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Aula 10

Direito Processual Penal p/ XXI Exame de Ordem - OAB


Professor: Renan Araujo
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AULA 10: DOS RECURSOS. DAS AÇÕES AUTÔNOMAS DE
IMPUGNAÇÃO

SUMÁRIO
!
1. DOS RECURSOS ........................................................................................... 3
1.1. Disposições gerais ...................................................................................... 3
1.1.1. Conceito e natureza ................................................................................. 3
1.1.2. Juízo de admissibilidade .................................................................... 4
1.1.3. Pressupostos processuais .................................................................. 5
1.1.3.1. Pressupostos intrínsecos .................................................................. 5
1.1.3.2. Pressupostos extrínsecos de admissibilidade recursal ........................... 8
1.1.4. Juízo de Mérito ................................................................................. 11
1.1.5. Classificação dos recursos ................................................................ 12
1.1.6. Efeitos dos recurso........................................................................... 13
1.1.7. Princípios recursais .......................................................................... 14
1.2. Recursos em espécie ........................................................................... 21
1.2.2. Recurso em sentido estrito .............................................................. 21
1.2.2.1. Cabimento ................................................................................... 21
1.2.2.2. Processamento do Recurso ............................................................. 23
1.2.3. Apelação .......................................................................................... 28
1.2.3.1. Cabimento ................................................................................... 28
1.2.3.2. Prazo e Forma .............................................................................. 30
1.2.3.3. Efeitos ......................................................................................... 31
1.2.3.4. Processamento ............................................................................. 33
1.2.4. Dos embargos infringentes .............................................................. 36
1.2.5. Embargos de Declaração .................................................................. 38
1.2.6. Carta Testemunhável ....................................................................... 39
1.2.7. Agravo em execução ........................................................................ 41
1.2.8. Revisão Criminal .............................................................................. 42
2. AÇÕES AUTÔNOMAS DE IMPUGNAÇÃO ...................................................... 48
2.1. Habeas corpus .................................................................................... 48
2.1.2. Classificação .................................................................................... 48
2.1.3. Sujeitos do HC .................................................................................. 49
2.1.4. Cabimento e processamento ............................................................ 50
2.2. Mandado de Segurança em Matéria Criminal ....................................... 53
3. RESUMO .................................................................................................... 55
4. EXERCÍCIOS DA AULA ............................................................................... 64
5. GABARITO ................................................................................................. 72

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Olá, meu povo!

Estudando muito?

Hoje vamos estudar os Recursos.

Na verdade, estudaremos todas as formas de impugnação às


decisões judiciais, o que engloba os recursos e as ações autônomas de
impugnação (Revisão Criminal, MS e Habeas Corpus).

Trata-se de um tema MUITO importante para o Exame da


OAB!

Bons estudos!

Prof. Renan Araujo

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1.! DOS RECURSOS

1.1. Disposições gerais

1.1.1. Conceito e natureza


Os recursos podem ser conceituados como meios voluntários de
impugnação às decisões judiciais, interpostos no curso do processo.
Modernamente, são entendidos também como uma extensão do próprio
direito de ação.
O recurso, portanto, é o meio hábil à alteração de uma decisão
judicial (seja por sua anulação, reforma, etc.), utilizado dentro da mesma
relação jurídico-processual (não se cria um novo processo) e antes da
preclusão (perda do direito de recorrer).1
Parte da Doutrina classifica os meios de impugnação às decisões
judiciais em:
1) RECURSOS
2) SUCEDÂNEOS RECURSAIS, que se dividem em internos
(aqueles que, embora sejam utilizados durante o processo, não são
recursos) e externos (ações autônomas de impugnação).

O recurso é um ÔNUS para a parte, pois a sua não interposição no


prazo e condições previstas na Lei Processual acarreta a perda de uma
oportunidade para a parte (reverter a decisão que lhe é prejudicial). Não
é um dever, pois o seu descumprimento não gera qualquer direito para a
outra parte ou para quem quer que seja, apenas prejudica quem “dorme
no ponto”.
A finalidade do recurso é reverter uma decisão judicial
desfavorável, seja modificando, anulando, esclarecendo ou integrando a
decisão impugnada2. No entanto, somente as duas primeiras são
finalidades típicas dos recursos, sendo as duas últimas finalidades
atípicas.
Os recursos, em regra, estão previstos no CPP. No entanto, alguns
deles possuem previsão na própria Constituição Federal, e outros, em
Legislação especial.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
1
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. 3º edição. Ed. Juspodivm.
Salvador, 2015, p. 1605
2
TÁVORA, Nestor. ALENCAR, Rosmar Rodrigues. Curso de Direito Processual Penal. 10º
edição. Ed. Juspodivm. Salvador, 2015, p. 1213

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1.1.2.! Juízo de admissibilidade

Quando falamos em análise do recurso, estamos diante de uma


tarefa composta por duas fases distintas. Uma delas, e a primeira, é a
análise da verificação do preenchimento dos pressupostos
recursais de admissibilidade do recurso (Juízo de admissibilidade, ou
Juízo de PRELIBAÇÃO3). A segunda é análise do mérito do recurso,
propriamente dito, ou seja, aquilo que o recorrente pretende que seja
analisado e, ao final, provido (Juízo de mérito).
Trata-se de uma verificação muito semelhante ao que ocorre com o
direito de ação, eis que naquela seara também se procede à analise dupla
(primeiro a análise do preenchimento dos requisitos que permitem
adentrar ao mérito: condições da ação e pressupostos processuais, depois
a análise do mérito da AÇÃO PENAL, caso superada a primeira fase).
Assim, quando alguém interpõe um recurso, o Tribunal (Embora o
Juízo de admissibilidade seja feito, antes, pelo próprio órgão do Judiciário
que prolatou a decisão), recebendo o recurso, verifica, primeiramente, se
o recorrente cumpriu todas as exigências legais (se interpôs o
recurso certo, no prazo certo, pelos motivos certos, se recolheu o valor
necessário à interposição do recurso, etc.).
Com regra geral, os recursos são interpostos perante o Juízo a quo
(que proferiu a decisão) e o seu julgamento compete a outro órgão
julgador, chamado de juízo ad quem.
EXEMPLO: José é denunciado pelo MP, pela prática de crime de roubo. O
Juiz rejeita a denúncia. O MP interpõe recurso em sentido estrito (art.
581, I do CPP), perante o Juiz que proferiu a decisão de rejeição da
denúncia (juízo ad quem). O Juiz recebe o recurso e, estando presentes
os pressupostos recursais, remete o recurso ao Tribunal, a quem caberá
analisar o mérito recursal (juízo ad quem).

Em regra, o juízo de admissibilidade é realizado tanto pelo Juízo a


quo quanto pelo Juízo ad quem (aquele que vai efetivamente julgar o
recurso).4 Isso não ocorrerá quando:
•! O próprio juízo que proferiu a decisão for o responsável pelo
julgamento do recurso (ex.: embargos de declaração) – Neste
caso só há juízo a quo.
•! O recurso é interposto diretamente perante o juízo ad quem
(Ex.: Carta testemunhável) – Neste caso o juízo a quo não
participa do juízo de admissibilidade.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
3
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Op. Cit., p. 1634
4
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Op. Cit., p. 1634/1635

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1.1.3.! Pressupostos processuais

Podem ser intrínsecos, quando relativos ao próprio direito de


recorrer, e extrínsecos, quando relativos à forma como esse
direito é exercitado (classificação Doutrinária majoritária).

1.1.3.1.! Pressupostos intrínsecos


!
Vamos analisar, neste tópico, os pressupostos processuais
intrínsecos:

(a)! Cabimento
Para que este pressuposto esteja satisfeito, exige-se que o recurso
interposto seja o adequado, ou seja, que este seja o meio recursal
previsto na lei processual para impugnar aquela decisão.5
Assim, se o MP maneja o RECURSO EM SENTIDO ESTRITO para
atacar sentença de absolvição do acusado, não está presente o
pressuposto do cabimento, pois o CPP determina que, neste caso, deve
ser manejado o recurso de APELAÇÃO.6

CUIDADO! Em regra, todas as decisões judiciais são recorríveis7,


não o sendo, entretanto, os despachos, por se tratarem de questões
meramente relativas ao trâmite natural do processo, sem que haja
conteúdo decisório no ato judicial.

(b)! Legitimidade recursal


Esse é o pressuposto no qual se verifica se a parte que interpôs o
recurso, tinha legitimidade legal para fazê-lo no caso concreto. Em
regra, podem interpor recurso a parte vencida, o MP (se estiver atuando

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
5
TÁVORA, Nestor. ALENCAR, Rosmar Rodrigues. Op. Cit., p. 1228/1229
6
Art. 593. Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: (Redação dada pela Lei nº 263,
de 23.2.1948)
I - das sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas por juiz singular;
(Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
7
Existem, ainda, decisões que não são recorríveis, embora não sejam meros despachos.
Como exemplo, a decisão que recebe a denúncia ou queixa, que é irrecorrível.

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como fiscal da Lei, pois, caso contrário, será PARTE), e o assistente de
acusação. Nos termos do art. 577 do CPP:
Art. 577. O recurso poderá ser interposto pelo Ministério Público, ou pelo
querelante, ou pelo réu, seu procurador ou seu defensor.

Mas ali não consta o assistente de acusação. Onde está a


previsão? Esta previsão se encontra no art. 271 do CPP:
Art. 271. Ao assistente será permitido propor meios de prova, requerer
perguntas às testemunhas, aditar o libelo e os articulados, participar do
debate oral e arrazoar os recursos interpostos pelo Ministério Público, ou por
ele próprio, nos casos dos arts. 584, § 1o, e 598.

Em razão dessa distinção, ou seja, em razão do fato de o assistente


de acusação somente poder recorrer em determinados casos, criou-se a
seguinte classificação8:
•! Legitimados gerais – Podem recorrer em qualquer caso,
desde que presentes os pressupostos recursais. São eles: MP e
querelante (pela acusação), e acusado, seu procurador ou
defensor (pela defesa).
•! Legitimados específicos – Somente podem recorrer em
determinados casos (ex.: assistente de acusação).

(c)! Interesse recursal


O interesse recursal, à semelhança do que ocorre com o interesse de
agir (condição da ação penal), divide-se em necessidade e
adequação.
A necessidade indica que o recorrente deve ter tido um prejuízo no
processo e o recurso é necessário para reverter esta situação que lhe é
prejudicial.9
A adequação, por sua vez, é a aptidão daquele recurso para alterar a
situação atual do recorrente. Vejamos o que diz o art. 577, § único do
CPP:
Art. 577 (...) Parágrafo único. Não se admitirá, entretanto, recurso da parte
que não tiver interesse na reforma ou modificação da decisão.

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8
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Op. Cit., p. 1653
9
Anteriormente se entendia que o assistente de acusação só tinha legitimidade para
recorrer da sentença absolutória, com o objetivo de obter uma condenação junto ao
Tribunal. Entendia-se que o assistente de acusação, portanto, não possuía interesse
recursal para recorrer da sentença com o único objetivo de agravar a pena imposta.
Isso mudou. O STJ firmou novo entendimento no sentido de que o assistente
possui interesse recursal ainda que a finalidade seja o mero agravamento da
pena.
(AgRg no REsp 1312044/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA
TURMA, julgado em 24/04/2014, DJe 05/05/2014)

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O principal pressuposto para que haja interesse recursal, portanto, é


a existência de sucumbência, que é a situação na qual a parte é
prejudicada pela decisão judicial. Não havendo sucumbência, como
regra10, não haverá interesse recursal.

(d)! Inexistência de ato impeditivo ou extintivo do direito de


recorrer
Pode ocorrer de, em alguns casos, o recorrente ter, em tese, o
direito de recorrer, mas no caso concreto ter perdido este direito.
Esta extinção ou impedimento ao direito de recorrer pode se dar pela
desistência, pela renúncia ao direito de recorrer ou pela aquiescência.
Assim, a desistência ocorrerá sempre que o recorrente
DESISTIR DE UM RECURSO INTERPOSTO! (Guardem isso, o recurso
deve ter sido interposto!11). Entretanto, o MP NÃO PODERÁ DESISTIR
DOS RECURSOS POR ELE INTERPOSTOS. Vejamos o que diz o art. 576
do CPP:
Art. 576. O Ministério Público não poderá desistir de recurso que haja
interposto.

A renúncia, por sua vez, só poderá ocorrer enquanto existente o


direito de recorrer, mas ainda não interposto o recurso.12
A renúncia pode ser expressa, quando o legitimado se manifesta
expressamente informando que não deseja recorrer, renunciando a este
direito, ou tácita, quando o legitimado simplesmente deixa transcorrer o
prazo recursal in albis (em branco, sem nada fazer).
CUIDADO! Embora o MP não possa desistir do recurso interposto, ele
pode NÃO interpor recurso, caso assim entenda. Além disso, o MP pode,
quando do oferecimento de parecer em sede recursal (na qualidade de
fiscal da lei), requerer seja negado provimento ao recurso interposto.

A Doutrina cita, ainda, a preclusão e a deserção. A primeira como


fato impeditivo do direito de recorrer, e a segunda como fato extintivo do
direito de recorrer.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
10
Há quem sustente que é possível haver interesse sem sucumbência, o que ocorreria,
por exemplo, em relação àqueles que estão fora da relação processual, mas têm
interesse na modificação da decisão (ex.: vítima não habilitada como assistente de
acusação). Contudo, outra parte da Doutrina sustenta que, neste caso, houve
sucumbência indireta (ou reflexa). LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo
Penal. Op. Cit., p. 1658/1659
11
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Op. Cit., p. 1648
12
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Op. Cit., p. 1646. NUCCI,
Guilherme de Souza. Manual de processo penal e execução penal. 12.º edição. Ed.
Forense. Rio de Janeiro, 2015, p. 803

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A preclusão recursal é a perda do direito de recorrer, e pode ser
classificada em:
•! Preclusão temporal – perda do direito de recorrer em razão
do transcurso do prazo previsto em lei.
•! Preclusão lógica – ocorre quando a parte pratica um ato
incompatível com o direito de recorrer (ex.: renuncia ao direito
de recorrer).
•! Preclusão consumativa – ocorre quando a parte passa a não
mais poder interpor o recurso em razão do fato de já ter feito
isso. Decorre diretamente do princípio da unirrecorribilidade.

A deserção, por sua vez, acarreta a impossibilidade de


conhecimento do recurso interposto, em razão do descumprimento (pelo
recorrente) de alguma formalidade. Pode ser:
•! Deserção por ausência de preparo – o preparo é o
pagamento das despesas relativas ao recurso interposto. No
processo penal brasileiro só se exige o preparo em relação aos
crimes de ação penal privada exclusiva, e mesmo assim
somente para os recursos do querelante, não do querelado
(réu), pois seria violação ao princípio da ampla defesa exigir do
réu o preparo.13
•! Deserção em razão da fuga do acusado – Antigamente, em
alguns casos, o acusado era obrigado a recolher-se à prisão
para que seu recurso fosse conhecido. Tal previsão não
existe mais!

Vemos, portanto, que a deserção no processo penal, atualmente, só


pode ocorrer pela ausência de preparo nos recursos interpostos
pelo querelante nos crimes de ação penal privada exclusiva (não se
aplica à ação penal privada subsidiária da pública). A deserção pela
ausência de preparo, contudo, é um pressuposto extrínseco de
admissibilidade recursal (eis que relacionada à forma pela qual o
recurso é manejado).

1.1.3.2.! Pressupostos extrínsecos de admissibilidade recursal

São relacionados com a forma pela qual o recurso é manejado.

(a)! Tempestividade

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13
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Op. Cit., p. 1650

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A tempestividade nada mais é que a interposição do recurso no
prazo correto (o prazo previsto na lei). Caso não interposto o recurso
tempestivamente, ocorrerá o que se chama de PRECLUSÃO TEMPORAL.
Mas como saber qual é o prazo correto? O prazo para a
interposição do recurso está previsto na lei, e começa a correr no primeiro
dia útil seguinte ao de determinado ato.
Lembrando que no cômputo dos prazos exclui-se o dia do começo e
se inclui o do término.
E quando começa a correr o prazo recursal? O prazo para a
interposição do recurso começa a fluir da data da intimação da decisão, e
não da juntada aos autos do mandado. Trata-se de entendimento
sumulado do STF:
SÚMULA 710
NO PROCESSO PENAL, CONTAM-SE OS PRAZOS DA DATA DA INTIMAÇÃO, E
NÃO DA JUNTADA AOS AUTOS DO MANDADO OU DA CARTA PRECATÓRIA OU
DE ORDEM.

Durante muito tempo se entendeu que o recurso interposto antes de


iniciado o prazo era intempestivo. O STJ, contudo, já firmou
entendimento em sentido contrário, em homenagem à boa-fé processual
daquele que se antecipa e agiliza o processo.14
CUIDADO! No caso de prazo para interposição de recurso de
apelação pela DEFESA, o STJ entende que devem ser intimados tanto o
acusado quanto seu defensor, de forma que o prazo recursal somente
começa a fluir da data da segunda intimação.
Vejamos:

(...) Sobre a tempestividade - pressuposto recursal -, importa ressaltar que o prazo


geral para a interposição de apelação é de cinco dias, nos termos do art. 593,
caput, do Código de Processo Penal, começando a correr da data em que houve
a intimação da sentença. Quanto à apelação da defesa, há necessidade de
intimação do acusado e de seu defensor, fixando-se o termo a quo no dia da
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
14
(...) Não se deve penalizar a parte que de forma diligente interpõe o recurso
mesmo antes da sua intimação pessoal, sob pena de se ignorar "a boa-fé
processual que se exige de todos os sujeitos do processo, inclusive, e com
maior razão, do Estado-Juiz" (ARE 674231 ED, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira
Turma, julgado em 27/08/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-178 DIVULG 10-09-2013
PUBLIC 11-09-2013).
(...)
(EDcl no HC 281.299/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em
08/04/2014, DJe 23/04/2014)

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segunda intimação, em homenagem à plenitude de defesa.
(...)
(HC 217.030/MG, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA,
julgado em 24/10/2013, DJe 04/11/2013)

(b)! Regularidade formal


É o preenchimento das regras estabelecidas por lei para o recurso
que se pretende interpor. Os recursos, nos termos do art. 578 do CPP,
podem ser interpostos por PETIÇÃO ou POR TERMO NOS AUTOS.
Vejamos:
Art. 578. O recurso será interposto por petição ou por termo nos autos,
assinado pelo recorrente ou por seu representante.
§ 1o Não sabendo ou não podendo o réu assinar o nome, o termo será
assinado por alguém, a seu rogo, na presença de duas testemunhas.
§ 2o A petição de interposição de recurso, com o despacho do juiz, será, até
o dia seguinte ao último do prazo, entregue ao escrivão, que certificará no
termo da juntada a data da entrega.
§ 3o Interposto por termo o recurso, o escrivão, sob pena de suspensão por
dez a trinta dias, fará conclusos os autos ao juiz, até o dia seguinte ao último
do prazo.

(FGV - 2013 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO - XII -


PRIMEIRA FASE)
A jurisprudência uníssona do Supremo Tribunal Federal admite a
proibição da reformatio in pejus indireta. Por este instituto
entende-se que
a) o Tribunal não poderá agravar a pena do réu, se somente o réu
houver recorrido – não havendo, portanto, recurso por parte da
acusação.
b) o juiz está proibido de prolatar sentença com condenação
superior à que foi dada no primeiro julgamento quando o Tribunal,
ao julgar recurso interposto apenas pela defesa, anula a sentença
proferida pelo juízo a quo.
c) o Tribunal não poderá tornar pior a situação do réu, quando não
só o réu houver recorrido.
d) o Tribunal está proibido de exarar acórdão com condenação
superior à que foi dada no julgamento a quo quando julga recurso
da acusação.
COMENTÁRIOS: A reformatio in pejus é o instituto pelo qual o órgão do
Poder Judiciário, ao apreciar recurso exclusivo da defesa, acaba por
AGRAVAR a situação do réu. Tal instituto é vedado em nosso
ordenamento jurídico-penal.

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(12≅Α∋#6=0=∋,10ΒΧ2∋∆∋,ΒΕ0∋ΦΓ∋

A reformatio in pejus indireta, por sua vez, ocorre quando o Tribunal, ao
julgar recurso exclusivo da defesa, anula a sentença a anteriormente
proferida e o Juiz de primeira instância, ao julgar novamente a demanda,
acaba por proferir nova sentença MAIS GRAVOSA ao réu que aquela que
fora anulada pelo Tribunal.
Tal instituto também é vedado, de acordo com a jurisprudência pacífica
do STF.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

(FGV - 2013 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO - XI -


PRIMEIRA FASE)
De acordo com a doutrina, recurso é todo meio voluntário de
impugnação apto a propiciar ao recorrente resultado mais
vantajoso. Em alguns casos, fenômenos processuais impedem o
caminho natural de um recurso. Quando a parte se manifesta,
esclarecendo que não deseja recorrer, estamos diante do
fenômeno processual conhecido como
a) preclusão.
b) desistência.
c) deserção.
d) renúncia.
COMENTÁRIOS: Não se pode confundir preclusão com renúncia,
deserção e desistência.
A deserção (pela ausência de preparo, que é o recolhimento das despesas
recursais) é um pressuposto recursal negativo, e uma vez presente, gera
a inadmissibilidade do recurso.
A desistência é a manifestação do recorrente no sentido de não mais
desejar o prosseguimento do recurso.
A renúncia, por sua vez, é a manifestação daquele que tem o direito de
recorrer, no sentido de que não deseja exercer seu direito de interpor o
recurso.
A preclusão, por fim, é a perda do direito de recorrer, em razão da perda
do prazo (preclusão temporal), da prática de algum ato incompatível com
o interesse em recorrer (preclusão lógica) ou em razão da própria
interposição do recurso em face da decisão (preclusão consumativa).
No caso da questão, portanto, o enunciado da trata da renúncia.
Portanto, a alternativa CORRETA É A LETRA D.

1.1.4.! Juízo de Mérito

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O Juízo de mérito é a análise do recurso, propriamente dita.
Sendo positivo o juízo de admissibilidade, o órgão julgador adentrará ao
mérito e apreciará o recurso, dando provimento a ele ou não.
O Juízo de mérito se volta para os fundamentos alegados pelo
recorrente.15
Em seus fundamentos o recorrente pode alegar error in
procedendo ou error in judicando. O primeiro refere-se a algum erro
processual cometido pelo Juiz, que conduz à anulação da decisão.
Já o error in judicando se refere ao julgamento errado no que se
refere ao conteúdo, ou seja, o Juiz julgou de uma forma que o recorrente
entende não ser a que condiz com o ordenamento jurídico.
Quando o recorrente alega error in procedendo, deverá requerer a
anulação da decisão, pois há vício formal. Quando o recorrente alega
error in judicando, deverá requerer a reforma da decisão, pedindo ao
Tribunal que profira novo julgamento, contrariamente à decisão recorrida.
Na anulação os autos voltam ao Juízo que proferiu a decisão para que
profira outra.

1.1.5.! Classificação dos recursos

Os recursos podem ser:


a) De fundamentação vinculada ou fundamentação livre – No
primeiro caso, somente podem ser alegadas determinadas matérias
previstas em lei, em rol exaustivo.16 É o que acontece, por exemplo, no
recurso de apelação nos processos da competência do Tribunal do Júri.17
Já nos recursos de fundamentação livre, o recorrente pode alegar em
seu recurso qualquer matéria.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
15
O que não impede que o Tribunal reexamine algum ponto não alegado no recurso.
16
Daí deriva o princípio da ASSERÇÃO (ou AFIRMAÇÃO), segundo o qual o
recorrente deve apontar, especificamente, o fundamento da admissibilidade do recurso.
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Op. Cit., p. 1672
17
Art. 593. Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: (Redação dada pela Lei nº 263,
de 23.2.1948)
(...)
III - das decisões do Tribunal do Júri, quando: (Redação dada pela Lei nº 263, de
23.2.1948)
a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
b) for a sentença do juiz-presidente contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados;
(Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
c) houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida de segurança;
(Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
d) for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos. (Redação dada
pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

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b) Totais ou parciais – No primeiro caso, o recorrente impugna
todas as partes da decisão que lhe prejudicam. No segundo caso, o
recorrente impugna somente algumas partes da decisão que lhe
prejudica.
c) Recursos ordinários ou extraordinários – Os primeiros são
aqueles que visam a permitir que a parte prejudicada consiga a alteração
de uma decisão desfavorável. Já os recursos extraordinários são aqueles
nos quais a Lei busca garantir a melhor aplicação possível para a Lei
Federal ou para a Constituição18, de forma que somente pode ser alegada
matéria de Direito nestes recursos, não cabendo reexame de matéria
fática.
d) recurso voluntário e recurso de ofício – Na verdade, todo
recurso é voluntário, ou seja, depende de interposição voluntária por
aquele que pretende a modificação da decisão. O chamado “recurso de
ofício”, na verdade, não é um recurso, embora seja assim chamado pelo
CPP. Tem cabimento em hipótese muito excepcionais.19 Nestes casos a
decisão fica sujeita ao reexame obrigatório pelo órgão jurisdicional
superior, ainda que não haja recurso voluntário de nenhuma das partes.
e) recurso genérico e recurso específico – O primeiro exige,
apenas, a irresignação da parte, ou seja, seu inconformismo em relação à
decisão proferida. Já o segundo depende da comprovação de requisitos
próprios, específicos (ex.: demonstração da existência de repercussão
geral, em relação ao recurso extraordinário perante o STF).20

1.1.6.! Efeitos dos recurso


Os recursos possuem os seguintes efeitos:

a) Efeito obstativo – O recurso, quando interposto, impede a


ocorrência da preclusão temporal.
b) Efeito devolutivo – É o efeito mediante o qual o recorrente
devolve ao Tribunal a competência para conhecer a matéria impugnada e
apreciar o recurso. Na verdade, o termo não faz muito sentido, pois só se
devolve alguma coisa a alguém que já possuiu, em algum momento,
aquilo. Como o Tribunal está recebendo pela primeira vez a matéria para
apreciação, o termo devolução se mostra inapropriado (Ele existe porque,
antigamente, o Tribunal delegava ao Juiz a competência para julgar, e

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
18
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Op. Cit., p. 1674
19
Art. 574. Os recursos serão voluntários, excetuando-se os seguintes casos, em que
deverão ser interpostos, de ofício, pelo juiz:
I - da sentença que conceder habeas corpus;
II - da que absolver desde logo o réu com fundamento na existência de circunstância
que exclua o crime ou isente o réu de pena, nos termos do art. 411.
20
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Op. Cit., p. 1673

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quando havia recurso, falava-se que o recurso “devolvia” a matéria ao
Tribunal). Todo recurso possui efeito devolutivo21.
c) Efeito suspensivo – O efeito suspensivo não está presente em
todos os recursos, e diz respeito à impossibilidade de a decisão
impugnada produzir efeitos enquanto não for julgado o recurso. Parte da
Doutrina defende que não é o recurso que possui efeito suspensivo, mas
a mera previsão de sua existência já gera o efeito suspensivo, pois a
decisão não poderá produzir efeitos enquanto não transcorrido o prazo
para a interposição do recurso.22
d) Efeito Translativo – Refere-se à possibilidade de o Tribunal
conhecer, de ofício, determinadas matérias que não foram impugnadas
pelo recorrente, por serem de ordem pública. Assim, imaginem que o
recorrente impugna a sentença em razão de não se conformar com o
julgamento de procedência do pedido da acusação (condenação).
Imaginem que no Tribunal se verifica que houve a prescrição. Ainda que o
recorrente não tenha alegado a prescrição, poderá o Tribunal decretá-la,
pois a prescrição é considerada matéria de ordem pública.
e) Efeito substitutivo – É o efeito que implica na substituição da
decisão recorrida pela decisão do juízo ad quem, seja mantendo ou
reformando a decisão atacada.
f) Efeito regressivo (ou iterativo ou diferido) – O efeito
regressivo também não está presente em todos os recursos, e é o efeito
que permite ao prolator da decisão se retratar da decisão proferida,
evitando a remessa ao órgão ad quem (órgão recursal).
g) Efeito Extensivo – Decorre da necessidade de que haja isonomia
no julgamento de todos aqueles que respondem pelo mesmo fato. Assim,
se um dos corréus interpõe recurso, a decisão desse recurso se estende
aos demais, SALVO SE FUNDADA EM RAZÕES DE CARÁTER
ESTRITAMENTE PESSOAL. Vejamos o que diz o art. 580 do CPP:
Art. 580. No caso de concurso de agentes (Código Penal, art. 25), a decisão
do recurso interposto por um dos réus, se fundado em motivos que não
sejam de caráter exclusivamente pessoal, aproveitará aos outros.

1.1.7.! Princípios recursais

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
21
Há quem sustente que os embargos de declaração não possuem efeito devolutivo,
mas é doutrina minoritaríssima. Segundo a doutrina absolutamente majoritária, todo
recurso possui efeito devolutivo. LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal.
3º edição. Ed. Juspodivm. Salvador, 2015, p. 1662
22
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Op. Cit., p. 1664. No mesmo
sentido, NUCCI. NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de processo penal e execução
penal. 12.º edição. Ed. Forense. Rio de Janeiro, 2015, p. 794

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Os princípios recursais são NORMAS BASTANTE ABSTRATAS QUE
SÃO APLICÁVEIS A TODOS OS RECURSOS, de forma a guiar o
operador do Direito na interpretação da norma processual.
Vejamos quais são eles:
a) Duplo grau de jurisdição – A maior parte da Doutrina entende
que este princípio não está expressamente previsto na Constituição
como sendo obrigatório em todos os casos. Trata-se do princípio segundo
o qual uma decisão deve estar submetida à reapreciação por outro órgão
do Judiciário, que lhe é superior. Fundamenta-se na própria natureza
humana, passível de erros, devendo ser sempre submetida a decisão à
análise por outro julgador;
b) Taxatividade – Somente se pode considerar como recurso
aquele que está previsto expressamente em Lei, não existindo hipótese
de recursos sem previsão legal. Isso impede, por exemplo, que as partes,
de comum acordo, “criem recursos” não previstos em lei, a fim de aplicá-
los a seu processo. Segundo o art. 22, I da CRFB/88, somente Lei
Federal poderá criar recursos, pois é competência privativa da
União legislar sobre direito processual.
c) Singularidade (Ou unirrecorribilidade ou unicidade) – É o
princípio segundo o qual para cada decisão somente é cabível um único
recurso. Como exceção a este princípio temos a previsão de
simultaneidade do recurso especial (para o STJ) e do recurso
extraordinário (para o STF). Entretanto, mesmo nesse caso, a
fundamentação para cada um dos recursos é diferente (o recurso especial
ataca má aplicação da lei federal e o recurso extraordinário ataca má
aplicação da constituição).
d) Voluntariedade – A existência do recurso só pode decorrer da
vontade da parte, não existindo hipótese de recurso obrigatório, nem
recurso de ofício, pois, como disse, o recurso é ato voluntário da parte. O
reexame necessário, muitas vezes erroneamente chamado de “recurso de
ofício” (até porque o próprio CPP dá esse nome), NÃO É RECURSO, mas
condição de eficácia da sentença.
e) Fungibilidade – O princípio da fungibilidade recursal determina
que, interposto um recurso de maneira errada pela parte, é
possível que o órgão recursal receba este recurso como sendo o
correto. Trata-se de uma “flexibilização” do Judiciário no caso de
interposição do recurso errado. Entretanto, este princípio só pode ser
aplicado se presentes um requisito:
•! Inexistência de má-fé – A Doutrina e a jurisprudência
entendem que a interposição do recurso errado não poder ter
sido proposital pelo recorrente. Aplica-se, nesse caso, a
“Teoria do Prazo Menor”, segundo a qual, haverá má-fé se o
recorrente interpôs um recurso cujo prazo era maior que o
recurso correto. Imaginem que numa decisão da qual cabe
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (cujo prazo é de dois dias), o

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recorrente tenha interposto RECURSO EM SENTIDO
ESTRITO (cujo prazo é de 05 dias) no quinto dia, apenas por
ter perdido o prazo de 02 dias para interpor os embargos de
declaração. Neste caso, a interposição do recurso errado
se deu por má-fé, não podendo ser aplicada a
fungibilidade. Vejamos o que dispõe o art. 579 do CPP:
Art. 579. Salvo a hipótese de má-fé, a parte não será prejudicada pela
interposição de um recurso por outro.
Parágrafo único. Se o juiz, desde logo, reconhecer a impropriedade do
recurso interposto pela parte, mandará processá-lo de acordo com o rito do
recurso cabível.

g) non reformatio in pejus – O recurso interposto pela defesa


NUNCA poderá ser julgado de forma a agravar a situação do réu23. Assim,
se o réu é condenado a 05 anos de reclusão e somente ele recorre, para
obter a absolvição, NÃO PODE O TRIBUNAL AGRAVAR A PENA,
aplicando uma pena de 06 anos, por exemplo, por entender que a pena
aplicada foi muito branda.
Assim, em havendo o trânsito em julgado para a acusação, a
sentença aplicada não mais poderá ser agravada.24
CUIDADO! O STJ veda, ainda, a aplicação da reformatio in pejus
indireta, que ocorre quando o Tribunal anula a decisão condenatória
julgando recurso exclusivo da defesa. Neste caso, deverá ser realizado
novo julgamento. Neste novo julgamento não pode o julgador agravar a
situação do réu (estabelecida na sentença anulada) pois isso seria
reformatio in pejus indireta (quem agravou não foi o Tribunal).25
Resumidamente: uma vez anulada a sentença em razão de recurso
exclusivo da defesa, a nova sentença a ser proferida não poderá ser mais
prejudicial ao acusado do que a sentença que foi anulada, sob pena de o
acusado ser penalizado por ter recorrido.26
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
23
Em relação ao recurso interposto apenas pela acusação, embora haja divergência
doutrinária, prevalece o entendimento de que se aplica o sistema do BENEFÍCIO
COMUM, ou seja, pode o julgamento beneficiar o recorrente ou o recorrido. Em havendo
benefício ao acusado (recorrido), ter-se-ia aplicação do princípio da reformatio in
mellius. LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Op. Cit., p. 1628
24
Chamado de EFEITO PRODRÔMICO da sentença. LIMA, Renato Brasileiro de.
Manual de Processo Penal. Op. Cit., p. 1624
25
(...) Diante disso, revela-se adequado o reconhecimento da nulidade da sentença,
devendo ser renovada a prova antecipada indevidamente. Porém, em razão da
vedação à reformatio in pejus indireta, não poderão ser aumentadas as penas
fixadas na sentença anulada, verificando-se já ter transcorrido lapso suficiente para a
extinção da punibilidade do paciente pela prescrição.
(...)
(HC 170.956/DF, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em
11/03/2014, DJe 02/04/2014)
26
Tal impossibilidade ocorrerá, inclusive, quando a sentença tiver sido anulada em razão
de incompetência absoluta do Juízo. LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo
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h) Complementariedade – Pelo princípio da complementariedade o
recorrente poderá complementar a fundamentação de seu recurso
(razões recursais) quando a decisão atacada for modificada após a
apresentações das razões recursais (em razão do julgamento de
embargos de declaração apresentados pela outra parte27, ou qualquer
outra circunstância, como o exercício do juízo de retratação em razão de
recurso interposto pela outra parte28). Como regra, uma vez oferecidas as
razões recursais, entende-se que toda matéria ali não arguida restou
afetada pela preclusão consumativa. Contudo, quando após este
momento a decisão é alterada, é possível que surja para o recorrente
uma “nova pretensão recursal”, decorrente de uma sucumbência até
então inexistente, e que só surgiu posteriormente, em razão da alteração
da decisão atacada. Neste caso, não faz sentido impedir o recorrente de
complementar suas razões recursais, pois somente não impugnou este
ponto da decisão porque, quando da apresentação das razões, ele ainda
não existia!
i) colegialidade – Princípio nem sempre trabalhado pela Doutrina,
prega que a parte tem direito de, uma vez recorrendo, ter seu
recurso apreciado por um órgão colegiado29. O Código de Processo
Civil prevê a possibilidade de que o relator poderá negar seguimento ao
recurso, de forma monocrática, bem como poderá dar a ele provimento,
também de forma monocrática, em determinadas situações excepcionais.
Isso faz com que a parte seja privada do direito de ter seu recurso
avaliado pelo órgão colegiado, já que o relator estará “julgando sozinho”
o recurso interposto. Tal previsão contida no CPC não deveria ser aplicada
ao processo penal quando houvesse procedimento específico
expressamente previsto no CPP para a apreciação do recurso interposto.
Assim, não seria cabível o julgamento monocrático pelo relator, no
processo penal, em relação aos recursos de apelação, RESE e agravo em
execução.30 A jurisprudência, contudo, é vacilante (há decisões em ambos
os sentidos, admitindo e não admitindo o julgamento monocrático).
Contudo, dois pontos são relevantes:
•! Não há violação a tal princípio quando o relator dá
PROVIMENTO ao recurso.31
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Penal. Op. Cit., p. 1625/1626. Em sentido contrário, PACELLI, Eugênio. Curso de
processo penal. 16º edição. Ed. Atlas. São Paulo, 2012, p. 829/833.
O STJ, embora haja decisões em sentido contrário, corrobora este
entendimento (HC 124.149/RJ, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado
em 16/11/2010, DJe 06/12/2010).
27
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Op. Cit., p. 1632
28
TÁVORA, Nestor. ALENCAR, Rosmar Rodrigues. Curso de Direito Processual Penal. 10º
edição. Ed. Juspodivm. Salvador, 2015, p. 1223
29
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Op. Cit., p. 1633
30
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Op. Cit., p. 1633
31
(...) 2. Não viola o princípio da colegialidade a decisão do relator que dá
provimento a recurso, nos termos do art. 557, § 1º-A, do CPC c/c 3º do CPP. (...)

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•! Não há violação a tal princípio quando a decisão do relator é
confirmada posteriormente pelo órgão colegiado.32

(FGV – 2014 – OAB – XV EXAME DE ORDEM)


Tiago e Andrea agiram em concurso de agentes em determinado
crime. O processo segue seu curso natural, culminando com
sentença condenatória, na qual os dois são condenados. Quando
da interposição do recurso, apenas Andrea apela. O recurso é
julgado. Na decisão, fundada em motivos que não são de caráter
exclusivamente pessoal, os julgadores decidem pela absolvição de
Andrea.
Nesse sentido, diante apenas das informações apresentadas pelo
enunciado, assinale a afirmativa correta
a) Andrea será absolvida e Tiago continuará condenado, devido ao
fato de a decisão ter sido fundada em motivos que não são de
caráter exclusivamente pessoal.
b) Andrea e Tiago serão absolvidos, pois os efeitos da decisão
serão estendidos a este, devido ao fato de a decisão ter sido
fundada em motivos que não são de caráter exclusivamente
pessoal.
c) Andrea e Tiago serão absolvidos, porém será necessário
interpor Recurso Especial
d) Andrea será absolvida e Tiago continuará condenado, pois não
interpôs recurso
COMENTÁRIOS: Neste caso ambos serão absolvidos, pois os efeitos da
decisão serão estendidos a Tiago, devido ao fato de a decisão ter sido
fundada em motivos que não são de caráter exclusivamente pessoal, nos
termos do art. 580 do CPP.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

(FGV – 2011 – OAB – EXAME DE ORDEM)


José é denunciado sob a acusação de que teria praticado o crime
de roubo simples contra Ana Maria. Na audiência de instrução e
julgamento, o magistrado indefere, imotivadamente, que sejam
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
(STJ - EInf nos EDcl no AREsp 524.565/PR, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA
TURMA, julgado em 23/06/2015, DJe 03/08/2015)
32
3. A superveniente confirmação de decisum singular de relator pelo órgão
colegiado supera eventual violação do art. 557 do Código de Processo Civil
(arts. 3º do CPP e 34, XVIII, do RISTJ). (...) (AgRg no REsp 1535943/RS, Rel.
Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 04/08/2015, DJe
20/08/2015)

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ouvidas duas testemunhas de defesa. Ao proferir sentença, o juiz
condena José a pena de quatro anos de reclusão, a ser cumprida
em regime aberto. Após a sentença passar em julgado para a
acusação, a defesa interpõe recurso de apelação, arguindo,
preliminarmente, a nulidade do processo em razão do
indeferimento imotivado de se ouvirem duas testemunhas, e
alegando, no mérito, a improcedência da acusação. Analisando o
caso, o Tribunal de Justiça dá provimento ao recurso e declara
nulo o processo desde a Audiência de Instrução e Julgamento.
Realizado o ato e apresentadas novas alegações finais por meio de
memoriais, o juiz profere outra sentença, desta vez condenando
José a pena de quatro anos de reclusão a ser cumprida em regime
inicialmente semiaberto, pois, sendo reincidente, não poderia
iniciar o cumprimento de sua reprimenda em regime aberto.
Com base no relatado acima, é correto afirmar que o juiz agiu
a) equivocadamente, pois a primeira sentença transitou em
julgado para a acusação, de sorte que não poderia a segunda
decisão trazer consequência mais gravosa para o réu em razão da
interposição de recurso exclusivo da defesa.
b) equivocadamente, pois, por ser praticado com violência ou
grave ameaça contra a pessoa, o crime de roubo impõe o início do
cumprimento da pena em regime fechado.
c) corretamente, pois a pena atribuída proíbe a imposição do
regimento aberto para o início do cumprimento de pena.
d) corretamente, pois, embora a pena atribuída permita a fixação
do regime aberto para o início do cumprimento de pena, o fato de
ser o réu reincidente impede tal providência, não se podendo falar
em prejuízo para o réu uma vez que o recurso de apelação da
defesa foi provido pelo Tribunal de Justiça.
COMENTÁRIOS: O Juiz agiu de forma equivocada, pois como houve o
trânsito em julgado da primeira sentença para a acusação, não poderia o
Tribunal agravar a situação do réu em recurso exclusivo da defesa
(princípio da vedação à reformatio in pejus), o que implica a
impossibilidade de o Juiz, no caso específico da questão, proferir nova
sentença agravando a situação do réu, o que se configuraria como
reformatio in pejus indireta.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

(FGV – 2010 – OAB – EXAME DE ORDEM)


Antônio Ribeiro foi denunciado pela prática de homicídio
qualificado, pronunciado nos mesmos moldes da denúncia e
submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri em 25/05/2005,
tendo sido condenado à pena de 15 anos de reclusão em regime
integralmente fechado. A decisão transita em julgado para o
Ministério Público, mas a defesa de Antônio apela, alegando que a
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decisão dos Jurados é manifestamente contrária à prova dos
autos. A apelação é provida, sendo o réu submetido a novo Júri.
Neste segundo Júri, Antônio é novamente condenado e sua pena é
agravada, mas fixado regime mais vantajoso (inicial fechado).
A esse respeito, assinale a afirmativa correta
a) Não cabe nova apelação no caso concreto, em respeito ao
princípio da soberania dos veredictos.
b) A decisão do juiz togado foi incorreta, pois violou o princípio do
ne reformatio in pejus, cabendo apelação.
c) A decisão dos jurados foi incorreta, pois violou o princípio do
tantum devolutum quantum appelatum.
d) Não cabe apelação por falta de interesse jurídico, já que a
fixação do regime inicial fechado é mais vantajosa do que uma
pena a ser cumprida em regime integralmente fechado.
COMENTÁRIOS: Como houve o trânsito em julgado da primeira sentença
para a acusação, não poderia o Tribunal agravar a situação do réu em
recurso exclusivo da defesa (princípio da vedação à reformatio in pejus),
o que implica a impossibilidade de o Juiz, no caso concreto, proferir nova
sentença agravando a situação do réu, já que isto configuraria reformatio
in pejus indireta. Neste caso, caberá nova apelação atacando a sentença
proferida pelo Juiz-presidente, nos termos do art. 593, III, “c” do CPP.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

(FGV - 2012 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO - VI -


PRIMEIRA FASE)
Caio, Mévio e Tício estão sendo acusados pela prática do crime de
roubo majorado. No curso da instrução criminal, ficou comprovado
que os três acusados agiram em concurso para a prática do crime.
Os três acabaram condenados, e somente um deles recorreu da
decisão. A decisão do recurso interposto por Caio
a) aproveitará aos demais, sempre.
b) se fundado em motivos que não sejam de caráter
exclusivamente pessoal, aproveitará aos outros.
c) sempre aproveitará apenas ao recorrente.
d) aproveitará aos demais, desde que eles tenham expressamente
consentido nos autos com os termos do recurso interposto.
COMENTÁRIOS: O recurso, neste caso, poderá aproveitar aos demais
corréus, desde que esteja fundado em motivos que NÃO sejam de caráter
exclusivamente pessoal, nos termos do art. 580 do CPP:
Art. 580. No caso de concurso de agentes (Código Penal, art. 25), a decisão
do recurso interposto por um dos réus, se fundado em motivos que não
sejam de caráter exclusivamente pessoal, aproveitará aos outros.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

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1.2.! Recursos em espécie

1.2.2.! Recurso em sentido estrito

1.2.2.1.! Cabimento
!
O Recurso Em Sentido Estrito (RESE) se destina a impugnar decisões
interlocutórias. Entretanto, não se pode imaginar que ele seja idêntico ao
agravo do Processo Civil e pretender aplicá-lo a toda e qualquer decisão
interlocutória. O RESE só poderá ser manejado nas hipóteses
TAXATIVAMENTE previstas no art. 581 do CPP.
Entretanto a Jurisprudência vem admitindo a INTERPRETAÇÃO
EXTENSIVA do rol de situações que permitem o manejo do RESE,
quando apresentarem consequências semelhantes às hipóteses previstas
no CPP.
CUIDADO! Embora o CPP trate, no caput do art. 581, do cabimento
do RESE em face de “decisão, despacho ou sentença que...”, trata-se de
uma impropriedade técnica, pois:
•! Nunca cabe recurso (nenhum) em face de despacho de mero
expediente.
•! Nunca caberá RESE em face de sentença – Vejamos o art. 593,
§4° do CPP:
§ 4o Quando cabível a apelação, não poderá ser usado o recurso em sentido
estrito, ainda que somente de parte da decisão se recorra. (Parágrafo único
renumerado pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

Assim, o RESE será cabível apenas nas hipóteses previstas no art.


581 do CPP, que diz:
Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou
sentença:
I - que não receber a denúncia ou a queixa;
II - que concluir pela incompetência do juízo;
III - que julgar procedentes as exceções, salvo a de suspeição;
IV – que pronunciar o réu; (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)
V - que conceder, negar, arbitrar, cassar ou julgar inidônea a fiança, indeferir
requerimento de prisão preventiva ou revogá-la, conceder liberdade
provisória ou relaxar a prisão em flagrante; (Redação dada pela Lei nº 7.780,
de 22.6.1989)
VII - que julgar quebrada a fiança ou perdido o seu valor;
VIII - que decretar a prescrição ou julgar, por outro modo, extinta a
punibilidade;

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IX - que indeferir o pedido de reconhecimento da prescrição ou de outra
causa extintiva da punibilidade;
X - que conceder ou negar a ordem de habeas corpus;
XI - que conceder, negar ou revogar a suspensão condicional da pena;
XII - que conceder, negar ou revogar livramento condicional;
XIII - que anular o processo da instrução criminal, no todo ou em parte;
XIV - que incluir jurado na lista geral ou desta o excluir;
XV - que denegar a apelação ou a julgar deserta;
XVI - que ordenar a suspensão do processo, em virtude de questão
prejudicial;
XVII - que decidir sobre a unificação de penas;
XVIII - que decidir o incidente de falsidade;
XIX - que decretar medida de segurança, depois de transitar a sentença em
julgado;
XX - que impuser medida de segurança por transgressão de outra;
XXI - que mantiver ou substituir a medida de segurança, nos casos do art.
774;
XXII - que revogar a medida de segurança;
XXIII - que deixar de revogar a medida de segurança, nos casos em que a lei
admita a revogação;
XXIV - que converter a multa em detenção ou em prisão simples.
Art. 582 - Os recursos serão sempre para o Tribunal de Apelação, salvo nos
casos dos ns. V, X e XIV.
Parágrafo único. O recurso, no caso do no XIV, será para o presidente do
Tribunal de Apelação.
Art. 583. Subirão nos próprios autos os recursos:
I - quando interpostos de oficio;
II - nos casos do art. 581, I, III, IV, VI, VIII e X;
III - quando o recurso não prejudicar o andamento do processo.
Parágrafo único. O recurso da pronúncia subirá em traslado, quando,
havendo dois ou mais réus, qualquer deles se conformar com a decisão ou
todos não tiverem sido ainda intimados da pronúncia.

!! No inciso IV, reparem que somente a decisão de PRONÚNCIA é


atacável mediante o manejo do RESE, pois é decisão
interlocutória mista não-terminativa, na medida em que finaliza
uma fase do procedimento e inaugura outra fase, não extinguindo
o processo. A decisão de IMPRONÚNCIA, sendo decisão
interlocutória mista TERMINATIVA é impugnável por meio de
apelação, nos termos do art. 416 do CPP.
!! No inciso VIII, se a decisão que julgou extinta a punibilidade pela
prescrição, ou outra causa, estiver no corpo da sentença, o recurso
será a apelação. Logo, só cabe o RESE se a decisão for isolada. Se
a decisão for proferida em sede de EXECUÇÃO PENAL,
caberá o AGRAVO, nos termos do art. 197 da LEP.
!! Os Incisos XII, XVII e XIX a XXIII foram tacitamente

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revogados pelo art. 197 da LEP, sendo cabível, para estes
casos, o AGRAVO EM EXECUÇÃO.33

1.2.2.2.! Processamento do Recurso


!
O RESE será interposto no PRAZO DE 05 DIAS, salvo na
hipótese do inciso XIV, na qual o prazo será de 20 DIAS. Vejamos:
Art. 586. O recurso voluntário poderá ser interposto no prazo de cinco dias.
Parágrafo único. No caso do art. 581, XIV, o prazo será de vinte dias, contado
da data da publicação definitiva da lista de jurados.

Entretanto, existe outra exceção: o prazo para o assistente de


acusação, NÃO HABILITADO, interpor o RESE contra decisão que
declara extinta a punibilidade, será de 15 dias, contados a partir do
momento em que termina o prazo para o oferecimento do recurso pelo
MP. Vejamos o que dizem os arts. 584, §1° c/c art. 598, § único do CPP:
Art. 584. Os recursos terão efeito suspensivo nos casos de perda da fiança,
de concessão de livramento condicional e dos ns. XV, XVII e XXIV do art.
581.
§ 1o Ao recurso interposto de sentença de impronúncia ou no caso do no VIII
do art. 581, aplicar-se-á o disposto nos arts. 596 e 598.
(...)
Art. 598. Nos crimes de competência do Tribunal do Júri, ou do juiz singular,
se da sentença não for interposta apelação pelo Ministério Público no prazo
legal, o ofendido ou qualquer das pessoas enumeradas no art. 31, ainda que
não se tenha habilitado como assistente, poderá interpor apelação, que não
terá, porém, efeito suspensivo.
Parágrafo único. O prazo para interposição desse recurso será de quinze dias
e correrá do dia em que terminar o do Ministério Público.

O recurso pode ser interposto tanto por petição quanto por


termo nos autos, devendo as razões serem apresentadas
posteriormente, no prazo de 02 dias:
Art. 588. Dentro de dois dias, contados da interposição do recurso, ou do dia
em que o escrivão, extraído o traslado, o fizer com vista ao recorrente, este
oferecerá as razões e, em seguida, será aberta vista ao recorrido por igual
prazo.
Parágrafo único. Se o recorrido for o réu, será intimado do prazo na pessoa
do defensor.

O recorrido será intimado para oferecer as contrarrazões ao recurso


interposto, no mesmo prazo, sendo facultado ao Juiz exercer o Juízo
de retratação, reformando sua decisão, também no prazo de dois

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
33
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Op. Cit., p. 1690/1691

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dias. Caso reforme a decisão, a parte que foi prejudicada com a reforma
poderá recorrer, se couber recurso, hipótese na qual o Juiz não mais
poderá modificar a decisão. Esse é o chamado EFEITO REGRESSIVO do
recurso. Vejamos:
Art. 589. Com a resposta do recorrido ou sem ela, será o recurso concluso ao
juiz, que, dentro de dois dias, reformará ou sustentará o seu despacho,
mandando instruir o recurso com os traslados que Ihe parecerem
necessários.
Parágrafo único. Se o juiz reformar o despacho recorrido, a parte contrária,
por simples petição, poderá recorrer da nova decisão, se couber recurso, não
sendo mais lícito ao juiz modificá-la. Neste caso, independentemente de
novos arrazoados, subirá o recurso nos próprios autos ou em traslado.

CUIDADO! Em relação ao RESE interposto contra decisão que rejeita a


inicial acusatória, é importante lembrar que o acusado ainda sequer foi
citado no processo. O STF sumulou entendimento de que ele deve ser
intimado para apresentar suas contrarrazões, sob pena de nulidade:
Súmula 707 do STF
CONSTITUI NULIDADE A FALTA DE INTIMAÇÃO DO DENUNCIADO PARA
OFERECER CONTRA-RAZÕES AO RECURSO INTERPOSTO DA REJEIÇÃO DA
DENÚNCIA, NÃO A SUPRINDO A NOMEAÇÃO DE DEFENSOR DATIVO.
Ainda sobre a decisão de rejeição da inicial acusatória, caso ocorra
no procedimento dos Juizados Especiais Criminais (Lei 9.099/95), o
recurso cabível será a apelação, no prazo de 10 dias, nos termos do
art. 82 da Lei dos Juizados.

Após esse momento, os autos subirão ao Tribunal, em CINCO DIAS,


devendo ser devolvidos ao Juízo que prolatou a decisão recorrida em
CINCO DIAS a contar da data em que o Tribunal julgou o recurso.
O RESE não possui, em regra, EFEITO SUSPENSIVO, mas o terá
nas seguintes hipóteses:
!! Decisão que determina a perda do valor da fiança – Art.
584 do CPP.
!! Decisão que denegar a apelação ou julgá-la deserta –
Art. 584 do CPP.
!! RESE interposto contra decisão de pronúncia34 –
Interpretação conjunta do art. 583, IV do CPP c/c art. 421 do
CPP. Embora o art. 584, §2º do CPP estabeleça que, neste
caso, o RESE suspende apenas o julgamento, o fato é que,
considerando que o RESE subirá nos próprios autos do
processo (e não por traslado), restará inviabilizado o
prosseguimento do processo perante o Juízo a quo, devendo

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
34
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Op. Cit., p. 1696

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aguardar-se a preclusão da decisão de pronúncia (até pelo que
dispõe o art. 421 do CPP).35

Vejamos o que diz o art. 584:


Art. 584. Os recursos terão efeito suspensivo nos casos de perda da fiança,
de concessão de livramento condicional e dos ns. XV, XVII e XXIV do art.
581.
§ 1o Ao recurso interposto de sentença de impronúncia ou no caso do no VIII
do art. 581, aplicar-se-á o disposto nos arts. 596 e 598.
§ 2o O recurso da pronúncia suspenderá tão-somente o julgamento.
§ 3o O recurso do despacho que julgar quebrada a fiança suspenderá
unicamente o efeito de perda da metade do seu valor.

O art. 585 está revogado tacitamente, pois atualmente não se


admite o recolhimento à prisão como condição para recorrer. Vejamos:
Art. 585. O réu não poderá recorrer da pronúncia senão depois de preso,
salvo se prestar fiança, nos casos em que a lei a admitir.

Ou estão presentes os requisitos da prisão preventiva, e esta é


decretada, ou não estão presentes e o réu deve responder em liberdade,
não sendo lícito impedi-lo de praticar qualquer ato processual. Este
posicionamento, HOJE, está fundamentado, ainda, na súmula 347 do
STJ.
O RESE, em regra, subirá ao Tribunal por traslado ou instrumento
(mediante a remessa de cópias de determinadas peças do processo, pois
os autos do processo ficarão no Juízo de primeira instância). Vejamos:
Art. 587. Quando o recurso houver de subir por instrumento, a parte indicará,
no respectivo termo, ou em requerimento avulso, as peças dos autos de que
pretenda traslado.
Parágrafo único. O traslado será extraído, conferido e concertado no prazo de
cinco dias, e dele constarão sempre a decisão recorrida, a certidão de sua
intimação, se por outra forma não for possível verificar-se a oportunidade do
recurso, e o termo de interposição.
Entretanto, em algumas hipóteses o RESE será remetido ao
Tribunal juntamente com os autos do processo:
!! Quando se tratar de RESE interposto de “ofício” pelo Juiz
– Atualmente isso só ocorre com a decisão que concede o HC
(art. 581, X c/c art. 574, I do CPP).
!! Nas hipóteses dos incisos I, III, IV, VIII e X do art. 581.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
35
O art. 583, §único corrobora este entendimento:
Art. 583 (...) Parágrafo único. O recurso da pronúncia subirá em traslado, quando, havendo dois
ou mais réus, qualquer deles se conformar com a decisão ou todos não tiverem sido ainda
intimados da pronúncia.
Ora, isso significa que o RESE subirá nos próprios autos nas demais hipóteses, o que implica,
necessariamente, o efeito suspensivo, dada a impossibilidade de dar seguimento ao processo na
primeira instância (já que os autos foram remetidos ao Tribunal).

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!! Quando a subida dos autos ao Tribunal não prejudicar o
andamento do processo – Sempre que o processo estiver
suspenso, como no caso do art. 581, XVI, pois, como o
processo está suspenso, não há prejuízo na sua subida ao
Tribunal.

A competência para processo e julgamento do RESE é das Câmaras


ou Turmas dos Tribunais de segundo grau (TJs e TRFs). Nos termos do
art. 582 do CPP:
Art. 582 - Os recursos serão sempre para o Tribunal de Apelação, salvo nos
casos dos ns. V, X e XIV.
Parágrafo único. O recurso, no caso do no XIV, será para o presidente do
Tribunal de Apelação.

Das exceções previstas no art. 582, permanece apenas a do § único,


devendo o RESE ser dirigido ao Presidente do Tribunal, pois todas as
outras foram tacitamente revogadas em razão das alterações legislativas
promovidas desde a edição do CPP.

(FGV - 2016 - OAB - XIX EXAME DE ORDEM)


AntoΣnio foi denunciado e condenado pela prática de um crime de
roubo simples à pena privativa de liberdade de 4 anos de reclusão,
a ser cumprido em regime fechado, e 10 dias-multa. Publicada a
sentencΤa no Diário Oficial, o advogado do réu se manteve inerte.
AntoΣnio, que estava preso, foi intimado pessoalmente, em
momento posterior, manifestando interesse em recorrer do
regime de pena aplicado. Diante disso, 2 dias após a intimacΤão
pessoal de AntoΣnio, mas apenas 10 dias após a publicacΤão no
Diário Oficial, sua defesa técnica interpoΣs recurso de apelacΤão. O
juiz de primeira instaΣncia denegou a apelacΤão, afirmando a
intempestividade.
Contra essa decisão, o advogado de AntoΣnio deverá apresentar
A) Recurso de Agravo.
B) Carta Testemunhável.
C) Recurso Ordinário Constitucional.
D) Recurso em Sentido Estrito.
COMENTÁRIOS: Em se tratando de decisão que nega seguimento à
apelação, o recurso cabível é o Recurso Em Sentido Estrito (RESE), nos
termos do art. 581, XV do CPP.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

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(FGV – 2015 – OAB – XVII EXAME DE ORDEM)


Marcelo foi denunciado pela prática de um crime de furto.
Entendendo que não haveria justa causa, antes mesmo de citar o
acusado, o magistrado não recebeu a denúncia. Diante disso, o
Ministério Público interpôs o recurso adequado. Analisando a
hipótese, é correto afirmar que
a) o recurso apresentado pelo Ministério Público foi de apelação.
b) apesar de ainda não ter sido citado, Marcelo deve ser intimado
para apresentar contrarrazões ao recurso, sob pena de nulidade.
c) mantida a decisão do magistrado pelo Tribunal, não poderá o
Ministério Público oferecer nova denúncia pelo mesmo fato, ainda
que surjam provas novas.
d) antes da rejeição da denúncia, deveria o magistrado ter citado
o réu para apresentar resposta à acusação.
COMENTÁRIOS: O recurso interposto pelo MP foi o recurso em sentido
estrito, nos termos do art. 581, I do CPP. Contudo, apesar de Marcelo
ainda não ter sido citado, deverá ser intimado para apresentar
contrarrazões ao recurso, sob pena de nulidade, nos termos do verbete
de súmula nº 707 do STF:
SÚMULA 707 DO STF: Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado
para oferecer contrarazões ao recurso interposto da rejeição da denúncia, não
a suprindo a nomeação de defensor dativo.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

(FGV – 2015 – OAB – XVI EXAME DA OAB)


Scott procurou um advogado, pois tinha a intenção de ingressar
com queixa-crime contra dois vizinhos que vinham lhe injuriando
constantemente. Narrados os fatos e conferida procuração com
poderes especiais, o patrono da vítima ingressou com a ação penal
no Juizado Especial Criminal, órgão efetivamente competente,
contudo o magistrado rejeitou a queixa apresentada.
Dessa decisão do magistrado caberá
a) recurso em sentido estrito, no prazo de 05 dias.
b) apelação, no prazo de 05 dias.
c) recurso em sentido estrito, no prazo de 02 dias.
d) apelação, no prazo de 10 dias.
COMENTÁRIOS: Contra a decisão de rejeição da denúncia ou queixa,
como regra, cabe interposição de recurso em sentido estrito, nos termos
do art. 581, I do CPP. Contudo, em se tratando de processo pelo rito
sumaríssimo, da Lei 9.099/95, contra a decisão de rejeição da inicial
acusatória é cabível o recurso de apelação, nos termos do art. 82, §1º da
Lei 9.099/95:

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Art. 82. Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença caberá
apelação, que poderá ser julgada por turma composta de três Juízes em
exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede do Juizado.
§ 1º A apelação será interposta no prazo de dez dias, contados da ciência da
sentença pelo Ministério Público, pelo réu e seu defensor, por petição escrita,
da qual constarão as razões e o pedido do recorrente.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

(FGV - 2012 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO - VIII -


PRIMEIRA FASE)
Adão ofereceu uma queixa-crime contra Eva por crime de
dano qualificado (art. 163, parágrafo único, IV). A queixa
preenche todos os requisitos legais e foi oferecida antes do
fim do prazo decadencial. Apesar disso, há a rejeição da inicial
pelo juízo competente, que refere, equivocadamente, que a
inicial é intempestiva, pois já teria transcorrido o prazo
decadencial.
Nesse caso, assinale a afirmativa que indica o recurso cabível.
a) Recurso em sentido estrito.
b) Apelação.
c) Embargos infringentes.
d) Carta testemunhável.
COMENTÁRIOS: Em face de tal decisão será cabível o RESE (Recurso em
Sentido Estrito), nos termos do art. 581, I do CPP:
Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou
sentença:
I - que não receber a denúncia ou a queixa;
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

1.2.3.! Apelação

1.2.3.1.! Cabimento
!
O cabimento da apelação, diferentemente do RESE, não está
relacionado a situações taxativamente previstas em um artigo do CPP,
estando relacionado à NATUREZA DA DECISÃO PROFERIDA.
A apelação, em regra, será o recurso cabível para atacar as
SENTENÇAS, prevalecendo, nesse ponto, sobre o RESE. No entanto, a
apelação será também um recurso SUBSIDIÁRIO com relação às
decisões interlocutórias mistas (terminativas ou não-terminativas), pois
serão apeláveis estas decisões quando não for, para elas, previsto o
cabimento do RESE. Vejamos o que dispõe o art. 593 do CPP:

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Art. 593. Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: (Redação dada pela Lei
nº 263, de 23.2.1948)
I - das sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas por juiz
singular; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
II - das decisões definitivas, ou com força de definitivas, proferidas por juiz
singular nos casos não previstos no Capítulo anterior; (Redação dada pela Lei
nº 263, de 23.2.1948)
III - das decisões do Tribunal do Júri, quando: (Redação dada pela Lei nº
263, de 23.2.1948)
a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia; (Redação dada pela Lei nº 263, de
23.2.1948)
b) for a sentença do juiz-presidente contrária à lei expressa ou à decisão dos
jurados; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
c) houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida de
segurança; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
d) for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos.
(Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

Ele pode ser resumido da seguinte forma:

APELAÇÃO - CABIMENTO
DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS SOMENTE SE NÃO FOR CABÍVEL O RESE
MISTAS TERMINATIVAS OU NÃO
(DECISÕES DEFINITIVAS OU
COM FORÇA DE DEFINITIVAS)
SENTENÇAS DEFINITIVAS DE SEMPRE
CONDENAÇÃO OU ABSOLVIÇÃO

DECISÕES PROFERIDAS NO SOMENTE NOS CASOS PREVISTOS NO ART.


BOJO DO PROCEDIMENTO DO 593, III DO CPP
TRIBUNAL DO JÚRI

A verdade é que o CPP é meio “bagunçado”. Isso porque o CPP dá a


certas decisões o nome de “sentença”, e estabelece a apelação como
recurso cabível. Isso ocorre, por exemplo, com a decisão de impronúncia,
que é decisão interlocutória mista, não sentença. Contudo, o CPP a
denomina como sentença e estabelece a apelação como recurso cabível
(art. 415 do CPP).
Isso faz com que a lógica dita anteriormente fique um pouco
desprestigiada, dificultando a compreensão do recurso cabível. Assim,
para saber qual é o recurso cabível em face de determinada sentença
(sentença segundo a nomenclatura do CPP), o mais correto é verificar,
primeiro, se é cabível o RESE (art. 581 do CPP). Em não sendo
cabível o RESE, caberá apelação.36

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
36
TÁVORA, Nestor. ALENCAR, Rosmar Rodrigues. Op. Cit., p. 1245

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1.2.3.2.! Prazo e Forma

A apelação deve ser interposta no prazo de CINCO DIAS, por


termo nos autos ou por petição escrita. Isso está previsto nos arts.
593 e 600, §4° do CPP:
Art. 593. Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: (Redação dada pela Lei
nº 263, de 23.2.1948)
(...)
Art. 600...
§ 4o Se o apelante declarar, na petição ou no termo, ao interpor a apelação,
que deseja arrazoar na superior instância serão os autos remetidos ao
tribunal ad quem onde será aberta vista às partes, observados os prazos
legais, notificadas as partes pela publicação oficial. (Incluído pela Lei nº
4.336, de 1º.6.1964)

CUIDADO! Tanto o réu quanto seu defensor podem apelar. E o que


ocorre se houver conflito entre a vontade do réu e a vontade do
seu defensor (um quer recorrer e o outro não quer)? Neste caso,
doutrina e jurisprudência entendem que deve prevalecer a vontade
daquele que deseja recorrer (seja o réu ou seja seu defensor). No caso
específico da renúncia ao direito de recorrer, o STF entende que se ela foi
prestada pelo réu, sem assistência do defensor, isso não impede o
conhecimento da apelação interposta pelo defensor, conforme consta no
verbete sumular de nº 705 do STF:

Súmula 705 do STF


A renúncia do réu ao direito de apelação, manifestada sem a assistência do
defensor, não impede o conhecimento da apelação por este interposta
Ressalto, ainda, que é nulo o julgamento da apelação se o patrono do réu
renunciou (salvo se havia outros defensores para aquele acusado) e não
foi dada ao réu oportunidade para constituir novo patrono. Súmula 708
do STF:
SÚMULA 708
É NULO O JULGAMENTO DA APELAÇÃO SE, APÓS A MANIFESTAÇÃO NOS
AUTOS DA RENÚNCIA DO ÚNICO DEFENSOR, O RÉU NÃO FOI PREVIAMENTE
INTIMADO PARA CONSTITUIR OUTRO.

Há, contudo, exceções:


•! Prazo para a interposição de apelação pelo ofendido nos
crimes de ação penal pública – No caso de crime de ação
penal pública, o ofendido (habilitado como assistente de
acusação, ou não) poderá apelar da sentença. Contudo,
somente poderá fazê-lo caso o MP não interponha o recurso
(natureza supletiva ou subsidiária do recurso neste caso). Se
já estiver habilitado como assistente de acusação, o
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prazo será de 05 dias. Contudo, caso ainda não tenha se
habilitado, o prazo será de 15 dias. Em ambos os casos o
prazo será contado a partir do escoamento do prazo para o MP
(art. 598, § único do CPP e súmula 448 do STF). No
primeiro caso, contudo (assistente já habilitado), o prazo será
contado da data de sua intimação, caso seja posterior à do MP.
•! Apelação nos processos da competência do JECrim –
Neste caso o prazo é de 10 dias, nos termos do art. 82 da Lei
9.099/95.

De forma esquematizada:
APELAÇÃO - PRAZO
RECORRENTE PRAZO INÍCIO
PARTES 05 DIAS Contados da intimação
ASSISTENTE DE 05 DIAS •! Do dia em que terminar o prazo para
ACUSAÇÃO o MP
HABILITADO
•! Caso tenha sido intimado após o MP,
será contado da data da intimação

ASSISTENTE DE 15 DIAS Contados do dia em que terminar o


ACUSAÇÃO NÃO prazo do MP
HABILITADO

Após a interposição do recurso, o recorrente deverá apresentar


suas RAZÕES RECURSAIS, no prazo de OITO DIAS. Vejamos o art.
600 do CPP:
Art. 600. Assinado o termo de apelação, o apelante e, depois dele, o apelado
terão o prazo de oito dias cada um para oferecer razões, salvo nos processos
de contravenção, em que o prazo será de três dias.

Exceções:
•! Razões apresentadas pelo assistente em relação ao recurso que
não foi por ele interposto – 03 dias
•! Razões no rito sumaríssimo (Juizados Especiais Criminais) –
Simultaneamente com a apelação
•! Razões nos processos por contravenção – 03 dias

1.2.3.3.! Efeitos

(a)! Efeito devolutivo


A apelação possui (como todo recurso), efeito devolutivo, pois
devolve ao Tribunal a matéria já decidida por outro órgão do Poder

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Judiciário. O efeito devolutivo pode ser integral (quando se apela de toda
a decisão recorrida) ou parcial (quando a apelação se refere somente a
parcela da decisão recorrida). Nos termos do art. 599 do CPP:
Art. 599. As apelações poderão ser interpostas quer em relação a todo o
julgado, quer em relação a parte dele.

Entretanto, nos termos da SÚMULA n° 713 do STF, em se


tratando de apelação da DEFESA, ainda que se tenha recorrido apenas de
parte da decisão, o efeito devolutivo abrange TODA A MATÉRIA
TRATADA NO PROCESSO.
CUIDADO! Em relação às apelações proferidas em face das decisões
do Tribunal do Júri, por se tratar de recurso de fundamentação vinculada,
o Tribunal não pode determinar a realização de novo julgamento com
base em fundamento não alegado no recurso.
Vejamos:

(...) 3. Apenas a título de esclarecimento, registro que, a teor do disposto na


Súmula 713 do STF, o efeito devolutivo da apelação contra decisões do júri é
adstrito aos fundamentos da sua interposição.
(...)
(AgRg no Ag 1352442/ES, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, julgado em
10/09/2013, DJe 30/09/2013)

(b)! Efeito regressivo


Não há efeito regressivo na apelação, não sendo possível ao Juiz
modificar sua decisão.

(c)! Efeito suspensivo


A análise da presença, ou não, do efeito suspensivo, depende da
natureza da decisão:
"! Sentença absolutória própria – Como o CPP determina que o
acusado deverá ser posto em liberdade (caso esteja preso
provisoriamente), nos termos do art. 386, § único, I, do CPP, a
Doutrina sustenta que a apelação interposta pela acusação não
suspende os efeitos da sentença absolutória. Assim, a sentença
absolutória própria produz seus regulares efeitos,
independentemente da interposição de recurso de apelação pela

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acusação ou do simples fato de haver previsão legal para tal recurso.
37

"! Sentença absolutória imprópria – Neste caso a apelação possui


efeito suspensivo, pois a aplicação da medida de segurança
depende do trânsito em julgado (art. 171 da LEP) da sentença
absolutória imprópria. Assim, a interposição da apelação posterga a
ocorrência do trânsito em julgado e, portanto, suspende os efeitos da
sentença absolutória imprópria.
"! Sentença condenatória – Como não se admite execução da pena
privativa de liberdade antes do trânsito em julgado, em respeito à
presunção de inocência38, e considerando que a interposição de
apelação posterga o trânsito em julgado da sentença condenatória, a
Doutrina entende que a apelação interposta contra sentença
condenatória possui efeito suspensivo.

!
! A apelação interposta pelo assistente de acusação não possui efeito
suspensivo (art. 598 do CPP).

1.2.3.4.! Processamento
!
A apelação sobe ao Tribunal juntamente com os autos principais, não
havendo necessidade de traslado de peças do processo, art. 603 do CPP:
Art. 603. A apelação subirá nos autos originais e, a não ser no Distrito
Federal e nas comarcas que forem sede de Tribunal de Apelação, ficará em
cartório traslado dos termos essenciais do processo referidos no art. 564, n.
III.
Entretanto, caso sejam dois ou mais réus, e algum deles não tiver
sido julgado, ou tendo sido julgado, não tiver apelado, a apelação
SUBIRÁ POR TRASLADO:
Art. 601. Findos os prazos para razões, os autos serão remetidos à instância
superior, com as razões ou sem elas, no prazo de 5 (cinco) dias, salvo no
caso do art. 603, segunda parte, em que o prazo será de trinta dias.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
37
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Op. Cit., p. 1711
38
Recentemente, no julgamento do HC 126.292 o STF decidiu que o cumprimento da pena
pode se iniciar com a mera condenação em segunda instância por um órgão colegiado (TJ,
TRF, etc.). Isso significa que o STF relativizou o princípio da presunção de inocência,
admitindo que a “culpa” (para fins de cumprimento da pena) já estaria formada nesse momento
(embora a CF/88 seja expressa em sentido contrário). Isso significa que, possivelmente, teremos
(num futuro breve) alteração na jurisprudência consolidada do STF e do STJ, de forma que ações
penais em curso passem a poder ser consideradas como maus antecedentes, desde que haja, pelo
menos, condenação em segunda instância por órgão colegiado (mesmo sem trânsito em julgado),
além de outros reflexos que tal relativização provoca (HC 126292/SP, rel. Min. Teori Zavascki,
17.2.2016).

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§ 1o Se houver mais de um réu, e não houverem todos sido julgados, ou não
tiverem todos apelado, caberá ao apelante promover extração do traslado
dos autos, o qual deverá ser remetido à instância superior no prazo de trinta
dias, contado da data da entrega das últimas razões de apelação, ou do
vencimento do prazo para a apresentação das do apelado.
O Juiz, recebendo a apelação, faz o Juízo de admissibilidade
(prelibação), notificando o apelante para apresentas suas RAZÕES EM
OITO DIAS, e, após, o recorrido para apresentar suas
CONTRARRAZÕES, também no prazo de OITO DIAS. Se houver
assistente de acusação, este será notificado para apresentar razões no
prazo de TRÊS DIAS. Após os autos sobem ao Tribunal. Vejamos:
Art. 600. Assinado o termo de apelação, o apelante e, depois dele, o apelado
terão o prazo de oito dias cada um para oferecer razões, salvo nos processos
de contravenção, em que o prazo será de três dias.
§ 1o Se houver assistente, este arrazoará, no prazo de três dias, após o
Ministério Público.
(...)
Art. 601. Findos os prazos para razões, os autos serão remetidos à instância
superior, com as razões ou sem elas, no prazo de 5 (cinco) dias, salvo no
caso do art. 603, segunda parte, em que o prazo será de trinta dias.
Pode ocorrer, no entanto, de a parte requerer a apresentação das
razões na segunda instância. Sendo requerido isto, o Juiz, realizando o
Juízo de admissibilidade positivo, remeterá os autos diretamente ao
Tribunal. Vejamos o §4° do art. 600 do CPP:
§ 4o Se o apelante declarar, na petição ou no termo, ao interpor a apelação,
que deseja arrazoar na superior instância serão os autos remetidos ao
tribunal ad quem onde será aberta vista às partes, observados os prazos
legais, notificadas as partes pela publicação oficial. (Incluído pela Lei nº
4.336, de 1º.6.1964)

(FGV – 2015 – OAB – XVII EXAME DE ORDEM)


Após regular instrução processual, Flávio foi condenado pela
prática do crime de tráfico ilícito de entorpecentes a uma pena
privativa de liberdade de cinco anos de reclusão, a ser cumprida
em regime inicial fechado, e 500 dias-multa. Intimado da
sentença, sem assistência da defesa técnica, Flávio renunciou ao
direito de recorrer, pois havia confessado a prática delitiva.
Rafael, advogado de Flávio, porém, interpôs recurso de apelação
dentro do prazo legal, buscando a mudança do regime de pena.
Neste caso, é correto dizer que o recurso apresentado por Rafael
a) não poderá ser conhecido, pois houve renúncia por parte de
Flávio, mas nada impede que o Tribunal, de ofício, melhore a
situação do acusado.

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b) deverá ser conhecido, pois não é admissível a renúncia ao
direito de recorrer, no âmbito do processo penal.
c) não poderá ser conhecido, pois a renúncia expressa de Flávio
não pode ser retratada, não podendo o Tribunal, de ofício, alterar
a decisão do magistrado.
d) deverá ser conhecido, pois a renúncia foi manifestada sem
assistência do defensor.
COMENTÁRIOS: O recurso apresentado por Rafael, advogado de Flávio,
deve ser conhecido, pois a renúncia ao direito de recorrer, quando
realizada sem a assistência da defesa técnica, não impede que o Tribunal
conheça do recurso de apelação interposto pelo defensor:
SÚMULA 705 STF: A RENÚNCIA DO RÉU AO DIREITO DE APELAÇÃO, MANIFESTADA
SEM A ASSISTÊNCIA DO DEFENSOR, NÃO IMPEDE O CONHECIMENTO DA APELAÇÃO
POR ESTE INTERPOSTA.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

(FGV – 2012 – OAB – EXAME DE ORDEM)


Em relação aos meios de impugnação de decisões judiciais,
assinale a afirmativa INCORRETA.
a) Caberá recurso em sentido estrito contra a decisão que
rejeitar a denúncia, podendo o magistrado, entretanto, após a
apresentação das razões recursais, reconsiderar a decisão
proferida.
b) Caberá apelação contra a decisão que impronunciar o
acusado, a qual terá efeito meramente devolutivo.
c) Caberá recurso em sentido estrito contra a decisão que
receber a denúncia oferecida contra funcionário público por
delito próprio, o qual terá duplo efeito.
d) Caberá apelação contra a decisão que rejeitar a queixa- crime
oferecida perante o Juizado Especial Criminal, a qual terá
efeito meramente devolutivo.
COMENTÁRIOS:
A)! CORRETA: Item correta, pois o RESE é o recurso cabível em face de
tal decisão, nos termos do art. 581, I do CPP. Além disso, o RESE possui o
chamado efeito regressivo, que permite ao Juiz retratar-se da decisão
proferida, nos termos do art. 589 do CPP.
B) CORRETA: Da decisão de impronúncia cabe apelação, nos termos do
art. 416 do CPP, sem efeito suspensivo.
C) ERRADA: Item errado, pois a decisão que recebe a inicial acusatória é
irrecorrível, sendo cabível o RESE apenas em face da decisão que REJEITA
a inicial acusatória.
D) CORRETA: Item correto, pois esta é a previsão contida no art. 82 da
Lei 9.099/95.
Portanto, a ALTERNATIVA INCORRETA É A LETRA C.

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(FGV - 2011 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO - V - PRIMEIRA


FASE)
Da sentença que absolver sumariamente o réu caberá(ão)
a) recurso em sentido estrito.
b) embargos.
c) revisão criminal.
d) apelação.
COMENTÁRIOS: Da sentença de absolvição sumária caberá apelação, na
forma do art. 416 do CPP:
Art. 416. Contra a sentença de impronúncia ou de absolvição sumária caberá
apelação. (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

1.2.4.! Dos embargos infringentes

Os embargos infringentes são uma espécie recursal cabível quando,


durante o julgamento de um recurso, em segunda instância, houve
decisão não-unânime DESFAVORÁVEL AO RÉU. Entretanto, só será
cabível o recurso de embargos infringentes quando a decisão do Tribunal
ocorrer no julgamento de um recurso em sentido estrito ou apelação.
Vejamos o que diz o art. 609, § único do CPP:
Parágrafo único. Quando não for unânime a decisão de segunda instância,
desfavorável ao réu, admitem-se embargos infringentes e de nulidade, que
poderão ser opostos dentro de 10 (dez) dias, a contar da publicação de
acórdão, na forma do art. 613. Se o desacordo for parcial, os embargos serão
restritos à matéria objeto de divergência. (Incluído pela Lei nº 1.720-B, de
3.11.1952)
A menção a “embargos de nulidade” se refere à possibilidade de
decisão não-unânime quanto à questão de “nulidade processual”, mas
atualmente se utiliza somente a expressão “embargos infringentes”, em
qualquer caso.
Diferentemente do que ocorre no processo civil, aqui no processo
penal os embargos infringentes cabem tanto quando a decisão do tribunal
reforma a decisão recorrida, quanto quando ela mantém a decisão
recorrida de primeiro grau.
NÃO CABEM EMBARGOS INFRINGENTES CONTRA ACÓRDÃO
PROFERIDO PELOS TRIBUNAIS EM SUA COMPETÊNCIA
ORIGINÁRIA (quando não estão julgando nenhum recurso), pois o art.
609, § único do CPP faz menção à “DECISÃO DE SEGUNDA INSTÂNCIA”.
Serão opostos no prazo de DEZ DIAS, não possuindo efeito
regressivo (possibilidade de modificação da decisão pelo órgão prolator)
nem efeito suspensivo.

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Podem ser TOTAIS, quando a decisão é não unânime em relação a
todas as matérias objeto de decisão; e PARCIAIS, quando a decisão é
unânime em relação a uma parte do recurso e não unânime em relação a
outra parte.
Se a decisão do Tribunal for parcialmente não unânime, só caberão
embargos infringentes em face dessa parte da decisão, cabendo, contra a
outra parte, apenas recurso especial ou extraordinário, se for o caso,
CUJO PRAZO NÃO FICARÁ SUSPENSO NA PENDÊNCIA DO
JULGAMENTO DOS EMBARGOS INFRINGENTES.39 Entretanto, a
Jurisprudência vem aplicando o CPC por analogia, e suspendendo o prazo
do REsp e do RE enquanto a parte opõe os embargos infringentes contra
a parte não-unânime da decisão.
O STJ entende, ainda, que se foi interposto recurso antes da
interposição de embargos infringentes, ou na pendência deste, quando da
publicação do acórdão referente aos embargos infringentes o recorrente
dever “confirmar” seu interesse no julgamento do outro recurso
interposto.40

(FGV – IX EXAME UNIFICADO DA OAB)


Joel foi condenado pela prática do crime de extorsão mediante
sequestro. A defesa interpôs recurso de Apelação, que foi recebido
e processado, sendo certo que o tribunal, de forma não unânime,
manteve a condenação imposta pelo juízo a quo. O advogado do
réu verifica que o acórdão viola, de forma direta, dispositivos
constitucionais, razão pela qual decide continuar recorrendo da
decisão exarada pela Segunda Instância.
De acordo com as informações acima, assinale a alternativa que
indica o recurso a ser interposto.
A) Recurso em Sentido Estrito.
B) Recurso Ordinário Constitucional.
C) Recurso Extraordinário.
D) Embargos Infringentes.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
39
LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal. Op. Cit., p. 1721
40
(...) 1. O entendimento desta Corte é pacífico no sentido de que é
intempestivo o recurso especial interposto na pendência de julgamento de
embargos infringentes, sendo necessária a sua ratificação no prazo recursal
aberto com a publicação do acórdão proferido nos referidos embargos.
2. Agravo regimental ao qual se nega provimento.
(AgRg no AREsp 295.918/MG, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em
03/12/2013, DJe 03/02/2014)

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COMENTÁRIOS: A questão é perniciosa. Ela dá a entender que o recurso
cabível seria o Recurso Extraordinário, pois no processo civil os embargos
infringentes só são cabíveis quando o acórdão não unânime REFORMA a
sentença de primeira instância. No processo penal não importa se
manteve ou se reformou a sentença, desde que seja desfavorável à
defesa. Assim, são cabíveis embargos infringentes no caso em tela, já que
para a interposição do Recurso Extraordinário (que poderia ser cabível)
somente pode ser interposto quando esgotada a via ordinária (os recursos
ordinários). Vejamos o art. 609, § único do CPP:
Art. 609. Os recursos, apelações e embargos serão julgados pelos Tribunais
de Justiça, câmaras ou turmas criminais, de acordo com a competência
estabelecida nas leis de organização judiciária. (Redação dada pela Lei nº
1.720-B, de 3.11.1952)
Parágrafo único. Quando não for unânime a decisão de segunda instância,
desfavorável ao réu, admitem-se embargos infringentes e de nulidade, que
poderão ser opostos dentro de 10 (dez) dias, a contar da publicação de
acórdão, na forma do art. 613. Se o desacordo for parcial, os embargos serão
restritos à matéria objeto de divergência. (Incluído pela Lei nº 1.720-B, de
3.11.1952)
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

1.2.5.! Embargos de Declaração


Os embargos de declaração são o recurso cabível para sanar
alguma obscuridade, omissão, ambiguidade ou contradição na
decisão. Podem ser opostos em face de sentença ou acórdão. Vejamos:
Art. 382. Qualquer das partes poderá, no prazo de 2 (dois) dias, pedir ao juiz
que declare a sentença, sempre que nela houver obscuridade, ambigüidade,
contradição ou omissão.
(...)
Art. 619. Aos acórdãos proferidos pelos Tribunais de Apelação, câmaras ou
turmas, poderão ser opostos embargos de declaração, no prazo de dois dias
contados da sua publicação, quando houver na sentença ambiguidade,
obscuridade, contradição ou omissão.

Ambos possuem a mesma natureza, efeitos, requisitos...


Devem ser opostos no prazo de DOIS DIAS a contar da intimação,
e só podem ser opostos por PETIÇÃO, e não por termo nos autos.
Uma vez opostos os embargos de declaração, embora a lei
processual penal seja silente, os prazos para interposição de outros
recursos se INTERROMPEM, bastando que os embargos sejam
conhecidos (podem ser providos ou não), por analogia ao CPC.
CUIDADO! O STF e o STJ entendem que a interposição de embargos
de declaração em face de decisão proferida pelos Tribunais, negando
seguimento a recurso especial ou recurso extraordinário, não interrompe

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o prazo para a interposição do recurso de agravo (que é o único
cabível).41
A interrupção dos prazos dos demais recursos faz com que eles
voltem a correr do início, quando ocorrer o desfecho dos embargos de
declaração.
No âmbito dos Juizados Especiais Criminais, uma vez opostos os
embargos de declaração, os prazos dos demais recursos ficam
INTERROMPIDOS, nos termos do art. 83, §2° da Lei 9.099/95. O prazo
para a interposição, neste caso, é de cinco dias.
Muito se questiona na Doutrina e na Jurisprudência acerca da
possibilidade de se conferir efeitos infringentes (modificativos) aos
embargos de declaração. Atualmente a posição do STF e do STJ é a
seguinte:
•! Em regra, os embargos de declaração não possuem efeitos
modificativos, servindo apenas para esclarecer algum ponto da
decisão.
•! Porém, excepcionalmente podem ter efeitos infringentes, sendo
necessária, neste caso, a intimação do recorrido para se
manifestar sobre o recurso, em respeito ao contraditório.

1.2.6.! Carta Testemunhável


A carta testemunhável está prevista no art. 639 do CPP:
Art. 639. Dar-se-á carta testemunhável:
I - da decisão que denegar o recurso;
II - da que, admitindo embora o recurso, obstar à sua expedição e
seguimento para o juízo ad quem.

Possui natureza RESIDUAL, ou seja, somente será cabível se não


houver previsão de nenhum outro recurso para a hipótese.

EXEMPLO: Se o RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, uma vez interposto,


não for recebido pelo Juiz prolator da decisão, caberá o manejo da
CARTA TESTEMUNHÁVEL, pois não há nenhum outro recurso previsto
para o caso.
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
41
...) 1. A jurisprudência desta Corte e do Supremo Tribunal Federal firmou-se
no sentido de que o agravo é o único recurso cabível contra decisão que nega
seguimento a recursos excepcionais, gênero que inclui os recursos especial e
extraordinário. Nestes termos, os embargos de declaração opostos contra
despacho de admissibilidade do Tribunal de origem não interrompem o prazo
para a interposição do agravo, uma vez que manifestamente incabíveis.
(...)
(AgRg no AREsp 461.030/RS, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA
TURMA, julgado em 22/04/2014, DJe 02/05/2014)

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Além disso, só é cabível quando não recebido o recurso que deva ser
remetido à instância superior, não cabendo, por exemplo, quando não
forem recebidos os embargos de declaração, pois quem os julga é o
próprio Juiz prolator da decisão.
Não é dirigida a um órgão jurisdicional, mas AO ESCRIVÃO, ou
servidor que lhe faça as vezes. Nos termos do art. 640 do CPP:
Art. 640. A carta testemunhável será requerida ao escrivão, ou ao secretário
do tribunal, conforme o caso, nas quarenta e oito horas seguintes ao
despacho que denegar o recurso, indicando o requerente as peças do
processo que deverão ser trasladadas.

Deve ser requerida no prazo de QUARENTA E OITO HORAS a


contar da intimação da decisão (art. 640 do CPP). A CARTA será
instruída e remetida ao órgão que teria competência para julgamento do
recurso OBSTADO e, lá, seguirá o mesmo trâmite do recurso que não fora
recebido, nos termos do art. 643, 644 e 645 do CPP:
Art. 643. Extraído e autuado o instrumento, observar-se-á o disposto nos
arts. 588 a 592, no caso de recurso em sentido estrito, ou o processo
estabelecido para o recurso extraordinário, se deste se tratar.
Art. 644. O tribunal, câmara ou turma a que competir o julgamento da carta,
se desta tomar conhecimento, mandará processar o recurso, ou, se estiver
suficientemente instruída, decidirá logo, de meritis.
Art. 645. O processo da carta testemunhável na instância superior seguirá o
processo do recurso denegado.
Por fim, a carta testemunhável NÃO POSSUI EFEITO
SUSPENSIVO, nos termos do art. 646 do CPP:
Art. 646. A carta testemunhável não terá efeito suspensivo.
A carta testemunhável, porém, possui EFEITO REGRESSIVO (art.
643 c/c art. 589 do CPP).

(FGV – 2012 – OAB – EXAME DE ORDEM)


Com base no Código de Processo Penal, acerca dos recursos,
assinale a alternativa correta.
a) Todos os recursos têm efeito devolutivo, e alguns têm também
os efeitos suspensivo e iterativo.
b) O recurso de apelação sempre deve ser interposto no prazo de
cinco dias a contar da intimação, devendo as razões ser
interpostas no prazo de oito dias.
c) Apesar do princípio da complementaridade, é defeso ao
recorrente complementar a fundamentação de seu recurso quando
houver complementação da decisão recorrida.

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d) A carta testemunhável tem o objetivo de provocar o reexame
da decisão que denegar ou impedir seguimento de recurso em
sentido estrito, agravo em execução e apelação.
COMENTÁRIOS:
A) CORRETA: Item correto, pois todos os recursos possuem o efeito
devolutivo. Há quem sustente que os embargos de declaração não
possuem efeito devolutivo, em razão de ser julgado pelo próprio órgão
que proferiu a decisão atacada. Contudo, trata-se de doutrina minoritária.
Além disso, alguns recursos possuem efeito suspensivo (suspende os
efeitos da decisão até o julgamento do recurso) e regressivo, também
chamado de iterativo (permite o juízo de retratação por parte do prolator
da decisão).
B) ERRADA: Item errado, pois há exceções. Nos termos do art. 598,
§único do CPP, o prazo para a interposição da apelação, no caso do
assistente de acusação em processo do rito do Júri, é de 15 dias,
contados a partir do escoamento do prazo para a apelação do MP. Nos
processos sobre contravenções penais, o prazo para a apresentação das
razões é de 03 dias, nos termos do art. 600 do CPP. Não cabe citar, aqui,
a exceção da apelação nos Juizados Especiais Criminais, pois o enunciado
pede que se responda exclusivamente com base no CPP.
C) ERRADA: Item errado, pois neste caso o recorrente pode
complementar a fundamentação de seu recurso, pelo princípio da
complementariedade.
D) ERRADA: Item errado, pois a carta testemunhável é um recurso
subsidiário, ou seja, somente tem cabimento quando não houver previsão
expressa do cabimento de outro recurso para a hipótese. No caso da
decisão que nega seguimento à apelação, o recurso cabível é o RESE, por
expressa previsão contida no art. 581, XV do CPP.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

1.2.7.! Agravo em execução

O agravo em execução é um recurso previsto no art. 197 da LEP, e


tem por finalidade impugnar as decisões proferidas na execução
penal.
O prazo para interposição deste recurso é de cinco dias
(súmula 700 do STF), e o prazo para a apresentação das razões é de dois
dias. Segue o rito do Recurso em Sentido Estrito.
O agravo em execução NÃO possui, em regra, efeito suspensivo.

(FGV – X EXAME UNIFICADO DA OAB)


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José, após responder ao processo cautelarmente preso, foi
condenado à pena de oito anos e sete meses de prisão em regime
inicialmente fechado. Após alguns anos no sistema carcerário, seu
advogado realizou um pedido de livramento condicional, que foi
deferido pelo magistrado competente. O membro do parquet
entendeu que tal benefício era incabível no momento e deseja
recorrer da decisão.
Sobre o caso apresentado, assinale a afirmativa que menciona o
recurso correto.
A) Agravo em Execução, no prazo de 10 (dez dias);
B) Recurso em Sentido Estrito, no prazo de 05 (cinco dias);
C) Agravo em Execução, no prazo de 05 (cinco dias);
D) Recurso em Sentido Estrito, no prazo de 10 (dez dias).
COMENTÁRIOS: Como estamos na fase da execução penal, o recurso
cabível em face de qualquer decisão proferida pelo Juízo da VEP é o
agravo em execução, previsto no art. 197 da LEP:
Art. 197. Das decisões proferidas pelo Juiz caberá recurso de agravo, sem
efeito suspensivo.
O prazo para a interposição do agravo será de cinco dias. Embora não
haja previsão expressa, este é o entendimento do STF, conforme
entendimento sumulado no verbete nº 700:
Súmula 700
É DE CINCO DIAS O PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO CONTRA
DECISÃO DO JUIZ DA EXECUÇÃO PENAL.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

1.2.8.! Revisão Criminal


Embora a Revisão Criminal conste no Título referente aos Recursos,
ela não é um recurso, possuindo natureza jurídica de AÇÃO
AUTÔNOMA DE IMPUGNAÇÃO.
Possui natureza desconstitutiva, pois visa a desconstituir a sentença
condenatória, não estando sujeita a prazo, pois pode ser manejada a
qualquer tempo, INCLUSIVE APÓS A MORTE DO RÉU. Vejamos o que
diz o art. 623 do CPP:
Art. 623. A revisão poderá ser pedida pelo próprio réu ou por procurador
legalmente habilitado ou, no caso de morte do réu, pelo cônjuge, ascendente,
descendente ou irmão.

CUIDADO! A Jurisprudência entende que, apesar do disposto no art.


623, não pode o réu ajuizar a REVISÃO CRIMINAL sem estar assistido
por advogado, não tendo sido recepcionado este artigo no que tange a
esta possibilidade.

Dois são os pressupostos da revisão criminal:


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•! Existência de sentença condenatória criminal – Não se admite
em face de sentença absolutória, SALVO NO CASO DE SENTENÇA
ABSOLUTÓRIA IMPRÓPRIA, que é aquela que aplica medida de
segurança ao acusado.
•! Existência de trânsito em julgado – Nos termos do art. 625, §1°
do CPP:
Art. 625. O requerimento será distribuído a um relator e a um revisor,
devendo funcionar como relator um desembargador que não tenha
pronunciado decisão em qualquer fase do processo.
§ 1o O requerimento será instruído com a certidão de haver passado em
julgado a sentença condenatória e com as peças necessárias à comprovação
dos fatos argüidos.

A Revisão Criminal é um meio de impugnação PRIVATIVO da


defesa, somente sendo cabível nas hipóteses taxativamente previstas no
art. 621 do CPP:
Art. 621. A revisão dos processos findos será admitida:
I - quando a sentença condenatória for contrária ao texto expresso da lei
penal ou à evidência dos autos;
II - quando a sentença condenatória se fundar em depoimentos, exames ou
documentos comprovadamente falsos;
III - quando, após a sentença, se descobrirem novas provas de inocência do
condenado ou de circunstância que determine ou autorize diminuição especial
da pena.

Assim, em decorrência da cláusula aberta prevista no inciso III, que


permite a revisão da sentença condenatória em razão do surgimento de
novas provas, diz-se que, no Direito Processual Penal NÃO EXISTE
COISA JULGADA MATERIAL em se tratando de sentença condenatória.
Nos termos do art. 622 do CPP:
Art. 622. A revisão poderá ser requerida em qualquer tempo, antes da
extinção da pena ou após.
Parágrafo único. Não será admissível a reiteração do pedido, salvo se fundado
em novas provas.

Na Revisão Criminal não cabe DILAÇÃO PROBATÓRIA, ou seja, o


direito alegado pelo autor da revisão criminal deve estar provado de
plano, a prova deve ser PRÉ-CONSTITUÍDA. Vejamos:
§ 1o O requerimento será instruído com a certidão de haver passado em
julgado a sentença condenatória e com as peças necessárias à
comprovação dos fatos argüidos.

Havendo necessidade de produção de prova pericial ou testemunhal,


deverá o autor requerer a realização de AUDIÊNCIA DE
JUSTIFICAÇÃO, que é uma espécie de cautelar de produção antecipada

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de provas, devendo ser realizada no Juízo de primeiro grau. Se o Juiz
indeferir o pedido de realização de audiência de justificação, caberá
Habeas Corpus.
A competência para o processo e julgamento da Revisão
Criminal será:
•! Do STF e do STJ quando a Revisão Criminal se der contra
decisões por eles proferidas (102, I, j e 105, I, e da CRFB/88).
•! Pelos TRFs e TJs quando a Revisão Criminal tiver por objeto
decisões proferidas por eles ou pelos Juízes a eles vinculados
(art. 108, I, b da CRFB/88).

Sendo julgada procedente a revisão criminal, os efeitos serão os


previstos no art. 626 do CPP:
Art. 626. Julgando procedente a revisão, o tribunal poderá alterar a
classificação da infração, absolver o réu, modificar a pena ou anular o
processo.
Parágrafo único. De qualquer maneira, não poderá ser agravada a pena
imposta pela decisão revista.

Assim, todas as possibilidades são, obviamente, vantajosas ao


condenado, não sendo possível o agravamento da pena, pelo princípio do
NON REFORMATIO IN PEJUS.
É possível, ainda, na própria Revisão Criminal, se o autor assim
requerer, o reconhecimento de indenização pelos prejuízos sofridos
pelo condenado, nos termos previstos no art. 630 do CPP:
Art. 630. O tribunal, se o interessado o requerer, poderá reconhecer o direito
a uma justa indenização pelos prejuízos sofridos.
§ 1o Por essa indenização, que será liquidada no juízo cível, responderá a
União, se a condenação tiver sido proferida pela justiça do Distrito Federal ou
de Território, ou o Estado, se o tiver sido pela respectiva justiça.
§ 2o A indenização não será devida:
a) se o erro ou a injustiça da condenação proceder de ato ou falta imputável
ao próprio impetrante, como a confissão ou a ocultação de prova em seu
poder;
b) se a acusação houver sido meramente privada.

Veja, caro aluno, que o §2° excepciona a regra, ao trazer casos nos
quais não caberá indenização. A segunda possibilidade (acusação
meramente privada), é MUITO QUESTIONADA NA DOUTRINA, sendo
considerada INCONSTITUCIONAL, ao argumento de que, embora a
ação seja privada, a decisão é do JUDICIÁRIO.

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(FGV - 2016 - OAB - XX EXAME DE ORDEM)
José foi absolvido em 1ª instância após ser denunciado pela
prática de um crime de extorsão em face de Marina. O Ministério
Público interpôs recurso de apelação, sendo a sentença de
primeiro grau reformada pelo Tribunal de Justiça de Santa
Catarina para condenar o réu à pena de 05 anos, sendo certo que
o acórdão transitou em julgado. Sete anos depois da condenação,
já tendo cumprido integralmente a pena, José vem a falecer.
Posteriormente, Caio, filho de José, encontrou um vídeo no qual
foi gravada uma conversa de José e Marina, onde esta admite que
mentiu ao dizer que foi vítima do crime pelo qual José foi
condenado, mas que a atitude foi tomada por ciúmes. Caio, então,
procura o advogado da família.
Diante da situação narrada, é correto afirmar que Caio, através de
seu advogado,
A) não poderá apresentar revisão criminal, pois a pena de José já
havia sido extinta pelo cumprimento.
B) não poderá apresentar revisão criminal, pois o acusado, que é
quem teria legitimidade, já é falecido.
C) poderá apresentar revisão criminal, sendo competente para
julgamento o Superior Tribunal de Justiça.
D) poderá apresentar revisão criminal, sendo competente para
julgamento o Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
COMENTÁRIOS: Neste caso, será cabível o ajuizamento de revisão
criminal, já que esta é cabível mesmo após o óbito do condenado, nos
termos do art. 623 do CPP. Será competente para julgar a revisão o
próprio Tribunal de Justiça de Santa Catarina, eis que compete aos
próprios Tribunais julgar as revisões criminais ajuizadas em relação às
sentenças condenatórias por eles proferidas.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

(FGV – 2014 – OAB – XIV EXAME DE ORDEM)


Eduardo foi denunciado pelo crime de estupro de vulnerável.
Durante a instrução, negou a autoria do crime, afirmando estar,
na época dos fatos, no município “C”, distante dois quilômetros do
local dos fatos. Como a afirmativa não foi corroborada por outros
elementos de convicção, o Juiz entendeu que a palavra da vítima
deveria ser considerada, condenando Eduardo. A defesa recorreu,
mas após longo debate nos Tribunais Superiores, a decisão
transitou em julgado desfavoravelmente ao réu. Eduardo dirigiu-
se, então, ao município “C”, em busca de provas que pudessem
apontar a sua inocência, e, depois de muito procurar, conseguiu as
filmagens de um estabelecimento comercial, que estavam
esquecidas em um galpão velho. Nas filmagens, Eduardo aparece

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comprando lanche em uma padaria. Com a prova em mãos,
procura seu advogado.
Assinale a opção que apresenta a providência a ser adotada pelo
advogado de Eduardo.
a) O advogado deve ingressar com agravo em execução, pois
Eduardo descobriu uma prova que atesta a sua inocência de forma
inconteste.
b) O advogado deve ingressar com revisão criminal, pois Eduardo
descobriu uma prova que atesta a sua inocência de forma
inconteste.
c) O advogado deve ingressar com reclamação constitucional, pois
Eduardo descobriu uma prova que atesta a sua inocência de forma
inconteste.
d) O advogado deve ingressar com ação de habeas corpus, pois
Eduardo descobriu uma prova que atesta a sua inocência de forma
inconteste.
COMENTÁRIOS: Considerando o fato de que o condenado obteve prova
NOVA, capaz de atestar cabalmente sua inocência, deverá o advogado
ajuizar revisão criminal, nos termos do art. 621, III do CPP.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

(FGV - 2013 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO - XI -


PRIMEIRA FASE)
Frida foi condenada pela prática de determinado crime. Como
nenhuma das partes interpôs recurso da sentença condenatória,
tal decisão transitou em julgado, definitivamente, dentro de pouco
tempo. Pablo, esposo de Frida, sempre soube da inocência de sua
consorte, mas somente após a condenação definitiva é que
conseguiu reunir as provas necessárias para inocentá-la. Ocorre
que Frida não deseja vivenciar novamente a angústia de estar
perante o Judiciário, preferindo encarar sua condenação injusta
como um meio de tornar-se uma pessoa melhor.
Nesse sentido, tomando-se por base o caso apresentado e a
medida cabível à espécie, assinale a afirmativa correta.
a) Pablo pode ingressar com revisão criminal em favor de Frida,
ainda que sem a concordância desta.
b) Caso Frida tivesse sido absolvida com base em falta de provas,
seria possível ingressar com revisão criminal para pedir a
mudança do fundamento da absolvição.
c) Da decisão que julga a revisão criminal são cabíveis, por
exemplo, embargos de declaração, mas não cabe apelação.

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d) Caso a sentença dada à Frida, no caso concreto, a tivesse
condenado mas, ao mesmo tempo, reconhecido a prescrição da
pretensão executória, seria incabível revisão criminal.
COMENTÁRIOS: No caso em tela, como Frida é viva, e não possui
interesse no ajuizamento da revisão criminal, seu cônjuge não poderá
ajuizá-la, pois a legitimidade para o ajuizamento da revisão criminal
somente passa ao cônjuge e demais legitimados com a morte do
condenado. Vejamos:
Art. 623. A revisão poderá ser pedida pelo próprio réu ou por procurador
legalmente habilitado ou, no caso de morte do réu, pelo cônjuge, ascendente,
descendente ou irmão.
Também não é possível o ajuizamento de revisão criminal para
alteração de fundamento da absolvição, pois a revisão criminal só é
cabível no caso de condenação, nos termos do art. 621 do CPP:
Art. 621. A revisão dos processos findos será admitida:
I - quando a sentença condenatória for contrária ao texto expresso da lei
penal ou à evidência dos autos;
II - quando a sentença condenatória se fundar em depoimentos,
exames ou documentos comprovadamente falsos;
III - quando, após a sentença, se descobrirem novas provas de
inocência do condenado ou de circunstância que determine ou autorize
diminuição especial da pena.
Por fim, é cabível a interposição de embargos de declaração em face
da decisão que julga a revisão, mas não apelação, pois está só é cabível
em face de sentenças proferidas pelo Juiz singular e das decisões do
Tribunal do Júri, e as revisões criminais são sempre processadas e
julgadas pelos Tribunais:
Art. 593. Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: (Redação dada pela
Lei nº 263, de 23.2.1948)
I - das sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas por
juiz singular; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
II - das decisões definitivas, ou com força de definitivas, proferidas por
juiz singular nos casos não previstos no Capítulo anterior; (Redação dada
pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
III - das decisões do Tribunal do Júri, quando: (Redação dada pela Lei
nº 263, de 23.2.1948)
a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia; (Redação dada pela Lei nº
263, de 23.2.1948)
b) for a sentença do juiz-presidente contrária à lei expressa ou à
decisão dos jurados; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
c) houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida
de segurança; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
d) for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos
autos. (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)
Os embargos de declaração, por sua vez, são cabíveis também em
face das decisões dos Tribunais:

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Art. 619. Aos acórdãos proferidos pelos Tribunais de Apelação, câmaras ou
turmas, poderão ser opostos embargos de declaração, no prazo de dois dias
contados da sua publicação, quando houver na sentença ambiguidade,
obscuridade, contradição ou omissão.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

2.! AÇÕES AUTÔNOMAS DE IMPUGNAÇÃO

2.1.! Habeas corpus


Habeas Corpus significa, em bom português, “Tome o corpo”, que
significa, em linhas gerais, que a pessoa presa é apresentada ao Juiz para
que analise se mantém ou não a prisão.
Trata-se de um sucedâneo recursal externo. O quê? Isso
mesmo, trata-se de um instrumento “similar” a um recurso, mas que
com ele não se confunde. O HC, assim como os recursos, é um meio de
impugnação a uma decisão judicial, mas NÃO É UM RECURSO.
O HC é uma AÇÃO AUTÔNOMA DE IMPUGNAÇÃO, cuja finalidade
é preservar a liberdade de qualquer pessoa, quando ameaçada (HC
preventivo) ou conceder a liberdade a uma pessoa que está presa (HC
repressivo).
O HC possui fundamento na própria Constituição da República,
estando previsto no art. 5°, LXVIII. Vejamos:
LXVIII - conceder-se-á "habeas-corpus" sempre que alguém sofrer ou se
achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de
locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;
O HC está previsto no CPP, no Título referente aos recursos, MAS
NÃO POSSUI NATUREZA RECURSAL. No CPP está previsto em seu art.
647:
Art. 647. Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar na
iminência de sofrer violência ou coação ilegal na sua liberdade de ir e vir,
salvo nos casos de punição disciplinar.

2.1.2.! Classificação
O HC, como dito anteriormente, pode ser:

•! Repressivo (ou liberatório) – Quando visa a devolver a liberdade


a alguma pessoa que se encontra presa. Nesse caso, será expedido
alvará de soltura. Nos termos do art. 660, §1° do CPP:
Art. 660. Efetuadas as diligências, e interrogado o paciente, o juiz decidirá,
fundamentadamente, dentro de 24 (vinte e quatro) horas.
§ 1o Se a decisão for favorável ao paciente, será logo posto em liberdade,
salvo se por outro motivo dever ser mantido na prisão.

•! Preventivo – Aqui o HC é utilizado quando a pessoa se encontra

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ameaçada em sua liberdade de locomoção, ou seja, ainda não
houve a violação à liberdade de locomoção. É necessário que esse
risco de vir a ser privada de sua liberdade seja CONCRETO, não
bastando mera suspeita ou mero temor de que isso possa vir a
acontecer um dia. Sendo procedente o pedido de HC preventivo, o
Juiz expedirá SALVO-CONDUTO, impedindo-se que a pessoa venha
a ser privada de sua liberdade, EM RAZÃO DOS FATOS OBJETOS
DO HC. Nos termos do §4° do art. 660 do CPP:
§ 4o Se a ordem de habeas corpus for concedida para evitar ameaça de
violência ou coação ilegal, dar-se-á ao paciente salvo-conduto assinado pelo
juiz.

A Doutrina vem admitindo, ainda, uma terceira modalidade de HC,


cuja finalidade é suspender atos processuais ou impugnar procedimentos
que possam importar em prisão futura da pessoa.
É o chamado HC TRANCATIVO, cuja finalidade é determinar o
trancamento de ação penal ajuizada e recebida, mas que não preenche os
requisitos (ausência de condições da ação, fato já prescrito, etc.). Nesse
caso, é legítima a impetração de HC para que seja trancada a ação penal,
que é uma ameaça à liberdade do indivíduo. O STF (súmula 693) só
admite esse tipo de HC se o crime é punido com PRIVAÇÃO DA
LIBERDADE. Se a pena cominada é apenas a multa, não há
possibilidade de, no futuro, vir a acontecer a privação ilegal da liberdade
do acusado, de forma que o remédio correto, nesse caso, seria um
MANDADO DE SEGURANÇA.42
CUIDADO! O STJ vem admitindo, ainda, o HC trancativo para
determinar o trancamento de Inquéritos Policiais que se afigurem como
constrangimento ilegal, por não haver lastro probatório mínimo ou por
haver elementos jurídicos que impediriam futura ação penal (flagrante
atipicidade da conduta, manifesta existência de causa de exclusão da
ilicitude, prescrição, etc.).

2.1.3.! Sujeitos do HC

O HC possui três sujeitos:

•! Impetrante – É aquele que ajuíza o HC. Qualquer pessoa pode


impetrar um HC em seu favor ou em favor de outra pessoa.
Inclusive o MP pode impetrar o HC em favor de alguém. NÃO
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
42
O mesmo se aplica no caso de já estar extinta a punibilidade. Já estando extinta a
pena privativa de liberdade, não cabe HC, nos termos da súmula 695 do STF:
Súmula 695
Não é cabível Habeas Corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade.
!

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SE EXIGE CAPACIDADE POSTULATÓRIA (Não é necessária a
presença de advogado). A PESSOA JURÍDICA PODE IMPETRAR
HC. Os inimputáveis e doentes mentais TAMBÉM PODEM
IMPETRAR HC (Trata-se da maior legitimidade ativa do nosso
ordenamento jurídico). Nos termos do art. 654 do CPP:
Art. 654. O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer pessoa, em seu
favor ou de outrem, bem como pelo Ministério Público.

Inclusive o ANALFABETO poderá IMPETRAR HC. É o que


podemos extrair do art. 654, §1°, c do CPP:
§ 1o A petição de habeas corpus conterá:
a) o nome da pessoa que sofre ou está ameaçada de sofrer violência ou
coação e o de quem exercer a violência, coação ou ameaça;
b) a declaração da espécie de constrangimento ou, em caso de simples
ameaça de coação, as razões em que funda o seu temor;
c) a assinatura do impetrante, ou de alguém a seu rogo, quando não
souber ou não puder escrever, e a designação das respectivas residências.

CUIDADO! O Juiz não pode impetrar HC, mas pode concedê-lo sem que
haja pedido (de ofício). São coisas parecidas, mas são diferentes. Nos
termos do §2° do art. 654 do CPP:
§ 2o Os juízes e os tribunais têm competência para expedir de ofício ordem
de habeas corpus, quando no curso de processo verificarem que alguém sofre
ou está na iminência de sofrer coação ilegal.

•! Paciente – É aquela pessoa em favor da qual se impetra o HC


(Impetrante e paciente podem ser, portanto, a mesma pessoa).
CUIDADO! A pessoa jurídica, por não possuir liberdade de
locomoção, não pode ser paciente do HC, podendo, no entanto,
impetrá-lo em favor de terceira pessoa.
•! Coator – É a autoridade (ou o particular) que privou a liberdade de
locomoção da pessoa ou que está ameaçando privar a liberdade da
pessoa. Parte da Doutrina entende que somente a autoridade
pública pode ser coator. Mas a maioria da Doutrina entende que o
particular também pode ser coator, quando, por exemplo, impede a
liberação de um interno de uma clínica hospitalar.

2.1.4.! Cabimento e processamento

Como disse a vocês, o HC é cabível para fazer cessar coação à


liberdade da pessoa, ou para impedir que a ameaça de coação da
liberdade se concretize. Mas em que situações se considera ilegal a
privação da liberdade? O art. 648 do CPP dispõe:
Art. 648. A coação considerar-se-á ilegal:
I - quando não houver justa causa;
II - quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei;
III - quando quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo;

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IV - quando houver cessado o motivo que autorizou a coação;
V - quando não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei
a autoriza;
VI - quando o processo for manifestamente nulo;
VII - quando extinta a punibilidade.

Estando presentes quaisquer destas situações, a privação da


liberdade, ou a ameaça dessa privação SERÁ ILEGAL.
A competência para a apreciação do pedido de HC é, em regra, do
Juiz de primeira instância, mas cessará a partir do momento em que a
coação passar a ser praticada por autoridade hierarquicamente superior a
ele. Nos termos do art. 650, §1° do CPP:
§ 1o A competência do juiz cessará sempre que a violência ou coação provier
de autoridade judiciária de igual ou superior jurisdição.

Existem casos nos quais a competência é originária de um Tribunal.


Esses casos de competência originária estão previstos na própria
Constituição. Vejamos as principais regras de competência dos Tribunais
previstas na Constituição Federal:
Tribunal Hipótese constitucionalmente Embasamento
Competente prevista Constitucional

Quando forem pacientes o Presidente da


República, o Vice-Presidente, os Membros do
Congresso Nacional, os Ministros do Estado, o
Procurador-Geral da República, os
Comandantes da Marinha, do Exército e da
Aeronáutica, os membros dos Tribunais Art. 102, I, “d”
Superiores, do Tribunal de Contas da União e os
STF chefes de missão diplomática de caráter
permanente.

Quando forem coatores Tribunais Superiores. Art. 102, I, “i”

Quando forem coatores ou pacientes


autoridades ou funcionários cujos atos estejam
sujeitos diretamente à jurisdição do Supremo Art. 102, I, “i”
Tribunal Federal.

Quando se tratar de crime sujeito à jurisdição


do Supremo Tribunal Federal, em uma única
instância. Art. 102, I, “i”

Quando forem coatores ou pacientes os


Governadores dos Estados e do Distrito Federal,
os Desembargadores dos Tribunais de Justiça
dos Estados e do Distrito Federal, os membros
dos Tribunais de Contas dos Estados e do
Distrito Federal, os dos Tribunais Regionais Art. 105, I, “c”
Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do
Trabalho, os membros dos Conselhos ou

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Tribunais de Contas do s Municípios e os do
Ministério Público da União que oficiarem
STJ perante os Tribunais.

Quando for coator tribunal sujeito `a jurisdição


do Superior Tribunal de Justiça, Ministro de
Estado ou Comandante da Marinha, do Exército Art. 105, I, “c”
ou da Aeronáutica, ressalvada a competência da
Justiça Eleitoral.

TRF Quando a autoridade coatora for Juiz Federal. Art. 108, I, “d”

Quando o constrangimento provier de


autoridade cujos atos não estejam diretamente
Juízes sujeitos a outra jurisdição. Art. 109, I, VII
Federais

Justiça do Quando o ato questionado envolver matéria


Trabalho sujeita à sua jurisdição.
Art. 114, I, IV

Impetrado o HC, cumpridas as poucas formalidades previstas no §1°


do art. 654, o Juiz poderá determinar que o paciente seja colocado
em sua presença (art. 656 do CPP), caso esteja preso.
No caso de o Juiz determinar a apresentação do preso, aquele que
está mantendo o paciente preso não poderá negar a apresentação deste
ao Juiz, salvo em alguns casos específicos. Vejamos:
Art. 657. Se o paciente estiver preso, nenhum motivo escusará a sua
apresentação, salvo:
I - grave enfermidade do paciente;
Il - não estar ele sob a guarda da pessoa a quem se atribui a detenção;
III - se o comparecimento não tiver sido determinado pelo juiz ou pelo
tribunal.

O Juiz, entretanto, no caso do inciso I (doença), poderá se dirigir


até o local onde o paciente se encontra.
Caso o Juiz verifique que a ameaça ou coação já cessou quando
do recebimento do HC, declarará este prejudicado (art. 659 do CPP).
Após efetuadas todas as diligências e ouvido o paciente, o Juiz
decidirá, em 24h, se concede ou não a ordem de HC (art. 660 do CPP).
Caso se trate de HC repressivo, e sendo concedida a ordem, como
disse antes, será expedido alvará de soltura (§1° do art. 660). Caso
se trate de HC preventivo, será expedido SALVO-CONDUTO (§4° do
art. 660 do CPP).
Em qualquer dos dois casos (Já ter havido a prisão ou estar na
iminência de ocorrer), sendo concedida a ordem de HC, será
imediatamente enviada cópia à autoridade coatora, nos termos do §5° do
art. 660 do CPP.

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CUIDADO! Embora não haja previsão expressa na lei nesse sentido, a
Doutrina e a Jurisprudência entendem ser plenamente cabível a
concessão de liminar em HC.

Vamos ver algumas questões relevantes acerca do HC:


!! A Doutrina e a Jurisprudência NÃO admitem mais a utilização
do HC como substituto recursal, ou seja, sua utilização ao invés
da utilização do recurso cabível43.
!! A Jurisprudência não tem admitido a impetração de HC contra ato
de indeferimento de liminar em HC!
!! O Assistente de acusação não pode intervir no HC.
!! O HC não comporta dilação probatória, ou seja, o impetrante
deve provar, DE PLANO, a ilegalidade da coação.
!! É incabível o HC para impugnar decisão que defere a
intervenção do assistente de acusação na ação penal.44
!! A prisão administrativa (aquela que não foi determinada pelo
Judiciário), à exceção do flagrante delito, foi abolida do nosso
ordenamento jurídico. Caso seja praticada, poderá ser impetrado
HC em face dessa ilegalidade.
!! É possível a impetração de HC para evitar que o paciente seja
algemado, ou para que cesse o ato, quando esta medida seja ilegal
(não esteja dentre as exceções previstas na súmula vinculante n°
11 do STF).
!! É incabível a utilização do HC para atacar ato de punição
disciplinar militar (prisão do militar), salvo se a prisão foi
determinada de maneira ilegal (por autoridade incompetente,
etc.), mas não o mérito da medida.

2.2.! Mandado de Segurança em Matéria Criminal

O estudo do mandado de segurança no processo penal não está


relacionado ao seu processamento, mas às suas hipóteses de cabimento.

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
43
Ver, por todos: (HC 258.954/RJ, Rel. Ministra MARILZA MAYNARD (DESEMBARGADORA
CONVOCADA DO TJ/SE), SEXTA TURMA, julgado em 27/05/2014, DJe 10/11/2014)
44
Ver, por todos: (RHC 31.667/ES, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em
28/05/2013, DJe 11/06/2013)!

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O Mandado de Segurança, como nós sabemos, é um dos chamados
“remédios constitucionais”, é uma ação autônoma de impugnação a
um ato do Poder Público, podendo ser usado, inclusive, como substituto
recursal, inclusive no processo penal.
Vejamos a redação constitucional acerca do cabimento do Mandado
de Segurança. Vejamos:
Art. (...)
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e
certo, não amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-data", quando o
responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou
agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público;

Vejam que a primeira exigência é a de que se trate de DIREITO


LÍQUIDO E CERTO, ou seja, não se admite dilação probatória no MS, de
forma que o impetrante (aquele que ajuíza o MS) deve provar que tem o
direito no momento em que ajuíza a ação (Sim, o MS é uma ação, não
um recurso).
Exige-se, ainda, que este direito que o impetrante alega possuir não
seja amparado nem por Habeas Corpus nem por Habeas Data. Aqui, nos
interessa apenas a primeira hipótese.
Não sendo possível a impetração de MS quando for possível o
ajuizamento de HC, resta evidente que NÃO SERÁ CABÍVEL MS quando
a LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO estiver em jogo. Por quê? Porque a se
a liberdade de locomoção estiver em jogo, caberá HC, nos termos do art.
5º, LXVIII da CRFB/88:
Art. (...)
LXVIII - conceder-se-á "habeas-corpus" sempre que alguém sofrer ou se
achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de
locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;

Ora, disso podemos tirar uma conclusão: Se a decisão interfere


direta ou indiretamente em pena privativa de liberdade, caso não haja
nenhum recurso disponível para atacar a decisão judicial, deverá ajuizar
HABEAS CORPUS, não sendo cabível o MS.
Por outro lado, não tendo a decisão qualquer relação com pena
privativa de liberdade, não há qualquer ameaça à liberdade de locomoção
do indivíduo, de maneira que, eventual impugnação a uma decisão
judicial, para a qual não haja recurso previsto, deverá ser feita mediante
MS.
O STF, neste sentido, editou o verbete de nº 693 de sua
súmula de jurisprudência:

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Súmula 693 do STF


"Não cabe habeas corpus contra decisão condenatória à pena de multa, ou relativo a
processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada."

O MS deverá ser impetrado no prazo de 120 dias, direcionado à


autoridade Judiciária imediatamente superior àquela que proferiu a
decisão, ou, no caso de decisão judicial proferida por órgão fracionário de
Tribunal, será direcionado ao Plenário do Tribunal, nos moldes das
competências constitucionais definidas na própria Constituição Federal.
As hipóteses mais comuns de cabimento do MS em matéria
criminal são:
•! Decisão que indefere a habilitação do assistente de acusação
(art. 273 do CPP).
•! Decisão que determina o sequestro de bens do acusado, sem
respeitar os dispositivos legais (art. 126 do CPP).
•! Decisão que indefere a restituição de bens apreendidos.
•! Para garantir ao advogado o acesso aos autos de inquérito
policial quando este direito estiver sendo obstado pela
autoridade policial.

3.! RESUMO
RECURSOS
TEORIA GERAL
Conceito - Meios voluntários de impugnação às decisões judiciais,
interpostos no curso do processo, ou seja, são utilizados dentro da
mesma relação jurídico-processual.
Finalidade - Reverter uma decisão judicial desfavorável, seja
modificando, anulando, esclarecendo ou integrando a decisão impugnada.

Juízo de admissibilidade
Verificação do preenchimento dos pressupostos recursais de
admissibilidade do recurso. Em regra, o juízo de admissibilidade é
realizado tanto pelo Juízo a quo (aquele que proferiu a decisão) quanto
pelo Juízo ad quem (aquele que vai efetivamente julgar o recurso).
EXCEÇÕES:

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"! O próprio juízo que proferiu a decisão for o responsável pelo
julgamento do recurso (ex.: embargos de declaração) – Neste caso
só há juízo a quo.
"! O recurso é interposto diretamente perante o juízo ad quem (Ex.:
Carta testemunhável) – Neste caso o juízo a quo não participa do
juízo de admissibilidade.

Pressupostos processuais
"! Intrínsecos – Relacionados ao próprio direito de recorrer
(cabimento, legitimidade recursal, etc.).
"! Extrínsecos – Relacionados à forma pela qual o recurso é
manejado (tempestividade, regularidade formal, etc.).

Juízo de mérito
Análise do recurso, propriamente dita. Sendo positivo o juízo de
admissibilidade, o órgão julgador adentrará ao mérito e apreciará o
recurso, dando provimento a ele ou não. O mérito do recurso pode estar
fundamentado em:
"! Error in procedendo – Alegação de algum erro processual
cometido pelo Juiz, que conduz à anulação da decisão.
"! Error in judicando – Alegação de “injustiça” da decisão, ou seja, o
Juiz julgou de uma forma que o recorrente entende não ser a que
condiz com o ordenamento jurídico. Visa à reforma da decisão.

Efeitos dos recursos


"! Efeito obstativo – O recurso, quando interposto, impede a
ocorrência da preclusão temporal.
"! Efeito devolutivo – É o efeito mediante o qual o recorrente devolve
ao Tribunal a competência para conhecer a matéria impugnada e
apreciar o recurso.
"! Efeito suspensivo – O efeito suspensivo não está presente em
todos os recursos, e diz respeito à impossibilidade de a decisão
impugnada produzir efeitos enquanto não for julgado o recurso.
"! Efeito Translativo – Refere-se à possibilidade de o Tribunal
conhecer, de ofício, determinadas matérias que não foram
impugnadas pelo recorrente.
"! Efeito substitutivo – É o efeito que implica na substituição da
decisão recorrida pela decisão do juízo ad quem, seja mantendo ou
reformando a decisão atacada.
"! Efeito regressivo (ou iterativo ou diferido) – O efeito regressivo
também não está presente em todos os recursos, e é o efeito que
permite ao prolator da decisão se retratar da decisão proferida,
evitando a remessa ao órgão ad quem (órgão recursal).

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"! Efeito Extensivo – Decorre da necessidade de que haja isonomia no
julgamento de todos aqueles que respondem pelo mesmo fato.
Assim, se um dos corréus interpõe recurso, a decisão desse recurso
se estende aos demais, SALVO SE FUNDADA EM RAZÕES DE
CARÁTER ESTRITAMENTE PESSOAL.

Princípios recursais
"! Duplo grau de jurisdição – Toda decisão deve estar submetida à
reapreciação por outro órgão do Judiciário, que lhe é superior. A
maior parte da Doutrina entende que este princípio não está
expressamente previsto na Constituição como sendo obrigatório
em todos os casos.
"! Taxatividade – Somente se pode considerar como recurso aquele
que está previsto expressamente em Lei, não existindo hipótese de
recursos sem previsão legal.
"! Singularidade (Ou unirrecorribilidade ou unicidade) – É o
princípio segundo o qual para cada decisão somente é cabível um
único recurso.
"! Voluntariedade – A existência do recurso só pode decorrer da
vontade da parte, não existindo hipótese de recurso obrigatório.
"! Fungibilidade – O princípio da fungibilidade recursal determina que,
interposto um recurso de maneira errada pela parte, é
possível que o órgão recursal receba este recurso como sendo
o correto, desde que inexista má-fé.
"! Non reformatio in pejus – O recurso interposto pela defesa NUNCA
poderá ser julgado de forma a agravar a situação do réu. OBS.:
Veda-se, ainda, a aplicação da reformatio in pejus indireta.
"! Complementariedade – O recorrente poderá complementar a
fundamentação de seu recurso (razões recursais) quando a decisão
atacada for modificada após a apresentações das razões recursais.
"! Colegialidade – Princípio nem sempre trabalhado pela Doutrina,
prega que a parte tem direito de, uma vez recorrendo, ter seu
recurso apreciado por um órgão colegiado.

RECURSOS EM ESPÉCIE
RECURSO EM SENTIDO ESTRITO
Cabimento – Destina-se a impugnar decisões interlocutórias. Contudo, o
RESE só poderá ser manejado nas hipóteses TAXATIVAMENTE
previstas no art. 581 do CPP. OBS.: JURISPRUDÊNCIA vem admitindo o
cabimento do RESE em situações análogas às do art. 581 do CPP.
Tópicos importantes quanto ao cabimento:
"! Decisão que julga extinta a punibilidade – Se estiver no corpo da
sentença, o recurso será a apelação. Logo, só cabe o RESE se a
decisão for isolada. Se a decisão for proferida em sede de
EXECUÇÃO PENAL, caberá o AGRAVO em execução.

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"! Toda e qualquer decisão proferida pelo Juiz da execução penal será
atacável mediante agravo em execução. Assim, todas as hipóteses
do art. 581 que tratam de situações durante o cumprimento da pena,
foram tacitamente revogadas pelo art. 197 da LEP.

Processamento
Prazo - 05 DIAS, salvo na hipótese do inciso XIV, na qual o prazo
será de 20 DIAS.
EXCEÇÃO: O prazo para o assistente de acusação, NÃO HABILITADO,
interpor o RESE contra decisão que declara extinta a punibilidade, será
de 15 dias, contados a partir do momento em que termina o prazo para
o oferecimento do recurso pelo MP.
Forma – Por petição ou por termo nos autos.
Razões – Devem ser apresentadas em 02 dias.
Juízo de retratação – O Juiz poderá, em 02 dias, reformar sua decisão
(efeito regressivo do recurso).

! E se a decisão for de rejeição da inicial acusatória? Neste caso


o acusado ainda não foi citado, mas deve ser intimado para apresentar
suas contrarrazões (súmula 707 do STF).

Efeito suspensivo - O RESE não possui, em regra, EFEITO


SUSPENSIVO. EXCEÇÕES:
! Decisão que determina a perda do valor da fiança
! Decisão que denegar a apelação ou julgá-la deserta
! RESE interposto contra decisão de pronúncia

Remessa ao Tribunal
REGRA - Subirá ao Tribunal por traslado ou instrumento (mediante a
remessa de cópias de determinadas peças do processo, pois os autos do
processo ficarão no Juízo de primeira instância).
EXCEÇÕES:
"! Quando se tratar de RESE interposto de “ofício” pelo Juiz –
Atualmente isso só ocorre com a decisão que concede o HC.
"! Nas hipóteses dos incisos I, III, IV, VIII e X do art. 581.
"! Quando a subida dos autos ao Tribunal não prejudicar o
andamento do processo

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APELAÇÃO
Cabimento - A apelação, em regra, será o recurso cabível para atacar
as SENTENÇAS. No entanto, a apelação será também um recurso
SUBSIDIÁRIO com relação às decisões interlocutórias mistas
(terminativas ou não-terminativas), pois serão apeláveis estas decisões
quando não for, para elas, previsto o cabimento do RESE.
APELAÇÃO - CABIMENTO
DECISÕES INTERLOCUTÓRIAS SOMENTE SE NÃO FOR CABÍVEL O RESE
MISTAS TERMINATIVAS OU NÃO
(DECISÕES DEFINITIVAS OU
COM FORÇA DE DEFINITIVAS)
SENTENÇAS DEFINITIVAS DE SEMPRE
CONDENAÇÃO OU ABSOLVIÇÃO

DECISÕES PROFERIDAS NO SOMENTE NOS CASOS PREVISTOS NO ART.


BOJO DO PROCEDIMENTO DO 593, III DO CPP
TRIBUNAL DO JÚRI

Processamento
Prazo - 05 DIAS.
EXCEÇÕES:
•! Prazo para a interposição de apelação pelo ofendido nos
crimes de ação penal pública – Se já estiver habilitado
como assistente de acusação, o prazo será de 05 dias.
Contudo, caso ainda não tenha se habilitado, o prazo será
de 15 dias. Em ambos os casos o prazo será contado a partir
do escoamento do prazo para o MP (art. 598, § único do CPP
e súmula 448 do STF). No primeiro caso, contudo (assistente
já habilitado), o prazo será contado da data de sua intimação,
caso seja posterior à do MP.
•! Apelação nos processos da competência do JECrim –
Neste caso o prazo é de 10 dias.
APELAÇÃO - PRAZO
RECORRENTE PRAZO INÍCIO
PARTES 05 DIAS Contados da intimação
ASSISTENTE DE 05 DIAS •! Do dia em que terminar o prazo para o
ACUSAÇÃO MP
HABILITADO
•! Caso tenha sido intimado após o MP, será
contado da data da intimação

ASSISTENTE DE 15 DIAS Contados do dia em que terminar o prazo


ACUSAÇÃO NÃO do MP
HABILITADO

Forma – Por petição ou por termo nos autos.


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Razões – Devem ser apresentadas em 08 dias. EXCEÇÕES:
•! Razões apresentadas pelo assistente em relação ao recurso que
não foi por ele interposto – 03 dias
•! Razões no rito sumaríssimo (Juizados Especiais Criminais) –
Simultaneamente com a apelação
•! Razões nos processos por contravenção – 03 dias
Efeitos
Devolutivo – Possui, como todo recurso. Em se tratando de apelação da
DEFESA, ainda que se tenha recorrido apenas de parte da decisão, o
efeito devolutivo abrange TODA A MATÉRIA TRATADA NO PROCESSO.
OBS.: No rito do júri a fundamentação é vinculada. O Tribunal não pode
determinar a realização de novo julgamento com base em fundamento
não alegado no recurso.
Efeito regressivo – Não há.
Efeito suspensivo
"! Apelação interposta contra sentença absolutória própria – Não
possui efeito suspensivo.
"! Apelação interposta contra sentença absolutória imprópria –
Possui efeito suspensivo.
"! Apelação interposta contra sentença condenatória – Possui
efeito suspensivo.
"! Apelação interposta pelo assistente de acusação – Não possui
efeito suspensivo.

Processamento
Interposição – Perante o Juiz que proferiu a decisão. Após a
apresentação das razões e contrarrazões, sobe ao Tribunal.
REGRA - Sobe ao Tribunal junto com os autos principais. EXCEÇÃO:
Subirá por traslado se houver dois ou mais réus e algum deles não tiver
sido julgado, ou tendo sido julgado, não tiver apelado.

EMBARGOS INFRINGENTES
Conceito - Cabível quando, durante o julgamento de um recurso
(apelação ou RESE), em segunda instância, houver decisão não-unânime
DESFAVORÁVEL AO RÉU.
Prazo – 10 dias.
Efeitos – Não possui efeito suspensivo nem regressivo.

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

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Conceito - Os embargos de declaração são o recurso cabível para sanar
alguma obscuridade, omissão, ambiguidade ou contradição na
decisão.
Prazo – 02 dias.
Forma - Só podem ser opostos por PETIÇÃO, e não por termo nos
autos.
Efeitos – Interrompe o prazo para a interposição dos demais recursos.

CARTA TESTEMUNHÁVEL
Cabimento - Cabível quando não recebido o recurso que deva ser
remetido à instância superior ou, embora recebido, não seja remetido à
instância superior. Possui natureza RESIDUAL (só é cabível se não for
previsto outro recurso para a hipótese).
Interposição – Dirigida ao Escrivão.
Prazo – 48 horas.
Processamento – O mesmo trâmite do recurso que não foi admitido.
Efeito suspensivo – Não possui.
Efeito regressivo – Possui.

AGRAVO EM EXECUÇÃO
Cabimento - Impugnar as decisões proferidas na execução penal.
Prazo – 05 dias (súmula 700 do STF). Razões recursais = 02 dias.
Rito - Segue o rito do Recurso em Sentido Estrito.
Efeitos – NÃO possui, em regra, efeito suspensivo. Possui efeito
regressivo (segue o rito do RESE, que possui).

REVISÃO CRIMINAL
Conceito – NÃO É RECURSO. Trata-se de ação autônoma de
impugnação.
Cabimento - Visa a desconstituir a sentença condenatória, não estando
sujeita a prazo, pois pode ser manejada a qualquer tempo, INCLUSIVE
APÓS A MORTE DO RÉU. Trata-se de meio de impugnação privativo da
defesa.
Pressupostos
•! Existência de sentença condenatória criminal – Não se admite
em face de sentença absolutória, SALVO NO CASO DE SENTENÇA
ABSOLUTÓRIA IMPRÓPRIA.
•! Existência de trânsito em julgado

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ATENÇÃO! Na Revisão Criminal não cabe DILAÇÃO PROBATÓRIA, ou


seja, a prova deve ser PRÉ-CONSTITUÍDA.
! E se houver necessidade de prova pericial ou testemunhal?
Deverá o autor requerer a realização de AUDIÊNCIA DE
JUSTIFICAÇÃO (espécie de cautelar de produção antecipada de
provas).

Competência
•! Do STF e do STJ quando a Revisão Criminal se der contra
decisões por eles proferidas
•! Pelos TRFs e TJs quando a Revisão Criminal tiver por objeto
decisões proferidas por eles ou pelos Juízes a eles vinculados
Efeitos
Sendo julgada procedente a revisão, poderá ser:
! Alterada a classificação da infração
! Absolvido o réu
! Modificada a pena
! Anulado o processo

OBS.: Nunca poderá ser agravada a situação do réu (non reformatio in


pejus).

HABEAS CORPUS
Natureza - Trata-se de um sucedâneo recursal externo. Um
instrumento similar a um recurso, mas não é recurso, pois é uma ação
autônoma (um novo processo).
Espécies
"! Preventivo - Finalidade é preservar a liberdade de qualquer
pessoa, quando há risco de violação a este direito.
"! Repressivo – Fazer cessar violação à liberdade.
OBS.: Doutrina e Jurisprudência admitem, ainda, uma terceira
modalidade de HC, cuja finalidade é suspender atos processuais ou
impugnar procedimentos que possam importar em prisão futura da
pessoa. É o chamado HC TRANCATIVO.
OBS.: Não se admite HC para determinar o trancamento de ação penal ou
IP quando se trata de infração penal em que não há possibilidade de
aplicação de pena privativa de liberdade (súmula 693 do STF).

Sujeitos do HC

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"! Impetrante – É aquele que ajuíza o HC. Qualquer pessoa pode
impetrar um HC em seu favor ou em favor de outra pessoa.
Inclusive o MP pode impetrar o HC em favor de alguém. NÃO SE
EXIGE CAPACIDADE POSTULATÓRIA (Não é necessária a presença de
advogado). A PESSOA JURÍDICA PODE IMPETRAR HC. CUIDADO! O
Juiz não pode impetrar HC, mas pode concedê-lo sem que haja
pedido (de ofício).
"! Paciente – É aquela pessoa em favor da qual se impetra o HC
(Impetrante e paciente podem ser, portanto, a mesma pessoa).
"! Coator – É a autoridade (ou o particular) que privou a liberdade de
locomoção da pessoa ou que está ameaçando privar a liberdade da
pessoa.

Cabimento
Considera-se ilegal a privação da liberdade quando:
"! Não houver justa causa;
"! Alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei;
"! Quem ordenar a coação não tiver competência para fazê-lo;
"! Houver cessado o motivo que autorizou a coação;
"! Não for alguém admitido a prestar fiança, nos casos em que a lei a
autoriza;
"! O processo for manifestamente nulo;
"! Extinta a punibilidade.

"! A Doutrina e a Jurisprudência NÃO admitem mais a utilização do


HC como substituto recursal, ou seja, sua utilização ao invés da
utilização do recurso cabível.
"! O Assistente de acusação não pode intervir no HC.
"! O HC não comporta dilação probatória, ou seja, o impetrante deve
provar, DE PLANO, a ilegalidade da coação.
"! É incabível o HC para impugnar decisão que defere a
intervenção do assistente de acusação na ação penal.
"! É incabível a utilização do HC para atacar ato de punição
disciplinar militar (prisão do militar), salvo se a prisão foi
determinada de maneira ilegal (por autoridade incompetente,
etc.), mas não o mérito da medida.

_____________
Bons estudos!

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Prof. Renan Araujo

4.! EXERCÍCIOS DA AULA

01.! (FGV - 2016 - OAB - XX EXAME DE ORDEM)


José foi absolvido em 1ª instância após ser denunciado pela prática de um
crime de extorsão em face de Marina. O Ministério Público interpôs
recurso de apelação, sendo a sentença de primeiro grau reformada pelo
Tribunal de Justiça de Santa Catarina para condenar o réu à pena de 05
anos, sendo certo que o acórdão transitou em julgado. Sete anos depois
da condenação, já tendo cumprido integralmente a pena, José vem a
falecer. Posteriormente, Caio, filho de José, encontrou um vídeo no qual
foi gravada uma conversa de José e Marina, onde esta admite que mentiu
ao dizer que foi vítima do crime pelo qual José foi condenado, mas que a
atitude foi tomada por ciúmes. Caio, então, procura o advogado da
família.
Diante da situação narrada, é correto afirmar que Caio, através de seu
advogado,
A) não poderá apresentar revisão criminal, pois a pena de José já havia
sido extinta pelo cumprimento.
B) não poderá apresentar revisão criminal, pois o acusado, que é quem
teria legitimidade, já é falecido.
C) poderá apresentar revisão criminal, sendo competente para
julgamento o Superior Tribunal de Justiça.
D) poderá apresentar revisão criminal, sendo competente para
julgamento o Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

02.! (FGV - 2016 - OAB - XIX EXAME DE ORDEM)


Anto∗nio foi denunciado e condenado pela prática de um crime de roubo
simples à pena privativa de liberdade de 4 anos de reclusão, a ser
cumprido em regime fechado, e 10 dias-multa. Publicada a sentenc+a no
Diário Oficial, o advogado do réu se manteve inerte. Anto∗nio, que estava
preso, foi intimado pessoalmente, em momento posterior, manifestando
interesse em recorrer do regime de pena aplicado. Diante disso, 2 dias
após a intimac+ão pessoal de Anto∗nio, mas apenas 10 dias após a
publicac+ão no Diário Oficial, sua defesa técnica interpo∗s recurso de
apelac+ão. O juiz de primeira insta∗ncia denegou a apelac+ão, afirmando a
intempestividade.
Contra essa decisão, o advogado de Anto∗nio deverá apresentar

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A) Recurso de Agravo.
B) Carta Testemunhável.
C) Recurso Ordinário Constitucional.
D) Recurso em Sentido Estrito.

03.! (FGV – 2015 – OAB – XVII EXAME DE ORDEM)


Após regular instrução processual, Flávio foi condenado pela prática do
crime de tráfico ilícito de entorpecentes a uma pena privativa de liberdade
de cinco anos de reclusão, a ser cumprida em regime inicial fechado, e
500 dias-multa. Intimado da sentença, sem assistência da defesa técnica,
Flávio renunciou ao direito de recorrer, pois havia confessado a prática
delitiva. Rafael, advogado de Flávio, porém, interpôs recurso de apelação
dentro do prazo legal, buscando a mudança do regime de pena.
Neste caso, é correto dizer que o recurso apresentado por Rafael
a) não poderá ser conhecido, pois houve renúncia por parte de Flávio,
mas nada impede que o Tribunal, de ofício, melhore a situação do
acusado.
b) deverá ser conhecido, pois não é admissível a renúncia ao direito de
recorrer, no âmbito do processo penal.
c) não poderá ser conhecido, pois a renúncia expressa de Flávio não pode
ser retratada, não podendo o Tribunal, de ofício, alterar a decisão do
magistrado.
d) deverá ser conhecido, pois a renúncia foi manifestada sem assistência
do defensor.

04.! (FGV – 2015 – OAB – XVII EXAME DE ORDEM)


Marcelo foi denunciado pela prática de um crime de furto. Entendendo
que não haveria justa causa, antes mesmo de citar o acusado, o
magistrado não recebeu a denúncia. Diante disso, o Ministério Público
interpôs o recurso adequado. Analisando a hipótese, é correto afirmar que
a) o recurso apresentado pelo Ministério Público foi de apelação.
b) apesar de ainda não ter sido citado, Marcelo deve ser intimado para
apresentar contrarrazões ao recurso, sob pena de nulidade.
c) mantida a decisão do magistrado pelo Tribunal, não poderá o Ministério
Público oferecer nova denúncia pelo mesmo fato, ainda que surjam
provas novas.
d) antes da rejeição da denúncia, deveria o magistrado ter citado o réu
para apresentar resposta à acusação.

05.! (FGV – 2015 – OAB – XVI EXAME DA OAB)


Scott procurou um advogado, pois tinha a intenção de ingressar com
queixa-crime contra dois vizinhos que vinham lhe injuriando
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constantemente. Narrados os fatos e conferida procuração com poderes
especiais, o patrono da vítima ingressou com a ação penal no Juizado
Especial Criminal, órgão efetivamente competente, contudo o magistrado
rejeitou a queixa apresentada.
Dessa decisão do magistrado caberá
a) recurso em sentido estrito, no prazo de 05 dias.
b) apelação, no prazo de 05 dias.
c) recurso em sentido estrito, no prazo de 02 dias.
d) apelação, no prazo de 10 dias.

06.! (FGV – 2014 – OAB – XV EXAME DE ORDEM)


Tiago e Andrea agiram em concurso de agentes em determinado crime. O
processo segue seu curso natural, culminando com sentença
condenatória, na qual os dois são condenados. Quando da interposição do
recurso, apenas Andrea apela. O recurso é julgado. Na decisão, fundada
em motivos que não são de caráter exclusivamente pessoal, os julgadores
decidem pela absolvição de Andrea.
Nesse sentido, diante apenas das informações apresentadas pelo
enunciado, assinale a afirmativa correta
a) Andrea será absolvida e Tiago continuará condenado, devido ao fato de
a decisão ter sido fundada em motivos que não são de caráter
exclusivamente pessoal.
b) Andrea e Tiago serão absolvidos, pois os efeitos da decisão serão
estendidos a este, devido ao fato de a decisão ter sido fundada em
motivos que não são de caráter exclusivamente pessoal.
c) Andrea e Tiago serão absolvidos, porém será necessário interpor
Recurso Especial
d) Andrea será absolvida e Tiago continuará condenado, pois não interpôs
recurso

07.! (FGV – 2014 – OAB – XIV EXAME DE ORDEM)


Eduardo foi denunciado pelo crime de estupro de vulnerável. Durante a
instrução, negou a autoria do crime, afirmando estar, na época dos fatos,
no município “C”, distante dois quilômetros do local dos fatos. Como a
afirmativa não foi corroborada por outros elementos de convicção, o Juiz
entendeu que a palavra da vítima deveria ser considerada, condenando
Eduardo. A defesa recorreu, mas após longo debate nos Tribunais
Superiores, a decisão transitou em julgado desfavoravelmente ao réu.
Eduardo dirigiu-se, então, ao município “C”, em busca de provas que
pudessem apontar a sua inocência, e, depois de muito procurar,
conseguiu as filmagens de um estabelecimento comercial, que estavam
esquecidas em um galpão velho. Nas filmagens, Eduardo aparece

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comprando lanche em uma padaria. Com a prova em mãos, procura seu
advogado.
Assinale a opção que apresenta a providência a ser adotada pelo
advogado de Eduardo.
a) O advogado deve ingressar com agravo em execução, pois Eduardo
descobriu uma prova que atesta a sua inocência de forma inconteste.
b) O advogado deve ingressar com revisão criminal, pois Eduardo
descobriu uma prova que atesta a sua inocência de forma inconteste.
c) O advogado deve ingressar com reclamação constitucional, pois
Eduardo descobriu uma prova que atesta a sua inocência de forma
inconteste.
d) O advogado deve ingressar com ação de habeas corpus, pois Eduardo
descobriu uma prova que atesta a sua inocência de forma inconteste.

08.! (FGV – 2012 – OAB – EXAME DE ORDEM)


Em relação aos meios de impugnação de decisões judiciais, assinale
a afirmativa INCORRETA.
a) Caberá recurso em sentido estrito contra a decisão que rejeitar a
denúncia, podendo o magistrado, entretanto, após a apresentação das
razões recursais, reconsiderar a decisão proferida.
b) Caberá apelação contra a decisão que impronunciar o acusado, a
qual terá efeito meramente devolutivo.
c) Caberá recurso em sentido estrito contra a decisão que receber a
denúncia oferecida contra funcionário público por delito próprio, o qual
terá duplo efeito.
d) Caberá apelação contra a decisão que rejeitar a queixa- crime
oferecida perante o Juizado Especial Criminal, a qual terá efeito
meramente devolutivo.

09.! (FGV – 2012 – OAB – EXAME DE ORDEM)


Com base no Código de Processo Penal, acerca dos recursos, assinale a
alternativa correta.
a) Todos os recursos têm efeito devolutivo, e alguns têm também os
efeitos suspensivo e iterativo.
b) O recurso de apelação sempre deve ser interposto no prazo de cinco
dias a contar da intimação, devendo as razões ser interpostas no prazo de
oito dias.
c) Apesar do princípio da complementaridade, é defeso ao recorrente
complementar a fundamentação de seu recurso quando houver
complementação da decisão recorrida.

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d) A carta testemunhável tem o objetivo de provocar o reexame da
decisão que denegar ou impedir seguimento de recurso em sentido
estrito, agravo em execução e apelação.

10.! (FGV – 2011 – OAB – EXAME DE ORDEM)


José é denunciado sob a acusação de que teria praticado o crime de roubo
simples contra Ana Maria. Na audiência de instrução e julgamento, o
magistrado indefere, imotivadamente, que sejam ouvidas duas
testemunhas de defesa. Ao proferir sentença, o juiz condena José a pena
de quatro anos de reclusão, a ser cumprida em regime aberto. Após a
sentença passar em julgado para a acusação, a defesa interpõe recurso
de apelação, arguindo, preliminarmente, a nulidade do processo em razão
do indeferimento imotivado de se ouvirem duas testemunhas, e alegando,
no mérito, a improcedência da acusação. Analisando o caso, o Tribunal de
Justiça dá provimento ao recurso e declara nulo o processo desde a
Audiência de Instrução e Julgamento. Realizado o ato e apresentadas
novas alegações finais por meio de memoriais, o juiz profere outra
sentença, desta vez condenando José a pena de quatro anos de reclusão
a ser cumprida em regime inicialmente semiaberto, pois, sendo
reincidente, não poderia iniciar o cumprimento de sua reprimenda em
regime aberto.
Com base no relatado acima, é correto afirmar que o juiz agiu
a) equivocadamente, pois a primeira sentença transitou em julgado para
a acusação, de sorte que não poderia a segunda decisão trazer
consequência mais gravosa para o réu em razão da interposição de
recurso exclusivo da defesa.
b) equivocadamente, pois, por ser praticado com violência ou grave
ameaça contra a pessoa, o crime de roubo impõe o início do cumprimento
da pena em regime fechado.
c) corretamente, pois a pena atribuída proíbe a imposição do regimento
aberto para o início do cumprimento de pena.
d) corretamente, pois, embora a pena atribuída permita a fixação do
regime aberto para o início do cumprimento de pena, o fato de ser o réu
reincidente impede tal providência, não se podendo falar em prejuízo para
o réu uma vez que o recurso de apelação da defesa foi provido pelo
Tribunal de Justiça.

11.! (FGV – 2010 – OAB – EXAME DE ORDEM)


Antônio Ribeiro foi denunciado pela prática de homicídio qualificado,
pronunciado nos mesmos moldes da denúncia e submetido a julgamento
pelo Tribunal do Júri em 25/05/2005, tendo sido condenado à pena de 15
anos de reclusão em regime integralmente fechado. A decisão transita em
julgado para o Ministério Público, mas a defesa de Antônio apela,
alegando que a decisão dos Jurados é manifestamente contrária à prova

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dos autos. A apelação é provida, sendo o réu submetido a novo Júri.
Neste segundo Júri, Antônio é novamente condenado e sua pena é
agravada, mas fixado regime mais vantajoso (inicial fechado).
A esse respeito, assinale a afirmativa correta
a) Não cabe nova apelação no caso concreto, em respeito ao princípio da
soberania dos veredictos.
b) A decisão do juiz togado foi incorreta, pois violou o princípio do ne
reformatio in pejus, cabendo apelação.
c) A decisão dos jurados foi incorreta, pois violou o princípio do tantum
devolutum quantum appelatum.
d) Não cabe apelação por falta de interesse jurídico, já que a fixação do
regime inicial fechado é mais vantajosa do que uma pena a ser cumprida
em regime integralmente fechado.

12.! (FGV – IX EXAME UNIFICADO DA OAB)


Joel foi condenado pela prática do crime de extorsão mediante sequestro.
A defesa interpôs recurso de Apelação, que foi recebido e processado,
sendo certo que o tribunal, de forma não unânime, manteve a
condenação imposta pelo juízo a quo. O advogado do réu verifica que o
acórdão viola, de forma direta, dispositivos constitucionais, razão pela
qual decide continuar recorrendo da decisão exarada pela Segunda
Instância.
De acordo com as informações acima, assinale a alternativa que indica o
recurso a ser interposto.
A) Recurso em Sentido Estrito.
B) Recurso Ordinário Constitucional.
C) Recurso Extraordinário.
D) Embargos Infringentes.

13.! (FGV – X EXAME UNIFICADO DA OAB)


José, após responder ao processo cautelarmente preso, foi condenado à
pena de oito anos e sete meses de prisão em regime inicialmente
fechado. Após alguns anos no sistema carcerário, seu advogado realizou
um pedido de livramento condicional, que foi deferido pelo magistrado
competente. O membro do parquet entendeu que tal benefício era
incabível no momento e deseja recorrer da decisão.
Sobre o caso apresentado, assinale a afirmativa que menciona o recurso
correto.
A) Agravo em Execução, no prazo de 10 (dez dias);
B) Recurso em Sentido Estrito, no prazo de 05 (cinco dias);
C) Agravo em Execução, no prazo de 05 (cinco dias);
D) Recurso em Sentido Estrito, no prazo de 10 (dez dias).
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14.! (FGV - 2013 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO - XII -


PRIMEIRA FASE)
A jurisprudência uníssona do Supremo Tribunal Federal admite a proibição
da reformatio in pejus indireta. Por este instituto entende-se que
a) o Tribunal não poderá agravar a pena do réu, se somente o réu houver
recorrido – não havendo, portanto, recurso por parte da acusação.
b) o juiz está proibido de prolatar sentença com condenação superior à
que foi dada no primeiro julgamento quando o Tribunal, ao julgar recurso
interposto apenas pela defesa, anula a sentença proferida pelo juízo a
quo.
c) o Tribunal não poderá tornar pior a situação do réu, quando não só o
réu houver recorrido.
d) o Tribunal está proibido de exarar acórdão com condenação superior à
que foi dada no julgamento a quo quando julga recurso da acusação.

15.! (FGV - 2013 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO - XI -


PRIMEIRA FASE)
Frida foi condenada pela prática de determinado crime. Como nenhuma
das partes interpôs recurso da sentença condenatória, tal decisão
transitou em julgado, definitivamente, dentro de pouco tempo. Pablo,
esposo de Frida, sempre soube da inocência de sua consorte, mas
somente após a condenação definitiva é que conseguiu reunir as provas
necessárias para inocentá-la. Ocorre que Frida não deseja vivenciar
novamente a angústia de estar perante o Judiciário, preferindo encarar
sua condenação injusta como um meio de tornar-se uma pessoa melhor.
Nesse sentido, tomando-se por base o caso apresentado e a medida
cabível à espécie, assinale a afirmativa correta.
a) Pablo pode ingressar com revisão criminal em favor de Frida, ainda que
sem a concordância desta.
b) Caso Frida tivesse sido absolvida com base em falta de provas, seria
possível ingressar com revisão criminal para pedir a mudança do
fundamento da absolvição.
c) Da decisão que julga a revisão criminal são cabíveis, por exemplo,
embargos de declaração, mas não cabe apelação.
d) Caso a sentença dada à Frida, no caso concreto, a tivesse condenado
mas, ao mesmo tempo, reconhecido a prescrição da pretensão
executória, seria incabível revisão criminal.

16.! (FGV - 2013 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO - XI -


PRIMEIRA FASE)
De acordo com a doutrina, recurso é todo meio voluntário de impugnação
apto a propiciar ao recorrente resultado mais vantajoso. Em alguns casos,
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fenômenos processuais impedem o caminho natural de um recurso.
Quando a parte se manifesta, esclarecendo que não deseja recorrer,
estamos diante do fenômeno processual conhecido como
a) preclusão.
b) desistência.
c) deserção.
d) renúncia.

17.! (FGV - 2012 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO - VIII -


PRIMEIRA FASE)
Adão ofereceu uma queixa-crime contra Eva por crime de dano
qualificado (art. 163, parágrafo único, IV). A queixa preenche todos
os requisitos legais e foi oferecida antes do fim do prazo
decadencial. Apesar disso, há a rejeição da inicial pelo juízo
competente, que refere, equivocadamente, que a inicial é
intempestiva, pois já teria transcorrido o prazo decadencial.
Nesse caso, assinale a afirmativa que indica o recurso cabível.
a) Recurso em sentido estrito.
b) Apelação.
c) Embargos infringentes.
d) Carta testemunhável.

18.! (FGV - 2012 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO - VI -


PRIMEIRA FASE)
Caio, Mévio e Tício estão sendo acusados pela prática do crime de roubo
majorado. No curso da instrução criminal, ficou comprovado que os três
acusados agiram em concurso para a prática do crime. Os três acabaram
condenados, e somente um deles recorreu da decisão. A decisão do
recurso interposto por Caio
a) aproveitará aos demais, sempre.
b) se fundado em motivos que não sejam de caráter exclusivamente
pessoal, aproveitará aos outros.
c) sempre aproveitará apenas ao recorrente.
d) aproveitará aos demais, desde que eles tenham expressamente
consentido nos autos com os termos do recurso interposto.

19.! (FGV - 2011 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO - V -


PRIMEIRA FASE)
Da sentença que absolver sumariamente o réu caberá(ão)
a) recurso em sentido estrito.
b) embargos.
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c) revisão criminal.
d) apelação.

5.! GABARITO

1.! ALTERNATIVA D
2.! ALTERNATIVA D
3.! ALTERNATIVA D
4.! ALTERNATIVA B
5.! ALTERNATIVA D
6.! ALTERNATIVA B
7.! ALTERNATIVA B
8.! ALTERNATIVA C
9.! ALTERNATIVA A
10.! ALTERNATIVA A
11.! ALTERNATIVA B
12.! ALTERNATIVA D
13.! ALTERNATIVA C
14.! ALTERNATIVA B
15.! ALTERNATIVA C
16.! ALTERNATIVA D
17.! ALTERNATIVA A
18.! ALTERNATIVA B
19.! ALTERNATIVA D
!

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