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BOM RETIRO: DESLOCAMENTO EM MASSA, DESTINO URBANO E DEFINITIVO

Sarah Feldman

“ The telling fact is not that the immigrant colony maintains its old-
world cultural organization, but that in its new environment it mediates
cultural adjustement to its new situation”. Ernest W. Burgess. “Can
neighborhood work have a scientific basis?” in Park, Burgess and
Mackenzie (1925). The city: Chicago, The University of Chicago
Press:146

Armadura sólida, identidade étnica mutante

Bairro proletário, bairro fabril, bairro operário. Até a terceira década do século XX são estes os
termos que aparecem nos estudos sobre a cidade de São Paulo para qualificar o bairro do Bom
Retiro. No final do século XIX, em ”Alguns dias na Paulicéia”, Antonio Raffard se refere a “um
bairro habitado exclusivamente por operários, com aproximadamente 4000 habitantes”.1 Uma
década depois, Bandeira Junior, em “A indústria no Estado de São Paulo”, aponta o Bom Retiro
juntamente com o Brás como os bairros com maior número de fábricas e onde mais se
concentram proletários sem nenhum conforto “na opulenta e formosa Capital”, e assim
descreve suas condições: “As casas são infectas, as ruas, na quase totalidade não são
calçadas,há falta de água para os mais necessários misteres, escassez de luz e de exgottos.”
2
.Em 1935, em “Nova Contribuição para o estudo geográfico de São Paulo”, Prado Junior se
refere ao Bom Retiro como um dos bairros operários que se estabelecem ao longo das
ferrovias e suas imediações.

“Enquistamentos Étnicos”, de autoria de Olavo Egidio de Araujo, técnico de estatística do


Departamento de Cultura da PMSP e Assistente da Escola de Sociologia e Política de São
Paulo, publicado em 1940 na Revista do Arquivo Municipal pode ser considerado um divisor de
águas na abordagem do bairro. Fruto de uma pesquisa sobre a concentração de estrangeiros
na capital – sírios, japoneses e judeus, o estudo de Araujo revela que “uma concentração que
se está delineando em São Paulo é a dos judeus nos distritos do Bom Retiro e de Santa
Ifigênia ( Bairro da Luz)”.

A pesquisa desenvolvida no contexto da Era Vargas se alinha aos interesses de controle da


imigração do governo federal no contexto do Estado Novo. Apresenta como justificativa a
importância da “determinação objetiva do melting-pot de etnias e das raças em caldeamento no
Brasil“ e a necessidade do governo federal “conhecer o comportamento quanto à assimilação
das várias nacionalidades que afluem ao Brasil, para bem orientar a política imigratória,
facilitando a permanência de elementos assimiláveis e dificultando ou, mesmo, impedindo a

1 Raffard (1892:18)
2 Bandeira Junior (1901: XIV)

1
entrada em nossos portos de elementos incapazes de figurar com proveito, em um cruzamento
vantajoso.”3

A partir de um minucioso levantamento, quarteirão a quarteirão, Araújo elabora uma cartografia


de judeus no bairro. Em 1934, o Bom Retiro tem 64,4% de brasileiros e 35,48 de estrangeiros,4
e destes, 11,5 % são italianos, 2, 54 % são italianos, 2,.30% russos, 1,44% espanhóis.
Japoneses, alemães, austríacos, húngaros e sírios somam 1,13%, e 16,6% se incluem no que
o censo classifica como “outras nacionalidades”. Araujo desvenda que as “outras
nacionalidades” no caso do Bom Retiro são os judeus que, juntamente com os russos, se
concentram num conjunto de ruas. As roupas feitas e artefatos de tecidos e as malharias se
sobrepõem a esta ocupação e correspondem, segundo o autor, respectivamente a 39% e 15%
das indústrias do bairro. E, além da atividade econômica, Araujo destaca a presença de
sinagogas, peixarias, filmes israelitas projetados no cinema do bairro, e a acentuada
porcentagem de “crianças israelitas que frequentam os grupos escolares.5

Embora o estudo de Araujo mostre através de dados censitários e da pesquisa de campo que
múltiplas nacionalidades estão presentes no bairro e que sua população era majoritariamente
de brasileiros, nos estudos sobre São Paulo passa a ser conferida ao Bom Retiro uma única
identidade étnica e, reafirmando a relação detectada por Araujo em 1940, esta vem sempre
associada à atividade econômica.

No estudo “A Cidade de São Paulo”, dirigido por Aroldo de Azevedo, que inclui o mais
abrangente panorama até hoje realizado sobre bairros paulistanos, Mendes destaca “a
presença de israelitas, que ali se instalaram como que num pequeno gueto.” e se refere ao
bairro como “no passado predominantemente residencial proletário e principalmente habitado
por italianos”.6 Richard Morse, em Formação histórica de São Paulo, se refere ao “bairro
judaico” com suas casas “de roupas feitas, casa de moveis, pellerias. Roupas, moveis e pelles,
sempre e sempre.“7Em “O bairro do Bom Retiro”, da série História dos Bairros de São Paulo,
Dertônio destaca a década de 1940 como o momento em que “ outro elemento começou a se
estabelecer na rua José Paulino: o israelita.” Segundo o autor, “a linguagem do bairro, que no
primeiro quartel do século sofrera a influência da língua italiana, está agora sendo afetada pela
língua ídiche deste povo. Outras pessoas que não os israelitas já começam também a
empregá-los, por efeito de assimilação”.8

3
Araujo,1940:228.Em 1941 Araujo publica mais um estudo sobre estrangeiros em São Paulo: “ Latinos e não latinos
no Município de São Pauo,in Revista do Arquivo Municipal.São Paulo. Vol LXXV:67-98
4 Os dados sobre a presença de estrangeiros no Bom Retiro do Censo de 1934 são praticamente iguais aos do Censo

de 1920.
5
Araujo,1940 :240
6
Mendes,1958:204
7
Morse, 1970:333
8
Dertônio, 1971: 52;79 .

2
Um “Bom Retiro coreano” a partir da década de 1970 é identificado por Truzzi, em “Etnias em
9
convívio: o bairro do Bom Retiro em São Paulo”. No bairro que é, segundo o autor, “um
microcosmo social”, que recebeu “ao longo de sua história, contingentes de imigrantes com
características culturais bastante diferenciadas”, os coreanos passam a dominar as atividades
comerciais, já é significativa a presença de seus filhos em colégios do bairro e já se
mobilizavam, no período da pesquisa, para construir um grande colégio.10

Estas identidades que sucessivamente passam a ser atribuídas ao Bom Retiro não se devem
a uma predominância numérica, pois os judeus, assim como os coreanos, não constituiam a
maioria da população moradora do Bom Retiro. Os italianos se mantiveram como o grupo
estrangeiro numericamente mais representativo no bairro desde o final do século XIX, e assim
como os portugueses instalaram seus negócios, suas escolas e associações culturais e
recreativas, mas não há referência na historiografia de São Paulo a um “Bom Retiro italiano”
.11 Tampouco se devem a uma exclusiva localização de judeus e coreanos, uma vez que os
dois grupos de estrangeiros se instalaram e continuam se instalando em outros bairros, tanto
para moradia como para atividade econômica.12

E não se trata, também, de um processo de conformação de um gueto, nos termos colocados


por Louis Wirth13– nem um gueto “compulsório”, determinado pela ação do Estado, nem um
gueto voluntário, decorrente dos valores típicos de cada grupo que reproduz os seus lugares
de origem. No momento em que passa a ser reconhecido como bairro dos judeus, os judeus e
seus estabelecimentos de confecções estão inseridos num território ocupado por moradias e
estabelecimentos comerciais de brasileiros e de outros grupos de estrangeiros14, se mantém
como concentrador de cortiços e abriga uma zona confinada de prostituição.15

A identidade étnica mutante - que pode ser considerada uma singularidade do Bom Retiro - se
ancora na sólida armadura que se instala no bairro a partir do final da década de 1920 pela
ação concentrada dos imigrantes judeus. Instalam todos os componentes da cadeia de
produção e vendas da indústria de confecções – das oficinas de roupas às gráficas que
imprimem os talonários de notas - ao longo da rua José Paulino ( ex- rua dos Imigrantes) e de

9
Truzzi, 2001:1,2
10
Estudos mais recentes como os de Souchaud, Sylvain( 2011) Presença estrangeira na indústria das confecções e
evoluções urbanas nos bairros centrais de São Paulo. In: Ana Lúcia Duarte Lanna et allii ( 2011:. 65-89.), Rolnik Xavier,
Iara(2010) Projeto migratório e espaço Os migrantes bolivianos na Região Metropolitana de São Paulo. 2010.
Dissertação de Mestrado - Unicamp e . Sampaio (2011) aprofundam a presença dos coreanos no Bom Retiro e a
chegada dos bolivianos que também se inserem nas atividades de confecções.
11
No Guia Prático da Cidade de São Paulo de 1906 ( Ed. Jose Ascoli) constam, entre outros, o Centro Recreativo
Filodramatico Conte di Torino e a Scuola dell´Unione Italiana del Bom Retiro , na rua Julio Conceição, o Instituto
Italiano Giosué Carducci, na rua dos Immigrantes e vários armazéns de secos e molhados.E no Guia Prático da Cidade
de São Paulo de 1928 ( nº XXII- Ed. A.T. Ascoli) constam, entre outros, a Grande Fabrica de calçados Nicola
Lompardi, na rua Ribeiro de Limas e a Officina de Photo´gravura “ A Paulicéia” dos Irmãos Morbiducci, na rua José
Paulino. O trabalho de Siqueira (2002) faz um extenso levantamento de associações e atividades no bairro.
12
Estabelecimentos de confecções de judeus estavam pulverizados por vários bairros da cidade, desde as primeiras
décadas do século XX, assim como os de coreanos, a partir dos anos de 1970.
13
Wirth,1928: 35,284
14
Em Departamento Estadual de Estatística (1947) fica evidente a presença de negócios no Bom Retiro para além
daqueles de propriedade dos judeus.
15
A zona confinada de prostituição feminina no Bom Retiro foi criada em 1940 e extinta em 1953. Consultar Feldman
(1989)

3
suas transversais. 16 Esta armadura é a base para a estruturação do bairro como um centro de
indústria e comércio de confecções que na década de 1940 se consolida. É ela que
permanece, é transferida de um grupo de estrangeiros a outro e se atualiza.

Em 1921-1922 a cidade tinha 39 malharias e 36 fábricas de chapéus17 e em 1950 eram 681


estabelecimentos da indústria de vestuário, calçados e artefatos de tecido (Mattos,1958:71)
Entre 1928 e 1945, cerca de 300 estabelecimentos pertencentes aos judeus se instalam no
Bom Retiro. Destes, 80% produzem vestuário e os demais produzem acessórios, embalagens
e material impresso.

. A solidez desta armadura é a expressão material do caráter definitivo dos deslocamentos dos
judeus que na primeira metade do século XX saíram de seus países de origem e se instalaram
no Bom Retiro. Realizam um projeto no sentido literal - de desígnio, de destino - com suporte
de uma ampla gama de instituições nacionais e internacionais e fortemente sintonizado com as
oportunidades que São Paulo e o bairro do Bom Retiro ofereciam e com as necessidades que
vida urbana colocava. A partir da década de 1920 a capital é protagonista no processo de
disseminação da produção nacional de tecidos e de produção estandartizada de roupas e a
acessibilidade ao Bom Retiro e sua proximidade ao centro garantem as condições essenciais
de localização da cadeia de produção e comércio que organizam.

O projeto urbano dos viajantes da terceira classe

Motivados pelas adversas condições políticas e econômicas e pela perseguição étnica18, os


judeus chegam nos navios que partiam semanalmente do porto de Santos para os principais
portos europeus transportando milhares de emigrantes na terceira classe. Sairam de dezenas
de países, se espalharam por inúmeros continentes e se estabeleceram em grandes centros
urbanos. Os deslocamentos dos judeus se caracterizam pela fragmentação - tanto de pontos
de partida como de chegada e se distinguem por duas características: o destino urbano -
principalmente para as grandes cidades - e o propósito de se estabelecer em caráter definitivo.
Diferentemente de outros grupos, a incidência de remigração- o retorno ou remessa de
recursos para o país de origem – é muito pequena entre os judeus. 19

A partir das últimas décadas do século XIX, a substituição da vela por energia a vapor nos
navios de passageiros, a instalação do primeiro cabo telegráfico transatlântico e a implantação
de redes ferroviárias nos principais países europeus e americanos viabilizam contatos
constantes e imediatos entre a Europa e as Américas. O acesso a informações sobre as
condições de emprego e o surgimento de linhas comerciais com grande número de viagens
marítimas a preços reduzidos impulsionam o deslocamento em massa das camadas mais

16
Sobre a cadeia produtiva da indústria e comércio de confecções, consultar Feldman (2011)
17
Petrone,1955:152
18
São muitos os estudos sobre a imigração de judeus para o Brasil. Para a elaboração deste texto destacam-se a
coletânea organizada por Rattner, Henrique ( 1972), em especial o texto de Jacob Letschinsky- Migrações Judaicas
1840-1956 e 1977); a coletânea organizada po Fausto, Boris( 1999)- Fazer a América, em especialo texto de Herbert
S. Klein- Migração interbnacional na História das Américas; Lesser, Jeffrey (1995); Decol,René (1999)
19
Lestschinsky, 1972

4
pobres, em sua maioria, jovens trabalhadores. Num quadro de condições econômicas e
políticas adversas, Italianos da região sul, poloneses, russos, grupos cristãos do Império
Otomano e gregos..somam-se aos europeus do Norte, que anteriormente dominavam os
fluxos de saída.20

O Brasil entra na rota das grandes companhias estrangeiras de navegação que transportam
imigrantes em escala antes desconhecida. Até os anos de 1920 não se destaca como destino
preferencial dos judeus, e só passa a ser alternativa importante com as restrições à imigração
colocadas pelos Estados Unidos e pela Argentina.21 É nesta década que o governo americano
institui um sistema de cotas para controlar a entrada de imigrantes vindos principalmente do
leste e do sul da Europa e a Argentina também introduz o controle devido à crise econômica e
de desemprego. Assim como os judeus, outros grupos de estrangeiros impelidos pelas
adversidades políticas e econômicas da Europa se dirigiram neste período para o Brasil.

Entre 1920 e 1949, dos cerca de 60 mil judeus que aqui chegaram, quase um terço se dirigiu
para o Estado de São Paulo e, destes, a maioria ficou na capital. Em 1940, viviam na capital
cerca de 17.000 judeus e em 1950, quase 23.000.22

Diferentemente dos judeus da Europa Ocidental - da Inglaterra, da Alemanha e de alguns


países da Europa Oriental, como Hungria, pertencentes à classe média e com grau mais
avançado de aculturação e assimilação23, os judeus que se instalam no Bom Retiro a partir da
década de 1920 pertenciam à classe média baixa e proletária. Originários de várias regiões da
Rússia, Polônia, Romênia, Lituânia, Hungria, Bessarábia, pertencem ao grupo cultural
ashkenazi e de idioma idishe. 24

Os judeus enfrentam a crescente restrição da política brasileira aos imigrantes, sobretudo aos
viajantes da terceira classe que se dirigiam às cidades. O favorecimento ao imigrante que se
dirigia à lavoura prevaleceu tanto no período de relativa abertura à entrada dos imigrantes,
entre o final do século XIX e a década de 1920, com políticas de nacionalização e imigração
subsidiada, como durante a Era Vargas, quando se instala uma política de controle à
imigração.

No Estado de São Paulo, o privilégio aos que tivessem como destino a lavoura cafeeira no
período de imigração subsidiada não se restringiu a uma atuação dos governos federal e
estadual. É o caso, por exemplo, da Sociedade Promotora de Imigração, entidade privada que

20 Klein,1999
21
As primeiras famílias judias a se instalarem no Bom Retiro foram: Goldstein, Pretzer, Klabin, Tabacow, Teperman e
Gordon. Até a década de 1920, instalaram-se outras famílias, como a Lafer, Nebel, Lichtenstein e Naslavsky. Segundo
(depoimento de Ida Coulicoff Gotlieb in FREIDENSON & BECKER, 2003, p. 55).
22
;Lesser. 1995:67; Hall,.2004:144; Povoa, 2007 :133-4
23
Os judeus alemães,por exemplo, chegam em condições econômicas precárias, mas eram profissionalmente mais
qualificados.Não residiam no Bom Retiro e não aceitavam se submeter aos mesmos serviços das instituições que
atendiam os judeus do Bom Retiro (Razovsky,1937:10),
24
Lesser, 1995:157

5
concentrava importantes fazendeiros paulistas,25 que estabelecia contratos com as companhias
de navegação responsáveis pelo transporte dos imigrantes de terceira classe, alocava agentes
responsáveis pelos contatos na Europa, divulgava as condições favoráveis para migrar ao
Brasil, assim como estimulava os imigrantes já residentes a convidar seus familiares para
trabalharem na lavoura cafeeira.26

Com Vargas há uma escalada dos limites à entrada no território nacional de passageiros
estrangeiros de terceira classe que tinham como destino as cidades. Com o argumento de
favorecer o trabalhador nacional num quadro de desemprego27, as condições para visa aos
passaportes e para “bilhetes de chamada” favorecem as famílias de agricultores com
colocação certa, os empregados contratados, os técnicos, parentes até terceiro grau e
proprietários de terras no Brasil e capitalistas. Além disso, se estabelece uma cota para
autorização de fixação de residência no Brasil de cada nacionalidade e o limite de seis meses
para a permanência de turistas e viajantes de comércio. Em 1941 a situação se agrava com a
suspensão de concessão de vistos temporários para a entrada de estrangeiros no Brasil. 28

A legalização é “a missão mais importante e a mais difícil”, afirma Cecilia Razovsky Davidson,
assistente social especializada em imigração e reassentamento de refugiados, representante
da United HIAS Service, no relatório de sua primeira vinda a São Paulo, em 1937.29 Nos dois
relatórios que elabora, em 1937 e em 1946, assim como no relato sobre a imigração de judeus
para o Brasil de Alberto Kleiner para a Sociedad de Socorro a los Judios de Habla Alemana,
de 1943, os embates com a legislação brasileira e as estratégias para viabilizar a vinda e,
principalmente, para garantir a permanência definitiva dos judeus no Brasil são temas centrais.

Para a partida dos locais de origem, na fase de pré-imigração, as instituições de apoio aos
judeus investigavam todos os países onde houvesse a possibilidade de imigração; intervinham,
quando necessário, junto a governos e autoridades diplomáticas; protegiam os interesses dos
imigrantes junto às companhias de navegação e prestavam assistência legal e
econômica..Este apoio era oferecido a todos os judeus – ricos e pobres - que optavam por sair
de seus países.30

Até 1933, a Jewish Colonization Association - ICA assumiu todas as responsabilidades de


emigração para o Brasil. Em São Paulo, subsidiou a EZRA, também conhecida como
Sociedade Israelita “Amigos dos Pobres”, criada em São Paulo, em 1916, por membros do
grupo de judeus do leste europeu. Com a intensificação do fluxo de imigração durante a

25
A Sociedade atuou de 1886 a 1896 e dentre os fazendeiros atuantes estavam Antônio Prado, ,Martinho Prado
Júnior, Visconde de Parnaíba, Jorge Tibiriça, ( Bianco,1982)
26 Bianco, 1982
27
No que se refere aos empregos em empresas nacionais, dois terços passam a ser reservados para o trabalhador
brasileiro.
28
Estas regulações estão presentes nas seguintes peças legislativas: Decreto 19.482/1930; Decreto 22453 de
10/02/1933; Constituição Federal de 1934; Constituição Federal de 1937; Decreto 3010 de 20/08/1938; Decreto-Lei N.
3.175 de 7/04/1941
29
Razovsky, 1937:17
30
Decol,1999

6
segunda guerra , entram em ação a Hebrew Imigrant Aid Society- HIAS dos Estados Unidos
que instala um centro administrativo e assistencial em São Paulo; o HICEM,que conta com
cerca de 57 comitês distribuídos por 20 países,e tem um escritório em São Paulo ( rua 11 de
agosto,66) e o American Jewish Joint Distribution Committee -The Joint, que instala um
31
Comitê Auxiliar em São Paulo, em 1946.

Milhares de judeus chegaram sem recursos ou eram chamados por parentes que também não
tinham condições de arcar com os custos da legalização. Estes custos eram cobertos pelas
instituições internacionais e, nos momentos de aumento dos fluxos imigratórios, por coletas
realizadas junto à comunidade judaica paulistana. Razovsky destaca, em 1933 e 1934, durante
a guerra, com a escalada de refugiados em inúmeros países os recursos internacionais se
tornam insuficientes a contribuição de judeus poloneses, rumenos e russos.. A comunidade
judaica se organiza de forma mais ampla e utiliza suas instituições, como escolas, clubes
esportivos, creches, organizações culturais, para garantir a assistência aos refugiados.32Em
1940, chegam a coletar $17.000 e, em 1941, através de uma campanha que “atingiu todos os
setores da comunidade”, a coleta chega a $40.000. 33

Grande parte dos judeus que chegaram a São Paulo entraram no país como turistas, com
vistos provisórios ou ilegalmente. Em todas estas situações, se ultrapassassem o prazo de
permanência ficavam sujeitos à deportação.Embora a legislação federal não previsse a
legalização, no Estado de São Paulo esta passa a ser realizada pelos órgãos da polícia, a
partir de 1935, desde que atendidas algumas exigências para permanência, como comprovante
de dinheiro,de propriedade de imóvel ou contrato.Em 1938 estas legalizações foram
consideradas insuficientes e deveriam ser substituídas por outro processo centralizado no Rio
de Janeiro.34 Para resolver estas situações temporárias, os contatos com a elite da colônia
judaica que neste momento já estava inserida, inclusive, em cargos políticos, assim como a
interferência de representantes das instituições americanas junto ao governo brasileiro.

Em 1937 Razovsky(1937:38) relata as dificuldades de qualquer negociação para futuras


imigrações de judeus, até as eleições de janeiro (1938) e a possível necessidade de “ through
influential sources” fazer um contato com Oswaldo Aranha, então embaixador do Brasil nos
Estados Unidos.35 Menciona um encontro de Horacio Lafer, deputado federal eleito em 193436,

31
Razovsky,1937:8,9
32
Razovsky:1937 :9;11
33
Kleiner,1943:19
34 Kleiner, 1943:10
35 Razovsky,1937:38
36
Horacio Lafer foi o representante do Brasil na Liga das Nações durante o governo Washington Luís;em 1951, durante
o último governo de Getúlio Vargas, foi ministro da Fazenda e em 1959, no governo de Juscelino Kubitschek, foi
ministro das Relações Exteriores. Além disso, foi um dos fundadores da Fiesp/Ciesp.

7
com o chefe da Polícia do Rio – Filinto Muller e com o Ministro da Imigração, e seu
compromisso de colocar a questão no Congresso caso não tivesse sucesso.37

Todas as estratégias permitidas pela lei eram utilizadas, inclusive a saída para o Uruguai ou
Paraguai para retornar e conseguir um novo visto temporário. Durante o Estado Novo, com o
reforço do poder policial no âmbito da política de imigração, cerca de 80 imigrantes judeus
foram deportados. 38

A legalização se colocava, de fato, como a missão mais importante, e não tinha um sentido
meramente formal para as instituições de apoio aos imigrantes judeus - tanto as internacionais
como as locais. A legalização era parte de uma complexa trama de ações para garantir a
inserção e permanência dos imigrantes na vida urbana.

Bom Retiro : a “typical slum district”

Cecília Razovsky descreve o Bom Retiro como um “typical slum district”, com superpopulação,
condições precárias de habitação e pobreza. Se refere ao bairro como o “East side of São
Paulo”, em alusão ao bairro de New York que no século XIX passa a abrigar os judeus que se
deslocam em massa para os Estados Unidos. O quadro descrito por Razovsky é totalmente
compatível com os estudos sobre as condições de habitação no Bom Retiro desenvolvidos
entre os anos 1930 e 1960. Em todos estes trabalhos o bairro aparece com graves problemas
habitacionais e um dos maiores concentradores de cortiços. 39

Em 1937, mesmo ano do relatório de Razovsky, uma pesquisa é desenvolvida com a


população de cortiços assistida pelo Departamento de Serviço Social. O problema do cortiço,
apontava o Bom Retiro como o segundo bairro concentrador de cortiços, atrás apenas da Bela
Vista, com alta incidência de cortiços dos tipos casas de comodos, páteo com cozinha e porão
abaixo.40 Em 1947, a pesquisa realizada sob a direção do Padre Joseph Louis Lebret revela o
Bom Retiro como um dos distritos com as mais elevadas presenças de ”habitação miserável
em todos os sentidos” e “habitação miserável, que pode ter alguns elementos satisfatórios”41.
Em 1961, uma nova pesquisa situa o Bom Retiro entre os bairros com mais de 50% da
população moradora em cortiços.42

37
Razovsky (1937:27) se refere a um grupo pertencente a famílias bem colocadas de judeus - Klabin, Mindlin, Lafer,
Warchavchik, Lorch - que são homens de negócios, do setor financeiro e profissionais liberais- médicos, engenheiros,
advogados, arquitetos, artistas plásticos.
38Razovsky,1937:17 e Kleiner, 1943
39
O trabalho de Guiomar Urbina Telles, “ O problema do Cortiço”, um levantamento realizado em 1937 pelo
Departamento de Serviço Social em bairros centrais de São Paulo; o estudo “Sondagem preliminar a um estudo sobre
habitação em São Paulo”, realizado sob coordenação do Padre Louis Joseph Lebret em 1947, na condição de
professor contratado da Escola de Sociologia e Política; o estudo-“ Estudo da Aglomeração Paulistana: estruturas
atuais e estruturas racionais”, elaborado pela SAGMACS, em 1957, para a Prefeitura Municipal de São Paulo e
de1961, a pesquisa Os Cortiços de São Paulo, desenvolvida por um grupo de engenheiros e arquitetos.
40
Telles,1940:27
41
Lebret,1947:10.Estes padrões de habitação na pesquisa dirigida por Lebret correspondem às categorias sub-
casebre e casebre .
42
Lagenest,1962:6

8
Não há referências nestes estudos ou nos estudos sobre a colônia judaica em São Paulo à
presença de judeus morando nos cortiços do Bom Retiro. Razovsky oferece elementos para
uma aproximação das condições de habitação, de saúde e de trabalho enfrentadas pelos
judeus que chegam ao Bom Retiro. As pesquisas sobre os judeus de São Paulo referem-se, de
modo geral, a um processo de mobilidade e ascensão social, o que nos leva a supor que as
condições descritas por Razovsky podem ter se configurado como uma situação de transição.43

Segundo o relatório, oito mil judeus viviam no Bom Retiro, “90% dos quais são muito pobres”.
As moradias das famílias assistidas pela Sociedade das Damas Israelitas são descritas como
porões com piso e paredes de concreto, sem janelas e condições precárias de saneamento.
Famílias nestas condições nas grandes cidades americanas são, segundo Razovsky
“assistidas por associações estruturadas com assistentes sociais muito bem treinadas –
totalmente ausentes no bairro”. O serviço social em São Paulo desenvolvido majoritariamente
por instituições católicas, segundo Razovsky, não tem estrutura suficiente para a dimensão do
problema.44

Quanto às condições de saúde, refere-se a uma entrevista em que o médico judeu de origem
polonesa, Dr. Schechtmann, que prestava assistência à comunidade judaica do bairro, revela
que a maioria das crianças judias do Bom Retiro é sub-nutrida e, que ainda que não seja nos
níveis das crianças brasileiras, é elevada a incidência de mortalidade infantil.45

No Bom Retiro era significativa a presença de mascates, porta de entrada dos judeus pobres
no mercado de trabalho, como apontado em praticamente todos os estudos sobre a imigração
judaica em São Paulo. Segundo Razovsky, chegavam a 3000, em 1937, metade se encontrava
em situação ilegal, sem licenças, sendo presos, multados e tributados, e faz referência a uma
organização de mascates no bairro, em 1937, a Polish Peddlers Alliance que atuava através
de ajuda mútua.46 A importância desta atividade no bairro e entre judeus se reforça pela
presença de um Centro de Assistência aos Ambulantes na rua José Paulino, de cuja diretoria,
em 1944, seis dos sete membros eram judeus. O Centro atuava na regularização das funções,
registro junto às Repartições Públicas Federais, Estaduais, Municipais e Sindicais, assistência
contábil gratuita47.

Razovsky aponta em seu relatório a urgência de ações para melhorar o padrão de vida dos
judeus do Bom Retiro- uma população “sem oportunidades recreativas, vocacionais ou

43
Sobre a mobilidade social dos judeus em São Paulo,destaca-se a pesquisa de Henrique Rattner, desenvolvida sob
patrocínio da Federação Israelita do Estado de São Paulo , em colaboração com o Instituto de Relações Humanas do
Comitê Judaico Americano, publicada em 1977.
44
Razovsky,1937 :23,27
45
Razovsky,1937 :25
46
Razovsky,1937 :44;24
47
Ata da assembleia geral extraordinária ,30/01/1944/ e Ata da assembleia geral extraordinária de 17/09/1984- acervo
AHJB/SP. Não conseguimos a informação da data de criação do Centro. Foi extinto em 1984 e, conforme consta da
Ata a decisão pela dissolução da sociedade é justificada pela drástica redução de associados .Não chegavam a 20,
neste momento,enquanto no passado este número era superior a 800. (Ata da assembleia geral extraordinária de
17/09/1984- acervo AHJB/SP)

9
culturais”: Ou seja, as ações devem abranger o atendimento às crianças, mães, jovens , idosos
, em todos os aspectos da vida urbana. 48

A concepção de apoio se expressa de forma clara num folheto para coleta de auxílio, durante a
guerra, da Joint, que tinha uma sede em São Paulo, na rua Martin Francisco,59. A Joint se
coloca como :
...“ o Ministério da Previdência Social para os judeus de todo o mundo”: alimenta, veste,
oferece um lar, assistência médica e proteção à infância e satisfaz as necessidades culturais e
religiosas dos judeus vítimas da guerra, liga todas as famílias em todo o mundo, providencia
aparelhamento e instrumentos para o trabalho manual,organiza caixas de crédito e promove
as cooperativas dos que sofrem as consequências da guerra.” (Joint, folheto,.....)

A rede de instituições de apoio que se instala em São Paulo desde o início do século XX
revela a intenção de responder a esta amplitude de ações.Atuavam na capital a Sociedade
Beneficiente das Damas Paulistas, criada em 1915, a Gota de Leite da Associação B´nai
B´rith, criada em 1932 e o Lar da Criança Israelita, criado em 1939, que em 1940 se unem,
dando origem à Organização Feminina de Assistência Social; o Linat Hatzedeck, criado em
1929 por um grupo de médicos;o Colégio Renascença , criado em 1922, que além do ensino
formal oferecia cursos de português. Em 1928 é criada a Cooperativa de Crédito Popular do
Bom Retiro que terá papel fundamental na estruturação do bairro como um centro de
confecções.

Além destas instituições, num documento do American Jewish Committee Foreign Affairs
Department, constam as seguintes organizações localizadas no Bom Retiro: a Associação de
Auxilio da Bessarabia, Associação dos Israelitas Polonezes, Centro Beneficiente Israelita,
Centro Hebreu Brasileiro de Socorro aos Israelitas, Sociedade Beneficiente de Israelitas
Polonezes,Associação de Socorro aos Israelitas de Wolm.49

Atua também em São Paulo a World ORT Union, uma instituição internacional judaica, que
instala a São Paulo ORT Trade School, na Rua Bresser,1317, no bairro do Brás,com cursos de
formação para mecânicos. Em 1947, dos 47 estudantes, 21 eram brasileiros, 10 poloneses, 11
alemães e um austríaco. Neste ano o curso é reconhecido pelo governo brasileiro e passa a se
chamar “ Escola Industrial ORT de São Paulo.50

A atuação das instituições ultrapassa o sentido meramente assistencial e revelam a meta de


viabilizar a permanência definitiva dos imigrantes, prepará-los para as oportunidades e
suprindo as necessidades que a vida urbana em São Paulo colocava.

48
Razovsky,1937:44
49
AJC, Foreign Affairs Files Jewish Organizations Latin America (1941-1952) –Box 6, YIVO Institute for Jewish
Research
50
Inventory of the records of the American ORT Federation, Box1,Folder 5, YIVO Institute for Jewish Research. Neste
mesmo documento, entre os alunos constam os seguintes com sobrenomes judeus: Leo Leser, Salomão Apelbaum,
Bernardo Kraitzman, Chaim L. Szraiber, Jose Klinger, Jacob Goldwasser, que participam da construção de um torno
mecânico

10
A armadura sólida que se instala no Bom Retiro entre as décadas de 1920 e 1940, além dos
pequenos negócios por conta própria diretamente viabilizados pelos empréstimos da
Cooperativa de Crédito Popular,tem outros componentes: a assistência à moradia, saúde,
educação, aprendizado da língua, formação profissional e obtenção de trabalho, obtenção de
licença comercial para trabalhar, provisão de creche para filhos das mulheres que
trabalhavam, atendimento aos idosos.

REFERÊNCIAS

Fontes

AJC, Foreign Affairs Files Jewish Organizations Latin America (1941-1952) –Box 6, YIVO
Institute for Jewish Research

Ata da assembleia geral extraordinária ,30/01/1944/

Ata da assembleia geral extraordinária de 17/09/1984- acervo AHJB/SP

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13
Parques Infantis de caráter municipal, distribuídos em bairros de grande concentração de
operários na cidade de São Paulo. Estes parques estavam ligados ao Departamento de Cultura
do município de São Paulo, tendo Mário de Andrade como principal idealizador, além de
diretor. Nesse período, os parques atendiam a crianças de 3 a 6 anos e também as de 7 a 12
anos, sendo que essas últimas freqüentavam a instituição em período oposto àquele em que
freqüentavam a escola regular. O atendimento oferecido à faixa etária de 7 a 12 anos tinha o
intuito de assistir, educar e recrear as crianças. A partir da década de 1940, os parques
infantis difundiram-se pelo Brasil. (FARIA, 1999).( in SPDA)

Experiência pioneira na organização da educação infantil pública, os Parques Infantis


foram instalados nos bairros operários e industriais da cidade de São Paulo, visando ao
atendimento dos filhos das famílias operárias paulistanas. Cabia à parte técnica da Seção de
Parques Infantis realizar recenseamentos demográficos urbanos, apontar os locais mais
indicados para a construção dos Parques Infantis e organizar as instalações e serviços
internos considerados adequados à população.

Pode-se afirmar que os Parques Infantis foram criados para resolver os problemas dos
filhos de operários, que deixavam as suas crianças sob os cuidados de pessoas sem
preparação suficiente. Na visão dos idealizadores dos Parques, a vivência de rua criava
costumes anti-sociais, aumentava os acidentes, podendo dar lugar ao

The city / Robert E. Park, Ernest W. Burgess, Roderick D.


McKenzie ; with an introduction by Morris Janowitz.
Imprenta Chicago : University of Chicago Press, 1984, c1925.
FAU 301.36 P219c

MIRANDA, Nicanor. Plano inicial da Seção de Parques Infantis. Revista do Arquivo


Municipal, São Paulo, n. 20, p. 95-98, 1936.

14
______. O significado de um parque infantil em Santo Amaro. São Paulo: Departamento
de Cultura, 1938.

15