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Interpretação das escalas do EFN

A interpretação dos resultados do EFN deve ser feita principalmente a partir dos escores
das sub-escalas do instrumento, pois separadamente são capazes de dar informações mais
precisas e particulares a respeito da pessoa que está sendo avaliada. É importante salientar que
resultados altos ou baixos em uma ou mais das sub-escalas de Neuroticismo podem indicar
transtornos de personalidade, sem permitir, no entanto, a elaboração de um diagnostico final
sobre os casos avaliados. Também é importante frisar que os significados de altos escores nas
escalas de Neuroticismo são mais conhecidos que os de baixos escores. Contudo, o trabalho de
pesquisa, tanto de normatização quanto o de avaliação está tendo continuidade e seus resultados
podem ser acessados pela home page do Laboratório de Mensuração da UFRGS
(www.psicologia.ufrgs.br/laboratorio).
Os resultados obtidos a partir da EFN (bem como os resultados de qualquer outro teste
psicológico) podem servir como base para a elaboração de hipóteses sobre a estrutura
psicológica das pessoas avaliadas. Essas hipóteses devem ser complementadas a partir da
realização de entrevistas, do levantamento das condições sócio-econômicas e culturais dos
respondentes, dentro de um processo mais amplo, de Avaliação Psicológica.

1. Interpretação de N1 – Escala de Vulnerabilidade.

A escala de vulnerabilidade avalia quão intensamente as pessoas vivenciam


sofrimentos em decorrência à aceitação dos outros para consigo. Pessoas que apresentam um
escore muito alto neste fator tendem a ter baixa auto-estima, relatam ter grande medo de que
seus amigos os deixem em decorrência de seus erros. Usualmente, são capazes de ter atitudes
que vão contra a sua vontade, com o objetivo de agradar as pessoas. Também relatam ser
inseguras, serem muito dependentes das pessoas mais próximas e terem dificuldades em tomar
decisões.
Escores muito baixos em Vulnerabilidade também podem indicar desvios. Indivíduos
muito baixos em vulnerabilidade podem ser caracterizados por uma grande independência em
relação às outras pessoas, chegando à frieza e falta de sensibilidade para com os outros. Podem
ser excessivamente individualistas e nem um pouco preocupados com as opiniões alheias,
indicando um padrão distorcido de relacionamentos sociais. As características cobertas por este
fator agrupa sintomas típicos de transtornos de personalidade dependente e de esquiva, a partir
do DSM-IV.

2.Interpretação de N2 – Desajustamento Psicossocial.

Altos escores na escala de Desajustamento Psicossocial identificam indivíduos que


tendem a ser muito agressivos e hostis com as demais pessoas, freqüentemente mentindo e
manipulando as situações de tal forma que os beneficie. Também identifica pessoas com padrões
elevados de consumo de álcool, com grande gosto por participarem de jogos de azar e
excessivamente preocupados com a sua aparência física. Altos escores de Desajustamento
Psicossocial também identificam pessoas que tendem a ter comportamentos sexuais de risco ou
atípicos, freqüentemente relatando um gosto por envolverem-se em situações perigosas. São
pessoas que se identificam como sendo pouco sensíveis ao sofrimento dos demais, tendem a ter
pouca preocupação com as regras sociais, podendo envolver-se em situações que envolvam
infrações graves.
Este fator agrupa sintomas típicos de transtorno de personalidade antisocial e boderline,
de acordo com o DSM-IV.
Ainda não se tem clareza do significado de escores muito baixos neste fator.

3.Interpretação de N3 – Ansiedade.

Altos escores na escala de Ansiedade identificam pessoas que tendem a ser


emocionalmente instáveis, relatando uma grande variação de humor e disposição,
freqüentemente sem nenhum motivo aparente. Relatam ser extremamente irritáveis,
vivenciando eventuais episódios em que temem perder o controle da situação e ter atitudes
inesperadas. Também podem relatar episódios em que ocorrem fuga de idéias, em decorrência
de um ritmo acelerado e desconexo de pensamento. Este fator também agrupa itens que
descrevem sintomas somáticos de transtornos relacionados com ansiedade, como sensações de
vertigem, tontura, desmaio, irritabilidade, transtornos de sono, impulsividade, sintomas de
pânico, mudanças de humor, etc.
Altos escores na escala também podem estar relacionados com sintomas de pânico, fobia
e agorafobia. Usualmente, podem refletir uma menor capacidade de concentração dos
respondentes nas suas tarefas profissionais e escolares, ocasionando uma menor produtividade.
Escores muito baixos na escala de ansiedade também podem refletir uma falta de
adaptação dos respondentes, pois podem envolver-se em situações novas ou que possam
oferecer algum risco físico ou psicológico para elas, sem colocarem-se suficientemente alertas,
atentas para todos os novos elementos com os quais têm que lidar. É possível que escores muito
baixos indiquem falta de motivação e outros transtornos. Ainda faltam estudos específicos para
determinar se efetivamente há patologias associadas a escores muito baixos.

4. Interpretação de N4 – Depressão.

A escala de depressão avalia os padrões de interpretações que os indivíduos apresentam


em relação aos eventos que ocorrem ao longo de suas vidas. Os respondentes que apresentam
escores muito altos tendem a relatar baixa expectativa em relação ao seu futuro, relatam ter uma
vida monótona e sem emoção. Também relatam não ter objetivos claros nas suas vidas, dizem
ser pessoas solitárias e, em alguns casos, podem relatar tentativas de suicídio ou ideação suicida.
Os respondentes que apresentarem escores muito altos nesta escala devem ser
cuidadosamente avaliados. É importante avaliar as respostas especificas aos itens que
relacionam-se à ideação suicida (itens 35, 39 e 47), bem como os itens que avaliam desesperança
(itens 17, 19, 32, 43, 50 e 73). Independentemente do escore total, o psicólogo tem a obrigação
de examinar cuidadosamente indivíduos cujas respostas possam indicar que há risco de suicídio.
Aqueles respondentes que apresentam escores muito baixos em N4 podem apresentar
um nível muito baixo de auto-crítica, indicando uma posição muito passiva em relação aos
eventos que ocorrem em suas vidas. Poderão ter dificuldade em dar-se conta de que estão
enfrentando problemas efetivos o que pode prejudicá-los, em decorrência de uma falta de
atitudes e comportamentos que possam resolver efetivamente o problema (Isso tem relação com
as estratégias de coping adotadas pelas pessoas).