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EDUCAGAO PROFISSIONAL E TECNOLOGICA NO BRASIL CONTEMPORANEO DESAFIOS, TENSOES E POSSIBILIDADES Atores sociais da Educagao Pro’ Parte | sional e Tecnologica (EPT) Contemporanea As redes estaduais de ensino ea construgao de uma politica nacional de educagao profissional 11 Edna Corrée Batistoli, Geraldo Grossi Junior Os Estados em sua estrutura organiza- cional possuem um érgio gestor que atua com a educagéo profissional, Esses drgios gestores so constituldos por equipes de profissionais que fazem a gestio da Area dentro de toda a rede de ensino, assumin- do a composigio de uma politica estadual que visa a implantagdo, ao desenvolvimen- to € a consolidagdo de ages que integram a politica estadual sustentada em propostas estratégicas de formagdo do cidadio e sua inter-relaco com 0 mundo do trabalho, Os gesiores desses érgaos estaduais de educagdo profissional, historicamente, tém tido a responsabilidade de representar seus Esiados, interna e externamente, no que se refere a area. Essa representacdo se ar~ ticula com politicas puiblicas vinculadas ao desenvolvimento de acées educacionais, de formacdo geral € especifica, de melhoria da qualidade da educacéo profissional, nas esferas estadual e federal e de implementa- gio de oferta de cursos de formacio profis- sional do jovem e do adulto trabalhador. Sandra Regina de Oliveira Garcia res a participarem de eventos ligados & edu- cago profissional ¢ tecaoldgica possibilitou que os gestores estaduais de educacio pro- fissional se organizassem de forma a cons- tituir um Férum permanente de discussaio sobre a tematica. processo de organizagio do Férum foi uma iniciativa dos proprios gestores. No decorrer de seminérios e encontros promo- vidos pelo Ministério da Educagao e Cul- tura (MEC), abriam-se espagos paralelos € concomitantes aos eventos € realizavam-se reunides, chamando o ministério para dis- cutir e apresentar as demandas efetivas almejadas pelos Estados, para além do ob- jeto ali proposto. Os gestores estaduais, em um primeiro ‘momento, buscavam, de forma independen- te € particularizada, sclucionar questées de ordem técnica e financeira, as quais se re- petiam sistematicamente nos Estados. Iden- tificado esse processo, o grupo de gestores assumiu o papel que institucionalmente Ihes ccabe ¢ que socialmente é delegado a todos A dindmica estabelecida pelo govemo federal no sentido de chamar diferentes ato- 196 Jaqueline Mol & cols. de iniciativas que beneficiem a sociedade cem geral, sem olhar barreiras geogréficas, teSricas, econdmicas e conjunturais. Essa visio sustentou a definigao de po- Iticas puiblicas para a educagao profissio- nal ¢ 0 seu efetivo estabelecimento em to- dos 0s Estados, respeitado o direito cons- titucional da autonomia. Tais prineipios que o Férum Nacional de Gestores Estaduais de Educagao Profissioncl necessitaria bus- car, desde a sua constituigdo, e que, em um processo coletivo, veio sendo construido e materializado. Propomos-nos a apresentar neste capi- tulo 0 processo vivenciado pelo grupo de gestores, no period de 2004 a 2008, na conquista de uma identidade renovada para a educagio profissional publica do pats eda construcio de uma politica nacional para a drea. ‘A NECESSIDADE DE ARTICULAGAO DAS REDES ESTADUAIS DE [EDUCACAO PROFISSIONAL ‘A edlucacio profissional nos Estados bra- sileiros vem sendo construfda num processo histérico que possui aproximagées e diferen- cas nas dimensies que envolverm a prépria concepyio, a normatizagio e questées de ordem (écnica-administrativa, {As Redes Estaduais de Educagio Pro- fissional comnéem o seemento niiblico da educagio brasileira, com capacidade de ins- tituir uma vasta capilaridade, considerando sus distribuigdo nas 26 Unidades Federadas rito Federal. So organizadas por um conjunto de relagées, interaas e externas, ‘compostas por categorias que envolvem: ~ escalas, drgios gestores, trabalhado- res da educagio, professores, estu- dantes, formacao inicial e continua- aqueles que assumem funcées de gestio pu blica, ou seja, ser 0 mobilizador e executor da, governantes, setores diversos da sociedade civil, politica; ~ curriculos, propostas pedagdgicas, au- las priticas e tedricas, normas, regi ‘mentos, cadastros; = edificagées, laboratérios, areas fisi- cas, equipamentos, assim como par- cos recursos financeiros ¢ outros itens que estruturam e regem essa modalidade de ensino. ‘Todas, sem distincio, fundamentam-se nos marcos legais estabelecidos constitucio- nalmente, e pelas normatizagdes advindas das mesmas, sejam nacional ou estadual, assim como, das entidades que regulam as profissée: Em cada uma, existe a marca do préprio Estado, com suas peculiaridades, com sua regionalizagao, com suas conviegdes e ideo- logias, com a diversidade que Ihe & propria, de forma auténoma ¢ independente. Saviani cexplicta essa ideia quando diz: [uJ unidade de diversidade, um todo que se articula uma variedade de elementos ue, ao se integrarem ao iodo, nem por isso perdem a propria identidade. [..) part cipam do todo, integram o sistema, na for ma das respectivas especificidades (2001, p. 206) Este é um preambulo da realidade bra- sileira da Educagio Profissional da Rede Piiblica Estadual. Sio diferentes sim, mas. pelo Férum Nacional de Gestores Estaduais de Educacdo Profissional, assumem a unida- de e com isso fazem parte de uma identi- dade construida coletivamente, visando a0 estabelecimento de uma politica publica de Estado que oriente e defina caminhos para © setor responsavel por prover 0 cidadio de possibilidades de profissionalizagdo, Profis- sionalizar num sentido de promogio do ser Educagéo profissional e tecnolagica no Brasil contemporaneo_197 hhumano, sob uma visio critica dos processos de produgio, sustentado nos conceitos de ciéncia, tecnologia, cultura ¢ trabalho, pois esteve sempre atrelada a programas ‘compensatrios ¢ assistenciais. A integragéo de esforcos para transformar 0 cendrio atual Aidentidade que aqui tratamos é de uma rede de escolas e drgdos gestores que atuam em todos os estados do Brasil, oferecendo a jJovens e adultos, condigdes de reconhecer-se como cidadio trabalhador, por meio de cur- como cidadio trabalhador, por meio de cur- sos de formacao inicial e qualificacao profis- sional, de educagio profissional técnica de nivel médio, nas suas diferentes formas de oferta ou, em cursos de especializagio téc- nica de nivel médio e cursos superiores de tecnologia, por meio de experiéncias educa- cionais instaladas, em muitos Estados, j4 ha muitas décadas. Nesse contexto, a Educagiio Profissional da Rede Publica Estadual atenta ao prinef- pio que lhe & maior, 0 de fortalecer, reno- var e publicizar a propria identidade frente a sociedade brasileira, langou-se em um projeto que amplia suas fungGes. Os emba- tes As necessidades individuais e coletivas demonstraram que somente um trabalho fundado numa perspectiva macro poderia impulsionar mudancas significativas para uma rea educacional imprescindivel na atual conjuntura sociopolitica e econdmica nacional. Criou-se enti 0 Férum Nacional de Ges- tores Bxtaduais de Educagdo Profissional com a finalidade de promover o didlogo entre Fs- tados, estreitar a relacio com 0 Ministério da Educagdo e demais ministérios que de- senvolvem ages de formagio profissional, assim como abrir vias de discussio com 0 meio politico para o fortalecimento de to- dos os agentes que sio responsdveis por uma educacio profissional puiblica, especificamen- te, da Rede Piiblica Estadual. Em sintese, 0 forum se estabeleceu tendo como principio de agio desencadear politicas piiblicas para a 4rea, até entio inexistentes, 198 Jaqueline Moll & cots. a educagio profissional e tecnolégica est entre seus objetivos e estratégias, a partir do reconhecimento educacional, social e histé- rico que Ihe é devido, assim como promover fortalecimento de sua representacao den- © fortalecimento de sua representacio den- tro do Ministério da Educacao, explicitan- do o quanto essa representagao vai além de uma tnica rede, pois estamos tratando de ceiucacio profissional publica para toda a populacao brasileira. ACRIACAO DO FORUM NACIONAL DE GESTORES ESTADUAIS COMO FORMA DE ARTICULACAO NACIONAL 0 Forum Nacional de Gestores Estaduais de Féucagio Profissional materializa uma ideia e uma necessidade do grupo dos entio gestores de Educagio Profssional das Redes Estaduais de Ensino. A iniciativa foi criar um espaco pui- blico de discussdes, de encaminhamentos e, principalmente, de reconhecimento das redes estaduais como instancias efetivas de formagao profissional. Estabeleceu-se, assim, mais que um espaco de encontro de pares, os quais vi- venciam situagdes similares. Os objeti- vos de seus integrantes se inter-relacio- nam, buscam construir solugdes para de- safios equivalentes, sem, contudo, distan- ciar-se do que local, numa perspectiva ue tem a intencionalidadee a consciéncia de quais sio as necessidades apresentadas por todas as unidades federadas, ou seja, © prine(pio da coletividade como sustenta- gio da proposta, A consiituigao do forum teve como signi- ficado 0 exercicio pleno e legitimo da cida- ania, pois implicou em fazer opgies, em tomada de atitudes ¢ participagio na politica ppblica nacional de educagio. Criou-se um fato que pode resultar em mudangas, ce mé- dioe longo prazo, nas diretrizes atuais e futu- ras para a modalidade de educacio profissio nale tecnolégica, assim como para as propos- tas de formagio profissional realizada pelos diferentes segmentos, principalmente para as redes piblicas de ensino, © governo federal se apresenta como gestor piblico que tem como prinefpio cons- io profissional das Redes Piblicas Estaduais de Ensino, sendo representantes autorizados pelas Secretarias de Bducagdo, Secretarias de Ciéncia e Tecnologia e Secretaria de De- senvolvimento, das 26 Unidades Federadas Distrito Federal. As finalidades a que esse Férum se pro- pée estdo intimamente relacionadas as ne- cessidades da educagao profissional, pois as representagGes trazem a realidade da escola piblica em diferentes contextos socioecond-