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Direito Tributário Aula 03 –15/02/2019

• Tributo
o Conceito
 Código Tributário Nacional Art. 3º
 “Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela
se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e
cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”.(Rubens
Gomes de Souza)
 "Sabe-se que, em princípio, não é função da lei conceituar. A lei deve
conter uma regra de comportamento. Entretanto, em face de controvérsias, às
vezes deve a lei estabelecer conceitos. Isso aconteceu com o conceito de
tributo, que é atualmente, no Brasil, legalmente determinado.”( Hugo de
Brito Machado)
o Prestação compulsória
 Obrigatoriedade do fenômeno tributacional
 O contribuinte é obrigado a cumprir
• Exação – cobrança rigorosa
 Não há margem a voluntariedade
• Dever imposto por lei – ex lege
 Decorre de modo direto da norma tributária quando
verificada a hipótese de incidência incidindo a obrigação
tributária
o Tributo não é facultativo;
o Tributo não é voluntário;
 Doações do particular ao Estado não são tributo
 Aluguéis e aforamentos pagos ao Estado não tributos
o Tributo não é contratual.
 Decorre indiretamente da lei
 Decorre diretamente da lei
 Vontade das partes é essencial
o Prestação pecuniária
 Tributo a ser pago em dinheiro
 Não é tributo serviço prestado
• Serviço militar obrigatório
• Serviço de mesário em eleições
• Serviço de jurado
 em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir
• Alguns doutrinadores entendem redundância entre “moeda” e
“pecuniária”, enquanto seria contraditório “ou cujo valor nela se possa
exprimir” por retirar a exclusividade da pecúnia
• Outros doutrinadores justificam a existência da expressão “ou cujo valor
nela se possa exprimir” para casos específicos
• Inadimplência do contribuinte:
o Ação de execução fiscal
 Fazenda Pública requer a penhora de bens do contribuinte
• Leilão judicial
• Conversão do bem em dinheiro para pagamento da
dívida

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• Pagamento em cheque
o É o resgate do cheque em dinheiro que extingue o tributo, não a
sua simples emissão e depósito
• O credor só pode exigir moeda
• O devedor excepcionalmente pode satisfazer a dívida com algo diverso de
moeda mas com valor exprimível nela.
o Unidades fiscais de indexação
 UFIR, BTN, OTN, ORTN
 Conversíveis em dinheiro no momento de pagar
• CTN Art. 162. O pagamento é efetuado:
I - em moeda corrente, cheque ou vale postal;
II - nos casos previstos em lei, em estampilha, em papel selado, ou por
processo mecânico.
§ 1º A legislação tributária pode determinar as garantias exigidas para o
pagamento por cheque ou vale postal, desde que não o torne impossível
ou mais oneroso que o pagamento em moeda corrente.
§ 2º O crédito pago por cheque somente se considera extinto com o
resgate deste pelo sacado.
§ 3º O crédito pagável em estampilha considera-se extinto com a
inutilização regular daquela, ressalvado o disposto no artigo 150.
• CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário:
(...)
XI –a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições
estabelecidas em lei. (Incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001)
o Dação em pagamento
 Entrega de bem diverso de moeda como substitutivo do
valor do débito
 terrenos, apartamentos, casas
 Cada ente federativo deve regular esta possibilidade
o Prestação que não constitui sanção de ato ilícito
• Não é punição por atos ilícitos
• Finalidade não-sancionatória
• Objetivo arrecadatório, intervenção social e econômica
 Multa - Lei 4.320/64
• Não é receita tributária
• É receita derivada diversa
• É sanção por ato ilícito
• Não tem objetivo de arrecadar recursos, mas de desestimular condutas
o Tributo pode ser usado para desestimular condutas
 Aumento progressivo do ITR em função da área
• Desestimular latifúndios
 Descumprimento da obrigação tributária
o CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.
§ 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador,
tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e
extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente.
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§ 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e


tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela
previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos
tributos.
§ 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua a inobservância,
converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade
pecuniária.
• Pode resultar em multa
o Prestação pecuniária
 Não confisco
• CF Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias
asseguradas ao contribuinte, é vedado à União,
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
(...)
IV - utilizar tributo com efeito de confisco;
o Instituída em lei
 Reserva legal
• CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:
(...)
V - a cominação de penalidades para as ações
ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou
para outras infrações nela definidas;
o Compulsória
o Cobrada mediante lançamento
o Distinta de tributo
 Incide tributo sobre os atos ilícitos
• Incide imposto sobre a renda auferida por crimes como lenocínio, CP Art.
227 a 230 (explorar o comércio carnal ilícito, sob qualquer forma ou
aspecto, havendo ou não mediação direta ou intuito de lucro), jogo do
bicho, cassino, tráfico de entorpecentes
• Para fins tributários existe a isonomia fiscal entre atividades lícitas ou não
• Inexiste associação ou estímulo estatal ao crime
• STF Habeas corpus 77.530-4/RS.
• Princípio do pecunia non olet
o dinheiro não cheira
 As características do fato tributado não acompanham a
receita auferida pelo Estado
o Cobrança de tributo abstrai a licitude do ato ou fato jurídico
o Na Roma Antiga o Imperador Vespasiano instituiu tributo
sobre cloacas (mictórios públicos)
Tito, seu filho, sugeriu ser esta exação extinta pela indignidade de
origem
De posse de uma moeda questionou Vespasiano:
- Olet? (Tem cheiro?)
Tito respondeu
- Non olet! (Não tem cheiro!)
o Prestação instituída em lei
 Princípio constitucional da legalidade
 Princípio democrático: O Estado institui o tributo através de lei produzida pelos
detentores de mandato eleitos pelos cidadãos

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 É necessário o consentimento do cidadão para que exista o tributo, por isso a


necessidade de expressa previsão legal;
 Não suporta exceção
• Tributo criado por
o Lei complementar
o Lei ordinária
o Medida provisória - Ato normativo equivalente
o Prestação cobrada mediante atividade administrativa vinculada
 Crédito tributário constituído por lançamento tributário
• Ato administrativo
o Lançamento
o CTN. Art. 142. Compete privativamente à autoridade
administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento,
assim entendido o procedimento administrativo tendente a
verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação
correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o
montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e,
sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.
Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é
vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
• Vinculado
o Instituído por lei
o Prestação compulsória
• Não-discricionário.
o Dever da autoridade
o Tributo é indisponível
 Impossível análise de conveniência e oportunidade pelo
agente público
o Lei determina:
 Finalidade do ato
 Forma do ato
 Autoridade competente
 Momento de atuação da autoridade
o Inexiste a liberdade do ato discricionário sobre conveniência ou
não da atuação estatal ou montante a ser exigido do sujeito
passivo.
o Direitos antidumping: segundo a maioria não é tributo
 Evitar prejuízo a produção nacional diante de produtos
importados com preços de dumping
 Prática considerada desleal em comércio internacional
 Autoridade administrativa analisará conveniência e
oportunidade
 A atividade de fiscalização de tributos
• Não é vinculada
• Princípios
o Moralidade
o Impessoalidade
o Eficiência
 Evitar atos de fiscalização que resultem em recolhimento
de tributos inferior aos gastos administrativos em fiscalizar
o fato jurídico
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• Classificação de Tributos
 1.1 Tributos vinculados
• Decorre de atuação estatal específica
• Ex.: Taxa
 1.2 Tributos não vinculados
• Inexiste previsão de prestação estatal específica
• Ex.: os impostos.
 2.1 Tributo direto
• Carga do tributo é suportada pelo contribuinte
• Ex.: IPTU.
 2.2 Tributo indireto
• Contribuinte transfere a carga tributária a terceiro
• Ex.: ICMS
 3.1 Tributos pessoais
• Seu critério material observa características da pessoa
• Ex.: IRPF.
 3.2 Tributos reais
• Seu critério material refere-se a coisas
• Ex.: IPTU.
 4.1 Tributo progressivo
• O ônus aumenta junto com o crescimento da renda ou valor do bem
• Ex. IRPF.
 4.2 Tributo regressivo
• O ônus aumenta em razão inversa ao crescimento da renda ou valor do bem
• Ex. ICMS
 5.1 Tributo seletivo
• A graduação corresponde a essencialidade do produto
• Ex.: IPI.
 5.2 Tributo não seletivo
• Indiferente para a graduação a essencialidade do produto
• Ex.: as taxas.
 6.1 Tributos cumulativos
• Há a incidência do tributo em várias fases, sem deduções
 6.2 Tributos não cumulativos
• Há a dedução do tributo recolhido nas fases seguintes
• Ex.: ICMS, IPI.
 7.1 Tributos fiscais
• A arrecadação é o objetivo preponderante
• Ex.: IR, ICMS
 7.2 Tributos extrafiscais
• Regulação econômica e social
• Extra-fiscal – interferência na economia.
o Ex.: IPI, CIDE.
• Para-fiscal – atividades não-estatais
o Contribuições
 8.1 Tributos federais
 Ex.: IPI, CPMF, IR, CSLL
 8.2 Tributos Estaduais
 Ex.: ICMS, IPVA
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 8.3 Tributos Municipais


 Ex.: ISS, IPTU.
 8.4 Tributos Distritais
 Competência estadual e municipal

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