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Brasília, 2 a 6 de fevereiro de 1998 - Nº 98

Data (páginas internas): 12 de fevereiro de


1998.

Este Informativo, elaborado a partir de


notas tomadas nas sessões de julgamento das
Turmas e do Plenário, contém resumos não-
oficiais de decisões proferidas pelo Tribunal. A
fidelidade de tais resumos ao conteúdo efetivo
das decisões, embora seja uma das metas
perseguidas neste trabalho, somente poderá
ser aferida após a sua publicação no Diário da
Justiça.

ÍNDICE DE ASSUNTOS
ADIn: Perda de Objeto
ADIn: Remissão a Leis Anteriores à CF
Anistia e Praças Militares
ANSEF: Ilegitimidade Ativa
Aposentadoria de Juiz Classista
Benefícios Previdenciários e Maridos
Concurso Público e Limite de Idade
Concurso Público: Exigência de Altura Mínima
Criação de Regiões Metropolitanas
Decadência e Direito de Queixa
Desvio de Função: Inconstitucionalidade
Direito à Estabilidade: Inexistência
Habeas Corpus: Cabimento
Liminar em Ação Declaratória: Cabimento
Policial e Revisão de Processo Administrativo
Querelante: Intervenção em HC
Readaptação: Vício Formal
Revisão de Aposentadoria: Competência
Sonegação de Papel de Valor Probatório
Suspensão Cautelar em ADIn: Efeitos no STF

PLENÁRIO
Aposentadoria de Juiz Classista
Tendo em vista que os juízes temporários da União
têm direito apenas às vantagens a eles concedidas por
legislação específica, o Tribunal indeferiu mandado de
segurança em que se pretendia fosse aplicada à
aposentadoria de juiz classista da Justiça do Trabalho
(disciplinada pela Lei 6.903/81) a vantagem prevista no art.
192, I, da Lei 8.112/90 (“O servidor que contar tempo de
serviço para aposentadoria com provento integral será
aposentado: I - com a remuneração do padrão da classe
imediatamente superior àquela em que se encontra
posicionado”). Precedente citado: MS 21.466-DF (DJU de
6.5.94). MS 22.498-BA, rel. Min. Moreira Alves, 2.2.98.

Criação de Regiões Metropolitanas


Julgando procedente ação direta ajuizada pelo
Procurador-Geral da República, o Tribunal declarou a
inconstitucionalidade do § 1º, do art. 216 da Constituição do
Estado do Espírito Santo, que exigia, para a criação de
regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, consulta
prévia, mediante plebiscito, às populações diretamente
interessadas, por contrariedade ao art. 25, § 3º, da CF (“Os
Estados poderão, mediante lei complementar, instituir
regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e
microrregiões, constituídas por agrupamentos de
Municípios limítrofes, para integrar a organização, o
planejamento e a execução de funções públicas de interesse
comum.”). ADIn 796-ES, rel. Min. Néri da Silveira, 2.2.98.

Anistia e Praças Militares - 1


Iniciado o julgamento de recurso extraordinário
interposto pela União Federal contra acórdão em mandado
de segurança proferido pelo STJ, que reconhecera a praças
expulsos da Aeronáutica, pela participação na chamada
“Rebelião de Cumbica”, o direito à anistia nos termos do art.
8º, do ADCT (“É concedida anistia aos que, no período de
18 de setembro de 1946 até a data da promulgação da
Constituição, foram atingidos, em decorrência de motivação
exclusivamente política, por atos de exceção, institucionais
ou complementares, aos que foram abrangidos pelo Decreto
Legislativo n.º 18, de 15 de dezembro de 1961, e aos
atingidos pelo Decreto-Lei n.º 864, de 12 de setembro de
1969, asseguradas as promoções, na inatividade, ao cargo,
emprego, posto ou graduação a que teriam direito se
estivessem em serviço ativo, obedecidos os prazos de
permanência em atividade previstos nas leis e regulamentos
vigentes, respeitadas as características e peculiaridades das
carreiras dos servidores públicos civis e militares e
observados os respectivos regimes jurídicos.”).

Anistia e Praças Militares - 2


O Min. Carlos Velloso, relator, votou no sentido de
dar interpretação ampla ao mencionado art. 8º, do ADCT, a
fim de assegurar aos praças o direito à anistia, tendo em vista
a motivação política da punição, ainda que esta tenha sido
baseada em legislação ordinária. Em sentido contrário, o
Min. Maurício Corrêa, entendendo que a anistia só alcança
os que foram punidos com base em atos de exceção,
institucionais ou complementares, votou pelo provimento do
recurso extraordinário da União Federal para reformar o
acórdão recorrido, denegando a segurança. Após os votos
dos Ministros Marco Aurélio e Sepúlveda Pertence,
acompanhando o voto do Min. Carlos Velloso, o julgamento
foi adiado em virtude do pedido de vista do Min. Octavio
Gallotti. RE 123.337-DF, rel. Min. Carlos Velloso, 4.2.98.

Readaptação: Vício Formal


O Tribunal deferiu medida cautelar em ação direta
de inconstitucionalidade requerida pelo Governador do
Estado do Espírito Santo para suspender a eficácia da Lei
Complementar nº 98/97, do mesmo Estado, que prevê a
readaptação, em atividade compatível com a sua aptidão
física e mental, do servidor que sofrer modificação no seu
estado de saúde que impossibilite ou desaconselhe o
exercício das atribuições inerentes ao seu cargo. Deferiu-se,
por unanimidade, a liminar quanto ao argumento de vício
formal, por ofensa ao art. 61, § 1º, II, c, da CF, que reserva
ao Poder Executivo a iniciativa de lei que disponha sobre
regime jurídico dos servidores públicos. ADInMC 1.731-
ES, rel. Min. Ilmar Galvão, 4.2.98.

ADIn: Remissão a Leis Anteriores à CF


Retomado o julgamento do mérito de ação direta
ajuizada pelo Partido Verde - PV, contra o art. 1º e seu
parágrafo único, da Lei 9.127/90, do Estado do Rio Grande
do Sul (v. Informativo 94), na qual, preliminarmente se
discute tendo em conta a jurisprudência do STF que não
admite ação direta de inconstitucionalidade contra lei
anterior à CF/88 se o fato de a lei remeter, expressamente,
em sua redação, a lei anterior à CF/88, torna-a objeto
inidôneo ao controle abstrato de constitucionalidade
(parágrafo único, do art. 1º, da Lei 9.127/90: “Os critérios
para a fixação do valor das pensões, suas limitações e das
parcelas que integram o salário da contribuição, são os
definidos no art. 18 e seus parágrafos e no art. 27 da Lei nº
7.672, de 19 de junho de 1982, com a redação da Lei nº
7.716, de 26 de outubro de 1982.”). Votaram pelo não
conhecimento da ação os Ministros Ilmar Galvão, relator,
Maurício Corrêa, Octavio Gallotti, Néri da Silveira e
Moreira Alves; pelo conhecimento, os Ministros Nelson
Jobim, Marco Aurélio, Carlos Velloso, Sepúlveda Pertence e
Celso de Mello. À vista do empate na votação, o julgamento
foi suspenso a fim de aguardar o voto do Ministro Sydney
Sanches. ADInMC 1.137-RS, rel. Min. Ilmar Galvão,
4.2.98.

Policial e Revisão de Processo Administrativo


Dando continuidade ao julgamento de mandado de
segurança impetrado por policial federal contra decisão
denegatória de revisão proposta com base no art. 174 da Lei
8.112/90 (“O processo disciplinar poderá ser revisto, a
qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando se aduzirem
fatos novos ou circunstâncias suscetíveis de justificar a
inocência do punido ou a inadequação da penalidade
aplicada.”) do processo administrativo disciplinar que
culminou com sua demissão do serviço público, o Tribunal,
por votação unânime, não conheceu da ação de mandado de
segurança por incompetência originária do STF, já que se
impugna, na espécie, ato de Ministro de Estado, e não do
Presidente da República. MS 22.628-DF, rel. Min. Carlos
Velloso, 4.2.98.

Benefícios Previdenciários e Maridos


Iniciado o julgamento de recursos extraordinários
interpostos pelo Instituto de Previdência do Estado do Rio
Grande do Sul - IPERGS afetados ao Plenário pela 2ª Turma
(v. Informativo 87) , em que se discute o direito de inclusão
como dependentes perante aquele órgão previdenciário dos
cônjuges das recorridas. Após o voto do Min. Carlos Velloso,
relator, conhecendo do recurso e lhe dando provimento para
reformar o acórdão impugnado por entender que seria
necessário lei específica para a inclusão de maridos de
servidoras públicas como beneficiários de pensão, o
julgamento foi adiado em virtude do pedido de vista do Min.
Nelson Jobim. RREE 204.193-RS e 207.260-RS, rel. Min.
Carlos Velloso, 4.2.98.

Suspensão Cautelar em ADIn: Efeitos no STF


Resolvendo questão de ordem suscitada pelo Min.
Ilmar Galvão, relator, o Tribunal fixou diretriz no sentido de
que se deve suspender o julgamento de qualquer processo
em andamento no Supremo Tribunal Federal que tenha por
fundamento lei ou ato estatal cuja eficácia foi suspensa, por
deliberação da Corte, em sede de ação direta de
inconstitucionalidade, até final julgamento desta. RE
168.277-RS, rel. Min. Ilmar Galvão, 4.2.98.

Concurso Público e Limite de Idade


A estipulação de limite de idade para a inscrição
em concurso público só se legitima em face do art. 7º, XXX,
da CF (“proibição de diferença de salários, de exercício de
funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade,
cor ou estado civil”, aplicável aos servidores públicos por
força do disposto no art. 39, § 2º, da CF), quando tal limite
possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a
ser preenchido. Com base nesse entendimento, o Tribunal,
considerando desarrazoado o limite de idade de 35 anos
exigido para o cargo de Fiscal de Tributos Estaduais do
Estado do Rio Grande do Sul, declarou incidenter tantum a
inconstitucionalidade do art. 20, II, da Lei gaúcha 8.118/85
(Estatuto dos Fiscais de Tributos). Precedentes citados: RE
176.479-RS (DJU de 5.9.97); RE 165.305-RS (DJU de
5.9.97). RE 209.714-RS, rel. Min. Ilmar Galvão, 4.2.97.

ANSEF: Ilegitimidade Ativa


Por maioria de votos, o Tribunal não conheceu de
ação direta ajuizada pela Associação Nacional dos
Funcionários da Polícia Federal - ANSEF contra a Lei
9.266/96 que reorganiza as classes da carreira policial
federal, fixa a remuneração dos cargos que as integram e dá
outras providências , por ilegitimidade ativa ad causam da
autora porquanto esta congrega apenas um segmento da
categoria funcional e não uma entidade de classe para o fim
de legitimar-se à propositura da ação direta de
inconstitucionalidade (CF, art. 103, IX). Vencidos os
Ministros Sydney Sanches, relator, Maurício Corrêa, Marco
Aurélio, Sepúlveda Pertence e Néri da Silveira, que dela
conheciam. Precedente citado: ADIn 846-MS (DJU de
17.12.93). ADIn 1.431-UF, rel. orig. Min. Sydney Sanches,
rel. p/ acórdão, Min. Ilmar Galvão, 5.2.98.

Liminar em Ação Declaratória: Cabimento


Dando continuidade ao julgamento da ação
declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente
da República, pela Mesa do Senado Federal e pela Câmara
dos Deputados, que tem por objeto o art. 1º da Lei 9.494/97,
que disciplina a tutela antecipada contra a Fazenda Pública, o
Tribunal, julgando preliminar suscitada pelo Min. Sydney
Sanches, relator, conheceu do pedido de medida liminar, por
entender possível o exercício do poder geral de cautela, pelo
STF, em sede de ação declaratória de constitucionalidade.
Vencidos, neste ponto, os Ministros Marco Aurélio e Ilmar
Galvão, que não conheciam do pedido por considerar
imprópria a medida cautelar em se tratando de ação
declaratória de inconstitucionalidade (CF, art. 102, § 2º).
Após, o julgamento da liminar foi adiado por indicação do
Ministro-Relator. Precedentes citados: ADInMC 223-DF
(DJU de 29.06.90); Rp 933-RJ (RTJ 76/354). ADC(MC) 4-
UF, rel. Min. Sydney Sanches, 05.02.98.

Desvio de Função: Inconstitucionalidade


Declarada, incidenter tantum, a
inconstitucionalidade do artigo 24 da Lei 3.563/88, do
Município de Vitória-ES [“Fica o Poder Executivo
autorizado a efetuar o enquadramento em cargo ou emprego
diverso do estipulado pela Tabela 9 desta Lei, dos servidores
que, comprovadamente, há pelo menos 24 (vinte e quatro)
meses, encontram-se em desvio de função na data de
entrada em vigor da presente lei, observando o regime de
trabalho do servidor.”], por ofensa ao artigo 37, II, da CF,
que prevê a investidura em cargo ou emprego público
mediante a aprovação prévia em concurso público. Recurso
extraordinário do Município conhecido e provido.
Precedentes citados: ADIn 231-RJ (RTJ 144/24); RE
205.511-ES (DJU de 10.10.97). RE 209.174-ES, rel. Min.
Sepúlveda Pertence, 5.2.98.

ADIn: Perda de Objeto


O Tribunal, por maioria, julgou prejudicada a ação
direta proposta pelo Procurador-Geral da República, em que
se alegava, à vista do disposto no artigo 37, II da CF, a
inconstitucionalidade do artigo 4º da Lei 7.994/90 (“Ao
primeiro provimento dos cargos de Inspetor de Segurança
Judiciária concorrerão por progressão funcional,
observadas as normas regulamentares a respeito, os atuais
ocupantes de cargos efetivos da categoria funcional de
Agentes de Segurança Judiciária, dispensada a exigência do
art. 3º desta lei”). Entendeu-se que, com a criação do Plano
de Cargos e Salário do Judiciário (Lei nº 9.421/96) e a
conseqüente extinção das carreiras mencionadas, a ação
restou prejudicada pela superveniente perda de seu objeto.
Vencido o Ministro Marco Aurélio. ADIn 200-DF, rel. Min.
Néri da Silveira, 5.2.98.

Revisão de Aposentadoria: Competência


Compete à justiça estadual a revisão de benefício
de aposentadoria decorrente de acidente de trabalho,
conforme o disposto na parte final do artigo 109, I, da CF
(“Aos juízes federais compete processar e julgar: I - as
causas em que a União, entidade autárquica ou empresa
pública federal forem interessadas na condição de autoras,
rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de
acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à
Justiça do Trabalho”). Vencido o Ministro Marco Aurélio,
relator, que declarava a competência da justiça federal por
entender que a ação de revisão de benefício tem causa de
pedir diversa da ação acidentária. RE 176.532-SC, rel. orig.
Min. Marco Aurélio, rel. p/ o acórdão Min. Nelson Jobim,
5.2.98.

PRIMEIRA TURMA
Direito à Estabilidade: Inexistência
Tendo em vista que o benefício da estabilidade
previsto no art. 19, do ADCT (“Os servidores públicos civis
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, da administração direta, autárquica e das
fundações públicas, em exercício na data da promulgação
da Constituição, há pelo menos cinco anos continuados, e
que não tenham sido admitidos na forma regulada no art. 37
da Constituição, são considerados estáveis no serviço
público.”) não se estende aos empregados de empresas
públicas e sociedades de economia mista, e que o art. 18, do
ADCT, extinguiu “os efeitos jurídicos de qualquer ato
legislativo ou administrativo, lavrado a partir da instalação
da Assembléia Nacional Constituinte, que tenha por objeto a
concessão de estabilidade a servidor admitido sem concurso
público, da administração direta ou indireta, inclusive das
fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público”, a
Turma deu provimento a recurso extraordinário interposto
pela Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro -
Riotur, para reformar decisão que determinara a reintegração
de empregado despedido, sem justa causa, com base na Lei
carioca nº 1.202, de 20.1.88, que conferia estabilidade aos
empregados das sociedades de economia mista do Município
do Rio de Janeiro. Precedentes citados: ADI 112-BA (RTJ
157/737). RE 208.046-RJ, rel. Min. Octavio Gallotti,
3.2.98.

SEGUNDA TURMA
Habeas Corpus: Cabimento
É cabível habeas corpus impetrado contra acórdão
que reconhecera a prescrição da pretensão executória da
pena, uma vez que o constrangimento ilegal decorre da
repercussão da sentença condenatória na liberdade de ir e vir
do paciente, como, por exemplo, o óbice à suspensão
condicional da pena (CP, art. 77, I). Com esse entendimento,
a Turma, rejeitando a preliminar suscitada no parecer do
Ministério Público Federal, deferiu a ordem para reconhecer,
em substituição à prescrição da pretensão executória, a
prescrição da pretensão punitiva em face da pena
concretizada no acórdão. HC 75.358-SP, rel. Min. Marco
Aurélio, 3.2.98.

Querelante: Intervenção em HC
Resolvendo questão de ordem, a Turma,
confirmando despacho do Min. Carlos Velloso, relator,
admitiu a intervenção da querelante em habeas corpus
impetrado em favor do querelado, contra acórdão do STJ que
determinara o prosseguimento da ação penal. Precedente
citado: PET(AgRg) 423-SP (RTJ 136/1034). HC 75.697-DF,
rel. Min. Carlos Velloso, 3.2.98.

Decadência e Direito de Queixa


Julgando o mérito do habeas corpus acima
mencionado, a Turma indeferiu a ordem, confirmando o
acórdão recorrido que decidira no sentido de que, se o
representante legal do menor ofendido não exerce o direito
de queixa, este poderá fazê-lo no prazo legal após atingir a
maioridade penal. Inteligência da Súmula 594 (“Os direitos
de queixa e de representação podem ser exercidos,
independentemente, pelo ofendido ou por seu representante
legal”). Vencido o Min. Marco Aurélio, que deferia a ordem
por entender extinta a punibilidade do paciente pelo decurso
do prazo único de decadência. HC 75.697-DF, rel. Min.
Carlos Velloso, 3.2.98.

Sonegação de Papel de Valor Probatório


A subtração dos autos de mandado de citação por
advogado atuando em causa própria configura o crime
previsto no art. 356, do CP (“Inutilizar, total ou
parcialmente, ou deixar de restituir autos, documentos ou
objeto de valor probatório, que recebeu na qualidade de
advogado ou procurador”) e não o crime do art. 337, do CP
(“Subtrair, ou inutilizar total ou parcialmente, livro oficial,
processo ou documento confiado à custódia de funcionário,
em razão de ofício ou de particular em serviço público”).
Diante da regra da especialidade, a Turma deferiu em parte o
habeas corpus para tornar insubsistentes a sentença e o
acórdão e determinar que nova decisão se profira tendo em
conta a classificação do delito no art. 356, do CP. HC
75.201-RS, rel. Min. Marco Aurélio, 3.2.98.

Concurso Público: Exigência de Altura Mínima


A Turma entendeu não ser desarrazoada a
exigência de altura mínima de 1,60m para o preenchimento
de cargo de agente de polícia do Estado do Mato Grosso do
Sul, prevista na Lei Complementar nº 38/89, do referido
Estado. No caso, a exigência mostrou-se própria à função a
ser exercida, não ofendendo, portanto, o princípio da
isonomia. Recurso extraordinário do Estado conhecido e
provido para cassar a segurança deferida pelo Tribunal de
Justiça local. RE 148.095-MS, rel. Min. Marco Aurélio,
03.02.98.

Sessões Ordinárias Extraordinárias Julgamentos

Pleno 2 e 4.2.98 5.2.98 50


1ª Turma 3.2.98 --------- 98
2ª Turma 3.2.98 --------- 48

CLIPPING DO DJ
6 de fevereiro de 1998

ADIn N. 281
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: ART. 145, § 7º, LETRA C, DA CONSTITUIÇÃO DO
ESTADO DE MATO GROSSO, QUE PREVÊ A ACUMULAÇÃO
DE DOIS CARGOS PÚBLICOS PRIVATIVOS DE
PROFISSIONAIS DA SAÚDE.
Hipótese não contemplada pelo art. 37, XVI, da Constituição
Federal, de observância obrigatória por todos os entes integrantes da
Federação, conforme expresso em seu caput.
Procedência da ação, com declaração de inconstitucionalidade do
texto impugnado.
* noticiado no Informativo 91

ADIn N. 1.600
RELATOR : MIN. SYDNEY SANCHES
EMENTA: - DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO.
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. AÇÃO
DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO.
MEDIDA CAUTELAR. I.C.M.S. - NAVEGAÇÃO AÉREA.
TRANSPORTE AÉREO. TRANSPORTES INTERESTADUAL E
INTERMUNICIPAL POR QUALQUER VIA. LEI
COMPLEMENTAR N° 87, DE 16 DE SETEMBRO DE 1996.
1. A um primeiro exame, a petição inicial parece conter a
cumulação de pedidos de declaração de inconstitucionalidade por
omissão e por ação.
A omissão consistiria no descumprimento do art. 146, incisos I e
III, e 155, § 2°, inciso XII, da Constituição Federal. E a violação por
ação estaria representada pela afronta direta aos artigos 150, inciso
II, 155, inciso I, alínea "b".
Não é, porém, o que ocorre.
2. Na verdade, o que pretende a Procuradoria Geral da República,
com a propositura da presente Ação Direta, não é a declaração de
inconstitucionalidade por omissão do Poder Executivo, que teve a
iniciativa do Projeto de Lei Complementar, e do Poder Legislativo,
que o aprovou, para que estes, suprindo-a (a omissão), façam
desaparecer o vício que invalidaria os dispositivos impugnados,
quanto às operações de transporte aéreo.
E é isso que se pode pedir em Ação Direta de
Inconstitucionalidade por Omissão, ou seja, que o Poder ou os
Poderes competentes sejam cientificados da decisão do Tribunal,
"para a adoção das providências necessárias", como determina o § 2°
do art. 103 da Constituição Federal, vale dizer, para o suprimento da
omissão.
3. O Tribunal, então, por unanimidade de votos, conhece da Ação
Direta de Inconstitucionalidade por violação positiva da
Constituição.
4. Por maioria de votos, indefere a medida cautelar de suspensão
da eficácia "do artigo 1°, inciso II do artigo 2°", "para o fim de
excluir a navegação aérea, sem redução do texto, do âmbito de
compreensão das expressões "transportes interestadual e
intermunicipal, por qualquer via"; dos "artigos 2°, "1°, inciso II; 4°,
parágrafo único, inciso II; 11, inciso IV; 12, inciso X e 13, inciso VI,
todos da Lei Complementar n° 87, de 16 de setembro de 1996".
5. Considera a maioria, a um primeiro exame, para o efeito de
concessão, ou não, de medida cautelar, que tais dispositivos não
violam o disposto no art. 146, incisos I e III, 155, § 2°, inc. XII, 150,
inc. II, e 155, inc. I, "b", da Constituição Federal. Afasta, pois, a
plausibilidade jurídica da ação ("fumus boni iuris"), um dos
requisitos para a concessão da medida.
6. A minoria considera relevantes os fundamentos jurídicos da
Ação e também presente o requisito do "periculum in mora", já que
"a não suspensão pode causar prejuízos irreparáveis às empresas
aéreas brasileiras e aos usuários de seus serviços, seja em face de
possíveis conflitos fiscais entre os Estados e Municípios, seja em
face da competição que aquelas terão de travar, possivelmente em
desigualdade de condições, com as empresas brasileiras".
7. Ação conhecida como Direta de Inconstitucionalidade por Ação
(e não por Omissão).
8. Medida cautelar indeferida por maioria de votos (6). A minoria
(5 votos) defere, em parte, a medida cautelar, para, mediante
interpretação conforme à Constituição e sem redução de texto,
afastar, até o julgamento final da Ação, qualquer exegese que inclua,
no âmbito de compreensão da Lei Complementar n° 87, de
13.09.1996, a prestação de serviços de navegação ou transporte
aéreo.
* noticiado no Informativo 81

ADIn N. 1.693
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
LEGITIMIDADE - AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE - ENTIDADE DE CLASSE DE
ÂMBITO NACIONAL - ABC-ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
CONSUMIDORES. A cláusula constitucional sobre a legitimidade
das entidades de classe de âmbito nacional para a propositura de
ação direta de inconstitucionalidade pressupõe a representação de
classe propriamente dita, a revelar interesses peculiares. A
abrangência da representatividade da Associação Brasileira de
Consumidores - e todos os cidadãos o são - obstaculiza o
enquadramento na previsão do inciso IX do artigo 103 da Carta
Política da República.
* noticiado no Informativo 89

ADIn N. 1.704
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
COMPETÊNCIA NORMATIVA - VEÍCULOS - PELÍCULA DE
FILME SOLAR. A disciplina da aplicação de película de filme solar
nos vidros dos veículos coloca-se no âmbito da competência
privativa da União, prevista no inciso XI do artigo 22, não se
tratando de matéria ligada ao estabelecimento e implantação de
política de educação visando à segurança do trânsito, quando, então,
ter-se-ia a competência, também, dos Estados, isso a teor do inciso
XII do artigo 23, ambos os dispositivos da Carta de 1988. Concurso
do sinal do bom direito e do risco de manter-se com plena eficácia
ato normativo de Estado federado que autorizou o uso da película -
Lei do Estado do Mato Grosso de nº 6.908, de 1º de julho de 1997.
* noticiado no Informativo 95

HC N. 74.330
RELATOR : MIN. CELSO DE MELLO
E M E N T A: HABEAS CORPUS - ALEGADA NULIDADE DO
PROCESSO PENAL CONDENATÓRIO - CERCEAMENTO DE
DEFESA - INOCORRÊNCIA - AUSÊNCIA DE REPERGUNTAS
ÀS TESTEMUNHAS - FACULDADE PROCESSUAL DA PARTE
- EVENTUAL INSUFICIÊNCIA DA DEFESA TÉCNICA -
INDISPENSABILIDADE
DE DEMONSTRAÇÃO DE EFETIVO PREJUÍZO PARA OS
ACUSADOS - REEXAME DE PROVA - INIDONEIDADE DO
WRIT CONSTITUCIONAL - PEDIDO INDEFERIDO.
- A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem acentuado que
a ausência de formulação de reperguntas às testemunhas, pelo
Defensor do réu - precisamente porque essa inquirição constitui ato
processual meramente facultativo da parte - não gera qualquer
nulidade processual, especialmente se ficar evidenciado que essa
omissão não provocou qualquer dano efetivo aos interesses do
acusado.
- A eventual insuficiência da defesa técnica somente caracterizará
hipótese de invalidação formal do processo penal condenatório, se
se demonstrar, objetivamente, que houve prejuízo para os acusados
(Súmula 523/STF). Situação de prejuízo inocorrente no presente
caso.
- O exame do conjunto probatório não se legitima no âmbito
estreito da ação sumaríssima de habeas corpus. Precedentes.

HC N. 74.780
RELATOR : MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: HABES-CORPUS. ATENTANDO VIOLENTO AO
PUDOR. VIOLÊNCIA PRESUMIDA: VÍTIMA MENOR DE 14
ANOS. ACRÉSCIMO DE METADE DA PENA (ART. 9º DA LEI
Nº8.072/90). INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM.
1. Paciente condenado à pena mínima de 7 anos e 6 meses de
reclusão por atentado violento ao pudor (CP, art. 214) praticado
contra menor com nove anos de idade (CP, art. 224, I: violência
presumida) e sob o seu pátrio poder (CP, art. 226, II). Pena acrescida
de metade, com base no art. 9º da Lei dos Crimes Hediondos (Lei nº
8.072/90): "As penas fixadas no art. 6º para os crimes capitulados
nos arts. 213 e ... 214 e sua combinação com o art. 223, caput e
parágrafo único ... do Código Penal, são acrescidos de metade ...
estando a vítima em qualquer das hipóteses referidas no art. 224
também do Código Penal."
2. A particular situação da vítima, de não ser maior de 14 anos, é
utilizada tanto para presumir a violência como para aumentar a pena
de metade: no primeiro caso é circunstância elementar do tipo penal
codificado (art. 214) e no segundo é causa de aumento da pena
prevista na lei extravagante (art. 9º da LCH).
3. Os crimes de estupro e atentado violento ao pudor independem da
idade da vítima, que pode ser menor ou maior de 14 anos, sendo que
os tipos penais exigem que tenha ocorrido violência presumida ou
real, ao passo que o agravamento previsto no art. 9º da Lei dos
Crimes Hediondos aplica-se ao caso, entre outros, em que a vítima é
menor de 14 anos. Não ocorrência de bis in idem. Precedentes.
3. Habeas-corpus conhecido, mas indeferido.
* noticiado no Informativo 92

HC N. 75.438
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: "Habeas corpus".
- Ainda que se trate de tese legal nova não submetida, em apelação,
ao Tribunal tido como coator, é de ser conhecido o "habeas corpus"
com relação a ela, porque aquela Corte poderia, "ex officio", tê-la
apreciado. (...)
* noticiado no Informativo 94

HC N. 75.723
RELATOR : MIN. CARLOS VELLOSO
EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL PENAL. PENAL.
CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. REPRESENTAÇÃO
FISCAL. SUSPENSÃO DO CURSO DA AÇÃO PENAL:
DECISÃO DEFINITIVA DO PROCEDIMENTO
ADMINISTRATIVO FISCAL. Lei 8.137, de 1990, artigos 1º, 2º e
14; Lei 8383, de 1991, artigo 98; Lei 9249, de 1995, art. 34; Lei
9430, de 1996, art. 83 e seu parágrafo único.
I - A representação fiscal a que se refere o art. 83, da Lei 9.430/96,
estabeleceu limites para os órgãos da administração fazendária, ao
determinar que a remessa ao Ministério Público dos expedientes
alusivos aos crimes contra a ordem tributária, definidos nos arts. 1º e
2º, da Lei 8.137/90, somente será feita após a conclusão do processo
administrativo fiscal. Todavia, não restringiu o citado dispositivo
legal a ação do Ministério Público (C.F., art. 129, I).
II. - Precedente do STF: ADIn 1571-DF (medida cautelar), Rel. Min.
Néri da Silveira, Plenário, 20.03.97.
III. - No caso, não há falar em extinção da punibilidade pelo
pagamento do tributo e acessório: Lei 8.137/90, art. 14, revogado
pela Lei 8.383/91, art. 98. Lei 9.249/95, art. 34; Lei 9.430/96, art.
83, parág. único.
IV. - H.C. indeferido.
* noticiado no Informativo 93

HC N. 75.929
RELATOR : MIN. MAURÍCIO CORRÊA
EMENTA: "HABEAS CORPUS". PRISÃO PREVENTIVA PARA
FINS DE EXTRADIÇÃO: NÃO CONFIGURA
CONSTRANGIMENTO ILEGAL.
1. Não se pode ter como coator o Ministro do Supremo Tribunal
Federal que, na qualidade de relator de processo de pedido de prisão
preventiva para fins de extradição, decreta a custódia cautelar do
extraditando, fazendo-o com observância do disposto na lei que
define a situação do estrangeiro no Brasil (Lei nº 6.815/80). Nessas
condições, a prisão preventiva não configura constrangimento ilegal.
2. "Habeas Corpus" não conhecido.
* noticiado no Informativo 95

HC N. 75.968
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: HABEAS CORPUS. REPRESENTAÇÃO PARA A
AÇÃO PENAL PÚBLICA. DECADÊNCIA.
A circunstância apontada pelo acórdão, no sentido de que a vítima
formalizara a representação dentro do prazo —— e o fez
considerando a data registrada na peça —— não obsta a decadência,
por inexistir qualquer elemento que, efetivamente, comprove a data
de ingresso do documento perante o Órgão do Ministério Público.
À mingua de tais elementos, tenho que se deve tomar como termo a
data da denúncia, ofertada quando já extinta a punibilidade do
acusado pela decadência do direito de representação.
Habeas corpus deferido.

MS N. 22.438
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Mandado de segurança.
- São independentes as instâncias penal e administrativa, só
repercutindo aquela nesta quando ela se manifesta pela inexistência
material do fato ou pela negativa de sua autoria. Precedentes do
S.T.F.
Mandado de segurança indeferido, cassando-se a liminar concedida.
* noticiado no Informativo 93

MS N. 22.735
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: CÂMARA DOS DEPUTADOS. RESOLUÇÃO Nº
70/94, ART. 7º, PARÁGRAFO ÚNICO. SERVIDOR AFASTADO
PARA SERVIR EM OUTROS ÓRGÃOS E ENTES DA
ADMINISTRAÇÃO FEDERAL, ONDE EXERCEU FUNÇÕES
COMISSIONADAS. PRETENDIDA INCORPORAÇÃO DOS
"QUINTOS", HOJE "DÉCIMOS", COM BASE NA
REMUNERAÇÃO DE FUNÇÕES EQUIVALENTES
CONSTANTES DO QUADRO DE PESSOAL DA CASA
LEGISLATIVA.
Pretensão que não tem respaldo nas leis disciplinadoras da espécie,
onde se prevê que a referida vantagem funcional será calculada
sobre a remuneração da função comissionada efetivamente exercida,
como disposto na Lei nº 8.112/90, art. 62, § 2º, na Lei nº 8.911/94,
art. 3º e na MP nº 1.480-28/97, art. 1º, normas insuscetíveis de ser
modificadas por meio de resolução legislativa.
Mandado de segurança indeferido.
* noticiado no Informativo 85

AG (AgRg) N. 191.684
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
PROVA - ASSISTENTE DA ACUSAÇÃO. O acolhimento de
proposta de produção de prova formulada pelo assistente da
acusação não prescinde da concordância do titular da ação penal, o
Ministério Público - inteligência do § 1º do artigo 271 do Código de
Processo Penal, à luz da garantia do devido processo legal.

AG (AgRg) N. 195.513
RELATOR : MIN. CARLOS VELLOSO
EMENTA: CONSTITUCIONAL. INCONSTITUCIONALIDADE:
DECLARAÇÃO. MEDIDA CAUTELAR EM ADIn. DECISÃO DE
MÉRITO.
I. - A medida liminar, nas ações diretas de inconstitucionalidade,
tem, de regra, efeito ex nunc. A decisão final, de mérito, entretanto,
tem efeito ex tunc.
II. - Agravo não provido.

AG (AgRg) N. 197.117
RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA:- O prévio indeferimento, pelo Supremo Tribunal, de
petição de habeas corpus, prejudica o conhecimento de recurso
extraordinário, movido por fundamento idêntico ao daquela
impetração.

AG (AgRg) N. 202.102
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: I. Prefeito: competência constitucional originária do
Tribunal de Justiça, que não implica vedar a delegação de atos
instrutores a juízes de primeiro grau.
II. Processo penal de competência originária dos tribunais de
segundo grau: vigência dos arts. 556 a 562 C.Pr.Pen., até o advento
da L. 8.658/93, que lhe estendeu a disciplina da L. 8.038/90,
originalmente restrita ao STF e ao STJ: conseqüente competência
individual do relator para o recebimento da denúncia anterior à L.
8.658/93, que não ofendia a garantia do juiz natural.

RE N. 161.552
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: MUNICÍPIO DE SALTO. IMÓVEL URBANO.
DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA E INTERESSE
SOCIAL. ACÓRDÃO QUE DECLAROU A SUA ILEGALIDADE,
POR AUSÊNCIA DE PLANO DIRETOR E DE NOTIFICAÇÃO
PRÉVIA AO PROPRIETÁRIO PARA QUE PROMOVESSE SEU
ADEQUADO APROVEITAMENTO, NA FORMA DO ART. 182 E
PARÁGRAFOS DA CONSTITUIÇÃO.
Descabimento, entretanto, dessas exigências, se não se está diante da
desapropriação-sanção prevista no art. 182, § 4º, III, da Constituição
de 1988, mas de ato embasado no art. 5º, XXIV, da mesma Carta,
para o qual se acha perfeitamente legitimada a Municipalidade.
Recurso conhecido e provido.

RE N. 169.652
RELATOR : MIN. CARLOS VELLOSO
EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL CIVIL.
EXECUÇÃO FISCAL - ITR. LEGITIMAÇÃO ATIVA.
PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL.
PROCURADORIA DO INCRA. C.F., art. 131, § 3º, art. 29, § 5º,
ADCT.
I. - Tem base na Constituição, § 5º do art. 29, ADCT, a delegação da
Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional à Procuradoria do INCRA,
para promover a cobrança, mediante execução fiscal, de débitos
fiscais da União.
II. - R.E. conhecido e provido.
* noticiado no Informativo 93

RE N. 171.664
RELATOR : MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE
EMENTA: Contraditório e ampla defesa: demissão de policial
militar sem estabilidade: ainda que a tanto não se imponham os
rigores formais do processo administrativo assegurado aos estáveis,
não satisfaz à garantia constitucional a simples inquirição do praça e
a possibilidade de oferecer explicações escritas do próprio punho,
sem propiciar-lhe a ciência prévia da acusação nem qualquer espécie
de assistência jurídica.
* noticiado no Informativo 93

RE N. 190.976
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL.
LEGITIMIDADE PARA PROMOVER AÇÃO CIVIL PÚBLICA
EM DEFESA DOS INTERESSES DIFUSOS E COLETIVOS.
MENSALIDADES ESCOLARES. ADEQUAÇÃO ÀS NORMAS
DE REAJUSTE FIXADAS PELO CONSELHO ESTADUAL DE
EDUCAÇÃO. ART. 129, III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
O Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária do dia 26 de
fevereiro de 1997, no julgamento do RE 163.231-3, de que foi
Relator o eminente Ministro Maurício Corrêa, concluiu pela
legitimidade ativa do Ministério Público para promover ação civil
pública com vistas à defesa dos interesses coletivos.
Recurso extraordinário conhecido e provido.
RE N. 203.909
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: AUTONOMIA MUNICIPAL. DISCIPLINA LEGAL DE
ASSUNTO DE INTERESSE LOCAL. LEI MUNICIPAL DE
JOINVILLE, QUE PROÍBE A INSTALAÇÃO DE NOVA
FARMÁCIA A MENOS DE 500 METROS DE
ESTABELECIMENTO DA MESMA NATUREZA.
Extremo a que não pode levar a competência municipal para o
zoneamento da cidade, por redundar em reserva de mercado, ainda
que relativa, e, conseqüentemente, em afronta aos princípios da livre
concorrência, da defesa do consumidor e da liberdade do exercício
das atividades econômicas, que informam o modelo de ordem
econômica consagrado pela Carta da República (art. 170 e
parágrafo, da CF).
Recurso não conhecido.
* noticiado no Informativo 88

RE N. 206.659
RELATOR : MIN. ILMAR GALVÃO
EMENTA: USUCAPIÃO URBANO. ART. 183 DA
CONSTITUIÇÃO.
Não se estando diante de simples redução de prazo prescricional,
mas de instituto novo, criado pela Carta de outubro/88, somente a
posse verificada após o advento desta pode ser considerada para
efeito do qüinqüênio previsto no dispositivo sob enfoque.
Acórdão que, por orientar-se nesse sentido, não merece censura.
Recurso não conhecido.
* noticiado no Informativo 88

RE N. 211.567
RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: Vantagens pecuniárias. Gratificação de assiduidade.
Já assentou o Supremo Tribunal que não se estendem, aos
serventuários de cartório não oficializados do Estado do Espírito
Santo, vantagens próprias dos funcionários públicos (Súmula 339).
Estabeleceu-se, ainda, que ao recusar o registro de aposentadoria,
acrescidas de tais vantagens, comportou-se o Tribunal de Contas no
estrito cumprimento de sua competência constitucional (CF., art. 71,
III, parte final e art. 75).
Recurso extraordinário conhecido e provido.
* noticiado no Informativo 88

RE N. 211.872
RELATOR : MIN. OCTAVIO GALLOTTI
EMENTA: - O art. 8º, III, da Constituição, combinado com o art. 3º
da Lei nº 8.073/90, autoriza a substituição processual ao sindicato,
para atuar na defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais
de seus associados (AGRAG 153.148-PR, DJ 17-11-95).
Recurso extraordinário conhecido e provido.

RE N. 219.482
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Importação de motores usados.
- O Plenário desta Corte, ao julgar os RREE 203.954 e 202.213,
firmou o entendimento de que é inaceitável a orientação no sentido
de que a vedação da importação de automóveis usados afronte o
princípio constitucional da isonomia, sob a alegação de atuar contra
as pessoas de menor capacidade econômica, porquanto, além de não
haver a propalada discriminação, a diferença de tratamento é
consentânea com os interesses fazendários nacional que o artigo
237 da Constituição Federal teve em mira proteger, ao investir as
autoridades do Ministério da Fazenda no poder de fiscalizar e
controlar o comércio exterior.
- Note-se, ademais, que a Portaria n° 08/91 - que decorre do artigo
5º, I e II, do Decreto-lei n° 1427/75 - encontra respaldo no referido
artigo 237 da Carta Magna.
Recurso extraordinário conhecido e provido.
* noticiado no Informativo 92

RE (EDv) N. 175.520
RELATOR : MIN. MOREIRA ALVES
EMENTA: Embargos de divergência. Previdência Social.
Aposentadoria por idade. Rurícola.
Divergência caracterizada entre o acórdão embargado e os julgados
do Plenário nos Mandados de Injunção nºs 183 e 306.
Não-auto-aplicabilidade do artigo 202, I, da Constituição Federal.
Embargos de divergência conhecidos e providos.

RE N. 171.345
RELATOR : MIN. CARLOS VELLOSO
EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL CIVIL.
USUCAPIÃO. INTERESSE DA UNIÃO. COMPETÊNCIA DA
JUSTIÇA FEDERAL. C.F., art. 109, I.
I. - Ação de usucapião promovida na Justiça Estadual: compete à
Justiça Federal emitir juízo de valor sobre o interesse manifestado
pela União, vale dizer, avaliar a realidade ou não desse interesse.
II. - Precedentes do STF: RREE 198.746-SC, 140.480-RJ, 138.431-
RJ, 202.930-SC, 116.434-SP, 99.928-SP, 95.460-SP, 94.108-RJ, Ag
72.063-(AgRg)-SP, RE 92.299-SP.
III. - R.E. conhecido e provido.

RE (AgRg) N. 209.737
RELATOR : MIN. CARLOS VELLOSO
EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL CIVIL.
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PRECATÓRIO:
PROCESSAMENTO DO TRIBUNAL: ATIVIDADE
ADMINISTRATIVA.
I. - A atividade desenvolvida pelo Presidente do Tribunal, no
processamento do precatório, não é jurisdicional, mas
administrativa. Também é administrativa a decisão do Tribunal
tomada em agravo regimental interposto contra despacho do
Presidente na mencionada atividade. Precedente do STF: ADIn
1098-SP.
II. - O recurso extraordinário pressupõe a existência de causa
decidida em única ou última instância por órgão do Poder Judiciário
no exercício de função jurisdicional. Proferida a decisão em sede
administrativa, não há falar em causa. Não cabimento do recurso
extraordinário.
III. - R.E. admitido na origem. Negativa de trânsito por decisão do
Relator. Agravo não provido.

Acórdãos publicados: 889

OUTRAS INFORMAÇÕES

Os interessados no acompanhamento de
processos no Supremo Tribunal Federal contam a
partir do dia 6 de fevereiro do corrente ano com o
STF - PUSH, um novo serviço que vai permitir a
qualquer pessoa ser informada automaticamente
por correio eletrônico sobre o andamento das
ações.
Para isso, é necessário apenas que a pessoa
interessada faça um cadastro na página do
Supremo na Internet (www.stf.gov.br) e tenha um
e-mail .
Para receber as informações, as pessoas
precisam informar o número dos processos e,
toda vez que houver andamento (como
despachos, juntadas, pedidos de informação), o
sistema enviará os dados atualizados aos usuários.
A lista pode ser alterada a qualquer momento pelo
usuário do STF- Push.
No cadastramento, a pessoa deverá informar
seu nome e e-mail, e se tem interesse em receber
o Informativo STF.

Assessora responsável pelo Informativo


Maria Ângela Santa Cruz Oliveira
informativo@stf.gov.br