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O que é DIT

DIT é uma sigla muito utilizada no Brasil. O significado de DIT é Divisão Internacional do
Trabalho.

O que é DIT

DIT é o que regula como acontece a distribuição da produção a nível global,


envolvendo países desenvolvidos e subdesenvolvidos, sendo, assim, de abrangência
internacional.

A Divisão Internacional do Trabalho é, basicamente, a especialização da produção dos países e


das regiões buscando intensificar as trocas.

Basicamente, a DIT surgiu para suprir uma necessidade que a globalização trouxe.
A globalização aproximou todos os países e estreitou as relações de comércio. Com ela, foi
possível perceber que não há sentido em um único país produzir de tudo, mas que a importação
e a exportação, além de serem lucrativas, podem garantir produtos de maior qualidade.

Assim, os países menos desenvolvidos contribuem para a DIT oferecendo mão de obra barata,
matéria-prima e impostos reduzidos. Em geral, são esses os países que exportam materiais
básicos, como peças para eletrônicos, alimentos e outros itens semelhantes. Já os países mais
desenvolvidos costumam exportar produtos tecnológicos já prontos, montados com as peças e
materiais que importam.

A DIT evoluiu paralelamente ao capitalismo, pois seu objetivo é aumentar o lucro ao ampliar a
produção e reduzir os custos. Com a diminuição do custo, é possível que ocorra o aumento do
lucro.

Diversos autores argumentam que a DIT é algo ruim, passível de críticas, pois, para eles, a DIT é
a responsável pela criação das desigualdades entre países.

O pensamento é simples: os países mais pobres produzem matéria-prima e equipamentos para


os países desenvolvidos. Em contra partida, esses países subdesenvolvidos consomem
tecnologia. Assim, Os países mais pobres vendem mercadorias baratas e compram mercadorias
caras. Isso diminui muito o lucro que eles possam obter e, assim, seu desenvolvimento é
prejudicado.

Da mesma forma, os países mais ricos importam produtos baratos e exportam produtos, caros,
tendo grande lucro com essas transações e sendo, assim, beneficiados pela DIT.

A Divisão Internacional do Trabalho não foi implantada de repente, não é um modelo pronto, mas
que foi desenvolvido em fases.

Fases da DIT

A primeira fase foi caracterizada pela aplicação do capitalismo comercial e teve lugar nos
séculos XV e XVI. Nesta fase, os países colonizados eram os responsáveis por exportar matéria-
prima bruta, como especiarias e minerais, além de exportar a mão de obra escrava. Os países
colônia exportavam os produtos finais feitos com a matéria e com a mão de obra que vinham das
colônias.
A segunda fase foi caracterizada pela aplicação do chamado capitalismo industrial. Essa fase
ocorreu nos séculos XVII, XVIII e XIX. Muitas colônias já eram independentes e haviam se
tornado países subdesenvolvidos. Estes continuavam a exportar matéria-prima para que os
países desenvolvidos pudessem industrializar.

A terceira fase da DIT foi caracterizada pelo capitalismo financeiro e teve início no século XX,
se estendendo até o século XXI. Nessa fase, os países subdesenvolvidos oferecem não apenas a
matéria-prima, como também os produtos industrializados. Resta aos países desenvolvidos
exportar novas tecnologias, produtos de ponta e investir. Além disso, muitos “exportam” fábricas,
ou seja, montam suas fábricas em países subdesenvolvidos para produzir a tecnologia com um
custo ainda mais barato do que se fosse produzida em seu próprio país.

Como é possível perceber, a DIT não é um fenômeno estático, mas sim um processo
dinâmico que sofre alterações de acordo com a demanda e a necessidade dos países.

A DIT clássica, ou seja, sua forma inicial, era simples: países subdesenvolvidos possuíam muito
de sua natureza original e, por isso, forneciam matéria-prima. Já os países desenvolvidos
utilizavam esta matéria-prima para produzir itens mais sofisticados que eram vendidos dentro do
próprio país que os produziam, além de serem exportados para outros países desenvolvidos e
também para os subdesenvolvidos.

Na nova DIT, que também é chamada de DIT da nova ordem mundial, os países menos
desenvolvidos fornecem não apenas matéria-prima como também produzem mercadorias mais
caras (fugindo, assim, dos impostos e do alto custo de produzi-las em países desenvolvidos) ou
que causam poluição.
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framino / Creative Commons

Rifkin: "O Brasil pode ser a Arábia Saudita das energias


renováveis e se tornar um líder deste século"

ENTREVISTA

Jeremy Rifkin e a Terceira Revolução Industrial


Para o economista Jeremy Rifkin, o telefone e o petróleo
abriram caminho para a Segunda Revolução Industrial. Agora,
as energias limpas e as redes inteligentes estão preparando a
próxima grande onda

O economista americano Jeremy Rifkin é um dos


pensadores mais influentes da atualidade. Professor da
escola de negócios Wharton, da Universidade da
Pensilvânia, Rifkin é conselheiro da União Europeia e
interlocutor frequente da chanceler alemã Angela Merkel.
Há alguns anos, Rifkin se propôs a demonstrar que era
viável colocar as diversas fontes de energia renovável no
centro da matriz energética mundial. O assunto evoluiu e
foi transformado em livro, A Terceira Revolução Industrial, que chega às
livrarias brasileiras neste mês. No livro, Rifkin prega que todos os prédios -
residenciais ou comerciais - podem ser transformados em pequenas usinas
de energia. "Se o Brasil adotar esse modelo, pode ser a Arábia Saudita das
energias renováveis e um dos líderes do século 21", diz Rifkin.

EXAME - O que o senhor chama de Terceira Revolução Industrial?


Rifkin - Quando estudamos história, vemos que as grandes revoluções
econômicas acontecem quando há convergência de transformações nas
áreas de comunicações e de geração de energia. No século 19, saímos da
prensa manual para a máquina a vapor e pudemos fazer impressões em
massa a preços baixos. Isso possibilitou a criação de escolas na Europa e
nas Américas e a educação da força de trabalho, o que conduziu à
Primeira Revolução Industrial. O telefone, o rádio, a TV e o petróleo
abriram caminho para uma sociedade de consumo de massa, a Segunda
Revolução Industrial. Movida pelos veículos automotores, essa fase agora
está chegando ao fim. Teremos de encontrar outras fontes de energia,
porque alcançamos o pico mundial da produção de petróleo. Toda vez que
o preço do barril chegar a níveis como o de julho de 2008, quando atingiu
147 dólares, todos os preços vão subir, as pessoas vão deixar de consumir
e o sistema vai parar. Isso acontece porque quase tudo é feito de petróleo:
celulares, fertilizantes, pesticidas, medicamentos, materiais de construção,
energia elétrica e combustíveis. A produção de petróleo cresce, é verdade,

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mas a população também aumenta, principalmente com a expansão do


número de consumidores de países emergentes, como é o caso do Brasil.

E o que está substituindo o modelo da Segunda Revolução Industrial?


As últimas décadas foram marcadas por uma profunda mudança na área
de comunicações, fruto do computador pessoal e da internet. Hoje, há 2,3
bilhões de pessoas mandando os próprios vídeos, fotos e textos para a
rede. E o mais incrível é que fizemos isso em 20 anos. A internet é
colaborativa e nela o poder não é mais hierárquico. Ao mesmo tempo,
estamos evoluindo no sentido de ter uma geração de energia disseminada,
feita no nível do indivíduo. Essa é a grande transformação no campo da
energia.

Como é possível que as pessoas produzam energia individualmente?


Primeiro, é importante lembrar que há energias renováveis espalhadas por
todo o mundo: solar, eólica, geotérmica, de biomassa e das ondas. Se as
fontes renováveis estão em todo lugar, por que somente colhê-las em
alguns poucos pontos? Por que não converter os 191 milhões de prédios
espalhados pelos países da União Europeia em miniusinas verdes, com
painéis fotovoltaicos no teto, aerogeradores na lateral e conversores de lixo
em biomassa? Os prédios são os principais consumidores de energia
elétrica e em emissões de gás carbônico.

Isso já acontece em algum lugar?


Alguns prédios novos na Europa geram mais eletricidade do que usam,
como é o caso de um complexo de escritórios em Paris. Quando esse
modelo se disseminar, movimentará a economia francesa gerando milhões
de empregos. A Alemanha, que é o motor econômico da Europa, já
converteu 1 milhão de prédios em usinas parciais. Esse processo criou
370000 empregos diretos. Hoje cerca de 20% de sua matriz energética é
de fontes renováveis. O objetivo é chegar a 35% em 2020. O encaixe
perfeito ocorrerá quando for criada uma rede de distribuição que permita o
compartilhamento dessas energias por todos os usuários. Mas não resta
dúvida: a Europa já começou a Terceira Revolução Industrial.

Como funciona essa rede?


É aí que a revolução nas comunicações converge com a revolução na
geração de energia. Já é possível digitalizar a rede de energia - que é
unidirecional - e transformá-la em uma rede bidirecional, para que leve
energia ao usuário final, mas também receba a energia produzida por ele.
Quando milhões e milhões de prédios estiverem gerando energia elétrica e
estocando eletricidade - e já há meios para isso -, poderão usar um
software para vender o excesso entre cidades ou países. A Alemanha já
está testando uma rede elétrica inteligente em seis regiões. Pense que
todas as grandes montadoras terão veículos elétricos até 2015. No futuro,
quando os prédios funcionarem como miniusinas de energia, os carros
elétricos poderão ser abastecidos num desses edifícios que geram e
armazenam energia, ou seja, em qualquer rua de qualquer cidade.

O senhor diz que devemos perseguir uma sociedade de baixo


carbono. Isso significa que devemos parar de buscar petróleo?
Não. Precisaremos de petróleo para o que não temos substitutos, como
lubrificantes, alguns processos químicos, produtos farmacêuticos, materiais
de construção, fibras sintéticas e uma série de outros produtos. Não
devemos é usar combustíveis fósseis para transporte e geração de energia
elétrica.

Como o Brasil deveria lidar com o petróleo do pré-sal?


O Brasil tem a chance de usar parte dos recursos do petróleo para criar um
modelo energético baseado em eletricidade verde. Caso contrário, o país

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estará voltado para o século passado. O Brasil pode ser a Arábia Saudita
das energias renováveis. Tem mais potencial de geração de energia
renovável que qualquer país do mundo. Todo prédio brasileiro deveria ter
painéis solares no teto e nas paredes externas. Deveria haver geradores
de energia eólica por toda a costa. O Brasil pode liderar a Terceira
Revolução Industrial na América Latina, como a Alemanha está fazendo na
Europa. Apostar apenas no petróleo levaria o país a ser uma nação de
segundo escalão. Gostaria de conversar sobre isso com a presidente
Dilma Rousseff.

O que o senhor espera da Rio+20?


Creio que haverá boas discussões, mas a conclusão será que é preciso
haver um plano econômico. Metas de redução de emissão de CO2
parecem uma punição. O que será visto com cada vez mais força, inclusive
no Rio de Janeiro, é a discussão de um novo paradigma econômico. Algo
que trate de mudanças climáticas, das energias renováveis, mas que
amplie nossa visão sobre o problema. Vale sempre ressaltar: a busca da
eficiência energética cria empregos e negócios em larga escala.

Como o senhor responde a quem considera seu plano utópico?


As empresas e os governos com os quais trabalho não estão interessados
em utopia. Estamos tentando criar um novo modelo econômico que seja
viável, que nos liberte do carbono, que movimente a economia, que gere
empregos. Sabemos que funciona porque estamos testando. Daimler, GM,
Toyota, Bosch, Siemens, Cisco, Philips e IBM são empresas utópicas?
Elas estão fazendo exatamente o que estou falando. Em breve teremos
carros movidos a hidrogênio. Isso é utopia?

A Terceira Revolução Industrial


Como o poder lateral está transformando a energia, a
economia e o mundo
Editora - M. Books, 320 págs.
Autor - Jeremy Rifkin

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