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MANUAL DE FORMAÇÃO

UNIDADE 6701

FUNCIONAMENTO DA ATIVIDADE
ECONÓMICA
Índice

Resultados da aprendizagem....................................................................................4

1.Poupança e investimento.......................................................................................5

1.1.Conceito de poupança.....................................................................................5

1.2.Destinos da poupança.....................................................................................5

1.2.1.Entesouramento.......................................................................................5

1.2.2.Depósitos.................................................................................................6

1.2.3.Investimento............................................................................................7

1.3.Importância do investimento na atividade económica........................................9

2.Financiamento da atividade económica.................................................................12

2.1.Tipos de financiamento.................................................................................12

2.1.1.Financiamento interno – autofinanciamento..............................................12

2.1.2.Capacidade de financiamento..................................................................12

2.1.3.Financiamento externo............................................................................13

2.1.3.1.Direto (mercado de títulos)..................................................................13

2.1.3.2.Indireto (crédito bancário)...................................................................15

2.2.Necessidade de financiamento.......................................................................20

3.Mercado de trabalho...........................................................................................24

3.1.Segmentação do mercado de trabalho............................................................24

3.2.Componentes do mercado de trabalho...........................................................25

3.3.Oferta..........................................................................................................26

3.3.1.Lei da oferta...........................................................................................26
3.4.Procura........................................................................................................28

3.4.1.Lei da procura........................................................................................28

3.5.Equilíbrio do mercado de trabalho..................................................................30

3.5.1.Salário de equilíbrio................................................................................30

3.6.Desequilíbrio do mercado de trabalho............................................................31

3.7.Desemprego.................................................................................................32

3.8.Intervenção no mercado de trabalho..............................................................34

3.8.1.Sindicatos e Estado.................................................................................34

3.8.2.Salário mínimo........................................................................................35

3.9.População.....................................................................................................36

3.9.1.Ativa e inativa.........................................................................................36

3.9.2.Taxa de atividade...................................................................................37

3.9.3.Empregada e desempregada...................................................................37

3.9.4.Taxa de desemprego...............................................................................38

3.10.Causas de desemprego................................................................................38

4.Inflação..............................................................................................................41

4.1.Conceito de inflação......................................................................................41

4.2.Formas de cálculo da inflação........................................................................42

4.2.1.Homóloga...............................................................................................42

4.2.2.Média.....................................................................................................43

4.3.Consequências da inflação.............................................................................44

4.3.1.Valor da moeda......................................................................................44

4.3.2.Poder de compra....................................................................................44

5.Crescimento económico.......................................................................................46

5.1.Crescimento económico – conceito.................................................................46

5.2.Produto Interno Bruto (PIB)...........................................................................47


5.2.1.Indicador do crescimento económico.......................................................47

5.3.Crescimento económico e desenvolvimento....................................................50

5.4.Ciclos do crescimento económico...................................................................53

5.4.1.Conceito.................................................................................................53

5.4.2.Fases.....................................................................................................54

5.4.2.1.Expansão.............................................................................................54

5.4.2.2.Prosperidade.......................................................................................55

5.4.2.3.Recessão.............................................................................................55

5.4.2.4.Depressão...........................................................................................56

Bibliografia............................................................................................................57

Sites Consultados...................................................................................................57
Resultados da aprendizagem

• Reconhecer os conceitos económicos para compreender os aspetos


relevantes do funcionamento da atividade económica, nomeadamente,
formas de financiamento, desemprego e inflação.
• Aplicar os conceitos de desemprego, inflação e crescimento económico.
• Utilizar instrumentos económicos para interpretar a realidade económica
portuguesa e da UE no que se refere à evolução, desemprego e inflação.
1.Poupança e investimento

1.1.Conceito de poupança

Poupança: parte do rendimento que, por não ser imediatamente afeta à


aquisição de bens de consumo, é guardada para utilização futura.

No decurso da atividade económica nem tudo aquilo que se produz é


consumido na sua totalidade. Com efeito, é precisamente esta parcela do
rendimento que não é consumida que constitui a poupança. A poupança dá
origem à formação de capital desde que seja utilizada em investimento, pois é
este que permite a manutenção do processo produtivo.

Se todo o produto nacional for aplicado em bens de consumo, se não fizermos


aquisições de bens de capital fixo, não haverá formação de capital e o próprio
capital fixo existente diminuirá de valor, por não ter sido, sequer, compensada
a depreciação (desgaste) do capital utilizado na produção.

Para haver investimento é necessário haver, em contrapartida, uma certa


parcela de rendimento nacional não aplicada em consumo, isto é, poupada.

1.2.Destinos da poupança

1.2.1.Entesouramento

Trata-se de guardar a moeda não utilizada em casa para fazer face a eventuais
futuras despesas.

Quando a poupança é entesourada significa que a poupança é guardada dentro


de um cofre em casa, mas assim a poupança não vai originar rendimentos. E
em períodos de inflação, o valor da poupança como não vai acompanhando a
desvalorização da moeda, quando for utlizada a satisfação das necessidades
corresponderá a um menor consumo.

É certo que algumas das referidas aplicações de entesouramento como seja em


ouro ou em obras de arte poderão proporcionar rendimentos associados à sua
valorização. Contudo, nestes casos, e quando a aplicação é efetuada com esse
objetivo, fará mais sentido designar tais aplicações como investimento e não
como entesouramento.
1.2.2.Depósitos

Consiste na colocação das poupanças em depósitos à ordem ou a prazo nas


instituições bancárias.

Os depósitos são aplicações financeiras simples, gerando juros de acordo com o


regime de juro seja ele simples ou seja juro composto.

Quando a poupança é depositada poderá oferecer ao fim de três, seis ou mais


meses um aumento no valor da poupança, correspondente ao valor do depósito
multiplicado pela taxa de juro do depósito.

Os principais tipos de depósitos são:

Depósitos à Vista ou à Ordem:


Podem ser movimentados em qualquer altura e sem custos, através de
cheques, ordens de pagamento e cartões de débito e de crédito. Em geral não
vencem juros.

Depósitos a Prazo:
Pressupõem a imobilização do capital pelo período acordado (prazo do
depósito) reembolsável apenas no final do período com os respetivos juros. A
mobilização antecipada do depósito acarreta, por norma, a perda dos juros
corridos.

1.2.3.Investimento

Consiste na aquisição de bens de produção ou capital que vão servir para gerar
um novo rendimento.

O investimento traduz o conjunto das despesas em bens de produção ou capital


efetuadas por uma empresa ou, em termos genéricos, pelo conjunto da
economia.

Quando a poupança é investida significa que se realizou um investimento para


a aquisição de bens de produção. Isto significa que o investimento é a
aplicação da poupança na aquisição de bens destinados ao processo produtivo,
o que vai assegurar a manutenção, a expansão e / ou a modernização do
processo produtivo, isto é sobrevivência da empresa do mercado.
Importa, agora, distinguir, dentro do investimento aquele que é efetuado em
bens duradouros (aqueles bens que podem ser utilizados mais de que uma vez)
do que é efetuado em bens não duradouros (aqueles bens apenas utilizáveis
uma única vez).

Assim, dentro do investimento teremos:


• Formação bruta de capital fixo (FBCF), constituída pelas compras feitas
em bens de produção duradouros, tais como edifícios, terrenos,
máquinas, viaturas, etc.
• Existências, constituída pelas compras efetuadas, durante um ano, de
bens de produção não duradouros, nomeadamente as compras de
matérias-primas.

Quando queremos referir-nos às despesas em existências relativas a um


determinado período, falamos, então, de variação de existências. O valor da
variação de existências obtém-se por diferença entre valor das existências no
final do ano e do início desse mesmo ano.

INVESTIMENTO = F B C F + VARIAÇÃO DE EXISTÊNCIAS

O investimento efetuado em bens materiais, tais como máquinas, edifícios, etc.,


corresponde ao investimento material.

Todavia, este não é o único tipo de investimento existente. Não menos


importante para a atividade económica,

Podemos considerar um outro tipo de investimento, o investimento imaterial,


ou seja, aquele que é efetuado em bens imateriais.

Assim, quando uma empresa compra um programa informático, quando lança


uma campanha publicitária ou quando, através de ações de formação, aposta
na melhoria da qualificação dos seus trabalhadores, essa empresa não está a
comprar bens materiais, mas nem por isso deixa de estar a investir.

Finalmente, podemos ainda considerar um outro tipo de investimento, o


investimento financeiro, aquele que resulta da venda de ações, ou outros
títulos, para as empresas poderem aumentar a sua capacidade de produção.
1.3.Importância do investimento na atividade económica

O investimento constitui o motor do desenvolvimento económico e depende em


grande da poupança realizada pelo país.

As fontes de acumulação de capital de que podem dispor as economias dos


diferentes países, podem ser internas ou externas, consoante são geradas,
respetivamente, dentro ou fora do país.

Nos países mais desenvolvidos os investimentos realizam-se,


fundamentalmente, à custa das fontes internas de acumulação. Com efeito, a
poupança privada (das famílias e das empresas) e a poupança pública (da
Administração Pública), dão origem, respetivamente, ao investimento privado e
ao investimento público, que constituem as fontes de acumulação de capital
mais importantes dessas economias.

Já nos países subdesenvolvidos o investimento realiza-se, fundamentalmente, à


custa das fontes externas de acumulação.

O investimento pode desempenhar várias funções:

Investimento de substituição:
É constituído pelas despesas efetuadas em bens de produção que têm como
objetivo substituir o material danificado ou já gasto (quando se compra uma
nova máquina para substituir uma outra já avariada).

Investimento de inovação:
Quando o investimento é aplicado na compra de novas tecnologias, por forma a
melhorar e modernizar o processo de produção.
Investimento em aumento da capacidade produtiva:
Quando as compras se destinam a aumentar a capacidade produtiva da
empresa (a compra de um edifício para nele instalar uma nova unidade de
produção, por forma a aumentar a produção).

Existem diversos tipos de investimento produtivo. O investimento produtivo tem


por objetivo imediato o aumento ou melhoria da produção.

Podemos, então, considerar o investimento destinado à substituição dos


equipamentos antigos, quando, por exemplo, se compram novas máquinas, o
investimento destinado ao aumento da capacidade produtiva, quando, por
exemplo, há o alargamento das instalações e o investimento destinado à
modernização da economia, para que esta possa usufruir do progresso técnico,
por exemplo, investimentos em investigação e desenvolvimento (I&D), gastos
em formação profissional, etc.

O investimento desempenha, portanto, um triplo papel: substitui equipamento


usado, aumenta a capacidade produtiva e integra o progresso tecnológico.
Estas funções estão quase sempre interligadas, pois o investimento de
substituição também o é, normalmente, de modernização.

Com efeito, quando se substitui um equipamento, substitui-se por outro mais


moderno e a modernização, por sua vez, permite, em regra, um aumento da
capacidade produtiva.

Para além do investimento produtivo fala-se, muitas vezes, no investimento


financeiro. Este consiste, geralmente, na aquisição de valores mobiliários (por
exemplo, ações e obrigações) com o objetivo de obter um rendimento.

Os meios financeiros de que necessitam as empresas para realizar o seu


investimento podem ser obtidos dentro da empresa, isto é, quando utiliza os
seus próprios recursos no investimento (auto financiamento) ou fora da
empresa, quando esta recorre a empréstimos (em especial das Instituições de
Crédito) ou recorre ao mercado financeiro.

Mas a decisão de investir na formação de capital por parte do agente


económico empresas é condicionada por diversos fatores como:
 A rentabilidade esperada (nas decisões de investimento as empresas
entram em linha de conta com a taxa de lucro que esperam obter),
 As previsões (quanto ao futuro da economia do país, quando se prevê
uma evolução positiva do mercado),
 A situação financeira da empresa (situação sólida),
 O custo relativo do capital e do trabalho (se o custo do fator trabalho
aumenta mais do que o custo do fator capital as empresas preferem
automatizar a produção, substituindo o trabalho pelo capital, desde que
tecnicamente possível).
2.Financiamento da atividade económica

2.1.Tipos de financiamento

2.1.1.Financiamento interno – autofinanciamento

Autofinanciamento: A empresa recorre às suas poupanças para realizar o


investimento, ou seja, a empresa tem capacidade de financiamento.

Vimos até aqui, que o investimento é o motor da atividade económica, porque é


o investimento que garante a continuidade e o desenvolvimento da atividade
produtiva.

Também concluímos que sem poupança não há investimento, vejamos então


como as empresas conseguem obter as poupanças indispensáveis para o tão
necessário investimento.

Em princípio as empresas obtêm lucros. Uma parte desses lucros destina-se a


remunerar os empresários. O lucro restante permanece nas empresas e
constitui a poupança das empresas, representando assim a sua capacidade de
financiamento. Nestas situações falamos de auto financiamento ou
financiamento interno.

2.1.2.Capacidade de financiamento

Mas, normalmente, essa poupança não é suficiente, nomeadamente quando as


empresas pretendem efetuar investimentos de inovação ou de aumento da sua
capacidade produtiva.

De facto, são poucas as empresas que possuem capacidade de financiamento


interno, ou seja, capacidade para, com o seu próprio capital (auto
financiamento), garantir a execução de projetos de investimento, de
modernização e reconversão da sua atividade económica.

Financiamento externo: Quando as poupanças da empresa não são suficientes


para o desejado investimento e as empresas recorrem a financiamentos
externos, ou seja, a empresa tem necessidade de financiamento.
2.1.3.Financiamento externo

2.1.3.1.Direto (mercado de títulos)

Tipo de financiamento que, por prescindir da utilização de intermediários, se


designa por financiamento externo direto, no qual se recorre ao mercado de
títulos primário.

Neste caso, as empresas captam diretamente as poupanças, através da


colocação de títulos no mercado (mercado de títulos).

Mercado de títulos: mercado onde são transacionados diversos títulos emitidos


por empresas públicas ou privadas e pelo próprio Estado.

Tipos de mercados de títulos:


 Mercado primário: são colocados para transação os novos títulos
mobiliários, isto é, aqueles que ainda não foram cotados em bolsa.
 Mercado secundário: também designado como bolsa de valores. Neste
mercado são transacionados os títulos que já passaram pelo mercado
primário, ou seja, aqueles que já estão a ser cotados em bolsa.

É no mercado financeiro que os agentes económicos procuram os recursos a


longo prazo para investimento, emitindo e colocando os títulos junto dos
aforradores. Neste mercado, as entidades públicas e privadas procuram captar
poupanças para obter os capitais de que necessitam para cobrir as suas
necessidades de financiamento.

Tipos de títulos mais vulgares:

Ações:
São títulos representativos de uma parte do capital de uma empresa
(obrigatoriamente sociedade anónima) e que conferem ao seu possuidor
(acionista) o direito de receber uma parte dos lucros distribuídos assim como o
direito de participar nas assembleias gerais da empresa. A cotação das ações
resulta da oferta e da procura das mesmas em cada momento.

Obrigações:
São títulos representativos de um empréstimo efetuado pelos aforradores, que
as compram aos organismos que as emitem, que tanto podem ser empresas
como o próprio Estado.
A principal diferença entre as ações e as obrigações é que os detentores de
ações são sócios da empresa e que, por isso, têm direito a receber lucros
enquanto os detentores de obrigações são simplesmente credores da mesma,
não tendo, portanto, participação nos seus lucros, recebendo apenas juros.

Quando os títulos com estas características são emitidos pelo Estado


denominam-se de Dívida Pública.

É na Bolsa que se trocam os valores mobiliários por dinheiro. Cada título (valor
mobiliário) tem um preço que na Bolsa se designa por cotação. Esta cotação
pode variar. Assim, quando iguala o valor nominal diz-se que os títulos estão ao
par. Quando desce a nível inferior ou superior ao valor nominal diz-se que
estão, respetivamente, abaixo do par e acima do par.

A Bolsa é o local onde os valores mobiliários (títulos atrás mencionados) são


transacionados. Nesta transação intervêm aqueles que desejam vender os
títulos e aqueles que os desejam adquirir.

A Bolsa de Valores é um mercado de títulos. Em Portugal existem duas Bolsas


de Valores mobiliários: a de Lisboa e a do Porto.

A Bolsa constitui um segmento do mercado financeiro.

2.1.3.2.Indireto (crédito bancário)

Financiamento externo indireto: A empresa recorre às instituições de crédito,


obtendo o financiamento resultante dos depósitos das famílias nessas
instituições.

Crédito: consiste numa troca de moeda por um ativo financeiro que representa
um compromisso de reembolso da dívida numa determinada data.

Por vezes, os bancos, para concederem empréstimo, exigem garantias


(hipotecas de edifícios, terrenos, etc.) e também fiadores (pessoas que se
responsabilizam pelo pagamento dos empréstimos em caso de incumprimento
por parte do devedor).

O mercado monetário é o ponto de encontro entre a procura e a oferta de


moeda. A oferta de moeda realiza-se, por exemplo, através da concessão de
crédito pelas instituições bancárias.
A remuneração (preço) desse crédito corresponde à taxa de juro. No entanto, a
livre formação do preço do dinheiro (taxa de juro), pelo confronto entre a
oferta e a procura de moeda, frequentemente não se verifica devido a
limitações diretas à concessão de crédito feitas pelas autoridades monetárias.
Com efeito, se a quantidade de moeda em circulação é excessiva, pode causar
tensões inflacionistas.

Por outro lado, se for insuficiente para financiar a expansão da Economia, terá
reflexos negativos, nomeadamente, na produção e no emprego. Assim, o
Estado, através da política monetária, pode controlar o preço e a quantidade de
moeda existente numa economia, isto é, pode controlar a taxa de juro.

Modalidades de crédito

Quanto à finalidade/destino

Crédito ao consumo: Aquele que se destina às famílias, normalmente para


poderem comprar bens de consumo duradouros onde os próprios bens servem
como garantia de pagamento.

Crédito à produção: aquele que é concedido às empresas:


 Crédito ao funcionamento: gestão corrente da empresa, que se destina a
suprir dificuldades de tesouraria (pagamento de salários, etc.)
 Crédito de financiamento: que se destina ao investimento na produção

Quanto à duração
 Curto prazo: pagamento inferior a 1 ano
 Médio prazo: prazos entre 1 e 5 anos
 Longo prazo: pagamento superior a 5 anos

Quanto ao tipo de beneficiário


 Crédito público: quando o beneficiário ou devedor é o próprio Estado
(leva à divida publica)
 Crédito privado ou particular: se o empréstimo é concedido a famílias ou
empresas (entidades) privadas.

Quanto à origem
 Interno: se é obtido dentro das organizações que operam no território
nacional
 Externo: se é proveniente de instituições sediadas no estrangeiro

Atividade bancária
A atividade bancária concretiza-se num conjunto de operações que se
relacionam, nomeadamente, com a:
 Criação de moeda;
 Concessão de crédito;
 Circulação de moeda;

Esta atividade subordina-se à política monetária do país, o qual por sua vez, faz
parte da política económica global. Assim, o facto de o Estado intervir, em regra
direta ou indiretamente, na atividade bancária. Em Portugal, esta intervenção é
realizada através do Banco Central (Banco de Portugal).

Banco Central
É a instituição que tem por missão tutelar a estrutura financeira do país. É o
banco que está no topo da hierarquia do sistema bancário, é o “Banco dos
Bancos”.

O Banco de Portugal, enquanto Banco Central, é o banco que tem poderes de


fiscalização sobre as outras instituições bancárias e parabancárias. O Banco de
Portugal é, assim, o banco que:
 Procede ao redesconto de títulos;
 É depositário das reservas de caixa das outras instituições bancárias;
 Preside à criação e funcionamento das câmaras de compensação de
títulos de crédito
 Centraliza e compila as estatísticas monetárias, financeiras e cambiais,
tornando-se especialmente apto para consultor do governo;

Tipos de bancos

Bancos comerciais:
Aqueles que concedem crédito e captam os depósitos criando moeda;

Bancos de investimento:
Vocacionados para a concessão de crédito de médio ou longo prazo,
principalmente para as empresas, mas também podendo dar apoio nas áreas
da gestão e administração de ativos financeiros;

Bancos de poupança:
Têm características semelhantes às dos bancos comerciais mas também com
funções características dos bancos de investimento, nomeadamente no que
respeita à concessão de crédito de médio e longo prazo, muitas vezes orientado
para áreas específicas da economia.

Outras instituições financeiras


Fazem parte das instituições financeiras não-monetárias.

Instituições financeiras: conjunto de organizações que servem como


intermediárias entre a oferta e a procura de fundos financeiros.

Sociedades de locação financeira (leasing)


Leasing: consiste na celebração de um contrato entre o locador (a empresa de
leasing) e um locatário (pessoa individual ou coletiva) a quem é cedido
temporariamente um determinado bem móvel ou imóvel, mediante o
pagamento de uma renda.

No final do prazo, o locatário tem a opção de compra de compra do bem em


troca do pagamento de um valor residual.

Sociedades de factoring
Sociedades de factoring: empresas que antecipam às empresas industriais e
comerciais créditos de curto prazo que estas possuam em troca de uma
comissão. Trata-se de um contrato entre o fator (sociedade de factoring) e os
aderentes (outras empresas).

Sociedades de capital de risco


Sociedades de capital de risco: Empresas que têm como objetivo a promoção
do investimento por parte de outras empresas, principalmente o investimento
de inovação tecnológica.

São projetos normalmente de vanguarda, cuja rentabilidade não é segura.

Os bancos são normalmente muito conservadores, isto é, preocupam-se muito


com a rentabilidade a curto prazo, as garantias dadas, etc. Por esta razão,
estes projetos estariam condenados, pois para terem sucesso não podem ser
muito penalizados logo de início e que são, por vezes, de grande importância
para a economia, proporcionando elevadas taxas de crescimento económico.

Nestas sociedades, não há empréstimo mas sim participação temporária no


capital da empresa que apresenta o projeto de investimento, assim, como não
há encargos com a dívida, o que é uma vantagem. Durante o tempo em que
decorre a participação no capital social da empresa, esta é apoiada a diversos
níveis, tanto na gestão financeira como na elaboração de estudos e projetos.
2.2.Necessidade de financiamento

O financiamento corresponde à capacidade que um agente económico possui


de gerar recursos para desenvolver a sua atividade económica (interno). Por
outro lado quando um agente económico não consegue gerar recursos próprios
para financiar a sua atividade económica e principalmente os seus
investimentos tem que recorrer a fundos e outros agentes económicos
(externo).

Como na atividade económica existem agentes económicos que realizam


poupanças superiores aos investimentos, também na atividade económica
existem agentes económicos que efetuam o inverso.

Existe capacidade de financiamento por parte de um agente económico quando


este efetua uma poupança superior do montante do investimento realizado. E
existe necessidades de financiamento sempre que os agentes económicos
realizam investimentos superiores dos valores das suas poupanças.

Os agentes económicos (estado, empresas) certas vezes, não conseguem


poupar para fazer face ao total dos seus investimentos, porque as suas
capacidades de poupança são menores do que as suas necessidades de
financiamento.

Investimento > Poupança (Necessidade de Investimento)


No entanto, as famílias, têm uma poupança líquida positiva, ou seja, possuem
excedentes de receitas que lhes permitem uma acumulação de poupanças

Poupança > Investimento (Capacidade de investimento)

O estado ao investir em infraestruturas, tais com hospitais ou escolas, está a


contribuir para o crescimento do produto do país. Por isso necessita de recursos
financeiros para concretizar os seus investimentos.

O financiamento do investimento numa economia aberta ao Exterior e com


Estado está dependente dos seguintes fatores:

Poupança Privada interna:


Esta é determinada pelas decisões das famílias sobre a afetação do seu
rendimento entre consumo e poupança

Poupança Pública (ou do Estado) interna:


Esta é determinada pelas decisões do Governo sobre despesas e receitas
públicas (ou seja é igual ao Saldo Orçamental)

Poupança do Exterior:
Esta é determinada pelo conjunto das transações de bens e serviços e
transferências de rendimento com o exterior (ou seja, é igual ao simétrico do
saldo da balança corrente).

O saldo da balança corrente é dado pela diferença entre a poupança nacional e


o investimento privado em bens e serviços. Ou seja, sempre que a poupança
nacional não for suficiente para financiar o investimento, recorre–se ao exterior
(a poupança externa) e o saldo da balança corrente fica deficitário.

Portanto, as duas forças que determinam o saldo da balança corrente são a


poupança interna (positivamente) e o investimento (negativamente).

É desta equação bastante simples que poderemos perceber quando é que um


défice da balança corrente é bom ou mau para a performance de uma
economia:
 Se o défice for causado por um aumento do investimento, e se este
investimento for aplicado em projetos rentáveis, não existe à partida
razão para considerar o défice como um indicador de más opções
económicas;
 Se o défice for causado por uma diminuição da poupança, neste caso o
mesmo deve ser considerado como um indicador de problemas
económicos no curto e longo prazos.

Em 2012, a economia portuguesa apresentou uma capacidade de


financiamento de 0,4% do PIB (necessidade de financiamento de 5,6% em
2011). Esta evolução deveu-se em larga medida à melhoria do Saldo Externo
de Bens e Serviços e do Saldo dos Rendimentos Primários.

A taxa de investimento das Sociedades Não Financeiras manteve em 2012 uma


tendência decrescente, fixando-se em 19,3%. Relativamente a 2011, a
necessidade de financiamento das Sociedades Não Financeiras diminuiu 2,2 p.p.
fixando-se em 3,0% do PIB em 2012.

A necessidade de financiamento das Administrações Públicas aumentou,


passando de 4,4% do PIB em 2011 para 6,4%, o que refletiu essencialmente a
forte redução do saldo das transferências de capital devido à transferência de
fundos de pensões de instituições bancárias para as AP ocorrida em 2011.

A poupança corrente registou em 2012 um valor menos negativo que em 2011,


determinado em grande medida pela redução das despesas com pessoal.
3.Mercado de trabalho

3.1.Segmentação do mercado de trabalho

Segundo a Teoria do Capital humano, o progresso é alavancado pelo


investimento em pessoas, representado pelo conjunto de competências que as
pessoas adquirem através da educação, formação e da própria experiência
profissional. A ideia central é de que investimento em educação é o grande
instrumento que dar oportunidade de mobilidade ocupacional, e
consequentemente, de aumento salarial.

Fundamentalmente, o mercado de trabalho é segmentado por ação das


empresas e pelas suas estratégias, existindo um dualismo de mercado, a saber:
• Um mercado mais propício à qualidade do emprego, estabilização e
formação dos seus trabalhadores, oferecendo boas condições de
trabalho e possibilidades de desenvolvimento de carreira, que
corresponde muitas vezes ao núcleo duro das empresas – mercado ou
sector primário.
• Um outro tipo de mercado, o mercado secundário onde as possibilidades
de qualidade do emprego são menores e onde as formas de inserção são
caracterizadas por uma maior mobilidade externa.

No mercado primário, a determinação dos salários não depende tanto da


produtividade dos trabalhadores como de certos “procedimentos habituais” das
firmas do sector que, em geral, servem dois propósitos: de um lado, os
trabalhadores estão protegidos contra a insegurança e, de outro, os
empregadores compram uma certa quantidade de proteção contra greves,
interrupções do processo produtivo, bem como uma espécie de lealdade dos
trabalhadores para com a empresa empregadora.

No mercado secundário, os salários relativamente baixos desestimulam a


adoção de técnicas poupadoras de mão-de-obra, há estagnação tecnológica,
baixa produtividade e mercados estagnados.

Portanto, a tendência dos salários no primário é de crescerem, enquanto no


secundário é de permaneceram estagnados.
3.2.Componentes do mercado de trabalho

O mercado de trabalho é a relação entre a oferta e a procura de trabalho.


Podemos dizer que a oferta de trabalho representa a procura de emprego, por
seu lado, a procura de trabalho constitui a oferta de emprego.

O mercado de trabalho existente num determinado país compõe-se pelo


conjunto de indivíduos economicamente ativos, empregados ou não, cujo valor
profissional está sujeito à lei da oferta e da procura, com base nas suas
qualificações (experiência profissional, habilitações literárias, conhecimentos
técnicos, características pessoais, etc.).
3.3.Oferta

3.3.1.Lei da oferta

Dado um nível de salário, a disponibilidade das pessoas para oferecer tempo de


trabalho no mercado de trabalho depende de vários fatores:
 Consumo/lazer desejados
 Riqueza, portfólio de ativos, endividamento
 Rendimento fora do emprego (reforma, subsídio de desemprego, …)
 Necessidades de trabalho doméstico (nº de filhos, parentes idosos, …)

Ao decidirem a sua oferta de trabalho, as pessoas ponderam utilizações


alternativas do tempo disponível, que podem ser vistas como custos de
oportunidade.

Pode dividir-se o uso do tempo pela população em idade ativa, do seguinte


modo:
a. Trabalho, que permite obter um rendimento, que por sua vez
possibilita o consumo presente e futuro (através da poupança);
b. Estudo e formação (investimento em capital humano), que permite
obter um rendimento superior no futuro;

Na versão mais simples do problema de decisão do agente representativo


relativo à oferta de trabalho, não se considera a possibilidade de investir em
capital humano nem a de poupar para consumo futuro.

Nestas circunstâncias, as pessoas decidem simplesmente entre trabalho (L) e


lazer (l), ficando o nível de consumo (C) determinado pelo tempo dedicado ao
trabalho e pelo salário real.

A decisão de oferta de trabalho do agente representativo resulta de um


compromisso (trade-off) entre trabalho e lazer para diferentes níveis de taxa de
compromisso (trade-off) entre trabalho e lazer para diferentes níveis de taxa de
salário real.

Em teoria, o impacto de um aumento da taxa salarial sobre a quantidade


oferecida de trabalho depende de qual dos efeitos predomina.

Contudo, é do conhecimento da realidade empírica que, em resultado de um


aumento da taxa salarial:
 O efeito de substituição (do bem que se torna mais caro pelo bem que
se torna mais barato) tende a predominar para níveis salariais baixos;
 Enquanto que o efeito rendimento (resultante do aumento do poder de
compra de taxa salarial horária) tende a predominar a partir de um certo
nível salarial (ou seja, nesta situação, um aumento da taxa salarial leva a
uma escolha de níveis superiores de consumo e de lazer.)

A figura ilustra a proposição teórica da forma da curva da oferta individual de


trabalho.

A oferta agregada de trabalho resulta da agregação dos comportamentos


individuais: é igual à soma das ofertas individuais de trabalho de todas as
pessoas na economia.

Pode prever-se que a oferta agregada de trabalho é significativamente mais


elástica do que a oferta individual de trabalho:
 Salários de reserva diferenciados entre as pessoas
 É uma função que resulta da adição das funções individuais.

Pode igualmente prever-se que a oferta agregada de trabalho é função positiva


do salário, para o segmento relevante da taxa salarial, na realidade de um dado
país.
 A diminuição da oferta de trabalho por parte de alguns indivíduos será
compensada pelo aumento das ofertas individuais de outros
 E pela entrada de novos elementos na força de trabalho, para níveis
mais elevados da taxa salarial.

3.4.Procura

3.4.1.Lei da procura

A função procura individual de trabalho traduz a quantidade de fator trabalho


que um empregador (uma empresa) está disposto a contratar para cada nível
salarial, com tudo o resto constante.

Cada empresa adquire unidades adicionais de fator trabalho enquanto o


benefício da sua utilização for superior ao seu custo.

A quantidade de trabalho que maximiza o lucro da empresa é tal que a


produtividade marginal do trabalho (benefício marginal) é igual ao salário real
(custo marginal).

A curva da procura individual de trabalho (LD ) coincide, portanto, com a curva


da produtividade marginal do trabalho. É, portanto, decrescente.
3.5.Equilíbrio do mercado de trabalho

3.5.1.Salário de equilíbrio

As vontades dos Empregadores encontram-se com as vontades dos


Trabalhadores no mercado de trabalho.

Quanto mais elevado for o salário, mais os Trabalhadores procuram empregos e


menos os Empregadores oferecem empregos.

O salário relevante em termos económicos é o salário real, W/P, dado pela


divisão entre o salário nominal, W, e o nível de preços, P.

Há um salário de equilíbrio de mercado em que a quantidade de empregos


procurada é igual à quantidade de empregos oferecidos.

A evidência empírica diz que no equilíbrio ainda existe "desemprego registado"


de 4%.
3.6.Desequilíbrio do mercado de trabalho

Por razões exógenas ao mercado (por exemplo, uma alteração dos preços), o
mercado de trabalho pode caminhar para uma situação de desequilíbrio:
 Desequilíbrio 1 - Se o salário real for maior que o valor de equilíbrio
haverá desemprego.
 Desequilíbrio 2 - Se o salário real for menor que o valor de equilíbrio
haverá "vagas" desocupadas.

O salário real vai evoluir no sentido de corrigir o desequilíbrio.

No caso do desequilíbrio 1, não havendo limitações legais, o salário real vai


diminuir o que faz cair o desemprego e aumentar o número de pessoas a
trabalhar. O mercado passa do ponto A para o ponto B (ver Fig.).

O desemprego vai ser reduzido por dois mecanismos: por um lado, aumenta a
oferta de empregos (são criadas mais vagas nas empresas) e, por outro lado,
diminui a procura de empregos (menos pessoas querem trabalhar).
Quando o mercado está no desequilíbrio 2, o nível de emprego também vem
diminuído mas não haverá desemprego. Pelo contrário, os Empregadores não
conseguirão encontrar trabalhadores em número suficiente para as vagas
abertas. Então, o salário vai aumentar, aumentando o nível de emprego e a
facilidade com que os empregadores encontram novos trabalhadores.

3.7.Desemprego

Pode definir-se o desemprego como o fenómeno que atinge o conjunto de


indivíduos, com idade mínima especificada, que no período em referência se
encontrava simultaneamente nas seguintes situações:
a) Não tinha trabalho remunerado nem qualquer outro;
b) Estava disponível para trabalhar num trabalho remunerado ou não;

O desemprego surge como fenómeno social e económico e é característico das


economias modernas, em consequência do desequilíbrio entre a procura e a
oferta de mão-de-obra.

Podemos distinguir diferentes de desemprego:

Desemprego tecnológico
Normalmente, são os trabalhadores mais idosos os mais atingidos com esta
situação, pois o seu emprego estável desaparece e a sua qualificação
profissional desatualiza-se e desvaloriza-se, tornando-se necessária a sua
reconversão e atualização profissional.
Desemprego repetitivo
É característico da população jovem com baixo nível de qualificação
profissional, constituindo um a categoria de trabalhadores cujo emprego é
precário. Daí que se torna repetitivo a situação de desemprego e a mudança de
emprego.

Desemprego de longa duração


É consequência do desequilíbrio do mercado de trabalho favorável aos
empregadores que são mais seletivos. A evolução tecnológica favorece os mais
novos e desfavorece os mais velhos.

Desemprego de exclusão
Surge nos anos 80, quando as exigências do mercado de trabalho são cada vez
maiores e os trabalhadores mais idosos e os que têm baixa qualificação são
excluídos. Esta situação leva ao aumento da pobreza.

3.8.Intervenção no mercado de trabalho

3.8.1.Sindicatos e Estado

Sindicatos
Os sindicatos podem fazer aumentar os salários e simultaneamente, melhorar
as condições de trabalho dos seus filiados.

Estado
Política de combate ao desemprego
Tem como objetivo baixar a taxa de desemprego através de um conjunto de
medidas no âmbito do mercado de trabalho

Essas medidas situam-se quer do lado da oferta quer do da procura de


trabalho.

Ações do lado da procura de trabalho:


 Abaixamento dos salários e dos encargos sociais suportados pela
entidade patronal, através de subsídios as empresas que empreguem
mão-de-obra e
 Flexibilização do mercado de trabalho (facilidade de despedimentos,
trabalho a tempo parcial e temporário, p.e.)

Ações do lado da oferta do trabalho:


 Diminuição da idade da reforma, para antecipar a retirada dos velhos do
mercado de trabalho,
 Alongamento da formação dos jovens, para retardar a sua entrada no
mercado. Assim diminui-se os trabalhadores em atividade
 Desenvolvimento da educação, qualificação profissional e formação
permanente ao longo da vida ativa para o trabalho se manter atualizado
no mercado competitivo.

3.8.2.Salário mínimo

O Salário Mínimo é o mais baixo valor de salário que os empregadores podem


legalmente pagar aos seus funcionários pelo tempo e esforço gastos na
produção de bens e serviços.
O salário mínimo é um direito social do trabalhador e deve ser capaz de atender
às suas necessidades vitais básicas dele e da sua família no que diz respeito a
habitação, alimentação, educação, saúde, vestuário, higiene, transporte, lazer,
etc.

Nestas condições, o empregador tem poder de pagar salários abaixo da


produtividade marginal dos trabalhadores. Assim, o governo pode decretar o
aumento do salário pago, através de um aumento do salário mínimo, sem
retirar ao empregador o incentivo para manter o nível de emprego.

Isto acontece sempre que o novo salário mínimo não seja fixado acima da
produtividade marginal desse emprego. Adicionalmente, o salário mais elevado
atrai para a oferta de trabalho indivíduos que de outra forma permaneceriam
inativos, contribuindo para o aumento do emprego.

No entanto, nos casos em que o aumento do salário mínimo absorve a margem


de lucro das empresas, o seu impacto sobre o emprego pode ser perverso.
3.9.População

3.9.1.Ativa e inativa

No conjunto da economia o fator de produção trabalho é constituído pela


população em idade de trabalhar e que deseja trabalhar, isto é, pela população
ativa. A população ativa é constituída por pessoas que exercem uma atividade
remunerada (empregados), desempregados e indivíduos a cumprir o serviço
militar.

Por outro lado, constituem população inativa as crianças, os reformados e


pensionistas, os que, embora exercendo alguma atividade, não auferem
remuneração. É o caso dos estudantes e das donas de casa. A população ativa
é integrada em sectores de atividade: sector primário, secundário e terciário.

A estrutura da população ativa pode ser analisada através da sua distribuição


pelos sectores de atividade, mas também pela sua composição por sexo ou
nacionalidade dos trabalhadores (imigrantes ou nacionais). A população ativa
não é unicamente determinada por fatores demográficos ou culturais, ela varia
também em função de fatores económicos e progresso económico-social.

3.9.2.Taxa de atividade

A percentagem da população ativa relativamente à população total do país


designa-se por taxa de atividade. A taxa de atividade depende basicamente da
estrutura etária da população total.

No entanto, existem também fatores de ordem económica e cultural que podem


influenciar a taxa de atividade, por exemplo, a entrada das mulheres no
mercado de trabalho é muitas vezes condicionada por fatores de ordem
cultural.

População Ativa
Taxa de atividade = __________________ x 100
População Total
3.9.3.Empregada e desempregada

População empregada:
Parte da população ativa que, tendo capacidade para o exercício de uma
profissão, está a exercê-la.

População desempregada:
Parte da população ativa que embora tenha capacidade para o exercício de
uma profissão remunerada, temporariamente ou por razões alheias à sua
vontade, não está a exercê-la.

3.9.4.Taxa de desemprego

Para quantificar este fenómeno teremos que calcular a taxa de desemprego.

Total da pop. Desempregada


Taxa de desemprego = ________________________ x 100
Total da pop. Ativa

Apenas se contabilizam como desempregadas as pessoas que procuram


ativamente emprego.

A taxa de desemprego natural designa o nível de desemprego ao qual a taxa de


inflação não tem tendência para aumentar nem para diminuir.

3.10.Causas de desemprego

A situação de desemprego é provocada por várias causas.

 Causas estruturais: o desemprego aparece em resultado de alterações


estruturais da economia e que afeta durante muito tempo os
trabalhadores.
 Causas conjunturais: o desemprego surge em consequência de variações
mais ou menos longas, mas passageiras, das condições do mercado e
que afetam a curto prazo os trabalhadores.
O aumento do desemprego foi acompanhado pelo agravamento das
disparidades entre as regiões, afetando profundamente as regiões menos
favorecidas.

As diferenças inter-regionais relativamente às oportunidades de emprego dizem


respeito sobretudo às mulheres e aos jovens. As taxas de emprego feminino
ascendem a mais de 60% nas regiões que registam o menor nível global de
desemprego, mas correspondem a menos de metade desta percentagem nas
regiões com os mais elevados níveis de desemprego.

O desemprego resulta da falta de correspondência entre a procura e a oferta de


trabalho (agravada, em alguns casos, pela forma de fixação dos salários).
Especificando: acentuadas variações regionais na procura de trabalho implicam
que, enquanto em algumas regiões a procura corresponde à oferta e se
mantém a par e passo com as mudanças que nela se verificam, em outras
regiões isto não acontece.

Entre os desempregados, todavia, existe um conjunto de pessoas que, por


terem competências inadequadas, já não são procuradas e que, por
consequência, se vêem confrontadas com os fenómenos da marginalização e da
exclusão do mercado de trabalho.

O conjunto destas pessoas constitui o chamado desemprego estrutural.

Em qualquer região, a procura de mão-de-obra depende da solidez da base


económica e do tipo de empregos gerados pelo crescimento. O emprego
representa uma forma simples de medir a procura de mão-de-obra. Apesar da
subida dos níveis de emprego, o aumento não tem sido suficiente para se
manter a par do crescimento da população em idade ativa e da proporção cada
vez maior de pessoas que querem trabalhar.

O aumento da oferta de mão-de-obra, todavia, não é responsável pelos


elevados níveis de desemprego, pelo menos de forma expressiva. Na realidade,
a relação de causalidade pode funcionar no sentido oposto: as elevadas taxas
de desemprego podem desincentivar a participação das mulheres e dos jovens
no mercado de trabalho e, consequentemente, reduzir o nível da oferta.

A situação de crise económica que Portugal tem vivido nos últimos anos deixou
marcas no campo do emprego, o que significa, também, marcas profundas na
situação social de muitas pessoas.
Uma situação difícil, complexa, para a qual é necessário encontrar uma
estratégia e respostas que representem uma rutura urgente e clara com o
passado recente das políticas económicas e de emprego.
4.Inflação

4.1.Conceito de inflação

O fenómeno da inflação é duma maneira geral conhecido por todos. A subida


dos preços dos bens e serviços reflete-se no quotidiano de todos nós. Mas, a
inflação não se pode confundir com uma subida acidental dos preços dos bens
e serviços como a verificada nos preços dos bens agrícolas fora da época
própria para a sua produção. ´

Também o aumento da procura de certos bens em determinados períodos do


ano pode originar uma subida acidental dos preços. É o que acontece, por
exemplo, na época do Natal.

Causas da inflação:

Excesso de moeda em circulação


Quando a quantidade de moeda em circulação aumenta sem o correspondente
aumento da produção de B&S, os preços têm tendência a subir em virtude do
aumento da procura;

Expectativas dos agentes económicos


A criação de um clima inflacionista contribui, frequentemente, para o
agravamento do próprio processo inflacionário, porque leva os agentes
económicos a tentarem antecipar os aumentos dos preços, antecipando
consumos (no caso dos consumidores) ou açambarcando produtos, à espera
que o seu preço aumente (no caso dos produtores ou consumidores).

4.2.Formas de cálculo da inflação

4.2.1.Homóloga

O IPC:
Índice de preços do consumidor: é o instrumento utilizado para medir a
variação média do poder de compra dos consumidores.
Z = no ano x são necessários €Z para comprar os mesmos B&S que se
compravam no ano base por €100.

Taxa de inflação:
Variação percentual dos preços verificada entre dois momentos do tempo.

Inflação homóloga: mede a variação dos preços entre o mesmo mês de dois
anos consecutivos (é calculada com base em apenas duas observações
estatísticas.

Ou

Z% - Os preços subiram, em média, entre o ano x e o ano y, Z%.

4.2.2.Média

 Inflação média anual: mede a variação dos preços ao longo dos 12


meses de um ano (é calculada com base em várias observações
estatísticas e, por isso, é mais estável).
 Inflação mensal: mede a variação dos preços entre dois meses
consecutivos.

4.3.Consequências da inflação

4.3.1.Valor da moeda

Uma das mais importantes consequências relaciona-se com o valor da moeda.


Se os preços sobem, isso significa que um consumidor, com o mesmo número
de unidades monetárias, vai passar a poder comprar menos B&S, porque o seu
preço subiu. Logo, a moeda perdeu valor. Diz-se, então, que a inflação leva à
desvalorização ou depreciação da moeda (é necessária mais moeda para
comprara os mesmos B&S).

Depreciação da moeda: redução do valor dessa mesma moeda.

4.3.2.Poder de compra

Outra consequência intimamente relacionada com esta diz respeito ao poder de


compra da generalidade da população, ou seja, à capacidade aquisitiva das
famílias.

Essa deterioração do poder de compra não é, contudo, uniformemente sentida.


Ela é mais gravosa para as pessoas com rendimentos fixos e para aqueles que
têm rendimentos mais baixos pelo facto dos seus rendimentos não
acompanharem os preços. Em processos inflacionistas, a subida dos salários
dificilmente acompanha a subida dos preços.
Poder de compra: capacidade financeira das famílias que se traduz na
quantidade de B&S que elas podem adquirir com os seus rendimentos.
5.Crescimento económico

5.1.Crescimento económico – conceito

O crescimento económico é um fenómeno de natureza quantitativa que define


a evolução da atividade económica.

Ligada ao conceito de crescimento está a quantidade de bens e serviços


produzidos numa determinada sociedade e posta à disposição das pessoas.
Inclui o progresso técnico, implica aumento de investimento e consumo assim
como o desenvolvimento do comércio.

É um Conceito medido essencialmente pelos acréscimos de produção ou seja,


Ciclo produção/consumo – relações feitas entre o capital (K) e o trabalho (L)

Quando a relação entre K e L se alteram, podendo proporcionar:


• Aumento da produção,
• Aumento da eficiência, e assim o crescimento pode ser medido através
da produtividade.

As principais características associadas ao crescimento económico moderno dos


países desenvolvidos são as seguintes:
 Aumento da produção e da produtividade
 Alteração da estrutura da atividade económica
 Terciarização da economia

5.2.Produto Interno Bruto (PIB)

5.2.1.Indicador do crescimento económico

Os indicadores económicos são grandezas de carácter económico expressos em


valor numérico onde algumas das principais utilidades são por exemplo:
• Aferição dos níveis de desenvolvimento de países, regiões, empresas
podendo naturalmente fazer-se a comparação entre estas.
• Compreender, informar e prever o comportamento de uma economia.
• Ajuizar a política económica do governo.
O valor da produção de um determinado território económico – geralmente um
país – durante determinado período de tempo – geralmente um ano - diz-se o
respetivo produto interno. Se não for descontado o valor referente a
amortizações constitui o produto interno bruto (PIB).

Esse valor refere-se à produção efetuada no país, independentemente de ser


realizada por empresas nacionais ou estrangeiras. Se o critério de
contabilização fosse a nacionalidade, tratar-se-ia de um outro conceito, o de
Produto Nacional Bruto (PNB).

O PIB é um dos agregados macroeconómicos, ou seja, é uma grandeza que


representa o conjunto das operações efetuadas, durante o ano, pelos vários
agentes dessa economia.

Como se calcula o PIB?

Somar o valor da produção de todas as empresas do território levaria a um PIB


sobreavaliado (demasiado alto), porque como a produção de umas empresas
entra como input no processo produtivo de outras, os designados consumos
intermédios estariam a ser contabilizados várias vezes.

Nisto consiste o problema da múltipla contagem, que poderá ser evitado


adotando um de dois métodos:
 Método dos produtos finais
 Método dos valores acrescentados

No Método dos produtos finais o PIB é igual à soma da produção vendida aos
consumidores finais. Note que cada bem só poderá ser vendido para consumo
final uma vez!

Pelo Método dos valores acrescentados calcula-se o valor acrescentado de cada


unidade produtiva subtraindo os Consumos Intermédios ao Valor das Vendas,
isto é:

Valor Acrescentado = Valor das Vendas – Consumos Intermédios

O valor do PIB será então igual ao somatório dos VA’s da economia. Nota que a
de dedução dos consumos intermédios também resolve o problema da múltipla
contagem, porque a produção só é contabilizada na fase do ciclo produtivo que
a originou.

A medida do crescimento económico pode ser feita através da evolução do PIB.


Podemos assim dizer que há crescimento económico quando a produção
aumenta, isto é, aumenta o PIB e quando o aumento da produção não é
meramente ocasional.
Se quisermos exprimir por uma única grandeza os diferentes elementos que se
combinam no crescimento de uma economia, o PNB é o melhor indicador.

O crescimento, em período longo, do produto real médio por habitante significa


que o crescimento de recursos disponíveis é mais que proporcional ao aumento
da população. De qualquer forma este indicador, produto médio por habitante
não nos esclarece nem sobre o conteúdo nem sobre a repartição do produto
global.

A repartição e a composição do produto global podem ser mais ou menos


favoráveis ao bem-estar humano, despesas militares em período de guerra
produtos de luxo, desperdício entre outros podem aumentar o PNB sem elevar
o bem-estar geral.

São utilizados muitas vezes outros indicadores para analisar o progresso


económico ligado ao crescimento, em particular, o rendimento real por
habitante razão entre o rendimento nacional a preços constantes e a população
total, consumo por habitante relação entre o consumo privado e a população
total, para o conjunto de bens e serviços consumidos.

A evolução destes indicadores mostra-nos que o crescimento dos recursos


disponíveis e dos rendimentos é acompanhado de um crescimento rápido a
nível médio do consumo privado por habitante e de uma transformação da
estrutura do consumo.

5.3.Crescimento económico e desenvolvimento

O crescimento e o desenvolvimento são fenómenos dinâmicos que traduzem


realidades diferentes. O desenvolvimento humano é um fim e o crescimento
económico é um meio. O desenvolvimento é o crescimento mais a mudança, ou
seja, a mudança na qualidade de vida da pessoa, a nível social e cultural.

O desenvolvimento compreende a ideia de crescimento, mas é mais do que o


simples aumento da produção de um país. O desenvolvimento é um processo
essencialmente humano e o crescimento é essencialmente económico.

Questões de carácter eminentemente social como o emprego e a distribuição


do rendimento, serviços sociais básicos e a saúde e educação estão no centro
da problemática do desenvolvimento. O conceito de desenvolvimento
compreende assim a ideia de crescimento, superando-o.
O desenvolvimento implica crescimento mas o crescimento não implica
desenvolvimento, ou seja, um país poderá ter um PNB elevado e apresentar
lacunas a nível social, ora, não é desenvolvido. A qualidade de vida da
população pode ser baixa mesmo no meio da abundância.

Um crescimento desmedido, sem uma política de desenvolvimento capaz que o


suporte, leva a situações que negam o próprio crescimento; a poluição, o
desperdício das riquezas naturais, as situações de conflitos mundiais, a
insustentável acumulação de bens, as desigualdades sociais, são exemplos de
gritos de alarme dados pelos teóricos do desenvolvimento.

Como conclusão, pode ser referido que o crescimento é essencialmente


quantitativo e o desenvolvimento é sobretudo qualitativo.

A estrutura da atividade económica de um país está sempre ligada à


composição com que os sectores económicos (primário, secundário e terciário)
se apresentam nesse país.

Nesses sectores económicos agem várias instituições (empresas) que produzem


bens ou prestam serviços e que consoante a conjuntura económica do
momento, vão alterando a sua composição, onde uns vêem mais reforçada a
sua posição enquanto outros a vêem diminuída.

Tem-se verificado uma relação entre o nível de desenvolvimento de um país e a


distribuição da sua população ativa pelos três sectores. Assim, quanto maior é a
população ativa a trabalhar no sector primário, mais atrasado é
economicamente esse país, pois que à medida que o nível de desenvolvimento
cresce, a sua população vai sendo transferida para os sectores secundário e
terciário.

Curiosamente em Portugal, essa tem sido a tendência verificada há já várias


décadas.

Ora como as empresas desempenham um papel socioeconómico significativo,


sendo fundamentais na criação de emprego e riqueza, a estrutura empresarial
de um país ou região, reflete a composição do tecido produtivo e permite aferir
o grau de diversificação ou especialização económica.

A capacidade de adaptação e de inovação constante das empresas, através da


incorporação de saber e de novas tecnologias, o que pressupõe também a
adoção de práticas ambientalmente sustentáveis, são aspetos chave para
garantir a sua competitividade num mercado aberto.
Sem crescimento económico, ou seja, sem riqueza e capital, não há recursos
para investir no desenvolvimento da população ao nível da saúde, habitação,
educação, justiça, garantia e respeito pelos direitos humanos e liberdades
fundamentais dos cidadãos, ou seja, para investir no bem estar e qualidade de
vida dos cidadãos.

Assim, devemos considerar o desenvolvimento humano um fim e o


crescimento económico um meio para o atingir. O crescimento quantitativo das
riquezas, a generalização dos bens e serviços e o aumento da produtividade
deverão ser acompanhados pela melhoria do nível de vida, ou seja, melhor
distribuição dos rendimentos, pelo bem-estar e qualidade de vida das
populações.

5.4.Ciclos do crescimento económico

5.4.1.Conceito

Os ciclos de crescimento económicos são identificados pelas flutuações que se


dão em termos globais quer do produto, do rendimento e do emprego, cuja
duração média habitual situa-se entre 2 a 10 anos, podendo ser caracterizada
através da expansão ou contração generalizada que tem lugar na maioria dos
sectores da atividade económica.

Os ciclos económicos nunca são exatamente iguais, embora muitas vezes


apresentem padrões comuns. Apresentam frequentemente os chamados “picos
altos” e os “picos baixos” que são identificados como sendo pontos de viragem
dos ciclos.
Os ciclos económicos são:
(1) Generalizados – afetam a economia no seu conjunto, e não apenas
um ou outro sector;
(2) Recorrentes, mas não periódicos – repetem-se ao longo do tempo,
mas são relativamente imprevisíveis e de duração muito variável;
(3) Indesejados – pela incerteza que criam, e pela perda de bem-estar
associada às fases de recessão.

Estando a economia num nível de atividade normal, o produto real e a taxa de


desemprego tendem a coincidir com o produto natural e a taxa de desemprego
natural. A inflação tende a manter-se constante.

Em fases de maior atividade, o volume de produção é elevado (produto


superior ao natural), a utilização dos recursos é elevada (desemprego inferior
ao natural) e a inflação tende a aumentar.

Nas fases de menor atividade, o volume de produção é baixo (produto inferior


ao natural), tal como a utilização dos recursos (desemprego superior ao
natural), e a inflação tende a diminuir.

5.4.2.Fases
5.4.2.1.Expansão

Expansão: ocorre quando a economia regista taxas de crescimento do produto


elevadas e acima do previsto. Consideram ainda que um período prolongado de
crescimento do produto com taxas elevadas é um Boom.

Características da expansão:
 Consumo aumenta: os consumidores confiantes no desempenho da sua
economia e esperando um aumento dos salários, aumentaram as suas
despesas de consumo.
 Produção aumenta: devido ao clima de confiança sentido e respondendo
às solicitações dos consumidores, as empresas aumentaram a sua
produção.
 Investimento aumenta: dadas as expectativas de expansão, o risco do
investimento diminui, e este aumenta imediatamente.

5.4.2.2.Prosperidade

Na fase de expansão, quando o produto atinge o valor mais elevado, o Pico,


diz-se que a economia está em situação de prosperidade económica.

5.4.2.3.Recessão

Recessão: ocorre quando se registam taxas mais baixas de crescimento da


economia, em pelo menos 2 trimestres consecutivos.

Características da Recessão
 Consumo e produção: as compras dos consumidores reduzem-se
acentuadamente, enquanto que as existências em armazém aumentam.
As empresas cortam na produção e o PIB real diminui. Pouco depois o
investimento diminui também.
 Emprego: a procura de trabalhadores diminui. Há uma redução de
horários, seguida de dispensas temporárias e de maior desemprego.
 Inflação: com a redução do consumo a inflação abranda. É pouco
provável a redução de salários e do preço dos serviços mas o seu
crescimento abranda nos períodos de retração económica.
 Lucros: os lucros das empresas diminuem. Numa antecipação as
cotações das ações entram em queda.

5.4.2.4.Depressão

Uma economia está em depressão quando atinge o menor crescimento do


produto numa fase de recessão (prolongamento de um período de crise).

Consiste num longo período caracterizado por numerosas falências de


empresas, crescimento anormal do desemprego elevado, escassez de crédito,
baixos níveis de produção e investimento, redução das transações comerciais,
alta volatilidade do câmbio, com deflação ou hiperinflação e crise de confiança
generalizada.

Uma regra usual para se definir a depressão é a redução drástica (cerca de


10%) do PIB) ou uma prolongada recessão (três ou quatro anos).

A depressão vem para eliminar os produtores não-inovadores (ineficientes, na


visão de Schumpeter) e, ao mesmo tempo, reduzir a produção com deflação
dos preços. Quando a falência dos não-inovadores acaba, começa a
recuperação, visando atingir um equilíbrio com nova estrutura produtiva.

Dessa forma, encerra-se o ciclo, sendo o período de depressão essencial para a


eliminação dos ineficientes e consolidação do novo padrão de produção.
Bibliografia

Gomes, Rita; Silva, Fernando, Economia, Manual nível 3 - Ensino profissional,


Porto Editora, 2010

Henriques, Lucinda Sobral; Leandro, Manuela, Economia A, Manual 10º-11º


anos, Porto Editora, 2008

Neves, João César, O meu livro de economia, Texto Editores, 2009

Sites Consultados

Universidade Aberta
Apontamentos “Introdução à Economia”
http://sebentaua.blogspot.pt/