuguesa. São
Paulo: Folha de São Paulo / Editora Nova Fronteira, 1995.
42
Verbete “historiografia” in: Ibid., p. 344.
43
Verbete “historiógrafo” in: FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Op. cit. p. 344.
44
Verbete “historiador” in: FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Op. cit. p. 344.
45
Verbete “gráfico” in: FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Pequeno dicionário brasileiro da
Língua Portuguesa. S/l: Gamma, s/d.
46
Ibid.
30

exército cartaginês sobre o império romano47; o n° 2 demonstrou a evolução das


cruzadas do séc. XI ao XIII48; o n° 3 comparou a evolução da Coluna Prestes com
a “Grande Marcha” liderada por Máo Tse-Tung49; o n° 6 analisou as evoluções dos
exércitos envolvidos na Guerra do Paraguai50; o n° 7 ilustrou o desembarque dos
aliados na costa normanda da França durante a Segunda Guerra Mundial51 (ver
figura 15); o n° 8 a evolução das tropas constitucionalistas durante a Revolução de
1932 em São Paulo52; o n° 9 expôs as rotas seguidas pelos bárbaros nos
movimentos de invasão ao império romano53 e o n° 10 “A tragédia dos
Cherokees”, na expansão dos colonizadores yankees para o oeste dos EUA54.
Curiosamente o n° 4 da mesma forma não trouxe um gráfico na seção, mas uma
tabela demonstrativa dos dados referentes aos programas espaciais no período da
Guerra Fria55; e ainda o n° 12 dispôs um desenho de uma maquete em “3D”,
reproduzindo um atentado a bomba do grupo separatista basco “ETA”56 (ver figura
16).

47
DIWAN, Pietra. Aníbal: O brilhante estrategista que ousou derrotar o império romano. In: História
Viva, São Paulo: Duetto, n. 1, nov. 2003, pp. 20 e 21.
48
FARFEL, Nicolas. Cruzadas: em nome de Deus. Conquista de Jerusalém: heróica aventura cristã
ou invasão dos inimigos de Maomé? In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 2, dez. 2003, pp. 20 e
21.
49
FARCEL, Nicolas. Coluna Prestes, Grande Marcha. O Cavaleiro da Esperança e o Grande
Timoneiro percorrem milhares de km em nome da revolução. In: História Viva, São Paulo: Duetto,
n. 3, jan. 2004, pp. 22 e 23.
50
DIWAN, Pietra. Guerra do Paraguai: o grande confronto na América do Sul. In: História Viva, São
Paulo: Duetto, n. 6, abr. 2004, pp. 20 e 21.
51
DIWAN, Pietra. 6 de junho de 1944: o dia mais longo do século. In: História Viva, São Paulo:
Duetto, n. 7, maio 2004, pp. 20 e 21.
52
DIWAN, Pietra; FARFEL, Nicolas. Um Estado em luta: São Paulo, o campo de batalha durante a
revolução de 1932. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 8, jun. 2004, pp. 20 e 21.
53
FARFEL, Nicolas. Invasões bárbaras: em ondas sucessivas, os bárbaros destroçam um império.
In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 9, jul. 2004, pp. 20 e 21.
54
VINCENT, Bernard. A tragédia dos Cherokees. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 10, ago.
2004, pp. 20 e 21.
55
DIWAN, Pietra; FARFEL, Nicolas. Odisséia no Espaço: os programas espaciais não são meras
aventuras, mas pesquisas para melhorar a vida na Terra. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 4,
fev. 2004, pp. 20 e 21.
56
FARFEL, Nicolas. O vôo de Carrero Blanco: numa operação cinematográfica, ativistas do ETA
realizaram com êxito a Operação Ogro, um atentado fatal contra o mais importante colaborador de
Francisco Franco. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 12, out. 2004, pp. 19 e 20.
31

Figura 16 - Sessão "Historiográfico" – FONTE: DIWAN, Pietra. 6 de junho de 1944: o dia


mais longo do século. In: História Viva. São Paulo: Duetto, n. 7, maio 2004, pp. 20 e 21.

Figura 17 - Sessão "Historiógrafo" – FONTE: FARFEL, Nicolas. O vôo de Carrero Blanco:


numa operação cinematográfica, ativistas do ETA realizaram com êxito a Operação
32

Ogro, um atentado fatal contra o mais importante colaborador de Francisco Franco. In:
História Viva. São Paulo: Duetto, n° 12, out. 2004, pp. 20 e 21.

A sessão seguinte, “Biografia”, trata de personagens


proeminentes da História, como líderes religiosos, estadistas, comandantes
militares etc. Não só a escolha dos personagens como o tratamento que lhes é
dado seguem via de regra os termos ainda tradicionais “rankeanos” de História
Política profissional, privilegiando seus “grandes atos” e “feitos”. Raras vezes essa
postura teórico-metodológica foi quebrada nas biografias trabalhadas, por um
ensaio de olhar timidamente visto de baixo, atento à vida privada de seu objeto,
denunciando certa resistência às tendências da Nova História, mesmo por parte de
historiadores contemporâneos.
Há por outro lado ensaios revisionistas, como o de
Pascal Marchetti-Leca, da Universidade da Córsega, que escreveu uma biografia de
Mahatma Gandhi57 ressaltando aspectos de sua vida privada que contrapõem a
visão mitificada do líder religioso, enfatizando seu mau rendimento escolar, a
violência com que tratava sua esposa e seus relacionamentos extraconjugais,
relativizando-os com seu clamor pela desobediência civil, que incitou a população a
resistir à dominação inglesa e inspirou a “Marcha do Sal”. Apesar da crítica o autor
não deprecia o caráter filosófico de Gandhi, mas inova estabelecendo uma
biografia que foge à sua História Filosófica tão somente, e comumente dissociada
desse caráter privado, ignorado por muitos.
Essa postura já não é encontrada no caso de Gonzague
58
Saint Bris , que escreve uma biografia narrativa e cronológica de Leonardo da
Vinci, privilegiando mais aspectos políticos e a produção do gênio do que aspectos
de sua vida privada. O que se pretende privado confunde-se com o político.
Destaca-se a utilização ilustrativa de partes de manuscritos de Leonardo, com
interessantes esboços de muitas de suas invenções.
O pensamento filosófico é aliado ao pensamento
político na análise reflexiva de Lucién Jerphagnon59 sobre a biografia de Santo
Agostinho60, que traz relevantes descobertas sobre certos aspectos
comportamentais e da vida privada do santo, trabalhados através de um discurso
que não perde de vista a narrativa tradicional, trazendo à tona características da
vida do filósofo que até então poderia muito bem ser desconhecida de grande
parte do público especializado em História.
A figura arquetípica da líder militar francesa, Joana
D’Arc, foi trabalhada por Maurice Garçon61, da Academia Francesa, nos moldes da
História Política tradicional, com uma narrativa, no caso dos relatos das guerras
57
Gandhi: no caminho da paz. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 1, nov. 2003, pp. 22-27.
58
É autor de Vingt Ans de l’Aiglon. Paris: Tallandier, 2000.
59
Professor emérito da Academie d’Athènes, é o maior especialista em Sto. Agostinho na França;
publicou Saint Augustin, le Pédagogue de Dieu. Paris: Gallimard Découvertes, 2002.
60
Agostinho, santo e subversivo. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 3, jan. 2004, pp. 24-29.
61
Joana D’Arc, uma santa em armas. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 4, fev. 2004, pp. 22-
27.
33

contra os exércitos anglo-borgonheses no século XV, recorrente direta à História


Militar, com descrição detalhada de estratégias e movimentos. Apesar de estar
edificada nos moldes de história profissional, há recursos estilísticos e alegorias
utilizadas pelo autor, talvez com a intenção de fazer com que o texto se tornasse
mais atraente a um público não erudito, tentando um caráter mais pedagógico-
enciclopedista.
O perfil da sessão “Biografia” é alterado
fundamentalmente por outro artigo de Pascal Marchetti-Leca, desta vez
escrevendo sobre Nelson Mandela, no artigo “Mandela, a vitória de um justo”62,
que tratando de uma biografia com recorte contemporâneo acaba sendo
direcionado à análise de graves problemas atuais. A ausência de um relevante
recuo histórico obriga o autor a ensaiar uma análise parcial, através da biografia
de um dos mais importantes líderes políticos da História, de nossa sociedade
contemporânea, seus ranços e intolerâncias.
O mesmo autor, na edição seguinte (n° 6), analisa a
biografia de outro personagem de nossa história recente: Pablo Picasso63.
Novamente Pascal Marchetti-Leca trabalha a vida privada de seu objeto, dando
ênfase ao comportamento do artista, determinando-o como mesquinho, egoísta e
perverso, seus muitos amores e a relação que mantinha com Braque, sem prejuízo
para a tradicional História Social da Arte, pois não deixa de recorrer à ousadia
genial que inovou o conceito estético e alterou fundamentalmente os princípios da
arte.
Outras biografias de destaque foram a de Isaac
Newton, pela Historiadora e Jornalista Reneé-Paule Guillot64; de Maomé, pelo
Psicanalista e Antropólogo Malek Chebel65; e de Theodore Roosevelt, pelo
Jornalista e Escritor Reine Silbert66.
Foi somente a última edição analisada que trouxe
finalmente um brasileiro como objeto da seção “Biografia”: “José Bonifácio, o sábio
por trás do príncipe”, num ensaio do Jornalista Bias Arrudão. O autor, que é
mestre em estudos latino-americanos pela Universidade do Texas, empreendeu na
análise uma dinâmica jornalística, presa aos acontecimentos políticos do período,
obviamente com ênfase maior ao seu papel no processo de independência do
Brasil, mas com olhos voltados também para a História das Idéias e da Cultura. O
texto resgata importantes valores de época em uma parcela considerável do
ideário de um Brasil que carecia e muito de estabelecer sua própria identidade, por
parte da elite intelectual burguesa de origem lusitana.

62
In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 5, mar. 2004, pp. 22-27.
63
Picasso, o criador absoluto. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 6, abr. 2004, pp. 22-27.
64
Newton, o homem que sabia duvidar. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 7, maio 2004, pp.
22-27.
65
As três vidas de Maomé. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 8, jun. 2004, pp. 22-27.
66
Teddy, um urso na Casa Branca. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 11, set. 2004, pp. 28-
33.
34

A próxima seção é a principal da revista, denominada


“Dossiê”, e em alguns casos está associada ao tema central da publicação e sua
imagem principal de capa; porém, não necessariamente.
A proposta desta seção é trazer análises sobre o
mesmo assunto ou o mesmo personagem, através de um número maior de
Historiadores ou de outros estudiosos de ciências afins que tenham se debruçado
sobre o mesmo tema, possibilitando a retomada do objeto sob vários vieses.

Dossiê é o espaço dedicado aos grandes momentos da história da humanidade, de


primordial relevância para os leitores que se querem contemporâneos de seu tempo.
Esses momentos, que foram capazes de configurar a ordem mundial que se seguiu,
são vistos de forma panorâmica, e explorando todos os seus aspectos factuais e
teóricos por especialistas de renomada autoridade no assunto.67

A edição inaugural trouxe a figura de Napoleão sob o


olhar de renomados estudiosos, como Jean Tulard, Professor da Universidade de
Paris IV - Sorbonne68; Jacques-Oliver Boudon, Professor da Universidade de
Rouen69; Trajan Sadu, também Professor na Universidade de Paris IV70; e Bruno
Roy-Henry, jurista71.
A edição seguinte trouxe o dossiê “Roma”, tema
principal de capa. Apresentou um texto extenso e denso (para este tipo específico
de publicação) da Historiadora Anne Bernet72, especialista em História do mundo
romano73, digno dos manuais de História Antiga e que trouxe uma elucidativa
iconografia, fazendo ainda incursões profundas na História Econômica romana e
caracterizando o mercado ocidental antigo com minuciosa precisão. O dossiê
trouxe ainda um breve artigo de Catherine Decouan74, sobre a política e o conceito
de democracia na República romana.

67
S.n.t. Texto extraído de material promocional que antecedeu a publicação do primeiro número na
revista “História Viva”.
68
É ainda membro da Academia de Ciências Morais e Políticas, e publicou entre outros títulos Les
Vingt Jours. Paris: Fayard, 2001; Napoleón et la noblesse d’Empire. Paris: Tallandier, 2001; e
Dictionnaire Napoleón. Paris: Fayard, 2001, do qual foi organizador. Cf. Napoleão: Construtor de
uma nova ordem na Europa. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 1, nov. 2003, p. 45.
69
Onde leciona História Contemporânea. Preside ainda o Instituto Napoleão e é autor de Brumário,
a tomada de poder por Bonaparte. s.n.t. Cf. O jovem corso é o senhor da guerra. In: História Viva,
São Paulo: Duetto, n. 1, nov. 2003, p. 49.
70
Estudioso de História Contemporânea e especialista em Europa Central. É ainda autor de
Système de Sécurité Français em Europe Centre-Orientale, 1919-1933. s/l: L’Harmattan, 1999. Cf.
50 anos de Bonança para as monarquias. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 1, nov. 2003, p.
53.
71
Para a revista escreveu A segunda morte do imperador. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n.
1, nov. 2003, p. 55; que de fato polemiza a questão do paradeiro do corpo do imperador.
72
Roma: capital do mundo e cidade eterna; Cem anos urb et orbi; Uma superpotência em ação. In:
História Viva, São Paulo: Duetto, n. 2, dez. 2003, pp. 52-69.
73
É autora de Brutus. S/l: Librarie Académique Perrin, s/d; e Gladiateurs. S/l: Librarie Académique
Perrin, s/d.
74
A democracia romana sob a lupa. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 2, dez. 2003, p. 70.
35

O dossiê do n° 3 tratou novamente do tema principal


de capa da publicação, desta vez sobre Piratas e Corsários. O primeiro texto foi
extraído da obra “Sous le pavillion noir, Pirates e flibustiers”75 de Philippe
Jacquin76, e escrito em conjunto com Sergio Eltéca, colaborador da publicação
francesa “Historia”77. Em seguida o dossiê traz os ensaios de Michel Vergé-
Francheschi78, “Bandidos nada simpáticos”; e a interessantíssima biografia de Ann
Bonny e Mary Read, as duas maiores “piratas” (ou as únicas) de que se tem
notícia, escrita pela Jornalista Véronique Dumas79, colaboradora de “Historia”. O
dossiê é fechado por 4 biografias dos mais célebres piratas e corsários que já
permearam o imaginário europeu e inspiraram os mais mirabolantes relatos e
romances: Francis Drake, Barba-Negra, Jean Bart e Surcouf, escritas por Bertrand
Galimard Flavigny80.
O dossiê KGB, no n° 4, traz um número maior de
textos, ensaiando uma estrutura de apresentação dividida entre sumário e mais
duas subseções, abrangendo respectivamente os personagens e as façanhas do
antigo serviço secreto soviético. É tentador imaginar quanto uma publicação desta
natureza, com a riqueza de informações trazidas, teria valido para o Governo dos
EUA no período da Guerra Fria (resta-nos esperar pela invenção e desenvolvimento
de uma máquina do tempo).
No sumário “O ABC da KGB”81, o especialista em
informação e contra-informação Remi Kauffer82 traz uma visão geral do que foi a
máquina de espionagem soviética através de uma cronologia rica em detalhes,
com informações sobre os principais líderes do serviço secreto e seus objetivos,
além de sua estrutura e hierarquia de comando.
O mesmo autor traz no artigo seguinte o vitae de
Markus Wolf, um mestre da espionagem na Alemanha Oriental83. Já a Historiadora
Françoise Thom84 trata da biografia de Lavrenti Béria85, outro mestre da

75
JACQUIN, Philippe. Sous le pavillion noir, Pirates e flibustiers. S/l. Editions Gallimard, s/d.
76
Professor de Antropologia da Universidade de Paris II - Lyon.
77
Piratas e Corsários: a epopéia dos saqueadores dos mares. In: História Viva, São Paulo: Duetto,
n. 3, jan. 2004, pp. 30-35.
78
Professor de História Moderna da Universidade de Savóia, autor de Histoire de Toulon. S.n.t. e
diretor do Dictionnaire d’Histoire Maritime. S.n.t.
79
Ann Bonny e Mary Read, as rainhas da costa. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 3, jan.
2004, pp. 44 e 45.
80
Francis Drake: a serviço de sua gloriosa majestade; Barba-Negra: o corsário da rainha Ann; Jean
Bart: o lado sombrio do rei-sol; Sourcouf: um corsário de sangue azul. In: História Viva, São Paulo:
Duetto, n. 3, jan. 2004, pp. 46-49.
81
In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 4, fev. 2004, pp. 30-32.
82
É ainda Professor do Instituto de Estudos Políticos de Paris.
83
KAUFFER, Remi. Markus Wolf: um mestre espião. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 4, fev.
2004, pp. 33-35.
84
Professora da Universidade de Paris IV – Sorbonne. Escreveu Lês fins du communisme. S/l:
Creitérion, 1994.
85
Béria tenta dinamitar o regime comunista. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 4, fev. 2004,
pp. 36-39.
36

inteligência soviética. O Historiador Alexandre Adler86 trabalha Saint-John Philby e


seu filho Kim Philby87, acusados pelo Império Britânico por espionagem em favor
da URSS. Kauffer retoma em seguida uma das mais polêmicas histórias de
espionagem da Segunda Guerra Mundial: a rede de informações “Rote Kapelle”88,
que teria anunciado as pretensões de Adolf Hitler em trair o pacto germano-
soviético e invadir a URSS89. Stalin não acreditou e o preço pago foi caro demais
em perdas humanas. A série de artigos é encerrada pelo Escritor e Jornalista Roger
Faillot90 que trata da rede de espionagem da KGB infiltrada na usina de Los
Alamos91, onde estavam escondidos os segredos militares sobre as pesquisas com
armas atômicas dos EUA.
No n° 5, de março de 2004, foram os Historiadores
medievalistas franceses os encarregados de desenhar os traços de uma “nova
Idade Média”, sob o ponto de vista da historiografia tradicional medieval. Os
estudos de Françoise Autrand92, Ivan Gobry93, Jean Verdon94 e Colette Beaune95
rompem com a visão renascentista inaugurada por Francesco Petrarca na primeira
geração humanista do Renascimento, quando ao se referir ao “Medium Tempus”
ou à “Media Aetas” o fez designando-o como “Tenebrae”, ou seja, a Idade das
Trevas, pressupondo um declínio cultural se comparada a civilização européia
medieval com a aurora das civilizações clássicas na antigüidade. O título de
chamada para o dossiê anuncia que “. . . novas luzes revelam outra Idade Média”
e que “a Idade Média como ‘Era das Trevas’ não convence mais os historiadores,
que descobriram uma época mais justa e feliz”96. O estudo tem como balizas
temporais os séculos XIV e XV, e de fato se estabelece como proposta de revisitar
as discussões historiográficas teórico-metodológicas que já consolidaram bases e
conceitos cujos dogmas são agora questionados. A questão dos estamentos que
pressupõem a ausência de mobilidade social, o papel das mulheres na vida
econômica e social e a exclusão de prostitutas e homossexuais estão sob o alvo

86
Membro do conselho editorial de “Historia”.
87
Philby, ou a traição de pai para filho. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 4, fev. 2004, pp. 40-
43.
88
“Orquestra vermelha” em alemão.
89
No coração da Alemanha nazista. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 4, fev. 2004, pp. 44-47.
90
Autor de FAILLOT, Roger; KROP, Pascal. DST, Police Secrète. S/l: Flammarion, s/d; e FAILLOT,
Roger; KAUFFER, Remi. Histoire Mondiale du Renseignement. S/l: Robert Laffont, 1993.
91
Nas entranhas do poder americano. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 4, fev. 2004, pp. 48-
50.
92
Uma sociedade em plena mutação. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 5, mar. 2004, pp. 32-
37.
93
Mulheres responsáveis e liberadas. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 5, mar. 2004, pp. 38-
41.
94
Os bordéis, casas das mais toleradas. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 5, mar. 2004, pp.
42-47.
95
Escola, a escada para a ascensão social. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 5, mar. 2004,
pp. 48-51.
96
História Viva, São Paulo: Duetto, n. 5, mar. 2004, p. 28.
37

desses estudiosos e importantes conclusões são divulgadas nesses sentido pelo


dossiê.
Os medievalistas se juntam a estudiosos do período
moderno e retornam em agosto de 2004, no n° 10 que traz o dossiê “Inquisição”.
A discussão se estabelece em torno da pior face do Tribunal do Santo Ofício, ou
seja, as práticas de tortura e morte do aparelho inquisitorial, que vitimou hereges
pela divergência religiosa, homossexuais e prostitutas. A proposta é analisar os
“mil anos de intolerância” religiosa a partir do ano mil, com enfoque específico a
partir de 1231, com a criação da Inquisição e da nomeação dos primeiros
inquisidores na Alemanha, França e Itália; 1478, com a criação da Inquisição
espanhola; 1531, com a instalação do Santo Ofício em Portugal; 1542, com a
reorganização da Inquisição romana sob Paulo III; 1549, com o Concílio de Trento
que desencadeou, acentuadamente após 1562 a Contra-Reforma que perseguiu e
massacrou os protestantes; até o declínio dos tribunais inquisitoriais, durante o
séc. XVIII na Península Itálica; em 1820 na Espanha; e em 1821 em Portugal.
Desta forma o fenômeno é tratado, de forma geral, sob uma perspectiva de longa
duração, estendendo uma cronologia que vai do ano 1000 até 200497.
A Historiadora Colette Beaune, mais uma vez nas
páginas da revista98, traça um perfil da Corte da Inquisição em relação aos grupos
que perseguia no artigo “Em nome de Deus”99, tratando o fenômeno não de forma
localizada mas evidenciando sua dinâmica de intransigência religiosa por todo o
continente europeu, do final do séc. X ao final do séc. XV. Pierre Chaunu,
especialista em História Moderna100, chama a atenção para o fato de estudos sobre
o tema incorrerem em grave anacronismo, uma vez que o inquisidor moderno
trabalhava no escopo de salvar almas, desta forma identifica um sentimento
sincero que estabelece uma História das Idéias para o período Moderno em relação
à Inquisição, como um fator essencial para se compreender o fenômeno101. Martin
Monestier é autor de um breve relato102 a respeito da prática das fogueiras onde
os hereges condenados eram queimados vivos; trata da metáfora representada
pelo fogo que tinha a intenção de reduzir a nada as lembranças do crime praticado
pelo herético, da mesma forma tomando o fenômeno em seus aspectos gerais, e
não como ocorrência localizada. O caminho inverso é feito pelo Historiador
Dominique Paladilhe103, que trata especificamente da perseguição à heresia cátara

97
Mil anos de intolerância. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 10, ago. 2004, p. 31.
98
No n° 5 havia escrito o artigo Escola, a escada para a ascensão social, no dossiê Idade Média.
99
In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 10, ago. 2004, pp. 28-30.
100
Foi Professor desta cadeira na Universidade de Paris IV – Sorbonne. Atualmente é membro do
Instituto França.
101
Destruir a vida para salvar a alma. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 10, ago. 2004, pp.
32-34.
102
A agonia da morte no fogo purificador. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 10, ago. 2004, p.
35.
103
Especialista em heresia cátara, têm várias publicações sobre o assunto, entre elas La Grande
Aventure des Croisés. S/l: Perrin, s/d; Les Grandes Heures Cathares. S/l: Perrin, s/d; e Les Routes
Cathares. S/l: Perrin, s/d.
38

no sul da França, durante o séc. XIII. Demonstra como nem sempre a heresia
estava relacionada à práticas não cristãs, como no caso dos judeus, mas a
vertentes cristãs não reconhecidas pelo Papa, desta forma heréticas; nesse sentido
o exemplo do sincretismo entre reminiscências do maniqueísmo persa e o
cristianismo resultou na prática herege dos cátaros, apoiados por boa parte da
população e da nobreza, a ponto de resultar em conflitos com os dominicanos, os
“cães de Deus” encarregados de sua perseguição. O medievalista Joseph Perez104
trata do caso específico da Inquisição espanhola105, autora dos sangrentos autos-
de-fé, ou seja, do procedimento judicial inquisitorial que incluía em suas fases a
tortura física e o cárcere, podendo culminar no desterro, desapropriação de todos
os bens e riquezas do condenado, e finalmente na purificação dos pecados através
da morte nas fogueiras. Traça em breves linhas um importante painel sobre a
recusa e aceitação dos convertidos, judeus e cristãos novos, por parte das elites e
da população em geral. Mais breve ainda foi a medievalista Béatrice Leroy106 que
trata da expulsão dos judeus, mesmo convertidos, da Espanha, e o processo de
isolamento social sofrido pelo “falso cristão”107. A Inquisição italiana foi estudada
pelo Historiador Adriano Prosperi108 no artigo “Itália cai nas mãos do Santo
Ofício”109, que aborda a questão da amplitude do poder do tribunal sobre todos os
italianos, que demandava a existência de uma “polícia secreta” por parte dos
inquisidores e que impôs o terror por toda a península itálica. A inquisição em
Portugal foi analisada pela Historiadora brasileira Anita Waingort Novinsky110, que
traz a questão para o âmbito da nossa História quando trata da prisão de mais de
mil pessoas no Brasil, das quais 29 foram condenadas e morreram nas
fogueiras111. Para Novinsky

a Inquisição bloqueou o desenvolvimento econômico de Portugal e fez o Brasil


arrastar-se até a independência sem livros, sem imprensa, sem universidades e sem
acesso às informações112.

A vez dos egiptólogos chega com a edição n° 11, de


setembro de 2004, com o dossiê “Egito”. O conjunto de 8 artigos traz as mais
recentes descobertas arqueológicas que vêm preenchendo antigas lacunas na
História conhecida desta que é, sem dúvida, a civilização antiga que mais exerceu
fascínio sobre as civilizações posteriores, incluindo a nossa. Seguindo o exemplo

104
Professor emérito da Universidade de Bordeaux.
105
A fúria espanhola. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 10, ago. 2004, pp. 40-42.
106
Professora da Universidade de Pau. Dentre suas publicações sobre História Medieval estão:
L’Aventure Sefarad; De la Péninsule Ibérique à la Diaspora. S/l: Albin Michel, 1986; e Les Juifs dans
l’Espagne Chrétienne Avant 1492. S/l: Albin Michel, 1993.
107
A expulsão dos judeus. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 10, ago. 2004, p. 31.
108
Professor de História Moderna na Faculdade de Letras de Pisa.
109
In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 10, ago. 2004, pp. 44-46.
110
Professora do Departamento de História da Universidade de São Paulo.
111
Em Portugal, delações e resistência. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 10, ago. 2004, p.
48-51.
112
Ibid. p. 48.
39

dos dossiês anteriores, a edição trouxe de início uma cronologia referente ao tema
tratado, que nesse caso foi desenvolvida pelo egiptólogo Jean Leclant, que narra
sumariamente a saga egípcia desde o Antigo Império (de 3200 a 2000 a.C.) até a
“era dos Ptolomeus” (de 330 a 30 a.C.)113. As primeiras descobertas arqueológicas
trazidas pelo dossiê são de Jean-Yves Empereur, diretor do Centro de Pesquisas do
CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique)114, que se debruçou sobre os
escombros da “cidade dos mortos”, a Necrópole de Alexandria, soterrada pelas
areias do tempo em mais de 10 metros, e que vem sendo cuidadosamente
desenterrada, constituindo um vastíssimo sítio arqueológico que além da cultura
egípcia, traz informações sobre o período de dominação macedônio e romano115.
Jean-Pierre Corteggiani116 trata da presença helenística na fusão de elementos
egípcios (predominantes) e gregos na composição da estatuária egípcia117,
referindo-se à estátua de Ptolomeu II, descoberta em 1961 e que trazia uma
mecha sobre sua têmpora que intrigava os pesquisadores, revelando tratar-se
exatamente de uma mensagem aos viajantes que pela estátua passavam, de que
Alexandria fazia parte da civilização egípcia, mas que porém o Egito era uma
civilização helenística. O Diretor da CNRS, Alain Zivie, que coordena escavações
arqueológicas em Bubasteion, traz como resultados a descoberta de tumbas que
restabelecem a discussão sobre a verdadeira extensão que a reforma religiosa
perpetrada por Amenófis IV (que mudaria seu nome para Aquenaton) teria tido118,
uma vez que os artefatos encontrados em Bubasteion comprovam que as
instituições tradicionais egípcias resistiram à suposta ruptura política e cultural
desencadeada pelo faraó fiel ao deus Athon. Outro egiptólogo, Zahi Hawass119, em
pesquisa no oásis de Bahriya, o “Vale das múmias douradas”, relaciona o auge das
técnicas de mumificação dos mortos com o período de maior influência helenística,
o que explica o estado de conservação das múmias do período120. Edda
Bresciani121, que dirige expedições arqueológicas em Faiyum, traz em brevíssimas
linhas alguns resultados encontrados no último templo descoberto na cidade122,
dedicado a “Sobek”, a divindade cujo totem originário era o crocodilo, o que
explica a existência próxima da “Crocodilópolis”, a cidade de “Sobek”, o “espírito
protetor dos egípcios”. Os templos de Karnak são analisados pelo próprio Diretor
do Centro Franco-Egípcio dos templos, François Larché, que ainda dirige os

113
As dinastias ao longo do Nilo. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 10, ago. 2004, pp. 36-37.
114
É autor de Alexandrie redécouvert. S/l: Fayard, 1998; Le Phare d’Alexandrie. S/l: Decouvertes
Gallimard, s/d; e L’ABCédaire d’Alexandrie. S/l: Flammarion, 1998.
115
A necrópole revela seus segredos. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 11, set. 2004, pp. 38-
40.
116
Autor de Toutankhamon. S/l: Gallimard, 2000; e de L’Art de l’Egypte. S/l: Citadelle, 1994.
117
A mecha de Ptolomeu. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 11, set. 2004, p. 41.
118
As reveladoras tumbas de Bubasteion. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 11, set. 2004, pp.
42-45.
119
Secretário-geral do conselho de Antigüidades do Egito.
120
O vale das múmias douradas. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 11, set. 2004, pp. 46-48.
121
Professora da Universidade de Pisa.
122
A oferenda de crocodilos ao deus Sobek. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 11, set. 2004,
p. 49.
40

trabalhos no sítio que tiveram apenas um terço de seus 25 mil metros quadrados
explorado. Dedica sua análise123 a um dos principais traços culturais da civilização
egípcia em suas realizações faraônicas: a arquitetura, determinando um caráter
“pré-fabricado” para os templos em arquitetura de pedra, caso único na história
egípcia. O dossiê é finalizado com um curtíssimo texto de Béatrix Midant-Reynes,
do CNRS, e do Arqueólogo Eric Crubezy124, que anuncia seu estudo sobre a
sociedade egípcia durante o período pré-dinástico125, através dos achados
arqueológicos do séc. IV a III a.C., encontrados no sítio de Adaima, localizado a 8
quilômetros ao sul do rio Esna.
O último dossiê analisado, na edição n° 12, de outubro
de 2004, tem como tema central a “Comuna de Paris”, o movimento de 1871,
inspirado nas idéias de Proudhon e Blanc, que levou os communards a se
insurgirem contra a III República de Adolphe Thiers, proclamando Paris
independente, e que foi violentamente massacrado pelas tropas federais de
Versalhes. De início o dossiê impressiona pela quantidade e qualidade das
fotografias que traz. São registros históricos raríssimos que através da revista
chegam às casas de pessoas que pela primeira vez têm contato com um dos
maiores eventos políticos e sociais do final do século XIX. Jacques Chastenet126
trata da reapropriação do movimento pelo marxismo como expressão da real
possibilidade de estabelecimento da ditadura do proletariado127; explicitando ainda
que os insurgentes evocavam diretamente a lembrança das jornadas
revolucionárias de 1793. François Furet128 estabelece o fenômeno, numa
perspectiva de longa duração, como “o último suspiro da Revolução Francesa”129;
o Historiador William Serman discorre sobre a implacável reação dos versalheses
sob as ordens de Thiers, que levou a morte a quase totalidade dos
communards130; o mesmo faz o Historiador André Guerin, em “A derrota na
semana sangrenta”131; havendo finalmente a curtíssima análise da Historiadora
Agnes Falabrégues, sobre o processo de mitificação que permeou o imaginário
popular plasmando a imagem heróica posterior de seus participantes132,
influenciando vários movimentos revolucionários do séc. XX.
A única edição a trazer na seção um tema relacionado à
História do Brasil é a de abril de 2004 (n° 6), que traz o dossiê sobre Duque de
Caxias e propõe contrapor a imagem pública do personagem militar e político com

123
O primeiro monumento faraônico pré-fabricado. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 11, set.
2004, pp. 50-53.
124
Professor da Universidade de Tolouse.
125
A vida antes dos faraós. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 11, set. 2004, pp. 54-55.
126
Historiador e Escritor.
127
O povo no poder. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 12, out. 2004, pp. 30-33.
128
Doutor honoris causa pela Universidade de Tel Aviv e Havard.
129
In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 11, set. 2004, pp. 34-38.
130
Implacável, a reação veio de Versalhes. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 11, set. 2004,
pp. 40-43.
131
In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 11, set. 2004, pp. 44-45.
132
O mito irresistível. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 11, set. 2004, p. 46.
41

“o homem por trás do monumento”133. Nessa seção a revista revela tratar-se de


um importante veículo de divulgação de pesquisas em desenvolvimento em
programas de pós-graduação, trazendo dois textos da pós-graduanda Adriana
Barreto de Souza, doutoranda em História Social pela UFRJ, que inaugura o
primeiro dossiê sobre História do Brasil com os artigos: “Duque de Caxias; o
homem por trás do monumento”134 e “Um exército do Antigo Regime”135. O dossiê
conta ainda com a participação do ex-ministro da Justiça, da Educação, da
Previdência e do Trabalho e Coronel da Reserva do Exército Brasileiro, Jarbas
Passarinho136, que enaltece o “gênio militar” e discorre sobre as controvérsias
sobre seu “alinhamento conservador”. A historiografia brasileira representada
ainda por Ricardo Maranhão137, com “Em campo, o estrategista”138; e Celso
Castro139, com “Culto ao mito”140; traz importantes conclusões a respeito do
patrono do Exército brasileiro, projetando análises, a partir de sua biografia, dos
pilares do império, da manutenção da ordem escravista, das questões do Prata e
das origens do Exército brasileiro, através de nossa História Política e Militar.
Outros importantes dossiês trouxeram temas como os
Celtas (n° 7), com textos do Historiador Yann Brekilien141; do Historiador Venceslas
Kruta142; do Produtor de revistas televisadas Michel Treguer143; do Escritor Jean
Markale144; e de Alice Rolland145. Winstom Churchill, o “velho leão”, foi alvo do
dossiê de junho de 2004 (n° 8), sob o olhar de François Kersaudy146, Professor da
Universidade de Paris I – Panthéon-Sorbonne, com 4 artigos; novamente de Rémi
Kauffer147; e finalmente de Alexandre Adler148. A “sereníssima”, Veneza, teve seu

133
A afirmação trata-se de parte do título do ensaio de SOUZA, Adriana Barreto de. Duque de
Caxias: o homem por trás do monumento. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 6, abr. 2004, p.
28.
134
SOUZA, Adriana Barreto de. Duque de Caxias: o homem por trás do monumento. In: História
Viva, São Paulo: Duetto, n. 6, abr. 2004, pp. 28-35.
135
OP. cit. pp. 42e43.
136
O militar versus o político: as controvérsias sobre seu alinhamento conservador. In: História
Viva, São Paulo: Duetto, n. 6, abr. 2004, pp. 44 e 45.
137
Doutor em História pela USP, ex-Professor da PUC e Unicamp. Autor de Brasil História – Texto e
Consulta. S/l: Ed. Hucitec, s/d.
138
In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 6, abr. 2004, pp. 36-41.
139
Pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É autor de A invenção do Exército
Brasileiro. S/l: Jorge Zahar Editor, 2002.
140
In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 6, abr. 2004, pp. 46 e 47.
141
2.500 anos de celtitude. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 7, maio 2004, pp. 32-33.
142
Os invasores que vieram da Boêmia. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 7, maio 2004, pp.
33-339.
143
Revolucionário olhar sobre a expansão; A conversão dos druídas. In: História Viva, São Paulo:
Duetto, n. 7, maio 2004, pp. 40-47.
144
A Bretanha reata com seus ancestrais. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 7, maio 2004, pp.
46-49.
145
Instrumentos do folclore. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 7, maio 2004, p. 50.
146
Churchill: o triunfo do velho leão; Metade americano, cem por cento inglês; Um visionário
iluminado; O senhor da guerra. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 8, jun. 2004, pp. 28 e 29;
32-35; 36-37; 38-45.
147
Um mestre da espionagem. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 8, jun. 2004, pp. 46 e 47.
42

período de esplendor nas artes, ciências e comportamento resgatado no n° 9, por


Jean-Claude Hoquet149; Elisabeth Crouzet-Pavan150, Professora da Universidade de
Paris I; pelo Historiador Alain Frerejan151; e Yves Bruley152, Professor da Academia
de Ciências Morais e Políticas francesa.
Nenhuma outra publicação em História, destinada a um
público não especialista, no Brasil, trouxe um número tão relevante de estudiosos
de peso no círculo da ciência histórica mundial.
Através da análise da seção dossiê, nos 12 números
lidos, observamos que em 10 casos coincidiam o tema trazido com a imagem
principal de capa, que por sua vez estava relacionada também à chamada para a
matéria principal. Somente em 2 casos isso não ocorreu: no n° 6, que trouxe
dossiê sobre Duque de Caxias e uma capa que utilizava estrategicamente uma
cena do filme “Tróia”, em exibição nos cinemas no mesmo período; e no n° 12,
cujo dossiê tratava da “Comuna de Paris” e sua capa, à exemplo do n° 6, trazia a
cena de um filme em cartaz no mesmo período, desta vez “Alexandre”. A
estratégia que visava aproveitar o público dos cinemas, desejosos de se
aprofundar no mesmo assunto, determinou a substituição da imagem principal na
capa das edições 6 e 12, que segundo a orientação dos demais números deveriam
trazer, respectivamente, as imagens de Duque de Caxias e dos insurgentes da
Comuna de Paris.
A proposta original da revista trazia ainda um encarte
especial, composto por apenas 8 páginas, denominado “Patrimônio Histórico”, cujo
objetivo era tratar de temas relacionados ao patrimônio histórico, artístico e
cultural brasileiro. Seu primeiro número tratou da restauração e reciclagem da
Estação da Luz, em São Paulo: um símbolo da pujança dos barões do café. O
destaque do caderno é a possibilidade vislumbrar imagens maiores em 4 páginas
que se desdobram, tendo sido desta forma possível trazer o desenho da fachada
da estação com todos os seus detalhes.
O número seguinte trouxe como tema da seção a
Fazenda Pau D’Alho, no município de São João do Barreiro, em São Paulo.
Recentemente restaurada para abrigar o Museu do Café, a fazenda é um dos
ícones do poder, pujança e prosperidade estabelecido pelo ciclo do café. Traz dois
desenhos, sendo o primeiro determinando a estrutura da fazenda, e desta forma
da maioria das fazendas de café do período, e outro da Casa-grande, em corte,
com a distribuição dos cômodos.
Aproveitando as comemorações dos 450 anos da cidade
de São Paulo, o n° 3 de “História Viva” trouxe no caderno “Patrimônio Histórico” o
“Planalto de Piratininga”, onde primeiro se estabeleceu a missão jesuíta de 1554,
148
Um legado para o futuro. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 8, jun. 2004, p. 48.
149
A república onde os mercadores eram heróis. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 9, jul.
2004, pp. 32-35.
150
Os pólo: elite de empreendedores. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 9, jul. 2004, pp. 36-
39.
151
Tintoretto, o pequeno tintureiro. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 9, jul. 2004, pp. 40-43.
152
Depois de Lepanto o apogeu. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 9, jul. 2004, pp. 44-48.
43

embrião do povoamento da vila que se tornaria cidade, constituindo o centro da


atual megalópole. A evolução urbanística pode ser vislumbrada em 5 desenhos,
tomados do mesmo local e que representam 5 períodos distintos do
desenvolvimento urbano de São Paulo: 1554, 1699, 1818, 1877 e 1950.
Os dois números seguintes (4 e 5), de fevereiro e
março de 2004, não trouxeram o encarte, que voltaria a ser publicado somente no
n° 6, de abril de 2004, que trazia os caminhos desenvolvidos para vencer a Serra
do Mar e ligar o litoral de Santos à região paulista produtora de café. Foi o último
caderno “Patrimônio Histórico” publicado na revista, que desta forma perece ter
desistido de seu objetivo inicial em relação a esta seção:

Com esta seção, História Viva pretende divulgar, valorizar e contribuir para a
preservação do patrimônio histórico nacional. Esse nosso passado está fisicamente
presente em mais de 16 mil edifícios e 50 centros e conjuntos urbanos históricos
tombados, 5 mil sítios arqueológicos cadastrados e 12 bens considerados Patrimônio
Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação,
Ciência e Cultura, UNESCO.153

Desta forma, nas palavras extraídas do próprio material de divulgação que


antecedeu ao lançamento da revista, não foi a falta de temas que determinou a
desistência da publicação do encarte.
Outra seção de interessante estratégia aproveita o
trocadilho com a palavra “cruzada”, que remonta aos movimentos cruzadísticos
entre os séculos XI e XIII, com as “palavras cruzadas”, jogo temático que trabalha
informações da própria edição com a finalidade de medir o conhecimento adquirido
pelo leitor ao término da revista. A sessão “Cruzada Histórica” traz palavras
cruzadas temáticas para “aficionados pela história”. A proposta de formar público
para o número seguinte é evidente com a disponibilização dos resultados do jogo
somente no número seguinte. A “brincadeira” não requer profundo conhecimento
em história, e tem ainda o facilitador de as respostas requeridas poderem ser
encontradas ao longo dos textos da mesma publicação, o que também acaba
funcionando como estímulo ao leitor para consumir desta forma os textos.
A próxima seção leva o nome “Destinos”, e serve de
indicação para roteiros de viagens a locais e cidades históricas, como Juazeiro do
Norte (n° 1), Ouro Preto (n° 2), o Teatro Amazonas em Manaus (n° 3), a Igreja do
Senhor do Bonfim em Salvador (n° 4), São Francisco do Sul (n° 5), Paranapiacaba
(n° 7), Jangadeiros (n° 8), São Luís (n° 9), Rio de Contas (n° 10), Belém (n° 11) e
Cachoeira (n° 12).
Ao final temos a seção denominada “Última página”, via
de regra com um breve debate com historiadores brasileiros sobre temas
relacionados à História e cultura. O n° 1 trouxe o Jornalista e Historiador Heródoto
Barreiro154, escrevendo sobre Marat155; o n° 2 o editor de “O Estado de São Paulo”,

153
S.n.t. Texto extraído de material promocional que antecedeu a publicação do primeiro número
na revista “História Viva”.
154
É ainda apresentador dos jornais da Rádio CBN e TV Cultura.
44

Eduardo Martins, que discute os distanciamentos e proximidades entre a História e


o Jornalismo156; o n° 3 o Historiador e Jornalista Jorge Caldeira, que traça um
breve panorama dos contrastes lingüísticos da São Paulo colonial, que falava
tupi157; o n° 4 o Professor da ECA/ USP158 Ivan Teixeira, que estabelece um debate
teórico entre Literatura e História159; o n° 5 o Historiador István Jancsó160, que
restabelece a discussão sobre a identidade brasileira insurgindo novos
questionamentos em tempos de globalização161; o n°6 o Historiador Elias Thomé
Saliba162, que traça um rápido perfil sobre a história da leitura163; o n° 7 o
Historiador José Geraldo Vinci de Moraes164, que estuda “o papel da música
popular na história”165; o n° 8 o Professor Mamede Mustafa Jarouche166, que
problematiza questões historiográficas acerca do Oriente Médio167; o n° 9 o
Historiador Paulo Bertran168, que relaciona História e ecologia169; o n° 10 traz o
Professor José Álvaro Moisés170, que exercita algumas interpretações para o
suicídio de Getúlio Vargas171, em referência ao aniversário de 50 anos de sua
morte; o n° 11 traz o Historiador Mário Jorge Pires172, que trabalha as relações
entre símbolos e História173; e finalmente o n° 12 traz o Escritor e Cineasta Sylvio
Back174, que analisa criticamente a historiografia do primeiro conflito armado pela
posse de terras no Brasil do séc. XX: o Contestado175.

155
Marat: o amigo do povo. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 1, nov. 2003, p. 98.
156
História ou Jornalismo? In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 2, dez. 2003, p. 98.
157
A esquecida vila da língua tupi. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 3, jan. 2004, p. 98.
158
Leciona Cultura e Literatura Brasileira na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de
São Paulo.
159
Literatura e história. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 4, fev. 2004, p. 98.
160
Diretor do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo.
161
O Brasil como enigma. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 5, mar. 2004, p. 98.
162
Professor do Departamento de História da Universidade de São Paulo, é autor do célebre Raízes
do riso e Utopias românticas (s.n.t.).
163
A sedutora história da leitura. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 6, abr. 2004, p. 98.
164
Professor do Departamento de História da Universidade de São Paulo. É autor de Sonoridades
Paulistanas. São Paulo: Funarte, 1997; Metrópole em sinfonia. São Paulo: Estação Liberdade, 2000;
e Conversas com Historiadores brasileiros. São Paulo: Ed. 34, 2002; entre outros títulos.
165
In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 7, maio 2004, p. 98.
166
Professor de Língua e Literatura árabe no Departamento de Línguas Orientais da Universidade
de São Paulo.
167
Os limites históricos do orientalismo. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 8, jun. 2004, p. 98.
168
É ainda Conselheiro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
169
História e ecologia humana. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 9, jul. 2004, p. 98.
170
Professor do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo.
171
O significado do sacrifício de Vargas. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 10, ago. 2004, p.
98.
172
Professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
173
Não se faz história sem símbolos. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 11, set. 2004, p. 98.
174
Autor dos filmes Lost Zweig, Aleluia Gretchen e Guerra dos Pelados (s.n.t.).
175
O Contestado na historiografia. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 12, out. 2004, p. 98.
45

Os textos

Além das seções regulares que compõem seu material


editorial, a revista traz ainda textos que intercalam as seções, nacionais e
internacionais, onde de fato percebemos que há maior espaço para matérias de
estudiosos brasileiros em relação às seções principais: “Biografia” e “Dossiê”.
Se levarmos em consideração apenas os textos
desconectados das seções, ou seja, um total de 94 textos, temos 36 de autoria de
pesquisadores brasileiros para 58 textos de autores estrangeiros, cuja
avassaladora maioria é de franceses. Desta forma, constituem 38,29% os autores
brasileiros para 61,7% de atores estrangeiros nos 12 números analisados.
Se levarmos em consideração somente a seção
principal da revista, “Dossiê”, conforme constatamos anteriormente, nas 12
edições analisadas somente 1 trazia um tema dedicado à História do Brasil, nesse
caso trata-se do n° 6, com o dossiê “Duque de Caxias”, para os 11 restantes
dedicados à História universal. Ainda assim, nesses há somente uma matéria de
autoria de uma Historiadora brasileira: trata-se da Profª. Anita Novinsky, no n° 10
com o dossiê “Inquisição”. Desta forma 8,3% dos dossiês trataram de História do
Brasil enquanto 91,6% dedicaram-se à História Universal. Fazendo justiça à
participação de uma Historiadora brasileira em um dossiê sobre História Medieval e
Moderna, contabilizamos num total de 64 textos dispostos em 12 dossiês, 5
desenvolvidos por autores brasileiros para 59 desenvolvidos por estrangeiros,
numa percentagem portanto de 7,81% para 92,18%.
Tomando agora todos os textos das seções trazidas
176
pela publicação , num total de 116, temos 46 escritos por autores brasileiros e 70
escritos por estrangeiros, estes dispostos exclusivamente em duas seções:
“Biografia” e “Dossiê”, as mais importantes da revista. Desta forma a percentagem
é de 39,65% para autores brasileiros para 60,34% de autores estrangeiros.
No total de textos analisados, conectados ou
desconectados das seções, nas 1200 páginas lidas, temos o total de 210, dos quais
82 foram escritos por brasileiros e 128 por estrangeiros (a maioria por autores
franceses), denunciando a percentagem final de 39,04% de autores nacionais para
60,95% de autores internacionais, com matérias já publicadas na revista francesa
“Historia”.
Demonstramos portanto a disparidade existente em
relação à proposta inicial da revista “História Viva”, em trazer mensalmente 50%
de matérias escritas por estudiosos brasileiros e 50% de matérias internacionais da
publicação francesa.

176
Levamos em consideração as seções “Dossiê”, “Biografia”, “Historiográfico”, “Patrimônio
Histórico”, “Destinos” e “Última Página”; desta forma descartamos a seção “História em cartaz” por
trazer uma estrutura fragmentada em subseções não assinadas (em sua maioria) e com diversos
textos menores, e a seção “Cruzada Histórica”, por não trazer textos.
46

No geral e com raras exceções, a bibliografia utilizada


pelos autores não é disposta após os textos, conforme a prática comum acadêmica
e a ABN determinam, o que prejudica o leitor desejoso de aprofundar sua pesquisa
em determinado tema, ou de confirmar as afirmações feitas ao longo do artigo
sabendo a que tipo de autores específicos o estudioso recorreu. Em um número
pequeno de artigos a revista trouxe uma pequena caixa de texto com o título “para
saber mais”, onde eram elencadas obras com tema similar, porém não se sabe se
trata-se da bibliografia trabalhada pelo autor da matéria. Noutros casos, na mesma
caixa de texto acompanhava um glossário para termos utilizados pelo autor.

Iconografia

Um dos muitos méritos da publicação, se comparada às


suas concorrentes no mercado de publicações de temática histórica, é a qualidade
e diversidade de suas imagens.
“Queremos trazer a público uma surpreendente
iconografia, hoje dispersa e ainda desconhecida”177, escreve em tom de
entusiasmo o Diretor Chefe da “Duetto Editorial”.
A menção direta à fonte e os créditos devidos, exposta
ao lado das figuras, facilita ao leitor interessado situar no tempo e espaço as
imagens com as quais dialoga o texto, não havendo tão somente uma função
ilustrativa-expositiva.
Os próprios textos comumente recorrem às imagens
para explica-los, justificando assim a existência ainda de mapas que vão
complementando a parte escrita.
A edição inaugural da revista trouxe em sua capa
“Napoleão saindo do seu mausoléu”, uma gravura em cores sobre papel de Jean-
Pierre Jazet, a partir da tela de Horace Vernet, de 1840, parte do acervo do Museu
Nacional do Castelo de Malmaison, Reuil-Malmaison (ver figura 5). Outro destaque
em relação às imagens de capa é a pintura de Pieter Bruegel, em óleo sobre
madeira, “Casamento Camponês”, de 1568, do acervo do Kunsthistoriches Museum
de Viena, no n ° 5 (ver figura 9).
Ainda em relação às capas, no n° 10 a edição trouxe
um óleo sobre tela de Eugênio Lucas y Padilla (1824-70), “Condenado pela
Inquisição”, do acervo do Museu do Prado, em Madri (ver figura11).
Mas as pinturas e gravuras não são os únicos suportes
sobre os quais são compostas as capas das edições aqui estudadas. Há o uso de
fotomontagens que utilizam esculturas e estatuários como no n° 2, onde
elementos de diferentes épocas compõem a imagem em pedra de Júlio César (ver
figura 7); e no n° 11, onde o busto da rainha Nefertiti se sobrepõe aos hieróglifos
de uma tumba do templo de Luxor, no Vale dos Reis (ver figura 8).

177
NASTARI, Alfredo. História com prazer. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 1, nov. 2003, p.
5.
47

Outra fotomontagem foi feita a partir de uma cena do


filme “Alexandre”, tendo no espaço negativo uma gravura do séc. XIX que retrata
a Batalha de Granico, no n° 12 (ver figura 3). Já no n° 6 somente uma cena do
filme “Tróia” foi suficiente para a imagem de capa (ver figura 2).
Em todos os casos (inclusive naqueles omitidos nos
parágrafos acima), as imagens de capa dialogavam diretamente com o tema
principal da edição, tornando-se parte do corpo de texto que anuncia a matéria
respectiva, sempre em destaque em relação às demais, com a clara intenção de
ser lida primeiro pelo olhar do leitor, que rapidamente relaciona-a à imagem.
Com relação às imagens dispostas ao longo das
edições, resolvemos agrupá-las a partir de 3 suportes principais: pinturas,
desenhos e gravuras; fotografias e fotomontagens (incluindo reprodução de
documentos escritos); e mapas. É óbvio que não utilizaremos todas as imagens
dispostas ao longo das 12 edições, mas imagens selecionadas a partir de critérios
que relacionassem-nas diretamente com os textos.
As pinturas dispostas privilegiam ainda claramente uma
escola romântica mimetista de gênero “Pintura Histórica”, “Retratística” e “Pintura
de Paisagem” recorrente ao “Desenho de Observação”.
Dentro da “Pintura Histórica” temos a leitura da
“Batalha de Wagram”, na Áustria, em 1809, onde o exército napoleônico vence
definitivamente o austríaco, liderados por Napoleão Bonaparte, figura central do
quadro (ver figura 18). A imagem foi utilizada acertadamente no dossiê “Napoleão”
e dialoga diretamente com o texto de Jean Tulard: “Napoleão: o construtor de
uma nova Europa”. No mesmo dossiê o glossário da Revolução Francesa é
ilustrado com o clássico de Eugène Delacroix, “A liberdade guiando o povo”, de
1830 (ver figura 19). Ainda sobre a Revolução Francesa, mas na seção “Última
página”, a pintura de Jacques-Louis David, “A morte de Marat”, de 1793, ilustra o
artigo de Heródoto Barbeiro sobre o médico jacobino (ver figura 20). O óleo sobre
tela “César, senhor do mundo”, de Adolphe Yvon, pintor do séc. XIX, demonstra
toda a monumentalidade dos registros históricos romanos em relação à extensão
do poder político dos imperadores, com a imagem central de César detendo e
sustentando o mundo em sua mão (ver figura 21). A pintura é crítica, pois
evidencia a marcha imponente do estadista cujo cavalo pisoteia pessoas indefesas,
à mercê ainda de arautos da morte com suas foices dirigidas ao chão, onde estão
deitados os plebeus a espera do fim. O cotidiano medieval é denunciado em
ilustração anônima do séc. XV, proposta como frontispício para a edição francesa
de “Cidade de Deus”, de Santo Agostinho (ver figura 22). Na ilustração está
evidente o cotidiano medieval do profano ao sacro na representação da cidade
terrena, e do imaginário cristão medieval na parte superior da tela dedicada à
representação da cidade divina. Na mesma biografia de Santo Agostinho, escrita
por Lucien Jerphagnon no n° 3, está disposta uma representação do inferno, em
iluminura do mesmo século, constante da parte ilustrativa da mesma obra “Cidade
de Deus” (ver figura 23). O cotidiano medieval é mostrado novamente nas páginas
do dossiê “Idade Média”, no n° 5, com o óleo sobre tela de Pieter Brueghel,
48

“Provérbios holandeses”, de 1559, que demonstra o cotidiano das vilas e burgos


com as mais variadas atividades profissionais, a denúncia de uma clara divisão do
trabalho e do papel social e afazeres que cada figura desempenha na pintura (ver
figura 24). Mas o pior aspecto medieval: o Tribunal do Santo Ofício, é trazido à
discussão pelo dossiê “Inquisição”, no n° 10, de agosto de 2004, que é ilustrado
entre outras imagens por uma gravura anônima de 1880, que retrata Tomás de
Torquemada, portador do crucifixo, o líder inquisitorial que respondia somente aos
reis católicos, comandando a expulsão dos judeus da Espanha (ver figura 25). O
maior representante brasileiro de nossa pintura crítica do séc. XX, Portinari, ganha
a sessão “História em Cartaz” em razão de seu centenário, que lhe rendeu ainda a
homenagem de Alfons Hug na 26a Bienal de São Paulo. Talvez sua mais célebre e
certamente a mais tocante e crítica obra, “Retirantes”, aparece na subseção
“Exposições” do n° 12, denunciando com cores fortes a realidade da seca, da
miséria, doença e morte da vida nordestina (ver figura 26).

Figura 18 - A Batalha de Wagram © Galeria das Batalhas, Palácion de Versalhes –


FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 1, nov. 2003, p. 43.
49

Figura 19 – A liberdade guiando o povo. Eugène Delacroix, 1830 © Museu do Louvre,


Paris – FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 1, nov. 2003, p. 59.
50

Figura 20 – A morte de Marat. Jacques-Louis David. 1793 © Museu Real de Belas Artes,
Bélgica - FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 1, nov. 2003, p. 98.
51

Figura 21 – César, senhor do mundo. Adolphe Yvon, séc. XIX © Museu de Artes, França
- FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 2, dez. 2003, p. 63.
52

Figura 22 – Ilustração do séc. XV para a edição francesa da Cidade de Deus © Museu


Hermano Westrenianum, Haia - FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 3, jan.
2004, p. 24.
53

Figura 23 – Representação do inferno, de Cidade de Deus,


iluminura do séc. XV © Bibliotecfa Real da Bélgica, Bruxelas -
FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 3, jan. 2004, p. 27.
54

Figura 24 – Provérbios holandeses. Pieter Brueghel, óleo sobre tela, 1559 © Staatlich
Museen, Berlim - FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 5, mar. 2004, p. 32.
55

Figura 25 – Gravura de 1880 © Bettmann / Cobris – Stock Photos. FONTE: História


Viva, São Paulo: Duetto, n. 10, ago. 2004, p. 43.
56

Figura 26 – Retirantes. Portinari, painel a óleo/tela, 1944 © Divulgação / MASP São


Paulo - FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 12, out. 2004, p. 8.

Dentro da “Retratística” a primeira obra analisada trata-


se de um dos maiores ícones da pintura de todos os tempos: “La Gioconda” ou
“Monalisa” de Leonardo Da Vinci, relida em praticamente todos os tempos que se
sucederam à concepção da tela, entre 1503 a 1506, ainda muito em voga na
produção em várias mídias de nossa sociedade contemporânea (ver figura 27). O
quadro faz parte da análise biográfica do artista, conforme vimos, escrita por
Gonzague Saint Bris que dedica parte do ensaio ao aprendizado de Leonardo no
ateliê de Verrochio e ao seu relacionamento com o mecenato e com a casa real de
Lourenço, o Magnífico, e de Francisco I. Outro destaque é o auto-retrato de
57

Jacopo Robusti, o Tintoretto, em óleo sobre tela pintado em 1585, e que segue a
chamada para a matéria do Historiador Alain Frerejean, “Tintoretto, o pequeno
tintureiro”178 (ver figura 28). O recurso à imagem do pintor veneziano é de
objetivo óbvio uma vez que dialoga diretamente com sua biografia. O pintor era
especialista em retratística e também em pintura religiosa, uma vez que o
mecenato veneziano estava relacionado às confrarias, e sua obra máxima,
“Crucificação” em óleo sobre tela, de 1565, denuncia perfeitamente essa relação
(ver figura 29).

Figura 27 – La Gioconda ou Monalisa. Da Vinci (1503-


1506) © Museu do Louvre, Paris - FONTE: História Viva,
São Paulo: Duetto, n. 2, dez. 2003, p. 24.

178
In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 9, jul. 2004, pp. 40-43.
58

Figura 28 – Auto retrato. Tintoretto, óleo sobre tela (1585) © Arte & Immagigni /
Corbis – Stock Photos - FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 9, jul. 2004, p. 40.
59

Figura 29 – Crucificação. Tintoretto, óleo sobre tela (1565) © Escola de São Roque,
Veneza - FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 9, jul. 2004, p. 43.

A opulência dos templos egípcios ganha forma no


desenho de Jean-Baptiste Lepère (1761-1844), em gravura de Allais que traz a
vista interna do templo de Lúxor, em Tebas (ver figura 30). A figura humana em
estado de repouso no canto inferior direito da tela, tem a clara finalidade de
denunciar o gigantismo das proporções arquitetônicas do templo, e o quanto o
homem reduz-se a um figura insignificante diante da magnanimidade da
representação dos deuses.
As fotografias estão presentes em todo o conjunto da
obra analisada, representadas desde seus primórdios na década de 1830 com a
invenção do “daguerreótipo” na França, passando pela chegada da fotografia no
Brasil, com Militão Augusto de Azevedo na São Paulo de 1862, até a fotografia
digital de 2004.
60

Figura 30 – Vista interna do templo de Lúxor. Jean-Baptiste Lepère, gravura de


Allais © Mauseu Nacional do Castelo de Malmason - FONTE: História Viva, São
Paulo: Duetto, n. 5, mar. 2004, p. 69.
61

O n° 9, de julho de 2004, traz um importante registro


histórico da morte do líder insurgente Antonio Conselheiro, assassinado junto de
seus seguidores em Canudos, no dia 7 de outubro de 1897 (ver figura 31). A
fotografia mostra o cadáver do “arauto do sebastianismo no Brasil” cravado pelas
balas dos soldados federalistas179. A fotografia paulista do início do séc. XX é
representada pela plataforma externa da “São Paulo Railway”, na Estação da Luz,
em tomada feita na década de 1930, que ilustrou o encarte dedicado à
revitalização e restauro da Estação, no número inaugural de “História Viva” (ver
figura 32). Augusto Malta, em duas fotografias do início do séc. XX, mostradas no
ensaio da Historiadora Elisabeth Von Der Weid sobre as medidas transformadoras
do Governo de Pereira Passos180, retrata dois períodos da cidade do Rio de Janeiro
durante o processo de reurbanização inspirado no cosmopolitismo parisiense:
1904, com a demolição das casas e prédios que dariam lugar à avenida Central; e
em novembro de 1905, com a festa de inauguração da avenida (ver figura 33).

Figura 31 - © Museu da República, Rio de Janeiro / Flávio de Barros - FONTE: História


Viva, São Paulo: Duetto, n. 9, jul. 2004, p. 93.

179
Sebastianismo no Brasil. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 9, jul. 2004, p. 93.
180
Bota abaixo! In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 4, fev. 2004, pp. 78-83.
62

Figura 32 – Plataforma externa da São Paulo Railway na década de 1930 (s.n.t.) -


FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 1, nov. 2003, encarte “Patrimônio
Histórico”.

Figura 33 - © Iconographia - FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 4, fev. 2004, p.
82.
63

A fotografia contemporânea brasileira tem como


representante a tomada aérea de Penedo, um dos principais patrimônios históricos
de Alagoas, descrito em “História em cartaz” da edição n° 2, onde as águas do rio
São Francisco dão o matiz ciano que tomam a paisagem e colorem os prédios
coloniais fortemente iluminados (ver figura 34).

Figura 34 - © Acervo Sebrae / Andrey Kemp - FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto,
n. 2, dez. 2003, p. 16.

A História universal é ilustrada da mesma forma por


fotografias que tratam de períodos-chaves da História Política. Fotografias raras do
desfecho sangrento da “Comuna de Paris” são exibidas no dossiê de mesmo nome,
apresentado no n° 12, tanto das execuções sumárias perpetradas pelas tropas de
Thiers como das retaliações dos communards, e por fim, dos cadáveres dos
vencidos, cravados de balas dos fuzis versalheses (ver figuras 35 e 36). A edição
n° 3 traz a imagem da prisão de Gravilo Princip, logo após assassinar o arquiduque
da Áustria, Francisco Ferdinando e sua esposa Sonia, em 28 de junho de 1914 em
Saravejo, no episódio que levaria em pouco tempo o mundo à sua primeira grande
guerra (ver figura 37). As eleições presidenciais de novembro de 1932 na
64

Alemanha são ilustradas pela fotografia de um cartaz de propaganda nazista


disposto em uma rua de Berlim, que dialoga diretamente com o artigo do
Historiador Philippe Masson: “Hindenburg cede lugar a Hitler”181, no n°8 (ver figura
38). O n° 5 traz na matéria de Paul-Eric Blaunrue, “O fantasma de Hitler”182, uma
fotografia que através da imagem do Reichstag183 em ruínas, em 1945, determina
o fim do III Reich e da era nazista na Europa, sendo um dos marcos do fim da
Segunda Guerra Mundial (ver figura 39). O dossiê “KGB”, no n° 4, traz uma foto do
enterro de Stalin, ilustrando o fato que marcou o fim de uma era na URSS (ver
figura 40). Os confrontos em Pequim, em 1989, foram ilustrados no n° 10, pela
fotografia do jovem que parou um tanque de guerra, na Praça da Paz Celestial, e
que pagou pelo crime com a vida, condenado a morte posteriormente pelo regime
ditatorial (ver figura 41). A imagem dialoga diretamente com o texto do Historiador
Alain Peyrefitte, sobre o “gigante do oriente”: “De Confúcio a Máo a tradição
autocrática da China”184. Até mesmo acontecimentos recentes, como a crise
internacional instaurada após os atentados terroristas em 11 de setembro de 2001,
ganharam as páginas da revista com o ensaio da Historiadora Marie-Héléne
Parinaud: “Bin Sabbah, o homem que inspirou Bin Laden”185 e de Christophe
Courau: “Afeganistão, a imensa encruzilhada”186, ilustradas por fotografias que já
se tornaram importantes documentos históricos, pois denunciam o sentimento
médio-oriental contra o imperialismo estadunidense em manifestações públicas de
ódio à política imperialista, intervencionista e belicista dos EUA (ver figuras 42 e
43).
O recurso da fotografia foi utilizado para ilustrar ensaios
sobre a antigüidade mediterrânea e também ameríndia, exibindo e levando ao
público comum artefatos arqueológicos recém descobertos como a múmia de uma
menina de 10 anos de idade, encontrada em uma montanha a cerca de 5300
metros de altitude, quase intacta, nos Andes. A imagem dialoga com a matéria de
Anne-Lise Polack187, sobre mumificações, sacrifícios e rituais mórbidos da cultura
Inca, no segundo número da revista (ver figura 44).
Outras fotografias serviram para ilustrar biografias,
como a de Pablo Picasso, que confirma o tom de sua biografia em uma foto que o
mostra divertindo-se com uma garota seminua em seu colo, na platéia de uma
tourada, no n° 6 (ver figura 45).
Outras serviram à polêmica, como a do rosto esculpido
em pedra, fotografado em 1976 pela sonda “Vinking” na superfície de Marte,
trazida na matéria de Christophe Courau, “Marte das mil crenças”188, no n° 6 (ver
figura 46).

181
In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 8, jun. 2004, pp. 67-69.
182
In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 5, mar. 2004, pp. 58-60.
183
O Parlamento alemão, sede do Governo de Adolf Hitler.
184
In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 10, ago. 2004, pp. 58-63.
185
In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 7, maio 2004, pp. 52-56.
186
Ibid. pp. 57-59.
187
Aos mortos com carinho. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 2, dez. 2003, pp. 46-48.
188
In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 6, abr. 2004, pp. 72-77.
65

Figura 35 – © Keystone Photo - FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 12, out.
2004, p. 38.

Figura 36 - © AKG Berlim / Intercontinental Press - FONTE: História Viva, São Paulo:
Duetto, n. 12, out. 2004, p. 39.
66

Figura 37 - © Bettmann/Corbis – Stock Photos - FONTE: História Viva, São Paulo:


Duetto, n. 3, jan. 2004, p. 86.

Figura 38 – © Austrian Archives / Corbis – Stock Photos - FONTE: História Viva, São
Paulo: Duetto, n. 8, jun. 2004, p. 67.
67

Figura 39 - © Yevgeny Khaldei / Corbis – Stock Photos - FONTE: História Viva, São
Paulo: Duetto, n. 5, mar. 2004, p. 59.
68

Figura 40 - © Hulton Archives / Getty Imagens - FONTE: História Viva, São Paulo:
Duetto, n. 4, fev. 2004, p. 37.
69

Figura 41 – © Bettmann / Corbis Photos - FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto, n.
10, ago. 2004, p. 61.
70

Figura 42 - © Getty Imagens - FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 7, maio
2004, p. 53.

Figura 43 – © Gyori Antoini / Corbis Sygma – Stock Photos - FONTE: História Viva, São
Paulo: Duetto, n. 7, maio 2004, p. 56.
71

Figura 44 – © Charles & Josette Lenars / Corbis – Stock Photos - FONTE: História Viva,
São Paulo: Duetto, n. 2, dez. 2003, p. 47.
72

Figura 45 - © Hulton Archive / Getty Images - FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto,
n. 6, abr. 2004, p. 23.
73

Figura 46 - © Roger Ressmeyer / Nasa / Corbis-Stock Photos - FONTE: História Viva,


São Paulo: Duetto, n. 6, abr. 2004, p. 77.

Na parte de reprodução de documentos escritos,


percebemos sua recorrente utilização como uma espécie de fator não só
ilustrativo, mas legitimador da veracidade da análise proposta pelos autores que
dele fazem uso. A imagem do documento disposta junto do texto proporciona não
só o diálogo do autor com a imagem, mas a constatação por parte do leitor de
que, de fato, há um documento histórico que corrobora com as informações
prestadas no texto. É o que constatamos, por exemplo, com a utilização de
imagens dos cartazes de apelo à intentona comunista de 1935 e ao movimento
74

integralista que culminou na intentona de 1938, na matéria “O 18 Brumário de


Getúlio Vargas”189 de Ricardo Maranhão, no n° 2 (ver figuras 47 e 48); da imagem
do cartaz criado por James Montgomery Flagg, conclamando os cidadãos norte-
americanos à Primeira Guerra Mundial, no ensaio de Jayme Brener: “Das cinzas da
guerra, um novo Brasil”190, no n° 3 (ver figura 49); da imagem do “Raio X” do
crânio de Adolf Hitler, utilizado para identificar o cadáver do ditador através de
comparações feitas com fotografias, na matéria já citada de Paul-Eric Blaunrue no
n° 5 (ver figura 50); da imagem da pedra de Roseta, a chave para a decifração do
hieróglifo egípcio encontrada pelas tropas de Napoleão, na matéria de Alain
Pigeard, “Os franceses no país dos faraós”, ainda no n° 5 (ver figura 51); a
imagem da primeira página de um jornal alemão, onde judeus recolhem o sangue
vertido por jovens alemães, que denuncia a propaganda anti-semita oficial na
Alemanha hitlerista, na já mencionada matéria de Philippe Masson, no n° 8 (ver
figura 52); as imagens de uma ordem de prisão e de um Termo de Segredo,
ambos documentos do Santo Ofício que demonstram a perseguição da Inquisição
aos cristãos-novos e judeus em Portugal, que são relacionados diretamente com
texto pela Profª. Anita Novinsky, única representante da historiografia brasileira no
dossiê “Inquisição”, no n° 10 (ver figura 53); e finalmente, pela imagem do
documento de convocação de participação popular nas eleições organizadas pela
“Comuna de Paris”, pouco antes do massacre liderado por Adolphe Thiers, no
dossiê do último número analisado (ver figura 54).
Finalmente, com relação aos mapas utilizados
largamente nas publicações estudadas, escolhemos para análise um número
pequeno que servem-nos de exemplo para as características gerais que
identificamos.
Em linhas gerais os mapas não estão confeccionados ou
dispostos para atender a necessidades técnicas, ou seja, têm caráter mais
ilustrativo e estético do que científico, motivo pelo qual não trazem coordenadas
geográficas, medidas topográficas, relevo, hidrografia ou divisão política detalhada.
Não há informações quanto à escala utilizada nos desenhos, ou se de fato foram
utilizadas, havendo visíveis desproporcionalidades em alguns casos.
Mas não se espera que a publicação seja lida por um
público exclusivo de cartógrafos ou cientistas afins, e desta forma, os mapas
acabam sendo ricos em detalhes e a arte gráfica de sua composição esteticamente
agradável aos leitores, que têm nas informações trazidas um importante recurso
para localizar espacialmente o assunto tratado no texto.

189
In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 2, dez. 2003, pp. 84-89.
190
In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 3, jan. 2004, pp. 84-89.
75

Figura 47 - © Acervo História Viva - FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 2, dez.
2003, p. 86.
76

Figura 48 - © Acervo História Viva - FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 2, dez.
2003, p. 86.
77

Figura 49 - © Acervo História Viva - FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 3, jan.
2004, p. 87.
78

Figura 50 – © Bettmann / Corbis – Stock Photos - FONTE: História Viva, São Paulo:
Duetto, n. 5, mar. 2004, p. 60.
79

Figura 51 – © Bettmann / Corbis – Stock Photos - FONTE: História Viva, São Paulo:
Duetto, n. 5, mar. 2004, p. 66.
80

Figura 52 - © Hulton-Deutsch Collection / Corbis – Stock Photos - FONTE: História Viva,


São Paulo: Duetto, n. 8, jul. 2004, p. 69.
81

Figura 53 - © Acervo da autora – Arquivos


Nacionais / Torre do Tombo – Lisboa - FONTE:
História Viva, São Paulo: Duetto, n. 10, ago.
2004, p. 50.
82

Figura 54 - © AKG Berlim / Intercontinental Press - FONTE: História Viva, São Paulo:
Duetto, n. 12, out. 2004, p. 35.
83

É o caso de um dos mapas no n° 3; intitulado “Os


caminhos de Tenochtitlán”, que mostra a atual cidade do México comparada ao
traçado original asteca, no texto de Rosario Acosta191, no n° 6 (ver figura 55); do
mapa “No deserto da Arábia”, que mostra o local e possível rota da peregrinação
de Meca para Medina, liderada por Maomé, no texto de Malek Chebel, no n° 8192
(ver figura 56); e finalmente no mapa intitulado “E Egito das dinastias faraônicas”,
que ilustra a cronologia do dossiê Egito, no n° 11, com a região do Crescente
Fértil, ou o “Vale do Nilo” (ver figura 57).
A publicação, além de desenvolver os mapas que
ilustram as páginas da revista, recorre a mapas históricos já consagrados, como na
edição n° 1 que trouxe o célebre mapa das capitanias hereditárias no Brasil, que
ilustra o ensaio de Ligia Osório Silva: “Na terra, as raízes do atraso”193.
O conjunto da iconografia analisada confirma os
objetivos iniciais de Luthero Maynard em trazer para as páginas da revista um
vasto conjunto de imagens raras e elucidativas, que complementam os textos
dialogando diretamente com os autores nas várias seções e artigos da revista.

191
A vida em Tenochtitlám: a capital do império asteca. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 6,
abr. 2004, pp. 78-82.
192
As três vidas de Maomé. In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 8, jun. 2004, pp. 22-27.
193
In: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 1, nov. 2003, pp. 72-77.
84

Figura 55 - © Marco Vergotti - FONTE: História Viva, São Paulo: Duetto, n. 6, abr. 2004,
p. 81.
85

Figura 56 - © Érika Onodera / Hugues Piolet – Tallandier - FONTE: História Viva, São
Paulo: Duetto, n. 8, jun. 2004, p. 24.
86

Figura 57 - © Érika Onodera / Hugues Piolet –


Tallandier - FONTE: História Viva, São Paulo:
Duetto, n. 11, set. 2004, p. 37.
87

Conclusões:

A leitura das 1.200 páginas que constituíram o primeiro


ano de publicação da revista “História Viva”, relativizada com suas principais
concorrentes no mercado editorial de revistas especializadas em História, com
discurso não acadêmico, fez-nos concluir que se trata do veículo que mais prima
pela qualidade, profundidade e clareza dos textos exibidos e do renome dos
estudiosos que colaboram com as edições.
No caso de “História Viva”, essa clareza com que o
conteúdo é vazado, possibilitando a compreensão mais aproximada de um público
não especialista, não acarreta na perda de sua qualidade na avassaladora maioria
dos textos analisados, e isso se dá por um único fator determinante: o Historiador.
Este artífice da ciência histórica, construtor da disciplina
e instrumento pelo qual conduz-se seu potencial transformador, é a chave do nível
mantido pela publicação e por seu sucesso editorial.
Há casos, como o da publicação “Aventuras na História”
(Editora Abril), em que a própria editora se nega a ter em seus quadros um
Historiador, ou ainda no caso dessa mesma revista, a sequer publicar artigos de
Historiadores. A profundidade de suas argumentações, as questões levantadas e
os resultados alcançados pelos representantes desta nobilíssima ciência não
interessam a uma equipe de redação que tem como única finalidade jornalística
polemizar e trabalhar estrategicamente arquétipos e símbolos de forma mitificada
e não científica. De fato, para uma revista dessas não deve haver mesmo
Historiador: sua postura crítica, científica e estrutural não factual-linear deve
mesmo atrapalhar.
As demais revistas que concorrem com o mesmo perfil
de leitor ou possuem Historiadores em sua equipe redatorial, ou publicam matérias
de Historiadores ou ainda de profissionais não-Historiadores, mas acadêmicos
ligados a áreas afins que dominam o assunto sob enfoque.
Sem apologias, tentando manter o nível crítico e não
adjetivado que é o escopo desta pesquisa, a revista “História Viva” é a mais densa
publicação na área, pela certa utilização de profissionais da ciência histórica e pela
recorrência inclusive a renomados Historiadores internacionais, em sua grande
maioria franceses da “Historia”, de um país onde o “. . . culto à História é uma das
exigências da cidadania”194, e isso reflete diretamente no fato de “História Viva”
ser a revista de maior tiragem nesta área de publicação.
Com esse perfil de atuação, na área de nossa História
nacional a revista em linhas gerais cumpriu sua meta inicial:

194
S.n.t. Texto extraído de material promocional que antecedeu a publicação do primeiro número
na revista “História Viva”.
88

História Viva contará com a colaboração de uma equipe constituída de notáveis


historiadores e especialistas em áreas afins, preocupados em fornecer ao leitor uma
visão abrangente do país.195

Nesse caso o papel do Historiador foi da mesma forma fundamental.


Constatamos que apesar de a linguagem, conforme
dissemos e demonstramos, ser vazada com clareza, não havendo perda na
qualidade do conteúdo, não chega a qualquer qualidade de leitores. Há pré-
requisitos para sua leitura, conforme demonstram os densos textos da mais
profunda de suas seções: o dossiê, composto conforme demonstramos por
franceses em 11 dos 12 números lidos.
O público leitor francês não possui o mesmo perfil do
brasileiro.
No Brasil a decodificação da ciência e da disciplina
histórica como produção cultural atinge no mínimo a um público escolarizado ou
ainda escolar, não somente alfabetizado mas já introduzido às humanidades.
Apesar de não exigir leituras prévias nem conhecimento demasiado sobre o tema
abordado, por demonstrar um caráter pedagógico-enciclopedista, tem de haver no
mínimo interesse pela área de estudo, capacidade de reflexão crítica das questões
problematizadas a partir do tema, e capacidade de abstrair e articular as
conclusões alcançadas nos textos.
A História como produção cultural aqui estudada não
atinge o público completamente leigo, mas denuncia a existência de uma parcela
intermediária de público que pelo menos iniciou sua escolarização, mas está
excluído em grande parte do ensino superior de qualidade, como reflexo de
décadas de políticas de sucateamento das universidades públicas, as poucas ainda
a demonstrar nível de ensino superior no mínimo satisfatório em relação às
exigências e demandas de nossa sociedade.
Desta forma conseguimos entender porque “Aventuras
da História” não deseja Historiadores em seus quadros, com a finalidade de
continuar mantendo uma linguagem que se assemelha a infantilóide e que
literalmente subestima os leitores nivelando seus artigos “por baixo”; e porque
“História Viva”, que demonstra ter conquistado essa parcela intermediária de
leitores que se estabeleceu entre a cultura erudita e popular, faz uso desse
profissional, sob uso as vezes não tão fluente, mas ainda assim com sucesso, de
um discurso também intermediário.
A existência dessa fatia de leitores “apaixonados por
história” no público consumidor do mercado editorial no mundo deita raízes
longínquas, pelo menos até a renascença, onde, segundo François Dosse

Um público apaixonado por história pretende alimentar suas convicções políticas e


nacionais e satisfazer sua curiosidade em relação à Antigüidade e às origens da
França.196

195
Ibid.
196
DOSSE, François. A História, Bauru: EDUSC, 2003, p. 27.
89

Seriam essas as nossas “novas-velhas” motivações?


Isso explicaria o fenômeno assistido nas bancas do Brasil em 2003 e durante todo
o século XX na Europa?
Não! Apesar de estarmos carentes ainda do
estabelecimento de nossa identidade de “povo brasileiro”, como se estivéssemos
perdidos em uma sala de espelhos por não termos sido convencidos nem por
aquela identidade construída pelo IHGB no final do século XIX, nem pelos
românticos modernistas de 1920, o fenômeno não ocorreu somente no Brasil: foi
relido e aqui.
O fenômeno da “paixão” pela História, ou pelo
conhecimento de seu passado, se estabelece exatamente pela lacuna gerada na
ausência deste. Ou seja, o indivíduo carece por conhecer-se na sua totalidade pois
o atual ciclo sistêmico do capital, alienante no escopo de desarticular a tomada de
consciência de classe que ameaça o modo de produção vigente, dilacerou o tecido
social formando, conforme dissemos na parte introdutória deste ensaio, indivíduos
egocentrados, desconexos de sua condição social e de classe, e assim
desconectados tanto de seu próprio passado como da memória coletiva deste.
A procura desse passado nas bancas de jornal e
livrarias é a tentativa de restabelecimento desta conexão, buscada até mesmo nas
telas de cinema e em documentários de televisão.
O indivíduo torna-se assim um simples espectador da
História, desconhecendo fazer parte desse teatro de roteiro dialético,
desconhecendo que pode interagir e interferir no enredo que é escrito a cada
instante. Ao pensar que o roteiro de sua vida, de sua sociedade, de seu mundo
não está em suas mãos, conforma-se com o roteiro já escrito ou pelos deuses ou
pelos homens intocáveis do poder.

A globalização, que seria a utopia possível, transformou-se em


pesadelo. Erraram os profetas da mundialização e os que apostaram na morte da
História. Ela caminha por rupturas e passa ao largo das continuidades – sua trajetória
é pontuada por fogueiras queimando inteligências e dissenções, e também pela
beleza imperecível da cultura clássica.
História Viva tem a missão de repensar o passado, esquadrinhar a
nossa memória coletiva, encontrar os pontos de ruptura, identificar os episódios que
anunciaram uma mudança radical no curso da História.197

Nada de novo fizemos então a não ser reforçarmos


nossa hipótese de resultado proposta na introdução. Por que então discorremos
tantas linhas? Nada mais do que anunciar essa nova esfinge que se agiganta com
um novo enigma para o homem contemporâneo: em que lugar chegará o Homem
que persegue seu passado por não mais conhecê-lo?

197
S.n.t. Trata-se de um texto de Luthero Maynard, então editor da publicação, vinculado em
material de divulgação que antecedeu ao lançamento do primeiro número de “História Viva” em
novembro de 2003.
90

Entre o hoje e o passado histórico existe o abismo do


desconhecimento, da não-História – o espaço negativo onde tudo se anula -, sobre
o qual esse mesmo homem caminha se equilibrando em um frágil fio, que não se
sabe se o levará até o seu destino final.

Bibliografia:

BURKE, Peter (org.). A escrita da História, novas perspectivas. São Paulo: UNESP,
1992.

CARDOSO, Ciro Flamarion; VAINFAS, Ronaldo. Domínios da História, ensaios de


teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

DOSSE, François. A História, Bauru: EDUSC, 2003.

DURANT, Will. História da Filosofia, Vida e idéia dos grandes Filósofos, São Paulo:
Editora Nacional, 1956.

HOBSBAWN, Eric. Era dos extremos. O breve século XX, 1914-1991. São Paulo:
Companhia das Letras, 1995.

Revistas e periódicos:

História Viva, São Paulo: Duetto, n. 1, nov. 2003.


____________, _________: ______, n. 2, dez. 2003.
____________, _________: ______, n. 3, jan. 2004.
____________, _________: ______, n. 4, fev. 2004.
____________, _________: ______, n. 5, mar. 2004.
____________, _________: ______, n. 6, abr. 2004.
____________, _________: ______, n. 7, maio 2004.
____________, _________: ______, n. 8, jun. 2004.
____________, _________: ______, n. 9, jul. 2004.
____________, _________: ______, n. 10, ago. 2004.
____________, _________: ______, n. 11, set. 2004.
____________, _________: ______, n. 12, out. 2004.
____________, _________: ______, n. 14, dez. 2004.
____________, _________: ______, n. 19, maio 2005.

Dicionários:

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio básico da Língua


Portuguesa. São Paulo: Folha de São Paulo / Editora Nova Fronteira, 1995.
__________. Pequeno dicionário brasileiro da Língua Portuguesa. S/l: Gamma, s/d.
91

Manuais de Metodologia:

SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo:


Cortez, 2002.

Material em DVD:

Alexandre. Dir. Oliver Stone. Intermédia Films. EUA. São Paulo, 2005, 2 DVD’s
(164 min.), son., col.

Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl. Dir. Gore Verbinski. Walt
Disney Pictures / Touchstone Pictures / Jerry Bruckheimer Films. EUA. Buena Vista
Pictures, EUA, 2003. 1 DVD (143 min.), son., col.

Tróia. Dir. Wolfgang Petersen. Warner Bros. Pictures. EUA. Warner Home Vídeo
Inc., São Paulo, 2004. 2 DVD’s (163 min.), son., col.

Documentos e dados da rede Internet:

www.historiaviva.com.br
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS
HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

DISCIPLINA: FLH 401 – TEORIA DA HISTÓRIA I


RESPONSÁVEL: PROF.ª DR.ª RAQUEL GLEZER

PERÍODO: NOTURNO

TRABALHO

DESVENDANDO A “DESVENDANDO”.
Análise do mercado de revistas com temática histórica e da
revista “Desvendando a História”.

ALUNOS:

BEATRIZ RODRIGUES DE SOUZA


N.º USP 3771455

GILSON BRANDÃO DE OLIVEIRA JÚNIOR


N.º USP 3718361

IRACI OLIVEIRA RODRIGUES


N.º USP 4930700

PAULO HENRIQUE SELBMANN SAMPAIO


N.º USP: 1394670

VANESSA PAOLA ROJAS FERNANDEZ


N.º USP: 4877614

24/06/2005
ÍNDICE

1. PROPOSTA DA PESQUISA............................................................... 3

2. INTRODUÇÃO .................................................................................... 3

3. ANÁLISE DA REVISTA “DESVENDANDO A HISTÓRIA” ............... 10

4. FICHAMENTO DOS EXEMPLARES ................................................. 11

4.1. SEÇÃO “POR DENTRO”...................................................... 11


4.2. SEÇÃO “ACONTECEU EM” ................................................ 13
4.3. SEÇÃO “DESVENDE” ......................................................... 14
4.4. SEÇÃO “ESTUDO DO MEIO” ............................................. 16
4.5. SEÇÃO “PASSADO E PRESENTE” ................................... 17
4.6. SEÇÃO “HISTÓRIA & ARTE” ............................................. 18
4.7. SEÇÃO “IMPRENSA & HISTÓRIA” .................................... 19
4.8. SEÇÃO “HISTÓRIA ILUSTRADA” ...................................... 20
4.9. SEÇÃO “CLÁSSICOS DA HISTÓRIA” ................................ 22
4.10. SEÇÃO “OUTRAS PERSONAGENS” ............................... 23
4.11. SEÇÃO “EU ME LEMBRO” ............................................... 25
4.12. SEÇÃO “OFÍCIO DO HISTORIADOR” .............................. 27
4.13. SEÇÃO “NOVIDADES” ...................................................... 28
4.14. SEÇÃO “HISTÓRIA NA SALA DE AULA” ........................ 29
4.15. ARTIGOS DA EDIÇÃO Nº 1 ............................................... 30
4.16. ARTIGOS DA EDIÇÃO Nº 2 ............................................... 32
4.17. ARTIGOS DA EDIÇÃO Nº 3 ............................................... 37
4.18. ARTIGOS DA EDIÇÃO Nº 4 ............................................... 38

5. CONCLUSÃO ..................................................................................... 40

6. REFERÊNCIAS .................................................................................. 40

2
1. PROPOSTA DA PESQUISA

Movidos pela proposta de pesquisa sobre a divulgação do conhecimento


histórico por meio de publicações de grande circulação, tais como revistas e
coleções, desenvolvemos o presente trabalho que parte de uma análise global
do mercado de revistas com temática histórica para a análise particular de uma
destas publicações, a revista “Desvendando a História”, da editora Escala
Educacional, cuja seleção foi fomentada por tratar-se de um dos títulos mais
recentes neste nicho em franco desenvolvimento e seu ainda curto período de
circulação, garantiu uma análise de todos os quatro exemplares existentes,
editados entre agosto de 2004 e abril de 2005.

2. INTRODUÇÃO

A partir do segundo semestre do ano de 2003, verificou-se no Brasil a


publicação de um número crescente de revistas sobre História voltadas para o
grande público. Embora seja um fenômeno novo entre nós, publicações desta
natureza circulam já há várias décadas em outros países.

A mais tradicional revista deste segmento intitula-se “Historia” e é publicada


mensalmente na França pela Le Point Communication, sediada em Paris. A
revista francesa nasceu em dezembro de 1909 e chega aos nossos dias com
uma tiragem de 140.000 exemplares, uma difusão de 100.023 exemplares e
um público estimado em 1.180.000 leitores, segundo dados fornecidos pela
editora em sua página na Internet.

Na Espanha, a revista “Historia y Vida” foi lançada em 1968 e é publicada


mensalmente pela Mundo Revistas, empresa do grupo Godó, sediada em
Barcelona e declara uma difusão de 52.373 exemplares.

No Brasil, a publicação de revistas sobre História é um fenômeno muito


recente, embora possua um antecedente importante: as grandes coleções da
editora Abril vendidas nas bancas de jornal em fascículos semanais.

Em 1973, a editora lançou os fascículos da coleção “Grandes Personagens da


Nossa História”, cuja coordenação geral foi confiada a Sérgio Buarque de
Holanda. A coleção reuniu em seus quatro volumes biografias de uma série de
personalidades, pinçadas desde o período colonial e cujo exemplo, nas
palavras do editor Victor Civita, desejava-se “projetar no futuro das gerações,
como lição e incentivo”. Além dos quatro volumes contendo as biografias dos
heróis da nação, a coleção incluía um volume contendo uma série de mapas
históricos.

Ricamente ilustrada e elaborada com rigor, esta coleção possuía um caráter


enciclopédico e destinava-se às solenes estantes de livros e aos trabalhos
escolares.

Sete anos depois, a mesma editora lançou uma nova coleção em fascículos.
Seu alvo era “a história viva” e destinava-se a “todos que sabem que o passado
é uma importante lição, que a história é a mestra da vida e que a síntese torna

3
menos árdua a tarefa de aprendê-la”. “Nosso Século”, como o próprio nome já
dizia, recortava brevemente o final do século XIX e avançava pelo século XX,
até os estertores do regime militar. Sob a supervisão geral de Alexandre Eulálio
Pimenta da Cunha e consultoria de Paulo Sérgio Pinheiro e Sérgio Buarque de
Holanda, a coleção apresentava ao grande público uma perspectiva diferente
do que se havia visto até então, contando “de forma inédita e fascinante a
história de todo um povo: política, economia, cultura, vida cotidiana, evolução
social, hábitos e costumes”. Era “o Brasil no século XX, de corpo inteiro”.

Enquanto comprava os fascículos semanais, para completar os quatro volumes


de “Nosso Século”, o colecionador ia recebendo edições fac-similares de
jornais de época, das diferentes datas comemorativas do Brasil, a partir do final
do século XIX, enquanto que a terceira e quarta capas comporiam ao final uma
coletânea de anúncios publicitários do período.

Fazia também parte da coleção um disco contendo documentos sonoros, que


incluíam desde a primeira gravação de Patápio Silva, passando pela
propaganda radiofônica das “pílulas de vida do Dr. Voronoff” e até fragmentos
de discursos de políticos, como Getúlio Vargas.

Mas novamente, predominava o formato enciclopédico: “Nosso Século” era


ainda uma obra de referência.

Foram necessários mais 23 anos para o surgimento da primeira revista


brasileira voltada para o grande público e dedicada exclusivamente à História.

Ela surgiu como um desdobramento da principal revista do segmento que a


Associação Nacional dos Editores de Revistas (ANER) denomina “área de
conhecimento”, englobando todas as ciências biológicas, exatas e humanas.

Lançada em 1987, “Superinteressante” é fruto de uma parceria estabelecida


pela Abril com a editora alemã Gruhner und Jahr e contém matérias sobre
diferentes áreas do conhecimento humano.

Considerado o período de janeiro e dezembro de 2003, segundo dados do


Instituto Verificador de Circulação (IVC), divulgados pela ANER,
“Superinteressante” detém a terceira maior circulação mensal do Brasil, com
401.347 exemplares. Acima dela estão “Nova Escola”, da própria Abril, em
segundo lugar com 403.482 exemplares e a líder, “Seleções do Reader’s
Digest”, com uma circulação média de 502.638 exemplares.

Segundo Adriano Silva, diretor de redação da “Superintessante”, em entrevista


concedida a “Em Revista”, periódico da ANER, foi a partir de pedidos
constantes dos seus leitores, que solicitavam um maior número de páginas
destinadas à História, que a empresa constatou a existência de uma demanda
por uma publicação específica, lançando a revista “Aventuras na História”, em
setembro de 2003.

E logo, já em novembro de 2003, outras editoras lançaram-se na empreitada


histórica: a editora Duetto, associada aos franceses da Le Point

4
Communication, introduziu seu título, “História Viva”, enquanto que numa
parceria com a Biblioteca Nacional, a editora Vera Cruz lançou “Nossa
História”.

Após quase dois anos de circulação das três primeiras revistas dedicadas
exclusivamente à História, tivemos em abril de 2005, segundo dados fornecidos
pela ANER, uma média de circulação de 41.884 exemplares para a revista
“História Viva”, 40.442 exemplares para “Aventuras na História” e 37.493
exemplares para a revista “Nossa História”. A média informada para
“Superinteressante” foi de 375.745 exemplares.

Mas quem são esses leitores?

Numa edição especial intitulada “Revistas em Números”, com base no Censo


2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e estimativas, a
ANER estabeleceu que o número de leitores de revistas representa 14% da
população brasileira. Considerando o número de 179.113.540 habitantes em
2004, o universo brasileiro de leitores de revistas é de aproximadamente
25.075.896 pessoas.

Esta edição especial da ANER apresenta dados dos “XLV Estudos


Consolidados” da empresa Marplan, identificando o perfil dos consumidores de
revistas por classe econômica. Segundo este estudo, feito em 2003, a classe A
engloba 14% deste público consumidor, enquanto 36% pertencem à classe B,
33% à classe C, 15% à classe D e apenas 2% são enquadrados na classe E.

Segundo a Associação Nacional de Empresas de Pesquisa (ANEP), esta


classificação baseia-se num sistema de pontos, calculado pela posse de bens
e pela instrução do chefe da família. O sistema foi batizado de Critério de
Classificação Econômica Brasil (CCEB), e atribui a seguinte pontuação aos
bens e à instrução:

SISTEMA DE PONTOS
Posse de itens

NÃO TEM
TEM 1 2 3 4 OU +
Televisão em cores 0 2 3 4 5
Rádio 0 1 2 3 4
Banheiro 0 2 3 4 4
Automóvel 0 2 4 5 5
Empregada mensalista 0 2 4 4 4
Aspirador de pó 0 1 1 1 1
Máquina de lavar 0 1 1 1 1
Videocassete e/ou DVD 0 2 2 2 2
Geladeira 0 2 2 2 2
Freezer (aparelho 0 1 1 1 1
independente ou parte
da geladeira duplex)

5
SISTEMA DE PONTOS
Grau de Instrução do chefe de família

Analfabeto / Primário incompleto 0


Primário completo / Ginasial 1
incompleto
Ginasial completo / Colegial 2
incompleto
Colegial completo / Superior 3
incompleto
Superior completo 5

A partir da somatória, são definidos os seguintes cortes:

CORTES DO CRITÉRIO BRASIL

CLASSE PONTOS TOTAL BRASIL (%)


A1 30 - 34 1
A2 25 - 29 5
B1 21 - 24 9
B2 17 - 20 14
C 11 - 16 36
D 6 - 10 31
E 0-5 4

Isto corresponde, segundo dados da ANEP, às seguintes rendas familiares por


classes:

CLASSE PONTOS RENDA MÉDIA


FAMILIAR (R$)
A1 30 – 34 7.793
A2 25 – 29 4.648
B1 21 – 24 2.804
B2 17 – 20 1.669
C 11 – 16 927
D 6 – 10 424
E 0–5 207

Com base nestes dados, vemos que 50% das pessoas do universo total
estimado de consumidores de revistas possuem uma renda familiar média igual
ou superior a R$1.669,00.

Das três editoras de revistas exclusivamente históricas consideradas até o


momento, apenas a Abril divulga o perfil de seus leitores e a circulação de suas
revistas na página da Internet voltada para seus anunciantes.

Porém, considerada a similaridade dos números médios das três publicações


históricas em pauta e a participação de mercado da Abril, que foi de 48% em

6
exemplares de revistas no ano de 2003, segundo dados da ANER,
aparentemente temos números significativos.

Para “Superinteressante”, a Abril apresenta os seguintes dados:

Perfil do Leitor
Idade Sexo Classe Social
59% têm entre 18 e 39 homens: 57% Classe A: 30%
anos mulheres: 43% Classe B: 50%
Classe C: 17%
Fonte: XLVI Estudos Marplan – 2004 - Consolidado 2004 - 9 mercados

Circulação
Tiragem: 458.000 exemplares
Circulação líquida: 382.000 exemplares
Assinaturas Avulsas Exterior
261.000 121.000 23
Circulação por regiões: Centro-oeste 8%, Nordeste 17%, Norte 5%, Sudeste
49% e Sul 21%
Fonte: IVC - fev/05

Comparativamente, para “Aventuras na História” temos:

Perfil do Leitor
Idade Sexo Classe Social
47% têm entre 15 e 34 homens: 42% Classe A: 18%
anos mulheres: 58% Classe B: 50%
Classe C: 21%
Fonte: XLVI Estudos Marplan – 2004 - Consolidado 2004 - 9 mercados

Circulação
Tiragem: 82.000 exemplares
Circulação líquida: 51.000 exemplares
Assinaturas Avulsas Exterior
31.000 20.000 -
Circulação por regiões: Centro-oeste 8%, Nordeste 20%, Norte 6%, Sudeste
47% e Sul 19%
Fonte: IVC - fev/05

É bastante interessante verificar as diferenças que existem nos perfis dos


leitores destas duas revistas inter-relacionadas:

• A faixa etária da maioria dos leitores de “Aventuras na História” é menor.


• Há um maior número de leitoras do sexo feminino no público de
“Aventuras na História”.
• Há um desvio no número de leitores de “Aventuras na História” para as
classes de menor poder aquisitivo.

7
• Embora a maior concentração de leitores esteja nas regiões Sudeste e
Sul, há um incremento do número de leitores de “Aventuras na História”
na região Nordeste.

A editora Vera Cruz forneceu dados sobre o perfil do público de “Nossa


História”, resultado de pesquisa encomendada ao Instituto Qualibest e
referente ao período de maio a junho de 2004.

Os leitores do sexo masculino representam 64% do público.

A escolaridade está distribuída da seguinte maneira: ensino médio 19%, ensino


superior 47%, mestrado e doutorado 35%.

Com relação à renda, 18% dos leitores possuem renda até R$1.000,00; 41%
entre R$1.001,00 e R$3.000,00; 20% tem rendimentos entre R$3.001,00 e
R$5.000,00 e outros 20% aparecem com renda superior a R$5.000,00.

A maior parte dos leitores, num percentual de 66%, está na faixa etária dos 21
aos 40 anos.

Segundo a editora Duetto, 73% dos leitores de “História Viva” são do sexo
masculino. Na distribuição dos leitores por classe, temos que 26% pertencem à
classe A, 48% são da classe B e 19% enquadram-se na classe C.

Quanto à faixa etária, os leitores de “História Viva” distribuem-se de acordo


com a seguinte tabela:

FAIXA ETÁRIA PERCENTUAL DE PARTICIPAÇÃO


até 19 anos 8%
entre 20 e 24 anos 12%
entre 25 e 29 anos 15%
entre 30 e 34 anos 12%
entre 35 e 39 anos 13%
entre 40 e 44 anos 10%
entre 45 e 49 anos 8%
entre 50 e 54 anos 8%
entre 50 e 59 anos 5%
60 anos ou mais 9%

De maneira similar ao público da “Nossa História”, a maior parte dos leitores,


num percentual de 62%, está na faixa etária dos 20 aos 44 anos.

Vemos então que a maior parte do público das revistas “Nossa História” e
“História Viva” está numa faixa de maior idade, que se inicia entre os 19 e 20
anos, enquanto que o público da “Aventuras na História” é mais jovem,
incluindo em suas fileiras leitores de 15 anos. Como apresentamos
anteriormente, esta diferença manifesta-se também em relação à
“Superinteressante”.

8
Apenas a editora Vera Cruz levantou dados sobre a escolaridade de seu
público, que concentra-se pesadamente nas instituições de ensino superior. O
conteúdo editorial, calcado na produção acadêmica, poderia explicar isto e
explicaria também o público de “História Viva”, já que por sua associação com
a “Historia” francesa, beneficia-se da produção de expoentes da historiografia
francesa, como George Duby, autor presente na edição de abril de 2005.
“Aventuras na História”, por outro lado, segue a linha editorial de
“Superinteressante”, que “sempre teve um jeitão bem brasileiro, com
informações leves, fáceis de digerir e com o humor sempre presente, marca
registrada do nosso país”. Deste maneira, estes títulos tornam-se mais
acessíveis aos alunos do ensino médio.

Porém, a hipótese do ensino superior, aventada inclusive pela própria editora


Duetto, quando do contato para coleta das presentes informações, vai de
encontro à questão da distribuição dos leitores por sexo.

O Ministério da Educação (MEC) informou para o ano de 2003, um total de


3.887.022 matrículas em cursos de graduação presenciais no Brasil, sendo
1.693.776 matrículas masculinas contra 2.193.246 matrículas femininas. O
número de concluintes em cursos de graduação presenciais foi em 2003 da
ordem de 528.223, com 198.912 concluintes do sexo masculino contra 329.311
concluintes do sexo feminino.

Resultados do Programa de Educação Tutorial (PET) do Curso de História da


Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São
Paulo, que busca estabelecer “um conhecimento mais aprofundado do perfil do
aluno de História” poderiam ajudar-nos a esclarecer este ponto. Existiria um
desvio considerável na distribuição por sexo dos alunos de graduação e pós-
graduação em História? Entretanto, o MEC não aponta História como um curso
no qual ocorra um desvio considerável, quer em favor do sexo feminino, quer
em favor do sexo masculino.

Além disso, o estudante de História não é a chave para esta questão. A Le


Point Communication, editora da quase centenária “Historia”, aponta em sua
página na Internet o resultado de uma pesquisa na qual a História surge em
nono lugar entre 56 áreas de interesse do público francês. Há ao que tudo
indica um grande público interessado no tema, grande suficiente para produzir
o desdobramento de um título da maior editora brasileira e para fomentar o
lançamento de um número considerável de publicações similares em um curto
período.

Os dados disponíveis e as metodologias aplicadas até o momento são


insuficientes para o real conhecimento do público destas revistas. A
metodologia para estabelecimento das classes A, B, C, D e E é por demais
voltada à sua possibilidade de consumo para permitir uma caracterização
adequada do público.

9
Mesmo a iniciativa da editora Vera Cruz, a única que ofereceu dados sobre a
escolaridade de seu público, não identifica qual curso de graduação seus
alunos freqüentaram.

Uma conclusão não é possível à luz destes elementos e constata-se portanto,


a necessidade de uma investigação mais profunda, pelo próprio interesse
profissional que este possível campo de trabalho representa para o historiador.

3. ANÁLISE DA REVISTA “DESVENDANDO A HISTÓRIA”

Em meio ao cenário descrito acima, ainda não muito claro, surge um título
bimestral da editora Escala Educacional, que avança no bimestre corrente para
o seu quinto número.

É importante observarmos que esta empresa foi fundada com base num projeto
específico para a área educacional, editando um amplo catálogo de
publicações didáticas e paradidáticas. Desta maneira, “Desvendando a
História” é lançada como parte de um projeto maior, juntamente com a revista
“Discutindo a Geografia”, voltada para o ensino médio e hoje, estas duas
edições somam-se aos títulos “Discutindo Literatura”, “Discutindo Ciência”,
“Discutindo Arte” e “Discutindo Educação Física”, que “pretendem se tornar um
fórum para a discussão de temas essenciais à formação intelectual do
estudante”.

De maneira distinta em comparação às suas concorrentes nas bancas de


jornal, a Escala Educacional trabalha num nicho mais específico, composto
majoritariamente pelos professores e alunos do ensino médio. A empresa
aposta na sua percepção de que a “revista só chega ao aluno se o professor
indicar”. Assim, os representantes de vendas da Escala Educacional levam as
revistas aos professores, para que estes a adotem como material de aula. A
própria escolha da periodicidade bimestral foi feita em razão deste público e do
calendário escolar. Adicionalmente, sua presença na banca possibilita o
contato com um público maior. A revista chega ao seu quinto bimestre com
uma tiragem média de aproximadamente 40.000 exemplares e uma circulação
média de aproximadamente 15.000 exemplares, segundo dados fornecidos
pela própria empresa.

Sob a coordenação do historiador Marquilandes Borges de Sousa,


“Desvendando a História” diferencia-se de “Aventuras na História” pelo seu
conteúdo sério: nela não temos matérias jornalísticas e sim textos elaborados
por historiadores. Ao mesmo tempo, opõe-se a “Nossa História” pela adoção de
textos mais acessíveis e inova ao abrir seu espaço para a manifestação de
todos os profissionais da História e não apenas aos acadêmicos. Entretanto, há
seções de caráter interdisciplinar, abertas a especialistas de outras áreas.

Este perfil profissional garante textos de qualidade, com linguagem elaborada,


porém acessível. Observa-se apenas que os textos redigidos por professores
que militam nos cursos pré-vestibulares são propensos a maiores
generalizações. Há que ressaltar neste ponto, o caráter didático, visto que o

10
grande público da revista está no ensino médio, daí a abordagem voltada para
o conteúdo programático, com menor grau de problematização histórica.

Brasil e América Latina predominam na pauta da revista, abrindo uma nova


temática em relação às concorrentes “Aventuras na História” e “História Viva”,
quer apresentam uma temática eurocêntrica. Esta proposta de abordagem
latino-americana abre um novo campo de comunicação e troca de
conhecimento, ampliando a possibilidade de envolvimento do público alvo com
este tema.

Nas páginas de “Desvendando a História” predominam temas políticos,


seguindo uma linha paralela ao conteúdo programático do ensino médio, o que
de certa forma restringe o campo de abordagem histórica, mas ainda assim a
revista busca diversificar a relação da História com outras áreas. Exemplo
disso são as seções “Fique por dentro”, “Imprensa e História”, “História e Arte”
e “Estudo do Meio”.

Visitação a museus, as fotografias, os filmes, as músicas, os arquivos e a


pesquisa em páginas da Internet aparecem na revista como outros meios de
apresentar a História ao leitor. Nesse sentido, a revista contribui muito, pois no
ensino tradicional, a História fica confinada aos manuais didáticos.

Com relação ao uso da imagem, em algumas situações, verifica-se um caráter


predominantemente ilustrativo, que está sendo superado com a evolução dos
números da revista. A carência de legendas em algumas imagens dos
exemplares analisados dificulta seu vínculo direto com o texto, mas embora
desperte a curiosidade do leitor, deixa-a insatisfeita.

Há uma certa carência de fontes primárias e de mapas, que poderiam ampliar a


compreensão do texto, mas há que observar-se o nível de especialização do
público pretendido e a própria limitação do acervo de imagens da editora,
conforme informado pelo coordenador da revista.

As capas, ao contrário das concorrentes nas bancas, não se apoiam nos


grandes lançamentos cinematográficos para impulsionar suas vendas, mas há
uma sintonia da temática com os temas históricos do período.

4. FICHAMENTO DOS EXEMPLARES

Os exemplares da revista “Desvendando a História” foram fichados


obedecendo-se a organização das seções e os artigos publicados são
discutidos ao final. Esse fichamento permite uma visão geral da publicação.

4.1. SEÇÃO “POR DENTRO”

Esta seção apresenta aos leitores alguns museus, suas características físicas,
como arquitetura, localização; suas características históricas e, claro, suas
exposições. Talvez tenha como objetivo incentivar a visitação aos museus
brasileiros, já que nos três primeiros números, são apresentados: o Museu da
Casa Brasileira, em São Paulo, SP; Fundação Joaquim Nabuco, em Recife, PE

11
e o Museu Paranaense, em Curitiba, PR. Já na edição de nº 4, foi apresentado
aos leitores o Museu do Prado, em Madri, quebrando a série de museus
brasileiros. A seção “Por Dentro” está sempre localizada entre as páginas 6 e
7, primeira seção da revista.

Ano I, edição de nº 1, Agosto/ Setembro de 2004


Autora: Erika Sallum
Características: O nome da seção ganha destaque, em vermelho, ocupa a
extremidade das duas páginas da seção. O título se encontra na primeira
página, a esquerda. Há sete imagens que se dividem entre as páginas, uma
delas sendo uma foto do museu, e as restantes sobre as obras e objetos
expostos. A autora descreve o museu fisicamente, sua história, suas peças e
obras em exposição. Na estrutura do artigo, o título ganha destaque em
vermelho localizando-se nas bordas das duas páginas. As bordas são de cor
bege e contém uma moldura que remetem a um quadro antigo, o fundo do
texto é branco. O artigo contém sete imagens, uma fotografia de sua fachada e
seis imagens de objetos e obras de seu acervo.

Ano I, edição de nº 2, Outubro/ Novembro de 2004


Autor: Não vem expresso, segundo informação obtida junto à revista, todas as
vezes que não for informado o nome do autor, o texto será de autoria de
Marquilandes Borges.
Características: O autor faz uma brevíssima biografia sobre Joaquim Nabuco,
sendo a Fundação em sua homenagem, após isso descreve a história de sua
fundação, características físicas e seus acervos. O artigo contém quatro
imagens distribuídas nas duas páginas, sendo elas duas fotografias da
fachada, uma de seu interior e uma pintura de Joaquim Nabuco. Na estrutura
do artigo, o nome da seção ganha destaque, sendo escrito em vermelho e
localizado nas bordas, somente primeira página do artigo. As bordas são de cor
bege e contém uma moldura que remetem a um quadro antigo. O plano de
fundo do texto é uma imagem texturizada na cor bege.

Ano I, edição de nº 3, Fevereiro/ Março de 2005


Autora: Erika Sallum
Características: A autora faz uma breve descrição de sua história, passando
para as áreas de estudo, exposições, descrição física e arquitetura. O artigo
contém seis imagens distribuídas nas duas páginas, três são fotografias de
espaços e exposições e três são imagens de objetos e obras de seu acervo. A
estrutura do artigo segue as características do número anterior.

Ano I, edição de nº 4, Abril/Maio de 2005


Autora: Índigo
Título: Museu do Prado
Características: A autora descreve a importância das obras expostas no museu
para a arte espanhola e também italiana, já que contém "obras primas" de
pintores consagrados. A partir daí, faz um balanço sobre as obras do museu,
passando pela sua arquitetura e estruturas internas. No final, disserta sobre a
história do museu, segundo ela, o mais importante da Espanha.

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Nesta quarta edição, esta seção se diferencia das demais por tratar-se de um
museu fora do país, já que as três primeiras seções tratam de museus
brasileiros. Traz também uma diferenciação nas bordas que, nas três primeiras
seções eram de cor bege, e nesta edição, as bordas são de cor amarela, mas
conservando a moldura em torno das mesmas, remetendo a um quadro antigo.

O artigo contém quatro imagens distribuídas nas duas páginas, três são de
famosas obras expostas no museu e uma da fachada do museu, o fundo é
bege, como as seções anteriores, o caráter do texto é dissertativa.

4.2. SEÇÃO “ACONTECEU EM”

Essa seção traz datas históricas com um excerto sobre o assunto, as datas
correspondem a acontecimentos específicos ao longo do tempo, dentro do
bimestre correspondente a cada edição. A apresentação é em forma de
quadros amarelos com o texto, sobre um fundo branco com bordas beges, a
data de destaque para o dia que aparece em vermelho, esse modelo se
mantém em todos os números da revistas.

Em outras publicações do mesmo segmento esse tipo de seção sempre


aparece, variando as datas escolhidas.

No entanto essa abordagem por datas remete a um conhecer de história por


datas e marcos históricos deixando de lado todo o processo que levou a tais
acontecimentos. A objetividade pretendida das datas históricas pode
transparecer ao público uma visão reduzida e superficial de acontecimentos
muito importantes.

Os excertos que acompanham as datas são muito curtos, e só tratam da data


em si, muitas vezes caindo em chavões históricos, quando não em equívocos,
desconsiderando as novas pesquisas históricas.

Se pensarmos no público pretendido pela revista, essa seção até trás


informações, porém sem a contextualização necessária para a compreensão
histórica dos fatos.

Ano I, edição nº 1, Agosto/Setembro de 2004.


Localização:Ocupa 2 páginas, a 8 e a 9.
Autor: Não vem expresso, segundo informação obtida junto à revista todas as
vezes que não aparecer o nome do autor, o texto será de Marquilandes
Borges.
Características: o nome da seção ganha destaque com caracteres
diferenciados das demais seções, e ocupa a extremidade superior das duas
páginas. São 12 quadros com datas e excertos, com distribuição aleatória
pelas páginas. Conta com seis imagens pequenas, relacionas com algumas
datas expostas, a maioria fotografias.
Comentários: A maioria das datas escolhidas são do século XX, e da segunda
metade do mesmo.

13
Ano I, edição n º 2, Outubro/Novembro de 2004
Localização: Ocupa 2 páginas, a 8 e a 9.
Autor: Não vem expresso (Marquilandes Borges)
Características: O nome da seção vem em formato itálico. São 10 os quadros
com as datas e excertos. Além de mais quatro imagens – 1 fotografia e 3
gravuras – distribuídas 2 cada página.
Comentário: No quadro sobre a Revolução Praieira foi dito que esta seria a
última Revolução do Império (do Brasil), no entanto a historiografia já não mais
afirma isso, devido a estudos mostrarem que outras revoltas aconteceram. Vale
lembrar que a historiografia usa indiscriminadamente os termos revolução e
revolta para os levante após a independência.

Ano I, edição nº 3, Dezembro/Janeiro de 2004/2005


Localizacao: Ocupa duas páginas, a 8 e a9.
Autor: Não vem expresso (Marquilandes Borges)
Características: O nome da secão aparece em itálico./ É composta por 12
quadros com excertos, e mais 4 pequenas fotografias.
Comentários: Três das fotografias são de personalidades,Fidel Castro, George
W.Bush e Chico Mendes, isso mostra o quanto a revista da preferencia a
assuntos políticos. Também chama a atencão com uma data recente em meio
a tantas outras centenárias, a posse do presidente Bush em 20 de janeiro
de2001.

Ano I, edição nº 4, Março/Abril de 2005.


Localização: Ocupa as páginas 8 e 9.
Autor: Não vem expresso (Marquilandes Borges)
Características: São 10 quadros de datas com excertos, com 3 imagens que
localizadas só na página 9. A distribuição dos quadros é sobreposta.
Comentários:As datas na maioria são de acontecimentos da história do Brasil.
As imagem são de personagens conhecidos e em forma de retrato, dando a
impressão de que aquelas pessoas que fizeram a história.

4.3. SEÇÃO “DESVENDE”

A seção “Desvende” traz a fotografia de momento (instante captado pela


fotografia) que está dentro de um acontecimento histórico maior, e juntamente
com um pequeno texto propõe, ao leitor que “adivinhe” ou “desvende” qual o
acontecimento histórico em questão. A resposta é dada na penúltima página da
revista, apenas com o nome atribuído ao acontecimento.

A idéia de interagir com o leitor, testando o seu conhecimento de alguma forma


é bem interessante, e a utilização da fotografia facilita a aproximação do leitor
com uma forma de documento histórico. Mas não é bem como documento
histórico que a fotografia é trata nessa seção, pois o texto não indica nenhuma
forma de análise para o leitor seguir, deixando tudo a cargo da adivinhação.
Mesmo que o público pretendido pela revista seja o não especializado,
pequenos indicativos de análise poderiam ser fornecidos.

Quanto à resposta sobre de qual acontecimento histórico é aquela imagem, a


resposta que vem em poucas palavras, nada diz sobre o acontecimento além

14
da denominação do mesmo. Poderia ser feito ao menos um breve resumo
sobre o assunto, pois senão fica novamente a impressão de que a História é
feita de datas e denominação de acontecimentos, deixando de lado o longo
processo por traz dessa abordagem quase que factual.

Ano I, edição nº 1, Agosto/Setembro de 2004


Localização: Após o primeiro artigo, seção de página dupla,16 e 17.
Autor: Não vem expresso (Marquilandes Borges).
Características: O tema é a Revolução Cubana, a fotografia tem tonalidade
sépia, as bordas são largas e brancas. O texto é curto e fica na parte superior
da página 16. Os maiores indícios são dados pela fotografia, onde aparece a
bandeira cubana e soldados armados com expressão de felicidade.
Comentários: O texto não oferece muita informação para o leitor, sendo nesse
caso um auxiliar pouco proveitoso.

Ano I, edição nº 2, Outubro/Novembro


Localização: Após o primeiro artigo, seção de página dupla, 14 e 15.
Autor: Não vem expresso (Marquilandes Borges)
Características: O tema é o enterro de John Lenon. São duas fotografias da
multidão, aparece uma pessoa com um cartaz, e a inscrição em inglês é
traduzida em uma pequena legenda ao lado da fotografia. O texto aparece na
parte superior da página 15 e também não é grande.
Comentários: Por se tratar de uma imagem de multidão o texto é mais
indicativo para facilitar o leitor a descobrir de qual evento se trata, o elemento
da fotografia que mais indica qual é o evento em questão e o cartaz (que foi
traduzido). Por não oferecer formas de análise de fotografia, as imagens
sempre trazem elemento explícitos sobre o acontecimento.

Ano I, edição nº 3, Dezembro/Janeiro de 2004/2005


Localizacao: Após o primeiro artigo, secão de página dupla,16 e 17.
Autor: Não vem expresso (Marquilandes Borges)
Características: Umaúnica fotografia de página dupla, em preto e branco, que
destaca soldados em um invasão por mar. O tema é o Dia D. O texto é pouco
esclarecedor mas carregado de julgamentos favoravéis a respeito da guerra.
Comentários: Este é um dos poucos casos em que o autor se posiciona,
mesmo que expressamente, sobre um determinado assunto, que no caso é de
grande importância histórica.

Ano I, edição nº 4, Março/Abril de 2005


Localização: Após o primeiro artigo, seção de página dupla, 14 e 15.
Autor: Não vem expresso (Marquilandes Borges)
Características: O tema é a Conquista da Copa do Mundo de 1970. Uma
fotografia de página dupla mostra a multidão nas ruas com muitas bandeira do
Brasil, outras duas pequenas fotografias aparecem na lateral esquerda da
página 14.
Comentários: O texto faz referência a outros assuntos que envolviam a
conquista da Copa do Mundo, como a manipulação da população pelo governo
militar. Esse texto foi feliz nas suas indicações, no entanto demais textos dessa
seção não tinham a mesma qualidade.

15
4.4. SEÇÃO “ESTUDO DO MEIO”

Esta seção, que se inicia apenas na segunda edição da revista, tem como
objetivo a troca de experiências entre professores do ensino médio e
fundamental, sobre como uma aula fora dos muros da escola pode ser
produtiva para o melhor entendimento dos alunos, onde possam ver a história
com seus próprios olhos. A partir daí, os professores narram suas experiências.

Esta seção, junto com a seção preenche uma das características da editora:
um caráter didático, onde outras revistas, como “Discutindo a Geografia” e
“Discutindo a Literatura” também trazem este caráter didático, como sugere
uma das propagandas da revista “Geografia e história se aprende na escola... e
também nas bancas” e também como o próprio nome da editora: Escala
Educacional.

Ano I, edição de nº 2, Outubro/Novembro de 2004


Título: História sem paredes: uma visita à fazenda.
Autor: Jackson Farias, historiador e professor de ensino médio e cursos pré-
vestibular.

Localização: A seção encontra-se na página 22, ocupando somente uma


página do lado esquerdo da revista.
Características: O autor descreve sua experiência de aula fora das paredes da
escola, numa visita à fazenda Ibiacaba, antiga propriedade do Senador Nicolau
de Campos Vergueiro, onde a atual família preserva as estruturas das
plantações de café do século XIX e as marcas da transição do trabalho escrevo
para o trabalho livre doa imigrantes europeus, Senador Nicolau de Campos
Vergueiro. O autor também indica um livro de Thomas Davatz, Memórias de
um colono no Brasil, relatando a memória de imigrantes europeus,
protagonistas desta transição.
O nome da seção ganha destaque, em vermelho, na extremidade superior da
página, estando abaixo, o título do artigo. O plano de fundo é composto por
uma fotografia da mesma fazenda. O artigo tem apenas uma imagem, além do
plano de fundo, o livro de Thomas Davatz.

Ano I, edição de nº 3, Fevereiro/ Março de 2005.


Título: Vale do Paraíba: memória e esquecimento.
Autor: Sidnei Gomes Leal, professor de história do colégio Giordano Bruno, em
São Paulo.
Localização: A seção encontra-se nas páginas 24 e 25
Características: O autor relata sua experiência com uma aula sobre o Vale do
Paraíba, no Vale do Paraíba, onde narra uma metodologia, onde os alunos
fazem um reconhecimento do dos “indícios de riqueza e opulência, em
contraste com os de pobreza e decadência que marcam a região” após isso
elaborando e sistematizando conclusões, se apropriando do ofício do
historiador, os alunos podem sentir a história.
O nome da seção ganha destaque, em vermelho, na extremidade superior da
página, estando abaixo, o título do artigo, o plano de fundo é branco. O artigo
possui cinco imagens, fotos da visita dos alunos ao Vale do Paraíba.

16
Ano I, edição de nº 4, Abril/Maio de 2005
Título: Usina de Corumbataí
Autor: Venerando Santiago de Oliveira, é físico e professor do ensino médio e
pré-vestibular.
Características: Há duas diferenças marcantes entre este artigo e os dois
artigos anteriores desta seção. O primeiro, é que Venerando não é professor
de história, mas propões um passeio pela usina de Corumbataí, sugerindo uma
aula multidisciplinar; o segundo ponto é que, o autor não descreve sua
experiência, mas como dito anteriormente sugere uma visita à Usina como uma
forma de metodologia de ensino que, além de atraente, é multidisciplinar.
Deixando a sugestão, não para professores e alunos, mas para quaisquer
interessados.
O nome da seção ganha destaque, em vermelho, na extremidade superior da
página, estando abaixo, o título do artigo, o plano de fundo é branco.

4.5. SEÇÃO “PASSADO E PRESENTE”

Esta seção tem por objetivo mostrar historicamente a origem de famigeradas


instituições contemporâneas, contextualizando a época e os “porquês” de sua
criação.

A freqüência desta seção na revista não é contínua, já que surge na segunda


edição e desaparece na quarta. Ocupa poucas páginas: na segunda edição
uma, e na terceira duas.

Ano I. Primeira edição: inexistente.

Ano I, edição de nº 2, Outubro/Novembro de 2004


Título: “Como surgiu o FMI?”.
Autor: oculto. Segundo informação obtida junto à revista, todas as vezes que
não aparecer o nome do autor, o texto é de Marquilandes Borges.
Localização: Primeira metade da revista. Ocupa uma página – ímpar.
Características: O título está escrito em fundo branco, assim como o texto,
ambos sem nenhuma cor ou qualquer outro recurso para destaque. Na borda
em azul, uma charge com a figura de uma ave gorda “montada” no globo
terrestre sugere uma alusão à instituição tratada no artigo: o FMI.
Comentário: O texto inicia com uma breve descrição da seção, justificando
seus objetivos. Com um texto bastante curto e simples, o autor descreve
cronologicamente a origem desta instituição, justificando o tratamento do tema
pela grande presença que esta sigla tem nos meios de comunicação de massa
(internet, televisão, rádio, jornais, revistas etc.).

Ano I, edição de nº 3, Fevereiro/ Março de 2005.


Título: “Como surgiu a Onu?”.
Autor: Conrado Ferrante Bichara. Historiador formado pela Universidade
Estadual de São Paulo (UNESP).
Localização: Primeira metade da revista. Ocupa duas páginas, com o título na
página par.
Características: O plano de fundo é uma fotografia em preto e branco,
retratando uma conferência da instituição tratada. Outras duas fotos estão

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presentes: uma de uma sucessão de bandeiras de países membros –
remetendo a algum prédio desta instituição – e outra retratando um encontro
entre representantes e membros desta instituição. Estas, ambas coloridas.
Nenhuma com crédito ou nota explicativa.
O título está em amarelo e a sigla “ONU” em negrito.
Comentário: O texto inicia já tratando do período de criação da instituição, sem
antes fazer (como na edição anterior) uma “regressão” da contemporaneidade
para a época apresentada. Trata do seu estabelecimento no pós-segunda-
guerra, como perpassou pela “Guerra Fria” e como se encontra hoje – assim
como na edição anterior: cronologicamente.

Ano I. Quarta edição: inexistente.

4.6. SEÇÃO “HISTÓRIA & ARTE”

Filmes e músicas, temas dos meios de comunicação em massa e de alcance


popular são analisados historiograficamente nesta seção. O estudo de obras
com alguma abordagem histórica serve de introdução do leitor em um campo
mais amplo que o da obra propriamente dita. Por exemplo, ao analisar as letras
das músicas de Chico Buarque, dentro do contexto-histórico em que foram
produzidas e com um olhar mais crítico, o autor busca estender a visão do
leitor para além da beleza da música do cantor.

Ano I, edição nº1


Título: As Invasões Bárbaras
Autor: Marquilandes Borges de Sousa
Localização: ocupa 2 páginas, ambas com imagens do filme.
Comentários: o autor inicialmente faz uma sinopse do filme de Denys Arcand,
para depois aprofundar-se mais na relação entre pai e filho, que seria uma
metáfora da dualidade presente durante a Guerra Fria, contexto-tema do filme,
o socialismo de um lado (pai), e o capitalismo do outro (filho). Outra visão
histórica que Marquilandes aborda é a do próprio contexto em que foi
produzido o filme, 2001, no qual, segundo uma visão crítica do autor, os
bárbaros, que nos remetem aos invasores do antigo Império Romano, seriam
os traficantes e o terrorismo do império norte-americano.

Ano I, edição nº2


Título: As Músicas Políticas de Chico Buarque
Autor: Marquilandes Borges de Sousa
Localização: ocupa 2 páginas, com fotos de Chico Buarque.
Comentários: com a reprodução parcial de 5 canções de Chico Buarque, o
autor traça um paralelo entre a letra da música e o ano em que foram escritas,
todas elas dentro do contexto da ditadura militar no Brasil. Dessa forma,
embora Marquilandes atente ao leitor a diversidade da obra de Chico, só foram
analisadas músicas que denunciavam a repressão.

Ano I, edição nº3


Título: O Velho
Autor: Marquilandes Borges de Sousa

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Localização: 2 páginas, sendo uma inteira ocupada pelo retrato de Luís Carlos
Prestes.
Comentários: ao contrário das 2 seções anteriores, nesta o autor se mostra
mais crítico. Diante da repercussão do filme Olga, baseado no livro de um
jornalista, Marquilandes reproduz críticas negativas de especialistas da área do
cinema, para então sugerir um documentário que, por conter imagens de
época, entrevistas com os próprios sujeitos tratados, e depoimentos de
historiadores, permite uma recuperação cronológica dos fatos mais importantes
do período. Ou seja, sugere uma outra obra, que trata do mesmo assunto de
Olga, com mais “consistência” histórica.

Ano I, edição nº4


Título: Filme Traz à Luz Revolução Inglesa
Autor: Rafael Augustus Sêga
Localização: 2 páginas inteiras.
Comentários: trata-se do filme Morte ao Rei de 2003, que procura, como trama
principal, retratar a trajetória política de Oliver Cromwell. Após breve sinopse do
filme, o autor passa o resto do artigo a tratar da Revolução Inglesa e da vida de
Oliver Cromwell, além de citar duas importantes obras da historiografia sobre o
assunto tratado.

4.7. SEÇÃO “IMPRENSA & HISTÓRIA”

A relação feita no título da seção entre imprensa e história não foi bem trabalha
no corpo da seção.

Essa seção fala sempre de uma publicação periódica da imprensa escrita


brasileira, às vezes a abordagem é sobre a publicação em si, outras vezes e de
como uma publicação abordou um determinado tema. Nas duas forma de tratar
dessas publicações de época não definem no texto qual é o tipo de relação
pretendida entre a imprensa e a história.

Informações sobre as temáticas tratadas pelas publicações de época poderiam


ser mais atrativas para o leitor. A matéria poderia traz mais informações sobre
a disponibilidade das publicações para consulta do leitor, pois dessa forma
incentivaria uma visita ao arquivo para poder entrar em contado direto com o
material.

Em relação a outras publicações do mesmo segmento essa relação com


material de imprensa de época é inovador.

Ano I, edição nº 1, Agosto/Setembro de 2004


Localização: Sempre depois do artigo de chamada de capa. Páginas 42 e 43.
Autor: Não vem expresso (Marquilandes Borges)
Características: A publicação em questão neste número, foi a revista “Fon-
Fon”, um número de 1922, com o tema do recebimento do presidente eleito da
Argentina pelo presidente do Brasil, Epitácio Pessoa.A seção tem meia página
de texto, com um fundo que reproduz a fotografia da publicação, em imagens
sobrepostas em tonalidade amarelada (aspecto envelhecido)

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Comentários: O tema escolhido foi bem trabalhado no texto, fazendo uma
relação o a realidade vivida por Brasil e Argentina nas relações do Mercosul,
que a publicação em si tenha sido pouco explora, mesmo havendo a
transcrição de parte da matéria da época.

Ano I, edição nº 2, Outubro/Novembro de 2004


Localização: Após o artigo de chamada de capa. Páginas 42 e 43.
Autor: Não vem expresso (Marquilandes Borges).
Características: A publicação tratada nesse número foi a revista Realidade, do
acervo do Arquivo do Estado de São Paulo. O texto traz informações sobre a
publicação em forma geral e trata pontualmente do primeiro número de
fevereiro de1967. As imagens da publicação são de varias revistas sobrepostas
dando visibilidade para as imagens da revista Realidade.
Comentários: O texto está em total harmonia com as imagens da revista
Realidade, pois as fotografia são da edição de fevereiro de 1967. As cores da
seção são em tons esverdiado, ordenando com os tons da publicação de
época.

Ano I, edição nº 3, Dezembro/Janeiro de 2004/2005


Localizacão: Após o artigo da chama de capa, nas páginas 44 e 45.
Autor: Não vem expresso (Marquilande Borges)
Características: A publicacão trata é a Revista Feminina (1914-1936), a
abordagem é feita pelo espaco que as mulheres vinham conseguindo naqueles
anos com o movimento feminista. O texto ocupa apenas meia página (46),
ficando a outra com a fotografia de um dos numeros da publicacao tratada. O
texto tem dar conta da importancia da publicacao nos seus 22 anos de edicão.
Comentários: A publicacão escolhida foi muito bem apresentada, pois
problematizou seu surgimento com as questões da época.

Ano I, edição nº 4, Março/Abril de 2005


Localização: Após o artigo de chamada de capa. Páginas 44 e 45.
Autor: Não vem expresso (Marqilandes Borges).
Características: A publicação escolhida foi a revista Manchete, com enfoque na
matéria que tratava do Maio Francês ou Maio de 68. O texto tratou mais do
movimento estudantil no Brasil e na falou da matéria da revista Manchete, que
ficou resumida a fotos dessa publicação. Os tons predominantes foram o
vermelho e o amarelo.
Comentários: Esse texto foi infeliz pois quase nada falou da revista Manchete,
até a chamada da capa enfocava a questão do maio de 68. Outra fato
relevante é que não consta no texto qual o arquivo que conserva essa
publicação.

4.8. SEÇÃO “HISTÓRIA ILUSTRADA”

Essa seção faz uma pequena narração de um acontecimento histórico com


texto e fotografias, o texto não é uma descrição da fotografia e nem esta está
diretamente ligada ao assunto pontual do quadro que está sobreposto a esta,
porém texto e fotografias não são conflitantes.

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Em todos os números publicados até o momento, essa seção só tratou de
temas políticos, segundo a revista isso não foi proposital, tendo como causa a
limitação do arquivo.

Quando se propõe trabalhar com fotografia devemos estar cientes das


limitações desse material, em se tratando de uma publicação de história, a
seqüência de temas políticos retoma uma forma de se estudar história apenas
pelos acontecimentos políticos. Esse tipo de abordagem parece estar
ganhando espaço novamente, mas deve ser passado para o grande público
com um tipo de abordagem da histórica, mas não como o principal.

Ano I, edição nº 1, Agosto/Setembro de 2004


Localização: Páginas 44, 45, 46 e 47.
Autor: Não vem expresso (Marquilandes Borges)
Características: O tema é o Golpe de 64. São 6 os quadros com textos, esses
traçam um panorama político que antecedeu o golpe, nada diz da situação
política após o Golpe Militar. A fotografias são 6, e focalizam políticos, as
mobilizações populares e o momento da eleição do primeiro presidente militar
Castelo Branco.
Comentário: Tratar do Golpe Militar de 64 e deixar de lado todos os
acontecimentos internos posteriores de fora dessa narração compromete
abordagem do tema. Pois as conseqüências do golpe são até mais importantes
que o próprio Golpe.

Ano I, edição nº 2, Outubro/Setembro de 2004


Localização: Páginas 44, 45, 46 e 47.
Autor: Não vem expresso (Marquilandes Borges).
Características: O tema foi a Revolução dos Cravos. São 5 quadros de texto
que ressalta o caráter pacífico do movimento, trazendo trechos de músicas de
Portugal e do Brasil. As 5 fotografias que compõem essa seção também mostra
a mobilização popular e apresença dos soldados nas ruas, as pessoa
aparecem sempre segurando cravos e nas fotografias não aparecem políticos.
Comentários: Uma fotografia mostra a participação das mulheres nessa
revolução, no entanto esse tema não e tratado no texto, o que seria
interessante para mostrar com as mulheres foram ganhando seu espaço
sobretudo naquela época.

Ano I, edição nº 3, Dezembro/Janeiro de 2004/2005-06-22


Localizacão: Da página 46 até a página 49.
Autor: Não vem expresso (Marquilandes Borges)
Características: O tema é as Diretas Já. Composta de 10 fotografias e 10
quadros com pequenos textos, tanto fotografia quanto texto enfocam as
personalidades que fizeram parte desse movimento, e as manifestacões
populares também aparecem como destaque.
Comentários: O tema foi bem trabalhado, com o jogo de imagens. A
importancia das Diretas Já podem ser percebida pelos leitores se comparada
com essas mesma secão no primeiro número, que trata do Golpe de 64,
mesmo o texto não fazendo essa relacao direta entre as publicacões.

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Ano I, edição nº 4, Março/Abril de 2005
Localização: Páginas 46, 47, 48 e 49.
Autor: Não vem expresso (Marquilandes Borges).
Características: O tema é o Golpe Militar no Chile, porém não aparece o título
da seção nesse número. São 9 os quadros de texto, que tratam do suicídio do
presidente Salvador Allende e da tomada do poder por Pinochet, ainda trata
rapidamente do anos do governo de Pinochet até seu afastamento. As 10
fotografias mostram a sede do governo no Chile, os presos por se oporem ao
governo de Pinochet, mostram as mães da Praça de Maio e fotos de Pinochet
sem em uniformes militares.
Comentários: As fotografia não foram bem selecionadas, focalizando quase
sempre o governante Pinochet, e a população que sofreu com as
conseqüências daquele governo ficaram resumidas em apenas 3 fotografias
sem grande destaque.

4.9. SEÇÃO “CLÁSSICOS DA HISTÓRIA”

Em cada edição, o autor seleciona obras consideradas clássicas na


historiografia, por serem de autores consagrados e pelo impacto que teve a
obra quando de seu lançamento, bem como pela sua capacidade de
permanecer importante entre os historiadores. O objetivo da seção é incentivar
a leitura de livros históricos e gerar um conhecimento sobre o campo de
pesquisa dos historiadores profissionais.

Ano I, edição nº1


Título: Afinal, para que serve a história? Pergunte a Marc Bloch
Autor: Marquilandes Borges de Sousa (não assinado)
Localização: 2 páginas, com uma ilustração da capa do livro.
Comentário: Marquilandes faz uma síntese do livro de Marc Bloch e de sua
vida.

Ano I, edição nº2


Título: Tucídides e a Arte da Guerra
Autor: Jorge Sallum
Localização: duas páginas com 2 figuras que remontam à Grécia Antiga, e uma
ilustração da capa do livro.
Comentário: após pequena apresentação de Tucídides e resumo do livro, o
autor explica a abordagem metodológica de Tucídides sobre a Guerra do
Peloponeso.

Ano I, edição nº3


Título: A História por Edward Gibbon
Autor: Jorge Sallum
Localização: 2 páginas com imagens do Império Romano
Comentário: o autor salienta os métodos historiográficos utilizados por Edward
Gibbon, historiador do século XVIII. Em seguida, tece pequeno comentário
sobre a obra, declínio e queda do Império Romano.

Ano I, edição nº4


Título: Jules Michelet e a Revolução Francesa

22
Autor: Jorge Sallum
Localização: 2 páginas, com uma figura que nos remete à Revolução Francesa.
Neste caso, é necessário um conhecimento prévio da história da Revolução, ou
o bom senso de associá-la ao título do artigo, visto que a figura não apresenta
legenda.
Comentário: antes de comentar sobre a obra e seu autor, Sallum passa grande
parte do artigo discorrendo acerca da Revolução Francesa, o que é bem vindo,
já que Jules Michelet “talvez seja o maior historiador dessa geração”. Sallum dá
enfoque especial à idéia de povo, e termina com a indicação bibliográfica do
livro de Michelet da Companhia das Letras.

4.10. SEÇÃO “OUTRAS PERSONAGENS”

Esta seção tem por objetivo o “desvendar” de personagens “esquecidos” pela


História oficial, tentando incorporar às informações e conhecimentos dos
leitores alguns nomes que não estão estampados nos panteões da História,
criticando essa mazela e atribuindo a responsabilidade aos livros didáticos.
Preocupa-se com o aspecto personalista e admite não ser a “melhor forma” de
escrever e difundir os conhecimentos históricos, mas tenta justificar como
sendo impossível de se fazer História sem tender a valorização de
“personagens” atuantes nos fatos históricos. É possível perceber contínuas
mudanças de um número para outro, no que tange ao conteúdo e diagramação
da página da seção.

Ano I. Primeira edição:


Título: “Gente que ajudou a fazer a História do Brasil e do mundo, mas volta e
meia é esquecida pelos livros didáticos”.
Autor: oculto. Segundo informação obtida junto à revista, todas as vezes que
não aparecer o nome do autor, o texto é de Marquilandes Borges.
Localização: Segunda metade da revista, em página par.
Características: O título, a letra capitular e o nome da seção estão em cor de
destaque (laranja). O fundo é um desenho de papel com as bordas “roídas” e
cor envelhecida, sobre o qual se assenta o texto. Em baixo desta
representação de papel envelhecido, o nome da seção está escrito em letra
cursiva. Uma gravura sem nenhum tipo de identificação (nome, legenda, nota
explicativa ou crédito) se encontra no lado direito do texto – supõe-se que seja
a personagem de quem se traga notícia nesta seção.
Comentário: O título é mais uma explicação do objetivo da seção do que um
título em si; trata-se do primeiro exemplar. A impressão que dá, é que a sua
crítica ao esquecimento não é plena, pois em lugar algum o nome da
personagem está escrito em destaque: preocupou-se mais em apresentar a
seção que a “outra personagem”. Um aspecto interessante é a tentativa do
autor em “desmentir” a História oficial e apontar a possibilidade de outras
interpretações e eventos dentro de uma mesma temática abordada.
Na apresentação da “outra personagem”, faz um trato estritamente biográfico e
cronológico, apoiando-se em datas, fatos e feitos exclusivamente. No final do
texto, traz uma descrição da personagem entre aspas, que pelo vocabulário
supõe-se que seja “de época”, porém nenhuma citação acerca de sua autoria é
feita.

23
Ano I. Segunda edição:
Título: “Talleyrand”.
Autor: oculto. Segundo informação obtida junto à revista, todas as vezes que
não aparecer o nome do autor, o texto é de Marquilades Borges.
Localização: Segunda metade da revista, em página par.
Características: O título é o nome da personagem, em letras vermelhas, mas o
nome da seção continua escrito em laranja. Uma foto colorida está alocada no
final da página, assim como muitas outras, sem nota explicativa e créditos. A
inscrição “Outras personagens” em letra cursiva ao fundo, se localiza neste
número na parte superior da página, atrás da inscrição do título.
Comentário: Neste segundo número, a seção é iniciada com uma nova
justificativa diante do papel da seção: “Ainda que os estudo históricos
contemporâneos não utilizem uma abordagem puramente personalista, é
quase impossível não se fazer referência a certas figuras dependendo do
momento estudado (...)”. Os aspectos deste número continuam sendo
estritamente biográficos e cronológicos, porém com uma diferença: atribui a
esta personagem exclusivamente (Talleyrand) a manutenção dos direitos civis
do povo francês no pós-Revolução Francesa – “Graças a ele os franceses
garantiram a manutenção de seus principais interesses”.

Ano I. Terceira edição.


Título: “Ranieri Mazzilli”.
Autor: oculto. Segundo informação obtida junto à revista, todas as vezes que
não aparecer o nome do autor, o texto é de Marquilades Borges.
Localização: Segunda metade da revista, em página par.
Características: O formato e cor do título, a inscrição do nome da seção ao
fundo e o posicionamento e atributos (ou sua ausência) permanecem como no
número anterior, excetuando a cor do nome da seção, que passou do laranja
para amarelo.
Comentário: Inicia o artigo explicando o papel do presidente da Câmara dos
deputados como suplente do vice-presidente (para enquadrar a personagem
descrita). Como este número trata de um “episódio” recente da história
nacional, a estrutura biográfica e cronológica de apresentação e descrição da
personagem parece não ser a principal característica nesta seção. A
apresentação da personagem está mais centrada na narração das atuações
políticas de Mazzilli e na exaltação de sua “importância na História nacional”. O
período trabalhado é da posse de Jânio Quadros em 1961 (passando por sua
renúncia, os problemas da sucessão de João Goulart) até a posse do primeiro
presidente do regime militar em 1964.

Ano I. Quarta edição.


Título: “Nísia Floresta”.
Subtítulo: “Feminista” e peregrina brasileira”.
Autor: Stella Maris Scatena Franco. Mestre e doutoranda pela universidade de
São Paulo (USP).
Localização: Segunda metade da revista, em página par.
Características: A diagramação da página continua a mesma, exceto pelo
acréscimo do subtítulo (em itálico e cor azul escuro) e do nome da autora (em
destaque – na cor do título em itálico). Um quadro com obras de referência foi
colocado no canto inferior direito da pagina. A ilustração foi feita através de

24
uma gravura (assim como as outras imagens, sem atributos de identificação e
explicação).
Comentário: Este texto visivelmente encomendado traz no seu conteúdo a
mescla do tipo de abordagem praticada até então nesta seção: conteúdo
biográfico/cronológico e o enquadramento das atuações “importantes” da
personagem no contexto apresentado. O aspecto interessante e inédito (além
da exposição da autoria do texto) é a informação de obras de referência
bibliográfica para o aprofundamento no tema.

4.11. SEÇÃO “EU ME LEMBRO”

Ano I. Primeira edição.


Título: inexistente.
Autor: entrevista de Murilo de Andrade Carqueja, colhido pela jornalista Cláudia
Croitor.
Localização: Segunda parte da revista, em página ímpar.
Características: O nome da seção está inscrito num quadro lilás, na parte
superior da página; o nome está escrito na mesma região da página, também
no plano de fundo em letra cursiva. O texto está escrito sobre uma
representação de folha de papel envelhecida, com as bordas “roídas” em tom
amarelado. A ilustração é uma foto do depoente em preto e branco, alocada na
parte inferior da página – foto com crédito. O texto está todo entre aspas. No
final, uma descrição do depoente contendo nome, idade, profissão e cidade
onde mora.
Comentário: O texto resultado de uma entrevista, escrito entre aspas e colhido
por uma jornalista, da forma que se afigura, parece ter sofrido alterações e
interferências (digo isso pensando no seu aspecto sintético e coeso, muito
difícil de ser a reprodução literal expressa pelo depoente). A tentativa de
colocar “pessoas comuns” como atores e personagens da História é um
aspecto bastante interessante desta seção. Contudo, para tal, os editores
utilizaram recursos para fazer com que a relevância do entrevistado tomasse
um aspecto “histórico”, sobretudo no que diz respeito à diagramação da página
e os elementos utilizados nela: o aspecto envelhecido do plano de fundo e da
foto (preto e branco).

Ano I. Segunda edição.


Título: “No tempo dos caras-pintadas”.
Subtítulo: “Muitas quedas em poucas horas”.
Autor: Erika Sallum. Jornalista e editora-chefe da revista Desvendando a
História.
Localização: Segunda metade da revista, em página par.
Características: O nome da seção continua num quadro lilás, porém a sua
inscrição em letra cursiva no plano de fundo está, a partir deste número, na
parte inferior da página. O texto continua sendo escrito sobre um plano de
fundo com a representação de uma folha de papel envelhecida, porém, com
tons menos amarelados que a da primeira edição (o que talvez possa sugerir
um “menor envelhecimento”). Duas fotos fazem a ilustração desta página,
diferindo do número anterior por serem coloridas e não terem créditos. O texto
não está escrito entre aspas.

25
Comentário: O texto, escrito em primeira pessoa e sem aspas, passa a
impressão de maior propriedade do autor sobre o conteúdo expresso (sem
intervenções, como pode ser nitidamente percebido no número anterior). A
partir deste número, o “personagem” é quem escreve, não mais um
entrevistado, e todos eles, com formação no ensino superior.
As regressões e lembranças da autora, colocando-se como “participante da
História” (quando faz a comparação com os militantes do movimento estudantil
da década de 60) deixa claro o objetivo da seção – já que se trata do
discurso/depoimento da editora chefe da revista.

Ano I. Terceira Edição.


Título: “O espelho”.
Subtítulo: “As lembranças de uma ex-guerrilheira do Araguaia”.
Autor: Rioco Kayano. Ex-militante do movimento estudantil, que foi presa
política durante o regime militar.
Localização: Segunda metade da revista, em página par.
Características: A diagramação é bastante similar à anterior, exceto a ausência
de ilustrações ou fotografia num primeiro plano. Estas se encontram em plano
de fundo, sem nenhum atributo de identificação ou explicação. São duas: uma
representando o movimento estudantil e outra, aparentemente representando
um acampamento de guerrilha. O texto é escrito de forma peculiar, em versos e
estrofes, que é um aspecto inédito desta seção em relação a todos os outros
números.
Comentário: A forma pela qual a autora escolheu escrever o texto é bastante
interessante, pois despende uma emotividade que os textos dissertativos e/ou
narrativos não fazem. Dessa forma, descreve de forma nostálgica os seus
primeiros anos de vida, a sua vinda a São Paulo e quando do golpe,
teleologicamente retrata a amargura daquele evento ( o golpe militar de 1964)
que no então, provavelmente não saberia as experiências que estava por
passar. No final, demonstra e exalta os ideais porque lutava naquela época,
deixando clara a intenção de tentar se reconhecer como parte atuante de um
período bastante conturbado (e significativo) da História do Brasil.

Ano I. Quarta edição


Título: “11 de setembro”.
Subtítulo: “Muitas quedas em poucas horas”.
Autor: Ricardo Lísias. Doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São
Paulo (USP) e escritor.
Localização: Segunda metade da revista, em página par.
Características: A diagramação é bastante similar ao número 3, exceto pelo
destaque do nome do autor. Repete-se o esquema de duas fotos coloridas,
sem créditos nem notas explicativas.
Comentário: O texto escrito por um literato acadêmico deixa clara a intenção da
revista que, a partir do número 2, passou a adotar autores com formação
universitária com texto próprio em detrimento à entrevista (como é no primeiro
número desta seção). O texto em primeira pessoa, sem aspas e, por
conseguinte, sem intervenções formais e de conteúdo, pode ser uma tentativa
de sanar as imprecisões causadas tais ações. A temática do evento é
associada ao cotidiano do autor, que introduz no narrar dos acontecimentos,
uma história particular da notícia do falecimento de sua avó. A contraposição

26
destes eventos parece transparecer a tentativa de colocar um referencial de
História e cotidiano, mostrando que a História oficial não anula o cotidiano e
tentando quebrar os estereótipos de mobilidade deste tipo de História (já
criticado em outras seções, a História dos livros didáticos, a História oficial) em
relação aos eventos relacionados à cotidianidade. Revela também a relação e
transmite a noção de “patrimônio”: os noticiários sobre o ataque aos EUA
relevado pela notícia da morte da avó do autor, que em sua perspectiva é mais
relevante e arrebatadora naquele instante.

4.12. SEÇÃO “OFÍCIO DO HISTORIADOR”

Com narrações em 1ª pessoa, feita pelo autor de cada artigo, o objetivo da


seção é apresentar, passo a passo, o objeto de estudo do historiador, ou seja,
seu tema de pesquisa, e como este foi desenvolvido e concebido. Numa
linguagem mais informal, essa seção dá espaço a historiadores para que falem
um pouquinho de seu trabalho, no âmbito da pesquisa.

Ano I, edição nº1


Título: O nascimento de Vila Rica
Autora: Maria Aparecida de Menezes Borrego, mestre em História Social e
doutoranda pela Universidade de São Paulo.
Localização: 4 páginas, com fotografias da atual Ouro Preto, tema de seu
trabalho.
Comentário: o livro Códigos e Práticas: O Processo da Constituição Urbana em
Vila Rica Colonial (1702-1748) é o livro de Maria de Menezes, que conta com
rica descrição de documentos de época, e tem por tema as origens de Vila
Rica, atual Ouro Preto. Após contar porque escolheu este tema, a autora
recorre aos seus métodos de pesquisas e documentos utilizados, bem como
dificuldades encontradas em seu ofício.

Ano I, edição nº2


Título: A Construção da Nação Argentina
Autora: Stella Franco, mestre em História Social e doutoranda pela
Universidade de São Paulo.
Comentário: o nome de seu livro é Luzes e Sombras na Construção da Nação
Argentina: os Manuais de História Nacional (1868-1912), o estudo da autora é
baseado em manuais escolares da história argentina, entre a 2ª metade do
século XIX e a 1ª do XX.a autora centra seu estudo na constituição do Estado
Nacional e da idéia de nação argentina. A autora então passa a narrar suas
principais fontes de pesquisa, desde suas bibliotecas em São Paulo, até sua
viagem para Buenos Aires, citando os manuais por ela utilizados.

Ano I, edição nº3


Título: Tropicalismo, Cuba e os Anos 60.
Autor: Mariana Villaça, doutoranda em História Social pela Universidade de
São Paulo.
Comentário: compreende 4 páginas, com fotos dos tropicalistas brasileiros
Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, Maria Bethânia e Gal Costa, e fotos dos
músicos cubanos Pablo Milanés e Silvio Rodrigues, personagens do tema
tratado pela pesquisa Polifonia Tropical, na qual Mariana constata a influência

27
dos tropicalistas no final dos anos 60 em jovens compositores cubanos,
particularmente O Grupo de Experimentacions Sonora. A autora explica os
contextos políticos culturais de ambos os países, e o que a motivou nesta
pesquisa. Em um quadro destacado alerta sobre pesquisa de histórias
musicais, definida “desvendando a canção”. Cita ainda nomes dos tropicalistas
e dos integrantes do grupo cubano.

Ano I, edição nº 4
Título: EUA e América Latina. Entre a Resistência e o Diálogo.
Autor: Marquilandes Borges de Sousa
Comentário: o autor observa que a dicotomia espelhar-se na experiência norte-
americana ou resistência ao imperialismo norte-americano, presente no ideário
populacional, também o está entre os historiadores, de forma a influenciar a
historiografia nacional. Seu livro Rádio e Propaganda Política – Brasil e México
sob a Mira Norte-Americana durante a Segunda Guerra se encaixa numa
perspectiva historiográfica mais renovada, que rompe com visões
maniqueístas. Faz um resumo de sua obra, a partir da posse do presidente
estadounidense F.Roosevelt, “enfocando a política de boa vizinhança”e a
utilização do rádio como meio de comunicação em massa para tanto. Getúlio
Vargas, Franklin Roosevelt e Hitler aparecem em fotografias com legendas.

4.13. SEÇÃO “NOVIDADES”

Esta seção, sempre no final da revista, varia entre uma e duas páginas, e,
como o próprio nome diz, traz novidades do mercado editorial. Sempre há uma
reprodução da capa dos livros, localizados na margem direita, enquanto na
esquerda está uma apresentação da obra e de seu autor. Uma legenda indica
a editora, autor, preço e número de páginas (este último somente na 1ªedição).
Na primeira edição há a indicação de 2 sites relacionados à história, que
também contam com uma reprodução de sua “capa”, no caso, a página inicial
do site.

Ano I, edição nº1


Dicionário de Civilização Grega, Ouvir Contar, Parla! O imigrante Italiano do
Pós-Segunda Guerra, e os sites www.resgate.unb.br (sobre a documentação
de história do Brasil em arquivos de outros países), www.hispanismo.com
(sobres pesquisas do mundo hispânico) são as indicações desta edição.

Ano I, edição nº2


O Brasil Entre a América e a Europa: O Império e o Interamericanismo,
Palestina – Na faixa de Gaza, Notas Sobre o Anarquismo.

Ano I, edição nº3


A Solidariedade Antifascista – Brasileiros Na Guerra Civil Espanhola, Feitores
do Corpo Missionários da Mente, Banquete – Uma História Ilustrada da
Culinária, dos Costumes e da Fartura à Mesa, Aventuras e Descobertas de
Darwin a Bordo do Beagle, Q – O Caçador de Hereges, Gen – Pés Descalços:
Uma História de Hiroshima.

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Ano I, edição nº4
Biografias, Diários, Memórias & Correspondências – vol.1 e 2, Gulag Uma
História dos Campos de Prisioneiros Soviéticos, Para uma Nova História,
Civilização e Cultura, Tempos Belicosos – A Revolução Federalista no Paraná
e a Rearticulação da Vida Político Administrativa do Estado (1889-1907),
Manual de Artigos Científicos, Noam Chomsky – A Vida de um Dissidente.

4.14. SEÇÃO “HISTÓRIA NA SALA DE AULA”

Esta seção tem como objetivo a troca de experiências entre os professores de


de ensino médio e fundamental, neste ponto, vem complementando a seção
estudo do meio que incentiva uma aula participativa fora dos muros da escola,
isto é, também um novo método. Por outro lado, esta seção tem como objetivo,
os métodos utilizados pelos professores dentro da sala de aula, como sugere o
nome da seção, mas além disso, a construção de um novo método, isto é,
formas de excitar nos alunos a crítica e o interesse pela sociedade e suas
possíveis mudanças. A partir da edição 4, esta seção parece ter se tornado um
espaço de discussão de idéias, o que também é muito bem vindo.

As características da seção são imutáveis, desde a primeira até a quarta


seção. Localizada sempre na ultima página da revista, página de número 66 e
contendo apenas uma página. Os artigos publicados não têm título, apenas o
nome da seção, em destaque em marrom e preto, na extremidade superior da
página, seguindo ao lado pelo nome do autor, em cor alaranjada.

Possuem uma borda bege, o plano de fundo é branco e, ao centro do texto,


uma imagem do deus grego Dionísio.

Apesar da seção propor uma mudança nos métodos de ensino, a estrutura da


seção remete a algo sóbrio, pelas cores, e clássico, pela imagem grega, o que
sugere uma contradição à idéia da seção.

Ano I, edição de nº 1, Agosto/Setembro de 2005


Título: Não contém título, apenas o nome da seção
Autor: José Modesto Leite Junior, historiador e professor do ensino médio.
Características: O autor faz um belíssimo artigo sobre as mudanças nos
métodos de ensino e organização institucional das escolas, contrapondo um
modelo antigo e hierárquico onde o papel dos diretores, coordenadores e
professores assumindo o comando das atividades e os alunos com a função
memorizar de informação, com o “objetivo quase exclusivo de terem seus
certificados ao final da etapa escolar” ou “onde o mercado [de trabalho] atua
como único elemento motivador para o progresso escolar”. Enfim, esta prática
onde o aluno se torna um acumulador passivo de conhecimentos em
contraposição a idéia de um aluno ativo, atuando em sua própria educação,
nos problemas da própria escola e atuando também nas comunidades. Assim,
a escola ganha um caráter social, onde o aluno é convidado a refletir,
ampliando sua consciência e exercitando a coragem de “ construir um mundo
menos injusto e mais humano”.

29
Ano I, edição de nº 2, Outubro/Novembro de 2004
Autor: Cecília Ester Romo Jorquera, professora de história de ensino médio.
Características: a partir da idéia colocado na primeira edição da revista, a
autora relata sua experiência, que ao preparar uma aula sobre as ditaduras
militares da América Latina, utilizou o longa de Lúcia Murat, Que bom te ver
viva, que segundo ela, provocou comoção e reflexão, não somente sobre o
período estudado, mas também sobre a falta de ideologias e lutas desta
geração, os seus alunos.

Ano I, edição de nº 3, Fevereiro/março de 2005


Autor: Cassiana Buso Ferreira, historiadora e professora de ensino
fundamental II
Características: Prosseguindo a idéia da seção, a autora descreve sua
experiência ao incorporar em uma aula de pré-história , uma metodologia onde
os alunos são ativos, participando do aprendizado, através de uma construção
de um jogo com um barbante representando uma “ linha do tempo”.

Ano I, edição de nº 4, Abril/Maio de 2005


Autor: Alessandro Franco Batista, historiador e professor do ensino médio.
Características: O autor faz numa crítica, um tanto contraditaria, ao primeiro
artigo desta seção, ressalta as dificuldades de se colocar em prática, as
sugestões de Modesto Leite Junior. Dentre elas a mais preocupante, segundo
o autor, seria a competitividade “incutida pela sociedade nos corações e
mentes dos nossos jovens educandos” causando o individualismo que está em
oposição à vida coletiva. No final, relata uma experiência que ressalta sua
posição, mas acredita na construção de uma nova sociedade através de erros
e acertos, através da troca de experiências, isto é, analisa de forma positiva o
local de debate entre os professores nesta seção.

4.15. ARTIGOS DA EDIÇÃO Nº 1

“Ford: O homem, o carro e a mão na roda”


Autor: Antônio Luigi Negro, professor do Depto. de História da Universidade
Federal da Bahia. Artigo originalmente publicado no site do Arquivo Edgard
Leuenroth da Unicamp.
Localização: 1ºartigo, páginas 10–15, todas com fotos que ocupam
aproximadamente metade da página.
Características: o título da capa Ford: eficiência ou exploração da mão-de-
obra?, não é o mesmo do índice Henry-Ford o Homem que criou a linha de
montagem, tão pouco o do próprio artigo Ford: o homem, o carro e a mão na
roda.
Neste artigo, a vida de Henry Ford é narrada a partir de 1913, ano de
instalação de uma linha de montagem em sua fábrica nos EUA. A linguagem é
simples e pouco rebuscada, inclusive com a utilização de termos populares
(como “os candidatos sonhavam em pagar as contas, ganhar moral nas ruas e
dentro de casa, beber com os amigos e, ainda mais, livrar algum no fim do
mês”). O autor, apesar de citar a importância da revolução de Ford na
produção em série, e o progresso industrial que esta trouxe, exagera nos
pontos negativos do fordismo: esgotamento de preciosos recursos naturais,
exploração da mão-de-obra com aviltamento da força de trabalho, hostilidade

30
aos sindicatos, regras ditatoriais, maus-tratos aos trabalhadores, o capanga de
Ford que perseguia e espancava e, com enfoque por meio de 2 grandes fotos
de Hitler, o anti-semitismo de Ford e seu envolvimento com os nazistas. Cita
ainda outras obras que fundamentam sua visão negativa de Ford: New York
Times, Admirável mundo Novo de George Orwell e Tempos Modernos de
Charles Chaplin.

“Grécia Antiga: Guerras e Rivalidades na Mãe do Ocidente”


Autor: Marcos Linares Correa, historiador e professor de cursos pré-vestibular.
Localização: 2º artigo, páginas 18-23, com imagens da Grécia atual e típicas da
Grécia Antiga: a acrópole sobreposta pelo deus Baco da mitologia grega. Não
há legenda.
Características: o título da capa Grécia Antiga: Conheça a Origem da Mãe do
Ocidente é um sinônimo do índice Grécia Antiga a Criação da Mãe da
Civilização Ocidental. O autor foi feliz em seu artigo, pois atinge em cheio o
objetivo principal da revista, descrito pelo coordenador-geral em Carta ao
Leitor, que é apresentar de forma simples e acessível, sem ser destinada a
especialistas. Marcos consegue resumir a história da Grécia Antiga, desde a
origem do povo grego e dos genos, passando pela caracterização de Esparta e
Atenas, as duas polis mais importantes do período, finalizando com as Guerras
Médicas e suas conseqüências, que foram o enfraquecimento e decadência
das cidades-estado gregas, tudo isto em 4 páginas (duas páginas foram
desconsideradas por conter imagens).

“Uma Breve História Olímpica”


Autor: Benedito Carlos dos Santos, historiador e professor de cursos pré-
vestibular.
Localização: 3ºartigo, páginas 24-29.
Características: Olimpíadas, Conquistas e Trapalhadas, e simplesmente
Olimpíadas no índice, o artigo chama a atenção pelo colorido que lhe é
dedicado e pelo subtítulo da 1ª página “Como as primeiras edições dos jogos,
desorganizadas e cheias de improviso, tornaram-se um evento milionário.” O
autor narra a evolução dos jogos desde seu ressurgimento em 1896, na Grécia,
com uma linguagem simples e que não utiliza termos históricos. No final, o
artigo mostra-se um pouco desatualizado quando Benedito diz esperar algo
das Olimpíadas que estão por ocorrer na Grécia, quando estas já passaram
bem antes da data de publicação da revista.

“50 Anos Sem Getúlio Vargas: o Suicídio que Marcou a História do Brasil”
Autor: Marquilandes Borges de Sousa, coordenador-geral da revista e
professor de História, doutorando em História Social pela Universidade de São
Paulo.
Localização: 4ºartigo, páginas 32-41.
Características: trata-se do artigo principal da revista, seu título na capa ocupa
espaço maior que os outros, aliás, na capa predominam imagens de seu tema.
É também o maior artigo da revista (10 páginas), com várias fotos de Getúlio
Vargas na ativa, bem como de seu funeral. As fotos não têm legendas, não se
sabe quem são as pessoas que choram junto ao leito do ex-presidente, fica-se
curioso com a 2ª fotografia, na qual um homem aparentemente importante
observa Getúlio morto. O texto narra a trajetória da vida política de Vargas e o

31
autor tem de explicar diversos conceitos pouco difundidos entre um público
leigo, o que torna este artigo mais difícil de ser lido do que os outros, como a
Revolução de 1930, a Revolução Constitucionalista de 1932, a diferença entre
integralistas e comunistas, o Plano Cohen, além de datas e siglas de partidos
políticos da época (UDN, PTB, PSd, PCB). Permeado de citações de Vargas,
estas aparecem em destaque com letras vermelhas. O artigo é finalizado com a
reprodução da carta-testamento de Vargas, deixando ao leitor sua
interpretação.

“Estados Unidos: O Bom Vizinho”


Autor: Tânia da Costa Garcia, professora de História Contemporânea da Unesp
de Franca.
Localização: último artigo, páginas 50-55.
Características: fundo branco ocupado com 3 imagens de Carmem Miranda,
todas na página da direita, iguais, ocupam a mesma posição. Há também uma
foto dela em um show, além de 2 desenhos de Zé Carioca.
O texto é predominantemente dissertativo, com termos que levam o leitor a
refletir e talvez até rejeitar o estilo de vida norte-americano (imperialismo,
agressivo expansionismo, domínio da região, política de boa vizinhança etc.).

4.16. ARTIGOS DA EDIÇÃO Nº 2

“Cadê o dinheiro do tráfico de escravos?”


Subtítulo: “Com o fim do comércio de africanos para o Brasil, os poderosos
traficantes tiveram de investir seu dinheiro em outros “negócios””.
Número de páginas: 4.
Autor: Arthur José Renda Vitorino. Doutor em História pela UNICAMP,
professor do curso de História do Centro de Ciências Humanas da PUC-
Campinas e da FESB – Bragança Paulista.
Localização dentro da revista: Primeira matéria. Na chamada da capa em cima.
Título em Página par.

Diagramação:
Cores: predominância de tons marrons. A única imagem que foge deste padrão
é o “selo comemorativo” de 30 anos do Arquivo Edgard Leuenroth, exposto na
página de apresentação do artigo, que está pintado em cinza e magenta.
Letra tipo capital foi utilizada no título, que está em letras maiúsculas para
realçar destaque. As outras seguem o padrão utilizado pela revista.
As fotos utilizadas não são as mesmas do artigo quando publicado do site do
Arquivo Edgard Leuenroth. Estas estão arranjadas aparentando “como se
estivessem jogadas”; umas sobrepondo as outras nas bordas.

Análise:
Texto extraído do web site do Arquivo Edgard Leuenroth – IFCH / UNICAMP.
Transcrição quase literal, exceto dois itens:
-No original utiliza-se o termo “grana”, pois trata-se, de uma proposta de
veiculação das produções acadêmicas para alunos do Ensino Médio. Na
revista este termo foi substituído por “dinheiro”.
-A iconografia utilizada no artigo do site não foi incorporada ao artigo publicado
na revista, mas outra.

32
Como se trata de um texto originalmente produzido para outros fins, a análise
de sua estruturação não é a mais importante, mas a de perceber como este se
enquadra na proposta do veículo analisado (inserido nos comentários).

Comentários:
- Os tons marrons podem sugerir “envelhecimento”, acentuado pelas “fotos
jogadas”.
- A iconografia utilizada na revista está mais de acordo com aquela utilizada em
livros didáticos, dentro do referencial entendido pelo público (não acadêmico)
como “fotos da época da escravidão”; enquanto isso a iconografia utilizada no
artigo original está relacionada com aquela trabalhada por pesquisadores
acadêmicos (o intuito desta publicação via Internet é justamente a divulgação
do acervo do Arquivo Edgard Leuenroth).
- A mudança do termo “grana” para “dinheiro”, parece tratar-se de uma questão
editorial, pois os espaços para este termo são dois: um dentro do texto e o
outro no título (que está em destaque, como já foi salientado na descrição dos
tipos de caracteres utilizados) Este último, em destaque, por estar em
evidência pode ter sido a motivação da alteração dos termos, dado que “grana”
é um termo coloquial e ainda de utilização bastante restrita nas publicações e
na mídia.
- A exposição do “selo comemorativo” de 30 anos do Arquivo Edgard
Leuenroth, exposto na página de apresentação do artigo parece deslocado e
“fora do lugar” num primeiro momento, até que se leia no final do artigo, que se
trata de uma publicação originalmente difundida através desta instituição.
- Há citação da fonte, porém esta é vaga: não dá a indicação do endereço do
site (como em outras matérias da revista) e só do nome do Arquivo e os
créditos.
- Enquadramento do texto à proposta: escrito por um acadêmico, endereçado a
alunos do Ensino Médio.

“Viva a sociedade livre.”


Subtítulo: “Contra o Estado, a Igreja e qualquer tipo de autoridade, os
anarquistas sonham com a liberdade dos homens.”
Número de páginas: 6.
Autor: Eduardo Montequi Valadares. Mestre e doutor em História Social pela
Universidade de São Paulo.
Localização dentro da revista: segunda matéria. Na capa em destaque (escrito
em amarelo) e letras maiúsculas.
Título em Página: par.

Diagramação:
Cores: Predominância do vermelho; alguns detalhes em amarelo. Texto em
fundo branco.
Fotos colocadas nas extremidades das páginas, dotadas de legendas
explicativas mas sem créditos, assim como gravuras.
“Frases de efeito” colocadas nas páginas, com autoria.

Análise:
- Inicia a problematização do tema baseado em dados etimológicos acerca do
termo principal: “anarquia”.

33
- Elabora traços conceituais antes do desenvolvimento do tema.
- Utiliza juízos de valor, como por exemplo: “sociedade justa”.
- Traça um diferencial sucinto entre marxismo (e suas vertentes) e o
anarquismo.
- Utiliza-se de excertos documentais (sem citação bibliográfica) para
arregimentar sua fala.
- Define os principais pontos “cardinais” da doutrina anarquista.
- Detalha os conceitos abordados na doutrina: liberdade, responsabilidade e
autodisciplina.
- Define e diferencia tendências.
- Faz uso colocações que tendem a encarar o “homem” e suas criações como
ser dotado de características inatas: na página 20 “(...) Não faz parte da
natureza humana.” E na página 21 “(...) qualquer governo é, por natureza (...)”.
- Se utiliza o termo “humanidade”.

Comentários:
- A falta de créditos nas fotos dificulta a compreensão e os objetivos no uso da
iconografia.
- Apesar das distinções feitas entre anarquistas e socialistas, a utilização de
vermelho e amarelo no título do artigo confunde essa relação, já que são cores
usualmente utilizadas em representações socialistas.
- Didaticamente, o recurso da conceituação etimológica é válido.

“Crime sem castigo?”


Subtítulo: “O assassinato de LÍBERO BADARÓ – Como e porquê morreu o
influente jornalista italiano, crítico mordaz do Império”.
Número de páginas: 6.
Autor: Carlos Eduardo Marcondes César. Professor do ensino médio e cursos
pré- vestibular.
Localização na revista: terceira matéria, presente na capa em destaque menor.

Diagramação:
Cores: Predominantemente tons verdes (letras do título, subtítulo e cor de
fundo).
Fotos: Nenhuma tem crédito, algumas tem legendas explicativas.
Gravuras: sem autoria e período específico de produção.
Ausência de frases em destaque.

Análise:
- No título, o nome da personagem em questão é destacado todo em letras
maiúsculas.
- “Não raro o historiador é estimulado a investigar o passado instigado pelo
presente”.
- Uso do conceito “desvendar” em História.
- Uso de questões iniciais para a abordagem.
- Expõem a existência de várias “versões” (ou interpretações) sobre o tema.
- Os excertos utilizados de “falas” ou depoimentos de época não têm nota ou
crédito da citação.
- Uso da expressão “revelar a figura”.

34
- Não há glossário especificando termos “de época” ou palavras do vocabulário
específico do historiador.
- Faz descrição do contexto histórico.
- Problemas na redação de algumas passagens. Exemplo: “Os problemas de
saúde eram tratados por farmacêuticos e curandeiros, que atuavam como
médicos. Em casos mais graves, buscava-se a Santa Casa de Misericórdia, no
bairro da Liberdade, onde havia uma “roda de enjeitados”, na qual eram
deixados recém-nascidos abandonados” – ambigüidade, pois não se tem claro
que o fato de haver uma “roda dos enjeitados” na Santa Casa de Misericórdia
seja motivo que solucione os casos mais graves.

Comentários:
- O destaque do nome do personagem em questão no título e o intuito em
“revelar a figura” deste homem do passado, inserem o texto numa concepção
personalista de História.
- Não tem uma boa utilização dos recursos visuais. Funcionam como mera
ilustração.
- A ausência das citações dos excertos de depoimentos de época, tiram o
aspecto investigativo do texto (contradizendo a proposição do autor na
introdução do seu texto).
- As ausências de glossário para os termos e expressões específicas podem
comprometer a compreensão dos leitores (que segundo o editorial da revista,
está endereçada a alunos do Ensino Médio e Fundamental).

“Assim nasceu a propaganda política.”


Subtítulo: Não foi idéia de algum marqueteiro. Surgiu, isso sim, na Roma
antiga, onde já se suava poderosa propaganda para enaltecer os líderes.
Número de páginas: 8.
Autor: Paulo Martins. Doutor em Letras Clássicas, professor na graduação de
Língua e Literatura Latina e na pós-graduação em Letras Clássicas da
Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São
Paulo.
Localização na revista: quinta matéria – pp. 48 -55. Sem destaque na capa.

Diagramação:
Cores: Predominantes tons marrons, ocre e amarelo.
Texto escrito sobre amarelo escuro. Todo o fundo, na parte inferior da página,
tem gravuras de ruínas de templos da antiguidade.
As fotos são colocadas no meio do texto; sem crédito ou legenda explicativa.
“Política” em destaque: letras maiúsculas e fonte capital.
Presença de frases em destaque.

Análise:
- Começa traçando um referencial para sua análise, evidenciando os diferentes
sentidos empregados para “propaganda” e esta sendo vista hoje como muito
associada a mercado /capitalismo – livre iniciativa: justificativa do tema, quebra
deste estereótipo.
- Inicia com trato etimológico sobre o termo “propaganda”.
- Antiguidade como “base da cultura ocidental”.
- Traz termos em latim, com significado entre parênteses.

35
- Propagação da imagem e valorização do retrato, associado à propaganda.
- Trabalha com as esferas do “público” e “privado”.
- Trata como se Antiguidade e modernidade fossem herdeiras diretas, numa
linha contínua – do berço à fase adulta.

Comentários:
- As cores sugerem o velho.
- As figuras não identificadas da parte inferior das páginas sugerem e
amplificam no imaginário do público a noção de “ruinização” das construções e
da arquitetura da antiguidade.
- Didaticamente, o recurso da conceituação etimológica é válido.

“A História dos partidos políticos no Brasil.”


Subtítulo: Como se formaram as principais legendas do país? De onde vieram
siglas como o PT, o PSBD e o PFL?
Autor: Marquilandes Borges de Sousa. Professor de história, mestre em
integração da América Latina (USP) e doutorando em História Social pela
mesma Universidade.
Localização da revista: quarto artigo. “Matéria de capa”, no meio da revista –
pp. 32 – 41.

Diagramação:
Cores: Variadas. A sua utilização vai do mais claro ao mais escuro com o
passar das páginas: do amarelo, ocre, verde, azul Royal até o azul marinho.
Sua utilização se restringe aos quadros explicativos e contornos de imagens,
exceto a “introdução” – primeira parte – que é escrita sobre um fundo amarelo.
O restante do texto é escrito sobre fundo branco.
Fotos: Todas estão sem créditos e notas explicativas. “Desfiguradas” nas
extremidades (efeito visual). Nas páginas ímpares as fotos ocupam metade do
espaço disponível (exceto a primeira que ocupa toda o espaço – não há texto).
Nas páginas pares, as fotos variam de posição com os quadros explicativos
alternadamente (exceto uma das páginas que não tem foto e outra com foto e
quadro do mesmo lado na página).
Ausência de frases em destaque.

Análise:
- No título, “BRASIL” está em destaque, escrito com letras maiúsculas e
coloridas. (essas cores em cada letras dessa palavra seguem a ordem inversa
da qual elas aparecem no artigo).
- Texto subdivido em partes – baseado na cronologia.
- Introdução (justificando o tema) / Do fim do Estado Novo à ditadura militar / O
bipartidarismo do regime militar / Os partidos políticos atuais.
- Recorte temporal bastante específico: segunda metade do século XX.
- Quadros explicativos com indicações ao longo do texto.
- Trabalha com conceito de “opinião geral”.
- Posicionado antes do artigo que trata de propaganda política, inicia o artigo
tratando desse tema.

36
Comentários:
- O recorte temporal específico, a justificativa explícita do tema e da
periodização trabalhada pode afigurar-se como manifestação da formação
acadêmica do autor.
- Os quadros explicativos cumprem a função de nota de rodapé.
- A primeira página ímpar (que tem uma foto ocupando todo o espaço) afigura-
se como “capa” para o texto que vem em seguida.
- Na descrição do autor, excluiu-se o fato dele ser Coordenador Geral da
revista em questão (o que no número anterior foi salientado).

4.17. ARTIGOS DA EDIÇÃO Nº 3

“A Revolta da Chibata – Quando os marinheiros disseram não às


chibatas.”
Autor: Álvaro Pereira do Nascimento, doutorando em história pela Unicamp
(Universidade de Campinas), em São Paulo.
Localização: Primeiro artigo, páginas 10 a 13.
Características: A primeira página do Artigo, localizada no lado esquerdo, é
composta pela imagem “Chega de açoites”, de 1910. As três próximas páginas,
sempre em fundo branco, são compostas por texto e mais algumas imagens
distribuídas entre elas.
O artigo foi originalmente publicado no “site” de Edgard Leuenroth, da
Unicamp. O autor faz primeiramente, um breve balanço histórico sobre os anos
anteriores a Revolta, para depois esclarecer os reais motivos que
desencadearam a revolta e, por fim, relata a revolta da chibata. O caráter do
texto é dissertativo, a linguagem é elaborada e compreensível, usando termos
históricos sem tornar a leitura inacessível ao leitor não especializado.

“O Esplendor da Arte Gótica”


Autor: Elias Feitosa de Amorim Jr., mestrando em história medieval pela USP-
SP.
Localização: segundo artigo, páginas 18 a 23.
Características: O autor faz primeiramente uma distinção entre a “arte gótica
medieval” e o “gótico pós-moderno”, ressaltando a origem do segundo. A partir
daí, retoma a história da “arte gótica” sua evolução arquitetônica e as principais
construções.
As duas primeiras páginas do artigo têm como plano de fundo a Catedral de
Notre Dame, nas páginas seguintes, o plano de fundo é branco, o artigo
contém mais três imagens: a Catedral de Chartres, na França, imagem que
ocupa toda a página 21; Vitral Notre Dame de La Belle Verrière, da Catedral
de Chartes, que ocupa a lateral esquerda da página 22 e por fim, a Catedral da
Sé, em Liboa, que recebe menos crédito, estando localizada na parte inferior
da ultima página.
O caráter do texto é dissertativo, a linguagem é elaborada e compreensível.

“O Nascimento do Islã”
Autor: José Arbex Jr., graduado em jornalismo, e doutor em História Social,
pela mesma Universidade de São Paulo, USP.
Localização: páginas 26 a 33.

37
Características: Este artigo está localizado no centro da revista, um dos mais
extensos, mas o que deve ser ressaltado, ele é o tema da capa, isto é, este
artigo estaria sendo o responsável pela maioria dos interessados pela sua
compra. O atentado de 11 de setembro e a guerra do Iraque, despertaram a
curiosidade sobre estas culturas tão pouco conhecidas. Esta seria uma das
razões pelas quais o editor escolheu este artigo para a capa, já que não possui
relação com os outros artigos ou matérias publicadas neste edição.
O autor faz uma retomada sobre as religiões e a economia que precederam o
nascimento do Islamismo, junto a uma biografia de Maomé até a consolidação
da religião islâmica. No final do artigo, contém um pequeno glossário, com o
significado das palavras árabes utilizadas no artigo.
Nas duas primeiras páginas, o plano de fundo é uma imagem do interior de
Caaba, as próximas páginas, tem o plano de fundo branco, contendo sete
imagens, distribuídas entre as páginas.

“A História da Revolução Mexicana.”


Autor: Carlos Alberto Sampaio Barbosa
Localização: o artigo está localizado nas páginas 36 a 43.
Características: Na Carta ao leitor desta edição, Marquilandes fala sobre a
importância da abordagem dos temas latino-americanos, visto que pouco se
sabe sobre a história latina e muito sobre a história européia. Este artigo está
localizado no centro da revista, bem próximo ao tema da capa, o Islã, e tem
praticamente o mesmo número de páginas, isto é, o editor, pretendeu dar
bastante ênfase a este artigo.
O autor faz uma retomada sobre os fatores que impulsionaram a Revolução
Mexicana, passando pelas vitórias e personagens deste complexo período até
a consolidação da revolução. Fazendo no final uma breve biografia sobre seus
dois mais importantes líderes: Pancho Villa e Zapata em destaque com fundo
azul para Zapata e verde para Villa, e trazendo também ao final, um pequeno
glossário. O artigo é iniciado pelo afresco Hidalgo, a primeira Batalha da
Revolução, de José Clemente Orosco, que ocupa toda a página, o título está
em destaque ocupando a extremidade superior da próxima página.
O plano de fundo é branco e o artigo contém seis imagens, distribuídas entre
as páginas. A primeira, Villa e Zapata entrando na cidade do México e, 1914,
duas imagens sobre o atual exército zapatista, uma mais leve, outra mostra
homens armados com metralhadoras modernas. O que sugere uma possível
distorção da idéia da Revolução, visto que em uma das fotos diz a legenda
“Integrantes do Exército Zapatista de Libertação Nacional, que se dizem
herdeiros políticos da Revolução Mexicana”. As outras imagens são: um
monumento a Zapata, na cidade do México, foto de Villa que acompanha sua
biografia e o mesmo de Zapata.

4.18. ARTIGOS DA EDIÇÃO Nº 4

“Galileu Galilei – Razão, ciência e transformação”


Autor: Claudefranklin Monteiro Santos, historiador e coordenador do curso de
história da Faculdade José Augusto Vieira (Lagarto/SE).
Localização: Primeiro artigo, páginas 10,11, 12 e 13.
Características:Com uma página e meia de texto, e o restante de reprodução
de desenhos.Uma página só com o título e a reprodução de um retrato de

38
Galileu. O texto está sobre fundo branco, a linguagem é simples e
compreensível, cita acontecimentos históricos que circundam o tema principal
sem dar maiores explicações. O caráter do texto é dissertativo, com algumas
passagens narrativas sobre a vida de Galileu. No quadro Para Saber Mais ao
final do artigo,tem 6 indicações bibliográficas.

“Simon Bolívar – e as lutas de independência na América Latina”


Autora: Gabriela Pellegrino Soares, professora de América Independente na
USP.
Localização: Segundo artigo, páginas 16, 17, 18 e 19.
Características: O texto ocupa quatro páginas e meia, sendo o restante
ocupada por reprodução de quatros e outras imagens de Bolívar e San Martí. O
texto intercala narrativa, dissertação, transcrição e análise de documento, além
de colocar o debates da historiografia sobre os assuntos que envolve a
independência da América Latina. A linguagem é elaborada e compreensível,
usando termos históricos sem tornar a leitura inacessível ao leitor não
especializado.

“As Grandes Navegaçãoes – Portugal se lança ao mar”


Autor: Eduardo Montechi Valladares, doutor em História Social pela USP, autor
do livro Anarquismo e Anticlericalismo, e co-autor do livro Revoluções do
séculoXX.
Localização: Terceiro artigo, páginas 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30 e 31.
Características: O fundo do texto varia ente branco, sépia , amarelo e as
vezes o fundo é a reprodução de um quadro. O texto é ora narrativo ora
dissertativo. O tema é abordado pelos aspectos políticos que antecederam as
navegações, e qual a importância das navegações para a África, Índia e
América, narrando até o Descobrimento do Brasil. Ainda fala sobre o debate
que questiona o caráter do Descobrimento do Brasil, não se posicionado
claramente sobre o assunto. A linguagem é simples e não usa conceitos
históricos.

“A História do dinheiro – Do pau-brasil as compras eletrônicas“


Autor: Jucenir Rocha é professor de curso pré-vestibular. Uma versão resumida
deste artigo foi publicada na revista Deloitte Consulting nº 5, ano 2, edição de
Março/Abril de 2000.
Localização: Artigo da chamada de capa, páginas da 34 à 43.
Características: Quatro páginas de texto, o resto fotografia de Londres, da
Casa Branca e reprodução de cédulas de notas brasileiras. O texto não se
definiu em estilo, e nem no tema que trataria, oscilando entre a história do
dinheiro, a história do dinheiro no Brasil e as mudanças de planos econômicos.
O texto ficou extremamente confuso, nem a linguagem simples diminuiu os
problemas de coesão de texto. E ainda usa chavões históricos e algumas
informações apenas a título de curiosidade.

“Plano Marshall – A reconstrução da Europa”


Autor: Giovanni Lorenzon é jornalista e analista econômico.
Localização: Último artigo, da página 50 à 55.
Características: Tem três páginas de texto e o restante do espaço é ocupado
por fotografias e reprodução de cartazes. O texto é dissertativo, e trata dos

39
interesses da implantação desse plano para a economia norte-americana,
fazendo também uma abordagem política do tema mostrando a polarização do
mundo no pós-guerra. A linguagem é simples e compreensível. Mesmo sendo
um tema econômico o autor trabalhou bem outras abordagens possíveis.

5. CONCLUSÃO

A presente análise permite concluir que “Desvendando a História” cumpre os


objetivos propostos já no seu primeiro número. A evolução ao longo das quatro
edições é patente e gera uma expectativa considerável. Embora não
compreenda o corpo de pesquisa, uma breve leitura do exemplar n.º 5, que
chega agora às bancas, confirma esta observação. A proposta inovadora de
“Desvendando a História” contribui significativamente para divulgação do
conhecimento histórico.

6. REFERÊNCIAS:

Revista “Historia”
www.historia.presse.fr

Revista “Historia y Vida”


www.grupogodo.net

Editora Abril
www.abril.com.br

Associação Nacional dos Editores de Revistas


www.aner.org.br

Instituto Verificador de Circulação


www.ivc.org.br

Revista “História Viva”


www2.uol.com.br/historiaviva/home.html

Revista “Nossa História”


www.nossahistoria.net

Associação Nacional de Empresas de Pesquisa


www.anep.org.br

Ministério da Educação
www.mec.gov.br

Editora Escala Educacional


www.escalaeducacional.com.br

40
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Departamento de História

TEORIA DA HISTÓRIA I
Primeiro Semestre, 2005
Profa. Dra. RAQUEL GLEZER

ANÁLISE DA PRODUÇÃO CULTURAL DE DIVULGAÇÃO HISTÓRICA

COLEÇÃO GRANDES GUERRAS – VOLS. IV E V

Título da divisão AVENTURAS NA HISTÓRIA – EDITORA ABRIL SA.

Aluno: nº USP
Odair de Lima Martins 3288928
COLEÇÃO GRANDES GUERRAS

Neste material as revistas estão organizados como volumes da coleção. Cada


volume trata de um conflito específico. Era no início bimensal, mas a periodicidade
da revista tornou-se irregular para aproveitar o filme Cruzadas, e os 60 anos do final
da Segunda Guerra Mundial que foram temas de volumes na coleção (final de abril e
início de junho). Considero que seja uma revista digna de análise pois ela
desenvolveu características próprias que estão presentes em todos os volumes, como
se pretende para uma coleção.
Pretendo avaliar aqui como os temas históricos escolhidos são tratados e
apresentados. Analisarei não só os textos e a forma como são estruturados, como
também o suporte visual empregado pela revista, que é uma de suas características
distintas. Analisar a seriedade do seu conteúdo histórico é um dos propósitos.
Escolhi trabalhar com os volumes IV (Invasões Bárbaras) e V (As cruzadas),
primeiramente de forma separada, para melhor as partes e matérias das revistas, e na
conclusão estabelecer um painel do que foi observado nos dois volumes, e quais os
principais diferenciais desta coleção. Tal é possível na medida que as revistas desta
coleção apresentam um padrão.
Aponto desde já que a análise terá um pequeno prejuízo, pois a equipe
editorial da revista não respondeu meus contatos. Na única vez que conseguir falar,
alegaram que estavam em pleno trabalho preparando material para o próximo
volume, e que não podiam atender-me prontamente; não pude aguardar mais.
Mesmo diante de tal dificuldade, veremos que é possível estabelecer algumas
características do leitor que compra a Grande Guerras, a partir da análise realizada
por este trabalho.

Estrutura geral da Revista

As revistas da coleção apresentam um esquema regular de divisão, reforçada


pelo seu projeto estético, pois não há investimento em iconografia. A revista é
sempre iniciada com um mapa, acompanhado de uma linha do tempo. Com
contornos pouco precisos, muito mais preocupado com um projeto gráfico uniforme
(os mapas são da mesma cor em todos os volumes), do que informativo, e uma linha
do tempo, recurso que destaca mais os eventos (na linha de uma história factual) e
menos o processo.
A seguir temos um texto que apresenta o tema da revista de uma forma
abrangente. Este é o texto principal da revista, que aborda o tema de forma
satisfatória. Não possui caráter teórico, mas também não é superficial. Veremos na
seção “Carta do Front” que os textos se pretendem atraentes e informativos.
Outra coisa que marca esta parte da revista é o texto sem cores (diferente da
maior parte da revista), reforçando a sobriedade e seriedade que esta parte da revista
se pretende.
Na seqüência há uma seção de curiosidades, com vários textos curtos,
tratando de assuntos distintos e variados dentro do tema.
Chegamos ao corpo da revista, que ocupa a maior parte desta: que chamei de
“os capítulos coloridos”. O tema é repartido em capítulos, e cada um destes capítulos
tem uma cor e uma elaboração visual distinta. Muitas vezes as cores utilizadas são
vibrantes, fortes (vermelhos, laranja, amarelos, etc.).
Uma característica singular desta coleção: uma seção quadrinhos, logo após
os “capítulos coloridos” da revista.
Depois há uma espécie de inventário bélico onde são apresentados os
armamentos utilizados nas guerras estudadas. No volume VI temos listados 16 tipos
de guerreiros bárbaros e seus armamentos.
A revista finaliza com a seção “Tomos e telas” com livros, DVDs e endereços
da internet para aqueles que desejarem se aprofundar. E na última página temos a
seção “Argumento” onde um historiador escreve um pequeno texto sobre o tema da
revista.
COLEÇÃO GRANDES GUERRAS nº IV
“INVASÕES BÁRBARAS”

A seção carta do editor, intitulada como “Carta do Front”

Ao apresentar o volume IV o editor Dante Grecco destaca que a revista


propõe impressionar mesmo aqueles que já dominam o assunto (estariam inclusos
neste grupo os historiadores?).
Uma das formas de impressionar é através de uma estratégia estética.
Ilustrações e um colorido bem cuidado que são um característica comum na coleção.
Eles querem “fazer um texto atraente e informativo, aliado a um bom gosto
visual”1.
Mas a principal preocupação deste volume é realçar a violência das invasões
bárbaras, através das ilustrações e da linguagem: “Emboscadas espetaculares,
batalhas sangrentas, saques, violência, pilhagens.. Nossa estratégia é caprichar nas
ilustrações ... para passar a exata noção da violência que imperava na época.”2 A
violência como apelo de venda. Bem em moda nos dias atuais, haja visto a
programação televisiva.
Por fim deixa claro que a equipe é formada por jornalistas.

Mapas

A revista, como dissemos, abre com mapas (4 páginas) com cor predominante
ocre e manchas que simulam antiguidade. Numa das bordas do mapa vêem-se
ilustradas manchas de sangue, não por acaso como veremos. Os contornos do mapa
são imprecisos querendo reforçar o paralelo com um mapa antigo.
Diferente da periodicidade que a própria revista sugere (como veremos a
seguir) para as invasões bárbaras, a linha de tempo que acompanha o mapa vai dos
anos 165 d.C. a 955 d.C.
O mapa é preenchido por pequenos drops de textos que enumeram
rapidamente os povos bárbaros e suas principais características. Linhas coloridas
ilustram o deslocamento destes povos sobre o mapa.

1
Coleção Grandes Guerras, volume IV, pág. 3.
O texto principal da revista

Os textos dos diferentes volumes da coleção são sempre escritos por


jornalistas, mas demonstram que uma pesquisa (satisfatória) foi feita. Não se trata de
uma tradução. O fluxo do texto é coerente, em linguagem jornalística e remetendo
algumas vezes a considerações de historiadores, alguns deles nacionais.
Chega ao requinte de buscar a origem etimológica da palavra bárbaro.3 Outro
traço positivo quando trata das invasões bárbaras, é relativizar o conceito, mostrando
demoradamente como por exemplo os germânicos possuíam convenções políticas e
religiosas, além de costumes que impediriam que os qualificar como selvagens.
Só que uma ousadia é feita. O autor propõe uma periodização das invasões
bárbaras que como menciona o próprio editor admite “subverte o período clássico
das invasões”.4 O autor traça um período que inicia com as invasões dos Dórios
contra os micênicos em 12 a.C. e fecha com os mongóis comandados por Gengis
Khan, que venceram os tártaros e invadiram a China em 1207. Estabelecem assim
uma espécie de Longa Duração das invasões bárbaras. A proposta além de totalmente
discutível é justificada de forma absurda quando o autor diz:
“Embora o auge das invasões tenha ocorrido entre os séculos 5 e 6, não
significa que, ante ou depois, não houvesse guerra entre povos nômades em expansão
que se lançaram contra os romanos. Houve, e não foram poucas.”5 !!!! (grifo nosso)
O Dórios invadiram os micênicos e os romanos???
Curioso é que o subtítulo da matéria não está de acordo com o argumento
anterior pois afirma: “A partir do século 4 tudo mudou.”6
A metade superior da matéria é acompanhada por ilustrações de chefes e
líderes políticos de alguns povos bárbaros tratados. Este líderes são mostrados como
se compusessem uma continuidade numa história política longa duração. Pequenos
textos sintetizam seus respectivos lugares históricos, dispensando a compreensão de
cada momento histórico.

2
Idem.
3
Coleção Grandes Guerras, volume IV, pág. 10.
4
Coleção Grandes Guerras, volume IV, pág. 3.
5
Coleção Grandes Guerras, volume IV, pág. 12.
6
Coleção Grandes Guerras, volume IV, pág. 10.
Seção curiosidades

Trata-se apenas de pequenos textos, versando sobre assuntos aleatórios


relativos aos povos bárbaros. Uma miscelânea de curiosidades. Vale lembrar que já a
partir desta seção o visual é assinada por um ilustrador diferente. Dentro da mesma
seção existe uma cor ou tema predominante (neste caso específico, temos um fundo
azulado que sugere madeira de um barco).

Corpo da revista (capítulos coloridos)

Como dissemos esta seção como que subdivide-se em capítulos. Cada um


trata de um povo bárbaro ou uma batalha memorável. A primeira coisa que cabe
destacar são os títulos de cada texto, que apresentam algum tipo de linguagem
apelativa, ou inclinam-se para clichês conhecidos:

- a agonia de um gigante;
- a fúria que veio a galope;
- a batalha que valeu por uma guerra;
- no coração do Império;
- a maldição de Alarico;
- preguiçosos e incivilizados;
- os lobos que vieram do mar;
- a vingança à romana;
- terror sobre rodas;
- sede de sangue;
- o fim da fúria.

O tom comedido e sério do texto principal que abre a revista é substituído


por uma linguagem apelativa. Todo o cuidado de caracterizar adequadamente os
povos “bárbaros”, desaparece completamente.
As cores são vibrantes e as ilustrações são de cenas de combate, ameaça e violência,
em coerência com o proposto no início da revista, de destacar principalmente a
brutalidade daquelas guerras.
Com relação a aspectos conceituais, nota-se que os autores não definem
claramente o que seria tribos e povos quando fazem esta menção. Um trabalho mais
elaborado encontraria a tese de Le Goff que diz:
“No caminho, as tribos e os povos tinham-se combatido, tinham-se subjugado
uns aos outros, tinham-se misturado. Alguns deles formaram confederações
efêmeras, como os Hunos,”7
Ou ainda:
“Átila unificou, por volta de 434, as tribos mongóis”8
Vê-se que muitas vezes, não estamos lidando com formações homogêneas
(povos e tribos). Devemos antes considerá-los como uma referência para análise,
pois nem sempre o que chamamos de povos, ou nações, neste caso não correspondem
a realidade. Da mesma forma o conceitos reino e Estado são usados como se fossem
sinônimos e de forma indiscriminada.

Seção Quadrinhos

Nesta curiosa seção temos uma história em quadrinhos que ocupa 6 ou 5


páginas da revista. A história aqui é de um guerreiro nórdico que transforma-se num
herói. A história mistura elementos de história e mitologia nórdica. Recheado de
cenas de batalha e fúria, com predomínio da cor vermelha e de movimento, os
quadrinhos chamam a atenção. A história é bem construída na medida que ilustra
elementos da história das invasões bárbaras:
- os guerreiros berserkr;
- os barcos a remo viking;
- o deus nórdico Odin;
- o “valhalla”;
- a cerimônia de funeral, cujo corpo do guerreiro é incinerado num barco;
- a conversão de bárbaros ao cristianismo.

7
Le Goff - – A civilização do Ocidente Medieval, vol. I – 2ª ed., Lisboa: Editorial Estampa Ltda.,
1983,pág. 39.
8
Op. cit., pág. 43.
Esta história é contada por um ancião que ao final é interpelado por sua nora católica,
a qual amaldiçoa por trair os antigos deuses. Uma perfeita menção à incorporação do
cristianismo pelos povos bárbaros.

Seção Armas

Esta seção se configura como um verdadeiro inventário de armas, têm oito


páginas. Os guerreiros são muito bem ilustrados, mostrados se preparando para um
combate, ou em pleno ataque. Eles são comparados entre si a partir de três
categorias:
- época em que viveram;
- arma principal utilizada;
- arma secundária;
- escudo;
- e proteção.
Complementa-se ainda com pequenos textos informativos que explicam “Por
que entrou para a história?”
Tais comparações não atingem nenhum objetivo, com caráter explícito de
almanaque.

Seção Tomos e Telas

Para quem quer se aprofundar no tema esta seção oferece algumas opções. O
que é interessante é observar que entre os seis livros indicados temos:
- dois clássicos, The Agrícola and the Germânia, de Tácito e Declínio e
Queda do Império Romano de Edward Gibbon;
- dois trabalhos de historiadores contemporâneos;
- um manual didático do professor da Unicamp Pedro Funari;
- e uma espécie de livro-almanaque sobre Gêngis Khan, da livraria
Ediouro.
Como se vê, os livros tem qualidade diferenciada, o que aponta para leitores
com graus diferentes de interesse e de erudição.
Tudo leva a crer que estes foram os livros que foram utilizados pelos
jornalistas para escrever os textos das matérias. Por exemplo, o livro Saracens de
John Tolan é citado numa delas.

Seção argumento

Finalizando, temos a seção “Argumento”, que é o texto de uma página,


escrito sempre por um historiador, mas está espremido entre propagandas dos
produtos da coleção Aventuras na História, passa quase despercebido. O texto neste
volume de Renan Frighietto, professor de história antiga da Universidade Federal do
Paraná, que discorre sobre o papel positivo introduzido pelo “bárbaro” germânico
(entre aspas). Fala do seu papel integrador das tradições do mundo romano e
germânico, além de promoverem “a manutenção das características políticas, sociais
e culturais do mundo greco-latino.”9 O texto destoa da tônica da revista, que explora
a violência, caracterizando principalmente o aspecto guerreiro dos povos bárbaros.

9
Coleção Grandes Guerras, volume IV, pág. 82.
COLEÇÃO GRANDES GUERRAS nº V
“CRUZADAS”

Seção Carta do Front

Após alguma demora, pouco mais de dois meses, é lançado o volume V da


coleção. Na seção Carta do Front o editor justifica que outro tema estava sendo
preparado: “As guerras Napoleônicas”, mas o advento do filme Cruzadas de Ridley
Scott, programado para lançamento em maio, justificava uma mudança de rumo. O
lançamento da revista na mesma época, caracteriza-se claramente como uma
estratégia mercadológica que não havia sido utilizada anteriormente na coleção. O
filme é o suporte principal da revista. O editor-chefe justifica da seguinte forma a
opção de trabalhar com o filme:
“Tema atual. Teólogos, líderes religiosos e intelectuais, católicos e islâmicos,
souberam do roteiro e passaram a discutir a fita.”10
Alguns pontos de coincidência e divergência da estrutura deste volume, em
relação ao número IV, serão apontados ao longo da análise.

Mapas

Como no volume anterior temos mapas (um pouco mais desta vez – seis
páginas) oferecendo o cenário geográfico do tema cruzadas. Há também a linha do
tempo marcando eventos de das cruzadas.
Aqui temos um diferencial. Como a coleção não trata de processos históricos
ligados e concatenados cumulativamente, e como a revista é para ser lida mesmo por
um leigo, os mapas estão saturados de informações, que se pretendem serem
suficientes para o entendimento rápido do tema. Em vários pequenos boxes temos
informações geográficas, batalhas e as próprias cruzadas, todos explicados muito
brevemente. Há também três quadros maiores (um para cada mapa), que explicam
superficialmente o quadro político durante as cruzadas. A cor ocre (que predomina
nos mapas da coleção) variam em três tonalidades neste volume.

10
Coleção Grandes Guerras, volume V, pág. 3.
O texto principal

A matéria demonstra alguma erudição e mostra-se bastante equilibrada.


Adota a linha explicativa das cruzadas com sendo produto basicamente de uma
efervescência religiosa. Para tal apóia-se na explicação do medievalista Marcelo
Cândido da Silva, professor da Universidade de São Paulo.11 O texto também deixa
claro que não se tratava de uma simples oposição Ocidente – Oriente, que havia
divisões e conflitos de ambos os lados. A revista não deixa de lado elementos de
história econômica e política. Faltou esclarecer melhor que as cruzadas estão
inseridas num movimento de expansão da Europa Ocidental, devido a um forte
aumento demográfico, como lembra Jacques Heers e Jacques Le Goff. 12
Urbano II ao exortar os cavaleiros para deixarem de se lançar em guerras
privadas, nos revela o problema dos impulsos militares da nobreza cavaleira,
enfrentado pelo Ocidente.
Le Goff afirma que “quando Urbano II acendeu o fogo da cruzada em
Clermont (1095) e quando S. Bernardo o espevitou em Vézelay (1146), ambos
julgavam com isso transformar a guerra, endêmica no Ocidente, numa causa justa – a
luta contra os infiéis”13
A revista chega a citar a que igreja proibiu o combate em alguns dias da
semana e datas religiosas. No final da revista, na seção “Argumento” que o
historiador Peter Demant retomará este ponto.

Seção de Curiosidades

Intitulada: “Notícias do Jornal das Cruzadas” novamente temos uma listagem


de curiosidades. Neste volume, têm-se o esforço de agrupar o que seriam meras
curiosidades, onde mostra-se que as cruzadas promoveram um intercâmbio cultural;
subtítulo: “Não só batalhas sangrentas aconteceram durante as Cruzadas. As Guerras

11
Coleção Grandes Guerras, volume V, pág. 15.
12
“que esta expansão se insira num vasto movimento religioso, ou seja, marcada por um espírito
bastante particular, apoiada por um ímpeto coletivo espontâneo, não muda em nada o aspecto humano
do problema” – in Heer, Jacques – História Medieval. Rio de Janeiro-São Paulo: Difel/Difusão
Editora S/A., pág.161. e Le Goff, Jacques – A civilização do Ocidente Medieval, vol. I – 2ª ed.,
Lisboa: Editorial Estampa Ltda., 1983, pág.96.
13
Le Goff, pág. 100 e Pedrero-Sánchez, Maria Guadalupe – História da Idade Média: Textos e
testemunhos. São Paulo: Edit. Unesp, 2000, pág.83
Santas empreendidas pelos cavaleiros europeus contra os árabes no Oriente Médio
ajudaram, e muito, a disseminar costumes, objetos e hábitos dos mouros em toda a
Europa.”14

O corpo principal da revista (os capítulos coloridos)

Nesta parte da revista os capítulos também são independentes e com padrão


estético diferenciado. Só que existem duas partes dedicadas para o filme, que como
dissemos é o suporte da revista.
A primeira parte que trata do filme, busca mostrar o caráter diferenciado do
projeto do diretor Ridley Scott e seus produtores: “Cruzada será uma fascinante aula
de história”.15
Embarcando na afirmação anterior, a revista aproveita o enredo do filme é
aproveitado como uma narrativa factual, sendo acompanhado por quadros que
complementam informações que não são tratadas no filme.
O texto poderia funcionar apenas como uma mera propaganda do filme (como
aliás é a intenção explícita da segunda parte que trata do filme – Making off) se
ficasse por aqui, mas o autor aproveita a atualidade do tema (como proposto em
“Carta do Front”):
“Numa época em que a paz mundial depende do frágil equilíbrio do Oriente
Médio, é preciso muita coragem para produzir um filme que trata, precisamente, do
conflito entre o cristianismo e o Islã”16
“O conceito de um ‘duelo entre o bem e o mal’, porém, já estava presente e
sobrevive, de forma velada, até os dias de hoje. É bom lembrar que, logo após os
atentados de 11 de setembro de 2001, o presidente George W. Bush usou o termo
“cruzada” para definir sua guerra contra o terrorismo”.17
Quando nos lembramos dos assuntos ou textos tratados em aula, vemos que o
tratamento profissional da história parte sempre de um questionamento levantado
pelo presente. Neste sentido o esforço da revista, apesar de não ser rigoroso, e de ter
antes de tudo um caráter mercadológico, merece ser elogiado.
O capítulo “Legado” também relaciona o tema Cruzadas, com os dias atuais.

14
Coleção Grandes Guerras, volume V, pág. 18.
15
Coleção Grandes Guerras, volume V, pág. 22.
16
Coleção Grandes Guerras, volume V, pág. 21.
Continuando na análise do corpo principal da revista há dois capítulos
interessantes. O primeiro é o capítulo “As invasões vistas pelos árabes” que é o
contra-ponto do ponto de vista ocidental, que é mais notoriamente tratado. Entre as
referências apresentadas pelo texto está a importante obra do jornalista Amim
Maalouf “As Cruzadas vistas pelos árabes”, que possui uma coletânea de fontes
documentais, recomendada na seção Tomos e Telas, semelhante ao discutido em
relação ao volume IV.
A ação violenta dos cruzados pode ser vista num dos documentos presentes
neste livro: o relato do historiador Ibn al-Athir, referindo-se à tomada de
Constantinopla pelos Cruzados e venezianos entre 1203 e 1204:

“Todos os rum (bizantinos) foram mortos ou despojados. ... Alguns de seus


notáveis tentaram refugiar-se na grande igreja que chamavam de Sofia, perseguidos
pelos franj (cruzados). Um grupo de padres e de monges saiu então, carregando
cruzes e evangelhos, para suplicar aos atacantes que lhes preservassem a vida, mas os
franj não deram nenhuma atenção às suas preces. Massacraram-nos todos, depois
saquearam a igreja.”18
Retornando à matéria, há referências de:
- David Waines, professor de estudos religiosos do islamismo – Univ.
Lancaster – EUA;
- John Esposito, professor de religião – Univ. de Georgetown – EUA;
- os historiadores Carla Obermeyer – Harvard e Marshall Hodgson;
Claro que estamos diante de uma produção jornalística, mas inegavelmente
bem articulada.
Diferentemente do volume IV, outro ponto positivo é a relativização o tema
Cruzadas com as matérias “As invasões vistas pelos árabes” e “Herói” que apresenta
o perfil de Saladino.
No capítulo intitulado “HERÓI – As mil e uma noites de Saladino”, este
personagem pouco explorado no tema cruzadas é retratado como um líder
carismático, inteligente, digno e tolerante. Tal retrato é reforçado por dois boxes em
destaque nas páginas da matéria com os seguintes textos:

17
Coleção Grandes Guerras, volume V, pág. 22.
18
Maalouf,Amim “As Cruzadas vistas pelos árabes”,pág.207.
- Saladino foi adorado até por seus inimigos;
- Ele fazia questão de correr riscos com seus soldados.
-
Sua inteligência e coragem enquanto líder militar é confirmado pelo
historiador como Mohamed Habib, da Unicamp:
“Ele não gostava de delegar tarefas e fazia questão de correr riscos junto com
seus soldados. Queria lhes dar segurança e manter o moral da tropa.”19
O autor ainda faz um paralelo entre Saddam Hussein, que malogrou tentar
reunir carisma para liderar os muçulmanos como conseguiu Saladino.
Os outros dois capítulos “Monges da Pesada” e “O Lado B das Cruzadas”
estão mais próximos na linha da coleção. Ilustrações enfatizando violência e
combates, mas as cores não são tão vivas, como de praxe.

História em quadrinhos

Novamente temos uma pequena história em quadrinhos, esta extraída da


internet. Conta a história de um guerreiro muçulmano que desfere sua ira contra os
cristãos. Novamente enfatizando movimento e violência, mas neste caso, a partir de
outro artifício. Em vez do uso de um vermelho ígneo usado nos quadrinhos do
volume IV, aqui em alguns lugares dos quadrinhos estão ilustrados respingos de
sangue que acompanham socos, golpes de espada ou adaga.

Seção Armas

O inventário feito por esta seção é um paradoxo. Por um lado coloca


personagens, máquinas de sítio e fortalezas lado a lado, como que dentro das mesmas
classificações:
- O que era?
- Por que entrou para a História?

19
Coleção Grandes Guerras, volume V, pág. 37.
Causa estranheza estar analisar uma besta, um cavaleiro hospitalário e o Krak
de Chevaliers da mesma forma. Por outro lado temos abordada a era da cavalaria,
tema significativo nas Cruzadas, mas pouco explorada.
O estilo inventário é bem claro na descrição dos acessórios do cavaleiro
franco. Estão perfilados espadas, adagas, capacetes, arreios, escudos, etc. Novamente
não atendem qualquer propósito.

Seção Tomos e Telas

São indicados dois trabalhos de qualidade. E a principal indicação é a


coleção escrita pelo historiador inglês Steven Runciman, de três volumes, e o já
citado trabalho de Amim Maalouf.
Duas outras indicações tratam de ordens militares. Um deles “Guardiães da
Fé” é um romance histórico.
As indicações e referências utilizadas nas matérias foram em grande parte
retiradas destes livros. O principal pecado é que as referências bibliográficas não são
indicadas quando isto ocorre.

Duas indicações de endereços da internet são muito interessantes: a primeira


é o site da Biblioteca Nacional da França e a outra é o site da Internet Medieval
Sourcebook que possui vários links sobre o tema.

Seção Argumento

A última seção, novamente tem apenas uma página e está ofuscada por três
páginas de propaganda dos produtos de Aventuras na História.
O professor Peter Demant amplia o significado das Cruzadas para além da
idéia convencional de choque entre oriente e ocidente. Mostra que foi uma “página
negra nas relações entre os mundos europeu e muçulmano”20, pois entre eles havia
um relacionamento de tolerância, ao mostrar que “cristãos viviam bastante bem sob o

20
Coleção Grandes Guerras, volume V, pág. 82.
domínio muçulmano”21 Existem outros elementos em questão como o fato de que
cristãos lançaram-se contra cristãos, como no saque de Constantinopla, e que
muçulmanos além de estarem divididos nos séculos XI e XII, enfrentavam também a
ameaça dos mongóis.
Finalmente Peter Demant lembra que as Cruzadas possuem um significado
para o presente, na medida que elas nos desafiam a aceitar a diversidade e estabelecer
o discurso “da boa vizinhança”.

CONCLUSÃO

A despeito de ser um trabalho elaborado por jornalistas, observa-se que eles


se preocuparam em consultar boas fontes e historiadores. Em uma das “cartas do
front” é dito que eles pretendem impressionar mesmo aqueles que já conhecem o
tema, conseguem ao fim se não impressionar, pelo menos um bom trabalho. Houve
matérias interessantes, como a de Saladino por exemplo. Matérias escritas
principalmente para um público em busca de qualidade.
O projeto estético da revista, como já disse, foi uma forma muito criativa de
superar o custo que representaria utilizar imagens pagas. As ilustrações estavam
sempre em sintonia com os textos das matérias nas quais estavam inseridas. O visual
diferenciado ajuda a estruturar as diferentes partes da revista. Um ponto negativo a
considerar é que as ilustrações serviram também para realçar a violências,
principalmente no volume das “Invasões Bárbaras”, o que ajuda mais a validar
preconceitos e estereótipos pertinentes ao tema.
Em termos mercadológicos, afinal a revista é um produto, o colorido e a
distinção estética tornam as revistas altamente atrativas. A capa não é tão colorida
como o interior da revista. Possuem uma cor cinza padrão e são encimados com a
expressão em grandes letras: Grandes Guerras.
Pensando nisto (Grandes Guerras como principal apelo de capa) e sabendo
que há toda uma literatura e inclusive algumas revistas que têm por tema guerras, e
material bélico (aviões, tanques e armas), considerando ainda que a revista não é
barata: R$14,95, podemos deduzir que foi neste público que a revista se insere.

21
Idem
É neste ponto da análise que faz sentido entender a presença da seção
“Armas” presente em cada volume.
Pecados foram cometidos. Um deles foi não fazer as referências
bibliográficas. Destaco novamente a insistência em se destacar a violência, fosse na
linguagem ou na estética, do volume das “Invasões Bárbaras”, além da falta de
cuidado com os aspas em bárbaros.
Com diferentes jornalistas escrevendo as matérias, houve muitas vezes
contradições, por exemplo ao tentar se relativizar o termo bárbaro e na maioria das
vezes exagerar uma selvageria que não corresponde, como lembra Le Goff.22 Mesmo
os Hunos descritos de forma tão terrível pelo volume IV “não eram de maneira
alguma, os selvagens descritos por Amiano Marcelino”23
O ponto alto foi o modo como foi bem explorado o tema das Cruzadas com
relação à atualidade, fosse através do oportuno gancho que o volume fez com o filme
“Cruzadas”, fosse através das matérias.

...

As análises da produção cultural de divulgação histórica a meu ver se


revelaram mais do que uma discussão em torno de se os materiais possuíam
qualidade ou não, se eram sérios ou não. Tais revistas, além de mercadorias que são,
representam um movimento interessante que se processa em nossa sociedade.
Não podemos afirmar categoricamente que a sociedade está ficando mais
culta, mais interessada em problemas políticos, sociais e culturais que as revistas de
História podem suscitar. Mas acredito que algo nesta direção deve estar ocorrendo.
Tal movimento não pode ser injustamente taxado como resultado de uma
moda em virtude de uma ou outra produção hollywoodiana, ou de alguma mini-série.
Como discutido em aula, antigamente sequer tínhamos material fora da
academia que pudéssemos criticar, se este for o caso.
Devemos sempre que possível, enquanto historiadores, apontar as
deficiências ou distorções que tais materiais incorporam, mas considero que estas
revistas além de representarem um novo consumo, ou serem um novo produto, são
antes de tudo um avanço, uma oportunidade.

22
Le Goff, Jacques – A civilização do Ocidente Medieval, vol. I – 2ª ed., Lisboa: Editorial Estampa
Ltda., 1983, págs. 34 e 35.
23
Op. Cit., pág. 38.
BIBLIOGRAFIA

HEER, Jacques – História Medieval. Rio de Janeiro-São Paulo:


Difel/Difusão Editora S/A. 1977.
LE GOFF, Jacques – A civilização do Ocidente Medieval, vol. I – 2ª ed.,
Lisboa: Editorial Estampa Ltda., 1983.
PEDRERO-SÁNCHEZ, Maria Guadalupe – História da Idade Média:
Textos e testemunhos. São Paulo: Edit. Unesp, 2000.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – USP
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

CURSO DE TEORIA DA HISTÓRIA I

“HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS: MATERIAL


LEIGO OU DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA?”

Gilson Gomes Araújo Nº USP: 4931591


Leandro S. Theodor Puskas Nº USP: 4931490
Leonardo de Sousa Klein Nº USP: 4956463
Lílian Miranda Bezerra Nº USP: 4930818
Luciana Santoni Nº USP: 4930930

Profª Drª Raquel Glezer

São Paulo, junho de 2005.


2
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ...............................................................................................4
Objetivo/Hipótese Orientadora............................................................................. 4
Objeto da Pesquisa/Justificativa .......................................................................... 4
Metodologia Utilizada........................................................................................... 6
ANÁLISES......................................................................................................7
“Jesus e seu tempo” ............................................................................................ 7
“Verdadeiro ou Falso” .......................................................................................... 8
“As Novas Datas na vida de Jesus”..................................................................... 9
“A Ordem na Palestina Romana”....................................................................... 10
“Um filho que não tem Espírito de Família”........................................................ 11
“Na Sinagoga, ele se inicia na Arte da Polêmica”.............................................. 15
“Dezoito anos sem deixar vestígios”.................................................................. 17
“Nas Províncias do Ocidente” ............................................................................ 19
“Nas Províncias do Oriente”............................................................................... 22
“As correntes do judaísmo”................................................................................ 24
“O Templo: uma casa de Tráfico?” .................................................................... 27
“As seguidoras do profeta”................................................................................. 30
“Jerusalém festeja a Páscoa judaica” ................................................................ 31
“Diante de seus juizes, o acusado se cala”........................................................ 33
“As primeiras decorrências de sua morte” ......................................................... 35
CONCLUSÃO...............................................................................................37
REFERÊNCIAS ............................................................................................41
Bibliográficas ..................................................................................................... 41
Documento eletrônico e Sites consultados ........................................................ 41

3
INTRODUÇÃO

Objetivo/Hipótese Orientadora

O trabalho tem a finalidade de discutir criticamente a abordagem da revista


História Viva – Grandes Temas, no que concerne à figura de Jesus, e sua tentativa
de separá-lo de uma visão bíblica e enquadrá-lo numa visão histórica.
O surgimento de diversas revistas com objetivos exploratórios de temas da
História nos faz questionar o quão sério e válidos são os trabalhos apresentados ao
público brasileiro.
A proposta do grupo, como já dito, é de focalizar o tema de Jesus Cristo
como abordado pela revista História Viva - Grandes Temas, e como esta apresenta
uma figura tão mítica a um público não só acadêmico, mas também leigo.
A revista se propõe a fazer um trabalho de “divulgação científica”1; portanto nos
dispomos no decorrer da pesquisa a questionar até que ponto vai essa
cientificidade, ou seja, se métodos e conceitos históricos são ou não adotados.

Objeto da Pesquisa/Justificativa

A revista em questão (História Viva - Grandes Temas) foi escolhida tanto por
enquadrar-se no assunto por nós elencado, quanto por já gozar de certa
consideração entre o público leitor brasileiro. Há que se levar também em
consideração a importância e tradição da revista similar entre os leitores franceses.
Comecemos pelos dados básicos da revista: tal publicação vincula-se a
Duetto Editorial que fora fundada no primeiro semestre de 2001, sendo resultado da
associação das Editoras Ediouro Publicações e Segmento que visavam “entrar
vigorosamente no mercado de revistas destinadas ao leitor final”2.
Incluem-se neste grupo de revistas além da História Viva e História Viva –
Grandes Temas, as seguintes publicações: Scientific American Brasil; Especiais
Temáticos de Scientific American; Viver Mente & Cérebro e Viver Mente & Cérebro
– Memória da Psicanálise, que fazem parte do “Grupo Conhecimento”, compondo o
outro grupo, “Grupo Beleza e Bem-estar”, as revistas: Cabelos & Cia.; Guias de

1
IBAÑEZ, Miriam. Resposta ao e-mail [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por
<leandro_usp@hotmail.com> em 12 maio de 2005.
2
HISTÓRIA VIVA. Disponível em: <http://www.historiaviva.com.br>. Acesso em: 25 maio de 2005.

4
Beleza; Coleção 1000 Cortes & Cia. e Coleção Colors: Louras, Morenas, Ruivas e
Negras.
A Duetto conta com a participação de 46 profissionais, dos quais
destacaremos, Miriam Ibañez, com quem conversamos via e-mail, e o idealizador da
revista trabalhada Alfredo Nastari. Este último resolvera integrar-se em tal nicho de
mercado após tomar contato com a publicação francesa “Historia”, que conta com
quase 90 anos de tradição naquele país. Quanto a Miriam, editora-chefe da História
Viva, soubemos ser sua formação não só em jornalismo, mas também em História,
curso este realizado na mesma Universidade de São Paulo (USP). Fora através
dela que obtivemos as informações a seguir, concernentes a História Viva.
Sua tiragem gira em torno dos 65.000 exemplares, tendo por público alvo
“adultos (...) interessados na matéria, não necessariamente com formação acadêmica”3,
estendendo-se também a um público de jovens estudantes. Esta publicação
desenvolve-se em parceria com a “Historia” francesa, a qual é formada por
renomados especialistas atuantes nas mais diversas áreas.
Os dados por nós enunciados referem-se à publicação mensal da História
Viva, mais especificamente a edição 16, do mês de fevereiro do corrente ano, que
teve por capa os Vikings. A História Viva – Grandes Temas é de “periodicidade
trimestral, dedicada aos mais expressivos, polêmicos e decisivos acontecimentos e
personagens da História, da antiguidade aos dias atuais 4”. Este seguimento da História
Viva encontra-se hoje na 8ª edição, que aborda a temática Romana; as demais
trouxeram por capa e tema a Vitória (edição nº 7); a Mesopotâmia (edição nº 6); o
Renascimento (edição nº 5); o Brasil que Getúlio sonhou (edição nº4); os Gregos
(edição nº 3); a Revolução Francesa (edição nº 2) e por fim a aqui analisada: Jesus
– o Homem e seu Tempo, que fora a precursora destas no Brasil, publicada em
dezembro de 2003, propositalmente lançada às vésperas da festa Natalina, uma
das mais significativas datas cristãs.

3
IBAÑEZ, Miriam. Resposta ao e-mail [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por
<leandro_usp@hotmail.com> em 12 maio de 2005.
4
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.5

5
Metodologia Utilizada

Após termos selecionado o material a ser trabalhado, procuramos


estabelecer contato com a editora, o que foi feito via e-mail. E é desta fonte, aliada
às informações dos demais grupos apresentados em sala de aula, bem como à
consulta operada no site da mesma revista, que obtivemos as informações
necessárias quanto a número de tiragem, assinantes, etc.
Realizada esta primeira etapa, partimos a uma análise individualizada de
cada artigo presente, tendo em vista que nos restringiremos a uma única edição da
publicação, a qual procuraremos explorar na sua totalidade.
Na tentativa de elucidar os métodos e conceitos utilizados pelos autores,
empreendemos uma busca virtual (pouco frutífera) a respeito de cada um deles,
estudando as possíveis influências de seus outros trabalhos e suas biografias.
Os artigos serão analisados não só em âmbito escrito, mas também no visual
(pictórico-iconográfico) na tentativa de extrairmos os conceitos passados pelo autor
bem como seus métodos e abordagens.
Não deixaremos de salientar aspectos referentes à diagramação e editoração
da revista.

6
ANÁLISES

“Jesus e seu tempo”


Por Jacques–Nöel Pérès, traduzido por Alexandre Massella5 (p. 6-7).

Professor de patrística na Faculdade de Teologia Protestante de Paris,


Jacques Nöel Pérès é também pastor da Igreja Luterana e grande divulgador
cientifico de estudos históricos sobre o cristianismo dos primeiros séculos e
patrística. Trabalha também como professor na Escola de línguas e civilizações do
Oriente Antigo em Paris.6
O autor procura deixar clara a questão que se coloca sobre tradição e
História. Não só uma análise histórica dos fatos é exigida pelo assunto, como
também uma análise com base nas tradições dos mitos e lugares.
Um grande problema enfrentado é o da intencionalidade marcante dos
historiadores contemporâneos de Cristo (se é que podemos chamá-los de
historiadores como citado, pela falta de métodos constantes entre eles, o que
demonstraria um certo anacronismo de parte da revista), principalmente por fazerem
parte da fé cristã.7 Dentre os que não professavam a nova fé, três eram romanos e
viam com extremo preconceito os habitantes da antiga Palestina, e um quarto era
judeu – Flávio Josefo – que acabou sendo acolhido como fonte mais válida sobre o
período; devido a sua posição um tanto imparcial dos fatos.
Jacques Nöel Pérès no decorrer de seu texto, mostra que mesmo saindo da
figura de Jesus e partindo para um estudo da região, acabamos tendo acesso a
documentos, principalmente por parte dos gregos, que descrevem o local
misturando a realidade dos fatos com lendas e ilusões fictícias que acabam por
deteriorar uma construção exata da época.
É importante a crítica que esse teólogo e pastor apresenta à tentativa de
abordar historicamente uma figura tão mítica quanto Jesus; para ele não podemos
esquecer que toda tradição pertence a uma memória coletiva, que representa o
núcleo essencial daquilo que se quis preservar e que acaba criando uma verdade

5
Tradutor free lancer de diversas editoras como a Abril e Duetto.
6
Disponível em: <www.iptheologie.asso.fr>. Acesso em: 03 de junho de2005.
7
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.6

7
que valeria a pena legar porque seria boa e capaz de tornar o passado útil ao
presente.8
Isso acaba entrando em conflito com a proposta da História Viva de divulgar
material científico de História, já que sabemos que o historiador não pode levar em
conta materiais duvidosos como a Bíblia somente, para construir o passado, mas de
certa forma a matéria deixa claro, que o assunto talvez não possa ser abordado
somente pelo lado histórico, devido, quem sabe, à influência das religiões cristãs
entre os leitores da revista, o que nos leva a questionar se o fator puramente
histórico foi misturado a trabalhos de teólogos e lingüistas para arraigar dessa
maneira maior quantidade de leitores, mesmo que contrarie a proposta da revista
em si. Isso posto, qual a noção de cientificidade da revista História Viva em seu
objetivo de divulgação apresentado na introdução?

“Verdadeiro ou Falso”
Sem identificação de autor (p. 8-9).

O artigo “VERDADEIRO OU FALSO?” é definido pela editora como parte que


tenta elucidar lendas e boatos que se misturam aos relatos históricos sobre a
Palestina9.
Nenhum tipo de fonte é indicado em todo o decorrer da matéria e nenhuma
identificação é feita sobre quem possivelmente o escreveu. Sabemos que a edição
da Revista Historia francesa apresenta o mesmo artigo, sendo assim concluímos
que não foi por nenhum jornalista ou integrante do grupo editorial brasileiro.
Talvez um dos pontos fortes a destacar seja o material pictográfico. Esses
sim apresentam fontes e legendas explicativas e, pela primeira vez na revista (ao
que parece mais para frente ela também irá acertar esse detalhe), as fotos
apresentadas possuem algum nexo com o texto.
Encontrando-se tal texto entre o primeiro e segundo artigo assinado por
autores, este mais parece ter uma função explicativa ao leitor, em uma espécie de
apoio de leitura aos demais textos que se encontram na revista.
São blocos de textos com assuntos os mais diversos (desde a páscoa judaica
até os presentes que os reis magos teriam oferecido ao menino Jesus), que não
apresentam nenhum tipo de metodologia de história, mais se aproximando de um
8
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.6.
9
Disponível em: <http://www2.uol.com.br/historiaviva/>. Acesso em: 10 de junho de 2005

8
artigo jornalístico conforme analisado os conceitos de verdade colocados sem
nenhum tipo de fonte ou guia de leitura.

“As Novas Datas na vida de Jesus”


Por Liliane Crèté, traduzido por Alexandre Massella (p. 10-13).

Liliane Creté é historiadora das religiões, especialista em historia da Reforma


e atual pesquisadora sobre o evangelista João.10
A autora procura através da análise dos evangelhos, balizar datas referentes
ao nascimento e principais fatos da vida de Jesus.
Trabalhando de modo, até certo ponto, claro na revista, Liliane procura
comparar as descrições dos fatos entre os diversos Evangelhos para aproximar
datas “reais” dos ocorridos. Para contestar as descrições bíblicas, a historiadora faz
uso de comparação e confrontamento entre os evangelistas e o historiador Flávio
Josefo, dando ênfase a este último.
Os problemas são as conclusões descritivas que Liliane Creté vai discorrendo
sem apresentar nenhum tipo de nota com fontes etc; como na parte em que
escreve: “Sabemos que, durante três anos, Tibério é co-regente com Augusto na parte
leste do Império; Pilatos governa a Judéia de 26 a 36 de nossa era; Herodes Antipas, filho
11
de Herodes O Grande e tetrarca da Galiléia e de Pereia de 4 a.C. a 39...” Sabemos
como? Nenhum tipo de nota indica as fontes de suas conclusões que refutam a
Bíblia.
Outro grande problema é a inserção no meio da matéria de figuras e
pictografias que em nada se relacionam com o texto em si. Fotos com a construção
de uma estrela da Natividade que guiou os três reis magos, um mapa da Palestina e
a entrada de uma sinagoga na cidade de Carfanaum12, apesar de terem suas fontes
e créditos, acabam desviando a atenção do leitor de um texto recheado de datas e
nomes dos governantes da época, talvez numa tentativa de entreter o leigo, de um
texto pouco atraente num conceito da mídia jornalística.
Mais uma vez se coloca a questão da seriedade do trabalho proposto no
início da Revista Grandes Temas, quando um texto mais rebuscado, feito por um

10
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.13.
11
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.12.
12
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.11 a 13.

9
historiador, sofre variada interferência na sua edição, voltando-o para um leitor leigo
e não acadêmico.
É perceptível a falta de audácia na contestação dos fatos bíblicos, mesmo
chegando a mostrar incoerência nas datas dos evangelhos, a matéria em si não
conclui nada que afronte dados religiosos, uma clara demonstração da “política de
não polemizar” assuntos que poderiam ofender um consumidor religioso.
Novamente a intenção da revista fica clara, que como foi constatado na análise, é a
de apresentar um trabalho científico para um leitor leigo. Perguntamo-nos qual a
finalidade desse ato, já que em nenhum momento sua editora-chefe declara ser
esse o objetivo?

“A Ordem na Palestina Romana”


Por Anne Logeay, traduzido por Ana Monteiro13 (p. 14-21).

Anne Logeay é professora de línguas e civilização latina da Universidade de


Roüen e costuma cooperar com certa constância com artigos na revista francesa
Historia.
A autora em seu artigo procura nos mostrar como eram, na época, as
relações dos povos da Palestina com seus dominadores – os romanos. Aqui
percebemos, apesar da autora não ser conceituada como historiadora, a utilização
de métodos comparativos e questionamento de fontes como a Bíblia e escritos
contemporâneos à época de Jesus. Com um linguajar mais rebuscado, percebemos
nas construções de suas idéias, uma aproximação com livros acadêmicos.
Supondo que o leitor não seja um leigo por completo no assunto, Anne passa direto
e sem explicações sobre termos como “macabeus”, “diáspora judaica”, “Tora´” entre
outros. Um outro momento em que a autora não identifica sua conclusão e, por
conseguinte não cita fontes, é quando afirma sobre o possível nascimento de Cristo
no ano de 4 a.C. “segundo uma certa tradição”14. Que tradição é esta?
Fotos sem nenhuma ligação com o texto corrente à página são colocadas no
decorrer da matéria, obviamente numa tentativa de atrair um possível consumidor
que talvez folheie a revista na banca, ou que se canse da massividade do texto.
Pequenos quadros nos cantos das páginas procuram balizar o período que Anne
Logeay cita em sua matéria.
13
Tradutora de diversas revistas do grupo editorial Duetto.
14
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.16.

10
Do meio do artigo para o seu fim a qualidade da metodologia cai
consideravelmente. Contestações de textos de historiadores são feitas sem
utilização de argumentação que se sustente nem citação de fontes 15; percebe-se a
utilização repetitiva de palavras e de nomes consagrados no conhecimento geral,
como Júlio César e Otávio Augusto citados nada menos que onze vezes o primeiro
e nove o segundo, num artigo de cinco páginas.
A pergunta que fica aqui é até onde o processo de edição transforma o
trabalho dos acadêmicos ou até onde esses mesmos acadêmicos não escrevem
intencionalmente para uma revista de público leigo?

“Um filho que não tem Espírito de Família”


Por Jacques Duquesne, traduzido por Ana Montoia (p. 22-29).

Jacques Duquesne é jornalista e escritor; foi co-fundador e redator chefe do


semanário Le Point. Escreveu diversos livros de ensaios e biografias,
freqüentemente sobre temática religiosa (La Gauche du Christ – 1972, Jésus –
1994, Le Dieu de Jésus – 1997, Dieu expliqué à mês petitis-enfants – 1999, as
novelas Catherine Courage – 1191, Maria Vandamme – 1993, etc.).16
Atualmente é presidente do conselho da revista L’ Express.
Após situar a posição geográfica de Nazaré e descrever, sucintamente, suas
características gerais, Jacques Duquesne, passa a analisar a família de Jesus e as
relações deste com ela.
O primeiro a vir à tona é José. Aqui é colocado não só sua genealogia
(questionada pelo autor), mas também sua profissão e a significação desta naquela
sociedade.
Duquesne apercebe-se do desaparecimento de tal personagem nos relatos
bíblicos da vida adulta de Cristo, e supõe ser este fato decorrente da possível morte
daquele. Salienta a importância, muitas vezes esquecida, da figura paterna na
formação educacional e religiosa dos filhos. Fora José quem levara Jesus à
Sinagoga e o ensinara a dizer “Amém”, no entanto sua figura é muitas vezes
ofuscada pela importância de Maria.

15
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.19.
16
Disponível em: <http://www.seix-barral.es/fichaautor.asp?autor=130>. Acesso em: 02 de junho de
2005.

11
Ao voltar-se à Mãe, Duquesne relata a posição social feminina no mundo
antigo; faz uma descrição da típica casa nazarena e surpreende-se com o pouco
conhecimento e citações bíblicas que possuímos da mãe de Cristo. Sua genealogia
é controversa e muitas vezes baseada em textos apócrifos, já que os Evangelhos
pouco dizem sobre ela.
O autor destacará Maria nas quatro vezes em que aparece no Novo
Testamento (após os grandes episódios da Natividade e do desaparecimento de
Jesus no Templo), centrando-se nos relatos ofertados concernentes à tensão vivida
por Jesus em relação a sua família; tensão esta oriunda do início de sua pregação.
É sobre tal “rixa” familiar que este autor se debruça, buscando suas razões. A
partir dela colocará questões a respeito da relação de “verdadeira intimidade de alma e
espírito”17 entre Maria e Jesus, que sairia arranhada com a confirmação de tal fato,
também a existência ou não de irmãos de Cristo, contestada pela Igreja católica,
mas presente no texto bíblico, de onde o autor conclui ser a família de Cristo
idêntica a família judia da época, ou seja, numerosa e zelosa da educação religiosa
de seus filhos.
Por fim Jacques Duquesne tenta explicar, com base na Bíblia, o porquê de tal
indisposição entre Cristo e seus pais - já que estes conheciam desde o início sua
santidade – acaba por concluir que fora um erro de tradução que nos proporcionara
a incompreensão da atitude dúbia de Maria (que no início da pregação do filho
estivera distante dele, mas se aproximara no fim de sua vida). Esta procura
compreender as atitudes do filho e quando consegue, reúne-se, enfim, a ele, então,
para Duquesne, Maria poderia ser vista como a “primeira teóloga do mundo cristão”18.
Como fica claro, o autor, antes de aprofundar-se sobre o tema que se propôs
e que se anuncia no próprio título do artigo, procura contextualizar o mesmo tema,
buscando para isso o auxílio não só da Bíblia, mas também, de outros escritos e
autores, colocando por fim, as suas próprias conclusões.
Quando trata da cidade de Nazaré, ou mais propriamente da localidade da
Galiléia na qual aquela se situa, o escritor usa tanto do historiador, de certa forma
contemporâneo, Flávio Josefo, quanto de Ernest Renan, que mantém em relação
aos fatos uma distância de mais de dezoito séculos. Ambos autores descrevem a
região com o “mesmo lirismo”19, Duquesne usa de citações para confirmar tal

17
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.27.
18
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.29.
19
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, n º 1, dezembro 2003. p.23.

12
conclusão – no entanto, estas carecem de maior rigor já que não possuímos notas
(de rodapé, por exemplo) que nos elucidem de onde foram retiradas.
Em seguida o autor desmistifica tal região, assinalando as desigualdades
presentes na mesma que teoricamente não teriam sido notadas pelos autores antes
citados; ressalta também as omissões bíblicas quanto a cidades importantes (como
Séforis) certamente conhecidas por Jesus.
A mesma Bíblia, a despeito de servir de base as suas conclusões, é, no
decorrer do texto, muitas vezes colocada em cheque. O autor, sem desprezá-la,
mantém com ela um posicionamento crítico; a cita para firmar seus argumentos,
aliando a mesma textos apócrifos e escritos de religiosos.
Na composição de sua argumentação os textos judaicos também não são
esquecidos; utiliza-se do Talmude e descreve os costumes judeus importantes para
a compreensão do contexto social de Cristo. Ao mesmo tempo a etimologia lhe
serve de explicação e legitimação dos fatos que levanta, é com base em tal recurso
que afirma a existência de irmãos e não primos de Jesus, também é por meio de um
erro de tradução que justifica as atitudes de Maria em relação a seu filho, ela teria
demorado a compreender aquele, daí o seu distanciamento e tensão.
É ao tratar da figura de Maria que Jacques Duquesne nos deixa transparecer
mais facilmente os alicerces nos quais se apóia e os debates que sustenta. São
aqui citados, para além dos Evangelhos “legítimos”, os apócrifos; mais
especificamente, o Protoevangelho de Tiago e também os escritos de Padres da
Igreja, no caso de Irineu, bispo de Lyon. O autor ainda indica a existência de
debates de exegetas em torno de tão importante personagem, acaba por nos
mostrar (por meio de citação) a conclusão a que chegara um deles, qual seja, o
padre jesuíta Xavier Leon-Dufour, a que tudo indica20, em seu livro “Leitura do
Evangelho segundo João”.
Outra obra textualmente citada é Antiguidades Judaicas de autoria de Flávio
Josefo, utilizado no âmbito da discussão sobre a existência ou não de irmãos de
Jesus. Duquesne afirma estar a emergência de tal tema associada à descoberta
recente de um ossuário de pedra (fraudulento) onde se gravara: “Tiago, filho de José,
irmão de Jesus”21, tal fato só vem atestar a relevância das referências arqueológicas
na feitura da História, e no que tange a História do Cristianismo, nosso autor não

20
Porque mais uma vez a citação não é situada.
21
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.28.

13
deixa de postular os recursos existentes para tal construção, isto é, a “análise
rigorosa dos textos e das traduções”22.
Uma outra fonte discernível ao longo do artigo é a condizente aos escritos do
“pai da história da Igreja”23, Eusébio de Cesaréia, utilizada também para afirmar a
presença de Tiago, irmão de Cristo.
É interessante notar que Jacques Duquesne tira seu problema – o conflito
familiar de Jesus – da Bíblia, e com a mesma o resolve (ao supor que tal tensão,
sobretudo com Maria, oriunda da pregação de Cristo, se findara quando aquela
finalmente compreendera quem era o filho, trecho este, da mesma forma que o
conflito, presente no texto, mas sujeito a um erro de tradução que dificultara a
melhor apreensão dos atos). Não há nele, a despeito das questões e senões que
coloca, um distanciamento marcado em relação a esta fonte; não contesta a
veracidade de seus fatos, pelo contrário, constrói toda a sua argumentação em
torno dela, o que nos permite supor que o mesmo partilhe de uma interpretação da
história pautada em religiosidade.
Se nos atermos a números perceberemos que a Bíblia é sem dúvida sua
principal fonte, ela, ou partes dela, são mencionadas cerca de 23 vezes, sem contar
as citações de trechos da mesma que totalizam 12 ocorrências contra 3 de outros
materiais não diretamente relacionados à Igreja (2 de Flávio Josefo e 1 de Ernest
Renan). Quanto a tais citações bíblicas notamos o mesmo problema assinalado com
as demais obras; 6 das 12 citações não contêm sua localização precisa, o que
denota a falta de preocupação metodológica do escritor. Também não nos é
exposta, em separado, a completa bibliografia por ele utilizada, percebemos esta
diluída no texto, mas somente quando o autor se propõe a oferecê-la, o que nos faz
supor que exista lacunas na mesma.
Quanto à escrita do texto, Duquesne, alia à mera descrição dos fatos e
costumes (o que em si já é uma forma de explicação histórica) as suas próprias
interpretações e conclusões; opera a uma análise do texto bíblico pautada em
conhecimentos exteriores a ele, ou seja, contexto histórico, costumes judaicos,
romanos, etc. Também se propõe a verificar os possíveis erros de traduções e faz
uso da origem das palavras ou da língua grega para embasar suas argumentações.
Há nele certa preocupação em afirmar somente aquilo presente em mais de um
documento, seja confrontando os vários Evangelhos ou aliando a um deles

22
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.28.
23
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.29.

14
episódios semelhantes relatados por personagens contemporâneos. Ao menos,
neste sentido, podemos afirmar que ele se adequa ao método de trabalho do
historiador, mas, no entanto, não vai muito além disso.
Não nos foi possível retirar de sua escrita nenhum conceito que se restrinja
ao campo das Teorias de História; ele não parece estar enquadrado em qualquer
corrente historiográfica, nem tampouco usa, indiscriminadamente, conceitos
inerentes a elas.
No que concerne ao aspecto visual do artigo, deparamo-nos com 7
iconografias; 6 pinturas e uma esquematização da genealogia de Cristo.
Aparentemente estas servem para ilustrar o texto (e não o contrário) já que as
mesmas vinculam-se aos aspectos levantados; sem dúvida a genealogia era a única
imprescindível, mas as demais não chegam a compor material inútil, haja vista que
trazem temas relacionados à família de Jesus; episódios bíblicos, e a mais extensa
delas, a uma carpintaria contemporânea (Jacques Duquesne salienta o papel social
de carpinteiros, como José, naquela sociedade).
Com exceção da primeira imagem, todas as demais trazem consigo os
créditos (título, autoria, data e local de origem). A maioria delas são pinturas
conhecidas, de autores consagrados (como Rafael e Giotto). Alocam-se em alguma
extremidade da folha, ou tomam uma metade dela, não chegando a ocupar a página
inteira.
Por fim encontra-se o usual glossário que nos esclarece a respeito dos 4
Evangelistas a Atos dos Apóstolos, dando-nos a data de sua escritura e uma breve
descrição de seu conteúdo.

“Na Sinagoga, ele se inicia na Arte da Polêmica”


Por Jeanne Chaillet, traduzido por Celso Paciornik24 (p. 30-35).

Jeanne Chaillet é especialista em Bíblia, diplomada em línguas semíticas


antigas. Estuda o pensamento judaico presente nos Evangelhos.
O presente artigo tem por tema primeiro a formação educacional de Jesus
Cristo; suas idas ao Templo e os estudos que praticou a partir dos 6 anos de idade,

24
Celso Parcionik trabalha profissionalmente como tradutor desde o final dos anos 80. Trabalhou muitos
anos no jornal Gazeta Mercantil e trabalha atualmente no jornal Valor Econômico.
Disponível em: <http://www.estacaoliberdade.com.br/autores/celso.htm>. Acesso em: 10 de junho de
2005.

15
que abarcavam não só as Escrituras mas, da mesma forma, a leitura, geografia,
história, cálculo e a arte da polêmica. Todos aprendidos na Sinagoga, que abrigava
a escola e constituía-se como centro da vida social daquele período.
Após esta primeira parte, Jeanne Chaillet passará a centrar-se nas mais
importantes comemorações judaicas. A primeira a ser enfocada é o Sabat, que
merece longa descrição seguida da avaliação de qual seria o seu propósito, ou seja,
“remeter o homem ao momento da Criação”25. O Sabat é uma espécie de ritual familiar,
distinto das três festas de peregrinação abordadas em seguida – o Sucot, a
Pessach e o Shavuot – que são extensamente descritas mas, muito pouco
interpretadas, à semelhança do acontecido com a solenidade do Yom Kippur, a
última trazida à baila.
Por fim, Chaillet aponta a justificação – nos textos sagrados – das festas
judaicas, assim como sua diferença em relação às cristãs.
No geral tal artigo carece de maior caráter analítico, há excesso de descrição
e escassez de interpretações e conclusões.
A autora centra-se exageradamente em escritos sagrados (mencionados
cerca de 18 vezes), muitas vezes não devidamente situados. Encontramos 11
citações textuais de tais escritos, das quais 5 não são localizáveis. Não há em seu
texto menção a qualquer outra fonte por ela utilizada, a despeito de encontramos no
decorrer da leitura fatos não bíblicos.
Também a maior parte do conteúdo do artigo destoa do título a ele imposto, o
que faz parecer que o mesmo fora enxertado juntamente com os poucos 3
parágrafos a ele correspondentes. Há uma visível quebra de enredo na passagem
da descrição da educação de Cristo para as festas judaicas, que apenas em um
momento inserem a figura daquele.
Há em Chaillet uma certa preocupação em buscar na própria Bíblia a
origem/criação dos temas por ela tratados, é assim que opera, por exemplo, quando
se refere à parábola ou a Sinagoga26. Também as festas são justificadas por
intermédio dela, no entanto, não nos é exposto de onde a autora retira as
descrições pormenorizadas das mesmas; como nos demais artigos, nos é suprimida
a bibliografia correspondente e, no caso do artigo em questão, a situação piora,
afinal como já dito, a escritora não a cita no decorrer do texto.

25
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.32.
26
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.32.

16
O artigo trabalhado só muito forçosamente poderia ser considerado um
trabalho historiográfico, haja vista que a preocupação metodológica é quase nula;
toda a argumentação gira em torno de um único documento (o qual em nenhum
momento é posto em dúvida); os assuntos tratados carecem de uma séria
contextualização (as festas são descritas, na maior parte das vezes, desvinculadas,
seja de seu contexto histórico, ou mesmo da personagem central da revista –
Cristo); não há debates em voga; nem aparente utilização de qualquer Teoria da
História.
Não desconhecemos que a descrição possa ser considerada um modo de
explicação histórica, no entanto, a mesma precisa vir acompanhada de alguma
forma de interpretação/compreensão, afinal erudição não é quesito único para a
composição de um bom trabalho de História.
São apresentadas no artigo 7 iconografias, distribuídas entre pintura, gravura,
iluminura e um quadro esquemático do calendário judeu. Duas de tais imagens
abordam o mesmo tema: “A circuncisão de Cristo”27, é interessante observar que tal
assunto não é diretamente abordado no artigo, que se vincula mais as festas
judaicas. Talvez tal repetição venha mesmo legitimar o tema trabalhado, ao associar
e fixar a figura de Cristo a um ritual conhecidamente semita.
Somente estas duas figuras retratam Jesus, as outras 4 relacionam-se a
motes estritamente judaicos e só em uma, além, é claro, do calendário, percebemos
clara alusão às festas descritas.
Tais ilustrações ocupam parte considerável do artigo; a segunda delas (uma
das circuncisões de Cristo, a de L. Cândido) preenche mesmo uma página inteira,
duas outras meia página e as demais se alocam em alguma extremidade da
mesma. Quatro, das sete, não possuem créditos precisos, faltando, normalmente, a
datação a elas correspondentes.
O glossário traz esclarecimentos sobre três termos: levitas, gentios e Dias
Terríveis, sendo que este último em nenhum momento aparece no texto.

“Dezoito anos sem deixar vestígios”


Entrevista com Jacques-Noël Pérès, realizada por Alice Rolland e traduzida por
Celso Paciornik (p.36-39).

27
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.31 e 32.

17
Jacques-Noël Pérès é pastor da Igreja Luterana, professor de Patrística na
Faculdade de Teologia Protestante de Paris, na qual também exerce o cargo de
Reitor. Publicou uma tradução comentada da Epistola dos Apóstolos.
A revista interroga o entrevistado a respeito do “sumiço” de Jesus das
Escrituras por um período de 18 anos. O teólogo responde que somente existe
interesse na vida de Jesus, porque a “ fé cristã é a fé de um Deus encarnado”28; de
existência terrena e inserido numa história apresentada sobretudo na Bíblia. No que
diz respeito a esta, Noël Pérès, elencará uma série de questões referentes a sua
veracidade.
Afirmará que tal fonte de fato não contém todos os atos e falas de Jesus; as
lacunas foram preenchidas ou geradas por seus seguidores, que “conservaram o que
lhes parecia necessário e omitiram o que não tinha interesse imediato...”29. Mas tais textos
não constituem, para Noël (baseado em Oscar Cullmann), apesar disto, inverdades.
São “autênticos testemunhos de fé”30 assim como o próprio Evangelho.
As lacunas de sua vida são preenchidas por hipóteses, mas tal período de
ausência não é de importância vital para o teólogo, e se as hipóteses são buscadas
é por mera curiosidade, para se justificar os a priori que são formados a respeito de
Jesus, para “orientar a imagem que se vai dar dele”31. “Jesus é um personagem histórico”32
e para que não duvidem é preciso encontrar argumentos que atestem a sua
existência/vida, daí a busca das hipóteses.
Por se tratar de uma entrevista a análise por nós empreendida torna-se um
tanto quanto limitada, Noël Pérès responde a questões circunscritas e, portanto, não
lhe é concedido espaço para maiores explanações das quais mais facilmente
retiraríamos seus pressupostos científicos.
Apesar disto, a partir das respostas dadas, apreendemos uma certa
aproximação do entrevistado a um método historiográfico, mesmo que pouco
rigoroso. Mais de uma vez ele cita a importância das fontes na confirmação da
história, no caso, da de Jesus; da qual possuímos não só datas compatíveis com a
história conhecida, mas também personagens (como imperadores) que nos
deixaram rastros documentais, o que atestaria a existência daquele.

28
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.36.
29
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.38.
30
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.38.
31
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.39.
32
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.39.

18
Noël Pérès mantém uma posição crítica a respeito da fonte em que se baseia
(Bíblia), questiona a veracidade dos fatos que ela narra (muitas vezes impregnados
de caráter “maravilhoso”33) no entanto, não consegue se desvincular dela e acaba por
firmar sua autenticidade (levando em conta que a mesma é sobretudo um
testemunho de fé) dentro de padrões relativos.
Sua fala não se alicerça somente em tal texto sagrado, busca também os
apócrifos, cita Voltaire e Oscar Cullmann, a despeito de não nos fornecer maiores
informações sobre os mesmos. Desconhecemos a qual apócrifo ou a quais obras
destes autores ele se refere, afinal não há notas de rodapé, nem mesmo a
exposição da bibliografia utilizada.
Ilustrando o texto, existem duas pinturas que abrangem quase 50% do
espaço. Ambas relacionam-se a fatos mencionados pelo teólogo e apresentam-se
devidamente referenciadas. A primeira delas: “São João Batista no deserto”, de
Philippe de Champaigne, ocupa uma página inteira, enquanto a segunda (“Cristo do
Deserto” de Ivan Kramskoy) utiliza dois terços (2/3) da outra.
À diferença do comumente estabelecido, este artigo não possui glossário.
Nos é dado o nome de quem entrevistara o teólogo, mas nada além disto.

“Nas Províncias do Ocidente”


Por Catherine Salles, traduzido por Celso Paciornik (p. 40-45).

Catherine Salles é mestre de conferências em Paris X- Nanterre, Doutora e


Professora suplente de Letras Clássicas. Entre suas principais publicações
encontram-se: Les Bas- fonds de I´Antiquité - 1982; L´Antiquité Romaine – 2000;
L´art de Vivre au temps de Julie, fille d´Auguste – 2000 e Quand les dieux aux
hommes- Introduction aux mythologies grecque et romaine – 2003.
O artigo faz uma contextualização das Províncias do Ocidente na época de
Jesus.
A autora foca seu texto no Império Romano sob o governo do Imperador
Tibério. Este como sumo pontífice deveria preservar a religião tradicional e vigiar as
atividades de cultos estrangeiros. Um grupo que estaria provocando problemas: os
judeus. Estes estariam causando escândalos e atraindo além dos populares, a
nobreza. Com isso, Tibério teria tomado medidas contra eles.

33
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.36.

19
No artigo, a autora destaca o Imperador Tibério. Este aparece dezenove
vezes em apenas seis páginas de artigo. Ainda ressalta o fato de este ser
maltratado pela tradição histórica, que o apresenta como “...cruel, dissimulado e
corrupto.”34
Com relação às regiões romanizadas, também haveria problemas, como a
insurreição gaulesa, que levou estes ao conflito com os romanos que estariam tendo
problemas com os povos livres.
O artigo prossegue descrevendo a relação dos romanos com a África. Os
romanos teriam procurado consolidar as suas fronteiras africanas, teriam estendido
a sua dominação sobre o Saara ocidental, mas não teriam chegado a descobrir a
África negra. Assim como a África, o Oriente Médio era uma área problemática do
Império Romano, pois a fronteira com a Arábia precisava ser protegida contra os
povos vizinhos. Na região da Judéia no ano de 26 teria chegado Pôncio Pilatos, na
condição de procurador. Este teria causado muitos problemas com as populações
locais, principalmente ao criticar o judaísmo. Esta contextualização da região da
Judéia é importante para o entendimento do contexto da vida de Jesus, visto que
Pôncio Pilatos será o responsável pelo seu julgamento.
A autora não demonstra as fontes utilizadas, com exceção da citação do
geógrafo do século I Pompônio Mela.
Essa ausência de fontes prejudica o objetivo da revista de fazer um trabalho
com um caráter científico. Mesmo que, saibamos que não se trata de um trabalho
acadêmico, mas sim de uma revista voltada para o público leigo, a autora deixa a
desejar. Principalmente quando se utiliza claramente de juízo de valor. Mesmo
sabendo que em um trabalho é inatingível a imparcialidade total, pois o historiador é
influenciado tanto pela sua formação (pessoal e acadêmica), como pelo próprio
momento da história em que vive, deve-se procurar ao máximo a imparcialidade na
construção de trabalhos históricos.
Um exemplo desse uso de juízo de valor pode ser percebido com a descrição
de um episódio, no qual a autora vai retratar um conflito entre os frisões e os
romanos. Estes teriam obrigado os frisões a fazerem tarefas impossíveis de serem
cumpridas, e mesmo sabendo disso, os romanos teriam se apossado de suas terras
e vendido suas mulheres e crianças como escravos. A autora qualifica, então, os

34
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.43.

20
romanos como arrogantes. “A arrogância dos romanos provoca problemas ocasionais
com esses povos livres”35.
Outro fator que mostra a ausência de uma metodologia é o excesso de
adjetivação, como nos seguintes exemplos: “homem inteligente e ambicioso”,
“escândalos rumorosos”, “temíveis partos”36, dentre outros.
A autora utiliza-se de vocábulos que talvez possam ser questionados, como
por exemplo, na seguinte frase: “Os gauleses sabem tirar proveito dessa romanização”37.
O termo “tirar proveito” nesta frase adquire um sentido negativo, pois desconsidera
o processo dialético, que é comum a um acontecimento histórico, nesse caso tanto
os romanos acrescentariam aos gauleses, como vice-versa.
No artigo também há o uso pela autora de anacronismo em duas passagens.
Sendo a primeira a seguinte: “...essa insurreição gaulesa que não se confunde com um
movimento de sublevação nacional, resumindo-se a uma simples revolta local.”38. A autora
torna possível a utilização da palavra “nação” para o período tratado, porém, este é
um termo de uso complexo e que contêm uma conceituação talvez não adequada à
época. A outra passagem é “A Inglaterra fornecia ouro e estanho a Roma”39. Pode ser
que ao utilizar o termo “Inglaterra” a autora estivesse buscando facilitar o
entendimento do público leigo, mas o termo mais adequado seria, por exemplo, “a
região correspondente à atual Inglaterra”, visto que não existia a Inglaterra.
No artigo, a autora utiliza-se de uma Teoria de História de caráter marxista.
Pois, usa termos pertencentes a tal corrente historiográfica, como a palavra “classe”,
perceptível nas seguintes frases: “as classes superiores e a plebe...” e “... depois de ter
seduzido as classes populares de Roma...”40.
De modo geral a contextualização é bem feita, apesar do uso de termos
inadequados como os citados. A autora faz uma descrição simples, sem a utilização
de termos difíceis, o que facilita o acesso de todos à compreensão do artigo. Para
facilitar essa compreensão há no artigo um quadro de destaque sobre o Imperador
Tibério, que faz uma pequena biografia de sua vida pessoal e como homem público.
No quadro também há a inserção de Jesus, o que facilita a ligação do artigo com o
tema central da revista.

35
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.43.
36
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.41 e 44.
37
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.42.
38
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.43.
39
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.44.
40
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.41 e 42.

21
Ainda com relação a esse esforço didático há no final do texto um glossário.
Este apresenta três palavras, que apesar de relacionadas com o assunto do texto,
não estão inseridas nele.
Quanto à iconografia, encontramos cinco imagens. Todas apresentam os
créditos corretamente. Três são meramente ilustrativas, sendo que uma nada tem a
ver com o tema ou a época do artigo, pois é uma pintura de dois mil e quatrocentos
anos antes de Cristo, em que escravos egípcios colhem papiro às margens do rio
Nilo. Há outra imagem que apresenta um caráter argumentativo no texto, pois data
do período e comprova o assunto que está sendo tratado, isto é, a relação dos
romanos com a África, trata-se de um mosaico do século I, que mostra um barco de
caçadores romanos durante o período de cheia do rio Nilo.
A iconografia principal apresentada é a referente a uma escultura do busto do
Imperador Tibério, que data de cerca de 14-37. Esta ocupa uma página inteira e
encontra-se no início do artigo. O que demonstra a importância de Tibério nele,
tendo um sentido de ilustração quanto ao assunto tratado; também tem uma função
argumentativa, pois é uma cultura material que, pela data, confirma a existência
desse Imperador.

“Nas Províncias do Oriente”


Por Richard Lebeau, traduzido por Sérgio Blum (p. 46-51).

Richard Lebeau é historiador especialista em Antigüidade no Oriente


Próximo. Publicou: Une histoire dês Hébreux, de Moise à Jesús - 2002 e, mais
recentemente, um Atlas historique des Hébreux (Autrement)41.
O artigo contextualiza a época tratada pela revista no que se refere às
províncias do Oriente. Destacando Petra, Palmira e Alexandria, considerados
centros de irradiação do comércio mundial. Além de retratar a relação dos romanos
com estes centros, mostra também a inserção de produtos exóticos provenientes da
Arábia, da Índia e da China nos mercados deles.
Até a tomada de Petra no ano de 106, as caravanas na parte da Arábia eram
controladas pelos nabaetanos. Petra era considerada a “rainha do comércio
mundial”42.

41
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.51.
42
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.49.

22
Palmira tinha um papel importante entre o comércio do Oriente e Ocidente.
Destacava-se por suas águas sulfurosas e benéficas. Era uma parada obrigatória
entre o Oceano Índico e o Mediterrâneo.
Alexandria destacava-se como o farol da cultura clássica, em que se
desenvolvia a retórica, a filosofia, a medicina, a geografia, a geometria e a
astronomia.
Quanto aos produtos exóticos: da Arábia o maior interesse era pelo incenso e
pelas especiarias; da China a maior procura era pela seda.
Outro ponto de destaque no artigo é a guerra de três séculos que Roma
enfrentou com os partos pelo controle das rotas comerciais.
De modo geral, este artigo foge da problemática central da revista. Apesar de
ser feita uma contextualização, é difícil a percepção da relação desse contexto com
Jesus. Isto se dá apenas indiretamente ao se relacionar essas províncias com o
Império Romano. Mas, diretamente Jesus é citado em apenas duas passagens.
Uma na qual o autor mostra a possibilidade que algumas pessoas levantam de que
Jesus teria chegado ao Himalaia, devido a essas rotas comerciais. E a outra
passagem é ao falar do comércio do incenso e da mirra. Estes produtos encontrar-
se-iam relacionados a Jesus, segundo os Evangelhos “... produtos também citados nos
Evangelhos e levados pelos Reis Magos quando de sua visita a Belém. O ouro simboliza a
realeza de Jesus; o incenso, sua divindade; a mirra, sua morte”43.
Richard Lebeau apresenta algumas fontes que utilizou para a escrita de seu
artigo, por exemplo, ao citar Plínio, o historiador romano; o historiador grego Apião;
e o geógrafo grego Estrabão. Também cita os Evangelhos, e ainda levanta uma
hipótese pensada por alguns historiadores. Esta maior citação de fontes, apesar de
ainda ser pequena em comparação com o desejável, pode ser realizada devido à
própria formação do autor, que é historiador, fato que o levaria talvez a uma maior
preocupação com a utilização de fontes diversas, e de demonstrar o uso destas.
Apesar da contextualização ser explicitada de uma forma clara e explicativa,
aparecem termos no artigo que provavelmente são incompreensíveis para um
público mais amplo. Como, por exemplo, o termo “Pax Romana”44, dentre outros. No
caso do exemplo citado, deveria estar inserida no artigo uma explicação sobre o seu
significado. O glossário poderia conter mais de uma palavra e não apenas o termo
“Arábia”.

43
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.48.
44
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.48.

23
No sentido de tornar mais fácil a compreensão do artigo, aparece um quadro
de destaque, que disserta sobre a capital parta. Este quadro ajuda no entendimento
de um dos assuntos tratados, que são as guerras entre os romanos e os partas.
Quanto à utilização de conceitos relacionados à História, percebe-se um
conceito de inspiração da Filosofia da História de caráter laico na seguinte frase: “
No início de nossa era Alexandria não está mais em seu apogeu, e já não possui seus
palácios, teatros e templos”45. O termo apogeu sugere a idéia da composição de um
tempo cíclico, no qual todas as civilizações estariam fadadas a um ciclo que seria
composto por seu surgimento – apogeu – decadência, até resultar em seu
desaparecimento. No exemplo citado, Alexandria estaria em uma fase de
decadência, seguindo para o seu desaparecimento.
No que diz respeito às imagens do artigo, todos os créditos foram
apresentados corretamente. Ao todo são cinco imagens. Uma é um mapa do
Oriente, que apresenta um caráter didático, sendo importante para a construção do
texto, pois facilita o entendimento do assunto tratado, afinal ilustra as localidades
das regiões citadas. Há uma pintura, que retrata a relação entre os mercadores
árabes e o Ocidente; e duas fotos, uma ilustrando os mercados romanos, e outra
expondo um mercado romano do século III em Palmira, na Síria. A imagem mais
importante ocupa uma página inteira, e mostra o assunto a ser tratado, tendo
também uma função argumentativa. Esta é uma foto tirada em 2002 de um edifício
com influência greco-romana construído pelos nabaetanos, que se localiza em
Petra, na Jordânia.

“As correntes do judaísmo”


Por Simon C. Mimouni, traduzido por Celso Paciornik (p. 52-61).

Simon- Claude Mimouni, é diretor de estudos da seção de ciências religiosas


da EPHE ( Ecole Pratique des Hantes Etirdes), escola em que é titular da cadeira
“Origens do Cristianismo”. Simon estuda a história da formação do movimento dos
discípulos de Jesus dentro e fora do judaísmo nos séculos I e II. Após vários anos,
tornou-se diretor da “Revue des études juives”, fundada em 1880, assim como da
“Collection de la Revue des études juives”, publicada nas Edições Peteers. Dentre

45
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.50.

24
suas principais publicações destaca-se La Formation des communautés religieuses
dans lê monde gréco-romain - 200346.
Este artigo vai tratar da disseminação de vários grupos religiosos na
Palestina durante a época de Jesus. Há a disputa de poder entre as diversas
correntes religiosas, inclusive em Jerusalém. Situação que seria causada pela falta
de uma autoridade religiosa no século I, que fosse reconhecida além do sacerdócio
do Templo de Jerusalém, juntamente com uma relativa liberdade de expressão de
convicções religiosas.
Segundo o autor, o surgimento de grupos religiosos é possível, pois se vivia
na época uma atmosfera agitada de crises sociais endêmicas que favorecem o
surgimento de crenças esperançosas de um futuro melhor. Estas crenças são
marcadas por aspectos apocalípticos e por características proféticas ou
messiânicas. A origem dessas correntes seria explicada por uma explosão de
criatividade reformadora e purificadora em um momento de crise.
Segundo Flávio Josefo, destacariam-se quatro grupos religiosos: os
saduceus e os fariseus (judaísmo majoritário), e os essênios e os zelotas (que
seriam grupos marginais).
Também há o surgimento de grupos com tendências mais proféticas e
messiânicas. Dentre estes, destaca-se o dos discípulos de Jesus de Nazaré, que
formarão uma corrente no seio do judaísmo. A partir desta surgirá ramificações
como os nazoreus, ebionitas e elcasaitas.
A partir da contextualização do surgimento desses grupos, o autor vai
descrevê-los, destacando as idéias que defendem, fatos importantes ligados a eles
e suas peculiaridades. Inicia com a descrição dos saduceus, seguindo com a dos
grupos messiânicos de maneira geral. Depois vai expor os fariseus, seguido dos
essênios. Posteriormente descreve os zelotas e os sicários, e logo após os
nazoreus. Depois faz um apanhado geral sobre os grupos proféticos e sobre os
grupos batistas. Encerra o artigo inserindo Jesus Cristo nesse contexto religioso.
Esse artigo é importante para o tema central da revista, pois vai
contextualizar o aparecimento de Jesus e seus discípulos na Palestina. É um artigo
bem escrito, que além de descrever os grupos religiosos, insere-os em um contexto

46
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.61.
Disponível em: <http://www.editionsducerf.fr/html/fiche/ficheauteur.asp?n_aut=1472>. Acesso em: 10 de
junho de 2005.

25
mais amplo que é analisado, o que garante uma maior consistência ao texto, e não
apenas a exposição de idéias esparsas.
O autor apresenta suas idéias de forma clara e compreensível para um
público mais amplo.
No artigo tem-se a presença de problemáticas contemporâneas, como os
conflitos religiosos que ainda permanecem dois mil anos depois, assim como a
pergunta que inicia o seu artigo “E qual o lugar de Deus em tudo isso?”47.
Quanto às fontes utilizadas, o autor destaca Flávio Josefo em dois livros “A
guerra dos judeus” e em “Antiguidades judaicas”. Este autor é usado em vários
momentos, inclusive para descrever alguns grupos religiosos. Também fala em
fontes cristãs. Faz referência ao Novo Testamento, e expõe as dificuldades em se
encontrar fontes para determinados grupos: “...a documentação disponível é precária e
de difícil avaliação”48. Cita as fontes judaicas e também alguns escritores cristãos,
como Hegesipo (século II) e Epifânio (século IV). Este artigo é, de maneira geral,
bem embasado por fontes, principalmente se comparado com os outros artigos da
revista.
No que tange aos conceitos de História, o autor utiliza o termo “decadente”,
na seguinte passagem: “...em meio de uma sociedade em decomposição e de uma
realidade política e nacional decadentes”49. Este termo pode indicar uma referência à
idéia de tempo cíclico presente na Filosofia da História com caráter laico, pois ao
falar em decadência, indica que já houve um apogeu e que o próximo passo seria o
desaparecimento. Esta idéia é a que nos pareceu mais certa, porém como o autor
descreve o tempo todo no artigo um contexto de crise, este termo pode ser apenas
uma indicação a essa crise e não necessariamente essa sociedade estaria fadada
ao desaparecimento, pois o autor tem uma visão contemporânea e sabe por esta
que não houve o desaparecimento dessa sociedade, pelo contrário, o que houve foi
a expansão das idéias nela desenvolvidas.
Quanto à construção do texto o autor se contradiz, no que se refere ao
judaísmo. Primeiramente inicia expondo a idéia de que o termo judaísmo é
anacrônico para a época. Existiriam diversas correntes judaicas, com peculiaridades
próprias e bem diferentes umas das outras. “Antes do século II de nossa era, o que
chamamos, de modo anacrônico, de judaísmo é uma religião de contornos bem

47
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.52.
48
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.60
49
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.53.

26
diversificados, tanto no plano das crenças como no plano das práticas”50. Porém,
posteriormente no decorrer do texto o autor utiliza-se da expressão “nação
judaica”51. Este termo, além de possivelmente ser anacrônico, pois é discutível a
existência de uma no período; é contraditório, pois possibilita uma unidade com
características complexas ao que o autor expôs como grupos com contornos bem
diversificados.
Existem onze imagens no artigo. Sendo uma, a foto de um documento dos
Manuscritos do Mar Morto, que foram encontrados em 1947 nas cavernas de
Qûmram, Israel. Esta imagem encontra-se acompanhada por uma foto da caverna
mencionada. Há uma foto da Fortaleza de Masada, que foi o último lugar de
resistência dos judeus zelotas ao exército romano e que se localiza na região do
Mar Morto em Israel. Esta foto é um argumento do assunto que está sendo tratado,
e está alocada justamente na parte de descrição desses judeus. Há três pinturas
que são apenas ilustrativas, e não são importantes para a construção do texto. Há
também a imagem de dois mosaicos e do historiador Flavio Josefo. Há uma
iluminura do Manuscrito de Rabanus Maurus, e uma outra do Pentateuco de
Aegensburg, esta última tem ligação com o assunto do texto, porém não é
fundamental a este. De maneira geral os créditos estão corretamente colocados,
com exceção de duas imagens em que há a indicação de que são apenas
reproduções.

“O Templo: uma casa de Tráfico?”


Por Jeanne Chaillet, traduzido por Alexandre Massella (p. 62-69).

A biblista Jeanne Chaillet, diplomada em línguas semíticas antigas e


estudiosa do pensamento judaico presente nos Evangelhos, utiliza-se de narração
durante grande parte de seu artigo. Inicia pela descrição do Templo apresentando
sua importância econômica, social e política.
Descreve o mercado que se encontra ao redor do Templo dizendo que tal é o
local de comercialização de todos os artefatos utilizados durante os sacrifícios;
52
relata o “prazer” (sem se referir de onde retira essa caracterização) com que os

50
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.53.
51
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.55.
52
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.63.

27
habitantes de Jerusalém, judeus ou não, sobem ao átrio dos gentios e a busca de
esmolas por parte dos mendigos e doentes.
Passa a realizar uma descrição física/material e ao mesmo tempo
hierárquico-religiosa do Templo ao descrever os diferentes compartimentos do
edifício associando-os às práticas efetuadas e às pessoas autorizadas a entrarem
em cada um. Novamente, neste ponto, a autora deixa de lado a referência à fonte
utilizada; encontra-se apenas uma menção a Flávio Josefo em uma caixa de texto
inserida em uma figura que representa o Templo53.
54
Termina sua “visita” ao Templo e inicia sua apreciação descritiva da figura
que considera mais importante de Israel (religiosa e politicamente falando): o sumo-
sacerdote. Caracteriza Israel como uma teocracia, tendo o sumo-sacerdote como
dirigente e diz que este se eleva sobre as outras pessoas pelo fato de possuir
55
“santidade eterna” ; tal personagem possui tanto poder que, às vezes, ultrapassa
seus direitos ao permitir o comércio no Templo, retirando deste consideráveis
rendimentos.
Esta informação é central na articulação efetuada pela autora, pois é aí que
apresenta sua tese central: Jesus sela sua sentença de morte ao expulsar os
comerciantes do Templo; no entanto, não faz referência nenhuma de onde retira tal
informação. Deste modo podemos dizer que, mesmo havendo citações
referenciadas da Bíblia no decorrer do artigo, não se percebe a utilização de método
historiográfico na elaboração da argumentação.
Ao utilizar relatos bíblicos, embasando-se na linguagem e estrutura destes e
tratando as passagens como verdade, a autora imerge no conceitual religioso
judaico-cristão que possui como cerne o providencialismo. No entanto, ao expor sua
tese, emerge deste conceitual de caráter sagrado/sobrenatural e imerge em outro
de caráter terreno/material, pois a justificativa dada à sentença de morte de Jesus
configura-se por seu caráter político e econômico.
Das figuras utilizadas pode-se depreender que algumas delas possuem
apenas caráter acessório; este é o caso da foto de uma maquete da cidade de
Jerusalém56 e da primeira imagem apresentada no artigo juntamente com seu
título57. Contudo existem figuras que elucidam a “fala” da autora, como é o caso dos

53
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.64 e 65.
54
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.66.
55
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.66.
56
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.68.
57
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.62 e 63.

28
desenhos que simulam o Templo58, da pintura que representa um sumo sacerdote59
(que elucida, através de sua vestimenta, sua pompa e poder) e da figura que
representa a cena da expulsão dos mercadores por Jesus60.
À exceção de um desenho, todas as imagens encontram-se com seus
créditos, mesmo sendo estes, às vezes, vagos. Isto mostra a preocupação da
publicação em se mostrar ao público como instrumento de divulgação científica.
É interessante ressaltar também a disposição das figuras nas páginas
destinadas ao artigo. A primeira pintura, que ocupa um grande espaço e acima
considerada acessória, possui uma posição de destaque, já a pintura representando
a cena da expulsão, que ocupa um quarto de página, encontra-se no final do artigo
ao passo que a autora apresenta a idéia que se relaciona com tal figura numa parte
mais intermediária do texto. Essa aparente inversão da importância dada às figuras
pode ser esclarecida ao se ver tais figuras: a primeira prende mais a atenção do
leitor por suas cores e detalhes.
A presença de cronologia e glossário no artigo imprime um caráter didático à
revista, ou pelo menos deveria imprimir, pois a eficácia destes pode ser
questionada. Quanto à cronologia, pode-se dizer que é eficaz no que concerne às
informações passadas, mas deixa a desejar quanto à sua localização no artigo; já
em relação ao glossário o que se depreende é que deixa de citar e explicar palavras
que não são de grande conhecimento como, por exemplo: siclos, abluções,
dracmas.
Podemos então concluir que tal artigo não corresponde às expectativas de
um leitor que, ao se basear nas palavras da editora-chefe da publicação, busca um
trabalho científico. A inexistência de uma bibliografia, a falta de referência a uma
figura e falta de precisão em outras, a desconexão entre os componentes do artigo
(texto, figuras, glossário, cronologia) são fatores que dão base a tal idéia.

58
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.64, 65 e
67.
59
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.66.
60
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.69.

29
“As seguidoras do profeta”
Por Hélène Cillières, traduzido por Alexandre Massella (p. 70-75).

A autora deste artigo, Hèléne Cillières, é historiadora das religiões e


atualmente doutora pela Escola Prática de Altos Estudos (Sorbonne)61. A proposta
do artigo, que gira em torno de um novo olhar a respeito da condição da mulher na
época contemporânea a Jesus, encontra-se intrincada com o tema de suas
pesquisas: o estatuto da mulher na sociedade judaico-cristã dos dois primeiros
séculos. O fato de a autora ser uma historiadora já nos faz supor de antemão que
método e conceitos da História são utilizados na elaboração do artigo. Vejamos.
Inicia afirmando que tal tema é controverso desde o final do século XIX,
principalmente quando os objetos de análise são a literatura rabínica e a Bíblia.
Notamos aqui a falta da apresentação do debate historiográfico o que nos remete à
questão: a omissão partiu de sua parte ou de incentivo por parte dos responsáveis
pela publicação?
O texto do artigo estrutura-se da seguinte forma: apresentação da
problemática, seguida de sua tese e de sua argumentação. A problemática, como já
mencionado, recai sobre a discussão e respeito da condição da mulher na época de
Jesus; a tese passa a idéia de que a mulher possuía uma posição de certa
autonomia e de participação na vida pública; e a argumentação utilizada encontra-
se embasada em exemplos retirados da Bíblia, exemplos estes que ocupam a maior
parte da dissertação.
Algo notório na exposição de sua argumentação é o modo intuitivo do qual se
utiliza para atingir certos dados. Parte de uma afirmação que se encontra presente
na Bíblia e sobre esta afirmação passa a elaborar conjecturas sem comprovação
alguma (há de se fazer ressalva de que, se há comprovação, esta não é
explicitada), o que não caracteriza este artigo como um trabalho científico.
Quanto à referência a fontes ou bibliografia, a autora faz menção a escritos
de diferentes grupos judeus contemporâneos de Jesus e às fontes legisladoras
62
judaicas rabínicas (como a Mishná e a Tosefta) , mas durante o transcorrer do
texto os exemplos e citações utilizados são extraídos de uma única fonte: a Bíblia; o

61 Doutorado concedido em 2003, cf. disponível no site da EPHE: <http://www.ephe.sorbonne.fr/>.


Acesso em 02 de junho de 2005.
62
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.72.

30
que nos cria a dúvida quanto ao real conhecimento dessas primeiras por parte da
autora.
No que tange às imagens utilizadas, a análise que foi realizada nos levou à
seguinte reflexão: qual a possibilidade do uso de algumas imagens apenas como
recurso de diagramação (no sentido de se utilizar as figuras, pelo menos algumas
delas, como instrumento para ocupação de espaços)? Podemos chegar a esta
questão observando algumas características pertinentes às figuras: a localização e
a ordem na qual tais encontram-se no artigo não coincide com o trecho do texto ao
qual se associa; existe também a repetição de uma imagem através da
representação de um detalhe desta em outra página63; além do tamanho da maioria
das imagens as quais ocupam meia, uma e até uma e meia página.
Uma última questão que pode ser levantada a respeito deste artigo gira em
torno do tema deste. O tema refere-se à condição feminina e ao iniciar seu texto a
autora nos relata a controvérsia que este tema causa entre os especialistas desde o
final do século XIX. Isto nos serve como exemplo a duas afirmativas habituais entre
os historiadores: a primeira refere-se à influência que o presente do historiador
exerce sobre seu foco/objeto no passado, já que é no começo do século XX que o
movimento feminista toma força na sociedade ocidental e que atualmente a questão
da condição feminina está novamente em voga; e a segunda concerne ao raciocínio
da História, já que a existência da controvérsia sobre o tema nos mostra que na
História não existem verdades, mas sim procedimentos/formas de se trabalhar o
passado resultando na presença de diferentes visões sobre o mesmo tema.

“Jerusalém festeja a Páscoa judaica”


Por Richard Lebeau, traduzido por Alexandre Massela (p. 76-83).

O historiador Richard Lebeau, especialista em Egito e religiões do Oriente


Médio Antigo, é o autor de uma História dos Hebreus (edições Taillander) e do guia
cultural intitulado Síria-Jordânia (edições Arthaud) e colabora regularmente em
diferentes revistas dentre as quais se apresenta a Historia (França) de onde foram
traduzidos este artigo e um outro64, desta mesma edição de Grandes Temas.

63
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.72 e 74.
Na pág. 72 encontra-se um detalhe de A subida ao Calvário, óleo sobre tela de Jacopo Bassano e na pág.
74 existe um detalhe maior da mesma pintura.
64
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.46-51

31
A proposta do artigo é descrever a cidade de Jerusalém durante as
festividades da Páscoa judaica: o Pessach. Inicia relatando a importância de tal
festa na vida dos judeus, o significante papel que a cidade de Jerusalém possui
durante tal festa pelo fato de ser o local de concentração de dezenas de milhares de
peregrinos65 e as condições enfrentadas por estes peregrinos durante os sete dias
de festa.
66
Relata as condições “urbanísticas” da cidade. Então passa a descrever as
67
habitações da “cidade popular” e as da “classe média” , o local dedicado ao
comércio em volta da fortaleza Antônio, além do local onde vive a “alta sociedade
civil e religiosa". Passa então a uma descrição dos rituais realizados durante as
festividades, fornecendo a significação de alguns deles; diz que a preparação de
tais rituais é feita com antecedência de semanas. Termina o artigo expondo a
significação de tal festa ao povo judeu.
A minuciosa descrição, em diferentes aspectos, da cidade de Jerusalém
elaborada por Richard Lebeau, remete-nos a um ramo da História característico da
corrente historiográfica dos Annalles, o que busca realizar uma história do cotidiano;
contudo através do tempo verbal utilizado pelo autor em seu relato, podemos dizer
que parece realizar uma prática comum entre os historiadores da escola metódica
do século XIX. Portanto, sua posição no respeitante à corrente historiográfica não
nos fica clara.
O autor não se utiliza de citações ou referências. Isso se configura em grave
falta, do ponto de vista metodológico, ao se tratar de um texto descritivo, ou seja,
um texto recheado de informações. Um especialista pode até reconhecer as fontes
ou bibliografia utilizada por Lebeau, mas e quanto ao leigo? E se esse duvidar da
veracidade das minúcias apresentadas?
A presença de uma ilustração representando a cidade de Jerusalém no
século I68 imprime um caráter didático importante. Ao menos deveria, pois se
observa alguns desencontros entre o descrito pelo autor e o representado na figura.
Eis dois exemplos: no texto temos: “... cidade popular, construída sem grandes
cuidados urbanísticos. (...) As casas se encavalam...” 69 e “As ruas tortuosas da cidade

65
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.76.
66
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.79.
67
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.79.
68
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.80 e 81.
69
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.79.

32
descem para o Templo...” 70 enquanto que o desenho concebe uma organização entre
as casas e ruas retas em direção ao Templo.
Outro desencontro entre texto e desenho (que, por sinal, é o mesmo acima
71
mencionado) refere-se à grafia do nome de um local da cidade de Jerusalém: a
fortaleza Antônio. Tal desenho apresenta o local como fortaleza Antonia mesmo que
o texto ofereça o nome desta da forma como grafada antes (acima). Não se pode
excluir a possibilidade de que tal fortaleza possa ser chamada dos dois modos
apresentados, contudo essa possibilidade deveria encontrar-se registrada, no intuito
de não promover dúvidas ou conflitos.
Em relação às demais figuras pode-se dizer que estas apresentam uma
característica em comum: seu caráter anódino. A representação de A páscoa na
72
Sagrada Família de Dante Gabriel Rossetti possui uma relação com o tema da
revista, porém ao artigo específico não, já que não há referência a Jesus, nem à sua
família, durante o transcorrer da descrição.
Enfim, a análise de tal artigo nos leva à conclusão de que seu autor, o
historiador Richard Lebeau, mostra-se um grande exemplo da idéia transmitida por
Langlois e Seignobos ao escreverem que “Devemos ler os trabalhos dos historiadores
73
com as mesmas precauções críticas de que nos cercamos quando lemos documentos ”.

“Diante de seus juizes, o acusado se cala”


Por Yann Le Bohec, traduzido por Celso Parcionik (p. 84-91).

Yann Le Bohec é professor de história romana da Universidade de Paris IV –


Sorbonne e autor de César, chef de guerre (éd. Du Rocher, 2001), L’Armée romaine
du Haut-Empire (Picard, 2002) e de Histore militaire des guerres puniques (ed. du
Rocher, 2003).
Neste artigo, o autor procura analisar o processo de acusação de Jesus –
levando em consideração o direito romano da época – e se ele teve um julgamento
justo.

70
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.80.
71
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.80 e 81.
A Jerusalém do século I, ilustração de Krika.
72
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.83.
73
Ch. V. Langlois, Ch. Seignobos, Introdução aos estudos históricos. São Paulo: Ed. Renascença, 1946,
p. 161.

33
Começa argumentando o fato que o processo romano constituía-se de três
pessoas envolvidas: o acusador, o acusado e o juiz (os anciões representando a
mora, Jesus e Pôncio Pilatos). O agravante no caso de Jesus era o fato de ele
pertencer a uma categoria que não detinha o privilégio da cidadania romana, a
categoria de peregrino, o que não o permite apelar da sentença.
De acordo com as leis romanas, é necessária a presença do acusado perante
o juiz para que ele possa tomar conhecimento do julgamento e, em caso de
necessidade, é requisitada o envio de soldados ou de uma milícia para forçá-lo a
estar no tribunal ou, em caso de ausência do acusado, reconhecer a culpa e ser
condenado. Conforme descrito na Bíblia, Jesus foi capturado pelos homens dos
sumos sacerdotes para então ser levado ao oficial romano.
Como Pilatos era a principal autoridade romana na cidade, o processo judicial
de Jesus foi classificado como “extraordinário” porque Pilatos era a pessoa que
tanto julgava quanto sentenciava, diferentemente de Roma, no qual o processo era
classificado como “formular” justamente por existir a presença de um magistrado
que redigiria o processo (a fórmula) ouvindo as duas partes para depois encaminhar
essas anotações a um corpo de juizes que fariam o julgamento.
Para que o processo de acusação de Jesus chegasse ao governador e,
portanto, o único com o poder para sentenciar à morte, era necessário uma
acusação grave de afronta ao império, no caso, o argumento que ele teria se
declarado rei dos judeus. Como o acusado manteve-se em silêncio restou ao juiz
condená-lo à morte. Como enfatiza o autor, Jesus, não dispondo de recursos para
pagar um advogado que o defendesse, pertencendo à categoria de peregrino e
mantendo-se mudo durante o processo, teve um processo justo conforme o direito
romano.
Infelizmente o autor menciona apenas trechos da Bíblia e não menciona a
fonte que utilizou para argumentar o seu texto e a matéria também não proporciona
uma bibliografia sobre o direito romano.
A matéria é apresentada com material iconográfico de acordo com o tema
abordado (a acusação de Jesus), tendo os nomes das obras descritos assim como
os devidos créditos. Um pequeno glossário ao final é apresentado assim como um
box, no meio do artigo, mencionando os tipos de castigos que poderiam ser
impostos conforme a categoria social do acusado.

34
Para o público geral a matéria traz informações adicionais quanto à advocacia
e o processo de julgamento e suas variantes, se caracterizando por dar uma
conotação mais jurídica do que parcial ao julgamento de Jesus como a que é
apresentada pela Bíblia mas, para um público que desejasse se informar mais a
respeito, carece de informações básicas anteriormente mencionadas.

“As primeiras decorrências de sua morte”


Por Jacques-Noël Pérès, traduzido por Celso Paciornik (p. 93-97).

Jacques-Noel-Peres, como já mencionado, é pastor da Igreja Luterana,


professor de patrística (estudo dos pais da Igreja) na faculdade de Teologia
Protestante de Paris.
Iniciando a matéria com a narração que os evangelhos fazem a respeito dos
primeiros dias após a morte de Jesus, o autor procura mostrar as diferentes versões
sobre a ressurreição de Cristo deixando bem claro que tal fato não fora presenciado
por ninguém.
Ao morrer numa tarde de Sexta-feira, horas antes do sabat, o corpo de Jesus
foi reclamado, segundo os evangelhos, por alguém chamado José de Arimatéia
para que o morto não ficasse exposto durante esse período religioso. Mencionando
o fato de o defunto receber os seguintes adornos fúnebres após o sabat e que,
nessa época, era costume enterrar os mortos em grutas escavadas com essa
finalidade, o teólogo Jacques-Noel-Pérès procura mostrar como os evangelhos
trabalham de uma forma incoerente entre si, com a figura de José de Arimatéia,
chegando à conclusão que não se pode fundamentar nada no que se refere a esse
personagem pela falta de fontes a seu respeito.
Sobre os fatos que se seguiram na madrugada da ressurreição, o autor faz
uma análise tanto dos cânones católicos quanto dos apócrifos levando o leitor a
aceitar a sua argumentação que os textos a respeito desse episódio procuram dar
uma visão particular e que divergem entre si.
Seguindo uma linha apoteótica, o texto começa com a tristeza que se seguiu à
morte de Jesus, a falta de orientação por parte dos seus seguidores, a dúvida
quanto à esperança e, por fim, o triunfo sobre a morte e o retorno da esperança e
alegria. Como o próprio autor enfatiza, a ressurreição é uma questão de fé e que
nenhuma prisão é definitiva: Jesus foi ao encontro dos seus seguidores, que se

35
encontravam trancados e com medo numa sala, assim como retornara do reino dos
mortos.
Texto curto fechando a revista e a saga de Jesus, com iconografia referente ao
assunto tratado devidamente creditada e de acordo com o tema. Glossário ao final
abordando apenas duas localizações.
A matéria procura apresentar as diferentes versões sobre a ressurreição
apenas baseada nos evangelhos, cabendo à pessoa que se interesse pelo assunto
procurar por fontes que relacione algum fato estranho que tenha ocorrido no
domingo de páscoa e, justamente por carecer de um relato mais fidedigno, ficando
mais no campo da crença do que do empírico. Única matéria na revista cuja
explicação fica embasada em conceitos abstratos (fé) explicados pelo teólogo sem
nenhum embasamento arqueológico ou até mesmo documental a respeito de tal
acontecimento, cabendo ao leitor simplesmente aceitar ou não o que está escrito na
Bíblia. Além disso, fica faltando uma análise sobre Jesus do ponto de vista dos
judeus, de acordo com fontes da época ou, seguindo o enfoque que a revista
preferiu dar ao assunto, uma matéria escrita por um judeu sobre esse tema.

36
CONCLUSÃO

A partir da análise individual dos artigos, percebemos que a revista não


alcança o objetivo a que se propõe, qual seja o de promover a divulgação de
material científico. De modo geral não há emprego de metodologia adequada à
História (bibliografia, referências, busca por máxima imparcialidade, análise
documental, etc.) e também existe um abuso de práticas das quais os historiadores
buscam se distanciar (anacronismo, argumentação pautada sobretudo em descrição
e/ou sobre um único documento). Se o patamar da cientificidade não é alcançado, a
revista também não abarca o público leigo já que o linguajar utilizado, em muitos
momentos, é inacessível a este público – muitas vezes empregam-se termos com o
pressuposto de que estes sejam previamente conhecidos.
O problema metodológico relacionado à bibliografia utilizada em cada artigo é
a sua não-exposição em separado; sua apreensão está sujeita, no limite, ao
decorrer do texto, quando o autor se dispõe a oferecê-la. A mesma questão se
coloca no concernente às referências, não há rigor na apresentação destas, pois
faltam informações que caberiam, por exemplo, a uma nota de rodapé.
Nota-se estas faltas na seguinte passagem: “ ‘Fecunda e pródiga,’ escreve o
historiador judeu do século I Flávio José (sic), ‘coberta de todo tipo de árvores, incita à
cultura mesmo os menos laboriosos: assim ela é toda explorada; nenhum campo está
abandonado. São muitos os burgos e as cidades, pois o alimento é abundante nessa
região”74; a despeito de conhecermos quem é o autor, falta-nos a informação
referente à obra na qual esta citação se aloca; situação ainda mais agravada pela
inexistência da bibliografia utilizada.
Em alguns artigos ocorre o uso indiscriminado de juízos de valor. Mesmo que
estes sejam, de certa forma, inerentes ao trabalho historiográfico, o historiador
procura sempre minimizá-los, prática esta que não percebemos em alguns
momentos na revista, sendo um exemplo disso o seguinte trecho: “A arrogância dos
romanos provoca problemas ocasionais com estes povos livres”75.
No que tange ao aspecto documental não há, aparentemente, uma exaustiva
e/ou devida exploração. Dá-se, por vezes, a utilização de uma única fonte sobre a
qual embasa-se toda a argumentação, fugindo à premissa metodológica de
confronto dos documentos. Voltando-nos à argumentação, mais precisamente à sua

74
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.23.
75
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.43.

37
composição, verificamos a excessiva utilização de método descritivo que nem
sempre apresenta-se proporcionalmente aliado à análise.
Problemas quanto a anacronismo, mesmo que em menor medida, são
também encontrados na utilização dos seguintes termos: identidade nacional76,
Inglaterra77, entre outros.
A falta de rigor metodológico pode ser depreendida da presença, entre os
autores, de muitos especialistas de áreas diversas que não a História. De quatorze
artigos, apenas cinco são redigidos por historiadores (dos quais dois possuem o
mesmo autor); os nove restantes são de autoria de biblistas, teólogos, jornalistas,
mestres de conferências, etc. A partir desta constatação torna-se mais
compreensível a não-utilização de conceitos estritamente historiográficos e o fato de
Teorias de História serem praticamente inexistentes ou quase imperceptíveis.
Deslocando-nos dos aspectos textuais em direção a esferas mais amplas,
deparamo-nos com a temática que, de certa forma, aborda assuntos em voga
atualmente, tais quais os relativos à história da família ou mesmo da condição
feminina na sociedade. Num certo sentido, este fato nos remete a avaliação de
quanto o presente influencia o historiador em sua análise do passado, direcionando-
o a determinados objetos/temas que se encontram patentes em sua vida
contemporânea.
A publicação esforça-se em alocar os artigos segundo uma ordem
cronológica da vida de Jesus, sem deixar de vislumbrar o contexto histórico a ele
correspondente. Há, inclusive, a existência de um artigo78 que talvez tenha por fim
encadear todos os demais; apresenta-se estruturado em forma de perguntas e
respostas (verdadeiro ou falso) vinculadas aos temas posteriormente tratados. Isto
talvez se insira no bojo de um esforço didático da revista da qual também faz parte
os Glossários (mesmo que estes não elucidem todas as questões), cronologias,
quadros de destaque e a indicação de livros, apresentada ao final. Quanto a esta,
não nos é possível perceber o quanto se vincula a bibliografia utilizada ao longo da
revista, na medida em que é elaborada por Luthero Maynard (editor) e Nicolas Farfel
(editor-assistente), ambos pertencentes à redação da publicação brasileira. Tal
seção possui mais um caráter de “saiba mais” do que de referências stricto senso.

76
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.69.
77
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.44.
78
HISTÓRIA VIVA – GRANDES TEMAS. São Paulo: Duetto Editorial, nº 1, dezembro 2003. p.8 e 9.

38
Centrando-nos nos aspectos visuais do trabalho, concluímos que boa parte
da iconografia visa menos elucidar aspectos do texto79 que chamar a atenção do
público leitor ou mesmo ocupar espaço. Seguindo o padrão já determinado pela
revista e mencionado por Miriam Ibañez, grande parte das iconografias é de autoria
de pintores famosos que retrataram a época em questão. As fotografias utilizadas
provêm de uma empresa especializada na venda de fotos para publicidade em
geral80; quanto à aclimatação dos artigos, num sentido cromático, é interessante
notar a intencionalidade pejorativa no que tange aos romanos: são as únicas duas
vezes em que a cor preta é utilizada.
Também nos foi afirmado por Miriam que o trabalho iconográfico da edição
brasileira independe da francesa; quanto a isto nos foi possível averiguar, por meio
e consulta ao site desta publicação81 que a edição brasileira utiliza-se de algumas
poucas imagens as quais simplifica.
Segundo Ibañez no contrato firmado com a revista francesa estabelece-se a
reprodução de um número mínimo de matérias daquela revista, o que não justifica a
reprodução total presente na revista analisada sendo isso constatado por meio da
dita consulta ao site francês.
A reprodução de artigos franceses requer um trabalho de tradução, o qual
segundo Ibañez é realizado não por historiadores, mas por profissionais com
formação em Letras “conhecedores” da história. A mesma afirmara ser o conteúdo
da matéria, por vezes sujeito a cortes e, a despeito da mesma garantir que a idéia
geral não seja prejudicada, isto nos faz questionar a qualidade de tal material.
Também nos foi possível averiguar um certo esforço da edição de não tratar
o assunto de forma polêmica, certamente no intuito de abarcar um público amplo, já
que não ofenderia a crença dos religiosos e da mesma forma não deixaria de
contemplar as expectativas dos demais, depreendendo-se então, a importância da
questão de mercado na confecção de tais publicações. Não devemos esquecer que
este tipo de material visa mais retorno financeiro do que propriamente um
comprometimento educacional-científico.
Neste âmbito, cabe a análise da proposta da edição pela busca do Jesus
histórico. Ou seja, inserido numa história documentada, atestada também por

79
Que seria, segundo Miriam, um dos critérios para a seleção das imagens.
80
Após uma busca virtual foi encontrado o site de tal empresa. Trata-se de uma empresa brasileira
especializada nesse tipo de trabalho. Disponível em: <www.stockphotos.com.br>. Acessado em: 09 de
maio de 2005.
81
Disponível em: <www.historia.presse.fr> . Acessado em: 02 de junho de 2005.

39
escritos não-bíblicos, o que resulta em uma certa desmistificação de sua figura
através da comprovação de sua existência. A temática da revista apresenta-se
como “uma faca de dois gumes” visto que, ao mesmo tempo em que poderia negar
a figura religiosa de Cristo ao retirá-lo de sua aura divina, fortalece o mesmo pois
comprova a sua realidade e ao humanizá-lo torna-o mais próximo e crível.
Este tema religioso pode ser explicado pelo contexto em que se encontra
inserido. Contexto este de reflexão e questionamento da fé católica. O catolicismo
vem sendo abalado pelo fortalecimento de outras religiões e o aumento do ateísmo.
O fortalecimento de tal temática religiosa pode ser averiguado pela enorme
afluência de publicações em torno deste tema.
Os últimos elementos analisados são a capa e as propagandas da revista.
Estas últimas restringem-se à própria Duetto Editorial; divulgam as demais revistas
por ela então publicadas, mais precisamente a primeira linha dessas publicações
(“História Viva”, “Scientific American”, “Ensino Superior” e “Bravo”). Quanto à capa
percebemos a preocupação de apresentar, em poucos tópicos, todo o assunto
presente na revista; um desses tópicos chamou, especialmente, a nossa atenção
por possuir caráter apelativo ao sugerir a solução de “pontos obscuros”,
despertando desta forma a curiosidade do leitor. A foto apresentada destoa, de
certa forma, da proposta da revista ao passo que nos fornece uma imagem de
Cristo mais ligada ao mito (uma das passagens mais marcantes de sua trajetória: o
Calvário) do que ao homem. Quanto ao aspecto físico deste homem, existe uma
maior aproximação do europeu (visão idealizada e mais tradicional) do que do
asiático.
É importante ressaltar que as críticas tecidas foram, sobretudo, motivadas
pela afirmação da editora-chefe de que tal material era de viés científico; afinal não
podemos considerar, em vista das demais presentes no mercado, tal publicação
ruim. A despeito de não alcançar um método historiográfico, há certa preocupação
estrutural na revista, perceptível pela inclusão dos créditos das imagens (mesmo
que não em todas), dos autores e também pelo esforço didático (mesmo que não
eficaz).
Portanto concluímos que o material analisado pode ser situado em um nível
intermediário: não atinge em sua plenitude um público acadêmico/científico, da
mesma forma que não contempla um público mais leigo.

40
REFERÊNCIAS

Bibliográficas

BLOCH, Marc. Apologia da historia ou o oficio do historiador. Rio de Janeiro: Jorge


Zahar, 2001.
CARDOSO, Ciro F.;VAINFAS, Ronaldo (Org.). Domínios da História: Ensaios de
teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Campus, 1997.
CERTEAU, Michel de. A Escrita da História. Tradução de Maria de Lourdes
Menezes. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1982.
GARDINER, Patrick (Org.). Teorias da História. Lisboa: Gulbenkian, 1974.
LANGLOIS, Ch. V. ; SEIGNOBOS, Ch.. Introdução aos estudos históricos. Trad.
Laerte de Almeida. São Paulo: Renascença, 1946.
LE GOFF, Jacques; NORA, Pierre (Dir.). História - Novos Problemas, Novos
Objetos, Novas Abordagens. Tradução de Theo Santiago et al. Rio de Janeiro:
Francisco Alves, 1976, 3 vols.
VIEIRA, Maria do Pilar de Araújo; PEIXOTO, Maria do Rosário da Cunha. A
Pesquisa em Historia. São Paulo: Atica, 1989.

Documento eletrônico e Sites consultados

EPHE. Disponível em: <http://www.ephe.sorbonne.fr/>. Acessado em 02 de


junho de 2005.
HISTORIA. Disponível em: <http://www.historia.presse.fr/>. Acessado em: 02 de
junho de 2005.
HISTÓRIA VIVA. Disponível em: <http://www.historiaviva.com.br/>. Acesso em:
25 maio de 2005.
IBAÑEZ, Miriam. Resposta ao e-mail [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por
<leandro_usp@hotmail.com> em 12 maio de 2005.
STOCK PHOTOS. Disponível em: <http://www.stockphotos.com.br/>. Acessado
em: 09 de maio de 2005.
<http://www.seix-barral.es/fichaautor.asp?autor=130>. Acesso em: 02 de junho de
2005.
<www.iptheologie.asso.fr>. Acesso em: 03 de junho de2005.

41
<http://www.estacaoliberdade.com.br/autores/celso.htm>. Acesso em: 10 de junho
de 2005.
<http://www.editionsducerf.fr/html/fiche/ficheauteur.asp?n_aut=1472>. Acesso
em: 10 de junho de 2005.

42
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

5233016 – Ricardo Silva Nascimento da Solidade

BBC HISTORY MAGAZINE


Uma análise da publicação editorial, mercado e
abordagem historiográfica

TEORIA DA HISTÓRIA I (Noturno)


1º Semestre / 2005
Profa. Dra. Raquel Glezer

24 de Junho de 2005
ÍNDICE

ÍNDICE ...............................................................................Erro! Indicador não definido.


INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 3
A BBC E O MODELO DE MÍDIA PÚBLICA .................................................................. 4
HISTÓRIA..................................................................................................................... 4
O MODELO DE MÍDIA PÚBLICA .............................................................................. 5
BBC : ESTRUTURA ORGANIZACIONAL.................................................................. 7
O MERCADO EDITORIAL E A PRODUÇÃO EDITORIAL DA BBC ............................ 9
UMA INDÚSTRIA GLOBALIZADA ........................................................................... 9
MERCADO DE PERIÓDICOS.................................................................................... 10
BBC: PRODUÇÃO EDITORIAL ................................................................................ 11
A ANÁLISE DA PUBLICAÇÃO BBC HISTORY MAGAZINE .................................... 13
PARTE 1: ANÁLISE ESTRUTURAL DA PUBLICAÇÃO............................................. 14
A MISSÃO DA PUBLICAÇÃO .................................................................................. 14
O PROJETO EDITORIAL........................................................................................... 16
AS MATÉRIAS DE DESTAQUE................................................................................ 18
O CONTEÚDO COMPLEMENTAR........................................................................... 20
PARTE 2 : ANÁLISE DA ABORDAGEM HISTORIOGRÁFICA.................................. 21
A HISTORIOGRAFIA BRITÂNICA E A SUA PERIODIZAÇÃO PADRÃO............. 21
EXEMPLO: ANÁLISE DE HISTÓRIA EM PRODUÇÕES CINEMATOGRÁFICAS 25
O CONSELHO EDITORIAL ACADÊMICO E SUAS LINHAS DE PESQUISA........ 26
CONCLUSÃO................................................................................................................. 33
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA .................................................................................. 34

TEORIA DA HISTÓRIA I 2
INTRODUÇÃO

A difusão de conteúdo e conhecimento histórico, através de publicações


voltadas tanto para o segmento acadêmico quanto para uma divulgação geral
sempre foi uma forma de atuação dos diversos grupos acadêmicos e do
pensamento historiográfico como comunidade. Aliada também as necessidades de
demanda tanto para a pesquisa quanto para o consumo do leitor comum como
bem ao debate historiográfico, numa forma acessível ao público, suscita questões
que busquem entender os fenômenos editoriais e de como esse conhecimento
altamente especializado é distribuído por esse mesmo mecanismo de
popularização. Esse movimento, de um conteúdo altamente qualificado e de
objetivo científico para uma de divulgação geral e homogeneizada – pela própria
natureza editorial, de massas –, é um dos objetivos da presente análise.

O segmento editorial das publicações historiográficas e, mais


especificamente, das revistas especializadas em história voltadas ao grande
público, levam a questões de como estas têm se guiado na condução de suas
estratégias editoriais e como se relacionam com o público leitor. A proposta desta
análise é explicar os aspectos quantitativos, qualitativos e estéticos de uma
publicação que será objeto de uma observação metodológica e empírica, e
também fatores que influenciam ou são influenciados quando todos os
mecanismos associados no empreendimento de uma publicação, de um projeto
editorial, em outras palavras, o mercado editorial. A visualização sobre este
mercado, sobre o público-alvo na qual este é destinado e a relação – muitas
vezes bi-direcional – entre editor e leitor, tão comuns às ferramentas que
permitam a percepção da audiência por estas publicações, são objetivos comuns
desta proposta.

Este documento está dividido em duas partes principais, baseando-se


análise uma publicação específica, de um mercado específico. A publicação
editorial a ser analisada é a BBC History Magazine, editada pela BBC
Worldwide Limited, no Reino Unido. O primeiro aspecto a ser abordado é o
mercado em que essa publicação está inserida, procurando dados que expliquem
quais os propósitos desse empreendimento editorial, seus objetivos, suas
segmentações e que público ela destina. Através de uma perspectiva
independente e procurando os dados mais imparciais possíveis, será possível
identificar as causas e as conseqüências mercadológicas dessa publicação.

TEORIA DA HISTÓRIA I 3
O segundo aspecto aborda a publicação de uma perspectiva mais interna à
seu projeto editorial, ou seja, as várias características no que se refere a essa
revista, tais como a estrutura editorial, a forma de como são abordados os
assuntos, em que se baseia a pauta, informações técnicas e a sua visão
historiográfica -- e como esta se relacionam com o seu público-alvo. A missão da
publicação e o seu resultado, tanto pelo conteúdo quanto através da estética,
serão também tema de análise deste trabalho. A análise dos autores e dos vários
membros que compõem a operação da publicação – editor, conselho editorial e
colaboradores – tem o objetivo de trazer à luz esses conceitos no
desenvolvimento editorial da revista e de seus preceitos.

A escolha dessa revista deu-se numa motivação em estabelecer um paralelo


entre o mercado editorial brasileiro e como estas se inter-relacionam com este
mercado editorial britânico. Serão tratadas as especificidades editoriais
principalmente analisando sua estrutura organizacional e de como esta está
dentro de um modelo particularmente distinto de mídia, que é o modelo público
de mídia, representada pelo grupo gestor desta publicação, a British
Broadcasting Corporation, estabelecida também no Reino Unido.

A BBC E O MODELO DE MÍDIA PÚBLICA

HISTÓRIA

A British Broadcasting Corporation (BBC) foi


estabelecida em 1927 através de um processo de concessão
(mais especificamente existente no Reino Unido e no Canadá) O logotipo da
BBC.
chamado Cartas de Patentes Reais (Royal Charter). Essa forma
de concessão é uma prerrogativa da realeza britânica que dá um status especial
ao um grupo ou comunidade de negócios, escolas ou instituições de caridades. Na
história, órgãos como a Companhia das Índias Britânicas (existente entre 1600 e
1858) tiveram a concessão dessa mesma carta de patente real e até hoje são
concedidas em nome do monarca, através do Departamento do Patrimônio
Nacional (Department of National Heritage). Esse documento define a
constituição da organização, qual suas prerrogativas e funções, bem como o
objetivo último que é servir às necessidades da sociedade britânica.

TEORIA DA HISTÓRIA I 4
No caso da BBC, a carta de patente real tem uma validade de 10 anos,
podendo ser renovada indefinidamente. A atual carta data vale de 1996 a 2006.
O estatuto incluso no texto desta carta dá à BBC o seu caráter de rede pública de
mídia e afirma a sua independência editorial, aspecto este que será abordado
mais adiante.

Nos anos subseqüentes, as atividades que originalmente seriam centradas


na transmissão de noticiários via rádio se tornam mais abrangentes às novas
tecnologias, tais como as primeiras transmissões televisivas em 1936. A
transmissões de rádio e TV vieram a ter grande importância e definiram
momentos nacionais, como por exemplo durante a II Guerra Mundial, com os
correspondentes de guerra (war correspondents). “Joseph Goebbels, o chefe de
propaganda de Hitler, dizia que a rádio BBC ganhou a ‘invasão intelectual’ na
Europa.”1

Com a consolidação e a evolução técnica nas décadas seguintes, a BBC se


torna referência em jornalismo e expande sua produção de programas, séries e
documentários. Mais recentemente aproxima-se e implementa novas tecnologias
como a Internet e a diversifica suas operações, como os empreendimentos no
mercado editorial e na venda e distribuição de direitos autorais. Sempre, em
todas as operações, mantendo o preceito elemento fundamental da
independência, seja de governo, ou forças de mercado.

O MODELO DE MÍDIA PÚBLICA

Esse tipo de conglomerado de mídia associada ao modelo da BBC é


denominado mercadologicamente de mídia de fundo publico, e é até hoje, a
forma dominante de transmissão (broadcasting) no mundo. Existente em
diversos países no mundo atualmente e tendo a BBC o exemplo mais
representativo desse modelo. Essa forma coexiste hoje com os conglomerados
comerciais, estes voltados para uma diversificação de fontes de receitas, como
comerciais e TVs por assinatura, esta atualmente a forma dominante de
transmissão nos Estados Unidos e na América Latina. Um terceiro tipo de
transmissão são as redes estatais, estabelecidas pelo Estado e objetivadas a
informar sobre as atividades de governo. Essa tríade delimita os modelos

1
http://www.bbc.co.uk/heritage/story/1940s2.shtml

TEORIA DA HISTÓRIA I 5
atualmente existentes, cada um com suas regulamentações, formas de operação
e responsabilidades distintas.

O modelo de transmissão pública, como forma geral, conta com uma fonte
de receitas fixa através de doações ou taxas de indivíduos, ou através de
subsídios estatais. No caso da rede britânica, a forma de obtenção de receitas é
através de uma taxa de licenciamento de TV, no valor de 9,67 libras esterlinas2
para cada proprietário de um televisor no Reino Unido, totalizando 126,50 libras
anuais3. A decisão desse valor da licença fica a cargo da Secretaria de Estado
para a Cultura britânico e realizado operacionalmente por uma organização local
no Reino Unido chamada TV Licensing ®, que além de fazer a coleta dessa taxa,
promove a orientação pública sobre a importância da compra de uma licença de
TV e de sua importância pela natureza pública desta rede através de campanhas4.
Tudo isso permite que a BBC mantenha sua independência política, de acionistas
e influências comerciais.

A tabela a seguir lista algumas importantes redes públicas existentes hoje


no mundo:

TABELA 1: ORGANIZAÇÕES DE MÍDIA DE CARÁTER PÚBLICO NO MUNDO

SIGLA NOME PAÍS ANO

CBC Canadá Broadcasting Corporation Canadá 1936

PBS Public Broadcasting Service EUA 1969

NHK Japan Broadcasting Corporation Japão 1926

ABC Australian Broadcasting Corporation Austrália 1932

- Radio France França 1975

RAI Radiotelevizione Italiana Itália 1954

2
http://www.bbc.co.uk/info/licencefee/. Dados de 2003/2004.
3
Para as televisões em preto-e-branco o valor é de £42. Não há licenciamento para rádio.
4
Para maiores informações em como funciona esse licenciamento e suas campanhas de conscientização
popular da TV pública, consultar http://www.tvlicensing.co.uk/aboutus/index.jsp

TEORIA DA HISTÓRIA I 6
BBC : ESTRUTURA ORGANIZACIONAL

Manter a forma independente da BBC é responsabilidade de um conselho de


governadores (board of governors), apontados pelo monarca e ratificados pelo
parlamento britânico; além de um contato direto com diversos conselhos locais,
representes dos interesses dos espectadores (advisory bodies). As operações
ficam a cargo de um conselho executivo (executive board). Dentre as
prerrogativas do conselho de governadores estão5:

• Aprovar metas e estratégias gerais


• Definir objetivos
• Monitorar performance
• Monitorar confiabilidade através de instrumentos legais
• Assegurar a transparência pública
• Apontar o secretário geral executivo
• Definir remuneração do comitê executivo

Sob seu modelo organizacional, as atividades principais da BBC são:


fornecer serviços de Broadcasting, que é a transmissão por meio dos seus
diversos canais de rádio e TV, bem como manter um núcleo jornalístico e de
produção em torno desses canais de transmissão. Esses dois serviços,
broadcasting e produção, são o núcleo de operações hoje dentro da organização.
Toda essa programação é aliada a um conteúdo voltado aos meios digitais,
complementares, para a Internet e meios digitais interativos (TV e rádios
digitais).

Nove grandes unidades de negócios compõem a produção da rede:

• Televisão
• Rádio e Música
• Notícias
• Nações e Regiões (programação local)
• Esportes
• Educação e Aprendizado

5
BBC Annual Report 2003/2004.

TEORIA DA HISTÓRIA I 7
• Drama, Entretenimento e Conteúdo Infantil
• Tecnologia e novas mídias
• Serviço Mundial BBC (BBC World Service).

Incluem-se aí as divisões de suporte (finanças, marketing e comunicações,


por exemplo).

Além desse núcleo central de operações, outras estruturas adjuntas definem


suas formas de atuação em outros segmentos. Os serviços comerciais realizados
pela subsidiária BBC Worldwide Limited6, tem como objetivo o licenciamento de
formatos de programas, venda de direitos autorais, bem como o braço editorial
do conglomerado – este, objeto deste trabalho e que será detalhado em seguida.
A forma de operação desta subsidiária é diferenciada de negócios do restante do
grupo, na qual há um viés comercial nas operações. Mas ainda assim com o
objetivo público, através da conversão dos lucros para os fundos da estrutura
central de mídia pública, que de acordo com os objetivos do grupo, “ajudam a
manter o valor taxa mensal menor do que ela possivelmente seria”.

Toda essa estrutura mantém a BBC e levou a rede a se tornar modelo de


referência e de qualidade de produção e de jornalismo em todo o mundo.

6
O sítio Internet da subsidiária está no endereço http://www.bbcworldwide.com

TEORIA DA HISTÓRIA I 8
O MERCADO EDITORIAL E A PRODUÇÃO EDITORIAL DA BBC

UMA INDÚSTRIA GLOBALIZADA

O mercado editorial, conceitualmente definido como a atividade de se levar


informação ao público, sofre uma transformação em torno de suas definições
básicas. Hoje, o mercado de publicação está mais abrangente com relação às
formas de sua produção, envolvendo atualmente uma série de atividades
complementares ao processo de publicação (ou também publishing). Mercados
adjuntos, como direitos autorais e fontes de informações independentes (ex.
Reuters, Associated Press), juntamente com atividades agregadas como
publicidade, seleção, edição, gerenciamento e marketing, formam um conjunto
de atividades relacionadas7, e em se tratando de mídias de massas, indissociáveis
do ponto de vista de promover a sua viabilidade operacional. Há um consenso,
pelo menos entre as mídias comerciais, que somente uma articulação entre todas
essas atividades, visando um objetivo editorial comum, pode definir ou não o
sucesso de um empreendimento de mídia.

Em adicional a isso, o papel desses mesmos mecanismos de mercado


editorial tem suscitado um intenso e contínuo debate, principalmente relacionado
ao advento e a popularização de tecnologias eletrônicas utilizadas como veículos
de comunicação, tal como é o caso da Internet – e a sua suposta premissa de
substituição da mídia impressa –, bem como as discussões em torno de uma
maior e crescente internacionalização e padronização, a nível mundial, dessas
mesmas forma de atuação editorial. Práticas de se levar informação ao público e
medir a sua eficiência tem se tornado uniforme nos principais conglomerados de
mídia no mundo e a importância da Internet – para o bem ou para o mal – têm
se tornado um elemento dessas discussões. “Alguns argumentam que a Internet
e as novas comunicações de tecnologia estão quebrando a camisa-de-força no
jornalismo e abrindo uma era e mídia democrática interativa. (...) Isso tem
permitido a pessoas escaparem das restrições da mídia comercial consolidada em
muitos e diversos casos.”8

7
Publishing in The Knowledge Economy. Competitiveness analysis of the UK publishing media sector.
Publicado pela Periodical Publishers Association no Reino Unido. Pg. 2
8
HERMAN, Edward S. CHOMSKY, Noam. Manufacturing Consent: The Political Economy of the Mass
Media. New York. Pantheon Books, 1998 Pg. XV (Introduction).

TEORIA DA HISTÓRIA I 9
Outro debate, esse de caráter mais sociológico-político, na relação deste
mercado editorial com a concentração de mídia e seus impactos na sociedade. O
que tem gerado diversas opiniões, prós e contras a este processo. “Esta
tendência a uma grande concentração de mídia nos mercados tem se acelerado
pelo afrouxamento de regras limitando a concentração de mídia, propriedade-
cruzada, e controle por companhias não associadas a este mercado. Há também
um abandono de restrições comerciais, programação e acordos de ‘conduta
justa’”9.

Estas questões refletem em parte os esforços governamentais na condução


de regulamentações para o setor, estes tentando balançar entre evitar uma
danosa concentração de mídia, mas ao mesmo tempo permitir que este mesmo
mercado flua e consiga ter atratividade de investimentos.

No Reino Unido, a agencia reguladora responsável por implementar a


regulamentação e assim manter a competitividade nesse mercado é o
Departamento para Cultura, Mídia e Esportes10.

MERCADO DE PERIÓDICOS

O mercado de periódicos no Reino Unido se divide em alguns segmentos


que representam, basicamente, o público destinado e a forma de publicação.
Essas formas são: títulos de consumo, títulos de negócios e profissionais (para
mercados especializados como profissionais de marketing, etc.) e periódicos
políticos e literários (geralmente com artigos acadêmicos e com uma
periodicidade maior). Somando-se todas essas formas de produção, são cerca de
8.500 os títulos existentes no mercado britânico11.

O consumo quantitativo de revistas, comparado com as outras mídias


(televisão, jornal, revistas, rádios e sítios Internet), é mostrado através do
seguinte gráfico:

9
HERMAN, Edward S. CHOMSKY, Noam. Ibid. Pg. 8
10
O sítio Internet do departamento é www.culture.gov.br
11
Office Of National Statistics. The Official Yearbook of The United Kingdom of Great Britain and Northern
Ireland. Published by the Office for National Statistics. Disponível no sítio Internet www.statistics.gov.uk.

TEORIA DA HISTÓRIA I 10
GRÁFICO 1: CONSUMO DE MÍDIA ENTRE OS DIFERENTES TIPOS, EM SUA
ABRANGÊNCIA NO CONJUNTO DA POPULAÇÃO.

Consumo de Mídia

TELEVISAO 97%

JORNAIS 83%

REVISTAS 83%

RADIOS COMERCIAIS 61%

SÍTIOS INTERNET 45%

0% 20% 40% 60% 80% 100%

FONTE: PPA - Association of UK magazine and periodical publishers.

O gráfico mostra a mídia impressa – jornal e revista – tem o alcance


semelhante na população. Em parte isso pode ser explicado também pela própria
natureza de produção de periódicos – que particularmente se apresentam com
uma maior segmentação do que, por exemplo, os jornais, buscando associar-se a
um estilo de consumo tais como revistas culturais, femininas, masculinas, etc.

BBC: PRODUÇÃO EDITORIAL

A BBC Worldwide Ltd. é a subsidiária responsável


pelo conteúdo editorial da BBC. A produção editorial de
revistas é o principal segmento na qual atentamos a
esse trabalho e é através dessa unidade em que são O logotipo da Publicação

publicadas revistas como a BBC History Magazine,


entre outras.

De acordo com a BBC12, cerca de 40 títulos são publicados por esta


unidade, totalizando cerca de 4 milhões de exemplares vendidos mensalmente no
todo desse conjunto. Títulos dos mais diversos segmentos e público-alvo: revistas
que tratam de diversas atividades, tais como jardinagem, música e TV, por

12
Dados obtidos a partir do sítio Internet http://www.bbcworldwide.com/bus/mags/default.htm

TEORIA DA HISTÓRIA I 11
exemplo; revistas para faixas etárias específicas e também complementares à
programação da TV.

A BBC History Magazine é uma publicação mensal e que tem, na tabela a


seguir, os dados de sua circulação. Todos providos pela Audit Bureau de
Circulations (ABC)13, um órgão independente no Reino Unido que faz a auditoria
da circulação de publicações:

TABELA 2: BBC History Magazine – Tiragem e Venda

TIRAGEM E CIRCULAÇÃO TOTAL %

Media de Circulação (entre Jul-2004 e Dez-2004) 54.067 100,00

Circulação em Banca 26.065 48,20

Circulação por Assinaturas 28.002 51,80


FONTE: Audit Bureau of Circulations – Summary Report for BBC History Magazine.

Comparando a outras publicações do mesmo segmento temos:

TABELA 3: BBC History Magazine e outras publicacões semelhantes

TÍTULO DA REVISTA TOTAL

BBC History Magazine 54.067

History Today (http://www.historytoday.com/) 27.919

National Geographic (http://www.nationalgeographic.com/) 343.797


FONTE: Audit Bureau of Circulations

13
O sítio Internet da organização é http://www.abc.org.uk/. Fundada em 14/03/1931, provém informação
independente sobre circulação e é governada por um conselho de representantes eleitos e representativos de
agencias de publicidade, proprietários de mídia e organizações de comércio do setor.

TEORIA DA HISTÓRIA I 12
A ANÁLISE DA PUBLICAÇÃO BBC HISTORY MAGAZINE

Com o foco agora no título para o presente trabalho, a abordagem será feita
em duas partes: na primeira, serão analisadas as formas de como a revista se
apresenta para o leitor, o seu projeto editorial e gráfico, a forma como ela está
estruturada nos seus aspectos editoriais (manchetes, artigos, colunas, etc.) e
também identificar os colaboradores, editores e o conselho editorial da
publicação. Em uma segunda parte, o conteúdo será analisado do ponto de vista
historiográfico e acadêmico, procurando identificar as formas de abordagem dos
assuntos históricos, as linhas de pesquisa e de abordagem dos colaboradores e
do conselho editorial da revista.

Para este presente trabalho, duas edições são objetos de análise14:

• Edição de Julho de 2004, onde a matéria


principal de capa refere-se à cultura jovem
norte-americana, principalmente em torno
da comemoração dos 50 anos do Rock’n
Roll. Nomeada The Face of The Fifties:
The Birth of Youth Culture (A face dos
anos 50: O nascimento da cultura
jovem).

Capa da Edi;áo de
Julho de 2004

• Edição de Janeiro de 2005, onde a


matéria principal refere-se aos 60 anos da
exibição ao mundo do campo de
concentração de Auschwitz, pelos aliados,
durante a II Guerra Mundial. Nomeada
Auschwitz: Inside the Mind of the
Killers (Auschwitz: Dentro da mente
dos assassinos).

Capa da Edição de
Janeiro de 2005
14
Todas as imagens de capas foram obtidas em http://www.bbchistorymagazine.com/

TEORIA DA HISTÓRIA I 13
PARTE 1: ANÁLISE ESTRUTURAL DA PUBLICAÇÃO

A MISSÃO DA PUBLICAÇÃO

O princípio editorial da revista explicita através da seguinte assertiva,


incluída em casa edição: “A BBC History Magazine foi estabelecida para publicar
uma história de referência, escrito por profissionais de relevância, em um formato
acessível e atrativo. Nós procuramos manter os altos padrões jornalísticos
tradicionalmente associados à BBC”. Portanto, trata-se de uma publicação que
preza pela qualidade editorial, tanto com relação ao conteúdo apresentado na
publicação como também pela sua forma de apresentação, sendo ao mesmo
tempo atrativa esteticamente, informativa e diversa em suas abordagens
editoriais.

O diálogo com a comunidade é feito através de contribuições de acadêmicos


(pesquisadores e docentes) principalmente quando da apresentação de assuntos
específicos torna importante apresentar a abordagem da interpretação por
acadêmicos bem como também de profissionais que busquem mostrar, explicar
História através de formatos voltados para a TV e Rádio, tais como
documentários e filmes. Essa dupla contribuição: acadêmica e produção histórica
em mídia, é a forma enriquecedora de conteúdo na forma de como as visões
historiográficas são contrastadas, conciliadas e apresentadas. É comum em
determinados artigos a contribuição conjunta dentre essas duas formas de
colaboração, cada um trazendo a sua experiência nas suas respectivas áreas.

Além de manter uma diversidade de colaboradores, a BBC History Magazine


também conta com um conselho editorial fixo de professores, pesquisadores e
pessoal relacionado com a produção de mídia em História. Dentre as duas edições
analisadas, o conselho se manteve constante, com um painel de 25 profissionais
e acadêmicos.

O seguinte quadro relaciona o nome de cada um dos integrantes deste


conselho, suas especialidades no campo da história, e, no caso dos acadêmicos,
as suas respectivas instituições de ensino:

TEORIA DA HISTÓRIA I 14
Dra. PADMA ANAGOL
Professora de História Moderna da Universidade do País de Gales

Prof. MICK ASTON


Professor de Arqueologia na Universidade de Bristol

Prof. JOANNA BOURKE


Professora de História da cultura moderna em Birkbeck

Prof. RICHARD CARWARDINE


Professor de História Americana da Universidade de Oxford

Prof. BARRY COWARD


Professor de história política e social britânica da Birkbeck College

Prof. CLIVE EMSLEY


Professor de história na Open University no Reino Unido

Prof. RICHARD EVANS


Professor de História Moderna da Universidade de Cambridge

Prof. SARAH FOOT


Pesquisadora da Universidade de Sheffield

Prof. RAB HOUSTON


Professor de História Moderna da Universidade de St. Andrews

Prof. JOHN HUDSON


Professor de História Medieval da Universidade de St. Andrews

Prof. LISA JARDINE


Professora e pesquisadora de estudos renascentistas da Universidade de Queen Mary

Prof. PETER JONES


Professor de Filosofia Política da Universidade de Newscastle

Prof. DENIS JUDD


Professor de História Britânica Imperial e Contemporânea da London Metropolitan University

Prof. IAN KERSHAW


Professor de história alemã da Universidade de Sheffield

Prof. CHRISTOPHER LEE


Professor de História Britânica Contemporânea da Universidade de Cambridge

Prof. JOHN MORRILL


Professor de História Britânica e Irlandesa da Universidade de Cambridge

TEORIA DA HISTÓRIA I 15
Prof. KENNETH O MORGAN
Professor de História Moderna Britânica da Universidade de Oxford

Dr. LISA NEVETT


Pesquisadora de Arte Clássica e Arqueologia da Open University

Prof. CORMAC Ó GRÁDA


Professor de História Econômica da University College Dublin, na Irlanda

Prof. MARTIN PUGH


Professor e pesquisador de História da Liverpool John Moores University

LAURENCE REES
Diretor artístico, BBC History

JULIAN RICHARDS
Arqueologista de produtora de documentários

PROF SIMON SCHAMA


Professor de História Britânica e História da Arte da Universidade de Columbia, nos EUA

DR SIMON THURLEY
Executivo chefe da English Heritage (órgão de preservação do patrimônio inglês)

MICHAEL WOOD
Historiador e produtor

NOTA: Informações adicionais sobre os membros acadêmicos do


conselho editorial estão na seção O CONSELHO EDITORIAL ACADÊMICO E
SUAS LINHAS DE PESQUISA, neste documento.

Com isso, o conselho editorial divide-se em vinte pessoas vindas das áreas
acadêmicas, três da área editorial e uma pessoa vinda da área pública de cultura.
Em adição a este quadro de conselheiros editoriais há também os editores
executivos, responsáveis por selecionar e assinar a publicação.

O PROJETO EDITORIAL

A publicação mescla conteúdo com estética gráfica na apresentação de seus


assuntos históricos. Há também uma série de colunas fixas e quadros
informativos presentes nas pautas.

Uma característica editorial é juntar tanto a abordagem textual das matérias


como também indicar informações complementares, como os livros de referencia

TEORIA DA HISTÓRIA I 16
sobre determinado assunto, os lugares (museus, cenários históricos) onde e
podem encontrar referências ao assunto abordado e a publicação de notas fixas,
como a agenda de exposições.

Amplamente, a publicação se divide em 6 áreas:

• NOTÍCIAS (NEWS): Onde são apresentadas informações


relacionadas à comunidade interessada em saber mais sobre história,
tais como notícias de campanhas de preservação, reportagens de
expedições, exibições reais ou na Internet, e uma tira cômica
regular. Serve para introduzir o leitor às novas ações no campo
historiográfico;

• DESTAQUES (FEATURES): É a seção das matérias textuais,


incluindo a de destaque em capa e algumas matérias mais longas
relacionadas à um tema específico, sempre assinadas por um ou
mais colaboradores – jornalista ou acadêmico;

• REGULARES (REGULARS): São as colunas fixas, não


necessariamente referenciadas às matérias, mas que se utiilzam – ao
contrário destas – uma maior diversidade de utilização de recursos
gráficos de apresentação;

• LIVROS (REVIEWS): É a seção de sugestão bibliográfica, alguns


com comentários adicionais de colaboradores e uma lista dos mais
vendidos. Não necessariamente são apresentados livros novos, sendo
que muitas referências de livros clássicos ou de importância
relevante são também apresentadas;

• TV e RADIO (TV AND RADIO): Referencia de programas de TV e


rádio, tanto na rede BBC quanto em outras redes de televisão no
Reino Unido. Apresenta também uma programação de destaque e
um guia de programação;

• “VIVENDO A HISTÓRIA” (LIVING HISTORY): É a agenda de


eventos com referencias de lugares para visitas e exposições.
Sempre com uma sugestão principal e um roteiro de turismo
histórico.

Excetuando-se as 3 últimas áreas (“REVIEWS”, “TV AND RADIO” e “LIVING


HISTORY”), a forma em como estão dispostas as matérias, no decorrer das

TEORIA DA HISTÓRIA I 17
páginas mostra não uma seqüência, mas sim uma alternância entre as seções.
Como exemplo disso, é comum, por exemplo, uma coluna regular ser
apresentada entre uma matéria de destaque e outra.

AS MATÉRIAS DE DESTAQUE

As matérias são as principais contribuições da publicação, uma vez que é


uma forma de mostrar o pensamento da comunidade historiográfica a respeito de
assuntos e linhas de pesquisa. Uma das características dessas matérias principais
é a utilização de tanto abordagens de relevância no momento, como também de
linhas historiográficas. Evita-se assim confundir pauta com oportunismo de
mercado, procurando neutralidade no conjunto das matérias.

Nas duas edições que estamos analisando, as matérias principais foram:

Edição de JULHO de 2004:

“TUDO ABALADO” (ALL SHOOK UP): PATRICK HUMPHRIES15 examina o


impacto de Elvis Presley e a revolução adolescente. É a matéria principal da
edição (capa).

“RUAS DE PEDRA, CIDADES DE OURO” (STREETS OF STONE, CITIES OF


GOLD): Numa abordagem mais local, da realidade britânica, TRISTAM HUNT16
exibe um panorama histórico de algumas realidades urbanas vitorianas
britânicas, condenadas como poluídas e sem salvação.

“HISTÓRIA DO ÓDIO” (HISTORY OF HATE): MIKE MARQUSEE17 analisa a


escola historiográfica indiana atualmente, indicando os principais problemas como
as tensões políticas e a busca, pela comunidade historiográfica, pelas fontes de
identidade e as perseguições.

“UM IMPÉRIO LIBERALISANTE” (A LIBERALISING EMPIRE): Os aspectos


benéficos do império colonial inglês são o argumento de NIALL FERGUSON18 em
que os excessos coloniais não devem desviar certas virtudes desse processo.

15
Autor de Elvis: the Numer Ones. The Secret History of the Classics (Vintage, 2002).
16
Professor de História na Universidade de Londres.
17
Escreve sobre política e cultura em diversas publicações indianas e britânicas.
18
Professor de História Financeira na Escola de Negócios Stern.

TEORIA DA HISTÓRIA I 18
“UMA CARIDADE CAVALHEIRA” (A GENTLEMAN’S CHARITY): GILLIAN
WAGNER19 biografa a vida de Thomas Coram, um filantropo inglês do século XIX,
em vista de uma exposição com seus pertences.

“E O VENCEDOR É...” (AND THE WINNER IS...): NIALL PALMER20 analisa o


cenário político norte-americano, em seguida à definição das Convenções
democráticas e republicanas nos EUA em 2004. O cenário de 170 anos de história
política norte-americana é mostrado e analisado.

“DIVISÃO RELIGIOSA NO IRAQUE” (IRAQ’S HOLY DIVISION): CORINNE


ATKINS21 mostra que tanto no passado como no presente, aquele país foi sempre
dividido entre os Sunitas e Xiitas muçulmanos.

Edição de JANEIRO de 2005:

“AUSCHWITZ” (Idem): Na matéria principal desta edição, LAURENCE REES22


analisa a mentalidade daqueles que administravam os campos de concentração
nazista. Com contribuição de DANIEL SNOWMAN23, sobre os desafios de se
manter Auschwitz como memória histórica.

“NEGÓCIO ARRISCADO” (RISKY BUSINESS): Saúde e segurança no trabalho


são uma preocupação atual, mas será que isso foi sempre assim? LYNDA
JACKSON24 analisa dois séculos de políticas de segurança no trabalho.

“LEI COMO ENTRETENIMENTO” (LAW AS ENTERTAINMENT): Advogados


romanos tinham que dar o exemplo, através de um bom “espetáculo jurídico”.
TOM HOLLAND25 visualiza então um exemplo primo: Cícero.

“CHURCHILL” (Idem): Depois de 40 anos da morte de Winston Churchill, GREG


NEALE26 examina o legado deixado pelo primeiro-ministro do período de guerra
total.

19
Autor de Tomas Coram, Gentleman (Boydell, 2004).
20
Ensina sobre Política e Governo norte-americano na Universidade Brunel.
21
Advogada constitucional, escreve sobre o oriente médio para publicações de governo.
22
Produtor da série de TV Auschwitz: The Nazis and the “Final Solution” e autor do livro de mesmo nome.
23
Autor de The Hitler Emigres: The Cultural Impact on Britain of Refugees from Nazism.
24
Curadora da exposição “Hazard! Health in Workplace over 200 years”, realizado entre Janeiro e Julho de
2005 em Manchester, Reino Unido (People’s History Museum).
25
Autor de Rubicon: The Triumph and Tragedy of the Roman Republic.
26
Editor da BBC History Magazine.

TEORIA DA HISTÓRIA I 19
“HISTÓRIA EM FILME” (HISTORY ON FILM): HUGO DAVENPORT27 apresenta
os argumentos e os desafios de vários diretores e historiadores na produção de
filmes historiográficos.

“O FILME ESCOCÊS” (THE SCOTTISH FILM): MICHAEL K. JONES28 resenha o


filme Culloden (1964), do cineasta Peter Watkin.

“NÃO É UM ROUBO COMUM” (NO COMMON THIEF): DAVID HANRAHAN29


mostra uma análise das motivações da tentativa de roubo das jóias da coroa,
pelo coronel Blood, em 1671.

“A HISTORIA DA GALINHA E DO BOI” (COCK AND BULL STORY): EMMA


GRIFFIN30 revê a história dos esportes e mostra que questões de classe social
estiveram presentes e foram fatores decisivos.

Na maioria das matérias há uma seção intitulada Journeys ou “jornadas”,


onde são apresentados materiais referentes à matéria em questão. Nas matérias
principais acima, a edição da cultura jovem apresenta: 5 livros relacionados ao
assunto, dentre eles From the Bomb to the Beatles, por Juliet Gardiner (Collins &
Brown, 1999). Já a matéria de Aschwitz apresenta um conjunto maior de opções:
Um evento (Holocaust Memorial Day, realizado em Janeiro de 2005); Dois livros
(Commandant of Auschwitz, de Rudolfo Höss e Auschwitz: The Nazis and the
“Final Solution”, do autor da matéria Lawrence Rees); Um evento de TV e 3
exibições (incluindo o Memorial e Museu Auschwitz-Birkenau, na cidade de
Oswiecim, Polônia).

O CONTEÚDO COMPLEMENTAR

Uma questão central no projeto editorial da revista – além da riqueza


editorial e gráfica – é promover uma mentalidade, uma missão em mostrar
História na qual a levar o conhecimento histórico à população é o melhor meio de
proteger o patrimônio histórico e de se conhecer a nacionalidade do Reino Unido.
A seção Living History (“Vivendo a História”) como mostrada anteriormente, tem
a idéia de aproximar os assuntos históricos à população.

27
Crítico de cinema britânico e autor de Days That Shook the World (BBC Books, 2003).
28
Autor de Bosworth 1485, Psychology of a Battle (Tempus, 2002).
29
Historiador, escreveu uma bibliografia do coronel Thomas Blood.
30
Autora de livros que relatam os esportes e recreações, como England’s Revelry: A History of Popular
Sports and Pastimes, 1660-1830.

TEORIA DA HISTÓRIA I 20
Três formas importantes são objetivas a essa missão:

a. A divulgação de exibições;

b. Os eventos – filmes, palestras, congressos e encenações históricas;

c. Os roteiros históricos.

Dentre esses incentivos, a revista periodicamente oferece cupons de


desconto para os museus históricos e de arte no Reino Unido, promovendo ainda
mais essa integração.

Outra seção, intitulada Education (Educação) também tem um conteúdo


mais voltado para as questões de História como meio de divulgação e consumo
na sociedade. Neste, o aspecto pedagógico dessa transmissão de conhecimento é
feito através dos debates entre sociedade e governo sobre as formas de educação
em todos os níveis (do primário ao superior).

As seções que visam interconectar as matérias com a programação de rádio


e TV estão tanto em uma seção própria, com a programação, como também
inseridas em cada uma das matérias.

PARTE 2 : ANÁLISE DA ABORDAGEM HISTORIOGRÁFICA

A segunda parte dessa análise editorial da BBC History Magazine foca nas
formas em como a revista explica história e quais são as referências
historiográficas dentro do conteúdo textual e gráfico da revista. Também são
explicados as formas de inclusão do seu leitor com os lugares, documentos, e
outras formas de se interagir com material Histórico.

Nota-se que, por ser uma publicação inglesa, ela sempre balanceará o
conteúdo entre temas locais – história do Reino Unido ou de seus estados
(Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte) – e temas de História
Geral.

A HISTORIOGRAFIA BRITÂNICA E A SUA PERIODIZAÇÃO PADRÃO

Na tradição da historiografia britânica, o período desta mesma História


Britânica é dividido tanto no tempo, como no espaço. É comum a diferenciação

TEORIA DA HISTÓRIA I 21
entre a especificidade de cada historiografia existente nos países que compõem o
Reino Unido, bem como uma história que retrata o Reino Unido como um
conjunto unificado, com uma razão nacional britânica. Isso representa, num
primeiro plano, a divisão espacial da historiografia. Já na divisão temporal, a
periodização leva em consideração dois aspectos: um primeiro, que remete às
ocupações que estiveram presentes nas ilhas britânicas, até o período medieval e
esta divisão serve como uma distinção entre esse primeiro período, na qual a
formação nacional ainda é difusa e de certo modo não existe uma identidade
britânica de fato, e um posterior momento, na qual a sucessão dinástica dos
reinantes determinou as fases de estudo historiográficas. Há de se observar que
não há, nessa periodização, qualquer indicação necessariamente de unificação
britânica, sendo que em determinados momentos há uma divisão clara entre, por
exemplo, a História Escocesa e a História Inglesa, e em outros momentos há uma
história do Reino Unido como unidade.

Por consenso, costuma-se periodizar a historiografia britânica nos seguintes


períodos:

• Pré-Histórico (antes de 43 ad.)

• Romano (43-410)

• Anglo-Saxão (440-850)

• Presença Viking (850-1066)

• Normandos (1066-1216)

• Medieval (1216-1485)

• Dinastia Tudor (1485-1603)

• Dinastia Stuart (1603-1714)

• Época Georgiana (1714-1837)

• Época Vitoriana (1837-1901)

• Moderno (1901-Presente)

Na publicação esta é uma periodização clara, por exemplo, na seção


“VIVENDO A HISTÓRIA” (LIVING HISTORY), na qual há um conjunto de 9 a 10
sugestões de pontos históricos no Reino Unido em que há um relacionamento
destes pontos históricos com essa periodização. As tabelas a seguir mostram,

TEORIA DA HISTÓRIA I 22
para cada edição, as sugestões apresentadas e as suas respectivas referências
nessa periodização:

EDIÇÃO de JANEIRO DE 2005:

Referências historiográficas na sessão “LIVING BRITAIN”, onde são mostradas as


sugestões de lugares históricos:

Sugestão / Local / Região Período Mais Informação (Sítio Internet)

Maiden Castle, Pré- www.bl.uk/collectbritain/maiden


Histórico
Dorset
SO da Inglaterra
Wells Cathedral, Medieval www.bl.uk/collectbritain/pauldeacon
Wells
SO da Inglaterra
Royal Engineers Museum, Vitoriano www.bl.uk/collectbritain/engineer
Kent
SE da Inglaterra
Gladstone Potter Museum, Vitoriano www.bl.uk/collectbritain/stoke
Stoke-on-Trent
Inglaterra Central
Montgomery Castle, Medieval www.bl.uk/collectbritain/montgomery
Powys
País de Gales
Enniskillen Castle, Stuart www.bl.uk/collectbritain/fermanagh
County Fermanagh
Irlanda do Norte
Chesire Military Museum, Georgiana www.bl.uk/collectbritain/chestercastle
Chester
NO da Inglaterra
Fountains Abbey, Medieval www.bl.uk/collectbritain/fountains
Yorkshire
NE da Inglaterra
Kelso Abbey, Normando www.bl.uk/collectbritain/kelso
Stottish Borders
Escócia

TEORIA DA HISTÓRIA I 23
EDIÇÃO de JULHO DE 2004:

Referências historiográficas na sessão “LIVING BRITAIN”, onde são mostradas as


sugestões de lugares históricos:

Sugestão / Local / Região Período Mais Informação (Sítio Internet)

Steep Holm Island, Vitoriano users.argonet.co.uk/edication


Bristol Channel /dmoore/fortlog/steep.htm
SO da Inglaterra
Chartwell, Moderno www.churchill.nls.ac.uk
Kent
SE da Inglatterra
Long Shop Museum, Vitoriano www.woodbridgesuffolk.info
Suffolk
Leste da Inglaterra
Severn Valley Railway, Vitoriano ukhrail.uel.ac.uk
Bridgnorth, Shropshire
Inglaterra Central
Castell Henllys, Pré-Histórico www.nationaltrust.ork.uk
Pembrokeshire
País de Gales
Rufford Old Hall, Tudor www.englandsnorthwest.com
Lancashire
NO da Inglaterra
Roughting Linn, Pré-Histórico www.visitnorthumbria.com
Milfield, Northumbria
NE da Inglaterra
Ardoch Roman Fort, Romano www.perthshire.co.uk
Perthshire
Escócia
Carrickfergus Castle, Medieval www.eshsni.gov.uk
Co. Antrim
Irlanda do Norte

TEORIA DA HISTÓRIA I 24
EXEMPLO: ANÁLISE DE HISTÓRIA EM PRODUÇÕES CINEMATOGRÁFICAS

Na edição de Janeiro de 2005, há um artigo intitulado “Imaginando o


Passado” (Imagining The Past) que tem a proposta de fomentar um debate sobre
como se mostrar História através de filmes. São analisados várias obras
cinematográficas que tentaram recriar e representar o passado na tela. Para a
crítica desses filmes, foram convidados diversos profissionais de várias áreas,
dentre professores de mídia, críticos de arte e acadêmicos.

Para começar a análise, os filmes relacionados são:

• “O Nascimento de Uma Nação” - The Birth of a Nation (1915)

• “Encouraçado Potemkin” - Battleship Potemkin (1925)

• “Os Amores de Henrique VIII” - The Private Life of Henry VIII (1933)

• “Punhado de Bravos” - Objective Burma (1945)

• “JFK” - Idem (1991)

• “Cristóvão Colombo - A aventura do descobrimento” - Christopher


Columbus: The Discovery (1992)

• “Coração Valente” - Braveheart (1995)

• “Michael Collins - O Preço da Liberdade” - Michael Collins (1996)

• “O Patriota” - The Patriot (2000)

• “Pearl Harbour” - Idem (2001)

Dentre as críticas apresentadas, estão desde a realidade do massacre de


Odessa, no filme Battleship Potemkin, até as críticas que o filme Pearl Harbour
recebe quanto à sua fidelidade: “A partir do momento em que o paraplégico
Franklin Delano Roosevelt levanta-se de sua cadeira sem ajuda, o filme é um
sem-sentido histórico”.

Os colaboradores desta matéria, e suas assertivas em torno das produções


de História em filme, são:

• Ian Christie, professor de história do cinema e mídia, London


University – “Os filmes por si só formam parte do registro hitórico”.

TEORIA DA HISTÓRIA I 25
• Richard Holmes, professor de estudos militares e de segurança,
Cranfield University – “As pessoas tendem a acreditar no que elas
vêem na tela”.

• Natalie Zemon Davis, professora emérita de História, Princeton


University – “Eu sou receptiva no que se pode alcançar por
produtores de filmes responsáveis”.

• David Puttnam, produtor de Chariots of Fire, The Killing Fields, The


Mission, presidente do UNICEF – Um bom roteiro pode ser injusto
com a História e ter como resultado o desprezo do público”.

• Sarah Gristwood – jornalista de entretenimento – “Cada era tem as


suas próprias distorções, tal como não há uma única versão de uma
verdade histórica”.

• Simon Schama – professor de história da arte e história, Columbia


University, EUA – “Os Estados Unidos... tendem a realizar um pouco
de auto-promoção – um envenenamento sutil do senso crítico”.

Em suma, argumentos contra e a favor das abordagens historiográficas no


cinema são contrastadas na matéria e promovem assim, um debate de i´dieas
em torno desse tipo de produção.

O CONSELHO EDITORIAL ACADÊMICO E SUAS LINHAS DE PESQUISA

Uma forma também de se compreender a forma de como a publicação é


guiada, nas suas abordagens historiográficas, é identificar as linhas de pesquisa
de cada um dos integrantes acadêmicos dessa publicação.

Mais uma vez predomina as linhas de pesquisa da Historiografia inglesa, nos


mais diversos campos. Mas há professores que também tratam de temas
abrangentes, dentro da historiografia européia, bem como outras historiografias,
como as histórias culturais, econômicas, entre outras abordagens.

A seguir, são mostradas as linhas de pesquisa de cada um dos integrantes


acadêmicos do conselho editorial. As informações foram obtidas através de suas
informações de produção acadêmica, disponibilizadas por suas instituições de
ensino superior.

TEORIA DA HISTÓRIA I 26
Dr. Padma Anagol
Professora de História Moderna da Universidade do País de Gales

Especialista em história moderna da Índia, especialmente relações entre homens


e mulheres. Seu próximo livro é sobre feminismo, reforma social e política na
índia britânica.

Sítio Internet: www.cf.ac.uk/hisar/people/pa/

Prof. Mick Aston


Professor de Arqueologia na Universidade de Bristol

Trabalhou com produções de TV e sua especialização são em paisagens pós-


romanas, especialmente cidades e arqueologia monásticas.

Sítio Internet: http://www.bris.ac.uk/archanth/staff/aston.html

Prof. Joanna Bourke


Professora de História da cultura moderna em Birkbeck

Seus trabalhos são sobre Reino Unido, Irlanda, América e Austrália; Histórias
militares, sociais; História do corpo, história das emoções.

Outras áreas são as de história econômica e social da Irlanda no final do século


XIX e começo do século XX; história social das classes trabalhadoras britânicas ,
entre 1860 e 1960; história cultural dos conflitos entre a guerra dos Bôeres e a
guerra do Vietnã. Recentemente finalizou a história do medo nos séculos XIX e
XX.

Sítio Internet: http://www.bbk.ac.uk/hca/staff/bourke.shtml

Prof. Richard Carwardine


Professor de História Americana da Universidade de Oxford

Trabalha com a história dos Estados Unidos na era do início republicano e guerra
civil. Tem particular interesse no lugar do evangelho protestante na construção
da nação durante o século XIX. Completou recentemente uma biografia política
de Abraham Lincoln.

Sítio Internet: http://www.history.ox.ac.uk/staff/postholder/carwardine_r.htm

TEORIA DA HISTÓRIA I 27
Prof. Barry Coward
Professor de história política e social britânica da Birkbeck College

Tem o foco em particular na história política e social do Reino Unido do século


XIX, com particular referencia a Oliver Cromwell e o protetorado Croweliano.

Sítio Internet: http://www.bbk.ac.uk/hca/staff/coward.shtml

Prof. Clive Emsley


Professor de história na Open University no Reino Unido

Tem o seu interesse voltado para a história do crime e do policiamento, sendo


diretor do centro europeu para os estudos de policiamento
(http://www.open.ac.uk/Arts/history/policing/index.htm) e co-diretor do Centro
Internacional para a pesquisa criminológica comparativa
(http://www.open.ac.uk/icccr/index.html).

Sítio Internet: http://www.open.ac.uk/Arts/history/emsley.htm

Professor Richard J. Evans


Professor de História Moderna da Universidade de Cambridge

A sua área de pesquisa é história alemã, principalmente história cultural e social


desde meados do século XIX. Trabalhou com movimentos de emancipação e
liberação, incluindo o movimento feminista e trabalhista, a desigualdade social do
ambiente urbano e a história social da morte e da doença. Mais recentemente
tem trabalhado com crime e punição, especialmente a pena de morte na história
alemã desde o século XVII, onde ele usou evidencia arquivística, fazendo a ponte
com as teorias de Norbert Elias e Michel Foucault.

Sítio Internet: http://www.hist.cam.ac.uk/academic_staff/further_details/evans-


r.html

Dr. Sarah Foot


Pesquisadora da Universidade de Sheffield

A pesquisa de Sarah foca-se na Idade Média européia, particularmente Alta Idade


Média; seus interesses vãos de ordens monásticas aos Vikings, de representação
e narração do passado para a evolução da identidade britânica.

Sítio Internet: http://www.shef.ac.uk/history/staff/medieval/sarah_foot.html

TEORIA DA HISTÓRIA I 28
Prof Rab Houston
Professor de História Moderna da Universidade de St. Andrews

Os interesses de Houston são a história social britânica e européia nos primeiros


séculos do período moderno. Publicou sobre a literatura britânica e européia,
história demográfica, urbanização e mudanças culturais. Ele é conhecido pelo seu
trabalho sobre a Escócia dos século XVII e XVIII.

Sítio Internet: http://www.st-


andrews.ac.uk/academic/history/modhist/staff/hous/homepage.html

Prof John Hudson


Professor de História Legal da Universidade de St. Andrews

Ensino e pesquisa voltados para a Inglaterra e França, dos séculos IX até o século
XIII, em particular nos campos de direito, senhorio e literatura. Também ensina
sobre a história cultural e intelectual deste período e outras áreas de
especialização são a história escrita e os estudos do final do século XIX sobre a
Inglaterra Medieval.

Sítio Internet: http://www.st-


andrews.ac.uk/academic/history/medhist/staff/huds.shtml

Prof. Lisa Jardine


Professora e pesquisadora de estudos renascentistas da Universidade de Queen Mary

Seus interesses acadêmicos são a história intelectual do renascimento, a história


dos primeiros períodos da cultura moderna e a história da revolução científica.
Publicou vários livros no campo da crítica literária sobre autores renascentistas
ingleses (Shakespeare, Erasmus, Sir Francis Bacon, entre outros.) E é membro
de várias organizações de estudo de humanidades no Reino Unido, como por
exemplo, o centro de estudos renascentista da Univesidade de Cambridge.

Sítio Internet: http://www.english.qmul.ac.uk/staff/jardine.html

TEORIA DA HISTÓRIA I 29
Dr Peter Jones
Professor de Filosofia Política da Universidade de Newscastle

Seus interesses de pesquisa são a filosofia política contemporânea, incluindo a


natureza do liberalismo, as fundações da democracia, direitos do bem estar,
liberdade de credo e expressão, direitos humanos, direitos coletivos,
multiculturalismo e justiça internacional. Seus trabalhos correntes relatam com as
diversidades de credito, valor cultura e as formas como esses direitos são vistos
locais e globalmente.

Sítio Web: http://www.ncl.ac.uk/geps/staff/profile/p.n.jones

Prof. Denis Judd


Professor de História Britânica Imperial e Contemporânea da London Metropolitan
University

Leciona sobre o império britânico e a contemporânea Commonwealth; Guerra dos


Bôeres; Gandhi e nacionalismo indiano; britânica edwardiana; esportes e
sociedade. Seus interesses em pesquisa são sobre o império britânico e
commonwealth, de 1765 até 1970.

Sítio Internet: http://www.londonmet.ac.uk/depts/hal/staff/denis-judd.cfm

Prof. Ian Kershaw


Professor de história alemã da Universidade de Sheffield

Seus interesses de ensino incluem a história alemã do século XX e está


trabalhando atualmente em pesquisa sobre o III Reich.

Sítio Internet: http://www.shef.ac.uk/history/staff/modern/ian_kershaw.html

Prof. Christopher Lee


Professor de História Britânica Contemporânea da Universidade de Cambridge

Autor de This Sceptred Isle, que ganhou vários prêmios e que cobria a história
britânica dos romanos ao período vitoriano, tem em suas linhas de pesquisa a
história militar e britânica, principalmente do período contemporâneo.

TEORIA DA HISTÓRIA I 30
Prof. John Morrill
Professor de História Britânica e Irlandesa da Universidade de Cambridge

Especialista em história moderna britânica, principalmente dos períodos Stuart e


Tudor. Seus principais períodos de interesse em pesquisa são: a história cultural,
política, religiosa e social da Inglaterra, Irlanda e Escócia do século XV até a
metade do século XVIII. Editou a obra The Oxford Illustrated History of Tudor and
Stuart Britain.

Sítio Internet:
http://www.hist.cam.ac.uk/academic_staff/further_details/morrill.html

Prof. Kenneth O Morgan


Professor de História Moderna Britânica da Universidade de Oxford

Suas obras versam principalmente sobre a história do País de Gales. Editou Wales
1880-1980, Rebirth of a Nation (Oxford University Press, 1981), entre outros.

Sítio Internet:
http://users.comlab.ox.ac.uk/geraint.jones/about.welsh/books.html

Dr Lisa Nevett
Pesquisadora de Arte Clássica e Arqueologia da Open University

Seus interesses são sobre a arte e a arqueologia das residências da Grécia antiga
e de Roma; arquitetura antiga e espaço social; cultura material como fonte de
história social. Dentre as publicações, inclui: House and Society in the Ancient
Greek World (CUP, 1999).

Sítio Internet: http://www.umich.edu/~hartspc/histart/faculty/nevett.html

Prof. Cormac Ó Gráda


Professor de História Econômica da University College Dublin, na Irlanda

Dentre suas áreas de especialização, incluem-se trabalhos e artigos em torno da


história econômica da Europa, dentre elas, dedica-se às áreas de crescimento
econômico, fome, imigração, principalmente sobre a História da Irlanda.

Sítio Internet: http://ideas.repec.org/e/pog2.html

TEORIA DA HISTÓRIA I 31
Prof. Martin Pugh
Professor e pesquisador de História da Liverpool John Moores University

Prof. Simon Schama


Professor de História Britânica e História da Arte da Universidade de Columbia, nos
EUA

Atualmente ensina sobre a cultura visual britânica (de 1945 até hoje), Mas tem
pesquisas realizadas na área de arte holandesa do século XVII, política francesa
do século XVIII, arte francesa do século XVIII. Cultura visual do Reino Unido
entre os séculos XVI e XX. Publicou uma famosa obra sobre a história britânica
intitulada A History of Britain (triologia).

Sítio Internet:
http://www.columbia.edu/cu/arthistory/html/dept_faculty_schama.html

TEORIA DA HISTÓRIA I 32
CONCLUSÃO

Os desafios de se empreender uma publicação de história levam em conta


tanto particularidades mercadológicas, que definem a viabilidade econômica, bem
como as preocupações referentes ao conteúdo e ao projeto gráfico desta
publicação. A contribuição e fontes de informação, para informar o leitor, também
devem ser uma preocupação no processo editorial de publicação.

A publicação analisada no presente trabalho procura mesclar tanto uma


necessidade de expor cultura, através da história e também promover um padrão
jornalístico distinto que leve em conta as particularidade do mercado britânico de
publicações.

TEORIA DA HISTÓRIA I 33
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Periodical Publishers Association. "Publishing in The Knowledge Economy.


Competitiveness analysis of the UK publishing media sector". PPA United Kingdom.

HERMAN, Edward S. CHOMSKY, Noam. Manufacturing Consent: The Political


Economy of the Mass Media. New York. Pantheon Books, 1998 Pg. XV
(Introduction).

Office for National Statistics. The Official Yearbook of The United Kingdom of Great
Britain and Northern Ireland.

DAVENPORT, Hugo. "Imagining the Past". Artigo de BBC History Magazine. Origin
Publishing/BBC, Reino Unido, ed. Janeiro/2005.

TEORIA DA HISTÓRIA I 34
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS
HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

ANÁLISE:
REVISTA

H ISTÓRIA
AVENTURAS NA

Disciplina
: Teoria da História I
Profa : Raquel Glezer
Alunas : Andréa Santos da Silva
No USP : 4931660 (História)
: Marta Rocha Santos
No USP : 3174261 (Ciências Sociais)
PERIODO : Noturno
DATA : 01/07/2005
A partir da proposta deste trabalho, analisamos a revista Aventuras na História, da
Editora Abril, e duas reportagens sobre lideres políticos polêmicos que foram objeto de
matéria de capa da revista – Getulio Vargas e Hitler, tendo como objetivo definir a relevância
da publicação.

A seguir apresentaremos um breve histórico da publicação.

A Aventuras na História surgiu como uma publicação especial de uma outra revista da
Editora Abril, a Superinteressante, para depois, devido sua boa aceitação, tornar-se uma
publicação independente.

A Superinteressente foi lançada em 1987, como uma versão brasileira da revista


espanhola “Muy Interessante”. A proposta era publicar basicamente reportagens traduzidas
da versão espanhola, mas logo passou a produzir suas próprias reportagens. No inicio a linha
editorial ainda não estava totalmente definida, e oscilava entre o inusitado e o cientificismo,
com destaque para as ciências exatas. Com a troca de editor, em 1994, a revista aboliu os
termos técnicos e adotou uma linguagem mais coloquial. Para tornar a revista mais didática,
adotou-se o conceito de transformar a imagem em informação, utilizando um recurso que deu
a publicação vários prêmios internacionais – a infografia, que se tornou uma espécie de
marca registrada da revista. Um novo editor (André Singer) assumiria em 1998, mantendo a
linha estabelecida e estabelecendo uma mudança nas pautas: sendo contra a exploração do
misticismo e das pseudociências, estabeleceu para a revista seu conceito de ciência que girava
em torno das descobertas acadêmicas e tecnológicas. Singer administrou a publicação até
2000, quando assumiu Adriano Silva. Sua administração foi marcada pelo predomínio da
religião, das pseudociências e da cultura pop - temas que provaram sua eficácia
mercadológica, mas que levantam suspeitas quanto à cientificidade e imparcialidade com que
foram abordados. Pertencem a sua gestão as capas mais vendidas, as premiações mais
significativas e a expansão da marca, dando inicio a “Família Super” – Mundo Estranho,
Revista das Religiões, Sapiens, Mundo Animal, Flasback, Vida Simples e Aventuras na
História. Hoje é a quarta revista mais lida no país, com uma tiragem mensal que ultrapassa os
400.000 exemplares.

2
A Aventuras na História foi lançada em julho de 2003 como publicação especial da
Superinteressante. Nasceu da constatação de que as matérias com abordagem histórica
publicadas na Super faziam sucesso – três delas estão entre as dez capas mais vendidas em
dezesseis anos da revista. Devido à boa aceitação, tornou-se mensal em novembro do mesmo
ano – até ali não havia periodicidade determinada, nem a certeza da continuidade da revista, o
que só ocorreu em abril de 2004, quando deixou de ser considerada “edição especial”. Hoje a
Aventuras na História é a revista mais vendida sobre o assunto, dentre várias lançadas no
mesmo período – Nossa História, História Viva, etc.

Corpo Editorial: A revista mantém praticamente o mesmo corpo editorial desde o seu
lançamento, a maior parte saído da Superinteressante e de outras revistas da “familia”. Não
há historiadores na equipe, e a maioria das matérias é redigida por jornalistas. Eventualmente
historiadores, antropólogos, sociólogos, médicos, etc, são convidados a escreverem para a
revista.

Projeto Gráfico: Assim como a Superinteressante, ou ainda mais, o forte da revista são as
imagens e os infográficos, algumas vezes mais importante que os textos. Utiliza poucas
fotografias, pautando-se principalmente em desenhos, ilustrações, montagens e nos já citados
infográficos. Todas as imagens publicadas na revista têm crédito.

Textos: Os textos das matérias são claros e ágeis; utilizam uma linguagem coloquial,
algumas vezes exagerando no uso de gírias. A revista não tem por regra aprofundar-se no
assunto, tendo por prioridade apenas manter-se interessante e instigante, muitas vezes
mostrando o lado “divertido” da história. Quem espera encontrar reportagens profundas e
informações relevantes vai se decepcionar, mas para a maioria dos leitores a abordagem
superficial dos assuntos parece ser suficiente.

Reportagens: A revista mescla reportagens históricas com matérias meramente


especulativas; as matérias históricas abordam fatos da vida de personagens famosos e muitas
vezes polêmicos ou misteriosos, como Gêngis Khan, capa da primeira edição, Nostradamus,
Alexandre o Grande, Julio César, Atila, Nefertiti, Stálin, Jesus Cristo ou Hitler; ou sobre
grandes acontecimentos históricos, como O último dia de Pompéia ou A vitória do
cristianismo. Além disso, aborda assuntos que para a maioria dos historiadores seriam
3
bobagens, mas atraem o publico em geral, mais interessado em se entreter e divertir do que
em pensar: As cartas eróticas de D. Pedro I, Um dia (e uma noite) em um harém, Um dia com
Maria Antonieta, A morte da última gueixa, enfim, assuntos que despertam a curiosidade dos
leitores em geral, mas que não tem nenhuma relevância histórica. Há também as matérias
meramente especulativas, como a coluna “e se...”, publicada nos primeiros números
(“herdada” da Superinteressante) e que analisa uma hipótese histórica que não ocorreu (e se o
Brasil tivesse se aliado a Alemanha na primeira guerra, por exemplo) e as páginas
amareladas, inspirada nas paginas amarelas da Veja, em que um repórter “entrevista” um
personagem histórico nos dias de hoje (já foram “entrevistados” Lampião e Nelson
Rodrigues, por exemplo). Os únicos brasileiros que foram capas da Aventuras na História
foram Airton Senna e Getúlio Vargas, sendo que a edição de Senna foi a menos vendida do
ano. Personagem de existência altamente duvidosa também tem vez na revista, como o Rei
Artur, que já foi até capa.

Fontes: No final de cada matéria há uma seção intitulada “saiba mais”, com indicação de
livros e sites, porém não fica claro se essas indicações foram usadas como fontes para as
matérias. Tentamos obter informações sobre isso através de e-mail, mas não tivemos
resposta. De qualquer forma pudemos observar que nem sempre as fontes citadas durante as
matérias aparecem no “saiba mais”, enquanto outras que ali estão não recebem nenhuma
citação; assim, supomos que a revista não dá muita importância ao crédito das fontes
utilizadas. A dúvida que persiste é sobre a qualidade dessas fontes.

Seções: Desde seu lançamento a revista passa por mudanças constantes em suas seções,
sempre mantendo as mesmas 66 páginas. Todo mês traz alguma alteração seja a exclusão de
alguma seção ou a inclusão de outra, o que demonstra que o projeto ainda não esta totalmente
acabado. O índice divide a revista em duas partes; reportagens (chamada de pergaminhos) e
seções (alfarrábios). Entre as reportagens, do primeiro número só restam as seções “Terra
Brasilis”, sobre historia do Brasil, e “Grandes Momentos”, com grandes acontecimentos
históricos, apesar das outras seções não terem mudado muito – saíram “Enigmas”,
“Civilizações”, “Personagens” e “História da Ciência” e entraram “Foto-História”, “Anais da
Ciência” e “Obra-Prima”. Algumas seções como “Galeria”, sobre historia da arte, são
publicadas esporadicamente. As seções propriamente ditas, ou alfarrábios, como a revista as
chama, são divididas em várias colunas. A seção “Máquina do Tempo” trás colunas como
4
“Notas Arqueológicas”, “O mês na historia”, Museus no Mundo”, “Dito e Feito”, “História
Maluca”, “Como fazíamos sem...” e “Dúvida cruel”. A seção “Tomos e Telas” trás colunas
com dicas de livros, filmes, jogos, sites, exposições, etc. A seção “Sátira” (quadrinhos do
cartunista Laerte) substituiu a “Papiro”, única escrita quase que exclusivamente por
historiadores convidados desde a primeira edição e que deixou de ser publicada em abril de
2005. Escreveram para essa seção Décio Freitas, Mary Del Priore, Alberto da Costa e Silva,
Paulo de Medeiros, Orivaldo Leme Biagi, Rafael Sêga, Pedro Paulo Funari, Renato Pinto
Venâncio (todos historiadores), entre outros.

A revista: é inegável a qualidade gráfica da Aventuras na História. A revista é impressa em


papel couché 118 g e 81 g, superior a maioria das revistas da própria editora Abril, inclusive
a Superinteressente; As capas chamam a atenção pelas cores e projeto bem trabalhado, e as
imagens no interior da revista são disposta de maneira a explicar e complementar as
reportagens. Em 2004 a revista ganhou um dos mais importantes prêmios de jornalismo do
país, o Prêmio Esso, na categoria criação gráfica.

Site: A revista mantém um site com a edição do mês, o “hoje na história” com os
acontecimentos históricos de cada dia, a “biblioteca”, com dicas e sorteios de livros,
“equívocos históricos”, com a correção de erros publicados na revista, enquetes e links para
assinar a revista e adquirir outros produtos da Editora Abril; uma apresentação dos maiores
museus do mundo, além de várias outras seções. Traz também uma ferramenta de busca do
conteúdo de todas as edições, exclusivo para os assinantes. O site é ágil e de fácil navegação.

5
POR QUE GETULIO SE MATOU?
Publicada na edição 12 de agosto de 2004

Texto LIRA NETO - Escritor e jornalista, estudou Filosofia, Letras e Comunicação Social. É
autor de Castello: a marcha para a ditadura; O Poder e a Peste e A Herança de Sísifo. Ex-
professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e das Faculdades do Nordeste (Fanor), foi
chefe de redação e ombudsman do jornal O Povo, em Fortaleza, e secretário de imprensa do
Governo do Ceará

Design: DÉBORA BIANCHI

Essa reportagem foi publicada por ocasião do 50 anos do suicídio de Getulio Vargas.
Na ocasião a maioria das revistas de história teve Getulio como matéria de capa, com
reportagens sobre seu governo, e a Aventuras na História optou por abordar o final da vida do
presidente, a situação do país naqueles dias e a polêmica em torno de seu suicídio. A capa
trás os dizeres: “As últimas horas de Getulio – Isolamento político, conspiração, ameaças. O
que levou o homem mais amado do país ao suicídio há exatos 50 anos?”. A primeira vista, a
reportagem parece trazer a resposta para essa pergunta; porém não faz muito mais do que
narrar fatos conhecidos dos 20 dias que antecederam o suicídio, com uma boa dose de
hipóteses e especulação. Para escrever a matéria o jornalista Lira Neto ouviu o historiador
Marco Antonio Villa, autor de Jango, um Perfil, e que atualmente trabalha na biografia de
Vargas, e com o também historiados Jaime Pinsk, professor da Unicamp; porém a reportagem
não acrescenta nada de novo ao que todo mundo já sabe. Além do texto, há um gráfico que
acompanha dia a dia os acontecimentos, intitulado “Agosto de 1954 – Os 20 dias que
mudaram o Brasil” e recheado de fotos da época, cedidas principalmente pelo arquivo da
revista Manchete, O Globo, Ag. Estado e CPDOC/PGV, além de material do banco de dados
da Editora Abril; um infográfico com as últimas horas do presidente; e uma coluna intitulado
“As muitas faces de Getúlio”, sobre a construção da imagem de Vargas, ilustrada com uma
montagem de fotos, folhetos e panfletos de época de seu governo.
O projeto gráfico dessa matéria ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo de 2004, na
categoria Criação Gráfica. Esse prêmio existe desde 1955 e é um dos mais importantes do
jornalismo brasileiro.

6
OS AMORES DE HITLER
Publicada na edição 21 de maio de 2005

Por CELSO MIRANDA – Jornalista e editor da revista

Reportagem REINALDO JOSÉ LOPES - Jornalista de ciência da Folha de São Paulo e


colaborador das revistas Superinteressante, Aventuras na História, Ciência Hoje e Pesquisa
Fapesp. Foi editor assistente da revista Scientific American Brasil.

Desingn DÉBORA BIANCHI

Em meio a inúmeras reportagens e publicações especiais sobre a Segunda Guerra


mundial, por ocasião dos 60 anos de seu final, a Aventuras na História publicou uma
reportagem sobre Adolf Hitler, se propondo, pelo menos na capa, a responder a pergunta: se
hoje ele é o símbolo do mal absoluto, por que foi tão amado? A matéria se propõe a mostrar
que, para chegar aonde chegou, Hitler precisou do apoio de todo o povo alemão, e não só o
teve, como também foi amado, respeitado e admirado não só pelos alemães, mas também por
muitos estrangeiros. A revista parte do argumento de um filme alemão sobre as últimas horas
da vida de Hitler, em cartaz na ocasião do lançamento da revista: “A Queda”. Ao invés do
monstro assassino, da representação absoluta de todo o mal existente, como Hitler geralmente
é mostrado, o filme mostra um homem doente, frágil e envelhecido, com delírios e acessos
de fúria ocasionais, mas também capaz de gestos de delicadeza para com as pessoas mais
próximas e com seu cachorro – enfim, uma pessoa humana e comum – e por isso mesmo foi
duramente criticado, especialmente pela imprensa alemã. Além da polemica sobre o filme, a
matéria trás uma pequena biografia de Hitler, desde sua infância na Áustria, passando pela
frustração de ser recusado pela Academia de Artes de Viena na adolescência, o alistamento
no exército alemão, sua passagem pela primeira guerra, sua entrada para a política e sua
rápida ascensão ao poder. O texto mostra que a admiração da Alemanha a Hitler crescia na
medida em que crescia também a crise iniciada após o final da primeira guerra; Ele falava o
que o povo queria ouvir, e suas promessas iam de encontro aos anseios da elite alemã, que
não tardou a apóia-lo. A matéria também afirma que Hitler tinha muitos admiradores fora da
Alemanha – na Itália, Espanha, Portugal, América Latina, África e Oriente Médio – porém
cita nominalmente somente Getulio Vargas. Lembra também que em vários paises do mundo
surgiram movimentos antifascistas, em resposta a seu avanço. Uma das afirmações mais
polemicas que a revista aborda é a de que a maioria do povo apoio Hitler, já que hoje em dia
7
é comum a Alemanha negar esse apoio em massa. A matéria termina do mesmo modo que o
filme: narrando ou últimos acontecimentos da vida do führer, até sua morte.
Essa reportagem nada mais é do que uma breve e superficial biografia de Hitler,
porém com uma abordagem mais polêmica e corajosa do que comumente vemos na maioria
dos jornais e revistas – a de que ele não agiu sozinho, e não teria chegado aonde chegou se
não fosse o apoio da maioria dos Alemães, em maior ou menor grau, e até mesmo de muitos
lideres estrangeiros, que se não o apoiaram diretamente, também não o detiveram. A matéria
contém três boxes com abordagens sobre o tema. O primeiro, “A pátria que o pariu”, escrito
por Rodrigo Cavalcante, dá um painel geral da crise que tomou conta da Alemanha entre
1919 e 1933 e teria aberto as portas para o ideário nazista; O segundo, “Show em
Nuremberg”, não creditado, conta como foi o julgamento dos criminosos nazistas naquela
cidade. Segundo o texto, o julgamento foi armado pelos vencedores da guerra para mostrar ao
mundo a punição aos culpados pelos crimes bárbaros cometidos pela Alemanha e seus
aliados, sem, no entanto acabar com a Alemanha. O julgamento teria ajudado a construir a
imagem de que a nação alemã, inocente, tinha sido arrastada para a guerra pelos demônios
nazistas. Por isso a escolha dos acusados em Nuremberg teria levado em conta dois quesitos:
a fama e os altos cargos ocupados. As fortes imagens da guerra, principalmente de judeus nos
campos de concentração, foram usadas para realçar a indignação internacional contra os réus.
Assim, os vencedores absolviam a nação alemã e a si mesmos. Não deixa de ser uma visão
interessante, principalmente se tratando daquele que é considerado por muitos como “o
julgamento mais importante da história”; o último Box da reportagem, intitulado “post-
scriptum” – “Nazistas são os outros”, foi escrito por Harald Welser, professor de psicologia
social do Instituto de Ciências Culturais da Universidade de Essen, Alemanha, e aborda o
problema da negação do nazismo por parte das atuais gerações alemãs – a maioria nega que
seus avós colaboraram com o nazismo; pelo contrario, segundo eles a grande maioria não só
lutou contra sua ascensão como também ajudou os judeus perseguidos. Segundo o autor, para
esses alemães, nazistas eram sempre os outros, e isso não só prejudica como Poe em risco a
memória cultural alemã.
Esse texto foi escrito por um jornalista especializado em ciência, conforme denuncia
seu currículo; foi montado a partir de textos de vários jornais e livros, citados na matéria: cita
o Bild e o Die Zeit, periódicos alemães, um artigo do historiador alemão Wilfried Nippel, da
Universidade Humbold, para o jornal Der Tagesspiegel e o jornal anericano The New York
Times para falar do filme A Queda; o historiador britânico Ian Kershaw, da Universidade de
8
Sheffiels e autor do livro “Hitler – Um perfil do poder” e “Hitler 1936-1945: Nêmesis” e o
historiador americano John Lukacs e seu livro “O Hitler da História” ao falar da infância e
da juventude de Hitler; e durante boa parte do texto cita “A era dos Extremos”, de Eric
Hobsbaw, livro em que parece ter se apoiado. Ou seja, a reportagem não é muito mais do que
uma montagem sobre vários textos que abordam o assunto, feita de maneira a “acomodar” a
opinião do autor.
Diferentemente da maioria das matérias da revista Aventuras na História, esta sobre
Hitler não traz infográficos, mas é totalmente ilustrada com fotos que contam a historia do
personagem e dão a dimensão de quanto ele era cultuado na Alemanha e fora dela; há uma
foto de Hitler bebê, como soldado do exército alemão em 1913, na prisão em 1924, um
multidão o saldando em Berlim em 1933, fotos de suas aparições publicas e no parlamento,
das enormes tropas alemãs lhe prestando reverência e sendo comandadas por ele, no final da
guerra e da vida, já com o Mal de Parkinson e de uma de suas últimas refeições ao lado de
Eva Braun. Além disso há uma ilustração de seu livro, “Mein Kampf” e uma reprodução da
revista americana Time, da qual foi capa seis vezes e por que foi eleito o “homem do ano” em
1939. Essas fotos, da maneira que estão distribuídas, reproduzem exatamente tudo o que diz o
texto.
Apesar de todas as referências feitas durante o texto, a coluna “saiba mais”, no final
da matéria, cita apenas três livros: O Hitler na História, de Jonh Lukacs, Hitler – Um perfil do
poder, de Ian Kershaw e Para entender Hitler, de Ron Rosenbaum. Apenas os dois primeiros
são citados durante a matéria. Isso leva ao entendimento de que essa coluna não representa a
bibliografia utilizada na reportagem, ou seja, a revista e os autores não dão muita importância
a citação das fontes utilizadas.

9
Conclusão:

Enquanto publicação sobre história, a revista Aventuras na História deixa muito a


desejar: a maioria dos temas abordados é irrelevante, a abordagem á superficial, a linguagem
utilizada é por demais informal, as matérias são escritas, em sua grande maioria, por leigos no
assunto, a revista não demonstra a menor preocupação com as fontes utilizadas. Porém a
revista não se propõe a ser uma revista de divulgação cientifica, nem é dirigida a
historiadores. A Aventuras na História é dirigida a um publico que gosta de história, tem
curiosidade sobre temas ligados a história, mas nunca ambicionou ser um historiador; pelo
contrário, a impressão que temos ao analisar a revista e o publico que a lê é a de que parte dos
leitores buscam apenar um passatempo, uma distração que lhe dê assunto para conversas em
rodas de amigos. Mesmo assim a revista não deixa de ter seus méritos: por seu visual atraente
e por sua abordagem muitas vezes criativa e divertida da história, apesar de superficial, acaba
sendo lida por pessoas que sequer se interessavam pelo assunto. Também é bastante
procurada por país que esperam que os filhos cultuem uma leitura saudável ao mesmo tempo
em que aprendem algo.
Quanto às matérias analisadas, elas dão a idéia do tipo de trabalho realizado pela
revista. Escolhemos duas matérias sobre lideres polêmicos, contemporâneos, que foram
publicadas com nove meses de diferença. Getulio Vargas chega a ser citado na matéria sobre
Hitler, porém a abordagem desta não dá espaço ao desenvolvimento da polêmica questão de
simpatia que Vargas supostamente nutria pelo nazismo. A matéria de capa geralmente está,
na medida do possível, relacionada a algum acontecimento – os cinqüenta anos da morte de
Getulio Vargas, os sessenta anos do final da segunda guerra e da morte de Hitler, por
exemplo – o que ajuda a atrair os leitores. As chamadas da capa trazem questões que nem
sempre são respondidas pelas reportagens – “o que levou o homem mais amado do país ao
suicídio”, “por que Hitler era tão amado?”. As matérias são escritas por jornalistas,
geralmente sem nenhuma bagagem na área de história.
A revista mantém uma comunidade no popular site de relacionamento Orkut, com
cerca de 680 participantes (em maio). Através das mensagens lá postadas podemos ter uma
idéia do tipo de pessoa que lê a revista e da opinião geral sobre ela: muitos reconhecem que a
abordagem dos temas é superficial; a maioria dos participantes que opinou desaprova a seção
“páginas amareladas”, devido a seu caráter fictício; muitos professores de história de ensino
de primeiro e segundo grau afirmam utilizar a revista como complemento ao material
10
didático, para despertar o interesse em seus alunos; vários leitores de Aventuras na História
referem-se a outras publicações, como “História Viva”, como “chata” e “um pé no saco”
(palavras de um suposto professor de história), e alguns sugerem que deveria haver um meio
termo entre as duas publicações; vários pedem mais capas com personagens brasileiros; há
divergências sobre o excesso de desenhos nas matérias e colunas; a capa favorita da maioria é
a da edição de maio (Hitler). A equipe que faz a revista participa da comunidade,
respondendo a dúvidas, criticas e sugestões. No Orkut há também uma comunidade da revista
História Viva, com 115 membros, e outra da Nossa História, com 382 membros.
Ao lado de suas principais concorrentes, a História Viva, da Duetto Editorial e a
Nossa História, da Biblioteca Nacional, ambas de qualidade reconhecida e consideradas mais
“sérias”, a Aventuras na História se destaca, principalmente por seu visual e sua linguagem
extremamente informal. A maioria das pessoas que compram a revista sabe exatamente o que
estão levando. Sem grandes pretensões e de qualidade gráfica inegável, a revista cumpre
exatamente o que promete: entretenimento e diversão.

11
DADOS GERAIS SOBRE AS REVISTAS*

Superinteressante Aventuras na Historia

Perfil do leitor
Idade: 30% entre 10 e 19 anos 23% entre 10 e 19 anos
20% entre 20 e 24 anos 13% entre 20 e 24 anos
32% entre 25 e 39 anos 32% entre 25 e 39 anos
Sexo: 57% homens 42% homens
43% mulheres 58% mulheres
Classe Social A: 30% A: 18%
B: 50% B: 50%
C: 17% C: 21%

Circulação:
Tiragem 462.460 exemplares 87.110 exemplares
Assinatura 254.160 35.870
Banca 98.210 18.720
Exterior 24 -

Por região:
Sudeste 47% 47%
Sul 22% 19%
Nordeste 18% 20%
Centro-Oeste 08% 08%
Norte 05% 06%

Fonte: www.publiabril.com.br

12
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

A construção histórica da imagem de Hitler presente


nas revistas de grande circulação
(centrada na análise da edição número 11 da revista
"Grandes Líderes da História")

Nomes dos integrantes do grupo:

Marcos Alexandre Schwerz


No. USP 2259295

Paulo Eduardo Amâncio


No. USP 3503094

Pedro Henrique Maloso Ramos


No. USP 3516306

Professor: Dra. Raquel Glezer


Disciplina: Teoria da História I
Turma: sexta/noite
1o. semestre/2005

São Paulo, 1o. de julho de 2005

1
Índice Página

1. Objetivos 02

2. Escolha do tema 03

3. Estrutura da revista “Grandes Líderes da História” 04


a. Ficha de descrição 04
b. Apresentação dos artigos 05
c. Estruturação dos artigos 07

4. Como é retratada a figura de Adolf Hitler 17

5. Análise da construção da imagem de Hitler nas revistas “Grandes


Líderes da História” e “Almanaque Abril – Volume 1 - 2a. Guerra Mundial”.
Comparação entre as revistas 21

6. Análise da entrevista com a professora Doutora Maria Luiza Tucci


Carneiro 25

7. Conclusão 27

8. Bibliografia 30

2
1. Objetivos
O presente trabalho tem como primeiro objetivo estabelecer uma análise da
revista “Grandes Líderes da História”. Para tanto, nos utilizamos de dois números da
revista: a revista de número quatro – ano 1 -, que traz como líder o Buda, e a revista de
número 11 – ano 1 –, trazendo a figura de Adolf Hitler como o líder em questão.
Quanto a esta análise não iremos faze-la somente de maneira comparativa, e sim
procurar levantar as principais características da publicação “Grandes Líderes da
História”. E, para tanto, consideramos essencial ter mais de um exemplar para fazer uma
boa análise do material.
O nosso segundo objetivo é o de analisar como está estruturada a figura do líder
Adolf Hitler na “Grandes Líderes da História”, como ele é retratado, quais as questões e
afirmações feitas e quais são as abordagens trazidas pela revista. Existe uma associação
entre a Alemanha da 1a. Guerra Mundial e a ascensão do Nazismo no pós-Guerra?
Quem é Adolf Hitler? Como está “encaixada” a figura de Hitler e a ascensão do
Nazismo na Alemanha? Essas serão as principais questões a serem trabalhadas nesta
análise. Obviamente, falaremos de como está estruturada (suporte) a revista, quais e
onde estão as imagens, e como estão apresentados os textos (quais os títulos e
abordagens).
Um último objetivo levantado pelo o grupo é o de comparar essa publicação com
outra publicação que tenha uma grande circulação, se destine ao grande público. Para
tal, escolhemos analisar a revista “Almanaque Abril”, que fez em quatro volumes –
portanto, aparece como uma coleção - uma publicação a respeito da 2a. Guerra Mundial
– o título da presente coleção é “II Guerra Mundial – 60 anos”. Iremos analisar, no
entanto, apenas um volume – o que confirma que nosso trabalho não se destina a análise
dessas publicações; nós a utilizamos para “enriquecer” o trabalho e julgamos necessário
para tornar nossa abordagem mais crítica e concisa. O volume a ser analisado é o
primeiro – “A Ascensão do Nazismo”. A que se afirmar que a contraposição entre
ambas as revistas levara em conta as especificidades das mesmas – uma se trata de
apenas um número tratando de toda a 2a. Guerra Mundial, e outra é uma coleção com
quatro volumes. Por isso, nosso objetivo, em ambas, é analisar como está estruturada a
figura de Hitler e a ascensão do Nazismo.
.

3
2. Escolha do tema
Podemos afirmar que a escolha do tema ligado à 2a. Guerra Mundial foi, antes de
tudo, vinculada ao “boom” de publicações ligados ao tema devido a comemoração dos
60 anos que marcam o final desse conflito. Portanto, antes de tomarmos conhecimento
com as revistas e temas que estavam expostos nas bancas, optamos por analisar dois
líderes políticos, retratados na revista “Grandes Líderes da História”, sendo um deles o
número referente a Ernesto Che Guevara. Iniciamos a procura pelo o material e,
imediatamente, nos surpreendemos com a enorme quantidade de publicações
relacionadas a 2a. Guerra Mundial. Em uma banca contabilizamos sete revistas em que a
matéria principal era ou o Nazismo, Hitler e a 2a. Guerra Mundial. E, em três delas, a
imagem da capa trazia Hitler - a saber, “Aventuras na História” e as duas publicações já
citadas aqui. Na revista “Grandes Líderes da História” a imagem de Hitler é a única
presente na capa.
Ao percebermos isso, julgamos mais interessante fazer um trabalho relacionado
a esse assunto, e comprovamos, com o tempo, que a escolha foi muito pertinente.
Pudemos, em menos de duas semanas, levantar um material suficiente para realizar um
trabalho enriquecedor e revelador a respeito dessas publicações destinadas ao grande
público.
Para que o trabalho não ficasse destoante quanto a análise das publicações que
escolhemos, decidiu-se pela análise da ascensão do Nazismo e a figura de Hitler.
Portanto, devido a necessidade, nosso tema tornou-se menos abrangente que o assunto
exposto nas revistas, procurando levantar as questões principais de ambas.

4
3. Estrutura da revista “Grandes Líderes da História”
a. Ficha de Descrição
Nome: “Grandes Líderes da História”
Editora: Arte Antiga Editora
Data: em nenhum dos exemplares consta-se data, sendo apenas apresentadas
pelo número e ano de publicação do material. “Grandes Líderes da História – Buda” –
Número 4/Ano 1; “Grandes Líderes da História – Adolf Hitler”– Número 11/Ano 1”
Número de páginas: “Grandes Líderes da História – Buda”: 50 páginas;
“Grandes Líderes da História – Adolf Hitler”: 50 páginas
Organização Interna: os dois exemplares diferem muito quanto à organização
interna. Podemos analisar que o número referente ao Buda possui uma divisão entre os
artigos que privilegia o Budismo – mesmo dando enorme destaque à figura do Buda -,
enquanto que na revista referente ao Hitler está é, senão, quase que um exemplar
voltado a biografia do líder em questão. Os temas referentes a 2a Guerra Mundial estão
ligados, intrinsecamente, a figura de Adolf Hitler.
Relação de Artigos: como nosso trabalho está relacionado a edição de número
11 – ano 1 da revista, os artigos expostos nessa edição são:
“Infância, Família e Adolescência” – pp. 05-09
“Primeira Guerra Mundial” – pp. 10-15
“Ascensão do Partido Nazista” – pp. 16-21
“Preparativos para a Guerra” – pp. 22-27
“A Segunda Guerra Mundial” – pp. 28-33
“A Polêmica Morte” – pp. 34-37
“Herança de Auschwitz” – pp. 38-41
“Vida Amorosa” – pp. 42-43
“Entrevista: O Nazismo e o Brasil” – pp. 44-45
“Demônio Encarnado?”- pp. 46-47
“Guia” – pp. 48-50.

5
b. Apresentação dos artigos
Os dois exemplares dessa publicação apresentam na capa de suas edições a
mesma estrutura: a imagem central do líder a ser apresentado na revista. Os nomes dos
líderes aparecem logo abaixo das respectivas imagens, com a apresentação dos títulos e
dos tópicos que serão trabalhados na revista. Na contra-capa de ambas as revistas
aparecem alguns números já publicados, sejam dessa revista, sejam de outras da mesma
editora. Fato relevante é que todas as publicações aparecem muito mais como um
material em que não se segue uma periodicidade, e que, portanto, também se
apresentam como coleções – assim é definida a publicação “Grandes Líderes da
História” -, com a mensagem na contra-capa: “Colecione! Peça ao seu jornaleiro”.
A primeira página de ambas as revistas aparece um texto curto da editora Thaise
Rodrigues, fazendo uma abordagem do porque foi escolhido e publicado uma revista
com aquele líder. Chega a ser surpreendente o texto da revista que trabalha com Hitler,
primeiro pelo resumo absurdo que a editora faz do período histórico e as afirmações
ilógicas – a presença do “se” na História. Segue o trecho: “Numa das conversas aqui na
redação, o repórter Luiz Alberto Moura disse o seguinte: ‘Já imaginou se, durante a
Primeira Guerra Mundial, alguém tivesse acertado o então mero soldado Adolf Hitler?
Com certeza, o mundo hoje seria outro’. E seria mesmo”.
O anacronismo da frase acima já pode ser motivo de inúmeras e contundentes
críticas. Primeiro se levarmos em conta que as idéias hitleristas se formam e se
“popularizam” no pós-crise de 1929, ou seja, mais de uma década após o término do
primeiro conflito mundial. Conforme a própria revista irá mostrar, Hitler, durante a
década de 10, está muito mais interessado em seguir a carreira “artística” – sonhava em
ser pintor, tentando ingressar na Academia de Belas Artes de Berlim - do que,
efetivamente, consolidar-se como um ditador. Parece que a editora, assim como o
repórter, tem a certeza de que Hitler nasceu nazista, e que, portanto, todas as suas ações
levaram a consolidação do Nazismo. E depois porque existe uma centralização
excessiva do nazismo na figura de Adolf Hitler. Brilhante é a própria definição que a
editora atribui a Hitler: “Gênio do Mal”. Existe uma visão muito restrita desta a respeito
da 2a. Guerra Mundial – será que existe uma compreensão do significado das bombas
atômicas que explodiram no Japão?
O que se apresenta a seguir não é a influência de Hitler somente para a 2a.
Guerra Mundial, e sim para toda a humanidade. Rodrigues disserta que o trabalho
realizado por Lucas Pires é, claramente, um esforço para que possamos entender quão

6
mal e sanguinário foi Adolf Hitler. A primeira afirmação que podemos fazer é que se no
número referente a Hitler aparece o autor dos artigos, Lucas Pires, no número referente
ao Buda, em nenhum momento é citado o nome de quem os produziu – inclusive não
sabemos de onde foram extraídas as informações.
Em ambas as revistas existe uma enorme variedade de imagens, sendo estas a
porta de entrada para os artigos publicados. A primeira preocupação – nota-se isso nas
duas revistas – é mostrar quem foi o líder desde de sua infância, quais foram as suas
influências, e quais os resultados destas em sua vida. No entanto, nos primeiros artigos
de ambas revista percebe-se uma notória diferença entre essas. Enquanto que na revista
que trabalha com Buda, este está inserido em um contexto histórico, na revista que
trabalha com Hitler, existe a sobreposição da figura desse líder, como se este houvesse
iniciado um período marcado por inúmeros conflitos imperialistas e políticas nacionais,
sendo a coroação, para a revista, o nazismo. Segundo as palavras de Lucas Pires “Falar
sobre Adolf Hitler é falar sobre o nazismo, e falar sobre ambos é mexer no que talvez
seja a maior prova da crueldade da qual o ser humano foi capaz”. Não entraremos,
agora, na análise dos artigos, mas já é sugestivo afirmar que, até a página 21 conta-se
tão somente a história da vida Hitler.

7
c. Estruturação dos artigos
Devido ao fato de, já no início, saltar-nos aos olhos a incrível centralização da
figura de Hitler na “Grandes Líderes da História”, resolvemos iniciar a análise do
primeiro texto por uma quantificação. O primeiro artigo, que busca mostrar a figura de
Hitler desde a infância até a construção das primeiras teorias nazistas, possui um
excesso de palavras em que se repete o nome de Hitler - seja Adolf, Adolf Hitler ou
apenas Hitler -, em relação às palavras Alemanha e nazismo. O que de fato impressiona
é a inexistência de uma abordagem histórica a respeito da Alemanha e da Europa –
palavra que não aparece nenhuma vez – no texto. Os resultados foram os seguintes:
Palavras Números de vezes que se repetem/
porcentagem
Alemanha, alemães, alemão, alemã 5/ 10,4%
Hitler; Adolf Hitler; Adolf 40/ 83,3%
Nazismo, nazistas, nazista 3/ 6,2%
A partir da página 21 os textos procuram abranger algo mais do que a vida de
Hitler; no entanto, continuam a consolidar a idéia de que foi o líder nazista o
responsável, senão único responsável, pela ascensão do Nazismo e pela 2a. Guerra
Mundial. Iremos fazer aqui uma exposição dos artigos mais relevantes e as
interpretações que mais nos chamaram a atenção na revista sobre o Hitler. Vez ou outra,
iremos retomar a edição sobre o Buda.
Tanto o segundo quanto o terceiro textos estão vinculados a vida particular de
Hitler e, posteriormente, sua incrível carreira política. O que é interessante de se notar é
que aqui se afirma algo que, até a pouco tempo, era apresentado de outra maneira.
Anteriormente, Pires associou o racismo e autoritarismo de Hitler à educação imposta
por seu pai – dando inclusive o dado de que esta ocasionou um distúrbio psicológico -;
aqui aparece a idéia de que, entre 1912 a 1914, Hitler teve contato com as idéias anti-
semitas – portanto, elas seriam anteriores a sua existência e não simples resultado da
conturbada relação com seu pai.
É retratado, de maneira bem específica, a participação de Hitler na 1a. Guerra
Mundial, mostrando, primeiramente, sua adesão as forças de combate como um ato
nacionalista. É utilizado um trecho da obra de Hitler, “Minha Luta”, em que este relata o
imenso orgulho e satisfação em servir à Alemanha nesse conflito. Desde da entrada de
Hitler no conflito até o abandono deste pelo fato de ter sido baleado, Hitler parece ter
adquirido toda uma cultura anti-semita (sem, no entanto, aparecer de onde se deu essa

8
influência). Um dos sub-títulos do terceiro texto é “O começo do ódio”, nota-se,
claramente, a idéia de que Hitler foi apresentado as teorias nazistas e anti-semitas
quando morava em Munique. As ações dos trabalhadores judeus, ao entrarem em greve
para pedir o fim do conflito, criaram entre os alemães a idéia de que os judeus seriam
traidores da pátria.
O tratado de Versalhes imposto à Alemanha ao final do conflito, é descrito como
extremamente prejudicial a política e a economia alemãs, criando um sentimento de
“rebeliões e tentativas de revolta” entre o povo alemão. A consolidação da Liga das
Nações, e a impossibilidade de construção de forças militar alemãs criou nesse país a
idéia de que somente a Alemanha havia sofrido as conseqüências do conflito mundial. É
através desse viés, segundo Pires, que serão constituídas as idéias de Hitler quando este
é apresentado ao Partido dos Trabalhadores Alemães, em 1919. Sua adesão ao partido e
a enorme capacidade retórica que possuía fizeram com que Hitler, desde do início, fosse
uma figura de destaque, recebendo, em pouco tempo, o convite para ingressar no
partido. O segundo texto termina com uma interpretação, esta sendo realizada a partir da
leitura da obra do historiador Eric Hobsbawm, a “Era dos Extremos: O breve século
XX”, em que se descreve como estavam postas as ações militares na 1a. Guerra Mundial
– guerra de trincheiras -, também traçando um paralelo com o passado europeu e alemão
anteriores a esse conflito – no caso da Alemanha aparece de maneira muito resumida a
figura de Bismarck e o II Reich.
O terceiro texto vai tratar simplesmente do poder político do partido por Hitler,
com a apresentação da idéia de um homem obstinado pela necessidade em se controlar
esse partido e de faze-lo representante direto dos interesses hitleristas dentro da
Alemanha. Aparece a adoção do nome que Hitler propõe ao partido – Partido Nacional-
Socialista dos Trabalhadores Alemães” – como uma prova da capacidade deste em
consolidar suas decisões em um curto espaço de tempo.
De todos os textos esse é o que consolida mais a idéia em se “individualizar” o
nazismo à figura de Adolf Hitler, colocando as SA, através de suas ações “pouco usuais”
contra o Estado Alemão, como prova do poder e prestígio que Hitler havia adquirido.
Ao retratar a ação contra o governo – putsch de novembro – e o fracasso da mesma,
aparece a idéia de que Hitler o fizera seja por motivos internos, seja pelo exemplo da
bem-sucedida marcha de Mussolini para tomar o poder em Roma, em 1922. É o
primeiro momento em que a figura do ditador italiano é apresentada em correlação
direta ou indireta as ações hitleristas.

9
A prisão – segundo Pires, Hitler entendeu a sua prisão como um ótimo
mecanismo para aparecer na mídia, consolidar a sua imagem perante a população - de
Hitler é resumida a um relato que retrata um bom tratamento recebido por esse e seu
esforço em escrever a sua obra, a “Minha Luta”. Existe uma ponderação interessante
quanto as idéias de Hitler a respeito do caminho que levaria a uma mudança social,
frente a consolidação da República de Weimar: “Essa nova realidade no país serviu para
duas coisas: dar a Hitler a certeza de que o povo não toleraria uma revolução e,
portanto, só lhe seria possível chegar ao poder através dos trâmites legais, e também
manter o Partido Nazista em gestação, sem muitos sucessos políticos nas eleições
durante os próximos anos”. Sem contestar a validade da afirmação, parece estranho não
constar nenhuma referência bibliográfica e sequer algo ou alguém que indique de onde
partiu essa conclusão. Pela estrutura dos textos passados o primeiro nome que nos veio
foi – novamente – o de Hobsbawm.
De todos os textos apresentados esse, até o momento, é o que faz uma melhor
abordagem histórica a respeito da Alemanha e Europa – confirma-se isso pela segunda
tabela, logo abaixo -, mas volta a afirmar que Hitler foi responsável direto da ascensão
das ideologias anti-semitas e do nazismo.
Ao final desse terceiro texto aparece um artigo, intitulado “As Origens do Mal
em Hitler”. Procurando entrar na discussão de porque Hitler fez o quê fez, existe uma
excessiva abordagem da vida pessoal do ditador e nenhum viés histórico. Levanta-se,
em menos de três parágrafos duas possibilidades, do distúrbio psicológico causado pela
educação dada pelo pai – teria gerado em Hitler uma “forma de força destrutiva”, a uma
provável sífilis adquirida por Hitler durante a juventude, levando-o a odiar os judeus
porque, segundo Pires, ele teria adquirido a doença com uma prostituta judia. Iremos
retomar essa abordagem sobre Hitler, pois, acreditamos, é essencial para se entender
como a figura do ditador está retratada nessa revista. Vale a pena afirmar que, ao final, o
próprio autor considera tais autorias absurdas. “Buscar explicações é típico dos homens,
ainda mais para algo tão abominável quanto o que Adolf Hitler fez na Alemanha –
novamente se centraliza única e exclusivamente na figura de Hitler. Mas explicar e
entender não pode significar compreender e perdoar1”.
Nesse terceiro texto o uso de imagens se dá em maior número que os anteriores
e, pela primeira vez, o plano de fundo é diferente: tons de vermelho. Anteriormente
preponderavam cores mais claras. Existe uma alternância entre fotos e desenhos, sendo

10
que em três das quatro fotos Hitler aparece e está em primeiro plano. Nesse terceiro
texto também fizemos uma tabela acerca de quantas vezes aparecem as palavras em
referência ao nome do ditador, em comparação com as palavras referentes à Alemanha,
comunistas, judeus e ao Nazismo. Veja a tabela:
Palavras Número de vezes em que se
repetem/Porcentagem
Hitler, Adolf Hitler e Adolf 45/ 52,3%
Judaica, judaísmo, judeus, judeu, judia 11/ 12,7%
Comunista, comunistas 3/ 3,4%
Alemanha, alemão, alemãs, alemães 14/ 16,2%
Nazismo, nazistas, Nazista 13/ 15,1%
O quarto artigo da revista trabalha com o contexto histórico do período anterior a
2a. Guerra Mundial, aparecendo, novamente um trecho de livro (não se informa o qual,
mas se deduz ser o já citado) de um historiador, Eric Hobsbawm. As principais
afirmações feitas por Pires nesse texto são a ascensão dos EUA como “maior potência
mundial” no pós-1a. Guerra, e a quebra da Bolsa de Nova York. No entanto, a
abordagem histórica mundial aparece em pequenos três parágrafos, e logo o assunto se
centraliza, novamente, em Hitler e na Alemanha.
Esse texto é visivelmente marcado por um esforço em se fazer um retrato de uma
Alemanha marcada pelo desemprego e pela consolidação de duas forças políticas,
nazistas e comunistas que, em 1930, aparecem de maneira contundente no Parlamento
alemão, ocupando muitas cadeiras. Também aparece a formação das SA e SS nazistas –
a primeira apresentada de maneira muito resumida no texto anterior - e o papel delas
como alicerces da expansão política de Hitler que, aqui, anacronicamente, já aparece – o
texto está trabalhando com o período de 1930-1932 – sendo chamado de Führer, e o
esforço das forças legais – bem como do então presidente Hindenburg – de controlar a
ação desses grupos. Graças a incapacidade destas em controlar as SA e SS, e devido ao
enorme populismo de Hitler, segundo o texto, este é nomeado chanceler em 30 de
janeiro de 1930.
Logo após o relato dessa fulminante subida de Hitler ao poder, Pires opta pelo
relato das ações belicistas – como o incêndio ao Parlamento, em 27 de fevereiro de 1933
– de Hitler, do que suas ações políticas. Novamente se associa – de maneira muito

1
Retomaremos essa idéia de compreender e perdoar – ou julgar – na conclusão.

11
simples – a consolidação de Mussolini no poder italiano e a ascensão de Hitler. O único
viés político de Hitler nesse período está registrado pela perseguição aos partidos
políticos na Alemanha e promulgação do “Ato de Autorização” – falta, no artigo, o ano
da promulgação do ato, tornando, para o leigo, o texto um pouco confuso -, dando
poderes ilimitados ao líder nazista.
É somente quando vai tratar da preparação da Alemanha para a guerra que Pires
se preocupa em explicar a política econômica de Hitler, bem como as suas relações
externas. Existe uma excessiva preocupação em se consolidar a idéia de uma Alemanha
belicista desde da ascensão hitlerista, e, mesmo sendo essa idéia aceita, a sua constante
afirmação oculta outras importantes informações. Segue-se um pequeno artigo na parte
inferior das páginas 26 e 27, abordando a Olimpíada de Berlim, em 1936, e as claras
demonstrações de racismo e arianismo de Hitler durante a ocorrência desse evento.
As imagens desse texto, sem sombra de dúvida, são as que guardam o maior
anacronismo, pois tratam de um período posterior ao que está sendo apresentado ao
leitor, o que, concluímos, prejudica o entendimento, tanto das imagens, quanto dos
artigos. As imagens tratam, em sua maioria, dos anos posteriores a 1937. Outro fato que
nos chamou a atenção foi a utilização de desenhos para retratar Hitler, e não fotos –
assinados por Fábio Matos -, o que já havia ocorrido nas páginas anteriores. Voltaremos
a trabalhar essa questão que nos pareceu pertinente quando comparamos com o material
exposto pela Almanaque Abril.
Esse excesso de desenhos não se repete na edição que trata sobre o Buda. No
número referente ao Buda existe em algumas páginas, inclusive, um excesso de
imagens, “picotando” os textos e tornando os confusos. É notório, um cuidado muito
maior com a estética da revista que trabalha com Hitler do que com a que trabalha com
o Buda, inclusive com a existência de “molduras” nas páginas dos textos de Lucas Pires
– como a que aparece imagem da cruz de ferro circulando todo o artigo. Faz-se, aqui,
uma constatação importante, que será melhor trabalhada a posteriore: não existe uma
apresentação isolada do símbolo nazista, em nenhum momento aparece a cruz suástica
em destaque. E quando ela é retratada, aparece como que “quebrada” ou, o que
confirmara nossa interpretação, vinculada às imagens de Hitler. Existe, inclusive em
uma das imagens, a sobreposição da cruz suástica a um desenho de Hitler. Isolada, no
entanto, a imagem do símbolo do Nazismo nunca aparece.

12
Outro dado que consideramos interessante apresentar agora é o número de
desenhos em relação ao número total de imagens até esse quarto texto. Os dados são os
seguintes:
Especificação Números Porcentagens
Desenhos 14 53,8%
Fotos 12 46,2%
Iremos tratar agora de um artigo que consideramos muito importante para dar
um contexto completo à respeito da abordagem da revista. A seção da revista intitulada
“Herança de Auschwitz” a qual retrata o anti-semitismo levado até as últimas
conseqüências, o Holocausto, comporta uma estrutura na qual a matéria se caracteriza
de modo bastante patente, fundamentalmente, pelo denso apelo ao recurso de imagens.
Assim, constata-se que cerca de 50% das páginas destinadas ao assunto são preenchidos
com fotografias – todas elas registrando os devidos créditos - de prisioneiros situados
em diferentes campos de concentração, o que difere sensivelmente do resto da revista,
composta em grande parte por desenhos, em uma porcentagem maior da que a
apresentada acima.
Concebemos que as imagens fotográficas alocadas tanto na página de
apresentação do artigo quanto nas laudas subseqüentes, são preenchidas com imagens
que buscam transmitir ao leitor, parte do cotidiano dos cativos nos campos de
concentração nazista. A fotografia que abre a matéria (Divulgação/Discovery Networks)
ocupa toda a primeira página, visando enfatizar o pesar e o sofrimento das vitimas da
reclusão: mostra três prisioneiros de modo a destacar em primeiro plano a feição abatida
de uma prisioneira de expressão facial tensa e pensativa, a qual tem à sua frente uma
cerca de arame farpado.
É também interessante perceber que o ângulo pelo qual o fotógrafo capta a
imagem é bastante oportuno uma vez que nos permite visualizar interessantes detalhes
em profundidade, como a torre de vigilância, a elevada cerca de isolamento de arame
farpado que envolve prisioneiros, focalizadas de modo que auxilia a percepção do leitor
em relação a intransponibilidade, a impossibilidade de fuga por parte do preso.
Nos pareceu que a seleção das fotografias versou no sentido de descrever o dia-
a-dia de um campo de concentração, enfatizando seu perfil de depósito de homens ou de
seus restos mortais. Assim, a revista exibe a imagem de alojamentos onde são flagrantes
as situações de penúria vivenciada pelos presos em virtude da fome e da precariedade
das instalações; porém nenhuma nos pareceu mais chocante do que uma fotografia que

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mostra um caminhão com corpos amontoados, a mais sugestiva imagem em termos da
atomização pela qual o significado da vida humana aparece submetido.
Partindo da observação de aspectos como os acima levantados, chegamos ao
entendimento de que as fotografias mais do que concorrer acabam por adquirir posição
de preponderância em relação ao texto, a qual é aguçada pela falta de satisfatória
articulação entre a parte escrita e visual, uma vez que embora seja claro que ambos
materiais remetam ao mesmo assunto, efetivamente, as fotos estão integradas de
maneira justaposta.
O texto em termos estéticos segue padrão semelhante ao das demais seções da
revista, logo que prioriza trabalhar fragmentos organizados a partir de subtítulos, bem
como repete a estratégia empregada em alguns outros artigos em relação ao uso de
imagens sombreadas ao fundo das páginas que nessa seção em específico tem seu corpo
do texto impresso sobre tonalidade azul-clara.
Em seguida, constatamos que propriamente no tocante a análise do texto, a
persistência em se atribuir a Adolf Hitler papel sine qua non ao desenrolar dos
acontecimentos e, por conseguinte, do genocídio. Logo, se por um lado é verdadeiro o
fato de que o autor admite – mesmo se contradizendo - que não foi Hitler o criador do
anti-semitismo, visto que se trata de um fenômeno ideológico muito anterior ao
nazismo, por outro atribui exclusivamente ao ditador a construção das bases da política
de extermínio dos judeus evitando a todo custo a nomeação de outros personagens.
A figura de um líder depende fundamentalmente de seu carisma junto às massas
e da cooptação dos setores que sustentam as estruturas do poder e em relação a isso,
Hitler conseguiu provar que possuía de sobra junto aos alemães naquele contexto
histórico. Uma análise bem feita acerca destas circunstâncias, de suas condicionantes
históricas proporcionaria tranqüilamente, excelentes argumentos que justificariam a
posição de Hitler como “Grande Líder da História”. Por outro lado, constitui enorme
risco apresentar a um público leigo argumentos, convenhamos, um tanto forçosos, os
quais visam delegar as estratégias do partido e do governo nazista unicamente às
decisões do füher, , supostamente provenientes de sua “diabólica genialidade” .
Assim, a forma pela qual o texto é construído não fornece nenhum subsídio, ou
quem sabe, na melhor das hipóteses, apresenta reduzidíssimas indicações afim de que o
leitor seja informado acerca de outros agentes envolvidos na construção da ideologia. A
propósito, é curioso como que, ao referir-se a outros articuladores da ideologia nazista,
o autor opta por remeter-se ao nome “nazistas” num sentido genérico. Nesse sentido, ao

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se referir à política governamental de propaganda anti-semita, avalia que, “os nazistas
foram especialistas em criar e espalhar cartazes, filmes, livros e panfletos denegrindo a
imagem dos judeus” – aqui reside uma das maiores e principais diferenças quanto a
“Almanaque Abril”, muito mais bem elaborada nesse sentido, trazendo o nome o papel
de outros líderes nazistas, como Goebbels -; caso análogo verifica-se num trecho mais
adiante da matéria a partir de uma breve alusão que faz em relação ao Tribunal de
Nuremberg, onde lembra que a coleta de provas documentais por parte dos aliados nos
campos de concentração “foram essenciais para a condenação de nazistas no
julgamento”. Ora, mas quem são esses nazistas?! O público fica sem saber!
Outro aspecto que nos chamou a atenção foi que a noção do desenrolar de
estágios no curso da história, idéia cara aos estudos no campo da Filosofia da História,
aparece expressa nessa seção da revista no âmbito da abordagem do progressivo arrocho
da perseguição nazista aos judeus entre os anos de 1933 e 1941. Lucas Pires emprega a
terminologia “estágio” numa perspectiva tripartite.
O primeiro estabelecido, entre o ano de 1933 e 1938 é definido como a “primeira
tentativa de banir os judeus de todos os campos sociais”, tecida num contexto pelo qual
as “leis de Nuremberg” figurariam dentre os marcos factuais mais notáveis, assinalando
que a referida legislação “impunha a proibição do casamento entre judeus e arianos,
boicotes econômicos, prisões e espancamentos”. Todavia, entendemos que exista uma
certa ambigüidade na construção da frase acima citada, podendo vir a confundir o leitor,
pois o contexto pelo qual a frase é colocada, se analisado com um cuidado maior,
permite que nos certifiquemos, no máximo, de que pelas “Leis de Nuremberg” ficavam
proibidos casamentos entre arianos e judeus, ficando em suspenso se as demais ações
(isto é, os boicotes econômicos, prisões espancamentos) de fato tornaram-se práticas
“legais”, ou melhor, institucionalizadas pelo estado nazista, ou então se tornaram
corriqueiras nesse “primeiro estagio”, enquanto produto do discurso propagandista
estatal anti-semita, o qual assimilado por grande proporção da população alemã
redundou no acolhimento de tais práticas.
Voltando propriamente à questão dos “estágios”, observa-se que o segundo
estágio proposto se situa entre 1938 e 1941 e sua existência atribuída a um período
qualificado como de acirramento da perseguição anti-semita, o qual tem seu
desencadeamento ligado a um marco factual atribuído à chamada “Noite dos Cristais”,
evento que, traduzindo as palavras do autor, poderíamos afirmar que consistiu num
sanguinolento “arrastão” contra os judeus.

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O terceiro e último estágio tem seu início vinculado ao ano de 1941, o qual tem
sua duração até 1945, culminando com o sucessivo desmantelamento dos campos de
concentração e o encerramento do conflito. O argumento explicativo para a ocorrência
desse terceiro estágio de perseguição anti-semita é justificado pelo notório emprego da
política de extermínio a qual é definida pela expressão “solução final”. Evidentemente,
nosso parecer a esse respeito é que de fato, a conjuntura 1941-45 corresponde a um
“estágio” demasiadamente sanguinolento tanto pela questão do holocausto, quanto pelos
desdobramentos da Segunda Guerra Mundial, e nesse sentido, não pairam
questionamentos em relação a afirmação do autor.
Entretanto, talvez o ponto não propriamente errôneo, porém discutível da
formulação que propõe, resida no critério definidor da passagem do segundo ao terceiro
estágio, já que se o extermínio constitui eixo marcante do início do terceiro estágio da
perseguição anti-semita na Alemanha nazista; lembremos que tal característica já era
presente no estágio anterior, pois como o próprio texto informa, “no final de 1941, cerca
de um milhão de judeus haviam morrido por diversos motivos sob domínio nazista”.
É também interessante estarmos atentos ao fato de que o autor, ao remeter-se a
essa fase com a implementação da execução em massa como a “solução final” nazista
em relação à questão judaica, denota-se, enfim, a perspectiva da análise de um
movimento da história pautado em estágios sucessivos por intermédio dos quais seria
viável acompanhar a evolução de determinado fenômeno que inexoravelmente
desemboca num determinado telos.
A parte final da matéria é editada com um “box” que discute o anti-semitismo
enquanto ideologia. Lucas Pires oferece ao leitor uma definição peremptória em relação
ao fenômeno, concebendo-o como uma “hostilidade ideologicamente motivada contra o
povo judeu e sua cultura”. Percebe-se que, assim como no tratamento dado a questão
relativa a perseguição nazista aos judeus, o autor opta por relatar historicamente as
características da ideologia anti-semita no Ocidente, demarcando sua análise em torno
de “três diferentes momentos”, aplicados possivelmente, visando finalidade didática.
Aliás, o fato de que a redação dos textos é construída a partir de linguagem
bastante simplificada, às vezes próxima ao coloquial (como já comentamos
anteriormente), bem como outros detalhes, por exemplo, no emprego dos algarismos
indo-arábicos “15” e “19” para a denominação dos séculos, constituem elementos que,
de certo, corroboram com a nossa tese em torno da preocupação de uma linha editorial
da revista “Grandes Líderes da História”, versada no intuito de facilitar a decodificação

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da mensagem por parte do leitor, com vistas à pragmática intenção de mantê-lo e,
obviamente, alcançar a adesão de seu público potencial.
Voltando à questão inerente à análise do anti-semitismo, retratado na perspectiva
de três momentos particulares, vemos que, embora não estabeleça uma rígida
delimitação em termos de recortes cronológicos como aplicou na situação anterior,
propõe três marcos históricos relativamente datáveis no decorrer da mutação da
ideologia que são, o pensamento teológico ou tradicional, transcorrido da Idade Média
ao século XIX; o moderno ou científico caracterizado pelas teorias cientificistas em
voga já no final do XIX - sendo curioso o fato de que não é fixado de maneira explícita,
um marco que encerre esse segundo momento. A seguir, o autor faz alusão a um
terceiro momento, no qual a ideologia anti-semita tem por sustentáculo o neonazismo,
que como observou, “ressurgiu a partir dos anos de 1980, após uma hibernação de
praticamente trinta anos”. Daí, deduzir que o autor situe o tal “segundo momento” entre
o final do século XIX e meados do XX.
Uma análise do discurso do conteúdo da matéria nos leva a crer que o autor
atribui, digamos, implicitamente, determinada simetria em termos de expressividade
entre Adolf Hitler e Auschwitz. Nosso argumento é o de que a imagem de Auschwitz
está para os campos de concentração, em proporção semelhante à que Hitler estaria para
o nazismo. Portanto, se como já observamos na parte inicial do trabalho, o autor
argumenta que “falar sobre Adolf Hitler é falar sobre o nazismo” semelhantemente, o
discurso produzido se inclina a tratar Auschwitz e campos de concentração quase como
sinônimos.
Ademais, o título sugerido para a discussão dos campos de concentração nazista
(“Herança de Auschwitz”) nos parece um tanto complicado pelo simples fato de que a
matéria em momento algum explica, problematiza ou fornece subsídios que justifiquem
o sentido da utilização da palavra “Herança”. Corresponderia a seus desdobramentos
mais imediatos, como por exemplo, a morte de aproximadamente seis milhões de seres
humanos e a criação de um estado Nacional (Israel)? Ou a lição de uma história
magistra vitae a qual visa dentre suas principais atribuições mostrar os acertos ou
equívocos de “grandes” personagens diretamente responsabilizados pelos conseqüentes
avanços ou percalços no curso da humanidade? São hipóteses por nós até aqui
aventadas e que revista parece não marcar posição.

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4. Como é retratada a figura de Adolf Hitler
Semelhantemente, à questão em torno da vida particular, mais precisamente, no
aspecto da intimidade amorosa-sexual, esta é abordada no campo da especulação, não
havendo ao que, à primeira vista parece, a pretensão de se fechar à questão em relação
ao assunto. O que nos parece claro por outro lado, é o fato de que há um grande
investimento na abordagem de questões ligadas à sexualidade em detrimento da questão
propriamente afetiva.
Observa a matéria que o personagem manteve digamos, “oficialmente”, três
relacionamentos amorosos. O primeiro, aos seus 38 anos quando vive um curto romance
com Mimi Reiter, uma adolescente de 16 anos que de acordo com a matéria teria
tentado suicídio após o término do relacionamento. A seguir, percebe-se o nítido
destaque dado ao relacionamento mantido com sua sobrinha, Geli Raubal. Destaque
esse, que indubitavelmente, não se dá pela durabilidade da união, até mesmo porque o
autor não informa o tempo de convivência do casal o qual, diga-se de passagem, não
poderia ter sido tão longo, visto que ela teria se suicidado aos 23 anos.
Assim, como explicar uma matéria em que, por exemplo, ao relatar os três
relacionamentos amorosos dos últimos 18 anos da vida de Hitler – entre os seus 38 e 56
anos de idade – onde a revista dedica mais de dois terços da exposição ao ligeiro
convívio com Geli, enquanto que em relação à Eva Braun, sua última companheira a
qual esteve ao seu lado por 16 anos, seja dedicado apenas um parágrafo?
Nossa interpretação a esse respeito é a de que embora o autor admita existir
muita especulação a respeito da vida amorosa do ditador e que pouca coisa se saiba de
fato, nos parece patente que o seu texto investe na hipótese da “perversão sexual” como
característica marcante do personagem. Afirma que o suicídio de Geli Raubal tenha
íntima relação com os atos bizarros que a moça era obrigada a praticar de modo forçado
pelo seu parceiro.
Finalmente, concebemos que o autor opta por enfatizar a tese de que Adolf
Hitler teria uma patologia sexual, isso porque a revista “Grandes Líderes da História”,
enquanto uma publicação de caráter comercial, demanda assuntos que tenham forte
apelo junto ao público leitor.
Outro ponto retratado por Pires é o da morte de Hitler. A revista discute a
“polêmica da morte” do líder nazista, optando por apresentar duas possibilidades acerca
do desfecho da vida do personagem. A primeira é gerada a partir da versão segundo a
qual se afirma que ele teria se suicidado em seu bunker em 30 de Abril de 1945

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mediante o convencimento acerca da sua iminente derrota final. Uma segunda versão
gira em torno da hipótese de uma possível manobra feita pelos nazistas de maneira que
“um falso Hitler morreu no bunker de Berlim”, enquanto que o verdadeiro teria fugido
para a América Latina e, assim, ao contrário do que pensava os aliados, viveu por
muitos mais anos. Isso porque, graças uma variedade de drogas preparadas por Josef
Menguele, médico de Auschwitz - que se refugiou na Argentina e posteriormente no
Brasil - Hitler gozou de plena saúde até pelo menos aos 100 anos e pasmem, viveria até
seus 150 anos de idade!
Explorando essa segunda hipótese, a revista se empenha em empregar todas as
ilustrações relativas a esse fato, visando ao que nos parece, não outra finalidade que não
seja a de despertar a curiosidade do leitor acerca de uma versão pitoresca em relação ao
destino do ditador. A própria cor das páginas, todas em azul celeste, e a imagem
paradisíaca que inaugura a seção, acentua nossa percepção a esse respeito.
Percebe-se por outro lado que há no conteúdo desse artigo, uma franca
disparidade entre o que a parte ilustrativa (reproduzida com desenhos) e o texto
assinalam. O texto é bastante incisivo no sentido de afirmar que a hipótese de que o
líder nazista teria conseguido escapar do cerco dos aliados não passasse de uma ilusória
especulação e que indubitavelmente, “tem-se certeza da morte dele, mais precisamente
de seu suicídio, no dia 30 de Abril de 1945”. Assim, o argumento contradiz
completamente as ilustrações, não havendo, entretanto, sequer uma imagem, seja ela
desenho ou fotografia, que estabeleça algum tipo de alusão em relação ao suicídio.
Isso é visto por nós como algo problemático, principalmente porque as
ilustrações não figuram num plano secundário na matéria, antes pelo contrário, podemos
dizer que ocupa pelo menos 50% das páginas destinadas a esse assunto, além do que a
abertura do artigo, o qual apresenta o título “Hitler não morreu?”, é composta por um
desenho o qual ocupa praticamente as duas primeiras páginas, com uma caricatura de
Hitler tomando água-de-coco à beira da praia. O texto aparece, não, porém, como
elemento de destaque.
Não bastassem os apelos das imagens, a matéria é encerrada com um “box”
extremamente chamativo, todo decorado, de fundo vermelho e letras em cor branca, o
qual disposto numa coluna vertical que ocupa a metade da última página da matéria,
elabora relatos acerca do escape, bem como deixa em aberto a “folclórica” versão
segundo a Hitler não morreu.

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Refletindo acerca dessa estruturação da revista nos parece não haver sombra de
dúvida, de que se entregássemos o material para duas pessoas e solicitássemos que uma
lesse de fato a matéria, enquanto que a segunda apenas a folheasse, porém prestando
atenção nas imagens, e ao final perguntássemos a cada uma delas sobre o que então se
poderia dizer sobre a morte de Hitler, a primeira por ter lido o texto, afirmaria
categoricamente que o Fuhrer se suicidou dias antes do estouro de seu bunker pelos
russos, ao passo que, a segunda pessoa (que apenas observou as ilustrações e leu no
máximo, o título da matéria e o “Box”) acharia absurda a afirmação do primeiro, de
modo a garantir que, de acordo com a revista, Hitler teria oportunamente fugido de
Berlim “salvando a sua própria pele”.
A parte textual da matéria procura, além de desmistificar a hipótese da fuga do
ditador - como já nos referimos –, narrar como teriam sido os seus últimos dias de vida
no comando da cúpula nazista, bem como explicar o por que de sua opção pelo suicídio.
Aliás, é interessante percebemos que diferentemente ao que constatamos ao longo de
toda a edição da revista onde não é citado praticamente nenhum outro nome que não
seja o de Hitler, pelo menos no artigo dessa seção da revista, aparece à menção aos
nomes de alguns de seus principais homens – M. Boorman, Goebbels, Himmler,
Göring, Speer e Ribbentrop –, na ocasião em que se reúnem “para deliberar sobre os
andamentos da Guerra”.
São descritos alguns acontecimentos relativos aos momentos que antecedem a
morte de Adolf Hitler e sua companheira Eva Braun, coisas do tipo, “notícias de
bastidores”, informações cercada de detalhes as quais desconhecemos de que modo
poderiam ser comprovadas em termos documentais – mais uma vez não sendo clara
quais foram as fontes. Aliás, convenhamos, não nos cabe aqui discutir, até por sua
inócua relevância em termos históricos, questões como por exemplo, se o casal, embora
já decididos por cometer suicídio, celebrou ou não o casamento, comemorando com
champagne; são pormenores que não nos cabe discutir aqui detidamente, mas que,
indubitavelmente, tratam-se de um atrativo ao leitor que gosta de “curiosidades”. A
propósito, a única curiosidade a que o artigo nos instigou foi no tocante às fontes
bibliográficas pesquisadas, as quais não são citadas, embora haja uma pista na
observação feita por Lucas Pires, assinalando que a investigação do caso por H. R.
Trevor-Roper gerou o livro “Os Últimos Dias de Hitler”, o qual, embora muito criticado
na época de sua publicação, tornou-se um best-seller e hoje seria a versão mais próxima

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de um consenso. Daí, a probabilidade de que a parte escrita da matéria tenha como base
o historiador inglês.

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5. Análise da construção da imagem de Hitler nas revistas “Grandes
Líderes da História” e “Almanaque Abril – Volume 1 - 2a. Guerra Mundial”.
Comparação entre as revistas.
Pudemos analisar que os materiais trabalhados – sejam eles fruto de uma
pesquisa historiográfica ou não -, ao desenvolverem suas narrativas, traçam perfis
psicológicos. Pelo fato de estarem lidando com fatos humanos não conseguem se
desvencilhar de aspectos psicológicos -desejos, instintos, necessidades, sentimentos
individuais (a história individual, paixões) e coletivos (sentimentos diversos que estão
atrelados a determinados grupos, classes, povos em determinadas épocas, idéias de
pertencimento e alteridade). Como bem nos lembra Peter Gay:
“O historiador profissional tem sido sempre um psicólogo - um psicólogo
amador. Saiba isso ou não, ele opera com uma teoria sobre a natureza humana; atribui
motivos, estuda paixões, analisa irracionalidades e constrói o seu trabalho a partir da
convicção tácita de que os seres humanos exibem algumas características estáveis e
discerníveis, alguns modos predizíveis, ou pelo menos decifráveis, de lidar com as suas
experiências. Descobre causas, e a sua descoberta geralmente inclui os atos mentais.
Mesmo construtores de sistemas materialistas, como Karl Marx, que sujeitavam
indivíduos às pressões inevitáveis das condições históricas, admitem e declaram que
entendem o papel desempenhado pela mente. Entre todas as ciências auxiliares do
historiados, a psicologia é a sua ajudante principal, embora não reconhecida.”2
A partir da integração do estudo profundo da biografia com a visão de mundo da
personagem histórica, a análise psicológica pode auxiliar em muitos casos o
entendimento da história das idéias. É assim que Quentin Skinner percebe a relação
entre a visão profundamente decaída do homem para Lutero e o nascimento do
protestantismo: “A base da nova teologia de Lutero, e da crise espiritual que a
precipitou, residia em sua concepção da natureza humana. Lutero vivia obcecado pela
idéia da completa indignidade do homem”.3.
Quando se estuda o período em questão é comum se questionar no plano
individual (no que se refere a Hitler) as razões pelas quais a Europa foi levada a um dos
períodos mais sombrios da história da humanidade. A questão que fica latente é de que
Hitler conseguira mobilizar toda uma nação para consolidar as práticas nazistas. E isso
decorre do fato de que está implícita a idéia de que nem todos alemães poderiam ser

2
GAY, Peter. 1989. p. 25.
3
SKINNER, Quentin. 1978. p. 285.

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nazistas, ou, resumidamente, “pessoas ruins”, quer pelo fato de nós os identificarmos
como pessoas comuns. É exatamente por este caminho - o da culpabilidade do
indivíduo/gênio - e em resposta à questão levantada pelo editorial Quem foi Hitler
“Como conseguiu incitar às massas a acreditarem numa idéia tão radical, a crerem na
superioridade absoluta de uma raça e na necessidade de exterminação de outra?” - que
parece seguir o autor de todos os textos da revista “Grandes Líderes da História”, Lucas
Pires.
Assim, Lucas procura depositar em Hitler todo o peso da História e mais
especificamente em traumas de infância o nascimento de uma psique maligna (há um
adendo de uma página ao capítulo “O partido sou eu” intitulado “As origens do Mal em
Hitler” - ressalte-se o m maiúsculo- no qual são enumeradas uma série de razões, as
mais estapafúrdias: sífilis; a perda da sua sobrinha-amante; a mordida do bode:
“Historiadores reforçam a relação conflituosa de Hitler com seu pai, tido como
um tirano, que impunha a lei e a ordem sob castigos físicos. Relatos de surras que Adolf
teria levado do pai na infância são freqüentes e muitos usam esse trauma para explicar a
psique maligna que Hitler viria a desenvolver.” Há um adendo de uma página (pág. 21)
ao capítulo “O partido sou eu” intitulado “As origens do Mal em Hitler” - ressalte-se o
m maiúsculo - no qual são enumeradas uma série de razões, as mais estapafúrdias:
sífilis; a perda da sua sobrinha-amante; a mordida do bode; etc. No entanto, o que
prevalece em sua argumentação e para a qual infere linearmente é em relação a
“educação destrutiva” de Hitler que seria a gênese de tudo aquilo desembocou no
Holocausto. Não há psicologismo pior elaborado. Lucas parece crer que as idéias da
sociedade pairam acima e por sobre ela - mais especificamente dentro da cabeça de
Hitler e que este, como o ratinho “Cérebro”, versão anazistada do desenho animado,
pretendia dominar o mundo. Parece não perceber que naquele período por toda Europa
(e não somente) habitavam idéias não somente de cunho anti-semitas, mas também
antimarxistas, antiliberais e nacionalistas.