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ENGENHARIA CIVIL

PÊNDULO SIMPLES

André Angelo Ferrato Thomaz


Caroline Gimenes Pereira
Leonardo Reginaldo Pereira
Letícia Vieira Andrade
Weliton de Paula Silva

Rio Verde, GO
2016
RESUMO

No presente trabalho abordamos o assunto pêndulo simples. Nesse tipo de sistemas, os


movimentos são influenciados por sua própria estrutura – o peso do objeto e o comprimento do
fio – e também pelo meio externo, como a gravidade e a resistência do ar. Esses movimentos
consistem na oscilação do objeto em torno da sua posição de equilíbrio. Porém, por conta de
fatores já citados, e fora do ambiente ideal, esses movimentos não são eternos, o que faz com
que o objeto volte à sua posição inicial. O tempo de movimento é chamado de período e a
frequência é a quantidade de ciclos completos – ida e volta do objeto – que o sistema realiza
em determinado período e circunstâncias. Essas e outras análises serão realizadas e
exemplificadas a seguir por meio do experimento realizado em laboratório. Tem-se como
objetivos estudar as causas e efeitos desse tipo de movimento, aprender a obter e a calcular as
informações necessárias sobre o sistema e proporcionar um maior aprendizado em relação ao
assunto estudado.

Palavra-chave: movimento; período; frequência.


LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Sequência de instantâneos...........................................................................................6
Figura 2 – Força restauradora......................................................................................................9
Figura 3 - Pêndulo Simples........................................................................................................12
Figura 4 - Período (T) versus Amplitude (A) ............................................................................16
Figura 5 - Período (P) versus Amplitude (A) .............................................................................17
Figura 6 – Esquematização do movimento................................................................................17
Figura 7 – Frequência (f) versus amplitude (A) .........................................................................18
Figura 8 – Frequência (f) versus Amplitude (A) ........................................................................18
Figura 9 – Período (P) versus Comprimento do pêndulo (ℓ) .....................................................21
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Ângulos....................................................................................................................10
Tabela 2 - Pêndulo simples com amplitude de 10 cm.................................................................13
Tabela 3 - Pêndulo simples com amplitude de 10 cm.................................................................13
Tabela 4 - Período e frequência com variação da amplitude......................................................15
Tabela 5 - Período e frequência com comprimento de pêndulo diferentes.................................20
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 5
2. METODOLOGIA................................................................................................................. 11
2.1 Materiais ............................................................................................................................. 11
2.2 Procedimento Experimental ............................................................................................... 11
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES ......................................................................................... 12
3.1 Descrever e Observar Resultados ....................................................................................... 12
3.2 10 Oscilações Completas .................................................................................................... 13
3.3 Determinar a Frequência (F) do Pêndulo Utilizado............................................................ 13
3.4 Características Das Oscilações Quando Muda A Amplitude. ............................................ 14
3.5 Relação Entre Pequenas Amplitudes e Período .................................................................. 16
3.6 Relação Entre Frequência e Pequenas Amplitudes ............................................................ 18
3.7 Variação No Comprimento Do Pêndulo Simples ............................................................... 19
4 QUESTÕES ........................................................................................................................... 22
5 CONCLUSÕES ..................................................................................................................... 23
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................. 24
5

1 INTRODUÇÃO
A vibração de um cristal de quartzo em um relógio, a oscilação do pêndulo de um relógio
de carrilhão, as vibrações sonoras produzidas por um clarinete ou pelo tubo de um órgão e as
oscilações produzidas pelos pistões no motor de um automóvel são exemplos de movimentos
que se repetem indefinidamente, conforme Young e Freedman (2008, p.36), esse tipo de
movimento é chamado de movimento periódico ou oscilação. Um corpo que “executa
movimento periódico encontra-se sempre em uma posição de equilíbrio estável, e quando é
deslocado dessa posição e solto, surge uma força que o faz retornar à posição de equilíbrio.
Quando ele atinge esse ponto, pelo fato de haver acumulado energia cinética, ele o ultrapassa,
parando em algum ponto do outro lado e sendo novamente puxado para usa posição de
equilíbrio”. (YOUNG; FREEDMAN, 2008, p. 36). Como no caso do experimento realizado foi
um pêndulo que oscila de um lado para o outro passando por sua posição de equilíbrio na
vertical.
Tipler e Mosca (2010) descreve que um tipo de movimento oscilatório comum, muito
importante e básico, é o movimento harmônico simples, como o de um corpo sólido preso a
uma mola, ressalta que no equilíbrio, a mola não exerce força sobre o corpo e quando o corpo
é deslocado de uma distância x a partir de sua posição de equilíbrio, a mola exerce sobre ele
uma força – kx, dada pela lei de Hooke:
𝐹𝑥 = −𝑘𝑥 (1)
Onde k é a constante de força da mola, uma medida de sua rigidez, segundo Young e
Freedman (2008) a constante de proporcionalidade k entre Fx é a constante da força da mola.
“O sinal negativo indica que a força é uma força restauradora, isto é, ela tem o sentido oposto
ao do deslocamento a partir da posição de equilíbrio. ” (TIPLER; MOSCA, 2010, p. 465).
De acordo com Tipler e Mosca (2010), ao combinar a equação 1 com a segunda lei de
Newton, temos que:
𝐹𝑥 = −𝑘𝑥 e 𝐹𝑥 = 𝑚𝑎𝑥
−𝑘𝑥 = 𝑚𝑎𝑥
𝑘
𝑎𝑥 = − 𝑚 𝑥 (2)

O sinal negativo indica que a aceleração possui sentido sempre contrário ao do


deslocamento, reitera Tipler e Mosca (2010) que essa acelera não é constante, portanto não se
pode usar fórmulas para movimento com aceleração constante, pois em um corpo que executa
um movimento harmônico simples constitui um oscilador harmônico. “ O tipo mais simples de
6

oscilação ocorre quando a força restauradora Fx é diretamente proporcional ao deslocamento x


da posição de equilíbrio. ” (YOUNG; FREEDMAN, 2008)
Na Figura 1, para Halliday, Resnick e Walker (2009) é exposto uma sequência de
“instantâneos” de um sistema oscilatório simples, uma partícula que se move repetidamente
para um lado e para outro da origem de um eixo x. Uma propriedade importante do movimento
oscilatório é sua frequência, o número de oscilações completas por segundo. “O símbolo de
frequência é ƒ e a unidade de frequência no SI é o hertz (Hz), definido como 1 hertz = 1 Hz =
1 oscilação por segundo = s-1”. (HALLIDAY; RESNICK; WALKER, 2009, p.87)

Figura 1 – Sequência de instantâneos.


Fonte: Halliday (2009, p. 87)

De acordo com Halliday, Resnick e Walker (2009) uma grandeza relacionada à


frequência é o período T do movimento, que é o tempo necessário para complementar uma
oscilação completa ou ciclo.
1
𝑇 = 𝑓 (3)

Pelas definições do período T e da frequência ƒ, observa-se que cada uma dessas


grandezas é o inverso da outra:
1 1
𝑇=𝑓 𝑓 = 𝑇 (4)

Todo movimento que se repete a intervalos regulares é chamado de movimento


periódico ou movimento harmônico, mas para Halliday, Resnick e Walker (2009) nosso
interesse está em um movimento que se repete de modo particular, que está representado na
7

figura 1. Nesse tipo de movimento o deslocamento x da partícula em relação à origem é dado


por uma função do tempo da forma:
𝑥(𝑡) = 𝑥𝑚 𝑐𝑜𝑠(𝜔𝑡 + 𝜙) (5)
Esse movimento é chamado de movimento harmônico simples (MHS), “uma expressão
que significa que o movimento periódico é uma função senoidal do tempo” (HALLIDAY;
RESNICK; WALKER, 2009, p.88). Onde a grandeza 𝑥𝑚 designada amplitude do movimento,
é uma constante positiva cujo valor depende da maneira como foi causado o movimento. O
índice m indica o valor máximo, já que a amplitude representa o deslocamento máximo da
partícula em um dos sentidos, ou seja, o deslocamento 𝑥(𝑡) varia entre os limites ±𝑥𝑚 . A
grandeza condicionada ao tempo (𝜔𝑡 + 𝜙) é chamada de fase do movimento, e a constante 𝜙
é chamada constante de fase ou ângulo de fase. O valor de 𝜙 depende do deslocamento e da
velocidade da partícula no instante t = 0. A grandeza 𝜔, chamada de frequência angular do
movimento, nota-se que o deslocamento x(t) deve ser igual a x(t+T) para qualquer valor de t.
Conforme Halliday, Resnick e Walker (2009) para simplificar a análise, faz-se 𝜙= 0, pode-se
escrever:
𝑥𝑚 cos 𝜔𝑡 = 𝑥𝑚 cos 𝜔(𝑡 + 𝑇) (6)
A função cosseno se repete pela primeira vez quando seu argumento (a fase) aumenta
de 2π rad; assim a equação 6 apresenta
𝜔(𝑡 + 𝑇) = 𝜔𝑡 + 2π
𝜔𝑇 = 2π
Além disso, da definição de ω
ω = 2π 𝑓(7)

ω= (8)
𝑇

A frequência angular, ω, é 2π vezes a frequência: ω = 2π ƒ, e que segundo Young e


Freedman (2008) representa uma taxa de variação de uma grandeza angular que é sempre
medida em radianos, portanto possui unidades de rad/s, uma vez que ƒ é em ciclos, pode-se
interpretar o fator 2π como se tivesse unidade de ciclo/radiano.
Pode-se mostrar que a equação 5 é uma solução da equação 2 propõe Tipler e Mosca
(2010), derivando x duas vezes em relação ao tempo. A primeira derivada de x produz a
velocidade vx:
𝑑𝑥(𝑡) 𝑑[𝑥𝑚 𝑐𝑜𝑠(𝜔𝑡 + 𝜙)]
𝑣(𝑡) = =
𝑑𝑡 𝑑𝑡
𝑣(𝑡) = −𝜔𝑥𝑚 𝑠𝑒𝑛 (𝜔𝑡 + 𝜙) (9)
8

Tipler e Mosca (2010) demonstra que derivando a velocidade em relação ao tempo


temos a aceleração:
𝑑𝑣(𝑡) 𝑑[−𝜔𝑥𝑚 𝑠𝑒𝑛 (𝜔𝑡 + 𝜙)]
𝑎(𝑡) = =
𝑑𝑡 𝑑𝑡
𝑎(𝑡) = −𝜔2 𝑥𝑚 𝑐𝑜𝑠 (𝜔𝑡 + 𝜙) (10)
De acordo com Halliday, Resnick e Walker (2009) pode-se combinar as equações 5 e
10, para obter:
𝑎(𝑡) = −𝜔2 𝑥(𝑡) (11)
Essa é a relação característica do movimento harmônico simples, a aceleração é
proporcional ao negativo do deslocamento, e as duas grandezas estão relacionadas pelo
quadrado da frequência angular.
Comparando as equações 2 e 11, Young e Freedman (2008) apresenta que a equação 11
é exatamente igual a equação 2, que fornece a aceleração de um movimento harmônico simples,
desde que a velocidade angular 𝜔 do ponte de referencia esteja relacionada à constante da mola
k e à massa m do corpo que oscila por:
𝑘
𝜔2 =
𝑚
𝑘
𝜔 = √𝑚 (12)

Quando se enceta um corpo oscilando em MHS, não é possível escolher o valor de 𝜔;


“ele é predeterminado pelos valores de k e de m. As unidades de k são N/m ou kg/s², logo k/m
possui unidades de (kg/s²)/kg = s-2. Quando se extraí a raiz quadrada, obtém-se s-1, ou, mais
apropriadamente, rad/s, porque se trata de uma frequência angular” (YOUNG; FREEDMAN,
2008, p.41)
Combinando as equações 7 e 12 tem-se:
𝜔 1 𝑘
𝑓 = 2𝜋 = 2𝜋 √𝑚 (13)

E as equações 3 e 13 tem-se:
1 2𝜋 𝑚
𝑇=𝑓= = 2𝜋√ 𝑘 (14)
𝜔

Para Tipler e Mosca (2010) um pêndulo simples consiste em um fio de comprimento L


preso a um peso de massa m. Assim que o peso é abandonado de um ângulo inicial θ com a
vertical, ele balança de um lado para outro, com um período T. As unidades de comprimento,
massa e aceleração da gravidade são m, kg e m/s², respectivamente. Se dividir o comprimento
9

L pela aceleração da gravidade g, os metros cancelam e fica com o quadrado do segundo, o que
sugere:

𝑚 𝑚𝑠²
√ =√ = √𝑠 2 = 𝑠
𝑚/𝑠² 𝑚

𝐿
√𝑔 = 𝑇 (15)

A trajetória do corpo puntiforme não é uma linha reta, mas um arco de circunferência
de raio L igual ao comprimento do fio. Utiliza-se como coordenada a distância x medida ao
longo do arco. Interroga Young e Freedman (2008) se a oscilação constitui um movimento
harmônico simples é necessário que a força restauradora seja diretamente proporcional à
distância x ou a θ. Na figura 2, representa-se a força restauradora radial e do componente
tangencial.

Figura 2 – Força restauradora


Fonte: Young (2008, p.53)

A força restauradora F é o componente tangencial da força resultante:


𝐹𝜃 = −𝑚𝑔 𝑠𝑒𝑛 𝜃 (16)
Essa “força restauradora é fornecida pela gravidade, a tensão T atua meramente para
fazer o peso puntiforme se deslocar ao longo de um arco”.(YOUNG,2008, p.53)
Essa força restauradora não é proporcional a θ, mas a sen θ, sendo assim o movimento
não é harmônico simples. Entretanto, quando o ângulo θ é pequeno, sen θ é aproximadamente
igual ao ângulo θ em radianos. Averígua-se até que valor de θ esse valor é razoável:
10

θ (graus) θ (radianos) sen θ


5 0,087 0,087 (erro < 1 %)
10 0,174 0,174 (erro < 1 %)
15 0,262 0,259 (erro ≈ 1 %)
20 0,349 0,342 (erro ≈ 2%)
Tabela 1 - Ângulos
Fonte: Thomaz (2016)

Observa-se que o erro é menor que 1% para ângulos menores que 10°. Assim com essa
aproximação pode-se escrever a equação:
𝐹𝜃 = −𝑚𝑔 𝜃 (16)
𝑥
𝐹𝜃 = −𝑚𝑔 (17)
𝐿

ou
𝑚𝑔
𝐹𝜃 = − 𝑥 (18)
𝐿

A força restauradora é então proporcional à coordenada para pequenos deslocamentos,


e a constante da força é acertada por:
𝑚𝑔
𝑘= (19)
𝐿

Pela equação 12, Young e Freedman (2008) combina a frequência angular ω de um


pêndulo simples com amplitude pequena e a constante da força:
𝑚𝑔
𝑘 𝑔
𝜔 = √𝑚 = √ 𝑚
𝐿
= √𝐿 (20)

A frequência e o período correspondentes são dados por:


𝜔 1 𝑔
𝑓 = 2𝜋 = 2𝜋 √ 𝐿 (21)

1 2𝜋 𝐿
𝑇=𝑓= = 2𝜋√𝑔 (22)
𝜔

Young e Freedman (2008) observa que as equações 21 e 22 não envolvem a massa da


partícula. Isso ocorre porque a força restauradora, que é um componente do peso da partícula,
é proporcional a massa m. Mas a massa é cancelada porque aparece em ambos os membros da
equação da força resultante. Note que esse raciocínio físico é o mesmo empregado para mostrar
que todos os corpos caem com a mesma aceleração no vácuo. Em pequenas oscilações, o
comprimento do pendulo determina o período do pêndulo simples para um determinado valor
da aceleração da gravidade.
Ressalva Young e Freedman (2008) que a dependência do comprimento L e da
aceleração da gravidade era esperado. Um pêndulo comprido possui um período maior do que
11

um pêndulo curto. Quando a aceleração da gravidade aumenta a força restauradora torna-se


maior, fazendo aumentar a frequência e diminuir o período. Destaca-se que o movimento do
pêndulo simples é aproximadamente harmônico simples. Quando a amplitude não é pequena,
a irregularidade do desempenho do movimento harmônico simples pode ser expressivo.

2. METODOLOGIA
2.1 Materiais
 Sistema de sustentação: tripé com sapatas niveladoras amortecedoras, haste
principal e mesa suporte;
 Massa pendular;
 Escala milimetrada (régua) de um metro;
 Cronômetro;

2.2 Procedimento Experimental


Primeiramente, posicionou-se o fio pendular com a ajuda da régua na medida
correspondente a 200mm (20cm) – lembrando que à essa marca foram somados os 7cm
excedentes do próprio equipamento, fazendo com que, inicialmente o experimento fosse
realizado com o fio medindo 270mm. O sistema de sustentação foi considerado já nivelado. Em
seguida deslocou-se o pêndulo horizontalmente, com o auxílio de outra régua, mantendo o fio
sempre esticado, a uma posição de 10cm e em seguida este foi abandonado. O movimento foi
cronometrado para determinar o período que o sistema levou para realizar um ciclo completo,
o processo foi repetido três vezes.
Posteriormente, utilizando o mesmo deslocamento (10cm) para a massa pendular, foi
cronometrado o período gasto para executar 10 ciclos. Novamente realizou-se o procedimento
três vezes. Depois disso, deslocou-se o pêndulo às amplitudes de 5, 10, 15, 20 e 25cm,
respectivamente, observando o período gasto em 5 oscilações, foi executado este procedimento
três vezes para cada medida. Logo após, variou-se o comprimento do pêndulo a cada três
centímetros e foi anotado o período para cada comprimento.
Todos os dados – períodos e medidas – foram adequadamente tabelados e serão
apresentados posteriormente para análise e discussão de resultados.
12

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
3.1 Descrever e Observar Resultados
Em uma análise inicial de força sobre o sistema do pêndulo simples pode-se inferir como
ilustrado na Figura 1, a seguir, que tem uma componente T tração exercida pelo fio e a força
gravitacional Fg, onde esta se decompõe em mg cos φ e mg sin φ.

Figura 3 - Pêndulo Simples.


Fonte: La Web de Física (2015).

Detalhando o movimento do pêndulo, este se apresentava em sua posição de equilíbrio


representado como se fosse a linha pontilhada na vertical na figura a cima, assim após deslocar
10cm de amplitude (x), o corpo foi abandonado para realizar o MHS. O corpo foi solto com
velocidade inicial zero e pôde ser observada a ação de uma força de aceleração no sentido do
ponto de equilíbrio. Por conseguinte, o móvel passou da posição de equilíbrio que após certa
amplitude, sua velocidade passou a ser zero.
Com tal característica constatou-se a aplicação das 1ª e 2ª Leis de Newton. Então o corpo
oscilou até sua posição de abandono e continuou com uma força restauradora para manter a
oscilação. A força restauradora está associada à gravidade, e não às propriedades elásticas de
um fio ou de uma mola em um movimento de um pêndulo simples (HALLIDAY; RESNICK,
WALKER, 2008).
Com estes atributos o movimento do corpo descreveu o Lei do MHS, que segundo
Halliday, Resnick e Walker (2008, p. 90) “o movimento harmônico simples é o movimento
executado por uma partícula sujeita a uma força proporcional ao deslocamento da partícula e
de sinal oposto”.
Para determinar o intervalo de tempo que o objeto leva para executar uma oscilação
completa o mesmo foi posto em movimento de cronometrou o até o retorno de sua posição de
início. Os valores obtidos estão apresentados de acordo com a Tabela 2 a seguir:
13

Lançamento Tempo de 1 oscilação (s)


1º 1,09
2º 1,08
3º 1,07
Média 1,08
Tabela 2 - Pêndulo simples com amplitude de 10 cm.
Fonte: Silva (2016)

Analisando a Tabela 2, observa-se que os valores não são iguais, uma vez que o
cronômetro usado foi de um aparelho celular que pode apresentar erro, existe também o fator
de coordenação motora do aluno para acionar o dispositivo, o modo de abandonar o objeto com
certa rotação angular em tornos de seu eixo.

3.2 10 Oscilações Completas


Com o intervalo de tempo obtido, para calcular o tempo médio que levou para executar
uma oscilação completa basta fazer:
Δt
Usando a fórmula 𝑇 = , onde período é o intervalo de tempo, de acordo com a Tabela
𝑛

3 dividido pela quantidade de oscilações.


10,56
T= → T = 1,056s.
10

Lançamento Tempo de 10 oscilações (s)


1º 10,51
2º 10,51
3º 10,66
Média 10,56

Tabela 3 - Pêndulo simples com amplitude de 10 cm.


Fonte: Silva (2016)

3.3 Determinar a Frequência (F) do Pêndulo Utilizado.


Usando a relação de que a frequência consiste no número de oscilações completas
realizadas pelo móvel em 1 segundo, pode-se aplicar duas fórmulas para o cálculo da
frequência.
f = 1/ T ou f = n / Δt, substituindo de acordo com as Tabelas 1 e 2, temos:
14

f = 10 / 10,56 → f = 0,947 Hz ou f = 1/1,056 → f = 0, 947 Hz.

3.4 Características Das Oscilações Quando Muda A Amplitude.


Para calcular o período e a frequência serão usados os tempos médios de acordo com a
Tabela 4, obtidos em três lançamentos para mesma amplitude, com o intuito de minimizar
eventuais erros na cronometragem. A gravidade (g) igual à 9,8 m/s2 e ℓ é o comprimento do
cordão do pêndulo ao centro de massa do móvel equivalente à 0,27 m.
Usando as respectivas fórmulas:
𝛥𝑡 ℓ
T= 𝑛 𝑇 = 2𝜋√𝑔

𝑛
𝑇=
∆𝑡

 Amplitude 5 cm
T = 2π√(0,27 / 9,8) → T = 1,043 s
f = 5 / 5,22 → f = 0,958 Hz

 Amplitude 10 cm
T = 5,34 / 5 → T = 1,068 s
f = 5 / 5,34 → f = 0,936 Hz

 Amplitude 15 cm
T = 5,36 / 5 → T = 1,072 s
f = 5 / 5,36 → f = 0,933 Hz

 Amplitude 20 cm
T = 5,54 / 5 → T = 1,108 s
f = 5/ 5,54 → f = 0,903 Hz

 Amplitude 25 cm
T = 5,80 / 5 → T = 1,16 s
f = 5 / 5,80 → f = 0,862 Hz
15

Frequência
Amplitude Tempo de 5 oscilações Período médio
Lançamento Média
(cm) (s) (s)
(Hz)
1º 5,21
2º 5,07
5 1,044 0,958
3º 5,38
Média 5,22
1º 5,34
2º 5,39
10 1,068 0,936
3º 5,30
Média 5,34
1º 5,31
2º 5,51
15 1,072 0.933
3º 5,27
Média 5,36
1º 5,48
2º 5,56
20 1,108 0,903
3º 5,58
Média 5,54
1º 5,78
2º 5,86
25 1,160 0,862
3º 5,75
Média 5,80
Tabela 4 - Período e frequência com variação da amplitude.
Fonte: Silva (2016)

No MHS a energia mecânica total do sistema é proporcional ao quadrado da amplitude.


Quanto ao período, o movimento do pêndulo simples não depende da massa e nem da amplitude
(ou altura que solto) em oscilações de pequenos ângulos φ (TIPLER; MOSCA, 2010). Esse fato
foi verificado experimentalmente por Galileu, ficando conhecido como isocronismo do
pêndulo, técnica bastante usada na construção de relógios. A frequência segue os critérios do
período, já que a frequência é o inverso do período.
16

Assim de acordo com os resultados já mencionados, houve diferença no período ao


variar a amplitude do pêndulo. Como justificativa, tem-se o fato da resistência do ar, dissipação
de energia, erro na cronometragem do tempo, o modo do movimento do móvel onde, caso esteja
girando em volta de seu próprio eixo durante a oscilação, interfere na trajetória. Outro motivo
é que num sistema de pêndulo simples, para realizar um MHS, as oscilações devem formar um
pequeno ângulo φ. Possíveis erros na medição da amplitude devido a posição da régua usada
também devem ser considerados, uma vez para as leis teóricas valem em sistemas ideais.
Oscilações de grandes amplitudes não obedecem aos critérios do MHS, assim para
determinar o período usa-se a seguinte equação:

Em que n é par e ϴ o ângulo formado entre o pêndulo em sua posição de equilíbrio à


sua amplitude máxima (TIPLER; MOSCA, 2010).

3.5 Relação Entre Pequenas Amplitudes e Período


O período de um pêndulo simples independe da amplitude, ou seja, da altura que o
objeto é abandonado (MÁXIMO, 2003).

Figura 4 - Período (T) versus Amplitude (A) com dados disponíveis na Tabela 4.
Fonte: Silva (2016)
17

Pêndulo Simples

1,5
1,3

Período (s)
1,1
0,9
0,7
0,5
5 10 15 20 25
Amplitude (cm)

Figura 5 - Período (P) versus Amplitude (A).


Fonte: Silva (2016)

Figura 6 – Esquematização do movimento.


Fonte: Silva (2016).

Os valores obtidos em campo experimental não estão de acordo com a teoria estudada.
Porém fazendo uma esquematização do movimento do pêndulo (Figura 6), é possível provar
que as amplitudes tiveram ângulos φ com valores grandes, assim surgem distúrbios que a lei do
isocronismo deixa de valer.
Para calcular o valor de φ basta usar relação trigonométrica:
sen φ = cateto oposto ( amplitude) / hipotenusa (raio).
Efetuando para maior amplitude fica:
18

sen φ = 25 / 27 → sen φ = 0,926 → sen -1 φ = 67,808º, demostrando um valor


incompatível para que o pêndulo faça o MHS (TIPLER; MOSCA, 2010).

3.6 Relação Entre Frequência e Pequenas Amplitudes

Figura 7 – Frequência (f) versus amplitude (A).


Fonte: Silva (2016)

Pêndulo Simples
1,5
1,4
1,3
1,2
1,1
Frequência (Hz)

1
0,9
0,8
0,7
0,6
0,5
5 10 15 20 25

Amplitude (cm)

Figura 8 – Frequência (f) versus Amplitude (A).


Fonte: Silva (2016)
19

Como a frequência é inversamente proporcional ao período, o gráfico não condiz com


a teoria, mas com a prática realizada em sala de aula. Portanto a frequência não varia em função
da amplitude como mostra o gráfico 4.

3.7 Variação No Comprimento Do Pêndulo Simples


Usando as fórmulas e o tempo médio em três lançamentos de acordo com a tabela
abaixo, para determinar a relação existente entre período, frequência com o comprimento do
pêndulo (ℓ), devem ser realizados os seguintes cálculos:

 Comprimento do pêndulo 12 cm
T = 2π√(0,12 / 9,8) → T = 0,695 s
f = 1 / 0,695 → f = 1,439 Hz

 Comprimento do pêndulo 15 cm
T = 2π√(0,15 / 9,8) → T = 0,777 sf = 1 / 0,777 → f = 1,287 Hz

 Comprimento do pêndulo 18 cm
T = 2π√(0,18 / 9,8) → T = 0,852 s
f = 1 / 0,852 → f = 1,174 Hz

 Comprimento do pêndulo 21 cm
T = 2π√(0,21 / 9,8) → T = 0,920 s
f = 1 / 0,920 → f = 1,087 Hz

 Comprimento do pêndulo 25 cm
T = 2π√(0,25 / 9,8) → T = 1,004 s
f = 1 / 1,004 → f = 0,996 Hz
20

Comprimento do Tempo de 10 Período Frequência


Lançamento
pêndulo (cm) oscilações (cm) médio (s) média (Hz)
1º 6,86
2º 6,89
12 0,695 1,439
3º 6,83
Média 6,86
1º 7,75
2º 7,77
15 0,777 1,287
3º 7,78
Média 7,77
1º 8,81
2º 8,78
18 0,852 1,174
3º 8,82
Média 8,80
1º 9,17
2º 9,20
21 0,920 1,087
3º 9,18
Média 9,18
1º 10,08
2º 10,02
24 1,004 0,996
3º 10,04
Média 10,05
Tabela 5 - Período e frequência com comprimento de pêndulo diferentes.
Fonte: Silva (2016)
21

Pêndulo Simples
1,5

1,375

1,25

1,125
Período (s)

0,875

0,75

0,625

0,5
10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30

Comprimento do Pêndulo (cm)

Figura 9 – Período (P) versus Comprimento do pêndulo (ℓ) com dados disponíveis na Tabela 5.
Fonte: Silva (2016)

De acordo com a Tabela 5 e a Figura 9, pode-se afirmar que o período T de um pêndulo


simples é diretamente proporcional à raiz quadrada de seu comprimento ℓ. Por outo lado, quanto
maior o período, menor a frequência, pois são inversamente proporcionais, assim quanto maior
o comprimento do pêndulo simples menor será sua frequência.

Outro atributo é que o período de um pêndulo é inversamente proporcional à raiz


quadrada da aceleração da gravidade g. Uma das aplicações do pêndulo é determinação da
gravidade do local (DOCA; BISCUOLA; BÔAS, 2010).
22

4 QUESTÕES

I.Existe alguma relação para o qual tendem o período em função das amplitudes
(consideradas pequenas) sofridas pelo pêndulo simples?
A força restauradora não é proporcional ao deslocamento angular φ, mas sim ao sen φ. O
movimento resultante, portanto, não será harmônico simples. Todavia, se o ângulo φ for
pequeno, sen φ será muito próximo de φ, expresso em radianos (recomenda-se ângulos φ
menores que 10°).
Para pequenos deslocamentos, a força restauradora é proporcional ao deslocamento e oposta a
este (HALLIDAY; RESNICK, WALKER, 2008). O período do pêndulo simples quando sua
amplitude é pequena pode, assim, ser obtido fazendo se k = mg / L:
T = 2π√(m / k) = 2π√[m / (mg / L)] → T = 2π√(L / g).
Oscilações de grandes amplitudes não obedecem aos critérios do MHS, assim para determinar
o período usa-se a seguinte equação:

Em que n é par e ϴ o ângulo formado entre o pêndulo em sua posição de equilíbrio à sua
amplitude máxima (TIPLER; MOSCA, 2010). Neste caso ϴ é o deslocamento angular máximo.
Portanto contrário para pequenas amplitudes, neste caso o T aumenta com aumento da
amplitude (HALLIDAY; RESNICK, WALKER, 2008).

II.Como o período e a frequência do pêndulo simples está relacionado com o seu


comprimento?
Normalmente o centro de massa do pêndulo está localizado na ponta do comprimento do
𝑚 𝑚
pêndulo, inércia rotacional I = ∫0 𝑟 2 𝑑𝑚, fazendo raio constante, I = 𝑟² ∫0 𝑑𝑚 I = mr², sendo r

𝑙 1 𝑔
= L, temos: T = 2π√[mgL / (mL²), simplificando m e L, fica T = 2𝜋√ e f= √𝑙.
𝑔 2𝜋

𝑟, raio; 𝑙 = L, comprimento do pêndulo e m, massa e g gravidade.


Portanto pode-se afirmar que o período T de um pêndulo simples é diretamente proporcional à
raiz quadrada de seu comprimento L.
Por outo lado, quanto maior o período, menor a frequência, pois são inversamente
proporcionais, assim quanto maior o comprimento do pêndulo menor será sua frequência. Para
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validade da afirmação basta olhar como cada componente da equação da frequência está
relacionado.

5 CONCLUSÕES
Vimos o movimento realizado por um pêndulo simples, inicialmente em repouso. O
período de oscilações de um pêndulo, quando mantém o mesmo comprimento, não depende da
altura em que o objeto é solto, ou seja, sua amplitude.
Entretanto, ao modificar o comprimento do pêndulo, tanto o período como a frequência
são diferentes. Ao diminuir seu tamanho, o período de oscilações também diminui,
consequentemente, a frequência aumenta, pois se trata de unidades inversamente proporcionais.
Levando-se em consideração os aspectos analisados, os resultados encontrados
conseguem comprovar a teoria. Ao deslocarmos o pêndulo 5 cm, 10 cm ou 15 cm, os valores
foram bem próximos, demonstrando a veracidade da teoria.
Deve-se lembrar de que os erros e desvios encontrados podem ter sido acarretados por
condições ambientais ou a falta de especialização dos alunos. Entretanto, o erro foi mínimo, de
modo que os resultados numéricos conseguem alcançar os objetivos propostos.
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6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DOCA, R. H.; BISCUOLA, G. J.; BÔAS, N. V. Física. 2 ed. São Paulo, SP: Saraiva, 2010.

HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física. 8.ed. Rio de Janeiro,
RJ: LTC, 2008.

HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física, volume 2: gravitação,


ondas e termodinâmica – 8.ed. – Rio de Janeiro: LTC, 2009.

MÁXIMO, A. Física: de olho no mundo do trabalho. São Paulo, SP: Scipione, 2003.

PARTICLE, H. Pêndulos Simples. Disponível em <http://forum.lawebdefisica.com/


threads/31965-P%C3%A9ndulo-simple>. Acesso em 06 de Ago. de 2016.

TIPLER, P. A.; MOSCA, G. Física para cientistas e engenheiros, volume 1: mecânica,


oscilações e ondas, termodinâmica. 6.ed. Rio de Janeiro, RJ: LTC, 2010.

YOUNG, H. D.; FREEDMAN, R. A. Física II: Termodinâmica e Ondas. 12.ed. – São Paulo:
Addison Wesley, 2008. p.36-37-52-53.