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2002

DESCRIÇÃO DA MASTIGAÇÃO NO PERÍODO INTERTRANSICIONAL DA


DENTIÇÃO MISTA
MOTTA, Andréa Rodrigues
Defesa: 21/02/2002
Henrique Olavo de Olival Costa (Orientador)

A mastigação é uma das mais importantes funções do sistema estomatognático sendo


fundamental no trabalho fonoaudiológico na área de motricidade oral. Inúmeras
publicações abordam esta função, mas nenhuma a caracteriza durante o período da
dentição mista, uma fase de muitas transformações na cavidade oral. O objetivo deste
trabalho foi descrever os achados da avaliação da mastigação de crianças durante um
período bastante estável que dura cerca de um ano e meio e no qual não faltam
elementos dentários, fator de conhecida influência no padrão mastigatório.
Encontram-se presentes na cavidade oral os primeiros molares permanentes, os
caninos decíduos, além dos primeiros e segundo molares decíduos. Para esta pesquisa
foram avaliadas 34 crianças, sendo 13 do sexo feminino e 21 do sexo masculino, de
uma escola particular da cidade de Belo Horizonte. Foram encontrados os seguintes
resultados: mordida do alimento frontal (91,18%): mastigação bilateral alternada com
movimentos mandibulares verticais e rotatórios (85,29%): ritmo mastigatório médio
(52,94%): volume ingerido médio (70,59%): não houve sobra de alimentos no
vestíbulo em 94,12% das crianças avaliadas: ausência de ruídos (100%): lábios
fechados durante a função (67,65%): simetria dos músculos masseteres (97,06%):
simetria dos músculos temporais (100%). Neste trabalho foi possível observar que
durante o período intertransicional da dentição mista a mastigação é estável e se
apresenta com as mesmas características descritas na literatura para a mastigação
considerada madura (ou adulta).

DITOS E NÃO-DITOS DOS PAIS: IMPLICAÇÕES NO SINTOMA DE LINGUAGEM


DO FILHO
BONINI, Daniela Bottino
Defesa: 21/02/2002
Maria Consuelo Passos (Orientadora)

O presente trabalho tem como perspectiva fundamental investigar, através do


discurso dos pais, as incidências dos conflitos familiares e, particularmente, conjugais
no sintoma de linguagem de seus filhos. No intuito de alcançar esse objetivo, foi feita
uma pesquisa qualitativa, através do estudo de caso, na qual foi analisado o discurso
dos pais de uma criança atendida na Clínica Fonoaudiológica. De acordo com a
concepção de aquisição de linguagem aqui adotada, foi ressaltado que a criança se
torna sujeito a partir do desejo do outro, sobretudo da mãe, que é quem interpreta
suas necessidades e organiza seu mundo. Já a família foi compreendida no presente
estudo como uma rede de significados, sendo que todos os seus membros se
encontram ligados entre si, de modo que o que acontece com um acarretará em
implicações para todos os outros e vice-versa. O sintoma, por sua vez, foi entendido
como uma linguagem, ou seja, como algo que tem um significado e é, sobretudo,
constituído na relação com o outro. Assim, por mais que o sintoma de linguagem se
materialize na fala, existe por trás dele um sujeito. Neste sentido, para entender o
sintoma é necessário que o clínico Fonoaudiólogo esteja atento a toda a rede de
significados que envolve o sujeito em atendimento terapêutico, ou seja, sua história
de vida e sua história relacional.

PERFIL AUDIOLÓGICO E ELETROFISIOLÓGICO DE PACIENTES CLIMATÉRICAS


SUBMETIDAS A TERAPÊUTICA DE REPOSIÇÃO HORMONAL
COSTA, Ana Paula Carneiro
Defesa: 18/03/2002
Orozimbo Alves Costa Filho(Orientador)

O presente estudo objetivou analisar a sintomatologia auditiva-vestibular e o perfil


audiológico e eletrofisiológico de pacientes climatéricas submetidas à terapêutica de
reposição hormonal (TRH). Participaram desta pesquisa um grupo de 30 mulheres
com idade entre 45 e 55 anos. Foram realizadas entrevistas individuais e os exames
de Audiometria Tonal e vocal, imitanciometria e Audiometria de Tronco Encefálico em
dois momentos distintos, antes e após o uso do TRH. Os resultados revelaram: a
sintomatologia auditiva-vestibular diminuiu consideravelmente após o uso da TRH; os
achados audiológicos e eletrofisiológicos não evidenciaram diferenças estatisticamente
significativas nos momentos antes e depois do uso da TRH.

ESTUDO DA AUDIÇÃO E DOS HÁBITOS AUDITIVOS DE JOVENS DA REGIÃO DE


SOROCABA
WAZZEN, Sílvia Regina Gottardo
Defesa: 18/03/2002
Ieda Chaves Pacheco Russo (Orientadora)

Com o processo tecnológico, a intensidade do ruído tem aumentado, em ambientes


ocupacionais e extra-ocupacionais. Atualmente, a exposição a atividades de lazer
ruidosas faz parte do cotidiano dos indivíduos, principalmente dos jovens, podendo
representar um risco considerável para a audição. Preocupadas com os riscos que esta
exposição pode causar à audição, dificultando ou até mesmo impedindo a admissão de
jovens em empresas, o nosso objetivo na presente investigação foi o estudo da
audição e dos hábitos auditivos extra-ocupacionais de um grupo de jovens do
município de Sorocaba-SP. Foram avaliados 75 jovens com idades entre 18 e 25 anos,
sendo 47 do sexo masculino e 28 do sexo feminino, residentes no município de
Sorocaba. Foram excluídos indivíduos com queixas otológicas, rolha de cerume ou
exposição prévia ao ruído ocupacional. Foi realizada audiometria tonal e aplicado um
questionário para levantamento dos hábitos auditivos. No que se refere à audição,
45,3% dos sujeitos apresentaram algum tipo de alteração auditiva, na freqüência de
3000 a 6000 Hhz. Nas perdas auditivas unilaterais, a orelha menos afetada foi a
esquerda e a freqüência mais atingida foi a de 6 kHz, para os dois sexos. Quantos aos
hábitos auditivos, a maioria dos jovens tem o hábito de se expor principalmente a
música coletiva com níveis elevados de som seguido pelo uso de wakman e freqüência
a cultos religiosos. Os resultados indicaram que indivíduos expostos a ruídos, em suas
atividades de lazer, com níveis elevados de pressão sonora, correm o risco de
desenvolver sintomas e, ou alterações auditivas temporárias ou permanentes,
podendo dificultar ou até impedir a admissão desses em empresas.

A INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA COMO FATOR MODIFICADOR DA NOÇÃO


QUE A CRIANÇA DISFÔNICA TEM DA VOZ
BONATTO, Maria Teresa Rosangela
Defesa: 21/03/2002
Henrique Olavo de Olival Costa (Orientador)
Nas disfonias infantis, a literatura descreve duas vertentes principais quanto à
intervenção fonoaudiológica: uma mecanicista, que se baseia no diagnóstico médico e
uma comunicativa, que leva em conta a voz como instrumento de interrelação social.
Na intervenção fonoaudiológica para o adulto e para a criança, as técnicas de
reabilitação visam a atender a esses dois aspectos. No aspecto mecanicista, a
literatura apresenta muitas pesquisas voltadas para a voz infantil. Encontramos
poucos trabalhos que mostrem como a criança disfônica entende a voz, em geral, a
sua própria voz, em particular, as limitações sociais decorrentes de problemas vocais,
a expectativa diante de um tratamento fonoaudiológico e se ele é assimilado e
incorporado na sua vida diária. O objetivo do presente estudo, é observar qual é a
noção que a criança disfônica tem da voz e analisar se a intervenção fonoaudiológica a
modifica. Foram avaliados dois grupos, o primeiro com crianças diagnosticadas como
disfônicas, mas que ainda iriam se submeter a uma intervanção fonoaudiológica,
denominado pré-intervenção. O segundo, constituído por crianças que receberam o
diagnóstico de disfonia e que estiveram em atendimento fonoaudiológico por pelo
menos dois meses, chamado pós-intervenção. Ambos os grupos foram submetidos a
quatro perguntas acerca do conhecimento da voz e das suas funções, da sua
importância para a criança, com os seus benefícios e dificuldades e a utilidade que a
voz tem pra ela. Esta investigação foi realizada na Irmandade da Santa Casa de
misericórdia de São Paulo, no Setor de Fonoaudiologia, no período de outubro de
2000 e março de 2001. Foram incluídas na pesquisa crianças de 05 a 14 anos,
disfônicas, sem comprometimentos neurológicos, mentais ou auditivos, com indicação
médica e fonoaudiológica para terapia fonoaudiológica e em condições de
compreensão para responder às perguntas. A análise estatística comparativa mostrou
uma diferença significante, com ocorrência maior no grupo pós-intervenção, para as
seguintes categorias com referências às: funções da Voz (variável sinônimo da fala):
conhecimento do problema vocal (variável reconhecimento da melhora): terapia
(variável realização de exercícios); Coerência na exposição do tema e vocabulário
(variáveis substantivos: exercícios e verbos: falar). Quando as sub-categorias, de
vocabulário (substantivo, verbos, sensações corporais e adjetivos) foram agrupadas e
comparadas, observamos que houve uma diferença significativa para a variável
“substantivo”. O presente estudo demonstrou, em relação à noção de voz, que a
criança disfônica a entende como: um meio de comunicação, um instrumento de
trabalho, fator de impedimento social, essencial para a vida, para expressar
sentimentos, associada à respiração e como sinônimo de fala. Em relação a
intervenção fonoaudiológica constatamos que a criança disfônica torna-se mais apta
para: verbalizar sobre as funções da voz, reconhecer as melhoras, entender a
realização de exercícios, utilizar um vocabulário comunicativo mais amplo e explicar
com maior clareza as necessidades de comunicação vocal.

DOAÇÃO DE APARELHO DE AMPLIFICAÇÃO SONORA: O GRAU DE SATISFAÇÃO


DO USUÁRIO
RODRIGUES, Flávia Leme
Defesa: 25/03/2002
Ieda Chaves Pacheco Russo (Orientadora)

Acompanhando a evolução contínua da tecnologia, os aparelhos de amplificação


sonora ganharam tecnologia digital o que proporcionou melhores condições de
adaptação aos indivíduos portadores de deficiência auditiva. Porém, essa não é a
realidade dos brasileiros que recebem seus AAS por meio de doações de entidades
governamentais, que na grande maioria optam por aparelhos baratos, que muitas
vezes não atendem às necessidades do usuário. Poucos são os estudos nessa área, o
que nos leva a algumas questões: como estarão adaptados os indivíduos que
ganharam seus AAS por meio de doação? Estarão satisfeitos em todos os aspectos,
desde a qualidade sonora até a imagem do mesmo? Preocupados com a qualidade
dessas adaptações o presente estudo teve como objetivo realizar a avaliação subjetiva
do grau de satisfação do usuário de AAS obtido por intermédio de doações,
verificando se as respostas diferem quanto ao sexo, faixa etária e grau de perda
auditiva. Amplification in daily life, instrumento desenvolvido por Cox & Alexander
(1999), em 56 indivíduos, sendo 26 do sexo masculino e 30 do sexo feminino, na
faixa etária de 23 a 89 anos, portadores de deficiência auditiva adquirida após o
período de aquisição da linguagem, adaptados com AAS recebidos no ano de 2000. Os
indivíduos foram divididos em dois grupos, sendo o grupo I composto por indivíduos
com menos de 60 anos, e o grupo II com mais de 60 anos. Os resultados mostraram
que há uma tendência de indivíduos mais jovens do sexo masculino demonstrarem
menor grau de satisfação, quanto à imagem gerada pelo uso do aparelho auditivo que
os demais. E que indivíduos com perda auditiva de grau leve apresentaram maior
grau de satisfação do que os com perda moderada/severa, no que se refere aos
efeitos psicoacústicos propiciados pelo uso da amplificação.

UMA REFLEXÃO SOBRE O BRINCAR INFANTIL E O PROCESSO TERAPÊUTICO


FONOAUDIOLÓGICO
GREGHI, Cassandra Ramboli
Defesa: 26/03/2002
Suzana Magalhães Maia (Orientadora)

O presente trabalho teve por objetivo refletir sobre o brincar no processo terapêutico
fonoaudiológico. Para tanto, foi realizado um estudo de caso em que foram analisadas
as cenas clínicas da paciente selecionada. O embasamento teórico pautou-se nos
pensamentos de D.W.WINNICOTT, um dos estudiosos da psicanálise que mais refletiu
sobre a constituição do brincar infantil, caracterizando sua emergência e também as
vicissitudes que nele podem ocorrer, mostrando assim sua potencialidade para a
função terapêutica. Concluiu-se que o fonoaudiológo precisa aprofundar seus
conhecimentos sobre o brincar para não reduzi-lo a uma estratégia de conquista do
paciente. Também se refletiu sobre a importância de compor a necessidade das
intervenções específicas fonoaudiológicas com aspectos da pessoalidade da dupla
terapeuta/paciente, os quais podem ser potencializados pelas situações de
brincadeira.

A ATUAÇÃO DO FONOAUDIÓLOGO NA REABILITAÇÃO VESTIBULAR


NEVES, Carla Souto Bahillo
Defesa: 01/04/2002
Iêda Chaves Pacheco (Orientadora)

Este estudo tem como principal objetivo enfatizar a atuação do fonoaudiólogo no


atendimento ao indivíduo portador de vertigem, por meio da técnica desenvolvida pelo
médico otorrinolaringologista, sir Terence Cawthorne, na Inglaterra, na década de 40,
isto é, a reabilitação vestibular (RV). Considerada uma opção terapêutica inovadora,
por possibilitar ao paciente um retorno mais rápido às suas atividades diárias, a RV
vem sendo testada e retestada por pesquisadores do mundo inteiro, que vem
comprovando a sua eficácia. A revisão bibliográfica retoma a anátomo-fisiologia do
sistema vestibular e aborda conceitos importantes como os de habituação,
substituição e adaptação, propiciando assim, melhor compreensão do mecanismo de
compensação vestibular. Uma breve retrospectiva histórica da RV, desde 1946 até os
dias atuais, também é realizada, propiciando uma visão geral da evolução da técnica
no mundo. Na pesquisa, é dado destaque ao momento em que a RV chegou ao Brasil,
pelas mãos da equipe do prof. dr. Maurício M. Ganança, na década de 80 e, desde
então, vem fazendo parte da rotina terapêutica de diferentes serviços
otoneurológicos. A fim de propiciar maior compreensão a respeito da técnica da RV,
bem como da atuação do fonoaudiólogo no processo terapêutico, a descrição de um
caso clínico é realizada e comentada. As considerações finais ressaltam a importância
da RV no atendimento do indivíduo portador de alteração de equilíbrio, bem como a
relevância da atuação do fonoaudiólogo no processo terapêutico, a descrição de um
caso clínico é realizada e comentada. As considerações finais ressaltam a importância
da RV no atendimento do indivíduo portador de equilíbrio, bem como a relevância da
atuação do fonoaudiólogo no processo terapêutico, desde que possua o
embassamento teórico-prático necessário e se proponha eliminar um dos mais
desagradáveis e incapacitantes sintomas gerados pelos distúrbios do equilíbrio, ou
seja, a vertigem.

VOZ E CONFIGURAÇÃO DO TRATO VOCAL


CAMPOS, Maria Silvia Siqueira Campos
Defesa: 02/04/2002
Léslie Piccolotto Ferreira (Orientadora)

O objetivo deste trabalho foi relacionar as diferentes configurações do trato vocal e as


características das vozes dos bonecos articulados da televisão brasileira. Foram
avaliadas 68 vozes, realizadas por oito sujeitos, por meio dos parâmetros relacionados
ao trato vocal nas avaliações perceptiva, acústica e laringológica. As vozes foram
separadas de acordo com a faixa etária, 41 de crianças, 23 de adultos e quatro de
idosos, para facilitar a análise.

REPERCUSSÕES DA NARRATIVA DO ADULTO NO DESEMPENHO NARRATIVO


DA CRIANÇA: UM ESTUDO DE CASO
SOUZA, Vera Cristina Alexandre de Souza
Defesa: 02/04/2002
Maria Consuelo Passos (Orientadora)

A presente pesquisa teve como objetivo investigar, por meio de um estudo de caso, o
desempenho narrativo da criança entre 4 e 5 anos de idade, após ter sido estimulada
pela narração de contos de fadas feita por um adulto. Apesar de, nos dias atuais,
existir um desinteresse generalizado pela narrativa oral, importante instrumento na
constituição do sujeito e de sua relação com o mundo, os estudos apontam que contar
histórias favorece a expansão do mundo simbólico da criança, possibilitando
expressões criativas que vão repercutir em suas capacidades discursivas. Os sujeitos
selecionados são crianças inseridas em uma turma pré-escolar de uma creche
municipal, pertencente a famílias de baixa renda. Realizaram-se encontros semanais
durante 4 meses, com duração de 60 minutos, nos quais as crianças ouviam as
histórias contadas pela pesquisadora e depois narravam as suas, tendo a participação,
apenas como ouvinte, da educadora. Os momentos foram gravados e transcritos,
permitindo avaliar o processo de estimulação da criança, especificamente no que se
refere ao seu desempenho narrativo. Sob a ótica fonoaudiológica, a investigação
implementada possibilitou a disponibilização de uma prática que tem como proposta
primordial a participação ativa da criança, ressaltando a importância do outro no
processo de desenvolvimento do discurso narrativo. No que se refere ao aspecto
pedagógico, este estudo permitiu uma reflexão mais profunda sobre a narrativa no
contexto escolar, utilizada então como elemento de estímulo ao aprimoramento
lingüístico das crianças, em contraponto ao tecnicismo da era moderna. A proposta
aqui apresentada pretendeu incentivar os profissionais da área, especialmente os
educadores, na adoção da prática de contar histórias, resgatando o papel da narrativa
oral na humanização da relação adulto/criança com a participação ativa da criança.
PERFIL VOCAL DE DOCENTES DO ENSINO MUNICIPAL E PRIVADO NA CIDADE
DE JATAÍ- GOIÁS
ALVES, Iolanda Abreu Vasconcelos Alves
Defesa: 03/04/2002
Léslie Piccolotto Ferreira (Orientador)

Traçar o perfil vocal e ambiental de professores do ensino municipal e do ensino


privado atuando na área na cidade de jataí estado de Goiás. O instrumento utilizado
no estudo foi um questionário. Este instrumento possibilitou levantar o perfil dos
professores, verificar os hábitos por eles desenvolvidos quanto hidratação, postura
corporal, alimentação, sono, lazer, estado geral de saúde, auto-definição da presença
da alteração vocal e avaliação do seu ambiente de trabalho. Os professores auto-
definiram como tendo alteração vocal para (58-71,60%) no ensino municipal e (18-
56,25%) no ensino privado; tendo como causa mais citada para esta alteração o uso
intensivo da voz para (50-86,20%) no ensino municipal e (17-94,44%) no ensino
privado. O sintoma mais citado foi a rouquidão para (37-63,79%) no ensino municipal
e (12-66,66%) no ensino privado. Quanto aos fatores ambientais, a poeira foi a única
mencionada pelos professores (53-65,43%) do ensino municipal. Este estudo
propiciou conhecer melhor os professores do ensino municipal e do ensino privado da
cidade de Jataí-GO para que posteriormente seja elaborado um programa de
prevenção da alteração vocal. Sugerimos para futuras pesquisas o acompanhamento
dos participantes no momento do preenchimento do questionário.

TERAPIA FONOAUDIOLÓGICA COM UMA CRIANÇA AUTISTA


OLIVEIRA, Nadir Maria da Glória Oliveira
Defesa: 03/04/2002
Mauro Spinelli (Orientador)

O presente trabalho tem por objetivo apresentar reflexões sobre o processo


terapêutico fonoaudiológico com uma criança autista. Na vivência deste processo com
um menino de três anos de idade, deparei-me com difíceis questões clínicas, que me
instigaram a revisões na literatura, objetivando inicialmente a solucioná-las. Neste
percurso fui me direcionando para além destas questões mais objetivas que tratavam
das descrições, conceituações e discussões etiológicas nos quadros de autismo. Fui
me aproximando das questões da linguagem inseridas numa relação terapêutica em
que a escuta e o diálogo destacaram-se como o essencial deste processo terapêutico
fonoaudiológico. Descreverei o encontro com a psicanálise que possibilitou a
compreensão do processo de constituição psíquica do sujeito na linguagem e pela
linguagem para que eu pudesse ter acesso à subjetividade da criança. Considerando a
crescente inserção da clínica fonoaudiológica na área da saúde mental, apresentarei
algumas considerações acerca da especificidade deste trabalho, o que envolverá
alguns conceitos da psicanálise que contribuíram para a fundamentação do mesmo.

ACHADOS AUDIOLÓGICOS EM GRUPO DE CRIANÇAS FILHAS DE MÃES HIV


RISSIO, Patricia de
Defesa: 03/04/2002
Teresa M. Momensohn dos Santos (Orientadora)

Este estudo teve por objetivo caracterizar do ponto de vista audiológico, a criança
filha de mãe portadora do vírus HIV. A investigação foi realizada no setor de
audiologia clínica na DERDIC. Foram avaliadas 33 crianças, até 14 anos de idade,
expostas ao vírus HIV por transmissão vertical, encaminhadas do ambulatório do
instituto de infectologia Emílio Ribas (IIER). A bateria de testes foi composta por
entrevista inicial, avaliação otorrinolaringológica (e inspeção visual do meato acústico
externo); medida da imitância acústica; avaliação audiológica comportamental;
logoaudiometria e emissões otoacústicas evocadas por transiente e por produto de
distorção. A partir dos dados coletados, foram providenciadas algumas ações
imediatas de orientação, aconselhamento e até encaminhamento médico. Nos
achados da audiometria tonal encontramos uma ocorrência de 24,2% (n = 8) de
crianças com perdas auditivas; na timpanometria notamos que 29,6% (n = 8) das
crianças apresentaram alterações; nas emissões otoacústicas por transiente,
verificamos um índice de 48,5% (n = 16) de ausência de respostas; nas emissões
otoacústicas por produto de distorção, verificamos que 38,7% (n = 12) das crianças
avaliadas apresentaram ausência de respostas. Após a realização deste estudo foi
possível concluir que, as crianças filhas de mãe com HIV, necessitam de um olhar
clínico diferenciado para que possamos, acrescentar benefícios na prevenção das
alterações no sistema auditivo. Pois esta população apresenta indicadores de risco
para a audição que foram analisados neste estudo, tais como: infecções oportunistas,
medicamentos ingeridos e as categorias clínicas e imunológicas. De acordo com os
achados deste e de outros estudos que descrevem a audição em relação ao vírus HIV,
intermédio do monitoramento audiológico.

SEMIOLOGIA EM FONOAUDIOLOGIA: A SUBVERSÃO DO CONCEITO DE


DOENÇA
SALLES, Flavia Brisola de Campos
Defesa: 04/04/2002
Regina Maria Freire(Orientadora)

Este trabalho pretende trazer à reflexão a importância da semiologia para a


constituição do campo fonoaudiológico. A análise de pesquisas desenvolvidas no
campo da chamada patologia de linguagem aponta para o reducionismo à que a
clínica fonoaudiológica é relegada, dado o equívoco de se crer as discussões sobre a
terapêutica podem se dar fora do arcabouço estrutural que funda a clínica. Extraindo
elementos que tomarão, sob a minha ótica, o estatuto de inerentes e essenciais à
qualquer reflexão sobre nosologia, subverto a noção de doença em fonoaudiologia,
estabelecendo o primeiro passo para a criança de estruturas clínicas, e,
conseqüentemente, para a elaboração de um projeto ético na área. Finalizo,
reiterando a importância de se prosseguir com novas pesquisas que possibilitem a
edificação de um projeto clínico.

DIAGNÓSTICA EM FONOAUDIOLOGIA: CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES


Rajabally, Luciana Soares de
Defesa: 11/04/2002
Regina Maria Freire (Orientador)

Este trabalho discute a avaliação de linguagem e o diagnóstico enquanto


procedimentos internos à clínica fonoaudiológica, identificando suas raízes Históricas
na medicina. Propõe uma visita à clínica médica, inspiradora da fonoaudiologia,
apontando as vantagens e limitações decorrentes desta aproximação a um modelo
positivista. A seguir, analisa os procedimentos mais freqüentemente encontrados na
clínica fonoaudiológica, criticando suas bases e denunciando sua desarticulação de
uma estrutura clínica. Endossando a noção de estrutura como primordial para a
constituição de projeto clínico, propõe a diagnóstica como elemento teórico que
permite o raciocínio clínico, ao lado da semiologia, da etiologia e da terapêutica. Esta
proposição, lastreada pela indicação de norteadores derivados da análise feita
anteriormente, constitui-se em passo necessário e obrigatório para a fundação efetiva
da clínica fonoaudiológica.
EMISSÕES OTOACÚSTICAS ESPONTÂNEAS E EVOCADAS POR ESTÍMULO
TRANSIENTE EM RECÉM NASCIDOS
FUZETTI, Cristiana Beatriz
Defesa: 22/04/2002
Dóris Ruth Lewis (Orientadora)

A triagem auditiva neonatal, realizada já no berçário utilizando-se o procedimento de


Emissões Otoacústicas (EOA), é uma maneira rápida, não invasiva e eficiente de
detecção da deficiência auditiva em recém nascidos. As EOA se dividem em Evocadas
(EOAEv) e Espontâneas (EOAEs). As Emissões Otoacústicas Evocadas por Transiente
(EOAET) já são uma ferramenta importante tanto na triagem auditiva neonatal quanto
na clínica audiológica, pois proporcionam informações úteis na bateria de testes
diagnósticos para a deficiência auditiva. As EOAEs, no entanto, apesar de serem
objeto de estudo em diversas pesquisas, ainda não tem sua validade atestada na
prática clínica. O objetivo desta pesquisa foi estudar, em uma maternidade do
município de São Paulo, as EOAEs e as EOAET em recém – nascidos com até 48 horas
de vida, sem indicadores de risco para a deficiência auditiva. Das EOAT, foram
analisados os dados referentes à sua amplitude, por orelha e por gênero, e a
reprodutibilidade, total e por bandas de freqüência. A medida das amplitudes foi de
23,50 dB pNPS para orelhas direitas e 22, 60 dB pNPS para o gênero feminino e 23,05
dB pNPS para o gênero masculino. A média da reprodutibilidade por bandas de
freqüências foi de 78% em 1kHz, 95% em 2 kHz, 96% em 3zHz, 95% em 4kHz, 65%
em 5kHz, e 94% na reprodutibilidade total. Das EOAEs, os dados foram analisados no
período de 60 a 80 ms após o estimulo. A ocorrência de EOAEs na orelha direita foi de
78% e na orelha esquerda, 66,7%. As médias das freqüências em que ocorreu o
maior pico por orelha nas EOAEs foram 2750,10Hz para as orelhas direitas e 2831,59
para as esquerdas. Na relação entre EOAEs e EOAT, foi observada uma diferença
estatisticamente significativa (p<0,010) entre as medianas das amplitudes maior em
comparação com as orelhas que não apresentaram EOAEs.

EMISSÕES OTOACÚSTICAS ESPONTÂNEAS E EVOCADAS POR ESTÍMULO


TRANSIENTE EM CRIANÇAS ATÉ 9 MESES DE IDADE
ULHOA, Fernanda Meireles de
Defesa: 22/04/2002
Doris Ruthi Lewis (Orientadora)

As emissões otoacústicas evocadas por estímulo transiente (EOAET) tornaram-se um


instrumento importante tanto na clínica audiológica como na triagem auditiva
neonatal, enquanto as emissões otoacústicas espontâneas (EOAES), apesar de serem
objeto de pesquisa, não são utilizadas na clínica. A significância clínica de se ter ou
não EOAES é ainda desconhecida. Com os avanços da tecnologia dos equipamentos
utilizados, a ocorrência das EOAES têm aumentado. Estudos revelam que as
amplitudes das respostas obtidas nas EOAET são maiores quando as EOAES estão
presentes. Assim, tornam-se necessários mais estudos envolvendo a análise das
EOAES para que possamos verificar sua aplicabilidade na prática clínica. O objetivo
geral desta pesquisa foi verificar a ocorrência das EOAES em crianças até 9 meses de
idade com indicadores de risco para deficiência auditiva e relacioná-las com o registro
das EOAET. A amostra foi composta por 48 crianças, sendo 27 do gênero feminino e
21 do masculino. Todas as crianças que participaram da pesquisa apresentavam
EOAET presentes em pelo menos 3 bandas de frequência consecutivas, sendo uma
delas necessariamente 4 kHz. No registro das EOAET, foram analisados dados sobre
amplitude e reprodutividade, geral e por bandas de frequência. no registro das
EOAES, foram estudados dados referentes à sua ocorrência, amplitude e frequência
em que ocorreu o maior pico. Em ambos os registros analisaram-se dados por gênero
e por orelha. Considerando alguns dos resultados obtidos, verificou-se uma relação
estatisticamente significante entre a amplitude geral das EOAET e a amplitude em que
ocorreu o maior pico das EOAES. Além disso, as orelhas com presença de EOAES
apresentaram maiores amplitudes nas EOAET. Os resultados apontaram para uma
ocorrência de EOAES de 83% das crianças e de 76% do total de orelhas avaliadas,
concordando com estudos mais recentes da literatura especializada.

NÓS SURDOS E ELES SURDOS: VIVÊNCIA DAQUELES QUE FALAM


ALBUQUERQUE, Renato Rolla de
Defesa: 23/04/2002
Beatriz Caiuby Novaes (Orientadora)

O fonoaudiólogo que trabalha com o surdo, fundamentando a sua atuação clínica na


perspectiva oral, enfatiza que além do grau da perda, o diagnóstico precoce, a
utilização do aparelho de amplificação sonora individual ou implante coclear, a
participação da família, escolas regulares, são determinantes do desenvolvimento de
linguagem de cada pessoa surda. Porém, ainda que todos os recursos disponíveis
sejam bem utilizados, ser um bom ou mal falante dependerá das particularidades no
processo de cada um. Em vista disso, o foco da presente pesquisa centra-se no
próprio sujeito surdo que fala, na perspectiva de sua história e em sua percepção de
si mesmo. Com relatos da história de vida, obtidos em entrevistas com nove surdos
oralizados, foi possível conhecer quem são eles, a que grupo pertencem, como
convivem com ouvintes e surdos, como adquiriram a fala e quais sua lembranças do
trabalho fonoaudiológico. As narrativas foram analisadas e discutidas em duas
temáticas: a primeira, denominada “Nós surdos e eles surdos”, identificou a questão
de identidade do surdo que fala e sua percepção de si mesmo como diferente dos
outros surdos. O percurso para tornar-se falante foi discutido observando a
participação da família, a disponibilidade do sujeito, os esforços realizados, dentre
outros fatores. A segunda temática, “Fonoaudiologia na história dos sujeitos surdos”,
descreveu e discutiu a maneira pela qual a terapia fonoaudiológica apresentou-se na
memória do surdo que fala, sendo analisada com base na literatura relacionada à
história de surdos oralizados. A realização deste estudo possibilitou a reflexão sobre a
área de (re)habilitação auditiva, seja na clínica fonoaudiológica ou na escola,
contribuindo para novas discussões quanto à opções terapêuticas e educacionais
comprometidas com a aquisição e o desenvolvimento de linguagem do surdo.

INVESTIGAÇÃO DA APLICABILIDADE DE UMA ADAPTAÇÃO PARA O


PORTUGUÊS DO INVENTÁRIO DE DESENVOLVIMENTO COMUNICATIVO MAC
ARTHUR VERSÃO: PALAVRAS E GESTOS
GALLASSI, Andreza Donatti
Defesa: 24/04/2002
Beatriz Caiuby Novaes (Orientadora)

Tendo em vista os benefícios da intervenção terapêutica o mais cedo possível,


fonoaudiólogos têm trabalhado cada vez mais em programas de identificação de
alterações em recém-nascidos que possam levar a distúrbios na linguagem. Nesse
sentido, as particularidades do atendimento a bebês, tais como parâmetros de
acompanhamento do desenvolvimento geral e, principalmente, de linguagem, têm
sido bastante explorados. Considerando a necessidade de instrumentos que permitam
o acompanhamento de aspectos relacionados ao desenvolvimento de linguagem de
bebês em atendimento fonoaudiológico, o presente estudo teve por objetivo então
pesquisar a aplicabilidade da adaptação para o português do Inventário de
Desenvolvimento Comunicativo MacArthur, versão: palavras e gestos (The MacArthur
Comunicative Development Inventory versão words and gestures – FENSON et al.
1993), designado para mensurar o desenvolvimento do vocabulário receptivo e
expressivo e avaliar o uso de gestos em crianças ouvintes com idades entre 08 e 16
meses. Por meio de entrevistas, o inventário foi aplicado em pais de crianças
brasileiras, sendo que os dados obtidos foram compilados, demonstrados em gráficos
e comparados aos resultados dos estudos do estudo descrito por FENSON et al.
(1994). Os resultados apontaram que as palavras escolhidas na adaptação para ao
português parecem estar compatíveis com o estudo original, já que a tendência de
apreensão de vocabulário, tanto na compreensão quanto na produção, foi semelhante
ao estudo padronizado. A utilização e avaliação crítica do Inventário são sugeridas.

ALTERAÇÕES AUDITIVAS POR MOLÉSTIA INFECTO-CONTAGIOSA: ANÁLISE


DE UM PROGRAMA DE DETECÇÃO PRECOCE
BOTELHO, Denise Leme
Defesa: 24/04/2002
Teresa M. Momenshon dos Santos(Orientadora)

O presente estudo teve como objetivo apresentar, descrever e analisar um programa


de detecção, identificação e intervenção de distúrbios auditivos em crianças que
adquiriram moléstias infecto-contagiosas. Neste estudo retrospectivo, foram
realizados o levantamento e a análise de dados de protocolos de triagem auditiva e
dos prontuários de 1106 crianças portadoras de moléstias infecto-contagiosas que
foram triadas neste programa, desde o início do ano de 1994, no Instituto de
Infectologia Emílio Ribas (IIER) e avaliados na Divisão de Educação e Reabilitação dos
Distúrbios da Comunicação (DERDIC) – Faculdade de Fonoaudiologia da PUC-SP, até
agosto de 2001. Este programa é realizado em duas etapas: na primeira etapa, as
crianças que adquiriram ou que apresentaram moléstia infecto-contagiosa, passam
por triagem auditiva instrumental no ambulatório do IIER. Na segunda etapa, as
crianças que “falharam” na triagem auditiva, são encaminhadas para o diagnóstico
audiológico no Setor de Audiologia na Clínica da DERDIC. Os resultados mostram que,
das 1106 crianças triadas no IIER, 429 crianças compareceram à DERDIC para a
avaliação audiológica completa. Os achados audiológicos encontrados nestas crianças
foram: 82 (19,1%) crianças com deficiência auditiva; e 311 (72,5%) crianças com
problemas de orelha externa e/ou média. Pudemos constatar que independente da
etiologia, o achado audiológico alterado com maior número de ocorrências foi a
alteração de orelha externa e/ou média. O estudo do grau de sensibilidade,
especificidade e acurácia para cada um dos passos deste programa mostraram que,
em média, estes valores foram de 60,6% para sensibilidade, 46,7% para
especificidade e 52% para a acurácia. Vale enfatizar ainda que o procedimento com
maior valor de sensibilidade foi a audiometria tonal ou comportamental e o de maior
especificidade foram as emissões otoacústicas (EOAs).

O IMPACTO ACÚSTICO-AUDITIVO DA UTILIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS


CORPORAIS, DA METODOLOGIA VERBOTONAL, NA PRODUÇÃO DE FALA DO
DEFICIENTE AUDITIVO
GUEDES, Fabiana Ribeiro
Defesa: 24/04/2002
Beatriz Caiuby Novaes (Orientadora)

Diante da perspectiva da oralidade no trabalho com a criança deficiente auditiva,


buscam-se condições facilitadoras, para desenvolver a fala, por meio de vias
sensitivas, como a visual, a tátil, e a proprioceptiva. O objetivo deste trabalho foi
analisar o impacto dos movimentos corporais propostos pela metodologia verbotonal
na fala do deficiente auditivo, em situações de produção simultânea de fala e
movimento, na terapia fonoaudiológica. Foram observadas três crianças com
deficiência auditiva neurossensorial severa e profunda bilateral, que se encontram em
processo terapêutico e que estão familiarizadas com as atividades propostas neste
estudo. O procedimento realizado foi a gravação das emissões de cinco estruturas
rítmicas da metodologia verbotonal, sem e com a sincronização do movimento
corporal. Como instrumento de registro e análise dos dados foi utilizado o programa
computadorizado de análise acústica GRAM. A análise dos dados apresentou três
direções: análise acústico-espectográfica, avaliação perceptivo-auditiva, e análise da
singularidade de cada sujeito. Os resultados da análise acústica espectográfica
demonstraram a melhora da produção de fala diante da sincronização do movimento
corporal. Aqueles obtidos por meio da avaliação perceptivo-auditiva demonstraram
que a melhora da produção ocorreu sem a sincronia da fala e do movimento, o que
determinou divergência entre ambas as análises e demonstrou a importância de se
considerar a singularidade de cada sujeito, que pode atuar de inúmeras maneiras sob
influência da história de sua deficiência auditiva, seu comportamento, seu feedback
acústico-articulatório e o desenvolvimento de sua motricidade, em busca de uma boa
produção de fala. As considerações elucidadas foram: o movimento corporal causa
impacto na fala do deficiente auditivo, mas, se para melhor ou pior, dependerá da
singularidade de cada criança; o uso de estratégias complementares, como o
movimento corporal, que visa à inteligibilidade de fala deve ser considerado caso a
caso; a sensação perceptivo-auditiva nem sempre reflete transformações acústicas na
fala em diferentes contextos de produção. Certamente, discussões e questionamentos
são necessários para incentivar a realização de outras pesquisas nesta área.

CARACTERIZAÇÃO PERCEPTIVO-AUDITIVA DA FONTE GLÓTICA DE UM GRUPO


DE CRIANÇAS SEM QUEIXA VOCAL
MARTINS, Ana Flávia Di Sessa
Defesa: 25/04/2002
Henrique Olavo Olival Costa (Orientador)

Crianças, em idade escolar, podem apresentar problemas de voz com características


hiperfuncionais, decorrentes do chamado abuso ou mau uso vocal. Na literatura,
encontramos inúmeros estudos que abordam a voz da criança do ponto de vista
patológico, mas poucos para compreender o mecanismo vocal infantil e o que se
espera para esta faixa etária. Para que se estabeleça padrões da voz infantil é
importante normatizá-la. No entanto, não há subsídios científicos suficientes para
garantir que a voz da criança possa ser descrita como objeto distinto da voz adulta.
Descrever suas características é uma necessidade anterior à normatização. Assim
sendo, o presente estudo tem por objetivo descrever as características perceptivo-
auditivas mais comuns da fonte sonora de um grupo de crianças na faixa etária de 6 a
10 anos de idade, sem queixa vocal. Para tanto, foram analisadas 100 vozes infantis,
dentro da faixa etária determinada, que foram submetidas à análise perceptivo-
auditiva posposta pelo Comitê Japonês de Logopedia e Foniatria, a escala de GRBAS.
As crianças foram solicitadas a emitir a vocal aberta, oral e central /a/ e as vogais
orais /i/ e /u/ com apoio visual para que mantivessem a vogal de forma sustentada. O
material foi apresentado para 3 fonoaudiólogas, com especialização em voz, para a
análise perceptivo-auditiva. As avaliadoras foram orientadas a classificarem as vozes
de acordo com o critério escolhido, escala GRBAS, graduando cada tipo vocal, a
saber: rouquidão, soprosidade, astenia e tensão, em quatro níveis. Verificou-se que
das 100 crianças avaliadas, para a julgadora número 1, 59% apresentaram algum
grau de desvio da normalidade; para a julgadora número 2, 62% e para a número 3,
64%. Concluímos que a soprosidade (15,6%) foi a característica mais comum
encontrada para o grupo estudado, seguida da característica rouquidão (15,6%). A
característica astenia não foi observada no grupo estudado. A escala GRBAS permitiu
alto grau de concordância entre as avaliadoras, resultando em coerência entre os
dados obtidos. Por fim, tendo em vista a alta porcentagem de características vocais
encontradas no grupo estudado, consideramos que conhecer o padrão vocal da faixa
etária infantil tem se tornado uma necessidade imprescindível. Com o intuito de
melhor atender a esta demanda, parâmetros normativos que garantam a realidade
vocal desta faixa etária são essenciais, para que possamos definir o que é esperado
no comportamento vocal destas crianças, proporcionando uma intervenção
fonoaudiológica mais efetiva.

FONOAUDIOLOGIA & ORTODONTIA: INTERFERÊNCIA DO ESPAÇO


NASOFARINGEANO NO MODO RESPIRATÓRIO
MARINHO Renata Ribeiro
Defesa: 25/04/2002
Léslie Pccolotto Ferreira(Orientadora)

O objetivo deste estudo foi analisar, por meio de pesquisa retrospectiva, qual a
relação da fisiologia respiratória e do espaço nasofaringeo possível para que este não
interfira na fisiologia da respiração nasal. Foi realizado um levantamento de
prontuários fonoaudiológicos e ortodônticos de sujeitos atendidos em Manaus e São
Paulo, de gêneros e idades diversas, considerando o modo respiratório e a imagem de
teleradiografia em norma lateral da cabeça; foram coletados 150 prontuários, sendo
100 de pacientes de Manaus e 50 da cidade de São Paulo. Após a seleção da amostra
foi medido o espaço nasofaringeano de cada teleradiografia analisada. O espaço
nasofaringeano influencia diretamente no modo respiratório; sendo assim, quanto
maior o espaço nasofaringeano, maior a porcentagem prontuários de sujeitos com o
modo respiratório nasal, e quanto menor o espaço nasofaringeano, maior a
porcentagem de prontuários de sujeitos com o modo respiratório oronasal. Foi
possível observar que na presença de medida do espaço nasofaringeano menor que
10,0 milímetros foram registrados prontuários com o modo de respiratório nasal. Não
houve diferença significante quando o modo respiratório ou a média da medida do
espaço nasofaringeano foram relacionados ao gênero (masculino e feminino) e local
(Manaus e São Paulo). Foram registradas relações, direta e inversa, entre faixa etária
e o modo respiratório, ou seja, quanto maior a faixa etária, maior o número de
prontuários com o modo respiratório nasal, e entre a média da medida do espaço
nasofaringeano e a idade analisada em meses- quanto maior a idade em meses maior
a medida do espaço velofaringeano. Na presença desses resultados, pode-se concluir
que há interferência do espaço nasofaringeano no respiratório, considerando que a
medida do espaço nasofaringeano preconizada pela literatura internacional não
corresponde àquela encontrada nesta pesquisa, acredita-se que novos estudos se
fazem necessários com o intuído de se padronizar, para a população e o clima
brasileiros, a média da medida do espaço nasofaringeano mais adequada, qual seja, a
que não interfira no modo respiratório nasal.

CLÍNICA FONOAUDIOLÓGICA: UMA DISCUSSÃO SOBRE A TERAPÊUTICA DOS


DESVIOS DE LINGUAGEM
FAIM, Mônica Girotto Toledo de Castro
Defesa: 29/04/2002
Regina Maria Freire (Orientadora)

Este trabalho discute a terapêutica dos desvios da linguagem, por meio de uma
reflexão que relaciona a compreensão do fenômeno manifesto à proposta de
intervenção fonoaudiológica. Entendendo que a “leitura” do fenômeno clínico decorre
da posição teórica adotada, optou-se por realizar a análise de três vertentes principais
que tem norteado algumas propostas. São elas: a Epistemologia Genética Piagetiana,
a Lingüística Formal e o Interacionismo. A primeira análise e a segunda denunciam
problemas. Conclui-se que elas não permitem que questões vinculadas à constituição
do sujeito na/pela linguagem e seu processo de subjetivação possam ser tocadas. Já
as propostas terapêuticas norteadas pelo Interacionismo trazem avanços na
contemplação das questões de linguagem mas as questões clínicas permanecem
afastadas de cena. Para ampliar a compreensão de porquê não é possível estabelecer
um “dizer” mais efetivo, alço os princípios que determinam o funcionamento estrutural
da clínica e os elementos que a compõem. Esses conhecimentos permitem concluir
que o atendimento fonoaudiológico de desvios de linguagem não pode se aproximar
de um modelo de estrutura clínica inspirada pela medicina, posto que os problemas de
linguagem só podem ser tocados quando remetidos a uma estrutura clínica voltada às
questões simbólicas. Concluo, dizendo que o avanço da terapêutica depende da
produção de conhecimentos que possam atender aos princípios de co-variância e co-
articulação dos elementos estruturais de uma clínica subjetiva, esta clínica deve ter
seu trabalho voltado para a patologia de linguagem. Finalizo, apontando a
necessidade de que os esforços se voltem, neste momento, para a constituição de um
projeto ético na Fonoaudiologia.

ESTUDO DO REFLEXO CÓCLEO-PALPEBRAL EM PROTOCOLOS DE


IDENTIFICAÇÃO DE PERDAS AUDITIVAS
BIASI, Carmen Silva Lucci de
Defesa: 29/04/2002
Orozimbo Alves Costa Filho (Orientador)

A presente pesquisa tem como objetivo estudar o procedimento do reflexo-cócleo


palpebral, (RCP), como protocolo de identificação de perda auditiva. A pesquisa foi
realizada com utilização de dois procedimentos. O primeiro procedimento foi a
realização da pesquisa do RCP em sujeitos de 4 a 21 anos , com perda auditiva
sensório-neural, de grau leve, moderado e severo, congênita, com audiograma
disponível. O segundo procedimento foi a aplicação de um questionário a profissionais
que realizam a Triagem Auditiva Neonatal (TAN), localizados pelo site do Grupo de
Apoio à Triagem Auditiva Neonatal (GATANU), na Internet.A aplicação do questionário
não pode ser analisada estatisticamente, devido ao pequeno número de profissionais,
que a ele responderam, pela internet. Nesse momento, este meio de comunicação não
demonstrou ser eficiente para a coleta de dados entre esses profissionais. Em relação
ao RCP, no questionário a maioria dos profissionais, referiram que, quando as
emissões otoacústicas estão ausentes, apenas 25% do RCP também está ausente. O
resultado do primeiro procedimento desta pesquisa demonstrou que a utilização do
RCP, como procedimento de triagem isolado para a identificação de perdas auditivas,
não garante que a integralidade das vias auditivas esteja presente.

PROFESSORES DISFÔNICOS: CONSIDERAÇÕES SOBRE A PERCEPÇÃO


AUDITIVA
BUOSI, Mara Mercia Belucio
Defesa: 14/06/2002
Leslie Piccolotto Ferreira(Orientadora)

Este trabalho teve como objetivo descrever os achados de avaliação das habilidades
auditivas para discriminar traços de freqüência, intensidade e duração em grupo de
professores com alterações vocais (GD), mais especificamente disfonias funcionais e
organofuncionais, comparando-os aos encontrados em grupo de professores sem
alteração vocal (GND), mediante a investigação do Limiar Diferencial de Intensidade e
da aplicação dos Testes de Detecção de Padrão de Duração. Foram avaliados 44
sujeitos do sexo feminino, na faixa etária de 18 a 40 anos, sendo o Grupo Não-
Disfônico (GND) composto por 21 professores e o Disfônico (GD) por 23 professoras.
Anteriormente à realização dos testes, os sujeitos foram submetidos à avaliação
laringológica, e à avaliação audiológica completa, com o objetivo de realizar a seleção
para a formação dos grupos. Os resultados mostraram que, em todos os testes
realizados, o GND apresentou melhor desempenho que o GD, sendo notadas
diferenças estatisticamente significantes na avaliação dos parâmetros de freqüência e
de intensidade. O presente estudo permitiu concluir que o GND possui melhor
habilidades para discriminar traços de freqüência, intensidade e duração que o GD.
Por conseguinte, considerando-se que o sujeito, ao ouvir, analisa os mesmos
parâmetros produzidos no momento da fonação, podemos dizer que o GND conta com
melhores condições para monitorar a voz auditivamente.

CRIANÇAS DEFICIENTES AUDITIVAS USUÁRIAS DE IMPLANTE COCLEAR


MULTICANAL E O CONTEXTO ESCOLAR
FRANCO Daniela Provenza
Defesa: 17/06/2002
Maria Cecília Bevilacqua (Orientadora)

O implante coclear multicanal oferece ao usuário a possibilidade de vir a falar ou


melhorar a inteligibilidade de sua fala e até mesmo sua intensidade. Auxilia também
na percepção dos sinais de alerta ou perigo. Melhora sua capacidade de comunicação
e aprendizagem assim como a qualidade de suas relações sociais. O objetivo deste
estudo era analisar o desempenho de cinco crianças, deficientes auditivas
neurossensoriais profundas pré-linguais, usuárias de implante coclear multicanal, em
uma avaliação formal do ensino regular, considerando as possíveis relações entre as
características individuais das crianças e o desempenho observado. As crianças são
regularmente acompanhadas no Centro de Pesquisas Audiológicas (CPA) do Hospital
de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), da Universidade de São Paulo
(USP), campus de Bauru. A faixa etária das crianças era de 9 a 12 anos, sendo quatro
do sexo feminino e uma do sexo masculino. Todas estavam matriculadas na 3ª série
do ensino fundamental, em escolas regulares da rede particular de ensino, em classes
comuns. A análise do desempenho baseou-se em provas de português e matemática e
um histórico contendo dados da escolarização e anotações referentes à deficiência
auditiva e ao processo de intervenção clínica. Entre as cinco crianças, constatou-se
que uma tinha muita dificuldade para acompanhar o ensino regular, três não
apresentavam grandes dificuldades enquanto uma delas estava totalmente inserida no
contexto escolar. Os achados corroboraram os estudos consultados sobre a
importância do tratamento específico das habilidades de audição e de linguagem e do
acompanhamento escolar, para um melhor aproveitamento da proposta de
intervenção. Embora algumas crianças do grupo tenham obtido melhores resultados
que outras na avaliação escolar, as dificuldades foram evidentes, especialmente em
língua portuguesa.

COORDENAÇÃO PNEUMOFONOARTICULATÓRIA: ANÁLISE DE PAUSAS NA


PROVA DE CONTAGEM DE NÚMEROS POR MILITARES
SAVIOLLI, Mara Rosangela Branco
Defesa: 21/06/2002
Léslie Piccolotto Ferreira (Orientadora)

A importante relação entre respiração e fonação, associada a falta de pesquisas de


campo objetivas nesse tema sempre me incomodou. O fato da Fonoaudiologia avaliar
a coordenação pneumofonoarticulatória pela presença de sinais da incoordenação
despertou meu interesse em pesquisar a coordenação pneumofnoarticulatória em
indivíduos com vozes adaptadas. Desta forma, o objetivo desta pesquisa é descrever
aspectos relacionados à coordenação pneumofoarticulatória durante a contagem de
números, por meio de análise perceptivo-auditiva e acústica computadorizada. A
contagem de um a trinta foi realizada por jovens militares sem queixas vocais, e
foram observados: características temporais da emissão total, tipos de pausas
encontradas, quantidade de pausas realizadas e características temporais das pausas
durante a emissão. A contagem de números de cada participante foi gravada em mini-
disc, e posteriormente digitalizada no programa CSRE45, instalado no Laboratório
Integrado de Análise Acústica da PUC-SP.Utilizando a análise perceptivo-auditiva e o
programa de análise acústica computadorizada obtivemos espectogramas de banda
larga da contagem de números de cada participante. A leitura e análise desses
espectrogramas possibilitou a obtenção dos seguintes dados: tempo total da
contagem, duração e quantidade das pausas silentes, inspiratórias e de deglutição da
amostra, composta por 240 vozes de estudantes da Academia Militar do Barro Branco.
No grupo 1- correspondente a 58,7% da amostra, a média de tempo de contagem dos
números foi de 16,449 segundos; os participantes desse grupo realizaram a emissão
em seqüência de números, e somente pausas inspiratórias estavam presentes. No
grupo 2 – correspondente a 41,3% da amostra , a média do tempo de contagem foi
de 24,331segundos; os integrantes desse grupo realizaram pausas inspiratórias ou
silentes após a emissão de cada número. Foram observadas três tipos de pausas:
silentes, inspiratórias e de deglutição. A maioria dos participantes da pesquisa, 79,5%
ou 191 pessoas, realizaram até 3 pausas inspiratórias durante a contagem de
números. As médias de duração das pausas foram: inspiratórias, 0,314 segundo; de
deglutição, 0,703 segundo; silentes, 0,314 segundo. As pausas de deglutição foram
encontradas em apenas 7 indivíduos de nossa amostra. Na amostra estudada foram
observadas duas formas distintas de executar a contagem de números: a emissão de
seqüências de números seguida de pausa inspiratória, e a emissão de cada número
seguida de pausa inspiratória ou silente. O tempo total de emissão dos números
guarda estreita relação com o modo escolhido pelo sujeito para realizar a prova e,
conseqüentemente, com a quantidade de pausas realizadas durante a emissão. A
maioria da amostra realizou até 3 pausas inspiratórias durante a contagem dos
números. O tempo médio de duração das pausas silentes e inspiratórias de cada
individuo é homogênea. As pausas de deglutição durante a realização da contagem
ocorreram em apenas sete indivíduos, mas sua duração foi muito superior à duração
das pausas inspiratórias e silentes.

PATOLOGIAS NEUROLÓGICAS PROGRESSIVAS INFANTIS E A FUNÇÃO


TERAPÊUTICA NA CLÍNICA FONOAUDIOLÓGICA
STRUMIELLO , Lisiane Flores de Oliveira
Defesa: 10/07/2002
Suzana Magalhães Maia(Orientadora)

O presente trabalho tem por objetivo estudar a função terapêutica fonoaudiológica no


atendimento a crianças portadoras de patologias progressivas. Para tanto, foram
realizadas entrevistas com fonoaudiólogos atuantes na área. A proposta de clínica
aqui assumida baseia-se na teoria do desenvolvimento humano de D.W. Winnicott, o
qual considera, em seus princípios, que a presença do outro é essencial na
constituição do ser de uma pessoa. O resultado da análise pretende contribuir para a
construção de uma metodologia própria da clínica fonoaudiológica que esteja
comprometida com o paciente. Ressaltou-se, pois, a importância da cena clínica,
incluindo o espaço terapêutico, e atribuindo-lhe a possibilidade de construção de um
espaço potencial. Este estudo conclui que a experiência clínica, a fundação teórica
consistente e o trabalho pessoal de terapeuta são essenciais na clínica fonoaudiológica
aqui proposta.
LOCUÇÃO PUBLICITÁRIA: ANÁLISE PERCEPTIVO AUDITIVA E ACÚSTICA DE
RECURSOS VOCAIS
MEDRADO, Reny Bueno Silva
Defesa: 29/07/2002
Léslie Piccolotto Ferreira(Orientadora)

Ojetivo: analisar auditivamente duas modalidades de emissão, locucionada e não-


locucionada, de um texto comercial, em dois grupos de falantes (locutores e não-
locutores) e identificar os recursos vocais da emissão locucionada nos mesmos
grupos. Método: um texto comercial foi gravado por dez locutores e dez não-
locutores. O material de fala foi submetido a análise perceptivo-auditiva por quarenta
juízes leigos - grupo ouvintes. O grupo ouvintes escutou o material de fala duas
vezes. Realizou a identificação dos locutores e não-locutores e se a emissão do texto
havia sido locucionada na primeira, na segunda ou em ambas as vezes. As amostras
da emissão locucionada dos locutores e não-locutores foram submetidas a análise
acústica, contemplando: duração total do enunciado e pausas, pausas de ênfase,
freqüência fundamental média, mínima e máxima, e número de semitons. Foram
também identificados os vocábulos do texto onde ocorreram os valores de freqüência
mínima e máxima. Resultados: análise perceptivo-auditiva: 84,25% dos locutores
foram identificados como tais e 74% dos não-locutores também, 58,75% dos ouvintes
leigos identificaram corretamente a emissão locucionada do grupo de locutores,
enquanto 64% a do grupo de não-locutores, 9,0% dos ouvintes leigos identificaram
incorretamente a emissão locucionada do grupo de locutores, contra 21% da do grupo
de não-locutores. Para os ouvintes leigos, 31,25% dos locutores locucionaram o texto
comercial em ambas as vezes, contra 11,75% dos não-locutores. Análise acústica: a
duração total do enunciado foi 5,9s para os locutores e 4,89s para os não-locutores.
Total de pausa: locutores apresentaram 2.372ms e os não-locutores: 1.769ms. Valor
de cada das três pausas de ênfase: para os locutores, a pausa1 foi 794,90ms,
pausa2: 983,10ms e pausa3: 594,00ms. Para os não-locutores, a pausa1 foi
650,60ms, pausa2: 638,00ms e pausa3: 480,40ms. Os locutores apresentaram
freqüência fundamental média: 86,76hz, mínima: 57,36hz, máxima: 142,69hz e
15,60 semitons. Os não-locutores apresentaram freqüência fundamental média:
131,29hz, mínima: 92,72hz, máxima: 180,97hz e 11,30 semitons. Os vocábulos onde
ocorreram os valores de freqüência mínima foram seis locutores no vocábulo
"emoção", três no "país" e um no segundo "brasil", cinco não-locutores no vocábulo
"país", um no primeiro "brasil", um no segundo "brasil", um no "vale" e um no
segundo "viage". Os vocábulos onde ocorreram os valores de freqüência máxima
foram: cinco locutores no segundo vocábulo "viage", três no primeiro "viage" e dois
no segundo "pelo"; seis não-locutores no primeiro "viage", um no "país" e um no
segundo "pelo".Conclusão: locutores e não-locutores produziram respostas diferentes
do ponto de vista auditivo e acústico. A maioria dos locutores e não-locutores foi
identificada como tal, em ambas as modalidades de emissão. Locutores foram
identificados mais consistentemente como tais do que não-locutores. Ambas as
modalidades de emissão foram próximas entre si para os locutores identificados como
tais, ao contrário dos não-locutores identificados como tais. O locutor empresta
ajustes da emissão locucionada para a não-locucionada. A duração total do enunciado
na emissão locucionada é maior para os locutores em comparação aos não-locutores.
A distribuição dos tempos das pausas foi estatisticamente mais homogênea aos
locutores em comparação aos não-locutores. Locutores apresentaram valores de
freqüência média, máxima e mínima mais grave e maior número de semitons.

ESTUDO DA AUDIÇÃO DE TRABALHADORES AEROPORTUÁRIOS DO


MUNÍCIPIO DE GUARULHOS-SP
DIAS, Silvana Rodrigues Alves
Defesa: 31/07/2002
Ieda Chaves Pacheco Russo(Orientadora)

O surgimento do avião marcou uma nova era na evolução da humanidade.


Possibilitando a união de todos os povos, contribuiu para que os homens
ultrapassassem em poucas décadas limites que lhe foram impostos por milênios. No
entanto, dentre todos os meios de transporte, o nível de pressão sonora gerado por
uma aeronave é, sem dúvida um dos mais elevados, sendo assim, capaz de provocar
perda auditiva induzida por ruído (PAIR). Desta forma, os trabalhadores de
aeroportos, que trabalham próximo as aeronaves, podem estar colocando em risco
sua audição. Este estudo teve como objetivo caracterizar os achados audiométricos
dos trabalhadores aeroportuários e analisar a mudança significativa de limiar (MSL) no
período de 1999 a 2001. A casuística foi formada por 85 trabalhadores aeroportuários
do sexo masculino que foram divididos em dois grupos de acordo com o local de
trabalho. A fim de caracterizar os achados audiométricos dos aeroportuários foi
realizada audiometria tonal por vias aérea e óssea. Na análise da MSL, utilizamos os
critérios da portaria 19 e clínico (Forini, 1994). Os resultados indicaram que 77,6%
dos trabalhadores aeroportuuários apresentaram limiares audiométricos dentro dos
padrões de normalidade, 15,3% apresentaram curvas audiométricas sugestivas de
PAIR e 7,1% apresentaram outros tipos de configurações. A análise da msl segundo o
critério clínico demonstrou um maior número de ocorrência (49,4) do que o critério da
portaria 19 (11,8%). A idade e o local de trabalho exerceram influência sobre a
ocorrência das alterações auditivas. Concluímos ser de extrema importância a
implantação de programas de prevenção de perdas auditivas para os trabalhadores
aeroportuários, e a atenção a MSL como forma de prevenir a piora ou instalação da
PAIR.

AS METAS TERAPÊUTICAS NA HABILITAÇÃO DA CRIANÇA DEFICIENTE


AUDITIVA USUÁRIA DO IMPLANTE COCLEAR
ALVES, Angela Maria Vaccaro Silva
Defesa: 06/08/2002
Maria Cecília Bevilacqua (Orientadora)

Fundamentado no método aurioral, o qual prioriza a via sensorial auditiva, e nas


situações interacionais de linguagem aqui apresentadas, o objetivo do presente
estudo é identificar, descrever e analisar as principais metas terapêuticas que
permearam o desenvolvimento da audição e da linguagem da criança desta pesquisa,
no fazer clínico-fonoaudiológico. Trata-se, pois, do estudo de caso, realizado de forma
longitudinal durante dois anos, de uma criança portadora de deficiência auditiva
neurossensorial bilateral profunda pré-lingual que recebeu o implante coclear
multicanal. O processo terapêutico foi apresentado e organizado a partir do recorte de
dez cenas, nas quais foram então identificadas as metas terapêuticas. Os resultados
obtidos neste estudo confirmaram a literatura atual referente a essa área, a qual
relata a efetividade do implante coclear. A partir da identificação das metas
terapêuticas, foi possível, de fato, observar o desenvolvimento auditivo e lingüístico
da criança estudada. Considerando-se que o processo terapêutico nas crianças
implantadas é um procedimento recente, o presente estudo, fundamentado nessa
perspectiva científica, pretende auxiliar os profissionais no trabalho com essas
crianças tão singulares, possibilitando-lhes a participação no mundo da audição e da
linguagem.

CARACTERIZAÇÃO DA VOZ DA CRIANÇA DEFICIENTE AUDITIVA USUÁRIA DE


IMPLANTE COCLEAR
TONISI, Gislene Aparecida Barros Rodrigues
Defesa: 20/08/2002
Maria Cecília Bevilacqua (Orientadora)

Este trabalho visa caracterizar as vozes de crianças usuárias de implante coclear,


segundo os parâmetros acústicos e a análise perceptivo - auditiva da voz e compará-
las com as vozes de crianças ouvintes. Foram avaliadas 62 crianças de 3 anos a 5
anos de idade, (31 ouvintes e 31 usuárias de implante coclear). Foi solicitado a
emissão das vogais /a/; /i/ e /u/ em seu tempo máximo. As vozes foram analisadas
acusticamente pelo software Dr. Speech, TIGER DRS, versão 4.0, módulo Real
Analysis. As amostras foram editadas aleatoriamente e acrescidas 10%. Para
avaliação perceptivo-auditiva, as amostras foram analisadas por dez fonoaudiólogas,
especialistas em voz que, utilizando a escala GRBASI e avaliando os parâmetros pitch
e loudness, julgando se a voz pertencia a uma criança ouvinte ou implantada. No
tempo máximo de fonação a média do tempo de sustentação da vogal /a/ foi igual
para ambos os grupos. Porém para as vogais /i/ e /u/, as médias foram
diferentes.Quanto à intensidade e a freqüência fundamental, as médias dos dois
grupos foram similares para as três emissões. Observou-se que a variabilidade da
freqüência fundamental (fo range) das crianças implantadas tem média maior do que
as ouvintes. Na avaliação perceptivo-auditiva 32% das crianças implantadas foram
avaliadas como ouvintes e 22 % das crianças ouvintes como implantadas. Os
parâmetros de pitch e loudness não foram significativos para a caracterização e/ou
identificação das vozes avaliadas. Concluiu-se que a voz da criança usuária de
implante coclear é semelhante à voz da criança ouvinte.

ANÁLISE DOS VALORES DE CORTE DOS TESTES SSW, VERSÃO PORTUGUÊS-


BRASILEIRO, EM CRIANÇAS COM 9 ANOS DE IDADE
DEPENTOR, Georgiane Aparecida Nogueira
Defesa: 20/08/2002
Teresa M. Momensohn dos Santos (Orientadora)

Atualmente uma das preocupações da Fonoaudiologia é desenvolver protocolos


precisos, adaptados à realidade brasileira e ao desempenho de nossas crianças. Sendo
assim, esta pesquisa teve como objetivos: (1) comparar o desempenho do grupo de
crianças, com nove anos de idade, sem queixa acadêmica, para as duas versões do
teste SSW em português-brasileiro, em relação aos valores normativos da versão
original do teste SSW; (2) estabelecer os valores normativos para as duas versões do
teste SSW ; (3) analisar a incidência e os tipos de erros observados nos dois
instrumentos utilizados. Foram avaliadas 104 crianças, com 9 anos de idade, sem
antecedentes otológicos e sem dificuldades aparentes de aprendizagem. Foram
realizados os seguintes testes: audiometria, imitanciometria e o teste SSW, versão
BORGES (1986) e MACHADO (1993). Como critério de análise, comparamos os
valores normativos propostos pelas autoras com os valores de corte da versão
original (Katz, 1998). As condições competitivas do teste SSW foram aquelas que
apresentaram maior grau de dificuldades nas duas versões empregadas. As crianças
estudadas nesta pesquisa, mostraram desempenho inferior ao sugerido pela versão
original, principalmente para a condição número total de erros. Para a versão
MACHADO (1993) do teste SSW, verificou-se menor incidência de erros. Na prática
clínica, é fundamental que os inventários desenvolvidos, normatizados e validados em
outro idioma passem pelo crivo necessário a sua convalidação para a prática em
outras populações, pois o valor de normatização da versão original de um teste
poderá sofre mudanças, quando aplicado à populações diferentes.

ANÁLISE DE UM PROGRAMA DE REABILITAÇÃO PARA PACIENTES COM


ZUMBIDO (P.R.P.Z.)
GUÉRCIO, Janine Oliveira Santos
Defesa: 27/08/2002
Teresa M. Momensohn dos Santos (Orientadora)

O termo "zumbido", também conhecido como Tinitus ou Acúfenos, não é significativo


de uma doença, mas de um sintoma, por isso pode ter uma etiologia variada.
Observamos que desde a antiguidade o zumbido foi queixa que se fez presente e
ainda hoje é persistente, sendo assim nos permitiu descobrir os inúmeros métodos
utilizados para o seu tratamento em épocas remotas e também nos defrontou com os
mais novos avanços científicos de nosso tempo empenhados em tratá-lo. Na busca de
uma solução para essa queixa, propomos a análise a eficácia de um Programa de
Reabilitação do Paciente com Zumbido (P.R.P.Z) mais individualizado, de baixo custo
financeiro e de curta duração, onde participaram 59 indivíduos, de ambos os sexos,
portadores de zumbido, do tipo subjetivo idiopático, sem melhora com tratamento
clínico. Baseando no princípio de que o indivíduo é capaz de aprender a dar novos
significados aos sons caracterizados por ele como zumbido, o P.R.P.Z demonstrou que
é possível, através de um treinamento auditivo, fazer com que o indivíduo aprenda a
ouvir um determinado som diferente de seu zumbido, exercitando a sua memória
auditiva para que o nível de consciência do zumbido seja diminuído, ao ponto de não
mais o incomodar. Por meio de nossos achados, constatamos uma diminuição
significativa do zumbido em todos os sujeitos que participaram do P.R.P.Z com
duração média de 04 a 12 sessões de tratamento. Embora muito ainda tenha que ser
pesquisado, apresentamos o P.R.P.Z como mais uma opção de tratamento para o
portador de zumbido na certeza de que muito tenha que ser melhorado e assim
possamos contribuir com as nossas pesquisas para uma melhor qualidade de vida
destes indivíduos.

QUALIDADE DE VIDA EM IDOSOS COM PERDA AUDITIVA, EM UM SERVIÇO


PÚBLICO DE SAÚDE: UMA ANÁLISE FONOAUDIOLÓGICA
SIEG, Daniela
Defesa: 27/08/2002
Ieda Chaves Pacheco Russo (Orientadora)

O objetivo desta pesquisa foi estudar a qualidade de vida de idosos portadores de


perda auditiva neurossensorial, comparando-a com a de idosos sem queixas auditivas,
como pré-requisito para a posterior elaboração de um projeto fonoaudiológico de
reabilitação auditiva. A casuística foi constituída por 42 indivíduos idosos, com idade
média de 71,2 anos, atendidos no Serviço Público de Saúde da Prefeitura da Estância
Turística de Salto-SP e distribuídos em dois grupos: Experimental e Controle. O grupo
Experimental foi composto por 30 indivíduos idosos, sendo 14 do gênero feminino e
16 do gênero masculino, todos portadores de perda auditiva neurossensorial,
confirmada previamente por meio de audiometria tonal liminar. O grupo Controle foi
formado por 12 indivíduos idosos, sendo seis do gênero feminino e seis do gênero
masculino, com ausência de quaisquer queixas auditivas. Os resultados mostraram
que, na comparação entre os dois grupos estudados, a questão 8 (formadora do
domínio 3 - dor) e o item 09-h (que compõe o domínio 8- saúde mental)
apresentaram resultados estatisticamente significantes, revelando escore pior para os
indivíduos idosos do grupo Experimental; na comparação entre os dois gêneros,
feminino e masculino, feita entre os indivíduos do grupo Experimental; o domínio 1
(capacidade funcional) foi o único que apresentou resposta estatisticamente
significante, com escore pior para os indivíduos idosos do gênero feminino e, na
comparação entre os dois gêneros, feminino e masculino, realizada entre os indivíduos
do grupo Controle, o domínio 4 (estado geral de saúde), o item 09-G (que compõe o
domínio 5 - vitalidade) e o item 09-F (formador do domínio 8 - saúde mental),
apresentaram resposta estatisticamente significante, com escores piores, nos três
aspectos, para os indivíduos do gênero masculino. O questionário genérico de
avaliação de qualidade de vida SF-36, neste trabalho, forneceu informações
importantes acerca de aspectos, até então, não valorizados na elaboração de projetos
voltados para a reabilitação auditiva de idosos. Dessa forma, acreditamos que sua
utilização, nas pesquisas fonoaudiológicas, possa contribuir para avaliar o impacto
dos diferentes distúrbios de comunicação na qualidade de vida de seus portadores.

ACHADOS AUDIOLÓGICOS EM CRIANÇAS COM HIPERBILIRRUBINEMIA


NEONATAL: UM ENFOQUE NA NEUROPATIA AUDITIVA
MARTINHO, Ana Cláudia de Freitas
Defesa: 28/08/2002
Dóris Ruthy Lewis (Orientadora)

Esta pesquisa teve como objetivo realizar o estudo de caso de três crianças que
apresentaram história de hiperbilirrubinemia neonatal com realização de
exsangüineotransfusão e resultados na avaliação audiológica sugestivos de neuropatia
auditiva. As crianças foram encaminhadas de diferentes serviços de audiologia do
estado de são paulo, sendo avaliados em seus respectivos serviços de origem, por
meio de uma bateria de testes audiológicos e eletrofisiológicos, incluindo registro das
emissões otoacústicas (EOAS), pesquisa do potencial auditivo evocado do tronco
encefálico (PAETE) e do microfonismo coclear (MC), bem como avaliação das função
da orelha média (timpanometria e pesquisa do reflexo acústico) e avaliação auditiva
comportamental. Os resultados encontrados durante este estudo demonstraram
ausência de respostas durante o registro do paete e da pesquisa do reflexo acústico,
ao mesmo tempo em que o microfonismo coclear se fazia presente em todas as
crianças descritas. o registro das EOAS esteve presente apenas em um dos casos,
uma vez que as outras duas crianças apresentaram alterações da orelha média.
durante a avaliação comportamental, foi identificada alteração auditiva de grau
moderado e severo/profundo em dois sujeitos relatados, ao mesmo tempo em que
uma das crianças apresentou limiares audiométricos dentro dos padrões de
normalidade. A pesquisa do microfonismo coclear caracterizou-se como um
instrumento de grande fidedignidade para a realização do diagnóstico diferencial da
neuropatia auditiva. Após o termino da pesquisa, foi possível concluir que níveis
elevados de hiperbilirrubinemia ao nascimento parecem construir um importante
indicador de risco para a ocorrência da neuropatia auditiva, uma vez que o sistema
auditivo mostrou-se susceptível aos efeitos neurotóxicos desta substância.

PERFIL VOCAL E CONDIÇÕES DE TRABALHO DE PROFESSORES DOS


MUNICÍPIOS DE VITÓRIA E VILA VELHA-ES
VIEIRA, Wania Regina Lima
Defesa: 30/08/2002
Léslie Piccolotto Ferreira (Orientadora)

O objetivo deste trabalho é por meio do questionário proposto por Ferreira et al.
(1999), conhecer o perfil vocal e as condições de trabalho dos professores das cidades
de Vitória e Vila Velha, verificando sua situação funcional, saúde geral, aspectos e
saúde vocal, antecedentes familiares, e atividades de lazer. Os professores atuam em
escolas da rede estadual do estado do Espírito Santo. Método: do total de 77 escolas,
dois municípios, por meio de sorteio, foram selecionadas 26 escolas estaduais, sendo
14 localizadas em Vitória e 12 no município de Vila Velha. Selecionamos na seqüência,
ainda por sorteio, 118 professores atuantes nestas escolas para participarem da
pesquisa. A entrega dos questionários respeitou o horário de funcionamento de cada
escola. Do total de 118 questionários distribuídos, 100 questionários (84,75%) foram
devolvidos. Resultados: a existência de distúrbio vocal foi apontada por um grande
número de professores que participaram desta pesquisa (75%). Como causa atribuída
para esta alteração vocal foi citado o uso intenso da voz (63,9%), como sintoma mais
citado tivemos rouquidão (48,9%), seguido de cansaço ao falar (46,9%). Quanto aos
fatores ambientais, a poeira (71,7%) foi o dado mais citado pelos professores que
participaram desta amostra. Conclusão: os resultados desta pesquisa poderão
contribuir para ações individuais e coletivas de promoção de saúde vocal a serem
planejadas e desenvolvidas pela secretaria de saúde dos municípios pesquisados.

SISTEMA VESTIBULAR NA CRIANÇA: ESTUDO E AVALIAÇÃO DOS ASPECTOS


DE DESENVOLVIMENTO E MATURAÇÃO
BAQUEIRO, Cristiane Brum
Defesa: 9/09/2002
Orozimbo Alves Costa Filho (Orientador)

Diversos autores ressaltaram a importância do desenvolvimento da postura, do


equilíbrio, das relações especiais, e das impressões sensoriais nos processos de
aquisição e desenvolvimento da linguagem oral e escrita. Diante desses fatos, esta
pesquisa teve por objetivos o estudo e a avaliação dos aspectos de maturação e
desenvolvimento do sistema vestibular na infância. Para tanto, foram realizadas
avaliações otoneurológicas, de caráter ilustrativo, adaptadas às idades, e de acordo
com padrões nomativos existentes. participaram da pesquisa 38 crianças com idade
variando de 2 a 6 anos, sem queixas auditivas, vestibulares e de linguagem. Os
resultados obtidos revelaram a integração funcional do sistema vestibular com outros
sistemas sensoriais na infância; e a importância do estabelecimento do diagnóstico
precoce de alterações desses sistemas, por meio de provas padronizadas e adaptadas
às idades, e da valorização de sinais subjetivos presentes nos processos de aquisição
e desenvolvimento da linguagem.

SENTIDO DE FONOAUDIOLOGIA PARA OS PROFISSIONAIS DE UMA UNIDADE


BÁSICA DE SAÚDE
MANICARDI, Luciane Estela
Defesa: 22/10/2002
Silvia Friedman (Orientadora)

Este trabalho teve como objetivo levantar quais concepções de Fonoaudiologia


circulam entre os profissionais que atuam numa Unidade Básica de Saúde em uma
cidade do interior do estado de São Paulo, para verificar o quanto tais concepções
poderiam estar relacionadas à baixa freqüência de encaminhamento intersetorial.
Foram entrevistados 26 profissionais que atuam nas áreas de Enfermagem, Farmácia,
Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina (especialidades: Pediatria e
Otorrinolaringologia), Nutrição, Odontologia, Psicologia e Serviço Social para, assim,
compreendermos que tipo de visibilidade o campo fonoaudiológico vem apresentando
para os profissionais da nossa área e áreas afins. A metodologia utilizada fundamenta-
se na proposta de Spink e colaboradores (1999), a partir da técnica de associação de
idéias, em que os profissionais entrevistados produziram discursos que nos deram
acesso à produção de sentidos sobre Fonoaudiologia. A análise nos permitiu observar
que a Fonoaudiologia, tal como nos seus primórdios, é vista como uma prática situada
principalmente na dimensão educativa. Os profissionais mostraram uma visão da
Fonoaudiologia dividida em duas sub-áreas de atuação, linguagem e audição,
evidenciando uma visão pouco aprofundada da nossa área.

A DEFICIÊNCIA AUDITIVA E A FAMÍLIA: ANÁLISE DO DISCURSO DO SUJEITO


COLETIVO
BOSCOLO, Cibele Cristina
Defesa: 13/11/2002
Teresa M. Momensohn dos Santos (Orientadora)

O fonoaudiólogo em sua atividade clínica verifica que juntamente com seu cliente
deficiente auditivo encontra-se sua família, e uma atenção especial deve ser estendida
para estas famílias. Investigar as reações, sentimentos e conhecimento em relação à
deficiência auditiva é fundamental, pois a representação que os pais fazem de sua
criança surda poderá interferir no processo terapêutico. Esta dissertação procura
como objetivo geral investigar os sentimentos e conhecimentos de pais de crianças
deficientes auditivas por meio da análise do discurso do sujeito coletivo. Como
objetivos específicos o trabalho pretende investigar os sentimentos dos pais frente ao
diagnóstico da deficiência auditiva e quanto ao uso do AASI; investigar as
expectativas dos pais em relação ao uso do AASI, à comunicação e educação dos
filhos; analisar se existe diferença de opiniões de pais de crianças mais velhas e pais
de crianças mais novas. Para a realização deste estudo foram entrevistados 19 pais de
crianças deficientes auditivas de uma clínica escola de um Curso de Fonoaudiologia. O
roteiro de entrevistas foi elaborado contendo questões abertas e fechadas adaptadas
do instrumento de avaliação de famílias de crianças deficientes auditivas de
JOHNSON, BENSON e SEATON (1997). Como meta de análise o trabalho teve caráter
qualitativo e quantitativo, sendo que as questões abertas foram analisadas pelo
Discurso do Sujeito Coletivo, e as questões fechadas foram analisadas pela construção
de tabelas e gráficos. Como resultados observamos que dos 19 pais entrevistados, 18
eram as mães. Em relação aos discursos dos pais entrevistados, verificamos a
presença de repostas ambivalentes. Alguns pais demonstraram claramente seus
sentimentos de sofrimento, choque, negação, frustração no momento do diagnóstico
da deficiência auditiva, porém, 3 pais relataram não ter tido reação alguma no
diagnóstico da deficiência do filho. Quanto ao AASI, também encontramos
ambivalência de respostas e reações de frustração, negação, satisfação e fantasia. O
modo de comunicação almejado pelos pais em relação a seus filhos nessa pesquisa é
a fala. Não observamos diferença nos discursos de pais de crianças mais velhas com
os pais de crianças mais novas. Como conclusão, verificamos que o discurso do sujeito
coletivo nos possibilitou analisar de maneira mais profunda os pais, e que cada pai
desta população estudada, apresenta conhecimentos, reações e sentimentos
diferentes dos demais. Sendo assim, o fonoaudiólogo deve saber escutar os pais e
conhecer melhor esta família a fim de propiciar a estes pais suporte e forças para
superar suas dificuldades ante a deficiência de seu filho.

PROTOCOLO DE INVESTIGAÇÃO DAS DIFICULDADES AUDITIVAS, SENSAÇÃO


E INTENSIDADE DO ESTÍMULO SONORO EM CANDIDATOS AO USO DE
AMPLIFICAÇÃO ACÚSTICA
BRAGA, Sandra Regina de Siqueira
Defesa: 26/11/2002
Teresa M. Momensohn dos Santos (Orientadora)

Os avanços tecnológicos que vêm ocorrendo na área de adaptação de aparelhos de


amplificação sonora têm colocado à prova o conhecimento e a capacidade dos
profissionais da área. Com isso, nos deparamos com a necessidade de
aprofundamentos em questões não só técnicas destes instrumentos como também
subjetivas, que podem nos auxiliar na escolha dos ajustes deste tipo de aparelho
auditivo. Este trabalho teve como objetivos elaborar um protocolo de investigação da
percepção auditiva à sensação de intensidade em deficientes auditivos
neurossensoriais ou mistos; analisar a função deste protocolo no processo de
adaptação de AASIs de tecnologia digital em novos usuários. A partir da análise do
número de retornos que os indivíduos apresentaram durante o processo inicial de
adaptação ao uso de aparelhos de amplificação sonora individual (AASIs foi
estabelecido o nível de significância deste procedimento). Para a realização deste
estudo foram analisados dois grupos: o grupo I composto por sujeitos submetidos a
um procedimento padrão de centro auditivo e do grupo II constituído por indivíduos
submetidos ao protocolo de avaliação do candidato ao uso de AASIs proposto neste
trabalho. Após a aplicação da análise estatística, foi constatado que o protocolo
desenvolvido colaborou para uma escolha mais ágil dos ajustes dos aasis de
tecnologia digital, podendo ser considerado um instrumento facilitador da percepção
dos benefícios no processo de adaptação ao uso da amplificação quando comparado
ao procedimento utilizado pelo centro auditivo no grupo I.

TERAPÊUTICA FONOAUDIOLÓGICA DO SUJEITO COM ESCLERODERMIA


SISTÊMICA: MOTRICIDADE ORAL E SUBJETIVIDADE
LIMA, Maria Cecília de
Defesa: 06/12/2002
Maria Claudia Cunha (Orientadora)

De acordo com o estudo bibliográfico, constatei que a esclerodermia sistêmica é uma


doença com suspeita de etiologia auto-imune, progressiva, acomete, inicialmente, a
pele do indivíduo e pode progredir com alterações dos músculos e vísceras. Em
estágio evoluído pode ter como sintomas: alteração de mobilidade e redução de
língua, redução da abertura oral e expressão facial rígida. Não constam na literatura
referências sobre intervenções fonoaudiológicas nesta doença. O objetivo desta
pesquisa é estudar a atuação fonoaudiológica em pacientes com esclerodermia
sistêmica, abordando a dimensão bio-psíquica dos sintomas na cena terapêutica. Foi
realizado atendimento fonoaudiológico a pacientes com esclerodermia sistêmica na
Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Descrevi a avaliação fonoaudiológica
realizada em oito pacientes e que resultou na adaptação de um roteiro de exame
miofuncional oral específico para eles. Utilizei-me da teoria psicanalítica para a
análise dos casos por considerar a dimensão simbólica do sintoma manifesto. À luz
desta teoria proponho a valorização da subjetividade no trabalho com motricidade
oral. Foi-me possível constatar que as técnicas fonoaudiológicas de motricidade oral
utilizadas, associadas à escuta e interpretação dos conteúdos latentes dos sintomas,
trouxeram benefícios aos pacientes. Estes benefícios não ocorreriam se as mesmas
técnicas fossem empregadas de forma mecânica. Este estudo poderá configurar um
novo campo de trabalho para a fonoaudiologia, ampliando a interlocução com a
reumatologia e com a dermatologia, e incrementando a discussão sobre a questão da
subjetividade na clínica.

OLHAR FONOAUDIOLÓGICO SOBRE A SAÚDE DO TRABALHADOR: ASPECTOS


NORMATIVOS NOS CASOS DE PAIR
ALUIZIO , Mariana Nonato
Defesa: 09/12/2002
Luiz Augusto de Paula Souza(Orientadora)

A fonoaudiologia vem ganhando espaço na prática dentro da saúde do trabalhador,


embora a atuação do ponto de vista normativo apesar de ser restrita. Entretanto,
ainda existem questões essenciais quanto ao papel deste profissional na equipe de
profissionais da saúde ocupacional e quanto às conseqüências sofridas pelos
trabalhadores acometidos pela PAIR. Esta dissertação discute tais conseqüências
sofridas pelos portadores de PAIR, a fim de refletir sobre as medidas adotadas por
empresas com relação a este trabalhador e realizar uma análise das normatizações
relacionados à prática fonoaudiológica nas empresas. Sendo assim, realizou-se uma
revisão da literatura e um levantamento documental dos aspectos normativos
expedidos pelo ministério do trabalho, pela previdência social e também a resolução
do conselho de fonoaudiologia sobre a audiologia ocupacional. Concluiu-se que,
principalmente nas pequenas e médias indústrias, a prevenção da PAIR é quase
inexistente e nas grandes ainda precisa ser aprimorada; por causa de questões
econômicas, culturais e educacionais e não para a audição e investir na prevenção e
na reabilitação da PAIR pode ser dispendiosa para o pequeno e médio empresário.
Além disso, a legislação vigente limita a ação dos fonoaudiológica e exames
audiométricos, quando esta poderia participar da elaboração dos programas de
conservação auditiva, da reabilitação dos portadores de PAIR e da recolocação destes
profissionais no mercado de trabalho.

CONSIDERAÇÕES SOBRE O ATENDIMENTO TERAPÊUTICO REALIZADO PELO


ESTUDANTE DE FONOAUDIOLOGIA: A PROPÓSITO DOS SINTOMAS VOCAIS
BERGANTIN , Marina
Defesa: 10/12/2002
Maria Claudia Cunha(Orientadora)

Este trabalho advém do desejo em aprofundar algumas questões que surgiram no


decorrer de minha formação acadêmico - profissional, a saber: quais as tendências
dos atendimentos terapêuticos na área de voz realizados por estudantes do 4º ano de
Fonoaudiologia de diferentes instituições e, portanto submetidos a diferentes
formações acadêmicas, não desconsiderando as diferenças individuais, portanto,
valorizando a singularidade de cada um dos estudantes. O recorte na área de voz é
justificado por se tratar de uma área em que o sintoma vocal é predominantemente
observado em seu aspecto visível (corporal), sendo que muitas vezes a singularidade
do paciente é desconsiderada e a preocupação volta-se à cura do corpo, face orgânica
do sintoma vocal. Desta forma, o objetivo da pesquisa é investigar como a relação
corpo e mente é concebida na avaliação e intervenção frente ao sintoma vocal, além
de considerar os aspectos preponderantes no atendimento terapêutico. Com isso,
pretendo refletir sobre a atuação terapêutica que contemple o sintoma vocal nas suas
faces visível (corporal) e não-visível (mental). Para isso, considero a articulação com a
Psicanálise fundamental para a Fonoaudiologia, pois considera a indissociabilidade
entre corpo e mente. E por meio de entrevistas realizadas com doze estudantes do 4º
ano de Fonoaudiologia de quatro Universidades: Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo (PUC-SP); Universidade São Paulo (USP); Centro Universitário São Camilo e
Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), analiso os depoimentos
obedecendo duas categorias estabelecidas: a concepção da relação corpo e mente e
os aspectos preponderantes na abordagem terapêutica (fisiológico, educacional,
expressivo, social e de desenvolvimento). Pela análise dos fragmentos dos
depoimentos, foi possível mapear as tendências dos atendimentos e fazer algumas
considerações sobre aspectos que surgiram no decorrer do processo de interpretação
do material empírico, além daqueles inicialmente propostos.

ESTUDO CLÍNICO DA NEUROPATIA AUDITIVA DE CARÁTER FAMILIAR


RIBEIRO, Cristiane Lourenzo
Defesa: 10/12/2002
Orozimbo Alves Costa (Orientador)

Este estudo objetivou caracterizar as dificuldades auditivas provenientes da


neuropatia auditiva em cinco sujeitos adultos, membros de duas famílias distintas, a
partir de seus relatos, da avaliação clínica da audição e do uso de aparelhos de
amplificação sonora individuais (AASIs), por um período de seis semanas. As
informações obtidas basearam-se em dados de prontuário e entrevista, questionário
de auto-avaliação do handicap, audiometria tonal liminar, logoaudiometria, medidas
de imitância acústica, emissões otoacústicas (EOAs), pesquisa do Potencial Evocado
Auditivamente do Tronco Encefálico (PEATE) e do microfonismo coclear (MC),
determinação da variação do crescimento da sensação de intensidade, testes de
reconhecimento de fala com AASI e percepções dos próprios sujeitos quanto ao uso
desse dispositivo. Os resultados da audiometria tonal liminar indicaram limiares
auditivos alterados, de grau leve a moderadamente severo, com configuração plana e
ascendente. Baixos índices de reconhecimento de fala foram encontrados,
principalmente na família composta por três membros afetados. O registro das EOAs e
do MC fizeram-se presentes e a pesquisa do PEATE demonstrou ausência de resposta
em todos os sujeitos. A experiência com AASI não revelou benefícios em quatro
sujeitos, no que se refere à compreensão de fala, e demonstrou auxílio parcial em um
sujeito. O uso binaural, nestes casos, não se mostrou mais efetivo em comparação ao
uso monoaural. Como conclusão, foi verificado que a neuropatia auditiva acarreta
sérios prejuízos na qualidade de vida dos acometidos, uma vez que impõe limites às
relações comunicativas. O AASI deve ser experimentado para que sejam avaliados os
benefícios em cada sujeito. O monitoramento da integridade das células ciliadas
externas, necessita ser realizado por meio das EOAs.

O IMPLANTE COCLEAR COMO RECURSO DE INTERVENÇÃO EM CRIANÇAS


DEFICIENTES AUDITIVAS POR RUBÉOLA CONGÊNITA
Minciotti, Adriana
Defesa: 10/12/02
Maria Cecilia Bevilacqua (Orientador)

Estudos recentes sobre o Implante Coclear demonstraram que, quanto mais


precocemente crianças com deficiência auditiva pré-lingual são implantadas, melhor
se dá o desenvolvimento da percepção e inteligibilidade de fala nessas crianças.
Sendo a deficiência auditiva por rubéola congênita pré-lingual, e tendo características
próprias na forma como altera o Órgão de Corti no indivíduo infectado
congenitamente, este estudo procurou pesquisar o desempenho de audição e
linguagem em crianças com alterações auditivas provocadas pela rubéola congênita
na utilização do Implante Coclear como dispositivo de intervenção, assim como
analisar os critérios de seleção e etiologia das crianças candidatas ao implante,
observando como o grupo do estudo se insere neste universo. Neste estudo
pesquisou-se uma população de 319 crianças com deficiência auditiva neurossensorial
por etiologias diversas, candidatas ao uso do IC no período de janeiro de 1996 a
dezembro de 1998. Destas, 12 crianças fizeram parte do grupo de implantados com
SRC e foram avaliadas a partir dos limiares de mapeamento, limiares audiométricos
com IC, teste de reconhecimento de dissílabos (DELGADO, 1997) e categorias de
audição e linguagem. A análise dos resultados demonstrou que destas 319 crianças,
65 foram implantadas e os principais critérios de exclusão das 254 restantes foram:
(re)habilitação (58), resultados satisfatórios com AASI (54) e idade (45). Dentre as
causas de deficiência auditiva nas 65 crianças implantadas, as principais foram:
congênita idiopática (24), meningite (13) e SRC (12). Todas as crianças do grupo de
SRC implantadas (n=12) progrediram quanto às habilidades de audição e linguagem.
A média dos limiares audiométricos com IC foi de 30 dB e a média dos escores de
acertos de fonemas foi de 85%. Para o grupo acima referido (n=12) observou-se
significância estatística entre as variáveis: sexo e IRF (acertos de fonemas), sendo
que os sujeitos do sexo feminino apresentaram escores de acertos maiores que os
sujeitos do sexo masculino; idade atual e categoria de linguagem, sendo que quanto
maior é a idade do sujeito, maior é a categoria de linguagem; tempo de uso do IC e
categorias de audição e linguagem, sendo que quanto maior o tempo de uso do IC,
maior as categorias de audição e linguagem; idade gestacional de contaminação e
fatores associados a SRC, sendo que quanto maior a idade gestacional de
contaminação, menor os fatores associados apresentados pelos sujeitos; idade
gestacional de contaminação e categoria de linguagem, sendo que quanto maior a
idade gestacional de contaminação , menor a categoria de linguagem; correlação
entre as categorias de audição e linguagem, sendo que quanto maior uma categoria,
tanto maior a outra. Para os sujeitos implantados com IC MedEl (n=09) observou-se
significância estatística entre as variáveis: idade atual e tempo de uso do IC, sendo
que quanto maior é a idade do sujeito, maior é o tempo de uso do IC; idade
gestacional de contaminação e categoria de audição, sendo que quanto maior esta
idade, menor a categoria de audição. Os resultados obtidos demonstraram a eficácia
do IC como dispositivo de intervenção em crianças portadoras de alterações auditivas
por infecção congênita pelo vírus da rubéola.

A CLÍNICA FONOAUDIOLÓGICA PARA ALÉM DA ADOÇÃO DE UMA TEORIA DE


LINGUAGEM: UM CASO DE AFASIA
SHIRASSU, Lícia Veríssimo Seraceni
Defesa: 17/12/2002
Maria Claudia Cunha (Orientadora)

O objetivo deste trabalho é estudar a relação entre terapeuta e paciente implicada no


atendimento clínico terapêutico de um caso de afasia. Como parâmetros fundamentais
de análise, utilizarei os conceitos psicanalíticos de transferência e de
contratransferência. O interesse pelo estudo da relação terapêutica se deve aos
questionamentos surgidos durante o processo terapêutico, que não puderam ser
respondidos pelas teorias lingüísticas que até então o sustentavam. A aproximação
com a Psicanálise permitiu compreender a relação terapêutica primordialmente como
relação entre inconscientes. Assim, os conceitos de transferência e de
contratransferência são utilizados como "ferramentas" que permitiram entender os
conteúdos inconscientes que estavam em cena nos momentos "inquietantes"
considerados durante o atendimento. A análise destes momentos foi possível na
medida em que retomo, a partir de minha memória, todo o processo terapêutico. Ao
apreender o fenômeno clínico pela memória passo a analisar as condutas, tanto da
terapeuta quanto da paciente, que favoreceram a correspondência entre os seus
impulsos inconscientes interferindo no processo terapêutico e ainda, como estes
impulsos podem ser acolhidos de modo a contribuir com o método clínico terapêutico
fonoaudiológico.

CARACTERIZAÇÃO DA INTERAÇÃO MÃE E CRIANÇA DEFICIENTE AUDITIVA NA


SITUAÇÃO DE CONTAR HISTÓRIAS COM LIVROS INFANTIS
OLIVEIRA, Lívia Silvestrini de
Defesa: 17/12/2002
Beatriz Caiuby Novaes (Orientadora)

Este estudo teve como objetivo analisar o contar histórias infantis pela mãe de
crianças portadoras de deficiência auditiva, a partir de livros, particularizando o fluxo
de interpretações gerado pela situação. Para tanto, foram apresentadas quatro
duplas, duas de mães ouvintes e filhos ouvintes e duas de mães ouvintes e filhos
deficientes auditivos. A observação se deu em dois momentos filmados, sendo no
primeiro momento filmada a história "Buá...Buá...O que será?" , e no segundo, as
histórias "Você sabe guardar segredo?" e, novamente, "Buá...Buá...O que será?" Na
transcrição da filmagem, foi desenvolvida uma sistemática de registro para permitir a
análise das situações estabelecidas nas duplas. A partir desses registros, foram
discutidas as atribuições de sentido dadas à fala do outro, o uso da linguagem verbal,
de gestos e expressão facial, levando em consideração a utilização da audição residual
e da leitura oro facial. Pode ser observado que cada mãe tem seu estilo para contar
histórias. Os achados sugerem que as mães de deficientes auditivos, diferentemente
das mães de ouvintes, dirigem mais freqüentemente seus olhares para os filhos, no
intuito de garantir o entendimento do material lido, além de repetirem termos, por
vezes antecipando possíveis incompreensões e subestimando o potencial de
interlocução de seus filhos. Também foram abordadas as implicações deste estudo
para o processo terapêutico fonoaudiológico de crianças deficientes auditivas, mais
especificamente quanto à orientação a pais.

A SUBJETIVAÇÃO PELA ESCRITA: UMA POSSIBILIDADE DE


DESPATOLOGIZAÇÃO
SILVA, Elaine Cristina Aloise Rosa
Defesa: 17/12/2002
Maria Claudia Cunha (Orientadora)

A linguagem escrita, ao fazer-se presente no "setting" fonoaudiológico é


tradicionalmente considerada a partir de teorias advindas da lingüística e/ou da
psicologia do desenvolvimento. Contudo, considero que essa abordagem não
contempla todas as esferas da clínica fonoaudiológica com a escrita. Assim, neste
trabalho com o auxílio da psicanálise, foi possível focar o olhar sobre o sujeito da
escrita. Nesta medida, esta dissertação buscou articular o referencial teórico da
lingüística, especificamente a abordagem enunciativa-discursiva, com concepções
psicanalíticas de forma a lidar com a subjetividade que enlaça linguagem, corpo e
psiquismo. Assim, meu objetivo foi investigar em que medida a escrita viabiliza a
subjetivação de sujeitos com precariedade oral (no caso, um portador de paralisia
cerebral), oferecendo a esses sujeitos a possibilidade de, assim, despatologizar-se.
em outras palavras: priorizei o sujeito que escreve e não a escrita do sujeito. O
material empírico constituiu-se em um livro do gênero autobiográfico, textos (diários
íntimos) e registros dos meus encontros com o sujeito. A análise orientou-se por três
categorias formuladas a partir das peculiaridades desse material: a escrita como
subjetivação, a escrita como despatologização e o papel do grau de letramento
familiar. Apesar de não se tratar de material clínico, considero que as formulações
aqui propostas podem contribuir para as bases do método clínico-terapêutico
fonoaudiológico. Os resultados apontam para a escrita como um recurso utilizado pelo
sujeito para subjetivar-se de forma a despatologizar-se, na medida em que a
linguagem escrita mostrou-se como uma estratégia discursiva eficiente para colocá-lo
em contato com o outro, para acolher o seu sofrimento, bem como colocar o corpo em
um outro tipo de funcionamento, apesar das limitações orgânicas.

ESTUDO DA AUDIÇÃO EM MULHERES EXPOSTAS AO RUÍDO EM UMA


INDÚSTRIA TÊXTIL
POSENATO , Nilcimar Rocha
Defesa: 17/12/2002
Ieda Chaves Pacheco Russo(Orientadora)

Esta pesquisa teve como objetivo descrever o perfil audiométrico de mulheres que
trabalham expostas ao ruído, em uma indústria têxtil do Município de Juiz de Fora -
MG, verificando se idade e tempo de exposição ao ruído são fontes de variabilidade.
Para tanto, foram levantados dados da história clínica e audiometria tonal liminar de
326 mulheres trabalhadoras de uma indústria têxtil, expostas a ruído há, no mínimo,
um ano e, no máximo, quatro anos. Os audiogramas foram classificados de acordo
com a Portaria 19/98 do Ministério do Trabalho. Os resultados mostraram que 56
mulheres (17,2%) apresentaram audição dentro dos limites aceitáveis de
normalidade, pertencendo ao Tipo 1; 24 mulheres (7,4%) apresentaram audição
sugestiva de perda auditiva por níveis de pressão sonora elevados ou alterados, ou
seja, Tipo 2, e apenas uma mulher (0,3 %) apresentou resultado não-sugestivo de
perda auditiva por níveis de pressão sonora elevados, ou seja, Tipo 3. Já no grupo
exposto a ruído há mais de dois anos, das 245 trabalhadoras, 181 mulheres (55,52%)
apresentaram uma configuração audiométrica do Tipo 1; 59 mulheres (18,1%)
apresentaram-na do Tipo 2 e cinco (1,5%) encaixaram-se no Tipo 3. As conclusões
revelaram que, do total de mulheres analisadas, 237 (72,7%) apresentaram limiares
de audibilidade dentro dos padrões de normalidade, classificadas como Tipo 1,
contra 89 (25,5 %) que apresentaram perfis audiométricos alterados, dos Tipos 2 e
3. Com relação à faixa etária, as trabalhadoras mais jovens apresentaram melhores
limiares de audibilidade do que as mais velhas e, com relação às freqüências, as mais
afetadas foram as de 3 kHz, 4 kHz e 6 kHz. Os resultados correlacionaram-se bem
com os da literatura compulsada.

RESPIRAÇÃO E MASTIGAÇÃO: ESTUDO COMPARATIVO ENTRE DOIS GRUPOS,


COM E SEM INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA
DUARTE, Lia Inês Marino
Defesa: 19/12/2002
Léslie Piccolotto Ferreira(Orientadora)

Objetivo: Comparar, por meio de avaliação fonoaudiológica miofuncional, as funções


de respirar e mastigar em sujeitos durante tratamento ortodôntico, com e sem
intervenção fonoaudiológica associada. Métodos: Participaram deste estudo 17
sujeitos com má oclusão classe II de Angle, idade média de 13,1 anos, ambos os
gêneros, com dentição permanente e sem realização prévia de tratamento
ortodôntico/ortopédico dos maxilares e terapia fonoaudiológica em motricidade oral.
Os sujeitos foram divididos em dois grupos, um que recebeu intervenção
fonoaudiológica associado ao tratamento ortodôntico, aqui identificado como GOF
(grupo ortodôntico/fonoaudiológico) e outro que realizou somente tratamento
ortodôntico, identificado como GO (grupo ortodôntico). Os dois grupos realizaram
quatro avaliações fonoaudiológicas miofuncionais, num período de dois anos.
Resultados: Comparando-se os dois grupos observou-se, na quarta avaliação
fonoaudiológica miofuncional, no GOF, 100% dos sujeitos apresentaram um padrão
nasal de respiração e 87% um padrão bilateral alternado de mastigação com
movimentos verticais e rotatórios; no GO, 44% dos sujeitos apresentaram respiração
nasal e 22%, um padrão bilateral alternado de mastigação com movimentos verticais
e rotatórios. Conclusões: A intervenção fonoaudiológica, em sujeitos portadores de
má oclusão classe II de Angle, em tratamento ortodôntico, mostrou-se efetiva. O
tratamento ortodôntico propiciou modificações no modo respiratório e na mastigação;
porém, os resultados não foram tão significativos, quando comparados aos obtidos no
grupo com intervenção fonoaudiológica associada (GOF). A intervenção
fonoaudiológica com a função respiratória mostrou-se eficaz, quando iniciada no início
do tratamento ortodôntico; já a função mastigatória deverá ser iniciada após
adaptação ao aparelho ortodôntico e ao novo padrão oclusal. Os resultados obtidos
com a função mastigatória revelam a necessidade de se repensar o momento mais
propício para iniciar a terapia fonoaudiológica, com a função mastigatória, nos
pacientes em tratamento ortodôntico.

ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA NA AVALIAÇÃO ENDOSCÓPICA DA


DEGLUTIÇÃO: ANÁLISE FUNCIONAL DA FISIOLOGIA E FISIOPATOLOGIA DA
FASE FARÍNGEA
GIORDAN , Carla Rubio
Defesa: 20/12/2002
Léslie Piccolotto Ferreira(Orientadora)

Objetivo: Refletir sobre a atuação do fonoaudiólogo na equipe de avaliação


endoscópica da deglutição, por meio da nasofibroscopia, contribuindo com o
diagnóstico funcional da fase faríngea, uma vez que esse procedimento proporciona
uma maior clareza da anatomia e fisiologia desta região. Métodos: Foi utilizada a
avaliação endoscópica da deglutição, por meio da nasofibroscopia para avaliar
pacientes com queixa de alteração da deglutição, com ênfase nos achados
fisiopatológicos que este procedimento proporciona, a fim de contribuir com o
diagnóstico e reabilitação das disfagias faríngeas. Foram utilizados alimentos de várias
consistências e volumes para verificar o comportamento de todas as estruturas da
faringe, durante a dinâmica da deglutição. Resultados: Os resultados apresentados,
na primeira etapa, referem-se a ocorrência dos achados fisiopatológicos encontrados
no exame em questão em relação aos tipos de alimentos oferecidos com seus
volumes específicos e, na segunda etapa, a análise estatística da relação de
significância entre as queixas apresentadas pelos sujeitos e os achados
fisiopatológicos encontrados. Os resultados indicam uma relação entre os achados
fisiopatológicos e a dinâmica funcional da deglutição, de acordo com o tipo de
consistência do alimento oferecido e seus volumes correspondentes, bem como, o uso
de técnicas e estratégias terapêuticas específicas, a fim de se conseguir um resultado
favorável na reabilitação das alterações da deglutição. Conclusões: A avaliação
endoscópica da deglutição, por meio da nasofibroscopia, é um procedimento de fácil
realização, capaz de fornecer informações sobre a fase faríngea da deglutição,
principalmente no que se refere a sua dinâmica funcional, possibilitando um raciocínio
terapêutico no diagnóstico e reabilitação das alterações da deglutição.