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@OABNUNCAMAIS – Faça sua Única ou Última Prova da OAB

PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

ÉTICA

#1 Direitos e Prerrogativas do Advogado

1) A advogada Lúcia dirigiu-se ao cartório de determinada Vara Cível, com o objetivo de retirar
os autos dos processos 1, 2 e 3 para consulta. Quanto ao processo 1, já findo, não foi autorizada
a retirada porque havia sido decretado segredo de justiça e Lúcia não havia atuado no feito. No
que se refere ao processo 2, ainda em trâmite, não foi permitida a retirada, pois Lúcia, advogada
do réu, já havia deixado anteriormente de devolver os autos no prazo legal, só o fazendo depois
de intimada. Já quanto ao processo 3, também findo, não foi concedida a retirada sob a
justificativa de que existiam nos autos documentos originais de difícil restauração.
Sobre o caso narrado, assinale a opção correta.
A) É excepcionado o direito do advogado à retirada dos autos apenas em razão dos motivos
declinados quanto aos processos 1 e 2. No que se refere ao processo 3, houve indevida violação
do direito de Lúcia.
B) É excepcionado o direito do advogado à retirada dos autos apenas em razão dos motivos
declinados quanto aos processos 1 e 3. No que se refere ao processo 2, houve indevida violação
do direito de Lúcia.
C) É excepcionado o direito do advogado à retirada dos autos em razão dos motivos declinados
quanto aos processos 1 , 2 e 3. Não houve indevida violação do direito de Lúcia.
D) É excepcionado o direito do advogado à retirada dos autos apenas em razão do motivo
declinado quanto ao processo 1. No que se refere aos processos 2 e 3, houve indevida violação
do direito de Lúcia.

GABARITO

LETRA C
Sobre o caso narrado, é correto afirmar que é excepcionado o direito do advogado à retirada
dos autos em razão dos motivos declinados quanto aos processos 1, 2 e 3. Não houve indevida
violação do direito de Lúcia.
Em relação ao processo 1, o sigilo exclui o direito de Lúcia ao acesso aos autos, conforme art. 7º
Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da OAB) “São direitos do advogado: [...] XIII - examinar,
em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo, ou da Administração Pública em geral,
autos de processos findos ou em andamento, mesmo sem procuração, quando não estejam
sujeitos a sigilo, assegurada a obtenção de cópias, podendo tomar apontamentos”.

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A não permissão de acesso ao processo 2 também se justifica, com base no art. 7º, § 1º, segundo
o qual – “Não se aplica o disposto nos incisos XV e XVI: 3) até o encerramento do processo, ao
advogado que houver deixado de devolver os respectivos autos no prazo legal, e só o fizer depois
de intimado”.
Por fim, a proibição de acesso ao processo 3 também é plausível, com base no art. 7º, § 1º -
“Não se aplica o disposto nos incisos XV e XVI: [..] 2) quando existirem nos autos documentos
originais de difícil restauração ou ocorrer circunstância relevante que justifique a permanência
dos autos no cartório, secretaria ou repartição, reconhecida pela autoridade em despacho
motivado, proferido de ofício, mediante representação ou a requerimento da parte interessada”
(Destaque do professor).

2) João das Neves, advogado, foi preso em flagrante delito, sendo-lhe imputada a suposta
prática do delito de lesão corporal grave, perpetrado no contexto de violência doméstica e
familiar contra a mulher, em face de sua companheira Ingrid.
No que se refere à lavratura do Auto de Prisão em Flagrante, assinale a afirmativa correta.
A) A lavratura do Auto de Prisão em Flagrante observará as formalidades previstas nos artigos
304, 305 e 306 do Código de Processo Penal. Não são exigidas formalidades decorrentes da
condição de advogado de João das Neves, pois a prisão deu-se por fato não relacionado ao
exercício da advocacia.
B) A lavratura do Auto de Prisão em Flagrante deverá, invariavelmente, ocorrer na presença de
representante da OAB, sob pena de nulidade do ato.
C) A prisão em flagrante de João das Neves deverá ser objeto de comunicação expressa à
seccional respectiva da OAB, não sendo exigida, neste caso, a presença de representante da OAB
para lavratura do Auto de Prisão em Flagrante.
D) A lavratura do Auto de Prisão em Flagrante deverá ocorrer na presença de representante da
OAB. Não obstante, a falta, segundo entendimento jurisprudencial consolidado do STF, não
constitui nulidade, mas mera irregularidade, que pode ser suprida, a posteriori, mediante
comunicação ao Conselho Federal da OAB.

GABARITO

LETRA C
No que se refere à lavratura do Auto de Prisão em Flagrante e tendo por base o caso hipotético
narrado, é correto afirmar que a prisão em flagrante de João das Neves deverá ser objeto de
comunicação expressa à seccional respectiva da OAB, não sendo exigida, neste caso, a presença
de representante da OAB para lavratura do Auto de Prisão em Flagrante, por força da
interpretação art. 7º da Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da OAB) inciso IV, o qual
estabelece ser direito do advogado “ter a presença de representante da OAB, quando preso em
flagrante, por motivo ligado ao exercício da advocacia, para lavratura do auto respectivo, sob

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pena de nulidade e, nos demais casos, a comunicação expressa à seccional da OAB” (Destaque
do professor).
Como a prisão em flagrante não foi por decorrência de motivo ligado ao exercício da advocacia,
a observância da integralidade do dispositivo não se faz necessária.

3) As advogadas Tereza, Gabriela e Esmeralda desejam integrar a lista a ser encaminhada ao


Tribunal de Justiça de determinado estado da federação, para preenchimento de vaga
constitucionalmente destinada aos advogados na composição do Tribunal. Tereza exerce regular
e efetivamente a atividade de advocacia há 15 anos. Possui reputação ilibada e saber jurídico
tão notório que a permitiu ser eleita conselheira suplente, para a atual gestão, de determinada
subseção da OAB. Gabriela, embora nunca tenha integrado órgão da OAB, exerce, regular e
efetivamente, a advocacia há 06 anos e é conhecida por sua conduta ética e seu profundo
conhecimento do Direito. Por sua vez, Esmeralda pratica regularmente a advocacia há 10 anos.
Também é inconteste seu extenso conhecimento jurídico. A reputação ilibada de Esmeralda é
comprovada diariamente no corretíssimo exercício de sua função de tesoureira da Caixa de
Assistência de Advogados da Seccional da OAB na qual inscrita.
Sobre o caso narrado, assinale a afirmativa correta.
A) Nenhuma das advogadas deverá compor a lista a ser encaminhada ao Tribunal de Justiça.
B) Apenas Tereza e Esmeralda deverão compor a lista a ser encaminhada ao Tribunal de Justiça.
C) Apenas Gabriela deverá compor a lista a ser encaminhada ao Tribunal de Justiça.
D) Apenas Tereza deverá compor a lista a ser encaminhada ao Tribunal de Justiça.

GABARITO

LETRA A
Sobre o caso narrado, para alcançar a assertiva correta, algumas análises devem ser feitas.
Primeiramente, Tereza e Esmeralda não podem integrar a lista, eis que fazem parte do Conselho
Seccional da OAB (Tereza conselheira suplente e Esmeralda tesoureira da Caixa de Assistência
de Advogados). Conforme a Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da OAB), temos que:
Art. 58 – “Compete privativamente ao Conselho Seccional: [...] XIV – eleger as listas,
constitucionalmente previstas, para preenchimento dos cargos nos tribunais judiciários, no
âmbito de sua competência e na forma do Provimento do Conselho Federal, vedada a inclusão
de membros do próprio Conselho e de qualquer órgão da OAB” (Destaque do professor).
Em relação a Gabriela, a vedação encontra-se no artigo 5º do Provimento Nº 102/2004 (talvez a
questão seja passível de recurso, pois trata-se de provimento não indicado no edital do exame).
Gabriela possui apenas 6 anos de exercício profissional da advocacia (são exigidos 10). Nesse
sentido:

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Art. 5º - “Como condição para a inscrição no processo seletivo, com o pedido de inscrição o
candidato deverá comprovar o efetivo exercício profissional da advocacia nos 10 (dez) anos
anteriores à data do seu requerimento e, tratando-se de Tribunal de Justiça Estadual ou de
Tribunal Federal, concomitantemente, deverá comprovar a existência de sua inscrição, há mais
de 05 (cinco) anos, no Conselho Seccional abrangido pela competência do Tribunal Judiciário.
Parágrafo único. Não será admitida inscrição de advogado que possua mais de 65 (sessenta e
cinco) anos de idade na data da formalização do pedido. (NR)*”.

4) O advogado Carlos dirigiu-se a uma Delegacia de Polícia para tentar obter cópia de autos de
inquérito no âmbito do qual seu cliente havia sido intimado para prestar esclarecimentos. No
entanto, a vista dos autos foi negada pela autoridade policial, ao fundamento de que os autos
estavam sob segredo de Justiça. Mesmo após Carlos ter apresentado procuração de seu cliente,
afirmou o Delegado que, uma vez que o juiz havia decretado sigilo nos autos, a vista somente
seria permitida com autorização judicial.
Nos termos do Estatuto da Advocacia, é correto afirmar que
A) Carlos pode ter acesso aos autos de qualquer inquérito, mesmo sem procuração.
B) Carlos pode ter acesso aos autos de inquéritos sob segredo de Justiça, desde que esteja
munido de procuração do investigado.
C) em caso de inquérito sob segredo de Justiça, apenas o magistrado que decretou o sigilo
poderá afastar parcialmente o sigilo, autorizando o acesso aos autos pelo advogado Carlos.
D) o segredo de Justiça de inquéritos em andamento é oponível ao advogado Carlos, mesmo
munido de procuração.

GABARITO

LETRA B
Nos termos do Estatuto da Advocacia, é correto afirmar que Carlos pode ter acesso aos autos
de inquéritos sob segredo de Justiça, desde que esteja munido de procuração do investigado.
A alternativa correta é a letra “b", com fulcro no artigo 7º, inciso XIV combinado com §10º -
mesmo artigo - da Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da OAB).
Nesse sentido:
Art. 7º - “São direitos do advogado: XIV – examinar, em qualquer instituição responsável por
conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações de
qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar
peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital. § 10º Nos autos sujeitos a sigilo, deve o
advogado apresentar procuração para o exercício dos direitos de que trata o inciso XIV (Ver Lei
n. 13.245/ 2016)”.

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5) Tício, presidente de determinada Subseção da OAB, valendo-se da disciplina do Art. 50 da Lei


Federal nº 8.906/94 (Estatuto da OAB), pretende requisitar, ao cartório de certa Vara de Fazenda
Pública, cópias de peças dos autos de um processo judicial que não estão cobertas pelo sigilo.
Assim, analisou o entendimento jurisprudencial consolidado no Supremo Tribunal Federal sobre
o tema, a fim de apurar a possibilidade da requisição, bem como, caso positivo, a necessidade
de motivação e pagamento dos custos respectivos.
Diante da situação narrada, Tício estará correto ao concluir que
A) não dispõe de tal prerrogativa, pois o citado dispositivo legal foi declarado inconstitucional
pelo Supremo Tribunal Federal, uma vez que compete privativamente aos tribunais organizar as
secretarias e cartórios judiciais, não se sujeitando a requisições da OAB, por expressa disciplina
constitucional.
B) pode realizar tal requisição, pois o citado dispositivo legal foi declarado constitucional pelo
Supremo Tribunal Federal, independentemente de motivação e pagamento dos respectivos
custos.
C) pode realizar tal requisição, pois o Supremo Tribunal Federal, em sede de controle de
constitucionalidade, assegurou-a, desde que acompanhada de motivação compatível com as
finalidades da Lei nº 8.906/94 e o pagamento dos respectivos custos.
D) não dispõe de tal prerrogativa, pois ao citado dispositivo legal foi conferida, pelo Supremo
Tribunal Federal, interpretação conforme a Constituição Federal para excluir os presidentes de
Subseções, garantindo a requisição apenas aos Presidentes do Conselho Federal da OAB e dos
Conselhos Seccionais, desde que motivada.

GABARITO

LETRA C
Diante da situação narrada, Tício estará correto ao concluir que: pode realizar tal requisição,
pois o Supremo Tribunal Federal, em sede de controle de constitucionalidade, assegurou-a,
desde que acompanhada de motivação compatível com as finalidades da Lei nº 8.906/94 e o
pagamento dos respectivos custos.
Conforme manifestação do STF na ADI n°. 1.127-8, de 17-5-2006, “A requisição de cópias de
peças e documentos a qualquer tribunal, magistrado, cartório ou órgão da Administração
Pública direta, indireta ou fundacional pelos Presidentes do Conselho da OAB e das Subseções
deve ser motivada, compatível com as finalidades da lei e precedida, ainda, do recolhimento dos
respectivos custos, não sendo possível a requisição de documentos cobertos pelo sigilo. ” (ADI
1.127, Rel. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 17- 5-2006, Plenário, DJE de 11-
6-2010.).

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#2 Infrações e Sanções Disciplinares

1) O advogado Aureliano foi contratado por alguns herdeiros de José Arcádio para representá-
los em inventário judicial. Após dez anos, dá-se o trânsito em julgado da sentença que julgou a
partilha, ocasião em que os clientes solicitam a Aureliano que apresente as contas dos valores
que deles recebeu durante o período, referentes a custas e outras despesas processuais.
Todavia, por não desejar perder tempo com a elaboração do documento, Aureliano, que até
então possuía conduta profissional irretocável, deixa de oferecer as contas requeridas.
Assim, Aureliano cometeu infração disciplinar, sujeitando-se à sanção
A) de censura.
B) de suspensão.
C) de advertência.
D) de exclusão.

GABARITO

LETRA B
Tendo por base o caso hipotético narrado, é possível afirmar que Aureliano cometeu infração
disciplinar, sujeitando-se à sanção de suspensão.
Conforme estabelece a Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da OAB), Art. 34 – “Constitui
infração disciplinar: XXI – recusar-se, injustificadamente, a prestar contas ao cliente de quantias
recebidas dele ou de terceiros por conta dele”.
Art. 37 – “A suspensão é aplicável nos casos de: I – infrações definidas nos incisos XVII a XXV do
art. 34”

2) A advogada Dolores cometeu infração disciplinar sujeita à sanção de suspensão em


12/07/2004. Em 13/07/2008 o fato foi oficialmente constatado, tendo sido encaminhada notícia
a certo Conselho Seccional da OAB. Em 14/07/2010 foi instaurado processo disciplinar. Em
15/07/2012 foi aplicada definitivamente a sanção disciplinar de suspensão.
Sobre o tema, assinale a afirmativa correta.
A) A pretensão à punibilidade das infrações disciplinares prescreve em oito anos. No caso
narrado, não se operou o fenômeno prescritivo.
B) A pretensão à punibilidade das infrações disciplinares prescreve em cinco anos. No caso
narrado, operou-se o fenômeno prescritivo, pois decorridos mais de cinco anos entre a data do
fato e a instauração do processo disciplinar.

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C) A pretensão à punibilidade das infrações disciplinares prescreve em oito anos. No caso


narrado, operou-se o fenômeno prescritivo, pois decorridos mais de oito anos entre a data do
fato e a aplicação definitiva da sanção disciplinar.
D) A pretensão à punibilidade das infrações disciplinares prescreve em cinco anos. No caso
narrado, não se operou o fenômeno prescritivo.

GABARITO

LETRA D
Tendo em vista o caso hipotético narrado e considerando o que disciplina a Lei 8.906/94
(Estatuto da Advocacia e da OAB) é correto afirmar que a pretensão à punibilidade das infrações
disciplinares prescreve em cinco anos. No caso narrado, não se operou o fenômeno prescritivo.
A ausência do fenômeno prescritivo é constatada a partir da leitura do artigo 43 do Estatuto
supracitado, o qual estabelece que a pretensão à punibilidade das infrações disciplinares
prescreve em cinco anos, contados da data da constatação oficial do fato. O fato foi constatado
em 13/07/2008 e, portanto, não há que se falar em prescrição.
Nesse sentido:
Art. 43 – “A pretensão à punibilidade das infrações disciplinares prescreve em cinco anos,
contados da data da constatação oficial do fato.
§ 1º Aplica-se a prescrição a todo processo disciplinar paralisado por mais de três anos,
pendente de despacho ou julgamento, devendo ser arquivado de ofício, ou a requerimento da
parte interessada, sem prejuízo de serem apuradas as responsabilidades pela paralisação.
§ 2º A prescrição interrompe-se: I – pela instauração de processo disciplinar ou pela notificação
válida feita diretamente ao representado; II – pela decisão condenatória recorrível de qualquer
órgão julgador da OAB”.

3) Guilherme é advogado de José em ação promovida por este em face de Bruno, cujo advogado
é Gabriel. Na audiência de conciliação, ao deparar-se com Bruno, Guilherme o reconhece como
antigo amigo da época de colégio, com o qual havia perdido contato. Dias após a realização da
audiência, na qual foi frustrada a tentativa de conciliação, Guilherme se reaproxima de Bruno, e
com vistas a solucionar o litígio, estabelece entendimento sobre a causa diretamente com ele,
sem autorização de José e sem ciência de Gabriel.
Na situação narrada,
A) Guilherme cometeu infração disciplinar ao estabelecer entendimento com Bruno, tanto pelo
fato de não haver ciência de Gabriel, como por não haver autorização de José.
B) Guilherme cometeu infração disciplinar ao estabelecer entendimento com Bruno, pelo fato
de não haver ciência de Gabriel, mas não por não haver autorização de José.

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C) Guilherme cometeu infração disciplinar ao estabelecer entendimento com Bruno, pelo fato
de não haver autorização de José, mas não por não haver ciência de Gabriel.
D) Guilherme não cometeu infração disciplinar ao estabelecer entendimento com Bruno, sem
ciência de Gabriel ou autorização de José.

GABARITO

LETRA A
Na situação hipotética narrada, considerando a Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da OAB),
é correto afirmar que Guilherme cometeu infração disciplinar ao estabelecer entendimento com
Bruno, tanto pelo fato de não haver ciência de Gabriel, como por não haver autorização de José.
Nesse sentido:
Art. 34 – “Constitui infração disciplinar: [...] VIII – estabelecer entendimento com a parte adversa
sem autorização do cliente ou ciência do advogado contrário”.

4) Os advogados Ivan e Dimitri foram nomeados, por determinado magistrado, para prestarem
assistência jurídica a certo jurisdicionado, em razão da impossibilidade da Defensoria Pública.
As questões jurídicas debatidas no processo relacionavam-se à interpretação dada a um
dispositivo legal. Ivan recusou-se ao patrocínio da causa, alegando que a norma discutida
também lhe é aplicável, não sendo, por isso, possível que ele sustente em juízo a interpretação
legal benéfica à parte assistida e prejudicial aos seus próprios interesses. Dimitri também se
recusou ao patrocínio, pois já defendeu interpretação diversa da mesma norma em outro
processo.
Sobre a hipótese apresentada, é correto afirmar que
A) Ivan e Dimitri cometeram infração disciplinar, pois é vedado ao advogado recusar-se a prestar
assistência jurídica, sem justo motivo, quando nomeado em virtude de impossibilidade da
Defensoria Pública.
B) apenas Dimitri cometeu infração disciplinar, pois não se configura legítima a recusa por ele
apresentada ao patrocínio da causa, sendo vedado ao advogado, sem justo motivo, recusar-se
a prestar assistência jurídica, quando nomeado em virtude de impossibilidade da Defensoria
Pública.
C) apenas Ivan cometeu infração disciplinar, pois não se configura legítima a recusa por ele
apresentada ao patrocínio da causa, sendo vedado ao advogado, sem justo motivo, recusar-se
a prestar assistência jurídica, quando nomeado.
D) nenhum dos advogados cometeu infração disciplinar, pois se afiguram legítimas as recusas
apresentadas ao patrocínio da causa.

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GABARITO

LETRA D
Acerca do caso hipotético narrado e tendo por parâmetro o Código de Ética e Disciplina da OAB,
é correto afirmar que: nenhum dos advogados cometeu infração disciplinar, pois se afiguram
legítimas as recusas apresentadas ao patrocínio da causa.
Com fulcro no artigo 4º do Código de Ética e Disciplina da OAB. Nesse sentido:
Art. 4º - “O advogado vinculado ao cliente ou constituinte, mediante relação empregatícia ou
por contrato de prestação permanente de serviços, integrante de departamento jurídico, ou
órgão de assessoria jurídica, público ou privado, deve zelar pela sua liberdade e independência.
Parágrafo único. É legítima a recusa, pelo advogado, do patrocínio de pretensão concernente a
lei ou direito que também lhe seja aplicável, ou contrarie expressa orientação sua, manifestada
anteriormente”

5) A advogada Ana retirou de cartório os autos de determinado processo de conhecimento em


que representava a parte ré, para apresentar contestação. Protocolou a petição
tempestivamente, mas deixou de devolver os autos em seguida por esquecimento, só o fazendo
após ficar pouco mais de um mês com os autos em seu poder. Ao perceber que Ana não
devolvera os autos imediatamente após cumprir o prazo, o magistrado exarou despacho pelo
qual a advogada foi proibida de retirar novamente os autos do cartório em carga, até o final do
processo.
Nos termos do Estatuto da Advocacia, deve-se assentar quanto à sanção disciplinar que
A) não se aplica porque Ana não chegou a ser intimada a devolver os autos.
B) não se aplica porque Ana ficou menos de três meses com os autos em seu poder.
C) aplica-se porque Ana reteve abusivamente os autos em seu poder.
D) aplica-se porque Ana não poderia ter retirado os autos de cartório para cumprir o prazo
assinalado para contestação.

GABARITO

LETRA A
A sanção disciplinar não se aplica, isso porque Ana não chegou a ser intimada a devolver os
autos. A infração disciplinar que se aplica ao advogado que deixa de devolver os autos em
cartório só se concretiza após a intimação. É o que se entende da interpretação da infração (com
previsão no art. 34, XXII, da Lei 8.906/94 - Estatuto da Advocacia e da OAB) combinada com o
art. 7º, §1º, “3", da Lei 8.906/94 - Estatuto da Advocacia e da OAB).

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Nesse sentido:
Art. 34, XXII, Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da OAB) - Constitui infração disciplinar: XXII
– reter, abusivamente, ou extraviar autos recebidos com vista ou em confiança;
Art. 7º, § 1º, Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da OAB) - Não se aplica o disposto nos incisos
XV e XVI: 3) até o encerramento do processo, ao advogado que houver deixado de devolver os
respectivos autos no prazo legal, e só o fizer depois de intimado.

#3 Conselho Federal da OAB

1) Messias é advogado com mais de trinta anos de atuação profissional e deseja colaborar para
o aperfeiçoamento da advocacia. O Presidente da Seccional onde possui inscrição principal
sugere que ele participe da política associativa e lance sua candidatura a Conselheiro Federal.
Observadas as regras do Estatuto da OAB, assinale a afirmativa correta.
A) A eleição de Conselheiro Federal da OAB é indireta e secreta.
B) O Conselheiro Federal da OAB integra uma das chapas concorrentes para as eleições
seccionais.
C) A indicação para o Conselho Federal é realizada pelo Colégio de Presidentes da OAB
D) O Conselheiro Federal é indicado livremente pelas Seccionais da OAB.

GABARITO

LETRA B
O Conselheiro Federal da OAB integra uma das chapas concorrentes para as eleições seccionais.
Conforme o artigo 67, contido no capítulo VI (que regulamenta as eleições e mandatos) do
Estatuto da OAB, em especial o inciso V e o parágrafo único, temos que: V – será considerada
eleita a chapa que obtiver maioria simples dos votos dos Conselheiros Federais, presente a
metade mais 1 (um) de seus membros. (Ver Lei n. 11.179/2005) Parágrafo único. Com exceção
do candidato a Presidente, os demais integrantes da chapa deverão ser conselheiros federais
eleitos.

2) A respeito da competência do Conselho Federal da OAB, assinale a opção incorreta.


A) Compete ao Conselho Federal da OAB representar, em juízo ou fora dele, os interesses
coletivos ou individuais dos advogados
B) Compete ao Conselho Federal da OAB editar seu regimento interno e o regimento interno
das Seccionais da OAB.

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C) Compete ao Conselho Federal da OAB julgar, em grau de recurso, as questões decididas pelos
Conselhos Seccionais, nos casos previstos no EAOAB e no regulamento geral.
D) Compete ao Conselho Federal da OAB velar pela dignidade, independência, prerrogativas e
valorização da advocacia.

GABARITO

LETRA B
A alternativa que reflete uma competência equivocada do Conselho Federal da OAB é a letra
“b”, a qual prediz que “Compete ao Conselho Federal da OAB editar seu regimento interno e o
regimento interno das Seccionais da OAB”. Ora, conforme o Art. 58, I da Lei 8.906/94, temos
que: “Art. 58. Compete privativamente ao Conselho Seccional (destaque do professor): I – editar
seu Regimento Interno e Resoluções”.
Todas as outras alternativas estão corretas e têm amparo na Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia
e da OAB). Vejamos:
Alternativa “a”: “Compete ao Conselho Federal da OAB representar, em juízo ou fora dele, os
interesses coletivos ou individuais dos advogados”. Está correto, essa competência está prevista
no art. 54, II: “Art. 54. Compete ao Conselho Federal: II – representar, em juízo ou fora dele, os
interesses coletivos ou individuais dos advogados”;
Alternativa “c”: Compete ao Conselho Federal da OAB julgar, em grau de recurso, as questões
decididas pelos Conselhos Seccionais, nos casos previstos no EAOAB e no regulamento geral.
Correto. Art. 54, IX: “Art. 54. Compete ao Conselho Federal: IX – julgar, em grau de recurso, as
questões decididas pelos Conselhos Seccionais, nos casos previstos neste Estatuto e no
Regulamento Geral”.
Alternativa “d”: Compete ao Conselho Federal da OAB velar pela dignidade, independência,
prerrogativas e valorização da advocacia. Correto, conforme art. 54, III: “Art. 54. Compete ao
Conselho Federal: III – velar pela dignidade, independência, prerrogativas e valorização da
advocacia”.

3) As alternativas a seguir apresentam algumas das competências do Conselho Federal da


Ordem dos Advogados do Brasil, à exceção de uma. Assinale-a.
A) Representar, em juízo ou fora dele, os interesses coletivos dos advogados.
B) Velar pela dignidade, independência, prerrogativas e valorização da advocacia.
C) Representar, sem exclusividade, os advogados brasileiros nos órgãos e eventos internacionais
da advocacia.
D) Editar e alterar o Regulamento Geral, o Código de Ética e Disciplina, e os Provimentos que
julgar necessários.

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GABARITO

LETRA C
O art. 54 do Estatuto da Advocacia e da OAB enumera em seus 18 incisos as competências do
Conselho Federal da OAB. A afirmativa C está incorreta, pois é competência do Conselho
representar, com exclusividade, os advogados brasileiros nos órgãos e eventos internacionais
da advocacia. A afirmativa A corresponde ao inciso II; a alternativa B ao inciso III e a afirmativa
D corresponde ao inciso V.

4) Assinale a afirmativa que indica como ocorrerá, em havendo necessidade, a criação de novos
Conselhos Seccionais, de acordo com as normas do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia
e da OAB.
A) Por meio de Lei aprovada pelo Congresso Nacional.
B) Por meio de Medida Provisória Federal.
C) Por Provimento do Conselho Federal.
D) Por meio de Resolução do Conselho Federal

GABARITO

LETRA D
O Regulamento Geral estabelece em seu Art. 46 que os novos Conselhos Seccionais serão criados
mediante Resolução do Conselho Federal.

5) Caio é advogado que atua em três estados da federação, possuindo uma inscrição principal e
duas suplementares, tendo em vista o número elevado de causas que possui. Em decorrência
de conflitos ocorridos em função dos processos em que atua, foram instaurados três processos
disciplinares, um em cada seccional onde atua.
De acordo com as normas do Estatuto da Advocacia, a competência para julgamento desses
processos cabe ao
A) Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.
B) Conselho Seccional em que o advogado possui inscrição principal.
C) Conselho Seccional de cada infração disciplinar.
D) Conselho Nacional de Justiça.

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GABARITO

LETRA C
A competência para cumprir infrações disciplinares está prevista no art. 70 do Estatuto da
Advocacia e da OAB. Veja-se: Art. 70. O poder de punir disciplinarmente os inscritos na OAB
compete exclusivamente ao Conselho Seccional em cuja base territorial tenha ocorrido a
infração, salvo se a falta for cometida perante o Conselho Federal.

#4 Atividade de Advocacia

1) Os atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas, para sua admissão em registro, em não
se tratando de empresas de pequeno porte e de microempresas, consoante o Estatuto da
Advocacia, devem
A) apresentar os dados do contador responsável.
B) permitir a participação de outros profissionais liberais.
C) conter o visto do advogado.
D) indicar o advogado que representará a sociedade.

GABARITO

LETRA C
Conforme o Estatuto da Advocacia e da OAB (Lei n.º 8.906 de julho de 1994), os atos e contratos
constitutivos de pessoas jurídicas, sob pena de nulidade só podem ser admitidos à registro, nos
órgãos competentes, quando visados por advogados. Essa previsão também se encontra
expressa no Regulamento Geral. Portanto, conforme a legislação, temos:
Art. 1º, § 2º, Lei 8.906/94: “Os atos e contratos constitutivos de pessoas jurídicas, sob pena de
nulidade, só podem ser admitidos a registro, nos órgãos competentes, quando visados por
advogados”.
Art. 2º, Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB: “O visto do advogado em atos
constitutivos de pessoas jurídicas, indispensável ao registro e arquivamento nos órgãos
competentes, deve resultar da efetiva constatação, pelo profissional que os examinar, de que
os respectivos instrumentos preenchem as exigências legais pertinentes.
Cumpre destacar que, apesar de a questão não fazer nenhuma ressalva, há uma exceção a essa
hipótese, a qual encontra-se disciplinada na Lei Complementar 123/06 (Estatuto Nacional da
Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte), que dispensa a obrigatoriedade de os atos

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constitutivos de microempresas e empresas de pequeno porte serem visados por advogados.


Nesse sentido:
Art. 9, §2º: Não se aplica às microempresas e às empresas de pequeno porte o disposto no § 2º
do art. 1º da Lei no 8.906, de 4 de julho de 1994.

2) Patrícia foi aprovada em concurso público e tomou posse como Procuradora do Município
em que reside. Como não pretendia mais exercer a advocacia privada, mas apenas atuar como
Procuradora do Município, pediu o cancelamento de sua inscrição na OAB.
A partir da hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta.
A) Patrícia não agiu corretamente, pois os advogados públicos estão obrigados à inscrição na
OAB para o exercício de suas atividades.
B) Patrícia não agiu corretamente, pois deveria ter requerido apenas o licenciamento do
exercício da advocacia e não o cancelamento de sua inscrição.
C) Patrícia poderia ter pedido o licenciamento do exercício da advocacia, mas nada a impede de
pedir o cancelamento de sua inscrição, caso não deseje mais exercer a advocacia privada.
D) Patrícia agiu corretamente, pois, uma vez que os advogados públicos não podem exercer a
advocacia privada, estão obrigados a requerer o cancelamento de suas inscrições.

GABARITO

LETRA A
Patrícia agiu incorretamente pois, no exercício da função de procuradora municipal, estará
sujeita à inscrição na OAB. Nesse sentido:
Art. 3º, Lei 8.906/94: “O exercício da atividade de advocacia no território brasileiro e a
denominação de advogado são privativos dos inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil –
OAB.
§ 1º Exercem atividade de advocacia, sujeitando-se ao regime desta Lei, além do regime próprio
a que se subordinem, os integrantes da Advocacia-Geral da União, da Procuradoria da Fazenda
Nacional, da Defensoria Pública e das Procuradorias e Consultorias Jurídicas dos Estados, do
Distrito Federal, dos Municípios e das respectivas entidades de administração indireta e
fundacional”.

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3) Gisella é advogada recém-aprovada no Exame de Ordem e herda diversas causas de um


colega de classe que resolveu trilhar outros caminhos, deixando numerosos processos para
acompanhamento nos Juízos de primeiro grau. Ao acompanhar uma sessão de julgamento na
Câmara Cível do Tribunal W, tem necessidade de apresentar, antes de iniciar o julgamento,
alegações escritas aos integrantes do órgão julgador, que somente foram completadas no dia
da sessão. Aguardando o início dos trabalhos, assim que os julgadores se apresentaram para o
julgamento, a jovem advogada dirigiu-se a eles no sentido de entregar as alegações escritas,
sendo admoestada quanto à sua presença no interior da sala de julgamento, na parte reservada
aos magistrados.
Nos termos do Estatuto da Advocacia, o ingresso dos advogados nas salas de sessões
A) está restrito ao espaço da plateia.
B) depende de autorização do Presidente da Câmara.
C) é livre inclusive na parte reservada aos magistrados.
D) depende de concordância dos julgadores.

GABARITO

LETRA C
O ingresso dos advogados nas salas de sessões é livre, inclusive na parte reservada aos
magistrados. Trata-se de um dos “direitos do advogado” disciplinados no art. 7º do Estatuto da
Advocacia.
Assim, conforme artigo 7º, inciso VI, mais especificamente na letra “a”, do Estatuto da advocacia
e da OAB (Lei nº 8.906/94), tem-se que:
Art. 7º: “São direitos do advogado: VI – ingressar livremente: a) nas salas de sessões dos
tribunais, mesmo além dos cancelos que separam a parte reservada aos magistrados”.

4) Bernardo é bacharel em Direito, mas não está inscrito nos quadros da Ordem dos Advogados
do Brasil, apesar de aprovado no Exame de Ordem. Não obstante, tem atuação na área de
advocacia, realizando consultorias e assessorias jurídicas.
A partir da hipótese apresentada, nos termos do Regulamento Geral da Ordem dos Advogados
do Brasil, assinale a afirmativa correta.
A) Tal conduta é permitida, por ter o bacharel logrado aprovação no Exame de Ordem.
B) Tal conduta é proibida, por ser equiparada à captação de clientela.
C) Tal conduta é permitida mediante autorização do Presidente da Seccional da Ordem dos
Advogados do Brasil.

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D) Tal conduta é proibida, tendo em vista a ausência de inscrição na Ordem dos Advogados do
Brasil.

GABARITO

LETRA D
As realizações de consultorias e assessorias jurídicas constituem atos privativos da advocacia,
conforme art. 1º, II da Lei nº 8.906:
“Art. 1º São atividades privativas de advocacia:
II – as atividades de consultoria, assessoria e direção jurídicas.”
Ademais, segundo o art. 4º do Regulamento Geral da mesma lei, a prática de atos privativos de
advocacia, por profissionais e sociedades não inscritos na OAB, constitui exercício ilegal da
profissão:
“Art. 4º A prática de atos privativos de advocacia, por profissionais e sociedades não inscritos
na OAB, constitui exercício ilegal da profissão.
Parágrafo único. É defeso ao advogado prestar serviços de assessoria e consultoria jurídicas para
terceiros, em sociedades que não possam ser registradas na OAB”.
Apesar da aprovação de Bernardo no Exame da OAB, existe uma exigência legal para que o
mesmo esteja inscrito nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil caso queira exercer as
funções de advogado, conforme se depreende do art. 3º, caput, da lei em exame:
Art. 3º O exercício da atividade de advocacia no território brasileiro e a denominação de
advogado são privativos dos inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil – OAB.
Para atuar profissionalmente dentro da legalidade, basta que Bernardo faça inscrição nos
quadros da OAB, já que possui a aprovação no exame, condição necessária, conforme art. 8º, IV
do Estatuto:
Art. 8º Para inscrição como advogado é necessário: IV – aprovação em Exame de Ordem;

5) João é advogado da sociedade empresária X Ltda., atuando em diversas causas do interesse


da companhia. Ocorre que o controle da sociedade foi alienado para estrangeira, que resolveu
contratar novos profissionais em várias áreas, inclusive a jurídica. Por força dessa circunstância,
rompeu-se a avença entre o advogado e o seu cliente. Assim, João renunciou ao mandato em
todos os processos, comunicando formalmente o ato à cliente houve novo contrato com
renomado escritório de advocacia, que, em todos os processos, apresentou o instrumento
mandato antes do término do prazo legal à retirada do advogado anterior.
Na renúncia focalizada no enunciado, consoante o Estatuto da Advocacia, deve o advogado

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A) afastar-se imediatamente após a substituição por outro advogado.


B) funcionar como parecerista no processo pela continuidade da representação.
C) atuar em conjunto com o advogado sucessor por quinze dias.
D) aguardar dez dias para verificar a atuação dos seus sucessores.

GABARITO

LETRA A
Conforme a regra geral (art. 5º, §3º, Lei 8.906/94), o advogado que renuncia ao mandato deve
continuar, durante os dez dias seguintes à notificação da renúncia, a representar o mandante.
Todavia, existe uma exceção: se houve a apresentação de outro instrumento de mandato, por
parte do novo advogado, a substituição não precisa respeitar esse prazo estipulado.
Assim, segundo a Lei 8.906/94, temos:
“Art. 5º O advogado postula, em juízo ou fora dele, fazendo prova do mandato.
§ 3º O advogado que renunciar ao mandato continuará, durante os dez dias seguintes à
notificação da renúncia, a representar o mandante, salvo se for substituído antes do término
desse prazo”.
Cumpre destacar que, caso João tivesse abandonado a causa após a renúncia, mas sem que
houvesse a apresentação de outro mandato por parte do advogado contratado, estaria
infringindo a regra estipulada no parágrafo 3º do artigo 5º, da mencionada lei. Ademais, essa
atitude constituiria uma infração disciplinar, conforme estipulação do art. 34, inciso XI do
Estatuto da advocacia e da OAB:
Art. 34. Constitui infração disciplinar:
XI – abandonar a causa sem justo motivo ou antes de decorridos dez dias da comunicação da
renúncia;

#5 Conselho Seccional da OAB, Subseção e Caixa de Assistência aos


Advogados

1) As Subseções X e Y da OAB, ambas criadas pelo Conselho Seccional Z, reivindicam a


competência para desempenhar certa atribuição. Não obstante, o Conselho Seccional Z defende
que tal atribuição é de sua competência.
Caso instaurado um conflito de competência envolvendo as Subseções X e Y e outro envolvendo
a Subseção X e o Conselho Seccional Z, assinale a opção que relaciona, respectivamente, os
órgãos competentes para decidir os conflitos.

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A) O conflito de competência entre as subseções deve ser decidido pelo Conselho Seccional Z,
cabendo recurso ao Conselho Federal da OAB. Do mesmo modo, o conflito entre a Subseção X
e o Conselho Seccional Z será decidido pelo Conselho Seccional Z, cabendo recurso ao Conselho
Federal da OAB.
B) O conflito de competência entre as subseções deve ser decidido pelo Conselho Seccional Z,
cabendo recurso ao Conselho Federal da OAB. Já o conflito entre a Subseção X e o Conselho
Seccional Z será decidido, em única instância, pelo Conselho Federal da OAB.
C) Ambos os conflitos de competência serão decididos, em única instância, pelo Conselho
Federal da OAB.
D) O conflito de competência entre as subseções deve ser decidido, em única instância, pelo
Conselho Seccional Z. O conflito entre a Subseção X e o Conselho Seccional Z será decidido, em
única instância, pelo Conselho Federal da OAB.

GABARITO

LETRA A
Tendo em vista o caso hipotético narrado e caso instaurado um conflito de competência
envolvendo as Subseções X e Y e outro envolvendo a Subseção X e o Conselho Seccional Z, é
correto afirmar que o conflito de competência entre as subseções deve ser decidido pelo
Conselho Seccional Z, cabendo recurso ao Conselho Federal da OAB. Do mesmo modo, o conflito
entre a Subseção X e o Conselho Seccional Z será decidido pelo Conselho Seccional Z, cabendo
recurso ao Conselho Federal da OAB.
A assertiva correta é a contida na alternativa “a”, por força do artigo 119 do Regulamento Geral
do Estatuto da Advocacia e da OAB. Nesse sentido:
Art. 119 – “Os conflitos de competência entre subseções e entre estas e o Conselho Seccional
são por este decididos, com recurso voluntário ao Conselho Federal”.

2) Maria da Silva, advogada, apresenta requerimento ao Presidente da Seccional da OAB tendo


o seu pleito sido indeferido.
Nos termos do Estatuto da Advocacia, cabe recurso ao
A) Conselho Seccional da OAB.
B) Conselho Federal da OAB.
C) Presidente do Conselho Federal da OAB.
D) Presidente do Tribunal de Ética da OAB.

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GABARITO

LETRA A
Maria da Silva, enquanto advogada, pode recorrer do indeferimento do pleito ao Conselho
Seccional da OAB. Conforme leciona o art. 58 da Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da OAB),
em seu inciso III:
“Art. 58. Compete privativamente ao Conselho Seccional: III – julgar, em grau de recurso, as
questões decididas por seu Presidente, por sua diretoria, pelo Tribunal de Ética e Disciplina,
pelas diretorias das Subseções e da Caixa de Assistência dos Advogados”;

3) Carlos integrou a chapa de candidatos ao Conselho Seccional que obteve a maioria dos votos
válidos e tomou posse em 1º de janeiro do ano seguinte ao de sua eleição. Um ano após o início
do mandato, Carlos passou a ocupar um cargo de direção no Conselho de Administração de uma
empresa, controlada pela Administração Pública, sediada em outro estado da Federação.
Nesse caso, de acordo com o Estatuto da OAB, assinale a afirmativa correta.
A) Não se extingue o mandato de Carlos, pois a ocupação de cargo de direção em empresa
controlada pela Administração Pública, em estado da Federação distinto do abrangido pelo
Conselho Seccional, não configura incompatibilidade a ensejar o cancelamento de sua inscrição.
B) Extingue-se automaticamente o mandato de Carlos, pois a ocupação de cargo de direção em
empresa controlada pela Administração Pública, em qualquer circunstância, configura
incompatibilidade a ensejar o cancelamento de sua inscrição.
C) Extingue-se o mandato de Carlos mediante deliberação de dois terços dos membros do
Conselho Seccional, pois a ocupação de cargo de direção em empresa controlada pela
Administração Pública pode configurar incompatibilidade a ensejar o cancelamento de sua
inscrição.
D) Não se extingue o mandato de Carlos, pois a ocupação de cargo de direção em empresa
controlada pela Administração Pública, em qualquer circunstância, não configura
incompatibilidade a ensejar o cancelamento de sua inscrição.

GABARITO

LETRA B
Se um ano após o início do mandato, Carlos passou a ocupar um cargo de direção no Conselho
de Administração de uma empresa, controlada pela Administração Pública, sediada em outro
estado da Federação, com base na Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da OAB) é correto
afirmar que extingue-se automaticamente o mandato de Carlos, pois a ocupação de cargo de
direção em empresa controlada pela Administração Pública, em qualquer circunstância,
configura incompatibilidade a ensejar o cancelamento de sua inscrição.

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Primeiro, cumpre destacar que se trata de função incompatível com a advocacia, conforme
artigo 28, III. Nesse sentido:
Art. 28 – “A advocacia é incompatível, mesmo em causa própria, com as seguintes atividades: III
– ocupantes de cargos ou funções de direção em órgãos da Administração Pública direta ou
indireta, em suas fundações e em suas empresas controladas ou concessionárias de serviço
público”.
Por se tratar de atividade incompatível, aplica-se a hipótese de cancelamento previsto pelo
artigo 11, inciso IV. Nesse sentido:
Art. 11 – “Cancela-se a inscrição do profissional que: IV – passar a exercer, em caráter definitivo,
atividade incompatível com a advocacia”.
Haverá, portanto, extinção automática do mandato, conforme artigo 66, inciso I do mesmo
Estatuto:
Art. 66 – “Extingue-se o mandato automaticamente, antes do seu término, quando: I – ocorrer
qualquer hipótese de cancelamento de inscrição ou de licenciamento do profissional”.

4) Charles é presidente de certo Conselho Seccional da OAB. Não obstante, no curso do


mandato, Charles vê-se envolvido em dificuldades no seu casamento com Emma, e decide
renunciar ao mandato, para dedicar-se às suas questões pessoais.
Sobre o caso, assinale a afirmativa correta.
A) O sucessor de Charles deverá ser eleito pelo Conselho Federal da OAB, dentre os membros
do Conselho Seccional respectivo.
B) O sucessor de Charles deverá ser eleito pelo Conselho Seccional respectivo, dentre seus
membros.
C) O sucessor de Charles deverá ser eleito pela Subseção respectiva, dentre seus membros.
D) O sucessor de Charles deverá ser eleito por votação direta dos advogados regularmente
inscritos perante o Conselho Seccional respectivo.

GABARITO

LETRA B
Tendo em vista o caso hipotético narrado e considerando o que disciplina o Regulamento Geral
do Estatuto da Advocacia e da OAB acerca da questão, é correto afirmar que o sucessor de
Charles deverá ser eleito pelo Conselho Seccional respectivo, dentre seus membros, conforme
artigo 50 do regulamento. Assim, temos:

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Art. 50 – “Ocorrendo vaga de cargo de diretoria do Conselho Federal ou do Conselho Seccional,


inclusive do Presidente, em virtude de perda do mandato (art. 66 do Estatuto), morte ou
renúncia, o substituto é eleito pelo Conselho a que se vincule, dentre os seus membros”.

5) Fabiano é conselheiro eleito de certo Conselho Seccional da OAB. No curso do mandato,


Fabiano pratica infração disciplinar e sofre condenação, em definitivo, à pena de censura.
Considerando a situação descrita e o disposto no Estatuto da OAB, o mandato de Fabiano no
Conselho Seccional
A) será extinto, apenas se a sanção disciplinar aplicada for de exclusão.
B) será extinto, apenas se a sanção por infração disciplinar aplicada for de exclusão ou de
suspensão.
C) será extinto, independentemente da natureza da sanção disciplinar aplicada.
D) será extinto, apenas se a sanção aplicada for de suspensão ou se for reincidente em infração
disciplinar.

GABARITO

LETRA C
A regulamentação acerca das consequências de uma condenação disciplinar durante um
mandato está na Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia e da OAB), em especial no artigo 66, inciso
II. Assim, considerando a situação descrita e o disposto no Estatuto da OAB, o mandato de
Fabiano no Conselho Seccional será extinto, independentemente da natureza da sanção
disciplinar aplicada. Nesse sentido:
Art. 66 – “Extingue-se o mandato automaticamente, antes do seu término, quando: [...] II – o
titular sofrer condenação disciplinar”.

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FILOSOFIA

1) A partir da leitura de Aristóteles (Ética a Nicômaco), assinale a alternativa que corresponde à


classificação de justiça constante do texto:
“... uma espécie é a que se manifesta nas distribuições de honras, de dinheiro ou das outras
coisas que são divididas entre aqueles que têm parte na constituição (pois aí é possível receber
um quinhão igual ou desigual ao de um outro)...”
A) Justiça Natural.
B) Justiça Comutativa.
C) Justiça Corretiva.
D) Justiça Distributiva.

GABARITO

LETRA D
No trecho supracitado Aristóteles está se referindo à Justiça Distributiva. Trata-se do momento
em que ele, na obra, faz distinção entre a Justiça Corretiva e a Justiça Distributiva. Nesse sentido:
“Da justiça particular e do que é justo no sentido correspondente, (A uma espécie é a que se
manifesta nas distribuições de honras, de dinheiro ou das outras coisas que são divididas entre
aqueles que têm parte na constituição (pois aí é possível receber um quinhão igual ou desigual
ao de um outro); e (B) outra espécie é aquela que desempenha um papel corretivo nas
transações entre indivíduos. Desta última há duas divisões: dentre as transações, (1) algumas
são voluntárias, e (2) outras são involuntárias — voluntárias, por exemplo, as compras e vendas,
os empréstimos para consumo, as arras, o empréstimo para uso, os depósitos, as locações
(todos estes são chamados voluntários porque a origem das transações é voluntária); ao passo
que das involuntárias, (a) algumas são clandestinas, como o furto, o adultério, o
envenenamento, o lenocínio, o engodo a fim de escravizar, o falso testemunho, e (b) outras são
violentas, como a agressão, o sequestro, o homicídio, o roubo a mão armada, a mutilação, as
invectivas e os insultos" .

Fonte:
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco: Livro 1. 4. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1991. (Os
Pensadores; v. 2). Tradução de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim da versão inglesa de W. D.
Ross.

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2) Na sua mais importante obra, a Summa Theologica, Santo Tomás de Aquino trata os conceitos
de justiça comutativa e de justiça distributiva de uma tal maneira, que eles passariam a ser
largamente utilizados na Filosofia do Direito.
Assinale a opção que apresenta esses conceitos, conforme expostos na obra citada.
A) A Justiça Comutativa regula as relações mútuas entre pessoas privadas e a Justiça Distributiva
regula a distribuição proporcional dos bens comuns.
B) A Justiça Distributiva destina-se a minorar o sofrimentos das pessoas e a Justiça Comutativa
regula os contratos de permuta de mercadorias.
C) a Justiça Comutativa trata da redução ou diminuição das penas (sanção penal) e a Justiça
Distributiva da distribuição justa de taxas e impostos.
D) A Justiça Comutativa regula a relação entre súditos e governante e a Justiça Distributiva trata
das relações entre diferentes povos, também chamadas de direito das gentes.

GABARITO

LETRA A
Tendo por parâmetro os conceitos de justiça comutativa e de justiça distributiva estabelecidos
por Santo Tomás de Aquino na obra Summa Theologica, é correto afirmar que a Justiça
Comutativa regula as relações mútuas entre pessoas privadas e a Justiça Distributiva regula a
distribuição proporcional dos bens comuns.
Conforme esclarece BITTAR (1998), “Categoria de relevo dentro da doutrina tomista é aquela
atinente à diferenciação entre Justiça comutativa e distributiva. A primeira é responsável pela
regulação das relações entre particulares, entre as partes individuais componentes da esfera
maior da sociedade. A segunda coordena o relacionamento da parte com o todo, de modo a
atribuir a cada parte o que lhe é devido segundo seu mérito, capacidade ou participação dentro
da sociedade”.
Segundo o próprio Aquino, “la justicia particular se ordena a una persona privada, que en
relación con la comunidad es como la parte al todo. Ahora bien: cualquier parte puede ser
considerada en uma doble relación; una, en la de parte a parte, a la que corresponde el orden
de uma persona privada a otra, y este orden lo dirige la justicia conmutativa, que consiste en los
cambios que mutuamente tienen lugar entre dos personas. La outra relación considerada es la
del todo respecto a las partes; y a esta relación se asemeja el orden al que pertenece el aspecto
de la comunidad en relación com cada una de las personas; este orden, ciertamente, lo dirige la
justicia distributiva, que es la que distribuye proporcionalmente los bienes comunes. De ahí que
sean dos las especies de justicia: la distributiva y la conmutativa”.
Fontes: BITTAR, Eduardo Carlos Bianca. Direito e Justiça em São Tomás de Aquino. Revista da
Faculdade de Direito, Universidade de São Paulo, São Paulo, v. 93, p. 339-359, jan. 1998. ISSN
2318-8235. Disponível em: . Acesso em: 17 sep. 2016. doi:http://dx.doi.org/10.11606/issn.2318-
8235.v93i0p339-359.

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3) “O direito não é uma simples ideia, é uma força viva.”


(Rudolf von Ihering)
Em seu texto “A Luta pelo Direito”, o jurista alemão Rudolf von Ihering apresenta o conceito de
direito a partir da ideia de luta social.
Assinale a afirmativa que expressa o sentido que, no trecho citado, Ihering confere ao direito.
A) Trabalho incessante e uma luta sem tréguas nos quais participam o Poder Público e toda a
população, isto é, qualquer pessoa que se veja na contingência de ter de afirmar seu direito.
B) Uma luta permanente que é travada por parlamentares no âmbito da arena legislativa, que o
fazem em nome da população a partir das eleições que configuram o processo democrático de
legitimação popular.
C) O resultado dinâmico da jurisprudência que cria e recria o direito a partir das demandas de
cada caso concreto, adaptando a lei ao mundo real.
D) O produto das relações industriais e comerciais que são livremente travadas por agentes
econômicos, trabalhadores e empregadores e que definem, no contexto de uma luta concreta,
o sentido próprio das leis.

GABARITO

LETRA A
Conforme Rudolf von Ihering, “Todo o direito do mundo foi assim conquistado, todo
ordenamento jurídico que se lhe contrapôs teve de ser eliminado e todo direito, assim como o
direito de um povo ou o de um indivíduo, teve de ser conquistado com luta. O direito não é
mero pensamento, mas sim força viva. Por isso, a Justiça segura, numa das mãos, a balança, com
a qual pesa o direito, e na outra a espada, com a qual o defende. A espada sem a balança é a
força bruta, a balança sem a espada é a fraqueza do direito. Ambas se completam e o verdadeiro
estado de direito só existe onde a força, com a qual a Justiça empunha a espada, usa a mesma
destreza com que maneja a balança. O direito é um labor contínuo, não apenas dos governantes,
mas de todo o povo. A vida inteira do direito, vista de relance, mostra-nos o mesmo espetáculo
sem descanso e o trabalho de uma nação, que se baseia no que oferece a produção econômica
e intelectual”.
A assertiva que melhor se enquadra ao pensamento do autor, portanto, é a letra “a”, segundo
a qual o direito é um “Trabalho incessante e uma luta sem tréguas nos quais participam o Poder
Público e toda a população, isto é, qualquer pessoa que se veja na contingência de ter de afirmar
seu direito”.
Fonte: IHERING, Rudolf Von. A luta pelo direito. São Paulo: Rideel, 2005.

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4) O raciocínio analógico é típico do pensamento jurídico. Esse é um tema debatido por vários
teóricos e filósofos do Direito. Para Norberto Bobbio, na obra Teoria do Ordenamento Jurídico,
trata-se de um método de autointegração do Direito. Assinale a opção que, segundo esse autor,
apresenta o conceito de analogia.
A) Subsunção de um caso (premissa menor) a uma norma jurídica (premissa maior) de forma a
permitir uma conclusão lógica e necessária.
B) Existindo relevante semelhança entre dois casos, as consequências jurídicas atribuídas a um
caso já regulamentado deverão ser atribuídas também a um caso não-regulamentado.
C) Raciocínio em que se produz, como efeito, a extensão de uma norma jurídica para casos não
previstos por esta.
D) Decisão, por meio de recurso, às práticas sociais que sejam uniformes e continuadas e que
possuam previsão de necessidade jurídica.

GABARITO

LETRA B
Segundo BOBBIO (1995), A auto-integração consiste na integração cumprida através do mesmo
ordenamento, no âmbito da mesma fonte dominante, sem recorrência a outros ordenamentos
e com o mínimo recurso a fontes diversas da dominante. Para BOBBIO, “Entende-se por analogia
o procedimento pelo qual se atribui a um caso não-regulamentado a mesma disciplina que a um
caso regulamentado semelhante. A analogia é certamente o mais típico e o mais importante dos
procedimentos interpretativos de um determinado sistema normativo: é o procedimento
mediante o qual se explica a assim chamada tendência de cada ordenamento jurídico a
expandir-se além dos casos expressamente regulamentados. É também conhecida como
argumentum a simili ou técnica da analogia legis”.
Fonte:
BOBBIO, Norberto. Teoria do ordenamento jurídico. 6ª ed. Brasília: Editora UNB, 1995.

5) Segundo o Art. 1.723 do Código Civil, “É reconhecida como entidade familiar a união estável
entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e
estabelecida com o objetivo de constituição de família”. Contudo, no ano de 2011, os ministros
do Supremo Tribunal Federal (STF), ao julgarem a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.277 e
a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 132, reconheceram a união estável
para casais do mesmo sexo.
A situação acima descrita pode ser compreendida, à luz da Teoria Tridimendional do Direito de
Miguel Reale, nos seguintes termos:

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A) uma norma jurídica, uma vez emanada, sofre alterações semânticas pela superveniência de
mudanças no plano dos fatos e valores.
B) toda norma jurídica é interpretada pelo poder discricionário de magistrados, no momento
em que estes transformam a vontade abstrata da lei em norma para o caso concreto.
C) o fato social é que determina a correta compreensão do que é a experiência jurídica e, por
isso, os costumes devem ter precedência sobre a letra fria da lei.
D) o ativismo judicial não pode ser confundido com o direito mesmo. Juízes não podem impor
suas próprias ideologias ao julgarem os casos concretos.

GABARITO

LETRA A
Analisando a questão:
Tendo em vista o enunciado e o julgado do STF, interpretando a situação com base na Teoria
Tridimendional do Direito de Miguel Reale, temos que:
Segundo Miguel Reale (p. 567), leis há (e estamos aqui dando preferência ao estudo das leis ou
normas legais, apenas para facilidade de exposição, sendo, no entanto, as observações válidas
para todas as espécies de normas jurídicas) leis há, sem dúvida, que, durante todo o período de
sua vigência, sofrem pequenas alterações semânticas, mantendo quase intocável a sua
conotação originária. Isto ocorre quando não se verifica mudança de relevo na tábua dos valores
sociais, nem inovações de monta no concernente aos suportes fáticos.
Para REALE (p. 568), Tais alterações na semântica normativa podem resultar: a) do impacto de
valorações novas, ou de mutações imprevistas na hierarquia dos valores dominantes; b) da
superveniência de fatos que venham modificar para mais ou para menos os dados da incidência
normativa; c) da intercorrência de outras normas, que não revogam propriamente uma regra
em vigor, mas interferem no seu campo ou linha de interpretação; d) da conjugação de dois ou
até mesmo dos três fatores acima discriminados.
Tendo em vista as lições de Miguel Reale e considerando as assertivas, é correto afirmar que
“uma norma jurídica, uma vez emanada, sofre alterações semânticas pela superveniência de
mudanças no plano dos fatos e valores".
Fonte:
REALE, Miguel. Filosofia do Direito. 19 ed. São Paulo: Saraiva, 2002.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

6) Segundo o filósofo Immanuel Kant, em sua obra Fundamentação da Metafísica dos Costumes,
a ideia de dignidade humana é entendida
A) como qualidade própria de todo ser vivo que é capaz de sentir dor e prazer, isto é,
característica de todo ser senciente.
B) quando membros de uma mesma espécie podem ser considerados como equivalentes e,
portanto, iguais e plenamente cooperantes se eles possuem dignidade.
C) como valor jurídico que se atribui às pessoas como característica de sua condição de sujeitos
de direitos.
D) como algo que está acima de todo o preço, pois quando uma coisa tem um preço pode-se
pôr em vez dela qualquer outra como equivalente; mas quando uma coisa está acima de todo o
preço, e portanto não permite equivalência, então ela tem dignidade.

GABARITO

LETRA D
Analisando a questão:
Para Kant (p.32), “No reino dos fins tudo tem um PREÇO ou uma DIGNIDADE. Uma coisa que
tem um preço pode ser substituída por qualquer outra coisa equivalente; pelo contrário, o que
está acima de todo preço e, por conseguinte, o que não admite equivalente, é o que tem uma
dignidade".
Portanto, segundo o filósofo Immanuel Kant, em sua obra Fundamentação da Metafísica dos
Costumes, a ideia de dignidade humana é entendida como algo que está acima de todo o preço,
pois quando uma coisa tem um preço pode-se pôr em vez dela qualquer outra como
equivalente; mas quando uma coisa está acima de todo o preço, e portanto não permite
equivalência, então ela tem dignidade.
Fonte:
KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Tradução de Antônio Pinto de
Carvalho Companhia Editora Nacional.

7) “A solução do conflito aparente de normas dá-se, na hipótese, mediante a incidência do


critério da especialidade, segundo o qual prevalece a norma específica sobre a geral.”
É conhecida a distinção no âmbito da Teoria do Direito entre antinomias aparentes (ou
antinomias solúveis) e antinomias reais (ou antinomias insolúveis).
Para o jusfilósofo Norberto Bobbio, uma antinomia real se caracteriza quando estamos diante

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A) de duas normas colidentes que pertencem a ordenamentos jurídicos diferentes.


B) de normas que colidem entre si, porém essa colisão é solúvel mediante a aplicação do critério
cronológico, do critério hierárquico ou do critério de especialidade.
C) de normas colidentes e o intérprete é abandonado a si mesmo pela falta de um critério ou
pela impossibilidade de solução do conflito entre os critérios existentes.
D) de duas ou mais normas que colidem entre si e que possuem diferentes âmbitos de validade
temporal, espacial, pessoal ou material.

GABARITO

LETRA C
Segundo Norberto Bobbio (1995, p. 92), “há casos de antinomias nos quais não se pode aplicar
nenhuma das regras pensadas para a solução. Há casos em que se podem aplicar ao mesmo
tempo duas ou mais regras em conflito entre si. Chamamos as antinomias solúveis de
aparentes;chamamos as insolúveis de reais. Diremos, portanto, que as antinomias reais são
aquelas em que o intérprete é abandonado a si mesmo ou pela falta de um critério ou por
conflito entre os critérios dados”.
Portanto, a alternativa correta é a letra “c”. Uma antinomia real se caracteriza quando estamos
diante de normas colidentes e o intérprete é abandonado a si mesmo pela falta de um critério
ou pela impossibilidade de solução do conflito entre os critérios existentes.
FONTE:
BOBBIO, Norberto. Teoria do ordenamento jurídico. 6. Ed. 1995. Brasília: Editora Universidade
de Brasília.

8) Segundo o jusfilósofo alemão Karl Larenz, os textos jurídicos são problematizáveis porque
estão redigidos em linguagem corrente ou em linguagem especializada, mas que, de todo modo,
contêm expressões que apresentam uma margem de variabilidade de significação. Nesse
sentido, assinale a opção que exprime o pensamento desse autor acerca da ideia de
interpretação da lei.
A) Deve-se aceitar que os textos jurídicos apenas carecem de interpretação quando surgem
particularmente como obscuros, pouco claros ou contraditórios.
B) Interpretar um texto significa alcançar o único sentido possível de uma norma conforme a
intenção que a ela foi dada pelo legislador.
C) Os textos jurídicos, em princípio, são suscetíveis e carecem de interpretação porque toda
linguagem é passível de adequação a cada situação.
D) A interpretação dada por uma autoridade judicial a uma lei é uma conclusão logicamente
vinculante que, por isso mesmo, deve ser repetida sempre que a mesma lei for aplicada.

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GABARITO

LETRA C
Acerca da ideia de interpretação jurídica em Karl Larenz, importante destacar uma de suas
principais obras: “Metodologia da ciência do direito”. Nesta obra, em um tópico cujo título é “A
Jurisprudência como ciência «compreensiva»”, o autor tece considerações condizentes com a
assertiva da alternativa “c”, segundo a qual os textos jurídicos, em princípio, são suscetíveis e
carecem de interpretação porque toda linguagem é passível de adequação a cada situação.
Segundo Larenz (1997, p. 283), “Os textos jurídicos são problematizáveis deste modo porque
estão redigidos em linguagem corrente, ou então numa linguagem especializada a eles
apropriada, cujas expressões - com ressalva de números, nomes próprios e determinados
termos técnicos - apresentam uma margem de variabilidade de significação que torna possível
inúmeros cambiantes de significação. É precisamente na profusão de tais cambiantes que se
estriba a riqueza expressiva da linguagem e a sua susceptibilidade de adequação a cada situação.
Seria deste modo um erro aceitar-se que os textos jurídicos só carecem de interpretação quando
surgem como particularmente «obscuros», «pouco claros» ou «contraditórios»; pelo contrário,
em princípio todos os textos jurídicos são susceptíveis e carecem de interpretação”.
FONTE: LARENZ, Karl. Metodologia da ciência do direito. 3ª edição. Tradução de José Lamego.
Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa, 1997.

9) Hans Kelsen, ao abordar o tema da interpretação jurídica no seu livro Teoria Pura do Direito,
fala em ato de vontade e ato de conhecimento. Em relação à aplicação do Direito por um órgão
jurídico, assinale a afirmativa correta da interpretação.
A) Prevalece como ato de conhecimento, pois o Direito é atividade científica e, assim, capaz de
prover precisão técnica no âmbito de sua aplicação por agentes competentes.
B) Predomina como puro ato de conhecimento, em que o agente escolhe, conforme seu arbítrio,
qualquer norma que entenda como válida e capaz de regular o caso concreto.
C) A interpretação cognoscitiva combina-se a um ato de vontade em que o órgão aplicador
efetua uma escolha entre as possibilidades reveladas por meio da mesma interpretação
cognoscitiva.
D) A interpretação gramatical prevalece como sendo a única capaz de revelar o conhecimento
apropriado da mens legis.

GABARITO

LETRA C
Para Hans Kelsen, na aplicação do Direito por um órgão jurídico, a interpretação cognoscitiva -
que é aquela obtida por uma operação de conhecimento – do Direito a aplicar combina-se com

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

um ato de vontade em que o órgão aplicador do Direito efetua uma escolha entre as
possibilidades reveladas através daquela mesma interpretação cognoscitiva. Com este ato, ou
se produz uma norma de escalão inferior, ou é executado um ato de coerção estatuído da norma
jurídica que se está aplicando (KELSEN, p. 394).
Importante destacar que, para Kelsen, é esse ato de vontade que distingue a interpretação
jurídica feita pelo órgão aplicador do Direito de toda e qualquer outra interpretação. Isso porque
a interpretação feita pelo órgão aplicador do Direito é sempre autêntica, isto é, criadora de
Direito.
É autêntica a interpretação feita por um órgão aplicador do direito ainda quando cria Direito
apenas para o caso concreto, quer dizer, segundo Kelsen, quando esse órgão apenas cria uma
norma individual ou executa uma sanção (KELSEN, p. 394).
FONTE: KELSEN, Hans. Teoria Pura do Direito. 8ª edição; 3ª triagem. São Paulo: Editora WMF
Martins Fontes, 2012.

10) “Mister é não olvidar que a compreensão do direito como 'fato histórico-cultural' implica o
conhecimento de que estamos perante uma realidade essencialmente dialética, isto é, que não
é concebível senão como 'processus', cujos elementos ou momentos constitutivos são fato,
valor e norma (...)"
(Miguel Reale, in Teoria Tridimensional do Direito)
Assinale a opção que corretamente explica a natureza da dialética de complementaridade que,
segundo Miguel Reale, caracteriza a Teoria Tridimensional do Direito.
A) A relação entre os polos opostos que são o fato, a norma e o valor, produz uma síntese
conclusiva entre tais polos.
B) A implicação dos opostos na medida em que se desoculta e se revela a aparência da
contradição, sem que, com esse desocultamento, os termos cessem de ser contrários.
C) A síntese conclusiva que se estabelece entre diferentes termos, conforme o modelo hegeliano
de tese, antítese e síntese.
D) A estrutura estática que resulta da lógica de subsunção entre os três termos que constituem
a experiência jurídica: fato, norma e valor.

GABARITO

LETRA B
Na compreensão do direito como “fato histórico-cultural”, segundo Miguel Reale, ressalta-se a
necessidade de perceber a nossa inserção em uma realidade dialética. Acontece que, nesse
âmbito dialético, apesar da “descoberta inevitável de lados opostos” que se revelam
(desocultam) em aparente contradição, não há que se falar em conflito no sentido de

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independência. Na verdade, há de se falar em uma interdependência. Esses lados opostos,


segundo REALE (p. 72) estão em mútua e necessária relação. Nesse sentido:
“Dessa colocação do problema resulta o caráter dialético do conhecimento, que é sempre de
natureza relacional, aberto sempre a novas possibilidades de síntese, sem que esta jamais se
conclua, em virtude da essencial irredutibilidade dos dois termos relacionados ou relacionáveis.
É a esse tipo de dialética, que denomina dialética de complementaridade, da qual a dialética dos
opostos, de tipo marxista ou hegeliano, não é senão uma expressão particular, com as
modificações resultantes da análise fenomenológica de seus termos, notadamente para se
desfazer a confusão entre contrários e contraditórios. No âmbito da dialética de
complementaridade, dá-se a implicação dos opostos na medida em que se desoculta e se revela
a aparência da contradição, sem que com este desocultamento os termos cessem de ser
contrários, cada qual idêntico a si mesmo e ambos em mútua e necessária correlação.
É sobretudo no mundo dos valores e da praxis que mais se evidencia a existência de certos
aspectos da realidade humana que não podem ser determinados sem serem referidos a outros
aspectos distintos, funcionais, ou até mesmo opostos, mas ainda sim essencialmente
complementares. Tal correlação de implicação não pode jamais se resolver mediante a redução
de uns aspectos nos outros: na unidade concreta da relação instituída, tais aspectos mantém-se
distintos e irredutíveis, daí resultando a sua dialeticidade, através de sínteses relacionais
progressivas que traduzem a crescente e sempre renovada interdependência dos elementos
que nela se integram.” (REALE, p. 72)
Fonte: MIGUEL REALE, Teoria Tridimensional do Direito, São Paulo, 1994.

11) O Art. 126 do CPC afirma que o juiz não se exime de sentenciar ou despachar alegando
lacuna ou obscuridade da lei. A questão das lacunas também é recorrente no âmbito dos estudos
da Filosofia e da Teoria Geral do Direito. O jusfilósofo Norberto Bobbio, no livro Teoria do
Ordenamento Jurídico apresenta um estudo sobre essa questão. O autor denomina por lacuna
ideológica a falta de uma norma
A) O Art. 126 do CPC afirma que o juiz não se exime de sentenciar ou despachar alegando lacuna
ou obscuridade da lei. A questão das lacunas também é recorrente no âmbito dos estudos da
Filosofia e da Teoria Geral do Direito. O jusfilósofo Norberto Bobbio, no livro Teoria do
Ordenamento Jurídico apresenta um estudo sobre essa questão. O autor denomina por lacuna
ideológica a falta de uma norma
B) justa, que enseje uma solução satisfatória ao caso concreto.
C) que atenda às convicções ideológicas pessoais do juiz.
D) costumeira, que tenha surgido de práticas sociais inspiradas nos valores vigentes.

GABARITO

LETRA B

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Para Norberto Bobbio, a lacuna ideológica representa a falta de uma norma justa, que enseje
uma solução satisfatória ao caso concreto. Conforme o politólogo e jusfilósofo:
“Entende-se também por ‘lacuna’ a falta não já de uma solução, qualquer que seja ela, mas de
uma solução satisfatória, ou, em outras palavras, não já a falta de uma norma, mas a falta de
uma norma justa, isto é, de uma norma que se desejaria que existisse, mas que não existe. Uma
vez que essas lacunas derivam não da consideração do ordenamento jurídico como ele é, mas
da comparação entre o ordenamento jurídico como ele é e como deveria ser, foram chamadas
de “ideológicas”, para distingui-las daquelas que eventualmente se encontrassem no
ordenamento jurídico como ele é, e se podem chamar de reais” (Teoria do Ordenamento
Jurídico, página 140).
Fonte: BOBBIO, Norberto. Teoria do ordenamento jurídico. 10. ed. Brasília: Editora Universidade
de Brasília, 1999. 184 p.

12) Rudolf Von Ihering, em A Luta pelo Direito, afirma que “ O fim do direito é a paz, o meio de
atingi-lo,a luta.” Assinale a afirmativa que melhor expressa o pensamento desse autor
A) O Direito de uma sociedade é a expressão dos conflitos sociais desta sociedade, e ele resulta
de uma luta de pessoas e grupos pelos seus próprios direitos subjetivos. Por isso, o Direito é
uma força viva e não uma ideia.
B) O Direito é o produto do espírito do povo que é passado de geração em geração. Por isso,
quando se fala em Direito, é preciso sempre olhar para a história e as lutas sociais. O Direito
Romano é a melhor expressão desse processo.
C) O Direito é parte da infraestrutura da sociedade e resulta de um processo de luta de classes,
em que a classe dominante o usa para manter o controle sobre os dominados.
D) O Direito resulta da ação institucional do Estado, e no parlamento são travadas as lutas
políticas que definem os direitos subjetivos de uma sociedade.

GABARITO

LETRA A
A ideia de direito como “força viva" é bem delimitada por Ihering em “A Luta pelo Direito". Para
o autor, “A idéia do direito encerra uma antítese que se origina nesta idéia, da qual jamais se
pode, absolutamente, separar: a luta e a paz; a paz é o termo do direito, a luta é o meio de obtê-
lo". Portanto, só se alcança a paz (fim último do direito) por meio da luta.
Ainda, para enfatizar essa ideia, temos que:
“Esta luta perdurará tanto como o mundo, porque o direito terá de precaver-se sempre contra
os ataques da injustiça. A luta não é, pois, um elemento estranho ao direito, mas sim uma parte
integrante de sua natureza e uma condição de sua ideia. Todo direito no mundo foi adquirido
pela luta; esses princípios de direito que estão hoje em vigor foi indispensável impô-los pela luta

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àqueles que não os aceitavam; assim, todo o direito, tanto o de um povo, como o de um
indivíduo, pressupõe que estão o indivíduo e o povo dispostos a defendê-lo. O direito não é uma
idéia lógica, porém idéia de força; é a razão porque a justiça, que sustenta em uma das mãos a
balança em que pesa o direito, empunha na outra a espada que serve para fazê-lo valer. A
espada sem a balança é a força bruta, a balança sem a espada é o direito impotente; completam-
se mutuamente: e, na realidade, o direito só reina quando a força dispendida pela justiça para
empunhar a espada corresponde à habilidade que emprega em manejar a balança" (IHERING,
p. 22).
Fonte: IHERING, Rudolf Von. A luta pelo direito. Versão para ebook. Ano: 2000. 64 páginas.

13) Na Doutrina do Direito, Kant busca um conceito puramente racional e que possa explicar o
direito independentemente da configuração específica de cada legislação. Mais precisamente,
seria o direito entendido como expressão de uma razão pura prática, capaz de orientar a
faculdade de agir de qualquer ser racional.
Assinale a opção que contém, segundo Kant, essa lei universal do direito.
A) Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de qualquer
outro, sempre e simultaneamente como fim, e nunca como meio.
B) Age exteriormente, de modo que o livre uso de teu arbítrio possa se conciliar com a liberdade
de todos, segundo uma lei universal.
C) Age como se a máxima de tua ação se devesse tornar, pela tua vontade, lei universal da
natureza.
D) Age de forma que conserves sempre a tua liberdade, ainda que tenhas de resistir à liberdade
alheia.

GABARITO

LETRA B
De acordo com a doutrina liberal/individualista kantiana, pode-se dizer que o indivíduo só tem
liberdade (exteriormente falando) dentro da lei. Pois esta estabelece a existência de convenções
e de contratos. Portanto, somente se adquire liberdade “dentro da lei”, eis que, assim, o
indivíduo está obrigado a observar uma lei da qual ele mesmo é o legislador. Os indivíduos criam
as suas leis (morais ou jurídicas), e só por elas estão limitados.
Sem o império da lei, o indivíduo sujeita-se ao arbítrio dos outros indivíduos. Dentro dela,
contudo, sua liberdade está assegurada, vez que os outros indivíduos somente poderão agir
exteriormente de modo a não ferir a sua liberdade de ação, segundo uma lei universal.
Nesse sentido, Immanuel Kant, esclarece que a "liberdade, à qual se referem as leis jurídicas,
pode ser tão somente a liberdade na prática externa; mas aquela liberdade à qual se referem as

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segundas leis (leis morais) deve ser a liberdade no exercício exterior e interior do arbítrio,
quando está determinado pelas leis racionais".
Deste raciocínio poder se extrair a lei universal de Direito, a qual, segundo Kant é "age
exteriormente de modo que o livre uso de teu arbítrio possa se conciliar com a liberdade de
todos, segundo uma lei universal..." (KANT, p. 46).
Fonte: KANT, Emmanuel. Doutrina do Direito. Tradução de Edson Bini. 2. ed. São Paulo: Ícone,
1993.

14) Ao explicar as características fundamentais da Escola da Exegese, o jusfilósofo italiano


Norberto Bobbio afirma que tal Escola foi marcada por uma concepção rigidamente estatal de
direito. Como consequência disso, temos o princípio da onipotência do legislador.
Segundo Bobbio, a Escola da Exegese nos leva a concluir que
A) a lei não deve ser interpretada segundo a razão e os critérios valorativos daquele que deve
aplicá-la, mas, ao contrário, este deve submeter-se completamente à razão expressa na própria
lei.
B) o legislador é onipotente porque é representante democraticamente eleito pela população,
e esse processo representativo deve basear-se sempre no direito consuetudinário, porque este
expressa o verdadeiro espírito do povo
C) uma vez promulgada a lei pelo legislador, o estado-juiz é competente para interpretá-la
buscando aproximar a letra da lei dos valores sociais e das demandas populares legítimas.
D) a única força jurídica legitimamente superior ao legislador é o direito natural; portanto, o
legislador é soberano tomar suas decisões, desde que não violem os princípios do direito
natural.

GABARITO

LETRA A
Conforme Norberto Bobbio (Teoria do Ordenamento Jurídico), aliado ao movimento do dogma
da completude – a tendência em crer que o ordenamento jurídico é completo, desprovido de
lacunas – desenvolveu-se entre os juristas, durante os períodos das grandes codificações (desde
a francesa de 1804 até a alemã de 1900) “a tendência de ater-se escrupulosamente aos códigos,
atitude esta que foi chamada, com referência aos juristas franceses em relação aos códigos
napoleônicos, mas que se poderia estender a cada nação com Direito codificado, de fetichismo
da lei.
Na França, a escola jurídica que se foi impondo depois da codificação é geralmente designada
com o nome de escola da exegese, e se contrapõe à escola científica, que veio depois. "O caráter
peculiar da escola da exegese é a admiração incondicional pela obra realizada pelo legislador
através da codificação, uma confiança cega na suficiência das leis, a crença de que o código, uma

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vez promulgado, baste-se completamente a si próprio [...]” (Teoria do Ordenamento Jurídico,


página 121).
Portanto, para Bobbio, a escola da exegese está diretamente ligada a esse pensamento de
autossuficiência da lei, a qual é bastante em si, sendo dispensável qualquer juízo valorativo.
Fonte: BOBBIO, Norberto. Teoria do ordenamento jurídico. 10. ed. Brasília: Editora Universidade
de Brasília, 1999. 184 p.

15) O filósofo inglês Jeremy Bentham, em seu livro Uma introdução aos princípios da moral e
da legislação, defendeu o princípio da utilidade como fundamento para a Moral e para o Direito.
Para esse autor, o princípio da utilidade é aquele que
A) estabelece que a moral e a lei devem ser obedecidas porque são úteis à coexistência humana
na vida em sociedade.
B) aprova ou desaprova qualquer ação, segundo a tendência que tem a aumentar ou diminuir a
felicidade das pessoas cujos interesses estão em jogo.
C) demonstra que o direito natural é superior ao direito positivo, pois, ao longo do tempo,
revelou-se mais útil à tarefa de regular a convivência humana.
D) afirma que a liberdade humana é o bem maior a ser protegido tanto pela moral quanto pelo
direito, pois são a liberdade de pensamento e a ação que permitem às pessoas tornarem algo
útil.

GABARITO

LETRA B
Bentham, juntamente com John Stuart Mill e James Mill, foi tradicionalmente considerado como
o difusor do utilitarismo, corrente filosófica de suma importância para a filosofia do direito. As
bases da corrente utilitarista defendida por Bentham foram construídas no texto denominado
de “An Introduction to the Principles of Morals and Legislation”/ Uma introdução aos princípios
da moral e da legislação (publicado em 1789). Toda a obra é direcionada para convencer ao
leitor que o utilitarismo é uma boa teoria do direito, tendo como princípio fundante aquele que
aprova ou desaprova qualquer ação, segundo a tendência que tem a aumentar ou diminuir a
felicidade das pessoas cujos interesses estão em jogo.
Nesse sentido, segundo o próprio Bentham:
“Por princípio da utilidade entende-se aquele princípio que aprova ou desaprova qualquer ação,
segundo a tendência que tem a aumentar ou a diminuir a felicidade da pessoa cujo interesse
está em jogo, ou, o que é a mesma coisa em outros termos, segundo a tendência a promover ou
a comprometer a referida felicidade. Digo qualquer ação, como o que tenciono dizer que isto
vale não somente para qualquer ação de um indivíduo particular, mas também de qualquer ato
ou medida de governo” (BENTHAM, página 10, inciso II).

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“Por conseguinte, afirmar-se-á que uma determinada ação está em conformidade com a
utilidade, ou, para ser mais breve, à utilidade, quando a tendência que ela tem a aumentar a
felicidade for maior que qualquer tendência que tenha a diminuí-la” (BENTHAM, página 10,
inciso VI).
Fonte: BENTHAM, Jeremy. Uma Introdução aos Princípios da Moral e da. Legislação. Tradução:
Luiz João Baraúna. 3. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1984.

16) O jusfilósofo alemão Gustav Radbruch, após a II Guerra Mundial, escreve, como circular
dirigida aos seus alunos de Heidelberg, seu texto “Cinco Minutos de Filosofia do Direito”, na qual
afirma: “Esta concepção da lei e sua validade, a que chamamos Positivismo, foi a que deixou
sem defesa o povo e os juristas contra as leis mais arbitrárias, mais cruéis e mais criminosas.”
De acordo com a fórmula de Radbruch,
A) embora as leis injustas sejam válidas e devam ser obedecidas, as leis extremamente injustas
perderão a validade e o próprio caráter de jurídicas, sendo, portanto, dispensada sua
obediência.
B) apenas a lei justa pode ser considerada jurídica, pois a lei injusta não será direito.
C) o direito é o mínimo ético de uma sociedade, de forma que qualquer lei injusta não será
direito.
D) o direito natural é uma concepção superior ao positivismo jurídico; por isso, a justiça deve
sempre prevalecer sobre a segurança.

GABARITO

LETRA A
Gustav Radbruch (Lübeck, 21 de novembro de 1878 - Heidelberg, 23 de novembro de 1949) foi
um político, jurista e professor de direito alemão. Professor de direito na Universidade de
Heidelberg, estudou na Faculdade de Direito de Leipzig e concluiu o curso em Berlim. Após o fim
da Segunda Guerra Mundial (1945), Radbruch distribui uma circular para seus alunos de Direito
na Universidade de Heildelberg, denominado “Cinco Minutos de Filosofia do Direito”. O texto é
emblemático, eis que Radbruch, ainda em 1933, opôs-se ao nazismo.
Cinco Minutos de Filosofia do Direito é, portanto, fragmento que supõe retomada da corrente
jusfilosófica denominada de “jusnaturalismo”. Em relação à resposta correta, temos que:
“embora as leis injustas sejam válidas e devam ser obedecidas, as leis extremamente injustas
perderão a validade e o próprio caráter de jurídicas, sendo, portanto, dispensada sua
obediência”. Essa afirmação pode ser extraída da interpretação de um trecho contido no
“quarto minuto”, segundo o qual, para Radbruch:
“[...] será, muitas vezes, necessário ponderar se a uma lei má, nociva ou injusta, deverá ainda
reconhecer-se validade por amor da segurança do direito; ou se, por virtude da sua nocividade

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ou injustiça, tal validade lhe deverá ser recusada. Mas uma coisa há que deve estar
profundamente gravada na consciência do povo de todos os juristas: pode haver leis tais, com
um tal grau de injustiça e de nocividade para o bem comum, que toda a validade e até o caráter
de jurídicas não poderão jamais deixar de lhes ser negados”.
Esse posicionamento de Radbruch é consequência direta de sua filiação ao jusnaturalismo, o
qual prega a necessidade de observância às leis “naturais” que estão acima, até mesmo, das
normas positivadas pelo Estado. Caso as normas feitas pelo Estado sejam injustas, há de se
primar por uma compatibilidade com a justiça. Radbruch integra, portanto, a corrente de
filosófos do direito que entende que o direito deve estar fundamentado no justo e não somente
numa mera adequação do direito como sendo aquilo que a lei diz que é direito em determinado
momento histórico.
FONTE: RADBRUCH, Gustav. Cinco minutos da Filosofia do Direito

17) Segundo Chaïm Perelman, ao tratar da argumentação jurídica na obra Lógica Jurídica, a
decisão judicial aceitável deve satisfazer três auditórios para os quais ela se destina.
Assinale a alternativa que indica corretamente os auditórios.
A) opinião pública, o parlamento e as cortes superiores.
B) As partes em litígio, os profissionais do direito e a opinião pública.
C) As partes em litígio, o parlamento e as cortes superiores.
D) As cortes superiores, os organismos internacionais e os profissionais do direito.

GABARITO

LETRA B
Para Perelman, a decisão judicial aceitável deve satisfazer três auditórios em especial: as partes
em litígio, os profissionais do direito e a opinião pública.
A ideia de auditório remonta à filosofia clássica de Aristóteles, no que diz respeito a sua Retórica,
que foi reabilitada por Perelman. O auditório é formado, segundo o autor, pelo conjunto de
pessoas que o indivíduo argumentador quer influenciar. A diferença, para o Chaïm Perelman, é
que o que ele denomina de “a nova retórica”, “[...] por considerar que a argumentação pode
dirigir-se a auditórios diversos, não se limitará, como a retórica clássica, ao exame das técnicas
do discurso público, dirigido a uma multidão não especializada, mas se interessará igualmente
pelo diálogo socrático, pela dialética, tal como foi concebida por Platão e Aristóteles, pela arte
de defender uma tese e de atacar a do adversário, numa controvérsia. Englobará, portanto, todo
o campo da argumentação, complementar da demonstração, da prova pela inferência estudada
pela lógica formal. (PERELMAN, 2000, p. 144).
Em relação à decisão judicial considerada “justa”, por Perelman, esta, para não gerar
instabilidade e insatisfação social, deverá persuadir três diferentes auditórios: de um lado, as

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partes adversas, em seguida, os operadores do direito e, por último, a opinião pública. Nesse
sentido, segundo Perelman:
“É preciso, de fato, não esquecer que as decisões de justiça devem satisfazer três auditórios
diferentes, de um lado as partes em litígio, a seguir, os profissionais do direito e, por fim, a
opinião pública, que se manifestará pela imprensa e pelas reações legislativas às decisões dos
tribunais. É assim que a busca do consentimento de auditórios diferentes dá azo a esta dialética
que pertence à esfera do direito consuetudinário, e que se manifesta pelas justificações de toda
espécie, de ordem social, moral, econômica, política ou propriamente jurídica, que os
partidários das teses em confronto não deixarão de fornecer. O juiz, cuja tarefa é apreciar o
valor de cada um desses argumentos - que, na medida em que forem apresentados pelas partes,
conduzirão a soluções opostas -, deve evitar uma decisão puramente subjetiva. Tal perigo é
diminuído pela instauração da colegialidade a qual seria totalmente incompreensível se a lógica
jurídica fosse apenas a lógica formal aplicada ao direito, propondo-se demonstrar uma
conclusão a partir de premissas supostamente verdadeiras”. (PERELMAN, 2004, p. 238-239)
FONTES:
PERELMAN, C. Lógica jurídica. Tradução Vergínia K. Pupi. 1ª Ed; 3ª triagem – São Paulo: Martins
Fontes, 2000.
PERELMAN, C. Lógica jurídica. Tradução Vergínia K. Pupi. 2ª Ed. – São Paulo: Martins Fontes,
2004.

18) Em seu livro Levando os Direitos a Sério, Ronald Dworkin cita o caso Riggs contra Palmer,
em que um jovem matou o próprio avô para ficar com a herança. O Tribunal de Nova Iorque (em
1889) julga o caso considerando que a legislação do local e da época não previa o homicídio
como causa de exclusão da sucessão. Para solucionar o caso, o Tribunal aplica o princípio, não
legislado, do direito que diz que ninguém pode se beneficiar de sua própria iniquidade ou
ilicitude. Assim, o assassino não recebeu sua herança.
Com esse exemplo podemos concluir que a jusfilosofia de Ronald Dworkin, dentre outras coisas,
pretende
A) revelar que a responsabilidade sobre o maior ou menor grau de justiça de um ordenamento
jurídico é responsabilidade exclusiva do legislador que deve se esforçar por produzir leis justas.
B) mostrar como as cortes podem ser ativistas quando decidem com base em princípios e não
com base na lei e que decidir assim fere o estado de direito.
C) defender que regras e princípios são normas jurídicas que possuem as mesmas características
e, por isso, ambos podem ser aplicados livremente pelos tribunais.
D) argumentar que regras e princípios são normas com características distintas e em certos
casos os princípios poderão justificar de forma mais razoável a decisão judicial, pois a tornam
também moralmente aceitável.

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GABARITO

LETRA D
Como bem apontado pela banca, o caso Rigg vs. Palmer resume-se na pretensão de um neto -
demandante da ação – o qual era beneficiário do testamento de seu avô. A questão
problemática do caso gira em torno do fato de o neto ter matado o avô justamente com a
intenção de herdar a herança. Quando analisada a pretensão arguida em juízo - em 1889 – e
tendo em vista a lacuna legislativa em relação ao testamento em situações como esta, a corte
de apelação do Estado de Nova Iorque decretou que o demandante, Elmer Palmer, não tinha o
direito de herdar, tendo em vista o princípio de que ninguém pode beneficiar-se da própria
torpeza, favorecendo, assim, os demais herdeiros.
A peculiaridade reside no fato de que, para Dworkin, nesse caso, assim como em Henningsen
vs. Blomfield, os tribunais utilizaram mais do que as regras jurídicas para resolvê-los. Com base
nesses dois casos paradigmáticos, principalmente, Dworkin defende que a teoria hartiana
ignorou a importância dos princípios como “fontes do direito”. Isso é bem visível em “o modelo
de regras I” reproduzido em Levando os direitos a sério. Dworkin assinalou que a teoria
tradicional positivista, mesmo a mais sofisticada de Hart, simplifica o direito a ponto de
descrevê-lo como um conjunto de regras que são válidas ou inválidas somente quando
respeitam ao critério formal do pedigree, a partir do qual essa validade ou invalidade é
mensurada. Mas, para Dworkin, o direito não se restringe à essa descrição limitada, pois existem
normas diferentes das regras tradicionais, tais como os princípios e as políticas, que extrapolam
a seara da formalidade das regras. Nesse sentido, Dworkin sustentou que o direito é composto:
por um conjunto de regras jurídicas, mas também por princípios “morais”, os quais não são
remissíveis a um critério de validade como o da regra de reconhecimento de Hart. Dworkin
afirmou que os princípios jurídicos não podem ser identificados por critérios derivados de uma
norma de reconhecimento manifestada na prática dos tribunais e que, uma vez que os princípios
constituem elementos essenciais do direito, deve-se abandonar a doutrina que postula a
existência de uma norma de reconhecimento. Para Hart, o remédio para a incerteza do regime
das regras primárias é a introdução de regras de reconhecimento. Cabe à regra de
reconhecimento “especificar alguns aspectos, ou aspectos, que identificam uma regra como
pertencente ao grupo das que deve ser apoiada pela pressão social que ela exerce” (HART, 1994,
p. 104).
FONTES:
DWORKIN, Ronald. Levando os direitos a sério. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
FARAGE, Bruno da Costa Felipe. O pragmatismo antiteórico de Richard A. Posner e as respostas
da teoria moral para a decisão judicial. Dissertação de Mestrado no Programa de Pós-Graduação
em Direito da UERJ, 2015.
HART, H.L.A. O conceito de direito. 3. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1994.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

19) Considere a seguinte afirmação de Herbert L. A. Hart:


“Seja qual for o processo escolhido, precedente ou legislação, para a comunicação de padrões
de comportamentos, estes, não obstante a facilidade com que atuam sobre a grande massa de
casos correntes, revelar-se-ão como indeterminados em certo ponto em que a sua aplicação
esteja em questão.”
(HART, Herbert. O Conceito de Direito. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1986, p. 141)
Hart admite um grau de indeterminação nos padrões de comportamento previstos na legislação
e nos precedentes judiciais. A respeito, assinale a afirmativa correta.
A) Trata-se do fenômeno chamado na doutrina jurídica de lacuna material do direito, em que o
jurista não consegue dar uma resposta com base no próprio direito positivo para uma situação
juridicamente relevante.
B) Trata-se da textura aberta do direito, expressa por meio de regras gerais de conduta, que
deve ganhar um sentido específico dado pela autoridade competente, à luz do caso concreto.
C) Trata-se da incompletude do ordenamento jurídico que, por isso mesmo, deve recorrer aos
princípios gerais do direito, a fim de promover uma integração do direito positivo.
D) Trata-se do fenômeno denominado de anomia social pelos sociólogos do direito, em que
existe um vácuo de normas jurídicas e a impossibilidade real de regulação de conflitos
juridicamente relevantes.

GABARITO

LETRA B
Hart refere-se à textura aberta do direito. Segundo Hart, a textura aberta é terminologia
utilizada para demonstrar a possibilidade de imprecisão no conteúdo das Leis. Na verdade, não
apenas nas leis, mas em qualquer tipo de linguagem. Trata-se de um problema inerente à
linguagem, conforme Hart:
“Em todos os campos da experiência, e não só no das regras, há um limite à natureza da
linguagem, quanto à orientação que a linguagem geral pode oferecer. Haverá na verdade casos
simples que estão sempre a ocorrer em contextos semelhantes, aos quais as expressões gerais
são claramente aplicáveis (...), mas haverá também casos em que não é claro se se aplicam ou
não (...) (HART, p. 124)
O exemplo dado por Hart para retratar a questão diz respeito à regra que proíbe o ingresso de
“veículos” em determinado local, como um parque (HART, p. 124), sem que se possa saber, de
fato, a qual tipo de automóvel a regra se refere. Nesse sentido, mesmo que se possa afirmar
categoricamente que não se deve ingressar com um carro no parque, não é tão simples o caso
de se a regra está proibindo o uso de bicicletas ou de patins no parque (SGARBI, p. 132). Ou seja,
no primeiro caso, pouca discussão há, mas, no segundo, está presente alguma dificuldade e
necessidade de atuar discricionariamente.

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Nesse sentido, “a textura aberta do direito significa que há, na verdade, áreas de conduta em
que muitas coisas devem ser deixadas para serem desenvolvidas pelos tribunais ou funcionários,
os quais determinam o equilíbrio, à luz das circunstâncias, entre interesses conflitantes que
variam em peso, de caso para caso” (p.131-132).
FONTES:
HART, H.L.A. O conceito de direito. 3. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1994. 348 p.
SGARBI, Adrian. Clássicos de Teoria do Direito. 2. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009. 238 p.

20) Considere a seguinte afirmação de Aristóteles:


"Temos pois definido o justo e o injusto. Após distingui-los assim um do outro, é evidente que a
ação justa é intermediária entre o agir injustamente e o ser vítima da injustiça; pois um deles é
ter demais e o outro é ter demasiado pouco.”
(Aristóteles. Ética a Nicômaco. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 329.)
De efeito, é correto concluir que para Aristóteles a justiça deve sempre ser entendida como
A) produto da legalidade, pois o homem probo é o homem justo.
B) espécie de meio termo.
C) relação de igualdade aritmética.
D) ação natural imutável.

GABARITO

LETRA B
A justiça, para Aristóteles, deve ser entendida como uma espécie de meio-termo ou algo
equânime. Esse aspecto fica bem delimitado em “Ética para Nicômaco”. Nesse sentido, segundo
o próprio Aristóteles:
[...] se o injusto é o não-equânime, está claro que, correspondendo ao não-equânime, existe um
meio-termo, a saber, o que é equânime; pois cada ação que admite o mais e o menos admite
também o igual. Então, se o injusto é o não equânime, o justo é o equânime – concepção esta
que se faz valer sem demonstração; e como o equânime é um meio-termo, o justo também será
uma espécie de meio-termo”(MORRIS, p. 8).
Fontes: MORRIS, Clarence (org.) Os Grandes Filósofos do Direito. Trad. R. Guarany. São Paulo:
Martins Fontes, 2002.

21) Boa parte da doutrina jusfilosófica contemporânea associa a ideia de Direito ao conceito de
razão prática ou sabedoria prática.

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Assinale a alternativa que apresenta o conceito correto de razão prática.


A) Uma forma de conhecimento científico (episteme) capaz de distinguir entre o verdadeiro e o
falso.
B) Uma técnica (techne) capaz de produzir resultados universalmente corretos e desejados.
C) A manifestação de uma opinião (doxa) qualificada ou ponto de vista específico de um agente
diante de um tema específico.
D) A capacidade de bem deliberar (phronesis) a respeito de bens ou questões humanas.

GABARITO

LETRA D
O melhor autor a ser utilizado para responder os “anseios” desta questão é Immanuel Kant. Kant
estudou detalhadamente duas formas de manifestação da razão: a razão teórica e a razão
prática.
A razão teórica pura permitiria ao sujeito (epistêmico) elaborar o conhecimento do mundo da
natureza. A razão prática pura, por sua vez, abriria o caminho para o conhecimento do mundo
social (System der Sitten), ou seja, da sociedade. Essa distinção era essencial em Kant na medida
em que este atribuía uma diferença qualitativa à natureza e à sociedade, os dois mundos em
que atuaria a razão, conhecendo as leis matemáticas e físicas do mundo natural e fazendo as
leis que regeriam o mundo social ou dos costumes.
Na doutrina moral de Kant, tem um lugar central o princípio de autonomia da vontade (Wille),
cujo poder de autodeterminação se manifesta nas máximas do ‘dever-ser’ (distanciando-se,
portanto, do “ser”).
A condição para que o sujeito seja livre é que possa dar um fim a si mesmo, que oriente suas
ações morais. E este reconhecimento do fim da ação é um produto puro de sua razão —uma
razão prática pura—, sem qualquer apreensão sensível de qualquer objeto. Kant estabelece,
portanto, uma distinção entre a autonomia da vontade livre, e heteronomia da dependência de
princípios externos.
Há outra noção importante, distinta da de vontade, a de arbítrio (Willkür) ou capacidade de
escolha, que é corrompida quando se escolhem fins e ações de acordo com máximas de origem
sensível. Enquanto o arbítrio se empenha sobretudo pela ação e consecução dos fins, a vontade
se relaciona mais com o estabelecimento dos fundamentos da ação. Kant afirma que quando a
vontade determina a capacidade de escolha, de modo autônomo, é a própria razão prática que
fornece as máximas escolhidas para serem leis universais, prescritas como imperativos da ação.
A questão da moralidade somente surge em decorrência da “indeterminação” do “dever ser”
ou do mundo social, onde os homens têm a liberdade de fazer valer as suas vontades, fixar os
seus próprios objetivos ou fins. É por isso que nesse mundo a ação dos homens pode ser julgada
segundo os critérios do bem e do mal, do certo e do errado, do justo e do injusto. Os critérios

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do julgamento encontram-se arraigados na razão prática pura; seu instrumento privilegiado é o


“imperativo categórico”. Este se resume na seguinte sentença: “Age de tal modo que a máxima
de tua vontade possa sempre valer simultaneamente como um princípio para uma legislação
geral.”
FONTES:
FREITAG, Barbara. A QUESTÃO DA MORALIDADE: da razão prática de Kant à ética discursiva de
Habermas. Revista Social, São Paulo, v. 1, n. 2, p.1-17, jul. 1989. Semestral.
KANT. Immanuel (1788). Kritik der praktischen Vernunft. Frankfurt/M, Suhrkarnp Verlag, 1977a,
Werkausgabe VII.
SILVA, Roger Michael Miller. Fins e meios: uma discussão sobre a phronesis na Ética
Nicomaquéia. 2005. 145 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Filosofia, Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2005. Cap. 7.

22) A hermenêutica aplicada ao direito formula diversos modos de interpretação das leis. A
interpretação que leva em consideração principalmente os objetivos para os quais um diploma
legal foi criado é chamada de
A) interpretação restritiva, por levar em conta apenas os objetivos da lei, ignorando sua
estrutura gramatical.
B) interpretação extensiva, por aumentar o conteúdo de significado das sentenças com seus
objetivos historicamente determinados.
C) interpretação autêntica, pois apenas as finalidades da lei podem dar autenticidade à
interpretação.
D) interpretação teleológica, pois o sentido da lei deve ser considerado à luz de seus objetivos.

GABARITO

LETRA D
A qual indica que, conforme a interpretação teleológica, o sentido da lei deve ser considerado à
luz de seus objetivos. A respeito desta técnica interpretativa, sabe-se que todo documento legal
possui um fim ou propósito. Portanto, conhecer este fim ou propósito é dado relevante para
afirmar o sentido do texto. Assim, conforme SGARBI (2013), por meio da interpretação
teleológica recomenda-se que dê, durante a atividade interpretativa, peso mais intenso aos fins
políticos, econômicos e sociais – a serem alcançados como texto legal, de sorte que estes
escopos possam ser privilegiados na afirmação de seu sentido.
Os outros tipos de interpretação explicitados não têm relação com o disposto no enunciado e,
portanto, estão incorretas. Vejamos:

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A interpretação restritiva ocorre toda vez que se limita o sentido da norma, não obstante a
amplitude de sua expressão literal (FERRAZ JÚNIOR, 2013). Dessa forma, há uma relação
intrínseca desse tipo de interpretação com sua estrutura gramatical, contrariando o exposto
na alternativa “a".
A interpretação extensiva diz respeito ao modo de interpretação que amplia o sentido da norma
para além do contido em sua letra (FERRAZ JÚNIOR, 2013). Mas tal tipo de interpretação não
tem conexão necessária com os objetivos históricos que estão por trás do texto legal. Essa
postura tem maior relação com a interpretação histórica, segundo a qual deve-se entender a
exigência de se atribuir um sentido ao texto legal a teor de seus antecedentes de formulação
(SGARBI, 2013). Nesse sentido, a assertiva contida na alternativa “b" também está equivocada.
Em relação à alternativa “c", ela está incorreta porque não são as finalidades da lei, quando
alcançadas, que dão autenticidade à interpretação. Fala-se em interpretação autêntica na teoria
do direito, quando a interpretação é realizada pelo mesmo autor do objeto da ação, seja de
modo sucessivo ou separado de sua produção. Assim, por exemplo, as chamadas “leis
interpretativas" editadas pelo legislativo nada mais são que interpretações feitas pelo próprio
legislativo a respeito de leis por ele produzidas (SGARBI, 2013).
Fontes:
SGARBI, Adrian. Introdução à teoria do direito. São Paulo: Marcial Pons, 2013.
FERRAZ JÚNIOR, Tércio Sampaio. Introdução ao estudo do direito. São Paulo, Atlas, 2013.

23) No que concerne à relação entre Direito e Estado, tal como a tematiza Hans Kelsen na obra
O que é a justiça?, é correto afirmar que o Estado
A) é uma ordem jurídica relativamente centralizada.
B) é uma entidade metajurídica que precede a criação do Direito.
C) considerado democrático, e somente este, é legítimo para produzir normas jurídicas, pois
reflete a justiça.
D) é um grupo de pessoas unidas para a consecução de interesses comuns, e o Direito é um
corpo normativo que reflete a moral do povo.
E) e Direito são duas coisas completamente distintas e não necessariamente relacionadas.

GABARITO

LETRA A
“... o Estado é um ordenamento jurídico. Mas nem todo ordenamento jurídico pode ser
designado como Estado; só o é quando o ordenamento jurídico estabelece, para a produção e
execução das normas que o integram, órgãos que funcionam de acordo com a divisão do

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trabalho. Estado significa ordenamento jurídico quando já alcançou certo grau de


centralização...”. (KELSEN)

24) Relativamente à análise feita por Tercio Sampaio Ferraz Junior, na obra A ciência do direito,
acerca da positivação do direito, é INCORRETO afirmar que, para o autor, o fenômeno da
positivação
A) estabelece o campo em que se move a ciência do direito moderno.
B) forçou a tematização do ser humano como objeto da ciência do direito.
C) representa uma legalização do câmbio do direito.
D) faz do direito positivo o objeto único da ciência jurídica, condicionando a determinação de
seu método e objeto.
E) não faz do direito positivo o objeto único da ciência jurídica, mas condiciona a determinação
do seu método e objeto.

GABARITO

LETRA D
Segundo Tercio Sampaio Ferraz Junior, na obra A ciência do direito, o fenômeno da positivação
- estabelece o campo em que se move a ciência do direito moderno.
- forçou a tematização do ser humano como objeto da ciência do direito.
- representa uma legalização do câmbio do direito.
- não faz do direito positivo o objeto único da ciência jurídica, mas condiciona a determinação
do seu método e objeto.

25) Relativamente à análise feita por Norberto Bobbio acerca da justiça, na obra Teoria da
norma jurídica, é correto afirmar que a justiça
A) é totalmente dependente da eficácia, porém não da validade.
B) é totalmente dependente da validade, porém não da eficácia.
C) remete à questão da correspondência entre o que é real e o que ideal.
D) constitui o único critério de valoração para a teoria da norma jurídica.
E) é dependente tanto da validade como da eficácia.

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GABARITO

Três Critérios de Valoração


O problema se uma norma é justa ou não é um aspecto do contraste entre o mundo ideal e
mundo real, entre o que deve ser e o que é: norma justa é aquela que deve ser, norma injusta é
aquela que não deveria ser. Pensar sobre o problema da justiça ou não de uma norma equivale
a pensar sobre o problema da correspondência entre o que é real e o que é ideal. Por isso, o
problema da justiça se denomina comumente de problema deontológico do direito.
Fonte: Norberto Bobbio, Teoria da Norma Jurídica - Editora: Edipro, 5ª Edição 2014 - Página 48.

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DIREITOCONSTITUCIONAL

#1 Controle de Constitucionalidade

1) Determinado Tribunal de Justiça vem tendo dificuldades para harmonizar os procedimentos


de suas câmaras, órgãos fracionários, em relação à análise, em caráter incidental, da
inconstitucionalidade de certas normas como pressuposto para o enfrentamento do mérito
propriamente dito. A Presidência do referido Tribunal manifestou preocupação com o fato de o
procedimento adotado por três dos órgãos fracionários estar conflitando com aquele tido como
correto pela ordem constitucional brasileira.
Apenas uma das câmaras adotou procedimento referendado pelo sistema jurídico-
constitucional brasileiro. Assinale a opção que o apresenta.
A) A 1ª Câmara, ao reformar a decisão de 1º grau em sede recursal, reconheceu,
incidentalmente, a inconstitucionalidade da norma que dava suporte ao direito pleiteado,
entendendo que, se o sistema jurídico reconhece essa possibilidade ao juízo monocrático, por
razões lógicas, deve estendê-la aos órgãos recursais.
B) A 2ª Câmara, ao analisar o recurso interposto, reconheceu, incidentalmente, a
inconstitucionalidade da norma que concedia suporte ao direito pleiteado, fundamentando-se
em cristalizada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema.
C) A 3ª Câmara, ao analisar o recurso interposto, reconheceu, incidentalmente, a
inconstitucionalidade da norma que concedia suporte ao direito pleiteado, fundamentando-se
em pronunciamentos anteriores do Órgão Especial do próprio Tribunal.
D) A 4ª Câmara, embora não tenha declarado a inconstitucionalidade da norma que conferia
suporte ao direito pleiteado, solucionou a questão de mérito afastando a aplicação da referida
norma, apesar de estarem presentes os seus pressupostos de incidência.

GABARITO

LETRA C
A questão aborda sobre a Cláusula de Reserva do Plenário (Art. 97, CF)
Esta cláusula afirma que havendo um incidente de insconstitucionalidade em uma das câmaras
fracionárias de determinado tribunal, deve ser resolvido pelo Plenário ou pela Òrgão Especial,
vejamos:
Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo
órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do
Poder Público.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Ocorre que, quando o pleno daquele tribunal já decidiu sobre aquela matéria anteriormente,
basta a câmara seguir a jurisprudência daquele tribunal, sendo desnecessário remeter o
processo a competência do pleno, visando a economia processual.
Além disso, a Súmula Vinculante nº 10 assevera: “viola a cláusula de reserva de plenário (CF, art.
97) a decisão de órgão fracionário de Tribunal que, embora não declare expressamente a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo
ou em parte.”

2) A Lei Z, elaborada recentemente pelo Poder Legislativo do Município M, foi promulgada e


passou a produzir seus efeitos regulares após a Câmara Municipal ter derrubado o veto aposto
pelo Prefeito. A peculiaridade é que o conteúdo da lei é praticamente idêntico ao de outras leis
que foram editadas em milhares de outros Municípios, o que lhe atribui inegável relevância.
Inconformado com a derrubada do veto, o Prefeito do Município M, partindo da premissa de
que a Lei Z possui diversas normas violadoras da ordem constitucional federal, pretende que sua
inconstitucionalidade seja submetida à apreciação do Supremo Tribunal Federal.
A partir das informações acima, assinale a opção que se encontra em consonância com o sistema
de controle de constitucionalidade adotado no Brasil.
A) O Prefeito do Município M, como agente legitimado pela Constituição Federal, está habilitado
a propor arguição de descumprimento de preceito fundamental questionando a
constitucionalidade dos dispositivos que entende violadores da ordem constitucional federal.
B) A temática pode ser objeto de ação direta de inconstitucionalidade ou de arguição de
descumprimento de preceito fundamental, se proposta por qualquer um dos legitimados pelo
Art. 103 da Constituição Federal.
C) A Lei Z não poderá ser objeto de ação, pela via concentrada, perante o Supremo Tribunal
Federal, já que, de acordo com o sistema de controle de constitucionalidade adotado no Brasil,
atos normativos municipais só podem ser objeto de controle, caso se utilize como paradigma de
confronto a Constituição Federal, pela via difusa.
D) Os dispositivos normativos da Lei Z, sem desconsiderar a possibilidade de ser realizado o
controle incidental pela via difusa, podem ser objeto de controle por via de arguição de
descumprimento de preceito fundamental, se proposta por qualquer um dos legitimados pelo
Art. 103 da Constituição Federal.

GABARITO

LETRA D
No caso de lei ou ato normativo municipal que contrariar a Constituição Federal, não existe
possibilidade de controle constitucional concentrado por via de ADI, somente controle difuso
(incidental). A lei municipal pode, no entanto, ser objeto de análise através de ADPF. Os
legitimados para a propositura da ADPF são os mesmo da ADI genérica, elencados no art. 103
da Constituição Federal. Portanto, correta a alternativa D. Cabe destacar ainda que a lei ou ato

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normativo estadual ou municipal que contrariar a Constituição estadual, será julgada pelo
Tribunal de Justiça local. Quando a lei ou ato normativo municipal contrariar um dispositivo
constitucional estadual que seja uma norma de repetição obrigatória da Constituição Federal, o
conflito será apreciado pelo STF por meio de Recurso Extraordinário, já que não há previsão de
controle de constitucionalidade concentrado. Ainda que o controle seja feito pelo meio difuso,
a decisão será dotada de eficácia erga omnes.
“O recurso extraordinário será um simples mecanismo de se levar ao STF a análise da matéria.
Assim, a decisão do STF nesse específico recurso extraodinário produzirá os mesmos efeitos da
ADI, ou seja, por regra, erga mones, ex tunc e vinculante, podendo o STF, naturalmente, nos
termos do art. 27, da Lei n. 9.868/99, modular os efeitos da decisão. Portanto, não se aplicará a
regra do art. 52, X, não tendo o Senado Federal qualquer participação”. (LENZA, 2013, p. 419).
Vale mencionar que, recentemente, a norma prevista no art. 52, X, da CF/88, tem sido bastante
discutida pela doutrina e no âmbito do STF e muitos têm adotado a tese da “abstrativização” do
controle difuso, entendendo que “a suspensão da lei pelo Senado há de ter simples efeito de
publicidade” (Ver Inf. 454/STF).

3) A Medida Provisória Z, embora tendo causado polêmica na data de sua edição, foi convertida,
em julho de 2014, na Lei Y. Inconformado com o posicionamento do Congresso Nacional, o
principal partido de oposição, no mês seguinte, ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade
(ADI) atacando vários dispositivos normativos da referida Lei. Todavia, no início do mês de
fevereiro de 2015, o Presidente da República promulgou a Lei X, revogando integralmente a Lei
Y, momento em que esta última deixou de produzir os seus efeitos concretos.
Nesse caso, segundo entendimento cristalizado no âmbito do Supremo Tribunal Federal,
A) deverá a ADI seguir a sua regular tramitação, de modo que se possam discutir os efeitos
produzidos no intervalo de tempo entre a promulgação e a revogação da Lei Y.
B) deverá a ADI seguir a sua regular tramitação, de modo que se possam discutir os efeitos
produzidos n tempo entre a edição da Medida Provisória Z e a revogação da Lei Y.
C) deverá ser reconhecido que a ADI perdeu o seu objeto, daí resultando a sua extinção,
independentemente de terem ocorrido, ou não, efeitos residuais concretos.
D) em razão da separação de poderes, deverá ser reconhecida a impossibilidade de o Supremo
Tribunal Federal avaliar as matérias debatidas, sob a ótica política, pelo Poder Legislativo.

GABARITO

LETRA C
Para que uma norma seja objeto de ADIN, ela deve ter 3 requisitos:
a) Ter sido editada na vigência da Constituição atual;

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b) Atentar diretamente contra a CF, não sendo admitido normas que afrontem de modo reflexo,
ou seja, de modo meramente regulamentadoras de outras normas infraconstitucionais;
c) estar em pleno vigor
"O Supremo Tribunal Federal não admite a impugnação em ação direta de inconstitucionalidade
de leis e atos normativos revogados, que não estejam mais em vigor no momento da apreciação
da ação, tampouco de normas cuja eficácia já tenha se esgotado, tais como medidas provisórias
já rejeitadas pelo Congresso Nacional. É que a ação direta de inconstitucionalidade tem por fim
retirar do ordenamento jurídico normas que impliquem afronta atual à Constituição, o que deixa
de ocorrer, depois de revogadas"

4) Após reiteradas decisões sobre determinada matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF)
aprovou enunciado de Súmula Vinculante determinando que “é inconstitucional lei ou ato
normativo estadual ou distrital que disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive
bingos e loterias”. O Estado X, contudo, não concordando com a posição do Supremo Tribunal
Federal (STF), edita lei dispondo exatamente sobre os sistemas de consórcios e sorteios em seu
território.
A partir da situação apresentada, assinale a afirmativa correta.
A) O Supremo Tribunal Federal (STF) poderá, de ofício, declarar a inconstitucionalidade da
norma estadual produzida em desconformidade com a Súmula.
B) Qualquer cidadão poderá propor a revisão ou o cancelamento de súmula vinculante que,
nesse caso, será declarada mediante a decisão de dois terços dos membros do Supremo Tribunal
Federal (STF).
C) É cabível reclamação perante o Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a validade da
lei do Estado X que dispõe sobre os sistemas de consórcios e sorteios em seu território.
D) A súmula possui efeitos vinculantes em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à
Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, mas não
vincula o Poder Legislativo na sua atividade legiferante.

GABARITO

LETRA D
O art. 103-A, da CF/88, incluído pelo EC n.45/2004, disciplina as súmulas vinculantes. O caput
do artigo prevê que o STF poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços
dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que,
a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais
órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal,
estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida
em lei. Portanto, a súmula possui efeitos vinculantes em relação aos órgãos do Poder Judiciário
e à Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, mas não

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vincula o Poder Legislativo na sua atividade legiferante. Incorreta a alternativa A e correta a


alternativa D.
De acordo com o § 2º, do art. 103-A, da CF/88, sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em
lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que
podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. Incorreta a alternativa B.
De acordo com o § 3º, do art. 103-A, do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a
súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal
Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial
reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme
o caso. Incorreta a alternativa C.

5) No que tange às disposições legais regulamentadoras da ação direta de inconstitucionalidade,


da ação direta de inconstitucionalidade por omissão e da ação declaratória de
constitucionalidade, assinale a opção correta.
A) A medida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade por omissão poderá consistir na
suspensão de procedimentos administrativos.
B) O ajuizamento de ação direta de inconstitucionalidade e de ação direta de
inconstitucionalidade por omissão não admite desistência. Em razão da presunção de
constitucionalidade do ordenamento jurídico, a legislação específica da ação declaratória de
constitucionalidade admite desistência.
C) Existindo norma federal objeto, ao mesmo tempo, de ação declaratória de
constitucionalidade e de ação direta de inconstitucionalidade, em homenagem ao caráter
ambivalente destas ações, será uma delas extinta sem resolução do mérito por litispendência e
a outra terá julgamento de mérito.
D) Da decisão proferida na ação declaratória de constitucionalidade caberá, tão somente, a
oposição de embargos de declaração e o ajuizamento posterior de ação rescisória.

GABARITO

LETRA A
A medida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade por omissão poderá consistir na
suspensão de procedimentos administrativos ou processos judiciais, bem como na suspensão
da aplicação da lei o do ato normativo. Correta a alternativa A.
De acordo com o art. 5 e art. 12-D, da Lei n. 9.868/99, não haverá desistência na ação direta de
inconstitucionalidade e na ação direta de inconstitucionalidade por omissão. O art. 16, da
mesma Lei, estabelece que também no caso da ação declamatória de constitucionalidade não
há possibilidade de desistência. Incorreta a alternativa B.

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De acordo com o art. 24, da Lei n. 9868/99, haverá julgamento do mérito nas duas ações. O
artigo prevê que proclamada a constitucionalidade, julgar-se-á improcedente a ação direta ou
procedente eventual ação declaratória; e, proclamada a inconstitucionalidade, julgar-se-á
procedente a ação direita ou improcedente eventual ação declaratória. Incorreta a alternativa
C.
A decisão proferida na ação declamatória de constitucionalidade é irrecorrível, cabendo
somente a interposição de embargos declaratórios, não podendo ser objeto de ação rescisória.
Incorreta a alternativa D.

#2 Direitos e Deveres Fundamentais

1) José, brasileiro de dezesseis anos de idade, possuidor de título de eleitor e no pleno gozo dos
seus direitos políticos, identifica, com provas irrefutáveis, ato lesivo do Presidente da República
que atenta contra a moralidade administrativa.
Com base no fragmento acima, assinale a opção que se coaduna com o instituto jurídico da Ação
Popular.
A) José, desde que tenha assistência, é parte legítima para propor Ação Popular em face do
Presidente da República perante o Supremo Tribunal Federal.
B) José, ainda que sem assistência, é parte legítima para propor Ação Popular em face do
Presidente da República perante o juiz natural de primeira instância.
C) José, ainda que sem assistência, é parte legítima para propor Ação Popular em face do
Presidente da República perante o Supremo Tribunal Federal.
D) José não é parte legítima para propor Ação Popular em face do Presidente da República,
porque ainda não é considerado cidadão.

GABARITO

LETRA B
A ação popular não é ação destinada à defesa de interesse subjetivo individual, mas sim de
natureza coletiva, visando a anular ato lesivo ao patrimônio público, à moralidade
administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. Destina-se, assim, à
concretização do princípio republicano, que impõe ao administrador público o dever de prestar
contas a respeito da gestão da coisa pública.
Somente o cidadão pode propor ação popular. Para esse fim, entende-se por cidadão a pessoa
humana no gozo dos seus direitos cívicos e políticos, isto é, que seja eleitor (possível a partir dos
dezesseis anos de idáde, portanto). Somente a pessoa natural possuidora de título de eleitor,
no gozo da chamada capacidade eleitoral ativa, poderá propor ação popular. Poderá, então, ser
o brasileiro - nato ou naturalizado -, desde que no gozo de seus direitos políticos.

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O âmbito de proteção da ação popular, na vigente Constituição, é bastante amplo: abrange


tanto o patrimônio material quanto o patrimôniomoral, o estético, o histórico, o ambiental.
O cabimento de ação popular independe de comprovação de prejuízo aos cofres públicos, vale
dizer, não é necessária a comprovação de prejuízo material aos cofres públicos como condição
para a propositura de ação popular. Ainda que inexista lesividade material ao patrimônio
público, a ilegalidade (ou imoralidade) do ato poderá legitimar a propositura da ação.
A competência para processar e julgar a ação popular é definida pela origem do ato a ser
anulado.
É importante destacar que o foro especial por prerrogativa de função não alcança as ações
populares ajuizadas contra as autoridades detentoras dessa prerrogativa. Significa dizer que os
tribunais do Poder Judiciário (STF, STJ, TJ etc.) não têm competência origináriapara o julgamento
de ação popular, ainda quando proposta contra atos de autoridades que dispõem de foro por
prerrogativa de função perante tais tribunais (Presidente da República, congressistas,
governador de estado, prefeito etc.).
Cabe ao STF, porém, o julgamento de ação popular na qual, pela sua natureza peculiar, a decisão
puder criar um conflito entre um estado-membro e a União, por força do comando previsto no
art. 102, I, "f', da Carta da República.

2) José, internado em um hospital público para tratamento de saúde, solicita a presença de um


pastor para lhe conceder assistência religiosa. O pedido, porém, é negado pela direção do
hospital, sob a alegação de que, por se tratar de instituição pública, a assistência não seria
possível em face da laicidade do Estado. Inconformado, José consulta um advogado.
Após a análise da situação, o advogado esclarece, com correto embasamento constitucional,
que
A) a negativa emanada pelo hospital foi correta, tendo em vista que a Constituição Federal de
1988, ao consagrar a laicidade do Estado brasileiro, rejeita a expressão religiosa em espaços
públicos.
B) a direção do hospital não tem razão, pois, embora a Constituição Federal de 1988 reconheça
a laicidade do Estado, a assistência religiosa é um direito garantido pela mesma ordem
constitucional.
C) a correção ou incorreção da negativa da direção do hospital depende de sua consonância, ou
não, com o regulamento da própria instituição, já que se está perante direito disponível.
D) a decisão sobre a possibilidade, ou não, de haver assistência religiosa em entidades públicas
de saúde depende exclusivamente de comando normativo legal, já que a temática não é de
estatura constitucional.

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GABARITO

LETRA B
Art. 5º, VII, CF/88, “é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas
entidades civis e militares de internação coletiva”.
Nesse caso, a direção do hospital não tem razão em sua negativa, mesmo que levado em conta
ser o Brasil um Estado laico, a assistência religiosa é considerado direito fundamental.

3) Luiz é proprietário de uma grande fazenda localizada na zona rural do Estado X. Lá, cultiva
café de excelente qualidade – e com grande produtividade – para fins de exportação. Porém,
uma fiscalização realizada por agentes do Ministério do Trabalho e do Emprego constatou a
exploração de mão de obra escrava.
Independentemente das sanções previstas em lei, caso tal prática seja devidamente
comprovada, de forma definitiva, pelos órgãos jurisdicionais competentes, a Constituição
Federal dispõe que
A) a propriedade deve ser objeto de desapropriação, respeitado o direito à justa e prévia
indenização a que faz jus o proprietário.
B) a propriedade deve ser objeto de expropriação, sem qualquer indenização, e, no caso em
tela, destinada à reforma agrária.
C) o direito de propriedade de Luiz deve ser respeitado, tendo em vista serem as terras em
comento produtivas.
D) o direito da propriedade de Luiz deve ser respeitado, pois a expropriação é instituto cabível
somente nos casos de cultura ilegal de plantas psicotrópicas.

GABARITO

LETRA B
"Art. 243. CF As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas
culturas ilegais de plantas psicotrópicas oua exploração de trabalho escravo na forma da lei
serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem
qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei,
observado, no que couber, o disposto no art. 5º.

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4) Um grupo autodenominado “Sangue Puro” passou a se organizar sob a forma de associação.


No seu estatuto, é possível identificar claros propósitos de incitação à violência contra indivíduos
pertencentes a determinadas minorias sociais. Diversas organizações não governamentais
voltadas à defesa dos direitos humanos, bem como o Ministério Público, ajuizaram medidas
judiciais solicitando a sua imediata dissolução.
Segundo a Constituição Federal, a respeito da hipótese formulada, assinale a afirmativa correta.
A) A associação não poderá sofrer qualquer intervenção do Poder Judiciário, pois é vedada a
interferência estatal no funcionamento das associações.
B) Caso o pedido de dissolução seja acolhido, a associação poderá ser compulsoriamente
dissolvida, independentemente do trânsito em julgado da sentença judicial.
C) A associação poderá ter suas atividades imediatamente suspensas por decisão judicial,
independentemente do seu trânsito em julgado.
D) Apenas se justificaria a intervenção estatal se caracterizada a natureza paramilitar da
associação em comento.

GABARITO

LETRA C
Art. 5º,CF:
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades
suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;
- Dissolução compulsória -> Via judicial -> Trânsito em julgado.
- Atividades suspensas -> Via judicial.

5) A Constituição assegura, entre os direitos e garantias individuais, a inviolabilidade do


domicílio, afirmando que “a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar
sem o consentimento do morador” (art. 5º, XI, CRFB).
A esse respeito, assinale a alternativa correta.
A) O conceito de “casa” é abrangente e inclui quarto de hotel.
B) O conceito de casa é abrangente, mas não inclui escritório de advocacia.
C) A prisão em flagrante durante o dia é um limite a essa garantia, mas apenas quando houver
mandado judicial.
D) A prisão em quarto de hotel obedecendo a mandado judicial pode se dar no período noturno.

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GABARITO

LETRA A
PRINCÍPIO DA INVIOLABILIDADE DOMICILIAR
Art. 5º, XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem
consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar
socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; Visa proteger a esfera íntima da pessoa
como a vida privada e a intimidade. Exceções constitucionalmente estabelecidas: - Em caso de
flagrante delito, desastre ou para prestar socorro: a qualquer hora do dia ou da noite, nesses
casos é dispensável o consentimento do morador (não necessariamente o proprietário). - Por
determinação judicial: apenas durante o dia (para José Afonso da Silva, das 6 às 18; ou, para o
Min. Celso de Melo, enquanto houver luz solar, qual seja, da aurora ao crepúsculo).

#3 Organização Político-Administrativa do Estado

1) O modelo federalista é uma forma de organização e distribuição do poder estatal que


pressupõe a relação entre as esferas de governo federal e local, compondo os chamados entes
federativos, todos dotados de autonomia. Apresenta-se como oposição ao unitarismo, de modo
que haja a repartição de competências entre os entes que integram o Estado federado.
A ordem jurídica estabeleceu elementos, no texto constitucional, que caracterizam essa forma
de Estado. A partir das características da Federação brasileira, assinale a afirmativa correta.
A) A forma federativa de Estado autoriza a secessão de um ente federativo por meio de
plebiscito popular ou referendum.
B) A forma federativa de Estado é estabelecida por um pacto (ou tratado) internacional entre os
estados soberanos.
C) A forma federativa de Estado impõe a necessidade de existência de uma cláusula de garantia
ao pacto federativo, tal como a chamada intervenção federal.
D) Um vez que, na forma federativa, todos os entes federativos são autônomos, eles estão
autorizados a representar a soberania do Estado em suas relações internacionais.

GABARITO

LETRA C
É certo que na Constituição de 1988 o princípio federativo revela-se como princípio estruturante
da ordem jurídico-institucional do Estado Brasileiro (preâmbulo e artigo 1° da CF/88) e também
como cláusula pétrea (artigo 60, parágrafo 4°, inciso I, CF/88).

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Desse modo, a República brasileira se organiza na forma de uma Federação[1], cujos entes
(União, Estados-membros, Distrito Federal e Municípios) formam, no sistema constitucional
vigente, uma união indissolúvel (artigo 1° da CF/88).
Uma das hipóteses autorizadoras da intervenção federal nos Estados e no Distrito Federal está
relacionada justamente à defesa do princípio federativo, quando se busca repelir invasão de
uma unidade da Federação em outra, ou pôr termo a grave comprometimento da ordem
pública, ou, ainda, garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação
(CF, art. 34, II, III e IV). No tocante à manutenção da integridade nacional, a intervenção federal
é um mecanismo que tem por objetivo conferir efetividade ao princípio da indissolubilidade do
pacto federativo (CF, art. 1.°)

2) Determinado Município localizado no âmbito de um Estado-membro da Federação brasileira


deixa de cumprir ordem judicial emanada do Tribunal de Justiça local.
Diante de tal fato, segundo a ordem jurídico-constitucional brasileira, assinale a afirmativa
correta.
A) O Tribunal de Justiça local poderá, por intermédio de requisição, solicitar ao Governador do
Estado a decretação da intervenção estadual no referido Município, sem necessidade de
nenhum tipo de Ação Direta Interventiva.
B) O Procurador-Geral da República poderá ajuizar Representação Interventiva junto ao
Supremo Tribunal Federal, que julgando-a procedente suscitará a intervenção federal no
Município em tela, a ser decretada pelo Presidente da República.
C) O Superior Tribunal de Justiça poderá, por intermédio de requisição ao Chefe do Executivo
Estadual, determinar a intervenção estadual no referido Município, sem a necessidade de
nenhum tipo de Ação Direta Interventiva.
D) O Procurador-Geral de Justiça poderá ajuizar Ação Direta Interventiva estadual junto ao
Tribunal de Justiça Local, que julgando-a procedente autoriza a intervenção estadual no referido
Município, a ser decretada pelo Governador do Estado.

GABARITO

LETRA D
Segundo a ordem jurídico-constitucional brasileira e tendo em vista o caso hipotético narrado,
é correto afirmar que o Procurador-Geral de Justiça poderá ajuizar Ação Direta Interventiva
estadual junto ao Tribunal de Justiça Local, que julgando-a procedente autoriza a intervenção
estadual no referido Município, a ser decretada pelo Governador do Estado.
Conforme estabelece a Constituição Federal, Art. 35 – “O Estado não intervirá em seus
Municípios, nem a União nos Municípios localizados em Território Federal, exceto quando: [...]IV
- o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância de

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princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de


decisão judicial”.
Conforme NOVELINO (2014, p. 362) a decretação pelo Governador da intervenção estadual em
um Município, nos casos de inobservância dos princípios indicados na Constituição Estadual, da
não execução de lei, de ordem ou de decisão judicial, depende do provimento da representação
interventiva pelo Tribunal de Justiça, a quem é reservada a competência para o seu processo e
julgamento (CF, art. 35, IV). A legitimidade ativa para a propositura da representação
interventiva estadual é restrita ao Procurador-Geral de Justiça. No polo oposto, cabe ao
Procurador dos órgãos municipais interessados a defesa do ato municipal impugnado. A
representação interventiva estadual é simétrica à federal, apesar de possuir um parâmetro
sensivelmente mais amplo. Além do cabimento no caso de inobservância de princípios indicados
na Constituição estadual e da recusa à execução de lei, a representação interventiva estadual
poderá ser proposta ainda para prover a execução de ordem ou de decisão judicial.
Fonte: NOVELINO, Marcelo. Manual de Direito Constitucional. 9ª ed. São Paulo: Editora Método,
2014.

3) O Governador do Distrito Federal, ao tomar conhecimento de que existe jurisprudência


pacífica do Supremo Tribunal Federal a respeito da competência do Município para legislar sobre
os requisitos de segurança das agências bancárias, solicita à Procuradoria Geral do Distrito
Federal que se manifeste acerca da possibilidade de lei distrital tratar da matéria.
Sobre a hipótese apresentada, de acordo com a Constituição Federal de 1988, assinale a
afirmativa correta.
A) Haveria tal possibilidade, pois o Distrito Federal possui competências legislativas reservadas
aos Estados e aos Municípios.
B) Haveria tal possibilidade, pois a competência legislativa do Distrito Federal, como sede da
União, abarca as competências legislativas da União, dos Estados e dos Municípios.
C) Não seria possível, pois o Distrito Federal tem competências taxativamente expressas, que
não podem abarcar aquelas concedidas aos Municípios.
D) Não seria possível, pois as competências legislativas do Distrito Federal seriam apenas
aquelas reservadas aos Estados-membros da União.

GABARITO

LETRA A
Sobre a hipótese apresentada, de acordo com a Constituição Federal de 1988, é correto afirmar
que haveria tal possibilidade, pois o Distrito Federal possui competências legislativas reservadas
aos Estados e aos Municípios.
A assertiva correta é a letra “a”, pois coaduna com o artigo 32, §1º da CF/88. Nesse sentido:

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Art. 32, § 1º, CF/88 – “Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas
aos Estados e Municípios”.

4) A parte da população do Estado V situada ao sul do seu território, insatisfeita com a pouca
atenção que vem recebendo dos últimos governos, organiza-se e dá início a uma campanha para
promover a criação de um novo Estadomembro da República Federativa do Brasil – o Estado N,
que passaria a ocupar o território situado na parte sul do Estado V. O tema desperta muita
discussão em todo o Estado, sendo que alguns argumentos favoráveis e outros contrários ao
desmembramento começam a ganhar publicidade na mídia.
Reconhecido constitucionalista analisa os argumentos listados a seguir e afirma que apenas um
deles pode ser referendado pelo sistema jurídico-constitucional brasileiro. Assinale-o.
A) O desmembramento não poderia ocorrer, pois uma das características fundamentais do
Estado Federal é a impossibilidade de ocorrência do chamado direito de secessão.
B) O desmembramento poderá ocorrer, contanto que haja aprovação, por via plebiscitária,
exclusivamente por parte da população que atualmente habita o território que formaria o
Estado N.
C) Além de aprovação pela população interessada, o desmembramento também pressupõe a
edição de lei complementar pelo Congresso Nacional com esse objeto.
D) Além de manifestação da população interessada, o sistema constitucional brasileiro exige
que o desmembramento dos Estados seja precedido de divulgação de estudos de viabilidade.

GABARITO

LETRA C
De acordo com o art. 18, § 3º, da CF/88, os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se
ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios
Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, e
do Congresso Nacional, por lei complementar. Portanto, correta a alternativa C.

5) Determinado Governador de Estado, inconformado com decisões proferidas pelo Poder


Judiciário local, que determinaram o fechamento de diversos estabelecimentos
comprovadamente envolvidos com ilícitos,decidiu que os órgãos estaduais a ele subordinados
não cumpririam as decisões judiciais. Alegou que os negócios desenvolvidos nesses
estabelecimentos, mesmo sendo ilícitos, geravam empregos e aumentavam a arrecadação do
Estado, e que o não cumprimento das ordens emanadas do Poder Judiciário se justificava em
razão da repercussão econômica que o seu cumprimento teria.
Das opções a seguir, assinale a que se mostra consentânea com a Constituição Federal.

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A) O Presidente da República, após a requisição do Supremo Tribunal Federal, decretará a


intervenção federal, dispensado, nesse caso, o controle pelo Congresso Nacional.
B) O Governador de Estado, tendo por base a inafastável autonomia concedida aos Estados em
uma organização federativa, está juridicamente autorizado a adotar o indicado posicionamento.
C) O Presidente da República poderá decretar a intervenção federal, se provocado pelo
Procurador Geral da República e com autorização prévia do Congresso Nacional, que exercerá
um controle político.
D) O Supremo Tribunal Federal, prescindindo de qualquer atuação por parte do Presidente da
República, determinará, ele próprio, a intervenção federal, que será posteriormente apreciada
pelo Congresso Nacional.

GABARITO

LETRA A
Art. 34 da CF/88 - A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:
Inciso VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial;
Art. 36 da CF/88 A decretação da intervenção federal dependerá:
Inciso II - No caso de desobediência a ordem ou decisão judiciária, de requisição do STF, do STJ
ou do TSE;
parágrafo 3 - Nos casos do Art. 34, VI e VII, ou do art. 35, IV, dispensada a apreciação pelo
Congresso Nacional ou Assembleia Legislativa, o decreto limitar-se-a a suspender a execução do
ato impugnado, se essa medida bastar ao restabelecimento da normalidade.

#4 Processo Legislativo

1) O deputado federal João da Silva, em seu primeiro mandato, propõe um projeto de lei sobre
regulamentação de aplicativos de mensagens. As discussões em plenário se mostram acirradas,
sendo o projeto de lei rejeitado. Inconformado, o deputado, por entender que a rejeição do
projeto se deveu a fatores circunstanciais e passageiros, quer voltar a tê-lo reavaliado, ainda na
mesma sessão legislativa.
Em dúvida se poderia vir a fazê-lo, consulta sua assessoria que, em consonância com a CRFB/88,
presta a seguinte informação:
A) A matéria constante do referido projeto de lei somente poderá constituir objeto de novo
projeto na próxima sessão legislativa, em deferência ao princípio da oportunidade.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

B) A matéria objeto do projeto de Lei rejeitado ainda poderá ser apreciada na mesma sessão
legislativa, desde que proposta pela maioria absoluta dos membros de qualquer uma das casas
do Congresso Nacional.
C) A matéria, objeto do projeto de lei rejeitado, somente poderá ser apreciada na mesma sessão
legislativa se comprovadamente tratar de direito que aumente o grau de dignidade e proteção
da pessoa humana.
D) A matéria, discutida em projeto de lei rejeitado pelo Congresso Nacional, não pode ser
apreciada na mesma sessão legislativa, exceto se o Presidente da República, alegando interesse
nacional, assim o determinar.

GABARITO

LETRA B
CF/88:
Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de
novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos
membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional.
Em relação à alternativa A, o princípio em questão é o da irrepetibilidade, e não "oportunidade".

2) O Presidente da República tem dúvidas sobre como proceder em determinado projeto de lei
que vem gerando muitas críticas na imprensa. No décimo quarto dia útil do prazo para sancionar
ou vetar o referido projeto de lei, o Chefe do Executivo consulta o Advogado-Geral da União
para saber os efeitos jurídicos que adviriam do transcurso do prazo de quinze dias úteis sem a
adoção de nenhuma providência expressa, simplesmente permanecendo silente.
De acordo com a sistemática constitucional, essa situação implicaria
A) veto total, que ainda será apreciado em sessão conjunta das casas do Congresso Nacional.
B) sanção tácita, o que não exclui a possibilidade de o Chefe do Poder Executivo promulgar a lei.
C) sanção tácita, o que convalida eventual vício de iniciativa, ainda que da lei decorra aumento
de despesa.
D) veto parcial, que ainda será apreciado em sessão separada, pelo plenário de cada uma das
Casas do Congresso Nacional.

GABARITO

LETRA B

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Sanção é a concordância do Chefe do Poder Executivo com o projeto de lei aprovado pelo
Legislativo. É o ato que completa a fase constitutiva do processo legislativo de elaboração das
leis. A sanção incide sobre o projeto de lei, dando origem, com a sua incidência, ao nascimento
da lei, resultado da conjugação das vontades dos Poderes Legislativo e Executivo. É ato de
competência privativa do Chefe do Poder Executivo, não existindo nenhuma hipótese de sanção
por parte do Legislativo.
A sanção poderá ser expressa ou tácita. Será expressa quando o Chefe do Executivo der sua
aquiescência formal, escrita, no prazo de quinze dias úteis contados do recebimento do projeto.
Será tácita se o Presidente permanecer silente, deixando escoar esse prazo sem manifestação
de discordância.
O veto é a manifestação de discordância do Chefe do Executivo com o projeto de lei aprovado
pelo Poder Legislativo. É o poder constitucionalmente outorgado ao Chefe do Executivo, em
caráter exclusivo, para recusar sanção a projeto de lei já aprovado pelo Legislativo. (VICENTE
PAULO E MARCELO ALEXANDRINO)
CF:
Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao Presidente da
República, que, aquiescendo, o sancionará.
§ 1º - Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional
ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis,
contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente
do Senado Federal os motivos do veto.
§ 2º O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de
alínea.
§ 3º Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do Presidente da República importará sanção.
§ 4º O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu
recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto damaioria absoluta dos Deputados e
Senadores.
§ 5º Se o veto não for mantido, será o projeto enviado, para promulgação, ao Presidente da
República.
§ 6º Esgotado sem deliberação o prazo estabelecido no § 4º, o veto será colocado na ordem do
dia da sessão imediata, sobrestadas as demais proposições, até sua votação final.
§ 7º Se a lei não for promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo Presidente da República,
nos casos dos § 3º e § 5º, o Presidente do Senado a promulgará, e, se este não o fizer em igual
prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo.

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3) Determinado projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados foi devidamente
encaminhado ao Senado Federal. Na Casa revisora, o texto foi aprovado com pequena
modificação, sendo suprimida certa expressão sem, contudo, alterar o sentido normativo do
texto aprovado na Câmara. Assim, o projeto foi enviado ao Presidente da República, que
promoveu a sua sanção, dando origem à Lei “L”.
Neste caso, segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal,
A) não houve irregularidade no processo legislativo, porque não há necessidade de
reapreciação, pela Câmara dos Deputados, do projeto de lei que tenha expressão suprimida pelo
Senado Federal, quando sentido o normativo da redação remanescente não foi alterado.
B) não houve irregularidade no processo legislativo, porque é função precípua da Casa revisora
estabelecer as mudanças que lhe parecerem adequadas, sendo desnecessário o retorno à Casa
iniciadora, mesmo nas situações em que a alteração modifique o sentido normativo inicial.
C) houve irregularidade no processo legislativo, pois qualquer alteração realizada, pela Casa
revisora, no texto do projeto de lei implica a necessária devolução à Casa iniciadora, a fim de
que aprecie tal alteração.
D) houve irregularidade no processo legislativo, mas, por tratar-se de problema de natureza
interna corporis do Congresso Nacional, somente uma ADI proposta pela Mesa da Câmara dos
Deputados teria o condão de suscitar a inconstitucionalidade da Lei “L”.

GABARITO

LETRA A
a) Correta. Um projeto de lei que é modificado pela Casa Revisora só não será devolvido à Casa
Inicial para avaliação da modificação se a emenda parlamentar consistir em simples correção
gramatical ou supressão de palavra ou expressão, em todos os casos que o sentido normativo
da redação não tenha sido alterado.
Sobre a questão, Bruna Vieira aduz: " de acordo com o STF, o retorno do projeto de lei à casa
iniciadora deve se dar apenas quando houver alteração no sentido jurídico da norma. Uma
emenda que vise apenas corrigir uma impropriedade técnica ou aprimorar a redação do projeto
de lei não precisa voltar à casa iniciadora." (Super-revisão OAB: doutrina completa/Wander
Garcia, coordenador. 3ª ed. Indaiatuba, SP. Editora Foco Jurídico, 2014).
b) Errado. Um projeto de lei que é modificado pela Casa Revisora só não será devolvido à Casa
Inicial para avaliação da modificação se a emenda parlamentar consistir em simples correção
gramatical ou supressão de palavra ou expressão, em todos os casos desde que o sentido
normativo da redação não tenha sido alterado. Nos demais casos, o projeto de lei será devolvido
à Casa Inicial para que aprove ou rejeite as alterações realizadas pela Casa Revisora.
c) Errado. Inicial para avaliação de modificação se a emenda parlamentar consistir em simples
correção gramatical ou supressão da palavra ou expressão, em todos os casos desde que o
sentido normativo da redação não tenha sido alterado.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

d) Errado. Um projeto de lei que é modificado pela Casa Revisora só não será devolvido à Casa
Inicial para avaliação da modificação se a emenda parlamentar consistir em simples correção
gramatical ou supressão de palavra ou expressão, em todos os casos desde que o sentido
normativo da redação não tenha sido alterado. Não há que se falar aqui em questão interna
corporis, pois o que há é discussão acerca do respeito ou não ao devido processo legislativo.

4) O Presidente da República edita Medida Provisória que dispõe sobre a injeção extraordinária
de verbas para o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES). O tema, porém, já havia sido objeto
de projeto de lei anteriormente aprovado pelo Congresso Nacional e remetido ao próprio
Presidente da República para sanção.
Nessa linha, observado o regramento estabelecido pela Constituição Federal, assinale a
afirmativa correta.
A) É vedada a edição da Medida Provisória, pois a matéria já havia sido disciplinada em projeto
de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção ou veto pelo Presidente da
República.
B) A Medida Provisória narrada na questão não poderia ser editada, visto que é vedado pela
Constituição Federal dispor sobre matéria orçamentária por meio dessa espécie legislativa.
C) A Medida Provisória é juridicamente viável, mas, se não for apreciada em até sessenta dias
contados da sua publicação, entrará em regime de urgência, subsequentemente, em cada uma
das Casas, ficando sobrestadas todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver
tramitando, até que se ultime a votação.
D) A Medida Provisória é juridicamente viável e prorrogar-se-á por duas vezes, por igual período,
a sua vigência se, no prazo de 45 dias contados de sua publicação, não tiver a sua votação
encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional.

GABARITO

LETRA A
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas
provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 32, de 2001)
I – relativa a: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
b) direito penal, processual penal e processual civil; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32,
de 2001)

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c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus


membros; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento e créditos adicionais e
suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º; (Incluído pela Emenda Constitucional nº
32, de 2001)
II – que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo
financeiro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
III – reservada a lei complementar; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
IV – já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e pendente de sanção
ou veto do Presidente da República.B) ERRADA. Em regra matéria orçamentária não pode ser
objeto de MP. Contudo, no caso, não se trata de matéria orçamentária, pois a LOA já poderia
trazer a previsão da rubrica, cabendo à MP, apenas a utilização.
C) ERRADA. O regime de urgência SE INICIA APÓS 45 DIAS A CONTAR DA EDIÇÃO DA MP.
D) ERRADA. A MP pode ser prorrogada, após 60 dias de sua primeira edição. Além disso,
prorrogar-se-á, apenas, por uma única vez por igual período a vigência dessa medida provisória.

5) Maria da Silva, deputada federal integrante do partido Alfa, vem a ter projeto de sua iniciativa
aprovado, com apoio de outros partidos políticos. Para sua surpresa, o texto do seu projeto veio
a ser vetado na integralidade por decisão do Presidente da República. Após tomar ciência do
veto presidencial, a deputada, com o intuito de derrubá-lo, procura as lideranças dos partidos
que apoiaram seu projeto.
Nos termos da Constituição Federal, assinale a opção que apresenta o procedimento correto.
A) Vetado o projeto de lei, ocorrerá o seu arquivamento.
B) Após o veto, a matéria somente poderá ser reapreciada no ano subsequente.
C) O veto poderá ser rejeitado, o que acarretará o envio do projeto para promulgação pelo
Presidente da República.
D) A apreciação do veto deverá ocorrer, em separado, por cada Casa Legislativa, podendo ser
rejeitado pela maioria absoluta de cada uma delas.

GABARITO

LETRA C
O art. 66, § 4º, da CF/88, prevê que o veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta
dias a contar de seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos
Deputados e Senadores. Nesse caso, de acordo com o § 5º, do mesmo artigo, se o veto não for
mantido, será o projeto enviado, para promulgação, ao Presidente da República.

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#5 Poder Legislativo

1) Após ampla investigação, os órgãos competentes concluíram que o deputado federal X


praticara um crime de homicídio, figurando como vítima o também deputado federal Y, seu
desafeto político. Esse fato, ocorrido dentro das dependências da respectiva Casa Legislativa,
despertou intenso debate a respeito de qual seria o órgão competente para julgá-lo.
À luz da sistemática constitucional, é correto afirmar que X deve ser julgado
A) pelo Supremo Tribunal Federal, órgão competente para processar e julgar os Deputados
Federais em qualquer infração penal comum.
B) pelo Tribunal do Júri, órgão competente para julgar qualquer pessoa pela prática de crime
doloso contra a vida.
C) pelo Superior Tribunal de Justiça, órgão competente para processar e julgar os Deputados
Federais no caso de crime doloso contra a vida.
D) pela Câmara dos Deputados, órgão competente para julgar os Deputados Federais por crimes
de responsabilidade, considerados como tais aqueles que tenham relação com o exercício do
mandato.

GABARITO

LETRA A
Tendo em vista o caso hipotético narrado e à luz da sistemática constitucional, é correto afirmar
que X deve ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal, órgão competente para processar e julgar
os Deputados Federais em qualquer infração penal comum. Isso porque Deputados federais e
Senadores, a partir da expedição do diploma até o término do mandato, serão submetidos a
julgamento perante o Supremo Tribunal Federal.
Conforme o art. 53, § 1º, CF/88 –“Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma,
serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federa”.
Quanto à extensão da locução "infrações penais comuns", prevista no art. 102, I, "b", CF/88,
pode-se concluir que abrange todas as modalidades de infrações penais, se estende aos delitos
eleitorais, incluindo também os crimes dolosos contra a vida e as contravenções penais
(MASSON, 2015, p. 263).
Fonte: MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 3.ed. Salvador: Jus Podium, 2015.

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2) Ocorreu um grande escândalo de desvio de verbas públicas na administração pública federal,


o que ensejou a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), requerida pelos
deputados federais de oposição. Surpreendentemente, os oponentes da CPI conseguem que o
inexperiente deputado M seja alçado à condição de Presidente da Comissão. Por não possuir
formação jurídica e desconhecer o trâmite das atividades parlamentares, o referido Presidente,
sem consultar os assessores jurídicos da Casa, toma uma série de iniciativas, expedindo ofícios
e requisitando informações a diversos órgãos. Posteriormente, veio à tona que apenas uma de
suas providências prescindiria de efetivo mandado judicial. Assinale a opção que indica a única
providência que o deputado M poderia ter tomado, prescindindo de ordem judicial.
A) Determinação de prisão preventiva de pessoas por condutas que, embora sem flagrância,
configuram crime e há comprovado risco de que voltem a ser praticadas.
B) Autorização, ao setor de inteligência da Polícia Judiciária, para que realize a interceptação das
comunicações telefônicas (“escuta”) de prováveis envolvidos.
C) Quebra de sigilo fiscal dos servidores públicos que, sem aparente motivo, apresentaram
público e notório aumento do seu padrão de consumo.
D) Busca e apreensão de documentos nas residências de sete pessoas supostamente envolvidas
no esquema de desvio de verba.

GABARITO

LETRA C
"As CPIs terão poderes de investigação, próprios das autoridades judiciais, alem de outros
previstos nos regimentos internos das Casas. [..] Consoante já decidiu o STF, a CPI pode, por
autoridade própria, ou seja, sem a necessidade de qualquer intervenção judicial, sempre por
decisão fundamentada e motivada, observadas toas as formalidades legais, determinar: quebra
de sigilo fiscal, quebra de sigilo bancário, quebra de sigilo de dados. [...] Muito embora o
constituinte originário tenha conferido poderes à CPU, restritos à investigação, referidos
poderes não são absolutos, devendo sempre ser respeitado o postulado da reserva
constitucional de jurisdição. [...] Isso significa que a CPI não poderá praticar determinados atos
de jurisdição atribuídos exclusivamente ao Poder Judiciário, vale dizer, atos propriamente
jurisdicionais reservados à primeira e última palavra dos magistrados, não podendo a CPI neles
adentrar, destacando-se a impossibilidade de: diligência domiciliar, quebra de sigilo das
comunicações telefônicas; ordem de prisão, salvo no caso de flagrante delito." (LENZA, 2013, p.
552-555).

3) Caio da Silva, Senador da República pelo Estado “Z", no decorrer do recesso parlamentar,
viaja de férias com a família para um resort situado no Estado “X", a fim de descansar. Todavia,
em meio aos hóspedes que ali se encontravam, deparou-se com Tício dos Santos, um ferrenho
adversário político, com quem acabou por travar áspera discussão em torno de temas políticos
já discutidos anteriormente no Senado. Caio da Silva, durante a discussão, atribuiu ao seu
adversário a responsabilidade pela prática de fatos definidos como crimes, além de injuriá-lo

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com vários adjetivos ofensivos. Tício dos Santos, inconformado com as agressões públicas a ele
desferidas, decidiu ajuizar queixa-crime em face de Caio da Silva.
Tendo em vista as particularidades da narrativa acima e considerando o que dispõe a
Constituição Federal, assinale a afirmativa correta
A) Caio da Silva, por estar fora do espaço físico do Congresso Nacional, não é alcançado pela
garantia da imunidade material, respondendo pelos crimes contra a honra que praticou.
B) Caio da Silva, mesmo fora do espaço físico do Congresso Nacional, é alcançado pela garantia
da imunidade material, tendo em vista que as ofensas proferidas estão relacionadas ao exercício
da atividade parlamentar.
C) Caio da Silva não está coberto pela garantia da imunidade material, tendo em vista que as
ofensas foram proferidas em um momento de recesso parlamentar, o que afasta qualquer
relação com a atividade de Senador.
D) Caio da Silva não está coberto pela garantia da imunidade material, visto que, durante o
recesso parlamentar, sequer estava no território do Estado que representa na condição de
Senador.

GABARITO

LETRA B
A questão trata da imunidade parlamentar. No caso específico, da imunidade material ou
inviolabilidade parlamentar.
Sobre o assunto, aduz Pedro Lenza: “A imunidade material, prevista no art. 53, caput, garante
que os parlamentares federais são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas
opiniões, palavras e votos, desde que proferidos em razão de suas funções parlamentares, no
exercício e relacionados ao mandato, não se restringindo ao âmbito do Congresso Nacional.
Assim, mesmo que um parlamentar esteja fora do Congresso Nacional, mas exercendo sua
função parlamentar federal, em qualquer lugar do território nacional estará resguardado, não
praticando qualquer crime por sua opinião, palavra ou voto.Resumindo, a imunidade material
(absoluta) não se limita ao espaço físico ou ao período de férias, mas sim ao critério funcional,
ou seja, basta que as ofensas sejam proferidas em razão do exercício do parlamentar (no caso
Senador) que este estará amparado pela proteção constitucional.

4) O senador “X” ausentou-se das atividades do Senado Federal para tratar de assunto de
interesse particular por cento e cinquenta dias ininterruptos e, diante desse fato, enfrenta
representação para a perda do seu mandato, por não ter comparecido à terça parte das sessões
ordinárias da Casa, que foram realizadas no período em que esteve ausente
Nessa hipótese, assinale a afirmativa correta.

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A) A perda do mandato do referido senador será decidida pelo Senado Federal, por maioria
absoluta, mediante provocação da respectiva mesa ou de partido político representado no
Congresso Nacional, assegurada a ampla defesa.
B) Não poderá o referido parlamentar perder o mandato, já que o afastamento não ultrapassou
cento e oitenta dias dentro da mesma sessão legislativa
C) A perda do mandato do referido senador poderá ser declarada pela Mesa da Casa Legislativa
de ofício ou mediante provocação de qualquer dos seus membros, ou de partido político
representado no Congresso Nacional, assegurada a ampla defesa.
D) Caso o referido senador venha a renunciar após submetido ao processo que vise ou possa
levar à perda do seu mandato, haverá o arquivamento do processo pela perda do seu objeto.

GABARITO

LETRA C
O art. 56, II, da CF/88, estabelece que não perderá o mandato o Deputado ou Senador licenciado
pela respectiva Casa por motivo de doença, ou para tratar, sem remuneração, de interesse
particular, desde que, neste caso, o afastamento não ultrapasse cento e vinte dias por sessão
legislativa. Incorreta a alternativa B.
De acordo com o art. 55, III, da CF/88, perderá o mandato o Deputado ou Senador que deixar
de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da Casa a que
pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada. Nesse caso, conforme prevê o § 3º, do
mesmo artigo, a perda será declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou mediante
provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado no Congresso
Nacional, assegurada ampla defesa. Portanto, incorreta a alternativa A e correta a alternativa C.
O art. 55, § 4º, da CF/88, prevê que a renúncia de parlamentar submetido a processo que vise
ou possa levar à perda do mandato, nos termos deste artigo, terá seus efeitos suspensos até as
deliberações finais de que tratam os §§ 2º e 3º. Incorreta a alternativa D.

5) O Deputado Federal “Y” foi objeto de extensa investigação, e diversas reportagens


jornalísticas indicaram sua participação em fraudes contra a previdência social. Além disso,
inquéritos da polícia chegaram a fortes indícios de diversas práticas criminosas por uma
quadrilha por ele liderada. O Ministério Público ofereceu denúncia contra sete acusados,
incluindo o parlamentar.
Com relação ao caso apresentado, assinale a afirmativa correta.
A) Os deputados federais não podem ser presos em hipótese alguma, pois são invioláveis, na
forma prevista na Constituição da República.
B) O processo criminal contra o deputado federal deverá tramitar perante o Superior Tribunal
de Justiça e tem procedimento especial previsto em lei.

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C) O tribunal competente, recebida denúncia contra o deputado federal por crime ocorrido após
a diplomação, dará ciência à Câmara dos Deputados, que poderá sustar o andamento da ação
por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, até
a decisão final.
D) Os membros do Congresso Nacional, desde a expedição do diploma, não poderão ser
processados criminalmente sem prévia licença de sua Casa; não sendo concedida a licença,
ficará suspensa a prescrição, até o fim do mandato.

GABARITO

LETRA C
Os parlamentares possuem imunidades materiais (art. 53, caput, CF/88) e formais. As
imunidades formais podem estar relacionadas à prisão (art. 53, § 2º, CF/88) ou ao processo (art.
53, §§ 3º a 5º). A imunidade formal relativa ao processo estabelece que a Casa Legislativa poderá
sustar o andamento da ação penal de crime ocorrido após a diplomação. No entanto, não há
necessidade de licença prévia da casa parlamentar a que pertencem para serem processados.
Veja-se a redação do ar. 53, da CF/88:
Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas
opiniões, palavras e votos.
§ 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento
perante o Supremo Tribunal Federal.
§ 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos,
salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte
e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre
a prisão.
§ 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação,
o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político
nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar
o andamento da ação.
§ 4º O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo improrrogável de
quarenta e cinco dias do seu recebimento pela Mesa Diretora.
§ 5º A sustação do processo suspende a prescrição, enquanto durar o mandato.
§ 6º Os Deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar sobre informações recebidas
ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou
deles receberam informações.
§ 7º A incorporação às Forças Armadas de Deputados e Senadores, embora militares e ainda
que em tempo de guerra, dependerá de prévia licença da Casa respectiva.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

§ 8º As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão durante o estado de sítio, só


podendo ser suspensas mediante o voto de dois terços dos membros da Casa respectiva, nos
casos de atos praticados fora do recinto do Congresso Nacional, que sejam incompatíveis com a
execução da medida.

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DIREITOSHUMANOS

#1 Sistema Global de Direitos Humanos

1) Você, advogado, foi contratado por um grupo de organizações de defesa dos Direitos
Humanos para emitir um parecer jurídico quanto à viabilidade técnica da seguinte proposta:
tendo em vista que em 2013 entrou em vigor o Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional de
Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC), as organizações pretendem criar um programa
conjunto que envie comunicações individuais ao comitê do PIDESC no caso de jovens que
tentaram por todos os meios, mas não conseguiram matrícula em escolas de ensino médio com
ensino técnico ou profissionalizante. Dessa forma o Comitê ao receber a comunicação, sendo
esta admissível, poderá fazer recomendações ao Estado-parte que deverá implantá-las em seis
meses.
Assinale a opção que caracteriza o parecer mais adequado para o caso.
A) O PIDESC faz uma previsão genérica de garantia da educação e prevê expressamente o ensino
fundamental, mas não faz qualquer menção ao ensino técnico e profissional como sendo um
direito que deve ser assegurado pelos estados-partes. Por isso o Programa não pode ser
implementado.
B) O Programa proposto não pode ser implementado pois de acordo com o Protocolo ao PIDESC
apenas o indivíduo que for a vítima pode submeter diretamente a comunicação. Em nenhuma
hipótese o autor da comunicação pode ser alguém que não seja a vítima.
C) Embora a proposta seja interessante e adequada tanto ao escopo do PIDESC quanto ao
Protocolo Facultativo, ela não pode ser realizada pois o Brasil, até a presente data, não ratificou
o Protocolo Facultativo e, portanto, o Comitê não está autorizado a receber comunicações
individuais em face do Estado brasileiro.
D) O Programa proposto pelas organizações de defesa dos direitos humanos atende tanto uma
demanda da realidade brasileira quanto às disposições previstas no PIDESC e no Protocolo
Facultativo ao PIDESC, de forma que pode ser plenamente implementado.

GABARITO

LETRA C
Em maio de 2013, entrou em vigor o Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional de Direitos
Econômicos, Sociais e Culturais. Com este protocolo, as vítimas de violações de direitos
econômicos, sociais e culturais, como por exemplo, o direito à alimentação, à saúde, à habitação
e à educação, que não encontram soluções em seus próprios países, podem dispor de um
mecanismo para apresentar suas queixas e denúncias em âmbito internacional ante o Comitê
de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU. Entretanto, o Brasil ainda não integra a lista

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de países que ratificaram esse protocolo, portanto o Comitê não poderia receber nenhuma
denúncia em face do Estado brasileiro ainda.

2) Considere o seguinte caso: Em um Estado do norte do Brasil está havendo uma disputa que
envolve a exploração de recursos naturais em terras indígenas. Esta disputa envolve diferentes
comunidades indígenas e uma mineradora privada. Como advogado que atua na área dos
Direitos Humanos, foilhe solicitado elaborar um parecer. Nesse caso, é imprescindível se ter em
conta a Convenção 169 da OIT, que foi ratificada pelo Brasil, em 2002. De acordo com o Art. 2º
desta Convenção, os governos deverão assumir a responsabilidade de desenvolver, com a
participação dos povos interessados, uma ação coordenada e sistemática com vistas a proteger
os direitos desses povos e a garantir o respeito pela sua integridade.
Levando-se em consideração esta Convenção e em relação ao que se refere aos recursos
naturais eventualmente existentes em terras indígenas, assinale a afirmativa correta.
A) Os povos indígenas que ocupam terras onde haja a exploração de suas riquezas minerais e
do subsolo têm direito ao recebimento de parte dos recursos auferidos, mas não possuem
direito a participar da utilização, administração e conservação dos recursos mencionados.
B) Em caso de a propriedade dos minérios ou dos recursos do subsolo pertencer ao Estado, o
governo deverá estabelecer ou manter consultas dos povos interessados, a fim de determinar
se os interesses desses povos seriam prejudicados, antes de empreender ou autorizar qualquer
programa de prospecção ou exploração dos recursos existentes.
C) A exploração de riquezas minerais e do subsolo em terras ocupadas por povos indígenas é
aceitável e prescinde de consulta prévia desde que se cumpram os seguintes requisitos:
preservação da identidade cultural dos povos ocupantes da terra, pagamento de royalties em
função dos transtornos causados e autorização por meio de decreto legislativo.
D) Em nenhuma hipótese pode haver a exploração de riquezas minerais e do subsolo em terras
ocupadas por populações indígenas.

GABARITO

LETRA B
A letra A está incorreta, pois de acordo com o art. 15, I da Convenção 169, da OIT, o direito
desses povos inclui a participação na utilização, administração e conservação dos recursos
naturais.
A letra B está correta, conforme o art. 15, II. Em caso de pertencer ao Estado a propriedade dos
minérios ou dos recursos do subsolo, ou de ter direitos sobre outros recursos, existentes na
terras, os governos deverão estabelecer ou manter procedimentos com vistas a consultar os
povos interessados, a fim de se determinar se os interesses desses povos seriam prejudicados,
e em que medida, antes de se empreender ou autorizar qualquer programa de prospecção ou
exploração dos recursos existentes nas suas terras.A letra C está incorreta. A consulta prévia aos

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povos indígenas é obrigatória, no caso de exploração de riquezas minerais e do subsolo em


terras ocupadas por eles.
A letra D está incorreta. A exploração pode ocorrer porém deve-se seguir procedimentos e
regras que assegurem a proteção dos direitos dos povos interessados nos recursos naturais
existentes nas suas terras.

3) João e Maria são casados e ambos são deficientes visuais. Enquanto João possui visão
subnormal (incapacidade de enxergar com clareza suficiente para contar os dedos da mão a uma
distância de 3 metros), Maria possui cegueira total. O casal tentou se habilitar ao processo de
adoção de uma criança, mas foi informado no Fórum local que não teriam o perfil de pais
adotantes, em função da deficiência visual, uma vez que isso seria um obstáculo para a criação
de um futuro filho.
Diante desse caso, assinale a opção que melhor define juridicamente a situação.
A) A informação obtida no Fórum local está errada e o casal, a despeito da deficiência visual,
pode exercer o direito à adoção em igualdade de oportunidades com as demais pessoas,
conforme previsão expressa na legislação pátria.
B) A informação prestada no Fórum está imprecisa. Embora não haja previsão legal expressa
que assegure o direito à adoção em igualdade de oportunidades pela pessoa com deficiência, é
possível defender e postular tal direito com base nos princípios constitucionais.
C) Conforme previsto no Art. 149 do Estatuto da Criança e do Adolescente, cabe ao juiz
disciplinar, por meio de Portaria, os critérios de habilitação dos pretendentes à adoção. Assim,
se no Fórum foi dito que o casal não pode se habilitar em função da deficiência é porque a
Portaria do Juiz assim definiu, sendo esta válida nos termos do artigo citado do ECA.
D) Como não há nenhuma previsão expressa na legislação sobre adoção em igualdade de
oportunidades por pessoas com deficiência e os princípios constitucionais não possuem
densidade normativa para regulamentar tal caso, deve-se reconhecer a lacuna da lei e raciocinar
com base em analogia, costumes e princípios gerais do direito, conforme determina o Art. 4º da
Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro.

GABARITO

LETRA A
O Decreto 6949/2009 promulgou a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência, incorporando-a ao ordenamento interno. Em seu artigo art. 23, II, está previsto
expressamente que os Estados Partes assegurarão os direitos e responsabilidades das pessoas
com deficiência, relativos à guarda, custódia, curatela e adoção de crianças ou instituições
semelhantes.

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4) Em dezembro de 2014, a sul-africana Urmila Bhoola, relatora especial das Nações Unidas
sobre as formas contemporâneas de escravidão, declarou que "pelo menos 20,9 milhões de
pessoas estão sujeitas a formas modernas de escravidão, que atingem principalmente mulheres
e crianças". A relatora da ONU, para fazer tal afirmação, considerou o conceito de escravidão
presente na Convenção Suplementar sobre a Abolição da Escravatura, do Tráfico de Escravos e
das Instituições e Práticas Análogas à Escravatura adotada em Genebra, em 7 de setembro de
1956.
Assinale a opção que apresenta o conceito de escravidão conforme disposto na referida
Convenção:
A) Estado ou a condição de um indivíduo sobre o qual se exercem todos ou parte dos poderes
atribuídos ao direito de propriedade.
B) Situação em que um indivíduo trabalha em condições precárias e não recebe seus direitos
trabalhistas de modo pleno e integral.
C) Relação em que uma pessoa possui o controle físico sobre o corpo de outra pessoa.
D) Condição por meio da qual uma pessoa se encontra psicologicamente constrangida a cumprir
as ordens que lhe são dadas por terceiros, ainda que tais ordens sejam contrárias aos seus
interesses.

GABARITO

LETRA A
Com base no art. 7º, §1º da Convenção Suplementar sobre a Abolição da Escravatura, do Tráfico
de Escravos e das Instituições e Práticas Análogas à Escravatura a resposta correta é a letra A.

5) Como é sabido, o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos estabelece em seu Art. 25
que todo cidadão terá o direito e a possibilidade de votar e de ser eleito em eleições periódicas,
autênticas, realizadas por sufrágio universal e igualitário e por voto secreto, que garantam a
manifestação da vontade dos eleitores. Segundo informação da Agência Brasil (Empresa
Brasileira de Comunicação), o Brasil possuía, em 2014, cerca de 230 mil presos provisórios.
Em relação a tais presos, assinale a afirmativa correta.
A) A despeito do Pacto supramencionado, eles não possuem direito ao voto, por estarem em
situação de encarceramento, o que enseja perda da condição de cidadão.
B) Tais presos provisórios têm direito ao voto apenas se manifestarem expressamente o
interesse em votar e forem previamente cadastrados pelo TRE.
C) Todos aqueles que estão privados de liberdade por ato legal do Estado perdem seus direitos
políticos, não podendo, portanto, votar e nem se candidatar.

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D) Presos provisórios têm o direito de votar em seções eleitorais especiais devidamente


instaladas em estabelecimentos penais e em unidades de internação de adolescentes.

GABARITO

LETRA D
Apesar de não ser necessário o conhecimento sobre o Pacto Internacional dos Direitos Civis e
Políticos para responder esta questão, cabe lembrar que tal pacto, também conhecido pela sigla
PIDCP, foi aprovado em 1966, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em meio a um
momento de polarização política do sistema internacional de direitos humanos devido à Guerra
Fria. O PIDCP demonstra um esforço de complementação e detalhamento dos direitos civis e
políticos inscritos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948.
Quanto à sua organização, o Pacto é composto por um preâmbulo e quarenta e sete artigos,
divididos em cinco partes. É importante reparar que, no preâmbulo, são reconhecidos a
universalidade, indivisibilidade e inalienabilidade dos direitos humanos, princípios estes que já
tinham sido consagrados pela Declaração Universal. Além disso, o Pacto inova ao elencar novos
direitos como o direito à autodeterminação (art 1º), o direito de não ser preso por
descumprimento de obrigação contratual (art.11) e o direito das minorias à identidade cultural,
religiosa e lingüística (art 27).
O PIDCP entrou em vigor apenas em 1976, após alcançar o número mínimo de adesões (35
Estados). O Brasil só ratificou o pacto em 1992.
A Constituição Brasileira de 1988 estabelece como princípios fundamentais do Estado
Democrático de Direito a cidadania (art. 1º, II) e a dignidade da pessoa humana (art. 1º, III). De
acordo com o constitucionalista José Afonso da Silva, a cidadania é atributo político do direito
de participar do governo assim como um direito de ser ouvido pela representação política. Esse
direito de participação se dá pelo voto.
Conforme o caput do art. 14, CF, o exercício da soberania popular deve ser exercido por sufrágio
universal e por voto direto e secreto, com valor igual para todos. A suspensão ou perda dos
direitos políticos é adstrita aos casos elencados no art 15. No inciso III, por exemplo, é prevista
a suspensão dos direitos políticos dos indivíduos que tiveram sua condenação criminal
transitada em julgado, ou seja, que não haja mais possibilidade de recurso.
Entretanto, com base na prevalência dos direitos fundamentais consagrados no Capítulo IV da
CF, em especial o princípio da presunção de inocência, o art. 15, inciso III deve ser interpretado
de forma restritiva. Nesse sentido, o preso provisório (aquele contra quem não existe
condenação que não se possa mais recorrer) não tem seu direito político suspenso. Na prática,
todavia, o direito de voto dos presos provisórios não é garantido na grande maioria das casas
prisionais do país.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já se manifestou, por meio de suas instruções eleitorais, que
o preso provisório deve votar “se possível". E a implantação de seções eleitorais especiais seria
a melhor forma de cumprir esse direito, pois trata-se da hipótese do art. 136 do Código Eleitoral.
Nas eleições de 2014, a resolução nº 23.399 do TSE regulamentou o direito ao voto do preso

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provisório, estabelecendo que os Tribunais Regionais Eleitorais só poderiam instalar zonas


eleitorais em unidades prisionais com, no mínimo, cinquenta eleitores aptos a votar.
A importância da garantia do direito ao voto do preso provisório está relacionado com a
consolidação da democracia no país. Na medida em que os presos não votam, deixam de
despertar a atenção daqueles que realizam as políticas públicas. Essa exclusão social e política
acarreta despersonalização e desumanização que são incompatíveis com uma democracia que
tem como ideal o respeito à dignidade da pessoa humana.

#2 Sistema Interamericano de Direitos Humanos

1) Você, advogado, patrocinou uma importante causa na jurisdição interna do Brasil e, diante
da demora injustificada na decisão, apresentou o caso na Comissão Interamericana de Direitos
Humanos, onde o Brasil foi condenado a reparar seu cliente. Diante da inadimplência do Estado
brasileiro, a Comissão enviou o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos, onde o Brasil
foi condenado, sem, contudo, efetuar a reparação exigida pela sentença da Corte.
Diante desse fato e de acordo com a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, você deve
A) instar a Corte para, no ano seguinte, submeter o fato do descumprimento da decisão pelo
Estado brasileiro à consideração da Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos,
por meio de relatório sobre as atividades da Corte.
B) recorrer à Corte Internacional de Justiça de Haia, nos termos do que dispõe a Convenção
Americana sobre Direitos Humanos, uma vez que os sistemas regionais e o sistema global de
proteção dos direitos humanos são complementares.
C) conformar-se, pois não há mais nenhuma medida que possa ser feita pela Corte para buscar
o cumprimento de sua decisão pelo estado brasileiro condenado após o devido processo legal.
D) ingressar com a competente ação de obrigação de fazer em face do Estado brasileiro no
Superior Tribunal de Justiça, conforme o procedimento previsto na Convenção Americana sobre
Direitos Humanos ratificado pelo Estado brasileiro.

GABARITO

LETRA A
Conforme o art. 65, da Convenção Americana de Direitos Humanos, a Corte Interamericana
submeterá à consideração da Assembléia Geral da Organização, em cada período ordinário de
sessões, um relatório sobre suas atividades no ano anterior. De maneira especial, e com as
recomendações pertinentes, indicará os casos em que um Estado não tenha dado cumprimento
a suas sentenças.

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2) Há bastante tempo você tem atuado tanto administrativamente como judicialmente para
conseguir um tratamento de saúde especializado para o seu cliente. Diante da morosidade
injustificada enfrentada, seja na administração pública seja no processo judicial, você está
avaliando a possibilidade de ingressar com petição individual de seu cliente na Comissão
Interamericana de Direitos Humanos.
Assinale a opção que melhor expressa suas possibilidades, tendo em vista a Convenção
Americana sobre Direitos Humanos e o Protocolo de São Salvador.
A) Você não pode entrar com a petição individual de seu cliente na Comissão Interamericana de
Direitos Humanos, até que sejam esgotados todos os recursos da jurisdição interna do Brasil.
B) Você pode entrar com a petição individual de seu cliente na Comissão Interamericana de
Direitos Humanos, desde que demonstre que está havendo uma demora injustificada na
prestação dos recursos da jurisdição interna.
C) Você pode entrar com a petição individual de seu cliente na Comissão Interamericana de
Direitos, desde que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos na Convenção
Americana sobre Direitos Humanos, pois embora o direito à saúde não esteja previsto na própria
Convenção, o Protocolo de São Salvador torna possível o uso deste meio de proteção mesmo no
caso do direito à saúde.
D) Você, para encaminhar uma petição individual para a Comissão Interamericana de Direitos
Humanos, deve respeitar os requisitos de admissibilidade e que o direito violado esteja previsto
na própria Convenção ou, alternativamente, que seja um meio de proteção autorizado pelo
Protocolo de São Salvador, o que não é o caso do direito à saúde.

GABARITO

LETRA D
Conforme o art. 46, I e II, para que uma petição seja admitida pela Comissão Interamericana, ela
deverá atender diversos requisitos, como, por exemplo, o esgotamento dos recursos da
jurisdição interna, a não ocorrência de litispendência internacional ou a demora injustificada na
decisão sobre os recursos.
O Protocolo de São Salvador admite, em seu art. 19, VI, utilizar o sistema de petições individuais
apenas nos casos de violação do direito de filiação sindical (art. 8, a) ou dos direitos à educação
(art. 13).

3) Alguns jovens relataram um caso em que um outro jovem, de origem vietnamita, foi preso
sob a alegação de tráfico de drogas. O acusado não conhece ninguém no Brasil e o processo
penal já se iniciou, mas ele não compreende o que se passa no processo por não saber o idioma
e pela grande dificuldade de comunicação entre ele e seu defensor.
A partir da hipótese apresentada, de acordo com o Pacto de São José da Costa Rica, assinale a
afirmativa correta.

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A) O acusado tem direito de ser assistido gratuitamente por tradutor ou intérprete, se não
compreender ou não falar o idioma do juízo ou tribunal
B) O acusado tem que garantir por seus próprios meios a assistência de tradutor ou intérprete,
mas tem o direito de que os atos processuais sejam suspensos até que seja providenciado o
intérprete.
C) A investigação e o processo penal somente poderão acontecer quando o acusado tiver
assistência consular de seu país de origem.
D) O Pacto de São José da Costa Rica não dá ao acusado o direito de ser assistido por um
intérprete providenciado pelo Estado signatário ou de ter algum rito especial no processo.

GABARITO

LETRA A
Segundo a Convenção Americana de Direitos Humanos, também conhecida como Pacto de São
José da Costa Rica, durante o processo judicial, o acusado tem direito a garantias judiciais
mínimas, como por exemplo, o de ser assistido gratuitamente por um tradutor ou intérprete,
caso não compreenda ou não fale a língua do juízo ou tribunal ( art. 8º, 2, a).

4) Em relação ao direito de liberdade de pensamento e expressão, a Convenção Americana


sobre os Direitos Humanos, devidamente ratificada pelo Estado brasileiro, adotou o seguinte
posicionamento:
A) vedou a censura prévia, mas admite que a lei o faça em relação aos espetáculos públicos
apenas como forma de regular o acesso a eles, tendo em vista a proteção moral da infância e da
adolescência.
B) vedou a censura prévia em geral, mas admite que ela ocorra expressamente nos casos de
propaganda política eleitoral, tendo em vista a proteção da ordem pública e da segurança
nacional.
C) admitiu a censura prévia em geral, tendo em vista a proteção da saúde e da moral públicas,
mas a veda expressamente nos casos de propaganda eleitoral, a fim de assegurar a livre
manifestação das ideias políticas.
D) admitiu a censura prévia como forma de assegurar o respeito aos direitos e à reputação das
demais pessoas.

GABARITO

LETRA A

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Com base no art. 13, I da Convenção Americana de Direitos Humanos, é proibido censura prévia
do direito de liberdade de pensamento e de expressão, mas são cabíveis responsabilidades
ulteriores em certos casos, fixados em lei. De forma excepcional, a Convenção admite censura
prévia em alguns casos, como exposto no art. 13, IV, onde se permite submeter espetáculos
públicos a censura prévia para proteção moral da infância e da adolescência.

5) No Caso Damião Ximenes (primeiro caso do Brasil na Corte Interamericana de Direitos


Humanos), o Brasil foi condenado a investigar e sancionar os responsáveis pela morte de Damião
Ximenes, a desenvolver um programa de formação e capacitação para as pessoas vinculadas ao
atendimento de saúde mental e a reparação pecuniária da família. Damião Ximenes foi morto,
sob tortura, em uma clínica psiquiátrica particular na cidade de Sobral, no Ceará. A condenação
recaiu sobre a Federação (União) e não sobre o estado do Ceará ou sobre o município de Sobral,
embora ambos tenham algum tipo de responsabilidade sobre o funcionamento da clínica.
A responsabilização do governo federal (e não do estadual ou do municipal) aconteceu porque
A) estado e município não possuem capacidade jurídica para responder pela violação de direitos
humanos praticados por seus agentes.
B) o Brasil é um estado federativo e, nesses casos, cabe ao governo nacional cumprir todas as
disposições da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, relacionadas com as matérias
sobre as quais exerce competência legislativa e judicial.
C) o falecimento de Damião Ximenes aconteceu em uma clínica particular e cabe ao SUS, que é
federal, a regulamentação e supervisão do funcionamento de todas as casas de saúde.
D) a Corte Interamericana de Direitos Humanos possui jurisdição internacional e para que a
condenação recaísse sobre um estado ou um município seria necessária a homologação da
decisão da Corte pelo Tribunal de Justiça do Ceará.

GABARITO

LETRA B
A Convenção Americana possui uma “cláusula federal", em seu art. 28, que determina que o
governo nacional de um Estado Federal parte da Convenção que deverá cumprir com todas as
disposições, relacionadas com as matérias sobre as quais exerce competência legislativa e
judicial. Além disso, pode-se interpretar que a obrigação de garantia dos direitos elencados,
presentes no art. 1.1 e art. 2, implica no dever do Estado Federal em organizar suas estruturas
federais ou locais de forma a concretizar o exercício dos direitos humanos.

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#3 Direitos Humanos na CF

1) O STJ decidiu, no dia 10/12/2014, que uma causa relativa à violação de Direitos Humanos
deve passar da Justiça Estadual para a Justiça Federal, configurando o chamado Incidente de
Deslocamento de Competência. A causa trata do desaparecimento de três moradores de rua e
da suspeita de tortura contra um quarto indivíduo. Desde a promulgação da Emenda 45, em
2004, essa é a terceira vez que o STJ admite o Incidente de Deslocamento de Competência.
De acordo com o que está expressamente previsto na Constituição Federal, a finalidade desse
Incidente é o de
A) garantir o direito de acesso à Justiça.
B) assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de Direitos
Humanos dos quais o Brasil seja parte.
C) combater a morosidade de órgãos da Administração Pública e do Poder Judiciário.
D) combater a corrupção em entes públicos dos Estados e do Distrito Federal.

GABARITO

LETRA B
O Incidente de Deslocamento de Competência foi inserido no ordenamento interno por meio
da Emenda Constitucional nº 45/2004, ficando disciplinado no art. 109, §5º, CF/88. A finalidade
principal desse expediente processual é deslocar a competência das causas que envolvam graves
violações de Direitos Humanos para a Justiça Federal. Dessa forma, assegura-se o cumprimento
de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil
seja signatário.

2) Em maio de 1996, o Brasil instituiu seu primeiro Programa Nacional de Direitos Humanos
(PNDH 1). Na Introdução do PNDH 2, adotado em maio de 2002, vem escrito o seguinte: “Entre
as principais medidas legislativas que resultaram de proposições do PNDH figuram... a
transferência da justiça militar para a justiça comum dos crimes dolosos contra a vida praticados
por policiais militares (Lei 9.299/96), que permitiu o indiciamento e o julgamento de policiais
militares em casos de múltiplas e graves violações como os do Carandiru, Corumbiara e Eldorado
dos Carajás; a tipificação do crime de tortura (Lei 9.455/97), que constituiu marco referencial
para o combate a essa prática criminosa no Brasil; e a construção da proposta de reforma do
Poder Judiciário, na qual se inclui, entre outras medidas destinadas a agilizar o processamento
dos responsáveis por violações, a chamada ‘federalização’ dos crimes de direitos humanos.”

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Em relação ao último ponto descrito, é correto dizer que a federalização contra os crimes de
direitos humanos pode ocorrer apenas no seguinte caso:
A) havendo indício de violação de direitos humanos previstos na legislação nacional ou nos
tratados internacionais.
B) havendo grave violação de direitos humanos previstos nos tratados internacionais de direitos
humanos dos quais o Brasil seja parte.
C) havendo violação das leis protetivas dos direitos humanos, tais quais as leis citadas na
Introdução do PNDH 2.
D) havendo grave violação dos direitos humanos previstos na Constituição Federal.

GABARITO

LETRA B
A Emenda Constitucional nº 45/04 foi responsável pela Reforma do Poder Judiciário e uma de
suas diretrizes foi adequar o funcionamento do Judiciário brasileiro ao sistema de proteção
internacional dos direitos humanos. Para tanto, estabeleceu a federalização dos crimes contra
os direitos humanos, também conhecido pela sigla IDC (incidente de deslocamento de
competência), que consiste na transferência da competência da Justiça Comum para a Justiça
Federal, quando o caso envolver grave violação de direitos humanos assegurados em tratados
internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte.
Como disposto no art. 109, V-A e 5º, da CF/88, cabe ao Procurador Geral, no intuito de assegurar
o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos
firmados, suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou
processo, o deslocamento de competência para a Justiça Federal. Entre os exemplos de IDC mais
conhecidos, pode-se citar: o referente ao assassinato de irmã Dorothy Stang, que foi rejeitado
em 2005, no Pará; e ao assassinato do advogado e vereador Manoel Bezerra de Mattos Neto,
que foi acolhido em 2010, na Paraíba.

3) Em 2014, em pelo menos 24 Estados do Brasil, estavam cadastradas mais de 3.500


comunidades quilombolas. As comunidades quilombolas são grupos étnico-raciais, segundo
critérios de autoatribuição, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais
específicas e com ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica
sofrida. O constituinte brasileiro reconheceu a identidade dos quilombolas e, especificamente,
seu direito fundamental à
A) expressão cultural e artística.
B) educação em escolas próprias.
C) prática religiosa e litúrgica conforme suas tradições.
D) propriedade definitiva das terras que estejam ocupando.

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GABARITO

LETRA D
A proteção aos direitos dos quilombolas está consagrada na Constituição Federal de 1988 no
art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Esse artigo reconhece a propriedade
definitiva das terras ocupadas pelos remanescentes das comunidades dos quilombos, devendo
o Estado emitir-lhes os títulos respectivos. Assim, a resposta correta só pode ser a letra D.
Aprofundando o tema, é preciso lembrar que o Decreto Federal nº4887, de novembro de 2003,
regulamentou a aplicação do art. 68 do ADCT, estabelecendo critérios específicos para a
identificação das terras quilombolas. Reconhecendo o direito de autodefinição das próprias
comunidades, o decreto também prevê a necessidade de elaboração de um relatório técnico
feito pelo Incra e assegura o direito de defesa dos interessados no processo de reconhecimento
das comunidades quilombolas.
Já o Decreto Federal nº5051, de abril de 2004, promulgou a Convenção nº169 da OIT que , no
seu art. 6º, afirma a necessidade de consulta aos povos indígenas ( nos quais os quilombolas se
incluem) no que se refere a qualquer medida legislativa ou administrativa (como seria a
construção de uma estrada) que possa afetá-los diretamente. Além disso, dos artigos 13 ao 19,
são estabelecidos os direitos e garantias de propriedade e posse sobre as terras que
tradicionalmente ocupam. Quando, excepcionalmente, o translado e o ressarcimento desses
povos sejam considerados necessários, só poderão ocorrer com o consentimento dos mesmos,
concedido livremente e com pleno conhecimento de causa.

4) Considere a seguinte informação jurisprudencial: “Súmula Vinculante nº 25 do STF>: É ilícita


a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito.” Os debates no
STF que levaram à alteração de sua própria jurisprudência e à adoção da Súmula acima
consagraram a prevalência do Pacto de São José da Costa Rica e de sua proibição de prisão civil
(Artigo 7º, item 7, do Pacto).
Assinale a opção que contém a tese majoritária que fundamentou a decisão do STF.
A) A natureza supraconstitucional das Convenções de Direitos Humanos já que estas são
universais e possuem força vinculante.
B) A natureza constitucional das Convenções de Direitos Humanos que no Brasil decorre do
Artigo 5º, § 2°, da Constituição de 1988.
C) A natureza supralegal das Convenções de Direitos Humanos que faz com que elas sejam
hierarquicamente superiores ao código civil e ao de processo civil.
D) A natureza de lei ordinária das Convenções de Direitos Humanos, considerando que lei
posterior revoga lei anterior.

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GABARITO

LETRA C
Para se compreender a evolução da natureza dos tratados internacionais de direitos humanos
no ordenamento interno brasileiro, deve-se analisar, a princípio, o art. 5º §2º da Constituição
Federal de 1988. Antes da promulgação da Emenda nº45/04, um grupo de autores, liderados
por Flávia Piovesan, defendiam que os direitos enunciados por tratados internacionais dos quais
o Brasil seja signatário teriam valor constitucional, por força de uma interpretação sistemática
e teleológica do art. 5º §2º. Além disso, essa visão decorre do entendimento da expansão dos
valores da dignidade humana e dos direitos fundamentais, assim como do processo de
globalização, que fomenta a incorporação da normatividade internacional ao bloco
constitucional. Para Piovesan, esse ponto de vista também se justificaria diante do caráter
especial dos tratados de direitos humanos, admitido no Direito Internacional, em que são
considerados jus cogens ( direito cogente e inderrogável).
Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal, desde 1977, no julgamento do Recurso
Extraordinário nº 80.004, firmou o entendimento de que os tratados internacionais estão em
paridade com a lei federal, tendo a mesma hierarquia que esta. Embora essa tese de paridade
ter sido firmada antes da Constituição Federal de 1988 e o caso julgado tratar de lei comercial,
o STF reiterou sua posição, em novembro de 1995, no julgamento de um habeas corpus em caso
relativo à prisão civil de depositário infiel. O julgamento do HC nº 72.131-RJ tratou da
interpretação do art. 7º do Pacto de São José da Costa Rica e de sua obrigatoriedade no
ordenamento interno. Por votação não unânime, o STF decidiu que inexiste qualquer primazia
hierárquico-normativa dos tratados ou convenções internacionais sobre o direito positivo
interno.
A tese da paridade gerou muita polêmica doutrinária e até jurisprudencial ( vide, por exemplo,
o entendimento do Ministro Sepúlveda Pertence por ocasião do julgamento do RHC nº 79.785-
RJ, no Supremo Tribunal Federal, em maio de 2000). No intuito de encerrar essas controvérsias,
foi introduzido, por meio da EC 45/04, o §3º no art. 5º, que declarava que todas convenções
internacionais de direitos humanos aprovadas, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois
turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, seriam equivalentes às emendas à
Constituição.
O impacto da inovação do art. 5º §3º levou à necessidade de atualização da posição do STF, que
se manifestou no julgamento do RE nº 466.343, em novembro de 2006. No caso, a Corte adotou
o entendimento de supra-legalidade (acima da lei ordinária, mas abaixo da Constituição Federal)
dos tratados de direitos humanos. Por meio do voto-vista do Ministro Gilmar Mendes,
asseverou-se que a prisão do depositário infiel, vedada pelo art. 7º do Pacto de San José,
também deve ser proibida no ordenamento jurídico nacional com status de norma
constitucional. Portanto, o Pacto de San José, revestido de supra-legalidade, estaria abaixo da
Constituição Federal, mas acima das leis ordinárias, por ser um instrumento de proteção dos
direitos humanos.
Por fim, a questão sobre prisão civil de depositário infiel foi resolvida em dezembro de 2009,
quando o STF aprovou por unanimidade a Súmula Vinculante nº 25 que afirma ser ilícita a prisão
civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito.

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5) Segundo informações do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), no Brasil, nos últimos
20 anos, 70% dos casos de assassinatos a jornalistas ficaram impunes. O CPJ contabilizou 23
assassinatos entre 1992 e 2012, sendo quatro ocorreram de janeiro a abril de 2012. Desse total,
quatorze não foram punidos.
Diante desse quadro, sindicatos de jornalistas de vários estados brasileiros propuseram à
Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal a federalização da investigação desses
crimes, porque, segundo esses sindicatos, tais crimes caracterizam graves violações de Direitos
Humanos.
Para que a investigação e o julgamento de tais violações sejam federalizados é necessário que
fique demonstrado que se trata de grave violação de Direitos Humanos afirmados em Tratados
internacionais, dos quais o Brasil seja parte e pode, por isso mesmo, responder diante de
instâncias internacionais. Além disso, é preciso que
A) os familiares das vítimas entrem com o pedido de incidente de deslocamento de competência
perante o STJ que deve julgá-lo favoravelmente.
B) os familiares das vítimas entrem com um mandado de segurança perante o STF que deve
julgá-lo favoravelmente.
C) as autoridades locais entrem com o pedido de incidente de deslocamento de competência
perante o STJ que deve julgá-lo favoravelmente.
D) o Procurador Geral da República entre com o pedido de incidente de deslocamento de
competência perante o STJ que deve julgá-lo favoravelmente.

GABARITO

LETRA D
O art. 109, § 5º, da CF/88, incluído pela EC45, estabelece que nas hipóteses de grave violação
de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o
cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos
quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer
fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça
Federal.

#4 Teoria Geral dos Direitos Humanos

1) A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) foi responsabilizada por fiscais do


Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) pela
submissão de 179 trabalhadores a condições análogas às de escravos, em Belo Horizonte. Esse

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

fato gravíssimo comprova, na prática, violação de um princípio crucial acerca dos Direitos
Humanos.
Assinale a opção que expressa esse princípio.
A) O princípio do relativismo cultural determina que o trabalho forçado seja combatido apenas
nos países onde a legislação defina tal conduta como ilícita.
B) O princípio da razoabilidade, pois não é razoável que pessoas sejam submetidas ao trabalho
na condição análoga à de escravo.
C) O princípio do direito humanitário, pois o trabalho na condição análoga à de escravo é
desumano.
D) O princípio da indivisibilidade dos direitos humanos, pois o trabalho na condição análoga à
de escravo viola a um só tempo os direitos civis e políticos e os direitos econômicos e sociais.

GABARITO

LETRA D
A Declaração Universal dos Direitos Humanos reconhece, pela primeira vez, os três princípios
básicos acerca dos Direitos Humanos, que consolidaram a visão contemporânea desse tema:
- a universalidade -> todos os indivíduos, independente da raça, credo, nacionalidade, convicção
política, ou seja, a coletividade jurídica em geral, pode pleitear um conjunto de direitos humanos
básicos em qualquer foro nacional ou internacional.
- a indivisibilidade -> os direitos humanos compõem um único conjunto de direitos, uma vez que
não podem ser analisados de maneira isolada, separada. Nesse sentido, o desrespeito a um
deles constituiria a violação de todos.
- a interdependência -> os direitos fundamentais estão vinculados uns aos outros, não podendo
ser vistos como elementos isolados, mas sim como um todo, um bloco que apresenta
interpenetrações; as várias previsões constitucionais, apesar de autônomas, possuem diversas
intersecções para atingirem suas principais finalidades.
Tais princípios foram reafirmados na Conferência de Viena sobre Direitos Humanos em 1993,
quando o tema de Direitos Humanos ganhou um enfoque global.

2) O processo histórico de afirmação dos direitos humanos foi inscrito em importantes


documentos, tais como a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 ou
mesmo a Constituição Mexicana de 1917. Desse processo é possível inferir que os Direitos
Humanos são constituídos por, ao menos, duas dimensões interdependentes e indivisíveis. São
elas:
A) Direitos Naturais e Direitos Positivos.
B) Direitos Civis e Direitos Políticos.

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C) Direitos Civis e Políticos e Direitos Econômicos e Sociais.


D) Direito Público e Direito Privado.

GABARITO

LETRA C
Tradicionalmente a doutrina classifica os direitos fundamentais como de primeira, segunda e
terceira gerações. Os direitos de primeira geração seriam os direitos relacionados às liberdades
individuais e direitos civis; os direitos de segunda geração englobariam direitos econômicos,
sociais e culturais e os direitos de terceira geração protegeriam direitos difusos.

3) Em 11 de abril de 2011 passou a vigorar na França uma lei que proíbe o uso, nos espaços
públicos, da burca e do niqab, véus que cobrem totalmente os rostos das mulheres e que, para
algumas correntes da cultura muçulmana, são de uso obrigatório. Essa situação se insere no
polêmico debate acerca da universalidade ou da relatividade cultural dos direitos humanos. Em
relação a esse debate, assinale a afirmativa correta.
A) Os defensores do relativismo cultural são a favor da lei uma vez que ela, ao proibir o uso da
burca e do niqab, permite a livre manifestação de todas as religiões.
B) Os defensores da universalidade dos direitos humanos são a favor da lei com o argumento de
que todas as culturas devem preservar a igualdade entre os sexos e a burca e o niqab são
instrumentos de opressão da mulher.
C) Os defensores do relativismo cultural são contra a lei porque ela viola o princípio básico de
que os direitos humanos se aplicam igualmente a todas as culturas.
D) Os defensores da universalidade dos direitos humanos são contra a lei, alegando que ela viola
o direito à liberdade religiosa.

GABARITO

LETRA B
De forma geral, é possível compreender os direitos humanos a partir de dois extremos: o
universalismo e o relativismo. Os defensores da universalidade dos direitos humanos sustentam
a ideia de que os direitos são universais e devem ser observados por todos, independente de
particularidades culturais e locais. Os universalistas são a favor da lei com o argumento de que
todas as culturas devem preservar a igualdade entre os sexos e a burca e o niqab são
instrumentos de opressão da mulher. Os relativistas, por sua vez, acusam os universalistas de
privilegiarem uma concepção ocidental de direitos e são contrários a ideia de que seria possível

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uniformizar todas as formas de vida e compreensões de mundo, sendo preciso considerar as


peculiaridades de cada povo.

4) “Ninguém poderá ser detido, preso ou despojado dos seus bens, costumes e liberdades,
senão em virtude de julgamento de seus pares, segundo as leis do país.”
O texto transcrito é um trecho da Magna Carta, proclamada na Inglaterra, no ano de 1215. Esse
importante documento é apontado como um marco na afirmação histórica dos direitos
humanos, dentre outras razões, porque
A) consolida os direitos civis e políticos e os econômicos e sociais.
B) é origem daquilo que na modernidade ficou conhecido como devido processo legal.
C) representa um marco jurídico político que estabeleceu uma nova ordem social na Inglaterra,
tendo sido respeitada por todos os governos seguintes.
D) institui e oficializa o direito ao habeas corpus.

GABARITO

LETRA B
A Magna Carta foi um marco importante na imposição de limites ao soberano e garantia de
direitos individuais e alguns de seus princípios são respeitados atualmente. O trecho transcrito
pela questão pode ser considerado a origem das garantias do devido processo legal.

5) A Assembleia Constituinte de 1988 reservou texto expresso para elevar os Direitos Humanos
ao patamar de princípio fundamental não só no território nacional, como também nas relações
internacionais. Além de valorizar a independência do país no cenário internacional, consagrou a
proteção dos interesses do ser humano. Considerando o texto constitucional do Estado-parte e
a Convenção Americana de Direitos Humanos, as afirmativas a seguir estão corretas, à exceção
de uma. Assinale-a.
A) Proibição de propaganda a favor da guerra e repúdio ao terrorismo e ao racismo.
B) Proteção judicial mesmo quando a violação de direitos fundamentais for cometida por pessoa
atuando em função oficial.
C) Direito de retificação ou de resposta, que eximirão das outras responsabilidades legais.
D) Concessão de asilo político em delitos políticos ou comuns, conexos com delitos políticos.

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GABARITO

LETRA C
Vejam-se os textos da Convenção Interamericana dos Direitos Humanos e da Constituição
Federal brasileira:
Convenção Interamericana dos Direitos Humanos , art. 13, 5: A lei deve proibir toda propaganda
a favor da guerra, bem como toda apologia ao ódio nacional, racial ou religioso que constitua
incitação à discriminação, à hostilidade, ao crime ou à violência.CF/88, art. 5°, XLI: a lei punirá
qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; XLII - a prática do
racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da
lei; VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício
dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.
A afirmativa A está correta.
Convenção Interamericana dos Direitos Humanos, art. 25, 1: Toda pessoa tem direito a um
recurso simples e rápido ou a qualquer outro recurso efetivo, perante os juízes ou tribunais
competentes, que a proteja contra atos que violem seus direitos fundamentais reconhecidos
pela constituição, pela lei ou pela presente Convenção, mesmo quando tal violação seja
cometida por pessoas que estejam atuando no exercício de suas funções oficiais. CF/88, art. 5°,
LXIX: conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado
por "habeas-corpus" ou "habeas-data", quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de
poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder
Público. A afirmativa B está correta.
Convenção Interamericana dos Direitos Humanos, art. 14, 1: Toda pessoa atingida por
informações inexatas ou ofensivas emitidas em seu prejuízo por meios de difusão legalmente
regulamentados e que se dirijam ao público em geral, tem direito a fazer, pelo mesmo órgão de
difusão, sua retificação ou resposta, nas condições que estabeleça a lei.Art. 14, 2: Em nenhum
caso a retificação ou a resposta eximirão das outras responsabilidades legais em que se houver
incorrido. CF/88, art. 5°, V: É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da
indenização por dano material, moral ou à imagem. Está incorreta a afirmativa C e, portanto,
deverá ser assinalada.
Convenção Interamericana dos Direitos Humanos, art. 22, 7: Toda pessoa tem o direito de
buscar e receber asilo em território estrangeiro, em caso de perseguição por delitos políticos ou
comuns conexos com delitos políticos e de acordo com a legislação de cada Estado e com os
convênios internacionais. CF/88, Art. 4º, X: A República Federativa do Brasil rege-se nas suas
relações internacionais pelos seguintes princípios: concessão de asilo político.

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#4 Teoria Geral dos Direitos Humanos

1) A Lei nº 12.986/14 transformou o antigo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana
– CDDPH – em Conselho Nacional dos Direitos Humanos – CNDH.
A respeito da finalidade desse Conselho, de acordo com a lei mencionada, assinale a afirmativa
correta.
A) Deve apresentar as demandas brasileiras relativas aos direitos humanos junto aos organismos
internacionais e multilaterais de proteção dos Direitos Humanos.
B) Deve representar o Estado brasileiro em todas as notificações que este venha a receber em
função de procedimentos, como parte da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ou de
processos movidos contra o Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos.
C) Deve elaborar um projeto nacional de Educação para os Direitos Humanos.
D) Deve promover e defender os direitos humanos mediante ações preventivas, protetivas,
reparadoras e sancionadoras das condutas e situações de ameaça ou da violação desses direitos.

GABARITO

LETRA D
O antigo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) foi transformado pela lei
12.986/14 em Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), no intuito de torná-lo mais
participativo e forte institucionalmente. O atual Conselho é vinculado à Secretaria de Direitos
Humanos da Presidência da República, que estabelece como objetivos principais do Conselho: a
defesa dos direitos humanos, por meio de ações preventivas, protetivas, reparadoras e
sancionadoras das condutas e situações de ameaça ou violação desses direitos. De acordo com
a nova lei, o CNDH contará com membros da sociedade civil (provenientes da OAB, do Conselho
Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União, entre outros) e
do Poder Público.

2) Segundo dados do CONARE (Comitê Nacional para os Refugiados), o Brasil possuía, no fim de
2014, 6.492 refugiados de 80 nacionalidades. Como é sabido, o Brasil ratificou a Convenção das
Nações Unidas sobre o Estatuto dos Refugiados, assim como promulgou a Lei nº 9.474/97, que
define os mecanismos para a implementação dessa Convenção.
Assinale a opção que, conforme a lei mencionada, define a condição jurídica do refugiado no
Brasil.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

A) Possui os direitos e deveres dos estrangeiros no Brasil, bem como direito a cédula de
identidade comprobatória de sua condição jurídica, carteira de trabalho e documento de
viagem.
B) Está sujeito aos deveres dos estrangeiros no Brasil e tem direito a documento de viagem para
deixar o país quando for de sua vontade.
C) Sendo acolhido como refugiado, tem todos os direitos previstos no seu país de origem, mas
deve acatar os deveres impostos a todos os brasileiros. Também tem direito à cédula de
identidade.
D) Possui os direitos e deveres dos estrangeiros no Brasil, bem como direito a cédula de
identidade comprobatória de sua condição jurídica, carteira de trabalho, documento de viagem
e título de eleitor.

GABARITO

LETRA A
De acordo com o art. 6º, da Lei 9474/97. Porém, na prática, também é assegurado o direito ao
Cadastro de Pessoa Física (CPF). A letra B está incorreta, pois o refugiado não pode deixar o país
quando for de sua vontade. Ele necessita prévia autorização do Governo brasileiro, caso
contrário, poderá perder a condição de refugiado, conforme art. 39, IV, da Lei 9474/97. A letra
C está incorreta, pois o art. 5º, da Lei 9474/97, afirma que o refugiado gozará de direitos e estará
sujeito aos deveres impostos aos estrangeiros no Brasil. A letra D está incorreta pois o refugiado
não tem direito a possuir título de eleitor.

3) Em setembro de 2014, na cidade de São Paulo, foi inaugurado o Centro de Referência e


Acolhida para Imigrantes (CRAI), que é o primeiro do país e tem como objetivo oferecer a
estrutura de uma casa de passagem e auxiliar os imigrantes na adaptação à vida na capital
paulista, além de dar condições para a autonomia de tais imigrantes. Do ponto de vista dos
Direitos Humanos, essa situação é regulada pela Convenção Internacional sobre a Proteção dos
Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas Famílias, adotada pela
ONU em dezembro de 1990 e em vigor desde julho de 2003.
Em relação ao posicionamento do Estado brasileiro perante essa Convenção, assinale a
afirmativa correta
A) A Convenção não foi ratificada pelo Brasil e, por isso, suas normas não produzem efeito
jurídico em território brasileiro.
B) A Convenção foi ratificada pelo Brasil e, por isso, suas normas podem ser juridicamente
exigidas.
C) A Convenção foi ratificada pelo Brasil, mas não foi regulamentada. Por isso, suas normas
possuem efeito contido no território brasileiro.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

D) A Convenção não foi ratificada pelo Brasil, mas suas normas produzem pleno efeito jurídico,
uma vez que as normas de Direitos Humanos não dependem de ratificação para vigorar em
território brasileiro

GABARITO

LETRA A
Para responder essa questão era necessário conhecer a Convenção Internacional sobre a
Proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros das suas famílias e,
principalmente, os efeitos jurídicos do instituto da ratificação.
Em primeiro lugar, deve-se relembrar que as Convenções da Organização Internacional do
Trabalho são os principais instrumentos normativos internacionais que estabelecem os direitos
do trabalho dos migrantes. Entre as principais convenções, destacam-se:
- A Convenção da Imigração para o Trabalho, de 1949 -> estabelece o princípio da igualdade de
tratamento dos trabalhadores migrantes no que diz respeito à legislação, práticas regulatórias
e administrativas, condições de vida e trabalho, remuneração, seguridade social, taxas e acesso
à justiça.
- A Convenção dos Trabalhadores Imigrantes, de 1975 -> garante a proteção contra exploração,
igualdade de direitos e condições, respeito aos direitos básicos dos migrantes irregulares,
direitos culturais, garantia das liberdades individuais e coletivas
- Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes
e dos Membros das suas famílias, de 1990-> posta em vigor em 2003, a Convenção é considerada
um avançado instrumento de proteção internacional ao trabalhador imigrante e seus familiares,
pois reconhece direitos independentemente de sua condição migratória. Oferece, portanto, um
olhar mais digno e humano, deixando de tratar o imigrante como uma ameaça estrangeira,
como um perigo social, para vê-lo como um ser humano em toda a sua dignidade,
potencialidade e cidadania. A ratificação desta Convenção é uma reivindicação de diversos
setores da sociedade brasileira que atuam no reconhecimento de direitos e na construção da
cidadania dos migrantes.
Segundo o professor internacionalista Celso Mello, a ratificação é o ato pelo qual a autoridade
nacional competente informa às autoridades correspondentes de um Estado, cujos
plenipotenciários concluíram um projeto de tratado, a aprovação que dá a este projeto e que o
faz, doravante, um tratado obrigatório para este Estado .
Na era moderna, a necessidade de ratificação para a validade dos tratados internacionais foi
influenciada, principalmente, pelo art IV da Constituição Francesa de 1794 e pela adoção, em
grande parte dos Estados, de um sistema constitucional que restringia os poderes do Executivo
a respeito da conclusão dos tratados .
A ratificação é um ato do Poder Executivo, exigindo ou não a prévia ou posterior autorização do
Legislativo. Isso irá depender do direito constitucional de cada país. Na prática brasileira, por
exemplo, necessita-se da aprovação referendária do Congresso Nacional.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

A natureza jurídica da ratificação tem sido alvo de debate. A posição do professor Celso Mello é
de que se trata de um ato sui generis que confirma a assinatura do tratado e dá validade a ele.
Segundo o art 7º da Convenção Panamericana sobre tratados, a ratificação é um ato
discricionário e, tal característica gera duas consequências: a indeterminação do prazo para a
ratificação e a licitude da recusa da ratificação.
Por fim, a ratificação não é um ato retroativo, e o tratado só produzirá efeitos a partir da troca
ou depósito dos instrumentos de ratificação.

4) A Lei nº 12.986, de 2 de junho de 2014, transformou o antigo Conselho de Defesa dos Direitos
da Pessoa em Conselho Nacional dos Direitos Humanos Conselho - CNDH. Esse Conselho poderá
solicitar credenciamento junto à Organização das Nações Unidas (ONU) para ser reconhecido
como Instituição Nacional de Direitos Humanos. Para isso, é necessário que atenda aos
Princípios de Paris, que foram sugeridos durante o Encontro Internacional das Instituições
Nacionais de Direitos do Homem, em 1991, e adotados pela Assembleia Geral das Nações
Unidas, em 1993.
De acordo com os Princípios de Paris, as Instituições Nacionais de Direitos Humanos devem
atender a cinco características. Assinale a afirmativa que as indica.
A) 1) Autonomia para monitorar qualquer violação de Direitos Humanos; 2) Autoridade para
assessorar o Executivo, o Legislativo e qualquer outra instância sobre temas relacionados aos
Direitos Humanos; 3) Capacidade de se relacionar com instituições regionais e internacionais; 4)
Legitimidade para educar e informar sobre Direito Humanos; e 5) Competência para atuar em
temas jurídicos (quase judicial).
B) 1) Autonomia orçamentária; 2) Eleição direta de seus membros; 3) Autoridade para negociar
com lideranças do setor público e do setor privado; 4) Jurisdição administrativa em matéria de
Direitos Humanos; e 5) Competência para denunciar estados cumpram as convenções de que
são parte.
C) 1) Legitimidade legiferante e poder de veto em legislação relativa aos Direitos Humanos; 2)
Competência deliberativa sobre a alocação de recursos públicos em programas e projetos de
Direitos Humanos; 3) Capacidade de responder em juízo em casos de litígio que envolvam os
Direitos Humanos; 4) Expertise para realizar pesquisas em Direitos Humanos; e 5) Autoridade
para definir currículos escolares em matérias relativas aos Direitos Humanos.
D) 1) Indivisibilidade; 2) Universalidade; 3) Complementaridade; 4) Imprescritibilidade; e 5)
Irrenunciabilidade dos Direitos Humanos.

GABARITO

LETRA A
A princípio, é necessário salientar que esta questão foi retirada na sua totalidade de um texto
informativo que consta no site da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

O que reforça a importância de obter informações não apenas por meio da doutrina ou
jurisprudência, mas principalmente pelo que está disposto nos órgãos oficiais.
O antigo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) foi transformado pela lei
12.986/14 em Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), no intuito de torná-lo mais
participativo e forte institucionalmente. O atual Conselho é vinculado à Secretaria de Direitos
Humanos da Presidência da República e tem como objetivos principais: a defesa dos direitos
humanos, por meio de ações preventivas, protetivas, reparadoras e sancionadoras das condutas
e situações de ameaça ou violação desses direitos. De acordo com a nova lei, o CNDH contará
com membros da sociedade civil (provenientes da OAB, do Conselho Nacional dos Procuradores-
Gerais do Ministério Público dos Estados e da União, entre outros) e do Poder Público.
O CNDH pode ser considerado uma Instituição Nacional de Direitos Humanos (INDH). Segundo
a ONU, uma INDH é um organismo estatal criado por mandato constitucional ou legislativo para
promover e proteger os direitos humanos. Ela promove importantes laços entre o Estado, a
sociedade civil e os organismos internacionais de direitos humanos e trabalha no intuito de
preencher os vazios na aplicação do direito internacional dos direitos humanos.
Para ser considerada uma INDH, uma instituição deve ser estabelecida segundo os Princípios de
Paris, que é um documento que regula a estrutura e o funcionamento das instituições nacionais
de direitos humanos. Aprovados pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1993, esses
princípios pormenorizam atribuições e responsabilidades, composição, garantias de
independência e métodos de operação. O documento destaca cinco características
fundamentais de uma INDH:
1. Autonomia para monitorar qualquer violação de Direitos humanos;
2. Autoridade para assessorar o Executivo, o Legislativo e qualquer outra instância sobre temas
relacionados aos Direitos Humanos;
3. Capacidade de se relacionar com instituições regionais e internacionais;
4. Legitimidade para educar e informar sobre direitos humanos; e
5. Competência para atuar em temas jurídicos
Cabe destacar, por fim, que uma INDH pode ter faculdades quase jurisdicionais como receber e
examinar reclamações ou petições individuais, podendo remetê-los a autoridades competentes
ou fazer recomendações diretas.

5) Como forma de evitar a ocorrência de violação de Direitos Humanos em estabelecimentos


prisionais, o Brasil ratificou, em 2007, o Protocolo Facultativo à Convenção contra a tortura e
outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes. Tal protocolo estabelece que
cada Estado-Parte deverá designar ou manter, em nível doméstico, um ou mais mecanismos
preventivos nacionais. Por meio da Lei nº 12.847/13, o Brasil pretendeu atender à exigência do
Protocolo, ao criar o Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura.
Quanto ao meio proposto tanto pelo Protocolo quanto pela Lei para alcançar a finalidade
almejada, assinale a afirmativa correta.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

A) Sistema de visitas regulares de seus membros


B) Mutirões judiciais.
C) Medidas legislativas de parlamentares que integrem o Mecanismo.
D) Criação e fortalecimento de defensorias públicas.

GABARITO

LETRA A
O Protocolo Facultativo à Convenção contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis,
desumanos ou degradantes prevê o estabelecimento de um ou mais mecanismos de prevenção
a nível doméstico encarregado de promover visitas a qualquer lugar sob sua jurisdição, onde
pessoas estão privadas de liberdade em centros de detenção. Essas visitas devem ser
empreendidas com vistas ao fortalecimento, se necessário, da proteção dessas pessoas contra
a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes. (arts. 3º e 4º).
Em consonância com o Protocolo adotado, a Lei 12.847/13 garante um sistema de visitas
periódicas e regulares, feitas pelos membros do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate
à Tortura, a pessoas privadas de liberdade, para verificar as condições de fato e de direito a que
estão submetidas (art. 9º, I e §2º).

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

DIREITOINTERNACIONAL

#1 Nacionalidade

1) Carlos, brasileiro naturalizado, tendo renunciado à sua anterior nacionalidade, casou-se com
Tatiana, de nacionalidade alemã. Em razão do trabalho na iniciativa privada, Carlos foi
transferido para o Chile, indo residir lá com sua mulher. Em 15/07/2011, em território chileno,
nasceu a primeira filha do casal, Cláudia, que foi registrada na Repartição Consular do Brasil.
A teor das regras contidas na Constituição Brasileira de 1988, assinale qual a situação de Cláudia
quanto à sua nacionalidade.
A) Cláudia não pode ser considerada brasileira nata, em virtude de a nacionalidade brasileira de
seu pai ter sido adquirida de modo derivado e pelo fato de sua mãe ser estrangeira.
B) Cláudia é brasileira nata, pelo simples fato de o seu pai, brasileiro, ter se mudado por motivo
de trabalho.
C) Cláudia somente será brasileira nata se vier a residir no Brasil e fizer a opção pela
nacionalidade brasileira após atingir a maioridade.
D) Cláudia é brasileira nata, não constituindo óbice o fato de o seu pai ser brasileiro naturalizado
e sua mãe, estrangeira.

GABARITO

LETRA D
Conforme o art. 12, I, c da Constituição Federal, é brasileiro nato aquele nascido no estrangeiro
de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que seja registrado em repartição brasileira
competente ou venha a residir na República Federativa do Brasil e, opte, em qualquer tempo,
depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira. Note-se que a lei não exige que
o progenitor seja brasileiro nato, podendo incluir, portanto, um progenitor brasileiro
naturalizado.
Nesse sentido, Cláudia é brasileira nata, pois seu pai é brasileiro e se adequou a uma das
alternativas, qual seja, ser registrada em repartição brasileira competente no exterior.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

2) Rafael é brasileiro naturalizado e casado com Letícia, de nacionalidade italiana. Rafael foi
transferido pela empresa onde trabalha para a filial na Argentina, estabelecendo-se com sua
esposa em Córdoba. Em 02/03/2009, lá nasceu Valentina, filha do casal, que foi registrada na
repartição consular do Brasil.
De acordo com as normas constitucionais vigentes, assinale a afirmativa correta.
A) Valentina não pode ser considerada brasileira nata, em virtude de a nacionalidade brasileira
de seu pai ter sido adquirida de modo derivado e pelo fato de sua mãe ser estrangeira.
B) Valentina é brasileira nata, pelo simples fato de seu pai, brasileiro, se ter deslocado por
motivo de trabalho, em nada influenciando o modo como Rafael adquiriu a nacionalidade.
C) Valentina somente será brasileira nata se vier a residir no Brasil e fizer a opção pela
nacionalidade brasileira após atingir a maioridade.
D) Valentina é brasileira nata, não constituindo óbice o fato de seu pai ser brasileiro naturalizado
e sua mãe, estrangeira.

GABARITO

LETRA D
Comentário: A alternativa (A) está incorreta, pois o fato de o pai de Valentina ser brasileiro
naturalizado não obsta a aquisição da nacionalidade brasileira pela criança de forma originária.
A alternativa (B) está incorreta porque o fato de o pai de Valentina ter se deslocado por motivo
de trabalho não constitui condição para que a criança seja brasileira. Devem-se observar os
requisitos do artigo 12 da Constituição Federal para que Valentina adquira a nacionalidade
brasileira. Um deles é o registro do bebê em repartição consular brasileira, o qual é suficiente
para tornar Valentina brasileira, independentemente da forma como seu pai se tornou
brasileiro.
A alternativa (C) está incorreta. A condição descrita na assertiva deve ser preenchida caso os
pais do bebê não façam registro em repartição brasileira competente. Como o registro foi feito,
Valentina não precisa residir no Brasil e optar pela nacionalidade brasileira para adquiri-la.
A alternativa (D) está correta. O fato de a mãe de Valentina ser estrangeira não constitui óbice
à aquisição de nacionalidade pela criança. Basta que um dos pais tenha a nacionalidade
brasileira e registre a criança em repartição brasileira competente.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

3) Pierre de Oliveira nasceu na França, filho de pai brasileiro (que à época se encontrava em
viagem privada de estudos) e mãe francesa. Viveu até os 25 anos em Paris, onde se formou em
análise de sistemas e se pós-graduou em segurança de rede. Em 2007, Pierre foi convidado por
uma universidade brasileira para fazer parte de um projeto de pesquisa destinado a desenvolver
um sistema de segurança para uso de instituições financeiras. Embora viajasse com frequência
para a França, Pierre passou a residir no Brasil, optando, em 2008, pela nacionalidade brasileira.
No início de 2010, uma investigação conjunta entre as polícias brasileira e francesa descobriu
que Pierre fez parte, no passado, de uma quadrilha internacional de hackers. Detido em São
Paulo, ele confessou que, entre 2004 e 2005, quando ainda vivia em Paris, invadiu mais de uma
vez a rede de um grande banco francês, desviando recursos para contas localizadas em paraísos
fiscais.
Com relação ao caso hipotético acima, é correto afirmar que
A) se a França assim requerer, Pierre poderá ser extraditado, pois cometeu crime comum sujeito
à jurisdição francesa antes de optar pela nacionalidade brasileira.
B) a critério do Ministério da Justiça, Pierre poderá ser expulso do território nacional pelo crime
cometido no exterior antes do processo de aquisição da nacionalidade, a menos que tenha filho
brasileiro que, comprovadamente, esteja sob sua guarda e dele dependa economicamente.
C) Pierre poderá ser deportado para a França, a menos que peça asilo político.
D) Pierre não poderá ser extraditado, expulso ou deportado em qualquer hipótese.

GABARITO

LETRA D
Por ser filho de pai brasileiro, por ter residido no Brasil e por haver optado pela nacionalidade
brasileira, Pierre adquiriu a nacionalidade brasileira de forma originária, o que significa que ele
é brasileiro nato (artigo 12, CF/88). Segundo a lei pátria, brasileiros natos não podem ser
extraditados, expulsos ou deportados do Brasil, quaisquer que sejam as circunstâncias. Esses
institutos se aplicam a estrangeiros e, em hipóteses muito restritas, a brasileiros naturalizados,
o que não é o caso de Pierre. A lei que regulamenta esse assunto é a 6815/80 e os institutos da
deportação, expulsão, e extradição estão regulamentados nos artigos 57 a 94. Diante do que foi
exposto, a única alternativa correta é a letra (D).
No que se refere à alternativa (A), o Brasil só extraditará brasileiro naturalizado nos casos de
crimes cometidos antes da naturalização ou de tráfico ilícito de entorpecentes cometido a
qualquer tempo. Pierre é brasileiro nato. Já as alternativas (B) e (C), que tratam de expulsão e
deportação, só podem ser aplicadas a estrangeiros, o que não é a situação de Pierre.

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4) Acerca da condição jurídica dos estrangeiros e dos nacionais no direito brasileiro, assinale a
opção correta.
A) A CF dispõe expressamente sobre a possibilidade de expulsão do estrangeiro que praticar
atividade nociva à ordem pública e ao interesse nacional, salvo se estiverem presentes,
simultaneamente, os seguintes requisitos: cônjuge brasileiro e filho brasileiro dependente da
economia paterna.
B) O Brasil, por ter ratificado integralmente o Estatuto de Roma, que criou o Tribunal Penal
Internacional, tem o compromisso de entregar ao tribunal os indivíduos contra os quais tenham
sido expedidos pedidos de detenção e entrega, mesmo que eles possuam, originariamente,
nacionalidade brasileira.
C) Os estrangeiros de qualquer nacionalidade residentes na República Federativa do Brasil há
mais de quinze anos ininterruptos são automaticamente considerados brasileiros naturalizados,
independentemente de qualquer outra condição ou exigência.
D) É vedada a extradição de nacionais, salvo em caso de comprovado envolvimento em tráfico
ilícito de entorpecentes, em terrorismo ou em crimes definidos, em lei, como hediondos.

GABARITO

LETRA B
A alternativa (A) está incorreta. A expulsão do estrangeiro está prevista na Lei 6815/80, nos
artigos 65 a 75. Não haverá expulsão do estrangeiro caso ele tenha cônjuge brasileiro há mais
de cinco anos ou na hipótese de o estrangeiro ter filho brasileiro que esteja sob sua guarda e
seja seu dependente econômico. Ressalta-se que esses requisitos não precisam estar presentes
simultaneamente. A ocorrência de apenas um deles é suficiente para que o estrangeiro não seja
expulso. Há, ainda, uma terceira hipótese que obsta a expulsão de estrangeiro: quando implica
extradição inadmitida pela lei brasileira. Isso pode ser encontrado no artigo 75 da referida lei.
A alternativa (B) está correta. O Brasil não extradita brasileiros natos e, no que se refere aos
naturalizados, apenas em algumas hipóteses restritas. Entretanto, no caso do TPI, não se trata
de extradição, mas, sim, de entrega, que constitui instituto diferente da extradição. Na entrega,
tem-se certeza da imparcialidade e de um julgamento justo, baseado em regras pré-
estabelecidas e conhecidas pelos Estados partes do tribunal internacional. Trata-se de uma
relação vertical – de um tribunal internacional para um Estado – e a entrega é obrigatória. Na
extradição, não há garantia de imparcialidade e de julgamento justo, uma vez que, depois de
extraditado, o Estado que julga tem soberania e um direito interno próprio. Nesses casos, há
uma relação horizontal – entre dois Estados igualmente soberanos – e a extradição não é
obrigatória. Portanto, quando o TPI expede pedido de detenção e entrega de um indivíduo, o
Brasil, como signatário do Estatuto de Roma, deve entregá-lo, mesmo que seja cidadão
brasileiro.
A alternativa (C) está incorreta porque, além dos 15 anos de residência ininterrupta, o
estrangeiro não pode ter sido condenado penalmente e tem que requerer a nacionalidade
brasileira para se tornar brasileiro naturalizado. Artigo 12, II, b CF/88.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

A alternativa (D) está incorreta. Brasileiros natos, em hipótese alguma, poderão ser
extraditados. Já os brasileiros naturalizados poderão ser extraditados somente diante de duas
situações: por crimes anteriores à naturalização ou por envolvimento comprovado em tráfico
ilícito de entorpecentes a qualquer tempo, mesmo depois da naturalização. Artigo 5, LI, CF/88.

5) No que concerne à perda e à reaquisição da nacionalidade brasileira, assinale a opção correta.


A) Em nenhuma hipótese, brasileiro nato perde a nacionalidade brasileira.
B) Brasileiro naturalizado que, em virtude de atividade nociva ao Estado, tiver sua naturalização
cancelada por sentença judicial só poderá readquiri-la mediante ação rescisória.
C) Eventual pedido de reaquisição de nacionalidade feito por brasileiro naturalizado será
processado no Ministério das Relações Exteriores.
D) A reaquisição de nacionalidade brasileira é conferida por lei de iniciativa do presidente da
República.

GABARITO

LETRA B
A alternativa (A) está incorreta. Embora o brasileiro nato não possa perder a nacionalidade
brasileira na maior parte dos casos, há uma hipótese em que isso pode ocorrer. Isso acontecerá
quando brasileiro nato ou naturalizado adquirir outra nacionalidade. Essa regra tem, contudo,
duas exceções: no caso de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira; e no
caso de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em Estado
estrangeiro, como condição de permanência em seu território ou para o exercício de direitos
civis. Isso pode ser encontrado no artigo 12, parágrafo 4, II da CF/88.
A alternativa (B) está correta. Esse tipo de perda de nacionalidade é conhecido como perda-
punição ou sanção e, por se efetivar por meio de sentença judicial, a reaquisição da
nacionalidade demanda ação rescisória. Esse é o posicionamento da maioria da doutrina, mas
há divergências. Alexandre de Moraes, por exemplo, afirma que a reaquisição poderá ser feita
através dos procedimentos de naturalização.
A alternativa (C) está errada. O decreto 3453 de 2000 delega competência ao Ministro da Justiça
para declarar a perda e a reaquisição da nacionalidade brasileira.
A alternativa (D) está incorreta. A reaquisição de nacionalidade está prevista na Constituição
Federal de 1988, em seu artigo 12.

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#2 Elementos de Conexão

1) A respeito dos elementos de conexão no Brasil, assinale a afirmativa correta.


A) A lei da nacionalidade da pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da
personalidade.
B) A Lex loci executionis é aplicável aos contratos de trabalho, os quais, ainda que tenham sido
celebrados no exterior, são regidos pela norma do local da execução das atividades laborais.
C) A norma do país em que é domiciliada a vítima aplica-se aos casos de responsabilidade por
ato ilícito extracontratual.
D) O elemento de conexão Lex loci executionis ou Lex loci solutionis é o critério aplicável, como
regra geral, para qualificar e reger as obrigações.

GABARITO

LETRA B
Comentário: A alternativa (A) está incorreta. Segundo a Lei de Introdução às Normas do Direito
Brasileiro (LINDB), em seu artigo 7, as regras sobre o começo e o fim da personalidade são
definidas de acordo com a lei do país em que for domiciliada a pessoa, e não conforme a lei de
nacionalidade.
A alternativa (B) está correta e seu fundamento se encontra na Súmula 207 do TST, que dispõe
que a relação de trabalho é determinada pela lei do local da execução do trabalho, e não do
local da contratação, como prega o artigo 9° da LINDB.Essa súmula busca estabelecer o Princípio
da Territorialidade, que se associa a lex loci executionis mencionada na assertiva.
A alternativa (C) está incorreta. O assunto não é abordado pelas leis brasileiras, de modo que a
solução de questões que envolvam responsabilidade por ilícito extracontratual no direito
internacional privado é uma construção doutrinária. Tradicionalmente, a doutrina considera que
a lei aplicável é a do local onde ocorreu o ilícito, e não a lei de domicílio da vítima. Esse
entendimento, contudo, suscita controvérsias, havendo autores que defendem outros
elementos de conexão para se escolher a lei aplicável. Dentre os elementos, uma corrente que
se fortalece é a que afirma que a lei aplicável mais adequada seria aquela do local em que se faz
sentir o prejuízo do ilícito.
A alternativa (D) está incorreta. Segundo o artigo 9 da LINDB, para qualificar e reger as
obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem, e não a do local da execução ou do
local onde a obrigação ou o contrato deve ser cumprido, como dispõe a alternativa (D).

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2) A sociedade empresária do ramo de comunicações A Notícia Brasileira, com sede no Brasil,


celebrou contrato internacional de prestação de serviços de informática com a sociedade
empresária Santiago Info, com sede em Santiago. O contrato foi celebrado em Buenos Aires,
capital argentina, tendo sido estabelecido como foro de eleição pelas partes Santiago, se
porventura houver a necessidade de resolução de litígio entre as partes.
Diante da situação exposta, à luz das regras de Direito Internacional Privado veiculadas na Lei
de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) e no estatuto processual civil pátrio
(Código de Processo Civil – CPC), assinale a alternativa correta.
A) No tocante à regência das obrigações previstas no contrato, aplica-se a legislação chilena, já
que Santiago foi eleito o foro competente para se dirimir eventual controvérsia.
B) Nos contratos internacionais, a lei que rege a capacidade das partes pode ser diversa da que
rege o contrato. É o que se verifica no caso exposto acima.
C) Como a execução da obrigação avençada entre as partes se dará no Brasil, aplica-se,
obrigatoriamente, no tocante ao cumprimento do contrato, a legislação brasileira.
D) A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro veda expressamente o foro de eleição,
razão pela qual é nula ipso jure a cláusula estabelecida pelas partes nesse sentido.

GABARITO

LETRA B
Comentário: a alternativa (A) está incorreta. Embora não haja óbices para a constituição de um
foro de eleição no caso concreto apresentado, esse foro determina o lugar onde serão dirimidos
os conflitos, e não a lei a ser utilizada para sua solução. Segundo a LINDB (art. 9), a lei a ser
utilizada nos casos que envolvem contratos é a do local da sua celebração, ou seja, a da
Argentina.
A alternativa (B) está correta. Segundo a LINDB, a lei que rege a capacidade das partes é a do
domicílio (art. 7 a 10), no caso de pessoa física, e do local da constituição (art. 11), no caso de
pessoa jurídica. Já os contratos em si são regidos pela lei do local de sua celebração.
A alternativa (C) está incorreta, pois as obrigações não se regem pela local de sua execução, mas,
sim, pelo local de sua celebração (art. 9 da LINDB).
A alternativa (D) está errada. Não existe vedação quanto à possibilidade de se prever foro de
eleição em um contrato internacional. O que não pode ocorrer é a previsão de foro de eleição
que exclua a jurisdição brasileira nos casos em que o Código de Processo Civil determina
competência exclusiva de nossos tribunais (art. 89 CPC). Essa não é a situação do enunciado da
questão em tela.

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3) Em janeiro de 2003, Martin e Clarisse Green, cidadãos britânicos domiciliados no Rio de


Janeiro, casam-se no Consulado-Geral britânico, localizado na Praia do Flamengo. Em meados
de 2010, decidem se divorciar. Na ausência de um pacto antenupcial, Clarisse requer, em petição
à Vara de Família do Rio de Janeiro, metade dos bens adquiridos pelo casal desde a celebração
do matrimônio, alegando que o regime legal vigente no Brasil é o da comunhão parcial de bens.
Martin, no entanto, contesta a pretensão de Clarisse, argumentando que o casamento foi
realizado no consulado britânico e que, portanto, deve ser aplicado o regime legal de bens
vigente no Reino Unido, que lhe é mais favorável. Com base no caso hipotético acima e nos
termos da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, assinale a alternativa correta.
A) O juiz brasileiro não poderá conhecer e julgar a lide, pois o casamento não foi realizado
perante a autoridade competente.
B) Clarisse tem razão em sua demanda, pois o regime de bens é regido pela lex domicilli dos
nubentes e, ao tempo do casamento, ambos eram domiciliados no Brasil.
C) Martin tem razão em sua contestação, pois o regime de bens se rege pela lei do local da
celebração (lex loci celebrationis), e o casamento foi celebrado no consulado britânico.
D) O regime de bens obedecerá à lex domicilli dos cônjuges quanto aos bens móveis e à lex rei
sitae (ou seja, a lei do lugar onde estão) quanto aos bens imóveis, se houver.

GABARITO

LETRA B
De acordo com o art. 7°, §4°, da Lei de Introdução às Normas do Direito brasileiro (Decreto Lei
n. 4657/42), tendo sido contraído casamento, o regime de bens, legal ou convencional, obedece
à lei do país em que tiverem os nubentes domicílios, e, se este for diverso, à do primeiro
domicílio conjugal. No caso da questão, não importa que o casamento tenha sido realizado no
Consulado-Geral britânico, mas sim que o casal é domiciliado no Brasil.

4) Em junho de 2009, uma construtora brasileira assina, na Cidade do Cabo, África do Sul,
contrato de empreitada com uma empresa local, tendo por objeto a duplicação de um trecho
da rodovia que liga a Cidade do Cabo à capital do país, Pretória. As contratantes elegem o foro
da comarca de São Paulo para dirimir eventuais dúvidas. Um ano depois, as partes se
desentendem quanto aos critérios técnicos de medição das obras e não conseguem chegar a
uma solução amigável. A construtora brasileira decide, então, ajuizar, na justiça paulista, uma
ação rescisória com o objetivo de colocar termo ao contrato.
Com relação ao caso hipotético acima, é correto afirmar que
A) o Poder Judiciário brasileiro não é competente para conhecer e julgar a lide, pois o foro para
dirimir questões em matéria contratual é necessariamente o do local onde o contrato é
assinado.

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B) o juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá basear sua decisão na legislação
sul-africana, pois os contratos se regem pela lei do local de sua assinatura.
C) o juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá basear sua decisão na legislação
brasileira, pois um juiz brasileiro não pode ser obrigado a aplicar leis estrangeiras.
D) o juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá se basear na legislação brasileira,
pois em litígios envolvendo brasileiros e estrangeiros aplica-se a lex fori.

GABARITO

LETRA B
A alternativa (A) está incorreta. Ela induz o candidato a confundir conflito de jurisdição com
conflito de leis. Em se tratando de conflito de leis, a Lei de Introdução às Normas do Direito
Brasileiro (LINDB) prevê, em seu artigo 9, que as obrigações serão regidas pela lei do lugar onde
foram constituídas. Portanto, a alternativa (A) deveria mencionar a lei aplicável e não o foro
competente. Para saber se o Brasil é competente ou não para julgar uma ação, deve-se recorrer
aos artigos 88 e 89 do Código de Processo Civil (CPC), que preveem, respectivamente, os casos
de competência relativa e absoluta.
A alternativa (B) está correta. Quando se trata de competência relativa, prevista no artigo 88 do
CPC, as partes podem eleger foro para dirimir eventuais problemas. Esse foi o caso da questão
em tela, em que a comarca de São Paulo foi escolhida. Quanto à lei aplicada, o artigo 9 da LINDB
deverá ser observado, com a consequente aplicação da lei do local da assinatura do contrato,
ou seja, da África do Sul.
A alternativa (C) está incorreta, pois a lei que deve ser aplicada é a do local da assinatura do
contrato. O juiz brasileiro deverá aplicar a lei estrangeira e só poderá se escusar de fazê-lo caso
a lei estrangeira fira a ordem pública brasileira.
A alternativa (D) está incorreta. Não existe regra geral que defina que se deve aplicar a lei
brasileira em casos que oponham brasileiros e estrangeiros.

5) Ricardo, brasileiro naturalizado, mora na cidade do Rio de Janeiro há 9 (nove) anos. Em visita
a parentes italianos, conhece Giulia, residente em Roma, com quem passa a ter um
relacionamento amoroso. Após 3 (três) anos de namoro a distância, ficam noivos e celebram
matrimônio em território italiano. De comum acordo, o casal estabelece seu primeiro domicílio
em São Paulo, onde ambos possuem oportunidades de trabalho.
À luz das regras de Direito Internacional Privado, veiculadas na Lei de Introdução às Normas do
Direito Brasileiro (LINDB), não havendo pacto antenupcial, assinale a opção que indica a
legislação que irá reger o regime de bens entre os cônjuges.
A) Aplicável a Lei italiana, haja vista que nenhum dos cônjuges é brasileiro nato.
B) Aplicável a Lei italiana, em razão do local em que foi realizado o casamento.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

C) Aplicável a Lei brasileira, em razão do domicílio do cônjuge varão.


D) Aplicável a Lei brasileira, porque aqui constituído o primeiro domicílio do casal.

GABARITO

LETRA D
De acordo com a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), no que se refere ao
regime de bens entre os cônjuges (art 6º §4º), deve reger a lei do país do primeiro domicílio
conjugal. No caso em análise, o primeiro domicilio conjugal foi São Paulo, portanto a lei aplicável
é a lei brasileira.

#3 Organizações Internacionais

1) Na hipótese de inadimplência do Estado brasileiro, condenado ao pagamento de quantia


certa pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, deverá o interessado
A) executá-la perante a Justiça Federal pelo processo interno vigente para a execução de
sentenças contra o Estado.
B) pedir que os autos do processo sejam encaminhados ao Conselho de Segurança da ONU para
a imposição de sanções internacionais.
C) reinvindicar pelo processo vigente no país, porque as sentenças proferidas pela Corte
Interamericana de Direitos Humanos são desprovidas de executoriedade.
D) postular perante a Corte a intimação do Estado brasileiro para efetuar o pagamento em vinte
e quatro horas ou nomear bens à penhora.

GABARITO

LETRA A
No caso de sentença internacional contra o Brasil, ou seja, emanada de corte internacional, e
não de tribunal interno de outro país (sentença estrangeira), caberá à Justiça Federal a
execução, caso o Brasil não cumpra espontaneamente a sentença. Isso é válido também para as
sentenças proferidas pela Corte Interamericana de direitos Humanos. Ressalta-se que, no que
se refere a algumas sentenças, como as que não têm natureza indenizatória, a execução pode
ser prejudicada. Segundo artigo sobre cumprimento de sentença da Corte Interamericana, "Na
execução de condenações não indenizatórias, assim como se passa com as indenizatórias, a
competência para a execução será do juiz federal, seja nos termos do art. 109, inc. I, da
Constituição, já que o processo será dirigido contra a União, seja, ainda, ex vi do inc. III: “Art.

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109. Aos juízes federais compete processar e julgar: […] III – as causas fundadas em tratado ou
contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional””.

2) A Conferência de Bretton Woods (1944), realizada no ocaso da Segunda Guerra Mundial, é


considerada um marco na história do Direito Internacional no século XX porque
A) estabeleceu as bases do sistema econômico e financeiro internacional, por meio da criação
do Banco Mundial – BIRD, do Fundo Monetário Internacional – FMI e do Acordo Geral de Tarifas
Aduaneiras e Comércio – GATT.
B) inaugurou uma nova etapa na cooperação política internacional ao extinguir a Liga das Nações
e transferir a Corte Internacional de Justiça para a estrutura da então recém-criada Organização
das Nações Unidas – ONU.
C) criou o sistema internacional de proteção aos direitos humanos, a partir da adoção da
Declaração Universal dos Direitos Humanos, do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos
e do Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.
D) criou o Tribunal de Nuremberg, corte ad hoc responsável pelo julgamento dos principais
comandantes nazistas e seus colaboradores diretos pelos crimes de guerra cometidos durante
a Segunda Guerra Mundial.

GABARITO

LETRA A
A alternativa (A) está correta, embora contenha algumas imprecisões. A Conferência de Bretton
Woods estabeleceu, de fato, as bases do sistema econômico e financeiro do Sistema financeiro
internacional. Na ocasião, criaram-se o FMI e o BIRD. O GATT, contudo, só foi criado em 1947.
Em Bretton Woods, discutiu-se a criação de uma organização internacional que regulamentasse
o comércio mundial, mas essa organização não foi criada nessa ocasião. Em 1947, houve uma
conferência em Havana, Cuba, para finalmente se criar a Organização Internacional do Comércio
(OIC). Ao final do processo, o tratado não foi ratificado pelos Estados Unidos e acabou perdendo
força. Dessa forma, o GATT, que havia sido criado para regulamentar provisoriamente o
comércio mundial e que era um acordo muito mais frágil do que o que criava a OIC, acabou por
ser o instrumento que regulou o comércio internacional até a criação da OMC, em 1994. Como
as alternativas (B), (C) e (D) tratam de assuntos que jamais estiveram na pauta de Bretton
Woods, a alternativa (A) é a mais adequada, apesar de conter essa imprecisão sobre o GATT,
que não foi criado na referida conferência.

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3) Com relação a tratados, acordos e convenções no âmbito do direito internacional, assinale a


opção correta.
A) Tratado é todo acordo internacional concluído apenas entre Estados e regulado pelo direito
internacional.
B) A extinção de um tratado por ab-rogação ocorre sempre que a intenção terminativa emana
de uma das partes por ele obrigadas.
C) A Convenção de Viena de 1969 destina-se a regular toda a legislação relacionada com as
organizações internacionais.
D) O Brasil submete-se à jurisdição de tribunal penal internacional a cuja criação tenha
manifestado adesão.

GABARITO

LETRA D
-> A letra A está errada. Segundo a definição de Francisco Rezek, tratado é sempre um acordo
formal celebrado entre sujeitos de Direito Internacional e destinado a produzir efeitos jurídicos.
Portanto, não apenas Estados podem concluir tratados. As organizações internacionais, por
exemplo, podem celebrar também.
-> A letra B está errada. Extingue-se um tratado por ab-rogação sempre que o intento
terminativo é comum às partes pactuantes.
-> A letra C está errada. A Convenção de Viena em questão (pois existem outras “Convenções
de Viena”) foi criada com o intuito de solucionar controvérsias e estabelecer parâmetros
relativos à assinatura, adesão, formulação e obrigações relativas aos tratados internacionais.
-> A letra D está correta. A Emenda Constitucional nº 45/2004, acrescentou o § 4º ao art. 5º da
CF/88, no qual prevê que o Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja
criação tenha manifestado adesão.

4) O MERCOSUL é um organismo internacional que visa à integração econômica de países que


se localizam geograficamente no eixo conhecido como Cone Sul, nos termos do Tratado de
Assunção (1991) e do Protocolo de Ouro Preto (1994).
Sobre o sistema de solução de controvérsias do MERCOSUL, assinale a afirmativa correta.
A) O MERCOSUL não possui um sistema próprio de solução de controvérsias, adotando, nos
termos do Tratado de Assunção, o sistema estabelecido no Anexo II do Tratado de Marrakesh
para a Organização Mundial do Comércio.
B) Provisoriamente estabelecido no Protocolo de Brasília (1993), o sistema de solução de
controvérsias do MERCOSUL encontra-se, atualmente, normatizado pelo Protocolo de Ouro
Preto (1994), que estabeleceu a estrutura orgânica definitiva do bloco.

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C) O sistema de solução de controvérsias do MERCOSUL, atualmente normatizado nos termos


do Protocolo de Olivos (2002), estabeleceu como instância final judicante o Tribunal
Permanente de Revisão.
D) O sistema de soluções de controvérsias do MERCOSUL somente foi normatizado pelo
Protocolo de Las Leñas (1996), que estabeleceu os procedimentos de cooperação e assistência
jurisdicional em matéria civil, comercial, trabalhista e administrativa.

GABARITO

LETRA C
O MERCOSUL tem um sistema próprio de solução de controvérsias desde o início da década de
1990. A princípio, o sistema era baseado no Protocolo de Brasília, mas este foi substituído pelo
Protocolo de Olivos, de 2002, que determina as regras do sistema desde então. A alternativa (A)
está errada.
A alternativa (B) está errada. O sistema de solução de controvérsias do MERCOSUL foi
inicialmente estabelecido pelo Protocolo de Brasília, mas este é de 1991, e não de 1993. Além
disso, o Protocolo de Brasília foi substituído pelo Protocolo de Olivos, de 2002, e não pelo
Protocolo de Ouro Preto, de 1994, que tratou de outros assuntos, como a estrutura institucional
do bloco, dentre outros.
A alternativa (C) está correta. Antes do Protocolo de Olivos, não havia possibilidade de recurso,
o que agora é possível com a existência do Tribunal Permanente de Revisão (TPR), localizado em
Assunção, Paraguai.
A alternativa (D) está incorreta. Como já foi explicado anteriormente, o sistema de solução de
controvérsias do MERCOSUL foi inicialmente instituído pelo Protocolo de Brasília (1991) e
posteriormente atualizado e substituído pelo Protocolo de Olivos (2002).

5) A respeito dos mecanismos de solução pacífica de controvérsias no sistema internacional,


assinale a afirmativa correta.
A) O Tribunal Permanente de Revisão do MERCOSUL tem como base jurídica o Protocolo de
Olivos e tem como competência resolver litígios dentro do sistema regional de integração,
proferir pareceres consultivos e editar medidas excepcionais e de urgência.
B) Os Estados possuem capacidade postulatória para solicitar pareceres consultivos perante a
Corte Internacional de Justiça (CIJ).
C) A Organização Mundial do Comércio (OMC) não abre a possibilidade de participação de atores
privados no contencioso, como amici curiae.
D) Apenas os Estados que fazem parte da ONU e ratificaram o Estatuto da Corte Internacional
de Justiça (CIJ) podem apresentar seus contenciosos à mesma.

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GABARITO

LETRA A
A previsão de pareceres consultivos e edição de medidas excepcionais e de urgência estão,
respectivamente, nos artigos 3º e 24 do Protocolo de Olivos. A alternativa (A) está correta.
A alternativa (B) está incorreta, pois somente as organizações internacionais podem solicitar
pareceres consultivos à CIJ. Mais precisamente, os únicos órgãos da ONU que podem solicitar
parecer sobre qualquer assunto são a Assembleia Geral e o Conselho de Segurança. Os outros
órgãos e agências especializadas somente podem solicitar pareceres sobre questões atinentes
a seu âmbito de atuação.
A alternativa (C) está incorreta. Não existe previsão expressa sobre a figura do Amici Curiae
(participação de terceiros não envolvidos diretamente na controvérsia), mas, desde 1998,
verifica-se a atuação de terceiros em processos no âmbito da OMC.
A alternativa (D) está incorreta. Fazer parte do Estatuto da CIJ não significa se submeter à
jurisdição da corte. Para que a corte seja competente para julgar um caso, os Estados envolvidos
têm que ter se submetido expressamente à jurisdição da CIJ, o que pode ser feito de três formas.
A primeira é aderir à Cláusula Facultativa de Jurisdição Obrigatória, que só vale mediante
reciprocidade; a segunda é consentir com a jurisdição da corte somente para determinado caso
específico; a terceira é consentir com a jurisdição da corte por meio de tratados em geral que
prevejam a competência da corte em seu texto.

#4 Competência e Contratos Internacionais

1) Uma agricultora japonesa residente no Brasil ingressou com ação perante a autoridade
judiciária do Japão para cobrar indenização de seu principal fornecedor de pesticidas, a brasileira
Ervas Daninhas S.A., alegando descumprimento dos termos de um contrato de fornecimento
celebrado entre as partes. A agricultora recentemente obteve uma decisão interlocutória a seu
favor, reconhecendo a Ervas Daninhas S.A. como devedora.
Sobre a hipótese, assinale a afirmativa correta.
A) A decisão da autoridade judiciária japonesa poderá ser executada no Brasil por meio de carta
rogatória.
B) A decisão interlocutória da autoridade judiciária japonesa poderá ser executada no Brasil,
depois de homologada pelo Superior Tribunal de Justiça.
C) A decisão proferida pela autoridade judiciária japonesa não poderá produzir efeitos no Brasil,
visto que apenas a autoridade brasileira poderá conhecer de ações relativas a bens situados no
Brasil.

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D) A agricultora deverá aguardar o trânsito em julgado da decisão final da autoridade judiciária


japonesa, para então proceder à sua homologação no Superior Tribunal de Justiça e execução
na Justiça Federal.

GABARITO

LETRA A
A carta rogatória é utilizada quando é preciso acionar a autoridade judiciária estrangeira para
praticar alguma diligência solicitada por autoridades jurídicas domésticas (ou vice-versa, como
é o caso desta questão). Serve basicamente no auxílio da instrução processual. Conforme art.
105, inciso I, alínea “i", da Constituição Federal, compete ao STJ autorizar o cumprimento da
carta rogatória no território brasileiro, por meio da concessão de exequatur. Posteriormente,
caberá à justiça federal o cumprimento do solicitado na carta, conforme art. 109, CF/88.
Cabe salientar que até a Emenda nº45/2004, cabia ao STF a competência de conceder
o exequatur da carta rogatória. Atualmente, com a modificação, a Resolução nº 9 do STJ
regulamenta todo o processo de cumprimento da carta rogatória no ordenamento interno.

2) Em 2013, uma empresa de consultoria brasileira assina, na cidade de Londres, Reino Unido,
contrato de prestação de serviços com uma empresa local. As contratantes elegem o foro da
comarca do Rio de Janeiro para dirimir eventuais dúvidas, com a exclusão de qualquer outro.
Dois anos depois, as partes se desentendem quanto aos critérios técnicos previstos no contrato
e não conseguem chegar a uma solução amigável. A empresa de consultoria brasileira decide,
então, ajuizar uma ação no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro para rescindir o
contrato.
Com relação ao caso narrado acima, assinale a afirmativa correta.
A) O juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá basear sua decisão na legislação
brasileira, pois um juiz brasileiro não pode ser obrigado a aplicar leis estrangeiras.
B) O Poder Judiciário brasileiro não é competente para conhecer e julgar a lide, pois o foro para
dirimir questões em matéria contratual é necessariamente o do local em que o contrato foi
assinado.
C) O juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá basear sua decisão na legislação
do Reino Unido, pois os contratos se regem pela lei do local de sua assinatura.
D) O juiz brasileiro poderá conhecer e julgar a lide, mas deverá se basear na legislação brasileira,
pois, a litígios envolvendo brasileiros e estrangeiros, aplica-se a lex fori.

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GABARITO

LETRA C
A Lei 4657/42, também chamada de Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB),
visa regulamentar certas normas jurídicas, determinando seu modo de aplicação e
entendimento no tempo e espaço. É utilizada pelo Direito Internacional Privado, portanto, para
estabelecer a priori qual legislação (doméstica ou internacional) será competente no caso
específico. Embora seja anexa ao Código Civil, é autônoma e aplica-se a todos os ramos de
direito.
Na questão em destaque, conforme o art. 9º, da LINDB, para qualificar e reger as obrigações de
um contrato, deve ser aplicado a lei do país em que o mesmo foi constituído. No caso, o contrato
foi celebrado em Londres, portanto a legislação do Reino Unido será a utilizada para qualificar e
reger as obrigações.

3) Um jato privado, pertencente a uma empresa norte- americana, se envolve em um incidente


que resulta na queda de uma aeronave comercial brasileira em território brasileiro, provocando
dezenas de mortes. A família de uma das vítimas brasileiras inicia uma ação no Brasil contra a
empresa norte- americana, pedindo danos materiais e morais. A empresa norte-americana alega
que a competência para julgar o caso é da justiça americana. Segundo o direito brasileiro, o juiz
brasileiro
A) tem competência concorrente porque o acidente ocorreu em território brasileiro.
B) não tem competência concorrente porque o réu é empresa estrangeira que não opera no
Brasil.
C) não tem competência, absoluta ou relativa, e deverá remeter o caso, por carta rogatória, à
justiça americana.
D) tem competência concorrente porque a vítima tinha nacionalidade brasileira.

GABARITO

LETRA A
Nesse caso o juiz brasileiro possui competência concorrente para julgar o caso, pois o acidente
ocorreu em território brasileiro. O caput do art. 12, caput da LICC e o art. 88, do CPC determinam
os casos de competência concorrente. Veja-se: Art. 12, LICC: É competente a autoridade
judiciária brasileira, quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser cumprida a
obrigação. Art. 88, CPC: É competente a autoridade judiciária brasileira quando: I O réu,
qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil; II no Brasil tiver de ser
cumprida a obrigação; III A ação se originar de fato ocorrido ou de ato praticado no Brasil. Além

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disso, é importante lembrar que havendo competência concorrente, o autor (no caso a família
da vítima brasileira) pode escolher entre a tutela jurisdicional brasileira ou estrangeira.

4) Jogador de futebol de um importante time espanhol e titular da seleção brasileira é filmado


por um celular em uma casa noturna na Espanha, em avançado estado de embriaguez. O vídeo
é veiculado na internet e tem grande repercussão no Brasil. Temeroso de ser cortado da seleção
brasileira, o jogador ajuíza uma ação no Brasil contra o portal de vídeos, cuja sede é na Califórnia,
Estados Unidos.
O juiz brasileiro
A) não é competente, porque o réu é pessoa jurídica estrangeira.
B) terá competência porque os danos à imagem ocorreram no Brasil.
C) deverá remeter o caso, por carta rogatória, à justiça norte- americana.
D) terá competência porque o autor tem nacionalidade brasileira.

GABARITO

LETRA B
A alternativa (A) está incorreta. O Código de Processo Civil, em seu artigo 88, prevê situações
em que a justiça brasileira tem competência concorrente com a de outros países. Uma das
hipóteses ocorre quando a situação envolver ato praticado ou fato ocorrido no Brasil. Na
situação descrita no enunciado, o fato (danos à imagem) ocorreu no Brasil e, portanto, o juiz
brasileiro é competente.
A alternativa (B), diante do que foi explicado acima, está correta.
A alternativa (C) está incorreta porque, como o juízo brasileiro é competente, não há
necessidade de remeter o caso à justiça dos EUA.
A alternativa (D) está incorreta porque a legislação brasileira dispõe que, quando o réu for
domiciliado no Brasil, a ação poderá ser proposta no país. Não há, dessa forma, previsão de
competência da justiça brasileira pelo simples fato de o autor ser brasileiro.

5) Um contrato internacional entre um exportador brasileiro de laranjas e o comprador


americano, previu que em caso de litígio fosse utilizada a arbitragem, realizada pela Câmara de
Comércio Internacional. O exportador brasileiro fez a remessa das laranjas, mas estas não
atingiram a qualidade estabelecida no contrato. O comprador entrou com uma ação no Brasil
para discutir o cumprimento do contrato.
O juiz decidiu:

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A) extinguir o feito sem julgamento de mérito, em face da cláusula arbitral.


B) deferir o pedido, na forma requerida.
C) indeferir o pedido porque o local do cumprimento do contrato é nos Estados Unidos.
D) deferir o pedido, em razão da competência concorrente da justiça brasileira.

GABARITO

LETRA A
A alternativa (A) está correta. Para saber qual país tem jurisdição e qual lei tem prevalência nos
casos que envolvem pessoas privadas de nacionalidades distintas, o Brasil dispõe de duas fontes
legais: o Código de Processo Civil e a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB).
Enquanto o primeiro aborda as situações de conflito de jurisdição, a segunda aborda, sobretudo,
as questões de conflito de lei. Entretanto, no âmbito privado, os conflitos também podem ser
resolvidos por meio de arbitragem, e isso ocorre tanto no direito interno brasileiro quanto no
direito internacional. No Brasil, não há lei específica que trate de arbitragem internacional, mas
apenas no âmbito interno. Dessa forma, os contratos internacionais que tenham cláusula de
arbitragem respeitarão, no que couber, a lei interna sobre arbitragem (9.307/96). Nessa lei, está
previsto que, se houver cláusula arbitral em um contrato, as controvérsias referentes a ele terão
que ser resolvidas por arbitragem. Isso significa que a jurisdição estatal é afastada. Assim, se a
controvérsia for levada ao judiciário, o juiz deverá extinguir o feito sem julgamento do mérito,
como está descrito na alternativa (A).
Diante do que foi exposto, as alternativas (B), (C) e (D) estão incorretas. Nas alternativas (B) e
(D), o pedido não poderá ser deferido pelo juiz porque ele simplesmente não pode analisar a
questão, uma vez que há cláusula arbitral no contrato em questão. Já a alternativa (C) está
errada porque não se trata de indeferimento em virtude de local errado de cumprimento do
contrato, mas da existência de cláusula arbitral, que tem prevalência sobre as jurisdições
estatais internas.

#5 Tratados Internacionais

1) Com relação aos tratados internacionais, assinale a opção correta à luz da Convenção de
Viena sobre Direito dos Tratados, de 1969.
A) Reserva constitui uma declaração bilateral feita pelos Estados ao assinarem um tratado.
B) Apenas o chefe de Estado pode celebrar tratado internacional.
C) Ainda que a existência de relações diplomáticas ou consulares seja indispensável à aplicação
de um tratado, o rompimento dessas relações, em um mesmo tratado, não afetará as relações
jurídicas estabelecidas entre as partes.

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D) Uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o
inadimplemento de um tratado.

GABARITO

LETRA D
Comentário: a alternativa (A) está incorreta, pois reserva é um qualificativo do consentimento
feito de forma unilateral por um Estado no âmbito de um tratado.
A alternativa (B) está errada porque um tratado pode ser celebrado por qualquer agente
habilitado. Os chefes de Estado, Governo, o Ministro das Relações Externas e o Embaixador
devidamente acreditado na OI ou no país depositário do tratado estão dispensados de
apresentar carta de plenos poderes. No que tange aos outros agentes, eles têm que apresentar
a carta de plenos poderes para que a celebração do tratado surta efeitos.
A alternativa (C) está incorreta. Com o rompimento de relações diplomáticas e consulares,
principalmente os tratados bilaterais ou que dependam da cooperação dos Estados em questão
serão prejudicados. Com o rompimento, o tratado pode, inclusive, perder seu objeto,
dependendo do assunto que aborda.
A alternativa (D) está correta e constitui a cópia do artigo 27 da Convenção de Viena sobre o
Direito dos Tratados, de 1969.

2) Tratados são, por excelência, normas de direito internacional público. No modelo jurídico
brasileiro, como nas demais democracias modernas, tratados passam a integrar o direito interno
estatal, após a verificação de seu iter de incorporação. A respeito dessa temática, assinale a
opção correta, de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro.
A) Uma vez ratificados pelo Congresso Nacional, os tratados passam, de imediato, a compor o
direito brasileiro.
B) Aprovados por decreto legislativo no Congresso Nacional, os tratados podem ser
promulgados pelo presidente da República.
C) Uma vez firmados, os tratados relativos ao MERCOSUL, ainda que criem compromissos
gravosos à União, são automaticamente incorporados visto que são aprovados por parlamento
comunitário.
D) Após firmados, os tratados passam a gerar obrigações imediatas, não podendo os Estados se
eximir de suas responsabilidades por razões de direito interno.

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GABARITO

LETRA B
Comentário: a alternativa (A) está incorreta, pois os tratados que criam compromissos gravosos
ao Brasil, depois de aprovados pelo Congresso, ainda precisam ser promulgados e publicados
por meio de decreto executivo pelo Presidente da República.
A alternativa (B) está correta. A promulgação pelo Presidente da República é uma das partes
que compete ao poder executivo na internalização dos tratados no Brasil.
A alternativa (C) está incorreta porque todos os tratados que gerem compromissos gravosos à
União, inclusive os assinados no âmbito do MERCOSUL, têm que ser ratificados no Brasil. Cabe
ressaltar, também, que o parlamento comunitário não tem competência para aprovar tratados.
No caso de necessidade de internalização, isso ocorre nos parlamentos de cada país do bloco.
A alternativa (D) está incorreta, pois o fato de um tratado gerar obrigações imediatas a partir do
momento em que for firmado não consiste em uma regra de direito internacional, mas, sim, de
direito interno. Nas hipóteses em que as obrigações devam ser cumpridas imediatamente, está-
se diante de um Estado cujo direito interno não requer a internalização dos tratados. Em
contrapartida, há países cujos direitos internos requerem que os tratados sejam aprovados por
seus parlamentos. Esse segundo modelo é mais comum do que o primeiro.

3) Com relação a tratados, acordos e convenções no âmbito do direito internacional, assinale a


opção correta.
A) Tratado é todo acordo internacional concluído apenas entre Estados e regulado pelo direito
internacional.
B) A extinção de um tratado por ab-rogação ocorre sempre que a intenção terminativa emana
de uma das partes por ele obrigadas.
C) A Convenção de Viena de 1969 destina-se a regular toda a legislação relacionada com as
organizações internacionais.
D) O Brasil submete-se à jurisdição de tribunal penal internacional a cuja criação tenha
manifestado adesão.

GABARITO

LETRA D
-> A letra A está errada. Segundo a definição de Francisco Rezek, tratado é sempre um acordo
formal celebrado entre sujeitos de Direito Internacional e destinado a produzir efeitos jurídicos.
Portanto, não apenas Estados podem concluir tratados. As organizações internacionais, por
exemplo, podem celebrar também.

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-> A letra B está errada. Extingue-se um tratado por ab-rogação sempre que o intento
terminativo é comum às partes pactuantes.
-> A letra C está errada. A Convenção de Viena em questão (pois existem outras “Convenções
de Viena”) foi criada com o intuito de solucionar controvérsias e estabelecer parâmetros
relativos à assinatura, adesão, formulação e obrigações relativas aos tratados internacionais.
-> A letra D está correta. A Emenda Constitucional nº 45/2004, acrescentou o § 4º ao art. 5º da
CF/88, no qual prevê que o Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja
criação tenha manifestado adesão

4) A declaração unilateral do Estado visando excluir ou modificar o efeito jurídico de certas


disposições de um tratado internacional é denominada:
A) denúncia;
B) exceção de executividade;
C) reserva;
D) renúncia.

GABARITO

LETRA C
A reserva é uma declaração unilateral da Parte Contratante, expressa no momento do
consentimento, com o objetivo de excluir ou modificar o efeito jurídico de uma ou mais
disposições do tratado em relação àquela Parte Contratante
A denúncia é o ato unilateral pelo qual uma Parte Contratante manifesta a sua vontade de deixar
de ser Parte no tratado.

5) Indique a assertiva CORRETA:


A) os tratados internacionais, segundo o entendimento jurisprudencial brasileiro, possuem
status de Emenda Constitucional;
B) a Constituição admite a submissão de nacionais à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a
cuja criação o país tenha manifestado adesão;
C) em hipótese alguma será concedida a extradição de brasileiro;
D) a competência para celebrar tratados, convenções e atos internacionais é exclusiva do
Presidente da República e estão sujeitos a referendo do Congresso Nacional.

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GABARITO

LETRA B
A) INCORRETA
Apenas os tratados e convenções internacionais queforem aprovados, em cada Casa do
Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão
equivalentes às emendas constitucionais. (art. 5º, §3º, CRFB/88).
B) CORRETA
CRFB/88. Art. 5º. § 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja
criação tenha manifestado adesão.
C) INCORRETA
CRFB/88. Art. 5º. LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime
comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins, na forma da lei.
D) INCORRETA
Trata-se de competência privativa, isto é, pode ser delegada. Art. 84. Compete privativamente
ao Presidente da República: VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a
referendo do Congresso Nacional.

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D I R E I T O T R I B U TÁ R I O

#1 Crédito Tributário

1) A pessoa jurídica XX, procurando compreender os métodos de interpretação da legislação


tributária a respeito dos casos de extinção, suspensão e exclusão do crédito tributário, consulta
você, como advogado.
À luz do Código Tributário Nacional, assinale a alternativa que veicula tema sobre o qual é
imperiosa a interpretação literal de norma tributária.
A) Anistia
B) Remissão
C) Prescrição
D) Compensação

GABARITO

LETRA A
CTN
Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre:
I - suspensão ou exclusão do crédito tributário;
Art. 175. Excluem o crédito tributário:
I - a isenção;
II - a anistia.
"A anistia é uma causa de exclusão do crédito tributário, consistente no perdão legal das
penalidades pecuniárias antes da ocorrência do lançamento da multa. Com efeito, a 'anistia é o
perdão de infrações, do que decorre a inaplicabilidade da sanção'.
'A anistia não elimina a antijuricidade do ato; ele continua correspondendo a uma conduta
contrária à lei; o que se dá é que a anistia altera a consequência jurídica do ato ilegal praticado,
ao afastar, com o perdão, o castigo cominado pela lei'. (Luciano Amaro)
Conforme dispõe o caput do art. 180 do CTN, a anistia, consistindo-se no perdão da falta
cometida pelo contribuinte, bem como das penalidades desse fato decorrentes, abrange

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exclusivamente as infrações cometidas antes da vigência da lei que a concedeu, o que a torna
de efeito retrospectivo, diferentemente da isenção, cuja lei deve conter vigência prospectiva.
A anistia somente pode ser concedida após o cometimento da infração e antes do lançamento
da penalidade pecuniária, uma vez que, se o crédito já estiver constituído, a dispensa somente
poderá ser realizada pela via da remissão, configurando hipótese de extinção do crédito
tributário, prevista no art. 156, inciso IV, do CTN."

2) A falência da sociedade XYZ Ltda. foi decretada em 5/6/2014. Nessa data, a pessoa jurídica já
possuía dois imóveis hipotecados para garantia de dívidas diversas. A União tem créditos
tributários a receber da sociedade, inscritos em dívida ativa em abril de 2013.
Baseado nos fatos narrados, assinale a afirmativa correta.
A) A União tem direito de preferência sobre todo e qualquer credor, porque o crédito tributário
foi inscrito em dívida ativa antes da decretação da falência.
B) A União tem direito de preferência sobre os credores com garantia real, pois o crédito
tributário prefere a qualquer outro, seja qual for sua natureza ou o tempo de sua constituição.
C) A União tem de respeitar a preferência dos credores hipotecários, no limite do valor dos bens
gravados.
D) A União tem de respeitar a preferência dos credores hipotecários, no limite do valor das
dívidas garantidas pelas hipotecas.

GABARITO

LETRA C
CTN, Art. 186. O crédito tributário prefere a qualquer outro, seja qual for sua natureza ou o
tempo de sua constituição, ressalvadosos créditos decorrentes da legislação do trabalho ou do
acidente de trabalho.
Parágrafo único. Na falência:
I – o crédito tributário não prefere aos créditos extraconcursais ou às importâncias passíveis de
restituição, nos termos da lei falimentar, nem aos créditos com garantia real, no limite do valor
do bem gravado;
II – a lei poderá estabelecer limites e condições para a preferência dos créditos decorrentes da
legislação do trabalho; e
III – a multa tributária prefere apenas aos créditos subordinados.

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3) Após ser intimada da lavratura de um auto de infração visando à cobrança da Contribuição


para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) dos últimos cinco anos, a pessoa jurídica
XYZ Participações Ltda. verificou que o tributo não era devido e ofereceu impugnação ao auto
de infração. Como irá participar de uma licitação, a pessoa jurídica em questão irá precisar de
certidão de regularidade fiscal – no caso, Certidão Positiva de Débito com Efeito de Negativa
(CPD-EN). Na hipótese, considerando que o contribuinte não possui outros débitos, assinale a
afirmativa correta.
A) A impugnação ao auto de infração exclui o crédito tributário, sendo possível a emissão da
CPD-EN.
B) A impugnação ao auto de infração, sem o pagamento do crédito, impede a emissão da CPD-
EN.
C) A pessoa jurídica XYZ Participações Ltda. somente terá direito à CPD-EN caso realize o
depósito do montante integral.
D) A impugnação ao auto de infração suspende a exigibilidade do crédito, sendo possível a
emissão da CPD-EN.

GABARITO

LETRA D
Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário:
I - moratória;
II - o depósito do seu montante integral;
III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário
administrativo;
IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança.
V - a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial;
(Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)
VI - o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)
No caso a impugnação (III) ao auto de infração suspende a exigibilidade do crédito Tributário
possibilitando a emissão da Certidão Positiva de Débito com efeito de Negativa
Art. 206. Tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de que conste a
existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido
efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade esteja suspensa.
Como a pessoa jurídica XYZ Participações Ltda impugnou o auto de infração, restou suspenso o
crédito tributário por força do Art. 151, III postado acima.

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4) A União ajuizou execução fiscal em face da pessoa jurídica XYZ Ltda., devedora de tributos
federais. No curso da execução fiscal, a falência da pessoa jurídica foi decretada. Após
requerimento da União, deferido pelo Juízo, Francisco, sócio da pessoa jurídica XYZ Ltda., é
incluído no polo passivo da execução fiscal, em razão da decretação de falência.
Sobre a hipótese, é possível afirmar que
A) a decretação de falência autoriza o redirecionamento da execução fiscal para Francisco, por
ser considerada hipótese de infração à lei, que enseja responsabilidade tributária.
B) o fato de Francisco ser sócio da XYZ Ltda. acarreta, por si só, responsabilidade pessoal pelos
créditos correspondentes a obrigações tributárias da pessoa jurídica.
C) Francisco não poderia ser incluído no polo passivo, ainda que fosse administrador da XYZ Ltda.
e tivesse encerrado ilegalmente as atividades da pessoa jurídica.
D) Francisco não poderia, unicamente em razão da decretação de falência de XYZ Ltda., ser
incluído no polo passivo da execução fiscal.

GABARITO

LETRA D
STJ Súmula 430: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a
responsabilidade solidária do sócio-gerente.

5) A pessoa jurídica X foi contemplada com isenção do Imposto sobre a Propriedade Predial e
Territorial Urbana (IPTU) do imóvel utilizado para suas atividades comerciais. A referida isenção
foi concedida pelo prazo de 5 (cinco) anos e sob a condição de que o imóvel seja utilizado para
a produção de artesanato regional.
Com base no caso apresentado, sobre a referida isenção assinale a opção correta.
A) Poderá ser suprimida por lei, a qualquer tempo, ainda que o contribuinte atenda à condição
de utilizar o imóvel para a produção de artesanato regional.
B) Não poderá ser suprimida no prazo de 5 (cinco) anos, caso o contribuinte cumpra a condição
de utilizar o imóvel para a produção de artesanato regional.
C) Não poderá ser suprimida no prazo de 5 (cinco) anos, ainda que o contribuinte utilize o imóvel
para a realização de atividades comerciais diversas da produção de artesanato regional.
D) Poderá ser suprimida por decreto, a qualquer tempo, ainda que o contribuinte cumpra a
condição de utilizar o imóvel para a produção de artesanato regional.

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GABARITO

LETRA B
Art. 178 - A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições,
pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III
do art. 104
Isenção concedida por prazo certo e em função de determinadas condições = não pode ser
livremente revogada ou modificada por lei.
Isenção concedida SEM prazo certo e em função de determinadas condições = pode ser
livremente revogada ou modificada por lei

#2 Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar

1) A Presidência da República, por meio do Decreto 123, de 1º de janeiro de 2015, aprovou


novas alíquotas para o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), dentro das balizas fiadas
na lei tributária, a saber:
Cigarro – alíquota de 100%
Vestuário – alíquota de 10%
Macarrão – alíquota zero
Sobre a hipótese, é possível afirmar que
A) o referido decreto é inconstitucional, uma vez que viola o princípio da legalidade.
B) o referido decreto é inconstitucional, uma vez que viola o princípio do não confisco.
C) as alíquotas são diferenciadas em razão da progressividade do IPI.
D) as alíquotas são diferenciadas em razão do princípio da seletividade do IPI.

GABARITO

LETRA D
Constituição Federal
Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
IV - produtos industrializados;§ 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os
limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e
V

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§ 3º O imposto previsto no inciso IV:


I - será seletivo, em função da essencialidade do produto;
II - será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante
cobrado nas anteriores;
III - não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior.
IV - terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto,
na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
O princípio da seletividade abrange uma seleção mínima de impostos, o ICMS e o IPI (impostos
proporcionais). Sua função é variar a alíquota de acordo com a essencialidade do bem.
Significa que, ao se deparar com um bem de maior essencialidade, a alíquota será menor e, pela
lógica, se for o bem de menor essencialidade, a alíquota é maior. Tais incidências são
consideradas para os tributos indiretos, isto é, aqueles em que o ônus tributário repercute no
consumidor final. Com isso, as técnicas do princípio da seletividade visam promover justiça
fiscal, inibindo os efeitos negativos provocados por esses impostos, que tendem
"regressividade".
Em palavras simples, uma "progressividade" às avessas, uma vez que, os impostos regressivos,
"quem ganha mais paga menos, quem ganha menos paga mais". Configura-se a injustiça do
sistema tributário.

2) Visando a proteger a indústria de tecnologia da informação, o governo federal baixou medida,


mediante decreto, em que majora de 15% para 20% a alíquota do Imposto sobre a Importação
de Produtos Estrangeiros para monitores de vídeo procedentes do exterior, limites esses que
foram previstos em lei.
A respeito da modificação de alíquota do Imposto de Importação, assinale a afirmativa correta.
A) Deve observar a reserva de lei complementar.
B) Deve ser promovida por lei ordinária.
C) Deve observar o princípio da irretroatividade.
D) Deve observar o princípio da anterioridade.

GABARITO

LETRA C
Existem alguns impostos que são exceção ao princípio da anterioridade, entre eles o II, (Letra D
é falsa). Assim, o Presidente da República poderá majorar sua alíquota por meio de Decreto, não
precisando de Lei Complementar (letra A é falsa), e nem mesmo de lei ordinária (Letra B é falsa).
Porém, a nova alíquota valerá a partir da publicação do Decreto, tendo efeitos prospectivos, é

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dizer, para frente (ex nunc), não podendo retroagir; logo, é preciso obedecer ao princípio da
irretroatividade (Letra C é correta).
A base legal da letra "C" é o art. 150, III, a, da CF:
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
III - cobrar tributos:
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver
instituído ou aumentado;
A irretroatividade tributária do art. 150, III, a, da Constituição da República Federativa do Brasil
de 1988 é uma garantia adicional aos contribuintes, que extrapola e é ainda mais sólida que a
proteção ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito (que em determinados casos pode ser
mitigado). Não há, no texto constitucional, qualquer atenuação ou exceção à irretroatividade
tributária.

3) Em procedimento de fiscalização, a Secretaria da Receita Federal do Brasil identificou lucro


não declarado por três sociedades empresárias, que o obtiveram em conluio, fruto do tráfico de
entorpecentes.
Sobre a hipótese sugerida, assinale a afirmativa correta.
A) O imposto sobre a renda é devido face ao princípio da interpretação objetiva do fato gerador,
também conhecido como o princípio do pecunia non olet.
B) Não caberá tributação e, sim, confisco da respectiva renda.
C) Não caberá tributo, uma vez que tributo não é sanção de ato ilícito.
D) Caberá aplicação de multa fiscal pela não declaração de lucro, ficando afastada a incidência
do tributo, sem prejuízo da punição na esfera penal.

GABARITO

LETRA A
O princípio "pecunia non olet" referindo-se à dinheiro não cheira, devendo ser verificado unica
e exclusivamente de forma objetiva o fato gerador do tributo, independente da licitude ou
ilicitude do ato. "Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como
necessária e suficiente à sua ocorrência c/c Art. 118. A definição legal do fato gerador é
interpretada abstraindo-se: I - da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos
contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus
efeitos;"

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4) A respeito dos Princípios Tributários Expressos e Implícitos, à luz da Constituição da República


de 1988, assinale a opção INCORRETA.
A) É vedado à União instituir isenções de tributos de competência dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios.
B) O princípio da irretroatividade veda a cobrança de tributos em relação a fatos geradores
ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado.
C) É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença tributária
entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino.
D) Pelo princípio da anterioridade, para que os tributos possam ser cobrados a cada exercício, é
necessária a prévia autorização na lei orçamentária.

GABARITO

LETRA D
A) Art. 151. É vedado à União:(isenção heterônoma)
III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos
Municípios.
B) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União,
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (irretroatividade)
III - cobrar tributos:
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver
instituído ou aumentado;
C ) Art. 152. É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença
tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino.
D) Pelo princípio da ANUALIDADE (previsto no direito financeiro), para que os tributos possam
ser cobrados a cada exercício, é necessária a prévia autorização na lei orçamentária.

5) Uma autarquia federal, proprietária de veículos automotores adquiridos recentemente, foi


surpreendida com a cobrança de IPVA pelo Estado responsável pelos respectivos
licenciamentos, não obstante vincular a utilização desses veículos às suas finalidades essenciais.
Com base na hipótese sugerida, assinale a afirmativa correta.
A) A cobrança é constitucional, por se tratar de fato gerador do IPVA.
B) A cobrança é constitucional, por se aplicar o princípio da capacidade contributiva.
C) A cobrança é inconstitucional, por se tratar de isenção fiscal.

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D) A cobrança é inconstitucional, por tratar de hipótese de imunidade tributária.

GABARITO

LETRA D
Constituição Federal
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
VI - instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
§ 2º - A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas
pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas
finalidades essenciais ou às delas decorrentes.

#3 Impostos Previstos na CF

1) O Art. 146, III, a, da Constituição Federal estabelece que lei complementar deve trazer a
definição dos fatos geradores, da base de cálculo e dos contribuintes dos impostos previstos na
Constituição.
Caso não exista lei complementar prevendo tais definições relativamente aos impostos
estaduais, os estados.
A) não podem instituir e cobrar seus impostos, sob pena de violação do Art. 146 da Constituição.
B) podem instituir e cobrar seus impostos, desde que celebrem convênio para estabelecer
normas gerais
C) podem instituir e cobrar seus impostos, pois possuem competência legislativa plena até que
a lei complementar venha a ser editada.
D) podem instituir e cobrar seus impostos, desde que seja publicada Medida Provisória
autorizando.

GABARITO

LETRA C

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Segundo a CF, os Estados e DF poderão legislar plenamente a sobre normais gerais sobre tributos
de sua competência: (Como é o caso do IPVA)
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:I -
direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico
Rege, ainda, o Art. 24 quanto ao estabelecimento das normas gerais em matéria tributária
concorrente
§ 1º - No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer
normas gerais.
§ 3º - Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa
plena, para atender a suas peculiaridades
Como se observa, os Estados poderão legislar plenamente sobre os tributos, ressalto que os
Municípios não detêm competência para legislar sobre tributos de sua competência na falta de
lei complementar federal, por ausência de permissão constitucional.

2) A respeito dos impostos, assinale a afirmativa correta.


A) O Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) de quaisquer bens e direitos terá
suas alíquotas máximas fixadas pelos Estados competentes para a sua instituição.
B) As alíquotas máximas e mínimas do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS)
deverão ser fixados por lei complementar nacional.
C) O Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de
Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) incidirá sobre as operações
que destinem mercadorias e serviços ao exterior.
D) A União Federal deverá instituir, mediante lei complementar, na iminência ou no caso de
guerra externa, impostos extraordinários, compreendidos ou não em sua competência
tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, cessadas as causas de sua criação.

GABARITO

LETRA B
Alternativa A: Incorreta. Não compete aos Estados a fixação das alíquotas máximas do ITCMD,
mas ao Senado Federal, nos termos do art. 155, §1º, IV da CRFB/88: Art. 155. Compete aos
Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre:
I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos;
[...]
§ 1.º O imposto previsto no inciso I: […]

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IV - terá suas alíquotas máximas fixadas pelo Senado Federal.


Alternativa B: Correta. O fundamento está contido no art. 156, §3º, I da CRFB/88: Art. 156.
Compete aos Municípios instituir impostos sobre:
[…]
III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei
complementar.
[…]
§ 3º Em relação ao imposto previsto no inciso III do caput deste artigo, cabe à lei complementar:
I - fixar as suas alíquotas máximas e mínimas.
Alternativa C: Incorreta. As operações que destinam mercadorias e serviços ao exterior são
imunes ao ICMS, nos termos do art. 155, §2º X, “a” da CRFB/88: Art. 155. Compete aos Estados
e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: […] II - operações relativas à circulação de
mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de
comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior. […] § 2.º O imposto
previsto no inciso II atenderá ao seguinte: […] X - não incidirá: a) sobre operações que destinem
mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior,
assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações
e prestações anteriores.
Alternativa D: Incorreta. Na iminência ou no caso de guerra externa, a União poderá instituir
impostos extraordinários. A expressão “deverá” torna a alternativa incorreta, pois transforma o
que a Constituição tratou como faculdade em obrigação, nos termos do art. 154, II da CRFB/88:
Art. 154. A União poderá instituir: [...] II - na iminência ou no caso de guerra externa, impostos
extraordinários, compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão
suprimidos, gradativamente, cessadas as causas de sua criação.

3) O Chefe do Poder Executivo da União, acreditando ser esta a melhor estratégia econômica
para estimular o mercado interno brasileiro, decide reduzir a alíquota do Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI) sobre alguns produtos. Neste cenário, você é consultado sobre os
parâmetros constitucionais dirigidos àquele imposto.
Assim, você afirmaria que, a respeito do IPI, o Art. 153, § 3º, da CRFB/88, estabelece que
A) não será seletivo, em função da essencialidade do produto.
B) será cumulativo.
C) não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior.
D) terá impacto mais gravoso quando incidente sobre a aquisição de bens de capital pelo
contribuinte do imposto.

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GABARITO

LETRA C
CF
Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
IV - produtos industrializados; (IPI)
§ 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei,
alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V.
§ 3º O imposto previsto no inciso IV:
I - será seletivo, em função da essencialidade do produto; (A)
II - será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante
cobrado nas anteriores; (B)
III - não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. (C)
IV - terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto,
na forma da lei. (D)

4) Fulano de Tal prometeu adquirir de uma autarquia federal um imóvel residencial urbano. O
sinal e parte substancial do preço são pagos no momento da lavratura da escritura pública de
promessa de compra e venda, que é prontamente registrada no Registro Geral de Imóveis (RGI)
competente. O saldo do preço será pago em várias parcelas.
Após o registro da promessa de compra e venda
A) passa a incidir o IPTU, a ser pago pela autarquia.
B) continua a não incidir o IPTU, por força da imunidade da autarquia (cujo nome continua
vinculado ao imóvel no RGI, ainda que agora a autarquia figure como promitente vendedora).
C) passa a incidir o IPTU, a ser pago solidariamente pela autarquia e por Fulano de Tal.
D) passa a incidir o IPTU, a ser pago por Fulano de Tal, uma vez que registrada no RGI a promessa
de compra e venda do imóvel.

GABARITO

LETRA D

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CF/88:
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
VI - instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
§ 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas
pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas
finalidades essenciais ou às delas decorrentes.
§ 3º As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda
e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas
aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de
preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar
imposto relativamente ao bem imóvel.
Súmula 583 do STF: Promitente-Comprador de imóvel residencial transcrito em nome de
autarquia é contribuinte do imposto predial territorial urbano.

5) A pessoa jurídica Verdes Campos Ltda. realiza transporte de cargas entre os estados “X” e “Y”
por meio de sua frota de 30 caminhões. Sobre a referida prestação de serviço de transporte,
assinale a opção correta.
A) Incide o ISS, de competência dos Municípios.
B) Não incide qualquer imposto.
C) Incide o ICMS, de competência dos Estados.
D) Incide o IPVA, de competência dos Estados.

GABARITO

LETRA C
Como se trata de prestação de serviços, não há que se falar em incidência de IPVA, mas sim do
ISS ou ICMS. O ICMS incide sobre prestações de serviços de transporte interestadual e
intermunicipal e de comunicação.
Portanto, tendo em vista o caráter interestadual do serviço mencionado na questão, a incidência
é de ICMS.
Macete: ISS sobre a prestação de serviço somente se fosse prestação de serviço INTRAmunicipal.
Como se trata de prestação de serviço INTERestadual, incide somente o ICMS.

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#4 Legislação Tributária

1) O Estado Alfa institui, por meio de lei complementar, uma taxa pela prestação de serviço
público específico e divisível. Posteriormente a alíquota e a base de cálculo da taxa vêm a ser
modificadas por meio de lei ordinária, que as mantém em patamares compatíveis com a
natureza do tributo e do serviço público prestado.
A lei ordinária em questão é
A) integralmente inválida, pois lei ordinária não pode alterar lei complementar.
B) parcialmente válida – apenas no que concerne à alteração da base de cálculo, pois a
modificação da alíquota só seria possível por meio de lei complementar.
C) parcialmente válida – apenas no que concerne à alteração da alíquota, pois a modificação da
base de cálculo só seria possível por meio de lei complementar.
D) integralmente válida, pois a matéria por ela disciplinada não é constitucionalmente reservada
à lei complementar.

GABARITO

LETRA D
CF/88:
Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes
tributos:
II – taxas [a instituição e modificação de taxas não foi reservada à lei complementar], em razão
do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos
específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição;
“O consentimento emanará, como regra, da lei ordinária. Esta é o veículo normativo hábil a
instituir e a aumentar as exações tributárias. Como é cediço, a lei ordinária é a lei comum, do
dia a dia das Casas Legislativas, cuja elaboração prescinde de quórum privilegiado de votantes.
Todavia, há casos de tributos federais que, obedecendo ao postulado da legalidade tributária,
avocam o processo elaborativo desencadeado pela maioria absoluta dos representantes do
Poder Legislativo Federal, a saber, a edição de lei complementar.
Segundo a literalidade do texto constitucional, são eles:
1. Imposto sobre Grandes Fortunas (art. 153, VII, CF);
2. Empréstimos Compulsórios (art. 148, I e II, CF);
3. Impostos Residuais (art. 154, I, CF);

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4. Contribuições Social-previdenciárias Residuais (art. 195, § 4º, CF c/c art. 154, I, CF).”
Macete: 4 tributos que só podem ser criados por meio de LC. : CEGI
C : --> Contribuições Social-previdenciárias Residuais
E : --> Empréstimos Compulsórios
G : --> IGF: Imposto sobre Grandes Fortunas
I : --> Impostos Residuais

2) Em dezembro de 2006, foi publicada a Lei Complementar nº 123, que instituiu o Estatuto
Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, e criou novo regime de tributação
simplificada, abrangendo, além dos impostos e contribuições federais, o Imposto sobre
Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte
Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), bem como o Imposto sobre Serviços
de Qualquer Natureza (ISS).
Sobre a hipótese, assinale a afirmativa correta.
A) A referida lei é inconstitucional, pois é vedada à União instituir benefício fiscal de tributo de
competência dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
B) O regime de tributação simplificada é obrigatório a todos os contribuintes que cumpram os
requisitos previstos na referida lei complementar.
C) A referida lei é inconstitucional, no que se refere ao ICMS, pois institui benefício fiscal do
imposto sem a competente autorização por meio de convênio do Conselho Nacional de Política
Fazendária – CONFAZ
D) Segundo a Constituição Federal, a fiscalização do cumprimento das obrigações principais e
acessórias do regime único de arrecadação poderá ser compartilhada pelos entes da Federação.

GABARITO

LETRA D
a) A CF, através da Emenda Constitucional 42, determinou a adoção de regime de tributação
simplificado por meio de Lei Complementar.
b) A adesão é opcional/facultativa, sendo que a própria CF assim determinou.
c) Não é inconstitucional.
d) CORRETO.
Art. 146, parágrafo único, CF. A lei complementar de que trata o inciso III, d, também poderá
instituir um regime único de arrecadação dos impostos e contribuições da União, dos Estados,

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do Distrito Federal e dos Municípios, observado que: (Incluído pela Emenda Constitucional nº
42, de 19.12.2003)
I - será opcional para o contribuinte;
II - poderão ser estabelecidas condições de enquadramento diferenciadas por Estado;
III - o recolhimento será unificado e centralizado e a distribuição da parcela de recursos
pertencentes aos respectivos entes federados será imediata, vedada qualquer retenção ou
condicionamento;
IV - a arrecadação, a fiscalização e a cobrança poderão ser compartilhadas pelos entes
federados, adotado cadastro nacional único de contribuintes.

3) A União criou um novo imposto não previsto na CRFB mediante lei complementar sobre a
propriedade de veículos de duas rodas não motorizados, que adota fato gerador e base de
cálculo diferente dos demais discriminados na Constituição. Nessa situação, a União terá feito
uso de competência
A) comum.
B) residual.
C) cumulativa.
D) extraordinária.

GABARITO

LETRA B
Art. 154. A União poderá instituir:
I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não-
cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta
Constituição.

4) No exercício de 1995, um contribuinte deixou de recolher determinado tributo. Na ocasião,


a lei impunha a multa moratória de 30% do valor do débito. Em 1997, houve alteração legislativa,
que reduziu a multa moratória para 20%. O contribuinte recebeu, em 1998, notificação para
pagamento do débito, acrescido da multa moratória de 30%.
A exigência está
A) correta, pois aplica-se a lei vigente à época de ocorrência do fato gerador.
B) errada, pois aplica-se retroativamente a lei que defina penalidade menos severa ao
contribuinte.

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C) correta, pois o princípio da irretroatividade veda a aplicação retroagente da lei tributária.


D) errada, pois a aplicação retroativa da lei é regra geral no direito tributário.

GABARITO

LETRA B
O CTN é claro ao definir que a lei que define penalidade menos severa ao contribuinte deve ser
aplicada, desde que o ato ainda não esteja definitivamente julgado (artigo 106, II, “c”, CTN).
Uma vez que o contribuinte recebeu a notificação de pagamento apenas em 1998, o ato ainda
não se encontrava definitivamente julgado, o que possibilitaria (e obrigaria) a autoridade
administrativa a aplicar a lei mais benéfica, aplicando a multa de 20%, instituída pela nova lei,
ao invés da multa de 30%, mais penosa ao sujeito passivo.
Conforme o disposto no artigo 106, II, do Código Tributário Nacional, aplica-se retroativamente
a lei que defina penalidade menos severa ao contribuinte. Segue transcrito o dispositivo legal
para estudo:
“Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito:
I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de
penalidade à infração dos dispositivos interpretados;
II - tratando-se de ato não definitivamente julgado:
a) quando deixe de defini-lo como infração;
b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que
não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;
c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua
prática.”

5) Em Direito Tributário, cumpre à lei ordinária:


A) estabelecer a cominação ou dispensa de penalidades para as ações ou omissões contrárias a
seus dispositivos.
B) estabelecer a forma e as condições como isenções, incentivos e benefícios fiscais serão
concedidos em matéria de ISS.
C) estabelecer normas gerais em matéria tributária, especialmente sobre adequado tratamento
tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas.
D) estabelecer normas gerais em matéria tributária, especialmente sobre a definição de
tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e empresas de pequeno porte.

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GABARITO

LETRA A
CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:
V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou
para outras infrações nela definidas;
"B" ERRADA
Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre:
III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei
complementar.
§ 3º Em relação ao imposto previsto no inciso III do caput deste artigo, cabe à lei complementar:
III - regular a forma e as condições como isenções, incentivos e benefícios fiscais serão
concedidos e revogados
"C" ERRADA
Art. 146. Cabe à lei complementar:
c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas.
"D" ERRADA
Art. 146. Cabe à lei complementar:
d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas
de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto previsto no
art. 155, II, das contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se
refere o art. 239.

#5 Conceito e Classificação dos Tributos

1) Determinado contribuinte verificou a existência de débitos vencidos de Imposto sobre a


Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) e da taxa de coleta de lixo com o Município M.
Os dois tributos são relativos ao ano-calendário de 2012 e se referem ao imóvel onde reside. O
contribuinte pagou ao Município M montante insuficiente para a quitação de ambos os tributos.
Diante de tais débitos, a autoridade administrativa municipal que recebeu o pagamento
A) determinará, primeiramente, a imputação do pagamento à taxa e, posteriormente, ao
imposto.
B) determinará o pagamento na ordem decrescente dos prazos prescricionais.

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C) determinará o pagamento na ordem crescente dos montantes.


D) determinará, primeiramente, a imputação do pagamento ao imposto e, posteriormente à
taxa.

GABARITO

LETRA A
Art. 163. Existindo simultaneamente 2 ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para
com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou
provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa
competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as
seguintes regras, na ordem em que enumeradas:
I – em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes
de responsabilidade tributária;
II – primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos; (C.T.I.)
III – na ordem crescente dos prazos de prescrição;
IV – na ordem decrescente dos montantes.
Macete:
Prioridade: (C.T.I.)
Prescrição: Crescente
Montante: Decrescente

2) Segundo o entendimento do STF, a taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços


públicos de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes de
imóveis, é:
A) constitucional, por não violar o conceito constitucional de taxa.
B) inconstitucional, por violar o conceito constitucional de taxa.
C) constitucional, por não violar o conceito constitucional de taxa, mas ilegal por violar a
definição de taxa contida no Código Tributário Nacional.
D) inconstitucional, por violar o conceito constitucional de taxa, além de ilegal, por violar a
definição de taxa contida no Código Tributário Nacional.

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GABARITO

LETRA A
SÚMULA VINCULANTE 19
A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e tratamento
ou destinação de lixo ou resíduos provenientes de imóveis, não viola o artigo 145, II, da
Constituição Federal.

3) José recebeu auto de infração pelo inadimplemento de determinado tributo instituído por lei
ordinária. José contesta a exigência fiscal sob o argumento, correto, de que o tributo em questão
deveria ter sido instituído por lei complementar.
A partir da hipótese apresentada, assinale a opção que indica o tributo exigido no referido auto
de infração.
A) Contribuição de Interesse de Categoria Profissional.
B) Contribuição de Melhoria.
C) Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico.
D) Empréstimo Compulsório.

GABARITO

LETRA D
Resposta Correta: D Fundamento: CF/88, Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá
instituir empréstimos compulsórios: I - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de
calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência; II - no caso de investimento público de
caráter urgente e de relevante interesse nacional, observado o disposto no art. 150, III, "b".
Macete: 4 tributos que só podem ser criados por meio de LC. : CEGI
C : --> Contribuições Social-previdenciárias Residuais
E : --> Empréstimos Compulsórios
G : --> IGF: Imposto sobre Grandes Fortunas
I : --> Impostos Residuais

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4) O imposto cuja alíquota é invariável e se aplica sobre base de cálculo variável, é classificado
como
A) progressivo.
B) proporcional.
C) indireto.
D) pessoal.

GABARITO

LETRA B
IMPOSTO PROPORCIONAL – É aquele em que a alíquota é constante (igual/uniforme/fixa) e cujo
resultado só aumenta à proporção em que aumenta o valor sobre o qual incide. É um tributo de
alíquota inalterável, qualquer que seja o montante tributável ou a base tributária.
Classificações adicionais:
IMPOSTO CUMULATIVO – Diz-se de um imposto ou tributo que incide em todas as etapas
intermediárias dos processos produtivo e/ou de comercialização de determinado bem, inclusive
sobre o próprio imposto/tributo anteriormente pago, da origem até o consumidor final,
influindo na composição de seu custo e, em consequência, na fixação de seu preço de venda.
IMPOSTO DECLARATÓRIO – Diz-se do tributo (imposto, taxa, contribuição de melhoria,
contribuição parafiscal, encargos/tarifas tributários etc.) que, para ser pago e/ou recolhido aos
cofres públicos, depende da vontade ou de providências (preenchimento de declaração,
formulário, DARF, carnê etc.) por parte do Contribuinte ou do Responsável pelo recolhimento,
tais como IPI, ICMS, ISS, IPTU, ITR, IR, INSS, FGTS etc.
IMPOSTO EM CASCATA – O mesmo que Imposto Cumulativo.
IMPOSTO INDIRETO – Diz-se do tributo não explicitado na Nota Fiscal, cujo valor, embutido no
preço final do produto, é repassado ao consumidor. Exemplo: o imposto direto que se paga na
conta do telefone ou de energia elétrica, transforma-se em imposto indireto quando repercute
no preço final do produto.
IMPOSTO NÃO-CUMULATIVO – Diz-se do imposto/tributo que, na etapa subsequente dos
processos produtivos e/ou de comercialização, não incide sobre o mesmo imposto/tributo
pago/recolhido na etapa anterior. Exemplos: IPI, ICMS e PIS/COFINS Não Cumulativos.
IMPOSTO PROGRESSIVO – Diz-se do imposto em que a alíquota aumenta à proporção que os
valores sobre os quais incide são maiores. Um exemplo disto é a Tabela do Imposto de Renda –
Pessoa Física, cuja alíquota varia de 15 a 27,5%, conforme a renda.
IMPOSTO REGRESSIVO – Diz-se do imposto em que a alíquota diminui à proporção que os
valores sobre os quais incide são maiores.

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IMPOSTO SELETIVO – Diz-se do imposto que incide somente sobre determinados produtos. No
sistema tributário atual os impostos sobre bebidas alcoólicas, fumo, perfumes/cosméticos e
carros (automóveis), dentre outros, são seletivos, porquanto têm alíquotas diferenciadas. Por
sinal, no sistema tributário nacional vigente, a seletividade tributária praticamente tornou-se
uma regra, ao invés de exceção.
INCENTIVOS FISCAIS (ou BENEFÍCIOS FISCAIS) - Redução ou eliminação, direta ou indireta, do
respectivo ônus tributário, oriundo de lei ou norma específica.

5) Em 17/07/2014, o Tribunal de Justiça do Estado X da Federação instituiu, por meio de


Provimento da Corregedoria Geral da Justiça, as custas judiciais e os emolumentos cartorários
vigentes a partir da data da publicação.
Sobre a hipótese, assinale a afirmativa correta.
A) As custas judiciais e os emolumentos cartorários têm natureza jurídica de preço público e,
portanto, não estão sujeitos às limitações constitucionais ao poder de tributar.
B) As custas judiciais e os emolumentos cartorários têm natureza jurídica de taxa de serviço.
Sendo assim, o provimento da Corregedoria Geral viola os princípios da legalidade, da
anterioridade de exercício e nonagesimal.
C) As custas judiciais e os emolumentos cartorários têm natureza jurídica de contribuição social.
Sendo assim, o provimento da Corregedoria Geral viola os princípios da legalidade, da
anterioridade de exercício e nonagesimal.
D) As custas judiciais e os emolumentos cartorários têm natureza jurídica de taxa de poder de
polícia. Sendo assim, o provimento da Corregedoria Geral viola os princípios da legalidade e da
anterioridade de exercício.

GABARITO

LETRA B
Vejamos o precedente do STF a respeito das Custas e Emolumentos Judiciais:
"A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmou orientação no sentido de que as custas
judiciais e os emolumentos concernentes aos serviços notariais e registrais possuem natureza
tributária, qualificando-se como taxas remuneratórias de serviços públicos, sujeitando-se, em
conseqüência, quer no que concerne à sua instituição e majoração, quer no que se refere à sua
exigibilidade, ao regime jurídico-constitucional pertinente a essa especial modalidade de tributo
vinculado, notadamente aos princípios fundamentais que proclamam, dentre outras, as
garantias essenciais (a) da reserva de competência impositiva, (b) da legalidade, (c) da isonomia
e (d) da anterioridade. " (STF ADI MC 1378/ES).

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DIREITOADMINISTRATIVO

#1 Organização da Administração Pública

1) O Estado Alfa e os Municípios Beta e Gama, localizados naquele Estado, celebraram protocolo
de intenções para a constituição de consórcio público para atuação na área de saneamento,
dispondo que o consórcio teria personalidade jurídica de direito público. No protocolo de
intenções está prevista a outorga de concessão, permissão e autorização de serviços públicos
pelo consórcio, além da possibilidade de promover desapropriações e instituir servidões.
Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta.
A) O consórcio é ente desprovido de personalidade e, portanto, não é válida a previsão contida
no protocolo de intenções.
B) O consórcio em referência não poderá ser constituído sem a obrigatória participação da União
entre os seus consorciados.
C) Após a constituição do consórcio, poderá ele promover desapropriação, pois prevista no
protocolo, mas a declaração de utilidade pública não pode ser feita pelo consórcio.
D) Com a assinatura do protocolo de intenções por todos os entes participantes, estará
constituído o consórcio em referência.

GABARITO

LETRA C
L11.107: Dispõe sobre normas gerais de contratação de consórcios públicos e dá outras
providências.
A) Art. 6o O consórcio público adquirirá personalidade jurídica:
I – de direito público, no caso de constituir associação pública, mediante a vigência das leis de
ratificação do protocolo de intenções;
II – de direito privado, mediante o atendimento dos requisitos da legislação civil.
O consórcio público, tanto de direito público como de direito privado, adquire personalidade
jurídica caso cumpra os requisitos acima aludidos.
B) Art. 1º, § 2o A União somente participará de consórcios públicos em que também façam parte
todos os Estados em cujos territórios estejam situados os Municípios consorciados.

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No caso em questão, a União poderá participar já que todos os Estados em cujos territórios
estejam situados os Municípios consorciados fazem parte do consórcio (na verdade é só um
Estado), mas não se trata de uma obrigação.
C) Art. 2º, § 1o Para o cumprimento de seus objetivos, o consórcio público poderá:
II – nos termos do contrato de consórcio de direito público, promover desapropriações e instituir
servidões nos termos de declaração de utilidade ou necessidade pública, ou interesse social,
realizada pelo Poder Público;
A declaração de utilidade pública é realizada pelo "Poder Público". O consórcio deverá promover
desapropriações nos seus termos.
Aqui vai a dica:
Desapropriação:
Competência para declarar (U/N/I) → adm. direta
Competência para legislar → privativa da União
Competência executória → adm. direta + adm. indireta + agentes delegados
D) Art. 6o O consórcio público adquirirá personalidade jurídica:
I – de direito público, no caso de constituir associação pública, mediante a vigência das leis de
ratificação do protocolo de intenções;
O consórcio estará constituído com a vigência das leis de ratificação do protocolo de intenções,
e não com a simples assinatura dos mesmos.

2) O Estado X e os Municípios A, B e C subscreveram protocolo de intenções para a constituição


de um consórcio com personalidade jurídica de direito privado para atuação na coleta, descarte
e reciclagem de lixo produzido no limite territorial daqueles municípios. Com base no caso
apresentado, assinale a afirmativa correta.
A) Por se tratar de consórcio a ser constituído entre entes de hierarquias diversas, a saber,
Estado e Municípios, é obrigatória a participação da União.
B) O consórcio de direito privado a ser constituído pelo Estado e pelos Municípios não está
alcançado pela exigência de prévia licitação para os contratos que vier a celebrar.
C) O consórcio entre o Estado e os Municípios será constituído por contrato e adquirirá
personalidade jurídica mediante o atendimento dos requisitos da legislação civil.
D) Por se tratar de consórcio para atuação em área de relevante interesse coletivo, não se
admite que seja constituído com personalidade de direito privado.

GABARITO

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LETRA C
L11107/2005: Dispõe sobre normas gerais de contratação de consórcios públicos e dá outras
providências.
A) Art. 1o Esta Lei dispõe sobre normas gerais para a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios contratarem consórcios públicospara a realização de objetivos de interesse comum
e dá outras providências.
§ 2o A União somente participará de consórcios públicos em que também façam parte todos os
Estados em cujos territórios estejam situados os Municípios consorciados.
B) Art. 6º, § 2o No caso de se revestir de personalidade jurídica de direito privado, o consórcio
público observará as normas de direito público no que concerne à realização de licitação,
celebração de contratos, prestação de contas e admissão de pessoal, que será regido pela
Consolidação das Leis do Trabalho - CLT.
C) Art. 3o O consórcio público será constituído por contrato cuja celebração dependerá da prévia
subscrição de protocolo de intenções.
Art. 6o O consórcio público adquirirá personalidade jurídica:
I – de direito público, no caso de constituir associação pública, mediante a vigência das leis de
ratificação do protocolo de intenções;
II – de direito privado, mediante o atendimento dos requisitos da legislação civil.
D) Art. 1º, § 1o O consórcio público constituirá associação pública ou pessoa jurídica de direito
privado.

3) O Estado XYZ pretende criar uma nova universidade estadual sob a forma de fundação
pública. Considerando que é intenção do Estado atribuir personalidade jurídica de direito
público a tal fundação, assinale a afirmativa correta.
A) Tal fundação há de ser criada com o registro de seus atos constitutivos, após a edição de lei
ordinária autorizando sua instituição.
B) Tal fundação há de ser criada por lei ordinária específica.
C) Não é possível a criação de uma fundação pública com personalidade jurídica de direito
público.
D) Tal fundação há de ser criada por lei complementar específica.

GABARITO

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LETRA B
Em se tratando de fundação pública, o entendimento amplamente prevalente, inclusive no
âmbito da jurisprudência do STF, é na linha de que tais entidades podem ser instituídas com
personalidade jurídica de direito público ou de direito privado. Em sendo criadas como pessoas
jurídicas de direito público, assumem a mesma natureza jurídica das autarquias e, assim, são até
mesmo chamadas de fundações autárquicas ou autarquias fundacionais. Seu regime jurídico em
tudo se assemelha ao das autarquias, inclusive no que tange à técnica de criação, vale dizer, por
meio de lei ordinária específica (art. 37, XIX, CF/88).
Firmadas estas premissas teóricas, vejamos as opções:
a) Errado: este é o mecanismo próprio de criação das pessoas jurídicas de direito privado (CF,
art. 37, XIX, parte final). Contudo, como na hipótese a fundação seria de direito público, sua
criação opera-se mediante lei ordinária específica.
b) Certo: é exatamente o que se sustentou linhas acima.
c) Errado: doutrina e jurisprudência majoritárias admitem, sim, a criação de fundações públicas
de direito público. Exemplo: Fundação Nacional de Saúde - FNS.
d) Errado: a criação se dá por lei ordinária específica, e não por meio de lei complementar. A
Constituição prevê, tão somente, que as "áreas de atuação" das fundações públicas devem ser
estabelecidas em lei complementar (art. 37, XIX). Todavia, referido diploma complementar
ainda não foi editado.

4) O Governador do Estado Y criticou, por meio da imprensa, o Diretor-Presidente da Agência


Reguladora de Serviços Delegados de Transportes do Estado, autarquia estadual criada pela Lei
nº 1.234, alegando que aquela entidade, ao aplicar multas às empresas concessionárias por
supostas falhas na prestação do serviço, “não estimula o empresário a investir no Estado".
Ainda, por essa razão, o Governador ameaçou, também pela imprensa, substituir o Diretor-
Presidente da agência antes de expirado o prazo do mandato daquele dirigente.
Considerando o exposto, assinale a afirmativa correta.
A) A adoção do mandato fixo para os dirigentes de agências reguladoras contribui para a
necessária autonomia da entidade, impedindo a livre exoneração pelo chefe do Poder Executivo.
B) A agência reguladora, como órgão da Administração Direta, submete-se ao poder disciplinar
do chefe do Poder Executivo estadual.
C) A agência reguladora possui personalidade jurídica própria, mas está sujeita,
obrigatoriamente, ao poder hierárquico do chefe do Poder Executivo.
D) Ainda que os dirigentes da agência reguladora exerçam mandato fixo, pode o chefe do Poder
Executivo exonerá- los, por razões políticas não ligadas ao interesse público, caso discorde das
decisões tomadas pela entidade

GABARITO

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LETRA A
Eis os comentários pertinentes a cada alternativa:
a) Certo: sem dúvida alguma, o fato de os dirigentes das agências reguladoras ostentarem
mandato fixo constitui importante mecanismo de incremento da autonomia administrativa de
tais entidades. Afinal, em assim sendo, não pode o chefe do Poder Executivo exonerá-los
livremente. A norma que assim determina encontra-se no art. 9º, Lei 9.986/2000. Acerca do
tema, Alexandre Mazza ensina: "Essa proteção contra a exoneração imotivada ou ad nutum
representa uma estabilidade mais acentuada, permitindo ao dirigente exercer tecnicamente
suas funções sem preocupação com influências políticas ou partidárias." (Manual de Direito
Administrativo, 4ª edição, 2014, p. 177)
b) Errado: as agências reguladoras não têm sido criadas como órgãos, e sim como autarquias.
Logo, detêm personalidade jurídica própria e não integram a Administração direta, e sim a
indireta.
c) Errado: só existe relação hierárquica no âmbito de uma mesma pessoa jurídica. Essa
informação é bastante para identificar o erro contido nessa opção. Afinal, se a agência é uma
pessoa jurídica autônoma, é evidente que não se submete ao poder hierárquico do chefe do
Poder Executivo, porquanto este integra outra pessoa jurídica, no caso, um dado estado da
federação.
d) Errado: remeto o leitor aos mesmos comentários feitos na alternativa "a" e transcrevo, a
seguir, o teor do art. 9º, Lei 9.986/2000, apenas para melhor exame da absoluta inviabilidade
de exoneração ad nutum, por parte do chefe do Poder Executivo: "Os Conselheiros e os
Diretores somente perderão o mandato em caso de renúncia, de condenação judicial transitada
em julgado ou de processo administrativo disciplinar."

5) Após autorização em lei, o Estado X constituiu empresa pública para atuação no setor
bancário e creditício. Por não possuir, ainda, quadro de pessoal, foi iniciado concurso público
com vistas à seleção de 150 empregados, entre economistas, administradores e advogados.
A respeito da situação descrita, assinale a afirmativa correta.
A) Não é possível a constituição de empresa pública para exploração direta de atividade
econômica pelo Estado.
B) A lei que autorizou a instituição da empresa pública é, obrigatoriamente, uma lei
complementar, por exigência do texto constitucional.
C) Após a Constituição de 1988, cabe às empresas públicas a prestação de serviços públicos e às
sociedades de economia mista cabe a exploração de atividade econômica.
D) A empresa pública que explora atividade econômica sujeita-se ao regime trabalhista próprio
das empresas privadas, o que não afasta a exigência de concurso público.

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LETRA D
Examinemos cada alternativa, em busca da correta:
a) Errado: nada impede que seja instituída uma empresa pública, em ordem a que desenvolva
uma dada atividade econômica, como expressamente autoriza o art. 173, caput e §1º, CF/88,
que assim preceituam: " Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a
exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos
imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei.
§1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista
e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de
bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre:(...)" Refira-se, por fim, que a Caixa Econômica
Federal é uma empresa pública federal, atuante, precisamente, no ramo empresarial referido
nesta questão, o que corrobora o acima afirmado.
b) Errado: a criação de empresas públicas está regulada no art. 37, XIX, CF/88, que se limita a
exigir autorização em lei específica, mas não em lei complementar.
c) Errado: tanto as empresas públicas quanto as sociedades de economia mista podem
desenvolver atividades econômicas ou podem prestar serviços públicos, a depender de simples
opção administrativa e legislativa (art. 173, caput e §1º c/c art. 175, CF/88).
d) Certo: de fato, a submissão ao regime trabalhista próprio das empresas privadas é uma
imposição constitucional (art. 173, §1º, II, CF/88). No que pertine à necessidade de realizar
prévio concurso público para recrutamento de pessoal, isto deriva do fato de que toda a
Administração Pública, seja a direta, seja a indireta (no que se incluem as empresas públicas),
submete-se às normas do art. 37, CF/88, inclusive ao disposto em seu inciso II, que consagra o
princípio do concurso público.

#2 Intervenção do Estado na Propriedade

1) O Estado Beta pretende estabelecer ligação viária entre dois municípios contíguos em seu
território. Para tanto, mostra-se necessária a desapropriação, por utilidade pública, de bem de
propriedade de um dos municípios beneficiários da obra.
Quanto à competência do Estado Beta para desapropriar bem público, assinale a afirmativa
correta.
A) O Estado Beta não tem competência para desapropriar, por utilidade pública, bem municipal.
B) O Estado Beta não tem competência para desapropriar bens públicos.
C) O Estado Beta poderá desapropriar sem qualquer providência preliminar.
D) O Estado Beta poderá desapropriar mediante a respectiva autorização legislativa.

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LETRA D
O art. 2º, § 2º, do Decreto-Lei n. 3.365/41 prevê expressamente a possibilidade de as entidades
federativas geograficamente maiores desapropriarem bens pertencentes às menores: “Os bens
do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios poderão ser desapropriados
pela União, e os dos Municípios pelos Estados, mas, em qualquer caso, ao ato deverá preceder
autorização legislativa”.
Trata-se de uma regra de constitucionalidade bastante duvidosa, havendo quem a considera
incompatível com o princípio da igualdade das esferas federativas. Porém, a doutrina majoritária
afirma que a desapropriação de bens públicos está baseada na noção de interesse público
predominante, sendo uma providência indispensável, por exemplo, para realização, sem
empecilhos políticos regionais, de rodovias federais que atravessam vários Estados.
Desse modo, a União pode desapropriar bens públicos estaduais, distritais e municipais; e o
Estados, bens públicos municipais. Mas nunca se admite desapropriação promovida pelas
entidades menores sobre as maiores. Assim, Estados não desapropriam bens federais, bem
como Municípios e o Distrito Federal não podem desapropriar bens públicos de nenhuma
natureza. Em síntese, a desapropriação de bens públicos pode ser feita “de cima para baixo”,
mas nunca “de baixo para cima”.

2) O Município W, durante a construção de avenida importante, ligando a região residencial ao


centro comercial da cidade, verifica a necessidade de ampliação da área a ser construída,
mediante a incorporação de terrenos contíguos à área já desapropriada, a fim de permitir o
prosseguimento das obras. Assim, expede novo decreto de desapropriação, declarando a
utilidade pública dos imóveis indicados, adjacentes ao plano da pista.
Diante deste caso, assinale a opção correta.
A) É válida a desapropriação, pelo Município W, de imóveis a serem demolidos para a construção
da obra pública, mas não a dos terrenos contíguos à obra.
B) Não é válida a desapropriação, durante a realização da obra, pelo Município W, de novos
imóveis, qualquer que seja a finalidade.
C) É válida, no curso da obra, a desapropriação, pelo Município W, de novos imóveis em área
contígua necessária ao desenvolvimento da obra.
D) Em relação às áreas contíguas à obra, a única forma de intervenção estatal da qual pode se
valer o Município W é a ocupação temporária.

GABARITO

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

LETRA C
Sobre a hipótese versada nesta questão, em primeiro lugar, cumpre referir que a desapropriação
de terrenos para fins de construção de vias públicas - no caso, uma avenida - constitui hipótese
expressamente prevista como de utilidade pública (Decreto-lei 3.365/41, art. 5º, alínea "i").
E, no que se refere à desapropriação de terrenos contíguos, necessários ao prosseguimento e/ou
desenvolvimento das obras, também há expressa base legal para a expropriação de tais áreas,
como se extrai do art. 4º, caput, do Decreto-lei 3.365/41, in verbis:
"Art. 4o A desapropriação poderá abranger a área contígua necessária ao desenvolvimento da
obra a que se destina, e as zonas que se valorizarem extraordinariamente, em consequência da
realização do serviço. Em qualquer caso, a declaração de utilidade pública deverá compreendê-
las, mencionando-se quais as indispensáveis à continuação da obra e as que se destinam à
revenda."
De tal forma, pode-se concluir que ambos os decretos expropriatórios expedidos pelo respectivo
Chefe do Poder Executivo seriam legítimos.
Firmadas tais premissas teóricas, fica claro que apenas a opção "c" está correta.

3) Acerca da desapropriação, assinale a afirmativa correta.


A) Na desapropriação por interesse social, o expropriante tem o prazo de cinco anos, contados
da edição do decreto, para iniciar as providências de aproveitamento do bem expropriado.
B) Na desapropriação por interesse social, em regra, não se exige o requisito da indenização
prévia, justa e em dinheiro.
C) O município pode desapropriar um imóvel por interesse social, mediante indenização prévia,
justa e em dinheiro
D) A desapropriação para fins de reforma agrária da propriedade que não esteja cumprindo a
sua função social não será indenizada.

GABARITO

LETRA C
Examinemos cada alternativa, à procura da correta:
a) Errado: na verdade, referido prazo é de apenas dois anos (art. 3º, Lei 4.132/62).
b) Errado: em se tratando de desapropriações por interesse social, há se aplicar a regra geral,
vale dizer, relativa à necessidade de indenização prévia, justa e em dinheiro (art. 5º, XXIV,
CF/88). Corroborando tal dispositivo constitucional, a lei de regência determina que se aplique,
no que tal lei for omissa, as disposições relativas à desapropriação por utilidade pública,
"inclusive no tocante ao processo e à justa indenização devida ao proprietário." (art. 5º, Lei
4.132/62). É válido acentuar que a presente questão está tratando,genericamente, de

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

desapropriação por interesse social, e não especificamente de desapropriação por interesse


social para fins de reforma agrária (art. 184, CF/88), hipótese esta,excepcional, em que a
indenização é paga através de títulos da dívida agrária, resgatáveis no prazo de até vinte anos,
a partir do segundo ano de sua emissão.
c) Certo: de fato, como antes indicado, a regra geral, em se tratando de desapropriação por
interesse social, consiste na indenização prévia, justa e em dinheiro, sendo certo que nada
impede que os municípios se valham de tal modalidade expropriatória, contanto que não seja
para fins de reforma agrária, porquanto esta sim é de competência exclusiva da União (art. 184,
CF/88).
d) Errado: conforme acima mencionado, há, sim, indenização, prévia e justa, com a
peculiaridade, apenas, de que esta se opera através de títulos da dívida agrária, resgatáveis no
prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão.

4) O Município de Barra Alta realizou a desapropriação de grande parcela do imóvel de Manoel


Silva e deixou uma parcela inaproveitável para o proprietário.
No caso descrito, o proprietário obterá êxito se pleitear
A) a reintegração de posse de todo o imóvel em função da má-fé do Município.
B) o direito de extensão da desapropriação em relação à área inaproveitável.
C) a anulação da desapropriação em relação à parcela do imóvel suficiente para tornar a área
restante economicamente aproveitável.
D) a anulação integral da desapropriação, pois a mesma foi ilegal.

GABARITO

LETRA B
O enunciado versa sobre o denominado direito de extensão, assim definido pela doutrina
abalizada de José dos Santos Carvalho Filho:
"Direito de extensão é o direito do expropriado de exigir que a desapropriação e a indenização
alcancem a totalidade do bem, quando o remanescente resultar esvaziado de seu conteúdo
econômico(...) O exercício do direito de extensão se dá no caso da desapropriação parcial,
quando a parte que excede àquela que pretende o expropriante fica prática ou efetivamente
inútil ou inservível." (Manual de Direito Administrativo, 26ª edição, 2013, p. 884).

5) A fim de permitir o escoamento da produção até uma refinaria, uma empresa pública federal,
que explora a prospecção de petróleo em um campo terrestre, inicia a construção de um
oleoduto. O único caminho possível para essa construção atravessa a propriedade rural de

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Josenildo que, em razão do oleoduto, teve que diminuir o espaço de plantio de mamão e, com
isso, viu sua renda mensal cair pela metade.
Assinale a afirmativa que indica a instrução correta que um advogado deve passar a Josenildo.
A) Não há óbice à constituição da servidão administrativa no caso, mas cabe indenização pelos
danos decorrentes dessa forma de intervenção na propriedade.
B) A servidão administrativa é ilegal e Josenildo pode desconstituí-la, pois o instituto só tem
aplicação em relação aos bens públicos.
C) A servidão administrativa é ilegal, pois o nosso ordenamento veda a intervenção do Estado
sobre propriedades produtivas.
D) Não há óbice à constituição da servidão administrativa e não há de se falar em qualquer
indenização.

GABARITO

LETRA A
A servidão administrativa limita o uso da propriedade, afetando o seu caráter exclusivo. Por essa
razão, advindo prejuízos, é devida indenização. Vale destacar, também, que a exploração de
petróleo é atividade da União, e independentemente de haver delegação ou outorga da
atividade em si, é perfeitamente cabível a instituição de servidão na hipótese.

#3 Serviços Públicos

1) A União divulgou edital de licitação para a contratação de parceria público-privada, para a


reforma e gestão de um presídio federal, na modalidade concessão administrativa.
A esse respeito, assinale a afirmativa correta.
A) A concessão administrativa envolve, adicionalmente à tarifa cobrada dos usuários,
contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado.
B) A contratação de parceria público-privada somente pode ser realizada para contratos com
valor igual ou superior a R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais).
C) Considerando se tratar de concessão administrativa, o prazo máximo de vigência do contrato
é de 20 anos.
D) Não é possível a contratação de parceria público-privada que envolva a execução de obra
pública.

GABARITO

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LETRA B
L11079/2004: Institui normas gerais para licitação e contratação de parceria público-privada no
âmbito da administração pública.
A) Art. 2o Parceria público-privada é o contrato administrativo de concessão, na modalidade
patrocinada ou administrativa.
§ 1o Concessão patrocinada é a concessão de serviços públicos ou de obras públicas de que trata
a Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, quando envolver, adicionalmente à tarifa cobrada
dos usuários contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado.
§ 2o Concessão administrativa é o contrato de prestação de serviços de que a Administração
Pública seja a usuária direta ou indireta, ainda que envolva execução de obra ou fornecimento
e instalação de bens.
B) Art. 2º, § 4o É vedada a celebração de contrato de parceria público-privada:
I – cujo valor do contrato seja inferior a R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais);
C) Art. 2º, § 4o É vedada a celebração de contrato de parceria público-privada:
II – cujo período de prestação do serviço seja inferior a 5 (cinco) anos;
Art. 5o As cláusulas dos contratos de parceria público-privada atenderão ao disposto no art. 23
da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, no que couber, devendo também prever:
I – o prazo de vigência do contrato, compatível com a amortização dos investimentos realizados,
não inferior a 5 (cinco), nem superior a 35 (trinta e cinco) anos, incluindo eventual prorrogação;
D) Art. 2º, § 2o Concessão administrativa é o contrato de prestação de serviços de que a
Administração Pública seja a usuária direta ou indireta, ainda que envolva execução de obra ou
fornecimento e instalação de bens.
§ 4o É vedada a celebração de contrato de parceria público-privada:
III – que tenha como objeto único o fornecimento de mão-de-obra, o fornecimento e instalação
de equipamentos ou a execução de obra pública.

2) Após dezenas de reclamações dos usuários do serviço de transporte metroviário, o Estado Y


determinou a abertura de processo administrativo para verificar a prestação inadequada e
ineficiente do serviço por parte da empresa concessionária.
Caso se demonstre a inadimplência, como deverá proceder o poder público concedente?
A) Declarar, por decreto, a caducidade da concessão.
B) Declarar, por decreto, a encampação do serviço.
C) Declarar, por decreto, após lei autorizativa, a revogação da concessão.
D) Declarar, por lei, a anulação do contrato de concessão.

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GABARITO

LETRA A
Em se tratando de serviço público mal prestado, a hipótese seria de extinção do contrato de
concessão através do instituto da caducidade, o qual encontra expressa previsão nos artigos 35,
III e 38, Lei 8.987/95.
De fato, a declaração da caducidade pressupõe a instauração de processo administrativo, no
bojo do qual assegure-se ao concessionário ampla defesa (Lei 8.987, art. 38, §2º), bem como, se
for o caso, o instrumento adequado para sua declaração é o decreto expedido pela chefia do
Poder Executivo (§4º do citado dispositivo legal).
Em se tratando de alternativas autoexcludentes, vale dizer, a identificação da correta elimina,
automaticamente, a possibilidade de as demais também estarem corretas, cumpre apenas
indicar como acertada a letra "a".

3) O Estado X, após regular processo licitatório, celebrou contrato de concessão de serviço


público de transporte intermunicipal de passageiros, por ônibus regular, com a sociedade
empresária “F”, vencedora do certame, com prazo de 10 (dez) anos. Entretanto, apenas 5 (cinco)
anos depois da assinatura do contrato, o Estado publicou edital de licitação para a concessão de
serviço de transporte de passageiros, por ônibus do tipo executivo, para o mesmo trecho.
Diante do exposto, assinale a afirmativa correta.
A) A sociedade empresária “F” pode impedir a realização da nova licitação, uma vez que a lei
atribui caráter de exclusividade à outorga da concessão de serviços públicos.
B) A outorga de concessão ou permissão não terá caráter de exclusividade, salvo no caso de
inviabilidade técnica ou econômica devidamente justificada.
C) A lei atribui caráter de exclusividade à concessão de serviços públicos, mas a violação ao
comando legal somente confere à sociedade empresária “F” direito à indenização por perdas e
danos.
D) A lei veda a atribuição do caráter de exclusividade à outorga de concessão, o que afasta
qualquer pretensão por parte da concessionária, salvo o direito à rescisão unilateral do contrato
pela concessionária, mediante notificação extrajudicial.

GABARITO

LETRA B
Trata-se de questão cuja resposta encontra-se, expressamente, no texto da lei de regência da
matéria, razão pela qual não há necessidade de comentários mais extensos.
Refiro-me ao art. 16, da Lei 8.987/95, de seguinte teor:

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

“ Art. 16. A outorga de concessão ou permissão não terá caráter de exclusividade, salvo no caso
de inviabilidade técnica ou econômica justificada no ato a que se refere o art. 5o desta Lei."
E o art. 5º, citado na parte final do dispositivo acima transcrito, estabelece o seguinte:
“Art. 5o O poder concedente publicará, previamente ao edital de licitação, ato justificando a
conveniência da outorga de concessão ou permissão, caracterizando seu objeto, área e prazo."
Da combinação dos preceitos legais acima, chega-se facilmente à conclusão de que o gabarito
corresponde à letra “b".

4) Após fortes chuvas, devido ao enorme volume de água, parte de uma rodovia federal sofreu
rachaduras e cedeu, tornando necessária a interdição da pista e o desvio do fluxo de tráfego até
a conclusão das obras de reparo. A exploração da rodovia havia sido concedida, mediante
licitação, à sociedade empresária “Traffega", e esta não foi capaz de lidar com a situação, razão
pela qual foi decretada a intervenção na concessão.
Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta.
A) A intervenção somente pode ser decretada após a conclusão de processo administrativo em
que seja assegurada a ampla defesa.
B) A administração do serviço será devolvida à concessionária, cessada a intervenção, se não for
extinta a concessão.
C) A intervenção decorre da supremacia do interesse público sobre o privado e dispensa a
instauração de processo administrativo.
D) A intervenção é causa obrigatória de extinção da concessão e assunção do serviço pelo poder
concedente.

GABARITO

LETRA B
O instituto da intervenção em concessões e permissões de serviços públicos encontra-se
disciplinado nos artigos 32/34 da Lei 8.987/95. Vejamos, portanto, as afirmativas, à luz do que
estabelecem tais preceitos legais:
a) Errado: na verdade, a instauração da intervenção opera-se mediante decreto do poder
concedente (art. 32, parágrafo único), sendo que este (poder concedente) terá prazo de trinta
dias, a contar do início da intervenção, para instaurar procedimento administrativo, com vistas
a comprovar as causas determinantes da medida e apurar eventuais responsabilidades,
assegurado o direito a ampla defesa (art. 33, caput).
b) Certo: é a literalidade do art. 34.

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c) Errado: conforme exposto na opção “a", a instauração de procedimento administrativo, com


exercício da ampla defesa, é, sim, requisito legal (e constitucional, ex vi do art. 5º, LIV e LV,
CF/88).
d) Errado: o art. 34, acima citado, admite a devolução do serviço à
concessionária/permissionária, de modo que a extinção não é obrigatória.

5) Caso o Estado delegue a reforma, manutenção e operação de uma rodovia estadual à


iniciativa privada, com a previsão de que a amortização dos investimentos e a remuneração do
particular decorram apenas da tarifa cobrada dos usuários do serviço, estaremos diante de uma
A) concessão de obra pública.
B) concessão administrativa.
C) concessão patrocinada.
D) concessão de serviço público precedida da execução de obra pública.

GABARITO

LETRA D
A hipótese descrita no enunciado da questão em tudo se amolda ao disposto no art. 2º, III, da
Lei 8.987/95, vale dizer, trata-se de caso de concessão de serviço público precedida da execução
de obra pública. A resposta correta, portanto, encontra-se na letra “d".
Vejamos os equívocos das demais opções: a) Errado: não se trata de concessão de obra pública
(art. 6º, I, Lei 8.666/93), porquanto, neste caso, não se opera a concessão de um serviço publico,
de maneira atrelada, tal como descrito no enunciado da questão. b) Errado: na concessão
administrativa, a Administração Pública figura como usuária direta ou indireta (art. 2º, §2º, Lei
11.079/04), sendo que, na espécie, os usuários são particulares. c) Errado: na concessão
patrocinada, existe a previsão de uma contrapartida financeira, a cargo do Poder Público,
adicionalmente à tarifa cobrada dos usuários (art. 2º, §1º, Lei 11.079/04), o que não se encaixa
no enunciado da questão, visto que neste estabeleceu-se que a remuneração do particular dar-
se-ia apenas mediante as tarifas cobradas dos usuários.

#4 Poderes da Administração Pública

1) A pretexto de regulamentar a Lei nº 8.987/1995, que dispõe sobre a concessão e a permissão


de serviços públicos, o Presidente da República editou o Decreto XYZ, que estabelece diversas
hipóteses de gratuidade para os serviços de transporte de passageiros.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

A respeito da possibilidade de controle do Decreto XYZ, expedido pelo chefe do Poder Executivo,
assinale a afirmativa correta.
A) Como ato de natureza essencialmente política, o Decreto XYZ não está sujeito a qualquer
forma de controle.
B) Como ato discricionário, o Decreto XYZ não está sujeito a qualquer forma de controle.
C) Como ato normativo infralegal, o Decreto XYZ está sujeito apenas ao controle pelo Poder
Judiciário.
D) Como ato normativo infralegal, o Decreto XYZ sujeita-se ao controle judicial e ao controle
legislativo.

GABARITO

LETRA D
Decretos e regulamentos: são atos administrativos, em regra, gerais e abstratos, privativos dos
Chefes do Executivo e expedidos para dar fiel execução à lei (art. 84, IV, da CF). Embora
raramente exigida em concursos públicos, existe uma diferença entre decreto e regulamento:
decreto é forma do ato; regulamento é o conteúdo. Assim, o decreto é o veículo normativo
introdutor do regulamento. Como regra geral, decretos e regulamentos não podem criar
obrigações de fazer ou não fazer a particulares (art. 5º, II, da CF).ALEXANDRE MAZZA
O controle judicial do ato administrativo ocorre quando existe neste premente ilegalidade ou
ofensa aos princípios administrativos.
Em relação ao controle sobre o mérito do ato administrativo:
Embora a concepção tradicional não admita revisão judicial sobre o mérito dos atos
administrativos discricionários, observa-se uma tendência à aceitação do controle exercido pelo
Poder Judiciário sobre a discricionariedade especialmente quanto a três aspectos fundamentais:
a) razoabilidade/proporcionalidade da decisão;
b) teoria dos motivos determinantes: se o ato atendeu aos pressupostos fáticos ensejadores da
sua prática;
c ) ausência de desvio de finalidade: se o ato foi praticado visando atender ao interesse público
geral.
Importante frisar que ao Poder Judiciário não cabe substituir o administrador público.
ALEXANDRE MAZZA
Quanto ao controle legislativo:
CF, Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional:
V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos
limites de delegação legislativa;

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2) Determinado município resolve aumentar a eficiência na aplicação das multas de trânsito.


Após procedimento licitatório, contrata a sociedade empresária Cobra Tudo para instalar
câmeras do tipo “radar que fotografam infrações de trânsito, bem como disponibilizar agentes
de trânsito para orientar os cidadãos e aplicar multas. A mesma sociedade empresária ainda
ficará encarregada de criar um Conselho de Apreciação das multas, com o objetivo de analisar
todas as infrações e julgar os recursos administrativos.
Sobre o caso apresentado, assinale a afirmativa correta.
A) É possível a contratação de equipamentos eletrônicos de fiscalização, mas o poder decisório
não pode ser transferido à empresa.
B) Não é cabível a terceirização de qualquer dessas atividades, por se tratar de atividade , por
se tratar de atividade-fim da Administração.
C) A contratação é, a princípio, legal, mas somente permanecerá válida se o município
comprovar que a terceirização aumentou a eficiência da atividade.
D) Não é possível delegar a instalação e gestão de câmeras do tipo “radar” à empresa
contratada, mas é possível delegar a criação e gestão do Conselho de Apreciação de multas.

GABARITO

LETRA A
A questão trata do tema da delegação de atos de polícia administrativa. Especificamente no que
tange à colocação de equipamentos que captam imagens de automóveis (“radares"), a posição
prevalente é na linha de sua plena admissibilidade, considerando-se, na essência, que se cuida
de atos estritamente materiais, atos, pode-se dizer, de merosuporte, os quais antecedem a
prática, propriamente dita, dos atos de polícia. Argumenta-se, ainda, com a característica de
objetividade desses atos, que visam, em suma, à simples constatação de fatos, de modo que
não há qualquer espaço para discricionariedades potencialmente violadoras do princípio da
impessoalidade.
Acerca do tema, confiram-se as esclarecedoras palavras de Celso Antônio Bandeira de Mello,
após pontuar que a regra geral reside na indelegabilidade dos atos de polícia:
“Daí não se segue, entretanto, que certos atos materiais que precedem atos jurídicos de polícia
não possam ser praticados por particulares, mediante delegação, propriamente dita, ou em
decorrência de um simples contrato de prestação. (...) É o que sucede, por exemplo, na
fiscalização do cumprimento de normas de trânsito, mediante equipamentos fotossensores,
pertencentes e operados por empresas privadas contratadas pelo Poder Público, que acusam a
velocidade do veículo ao ultrapassar determinado ponto e lhe captam eletronicamente a
imagem, registrando dia e momento da ocorrência. Para execução desta atividade material,
objetiva, precisa por excelência, e desde que retentora de dados para controle governamental e
dos interessados, nada importa que os equipamentos pertençam ou sejam geridos pelo Poder
Público ou que pertençam e sejam geridos por particulares, aos quais tenha sido delegada ou

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com os quais tenha sido meramente contratada. É que as constatações efetuadas por tal meio
caracterizam-se pela impessoalidade (daí por que não interfere o tema do sujeito, da pessoa) e
asseguram, além de exatidão, uma igualdade completa no tratamento dos administrados(...)"
(Curso de Direito Administrativo, 17ª edição, 2004, p. 735-736)
Em abono desta posição, o E. Superior Tribunal de Justiça firmou possui didático julgado, no bojo
do qual aborda os atos que compõem o denominado “ciclo de polícia", vale dizer, ordens de
polícia, consentimentos, fiscalização e sanções, concluindo na linha de que os atos de
fiscalização e de consentimento são passíveis de delegação a pessoas jurídicas de direito
privado, o mesmo não se podendo dizer das ordens de polícia e das sanções de polícia.
Eis o teor de tal precedente:
“ADMINISTRATIVO. PODER DE POLÍCIA. TRÂNSITO. SANÇÃO PECUNIÁRIA APLICADA POR
SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. IMPOSSIBILIDADE.
1. omissis...
2. No que tange ao mérito, convém assinalar que, em sentido amplo, poder de polícia pode ser
conceituado como o dever estatal de limitar-se o exercício da propriedade e da liberdade em
favor do interesse público. A controvérsia em debate é a possibilidade de exercício do poder de
polícia por particulares (no caso, aplicação de multas de trânsito por sociedade de economia
mista).
3. As atividades que envolvem a consecução do poder de polícia podem ser sumariamente
divididas em quatro grupo, a saber: (i) legislação, (ii) consentimento, (iii) fiscalização e (iv)
sanção.
4. No âmbito da limitação do exercício da propriedade e da liberdade no trânsito, esses grupos
ficam bem definidos: o CTB estabelece normas genéricas e abstratas para a obtenção da Carteira
Nacional de Habilitação (legislação); a emissão da carteira corporifica a vontade o Poder Público
(consentimento); a Administração instala equipamentos eletrônicos para verificar se há respeito
à velocidade estabelecida em lei (fiscalização); e também a Administração sanciona aquele que
não guarda observância ao CTB (sanção).
5. Somente o atos relativos ao consentimento e à fiscalização são delegáveis, pois aqueles
referentes à legislação e à sanção derivam do poder de coerção do Poder Público.
6. No que tange aos atos de sanção, o bom desenvolvimento por particulares estaria, inclusive,
comprometido pela busca do lucro - aplicação de multas para aumentar a arrecadação.
7. Recurso especial provido."(REsp. 817.537/MG, Segunda Turma, rel. Ministro Mauro Campbell,
DJe de 10.12.2009)
Estabelecidas as premissas teóricas acima, é de se concluir que as atividades de aplicação das
multas, bem assim de análise e julgamento dos recursos administrativos, por se enquadrarem
no âmbito das “sanções de polícia", não seriam passíveis de delegação à hipotética sociedade
empresária “Cobra Tudo".

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3) A Secretaria de Defesa do Meio Ambiente do Estado X lavrou auto de infração, cominando


multa no valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) à empresa Explora, em razão da instalação de
uma saída de esgoto clandestina em uma lagoa naquele Estado.
A empresa não impugnou o auto de infração lavrado e não pagou a multa aplicada.
Considerando o exposto, assinale a afirmativa correta.
A) A aplicação de penalidade representa exercício do poder disciplinar e autoriza a apreensão
de bens para a quitação da dívida, em razão da executoriedade do ato.
B) A aplicação de penalidade representa exercício do poder de polícia e autoriza a apreensão de
bens para a quitação da dívida, em razão da executoriedade do ato.
C) A aplicação de penalidade representa exercício do poder disciplinar, mas não autoriza a
apreensão de bens para a quitação da dívida.
D) A aplicação de penalidade representa exercício do poder de polícia, mas não autoriza a
apreensão de bens para a quitação da dívida.

GABARITO

LETRA D
A imposição da multa em tela corresponde, claramente, a exemplo de exercício do poder de
polícia, na modalidade punitiva (sanção de polícia). A aplicação da multa, em si, constitui ato
dotado de autoexecutoriedade, porquanto não se faz necessária a prévia anuência do Poder
Judiciário para que a multa seja aplicada.
Contudo, se não for paga no vencimento, a Administração não dispõe de meios para, também
de forma unilateral e autoexecutória, investir contra o patrimônio do particular, em ordem a
satisfazer seu crédito. Para tanto, deverá percorrer as vias judiciais cabíveis, ou seja, inscrever o
crédito em dívida ativa e promover a execução fiscal. Isto porque acobrança da
multa, diferentemente, não é autoexecutória.
Refira-se, de outro lado, que as opções que afirmaram se tratar de exercício de poder disciplinar
estão equivocadas, na medida em que tal poder relaciona-se à imposição de sanções a
servidores públicos, bem como a particulares que possuam vínculo jurídico específico com a
Administração (Ex: concessionários de serviços públicos, alunos de escolas e universidades
públicas, entre outros), o que não é o caso desta questão, em que o particular recebeu a punição
com apoio em uma relação de vinculação geral (todos os particulares, indistintamente,
submetem-se ao poder de polícia da Administração, nas hipóteses previstas legalmente).

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4) José da Silva é o chefe do Departamento de Pessoal de uma Secretaria de Estado.


Recentemente, José da Silva avocou a análise de determinada matéria, constante de processo
administrativo inicialmente distribuído a João de Souza, seu subordinado, ao perceber que a
questão era por demais complexa e não vinha sendo tratada com prioridade por aquele servidor.
Ao assim agir, José da Silva fez uso
A) do poder hierárquico.
B) do poder disciplinar.
C) do poder discricionário.
D) da teoria dos motivos determinantes.

GABARITO

LETRA A
A questão é bem direta e, por isso mesmo, não demanda comentários muito extensos.
A avocação é um dos aspectos inerentes ao exercício do poder hierárquico, estando versada no
art. 15, Lei 9.784/99. A respeito do tema, assim ensina Alexandre Mazza:
"Diante de motivos relevantes devidamente justificados, o art. 15 da Lei 9.784/99 permite que
a autoridade hierarquicamente superior chame para si a competência de um órgão ou agente
subordinado." (Manual de Direito Administrativo, 4ª edição, 2014, p. 313).

5) O Presidente de uma Assembleia Legislativa, por estar sobrecarregado de trabalho, delegou


para o 1º Vice Presidente, com a concordância deste, competência para decidir de recurso
hierárquico interposto contra decisão de Presidente de Comissão, em questão de ordem por
este resolvida.
O mencionado ato administrativo de delegação é
A) lícito, eis que o Presidente da Assembleia agiu no regular exercício de seu poder
regulamentar, na medida em que editou norma geral e abstrata.
B) lícito, eis que o Presidente da Assembleia agiu no regular exercício de seu poder hierárquico,
delegando competência de ato devidamente especificado para inferior hierárquico.
C) lícito, eis que o Presidente da Assembleia agiu no regular exercício de seu poder disciplinar,
pois possui prerrogativa para regulamentar o exercício de suas próprias atribuições.
D) nulo, eis que causará vício de competência, por excesso de poder para o 1º Vice Presidente,
pois a decisão de recurso hierárquico é indelegável.
E) nulo, eis que causará vício de hierarquia, pois o ato apenas poderia ser delegado para
autoridade hierarquicamente superior ao agente delegante.

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GABARITO

LETRA D
Nulo, eis que causará vício de competência, por excesso de poder para o 1º Vice Presidente, pois
a decisão de recurso hierárquico é indelegável.
Art. 13. Não podem ser objeto de delegação:
II - a decisão de Recursos Administrativos;
III - as matérias de Competência Exclusiva do órgão ou autoridade.
Excesso de poder: Detém a competência, mas vai além do que está autorizado.
Elementos do ato administrativo: Competência (exclusiva) e forma (prevista em lei) = são
VINCULANTES, geram a NULIDADE do ato com efeito EX TUNC.

#5 Agentes Públicos

1) Paulo é servidor concursado da Câmara de Vereadores do município Beta há mais de quinze


anos. Durante esse tempo, Paulo concluiu cursos de aperfeiçoamento profissional, graduou-se
no curso de economia, exerceu cargos em comissão e foi promovido por merecimento. Todos
esses fatores contribuíram para majorar sua remuneração.
Considerando a disciplina constitucional a respeito dos servidores públicos, assinale a afirmativa
correta.
A) O teto remuneratório aplicável a Paulo, servidor público municipal, corresponde ao subsídio
do prefeito do município Beta.
B) O teto remuneratório aplicável a Paulo, servidor público municipal, corresponde ao subsídio
pago aos vereadores de Beta.
C) Os acréscimos de caráter remuneratório, pagos a Paulo, como a gratificação por tempo de
serviço e a gratificação adicional de qualificação profissional, não se submetem ao teto
remuneratório.
D) O teto remuneratório aplicável a Paulo não está sujeito a qualquer limitação, tendo em vista
a necessidade de edição de lei complementar para a instituição do teto previsto na CRFB/88.

GABARITO

LETRA A

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CF/88:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da
administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e
dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória,
percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra
natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo
Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados
e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio
dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos
Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos
por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no
âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos
Procuradores e aos Defensores Públicos;

2) Carlos Mário, chefe do Departamento de Contratos de uma autarquia federal descobre, por
diversos relatos, que Geraldo, um dos servidores a ele subordinado, deixara de comparecer a
uma reunião para acompanhar a tarde de autógrafos de um famoso artista de televisão. Em
outra ocasião, Geraldo já se ausentara do serviço, durante o expediente, sem prévia autorização
do seu chefe, razão pela qual lhe fora aplicada advertência. Irritado, Carlos Mário determina a
instauração de um processo administrativo disciplinar, aplicando a Geraldo a penalidade de
suspensão, por 15 (quinze) dias, sem a sua oitiva, em atenção ao princípio da verdade sabida.
Considerando o exposto, assinale a afirmativa correta.
A) A penalidade aplicada é nula, em razão de violação às garantias constitucionais da ampla
defesa e do contraditório, razão pela qual o princípio da verdade sabida não guarda
compatibilidade com a ordem constitucional vigente.
B) A penalidade aplicada é nula, pois a ausência do serviço sem autorização do chefe é hipótese
de aplicação da penalidade de advertência e jamais poderia dar ensejo à aplicação da penalidade
de suspensão.
C) A penalidade aplicada é correta, pois a ausência do servidor no horário de expediente é causa
de aplicação da penalidade de suspensão, e o fato era de ciência de vários outros servidores.
D) A penalidade aplicada contém vício sanável, devendo ser ratificada pelo Diretor-Presidente
da autarquia, autoridade competente para tanto.

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GABARITO

LETRA A
Lei nº 8.112: Dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das
autarquias e das fundações públicas federais.
Art. 117. Ao servidor é proibido:
I - ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato;
Art. 129. A advertência será aplicada por escrito, nos casos de violação de proibição constante
do art. 117, incisos I a VIII e XIX, e de inobservância de dever funcional previsto em lei,
regulamentação ou norma interna, que não justifique imposição de penalidade mais grave.
Art. 130. A suspensão será aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com advertência
e de violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de
demissão, não podendo exceder de 90 (noventa) dias.
Art. 141. As penalidades disciplinares serão aplicadas:
III - pelo chefe da repartição e outras autoridades na forma dos respectivos regimentos ou
regulamentos, nos casos de advertência ou de suspensão de até 30 (trinta) dias;
“Algumas leis específicas admitiam a direta aplicação, pela autoridade competente, de
penalidades disciplinares sem processo administrativo na hipótese de notoriedade dos fatos
imputados ao agente público. É a denominada “verdade sabida”. Atualmente, segundo
aunanimidade dos doutrinadores, o instituto da verdade sabida é inconstitucional por violar a
obrigatoriedade de realização do processo administrativo para aplicação de qualquer punição
disciplinar (art. 5º, LIV e LV, da CF).”

3) Um servidor público federal em São Paulo viajou a serviço para Brasília, para uma inspeção,
e cobriu todas as despesas com recursos próprios. Passados exatos 3 anos e 10 meses, o servidor
formulou pedido na esfera administrativa de reembolso de despesas e pagamento das diárias
de viagem. A decisão final no processo administrativo somente foi proferida 1 (um) ano e 6 (seis)
meses após a formalização do pedido, negando o pleito. Diante desse fato, ele pretende
ingressar com demanda para cobrar o referido valor.
Considerando o exposto, assinale a afirmativa correta.
A) O prazo prescricional é de 3 (três) anos, que já se tinha consumado quando o servidor
formulou o pedido na esfera administrativa.
B) O prazo prescricional é de 5 (cinco) anos e este foi suspenso pelo pedido administrativo. Com
a decisão negativa, volta a correr a prescrição contra o servidor.
C) O prazo prescricional é de 10 (dez) anos e, a despeito de não haver previsão de suspensão ou
interrupção do prazo, este ainda não se consumou em desfavor do servidor

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D) O prazo prescricional é de 5 (cinco) anos e, portanto, este já transcorreu integralmente, visto


que o pedido formulado na esfera administrativa não suspende e nem interrompe a prescrição.

GABARITO

LETRA B
LEI 8812/90
Art. 110. O direito de requerer prescreve:
I - em 5 (cinco) anos, quanto aos atos de demissão e de cassação de aposentadoria ou
disponibilidade, ou que afetem interesse patrimonial e créditos resultantes das relações de
trabalho;
Parágrafo único. O prazo de prescrição será contado da data da publicação do ato impugnado
ou da data da ciência pelo interessado, quando o ato não for publicado.
Decreto 20.910/1932
Art. 4º Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no
pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados
de estudar e apurá-la.
Parágrafo único. A suspensão da prescrição, neste caso, verificar-se-á pela entrada do
requerimento do titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das repartições
públicas, com designação do dia, mês e ano.

4) Marcos Paulo é servidor público federal há mais de 5 (cinco) anos e, durante todo esse tempo,
nunca sofreu qualquer sanção administrativa, apesar de serem frequentes suas faltas e seus
atrasos ao serviço. No último mês, entretanto, as constantes ausências chamaram a atenção de
seu chefe, que, ao buscar a ficha de frequência do servidor, descobriu que Marcos Paulo faltara
mais de 90 (noventa) dias no último ano.
A respeito do caso apresentado, assinale a afirmativa correta.
A) Marcos Paulo, servidor público estável, só pode ser demitido após decisão judicial transitada
em julgado.
B) Marcos Paulo, servidor público estável, pode ser demitido pela sua inassiduidade após
decisão em processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa.
C) Marcos Paulo, servidor público estável que nunca sofrera qualquer punição na esfera
administrativa, não pode ser demitido em razão de sua inassiduidade.
D) Marcos Paulo, servidor público estável, não pode ser demitido em razão de sua inassiduidade,
pois esta somente autoriza a aplicação das sanções de advertência e suspensão.

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GABARITO

LETRA B
De plano, é preciso pontuar que a conduta de Marcos Paulo, tal como descrita no enunciado,
configura a denominada inassiduidade habitual, prevista no art. 139, Lei 8.112/90, que se
caracteriza pela ausência ao serviço, sem justa causa, por sessenta dias (ou mais, é claro),
interpoladamente, em um período de doze meses.
Referido proceder constitui hipótese de aplicação da pena de demissão, conforme art. 132, III,
do mencionado Estatuto Federal.
Para tanto, contudo, é necessário submeter o servidor faltoso a prévio processo administrativo
disciplinar, no bojo do qual lhe seja assegurado o contraditório e a ampla defesa (CF, art. 41, II
c/c art. 140, Lei 8.112/90).
À luz de tais premissas teóricas, está claro que a única opção correta corresponde à letra "b".

5) Fernando, servidor público de uma autarquia federal há nove anos, foi acusado de participar
de um esquema para favorecer determinada empresa em uma dispensa de licitação, razão pela
qual foi instaurado processo administrativo disciplinar, que resultou na aplicação da penalidade
de demissão.
Sobre a situação apresentada, considerando que Fernando é ocupante de cargo efetivo, por
investidura após prévia aprovação em concurso, assinale a afirmativa correta.
A) Fernando não pode ser demitido do serviço público federal, uma vez que é servidor público
estável.
B) Fernando somente pode ser demitido mediante sentença judicial transitada em julgado, uma
vez que a vitaliciedade é garantida aos servidores públicos.
C) É possível a aplicação de penalidade de demissão a Fernando, servidor estável, mediante
processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa.
D) A aplicação de penalidade de demissão ao servidor público que pratica ato de improbidade
independe de processo administrativo ou de sentença judicial.

GABARITO

LETRA C
Vejamos cada opção, em busca da correta:
a) Errado: a despeito da estabilidade de que gozam os servidores públicos, é, sim, possível a
aplicação da penalidade de demissão, após regular processo administrativo disciplinar,
assegurada ampla defesa (Lei 8.112/90, artigos 127, III, art. 132 e 148 e seguintes).

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b) Errado: servidores públicos não gozam de vitaliciedade, e sim de estabilidade (art. 41, caput,
CF/88). Ademais, este mesmo dispositivo constitucional elenca outras hipóteses, além da
sentença judicial transitada em julgado, em que os servidores estáveis podem perder seus
cargos.
c) Certo: vide comentários à alternativa "a".
d) Errado: a aplicação de qualquer punição administrativa, por expressa imposição
constitucional, pressupõe, sim, instauração de prévio processo administrativo (art. 5º, LIV e LV,
CF/88), mormente em se tratando da pena de demissão.

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DIREITOAMBIENTAL

#1 Instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente

1) Determinada sociedade empresária consulta seu advogado para obter informações sobre as
exigências ambientais que possam incidir em seus projetos, especialmente no que tange à
apresentação e aprovação de Estudo Prévio de Impacto Ambiental e seu respectivo Relatório
(EIA/RIMA).
Considerando a disciplina do EIA/RIMA pelo ordenamento jurídico, assinale a afirmativa correta.
A) O EIA/RIMA é um estudo simplificado, integrante do licenciamento ambiental, destinado a
avaliar os impactos ao meio ambiente natural, não abordando impactos aos meios artificial e
cultural, pois esses componentes, segundo pacífico entendimento doutrinário e jurisprudencial,
não integram o conceito de “meio ambiente".
B) O EIA/RIMA é exigido em todas as atividades e empreendimentos que possam causar
impactos ambientais, devendo ser aprovado previamente à concessão da denominada Licença
Ambiental Prévia.
C) O EIA/RIMA, além de ser aprovado entre as Licenças Ambientais Prévia e de Instalação, tem
a sua metodologia e o seu conteúdo regrados exclusivamente por Resoluções do Conselho
Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), podendo a entidade / o órgão ambiental licenciador
dispensá-lo segundo critérios discricionários e independentemente de fundamentação, ainda
que a atividade esteja prevista em Resolução CONAMA como passível de EIA/RIMA.
D) O EIA-RIMA é um instrumento de avaliação de impactos ambientais, de natureza preventiva,
exigido para atividades/empreendimentos não só efetiva como potencialmente capazes de
causar significativa degradação, sendo certo que a sua publicidade é uma imposição
Constitucional (CRFB/1988).

GABARITO

LETRA D
De acordo com a resolução CONAMA 306:2002: “Meio Ambiente é o conjunto de condições,
leis, influência e interações de ordem física, química, biológica, social, cultural e urbanística, que
permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.
EIA - é responsável pela coleta de material, analise, bibliografia (textos), bem como estudo das
prováveis consequências ambientais que podem ser causados pela obra, analisar os impactos
causados, propondo condições para sua implantação e qual o procedimento que deverá ser
adotado para sua construção.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

RIMA - é um relatório conclusivo que traduz os termos técnicos para esclarecimento, analisando
o Impacto Ambiental. Este relatório é responsável pelos levantamentos e conclusões, devendo
o órgão público licenciador analisar o relatório observando as condições de empreendimento.
Recebido o RIMA o mesmo será publicado em edital, anunciado pela imprensa local abrindo o
prazo de 45 dias para solicitação de audiência pública que poderá ser requerida por 50 ou mais
cidadãos ou pelo Ministério Público, onde após a realização de quantas audiências forem
necessárias é elaborado o parecer final, podendo ser autorizado um licenciamento prévio para
realização da obra ou o indeferimento do projeto.
a) Está errada porque o conceito de meio ambiente engloba meio cultural e artificial;
b) Está errada porque o EIA/RIMA pode ser dispensado e exigido outros estudos/documentos,
especialmente para empreendimento de baixo impacto ambiental, por exemplo, construção de
uma padaria.
c) Está errada porque o órgão licenciador não pode dispensar o EIA/RIMA sem a devida
fundamentação.

2) João acaba de adquirir dois imóveis, sendo um localizado em área urbana e outro, em área
rural. Por ocasião da aquisição de ambos os imóveis, João foi alertado pelos alienantes de que
os imóveis contemplavam Áreas de Preservação Permanente (APP) e de que, por tal razão, ele
deveria buscar uma orientação mais especializada, caso desejasse nelas intervir.
Considerando a disciplina legal das Áreas de Preservação Permanente (APP), bem como as
possíveis preocupações gerais de João, assinale a afirmativa correta.
A) As APPs não são passíveis de intervenção e utilização, salvo decisão administrativa em sentido
contrário de órgão estadual integrante do Sistema Nacional de Meio Ambiente – SISNAMA, uma
vez que não há preceitos legais abstratamente prevendo exceções à sua preservação absoluta e
integral.
B) As hipóteses legais de APP, com o advento do denominado “Novo Código Florestal" – Lei nº
12.651/2012 –, foram abolidas em âmbito federal, subsistindo apenas nos casos em que os
Estados e Municípios assim as exijam legalmente.
C) As APPs são espaços territoriais especialmente protegidos, comportando exceções legais para
fins de intervenção, sendo certo que os Estados e os Municípios podem prever outras hipóteses
de APP além daquelas dispostas em normas gerais, inclusive em suas Constituições Estaduais e
Leis Orgânicas, sendo que a supressão irregular da vegetação nela situada gera a obrigação do
proprietário, possuidor ou ocupante a qualquer título de promover a sua recomposição,
obrigação esta de natureza propter rem.
D) As APPs, assim como as reservas legais, não se aplicam às áreas urbanas, sendo certo que a
Lei Federal nº 12.651/2012 (“Novo Código Florestal"), apesar de ter trazido significativas
mudanças no seu regime, garantiu as APPs para os imóveis rurais com mais de 100 hectares.

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GABARITO

LETRA C
As APPs são espaços territoriais especialmente protegidos, assim como, por exemplo, as
Reservas Legais, e as Unidades de Conservação também são. Espaço territorial especialmente
protegido é o gênero, o termo mais amplo, o hiperônimo.
As obrigações previstas no código florestal têm natureza real e são transmitidas ao sucessor, de
qualquer natureza, no caso de transferência de domínio ou posse do imóvel rural. É
a obrigação propter rem, ou seja, aquela que recai sobre uma pessoa em razão da sua qualidade
de proprietário ou de titular de um direito real sobre um bem.
A obrigação propter rem segue o bem ou a coisa, passando do antigo proprietário ao novo. A
obrigação propter rem é transmitida juntamente com a propriedade, e o seu cumprimento é da
responsabilidade do titular, independentemente de ter origem anterior à transmissão do
domínio.

3) Hugo, advogado, é consultado pela pessoa jurídica Céu Azul Ltda., indústria química de
grande porte, acerca da necessidade de redução de emissão de gases de efeito estufa, tendo
em vista as disposições da lei que instituiu a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC).
Com base na hipótese formulada, assinale a opção que apresenta a orientação dada por Hugo
ao seu cliente.
A) A pessoa jurídica Céu Azul Ltda. terá que reduzir a emissão de gases de efeito estufa ou
adquirir créditos de carbono de outros emissores que reduzirem suas emissões além do
legalmente necessário, sob pena de imposição de multa de até 2% (dois por cento) sobre suas
receitas brutas.
B) A pessoa jurídica Céu Azul Ltda., por pertencer a ramo industrial inserido no Plano de
Desenvolvimento Limpo, terá que reduzir a emissão de gases de efeito estufa, não podendo se
valer dos mecanismos de flexibilização, sob pena de imposição de multa de até 2% (dois por
cento) de sua receita bruta.
C) A pessoa jurídica Céu Azul Ltda. não estará obrigada a reduzir a emissão de gases de efeito
estufa caso formalmente constituída até a data da vigência da lei que instituiu a Política Nacional
sobre Mudança do Clima (PNMC), mas terá que pagar pelas emissões além do limite legal, tendo
em vista o princípio do poluidor-pagador.
D) A pessoa jurídica Céu Azul Ltda. não tem obrigação legal de redução de emissão de gases de
efeito estufa, independentemente da data de sua constituição e do seu segmento de atividade,
não obstante a expressa adoção dos princípios da prevenção e precaução pela lei que instituiu
a PNMC.

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GABARITO

LETRA D
LEI 12. 187 DE 2009
Art. 3o A PNMC e as ações dela decorrentes, executadas sob a responsabilidade dos entes
políticos e dos órgãos da administração pública, observarão os princípios da precaução, da
prevenção, da participação cidadã, do desenvolvimento sustentável e o das responsabilidades
comuns, porém diferenciadas, este último no âmbito internacional, e, quanto às medidas a
serem adotadas na sua execução, será considerado o seguinte:
Art. 12. Para alcançar os objetivos da PNMC, o País adotará, como compromisso nacional
voluntário, ações de mitigação das emissões de gases de efeito estufa, com vistas em reduzir
entre 36,1% (trinta e seis inteiros e um décimo por cento) e 38,9% (trinta e oito inteiros e nove
décimos por cento) suas emissões projetadas até 2020.
a) ERRADA. Novo CFlo, Art. 8o A intervenção ou a supressão de vegetação nativa em Área de
Preservação Permanente somente ocorrerá nas hipóteses de utilidade pública, de interesse
social ou de baixo impacto ambiental previstas nesta Lei. (...)§ 4o Não haverá, em qualquer
hipótese, direito à regularização de futuras intervenções ou supressões de vegetação nativa,
além das previstas nesta Lei.
b) ERRADA. Novo CFlo, Art. 6o Consideram-se, ainda, de preservação permanente,
quando declaradas de interesse social por ato do Chefe do Poder Executivo, as áreas cobertas
com florestas ou outras formas de vegetação destinadas a uma ou mais das seguintes
finalidades:
c) CORRETA. Novo CFlo Art. 2º (...) § 2o As obrigações previstas nesta Lei têm natureza real e são
transmitidas ao sucessor, de qualquer natureza, no caso de transferência de domínio ou posse
do imóvel rural. [Conceito de obrigação propter rem]
1. A jurisprudência desta Corte está firmada no sentido de que os deveres associados às APPs e
à Reserva Legal têm natureza de obrigação propter rem, isto é, aderem ao título de domínio ou
posse, independente do fato de ter sido ou não o proprietário o autor da degradação ambiental.
Casos em que não há falar em culpa ou nexo causal como determinantes do dever de recuperar
a área de preservação permanente [STJ/AgRg no AREsp 327.687, de 15.08.2013).]
d) ERRADA. O artigo 4º, do novo CFlo, estatui que “considera-se Área de Preservação
Permanente, em zonas rurais ou urbanas, para os efeitos desta Lei”

4) Miguel, empreendedor particular, tem interesse em dar início à construção de edifício


comercial em área urbana de uma grande metrópole. Nesse sentido, consulta seu advogado e
indaga sobre quais são as exigências legais para o empreendimento.
Sobre a situação apresentada, assinale a afirmativa correta.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

A) Não é necessária a realização de estudo de impacto ambiental, por ser área urbana, ou estudo
de impacto de vizinhança, uma vez que não foi editada até hoje lei complementar exigida pela
Constituição para disciplinar a matéria.
B) É necessário o estudo prévio de impacto ambiental, anterior ao licenciamento ambiental, a
ser efetivado pelo município, em razão de o potencial impacto ser de âmbito local.
C) É necessária a realização de estudo de impacto de vizinhança, desde que o empreendimento
esteja compreendido no rol de atividades estabelecidas em lei municipal.
D) É necessária a realização de estudo de impacto ambiental, o qual não será precedido
necessariamente por licenciamento ambiental, uma vez que a atividade não é potencialmente
causadora de impacto ambiental.

GABARITO

LETRA C
A questão aborda o estudo de impacto ambiental previsto no art. 225, § 1º, inciso IV, da CF/88,
o estudo de impacto de vizinhança, previsto no Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001) e o
licenciamento.
A alternativa contém alguns erros.
O estudo prévio de impacto ambiental (EIA) é indispensável para instalação de obra ou atividade
potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente (art. 225, § 1º, inciso
IV, da CF/88). O fato de o empreendimento encontrar-se em área urbana não é motivo para
afastar a exigência de EIA se a obra for potencialmente causadora de significativa degradação
ambiental. Desse modo, está errada a afirmação de que o EIA é dispensado "por ser área
urbana".
Tampouco procede a afirmação de que é desnecessária elaboração de EIA "uma vez que não foi
editada até hoje lei complementar exigida pela Constituição para disciplinar a matéria".
Primeiro, a Constituição não exige a especie normativa "lei complementar" para disciplinar o
EIA. Segundo a regulamentação do EIA (art. 225, § 1º, IV da CF/88; Resolução CONAMA n.
1/1986) tem sido frequentemente aplicada para exigência do EIA e é aceita pela doutrina e
jurisprudência.
Além disso, sobre o estudo de impacto de vizinhança (EIV), não há norma constitucional que
exija "lei complementar" para sua regulamentação. Llei municipal definirá os empreendimentos
e atividades privados ou públicos em área urbana que dependerão de elaboração EIV para obter
as licenças ou autorizações de construção, ampliação ou funcionamento a cargo do Poder
Público municipal (art. 36 da Lei 10.257/2001). Assim, a afirmação de ausência de
regulamentação, a pripori, não é motivo para afastar exigência de elaboração de EIV.
Alternativa B
A Constituição brasileira condiciona a exigência do EIA à presença do conceito aberto
de significativa degradação que o empreendimento causa ao meio ambiente.

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Não constitui tarefa fácil, entretanto, precisar o conceito de significativa degradação, dado que
na implementação de um projeto sempre haverá "alteração adversa das características do meio
ambiente". Muitas vezes o insignificante se reveste de maior significância, como ocorre, por
exemplo, quando um determinado projeto tenha exatamente o condão de romper o ponto de
saturação ambiental de certa área. Neste caso, evidentemente, seu impacto não pode ser
considerado insignificante por menor que seja (MILARÉ, Édis. Direito do Ambiente. 9ª ed. São
Paulo, Revista do Tribunais, 2014, p. 763).
A construção de um edifício não necessariamente é potencialmente causadora de significativa
degradação do meio ambiente (art. 225, § 1º, inciso IV, da CF/88), a ponto de justificar
elaboração de EIA.

5) Hugo, proprietário de imóvel rural, tem instituída Reserva Legal em parte de seu imóvel.
Sobre a hipótese, considerando o instituto da Reserva Legal, de acordo com a disciplina do Novo
Código Florestal (Lei nº 12.651/2012), assinale a afirmativa correta.
A) As áreas de Reserva Legal são excluídas da base tributável do Imposto sobre a Propriedade
Territorial Rural (ITR), compreendendo esta uma função extrafiscal do tributo.
B) Caso Hugo transmita onerosamente a propriedade, o adquirente não tem o dever de
recompor a área de Reserva Legal, mesmo que averbada, tendo em vista o caráter
personalíssimo da obrigação.
C) Hugo não pode explorar economicamente a área de Reserva Legal, conduta tipificada como
crime pelo Novo Código Florestal (Lei nº 12.651/2012).
D) A área compreendida pela Reserva Legal é considerada Unidade de Conservação de Uso
Sustentável, admitindo exploração somente se inserida no plano de manejo instituído pelo
Poder Público.

GABARITO

LETRA A
Segue análise de cada alternativa.
Alternativa A
A alternativa está de acordo com o disposto no art. 41, inciso II, alínea c, da Lei 12.651/2012. De
fato, as áreas de reserva legal são excluídas da base de cálculo do ITR.
Art. 41. É o Poder Executivo federal autorizado a instituir, sem prejuízo do cumprimento da
legislação ambiental, programa de apoio e incentivo à conservação do meio ambiente, bem
como para adoção de tecnologias e boas práticas que conciliem a produtividade agropecuária e
florestal, com redução dos impactos ambientais, como forma de promoção do desenvolvimento
ecologicamente sustentável, observados sempre os critérios de progressividade, abrangendo as
seguintes categorias e linhas de ação:

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

(...)
II - compensação pelas medidas de conservação ambiental necessárias para o cumprimento dos
objetivos desta Lei, utilizando-se dos seguintes instrumentos, dentre outros:
(...)
c) dedução das Áreas de Preservação Permanente, de Reserva Legal e de uso restrito da base de
cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, gerando créditos tributários;
No mesmo sentido, a Lei 9.393/1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade
Territorial Rural - ITR, retira da área tributável para apuração do ITR as áreas de reserva legal.
Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte,
independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e
condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação
posterior.
§ 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á:
(...)
II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas:
a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de
2012;
b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do
órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea
anterior;
c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira,
aquícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente,
federal ou estadual;
Portanto, a alternativa está correta.
Alternativa B
As obrigações decorrentes da reserva legal recaem sobre a coisa e consistem em obrigação
propter rem. Dessa maneira, a obrigação de recompor a área de reserva legal é de
responsabilidade do proprietário e todos que o sucedam em tal condição. Essa regra consta da
própria Lei 12.651/2012 (art. 2º, § 2º) e está de acordo com jurisprudência consolidada do STJ
(p. ex. AgRg no AREsp 327.687/SP).
Art. 2º (...)
§ 2º As obrigações previstas nesta Lei têm natureza real e são transmitidas ao sucessor, de
qualquer natureza, no caso de transferência de domínio ou posse do imóvel rural.
ADMINISTRATIVO. AMBIENTAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
FORMAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGAÇÃO PROPTER REM. (...) 1. A jurisprudência
desta Corte está firmada no sentido de que os deveres associados às APPs e à Reserva Legal têm
natureza de obrigação propter rem, isto é, aderem ao título de domínio ou posse, independente

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

do fato de ter sido ou não o proprietário o autor da degradação ambiental. Casos em que não
há falar em culpa ou nexo causal como determinantes do dever de recuperar a área de
preservação permanente (...) (AgRg no AREsp 327.687/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS,
SEGUNDA TURMA, julgado em 15/08/2013, DJe 26/08/2013).
Desse modo, a obrigação do recompor a área se transfere para o adquirente. Portanto, a
alternativa está incorreta.
Alternativa C
A Lei 12.651/2012 admite a exploração econômica da reserva legal mediante manejo
sustentável, previamente aprovado pelo órgão competente do Sisnama (art. 17, § 1º). No
manejo sustentável da vegetação florestal da reserva legal, serão adotadas práticas de
exploração seletiva nas modalidades de manejo sustentável sem propósito comercial para
consumo na propriedade e manejo sustentável para exploração florestal com propósito
comercial (art. 20 da Lei 12.651/2012). Ademais, o Novo Código Florestal (Lei 12.651/2012) não
tipifica condutas criminosas.
Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa D
A reserva legal, prevista na Lei 12.651/2012, não se confunde com as unidades de conservação
de uso sustentável, previstas na Lei 9.985/2000.
As unidades de conservação são espaços territoriais legalmente instituídos pelo Poder Público,
com objetivos de conservação e limites definidos (art. 2º, inciso I, da Lei 9.985/2000), que podem
ser classificadas em dois grandes grupos: unidades de proteção integral e de uso sustentável
(art. 7º da Lei 9.985/2000). As unidades de uso sustentável compreendem as seguintes
categorias: a) área de proteção ambiental; b) área de relevante interesse ecológico; c) floresta
nacional; d) reserva extrativista; e) reserva de fauna; f) reserva de desenvolvimento sustentável;
e g) reserva particular do patrimônio natural (art. 14 da Lei 9.985/2000).
Reserva legal, por sua vez, consiste na área localizada no interior de uma propriedade ou posse
rural, com a função de assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais
do imóvel rural, auxiliar a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e promover a
conservação da biodiversidade, bem como o abrigo e a proteção de fauna silvestre e da flora
nativa (art. 3º, inciso III, da Lei 12.651/2012).
Portanto, está incorreta a alternativa.

#2 Responsabilidade Ambiental

1) No curso de obra pública de construção de represa para fins de geração de energia


hidrelétrica em rio que corta dois estados da Federação, a associação privada Sorrio propõe ação
civil pública buscando a reconstituição do ambiente ao status quo anterior ao do início da
construção, por supostos danos ao meio ambiente.

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Considerando a hipótese, assinale a afirmativa correta.


A) Caso a associação Sorrio abandone a ação, o Ministério Público ou outro legitimado assumirá
a titularidade ativa.
B) Caso haja inquérito civil público em curso, proposto pelo Ministério Público, a ação civil
pública será suspensa pelo prazo de até 1 (um) ano.
C) Como o bem público objeto da tutela judicial está localizado em mais de um estado da
federação, a legitimidade ativa exclusiva para propositura da ação civil pública é do Ministério
Público Federal.
D) Caso o pedido seja julgado improcedente por insuficiência de provas, não será possível a
propositura de nova demanda com o mesmo pedido.

GABARITO

LETRA A
Lei nº 7.347: Disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao meio-
ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e
paisagístico(VETADO) e dá outras providências.
Art. 5o Têm legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar:
V - a associação que, concomitantemente:
a) esteja constituída há pelo menos 1 (um) ano nos termos da lei civil;
b) inclua, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao patrimônio público e social, ao meio
ambiente, ao consumidor, à ordem econômica, à livre concorrência, aos direitos de grupos
raciais, étnicos ou religiosos ou ao patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e
paisagístico.
§ 3º Em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação legitimada, o
Ministério Público ou outro legitimado assumirá a titularidade ativa.
Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, nos limites da competência territorial do
órgão prolator, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas,
hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento,
valendo-se de nova prova.

2) Pedro, em visita a determinado Município do interior do Estado do Rio de Janeiro, decide


pichar e deteriorar a fachada de uma Igreja local tombada, por seu valor histórico e cultural,
pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico-Cultural – INEPAC, autarquia estadual.
Considerando o caso em tela, assinale a afirmativa correta.

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A) Pedro será responsabilizado apenas administrativamente, com pena de multa, uma vez que
os bens integrantes do patrimônio cultural brasileiro não se sujeitam, para fins de tutela, ao
regime de responsabilidade civil ambiental, que trata somente do meio ambiente natural.
B) Pedro será responsabilizado administrativa e penalmente, não podendo ser responsabilizado
civilmente, pois o dano, além de não poder ser considerado de natureza ambiental, não pode
ser objeto de simultânea recuperação e indenização
C) Pedro, por ter causado danos ao meio ambiente cultural, poderá ser responsabilizado
administrativa, penal e civilmente, sendo admissível o manejo de ação civil pública pelo
Ministério Público, demandando a condenação em dinheiro e o cumprimento de obrigação de
fazer.
D) Pedro, além de responder administrativa e penalmente, será solidariamente responsável com
o INEPAC pela recuperação e indenização do dano, sendo certo que ambos responderão de
forma subjetiva, havendo necessidade de inequívoca demonstração de dolo ou culpa por parte
de Pedro e dos servidores públicos responsáveis.

GABARITO

LETRA C
"A conduta praticada por Pedro está prevista na Lei nº 9.605/98 que dispõe sobre as sanções
penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá
outras providências.
Art. 65. Pichar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento urbano:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.
§ 1º Se o ato for realizado em monumento ou coisa tombada em virtude do seu valor artístico,
arqueológico ou histórico, a pena é de 6 (seis) meses a 1 (um) ano de detenção e multa.
Conforme pode ser observado o fato da pichação ser realizada em coisa tombada (assim como
o exemplo apresentado na questão), ainda causa qualificadora com a pena mínima fixada em
06 meses.
Quanto à responsabilidade civil está configurado o dano causado por Pedro, portanto,
independentemente de sua responsabilidade penal e administrativa, temos as seguintes
previsões no Código Civil:
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.
Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais
sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem
decididas no juízo criminal.
Art. 944. A indenização mede-se pela extensão do dano.

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Não restando dúvida, portanto do cabimento ao causador do dano sua responsabilidade civil,
independentemente de sua responsabilidade penal ou administrativa.
Quanto à segunda parte da questão que prevê o manejo da Ação Civil Pública pelo MP, também
está correta, pois a lesão ou a ameaça a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico,
turístico e paisagístico podem ensejar a propositura, pelo Ministério Público, associações ou
entes políticos, de um a ação civil pública onde se tenha por objeto a obrigação de fazer ou não
fazer, conforme previsto na Lei n. 7.347/85.

3) No curso de obra pública, a Administração Pública causa dano em local compreendido por
área de preservação permanente. Sobre o caso apresentado, assinale a opção que indica de
quem é a responsabilidade ambiental.
A) Em se tratando de área de preservação permanente, que legalmente é de domínio público, o
ente só responde pelos danos ambientais nos casos de atuação com dolo ou culpa grave.
B) Em se tratando de área de preservação permanente, a Administração Pública responderá de
forma objetiva pelos danos causados ao meio ambiente, independentemente das
responsabilidades administrativa e penal
C) Em se tratando de dano ambiental cometido dentro de área de preservação permanente, a
Administração Pública não tem responsabilidade, sob pena de confusão, recaindo sobre o
agente público causador do dano, independentemente das responsabilidades administrativa e
penal.
D) Trata-se de caso de responsabilidade subjetiva solidária de todos aqueles que contribuíram
para a prática do dano, inclusive do agente público que determinou a prática do ato.

GABARITO

LETRA B
Segue análise de cada alternativa.
Alternativa A
As Áreas de Preservação Permanente (APPs) são definidas por lei (Art. 4º da Lei 12.651/2012)
ou por ato do poder público (art. 5º da Lei 12.651/2012) e cumprem determinada função
ambiental (art. 3º, inciso II, da Lei 12.651/2012). As APPs podem estar localizadas em
propriedades particulares ou de domínio público. Tanto que, a Lei 12.651/2012 prescreve que
"a vegetação situada em Área de Preservação Permanente deverá ser mantida pelo proprietário
da área, possuidor ou ocupante a qualquer título, pessoa física ou jurídica, de direito público ou
privado" (art. 7º da Lei 12.651/2012).
Além disso, a Lei 6.938/1981 aplica a responsabilidade civil objetiva ao poluidor, o que dispensa
aferição de culpa ou dolo.
Art. 14 (...)

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§ 1º - Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é


o poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os
danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério Público
da União e dos Estados terá legitimidade para propor ação de responsabilidade civil e criminal,
por danos causados ao meio ambiente.
Nota-se que a aplicação do art. 14, § 1º, da Lei 6.938/1981 é aplicável aos casos de violação da
Lei 12.651/2012 por expressa disposição legal (art. 2º, § 1º, da Lei 12.651/2012). A própria lei
esclarece que poluidor pode ser pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado,
responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental (art.
3º, inciso IV, da Lei 6.938/1981).
Por fim, em se tratando de responsabilidade civil do Estado por ato comissivo, pode-se invocar
o art. 37, § 6º, da CF/88 para reforçar a tese da responsabilidade objetiva.
Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa B
A alternativa está correta. Conforme art. 14, § 1º, da Lei 6.938/1981, a responsabilidade por
danos ambientais é do tipo objetiva, inclusive para os casos de violação da Lei 12.651/2012 (art.
2º, § 1º, da Lei 12.651/2012). Da mesma forma, o art. 225, § 3º, da CF/88 estabelece a
independência das sanções civis, penais e administrativas para condutas e atividades lesivas ao
meio ambiente.
Art. 225 (...)
§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores,
pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da
obrigação de reparar os danos causados.
Portanto, a alternativa está correta.
Alternativa C
Na utilização e exploração da vegetação, as ações ou omissões contrárias às disposições da Lei
12.651/2012 são consideradas uso irregular da propriedade e se aplica o regime da
responsabilidade civil, nos termos do § 1º do art. 14 da Lei n. 6.938/1981, e as sanções
administrativas, civis e penais (art. 2º, § 1º, da Lei 12.651/2012).
Assim, o poluidor - que pode ser pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado,
responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental (art.
3º, inciso IV, da Lei 6.938/1981) - está sujeito a responsabilidade civil objetiva em caso de danos
ambientais decorrentes ações e omissões contrárias à Lei 12.651/2012.
Desse modo, em se tratando de dano ambiental cometido dentro de área de preservação
permanente (Lei 12.651/2012), não procede a alegação de que a Administração Pública é
irresponsável.
Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa D

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A responsabilidade é do tipo objetiva, conforme comentários das alternativas anteriores. A


assertiva, portanto, está incorreta.

4) A respeito da responsabilidade administrativa federal por danos ambientais, regulamentada


pelo Decreto n. 6.514/08 e alterado pelo Decreto 6.686/08, assinale a afirmativa correta.
A) A demolição de obra só poderá ser aplicada em edificações não residenciais e sua execução
deverá ocorrer às custas do infrator.
B) A demolição de obra é medida excepcional e só poderá ser aplicada em situações de flagrante
ilegalidade e em edificações com menos de dez anos
C) A demolição de obra, em respeito ao direito fundamental à moradia, só poderá ser aplicada
em construções residenciais erguidas em unidades de conservação e outros espaços
ambientalmente protegidos e as custas para a sua realização correrão por conta do infrator.
D) A demolição de obra ou construção com fins residenciais ou comerciais, em razão do princípio
da defesa do meio ambiente, dar-se-á nos casos em que a ausência da demolição importa em
iminente risco de agravamento do dano ambiental e as custas para sua realização correrão por
conta do infrator.

GABARITO

LETRA A
O referido Decreto estabelece regras específicas para o processo administrativo que, em âmbito
federal, apura infrações administrativas ao meio ambiente, aplicando-lhes as respectivas
sanções. No caso, cuida a questão de uma das sanções passíveis de ser aplicada, conforme o
decreto, que é a de demolição da obra irregular.
Basta, então, que conheçamos os dispositivos que disciplina a aplicação desta sanção (mas
advirto a todos que este decreto não é muito cobrado em provas, sendo uma relativa surpresa
sua abordagem em exame da OAB):
Art. 19. A sanção de demolição de obra poderá ser aplicada pela autoridade ambiental, após o
contraditório e ampla defesa, quando: (Redação dada pelo Decreto nº 6.686, de 2008).
I - verificada a construção de obra em área ambientalmente protegida em desacordo com a
legislação ambiental; ou
II - quando a obra ou construção realizada não atenda às condicionantes da legislação ambiental
e não seja passível de regularização.
§ 1o A demolição poderá ser feita pela administração ou pelo infrator, em prazo assinalado, após
o julgamento do auto de infração, sem prejuízo do disposto no art. 112.

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§ 2o As despesas para a realização da demolição correrão às custas do infrator, que será


notificado para realizá-la ou para reembolsar aos cofres públicos os gastos que tenham sido
efetuados pela administração.
§ 3o Não será aplicada a penalidade de demolição quando, mediante laudo técnico, for
comprovado que o desfazimento poderá trazer piores impactos ambientais que sua manutenção,
caso em que a autoridade ambiental, mediante decisão fundamentada, deverá, sem prejuízo das
demais sanções cabíveis, impor as medidas necessárias à cessação e mitigação do dano
ambiental, observada a legislação em vigor. (Incluído pelo Decreto nº 6.686, de 2008).
(…)
Art. 112. (…)
§ 2o As despesas para a realização da demolição correrão às custas do infrator.
§ 3o A demolição de que trata o caput não será realizada em edificações residenciais.
Como podemos notar dos dispositivos transcritos, a única alternativa correta é a letra A, pois a
demolição deve ocorrer às custas do infrator e não pode ser imposta administrativamente a
construções residenciais, pois estaria em conflito o direito à moradia e apenas uma ordem
judicial poderia determinar a demolição desse tipo de obra.

5) Luísa, residente e domiciliada na cidade de Recife, após visitar a Austrália, traz consigo para
a sua casa um filhote de coala, animal típico daquele país e inexistente no Brasil.
Tendo em vista tal situação, assinale a afirmativa correta.
A) Ao trazer o animal, Luísa não cometeu qualquer ilícito ambiental já que a propriedade de
animais domésticos é livre no Brasil.
B) Ao trazer o animal, Luísa, em princípio, não cometeu qualquer ilícito ambiental, pois o crime
contra o meio ambiente só se configuraria caso Luísa abandonasse ou praticasse ações de
crueldade contra o animal por ela adotado.
C) Ao trazer o animal, Luísa cometeu crime ambiental, pois o introduziu no Brasil sem prévio
licenciamento ambiental, sendo a Justiça estadual de Pernambuco competente para julgar a
eventual ação.
D) Ao trazer o animal, Luísa cometeu crime ambiental, pois o introduziu no Brasil sem licença e
sem parecer técnico oficial favorável, sendo a Justiça Federal competente para julgar a eventual
ação.

GABARITO

LETRA D

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Infelizmente, apesar de o Coala ser um animal muito simpático, nossa amiga Luísa praticou, em
tese, um crime ambiental, pois assim dispõe o art. 31 da Lei 9.605/98, que define os crimes
ambientais:
Art. 31. Introduzir espécime animal no País, sem parecer técnico oficial favorável e licença
expedida por autoridade competente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Com isso, já eliminamos as alternativas A e B, que sugeriam não ser ilícita a conduta de Luísa.
Resta, portanto, definir se a competência para processo e julgamento da infração será da justiça
estadual ou federal. No caso, é o art. 7º da Lei Complementar 140/11 que determina ser da
União a competência de elaborar o parecer técnico a que se refere a norma penal: "Art. 7o São
ações administrativas da União: XVII - controlar a introdução no País de espécies exóticas
potencialmente invasoras que possam ameaçar os ecossistemas, habitats e espécies nativas".
E, finalmente, como sabemos, o art. 109 da Constituição federal, determina ser da competência
da Justiça Federal processar e julgar as questões que sejam de interesse da União etc. Portanto,
a resposta correta é a letra D.

#3 Licenciamento e licença ambiental

1) Antes de dar início à instalação de unidade industrial de produção de roupas no Município X,


Julio Cesar consulta seu advogado acerca dos procedimentos prévios ao começo da construção
e produção. Considerando a hipótese, assinale a afirmativa correta.
A) Caso a unidade industrial esteja localizada em terras indígenas, ela não poderá ser instalado
B) Caso a unidade industrial esteja localizada e desenvolvida em dois estados da federação,
ambos terão competência para o licenciamento ambiental
C) Caso inserida em qualquer Unidade de Conservação, a competência para o licenciamento será
do IBAMA.
D) Caso o impacto seja de âmbito local, a competência para o licenciamento ambiental será do
Município

GABARITO

LETRA D
Segue análise das alternativas.
Alternativa A

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Não existe proibição absoluta para instalação de unidade industrial em terras indígenas. Tanto
que a própria LC n. 140/2011 confere à União a atribuição de promover o licenciamento
ambiental de empreendimentos e atividades em terras indígenas.
Art. 7º São ações administrativas da União:
(...)
IV - promover o licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades:
(...)
c) localizados ou desenvolvidos em terras indígenas;
Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa B
O licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades localizados ou desenvolvidos em
dois ou mais Estados da federação é de atribuição da União (art. 7º, inciso IV, da LC n. 140/2011).
Art. 7º São ações administrativas da União:
(...)
IV - promover o licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades:
(...)
e) localizados ou desenvolvidos em 2 (dois) ou mais Estados;
Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa C
O examinador não esclareceu se a unidade de conservação foi instituída pela União, Estado,
Município ou Distrito Federal. Para determinação da competência do licenciamento em unidade
de conservação prevalece o critério do ente federativo instituidor da Unidade de Conservação,
exceto em relação às Áreas de Proteção Ambiental - APAs, para as quais o legislador estabeleceu
norma específica (Cf. art. 7º, XIV; art. 8º, XIV; art. 9º; XIV; art. 12; todos da LC n. 140/2011).
Evidentemente que só se pode cogitar competência do IBAMA (autarquia federal) se a unidade
de conservação foi instituída pela União ou, para os casos das APAs, se previstas uma das
hipóteses do art. 12, parágrafo único, da LC n. 140/2011.
De qualquer modo, é importante o candidato saber o licenciamento em unidades de
conservação instituídas pela União ocorre com participação do Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade - ICMBio (autarquia federal), enquanto entidade executora do
Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC (art. 6º da Lei n. 9.985/2000)
e responsável por exercer o poder de polícia ambiental para a proteção das unidades de
conservação instituídas pela União (art. 2º da Lei 11.516/2007).
Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa D

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A alternativa está de acordo com a previsão do art. 9º, inciso XIV, da LC n. 140/2011. Em caso
de empreendimento ou atividade de impacto local a competência para o licenciamento é do
município.
Art. 9º São ações administrativas dos Municípios:
(...)
XIV - observadas as atribuições dos demais entes federativos previstas nesta Lei Complementar,
promover o licenciamento ambiental das atividades ou empreendimentos:
(...)
a) que causem ou possam causar impacto ambiental de âmbito local, conforme tipologia
definida pelos respectivos Conselhos Estaduais de Meio Ambiente, considerados os critérios de
porte, potencial poluidor e natureza da atividade;
Portanto, a alternativa está correta.

2) Kellen, empreendedora individual, obtém, junto ao órgão municipal, licença de instalação de


uma fábrica de calçados.
A respeito da hipótese formulada, assinale a afirmativa correta.
A) A licença não é válida, uma vez que os municípios têm competência para a análise de estudos
de impacto ambiental, mas não para a concessão de licença ambiental.
B) Com a licença de instalação obtida, a fábrica de calçados poderá iniciar suas atividades de
produção, gerando direito adquirido pelo prazo mencionado na licença expedida pelo
município.
C) A licença é válida, porém não há impedimento que um Estado e a União expeçam licenças
relativas ao mesmo empreendimento, caso entendam que haja impacto de âmbito regional e
nacional, respectivamente.
D) 4Para o início da produção de calçados, é imprescindível a obtenção de licença de operação,
sendo concedida após a verificação do cumprimento dos requisitos previstos nas licenças
anteriores.

GABARITO

LETRA D
Segue análise de cada uma das alternativas.
Alternativa A
A competência para realizar o procedimento de licenciamento e conferir licença ambiental
insere-se na competência material comum do art. 23, VI e VII, na CF/88. Significa dizer que todos

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entes federativos - União, Estados, Distrito Federal e Municípios - detêm competência para
expedir licenças ambientais, desde que observados requisitos legais.
A Lei Complementar 140/2011, com base no parágrafo único do art. 23 da CF/88, regulamentou
o exercício de competências comuns em matéria ambiental. Sobre licenciamento, em especial,
a LC 140/2011 esclareceu o âmbito de atuação da União (art. 7º, XIV), dos Estados (art. 8º, XIV),
dos municípios (art. 9º, XIV), sendo que o Distrito Federal cumula as ações administrativas
previstas para os Estados e os municípios (art. 10). Portanto, a afirmativa está incorreta.
Alternativa B
A alternativa afirma que, com a licença de instalação, o empreendimento iniciar as atividades
de produção. Ora, licenciamento ambiental consiste em procedimento que visa, em regra, a
obtenção de três licenças: a licença prévia, a licença de instalação e a licença de operação (art.
8º da Resolução CONAMA 237/1997).
A licença prévia é fase preliminar e aprova a localização e aprovação do projeto (art. 8º, I, da
Resolução CONAMA 237/1997) e a licença de instalação autoriza a instalação do
empreendimento ou atividade (art. 8º, II, da Resolução CONAMA 237/1997). Apenas a licença
de operação autoriza a operação da atividade ou empreendimento (art. 8º, III, da Resolução
CONAMA 237/1997).
Nota-se, por fim, que a licença ambiental expedida pode ser objeto de revisão na forma e nas
hipóteses do art. 19 da Resolução CONAMA 237/1997, que, inclusive, traz hipóteses de
suspensão e cancelamento da licença expedida.
Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa C
Os empreendimentos e atividades são licenciados ou autorizados, ambientalmente, por um
único ente federativo (art. 13 da LC 140/2011). Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa D
O licenciamento ambiental compreende, em regra, três licenças: a licença prévia, a licença de
instalação e a licença de operação (art. 8º da Resolução CONAMA 237/1997).
A licença prévia é fase preliminar e aprova a localização e aprovação do projeto (art. 8º, I, da
Resolução CONAMA 237/1997) e a licença de instalação autoriza a instalação do
empreendimento ou atividade (art. 8º, II, da Resolução CONAMA 237/1997). Realmente, apenas
a licença de operação autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a verificação
do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle
ambiental e condicionantes determinados para a operação (art. 8º, III, da Resolução CONAMA
237/1997). Portanto, está correta a alternativa.

3) Assinale a alternativa correta quanto ao licenciamento ambiental e ao acesso aos dados e


informações existentes nos órgãos e entidades integrantes do Sisnama.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

A) Caso a área que sofrerá o impacto ambiental seja considerada estratégica para o zoneamento
industrial nacional de petróleo e gás e em áreas do pré-sal, o órgão ambiental poderá elaborar
estudo prévio de impacto ambiental sigiloso.
B) Um cidadão brasileiro pode solicitar informações sobre a qualidade do meio ambiente em um
município aos órgãos integrantes do Sisnama, mediante a apresentação de título de eleitor e
comprovação de domicílio eleitoral no local.
C) A exigência de Estudo Prévio de Impacto Ambiental para aterros sanitários depende de
decisão discricionária do órgão ambiental, que avaliará no caso concreto o potencial ofensivo
da obra.
D) Uma pessoa jurídica com sede na França poderá solicitar, aos órgãos integrantes do Sisnama,
mediante requerimento escrito, mesmo sem comprovação de interesse específico, informações
sobre resultados de monitoramento e auditoria nos sistemas de controle de poluição e de
atividades potencialmente poluidoras das empresas brasileiras.

GABARITO

LETRA D
Vejamos as alternativas:
- Alternativa A:errada, porque os estudos de impacto ambiental devem ser publicizados e não
há autorização legal para a adoção de sigilo quanto a quaisquer desses estudos, exceto em
relação ao que seja necessário para a proteção do sigilo industrial.
- Alternativa B:errada, porque a possibilidade de obter as informações dos órgãos ambientais
não poderia pressupor domicílio em certo local, até pela natureza difusa do bem jurídico meio
ambiente, que a todos interessa indistintamente, não podendo ser determinada qualquer
restrição nesse sentido.
- Alternativa C:a resolução 01/86 do CONAMA estabelece diversos empreendimentos cujo
caráter poluidor já se presume, impondo, em relação a eles, a obrigatoriedade da realização de
Estudo Prévio de Impacto Ambiental, ato vinculado, sem que exista qualquer possibilidade de
órgão ambiental afastá-lo. Um desses empreendimentos é a construção de aterro sanitário, na
forma do art. 2º, X, da referida resolução, razão pela qual a alternativa está errada.
- Alternativa D: correta, porque, mais uma vez, frise-se que o acesso aos dados ambientais deve
ser o mais amplo possível. E nesse sentido a previsão dada pelo art. 2º, §1º da Lei 10.650/00,
que assim dispõe: “§ 1º Qualquer indivíduo, independentemente da comprovação de interesse
específico, terá acesso às informações de que trata esta Lei, mediante requerimento escrito, no
qual assumirá a obrigação de não utilizar as informações colhidas para fins comerciais, sob as
penas da lei civil, penal, de direito autoral e de propriedade industrial, assim como de citar as
fontes, caso, por qualquer meio, venha a divulgar os aludidos dados”.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

4) Quanto ao licenciamento ambiental, assinale a opção correta.


A) Uma das modalidades de licença ambiental é a licença de operação, que é concedida após a
apresentação dos documentos referentes a determinado empreendimento e de seu projeto de
implementação e antes da licença de instalação.
B) O órgão licenciador tem sempre sua decisão vinculada aos resultados do estudo de impacto
ambiental e ao seu respectivo relatório de impacto ambiental, sendo expressamente vedada a
autorização de empreendimentos desaconselhados por este.
C) A licença ambiental não pode ser concedida a empreendimentos que não sejam cadastrados
no Cadastro Técnico Federal de Empreendimentos Sustentáveis.
D) O CONAMA definiu, em uma de suas resoluções, estudos ambientais como sendo todos e
quaisquer estudos relativos aos aspectos ambientais relacionados à localização, instalação,
operação e ampliação de uma atividade ou empreendimento, que sejam apresentados como
subsídios para a análise de razões para a concessão da licença.

GABARITO

LETRA D
A) ERRADA -> Art. 8 O Poder Público, no exercício de sua competência de controle, expedirá as
seguintes licenças: I - Licença Prévia (LP) - concedida na fase preliminar do planejamento do
empreendimento ou atividade aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade
ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas
próximas fases de sua implementação; II - Licença de Instalação (LI) - autoriza a instalação do
empreendimento ou atividade de acordo com as especificações constantes dos planos,
programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais
condicionantes, da qual constituem motivo determinante; III - Licença de Operação (LO) -
autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a verificação do efetivo
cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e
condicionantes determinados para a operação
B) ERRADA -> Art. 3 A licença ambiental para empreendimentos e atividades consideradas
efetiva ou potencialmente causadoras de significativa degradação do meio dependerá de prévio
estudo de impacto ambiental e respectivo relatório de impacto sobre o meio ambiente
(EIA/RIMA), ao qual dar-se-á publicidade, garantida a realização de audiências públicas, quando
couber, de acordo com a regulamentação. Parágrafo único. O órgão ambiental competente,
verificando que a atividade ou empreendimento não é potencialmente causador de significativa
degradação do meio ambiente, definirá os estudos ambientais pertinentes ao respectivo
processo de licenciamento.
D) CORRETA -> .Art. 1º, inciso III - Estudos Ambientais: são todos e quaisquer estudos relativos
aos aspectos ambientais relacionados à localização, instalação, operação e ampliação de uma
atividade ou empreendimento, apresentado como subsídio para a análise da licença requerida,
tais como: relatório ambiental, plano e projeto de controle ambiental, relatório ambiental

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

preliminar, diagnóstico ambiental, plano de manejo, plano de recuperação de área degradada e


análise preliminar de risco.

5) Uma empresa de telefonia celular deseja instalar uma antena próxima a uma floresta
localizada no município de Cantinho Feliz. A antena produzirá uma quantidade significativa de
energia eletromagnética. Com base no exposto, assinale a alternativa correta.
A) Como a energia é incolor e inodora, e é praticamente imperceptível a olho nu, não pode ser
considerada potencialmente poluente. Logo, o Poder Público não pode exigir licenciamento e
estudo prévio de impacto ambiental à empresa de telefonia, porque não há como comprovar o
risco de impacto ambiental.
B) Como não há certeza científica sobre a existência de riscos ambientais causados pela poluição
eletromagnética, o princípio da prevenção deve ser invocado, e a empresa de telefonia deverá
solicitar ao Município de Cantinho Feliz que faça o licenciamento e que elabore o estudo prévio
de impacto ambiental.
C) O direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado é visto pelos tribunais superiores
como um direito fundamental e possui viés antropocêntrico. Logo, se a área não for habitada
por seres humanos, o Poder Público não poderá exigir licenciamento e estudo prévio de impacto
ambiental.
D) Caso haja licenciamento e estudo prévio de impacto ambiental para avaliar a possível
instalação da antena, o órgão competente não estará necessariamente obrigado a marcar a
audiência pública. Entretanto, ela pode ser requerida por abaixo-assinado subscrito por, no
mínimo, 50 cidadãos, por entidade civil ou pelo Ministério Público.

GABARITO

LETRA D
Segue análise de cada alternativa.
Alternativa A
O meio utilizado para captação e transmissão de ondas destinado a propalação de informações
é objeto de preocupação do direito ambiental. Aliás, "o espectro eletromagnético é um processo
de utilização de um bem ambiental" (FIORILLO, Celso Antônio Pacheco. Curso de Direito
Ambiental Brasileiro. 14ª ed. São Paulo, Saraiva, 2013, p. 420). Por conseguinte, quando
presente potencial de degradação ambiental na utilização da energia empregada em telefonia,
incide regras relativas ao estudo prévio de impacto ambiental e licenciamento ambiental.
O poder público deve exigir para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de
significativa degradação do meio ambiente o estudo prévio de impacto ambiental - EIA (art. 225,
§1º, inciso IV, da CF/88). Da mesma forma, a construção, instalação, ampliação e funcionamento
de estabelecimentos e atividades utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

potencialmente poluidores ou capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental


dependerão de prévio licenciamento ambiental (art. 10 da Lei 6.938/1981).
Frisa-se que basta o potencial de provocar degradação ao meio ambiente para incidência das
regras acima. O fato de a energia ser incolor, inodora e praticamente imperceptível não afasta
o potencial de degradação ambiental das empresas de telefonia.
Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa B
A ausência de certeza científica sobre a existência de riscos ambientais causados pela poluição
eletromagnética enseja invocação do princípio da precaução, não o da prevenção como afirma
o examinador.
O princípio da prevenção pressupõe riscos conhecidos, ou seja, aqueles identificados por meio
de pesquisas ou informações ambientais ou, ainda, cujos impactos não previsíveis diante de
empreendimentos anteriores.
O princípio da precaução, por sua vez, trabalha com a ideia de incerteza científica. Seu conceito
encontra-se na Declaração do Rio de 1992.
PRINCÍPIO 15 - De modo a proteger o meio ambiente, o princípio da precaução deve ser
amplamente observado pelos Estados, de acordo com suas capacidades. Quando houver
ameaça de danos sérios ou irreversíveis, a ausência de absoluta certeza científica não deve ser
utilizada como razão para postegar medidas eficazes e economicamente viáveis para prevenir a
degradação ambiental.
Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa C
Antes de qualquer embate entre concepções antropocêntricas, ecocêntricas e biocêntricas, o
conceito de meio ambiente pressente na Lei de Política Nacional do Meio Ambiente (art. 3º) visa
proteger a vida em todas as sua formas. Não só o homem possui vida. Aliás, o direito ambiental,
em diversas situações, impede a degradação de elementos abióticos (sem vida), mas que
permitem a vida em todas as suas formas, como luz, água, temperatura, pressão, solo, etc. Nesse
sentido, as normas de proteção ambiental podem incidir em relação a obras e atividades em
áreas que não abrigam a vida humana diretamente. Interpretações do antropocentrismo não
justificam inexigência de EIA ou licenciamento nesses casos.
Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa D
Não é obrigatória a realização de audiência durante o processo de licenciamento ambiental. A
audiência ocorrerá: a) quando órgão competente julgar necessário; b) quando entidade civil ou
grupo de 50 (cinquenta) ou mais cidadãos requerer ao órgão ambiental responsável; c) quando
o Ministério Público solicitar.
Resolução CONAMA 9/1987

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Art. 2º Sempre que julgar necessário, ou quando for solicitado por entidade civil, pelo Ministério
Público, ou por 50 (cinquenta) ou mais cidadãos, o Órgão de Meio Ambiente promoverá a
realização de audiência pública.
Portanto, a alternativa está correta.

#4 Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC

1) Paulo é proprietário de um grande terreno no qual pretende instalar um loteamento, já


devidamente aprovado pelo Poder Público.
Contudo, antes que Paulo iniciasse a instalação do projeto, sua propriedade foi integralmente
incluída nos limites de um Parque Nacional.
Considerando as normas que regem o Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC, é
correto afirmar que
A) Paulo deverá aguardar a elaboração do plano de manejo do parque para verificar a viabilidade
de seu empreendimento.
B) Paulo poderá ajuizar ação com o objetivo de ser indenizado pelo lucro cessante decorrente
da inviabilidade do empreendimento.
C) Caso seu terreno não seja desapropriado, Paulo poderá ajuizar ação de desapropriação
indireta em face da União.
D) Paulo não poderá implementar seu loteamento, mas poderá explorar o ecoturismo na área
com cobrança de visitação.

GABARITO

LETRA C
A questão trata sobre a "Desapropriação que é regra prevista pela Lei 9985/2000 – SNUC, que
assim prevê:
Art. 11. O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de
grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas
e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em
contato com a natureza e de turismo ecológico.
§ 1o O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas
em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei.
A desapropriação indireta se dá quando o poder público de alguma forma inviabiliza a utilização
da propriedade e não realiza a desapropriação devida com o pagamento relativo ao valor do
bem, podendo então o proprietário ingressar com devido processo. A jurisprudência dos

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Tribunais Superiores é pacífica quanto à esse tipo de ação, e reconhece a desapropriação


indireta produza o efeito de permitir ao expropriado vindicar perdas e danos.

2) O Prefeito do Município de Belas Veredas, após estudos técnicos e realização de audiência


pública, decide pela criação de um parque, em uma área onde podem ser encontrados
exemplares exuberantes de Mata Atlântica. Assim, edita decreto que fixa os limites do novo
parque municipal. Passados dois anos, recebe pedidos para que o parque seja reavaliado e
transformado em uma Área de Relevante Interesse Ecológico, com uma pequena redução de
seus limites. Tendo em vista a situação descrita, assinale a alternativa correta.
A) Em razão do princípio da simetria das formas no direito ambiental, a Unidade de Conservação
criada por ato do Poder Executivo poderá ser reavaliada e ter seus limites reduzidos também
por decreto.
B) Como a Mata Atlântica é considerada patrimônio nacional, por força do art. 225, §4º, da CRFB,
apenas a União possui competência para a criação de unidades de conservação que incluam tal
bioma em seus limites.
C) A criação do parque é constitucional e legal, mas, como a área está definida como Unidade
de Conservação de Proteção Integral, a alteração para Área de Relevante Interesse Ecológico,
que é de Unidade de Conservação de Uso Sustentável, com redução de limites, só pode ser feita
por lei.
D) A reavaliação poderá ser feita por decreto, uma vez que a Área de Relevante Interesse
Ecológico também é uma Unidade de Conservação do grupo de proteção integral.

GABARITO

LETRA C
Um dos grandes objetivos do Direito Ambiental é a proteção do meio ambiente. E uma das
ferramentas utilizadas nesse sentido é o fato de que os instrumentos legais hábeis a ampliar
essa proteção são mais abrangentes, pois a redução da proteção exigirá sempre uma
formalidade maior. É por isso que, ao se criar ou ampliar a proteção de uma área de proteção
ambiental, pode-se usar um mero decreto. Mas, para diminuir a proteção é exigida a lei,
tornando o processo mais dificultoso. Feita essa introdução, vejamos as alternativas:
- Alternativa A:como já se permitiu entrever, o princípio da simetria das formas não é utilizado
aqui como normalmente funciona nos outros ramos do direito. Portanto, a redução dos limites
não poderá se dar por decreto, mas apenas por lei. Alternativa errada.
- Alternativa B:o fato de a Mata Atlântica ser um patrimônio nacional não impede que todos os
entes da federação protejam tal patrimônio. Ao contrário, todos os entes políticos possuem
competência de preservação ambiental. Portanto, resposta errada.

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- Alternativa C:está correto, consoante o §7º do art. 22 da Lei 9.985/00 que assim preconiza: “A
desafetação ou redução dos limites de uma unidade de conservação só pode ser feita mediante
lei específica”.
- Alternativa D:como já vimos, mesmo tendo a área sido originalmente por decreto, apenas a lei
em sentido foral poderia reduzir seus limites. Alternativa errada.

3) Com relação ao sistema nacional de unidades de conservação, assinale a alternativa correta.


A) As unidades de conservação do grupo de proteção integral são incompatíveis com as
atividades humanas; logo, não se admite seu uso econômico direto ou indireto, não podendo o
Poder Público cobrar ingressos para a sua visitação.
B) A ampliação dos limites de uma unidade de conservação, sem modificação dos seus limites
originais, exceto pelo acréscimo proposto, pode ser feita por instrumento normativo do mesmo
nível hierárquico do que criou a unidade. O Poder Público está dispensado de promover consulta
pública e estudos técnicos novos, bastando a reanálise dos documentos que fundamentaram a
criação da unidade de conservação.
C) O parque nacional é uma unidade de conservação do grupo de proteção integral, de posse e
domínios públicos. É destinado à preservação ambiental e ao lazer e à educação ambiental da
população; logo, não se admite seu uso econômico direto ou indireto, não podendo o Poder
Público cobrar ingressos para a sua visitação.
D) As unidades de conservação do grupo de Uso Sustentável podem ser transformadas total ou
parcialmente em unidades do grupo de Proteção Integral, por instrumento normativo do mesmo
nível hierárquico do que criou a unidade, desde que respeitados os procedimentos de consulta
pública e estudos técnicos.

GABARITO

LETRA D
Vejamos cada alternativa:
- Alternativa A:apesar de as unidades de conservação do grupo de proteção integral trazerem
muitas restrições, não há, como afirma a assertiva, a vedação de qualquer atividade humana.
Isto é possível, observados os limites impostos pelas características de cada tipo de unidade de
conservação. Resposta errada.
- Alternativa B:sempre que a modificação visar à ampliação do nível ou área de proteção, pode
ocorrer por meio de instrumento normativo mais simples. Porém, quando é o caso de
diminuição da proteção, é sempre exigida lei, ainda que a criação da proteção tenha se dado por
instrumento normativo de nível inferior. Alternativa errada.
- Alternativa C:a cobrança de ingressos para visitação de parques não caracteriza o uso
econômico e é permitida pela legislação. Alternativa errada.

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- Alternativa D:sem dúvidas, a conversão de uma unidade de conservação do grupo uso


sustentável para uma de proteção integral, em que a proteção é maior, basta a adoção do
mesmo procedimento utilizado para a criação do primeiro grupo, qualquer que tenha sido o
instrumento utilizado na criação da primeira unidade de conservação. Resposta correta e não
se esqueça: se a proposta fosse de redução da proteção, só mesmo a lei formal poderia ser
utilizada.

4) A Lei 9.985/2001, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC,


previu que as unidades de conservação devem dispor de uma zona de amortecimento definida
no plano de manejo.
A esse respeito, assinale a alternativa correta.
A) Os parques, como unidades de conservação de uso sustentado, não têm zona de
amortecimento.
B) As Áreas de Proteção Ambiental – APAs não precisam demarcar sua zona de amortecimento.
C) Tanto as unidades de conservação de proteção integral como as de uso sustentado devem
elaborar plano de manejo, delimitando suas zonas de amortecimento.
D) As Reservas Particulares do Patrimônio Natural – RPPN são obrigadas a elaborar plano de
manejo delimitando suas zonas de amortecimento, por conta própria e orientação técnica
particular.

GABARITO

LETRA B
O que é zona de amortecimento? Pelo inciso XVIII do art. 2º da lei mencionada no enunciado, é
“o entorno de uma unidade de conservação, onde as atividades humanas estão sujeitas a
normas e restrições específicas, com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre a
unidade”. Dado o conceito legal, passemos ás alternativas:
- Alternativa A:errada, porque de acordo com o art. 25 da lei, “As unidades de conservação,
exceto Área de Proteção Ambiental e Reserva Particular do Patrimônio Natural, devem possuir
uma zona de amortecimento e, quando conveniente, corredores ecológicos”. Portanto, os
parques não estão excluídos da exigência.
- Alternativa B:correta, pois como se vê no dispositivo citado acima as Áreas de Proteção
Ambiental estão dispensadas de qualquer demarcação de zonas de amortecimento.
- Alternativa C:só pode estar errada, pois nem todos os tipos de unidade devem delimitar suas
zonas de amortecimento.
- Alternativa D: errada, pois já vimos que as RPPNs não precisam possuir zona de
amortecimento.

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5) De acordo com a lei que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, assinale a
opção correta.
A) Na denominada zona de amortecimento, localizada no interior de uma unidade de
conservação, as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas, como
forma de minimizar os impactos negativos sobre a unidade.
B) Plano de manejo é o documento técnico mediante o qual se estabelecem, de acordo com os
objetivos gerais de uma unidade de conservação, o seu zoneamento e as normas que devem
presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação das estruturas
físicas necessárias à gestão da unidade.
C) É permitida a ocupação social de uma estação ecológica, na qual é possível o funcionamento
de atividades econômicas, o que não pode ocorrer em uma reserva de desenvolvimento
sustentável, uma vez que esta é de posse e domínio públicos.
D) A reserva extrativista é uma unidade de proteção integral utilizada por populações
extrativistas tradicionais, cuja existência baseia-se no extrativismo e, complementarmente, na
agricultura de subsistência.

GABARITO

LETRA B
Vamos verificar cada alternativa:
- Alternativa A: errada, afinal a zona de amortecimento é uma região que se localiza em volta da
Unidade de Conservação, e não em seu interior. Confira no inciso XVIII do art. 2º da Lei 9.982/00.
- Alternativa B: correta, pois é a reprodução literal do conceito dado para a zona de manejo, pelo
inciso XVII do art. 2º da Lei 9.985/00.
- Alternativa C: ao contrário, é nas estações ecológicas que não se pode admitir a ocupação
social, o que é admissível nas unidades de uso sustentável, pois a reserva ecológica é unidade
de proteção integral. Portanto, errada.
- Alternativa D: está errada, pois, ao contrário do que afirma o item, a reserva extrativista não é
unidade de proteção integral, mas, sim, de uso sustentável.

#5 Ambiental na CF / Federação e competências em matéria ambiental

1) Luiz Periquito, famoso colecionador de pássaros, é surpreendido pela autoridade ambiental


municipal em sua propriedade, a qual lavra auto de infração tendo em vista a posse de animais
silvestres sem autorização legal, objeto de caça, bem como indícios de maus tratos aos animais.

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Sobre o caso e tendo em vista a proteção à fauna no ordenamento jurídico brasileiro, assinale a
afirmativa correta.
A) A atuação da autoridade municipal é inválida, já que a competência legislativa e material para
tratar sobre caça, pesca e fauna é exclusiva da União Federal.
B) O auto de infração está irregular, uma vez que a fauna não foi objeto de tutela constitucional
e a Lei nº 5.197/67 (Lei de Proteção à Fauna) não disciplina especificamente o tema de caça e
maus tratos.
C) O auto de infração está correto, uma vez que a Constituição de 1988 veda qualquer forma de
caça no território brasileiro, seja esportiva ou caça de controle.
D) A conduta de Luiz Periquito está em desconformidade com a Constituição de 1988, já que há
expressa vedação constitucional às práticas que submetam os animais à crueldade, na forma da
lei.

GABARITO

LETRA D
CF/88
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum
do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o
dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua
função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.

2) O Município Z deseja implementar política pública ambiental, no sentido de combater a


poluição das vias públicas. Sobre as competências ambientais distribuídas pela Constituição,
assinale a afirmativa correta.
A) União, Estados, Distrito Federal e Municípios têm competência material ambiental comum,
devendo leis complementares fixar normas de cooperação entre os entes.
B) Em relação à competência material ambiental, em não sendo exercida pela União e nem pelo
Estado, o Município pode exercê-la plenamente.
C) O Município só pode exercer sua competência material ambiental nos limites das normas
estaduais sobre o tema.
D) O Município não tem competência material em direito ambiental, por falta de previsão
constitucional, podendo, porém, praticar atos por delegação da União ou do Estado.

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GABARITO

LETRA A
Segue análise de cada alternativa.
Alternativa A
De fato, é competência material comum da União, Estados, Distrito Federal e Municípios
proteger o meio ambiente e combater a poluição em todas as suas formas (art. 23, incido VI, da
CF/88), sendo que leis complementares fixarão normas de cooperação entres os entes
federados.
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:
(...)
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;
(...)
Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do
bem-estar em âmbito nacional.
Nesse sentido, foi aprovada a LC 140/2011 que fixa normas para a cooperação entre a União, os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios nas ações administrativas decorrentes do exercício
da competência comum relativas à proteção das paisagens naturais notáveis, à proteção do
meio ambiente, ao combate à poluição em qualquer de suas formas e à preservação das
florestas, da fauna e da flora (art. 1º da LC n. 140/2011).
Portanto, a alternativa está correta.
Alternativa B
As competência materiais comuns encontram-se no art. 23 da CF/88 e, em relação a elas, não
existe esta previsão no texto constitucional ("em não sendo exercida pela União e nem pelo
Estado, o Município pode exercê-la plenamente"). O não exercício de uma competência material
comum pela União e Estado não confere ao município competência material plena.
Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa C
A competência material comum do Município decorre diretamente do texto constitucional (art.
23 da CF/88) e a Constituição, em consonância com o sistema federativo, não autoriza que o
Estado-membro crie limites ao exercício da competência material comum dos Municípios. O que
existe é a previsão de se editar norma de cooperação relativamente à competência material
comum (art. 23, parágrafo único, da CF/88).
Aliás, com base no art. 23, parágrafo único, foi editada a LC n 140/2011, de caráter nacional, que
fixou normas para a cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
nas ações administrativas decorrentes do exercício da competência comum relativas à proteção

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

das paisagens naturais notáveis, à proteção do meio ambiente, ao combate à poluição em


qualquer de suas formas e à preservação das florestas, da fauna e da flora (art 1º da LC n.
140/2011).
Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa D
Os Municípios detêm competência material comum em direito ambiental, conforme art. 23,
inciso VI, da CF/88, mencionado nos comentários da alternativa A. Portanto, a alternativa está
incorreta.

3) Determinado Município, por intermédio de lei que contemplou questões como potencial
construtivo, zoneamento de bairros e complexos esportivos, reduziu os limites de uma
determinada Unidade de Conservação.
Considerando o caso hipotético em tela, assinale a opção que se harmoniza com a legislação
ambiental.
A) A lei municipal em questão será considerada válida e eficaz, pois a redução dos limites de
uma Unidade de Conservação pode ser feita até mesmo por Decreto.
B) A redução de limites, assim como a desafetação de uma Unidade de Conservação, não
demanda lei específica, exigindo apenas a necessária e prévia aprovação de Estudo de Impacto
Ambiental e respectivo relatório (EIA-RIMA).
C) A redução operada pela lei, para produzir efeitos, dependerá da aprovação do Conselho
Gestor da Unidade de Conservação impactada, garantindo-se a participação pública direta no
referido procedimento de deliberação e aprovação.
D) A redução dos limites da Unidade de Conservação, conquanto possa evidenciar os efeitos
concretos da lei, somente pode ser feita mediante lei específica, regra esta que também se
aplica à desafetação.

GABARITO

LETRA D
Segue análise de cada alternativa.
Alternativa A
Em primeiro lugar, as unidades de conservação são espécie de espaço territorial especialmente
protegido, cujas alterações e supressões, por força de norma constitucional, somente são
permitidas através de lei (art. 225, § 1º, inciso III, da CF/88). Além disso, a Lei 9.985/2000 reforça
que a redução dos limites de uma unidades de conservação somente pode ser feita por lei
específica (art. 22, § 7º, da Lei 9.985/2000).
Art. 22. As unidades de conservação são criadas por ato do Poder Público.

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(...)
§ 7o A desafetação ou redução dos limites de uma unidade de conservação só pode ser feita
mediante lei específica.
Portanto, a alternativa está incorreta. O município não pode por meio de Decreto reduzir os
limites de uma Unidade de Conservação, mais por lei específica, ou seja, lei que tenha por objeto
específico os assuntos do referido dispositivo legal (art. 22, § 7º, da Lei 9.985/2000).
Alternativa B
A alternativa está incorreta. Os comentários da alternativa anterior esclarecem que a
desafetação ou redução dos limites de uma unidade de conservação exigem lei específica (art.
22, § 7º, da Lei 9.985/2000).
Alternativa C
A redução dos limites de uma Unidades de Conservação deve ser operada por lei específica e
sua produção de efeitos não está condicionada à manifestação do órgão gestor na Unidade de
Conservação. Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa D
A redução dos limites de uma unidade de conservação somente pode ser feita por lei específica
(art. 22, § 7º, da Lei 9.985/2000), que de fato pode evidenciar efeitos concretos, pois, ao invés
de veicular normas gerais e abstratas, versa sobre objeto determinado e destina-se a delimitar
territorialmente um área específica.
As lições doutrinárias abaixo esclarecem o conceito de leis de efeitos concretos.
Por lei e decretos de efeitos concretos entendem-se aqueles que trazem em si mesmos o
resultado específico pretendido, tais como as leis que aprovam planos de urbanização, as que
fixam limites territoriais, as que criam municípios ou desmembram distritos, as que concedem
isenções fiscais; as que proíbem atividades ou condutas individuais; os decretos que
desapropriam bens, os que fixam tarifas, os que fazem nomeações e outros dessa espécie. Tais
leis ou decretos nada têm de normativos; são atos de efeitos concretos, revestindo a forma
imprópria de lei ou decreto, por exigências administrativas. Não contêm mandamentos
genéricos, nem apresentam qualquer regra abstrata de conduta; atuam concreta e
imediatamente como qualquer ato administrativo de efeitos individuais e específicos, razão pela
qual se expõem ao ataque pelo mandado de segurança (MEIRELLES, Hely Lopes. Mandado de
Segurança, Ação Popular, Ação Civil Pública, Mandado de Injunção e Habeas Data. 23ª. ed.
Atualizada por Arnold Wald e Gilmar Mendes. São Paulo: Malheiros, 2001, p. 39).
Leis de efeitos concretos são aquelas que se apresentam com leis sob o aspecto formal, mas
que, materialmente, constituem meros atos administrativos. Para que surjam, seguem todo
processo legislativo adotado para as leis em geral. Não irradiam, todavia, efeitos gerais,
abstratos e impessoais como as verdadeiras leis, mas, ao contrário, atingem a esfera jurídica de
indivíduos determinados, razão por que pode dizer-se concretos os seus efeitos (CARVALHO
FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 26ª ed. São Paulo, Atlas, 2013, p. 573).
Lei de efeito concreto é a emanada do Poder Legislativo, segundo processo de elaboração das
leis, mas sem o caráter de generalidade e abstração próprio dos atos normativos. Ela é lei em

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sentido formal, mas é ato administrativo, em sentido material (quanto ao conteúdo), já que
atinge pessoas determinadas. Por exemplo, uma lei que desaproprie determinado imóvel ou
que defina uma área como sendo sujeita a restrições para proteção do meio ambiente (DI
PIETRO, Maria Sylvia Zanella. 20ª ed. São Paulo, Atlas, 2007, p. 714).
Portanto, a alternativa está correta.

4) Com relação aos ecossistemas Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Serra do Mar, Pantanal
matogrossense e Zona Costeira, assinale a afirmativa correta.
A) Tais ecossistemas são considerados pela CRFB/1988 patrimônio difuso, logo todos os
empreendimentos nessas áreas devem ser precedidos de licenciamento e estudo prévio de
impacto ambiental.
B) Tais ecossistemas são considerados patrimônio nacional, devendo a lei infraconstitucional
disciplinar as condições de utilização e de uso dos recursos naturais, de modo a garantir a
preservação do meio ambiente.
C) Tais ecossistemas são considerados bens públicos, pertencentes à União, devendo a lei
infraconstitucional disciplinar suas condições de utilização, o uso dos recursos naturais e as
formas de preservação.
D) Tais ecossistemas possuem terras devolutas que são, a partir da edição da Lei n. 9985/2000,
consideradas unidades de conservação de uso sustentável, devendo a lei especificar as regras
de ocupação humana nessas áreas.

GABARITO

LETRA B
Segundo art. 225, § 4º, da CF/88, os ecossistemas mencionados - Floresta Amazônica, Mata
Atlântica, Serra do Mar, Pantanal matogrossense e Zona Costeira - são patrimônio nacional. A
utilização desses ecossistemas ocorrerá na forma da lei, dentro de condições que assegurem a
preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso de recursos naturais. Importante frisar:
os referidos ecossistemas são tratados pela CF/88 como patrimônio nacional, não como federal
ou da união.
Essa explicação indica a alternativa B, como a correta.
Segue análise dos erros contidos nas demais alternativas.
A CF/88 não converteu em bens públicos as áreas particulares existentes dentro dos
ecossistemas mencionados no art. 225, § 4º. Inclusive, há precedentes do STF nesse sentido
(p.ex RE 300.244, RE 349.184 e RE 134.297). Com isso, podemos eliminar a alternativa C.
Sobre a alternativa A, não existe na CF/88 menção expressa ao termo patrimônio difuso para
classificar essas áreas. Da mesma forma, não existe previsão no sentido de que todos
empreendimentos situados nesses biomas devem ser precedidos de licenciamento e estudo

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prévio de impacto ambiental. A própria CF/88 impõe a exigência de estudo prévio de impacto
ambiental para obras e atividades potencialmente causadoras de significativa degradação do
meio ambiente (art. 225, § 1º, IV, da CF/88).
Por fim, não existe na Lei 9.985/2000 dispositivo que crie unidades de conservação de uso
sustentável em terras devolutas nas áreas mencionadas. Note-se que a Lei 9.985/2000, entre
outras normas, adotou critérios e procedimentos para que o poder público, por ato próprio, crie
unidades de conservação de proteção integral ou de uso sustentável. Logo, está incorrera a
afirmativa contida na opção D.

5) O estado Y pretende melhorar a qualidade do ar e da água em certa região que compõe o seu
território, a qual é abrangida por quatro municípios.
Considerando o caso, assinale a alternativa que indica a medida que o estado Y deve adotar.
A) Instituir Região Metropolitana por meio de lei ordinária, a qual retiraria as competências dos
referidos municípios para disciplinar as matérias.
B) Por iniciativa da Assembleia Estadual, editar lei definindo a região composta pelos municípios
como área de preservação permanente, estabelecendo padrões ambientais mínimos, de acordo
com o plano de manejo.
C) Editar lei complementar, de iniciativa do Governador do estado, a qual imporá níveis de
qualidade a serem obedecidos pelos municípios, sob controle e fiscalização do órgão ambiental
estadual.
D) Incentivar os municípios que atingirem as metas ambientais estipuladas em lei estadual, por
meio de distribuição de parte do ICMS arrecadado, nos limites constitucionalmente autorizados.

GABARITO

LETRA D
Seguem comentários da cada uma alternativa.
Alternativa A
Há dois equívocos na alternativa. Primeiro, a instituição de região metropolitana exige lei
complementar estadual, conforme prescreve o art. 25, § 3º, da CF/88, e não lei ordinária.
Segundo, a instituição de região metropolitana não retira as competências constitucionais dos
municípios para disciplinar suas matérias. Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa B
As áreas de preservação permanente são definidas pelo art. 4º e pelo art. 6º da Lei 12.651/2012
(Código Florestal). As áreas do art. 4º são consideradas como de preservação permanente
diretamente pela lei; as áreas do art. 6º dependem de declaração de interesse social por ato do
chefe do poder executivo para atender as finalidades arroladas no próprio dispositivo. Desse

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modo, não faz sentido afirmar que a assembleia legislativa estadual criará área de preservação
permanente em região composta por municípios. Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa C
A situação de o Estado-membro criar lei complementar estadual para impor padrões de
qualidade aos municípios, submetendo-os à sua fiscalização e controle, viola a autonomia
municipal (art. 18 da CF/88). Além disso, conforme ensinamentos do direito constitucional, as
hipóteses em que se deve utilizar a espécie normativa lei complementar estão previstas
expressamente na CF/88, que não prevê a hipótese contida na alternativa. Tampouco se pode
falar em iniciativa privativa do chefe do poder executivo para edição de lei sobre qualidade do
ar e da água. Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa D
Segundo a CF/88, vinte e cinco por cento do produto da arrecadação do ICMS devem ser
repartidos com municípios (art. 157, IV, da CF/88), sendo que esse o valor pertencente aos
municípios deve ser creditado conforme os seguintes critérios: a) 3/4 (três quartos), no mínimo,
na proporção do valor adicionado nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas
prestações de serviços, realizadas em seus territórios; b) até 1/4 (um quarto), de acordo com o
que dispuser lei estadual (art. 157, parágrafo único, da CF/88) .
Portanto, a CF/88 confere a possibilidade de os Estados, dentro de limites e por lei estadual,
fixarem critérios para repasse aos municípios de parte das receitas arrecadas do ICMS. Dentro
desses limites, o Estado-membro tem autonomia para estimular e compensar políticas
municipais ecologicamente adequadas, com repasse privilegiado de valores a municípios que,
p. ex., possuem mananciais de abastecimentos de águas, que criem unidades de conservação,
promovam controle da poluição, etc.
Essa forma de tributação - na verdade de repasse de recursos - é denominada "ICMS ecológico".
Portanto, está correta a afirmativa.

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DIREITOCIVIL

#1 Parte Geral

1) Pedro, em dezembro de 2011, aos 16 anos, se formou no ensino médio. Em agosto de 2012,
ainda com 16 anos, começou estágio voluntário em uma companhia local. Em janeiro de 2013,
já com 17 anos, foi morar com sua namorada. Em julho de 2013, ainda com 17 anos, após ter
sido aprovado e nomeado em um concurso público, Pedro entrou em exercício no respectivo
emprego público.
Tendo por base o disposto no Código Civil, assinale a opção que indica a data em que cessou a
incapacidade de Pedro.
A) Dezembro de 2011.
B) Agosto de 2012.
C) Janeiro de 2013.
D) Julho de 2013.

GABARITO

LETRA D
Código Civil:
Art. 5o
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:
III - pelo exercício de emprego público efetivo;
D) Julho de 2013.
Julho de 2013, após ser aprovado e nomeado em concurso público, ou seja, quando começou a
exercer emprego público efetivo.
Emancipação legal, por exercício de emprego público efetivo - segundo a doutrina, a regra deve
ser interpretada a incluir todos os casos envolvendo cargos ou empregos públicos, desde que
haja nomeação de forma definitiva. Estão afastadas, assim, as hipóteses deserviços temporários
ou de cargos comissionados.
Só ressalto para o fato de que os casos possíveis a serem enquadrados neste aludido inciso são
cada vez mais raros ou pouco prováveis. Digo isso porque, na maior parte dos concursos atuais,
em seus editais, há a presença do requisito de idade mínima de 18 (dezoito) anos para a
investidura no cargo ou emprego público.

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2) Bernardo, nascido e criado no interior da Bahia, decide mudar-se para o Rio de Janeiro. Ao
chegar ao Rio, procurou um local para morar. José, percebendo o desconhecimento de Bernardo
sobre o valor dos aluguéis no Rio de Janeiro, lhe oferece um quarto por R$ 500,00 (quinhentos
reais). Pagando com dificuldade o aluguel do quarto, ao conversar com vizinhos, Bernardo
descobre que ninguém paga mais do que R$ 200,00 (duzentos reais) por um quarto naquela
região. Sentindo-se injustiçado, procura um advogado.
Sobre o caso narrado, com base no Código Civil, assinale a afirmativa correta.
A) O negócio jurídico poderá ser anulado por lesão, se José não concordar com a redução do
proveito ou com a oferta de suplemento suficiente.
B) O negócio jurídico será nulo em virtude da ilicitude do objeto.
C) O negócio jurídico poderá ser anulado por coação em razão da indução de Bernardo a erro.
D) O negócio jurídico poderá ser anulado por erro, eis que este foi causa determinante do
negócio.

GABARITO

LETRA A
CC, Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por
inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação
oposta.
§ 1o Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que
foi celebrado o negócio jurídico.
§ 2o Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a
parte favorecida concordar com a redução do proveito.
Para a caracterização da lesão é necessária a presença de um elemento objetivo, formado pela
desproporção das prestações, a gerar uma onerosidade excessiva, um prejuízo a uma das partes;
bem como um elemento subjetivo: a premente necessidade ou inexperiência, conforme
previsto no caput do art. 157. A fórmula a seguir serve como luva: LESÃO = Premente
necessidade ou inexperiência (elemento subjetivo) + prestação manifestamente
desproporcional (elemento objetivo).
Eventualmente, em vez do caminho da anulabilidade do negócio jurídico, conforme prevê o art.
178, II, do CC atual, o art. 157, § 2.º, do diploma civil em vigor determina que a invalidade
negocial poderá ser afastada “se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida
concordar com a redução do proveito”. Esse oferecimento pelo réu se dá por meio de pedido
contraposto na contestação.

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3) O apartamento de João é invadido e, entre outras coisas, um paletó é furtado. Três meses
depois, João descobre que o seu paletó está sendo usado por Ricardo. Ao ser confrontado,
Ricardo esclarece que adquiriu o paletó há um mês de um brechó, que o mantinha exposto no
mostruário. Alegou ainda que adquiriu a roupa sem saber que era proveniente de furto. Em
prova do alegado, Ricardo exibe documento comprobatório da compra do paletó feita no
brechó.
Tendo em vista a situação descrita, assinale a afirmativa correta.
A) Ricardo não é o legítimo proprietário do paletó, pois o adquiriu do brechó, que não era o
verdadeiro dono da coisa.
B) Ricardo é o legítimo proprietário do paletó, uma vez que o adquiriu de boa-fé, em
estabelecimento comercial, que, nas circunstâncias do caso, aparentava ser o dono da coisa.
C) Ricardo é o legítimo proprietário do paletó, mas deve indenizar João, entregando-lhe soma
equivalente ao preço que pagou ao brechó.
D) Ricardo não é o legítimo proprietário do paletó, uma vez que o comprou do brechó apenas
dois meses depois do furto sofrido por João.

GABARITO

LETRA B
CC, Art. 1.268. Feita por quem não seja proprietário, a tradição não aliena a propriedade, exceto
se a coisa, oferecida ao público, em leilão ou estabelecimento comercial, for transferida em
circunstâncias tais que, ao adquirente de boa-fé, como a qualquer pessoa, o alienante se afigurar
dono.
O art. 1 .268 do CC trata da alienação a non domino, aquela realizada por quem não é o dono
da coisa móvel. Nessas situações, a tradição não aliena a propriedade, exceto se a coisa,
oferecida ao público, em leilão ou estabelecimento comercial, for transferida em circunstâncias
tais que, ao adquirente de boa-fé, como a qualquer pessoa, o alienante se afigurar dono.
De início, o dispositivo deixa claro que o caso é de ineficácia da venda, atingindo o terceiro
degrau da Escada Ponteana. Não se pode dizer que o caso é de invalidade (segundo degrau),
pois não há previsão de que o negócio seja nulo ou anulável, nos arts. 166, 167 ou 171 do CC. O
próprio STJ assim já entendeu, ainda na vigência do CC/1916 (REsp 39.110/MG, 4.ª Turma, Rel.
Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, j . 28.03 . 1994, DJ 25.04. 1 994, p. 9.260).
Ato contínuo de análise do art. 1 .268, se alguém adquiriu o bem de boa-fé, esta deve prevalecer
sobre a ineficácia decorrente da venda a non domino. Trata-se da boa-fé objetiva, eis que
reconhecida como preceito de ordem pública (Enunciado n. 363 do CJF/STJ), a prevalecer sobre
a ineficácia. Em suma, em se tratando de bens móveis, a lei faz concessões à teoria da aparência
e à eticidade, o que, infelizmente e como visto, não ocorre com os bens imóveis.

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4) Os tutores de José consideram que o rapaz, aos 16 anos, tem maturidade e discernimento
necessários para praticar os atos da vida civil. Por isso, decidem conferir ao rapaz a sua
emancipação.
Consultam, para tanto, um advogado, que lhes aconselha corretamente no seguinte sentido:
A) José poderá ser emancipado em procedimento judicial, com a oitiva do tutor sobre as
condições do tutelado.
B) José poderá ser emancipado via instrumento público, sendo desnecessária a homologação
judicial.
C) José poderá ser emancipado via instrumento público ou particular, sendo necessário
procedimento judicial.
D) José poderá ser emancipado por instrumento público, com averbação no registro de pessoas
naturais.

GABARITO

LETRA A
Emancipação voluntária
--> PAIS: instrumento público, independe de homologação judicial.
Emancipação judicial
--> SENTENÇA DO JUIZ: ouvido o tutor.
Emancipação legal
--> casamento;
--> exercício de emprego público efetivo;
--> colação de grau em curso de ensino superior;
--> estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego (economia
própria).
Fundamentação: CC -Art. 5o
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:
I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público,
independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o
menor tiver dezesseis anos completos;

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5) Raul, cidadão brasileiro, no meio de uma semana comum, desaparece sem deixar qualquer
notícia para sua ex-esposa e filhos, sem deixar cartas ou qualquer indicação sobre seu paradeiro.
Raul, que sempre fora um trabalhador exemplar, acumulara em seus anos de labor um
patrimônio relevante. Como Raul morava sozinho, já que seus filhos tinham suas próprias
famílias e ele havia se separado de sua esposa 4 (quatro) anos antes, somente após uma semana
seus parentes e amigos deram por sua falta e passaram a se preocupar com o seu
desaparecimento.
Sobre a situação apresentada, assinale a opção correta.
A) Para ser decretada a ausência, é necessário que a pessoa tenha desaparecido há mais de 10
(dez) dias. Como faz apenas uma semana que Raul desapareceu, não pode ser declarada sua
ausência, com a consequente nomeação de curador.
B) Em sendo declarada a ausência, o curador a ser nomeado será a ex-esposa de Raul.
C) A abertura da sucessão provisória somente se dará ultrapassados três anos da arrecadação
dos bens de Raul.
D) Se Raul contasse com 85 (oitenta e cinco) anos e os parentes e amigos já não soubessem dele
há 8 (oito) anos, poderia ser feita de forma direta a abertura da sucessão definitiva.

GABARITO

LETRA D
Letra “A” - Para ser decretada a ausência, é necessário que a pessoa tenha desaparecido há mais
de 10 (dez) dias. Como faz apenas uma semana que Raul desapareceu, não pode ser declarada
sua ausência, com a consequente nomeação de curador.
Código Civil:
Art. 22. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver
deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a
requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público, declarará a ausência, e
nomear-lhe-á curador.
Não há prazo fixado para requerer a decretação da ausência.
Incorreta letra “A”.
Letra “B” - Em sendo declarada a ausência, o curador a ser nomeado será a ex-esposa de Raul.
Código Civil
Art. 25. O cônjuge do ausente, sempre que não esteja separado judicialmente, ou de fato por
mais de dois anos antes da declaração da ausência, será o seu legítimo curador.
Como Raul já estava separado de sua esposa há quatro anos, ela não poderá ser nomeada
curadora de Raul.

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Incorreta letra “B”.


Letra “C” - A abertura da sucessão provisória somente se dará ultrapassados três anos da
arrecadação dos bens de Raul.
Código Civil:
Art. 26. Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou, se ele deixou representante
ou procurador, em se passando três anos, poderão os interessados requerer que se declare a
ausência e se abra provisoriamente a sucessão
Raul não deixou representante ou procurador, portanto, decorrido um ano da arrecadação dos
bens do ausente, poderão os interessados requerer que se declare a ausência e se abra
provisoriamente a sucessão.
Incorreta letra “C”.
Letra “D” - Se Raul contasse com 85 (oitenta e cinco) anos e os parentes e amigos já não
soubessem dele há 8 (oito) anos, poderia ser feita de forma direta a abertura da sucessão
definitiva.
Código Civil:
Art. 38. Pode-se requerer a sucessão definitiva, também, provando-se que o ausente conta
oitenta anos de idade, e que de cinco datam as últimas notícias dele.
Como Raul conta com mais de 80 (oitenta) anos (ele tem 85 – oitenta e cinco anos), e já há 8
(oito) anos os parentes e amigos já não sabem dele, pode-se requerer a abertura da sucessão
definitiva.
a)Para ser decretada a ausência, é necessário que a pessoa tenha desaparecido há mais de 10
(dez) dias. Como faz apenas uma semana que Raul desapareceu, não pode ser declarada sua
ausência, com a consequente nomeação de curador.
O CC não especifica nenhum período mínimo como requisito para que seja decretada a ausência.
Art. 22,CC: Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver
deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a
requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público, declarará a ausência, e
nomear-lhe-á curador.
b)Em sendo declarada a ausência, o curador a ser nomeado será a ex-esposa de Raul.
Como Raul era separado de sua esposa por mais de 2 anos o curadoria segue para os próximos
da lista preferencial, os pais. Se estes não se fizerem presentes, a curadoria cabe aos
descendentes, sendo que os mais próximos sucedem aos mais remotos. (CC, Art 25, caput, § 1º
§ 2º e § 3º).
c)A abertura da sucessão provisória somente se dará ultrapassados três anos da arrecadação
dos bens de Raul.
Raul não deixou procurador ou representante, portanto a abertura da sucessão provisória se
dará 1 ano após a fase de curadoria. (Art 26,CC)

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d)Se Raul contasse com 85 (oitenta e cinco) anos e os parentes e amigos já não soubessem dele
há 8 (oito) anos, poderia ser feita de forma direta a abertura da sucessão definitiva.
Uma das hipóteses para abertura da sucessão definitiva é que o ausente conte com 80 anos de
idade e 5 de desaparecimento. Como Raul preenche tais requisitos, a abertura sucessão
definitiva poderia ser feita. (CC, Art 38).

#2 Direito das Coisas

1) Vítor, Paulo e Márcia são coproprietários, em regime de condomínio pro indiviso, de uma
casa, sendo cada um deles titular de parte ideal representativa de um terço (1/3) da coisa
comum. Todos usam esporadicamente a casa nos finais de semana. Certo dia, ao visitar a casa,
Márcia descobre um vazamento no encanamento de água. Sem perder tempo, contrata, em
nome próprio, uma sociedade empreiteira para a realização da substituição do cano danificado.
Pelo serviço, ficou ajustado contratualmente o pagamento de R$ 900,00 (novecentos reais).
Tendo em vista os fatos expostos, assinale a afirmativa correta.
A) A empreiteira pode cobrar a remuneração ajustada contratualmente de qualquer um dos
condôminos.
B) A empreiteira pode cobrar a remuneração ajustada contratualmente apenas de Márcia, que,
por sua vez, tem direito de regresso contra os demais condôminos.
C) A empreiteira não pode cobrar a remuneração contratualmente ajustada de Márcia ou de
qualquer outro condômino, uma vez que o serviço foi contratado sem a prévia aprovação da
totalidade dos condôminos.
D) A empreiteira pode cobrar a remuneração ajustada contratualmente apenas de Márcia, que
deverá suportar sozinha a despesa, sem direito de regresso contra os demais condôminos, uma
vez que contratou a empreiteira sem o prévio consentimento dos demais condôminos.

GABARITO

LETRA B
A) A empreiteira pode cobrar a remuneração ajustada contratualmente de qualquer um dos
condôminos.
Código Civil:
Art. 1.315. O condômino é obrigado, na proporção de sua parte, a concorrer para as despesas
de conservação ou divisão da coisa, e a suportar os ônus a que estiver sujeita.
Parágrafo único. Presumem-se iguais as partes ideais dos condôminos.

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Art. 1.318. As dívidas contraídas por um dos condôminos em proveito da comunhão, e durante
ela, obrigam o contratante; mas terá este ação regressiva contra os demais.
A empreiteira pode cobrar a remuneração ajustada contratualmente apenas de Márcia, que foi
quem contratou o serviço, e que, por sua vez, tem direito de regresso contra os demais
condôminos.
Incorreta letra “A”.
B) A empreiteira pode cobrar a remuneração ajustada contratualmente apenas de Márcia, que,
por sua vez, tem direito de regresso contra os demais condôminos.
Código Civil:
Art. 1.315. O condômino é obrigado, na proporção de sua parte, a concorrer para as despesas
de conservação ou divisão da coisa, e a suportar os ônus a que estiver sujeita.
Parágrafo único. Presumem-se iguais as partes ideais dos condôminos.
Art. 1.318. As dívidas contraídas por um dos condôminos em proveito da comunhão, e durante
ela, obrigam o contratante; mas terá este ação regressiva contra os demais.
A empreiteira pode cobrar a remuneração ajustada contratualmente apenas de Márcia, que,
por sua vez, tem direito de regresso contra os demais condôminos.
Correta letra “B”. Gabarito da questão.
C) A empreiteira não pode cobrar a remuneração contratualmente ajustada de Márcia ou de
qualquer outro condômino, uma vez que o serviço foi contratado sem a prévia aprovação da
totalidade dos condôminos.
Código Civil:
Art. 1.315. O condômino é obrigado, na proporção de sua parte, a concorrer para as despesas
de conservação ou divisão da coisa, e a suportar os ônus a que estiver sujeita.
Parágrafo único. Presumem-se iguais as partes ideais dos condôminos.
Art. 1.318. As dívidas contraídas por um dos condôminos em proveito da comunhão, e durante
ela, obrigam o contratante; mas terá este ação regressiva contra os demais.
A empreiteira pode cobrar a remuneração ajustada contratualmente apenas de Márcia, que foi
quem contratou o serviço, e que, por sua vez, tem direito de regresso contra os demais
condôminos.
Incorreta letra “C”.
D) A empreiteira pode cobrar a remuneração ajustada contratualmente apenas de Márcia, que
deverá suportar sozinha a despesa, sem direito de regresso contra os demais condôminos, uma
vez que contratou a empreiteira sem o prévio consentimento dos demais condôminos.
Código Civil:
Art. 1.315. O condômino é obrigado, na proporção de sua parte, a concorrer para as despesas
de conservação ou divisão da coisa, e a suportar os ônus a que estiver sujeita.

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Parágrafo único. Presumem-se iguais as partes ideais dos condôminos.


Art. 1.318. As dívidas contraídas por um dos condôminos em proveito da comunhão, e durante
ela, obrigam o contratante; mas terá este ação regressiva contra os demais.
A empreiteira pode cobrar a remuneração ajustada contratualmente apenas de Márcia, uma vez
que contratou a empreiteira. Márcia, por sua vez, tem direito de regresso contra os demais
condôminos.
Incorreta letra “D”.

2) Angélica concede a Otávia, pelo prazo de vinte anos, direito real de usufruto sobre imóvel de
que é proprietária. O direito real é constituído por meio de escritura pública, que é registrada
no competente Cartório do Registro de Imóveis. Cinco anos depois da constituição do usufruto,
Otávia falece, deixando como única herdeira sua filha Patrícia. Sobre esse caso, assinale a
afirmativa correta.
A) Patrícia herda o direito real de usufruto sobre o imóvel.
B) Patrícia adquire somente o direito de uso sobre o imóvel
C) O direito real de usufruto extingue-se com o falecimento de Otávia.
D) Patrícia deve ingressar em juízo para obter sentença constitutiva do seu direito real de
usufruto sobre o imóvel.

GABARITO

LETRA C
Código Civil:
Art. 1.410. O usufruto extingue-se, cancelando-se o registro no Cartório de Registro de Imóveis:
I - pela renúncia ou morte do usufrutuário;
O usufruto é vitalício. Morrendo o usufrutuário, automaticamente extingue-se o usufruto. A
legislação veda o usufruto sucessivo. O usufruto sucessivo ocorre quando há nomeação de
substituto para a hipótese de falecimento do usufrutuário. Porém, o usufruto não se transmite
por herança.
Assim, falecendo Otávia, usufrutuária, extingue-se o usufruto, cancelando-se o registro no
Cartório de Registro de Imóveis.
Letra “A" - Patrícia herda o direito real de usufruto sobre o imóvel.
A lei veda o usufruto sucessivo, de forma que Patrícia não herda o direito real de usufruto sobre
o imóvel.
Incorreta letra “A".

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Letra “B" - Patrícia adquire somente o direito de uso sobre o imóvel


Patrícia não adquire nada, pois com o falecimento de Otávia, o usufruto se extingue, sendo
vedado o usufruto sucessivo.
Incorreta letra “B".
Letra “C" - O direito real de usufruto extingue-se com o falecimento de Otávia.
Com o falecimento de Otávia, usufrutuária, extingue-se o usufruto.
Correta letra “C". Gabarito da questão.
Letra “D" - Patrícia deve ingressar em juízo para obter sentença constitutiva do seu direito real
de usufruto sobre o imóvel.
Uma das causas de extinção do usufruto é a morte do usufrutuário. Como Otávia faleceu, o
usufruto foi extinto, não tendo Patrícia, direito a nada.
Incorreta letra “D".

3) Mateus é proprietário de um terreno situado em área rural do estado de Minas Gerais. Por
meio de escritura pública levada ao cartório do registro de imóveis, Mateus concede, pelo prazo
de vinte anos, em favor de Francisco, direito real de superfície sobre o aludido terreno. A
escritura prevê que Francisco deverá ali construir um edifício que servirá de escola para a
população local. A escritura ainda prevê que, em contrapartida à concessão da superfície,
Francisco deverá pagar a Mateus a quantia de R$ 30.000,00 (trinta mil reais). A escritura também
prevê que, em caso de alienação do direito de superfície por Francisco, Mateus terá direito a
receber quantia equivalente a 3% do valor da transação.
Nesse caso, é correto afirmar que
A) é nula a concessão de direito de superfície por prazo determinado, haja vista só se admitir,
no direito brasileiro, a concessão perpétua.
B) é nula a cláusula que prevê o pagamento de remuneração em contrapartida à concessão do
direito de superfície, haja vista ser a concessão ato essencialmente gratuito.
C) é nula a cláusula que estipula em favor de Mateus o pagamento de determinada quantia em
caso de alienação do direito de superfície.
D) é nula a cláusula que obriga Francisco a construir um edifício no terreno.

GABARITO

LETRA C
Letra “A" - é nula a concessão de direito de superfície por prazo determinado, haja vista só se
admitir, no direito brasileiro, a concessão perpétua.

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Código Civil:
Art. 1.369. O proprietário pode conceder a outrem o direito de construir ou de plantar em seu
terreno, por tempo determinado, mediante escritura pública devidamente registrada no
Cartório de Registro de Imóveis.
Parágrafo único. O direito de superfície não autoriza obra no subsolo, salvo se for inerente ao
objeto da concessão
É válida a concessão de direito de superfície por prazo determinado.
Incorreta letra “A".
Letra “B" - é nula a cláusula que prevê o pagamento de remuneração em contrapartida à
concessão do direito de superfície, haja vista ser a concessão ato essencialmente gratuito.
Código Civil:
Art. 1.370. A concessão da superfície será gratuita ou onerosa; se onerosa, estipularão as partes
se o pagamento será feito de uma só vez, ou parceladamente.
É válida a cláusula que prevê o pagamento de remuneração em contrapartida à concessão do
direito de superfície, pois a concessão da superfície poderá ser gratuita ou onerosa.
Incorreta letra “B".
Letra “C" - é nula a cláusula que estipula em favor de Mateus o pagamento de determinada
quantia em caso de alienação do direito de superfície.
Código Civil:
Art. 1.372. O direito de superfície pode transferir-se a terceiros e, por morte do superficiário,
aos seus herdeiros.
Parágrafo único. Não poderá ser estipulado pelo concedente, a nenhum título, qualquer
pagamento pela transferência
É nula a cláusula que estipula em favor de Mateus (concedente), o pagamento de determinada
quantia em caso de alienação do direito de superfície.
Assim, é nula a cláusula que prevê que, em caso de alienação do direito de superfície por
Francisco, Mateus terá direito a receber quantia equivalente a 3% do valor da transação.
Mateus não terá direito a receber o pagamento de quantia em caso de alienação do direito de
superfície.
Correta letra “C". Gabarito da questão.
Letra “D" - é nula a cláusula que obriga Francisco a construir um edifício no terreno.
Código Civil:
Art. 1.369. O proprietário pode conceder a outrem o direito de construir ou de plantar em seu
terreno, por tempo determinado, mediante escritura pública devidamente registrada no
Cartório de Registro de Imóveis.

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Parágrafo único. O direito de superfície não autoriza obra no subsolo, salvo se for inerente ao
objeto da concessão.
Não é nula a clausula que obriga Francisco a construir um edifício no terreno.
Incorreta letra “D".

4) Mediante o emprego de violência, Mélvio esbulhou a posse da Fazenda Vila Feliz. A vítima do
esbulho, Cassandra, ajuizou ação de reintegração de posse em face de Mélvio após um ano e
meio, o que impediu a concessão de medida liminar em seu favor. Passados dois anos desde a
invasão, Mélvio teve que trocar o telhado da casa situada na fazenda, pois estava danificado.
Passados cinco anos desde a referida obra, a ação de reintegração de posse transitou em julgado
e, na ocasião, o telhado colocado por Mélvio já se encontrava severamente danificado. Diante
de sua derrota, Mélvio argumentou que faria jus ao direito de retenção pelas benfeitorias
erigidas, exigindo que Cassandra o reembolsasse.
A respeito do pleito de Mélvio, assinale a afirmativa correta.
A) Mélvio não faz jus ao direito de retenção por benfeitorias, pois sua posse é de má-fé e as
benfeitorias, ainda que necessárias, não devem ser indenizadas, porque não mais existiam
quando a ação de reintegração de posse transitou em julgado.
B) Mélvio é possuidor de boa-fé, fazendo jus ao direito de retenção por benfeitorias e devendo
ser indenizado por Cassandra com base no valor delas.
C) Mélvio é possuidor de má-fé, não fazendo jus ao direito de retenção por benfeitorias, mas
deve ser indenizado por Cassandra com base no valor delas.
D) Mélvio é possuidor de má-fé, fazendo jus ao direito de retenção por benfeitorias e devendo
ser indenizado pelo valor atual delas.

GABARITO

LETRA A
Letra “A” - Mélvio não faz jus ao direito de retenção por benfeitorias, pois sua posse é de má-fé
e as benfeitorias, ainda que necessárias, não devem ser indenizadas, porque não mais existiam
quando a ação de reintegração de posse transitou em julgado.
Código Civil:
Art. 1.220. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não
lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias.
Art. 1.221. As benfeitorias compensam-se com os danos, e só obrigam ao ressarcimento se ao
tempo da evicção ainda existirem.

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Mélvio, possuidor de má-fé, não faz jus ao direito de retenção por benfeitorias. Em relação ao
telhado, ao tempo da evicção, esse já estava danificado, novamente, de forma que, ainda que
tenha sido necessária a benfeitoria, essa já não existia mais.
Correta letra “A”. Gabarito da questão.
Letra “B” - Mélvio é possuidor de boa-fé, fazendo jus ao direito de retenção por benfeitorias e
devendo ser indenizado por Cassandra com base no valor delas.
Código Civil:
Art. 1.200. É justa a posse que não for violenta, clandestina ou precária.
Art. 1.201. É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a
aquisição da coisa.
Art. 1.202. A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as
circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente.
Mélvio é possuidor de má-fé, uma vez que adquiriu a posse de forma violenta. Ou seja, desde o
início já sabia que possuía indevidamente.
Incorreta letra “B”.
Letra “C” - Mélvio é possuidor de má-fé, não fazendo jus ao direito de retenção por benfeitorias,
mas deve ser indenizado por Cassandra com base no valor delas.
Código Civil:
Art. 1.201. É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a
aquisição da coisa.
Art. 1.220. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não
lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias.
Art. 1.221. As benfeitorias compensam-se com os danos, e só obrigam ao ressarcimento se ao
tempo da evicção ainda existirem.
Mélvio é possuidor de má-fé e não faz jus ao direito de retenção por benfeitorias.
Também não deve ser indenizado com base no valor delas pois ao tempo do trânsito em julgado
da sentença a benfeitoria já estava danificada.
Incorreta letra “C”.
Letra “D” - Mélvio é possuidor de má-fé, fazendo jus ao direito de retenção por benfeitorias e
devendo ser indenizado pelo valor atual delas.
Código Civil:
Art. 1.201. É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a
aquisição da coisa.
Art. 1.220. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não
lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Art. 1.221. As benfeitorias compensam-se com os danos, e só obrigam ao ressarcimento se ao


tempo da evicção ainda existirem.
Mélvio é possuidor de má-fé e não faz jus ao direito de retenção por benfeitorias.
Também não deve ser indenizado com base no valor delas pois ao tempo do trânsito em julgado
da sentença o telhado consertado (benfeitoria) já se encontrava severamente danificado.
Incorreta letra “D”.

5) A Companhia GAMA e o Banco RENDA celebraram entre si contrato de mútuo, por meio do
qual a companhia recebeu do banco a quantia de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais),
obrigando-se a restituí-la, acrescida dos juros convencionados, no prazo de três anos, contados
da entrega do numerário. Em garantia do pagamento do débito, a Companhia GAMA constituiu,
em favor do Banco RENDA, por meio de escritura pública levada ao cartório do registro de
imóveis, direito real de hipoteca sobre determinado imóvel de sua propriedade. Companhia
GAMA, dois meses depois, celebrou outro contrato de mútuo com o Banco BETA, no valor de R$
200.000,00 (duzentos mil reais), obrigando-se a restituir a quantia, acrescida dos juros
convencionados, no prazo de dois anos, contados da entrega do numerário.
Em garantia do pagamento do débito, a Companhia GAMA constituiu, em favor do Banco BETA,
por meio de escritura pública levada ao cartório do registro de imóveis, uma segunda hipoteca
sobre o mesmo imóvel gravado pela hipoteca do Banco RENDA. Chegado o dia do vencimento
do mútuo celebrado com o Banco BETA, a Companhia GAMA não reembolsou a quantia devida
ao banco, muito embora tivesse bens suficientes para honrar todas as suas dívidas.
Nesse caso, é correto afirmar que
A) o Banco BETA tem direito a promover imediatamente a execução judicial da hipoteca que lhe
foi conferida.
B) a hipoteca constituída pela companhia GAMA em favor do Banco BETA é nula, uma vez que
o bem objeto da garantia já se encontrava gravado por outra hipoteca.
C) a hipoteca constituída pela GAMA em favor do Banco é nula, uma vez que tal hipoteca garante
dívida cujo vencimento é inferior ao da dívida garantida pela primeira hipoteca, constituída em
favor do Banco RENDA.
D) o Banco BETA não poderá promover a execução judicial da hipoteca que lhe foi conferida
antes de vencida a dívida contraída pela Companhia GAMA junto ao Banco RENDA.

GABARITO

LETRA D
Código Civil:

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Art. 1.476. O dono do imóvel hipotecado pode constituir outra hipoteca sobre ele, mediante
novo título, em favor do mesmo ou de outro credor.
Art. 1.477. Salvo o caso de insolvência do devedor, o credor da segunda hipoteca, embora
vencida, não poderá executar o imóvel antes de vencida a primeira.
Parágrafo único. Não se considera insolvente o devedor por faltar ao pagamento das obrigações
garantidas por hipotecas posteriores à primeira.
É plenamente possível que um mesmo bem seja objeto de mais de uma hipoteca, mediante
títulos diversos. Seja em favor de um mesmo ou de outros credores. Denomina-se sub-hipoteca
ou hipoteca de segundo grau, ou seja, é a hipoteca de um bem já hipotecado.
Banco Renda – primeira hipoteca – prazo – três anos.
Banco Beta – segunda hipoteca – prazo – dois anos.
Letra “A” - o Banco BETA tem direito a promover imediatamente a execução judicial da hipoteca
que lhe foi conferida.
Código Civil:
Art. 1.477. Salvo o caso de insolvência do devedor, o credor da segunda hipoteca, embora
vencida, não poderá executar o imóvel antes de vencida a primeira.
O banco BETA não tem direito a promover imediatamente a execução judicial da hipoteca, uma
vez que a primeira hipoteca ainda não venceu (prazo de três anos), bem como que a Companhia
Gama possui bens suficientes para honrar todas as suas dívidas.
Incorreta letra “A”.
Letra “B” - a hipoteca constituída pela companhia GAMA em favor do Banco BETA é nula, uma
vez que o bem objeto da garantia já se encontrava gravado por outra hipoteca.
Código Civil:
Art. 1.476. O dono do imóvel hipotecado pode constituir outra hipoteca sobre ele, mediante
novo título, em favor do mesmo ou de outro credor.
A hipoteca constituída pela companhia GAMA em favor do Banco BETA não é nula, uma vez que
o dono do imóvel hipotecado pode constituir outra hipoteca sobre o mesmo bem.
Incorreta letra “B”.
Letra “C” - a hipoteca constituída pela GAMA em favor do Banco é nula, uma vez que tal hipoteca
garante dívida cujo vencimento é inferior ao da dívida garantida pela primeira hipoteca,
constituída em favor do Banco RENDA.
Código Civil:
Art. 1.476. O dono do imóvel hipotecado pode constituir outra hipoteca sobre ele, mediante
novo título, em favor do mesmo ou de outro credor.
Mesmo que seja sobre o mesmo bem, a segunda hipoteca não é nula, pois o dono do imóvel
hipotecado pode constituir outra hipoteca sobre ele, mediante novo título.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Incorreta letra “C”.


Letra “D” - o Banco BETA não poderá promover a execução judicial da hipoteca que lhe foi
conferida antes de vencida a dívida contraída pela Companhia GAMA junto ao Banco RENDA.
Código Civil:
Art. 1.477. Salvo o caso de insolvência do devedor, o credor da segunda hipoteca, embora
vencida, não poderá executar o imóvel antes de vencida a primeira.
Parágrafo único. Não se considera insolvente o devedor por faltar ao pagamento das obrigações
garantidas por hipotecas posteriores à primeira.
O Banco BETA não poderá promover a execução judicial da hipoteca que lhe foi conferida antes
de vencida a dívida contraída pela Companhia GAMA junto ao Banco RENDA, uma vez que o
credor da segunda hipoteca (Banco BETA) não poderá executar o imóvel antes de vencida a
primeira (hipoteca junto ao Banco RENDA).

#3 Direito dos Contratos – geral e em espécie

1) Por meio de contrato verbal, João alugou sua bicicleta a José, que se comprometeu a pagar o
aluguel mensal de R$ 100,00 (cem reais), bem como a restituir a coisa alugada ao final do sexto
mês de locação. Antes de esgotado o prazo do contrato de locação, João deseja celebrar
contrato de compra e venda com Otávio, de modo a transmitir imediatamente a propriedade
da bicicleta.
Não obstante a coisa permanecer na posse direta de José, entende-se que
A) o adquirente Otávio, caso venda a bicicleta antes de encerrado o prazo da locação, deve
obrigatoriamente depositar o preço em favor do locatário José.
B) João não pode celebrar contrato de compra e venda da bicicleta antes de encerrado o prazo
da locação celebrada com José.
C) é possível transmitir imediatamente a propriedade para Otávio, por meio da estipulação, no
contrato de compra e venda, da cessão do direito à restituição da coisa em favor de Otávio.
D) é possível transmitir imediatamente a propriedade para Otávio, por meio da estipulação, no
contrato de compra e venda, do constituto possessório em favor de Otávio.

GABARITO

LETRA C
Apesar de não ser regulamentada em lei, a cessão de contrato ou cessão da posição contratual
tem existência jurídica como negócio jurídico atípico. Nesse contexto, a categoria se enquadra

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

no art. 425 do CC: “É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais
fixadas neste Código".
A cessão de contrato pode ser conceituada como sendo a transferência da inteira posição ativa
ou passiva da relação contratual, incluindo o conjunto de direitos e deveres de que é titular uma
determinada pessoa. A cessão de contrato quase sempre está relacionada com um negócio cuja
execução ainda não foi concluída.
Para que a cessão do contrato seja perfeita, é necessária a autorização do outro contratante,
como ocorre com a cessão de débito ou assunção de dívida. Isso porque a posição de devedor é
cedida com o contrato.
(Tartuce, Flávio. Direito civil, 2 : Direito das Obrigações e Responsabilidade Civil. / Flávio Tartuce.
– 10. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO, 2014.)
A) o adquirente Otávio, caso venda a bicicleta antes de encerrado o prazo da locação, deve
obrigatoriamente depositar o preço em favor do locatário José.
A propriedade da bicicleta é transmitida a Otávio, pois há uma cessão do contrato, a posse
permanece com José, bem como a obrigação de restituir a bicicleta ao final do contrato, em
favor de Otávio.
Incorreta letra “A".
B) João não pode celebrar contrato de compra e venda da bicicleta antes de encerrado o prazo
da locação celebrada com José.
João pode celebrar contrato de compra e venda da bicicleta a qualquer tempo, cedendo a sua
posição contratual em relação à bicicleta para Otávio.
Incorreta letra “B".
C) é possível transmitir imediatamente a propriedade para Otávio, por meio da estipulação, no
contrato de compra e venda, da cessão do direito à restituição da coisa em favor de Otávio.
Com a compra e venda da bicicleta, faz-se, também, a cessão do direito à restituição da coisa
(bicicleta) em favor de Otávio.
Correta letra “C". Gabarito da questão.
D) é possível transmitir imediatamente a propriedade para Otávio, por meio da estipulação, no
contrato de compra e venda, do constituto possessório em favor de Otávio.
É possível transmitir a propriedade da bicicleta para Otávio, por meio da cessão do direito de
restituição em favor de Otávio, permanecendo a posse com José.
Incorreta letra “D".

2) José celebrou com Maria um contrato de compra e venda de imóvel, no valor de


R$100.000,00, quantia paga à vista, ficando ajustada entre as partes a exclusão da
responsabilidade do alienante pela evicção. A respeito desse caso, vindo a adquirente a perder
o bem em decorrência de decisão judicial favorável a terceiro, assinale a afirmativa correta.

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A) Tal cláusula, que exonera o alienante da responsabilidade pela evicção, é vedada pelo
ordenamento jurídico brasileiro.
B) Não obstante a cláusula de exclusão da responsabilidade pela evicção, se Maria não sabia do
risco, ou, dele informada, não o assumiu, deve José restituir o valor que recebeu pelo bem
imóvel.
C) Não obstante a cláusula de exclusão da responsabilidade pela evicção, Maria, desconhecendo
o risco, terá direito à dobra do valor pago, a título de indenização pelos prejuízos dela
resultantes.
D) O valor a ser restituído para Maria será aquele ajustado quando da celebração do negócio
jurídico, atualizado monetariamente, sendo irrelevante se tratar de evicção total ou parcial.

GABARITO

LETRA B
Alternativa “a”: O CC expressamente prevê que:
Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a responsabilidade
pela evicção.
Portanto, consoante a lei, é admitida no ordenamento jurídico brasileiro a exoneração, exclusão
da responsabilidade pela evicção. A alternativa “a” está incorreta porque prevê que a cláusula
de exclusão da responsabilidade pela evicção não é admitida não direito brasileiro, quando, em
verdade, há essa permissão.
Alternativa “b”: De acordo com o CC:
Art. 449. Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção, se esta se der, tem
direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube do risco da evicção,
ou, dele informado, não o assumiu.
Art. 450. Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da restituição integral do
preço ou das quantias que pagou:
I - à indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir;
II - à indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente resultarem da
evicção;
III - às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído.
Parágrafo único. O preço, seja a evicção total ou parcial, será o do valor da coisa, na época em
que se evenceu, e proporcional ao desfalque sofrido, no caso de evicção parcial.

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A alternativa “b” está correta, pois mesmo no caso de haver cláusula de exclusão da garantia
contra a evicção, se Maria não sabia do risco da evicção ou se, ciente dele, não o assumiu, deverá
José devolver o valor pago por Maria pela compra e venda celebrada.
Alternativa “c”: A alternativa “c” está incorreta, pois como visto acima, na redação do art. 450,
do CC, no caso de Maria desconhecer o risco, mesmo diante da existência de cláusula de
exclusão da evicção, terá direito a receber indenização apenas dos frutos que tiver sido obrigada
a restituir, despesas que teve com o contrato, prejuízos diretos da evicção e custas e honorários
advocatícios. Não há previsão de pagamento de indenização equivalente à dobra do valor pago
conforme descrito na alternativa “c”.
Alternativa “d”: Não há previsão, consoante o parágrafo único do art. 450, para pagamento do
valor com correção monetária. Segundo o referido artigo o valor a ser restituído será o da coisa
na época em que se verificou a evicção. Além disso, no caso de evicção parcial, o preço a ser
devolvido deverá ser proporcional ao desfalque. Por esta razão a alternativa “d” está incorreta.

3) Visando ampliar sua linha de comércio, Mac Geral & Companhia adquiriu de AC Industrial S.A.
mil unidades do equipamento destinado à fabricação de churros. Dentre as cláusulas contratuais
firmadas pelas partes, fez-se inserir a obrigação de Mac Geral & Companhia realizar o transporte
dos equipamentos, exclusivamente e ao preço de R$100,00 por equipamento, por meio de Rota
Transportes Ltda., pessoa estranha ao instrumento contratual assinado.Com relação aos
contratos civis, assinale a afirmativa incorreta.
A) AC Industrial S.A. poderá exigir de Mac Geral & Companhia o cumprimento da obrigação
firmada em favor de Rota Transportes Ltda.
B) Ao exigir o cumprimento da obrigação, Rota Transportes Ltda. deverá efetuar o transporte ao
preço previamente ajustado pelas partes contratantes.
C) Somente Rota Transportes Ltda. poderá exigir o cumprimento da obrigação.
D) AC Industrial S/A poderá reservar-se o direito de substituir Rota Transportes Ltda.,
independentemente de sua anuência ou de Mac Geral & Companhia.

GABARITO

LETRA D
Alternativa “a”: No contrato estabelecido entre as partes houve o que o CC chama de
estipulação em favor de terceiro, pois a AC Industrial S.A. e a Mac Geral estabeleceram em favor
da Rota Transportes Ltda. a realização do transporte dos equipamentos adquiridos.
Sobre a estipulação em favor de terceiro, o CC dispõe:
Art. 436. O que estipula em favor de terceiro pode exigir o cumprimento da obrigação.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Parágrafo único. Ao terceiro, em favor de quem se estipulou a obrigação, também é permitido


exigi-la, ficando, todavia, sujeito às condições e normas do contrato, se a ele anuir, e o
estipulante não o inovar nos termos do art. 438.
De acordo com este artigo, portanto, a AC Industrial pode exigir de Mac o cumprimento da
obrigação firmada em favor da Rota Transportes, pois aquele que estipulou em favor de terceiro,
no caso a Rota, pode exigir o cumprimento da obrigação.
Por esta razão, a alternativa “a” está correta.
Alternativa “b”: Na mesma linha, dispõe o artigo 436 que se a Rota anuir ao contrato, sujeitar-
se-á às condições e normas nele impostas. Assim, terá que efetuar o transporte ao preço
previamente ajustado pelas partes contratantes, estando correta a alternativa “b”.
Alternativa “c”: Conforme já visto, não somente a Rota poderá exigir o cumprimento da
obrigação, como também a AC que estipulou em favor dela. A alternativa “c”, portanto, está
incorreta e deverá ser assinalada.
Alternativa “d”: O CC dispõe que:
Art. 438. O estipulante pode reservar-se o direito de substituir o terceiro designado no contrato,
independentemente da sua anuência e da do outro contratante.
Parágrafo único. A substituição pode ser feita por ato entre vivos ou por disposição de última
vontade.
Consoante expressa disposição legal, portanto, o estipulante, no caso a AC pode reserva-se o
direito de substituir o terceiro, ou seja, a Rota, independente da anuência da Rota e da Mac.
Portanto, a alternativa “d” está correta.

4) Diante de chuva forte e inesperada, Márcio constatou a inundação parcial da residência de


sua vizinha Bianca, fato este que o levou a contratar serviços de chaveiro, bombeamento d’água
e vigilância, de modo a evitar maiores prejuízos materiais até a chegada de Bianca.
Utilizando-se do quadro fático fornecido pelo enunciado, assinale a afirmativa correta.
A) A falta de autorização expressa de Bianca a Márcio para a prática dos atos de preservação
dos bens autoriza aquela a exigir reparação civil deste.
B) Bianca não estará obrigada a adimplir os serviços contratados por Márcio, cabendo a este a
quitação dos contratados.
C) Se Márcio se fizer substituir por terceiro até a chegada de Bianca, promoverá a cessação de
sua responsabilidade transferindo-a ao terceiro substituto.
D) Os atos de solidariedade e espontaneidade de Márcio na proteção dos bens de Bianca são
capazes de gerar a responsabilidade desta em reembolsar as despesas necessárias efetivadas,
acrescidas de juros legais.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

GABARITO

LETRA D
A questão traz situação que o CC classifica como gestão de negócios. Vejamos:
Art. 861. Aquele que, sem autorização do interessado, intervém na gestão de negócio alheio,
dirigi-lo-á segundo o interesse e a vontade presumível de seu dono, ficando responsável a este
e às pessoas com que tratar.
Diante da definição acima, passaremos a analisar as alternativas:
Alternativa “a”: Está incorreta, pois Márcio atuou no interesse de Bianca, preservando seus
bens, não havendo que se falar em indenização em favor de Bianca. Será Márcio quem terá o
direito de ser reembolsado das despesas para manutenção dos bens de Bianca. Vejamos:
Art. 869. Se o negócio for utilmente administrado, cumprirá ao dono as obrigações contraídas
em seu nome, reembolsando ao gestor as despesas necessárias ou úteis que houver feito, com
os juros legais, desde o desembolso, respondendo ainda pelos prejuízos que este houver sofrido
por causa da gestão.
Alternativa “b”: Valendo-se da redação do art. 869, do CC acima transcrito, conclui-se que a
alternativa “b” está incorreta, pois Bianca terá que adimplir as obrigações contraídas pelo gestor
em seu nome.
Alternativa “c”: De acordo com o CC:
Art. 867. Se o gestor se fizer substituir por outrem, responderá pelas faltas do substituto, ainda
que seja pessoa idônea, sem prejuízo da ação que a ele, ou ao dono do negócio, contra ela possa
caber.
Parágrafo único. Havendo mais de um gestor, solidária será a sua responsabilidade.
A alternativa está incorreta, pois segundo o artigo acima transcrito, o gestor que se faz substituir
por outrem, responde pelas faltas do substituto.
Alternativa “d”: É a correta, de acordo com o artigo 869, do CC que estabelece a obrigação de
Bianca indenizar Márcio, com juros legais, se o negócio for utilmente administrado.

5) Tiago celebrou com Ronaldo contrato de compra e venda de dez máquinas de costura
importadas da China. Restou acordado que o pagamento se daria em trinta e seis prestações
mensais e consecutivas com reajuste a cada doze meses conforme taxa Selic, a ser efetuado no
domicílio do credor. O contrato estabeleceu, ainda, a incidência de juros moratórios, no importe
de 2% (dois por cento) do valor da parcela em atraso, e cláusula penal, fixada em 10% (dez por
cento) do valor do contrato, em caso de inadimplência. Após o pagamento de nove parcelas,
Tiago foi surpreendido com a notificação extrajudicial enviada por Ronaldo, em que se
comunicava um reajuste de 30% (trinta por cento) sobre o valor da última parcela paga sob o
argumento de que ocorreu elevada desvalorização no câmbio. Tiago não concordou com o
reajuste e ao tentar efetuar o pagamento da décima parcela com base no valor inicialmente
ajustado teve o pagamento recusado por Ronaldo.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Considerando o caso acima e as regras previstas no Código Civil, assinale a afirmativa correta.
A) Caso Tiago consigne o valor da décima parcela por meio de depósito judicial, poderá levantá-
lo enquanto Ronaldo não informar o aceite ou não o impugnar, desde que pague todas as
despesas.
B) Na hipótese de Tiago consignar judicialmente duas máquinas de costura com a finalidade de
afastar a incidência dos encargos moratórios e da cláusula penal, este depósito será apto a
liberá-lo da obrigação assumida.
C) O depósito consignatório realizado por Tiago em seu domicílio terá o poder liberatório do
vínculo obrigacional, isentando-o do pagamento dos juros moratórios e da cláusula penal.
D) Tiago poderá depositar o valor referente à décima parcela sob o fundamento de injusta
recusa, porém não poderá discutir, no âmbito da ação consignatória, a abusividade ou
ilegalidade das cláusulas contratuais.

GABARITO

LETRA A
A questão trata do pagamento em consignação, previsto no Código Civil nos artigos 334 a 345.
Alternativa “a”: De acordo com o CC, temos que:
Art. 338. Enquanto o credor não declarar que aceita o depósito, ou não o impugnar, poderá o
devedor requerer o levantamento, pagando as respectivas despesas, e subsistindo a obrigação
para todas as conseqüências de direito.
Portanto, a alternativa “a” está correta, já que reflete exatamente o teor do art. 338.
Alternativa “b”: O CC dispõe que:
Art. 336. Para que a consignação tenha força de pagamento, será mister concorram, em relação
às pessoas, ao objeto, modo e tempo, todos os requisitos sem os quais não é válido o
pagamento.
Isso quer dizer que o devedor precisa consignar o pagamento da forma como pactuado no
contrato. No caso da questão, o pagamento deve ser feito em dinheiro, não sendo possível
consignar duas máquinas de costura em lugar do dinheiro. Daí porque a alternativa “b” está
incorreta.
Alternativa “c”: O mesmo pode ser dito em relação ao disposto na alternativa “b”. Ora, o lugar
do pagamento ficou convencionado em contrato como sendo o domicílio do credor. Assim, não
pode Tiago, devedor, efetuar o depósito em seu domicílio, visando liberar-se da obrigação. O
CC, ademais, dispõe que:
Art. 337. O depósito requerer-se-á no lugar do pagamento, cessando, tanto que se efetue, para
o depositante, os juros da dívida e os riscos, salvo se for julgado improcedente.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Portanto, a alternativa “c” está incorreta.


Alternativa “d”: O STJ entende cabível a cumulação da ação de consignação em pagamento com
a revisional de cláusulas contratuais, de forma que é possível a Tiago discutir, na mesma
demanda, a abusividade ou ilegalidade das cláusulas contratuais.
Por essa razão a alternativa “d” está incorreta.

#4 Direito de Família

1) Roberto e Marcela, divorciados, são pais de João. Quando João completou dezoito anos,
Roberto, que se encontrava desempregado, de imediato parou de pagar a pensão alimentícia,
sem prévia autorização judicial.
Com base na situação descrita, assinale a afirmativa correta.
A) Por estar desempregado, Roberto não é mais obrigado a pagar a pensão alimentícia ao filho
maior de idade; logo, o pagamento da pensão pode ser interrompido sem autorização judicial.
B) O implemento da maioridade de João, por si só, faz com que não seja mais necessário o
pagamento da pensão alimentícia, independentemente da situação econômica do provedor.
C) O ordenamento jurídico tutela o alimentante de boa-fé; logo, a interrupção do pagamento se
dará com o mero fato da maioridade.
D) O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão
judicial, mediante contraditório.

GABARITO

LETRA D
Súmula 358 do STJ:
“O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão
judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos.”
A) Por estar desempregado, Roberto não é mais obrigado a pagar a pensão alimentícia ao filho
maior de idade; logo, o pagamento da pensão pode ser interrompido sem autorização judicial.
Ainda que Roberto esteja desempregado, é obrigado a continuar pagando a pensão alimentícia,
pois o cancelamento de pensão de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial,
mediante contraditório.
Incorreta letra “A”.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

B) O implemento da maioridade de João, por si só, faz com que não seja mais necessário o
pagamento da pensão alimentícia, independentemente da situação econômica do provedor.
O implemento da maioridade de João, não faz, por si só, com que não seja mais necessário o
pagamento da pensão alimentícia.
Incorreta letra “B”.
C) O ordenamento jurídico tutela o alimentante de boa-fé; logo, a interrupção do pagamento se
dará com o mero fato da maioridade.
O ordenamento jurídico é claro ao dizer que o cancelamento de pensão de filho que atingiu a
maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório.
Incorreta letra “C”.
D) O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão
judicial, mediante contraditório.
O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão
judicial, mediante contraditório.
Correta letra “D”. Gabarito da questão.

2) Júlio, casado com Isabela durante 23 anos, com quem teve 3 filhos, durante audiência
realizada em ação de divórcio cumulada com partilha de bens proposta por Isabela, reconhece,
perante o Juízo de Família, um filho havido de relacionamento extraconjugal. Posteriormente,
arrependido, Júlio deseja revogar tal reconhecimento.
Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta.
A) O reconhecimento de filho só é válido se for realizado por escritura pública ou testamento.
B) O reconhecimento de filho realizado por Júlio perante o Juízo de Família é ato irrevogável.
C) O reconhecimento de filho em Juízo só tem validade em ação própria com essa finalidade.
D) Júlio só poderia revogar o ato se este tivesse sido realizado por testamento.

GABARITO

LETRA B
Analisando as alternativas:
Código Civil:
Art. 1.609. O reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento é irrevogável e será feito:
I - no registro do nascimento;

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

II - por escritura pública ou escrito particular, a ser arquivado em cartório;


III - por testamento, ainda que incidentalmente manifestado;
IV - por manifestação direta e expressa perante o juiz, ainda que o reconhecimento não haja
sido o objeto único e principal do ato que o contém.
A) O reconhecimento de filho só é válido se for realizado por escritura pública ou testamento.
O reconhecimento de filho é válido se feito por manifestação direta e expressa perante o juiz.
Incorreta letra “A".
B) O reconhecimento de filho realizado por Júlio perante o Juízo de Família é ato irrevogável.
O reconhecimento de filho é ato irrevogável.
Correta letra “B". Gabarito da questão.
C) O reconhecimento de filho em Juízo só tem validade em ação própria com essa finalidade.
O reconhecimento de filho por manifestação direta e expressa perante o juiz é válido e
irrevogável, ainda que o reconhecimento não haja sido o objeto único e principal do ato que o
contém.
Incorreta letra “C".
D) Júlio só poderia revogar o ato se este tivesse sido realizado por testamento.
O ato de reconhecimento de filho é irrevogável.
Incorreta letra “D".

3) Roberto e Ana casaram-se, em 2005, pelo regime da comunhão parcial de bens. Em 2008,
Roberto ganhou na loteria e, com os recursos auferidos, adquiriu um imóvel no Recreio dos
Bandeirantes. Em 2014, Roberto foi agraciado com uma casa em Santa Teresa, fruto da herança
de sua tia. Em 2015, Roberto e Ana se separaram.
Tendo em vista o regime de bens do casamento, assinale a afirmativa correta.
A) Os imóveis situados no Recreio dos Bandeirantes e em Santa Teresa são bens comuns e, por
isso, deverão ser partilhados em virtude da separação do casal.
B) Apenas o imóvel situado no Recreio dos Bandeirantes deve ser partilhado, sendo o imóvel
situado em Santa Teresa bem particular de Roberto.
C) Apenas o imóvel situado em Santa Teresa deve ser partilhado, sendo o imóvel situado no
Recreio dos Bandeirantes excluído da comunhão, por ter sido adquirido com o produto de bem
advindo de fato eventual.
D) Nenhum dos dois imóveis deverá ser partilhado, tendo em vista que ambos são bens
particulares de Roberto.

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GABARITO

LETRA B
Código Civil:
Art. 1.659. Excluem-se da comunhão:
I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do
casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar;
II - os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-
rogação dos bens particulares;
Quando o cônjuge casado em comunhão parcial recebe bem em doação ou por sucessão
(legítima ou testamentária), não se verifica a comunicação do bem.
Os bens que substituem os bens particulares em sub-rogação, também se excluem da
comunhão, se adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges.
Ao ganhar na loteria e adquirir um imóvel, esse imóvel é incluído na comunhão, uma vez que a
aquisição de bem particular, ocorreu de forma independente dos valores provenientes de outro
bem anterior. Não houve sub-rogação de bens para aquisição do imóvel no Recreio dos
Bandeirantes.
A) Os imóveis situados no Recreio dos Bandeirantes e em Santa Teresa são bens comuns e, por
isso, deverão ser partilhados em virtude da separação do casal.
O imóvel em Santa Teresa é bem particular de Roberto, não devendo ser partilhado, portanto,
excluído da comunhão.
Incorreta letra “A".
B) Apenas o imóvel situado no Recreio dos Bandeirantes deve ser partilhado, sendo o imóvel
situado em Santa Teresa bem particular de Roberto.
O imóvel situado no Recreio dos Bandeirantes deve ser partilhado, pois é bem comum. Já o
imóvel situado em Santa Tereza é bem particular de Roberto, portanto não deve ser partilhado.
Correta letra “B". Gabarito da questão.
C) Apenas o imóvel situado em Santa Teresa deve ser partilhado, sendo o imóvel situado no
Recreio dos Bandeirantes excluído da comunhão, por ter sido adquirido com o produto de bem
advindo de fato eventual.
O imóvel situado em Santa Tereza não deve ser partilhado uma vez que foi recebido em razão
de sucessão, sendo bem particular, portanto, excluído da comunhão.
Apenas o imóvel situado no Recreio dos Bandeirantes que deverá ser partilhado, pois incluído
na comunhão.
Incorreta letra “C".

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

D) Nenhum dos dois imóveis deverá ser partilhado, tendo em vista que ambos são bens
particulares de Roberto.
Apenas o imóvel situado no Recreio dos Bandeirantes é que deverá ser partilhado, pois incluído
na comunhão.
Incorreta letra “D".

4) Fabiana e Mauro são casados pelo regime da separação convencional de bens e possuem dois
filhos: Amanda e Pedro, de 19 e 16 anos, respectivamente. Mauro é filho de José, que se
encontra com 65 anos. Mauro sofreu um acidente automobilístico e, em razão da violência do
acidente, está em estado de coma, impossibilitado de exercer os atos da vida civil, razão pela
qual sua interdição tornou-se necessária.
Diante dos fatos narrados, assinale a afirmativa correta.
A) Fabiana, em razão do regime de bens que rege o casamento, não poderá ser nomeada
curadora de Mauro.
B) Como Mauro possui ascendente vivo e capaz, este será nomeado seu curador, na forma da
lei.
C) A filha de Mauro, por ser maior e capaz, será nomeada sua curadora, na forma da lei.
D) Fabiana será nomeada curadora de Mauro, na forma da lei.

GABARITO

LETRA D
A) Fabiana, em razão do regime de bens que rege o casamento, não poderá ser nomeada
curadora de Mauro.
Código Civil:
Art. 1.775. O cônjuge ou companheiro, não separado judicialmente ou de fato, é, de direito,
curador do outro, quando interdito.
A lei não especifica o regime de bens em questão de curadoria, apenas dispõe que o cônjuge ou
companheiro, não separado judicialmente ou de fato, é, de direito, curador do outro, quando
interdito.
Incorreta letra “A".
B) Como Mauro possui ascendente vivo e capaz, este será nomeado seu curador, na forma da
lei.
Código Civil:

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Art. 1.775. O cônjuge ou companheiro, não separado judicialmente ou de fato, é, de direito,


curador do outro, quando interdito.
§1o Na falta do cônjuge ou companheiro, é curador legítimo o pai ou a mãe; na falta destes, o
descendente que se demonstrar mais apto.
Apenas na falta do cônjuge ou companheiro que o curador legítimo será o ascendente (pai ou a
mãe).
Incorreta letra “B".
C) A filha de Mauro, por ser maior e capaz, será nomeada sua curadora, na forma da lei.
Código Civil:
Art. 1.775. O cônjuge ou companheiro, não separado judicialmente ou de fato, é, de direito,
curador do outro, quando interdito.
§1o Na falta do cônjuge ou companheiro, é curador legítimo o pai ou a mãe; na falta destes, o
descendente que se demonstrar mais apto.
§ 2o Entre os descendentes, os mais próximos precedem aos mais remotos.
O cônjuge ou companheiro, não separado judicialmente ou de fato, é o legítimo curador do
outro, quando interdito.
Se não for o cônjuge, o curador legítimo será o ascendente (pai ou a mãe), e, somente na falta
do cônjuge e do ascendente, que será o descendente mais próximo.
A filha só seria nomeada curadora se nem o cônjuge nem o ascendente pudessem ser curadores.
Incorreta letra “C".
D) Fabiana será nomeada curadora de Mauro, na forma da lei.
Código Civil:
Art. 1.775. O cônjuge ou companheiro, não separado judicialmente ou de fato, é, de direito,
curador do outro, quando interdito.
Fabiana, que é cônjuge de Mauro, será nomeada curadora dele, na forma da lei.
Correta letra “D". Gabarito da questão.

5) Maria, solteira, após a morte de seus pais em acidente automobilístico, propõe demanda por
alimentos em face de Pedro, seu parente colateral de segundo grau.
Diante dos fatos narrados e considerando as normas de Direito Civil, assinale a opção correta.
A) Como Pedro é parente colateral de Maria, não tem obrigação de prestar alimentos a esta,
ainda que haja necessidade por parte dela.

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B) Pedro só será obrigado a prestar alimentos caso Maria não possua ascendentes nem
descendentes, ou, se os possuir, estes não tiverem condições de prestá-los ou complementá-
los.
C) A obrigação de prestar alimentos é solidária entre ascendentes, descendentes e colaterais,
em havendo necessidade do alimentando e possibilidade do alimentante.
D) Pedro não tem obrigação de prestar alimentos, pois não é irmão de Maria.

GABARITO

LETRA B
Maria é parente colateral de segundo grau de Pedro: Maria é irmã de Pedro.
Código Civil:
Art. 1.697. Na falta dos ascendentes cabe a obrigação aos descendentes, guardada a ordem de
sucessão e, faltando estes, aos irmãos, assim germanos como unilaterais.
Art. 1.698. Se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em condições de
suportar totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os de grau imediato; sendo várias
as pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção dos respectivos
recursos, e, intentada ação contra uma delas, poderão as demais ser chamadas a integrar a lide
Letra “A" - Como Pedro é parente colateral de Maria, não tem obrigação de prestar alimentos a
esta, ainda que haja necessidade por parte dela.
Pedro é irmão de Maria. Como esta não possui ascendentes nem descendentes, cabe ao irmão
essa prestação.
Incorreta letra “A".
Letra “B" - Pedro só será obrigado a prestar alimentos caso Maria não possua ascendentes nem
descendentes, ou, se os possuir, estes não tiverem condições de prestá-los ou complementá-
los.
Como Pedro é irmão de Maria, e esta não possui ascendentes nem descendentes, cabe a Pedro
a prestação de alimentos. Se Maria possuir descendentes mas estes não tiverem condições de
prestá-los ou complementá-los, são chamados a concorrer os de grau imediato, ou seja, no caso,
colateral de segundo grau, Pedro, irmão de Maria.
Correta letra “B". Gabarito da questão.
Letra “C" - A obrigação de prestar alimentos é solidária entre ascendentes, descendentes e
colaterais, em havendo necessidade do alimentando e possibilidade do alimentante.
A obrigação de prestar alimentos não é solidária entre ascendentes, descendentes e colaterais.
A solidariedade não se presume (Art. 265 do Código Civil), assim, a obrigação alimentar não é
solidária.

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A obrigação de prestar alimentos segue a ordem estabelecida em lei. Os ascendentes


primeiramente, na falta deles, os descendentes, sem qualquer limitação de graus, e na linha
colateral somente no segundo grau, ou seja, os irmãos.
A obrigação alimentar tem um caráter subsidiário e proporcional ao devedor, uma vez que se
condiciona às possibilidades de cada um dos alimentantes.
Incorreta letra “C".
Letra “D" - Pedro não tem obrigação de prestar alimentos, pois não é irmão de Maria.
Pedro é irmão de Maria. Colaterais em segundo grau são irmãos.
Pedro tem a obrigação de prestar alimentos a Maria pois ela não tem ascendentes nem
descendentes, de forma que o encargo é do colateral de segundo grau (irmãos).
Incorreta letra “D".

#5 Direito das Obrigações

1) Donato, psiquiatra de renome, era dono de uma extensa e variada biblioteca, com obras de
sua área profissional, importadas e raras. Com sua morte, seus três filhos, Hugo, José e Luiz
resolvem alienar a biblioteca à Universidade do Estado, localizada na mesma cidade em que o
falecido residia. Como Hugo vivia no exterior e José em outro estado, ambos incumbiram Luiz
de fazer a entrega no prazo avençado. Luiz, porém, mais preocupado com seus próprios
negócios, esqueceu-se de entregar a biblioteca à Universidade, que, diante da mora, notificou
José para exigir-lhe o cumprimento integral em 48 horas, sob pena de resolução do contrato em
perdas e danos.
Nesse contexto, assinale a afirmativa correta
A) José deve entregar a biblioteca no prazo designado pela Universidade, se quiser evitar a
resolução do contrato em perdas e danos.
B) Não tendo sido ajustada solidariedade, José não está obrigado a entregar todos os livros,
respondendo, apenas pela sua cota parte.
C) Como Luiz foi incumbido da entrega, a Universidade não poderia ter notificado José, mas
deveria ter interpelado Luiz.
D) Tratando-se de três devedores, a Universidade não poderia exigir de um só o pagamento;
logo, deveria ter notificado simultaneamente os três irmãos.

GABARITO

LETRA A

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Letra “A” - José deve entregar a biblioteca no prazo designado pela Universidade, se quiser evitar
a resolução do contrato em perdas e danos.
Código Civil:
Art. 475. A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir
exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos.
Se o devedor não entregar o bem, o contrato se extingue e se resolve em perdas e danos.
Assim, se José quiser evitar a resolução do contrato em perdas e danos, deverá entregar a
biblioteca no prazo designado.
Correta letra “A”. Gabarito da questão.
Letra “B” - Não tendo sido ajustada solidariedade, José não está obrigado a entregar todos os
livros, respondendo, apenas, pela sua cota parte.
Código Civil:
Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes.
Art. 258. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não
suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a razão
determinante do negócio jurídico.
Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será
obrigado pela dívida toda.
A obrigação não é solidária, pois essa decorre da lei ou da vontade das partes. Porém, a
obrigação é indivisível (objeto é a biblioteca), e assim, qualquer um dos devedores está obrigado
pela dívida toda. Ou seja, qualquer um dos devedores tem a obrigação de entregar o todo, para
o credor.
Incorreta letra “B”.
Letra “C” - Como Luiz foi incumbido da entrega, a Universidade não poderia ter notificado José,
mas deveria ter interpelado Luiz.
Código Civil:
Art. 258. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não
suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a razão
determinante do negócio jurídico.
Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será
obrigado pela dívida toda.
A biblioteca objeto da prestação é objeto indivisível e em assim sendo, cada devedor é obrigado
pela dívida toda, de forma que a Universidade poderia ter notificado qualquer um dos
devedores.
Incorreta letra “C”.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Letra “D” - Tratando-se de três devedores, a Universidade não poderia exigir de um só o


pagamento; logo, deveria ter notificado simultaneamente os três irmãos
Código Civil:
Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será
obrigado pela dívida toda.
A obrigação é indivisível de tal forma que a Universidade pode exigir de um só o pagamento. O
credor pode exigir de qualquer um dos devedores o cumprimento total da obrigação.
Incorreta letra "D".

2) A peça Liberdade, do famoso escultor Lúcio, foi vendida para a Galeria da Vinci pela
importância de R$ 100.000,00 (cem mil reais). Ele se comprometeu a entregar a obra dez dias
após o recebimento da quantia estabelecida, que foi paga à vista.
A galeria organizou, então, uma grande exposição, na qual a principal atração seria a escultura
Liberdade. No dia ajustado, quando dirigia seu carro para fazer a entrega, Lúcio avançou o sinal,
colidiu com outro veículo, e a obra foi completamente destruída. O anúncio pela galeria de que
a peça não seria mais exposta fez com que diversas pessoas exercessem o direito de restituição
dos valores pagos a título de ingresso.
Sobre os fatos narrados, assinale a afirmativa correta.
A) Lúcio deverá entregar outra obra de seu acervo à escolha da Galeria da Vinci, em substituição
à escultura Liberdade.
B) A Galeria da Vinci poderá cobrar de Lúcio o equivalente pecuniário da escultura Liberdade
mais o prejuízo decorrente da devolução do valor dos ingressos relativos à exposição.
C) Por se tratar de obrigação de fazer infungível, a Galeria da Vinci não poderá mandar executar
a prestação às expensas de Lúcio, restando-lhe pleitear perdas e danos.
D) Com o pagamento do preço, transferiu-se a propriedade da escultura para a Galeria da Vinci,
razão pela qual ela deve suportar o prejuízo pela perda do bem.

GABARITO

LETRA B
Analisando a questão:
A) Lúcio deverá entregar outra obra de seu acervo à escolha da Galeria da Vinci, em substituição
à escultura Liberdade.
Código Civil:

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Art. 233. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados,
salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso.
Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da
tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes;
se a perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e
danos.
Na obrigação de dar coisa certa, se a coisa se perder, por culpa do devedor (Lúcio avançou o
sinal), responderá este pelo equivalente, mais perdas e danos.
Incorreta letra “A".
B) A Galeria da Vinci poderá cobrar de Lúcio o equivalente pecuniário da escultura Liberdade
mais o prejuízo decorrente da devolução do valor dos ingressos relativos à exposição.
Código Civil:
Art. 233. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados,
salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso.
Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da
tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes;
se a perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e
danos.
A Galeria da Vinci poderá cobrar de Lúcio o equivalente pecuniário da escultura Liberdade mais
o prejuízo decorrente da devolução do valor dos ingressos relativos à exposição, uma vez que o
objeto da obrigação de dar coisa certa se perdeu, por culpa de Lúcio.
Correta letra “B". Gabarito da questão.
C) Por se tratar de obrigação de fazer infungível, a Galeria da Vinci não poderá mandar executar
a prestação às expensas de Lúcio, restando-lhe pleitear perdas e danos.
Código Civil:
Art. 233. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados,
salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso.
Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da
tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes;
se a perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e
danos.
Trata-se de uma obrigação de dar coisa certa (escultura Liberdade) e não de fazer infungível
(Lúcio não iria confeccionar, fazer, criar a escultura Liberdade).
A Galeria da Vinci poderá cobrar de Lúcio pelo equivalente da escultura, mais perdas e danos.
Incorreta letra “C".
D) Com o pagamento do preço, transferiu-se a propriedade da escultura para a Galeria da Vinci,
razão pela qual ela deve suportar o prejuízo pela perda do bem.

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Código Civil:
Art. 237. Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus melhoramentos e acrescidos,
pelos quais poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir, poderá o devedor resolver
a obrigação.
Art. 1.267. A propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição.
Com o pagamento do preço do objeto da obrigação, não se transfere a propriedade, pois a
propriedade só é transferida com a tradição.
Uma vez que até a tradição (entrega) da coisa, ela pertence ao devedor, razão pela qual, o
devedor deverá suportar o prejuízo, acrescido de perdas e danos em favor da galeria (credora).
Incorreta letra “D".

3) Vitor e Paula celebram entre si, por escritura particular levada a registro em cartório de títulos
e documentos, contrato de mútuo por meio do qual Vitor toma emprestada de Paula a quantia
de R$ 10.000,00, obrigando-se a restituir o montante no prazo de três meses. Em garantia da
dívida, Vitor constitui em favor de Paula, por meio de instrumento particular, direito real de
penhor sobre uma joia de que é proprietário. Vencido o prazo estabelecido para o pagamento
da dívida, Vitor procura Paula e explica que não dispõe de dinheiro para quitar o débito. Propõe
então que, em vez da quantia devida, Paula receba, em pagamento da dívida, a propriedade da
coisa empenhada. Assinale a opção que indica a orientação correta a ser transmitida a Paula.
A) Para ter validade, o acordo sugerido por Vitor deve ser celebrado mediante escritura pública.
B) O acordo sugerido por Vitor não tem validade, uma vez que constitui espécie de pacto
proibido pela lei.
C) Para ter validade, o acordo sugerido deve ser homologado em juízo.
D) O acordo sugerido por Vitor é válido, uma vez que constitui espécie de pacto cuja licitude é
expressamente reconhecida pela lei.

GABARITO

LETRA D
Código Civil:
Art. 356. O credor pode consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida.
A dação em pagamento ocorre quando o credor consente em receber coisa diversa da que
constitui o objeto da prestação, para o pagamento da dívida.
A) Para ter validade, o acordo sugerido por Vitor deve ser celebrado mediante escritura pública.

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Para ter validade, o acordo sugerido por Vitor deve ter o consentimento de Paula. A escritura
pública é uma formalidade que a lei exige para determinados negócios jurídicos, mas não para
esse.
Incorreta letra “A".
B) O acordo sugerido por Vitor não tem validade, uma vez que constitui espécie de pacto
proibido pela lei.
O acordo sugerido por Vitor tem validade, uma vez que constitui dação em pagamento, previsto
expressamente em lei.
Incorreta letra “B".
C) Para ter validade, o acordo sugerido deve ser homologado em juízo.
Para ter validade, o acordo sugerido deve ter anuência expressa da outra parte.
Incorreta letra “C".
D) O acordo sugerido por Vitor é válido, uma vez que constitui espécie de pacto cuja licitude é
expressamente reconhecida pela lei.
O acordo sugerido por Vitor é válido, uma vez que constitui dação em pagamento, cuja licitude
é expressamente reconhecida pela lei.
Correta letra “D". Gabarito da questão.

4) Renato é proprietário de um imóvel e o coloca à venda, atraindo o interesse de Mário. Depois


de algumas visitas ao imóvel e conversas sobre o seu valor, Renato e Mário, acompanhados de
corretor, realizam negócio por preço certo, que deveria ser pago em três parcelas: a primeira,
paga naquele ato a título de sinal e princípio de pagamento, mediante recibo que dava o negócio
por concluído de forma irretratável; a segunda deveria ser paga em até trinta dias, contra a
exibição das certidões negativas do vendedor; a terceira seria paga na data da lavratura da
escritura definitiva, em até noventa dias a contar do fechamento do negócio.
Antes do pagamento da segunda parcela, Mário celebra, com terceiros, contratos de promessa
de locação do imóvel por temporada, recebendo a metade de cada aluguel antecipadamente.
Renato, ao tomar conhecimento de que Mário havia celebrado as promessas de locação por
temporada, percebeu que o imóvel possuía esse potencial de exploração. Em virtude disso,
Renato arrependeu-se do negócio e, antes do vencimento da segunda parcela do preço,
notificou o comprador e o corretor, dando o negócio por desfeito. Com base na hipótese
formulada, assinale a afirmativa correta.
A) O vendedor perde o sinal pago para o comprador, porém nada mais lhe pode ser exigido, não
sendo devida a comissão do corretor, já que o negócio foi desfeito antes de aperfeiçoar-se.
B) O vendedor perde o sinal pago para o comprador, porém nada mais lhe pode ser exigido pelo
comprador. Contudo, é devida a comissão do corretor, não obstante o desfazimento do negócio
antes de aperfeiçoar-se.

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C) O vendedor perde o sinal pago e o comprador pode exigir uma indenização pelos prejuízos a
que a desistência deu causa, se o seu valor superar o do sinal dado, não sendo devida a comissão
do corretor, já que o negócio foi desfeito antes de aperfeiçoar-se.
D) O vendedor perde o sinal pago e o comprador pode exigir uma indenização pelos prejuízos a
que a desistência deu causa, se o seu valor superar o do sinal dado, sendo devida a comissão do
corretor, não obstante o desfazimento do negócio antes de aperfeiçoar-se.

GABARITO

LETRA D
Código Civil:
Art. 418. Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito,
retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o contrato
por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização monetária segundo
índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado.
Art. 419. A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior prejuízo,
valendo as arras como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente exigir a execução do
contrato, com as perdas e danos, valendo as arras como o mínimo da indenização.
Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato,
de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obriga-se a obter para a
segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas
A) O vendedor perde o sinal pago para o comprador, porém nada mais lhe pode ser exigido, não
sendo devida a comissão do corretor, já que o negócio foi desfeito antes de aperfeiçoar-se.
O vendedor recebeu a primeira parcela, também em forma de arras. Porém, como foi quem
desfez o negócio, causando a inexecução do contrato, deverá devolver por inteiro o que
recebeu, mais o equivalente, com atualização monetária, juros e honorários de advogado.
A comissão do corretor é devida, pois obteve o negócio conforme as instruções recebidas.
Incorreta letra “A".
B) O vendedor perde o sinal pago para o comprador, porém nada mais lhe pode ser exigido pelo
comprador. Contudo, é devida a comissão do corretor, não obstante o desfazimento do negócio
antes de aperfeiçoar-se.
O vendedor devolve em dobro o sinal pago para o comprador, e o comprador pode exigir
indenização suplementar do vendedor, se provar que o prejuízo foi maior, valendo as arras como
taxa mínima.
É devida a comissão do corretor, pois o corretor obteve o negócio conforme as instruções
recebidas.
Incorreta letra “B".

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C) O vendedor perde o sinal pago e o comprador pode exigir uma indenização pelos prejuízos a
que a desistência deu causa, se o seu valor superar o do sinal dado, não sendo devida a comissão
do corretor, já que o negócio foi desfeito antes de aperfeiçoar-se.
O vendedor perde o sinal pago, devolvendo em dobro, e o comprador pode exigir uma
indenização pelos prejuízos a que a desistência deu causa, se provar que o prejuízo foi maior
que o sinal dado.
É devida a comissão do corretor, não obstante o desfazimento do negócio antes de aperfeiçoar-
se, uma vez que o corretor obteve o negócio.
Incorreta letra “C".
D) O vendedor perde o sinal pago e o comprador pode exigir uma indenização pelos prejuízos a
que a desistência deu causa, se o seu valor superar o do sinal dado, sendo devida a comissão do
corretor, não obstante o desfazimento do negócio antes de aperfeiçoar-se.
O vendedor perde o sinal pago, mais o equivalente e o comprador pode exigir indenização
suplementar se provar maior prejuízo.
É devida a comissão do corretor, não obstante o desfazimento do negócio antes de aperfeiçoar-
se, uma vez que o corretor obteve o negócio.
Correta letra “D". Gabarito da questão.

5) Gilvan (devedor) contrai empréstimo com Haroldo (credor) para o pagamento com juros do
valor do mútuo no montante de R$ 10.000,00. Para facilitar a percepção do crédito, a parte do
polo ativo obrigacional ainda facultou, no instrumento contratual firmado, o pagamento do
montante no termo avençado ou a entrega do único cavalo da raça manga larga marchador da
fazenda, conforme escolha a ser feita pelo devedor.
Ante os fatos narrados, assinale a afirmativa correta.
A) Trata-se de obrigação alternativa.
B) Cuida-se de obrigação de solidariedade em que ambas as prestações são infungíveis.
C) Acaso o animal morra antes da concentração, extingue-se a obrigação.
D) O contrato é eivado de nulidade, eis que a escolha da prestação cabe ao credor.

GABARITO

LETRA A
Letra “A" - Trata-se de obrigação alternativa.
Nas obrigações alternativas existem duas coisas na obrigação e apenas uma na solução.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Foi facultado ao devedor o pagamento do montante no termo avençado ou a entrega do único


cavalo da raça manga larga marchador, conforme escolha a ser feita pelo devedor.
Assim dispõe o Código Civil:
Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou.
Ou seja, o devedor poderia escolher entre pagar o montante ou entregar o único cavalo, de
forma que configurada obrigação alternativa.
Correta letra “A". Gabarito da questão.
Letra “B" - Cuida-se de obrigação de solidariedade em que ambas as prestações são infungíveis.
A solidariedade decorre da lei ou da vontade das partes. Na obrigação solidária há pluralidade
de credores e/ou devedores.
A prestação é infungível quando não pode ser substituída por outra da mesma espécie,
qualidade e quantidade. A prestação é única e individual.
O cavalo manga larga marchador é infungível, uma vez que não pode ser substituído, porém, o
dinheiro é fungível, pois pode ser substituído por outro da mesma espécie, qualidade e
quantidade.
Incorreta letra “B".
Letra “C" - Acaso o animal morra antes da concentração, extingue-se a obrigação.
Código Civil:
Art. 253. Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada
inexeqüível, subsistirá o débito quanto à outra.
Nas obrigações alternativas, em razão da essencial pluralidade de objetos, a perda ou
impossibilidade de um não afetará a relação obrigacional, subsistindo esta quanto ao outro. Se
forem dois objetos, a obrigação se tornará comum, em relação ao outro, não se podendo falar
em possibilidade de substituição do objeto perdido.
Assim, se o animal (cavalo manga larga marchador) morrer antes da concentração (escolha da
obrigação alternativa a ser cumprida), subsistirá a obrigação de pagar o montante no termo
avençado.
Incorreta letra “C".
Letra “D" - O contrato é eivado de nulidade, eis que a escolha da prestação cabe ao credor.
Código Civil:
Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou.
Nas obrigações alternativas, se outra coisa não se estipulou, a escolha cabe ao devedor.
Para que a escolha da prestação a ser cumprida nas obrigações alternativas caiba ao credor, é
necessária prévia estipulação.
Incorreta letra “D".

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

ESTATUTODACRIANÇAEDOADOLESCENTE

#1 Família Substituta / Adoção


1) Isabela e Matheus pretendem ingressar com ação judicial própria a fim de adotar a criança
P., hoje com 4 anos, que está sob guarda de fato do casal desde quando tinha 1 ano de idade.
Os pais biológicos do infante são conhecidos e não se opõem à referida adoção, até porque as
famílias mantêm convívio em datas festivas, uma vez que Isabela e Matheus consideram
importante que P. conheça sua matriz biológica e mantenha convivência com os membros de
sua família originária.
Partindo das diretrizes impostas pelo ECA e sua interpretação à luz da norma civilista aplicáveis
à situação narrada, assinale a afirmativa correta.
A) Durante o processo de adoção, Isabela, que reside fora do país, pode, mediante procuração,
constituir Matheus como seu mandatário com poderes especiais para representar sua esposa e
ajuizar a ação como adoção conjunta.
B) Dispensável a oitiva dos pais biológicos em audiência, desde que eles manifestem
concordância com o pedido de adoção por escritura pública ou declaração de anuência com
firma reconhecida.
C) Concluído o processo de adoção com observância aos critérios de regularidade e legalidade,
caso ocorra o evento da morte de Isabela e Matheus antes de P. atingir a maioridade civil, ainda
assim não se reestabelecerá o poder familiar dos pais biológicos.
D) A adoção é medida excepcional, que decorre de incompatibilidade de os pais biológicos
cumprirem os deveres inerentes ao poder familiar, motivo pelo qual, mesmo os pais de P. sendo
conhecidos, a oitiva deles no curso do processo é mera faculdade e pode ser dispensada.

GABARITO

LETRA C
a) Durante o processo de adoção, Isabela, que reside fora do país, pode, mediante procuração,
constituir Matheus como seu mandatário com poderes especiais para representar sua esposa e
ajuizar a ação como adoção conjunta. (Art. 39, § 2o É vedada a adoção por procuração.)
b) Dispensável a oitiva dos pais biológicos em audiência, desde que eles manifestem
concordância com o pedido de adoção por escritura pública ou declaração de anuência com
firma reconhecida. (Art. 161, § 4o É obrigatória a oitiva dos pais sempre que esses forem
identificados e estiverem em local conhecido.)
CORRETA: c) Concluído o processo de adoção com observância aos critérios de regularidade e
legalidade, caso ocorra o evento da morte de Isabela e Matheus antes de P. atingir a maioridade
civil, ainda assim não se reestabelecerá o poder familiar dos pais biológicos. (Art. 49. A morte
dos adotantes não restabelece o poder familiar dos pais naturais.)

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d) A adoção é medida excepcional, que decorre de incompatibilidade de os pais biológicos


cumprirem os deveres inerentes ao poder familiar, motivo pelo qual, mesmo os pais de P. sendo
conhecidos, a oitiva deles no curso do processo é mera faculdade e pode ser dispensada. (Art.
161, § 4o É obrigatória a oitiva dos pais sempre que esses forem identificados e estiverem em
local conhecido.)

2) A Declaração Universal dos Direitos da Criança reconhece como necessária ao


desenvolvimento completo e harmonioso das crianças e dos adolescentes a necessidade de
cuidados e um ambiente de afeto e de segurança moral e material, o que prioritariamente deve
ocorrer na companhia e sob a responsabilidade dos pais. Mas, em circunstâncias excepcionais,
a criança ou o adolescente podem ser confiados às chamadas famílias substitutas.
A respeito da colocação de criança ou adolescente em família substituta, segundo os termos do
Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale a afirmativa correta.
A) O ECA disciplina procedimento específico para a colocação em família substituta de criança
ou adolescente indígena, que requer, obrigatoriamente, a intervenção e oitiva de
representantes de órgão federal responsável pela política indígena e de antropólogos.
B) A criança ou adolescente será prévia e necessariamente ouvida pela equipe interprofissional
no curso do processo, dispensando-se o consentimento da criança ou adolescente, que será
substituído pelo parecer da equipe.
C) A colocação da criança ou adolescente em família substituta, por ser de caráter provisório e
precário, exime o guardião ou o tutor dos deveres de companhia e guarda, que poderão ser
transferidos a terceiros.
D) A guarda e a tutela são as únicas modalidades de colocação da criança ou adolescente em
família substituta, que pode ser nacional ou estrangeira, sendo a adoção medida de colocação
em família definitiva, não em família substituta.

GABARITO

LETRA A
a) O ECA disciplina procedimento específico para a colocação em família substituta de criança
ou adolescente indígena, que requer, obrigatoriamente, a intervenção e oitiva de
representantes de órgão federal responsável pela política indígena e de antropólogos. CERTA
Art. 28. § 6o Em se tratando de criança ou adolescente indígena ou proveniente de comunidade
remanescente de quilombo, é ainda obrigatório:
III - a intervenção e oitiva de representantes do órgão federal responsável pela política
indigenista, no caso de crianças e adolescentes indígenas, e de antropólogos, perante a equipe
interprofissional ou multidisciplinar que irá acompanhar o caso.

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b) A criança ou adolescente será prévia e necessariamente ouvida pela equipe interprofissional


no curso do processo, dispensando-se o consentimento da criança ou adolescente, que será
substituído pelo parecer da equipe. ERRADA
§ 1oSempre que possível, a criança ou o adolescente será previamente ouvido por equipe
interprofissional, respeitado seu estágio de desenvolvimento e grau de compreensão sobre as
implicações da medida, e terá sua opinião devidamente considerada.
§ 2o Tratando-se de maior de 12 (doze) anos de idade, será necessário seu consentimento,
colhido em audiência.
c) A colocação da criança ou adolescente em família substituta, por ser de caráter provisório e
precário, exime o guardião ou o tutor dos deveres de companhia e guarda, que poderão ser
transferidos a terceiros. ERRADA
Art. 30. A colocação em família substituta não admitirá transferência da criança ou adolescente
a terceiros ou a entidades governamentais ou não-governamentais, sem autorização judicial.
Art. 32. Ao assumir a guarda ou a tutela, o responsável prestará compromisso de bem e
fielmente desempenhar o encargo, mediante termo nos autos.
d) A guarda e a tutela são as únicas modalidades de colocação da criança ou adolescente em
família substituta, que pode ser nacional ou estrangeira, sendo a adoção medida de colocação
em família definitiva, não em família substituta. ERRADA
Art. 28. A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda, tutela ou adoção,
independentemente da situação jurídica da criança ou adolescente, nos termos desta Lei.
Art. 31. A colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcional, somente
admissível na modalidade de adoção.

3) Paulo, de 4 anos, é filho de Carla e não teve a sua paternidade reconhecida. Cláudio, avô de
Carla e bisavô de Paulo, muito preocupado com o futuro do bisneto, pretende adotá-lo, tendo
em vista que Carla ostenta uma situação financeira precária e, na opinião do avô, não é muito
responsável.
Acerca da possibilidade de adoção de Paulo por Cláudio, assinale a afirmativa correta.
A) Cláudio sendo bisavô de Paulo e membro de sua família extensa, terá prioridade na adoção
da criança, exigindo-se, contudo, que Carla, mãe de Paulo, autorize e que o adotando dê o seu
consentimento em juízo.
B) Cláudio, por ser bisavô de Paulo, não poderá adotá-lo, mesmo que Carla consinta, já que tal
medida excepcional não é permitida quando o adotante é ascendente ou irmão do adotando.
C) Como Cláudio só poderá adotar Paulo se Carla for destituída do poder familiar exercido em
favor da criança, a medida, dada a sua excepcionalidade, só se justificaria na hipótese de adoção
bilateral.
D) Claudio, por ser bisavô de Paulo, por um lado, tem prioridade na adoção da criança, mas, por
outro, só poderá adotá-lo se Carla, além de autorizar a medida, for destituída do poder familiar.

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GABARITO

LETRA B
Art. 42. Podem adotar os maiores de 18 anos, independentemente do estado civil.
§ 1º Não podem adotar os ascendentes e os irmãos do adotando.
a) FALSA. Não podem adotar os ascendentes e os irmãos do adotando. Além disso, somente se
o adotando for maior de 12 anos - no caso ele tem 4, é que o consentimento em juízo é exigido
(art. 45, §1º do ECA)
b) CORRETA. Art. 42, §1º do ECA.
c) FALSA. Poderá pleitear a tutela, mas não a adoção. Nos termos do artigo citado, os
ascendentes não podem adotar os descendentes, nem mesmo nos casos em que ocorrer a
destituição do poder familiar.
d) FALSA. A pegadinha da opção é que a família extensa (parentes próximos de convivência e
afetividade) é que possuem preferência a adoção mesmo estando fora do cadastro. Mas reitera-
se não podem adotar os ascendentes e os irmãos do adotando.

4) Acerca da colocação da criança ou do adolescente em família substituta na modalidade


adoção, assinale a afirmativa correta.
A) A adoção extingue os vínculos pretéritos entre o adotado e a família anterior, porém,
excepcionalmente, no caso de falecimento dos adotantes, o poder familiar dos pais naturais
poderá ser restabelecido, se atender ao melhor interesse do menor.
B) A adoção produz os seus efeitos a partir do trânsito em julgado da sentença declaratória do
estado de filiação, porém, se o adotante vier a falecer no curso do procedimento os efeitos
retroagirão à data do óbito.
C) A adoção depende do consentimento do adotando, se maior de 12 anos de idade, e dos pais
do adotando ou do representante legal deste ou do guardião legal ou de fato, na falta dos
primeiros.
D) A adoção produz os seus efeitos a partir do trânsito em julgado da sentença constitutiva,
porém, se o adotante vier a falecer após inequívoca manifestação de vontade no curso do
procedimento, os efeitos retroagirão à data do óbito.

GABARITO

LETRA D
a) A adoção extingue os vínculos pretéritos entre o adotado e a família anterior, porém,
excepcionalmente, no caso de falecimento dos adotantes, o poder familiar dos pais naturais

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poderá ser restabelecido, se atender ao melhor interesse do menor. (ERRADA)


ECA, Art. 41. A adoção atribui a condição de filho ao adotado, com os mesmos direitos e deveres,
inclusive sucessórios, desligando-o de qualquer vínculo com pais e parentes, salvo os
impedimentos matrimoniais.

ECA, Art. 49. A morte dos adotantes não restabelece o poder familiar dos pais naturais.

b) A adoção produz os seus efeitos a partir do trânsito em julgado da sentença declaratória do


estado de filiação, porém, se o adotante vier a falecer no curso do procedimento os efeitos
retroagirão à data do óbito.(ERRADA)
ECA, Art. 47, § 7o A adoção produz seus efeitos a partir do trânsito em julgado da sentença
constitutiva, exceto na hipótese prevista no § 6o do art. 42 desta Lei, caso em que terá força
retroativa à data do óbito.

ECA, Art. 42, § 6o A adoção poderá ser deferida ao adotante que, após inequívoca manifestação
de vontade, vier a falecer no curso do procedimento, antes de prolatada a sentença.

c) A adoção depende do consentimento do adotando, se maior de 12 anos de idade, e dos pais


do adotando ou do representante legal deste ou do guardião legal ou de fato, na falta dos
primeiros. (ERRADA)
ECA, Art. 45. A adoção depende do consentimento dos pais ou do representante legal do
adotando.

ECA, Art. 28, § 2o Tratando-se de maior de 12 (doze) anos de idade, será necessário seu
consentimento, colhido em audiência.

d) A adoção produz os seus efeitos a partir do trânsito em julgado da sentença constitutiva,


porém, se o adotante vier a falecer após inequívoca manifestação de vontade no curso do
procedimento, os efeitos retroagirão à data do óbito. (CORRETA)
ECA, Art. 47, § 7o A adoção produz seus efeitos a partir do trânsito em julgado da sentença
constitutiva, exceto na hipótese prevista no § 6o do art. 42 desta Lei, caso em que terá força
retroativa à data do óbito.

ECA, Art. 42, § 6o A adoção poderá ser deferida ao adotante que, após inequívoca manifestação
de vontade, vier a falecer no curso do procedimento, antes de prolatada a sentença.

5) Acerca do estágio de convivência precedente a adoção, assinale a afirmativa correta.


A) O período do estágio de convivência será fixado pela autoridade judiciária, sendo dispensado
na hipótese de o adotando encontrar-se sob a tutela, a guarda legal ou de fato do adotante
durante tempo suficiente para a avaliação da conveniência da constituição do vínculo.
B) A finalidade do estágio de convivência é permitir a avaliação da conveniência da constituição
do vínculo familiar entre adotante e adotado, razão pela qual pode ser dispensado se,
cumulativamente, o adotando já encontrar-se sob a tutela, guarda legal ou de fato do adotante
e, em audiência, consentir com a adoção.

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C) O período do estágio de convivência será fixado pela autoridade judiciária, em observância


as peculiaridades do caso, não podendo este ser inferior a 60 dias para os casos de adoção
internacional e de 30 dias para adoção nacional, salvo a hipótese de convivência prévia em
decorrência de tutela, guarda legal ou de fato.
D) O período do estágio de convivência prévio a adoção internacional deverá ser cumprido no
Brasil e terá prazo mínimo 30 dias, ao passo que para a adoção nacional inexiste prazo mínimo,
podendo, inclusive, ser dispensado na hipótese de prévia convivência familiar em decorrência
da guarda legal ou da tutela.

GABARITO

LETRA D
Inicialmente, é importante destacar que o consentimento da mãe de Caio é imprescindível para
a adoção, conforme artigo 45 da Lei 8.069/90 (ECA):
Art. 45. A adoção depende do consentimento dos pais ou do representante legal do adotando.
§ 1º. O consentimento será dispensado em relação à criança ou adolescente cujos pais sejam
desconhecidos ou tenham sido destituídos do poder familiar. (Expressão substituída pela Lei nº
12.010, de 2009) Vigência
§ 2º. Em se tratando de adotando maior de doze anos de idade, será também necessário o seu
consentimento.
Como o consentimento de Isabel é imprescindível, a alternativa a está incorreta, já que afirma
que seu consentimento é irrelevante.
A alternativa b também está incorreta porque não dá relevância para a manifestação de vontade
da mãe, Isabel.
Finalmente, a alternativa c está incorreta porque preconiza que o casal de artistas terá
prioridade na adoção, em detrimento de casais brasileiros previamente inscritos nos cadastros
de interessados à adoção,
Feitos esses esclarecimento, temos que a alternativa D é a correta, nos termos do artigo 51 da
Lei 8.069/90, devendo ser dada prioridade para casais brasileiros cadastrados como
interessados na adoção na sua respectiva comarca, no seu respectivo Estado ou no território
brasileiro. Somente após esgotadas todas as possibilidades de colocação de Caio em família
substituta brasileira é que poderá ser deferida a adoção internacional em favor do famoso casal
de artistas residente e domiciliado nos Estados Unidos:
Art. 51. Considera-se adoção internacional aquela na qual a pessoa ou casal postulante é
residente ou domiciliado fora do Brasil, conforme previsto no Artigo 2 da Convenção de Haia,
de 29 de maio de 1993, Relativa à Proteção das Crianças e à Cooperação em Matéria de Adoção
Internacional, aprovada pelo Decreto Legislativo no 1, de 14 de janeiro de 1999, e promulgada
pelo Decreto no 3.087, de 21 de junho de 1999. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009)
Vigência

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§ 1o A adoção internacional de criança ou adolescente brasileiro ou domiciliado no Brasil


somente terá lugar quando restar comprovado: (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009)
Vigência
I - que a colocação em família substituta é a solução adequada ao caso concreto; (Incluído pela
Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
II - que foram esgotadas todas as possibilidades de colocação da criança ou adolescente em
família substituta brasileira, após consulta aos cadastros mencionados no art. 50 desta Lei;
(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
III - que, em se tratando de adoção de adolescente, este foi consultado, por meios adequados
ao seu estágio de desenvolvimento, e que se encontra preparado para a medida, mediante
parecer elaborado por equipe interprofissional, observado o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 28
desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 2o Os brasileiros residentes no exterior terão preferência aos estrangeiros, nos casos de
adoção internacional de criança ou adolescente brasileiro. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de
2009) Vigência
§ 3o A adoção internacional pressupõe a intervenção das Autoridades Centrais Estaduais e
Federal em matéria de adoção internacional. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de
2009)Vigência
Além disso, conforme artigo 46 da Lei 8.069/90, o famoso casal de artistas estrangeiros terá que
passar por estágio de convivência com Caio, pelo prazo que a autoridade judiciária fixar, sendo
que, por se tratar de adoção internacional, ele será cumprido no território nacional, pelo prazo
mínimo de 30 (trinta) dias, nos termos do §3º do dispositivo legal em comento:Art. 46. A adoção
será precedida de estágio de convivência com a criança ou adolescente, pelo prazo que a
autoridade judiciária fixar, observadas as peculiaridades do caso.
§ 1o O estágio de convivência poderá ser dispensado se o adotando já estiver sob a tutela ou
guarda legal do adotante durante tempo suficiente para que seja possível avaliar a conveniência
da constituição do vínculo. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 2o A simples guarda de fato não autoriza, por si só, a dispensa da realização do estágio de
convivência. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 3o Em caso de adoção por pessoa ou casal residente ou domiciliado fora do País, o estágio de
convivência, cumprido no território nacional, será de, no mínimo, 30 (trinta) dias. (Incluído pela
Lei nº 12.010, de 2009) Vigência

#2 Procedimentos

1) No que se refere aos procedimentos afetos à Justiça da Infância e da Juventude, inclusive os


relativos à execução das medidas socioeducativas, assinale a afirmativa correta.

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A) Será adotado o sistema recursal do Código de Processo Civil.


B) Em todos os recursos, salvo nos embargos de declaração, o prazo para o Ministério Público e
para a defesa será sempre de 30 (trinta) dias.
C) É exigido o preparo para a interposição dos recursos.
D) Os recursos não terão preferência de julgamento, nem dispensarão revisor.

GABARITO

LETRA A
a) CORRETA. Art. 198. Nos procedimentos afetos à Justiça da Infância e da Juventude, inclusive
os relativos à execução das medidas socioeducativas, adotar-se-á o sistema recursal da Lei
no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil),
b) ERRADA. Art. 198, II - em todos os recursos, salvo nos embargos de declaração, o prazo para
o Ministério Público e para a defesa será sempre de 10 (dez) dias;
c) ERRADA. Art. 198, I - os recursos serão interpostos independentemente de preparo;
d) ERRADA. Art. 198, III - os recursos terão preferência de julgamento e dispensarão revisor;

2) O adolescente F, 16 anos, filho de Pedro, foi surpreendido por seu pai enquanto falava pela
internet com Fábio, 30 anos, que o induzia à prática de ato tipificado como infração penal. Pedro
informou imediatamente o ocorrido à autoridade policial, que instaurou a persecução penal
cabível.
No caso narrado, ao induzir o adolescente F à prática de ato tipificado como infração penal, a
conduta de Fábio
A) configura crime nos termos do ECA, ainda que realizada por meio eletrônico e que não venha
a ser provada a corrupção do adolescente, por se tratar de delito formal.
B) não configura crime nos termos do ECA, pois a mera indução sem a prática do ato pelo
adolescente configura infração administrativa, já que se trata de delito material.
C) configura infração penal, tipificada na Lei de Contravenções Penais, mas a materialidade do
crime com a prova da corrupção do adolescente é imprescindível à condenação do réu em
observância ao princípio do favor rei.
D) não configura crime nos termos estabelecidos pelo ECA, posto que inexiste tipificação se o
ato for praticado por meio eletrônico, não havendo de se aplicar analogia em malam partem

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GABARITO

LETRA A
Analisando a questão:
A conduta de Fábio configura infração penal prevista no artigo 244-B, "caput" c/c §1º, do
Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8069/90):
Art. 244-B. Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele
praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
§ 1oIncorre nas penas previstas no caput deste artigo quem pratica as condutas ali tipificadas
utilizando-se de quaisquer meios eletrônicos, inclusive salas de bate-papo da internet. (Incluído
pela Lei nº 12.015, de 2009)
§ 2o As penas previstas no caput deste artigo são aumentadas de um terço no caso de a infração
cometida ou induzida estar incluída no rol do art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990.
(Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Fábio poderá ser condenado ainda que não fique provada a corrupção do adolescente, por se
tratar de crime formal. Nesse sentido, o enunciado de Súmula 500 do STJ: "A configuração do
crime do art. 244-B do ECA independe da prova da efetiva corrupção do menor, por se tratar de
delito formal".

3) O Hotel Botanic recebeu o casal de namorados Júlia e Matheus como hóspedes durante um
feriado prolongado. Júlia tem 15 anos de idade e Matheus 18 anos, motivo pelo qual a
adolescente foi admitida no estabelecimento, por estar acompanhada de uma pessoa maior de
idade.
Com base no caso apresentado, a partir do que dispõe o Estatuto da Criança e do Adolescente,
assinale a opção correta.
A) Trata-se de infração penal, motivo pelo qual, sem prejuízo da pena de multa aplicada ao
estabelecimento, o funcionário responsável pela admissão da adolescente está sujeito à
responsabilidade criminal pessoal.
B) Trata-se de prática cotidiana sem implicações administrativas ou criminais previstas na norma
especial, uma vez que a adolescente estava acompanhada de pessoa maior de idade que se
torna responsável por ela.
C) Trata-se de infração administrativa, sujeitando-se à aplicação de pena de multa, a
hospedagem de adolescente desacompanhado dos pais, responsáveis, ou sem autorização
escrita desses ou da autoridade judiciária.
D) Trata-se de infração administrativa e penal, sujeitando-se o estabelecimento, por
determinação da autoridade judiciária, a imediato fechamento por até quinze dias.

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GABARITO

LETRA C
A resposta para a questão está nos artigos 82 e 250 da Lei 8069/90 (ECA):
Art. 82. É proibida a hospedagem de criança ou adolescente em hotel, motel, pensão ou
estabelecimento congênere, salvo se autorizado ou acompanhado pelos pais ou responsável.
Art. 250. Hospedar criança ou adolescente desacompanhado dos pais ou responsável, ou sem
autorização escrita desses ou da autoridade judiciária, em hotel, pensão, motel ou congênere:
(Redação dada pela Lei nº 12.038, de 2009)
Pena – multa. (Redação dada pela Lei nº 12.038, de 2009).
§ 1º Em caso de reincidência, sem prejuízo da pena de multa, a autoridade judiciária poderá
determinar o fechamento do estabelecimento por até 15 (quinze) dias. (Incluído pela Lei nº
12.038, de 2009).
§ 2º Se comprovada a reincidência em período inferior a 30 (trinta) dias, o estabelecimento será
definitivamente fechado e terá sua licença cassada. (Incluído pela Lei nº 12.038, de 2009).
A alternativa correta é a letra c. A conduta descrita na questão consiste em infração
administrativa (e não penal) prevista no artigo 250 do ECA, sujeitando o infrator a multa, e, em
caso de reincidência, multa e fechamento do estabelecimento por até 15 dias. Em caso de
comprovada reincidência por período inferior a 30 dias, o estabelecimento será definitivamente
fechado e terá sua licença cassada.

4) Um conselheiro tutelar, ao passar por um parquinho, observa Ana corrigindo o filho, João,
por ele não permitir que os amigos brinquem com o seu patinete. Para tanto, a genitora grita,
puxa o cabelo e dá beliscões no infante, na presença das outras crianças e mães, que assistem a
tudo assustadas.
Assinale a opção que indica o procedimento correto do Conselheiro Tutelar.
A) Requisitar a Polícia Militar para conduzir Ana à Delegacia de Polícia e, após a atuação policial,
dar o caso por encerrado.
B) Não intervir, já que Ana está exercendo o seu poder de correção, decorrência do atributo do
poder familiar.
C) Intervir imediatamente, orientando Ana para que não corrija o filho dessa forma, e analisar
se não seria recomendável a aplicação de uma das medidas previstas no ECA.
D) Apenas colher elementos para ingressar em Juízo com uma representação administrativa por
descumprimento dos deveres inerentes ao poder familiar.

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GABARITO

LETRA C
Art. 18-B. Os pais, os integrantes da família ampliada, os responsáveis, os agentes públicos
executores de medidas socioeducativas ou qualquer pessoa encarregada de cuidar de crianças
e de adolescentes, tratá-los, educá-los ou protegê-los que utilizarem castigo físico ou
tratamento cruel ou degradante como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer
outro pretexto estarão sujeitos, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, às seguintes medidas,
que serão aplicadas de acordo com a gravidade do caso:
I - encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família;
II - encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico;
III - encaminhamento a cursos ou programas de orientação;
IV - obrigação de encaminhar a criança a tratamento especializado;
V - advertência.
Parágrafo único. As medidas previstas neste artigo serão aplicadas pelo Conselho Tutelar, sem
prejuízo de outras providências legais.

5) João e Joana são pais de Mila, 9 anos, e de Letícia, 8 anos. João mudou-se para Maringá depois
do divórcio, e levou sua filha mais nova para morar com ele. Nas férias escolares, Letícia quer ir
ao Rio de Janeiro visitar sua mãe, enquanto Mila deseja passar seus dias livres com seu pai em
Maringá.
Avalie as situações apresentadas a seguir e, de acordo com o Estatuto da Criança e do
Adolescente, assinale a afirmativa correta.
A) Letícia poderá viajar sem autorização judicial se a sua prima, Olívia, que tem 19 anos, aceitar
acompanhá-la. Mila poderá viajar sem autorização, se a sua avó, Filomena, a acompanhar.
B) Se houver prévia e expressa autorização dos pais ou responsáveis, Letícia e Mila ficam
dispensadas da autorização judicial e poderão viajar desacompanhadas dentro do território
nacional.
C) Letícia poderá viajar desacompanhada dos pais por todo território nacional se houver
autorização judicial, que poderá ser concedida pelo prazo de dois anos. Mila não precisará de
autorização judicial para ir a Maringá se seu tio José aceitar acompanhá-la.
D) Mila poderia aproveitar a ida de sua vizinha Maria, de 23 anos, para acompanhá-la, desde
que devidamente autorizada por seus pais, enquanto Letícia não precisaria de autorização
judicial se seu padrinho, Ricardo, primo do seu pai, a acompanhasse.

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GABARITO

LETRA C
O artigo 83 ECA determina expressamente que a criança não pode viajar para fora da comarca
onde reside, desacompanhada dos pais ou responsável, sem expressa autorização judicial.
Entretanto, prevê que a autorização judicial não será exigida em duas hipóteses:
a) tratar-se de comarca contígua à da residência da criança, se na mesma unidade da Federação,
ou incluída na mesma região metropolitana;
b) a criança estiver acompanhada de ascendente ou colateral maior, até o terceiro grau,
comprovado documentalmente o parentesco ou de pessoa maior, expressamente autorizada
pelo pai, mãe ou responsável. O parágrafo 2º do referido artigo determina que a autorização
judicial poderá ser concedida com validade de 2 anos. Deste modo:
a) Falsa. A prima de Letícia, embora seja maior, é sua parente colateral de 4˚ grau, razão pela
qual deveria estar expressamente autorizada pelo pai ou pela mãe de Letícia. No caso de Mila,
por estar acompanhada pela vó (ascendente) não precisaria de autorização judicial, desde que
o parentesco estivesse documentalmente
comprovado.
b) Falsa. Se não estiverem acompanhadas dos pais, as crianças só podem viajar para fora da
comarca na qual residem mediante autorização judicial, e não apenas mediante prévia e
expressa autorização dos pais.
c) Correta. Havendo autorização judicial, Letícia poderá viajar desacompanhada para fora da
comarca onde reside. Esta autorização judicial pode ser concedida com validade de 2 anos.
Quanto a Mila, realmente não precisará de autorização judicial para ir a Maringá se seu tio José
aceitar acompanha-la, pois o tio é parente colateral de 3˚ grau, desde que ele seja maior e o
parentesco esteja comprovado documentalmente.
d) Falsa. Mila realmente poderia viajar desacompanhada de seus pais e sem autorização judicial
se fosse acompanhada por sua vizinha, pessoa maior, estando devidamente autorizada por seus
pais. Já Letícia continuaria precisando de autorização judicial para viajar, ainda que estivesse
acompanhada de seu padrinho, vez que ele não é parente de Letícia. Se o padrinho fosse maior
e estivesse expressamente pelo pai ou pela mãe de Letícia seria possível viajar sem a autorização
judicial.

#3 Medidas Socioeducativas

1) O adolescente X cometeu ato infracional equiparado a crime de roubo, mediante grave


ameaça à pessoa. Apreendido com a observância dos estreitos e regulares critérios normativos
estabelecidos pelo sistema jurídico, apurou-se que o jovem havia cometido um ato infracional
anterior equiparável ao crime de apropriação indébita.

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Com base na hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta.


A) É incabível a aplicação de medida de internação, o que é autorizado apenas em caso de
reiteração no cometimento de outras faltas anteriores ou simultâneas, igualmente graves.
B) É aplicável apenas a medida de regime de semiliberdade em razão da prática de ato
infracional mediante grave ameaça à pessoa.
C) É aplicável a medida de internação em razão da prática de ato infracional mediante grave
ameaça à pessoa, mesmo não sendo hipótese de reiteração da conduta idêntica por parte do
adolescente.
D) É incabível a aplicação de medida de internação, haja vista que essa somente poderia se dar
em caso de descumprimento reiterado de injustificável medida imposta em momento anterior
ao adolescente.

GABARITO

LETRA C
O conceito de ato infracional está previsto no artigo 103 do ECA (Lei 8.069/90)
As hipóteses de cabimento da medida socioeducativa de internação estão previstas no artigo
122 do ECA (Lei 8.069/90):
Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando:
I - tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa;
II - por reiteração no cometimento de outras infrações graves;
III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta.
§ 1o O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo não poderá ser superior a 3
(três) meses, devendo ser decretada judicialmente após o devido processo legal. (Redação dada
pela Lei nº 12.594, de 2012)(Vide)
§ 2º. Em nenhuma hipótese será aplicada a internação, havendo outra medida adequada.
Feitos esses esclarecimentos, analisaremos abaixo cada uma das alternativas.
A alternativa A está INCORRETA, pois, nos termos do artigo 122, inciso I, do ECA (Lei 8.069/90)
(acima transcrito), é cabível a medida de internação ao adolescente X, tendo em vista que
praticou ato infracional análogo ao roubo (artigo 157 do CP - acima transcrito), já que nele há
emprego de ameaça ou violência à pessoa.
A alternativa B está INCORRETA, pois, conforme artigo 122, inciso I, do ECA (Lei 8.069/90) (acima
transcrito), é cabível a internação.

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A alternativa D está INCORRETA, pois, nos termos do artigo 122, inciso I, do ECA (Lei 8.069/90)
(acima transcrito), é cabível a medida de internação ao adolescente X, tendo em vista que
praticou ato infracional análogo ao roubo (artigo 157 do CP - acima transcrito), já que nele há
emprego de ameaça ou violência à pessoa.
A alternativa C está CORRETA, nos termos do artigo 122, inciso I, do ECA (Lei 8.069/90) (acima
transcrito).

2) O adolescente N. ficou conhecido no bairro onde mora por praticar roubos e furtos e ter a
suposta habilidade de nunca ter sido apreendido. Certa noite, N. saiu com o propósito de
praticar novos atos de subtração de coisa alheia. Diante da reação de uma vítima a quem
ameaçava, N. disparou sua arma de fogo, levando a vítima a óbito. N. não conseguiu fugir, sendo
apreendido por policiais que passavam pelo local, no momento em que praticava o ato
infracional.
Sobre o caso narrado, assinale a opção correta.
A) A medida de internação não terá cabimento contra N., uma vez que somente poderá ser
aplicada em caso de reincidência no cometimento de infrações graves.
B) Mesmo estando privado de liberdade, N. poderá entrevistar-se pessoalmente com o
representante do Ministério Público, mas não terá direito a peticionar diretamente a este ou a
qualquer autoridade que seja.
C) A medida de internação de N. é cabível por se tratar de ato infracional praticado com ameaça
e violência contra pessoa, mesmo que não seja caso de reincidência.
D) Caso N. seja condenado por sentença ao cumprimento de medida de internação, e somente
nesse caso, tornam-se obrigatórias as intimações do seu defensor e dos pais ou responsáveis,
mesmo que o adolescente tenha sido intimado pessoalmente.

GABARITO

LETRA C
Alternativa A: incorreta. Conforme estabelece o artigo 122, inciso I, da Lei 8069/90 (ECA), a
medida de internação poderá ser aplicada quando se tratar de ato infracional cometido
mediante grave ameaça ou violência a pessoa, e não somente em caso de reincidência no
cometimento de infrações graves (inciso II). No caso descrito na questão, apesar de nunca ter
sido apreendido, N. praticou contra a vítima ato infracional análogo ao latrocínio, ou seja, ato
infracional mediante violência a pessoa, tanto que acarretou seu óbito. Logo, a ele pode ser
aplicada a medida de internação.
Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando:
I - tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa;
II - por reiteração no cometimento de outras infrações graves;

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III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta.


§ 1o O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo não poderá ser superior a 3
(três) meses, devendo ser decretada judicialmente após o devido processo legal. HYPERLINK
"http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12594.htm" \l "art86"
(Redação dada pela Lei nº 12.594, de 2012)
§ 2º. Em nenhuma hipótese será aplicada a internação, havendo outra medida adequada.
Alternativa B: incorreta. Nos termos do artigo 124, incisos I e II, o adolescente privado de
liberdade tem tanto o direito de se entrevistar pessoalmente com o representante do Ministério
Público quanto o de peticionar diretamente a qualquer autoridade. "Ex vi":
Art. 124. São direitos do adolescente privado de liberdade, entre outros, os seguintes:
I - entrevistar-se pessoalmente com o representante do Ministério Público;
II - peticionar diretamente a qualquer autoridade;
Alternativa D: incorreta. De acordo com o artigo 190 da Lei 8.069/90, o defensor sempre será
intimado, qualquer que seja a medida aplicada. Ainda de acordo com o mencionado dispositivo
legal, só é obrigatória a intimação pessoal também do adolescente quando for aplicada medida
de internação ou regime de semi-liberdade, ou seja, aplicada outra medida diversa dessas, basta
que o defensor seja intimado. Por fim, os pais ou o responsável pelo adolescente só serão
intimados quando da aplicação da medida de internação ou de regime de semi-liberdade e
somente no caso de o adolescente não ser encontrado. "In verbis":
Art. 190. A intimação da sentença que aplicar medida de internação ou regime de semi-liberdade
será feita:
I - ao adolescente e ao seu defensor;
II - quando não for encontrado o adolescente, a seus pais ou responsável, sem prejuízo do
defensor.
§ 1º Sendo outra a medida aplicada, a intimação far-se-á unicamente na pessoa do defensor.
§ 2º Recaindo a intimação na pessoa do adolescente, deverá este manifestar se deseja ou não
recorrer da sentença.
A alternativa c é a correta. De acordo com o que prevê o artigo 122, inciso I, da Lei 8069/90
(ECA), a medida de internação poderá ser aplicada quando se tratar de ato infracional cometido
mediante grave ameaça ou violência a pessoa, e não somente em caso de reincidência no
cometimento de infrações graves (inciso II). No caso descrito na questão, apesar de nunca ter
sido apreendido, N. praticou contra a vítima ato infracional análogo ao latrocínio, ou seja, ato
infracional mediante violência a pessoa, tanto que acarretou seu óbito. Logo, a ele pode ser
aplicada a medida de internação.
Por fim, é importante destacar que, no contexto das medidas socioeducativas, tanto parte da
doutrina quanto da jurisprudência diferenciam reiteração e reincidência no cometimento de
outras infrações graves. Segundo Guilherme de Souza Nucci, há orientação jurisprudencial que
entende necessária a reiteração de, pelo menos, três atos infracionais graves. De acordo com o
autor, que não concorda com tal posicionamento, chega-se a tal conclusão pelo fato de o

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legislador não ter usado o termo reincidência, ao qual se permitiria a prática de apenas duas
infrações. "Com a devida vênia, este Estatuto fez o possível para evitar termos puramente
penais. Se não usou a palavra 'reincidência', foi justamente para fugir ao contexto criminal, aliás,
como usou 'ato infracional' e não 'delito' ou 'crime'. Reiterar é, singelamente, 'repetir'. E, para
repetir, basta uma vez, após já ter sido cometida a primeira. Logo, dois atos infracionais
constituem 'reiteração'."
O STF não faz distinção entre reincidência e reiteração, sendo suficiente a prática de pelo menos
uma infração anterior para se poder falar em reiteração. Nesse sentido:
EMENTA: PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE –
ECA. ATO INFRACIONAL EQUIPARADO A TRÁFICO DE ENTORPECENTES. MEDIDA SÓCIO-
EDUCATIVA DE INTERNAÇÃO. CARÁTER EXTREMO. ART. 122 DO ECA. ROL TAXATIVO. ATO
INFRACIONAL NÃO COMETIDO MEDIANTE GRAVE AMEAÇA OU VIOLÊNCIA A PESSOA.
GRAVIDADE DO ATO E GARANTIA DA INTEGRIDADE FÍSICA DO MENOR. FUNDAMENTOS NÃO
INDÔNIOS PARA A APLICAÇÃO DA MEDIDA DE INTERNAÇÃO. REITERAÇÃO NA PRÁTICA
DELITUOSA. FUNDAMENTO QUE AUTORIZA A INTERNAÇÃO (ART. 122, II, DO ECA). NÚMERO
MÍNIMO DE DELITOS ANTERIORMENTE COMETIDOS PARA CARACTERIZAÇÃO DA REINCIDÊNCIA.
AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. ORDEM INDEFERIDA. 1. A internação, dentre todas as medidas
sócio-educativas, constitui a mais severa, porquanto implica na privação da liberdade do menor.
2. O ECA reconhece o caráter extremo da medida, ao condicioná-la aos princípios da brevidade,
excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento (artigo 121) e
prever sua subsidiariedade, determinando que “Em nenhuma hipótese será aplicada a
internação, havendo outra medida adequada" (artigo 122, § 2º). 3. Deveras, em razão deste
caráter extremo, a internação justifica-se nas hipóteses taxativamente elencadas no artigo 122
da Lei n. 8.069/90 (Precedentes: HC n. 88.748/SP, 1ª Turma, Relator o Ministro Sepúlveda
Pertence, DJ de 29.9.06 e HC n. 89.326/SP, 2ª Turma, Relator o Ministro Eros Grau, DJ de
6.11.06), porquanto até mesmo a prisão de indivíduos penalmente imputáveis com respaldo na
gravidade em abstrato do crime é inadmissível (Precedentes: HC n. 96.618/SP, 2ª Turma, Relator
o Ministro Eros Grau, DJ de 24.6.10; HC n. 95.886/RJ, 2ª Turma, Relator o Ministro Celso de
Mello, DJ de 3.12.09; HC n. 92.299/SP, 1ª Turma, Relator o Ministro Marco Aurélio, DJ de
19.9.08; HC n. 86.142/PA, 1ª Turma, Relatora a Ministra Cármen Lúcia). 4. A internação do
paciente justifica-se em razão da reincidência no cometimento de ato infracional grave. A
aplicação da medida de internação na hipótese de reiteração na prática criminosa é
constitucional, tendo em vista a previsão expressa do inciso II do artigo 122 do ECA
(Precedentes: n. 99.175/DF, 1ª Turma, Relator o Ministro Marco Aurélio, DJ de 28.5.10 e HC n.
84.218/SP, 1ª Turma, Relator o Ministro Joaquim Barbosa, DJ de 18.4.08). 5. O inciso II do artigo
122 do ECA não prevê número mínimo de delitos anteriormente cometidos para fins de
caracterização da reiteração na prática criminosa (Precedente: HC n. 84.218/SP, 1ª Turma,
Relator o Ministro Joaquim Barbosa, DJ de 18.4.08). 6. In casu, o paciente cumpriu
anteriormente medida de internação pela prática de ato infracional equiparado a roubo
qualificado. 7.Ordem indeferida.
(HC 94447, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 12/04/2011, DJe-084 DIVULG
05-05-2011 PUBLIC 06-05-2011 EMENT VOL-02516-01 PP-00163
O STJ, contudo, tem insistido na prática de, pelo menos, duas condenações anteriores, com
trânsito em julgado. Nesse sentido:

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PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL.


UTILIZAÇÃO DO REMÉDIO CONSTITUCIONAL COMO SUCEDÂNEO DE RECURSO. NÃO
CONHECIMENTO DO WRIT. PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E DO SUPERIOR
TRIBUNAL DE JUSTIÇA. MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE INTERNAÇÃO DO MENOR. ART. 122 DO
ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (LEI 8.069/90). ATO INFRACIONAL EQUIPARADO AO
CRIME DE TRÁFICO DE DROGAS. NÃO OCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES DO ART. 122 DA LEI
8.069/90. SÚMULA 492/STJ. REITERAÇÃO INFRACIONAL OU DESCUMPRIMENTO REITERADO DE
MEDIDA ANTERIORMENTE IMPOSTA NÃO CONFIGURADOS.
PRECEDENTES DO STJ. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. HABEAS CORPUS NÃO
CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA, DE OFÍCIO.
I. Dispõe o art. 5º, LXVIII, da Constituição Federal que será concedido habeas corpus "sempre
que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de
locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder", não cabendo a sua utilização como substituto
de recurso ordinário, tampouco de recurso especial, nem como sucedâneo da revisão criminal.
II. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os HCs 109.956/PR (DJe de
11/09/2012) e 104.045/RJ (DJe de 06/09/2012), considerou inadequado o writ, para substituir
recursos especial e ordinário ou revisão criminal, reafirmando que o remédio constitucional não
pode ser utilizado, indistintamente, sob pena de banalizar o seu precípuo objetivo e desordenar
a lógica recursal.
III. O Superior Tribunal de Justiça também tem reforçado a necessidade de se cumprir as regras
do sistema recursal vigente, sob pena de torná-lo inócuo e desnecessário (art. 105, II, a, e III, da
CF/88), considerando o âmbito restrito do habeas corpus, previsto constitucionalmente, no que
diz respeito ao STJ, sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou
coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder, nas hipóteses do
art. 105, I, c, e II, a, da Carta Magna.
IV. Nada impede, contudo, que, na hipótese de habeas corpus substitutivo de recursos especial
e ordinário ou de revisão criminal - que não merece conhecimento -, seja concedido habeas
corpus, de ofício, em caso de flagrante ilegalidade, abuso de poder ou decisão teratológica.
V. Nos termos do art. 122 da Lei 8.069/90, a medida de internação só poderá ser aplicada
quando se tratar de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa, por
reiteração no cometimento de outras infrações graves ou por descumprimento reiterado e
injustificável de medida anteriormente imposta, hipóteses inocorrentes, in casu.
VI. Nos termos da Súmula 492/STJ, "o ato infracional análogo ao tráfico de drogas, por si só, não
conduz obrigatoriamente à imposição de medida socioeducativa de internação do adolescente".
VII. Consoante a jurisprudência do STJ, "para resultar em reiteração de infrações graves (inciso
II do art. 122 do ECA), são necessárias, no mínimo, duas outras sentenças desfavoráveis, com
trânsito em julgado" (STJ, HC 200.372/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA,
DJe de 29/06/2012), situação inocorrente, in casu.
VIII. Ostenta o paciente apenas uma condenação anterior, por ato infracional análogo ao delito
de roubo, na qual lhe foi aplicada a medida socioeducativa de liberdade assistida, cumulada com
prestação de serviços à comunidade, condenação que transitou em julgado em 03/09/2012,
configurando, assim, a reincidência. Nesse contexto, não há que se falar em reiteração no

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cometimento de infrações graves - por inexistente prova de, pelo menos, duas condenações
anteriores, com trânsito em julgado - ou de descumprimento reiterado e injustificável de medida
anteriormente imposta (art. 122, II e III, da Lei 8.069/90), uma vez noticiada apenas uma
condenação.
Portanto, não há demonstração concreta de qualquer das hipóteses, elencadas no rol do art.
122 da Lei 8.069/90. Precedentes do STJ.
IX. Habeas corpus não conhecido.
X. Ordem concedida, de ofício, para impor, ao paciente, medida socioeducativa de
semiliberdade, se por outro motivo não estiver cumprindo medida mais gravosa.
(HC 274.248/SP, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEXTA TURMA, julgado em 21/11/2013,
DJe 19/12/2013)
Fonte: NUCCI, Guilherme de Souza. Estatuto da Criança e do Adolescente Comentado. Rio de
Janeiro: Forense, 2014, pp. 423-427.

3) Com relação à internação, observado o que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente,


assinale a afirmativa correta.
A) Deve obedecer ao período determinado de um ano e meio, prorrogável por igual período,
para atos infracionais praticados com emprego de violência.
B) Deve obedecer ao período determinado de um ano, prorrogável por igual período, para atos
infracionais praticados sem emprego de violência.
C) Não comporta período determinado e não pode ultrapassar o máximo de três anos,
independente do emprego ou não de violência no ato infracional praticado.
D) Não pode ultrapassar o período máximo de três anos, quando o adolescente deverá ser
colocado em liberdade com o dever de reparar o dano no caso de ato infracional com reflexos
patrimoniais.

GABARITO

LETRA C
Art. 121. A internação constitui medida privativa da liberdade, sujeita aos princípios de
brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.
(...)
§ 2º A medida não comporta prazo determinado, devendo sua manutenção ser reavaliada,
mediante decisão fundamentada, no máximo a cada seis meses.
§ 3º Em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três anos.

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A - ERRADA. Art. 121, §2º, ECA. Deve obedecer ao período determinado de um ano e meio,
prorrogável por igual período, para atos infracionais praticados com emprego de violência.
B - ERRADA. Art. 121, §2º, ECA. Deve obedecer ao período determinado de um ano, prorrogável
por igual período, para atos infracionais praticados sem emprego de violência.
C - CORRETA. Art. 121, §3º, ECA. Não comporta período determinado e não pode ultrapassar o
máximo de três anos, independente do emprego ou não de violência no ato infracional
praticado.
D - ERRADA. Art. 121, §3º, ECA c/c art. 122, §2º, ECA. Não pode ultrapassar o período máximo
de três anos, quando o adolescente deverá ser colocado em liberdade com o dever de reparar
o dano no caso de ato infracional com reflexos patrimoniais.

4) Joana tem 16 anos e está internada no Educandário Celeste, na cidade de Pitió, por ato
infracional equiparado ao crime de tráfico de entorpecentes. O Estatuto da Criança e do
Adolescente regula situações dessa natureza, consignando direitos do adolescente privado de
liberdade. Diante das diposições aplicáveis ao caso de Joana, é correto afirmar que
A) Joana tem direito à visitação, que deve ser respeitado na frequência mínima semanal, e não
poderá ser suspenso sob pena de violação das garantias fundamentais do adolescente
internado.
B) é expressamente garantido o direito de Joana se corresponder com seus familiares e amigos,
mas é vedada a possibilidade de avistar-se reservadamente com seu defensor.
C) a autoridade judiciária poderá suspender temporariamente a visita, exceto de pais e
responsável, se existirem motivos sérios e fundados de sua prejudicialidade aos interesses do
adolescente.
D) as visitas dos pais de Joana poderão ser suspensas temporariamente, mas em tal situação
permanece o seu direito de continuar internada na mesma localidade ou naquela mais próxima
ao domicílio de seus pais

GABARITO

LETRA D
LETRA A) Joana tem direito à visitação, que deve ser respeitado na frequência mínima semanal,
e não poderá ser suspenso sob pena de violação das garantias fundamentais do adolescente
internado.
Errada: Segundo o § 2º do artigo 124, do Estatuto da Criança e do Adolescente:
“A autoridade judiciária poderá suspender temporariamente a visita, inclusive de pais ou
responsável, se existirem motivos sérios e fundados de sua prejudicialidade aos interesses do
adolescente.”

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LETRA B) é expressamente garantido o direito de Joana se corresponder com seus familiares e


amigos, mas é vedada a possibilidade de avistar-se reservadamente com seu defensor.
Errada: Avistar-se reservadamente com seu defensor também é direito de Joana. Vejamos:
Art. 124. São direitos do adolescente privado de liberdade, entre outros, os seguintes:
III - avistar-se reservadamente com seu defensor;
VIII - corresponder-se com seus familiares e amigos;
LETRA C) a autoridade judiciária poderá suspender temporariamente a visita, exceto de pais e
responsável, se existirem motivos sérios e fundados de sua prejudicialidade aos interesses do
adolescente.
Errada: Conforme visto acima (item “a”), inclusive a visita de pais e responsáveis pode ser
suspensa.
LETRA D) as visitas dos pais de Joana poderão ser suspensas temporariamente, mas em tal
situação permanece o seu direito de continuar internada na mesma localidade ou naquela mais
próxima ao domicílio de seus pais.
Correta: As visitas poderão ser suspensas temporariamente, mas permanecer internada na
mesma localidade ou naquela mais próxima ao domicílio dos pais é direito que não se altera,
conforme interpretação do artigo 124, do ECA.

5) Considerando os princípios norteadores do Estatuto da Criança e do Adolescente, a prática


de atos infracionais fica sujeita a medidas que têm objetivos socioeducativos. Nesse sentido, é
correto afirmar que
A) se Aroldo, que tem 11 anos, subtrair para si coisa alheia pertencente a uma creche, deverá
cumprir medida socioeducativa de prestação de serviços comunitários, por período não superior
a um ano.
B) a obrigação de reparar o dano causado pelo ato infracional não é considerada medida
socioeducativa, tendo em vista que o adolescente não pode ser responsabilizado civilmente.
C) o acolhimento institucional e a colocação em família substituta podem ser aplicados como
medidas protetivas ou socioeducativas, a depender das características dos atos infracionais
praticados.
D) a internação, como uma das medidas socioeducativas previstas pelo ECA, não poderá exceder
o período máximo de três anos, e a liberação será compulsória aos 21 anos de idade.

GABARITO

LETRA D

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A) ERRADA. Aroldo, por ter 11 anos, é considerado criança segundo o ECA. Até os 12 anos, é
criança. Dos 13 aos 18, é adolescente. As medidas socioeducativas só podem ser aplicadas aos
adolescentes.
"Art. 112. Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente poderá aplicar ao
adolescente as seguintes medidas:"
"Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade
incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade."
B) ERRADA. "Art. 112. Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente poderá
aplicar ao adolescente as seguintes medidas:
II - obrigação de reparar o dano;
C) ERRADA. O acolhimento institucional e a colocação em família substituta só podem ser
aplicados como medidas protetivas, e não como medidas socioeducativas.
"Art. 112. Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente poderá aplicar ao
adolescente as seguintes medidas:
VII - qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI."
"Art. 101. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98, a autoridade competente
poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas:
I - encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade;
II - orientação, apoio e acompanhamento temporários;
III - matrícula e freqüência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental;
IV - inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família, à criança e ao adolescente;
V - requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou
ambulatorial;
VI - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a
alcoólatras e toxicômanos;
VII - acolhimento institucional;
VIII - inclusão em programa de acolhimento familiar;
IX - colocação em família substituta.
D) CORRETA.
Art. 121. A internação constitui medida privativa da liberdade, sujeita aos princípios de
brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.
§ 3º Em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três anos.
§ 5º A liberação será compulsória aos vinte e um anos de idade.

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#4 Noções Introdutórias

1) Isabela e Matheus pretendem ingressar com ação judicial própria a fim de adotar a criança
P., hoje com 4 anos, que está sob guarda de fato do casal desde quando tinha 1 ano de idade.
Os pais biológicos do infante são conhecidos e não se opõem à referida adoção, até porque as
famílias mantêm convívio em datas festivas, uma vez que Isabela e Matheus consideram
importante que P. conheça sua matriz biológica e mantenha convivência com os membros de
sua família originária.

Partindo das diretrizes impostas pelo ECA e sua interpretação à luz da norma civilista aplicáveis
à situação narrada, assinale a afirmativa correta.

A) Durante o processo de adoção, Isabela, que reside fora do país, pode, mediante procuração,
constituir Matheus como seu mandatário com poderes especiais para representar sua esposa e
ajuizar a ação como adoção conjunta.

B) Dispensável a oitiva dos pais biológicos em audiência, desde que eles manifestem
concordância com o pedido de adoção por escritura pública ou declaração de anuência com
firma reconhecida.

C) Concluído o processo de adoção com observância aos critérios de regularidade e legalidade,


caso ocorra o evento da morte de Isabela e Matheus antes de P. atingir a maioridade civil, ainda
assim não se reestabelecerá o poder familiar dos pais biológicos.

D) A adoção é medida excepcional, que decorre de incompatibilidade de os pais biológicos


cumprirem os deveres inerentes ao poder familiar, motivo pelo qual, mesmo os pais de P. sendo
conhecidos, a oitiva deles no curso do processo é mera faculdade e pode ser dispensada.

GABARITO

LETRA C
A alternativa A está INCORRETA, pois, nos termos do artigo 39, §2º, da Lei 8069/90 (ECA), a
adoção não pode se dar por procuração:
Art. 39. A adoção de criança e de adolescente reger-se-á segundo o disposto nesta Lei.
§ 1o A adoção é medida excepcional e irrevogável, à qual se deve recorrer apenas quando
esgotados os recursos de manutenção da criança ou adolescente na família natural ou extensa,
na forma do parágrafo único do art. 25 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)
§ 2o É vedada a adoção por procuração. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)

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A alternativa B está INCORRETA, conforme §4º do artigo 166 da Lei 8069/90 (ECA), de acordo
com o qual o consentimento prestado por escrito não terá validade se não for ratificado em
audiência perante a autoridade judiciária e o Ministério Público:
Art. 166. Se os pais forem falecidos, tiverem sido destituídos ou suspensos do poder familiar, ou
houverem aderido expressamente ao pedido de colocação em família substituta, este poderá
ser formulado diretamente em cartório, em petição assinada pelos próprios requerentes,
dispensada a assistência de advogado. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009)
§ 1o Na hipótese de concordância dos pais, esses serão ouvidos pela autoridade judiciária e pelo
representante do Ministério Público, tomando-se por termo as declarações. (Incluído pela Lei
nº 12.010, de 2009)
§ 2o O consentimento dos titulares do poder familiar será precedido de orientações e
esclarecimentos prestados pela equipe interprofissional da Justiça da Infância e da Juventude,
em especial, no caso de adoção, sobre a irrevogabilidade da medida. (Incluído pela Lei nº 12.010,
de 2009)
§ 3o O consentimento dos titulares do poder familiar será colhido pela autoridade judiciária
competente em audiência, presente o Ministério Público, garantida a livre manifestação de
vontade e esgotados os esforços para manutenção da criança ou do adolescente na família
natural ou extensa. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)
§ 4o O consentimento prestado por escrito não terá validade se não for ratificado na audiência
a que se refere o § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)
§ 5o O consentimento é retratável até a data da publicação da sentença constitutiva da adoção.
(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)
§ 6o O consentimento somente terá valor se for dado após o nascimento da criança. (Incluído
pela Lei nº 12.010, de 2009)
§ 7o A família substituta receberá a devida orientação por intermédio de equipe técnica
interprofissional a serviço do Poder Judiciário, preferencialmente com apoio dos técnicos
responsáveis pela execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar.
(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)
A alternativa D está INCORRETA, conforme artigo 45 da Lei 8069/90 (ECA), de acordo com o qual
a adoção depende do consentimento dos pais ou do representante legal do adotando, sendo
dispensado apenas em relação à criança ou adolescente cujos pais sejam desconhecidos ou
tenham sido destituídos do poder familiar (§1º):
Art. 45. A adoção depende do consentimento dos pais ou do representante legal do adotando.
§ 1º. O consentimento será dispensado em relação à criança ou adolescente cujos pais sejam
desconhecidos ou tenham sido destituídos do poder familiar. (Expressão substituída pela Lei nº
12.010, de 2009)
§ 2º. Em se tratando de adotando maior de doze anos de idade, será também necessário o seu
consentimento.
Finalmente, a alternativa C está CORRETA, nos termos do artigo 49 da Lei 8069/90 (ECA):

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Art. 49. A morte dos adotantes não restabelece o poder familiar dos pais naturais. (Expressão
substituída pela Lei nº 12.010, de 2009)

2) O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que pessoas com até doze anos de idade
incompletos são consideradas crianças e aquelas entre doze e dezoito anos incompletos,
adolescentes. Estabelece, ainda, o Art. 2º, parágrafo único, que “Nos casos expressos em lei,
aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade”.
Partindo da análise do caráter etário descrito no enunciado, assinale a afirmativa correta.
A) O texto foi derrogado, não tendo qualquer aplicabilidade no aspecto penal, que considera a
maioridade penal aos dezoito anos, não podendo, portanto, ser aplicada qualquer medida
socioeducativa a pessoas entre dezoito e vinte e um anos incompletos, pois o critério utilizado
para a incidência é a idade na data do julgamento e não a idade na data do fato.
B) A proteção integral às crianças e adolescentes, primado do ECA, estendeu a proteção da
norma especial aos que ainda não tenham completado a maioridade civil, nisso havendo a
proteção especialmente destinada aos menores de vinte e um anos, nos âmbitos do Direito Civil
e do Direito Penal.
C) O texto destacado no parágrafo único desarmoniza-se da regra do Código Civil de 2002 que
estabelece que a maioridade civil dá-se aos dezoito anos; por esse motivo, a regra indicada no
enunciado não tem mais aplicabilidade no âmbito civil.
D) Ao menor emancipado não se aplicam os princípios e as normas previstas no ECA; por isso, o
estabelecido no texto transcrito, desde a entrada em vigor da norma especial em 1990, não era
aplicada aos menores emancipados, exceto para fins de Direito Penal.

GABARITO

LETRA C
A alternativa a está incorreta porque o parágrafo único do artigo 2º da Lei 8.069/90 não foi
derrogado, mas permanece vigendo, por ser o Estatuto da Criança e do Adolescente norma
especial. Além disso, ao contrário do que afirmou a alternativa, o critério utilizado para a
incidência é a idade na data do fato e não na data do julgamento.
A alternativa b está incorreta, pois o próprio parágrafo único do artigo 2º excepciona às
hipóteses expressas em lei a aplicação do Estatuto às pessoas entre 18 e 21 anos de idade. Essas
hipóteses expressas em lei às quais o ECA é aplicado estão restritas ao âmbito do Direito Penal
(medidas socioeducativas), não se estendendo ao âmbito do Direito Civil.
A alternativa d está incorreta, já que ao menor emancipado também se aplicavam os princípios
e normas previstas no ECA, tanto no âmbito civil quanto no âmbito penal.
Finalmente, a alternativa correta é a letra c. O próprio parágrafo único do artigo 2º excepciona
às hipóteses expressas em lei a aplicação do Estatuto às pessoas entre 18 e 21 anos de idade.

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Essas hipóteses expressas em lei às quais o ECA é aplicado estão restritas ao âmbito do Direito
Penal (medidas socioeducativas), não se estendendo ao âmbito do atual Direito Civil, que
reduziu a maioridade civil dos 21 para os 18 anos.

3) A interpretação e aplicação da Lei n. 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA)


deve perseguir os objetivos de proteção integral e prioritária dos direitos das crianças e dos
adolescentes, que deles são titulares.
Sobre o tema, assinale a afirmativa correta.
A) A aplicação das medidas específicas de proteção previstas pelo ECA pode se dar
cumulativamente, devendo a autoridade competente escolher a mais adequada diante das
necessidades específicas do destinatário.
B) Se Joana, que tem 09 anos, tiver seus direitos violados por ação ou omissão do Estado, serão
cabíveis as medidas específicas de proteção previstas pelo ECA que, dependendo das
circunstâncias, não deverão ser aplicadas ao mesmo tempo.
C) Se Júlio, que tem 09 anos, tiver seus direitos violados por abuso ou omissão dos pais, não
serão aplicáveis as medidas específicas de proteção, mas, sim, medidas destinadas aos pais ou
responsável, previstas pelo ECA.
D) As medidas específicas de proteção previstas pelo ECA devem ser aplicadas de modo a afastar
uma intervenção precoce, efetuada logo que a situação de perigo seja conhecida, sob pena de
responsabilidade primária e solidária do poder público.

GABARITO

LETRA A
a) CORRETA. Artigo 99 do ECA. As medidas previstas neste capítulo poderão ser aplicadas isolada
ou cumulativamente, bem como substituídas a qualquer tempo.
b) ERRADA. Artigo 99 do ECA. As medidas previstas neste capítulo poderão ser aplicadas isolada
ou cumulativamente, bem como substituídas a qualquer tempo.
c) ERRADA. Artigo 98 do ECA. As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis
sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados:
d) ERRADA. artigo 100 do ECA. Na aplicação das medidas levar-se-ão em conta as necessidades
pedagógicas, preferindo-se aquelas que visem ao fortalecimento dos vínculos familiares e
comunitários.
(...)
VI - intervenção precoce: a intervenção das autoridades competentes deve ser efetuada logo
que a situação de perigo seja conhecida;

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A pegadinha é que a opção coloca o termo "afastar", que em uma leitura rápida passa
desapercebido.

4) Com forte inspiração constitucional, a Lei nº. 8.069, de 13 de julho de 1990, consagra a
doutrina da proteção integral da criança e do adolescente, assegurando-lhes direitos
fundamentais, entre os quais o direito à educação. Igualmente, é-lhes franqueado o acesso à
cultura, ao esporte e ao lazer, preparando-os para o exercício da cidadania e qualificação para
o trabalho, fornecendo-lhes elementos para seu pleno desenvolvimento e realização como
pessoa humana. De acordo com as disposições expressas no Estatuto da Criança e do
Adolescente, é correto afirmar que
A) toda criança e todo adolescente têm direito a serem respeitados por seus educadores, mas
não poderão contestar os critérios avaliativos, uma vez que estes são estabelecidos pelas
instâncias educacionais superiores, norteados por diretrizes fiscalizadas pelo MEC.
B) é dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente o ensino fundamental, obrigatório e
gratuito, mas sem a progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio.
C) não existe obrigatoriedade de matrícula na rede regular de ensino àqueles genitores ou
responsáveis pela criança ou adolescente que, por convicções ideológicas, políticas ou religiosas,
discordem dos métodos de educação escolástica tradicional para seus filhos ou pupilos.
D) os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar
os casos de maus-tratos envolvendo seus alunos, a reiteração de faltas injustificadas e a evasão
escolar, esgotados os recursos escolares, assim como os elevados níveis de repetência.

GABARITO

LETRA D
LETRA A) toda criança e todo adolescente têm direito a serem respeitados por seus educadores,
mas não poderão contestar os critérios avaliativos, uma vez que estes são estabelecidos pelas
instâncias educacionais superiores, norteados por diretrizes fiscalizadas pelo MEC.
Errada: A criança e o adolescente podem contestar critérios avaliativos. Vejamos a redação do
inciso III, do artigo 53, do ECA:
Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de
sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-
se-lhes:
III - direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares
superiores;
LETRA B) é dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente o ensino fundamental,
obrigatório e gratuito, mas sem a progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao
ensino médio.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Errada: Estabelece o artigo 54, do ECA:


Art. 54. É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente:
I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na
idade própria;
II - progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio; (...)
LETRA C) não existe obrigatoriedade de matrícula na rede regular de ensino àqueles genitores
ou responsáveis pela criança ou adolescente que, por convicções ideológicas, políticas ou
religiosas, discordem dos métodos de educação escolástica tradicional para seus filhos ou
pupilos.
Errada: A matrícula na rede regular de ensino é obrigatória em todas as hipóteses, sem exceções.
Art. 55. Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede
regular de ensino.
LETRA D) os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conselho
Tutelar os casos de maus-tratos envolvendo seus alunos, a reiteração de faltas injustificadas e a
evasão escolar, esgotados os recursos escolares, assim como os elevados níveis de repetência.
Correta: Esta é a redação do artigo 56, do CC:
Art. 56. Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conselho
Tutelar os casos de:
I - maus-tratos envolvendo seus alunos;
II - reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgotados os recursos escolares;
III - elevados níveis de repetência.

5) Com nítida inspiração na doutrina da proteção integral, o ECA garantiu à criança e ao


adolescente o mais amplo acesso à Justiça, como forma de viabilizar a efetivação de seus
direitos, consagrou-lhes o acesso a todos os órgãos do Poder Judiciário, assim como lhes
assegurou o acesso a órgãos que exercem funções essenciais à Justiça, como o Ministério
Público e a Defensoria. Tendo em conta tal ampla proteção, assinale a alternativa correta.
A) As custas e emolumentos nas ações de destituição do poder familiar, perda ou modificação
da tutela deverão ser custeadas pela parte sucumbente ao final do processo.
B) Na hipótese de colisão de interesses entre a criança ou adolescente e seus pais ou
responsável, a autoridade judiciária lhes dará curador especial, o mesmo ocorrendo nas
hipóteses de carência de representação ou assistência legal, ainda que eventual.
C) Em obediência ao princípio da publicidade, é permitida a divulgação de atos judiciais e
administrativos que digam respeito à autoria de ato infracional praticado por adolescente,
podendo ser expedida certidão ou extraída cópia dos autos, independentemente da
demonstração do interesse e justificativa acerca da finalidade. Tais fatos, no entanto, se
noticiados pela imprensa escrita ou falada, devem conter apenas as iniciais do nome e

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sobrenome do menor, sendo vedadas as demais formas expositivas, como fotografia, referência
ao nome, apelido, etc.
D) A assistência judiciária gratuita será prestada aos que dela necessitarem por defensor público,
sendo admitida a nomeação pelo juiz de advogado se o adolescente não tiver defensor, não
podendo, posteriormente, o adolescente constituir outro de sua preferência.

GABARITO

LETRA B
LETRA A) As custas e emolumentos nas ações de destituição do poder familiar, perda ou
modificação da tutela deverão ser custeadas pela parte sucumbente ao final do processo.
Errada: Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente:
Art. 141. É garantido o acesso de toda criança ou adolescente à Defensoria Pública, ao Ministério
Público e ao Poder Judiciário, por qualquer de seus órgãos.
§ 1º. A assistência judiciária gratuita será prestada aos que dela necessitarem, através de
defensor público ou advogado nomeado.
§ 2º As ações judiciais da competência da Justiça da Infância e da Juventude são isentas de custas
e emolumentos, ressalvada a hipótese de litigância de má-fé.
LETRA B) Na hipótese de colisão de interesses entre a criança ou adolescente e seus pais ou
responsável, a autoridade judiciária lhes dará curador especial, o mesmo ocorrendo nas
hipóteses de carência de representação ou assistência legal, ainda que eventual.
Correta: Consoante o ECA:
Art. 142. Os menores de dezesseis anos serão representados e os maiores de dezesseis e
menores de vinte e um anos assistidos por seus pais, tutores ou curadores, na forma da
legislação civil ou processual.
Parágrafo único. A autoridade judiciária dará curador especial à criança ou adolescente, sempre
que os interesses destes colidirem com os de seus pais ou responsável, ou quando carecer de
representação ou assistência legal ainda que eventual.
LETRA C) Em obediência ao princípio da publicidade, é permitida a divulgação de atos judiciais e
administrativos que digam respeito à autoria de ato infracional praticado por adolescente,
podendo ser expedida certidão ou extraída cópia dos autos, independentemente da
demonstração do interesse e justificativa acerca da finalidade. Tais fatos, no entanto, se
noticiados pela imprensa escrita ou falada, devem conter apenas as iniciais do nome e
sobrenome do menor, sendo vedadas as demais formas expositivas, como fotografia, referência
ao nome, apelido, etc.
Errada: Dispõe o ECA:

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Art. 143. E vedada a divulgação de atos judiciais, policiais e administrativos que digam respeito
a crianças e adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional.
Parágrafo único. Qualquer notícia a respeito do fato não poderá identificar a criança ou
adolescente, vedando-se fotografia, referência a nome, apelido, filiação, parentesco, residência
e, inclusive, iniciais do nome e sobrenome. (Redação dada pela Lei nº 10.764, de 12.11.2003)
Art. 144. A expedição de cópia ou certidão de atos a que se refere o artigo anterior somente
será deferida pela autoridade judiciária competente, se demonstrado o interesse e justificada a
finalidade.
LETRA D) A assistência judiciária gratuita será prestada aos que dela necessitarem por defensor
público, sendo admitida a nomeação pelo juiz de advogado se o adolescente não tiver defensor,
não podendo, posteriormente, o adolescente constituir outro de sua preferência.
Errada: O adolescente pode, posteriormente, constituir advogado de sua preferência. Vejamos
a expressa redação do ECA:
Art. 207. Nenhum adolescente a quem se atribua a prática de ato infracional, ainda que ausente
ou foragido, será processado sem defensor.
§ 1º Se o adolescente não tiver defensor, ser-lhe-á nomeado pelo juiz, ressalvado o direito de, a
todo tempo, constituir outro de sua preferência.

#5 Poder Familiar
1) Dona Maria cuida do neto Paulinho, desde o nascimento, em razão do falecimento de sua
filha, mãe do menino, logo após o parto. João, pai de Paulinho, apenas registrou a criança e
desapareceu, sem nunca prestar ao filho qualquer tipo de assistência. Paulinho está tão
adaptado ao convívio com a avó materna, que a chama de mãe.
Passados dez anos, João faz contato com Maria e diz que gostaria de levar o filho para morar
com ele. Maria, desesperada, procura um advogado para obter orientações sobre o que fazer,
já que João é foragido da Justiça, com condenação por crime de estupro de vulnerável, além de
nunca ter procurado o filho Paulinho, que não o reconhece como pai.
De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale a opção que indica a ação mais
indicada para regularizar de forma definitiva o direito à convivência familiar da avó com o neto.
A) Ação de Destituição do Poder Familiar cumulada com Adoção.
B) Ação de Destituição do Poder Familiar cumulada com Tutela.
C) Ação de Destituição do Poder Familiar cumulada com Guarda.
D) Ação de Suspensão do Poder Familiar cumulada com Guarda.

GABARITO

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LETRA B
"De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale a opção que indica a ação mais
indicada para regularizar de forma definitiva o direito à convivência familiar da avó com o neto."
ECA
Art. 28. A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda, tutela ou adoção,
independentemente da situação jurídica da criança ou adolescente, nos termos desta Lei.
Art. 35. A guarda poderá ser revogada a qualquer tempo, mediante ato judicial fundamentado,
ouvido o Ministério Público.
Art. 36. A tutela será deferida, nos termos da lei civil, a pessoa de até 18 (dezoito) anos
incompletos.
Parágrafo único. O deferimento da tutela pressupõe a prévia decretação da perda ou suspensão
do poder familiar e implica necessariamente o dever de guarda.
Art. 42. Podem adotar os maiores de 18 (dezoito) anos, independentemente do estado civil.
§ 1º Não podem adotar os ascendentes e os irmãos do adotando.
CC
Art. 1.638. Perderá por ato judicial o poder familiar o pai ou a mãe que:
I - castigar imoderadamente o filho;
II - deixar o filho em abandono;
III - praticar atos contrários à moral e aos bons costumes;
IV - incidir, reiteradamente, nas faltas previstas no artigo antecedente.

2) B e P, vizinhos da criança Y, cuidam do menino desde a tenra idade, quando o pai da criança
faleceu e sua genitora, por motivos profissionais, mudou-se para localidade distante, fazendo
visitas esporádicas ao infante, mas sempre enviando ajuda de custo para a alimentação do filho.
Quando a criança completou um ano de idade, a genitora alcançou patamar financeiro estável,
passando a ter meios para custear os gastos da criança também com educação, lazer, saúde etc.
Assim, buscou a restituição do convívio diário P, vizinhos da criança Y, levando-a para morar
consigo, o que gerou discordância dos vizinhos B e P, que ingressaram com Ação de Guarda e
Tutela do menor, argumentando a construção de laços afetivos intensos e que a criança iria
sofrer com a distância.
Analise a situação e, sob o ponto de vista jurídico, assinale a afirmativa correta.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

A) O afastamento da genitora do convívio cotidiano com a criança Y impede a reconstrução de


laços afetivos, devendo ser, de pronto, conferida a guarda provisória aos vizinhos que o criaram
e, ao final, a tutela do menor aos demandantes B e P.
B) A reintegração à família natural, no caso, junto à mãe, deve ser priorizada em relação a outra
providência, não havendo justo motivo para a que a criança seja posta sob tutela na hipótese
narrada, uma vez que isso demandaria a perda ou suspensão do poder familiar, o que não
encontra aplicabilidade nos estritos termos do enunciado.
C) Os vizinhos que detinham a guarda de fato da criança Y têm prioridade no exercício do
encargo de tutores, considerando esse o atendimento ao melhor interesse da criança, podendo
eles assumir a função mesmo que a mãe mantenha o poder familiar, ante a precariedade e
provisoriedade do referido encargo jurídico.
D) A mãe da criança Y pode anuir com o pedido de colocação da criança sob tutela se considerar
que atenderá ao melhor interesse do infante, hipótese em que a sentença homologatória
poderá ser revogada a qualquer tempo, caso mudem as circunstâncias que a justificaram, não
fazendo, pois, coisa julgada material.

GABARITO

LETRA B
A - ERRADA - O convício NÃO impede... - art. 19, § 3o ECA - A manutenção ou reintegração de
criança ou adolescente à sua família terá preferência em relação a qualquer outra providência,
caso em que será esta incluída em programas de orientação e auxílio, nos termos do parágrafo
único do art. 23, dos incisos I e IV do caput do art. 101 e dos incisos I a IV do caput do art. 129
desta Lei.
B- CERTA - art. 19, § 3o ECA c/c art. 36, § único ECA. O deferimento da tutela pressupõe a prévia
decretação da perda ou suspensão do poder familiar e implica necessariamente o dever de
guarda.
C- ERRADA - art. 36, § único ECA.
D- ERRADA - Não é tutela e sim guarda, sendo esta irrevogável. Art. 39, § 1o ECA - A adoção é
medida excepcional e irrevogável, à qual se deve recorrer apenas quando esgotados os recursos
de manutenção da criança ou adolescente na família natural ou extensa, na forma do parágrafo
único do art. 25 desta Lei.

3) Vilma, avó materna do menor Oscar, de quinze anos de idade, pretende mover ação de
suspensão do poder familiar em face de Onísio e Paula, pais do menor. Argumenta que Oscar
estaria na condição de evasão escolar e os pais negligentes, embora incansavelmente
questionados por Vilma quanto as consequências negativas para a formação de Oscar.
Considere a hipótese narrada e assinale a única opção correta aplicável ao caso.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

A) Do ponto de vista processual, Vilma não tem legitimidade para propor a ação que deve ser
movida exclusivamente pelo Ministério Público, diante da indisponibilidade do direito em
questão, a quem a interessada deve dirigir a argumentação para a tomada das medidas judiciais
cabíveis.
B) Do ponto de vista material, os elementos indicados por Vilma são suficientes ao pleito de
suspensão do poder familiar, do mesmo modo que a falta ou a carência de recursos materiais
são, ainda que isoladamente, justo motivo para propositura da medida de suspensão do poder
familiar.
C) Do ponto de vista material, os argumentos indicados por Vilma são irrelevantes a dar ensejo
à medida de suspensão de poder familiar, medida grave e excepcionalmente aplicada, mas são
suficientes ao pleito de aplicação de multa e repreensão aos pais negligentes, por se tratar de
infração administrativa.
D) Do ponto de vista processual, Vilma possui legitimidade para propor a ação de suspensão do
poder familiar e, tramitando o processo perante a Justiça da Infância e da Juventude, é
impositiva a isenção de custas e emolumentos, independente de concessão da gratuidade de
justiça, conforme dispõe expressa e literalmente o ECA.

GABARITO

LETRA D
a) art. 155, ECA: " O procedimento para a perda ou suspensão do poder familiar terá início por
provocação do Ministério Público ou de quem tenha legítimo interesse";
b) "Do ponto de vista material, os elementos indicativos por Vilma são suficientes ao pleito de
suspensão do poder familiar [...]" Certo. Entretanto, a segunda parte de assertiva encontra-se
errada. Com efeito, dispõe o art. 23 do ECA que "a falta ou carência de recursos materiais não
constitui motivo suficiente para a perda ou a suspensão do poder familiar";
c) Errada, na medida em que a negligência dos pais pode, sim, ensejar a suspensão do poder
familiar. Vale salientar que o art. 22 do ECA impõe aos pais o dever de sustento, guarda e
educação. Por sua vez, o art. 24 do ECA, assevera que a suspensão ou perda do poder familiar
serão decretadas judicialmente, em procedimento contraditório, dentre outras hipóteses,
quando houver o descumprimento das obrigações que constam no art. 22;
d) A legitimidade para a propositura da ação em apreço, conforme preceitua o art. 155 do ECA,
é tanto do Ministério Público, bem como do legítimo interessado (avó, por exemplo), sendo
certo que o §2º, do art. 141, do ECA, aduz que "as ações judiciais da competência da Justiça da
Infância e Juventude são isentas de custas e emulamentos, ressalvada a hipótese de litigância
de má-fé".

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4) Com relação aos procedimentos para a perda e a suspensão do poder familiar regulados pelo
Estatuto da Criança e do Adolescente, é correto afirmar que
A) a autoridade judiciária, ouvido o Ministério Público, poderá decretar liminar ou
incidentalmente a suspensão do poder familiar, independentemente da gravidade do motivo.
B) o procedimento para perda ou suspensão do poder familiar dispensa que os pais sejam
ouvidos, mesmo se estes forem identificados e estiverem em local conhecido.
C) o procedimento para perda ou suspensão do poder familiar terá início por provocação do
Ministério Público ou de quem tenha legítimo interesse.
D) em conformidade com a nova redação dada pela Lei 12.010, de 3 de agosto de 2009, o prazo
máximo para a conclusão do procedimento de perda ou suspensão do poder familiar será de
180 (cento e oitenta) dias.

GABARITO

LETRA C
a) Errada - A autoridade judiciária, ouvido o Ministério Público, poderá decretar liminar ou
incidentalmente a suspensão do poder familiar, independentemente da gravidade do motivo.
Está incorreto dizer independentemente da gravidade do motivo, visto que o art. 155 do ECA
dispõe que "Havendo motivo grave, poderá a autoridade judiciária, ouvido o Ministério Público,
decretar a suspensão do poder familiar, liminar ou incidentalmente, até o julgamento definitivo
da causa, ficando a criança ou adolescente confiado a pessoa idônea, mediante termo de
responsabilidade."
b) Errada - O procedimento para perda ou suspensão do poder familiar dispensa que os pais
sejam ouvidos, mesmo se estes forem identificados e estiverem em local conhecido. Está
também incorreto pois diz o art. 161, § 4o, "É obrigatória a oitiva dos pais sempre que esses
forem identificados e estiverem em local conhecido."
c) Certa - Art. 155 "O procedimento para a perda ou a suspensão do poder familiar terá início
por provocação do Ministério Público ou de quem tenha legítimo interesse."
d) Errada - Em conformidade com a nova redação dada pela Lei 12.010, de 3 de agosto de 2009,
o prazo máximo para a conclusão do procedimento de perda ou suspensão do poder familiar
será de 180 (cento e oitenta) dias.

5) Vanessa e Vitor vivem com o filho Marcelo, criança com 06 anos de idade, na casa dos avós
paternos. Em um trágico acidente, Vitor veio a falecer. A viúva, logo após o óbito, decide morar
na casa de seus pais com o filho. Após 10 dias, já residindo com os pais, Vanessa, em depressão
e fazendo uso de entorpecentes, deixa o filho aos cuidados dos avós maternos, e se submete a
tratamento de internação em clínica de reabilitação. Decorridos 20 dias e com alta médica,
Vanessa mantém acompanhamento ambulatorial e aluga apartamento para morar sozinha com
o filho.

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Os avós paternos inconformados ingressaram com Ação de Guarda de Marcelo. Afirmaram que
sempre prestaram assistência material ao neto, que com eles residia desde o nascimento até o
falecimento de Vitor. Citada, Vanessa contestou o pedido, alegando estar recuperada de sua
depressão e da dependência química. Ainda, demonstrou possuir atividade laborativa, e que
obteve vaga para o filho em escola. Os avós maternos, por sua vez, ingressam com oposição.
Aduziram que Marcelo ficou muito bem aos seus cuidados e que possuem excelente plano de
saúde, que possibilitará a inclusão do neto como dependente.
Sobre a guarda de Marcelo, à luz da Proteção Integral da Criança e do Adolescente, assinale a
afirmativa correta.
A) Marcelo deve ficar com os avós maternos, com quem por último residiu, em razão dos
benefícios da inclusão da criança como dependente do plano de saúde.
B) Marcelo deve ficar na companhia dos avós paternos, pois sempre prestaram assistência
material à criança, que com eles residia antes do falecimento de Vitor.
C) Marcelo deve ficar sob a guarda da mãe, já que ela nunca abandonou o filho e sempre
cumpriu com os deveres inerentes ao exercício do poder familiar, ainda que com o auxílio dos
avós.
D) Em programa de acolhimento familiar, até que esteja cabalmente demonstrado que a
genitora não faz mais uso de substâncias entorpecentes.

GABARITO

LETRA C
ECA:
Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-
lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações
judiciais.
Art. 25. Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e
seus descendentes.
Parágrafo único. Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se estende para além
da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes próximos com os quais a
criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade.
Art. 33. A guarda obriga a prestação de assistência material, moral e educacional à criança ou
adolescente, conferindo a seu detentor o direito de opor-se a terceiros, inclusive aos pais.
§ 1º A guarda destina-se a regularizar a posse de fato, podendo ser deferida, liminar ou
incidentalmente, nos procedimentos de tutela e adoção, exceto no de adoção por estrangeiros.

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§ 2º Excepcionalmente, deferir-se-á a guarda, fora dos casos de tutela e adoção, para atender a
situações peculiares ou suprir a falta eventual dos pais ou responsável, podendo ser deferido o
direito de representação para a prática de atos determinados.
AGRAVO DE INSTRUMENTO. GUARDA. AVÓS MATERNOS E PAI. DECISÃO QUE CONCEDE AO PAI
A GUARDA PROVISÓRIA. EFEITO SUSPENSIVO. REVOGAÇÃO. POSSIBILIDADE. CONVIVÊNCIA DO
MENOR COM O PAI. DIREITO DE CONVIVER COM A FAMÍLIA NATURAL. REGULAMENTAÇÃO DE
VISITAS. 1. No conflito sobre a guarda, prestigia-se o interesse da criança e a situação que lhe
seja mais benéfica. 2. Não havendo motivos que indique a inviabilidade da medida, deve-se
privilegiar o direito da criança de conviver com sua família natural. 3. O pai que mantém vínculo
afetivo com o filho, sendo reconhecido como figura paterna, e exerce guarda compartilhada
com os avós há certo tempo, na ausência da mãe, reúne condições de exercer a guarda
unilateral. 4. O Estatuto da Criança e do Adolescente, por se tratar de norma de proteção ao
menor, deve ser analisado sob dois aspectos: aquele que define as obrigações dos pais para com
que a prole menor (art. 22) e aquele que se refere ao direito do menor de conviver com sua
família natural (art. 25). 5. Recursos conhecidos e desprovidos.
(TJ-DF - AGI: 20140020189060 DF 0019039-26.2014.8.07.0000, Relator: SANDOVAL OLIVEIRA,
Data de Julgamento: 11/02/2015, 5ª Turma Cível, Data de Publicação: Publicado no DJE :
20/02/2015 . Pág.: 142)
DIREITO DE FAMÍLIA. GUARDA E RESPONSABILIDADE. POSSE DE FATO EXERCIDA PELA AVÓ
MATERNA. GENITOR APTO AO EXERCÍCIO DA RESPONSABILIDADE. § 2º DO ART. 33 DO ECA.
SITUAÇÃO PECULIAR NÃO CONFIGURADA. PREVALÊNCIA DA PREFERÊNCIA NATURAL DOS
GENITORES AO EXERCÍCIO DA GUARDA DE SEUS FILHOS. SENTENÇA REFORMADA. Não se
configurando peculiar a situação, deve prevalecer a regra geral de prevalência dos pais, quanto
aos demais, no exercício da guarda e responsabilidade de seus próprios filhos, conforme orienta
o § 2º do art. 33 do Estatuto da Criança e do Adolescente e a supremacia do Poder Familiar.
Apelação Cível provida.
(TJ-DF - APC: 20110510116829, Relator: ANGELO CANDUCCI PASSARELI, Data de Julgamento:
29/04/2015, 5ª Turma Cível, Data de Publicação: Publicado no DJE : 05/05/2015 . Pág.: 242)
A regra é a prevalência da preferência natural dos genitores ao exercício da guarda de seus
filhos. “Situações peculiares” e o suprimento da ausência dos pais ou responsáveis, nos moldes
do art. 33, § 2º supra, são medidas excepcionais. Ausentes indícios de que a genitora do menor
não tenha condições de exercer o poder familiar (o fato de Vanessa estar recuperada de sua
depressão e de sua dependência química, demonstrar possuir atividade laborativa e ter obtido
vaga para o filho em escola só corroboram essa afirmação) e inexistente qualquer situação
excepcional do Estatuto da Criança e do Adolescente a autorizar a medida da transferência da
guarda natural para os avós, não há motivo para concedê-la.

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CÓDIGODEDEFESADOCONSUMIDOR

#1 Prazos no Contrato de Consumo / Prescrição e Decadência

1) A telespectadora Maria, após assistir ao anúncio de certa máquina fotográfica, ligou e


comprou o produto via telefone. No dia 19 de março, a câmera chegou ao seu endereço. Acerca
dessa situação, assinale a alternativa correta.
A) A contar do recebimento do produto, a consumidora pode exercer o direito de
arrependimento no prazo prescricional de quinze dias.
B) Mesmo que o produto não tenha defeito, se Maria se arrepender da aquisição e desistir do
contrato no dia 25 de março do mesmo ano, os valores eventualmente pagos, a qualquer título,
deverão ser devolvidos, monetariamente atualizados.
C) Se, no dia 26 de março do mesmo ano, a consumidora pretender desistir do contrato, não
poderá fazê-lo, pois, além de o prazo decadencial já ter fluído, os contratos são regidos pelo
brocardo pacta sunt servanda.
D) Após o prazo de desistência, que é decadencial, Maria não poderá reclamar de vícios do
produto ou de desconformidades entre a oferta apresentada e as características do bem
adquirido, a não ser que exista garantia contratual.

GABARITO

LETRA B
Código de Defesa do Consumidor:
Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura
ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento
de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone
ou a domicílio.
Parágrafo único. Se o consumidor exercitar o direito de arrependimento previsto neste artigo,
os valores eventualmente pagos, a qualquer título, durante o prazo de reflexão, serão
devolvidos, de imediato, monetariamente atualizados.
Letra “A" - A contar do recebimento do produto, a consumidora pode exercer o direito de
arrependimento no prazo prescricional de quinze dias.
A contar do recebimento do produto, consumidora pode exercer o direito de arrependimento
no prazo sete dias.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Incorreta letra “A".


Letra “B" - Mesmo que o produto não tenha defeito, se Maria se arrepender da aquisição e
desistir do contrato no dia 25 de março do mesmo ano, os valores eventualmente pagos, a
qualquer título, deverão ser devolvidos, monetariamente atualizados.
Mesmo que o produto não tenha defeito, a norma não exige qualquer justificativa por parte do
consumidor para se arrepender da aquisição e desistir do contrato e, os valores eventualmente
pagos, a qualquer título, durante esse prazo de reflexão (sete dias), deverão ser devolvidos,
monetariamente atualizados.
Correta letra “B". Gabarito da questão.
Letra “C" - Se, no dia 26 de março do mesmo ano, a consumidora pretender desistir do contrato,
não poderá fazê-lo, pois, além de o prazo decadencial já ter fluído, os contratos são regidos pelo
brocardo pacta sunt servanda.
O prazo para a consumidora desistir da aquisição do produto é de sete dias a contar do
recebimento, ou seja, como recebeu o produto dia 19 de março, o prazo vai até o dia 26 de
março. Não é aplicado o pacta sunt servanda, nesse tipo de contrato.
Incorreta letra “C".
Letra “D" - Após o prazo de desistência, que é decadencial, Maria não poderá reclamar de vícios
do produto ou de desconformidades entre a oferta apresentada e as características do bem
adquirido, a não ser que exista garantia contratual.
O prazo de desistência é uma proteção conferida ao consumidor quando realiza compras fora
do estabelecimento comercial. Esse prazo de sete dias não se confunde com os prazos relativos
aos vícios e defeitos dos produtos, cujos prazos estão definidos nos arts. 26 e 27 do CDC.
Incorreta letra “D".

2) Franco adquiriu um veículo zero quilômetro em novembro de 2010. Ao sair com o automóvel
da concessionária, percebeu um ruído todas as vezes em que acionava a embreagem para a
troca de marcha. Retornou à loja, e os funcionários disseram que tal barulho era natural ao
veículo, cujo motor era novo. Oito meses depois, ao retornar para fazer a revisão de dez mil
quilômetros, o consumidor se queixou que o ruído persistia, mas foi novamente informado de
que se tratava de característica do modelo. Cerca de uma semana depois, o veículo parou de
funcionar e foi rebocado até a concessionária, lá permanecendo por mais de sessenta dias.
Franco acionou o Poder Judiciário alegando vício oculto e pleiteando ressarcimento pelos danos
materiais e indenização por danos morais. Considerando o que dispõe o Código de Proteção e
Defesa do Consumidor, a respeito do narrado acima, é correto afirmar que, por se tratar de vício
oculto,
A) o prazo decadencial para reclamar se iniciou com a retirada do veículo da concessionária,
devendo o processo ser extinto.
B) o direito de reclamar judicialmente se iniciou no momento em que ficou evidenciado o
defeito, e o prazo decadencial é de noventa dias.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

C) o prazo decadencial é de trinta dias contados do momento em que o veículo parou de


funcionar, tornando-se imprestável para o uso.
D) o consumidor Franco tinha o prazo de sete dias para desistir do contrato e, tendo deixado de
exercê-lo, operou-se a decadência.

GABARITO

LETRA B
Letra “A" - o prazo decadencial para reclamar se iniciou com a retirada do veículo da
concessionária, devendo o processo ser extinto.
Código de Defesa do Consumidor:
rt. 26. § 3° Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar
evidenciado o defeito.
O prazo decadencial para reclamar se iniciou quando ficou evidenciado o defeito.
Incorreta letra “A".
Letra “B" - o direito de reclamar judicialmente se iniciou no momento em que ficou evidenciado
o defeito, e o prazo decadencial é de noventa dias.
Código de Defesa do Consumidor:
Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em:
II - noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis.
§ 3° Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar
evidenciado o defeito.
O direito de reclamar judicialmente se iniciou no momento em que ficou evidenciado o defeito,
e o prazo decadencial é de noventa dias.
Correta letra “B". Gabarito da questão.
Letra “C" - o prazo decadencial é de trinta dias contados do momento em que o veículo parou
de funcionar, tornando-se imprestável para o uso.
Código de Defesa do Consumidor:
Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em:
II - noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis.
O prazo decadencial é de noventa dias, contados do momento em que o vício foi constatado.
Incorreta letra “C".

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Letra “D" - o consumidor Franco tinha o prazo de sete dias para desistir do contrato e, tendo
deixado de exercê-lo, operou-se a decadência.
Código de Defesa do Consumidor:
Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em:
II - noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis.

3) Quando a contratação ocorre por site da internet, o consumidor pode desistir da compra?
A) Sim. Quando a compra é feita pela internet, o consumidor pode desistir da compra em até 30
dias depois que recebe o produto.
B) Não. Quando a compra é feita pela internet, o consumidor é obrigado a ficar com o produto,
a menos que ele apresente vício. Só nessa hipótese o consumidor pode desistir.
C) Não. O direito de arrependimento só existe para as compras feitas na própria loja, e não pela
internet.
D) Sim. Quando a compra é feita fora do estabelecimento comercial, o consumidor pode desistir
do contrato no prazo de sete dias, mesmo sem apresentar seus motivos para a desistência.

GABARITO

LETRA D
b) Não. Quando a compra é feita pela internet, o consumidor é obrigado a ficar com o produto,
a menos que ele apresente vício. Só nessa hipótese o consumidor pode desistir.
c) Não. O direito de arrependimento só existe para as compras feitas na própria loja, e não pela
internet.
d) Sim. Quando a compra é feita fora do estabelecimento comercial, o consumidor pode desistir
do contrato no prazo de sete dias, mesmo sem apresentar seus motivos para a desistência.
a) Sim. Quando a compra é feita pela internet, o consumidor pode desistir da compra em até 30
dias depois que recebe o produto.
Correta: Segundo o CDC:
Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura
ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento
de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone
ou a domicílio.
Parágrafo único. Se o consumidor exercitar o direito de arrependimento previsto neste artigo,
os valores eventualmente pagos, a qualquer título, durante o prazo de reflexão, serão
devolvidos, de imediato, monetariamente atualizados.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

4) O prazo para reclamar sobre vício oculto de produto durável é de


A) 90 (noventa) dias a contar da aquisição do produto.
B) 90 (noventa) dias a contar da entrega do produto.
C) 30 (trinta) dias a contar da entrega do produto.
D) 90 (noventa) dias a contar de quando ficar evidenciado o vício.

GABARITO

LETRA D
É exatamente o que dispõe o artigo 26, do CDC:
Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em:
I - trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos não duráveis;
II - noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis.
§ 1° Inicia-se a contagem do prazo decadencial a partir da entrega efetiva do produto ou do
término da execução dos serviços.
§ 2° Obstam a decadência:
I - a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor de
produtos e serviços até a resposta negativa correspondente, que deve ser transmitida de forma
inequívoca;
II - (Vetado).
III - a instauração de inquérito civil, até seu encerramento.
§ 3° Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar
evidenciado o defeito.

5) Joana adquiriu um aparelho de telefone em loja de eletrodomésticos e, juntamente com o


manual de instruções, foi- lhe entregue o termo de garantia do produto, que assegurava ao
consumidor um ano de garantia, a contar da efetiva entrega do produto. Cerca de um ano e um
mês após a data da compra, o aparelho de telefone apresentou comprovadamente um defeito
de fabricação.
Em face dessa situação hipotética, assinale a opção correta acerca dos direitos do consumidor.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

A) Após o prazo de um ano de garantia conferida pelo fornecedor, Joana não poderá alegar a
existência de qualquer defeito de fabricação.
B) Joana poderá reclamar eventuais defeitos de fabricação até o prazo de noventa dias após o
final da garantia contratual conferida pelo fornecedor.
C) O prazo para Joana reclamar dos vícios do produto é de apenas noventa dias, a partir da
entrega efetiva do produto, independentemente de prazo de garantia.
D) A lei garante a Joana a possibilidade de reclamar de eventuais defeitos de fabricação a
qualquer tempo, desde que devidamente comprovados.

GABARITO

LETRA B
a) Após o prazo de um ano de garantia conferida pelo fornecedor, Joana não poderá alegar a
existência de qualquer defeito de fabricação.
Incorreta: Joana poderá alegar a existência de defeito de fabricação após o prazo de garantia
contratual de um ano, pois a partir daí, no caso de vício aparentes ou de fácil constatação, é que
começa a correr o prazo de garantia legal, que no caso de produtos duráveis é de noventa dias.
O CDC prevê que as garantias contratual e legal são complementares, portanto os prazos se
somam, primeiro correndo o prazo de garantia contratual e, em seguida, o prazo de garantia
legal. Vejamos:
Art. 50. A garantia contratual é complementar à legal e será conferida mediante termo escrito.
Parágrafo único. O termo de garantia ou equivalente deve ser padronizado e esclarecer, de
maneira adequada em que consiste a mesma garantia, bem como a forma, o prazo e o lugar em
que pode ser exercitada e os ônus a cargo do consumidor, devendo ser-lhe entregue,
devidamente preenchido pelo fornecedor, no ato do fornecimento, acompanhado de manual
de instrução, de instalação e uso do produto em linguagem didática, com ilustrações.
Além disso, o CDC prevê que nos casos de vício oculto, o prazo somente começa a correr a partir
do momento em que o defeito ficar evidenciado.
Vejamos:
Art. 26. § 3° Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar
evidenciado o defeito.
Assim sendo, após um ano, em ambos os casos, ainda é possível que o consumidor obtenha do
fornecedor as medidas cabíveis no caso de vício do produto ou serviço.
b) Joana poderá reclamar eventuais defeitos de fabricação até o prazo de noventa dias após o
final da garantia contratual conferida pelo fornecedor.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

Correta: No caso de vícios aparentes ou de fácil constatação, o prazo legal de noventa dias soma-
se ao prazo de um ano e, portanto, após seu decurso, o consumidor ainda terá 90 dias para
reclamar dos defeitos de fabricação.
c) O prazo para Joana reclamar dos vícios do produto é de apenas noventa dias, a partir da
entrega efetiva do produto, independentemente de prazo de garantia.
Incorreta: O prazo de noventa dias previsto no CDC aplica-se no caso de vícios aparentes. Trata-
se, outrossim, de um prazo de garantia legal. No caso da questão, foi oferecido a Joana um prazo
de garantia contratual de um ano. Portanto, este prazo contratual não fica excluído pelo prazo
legal que consta do CDC. Conforme já visto acima, os prazos se complementam, se somam,
correndo primeiro o contratual e, apenas em seguida, o legal.
d) A lei garante a Joana a possibilidade de reclamar de eventuais defeitos de fabricação a
qualquer tempo, desde que devidamente comprovados.
Incorreta: A lei não garante a possibilidade de reclamar de eventuais defeitos de fabricação a
qualquer tempo. Até mesmo no caso de vício oculto, a lei estabelece prazo. A diferença é que
este prazo começa a correr a partir da constatação do vício.

#2 Práticas comerciais / Práticas Abusivas / Publicidade

1) Florinda, assistindo a um canal de TV fechada, interessou-se por um produto para exercícios


físicos. Acompanhando a exposição de imagens, sentiu-se atraída pela forma de “pagamento
sem juros, podendo ser parcelado em até doze vezes”. Ao telefonar para a loja virtual, foi
informada de que o parcelamento sem juros limitava-se a duas prestações. Além disso, a ligação
tarifada foi a única forma de Florinda obter as informações a respeito do valor do produto, já
que o site da fornecedora limitava-se a indicar o que já estava no anúncio de TV. Sentindo-se
enganada por ter sido obrigada a telefonar pagando a tarifa, bem como por ter sido induzida a
acreditar que o pagamento poderia ser parcelado em doze vezes sem juros, Florinda procurou
um advogado.
Assinale a opção que apresenta a orientação dada pelo advogado.
A) Há publicidade enganosa somente em razão da obscuridade quanto ao parcelamento sem
juros, não havendo abusividade quanto à necessidade de ligação tarifada para obtenção de
informação a respeito de valor e formas de pagamento.
B) Não há publicidade enganosa na situação narrada, na medida em que essa deve se dar por
conduta ativa do fornecedor, não havendo previsão para a modalidade omissiva.
C) Inexiste publicidade enganosa, na medida em que as informações sobre o produto foram
claras. Quanto ao preço e à forma de pagamento, essas somente devem ser passadas àqueles
que se interessam pelo produto.
D) Há publicidade enganosa por omissão quanto ao preço e à forma de pagamento, que não
foram fornecidos de forma clara para o consumidor, bem como caracterizou-se abuso a
imposição do ônus da ligação tarifada à consumidora que buscava obter tais informações.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

GABARITO

LETRA D
Assinale a opção que apresenta a orientação dada pelo advogado.
Código de Defesa do Consumidor:
Art. 6º São direitos básicos do consumidor:
III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação
correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem
como sobre os riscos que apresentem; (Redação dada pela Lei nº 12.741, de 2012) Vigência
Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.
§ 1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário,
inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de
induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade,
propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.
§ 3° Para os efeitos deste código, a publicidade é enganosa por omissão quando deixar de
informar sobre dado essencial do produto ou serviço.
Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas
abusivas: (Redação dada pela Lei nº 8.884, de 11.6.1994)
V - exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva;
A) Há publicidade enganosa somente em razão da obscuridade quanto ao parcelamento sem
juros, não havendo abusividade quanto à necessidade de ligação tarifada para obtenção de
informação a respeito de valor e formas de pagamento.
Há publicidade enganosa por omissão tanto em razão da obscuridade quanto ao preço como
quanto ao parcelamento sem juros, havendo abusividade quanto à ligação tarifada para
obtenção de informação, pelo consumidor, a respeito de valor e formas de pagamento, uma vez
que é direito do consumidor dar informações adequadas e claras sobre os produtos com
especificação correta sobre tributos incidentes e preço.
Incorreta letra “A”.
B) Não há publicidade enganosa na situação narrada, na medida em que essa deve se dar por
conduta ativa do fornecedor, não havendo previsão para a modalidade omissiva.
Há publicidade enganosa por omissão na situação narrada, na medida em que o fornecedor é
obrigado a informar sobre dados essenciais do produto, como o preço e a forma de pagamento,
havendo previsão expressa para a modalidade omissiva.
Incorreta letra “B”.
C) Inexiste publicidade enganosa, na medida em que as informações sobre o produto foram
claras. Quanto ao preço e à forma de pagamento, essas somente devem ser passadas àqueles
que se interessam pelo produto.

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Código de Defesa do Consumidor:


Art. 29. Para os fins deste Capítulo e do seguinte, equiparam-se aos consumidores todas as
pessoas determináveis ou não, expostas às práticas nele previstas.
Existe publicidade enganosa, na medida em que as informações sobre o produto não
foram claras. A publicidade é dirigida para todas as pessoas determináveis ou não, e que foram
expostas à ela (publicidade), equiparando-as (pessoas determináveis ou não), aos
consumidores, de forma que o preço e à forma de pagamento devem ser claros para todos os
consumidores, independentemente deles se interessarem ou não pelo produto.
Incorreta letra “C”.
D) Há publicidade enganosa por omissão quanto ao preço e à forma de pagamento, que não
foram fornecidos de forma clara para o consumidor, bem como caracterizou-se abuso a
imposição do ônus da ligação tarifada à consumidora que buscava obter tais informações.
Há publicidade enganosa por omissão quanto ao preço e à forma de pagamento parcelado, que
não foram fornecidos de forma clara e adequada para o consumidor, bem como caracterizou-se
abuso a imposição do ônus da ligação tarifada à consumidora, que buscava obter tais
informações, sendo que essas deveriam constar do anúncio.
Correta letra “D”. Gabarito da questão.

2) O Banco XYZ, com objetivo de aumentar sua clientela, enviou proposta de abertura de conta
corrente com cartão de crédito para diversos estudantes universitários. Ocorre que, por
desatenção de um dos encarregados pela instituição financeira da entrega das propostas, o
conteúdo da proposta encaminhada para a estudante Bruna, de dezoito anos, foi furtado. O
cartão de crédito foi utilizado indevidamente por terceiro, sendo Bruna surpreendida com
boletos e ligações de cobrança por compras que não realizou. O episódio culminou com
posterior inclusão do seu nome em um cadastro negativo de restrições ao crédito. Bruna nunca
solicitou o envio do cartão ou da proposta de abertura de conta, e sequer celebrou contrato
com o Banco XYZ, mas tem dúvidas acerca de eventual direito à indenização.
Na qualidade de Advogado, diante do caso concreto, assinale a afirmativa correta.
A) A conduta adotada pelo Banco XYZ é prática abusiva à luz do Código do Consumidor, mas
como Bruna não é consumidora, haja vista a ausência de vínculo contratual, deverá se utilizar
das regras do Código Civil para fins de eventual indenização.
B) A pessoa exposta a uma prática abusiva, como na hipótese do envio de produto não
solicitado, é equiparada a consumidor, logo Bruna pode postular indenização com base no
Código do Consumidor.
C) A prática bancária em questão é abusiva segundo o Código do Consumidor, mas o furto
sofrido pelo preposto do Banco XYZ configura culpa exclusiva de terceiro, excludente da
obrigação da instituição financeira de indenizar Bruna.
D) O envio de produto sem solicitação do consumidor não é expressamente vedado pela lei
consumerista, que apenas considera o produto como mera amostra grátis, afastando eventual
obrigação do Banco XYZ de indenizar Bruna.

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GABARITO

LETRA B
Código de Defesa do Consumidor:
Art. 29. Para os fins deste Capítulo e do seguinte, equiparam-se aos consumidores todas as
pessoas determináveis ou não, expostas às práticas nele previstas.
Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas:
III - enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer produto, ou fornecer
qualquer serviço;
Parágrafo único. Os serviços prestados e os produtos remetidos ou entregues ao consumidor,
na hipótese prevista no inciso III, equiparam-se às amostras grátis, inexistindo obrigação de
pagamento.
Letra “A" - A conduta adotada pelo Banco XYZ é prática abusiva à luz do Código do Consumidor,
mas como Bruna não é consumidora, haja vista a ausência de vínculo contratual, deverá se
utilizar das regras do Código Civil para fins de eventual indenização.
Bruna é consumidora por equiparação, pois foi exposta à prática abusiva o Banco XYZ e outros
consumidores.
Incorreta letra “A".
Letra “B" - A pessoa exposta a uma prática abusiva, como na hipótese do envio de produto não
solicitado, é equiparada a consumidor, logo Bruna pode postular indenização com base no
Código do Consumidor.
Bruna é consumidora por equiparação, sendo exposta a uma prática abusiva – o envio de
produto não solicitado. Assim, Bruna pode postular indenização com base no Código do
Consumidor.
Correta letra “B". Gabarito da questão.
Letra “C" - A prática bancária em questão é abusiva segundo o Código do Consumidor, mas o
furto sofrido pelo preposto do Banco XYZ configura culpa exclusiva de terceiro, excludente da
obrigação da instituição financeira de indenizar Bruna.
A prática bancária em questão é abusiva, e o Branco XYZ tem responsabilidade objetiva, e o
envio do cartão decorre da atividade do Banco, fazendo parte do risco do negócio, não havendo
que se falar em culpa exclusiva de terceiro, capaz de excluir a obrigação de indenização.
Incorreta letra “C".
Letra “D" - O envio de produto sem solicitação do consumidor não é expressamente vedado pela
lei consumerista, que apenas considera o produto como mera amostra grátis, afastando
eventual obrigação do Banco XYZ de indenizar Bruna.
O envio de produto sem solicitação do consumidor é expressamente vedadopela lei
consumerista, sendo considerado o produto como amostra grátis de forma a inexistir obrigação

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de pagamento por parte do consumidor, mas não afasta a obrigação do Banco XYZ de indenizar
Bruna.
Incorreta letra “D".

3) Roberto, atraído pela propaganda de veículos zero quilômetro, compareceu até uma
concessionária a fim de conhecer as condições de financiamento. Verificando que o valor das
prestações cabia no seu orçamento mensal e que as taxas e os custos lhe pareciam justos,
Roberto iniciou junto ao vendedor os procedimentos para a compra do veículo. Para sua
surpresa, entretanto, a financeira negou--lhe o crédito, ao argumento de que havia negativação
do nome de Roberto nos cadastros de proteção ao crédito. Indignado e buscando
esclarecimentos, Roberto procurou o Banco de Dados e Cadastro que havia informado à
concessionária acerca da suposta existência de negativação, sendo informado por um dos
empregados que as informações que Roberto buscava somente poderiam ser dadas mediante
ordem judicial.
Sobre o procedimento do empregado do Banco, assinale a afirmativa correta.
A) O empregado do Banco de Dados e Cadastros agiu no legítimo exercício de direito ao negar
a prestação das informações, já que o solicitado pelo consumidor somente deve ser dado pelo
fornecedor que solicitou a negativação, cabendo a Roberto buscar uma ordem judicial
mandamental, autorizando a divulgação dos dados para ele diretamente.
B) O procedimento do empregado, ao negar as informações que constam no Banco de Dados e
Cadastros sobre o consumidor, configura infração penal punível com pena de detenção ou
multa, nos termos tipificados no Código de Defesa do Consumidor.
C) A negativa no fornecimento das informações foi indevida, mas configura mera infração
administrativa punível com advertência e, em caso de reincidência, pena de multa a ser aplicada
ao órgão, não ao empregado que negou a prestação de informações
D) Cuida-se de infração administrativa e, somente se cometido em operações que envolvessem
alimentos, medicamentos ou serviços essenciais, configuraria infração penal, para fins de
incidência da norma consumerista em seu aspecto penal.

GABARITO

LETRA B
Letra “A" - O empregado do Banco de Dados e Cadastros agiu no legítimo exercício de direito ao
negar a prestação das informações, já que o solicitado pelo consumidor somente deve ser dado
pelo fornecedor que solicitou a negativação, cabendo a Roberto buscar uma ordem judicial
mandamental, autorizando a divulgação dos dados para ele diretamente.
CDC:

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Art. 43. O consumidor, sem prejuízo do disposto no art. 86, terá acesso às informações
existentes em cadastros, fichas, registros e dados pessoais e de consumo arquivados sobre ele,
bem como sobre as suas respectivas fontes.
O consumidor (Roberto) terá acesso às informações existentes em bancos de dados sobre ele.
Incorreta letra “A".
Letra “B" - O procedimento do empregado, ao negar as informações que constam no Banco de
Dados e Cadastros sobre o consumidor, configura infração penal punível com pena de detenção
ou multa, nos termos tipificados no Código de Defesa do Consumidor.
CDC:
Art. 72. Impedir ou dificultar o acesso do consumidor às informações que sobre ele constem em
cadastros, banco de dados, fichas e registros:
Pena Detenção de seis meses a um ano ou multa.
O procedimento do empregado ao negar as informações que constam no Banco de Dados e
Cadastros sobre o consumidor, configura infração penal punível com pena de detenção de seis
meses a um ano ou multa.
Correta letra “B". Gabarito da questão.
Letra “C" - A negativa no fornecimento das informações foi indevida, mas configura mera
infração administrativa punível com advertência e, em caso de reincidência, pena de multa a ser
aplicada ao órgão, não ao empregado que negou a prestação de informações
CDC:
Art. 72. Impedir ou dificultar o acesso do consumidor às informações que sobre ele constem em
cadastros, banco de dados, fichas e registros:
Pena Detenção de seis meses a um ano ou multa.
A negativa no fornecimento das informações é crime, punível com pena de detenção de seis
meses a um ano ou multa.
Pode ser aplicado o artigo 56:
Art. 56. As infrações das normas de defesa do consumidor ficam sujeitas, conforme o caso, às
seguintes sanções administrativas, sem prejuízo das de natureza civil, penal e das definidas em
normas específicas:
I - multa;
Incorreta letra “C".
Letra “D" - Cuida-se de infração administrativa e, somente se cometido em operações que
envolvessem alimentos,medicamentos ou serviços essenciais,configuraria infração penal, para
fins de incidência da norma consumerista em seu aspecto penal.
CDC:

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Art. 72. Impedir ou dificultar o acesso do consumidor às informações que sobre ele constem em
cadastros, banco de dados, fichas e registros:
Pena Detenção de seis meses a um ano ou multa.
A negativa no fornecimento das informações sobre o consumidor que sobre ele constem em
cadastros, bancos de dados, fichas e registros é infração penal, punível com pena de detenção
de seis meses a um ano ou multa.
Incorreta letra “D".

4) Maria e Manoel, casados, pais dos gêmeos Gabriel e Thiago que têm apenas três meses de
vida, residem há seis meses no Condomínio Vila Feliz. O fornecimento do serviço de energia
elétrica na cidade onde moram é prestado por um única concessionária, a Companhia de
Eletricidade Luz S.A. Há uma semana, o casal vem sofrendo com as contínuas e injustificadas
interrupções na prestação do serviço pela concessionária, o que já acarretou a queima do
aparelho de televisão e da geladeira, com a perda de todos os alimentos nela contidos. O casal
pretende ser indenizado.
Nesse caso, à luz do princípio da vulnerabilidade previsto no Código de Proteção e Defesa do
Consumidor, assinale a afirmativa correta.
A) Prevalece o entendimento jurisprudencial no sentido de que a vulnerabilidade no Código do
Consumidor é sempre presumida, tanto para o consumidor pessoa física, Maria e Manoel,
quanto para a pessoa jurídica, no caso, o Condomínio Vila Feliz, tendo ambos direitos básicos à
indenização e à inversão judicial automática do ônus da prova.
B) A doutrina consumerista dominante considera a vulnerabilidade um conceito jurídico
indeterminado, plurissignificativo, sendo correto afirmar que, no caso em questão, está
configurada a vulnerabilidade fática do casal diante da concessionária, havendo direito básico à
indenização pela interrupção imotivada do serviço público essencial.
C) É dominante o entendimento no sentido de que a vulnerabilidade nas relações de consumo
é sinônimo exato de hipossuficiência econômica do consumidor. Logo, basta ao casal Maria e
Manoel demonstrá-la para receber a integral proteção das normas consumeristas e o
consequente direito básico à inversão automática do ônus da prova e a ampla indenização pelos
danos sofridos.
D) A vulnerabilidade nas relações de consumo se divide em apenas duas espécies: a jurídica ou
científica e a técnica. Aquela representa a falta de conhecimentos jurídicos ou outros
pertinentes à contabilidade e à economia, e esta, à ausência de conhecimentos específicos sobre
o serviço oferecido, sendo que sua verificação é requisito legal para inversão do ônus da prova
a favor do casal e do consequente direito à indenização.

GABARITO

LETRA B

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Código de Defesa do Consumidor:


Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço
como destinatário final.
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das
necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de
seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e
harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios:
I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo;
Letra “A" - Prevalece o entendimento jurisprudencial no sentido de que a vulnerabilidade no
Código do Consumidor é sempre presumida, tanto para o consumidor pessoa física, Maria e
Manoel, quanto para a pessoa jurídica, no caso, o Condomínio Vila Feliz, tendo ambos direitos
básicos à indenização e à inversão judicial automática do ônus da prova.
A Teoria Finalista Aprofundada ampliou o conceito de consumidor, incluindo todo aquele que
possua vulnerabilidade em face do fornecedor, autorizando a incidência do CDC nas hipóteses
em que a parte, pessoa física ou jurídica, embora não seja tecnicamente a destinatária final do
produto ou serviço, se apresenta em situação de vulnerabilidade. Há uma presunção de
vulnerabilidade decorrente de uma situação permanente ou provisória, individual ou coletiva,
que fragiliza e enfraquece o sujeito de direitos, desequilibrando a relação de consumo.
A vulnerabilidade do consumidor por equiparação que é presumida, porquê tecnicamente não
é a destinatária final do produto ou serviço, mas se apresenta em situação de vulnerabilidade.
Não há direito básico à indenização e à inversão judicial automática do ônus da prova.
Incorreta letra “A".
Letra “B" - A doutrina consumerista dominante considera a vulnerabilidade um conceito jurídico
indeterminado, plurissignificativo, sendo correto afirmar que, no caso em questão, está
configurada a vulnerabilidade fática do casal diante da concessionária, havendo direito básico à
indenização pela interrupção imotivada do serviço público essencial.
A vulnerabilidade é um conceito jurídico indeterminado, com vários significados, abrangendo
diversas situações.
A vulnerabilidade fática é o quarto tipo de vulnerabilidade elencado pela doutrina consumerista
dominante, e é aquela na qual se vislumbra grande poderio econômico do fornecedor em
virtude do qual ele pode exercer superioridade prejudicando os consumidores.
Assim, está configurada a vulnerabilidade fática do casal diante da concessionária, havendo
direito à indenização pela interrupção imotivada do serviço público, conforme o art. 22 do CDC:
22. Os órgãos públicos, por si ou suas empresas, concessionárias, permissionárias ou sob
qualquer outra forma de empreendimento, são obrigados a fornecer serviços adequados,
eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos.
Parágrafo único. Nos casos de descumprimento, total ou parcial, das obrigações referidas neste
artigo, serão as pessoas jurídicas compelidas a cumpri-las e a reparar os danos causados, na
forma prevista neste código.

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Correta letra “B". Gabarito da questão.


Letra “C" - É dominante o entendimento no sentido de que a vulnerabilidade nas relações de
consumo é sinônimo exato de hipossuficiência econômica do consumidor. Logo, basta ao casal
Maria e Manoel demonstrá-la para receber a integral proteção das normas consumeristas e o
consequente direito básico à inversão automática do ônus da prova e a ampla indenização pelos
danos sofridos.
O conceito de vulnerabilidade é diverso do de hipossuficiência. Todo consumidor é sempre
vulnerável, mas nem sempre será hipossuficiente. A hipossuficiência é um conceito fático e não
jurídico, fundado em uma disparidade ou discrepância notada no caso concreto. Ou seja, está
ligada ao campo processual, enquanto que a vulnerabilidade está ligada ao campo material.
A vulnerabilidade não é sinônimo de hipossuficiencia econômica do consumidor.
Porém, a decorrência direta da hipossuficiência é o direito à inversão do ônus da prova a favor
do consumidor,
Incorreta letra “C".
Letra “D" - A vulnerabilidade nas relações de consumo se divide em apenas duas espécies: a
jurídica ou científica e a técnica. Aquela representa a falta de conhecimentos jurídicos ou outros
pertinentes à contabilidade e à economia, e esta, à ausência de conhecimentos específicos sobre
o serviço oferecido, sendo que sua verificação é requisito legal para inversão do ônus da prova
a favor do casal e do consequente direito à indenização.
A vulnerabilidade nas relações de consumo se divide em quatro espécies.
A primeira vulnerabilidade é a informacional, porque há um déficit informacional, não pela falta
de informação, mas pelo fato de a informação ser abundante e muitas vezes inadequada sobre
produtos e serviços, é potencial geradora de inúmeros danos.
A vulnerabilidade técnica o consumidor não possui conhecimentos específicos sobre o objeto
que está adquirindo. Há uma disparidade entre o conhecimento técnico do consumidor em
relação ao fornecedor.
A vulnerabilidade jurídica consiste na falta de conhecimento jurídico, de contabilidade ou de
economia.
A quarta vulnerabilidade é a fática ou socioeconômica na qual há um poder econômico do
fornecedor em virtude do qual ele exerce superioridade sobre o consumidor, prejudicando-o.
Para que haja inversão do ônus da prova decorre da verossimilhança das alegações do
consumidor ou da sua hipossuficiência, conforme art. 6º, VIII, do CDC:
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu
favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele
hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;
Incorreta letra "D".

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5) Aurora contratou com determinada empresa de telefonia fixa um pacote de serviços de valor
preestabelecido que incluía ligações locais de até 100 minutos e isenção total dos valores pelo
período de três meses, exceto os minutos que ultrapassassem os contratados, ligações
interurbanas e para telefone móvel. Para sua surpresa, logo no primeiro mês recebeu cobrança
pelo pacote de serviços no importe três vezes superior ao contratado, mesmo que tivesse
utilizado apenas 32 minutos em ligações locais.
A consumidora fez diversos contatos com a fornecedora do serviço para reclamar o ocorrido,
mas não obteve solução. De posse dos números dos protocolos de reclamações, ingressou com
medida judicial, obtendo liminar favorável para abstenção de cobrança e de negativação do
nome.
Considerando o caso acima descrito, assinale a afirmativa correta.
A) A conversão da obrigação em perdas e danos faz-se independentemente de eventual
aplicação de multa.
B) A multa diária ao réu pode ser fixada na sentença, mas desde que o autor tenha requerido
expressamente.
C) A conversão da obrigação em perdas e danos independe de pedido do autor, em qualquer
hipótese.
D) A tutela liminar será concedida, desde que não implique em ordem de busca e apreensão,
que requer medida cautelar própria e justificação prévia.

GABARITO

LETRA A
De acordo com o CDC:
Art. 84. Na ação que tenha por objeto o cumprimento da obrigação de fazer ou não fazer, o juiz
concederá a tutela específica da obrigação ou determinará providências que assegurem o
resultado prático equivalente ao do adimplemento.
§ 1° A conversão da obrigação em perdas e danos somente será admissível se por elas optar o
autor ou se impossível a tutela específica ou a obtenção do resultado prático correspondente.
§ 2° A indenização por perdas e danos se fará sem prejuízo da multa (art. 287, do Código de
Processo Civil).
§ 3° Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de ineficácia do
provimento final, é lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou após justificação prévia,
citado o réu.
§ 4° O juiz poderá, na hipótese do § 3° ou na sentença, impor multa diária ao réu,
independentemente de pedido do autor, se for suficiente ou compatível com a obrigação,
fixando prazo razoável para o cumprimento do preceito.

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PREPARAÇÃO PARA O EXAME DE ORDEM

§ 5° Para a tutela específica ou para a obtenção do resultado prático equivalente, poderá o juiz
determinar as medidas necessárias, tais como busca e apreensão, remoção de coisas e pessoas,
desfazimento de obra, impedimento de atividade nociva, além de requisição de força policial.
Alternativa “A”: está correta, pois segundo o parágrafo 2º, do artigo 84, do CDC, a indenização
por perdas e danos se fará sem prejuízo da multa.
Alternativa “B”: está incorreta, pois a imposição de multa pelo juiz independe do pedido do
autor.
Alternativa “C”: está incorreta, pois a conversão em perdas e danos depende de pedido do autor
ou será deferida no caso de ser impossível a tutela específica.
Alternativa “D”: está incorreta, pois consoante o parágrafo 5º acima transcrito, o juiz poderá
determinar as medidas necessárias para possibilitar a tutela específica ou garantir o resultado
prático equivalente. Assim, não é necessário ingressar com outras ações.

#3 Proteção contratual

1) Amadeu, aposentado, aderiu ao plano de saúde coletivo ofertado pelo sindicato ao qual
esteve vinculado por força de sua atividade laborativa por mais de 30 anos. Ao completar 60
anos, o valor da mensalidade sofreu aumento significativo (cerca de 400%), o que foi
questionado por Amadeu, a quem os funcionários do sindicato explicaram que o aumento
decorreu da mudança de faixa etária do aposentado.
A respeito do tema, assinale a afirmativa correta.
A) O aumento do preço é abusivo e a norma consumerista deve ser aplicada ao caso, mesmo
em se tratando de plano de saúde coletivo e, principalmente, que envolva interessado com
amparo legal no Estatuto do Idoso.
B) O aumento do preço é legítimo, tendo em vista que o idoso faz maior uso dos serviços
cobertos e o equilíbrio contratual exige que não haja onerosidade excessiva para qualquer das
partes, não se aplicando o CDC à hipótese, por se tratar de contrato de plano de saúde coletivo
envolvendo pessoas idosas.
C) O aumento do valor da mensalidade é legítimo, uma vez que a majoração de preço é natural
e periodicamente aplicada aos contratos de trato continuado, motivo pelo qual o CDC autoriza
que o critério faixa etária sirva como parâmetro para os reajustes econômicos.
D) O aumento do preço é abusivo, mas o microssistema consumerista não deve ser utilizado na
hipótese, sob pena de incorrer em colisão de normas, uma vez que o Estatuto do Idoso
estabelece a disciplina aplicável às relações jurídicas que envolvam pessoa idosa

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GABARITO

LETRA A
Analisando a questão:
Lei nº 10.741/03:
Art. 15. § 3o É vedada a discriminação do idoso nos planos de saúde pela cobrança de valores
diferenciados em razão da idade.
Código de Defesa do Consumidor:
Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao
fornecimento de produtos e serviços que:
IV - estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em
desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade;
§ 1º Presume-se exagerada, entre outros casos, a vantagem que:
III - se mostra excessivamente onerosa para o consumidor, considerando-se a natureza e
conteúdo do contrato, o interesse das partes e outras circunstâncias peculiares ao caso.
A) O aumento do preço é abusivo, pois se mostrou excessivamente oneroso para o consumidor,
considerando-se a natureza e conteúdo do contrato, além de envolver interessado com amparo
legal no Estatuto do Idoso.
Correta letra “A". Gabarito da questão.
B) O aumento é abusivo, tendo em vista a vedação da discriminação do idoso nos planos de
saúde pela cobrança de valores diferenciados em razão da idade, aplicando-se o CDC à hipótese
por se tratar de contrato de consumo.
Incorreta letra “B".
C) O aumento do preço é abusivo, pois se mostrou excessivamente oneroso para o consumidor,
além do mais, há vedação da discriminação do idoso nos planos de saúde pela cobrança de
valores diferenciados em razão da idade.
Incorreta letra “C".
D) O aumento é abusivo, tendo em vista a vedação da discriminação do idoso nos planos de
saúde pela cobrança de valores diferenciados em razão da idade, não havendo colisão de
normas entre o Estatuto do Idoso e o Código de Defesa do Consumidor, uma vez que o Idoso
pode ser tratado, também, como consumidor.
Incorreta letra “D".

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2) Dulce, cinquenta e oito anos de idade, fumante há três décadas, foi diagnosticada como
portadora de enfisema pulmonar. Trata-se de uma doença pulmonar obstrutiva crônica
caracterizada pela dilatação excessiva dos alvéolos pulmonares, que causa a perda da
capacidade respiratória e uma consequente oxigenação insuficiente. Em razão do avançado
estágio da doença, foi prescrito como essencial o tratamento de suplementação de oxigênio.
Para tanto, Joana, filha de Dulce, adquiriu para sua mãe um aparelho respiratório na loja Saúde
e Bem-Estar. Porém, com uma semana de uso, o produto parou de funcionar. Joana procurou
imediatamente a loja para substituição do aparelho, oportunidade na qual foi informada pela
gerente que deveria aguardar o prazo legal de trinta dias para conserto do produto pelo
fabricante.
Com base no caso narrado, em relação ao Código de Proteção e Defesa do Consumidor, assinale
a afirmativa correta.
A) Está correta a orientação da vendedora. Joana deverá aguardar o prazo legal de trinta dias
para conserto e, caso não seja sanado o vício, exigir a substituição do produto, a devolução do
dinheiro corrigido monetariamente ou o abatimento proporcional do preço.
B) Joana não é consumidora destinatária final do produto, logo tem apenas direito ao conserto
do produto durável no prazo de noventa dias, mas não à devolução da quantia paga.
C) Joana não precisa aguardar o prazo legal de trinta dias para conserto, pois tem direito de
exigir a substituição imediata do produto, em razão de sua essencialidade.
D) Na impossibilidade de substituição do produto por outro da mesma espécie, Joana poderá
optar por um modelo diverso, sem direito à restituição de eventual diferença de preço, e, se
este for de valor maior, não será devida por Joana qualquer complementação.

GABARITO

LETRA C
Código de Defesa do Consumidor:
Art. 18. § 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir,
alternativamente e à sua escolha:
I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso;
II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de
eventuais perdas e danos;
III - o abatimento proporcional do preço.
§ 3° O consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas do § 1° deste artigo sempre que,
em razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer a
qualidade ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial.
Para fazer uso imediato das alternativas dos incisos I, II e III do § 1º, há que estar presente pelo
menos uma das quatro seguintes hipóteses:

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a) em razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas:


a.1) pode comprometer a qualidade do produto;
a.2) pode comprometer as características do produto;
a.3) pode diminuir o valor do produto.
b) quando se tratar de produto essencial.
A norma dá ao consumidor a possibilidade do exercício imediato das prerrogativas do § 1º
sempre que o vício não puder ser desfeito ou não puder trazer o produto ao status quo ante.
Conforme verificamos na análise do caput do art. 18, a função do saneamento do vício é trazer
de volta o produto às suas adequadas condições de uso e consumo. E, agora, com o acréscimo
trazido pelo § 3º, tem-se de dizer que a função do desfazimento do vício é trazer de volta o
produto a suas adequadas condições de uso ou consumo e desde que a substituição das partes
viciadas não comprometa a qualidade, as características, nem lhe diminua o valor.
Quanto ao produto essencial – como o definiremos –, não há mesmo solução do vício. Surgido
o vício, é impossível saná-lo.
A norma dá ao consumidor, como não poderia deixar de ser, a prerrogativa do uso imediato das
alternativas do § 1º do art. 18. Dessa maneira, o consumidor poderá fazer uso das hipóteses dos
três incisos daquele parágrafo, sempre que existir vício em produto essencial, que é aquele que
o consumidor necessita possuir para a manutenção de sua vida, diretamente ligado à saúde,
higiene pessoal, limpeza e segurança, tais como alimentos, medicamentos, produtos de limpeza
em geral etc. (NUNES. Rizzatto. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. 7. ed. rev.,
atual. e ampl. – São Paulo: Saraiva, 2013).
Analisando as alternativas:
A) Está correta a orientação da vendedora. Joana deverá aguardar o prazo legal de trinta dias
para conserto e, caso não seja sanado o vício, exigir a substituição do produto, a devolução do
dinheiro corrigido monetariamente ou o abatimento proporcional do preço.
Não está correta a orientação da vendedora, pois em razão de ser produto essencial, Joana tem
o direito de exigir a substituição imediata do produto.
Incorreta letra “A”.
B) Joana não é consumidora destinatária final do produto, logo tem apenas direito ao conserto
do produto durável no prazo de noventa dias, mas não à devolução da quantia paga.
Joana tem direito de exigir a substituição imediata do bem, em razão da essencialidade do
produto, não sendo necessário aguardar o prazo legal de trinta dias.
Incorreta letra “B”.
C) Joana não precisa aguardar o prazo legal de trinta dias para conserto, pois tem direito de
exigir a substituição imediata do produto, em razão de sua essencialidade.
Em razão de ser produto essencial, Joana não precisa aguardar o prazo legal de trinta dias para
conserto do produto, tendo o direito de exigir a substituição imediata do aparelho respiratório.

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Correta letra “C”. Gabarito da questão.


D) Na impossibilidade de substituição do produto por outro da mesma espécie, Joana poderá
optar por um modelo diverso, sem direito à restituição de eventual diferença de preço, e, se
este for de valor maior, não será devida por Joana qualquer complementação.
Joana tem direito à substituição imediata do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas
condições de uso, ou, a restituição da quantia paga, atualizada e sem prejuízo das perdas e
danos, ou, ainda, o abatimento proporcional no preço.
Incorreta letra “D”.

3) Hugo colidiu com seu veículo e necessitou de reparos na lataria e na pintura. Para tanto,
procurou, por indicação de um amigo, os serviços da Oficina Mecânica M, oportunidade na qual
lhe foi ofertado orçamento escrito, válido por 15 (quinze) dias, com o valor da mão de obra e
dos materiais a serem utilizados na realização do conserto do automóvel. Hugo, na certeza da
boa indicação, contratou pela primeira vez com a Oficina.
Considerando as regras do Código de Proteção e Defesa do Consumidor, assinale a afirmativa
correta.
A) Segundo a lei do consumidor, o orçamento tem prazo de validade obrigatório de 10 (dez)
dias, contados do seu recebimento pelo consumidor Hugo. Logo, no caso, somente durante esse
período a Oficina Mecânica M estará vinculada ao valor orçado.
B) Uma vez aprovado o orçamento pelo consumidor, os contraentes estarão vinculados, sendo
correto afirmar que Hugo não responderá por quaisquer ônus ou acréscimos no valor dos
materiais orçados; contudo, ele poderá vir a responder pela necessidade de contratação de
terceiros não previstos no orçamento prévio.
C) Se o serviço de pintura contratado por Hugo apresentar vícios de qualidade, é correto afirmar
que ele terá tríplice opção, à sua escolha, de exigir da oficina mecânica: a reexecução do serviço
sem custo adicional; a devolução de eventual quantia já paga, corrigida monetariamente, ou o
abatimento do preço de forma proporcional.
D) A lei consumerista considera prática abusiva a execução de serviços sem a prévia elaboração
de orçamento, o que pode ser feito por qualquer meio, oral ou escrito, exigindo-se, para sua
validade, o consentimento expresso ou tácito do consumidor.

GABARITO

LETRA C
A) Segundo a lei do consumidor, o orçamento tem prazo de validade obrigatório de 10 (dez)
dias, contados do seu recebimento pelo consumidor Hugo. Logo, no caso, somente durante esse
período a Oficina Mecânica M estará vinculada ao valor orçado.
Código de Defesa do Consumidor:

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Art. 40, § 1º Salvo estipulação em contrário, o valor orçado terá validade pelo prazo de dez dias,
contado de seu recebimento pelo consumidor.
Salvo estipulação em contrário, o orçamento tem prazo de validade de dez dias, contado de seu
recebimento pelo consumidor.
Como o orçamento foi ofertado com validade de 15 (quinze) dias, este é válido por quinze dias,
vinculando a Oficina Mecânica M por esse período ao valor orçado.
Incorreta letra “A”.
B) Uma vez aprovado o orçamento pelo consumidor, os contraentes estarão vinculados, sendo
correto afirmar que Hugo não responderá por quaisquer ônus ou acréscimos no valor dos
materiais orçados; contudo, ele poderá vir a responder pela necessidade de contratação de
terceiros não previstos no orçamento prévio.
Código de Defesa do Consumidor:
Art. 40, § 2° Uma vez aprovado pelo consumidor, o orçamento obriga os contraentes e somente
pode ser alterado mediante livre negociação das partes.
§ 3° O consumidor não responde por quaisquer ônus ou acréscimos decorrentes da contratação
de serviços de terceiros não previstos no orçamento prévio.
Uma vez aprovado o orçamento pelo consumidor, os contraentes estarão vinculados, sendo
correto afirmar que Hugo não responderá por quaisquer ônus ou acréscimos no valor dos
materiais orçados nem pela necessidade de contratação de terceiros não previstos no
orçamento prévio.
Incorreta letra “B”.
C) Se o serviço de pintura contratado por Hugo apresentar vícios de qualidade, é correto afirmar
que ele terá tríplice opção, à sua escolha, de exigir da oficina mecânica: a reexecução do serviço
sem custo adicional; a devolução de eventual quantia já paga, corrigida monetariamente, ou o
abatimento do preço de forma proporcional.
Código de Defesa do Consumidor:
Art. 20. O fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade que os tornem impróprios
ao consumo ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade com
as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir,
alternativamente e à sua escolha:
I - a reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível;
II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de
eventuais perdas e danos;
III - o abatimento proporcional do preço.
Se o serviço de pintura contratado por Hugo apresentar vícios de qualidade, é correto afirmar
que ele terá tríplice opção, à sua escolha, de exigir da oficina mecânica:
1 - a reexecução do serviço sem custo adicional;

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2 - a devolução de eventual quantia já paga, corrigida monetariamente,


3 - ou o abatimento do preço de forma proporcional.
Correta letra “C”. Gabarito da questão.
D) A lei consumerista considera prática abusiva a execução de serviços sem a prévia elaboração
de orçamento, o que pode ser feito por qualquer meio, oral ou escrito, exigindo-se, para sua
validade, o consentimento expresso ou tácito do consumidor.
Código de Defesa do Consumidor:
Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas:
VI - executar serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização expressa do
consumidor, ressalvadas as decorrentes de práticas anteriores entre as partes;
O consentimento do consumidor deve ser expresso. Não pode ser tácito.
Incorreta letra “D”.

4) Elisabeth e Marcos, desejando passar a lua-de-mel em Paris, adquiriram junto à Operadora


de Viagens e Turismo “X” um pacote de viagem, composto de passagens aéreas de ida e volta,
hospedagem por sete noites, e seguro saúde e acidentes pessoais, este último prestado pela
seguradora “Y”. Após chegar à cidade, Elisabeth sofreu os efeitos de uma gastrite severa e
Marco