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FACULDADE DE EDUCAÇÃO SÃO BRAZ

O LÚDICO NO DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES

CURITIBA/PR

2018
FACULDADE DE EDUCAÇÃO SÃO BRAZ

SUELEN DA PAIXÃO DE SOUZA

O LÚDICO NO DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES

Trabalho entregue à Faculdade de


Educação São Braz, como requisito legal
para convalidação de competências, para
obtenção de certificado de Especialização
Lato Sensu, do curso de e n s i n o l ú d i c o ,
conforme Norma Regimental Interna e Art.
47, Inciso 2, da LDB 9394/96.

Orientador (A):

CURITIBA/PR

ANO
Resumo

Existe inúmeras pesquisas em torno da psicologia evolutiva e da educação.


Através de ideias construtivas percebe-se que o desenvolvimento infantil
perpassa por diversas áreas (motora,cognitiva,afetiva). O que se quer através
desse estudo e demonstrar como o lúdico esta presente no dia a dia da
criança e de que maneira pode estimular o pensar. Os educadores da
atualidade buscam uma aproximação maior com a sociedade moderna, onde
as atividades devem ser contextualizadas, dinâmicas e com inovações
tecnológicas, buscando envolver mais os educando no processo educativo. O
trabalho lúdico visa envolver os alunos intensamente na atividade educativa,
repensando a escola,o currículo, os tempos escolares, a avaliação e os
objetivos da educação escolar infantil. Esse trabalho visa debater alguns
questionamentos como: Até que ponto o lúdico estimula o pensar? De que
forma trabalhar o lúdico no desenvolvimento infantil? Como resgatar a
aprendizagem através das brincadeiras? Para a concretização desse projeto
serão realizadas observações em espaços lúdicos, escolas, brinquedo tecas, a
fim de demonstrarem a necessidade da Ludicidade no dia a dia das crianças e
como os jogos podem influenciar no desenvolvimento intelectual destes
indivíduos. Pretende-se aplicar essa teoria com crianças para que se possa
confirmar e responder aos questionamentos dessa pesquisa de modo a
reconhecer a importância do brincar para o desenvolvimento do ser humano.

Palavras Chaves: Brinquedoteca, lúdico,criança.


INTRODUÇÃO

O presente trabalho trata da importância do lúdico para todo e qualquer


individuo, de que forma as atividades realizadas nas brinquedos tecas
interferem no crescimento e desenvolvimento das crianças, fazendo com que
amadureçam, compreendam a interpretar o mundo a sua volta. Trata também
sobre a origem da brinquedoteca e seu inicio no Brasil, quais seus princípios e
sua finalidade, incentivando a valorização do brincar e do brinquedo.

Acredita-se que o que ocorre é que os professores não estão preparando


suas aulas adequadamente, desenvolvendo de forma à despertar o interesse
da criança pelo conteúdo e pelas atividades propostas, bem como também, o
aluno precisa buscar significado em seu aprendizado e isso é função da escola
juntamente com o docente, que devem achar meios de tornar a aula prazerosa
e deixando claro qual o objetivo do aprendizado do conteúdo. O professor tem
que aprender a falar a linguagem da criança, mostrando que aprender é um
desafio, trás emoções e ter um sentido, tornar os indivíduos críticos. O lúdico
esta no dia a dia da criança, através dos desenhos , pinturas, e etc. É forma
importante de expressão e comunicação, justificando sua presença no contexto
educacional.

O tema foi escolhido devido a preocupação em como se encontra o


ensino através do lúdico, pois alguns casos percebe-se que não esta havendo
uma contribuição para que as criança possam elaborar sua linguagem
expressiva entendida aqui como uma forma ler e representar o mundo e as
suas relações com ele.

As praticas pedagógicas de ensino na Educação Infantil ainda


necessitam de grandes mudanças por parte de alguns professores. Pensando
nesse contexto, pretende-se destacar a importância de o professor aproveitar
esta fase das crianças e disponibilizar recursos para aprimorar o conhecimento
e despertar a curiosidade vontade de desvendar todas as possibilidades
,fazendo com que enriqueçam o vocabulário visual possibilitando assim dar
asas à imaginação.

A aula na educação infantil e muitas vezes encarada como um


momento para des-estressar, relaxar ou ficar sem fazer nada, as vezes
apresentam-se kits prontos de atividades ( desenhos mimeograficos ou
fotocopiados para serem coloridos, etc.) , com isso , o professor não prepara
suas aulas baseando-se no aluno e em seu aprendizado, apenas pega algo
pronto e repassa , sem ao menos ver objetivo com isso. Os métodos utilizados
para a realização dessa pesquisa foram os seguintes: pesquisa de campo,
estagio de observação, entrevista e analise referentes aos assuntos apontados.
A base dessa pesquisa é a observação de como as crianças
“brincam” e interagem com os indivíduos e com o meio de que forma isso
interfere em sua relação com o mundo. Ao observar e anotar os diferentes
aspectos analisados, o acadêmico prepara-se para sua atuação dentro de uma
brinquedoteca ou outro espaço lúdico, preparando-se para sua atuação futura,
bem como para a pratica de seu projeto, percebendo que eé viável e de que
tipo de atividade mais gostam.

A elaboração desse projeto de conclusão de curso, faz com que o


profissional busque informações sobre as necessidades e a viabilidades de
cada atividade das quais se propõe a orientar, podendo auxiliá-lo futuramente a
preparar melhor suas aulas, interagindo e compreendendo a função do lúdico
na vida dos indivíduos, sua importância e necessidade para o aprendizado e
para a vida em sociedade.

1 .Criação das Brinquedotecas

O inicio da brinquedoteca no Brasil se deu em meados dos anos


1980, onde houveram muitas dificuldades econômicas e de reconhecimento
para que fosse valorizada como instituição educacional, foi criada com a
finalidade de estimular a criança a brincar com a liberdade. Nesse espaço
ocorre a interação educacional, uma vez que a criança permanece durante
horas e contato com diferentes meios lúdicos . Para se trabalhar em um
ambiente como este , a pessoa deve ter formação profissional adequada para
auxiliar no desenvolvimento emocional, intelectual e social da criança.

No Brasil, as brinquedotecas surgiam da necessidade de


oportunizar ás crianças um ambiente onde a criança brasileira pudesse ficar
durante um período, sendo atendida com segurança e visando também o lado
educacional. Esse ambiente faz com que pais e educadores valorizem a
atividade lúdica das crianças, tendo como principais finalidades.

a) Propiciar a criança um espaço, onde possa brincar tranquila e sem


cobranças de estar atrapalhando;
b) Estimular o desenvolvimento e a capacidade de concentração;
c) Estimular a operatividade;
d) Favorecer o equilíbrio emocional
e) Dar oportunidade a expansão de potencialidades;
f) Desenvolver a inteligência, criatividade e sociabilidade, de
desenvolvimento intelectual, social e emocional.
g) Proporcionar acesso a um numero maior de brinquedos, de experiências
e de descobertas;
h) Incentivar a valorização do brinquedo ,como atividade se
desenvolvimento intelectual,social,e emocional
i) Dar oportunidade para que aprenda a jogar e participar;
j) Enriquecer o relacionamento entre as crianças e
k) Valorizar o sentimento afetivo e cultivar as sensibilidade.
A brinquedoteca tem a função de resgatar o direito a infância, respeitando ás
necessidades da criança, não se deve descartar os valores tradicionais de uma
pessoa, deve-se ter muito cuidado, conhecimento e respeito para não
ultrapassar os limites e querer arrancar as raízes de sua cultura.

A sociedade Moderna esta constantemente inovando em diferentes aspectos


porem, quando se trata da educação, da forma de pensar, a insegurança
domina e os indivíduos tendem a buscar mecanismo de defesa, com isso, o
caminho a ser percorrido é longo para que se mude a postura educacional,
contudo mesmo a passos lentos deve-se buscar uma renovação na educação,
mudando a explicação racional das coisas e buscando caminhos intelectuais,
como por exemplo: refletir sobre o que leva a uma educadora a cria uma
brinquedoteca? Ou o que ela espera que aconteça com as crianças que irão
participar destas atividades? E inúmeras são as respostas, mas primeiramente
as razoes são afetivas, de cultivo da sensebilidade.
Para se ter uma grande realização não precisamos necessariamente de
atos racionais, muitas vezes podemos realizar coisas e grandes projetos por
meio da sensibilidade, da maneira como nos envolvemos com a ideia, sendo
esse processo criativo uma tentativa de encontrar um sentido maior , através
de uma situação desafiadora favorável ao desenvolvimento da criatividade, que
serão analisados na sequencia. O individuo precisa ter coragem de errar pois
toda busca envolve vários erros, não podemos viver influenciados pelo
compromisso de acertar sempre que esta ligado a necessidade de admiração,
sentindo-se seguro para obter condições favoráveis para seu crescimento.
Com relação á autonomia de pensamento, cada individuo precisa ter
coragem de expor suas ideias e muda-las quantas vezes achar necessário,
pensando por si próprio, não apenas assimilando informações e sim
decodificado-as e levando-as a transformação de pensamentos. Todo individuo
precisa ter iniciativa para desenvolver atitudes adequadas no seu processo
criativo,tendo coragem e buscando inovar, criar e reformular. Para que haja a
conscientização da necessidade aprender a aprender.
Para qualquer pessoa que queira aderir a proposta de uma
brinquedoteca precisa ter “coragem criativa”,trabalhar nessa proposta a nível
existencial, buscando trabalhar com o coração , mas uma coisa e certa, a
pessoa que foi tocada com a ideia dessa construção com certeza esta em
busca da construção de um mundo melhor.
O papel da educação é também o de auxiliar na evolução do ser
humano e na evolução da consciência e a brinquedoteca é um ambiente
excelente para propiciar essa interação, onde as crianças podem se
redescobrir, criar novos significados para suas experiências de maneira livre e
criativa, nesse ambiente a criança nutri a alma, preservando sua integridade
devendo esse ambiente a ser de valorização da ação de brincar
Nosso pais e diversificado, exuberante, alegre e muito rico, porem temos
alguns contrastes nesse meio que e a violência, a inda não somos livres de
alguns preconceitos, somos um povo com falhas, mas nossa alegria nos faz
sermos criadores de diferentes brincadeiras. Ainda com relação à educação, o
Brasil gosta de inovações, conceitos modernos e novas tecnologias que em
suma buscam sempre a felicidade e o bem das crianças.
Apesar de todas essas alegrias e maravilhas de nosso pais,
precisamos melhorar muito para conseguir um futuro melhor, primeiramente
precisamos parar de nos conformar com tantos problemas sociais, onde
pessoas são assassinadas, crianças pequenas matam e roubam, alguns
indivíduos passam por cima dos outros para conquistarem seus objetivos e
sempre estamos achando diferentes justificativas para nossa omissão, mas a
realidade estamos perdendo nossa capacidade de indignação. Para que
possamos formar cidadãos mais consciente e preparados para o futuro ,
precisamos agir enquanto ainda são crianças,dando à elas limites, ensinando-
lhes a serem seguras e que saibam manifestar seu futuro.
Dessa forma, o adulto precisa ser humilde, precisa dar espaço que esses
pequenos indivíduos se desenvolvam, se relacionem com o mundo nos limites
de sua necessidade pois o conceito que temos do mundo se faz através da
imagem que nos orienta para nos adaptarmos à realidade.
Para que a brinquedo teca se efetive é necessário que seja um ambiente
acolhedor, que ajuda a criança a formar um bom conceito do mundo, sendo
este com afetividade , criatividade estimulada e onde os direitos das crianças
sejam respeitados. Um espaço onde não há cobranças, nem exigências, com
diferentes oportunidades a fim de contribuir para a construção de uma nova
humanidade. Cada um destes ambientes devem ser lugares prazerosos, onde
exista magia através de jogos e brincadeiras, com estratégias predeterminadas
e que venham de encontro ao perfil da comunidade na qual esta instalada.
As universidades Brasileiras buscam a harmonia destes lugares,
desenvolvendo o ensino através de pesquisas e da extensão , sendo a
brinquedoteca um ambiente que possui funções. A Universidade Federal Santa
Maria possui uma brinquedoteca através do Núcleo de Desenvolvimento infantil
do Centro de Educação, onde desde 1988, prioriza os objetivos gerais da
criação destes ambientes, colaborando na formação de recursos humanos,
onde os acadêmicos podem participar de diferentes experiências, estudos e
estágios.
Essas pesquisas funcionam como laboratório na exploração do lúdico a
fim da valorização desta área, prestando serviços a comunidade de orientação
e assessoramento a instituições infantis e no desenvolvimento de
cursos,palestras e novas brincadeiras, priorizando como materiais, a sucata, e
a produção de jogos infantis computadorizados. A criação desses jogos passa
por diferentes etapas, sendo elas: estudo teórico ( fundação para criação) ,
criação de projetos ( protótipos que são analisados) , produção de jogos,
experimentação e testagem, produção em serie, adaptação do jogo artesanal
para a produção de software.
De acordo com a UFSM, a brinquedoteca não apenas um lugar onde
se tem brinquedos, é muito mais do que isto, é o local onde se muda padrões
de conduta em relação à criança, abandona-se os métodos tradicionais,
buscando-se o novo, acreditando no lúdico e no desenvolvimento infantil.
Quando se entendem todos esses quesitos, cria-se um lugar
especial, sendo este um ambiente alegre, colorido, diferente, desafiante, onde
a criança possa brincar e se desenvolver, tornando-se uma pessoa com auto
estima elevada e autoconceito positivo. Entende-se também, portando que o
brinquedista deve ser um educador com visão de mundo, conhecimentos
psicológicos, sociológicos, pedagógicos, artísticos, entre outros, sendo uma
pessoa sensível, entusiasta, determinada e dinâmica.

1.1 Jogo em sala: lúdico ou material pedagógico?

Existem muitas duvidas que assolam os educadores, no que diz respeito


aos jogos, se eles realmente tem finalidades pedagógicas, se o jogo
pedagógico é realmente um jogo, o brinquedo e a brincadeira deveriam criar
momentos sempre lúdicos, de livre exploração, porem, muitas vezes eles são
usados como instrumentos em busca de resultados, então passam do lúdico ao
material pedagógico.

Nem sempre o uso de jogos como material pedagógico, foi aceito, a


visão que se tinha era a de que a escola tinha função disciplinadora, visando
um resultado , então o jogo pelo jogo, não era aceito, criando-se então o
conceito de jogos educativos. Platão defende a importância de “aprender
brincando”, já Aristóteles acreditava que os jogos devem imitar ações serias, de
ocupações adultas, como forma de preparo para a vida futura.

De acordo com Kishimoto (2003), o interesse pelo jogo diminui com o


crescimento do Cristianismo, impondo uma educação disciplinadora que
desenvolva a inteligência, onde aos alunos resta a memorização e obediência,
não havendo espaço para os jogos, que eram considerados como delitos tão
graves quanto a prostituição e a embriaguez.

Posteriormente, com o Renascimento, não se exige a mortificação do


coro, mas seu desenvolvimento, incorporando os jogos educativos, então no
cotidiano dos jovens, não como diversão, mas como tendência natural do ser
humano, nascendo no século XVI, a companhia de Jesus, que coloca em
destaque os jogos e compreende a importância dos jogos de exercícios físicos
banidos antes da idade média, acrescentando os jogos que desenvolvem o
espírito.

O século XVII provoca a expansão continua de jogos didáticos e


educativos, explicando que tudo que está na inteligência passa pelos sentidos,
multiplicam-se, assim, os jogos de leitura, bem como, diversos jogos
destinados à tarefas didáticas nas áreas de história, geografia, moral, religião,
matemática, entre outras.

Já no início do século XIX, com o término da Revolução Francesa e o


surgimento de inovações pedagógicas, o jogo é entendido como objeto de ação
de brincar, caracterizado pela liberdade e espontaneidade, passando a fazer
parte da história da educação infantil, a expansão dos jogos começa nesse
século devido ao aumento de instituições de ensino infantil. Nessa época
discutiu-se muito também à respeito da ideia do jogo livre, sem a interferência
do professor.

Atualmente, o que entra em confronto quando se discutem jogos


educativos são suas duas funções, a lúdica e a educativa, sendo que equilibrar
essas duas funções é o objetivo do jogo educativo, surge aí o crescimento de
autores que defendem o jogo como lúdico e educativo, entre eles, pode-se
destacar Campagne (1989, p.113), que sugere alguns critérios para uma
escolha adequada de brinquedos de uso escolar, sendo eles: o valor
experimental, valor da estruturação, valor da relação e o valor lúdico. Critérios
esses que devem ser analisados de acordo com a faixa etária, preferências,
capacidades, projetos, de cada criança e o prazer que o jogo proporciona.

Ao educador cabe auxiliar o aluno, adequar o ambiente e após deixa-lo


livre para a exploração, pois dessa forma, a criança brinca espontaneamente,
aprendendo sem constrangimentos, porém essa liberdade é limitada
dependendo do ambiente onde ocorre a brincadeira, daí vem a proposta de
ambientes como a brinquedoteca, onde o espaço é organizado para permitir e
estimular a brincadeira. O jogo empregado pela escola, desde que respeite a
natureza lúdica, apresenta o caráter educativo e pode ser chamado de jogo
educativo, aparecendo então com dois sentidos diferentes:

a) Sentido amplo – permitindo a livre exploração em ambientes


organizados pelo professor, visando o desenvolvimento geral da
criança e
b) Sentido restrito – que exige ações orientadas a fim de adquirir
aquisição ou treino de conteúdos específicos ou habilidades
intelectuais, o que chamamos de jogos didáticos.

Diversos filósofos tratam a importância dos jogos, mas é com Froebel,


que foi o criador do jardim de infância, que o jogo passou a fazer parte do
currículo de educação infantil, onde a criança passa a brincar na escola
manipulando brinquedos para aprender conceitos e desenvolver habilidades,
onde jogos, músicas, arte e atividades externas integram o programa diário
compostos pelos dons e ocupações froebelianas.

Atualmente, os jogos estão presentes também, entre aqueles que


estudam as representações mentais, os estudos mais relevantes a respeito são
de Piaget, Wallon, Vygotski, Bruner, entre outros que mostram a importância do
jogo para o desenvolvimento infantil ao propiciar a descentração da criança,
são inúmeros os jogos que estão presentes na educação, mas os mais
utilizados são os com regras, os de construção, os tradicionais infantis e os de
faz de conta.

Com relação aos jogos tradicionais, eles incorporam a mentalidade


popular, normalmente realizado oralmente e guarda a cultura espiritual por um
determinado período, esses jogos são de origem desconhecida, são jogos
como amarelinha, empinar papagaios, entre outros que até hoje as crianças
jogam quase da mesma forma, pois são transmitidos de geração em geração,
podendo manter a mesma estrutura ou modificar-se com o tempo. Existem
vários estudos referentes aos jogos tradicionais e suas tendências e uma das
hipóteses à respeito desse assunto é a de que o jogo é criador, imaginativo e
autossuficiente, sendo a brincadeira vista como expressão livre dessas
qualidades.

Com relação aos estudos de Ivic e Marjanovic (1986), existem cinco


hipóteses para se empregar jogos tradicionais em escolas, que são:

a) Por serem centro da pedagogia do jogo, devem estar preservadas na


educação contemporânea;
b) O brincar é uma pratica social e não deve ser realizado apenas na
relação adulto x criança;
c) Esses jogos podem ser uma renovação da prática pedagógica;
d) Preservam a identidade cultural da criança e
e) Proporciona um contato maior, tanto físico quanto social para as
crianças que possuem poucas alternativas para esses tipos de
contatos.

Ainda de acordo com Ivic e Marjanovic(1986), para impedir que houvesse um


desaparecimento cultural da infância , iniciou-se um movimento a fim de
introduzir esses jogos em instituições infantis, trazendo duas questões
importante : a segregação da criança em grupos homogêneos isolados e o
empobrecimento das relações sócias e pedagogização da infância e a
instrumentalização do brincar.

No Brasil, pesquisadores começam a desvendar a imagem da criança,


elaborando estudos de jogos de crianças brancas e jogos de crianças negras,
identificando as brincadeiras e a faixa etária de cada brincadeira,
demonstrando o interesse desses pesquisadores em conhecer os jogos através
do conhecimento da criança.

Froebel foi o criador dos jogos de construção, oportunizando ás crianças


brincadeiras com tijolinhos de montar, criando diferentes elementos,
construindo cidades e bairros. Esses jogos são denominados jogos do mundo,
pois oportunizam a criança a construir seu próprio mundo, formando e
transformando, usando sua imaginação, se relacionando com o mundo do tanto
faz de conta. A partir dos três anos de idade a criança precisa de intervenção
pedagógica de maneira a desenvolver o que Vygotski chama de zona de
desenvolvimento proximal.

Esses jogos são considerados de grande importância, pois enriquecem a


experiência sensorial, estimulam a criatividade, desenvolvem habilidades da
criança, sendo sugeridas também construções utilizando materiais naturais
como areia , neve, água. Uma forma de construir é a construção por imitação,
na qual a criança observa um adulto e depois repete sua ação, pode-se
também, empregar a construção segundo um modelo, que é empregada na
educação infantil russa.

Nos estudos de Venguer (1988), ele comenta sobre a importância do professor


auxiliar o aluno na consecução de seus projetos, pois uma criança tem
dificuldades em concretizá-lo, uma vez que não consegue antecipar um plano,
não devendo o docente antecipar e dar a ideia do que fazer e sim esperar que
a criança tente chegar a uma conclusão e só depois auxiliá-la.

Apesar das pesquisas sobre os jogos terem iniciado nesse século, já na


década de 1970, Piaget, mais precisamente em 1978, e suas pesquisas
psicológicas já estimulavam as atividades com jogos infantis, segundo ele,
cada ato de inteligência é definido pelo equilíbrio entre duas tendências:
assimilação e acomodação, onde na primeira, o indivíduo incorpora as
situações dentro de seu pensamento, em suas estruturas mentais organizadas,
a acomodação reorganiza e incorpora novos aspectos do ambiente externo,
sendo o brincar nesse caso identificado pela assimilação sobre a acomodação.

Piaget observa o período infantil sobre três sistemas de jogo: de exercício,


simbólicos e de regras, sendo que os jogos de exercícios aparecem durante os
primeiros 18 meses de vida, envolvendo a repetição de sequências e a
manipulação, ou seja, atividades motoras. Os jogos simbólicos aparecem
durante o segundo ano de vida na representação da linguagem, nessa fase, a
criança tem atividades solitárias, onde faz de conta que dá de comer aos seus
brinquedos, ente outras atividades, onde a criança ultrapassa os limites da
manipulação e conforme vai crescendo, mas ela vai explorando sua realidade e
caminhando em busca da mesma. No terceiro tipo de jogo, a criança passa da
atividade individual para a socializada, esse período não ocorre antes dos 4 e 7
anos e não ultrapassa os 7 a 11 anos, onde ocorre a interação de dois
indivíduos e sua função é regular e integrar o grupo social.

Wallon se assemelha ás ideias de Piaget ao classificador os jogos em 4 tipos:


funcionais, de ficção, de aquisição e de construção, e ao analisar o psiquismo
infantil como resultado de processo sociais, se assemelha a Vygotski, onde a
origem da conduta infantil, o social está presente no processo de interação da
criança. A partir das pesquisas de Piaget, já existem discípulos seus atuando
em áreas interdisciplinares, analisando a influência do contexto social na
constituição da inteligência.

A teoria de Vygotski é diferente da de Piaget, devido á natureza de seus


escritores e sua influência, os dois divergem em alguns aspectos sobre os
jogos infantis, o primeiro acredita que o símbolo surge da interiorização, para
os Vygotski valoriza o fator social, para ele há dois elementos importantes na
brincadeira infantil, a situação imaginária e as regras, tendo regras implícitas e
em outros momentos culturais.

Piaget,Vygotski e Wallon, colocam a imitação como a origem da representação


mental e base para o aparecimento do jogo infantil, Bruner (1976), interpreta o
desenvolvimento da atividade simbólica através de brincadeiras compartilhadas
entre a mãe e a criança, produzindo atividades motoras e vocais, ele analisa a
evolução da criança através das trocas interativas entre a criança e a mãe
como fonte de desenvolvimento cognitivo e meio para atribuir significados aos
objetos ou ao fenômenos.

Bruner (1978), em seus estudos demonstra que as brincadeiras do bebê com a


mãe auxiliam no desenvolvimento da linguagem, na compreensão de regras e
no desenvolvimento cognitivo, considera também que a brincadeira permite
uma flexibilidade de conduta e conduz a um comportamento exploratório,
concluindo que o jogo contribui para a solução de problemas.

Apesar de diferentes teorias sobre os jogos infantis e de suas diferenças, todos


os autores citados procuram se aprofundar nas áreas menos exploradas por
outros pesquisadores, porém não existem pesquisas que demonstrem
relevância do jogo no contexto cultural, precisando então que professores e
pesquisadores trabalhem juntos, analisando as diferentes brincadeiras,
investigando a participação dos jogos e dos brinquedos na educação infantil.
Kishimoto (1993), identificou no Brasil cerca de 16 teses que tratam do assunto
relacionando a pré-escola e cerca de 11, de natureza mais geral cadastrada no
período de 1971 á 1991.

2.Liberdade para criar: O lúdico na aula de arte

Ao conviver com a Arte e produzir arte, através de uma didática motivadora, a


criança é levada a assumir atitudes criticas, reflexivas, curiosas e
investigadoras que lhe desenvolvem a capacidade de intervir, construir e
transformar.

A arte é um caminho seguro para que o lúdico seja explorado no trabalho


pedagógico sem desrespeitar a natureza infantil. “ Mais fundamental e
gratificante, sobretudo para o indivíduo que está criando, é o sentimento
concomitante de reestruturação, de enriquecimento da própria produtividade,
de maior amplitude do ser, que se libera no ato de criar “.(Ostrower,1978,p.17).

A imigração criativa tem lugar importante na educação e as atividades de


expressão plástica são importantes para a expressão e comunicação do mundo
interior da criança.

Para Rose Meri Trojan,

A atividade criadora é uma necessidade humana, porque só


criando, transformando o mundo, o homem faz um mundo humano e
se faz a si mesmo. Uma obra de arte é , antes de mais nada , uma
criação do homem , que sublinha a presença do humano e se
constitui precisamente, como forma peculiar do trabalho criador.
Nesta perspectiva, a função essencial da arte é ampliar e enriquecer
com suas criações, a realidade já humanizada pelo trabalho. A
criação de um mundo humano e de objetos humanos é resultado de
um longo processo histórico que resultou em um conjunto de
conhecimentos elaborados e sistematizados.(1990, p. 152),

“As atividades artísticas na escola, não devem ser imitativas, porém


uma assimilação criadora que é feita através da apropriação e da
reelaboração do conhecimento artístico “. ( Carlos Alberto de Paula,
1990, p.147)

Este trabalho tem como objetivo discutir o estereótipo na educação infantil,


uma vez, percebemos que toda expressão se condena á estagnação, quando
não há o exercício sistemático, e também da leitura das obras artísticas.
“Entendemos que na improvisação livre trabalhamos com o conhecimento já de
domínio do aluno e na improvisação dirigida trabalhamos com, estímulos,
ordens ou regras dadas pelo professor”. ( TROJAM, P. 153).

Segundo Cunha (1999, p. 10), “para que as crianças tenham possibilidades de


desenvolverem-se na área expressiva, é imprescindível que o adulto rompa
com seus próprios estereótipos (...)”, assim, o professor tem que fazer parte do
processo de descoberta da criança , desprezando os estereótipos e abrindo a
mente para novas ideias e novos materiais, não só entendendo, mas
vivenciando as linguagens de arte com a criança.

Viktor Lowenfeld,

O período de 4 á 5 anos é extremamente importante para o


desenvolvimento de atitudes sobre o próprio eu e para o
estabelecimento da nação de que o mundo é um lugar empolgante e
aprazível para se viver. O papel que desempenha o professor e os
pais torna-se muito valioso para ajudar a criança a desenvolver essas
atitudes. (1970, p. 144).

A professora do jardim de infância está em uma posição excelente para


propiciar formas diferentes da criança progredir, através das experiências
com/no mundo sensível que a criança vai se apropriando de formas mais
complexas de ver e de ler esse mesmo mundo sentido. “ ( OSTETTO, 2007, p.
35-36).

Pensando assim, reforço a ideia de que a criança faz sua interpretação em


função de suas informações e dos seus interesses, tendo como fundamento as
suas vivências.

Segundo Perissé, a respeito de Rodin,é taxativo sobre a beleza:

Não há, na realidade, nem estilo belo, nem desenho belo, nem cor
bela.Existe apenas, uma única beleza, a beleza de verdade que se
revela . Quando uma verdade, uma ideia profunda, ou um
sentimento forte explode numa obra literária ou artística, é óbvio
que o estilo a cor e o desenho são excelentes. Mas eles só possuem
essa qualidade pelo reflexo da verdade .(Rodin apud Perissé, on line).

Para Lowenfeld

O processo de criação encerra maior significado, que o


produto final, o que quer dizer é que material artístico deve ser
selecionado, de modo a satisfazer as necessidades do grupo
etário, para o qual planejou o emprego desse material. Para
que as crianças possam expressar seus sentimentos, suas
reações e os próprios conceitos intelectuais que formule sobre
seu meio. (1970, p. 173).

Aprender não é só memorizar a imaginação criativa tem lugar importante na


educação. “Todo processo de elaboração e de desenvolvimento abrange um
processo dinâmico de transformação, em que a matéria e a ação é criativa
transformada pela mesma ação”. (OSTROWER, p.51).

Desta forma o espaço da arte na educação infantil, contribui para um pensar e


um fazer que realmente renova a formação da criança, para a mesma participe,
construa seu mundo, crie e solucione seus problemas, que descubra seu
potencial e que valorize-se e seja valorizada.

2.Considerações finais

As leituras realizadas proporcionam uma compreensão maior da


necessidade do lúcido, onde se percebe que aprender através de brincadeiras
faz com que os indivíduos se conheçam e forme sua visão de mundo, através
da troca de experiências, os educandos se desenvolvem e desabrocham,
amadurecendo e aprendendo a assumir suas responsabilidades, pois
normalmente os jogos e brincadeiras possuem regras e isso faz com que se
adaptem a esse universo e aprendam a sobreviver nesse mundo que exige
cada vez mais que as crianças cresçam e assumam responsabilidades.

Através dos textos estudados pode-se compreender um pouco mais


sobre a história dos jogos e brincadeiras e suas importâncias para o
crescimento e desenvolvimento de cada indivíduo, auxiliando-o na percepção
de sua função social, no amadurecimento e fortalecimento desse indivíduo que
está aprendendo a torna-se um cidadão consciente e responsável. As
observações e a análise de tudo que permeia as atividades realizadas em uma
brinquedoteca, assim como, que atividades são realizadas em diferentes
centros infantis, parques, espaços lúdicos e de que forma essas atividades são
vistas pelas pessoas que as aplicam e pelos indivíduos que delas participam.

Observar diferentes universos, faz com que o indivíduo pare para pensar
no quanto esses momentos são importantes e necessários. As crianças
necessitam de atividades diferenciadas para que se sintam importantes e se
percebam como partes dessa sociedade, capaz de acolher e dar lugar a eles
para viverem com dignidade e respeito, lembrando também que a prática de
atividades lúdicas, faz com que continuemos nos desenvolvendo cada vez mais
uns com os outros.

Cada autor que foi pesquisados para esse trabalho de conclusão de


curso contribuiu para o acréscimo do conhecimento que busquei durante a
realização do mesmo, de forma a analisar que ao conviver com o lúdico e
produzir arte, através de uma didática motivadora, a criança é levada a assumir
atitudes criticas, reflexivas, curiosas e investigadoras que lhe desenvolvem a
capacidade de interferir, construir e transformar. Na fase pré-escola, a criança
está isenta de preconceitos, livre para a vida e atenta a tudo o que tenha
possibilidade de ver e tocar. O desejo de aprender a levar a observar o mundo
a seu redor e exercer domínio sobre ele.
Referências

BARBOSA, Ana Mae. Teoria e Prática Educação Artistica. São Paulo:


Cultrix,1985.

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