Você está na página 1de 2

Joana Alves Crispino

NºUSP 10790791

Fichamento expandido
Segundo Tratado sobre o Governo Civil, cap I, II e II (LOCKE, John).

a) Problema:
Os três primeiros capítulos questionam a necessidade da passagem do estado natural
para a sociedade. Para isso, o autor considera o primeiro estado do homem como o natural
e sintetiza as problemáticas envolvidas que os levam a juntar-se em uma sociedade.
b) Tese:
Para o autor, a sociedade política surge em resposta a ausência de autoridade
comum entre os homens. Afastando-os do "estado de natureza" e se
reunindo sob ordenadas sociedades civis, com o intuito de preservarem sua liberdade e
integridade e de protegerem suas propriedades. Essa condição leva aos mais fortes a
subjugarem aos mais fracos, acarretando em um Estado de guerra, segundo o autor, é
justamente para livrarem-se desta realidade que os homens se juntam em sociedade,
delegando juízes que poderão realizar as punições e solucionar as questões entre os
cidadãos.
c) Argumentação:
Inicialmente a argumentação se concentra na definição do que é poder político.
Segundo o texto, esse se constitui no direito de fazer leis que regulamentam e preservam
a propriedade, assim como empregar a força da comunidade para a execução delas e a
defesa da república contra depredações estrangeiras, tudo privilegiando a manutenção do
bem público.
A seguir, argumenta que o "estado de natureza" apresenta duas características: é
regido pelo "direito natural", em outras palavras, pela razão, a qual se faz presente em
todos os homens não importando sua organização política. Além disso, é um estado de
absoluta igualdade, advinda da igualdade natural de todos homens por serem todos
criações de um único ente divino e por apresentarem constituições físicas, psíquicas e
emocionais iguais.
O estado de igualdade, pressuposto do "estado de natureza", possibilita um
respeito mútuo entre os homens. Tal respeito, segundo o autor, seria responsável pela
origem da justiça e da caridade. A ideologia que predomina é que, na falta de uma
organização moderadora e, portanto, tratando-se de uma comunidade de iguais, para
preservação da vida privada e da própria comunidade se faz necessária a máxima "não
fazer para o outro aquilo que não gostaria que fizessem para si".
Nesse sentido, o amor mútuo que se reverbera, e que gera os primeiros princípios
de justiça, desenvolve também o poder de punição a transgressões: àqueles
que perturbem a vida privada alheia e/ou a vida comunitária. O poder de punição, por sua
vez, expressa-se por meio de dois mecanismos: prevenção, para que não se cometa futuros
danos à vida e reparação dos danos sofridos pela(s) vítima(s).
A transgressão, dessa forma, é tudo que rompe com o "estado de natureza", em
que se vigora a preservação da vida, e provoca o assim conhecido "estado de guerra", cuja
característica principal é a falta de liberdade e portanto, a falta de alternativas de ação, a
qual se resumiria ao pressuposto básico de preservação da vida. Logo, nesse ponto da
argumentação do autor, além de se traçar um quadro dos transgressores da vida
comunitária, caracteriza também como uma possibilidade de transgressão
o próprio estado monárquico, regime em que o súdito não possui nenhuma liberdade e o
soberano goza dela, desrespeitando, inclusive, a propriedade do súdito. É importante
lembrar que o Contrato Lockeano é baseado no consenso e não na submissão
irrestrita, portanto, toda a liberdade deve ser encontrada dentro do regime das leis.
A propriedade garante a liberdade: é nela que os direitos humanos se materializam.
O Estado surge da necessidade de os homens se resguardarem, mas ele não o faz em
decorrência de um latente estado de guerra: pelo contrário, a sociedade política fundada
se baseia em assistências mútuas e na comunhão dos interesses; há uma motivação natural
na alma dos homens que os leva a se associarem.
Conclui-se que vida civil é uma convenção, cujo objetivo é a formação de uma
única comunidade e a constituição de um corpo político. Tal objetivo, como já dito em
outras palavras, só pode ser alcançado mediante o consenso entre toda a comunidade.