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RELATÓRIO SOBRE “ATOMO DA PAZ”

APRESENTAÇÃO: O espírito do Natal e a expectativa da entrada do ano 2000


criaram o momento propício para convidar mais e mais pessoas a empreenderem
ações efetivas pela paz. Assim, surgiu em São Paulo, de dezembro/1999 a
fevereiro/2000, na Vila Madalena, bairro da capital paulista mais aberto aos padrões
do novo paradigma: “Momentos da Paz”, uma primeira instalação interativa de
visitação individual que convidava ao posicionamento harmônico e solidário frente à
humanidade.
A minha mudança para Pirenópolis, cidade do Planalto Central do Brasil, estado de
Goiás, possibilitou expandir a experiência, tanto em termos de criação, quanto de
grupo, incluindo uma vivência estética e cultural.
Assim surgiu este grupo, composto, em sua maioria, de pessoas de Pirenópolis, as
oficinas de treinamento e proposição estéticos, e a instalação interativa em si (Átomo
da paz) e os frutos de solidariedade.(Propositora: Julia Pascali)

PROPOSIÇÃO Criar uma instalação interativa, que venha convidar os participantes,


produtores e visitantes a despertar seu potencial criativo de ação efetiva pela paz.
MEIOS Oficinas, doação de horas de trabalho ou produções artísticas e artesanais
impregnadas do sentimento de paz, e da conexão solidária com o povoado de
Topolò (norte da Itália).

DAS OFICINAS - PROPOSTA: Realizar-se-ão, semanalmente, até a abertura da


instalação para visitação. Nestes encontros, o sentimento de paz será invocado e
cultivado através da confecção de trabalhos artisticos e artesanais (bordados,
esculturas, pinturas, textos, músicas, cenas, etc.) com a intenção de imantar os
componentes da instalação, bem como os visitantes.

DAS OFICINAS - REALIZAÇÃO: a partir de maio/2000, da observação das


“Cavalhadas” e do encontro de alguns amigos começou a se corporificar a idéia da
instalação interativa .A partir de agosto a proposta foi feita para o IPHAN e os
encontros passaram a se realizar na casa do IPHAN, às quartas feiras. Num desses
encontros, a partir de um texto musicado e gestos nasceu o tai chi da paz:
movimento, movimentação em silêncio... O objetivo desses encontros/oficinas era
fazer as pessoas entrarem em sintonia enquanto grupo e sintonizar a energia da
paz, primeiro com meditação e respiração, depois com quietude e tai chi da paz. É
um ritual feito pela paz. Estes encontros buscam desenvolver uma ação criativa pela
intuição e não pelo intelecto.
Tanto intelecto como ego se colocam a serviço da harmonia individual, do grupo - o
movimento e o cosmos naquele momento.
Energia mais ampla entre a energia do momento e a energia do cosmos,
treinamento em não julgar.
Aceitar o inexplicável e a experiência... e a diferença.
Foram aplicados alguns conceitos orientais de estética que dão espaço ao diálogo e
à interação: abordar a síntese, abrindo brechas para a imaginação do interlocutor e à
ação da sincronicidade. (Sincronicidade é a palavra chave).

DAS DOAÇÕES - PROPOSTA: os artistas, artesãos e outros colaboradores


poderão aderir ao trabalho, também em outro local ( de sua escolha) ou horário,
doando horas de trabalho ou outras produções que venham a ser inseridas na
instalação, também realizadas com o mesmo sentimento e propósito.
DAS DOAÇÕES - REALIZAÇÃO: várias pessoas colaboraram, participando,
esporadicamente, das reuniões, ou trabalhando em outro local e doando o fruto do
seu trabalho para a instalação.

DO ROTEIRO - PROPOSTA: sete câmaras


Primeira câmara: O CAOS (câmara em potencial) - preto
Segunda câmara: PURIFICAÇÃO (o som e suas virtudes) - vermelho
Terceira câmara: NATUREZA (o cerrado) - verde
Quarta câmara: AMOR (Divino Espírito Santo) - rosa
Quinta câmara: TRANSFORMAÇÃO - azul
Sesta câmara: CRIATIVIDADE (ação criativa) amarela
Sétima câmara: A PAZ (o silêncio) - branco

DO ROTEIRO - REALIZAÇÃO: o roteiro proposto foi o ponto de partida. O


trabalho foi a construção das câmaras: confirmando-se ou não a seqüência original.
Descoberta!: a seqüência não era uma reta, o percurso era circular, com um centro,
como uma flor... Um desenho ampliou a idéia, mas a instalação deu a forma final:
uma mandala e o percurso, em curva: uma espiral!...
As cores, a seqüência e alguns nomes das câmaras, sugeridos inicialmente, foram
transformados no decorrer das oficinas.
O CAOS ganhou o nome de O MUNDO ONDE TUDO É POSSÍVEL - laboratório de
todas as cores, laboratório do grupo propositor, laboratório dos visitantes. A Segunda
câmara: PURIFICAÇÃO foi confirmada como primeiro estágio, onde o som conduz à
imersão no mundo impessoal. A terceira câmara, NATUREZA, na verdade foi
distribuída pôr todas as demais, como material de suporte e de interação. Nesse
ponto surgiu um PORTAL DE REVERÊNCIA. A câmara do AMOR ficou sendo a
terceira, com o nome de O MUNDO DAS FORMAS, fazendo a ligação entre as
partes, unindo o vermelho (ação e vibração) e o branco ( a quietude, serenidade).
Em Pirenópolis, o vermelho é a cor do Divino Espírito Santo. A câmara do AMOR
levou a uma outra: a da NOVA TERRA, com nascimento, subida, descida e repouso
dos seres humanos. É a câmara da vida neste planeta. A Quinta câmara,
CRIATIVIDADE, fez o retorno ao princípio, ao mundo onde tudo é possível; com
possibilidade de manuseio e transformação. Uma outra visão, diferente, enriquecida
pelo percurso. O PORTAL DA POMBA DA PAZ introduz à câmara AÇÃO
SOLIDÁRIA PELA PAZ, onde são realizados: desenhos, o registro do nome na
bandeira da paz e o plantio da semente da paz.
O roteiro ficou sendo o seguinte: na ante sala a comunhão: o pão e a água da fonte;
atividades manuais de espera (uma vez que o percurso da instalação era realizado
individualmente); Tai chi da paz ; a travessia para a instalação, ao ar livre; entrada ao
mundo da manifestação com o primeiro som; o mundo onde tudo é possível; câmara
do som; o portal da reverência; o mundo das formas; o portal do nascimento; ação e
repouso; o centro - o vazio - a chamada para a transformação; revisita ao mundo
onde tudo é possível; o portal da pomba da paz e a câmara da ação solidária pela
paz.
A instalação levou a vivenciar o mundo além da forma, além da aparência, com a
possibilidade de colocar, no devido lugar, nascimento, vida e morte, ou seja, uma
parcela de uma manifestação mais ampla do mundo imaterial (somos parte dessa
manifestação mais ampla). A instalação propiciou vivenciar a amplitude das
dimensões (nascimento, vida e morte fazem parte do percurso...).

PERÍODO DE REALIZAÇÃO: a abertura da instalação interativa ocorreu no dia


18/11/2000 às 20:00 na casa do IPHAN, Pirenópolis GO, Brasil e permaneceu aberta
à visitação até 3/12/2000.
A receptividade dos visitantes foi muito boa. Cerca de 230 pessoas fizeram o
percurso e algumas deixaram suas impressões, no caderno deixado para tal fim.
Ao atravessar o portal de entrada, a recepção ao visitante era feita pôr um
componente do grupo, com a oferta de pãozinho e água da fonte. Nessa ante sala
houve a possibilidade de confecção de bandeiras da paz, artesanato com retalhos
de tecidos, bordados, recortes em papel, pinturas, enquanto as pessoas
aguardavam o seu momento do percurso, uma vez que este devia acontecer
individualmente. Nesta sala aconteceram algumas oficinas de teatro para crianças,
adolescentes e terceira idade. Foi um experiência muito rica: as crianças e os jovens
fizeram uma ocupação cênica da ante sala e do espaço da instalação,
transformando os treinos teatrais em exercícios de harmonia, solidariedade e
sensibilização. Os atores mais velhos se sentiram à vontade para contar suas
estórias, criar cenas e compartilhar momentos de expressão de bom humor e
alegria, relembrando seus tempos de teatro popular, da década de trinta, quarenta,
durante o preparo da sua próxima apresentação (tudo isso regado a chazinhos e
quitandas).
A Oficina de Mosaico “Mãos de Anjos” (para adolescentes) que, normalmente,
acontece em outro local, transferiu-se para a sala de entrada e ampliou o leque de
atividades.
Da ante sala outro portal levava ao tai chi da paz, e daí, uma travessia a céu aberto
conduzia ao local da instalação interativa. O primeiro portal do som deveria ser
ultrapassado para a vivência entre as câmaras. Cada ação era sugerida através de
textos. (Textos em anexo).

DE TOPOLÒ: todos os anos, durante o verão europeu, no povoado de Topolò (norte


da Itália) onde habitam cerca de 50 pessoas, na maioria anciãos, realiza-se um
evento artístico de cunho solidário e internacional, a “StazioneTopolò”. Neste ano,
“Atomo da Paz” se junta ao evento promovendo uma conexão de irmandade entre os
povos. Há possibilidade de se fazer em julho/2001 uma revisita ao Átomo da Paz em
Topolò, para onde serão enviados os resultados das pinturas da Câmara da Ação
Solidária pela Paz e das atividades da Ante Sala.
Pôr que Topolò? Porque Topolò está sujeita a um isolamento em virtude de um
estado de guerra. É um símbolo da necessidade de ação pela paz!

Equipe de criação: Maria Julia Pascali, Esdras P. Jacinto, Marta Eniza Oliveira Lobo,
Edna Oliveira Ferreira, Lunildes Oliveira Abreu, Maria do Sol César de Vasconcelos e
Cirley Motta.

Alguns comentários: “uma ótima exposição; traz uma paz interior muito gostosa.
Gostaria de sentir esta paz também fora daqui, onde, infelizmente, o medo e a
violência crescem assustadoramente e o nosso mundo se acaba pôr culpa de nós.”
“Achei muito legal e interessante esse movimento em busca da paz; acho que
devem continuar fazendo em outras cidades. Parabéns.” “A busca da paz habita em
todo o ser. O seu interior necessita da paz. Grande, a idéia de levar as pessoas ao
ponto onde ele está. O ponto inicial, levando o ser a um novo contato com o ser
supremo, de onde vem toda a paz. A paz universal! Vivas de alegria!”