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UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

ESCOLA DE ENGENHARIA CIVIL


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOTECNIA,
ESTRUTURAS E CONSTRUÇÃO CIVIL

INSTRUMENTAÇÃO DE FUNDAÇÕES
ESTAQUEADAS

ALEONES JOSÉ DA CRUZ JUNIOR

D0139G16
GOIÂNIA
2016
ALEONES JOSÉ DA CRUZ JUNIOR

INSTRUMENTAÇÃO DE FUNDAÇÕES
ESTAQUEADAS

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em


Geotecnia, Estruturas e Construção Civil da Universidade
Federal de Goiás, para obtenção do título de Mestre em
Engenharia Civil.
Área de Concentração: Geotecnia
Orientador: Prof. Dr. Maurício Martines Sales

D0139G16
GOIÂNIA
2016
Ficha catalográfica elaborada automaticamente com os dados
fornecidos pelo (a) autor (a), sob orientação do Sibi/UFG.

Cruz Junior, Aleones José da.


Instrumentação de fundações estaqueadas [manuscrito] /
Aleones José da Cruz Junior. – 2016.
208 f. : il., figs, tabs.

Orientador: Maurício Martines Sales.


Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Goiás,
Escola de Engenharia Civil (EEC), Programa de Pós-Graduação
em Engenharia Civil – Geotecnia, Estruturas e Construção Civil ,
Goiânia, 2016.
Bibliografia. Apêndice. Anexo.
Inclui lista de figuras, abreviaturas, símbolos e tabelas.

1. Extensometria. 2. Instrumentação. 3. Fundações


Estaqueadas. I. Martines Sales, Maurício, orient. II.
Título.
Dedico este trabalho aos meus pais,
Francisca&Marcus e Aleones&Lúcia, que
foram meus apoiadores, e entusiastas
incondicionais da minha jornada; aos meus
irmãos Carlos Eduardo, Débora e, em
especial, ao meu irmão Daniel, pelo apoio nos
momentos desafiantes; à minha amada esposa,
Vanusa, que sempre esteve comigo nos
momentos bons e ruins, sendo minha amiga,
companheira e conselheira.
AGRADECIMENTOS

A Deus pelo privilégio do conhecimento, e pelas bênçãos recebidas.

Aos meus pais, irmãos e esposa pelo apoio, amor e cuidado nos momentos críticos.

Ao Professor Maurício Sales, pela orientação desde épocas remotas de iniciação científica e
projeto final de curso até esta dissertação, pela atenção, pela confiança, pelo respeito, pela
dedicação, pela responsabilidade, pela amizade, e pela paciência. Certo que sua conduta
profissional e sabedoria são padrões que desejo seguir.

Aos Professores Gilson, Carlos, Daniel, Lilian, Marcia, pelo aprendizado, pela atenção,
durante o período de aulas e de dissertação.

Aos Técnicos de laboratório João e Vitor, LabGEO e LABITECC, pela disposição, pela
atenção, e compromisso no desenvolver dos ensaios.

Aos Professores Paulo Francinete, Paulo Cesar e Sandra Kurutoch, pela parceria no uso do
laboratório de concreto do IFG, Campus Goiânia.

Ao Técnico de laboratório Sergio Coelho, do IFG, pelo atendimento, pelo cuidado, pela
disposição no desenvolver dos ensaios.

A todos os colegas do Mestrado do GECON, pelos anos de jornada de disciplinas e


dissertação, pela disposição em ajudar, colaborar e compartilhar os conhecimentos
desenvolvidos.

Aos amigos Marcio Careli e Douglas Bittencourt sempre presentes, e parceiros nas consultas
e discussões relevantes.

Ao IFG, pela possibilidade de cursar as disciplinas do mestrado com flexibilidade de horários


na jornada de trabalho.

Ao IFGoiano, pela oportunidade de desenvolver a prática docente da área de engenharia civil,


e pelo incentivo a qualificação, mesmo que conciliada com a jornada de trabalho.

A NOVAGEO Ltda, em especial ao Engº Civil Pedro João Junqueira, grande amigo, por
acreditar no projeto e fomentar parte da prova de carga.

Ao LTEC Ltda, em especial ao Engº Paulo Viana, por ajudar na execução da prova de carga.
RESUMO

Nos últimos anos ocorreram demandas crescentes por projetos de fundações mais elaborados
e para tal têm sido desenvolvidas ferramentas numéricas e metodologias de projeto
geotécnico. Todavia, estas soluções precisam ser confirmadas, o que é possível através de
medidas diretas sobre os elementos, conseguidas por meio de instalações de instrumentos.
Variadas pesquisas aplicaram instrumentações ao problema de transferência de carga em
condições controladas de campo e laboratório, no entanto, são poucas pesquisas que buscaram
a aplicação de uma instrumentação global, da obra como um todo, e por um período maior de
tempo com maior durabilidade dos sensores. Nesse contexto, este trabalho teve o objetivo
principal de propor uma metodologia para instrumentação versátil e duradoura de fundações
estaqueadas, a fim de verificar a distribuição das cargas transmitidas pelos pilares até as
pontas das estacas, a partir da confecção dos sensores até a aplicação em provas de carga para
medir cargas em escala real. Foi definido o uso de extensômetros elétricos para construção
dos instrumentos. Os sensores foram confeccionados e calibrados utilizando o espaço físico e
equipamentos do Programa de Pós-graduação em Geotecnia Estruturas e Construção Civil
(PPGECON), utilizando critérios e procedimentos específicos para esta pesquisa. Foram
desenvolvidos protótipos em modelos reduzidos, pilaretes de concreto, a fim de verificar a
melhor condição de disposição dos sensores, realizando simulações de carga e de desempenho
das instrumentações. Foi definida uma obra para estudo de caso, onde foi executada prova de
carga estática instrumentada em vários níveis, usando os sensores desenvolvidos. Mediante
testes de desempenho os sensores mostraram ser duráveis e precisos, sendo que o sensor de
imersão mostrou um comportamento mais próximo ao comportamento do concreto através de
testes de carga. No entanto, os testes de desempenho mostraram ser mais suscetíveis a
fenômenos de pega e cura do concreto. Para aplicação em pilares, foi verificado que os
sensores confeccionados mostraram bom desempenho quando comparados aos valores
calculados de módulo de elasticidade composto. Os sensores aplicados na prova de carga
conseguiram obter a distribuição das cargas nos vários níveis, separando parcelas de
resistências de atrito lateral por camada, e as tensões cisalhantes unitárias por camada de solo.
A partir destes resultados verificou-se a tensão cisalhante máxima na camada superficial e foi
possível comparar com métodos semi-empíricos de capacidade de carga e de extrapolação da
curva carga-recalque. Comprovando que a instalação da instrumentação na prova de carga,
mesmo sem ocorrência da ruptura, serve para verificar o desempenho da estaca ensaiada,
conhecendo parâmetros adicionais e confirmando o dimensionamento geotécnico.

Palavras-chave: Extensometria. Instrumentação. Fundações estaqueadas.

A. J. CRUZ JR Resumo
ABSTRACT

In the last few years there have been increasing demands for more elaborated foundations
projects, therefore, numerical tools and Geotechnical design methodologies have been
developed. However, these solutions need to be confirmed, which is possible through direct
measuring of the elements, achieved through instruments. Diverse research applied
instrumentations to the load transfer problem under controlled conditions of the field and
laboratory, however, there are few studies that aimed the application of a global
instrumentation, of the construction as a whole, and for a longer period of time with greater
durability of the sensors. In this regard, this work had the main objective to come up with a
methodology for a versatile and durable instrumentation of piled foundations in order to
verify the load distribution transmitted by the pillars to the ends of the piles from the making
of the sensors to the load test application to measure loads at full scale. The use of strain
gages for construction of the instruments has been set. The sensors were fabricated and
calibrated using the physical space and equipment of PPGECON-UFG, using criteria and
specific procedures for this research. Prototypes were developed in scale models, small
columns of concrete, in order to reach the best arrangement of the sensors, performing load
and performance of instrumentation simulations. A construction was determined as a case
study where it was performed instrumented static load test at several levels, using the
developed sensors. The sensors developed by performance tests proved to be durable and
accurate, and the immersion sensor shown a closer behavior to the concrete through load tests.
However, performance tests have shown to be more susceptible to setting time and curing
phenomena of the concrete. For application in columns, it was found that the sensors
manufactured showed good performance when compared to calculated values of elastic
modulus compound. Sensors applied to the load test were able to obtain the distribution of
loads at different levels, separating portions of the lateral friction resistance per layer, and the
unit shear stress of soil layer. From these results it was found the maximum shear stress in the
surface layer and it was possible to compare with semi-empirical methods of load capacity
and bridging charge-discharge curve. Proving that the installation of instrumentation in the
load test, even without occurrence of break, is used to verify the performance of the test pile,
knowing additional parameters and confirming the geotechnical design.

Keywords: Extensometer. Instrumentation. Piled foundations.

A. J. CRUZ JR Abstract
LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1 - Perfil qualitativo de distribuição de carga axial em uma estaca (SCHULZE,
2013) .................................................................................................................................. 32

Figura 2.2 - Interação solo-estrutura entre radiers, estacas e o subsolo. (KATZENBACH


et al., 2005 apud FREITAS NETO, 2013). ........................................................................... 34

Figura 2.3 - Coeficiente αpr para bloco isolado, grupo de estacas e radier estaqueado de
acordo com (MANDOLINI, 2003) ....................................................................................... 34

Figura 2.4 – Esquema de Montagem de Prova de Carga Estática a compressão (SILVA,


2011) .................................................................................................................................. 41

Figura 2.5 - Montagens de Prova de Carga Estática em estacas, aplicação de carga axial
de tração (NIYAMA; AOKI; CHAMECKI, 1998). ............................................................. 42

Figura 2.6 – Curvas tensão - recalque típicas dos diferentes tipos de ensaios
(FELLENIUS, 1975 apud ALMEIDA, 2009). Adaptado pelo autor. .................................... 44

Figura 2.7 - Execução de ensaio de integridade (MUCHETI, 2008)..................................... 46

Figura 3.1 - Estaca submetida à carga de ruptura de compressão (modificado de


VIGGIANI; MANDOLINI; RUSSO, 2012) ......................................................................... 50

Figura 3.2 - Mecanismo de ruptura de base da estaca propostas por diversos autores
(PÉREZ, 2014). Adaptado pelo autor. ................................................................................. 52

Figura 3.3 - Variação de Nq com φ (MEYERHOF, 1976). ................................................... 55

Figura 3.4 - Variação de λ com o comprimento da cravação da estaca (MCCLELLAND,


1974). ................................................................................................................................. 59

Figura 3.5 - Variação de α com cu/σ’ (RANDOLPH; MURPHY, 1985) .............................. 60

Figura 3.6 - Coeficiente de adesão α (CINTRA; AOKI, 1999).............................................. 60

Figura 3.7 - Método de Davisson ......................................................................................... 74

Figura 3.8 - Método da NBR 6122 (ABNT, 2010) – Carga de ruptura convencional. .......... 75

Figura 3.9 - Método de Van der Veen (NIYAMA; AOKI; CHAMECKI, 1998) .................. 76

A. J. CRUZ JUNIOR Lista de Figuras


D0139G16: Instrumentação fundações estaqueadas

Figura 3.10 - Método de Chin – Curva (recalque/carga aplicada) x recalque ........................ 78

Figura 3.11 - Gráfico de Rigidez vs. carga do método de Décourt (1998a) .......................... 79

Figura 4.1 - Os sensores transformam efeitos físicos em sinais elétricos (PAZOS, 2002)...... 81

Figura 4.2 - Strain gage (Modificado de HBM, 2008) .......................................................... 85

Figura 4.3 - Ponte de Wheatstone (modificado de DUNNICLIFF, 1988) .............................. 86

Figura 4.4 - Configurações de montagem da ponte de Wheatstone (modificado de


LAIBLE, 2000). .................................................................................................................. 90

Figura 4.5 - Ponte completa com strain gages ...................................................................... 91

Figura 4.6 - Layout de colagem, (a) extensômetros colados em uma peça (b) vista lateral
da peça................................................................................................................................. 92

Figura 5.1 - Etapas previstas para o projeto de instrumentação ........................................... 105

Figura 5.2 - Extensômetro tipo roseta 90º (HBM, 2008) ................................................... 106

Figura 5.3 - Decodificação dos extensômetros (Disponível em:


http://www.straingage.com.br, acesso em 03 de junho 2014) ............................................. 107

Figura 5.4 - Barras dos sensores desenvolvidos na pesquisa: a) sensor de barra; b) sensor
de imersão.......................................................................................................................... 108

Figura 5.5 - Barras dos sensores: esquerda, seis sensores de barra; centro, aparato de
calibração a compressão; direita, sensor de imersão ........................................................... 109

Figura 5.6 - Instalação dos extensômetros nas barras de alumínio. ..................................... 110

Figura 5.7 - Preparação do material da base do sensor: (a) lixamento; (b) lavagem; (c)
aplicação álcool isopropílico; (d) aplicação de condicionador; (e) aplicação do
neutralizador. .................................................................................................................... 110

Figura 5.8 - Colagem do extensômetro: (a) cola utilizada; (b) colagem no verso do
extensômetro e na base. ..................................................................................................... 111

Figura 5.9 - Atividades pós-colagem: (a) envolvendo com película de teflon; (b) proteção
com almofada de borracha de silicone; (c) pressão com presilhas e braçadeiras. ................. 111

Figura 5.10 - Montagem do circuito: (a) colagem dos terminais; (b) corte dos fios; (c)
conexão dos cabos. ............................................................................................................ 112

A. J. CRUZ JUNIOR Lista de Figuras


D0139G16: Instrumentação fundações estaqueadas

Figura 5.11- Proteção do circuito do sensor: (a) aplicação de resina de silicone; (b)
aplicação de cera de proteção; (c) aplicação de borracha de silicone, e (d) proteção com
fita isolante. ...................................................................................................................... 114

Figura 5.12 - Prensa servo controlada EMIC (LABITECC-UFG). ..................................... 116

Figura 5.13 – Sistema de aquisição de dados modelo MX840A da HBM pertencente à


(UFG). .............................................................................................................................. 116

Figura 5.14 - Tensão de ruptura das barras dos sensores. ................................................... 117

Figura 5.15 - Equipamento desenvolvido para calibrar os sensores a compressão: a)


projeto; b) foto. ................................................................................................................. 117

Figura 5.16 - Reta de calibração do sensor a tração. ........................................................... 118

Figura 5.17 - Reta de calibração do sensor a compressão. .................................................. 119

Figura 5.18 - Testes dos sensores inundados ao longo do tempo. ....................................... 121

Figura 5.19 - Adição de gelo nos sensores submersos para provocar uma variação de
instantânea de temperatura. ................................................................................................ 122

Figura 5.20 - Deformações dos sensores submersos submetidos a variações instantâneas


de temperatura. .................................................................................................................. 122

Figura 5.21 - Teste de temperatura: (a) início do teste, com temperatura de 1ºC; (b) Final
do teste, com temperatura de 62ºC. .................................................................................... 123

Figura 5.22 - Teste de variação de temperatura................................................................... 124

Figura 5.23 - Localização da prova de carga executada (Fonte: Google Maps, e


http://www.mbi.com.br/mbi/biblioteca/artigos/2009-04-base-cartografica-digital-como-
instrumento-gestao) Adaptado pelo autor. ......................................................................... 126

Figura 5.24 - Perfil geotécnico construído a partir da sondagem SPT. ............................... 127

Figura 5.25 - Sistema de reação prova de carga estática. .................................................... 129

Figura 5.26 - Fixação dos sensores ao longo da estaca prova: (a) sensores instalados em
seções transversais diferentes; (b) sensores próximos à cota de arrasamento do bloco; (c)
sensores ao longo da estaca. .............................................................................................. 129

A. J. CRUZ JUNIOR Lista de Figuras


D0139G16: Instrumentação fundações estaqueadas

Figura 5.27 - Posicionamento da ferragem e concretagem da estaca prova: (a) suspensão


da ferragem; (b) vista superior da ferragem e da saída dos cabos do furo; (c) execução da
concretagem da estaca. ...................................................................................................... 131

Figura 5.28 - Bloco de coroamento da PCE: (a) perfuração do bloco; (b) arrasamento da
estaca; (c) posição do bloco com passagem dos cabos pela lateral; (d) testando
instrumentações após concretagem. ................................................................................... 132

Figura 5.29 - Monitoramento da instrumentação durante a execução da prova de carga


estática. ............................................................................................................................. 133

Figura 5.30 - Ruptura do sistema das estacas de reação. .................................................... 133

Figura 5.31 - Curva carga recalque obtida como resultado da PCE. ................................... 135

Figura 6.1 - Fôrma e ferragem dos Pilaretes (1 a 6) com sensores posicionados. ................ 138

Figura 6.2 - Gabarito para a solda das placas de ancoragem do sensor de barra. ................ 139

Figura 6.3 - Instalação do sensor de imersão na ferragem do pilarete. ................................ 140

Figura 6.4 - Ensaios de ciclos de carga pilarete 01 com extensômetros na face. ................. 140

Figura 6.5 - Execução de ensaio de módulo de elasticidade em corpos de prova de


concreto. ........................................................................................................................... 142

Figura 6.6 - Pilaretes 01 e 02: (a) vista dos pilaretes submersos; (b) equipamento de
aquisição monitorando deformações dos pilaretes submersos. ........................................... 144

Figura 6.7 - Acompanhamento pilaretes 01 e 02, sem carregamento, submersos. Dia 2 a


5. Sendo os sensores: CH1 barra P1; CH2 imersão P1; CH3 imersão P2; CH4 barra P2. .... 145

Figura 6.8 - Acompanhamento pilaretes 01 e 02, sem carregamento, submersos. Dias 13 a


16. Sendo os sensores: CH1 barra P1; CH2 imersão P1; CH3 imersão P2; CH4 barra P2. . 145

Figura 6.9 - Acompanhamento pilaretes 01 e 02, sem carregamento, submersos. Dias 27 a


29. Sendo os sensores: CH1 barra P1; CH2 imersão P1; CH3 imersão P2; CH4 barra P2. . 146

Figura 6.10 – Acompanhamento das deformações sem aplicação de cargas no pilarete 05. 147

Figura 6.11 – Ciclos de carregamento no pilarete 01 resultados obtidos para o sensor nº4
de barra .............................................................................................................................. 149

Figura 6.12 – Ciclos de carregamento no pilarete 01 resultados obtidos para o sensor nº2
de imersão.......................................................................................................................... 149

A. J. CRUZ JUNIOR Lista de Figuras


D0139G16: Instrumentação fundações estaqueadas

Figura 6.13 - Ciclos de carregamento no pilarete 02 resultados obtidos para o sensor nº6
de imersão. ........................................................................................................................ 151

Figura 6.14 - Ciclos de carregamento no pilarete 02 resultados obtidos para o sensor nº7
de imersão. ........................................................................................................................ 151

Figura 6.15 - Pilaretes 02, 03 e 04 com extensômetros colados externamente. .................... 153

Figura 6.16 - Testes de carga sobre pilarete 01: sensores de barra, imersão, e
extensômetros de face. ....................................................................................................... 153

Figura 6.17 - Testes de carga sobre pilarete 02: sensores de barra, imersão, e
extensômetros de face. ....................................................................................................... 154

Figura 6.18 - Testes de carga sobre pilarete 03: sensores de barra, imersão, e
extensômetros de face. ...................................................................................................... 154

Figura 6.19 - Testes de carga sobre pilarete 04: sensores de barra, imersão, e
extensômetros de face. ....................................................................................................... 155

Figura 6.20 - Testes de carga sobre pilarete 05: sensores de barra e imersão. ...................... 157

Figura 6.21 - Testes de carga sobre pilarete 06: sensores de barra e imersão. ...................... 157

Figura 6.22 - Testes de carga sobre pilarete 07 somente sensor de imersão. ........................ 158

Figura 6.23 - Testes de carga sobre pilarete 08 somente sensor de imersão. ....................... 158

Figura 6.24 - Acompanhamento das deformações absolutas, sem carregamento, após


testes de carga. ................................................................................................................... 163

Figura 7.1 - Curvas carga deformação para prova de carga instrumentada. ........................ 166

Figura 7.2 - Obtenção do módulo de elasticidade da estaca a partir dos sensores de


referência. ......................................................................................................................... 167

Figura 7.3 - Transferência de carga ao longo da estaca instrumentada. ............................... 167

Figura 7.4 - Distribuição de carga por atrito lateral ao longo da estaca instrumentada. ....... 168

Figura 7.5 - Diagrama de distribuição da tensão cisalhante unitária ao longo da estaca


instrumentada..................................................................................................................... 169

Figura 7.6 - Comparação entre resultados da PCE e métodos de interpretação da curva


carga recalque que definem ruptura convencional .............................................................. 173

A. J. CRUZ JUNIOR Lista de Figuras


D0139G16: Instrumentação fundações estaqueadas

Figura 7.7 - Ajuste dos dados da PCE para o método de extrapolação de Van der Veen .... 173

Figura 7.8 - Ajuste dos dados da PCE para o método de extrapolação de Chin-Kondner .... 174

Figura 7.9 - Resultados obtidos pelo método de extrapolação de Décourt para os dados da
PCE .................................................................................................................................. 175

Figura A.1 - Diagrama esquemático de um condutor submetido à tração (modificado de


MURRAY; MILLER, 1992). ............................................................................................. 192

Figura C.1 - Posição dos instrumentos na prova de carga estática. ...................................... 201

Figura D.1 - Projeto básico dos pilaretes. ........................................................................... 203

A. J. CRUZ JUNIOR Lista de Figuras


LISTA DE TABELAS

Tabela 3.1 – Coeficientes de empuxo ke e ângulo atrito de interface (d) (BROMS, 1966

apud CINTRA e AOKI, 2010) ............................................................................................ 54

Tabela 3.2 – Valores de (Ir) para diferentes tipos do solo (DAS, 2006) ................................ 57

Tabela 3.3 – Fatores de correção, F1 e F2 (AOKI; VELLOSO, 1975) ................................. 63

Tabela 3.4 – Coeficientes kAV e razão αAV (AOKI; VELLOSO, 1975) ............................. 64

Tabela 3.5 – Coeficiente característica do solo CDEC (DÉCOURT, 1978) ............................ 65

Tabela 3.6 – Valores do fator αDEC e βDEC em função do tipo de estaca e do tipo do solo.
(DÉCOURT, 1996) ............................................................................................................. 66

Tabela 3.7 – Valores de Klizzi dependendo da condição do solo (LIZZI, 1982)..................... 66

Tabela 3.8 – Valores de Ilizzi dependendo do diâmetro da estaca (LIZZI, 1982) ................... 67

Tabela 3.9 – Valores dos coeficientes M1 e M2 (MILITITSKY; ALVES, 1985) ................... 67

Tabela 3.10 – Coeficientes β1 e β2 (CABRAL, 1986) .......................................................... 68

Tabela 3.11 – Coeficientes βBRAS (BRASFOND, 1991 apud NOGUEIRA, 2004) ............... 69

Tabela 3.12 – Valores do parâmetro αTex (TEIXEIRA, 1996) .............................................. 70

Tabela 3.13 – Valores do parâmetro βTex (TEIXEIRA, 1996) .............................................. 71

Tabela 4.1 – Valores de fator de sensibilidade (Modificado de BARRETO JUNIOR,


2005) .................................................................................................................................. 85

Tabela 4.2 – Experiência nacional em provas de carga instrumentadas .............................. 103

Tabela 5.1 – Propriedades da liga de alumínio empregada nos sensores desenvolvidos ...... 108

Tabela 5.2 – Resumo dos resultados obtidos para calibração dos 94 sensores. ................... 120

Tabela 5.3 – Gradientes de temperatura obtidos a partir de regressões lineares do teste de


temperatura ........................................................................................................................ 124

Tabela 5.4 – Resultados das cargas aplicadas e deslocamentos medidos no topo da PCE .... 134

Tabela 5.5 – Profundidade, tipo de solo e NSPT da sondagem executada para PCE .............. 136

A. J. CRUZ JR Lista de Tabelas


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas

Tabela 6.1 – Campanhas de execução dos pilaretes, com data da concretagem, armação e
altura.................................................................................................................................. 138

Tabela 6.2 – Resultados do ensaio de módulo de elasticidade do concreto das campanhas


1 a 4. ................................................................................................................................. 141

Tabela 6.3 – Resultados de regressão lineares aplicadas aos ensaios de carregamento do


pilarete 01 .......................................................................................................................... 150

Tabela 6.4 – Resultados de regressão lineares aplicadas aos ensaios de carregamento do


pilarete 02 .......................................................................................................................... 152

Tabela 6.5 – Testes de carga nos pilaretes 01, 02, 03, e 04 para determinação do módulo
de elasticidade do pilarete com sensores de barra, imersão e extensômetros colados nas
faces externas. ................................................................................................................... 155

Tabela 6.6 – Relação entre módulo do pilar instrumentado e módulos do concreto, e


relação entre módulo do pilar instrumentado e módulo composto, para os pilaretes 01, 02,
03, 04, 05, 06, 07 e 08. ...................................................................................................... 160

Tabela 6.7 – Variações das deformações absolutas nos pilaretes 01 a 08. ........................... 164

Tabela 7.1 – Resultados dos métodos semi-empíricos para determinação da capacidade de


carga .................................................................................................................................. 171

Tabela 7.2 – Tensões cisalhantes unitárias obtidas pelos métodos semi-empíricos para
camada entre 0,0 e 6,0m..................................................................................................... 173

Tabela 7.3 – Resumo dos resultados para os métodos de previsão de capacidade de carga
da BRASFOND (1991) e Teixeira (1996). ........................................................................ 172

Tabela B.1 – Resultados das calibrações de todos os sensores executados .......................... 195

Tabela B.2 – Resumo dos resultados obtidos para calibração dos 94 sensores .................... 199

A. J. CRUZ JR Lista de Tabelas


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas

BRASFOND – Brasfond Fundações Especiais S/A

CPT – Cone penetration Test – Teste de Penetração do Cone

DMT – DilatoMeter Test – Ensaio Dilatométrico

EPI – Estaca Piloto Instrumentada

HBM - Hottinger Baldwin Messtechnik

IFG – Instituto Federal de Goiás

LABITECC – Laboratório de Inovação Tecnológica em Construção Civil

LDR – Resistor Dependente da Luz

LVDT - Linear Variable Differencial Transformer

NBR – Norma Brasileira

PCD – Prova de Carga Dinâmica

PCE – Prova de Carga Estática

PDA – Pile Driving Analyzer

PIT – Pile instegrit test – Teste de Integridade de Estacas

QML – Quick Maintained Load – Ensaio de Carregamento Rápido

SML – Slow Maintained Load - Ensaio de Carregamento Lento

SPT – Standard Penetration Test – Ensaio de Penetração Padrão

SPT-T – Ensaio de Penetração Padrão com medidas de Torque

UFG – Universidade Federal de Goiás

A. J. CRUZ JR Lista de Abreviaturas e Siglas


LISTA DE SÍMBOLOS

ack – Coeficiente angular da reta do método de Chin-Kondner

bck – Coeficiente linear da reta do método de Chin-Kondner

c – Coesão do solo

cm – Centímetro

dc – Diâmetro do condutor

fck – Tensão resistente característica do concreto

fu – Tensão limite de cisalhamento ao longo do fuste

g – gravidade, assumida como 9,8m/s²

j – Constante de proporcionalidade entre variação da resistividade e variação de volume dos


extensômetros

k – Fator de sensibilidade, gage factor

k0 – Coeficiente de empuxo em repouso

kAV – Coeficiente de tipo de solo do método de Aoki e Velloso

ke – Coeficiente de empuxo do solo contra o fuste

kgf – Quilograma força

kN – Quilonewton

kPa – Quilopascal

m – Metro

mA – Miliampere

m3 – Metro cúbico

m² – Metro quadrado

mm – Milímetro

p0 – pressão de injeção de argamassa em estacas raiz, método de David Cabral

A. J. CRUZ JR Lista de Símbolos


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas

qLPCE – Tensão cisalhante unitária máxima obtida pela instrumentação da PCE

qP – Tensão limite no nível da ponta

w – Peso próprio da estaca

A – Ampere

AA – Área da seção transversal de aço

AC – Área do condutor do filamento do extensômetro, área de seção transversal de concreto

AL – Área lateral de uma estaca

ASEN – Área da seção transversal do sensor

AP – Área da seção transversal ou da ponta de uma estaca

Al – Alumínio

AWG – American wire gauge – escala americana normalizada de cabos elétricos

B – Fator de ponte - bridge factor, menor dimensão da fundação

CDEC – Coeficiente característico de ajuste do método de Décourt e Quaresma

Cr – Cromo

Cu - Cobre

D – Diâmetro da estaca (seção circular), lado da estaca (seção quadrangular)

E – Módulo de elasticidade

EA – Módulo de elasticidade do aço

Ec – Módulo de elasticidade do concreto

Es – Módulo de elasticidade do solo

ESEN – Módulo de elasticidade do sensor

Ep – Módulo de elasticidade da estaca

EPE – Módulo de elasticidade do pilarete obtido por extensômetros colados externamente

EPS – Módulo de elasticidade do pilarete obtido pelos sensores de barra e imersão

EPMS – Módulo de elasticidade do pilarete obtido pela média dos sensores

F1 e F2 – Fatores de correção do método de Aoki e Velloso

A. J. CRUZ JR Lista de Símbolos


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas

Fe – Ferro

FS – Fator de Segurança

GPa – Gigapascal

Hz – Hertz, medida de frequência

Ilizzi – Fator que depende do diâmetro da estaca do método de Lizzi

Irr – Fator de rigidez reduzida

Ir – Fator de rigidez

Klizzi – Fator que depende do tipo de solo do método de Lizzi

L – Comprimento da estaca

LC – Comprimento do condutor

M1 e M2 – Coeficientes de proporcionalidade do método de Milititsky e Alves

Mn – Manganês

MN – Meganewton

MPa – Megapascal

NC, Nq, Nγ – Coeficientes de capacidade de carga de métodos teóricos

NL – Índice médio de resistência à penetração ao longo da camada que a estaca atravessa

NP – Índice médio de resistência à penetração na região da ponta da estaca

NSPT – Índice de resistência à penetração

Ni – Niquel

P – Carga aplicada

PL – Carga aplicada na estaca percebida na lateral da estaca

PP – Carga aplicada na estaca percebida na ponta da estaca

Pz – Carga percebida numa profundidade z da estaca

P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P8 – Identificação dos pilaretes

QL – Resistência última lateral

QP – Resistência última de ponta ou base

A. J. CRUZ JR Lista de Símbolos


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas

QPR - Carga total aplicada no radier estaqueado

Qrup – Carga de ruptura

QT – Capacidade de carga da estaca

RC – Resistência elétrica do extensômetro

RC1, RC2, RC3, RC4 – Resistência elétrica do extensômetro na ponte de Wheatstone

U – Perímetro da estaca

Uij – Diferença de potencial, tensão elétrica, entre pontos i e j

V – Volts, diferença de potencial

Vc – Volume do condutor

αAV – Coeficiente de razão de atrito do método de Aoki e Velloso

αBRAS – Coeficiente que depende do tipo de solo do método da BRASFOND

αDEC – Fator aplicado à parcela de ponta o método de Décourt e Quaresma

αPR – Fator de interação radier-estaca

αTEX – Coeficiente que dependente do tipo de estaca e solo do método de Teixeira

αvv – Coeficiente que define forma da curva para o método de Van der Veen

β0, β1, β2 – Coeficientes que dependem do tipo de solo do método de David Cabral

βBRAS – Coeficiente que depende do tipo de solo do método da BRASFOND

βDEC – Fator aplicado à parcela de atrito lateral do método de Décourt e Quaresma

βTEX – Coeficiente que dependente do tipo de estaca do método de Teixeira

γ – Peso específico do solo

δ – Ângulo de atrito de interface

ε – deformação

εmín – Deformação mínima medida no ensaio de módulo de elasticidade

εmáx – Deformação máxima medida no ensaio de módulo de elasticidade

εM – Deformação nos extensômetros provocada por momentos fletores

A. J. CRUZ JR Lista de Símbolos


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas

εN – Deformação nos extensômetro provocada por esforços normais

εt – Deformação nos extensômetro provocada por variações de temperatura

λ - fator empírico entre o solo – estaca utilizado em método teórico

μm – micrometro

μm/m – Micrometro por metro, micro strain

ν – Coeficiente de Poisson

ρ – Recalque

ρC – Resistividade do extensômetro

ρrup – Recalque para ruptura da estaca

σ – Tensão normal a uma seção transversal

σmín – Tensão mínima aplicada no ensaio de módulo de elasticidade

σmáx – Tensão máxima aplicada no ensaio de módulo de elasticidade

σvp – Tensão vertical do solo na cota de apoio da fundação

σh’ – Tensão efetiva horizontal

σv’ – Tensão efetiva vertical

σrup – Tensão de ruptura

τ – Tensão cisalhante

ɸ – ângulo de atrito do solo

Ω – Ohms, unidade de resistência elétrica

ºC – Graus Celsius, medida de temperatura

ΔAC – Variação da área do condutor do filamento do extensômetro

Δdc – Variação do diâmetro do condutor

ΔL – Comprimento de camada de solo ao longo de uma estaca ou em trecho analisado

ΔLC – Variação do comprimento do condutor

ΔRC – Variação da resistência elétrica do extensômetro

ΔρC – Variação da resistividade do extensômetro

A. J. CRUZ JR Lista de Símbolos


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 24

2. SISTEMAS DE FUNDAÇÕES ...................................................................................... 28

2.1 HISTÓRICO DAS FUNDAÇÕES ESTAQUEADAS ................................................. 28

2.2 DEFINIÇÕES E CONCEITOS ................................................................................... 30

2.3 CONSIDERAÇÕES SOBRE PROJETOS DE FUNDAÇÕES ESTAQUEADAS ..... 36

2.4 COMENTÁRIOS SOBRE O DESEMPENHO DE FUNDAÇÕES


ESTAQUEADAS ............................................................................................................... 39

2.4.1 Prova de carga estática.............................................................................................. 40

2.4.2 Prova de carga dinâmica ........................................................................................... 44

2.4.3 Ensaio de integridade de estacas (PIT – pile integrit test) ....................................... 45

3. DIMENSIONAMENTO DE FUNDAÇÕES ESTAQUEADAS ................................... 48

3.1 CAPACIDADE DE CARGA DE ESTACAS .............................................................. 48

3.1.1 Métodos teóricos ....................................................................................................... 51

3.1.1.1 Resistência de ponta ................................................................................................. 51

3.1.1.2 Resistência lateral..................................................................................................... 57

3.1.2 Métodos semi-empíricos com base em ensaios SPT ................................................ 61

3.1.2.1 Método de Aoki e Velloso (1975) ............................................................................ 62

3.1.2.2 Método de Décourt e Quaresma (1978) modificado por Décourt (1996) .................. 64

3.1.2.3 Método de Lizzi (1982) ........................................................................................... 66

3.1.2.4 Método de Milititsky e Alves (1985) ....................................................................... 67

3.1.2.5 Método de Cabral (1986) ......................................................................................... 67

3.1.2.6 Método da BRASFOND (1991) ............................................................................... 69

3.1.2.7 Método de Teixeira (1996) ...................................................................................... 70

A. J. CRUZ JUNIOR Sumário


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas

3.2 MÉTODOS DE PREVISÃO DE RECALQUES EM ESTACAS .............................. 71

3.3 INTERPRETAÇÃO DE CURVAS CARGA - RECALQUE ..................................... 72

3.3.1 Método de Terzaghi (1943) ...................................................................................... 73

3.3.2 Método de Davisson (1972) ...................................................................................... 73

3.3.3 Método da NBR 6122 (2010) .................................................................................... 74

3.3.4 Método de Van der Veen (1953) .............................................................................. 75

3.3.5 Método de Chin-Kondner (1971) ............................................................................. 77

3.3.6 Método de Décourt (1998) ........................................................................................ 78

4. INSTRUMENTAÇÃO EM FUNDAÇÕES .................................................................. 80

4.1 CONCEITOS GERAIS ................................................................................................ 80

4.2 EXTENSÔMETROS ELÉTRICOS ............................................................................ 84

4.2.1 Ponte de Wheatstone .................................................................................................. 86

4.2.2 Configuração de montagem da ponte ....................................................................... 88

4.3 TIPOS DE INSTRUMENTAÇÃO APLICADAS A FUNDAÇÕES .......................... 92

4.4 EXPERIÊNCIA BRASILEIRA SOBRE INSTRUMENTAÇÃO DE


FUNDAÇÕES ESTAQUEADAS....................................................................................... 95

5. METODOLOGIA ........................................................................................................ 105

5.1 CONFECÇÃO DOS SENSORES .............................................................................. 106

5.1.1 Definições dos extensômetros .................................................................................. 106

5.1.2 Definições dos sensores ............................................................................................ 107

5.1.3 Montagem do circuito no sensor ............................................................................. 109

5.1.4 Proteção do circuito no sensor ................................................................................ 113

5.2 CALIBRAÇÃO DOS SENSORES ............................................................................ 114

5.2.1 Procedimentos definidos para a calibração ............................................................ 114

5.2.2 Retas de calibração dos sensores ............................................................................ 118

5.3 VERIFICAÇÃO DA IMPERMEABILIZAÇÃO DOS SENSORES ........................ 121

A. J. CRUZ JUNIOR Sumário


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas

5.4 TESTES COM SENSORES SUBMETIDOS A VARIAÇÃO DE


TEMPERATURA ............................................................................................................ 122

5.5 PROVA DE CARGA INSTRUMENTADA .............................................................. 125

5.6 APLICAÇÕES DE MÉTODOS TEÓRICOS ........................................................... 135

6. INSTRUMENTAÇÃO DE PILARES DE CONCRETO ............................................ 137

6.1 INSTALAÇÃO DOS SENSORES EM PILARETES DE CONCRETO .................. 138

6.2 TESTES COM PILARETES DE CONCRETO ....................................................... 143

6.2.1 Acompanhamento dos pilaretes submersos em água ............................................. 143

6.2.2 Acompanhamento dos pilaretes sem aplicação de carregamento.......................... 146

6.2.3 Ensaios de ciclos de carregamento nos pilaretes de concreto ................................ 148

6.2.4 Comparação entre sensores de barra, imersão e extensômetros externos ............ 152

6.2.5 Comparação entre instrumentação e módulo composto ........................................ 156

6.2.6 Acompanhamento dos pilaretes pós carregamento................................................ 162

7. APLICAÇÃO DA INSTRUMENTAÇÃO EM PCE .................................................. 165

7.1 PROVA DE CARGA INSTRUMENTADA .............................................................. 165

7.2 COMPARAÇÃO ENTRE PCE E RESULTADOS PREVISTOS ............................ 170

7.2.1 Comparações com métodos de capacidade de carga .............................................. 170

7.2.2 Comparações com interpretação da curva carga-recalque ................................... 172

8. CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS ........................ 177

REFERÊNCIAS ............................................................................................................... 181

APÊNDICE A – DEDUÇÃO MATEMÁTICA DO FATOR DE SENSIBILIDADE .... 191

APÊNDICE B – RESULTADOS DAS REGRESSÕES LINEARES DAS


CALIBRAÇÕES DOS SENSORES ................................................................................ 194

APÊNDICE C – POSIÇÃO DAS INSTRUMENTAÇÕES NA PCE ............................. 200

APÊNDICE D – PROJETO BÁSICO DO PILARETE ................................................. 202

ANEXO A – SONDAGEM DO TERRENO ................................................................... 204

ANEXO B – PROJETO PCE E MEMORIAL DE CÁLCULO DAS REAÇÕES ......... 206

A. J. CRUZ JUNIOR Sumário


CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO

Define-se como fundação de uma edificação o sistema constituído pelos elementos da


infraestrutura responsáveis pela transferência de cargas ao solo, mais o solo que o envolve e
que é responsável pela distribuição das tensões. Para o êxito deste sistema faz-se necessário
que não ocorra ruptura, recalques excessivos, ou outro fator que inviabilize seu uso de acordo
com a função para qual foi projetada.

A solução técnica mais simples para um projeto de fundações consiste na utilização de


fundações rasas, como, por exemplo, as sapatas. Entretanto, a viabilidade técnica-econômica
desta solução dependerá dos parâmetros de resistência do solo, pois este deve ser
suficientemente resistente para adoção de uma fundação rasa. Quando as camadas superficiais
não apresentarem capacidade de carga necessária para atender à solicitação imposta pela
edificação ou apresentarem deformações elevadas, torna-se necessário buscar maiores
capacidades de carga e valores de recalques menores nas camadas mais profundas do subsolo.
Nestes casos faz-se necessário o uso de fundações ditas ‘profundas’, como, por exemplo, as
estacas.

A concepção da maioria dos projetos de fundações estaqueadas parte do princípio que o


carregamento transmitido às fundações é suportado em sua totalidade apenas pelas estacas.
No entanto, existe um elemento estrutural denominado ‘bloco de coroamento’, ou
simplesmente ‘bloco’, que tem a função de receber a carga da estrutura e distribuí-la para as
estacas. Este elemento deveria ser considerado como parte da fundação uma vez que é o
responsável pela transferência de uma fração da carga diretamente ao solo.

Nos últimos anos, o crescimento dos centros urbanos resultou na construção de edificações
cada vez mais altas em áreas cada vez menores e, diante disso, o conceito de fundações mistas
passou a ser empregado na realização dos projetos. Para uma situação limite, o número de
estacas se tornaria elevado e os blocos se tornariam coincidentes. Todos os pilares do prédio
estariam sobre somente um bloco, e este sobre várias estacas. A esta solução de fundação deu-
se o nome de ‘radier estaqueado’.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 1


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 25

O conceito de fundações mistas parte do princípio de que uma parcela do carregamento é


absorvida pela camada de solo superficial que está em contato direto com o bloco de
coroamento. As fundações mistas podem ser diferenciadas em ‘sapata estaqueada’ e ‘radier
estaqueado’, sendo que a primeira consiste em um único pilar transmitindo o carregamento; e
o ‘radier estaqueado’ é dito quando se tem mais de um pilar transmitindo carregamento ao
sistema de fundações.

A maior verticalização das obras resultou, portanto, numa mudança no que diz respeito à
forma de como projetar as fundações de edifícios altos, aumentando, assim, o desafio de
projetar de maneira segura e também econômica. Muitos trabalhos foram e têm sido
desenvolvidos para representar modelos teóricos, numéricos e computacionais do
comportamento de fundações mistas, dentre eles pode-se citar: Cunha e Sales (1998), Sales et
al. (1999, 2001, 2002, 2005 e 2010), Sales (2000), Poulos (1994, 2001 e 2005), Reul e
Randolph (2003), Mandolini (2003) Reul (2004), Mandolini, Russo e Viggiani (2005),
Bittencourt (2012), Freitas Neto (2013), Garcia (2015), entre outros. Entretanto, é necessário
monitorar o comportamento em escala real das fundações mistas a fim de validar e calibrar as
teorias, o que pode ser obtido por meio de realização de ensaios de campo, instrumentações de
estacas, blocos/radier, e pilares, de modo a conseguir um aperfeiçoamento e a validação dos
modelos de análise de radies estaqueados existentes.

Diante disso, este trabalho torna-se importante, pois, apesar da crescente disponibilidade de
ferramentas numéricas para análise de problemas da engenharia de fundações, atualmente não
é habitual a verificação em campo destas análises, o que permitiria uma otimização do projeto
de fundação comparando as cargas em campo com aquelas previstas pelas ferramentas. Sendo
assim, busca-se verificar em campo: i) o desempenho das estacas diante das premissas
adotadas no projeto; ii) o melhor conhecimento sobre as propriedades do solo da região; iii) a
adequação dos métodos de cálculo da capacidade de carga; iv) o real comportamento do
conjunto das fundações; e v) a distribuição de cargas com a profundidade.

Nesse contexto, a presente pesquisa tem o objetivo de desenvolver uma instrumentação que
possa medir as cargas que efetivamente chegam aos pilares e às estacas, para melhor
compreender os processos de interação fundação-estrutura e estacas-solo. Para isso, buscou-se
desenvolver uma metodologia que permitisse a construção de instrumentos de fácil
manipulação, sem que a sua instalação e o seu monitoramento fossem entendidos como atraso
no cronograma da obra, aliados a um baixo custo de produção, e adequada durabilidade.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 1


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 26

Esta pesquisa tem como objetivos específicos:

® Desenvolver uma metodologia para facilitar a instalação e o uso de instrumentação em


fundações, através da definição de procedimentos de colagem e calibração dos
extensômetros e aquisição e tratamentos de dados;
® Implantar a instrumentação em provas de carga, obtendo a distribuição de carga ao
longo da estaca, e averiguar o seu funcionamento em comparação com os valores
previstos pelos métodos de cálculo de capacidade de carga;
® Implantar a instrumentação em modelos reduzidos de pilares a fim de obter resultados
que viabilizem a instalação em pilares de obras.

Para melhor apresentar, e organizar as informações disponibilizadas, a apresentação textual da


pesquisa foi estruturada em oito capítulos, três apêndices, e em dois anexos, apresentados
conforme abaixo:

· Capítulo 1 – Introdução: apresenta-se o tema, a justificativa e os objetivos gerais e


específicos do trabalho;

· Capítulo 2 – Sistemas de fundações: expõe-se uma breve revisão de literatura


geotécnica sobre o tema de fundações, sendo mostrado um histórico resumido sobre
fundações em estacas, apresentando as definições fundamentais, considerações sobre projetos
de fundações estaqueadas, e conceitos sobre o desempenho de fundações estaqueadas;

· Capítulo 3 – Métodos de Dimensionamento de Estacas: são descritos vários


métodos teóricos, empíricos e semi-empíricos utilizados para o dimensionamento de estacas.
Apresenta-se uma breve discussão sobre modelos simplificados para a previsão de recalques.
Também são discutidos métodos teóricos para interpretação da curva carga-recalque;

· Capítulo 4 – Instrumentação de Fundações: apresenta-se conceitos sobre


instrumentação, extensometria, materiais típicos, princípios de funcionamento, e
configurações de ligação. Também é apresentado um breve histórico sobre instrumentação de
obras geotécnicas de fundação;

· Capítulo 5 – Metodologia: trata dos aspectos metodológicos referentes à concepção


das instrumentações desenvolvidas para esta pesquisa, e suas possíveis aplicações. São
descritos os processos de fabricação dos sensores, quanto a: i) geometria, ii) modo de
funcionamento, iii) configuração da ponte, iv) proteção do circuito, e v) calibração. Também

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 1


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 27

são discutidos todos os conjuntos de respostas obtidos durantes a realização de diversos testes
com os sensores desenvolvidos. Por fim, são apresentadas as condições de aplicação numa
Prova de Carga Estática (PCE), descrevendo as atividades de preparação da prova e os níveis
de instrumentação, assim como, os métodos teóricos aplicados ao estudo de caso;

· Capítulo 6 – Instrumentação de Pilares de Concreto: neste capitulo são definidas as


condições de aplicação em pilares curtos, sendo enfatizados os comportamentos dos
instrumentos ao longo do tempo, a influência de ciclos de carga e os comportamentos das
curvas tensão-deformação obtidas a partir da instrumentação;

· Capítulo 7 – Aplicação da Instrumentação em PCE: são apresentados os resultados


obtidos da prova de carga estática (PCE) instrumentada do estudo de caso. Apresentam-se os
resultados obtidos na prova com a separação das parcelas de resistência devido ao atrito
lateral e a ponta da estaca. Comparam-se os resultados obtidos com os previstos pelos
métodos teóricos, para capacidade de carga total e suas parcelas, e com os métodos de
interpretação da curva carga-recalque;

· Capítulo 8 – Conclusões e sugestões para trabalhos futuros: discorre-se sobre as


conclusões obtidas com o desenvolvimento da pesquisa, no que se refere à instrumentação de
fundações estaqueadas, sobre a aplicação de instrumentação a modelos reduzidos, e a provas
de carga estática. Por fim, são indicadas sugestões para trabalhos futuros que possam ser
elaborados a partir ou com o auxílio deste;

· Apêndice A – Dedução matemática do fator de sensibilidade: são apresentados o


desenvolvimento das formulações que relacionam variação de resistência com deformação;

· Apêndice B – Tabelas de calibração dos 94 sensores confeccionados: são mostradas


as correlações lineares entre deformação e tensão para os ensaios de calibração;

· Apêndice C – Posição das Instrumentações: são mostradas as posições das


instrumentações, com os níveis e os tipos dos sensores, assim como detalhes executivos;

· Apêndice D – Projeto dos pilaretes de concreto: são mostradas as dimensões dos


pilaretes de concreto, detalhes sobre ferragem, concretagem, e posicionamento dos sensores;

· Anexo A – Sondagem SPT: sondagem do terreno fornecida para a PCE nº1;

· Anexo B – Projeto da Prova de Carga e Memorial de Cálculo das Reações: projeto


da PCE, sistema utilizado para reação, locação das estacas, detalhe de posicionamento da
viga, posição dos relógios e viga de referência, e memorial de cálculo das reações.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 1


CAPÍTULO 2
SISTEMAS DE FUNDAÇÕES

Existem relatos da pré-história, a partir do neolítico, do uso de fundações (ou infraestruturas)


e, como são elementos que não subsistem por si sós, são sempre fundações de alguma coisa
(superestruturas), que em muito ocorreram de forma simplificada, com base no
desenvolvimento do conhecimento empírico de cada geração, em eventos de sucesso e falha
(NÁPOLES NETO, 1998). E, apesar do uso de fundações desde o período pré-histórico, o seu
comportamento ainda está longe de estar completamente esclarecido (MANDOLINI; RUSSO;
VIGGIANI, 2005).

Sendo assim, uma revisão dos aspectos teóricos que permitam o melhor entendimento desta
área de estudo faz-se necessário, com foco em fundamentos básicos para o entendimento de
fundações estaqueadas, que é o objeto principal desta pesquisa.

2.1 HISTÓRICO DAS FUNDAÇÕES ESTAQUEADAS

Conforme relatado por Nápoles Neto (1998), as primeiras fundações em estacas remetem ao
Período Neolítico, em que o homem ao construir choupanas de madeiras, à beira de lagos,
utilizava técnicas de estaqueamento para elevar suas moradias, entendidas como palafitas. A
percepção, naquela época, sobre dificuldade ou facilidade de cravação proporcionou as
primeiras ideias sobre a resistência do solo.

Na Idade Clássica, surgiram as primeiras técnicas de fundações em pedras, e noções de


melhoramento de solos por cravação de estacas de madeira, e ainda técnicas de fundações por
abóbodas invertidas como retratado por historiador grego Heródoto (NÁPOLES NETO,
1998).

Na Idade Média, o conhecimento e os equipamentos para a utilização de fundações em estacas


de madeira progrediram expressivamente: por volta do ano 1250, Villard de Honnicort
inventou uma serra para corte da cabeça de estacas debaixo d’água; em 1450, Francesco Di
Giorgio projetou um bate-estacas já similar aos modernos (NÁPOLES NETO, 1998).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 29

No Brasil, a aplicação de estacas em fundação é registrada para construções de portos, a partir


de 1895, que consistiam basicamente em muro de pedra de porto apoiados sobre estacas de
madeira, nos portos de Santos-SP e do Rio de Janeiro-RJ (NÁPOLES NETO, 1998). Também
o uso de palafitas, muito comuns em cidades da região Norte deste país, constitui-se como um
conhecimento empírico de populações ribeirinhas com construções sobre camadas de solos
moles, ou construções portuárias, onde o lençol freático se apresenta superficial, podendo ser
inferido que esta prática já era habitual em séculos passados (PRESA; POUSADA, 2001).

A partir de 1848, com advento da criação do concreto, cresceram as possibilidades de


fundações, sejam em concreto ciclópico, ou concreto armado, e progressivamente foram
desenvolvidos equipamentos e métodos de execução (NÁPOLES NETO, 1998). O uso de
estacas como elementos de fundação já ocorre há vários séculos, geralmente em obras de
grande porte como igrejas, torres e castelos (SALES, 2000). Entretanto, a elaboração e a
formulação de uma teoria que fundamentasse a aplicação deram-se a partir da Revolução
Industrial (século XVIII), cujo momento exigia o barateamento dos custos das fundações dos
prédios e das fábricas (TERZAGHI; PECK; MESRI, 19961 apud BITTENCOURT, 2012). O
desenvolvimento da sociedade e da economia do século XIX fez com que as especificações de
quantidade de estacas numa fundação não fossem superiores ao necessário, uma vez que o
preço destes elementos passou a ser importante (TERZAGHI; PECK; MESRI, 1996 apud1
BITTENCOURT, 2012).

A partir de 1830, novos materiais e técnicas de fundações surgiram; dentre estas, surgiu as
estacas metálicas; além disso, na mesma época, em 1824, Joseph Aspdim patenteou o cimento
Portland. Antes do final do século, os franceses Coignet e Hennebique introduziram o uso do
concreto armado em fundações (FLEMING et al., 1992). Em 1897, A.A. Raymond patenteou
a estaca Raymond, que foi a primeira estaca de concreto moldada in loco. Em 1908, E.
Frankignoul desenvolveu a estaca Franki, que posteriormente foi largamente utilizada em
obras de vários países (FLEMING et al., 1992).

Na execução das primeiras fundações estaqueadas de concreto armado foram utilizadas as


pré-moldadas, a Strauss e a tipo Franki Standard (PRESA E POUSADA, 2001). Com o

1
TERZAGHI, K.; PECK, R. B.; MESRI, G. Soil Mechanics in Engineering Practice. 3rd ed. New York:
Wiley-Interscience. 1996. 512 p.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 30

decorrer do tempo, as estacas pré-fabricadas se tornaram mais usadas, devido à viabilidade


técnica-econômica devido ao desenvolvimento de equipamentos e a característica de
confecção da estaca fora do local de obra, geralmente, em indústria especializada.

Nos dias atuais, as estacas escavadas do tipo hélice contínua, introduzidas no Brasil a partir de
1987, estão sendo cada vez mais utilizadas em obras de fundações. O crescimento de seu
emprego é devido ao controle que se tem do processo executivo, a possibilidade de execução
em diversos tipos de subsolos e a maior garantia de integridade do fuste, comparativamente às
estacas escavadas. Os investimentos atuais de empresas de fundações, com a compra de novos
equipamentos, são indicativos desta tendência (ALBUQUERQUE, 2001).

De acordo com Sales (2000), na concepção típica de projetos de fundações, admite-se que o
desempenho e a forma de transferência de carga ao solo de uma estaca e de uma fundação
rasa são diferentes. Sendo assim, as metodologias de projeto eram muitas vezes bastante
simplificadas, pois não consideravam a relação do bloco com o solo e, também, a interação
entre o bloco e as estacas. Dessa forma, até hoje, muitos projetistas abstêm-se em empregar
esses dois tipos de fundações associadas (BITTENCOURT, 2012).

Aplicações da Teoria da Elasticidade estimularam novas pesquisas que propiciaram um


melhor entendimento do processo de interação entre uma fundação rasa, como a sapata, bloco
ou radier, e estacas sob as primeiras (SALES, 2000). Neste âmbito, recentes estudos de
comportamentos de fundações estaqueadas, bem como de radier estaqueado, foram
desenvolvidos para representar modelos teóricos, numéricos e computacionais, dentre eles
tem-se: Cunha e Sales (1998), Sales et al. (1999, 2001, 2002, 2005 e 2010), Sales (2000),
Poulos (1994, 2001b e 2005), Reul e Randolph (2003), Mandolini (2003) Reul (2004),
Mandolini, Russo e Viggiani (2005), Bittencourt (2012), Freitas Neto (2013), Garcia (2015),
entre outros.

2.2 DEFINIÇÕES E CONCEITOS

Na engenharia civil o termo ‘fundação’ pode ser entendido de maneiras distintas, dependendo
da área de estudo. Por exemplo, os engenheiros da área de estruturas e da área de construção
civil geralmente definem fundação como o conjunto de elementos estruturais, tais como:
bloco, sapatas, radier e estaca, que tem por finalidade transferir para o solo todos os esforços
provenientes da edificação (CARVALHO; FIGUEREDO FILHO, 2005).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 31

Entretanto, na geotecnia, o termo ‘fundações’ não é compreendido apenas pelos elementos


estruturais, mas também por todo o solo que envolve os elementos e suporta os esforços
gerados pela presença da edificação sobre o mesmo (VARGAS, 1998). Por exemplo, para a
engenharia de transportes, o termo ‘fundação’ se refere a camada de base do pavimento; em
obras de terra, como o caso de barragem, define-se ‘fundação’ como a camada de solo sob o
barramento.

Para um geotécnico, define-se o conjunto dos elementos estruturais e o solo circundante como
um sistema de fundação. Neste trabalho os elementos estruturais envolvidos pelo maciço de
solo que estarão em foco são as estacas, e os blocos. Partindo desse conceito, pode-se dizer
que a carga última suportada pelo sistema de fundação será determinada pela mobilização do
solo que circunscreve os elementos estruturais deste sistema, no qual o solo passa a ser a
parcela mais significativa na determinação do estado de ruptura da fundação (VELLOSO;
LOPES, 2010).

Segundo Bittencourt (2012), um sistema de fundação é composto pelas unidades estruturais e


pelo subsolo, que tanto pode se constituir por solo como por rocha. Portanto, a resposta diante
a uma determinada solicitação é resultado da interação entre os elementos estruturais e os
geotécnicos. Os elementos estruturais devem ser resistentes o bastante para que possam, ao
transferir a carga ao solo, resistir adequadamente aos esforços solicitantes advindos da ação
dos carregamentos externos provenientes da superestrutura. Da mesma maneira, deve-se
verificar a capacidade resistente do solo, em absorver as cargas atuantes, a fim de que a
mesma não provoque ruptura ou apresente deformações excessivas.

As fundações podem ser classificadas em ‘rasas’ ou ‘profundas’, dependendo, principalmente,


das condições do subsolo, considerando-se a sua resistência e a sua deformabilidade.
Fundações rasas são utilizadas quando as camadas superficiais são adequadas para suportar os
carregamentos sem manifestar deformações que prejudiquem a estrutura, por exemplo, radier,
sapatas e blocos. O uso da fundação profunda torna-se necessário quando a camada de solo
superficial ou imediatamente abaixo da estrutura não é capaz de suportar os carregamentos
que podem gerar recalques excessivos ou ruptura por cisalhamento do solo (SCHULZE,
2013).

Segundo a NBR 6122 (ABNT, 2010), classifica-se como fundação profunda:

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 32

Elemento de fundação que transmite a carga ao terreno ou pela base (resistência de


ponta) ou por sua superfície lateral (resistência de fuste) ou por uma combinação das
duas, devendo sua ponta ou base estar assente em profundidade superior ao dobro de
sua menor dimensão em planta, e no mínimo 3,0m. Neste tipo de fundação incluem-
se as estacas e os tubulões. [Item 3.7 da NBR 6122 (ABNT, 2010), p. 15]

As fundações profundas, assim como as fundações rasas, têm a função de distribuir as tensões
provenientes da superestrutura no solo. No entanto o mecanismo de transferência de carga
para fundações profundas ocorre ao longo do elemento estrutural conforme mostra a Figura
2.1, onde para uma estaca carregada verticalmente, por um carga conhecida, Q , em um
determinado solo com parâmetros conhecidos, dentre eles coesão, c , ângulo de atrito, f , e
peso específico, g , em uma dada profundidade, z , a carga atuante numa secção qualquer
corresponderia a uma carga, QZ , menor que aplicada em superfície, e para a profundidade

equivalente ao comprimento da estaca, L P , a carga restante seria a carga de ponta da estaca,

QP .

Figura 2.1 - Perfil qualitativo de distribuição de carga axial em uma estaca (SCHULZE, 2013). Adaptado pelo
autor.

As estacas podem ser classificadas seguindo várias metodologias, por exemplo, com relação
ao tipo de material, podendo ser de aço, de concreto moldado no local, ou pré-moldado, de
madeira, de aço ou mistas (VELLOSO; LOPES, 2010).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 33

Segundo Velloso e Lopes (2010), outro modo de classificação de estacas pode ser de acordo
com o efeito que o processo executivo resulta ao solo circundante das estacas. Podendo ser
classificadas como ‘de deslocamento’, em que o solo é deslocado horizontalmente para dar
lugar à estaca, comum em estacas cravadas; ‘de substituição’, quando o solo é removido
previamente à instalação da estaca, por exemplo em estacas escavadas; ou, ainda, ‘como sem
deslocamento’, em que há pouca remoção do solo e se procura manter o estado de tensões
anterior à execução, como por exemplo, em estacas hélice contínua.

Segundo Terzaghi, Peck e Mesri (1996)1 apud Bittencourt (2012), quanto ao comportamento,
pode-se ter três tipos de estacas:

· Estacas de atrito em solos granulares muito permeáveis (estacas de compactação):


transferem a maior parte do carregamento através do atrito lateral e, pelo processo executivo
de cravação, propiciam uma redução da porosidade e da compressibilidade do solo entre as
estacas;

· Estacas de atrito em solos finos de baixa permeabilidade (estacas flutuantes): a maior


parte do carregamento também é transferida por atrito lateral, porém não se tem uma melhoria
das propriedades solo adjacente à estaca;

· Estacas de ponta: transferem a maior parte do carregamento pela sua base, geralmente
a uma camada de solo resistente e profunda.

Segundo Freitas Neto (2013), as fundações estaqueadas devem ser projetadas levando em
consideração a contribuição ou não do bloco de coroamento, que pode suportar parte do
carregamento e influenciar os recalques, devido a interação entre as unidades do sistema,
conforme mostra a Figura 2.2, exemplificado pelas estacas i, j e k com suas resistências totais
(R) no topo do estaca, e menores na sua base (Rb), em função da tensão lateral existente (σn) e
da distribuição pela lateral das estacas, evidenciando a interação entre os elementos do
sistema. Assim, a diferença básica entre a concepção de fundação em radier estaqueado e o
grupo de estacas convencional é a consideração, na técnica do radier estaqueado, da interação
entre o bloco e o solo da superfície.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 34

Figura 2.2 - Interação solo-estrutura entre radiers, estacas e o subsolo (KATZENBACH et al., 20052 apud
FREITAS NETO, 2013).

Mandolini (2003) apresentou um método para quantificar a participação do bloco na absorção


de cargas, através do coeficiente “αpr”, o qual relaciona a somatória de carga nas estacas
(QPile), com a carga total aplicada no radier estaqueado (QPR). Com isso, se o valor de “αpr”
for igual a 0 (zero), trata-se de um radier isolado, sem estacas; caso este valor seja igual a 1
(um), trata-se de um grupo de estacas, em que a fundação superficial não tem contato com o
solo; e, por fim, se for um valor entre 0 e 1, implica dizer que o sistema funciona como um
radier estaqueado (FIGURA 2.3).

Figura 2.3 - Coeficiente αpr para bloco isolado, grupo de estacas e radier estaqueado de acordo com
(MANDOLINI, 2003).

2
KATZENBACH, R.; SCHMITT, A.; TUREK, J. Assessing Settlement of High-Rise Structures by 3D
Simulations. Computer Aided Civil and Infrastructure Engineering, v. 20, p. 221–229. 2005.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 35

Terzaghi, Peck e Mesri (1996)1 apud Bittencourt (2012) recomendam que as fundações
satisfaçam a duas condições independentes: a primeira diz respeito a se ter um Fator de
Segurança (FS) contra a ruptura, por carregamento, de 2 a 3, dependendo do código do país e
do tipo de fundação; a segunda recomendação refere-se à quantidade de deformação máxima
admissível que não prejudique a segurança da estrutura ou inviabilize a utilização da
edificação.

Décourt (1998a) ressalta que os projetos de fundações tradicionais geralmente tendem a


privilegiar a análise da capacidade de carga, e não contemplam uma análise dos recalques,
sugerindo que deveria ser especificada cargas admissíveis pelo método da rigidez. Através de
cálculos ou extrapolações de provas de carga, seria obtido o valor da rigidez correspondente a
ruptura convencional. A carga admissível seria aquela correspondente a um valor de rigidez
“n” vezes superior à rigidez da ruptura convencional.

Chamecki (1958) ressaltou o cuidado que se deve ter ao se projetar fundações com base no
critério de recalque diferencial admissível, sem levar em consideração a rigidez da estrutura.
Demonstrou que isso, e a não consideração dos recalques diferenciais no dimensionamento da
estrutura, pode resultar desde um projeto seguro até mesmo propenso à ruína. De Mello
(1975) evidenciou que o comportamento de uma fundação é dependente dos recalques,
contudo, ressalta o valor de se executar uma análise preliminar de segurança diante a ruptura,
seja ela física ou convencional, conforme também sugeriu Décourt (1998a). Burland, Broms e
De Mello (1977) comentaram sobre o projeto de fundações utilizando o critério de recalque
admissível, o qual seria mais realista e, provavelmente, mais econômico, quando, por
exemplo, utilizam-se estacas como elementos redutores de recalque.

Os trabalhos de Chameki (1958), De Mello (1986) e Décourt (1998a) enfatizaram que para
uma adequada previsão de recalques deve-se ter conhecimento das propriedades do terreno.
De forma que, para o desenvolvimento de um projeto de fundações em estacas, deve-se partir
de uma quantidade satisfatória de informações e características do solo, a fim de assegurar
uma boa concepção do projeto de fundação.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 36

2.3 CONSIDERAÇÕES SOBRE PROJETOS DE FUNDAÇÕES


ESTAQUEADAS

Segundo Bittencourt (2012), grande parte dos projetos de fundação em estacas corresponde a
solução de grupo ou de bloco sobre estacas, na qual o elemento estrutural sobre estas tem
apenas a função de união e de transferência de carga. Assim, não se considera a relação dos
diferentes elementos envolvidos, dentre eles: fundação rasa (radier); fundação profunda
(estacas); e o solo circundante (interação solo-estrutura). Essa abordagem torna a análise
bastante simplificada, o que pode gerar soluções não econômicas.

O projetista de fundações deveria informar os recalques previstos para os elementos de


fundação aos projetistas de estruturas e de arquitetura, os quais avaliariam se a magnitude dos
mesmos seria prejudicial. Para tal, deve ser fornecido um levantamento apropriado das cargas
da estrutura e das propriedades geotécnicas do terreno, possibilitando uma verificação eficaz
das ações e das deformações na fundação (BURLAND; BROMS; DE MELLO, 1977).

De acordo com Poulos, Carter e Small (2001), a concepção de projetos de fundação utilizando
a carga última de ruptura, na maioria das vezes, adota-se um dos seguintes conceitos:

· Abordagem com fator de segurança global: trata-se do processo mais utilizado desde o
século XX. Consiste em estabelecer que a resistência última disponível dividida por um fator
de segurança global deve ser maior que a somatória dos carregamentos aplicados. O fator de
segurança global pode variar de acordo com a experiência do projetista e o tipo de fundação –
a NBR 6122 (ABNT, 2010) fixa valores mínimos de coeficiente de segurança global;

· Abordagem pelos fatores de carga e de resistência: consiste em comparar as


resistências última disponíveis minoradas por um fator de redução de resistência,
considerando que estas devem ser maiores que a somatória das solicitações impostas
majoradas por um fator. Sendo ambos os fatores fixados pela NBR 6122 (ABNT, 2010), esta
abordagem considera os estados limites;

· Abordagem com fator de segurança parcial: consiste em comparar a resistência de


projeto, obtida pela redução dos valores característicos do solo, sendo esta maior que
somatória das solicitações impostas majoradas por um fator característico, bastante utilizada
na Europa, normalizada pelo a Eurocode 7;

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 37

· Abordagem probabilística: consiste em caracterizar as curvas de distribuição de


probabilidade de solicitação e de resistência, e a partir da combinação destas duas curvas
calcular a probabilidade de ruptura, devendo ser esta menor que a probabilidade de ruína
admissível. Os autores comentam que esta abordagem é pouco utilizada pelos projetistas de
fundações, sendo mais comum entre profissionais que lidam com terremotos, com Geotecnia
Ambiental e com estruturas off-shore. Em engenharia de estruturas o Eurocode EM 1990
normaliza critérios de aceitação de probabilidade.

Bittencourt (2012) pondera que, no Brasil, a maioria dos projetos são baseados na capacidade
de carga e não nos recalques e, portanto, em muitos projetos não é usual o cálculo da previsão
destes. Ressalta que o desenvolvimento de um projeto considerando apenas a capacidade de
carga resistente aos carregamentos é insuficiente, pois as deformações verticais e as rotações
podem causar uma redistribuição dos esforços na estrutura, o que pode levar à atuação de
solicitações maiores que aquelas inicialmente consideradas, também os recalques podem
comprometer o uso da edificação.

Segundo Schnaid (2000), é reconhecido que a geotecnia de fundações brasileira ficou


resumida, por várias décadas, à engenharia do SPT, sendo somente em grandes projetos
possível desenvolver e testar outros métodos geotécnicos de investigação do subsolo. Na
abordagem brasileira, predomina-se o emprego de correlações com o índice de resistência à
penetração NSPT na previsão das propriedades geotécnicas, como o módulo elástico, e a
capacidade de carga vertical e lateral.

Cintra e Aoki (2010) mostraram que, para aplicação das expressões teóricas de capacidade de
carga de Terzaghi (1943), Meyerhof (1951), ou Vesic (1970), são necessários parâmetros de
resistência e de deformabilidade do terreno, cuja determinação é onerosa, e ainda, que os
métodos conduziram a valores discrepantes ao prever valores de capacidade de carga. De
acordo com Bittencourt (2012), isto tem limitado e desmotivado substancialmente a aplicação
dos métodos teóricos em um número elevado de projetos, e, por isso, é predominante o uso de
correlações empíricas regionais na determinação da tensão admissível do solo.

Um modo de conseguir comprovar a resistência de uma estaca seria através de prova de carga
estática (PCE); se realizado o ensaio, levando-o até a ruptura, constitui no método de projeto
mais próximo ao comportamento real (MANDOLINI; RUSSO; VIGGIANI, 2005). Também

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 38

deve-se ressaltar que recentemente o conhecimento da curva carga-recalque tem favorecido o


desenvolvimento de projetos que se baseiam em critérios de recalque e de tensão-deformação.

No entanto, em fases de projeto preliminares não se comportam custos referentes à instalação


e execução da prova de carga, sendo, muitas vezes, as provas de carga executadas quando a
concepção do projeto já está definida, significando um processo de investigação a posteriori
(DE MELLO, 1986). Neste contexto, as correlações empíricas podem ser uma ferramenta útil
na previsão da capacidade de carga e de propriedades geotécnicas em projetos de fundações
habituais.

Bittencourt (2012) alertou que o nível de segurança real do sistema de fundação depende
significativamente do método de análise empregado, exemplificando que, para grupos de
estacas, a desconsideração do desempenho do bloco no desempenho do conjunto pode
inviabilizar um projeto, pois algumas estacas poderiam não atender aos fatores de segurança
específicos. O autor ressalta que, em casos comuns, considera-se um projeto de fundações
estaqueadas adequado quando a estaca mais carregada não ultrapassa a carga de projeto
adotada. No entanto, conforme mostrado por Sales et al. (2002), este procedimento acarreta
em fatores segurança globais, considerando todo o sistema de fundação, superiores a 4,0
(quatro) em muitos casos.

Bittencourt (2012) ainda ressaltou o cuidado em se usar simplificação de soluções da teoria


das estruturas para fundações sem uma avaliação cuidadosa, mostrando que o método das
bielas para o cálculo das armaduras no bloco pode ser um procedimento eficaz para conjuntos
com poucas estacas; não propiciando bons resultados quando se têm muitas estacas, devendo-
se, para estes casos, utilizar ferramentas numéricas para obter melhores resultados.

A NBR 6122 (ABNT, 2010) apresenta os procedimentos executivos dos principais tipos de
estacas, e também especifica alguns aspectos de projeto referentes aos Estados Limites de
Utilização e de Serviço e as formas de consideração das ações da superestrutura e das
resistências características e de projeto.

A NBR 6122 (ABNT, 2010) admite a natureza excepcional do campo geotécnico dentro da
área da Engenharia Civil, reconhecendo que as análises dependem de um conhecimento e de
uma interpretação dos parâmetros geotécnicos, entendidos como fenômenos ou materiais da
natureza, conforme mostra em seu item 1:

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 39

Reconhecendo que a engenharia de fundações não é uma ciência exata e que riscos
são inerentes a toda e qualquer atividade que envolva fenômenos ou materiais da
natureza, os critérios e procedimentos constantes nesta Norma procuram traduzir o
equilíbrio entre condicionantes técnicos, econômicos e de segurança usualmente
aceitos pela sociedade na data da sua publicação (Item 1, NOTA 1, NBR 6122/2010,
p. 1).

2.4 COMENTÁRIOS SOBRE DESEMPENHO DE FUNDAÇÕES


ESTAQUEADAS

Segundo Niyama, Aoki e Chamecki (1998), o objetivo da verificação do desempenho de uma


fundação é demonstrar que o comportamento previsto no projeto está sendo confirmado na
prática da execução, e ainda, a verificação do desempenho de uma fundação é parte de um
problema mais geral, que compreende verificar o comportamento do conjunto formado pelos
elementos estruturais da superestrutura e da fundação pelo maciço de solos, devendo, assim,
ser exercida em todas as etapas do processo, desde a concepção do projeto até o período final
da vida útil da obra.

No item 16 da NBR 8044 (ABNT, 1983) – denominado ’desempenho de obras‘ – são


determinadas diretrizes gerais para o acompanhamento do desempenho de construções, em
seu aspecto geotécnico, através de instrumentação, ou de inspeção, antes, durante e após sua
construção. Estão discriminadas nessa norma as investigações, as análises e os estudos
recomendados, e os resultados a obter para análise e desempenho da obra em cada fase do
projeto geotécnico. O plano de inspeção e de acompanhamento de construções, definido pela
norma, em qualquer fase, tem por finalidade observar qualquer evento cuja análise permita
medidas preventivas ou considerações especiais para segurança.

A NBR 6122 (ABNT, 2010) estabelece critérios para a avaliação do desempenho das
fundações, especificando no seu item 9.1: “O desempenho das fundações é verificado através
de pelo menos o monitoramento dos recalques medidos na estrutura”. A NBR 6122 (ABNT,
2010) institui, no seu item 9.2.2, a obrigatoriedade da execução de provas de carga,
estabelecendo quantidades mínimas mediante critérios específicos. O monitoramento dos
recalques pode ser analisado em comparação com os valores calculados, previstos pelo
projetista, sendo os resultados obtidos passíveis de retro análises, e contribuindo para um
melhor conhecimento dos comportamentos das fundações (BITTENCOURT, 2012).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 40

Segundo Niyama, Aoki e Chamecki (1998), por questões de ordem econômicas, quase sempre
se verifica apenas o desempenho de elementos isolados de fundação, ficando a comprovação
global da obra restrita a experiência anterior com aquele tipo de fundação em solos similares,
às vezes, com a realização de poucas provas de carga em elementos isolados de fundação.
Existem metodologias variadas para verificação do desempenho de elementos isolados de
fundação, como: i) provas de carga estática, ii) provas de carga dinâmicas, e iii) testes de
integridade de estacas.

2.4.1 Prova de carga estática

A prova de carga estática (PCE) é um procedimento normatizado pela NBR 12131 (ABNT,
2006), para estacas, e pela NBR 6489 (ABNT, 1984), para fundações rasas. Por representar
um ensaio em verdadeira grandeza, é considerado o teste de maior precisão para verificação
do desempenho de elementos isolados de fundação. Segundo Albuquerque (2001) a execução
de PCE se justifica devido: a entender o mecanismo de distribuição de carga; ausência de
conhecimento das propriedades do solo onde as fundações serão construídas; a alteração das
condições iniciais provocadas pela execução das estacas; e o comportamento complexo do
conjunto estaca-solo, de difícil modelagem numérica ou analítica.

Massad (1985) apresentou um resumo sobre alguns aspectos referentes ao modo de execução
de uma prova de carga, metodologia de execução e o uso de instrumentação para aprimorar os
métodos de previsão de transferência de carga em fundações, assim como, um breve histórico
sobre realização de provas cargas no Brasil, a partir de um levantamento no acervo do IPT, a
partir de 1930. Segundo o autor, a primeira prova de carga documentada, datada de 1936, foi
realizada nas obras da estação da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil.

De acordo com Fleming et al. (1992), os objetivos da prova de carga estática são: i)
determinar a capacidade de carga do sistema solo-estaca e compará-la com a estimativa de
projeto; ii) avaliar as parcelas da carga aplicada resistidas por atrito lateral e por resistência de
ponta da estaca; iii) determinar a rigidez do sistema solo-estaca sob a carga de projeto; e iv)
determinar o recalque correspondente a uma determinada carga aplicada.

As provas de carga podem ser feitas com cargas verticais ou inclinadas, à compressão ou
tração, e cargas horizontais, procurando reproduzir as condições de funcionamento da
fundação a que se destinam, sempre se fazendo necessário adoção de sistema de reação

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 41

adequado a direção, ao sentido e a intensidade das cargas de ensaio (NIYAMA; AOKI;


CHAMECKI, 1998). A Figura 2.4 mostra uma configuração de montagem de prova de carga
estática para estacas submetidas a compressão com reação em tirantes ligadas a estacas de
reação tracionadas utilizada por Silva (2011); na Figura 2.5 mostra um esquema para provas
de carga estática em estaca submetida a tração. No Anexo B, é mostrado um esquema de
prova de carga estática em estaca submetida a compressão utilizado nesta pesquisa. A prova
de carga estática consiste na aplicação de sucessivos estágios de carga à fundação, de forma
controlada, conjuntamente com a leitura dos recalques correspondentes.

Segundo Albuquerque (2001), em provas de carga estática, não são aplicáveis estudos
estatísticos, devido a não se conseguir um número significativo de elementos, em
consequência da estrutura necessária para a realização do ensaio, que envolve elevados custos
e tempo. O autor afirma que, apesar de todas estas dificuldades, este procedimento ainda é o
melhor para a comprovação do desempenho de uma fundação isolada, principalmente se for
profunda, do tipo estaca ou tubulão.

Figura 2.4 – Esquema de montagem de Prova de carga estática a compressão (SILVA, 2011).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 42

Figura 2.5 - Montagens de prova de carga estática em estacas, aplicação de carga axial de tração (NIYAMA;
AOKI; CHAMECKI, 1998).

Segundo a NBR 12131 (ABNT, 2006), em seu item 3.5.1, as provas de carga podem ser
executadas através de carregamento lento, rápido, misto (lento seguido de rápido), e cíclico
(lento ou rápido, para estacas submetidas a esforços axiais de compressão). No momento da
interpretação das deformações, é importante considerar-se a maneira pela qual se realizou o
ensaio. A referida norma estabelece os critérios de execução para cada tipo de ensaio – itens
3.5.2 a 3.5.9 – sendo que a estaca deve ser carregada até a ruptura ou até duas vezes o valor da
carga de trabalho prevista.

A prova de carga estática pelo método do ensaio lento (SML – slow maintained load) é
descrita pelo item 3.5.2, da NBR 12131 (ABNT, 2006), podendo ser resumida pelos seguintes
procedimentos:

· O carregamento deve ser executado em estágios iguais e sucessivos, com cargas em


cada estágio não superiores a 20% da carga de trabalho prevista, sendo mantida a
carga em cada estágio após a estabilização dos recalques no mínimo por 30 minutos.
· Em cada estágio de carregamento os deslocamentos devem ser lidos, imediatamente
após aplicação de carga, seguindo-se leituras decorridos 2min, 4min, 8min, 15min,

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 43

30min, 1h, 2h, 3h, 4h etc., contados a partir do início de cada estágio, até se atingir a
estabilização, que será atendida quando a diferença entre duas leituras consecutivas
corresponder a no máximo 5% do deslocamento havido no estágio.
· Terminada a fase de carregamento, a carga máxima do ensaio deve ser mantida
durante um período mínimo de 12h entre a estabilização dos recalques e o início do
descarregamento
· O descarregamento deve ser efetuado em quatro estágios. Sendo garantida a
estabilização dos deslocamentos, e o tempo mínimo de cada estágio é de 15min. Após
o descarregamento total, as leituras dos deslocamentos devem continuar até a sua
estabilização.

A prova de carga estática pelo método do ensaio rápido (QML – quick maintained load) é
descrita pelo item 3.5.3, da NBR 12131 (ABNT, 2006), podendo ser resumido como:

· O carregamento deve ser executado em parcelas iguais e sucessivas, de forma que a


força aplicada em cada estágio não deve ser superior a 10% da carga de trabalho
prevista para estaca, e deve ser mantida durante 10min, independentemente da
estabilização dos deslocamentos. Em cada estágio, os deslocamentos devem ser lidos
no início e no final do estágio.
· Atingida a carga máxima do ensaio, devem ser feitas 5 (cinco) leituras: a 10 min, 30
min, 60 min, 90 min, e 120min. A seguir, procede-se ao descarregamento, que deve
ser feito em cinco ou mais estágios, cada um mantido por 10min, com leitura dos
respectivos deslocamentos. Após o descarregamento total, efetuar a leitura final após
10min.

Albuquerque (2001) ressaltou que a execução do ensaio lento leva consideravelmente mais
tempo em relação ao ensaio rápido, no entanto, a curva carga-recalque obtida representa, de
maneira mais adequada, o comportamento da fundação em determinada etapa de
carregamento. Com relação ao ensaio rápido, os carregamentos são alterados antes da
estabilização dos recalques, acarretando em uma curva carga-recalque diferenciada do
primeiro tipo de ensaio.

Almeida (2009) realizou estudos de provas de carga estáticas em placa, comparando métodos
de ensaio QML e SML, evidenciando as diferenças possíveis de resultados a depender o tipo

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 44

de metodologia utilizada. A Figura 2.6 apresenta o comportamento típico de resultados de


ensaios de provas de carga estática com métodos de ensaio diferentes.

Figura 2.6 - Curvas tensão - recalque típicas dos diferentes tipos de ensaios (FELLENIUS, 19753 apud
ALMEIDA, 2009). Adaptado pelo autor.

2.4.2 Prova de carga dinâmica

Niyama, Aoki e Chamecki (1998) afirmaram que a prova de carga dinâmica (PCD) de um
elemento de fundação é um ensaio em que se aplica um carregamento dinâmico axial, com o
objetivo de obter, principalmente, uma avaliação de sua capacidade de carga, com a utilização
de uma instrumentação adequada e da aplicação da teoria de equação de onda. No Brasil, a
prova de carga dinâmica é normatizada pela NBR 13208 (ABNT, 2007).

Niyama, Aoki e Chamecki (1998) relataram que tradicionalmente o controle de estacas


cravadas se restringia à medida de nega devido a simplicidade desse procedimento.
Posteriormente, a compreensão do fenômeno sofreu avanços significativos, principalmente a
partir da solução da equação da onda por algoritmos, a qual se tornou prática com os
computadores, ocorrendo uma rápida difusão deste ensaio em todo o mundo. Aoki (1989,
1994) propôs para provas de carga dinâmica uma outra conceituação, alterando o
procedimento, propondo aplicação de golpes sucessivos do martelo, com energias crescentes,
medindo-se a resistência a cravação, através da instrumentação por meio de acelerômetros e
medidores de deformação.

3
FELLENIUS, B.H. Test loading of piles and new proof testing procedure. Journal of the Geotechnical
Engineering Division, ASCE, New York, v. 101, n. GT-9, p. 855-869. 1975.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 45

A NBR 6122 (ABNT, 2010), no seu item 9.2.2.3, permite que, para a comprovação do
desempenho, as provas de carga estáticas podem ser substituídas por ensaios dinâmicos na
proporção de cinco ensaios dinâmicos, para cada prova de carga estática, desde que atendam
critérios mínimos especificados pela norma de quantidades e características de obra.

Para realizar a PCD é necessária a instalação de sensores dinâmicos, sendo utilizado um


conjunto básico de instrumentos e de equipamentos, para a aquisição e o tratamento de dados.
Segundo Andreo, Gonçalves e Bernardes (2002), um dos esquemas mais difundidos utiliza o
PDA (Pile Driving Analyzer) para a execução de prova de carga dinâmica, uma ferramenta
prática e econômica, para aquisição e tratamentos dos dados de PCD.

De modo geral, todos os conjuntos de equipamentos utilizam para esta finalidade, como
instrumentação básica, transdutores de deformação específica e de acelerômetros, os quais
permitem obter, respectivamente, registro de força e velocidade. Estes instrumentos são
fixados aos pares, em uma seção da estaca, próxima do seu topo, em posições diametralmente
opostas, a fim de compensar os efeitos de momento fletor. Os sinais enviados pelos
instrumentos são processados pelo PDA, que pode calcular vários parâmetros de interesse,
sendo o principal a resistência à penetração da estaca no solo, através do método simplificado
“CASE” ou similar. Estes sistemas permitem obter ainda: i) força máxima do impacto, ii)
energia máxima do golpe, iii) eficiência do sistema de cravação, iv) verificação de dano
estrutural e sua posição, v) valores máximos de tensão, vi) velocidade e deslocamentos e vii)
avaliação da distribuição de resistência (NIYAMA; AOKI; CHAMECKI, 1998).

2.4.3 Ensaio de integridade de estacas (PIT – Pile integrit test)

O ensaio de integridade (PIT) é um ensaio realizado em fundações profundas para avaliar,


qualitativamente, a integridade de estacas com relação a possíveis defeitos construtivos, tais
como falhas de concretagem, trincas, rupturas, além de variações seccionais no fuste. O
ensaio consiste na avaliação da variação da velocidade quando da aplicação de um impacto, é
função das características do material da estaca, com baixo nível de deformação, no topo da
estaca. Cada golpe gera uma onda de compressão, que se propaga pelo fuste, sofrendo
reflexão na ponta, e retornando novamente ao topo (MUCHETI, 2008).

Segundo Mucheti (2008), a forma usual do ensaio consiste na colocação de um acelerômetro


de alta sensibilidade no topo da estaca sob teste e na aplicação de golpes com um martelo de

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 46

mão, conforme mostra a Figura 2.7. A verificação da integridade é feita por meio da
interpretação da forma da onda de tensão, refletida, gravada no topo da estaca. Qualquer
variação na seção da estaca ou na densidade do material resulta em mudanças significativas
na forma desta onda. Estas variações permitem estabelecer conclusões acerca da qualidade do
concreto da estaca bem como a localização de alguma trinca, vazio, alargamento ou
estreitamento no fuste. Dos ensaios é possível obter gráficos de velocidade versus tempo (que
pode ser transformado em comprimento da estaca) ou até análises de força ou frequência.

Figura 2.7 - Execução de ensaio de integridade (MUCHETI, 2008).

O uso mais comum do ensaio de integridade (PIT) é para detectar falha na concretagem de
estacas de concreto moldadas in loco ou danos resultantes da cravação de estacas pré-
moldadas de concreto. No entanto, o ensaio pode também ser usado para determinar ou
confirmar o comprimento de estacas de concreto. Se a estaca possuir um dano severo, ou
mesmo uma emenda construtiva, que não permita a transmissão da onda, não há como avaliar
o estado da estaca abaixo deste ponto.

O ensaio de integridade (PIT) não fornece nenhuma informação quanto à capacidade de carga
da estaca ensaiada. Por outro lado, eventuais danos detectados pelo ensaio de integridade
(PIT) podem ser a explicação para casos onde os resultados de desempenho esperados,
calculados pelo projeto, ou verificados por meio de provas de carga não foram alcançados.

Sobre o ensaio de integridade (PIT), Mucheti (2008) elencou as seguintes vantagens: i)


execução extremamente rápida (mais de 50 ensaios por dia); ii) capacidade de detectar danos
ou falhas no fuste de estacas moldadas “in loco” e pré-moldadas de concreto; iii) não exige
preparo durante a execução da estaca; iv) equipamento leve e portátil, exigindo um mínimo de

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 47

recursos da obra durante os ensaios; e v) das poucas maneiras existentes para obter
informações sobre a integridade das estacas, o PIT é sem dúvida a mais rápida e barata.

Mucheti (2008) também enumerou as desvantagens e limitações: i) pouca precisão na


avaliação da intensidade do dano, isso pode fazer com que sejam detectados danos que não
comprometeriam a utilização da estaca, com consequente perda de tempo e dinheiro para a
obra; ii) dificuldade de detecção de segundo dano abaixo de uma grande variação de
características do material da estaca; iii) difícil interpretação dos sinais obtidos em alguns
casos, inclusive por influência do atrito lateral (que também provoca reflexões da onda); iv)
impossibilidade de distinguir entre variação de área de seção e variação de qualidade do
concreto (peso específico e/ou módulo de elasticidade); e v) dificuldade de detecção de dano
muito próximo ao topo e a ponta, e fraturas no sentido vertical da estaca não são identificadas.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 2


CAPÍTULO 3
DIMENSIONAMENTO DE FUNDAÇÕES ESTAQUEADAS

O dimensionamento de fundações estaqueadas, para fins didáticos, pode ser fragmentado em


definição da capacidade de carga de elementos isolados de fundação, cálculo dos recalques
dos elementos isolados, e interpretação de curvas de carga-recalque obtidas por provas de
carga.

3.1 CAPACIDADE DE CARGA DE ESTACAS

Segundo Alonso (2004), para se projetar uma fundação deve se assegurar de três condições
básicas: i) segurança; ii) funcionalidade; e iii) durabilidade. De acordo a condição de
segurança, todos os elementos solo/estrutura devem garantir os coeficientes de segurança
contra ruptura fixada pelas normas técnicas. As fundações devem ser funcionais para que os
deslocamentos e as deformações sejam de acordo com o tipo e a finalidade para a qual se
destina a estrutura. Por último, devem garantir durabilidade em relação aos materiais
empregados que deverão ser suficientemente duráveis para atender no mínimo a vida útil da
obra.

De acordo com Cintra e Aoki (2010), um elemento isolado de fundação tem sua capacidade
correspondente à resistência máxima que pode oferecer, ou seja, é a carga que causa a ruptura
do sistema, sendo o mesmo composto pelo maciço de solo que envolve o elemento estrutural,
e o próprio elemento. Uma fundação tipo estaca isolada, sob a influência de um carregamento
vertical, tem sua capacidade de carga composta de duas parcelas: i) a resistência da ponta, e
ii) a resistência lateral que atua ao longo do fuste. Em vista disso, a capacidade de carga é
estabelecida pela soma das cargas máximas que essas resistências suportam. A Equação (3.1)
descreve o cálculo da carga de ruptura.

QT = QL + QP - w (3.1)

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 49

onde QT é a capacidade de carga da estaca; QL é a resistência última lateral; QP é a


resistência última de ponta ou base; w é o peso próprio da estaca.

Na maioria dos casos, o peso próprio da estaca é desprezado e a equação pode ser reescrita
segundo a Equação (3.2).

QT = QL + QP (3.2)

nesta abordagem, a resistência última de ponta ( QP ) é obtida a partir do produto entre o a

tensão limite resistente da ponta, em unidade de tensão ( qP ), e a área da seção transversal da

ponta da base da estaca; a resistência última lateral ( QL ) é o somatório das forças resistentes
advindas da multiplicação da tensão cisalhante unitária máxima ( f u ), ao longo dos segmentos

da estaca (CINTRA; AOKI, 2010). Na Figura 3.1, pode-se observar as cargas atuantes em
uma estaca sob a influência de um carregamento axial, sendo a capacidade de carga ser
descrita conforme a Equação (3.3).

QT = QL + QP = fu × AL + qP × AP =U × S( fu × DL) + qP × AP (3.3)

em que, qP é a tensão limite no nível da ponta; f u é a tensão limite de cisalhamento ao longo

do fuste; AP é a área da secção transversal da ponta da estaca; U é o perímetro; DL é o


comprimento de cada camada de solo.

Em um sistema solo/estaca, a capacidade de carga depende: das propriedades do solo onde a


estaca está instalada; do tipo de execução; da sua seção transversal e do seu comprimento. A
partir de dados experimentais com estacas escavadas, diversos pesquisadores estabeleceram
que a resistência última lateral e a resistência última de ponta são completamente mobilizadas
a diferentes níveis de recalque (PÉREZ, 2014).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 50

Figura 3.1 - Estaca submetida à carga de ruptura de compressão (modificado de VIGGIANI; MANDOLINI;
RUSSO, 2012).

A resistência máxima devida ao atrito no fuste normalmente se desenvolve para valores de


deslocamento da ordem de 5 a 10 mm, muitas vezes, independentemente do tipo de estaca e
do diâmetro do fuste, e para recalques maiores a resistência máxima lateral se mantém
praticamente constante ou em alguns casos pode até apresentar uma pequena redução
(PÉREZ, 2014). Por outro lado, a resistência na base da estaca é completamente mobilizada
quando o recalque atinge valores da ordem de 10% do diâmetro da base para estacas cravadas
e para estacas escavadas da ordem de 30% do diâmetro da base; independentemente do tipo
de solo (BOWLES, 1996).

Segundo Meyerhof (1951), a capacidade de ponta da estaca em areia aumenta de acordo com
a profundidade de embutimento da camada de suporte. Costa Branco (2006), a partir de
resultados de ensaios CPT e aplicações da formulação de Meyerhof (1951), verificou que a
resistência de ponta cresce de forma linearmente dependente, com o aumento da
profundidade, até atingir a penetração que mobiliza o mecanismo completo de ruptura para
aquele diâmetro.

Para a determinação da capacidade de carga podem ser utilizadas fórmulas e critérios


derivados de experiências locais ou estudos detalhados, que podem ser obtidos por meio de
métodos teóricos, métodos práticos, e provas de carga. Os métodos teóricos baseiam-se em

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 51

fundamentos na análise estática de carga, com base em parâmetros de resistência (c e φ)


obtidos através de ensaios de campo ou laboratórios. Nos métodos práticos, a capacidade de
carga é determinada através de correlações empíricas ou semi-empíricas, utilizando ensaios de
campo (SPT, CPT, SPT-T e DMT).

A variabilidade dos valores encontrados com a aplicação dos diversos métodos de previsão da
capacidade de carga de estacas sob carregamento axial é em geral alta, sendo, assim, difícil a
indicação do melhor critério uma vez que esta escolha depende fortemente da experiência do
engenheiro com as propriedades do solo local (CAMAPUM DE CARVALHO et al., 2010).

3.1.1 Métodos teóricos

Um método teórico pode ser caracterizado como algo que se origina unicamente do intelecto
humano, quando se propõe a investigar um fenômeno e avaliar todos os aspectos a serem
considerados na sua interpretação (AMANN, 2010).

A partir das teorias clássicas de mecânica dos solos, é possível encontrar várias fórmulas
teóricas desenvolvidas para estimar a capacidade de carga, considerando o solo argiloso ou
granular. Grande parte dessas metodologias, segundo Décourt (1998b), constitui-se de
extensões dos trabalhos clássicos de Prandtl (1921) e Reissner (1924), que foram moldados ao
comportamento dos solos; sendo possível destacar Caquot (1934), Buisman (1935), Terzaghi
(1943) e Meyerhof (1951) como pioneiros nas aplicações práticas relacionadas com solos.

Cintra e Aoki (2010) aconselharam, na formulação de projetos de fundações estaqueadas, o


uso restrito de fórmulas teóricas para a estimativa de capacidade de carga, devido ao fato de
que as previsões fornecidas por elas podem não ser confiáveis, para fundações profundas,
devido às restrições do modelo teórico que considera o solo como coesivo ou granular.

3.1.1.1 Resistência de ponta

Para a determinação da capacidade de carga de ponta, pode-se usar a teoria da plasticidade e


outras soluções que supõem diferentes mecanismos de ruptura desenvolvida na base da estaca.
Existem algumas propostas que buscam reproduzir as superfícies de ruptura das estacas. Na
Figura 3.2 são mostrados alguns dos principais modelos.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 52

Existem várias teorias que organizam o processo. A teoria de Terzaghi (1943) não leva em
consideração a contribuição dos esforços cisalhantes longitudinalmente ao fuste, por
considerar o solo acima da ponta mais importante que o solo abaixo. A base da estaca rompe
logo que o solo se move para os lados e para cima de acordo com a Figura 3.2 (a). Outra
teoria clássica é a de Meyerhof (1951), que trabalha no aperfeiçoamento da teoria de Terzaghi
(1943), que ao contrário da última, considera a contribuição da resistência ao cisalhamento do
solo acima da ponta da estaca.

Figura 3.2 - Mecanismo de ruptura de base da estaca propostas por diversos autores (PÉREZ, 2014). Adaptado
pelo autor.

Vésic (1975) utiliza a teoria da expansão da cavidade esférica. A sua análise de resultados de
provas de carga mostrou que as deformações que ocorrem na ponta das estacas são divididas
duas zonas principais: i) na zona próxima a ponta, onde ocorrem grandes deformações
plásticas e ii) na segunda zona, concêntrica ao fuste da estaca, onde ocorrem deformações
elásticas.

Para obter a capacidade de carga de ponta de estaca tem-se uma expressão geral, que se
assemelha a utilizada para a capacidade de carga em fundações superficiais proposta por
Terzaghi (1943), mostrada na Equação (3.4).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 53

æ 1 ö
QP = AP × çc × NC +svp × Nq + g × B × Ng ÷ (3.4)
è 2 ø

onde: AP é a área da seção transversal da ponta da estaca; c é a coesão do solo; g é o peso


específico do solo; B é o menor lado da fundação, ou o diâmetro da estaca; s vp é a tensão

vertical do solo na cota de apoio da fundação; N C , N q , N g , são os coeficientes de

capacidade de carga, em função do ângulo de atrito e da geometria da estaca.

Para fundações profundas, a parcela devido ao fator Nγ pode ser considerada desprezível, pois
é muito pequena em relação às outras parcelas. No caso de solos não coesivos (c=0), pode-se
escrever a Equação (3.5).

QP = AP ×s vp × Nq (3.5)

E para solos coesivos (φ =0), pode-se escrever a Equação (3.6).

QP = AP × (c × NC +s vp × Nq ) (3.6)

Para a determinação de Nq, deve-se considerar a forma de ruptura de superfície como


parâmetro, que é função do ângulo de atrito e do método de execução da estaca. Os
parâmetros s vp para solos coesivos não drenados devem ser em termos de tensões totais e

para solos não coesivos drenados normalmente são aqueles termos de tensão efetiva.

a. Método de Meyerhof (1951)

Partindo da teoria da plasticidade e paralelamente no trabalho de Terzaghi (1943), Meyerhof


desenvolveu um método de previsão de carga de ruptura para fundações profundas em solo
homogêneo. Conforme demonstra Equação (3.7).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 54

1
qP = c × NC + ke × g × L × Nq + g × B × Ng (3.7)
2

em que: k e é o coeficiente de empuxo do solo contra o fuste na zona de ruptura próxima à

ponta; L é o comprimento da estaca.

Podendo a capacidade de carga de ponta para estacas em solos granulares ser escrita pela
Equação (3.8).

QP = AP × (ke × g × L × Nq ) (3.8)

O coeficiente k e é essencialmente dependente do estado de tensões iniciais do solo e do

método de execução da estaca. Para o cálculo de k e , Broms (19661 apud AOKI; LOPES,

2010) recomenda os valores de k e apresentados na Tabela 3.1.

Tabela 3.1 - Coeficientes de empuxo k e e ângulo atrito de interface (δ) (BROMS, 19661 apud CINTRA; AOKI,

2010).

ke
Estacas δ
Areia fofa Areia compacta

Metálica 0,5 1,0 20

Pré-moldada de concreto 1,0 2,0 3/4 φ

Madeira 1,5 4,0 2/3 φ

De acordo com Velloso e Lopes (2010), em estacas escavadas o coeficiente k e é igual ou

menor que o coeficiente de empuxo no repouso, visto que numa execução ideal de uma estaca
escavada, em que o processo é rápido e o solo não sofre grande desconfinamento o k e

permanece próximo do coeficiente de empuxo no repouso, caso contrário ficaria abaixo.

1
BROMS, B. B. Design of laterally loaded piles. Journal of Soil Mechanics & Foundations Div, ASCE, New
York, v. 92, n. Closure, 1966.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 55

Broms (19661, apud AOKI; LOPES, 2010), recomenda que o valor de k e deve corresponder

no máximo ao recomendado para estacas metálicas. A variação de N q com o ângulo de atrito

do solo se mostra na Figura 3.3. A capacidade de carga de ponta para estacas em solos
argilosos saturados (φ=0), também pode ser escrita mediante Equação (3.6).

onde: N C é o fator de capacidade de carga, que pode ser considerado 9.5 de acordo com os

resultados de laboratório mostrados por Das (2006); c é o valor médio da coesão não drenada
da camada de apoio da ponta ou base da estaca; e, s vp é a tensão vertical do solo na cota de

apoio da fundação (γL).

Figura 3.3 - Variação de Nq com φ (MEYERHOF, 1976).

Apoiado em diversos estudos analíticos e experimentais, Aoki e Lopes (2010) concluiram que
para a maior parte dos problemas o valor de 9,0 para N C era adequado, confirmando desta

forma o valor já proposto por outros autores.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 56

b. Método de Vésic (1970)

Levando em conta a rigidez do material e com base na teoria de expansão de cavidades, o


Vésic (1970) propôs um método para determinar a capacidade por ponta. De acordo com esta
teoria, baseada em parâmetros de esforço efetivo, sugere a Equação (3.9), abarcando para o
seu cálculo as Equações (3.10), e a Equação (3.11) desenvolvida por Jaky (1944) para solos
normalmente adensados.

( )
QP = qP × AP = c× NC +s0' × Ns × AP (3.9)

æ1 + 2 × k0 ö '
s 0' = ç ÷ × s vp (3.10)
è 3 ø

k0 = (1- senf ' ) (3.11)

em que: s 0' é o esforço efetivo normal médio do solo ao nível da ponta da estaca; k 0 é o

coeficiente de empuxo no repouso; s vp' é a tensão efetiva vertical no nível da ponta da estaca;

e , AP é a área transversal da estaca, da ponta da estaca

De acordo com a teoria de Vesic (1970), o fator Ns , depende do fator de rigidez reduzida (

Irr ), que por sua vez depende o fator de rigidez ( Ir ), do módulo de elasticidade do solo ( Es
), do coeficiente de poisos do solo (n ), e da deformação unitária média na zona plástica ( Dp ),
conforme evidenciam as equações (3.12), (3.13) e (3.14).

Ns = f (Irr) (3.12)

æ Ir ö
Irr = çç ÷÷ (3.13)
è 1 + Ir × Dp ø

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 57

Es Gs
Ir = = (3.14)
2(1+n ) × (c'+s'× tanf) (c'+s '× tanf)

Para condições sem mudança de volume (areia densa ou argila saturada), a da deformação
unitária média na zona plástica ( Dp ) será igual a zero, e conforme equação (3.15), o índice de
rigidez reduzida será igual ao índice de rigidez.

Irr= Ir (3.15)

Para condições não drenadas onde o ângulo de atrito for igual a zero, pode-se calcular o fator
N C conforme equação (3.16).

4 p
NC = (lnIrr+1) + +1 (3.16)
3 2

De acordo com Das (2006), os valores do índice de rigidez devem ser obtidos por meio de
ensaios de laboratórios de adensamento e triaxiais, com níveis de tensão correspondentes aos
níveis de esforços em campo. No entanto, para uso preliminar recomendam-se os valores da
Tabela 3.2.

Tabela 3.2 - Valores de (Ir) para diferentes tipos do solo (DAS, 2006).

Tipo de solo Ir

Areia 70-150

Siltes e Argila 50-100

Argila 100-200

3.1.1.2 Resistência lateral

Para Velloso e Lopes (2010), o tratamento teórico para a determinação da tensão cisalhante
lateral unitária ( f u ) é análogo ao utilizado para analisar a resistência ao deslizamento de um

sólido em contato com o solo. Geralmente é adotado o modelo de ruptura de Mohr-Coulomb.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 58

Desta forma, o seu valor é, usualmente, considerado como a soma de duas parcelas, conforme
mostra a equação (3.17).

f u = ca + s h' × tand (3.17)

onde, s h' é a tensão efetiva horizontal; ca é a adesão efetiva entre estaca e solo; d é o ângulo

de atrito entre estaca e solo.

Uma vez que as tensões horizontais efetivas podem ser escritas em função das tensões
verticais, pode-se descrever a equação (3.18).

s h' = ke × sv' = ke × g '×z = ke × (g - g w ) × z (3.18)

A resistência lateral pode ser definida como o resultado da integral das tensões do sistema
solo/estaca ao longo de toda a longitude do fuste, conforme mostra a equação (3.19).

z=L
QL =U × L × fu = òp × D × (ca + kesv tand )dz (3.19)
z =0

Os parâmetros de tensão para solos coesivos não drenados devem ser em termos de tensões
totais e para solos não coesivos drenados normalmente são aqueles em termos de tensão
efetiva. Para a determinação da tensão cisalhante unitária apresenta-se uma breve descrição de
alguns métodos consagrados na literatura.

a. Método λ

O método foi proposto por Vijayvergiya e Focht (1972), e se baseia na hipótese de


deslocamentos dos solos causado pela cravação de estacas, o que conduz a uma pressão
passiva a qualquer profundidade. Sendo a tensão lateral unitária média descrita conforme
equação (3.20).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 59

fu = l(sv' + 2c) (3.20)

em que, s v' é a tensão efetiva vertical do solo; c , é a coesão; l é o fator empírico entre o
solo e a estaca. O valor de λ vai variando com a profundidade da penetração da estaca,
conforme mostra a Figura 3.4. A resistência total por atrito é calculada conforme a Equação
(3.19).

Figura 3.4 - Variação de λ com o comprimento da cravação da estaca (MCCLELLAND, 1974).

b. Método α

Segundo Das (2006), de acordo com este método, a tensão de adesão do solo ao longo do
fuste em solos argilosos é representada pela Equação (3.21).

f u =a × c (3.21)

onde: a é um fator empírico de adesão entre o solo e a estaca; c é a coesão.

A variação aproximada do valor de α em função da relação entre resistência não drenada e


tensão efetiva, foi determinada por Randolph e Murphy (1985), conforme mostra o ábaco da
Figura 3.5. Também, Cintra e Aoki (1999) apresentaram uma relação entre o fator empírico
A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3
D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 60

(α) e a coesão, a partir do ábaco desenvolvido por Tomlinson em 1957, mostrado na Figura
3.6. E, ainda, Sladen (1992) apresentou uma relação para determinar a a partir da coesão e
tensão efetiva vertical. A resistência pelo atrito é calculada por meio da Equação (3.19).

Figura 3.5 - Variação de α com cu/σ’ (RANDOLPH; MURPHY, 1985).

Figura 3.6 - Coeficiente de adesão α (CINTRA; AOKI,1999).

c. Método β (solos granulares)

Segundo Albuquerque (1996), nos trabalhos precursores de Meyerhof, em 1976 e 1977, a


partir dos estudos com modelos reduzidos, foi desenvolvido um método de previsão de carga
ruptura para estacas embutidas em solo homogêneo. Sendo a tensão lateral calculada seguindo
as Equações (3.22) e (3.23).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 61

fu = b × sv' (3.22)

b = ke × tand (3.23)

em que: d é o ângulo de atrito entre o solo e o elemento estrutural de fundação; s v é a tensão

vertical efetiva; k e é o coeficiente de empuxo horizontal.

O valor de k e pode ser adotado usando a Tabela 3.1, e para a obtenção de d pode ser adotado

o valor simplificado de 0,88, proposto por Cintra e Aoki (1999). Novamente descreve-se pela
Equação (3.19) a capacidade de carga lateral para estacas em solos granulares.

3.1.2 Métodos semi–empíricos com base em ensaios SPT

Segundo Alonso (2004), em meados dos anos 70, no Brasil, não se tinha uma estimativa
própria para o cálculo da capacidade de carga de uma estaca à compressão, sendo as
estimativas feitas por meio de fórmulas teóricas que conduziam a valores discrepantes.

Fórmulas teóricas para a previsão de capacidade de carga de fundações geralmente não obtêm
resultados confiáveis para fundações profundas (CINTRA; AOKI, 2010). Devido a isso,
vários autores têm sugerido métodos apoiados em correlações empíricas com base nos
resultados de ensaio in situ e ajustados por meio de resultados de provas de carga. No ano
1975, os Engenheiros Nelson Aoki e Dirceu de Alencar Velloso, desenvolveram o primeiro
método semi-empírico nacional para obter a estimativa da capacidade de carga a compressão,
e em 1978, os Engenheiros Décourt e Quaresma desenvolveram o segundo, sendo estes dois
métodos semi-empíricos, até atualmente, no Brasil os mais utilizados para a previsão da
capacidade de carga de estacas, a partir de resultados de ensaio SPT.

De acordo com Pérez (2014), os métodos semi-empíricos ajustam suas equações aos mais
diversos tipos de solo que as estacas atravessam, assim como ao processo executivo da estaca
já que altera as condições iniciais do terreno como: i) o ângulo de atrito da interface solo-
estaca, ii) a tensão horizontal que age sobre a estaca, iii) a adesão solo-estaca e iv) a dimensão
da área de contato. Os métodos semi-empíricos têm em conta essas características através dos

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 62

coeficientes empíricos tanto para os diferentes tipos de solo como para os processos
executivos das estacas.

Em praticamente todo o mundo, o ensaio do SPT é a ferramenta de investigação geotécnica


mais empregada, devido ao baixo custo, além da facilidade em seu equipamento,
procedimento e experiência empírica. O ensaio fornece o índice de resistência a penetração
(NSPT), a profundidade do nível de água, a identificação táctil visual dos solos, também
indicadores da consistência e compacidade dos solos, conforme tabela constante em norma do
ensaio. Os equipamentos e procedimentos são normatizados no Brasil pela NBR 6484
(ABNT, 2001). O equipamento do ensaio é composto por seis partes: i) amostrador, ii) hastes,
iii) martelo, iv) torre ou tripé de sondagem, v) cabeça de bater, e vi) conjunto de perfuração.

O ensaio consiste na cravação do amostrador padrão usando para tal um peso de 65 kg, caindo
de uma altura de 750 mm. São anotados o número de golpes para cravar 150 mm, 300 mm e
450 mm, o resultado do ensaio SPT é o número de golpes necessários para cravar os 300 mm
finais. As amostras são retiradas com o amostrador a cada metro para ensaios de laboratório.
A perfuração de avanço entre duas amostragens é obtida através de uma tradagem ou
circulação de água.

3.1.2.1 Método de Aoki e Velloso (1975)

O método Aoki e Velloso (1975) foi elaborado com base em um estudo comparativo entre os
resultados de provas de carga em estacas com o ensaio de penetração de cone in situ (CPT).
Para que o método pudesse ser aplicado com resultados de ensaio de SPT, buscou-se
desenvolver um fator de conversão (K), que transforma a resistência da ponta do cone para
NSPT.

A capacidade de carga da estaca pode ser calculada seguindo a Equação (3.3), onde os valores

das tensões limites ( qp e f u ) podem ser calculados a partir de NSPT do ensaio SPT pelas

Equações (3.24) e (3.25).

k AV × NP
qp = (3.24)
F1

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 63

aAV × kAV × NL
fu = (3.25)
F2

onde: F1 e F2 são os fatores de correção; k AV é o coeficiente que depende do tipo de solo;

a AV é o coeficiente da razão de atrito; N P é o índice médio de resistência à penetração, NSPT,


na cota de apoio da estaca; N L é o índice médio de resistência à penetração, NSPT, na camada
de solo de espessura ΔL considerada.

A equação (3.26) para o cálculo da capacidade de carga é obtida substituindo as Equações


(3.24) e (3.25), na Equação (3.3).

kAV × NP U n
QT = Ap × + × å(a AV × k AV × NL × DL) (3.26)
F1 F2 1

Os fatores de correção F1 e F2 foram ajustados a partir de 63 provas de cargas executadas em


diversas partes do Brasil, com seus valores determinados em função do tipo de estaca,
conforme mostra a Tabela 3.3. Os fatores k AV e a AV foram propostos com base na

experiência e em valores da literatura, sendo escolhidos em função do tipo de solo os valores


se encontram na Tabela 3.4.

Tabela 3.3 - Fatores de correção, F1 e F2 (AOKI; VELLOSO, 1975).

Tipo de Estaca F1 F2

Franki 2,5 2F1

Metálica 1,75 2F1

Pré-moldada de concreto 1+(D/0,8) 2F1

Escavada 3,0 2F1

Raiz, Hélice contínua e Ômega 2,0 2F1

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 64

Tabela 3.4 - Coeficientes k e razão αAV (AOKI; VELLOSO, 1975).

Solo k AV (MPa) a AV (%)

Areia 1,00 1,40

Areia Siltosa 0,80 2,00

Areia silto argilosa 0,70 2,40

Areia argilosa 0,60 3,00

Areia argilo siltosa 0,50 2,80

Silte 0,40 3,00

Silte arenoso 0,55 2,20

Silte areno argiloso 0,45 2,80

Silte argiloso 0,23 3,40

Silte argilo arenoso 0,25 3,00

Argila 0,20 6,00

Argila arenosa 0,35 2,40

Argila areno siltosa 0,30 2,80

Argila siltosa 0,22 4,00

Argila silto arenosa 0,33 3,00

3.1.2.2 Método Décourt e Quaresma (1978), modificado por Décourt (1996)

Inicialmente concebido para estacas pré-moldadas de concreto cavadas, este método baseia-se
nos resultados obtidos pelo ensaio de penetração (SPT). Para abranger outros tipos de estacas,
Décourt (1996) introduziu dois fatores de ajuste na equação da capacidade de carga ( a DEC e

b DEC ), com a finalidade de considerar variados processos executivos. A carga de ruptura da


estaca é calculada seguindo a Equação (3.27).

QT = aDEC ×QP +bDEC × QL =aDEC ×qP ×AP + bDEC × fu ×U × L (3.27)

Os valores das tensões limites ( q P e f u ) são calculados a partir de NSPT do ensaio SPT
conforme mostra a Equação (3.28).
A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3
D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 65

æN ö
QT =aDEC × CDEC × NP × AP + bDEC ×10× ç L +1÷ × U × L (3.28)
è 3 ø

sendo, N P é o valor médio do índice de resistência à penetração, NSPT, na ponta ou base da


estaca, obtido a partir de três valores: i) o correspondente ao nível da ponta ou base, ii) o
imediatamente anterior, e iii) o imediatamente posterior; C DEC é o coeficiente característico

do solo ajustado por meio de 41 provas de carga realizadas em estacas pré-moldadas de


concreto; a DEC é o fator aplicado à parcela de ponta; de acordo com o tipo de solo e o tipo de

estaca; N L é o índice médio de resistência à penetração, NSPT, ao longo do fuste; b DEC é o

fator aplicado à parcela de atrito lateral de acordo com o tipo de solo e o tipo de estaca; AP é
a área da seção transversal na ponta da estaca; U é o perímetro da estaca; L , é o
comprimento da estaca;

No método, NL é obtido com o valor médio de resistência à penetração do SPT ao longo do


fuste da estaca para uma mesma camada de solo, sem considerar os valores que serão
utilizados na resistência de ponta. No cálculo de NL adotam os limites: i) para estacas de
deslocamento e estacas escavadas com bentônica deve ser maior que 3 e menor que 50; e ii)
para estacas Strauss e tubulões a céu aberto deve ser maior que 3 e menor que 15. Nas Tabela
3.5 e Tabela 3.6 são apresentados os valores de C DEC e os valores de a DEC e b DEC ,

respectivamente.

Tabela 3.5 - Coeficiente característica do solo CDEC (DÉCOURT, 1978).

Tipo de estaca
Tipo de solo
Deslocamento Escavada

Argila 120 100

Siltes argilosos (alteração de rocha) 200 200

Siltes arenosos (alteração de rocha) 250 140

Areias 100 200

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D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 66

Tabela 3.6 - Valores do fator a DEC e b DEC . em função do tipo de estaca e do tipo do solo. (DÉCOURT, 1996).

Escavadas em Escavadas Hélice Injetadas sob


Raiz
Tipo de Solo geral (bentonita) Contínua altas pressões

a DEC b DEC a DEC b DEC a DEC b DEC a DEC b DEC a DEC b DEC

Argila 0,85 0,80 0,85 0,90 0,30 1,0 0,85 1,5 1,0 3,0

Solos
0,60 0,65 0,60 0,75 0,30 1,0 0,60 1,5 1,0 3,0
intermediários

Areias 0,50 0,50 0,50 0,60 0,30 1,0 0,50 1,5 1,0 3,0

3.1.2.3 Método de Lizzi (1982)

O método empírico proposto por Lizzi (1982), estima a carga lateral última ou a carga de
ruptura, visto que, não considera a ação resistente da ponta da estaca. A determinação da
carga lateral última é obtida através da Equação (3.29).

QT =U × åKlizzi × Ilizzi × DL (3.29)

onde: U é o perímetro; Klizzi é o fator que depende do tipo de solo na camada i, obtém-se

através da Tabela 3.7; I lizzi é o fator que depende do diâmetro da estaca, obtém-se através da

Tabela 3.8; ΔL é o comprimento do segmento da estaca. Observa-se que neste método não são
consideradas as parcelas de resistência devido a ponta.

Tabela 3.7 - Valores de Klizzi dependendo da condição do solo (LIZZI, 1982).

Solo Klizzi (kPa)

Solo mole 50

Solo fofo 100

Solo medianamente compacto 150

Solos rijos, pedregulhos e areias 200

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Tabela 3.8 - Valores de Ilizzi dependendo do diâmetro da estaca (LIZZI, 1982).

Diâmetro Nominal (m) Valor de Ilizzi


0,10 1,00
0,15 0,90
0,20 0,85
0,25 0,80
0,31 0,74
0,41 0,64

3.1.2.4 Método de Milititsky e Alves (1985)

No método de Milititsky e Alves (1985), os autores partiram de uma formulação empírica de


estudos estatísticos de quinze provas de carga realizadas em estacas escavadas no estado do
Rio Grande do Sul. A capacidade de carga é determinada pela equação (3.30).

QT =M2 × Np × AP + M1 × NL ×U × L (3.30)

onde: M2 , M1 são os coeficientes de proporcionalidade, descritos na Tabela 3.9; N p é a

média do índice de resistência a penetração, NSPT na profundidade da ponta da estaca, desde o

valor imediatamente acima até o valor imediatamente abaixo da cota da ponta da estaca; NL é
a média dos valores do índice de resistência à penetração, NSPT, ao longo do fuste da estaca,

exceto o último valor acima da ponta da estaca; AP é a área da seção transversal na ponta da

estaca; U é o perímetro da estaca; L é o comprimento da estaca.

Tabela 3.9 - Valores dos coeficientes M1 e M2 (MILITITSKY; ALVES, 1985).

Tipo de Escavação M1 M2
Perfuração mecânica 2,45 60
Tipo Strauss 2,35 90

3.1.2.5 Método de Cabral (1986)

O método desenvolvido por David A. Cabral em 1986, se constitui em um método empírico


ideal para estacas raiz, uma vez que leva em consideração a pressão de ar comprimido (p0)

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 68

aplicado no topo da estaca. O atrito lateral para cada trecho do fuste e a resistência de ponta
são apresentados conforme descrito nas Equações (3.31), (3.32) e (3.33).

fu =b0 × b1 × NL (3.31)

b0 =1+ 0,11× p0 - 0,01× D (3.32)

qp = b0 × b2 × NP (3.33)

em que: qp é a tensão limite normal no nível da ponta; f u é a tensão limite de cisalhamento

ao longo do fuste da estaca; b1 e b2 são coeficiente específicos do método que dependem do


tipo do solo, obtidos conforme Tabela 3.10; NL é o valor do NSPT médio da camada ΔL,

podendo ser metro a metro; DL é o comprimento da estaca por camada de solo; NP é o valor

do NSPT da camada da ponta da estaca; D é o diâmetro da estaca; e p0 é a pressão de injeção


aplicada na estaca raiz.

Tabela 3.10 - Coeficientes b1 e b2 (CABRAL, 1986).

Tipo de solo b1 (10-2 kgf/cm²) b2 (kgf/cm²)


Areia 7,0 3,0

Areia siltosa 8,0 2,8

Areia argilosa 8,0 2,3

Silte 5,0 1,8

Silte arenoso 6,0 2,0

Silte argiloso 3,5 1,0

Argila 5,0 1,0

Argila arenosa 5,0 1,5

Argila siltosa 4,0 1,0

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D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 69

3.1.2.6 Método da Brasfond (1991)

De acordo com Nogueira (2004), o método foi desenvolvido pela empresa Brasfond em 1991,
e se mostra um bom método empírico para estacas raiz, sendo determinadas as tensões
resistentes laterais e de ponta pelas Equações (3.34) e (3.35).

f u =a BRAS × N L (3.34)

qp = bBRAS × NP (3.35)

onde: a BRAS é um valor que depende do solo, de acordo com Nogueira (2004) pode ser
tomado como constante igual a 6,0kN/m²; b BRAS é um coeficiente que depende do tipo de

solo, conforme Tabela 3.11; NL é o valor do NSPT médio ao longo do fuste da estaca,

respeitando o limite de 40; NP é a média dos três valores de SPT em torno do nível da ponta,
respeitando também o limite de 40.

Tabela 3.11 - Coeficientes b BRAS (BRASFOND, 19912 apud NOGUEIRA, 2004).

Tipo de solo b BRAS (kN/m²)

Argila siltosa 90

Silte argiloso 100

Argila arenosa 110

Silte arenoso 120

Areia argilosa 130

Areia siltosa 160

Areia 200

Areia com pedregulhos 260

2
BRASFOND Fundações Especiais S.A. Catálogo. São Paulo, 1991. 54p.

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D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 70

3.1.2.7 Método de Teixeira (1996)

No método de Teixeira (1996), o autor propõe uma equação em função dos parâmetros aTEX e
bTEX para obter a capacidade de carga à compressão de uma estaca, conforme mostra a

Equação (3.36).

QT =QP + QL = aTex × Np × AP + bTex × NL ×U × L (3.36)

onde: ×Np é o valor médio do índice de resistência à penetração, NSPT, medido no intervalo de

4 diâmetros acima da ponta da estaca e 1 diâmetro abaixo; aTex é o parâmetro adotado em

função do tipo do solo e do tipo da estaca; NL é o valor médio do índice de resistência à

penetração, NSPT, ao longo do fuste da estaca; bTex é o parâmetro adotado em função do tipo

da estaca; AP é a área da seção transversal na ponta da estaca; U é o perímetro da estaca; e L


é o comprimento da estaca.

Este método não se aplica as estacas pré-moldadas de concreto flutuantes em espessas


camadas de argila mole, com NSPT inferior a três (CINTRA; AOKI, 2010). Nas Tabela 3.13, e
Tabela 3.12 são mostrados os valores dos parâmetros aTEX e bTEX .

Tabela 3.12 - Valores do parâmetro aTEX (TEIXEIRA, 1996).

Tipo de solo Tipo de Estaca – aTEX (kPa)

Pré-moldada e Escavada a céu


4<NSPT<40 Franki Raiz
perfil metálico aberto
Argila siltosa 110 100 100 100
Silte argiloso 160 120 110 110
Argila arenosa 210 160 130 140
Silte arenoso 260 210 160 160
Areia argilosa 300 240 200 190
Areia siltosa 360 300 240 220
Areia 400 340 270 260
Areia com pedregulhos 440 380 310 290

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D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 71

Tabela 3.13 - Valores do parâmetro bTEX (TEIXEIRA, 1996).

Tipo de estacas bTEX

Pré-moldada e Perfil metálico 4

Franki 5

Escavada a céu aberto 4

Raiz 6

3.2 MÉTODOS DE PREVISÃO DE RECALQUES EM ESTACAS

Em qualquer projeto de fundações a estimativa do recalque do topo de uma estaca é muito


relevante, pois as cargas de trabalho devem atender ao recalque máximo admissível que a
estrutura pode tolerar.

Há vários métodos de previsão de recalques: muitos levam em consideração estacas situadas


em um meio elástico ou elasto-plástico, abrangendo um espaço semi-infinito; outros admitem
um mecanismo simples de transferência de carga, através de funções de transferência,
definidas para um banco de dados para solos do local.

A despeito da complexidade da formulação, surgiram também alguns métodos mais simples


de cálculo, desprezando alguns dos fatores intervenientes. Sendo possível a separação desses
mecanismos de previsão da curva carga-recalque em métodos teóricos, semi-empíricos e
empíricos. Neste trabalho optou-se apenas pela revisão de alguns métodos teóricos semi-
empíricos de previsão de recalque, apesar da existência vários outros, sendo estes:

· Método de Poulos e Davis (1968): Neste método os autores propõem a previsão de


recalques de uma estaca cilíndrica, carregada axialmente em uma massa de solo, de
comportamento elástico linear, baseado nas soluções da equação de Mindlin (1936). Adota
hipóteses simplificadoras para o problema, como: linearidade entre as tensões e deformações;
homogeneidade do solo; e que a estaca seja incompressível. Considera um fator de influência
de deformações em função de características da camada de solo e do coeficiente de Poisson,
ainda correções possíveis sobre o fator de influência;

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 72

· Método de Vésic (1969): Fundamentado na forma de distribuição do atrito lateral e do


tipo de estaca, Vésic propôs um método semi-empírico, onde o recalque de uma estaca é dado
pela soma do recalque devido ao encurtamento elástico da estaca, pela carga de ponta da
estaca, e pelas cargas de atrito ao longo do fuste. As parcelas de recalque são calculadas com
equações que utilizam fatores empíricos combinados com características geométricas. A
aplicação deste método não leva em consideração o módulo de elasticidade do solo;

· Método de Aoki e Lopes (1975): Consiste num método numérico para o cálculo de
tensões e recalques em pontos no interior do solo para estacas e tubulões (isolados ou grupos).
O método se baseia numa discretização das cargas transmitidas aos componentes de uma
fundação em um sistema de cargas concentradas, estabelecendo as tensões e recalques de um
dado ponto através da superposição de efeitos. Considera a divisão da carga aplicada em atrito
lateral e carga de ponta, e a tensão na ponta é considerada como uniformemente distribuída. O
método de cálculo de Aoki e Lopes (1975) considera que as tensões e o deslocamento vertical
de qualquer ponto abaixo da estaca possa ser encontrados por meio da equação de Mindlin
(1936), devidos a uma carga pontual no interior de uma massa semi-infinita, homogênea,
isotrópica e elástica linear, assumindo conhecer: a força no topo, a profundidade, as
coordenadas do ponto em estudo, a distância horizontal, o módulo de elasticidade, e o
coeficiente de Poisson médio do solo;

3.3 INTERPRETAÇÃO DE CURVAS CARGA-RECALQUE

Tomlinson e Woodward (2008) mostraram em seu trabalho múltiplos critérios para a


determinação da carga de ruptura do sistema solo - estaca por meio da análise da curva carga-
recalque, apoiado em resultados de provas de carga, enfatizando os seguintes cenários: i) a
carga a partir do qual os valores do recalque crescem, sem que haja aumento da carga
aplicada; ii) a carga que provoca recalque, superior a 10% da menor dimensão da estaca; iii) a
carga que provoca recalques, desproporcionais à taxa de aumento do carregamento; iv) a
carga obtida da intersecção da reta tangente, a partir do ponto onde a curva do recalque se
torna vertical e da reta tangente da parte inclinada da mesma curva.

Schulze (2013) ressaltou que os métodos baseados em modelos matemáticos são os mais
utilizados na extrapolação da curva carga-recalque, para determinação da carga de ruptura,
uma vez que os métodos fundamentados em recalques limites geram incertezas em estacas

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 73

longas, porque não consideram o encurtamento elástico da fundação, e os métodos


fundamentados em análise gráfica são suscetíveis a erros gerados pela interpretação individual
do profissional.

Sendo assim, neste trabalho faz-se uma breve revisão dos principais métodos para
extrapolação da curva carga-recalque, com possibilidade de determinação da carga última, da
rigidez da estaca, e de previsão de recalques para níveis de carga estimados.

3.3.1 Método de Terzaghi (1943)

O método de Terzaghi (1943) estabelece como carga limite máxima para o sistema solo -
estaca aquela correspondente ao recalque ( r rup ) igual a 10% do diâmetro ( D ) da estaca,

conforme mostra a Equação (3.37). Este critério define uma ruptura convencional porque
considera um recalque limite, ou seja, a carga de ruptura é definida de acordo com um limite
máximo para o recalque permitido na estaca.

r rup = 0,1 × D ( mm ) (3.37)

3.3.2 Método de Davisson (1972)

O método de Davisson (1972) pode ser enquadrado no grupo de métodos baseados no


recalque limite, podendo também ser chamado de método limite de compensação. Trata-se de
um método que assume que a carga limite de uma estaca é alcançado logo após o recalque
mínimo de 3,8 mm somados a trigésima parte do diâmetro e a influência do encurtamento
elástico da estaca (NIYAMA; AOKI; CHAMECKI, 1998), conforme mostrado na Figura 3.7.
O recalque, correspondente a carga de ruptura, é estimado através da Equação (3.38).

æQ ×L D ö
r rup = çç rup + + 3,8 ÷÷ (3.38)
è E × A 120 ø

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 74

em que: r rup é o recalque de ruptura; Qrup é a carga de ruptura; L é o comprimento da

estaca; E é o modulo de elasticidade do material da estaca; A é a área da seção transversal


da estaca; D é o diâmetro da estaca.

Segundo Shulze (2013), o método de Davisson deve ser utilizado com cautela, porque ele foi
desenvolvido, e validado através de provas de carga estática realizadas em estacas cravadas,
correlacionando os resultados empíricos com aqueles previamente estimados.

Figura 3.7 - Método de Davisson.

3.3.3 Método da NBR 6122 (2010)

Segundo a NBR 6122 (ABNT, 2010), em seu item 8.2.1.1, a capacidade de carga de um
sistema solo-estaca deve ser considerada definida somente quando houver a ruptura nítida,
caracterizada por deformações contínuas sem novos acréscimos de carga. Entretanto, ocorrem
curvas carga recalque em que a ruptura nítida não é atingida: quando o sistema solo–estaca
apresenta capacidade de carga superior à carga máxima aplicada na estaca, ou quando esta
última apresenta recalques muito elevados, mas que não configurem características de ruptura
nítida. Para esses casos a norma NBR 6122 (ABNT, 2010) propõe a convenção da carga de
ruptura através do recalque, mostrado na Figura 3.8, e calculado pela Equação (3.39).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 75

æQ ×L Dö
r rup = çç rup + ÷÷ (3.39)
è E×A 30 ø

em que: r rup é o recalque de ruptura; Qrup é a carga de ruptura; L é o comprimento da

estaca; E é o modulo de elasticidade do material da estaca; A é a área da seção transversal


da estaca; D é o diâmetro da estaca.

Figura 3.8 - Método da NBR 6122 (ABNT, 2010) – Carga de ruptura convencional.

3.3.4 Método de Van der Veen (1953)

Segundo Niyama, Aoki e Chamecki (1998), o método de Van der Veen (1953) deve ser
provavelmente o mais utilizado no Brasil para extrapolar a curva carga – recalque. O método
estabelece uma relação linear entre o valor do recalque (ρ) e o parâmetro X, através de uma
função exponencial, como descrevem as Equações (3.40) e (3.41) (VAN DER VEEN, 1953).

(
Q = Qrup × 1 - e -aVV × r ) (3.40)

æ Q ö
X = a VV × r = - ln ç1 - ÷ (3.41)
ç Q ÷
è rup ø

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onde: Q é a carga aplicada no topo da estaca; Qrup é a carga última correspondente à assíntota

vertical da curva; a VV é o coeficiente que define a forma da curva; r é o recalque vertical

provocado pela carga Q; s é a tensão aplicada; s rup é a tensão de ruptura.

A proposta do método de Van der Veen foi generalizado por Aoki, conforme descrito por
Cintra e Aoki, (2010), e mostrado pela Equação (3.42).

s = s rup × [1 - e - (a
VV × S +bVV )
] (3.42)

em que: s é a tensão aplicada; s rup é a tensão de ruptura; r é o recalque vertical provocado

pela tensão s ; bVV é o ponto de intersecção com o eixo das abcissas no gráfico de X pelo

recalque; a VV é o coeficiente angular da reta formada no gráfico de X pelo recalque.

Para este método são assumidos valores de tensões de ruptura e, para cada um desses, calcula-
se o parâmetro X. Em seguida, constrói-se o gráfico de X vs. recalque alcançado na prova de
carga, correspondente a cada carga (Q). A Figura 3.9, mostra um exemplo da aplicação deste
método. A curva que exibir o melhor ajuste, ou seja, o valor do coeficiente de regressão linear
mais próximo de 1, para uma dada tensão de ruptura estimada, será a que melhor representa a
ruptura do solo (ALONSO, 2004).

Figura 3.9 - Método de Van der Veen (NIYAMA; AOKI; CHAMECKI, 1998).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 77

3.3.5 Método de Chin-Kondner (1971)

O método foi desenvolvido por Chin (1971) tendo como base as estacas sob carga de trabalho,
utilizando as bases teóricas levantadas do trabalho precursor de Kondner (1963). Considera o
comportamento da curva carga-recalque como hiperbólica, quando estiver próxima a carga de
ruptura.

Segundo Shluze (2013), o método visa estabelecer um ajuste linear para os dados obtidos de
valores de carga e recalque da prova de carga estática, levando em consideração no eixo das
ordenadas são colocados os valores da razão recalque por carga aplicada, e no eixo das
abcissas colocados os valores dos recalques medidos no ensaio de carregamento estático. O
desenvolvimento deste método pode ser descrito conforme Equações (3.43) e (3.44).

r
Q= (3.43)
bck × r + a ck

1
Qrup = (3.44)
bck

em que: Q é a carga aplicada na estaca durante o ensaio de prova de carga estática; Qrup é a

carga de ruptura; r é o recalque; ack é o coeficiente angular da reta do método de Chin-

Kondner; bck é o coeficiente linear da reta do método de Chin-Kondner.

A capacidade de carga última do sistema solo-estaca será o inverso do coeficiente angular da


reta, conforme mostra a Figura 3.10. Nota-se que os valores iniciais de recalque não são
considerados para aplicação da regressão linear.

Pérez (2014) afirmou que o valor da carga máxima obtida no método Chin- Kondner (1971) é
cerca de 20% a 40% superior aos valores calculados através do método Davisson (1972). E,
segundo o autor, o método Chin-Kondner (1971) pode ser aplicável tanto para ensaio de
carregamento lento (SML) quanto de carregamento rápido (QML), desde que o tempo de
aplicação dos incrementos seja constante.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 78

Figura 3.10 - Método de Chin – Curva (recalque/carga aplicada) x recalque.

3.3.6 Método de Décourt (1998)

O método de Décourt (1998a), também conhecido como método da rigidez, utiliza para a
estimativa da capacidade de carga do sistema solo-estaca, a regressão linear do trecho final da
curva carga pela razão da carga pelo recalque de dados advindos da prova de carga estática.

O método de Décourt (1998a) inicia-se dividindo os valores dos carregamentos pelos


respectivos recalques e plotando-se estes resultados (rigidez) no eixo das ordenadas, sendo
que no eixo das abcissas são plotados os valores das cargas aplicadas; na sequência aplica-se
uma regressão linear, ou seja, a escolha da reta que melhor se ajusta ao trecho final da curva
carga por rigidez; o ponto de intersecção da reta (regressão linear) com o eixo das abcissas
corresponde ao valor da carga de ruptura física da estaca. Cabe ressaltar que o método de
Décourt se aplica às estacas de deslocamento, ou aquelas que atingem a ruptura física na
prova de carga estática (ALBUQUERQUE, 2001). A Figura 3.11 mostra um exemplo da
aplicação do método.

De acordo com Schulze (2013), quando o sistema solo-estaca durante o ensaio de


carregamento estático não atinge a ruptura física, como é o caso de estacas escavadas, o
gráfico de rigidez por carga deverá ser do tipo log-log, porque apresenta melhor ajuste para a
curva demandando a partir desta nova abordagem.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 79

Figura 3.11 - Gráfico de Rigidez vs. carga do método de Décourt (1998a).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 3


CAPÍTULO 4
INSTRUMENTAÇÃO EM FUNDAÇÕES

A instrumentação na engenharia está associada a estudos teóricos e práticos dos instrumentos


e seus princípios científicos, utilizados para monitorar de forma contínua ou discreta, o
comportamento das grandezas de medidas como: pressão, deformação, vazão, temperatura
etc. Através da instrumentação um pesquisador pode fazer o acompanhamento do processo e
descrever o comportamento dos materiais (BALBINOT; BRUSAMARELLO, 2013a).

Hanna (1973) demonstrou várias técnicas de instrumentação aplicadas à geotecnia, onde os


parâmetros obtidos se relacionam com a finalidade que se deseja conhecer, em específico fez
um breve relato teórico da instrumentação em engenharia de fundações, apresentando
conceituação teórica razões, exemplos de uso, partindo do controle da execução, checagem de
critérios adotados em projeto, e conhecimento de um determinado parâmetro geotécnico.

Neste capitulo, optou-se por apresentar conceitos básicos, seguidos de definições e


equacionamentos, e por fim um breve histórico sobre trabalhos referentes a instrumentação de
fundações no Brasil.

4.1 CONCEITOS GERAIS

As instrumentações para fins experimentais são empregadas tanto para a calibração de


previsões teóricas quanto para avaliação das grandezas de medidas em situações em que
abordagens matemáticas não estão disponíveis ou são inadequadas.

Segundo Pazos (2002), um ‘transdutor’ é um dispositivo que transforma uma forma de


energia numa outra adequada para fins de medida, mensurando uma forma de energia que está
relacionada a outra através de uma relação conhecida. Por exemplo, pode-se medir pressão,
utilizando um transdutor que transforma a força exercida pela pressão numa tensão elétrica
proporcional a pressão. O transdutor é um sistema completo que produz um sinal elétrico de
saída que representa a grandeza física sendo medida. O sensor, por outro lado, é apenas a
parte sensitiva do transdutor, que se completa em muitos casos com um circuito eletrônico

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 81

para a geração desse sinal elétrico que depende do nível de energia da grandeza física que
afeta o dispositivo sensitivo. Na Figura 4.1 são mostrados os efeitos físicos que podem ser
transformados em sinais elétricos.

Figura 4.1 - Os sensores transformam efeitos físicos em sinais elétricos (PAZOS, 2002).

As formas básicas de instrumentação podem ser feitas utilizando os seguintes princípios de


funcionamento de sensores:

→ Pneumáticos: Neste tipo de instrumentação é utilizado um gás comprimido, no qual a


pressão é alterada conforme o valor que se deseja representar. Nesse caso, a variação
da pressão do gás é linearmente manipulada em uma faixa específica, padronizada
internacionalmente, para representar a variação de uma grandeza desde seu limite
inferior até seu limite superior. Os padrões de transmissão ou recepção dos
instrumentos pneumáticos mais utilizados estão compreendidos entre 20 a 100 kPa
(GALINA, 2003).
→ Hidráulicos: São parecidos com o tipo pneumático, entretanto, o tipo hidráulico
utiliza-se da variação de pressão exercida em óleos hidráulicos para transmissão de
sinal. É especialmente utilizado em aplicações onde torques elevados são necessários
ou quando o processo envolve pressões elevadas (GALINA, 2003).
→ Elétricos: Os sinais elétricos de corrente ou tensão são linearmente modulados em uma
faixa padronizada, representando o conjunto de valores entre o limite mínimo e
máximo de uma variável de um processo qualquer. Como padrão para transmissão a
longas distâncias são utilizados sinais em corrente contínua variando de 4 a 20 mA, e
para distâncias até 15m, também se utiliza sinais em tensão contínua de 1 a 5V. Os
sensores elétricos podem ter as informações sobre a variável medida transformadas e
enviadas para uma estação receptora, através de sinais digitais modulados e

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 82

padronizados. Para que a comunicação entre o elemento transmissor receptor seja


realizada com êxito é utilizada uma “linguagem” padrão chamado protocolo de
comunicação (BALBINOT; BRUSAMARELLO, 2013b).
→ Deslocamento ou Mecânicos: dentre os sensores de deslocamento se destacam os usos
de instrumentos como relógios comparadores e sensores do tipo LVDT (Linear
Variable Differencial Transformer), estes últimos classificados como transdutores
indutivos, tem seu princípio de funcionamento definidos pela variação de corrente em
função do deslocamento de uma bobina. Embora na prática o LVDT seja aplicado para
medir deslocamento linear, é possível aplicá-lo para medir uma força de tração ou
compressão, desde que acoplado a um elemento elástico com rigidez conhecida
(FIALHO, 2010).
→ Luz: O sensor de luz mais amplamente utilizado é o Resistor Dependente da Luz
(LDR). Baseados no efeito fotoelétrico, descoberto por Einstein, segundo o qual,
alguns materiais geram energia elétrica quando são iluminados. Na prática, isso é
equivalente a uma diminuição da resistência elétrica do material. Material mais
utilizado na fabricação é o sulfato de cádmio (PAZOS, 2002).
→ Óticos: Os sensores óticos estão baseados num raio de luz, em geral infravermelho,
gerado por um emissor e recebido por um receptor. A presença do objeto permite ou
impede (dependendo do tipo de sensor) a chegada do raio infravermelho ao receptor,
sabendo assim, o controlador se o objeto está presente no caminho da luz ou não. Na
saída se lerá 1 quando o contato fechar, 0 se permanecer aberto. Em geral, o emissor é
simplesmente um LED infravermelho polarizado adequadamente. O receptor é um
fototransistor ou um fotodiodo, que polarizado adequadamente também, corta ou
satura dependendo se está recebendo ou não luz, recebendo assim o controlador o 0 ou
1 correspondente (PAZOS, 2002).
→ Vibração: O princípio de funcionamento de um sensor de corda vibrante fundamenta-
se no comportamento de uma corda tensionada cuja frequência natural de oscilação é
conhecida, em termos do seu comprimento da corda, sua massa por comprimento e a
força que a tenciona. Com a variação destes parâmetros haverá a mudança na
frequência de oscilação. Esta alteração pode ser transformada, por um circuito
magnético instalado próximo da corda oscilante. A técnica de corda vibrante é
conhecida há, pelo menos, 100 anos, sendo utilizada no desenvolvimento de sensores
de força, deslocamento, torque, pressão, com grande precisão e confiabilidade. As

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 83

vantagens do sensor de corda vibrante em relação ao extensômetro estão relacionadas


a sua grande robustez, longa vida útil e facilidade de instalação. Por isto, ele é
largamente empregado em barragens, minas, escavações, estruturas prediais, entre
outras (SILVA et al., 2001).

Os extensômetros elétricos são largamente usados para medida das deformações em estruturas
de concreto (ALMEIDA; RODRIGUES, 2002). Tais medidas seguem o princípio de
transformar pequenas variações nas dimensões dos elementos estruturais em variações
equivalentes a resistência elétrica do extensômetro (ALMEIDA, 2004).

Segundo Gallina (2003), e Albuquerque (1996), o extensômetro elétrico apresenta as


seguintes vantagens de utilização:

• Grandes precisões nas medições;

• Pequeno tamanho, e peso leve;

• Excelente resposta aos fenômenos dinâmicos;

• Excelente linearidade;

• As medições são possíveis em uma grande faixa de temperatura;

• Aplicáveis submersos à água ou em atmosfera corrosiva com tratamentos adequados;

• Aplicados como transdutor para medida de várias grandezas físicas (força, pressão,
torque, aceleração, deslocamento, etc.).

• Possibilidade de medição à distância.

Segundo Balbinot e Brusamarello (2013b), dentre os diversos tipos de extensômetros elétricos


disponíveis no mercado, existem os que podem ser classificados como:

→ Extensômetro de fio;
→ Extensômetro semicondutor;
→ Extensômetro de lâmina (metal-foil strain gages);

Todo extensômetro elétrico possui uma base, na qual os filamentos de resistência são fixados.
Esta tem o objetivo de permitir que as deformações da peça sejam totalmente transmitidas aos
filamentos de resistência, e ao mesmo tempo isolar eletricamente os filamentos, não
permitindo passagem de corrente entre os filamentos do extensômetro e o material no qual o

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 84

extensômetro está sendo colado. Os materiais utilizados como base podem ser de papel,
baquelita (resina sintética, quimicamente estável e resistente ao calor), poliéster, poliamida,
epóxica (BALBINOT; BRUSAMARELLO, 2013b).

O extensômetro de fio é constituído de fio resistivo colados sobre uma base, que por sua vez
constitui o elemento sensível do extensômetro (BALBINOT; BRUSAMARELLO, 2013b). O
extensômetro semicondutor consiste basicamente de um pequeno e finíssimo filamento de
cristal de silício, que é geralmente montado em suporte epóxico ou fenólico (BALBINOT;
BRUSAMARELLO, 2013b).

Os extensômetros do tipo lâmina (ou strain gages), em princípio, são idênticos aos de fio. A
diferença básica está no processo de fabricação, em que se usa uma finíssima lâmina de uma
liga resistiva, da ordem de 3 a 10 µm, recortada por processo de máscara foto sensitiva
corroída com ácido (idêntico ao processo de fabricação de circuito impresso) (ADOLFATO;
CAMACHO; BRITO, 2004).

4.2 EXTENSÔMETROS ELÉTRICOS

O tipo mais comum de medidor de força, a partir de medidas de deformação de um objeto, é o


strain gage que consiste em um suporte isolante flexível que contém um padrão de folha
metálica, conforme mostra a Figura 4.2, inventado por Simmons e Ruge em 1938
(HOFFMANN, 2012).

O princípio básico de operação de extensômetros elétricos de resistência é conhecido há muito


tempo. Em 1856, Kelvin relatou suas observações sobre o condutor elétrico que estava
estudando, exibiu uma mudança na resistência elétrica com a variação da tensão mecânica,
isto é, devido forças de tração ou compressão. No entanto, a aplicação do princípio para a
medida de deformações é muito mais recente (HOFFMANN, 2012).

Para um extensômetro elétrico é possível relacionar a taxa de variação da resistência e a taxa


de deformações, através da Equação (4.1), conforme dedução constante no Apêndice A, onde
k é denominado de fator de sensibilidade do extensômetro, também conhecido como gage
factor. Cintra e Toshiaki (1988) destacam que o valor do fator de sensibilidade depende do
material utilizado na fabricação do extensômetro.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 85

∆R c  ∆R 
= k ⋅ε ou k =  c ε  (4.1)
Rc  Rc 

Figura 4.2 - Strain gage (Modificado de HBM, 2008).

Segundo Barreto Junior (2005), o valor do gage factor para os extensômetros elétricos de
resistência mais empregados, varia entre 2,0 e 2,6; para a platina chega a valores entre 4,0 e
6,0 e para o níquel, o valor de k é negativo (-2,0), o que vale dizer que quando submete-se à
tração um fio de níquel, sua resistência elétrica diminui, ao contrário do que ocorre com
outros metais. Na Tabela 4.1 são mostrados valores típicos para o fator de sensibilidade.

Tabela 4.1 - Valores de fator de sensibilidade (Modificado de BARRETO JUNIOR, 2005).

Metal ou Liga Nome Comercial Fator de Sensibilidade (k)


Cobre - Níquel Advance +2,1
(44Ni, 54Cu, 2Mn)
Cobre - Níquel Constantan +2,1
(40Ni, 60Cu)
Níquel - Cromo Nicromo V +2,2
(80Ni, 20Cr)
Níquel - Cromo Karma +2,1
(75Ni, 25Cr+Fe+Al)
Níquel Níquel -12,0
(100Ni)
Aço – Cromo – Molibdênio Isoelastic +3,5

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 86

4.2.1 Ponte de Wheatstone

Trata-se de um circuito usado em instrumentação inventado por Samuel Hunter Christie e


popularizado por Charles Wheatstone em 1843 (HOFFMANN, 2012). Este tipo de circuito é
usado para medir resistências e utiliza a técnica de balancear dois ramos de um circuito
elétrico onde a resistência desconhecida está em um dos ramos.

A saída dos extensômetros elétricos de resistência é normalmente medida, usando a ponte


Wheatstone, mostrada na Figura 4.3. O circuito tem quatro “braços”, formados pelas
resistências Rc1, Rc2, Rc3 e Rc4. A tensão é aplicada entre A e B e a resistência Rc1 é alterada
por incremento de∆Rc1até que não haja nenhuma corrente entre C e D (DUNNICLIFF, 1988).
Neste ponto a agulha do galvanômetro encontra-se no zero, ou seja, a ponte está em
equilíbrio.

Figura 4.3 - Ponte de Wheatstone (modificado de DUNNICLIFF, 1988).

Se a ponte estiver equilibrada e Rc2, Rc3 e Rc4 são conhecidos, Rc1+∆Rc1 pode ser calculada
a partir da Equação (4.2).

Rc1+ ∆Rc1 Rc 3
= (4.2)
Rc 2 Rc 4

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 87

Leis fundamentais da física definem que os resistores em série são divisores de tensão, e que a
diferença de potencial entre os resistores em paralelo não varia, sendo a corrente que varia
neste caso. Ainda da física elementar, para dois resistores em série com uma tensão de
alimentação aplicada a eles, conforme mostra a Figura 4.3, a tensão entre o ponto B e D é
chamada de UBD é expressa pela Equação (4.4).

Rc 3
UBD =Ue (4.3)
Rc 3+ Rc 4

Por analogia para o trecho BC pode ser equacionado:

Rc 1 + ∆Rc 1
U BC = U e (4.4)
( Rc 1 + ∆Rc 1) + Rc 2

A tensão de saída da ponte pode ser obtida pela diferença entre as tensões de saída nos braços
BC e BD, ao considerar-se os trechos CBD e CAD como resistores em paralelos.

 Rc 3 Rc1+ ∆Rc1 
U0 = Ue  −  (4.5)
 Rc 3 + Rc 4 (Rc1+ ∆Rc1) + Rc 2

onde: UBD é a tensão de saída no braço BD; UBC é a tensão de saída no braço BC; Ue é a
tensão de entrada nos pontos A e B; U0 é a tensão de saída nos pontos C e D.

Admitindo que Rc = Rc1 = Rc2 = Rc3 = Rc4, a Equação (4.5) pode ser reescrita como:

 R Rc + ∆Rc 
U0 = Ue  c −  (4.6)
 Rc + Rc (Rc + ∆Rc ) + Rc 

Assumindo que 2R é muito maior que ∆R pode-se considerar que 2R+∆R ≅ 2R, e assim
tem-se:

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 88

Ue ∆Rc
U0 = ⋅ (4.7)
4 Rc

Substituindo a Equação (4.1) na Equação (4.7), tem-se:

Ue
U0 = ⋅ k ⋅ε (4.8)
4

onde k é o fator de sensibilidade do extensômetro. Reescrevendo a Equação (4.8), tem-se:

U0
ε =4 (4.9)
k ⋅Ue

A partir das Equações (4.8) e (4.9), conclui-se que a voltagem de saída da ponte é
proporcional a variação relativa na resistência do extensômetro, e a partir desta variação de
resistência é possível medir indiretamente a deformação.

Nas pontes de Wheatstone sempre haverá quatro braços em sua configuração, porém, no
processo de medição existem três diferentes tipos de disposição de extensômetros no circuito
da ponte: i) um quarto de ponte; ii) meia ponte, e iii) ponte completa.

4.2.2 Configuração de montagem da ponte

As configurações possíveis de montagem da ponte de Wheatstone são mostradas na Figura


4.4. Quando somente um extensômetro está instalado no sensor, dito ativo, e os outros três
estão no módulo de leitura, ditos ‘externos’, nomeia-se o circuito em ¼ de ponte, ligação
correspondente a número 1, na Figura 4.4. Nesta configuração as deformações que são obtidas
possuem parcelas decorrentes dos efeitos de temperatura (t), do esforço normal (F), e do
momento fletor (M) (LAIBLE, 2000).

Se forem dois extensômetros instalados no sensor, ditos ‘ativos’, e os outros dois da ponte
estão no módulo de leitura, ditos ‘externos’, o circuito é chamado de ½ ponte, ligação
correspondentes aos números 2, 3, 4, e 5, da Figura 4.4. Nesta configuração podem-se obter

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 89

deformações que possuem parcelas decorrentes de pelo menos dois efeitos: nos números 2 e
3, esforço normal e momento fletor; no número 4, somente devido ao momento fletor; e no
número 5, devido à temperatura e ao esforço normal.

Quando os quatro extensômetros forem instalados no sensor, todos strain gages da ponte
ativos, o circuito é nomeado de ponte completa, configuração correspondente aos números 6 a
15, exceto a número 9, da Figura 4.4. Esta configuração apresenta a vantagem que as
deformações obtidas decorrerem somente de um dos quatro efeitos: temperatura (T), esforço
normal (F), momento fletor (Mb), e momento torçor (Mt). Exceto na configuração mostrada
no número 6, da Figura 4.4, onde as deformações decorrem de dois efeitos (esforço normal e
momento fletor).

A Figura 4.5 mostra uma configuração do circuito para montagem da ponte completa, e na
Figura 4.6, um modelo de disposição dos extensômetros em um sensor, correspondente ao
número 12 da Figura 4.4. Nesta situação ao considerar que o resistor Rc1 é ortogonal a Rc2 na
mesma face como mostra a Figura 4.6 (b), o mesmo é feito na outra face para os
extensômetros Rc3 e Rc4. Sendo assim, pode-se escrever as Equações (4.10), (4.11), (4.12) e
(4.13).

ε1 = ε Mb + ε N + εt (4.10)

ε3 = −ε Mb + ε N + εt (4.11)

ε 2 = −ν c ⋅ (ε Mb + ε N ) + εt (4.12)

ε 4 = −ν c ⋅ (−ε Mb + ε N ) + εt (4.13)

onde: ε Mb é a deformação provocada devido aos momentos fletores; ε N é a deformação


provocada devido aos esforços normais; e εt é a deformação provocada devido as variações
de temperatura.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 90

Figura 4.4 - Configurações de montagem da ponte de Wheatstone (modificado de LAIBLE, 2000).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 91

Figura 4.5 - Ponte completa com strain gages.

Expandindo a Equação (4.8) tem-se:

Ue
U0 = ⋅ k ⋅ (ε1 −ε2 + ε3 −ε4 ) (4.14)
4

Substituindo as Equações (4.10) a (4.13) na Equação (4.14), as parcelas referentes a


temperatura são anuladas, e também as deformações referentes a momentos.

Ue U
U0 = ⋅ k ⋅ ((ε N + ε M ) ⋅ (1 +ν ) + (ε N − ε M ) ⋅ (1 +ν )) = e ⋅ k ⋅ (2ε N ⋅ (1 +ν ))
4 4

Ue
U0 = ⋅ k ⋅ (1+ν) ⋅εN (4.15)
2

Pode-se concluir com a Equação (4.15), que o layout de colagem dos extensômetros elimina
os efeitos provocados pela influência da flexão e da temperatura.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 92

Figura 4.6 - Layout de colagem, (a) extensômetros colados em uma peça (b) vista lateral da peça.

Para esta pesquisa entende-se que a melhor configuração da ponte de Wheatstone, para
medição de tensões axiais em sensores instalados em seções de elementos estruturais, deve ser
a correspondente ao circuito número 12, da Figura 4.4, assim as deformações obtidas
decorrem apenas de esforços normais. O valor mostrado de 2(1+ν), na tabela a direita da
Figura 4.4, corresponde ao fator de ponte (B) que depende da configuração do circuito,
também chamado de bridge factor (HBM, 2015; LAIBLE, 2000).

4.3 TIPOS DE INSTRUMENTAÇÃO APLICADAS A FUNDAÇÕES

A instrumentação para fins geotécnicos tem sido largamente utilizadas, conforme mostra
trabalhos consagrados como: Dunnicliff (1988), que demonstrou vários tipos métodos de
instrumentação para utilização em geotecnia e também exemplos de aplicação de
instrumentação; e Lindquist et al. (1988) que enumeraram técnicas de instrumentação para: i)
medidas de deslocamentos e deformações, ii) cargas, iii) tensões totais, iv) pressões neutras,
v) vazões, vi) vibrações, e vii) para o estudo do mecanismo de transferência de carga de
fundações profundas.

Lindquist et al. (1988) mencionaram, a utilização de “tell-tales” para medidas de


deslocamento; extensômetros elétricos solidarizados as armaduras para determinar carga na
secção; células de pressão total; células de expansão, para determinação de tensão e carga; e
extensômetros elétricos, para medição de deformação e carga.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 93

A técnica de instrumentação com extensômetros elétricos ganhou relevância a partir dos anos
80, sendo a metodologia de aplicação mais empregada para a instalação dos instrumentos nas
fundações em campo nos dias atuais (GARCIA, 2015).

Antes da popularização do uso de extensômetros elétricos pela comunidade científica era


comum os usos de outras metodologias para medidas de força, através de medidas de
deslocamentos, podendo citar as técnicas: tell tales; extensômetros removíveis; e micrômetro
deslizante. A seguir apresenta-se breve relato sobre o funcionamento destes:

a) Na técnica de instrumentação com tell tales se obtém os valores de deslocamento de


maneira direta. Consiste, basicamente, em se colocar um tubo guia, de
aproximadamente 25mm de diâmetro, dentro da estaca, com sua ponta localizada em
níveis pré-determinados, no interior destes são posicionadas hastes de alumínio.
Através das leituras de deslocamento das hastes existentes nos diversos níveis torna-se
possível determinar o encurtamento da estaca para cada trecho e, por conseguinte, a
transferência de carga em cada nível. Este sistema é limitado pelo número de hastes.
Deve-se tomar cuidado com o possível atrito existente entre as hastes e o tubo, que
pode afetar as leituras dos instrumentos (ALBUQUERQUE, 2001). Segundo Velloso
et al. (1975) este método fornece valores de deformação não tão precisos por se tratar
de elemento mecânico, o que pode acarretar imprecisões nos valores de deformação,
principalmente para pequenas cargas, sendo necessário um encurtamento significativo
do elemento de concreto. Outro fator importante, mas de difícil obtenção, é o módulo
de elasticidade da estaca, necessário para calcular a transferência de carga.

b) Na técnica de extensômetros removíveis, consistem num conjunto de bloqueadores,


ligados entre si por tiras metálicas, instrumentadas com medidores de deformação. O
conjunto é introduzido num tubo guia previamente colocado dentro da estaca. Antes
do início da prova de carga, o bloqueador junto a ponta da estaca é acionado, ficando
preso. Em seguida, o conjunto é pré-tracionado e os outros bloqueadores são
acionados simultaneamente, ficando aderidos ao tubo guia. Quando a estaca é
carregada, estas tiras sofrem um alívio de tensão e se deformam e, como o “strain-
gage” está solidarizado a elas, torna-se possível determinar o encurtamento entre dois
bloqueadores consecutivos. Sua característica essencial está na possibilidade de
reutilização, após o término dos ensaios, e sua instalação é rápida e fácil, mostrando
vantagem em relação aos extensômetros elétricos de armadura que são irrecuperáveis.
A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4
D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 94

Este tipo de instrumento foi desenvolvido pioneiramente por Jézéquel e Bustamante


(19721 apud ALBUQUERQUE, 2001). Melhorias no equipamento foram
2
desenvolvidas conforme mostrado por Bustamante, Doix e Jézéquel (1991 apud
ALBUQUERQUE, 2001), como: montagem e desmontagem no prazo de 3h, metal
tratado contra corrosão, possibilidade de até 16 níveis de leitura, redução do peso em
25%, e adaptação a vários diâmetros de tubo. Experiências brasileiras para esta técnica
foram mostradas por Niyama et al. (1994) e Campos e Sobrinho (1996).

c) O Micrômetro deslizante é um medidor de deslocamentos de alta precisão. Consiste


em um transdutor indutivo de deslocamentos, na forma de uma sonda esférica que, ao
serem solicitados, fornecem valores de movimentação da estaca com precisão de
micrômetros. O aparelho permite a determinação de componentes axiais de
deslocamentos ao longo de eixos retilíneos no interior de massas de concreto, rocha ou
solo. A partir de um furo de aproximadamente 100mm de diâmetro são fixadas,
através de injeção, marcas de referência a cada 1000mm, ligadas entre si por um tubo
protetor. As leituras de deslocamentos são feitas através da introdução da sonda que,
associada as hastes, é levada a cada ponto de referência existente no tubo guia. Tanto
as marcas de referência quanto os cabeçotes esféricos das extremidades da sonda são
dotados de chanfros que permitem a passagem da mesma. As leituras são feitas através
de um aparelho digital que registra as informações efetuadas pelo transdutor, que são
transmitidas via cabo. O trabalho com o Micrômetro é rápido. Por exemplo: um tubo
com 30m de extensão é medido ida e volta em 30 minutos (ALBUQUERQUE, 2001).
Rottmann (1985) apresentou em detalhes o procedimento de preparação para a
utilização do Micrômetro Deslizante, utilizadas nas fundações da ponte do Mar
Pequeno (ligação entre os municípios de Praia Grande e São Vicente, ambos no
Estado de São Paulo), verificando a aplicabilidade dos métodos usuais de previsão de
capacidade de carga.

1
BUSTAMANTE, M., JÉZÉQUEL, J.F. Mesures des élongations dans le pieux et tirantes a l’aide
d’extensomètres amovibles. Travaux. n. 489. Paris. p. 48-52. 1975.
2
BUSTAMANTE, M., DOIX, B., JÉZÉQUEL, J.F. Un nouveau modèle d’extensomètre amovible LPC.
Fondations Profundes. Actes du Colloque Organisé par L’Ecole Nationale des Ponts e Chaussées. Paris, mars,
1991. p.397-404.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 95

4.4 EXPERIÊNCIA BRASILEIRA SOBRE INSTRUMENTAÇÃO DE


FUNDAÇÕES ESTAQUEADAS

Niyama et al. (1981) apresentam um dos trabalhos precursores no Brasil sobre a técnica de
instrumentação com extensômetros elétricos, onde foram colados strain gages em estacas
tubulares e em metálicas, em obra, sendo abordados os cuidados importantes que devem haver
durante a colagem e proteção dos strain gages.

Amaral e Rocha Filho (1985) estudam o mecanismo de transferência de carga de estaca


escavadas partindo de metodologia desenvolvida pelo BRS (Building Research Station -
Inglaterra), tendo como resultado o desenvolvimento de uma célula de carga para tal
finalidade, e o estudo sobre seu desempenho.

Rocha, Yassuda e Massad (1985) e Rocha e Dantas (1986) estudaram o comportamento de


estacas raiz, onde foram aplicadas instrumentações, por meio da introdução de uma barra de
aço CA-50, sendo nessas colados extensômetros elétricos em seis níveis ao longo do
comprimento, e a barra posicionada no centro de cada estaca. Estes trabalhos ressaltaram a
importância da determinação experimental do módulo de elasticidade, através da adoção da
secção de referência da estaca, uma vez que no segundo trabalho o solo foi escavado até
encontrar o segundo nível de instrumentação, com a finalidade de dispor de uma segunda
secção de referência, onde verificaram um valor de rigidez 7% superior ao primeiro trabalho.
Concluindo que nas análises de transferência de carga, deveriam ser majoradas no valor
proporcional ao valor encontrado entre os dois níveis estudados.

Ehrlich e Souza (1988) afirmam que a técnica de instrumentação requer muito cuidado e
experiência dos profissionais envolvidos. Os autores apresentaram as experiências obtidas no
uso de extensômetros elétricos de resistência, retratando, em seu trabalho, os cuidados que
devem ser tomados na confecção, os tipos de extensômetros comumente empregados, os tipos
de circuitos usuais e os fatores que afetam o desempenho de uma peça instrumentada.

No Brasil, deve-se ressaltar a importância de campos experimentais, devido a serem nestes


desenvolvidos muitos trabalhos afim de validar e calibrar melhor os métodos teóricos
empíricos utilizados. Dentre eles, destaca-se o Campo Experimental da POLI/USP, que onde
até no ano de 1989, já haviam sido executados vários ensaios em diversos tipos de fundações
profundas, quais sejam: estacas hélice contínua, Franki, barrete, escavadas de grande

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 96

diâmetro, injetadas de pequeno diâmetro, Strauss, pré-moldadas e metálicas. Sendo os tipos


de instrumentos utilizados nestas pesquisas na forma de extensômetros elétricos e “tell-tales”
(ALBUQUERQUE, 2001).

Dias e Soares (1990), ao estudarem a cravação de estacas metálicas, e processos de


adensamento, devido ao solo de argila mole em estudo, notaram a dificuldade de instrumentar
seções esbeltas de estaca metálicas submetidas a cargas axiais, ao colarem extensômetros
elétricos ocorreu perda e inutilização de vários sensores durante a cravação, e depois ao longo
do tempo, ressaltando que melhores procedimentos de proteção devem ser tomados.

Niyama e Azevedo Junior (1990) apresentaram uma técnica para instrumentação de uma
estaca pré-moldadas de concreto com o intuito de eliminar os danos ocorridos em
extensômetros elétricos causados pela cravação. De acordo com os autores a técnica foi
desenvolvida pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo) e
consiste na colocação prévia de tubos no interior da estaca durante sua confecção; em seguida
os extensômetros são introduzidos na estaca e o espaço preenchido com nata de cimento. Os
autores obtiveram como resultado desta técnica a redução considerável de perdas das barras
instrumentadas.

Albuquerque (1996), Menezes (1997), Teixeira, Albiero e Carvalho (1998), Ferreira et al.
(1998) e Albuquerque (2001) instrumentaram vários tipos de estacas. Em todos os trabalhos
as estacas eram previamente executadas com tubo de aço galvanizado (ou bainha), com uma
tampa (cap) em sua ponta, para que posteriormente fosse instalada a instrumentação sem
perdas. A instrumentação consistiu em extensômetros elétricos colados em barras de aço CA-
50A, com diâmetro de 12,5mm e comprimento de 600mm, calibradas previamente em
laboratório, inseridas em um tubo de aço e unidas através de luvas até formarem uma barra
contínua. Após a inserção da barra instrumentada, executou-se a injeção de nata de cimento
de baixo para cima. Os trabalhos ressaltam os bons resultados obtidos com este tipo de técnica
de instrumentação, fundamentando várias análises nos vários trabalhos.

Sales (2000) instrumentou estacas escavadas de diâmetro de 150 mm e comprimento de 5


metros no seu topo e sua ponta, desenvolvendo 10 células de carga na forma de ponte
completa de Wheatstone, com extensômetros de 120 ohm colados sobre um tubo de alumínio
centralizados com pratos, o objetivo das instrumentações foi determinar a carga no topo e na

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 97

ponta das estacas com foco no estudo de sapatas estaqueadas. Os instrumentos desenvolvidos
mostraram boa linearidade antes e após os testes.

Albuquerque (2001) ressaltou que, quando se deseja instrumentar uma estaca deve-se tomar
alguns cuidados, dentre eles: i) o posicionamento dos instrumentos, que define o nível e a
importância das informações que se visa obter, por exemplo, posicionamento em mudanças de
camada de solo e próximo a região da ponta; e ii) a definição de uma seção de referência onde
se assume a carga conhecida aplicada na PCE, e partir das deformações medidas pela
instrumentação se calcula o módulo da estaca, sendo neste caso instalado um instrumento
num trecho inicial da estaca, situado abaixo do bloco de coroamento, sem nenhum contato
com o solo circundante. A seção instrumentada, deste trecho inicial, é denominada seção de
referência.

Souza (2001) desenvolveu um trabalho sobre Estaca Piloto Instrumentada (EPI), visando a
obtenção de dados para uma melhor compreensão do fenômeno da transferência de carga, em
profundidade, de estacas solicitadas a esforços axiais de compressão. A EPI foi composta por
segmentos de um tubo de aço, intercalados por células de carga, possibilitando montagens de
acordo com a necessidade do ensaio, quer na quantidade de células de carga quer no seu
comprimento.

Souza (2001) aplicou a EPI em 3 (três) campos experimentais: i) Campo Experimental da


USP/ABEF, ii) Campo Experimental da FEIS/Unesp e iv) Campo Experimental da
EESC/USP. A escolha destes locais se deu devido ao conhecimento sobre: i) solos típicos do
Estado de São Paulo; ii) disponibilidade de resultados de sondagens SPT, ensaios CPT e iii)
provas de carga em estacas em verdadeira grandeza, dos mais variados tipos, algumas delas
instrumentadas em profundidade. As células de carga da EPI foram montadas com
extensômetros elétricos na configuração de ponte completa, sendo calibrados em laboratório.
A proteção aplicada as células não foram efetivas contra umidade. Os resultados alcançados
mostraram boa correlações em termos de determinação do atrito lateral.

Guimarães (2002) apresentou resultados de algumas provas de carga realizadas no campo


experimental da UNB, onde as estacas foram instrumentadas em diversos níveis de
profundidade, com extensômetros elétricos colados as barras de aço longitudinais das estacas
com configuração de ¼ de ponte de Wheatstone. Segundo o autor, o sistema de leitura dos

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 98

extensômetros sofreram grande variação com a temperatura, levando o mesmo a abandonar


parte dos resultados encontrados.

Nogueira (2004) analisou o comportamento de estacas tipo raiz, diâmetro de 400 mm e


comprimento de 12m, submetidas a esforços de compressão através da realização de provas
de carga instrumentadas executadas em solo de diabásio não saturado característico da região
de Campinas/SP. As estacas foram instrumentadas ao longo do fuste, em 3 níveis, com
extensômetros elétricos de resistência com a finalidade de se obter os dados do mecanismo de
transferência de carga em profundidade. A instrumentação instalada conseguiu determinar a
distribuição da carga ao longo dos níveis, evidenciando a transferência de carga ao longo do
fuste da estaca, e serviram para verificar a correlação com previsões de carga e recalque.

Pacheco (2004) ao analisar a interação entre estacas escavadas em solo residual no campo
experimental da EEC/UFG, instrumentou 3 (três) estacas escavadas de diâmetro de 25 cm, e
profundidade de 5,0 metros, em 3 (três) níveis, sendo topo meio e ponta, utilizou
extensômetros elétricos colados as barras longitudinais das estacas, com circuito montado em
¼ de ponte de wheatstone. Os resultados da instrumentação obtidos não foram coerentes e o
autor optou por não utilizá-los, justificou em função da não compensação de temperatura e
perda da efetividade da proteção do circuito dos extensômetros.

Garcia (2006) estudou o comportamento da curva carga-recalque de 02 (duas) estacas raiz


instrumentadas, uma com 310 mm de diâmetro e 23 metros de comprimento, e outra com 41
cm de diâmetro e 12 metros de comprimento, submetidas a esforços de compressão, no intuito
de atribuir o comportamento da interação solo-estaca e comparar com métodos de previsão, e
determinar as parcelas de resistência devido à ponta e ao atrito lateral. As estacas foram
instrumentadas em 5 níveis par estacas de 23 metros, e 3 (três) níveis para a estaca de 12
metros, foram utilizados extensômetros elétricos de resistência colados em barras de aço CA-
50A, com diâmetro de 12,5mm e comprimento de 600 mm, inseridas em um tubo de aço e
unidas através de luvas até formarem uma barra contínua, em procedimento definido por
Albuquerque (1996).

Mucheti (2008), no seu trabalho sobre estacas hélice segmentada, realizou prova de carga
estática instrumentada, com carregamentos lento e rápido, à compressão, em estaca de 300
mm de diâmetro e 12 m de comprimento, instalada no Campo Experimental de Fundações e
Mecânica dos Solos da UNICAMP. A instrumentação consistiu em colar extensômetros

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elétricos em ponte completa em barras de CA-50A de 12,5mm de diâmetro e 600 mm de


comprimento, conforme procedimento definido por Albuquerque (1996). A instrumentação
foi posicionada em 4 quatro níveis: 0,4; 5,0; 11,1; 11,7 metros. Como resultado o autor
concluiu que a maior parte da carga aplicada à estaca hélice segmentada instrumentada foi
absorvida por atrito lateral, ficando esta parcela, em média cerca de 94% tanto para o
carregamento lento quanto para o carregamento rápido, sendo estes dados muito próximos aos
obtidos por Albuquerque (2001), que encontrou valores de 93% de atrito lateral para o
carregamento lento e 94% para o carregamento rápido em estacas tipo hélice contínua.

Paschoalin Filho (2008) apresentou dados sobre instrumentação de 03 provas de carga estática
a tração, executadas em estacas tipo raiz, de comprimento de 12 metros e diâmetro de 410 cm.
A instrumentação foi definida em 2 níveis: 0,60; 5,00 metros, também por meio de
extensômetros elétricos em ponte completa colados em barras de CA-50A de 12,5mm de
diâmetro e 600 mm de comprimento, conforme procedimento definido por Albuquerque
(1996). O autor encontrou para a estaca raiz um modulo de elasticidade na seção de referência
de na ordem de 3,8 GPa.

França (2011) comparou o comportamento teórico previsto para estacas escavadas de grande
diâmetro com dados obtidos por prova de carga com instrumentação em profundidade para
aplicação de cargas axiais de compressão. O autor apresentou uma revisão sobre
instrumentação, incluindo um levantamento histórico sobre casos de estacas de grande
diâmetro instrumentadas com várias metodologias. O estudo apresentou o resultado de 03
(três) provas de carga estática, com diâmetros de 1,20 metros, e comprimentos de 23, 29 e 31
metros, cada estaca instrumentada em 7 níveis com um total de 20 sensores constituídos de
extensômetros elétricos, na configuração de ponte completa, colados em barras de aço CA-50ª
de 12,5mm de diâmetro e 60cm de comprimento, conforme procedimento definido por
Albuquerque (1996). O autor demonstrou no trabalho que após várias análises comparando
previsões com instrumentação poder-se-ia para o caso estudado uma redução de comprimento
de 3 metros por estaca.

Albuquerque et al. (2011a) e Albuquerque et al. (2011b) apresentam resultados de prova de


carga instrumentadas, sendo o primeiro no campus experimental da UNICAMP no Brasil e o
segundo no campo experimental da universidade do Porto em Portugal. Ambos trabalhos
usaram extensômetros elétricos colados em barras, para estacas escavadas, hélice continua,
ômega, sendo ao final das simulações feitas exumações das estacas para verificar condições
A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4
D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 100

das estacas. No primeiro trabalho as estacas foram instrumentadas em 4 (quatro) níveis


constituídos de extensômetros elétricos, na configuração de ponte completa, colados em
barras de aço CA-introduzidas em tubos, sendo solidarizados as estacas através de pasta de
cimento, e não sendo recuperáveis. No segundo trabalho as estacas foram instrumentadas em
6 (seis) níveis com sensores compostos por extensômetros elétricos colados em barras de aço,
inseridos em tubos previamente concretados nas estacas, com a diferença que foi utilizado
uma tecnologia que permitiu o posicionamento e a remoção dos instrumentos, e combinado
com outras instrumentações como célula de pressão total na ponta da estaca, e LVDT nos
topos das estacas. Como resultado dos trabalhos concluiu-se que estacas escavadas e hélice
contínua tem comportamento similar de atrito lateral, e que ambas as técnicas de
instrumentação aplicadas em cada trabalho são boas em termos de medidas da distribuição de
carga em uma fundação profunda.

Silva (2011) instrumentou 7 (sete) estacas escavadas tipo hélice contínua para determinar o
real mecanismo de transferência de carga na interface estaca/solo, determinando o atrito
lateral e a parcela de ponta. A finalidade do estudo foi entender o mecanismo de transferência
de carga ao longo da estaca e compará-lo com a energia ao longo da estaca. As
instrumentações instaladas nas 7 (sete) estacas dos Sítios 2 e 11 consistiram de extensômetros
elétricos de resistência, colados em barras de aço CA-50, com 12,5mm de diâmetro e 400 mm
de comprimento e instalados aos pares no mesmo nível, em posição diametralmente oposta,
com ligação dos extensômetros em ponte completa, de acordo com procedimento de
Albuquerque (2001) que sugere a utilização de bainha metálica antes da introdução da barra
na estaca, com posterior injeção de nata de concreto para garantir a centralização. Neste
trabalho a instrumentação da 3 (três) estacas foram executadas sem utilização de tubo, sendo
posicionadas junto com a execução da estaca, e não foram observadas flexão excessiva da
barra ou insuficiência da proteção da instrumentação, não interferindo na centralização e
acurácia.

Schulze (2013) comparou os resultados da aplicação dos métodos semi-empíricos para o


cálculo da capacidade de carga do sistema solo – estaca, com os valores de referência obtidos
por uma prova de carga instrumentada em profundidade, para uma estaca escavada por trado
mecânico, com diâmetro de 250 mm e comprimento igual a 5,0 m, executada no solo do tipo
laterítico na região de Campinas-SP. Os dados da instrumentação revelaram que a estaca em

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


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estudo caracterizou-se como uma estaca de atrito, e que maior parte dos métodos semi-
empíricos forneceu resultados abaixo da capacidade de carga obtida pela prova de carga.

Freitas Neto (2013) realizou a instrumentação de provas de carga de um radier assentado


sobre uma estaca defeituosa, de um radier com duas estacas íntegras e uma defeituosa, e de
um radier com três estacas íntegras e uma defeituosa. A região danificada da estaca mediu
600 mm e está posicionada entre 1,90 metros e 2,50 metros abaixo da cota de arrasamento dos
respectivos radiers. Todas as estacas executadas no campo experimental tiveram 250 mm de
diâmetro e 5 metros de comprimento, com instrumentação posicionada no topo e na ponta, e
com espaçamento entre eixos equivalente a 5 diâmetros. A instrumentação consistiu na
colagem de extensômetros elétricos, em ponte completa, em barras de CA-50A de 12,5mm de
diâmetro e 300 mm de comprimento, fixadas com arame recozido junto as ferragens da
estaca, não sendo aplicado tubos de proteção. Não foram relatadas perdas de instrumentação.

Pérez (2014) demonstrou o comportamento de estacas escavadas a trado com três diferentes
diâmetros, sendo eles 250 mm, 300 mm e 400 mm, com comprimento de 5,0 metros, todas
instrumentadas, submetidas a provas de carga estática do tipo lenta, em comparação com a
teoria da transferência de carga e dos métodos teóricos e semi-empíricos para o cálculo da
capacidade de carga. As instrumentações foram construídas com extensômetros elétricos em
ponte completa, em barras de CA-50A de 12,5 mm de diâmetro e 300 mm de comprimento,
fixadas com arame recozido junto as ferragens da estaca, não sendo aplicado tubos de
proteção, posicionadas no topo e na ponta de maneira a se obter os dados do mecanismo de
transferência de carga em profundidade. Como resultado da instrumentação pode-se afirmar
que as estacas trabalharam preponderantemente por atrito lateral.

Albuquerque e Melo (2014) evidenciaram que quando se varia o tipo de ligação utilizada para
montagem dos circuitos dos extensômetros na instrumentação, podem ocorrer diferenças
substanciais das deformações medidas, ainda demonstraram que o posicionamento do strain
gage (mesa ou alma) não influenciou nos resultados de deformação, e portanto, para um bom
funcionamento da instrumentação, deve-se estudar detalhadamente o tipo de ligação a ser
empregada, tendo em vista os custos envolvidos neste tipo de trabalho, bem como a
mobilização da obra para a realização de uma prova de carga. O programa experimental
utilizado pelos autores consistiu em instrumentar um perfil metálico de 300 mm de
comprimento, na alma e mesa, empregando ligações do tipo ponte completa, 1/2 ponte e 1/4

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de ponte. Após a instrumentação o perfil foi carregado axialmente a compressão, obtendo


leituras das deformações para cada incremento de carga.

Garcia (2015) instrumentou estacas escavadas no topo e na sua base, sendo as estacas com
250 mm de diâmetro e comprimento de 5 metros, com a finalidade de analisar o
comportamento de radiers estaqueados com uma, duas, três e quatro estacas. Foram colados
extensômetros elétricos em barras de aço CA-50A com diâmetro de 12,5mm e comprimento
de 600 mm, na configuração de ponte completa, estas barras foram calibradas em laboratório
e unidas através de luvas até formarem uma barra contínua, e posicionadas no fuste da estaca
antes da concretagem. Como conclusão o autor ressalta que a instrumentação por
extensômetros mostra-se adequada para determinar as cargas na ponta e no topo da estaca,
permitindo conhecer informações sobre transferência de carga.

Albuquerque (2001) apresentou um levantamento da experiência nacional em provas de carga


instrumentadas entre os anos de 1975 a 1998, relatando 18 trabalhos sobre o tema. A fim de
complementar esta relação, apresenta-se nesta dissertação os trabalhos entre 1998 a 2015,
conforme mostra a Tabela 4.2, ressaltando que o complemento à tabela original contempla
somente os trabalhos considerados relevantes para esta pesquisa. Todavia, a contribuição de
complementação justifica-se como guia para estudos futuros sobre o tema desta dissertação.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


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Tabela 4.2 – Experiência nacional em provas de carga instrumentadas.

Ano Local Referência Solo Fundação Instrumentação


Areia siltosa, argila
1975 Rio de janeiro/RJ Velloso et al. (1975) Estaca barrete (0,50x1,3m, L=8m) “Tell-tales”
siltosa
Costa Nunes et al. (1979), Argila orgânica, areia
1979 Itaguaí/RJ Estaca pré-moldada (D=0,60m, L=24 e 27,5m) Barras instrumentadas e “tell-tales”
Spinelli et al.109 (1979) siltosa
Niyama et al. (1981), Massad Aterro, solo de alteração
1981 São Paulo/SP Micro-estacas (D =0,11L=3,55m, 7,21m e 9,92m) Barra instrumentada longa (inserida em tubo)
F. et al. (1981) de rocha
Extensômetros colados na superfície da
1982 Plataforma Marítima/CE Niyama et al. (1982) Areia siltosa Estaca – tubular – metálica (D=34”, L=88,4m)
estaca
Argila arenosa, argila
1982 Vitória/ES Fontoura et al. (1982) Estaca Escavada (D=1,2m, L=22m) “Tell-tales”
siltosa
1985 n/d Amaral e Rocha Filho (1985) n/d Escavada (D =0,30m, L=10m) Célula de carga
1985 Rio de janeiro/RJ Lamare Neto et al. (1985) Areia silto-argilosa Estaca injetada sob pressão (D=0,117m, L=5,8m) Barra instrumentada longa (inserida em tubo)
Rocha et al (1985) e Rocha e Argila siltosa, areia de
1985 IPT/SP Estaca raiz (D=0,26m, L=20,23m) Barras instrumentadas curtas (calibradas)
Dantas (1986) textura variada
Hélice contínua, Franki, barrete, escavadas,
1989 Campo Exp. POLI/USP ABEF (1989) Siltes arenosos Barras instrumentadas e “tell-tales”
Strauss, injetadas, pré-moldadas
Estacas presso-ancoragem (D=0,15m e, L=20m)
1990 São Paulo/SP Azevedo Jr et al. (1990) Argila arenosa, arenito Barras instrumentadas curtas
e raiz (D=0,17m e L=20m)
1990 IPR - DNER/RJ Dias e Soares (1990) Argila mole Estaca tubular metálica (D=8” L=6,5m) Extensômetros colados na superfície da estaca
Areia fina (tubo de Modelos de estacas (aço e concreto) D=14cm, Extensômetros colados na estaca de aço, barra
1992 IPT/SP (laboratório) Niyama (1992)
ensaio) L=2,0m) e “tell-tale”
1991 Campo Exp. EESC/USP Carvalho et al. (1991) Areia argilosa Estaca raiz (D=0,25m e L=16m) Barras instrumentadas curtas (calibradas)
Estacas escavadas (D=0,35, 0,40, 0,50m e,
1994 Campo Exp. EESC/USP Mantilla et al. (1994) Areia argilosa Barras instrumentadas curtas (calibradas)
L=10m)
Estaca mista (pré-moldado L=10m e sapata
1996 São Paulo/SP Campos e Sobrinho (1996) Argila silto-arenosa, Extensômetro removível (IPT)
L=1,8m)
Argila silto-arenosa, silte Barras instrumentadas curtas (calibradas)
1996 Campo Exp. Unicamp Albuquerque (1996) Estaca pré-moldada (D=0,18m e, L=14m)
areno-argiloso inseridas em tubo
Campo Exp. Unesp (Ilha Estacas pré-moldadas: 0,17x0,17m; 0,23x0,23m, Barras instrumentadas curtas (calibradas)
1997 Menezes (1997) Areia siltosa
Solteira) L=13m) inseridas em tubo
Estacas apiloadas (D =0,25 m e L=4; 7,05 e Barras instrumentadas curtas (calibradas)
1998 Campo Exp. Unesp (Bauru) Ferreira (1998) Areia silto-argilosa
10m) inseridas em tubo

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


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Tabela 4.3 – Experiência nacional em provas de carga instrumentadas (continuação).

Ano Local Referência Solo Fundação Instrumentação


Argila arenosa vermelha
2000 Brasília/DF Sales (2000) Estaca broca (D=0,15m, L=5m) Células de carga entre pratos
porosa
Argila silto-arenosa, silte Estaca hélice continua, ômega, escavada Barras instrumentadas curtas (calibradas)
2001 Campo Exp. Unicamp Albuquerque (2001)
areno-argiloso (D=0,40m e, L=12m) inseridas em tubo
Campo Exp. USP/ABEF; FEIS Argila silto-arenosa, Estaca Piloto Instrumentada (D=0,09m; L=5m),
2001 Souza (2001) Células de carga em estacas metálicas
/Unesp; EESC/USP Argila arenosa tipo estaca mega
Argila arenosa vermelha Extensômetros colados em ¼ de ponte em
2002 Brasília/DF Guimarães (2002) Estacas escavadas (D=0,30m; L=7,0 a 8,0m)
porosa barras de aço ao longo da estaca
Argila silto-arenosa, silte Barras instrumentadas curtas (calibradas)
2004 Campo Exp. Unicamp Nogueira (2004) Estaca raiz (D=0,40m e, L=12m)
areno-argiloso inseridas em tubo
Extensômetros colados em ¼ de ponte em
2004 Campo Exp. EEC/UFG Pacheco (2004) Argila arenosa vermelha Estacas escavadas (D=0,25m; L=5,0m)
barras de aço ao longo da estaca
Argila silto-arenosa, silte Barras instrumentadas curtas (calibradas)
2006 Campo Exp. Unicamp Garcia (2006) Estaca raiz (D=0,31 e 0,41m e, L=21 e 12m )
areno-argiloso inseridas em tubo
Argila silto-arenosa, silte Barras instrumentadas curtas (calibradas)
2008 Campo Exp. Unicamp Mucheti (2008) Estaca tipo hélice segmentada (D=0,30; L=12m)
areno-argiloso inseridas em tubo
Argila silto-arenosa, silte Barras instrumentadas curtas (calibradas)
2008 Campo Exp. Unicamp Paschoalin Filho (2008) Estaca raiz (D=0,31;L=12m )
areno-argiloso inseridas em tubo
Areia siltosa interposta Estacas escavadas de grande diâmetro Barras instrumentadas curtas (calibradas)
2011 Osasco/SP França (2011)
com argila siltosa (D=1,20m; L= 23, 29 e 31m) inseridas em tubo
Argila silto-arenosa, silte Estaca hélice continua, ômega, escavada Barras instrumentadas curtas (calibradas)
2011 Campo Exp. Unicamp Albuquerque et al. (2011)
areno-argiloso (D=0,40m e, L=12m) inseridas em tubo
Solo residual de granito Estaca hélice continua, cravada e escavada Extensômetros removíveis, células de pressão
2011 Campo Exp. Univ. Porto Albuquerque et al. (2011)
– areia fina (D=0,60m e, L=6; 12 a 22m) total, medidores de deformação relativa
Argila arenosa vermelha Barras instrumentadas curtas (calibradas)
2011 Brasília/DF Silva (2011) Estaca hélice continua
porosa inseridas em tubo
Argila silto-arenosa, silte Barras instrumentadas curtas (calibradas)
2013 Campo Exp. Unicamp Schulze (2013) Estaca escavada (D=0,25m; L= 5,0m)
areno-argiloso inseridas em tubo
Argila silto-arenosa, silte Barras instrumentadas curtas amarradas as
2013 Campo Exp. Unicamp Freitas Neto (2013) Estaca escavada (D=0,25m; L= 5,0m)
areno-argiloso ferragens das estacas
Argila silto-arenosa, silte Barras instrumentadas curtas amarradas as
2014 Campo Exp. Unicamp Pérez (2014) Estacas escavada (D=0,25;0,30;0,40m; L=5,0m)
areno-argiloso ferragens das estacas
Perfil instrumentado em ¼ ; ½ e ponte
2014 Campo Exp. Unicamp Albuquerque e Melo (2014) Laboratório Perfil Metálico tipo H
completa
Argila silto-arenosa, silte Barras instrumentadas curtas conectadas com
2015 Campo Exp. Unicamp Garcia (2015) Estaca escavada (D=0,25m; L= 5,0m)
areno-argiloso luvas

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 4


CAPÍTULO 5
METODOLOGIA

Esta pesquisa visou planejar e desenvolver uma instrumentação capaz de medir cargas numa
fundação estaqueada, como um radier estaqueado, ou bloco sobre estacas, de uma obra
qualquer. Podendo ser aplicada em pilares e estacas, para tal foram desenvolvidos sensores
compatíveis com a capacidade de medir carga nestes elementos estruturais.

Para confecção dos sensores foram utilizados extensômetros elétricos, devido, principalmente,
a disponibilidade de mercado, baixo custo e a larga experiência brasileira com este tipo de
dispositivo, conforme mostrado no Capítulo 4.

As etapas da pesquisa foram realizadas de acordo com a Figura 5.1. O processo iniciou com a
confecção dos sensores, definindo a escolha de materiais e métodos de colagem e proteção.
Após a confecção, todos os sensores foram calibrados, um a um, em laboratório a fim de
verificar seu funcionamento, linearidade e dispersão dos resultados e estabilidade. Foram
simulados modelos reduzidos de pilares curtos de concreto com o intuito de verificar a
diferença dos modelos dos sensores e a influência do confinamento do concreto, conforme
mostra o Capítulo 6. Também foram instalados sensores em provas de carga estática para
obter a distribuição de cargas ao longo da extensão da estaca. Por fim comparando estes
resultados com aqueles previstos pelos métodos de uso corrente citados no Capítulo 3.

Figura 5.1 - Etapas previstas para o projeto de instrumentação.

INSTALAÇÃO DOS
ENSAIOS DE CALIBRAÇÃO
CONFECÇÃO DOS CONJUNTOS DE
DOS SENSORES NO
SENSORES SENSORES EM MODELOS
LABORATÓRIO
REDUZIDOS

COMPARAÇÃO COM
INSTALAÇÃO DOS
METODOS DE
CONJUNTOS DE
CAPACIDADE DE CARGA,
SENSORES EM PROVAS
RECALQUE E CURVAS
DE CARGA
CARGA X RECALQUE

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 106

5.1. CONFECÇÃO DOS SENSORES

Para descrever a metodologia adotada para a confecção dos sensores é fundamental discutir
aspectos como: i) o tipo de extensômetro; ii) a escolha do material e geometria do sensor; iii)
a configuração de montagem da ponte; iv) a montagem do circuito; e v) a proteção do circuito
do sensor.

5.1.1 Definições dos extensômetros

Os extensômetros elétricos (strain gage) utilizados para confecção do sensor foram


configurados em circuitos em ponte completa; esta configuração da ponte de Wheatstone
permite que variações extremamente pequenas, da ordem de milésimos do ohm, na resistência
elétrica do condutor (tipicamente resistência de 120 ou 350 ohms) possam ser medidas.

Nesta pesquisa foram empregados os extensômetros do tipo roseta 90º de 120 Ω, conforme a
Figura 5.2. A escolha do extensômetro em roseta facilita o processo de colagem, uma vez que
diminui o número de colagens dos extensômetros pela metade. Os extensômetros utilizados
foram adquiridos da empresa Excel Sensores Indústria e Comercio e Exportação Ltda, modelo
PA-13-125TG-120-L, no caso de sensores de alumínio, e modelo PA-06-3000BA-120-L, no
caso dos extensômetros colados nas faces dos pilaretes de concreto. As classificações dos
tipos de extensômetros seguem regras de cada fabricante, mas, de modo geral, apresentam a
organização mostrada na Figura 5.3. Outra característica intrínseca de cada extensômetro é o
fator de sensibilidade (k), também chamado de gage factor, conforme mostrado na Equação
4.11. Nesta pesquisa, o fator de sensibilidade dos extensômetros adquiridos variaram entre
2,07 e 2,11.

Figura 5.2 - Extensômetro tipo roseta 90o (HBM, 2008).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 107

Figura 5.3 - Decodificação dos extensômetros (Disponível em: http://www.straingage.com.br, acesso em 03 de


junho 2014).

5.1.2 Definições dos sensores

Nesta pesquisa, optou-se por resolver esse problema miniaturizando os sensores, porque,
assim, seria possível confeccioná-los, e calibrá-los em laboratório e instalá-los rapidamente
em obra. Foram desenvolvidos 2 (dois) tipos de sensores: i) sensor de barra, e ii) sensor de
imersão. A Figura 5.4 mostra a imagem dos sensores que foram desenvolvidos.

O sensor de barra consistiu em um sensor que foi instalado (fixado) na armadura do concreto
armado. Sua instalação foi feita a princípio soldando duas pequenas chapas no vergalhão,
denominadas de gabarito, tendo essas 2 (duas) roscas cada uma, e depois aparafusando o
sensor nas mesmas, conforme mostra a Figura 5.4 (a), neste sensor buscou-se demonstrar que
as deformações medidas pelos extensômetros seriam as mesmas deformações do vergalhão no
qual o sensor estaria fixado.

O sensor de imersão mostrado na Figura 5.4 (b) consistiu em um sensor que foi imerso no
concreto, devendo esse ser instalado no sentido e direção da carga que foi aplicada no
elemento estrutural. Sua fixação foi auxiliada por arames recozidos ou fitas flexíveis.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 108

Figura 5.4 – Tipos de sensores desenvolvidos na pesquisa: a) sensor de barra; b) sensor de imersão.

(a) (b)

A parte cilíndrica do sensor constituída em uma liga de alumínio, classificada como Liga
6351, da empresa Alumicopper. As outras peças são de aço inox galvanizado. A Tabela 5.1
mostra propriedades da liga de alumínio empregada. No caso do coeficiente de Poisson (ν),
foi adotado o valor constante em literatura de 0,33 (HIBBELER, 2010), resultando num fator
de ponte de 2,66. Na Figura 5.5 são mostrados os materiais base dos sensores de barra e
imersão em conjunto com o aparato de calibração concebido para esta pesquisa.

Tabela 5.1 - Propriedades da liga de alumínio empregada nos sensores desenvolvidos.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 109

Figura 5.5 – Geometria dos sensores: esquerda, seis sensores de barra; centro, aparato de calibração a
compressão; direita, sensor de imersão.

A geometria do sensor é um fato que necessita mais simulações. É sugestivo que se o


comprimento do sensor aumentasse, no caso do sensor de barra, a influência da soldagem e
fixação dos anteparos poderia ser minimizada, e como mostra o Capítulo 6, as simulações dos
pilaretes apontam diferenças incipientes entre os sensores de barra e imersão.

5.1.3 Montagem do circuito no sensor

A montagem do circuito do sensor consistiu em instalar os extensômetros na liga de alumínio,


conforme a Figura 5.6. O primeiro passo foi efetuar um lixamento suave, com lixa para ferro
número 300, para a superfície da barra de alumínio não apresentar irregularidades, e também
com a finalidade de propiciar determinada rugosidade necessária à superfície (Figura 5.7a).
Em seguida, foi feita uma lavagem com água corrente para eliminar pó, e posterior secagem
ao ar livre (Figura 5.7b). Para a limpeza da superfície após secagem, foi utilizado álcool
isopropílico para remover impurezas ainda incrustadas na barra (Figura 5.7c). Em seguida, foi
aplicado o condicionador, que é um preparador de superfície, um composto à base de ácido
fosfórico, responsável por remover pequenas oxidações superficiais (Figura 5.7d), e, logo
após, foi aplicado o neutralizador, um composto a base de amoníaco com a finalidade de
neutralizar a solução ácida do condicionador (Figura 5.7e).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 110

Figura 5.6 - Instalação dos extensômetros nas barras de alumínio.

Figura 5.7 - Preparação do material da base do sensor: (a) lixamento; (b) lavagem; (c) aplicação álcool
isopropílico; (d) aplicação de condicionador; (e) aplicação do neutralizador.

(a) (b) (c) (d) (e)

Preparada a superfície, foi marcada a posição de colagem dos extensômetros com auxílio de
régua e estilete. Em seguida, colou-se o extensômetro na barra fazendo uso de pinças, fitas e
pinça. A cola foi aplicada na parte traseira da base do extensômetro e na área de colagem da
própria barra (Figura 5.8b), e então os 4 (quatro) extensômetros, 2 (dois) pares de rosetas,
foram colocados diametralmente opostos, um colado no sentido longitudinal da barra e outro

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 111

no sentido transversal. A cola utilizada foi monocomponente a base de cianocrilato, especifica


para colagem de extensômetros, da marca Kyowa CC-33A (Figura 5.8a).

Figura 5.8 - Colagem do extensômetro: (a) cola utilizada; (b) colagem no verso do extensômetro e na base.

(a) (b)

A secagem da cola ocorreu sob uma pressão aos extensômetros para garantir o contato com a
barra, para isso empregou-se uma película de teflon (Figura 5.9a), uma vez que esta película
não adere a cola. Em seguida, envolveu-se em almofadas de borracha de silicone (Figura
5.9b), e, em sequência, foi aplicada uma pressão com braçadeiras de plástico seguidas por
metal (Figura 5.9c).

Figura 5.9 - Atividades pós-colagem: (a) envolvendo com película de teflon ; (b) proteção com almofada de
borracha de silicone; (c) pressão com presilhas e braçadeiras.

(a) (b) (c)

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 112

Aguardou-se por 24 horas a fim de finalizar o processo de cura da cola. Após isso, foi retirado
o sistema de pressão da barra. Na sequência, foram colados os terminais (Figura 5.10a), e
depois da secagem da cola, fez-se a ligação dos extensômetros nos terminais (Figura 5.10b),
com solda de estanho. Finalizando a montagem da ponte, foram soldados os fios 26 AWG nos
terminais (Figura 5.10c), seguindo o esquema de ligação nº 12 (da Figura 4.5). O cabo
utilizado para entrada e saída de tensão foi cabo tipo manga de 6 vias com blindagem.

Figura 5.10 - Montagem do circuito: (a) colagem dos terminais; (b) corte dos fios; (c) conexão dos cabos.

(a) (b) (c)

A configuração da ponte adotada foi a número 12 (Figura 4.5), e tanto o fator do


extensômetros (k) quanto o fator da ponte (B) podem ser editados, antes do início das leituras,
dentro do software do sistema de aquisição. A vantagem de configurar antecipadamente é que
os valores obtidos para deformação já estão tratados e referem-se a deformações axiais totais.
A montagem do circuito trata-se de um processo conhecido, apesar que a produção em larga
escala requer prática, ressaltando-se somente a necessidade da sequência correta da
preparação da barra e colagem. Nesta pesquisa, a cola da Kyowa (a base de cianoacrilato)
apresentou melhores resultados, por ser uma cola de secagem rápida e mono-componente.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 113

5.1.4 Proteção do circuito do sensor

A proteção do sensor consiste na etapa que define o tempo de vida útil do sensor. Deve-se
garantir que não ocorra fragilização da isolação, e que a umidade esteja ausente; para tal, deve
ser garantido o isolamento de todas as emendas, a fim de evitar um curto circuito entre os
terminais, e entre estes e a peça de ensaio.

Nesta pesquisa foi definido o seguinte processo de proteção dos sensores:

a) Após término da montagem do circuito, foi aplicada uma camada de resina de silicone
sobre os terminais e extensômetros; esta resina, além de hidrofugante, oferece também
proteção mecânica, e possui secagem rápida (Figura 5.11 a);
b) Aplicação de camada de cera de proteção sobre os terminais, extensômetros, e fios
entre terminais; a cera, além da propriedade hidrofugante, confere uma camada de
regularização entre os terminais e os fios, com aparência pastosa, não sendo necessária
cura (Figura 5.11 b);
c) Aplicação de borracha de silicone, na forma de uma camada homogênea de espessura
fina (0,5 a 1,5mm) sobre toda a área com cera até contato com a barra (Figura 5.11 c).
A finalidade desta camada é fornecer confinamento a cera, além de propiciar
propriedade hidrofugante. Sendo observada a ocorrência de trincas, foi aplicada uma
camada fina borracha (2ª demão) para selagem das trincas. Foram necessárias 24 horas
para cura da camada;
d) Após cura da borracha, foi aplicada camada dupla de fita isolante (de alta fusão), com
aplicação, em seguida, de resina de silicone, de modo que o cabo saísse ortogonal a
direção da barra. Com o objetivo de dar confinamento com aumento considerável da
proteção mecânica. Após esta aplicação, foi utilizada fita isolante comum para
finalizar e dar acabamento (Figura 5.11 d).

A qualidade da proteção aplicadas aos sensores se mostrou satisfatória para as atividades


previstas nesta pesquisa. Dos 94 (noventa e quatro) sensores confeccionados e calibrados,
considerando os 22 (vinte e dois) sensores aplicados em pilaretes de concreto ou provas de
carga, somente 1 (um) destes foi perdido. Acredita-se que isso não se deu necessariamente por
causa do isolamento, mas, sim, por avarias nos cabos, devido ao seccionamento dos cabos por
esforços nas braçadeiras de nylon na descida da armadura da prova de carga, ou
seccionamento do cabo quando da concretagem da estaca raiz.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 114

Figura 5.11 - Proteção do circuito do sensor: (a) aplicação de resina de silicone; (b) aplicação de cera
de proteção; (c) aplicação de borracha de silicone, e (d) proteção com fita isolante.

(a) (b) (c) (d)

5.2. CALIBRAÇÃO DOS SENSORES

Com a finalidade de verificar e garantir funcionamento de cada sensor, todos os sensores


confeccionados foram calibrados em laboratório. A seguir são descritos todos os
procedimentos e equipamentos utilizados para a calibração e as respostas obtidas.

5.2.1 Procedimentos definidos para a calibração

A etapa de calibração dos sensores foi feita por meio de uma prensa hidráulica servo-
controlada, para aplicação das tensões, e um equipamento de aquisição de dados, para leitura
das deformações correspondentes. A prensa servo-controlada utilizada foi a EMIC - DL 3000,
do Laboratório de Inovação Tecnológica em Construção Civil (LABITECC), da Universidade
Federal de Goiás (UFG), o equipamento de aquisição de dados empregado foi o modelo
MX840A, fabricado pela empresa HBM, pertencente também a UFG. A prensa e o
equipamento de aquisição são mostrados nas Figura 5.12 e Figura 5.13, respectivamente.
Detalhes sobre os programas computacionais (softwares) para aquisição e tratamento dos
dados, como QuantumX e CatmanEasy, constam em manuais do fabricante (HBM, 2011).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 115

Todos os sensores construídos foram calibrados, seja de barra ou de imersão, sendo


comprimidos ou tracionados. O procedimento de calibração consistiu nos seguintes passos:

a) A tensão última das barras de duralumínio foi determinada em 3 (três) testes,


com barras do mesmo material e com mesmas geometrias do sensor estudado
– o valor encontrado como tensão limite de escoamento foi entre 210 a 250
MPa (Figura 5.14). A partir do ensaio de tração realizado conforme NBR
6892 (ABNT, 2013), adequado somente o comprimento do CP e geometria da
seção de estricção, que foi limitado às condições do sensor. O resultado
obtido para ensaio de ruptura é mostrado na Figura 5.14.
b) Assumindo que as tensões que ocorrem abaixo da tensão de escoamento
obtida (valor de 210 Mpa) têm comportamento elástico, foi definido
inicialmente o valor máximo de calibração de 100 MPa (menor que 50% do
valor da tensão de escoamento), porque, assim, o comportamento elástico da
barra seria garantido.
c) A calibração foi feita em níveis de tensão constante, sendo adotado 10 (dez)
patamares de carga, e 10 (dez) patamares de descarga, cada um equivalente a
10 MPa. Os níveis de tensão constante foram possíveis pela prensa utilizada.
As tensões aplicadas em níveis constantes foram mantidas por um período de
30 segundos.
d) As leituras das deformações dos sensores fabricados com extensômetros
colados nas barras de alumínio, na forma de ponte completa, foram feitas pelo
equipamento de aquisição. Os dados obtidos, lidos em tempo real na tela do
computador, foram salvos para análise posterior.
e) Os patamares de tensão (dados da prensa) e deformação (dados do
equipamento de aquisição) foram então confrontados com o uso de planilhas
eletrônicas. Cada ensaio de calibração correspondeu a um gráfico tensão e
deformação, sendo, a reta de calibração determinada a partir dos 3 (três)
ensaios realizados.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 116

Figura 5.12 - Prensa servo controlada EMIC (LABITECC-UFG).

Figura 5.13 – Sistema de aquisição de dados modelo MX840A da HBM pertencente à UFG.

Durante a calibração dos 5 (cinco) primeiros sensores à tração, observou-se que os mordentes
da prensa provocaram danos nos sensores, devido a geometria ser reduzida, não tendo o
espaço necessário para a fixação do mordente, e não ter disponível garras da prensa
específicas para alumínio. Por conta disso, o método de calibração à tração foi descartado
para esta pesquisa.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 117

Para calibrar os sensores à compressão, foi necessário desenvolver um equipamento, nomeado


de ‘aparato de compressão’, que garantisse a verticalidade de aplicação da carga, e possuísse
rigidez muito superior à da barra, de forma a garantir que a força aplicada deformasse
somente a barra. O aparato desenvolvido é mostrado na Figura 5.15.

Figura 5.14 - Tensão de ruptura das barras dos sensores.

350

300

250
Tensão (MPa)

200

150

100

50

0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14

Deformação (mm/m)

Figura 5.15 - Equipamento desenvolvido para calibrar os sensores a compressão: a) projeto; b) foto.

Deve-se ressaltar que calibrações à compressão com o uso do aparato de compressão, se


justificaram nesta pesquisa por três hipóteses: primeiro, devido à natureza das cargas nos
sensores numa situação de trabalho serem de compressão; segundo, o tamanho reduzido dos
A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5
D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 118

sensores; e terceiro, a indisponibilidade de equipamentos de aplicação de carga como


mordentes especiais da prensa.

5.2.2 Retas de calibração dos sensores

Foram observadas diferenças entre os resultados obtidos com a calibração à tração e à


compressão. A Figura 5.16 mostra uma reta de calibração obtida por aplicação de tração na
barra, e na Figura 5.17 mostra uma reta de calibração obtida por compressão, ambas Figuras
mostram carga e descarga.

Figura 5.16 - Reta de calibração do sensor a tração.

Na calibração à compressão, utilizando o aparato, a resposta fornecida foi linear, no entanto, a


reta de carga não é igual a reta obtida na descarga. A histerese observada entre carga e
descarga pode ser explicada, pelos seguintes motivos: i) ao descarregar parte da deformação
impressa no carregamento não é devolvida por resistência do aparato; e ii) devido à inércia do
sistema de aplicação de carga, pode o valor da carga aplicada não ser aquela correspondente
ao real.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 119

Figura 5.17 - Reta de calibração do sensor a compressão.

Uma vez que o resultado assumido como calibração do sensor deve-se aproximar da condição
de aplicação de carga da estrutura, partiu-se do princípio que somente a reta de carga, em
particular o coeficiente angular, deveria ser adotado para representar o valor do módulo de
elasticidade do sensor, de forma que a partir das deformações medidas pelo sistema de
aquisição possa ser inferido qual nível de tensão no sensor para uma situação ao ar livre.

Pode-se afirmar que a calibração dos sensores à tração forneceu resultados lineares
coincidentes para carga e descarga – com regressão linear superior a 0,998 –, melhores que os
obtidos por calibração à compressão. No entanto, como discutido, a calibração por tração
danificou os sensores. Apesar da regressão linear obtida na calibração à compressão ser de
0,99, foi observado visível histerese entre as curvas, sendo possível obter equações específicas
para carregamento e descarregamento com regressões lineares melhores.

Nesta pesquisa, foram confeccionados e calibrados 94 (noventa e quatro) sensores. Os


resultados das regressões lineares entre as deformações e tensões, para cada um dos três
ensaios de carga e descarga, de cada sensor, são mostrados no Apêndice B – também constam
no Apêndice a regressão linear obtida, considerando somente os trechos de carregamento dos
três ensaios.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 120

A partir dos dados do Apêndice B foi construída a Tabela 5.2, com média, desvio padrão,
coeficiente de variação, valores máximos e mínimos, e amplitude dos resultados das retas de
calibração obtidas para todos os sensores. O valor médio encontrado para o módulo de
elasticidade dos sensores na condição de calibração foi de 72,62 GPa, considerando somente
trecho de carga dos três ensaios de calibração, com coeficiente de regressão linear de 0,9997.

Ao se considerar somente os trechos de carregamento dos três ensaios, para obter a regressão
linear que representa a calibração do sensor, obtém-se coeficientes de regressão linear maiores
dos que os obtidos para cada ensaio separadamente, conforme observado na Tabela 5.2. No
entanto, as variações entre os 94 (noventa e quatro) sensores se tornam maiores, conforme
evidenciado pelo coeficiente de variação e amplitude dos valores de coeficiente angular.

Os resultados da Tabela 5.2, para regressão linear dos três ensaios somente do trecho de
carga, mostram variações entre os módulos de elasticidade dos sensores em até 10 GPa,
evidenciando que poderia ser inserido um fator de correção para cada sensor, fazendo com
que o valor obtido para coeficiente angular tendesse ao valor médio obtido.

Tabela 5.2 - Resumo dos resultados obtidos para calibração dos 94 sensores.

Ensaio 1 a 3 -
Ensaio 1 Ensaio 2 Ensaio 3 somente carga
Coef. Coef. Coef. Coef.
Angular (R²) Angular (R²) Angular (R²) Angular (R²)

Média -0,07112 0,99327 -0,07115 0,99198 -0,07117 0,99086 -0,07262 0,99968

Desvio Padrão 0,00179 0,00415 0,00190 0,00508 0,00186 0,00591 0,00224 0,00026

Coef. Variação -2,52% 0,42% -2,67% 0,51% -2,61% 0,60% -3,08% 0,03%

Máximo -0,067 0,99905 -0,06686 0,99861 -0,067 0,99806 -0,06713 0,99998

Mínimo -0,07520 0,98253 -0,07564 0,97569 -0,07563 0,97569 -0,07774 0,99876

Amplitude 0,00820 0,01652 0,00878 0,02292 0,00863 0,02237 0,01061 0,00122

Os ensaios de calibração foram importantes para garantir o funcionamento dos sensores, numa
situação de carga e descarga, em ambiente de laboratório, também para verificar a
repetibilidade do comportamento tensão deformação obtida pelos ensaios, até confirmando o
valor do módulo de elasticidade previsto na literatura para o alumínio de 70GPa, e por final,
obter um coeficiente de correção em relação ao comportamento médio dos sensores.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 121

5.3. VERIFICAÇÃO DA IMPERMEABILIZAÇÃO DOS SENSORES

Os sensores chegaram a ser testados por quase 220 horas submersos em água (Figura 5.18).
Foram observados efeitos ressonantes em sinais lidos continuamente por período de tempo
extenso; no entanto, quando comparados com o nível de deformação submetidos numa
situação de trabalho, por exemplo, para pilaretes com tensões de 12,5MPa, estes efeitos são
inferiores a 5% das deformações esperadas. Ainda, pode-se ressaltar que as leituras ao se
monitorar uma obra não serão contínuas e sim discretas, não sendo preocupante o efeito
ressonante do sinal.

Figura 5.18 - Testes dos sensores inundados ao longo do tempo.

Também foi verificada a influência da temperatura do ambiente nos testes submersos, devido
as curvas apresentaram os pontos de máximo ou mínimo a cada período de 24 horas,
conforme notado na Figura 5.18. Sendo assim, procedeu-se um teste expedito, adicionando
gelo (Figura 5.19), e, em seguia, água quente ao recipiente onde os sensores estavam
submersos. Verificou-se que ocorreu alteração instantânea dos sinais lidos pelo módulo de
aquisição.

Na Figura 5.20 são mostrados os resultados dos sinais lidos através do sistema de aquisição
para uma simulação onde foi adicionado gelo próximo a 5 horas de submersão, gerando pico
sinal positivo, e próximo a 25 horas de submersão, adicionado água quente o que gerou um
pico de sinal negativo.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 122

Figura 5.19 – Adição de gelo nos sensores submersos para provocar uma variação de instantânea de temperatura.

Figura 5.20 – Deformações dos sensores submersos submetidos a variações instantâneas de temperatura.

5.4. TESTES COM SENSORES SUBMETIDOS A VARIAÇÃO DE


TEMPERATURA

Com a finalidade de verificar quanto a variação de temperatura interfere em medidas


instantâneas das deformações foram feitos testes com sensores submersos em água sob
variação controlada da temperatura. Para tal, devido aos 8 canais do módulo de aquisição,
foram escolhidos 8 sensores dentre os 69 disponíveis, usando como critério aqueles com valor
de deformação absoluta mais próximo de zero, assim, seriam possíveis leituras com até duas
casas após a virgula, sendo estes os sensores nº: 26, 27, 29, 51, 56, 61, 67 e 74.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 123

Os 8 (oito) sensores escolhidos foram colocados num balde e submersos em água na


temperatura ambiente, em seguida, foi adicionado gelo em quantidade suficiente para fazer a
temperatura da água cair para 1º C. As medidas de temperatura foram feitas com um
termômetro de coluna de mercúrio, graduado entre -20 ºC e 80 ºC, resolução de 0,5 ºC. A
homogeneidade da temperatura foi garantida mediante mistura por agitação e medida da
temperatura expedita em 3 (três) pontos distintos do líquido com variação menor que 0,5 ºC.

Com a temperatura da água em 1 ºC, foi lido os valores iniciais dos 8 (oito) sensores
submersos, numa frequência de 2 Hz, por cerca de 10 segundos, obtendo, assim,
aproximadamente 20 (vinte) amostras; a média das amostras foi assumida como o valor de
deformação para aquela temperatura daquele sensor. Prosseguiu-se para a próxima leitura
através do aumento da temperatura, seja por aguardar o ganho de calor do líquido, ou por
inserir água quente, sempre garantindo a homogeneidade da mistura. Assim, foi possível
realizar leituras nas temperaturas de: 1 ºC, 2 ºC, 3 ºC, 4 ºC, 8 ºC, 12 ºC, 16 ºC, 22 ºC, 29 ºC,
38 ºC, 42 ºC, 50 ºC, e 62 ºC. Na Figura 5.21 (a) e (b) mostra o teste sendo realizado.

Figura 5.21– Teste de temperatura: (a) início do teste, com temperatura de 1ºC; (b) Final do teste, com
temperatura de 62ºC.

(a) (b)

Com os valores médios de deformação para cada temperatura, foi possível traçar curvas para
cada sensor, conforme mostra a Figura 5.22. A partir de cada curva observando o
comportamento linear da variação da temperatura, foram traçadas retas de regressão linear,

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 124

onde o valor do coeficiente angular representa o gradiente de variação das deformações em


função da temperatura (Tabela 5.3).

Figura 5.22 - Teste de variação de temperatura.

200
150
100
50
Deformação (mm/m)

Celula 26
0
Celula 27
-50
celula 29
-100
celula 51
-150
celula 56
-200
celula 61
-250 celula 67
-300 Celula 74
0 10 20 30 40 50 60
Temperatura (°C)

Tabela 5.3 - Gradientes de temperatura obtidos a partir de regressões lineares do teste de temperatura.

Sensores Gradiente [(μm/m)/°C]


Célula 26 -0,5513
Célula 27 -1,0405
Célula 29 -1,0329
Célula 51 -1,3979
Célula 56 -1,3285
Célula 61 -3,5826
Célula 67 -0,4469
Célula 74 -1,0099
Média -1,30

Notou-se que as variações de temperatura dos sensores provocaram variação nos valores das
leituras iniciais. Todavia, cabe ressaltar que os extensômetros adquiridos possuem a
capacidade de auto compensação de temperatura para o alumínio, material da base, o que

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 125

significa uma compatibilização entre as deformações do alumínio e do extensômetro quando


submetidos a variações de temperatura. Ainda, os sensores foram configurados para ponte
completa onde as parcelas de deformação referentes a temperatura e flexão deveriam ser
anuladas; a ponte foi montada com seis fios, eliminando o efeito do desiquilíbrio da ponte
devido ao comprimento do cabo de ligação ao sistema de aquisição.

Entretanto, entende-se que as variações de temperatura provocam variações de deformação


pelos seguintes motivos:

a) As camadas de proteção do sensor atuam como isolantes e tendem a provocar uma


diferença de temperaturas entre a base e o circuito, tendendo a anular o efeito da auto-
compensação.
b) As condições para garantir anulação das parcelas referentes as deformações de
temperatura previstas nas Equações (4.20) a (4.25), não foram conseguidas, por
exemplo, o material não é completamente homogêneo e isotrópico, portanto, não
sendo constante o coeficiente de Poisson. Ou ainda, a geometria de colagem não está
perfeita, não garantida a ortogonalidade entre os sensores.

Apesar de todas as hipóteses levantadas para explicar o porquê ocorre variação de deformação
pela temperatura, há de se considerar que o valor médio de 1,3 μm/m/°C encontrado para o
gradiente provocariam acréscimos ínfimos entre 5 a 15 μm/m, considerando variações típicas
ambientais de temperatura. Estas deformações por efeito de temperatura seriam da ordem de
5% da faixa de trabalho de deformação pretendida, por exemplo, nos pilaretes para uma
tensão de 12,5 MPa.

5.5. PROVA DE CARGA INSTRUMENTADA

Foi escolhida uma estaca experimental executada em Goiânia, situada na avenida A, Jardim
Santo Antônio, em um galpão de uma empresa de engenharia geotécnica, conforme
localização mostrada na Figura 5.23, com coordenadas: 22k; 686344E; 8149694S. A empresa
executora permitiu a execução da instrumentação e a cessão de dados, uma vez que a prova de
carga somente foi executada para fins de treinamento com funcionários e testes de
equipamentos.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 126

Figura 5.23 - Localização da prova de carga executada (Fonte: Google Maps, e


http://www.mbi.com.br/mbi/biblioteca/artigos/2009-04-base-cartografica-digital-como-instrumento-gestao)
Adaptado pelo autor.

A prova de carga estática foi planejada com a execução pelo método do ensaio lento,
respeitando os critérios da NBR 12131 (ABNT, 2006), sendo adaptados os patamares de
carga, a fim de se executar mais patamares, em função do treinamento e da pesquisa
desenvolvida.

O perfil geotécnico é mostrado na Figura 5.24, sendo composto por: i) uma camada de 0,0 a
6,0 metros de profundidade de uma camada coluvionar de argila arenosa vermelha porosa,
com concreções lateríticas, de consistência mole a média, ii) seguida de uma camada
transicional, também coluvionar, de argila arenosa vermelha entre 6,0 a 9,0 com pedregulhos

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 127

quartzosos de consistência média a rija; iii) seguida de uma camada residual, de silte arenoso
coloração variegada roxa e cinza, micáceo, compacto a muito compacto, preservando feições
remanescentes do maciço rochoso, composto por rochas metamórficas xistosas micáceas. No
Anexo A é mostrada a sondagem do terreno.

Figura 5.24 – Perfil geotécnico construído a partir da sondagem SPT.

SONDAGEM - SP-01
PROF. FURO: 12.45 m ESTACA TIPO RAIZ
COORD.: E = 686.344 Profunidade 12 metros
S = 8.149.694 Diâmetro 31 cm

0.00 m
TRADO
1.00 m 1.00
5/30
2.00 m 2.00
SOLO COLUVIONAR
Argila arenosa vermelha 5/30
3.00 m consistência mole a média 3.00
6/30
4.00 m 4.00
7/30
5.00 m 5.00
8/30
6.00 m 6.00
9/30
12,00 metros

SOLO COLUVIONAR - Transição


7.00 m 7.00
Argila arenosa vermelha
com pedregulhos 6/30
8.00 m consistência média a rija 8.00
15/30
9.00 m 9.00
21/30
10.00 m 10.00
SOLO RESIDUAL
33/30
Silte arenos var(cinza)
11.00 m compacto a muito compacto 11.00
42/30
12.00 m

13.00 m

14.00 m

15.00 m

Maciço Rochoso - Micaxisto


Profundidade não determinada

A estaca de teste foi do tipo raiz, com 12 metros de profundidade, e diâmetro de 31 cm. O
sistema de reação com apenas 2 estacas, ditas estacas de reação de mesmo diâmetro e com 12
metros de comprimento. No Anexo B é mostrado o projeto da prova de carga estática, com
memorial de cálculo da estaca teste, e das reações. A empresa executora estabeleceu para a

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 128

estaca teste, a partir de cálculos, usando métodos semi-empíricos próprios, a resistência última
de 1500 kN. A capacidade de carga do sistema de reação também foi calculada pela empresa
executora, usando métodos semi-empíricos, conforme consta no Anexo B.

Os intervalos de carga modificados pretendidos foram: 0; 200; 400; 600; 800; 1000; 1100;
1200; 1300; 1400; 1500 kN; para os estágios de descarga foi pré-estabelecido: 1500; 1100;
800; 500; 200; 0 kN. As cargas foram aplicadas com auxílio de macaco hidráulico controlado
por bomba elétrica, sendo lida a pressão no manômetro de saída da bomba elétrica, e por meio
de uma reta calibração, fornecida pela empresa executora as forças atuantes no êmbolo, sendo
obtidas forças com valores aproximados aos pretendidos.

Foi executado um bloco de coroamento de dimensões de 500 x 500 x 500 mm sobre a estaca
teste. Os deslocamentos da estaca teste foram medidos com relógios micro-comparadores
digitais, com resolução de décimos de milímetro, e curso de deslocamento máximo de 25 mm.

O sistema de reação composto por viga de reação mesa de ancoramento de tirantes, foram
montados por empresa com técnicos especializados, sendo garantidos cuidados com
alinhamento da viga, travamento de tirantes, tratamento da superfície do bloco da estaca teste,
conforme mostra a Figura 5.25.

A estaca foi instrumentada em 4 (quatro) níveis: 0 m, 6 m, 9 m, e 12 m, conforme mostrado


no Apêndice C. Em cada nível foram instalados 2 (dois) sensores (Figura 5.26a), estando
próximos um do outro, no entanto, em seções transversais diferentes. Os sensores do nível 0
ficaram logo abaixo do bloco (Figura 5.26b). A estaca teste foi armada em toda sua extensão
(12 metros), com 8 barras de 8 mm, com estribos de 5 mm a cada 150 mm (Figura 5.26c). A
armação em toda sua extensão se fez necessária devido a instalação dos instrumentos,
conforme Figura 5.26 (a), (b) e (c).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 129

Figura 5.25 - Sistema de reação da prova de carga estática.

Figura 5.26 – Fixação dos sensores ao longo da estaca prova: (a) sensores instalados em seções transversais
diferentes; (b) sensores próximos à cota de arrasamento do bloco; (c) sensores ao longo da estaca.

(a) (b) (c)

Os cabos dos sensores foram amarrados ao longo das barras longitudinais com presilhas
plásticas, de modo a deixar todos os cabos o mais organizado possível para evitar danos da
descida da ferragem e concretagem da estaca raiz.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 130

A estaca foi executada no dia 05 de novembro de 2014. Durante a descida da armadura devido
a sua extensão, e a limitação do comprimento da haste do equipamento de perfuração, a
armação sofreu uma flexão durante seu içamento, conforme mostrado na Figura 5.27 (a). Os
cabos dos sensores foram enrolados em um pacote protegido por sacos plásticos na parte
superior da armadura (Figura 5.27 (a)). Necessário ressaltar, que a concretagem foi executada
inserindo um tubo de diâmetro de 50 mm até o fundo para injeção da argamassa de cimento,
com inserção de baixo para cima em etapas intercaladas com a retirada dos tubos de
revestimento, demonstrado pela Figura 5.27 (c). A concretagem foi executada com cuidado
para não danificar os cabos dos sensores, e também uma mangueira flexível de polietileno foi
instalada para agrupar todos os cabos dos sensores, no trecho superior da estaca (Figura 5.27
(b)), garantindo a proteção dos cabos tanto na concretagem quanto no arrasamento da estaca.

Argamassa da estaca foi dosada para 25 MPa de resistência característica. Foram retirados
quatros corpos de prova de 15x30 cm, para comprovação da resistência e ensaio de módulo de
elasticidade. O ensaio de resistência característica da argamassa foi executado, conforme
NBR 5739 (ABNT, 2007), aos 28 dias, obtendo a resistência característica de 36 MPa. O
valor do módulo de elasticidade encontrado para a argamassa foi de 20,17 GPa, também
executada aos 28 dias, em conformidade com NBR 8522 (ABNT, 2008).

O bloco foi escavado manualmente, conforme mostra Figura 5.28 (a), cuidando para que não
fossem feitas avarias nos cabos. A estaca foi arrasada cerca de 50cm, cuidando para que não
fossem seccionados os cabos da instrumentação (Figura 5.28 (b)), foi feito um berço com
brita para o bloco, a ferragem do bloco foi executada na forma de gaiola, com ferros de 10mm
(Figura 5.28 (c)). Os cabos foram direcionados para a lateral do bloco, a fim de que quando
concretado o bloco não saísse ortogonal à superfície, de forma a não atrapalhar o
posicionamento da chapa de aço de transmissão da carga do macaco para o bloco, este detalhe
pode ser visto Figura 5.28 (c).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 131

Figura 5.27 – Posicionamento da ferragem e concretagem da estaca prova: (a) suspensão da ferragem; (b) vista
superior da ferragem e da saída dos cabos do furo; (c) execução da concretagem da estaca.

(b)

(a) (c)

A primeira leitura dos sensores foi realizada 3 dias após a concretagem (Figura 5.28d), e
apenas 1 (um) dos 8 (oito) sensores foi perdido, sendo o sensor de imersão do nível de 9
metros. Existem duas hipóteses para justificar perda deste sensor: i) ao içar a armadura a
flexão da mesma causou ruptura do cabo, ou avaria que provocasse curto no cabo; e ii) a
inserção do tubo galvanizado de 50 mm durante a concretagem, ao subir ou descer, pode ter
causado avaria no cabo do sensor a 9 metros.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 132

Figura 5.28 – Bloco de coroamento da PCE: (a) perfuração do bloco; (b) arrasamento da estaca; (c) posição do
bloco com passagem dos cabos pela lateral; (d) testando instrumentações após concretagem.

(a)

(b) (c) (d)

Durante a execução da prova de carga, o monitoramento das instrumentações foi feito de


maneira contínua, sem alterar nenhum procedimento de aplicação de carga, sendo os critérios
de estabilização dos recalques determinados pela NBR 12131(ABNT, 2006) obedecidos em
todos os estágios (Figura 5.29). Após a execução da prova de carga, e também até 20 meses
após a concretagem, os 7 (sete) sensores continuavam funcionando sem avarias.

No entanto, durante a execução da prova de carga estática, após o estágio de pressão no


manômetro correspondente a 1000 kN, quando se desejava alcançar 1100 kN, ocorreu a
ruptura do sistema de reação. Não sendo possível aplicar cargas maiores a patamar previsto de
1000 kN, observando muitas aberturas de fissuras ao redor das estacas de reação, inclusive
com levantamento visual nítido (Figura 5.30). Apesar de não alcançar a ruptura da estaca
teste, todos os dados obtidos foram aproveitados.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 133

Figura 5.29 – Monitoramento da instrumentação durante a execução da prova de carga estática.

Figura 5.30 - Ruptura do sistema das estacas de reação.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 134

Os dados fornecidos como resultados da prova de carga estática são mostrados na Tabela 5.4.
As cargas atuantes foram ligeiramente diferentes em relação as programadas no ensaio, em
função de se utilizar as pressões no manômetro, assumindo por facilidade de leitura os valores
inteiros de: 50; 80; 100; 125; 150; 162; 120; 100; 70; 45 kg/cm² (4,9; 7,8; 9,8; 12,3; 14,7;
15,9; 11,8; 9,8; 6,9; 4,4 MPa). Sendo as cargas atuantes calculadas a partir da reta de
calibração, fornecida pela empresa executora, com os valores da pressão no manômetro.

Os deslocamentos foram medidos por 4 (quatro) relógios micro comparadores eletrônicos,


sendo considerado a média dos relógios como o valor do deslocamento da estaca. Foram
obtidos os deslocamentos relativos entre cada incremento de carga através da subtração dos
valores médios obtidos, e em seguida a partir dos valores relativos, foram calculados os
valores de deslocamento acumulado.

Tabela 5.4 – Resultados das cargas aplicadas e deslocamentos medidos no topo da PCE.

Média Desl. Desl.


Carga Carga Relógio Relógio Relógio Relógio Relógios Relativo Acumulado
(tf) (kN) 1 (mm) 2 (mm) 3 (mm) 4 (mm) (mm) (mm) (mm)
0,00 0,00 0,14 0,15 0,00 0,00 0,07 0,00 0,00
21,93 214,91 0,33 0,47 0,36 0,36 0,38 0,31 0,31
44,72 438,21 1,10 1,49 1,24 1,06 1,22 0,84 1,15
60,15 589,47 1,66 2,16 1,82 1,54 1,80 0,57 1,73
78,53 769,55 2,72 3,55 2,86 2,44 2,89 1,10 2,82
95,43 935,21 4,13 5,36 4,31 3,56 4,34 1,45 4,27
105,72 1036,06 5,65 6,91 5,20 4,47 5,56 1,22 5,49
91,02 892,00 5,65 6,91 5,20 4,47 5,56 0,00 5,49
75,59 740,73 5,54 6,79 5,07 4,35 5,44 -0,12 5,37
60,15 589,47 5,06 6,24 4,52 3,92 4,94 -0,50 4,86
38,10 373,38 4,09 5,00 3,36 3,02 3,87 -1,07 3,80
19,73 193,31 3,05 3,60 2,26 2,14 2,76 -1,11 2,69
0,00 0,00 2,64 2,99 1,99 1,95 2,39 -0,37 2,32

A partir dos valores da Tabela 5.4, foi possível traçar a curva carga recalque dos resultados
obtidos para PCE executada, conforme mostra Figura 5.31, não sendo perceptível
comportamento de ruptura, ou seja, não definindo a carga última.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 135

Figura 5.31 – Curva carga recalque obtida como resultado da PCE.

Carga (kN)
0 200 400 600 800 1000
0,00

1,00

2,00
Deslocamento (mm)

3,00

4,00

5,00

6,00

5.6. APLICAÇÕES DE MÉTODOS TEÓRICOS

Partindo dos métodos descritos no Capítulo 3, para determinação da capacidade de carga, do


recalque isolado em uma estaca, e da interpretação da curva carga recalque, procurou-se
aplicar alguns destes métodos para determinação teórica dos comportamentos, e comparar
com os resultados encontrados para a prova de carga instrumentada.

Para determinação da capacidade de carga da estaca foram utilizadas correlações semi-


empíricas partindo do SPT, pois esse era o único ensaio disponível, não possuindo dados
necessários para aplicações de métodos teóricos. A sondagem SPT consta no Anexo A, e para
fácil entendimento, optou-se em demonstrar o tipo de solo, profundidade e valores de NSPT da
sondagem do terreno pela Tabela 5.5. Os métodos semi-empíricos considerados foram aqueles
de possível utilização para estacas tipo raiz, sendo estes: Aoki e Velloso (1975); Décourt e
Quaresma (1978); Lizzi (1982); Milititsky e Alves (1985); David Cabral (1986);
BRASFOND (1991); Teixeira (1996).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 136

Para a interpretação da curva carga recalque foram utilizados os métodos que definem uma
ruptura convencional, dentre eles: Terzaghi (1943); Davisson (1972); e da NBR 6122 (ANBT,
2010), e métodos de extrapolação da curva carga-recalque, sendo estes: Van der Veen (1953);
Chin-Kondner (1971); e Décourt (1998).

Em função da sondagem ter sido finalizada na profundidade da ponta da estaca, devido a


encontrar um terreno bastante competente, optou-se por não calcular o recalque do topo da
estaca, devido a compressões de camadas inferiores.

Tabela 5.5 – Profundidade, tipo de solo e NSPT da sondagem executada para PCE.

Profundidade (m) TIPO DE SOLO NSPT


0,00 a 1,00 Argila arenosa -
1,00 a 2,00 Argila arenosa 5
2,00 a 3,00 Argila arenosa 5
3,00 a 4,00 Argila arenosa 6
4,00 a 5,00 Argila arenosa 7
5,00 a 6,00 Argila arenosa 8
6,00 a 7,00 Argila arenosa com pedregulhos 9
7,00 a 8,00 Argila arenosa com pedregulhos 6
8,00 a 9,00 Argila arenosa com pedregulhos 15
9,00 a 10,00 Silte arenoso 21
10,00 a 11,00 Silte arenoso 33
11,00 a 12,00 Silte arenoso 42

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 5


CAPÍTULO 6
INSTRUMENTAÇÃO DE PILARES DE CONCRETO

Ao se projetar uma fundação estaqueada, seja radier estaqueado ou bloco sobre estacas, parte-
se de informações do projeto estrutural, do quadro de cargas, das cargas nos pilares. Sendo
considerado que estas cargas nos pilares são transmitidas aos blocos, ou radier, e estes
distribuem para as estacas. Já foram discutidas no Capítulo 2 as complexidades envolvidas no
desenvolvimento do projeto de fundações estaqueadas. Por outro lado, se conhecidas as
cargas nos pilares e nas estacas, através de instrumentações, mesmo que o bloco não seja
instrumentado, seria possível através das diferenças determinar quanto da carga aplicada foi
absorvida pelo bloco.

Neste capítulo apresenta-se a aplicação da instrumentação desenvolvida, descrita no capítulo


5, em pilares de concreto. Com a finalidade de que em próximos trabalhos estas
instrumentações possam ser aplicadas, desde que entendidas suas potencialidades e
limitações.

Na calibração dos sensores, a reta de calibração obtida representa a relação entre tensão
fornecida pela prensa e as deformações fornecidas pelo sistema de aquisição de dados, onde o
seu coeficiente angular representa o módulo de elasticidade do material do sensor. No entanto,
ao aplicar os sensores num pilar de concreto armado, considerando uma dada tensão atuando
sobre o conjunto, estas provocam deformações diferentes às obtidas pela calibração. Portanto,
na situação de aplicação do sensor dentro do pilar para uma dada tensão, as deformações
obtidas seguem um módulo de elasticidade composto, no caso do pilar influenciado pelos
materiais do concreto e do aço que compõe o conjunto.

A fim de se entender o comportamento dos sensores em pilares de concreto armado e validar


o uso do módulo de elasticidade composto foram construídos protótipos de pilares curtos –
modelos reduzidos na forma de pilaretes –, e estes foram submetidos a testes de ciclos de
carregamento. Também foi acompanhado o desempenho dos sensores durante a concretagem,
pega, cura, e pós carregamentos.

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 138

6.1. INSTALAÇÃO DOS SENSORES EM PILARETES DE CONCRETO

Os modelos reduzidos na forma de pilaretes foram confeccionados em quatro campanhas


distintas, conforme mostrado pela Tabela 6.1.

Tabela 6.1 – Campanhas de execução dos pilaretes, com data de concretagem, armação e altura.

Campanha Pilaretes Data de concretagem Concreto Altura


01
1 06 de maio de 2014 Armado 600mm
02
03
2 03 de setembro de 2014 Armado 500mm
04
05
3 02 de julho de 2015 Armado 500mm
06
07
4 17 de novembro de 2015 Simples 500mm
08

Todos os pilaretes foram executados com dimensões transversais de 150 por 150 mm e
concreto com resistência característica (fck) de 25 MPa. No Apêndice D é mostrado o projeto
básico para montagem dos pilaretes. Os pilaretes de concreto armado possuíam 4 barras
longitudinais de aço de 10 mm de diâmetro, estribos de 5 mm de diâmetro, estes espaçados a
cada 110 mm. Os critérios de dimensionamento seguiram o previsto por Carvalho e Figueredo
Filho (2004) e Bastos (2005), de forma que os pilaretes se comportassem como pilares curtos.
Em cada pilarete foram instalados 02 (dois) sensores, sendo um de imersão e outro de barra,
em seções transversais não coincidentes e próximas ao trecho médio do pilar, exceto nos
pilaretes de concreto simples (07 e 08), onde somente foi usado um sensor de imersão por
pilar. Na Figura 6.1 são mostrados os posicionamentos dos sensores de barra soldados em
anteparos na ferragem e os sensores de imersão centralizados por meio de arames recozidos.

Figura 6.1 - Fôrma e ferragem dos Pilaretes (3 a 6) com sensores posicionados.

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 139

Para que os sensores fossem instalados corretamente, de modo a não interferir no


comportamento estrutural, foi necessário cuidado e atenção para se evitar, por exemplo, danos
provenientes da soldagem. As chapas, para a instalação dos sensores de barra, foram soldadas
na armadura da estaca empregando um gabarito específico, desenvolvido para esta pesquisa,
com a finalidade de garantir a distância correta e o alinhamento para a fixação dos sensores de
barra, como mostrado na Figura 6.2.

Figura 6.2 - Gabarito para a solda das placas de ancoragem do sensor de barra.

O sensor de imersão foi instalado usando os vergalhões adjacentes para posicionamento e


centralização, tendo o cuidado e a atenção, durante a concretagem do pilarete, de evitar danos
que alterassem o alinhamento do sensor. A Figura 6.3 mostra esquema de montagem adotado.

Os pilaretes foram submetidos a ciclos de carga e descarga, com aplicações em níveis de


carga mantidas constante, o que foi possível por uso de prensa servo controlada –
procedimento similar a calibração dos sensores. Variou-se o número dos níveis de carga e
descarga, assim como o tempo de cada patamar de carga. A Tensão máxima aplicada foi
limitada a 15 MPa, cerca de 60% da tensão teórica de ruptura (fck de 25MPa), assumindo que
até este limite não ocorre abertura de fissuras e o comportamento pudesse ser assumido como
elástico.

Também foram colados extensômetros nas faces dos pilaretes com o objetivo de comparar o
comportamento dos sensores no interior do pilarete, seja de imersão ou de barra, com o sensor
externo, sendo o próprio pilarete. Para tal foram usados extensômetros específicos para

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 140

concreto, colados em configuração de ponte completa de Wheatstone, para esforço axial,


conforme mostra a Figura 6.4. Conforme orientado por Barreto Junior (2005) foi usado
camada fina de massa epóxica para regularização e colagem dos extensômetros, uma vez que
a superfície do concreto se mostrou muito porosa e irregular, mesmo após lixamento.

Figura 6.3 - Instalação do sensor de imersão na ferragem do pilarete.

Figura 6.4 - Ensaios de ciclos de carga pilarete 01 com extensômetros na face.

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 141

Ainda foi determinado em laboratório a partir de corpos de prova de concreto simples, o


módulo de elasticidade do concreto. A metodologia utilizada para determinação do módulo
foi a prevista na NBR 8522 (ABNT, 2008), no seu item 3.6, que obtém o módulo de
elasticidade tangente inicial para a aplicação de 30% da força máxima. Para os ensaios de
módulo de elasticidade da campanha 2 e 3, foi utilizado o aparato do compressômetro
(ARAUJO; GUIMARÃES; GEYER, 2012) medindo-se os deslocamentos com instrumentos
mecânicos, relógios micro comparadores, com resolução de milésimo de milímetro (μm),
conforme mostra a Figura 6.5. Para a campanha 4 as medidas de deslocamento foram tomadas
a partir de LVDT’s da prensa EMIC, onde a partir das tensões mínimas e máximas inseridas
na configuração do ensaio, foram obtidos os módulos de elasticidade.

Também foram feitos ensaios de resistência à compressão conforme NBR 5739 (ABNT,
2007). Ambos os ensaios foram realizados no LABITECC/UFG. Na Tabela 6.2 são mostrados
os resultados obtidos pelos ensaios de resistência a compressão simples e módulo de
elasticidade utilizados para caraterização do concreto.

Tabela 6.2 – Resultados do ensaio de módulo de elasticidade do concreto das campanhas 1 a 4.

σmín σrup σmáx


εmín (m/m) εmáx (m/m) E (GPa)
(MPa) (MPa) (MPa)
Campanha 1 - - 25* - - - 25*
CP-01 0,5 23,0 6,9 4,8E-05 2,8E-04 27,2
Campanha 2 CP-02 0,5 23.0 6,9 3,0E-05 2,7E-04 26,3
CP-03 0,5 23,0 6,9 2,0E-05 2,6E-04 26,7
CP-01 0,5 34,7 10,4 5,8E-06 5,5E-05 30,1
Campanha 3 CP-02 0,5 34,7 10,4 1,2E-05 6,8E-05 26,3
CP-03 0,5 34,7 10,4 7,3E-06 5,7E-05 30,0
CP-01 0,5 33,5 10,0 -** -** 22,3
Campanha 4 CP-02 0,5 33,5 10,0 -** -** 23,1
CP-03 0,5 32,5 10,0 -** -** 23,8
* valor adotado, informado pelo fornecedor do concreto usinado.
** Medidas com LVDT - aquisição via prensa EMIC

A finalidade de se obter o módulo de elasticidade do concreto, foi a partir deste calcular o


módulo de elasticidade composto do pilar, uma vez que se conhece o módulo do sensor
através da calibração, e da barra de aço. O módulo composto foi calculado por uma média
ponderada dos módulos dos materiais em função da área que eles ocupam numa seção
transversal, conforme a Equação (6.1). Os trabalhos de Garcia (2015) e Freitas Neto (2013)

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 142

também utilizam o conceito de módulo composto a partir da média ponderada em função das
áreas dos materiais.

Figura 6.5 - Execução de ensaio de módulo de elasticidade em corpos de prova de concreto.

EC × AC + EA × AA + ESEN× ASEN
EM = (6.1)
AT

onde:

EM é o módulo de elasticidade composto;

AT é a área da seção transversal;

EC é o módulo de elasticidade do concreto obtido por ensaio de módulo;

AC é a área somente de concreto na seção transversal;

EA é o módulo de elasticidade do aço obtido em ensaio e conforme literatura;

AA é a área somente de aço na seção transversal;

ESEN é o módulo de elasticidade do sensor;

ASEN é a área que o sensor ocupa na seção transversal.

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 143

6.2. TESTES COM PILARETES DE CONCRETO

Vários testes foram feitos com os pilaretes, visando desde a simples verificação dos sensores,
do seu desempenho, acompanhando as deformações sem carregamento quando da
concretagem, pega e cura seja submersa ou ar livre, até simulações de carga a níveis de
pilares, seja em ciclo de carregamentos variando a grandeza das cargas aplicadas e o tempo de
aplicação, verificando o comportamento quanto à repetibilidade, e também comparando com
extensômetros externos e, ainda, verificando o desempenho dos sensores pós ciclos de carga.

6.2.1 Acompanhamento dos pilaretes submersos em água

Na campanha 1 optou-se por cura submersa dos pilaretes 01 e 02, para tal foi utilizado um
tambor de 200 litros conforme mostra a Figura 6.6 (a) e (b). Após 1 dia da concretagem os
pilaretes foram desformados e submersos. As deformações dos sensores sem aplicação de
nenhum carregamento, somente sobre a influência da submersão, foram monitoradas
continuamente por um período superior a 100 horas, a partir do momento da inserção dos
pilaretes na água, como mostra os resultados das deformações na Figura 6.7, onde:
MX840A_CH1 são as deformações do sensor de barra do pilarete 01; MX840A_CH2 são as
deformações do sensor de imersão do pilarete 01; MX840A_CH3 são as deformações do
sensor de imersão do pilarete 02; e MX840A_CH4 são as deformações do sensor de barra do
pilarete 02.

A partir da Figura 6.7, pode-se observar que a submersão dos pilaretes, durante a cura sem
incidência de carregamento, provocou um acréscimo positivo das deformações, da ordem de
25 μm em 96 horas de monitoramento, o que pode ser atribuído ao fato da submersão,
provocar absorção de água pelo pilarete devido a saturação do concreto, ou a processos
iniciais de cura do concreto que podem gerar uma retração nos sensores. Também que os
sensores de barra possuem o comportamento das deformações, mais próximos, quase
coincidentes, quando comparados aos de imersão, sendo suas deformações menos afetadas
pela submersão do pilarete, por se mostrarem menores ao longo de todo o teste. Outro fator
observável está na ondulação das deformações, com comprimento de onda de 24 horas,
levando a concluir que o horário de leitura das deformações influencia nos resultados em
função da variação de temperatura do ambiente.

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 144

Após as 100 horas mostradas na Figura 6.7, os pilaretes 01 e 02 foram deixados submersos
por um período de 7 dias sem monitoramento, quando novamente foram executadas leituras
contínuas dos sinais das deformações dos sensores por cerca de 94 horas, conforme mostra a
Figura 6.8, totalizando 16 dias após a desforma. Os códigos de canais da Figura 6.7 são iguais
aos da Figura 6.8.

Figura 6.6 – Pilaretes 01 e 02: (a) vista dos pilaretes submersos; (b) equipamento de aquisição monitorando
deformações dos pilaretes submersos.

(a) (b)

Na Figura 6.8 se observa que todos os sinais se mostram decrescentes, com comportamento
próximo entre as curvas, porém as deformações dos sensores de barra se mostraram mais
coincidentes em relação aos sensores de imersão, novamente se observa a amplitude da
ondulação da ordem de 24 horas, corroborando com a conclusão sobre a influência da
temperatura ao longo do dia sobre a leitura dos sinais de deformação.

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 145

Figura 6.7 – Acompanhamento pilaretes 01 e 02, sem carregamento, submersos. Dia 2 a 5. Sendo os sensores:
CH1 barra P1; CH2 imersão P1; CH3 imersão P2; CH4 barra P2.

Figura 6.8 – Acompanhamento pilaretes 01 e 02, sem carregamento, submersos. Dias 13 a 16. Sendo os
sensores: CH1 barra P1; CH2 imersão P1; CH3 imersão P2; CH4 barra P2.

Ainda, após os 16 dias, os pilaretes foram deixados submersos por mais 10 dias, quando
foram monitorados novamente seus sinais de deformação, submersos sem carregamento, de
modo contínuo, por mais 3 dias, totalizando 29 dias submersos. Os resultados são mostrados
na Figura 6.9, com mesma codificação de canal da Figura 6.7, desta vez observa-se que os
sinais não mostram comportamento crescente ou decrescente, mais sim estáveis, levando a
inferir que após 28 dias, efeitos de cura ou de submersão já não influenciariam os valores de
deformação numa leitura isolada, relativa, com deformação inicial igual a zero. Novamente se
observou a ondulação dos sinais de deformação com comprimento de onda de 24 horas, e
sensores de barra mais coincidentes em relação aos de imersão.

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 146

Deve-se ressaltar que os três ensaios de leitura das deformações foram realizados se aplicando
uma deformação de origem igual a zero para o início do ensaio, chamado de zero de balanço
e, portanto, são trechos relativos de um histórico de deformação do sensor, cujo os valores
absolutos dependem de muitos fatores, dentre eles: aspectos de colagem; posicionamento do
sensor; homogeneidade do material; aspectos de proteção; ruídos nos extensômetros,
conexões, sistema de aquisição, amplificação etc.

Destaca-se a durabilidade e o desempenho das instrumentações construídas, que funcionaram


bem durante os 28 dias em que os pilaretes estiveram submersos, sem avarias e com sinais de
bom comportamento.

Figura 6.9 – Acompanhamento pilaretes 01 e 02, sem carregamento, submersos. Dias 27 a 29. Sendo os
sensores: CH1 barra P1; CH2 imersão P1; CH3 imersão P2; CH4 barra P2.

6.2.2 Acompanhamento dos pilaretes sem aplicação de carregamento

A fim de avaliar o comportamento absoluto das deformações dos sensores no interior do


pilarete, obtidas pelo sistema de aquisição, durante o processo de confecção, concretagem e
cura, sem que o pilarete estivesse carregado, foi avaliada a variação das leituras realizadas no
pilarete 5 num período de 65 dias, entre 30 de junho a 09 de setembro de 2015, numa situação
em que o pilarete foi deixado em repouso, ou seja, sem carregamento, e com cura ao ar. O
valor de deformação inicial igual a zero, foi atribuído as medidas iniciais tomadas no dia da
concretagem. As leituras foram executadas nos períodos entre 18:00 as 23:00 horas, a fim de
eliminar a influência da variação da temperatura ambiente nas deformações, conforme
comprovado anteriormente.

A Figura 6.10 mostra variações de deformações de até 100 μm durante a cura do concreto, de
0 a 28 dias, como ocorreu no sensor de imersão ao 13º dia. Observou-se até os 28 dias que os

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 147

sensores de imersão mostram variações de deformações decorrentes da cura mais


representativas, de 40μm a -100μm, em relação aos sensores de barra. Ainda, possível
observar que no período inicial de cura incidem deformações positivas nos sensores, visto em
ambos os sinais até o 6º dia, conforme mostra a Figura 6.10, fato este também demonstrado
nos pilaretes 01 e 02 submersos.

Também foi evidenciado que a partir de 28 dias ocorreu uma convergência entre as
deformações dos dois tipos de sensores, apontando que após a cura as deformações
observadas têm o mesmo comportamento e mesma ordem de grandeza, para a situação de
pilarete em repouso, ou seja, sem carregamento. Os resultados obtidos para o pilarete 06
seguiram a mesma tendência observada para o pilarete 05.

Figura 6.10 - Acompanhamento das deformações sem aplicação de carga no pilarete 05.

Ainda com base na Figura 6.10 pode-se observar que a partir do dia 49 ocorreu uma
aproximação das curvas, com maior concordância entre os comportamentos das deformações
dos sensores de barra e de imersão, isto pode ser explicado devido ao fato que no dia 49 (20
de agosto de 2014) foi realizado ensaio de carregamento do pilarete 05. Como o teste de
carregamento no pilarete foi a compressão, ocorreu uma acomodação de deformações típica
de primeiros carregamentos, e as deformações residuais medidas pelos sensores, numa
situação sem carregamento tendem a ser negativas, o que justifica a aproximação das
deformações dos dois sensores, a coerência de comportamento das curvas, e a ordem de
grandeza de valores negativos lidos.

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 148

6.2.3 Ensaios de ciclos de carregamento nos pilaretes de concreto

Com a finalidade de avaliar o comportamento das instrumentações nos pilaretes quando


submetidos à esforços axiais, na campanha 1 foram executados vários ensaios, em ciclos de
carregamento sobre os pilaretes, sendo esses: ensaios rápidos, nos pilaretes 01 e 02, com 10
estágios de carga e 10 de descarga com patamares de tempo de 30 segundos, executados no
LABITECC em junho (ensaio 01, 02 e 03) e setembro de 2014 (ensaio 04, 05 e 06), aplicando
tensões máximas de 12,5 MPa em função da limitação da célula de carga da prensa; e ensaios
lentos, somente para o pilarete 01, com 3 a 5 estágios de carga, e 3 a 5 de descarga, com
patamares de tempo superiores a 1 hora, executados no Laboratório de Materiais de
Construção do IFG Campus Goiânia, em julho 2014, aplicando tensões máximas de 15 MPa.

O objetivo destes ensaios foi observar a repetibilidade do comportamento das curvas tensão
deformação para ensaios executadas sobre as mesmas condições em períodos de tempo
diferentes, como nos ensaios rápidos executados num intervalo de 3 meses, e também
verificar o desempenho das instrumentações no interior dos pilaretes para um carregamento
constante no maior período de tempo possível em laboratório (ensaios lentos).

Para o pilarete 01 a Figura 6.11 e Figura 6.12 mostram, respectivamente, os resultados dos
ciclos de carregamento aplicados para o sensor número 4 de barra, e para o sensor número 2
de imersão. A partir destas Figuras, para o pilarete 01, pode-se observar que as curvas para
ambos os sensores, nº 4 do tipo barra e nº 2 do tipo imersão, independentemente do método de
ensaio e do período, obtiveram o mesmo comportamento, o que pode ser observado a partir
das retas de calibração obtidas por regressão linear, conforme mostra a Tabela 6.3.

Para o sensor nº 04, de barra, foi obtido valor médio do módulo de 22,12 GPa, com desvio
padrão de 2,73 GPa, e coeficiente de variação de 12,3%, e se, o primeiro ensaio for
desprezado entendendo que este é bastante influenciado por efeitos de acomodação de
deformações, o valor médio do módulo resulta em 21,36 GPa, com desvio padrão de 1,38
GPa, e coeficiente de variação de 6,4%.

Para o sensor nº 02 de imersão os resultados foram: 23,7GPa de valor médio para o módulo,
com desvio padrão de 0,77 GPa, e coeficiente de variação de 3,2%, não sendo observados o
efeito de acomodação de deformações, ou seja, a diferença do módulo de elasticidade do
ensaio 01 em relação aos obtidos pelos demais ensaios não foi representativo.

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 149

Figura 6.11 - Ciclos de carregamento no pilarete 01 resultados obtidos para o sensor nº4 de barra.

18
16
14
12
10

Tensão (MPa)
8
6
4
2
0
-800 -700 -600 -500 -400 -300 -200 -100 0
Deformação (mm/m)
Ensaio 01 - Rápido Ensaio 02 - Rápido Ensaio 03 - Rápido Ensaio 01 - Lento
Ensaio 02 - Lento Ensaio 03 - Lento Ensaio 04 - Lento Ensaio 04 - Rápido
Ensaio 05 - Rápido Ensaio 06 - Rápido

Figura 6.12 - Ciclos de carregamento no pilarete 01 resultados obtidos para o sensor nº2 de imersão.

18
16
14
12
10
Tensão (MPa)

8
6
4
2
0
-700 -600 -500 -400 -300 -200 -100 0
Deformação (mm/m)
Ensaio 01 - Rápido Ensaio 02 - Rápido Ensaio 03 - Rápido Ensaio 01 - Lento
Ensaio 02 - Lento Ensaio 03 - Lento Ensaio 04 - Lento Ensaio 04 - Rápido
Ensaio 05 - Rápido Ensaio 06 - Rápido

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 150

Tabela 6.3 - Resultados de regressão lineares aplicadas aos ensaios de carregamento do pilarete 01.

Sensor nº 4 - BARRA Sensor nº 2 - IMERSÃO


Coef. Coef. Coef. Coef.
R² R²
Angular Linear Angular Linear
Ensaio 01 – Rápido -0,0290 0,331 0,991 -0,0243 -0,135 0,988
Ensaio 02 – Rápido -0,0234 -0,017 0,997 -0,0238 -0,117 0,994
Ensaio 03 – Rápido -0,0224 -0,048 0,996 -0,0233 -0,146 0,994
Ensaio 01 – lento -0,0229 -0,124 0,997 -0,0230 0,093 1,000
Ensaio 02 – lento -0,0214 0,066 1,000 -0,0238 0,009 1,000
Ensaio 03 – lento -0,0217 0,004 1,000 -0,0221 -0,009 1,000
Ensaio 04 – lento -0,0193 0,002 1,000 -0,0250 -0,114 0,998
Ensaio 04 – Rápido -0,0200 -0,410 0,990 -0,0237 -0,261 0,993
Ensaio 05 – Rápido -0,0206 -0,068 0,995 -0,0239 -0,133 0,997
Ensaio 06 – Rápido -0,0206 -0,067 0,996 -0,0239 -0,134 0,996
Média -0,0221 -0,033 0,996 -0,0237 -0,094 0,996

As Figura 6.13 e Figura 6.14 mostram, respectivamente, os resultados obtidos para o sensor
número 6 de imersão, e para o sensor número 7 de barra, inseridos no pilarete 02. A partir
destas Figuras, aplicando retas de regressão linear para os dados de cada ensaio de
carregamento, foi possível avaliar o comportamento do módulo de elasticidade do pilarete 2,
expresso pelo coeficiente angular das retas, os resultados são mostrados na Tabela 6.4.

No pilarete 02 para o sensor nº 06 de imersão foi observado um comportamento divergente


entre a os ensaios executados em épocas diferentes, sendo que o módulo reduz de cerca de 34
GPa para 27 GPa, sendo obtido o valor médio de 30,9 GPa, com desvio padrão de 3,67GPa, e
coeficiente de variação de 11,9%, cabe ressaltar que os três primeiros ensaios demonstraram o
mesmo comportamento não apontando para acomodação de deformações. Os resultados
obtidos para o sensor nº 07 de barra mostraram-se bastante uniformes, com valor médio do
módulo em 22,9 GPa, com desvio padrão de 0,72 GPa, e coeficiente de variação de 3,1%.

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 151

Figura 6.13 - Ciclos de carregamento no pilarete 02 resultados obtidos para o sensor nº6 de imersão.

14

12

10

Tensão (MPa)
6

0
-500 -450 -400 -350 -300 -250 -200 -150 -100 -50 0
Deformação (mm/m)

Ensaio 01 - Rápido Ensaio 02 - Rápido Ensaio 03 - Rápido

Ensaio 04 - Rápido Ensaio 05 - Rápido Ensaio 06 - Rápido

Figura 6.14 - Ciclos de carregamento no pilarete 02 resultados obtidos para o sensor nº7 de barra.

14

12

10

8
Tensão (MPa)

0
-600 -500 -400 -300 -200 -100 0
Deformação (mm/m)

Ensaio 01 - Rápido Ensaio 02 - Rápido Ensaio 03 - Rápido

Ensaio 04 - Rápido Ensaio 05 - Rápido Ensaio 06 - Rápido

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 152

Tabela 6.4 - Resultados de regressão lineares aplicadas aos ensaios de carregamento do pilarete 02.

Sensor nº 6 - IMERSÃO Sensor nº 7 - BARRA


Coef. Coef. Coef. Coef.
R² R²
Angular Linear Angular Linear
Ensaio 01 -0,0349 0,377 0,997 -0,0227 0,021 0,988
Ensaio 02 -0,0341 0,316 0,997 -0,0239 -0,072 0,994
Ensaio 03 -0,0336 0,264 0,997 -0,0238 -0,062 0,995
Ensaio 04 -0,0275 -0,110 0,989 -0,0225 -0,127 0,989
Ensaio 05 -0,0276 -0,107 0,996 -0,0224 -0,099 0,995
Ensaio 06 -0,0275 -0,109 0,997 -0,0223 -0,111 0,995
Média -0,0309 0,105 0,995 -0,0229 -0,075 0,993

6.2.4 Comparação entre sensores de barra, imersão e extensômetros


colados externamente

Os resultados obtidos nos ciclos de carregamento sobre os pilaretes da campanha 1 mostraram


a tendência do comportamento linear entre tensões no pilarete e deformações nos sensores.
Todavia, se fazia necessário verificar se as deformações nos sensores no interior do pilarete
são representativas do elemento estrutural como um todo, haja visto, que os sensores são de
material diferente do pilarete, e ainda devido a sua geometria, e posicionamento.

A fim de comparar e comprovar as deformações obtidas pelos sensores com aquelas ocorridas
no pilarete como um todo, foram colados extensômetros nas faces dos pilaretes 01, 02, 03, e
04 (campanha 01 e 02), fazendo que cada pilarete fosse entendido como um sensor, dito
externo, conforme mostra a Figura 6.15. Os testes de carregamento foram feitos no
laboratório de Materiais de Construção do IFG, Campus Goiânia, em novembro de 2014,
sendo aplicadas tensões máximas de 15,7 MPa, em 4 patamares de carga e 3 de descarga, cada
pilarete foi ensaiado 3 vezes sobre as mesmas condições, sequencialmente. Os dados de força
e consequentemente tensão foram fornecidos pela prensa EMIC, e os dados de deformação
lidos continuamente pelo sistema de aquisição para os três sensores (barra, imersão e externo).

Os resultados obtidos para o pilarete 01, 02, 03 e 04 são mostrados, respectivamente na Figura
6.16, Figura 6.17, Figura 6.18, e Figura 6.19. A Tabela 6.5 mostra um resumo dos resultados
encontrados, sendo os valores de módulo de elasticidade obtidos a partir do coeficiente
angular da reta de regressão linear, para os dados de deformação e tensão de cada um dos
sensores. Importante destacar que todos os valores de E mostrados na Tabela 6.5 referem-se
ao pilarete, no entanto, compilados por sensores diferentes (barra, imersão, externo e média

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 153

entre barra e imersão), sendo inclusive fornecidos na referida tabela relações entre os módulos
de elasticidade advindos de cada sensor no interior do pilarete.

Figura 6.15 – Pilaretes 02, 03 e 04 com extensômetros colados externamente.

Figura 6.16 – Testes de carga sobre pilarete 01: sensores de barra, imersão, e extensômetros de face.

18

16

14
12
10 Tensão (MPa)
8
6

4
2
0
-700 -600 -500 -400 -300 -200 -100 0
Deformação (mm/m)
sensor 02 - imersão sensor 04 - Barra Externa P1
Linear (sensor 02 - imersão) Linear (sensor 04 - Barra) Linear (Externa P1)

y = -0,0268x - 0,2178 y = -0,0239x - 0,3479 y = -0,0271x - 0,4875


R² = 0,9971 R² = 0,9938 R² = 0,9896

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 154

Figura 6.17 – Testes de carga sobre pilarete 02: sensores de barra, imersão, e extensômetros de face.

18

16

14

12

Tensão (MPa)
10

0
-700 -600 -500 -400 -300 -200 -100 0
Deformação (mm/m)

sensor 06 - imersão sensor 07 - Barra Externa P2


Linear (sensor 06 - imersão) Linear (sensor 07 - Barra) Linear (Externa P2)

y = -0,0278x - 0,2692 y = -0,0234x - 0,4041 y = -0,0303x - 0,4122


R² = 0,9939 R² = 0,9893 R² = 0,9919

Figura 6.18 – Testes de carga sobre pilarete 03: sensores de barra, imersão, e extensômetros de face.

18

16

14

12 Tensão (MPa)
10

0
-800 -700 -600 -500 -400 -300 -200 -100 0
Deformação (mm/m)
sensor 08 - imersão sensor 09 - Barra Externa P3

Linear (sensor 08 - imersão) Linear (sensor 09 - Barra) Linear (Externa P3)


y = -0,0249x + 0,1815 y = -0,0209x - 0,254 y = -0,0203x - 0,7003
R² = 0,9826 R² = 0,9909 R² = 0,9714

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 155

Figura 6.19 – Testes de carga sobre pilarete 04: sensores de barra, imersão, e extensômetros de face.

18

16

14

12

Tensão (MPa)
10

0
-800 -700 -600 -500 -400 -300 -200 -100 0
Deformação (mm/m)
sensor 10 - imersão sensor 11 - Barra Externo P4
Linear (sensor 10 - imersão) Linear (sensor 11 - Barra) Linear (Externo P4)
y = -0,0227x - 0,0742 y = -0,0248x - 0,2678 y = -0,0233x - 0,5418
R² = 0,9898 R² = 0,9964 R² = 0,9822

Tabela 6.5 – Testes de carga nos pilaretes 01, 02, 03, e 04 para determinação do módulo de elasticidade do
pilarete com sensores de barra, imersão e extensômetros colados nas faces externas.

Relação entre E Pilaretes


Módulo de Elasticidade do Pilarete de sensores internos e
externos

E - Pilarete: E - Pilarete:
E - Pilarete:
Tipo do Nº do média entre sensor
Pilaretes por sensor - EPS/EPE EPMS/EPE
Sensor Sensor sensores - externo - EPE
EPS (GPa)
EPMS (GPa) (GPa)

IMERSÃO 2 26,8 0,99


P1 25,35 27,1 0,94
BARRA 4 23,9 0,88
IMERSÃO 6 27,8 0,92
P2 25,6 30,3 0,84
BARRA 7 23,4 0,77
IMERSÃO 8 24,9 1,23
P3 22,9 20,3 1,13
BARRA 9 20,9 1,03
IMERSÃO 10 22,7 0,97
P4 23,75 23,3 1,02
BARRA 11 24,8 1,06

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 156

De modo geral, os resultados obtidos mostraram que existem diferenças entre as respostas
obtidas por sensores aplicados nas barras e no concreto, com valores de módulo de
elasticidade dos pilaretes obtidos pelos sensores de imersão tendendo a ser maiores que os de
barra, como observado nos pilaretes 01, 02 e 03.

Os resultados mostrados na Tabela 6.5, levam a concluir que o módulo de elasticidade do


pilarete seria melhor representado através do sensor de imersão, porque este se aproxima mais
ao comportamento de deformações obtidos para extensômetros colados externamente, como
mostram os resultados dos pilaretes 01, 02 e 04. Sendo que o pilarete 03 mostra um
comportamento de exceção, com tendência inversa, sendo o sensor de barra mais próximo ao
comportamento do sensor externo. Todavia, o pilarete 03 mostra os resultados mais dispersos
a partir dos 3 ensaios de carga executados, alcançando coeficientes de variação de 19%, 7% e
9% para patamares de carga de 5,2MPa e 11%, 4% e 5% para patamar de carga 10,5 MPa,
respectivamente para sensores de imersão, barra e externos.

Notou-se também a partir da Tabela 6.5 e das Figura 6.16 e Figura 6.17 que os resultados
demonstrados pelos pilaretes 01 e 02 foram os que mostraram menor dispersão, menores que
1% tanto para patamar de 5,2 quanto para 10,5 MPa para o pilarete 01, e menores que 3%
para os patamares de 5,2 e 10,5 MPa para o pilarete 02, podendo ser justificado devido ao
número de ensaios já executados com esses pilaretes, sendo estes resultados convergentes
com aqueles obtidos pela Tabela 6.3 e Tabela 6.4.

6.2.5 Comparação entre instrumentação e módulo composto

Com a finalidade de analisar a viabilidade do módulo composto para os pilaretes de concreto,


sendo este calculado conforme Equação (6.1), a partir de uma média ponderada dos módulos
dos materiais, em função da área que eles ocupam numa seção transversal, foram executadas a
terceira campanha, com pilaretes 5 e 6, e a quarta campanha, com os pilaretes 7 e 8,
complementando os dados da primeira e segunda campanha. Foram executados testes de
carga para obtenção dos módulos de elasticidade destes pilaretes, e então comparados aos
módulos compostos calculados. O procedimento dos testes de carga consistiu em submeter os
pilaretes a esforços axiais, com 10 estágios de carga e 10 de descarga com patamares de
tempo de 30 segundos, os testes foram executados no LABITECC, aplicando tensões
máximas de 12,5 MPa. Os resultados dos testes de carga para os pilaretes 05, 06, 07 e 08 são
mostrados, respectivamente, na Figura 6.20, Figura 6.21, Figura 6.22 e Figura 6.23.

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 157

Figura 6.20 – Testes de carga sobre pilarete 05: sensores de barra e imersão.

14

12

10

Tensão (MPa)
8

0
-700 -600 -500 -400 -300 -200 -100 0
Deformação (mm/m)
Ensaios 1a3 - sensor 20 - BARRA Ensaios 1a3 - sensor 21 - IMERSÃO
Linear (Ensaios 1a3 - sensor 20 - BARRA) Linear (Ensaios 1a3 - sensor 21 - IMERSÃO)
y = -0,0206x - 0,0977 y = -0,0239x - 0,1824
R² = 0,9899 R² = 0,9878

Figura 6.21 – Testes de carga sobre pilarete 06: sensores de barra e imersão.

14

12

10
Tensão (MPa)
8

0
-600 -500 -400 -300 -200 -100 0
Deformação (mm/m)
Ensaios 1a3 - sensor 22 - BARRA Ensaios 1a3 - sensor 23 - IMERSÃO
Linear (Ensaios 1a3 - sensor 22 - BARRA) Linear (Ensaios 1a3 - sensor 23 - IMERSÃO)
y = -0,0236x + 0,12 y = -0,0304x + 0,0717
R² = 0,9847 R² = 0,9916

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 158

Figura 6.22 – Testes de carga sobre pilarete 07 somente sensor de imersão.

14

12

10

Tensão (MPa)
8

0
-700 -600 -500 -400 -300 -200 -100 0
Deformação (mm/m)
Ensaios 1a3 - sensor 24 - IMERSÃO Linear (Ensaios 1a3 - sensor 24 - IMERSÃO)

y = -0,0205x - 0,7226
R² = 0,9822

Figura 6.23 – Testes de carga sobre pilarete 08 somente sensor de imersão.

14

12

10

Tensão (MPa)
8

0
-700 -600 -500 -400 -300 -200 -100 0
Deformação (mm/m)
Ensaios 1a3 - sensor 25 - IMERSÃO Linear (Ensaios 1a3 - sensor 25 - IMERSÃO)
y = -0,0218x - 0,7739
R² = 0,9772

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 159

Os valores de módulo de elasticidade do concreto foram obtidos via ensaio normatizado pela
NBR 8522 (ABNT, 2003), sendo os resultados mostrados na Tabela 6.2. Cabe ressaltar que o
valor do módulo de elasticidade do concreto apresenta experimentalmente grande variação
que depende de muitos fatores, dentre eles: agregados (tipo, módulo, proporção, graduação,
forma e textura), pasta (relação água cimento, resistência, quantidade), porosidade,
composição, idade, método de ensaio. E, ao se propor o cálculo do módulo de elasticidade
composto, tem-se que o valor que mais influência nos cálculos é o módulo do concreto, em
função de ter proporcionalmente a maior área. Portanto, entende-se que a estimativa por
fórmulas empíricas do módulo de elasticidade do concreto não é positiva, devendo sempre ser
retirado corpos de prova para sua determinação.

A partir de testes de carga sobre os pilaretes da 1ª, 2ª, 3ª e 4ª campanha foram compilados,
conforme mostrado na Tabela 6.6, os dados sobre: o comportamento dos módulos dos
pilaretes encontrados pela instrumentação; os módulos encontrados para o concreto através de
ensaios; e, os módulos compostos calculados conforme Equação (6.1). Os valores de módulo
de elasticidade do concreto da 2ª, 3ª e 4ª campanhas foram obtidos a partir de ensaios de
laboratório, enquanto que o da 1ª campanha foi estimado.

Na Tabela 6.6 são mostrados na coluna 1, 2 e 3, respectivamente, numeração do pilarete,


número do sensor e tipo do sensor. Na coluna 4 são mostrados os valores de módulo obtido na
calibração do sensor em laboratório, estes valores remetem a ordem de valor do módulo de
elasticidade do material do sensor, no caso o alumínio, portanto, cerca de 70 GPa. Na coluna
5 são mostrados os valores de módulo de elasticidade do pilarete obtidos por testes de carga
com os sensores no seu interior, podendo ser de barra ou de imersão. Na coluna 6 são
mostrados os valores de módulo de elasticidade do concreto obtidos por ensaios de
laboratório com medidas mecânicas do encurtamento. Na coluna 7 são calculados os valores
do módulo de elasticidade composto, usando as áreas de cada elemento presente na secção
transversal, o módulo de elasticidade do concreto da coluna 6, o módulo de elasticidade do
material do sensor da coluna 4, e módulo de elasticidade do aço, adotando-se o valor de 210
GPa. Na coluna 8 são demonstradas a relação entre módulo de elasticidade do pilarete obtido
pelas instrumentações e o módulo de elasticidade do concreto. E, na coluna 9 são calculados a
relação entre módulo de elasticidade do pilarete obtido pelas instrumentações e o módulo de
elasticidade composto calculado conforme Equação (6.1).

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 160

Tabela 6.6 – Relação entre módulo do pilar instrumentado e módulos do concreto, e relação entre módulo do
pilar instrumentado e módulo composto, para os pilaretes 01, 02, 03, 04, 05, 06, 07 e 08.

Elasticidade do
concreto (GPa)
Tipo de sensor

Instrumentado
Sensor (Gpa)
Calibração E
E Pilaretes / E Pilaretes

Composto
E Pilarete
Sensor nº
Pilaretes

Módulo

Módulo
(Gpa)

(Gpa)
E Mod. / Mod.
Concreto Composto
[(5)/(6)] [(5)/(7)]

(1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8) (9)


2 Imersão 73,3 26,8 1,072 0,964
P1
4 Barra 67,4 23,9 0,956 0,860
25* 27,8
6 Imersão 67,9 27,8 1,112 1,000
P2
7 Barra 68,2 23,4 0,936 0,842
8 Imersão 67,8 24,9 0,932 0,856
P3
9 Barra 67,1 20,9 0,782 0,718
26,7 29,1
10 Imersão 68,7 22,7 0,849 0,780
P4
11 Barra 71,0 24,8 0,928 0,852
20 Barra 71,6 20,6 0,715 0,652
P5
21 Imersão 72,5 23,9 0,830 0,757
28,8 31,59
22 Barra 75,2 23,6 0,819 0,747
P6
23 Imersão 76,6 30,4 1,056 0,962
P7 24 Imersão 71,6 20,5 0,889 0,878
23,1 23,35
P8 25 Imersão 75,4 21,8 0,945 0,934
* valor adotado, informado pelo fornecedor do concreto usinado.

Ao se analisar num mesmo pilarete, os resultados mostrados na Tabela 6.6, da coluna 4


comparativamente com os da coluna 5, pode-se inferir que o módulo da elasticidade do
pilarete se mostrou maior quando o módulo de elasticidade da calibração do sensor foi maior,
sendo um comportamento de exceção observado no pilarete 2. Fato relevante, pois leva a
concluir que seria possível a partir da variação do módulo de elasticidade da calibração do
sensor aplicar um fator de correção nas deformações entre sensores inseridos em peças com o
mesmo concreto, sobre mesmas condições de concretagem e mesma seção de aço.

Também ao se analisar num mesmo pilarete, os resultados da Tabela 6.6, da coluna 5, pode-se
deduzir que o módulo do pilarete obtido por sensor de imersão tende a ser maior que o obtido
pelo sensor de barra, em média superior a 14% em relação aos sensores de barra, e excluindo-
se o pilarete número 04, esse valor médio chega a 19%, sendo os resultados obtidos para o
pilarete 05 e 06 concordantes com aqueles dos pilaretes 01, 02 e 03.

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 161

Comparando os valores obtidos para o módulo de elasticidade do concreto da Tabela 6.6, da


coluna 6, com os encontrados para o módulo de elasticidade do pilarete da coluna 5, para
sensores de barra e imersão, observa-se que os resultados do módulo do pilarete
instrumentado, em geral, foram menores que os referentes ao ensaios de módulo do concreto,
em cerca de 2 a 6 GPa, com o comportamento de exceção dos sensores de imersão do pilarete
01, 02 e 06, lembrando que para a campanha 1 os valores do módulo de elasticidade do
concreto foram estimados. Pode se atribuir parte destas divergências a diferença de geometria
entre o corpo de prova do ensaio e o pilarete, e a diferença do método de carregamento do
ensaio de módulo da NBR 8522 (ABNT, 2003) com o método aplicado aos testes de carga
nos pilaretes.

Relativamente foi observado comportamento coerente entre o módulo de elasticidade do


concreto e os módulos dos pilaretes obtidos com os sensores de imersão, por exemplo, nos
pilaretes 05 e 06 o módulo de elasticidade do concreto obtido pelo ensaio foi 28,8 GPa, o
maior obtido por ensaios, e o módulo dos pilaretes encontrados com sensores de imersão
foram em média 27,2 GPa, ao passo que para os pilaretes 07 e 08 o módulo de elasticidade do
concreto foi 23,1 GPa, o menor dentre os ensaios, e o módulo dos pilaretes obtido pelos
sensores imersão foi em média 21,2 GPa, enquanto que nos pilaretes 03 e 04 o valor do
módulo de elasticidade do concreto foi 26,7 GPa e o módulo do pilarete obtidos com sensores
de imersão foi em média de 23,8 GPa. Comprovando a influência do módulo de elasticidade
do concreto sobre o nível de deformações sofrido no sensor de imersão, existindo uma
proporcionalidade.

A relação entre os módulos dos pilaretes obtidos com sensores (imersão e barra) e o módulo
de elasticidade do concreto foi em média de 92%, para os pilaretes 01 a 08, e a relação entre
os módulos dos pilaretes obtidos com sensores (imersão e barra) e o módulo composto
calculado conforme Equação (6.1) foi em média de 84%, para os pilaretes 01 a 08. Se
excluídos os dados dos pilaretes 01 e 02, em função do resultado do ensaio de módulo de
elasticidade do concreto ser estimado, estas razões caem respectivamente para 87% e 81%.
Ressaltando que para a taxa de armadura empregada o uso da média ponderada dos módulos
dos materiais, em termos de área, para determinação do módulo de elasticidade composto não
levou a melhor resultado quando comparado ao módulo de elasticidade do concreto, sendo
comportamento do concreto quem está governando as deformações.

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 162

6.2.6 Acompanhamento dos pilaretes pós carregamentos

Foram mostrados em itens anteriores que ocorrem variações nas deformações dos sensores
devido a concretagem, pega e cura sem incidência de carregamentos, e também que os
primeiros carregamentos atuantes nos pilaretes provocam acomodações de deformações
alterando as deformações absolutas. Todavia, nos itens anteriores eram aplicadas deformações
de origem, ditos zero de balanço, tornando os testes e leituras em valores relativos
possibilitando uma melhor análise.

De todo modo, quando da confecção dos sensores, são percebidos valores de deformações
absolutas diferentes de zero que decorrem da montagem do circuito da ponte, ou seja, os
extensômetros apresentam deformações residuais advindas da colagem, montagem do circuito
e proteção. Assim como relatado por HBM (2015), os fatores que podem incorrer em
variações das deformações absolutas, são: não homogeneidade do material; variações de
temperatura do meio ambiente; espessura do extensômetro, da cola e distância da superfície;
desalinhamento de colagem; isolamento da proteção; e diferença de condutividade térmica
entre o extensômetro e o material no qual ele está fixado, eliminando efeitos de auto
compensação de temperatura, dentre outros.

A fim de verificar o comportamento das deformações absolutas, sem incidência de


carregamento, após os ciclos e testes de carga realizados sobre os pilaretes 01, 02, 03, 04, 05,
06, 07 e 08, foram monitoradas as deformações por um período de 23 dias, entre janeiro e
fevereiro de 2016, sempre entre às 17:00 e 19:00 horas, evitando assim, a influência da
variação da temperatura ao longo do dia. Sendo os resultados encontrados mostrados na
Figura 6.24, onde nota-se a pequena variação dos valores de deformação absoluta em torno do
valor médio ao longo dos 23 dias, sendo registradas variações médias em torno de 30μm, que
considerando um módulo de elasticidade médio dos sensores, por exemplo, de 25GPa
corresponderia a atuação de uma tensão menor que 1MPa.

Para comparar as variações nas deformações absolutas dos sensores nos pilaretes, foi
construída a Tabela 6.7, onde são mostradas as evoluções das deformações, com ênfase em
três etapas distintas: deformação absoluta para carga nula obtida pelo sistema de aquisição
quando da calibração do sensor em laboratório, mostrado na coluna 4; deformação absoluta
para carga nula, medida pelo sistema de aquisição ao final do último teste de carregamento
sobre os pilaretes, conforme coluna 5; e deformação absoluta calculada a partir da média das

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 163

deformações obtidas pelo sistema de aquisição, para os pilaretes sem incidência de


carregamento, durante 23 dias, após vários ciclos de carga submetidos aos pilaretes.
Ressaltando que entre os dados da coluna 5 e 6 da Tabela 6.7 decorreram de 2 a 14 meses. Na
coluna 7 são mostradas a diferença, para carga nula, entre as deformações absolutas do último
ciclo de carga do sensor no interior do pilarete e da calibração do sensor (coluna 5 – coluna
4). E na coluna 8 são mostradas a diferença, também para carga nula, entre as deformações
absolutas do sensor no interior do pilarete, na condição de repouso, pós carregamento e as
deformações absolutas do último ciclo de carga do sensor no interior do pilarete (coluna 6 –
coluna 5).

Partindo destes dados se conclui que as deformações absolutas sofrem grandes diminuições,
podendo chegar a -600μm, quando comparados valores das deformações das calibrações dos
sensores com aquelas obtidas após estes serem inseridos em pilaretes e submetidos a testes de
carregamento. Outro fato, está no acréscimo médio de 60μm, entre o último teste de carga e o
monitoramento pós carregamento, onde se considerado um módulo médio para o pilarete de
25GPa corresponderia a atuação de uma tensão de cerca de 1,5MPa, mostrando que o pilarete
em repouso tende a devolver lentamente as deformações sofridas.

Figura 6.24 – Acompanhamento das deformações absolutas, sem carregamento, após testes de carga.

Tempo (dias)
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23
200

0
Deformação (mm/m)

-200

-400

-600

-800

-1000

-1200

-1400
Sensor02 - P-01 - Imersão Sensor04 - P-01 - Barra Sensor06 - P-02 - Imersão
Sensor07 - P-02 - Imersão Sensor08 - P-03 - Imersão Sensor09 - P-03 - Barra
Sensor10 - P-04 - Imersão Sensor11 - P-04 - Barra Sensor20 - P-05 - Barra
Sensor21 - P-05 - Imersão Sensor22 - P-06 - Barra Sensor23 - P-06 - Imersão
Sensor24 - P-07 - Imersão Sensor25 - P-08 - Imersão

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 164

Tabela 6.7 – Variações das deformações absolutas nos pilaretes 01 a 08.

calibração (μm/m)
Def. absoluta sem

Diferença de Def.

Diferença de Def.
acomp. pós carga
carga do pilarete
Def. absoluta na

testes de carga e

testes de carga e
repouso (μm/m)
último teste de
Tipo de sensor

sensor (μm/m)

carregamento,
calibração do

Def. absoluta
Sensor nº
Pilaretes

[(5)-(4)]

[(6)-(5)]
(μm/m)

(μm/m)
(1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8)
2 Imersão 61,6 -47,9 45,1 -109,5 93,0
P1
4 Barra -42,8 -306,7 -229,7 -263,9 77,0
6 Imersão 85,2 -107,6 -39,1 -192,8 68,5
P2
7 Barra -324,9 -662,9 -584,9 -338,0 78,0
8 Imersão -434,7 -809,0 -768,7 -374,3 40,3
P3
9 Barra -697,0 -1352,0 -1326,3 -655,0 25,7
10 Imersão -306,7 -907,2 -916,5 -600,5 -9,3
P4
11 Barra -381,8 -737,1 -718,3 -355,3 18,8
20 Barra -642,7 -729,7 -531,6 -87,0 198,1
P5
21 Imersão -216,5 -230,4 -97,7 -13,9 132,7
22 Barra -526,8 -734,1 -670,8 -207,3 63,3
P6
23 Imersão -609,5 -1216,0 -1207,6 -606,5 8,4
P7 24 Imersão -776,1 -1094,0 -1087,2 -317,9 6,8
P8 25 Imersão -555,9 -834,0 -832,2 -278,1 1,8

Os resultados evidenciados na Figura 6.10 mostram que as instrumentações desenvolvidas


percebem as tensões internas ocorridas durante a cura do concreto, e poderiam ser utilizadas
no monitoramento de estacas mondadas in loco, para ajudar a explicar as tensões internas
geradas durante a cura do concreto e sua relação com a mobilização de atrito estaca solo.
Todavia, a Tabela 6.7 mostra que podem ocorrer grandes diferenças de valores de
deformações absolutas entre a calibração e a aplicação do sensor em peças estruturais, que
podem decorrer de fases anteriores da cura do concreto como fixação e posicionamento dos
sensores.

Para aplicação da instrumentação, eliminando as variações de deformações dos sensores


devidas à instalação e cura, deve-se considerar leituras relativas de deformação, zeros
relativos (de balanço), para cada acréscimo de carga. Assim sendo possível determinar as
cargas na estrutura com grande precisão, uma vez conhecido o módulo do conjunto. E,
estando o sensor instalado, fora da influência da cura, as deformações absolutas tendem a ser
constantes conforme mostra a Figura 6.24.

A.J. CRUZ JUNIOR Capítulo 6


CAPÍTULO 7
APLICAÇÃO DA INSTRUMENTAÇÃO EM PCE

Este capítulo apresenta os resultados obtidos na execução da prova de carga instrumentada,


sendo comparados com os métodos de previsão de capacidade de carga das estacas, e a
determinação e interpretação da curva carga-recalque.

7.1 PROVA DE CARGA INSTRUMENTADA

A prova de carga estática instrumentada teve sua preparação executada conforme descrito no
Capítulo 5. A instrumentação foi instalada nos diferentes níveis, conforme apresentado no
Apêndice C, sendo possível obter as curvas carga-deformação para cada sensor).

Observou-se que os sensores instalados em níveis superiores obtiveram valores maiores de


deformação para um mesmo estágio de carga, o que demonstra que parte da carga atuante é
absorvida ao longo da estaca por atrito lateral (Figura 7.1). Foram verificadas deformações
maiores nos sensores de imersão em relação aos sensores de barra, para um mesmo nível,
como apresentado na Figura 7.1. Tais diferenças foram mais representativas no nível 1 – no
topo da estaca – tomado como nível de referência, onde também se nota diferenças de
comportamento entre as curvas do sensor de imersão e de barra. Para os níveis 2 e 4 (6,0 m e
12,0 m, respectivamente) não foram observadas diferenças entre o comportamento das curvas
dos sensores de barra e imersão.

Os módulos de elasticidade da estaca foram calculados a partir das instrumentações de


referência, usando somente o trecho de carregamento – eliminando pontos iniciais –,
conforme mostra a Figura 7.2. Os valores dos módulos de elasticidade obtidos pelos sensores
de imersão e de barra foram 21,10 GPa e 25,41 GPa, respectivamente. Foi adotado o valor
médio entre os dois sensores (de imersão e de barra) como representativo da estaca, com valor
igual a 23,25 GPa.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 7


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 166

Figura 7.1 - Curvas carga deformação para prova de carga instrumentada.

600

500
Ref. Imersão

Ref. Barra
400
Deformação ( μm/m)

Nivel 02 Imersão

300
Nível 02 Barra

Nível 03 Barra
200

Nivel 04 Barra

100
Nível 04 Imersão

0
0 200 400 600 800 1000

Carga (kN)

Assumindo que o módulo de elasticidade da estaca obtido é válido ao longo de toda a estaca,
foram calculados os valores de força em cada nível instrumentado a partir da média das
deformações medidas, para cada estágio de força aplicada no topo da estaca. A Figura 7.3
mostra o gráfico de transferência de carga obtido para a prova de carga instrumentada.

Os valores de carga na Figura 7.3 se mantem constante na profundidade inicial, entre 0,00 m e
0,50 m, uma vez que foi assumido que a dissipação de carga pode ser desprezada entre o
ponto de aplicação na PCE e aquela obtida na instrumentação de referência. Esta diferença
poderia, ainda, ser minimizada se antes de executar a PCE fosse escavada a lateral e o fundo
do bloco.

Outro aspecto relevante que pode ser observado sobre os resultados mostrados pela Figura 7.3
consiste em constatar a mobilização da resistência por atrito lateral, o que é observado
quando, entre dois níveis de sensores, as retas que representam os carregamentos se tornarem
paralelas. Sendo assim, observou-se que entre os níveis 1 e 2 (0,5 m a 6,0 m) foi possível
mobilizar toda a resistência por atrito lateral entre os estágios de carga de 769,5kN e 935,2kN.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 7


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 167

Figura 7.2 - Obtenção do módulo de elasticidade da estaca a partir dos sensores de referência.

Figura 7.3 - Transferência de carga ao longo da estaca instrumentada.

A partir das curvas de transferência de carga foi possível determinar o diagrama de


distribuição da carga por atrito de lateral ao longo da estaca instrumentada, para os 6 estágios
de carga aplicadas, conforme mostra a Figura 7.4.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 7


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 168

Figura 7.4 – Absorção da carga aplicada no topo por atrito lateral ao longo da estaca instrumentada.

Atrito lateral (kN)


0 50 100 150 200 250 300 350 400 450
0

4
Profundidade (m)

10

12
214,91 438,21 589,47 769,55 935,21 1036,06

A Figura 7.4 evidencia que entre os estágios 4 e 5 (769,5 kN e 935,2 kN) o valor da carga de
atrito na camada superficial de argila arenosa (0,5 m a 6,0 m), entre os níveis de
instrumentação 1 e 2, foram muito próximos, apoiando a conclusão que para estes
carregamentos o atrito lateral disponível da referida camada já estaria totalmente mobilizado.
No entanto, o estágio 6 de carregamento (1036,1 kN) consegue transmitir um valor de carga
de atrito lateral ainda maior para a camada de argila arenosa para o trecho entre 0,5 m e 6,0 m.

Todavia, as camadas de solos consideradas têm comprimentos diferentes e, portanto, a fim de


elucidar a mobilização do atrito lateral, deve-se analisar a distribuição da tensão cisalhante
unitária ao longo da estaca instrumentada. Os valores de carga obtidos (Figura 7.4), entre cada
nível de instrumentação, foram divididos pela respectiva área lateral da estaca entre os níveis,
assim foi obtida a Figura 7.5, para a distribuição da tensão cisalhante unitária.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 7


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 169

Figura 7.5 – Diagrama de distribuição da tensão cisalhante unitária ao longo da estaca instrumentada.

Tensão cisalhante unitária (kPa)


0 20 40 60 80 100 120 140
0

4
Profundidade (m)

10

12
214,91 438,21 589,47 769,55 935,21 1036,06

A partir da análise do comportamento das tensões cisalhantes da camada superficial (0,5 m a


6,0 m) foi possível inferir uma tensão cisalhante unitária média de 79,4 kPa, utilizando as
tensões obtidas nos estágios 3, 4, 5, e 6 (72,1; 78,9; 79,4; 87,3 kPa, respectivamente) com o
coeficiente de variação de 7,85%. Outro aspecto que apoia a conclusão sobre a tensão
cisalhante unitária média da camada superficial foi o comportamento observado a partir
estágio 4, na camada intermediária, que passou a apresentar tensões cisalhantes unitárias
maiores que aquelas observadas na camada superficial.

Na camada intermediária entre 6,0 m e 9,0 m, foi observado o comportamento das tensões
cisalhantes unitárias sempre crescentes para cada incremento de carga sobre a estaca, levando
a conclusão que ainda não foi possível mobilizar todo o atrito lateral desta camada. Nesta
camada foram observadas as maiores tensões cisalhantes unitárias, com valores de 137,3 kPa.

A camada entre os níveis de instrumentação 3 e 4, respectivamente 9,0 m e 12,0 m, também


apresentou comportamentos crescentes de tensão cisalhante unitária para cada incremento de
carga aplicada. No entanto, este crescimento foi proporcionalmente menor que os obtidos pela

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 7


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 170

camada intermediária, levando a concluir que o atrito lateral foi pouco mobilizado, sendo que
os valores tensão cisalhantes unitárias se tornariam maiores somente quando se esgotasse o
atrito lateral da camada intermediária. Ressalta-se que o valor esperado de tensão cisalhante
unitária máxima para a camada entre 9,0 m e 12,0 m seria até superior que o obtido para
camada intermediária (6,0 m a 9,0 m), devido a esta camada apresentar valores maiores de
NSPT, como mostra a sondagem constante no Anexo A.

Pode-se concluir que os carregamentos aplicados na PCE não chegaram a alcançar a carga
máxima, pois nenhuma carga foi mobilizada na ponta da estaca, conforme mostra a Figura
7.3. Para o carregamento de 1036,1 kN, somente 29,8 kN chegam a ponta da estaca, ou seja,
somente 2,9% da carga máxima aplicada foi suportada pelo solo sob a ponta da estaca.

7.2 COMPARAÇÃO ENTRE PCE E RESULTADOS PREVISTOS

Foram calculados os valores de capacidade de carga para a estaca instrumentada da PCE por
meio dos métodos semi-empíricos. Também foram aplicados métodos de interpretação da
curva carga recalque para determinação da carga de ruptura. Nos cálculos, foram
considerados a sondagem constante no Anexo A, os dados simplificados mostrados na Tabela
5.5, e estaca tipo raiz com 310 mm de diâmetro e 12 m de comprimento, sem pressão de
injeção.

7.2.1 Comparações com métodos de capacidade de carga

Os métodos semi-empíricos utilizados foram: Aoki e Velloso (1975); Décourt e Quaresma


(1978); Lizzi (1982); Milititsky e Alves (1985); David Cabral (1986); BRASFOND (1991);
Teixeira (1996). Os cálculos foram executados conforme descrito no Capítulo 3, seguindo
equações de cada método. Na Tabela 7.1 são mostrados os resultados encontrados, sendo: QP

a resistência última de ponta ou base; QL a resistência última lateral; e QT a capacidade de


carga última da estaca.

De modo geral, os métodos mostraram uma convergência para um valor médio de capacidade
carga última de 1250 kN, apresentando grande dispersão de resultados, excluindo-se os
métodos de Milititsky e Alves (1985) que obteve um valor 50% inferior, e o Teixeira (1996)
que obteve um valor 200 kN superior ao valor médio relatado.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 7


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 171

O valor médio encontrado para resistência última de ponta foi de 350 kN, sendo verificadas
anormalidades para os métodos de: Milititsky e Alves (1985) que obteve um valor 50%
inferior; Lizzi (1982) que não considera o cálculo da parcela devido a ponta; e Aoki e Velloso
(1975) com valor mais de 50% superior ao média encontrado.

Para a parcela de resistência última lateral foi obtido o valor médio entre os métodos de 850
kN, estando divergentes à média os métodos de Milititsky e Alves (1985) Aoki e Velloso
(1975) que obtiveram valores mais que 50% inferiores; e Lizzi (1982) que apresentou valor
mais que 450 kN superior em relação ao valor médio.

Tabela 7.1 – Resultados dos métodos semi-empíricos para determinação da capacidade de carga.

QP QL QT
(kN) (kN) (kN)

Aoki e Velloso (1975) 830,24 418,53 1248,78

Décourt e Quaresma (1978) 259,94 939,81 1199,75

Lizzi (1982) - 1.333,26 1333,26

Milititsky e Alves (1985) 185,67 408,66 594, 34

David Cabral (1986) 408,30 807,38 1215,68

BRASFOND (1991) 362,29 988,00 1350,28

Teixeira (1996) 495,13 1.000,81 1495,94

O método de Aoki e Velloso (1975) foi o método que mais se aproximou do valor médio de
1250 kN. No entanto, as parcelas de resistência última de ponta e resistência última lateral
divergiram dos valores encontrados nos outros métodos. Este foi o único método que mostrou
parcela de resistência última devido à ponta superior à parcela resistência última lateral.

A fim de realizar uma comparação com os resultados da PCE instrumentada, foram


calculados pelos métodos semi-empíricos a tensão cisalhante unitária para a camada entre 0,0
e 6,0 m. A Tabela 7.2 mostra os resultados encontrados, onde q L é a tensão cisalhante
unitária, obtida em cada método dividindo a resistência última lateral pela área lateral da
estaca ambas correspondendo a 0,0 e 6,0 m; e q LPCE é a tensão cisalhante unitária média para

os últimos estágios de carga obtida pela PCE instrumentada no valor de 79,4 kPa, para
camada entre 0,0 e 6,0 m.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 7


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 172

Os métodos que levaram a valores de tensão cisalhante unitária calculadas mais próximas às
obtidas pela PCE instrumentada foram os métodos de BRASFOND (1991) e de Teixeira
(1996), com valores superiores em cerca de 7%. Os demais métodos revelaram, de forma
geral, tensões cisalhantes unitárias menores que 50% às encontradas pela instrumentação
(Tabela 7.2).

Tabela 7.2 – Tensões cisalhantes unitárias obtidas pelos métodos semi-empíricos para camada entre 0,0 e 6,0m.

q L (kPa) q L / q LPCE (kPa)

Aoki e Velloso (1975) 44,56 0,56

Décourt e Quaresma (1978) 41,93 0,53

Lizzi (1982) 37,99 0,48

Milititsky e Alves (1985) 34,97 0,44

David Cabral (1986) 27,95 0,35

BRASFOND (1991) 84,54 1,06

Teixeira (1996) 85,64 1,08

7.2.2 Comparações com interpretação da curva carga-recalque

Os resultados encontrados para a PCE demonstrados através da Figura 5.30, quando


comparados com os métodos de interpretação da curva carga – recalque que definem uma
ruptura convencional, dentre estes Terzaghi (1943), Davisson (1972), e NBR 6122 (ANBT,
2010), mostram que a prova de carga estática executada não alcançou a ruptura, conforme
indicada pela Figura 7.6. Importante ressaltar que os recalques máximos alcançados na PCE
não chegam a ultrapassar os valores de partida dos métodos de ruptura convencional.

O valor do módulo de elasticidade do concreto utilizado no cálculo do encurtamento elástico,


dos métodos de Davisson (1972) e da NBR 6122 (ANBT, 2010), foi de 20,17 GPa, obtido por
ensaio de módulo de elasticidade em conformidade com NBR 8522 (ABNT, 2008).

Como a ruptura não foi atingida na PCE, os métodos de extrapolação para interpretação da
curva carga recalque foram fundamentais para se inferir a carga de ruptura. O ajuste
conseguido pelo método de Van der Veen (1953) levou a uma carga de ruptura de 1255 kN,
conforme mostrado na Figura 7.7; o ajuste alcançado pelo método de Chin-Kondner (1971)
revelou uma carga de ruptura de 1587 kN (Figura 7.8).

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 7


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 173

Figura 7.6 – Comparação entre resultados da PCE e métodos de interpretação da curva carga recalque que
definem ruptura convencional.

Carga (kN)
0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600
0

10
Recalque (mm)

15

20

25

30

35
PCE 01 Terzaghi NBR 6122 Davisson

Figura 7.7 – Ajuste dos dados da PCE para o método de extrapolação de Van der Veen.

Carga (kN)
0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600
0

10
Recalque (mm)

15

20

25

30

35
PCE 01 Van der Veen NBR 6122 Davisson

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 7


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 174

Figura 7.8 – Ajuste dos dados da PCE para o método de extrapolação de Chin-Kondner.

Carga (kN)
0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600
0

10
Recalque (mm)

15

20

25

30

35
PCE 01 Chin NBR 6122 Davisson

Também calculou-se a carga de ruptura através do método de extrapolação proposto por


Décourt (1998). Neste método não se obtém um ajuste da curva carga-recalque, mas sim uma
relação entre carga e rigidez, conforme descrito no Capítulo 3. O valor de carga de ruptura
obtido foi de 1605 kN (Figura 7.9).

A partir dos resultados mostrados na Tabela 7.1, em combinação com os resultados dos
métodos de extrapolação de carga de ruptura, pode-se concluir que a carga de ruptura obtida
pelo método de extrapolação de Van der Veen (1953) confirmaram as previsões de
capacidade de carga estabelecidos pelos métodos de Aoki e Velloso (1975); Décourt e
Quaresma (1978); Lizzi (1982); David Cabral (1986); e BRASFOND (1991). O valor de
previsão de capacidade de carga do método de Teixeira (1996) foi o que mais se aproximou
da carga de ruptura obtida com os métodos de extrapolação de Chin-Kondner (1971) e
Décourt (1998).

Deve-se ressaltar que os métodos de previsão de capacidade de carga de Aoki e Velloso


(1975), Décourt e Quaresma (1978), e Lizzi (1982) consideram valores de NSPT por camada,
enquanto que os demais consideram um valor de NSPT médio ao longo da estaca, o que levaria

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 7


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 175

a valores de tensão cisalhante unitária por camada influenciados por valores de NSPT de
camadas adjacentes.

Figura 7.9 – Resultados obtidos pelo método de extrapolação de Décourt para os dados da PCE.

450

400

350

300
Rigidez - k (kN/mm)

250
k = -0,3299QT + 529,47
200 R² = 0,997

150

100

50

0
0 200 400 600 800 1000 1200
Carga - QT(kN)

Décourt Linear (Décourt)

Utilizando os resultados da instrumentação da PCE, assumindo que a camada entre 0,0 e 6,0m
teve seu atrito todo mobilizado no valor da tensão cisalhante unitária de 79,4 kPa, e
combinando os resultados das Tabela 7.2 e Tabela 7.1, conclui-se que os métodos de previsão
de capacidade de carga que melhor representaram o comportamento da estaca foram os da
BRASFOND (1991) e TEIXEIRA (1996), conforme resumido na Tabela 7.3.

Na Tabela 7.3 são mostradas as relações entre a capacidade de carga prevista pelo método
semi-empírico ( QT ) e carga de ruptura prevista pelo método de extrapolação de Chin-
Kondner ( QCK ) e Décourt ( Q Dec ). Como observado através da instrumentação, que revelou a

não mobilização de todo o atrito lateral do solo – entre 6,0 a 12,0m –e também da ponta,
pode-se inferir que as previsões dos métodos semi-empíricos e também pelos métodos de
extrapolação matemáticos tendem a conduzir a valores conservadores.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 7


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 176

Tabela 7.3 – Resumo dos resultados para os métodos de previsão de capacidade de carga da BRASFOND (1991)
e Teixeira (1996).

QP QL QT qL q L / q LPCE QT QCK QT QDec


(kN) (kN) (kN) (kPa)

BRASFOND (1991) 362,29 988,00 1350,28 84,54 1,06 0,85 0,84

Teixeira (1996) 495,13 1.000,81 1495,94 85,64 1,08 0,94 0,93

Todavia, ressalta-se que uma comparação mais eficiente dos métodos de previsão somente
poderia ser feita com uma série de provas de carga instrumentadas, que tivessem mobilizado
toda a capacidade de carga da estaca, ou seja, todo a resistência por atrito lateral e toda
resistência de ponta.

Também cabe ressaltar, que os métodos de extrapolação apenas fazem uma previsão da parte
futura de uma curva matemática baseada nos trechos anteriores desta curva. Estes métodos
não conseguem incorporar o percentual de carga já mobilizada em cada camada. Desta forma,
a validação de métodos empíricos ou a proposição de novos só deveriam ser feitos com base
em provas de carga instrumentadas e que foram levadas até a carga limite.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 7


CAPÍTULO 8
CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA TRABALHOS
FUTUROS

Este trabalho apresentou o desenvolvimento de instrumentações na forma de sensores


miniaturizados, com suas aplicações em modelos reduzidos e em provas de carga estática,
buscando relacionar os resultados encontrados com os previstos para as fundações
estaqueadas. As instrumentações e simulações foram elaboradas integralmente no período
desta pesquisa resultando nesta dissertação, que deve contribuir com comunidade técnica e
científica, disponibilizando a metodologia de instrumentação para desenvolvimento de outras
pesquisas e avaliação do desempenho de fundações estaqueadas.

A metodologia para instrumentação de fundações estaqueadas teve como principal objetivo a


miniaturização de sensores, e a confecção fora da obra, de forma que sua instalação não
resultasse em alterações representativas de cronograma, e fosse garantido funcionamento e a
qualidade dos instrumentos, possibilitando o monitoramento de estacas e pilares.

Para a produção dos 94 sensores foram considerados aspectos relevantes de como construir o
sensor, podendo ressaltar: que os procedimentos de preparação e colagem podem interferir
nos valores de deformação absolutas do sensor, e também na sua durabilidade, por exemplo,
se mal executados podem causar descolamento do extensômetro; que a configuração da ponte,
tanto na posição dos extensômetros como na ordem de ligação do circuito pode influenciar
nos valores de deformações medidas, alterando o valor do fator de ponte.

Destaca-se a proteção dos sensores, pois é um dos fatores que defini a vida útil dos sensores, e
mais influencia sua durabilidade, sendo considerado procedimento de proteção desta pesquisa
como excelente, pois nenhum dos sensores confeccionados parou de funcionar sem um
motivo externo. Os sensores chegaram a ser submersos por mais de 220 horas seguidas em
recipiente com água, também inseridos em pilaretes submersos por mais de 28 dias seguidos,
e ainda, inseridos em trechos de prova de carga abaixo do lençol por mais de 20 meses, e
ainda assim, não mostraram curto circuito, sendo possível a leitura dos sinais.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 8


D00XXG16: Instrumentação de fundações estaqueadas 178

Durante acompanhamento das deformações continuamente, por períodos maiores que 24


horas, seja para sensores submersos ou para pilaretes, foram notadas a influência da
temperatura do ambiente nas leituras de deformações, assim como efeitos ressonantes de
sinais. Para eliminar essas influências devem ser feitas leituras intermitentes sempre nos
mesmos horários, todavia a temperatura varia ao longo do mês e do ano, de forma que para se
conhecer o comportamento da variação da deformação em função da temperatura foram feitos
testes que resultaram no gradiente de temperatura de 1,3 μm/m/°C. E, sobre os sinais
ressonantes se concluiu que os usos de leituras intermitentes podem minimizar o problema o
que resultou, para esta pesquisa, em variações típicas da ordem de 30 μm.

A calibração de todos os sensores em laboratório foi fundamental, pois foi verificado o seu
funcionamento, a repetibilidade do módulo de elasticidade advindos dos ensaios, e obtido um
coeficiente de correção para cada sensor em relação ao comportamento médio dos sensores,
que variou entre 0,93 e 1,08. Foi realizada na maioria dos sensores a calibração por
compressão, que apesar de fornecer resultados com histerese entre carga e descarga,
representa melhor o comportamento do sensor na estrutura e não o danifica durante a
calibração. Para resolver o problema da histerese foi utilizado somente o trecho de carga dos
ensaios.

Os modelos reduzidos na forma de pilaretes de concreto foram importantes para verificar


comportamentos dos sensores em condições confinadas, inseridos em peças estruturais. O
acompanhamento das deformações durante a cura dos pilaretes na condição de repouso, ou
seja, sem carga, mostrou tanto na condição não submersa quanto submersa, e tanto para
leituras com sinais contínuos quanto para leituras com sinais intermitentes, uma tendência
crescente nos primeiros 7 dias, seguida de decrescente até 28 dias, seguida de estabilização
após 28 dias. Sendo a grandeza destas variações de deformações da ordem de 30 a 60 μm
durante os 7 primeiros dias, seguidos de decréscimos da ordem de 100 a 140 μm entre 7 a 28
dias, e depois de 28 dias se tornam pouco representativas, entre 10 a 20 μm. Em todos os
casos de pilaretes na condição de repouso os sensores de imersão mostraram variações de
deformação maiores que os de barra.

Os pilaretes quando submetidos a ciclos de carregamento mostraram convergência com


relação aos valores de módulo de elasticidade obtidos pelos sensores, tendendo a cada ciclo de
carregamento o valor se tornar menor. Foram observados efeitos de acomodação de
deformações devido aos primeiros carregamentos. Após vários ciclos de carga os valores de
A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 8
D00XXG16: Instrumentação de fundações estaqueadas 179

módulo elasticidade obtidos para cada sensor apresentaram de 3 a 12% de coeficiente de


variação, sendo observados módulos de elasticidade de sensores de imersão maiores que os
obtidos para barra.

Para os pilaretes instrumentados externamente e com sensores de imersão e barra em seu


interior, pode-se concluir na maioria dos casos que o comportamento dos extensômetros
colados externamente foram mais próximos aos sensores de imersão, ou seja, os sensores de
imersão representaram melhor o pilarete, e ainda, na maioria dos casos os módulos de
elasticidade dos pilaretes foram maiores para extensômetros externos, seguidos por imersão e
depois barra.

Considerando todas as campanhas de pilaretes quanto a viabilidade do uso módulo composto,


conclui-se que a relação entre os módulos dos pilaretes obtidos com sensores de imersão e
barra, e o módulo de elasticidade do concreto foi respectivamente de 87% e 81%. Os valores
dos resultados de ensaios de módulo de elasticidade do concreto foram cerca de 2 a 6 GPa
superior que os valores obtidos com os sensores de imersão em cada campanha.

De modo geral, a partir das simulações nos pilaretes, pode-se ressaltar sobre os
comportamentos dos sensores de barra e imersão: primeiro, os sensores de imersão são mais
simples, não necessitam de anteparos, parafusos, e soldagem para fixação, por isso podem ser
considerados de melhor viabilidade econômica, no entanto, a fixação com arames e presilhas
pode não garantir a verticalidade, e as forças medidas podem não ser as maiores possíveis.
Segundo, os valores de módulo de elasticidade dos sensores de imersão tendem a ser maiores
que os barra, sendo mais próximos a extensômetros colados externamente, ao módulo de
elasticidade do concreto, e ao módulo de elasticidade composto. Em contraposição, os
sensores de barra são menos suscetíveis a efeitos de cura do concreto, e mostram menor
oscilação de sinais.

Na prova de carga instrumentada os sensores de imersão mostraram maiores deformação que


os de barra para todos os níveis. A partir da instrumentação do topo da estaca, no nível de
referência, foi obtido módulo de elasticidade da estaca no valor de 23,25 GPa. Sendo possível
determinar as tensões cisalhantes unitárias para cada camada de solo e para cada estágio de
carregamento. Foi verificado que na camada entre 0,0 e 6,0m foi mobilizado praticamente
todo o atrito lateral disponível alcançando um valor médio de 79,4 kPa para tensão cisalhante
unitária. Constatou-se que para o maior estágio de carga aplicada, somente 2,9% desta carga

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 8


D00XXG16: Instrumentação de fundações estaqueadas 180

atuante foi percebida na ponta da estaca. O conjunto dos resultados obtidos mostraram que a
instrumentação aplicada consiste em uma ferramenta viável para obter as cargas ao longo da
estaca.

Os métodos semi-empíricos aplicados para a previsão da capacidade de carga convergiram


para um valor médio de cerca de 1250 kN, no entanto, ao utilizar métodos de extrapolação da
curva carga recalque para determinação da carga de ruptura combinados com valor de tensão
cisalhante unitária limite entre 0,0 a 6,0m, obtida pela instrumentação, os melhores resultados
para previsão foram da BRASFOND (1991) e Teixeira (1996).

Como as tensões cisalhantes unitárias das camadas entre 6,0 a 12,0m, ainda não foram
totalmente mobilizadas, pode-se inferir métodos matemáticos de extrapolação da curva carga-
recalque. No entanto, ressalta-se para a correta comparação e ajustes de novos métodos de
capacidade de carga, muitas provas de carga instrumentadas deveriam ser empregadas, já que
a forma de mobilização de atrito é extremamente variável e de difícil extrapolação.

A presente pesquisa possibilitou o desenvolvimento de uma instrumentação miniaturizada,


sendo realizadas simulações diversas, relacionando-as com o desempenho de fundações
estaqueadas. Ao final desta pesquisa foram desenvolvidos 94 sensores, todos protegidos e
devidamente calibrados, destes foram aplicados em simulações com pilaretes e provas de
carga estática somente 25 instrumentos, restando 69 sensores, que serão aplicadas em
instrumentações de novas provas de carga e de uma obra como um todo, em vários pilares e
estacas, constituindo a continuação e complementação desta pesquisa. Sendo assim, sugere-se
como tópicos para trabalhos futuros no mesmo tema:

· Executar um maior número de provas de carga estáticas instrumentadas com


mobilização de todo atrito lateral, da parcela de resistência última da ponta;

· Buscar instrumentar várias obras, em pilares e estacas, preferencialmente pilares que


chegam num bloco sobre estacas, ou pilares que chegam num radier estaqueado, e monitorar
durante sua construção, relacionando as cargas previstas no projeto estrutural com as cargas
medidas;

· Executar simulações numéricas dos pilares e estacas instrumentadas relacionando os


resultados obtidos pelos métodos numéricos com os resultados da instrumentação instalada.

A. J. CRUZ JUNIOR Capítulo 8


REFERÊNCIAS

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ABNT________. NBR 6489: Prova de carga direta sobre terreno de fundação. Rio de Janeiro,
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A. J. C. CRUZ JUNIOR Referências


APÊNDICE A
DEDUÇÃO MATEMÁTICA DO FATOR DE SENSIBILIDADE
(GAGE FACTOR)

Neste Apêndice apresenta-se a sequência matemática e didática para dedução do fator de


sensibilidade (gage factor).

Na Figura A.1, a linha contínua mostra parte de um fio metálico, como usado nos
extensômetros, onde Lc é o comprimento original antes da deformação, e este apresenta uma
resistência elétrica, Rc. A linha tracejada apresenta o fio metálico alongado, tendo um novo
comprimento igual a Lc+∆Lc e resistência igual a Rc+∆Rc. A resistência elétrica Rc é dada
pela Equação (A.1).

Lc
Rc = rc × (A.1)
Ac

Ac é a área da seção transversal do condutor; rc é a resistividade do condutor.


em que:

Aplicando o logaritmo na Equação (A.1) e derivando todos os componentes da equação é


possível obter a mudança relativa de resistência dada pela Equação (A.2).

DRc Drc DLc DAc


= + - (A.2)
Rc rc Lc Ac

De acordo com a Figura A.1, o condutor quando submetido a uma tensão de tração sofre um
alongamento e consequentemente uma variação do diâmetro (dc) do fio, dado pelo efeito de
Poisson (n). Considerando um strain gage de fio pode-se reescrever a Equação (A.2) já que a
seção transversal é de um círculo.

A. J. CRUZ JUNIOR Apêndice A


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 192

Figura A.1 – Diagrama esquemático de um condutor submetido à tração (modificado


de MURRAY; MILLER, 1992).

DAc Ddc d c - dc'


= 2× = 2× (A.3)
Ac dc dc

Pelo efeito de Poisson (ν) pode-se reescrever a Equação (A.3)

DAc DL
= -2 ×n × c (A.4)
Ac Lc

Substituindo a Equação (A.4) na Equação (A.2), tem-se a Equação (A.5)

DRc Drc DLc DL


= + + 2 ×n × c (A.5)
Rc rc Lc Lc

Pela lei de Hooke a deformação axial pode ser expressa pela Equação (A.6)

DLc
e= (A.6)
Lc

Substituindo a Equação (A.6) na Equação (A.5), tem-se a Equação (A.7)

A. J. CRUZ JUNIOR Apêndice A


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 193

DRc Drc
= + e + 2 ×n × e (A.7)
Rc rc

A mudança na resistividade elétrica, ρ, dá-se proporcionalmente com a mudança volumétrica


do material, conforme mostra a Equação (A.7).

DVc Dr
=j c (A.8)
Vc rc

Em que: Vc, é o volume do condutor; DVc é a variação do volume do condutor; j é uma


constante de proporcionalidade. Segundo Adolfato, Camacho e Brito (2004), j é determinada
experimentalmente. E, para as ligas usadas na fabricação dos strain gages, geralmente de
níquel e cobre, apresentam j aproximadamente igual a uma unidade.

Considerando que a deformação volumétrica pode ser dada pela soma das deformações ao
longo das três dimensões, mostrada na Equação (A.9).

DVc DLc DAc


= + (A.9)
Vc Lc Ac

Reescrevendo a Equação (A.9), tem-se:

DVc
= (1 - 2n ) × e (A.10)
Vc

Substituindo a Equações (A.8) e (A.10) na Equação (A.7) tem-se:

DRc æ DR ö
= k ×e ou k = çç c e ÷÷ (A.11)
Rc è Rc ø

A. J. CRUZ JUNIOR Apêndice A


APÊNDICE B
RESULTADOS DAS REGRESSÕES LINEARES DAS
CALIBRAÇÕES DOS SENSORES

Neste Apêndice apresenta-se os resultados obtidos para obtenção da reta de calibração dos
sensores em laboratório. Cada sensor foi submetido a 03 ensaios de calibração, chamados
ensaio 1, ensaio 2 e ensaio 3 (conforme Tabela A.1), realizados em níveis de tensão constante,
sendo 10 patamares de carga, e 10 patamares de descarga, cada um equivalente a 10 MPa, as
tensões foram mantidas por 30 segundos. As deformações foram medidas por meio dos
sensores fabricados com extensômetros colados nas barras de alumínio, na forma de ponte
completa, sendo as leituras realizada por sistema de aquisição.

Cada ensaio de calibração corresponde a um conjunto de par de dados tensão e deformação,


sendo os patamares de tensão, obtidos pela prensa, e deformação medidos pelo sistema de
aquisição, sendo estes pares combinados em computador, com ajuda de planilhas eletrônicas.

Para a obtenção da reta de calibração, foram combinados os trechos de carga dos ensaios 1, 2
e 3, afim de que fosse eliminado a influência da histerese observada em ensaios de calibração
com aparato de compressão, e também porque os sensores para condição de aplicação em
obras trabalhariam somente sobre regime de carga.

A. J. CRUZ JUNIOR Apêndice B


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 195

Tabela B.1 – Resultados das calibrações de todos os sensores executados.

Ensaio 1 Ensaio 2 Ensaio 3 Ensaio 1 a 3 - somente carga


Coef. Coef. Coef. Coef. Coef. Coef. Coef. Coef.
N° SENSOR Aplicação (R²) (R²) (R²) (R²)
Angular Linear Angular Linear Angular Linear Angular Linear
1 Ruptura -0,06890 -0,32460 0,99800 -0,06790 0,25460 0,99800 -0,06910 0,56900 0,99820 -0,06893 0,16540 0,99930
2 Pilarete 01 -0,07250 -0,03920 1,00000 -0,07400 0,35000 0,99970 -0,07350 0,30790 0,99990 -0,07330 0,22140 0,99920
3 Ruptura -0,06761 -0,12430 0,99830 -0,06686 0,35670 0,99820 -0,06820 0,54600 0,99810 -0,06932 0,35700 0,99950
4 Pilarete 01 -0,06740 0,01780 1,00000 -0,06750 -0,02990 1,00000 -0,06760 0,14780 1,00000 -0,06740 0,01910 0,99990
5 Ruptura -0,06750 -1,21860 1,00000 -0,06720 -0,88590 1,00000 -0,06720 -1,03180 0,99990 -0,06730 -1,03190 0,99990
6 Pilarete 02 -0,06700 0,65200 0,99950 -0,06770 0,73420 0,99970 -0,06700 0,60860 0,99980 -0,06790 0,66800 0,99970
7 Pilarete 02 -0,06830 0,42320 0,99980 -0,06790 0,66610 0,99970 -0,06840 0,72660 0,99960 -0,06820 0,60770 0,99960
8 Pilarete 03 -0,06878 1,37660 0,99960 -0,06790 1,95400 0,99940 -0,06770 2,50870 0,99880 -0,06780 2,23430 0,99900
9 Pilarete 03 -0,06710 0,13210 1,00000 -0,06710 0,67650 0,99990 -0,06720 0,85080 0,99990 -0,06713 0,12210 0,99980
10 Pilarete 04 -0,06840 0,28750 1,00000 -0,06870 0,31350 1,00000 -0,06900 0,65880 0,99990 -0,06870 0,16460 0,99980
11 Pilarete 04 -0,07140 1,07250 0,99980 -0,07060 1,42450 0,99970 -0,07080 1,62540 0,99960 -0,07097 0,05220 0,99960
12 PCE 01 -0,06990 -0,19990 0,99810 -0,07050 0,97380 0,99810 -0,06990 0,08740 0,99800 -0,07100 0,75030 0,99940
13 PCE 01 -0,07090 -0,12950 0,99870 -0,07180 0,71460 0,99790 -0,07210 0,86600 0,99810 -0,07270 0,75580 0,99900
14 PCE 01 -0,07140 0,35290 0,99840 -0,07180 0,88280 0,99830 -0,07180 0,88160 0,99830 -0,07260 1,09190 0,99970
15 PCE 01 -0,07120 -0,31780 0,99790 -0,07120 -0,02610 0,99820 -0,07130 -0,15750 0,99810 -0,07220 0,31570 0,99990
16 PCE 01 -0,07140 -0,45310 0,99790 -0,07240 -0,04260 0,99740 -0,07240 -0,28520 0,99710 -0,07320 0,25560 0,99970
17 PCE 01 -0,07210 -0,04750 0,99880 -0,07200 -0,03670 0,99870 -0,07200 -0,07300 0,99870 -0,07290 0,29810 1,00000
18 PCE 01 -0,07100 -0,42920 0,99700 -0,07080 -0,40780 0,99830 -0,07080 -0,37300 0,99810 -0,07180 0,13190 0,99990
19 PCE 01 -0,07250 -0,36610 0,99800 -0,07260 -0,35300 0,99860 -0,07270 -0,39590 0,99830 -0,07330 -0,00610 0,99990
20 Pilarete 05 -0,07061 -0,22501 0,99699 -0,07079 -0,22048 0,99679 -0,07079 -0,22865 0,99601 -0,07156 0,79138 0,99990
21 Pilarete 05 -0,07147 -0,01304 0,99677 -0,07146 -0,03310 0,99583 -0,07145 -0,06213 0,99486 -0,07252 1,05453 0,99976
22 Pilarete 06 -0,07391 -0,48346 0,99437 -0,07402 -0,28463 0,99401 -0,07395 -0,20331 0,99231 -0,07515 1,08992 0,99973

A. J. CRUZ JUNIOR Apêndice B


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 196

Tabela B.1 – Resultados das calibrações de todos os sensores executados (continuação).

Ensaio 1 Ensaio 2 Ensaio 3 Ensaio 1 a 3 - somente carga


Coef. Coef. Coef. Coef. Coef. Coef. Coef. Coef.
N° SENSOR Aplicação (R²) (R²) (R²) (R²)
Angular Linear Angular Linear Angular Linear Angular Linear
23 Pilarete 06 -0,07506 -0,90694 0,99416 -0,07498 -0,36662 0,99200 -0,07492 -0,28642 0,99021 -0,07664 0,81149 0,99945
24 Pilarete 07 -0,06994 -0,83187 0,99282 -0,07021 -0,46519 0,99160 -0,07018 -0,38421 0,98938 -0,07162 0,93734 0,99961
25 Pilarete 08 -0,07351 -0,63092 0,99137 -0,07349 -0,21068 0,98820 -0,07348 -0,08753 0,98567 -0,07542 1,35722 0,99935
26 Obra -0,07208 -0,79462 0,99033 -0,07228 -0,22688 0,98995 -0,07231 -0,15667 0,98812 -0,07399 1,24018 0,99952
27 Obra -0,07060 -0,43678 0,99263 -0,07050 -0,18223 0,98891 -0,07050 -0,03741 0,98666 -0,07259 1,14309 0,99953
28 Obra -0,06908 -0,75153 0,99009 -0,06796 0,52377 0,98494 -0,06768 0,72102 0,98157 -0,07121 0,86154 0,99976
29 Obra -0,07481 -0,12883 0,99125 -0,07483 0,07409 0,98874 -0,07483 0,15539 0,98620 -0,07683 1,64892 0,99937
30 Obra -0,07343 -0,54811 0,98309 -0,07366 -0,08969 0,97569 -0,07366 -0,08969 0,97569 -0,07675 1,86902 0,99876
31 Obra -0,07381 -0,70178 0,98422 -0,07432 -0,22078 0,98529 -0,07427 -0,15048 0,98298 -0,07661 1,47009 0,99942
32 Obra -0,07411 -0,63010 0,98393 -0,07412 -0,30994 0,98017 -0,07407 -0,22518 0,97706 -0,07734 1,26190 0,99937
33 Obra -0,07061 -0,31905 0,99150 -0,07049 -0,21220 0,98882 -0,07052 -0,16996 0,98692 -0,07271 1,08055 0,99966
34 Obra -0,07105 -0,44658 0,99170 -0,07103 -0,25039 0,98935 -0,07103 -0,22060 0,98750 -0,07320 0,97798 0,99966
35 Obra -0,07520 -0,75454 0,98697 -0,07564 -0,24093 0,98646 -0,07563 -0,05197 0,98420 -0,07774 1,46973 0,99931
36 Obra -0,07368 -0,15888 0,99025 -0,07355 -0,17763 0,98992 -0,07338 -0,06699 0,98689 -0,07584 1,21728 0,99948
37 Obra -0,07033 -0,31820 0,99170 -0,07034 -0,16193 0,98866 -0,07034 -0,06999 0,98625 -0,07241 1,24870 0,99952
38 Obra -0,07081 -0,00271 0,99337 -0,07071 -0,06591 0,99153 -0,07072 -0,03692 0,98986 -0,07268 1,10789 0,99974
39 Obra -0,07058 -0,13829 0,99056 -0,07067 -0,02362 0,98889 -0,07067 0,05449 0,98710 -0,07260 1,50962 0,99951
40 Obra -0,07106 -0,42569 0,98989 -0,07114 -0,22515 0,98834 -0,07117 -0,22085 0,98686 -0,07321 1,22561 0,99965
41 Obra -0,07122 -0,09691 0,99349 -0,07122 -0,18900 0,99514 -0,07108 -0,08488 0,99426 -0,07278 0,80579 0,99985
42 Obra -0,07282 -0,50843 0,99309 -0,07299 -0,05661 0,99032 -0,07307 0,05070 0,98728 -0,07474 1,33239 0,99931
43 Obra -0,07417 -0,50799 0,98253 -0,07439 -0,32031 0,98089 -0,07443 -0,25626 0,97679 -0,07709 1,69542 0,99918
44 Obra -0,07017 -0,13426 0,98507 -0,07010 0,16465 0,98212 -0,07008 0,20739 0,97857 -0,07284 1,86575 0,99924

A. J. CRUZ JUNIOR Apêndice B


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 197

Tabela B.1 – Resultados das calibrações de todos os sensores executados (continuação).

Ensaio 1 Ensaio 2 Ensaio 3 Ensaio 1 a 3 - somente carga


Coef. Coef. Coef. Coef. Coef. Coef. Coef. Coef.
N° SENSOR Aplicação (R²) (R²) (R²) (R²)
Angular Linear Angular Linear Angular Linear Angular Linear
45 Obra -0,07052 -0,28487 0,98329 -0,07036 0,00669 0,98045 -0,07024 0,11042 0,97704 -0,07306 1,94377 0,99917
46 Obra -0,07397 -0,06313 0,98692 -0,07409 0,21056 0,98603 -0,07413 0,31552 0,98373 -0,07632 1,99244 0,99920
47 Obra -0,07141 -0,41750 0,98765 -0,07137 -0,14403 0,98599 -0,07140 -0,14745 0,98361 -0,07371 1,44429 0,99938
48 Obra -0,06999 -0,15953 0,99022 -0,06993 -0,23875 0,98817 -0,07050 2,11643 0,99626 -0,07215 1,24514 0,99966
49 Obra -0,07405 -0,03163 0,98846 -0,07402 0,05722 0,98708 -0,07388 0,16957 0,98597 -0,07649 1,49833 0,99961
50 Obra -0,07012 -0,07961 0,99905 -0,07016 -0,24039 0,99861 -0,06977 0,11524 0,99750 -0,07101 0,20860 0,99995
51 Obra -0,07422 -0,74385 0,99762 -0,07431 -0,45983 0,99750 -0,07437 -0,45697 0,99717 -0,07525 0,16865 0,99993
52 Obra -0,07064 -0,38798 0,99674 -0,07086 -0,59257 0,99549 -0,07086 -0,55041 0,99485 -0,07217 0,26010 0,99993
53 Obra -0,06932 0,64497 0,99445 -0,06943 0,61282 0,99375 -0,06940 0,67772 0,99291 -0,07082 1,79764 0,99951
54 Obra -0,06991 -0,51111 0,99346 -0,06999 -0,22091 0,99492 -0,06998 -0,17112 0,99415 -0,07163 0,57010 0,99991
55 Obra -0,07115 -0,47092 0,99550 -0,07107 -0,39114 0,99473 -0,07107 -0,33463 0,99398 -0,07270 0,42915 0,99985
56 Obra -0,07388 -0,38350 0,99186 -0,07398 -0,07466 0,99212 -0,07398 -0,09599 0,99154 -0,07581 1,04349 0,99973
57 Obra -0,07364 0,66901 0,99750 -0,07354 0,78837 0,99723 -0,07357 0,87718 0,99698 -0,07464 1,45162 0,99968
58 Obra -0,06946 -0,42672 0,99451 -0,06942 -0,32124 0,99245 -0,06939 -0,23989 0,99097 -0,07096 0,91575 0,99975
59 Obra -0,07158 -0,04168 0,99838 -0,07153 -0,13265 0,99769 -0,07152 -0,09926 0,99712 -0,07260 0,42838 0,99994
60 Obra -0,06976 -0,21063 0,99008 -0,06967 -0,08630 0,98803 -0,06971 -0,04525 0,98621 -0,07171 1,48119 0,99949
61 Obra -0,07430 -0,21333 0,98763 -0,07430 0,11872 0,98452 -0,07429 -0,00701 0,98241 -0,07684 1,66432 0,99924
62 Obra -0,07007 -0,04592 0,99294 -0,07012 0,13549 0,99156 -0,07011 0,19241 0,98976 -0,07194 1,33745 0,99958
63 Obra -0,07053 -0,24625 0,99369 -0,07045 -0,15081 0,99007 -0,07047 -0,07127 0,98821 -0,07228 1,22675 0,99953
64 Obra -0,06984 -0,44141 0,99070 -0,06986 -0,41879 0,98634 -0,06995 -0,29339 0,98381 -0,07197 1,27022 0,99934
65 Obra -0,07014 -0,20630 0,99217 -0,07028 -0,07253 0,99135 -0,07022 -0,08023 0,99042 -0,07208 1,13309 0,99970
66 Obra -0,07004 -0,20088 0,99233 -0,06997 -0,09186 0,99029 -0,07000 -0,04425 0,98921 -0,07188 1,22477 0,99969

A. J. CRUZ JUNIOR Apêndice B


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 198

Tabela B.1 – Resultados das calibrações de todos os sensores executados (continuação).

Ensaio 1 Ensaio 2 Ensaio 3 Ensaio 1 a 3 - somente carga


Coef. Coef. Coef. Coef. Coef. Coef. Coef. Coef.
N° SENSOR Aplicação (R²) (R²) (R²) (R²)
Angular Linear Angular Linear Angular Linear Angular Linear
67 Obra -0,06999 -0,45591 0,99671 -0,07001 -0,52472 0,99552 -0,06998 -0,50100 0,99440 -0,07119 0,46053 0,99986
68 Obra -0,07028 -0,20174 0,99555 -0,07022 -0,20997 0,99419 -0,07018 0,08979 0,99311 -0,07173 0,88947 0,99979
69 Obra -0,07064 -0,19855 0,99425 -0,07048 0,10036 0,99186 -0,07050 0,13239 0,99007 -0,07235 1,16875 0,99960
70 Obra -0,06971 -0,14261 0,99285 -0,06958 -0,02483 0,99093 -0,06969 -0,33133 0,99454 -0,07137 0,93073 0,99970
71 Obra -0,07045 0,22895 0,99559 -0,07040 0,17075 0,99485 -0,07040 0,16292 0,99422 -0,07172 1,22739 0,99966
72 Obra -0,07009 -0,31615 0,99600 -0,07008 -0,35074 0,99511 -0,07011 -0,32388 0,99406 -0,07167 0,43151 0,99990
73 Obra -0,06982 -0,32393 0,99536 -0,06989 -0,44501 0,99540 -0,06991 -0,41209 0,99517 -0,07145 0,31959 0,99995
74 Obra -0,07055 -0,20750 0,99337 -0,07069 -0,14748 0,99166 -0,07057 0,05295 0,99025 -0,07247 1,05896 0,99965
75 Obra -0,06925 -0,42540 0,99626 -0,06928 -0,39504 0,99535 -0,06937 -0,34644 0,99480 -0,07088 0,25688 0,99994
76 Obra -0,07123 -0,13467 0,99745 -0,07122 -0,07010 0,99697 -0,07124 -0,04459 0,99659 -0,07258 0,41517 0,99995
77 Obra -0,07177 -0,52959 0,99760 -0,07175 -0,31496 0,99676 -0,07178 -0,27735 0,99613 -0,07317 0,12868 0,99990
78 Obra -0,07171 -0,64228 0,99657 -0,07173 -0,67557 0,99625 -0,07170 -0,62005 0,99565 -0,07301 0,11987 0,99997
79 Obra -0,07202 -0,40821 0,99624 -0,07196 -0,22862 0,99565 -0,07201 -0,10131 0,99502 -0,07346 0,51872 0,99990
80 Obra -0,07149 0,03911 0,99651 -0,07151 -0,00279 0,99569 -0,07152 -0,03280 0,99526 -0,07296 0,73653 0,99993
81 Obra -0,07128 -0,41258 0,99732 -0,07130 -0,34232 0,99638 -0,07119 -0,21678 0,99628 -0,07255 0,32052 0,99995
82 Obra -0,07095 -0,18394 0,99742 -0,07089 -0,06418 0,99709 -0,07087 -0,02272 0,99663 -0,07195 0,64859 0,99992
83 Obra -0,07278 -0,19231 0,99699 -0,07280 -0,22447 0,99719 -0,07291 -0,33813 0,99709 -0,07401 0,38779 0,99997
84 Obra -0,07097 -0,34103 0,99747 -0,07115 -0,09099 0,99748 -0,07113 -0,11669 0,99697 -0,07218 0,44200 0,99992
85 Obra -0,07130 -0,18967 0,99662 -0,07138 -0,22355 0,99596 -0,07129 -0,17085 0,99552 -0,07253 0,67950 0,99988
86 Obra -0,07099 -0,10349 0,99755 -0,07101 -0,09734 0,99674 -0,07115 -0,14959 0,99620 -0,07212 0,66113 0,99988
87 Obra -0,07113 0,32585 0,99463 -0,07099 0,36069 0,99466 -0,07093 0,35355 0,99430 -0,07267 1,20343 0,99977
88 Obra -0,07130 -0,31779 0,99673 -0,07122 -0,27961 0,99593 -0,07132 -0,11787 0,99639 -0,07251 0,53380 0,99992

A. J. CRUZ JUNIOR Apêndice B


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 199

Tabela B.1 – Resultados das calibrações de todos os sensores executados (continuação).

Ensaio 1 Ensaio 2 Ensaio 3 Ensaio 1 a 3 - somente carga


Coef. Coef. Coef. Coef. Coef. Coef. Coef. Coef.
N° SENSOR Aplicação (R²) (R²) (R²) (R²)
Angular Linear Angular Linear Angular Linear Angular Linear
89 Obra -0,07118 -0,12858 0,99845 -0,07121 -0,19790 0,99820 -0,07114 -0,14476 0,99797 -0,07209 0,32396 0,99998
90 Obra -0,07154 -0,28065 0,99720 -0,07168 -0,31905 0,99817 -0,07165 -0,23167 0,99806 -0,07255 0,32529 0,99997
91 Obra -0,07099 -0,64055 0,99619 -0,07099 -0,47799 0,99578 -0,07093 -0,41941 0,99529 -0,07232 0,28827 0,99996
92 Obra -0,07167 -0,06916 0,99763 -0,07166 0,00518 0,99750 -0,07171 0,07742 0,99778 -0,07285 0,46753 0,99997
93 Obra -0,07082 -0,13931 0,99616 -0,07095 -0,23328 0,99709 -0,07095 -0,21247 0,99690 -0,07220 0,43046 0,99995
94 Obra -0,07169 -0,25974 0,99726 -0,07170 -0,22502 0,99706 -0,07170 -0,17972 0,99665 -0,07281 0,48073 0,99995

Tabela B.2 - Resumo dos resultados obtidos para calibração dos 94 sensores.

Ensaio 1 Ensaio 2 Ensaio 3 Ensaio 1 a 3 - somente carga


Coef. Coef. Coef. Coef. Coef. Coef. Coef. Coef.
Angular Linear (R²) Angular Linear (R²) Angular Linear (R²) Angular Linear (R²)
Média -0,07112 -0,29065 0,99327 -0,07115 -0,14675 0,99198 -0,07117 -0,05875 0,99086 -0,07262 0,95552 0,99968

Desvio Padrão 0,00179 0,28893 0,00415 0,00190 0,24910 0,00508 0,00186 0,36252 0,00591 0,00224 0,50054 0,00026

Coef. Variação -2,52% -99,41% 0,42% -2,67% -169,74% 0,51% -2,61% -617,07% 0,60% -3,08% 52,38% 0,03%

Máximo -0,067 0,66901 0,99905 -0,06686 0,78837 0,99861 -0,067 2,11643 0,99806 -0,06713 1,99244 0,99998

Mínimo -0,07520 -0,90694 0,98253 -0,07564 -0,67557 0,97569 -0,07563 -0,62005 0,97569 -0,07774 0,11987 0,99876

Amplitude 0,00820 1,57595 0,01652 0,00878 1,46394 0,02292 0,00863 2,73648 0,02237 0,01061 1,87257 0,00122

A. J. CRUZ JUNIOR Apêndice B


APÊNDICE C
POSIÇÃO DAS INSTRUMENTAÇÕES NA PCE

Neste Apêndice apresenta-se o posicionamento dos sensores instalados para a prova de carga
estática instrumentada. Também são mostradas informações como o comprimento da estaca,
diâmetro, tipo da estaca, o perfil do solo com seus valores de NSPT, e aspectos executivos
gerais.

A. J. CRUZ JUNIOR Apêndice C


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 201

Figura C.1 – Posição dos instrumentos na prova de carga estática.

ASPECTOS EXECUTIVOS GERAIS


1) A ESTACA DEVE SER ARMADA EM TODA SUA EXTENSÃO AFIM DE PERMITIR A FIXAÇÃO DOS
SENSORES SEJA POR SOLDAGEM (TIPO BARRA), OU POR AMARRAÇÃO (TIPO IMERSÃO).
2) FORAM DEFINIDOS 04 NIVEIS DE INSTRUMENTAÇÃO:
a) 1º NIVEL: Logo após o bloco de coroamento da PCE, indica-se 0,5m abaixo do bloco. Recomendado
que os cabos dos sensores saiam perpendicularmente ao bloco, para não atrapalhar a chapa de transmissão
de carga entre bloco e macaco, a instrumentação não é recuperável e pode-se efetuar monitoramento a
qualquer momento desde que garantida a integridade dos cabos e conectores.
b) 2º NIVEL: na profundidade de 6,0m de estaca, na transição entre as camadas de argila arenosa
vermelha e argila arenosa com pedregulhos.
c) 3º NIVEL: na profundidade de 9,0m, na transição entre as camadas de argila arenosa com pedregulhos
e silte arenoso, nesta região ocorre a alteração de NSPT da ordem de 15 para 21 golpes.
d) 4º NIVEL: na ponta da estaca, cerca de 0,5m acima do limite afim de garantir integridade da
instrumentação.
3) Deve-se ter cuidado especial ao
se movimentar a armação com os
Nível natural do Terreno sensores fixados porque deflexões
0,00
exageradas na armação podem
BLOCO PARA PCE

Cota de assentamento
Cota de arras.
das estacas
provocar ruptura de cabos.
Argila Arenosa
0,0 a 6,0m
dos blocos 4) Após a concretagem da estaca
NSPT entre 5 a 8 NÍVEL 01
02 SENSORES ao arrasa-la para execução do bloco
(Imersão e Barra)
0,5m abaixo do bloco
deve-se atentar à integridade dos
cabos.
5) Uma vez executada a prova de
carga as instrumentações podem ser
mantidas caso as estacas façam parte
das fundações e se desejem
monitorar ao longo da obra,
devendo-se nesse caso adicionar
comprimentos de cabos com
PROF.DA ESTACA - 12,0m

respectivas proteções.

NÍVEL 02
01 SENSOR

Argilo Arenosa com pedregulhos


(Imersão e Barra)
Mudança de camada
RESULTADOS ESPERADOS
6,0 a 9,0m prof da estaca de 6,0m
NSPT entre 9 a 15 1) Obter para cada incremento de carga,
a distribuição desta ao longo da
estaca.
NÍVEL 03
01 SENSOR
2) Entender para qual nivel de carga a
(Imersão e Barra) ponta da estaca passa ser
trecho médio da camada
prof da estaca de 9,0m efetivamente solicitada.
3) obter os diagramas de resistência
Silte Arenoso
máxima de atrito lateral por camada
9,0 a 12,15m
NSPT entre 21 a 44
de solo.

NÍVEL 04
01 SENSOR
(Imersão e Barra)
Ponta da estaca - 0,5m acima da ponta
prof da estaca de 12,0m

Estacas de 31cm - armadas até a ponta


* ESTACA TIPO RAÍZ
* INSERIR A ARMADURA IMEDIATAMENTE APÓS A PERFURAÇÃO DAS ESTACAS
* ESTACA EXECUTADA DE BAIXO PARA CIMA, COM ARGAMASSA BOMBEADA

RT: Aleones José da Cruz Junior - CREA 15296/D-GO


Conteúdo: Instrumentação - Posição Data: 05-11-2014

A. J. CRUZ JUNIOR Apêndice C


APÊNDICE D
PROJETO BÁSICO DOS PILARETES

Neste Apêndice apresenta-se o projeto básico para a confecção dos pilaretes de concreto,
sendo detalhadas as dimensões do pilarete, das formas, e das armaduras. Foram feitos os
cálculos das quantidades de aço, e mostrado o detalhe dos anteparos para a fixação dos
sensores de barra.

A. J. CRUZ JUNIOR Apêndice D


ANTEPAROS PARA FIXAÇÃO
SENSORES DE BARRA

N1 - 4 Ø 10,0 mm
C/ VARIÁVEL CHAPA DE MADEIRA - COMPENSADO
PILAR EM CONCRETO
15x15cm

N2 Ø 5,0 mm
N1 - 4 Ø 10,0 mm C/ 11cm
C/ VARIÁVEL

A. J. CRUZ JUNIOR
GRAVATA MODULADA "GETHAL"
(SARRAFOS E CHAPA METÁLICA
PILAR EM CONCRETO 15x15cm
Sem Escala

N2 - 6 Ø 5,0 mm
C/ 11cm

60cm
GRAVATA MODULADA "GETHAL"

59 cm
(SARRAFOS E CHAPA METÁLICA

CHAPA DE MADEIRA - COMPENSADO


N1 - 4 Ø 10,0 mm
15cm C/ VARIÁVEL
D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas

2,5cm 10cm 2,5cm

N2 Ø 5,0 mm
C/ 11cm

2,5cm
ANTEPAROS PARA FIXAÇÃO

15cm
10cm
SENSORES DE BARRA

15
cm
15
c

2,5cm
m
Figura D.1 – Projeto básico dos pilaretes.

PILAR EM CONCRETO 15x15cm ARMAÇÃO PILAR FÔRMA/PILAR EM CONCRETO 15x15cm FÔRMA PILAR EM CONCRETO 15x15cm
Sem Escala Sem Escala Sem Escala Sem Escala

RELAÇÃO DO AÇO (POR PILAR) RESUMO DO AÇO (POR PILAR)


AÇO N DIAM Q UNIT C.TOTAL AÇO DIAM C.TOTAL PESO+10% PESO TOTAL
(cm) (cm) (m) (kg)

50 1 10.0 4 58 232 CA50 10.0 2.32 1.57 CA50 1.57


60 2 5.0 6 50 300 CA60 5.0 3.00 0.51 CA60 0.51

RESP. TÉCNICO: DATA: PRANCHA:


ABR/2014
DETALHE PILAR / FÔRMA ENGº. ALEONES JOSÉ DA CRUZ JUNIOR
CREA: 15296/D-GO
203

Apêndice D
ANEXO A
SONDAGEM DO TERRENO

A. J. CRUZ JUNIOR ANEXO A


D0139G16: Instrumentação de fundações estaqueadas 205

Furo

RELATÓRIO DE SONDAGEM SPT SP 01


Metodo

Profun.

N S .P. T.
G R Á F I C O DESCRIÇÃO DAS AMOSTRAS
A 1º+2º 2º+3º
0 10 20 30 40 50
TC -1,00 Avanço Argila arenosa vermelha com pedregulhos. ::::
TH -1,45 5 5 Idem vermelha, consistência mole. ::::
TH -2,45 4 5 Idem vermelha, consistência mole. ::::
TH -3,45 6 6 Idem vermelha, consistência média. ::::
TH -4,45 6 7 Idem vermelha, consistência média. ::::
CA -5,45 7 8 Idem vermelha, consistência média. ::::
CA -6,45 8 9 Argila arenosa vermelha com pedregulhos quartzosos, média. ::::
CA -7,45 5 6 Idem vermelha, com pedregulhos quartzosos, consistência média. ::::
CA -8,45 17 15 Idem vermelha, com pedregulhos quartzosos, consistência rija. ::::
CA -9,45 16 21 Silte arenso var(roxo), micáceo, compacto ::::
CA -10,45 28 33
'
Idem var(cinza), micáceo, muito compacto ::::
CA -11,45 40 42 Idem var(cinza), micáceo, muito compacto ::::
CA 12,00 Idem var(cinza), micáceo, muito compacto ::::

18

Cliente: Início e término do furo: Furo número:


NOVAGEO 18 a 20/10/2014 SP 01
Obra: Sondador: Limite de sondagem:
GALPÃO - OFICINA José 12,00 m
Local: Data NA: Horário: Profundidade: Cota:
AVENIDA A, JD SANTO ANTÔNIO Inicio:19/10 16:00h 8,00 m xxx
Cidade: Nº OS: Nº Relatório: Início lavagem:
GOIÂNIA - GO XXX XXX Final: 20/10 09:00h 8,00 m 7,45 m
Análise: Responsável Técnico: Digitação: Verificação/aprovação: Final revestimento:

Pedro João Pedro João Barbosa Junqueira. CREA 15162-D GO Pedro Pedro 7,00 m

A. J. CRUZ JUNIOR ANEXO A


ANEXO B
PROJETO PROVA DE CARGA ESTÁTICA E MEMORIAL DE
CÁLCULO DAS REAÇÕES

A. J. CRUZ JUNIOR ANEXO B


PROVA DE CARGA PARA 150 TONELADAS:
NOVAGEO DO BRASIL LTDA
RUA 1131 - Nº 188 - SETOR MARISTA GOIÂNIA - GO CEP 74180-100
tel.(62) 3281-0555 e-mail: novageo@novageo.com.br
Metodo: David Cabral
Obra : PCI Resp.: PEDRO JOÃO
Local : OFICINA NOVAGEO Sond: SP01 NOVAGEO
Cliente : PEDRO JOÃO Data : 21/10/14
Pl (tf)
Prof (m) N Solo β0 β1 (%) β2 Pp (tf) Pr (tf) Padm
Pl Pl
1 5 3 0,69 5 1 1,68 1,68 2,60 4,28 2,14
2 5 3 0,69 5 1 1,68 3,36 2,60 5,96 2,98
3 6 3 0,69 5 1 2,02 5,38 3,12 8,50 4,25
4 7 3 0,69 5 1 2,35 7,73 3,65 11,37 5,69
5 8 3 0,69 5 1 2,69 10,42 4,17 14,58 7,29
6 9 3 0,69 5 1 3,02 13,44 4,69 18,13 9,06
7 6 3 0,69 5 1 2,02 15,46 3,12 18,58 9,29
8 15 3 0,69 5 1 5,04 20,50 7,81 28,31 14,15
9 21 2 0,69 5 1,8 7,06 27,55 19,69 47,24 23,62
10 33 2 0,69 5 1,8 11,09 38,64 30,93 69,57 34,79
11 42 21 0,62 6 2 15,22 53,86 59,06 112,92 56,46
12 42 21 0,62 6 2 15,22 69,07 59,06 128,14 64,07
13 42 21 0,62 6 2 15,22 84,29 59,06 143,35 71,68

1) DEZ ESTÁGIOS DE 15 TONELADAS;

2) TRAÇÃO = 0,7 * 158,59 = 111,013 TONS

3) SISTEMA DE REAÇÃO: 4 BARRAS DE 6 m DE TIRANTE INCO 60 D COM 2 LUVAS E QUATRO PORCAS;

4)VIGA REAÇÃO MAIS MACACO HIDRÁULICO MAIS CÉLULA DE CARGA MAIS RELÓGIO COMPARADOR PARA 200 TONS FORNECIDOS PELO LTEC

5) VIGAS DE REFERÊNCIA E CAVALETES DE SUSTENTAÇÃO DA VIGA DE REAÇÃO TAMBÉM FORNECIDOS PELO LTEC;

6) INSTRUMENTAÇÃO E SISTEMA DE AQUISIÇÃO DE DADOS FORNECIDOS PELO ALEONES E UFG;

7) NECESSIDADE DE MAIS RELÓGIOS COMPARADORES NO TOPO DAS ESTACAS DE REAÇÃO, VER COM ALEONES E UFG;

8) CRONOGRAMA APROXIMADO E SUPERFICIAL:

DATA 29/10/14 01/11/14 03/11/14 04/11/14 05/11/14 06/11/14


ATIVIDADE MATERIAIS ESTACAS INSTRUMENTAR BLOCO E REAÇÃO MONTAGEM ENSAIO