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G u stavo B regalda N eves

K heyder Loyola

DIREITO
PREVIDENCIÁRIO
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neunsos V
COMENTADAS

...EDITORA
l& R ID E E L D
SOBRE OS AUTORES
GUSTAVO BREG ALDA N EVES

• Doutor em Direito do Estado.


• Mestre em Direito Público.
• Professor de Cursos
Preparatórios para Carreiras
Jurídicas e OAB.
• Aprovado em mais de 30
Concursos Públicos.
• Ex-Juiz Estadual em Sào Paulo.
• Ex-Procurador Federal.
• Ex-Advogado do BNDES.
• Juiz Federal em São Paulo.

K H E Y D E R LO YO LA
• Mestre em Direito pela
FADUSP.
• Pós-graduado pela UFMG.
• Professor de cursos
preparatórios para carreiras
jurídicas, OAB e graduação.
• Advogado.
DIREITO
PREVIDENCIÁRIO
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Q uem tem Rideel tem mais.
EXPEDIENTE

P r e s id e n t e e e d it o r Ita lo A m ad io
D ir e t o r a e d it o r ia l K a tia F. A m ad io
E d it o r a a s s is t e n t e A n a P aula A lexandre
E q u ip e t é c n ic a B ia n c a C onforti
F lavia G . F alcão d e O liveira
M a rc e lla P â m e la d a C o s ta Silva
P r o je t o G r á f ic o S e rg io A. Pereira
D ia g r a m a ç à o P ro jeto e Im agem
P rodução G r á f ic a H e lio R am os
Im p r e s s ã o R R D onnelley

D ados In tern acionais de C a talo g a ção na P u b licação (CIP)


(C âm ara B rasileira d o Livro, SP, Brasil)

Neves. Gustavo Bregalda


Direito previdenciário para concursos / Gustavo Bregalda Neves e
Kheyder Loyola. - 1. ed. - São Paulo : Rideel, 2012.

Bibliografia.
ISBN 978-85*339-2051-4

1. Direito previdenciário 2. Direito previdenciário - Concursos -


Brasil I. Loyola, Kheyder. II. Título.

11 -14379 CDU-34:368(81 )(079.1)

ín d ic e s para c a tá lo g o s is te m á tic o :
1. B rasil: Concursos públicos : Direito previdenciário 34:368(81 )(079.1)
2. B rasil: Direito previdenciário : Concursos públicos 34:368(81 )(079.1)

Edição Atualizada até 16-12-2011

© Copyright - Todos os direitos reservados à

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to ta l o u p a rc ia l, se m p ré v ia p e rm is s ã o p o r e s c rito d o ed ito r.

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Dedicamos esta obra a todos os alunos, bacharéis e
concursandos que nos fa ze m continuar nesta trajetória,
sempre na busca constante do aperfeiçoamento.

Desejamos fo rça , persistência e m uitos estudos.

Os A u to re s
Sumário

C a p ítu lo 1 - S íntese H is tó r ic a ............................................................................................. 1

C a p ítu lo 2 -S e g u rid a d e S o c ia l.......................................................................................... 7


2.1 Introdução..................................................................................................................... 9
2.1.1 Saúde.................................................................................................................. 10
2.1.2 Previdência Social.............................................................................................11
2.1.3 Assistência Social.............................................................................................12
2.1.4 Principais diferenças entre os institutos integrantes da
Seguridade Social................................................. .......................................... 13
2.1.5 Organização da Seguridade Social..................................................................14
2.2 Princípios da Seguridade S o cia l.........................................................................16
2.2.1 Princípios constitucionais gerais....................................................................... 17
2.2.2 Princípios constitucionais próprios da Seguridade Social.............................. 17
2.2.3 Princípios constitucionais específicos.............................................................. 23
2.3 Financiamento para a Seguridade S o c ia l........................................................24
2.3.1 Forma indireta.....................................................................................................25
2.3.2 Forma direta........................................................................................................25
2.3.3 Natureza jurídica.................................................................................................26
2.3.4 Contribuições para a Seguridade Social..........................................................33
2.3.5 Competência para instituir novas contribuições............................................. 35
2.3.6 Competência ex officio da Justiça do Trabalho para cobrança de
contribuições previdenciárias.......................................................................... 36
2.3.7 Regime jurídico das contribuições sociais..................................................... 36
2.4 Prescrição e de cad ência..................................................................................... 37
2.4.1 Decadência....................................................................................................... 37
2.4.2 Prescrição............................................................. ..........,...........,.... .............38
2.5 Remissão e anistia..................................................................................................39

C a p ítu lo 3 - L e g isla çã o P re v id e n c iá ria ....................................................................... 41


3.1 Fontes do Direito P revidenciário.........................................................................43
3.2 Aplicação das normas p re vid e n ciá ria s............................................................ 45
3.2.1 Vigência.......................................................................... .................................. 45
3.2.2 Interpretação e hermenêutica......................................................................... 46
3.2.3 Questão da analogia............................................................. ....... ...................47

C a p ítu lo 4 - Da P re v id ê n c ia S o c ia l............................................................................... 49
4.1 Regimes previdenciários...................................................................................... 51
4.1.1 Regime Geral de Previdência Social - R6PS................................................. 51
Direito Previdenciário para Concursos

4.1.2 Regime Próprio dos Servidores Públicos - RPPS.............................................51


4.1.3 Regime de Previdência Complementar...........................................................52
4.1.4 Regime próprio dos M ilitares........................................................................... 52
4.2 Beneficiários do Regime Geral de Previdência Social - RGPS......................53

4.3 Segurados obrigatórios..........................................................................................54


4.3.1 Empregado(art. 11,1, a. da Lei nQ8.213/1991 earts. 22e3í daCLT)......... 54
4.3.2 Empregado doméstico (art. 11, II, da Lei n2 8.213/1991)..............................56
4.3.3 Contribuinte individual (art. 11. V, da Lei nc 8.213/1991).............................. 56
4.3.4 Trabalhador avulso (art. 11. VI. da Lei n* 8.213/1991)................................... 57
4.3.5 Segurado especial............................................................... .............................57
4.4 Segurado fa cu lta tivo ...............................................................................................59

4.5 Servidor público vinculado ao RPPS...................................................................60


4.6 D ependentes................................................................................... .........................60
4.6.1 Dependentes de 1a classe................................................................................. 60
4.6.2 Dependentes de 2a classe................................................................................. 62
4.6.3 Dependentes de 3a classe................................................................ *........... 62
4.7 Aquisição, m anutenção e perda da qualidade de se g u ra d o ........................63
4.7.1 Aquisição da qualidade de segurado........................... ................................... 64
4.7.2 Manutenção e perda da qualidade de segurado.............................................65
4.8 Perda da condição de dependente .................................................................... 67

4.9 C a rência.....................................................................................................................68
4.9.1 Aposentadoria por invalideze auxílio-doença................................................. 68
4.9.2 Aposentadoria por idade, por tempo de contribuição e especial...................69
4.9.3 Salário-maternidade..........................................................................................69
4.9.4 Aposentadoria por idade do empregado rural (art. 3a da Lei
nM 1.718/2008)..................................................................................................70
4.9.5 Benefícios que independem de carência (art. 26 da Lei n2 8.213/1991)...... 70
4.9.6 Início do cômputo da carência........................................................................... 71

C a p ítu lo 5 - F in a n cia m e n to da P re v id ê n c ia S o c ia l ................................................75

5.1 Introdução.................................................................................... .............................77


5.2 Sujeito ativo de relação jurídica de c o tiza ç ã o ................................................. 77
5.3 Sujeito passivo da relação jurídica de co tiza çã o ............................................78

5.4 A imunidade das contribuições de Seguridade S o cia l................................. 78

C a p ítu lo 6 - C o n trib u iç ã o do S e g u ra d o ........................................................................83

6.1 Introdução................................................................................................................. 85
6.2 Cálculo do valor dos be nefícios.............................................................................85
6.2.1 Salário de benefício................................................................................ .........85
6.2.2 Salário de contribuição......................................................................................85
6.3 Parcelas que não integram o salário de co n trib u içã o .................................... 90
6.4 Apuração da contribuição d e vid a ........................................................................93
6.4.1 Breve noção................................................................................. ....................93
6.4.2 Empregado (inclusive o doméstico e o trabalhador avulso)............................94
6.4.3 Contribuinte individual e contribuinte facultativo........................................... 94
6.4.4 Segurado especial (art. 25 da Lei n- 8.212/1991)............................................ 96
6.5 Procedimento fiscal para co nstituição do crédito previdenciário................97
6.5.1 Exame da contabilidade..................................................................................... 97
6.5.2 Aferição indireta................................................................................................ 98

C a pítu lo 7 - C o n trib u içã o de Em presa e do Em pregador D o m é s tic o ................ 101

7.1 Hipótese de in c id ê n c ia ..........................................................................................103


7.2 Base de cálculo e alíquotas..................................................................................104
7.3 Contribuições especiais com alíquotas diferenciadas e substitutivas
da contribuição p a tro n a l....................................................................................... 105
7.3.1 Contribuição empresarial da associação desportiva que mantém equipe
de futebol profissional (art. 22, §§ ^ e 11. da Leina 8.212/1991).................106
7.3.2 Contribuição do produtor rural pessoa física (art. 25 da Lei
n2 8.212/1991)...................................................................................................107
7.3.3 Contribuição do produtor rural pessoa jurídica (art. 22-A da
Lei n"- 8.212/1991)............................................................................................ 108
7.4 Contribuição da m icroem presa........................................................................... 108
7.5 Contribuição dos em pregadores dom ésticos..................................................109

C a p ítu lo 8 -R e s p o n s a b ilid a d e S o lid á r ia .................................................................... 111


8.1 Introdução......................................................................... ...................................... 113
8.2 Hipóteses de elisão da responsabilidade so lid á ria ........................................114
8.3 Responsabilidade da A dm inistração P ú blica .................................................. 114
8.4 Hipóteses de supressão da responsabilidade so lid á ria ............................... 115

C a p ítu lo 9 - D o R egim e G eral da P re v id ê n c ia S o c ia l...........................................117


9.1 Regras co n stitu cio n a is..........................................................................................119
9.1.1 Vedação de adoção de critérios diferenciados...............................................120
9.1.2 Vedação de concessão de benefícios inferiores ao salário mínimo............ 120
9.1.3 Correção de todos os salários de contribuição..............................................120
Direito Previdenciário para Concursos

9.1.4 Preservação do valor real dos benefícios (art. 201, § 42, da CF).................120
9.1.5 Gratificação natalina para aposentados e pensionistas.............................. 121
9.1.6 Sistema de inclusão previdenciária para trabalhadores de baixa renda.... 121
9.1.7 Contagem recíproca para fins de aposentadoria (art. 201. § 92. da CF).......121
9.1.8 Conselho Nacional de Previdência Social - CNPS.......................................122

C a pítu lo 1 0 - B e n e fíc io s do Regim e G eral da P re vid ê n cia S o c ia l................... 125


10.1 Introdução............................................................................................................. 127
10.2 Cálculo das p re sta çõ e s..................................................................................... 127
10.2.1 Cálculo das prestações do art. 2 0 .1, da Lein2 8.213/1991 ........128
10.2.2 Cálculo das prestações do art. 20. II. daLeinfl 8.213/1991........ 130

C a p ítu lo 11 - P re stações S o c ia is em E s p é c ie .......................................................... 131


11.1 Benefícios devidos aos segurados..................................................................133
11.1.1 Aposentadoria por invalidez (arts. 42 a 47 da Lei nü 8.213/1991
e 43 a 50 do Dec. n» 3.048/1999)..............................................................133
11.1.2 Aposentadoria por idade............................................................................136
11.1.3 Aposentadoria por tempo de contribuição (arts. 201, § 7C. I, da CF.
55 e 56 da Lei n2 8.213/1991, e 56 a 63 do Dec. n« 3.048/1999).......... 139
11.1.4 Aposentadoria especial.......................................... .................................144
11.1.5 Auxílio-doença..........................................................................................148
11.1.6 Salário-família............................................................................................151
11.1.7 Salário-maternidade.................................................................................153
11.1.8 Auxílio-acidente (arts. 86 da Lei n2 8.213/1991 e 104 do
Dec. ns 3.048/1999)........................... ........................................................156
11.2 Benefícios devidos aos dependentes dos segurados................................ 158
11.2.1 Pensão por morte (arts. 201.1e V. da CF. 74 a 79 da Lei
n2 8.213/1991 e 105 a 115 do Dec. n2 3.048/1999).................................158
11.2.2 Auxílio-reclusão (arts. 201, IV, da CF, 13 da EC n2 20/1998,
80 da Lei n* 8.213/1991.22 da Lei n2 10.666/2003 e 116 a 119
do Dec. n2 3.048/1999)...............................................................................160
11.3 Acum ulação de b e n e fício s................................................................................161
11.4 Pagamento dos benefícios................................................................................. 161
11.5 Pagamento ju d ic ia l.............................................................................................. 161
11.6 Abono anual..........................................................................................................162
11.7 S eguro-desem prego.......................................................................................... 162
11.8 Benefício assistencial........................................................................................ 164
11.8.1 Lei Orgânica da Assistência Social - LOAS (Lei n2 8.742/1993)............164
11.9 Pensão especial dos portadores deTalidom ida (Lei nfl 12.190/2010).... 166
C a p ítu lo 12 - Dos S e rv iç o s da P re v id ê n c ia S o c ia l ..............................................167

12.1 Do serviço social...................................................................................................169


12.2 Da habilitação e da reabilitação p ro fis s io n a l................................................170

C a pítu lo 1 3 - D e sapo sen taçã o ...................................................................................... 173

C a pítu lo 14 - CNIS - C adastro N a c io n a l de In fo rm a çõ e s S o c ia is ..................... 177

C a p ítu lo 15 - P re v id ê n c ia C om ple m entar 181


15.1 Introdução.............................................................................................................. 183
15.2 Características e fin alida des............................................................................. 183
15.3 Princípios................................................................................................................ 184
15.4 S istem a.............................................................................. - ................................ 184

15.5 Ação do E stado.................................................................................................... 185


15.6 Equilíbrio financeiro e a tu a ria l..........................................................................185
15.7 Entidades fe ch a d a s............................................................................................. 186
15.7.1 Constituição.............................................................................................. 186
15.7.2 Objetivo.................................................................................. ...................187
15.7.3 Classificação............................................................................................. 187
15.8 Entidades abertas (arts. 36 a 40 da LC nQ109/2001)..................................... 187
15.8.1 Obrigações das entidades abertas..........................................................188
15.8.2 Principais diferenças entre as entidades abertas e fechadas............... 189
15.9 Natureza do contrato de previdência co m ple m en tar.................................189
15.10 Concessão dos be nefícios.................................................................................189
15.11 Do regime d is cip lin a r............................................................... .......................... 190
15.12 Previdência fechada de entes p ú b lic o s .........................................................190
15.12.1 Planos de benefícios (art. 3sda Lei n2 108/2001)................................... 190
15.12.2 Reajustes..................................................................................................... 191
15.12.3 Do custeio (arts. 6* e 7* da LC n2 108/2001).............................................191
15.12.4 Estrutura (arts. 8fi a 23 da LC n» 108/2001).............................................. 192

C a p itu lo 16 - C rim es co n tra a S e gurid ade S o c ia l................................................... 193


16.1 Noções in tro d u tó ria s ..........................................................................................195
16.2 Crimes em e s p é c ie .............................................................................................. 195
16.2.1 Apropriação indébita previdenciária (art. 168-A do CP)........................ 195
16.2.2 Sonegação de contribuição previdenciária (art. 337-A doCP)............... 197
Direito Previdenciário para Concursos

16.2.3 Falsificação de documento público...........................................................198


16.2.4 Inserção de dados falsos em sistema de informações............................199
16.2.5 Modificação ou alteração não autorizada de sistema
de informações...........................................................................................199

Capítulo 17 - Recursos das Decisões A d m in is tra tiv a s .........................................201


17.1 Da justificação adm inistrativa.......................................................................... 203
17.2 Órgãos ju lg a d o re s............................................................................................... 204
17.2.1 Juntas de Recurso.......................... ...........................................................204
17.2.2 Câmaras de julgamento............................................................................ 204
17.2.3 Conselho Pleno...........................................................................................204
17.3 Prazo de in te rp o siçã o .........................................................................................205
17.4 E fe itos..................................................................................... ...............................205
17.5 Depósito p ré v io ....................................................................................................205

Capítulo 1 8 - Constituição do Crédito Previdenciário eDívida A tiv a ............... 207


18.1 Constituição do cré d ito ...................................................................................... 209
18.2 Dívida ativa: inscrição e execução ju d ic ia l................................................... 210

Capítulo 19 - Questões Comentadas de D ireito P revid en ciário ........................ 213

B ib lio g rafia.......................................................................................................................... 273


CAPÍTULO

SÍNTESE HISTÓRICA
Síntese Histórica

Sem pre existiu, desde os tem pos m ais rem otos, a conjugação de esforços
entre os hom ens p ara a m elhoria ou facilitaçào das condições de vida de
cada u m dos indivíduos form adores de u m g ru p o social, po rq u an to é c o n ­
dição natural hu m an a a preocupação com seu bem -estar. A preocupação
com os infortúnios da vida tem sido u m a constante da h um anidade. Essa
p rem issa deve ser lixada desde já.
Não seria exagero rotular este com portam ento de algo instintivo, já
que até os animais têm o hábito de guardar alimentos para dias mais
difíceis. O que nos separa das demais espécies é o grau de complexi­
dade de nosso sistema protetivo.1
Segundo a d o u trin a, os prim eiros m ecanism os de proteção articu lad o s
pelo hom em que apresentavam algum nível de organização, sendo as p ri­
m eiras ordenações norm ativas a in stitu ir m étodos de am paro, foram tra ­
tados no Talm ud, no C ódigo de H am urabi e no C ódigo de M anu. T in h am
natureza m utualista, de m odo que in stitu íam o auxílio recíproco dos seus
m em bros.
A mutualidade pode ser concebida como instituição que agrupa um
determ inado núm ero de pessoas com o objetivo de se prestar ajuda
mútua, em vista de eventualidade futura.2
N as antigas civilizações, em especial Grécia e Roma, foram in stitu íd as
associações tam bém de caráter m utualista, cuja finalidade principal estava
voltada para a arrecadação de recursos com o intuito de co b rir custos com
funerais de seus associados. Tais associações foram se espalhando e se d e­
senvolvendo no deco rrer dos anos, no entanto, sem n en h u m a segurança
juríd ica ou técnica para os seus associados, reflexos de um Estado liberal da
época. C om eça-se a falar em assistência privada.
D estaca-se, outrossim , o surgim ento de entidades civis, m otivadas p o r
fins religiosos e assistenciais aos m ais carentes, d en tre as quais as m ais des­
tacadas foram as conhecidas Santas C asas de M isericórdia.
Período relevante ocorreu no século XVII, no qual a Igreja Católica da
época cum priu um papel m uito im po rtan te, conseguindo então conven­
cer o Estado a intervir na criação de m ecanism os de proteção social aos
carentes e indigentes. Fato m arcante q u e deu início à p rim eira disciplina
pré-jurídica de proteção social, a d en o m in ad a lei dos pobres “Poor R elief
Act”, concebida pela R ainha Elizabeth d a Inglaterra, em 1601, em que a

1 IBRAHIM, Fábio Zambite. Curso de direito previdenciário. 3. ed. Rio de janeiro:


Impetus, 2003. p. 2.
: RUPRECHT, Alfredo J. Direito da seguridade social. Trad. Edilson A. Cunha. São
Paulo: LTr, 19%. p. 29.
Direito Previdenciário para Concursos

sociedade era obrigada a c o n trib u ir para o Estado, form ando com isso u m a
forte aliança contra a m iséria. C om eça-se a falar em assistência pública.
M ozart Victor R ussom ano traduz com pro p ried ad e este m arco im p o r­
tante d a intervenção Estatal na proteção social:
Essa “oficialização da caridade” - com o foi dito, certa vez - tem
im portância excepcional: colocou o Estado na posição de órgão
prestador de assistência àqueles que - p or idade, saúde e deficiência
congênita ou adquirida - não tenham meios de garantir sua pró­
pria subsistência. A assistência oficial c pública, prestada através de
órgãos especiais do Estado, é o marco da institucionalização do sis­
tema de seguros privados e do mutualismo em entidades adm inis­
trativas.’
M ais tarde, precisam ente em 1883, o alem ão Bismarck, conhecido com o
“C hanceler de Ferro”, influenciado pelo am biente que havia se instalado na
Europa, e após diversos fatores, com o a Revolução Industrial, o advento
do socialism o e do m ovim ento operário, vem a criar o que se p o d e chamar
de p rim eira m anifestação jurídica con creta sobre seguro social, a Lei d o
Seguro D oença, a qual adotava a técnica do co n trato de seguro. C om eça-se
a falar em seguro social.
O m odelo de Bismarck teve ótim a aceitação na Europa, espalhando-se
rapidam ente, nem m esm o o alem ão esperava que seu m odelo ganhasse ta ­
m anhas proporções, sendo a m ola propulsora da criação da O rganização
Internacional do Trabalho (O IT - 1919).
Foi neste contexto positivo, baseado n o Social Security Act n o rte-am eri­
cano, q ue o Lord W illiam Beveridge, p o r designação do Parlam ento B ritâ­
nico, elaborou um sistem a de Seguridade Social, com o intuito de m elhorar
o sistem a de proteção vigente, que veio a ser conhecido com o Relatório Be­
veridge, m odelo m ais apurado do que o Seguro Social de Bismarck. C o m e­
ça-se a falar em seguridade social.
R esum indo, a história sobre sistem a de proteção das necessidades so­
ciais tem a seguinte ordem cronológica: Assistência Privada, Assistência Pú­
blica, Seguro social e Seguridade Social.
Já no Brasil, o texto m ais im portante, que inaugurou o instituto da Pre­
vidência Social, foi o D ecreto Legislativo nü 4.682, conhecido com o “Lei
Eloy Chaves”, que determ inava a criação de Caixas de A posentadoria e Pen­
sões p ara trabalhadores ferroviários.
A lguns doutrin ad o res concordam com a im portância do referido d ecre­
to acim a, todavia apontam a existência de algum as outras m atérias legislati­

3 RUSSOMANO, Mozart Victor. Curso de previdência social. Rio de Janeiro: Foren­


se, 1978. p. 2.
Síntese Histórica

vas anteriores a esta, com o a Lei nü 3.724 (conhecida com o Lei cie A cidente
do T rabalho), editada em 15 de janeiro d e 1919, e outros decretos im periais,
os quais criaram fundos especiais, m ontepios e caixas de socorro em b en e­
fício d e determ inadas categorias de em pregados públicos.
E ntre vários m arcos para a história dos direitos previdenciários no Bra­
sil, os m ais im portantes foram:
l u) Em 1934, pela prim eira vez u m a C onstituição do Brasil fez alusão
expressa aos direitos previdenciários.
Decorrem da Constituição de 1934 dois aspectos prim ordiais do d i­
reito previdenciário, a saber: o m odelo de custeio tripartite suporta­
do pela União, pelos empregados e empregadores, além de garantir
m inim am ente a proteção em face da velhice, invalidez, m aternida­
de, acidente do trabalho e m orte;1
2-) Em 1946 apareceu pela p rim eira vez a expressão “Previdência So­
cial” desaparecendo a expressão “seguro social” custeio trip artite e a o b ri­
gatoriedade da instituição do seguro pelo em pregador contra acidentes d o
trabalho;
3C) Em 1960 foi editada a Lei O rgânica da Previdência Social (LOPS),
Lei nu 3.807, de 26 de agosto, m om ento em que houve a unificação das le­
gislações dos Institutos de A posentadoria e Pensões;
4U) Em 1966 houve quase a com pleta unificação dos Institutos de A po­
sentadorias e Pensões em um a única A utarquia Federal, surgiu então o Ins­
tituto N acional de Previdência Social (IN PS). Ficaram , assim , de fora da
fusão o IAPFESP, o IPASE e o SASSE;
5U) Em 1967 foi editada a Lei n- 5.316, com a finalidade de integrar o Se­
guro de A cidentes do T rabalho (SAT) n a Previdência Social, mas revogada
p o steriorm ente pela Lei nu 6.367/1976;
6U) Em 1971, a Lei C om plem entar nu 11, de 25 de maio, instituiu o P ro ­
gram a de Assistência do T rabalhador Rural (PRORURAL), que passou a ser
a d m in istrad o pelo FUNRURAL;
7-) Em 1977, o Sistema N acional d e Previdência Social e A ssistência
Social (SINPAS) foi criado. T inha a finalidade de reorganizar o sistem a de
proteção social, crian d o áreas específicas de atuação. O SINPAS é co m p o s­
to p o r sete órgãos públicos com finalidades específicas, tendo em vista a
adoção do critério da especificidade, v isando um m elhor desem p en h o e
atingim ento de suas metas;

4 HORVATH JÚNIOR, Miguel. Direito previdenciário. 7. ed. São Paulo: Quartier,


2008. p. 12.
Direito Previdenciário para Concursos

8a)Foi prom ulgação da C arta M agna de 1988, texto constitucional que


m ais d á im portância aos direitos previdenciários, trazendo princípios, d i­
reitos subjetivos, estabelecendo program as e a sua form a de financiam ento.
C onstituição que representa um a vitória p ara os cidadãos na esfera previ­
denciária.
C om efeito, pode-se dizer que a C arta M agna de 1988 foi pioneira n o
cam p o dos direitos sociais ao trazer o conceito de Seguridade Social, nos
term os d o art. 194, que dispõe: “A seguridade social com preende um c o n ­
jun to integrado de ações de iniciativa d o s Poderes Públicos e da sociedade,
d estinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assis­
tência social”.
A C onstituição de 1988 instituiu a Seguridade Social no Brasil, preven­
do custeio trip artite entre União, Estados, M unicípios e D istrito Federal;
9tí) Em 1990 ocorreu a extinção do SINPAS e a criação do atual Instituto
N acional do Seguro Social (INSS), au tarq u ia federal que resultou da ju n ção
entre o INPS e o IAPAS.
CAPÍTULO

SEGURIDADE SOCIAL
Seguridade Social

2.1 Introdução
A seguridade social é form ada p o r u m b inôm io integrado dc ações en tre
o Poder Público (que tem função de a rre ca d a r e red istrib u ir os recursos) e
a sociedade (contribuinte). É a som a de forças en tre o Estado p reo cu p ad o
com o b em -estar social da coletividade e a sociedade preocupada com seu
b em -estar individual, de form a a d e m o n stra r que a solidariedade é o fu n ­
d am en to da seguridade social. É um co n ju n to integrado de ações de inicia­
tiva d o s poderes públicos (União, E stados e M unicípios) e da sociedade nas
áreas d a saúde, da assistência social e da Previdência Social, nos term os d o
art. 194 da CF (art. l e do Dec. n“ 3.048/1999).
A seguridade social pode ser conceituada como a rede protetiva
formada pelo Estado e por particulares com contribuição de todos,
incluindo parte dos beneficiários dos direitos, no sentido de estabe­
lecer ações positivas no sustento de pessoas carentes, trabalhadores
em geral e seus dependentes, providenciando a manutenção de um
plano m ínim o de vida.'
É im p o rtan te en ten d er que a Previdência Social é um in stitu to in teg ran ­
te do sistem a de seguridade social, previsto nos arts. 194 a 204 da C o n sti­
tuição Federal de 1988, ju n tam en te com a saúde e a assistência social. Esses
institutos form am um sistem a integrado, ou seja, toda receita arrecadada
com as contribuições sociais (aqueles q u e co n trib u em p ara o Instituto N a­
cional de Seguro Social ou a Secretaria da Receita Federal) será revertida
em beneficio da saúde, da assistência e d a previdência, e não apenas exclu­
sivam ente da Previdência Social.
Seguridade social é gênero, do qual são espécies Previdência Social, saú­
de e assistência social.

Previdência Social
Seguridade Social Saúde
A ssistência Social

Vale aqui d istinguir seguridade social do seguro social, sendo que a p ri­
m eira abriga qualquer pessoa in d istin tam en te e o segundo abarca apenas
aquelas que contribuem para a m anuten ção do sistem a de m utualism o, sen ­
do este últim o um sistem a fechado.

’ IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso... cit., 3. ed., 2003, p. 6.


Direito Previdenciário para Concursos

2.1.1 Saúde
De extrem a relevância pública, a saúde é colocada pelos constituciona-
listas co m o um elem ento socioideológico fu n d am en tal do Estado, ou seja,
é finalidade básica, garantia m ínim a de q u alq u er Estado tendente ao desen­
volvim ento. Tem previsão norm ativa constitucional em nosso sistem a nos
arts. 196 a 200, e legal nas Leis n ^ 8.212/1991 (art. 2-), 8.080/1990 e no Dec.
nü 3.048/1999 (denom inado regulam ento da previdência).
O texto constitucional enuncia em seu art. 196:
Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido
mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do ris­
co de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário
às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.
Este tem a tam bém é expresso n o art. 2* da Lei n128.212/1991. Assim, ve­
m os d em o n strad a a preocupação do co n stitu in te pátrio em agasalhar toda
a sociedade de form a isonôm ica q uando se trata de saúde, concedendo p ro ­
teção a todos os cidadãos, indep en d en tem en te de contribuição deste. Dessa
form a, m esm o a pessoa que, com provadam ente, possua m eios para patro ci­
nar seu próprio atendim ento m édico terá a rede pública com o opção válida.
O utrossim , característica desta im p o rtân cia social em m atéria de saúde
está en u n ciad a no art. 197 do texto m aior:
Art. 197. São de relevância pública as ações e serviços de saúde, ca­
bendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regu­
lamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita
diretam ente ou através de terceiros e, tam bém, por pessoa física ou
jurídica de direito privado.
Veja-se que a execução das ações e serviços de saúde não se en co n tra
centralizada nas m ãos do Poder Público, pelo contrário, o texto co n stitu ­
cional enfatiza a possibilidade de terceiros, pessoas físicas ou jurídicas de
d ireito privado realizarem serviços de saúde. C ontudo, aquele reserva para
si, com o não p oderia ser diferente, a regulamentação, a fiscalização e o con­
trole.
N esse sentido estabelece o parágrafo único do art. 2U, do R egulam ento
da Previdência (Dec. nu 3.048/1999):
Art. 2* (...)
Parágrafo único. As atividades de saúde são de relevância pública,
e sua organização obedecerá aos seguintes princípios e diretrizes:
I - acesso universal e igualitário;
II - provim ento das ações e serviços mediante rede regionalizada e
hierarquizada, integrados em sistema único;
III - descentralização, com direção única em cada esfera de governo;
Seguridade Social

IV - atendim ento integral, com prioridade para as atividades pre­


ventivas;
V - participação da com unidade na gestão, fiscalização e acom pa­
nham ento das ações e serviços de saúde; e
VI - participação da iniciativa privada na assistência à saúde, em
obediência aos preceitos constitucionais.
O direito à saúde foi alçado à categoria de direito fundam ental pelo
art. 6Uda C onstituição Federal de 1988.
O órgão d otado de com petência Estatal com responsabilidade pela saú­
de em nosso país é o Sistema Ú nico de Saúde - SUS (art. 198 da CF), que
deve ser organizado a p a rtir da descentralização, com a participação de ó r­
gãos federais, estaduais e m unicipais, buscando um aten d im en to integral e
p articipação da com unidade, fu ncionan d o a iniciativa privada p o r conve­
n iência sua de form a com plem entar, m ediante contratos ou convênios de
d ireito público, tendo, nestes casos, sem pre preferência as entidades filan­
trópicas e as sem fins lucrativos (art. 199 da CF).
O custeio d o SUS se dá m ediante recursos do orçam ento da seguridade
social,, da União, dos Estados, do D istrito Federal e dos M unicípios (co n tri­
buições sociais), além de outras fontes.
A C onstituição, com a redação d a d a pela Em enda C onstitucional
nL>29/2000, determ ina que a União, os Estados, o D istrito Federal e os M u­
nicípios deverão aplicar, anualm ente, em ações e serviços públicos de saúde,
recursos m ínim os derivados da aplicação de percentuais calculados sobre
suas arrecadações tributárias, além de parcela dos valores obtidos a p a rtir
de repasses da U nião e dos Estados e dos Fundos de participação de Estados
e M unicípios. Os percentuais m ínim os são fixados em lei com plem entar.

2.1.2 Previdência Social


Esse instituto encontra-se positivado nos arts. 201 a 202 da atual C ar­
ta Republicana Brasileira, e tam bém nas Leis n“ 8.212/1991 (art. 3a) e
8.213/1991.
Estabelece o art. 3Uda Lei n ü 8.212/1991:
Art. 3QA Previdência Social tem por fim assegurar aos seus benefi­
ciários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapa­
cidade, idade avançada, tem po de serviço, desemprego involuntário,
encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem depen­
diam economicamente.
O sistema previdenciário tem regim e geral de caráter contributivo (não
existe benefício sem contribuição) efiliação obrigatória, seu principal objetivo
é assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de m anutenção, p o r
m otivo de incapacidade, idade avançada, desem prego involuntário, encargos
Direito Previdenciário para Concursos

de fam ília e reclusão ou m orte daqueles d e quem dependiam econom icam en­
te, infortúnios estes elencados no art. 2 0 1 ,1 a V, da atual C arta Política.
T rata-se de um seguro social com pulsório, em in en tem en te co n trib u ti-
vo, m an tid o com recursos dos trabalhadores e de toda a sociedade - busca
p ropiciar m eios indispensáveis à subsistência dos segurados e seus d ep en ­
d entes quando não podem obtê-los ou não é socialm ente desejável que eles
sejam auferidos p o r m eio do trab alh o p o r m otivo de m aternidade, velhice,
invalidez, m orte, etc.6
É u m a espécie de seguro sui generis, na m edida em que as pessoas co n ­
trib u em obrigatoriam ente para o alcance de um a garantia, um a proteção
na eventualidade de um infortúnio, co m o doenças e incapacidades para o
trabalho em geral.
Vale enaltecer o trabalho com as palavras de M ozart V ictor Russom ano:
Previdência Social é o sentim ento universal de solidariedade entre
os homens, ante as pungentes aflições de alguns e generosa sensibi­
lidade de muitos.7
Por fim, vale dizer que os benefícios instituídos pela Previdência Social
são averiguados e concedidos pelo Instituto N acional de Seguridade Social
(INSS), entidade autárquica federal com com petência Estatal.

2.1.3 Assistência Social


O terceiro subinstituto com ponente d a seguridade social é a assistência
social» disciplinada nos arts. 203 e 204 da CF e no art. 4Uda Lei na 8.212/1991.
Tem a tam bém disciplinado p o r legislação p rópria com a d enom inação de
Lei O rgânica da Assistência Social - LOAS, de nc 8.742/1993.
O art. 4“ da Lei nü 8.212/1991 dispõe que:
Art. 4- A Assistência Social é a política social que provê o atendi­
mento das necessidades básicas, traduzidas em proteção à família,
à maternidade, à infância, à adolescência, à velhice e à pessoa p o r­
tadora de deficiência, independentem ente de contribuição à Segu­
ridade Social.
Parágrafo único. A organização da Assistência Social obedecerá às
seguintes diretrizes:
a) descentralização político-administrativa;
b) participação da população na formulação e controle das ações em
todos os níveis.

h VELLOSO, Andrei Pitten; ROCHA, Daniel Machado da; BALTAZAR JÚNIOR,


José Paulo. Comentários à Lei do Custeio da Seguridade Social. Porto Alegre: Li­
vraria do Advogado, 2005. p. 4 1-42.
RUSSOMANO, Mozart Victor. Op. cit., p. 2.
Seguridade Social

A assistência social será prestada gratu itam en te a quem dela necessitar.


Tem caráter universal e independente d e contribuição direta do beneficiá­
rio, p o r isso se assem elha ao instituto da saúde.
D e acordo com a Lei nu 8.742/1993, a assistência social é direito do ci­
d adão e dever do Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva,
que provê os m ínim os sociais, realizada p o r m eio de um conjunto integrado
de ações de iniciativa pública e da sociedade para g aran tir o aten d im en to às
necessidades básicas.
Seus objetivos principais estão ag ru p ad o s nos incs. I a V do art. 203 da
C arta Política, visando sem pre o auxílio d o hipossuficiente, aquelas pessoas
com total desprezo social. Nas palavras de A ndrei Pitten Velloso, Daniel
M achado da Rocha e José Paulo B altazar Júnior:
Trata-se de amparo destinado àqueles que estão excluídos da órbi­
ta protetiva da Previdência Social, socorrendo-se o indivíduo e as
famílias que estão incapacitadas de prover, com as próprias forças,
as necessidades básicas, razão pela qual o Estado é cham ado para
suprir aquilo que for absolutamente indispensável para fazer cessar
o atual estado de necessidade dos assistidos.”
A lém de prestar auxílio à fam ília e à m atern id ad e e conceder benefícios
eventuais, a seguridade social tam bém concede o beneficio de prestação
co n tin u ad a (BPC), destinado às fam ílias, bem com o ao idoso ou ao defi­
ciente, incapazes de prover a sua m anutenção, com renda p er capita não
su p erio r a 1/4 do salário m ínim o vigente (Lei nfl 8.742/1993).
O BPC é operacionalizado pelo INSS, sob coordenação e avaliação da
Secretaria de Estado de Assistência Social, no entanto, o deferim ento e os
valores dos benefícios serão regulam entados pelos C onselhos de A ssistên­
cia Social dos Estados, D istrito Federal e M unicípios, que, p o r sua vez, se­
guem os prazos e critérios do C onselho N acional de Assistência Social.

2.1.4 Principais diferenças entre os institutos integrantes da


Seguridade Social
Tem regime geral de caráter contributivo (não existe benefício sem con-
Previdência tribuição) e filiação obrigatória, seu principal objetivo é assegurar aos
Social seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de
incapacidade, idade avançada, desemprego involuntário, encargos de fa­
mília e reclusão ou morte daqueles de quem dependiam economicamen­
te. infortúnios estes elencados no art. 201,1a V. da atual Carta Política.

* VELLOSO, Andrei Pitten; ROCHA, Daniel Machado da; BALTAZAR JÚNIOR,


José Paulo. Op. cit., p. 44.
Direito Previdenciário para Concursos

A saúde é tida como um elemento socioideológico fundamental do Esta­


Saúde do. É finalidade básica, garantia mínima de qualquer Estado tendente ao
desenvolvimento. Tem previsão normativa constitucional em nosso siste­
ma nos arts. 196 a 200 e nas Leis n^ 8.212/1991 (art. 2-) e 8.080/1990.
Tem caráter universal e independente de contribuição, por isso se asse­
Assistência melha ao instituto da saúde. Seus objetivos principais estão agrupados
Social nos incs. I a V do art. 203 da Carta Política, visando sempre o auxílio do
hipossuficiente, aquelas pessoas com total desprezo social.

2.1.5 Organização da Seguridade Social


A Seguridade Social engloba um conceito am plo, abrangente, universal,
d estin ad o a todos que dela necessitem desde que haja previsão na lei so­
bre d e term in a d o evento a ser coberto. É, na verdade, o gênero do qual são
espécies a Previdência Social, a Saúde e a Assistência Social (art. 5a da Lei
nc 8.212/1991).
• Previdência Social
A Previdência Social está vinculada d iretam en te ao M inistério da Previ­
d ência Social e tem atuação por in term éd io de um órgão da ad m in istração
p ertencente à União, o Instituto N acional do Seguro Social - INSS, o qual
foi criado pelo D ecreto nü 99.350/1990 co m base na Lei n- 8.029/1990. Tem
com o m issão fundam ental ad m in istrar o Regime G eral da Previdência So­
cial. D entre as suas atribuições as principais são:
a) conceder os direitos previdenciários aos beneficiários;
b) cobrar e fiscalizar as contribuições sociais devidas pelas em presas e
pelos trabalhadores;
c) criar, processar e atualizar os cadastros de contribuintes e os ca­
dastros de contribuintes e beneficiários, contando, para isso, com
o auxílio da DATAPREV (E m presa de Tecnologia e Inform ações da
Previdência Social).
• Saúde
O segm ento da saúde é atribuição d o M inistério da Saúde, um p o uco
mais com plexa, tem suas funções distribuídas, cabendo à U nião cen tralizar
e co o rd en ar os program as e d istrib u ir os recursos, ficando a execução dos
serviços a cargo dos Estados e M unicípios, que atuam sem pre articulada-
m ente com o SUS (Lei nü 8.080/1990).
T am bém na área da saúde tem os as agências reguladoras, a prim eira é
a A gência N acional de Vigilância Sanitária - AN VIS A (Lei ny 9.782/1999),
com o in tu ito de prom over a proteção d a saúde da população p o r in term é­
dio d o controle sanitário da produção e da com ercialização de p ro d u to s
e serviços subm etidos à vigilância sanitária, inclusive dos am bientes, dos
processos, dos insum os e das tecnologias a eles relacionados. Sem co n tar
Seguridade Social

o controle de portos» aeroportos e fronteiras e a interlocução ju n to ao M i­


nistério das Relações Exteriores e instituições estrangeiras para tratar de
assuntos internacionais na área de vigilância sanitária.9
A segunda agência reguladora que o p era n o segm ento da saúde n o Bra­
sil é a Agência N acional de Saúde S uplem entar - ANS (Lei n- 9.961/2000),
a qual tem a m issão institucional de pro m o v er a defesa do interesse p ú ­
blico n a assistência suplem entar à saúde, tendo p o r obrigação regular as
o p erad o ras setoriais, inclusive q uanto às suas relações com prestadores e
consum idores, contribuindo, para isso, no desenvolvim ento das ações de
saúde no País.10
• A ssistência Social
A Assistência Social está sob a responsabilidade d o M inistério do D e­
senvolvim ento Social e C om bate à Fome. A distribuição de funções é sem e­
lhante ao instituto da saúde, relem bran d o que cabe à U nião co o rd en ar os
program as e distrib u ir os recursos, en q u an to que a execução dos serviços é
d istrib u íd a aos Estados e M unicípios.
• C onselhos Setoriais
C ad a subárea da Seguridade Social possui um C onselho N acional e
C onselhos Estaduais e M unicipais. Para nós, vale citar, p or condizer d i­
retam ente com a m atéria e por ser o órgão de cúpula da Previdência So­
cial, o C onselho N acional de Previdência Social - CNPS, criado pela Lei
n® 8.213/1991.
O aludido conselho é um órgão colegiado, com posto p o r 15 m em bros,
nom eados pelo Presidente da República, sendo seis m em bros do governo
e nove da sociedade civil. Dos nove m em bros da sociedade civil, três são
representantes dos aposentados e pensionistas, os outros três devem ser re­
presentantes dos trabalhadores em atividade e, p or fim, m ais três devem ser
representantes dos em pregadores.
D entre as funções do CNPS, as prin cip ais são:
a) estabelecer diretrizes gerais e apreciar as decisões políticas aplicáveis
à Previdência Social;
b) controlar e executar program as n o cam po da Previdência Social;
c) en cam in h ar propostas o rçam en tárias ao Poder Executivo.
É d e extrem a im portância salientar que, em 2003, p o r força do D e­
creto n u 4.874, o qual alterou o R egulam ento da Previdência Social (Dec.
nü 3.048/1999), foram criados os C onselhos de Previdência Social - CPS,

v Disponível em: <www.anvisa.gov.br>.


10 Disponível em: <www.ans.gov.br>.
Direito Previdenciário para Concursos

unidade*s descentralizadas do C onselho N acional de Previdência Social -


CNPS.
Sào canais de diálogo social que fu n cio n am no âm bito das G erências
Executivas e das Superintendências do Instituto N acional do Seguro So­
cial - INSS. Têm por objetivo, assim co m o o CNPS, apresentar propostas
para m elh o rar a gestão e a política previdenciárias. São tam bém instâncias
colegiadas com caráter consultivo de assessoram ento, p o d en d o e n ca m in h a r
propostas para serem deliberadas no âm bito do CNPS.
O s conselhos buscam am pliar o diálogo en tre o su p erin ten d en te/g eren ­
te executivo do INSS e a sociedade, p erm itin d o que as necessidades especí­
ficas d e cada localidade, no que diz respeito ao debate de políticas públicas e
de legislação previdenciárias, sejam atendidas de m odo mais eficiente.
O s CPS sào com postos p o r dez conselheiros, sendo dois representantes
dos trabalhadores, dois dos em pregadores, dois dos aposentados e pen sio ­
nistas e quatro do G overno, os quais se reúnem ao m enos u m a vez p o r
bim estre. C ada representante tem com o principal atribuição identificar ca­
racterísticas da Previdência que possam ser aperfeiçoadas; fazer propostas
para m elh o rar a gestão do sistem a previdenciário; facilitar o desenvolvi­
m ento e a solidificação da gestão d em ocrática e próxim a dos cidadãos, além
de exercer o controle social sobre a ad m in istração pública.11
É im p o rtan te salientar, ainda, que o artigo que trata do C onselho N a­
cional da Seguridade Social (art. 6L‘ da Lei nc 8.212/1991) foi revogado pela
M edida Provisória nc 2.216-37/2001, levando, p ortanto, à extinção do refe­
rido órgão.

2.2 Princípios da Seguridade Social


Princípios são disposições fundam entais de um sistem a, sua própria ter­
m inologia é esclarecedora, pois p rincíp io vem de início, de com eço ou d o
que seja mais im portante, principal ou regra fundam ental.
Segundo J.J. C anotilho, citado por M iguel H orvath Júnior, princípios
são norm as que exigem a realização de algo, da m elhor forma pos­
sível, de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas. Os princí­
pios não proíbem, perm item ou exigem algo em termos de “tudo ou
nada”; impõem a otimização de um direito ou de um bem jurídico,
tendo em conta a “reserva do possível”, fática ou jurídica.12
O fato é que só podem os conhecer as diretrizes, os valores e o objeto de
um sistem a ju ríd ico pelo conhecim ento de seus princípios.

" Disponível em: <www.previdencia.gov.br>.


12 Op. cit., p. 74.
Seguridade Social

O s princípios da Seguridade Social podem ser divididos em: p rin c í­


pios constitucionais gerais, princípios constitucionais próprios e princípios
constitucionais específicos.

2.2.1 Princípios constitucionais gerais


D eterm in ad o s princípios de D ireito, apesar de não serem especifica­
m ente do D ireito da Seguridade Social, serão a ela aplicáveis. Assim, desta­
carem os apenas os principais, a saber:
1. Princípio da dignidade da pessoa h u m a n a (art. l y, III, da CF);
2. Princípio da igualdade (art. 5C, caput, da CF);
3. Princípio da legalidade (art. 5U>II, d a CF);
4. Princípio da liberdade (art. 5-, caput, da CF);
5. Princípio d o contraditório e am pla defesa (art. 5C, LV, da CF);
6. Princípio do direito adquirido (art. 5C>XXXVI, da CF).

2.2.2 Princípios constitucionais próprios da Seguridade Social


O s princípios específicos da seguridade social en co n tram -se em sua
m aioria disciplinados no art. 194 da atual C arta Política. São, na verdade,
os objetivos constitucionais da Seguridade Social. Traduzem as norm as ele­
m entares da seguridade, as quais direcionam toda a atividade legislativa e
interpretativa da seguridade social. São eles:

A) Princípio da universalidade de cobertura e do atendimento


(art. 194, parágrafo único, I, da CF)
A universalidade da cobertura (aspecto objetivo) significa que a Seguri­
dade deve contem plar todas as contingências sociais que geram necessidade
de proteção social das pessoas, tais com o: m aternidade, velhice, doença,
acidente, invalidez, reclusão e m orte. As prestações previdenciárias devem
abranger o m aior n ú m ero possível de situações geradoras de necessidades
sociais, d en tro da realidade econôm ico-financeira do Kstado.
Já a universalidade do atendim ento (aspecto subjetivo) significa que to ­
das as pessoas serão indistintam ente acolhidas pela Seguridade Social. As­
sim , q u a n d o o princípio assegura universalidade de aten d im en to não sig­
nifica dizer que qualquer pessoa tenha direito aos benefícios previdenciá­
rios, já que a Previdência Social tem caráter contributivo, ou seja, som ente
aqueles que contribuem para o sistem a é q u e terão direito aos benefícios.
A tendidos os requisitos legais, q u alq u er pessoa pode filiar-se ao sistem a
previdenciário.
Direito Previdenciário para Concursos

C o m efeito, o princípio da universalidade de co b ertu ra e do a ten d im en ­


to estabelece que qualquer pessoa pode p articip ar da proteção social p atro ­
cinada pelo Estado.
Referido princípio irá adquirir algum as tonalidades específicas na previ­
dência, na assistência e na saúde. Q u an d o se cogita da Previdência Social, es­
pécie notoriam ente contributiva do gênero seguridade social, não se prescin­
de da necessária participação econôm ica do segurado, sem a qual o sistem a
não seria viável, razão pela qual estam os frente a um a universalidade m itiga­
da. D e outro giro, a universalidade da Previdência Social, quanto ao acesso,
não significa, obrigatoriam ente, a concessão de um direito igual, para todos
os trabalhadores, de receber benefícios exatam ente nas m esm as condições.
Em bora as prestações, via de regra, sejam estabelecidas para o atendim ento
do m esm o grupo de riscos sociais, o valor dos benefícios dependerá - do tipo
de sistem a de financiam ento e do m étodo de cálculo estabelecido - em m aior
ou m enor grau, de aportes vertidos pelos segurados, o que corresponde, no
nosso caso, a um a proporcionalidade em relação ao salário de contribuição
dos diferentes segurados. Já no que diz respeito à assistência social, com o esta
técnica é concebida para am parar aqueles que não têm capacidade contri­
butiva, sua linha de atuação é voltada, prioritariam ente para as famílias que
enfrentam o grau m áxim o de indigência. Por isso, alguns dos seus program as
podem não atender famílias que, com provadam ente, atravessam sérias difi­
culdades econôm icas. De m aneira geral, os cadastros que perm item o acesso
para os program as governam entais vedam a inclusão de famílias que tenham
renda mensal superior a m eio salário m ín im o per capita. Por sua vez, o bene­
fício assistencial (art. 203 da CF) é ainda m ais rigoroso, rejeitando a habilita­
ção de famílias com renda superior à do salário m ínim o per capita."

B) Princípio da uniformidade e equivalência dos benefícios e


serviços às populações urbanas e rurais (art. 194, parágrafo
único, II, da CF)
O p rin cíp io d a uniform idade e equivalência dos benefícios e serviços às
populações urbanas e rurais visa eq u ip arar o trab alh ad o r urb an o ao rural,
tra ta n d o as duas classes de form a isonôm ica q u an d o o assunto é concessão
de benefícios, sem pre na m edida de suas desigualdades.
Significa dizer que as m esm as contingências (m orte, velhice, m atern id a­
de...) serão cobertas tanto para os trabalh ad o res urb an o s com o para os ru ­
rais e q ue as prestações securitárias devem ser idênticas p ara trabalhadores
rurais ou urbanos, não sendo lícita a criação de benefícios diferenciados.

13 VELLOSO, Andrei Pitten; ROCHA, Daniel Machado da; BALTAZAR JÚNIOR,


José Paulo. Op. cit., p. 28-29.
Seguridade Social

Im p o rta salientar que este princípio da seguridade social coaduna-se


com o disposto no art. 7° da CF, que garan te direitos sociais idênticos aos
trabalhadores urbanos e rurais.
A uniform idade significa ter acesso às m esm as proteções ou prestações,
já a equivalência refere-se à igualdade d e valores na apuração do benefício.
A plica-se a esta regra o princípio geral da isonom ia. A igualdade m ate­
rial d eterm in a algum a parcela de diferenciação entre estes segurados, sen d o
que a p rópria C onstituição assim procede, ao prever contribuições diferen­
ciadas para o pequeno p ro d u to r rural (art. 195, § 8Ü). Dessa form a, algum as
distinções no custeio e nos benefícios en tre urbanos e rurais são possíveis,
desde que sejam justificáveis perante a iso n o m ia m aterial, e igualm ente ra­
zoáveis, sem nenhum a espécie de privilégio para qualquer dos lados."
N as palavras de Luiz C láudio Flores d a C unha
a isonomia é um princípio que com porta m étodo de correção de de­
sigualdades, e não quis o legislador constituinte, com isto, dizer que
os trabalhadores rurais e urbanos deveriam ser tratados de forma
absolutamente igual, quando diferentes são os meios em que vivem,
os salários, as condições de educação e justiça social, bem como de
fiscalização das normas trabalhistas e previdenciárias.15

C) Princípio da seletividade e distributividade na prestação dos


benefícios e serviços (art. 194, parágrafo único, III, da CF)
O legislador deve abarcar, pré-defin ir um rol de prestações, de eventos
sociais no qual ele pretende proteger, fazendo isso ele delim ita a área de
proteção social no sistem a da seguridade social, isso se ch am a seletividade.
O legislador infraconstitucional faz esta escolha d en tro de lim ites traçados
pela C onstituição Federal, em seu art. 201.
Em outras palavras, seletividade significa que as prestações sejam for­
necidas apenas a quem realm ente necessitar, desde que se encontrem nas
situações que a lei definiu.
Já a distributividade seria o q uanto cada cidadão necessita receber para
ter u m a vida digna, justa, o sistem a objetiva p artilh ar a renda p rincipal­
m ente para aqueles m ais carentes.
A regra da distributividade autoriza a escolha de prestações que,
sendo direito comum a todas as pessoas, contemplam de m odo mais
abrangente os que dem onstrem possuir maiores necessidades.16

14 IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso... cit., 3. ed., 2003, p. 43.


15 CARDONE, Marly A. Previdência, assistência e saúde: o não trabalho na Consti­
tuição de 1988. São Paulo: LTr, 1990. p. 30.
,h HORVATH JÚNIOR, Miguel. Op. cit., p. 88.
Direito Previdenciário para Concursos

D) Princípio da irredutibilidade do valor dos benefícios (art. 194,


parágrafo único, IV, da CF)
A irredutibilidade de salários é condição para o desenvolvim ento eco­
nôm ico social, garantia do p oder aquisitivo, sendo aplicado com en o rm e
im p o rtân cia tam bém para os benefícios de Seguridade Social.
O art. 201, § 4“, da CF, com plem enta este princípio assegurando-se o
reajustam ento dos benefícios para preservar-lhe, em caráter p erm anente, o
valor real, conform e critérios a serem definidos em lei.
É im p o rtan te salientar que, segund o a C onstituição Federal, é vedada
a vinculação ao salário m ínim o para q u alq u er efeito. A C onstituição des­
vinculou a previdência do salário m ínim o. A Lei nfl 8.212/1991 não vincula
o valor dos benefícios ao valor do salário m ínim o. A única coincidência é
que o valor pago a título de previdência não p o d e ser inferior a um salário
m ín im o (teto m ínim o).
O reajustam ento do benefício previdenciário é feito pelo seu valor n o ­
m inal, p o r m eio do IN PC , p o r força da Lei r\- 6.708/1979.
Pergunta: Pode haver benefício com valor inferior a um salário m ínim o?
Resposta: Sim, pensão por morte, por exemplo, quando é dividida pela m e­
tade entre esposa e com panheira, desde que o m orto recebesse benefício com
valor de um salário m ínim o ou já preenchesse os requisitos para recebê-lo.

E) Princípio da equidade na forma de participação no custeio


(art. 194, parágrafo único, V, da CF)
Este princípio é um desdobram ento d o princípio da igualdade, que esta­
belece que deve-se tratar igualm ente os iguais e desigualm ente os desiguais.
Para a seguridade social, significa dizer que quem tem m aior capacidade
contributiva irá co n tribuir com mais, e q u em tem m en o r capacidade, co n ­
tribuirá com m enos. O sistem a de participação no custeio tem que ser o
mais ju sto possível. A contribuição é feita de acordo com a capacidade eco­
nôm ica de cada um dos contribuintes, em presa e trabalhador.
T rata-se de princípio dirigido, precipuam ente, ao legislador o rd in ário
no m om ento da edificação d o sistem a co n tributivo destinado ao financia­
m ento da seguridade social. A seguridade social está legitim ada na ideia de
que, além dos direitos e liberdades, os indivíduos tam bém têm deveres para
com a com unidade na qual estão inseridos, e um desses deveres consiste
em pagar os tributos a fim de que o E stado possa im plem entar as políticas
sociais necessárias para a concretização d o bem com um .
Seguridade Social

F) Princípio da diversidade da base de financiamento (art. 194,


parágrafo único, VI, da CF)
Estabelece a CF, em seu art. 195, que a Seguridade Social será financiada
p o r to d a a sociedade, de form a direta e in d ireta, nos term os da lei, m ed ian te
recursos provenientes dos orçam entos d a União, Estados, D istrito Federal
e M unicípios, da em presa incidente sobre a folha, a receita, o lucro, a rem u ­
n eração paga ao trab alh ad o r e sobre a receita de concursos de prognósticos,
visando assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência
social (art. 195 da CF). A C onstituição prevê diversas bases de sustentação
do sistem a de seguridade social, com a finalidade de propiciar segurança e
estabilidade.
C o m o se vê, a base de financiam ento da Seguridade Social deve ser o
m ais variada possível, de m odo que oscilações setoriais não venham a co m ­
p ro m eter a arrecadação de contribuições. D iversas fontes propiciam m aio r
segurança ao sistem a, o qual não estaria sujeito a grandes flutuações de ar­
recadação, em virtu d e de algum problem a em contribuição específica.
As receitas dos Estados, D istrito Federal e M unicípios destinadas à Se­
g u rid ad e Social constarão dos respectivos orçam entos, não integrando o
o rçam ento da União.
A lém disso, o art. 195, § 4Ü, estabelece que lei da U nião poderá in stitu ir
o u tras fontes destinadas a garantir a m an u ten ção ou expansão da Segurida­
de Social desde que sejam não cum ulativas e tenham fato g erad o r e base de
cálculo diferente das contribuições sociais existentes.
Em síntese, o objetivo aqui é d im in u ir o risco financeiro do sistem a pro-
tetivo. Q uanto m aior o núm ero de fontes de recursos, m en o r será o risco de
a Seguridade Social sofrer perdas financeiras.

G) Princípio do caráter democrático e descentralizado da


administração (art. 194, parágrafo único, VII, da CF)
Esse princípio traduz-se na ideia de q u e a ad m in istração da Seguridade
Social perm ite a participação não apenas do Poder Público, mas tam bém
da sociedade, m ediante gestão q u a trip a rtite (trabalhadores, em presários e
aposentados).
O art. 10 da CF garante aos trabalhad o res e em pregadores participação
nos colegiados dos órgãos públicos em que haja discussão ou deliberação
sobre questões profissionais ou previdenciárias.
C abe à sociedade civil organizada p articip ar da gestão da Seguridade
Social indicando os representantes dos trabalhadores, dos em pregadores e
dos apoí»entados.
Direito Previdenciário para Concursos

Para M iguel H orvath Júnior, a dem ocracia na gestão significa efetiva


p articipação dos trabalhadores, em pregadores, aposentados e tam bém d o
G overno na adm inistração dos assuntos relativos à Seguridade Social de
m aneira equivalente, ou seja, a com posição dos órgãos deve se d a r de form a
igual en tre todos os m em bros. Assim, q u alq u er dispositivo que d isp o n h a
sobre a form a de com posição dos órgãos colegiados, de m o d o a confe­
rir u n ia m aior participação dos m em bros do G overno, está afro n tan d o o
caráter dem ocrático da gestão. A descentralização da gestão enco n tra-se
em consonância com a finalidade da Seguridade Social de p ro p o rcio n ar o
aten d im en to das necessidades básicas d o s indivíduos relacionadas com a
saúde* a Previdência Social e a assistência social. N ão teria sentido o co n sti­
tuinte prestigiar valores tão im portantes, com o saúde, Previdência Social e
assistência social, e deixá-los sobrestados na burocracia da A dm inistração
Pública. C om eleito, torna-se necessário que a atividade adm inistrativa se
desloque do Estado para outra pessoa ju ríd ica, que, no caso da Previdência
Social, é o Instituto N acional do Seguro Social, com a finalidade de aten d er
as expectativas dos interessados beneficiários.57

H) Princípio da preexistência ou precedência de custeio (art. 195,


§ 52, da CF)
O princípio da precedência do custeio em relação ao benefício ou serv i­
ço surge com a EC n12 11/1965, ao acrescentar o § 2Cao art. 157 da C o n sti­
tuição de 1946, com a seguinte redação:
nenhum a prestação de serviço de caráter assistencial ou de benefí­
cio com preendido na Previdência Social poderá ser criada, majora-
da ou estendida sem a correspondente fonte de custeio total.
N ota-se que o dispositivo constitucional m encionava não só benefício
da Previdência Social, mas tam bém serviço de caráter assistencial. Assim,
m esm o na assistência social, para a prestação de um serviço havia a neces­
sidade da precedência do custeio.
Este princípio visa o equilíbrio atuarial e financeiro do sistem a securi-
tário. A criação do benefício, ou m esm o a m era extensão de prestação já
existente, som ente será feita com a previsão da receita necessária.
A com petência para a U nião in stitu ir contribuições sociais decorre d o
enu n ciad o norm ativo contido no art. 149 da C onstituição. O s Estados e
M unicípios apenas podem criar contribuições destinadas ao financiam ento
dos seus regim es próprios de previdência.

17 Op. cit., p. 96-97.


Seguridade Social

Im p o rtan te salientar que as receitas da Seguridade Social constituem


o rçam ento próprio, restando im pedida sua aplicação em finalidade diversa
(art. 195 da CF).

2.2.3 Princípios constitucionais específicos

A) Solidariedade (também chamada de tríplice aliança)


A solidariedade tem sua origem na assistência social e, m ais do que u m
p rincípio, é um a característica da pessoa h u m an a que se apresenta em todos
os povos e tem pos passados e atuais. Surgiu com a união de certos grupos,
interessados no bem -estar social e princip alm en te preocupados com o tem ­
po em que não pudessem trabalhar. P ensando nesse tem po futuro, estas
pessoas se u n iram crian d o um fundo co m u m . Esse fundo com um era e é
form ado pelo desconto do salário, que visa co b rir as aposentadorias.
A ssim , a m aioria ajudaria a m inoria. Essa é a ideia de solidariedade,
várias pessoas de um d eterm in ad o g ru p o econom izando para g aran tir
benefícios a pessoas necessitadas. O art. 3U da CF traz com o um de seus
objetivos a construção de um a sociedade solidária e, com o consequência
desse preceito, tem os que cada pessoa co n trib u íra para a Seguridade Social
d e n tro da sua possibilidade.
Verifica-se a solidariedade na Seguridade Social q u an d o várias pesso­
as econom izam em conjunto para assegurar benefícios que necessitarem .
As contingências são distribuídas igualm ente a todas as pessoas do grupo.
Q u an d o um a pessoa é atingida pela contingência, todas as o utras c o n tin u ­
am c o n trib u in d o para a cobertura do benefício necessitado.

B) Preexistência do custeio em relação ao benefício


É a exigência de que, para qualquer criação, m ajoração ou extensão de
benefícios deve corresponder um a fonte de custeio total. Exige-se que, para
qualquer despesa, deva haver receita prévia, evitando-se um déficit na Seguri­
dade Social. A criação, m ajoração ou extensão dos benefícios exige do legisla­
d o r ordinário um a nova fonte de custeio, que deverá ser total e nunca parcial.
Q uadro sinótico

1. D ignidade d a pessoa hum ana;


Princípios 2. Igualdade;
C onstitucionais 3. Legalidade;
G erais 4. Liberdade;
5. C o n tra d itó rio e A m pla Defesa
Direito Previdenciário para Concursos

1. U niversalidade da co b ertu ra e do atendim ento;


2. U niform idade e equivalência dos benefícios e
serviços às populações urbanas e rurais;
Princípios 3. Seletividade e d istributividade na prestação dos
C onstitucionais serviços e benefícios;
p róprios da 4. Irredutibilidade d o valor dos benefícios;
Seguridade 5. Equidade na form a de participação e custeio;
Social 6. D iversidade d a base de financiam ento;
7. C aráter descentralizado e dem ocrático da A d­
ministração;
8. Preexistência de custeio.

Princípios 1. Solidariedade;
C onstitucionais 2. Preexistência do custeio em relação ao b en e­
Específicos fício.

2.3 Financiamento para a Seguridade Social


Segundo com ando constitucional, a Seguridade Social, principal in stru ­
m ento de prom oção da proteção social, será financiada p o r to d a a sociedade
(governo, em presas e trabalhadores), de form a direta e indireta, nos term o s
do art. 195 da CF, m ediante recursos provenientes da União, dos Estados,
do D istrito Federal, dos M unicípios e d e contribuições sociais (art. 10 da
Lei nu 8.212/1991). Isso ocorreu com o advento da EC nü 20/1998.
O financiam ento da Seguridade Social fundam enta-se, basicam ente, no
p rin cíp io da solidariedade,
aqui traduzido pela exigência de um a participação engajada e cor-
responsável de toda sociedade, manifestada pela vontade geral que
se materializa na lei - e, por isso, torna-se obrigatória, e não apenas
ética - com o objetivo de auferir recursos, em um montante sig­
nificativo, que perm ita a esta sociedade destinar im portâncias em
dinheiro necessárias para a sobrevivência em padrões m ínim os de
dignidade, daqueles que não estão trabalhando por terem sido atin­
gidos por um evento indesejado, ou quando a realização de trabalho
não for socialmente recomendável.18
C om efeito, a Seguridade Social não será financiada, m as haverá custeio.
Não se trata de financiam ento, com o se fosse um em préstim o bancário, em

18 VELLOSO, Andrei Pitten; ROCHA, Daniel Machado da; BALTAZAR JÚNIOR,


José Paulo. Op. cit., p. 50.
Seguridade Social

que haveria necessidade de devolver o valor com juros e correção m o n e­


tária. T rata-se de custeio, o que é feito p o r m eio de contribuição social, a
reforçar o seu caráter contributivo.
De acordo com a C onstituição, o sistem a de custeio da Seguridade So­
cial a d o tad o no Brasil é m isto (“pilares m últiplos de proteção”), p o rq u an to
de form a direta o custeio é arrecadado p o r m eio de contribuições sociais
pagas p o r seus filiados (segurados e beneficiários), en q u an to que, na form a
indireta, pelos recursos percebidos de trib u to s, im postos, das pessoas ju rí­
dicas d e direito público de existência necessária (ex.: DPVAT).
C o m o se vê, as contribuições sociais não são a única fonte de custeio da
Seguridade Social. O s recursos necessários ao seu financiam ento virão d e
todos os entes federativos.

2.3.1 Forma indireta


A Seguridade Social é financiada pelo orçam ento fiscal da União, Esta­
dos, D istrito Federal e M unicípios, todavia, de m aneira oblíqua, quem real­
m ente sustenta os cofres Públicos é o povo, com efeito, de form a indireta a
sociedade tam bém banca essa prestação social.
C abe às leis orçam entárias dos respectivos entes políticos a fixação d o
m o n tan te a ser contribuído. A Lei de D iretrizes O rçam entárias - LDO da
U nião indicará as m etas a serem seguidas e as prioridades para a gestão da
Seguridade Social, ficando a cargo da Lei O rçam entária Anual - LOA, sem ­
pre p o r m eio de proposta feita pelos órgãos responsáveis pela saúde, previ­
d ência e assistência social, o respectivo percentual deste m ontante. Existem
tam bém leis orçam entárias nos Estados, D istrito Federal e M unicípios, as
quais disp o rão sobre o m o n tan te dos recursos à área da saúde nunca m enos
do q ue ficou estabelecido no art. 77 do ADCT, n o rm a que prevalece d ian te
da om issão legislativa com plem entar prevista no art. 198 da CF.

2.3.2 Forma direta


A segunda form a de custear a Seguridade Social é feita de m aneira d i­
reta, sem pre p o r m eio de pagam ento das cham adas contribuições para a
Seguridade Social.
O ente político com petente, segundo o art. 149 da CF, para instituí-las é
a U niào (com petência legislativa), en tretan to , o § 1- dispõe que:
Art. 149. (...)
§ Ia Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão con­
tribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício
destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota
não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos
efetivos da União.
Direito Previdenciário para Concursos

O u seja, a com petência daquela é relativa.


Vale ressaltar que existem quatro tip o s diferentes de contribuições de
com petência da União, duas de âm bito social: as contribuições sociais ge­
rais (art. 149 da CF) e as contribuições sociais dedicadas ao financiam ento
da Seguridade Social (art. 195 da CF); e outras duas: um a de intervenção
no d o m ín io econôm ico, e a últim a, de interesse de categorias profissionais
ou econôm icas.

2.3.3 Natureza jurídica


A d o u trin a vem debatendo m uito acerca da natureza ju ríd ica das co n ­
tribuições sociais. Várias teorias foram criad as para solucionar o assunto,
a saber: Teoria do Prêm io do Seguro (a natureza ju ríd ica da contribuição
para a Seguridade Social eqüivale ao prêm io de seguro pago pelo pactu an -
te beneficiário às com panhias seguradoras); Teoria do Salário D iferido (a
natureza jurídica da contribuição seria considerada u m “salário diferido’’
d irecio n an d o -se a pecúnia, igualm ente, à Seguridade Social, o que proveria,
futuram ente, o trab alh ad o r d en tro das hipóteses legais de adm issibilidade,
a exem plo de sua vindoura aposentadoria); Teoria do Salário Social (a co n ­
tribuição social diz respeito ao salário percebido pelo em pregado, que se­
ria devido pela sociedade ao trabalhado r); Teoria do Salário Atual; Teoria
Fiscal (a contribuição social se caracteriza com o um a obrigação trib u tária
p o r ser um valor obrigatório adim plido ao Estado visando à capitalização
de n u m e rá rio para sustentar a Seguridade Social); Teoria Parafiscal (atri­
bui a natureza tributária da contribuição social, m as com a característica
de estar destinada a algo preestabelecido) e Teoria da Exação S u i G eneris
(afasta a conexão da Seguridade Social com o D ireito Tributário, o que im ­
plica, desde já, dizer que não seria contribuição social nem tributo, d en tro
de suas espécies, e tam pouco contribuição parafiscal).
N o entanto, todas as teorias sofrem críticas, p o r isso devem os ficar com
a ideia de que as contribuições sociais são um a das espécies do gênero tri­
buto (entendim ento, hoje, pacífico).
N esse sentido é o entendim ento do C o len d o Suprem o T ribunal Federal,
senão vejamos:
Ação Declaratória de Constitucionalidade. Processo objetivo de
controle normativo abstrato. A necessária existência de contro­
vérsia judicial como pressuposto de admissibilidade da Ação De­
claratória de Constitucionalidade. Ação conhecida.
- O ajuizamento da ação declaratória de constitucionalidade, que
faz instaurar processo objetivo de controle normativo abstrato, su­
põe a existência de efetiva controvérsia judicial em torno da legiti­
midade constitucional de determ inada lei ou ato normativo federal.
Seguridade Social

- Sem a observância desse pressuposto de admissibilidade, torna-se


inviável a instauração do processo de fiscalização normativa in abs-
tractOy pois a inexistência de pronunciam entos judiciais antagônicos
culm inaria por converter, a ação declaratória de constitucionalida-
de, em um inadmissível instrum ento de consulta sobre a validade
constitucional de determ inada lei ou ato normativo federal, des­
caracterizando, por completo, a própria natureza jurisdicional que
qualifica a atividade desenvolvida pelo Supremo Tribunal Federal.
- O Supremo Tribunal Federal firmou orientação que exige a com ­
provação liminar, pelo autor da ação declaratória de constitucionali-
dade, da ocorrência, “em proporções relevantes”, de dissídio judicial,
cuja existência - precisamente em função do antagonismo inter-
pretativo que dele resulta - faça instaurar, ante a elevada incidência
de decisões que consagram teses conflitantes, verdadeiro estado de
insegurança jurídica, capaz de gerar um cenário de perplexidade so­
cial e de provocar grave incerteza quanto à validade constitucional
de determ inada lei ou ato norm ativo federal.
Ação Declaratória de Constitucionalidade. Outorga de medida
cautelar com efeito vinculante. Possibilidade.
- O Supremo Tribunal Federal dispõe de competência para exercer,
em sede de ação declaratória de constitucionalidade, o poder geral
de cautela de que se acham investidos todos os órgãos judiciários,
independentem ente de expressa previsão constitucional. A prática
da jurisdição cautelar, nesse contexto, acha-se essencialmente vo­
cacionada a conferir tutela efetiva e garantia plena ao resultado que
deverá em anar da decisão final a ser proferida no processo objetivo
de controle abstrato. Precedente.
- O provim ento cautelar deferido, pelo Supremo Tribunal Federal,
em sede de ação declaratória de constitucionalidade, além de pro­
duzir eficácia erga omnesy reveste-se de efeito vinculante, relativa­
m ente ao Poder Executivo e aos demais órgãos do Poder Judiciário.
Precedente.
- A eficácia vinculante, que qualifica tal decisão - precisamente p or
derivar do vínculo subordinante que lhe é inerente - , legitima o uso
da reclamação, se e quando a integridade e a autoridade desse julga­
mento forem desrespeitadas.
Reserva constitucional de lei complementar. Incidência nos casos
taxativamente indicados na Constituição. Contribuição de Segu­
ridade Social devida por servidores públicos federais em ativida­
de. Instituição mediante lei ordinária. Possibilidade.
Direito Previdenciário para Concursos

- Não se presume a necessidade de edição de lei complementar, pois


esta é somente exigível nos casos expressamente previstos na Cons­
tituição. Doutrina. Precedentes.
- O ordenam ento constitucional brasileiro - ressalvada a hipótese
prevista 110 art. 195» $ 412, da Constituição - não submeteu, ao d o ­
mínio normativo da lei complementar, a instituição e a majoração
das contribuições sociais a que se refere o art. 195 da Carta Política.
- Tratando-se de contribuição incidente sobre servidores públicos
federais em atividade - a cujo respeito existe expressa previsão ins­
crita 110 art. 40, caput, e § 12, c/c o art. 195, II, da Constituição, na
redação dada pela EC 20/98 - revela-se legítima a disciplinação do
tema mediante simples lei ordinária. Precedente: ADI nü 2.010-MC/
DF, Rei. Min. Celso de Mello.
- As contribuições de seguridade social - inclusive aquelas que in ­
cidem sobre os servidores públicos federais em atividade - , em bora
sujeitas, como qualquer tributo, às norm as gerais estabelecidas na
lei com plem entar a que se refere o art. 146, III, da Constituição, não
dependem, para o específico efeito de sua instituição, da edição de
nova lei complementar, eis que, precisamente por não se qualifica­
rem como impostos, torna-se inexigível, quanto a elas, a utilização
dessa espécie normativa para os fins a que alude o art. 146, III, “a”,
segunda parte, da Carta Política, vale dizer, para a definição dos res­
pectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes. Preceden­
te: R T I143/313-314.
A Constituição da República não admite a instituição da con­
tribuição de Seguridade Social sobre inativos e pensionistas da
União.
- A Lei nu 9.783/99, ao dispor sobre a contribuição de seguridade
social relativamente a pensionistas e a servidores inativos da União,
regulou, indevidamente, m atéria não autorizada pelo texto da Carta
Política, eis que, não obstante as substanciais modificações intro­
duzidas pela EC n- 20/98 no regime de previdência dos servidores
públicos, o Congresso Nacional absteve-se, conscientemente, no
contexto da reforma do m odelo previdenciário, de fixar a necessária
matriz constitucional, cuja instituição se revelava indispensável para
legitimar, em bases válidas, a criação e a incidência dessa exação
tributária sobre o valor das aposentadorias e das pensões.
- O regime de previdência de caráter contributivo, a que se refere
o art. 40, caputy da Constituição, na redação dada pela EC nü 20/98,
foi instituído, unicamente, em relação “Aos servidores titulares de
cargos efetivos...” inexistindo, desse modo, qualquer possibilidade
jurídico-constitucional de se atribuir, a inativos e a pensionistas
Seguridade Social

da União, a condição de contribuintes da exação prevista na Lei


n“ 9.783/99. Interpretação do art. 40, §§ 8Ue 12, c/c o art. 195, II,
da Constituição, todos com a redação que lhes deu a EC nc 20/98.
Precedente: ADI nfl 2.010-MC/DF, Rei. Min. Celso de Mello.
O regime contributivo é, por essência, um regime de caráter em inen­
temente retributivo. A questão do equilíbrio atuarial (CF, art. 195,
§ 5U). Contribuição de seguridade social sobre pensões e proventos:
ausência de causa suficiente.
- Sem causa suficiente, não se justifica a instituição (ou a majoração)
da contribuição de seguridade social, pois, no regime de previdên­
cia de caráter contributivo, deve haver, necessariamente, correlação
entre custo e benefício.
- A existência de estrita vinculação causal entre contribuição e be­
nefício põe em evidência a correção da fórmula segundo a qual não
pode haver contribuição sem benefício, nem benefício sem contri­
buição. D outrina. Precedente do STF.
A contribuição de seguridade social dos servidores públicos em ati­
vidade constitui modalidade de tributo vinculado.
- A contribuição de seguridade social, devida por servidores pú­
blicos em atividade, configura modalidade de contribuição social,
qualificando-se como espécie tributária de caráter vinculado, cons­
titucionalmente destinada ao custeio e ao financiamento do regime
de previdência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo.
Precedentes.
A garantia da irredutibilidade da remuneração não é oponível à
instituição/majoração da contribuição de seguridade social relativa­
mente aos servidores em atividade.
- A contribuição de seguridade social, como qualquer outro tributo,
é passível de majoração, desde que o aum ento dessa exação tribu­
tária observe padrões de razoabilidade e seja estabelecido em bases
moderadas. Não assiste ao contribuinte o direito de opor, ao Po­
der Público, pretensão que vise a obstar o aum ento dos tributos - a
cujo conceito se subsumem as contribuições de seguridade social
(RTJ 143/684 - RTJ 149/654) desde que respeitadas, pelo Estado,
as diretrizes constitucionais que regem, formal e materialmente, o
exercício da competência impositiva.
- Assiste, ao contribuinte, quando transgredidas as limitações cons­
titucionais ao poder de tributar, o direito de contestar, judicialm en­
te, a tributação que tenha sentido discrim inatório ou que revele ca­
ráter confiscatório.
- A garantia constitucional da irredutibilidade da rem uneração de­
vida aos servidores públicos em atividade não se reveste de cará­
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ter absoluto. Expõe-se, por isso mesmo, às derrogações instituídas


pela própria Constituição da República, que prevê, relativamente ao
subsídio e aos vencimentos “dos ocupantes de cargos e empregos
públicos” (CF, art. 37, XV), a incidência de tributos, legitimando-se,
desse modo, quanto aos servidores públicos ativos, a exigibilidade
da contribuição de seguridade social, mesmo porque, em tema de
tributação, há que se ter presente o que dispõe o art. 150, II, da Carta
Política. Precedentes: «7783/74 - RTJ 109/244 - RTJ 147/921,925 -
ADIN nc 2.010-MC/DF, Rei. Min. Celso de Mello.
Contribuição de seguridade social. Servidores em atividade. Estrutu­
ra progressiva das alíquotas: a progressividade em matéria tributária
supõe expressa autorização constitucional. Relevo jurídico da tese.
- Relevo jurídico da tese segundo a qual o legislador comum , fora
das hipóteses taxativamente indicadas no texto da Carta Política,
não pode valer-se da progressividade na definição das alíquotas per­
tinentes à contribuição de seguridade social devida por servidores
públicos em atividade.
- Tratando-se de matéria sujeita a estrita previsão constitucional -
CF, art. 153, § 2Ü, I; art. 153, § 4U; art. 156, § l ü; art. 182, § 4“, II;
art. 195, § 92 (contribuição social devida pelo empregador) - ine-
xiste espaço de liberdade decisória para o Congresso Nacional, em
tema de progressividade tributária, instituir alíquotas progressivas
em situações não autorizadas pelo texto da Constituição. Inaplicabi-
lidade, aos servidores estatais, da norm a inscrita no art. 195, § 9Ü, da
Constituição, introduzida pela EC na 20/98.
- A inovação do quadro norm ativo resultante da promulgação da
EC n“ 20/98 - que introduziu, na C arta Política, a regra consubs­
tanciada no art. 195, § 9U(contribuição patronal) - parece tornar
insuscetível de invocação o precedente firmado na ADIN n2 790/
DF (RTJ 147/921).
A tributação confiscatória é vedada pela Constituição da República.
- A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal entende cabível, em
sede de controle normativo abstrato, a possibilidade de a Corte exa­
minar se determinado tributo ofende, ou não, o princípio constitucio­
nal da não confiscatoriedade, consagrado no art. 150, IV, da Consti­
tuição. Precedente: ADIN nu>2.010-MC/DF, Rei. Min. Celso de Mello.
- A proibição constitucional d o confisco em matéria tributária nada
mais representa senão a interdição, pela Carta Política, de qualquer
pretensão governamental que possa conduzir, no campo da fiscali-
dade, à injusta apropriação estatal, no todo ou em parte, do patrim ô­
nio ou dos rendimentos dos contribuintes, com prom etendo-lhes,
pela insuportabilidade da carga tributária, o exercício do direito a
Seguridade Social

uma existência digna, ou a prática de atividade profissional lícita


ou, ainda, a regular satisfação de suas necessidades vitais (educação,
saúde e habitação, por exemplo).
- A identificação do efeito confiscatório deve ser feita em função da
totalidade da carga tributária, mediante verificação da capacidade
de que dispõe o contribuinte - considerado o montante de sua ri­
queza (renda e capital) - para suportar e sofrer a incidência de todos
os tributos que ele deverá pagar, dentro de determ inado período, à
mesma pessoa política que os houver instituído (a União Federal, no
caso), condicionando-se, ainda, a aferição do grau de insuportabi-
lidade econômico-financeira, à observância, pelo legislador, de pa­
drões de razoabilidade destinados a neutralizar excessos de ordem
fiscal eventualmente praticados pelo Poder Público.
- Resulta configurado o caráter confiscatório de determ inado tribu­
to, sempre que o efeito cum ulativo - resultante das múltiplas inci­
dências tributárias estabelecidas pela mesma entidade estatal - afe­
tar, substancialmente, de m aneira irrazoável, o patrim ônio e/ou os
rendim entos do contribuinte.
- O Poder Público, especialmente em sede de tributação (as contri­
buições de seguridade social revestem-se de caráter tributário), não
pode agir imoderadam ente, pois a atividade estatal acha-se essen­
cialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade.
A contribuição de seguridade social possui destinação constitucio­
nal específica.
- A contribuição de seguridade social não só se qualifica como m oda­
lidade autônoma de tributo {RTJ 143/684), como também represen­
ta espécie tributária essencialmente vinculada ao financiamento da
seguridade social, em função de específica destinação constitucional.
- A vigência temporária das alíquotas progressivas (art. 2U da Lei
nü 9.783/99), além de não im plicar concessão adicional de outras
vantagens, benefícios ou serviços - rompendo, em consequência, a
necessária vinculação causal que deve existir entre contribuições e
benefícios {RTJ 147/921) - constitui expressiva evidência de que se
buscou, unicamente, com a arrecadação desse plus, o aumento da
receita da União, em ordem a viabilizar o pagamento de encargos
(despesas de pessoal) cuja satisfação deve resultar, ordinariam ente,
da arrecadação de impostos. Precedente: ADIN n- 2.010-MC/DF,
Rei. Min. Celso de Mello (ADC-M C nü 8/DF, Rei. Min. Celso de
Mello, D) de 4-4-2003, p. 38, Ement. vol. 2105-01, p. I).
Por consequência disso, não se e n q u ad ra d en tro das quatro espécies
contidas na C onstituição Federal (im posto, taxa, contribuição de m elhoria
e em préstim o com pulsório). Logo, seria um a quinta espécie de tributo.
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A opção se faz, pois a d o u trin a m ajoritária, seguindo a ju risp ru d ên cia


do STF (RR nc 138.284/CE), tam bém en ten d e desta form a, os principais
argum entos são:
1. A intrínseca relação entre o instituto das contribuições sociais e o d irei­
to tributário (aplicação dos arts. 144, 113, 119, 121, todos do C TN , às
contribuições sociais).
2. O texto constitucional atual concretizou a natureza trib u tária das co n ­
tribuições sociais ao instituir sua posição no capítulo sobre o Sistem a
T ributário Nacional.
3. O art. 149 da CF dispõe que as contribuições sociais só podem ser exi­
gidas m ediante lei com plem entar, respeitando-se os princípios da irre-
troatividade da lei e da anterioridad e. A inda, o aludido art. 149 exige
a observância do inc. III do art. 146 da C arta M agna (exigência de o b ­
servância da lei com plem entar para a fixação do fato gerador, base de
cálculo e contribuinte).
4. Total compatibilidade com o conceito de tributo expresso no art. 3“ do C T N .
Tal conclusão decorre, basicamente, do enquadram ento desta con­
tribuição no conceito de tributo e do regime atribuído às contri­
buições sociais, previstas dentro do Capítulo referente ao Sistema
Tributário Nacional.19
Km razão dessa natureza tributária, reconhecida inclusive pelo Suprem o
T ribunal Federal, as contribuições sociais obrigatoriam ente deverão observar
as lim itações constitucionais im postas ao poder de tributar. D entro de um a
visão taxonôm ica, as contribuições para a Seguridade Social são um a subes-
pécie d e contribuição social, espécie integrante do gênero dos tributos.20
Por fim, é bom deixar claro que nosso sistema tributário rom peu com a
velha concepção tripartida e adotou a divisão quinquipartida dos tributos, as­
sim, além dos impostos, taxas e contribuições de m elhoria, há tam bém os em ­
préstim os com pulsórios e as contribuições paraestatais ou sociais (arts. 149 e
195 da CF), das quais fazem parte as cont ribuições para a Seguridade Social.
O art. 195 da C onstituição prevê a instituição de contribuições sociais
d estinadas ao financiam ento da Seguridade Social, cuja cobrança p o d e ser
im plem entada independentem ente da edição de lei com plem entar.
O art. 11 da Lei nfl 8.212/1991 estabelece as fontes de financiam ento, a
saber:

19 IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso... cit.> 3. ed., 2003, p. 54.


20 VELLOSO, Andrei Pitten; ROCHA, Daniel Machado da; BALTAZAR JÚNIOR,
José Paulo. Op. cit., p. 56.
Seguridade Social

Art. 11. No âmbito federal, o orçam ento da Seguridade Social é


composto das seguintes receitas:
I - receitas da União;
II - receitas das contribuições sociais;
III - receitas de outras fontes.
Parágrafo único. Constituem contribuições sociais:
a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou credita­
da aos segurados a seu serviço;
b) as dos empregadores domésticos;
c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário de contribui­
ção;
d) as das empresas, incidentes sobre faturamento e lucro;
e) as incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos.

2.3.4 Contribuições para a Seguridade Social


C om o vim os, as contribuições sociais para a Seguridade Social são
aquelas que visam garantir o financiam ento da seguridade social, que, co n ­
form e o art. 194 da CF, destina-se a assegurar os direitos sociais relativos à
saúde,, à previdência e à assistência social. Sua instituição encontra-se regu­
lam entada no art. 195 da C arta Magna.

A) As previstas no art. 195 da CF, o qual atribui competência da


União para a criação das seguintes contribuições:
Art. 195 (...)
I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na
forma da lei, incidentes sobre:
a) a folha de salários e dem ais rendim entos do trabalho pagos ou
creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço,
mesmo sem vínculo empregatício;
b) a receita ou o faturamento;
c) o lucro;
II - do trabalhador e dos dem ais segurados da Previdência Social,
não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedi­
das pelo Regime Geral de Previdência Social de que trata o art. 201;
III - sobre a receita de concursos de prognósticos;
IV - do im portador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a
lei a ele equiparar.
C om efeito, o constituinte atendeu ao princípio da diversidade da base
de financiam ento da seguridade, definin d o diversas fontes de custeio.
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B) Contribuições para os Programas de Integração Social e de


Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP
(art. 239 da CF)
É resultante da unificação dos fun d o s constituídos com recursos d o
Program a de Integração Social - PIS, criad o p o r m eio da LC n- 7/1970, e
do P rogram a de Form ação do P atrim ônio do Servidor Público - PASEP,
in stitu íd o pela LC n“ 8/1970.
São objetivos do PIS e do PASEP:
1. Integrar o em pregado na vida e no desenvolvim ento das em presas;
2. A ssegurar ao em pregado e ao serv id o r público o u sufruto de p a trim ô ­
nio individual progressivo;
3. E stim ular a poupança e corrigir distorções na distribuição de renda; e
4. Possibilitar a paralela utilização dos recursos acum ulados em favor d o
desenvolvim ento econôm ico-social.
C om a prom ulgação da C onstituição Federal em 1988, estes objetivos
foram m odificados pelo art. 239, v incu lan d o -se a arrecadação do PIS-PA­
SEP ao custeio do seguro-desem prego e do abono aos em pregados com
m édia de até dois salários m ínim os de rem u n eração m ensal, e a financiar
program as de desenvolvim ento econôm ico p o r m eio do BNDES.

C) Outras fontes
Em razão do princípio da m anutenção do equilíbrio financeiro e atu a­
rial, p o d em ser instituídas outras fontes d e custeio para a Seguridade Social,
desde que observados os requisitos da prévia edição de lei com plem entar e
da n ão cum ulatividade, as quais devem ser observadas (art. 195, § 4U, da CF).
As contribuições para a Seguridade Social são:
1) Do empregador, da empresa e da entidade a ela equipa­
rada na forma da lei, incidentes sobre:
a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pa­
gos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe
preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;
b) a receita ou o faturamento;
Compete à União a
c) o lucro;
criação das seguintes
2) Do trabalhador e dos demais segurados da Previdência
contribuições:
Social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e
pensão concedidas pelo Regime Geral de Previdência Social
de que trata o art. 201;
3) Sobre a receita de concursos de prognósticos (Loterias);
4) Do importador de bens ou serviços do exterior, ou de
quem a lei a ele equiparar.____________________________
Seguridade Social

Contribuições para os
É resultante da unificação dos fundos constituídos com
Programas de Integração
recursos do Programa de Integração Social - PIS, criado
Social e de Formação do
por meio da LC nc 7/1970, e do Programa de Formação do
Patrimônio do Servidor
Patrimônio do Servidor Público - PASEP, instituído pela LC
Público - PIS/PASEP
n- 8/1970.
(art. 239 da CF).
Podem ser instituídas outras fontes de custeio para a Segu­
ridade Social, desde que observados os requisitos da prévia
Outras fontes
edição de lei complementar e da não cumulatividade, as
quais devem ser observadas (art. 195, § 4*. da CF).

2.3.5 Competência para instituir novas contribuições


A U nião tem com petência residual p ara in stitu ir novas contribuições,
segundo dispõe o art. 1 5 4 ,1, com binado com o art. 195, § 4Ü, am bos da CF.
O u tras fontes de custeio para am pliação da proteção prevista pela Seguri­
dade Social podem ser instituídas desde que observados os requisitos da
prévia edição de lei com plem entar e da n ão cum ulatividade, as quais devem
ser observadas nos term os do art. 195, § 4L\
A ssunto esse bem controvertido, todavia, o STF já se pro n u n cio u a res­
peito, en ten d en d o que se exige lei com p lem en tar para a criação de novas
contribuições sociais (requisito form al), não havendo necessidade de in o ­
var em face de base de cálculo e fato g erad o r de im postos já previstos na
C arta Política (requisitos m ateriais).
Para Daniel M achado da Rocha, A ndrei Pitten Velloso e José Paulo Bal­
tazar Júnior,
conquanto a Constituição tenha vedado expressamente a bitribu-
tação e o chamado bis in idem, em conform idade com a dicção do
Pretório Excelso, inexiste vedação entre identidade de fato gerador e
base de cálculo entre impostos e contribuições da seguridade social.
Assim, uma nova contribuição poderia ter a mesma base de cálculo
de um imposto já existente, m as não de outra contribuição.21
Logo, a U nião pode instituir novas contribuições de seguridade que te ­
nham fato gerador de im postos, já disciplinados na C onstituição Federal,
no entanto, não pode haver repetição em relação a fato gerador ou base d e
cálculo de contribuições já consignadas pela C onstituição Federal.
C onstituem , igualm ente, com o receitas previdenciárias:
a) 50% do p roduto da venda de bens apreen d id o s em razão do crim e d e
tráfico de entorpecentes (art. 243, parágrafo único, da CF);

21 Op. cit., p. 58.


Direito Previdenciário para Concursos

b) 40% d o p ro d u to da venda de bens apreen d id o s pela Secretaria da Recei­


ta Federal - SRF;
c) 50% do valor total do prêm io recolhido pelas seguradoras em razão d o
seguro de veículos autom otores em vias terrestres e destinados ao Sistema
Ú nico de Saúde. A Lei nc 9.503/1997 estabelece que, daquele valor, 10%
devem ser repassados ao C oordenad o r do Sistema Nacional de Trânsito
p ara aplicação em program as de prevenção de acidentes de trânsito.

2.3.6 Competência ex officio da Justiça do Trabalho para cobrança


de contribuições previdenciárías
D ispõe o art. 114, § 32, da C arta M agna que com pete à Justiça do Traba­
lho executar, de ofício, as contribuições sociais previstas no art. 1 9 5 ,1, at e
II, e seus acréscim os legais, decorrentes das sentenças que proferir.
A finalidade aqui foi a de controlar a notória evasão fiscal existente nes­
sa área, d eterm in an d o que as contribuições previdenciárías decorrentes de
sentenças proferidas ou acordos hom ologados pela Justiça d o Trabalho se­
jam executadas de oficio, ou seja, in d ep en d en te de provocação da autarquia
previdenciária.

2.3.7 Regime jurídico das contribuições sociais


C om efeito, com o vim os, apesar de te r natureza ju ríd ica de tributo, seu
regim e ju ríd ico constitucional é totalm en te diferente das dem ais espécies
trib u tárias (im postos e taxas).
Este regim e ju ríd ico diferenciado consiste na(s):
1. Exceção ao princípio da anterioridadc - as contribuições sociais n ão são
alcançadas pelo art. 150, III, fr, da CF, p o d en d o ser instituídas no m es­
m o exercício financeiro, todavia só p o d em ser exigidas depois de d eco r­
rid o o período de vacatio legis de 90 dias da data de publicação da lei que
as houver instituído ou m odificado (art. 195, § 62, da CF);
2. Vinculação orçamentária de receita - significa dizer que a receita arreca­
d ad a com as contribuições de seguridade tem finalidade específica, qual
seja, a Seguridade Social. Existem contribuições ainda m ais específicas
(vide arts. 167, XI, 1 9 5 ,1, a, e II, e 201, todos da CF);
3. Desnecessidade de criação por lei com plem entar - q u an d o já in stitu íd as
pela C onstituição Federal, as contribuições de seguridade podem ter
seu fato gerador, sua base de cálculo e a definição de seus co n trib u in tes
instituídos ou m ajorados p o r lei ordinária;
4. Regras especiais de im unidade - regras estas dispostas na C onstituição
Federal, nos dispositivos:
a) A rt. 150, VI;
b) A rt. 195, § 7fi;
Seguridade Social

c) A rt. 195, II;


d) A rt. 149, § 2C, I.

2.4 Prescrição e decadência


A prescrição e a decadência são institutos que tratam dos efeitos ge­
rados pelo decurso do tem po nas relações jurídicas em geral. Sua origem
vem d o Direito Civil, m as encontra-se tam b ém em outros ram os do D ireito,
com o no D ireito Penal e Tributário.

2.4.1 Decadência
D ecadência é o decurso do prazo q u e extingue o direito m aterial, que
não se interrom pe nem se suspende.
E m se tratan d o de D ireito T ributário, a decadência consiste na perda d o
d ireito à constituição form al do crédito tributário, p o r decurso de prazo,
p o r m eio do lançam ento tributário.
O p erad a a decadência, não terá m ais o Fisco o direito de exigir o seu
crédito. A decadência sanciona a sua inércia, m anifestada p o r cinco anos,
prazo que vale para os tributos de lançam en to p o r hom ologação, lançam en­
to p o r declaração ou, ainda, lançam ento de ofício (arts. 150, § 4“, e 173,
am bos do C TN ).
O direito m aterial do Fisco se aperfeiçoa com o lançam ento e a notifi­
cação do sujeito passivo. Logo, a decadência deve ser verificada no p erío d o
a n te rio r ao lançam ento tributário definitivo, haja vista que o prazo fatal ex­
tingue o direito fiscal.
A decadência em m atéria previdenciária era regulada pelo art. 45, I e
II, da Lei na 8.212/1991, o qual previa o prazo de dez anos para apuração e
constituição dos créditos da Seguridade Social.
C ontudo, referido artigo foi declarado inconstitucional pela Súmula Vin-
culante nü 8 do STF. O s m inistros do Suprem o Tribunal Federal sum ularam
o entendim ento de que os dispositivos q u e tratam dos prazos de prescrição
e decadência em m atéria tributária são inconstitucionais. Logo, o prazo para
lançam ento e execução das contribuições previdenciárias voltou a ser de cin ­
co anos, conform e estabelecido pelo C ódigo T ributário Nacional.
N o que se refere aos efeitos, vale ressaltar que a súm ula vinculante ap ro ­
vada p o r 2/3 dos m em bros do STF tem o m esm o efeito de um a decisão
proferida em sede de Ação D eclaratória de Inconstitucionalidade ou Ação
D eclaratória de C onstitucionalidade, ou seja, produzirá eficácia co n tra to ­
dos e efeito vinculante, relativam ente aos dem ais órgãos do Poder Judiciá­
Direito Previdenciário para Concursos

rio e à A dm inistração Pública direta e indireta, e no âm bito das três esferas


políticas.
C ontagem do p ra zo
Há três form as de contagem desse prazo, a saber:
Ia) a p a rtir do 1L’ dia útil do exercício seguinte àquele em que o crédito p o ­
d eria ter sido constituído;
2a) a p a rtir da data em que se to rn o u definitiva a decisão que houver an u la­
do, p o r vício form al, a constituição d o crédito an terio rm en te efetuada;
3a) a p a rtir da data da notificação do sujeito passivo de m edida preparatória
p ara o lançam ento.
O c o n trib u in te tem o prazo de cinco anos para pleitear a restituição ou
com pensação, a co n tar da data do pagam ento do recolhim ento indevido
ou da data em que to rn a r definitiva a decisão adm inistrativa ou passar em
julgado a sentença judicial que tenha reform ado, anulado ou revogado a
decisão condenatória.

Atenção:
Para pleitear a revisão de benefícios, o segurado ou beneficiário terá o prazo
de dez anos. a contar do dia 1fi do mês seguinte ao do recebimento da pri­
meira prestação ou, em alguns casos, do dia seguinte ao que tomar conhe­
cimento da decisão de indeferimento definitiva no âmbito administrativo,
salvo nos casos de má-fé do beneficiário.

Para fins de desconstituição de exigência fiscal, o co n trib u in te tem o


prazo de 180 dias, a contar da data da intim ação da decisão do litígio do
processo adm inistrativo fiscal pelo INSS.

2.4.2 Prescrição
P rescrição é o decurso de prazo qu e extingue o direito do Fisco (exe-
q uente) de ingressar com a ação de execução. O direito m aterial continua a
existir, m as não pode ser exercitado, p o rq u e extinto o direito de ação.
O p erad a a prescrição, não terá o Fisco o direito à exequibilidade. Para
diferenciar prescrição e decadência, p o d em o s dizer que a decadência in ter­
fere n a exigibilidade do crédito trib u tário e a prescrição afeta a exequibili­
dade d o crédito.
A prescrição era regulada pelo art. 46 da Lei n- 8.212/1991, que estabe­
lecia q ue o direito de cobrar os créditos da Seguridade Social prescrevia em
dez anos, contados da data de sua constituição. N o entanto> este artigo foi
revogado pela LC ny 128/2008.
A inda tem os a Súm ula V inculante nü 8 do STF, que aduz:
Seguridade Social

Súm. nü 8. São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5Udo


Decreto-Lei nu 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nu 8.212/1991,
que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
A ssim sendo, o direito do Fisco de cob rar os créditos da Seguridade
Social passa a prescrever em cinco anos, contados da data da sua co n sti­
tuição, seguindo o m odelo geral estabelecido e ad o tad o no nosso C ódigo
T ributário Nacional.
E, para o contribuinte, a lei estabelece o prazo de cinco anos p ara plei­
tear prestações vencidas, restituições ou diferenças, a contar da data em que
deveriam ter sido pagas, bem com o p ara ingressar com ação relativa a aci­
d ente de trabalho, a contar do acidente, q u an d o dele resultar a m orte ou a
incapacidade tem porária, verificada em perícia m édica a cargo da Previ­
d ência Social, ou da data em que for reconhecida pela Previdência Social a
incapacidade p erm an en te ou o agravam ento das seqüelas do acidente.
C ontagem do p ra zo
O início do prazo de prescrição com eça com a notificação do lançam en­
to fiscal, se não houver recurso adm inistrativo. Se houver, ocorre a su sp en ­
são d o crédito trib u tário e a prescrição corre som ente com o térm in o d o
p rocedim ento adm inistrativo. O m esm o se aplica em se tratan d o de auto
de infração.
Vale aqui dizer que a prescrição é in terro m p id a pela distribuição da exe­
cução judicial, protesto judicial, ato judicial que constitua em m ora o d e­
vedor, ato inequívoco, m esm o que extrajudicial, que im porte no reconheci­
m ento do débito pelo devedor, bem com o a citação judicial e despacho que
d e te rm in a r a citação do devedor.
Por fim, pode-se p o n d erar que a suspensão d o prazo prescricional o cor­
re nas hipóteses previstas no art. 151 do C TN , a saber:
• m oratória;
• depósito integral do m ontante do débito;
• reclam ações e recursos, nos term os d a legislação que regula o processo
adm inistrativo tributário;
• concessão de lim in ar em m an d ad o de segurança;
• concessão de lim inar ou antecipação de tutela em outras ações;
• parcelam ento.

2.5 Remissão e anistia


A remissão é espécie de extinção do crédito tributário, significa p erd ão
total ou parcial do crédito já lançado pela pessoa com petente. Não se co n ­
funde com a anistia, a qual tam bém é form a de extinção do crédito trib u ­
Direito Previdenciário para Concursos

tário, todavia tem natureza de p enalidad e decorrente do d escu m p rim en to


da lei trib u tária, presum indo-se nesta q u e o crédito ainda não foi lançado.
O art. 195, § 11, da CF veda a concessão de rem issão ou anistia das
contribuições previdenciárías incidentes sobre folha de salários e dem ais
rendim entos dos trabalhadores (art. 1 9 3 ,1, a , e II, da CF). Logo, p erm ite a
concessão às dem ais contribuições de Seguridade Social e tam bém a valores
abaixo do p atam ar a ser fixado p o r lei com plem entar.
CAPÍTULO

LEGISLAÇÃO
PREVIDENCIARIA
Legislação Previdenciária

3.1 Fontes do Direito Previdenciário


Q u a n d o se fala em legislação, im agina-se um conjunto de n o rm as so­
bre um d eterm in ad o ram o do o rd en am en to jurídico, supondo, o utrossim ,
de o n d e vêm essas norm as de direito e as fontes de o n d e em anaram seus
preceitos.
Por “fonte do direito” designamos os processos ou meios em virtude
dos quais as regras jurídicas se positivam com legítima força obri­
gatória, isto é, com vigência e eficácia no contexto de uma estrutura
normativa22
Passando para o D ireito Previdenciário, seria o n d e este encontra seu
fundam ento, sua própria razão de ser.
A d o u trin a divide as fontes em form ais e m ateriais, todavia, para nós,
im p o rta saber quais são as fontes form ais (m o d o pelo qual o direito se ex-
terioriza) do D ireito Previdenciário, po sto que as fontes m ateriais (fatores
econôm ico, sociológico, filosófico, que obrigam o surgim ento das fontes
form ais) são de cu n h o político e não tan to jurídico.
O D ireito Previdenciário é regulado pelas seguintes fontes formais:
1. C onstituição Federal
A atual C arta Republicana criou um subsistem a de proteção social de­
n o m in ad o de Seguridade Social, com posto de norm as e princípios referen­
tes à saúde, à assistência social e à Previdência Social, co n ten d o inúm eros
dispositivos sobre a m atéria (arts. l u, 6U, 7 Ü, 10, 22, XXIII, 23, II, 24, XII, 30,
VII, 149, § l u, 194, 195 e 239), prevendo as fontes de custeio, bem com o
estabelecendo regras sobre concessão d e benefícios, além de prever a coe­
xistência de diversos regim es de previdência.
2. Em enda Constitucional
D esde que observados os lim ites traçad o s pela própria C onstituição (li­
m itações form ais e m ateriais), as E m endas C onstituições tam b ém são espé­
cies d e fontes do D ireito Previdenciário.
N o que se refere às lim itações m ateriais, de acordo com o Professor lo ­
nas D eda G onçalves,2' discute-se se os d ireito s previdenciários podem ser
objeto de em enda constitucional, pois são direitos sociais. Q uem defende
essa possibilidade alega que o § 4y do art. 60 da C onstituição veda a delibe­
ração sobre proposta de em enda ten d en te a abolir os “direitos e garantias
individuais”, expressão m ais restrita que “direitos fundam entais”, que a b ra n ­

22 REALE, Miguel. Lições preliminares de direito. 24. ed. Sào Paulo: Saraiva, 1999. p.
140.
23 GONÇALVES, lonas Deda. Direito previdenciário. Coleção Curso e Concurso.
São Paulo: Saraiva, 2005. p. 39.
Direito Previdenciário para Concursos

geria os direitos sociais (direitos de 2Ügeração). A m atéria é controversa d o


p o nto de vista doutrinário. O fato é que a C onstituição não proíbe expres­
sam ente em enda sobre m atéria previdenciária e que existem várias delas já
editadas e subm etidas ao crivo do STF.
N o mais, pode-se afirm ar que várias em endas constitucionais ajudaram
na co n stru ção do sistem a previdenciário: EC nfi 12/1996, EC nu 20/1998, EC
nü 21/1999, EC nc 31 /2000, EC nfl 37/2002, EC nu 41 /2003 e EC na 42/2003.
3. Lei com plem entar
A C onstituição Federal entrega a responsabilidade às leis com plem enta-
res, das seguintes matérias:
1“) Para a criação de novas fontes de custeio (art. 195, § 4Ü, da CF);
2a) A função de disciplinar sobre condições especiais p ara a concessão de
ap o sen tad o ria para os trabalhadores que laboram em condições que
prejudiquem sua saúde ou integridad e física.
As leis com plem entares em vigor hoje, no nosso sistem a, disciplinando
m atéria previdenciária são:
a) LC n ^ 7 e 8 de 1970: criaram dois program as sociais, o Program a de
Integração Social - PIS e o Program a de form ação do Patrim ônio d o
Serviço Público - PASEP, fundos estes recepcionados pela atual C o n sti­
tuição Federal, a qual restabeleceu a direção de seus recursos p ara o a tu ­
al Fundo de A m paro ao T rabalhador - FAT (art. 239), passando, assim ,
a financiar dois o utros program as de seguridade social:
- O program a do seguro-desem prego.
- O program a do abono anual.
b) LC nü 70/1991: criou a C ontribuição p ara Financiam ento da Seguridade
Social - COFINS.
c) LC nü 108/2001: dispõe sobre a relação entre Poderes Públicos e suas
entidades de previdência com plem en tar (Previdência Privada).
d) LC nu 109/2001: trata do regim e de Previdência C o m p lem en tar (Previ­
dência Privada).
e) LC n u 111/2001: criou o Fundo de C om bate à erradicação da pobreza.
4. Legislação ordinária
A m aio r concentração de norm as sobre a Previdência Social está d isci­
plinada em legislação ordinária, existin d o várias espécies, a saber:
a) Lei ordinária propriam ente dita
É a fonte principal do D ireito Previdenciário. Temos as seguintes leis
o rd in árias que ajudam a co m p o r o sistem a:
1. Lei nc 8.080/1990: instituiu o Sistem a Ú nico de Saúde - SUS;
Legislação Previdenciária

2. Lei nü 8.212/1991: Lei de O rganização e C usteio da Seguridade So­


cial;
3. Lei nü 8.213/1991: plano de benefícios do Regim e G eral de Previ­
dência Social;
4. Lei nü 8.742/1993: Lei O rgânica d a A ssistência Social - LOAS.
b) Lei delegada
E m bora não haja leis delegadas in stitu in d o o D ireito Previdenciário,
não h á restrições, para esta m atéria, q u a n to ao seu uso.
c) Decretos legislativos
O Brasil possui vários tratados internacionais sobre m atéria previdenci­
ária, os quais, para terem eficácia no sistem a ju ríd ico brasileiro, devem ser
ratificados pelo C ongresso N acional, qu e o faz pelo in stru m en to do decreto
legislativo.
d) Resoluções do Senado Federal
O art. 52, X, da CF atribui poderes ao Senado Federal para suspender a
eficácia, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional p o r decisão
definitiva do STF. Isso já aconteceu com leis de conteúdo previdenciário,
um exem plo ocorreu em 1995, quando a Resolução nu 14 retirou a execução
de d uas expressões de dispositivos disciplinados na Lei de O rganização e
C usteio da Seguridade Social (Lei nu 8.212/1991).
e) M edidas provisórias
A possibilidade de expedição pelo Presidente da República de m edidas
provisórias versando sobre norm a previdenciária é reconhecida pela ju ris­
p rudência. Há várias m edidas provisórias em m atéria de Seguridade Social.
f) Legislação subsidiária
São atos infralegais que têm p o r função regulam entar m atéria já d isci­
plinada, ou seja, não podem inovar a o rd em jurídica. Entre eles estão: os
d ecretos do Executivo, instruções m inisteriais, portarias, ordens de serviço,
instruções de serviço, pareceres da C o nsultoria do M inistério, orientações
norm ativas, etc. Existem m uitos desses atos veiculando m atéria prev id en ­
ciária. D iplom a im portante, a título de exem plo, é o D ecreto na 3.048/1999
(regulam ento da Previdência Social), q u e tem p or finalidade disciplinar a
execução das Leis n2* 8.212 e 8.213, am bas de 1991.

3.2 Aplicação das normas previdenciárias


3.2.1 Vigência
A norm a previdenciária, quanto à su a vigência, segue a regra geral d o
sistem a, disciplinada no art. l ü da Lei d e In tro d u ção às n o rm as d o D ireito
Brasileiro - LINDB (a den o m in ad a lex legum , lei das leis ou sobrenorm a).
Direito Previdenciário para Concursos

S egundo este dispositivo: “Salvo disposição contrária, a lei com eça a vigo­
rar em todo o país q uarenta e cinco dias depois de oficialm ente publicada”
p erío d o este conhecido p o r todos com o vacatio legis.
N o entanto, as regras relativas à criação ou m ajoração de contribuições
sociais som ente podem p ro d u zir efeitos após 90 dias da data de sua publi­
cação, exceção à regra geral acim a (art. 195, § 6L\ da CF).
N ão obstante o princípio disciplinado no art. 6Ü da LINDB, que esta­
belece que a lei em vigor terá efeito im ed iato e geral, respeitados o d ireito
adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada, o STJ já se p ro n u n cio u
q u a n to à possibilidade de retroatividade d e lei previdenciária m ais benéfica.

3.2.2 Interpretação e hermenêutica


In terp retar é buscar o real sentido d a n o rm a, verificar o seu verdadeiro
alcance para um d ad o m om ento. Por m ais claro ou literal que seja o texto d e
lei, ele deve sem pre ser interpretado; dian te de sua abstração e generalidade,
necessita de adaptação ao caso concreto. Para isso, o intérprete (exegeta) se
vale d e um a ciência, a qual oferece m éto d o s de interpretação (literal, histó ­
rico, teleológico e sistem ático), d en o m in ad a h erm enêutica jurídica.
C o m a legislação previdenciária não é diferente, seus dispositivos exi­
gem in terpretação de acordo com o art. 5Üda LINDB, de form a a aten d er
aos fins sociais, bem com o às exigências d o bem com um .
A dem ais, em se tratan d o de D ireito Previdenciário, o seu intérprete deve
atentar-se aos fundam entos e objetivos d o Estado D em ocrático de D ireito,
com vistas, especialm ente, ao princípio d a dignidade da pessoa h u m an a e à
redução das desigualdades sociais.
M esm o com todos esses in stru m en to s de interpretação, há casos em que
o intérprete coloca-se em dúvida q u an to à aplicação de um d eterm in ad o
dispositivo legal. Assim, havendo dupla interpretação, aplica-se o princípio
do in dubio pro misero, ou seja, privilegia-se a interpretação que forneça a
m aior proteção social possível ao beneficiário. Som ente a dúvida objetiva
suscita a aplicação desta regra, pois não é lícito ao aplicador do D ireito ig­
n o rar preceito expresso de lei, aplicando o u tro m ais favorável, com base n o
pro misero.

3.2.2.1 M étodos de interpretação


a) Gramatical ou literal
O bjetiva verificar qual o sentido do texto gram atical da norm a jurídica.
A nalisa-se o alcance das palavras contidas no texto, bem com o a linguagem
em pregada pelo legislador.
b) Lógica
Legislação Previdenciária

O intérprete deve buscar e n co n trar o m odo pelo qual a regra em estudo


deve se r aplicada aos casos concretos. Estabelece-se u m a conexão entre os
vários textos legais a serem interpretados.
c) Teleológica ou finalística
Trata-se da interpretação dada ao dispositivo legal levando-se em conta
o fim previsto pelo legislados quando da criação da norm a. Em se tratan d o
de D ireito Previdenciário, a principal finalidade da n o rm a previdenciária é
d a r solução à questão social.
d) Sistemática
O dispositivo legal será in terp retad o levando-se em conta a análise d o
sistem a no qual está inserido. A in terp retação é feita de form a conjunta,
co m p aran d o -se vários dispositivos para se verificar o que o legislador p re ­
tendeu.
e) Histórica
Segundo esse m étodo, analisa-se, na evolução histórica dos fatos, o p e n ­
sam ento do legislador não só à época d a edição da lei, m as de acordo com
sua exposição de m otivos, m ensagens, em endas, discussões p arlam entares
etc.
f) A utêntica, legal ou legislativa
É aquela realizada pelo órgão que ed ito u a norm a, que irá declarar seu
sentido, alcance, conteúdo, p o r m eio de o u tra no rm a jurídica.
g) Extensiva ou ampliativa
É o m étodo que consiste em dar um sentido m ais am plo à n o rm a a ser
in terpretada do que ela norm alm ente teria.
h) Restritiva ou limitativa
Ao contrário da extensiva, visa dar à norm a um sentido m ais restrito,
lim itado à interpretação da n o rm a jurídica.
i) Sociológica
Trata-se de interpretação que leva em conta a realidade e a necessidade
social q uando da elaboração da lei e em sua aplicação. D iz o art. 5Üda LIN-
DB q ue o juiz, ao aplicar a lei, deve ater-se aos fins sociais a que ela se dirige
e às exigências do bem com um .

3.2.3 Questão da analogia


A pesar de ser o sistem a ju ríd ico brasileiro autointegrativo (aquele que
disponibiliza in strum entos para preen ch im en to de lacunas norm ativas,
com o a analogia, os costum es e os princípios gerais de direito, conform e o
art. 4- da LINDB), o STF já se m anifestou quanto à im possibilidade do uso
da analogia em norm as previdenciárias para a criação de benefícios não
previstos em lei (art. 195, § 6°, da CF - P rin cíp io da contrapartida).
CAPÍTULO

DA PREVIDÊNCIA
SOCIAL
Da Previdência Social

4.1 Regimes previdenciários


O sistem a previdenciário nacional é com posto de três regim es previ­
denciários, dois de caráter obrigatório: o Regim e G eral de Previdência So­
cial - RGPS e o Regime Previdenciário d e Servidor Público - RPSP ou Re­
gim e P róprio de Previdência Social - RPPS; e o terceiro regim e, de caráter
facultativo: o Regime de Previdência com plem entar, o qual não substitui os
anteriores (art. 9- da Lei n‘- 8.213/1991).

4.1.1 Regime Geral de Previdência Social - RGPS


Este regim e está previsto no art. 201 da CF e na legislação extravagante
de nü 8.213/1991 (Plano de Benefícios) e 8.212/1991 (Lei de O rganização e
C usteio).
T rata-se de regim e de Previdência Social de organização estatal, con-
tributivo e com pulsório, ad m in istrad o pelo Instituto N acional do Seguro
Social - INSS e pela Secretaria da Receita Previdenciária - SRP.
O s beneficiários do Regime G eral d e Previdência Social classificam -se
com o segurados e dependentes (art. 10 d a Lei n ü 8.213/1991).
O RGPS é de filiação obrigatória p ara todos aqueles que exercem ativi­
dade rem u n erad a, de caráter contributivo, sem pre buscando o equilíbrio
fm anceiro-atuarial (equilíbrio entre receitas e despesas e de dados estatísti­
cos populacionais), d estinado a todos os trabalhadores, desde que não filia­
dos ao regim e próprio RPSP, bem com o àqueles que, em bora não exerçam
atividade rem unerada, inscrevem -se no sistem a.
É o regim e básico de previdência, o qual serve de suplem ento para o sis­
tem a d e regim e p róprio no caso de eventuais lacunas (art. 40, § 12, da CF).

4.1.2 Regime Próprio dos Servidores Públicos - RPPS


O RPPS tem fundam ento no art. 40 da CF e na Lei nu 9.717/1998, e
ainda previsto em legislação específica d e cada ente federativo. Preocupa-se
em abrigar servidores públicos e m ilitares da União, Estados, D istrito Fe­
deral e M unicípios, inclusive suas autarq u ias e fundações, que preferiram
o rganizar o seu pessoal segundo um estatuto próprio, com contribuições e
benefícios específicos, sem pre regidos p o r lei.
O servidor contribuinte, da m esm a form a que vim os no RGPS, é o b ri­
gado a c o n trib u ir p ara a m anutenção do RPPS (relação ju ríd ica estabelecida
p o r lei entre o Poder Público e o segurado), o qual tam bém tem caráter
contributivo e o intuito de preservar o equilíbrio financeiro e atuarial (es­
tatístico).
É im p o rtan te consignar que a EC nu 41/2003 alterou as regras estabe­
lecidas ao regim e previdenciário dos servidores públicos, posto que m o ­
Direito Previdenciário para Concursos

dificou o cálculo inicial e a form a de m an u ten ção das prestações, além de


subm etê-los ao teto de aposentadoria sem elh an te ao previsto p ara os trab a­
lhadores do RGPS.
Por fim, cum pre salientar que os cham ados regim es próprios devem ga­
rantir, ao m enos, os benefícios da aposen tad o ria e d a pensão p o r m orte, sob
pena d e seus segurados serem obrigatoriam ente filiados ao RGPS.

4.1.3 Regime de Previdência Complementar


R egim e de caráter duplo pode ser in stitu íd o tanto p o r u m ente privado
(associação, fundação, seguradoras autorizadas ou sociedades anônim as),
com o p o r um a entidade de natureza pública.
Para cada form a estabelecida há seu fundam ento constitucional e legal,
a saber:
1. Regim e de Previdência C o m p lem en tar Privado: art. 202 da CF e LC n24
108 e 109, am bas de 2001.
2. Regim e de Previdência C o m plem en tar Público: art. 40, §§ 14 e 15, da
CF, lem brando que norm as gerais deverão estar disciplinadas em lei
com plem entar de com petência d a União.
T rata-se regim e facultativo e de natureza privada, organizando-se de
form a autônom a em relação ao RGPS, e p o r isso q u alq u er pessoa, in d ep en ­
dente d o fato de perten cer a algum dos o u tro s dois regimes, pode, m ediante
celebração de contrato, a d q u irir o plano com plem entar.

4.1.4 Regime próprio dos Militares


O prim eiro diplom a legal a tratar d o tem a foi a Lei nL>4.297/1963, que,
p o r sua vez, regulava apenas a situação d o ex-com batente que tenha serv i­
do co m o convocado ou não, no teatro de operações da Itália (entre 1944 e
1945) ou que tenha integrado a Força A érea Brasileira, a M arinha de G uerra
ou a M arinha M ercante.
Posteriorm ente, a C onstituição de 1967, em seu art. 178, dispôs que:
Art. 178. Ao ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira, da
Força Aérea Brasileira, da M arinha de Guerra e M arinha Mercante
do Brasil que tenha participado efetivamente de operações bélicas
na Segunda Guerra Mundial são assegurados os seguintes direitos:
(...)
c) aposentadoria com proventos integrais aos vinte e cinco anos de
serviço efetivo, se funcionário público da Administração centraliza­
da ou autárquica;
d) aposentadoria com pensão integral aos vinte e cinco anos de ser­
viço, se contribuinte da Previdência Social;
Da Previdência Social

Em seguida, veio a Lei n a 5.315/1967, para alargar o conceito de ex-com ­


batente trazido pelo dispositivo constitucional supracitado, disp o n d o em
seu art. l u:
Art. l u Considera-se ex-combatente, para efeito da aplicação do ar­
tigo 178 da Constituição do Brasil, todo aquele que tenha participa­
do efetivamente de operações bélicas, na Segunda G uerra Mundial,
como integrante da Força do Exército, da Força Expedicionária Bra­
sileira, da Força Aérea Brasileira, da M arinha de Guerra e da Ma­
rinha Mercante, e que, no caso de militar» haja sido licenciado do
serviço ativo e com isso retornado à vida civil definitivamente.
E ntretanto, referida lei não dispôs acerca da aposentadoria do ex -co m ­
batente vinculado à Previdência Social, que, p or sua vez, veio a ser regula­
m en tad o pela Lei na 5.698/1971, que estabelece em seu art. V2:
Art. lu O ex-combatente segurado da Previdência Social e seus de­
pendentes terão direito às prestações previdenciárias, concedidas,
mantidas e reajustadas de conform idade com o regime geral da le­
gislação orgânica da Previdência Social, salvo quanto:
I - ao tem po de serviço para aquisição de direito à aposentadoria
por tempo de serviço ou abono de perm anência em serviço, que
será de 25 (vinte e cinco) anos;
II - à renda mensal do auxílio-doença e da aposentadoria de qual­
quer espécie, que será igual a 100% (cem por cento) do salário de
benefício, definido e delim itado na legislação comum da Previdên­
cia Social.
O art. 53, II, do ADCT, da atual C onstituição, p or sua vez, criou um a
pensão especial em favor dos ex-com batentes que efetivam ente tenham
participado da 2* G uerra M undial, tendo sido regulam entado pela Lei
n- 8.059/1990, que estabeleceu em seu art. 3Üque tal pensão passaria a co r­
responder à pensão m ilitar deixada por segundo-tenente das forças arm adas.

4.2 Beneficiários do Regime Geral de Previdência Social -


RGPS
São aquelas pessoas que podem u su fru ir do RGPS p o r serem titulares
de direitos subjetivos para tanto. Os beneficiários são de duas espécies, se­
g u rad o s e dependentes, subdividindo-se os segurados em obrigatórios e
facultativos.
A )S e g u ra d o s
São titulares de direitos e obrigações previdenciárias, p o r exercerem al­
gum a atividade que determ ine sua vinculação obrigatória (segurado o b ri­
gatório) ao sistem a ou por c o n trib u ir facultativam ente (segurado facultati­
vo). São, portanto, pessoas físicas que co n trib u em para o RGPS.
Direito Previdenciário para Concursos

B) D ependentes
São aqueles que dependem econom icam ente do segurado, na form a da
lei. É to d a pessoa física filiada ao RGPS em razão do seu vínculo com o se­
g u ra d o principal, ou seja, a condição de segurado do d ep en d en te som ente
se caracteriza p o r conta do vínculo com o segurado principal.
O d ep en d en te autom aticam ente deixará de ser filiado quando, p o r q u al­
q u er m otivo, o segurado principal p e rd e r sua qualidade de segurado ou sua
filiação ao RGPS.

4.3 Segurados obrigatórios


C onsidera-se segurado obrigatório os m aiores de 16 anos de idade, res­
salvada a condição de aprendiz, que exerçam atividade rem u n erad a lícita
v inculando-os, obrigatoriam ente, ao sistem a previdenciário.
O segurado obrigatório m antém com a previdência um a relação sina-
lagm ática, ou seja, um a relação não contratual, advinda de lei, que im plica
d ireitos e deveres para am bas as partes.
O s segurados obrigatórios são os trab alh ad o res elencados nos arts. 11
e 12 d a Lei nQ8.213/1991 e nos arts. 12 e 13 da Lei nu 8.212/1991, ou seja,
são to d o s aqueles que exercem atividade rem unerada: o em pregado, o em ­
pregado dom éstico, o co ntribuinte individual, o trab alh ad o r avulso e o se­
g u ra d o especial.

4.3.1 Empregado (art. 11,1, a, da Lei r f 8.213/1991 e arts. 2° e 3o da


CLT)
Em pregado (pessoa física) é o segurado que presta pessoalmente (pes­
soal idade) serviço de natureza urbana o u rural a em presa, em caráter não
eventual (habitualidade), sob sua subordinação (subordinação) e m ediante
remuneração (onerosidade), inclusive com o d ireto r em pregado, conceito o
qual abarca todos os elem entos caracterizadores da relação em pregatícia.
A Lei nc 8.213/1991, em seu art. 11, l, b a /, considerou im p o rtan te a tri­
b u ir caráter obrigatório a outros em pregados, estendendo, assim , o benefí­
cio previdenciário aos em pregados abaixo:
1. tra b a lh ad o r tem porário (Lei n- 6.019/1974): aquele que, co n tratad o
p o r em presa de trabalho tem porário, definida em legislação específica,
presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de
pessoal regular e perm anente ou a acréscim o ex trao rd in ário de serviços
de outras em presas (alínea b);
2. o brasileiro ou o estrangeiro dom iciliado e co ntratado no Brasil para
tra b a lh ar com o em pregado em sucursal ou agência de em presa nacional
no exterior (alínea c). Vigora neste dispositivo o princípio da ex traterri-
torialidade da legislação previdenciária brasileira;
Da Previdência Social

3. aquele que presta serviço no Brasil a m issão diplom ática ou a rep artição
consular de carreira estrangeira e a órgãos a elas subordinados, ou a
m em bros dessas m issões e repartições, excluídos o não brasileiro sem
residência perm anente no Brasil e o brasileiro am parado pela legislação
previdenciária d o país da respectiva m issão diplom ática ou repartição
consular (alínea d). A lei previdenciária brasileira é subsidiária, ou seja,
é aplicada apenas se o trab alh ad o r n ão estiver coberto p o r regim e previ­
den ciário do órgão internacional ou do Estado estrangeiro;
4. o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organism os
oficiais brasileiros ou internacionais cios quais o Brasil seja m em bro efe­
tivo, ainda que lá dom iciliado e con tratad o , salvo se segurado na form a
da legislação vigente do país do dom icílio (alínea é). Nesta hipótese, a
lei trata exclusivam ente do brasileiro civil que trab alh a p ara a União.
Assim com o no item anterior, a regra é supletiva, pois, se o brasileiro
já é abrangido pelo sistem a previdenciário local, está au tom aticam ente
excluído do RGPS;
5. o brasileiro ou estrangeiro dom iciliado e co n tratad o no Brasil para
tra b a lh ar com o em pregado em em presa dom iciliada no exterior, cuja
m aioria do capital votante pertença a em presa brasileira de capital n a­
cional (alínea f). Nesta alínea tam bém vigora o princípio supram encio-
nado, da extraterritorialidade da legislação previdenciária;
6. o serv id o r público ocupante de cargo em com issão, sem vínculo efetivo
com a União, A utarquias, inclusive em regim e especial, e Fundações P ú ­
blicas Federais (alínea g);
7. o exercente de m andato eletivo federal, estadual ou m unicipal, desde
q ue não vinculado a regim e próprio d e Previdência Social (alínea h);
8. o em pregado de organism o oficial in tern acio n al ou estrangeiro em fu n ­
cionam ento no Brasil, salvo quando co b erto p o r regim e próprio de Pre­
vidência Social (alínea z).
N ão podem os deixar de fora deste rol os em pregados públicos (art. 40,
§ 13, d a CF e Lei ne 9.961/2000), nem m esm o aqueles servidores públicos
sem regim e próprio.
C o n tudo, estão excluídos deste elenco de hipóteses:
1. os servidores públicos vinculados a regim es próprios - art. 12 da Lei
nc 8.213/1991;
2. o estagiário contratado, nos term os d a Lei nü 11.788/2008;
3. o preso (arts. 29 e 31 da Lei n c 7.210/1984 - LEP). Porém , p o d erá te r
v ínculo com a previdência se tiver em prego fora do estabelecim ento
prisional (regim e aberto) ou no caso de haver convênios especiais en tre
em presas e presídios.
Direito Previdenciário para Concursos

É bom salientar que o segurado em pregado com eça a ser considerado


filiado à previdência no m om ento em q u e é co n tratad o com o em pregado,
indep en d en tem en te de c o n trib u ir para o sistema.

4.3.2 Empregado doméstico (art. 11, II, da Lei n9 8.213/1991)


Em pregado dom éstico é aquele que p resta serviço de natureza co n tín u a,
m ediante rem uneração, a pessoa ou fam ília, no âm bito residencial desta,
em atividade sem fins lucrativos.
A relação ju ríd ica trabalhista tem com o em pregador um a pessoa física,
que em prega o segurado no âm bito de sua residência para prestar-lhe, e à
sua fam ília, serviços de natureza contín u a. São exem plos de em pregados
dom ésticos a governanta, o enferm eiro, o jardineiro, o m otorista, o caseiro,
a dom éstica e outros (Lei nü 5.859/1972).
Pode-se dizer que o em pregado dom éstico tem as m esm as característi­
cas de um em pregado com a seguinte ressalva: seu trab alh o deve ser exerci­
do no âm bito residencial em atividade n ão lucrativa.
Esta classe de em pregado tem os m esm os elem entos da relação em pre-
gatícia do em pregado com um , diferenciando-se deste apenas p o r ser um
trab alh ad o r familiar, e seu em pregador não visar lucro com sua atividade.
P ortanto, o requisito da continuidade é indispensável para a caracterização
d o tra b a lh o dom éstico.

Atenção:
0 Dec. n- 6.481/2008 incluiu o trabalho doméstico na lista das piores formas
de trabalho infantil, restando, portanto, proibida a contratação de emprega­
dos domésticos menores de 18 anos.

4.3,2,! Diferenças entre o em pregado e o empregado dom éstico


Empregado Empregado doméstico
0 empregado presta serviço à empresa ou à 0 empregado doméstico presta serviço à
pessoa física equiparada a empresa. pessoa ou à família.
A atividade do empregado é exercida em A atividade do doméstico é exercida em âm­
âmbito empresarial. bito residencial.
A atividade do empregado pode ou não ge­ A atividade do doméstico é sempre sem fins
rar lucro. lucrativos.

4.3.3 Contribuinte individual (art. 11, V, da Lei n° 8.213/1991)


Antiga categoria de contribuintes que eram tratados pela lei previdenciária
com o rótulo de autônomos, equiparados a autônomos ou empresários, e que está
hoje inserida na Lei nc 9.876/1999. Classe trabalhadora que não se encaixa nas
Da Previdência Social

figuras já vistas, m uito m enos na de segurado especial, todavia são pessoas que
exercem atividade rem unerada por conta própria e, portanto, m erecem prote­
ção d o sistema. Em razão da inexistência de vínculo, são considerados contri­
buintes individuais, sendo responsáveis pelo recolhim ento de sua contribuição.
N esta categoria estão as pessoas q u e trab alh am p or conta própria e os
trabalhadores que prestam serviços de natureza eventual a em presas, sem
vínculo em pregatício.
São considerados contribuintes individuais, entre outros, as costureiras, os
cabeleireiros, os jardineiros, as diaristas, as doceiras, os sacerdotes, os diretores
que recebem rem uneração decorrente de atividade em em presa urbana ou ru ­
ral, os síndicos rem unerados, os m otoristas de táxi, os vendedores am bulantes
(camelôs), os pintores, os garim peiros, os eletricistas, os associados de coope­
rativas de trabalho, os m inistros de confissão religiosa e os m em bros de insti­
tuto de vida consagrada, de congregação o u de ordem religiosa, entre outros.

Atenção:
0 fato de não terem carteiras assinadas não os impedem de contribuir men­
salmente. Desta forma, esses trabalhadores vão garantir, durante toda a sua
vida de trabalho, acesso aos benefícios (auxílio-doença, salário-maternidade
etc.) e. na velhice, à aposentadoria.

4.3.4 Trabalhador avulso (art. 11, VI, da Lei /f 8.213/1991)


T rabalhador avulso é aquele que, sindicalizado ou não, presta serviço de
n atureza urbana ou rural, a diversas em presas, sem vínculo em pregatício,
com a interm ediação obrigatória do sindicato da categoria ou, quando se
tratar de atividade portuária, do órgão gesto r de m ão de obra.
N esta categoria estão os trabalhadores em portos: estivador, carregador,
a m arra d o r de em barcações, quem faz lim peza e conservação de em b arca­
ções e vigia. Na indústria de extração d e sal e no ensacam ento de cacau e
café tam bém há trab alh ad o r avulso.
O trab alh ad o r avulso diferencia-se ta n to d o em pregado com o do co n ­
trib u in te individual. No prim eiro caso, p o r não p ossuir vínculo p e rm a n en ­
te com nen h u m a das em presas a que presta serviço, já no segundo, pelo
fato d e não precisar de in term ediador (sindicato ou órgão gestor de m ão de
obra) p ara ser contratado.

4.3.5 Segurado especial


Segundo art. 195, § 8-, da CF:
Art. 195. (...)
Direito Previdenciário para Concursos

§ 8a O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o


pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam
suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados
permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a apli­
cação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da p ro­
dução e farão jus aos benefícios nos termos da lei.
N os term os do art. 11, VII, da Lei n- 8.213/1991, considera-se trab alh a­
d o r especial:
Art. ll.( ...)
(...)
VII- como segurado especial: a pessoa física residente no imóvel
rural ou em aglomerado urbano ou rural próximo a ele que, indi­
vidualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com o
auxílio eventual de terceiros, na condição:
a) produtor, seja proprietário, usufrutuário, possuidor, assentado,
parceiro ou meeiro outorgados, com odatário ou arrendatário rurais,
que explore atividade:
1. agropecuária em área de até 4 (quatro) módulos fiscais;
2. de seringueiro ou extrativista vegetal que exerça suas atividades
nos termos do inciso XII do caput do art. 2Uda Lei nu 9.985, de 18
de julho de 2000, e faça dessas atividades o principal meio de vida;
b) pescador artesanal ou a este assemelhado que faça da pesca pro­
fissão habitual ou principal m eio de vida; e
c) cônjuge ou companheiro, bem como filho m aior de 16 (dezesseis)
anos de idade ou a este equiparado, do segurado de que tratam as
alíneas a c b deste inciso, que, comprovadamente, trabalhem com o
grupo familiar respectivo.
Entende-se com o regim e de econom ia fam iliar a atividade em que o
trabalho dos m em bros da fam ília é indispensável à própria subsistência e
ao desenvolvim ento socioeconôm ico d o núcleo fam iliar e é exercido em
condições de m útua dependência e colaboração, sem a utilização de em p re­
gados perm anentes.
C om efeito, após a edição da Lei nc 11.718/2008, o en q u ad ram en to pre­
videnciário dos trabalhadores rurais sofreu significativas alterações.
N as palavras de Fábio Z am bitte Ib rah im , é sabido que, de longa data, há
um conflito entre a C onstituição e a legislação previdenciária, no que diz
respeito ao segurado especial. A C onstituição sem pre adm itiu ao segurado
especial a contratação eventual de em pregados (art. 195, § 8Ü), m as isso fora
sem pre proibido por lei. Esta contradição legislativa foi, finalm ente, supe­
rada com a edição da Lei nü 11.718/2008, que assegura nova qualificação
Da Previdência Social

ao segurado especial, que agora pode c o n tra tar m ão de obra rem u n erad a
eventual sem p erd er a qualidade de seg u rad o especial.24
A nova lei tam bém dispõe que, para serem considerados segurados es­
peciais, o cônjuge ou com panheiro e os filhos m aiores de 16 anos ou os a
estes equiparados deverão ter participação ativa nas atividades rurais d o
g rupo familiar. Devem provar tam bém a atividade rural.
A qui a grande novidade da lei: o g ru p o fam iliar poderá utilizar-se de
em pregados contratados p o r prazo d eterm in ad o ou m esm o co n trib u in te
individual, com o um tratorista, em épocas de safra, à razão de, no m áxim o,
120 pessoas/dia p o r ano civil, em períod o s co rrid o s ou intercalados ou, ain ­
da, p o r tem po equivalente em horas de trabalho. A relação pessoas/dia q u er
dizer o seguinte: poderá o segurado especial utilizar-se de um em pregado
por até 120 dias d en tro de um m esm o an o civil. Se tiver dois em pregados,
p o d e rá m antê-los p o r até 60 dias. Se forem 4 em pregados, p o r 30 dias, e
assim p o r diante. Em um exem plo absurdo, p o d eria co n tratar até 120 e m ­
pregados, m as para trabalhar um único dia!25

4.4 Segurado facultativo


São todos aqueles que não se en q u ad ram com o segurados obrigatórios,
filiando-se ao sistem a protetivo em razão de ser do seu desejo, po rq u e q u e­
rem p articip ar dele ou nele perm anecerem , em bora não exerçam atividade
rem unerada.
O rol dos segurados facultativos enco n tra-se n o art. 11 do Dec.
nü 3.048/1999, que é m eram ente exemplificativo.
N esta categoria estão todas as pessoas com mais de 16 anos que não
têm renda própria, m as decidem c o n trib u ir para a Previdência Social. Por
exem plo: donas de casa, estudantes, síndicos de con d o m ín io não rem u n era­
dos, desem pregados, presidiários não rem u n erad o s e estudantes bolsistas,
o brasileiro que acom panha cônjuge q u e presta serviço no exterior, aquele
que deixou de ser segurado obrigatório da Previdência Social, o brasileiro
residente ou dom iciliado no exterior, salvo se filiado a regim e previdenciá­
rio de país com o qual o Brasil m a n te n h a acordo internacional, etc.
N ão é perm itida a inscrição com o segurado facultativo à pessoa p artici­
pante de Regime Próprio de Previdência Social, salvo na hipótese de afasta­
m ento sem vencim ento. N esta condição não é p erm itid a a contribuição no
respectivo regim e próprio.
O segurado facultativo não é consid erad o trabalhador.

24 Curso... cit., 14. ed., 2009, p. 200.


25 Idem, p. 202-203.
Direito Previdenciário para Concursos

4.5 Servidor público vinculado ao RPPS


O servidor público vinculado ao RPPS é excluído do RGPS, em razão
da existência de um sistem a securitário d e proteção próprio. Todavia, caso
venha a desenvolver atividade abrangid a pelo RGPS, ad q u irirá condição de
segurado obrigatório em relação a essa atividade.
É igualm ente proibida sua filiação co m o segurado facultativo, nos m ol­
des d o art. 201, § 5Ü, da CF. C ontudo, o R egulam ento da Previdência Social
ad m ite um a exceção a essa regra, q u a n d o se tratar de afastam ento sem ven­
cim ento e desde que não perm itida, nesta condição, contribuição ao respec­
tivo regim e próprio.

4.6 Dependentes
O s dependentes, dentro do Sistema d a Previdência Social, em especial
no RGPS, passam a ter relação jurídica com o INSS q u an d o deixa de existir
a relação jurídica entre o dep en d en te e o segurado, o que se dá, p or exem ­
plo, com a m orte deste ou seu recolhim en to à prisão.
A relação dos dependentes é definida pela legislação previdenciária
(art. 16 da Lei n- 8.213/1991), que a subdivide em três classes, a saber:
P rim e ira classe: cônjuge e ex-cônjuge com pensão alim entícia,
com panheiro(a) e filhos de qualquer condição m enores de 21 anos, não
em ancipados ou inválidos de qualquer idade;
S e g u n d a classe: pais, desde que com provem dependência econôm ica;
T erceira C lasse: irm ãos m enores de 21 anos, não em ancipados ou in ­
válidos de qualquer idade, desde que com provem dependência econôm ica.
Estas pessoas são dependentes econom icam ente do segurado, às quais a
lei estende o benefício do RGPS. Para q u e haja esta relação de dependência
deve-se ter em m ente três pressupostos:
a) vinculação prévia de um segurado com a previdência;
b) relação de dependência econôm ica em relação a este segurado; e
c) inexistência de o utros d ependentes e m posição privilegiada (os d e p e n ­
dentes de I a classe preferem aos d e 2ú classe que preferem aos de 3à
classe).

4.6.1 Dependentes de 1* classe


O s dependentes de Ia classe gozam d a presunção legal de d ep en d ên cia
econôm ica. H avendo mais de um d ep en d en te de Ia, deve-se dividir o valor
da pensão em cotas-partes iguais.
N ão basta existir dependentes de l d classe, é necessário que haja a h a ­
bilitação dos dependentes ju n to à Previdência. Caso estes não venham a se
habilitar, subsistirá o direito das classes inferiores.
Da Previdência Social

L em brando que os dependentes de I a classe podem se habilitar a q u al­


q u er tem po, no entanto, se o filho p e rd e r a condição de d ep en d en te p o r
a tin g ir os 21 anos e depois vier a se to rn a r inválido, não terá direito a ser
dependente.

J k Atenção:
r ç i i p ® 0 direito de ser dependente é intransmissível. ou seja, não tem caráter su­
cessório, não passa de pai para filho.

4.6.1.1 Cônjuge
C onsidera-se cônjuge cada um dos casados, conform e a lei civil, em re­
lação ao outro. Tam bém conhecido com o consorte.
M arid o e m ulher podem ser d epen d en tes um do outro, p ara isso é n e­
cessário que qualquer deles seja segurado da Previdência. Nesse caso, h a­
verá dupla filiação caso am bos estejam vinculados ao RGPS na qualidade
de segurados.
O cônjuge poderá p erd er a condição de d ep en d en te caso se separe (se­
paração de fato, separação judicial ou divórcio) e não tenha d ireito a pensão
alim entícia, todavia, subsistirá o direito de ser dependente se houver tam ­
bém o direito a pensão alim entícia.
C aso qualquer cônjuge venha a c o n tra ir novas núpcias, este fato não
fará com que o o utro cônjuge perca o d ireito à pensão.
Vale consignar que é possível cu m u lar ap osentadoria com a pensão p o r
m orte de um dos cônjuges.

4.6.1.2 Companheiro(a)
Podem habilitar-se com o d ependen tes da Previdência as pessoas que vi­
vem em união estável (exige-se a com provação da u nião estável); figura esta
expressam ente prevista no § 3Üdo art. 16 da Lei nL>8.213/1991, e tam bém no
§ 3Üd o art. 226 da C arta C onstitucional, que dispõe:
Art. 226. (...)
§ 3UPara efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável
entre o hom em e a m ulher com o entidade familiar, devendo a lei
facilitar sua conversão em casamento.
V em os expressam ente reconhecida a união estável entre hom ens e m u ­
lheres na C onstituição, e nada d isp o n d o a respeito das relações hom osse­
xuais. Todavia, a jurisprudência vem a d m itin d o o direito de parceiro de
Direito Previdenciário para Concursos

segurado do m esm o sexo de figurar co m o d ep en d en te nas relações previ­


denciárias, para efeito de recebim ento d e benefícios.26

4.6.1.3 Filhos
Sào dependentes da Previdência os filh o s de q u alq u er natureza. O m e­
nor tutelado e o enteado são considerados dependentes, equiparados aos
filhos, desde que não possuam recursos próprios.
Por fim, deve-se ressaltar o conflito intertem poral aparente em nos­
so sistem a previdenciário, a questão envolve o atual C ódigo Civil (Lei
na 10.406/2002), que d im inuiu a m aio rid ad e civil de 21 para 18 anos, e a
Lei nc 8.213/1991, que dá o direito de d ep en d en te previdenciário aos filhos
e irm ão s até os 21 anos.
Pergunta-se: a alteração m odificou a idade m áxim a dos filhos e irm ãos
para a caracterização com o dependente? E ntendem os que não, já que p re ­
valece o entendim ento de que a Lei n2 8.213/1991 é especial, prevalecendo,
assim , sobre a lei geral.

4.6.2 Dependentes de & classe


São os pais do segurado, pai ou m ãe, naturais ou adotivos. Esta classe,
diferentem ente da prim eira, tem a necessidade de com provar a d ep en d ê n ­
cia econôm ica, ainda que parcial, com o segurado da Previdência, obser­
vando-se sem pre a hierarquia entre as classes, ou seja, havendo d e p en d e n ­
tes habilitados de l á classe, os pais não p o d erão pleitear o benefício, pois
não terão direito ju n to à Previdência.

4.6.3 Dependentes de & classe


Fazem parte desta classe os irm ãos d e q u alq u er natureza, m enores d e
21 anos, não em ancipados, ou inválidos de qualquer idade. C onform e os
d ependentes de 2* classe, exige-se tam b ém a estes a com provação de de­
pendência econôm ica, ainda que parcial, com o segurado da Previdência
Social, observando-se, outrossim , a hierarq u ia entre as classes, p o rta n to só
terão d ireito se n ão houverem habilitados de 1- ou 2- classe.
C u m p re ressaltar que os d ependentes de um a m esm a classe concorrem
em igualdade de condições com os dem ais e que a existência de d ep en d en te
de q u alq u er das classes exclui do d ireito às prestações o d ep en d en te das
classes seguintes.

26 Instrução Normativa ntó84, de 2002, da Diretoria Colegiada do INSS, baseada na


decisão dada por Ação Civil Pública nu 2000.71.00.009347-0,3J Vara Previdenciá­
ria Federal de Porto Alegre-RS.
Da Previdência Social

Por fim, vale o b serv ar que, com o vim os, em regra, os d ep en d en tes de
um seg u rad o não sào p ro p riam en te segurados da Previdência Social, pois
não exercem atividade rem unerada. Todavia, se um d ep en d en te vier a
exercer atividade rem u n erad a, ele será tam b ém segurado p o r conta desta
atividade.
Q uadro sinótico

1) p o r invalidez;
2) p o r idade;
A posentadoria
3) p o r tem po de contribuição;
4) especial.
Segurado
5) auxílio-doença;
6) auxílio-acidente;
7) salário-fam ília;
8) salário-m aternidade.

9) pensão p o r m orte;
D ependentes
10) auxilio-reclusão.

Ia Classe: cônjuge,. com panheiro(a) e filhos m enores


de 21 anos;
Classes de
2a Classe: ascendentes;
D ependentes
3a Classe: irm ãos m enores de 21 anos não em ancipa­
dos ou inválidos de q u alq u er idade.

4.7 Aquisição, manutenção e perda da qualidade de


segurado
N ão obstante a existência de três relações ju ríd icas previdenciárias: re­
lação d e filiação, relação de custeio e relação de proteção social, para nós
interessa a análise m ais d etalhada da relação de filiação, a qual se estabelece
entre o beneficiário e a Previdência Social e tem com o objetivo principal
estabelecer um vínculo abstrato que possibilitará, no futuro, a incidência da
n o rm a específica de proteção social co n tra o risco social.
Todavia, cabe consignar que as o u tras relações jurídicas serão tratad as
q u a n d o d o exam e d o financiam ento da Previdência Social e das prestações
previdenciárias.
Direito Previdenciário para Concursos

4.7.1 Aquisição da qualidade de segurado

4.7.1.1 Filiação
O indivíduo torna-se segurado com a filiação ao sistem a previdenciário.
Segundo o art. 20 do Dec. n ü 3.048/1999:
Art. 20. Filiação é o vínculo que se estabelece entre pessoas que con­
tribuem para a Previdência Social e esta, do qual decorrem direitos
e obrigações.
A filiação, que significa fazer parte, p erten cer ao sistem a de proteção
social» representa elem ento essencial na relação ju ríd ica prestacional.
N as palavras de W ladim ir Novaes M artinez, a filiação é o estado ju ­
rídico próprio do segurado. Este se diz filiado ou não. Vínculo ligando o
trab alh ad o r protegido ao sistem a é, sobretudo, a condição assecuratória d o
d ireito subjetivo às prestações. A expressão “filiação” reflete aproxim ação
do sistem a previdenciário e perm anên cia deste. Encerra ideia estática, de
início, e dinâm ica, de m anutenção.27
Para o segurado obrigatório, a filiação é autom ática, pois decorre d o
exercício da atividade rem unerada, ob servando-se que a filiação do tra b a ­
lh ad o r rural contratado p o r p ro d u to r ru ral pessoa física p o r prazo de até
dois m eses d en tro do período de um ano, para o exercício de atividade d e
natureza tem porária, decorre autom aticam ente de sua inclusão na GFIP,
m ediante identificação específica (art. 20, §§ l üe 2-, do Dec. nü 3.048/1999).
Já p ara o segurado facultativo, a filiação só se verificará após a inscrição
form alizada com o pagam ento da p rim eira contribuição.
N ão podem os co n fu n d ir filiação com inscrição:
Art. 18. Considera-se inscrição de segurado para os efeitos da Pre­
vidência Social o ato pelo qual o segurado é cadastrado no Regime
Geral de Previdência Social, m ediante comprovação dos dados pes­
soais e de outros elementos necessários e úteis a sua caracterização
(...).
Trata-se de ato form al que identifica o segurado na Previdência Social,
representando o m ero cadastro no INSS.
São dois m om entos bem distintos, a filiação é um vínculo abstrato que
se opera autom aticam ente, sendo suficiente o exercício de u m a atividade re­
m unerada para os segurados obrigatórios, e da inscrição form alizada com o
pagam ento da prim eira contribuição, p ara o segurado facultativo. A filiação
é o m arco da relação jurídica entre os segurados e a Previdência Social.

27 MARTINEZ, Wladimir Novaes. Noções de direito previdenciário. 2. ed. São Paulo:


LTr, 2002. v. I, p. 185.
Da Previdência Social

O s direitos cios filiados são sim plesm ente os de estar sob a proteção d o
sistem a e de receber as prestações previdenciárías, q u an d o cia ocorrência de
algum evento previsto em lei com o condição para a concessão do benefício.
A obrigação principal é o de custeam ento do sistem a.

4.7.1.2 Inscrição
A inscrição é um ato concreto de natureza adm inistrativa, n o rm alm en te
feita depois da filiação, perfazendo-se co m a apresentação de d o cu m en to s
pelo trab alh ad o r ju n to ao órgão com p eten te da Previdência Social, sem a
inscrição, o segurado não pode exercer seus direitos previdenciários, n em
seq u er c u m p rir sua obrigação de custeio.
Para se fazer a inscrição é necessário ter, 110 m ínim o, 16 anos. No caso
do m e n o r aprendiz, a inscrição é p e rm itid a a p a rtir dos 14 anos.
Vale lem brar que o segurado obrigatório, diferentem ente do facultativo,
pode ser filiado sem que, contudo, ten h a feito sua inscrição, p o r exem plo,
u m co n trib u in te individual que p o r dois anos desenvolve sua atividade sem
nunca ter contribuído, no ato de sua inscrição recolherá o p erío d o retro ati­
vo. Já em se tratan d o de segurado facultativo, a filiação jam ais p o d erá o cor­
rer antes da inscrição, haja vista que sem esta não é possível o recolhim ento,
não havendo que se falar em recolhim ento de contribuições anteriores a
sua inscrição.
N o que se refere aos segurados facultativos, a filiação não ocorre de for­
m a autom ática, devendo decorrer de ato de vontade, e som ente se co n creti­
za após a inscrição e o recolhim ento da p rim eira contribuição, não p o d e n ­
do retro ag ir a períodos anteriores a sua inscrição.
Pode o co rrer que o segurado exerça concom itantem ente mais de u m a
atividade rem unerada sujeita ao RGPS. Nesse caso, será obrigatoriam ente
inscrito em relação a cada um a das atividades. E ntretanto, se em um a delas
estiver contrib u in d o no teto máximo» n o que se referem as dem ais, estará
d ispensado do recolhim ento.

4.7.2 Manutenção e perda da qualidade de segurado


P o r obviedade, a relação jurídica de filiação previdenciária se m antém
en q u an to o segurado co n tin u ar exercendo a atividade vinculada a RGPS ou
c o n tin u a r contribuindo. M anter a qualid ad e de segurado significa m an ter o
vínculo com o RGPS, pois se trata de sistem a essencialm ente contributivo.
Todavia, m esm o q uando cessadas estas condições, o segurado co n tin u a ­
rá filiado ao sistem a, isso assim se verifica p o r força de lei (art. 15 da Lei
nü 8.213/1991).
O R egulam ento da Previdência (art. 13 do Dec. n- 3.048/1999) e a Lei
de Planos de Benefícios da Previdência (art. 15 da Lei nü 8.213/1991) esta­
Direito Previdenciário para Concursos

belecem as hipóteses em que, em bora o segurado não esteja co n trib u in d o ,


m antém a qualidade de segurado, a saber:
Art. 15. (...)
I - sem limite de prazo, quem está em gozo de benefício;
II - até 12 (doze) meses após a cessação das contribuições, o segura­
do que deixar de exercer atividade rem unerada abrangida pela Pre­
vidência Social ou estiver suspenso ou licenciado sem remuneração;
III - até 12 (doze) meses após cessar a segregação, o segurado aco­
metido de doença de segregação compulsória;
IV - até 12 (doze) meses após o livramento, o segurado retido ou
recluso;
V - até 3 (três) meses após o licenciamento, o segurado incorporado
às Forças Armadas para prestar serviço militar;
VI - até 6 (seis) meses após a cessação das contribuições, o segurado
facultativo.
C o m efeito, o legislador quis beneficiar o segurado que perdeu sua co n ­
dição d e filiado, p o r algum m otivo longe de sua vontade, a co n tin u ar no sis­
tem a previdenciário, m antendo seu status de segurado, ou seja, com todos
os seus direitos inerentes a essa qualidade.
A d o u trin a qualifica esse perío d o em que o segurado não contribui,
m as m antém o vínculo previdenciário com o RGPS de período degraçay no
qual p o d e rá o b ter benefícios previdenciários, exceto salário -m atern id ad e e
auxílio-acidente para segurados em pregados (arts. 97 e 104, § 7ü, d o Dec.
n“ 3.048/1999).
P ortanto, perío d o de graça é aquele em que, m esm o sem contribuir, o
segurado m antém vínculo com a Previdência Social, com todos os direitos
a essa condição, ou seja, o segurado conserva todos os seus direitos (art. 15,
§ 3a, d a Lei nü 8.213/1991).
Q uadro sinótico

- Sem lim ite de prazo para quem estiver em gozo de b e­


nefício;
- Até 3 m eses após a cessação do serviço m ilitar;
- Até 6 m eses após a cessação das contribuições d o segu-
P ertodos rado facultativo;
d e graça 1) a cessação do benefício p o r incapacidade;
- Até 12 2) a cessação das contribuições do segurado
m eses obrigatório;
após: 3) a cessação da segregação com pulsória;
4) o livram ento do segurado detido ou preso.
Da Previdência Social

& Atenção:
Passado o período de graça o segurado perde sua qualidade, seu status.
Mas como saber que a pessoa perdeu a condição de segurado?
0 art. 14 do Regulamento da Previdência estabelece que a perda da condi­
ção de segurado se dá no 16a dia do segundo mês seguinte àquele em que
terminou o período de graça.

A título dc exem plo, im agine-se um sujeito que acaba de te rm in a r o


p erío d o do serviço m ilitar. Ele, por lei, tem três m eses de p erío d o de gra­
ça (art. 15, V, da Lei n ü 8.213/1991) e, de acordo com o art. 14 do Dec.
nü 3.048/1999, este m ilitar só perde a condição de segurado no dia 16 d o
q u in to m ês posterior à saída das Forças A rm adas, ou seja, no 162 dia d o
segundo mês seguinte ao térm in o do p erío d o de graça.
Todavia, se antes da perda da qualid ad e de segurado houve preen ch i­
m ento de todos os requisitos p ara a concessão de aposentadoria, fica asse­
g u ra d o o direito do trab alh ad o r a essa proteção (direito adquirido). Têm
igual d ireito os dependentes de segurado que falece após a p erda de sua
qualidade, se este tinha preenchido tod o s os requisitos para a concessão da
aposentadoria, seus dependentes terão direito à prestação (art. 102, § 2-’, da
Lei n* 8.213/1991).
Ressalte-se que a cessação das contribuições do segurado obrigatório
o co rre não só porque este deixou de exercer atividade rem unerada, m as
tam bém q uan do encontrar-se suspenso ou licenciado sem rem uneração.
C o m o vim os, em caso de pagam ento de m ais de 120 contribuições, sem
in terru p ção que acarrete a p erd a da qualidade de segurado, o prazo de 12
meses após a cessação d o benefício p o r incapacidade e da cessação das c o n ­
tribuições será prorrogado para até 24 meses. E, em caso de desem prego,
d evidam ente com provado no órgão do M inistério do Trabalho e Em prego,
esse prazo será acrescido de m ais 12 m eses, p o d en d o alcançar, p o rtan to , 36
meses.

4.8 Perda da condição de dependente


Todos os dependentes (1J, 2a e 3a classes) perdem a condição de d e p e n ­
d ência por ocasião da m orte. Todavia, h á hipóteses de perda deste d ireito
antes d a m orte, que serão argum entadas abaixo:
1. C ônjuge
a) na separação de fato, judicial ou divórcio, caso não seja reconhecido
o direito a alim entos;
Direito Previdenciário para Concursos

b) após a convolação de novas núpcias, antes do óbito do segurado.


N este caso, a perda da condição de d ep en d en te decorre do lato de
o novo casam ento im plicar na p erda da pensão alim entícia fixada
q uando da separação ou do divórcio;
c) quando a pessoa ficar novam ente viúva e o p tar pela pensão do últi­
m o m arido.
2. C om panheiro(a)
D ecorre da separação de fato ou ju dicial, se não for reconhecido o d i­
reito a alim entos.
3. Filhos
a) com a em ancipação;
b) ao com pletarem 21 anos;
c) se inválidos, houver a cessação deste estado.

4.9 Carência
Período de carência é o núm ero m ín im o de contribuições m ensais in d is­
pensáveis para que o beneficiário faça ju s ao benefício, consideradas a p a rtir
do tra n scu rso do prim eiro dia dos m eses de suas com petências (art. 24 da
Lei nü 8.213/1991). Em outras palavras, é o nú m ero de contribuições m en ­
sais necessárias para a efetivação do d ireito a um benefício.
Ao segurado da Previdência Social é exigido o pagam ento de parcelas
m ensais com ponentes do benefício que lhe foi program ado, g aran tin d o o
equilíbrio financeiro e atuarial do sistem a (art. 201 da CF). Portanto, não
pode o segurado pagar tu d o de um a só vez para o b ter o benefício visado, é
neste m o m en to que o instituto da carência m ostra sua finalidade, ou seja,
deve haver um tem po m ínim o estipulado de pagam ento para a concessão
do benefício pelo órgão com petente. Ex.: carência de 24 m eses deve ser
paga em 24 meses, um seguido do outro,
N ão há perdão da previdência em relação a eventuais atrasos de p resta­
ções n o perío d o de carência; caso haja atraso no pagam ento, esta prestação
não co n tará com o carência.
A Lei nü 8.213/1991, nos arts. 24 a 26, d eterm in a os prazos e estabelece
exceções para o instituto da carência, co m o verem os nos tópicos seguintes.

4.9.1 Aposentadoria por invalidez e auxilio-doença


O prazo de carência é de 12 contribuições m ensais, exceto se a causa for:
a) m oléstia acidentária (acidente de q u alq u er natureza);
b) d oenças relacionadas ao trabalho; e
Da Previdência Social

c) se o segurado for p o rta d o r de m oléstia grave, esta últim a está proviso­


riam ente disciplina no art. 151 da Lei nfl 8.213/1991. Exs.: AIDS, ceguei­
ra total, hanseníase, tuberculose ativa, entre outras.

4.9.2 Aposentadoria por idade, por tempo de contribuição e


especial
A carência exigida é de 180 contribuições mensais.
Ressalta-se que os segurados que já estavam inscritos n o RGPS até a
data d e 24 de julho de 1991, dia de edição da Lei nü 8.213/1991, sào abarca­
dos p o r regra de transição, disciplinada n o art. 142 da citada lei, que dispõe
sobre tabela de progressividade de p e río d o de carência. Antes da citada lei-,
as carências das aposentadorias p o r idade, p o r tem po de contribuição e es­
pecial eram de som ente 60 contribuições m ensais. Ao elevar-se o p erío d o
m ín im o para 180, certam ente os segurados sem direito adquirido, m as p ró ­
xim os de com pletar o tem po, seriam fatalm ente prejudicados, um a vez que
teriam de contribuir, pelo m enos, p o r m ais 10 anos.28
D e m odo a preservar a expectativa d e direito destes segurados, o legis­
lador c rio u regra transitória p ara o increm en to de carência, a ser aplicada a
todo segurado já filiado ao RGPS em 24-7-1991.

4.9.3 Salário-maternidade
O período de carência exigido é de dez contribuições mensais.
A Lei nu 9.876/1999 am pliou o benefício do salário -m atern id ad e esten ­
d e n d o este para seguradas co ntribuintes individuais e facultativas, as quais
ficavam fora do rol.
D estaque-se que as hipóteses em qu e a gestante vem a dar à luz anteci­
pad am en te têm a carência exigida d im in u íd a em n ú m ero de contribuições
equivalente ao núm ero de m eses em q u e o p arto foi antecipado. A d e n o ­
m inada carência m óvel será sem pre o p erío d o de gestação acrescido de u m
mês. Por exem plo, parto p rem aturo aos seis m eses deverá ter carência de
sete contribuições.
D eve-se fixar que tem os duas situações distintas para carência:
a) p a ra a segurada em pregada, em pregada dom éstica e trab alh ad o ra avul­
sa a carência é dispensada (art. 26, VI, da Lei nfl 8.213/1991);
b) p ara a segurada co ntribuinte individual e especial a carência é de dez
m eses (art. 25, III, da Lei n- 8.213/1991).
E m se tra ta n d o de auxílio-doença, apo sen tad o ria p o r invalidez e salá­
rio-m aternidade, em caso de perda da q u alid ad e de segurado, as co n trib u i­

28 IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso... cit., 14. ed., 2009, p. 570.


Direito Previdenciário para Concursos

ções anteriores à perda só contarão p ara efeito de carência» depois de o se­


g u ra d o contar, a p a rtir da nova filiação, com qu atro contribuições m ensais
(1/3 d a carência exigida).
Períodos de carência:
12 contribuições mensais Auxílio-doença e aposentadoria por invalidez.
180 contribuições mensais Aposentadoria por idade, tempo de contribuição e especial.
Salário-maternidade da segurada contribuinte individual e
10 contribuições mensais
facultativa.

4.9.4 Aposentadoria por idade do empregado rural (art. 3° da Lei


n° 11.718/2008)
N a concessão de aposentadoria por idade do em pregado rural, em valor
equivalente ao salário m ínim o, conform e o art. 3a da Lei ne 11.718/2008,
serão contados p ara efeito de carência:
Art. 3C(...)
I - até 31 de dezembro de 2010, a atividade comprovada na forma do
art. 143 da Lei na 8.213, de 24 de julho de 1991;
II - de janeiro de 2011 a dezem bro de 2015, cada mês comprovado
de emprego, multiplicado por 3 (três), limitado a 12 (doze) meses,
dentro do respectivo ano civil; e
III - de janeiro de 2016 a dezem bro de 2020, cada mês comprovado
de emprego, multiplicado por 2 (dois), limitado a 12 (doze) meses
dentro do respectivo ano civil.

4.9.5 Benefícios que independem de carência (art. 26 da Lei


r f 8.213/1991)
1. Pensão p o r m orte;
2. A uxílio-doença e aposentadoria p o r invalidez (acidente, doença relacio­
nada a trabalho e doença grave);
3. A uxílio-reclusão;
4. A uxílio-acidente;
5. Salário-fam ília;
6. Salário-m aternidade para as seguradas em pregada, trabalhadora avulsa
e em pregada dom éstica;
7. Serviço social;
8. Reabilitação de profissionais;
9. Benefícios concedidos ao segurado especial, de acordo com o art. 39 da
Lei nü 8.213/1991.
Vale ressaltar que, em bora d ispensad o de com provar o recolhim ento de
contribuições, o segurado especial, nessas hipóteses, deve com provar o efe­
Da Previdência Social

tivo exercício de atividade rural, ainda q u e de form a nào contínua, pelo p e­


ríodo correspondente ao da carência do benefício. Assim, p o r exem plo, se
req u erer auxílio-doença, deverá com pro v ar o efetivo exercício na atividade
rural pelo prazo de 12 meses, ainda que d e form a não contínua, no p erío d o
im ediatam ente an terio r ao do req u erim en to do benefício.

4.9.6 Início do cômputo da carência


1. E m pregador e trab alh ad o r avulso: d ata da filiação ao RGPS.
2. Em pregado dom éstico, facultativo e co n trib u in te individual e segurado
individual que contribui com o facultativo: data do efetivo reco lh im en ­
to da p rim eira contribuição, não valendo contribuições recolhidas com
atraso.
3. Segurado especial: aquele que não co n trib u i com o facultativo, o início
da atividade rural.

^|JL \ Atenção:
Indaga-se: 0 filiado que perde a condição de segurado e. após o período de
graça, volta a ser filiado, deve-se contar novamente a carência?
Entende-se que as contribuições anteriores somente serão computadas
quando contribuir com, no mínimo. 1/3 do novo período de carência (art. 24,
parágrafo único, da Lei nc 8.213/1991). Suponhamos que um sujeito tenha
trabalhado 15 anos (fez 180 contribuições mensais), perdeu o emprego e
ficou 4 anos sem trabalhar (48 meses sem contribuir), usufruiu do período
de graça (36 meses - art. 15 da Lei na 8.213/1991), perdeu a condição de
segurado no 16- dia do 38c mês (art. 14 da Lei n2 8.213/1991). Ele somente
poderá requer benefício após cumprir 1/3 do novo período de carência (1/3
de 180 contribuições, nesse caso).

Veja-se, o sistem a adm ite a possibilidade de aproveitar a contribuição


da Ia filiação, desde que na 2* filiação o segurado cum pra pelo m enos 1/3 da
contribuição exigida.
N o exem plo acim a, o trab alh ad o r filiado pela segunda vez terá que pa­
gar q u atro contribuições m ensais caso necessite do auxílio-doença (o qual
exige-se 12 contribuições) e, ainda, na hipótese de aposentadoria p or idade
(para a qual exige-se 120 contribuições), deverá c o n trib u ir com , no m ín i­
mo, 40 contribuições m ensais.
C abe acrescentar que essa regra, p o r expressa disposição da Lei
nü 10.666/2003, não se aplica m ais aos benefícios de aposentadoria p o r
tem po de contribuição e aposentadoria especial. O utrossim , nào se aplica à
apo sen tad o ria por idade, ora com entad a, se o segurado contar, no m ínim o,
com tem po de contribuição igual à carência desse benefício.
Direito Previdenciário para Concursos

Para os segurados filiados ao RGPS até 24 de ju lh o de 1991, data an te­


rior à publicação da Lei nü 8.213/1991, bem com o para o trab alh ad o r e o
em pregador rural cobertos pela Previdência Social Rural, a carência exigida
no caso das aposentadorias p o r idade, p o r tem po de contribuição e especial,
obedecerá à tabela d o art. 142 da Lei n u 8.213/1991, levando-se em conta
o ano em que o segurado im plem entou todas as condições necessárias à
o btenção do benefício, a saber:

Ano de implementação das Meses de contribuição


condições exigidos
1991 60 meses
1992 60 meses
1993 66 meses
1994 72 meses
1995 78 meses
1996 90 meses
1997 96 meses
1998 108 meses
1999 112 meses
2000 114 meses
2001 120 meses
2002 126 meses
2003 132 meses
2004 138 meses
2005 144 meses
2006 150 meses
2007 156 meses
2008 162 meses
2009 168 meses
2010 174 meses
2011 180 meses

Atenção:
Carência não se confunde com tempo de contribuição. A carência é contada
mês a mês. enquanto o tempo de contribuição admite recolhimentos em atra­
so, anteriores à data da inscrição. Se o segurado obrigatório exerce atividade
há três anos sem nunca ter contribuído para a Previdência Social, deverá efe­
tuar os recolhimentos em atraso, pois é devedor. Entretanto, tais contribui­
ções apenas serào computadas como tempo de contribuição, tendo em vista
que a carência conta-se a partir do primeiro recolhimento sem atraso.
Da Previdência Social

N os term os do art. 143 da Lei nu 8.213/1991, o trab alh ad o r ru ral ora


e n q u ad rad o com o segurado obrigatório no RGPS pode requerer ap o sen ta­
doria p o r idade, n o valor de um salário m ínim o, d u ran te 15 anos, contados
a p a rtir de 25 de julho de 1991, desde qu e com prove o exercício de atividade
rural, ain d a que descontínua, no p erío d o im ediatam ente anterior ao req u e­
rim en to d o benefício, em nú m ero de m eses idêntico à carência do referido
benefício.
Saliente-se que a Lei n- 11.718/2008, em seu art. 2Ü, prorrogou o citado
prazo de 15 anos até 31 de dezem bro de 2010, em se tratan d o de trab alh a­
d o r ru ral em pregado.
CAPÍTULO

FINANCIAMENTO DA
PREVIDÊNCIA SOCIAL
Financiamento da Previdência Social

5.1 Introdução
O custeio da previdência é a form a utilizada, p o r m eio de regras estabe­
lecidas pelo art. 195 da CF e pelo art. 10 d a Lei n ü 8.212/1991, para financiar
a p ró p ria Seguridade Social.
Veja-se que já tratam os da parte constitucional do financiam ento da
Seguridade Social no início do trabalho, cabe agora discorrerm os sobre a
legislação infraconstitucional, m ais precisam ente sobre as relações ju ríd icas
de cotização da Previdência Social.
Ressalta-se, outrossim , esclarecer q u e o financiam ento da Seguridade
Social diferencia-se do financiam ento d a Previdência Social p o r ter este
d estinação específica ao custeio da Previdência Social. Estas contribuições
previdenciárías encontram respaldo constitucional a p a rtir da com binação
dos arts. 167, XI, e 195, I, a , e II, e fu n d am en to infraconstitucional na Lei
nü 8.212/1991 e no Dec. nü 3.048/1999.
L em brem os da discussão já tratad a n o início do trab alh o sobre a n atu ­
reza ju ríd ica das contribuições p ara a Seguridade Social, vim os que se trata
de trib u to s, por conseguinte, as contribuições previdenciárías que têm a
m esm a natureza daquelas, tam bém sofrem o m esm o regim e jurídico.

5.2 Sujeito ativo de relação jurídica de cotização


O sujeito ativo da relação jurídica trib u tária é o cred o r do tributo, pes­
soa q ue tem o direito subjetivo de c o b rar o tributo, é a pessoa que tem c a ­
p acidade tributária ativa. N orm alm ente é a pessoa política (U nião, Estados,
D istrito Federal e M unicípios), aquela q u e criou em abstrato o tributo.
A capacidade trib u tária ativa é delegável p o r lei editada pela pessoa
política com petente. Logo, terceira pessoa p o d e arrecad ar desde que tenha
autorização legislativa p ara isto. A títu lo de exem plo, tem os o INSS, que
arrecada contribuições de com petência d a União.
Esse fenôm eno de delegação de capacidade trib u tária ativa que o ente
político faz a terceira pessoa, p o r m eio d a lei, a qual p o r vontade desta m es­
m a lei passa a dispor do produto arrecad ad o d enom ina-se parafiscalidade.
A diferença entre com petência e capacidade ativa deve íicar bem nítida,
a p rim eira é aquela conferida pela C on stitu ição Federal de criar trib u to s
p o r m eio de lei (a com petência indelegável), en q u an to que a segunda é o
d ireito subjetivo de arrecadá-lo (a capacidade é delegável p o r lei).
O sujeito ativo das contribuições previdenciárías é o INSS, autarquia
federal criada p o r autorização da Lei n - 8.029/1990, e assim com capacidade
ativa d e cotização tem as seguintes atribuições: arrecadação, fiscalização,
lançam ento (constituição de crédito trib u tário ), norm atização do recolhi­
Direito Previdenciário para Concursos

m en to das contribuições, cobrança, bem com o aplicação das sanções pre­


vistas em lei (art. 33 da Lei nu 8.212/1991).

5.3 Sujeito passivo da relação jurídica de cotização


Sujeito passivo das contribuições previdenciárias é a pessoa que tem o
dever de c u m p rir o objeto da relação ju ríd ica, ou seja, pagar ao INSS o
trib u to devido ou na prática ou om issão de atos no interesse de sua arreca­
dação ou fiscalização.
A ssim , para o D ireito Previdenciário figuram no polo passivo da relação
ju ríd ica o trab alh ad o r segurado, a em presa e o em pregador dom éstico.
A Lei de Custeio, em seu art. 1 5 ,1, disciplina o conceito de em presa para
fins previdenciários. Segundo esta norm a, em presa é
Art. 15. (...)
I - empresa - a firma individual ou sociedade que assume o risco
de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não,
bem como os órgãos e entidades da administração pública direta,
indireta e fundacional.
Veja-se que o conceito previdenciário difere do conceito de em presa es­
colhido pelo direito privado, porquanto aquele é m ais am plo, ab rangendo
hipóteses não abarcadas p o r este. Isso se to rn a possível q u an d o co m b in a­
m os o art. 1 9 5 ,1, ay da CF e o art. 110 d o CTN.
A C onstituição Federal prevê com o sujeito passivo do vínculo obriga-
cional previdenciário a em presa, m as tam b ém entidade a ela equiparada,
na form a da lei. Já o C ódigo T ributário N acional concede a alteração, a de­
finição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e form as de d ireito
privado, utilizados expressa ou im plicitam ente pela C onstituição Federal,
pelas C onstituições Estaduais, ou pelas Leis O rgânicas do D istrito Federal
ou d o s M unicípios, exceto para definir o u lim itar com petências tributárias.
Este conceito abarca desde pessoas físicas que rem unerem segurados a
seu serviço até cooperativas, m esm o que não tenham finalidades lucrativas.
Ressalta-se que todas as em presas são obrigadas a se m atricu lar perante
o INSS, sim ultaneam ente com a inscrição n o CNPJ, no prazo de 30 dias,
co ntados do início de suas atividades, p ara que haja o devido controle d e
suas obrigações previdenciárias.
O em pregador dom éstico, caso ven h a a o p tar pelo recolhim ento d o
FGTS, receberá m atrícula especial.

5.4 A imunidade das contribuições de Seguridade Social


Im u n id ad e é um a hipótese de não incidência tributária, prevista na
C onstituição Federal. Não se confunde com isenção, não obstante esta ta m ­
Financiamento da Previdência Social

bém ser um a hipótese de não incidência trib u tária, ela é sem pre in stitu íd a
por lei (preceito jurídico ordinário). A isenção som ente decorre de lei que
especifique as condições e os requisitos exigidos para a sua concessão, os
trib u to s a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de duração. C o n stitu in d o
d ispensa do pagam ento do tributo, a isenção é um dos casos de exclusão d o
crédito tributário.
As im unidades n orm alm ente são estabelecidas para im postos, todavia
há im unidades específicas, com o é o caso das im unidades para a Seguridade
Social, a saber:
a) As contribuições sociais não incidirão sobre ap osentadoria e pensão d o
tra b a lh ad o r e dos dem ais segurados,, concedidas pelo Regime Geral de
Previdência Social (art. 195, II, da CF);
b) As contribuições sociais não incidirão sobre as receitas decorrentes de
exportação (art. 149, § 2fl, I, da CF);
c) Estão isentas de contribuição para a Seguridade Social as entidades
de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei
(art. 195, § 7Ü, da CF).
C o m o se observa, as duas prim eiras hipóteses são de natureza objetiva,
isto é, proíbem a incidência de contribu ição sobre aposentadoria ou pensão
concedida pelo RGPS, bem com o sobre receitas decorrentes de exportação.
A terceira hipótese, p o r sua vez, é de natureza subjetiva, pois se refere a
entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências es­
tabelecidas em lei.

Atenção:
Onde se lê são isentas de contribuição de Seguridade Social as entidades de
assistência social, leia-se imunidade. Segundo entendimento do STF, trata-
se, sim, de imunidade, e estas são consideradas regras de não incidência,
previstas na Constituição da República, que demarcam negativamente a
competência tributária.

Veja-se que o dispositivo ora analisado cria um a regra de im unidade,


pois estabelece a incom petência da U nião para trib u tar essa situação espe­
cífica, sendo essa m atéria, sem dúvida algum a, constitucional, não p o d e n d o
ser veiculada p o r norm a infraconstitucional.
E m citação de A ndrei Pitten Velloso, de acordo com o en sinam ento d o
M in. C elso de Mello:
A cláusula inscrita no art. 195, § 7fi, da Carta Política - não obstante
referir-se im propriam ente “a isenção de contribuição para da segu­
ridade social contemplou as entidades beneficentes de assistência
Direito Previdenciário para Concursos

social com o favor constitucional da im unidade tributária” Tal as­


sertiva tem assento na pacífica posição de que “isenção prevista na
Constituição im unidade é”, externada de forma precisa e categórica,
pelo M inistro Moreira Alves, quando do julgam ento da medida cau-
telar na ADIN na 2.028.29
A inda com relação à terceira hipótese de im unidade, as referidas e n ­
tidades beneficentes de assistência social, para não tributação, precisam
preencher, cum ulativam ente, os seguintes requisitos disciplinados pela Lei
nü 12.101/2009 (art. 29):
Art. 29. (...)
I - não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores
ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou in­
diretamente, por qualquer form a ou título, em razão das com petên­
cias, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respecti­
vos atos constitutivos;
II - aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integral­
mente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de
seus objetivos institucionais;
III - apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de
negativa de débitos relativos aos tributos adm inistrados pela Secre­
taria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS;
IV - m antenha escrituração contábil regular que registre as receitas
e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segrega-
da, em consonância com as norm as emanadas do Conselho Federal
de Contabilidade;
V - não distribua resultados, dividendos, bonificações, participa­
ções ou parcelas do seu patrim ônio, sob qualquer forma ou pretexto;
VI - conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado
da data da emissão, os docum entos que comprovem a origem e a
aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realiza­
dos que impliquem modificação da situação patrimonial;
VII - cum pra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação
tributária;
VIII - apresente as dem onstrações contábeis e financeiras devida­
mente auditadas por auditor independente legalmente habilitado
nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta
anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Com plem entar
nü 123, de 14 de dezembro de 2006.

29 VELLOSO, Andrei Pitten; ROCHA, Daniel Machado da; BALTAZAR JÚNIOR,


José Paulo. Op. cit., p. 332-333.
Financiamento da Previdência Social

L em bram os, ainda, que a im unidade deverá ser requerida ao INSS, que
terá o prazo de 30 dias para despachar o pedido, sendo condição ao d e ­
ferim ento ou m anutenção desta im u n id ad e a inexistência de débitos em
relação às contribuições sociais de q u em as pleiteia (art. 195, § 3fl, da CF).
R eferida isenção não alcança em presa ou en tid ad e que, tendo p e rso n a ­
lidade jurídica própria, seja m an tid a p o r outra que esteja no exercício da
isenção.
N o que se refere ao in strum ento legislativo adequado, nos term os d o
art. 146, II, da CF, a regulação das “lim itações constitucionais ao p o d er de
trib u ta r” é m atéria reservada à lei com plem entar.
C om efeito, com preende-se a razão d a exigência de lei com plem entar.
É que se fosse, o constituinte, deixar a critério do Poder Tributante
a fixação de requisitos necessários para o gozo da imunidade, à evi­
dência poderia ele criar tal nível de obstáculos, que viria a frustrar
a finalidade para a qual a im unidade foi inserida na lei Maior. À
sabedoria do constituinte ao exigir lei com plem entar para regular as
limitações ao poder de tributar tem sido dem onstrada pela insistên­
cia com que, na ânsia de atender a objetivos puram ente arrecadató-
rios, são estabelecidos na legislação ordinária (leis e atos normativos
infralegais), requisitos voltados a frustrar por completo as finali­
dades para as quais as desonerações foram introduzidas no texto
supremo. Tais requisitos, se não forem afastados levarão à absoluta
impossibilidade material de a sociedade colaborar com o Estado no
desem penho das atividades de interesse público. Demais, a lei ordi­
nária não poderia instituir limites efetivos ao legislador tributário,
porquanto as norm as tributárias são introduzidas justam ente por tal
instrum ento legislativo.30

30 Idem, p. 344.
CAPÍTULO

CONTRIBUIÇÃO DO
SEGURADO
Contribuição do Segurado

6.1 Introdução
A lei que define a contribuição cio trab alh ad o r segurado, bem com o
dos dem ais segurados (art. 195, II, da CF), é a Lei n- 8.213/1991, em seus
arts. 20,21 e 25.
C o m o vim os, essa contribuição tem natureza tributária, no entanto,
para este tributo há um a peculiaridade, pois a contribuição paga pelo segu­
rado fica vinculada às despesas para co m o RGPS, vedada finalidade diver­
sa, preceito expresso no art. 167, XI, da CF.
Isto apenas se justifica p o r im posição do princípio da solidariedade so­
cial, u m a vez que todo segurado deve co n trib u ir de form a com pulsória para
a cotização do sistema.

6.2 Cálculo do valor dos benefícios

6.2.1 Salário de benefício


Salário de benefício é a base de cálculo da renda m ensal inicial. Em
o u tras palavras, é o valor básico utilizado para o cálculo da renda m ensal
dos salários de prestação continuada, inclusive os regidos p o r norm as espe­
ciais, exceto o salário-fam ília, a pensão p o r m orte, o salário-m aternidade e
o auxílio-reclusão.
Trata-se, portanto, da base de cálculo das aposentadorias, do auxí-
lio-doença e do auxílio-acidente, sobre a qual é calculado o efetivo valor
da re n d a m ensal do benefício previdenciário, p o r m eio da aplicação de u m
percentual que varia conform e o benefício pretendido.
Vale lem brar aqui que, até a edição da Lei nu 9.876/1999, o salário de
benefício era calculado sobre os 36 últim os salários de contribuição do se­
gurado. Tratava-se de critério não m uito razoável. C om efeito, com a edição
da lei supracitada, o salário de benefício passou a ser calculado de acordo
com a m édia aritm ética sim ples dos m aiores salários de contribuição cor­
respondentes a 80% de todo o período contributivo.

6.2.2 Salário de contribuição


Salário de contribuição é o valor base sobre o qual será d eterm in ad a
a contribuição a ser paga. É a respectiva base de cálculo da contribuição
do segurado. Este elem ento quantitativo do trib u to deve ser conjugado à
alíquota (percentagem prevista em lei) p a ra que se possa chegar à q u an tia
devida (quantum debeatur) à Previdência Social. É o valor a p a rtir d o qual,
Direito Previdenciário para Concursos

m ediante a aplicação da alíquota fixada em lei, obtém -se o valor da c o n tri­


buição de cada um deles.
R eforçando o raciocínio acim a: a base de cálculo (ou m edida do fato
g erador) é im portância em m oeda co rren te nacional, expressa em reais, q u e
serve p ara a definição do valor da contrib u ição .31
A lém de servir com o base de cálculo, o salário de contribuição tem a
finalidade de co m p o r o salário de benefício (m édia aritm ética simples das
bases d e cálculo contidas num certo p e río d o de cálculo). Trata-se da cha­
m ada dupla função do salário de contribuição.
C om efeito, o instituto apresenta d u as funções im portantes: um a fiscal
e um a protetiva. Em um prim eiro m om en to , configura o valor básico sobre
o qual serão estipuladas as contribuições do segurado ou, na linguagem
tributária, a base de cálculo da contrib u ição previdenciária sobre a qual
incidirão as alíquotas estabelecidas pela Lei de Custeio. Posteriorm ente,
q u a n d o da concessão da prestação, será utilizado para co m p o r as parcelas
cuja m édia resulta no salário de benefício.32
Im p o rtan te salientar que salário de co n trib u ição não se co n funde com o
valor d a contribuição recolhida à previdência.
N o que se refere à correção desse valor, todos os salários de contribuição
utilizados n o cálculo do salário de benefício serão corrigidos, m ês a mês, de
acordo com a variação integral do ín d ice N acional de Preços ao C o n su m i­
d o r - IN PC (art. 201, § 3Ü, da CF).

Atenção:
A única categoria de segurado obrigatório que não utiliza o conceito de sa­
lário de contribuição é a do segurado especial, que contribui de maneira
diferenciada.

6.2.2.1 Cálculo do salário de contribuição


Para fins de cálculo, há que se levar em conta tam bém o d en o m in ad o
fator previdenciário, trazido pela Lei nu 9.876/1999, que será calculado con-
siderando-se a idade, a expectativa de sobrevida e o tem po de contribuição
do segurado ao se aposentar.
A fórm ula é a seguinte: a idade e o tem po de contribuição são o num e-
rador, assim, quanto m aiores a idade e o tem po de contribuição, m aior será

•MSECRETARIA DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. A nova previdência: perguntas &


respostas. Brasília: MPAS, 2000.
32 VELLOSO, Andrei Pitten; ROCHA, Daniel Machado da; BALTAZAR JÚNIOR,
José Paulo. Op. cit., 2005.
Contribuição do Segurado

o salário de benefício. A expectativa de sobrevida, que é fixada pelo IBGE,


considerando a m édia nacional única p ara am bos os sexos (art. 29, §§ 7Ue 8U,
da Lei ne 8.213/1991 e a rt. 32, § 12, do Dec. nc 3.048/1999), é o denom inador,
logo, q u an to m aior a expectativa de sobrevida, m enor será o benefício.
Fórm ula:
Tc x a i (Id ± Tc x a)
F= ^ ^ x 100

F = fator previdenciário
Es = expectativa de sobrevida
Tc = tempo de contribuição
Id = idade
a = alíquota de contribuição - 0,31 (soma da contribuição patronal (20%) + alíquo-
ta máxima do empregado (11%))______________________________________

A inda, são considerados fatores com o o sexo do segurado e se ele exer­


ceu a atividade de m agistério. Nesse caso, serão adicionados ao tem po de
contribuição de segurado cinco anos, q u a n d o se tratar de m ulher, e cinco e/
ou dez anos, q uando se tratar, respectivam ente, de professor ou professora
que com provem exclusivam ente tem po d e efetivo exercício das funções de
m agistério na educação infantil e fundam ental.
O salário de contribuição não é o m esm o para todos os segurados, a
saber:
a) Segurado empregado e trabalhador avulso
Para estes segurados, o salário de contribuição, conform e o art. 2 8 ,1, da
Lei nü 8.212/1991, é:
Art. 28. (...)
I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida
em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos ren­
dimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o
mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,
inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e
os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços
efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador
ou tom ador de serviços nos term os da lei ou do contrato ou, ainda,
de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;

& Atenção:
Caso o segurado não trabalhe todo o mês em razão de demissão, dispensa
ou afastamento, o salário de contribuição será proporcional ao número de
dias de trabalho efetivo.
Direito Previdenciário para Concursos

b) Empregado doméstico
O salário de contribuição será o registrado na C arteira de Trabalho e
Previdência Social - CTPS, observadas as norm as a serem estabelecidas em
regulam ento para com provação do vínculo em prègatício e do valor da re­
m uneração (art. 28, II, da Lei nü 8.212/1991);
c) C ontribuintes individuais
O valor do salário de contribuição será a rem uneração auferida em u m a
ou m ais em presas ou pelo exercício de sua atividade p o r conta própria d u ­
rante o mês, observado o lim ite m áxim o do salário de contribuição (art. 28,
III, da Lei n ü 8.212/1991);
d) Segurado facultativo
Será o valor p o r ele declarado, observados os lim ites m ín im o (n en h u m
benefício que substitua o salário de co n trib u ição ou o ren d im en to do tra ­
balho do segurado terá valor m ensal in ferio r ao salário m ínim o) e m áxim o
do salário de contribuição.
Vale ressaltar que, quando a adm issão, a dispensa, o afastam ento ou a
falta d o em pregado o co rrer no curso do mês, o salário de contribuição será
proporcional ao núm ero de dias de trab alh o efetivo (art. 28, § l 2, da Lei
ny 8.212/1991).
N o que se refere àqueles que ingressaram no sistem a antes da vigência
da Lei nú 9.876/1999, inclusive os o riu n d o s de regim e próprio de prev id ên ­
cia, que vierem a c u m p rir as condições exigidas para a concessão dos ben e­
fícios d o RGPS, no cálculo do salário de benefício será considerada a m édia
aritm ética sim ples dos m aiores salários d e contribuição correspondentes a,
no m ínim o, 80% de todo o período contributivo d eco rrid o desde a co m p e­
tência de julh o de 1994, q u an d o entrou em vigor o Plano Real.
Vale ressaltar que o salário de con trib u ição possui limites, um lim ite
m ín im o e um lim ite máximo, o prim eiro co rresponde ao piso salarial da
categoria profissional ou seu valor m ensal ajustado, po d en d o ser p o r dia
ou hora, já o lim ite m áxim o, conhecido com o teto, é de R$ 3.691,74 (P or­
taria Interm inisterial M PS/M F nü 407/2011), ajustado periodicam ente (EC
nu 41/2003).

6.2.2.2 Contribuição de atividades concom itantes


O salário de benefício do segurado que exerce m ais de um a atividade
vinculada ao RGPS (atividades concom itantes) será calculado com base na
som a dos salários de contribuição das atividades exercidas até a data d o
requerim ento ou do óbito no período básico de cálculo. Caso o segurado
preencha, em relação a cada atividade, as condições para a obtenção do b e­
nefício requerido, o salário de benefício será calculado com base na som a
Contribuição do Segurado

dos respectivos salários de contribuição, que, com o já é sabido, não p o d e


ultrapassar o valor do lim ite m áxim o do salário de contribuição.

6.2.2.3 Renda mensal do benefício


A re n d a m ensal do benefício, que co rresp o n d e ao valor que o segurado
receberá m ensalm ente, é calculada aplicando-se um percentual ao salário
de benefício, variável de acordo com o benefício pretendido, a saber:
Auxílio-doença 91% do salário de benefício.
Aposentadoria por invalidez 100% do salário de benefício.
Aposentadoria por tempo de
100% do salário de benefício.
contribuição
Aposentadoria especial 100% do salário de benefício.
70% do salário de benefício + 1% deste por grupo de
Aposentadoria por idade
12 contribuições mensais, até o máximo de 30%.
50% do salário de benefício que deu origem ao auxí­
Auxílio-acidente
lio-doença.
100% do valor da aposentadoria que o segurado rece­
Pensão por morte bia ou daquela a que teria direito se estivesse aposen­
tado por invalidez na data de seu falecimento.

Atenção:
A renda mensal do benefício de prestação continuada que substituir o salá­
rio de contribuição ou o rendimento do trabalho do segurado não terá valor
inferior ao do salário mínimo nem superior ao limite máximo do salário de
contribuição (arts. 201. § 2a. da CF e 33 da Lei nu8.213/1991), exceto no caso
da aposentadoria por invalidez do segurado que necessitar da assistência
permanente de outra pessoa em que o valor será acrescido de 25% (art. 45
da Lei n* 8.213/1991).

Por fim, há que se assinalar que a renda m ensal dos benefícios p or to-
talização, concedidos com base em acordos internacionais da Previdência
Social, o que ocorre quando o segurado recebe p arte de seu benefício pelo
regim e brasileiro e ou tra parte p o r regim e estrangeiro (art. 42, parágrafo
único, do Dec. nü 3.048/1999), bem com o em caso de auxílio-acidente, salá-
rio-fam ília, pode ter o seu valor inferior ao do salário m ínim o.

6.2.2.4 Abono anual


N os term os do art. 40 da Lei n- 8.213/1991, é devido abono anual (ou
gratificação natalina) ao segurado e ao d ep en d en te da Previdência Social
que, d u ra n te o ano, recebeu auxílio-doença, auxílio-acidente ou ap o sen ­
tadoria, pensão p o r m orte ou auxílio-reclusão, e será calculado da m esm a
Direito Previdenciário para Concursos

form a que a gratificação de natal dos trabalhadores, tendo p o r base o valor


da ren d a m ensal do benefício do m ês de dezem bro de cada ano.
E m bora o abono anual integre o salário de contribuição, ele não será
considerado para fins de cálculo do salário de benefício (art. 28, § 7-, da Lei
n- 8.212/1991).

6.2.2.5 Limites do salário de contribuição


O salário de contribuição tem lim ites m áxim o e m ínim o para a inci­
d ência das contribuições m ensais dos trabalhadores. Som ente os segura­
dos e um tipo de tom ador de serviços, o em pregador dom éstico, utilizam
tais lim ites para calcular seus recolhim entos m ensais para a previdência.
As em presas e entidades a ela equiparad as não sofrem qualquer lim itação
para o cálculo da base de contribuição, utilizando, então, o salário de co n ­
tribuição integral.
0 lim ite m ín im o corresponde ao piso salarial, legal ou norm ativo da
categoria ou, inexistindo este, ao salário m ínim o. A contribuição m ensal
não p o d e rá ser paga sobre um a base inferio r à m ínim a, sob pena de não ser
considerada pela previdência para q u alq u er finalidade.
Q u a n to ao teto - lim ite m áxim o - do salário de contribuição, atualizado
anualm ente, cujo valor atual, em vigor desde 1-1-2011, de acordo com a
P ortaria Interm inisterial M PS/M F n- 407/2011, é de R$ 3.691,74.

6.3 Parcelas que não integram o salário de contribuição


A Lei na 9.528/1997, que alterou o § 9- do art. 28, da Lei n- 8.212/1991,
estabeleceu um novo rol de parcelas q u e não integram o salário de c o n tri­
buição, afetando os benefícios previdenciários.
São excluídas, dentre outras, as seguintes parcelas do salário de co n tri­
buição:
a) os benefícios da Previdência Social, n o s term os e lim ites legais, salvo o
salário-m aternidade;
b) as ajudas de custo e o adicional m ensal recebidos pelo aeronauta, nos
term o s na Lei nu 5.929/1973;
E ntretanto, esse adicional será devido no caso de transferência provisó­
ria ou perm anente, nos seguintes casos:
1 - no caso de transferência provisória, o em pregador pagar ao aero n au ­
ta, além do salário, um adicional m ensal, nunca inferior a 25% do salário
recebido na base;
II - na transferência perm anente, o aeronauta, além do salário, terá as­
segurado o pagam ento de um a ajuda d e custo, nunca inferior ao valor de
Contribuição do Segurado

q u a tro m eses de salário, para a indenização de despesas de m udança e in s­


talação na nova base, bem com o o seu transporte, p o r conta da em presa,
nele com preendidas a passagem e a translação da respectiva bagagem.
c) a parcela in natura recebida de acordo com os program as de alim en ta­
ção aprovados pelo M inistério do T rabalho e da Previdência Social, nos
term o s da Lei na 6.321/1976;
d) as im portâncias recebidas a título d e férias indenizadas e o respectivo
adicional constitucional, inclusive o valor co rresp o n d en te à dobra da
rem u n eração de férias de que trata o art. 137 da CLT;
e) as im portâncias:
I - previstas no inciso I do art. 10 d o Ato das D isposições C on stitu cio ­
nais T ransitórias - ADCT;
T rata-se de m ulta aplicada em caso d e rescisão do co n trato de trab alh o
pelo em pregador sem justa causa, corresp o n d en te a 40% dos depósitos efe­
tuados na conta do FGTS do trab alh ad o r dem itido.
II - relativas à indenização p o r tem p o de serviço, an terio r a 5 de o u tu ­
bro de 1988, do em pregado não optante pelo Fundo de G arantia p o r Tem po
de Serviço;
Refere-se aos trabalhadores que, ao iniciarem suas atividades em p erío ­
do an terio r à C onstituição de 1988, o p taram pela estabilidade prevista n o
art. 497 da CLT, em vez do recebim ento do FGTS.
III - recebidas a título de indenização de que trata o art. 479 da CLT;
Trata-se da indenização paga pelo em p reg ad o r que, sem ju sta causa, d e­
m itir o em pregado, nos contratos p o r p razo determ inado.
IV - recebidas a título de indenização de que trata o art. 14 da Lei
nü 5.889/1973;
Essa im portância refere-se à indenização paga pela em presa ao tra b a ­
lh a d o r rural em razào do térm in o do c o n trato pela safra colhida.
V - recebidas a título de incentivo à dem issão;
VI - recebidas a título de abono de férias na form a dos arts. 143 e 144
da CLT;
VII - recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressam ente
desvinculados do salário;
V III - recebidas a título de licença-prêm io indenizada;
IX - recebidas a título de indenização de que trata o art. 9Ü da Lei
nft 7.238/1984;
N esse caso, o em pregado d ispensad o sem justa causa no perío d o de 30
dias antecedente à correção salarial terá direito à indenização adicional d e
um salário m ensal, sendo optante ou não pelo FGTS.
Direito Previdenciário para Concursos

f) a parcela recebida a título de vale-tran sp o rte, na form a da legislação


própria;
g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivam ente em d eco r­
rência de m udança de local de trab alh o do em pregado, na form a d o
a rt. 470 da CLT;
h) as diárias para viagens, desde que n ão excedam a 50% da rem uneração
m ensal;
i) a im portância recebida a título de bolsa de com plem entação educacio­
nal de estagiário, quando paga nos term o s da Lei nü 6.494/1977;
j) a participação nos lucros e resultados da em presa, q u an d o paga ou cre­
d itad a de acordo com a lei específica;
k) o ab o n o do Program a de Integração Social - PIS e do Program a de As­
sistência ao Servidor Público - PASEP;
l) os valores correspondentes a tran sp o rte, alim entação e habitação for­
necidos pela em presa ao em pregado co n tratad o para trab alh ar em lo­
calidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou loca]
que, p o r força da atividade, exija deslocam ento e estada, observadas as
n orm as de proteção estabelecidas pelo M inistério do Trabalho;
m ) a im portância para o em pregado, a títu lo de com plem entação ao valor
do auxílio-doença, desde que este d ireito seja extensivo à totalidade dos
em pregados da em presa;
n) as parcelas destinadas à assistência ao trab alh ad o r da agroindústria ca­
navieira, de que trata o art. 36 da Lei nü 4.870/1965;
o) o valor das contribuições efetivam ente pago pela pessoa ju ríd ica relativo
a program a de previdência com plem entar, aberto ou fechado, desde que
disponível à totalidade de seus em pregados e dirigentes, observados, no
que couber, os arts. 9Üe 468 da CLT;
p) o valor relativo à assistência prestada p o r serviço m édico ou o d o n to -
lógico, p róprio da em presa ou p o r ela conveniado, inclusive o reem ­
bolso de despesas com m edicam entos, óculos, aparelhos ortopédicos,
despesas m édico-hospitalares e o u tras sim ilares, desde que a co b ertu ra
abranja a totalidade dos em pregados e dirigentes da em presa;
q) o valor correspondente a vestuários, equipam entos e o u tro s acessórios
fornecidos ao em pregado e utilizados no local do trabalho p ara p resta­
ção dos respectivos serviços;
r) o ressarcim ento de despesas pelo u so de veículo do em pregado e o
reem bolso-creche pago em conform id ad e com a legislação trabalhista,
observado o lim ite m áxim o de seis anos de idade, q u an d o devidam ente
com provadas as despesas realizadas;
Contribuição do Segurado

s) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos


term o s do art. 21 da Lei nu 9.394/1996, e a cursos de capacitação e q u a ­
lificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela em ­
presa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e
q ue todos os em pregados e dirigentes ten h am acesso ao m esm o;
t) a im p o rtân cia recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao
adolescente até 14 anos de idade, de aco rd o com o disposto no art. 64 da
Lei nü 8.069/1990;
u) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais;
v) o valor da m ulta prevista no § 8Udo art. 477 da CLT.
Im p o rtan te assinalar que o art. 2Üda Lei nfi 10.243/2001 deu nova red a­
ção ao § 2tí do art. 458 da CLT, excluindo do conceito de salário as seguintes
utilidades:
- vestuário;
- educação;
- transporte destinado ao deslocam ento para o trab alh o e retorno, em
percurso servido ou não p o r tra n sp o rte público;
- assistência m édica, hospitalar e odontológica, prestada d iretam en te
ou m ediante seguro-saúde;
- seguros de vida e de acidentes pessoais;
- previdência privada.
Por sua vez, integra o salário de co n trib u ição o total das diárias pagas,
q u a n d o excedente a 50% da rem uneração m ensal, nos term os do art. 28,
§ 8a, d a Lei nü 8.212/1991.

6.4 Apuração da contribuição devida

6.4.7 Breve noção


O m ontante da contribuição devida é, aritm eticam ente, o resultado da
m ultiplicação da alíquota pela base de cálculo,33 ou seja, o valor da co n tri­
buição devida será o resultado da m ultiplicação das alíquotas (elem ento
fixado em tabela instituída em lei) pelo salário de contribuição.
C o n trib u em para o sistem a previdenciário os seguintes segurados: e m ­
pregado, em pregado dom éstico, co n trib u in te individual, avulso, segurado
especial e segurado facultativo.

33 SECRETARIA DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. A nova previdência: perguntas e res­


postas. Brasília: MPAS, 2000.
Direito Previdenciário para Concursos

6.4.2 Empregado (inclusive o doméstico e o trabalhador avulso)


A contribuição destes segurados é calculada m ediante a aplicação da
co rresp o n d en te alíquota, de form a n ão cum ulativa, sobre o seu salário
de contribuição m ensal, definida em tabela progressiva de acordo com o
art. 20 da Lei nü 8.212/1991, a d ep en d e r da faixa de rem uneração, logo,
q u a n to m aior a rem uneração, m aior será o percentual incidente.
A tualm ente, vige a seguinte tabela d e contribuição, de acordo com a
Portaria Interm inisterial M PS/M F n- 407/2011:

Alíquota para fins de recolhimento ao


Salário de contribuição (R$)
IN S S (%)
Até R$1.107.52 8%
De RS 1.107.53 a RS 1 845.87 9%
De RS 1.845.88 a RS 3.691.74 11%

Frisa-se que se o trab alh ad o r desenvolver m ais de um a atividade v in ­


culada ao RGPS, e para m ais de um a em presa, deverá c o n trib u ir para cada
um a delas. Esta contribuição deverá ser som ada p ara o efetivo e n q u ad ra ­
m ento em um a das alíquotas. Exemplo: T rabalhador “A” possui dois e m ­
pregos, no em prego 1, recebe salário d e RS 600,00, no em prego 2, recebe
R$ 700,00, perfazendo-se o total de RS 1.300,00. Esse em pregado contribui
com a alíquota de 9%, de acordo com tabela supram encionada.
Q u a n d o houver pagam ento de 13u salário, este não deve ser som ado à
rem uneração m ensal para efeito de en q u ad ram en to na tabela de salários de
contribuição, ou seja, será aplicada a alíq u o ta sobre os valores em separado.
Por fim, cum pre salientar que a incidência da alíquota é não cum ulativa,
isto é, incide um único percentual sobre o valor total do salário de co n tri­
buição.

6.4.3 Contribuinte individual e contribuinte facultativo


C om a conversão da M edida Provisória nü 83/2002 na Lei nü 10.666/2003,
to rn o u -se extinta, a p a rtir de l u de abril de 2003, a escala transitória de
salários-base, utilizada para fins de en q u ad ram en to e fixação d o salário d e
contribuição dos contribuintes individual e facultativo filiados ao RGPS,
estabelecida pela Lei nu 9.876/1999.
Por isso que a tabela extinta som en te se aplica aos segurados in dividu­
ais (antigos autônom os equiparados a au tô n o m o s e em presários) que estão
filiados ao RGPS antes da vigência da Lei nü 9.876/1999.
O co ntrib uinte individual (autônom os, em presários e equiparados)
deve recolher à Previdência Social um a alíquota de 20% do salário recebido
Contribuição do Segurado

no m ês, independentem ente da data d a inscrição. Esse co n trib u in te tem ,


ainda, que com plem entar, diretam ente, a contribuição até o valor m ín im o
m ensal do salário de contribuição, q u a n d o as rem unerações recebidas no
mês, p o r serviços prestados a pessoas ju ríd icas, forem inferiores a este.
Todavia, a Previdência Social fixa p ara os co n trib u in tes individuais que
p restarem serviços a um a ou m ais em presas um a dedução de sua c o n tri­
buição m ensal, visando preservar a igualdade e incentivar o controle de
arrecadação (art. 30, § 4U, da Lei nu 8.212/1991). Assim, para o INSS:
Os contribuintes individuais que prestarem serviços a uma ou mais
empresas, poderão deduzir, de sua contribuição mensal, o percen­
tual de 45% da contribuição patronal do contratante, efetivamente
recolhida ou declarada, lim itada a 9% do respectivo salário de con­
tribuição. Esta regra vale, tam bém , para o contribuinte individu­
al que presta serviço a outro contribuinte individual, equiparado a
empresa ou a produtor rural pessoa física ou à missão diplomática e
repartição consular de carreira estrangeira. Fará jus, tam bém, a esta
dedução, o contribuinte individual que presta serviço a empresas
optantes pelo SIMPLES, à microempresa, a em pregador rural pes­
soa física e jurídica e, ainda, à associação desportiva que m antém
equipe de futebol profissional.54
A título de exemplo, im aginem os qu e um co n trib u in te “A” presta servi­
ço à em presa “B”, percebendo rem uneração de RS 2.000,00, veja-se que esta
será a base de calculo (salário de contribuição). Sobre este salário de co n ­
tribuição haverá duas contribuições: a p rim eira da em presa com alíquota
de 20% (Lei na 8.212/1991); e a segunda contribuição do próprio segurado,
com alíquota tam bém de 20%.
Pois bem , q uando enquadram os a d ed u ção já exposta acim a ao exem plo
o btem os o seguinte:
l 2) C ontribuição da em presa (R$)

2.000.00 (salário de contribuição)


x 20% (alíquota)
= 400.00 (valor de contribuição à previdência)

2Ü) C álculo do valor de dedução (R$)

400.00 (valor de contribuição da empresa ou contribuição patronal)


x 45% (percentual de dedução)
= 180.00 (deve estar de acordo com o limite de 9% do salário de contribuição)

34 Disponível em: <www.previdencia.gov.br>.


Direito Previdenciário para Concursos

3Ü) C ontribuição do Segurado (RS)

2.000.00 (salário de contribuição)


x 20% (alíquota fixada em lei para o contribuinte individual)
= 400.00 (contribuição sem dedução)
-180.00 (valor de dedução)
= 220,00 (contribuição a ser recolhida pelo INSS com dedução)

P or fim , os contribuintes facultativos (donas de casa, estudantes, d esem ­


pregados) poderão co n tribuir à Previdência Social com alíquota de 20%
sobre o salário de contribuição que declarar, observando o lim ite entre o
piso e o teto salarial.
O segurado facultativo é responsável pelo próprio recolhim ento, que
deve o c o rre r até o dia 15 do mês subsequente àquele a que este se refere,
p ro rro g an d o -se o prazo para o dia útil posterior, em caso de não haver ex­
pediente bancário no d ia 15.

6.4.4 Segurado especial (art. 25 da Lei nQ8.212/1991)


Em razão do tratam ento especial q u e recebe da C onstituição Federal,
a co n tribuição do segurado especial é diferente de todas as outras. O § 8a
do art. 195 da CF determ ina um tra ta m e n to diferenciado a ser dad o a estes
trabalhadores, nos seguintes term os:
Art. 195. (...)
(...)
§ 82 O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o
pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam
suas atividades em regime de econom ia familiar, sem empregados
permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a apli­
cação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da p ro ­
dução e farão jus aos benefícios nos termos da lei.
A contribuição do segurado especial co rresp o n d e ao percentual de 2,3%)
incidente sobre o valor b ruto da com ercialização de sua produção rural, ou
seja, sobre toda a renda p o r ele efetuada. Esse percentual é com posto da
seguinte m aneira: 2% para a Seguridade Social; 0,1% p ara financiam ento
dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade
laborativa decorrente dos riscos am bientais d o trabalho (SAT); e 0,2% para
o Serviço N acional de A prendizagem Rural (SENAR). Este últim o não se
d estin a aos cofres da previdência, m as à p rópria entidade de apoio a ativi­
d ade rural.
Sem pre que o segurado especial v en d er sua produção rural à ad q u iren te
pessoa jurídica, consum idora ou consignatária, estas ficarão sub-rogadas
Contribuição do Segurado

na obrigação de descontar do p ro d u to r e efetuar o respectivo recolhim ento


ao INSS, m esm o que a operação de co m p ra ten h a sido in term ed iad a p o r
pessoa física.
Por fim, o segurado especial, além desta contribuição obrigatória, ta m ­
bém p o d erá c o n trib u ir facultativam ente aplicando-se a alíquota de 20% so ­
bre o respectivo salário de co ntribuição (segurado facultativo), para fazer
jus aos benefícios previdenciários com valores superiores a um salário m í­
nim o, podend o, inclusive, aposentar p o r tem po de contribuição.

6.5 Procedimento fiscal para constituição do crédito


previdenciário

6.5.1 Exame da contabilidade


C o n fo rm e estabelece o art. 33 da Lei n- 8.212/1991, com pete à Secreta­
ria da Receita Federal do Brasil - SRF planejar, executar, aco m p an h ar e ava­
liar as atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança
e recolhim ento das contribuições sociais previstas no parágrafo único d o
art. 11, das contribuições incidentes a títu lo de substituição e das devidas a
o u tras entidades e fundos.
É prerrogativa da SRF, p o r in term éd io de seus A uditores-Fiscais, o exa­
me da contabilidade das em presas, ficando obrigados a prestarem todos os
esclarecim entos e inform ações solicitados, o segurado e os terceiros res­
ponsáveis pelo recolhim ento das contribuições previdenciárias e das c o n ­
tribuições devidas a outras entidades e fundos.
Veja que, com a alteração trazida p ela Lei n u 11.941/2009 ao art. 30 da
Lei nu 8.212/1991, o exam e da contabilidade deixou de ser prerrogativa d o
INSS e do D epartam ento da Receita Federal e passou a ser prerrogativa da
SRF, p o r interm édio dos A uditores-Fiscais.
O T erm o de Início da Ação Fiscal - TIAF, em itid o privativam ente pelo
auditor-fiscal, tem dupla finalidade: cientificar o sujeito passivo de que ele se
en co n tra sob a ação fiscal e intim á-lo a apresentar, em dia e local nele d e ter­
m inados, os docum entos necessários à verificação do regular c u m p rim en to
das obrigações previdenciárias principais e acessórias, os quais deverão ser
deixados à disposição da fiscalização até o térm in o do pro ced im en to fiscaL
A pós a notificação, o sujeito passivo deverá apresentar a d o cu m en tação
e as inform ações no prazo fixado pelo auditor-fiscal, que será de, no m áxi­
mo, d ez dias úteis, contados da ciência d o respectivo TIAF, sob a pena d e
auto d e infração.
O c o rre n d o recusa ou sonegação de q u alq u er d o cu m en to ou in fo rm a­
ção, o u sua apresentação deficiente, a SRF pode, sem prejuízo da penalidade
cabível, lançar de ofício a im portância devida, cabendo à em presa ou ao
Direito Previdenciário para Concursos

segurado o ônus da prova em contrário. Esta é a técnica do arb itram en to


de trib u to s que deve ser utilizada pelo A uditor-Fiscal da Receita Federal
do Brasil sem pre que a falta ou inadequação da d o cu m en tação im pedir seu
trabalho de auditoria.
Finda a ação fiscal, o auditor-fiscal em ite o cham ado Term o de E ncerra­
m ento de A uditoria-Fiscal - TEAF, cuja finalidade é dar ciência ao sujeito
passivo de sua conclusão, devendo co n star de form a expressa a referência
aos elem entos exam inados e aos créditos lançados, que são objeto de auto
de infração.

6.5.2Aferição indireta
D ispõe o § ó2 do art. 33 da Lei n- 8.212/1991:
Art. 33. (...)
(...)
§ 6USe, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro do­
cum ento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade
não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu
serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição in­
direta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o
ônus da prova em contrário.
N as palavras de Fábio Z am bitte Ib rah im ,35 habitualm ente a fiscalização
d epara-se com sujeitos passivos que não só deixam de recolher co n trib u i­
ções devidas, m as tam bém não cum prem obrigações acessórias, ou as fa­
zem d e m odo errôneo ou incom pleto.
C o m o se sabe, as obrigações acessórias são prestações positivas ou n e­
gativas no interesse da arrecadação previdenciária, ou seja, visam a possi­
bilitar a identificação e quantificação d o valor devido pelo sujeito passivo,
sendo exem plo clássico a contabilidade. C aso não haja elaboração, a SRF
ficará sem parâm etros para apurar o débito.
Sem em bargo, há regra elem entar d o D ireito no sentido de que a n in ­
guém é lícito tirar vantagem da própria ilicitude e, p o rtan to , será obtido um
m eio d e quantificar o valor devido à Previdência Social. Daí surge a ideia
da aferição, que é a obtenção de valor devido p o r o u tro s m eios distintos dos
previstos em lei.
C o m efeito, trata-se de regra excepcional, som ente aplicável na im possi­
bilidade de identificação da base da alíquota real, devendo aten d er ao p rin ­
cípio d a proporcionalidade. Não poderá a SRF aferir valor irreal, evidente­

35 IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso de direito previdenciário. 14. ed. Niterói: Impe-
tus, 2009. p. 403.
Contribuição do Segurado

m ente acim a do devido. As aferições deverão seguir critérios que, d en tro d o


possível, se aproxim em ao m áxim o do realm ente devido.
Tam bém os critérios de aferição deverão ser preestabelecidos, possibi­
litando o direito à am pla defesa e ao co n trad itó rio do sujeito passivo. A
aferição não exclui seus direitos constitucionais. O tem a é tratad o a p a rtir
do art. 447 da IN RFB na 971/2009:
Art. 447. A aferição indireta será utilizada, se:
I - no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro docu­
mento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilida­
de não registra o movimento real da remuneração dos segurados a
seu serviço, da receita, ou do faturam ento e do lucro;
II - a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusar-se
a apresentar qualquer docum ento, ou sonegar informação, ou apre­
sentá-los deficientemente;
III - faltar prova regular e formalizada do m ontante dos salários
pagos pela execução de obra de construção civil;
IV - as informações prestadas ou os docum entos expedidos pelo
sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações,
ou outros docum entos de que disponha a fiscalização, como p or
exemplo:
a) omissão de receita ou de faturam ento verificada por interm édio
de subsídio à fiscalização;
b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do
Trabalho, ou em outros órgãos, em confronto com a escrituração
contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em
poder do sujeito passivo;
c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contra­
tado, tendo em vista o núm ero de segurados constantes em GFIP
ou folha de pagamento específicas, m ediante confronto desses do­
cum entos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou con­
tratos.
C onsidera-se deficiente o d o c u m en to apresentado ou a inform ação
prestada que não preencha as form alidades legais, bem com o aquele d o c u ­
m ento que contenha inform ação diversa da realidade ou, ainda, que om ita
inform ação verdadeira.
U m a vez justificado o p rocedim en to de aferição indireta, de m odo a
p e rm itir a identificação da rem uneração da m ão de obra envolvida, faz-se
um cálculo arbitrado, norm alm ente, com base na nota fiscal ou fatura de
prestação de serviços, possuindo regras próprias. Para fins de aferição, a re­
m uneração da m ão de obra utilizada na prestação de serviços p o r em presa
corresponde, em regra, no m ínim o, a 40% do valor dos serviços constantes
100 Direito Previdenciário para Concursos

da n o ta fiscal, da fatura ou do recibo d e prestação de serviços ou 50% d o


valor d o s serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo, no caso
de trab alh o tem porário.
O s percentuais já são dim ensionados, p a rtin d o -se da prem issa de que
nem tu d o que com põe um a nota fiscal de serviços diz respeito à m ão de
obra, havendo, tam bém , m aterial, equip am en to etc. Todavia, em situações
particulares, o Fisco adm ite algum a dedução, evitando-se, assim , a trib u ­
tação excessiva. N unca é dem ais lem b rar que o processo de arb itram en to
não é arb itrário - busca alcançar o valor real devido pelo sujeito passivo.36
O procedim ento de aferição ind ireta é bastante com um na co n stru ção
civil, d e m odo a p e rm itir a identificação da rem uneração da m ão de obra
envolvida, que é feita, norm alm ente, co m base na nota fiscal ou fatura de
prestação de serviços, possuindo regras próprias.

36 Op. cit., p. 404.


CAPÍTULO

CONTRIBUIÇÃO
DE EMPRESA E
DO EMPREGADOR
DOMÉSTICO
Contribuição de Empresa e do Empregador Doméstico

7.1 Hipótese de incidência


O empregador, em presa ou entidade a ela equiparada tem o dever de
co n trib u ir à Previdência Social, na form a da lei, q u an d o co n trata pessoa
física q ue lhe preste serviço, m esm o sem vínculo em pregatício. A co n tri­
buição incidirá sobre a folha de salários e dem ais rendim entos pagos ou
creditados, a qualquer título (art. 1 9 5 ,1, a, da CF).
C um pre-se ressaltar que a União p o d e instituir, p o r lei ordinária, novas
contribuições sobre pagam entos realizados a q u alq u er pessoa física, m esm o
que não sejam em pregados d o co n trib u in te (art. 195, § 4a, da CF), e n ten d i­
m ento que hoje é pacífico devido à edição da EC nü 20/1998, que alterou o
art. 1 9 5 ,1, a, to rn a n d o -o m ais amplo.
As hipóteses de incidência (fato g erad o r do tributo) criadas logo depois
do advento da EC nu 20/1998, veio com a Lei ns 9.876/1999, a qual alterou
a Lei n ü 8.212/1991. C om isso, a pessoa física, m esm o que não possua vín­
culo em pregatício, deve estar descrita nos incs. I, III e IV do art. 22 da Lei
nü 8.212/1991:
Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade
Social, além do disposto no art. 23, é de:
I - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou
creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados em pre­
gados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas
a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as
gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adianta­
mentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetiva­
mente prestados, quer pelo tem po à disposição do empregador ou
tom ador de serviços, nos term os da lei ou do contrato ou, ainda, de
convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;
(...)
III - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou credi­
tadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contri­
buintes individuais que lhe prestem serviços;
IV - quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de
prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados
por cooperados por interm édio de cooperativas de trabalho.
Logo, a hipótese de incidência é: utilizar-se de trabalho rem u n erad o de
pessoa física. Sendo assim, torna-se necessário conjugar os seguintes ele­
m entos:
Direito Previdenciário para Concursos

1. Prestação de serviço;
2. Que o serviço seja prestado por pessoa física, independentemente de vínculo
empregatício;
3. A onerosidade na prestação do serviço.

Por fim, devem -se destacar dois p o n to s im portantes:


l fi) N o que tange às cooperativas, devem os fixar a ideia de que estas, não
obstante serem pessoas jurídicas, não são com paradas à em presa de te r­
ceirização de m ão de obra, posto q u e têm a função de d istrib u ir serviço
ao associado (cooperado), o qual presta serviço a to m adora de serviço e
não aquela. Por isso, o contribuinte é o cedente de m ão de obra (em pre­
sa tom adora), pessoa jurídica que rem u n era e oferece o serviço, e nào a
cooperativa, com o pensam alguns (art. 22, IV, da Lei n- 8.212/1991);
2Ü) O em pregador dom éstico, aquele q u e assalaria sem esperar lucro, ta m ­
bém é co n tribuinte do tributo (art. 1 9 5 ,1, a, da CF), pois sua co n trib u i­
ção está prevista no art. 24 da Lei nü 8.212/1991.

7.2 Base de cálculo e alíquotas


Sabe-se que a base de cálculo deve m anter correlação lógica, ou co n ­
gruência, com a hipótese de incidência. Do contrário, a contribuição não
será válida.
É p o r esse m otivo que a base de cálculo da contribuição do em prega­
dor, em presa ou entidade a ela equiparad a é o valor das remunerações pagas
(conceito amplo), devidas ou creditadas, a qualquer título, às pessoas físicas
que lhes prestem serviços na form a da lei (art. 2 8 ,1, da Lei nü 8.212/1991).
Veja-se, portanto, que há plena correlação lógica com a hipótese de inci­
dência, a qual é utilizar-se de trab alh o rem u n erad o de pessoa física.
Porém , excluem -se do conceito de rem uneração aquelas parcelas que
não com põem o salário de contribuição, enum eradas no § 92 do art. 28 da
Lei nü 8.212/1991.
Ressalta-se que o em pregador dom éstico tem tratam en to diferenciado
em face do em pregador ou em presa, cuja base de cálculo ou salário de c o n ­
tribuição tem conceito m ais restrito, ab rangendo som ente aquela rem u n e­
ração registrada na CTPS paga ao em pregado a título de serviço prestado
(art. 28, II, da Lei n“ 8.212/1991).
Para que possam os e n co n trar o q u a n tu m devido da contribuição, deve­
m os so m ar as bases de cálculo vistas acim a às seguintes alíquotas básicas e
variáveis:
Contribuição de Empresa e do Empregador Doméstico

a) 20% sobre os salários de contribuição previstos nos incs. I e III do art. 22 da Lei
n- 8.212/1991 - contribuições do empregador, empresa ou entidade equiparada
remunerada segurado empregado avulso ou contribuinte individual.
b) 12% sobre o salário de contribuição previsto no art. 24 da Lei n2 8.212/1991 -
empregador doméstico.
c) 15% sobre o salário de contribuição previsto no art. 22, IV, da Lei nfl 8.212/1991
- utilização de serviço cooperado.

Sem co n tar tam bém as alíquotas adicionais, as quais podem ser c u m u ­


ladas às alíquotas acim a.
Estas alíquotas costum am incidir para: instituições financeiras (art. 22,
§ Ia, da Lei na 8.212/1991 - 2,5%); em presas em geral, em razão de sua a ti­
vidade proporcionar risco leve, m édio ou grave de acidente do trabalho - 1,
2 ou 3%; em presas em geral, pelo fato d e expor seus trabalhadores a c o n d i­
ções q ue determ inem , respectivam ente, ap osentadoria especial aos 15, 20
ou 25 anos de serviço - 12, 9 ou 6%; e em presa to m adora de serviço de
c o o p erad o filiado à cooperativa de trabalho, pelo fato de esses trab alh ad o ­
res estarem expostos a condições que d eterm in em a aposentadoria aos 15,
20 ou 25 anos de serviço - 9, 7 ou 5% (art. Ia, § I a, da Lei n fi 10.666/2003).
P or fim, há que se observar a redação do § 9a do art. 195 da CF, dada pela
EC na 47/2005, que disciplina:
Art. 195. (...)
$ 9CAs contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste arti­
go poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão
da atividade econômica, da utilização intensiva de mão de obra, do
porte da empresa ou da condição estrutural do mercado de trabalho.
O constituinte reform ador criou com isso a possibilidade de alterar alí­
q u o tas ou bases de cálculo na m edida d o grau de risco oferecido pela ativi­
d ade desenvolvida, ou do n ú m ero de m ão de obra em pregado.

7.3 Contribuições especiais com alíquotas diferenciadas e


substitutivas da contribuição patronal
São contribuições especiais, pois n ã o se en q u ad ram no sistem a da c o n ­
tribuição sobre folha de pagam ento, vindo, assim , a su b stitu ir as c o n trib u i­
ções patronais, de acordo com o art. 195, § 9a, da CF.
Direito Previdenciário para Concursos

7.3.1 Contribuição empresarial da associação desportiva que


mantém equipe de futebol profissional (art. 22, §§ & e 11, da
Lei n0 8.212/1991)

7.3.1.1 Hipótese de incidência


C onform e o art. 22, § 6a, da Lei n- 8.212/1991, a hipótese de incidência
da contribuição de associações desportivas é a receita b ru ta decorrente de
espetáculos em qualquer m odalidade desportiva, inclusive jogos in te rn a ­
cionais, e de qualquer form a de patrocínio, licenciam ento de uso de m arcas
e sím bolos, publicidade, propaganda e tran sm issão de espetáculos d esp o r­
tivos.
D estaca-se que, no caso de a associação desportiva que m antém equipe
de futebol profissional receber recursos d e em presa o u entidade, a título de
patrocínio, licenciam ento de uso de m arcas e sím bolos, publicidade, p ro ­
paganda e transm issão de espetáculos, ficará com a responsabilidade de
reter e recolher o percentual de 5% da receita b ru ta decorrente do evento,
in ad m itid a qualquer dedução a em presa patro cin ad o ra, até o dia 20 do m ês
seguinte ao de sua com petência.

7.3.1.2 Base de cálculo e alíquota


A base de cálculo é a receita b ru ta auferida decorrente de venda de jogos
em qu alq u er m odalidade desportiva, inclusive internacional, bem com o so­
bre patrocínios, licenciam ento de uso de m arcas e sím bolos, publicidade,
propaganda e transm issão de espetáculos.
Já a alíquota, substituição à prevista n o s incs. I e II do art. 22, é de 5% da
receita bruta, decorrente dos espetáculos desportivos de que participem em
todo o territó rio nacional em qualquer m odalidade desportiva, inclusive
jogos internacionais, e de qualquer form a de patrocínio, licenciam ento de
uso d e m arcas e sím bolos, publicidade, pro p ag an d a e transm issão de espe­
táculos desportivos, nos term os do art. 22, § 6Ü, da Lei nQ8.212/1991.
Todavia, essa substituição apenas se aplica às associações desportivas
que m an têm equipe profissional de futebol, sendo que as outras associa­
ções desportivas contribuem com o em presa com um (art. 22, § 10, da Lei
nü 8.212/1991).
D ispõe, ainda, a Lei n- 8.212/1991 q u e cabe à associação desportiva que
m an tém equipe de futebol profissional in fo rm ar à entidade p ro m o to ra d o
espetáculo desportivo todas as receitas auferidas no evento.
Essa contribuição substitui apenas as devidas pela em presa sobre a re­
m uneração de em pregados e avulsos. C aso a associação desportiva contrate
Contribuição de Empresa e do Empregador Doméstico

co n trib u in te individual, deverá pagar 20% sobre sua rem uneração, a título
de co ntribuição previdenciária.

7.3.2 Contribuição do produtor rural pessoa física (art. 25 da Lei


r f 8.212/1991)

7.3.2.1 Hipótese de incidência


D e acordo com a Lei nü 8.212/1991, a hipótese de incidência desta co n ­
tribuição é auferir receita bruta proveniente de com ercialização da p ro d u ­
ção rural.
Ressalta-se que o p ro d u to r rural pessoa física pode c o n trib u ir com o se­
g u ra d o da previdência (art. 12, V, a, da Lei nu 8.212/1991) ou com o em presa
(art. 15 da Lei nü 8.212/1991).

7.3.2.2 Base de cálculo e alíquota


Im p o rtan te esclarecer que o segurado especial recebe essa d en o m in ação
em razão de ter tratam ento favorecido em relação aos dem ais segurados.
O s dem ais segurados pagam suas contribuições previdenciárías incidentes
sobre seus salários de contribuição. Em se tratan d o de segurado especial,
a base de cálculo será a receita b ru ta auferida da com ercialização da p ro ­
dução rural, e suas alíquotas são duas: 2% da receita b ru ta proveniente da
com ercialização de sua produção; e 0,1% para financiam ento das prestações
p o r acidente de trabalho.
Veja-se que essa alíquota tam bém tem a função de substituir a co n tri­
b uição a cargo das em presas em geral (art. 25 da Lei nfl 8.212/1991).
C o m efeito, em bora haja previsão legal a respeito da contribuição p re ­
videnciária do segurado especial (art. 25, I e II, da Lei nfl 8.212/1991), ele
faz ju s aos benefícios previdenciários m esm o que não apresente co n trib u i­
ções recolhidas. Terá apenas que com p ro v ar o tem po m ínim o de efetivo
exercício de atividade rural ou pesqueira, ainda que de form a descontínua,
igual ao núm ero de m eses corresponden tes à carência do benefício reque­
rido (art. 39, I, da Lei n° 8.213/1991). N esse caso, o valor da renda m ensal
dos benefícios previdenciários aos quais faz jus o segurado especial é de um
salário m ínim o.
C o m o vim os, caso pretenda um benefício de valor su p erio r ao salário
m ínim o, o segurado especial, além da contribuição obrigatória, p o d erá
contribuir, facultativam ente, com a alíquota de 20% sobre o salário de co n ­
tribuição e c u m p rir a carência exigida pela lei.
Direito Previdenciário para Concursos

7.3.3 Contribuição do produtor rural pessoa jurídica (art. 22-A da


Lei t f 8.212/1991)

7.3.3.1 Hipótese de incidência


A hipótese de incidência desta co n trib u ição é auferir receita b ru ­
ta proveniente da com ercialização da produção rural (prevista na Lei
n° 8.870/1994).

1 .3 .3.2 Base de cálculo e alíquota


A base de cálculo do p ro d u to r rural pessoa ju ríd ica é o total da receita
bruta proveniente da com ercialização d a pro d u ção rural e sua alíquota é
de 2,6%, sendo 2,5% destinados à Seguridade Social (art. 22-A, I, da Lei
nu 8.212/1991) e 0,1% ao Seguro A cidente de trabalho - SAT (art. 22-A, II,
da Lei n 2 8.212/1991).
R essalta-se que a alíquota de 2,5% substitui a contribuição incidente so­
bre valores pagos ou creditados, a q u alq u er título, aos segurados em prega­
dos e trabalhadores avulsos (art. 2 2 ,1 e II, da Lei nü 8.212/1991) e, p o r sua
vez, a alíquota de 0,1% substitui as alíquotas de 1, 2 e 3% do SAT.

7.4 Contribuição da microempresa


O Supersim ples, com fundam ento n o art. 146, III, d , da CF, e regula­
m en tad o pela Lei na 123/2006, estabelece norm as gerais relativas ao tra ta ­
m ento trib u tário diferenciado e favorecido a ser dispensado às m icroem -
presas e em presas de pequeno porte no âm bito da União, dos Estados, d o
D istrito Federal e dos M unicípios, m ed ian te regim e especial unificado de
arrecadação de trib u to s e contribuições, inclusive das obrigações acessórias.
Lem bram os que, até a edição da Lei nc 123/2006, vigorava a Lei
nu 9.317/1996 - que instituiu o ch am ad o Sistema Integrado de Pagam ento
de Im postos e C ontribuições - SIMPLES, que tratava apenas dos im postos
de nível federal, deixando de fora os im postos estaduais e m unicipais. Pos­
teriorm ente, a EC nü 42/2003 instituiu o SIMPLES federal (art. 146, III, d, e
parágrafo único, da CF).
N os term os do art. 13 da LC nc 123/2006, o Sim ples N acional (regim e
especial unificado de arrecadação de trib u to s e contribuições devidos pelas
m icroem presas e em presas de pequeno p o rte) im plica o recolhim ento m en ­
sal, m ediante d ocum ento único de arrecadação, dos seguintes im postos e
contribuições:
Art. 13. (...)
I - Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ;
II - Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, observado o dis­
posto no inciso XII do § l c deste artigo;
Contribuição de Empresa e do Empregador Doméstico

III - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL;


IV - Contribuição para o Financiam ento da Seguridade Social -
COFINS, observado o disposto no inciso XII do § l u deste artigo;
V - Contribuição para o PIS/Pasep, observado o disposto no inciso
XII do § l ü deste artigo;
VI - Contribuição Patronal Previdenciária - CPP para a Segurida­
de Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei
nc 8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no caso da microempresa e
da empresa de pequeno porte que se dedique às atividades de pres­
tação de serviços referidas no ■§ 5°-C do art. 18 desta Lei Comple­
mentar;
VII - Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Merca­
dorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e
Intermunicipal e de Com unicação - ICMS;
VIII - Imposto sobre Serviços de Q ualquer Natureza - ISS.
Com feito, entre os impostos e contribuições incluídos no Simples Na­
cional está a contribuição para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurí­
dica.

7.5 Contribuição dos empregadores domésticos


A alíquota de contribuição do em preg ad o r dom éstico será de 12% sobre
o salário de contribuição, observando o lim ite m áxim o da base de co n tri­
buição.
Poderá, contudo, haver contribuição inferior ao lim ite m ín im o no caso
de o dom éstico receber salário proporcional ao nú m ero de dias trabalhados.
C u m p re salientar que a contribuição do em pregador dom éstico à previ­
d ência não lhe dá qualquer direito a benefícios. Ele apenas participa com o
to m a d o r de serviço.
CAPÍTULO

RESPONSABILIDADE
SOLIDÁRIA
Responsabilidade Solidária

8.1 Introdução
O C ódigo Civil prevê que ocorre so lidariedade q u an d o na m esm a o b ri­
gação concorre m ais de um credor ou m ais de um devedor, cada um com
direito, ou obrigado, à dívida toda (art. 264 do CC). O utrossim , o estatuto
civil dispõe que a solidariedade não se presum e, pelo contrário, advém de
lei ou de u m contrato entre as partes (art. 265 do CC).
O art. 1 2 4 ,1, do C TN estabelece q u e são solidariam ente obrigadas as
pessoas que ten h am interesse com um na situação que constitua fato g era­
d o r da obrigação principal.
Para o sistem a previdenciário são solidariam ente obrigadas as pessoas
que tenham interesse com um na situação que constitua o fato gerador da
obrigação previdenciária principal e as expressam ente designadas p o r lei
com o tal (art. 151 da Instrução N orm ativa RFB nü 971/2009).
A ssim , na relação jurídica de custeio existem dois sujeitos passivos: o
co n trib u in te (tem relação pessoal direta com a situação que constitui o fato
g erad o r da obrigação) e o responsável (n ão é contribuinte, m as tem o b rig a­
ção p ara com o INSS p o r expressa disposição legal).
O sistem a previdenciário disciplina, outrossim , no art. 152 da IN RFB
na 971/2009, quais são os responsáveis solidários pelo cu m p rim en to da
obrigação previdenciária principal:
Art. 152. (...)
I - as empresas que integram grupo econômico de qualquer na­
tureza, entre si, conforme disposto no inciso IX do art. 30 da Lei
nü 8.212, de 1991;
II - o operador portuário e o OGM O, entre si, relativamente à requi­
sição de mão de obra de trabalhador avulso, ressalvado o disposto
no § l ü, conforme disposto no art. 2Üda Lei nc 9.719, de 27 de no­
vembro de 1998;
III - os produtores rurais, entre si, integrantes de consórcio sim­
plificado de produtores rurais definido no inciso XIX do art. 165,
conforme disposto no art. 25-A da Lei nG8.212, de 1991;
IV - a empresa tom adora de serviços com a empresa prestadora de
serviços mediante cessão de m ão de obra, inclusive em regime de
trabalho tem porário, até a competência janeiro de 1999;
V - a empresa tom adora de serviços com a empresa prestadora de
serviços mediante cessão de m ão de obra, inclusive em regime de
trabalho tem porário, conform e disposto no art. 31 da Lei nu 8.212,
de 1991, até a competência janeiro dc 1999, observado, quanto a
órgão público da adm inistração direta, a autarquia e a fundação de
direito público, o disposto na alínea “b” do inciso VIII;
VI - Revogado. IN RFB nfl 1.027/2010.
Direito Previdenciário para Concursos

VII - as pessoas que tenham interesse com um na situação que cons­


titua o fato gerador da obrigação previdenciária principal, conforme
dispõe o art. 224 do Código Tributário Nacional (CTN);
VIII - o órgão público da adm inistração direta, a autarquia e a fun­
dação de direito público:
a) no período anterior ao Decreto-Lei nü 2.300, de 21 de novem­
bro de 1986, quando contratar obra de construção civil, reforma ou
acréscimo, bem como quando contratar serviços m ediante cessão de
mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário; e
b) no período de 29 de abril de 1995 a 31 de janeiro de 1999, quando
contratar serviços mediante cessão de mão de obra, inclusive em
regime de trabalho temporário;
IX - os titulares e os sócios, em qualquer tempo, e os adm inistra­
dores do período de ocorrência dos respectivos fatos geradores ou
em períodos posteriores, de microempresas ou empresas de peque­
no porte, baixadas sem o pagam ento das respectivas contribuições
previdenciárias, conforme disposto nos §§ 3a e 42 do art. 78 da Lei
Com plem entar nü 123, de 14 de dezembro de 2006.

8.2 Hipóteses de elisão da responsabilidade solidária


São excluídas da responsabilidade solidária as contribuições (art. 151,
§ 2 \ d a IN RFB n“ 971/2009):
Art. 151. (...)
(...)
I - as contribuições destinadas a outras entidades ou fundos;
II - as contribuições sociais previdenciárias decorrentes de serviços
prestados mediante cessão de m ão de obra ou empreitada sujeitos à
retenção de que trata o art. 112;
III - no período de 21 de novembro de 1986 a 28 de abril de 1995,
as contribuições sociais previdenciárias decorrentes de serviços
prestados mediante cessão de mão de obra ou empreitada, a órgão
público da adm inistração direta, a autarquia, e a fundação de direito
público; e
IV - a partir de 21 de novem bro de 1986, as contribuições sociais
previdenciárias decorrentes da contratação, qualquer que seja a for­
ma, de execução de obra de construção civil, reforma ou acréscimo,
efetuadas por órgão público da adm inistração direta, por autarquia
e por fundação de direito público.

8.3 Responsabilidade da Administração Pública


N ão há responsabilidade solidária da A dm inistração Pública em relação
à m ulta m oratória e à exceção das em presas públicas e das sociedades de
Responsabilidade Solidária

econom ia m ista que, em consonância com o disposto no § 2Üdo art. 173 da


CF, respondem inclusive pela m ulta m oratória.
Ressalta-se, p o r fim, que poderá ser elidida a responsabilidade solidária
de acordo com o art. 162 e ss. da IN RFB n“ 971/2009.

8.4 Hipóteses de supressão da responsabilidade solidária


N a contratação de serviços m ediante cessão de m ão de obra ou de obra
ou serviço de construção civil, até a com petência janeiro de 1999, obser­
vado o disposto no inc. VIII do art. 152 da citada IN, a responsabilidade
solidária do contratante com a co n tratad a será elidida com a com provação
do recolhim ento das contribuições sociais devidas pela contratada. A duz o
art. 162 da IN RFB nü 971/2009:
Art. 162. (...)
I - quando se tratar de obra ou serviço de construção civil:
a) incidentes sobre a rem uneração constante da folha de pagamento
dos segurados utilizados na prestação de serviços, corroborada por
escrituração contábil se o valor recolhido for inferior ao indireta­
mente aferido com base nas notas fiscais, nas faturas ou nos recibos
de prestação de serviços, na form a prevista na Seção Única do Capí­
tulo III do Título IV; ou
b) incidentes sobre o valor indiretam ente aferido na forma prevista
na Seção Única do Capítulo III do Título IV, quando não for apre­
sentada a escrituração contábil;
II - quando se tratar de serviços prestados mediante cessão de mão
de obra:
a) incidentes sobre a rem uneração constante da folha de pagam ento
dos segurados utilizados na prestação de serviços, quando se tratar
de serviços prestados mediante cessão de mão de obra; ou
b) incidentes sobre o valor indiretam ente aferido na forma prevista
nos arts. 450 e 451, quando não for apresentada a folha de paga­
mento.
N a contratação de obra de co n stru ção civil m ediante em preitada total, a
p a rtir de fevereiro de 1999, observado o d isposto no art. 157, a responsabili­
dade solidária do proprietário do imóvel, do d o n o da obra, do in co rp o rad o r
ou do condôm ino da unidade im obiliária, com a em presa co n stru to ra, será
elidida com a com provação do recolhim ento, conform e o caso:
Art. 163. (...)
I - das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração conti­
da na folha de pagamento dos segurados utilizados na prestação de
serviços e respectiva GFIP, corroborada por escrituração contábil,
se o valor recolhido for inferior ao indiretam ente aferido com base
Direito Previdenciário para Concursos

nas notas fiscais, nas faturas ou nos recibos de prestação de serviços,


na forma estabelecida na Seção Ünica do Capítulo III do Título IV;
II - das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração da
mão de obra contida em nota fiscal ou fatura correspondente aos
serviços executados, aferidas indiretam ente na forma estabelecida
na Seção Única do Capítulo III do Título IV, caso a contratada não
apresente a escrituração contábil formalizada na época da regulari­
zação da obra;
III - das retenções efetuadas pela empresa contratante, no uso da
faculdade prevista no art. 164, com base nas notas fiscais, nas faturas
ou nos recibos de prestação de serviços emitidos pela construtora
contratada mediante em preitada total;
IV - das retenções efetuadas com base nas notas fiscais, nas faturas
ou nos recibos de prestação de serviços em itidos pelas subemprei-
teiras, que tenham vinculaçào inequívoca à obra.
Parágrafo único. Em relação às alíquotas adicionais para o finan­
ciamento das aposentadorias especiais previstas no art. 57 da Lei
n“ 8.213, de 1991, a responsabilidade solidária poderá ser elidida
com a apresentação da docum entação comprobatória do gerencia­
mento e do controle dos agentes nocivos à saúde ou à integridade fí­
sica dos trabalhadores, emitida pela empresa construtora, conform e
disposto no art. 291.
Art. 164. A contratante de em preitada total poderá elidir-se da res­
ponsabilidade solidária m ediante a retenção de 11% (onze por cen­
to) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação
de serviços contra ela emitido pela contratada, inclusive o consórcio,
a comprovação do recolhimento do valor retido, na forma prevista
no Capítulo VIII do Título II, e a apresentação da docum entação
comprobatória do gerenciamento dos riscos ocupacionais, na forma
prevista no art. 291, observado o disposto no art. 145.
CAPÍTULO

DO REGIME GERAL DA
PREVIDÊNCIA SOCIAL
Do Regime Geral da Previdência Social

O Regime G eral de Previdência Social - RGPS, cuja previsão en co n ­


tra-se no art. 201 da CF, é regim e de previdência de organização estatal,
contributivo e com pulsório, ad m in istra d o pelo Instituto N acional do Segu­
ro Social e pela Secretaria da Receita Previdenciária. É regim e obrigatório
p ara to d o s aqueles que exercem atividades rem u n erad as p or ele descritas. É
financiado pelo G overno, pelas em presas e pelo segurado.
N o plano infraconstitucional, o RGPS foi regulam entado pelas Leis
n ^ 8.212/1991 (Plano de C usteio da Seguridade Social) e 8.213/1991 (P la­
no de Benefício da Previdência Social), regulam entadas pelo D ecreto
nu 3.048/1999 (R egulam ento da Previdência Social).
Q u a n d o se fala que se trata de sistem a de caráter contributivo, q uer d i­
zer que som ente aquele que contribui p ara o custeio da seguridade é que
ad q u ire a condição de segurado. U m a vez co n trib u in d o e c u m p rin d o as
carências exigidas por lei, terá o segurado direito aos benefícios previstos
pela legislação.
A questão da filiação obrigatória é deco rren te de exigência legal. Assim,
se a pessoa exerce atividade de trabalho considerada pela lei com o de c o n ­
trib u in te obrigatório, deve c o n trib u ir obrigatoriam ente para o RGPS, n ão
havendo espaço para escolha.
Por fim, há que se ressaltar que to d o s os critérios de organização d o
R egim e G eral devem preservar o equilíbrio financeiro e atuarial, a fim de
evitar o déficit do sistem a. Esse equilíbrio é m an tid o pela relação existente
en tre o salário de contribuição (base de cálculo da contribuição social) e o
salário de benefício (base de cálculo do benefício).

9.1 Regras constitucionais


A própria Constituição Federal enumera as contingências geradoras das
necessidades cobertas pela Previdência Social. Estão no art. 201, I a V, da
CF, a saber:
• doença;
• invalidez;
• m o rte e idade avançada;
• proteção à m aternidade, especialm ente à gestante;
• proteção ao trab alh ad o r em situação de desem prego involuntário;
• salário-fam ília;
• auxílio-reclusão;
• pen são por m orte.
Direito Previdenciário para Concursos

& Atenção:
A situação de desemprego involuntário, embora prevista no art. 3Úda Lei
nfl 8.212/1991. não tem cobertura previdenciária dentro do plano de benefí­
cios. é objeto de lei específica, a Lei n2 7.998/1990. que regula o Programa
de Seguro-Desemprego, o Abono Salarial, institui o Fundo de Amparo ao
Trabalhador - FATf e dá outras providências.

9.1.1 Vedação de adoção de critérios diferenciados


Significa que, diante de u m a m esm a situação de contingência, devem
ser usados os m esm os critérios para tod o s os segurados.
O s requisitos para aposentadoria p o r idade são idade e carência, ou seja,
q u alq u er pessoa que preencha am bos os requisitos terá direito ao referido
benefício.
A C onstituição, contudo, em seu a rt. 201, § l fi, excepciona os casos de
atividades exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a
integridade física, definidos em lei com plem entar.

9.1.2 Vedação de concessão de benefícios inferiores ao salário


mínimo
N ão se adm ite a concessão de benefício em valor inferior ao salário m í­
nim o. N enhum benefício que substitua o salário de contribuição ou o re n ­
d im e n to do trab alh ad o r poderá ter valor m ensal inferior ao salário m ínim o.

Atenção:
Esse limite refere-se apenas aos benefícios que substituam a remuneração
ou o salário de contribuição. Benefícios complementares, como auxílio-ací-
dente, por exemplo, podem ser fixados em valores inferiores ao salário míni­
mo. Trata-se. nesses casos, de um complemento à remuneração.

9.1.3 Correção de todos os salários de contribuição


O art. 201, § 3a, da CF visa garantir q u e a renda do benefício fosse calcu­
lada d e m odo a evitar a sua defasagem , em razão do histórico dos patam ares
inflacionários do nosso país. Dessa form a, to d o s os salários de contribuição
serão m o netariam ente corrigidos até a d ata do cálculo, na form a da lei.

9.1.4 Preservação do valor real dos benefícios (art. 201, § 4?, da CF)
C om efeito, o benefício previdenciário visa substituir os ren d im en to s
do segurado, a fim de que ele possa m a n te r seu sustento e o de sua família.
Do Regime Geral da Previdência Social

Assim , o p o d er de com pra do segurado deve ser preservado desde a ren d a


m ensal inicial até enquanto d u ra r a c o b ertu ra previdenciária. Significa que
os reajustes do valor da renda m ensal d o benefício devem g arantir-lhe o
valor real.
T rata-se da aplicação d o cham ado princípio da irredutibilidade do valor
dos benefícios, previsto no art. 194, IV, d a CF.

9.1.5 Gratificação natalina para aposentados e pensionistas


T rata-se de garantia constitucional assegurada aos aposentados e p e n ­
sionistas filiados ao RGPS. Tam bém cham ada de ab ono anual, consiste n o
pagam ento de um a gratificação natalina equivalente aos proventos percebi­
dos n o m ês de dezem bro (art. 201, § 6*, d a CF).

9.1.6 Sistema de inclusão previdenciária para trabalhadores de


baixa renda
Inovação trazida pela EC nü 47/2005, visando prom over a inclusão pre­
videnciária dos trabalhadores de baixa renda, bem com o daqueles que, sem
renda própria, dediquem -se exclusivam ente ao trabalho dom éstico no â m ­
bito d e sua residência.
V isando justam ente a inclusão previdenciária, tal sistem a estabelece alí­
q u o tas de contribuição e carência diferenciadas, inferiores às vigentes para
os dem ais segurados, nos m oldes do art. 2 0 1, § 13, da CF.
Trata-se, porém , de norm a constitucional de caráter program ático, p o r­
tanto, depende de lei o rd in ária e norm atização adm inistrativa para p ro d u ­
zir efeitos.

9.1.7 Contagem recíproca para fins de aposentadoria (art. 201, §9*,


da CF)
Pode o co rrer de o segurado ter exercido suas atividades tanto na inicia­
tiva privada com o no serviço público, p o d e n d o ter recolhido contribuições
para am bos os regim es previdenciários, sem que, todavia, em nenhum de­
les, te n h a cu m p rid o todos os requisitos p a ra se aposentar.
Verificada essa situação, a C onstituição Federal perm ite a contagem d o
tem po de contribuição para am bos os regim es para que, ao final, o segura­
do possa obter sua aposentadoria p o r tem p o de contribuição ou p o r id a­
de. T rata-se da cham ada com pensação financeira en tre os diversos regim es
previdenciários.
A m atéria encontra-se regulam entada pela Lei nü 9.796/1999, que d is­
põe sobre a com pensação financeira en tre o RGPS e os regim es de previ­
d ência dos servidores da União, dos Fstados, do D istrito Federal e dos M u­
Direito Previdenciário para Concursos

nicípios, nos casos de contagem recíproca de tem po de contribuição para


efeito de aposentadoria.

9.1.8 Conselho Nacional de Previdência Social - CNPS


Ó rgão colegiado destinado a concretizar a gestão dem ocrática e d escen ­
tralizada, nos term os do art. 194, VII, d a CF. Seus m em bros são nom eados
pelo Presidente da República, sendo seis representantes do G overno Fede­
ral e nove, da sociedade civil. Destes, três são representantes de aposentados
e pensionistas, três representantes dos trab alh ad o res em atividade e três re­
presentantes dos em pregadores.
Possui, d entre outras, as seguintes com petências:
• estabelecim ento de diretrizes gerais d e apreciação das decisões políticas
aplicáveis à Previdência Social;
• participação, acom panham ento e avaliação da gestão previdenciária;
• apreciação e aprovação das propostas orçamentárias da Previdência So­
cial, antes de sua consolidação na pro p o sta orçam entária da Seguridade
Social;
• apreciação da aplicação da legislação previdenciária;
• apreciação da prestação anual de contas feitas ao TCU, podendo, até, se
necessário, contratar auditoria externa;
• estabelecer os valores m ínim os em litígio, acim a dos quais será exigi­
da a anuência prévia do P rocurador-G eral ou do D iretor-P residente d o
INSS, para form alização de desistência ou transigência judiciais, c o n ­
form e o disposto no art. 132 da Lei n - 8.213/1991;
• aprovar os critérios de arrecadação e de pagam ento dos benefícios p o r
in term éd io da rede bancária ou p o r o u tras form as;
• a co m p an h ar e verificar os trabalhos d e m anutenção d o cadastro nacio­
nal de inform ações sociais;
• estabelecer norm as de padronização sobre o processo de produção de
inform ações e sobre a sua divulgação à sociedade;
• pronunciar-se, previam ente ao seu en cam inham ento, sobre m edidas le­
gais que im pliquem renúncia previdenciária;
• a co m p an h ar ações, procedim entos e m edidas relativam ente às re n ú n ­
cias previdenciárias;
• a co m p an h ar a cobrança adm inistrativ a e judicial dos créditos previden-
ciários do INSS, inclusive q u an to à fo rm a de pagam ento;
• a co m p an h ar o pagam ento de precatórios;
• a co m p an h ar a qualidade e presteza d o s serviços prestados pelo INSS;
Do Regime Geral da Previdência Social

a co m p an h ar e estabelecer m ecanism os de controle do pagam ento dos


benefícios;
p ro p o r e acom panhar as m edidas destin ad as ao aum ento da co b ertu ra
previdenciária;
p ro p o r e acom panhar m edidas de divulgação da política de Previdência
Social, em especial dos direitos e obrigações dos segurados;
elaborar e aprovar o seu regim ento interno;
c u m p rir outras atribuições definidas em lei.
CAPÍTULO

BENEFÍCIOS DO
REGIME GERAL DA
PREVIDÊNCIA SOCIAL
Benefícios do Regime Geral da Previdência Social

10.1 Introdução
As prestações da Previdência Social, n otadam ente, é tem a de extrem a
relevância, po rq u an to é a finalidade da relação ju ríd ica previdenciária. A lei
que cuida dos institutos de prestação do RGPS é a PBPS - Plano de Benefí­
cios d a Previdência Social - Lei na 8.213/1991.
As prestações previdenciárias estão arroladas no art. 18 da Lei
nü 8.213/1991, as quais tiveram significativa m odificação pelas Leis n1*
8.870/1994,9.032/1995, 9.129/1995 e, p o r fim, pela EC nü 20/1998, que deu
nova redação ao art. 201, § 7U, da CF.
O instituto prestação se subdivide em duas espécies: os benefícios e os
serviços.
O s benefícios são espécies de prestações de cu n h o pecuniário, p o d e n d o
ser pagos de um a só vez ou de form a co n tín u a. O s serviços, p o r sua vez,
são prestações de caráter não pecuniário. Exs.: a reabilitação profissional e
o serviço social.
As prestações disciplinadas pelo RGPS são as seguintes:
A) D evidas aos segurados
1. aposentadoria p o r invalidez;
2. aposentadoria p o r idade;
3. aposentadoria p o r tem po de contribuição;
4. aposentadoria especial;
5. auxílio-doença;
6. salário-fam ília;
7. salário-m aternidade;
8. auxílio-acidentè;
9. ab o n o anual.
B) D evidas aos dependentes
1. pensão por m orte;
2. auxílio-reclusão.
C) D evidas aos segurados e dependentes
1. reabilitação profissional;
2. serviço social.

10.2 Cálculo das prestações


As prestações previdenciárias sào calculadas com base no institu to d o
salário de benefício, ressalvados a pensào p o r m o rte e o auxílio-reclusão.
Esta den o m in ação escolhida para o salário de benefício não condiz com
seu objeto, pois não se trata de salário e m uito m enos de benefício, m as,
Direito Previdenciário para Concursos

sim , apenas de um a base de cálculo prestada na apuração da Renda M ensal


Iniciaí - RMI.
A ssim , o salário de benefício consiste na m édia aritm ética sim ples das
bases d e cálculo (salários de contribuição) contidas em um certo p erío d o
de cálculo, quantum que se presta para a aferição da renda m ensal inicial d o
benefício de pagam ento continuado.
Interessante destacar o art. 29-B da Lei nü 8.213/1991, assim:
Art. 29-B. Os salários de contribuição considerados no cálculo do
valor do benefício serão corrigidos mês a mês de acordo com a
variação integral do fndice Nacional de Preços ao C onsum idor -
INPC, calculado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística - IBGE.

10.2.1 Cálculo das prestações do art. 20,1, da Lei r f 8.213/1991


Em caso de doença profissional, assim entendida a produzida ou d e­
sencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a d eterm in ad a atividade e
constante da respectiva relação elaborada pelo M inistério do Trabalho e
da Previdência Social, o salário de benefício é calculado, nas hipóteses d o
inc. I, para os benefícios de aposentadoria por idade e por tem po de contri­
buição, na m édia aritm ética sim ples d o s m aiores salários de contribuição
correspondentes a 80% de to d o o p e río d o contributivo, m ultiplicada pelo
fator previdenciário (art. 29 da Lei n- 8.213/1991).
R essalta-se que o salário de benefício, a p a rtir da Lei nü 9.876/1999, so­
fre a influência de dois elem entos essenciais:
a) alargam ento do período básico de cálculo;
b) em prego do fator previdenciário.
L em brando sucintam ente que, antes desta lei, o salário de benefício
consistia em um a m édia aritm ética sim ples dos últim os 36 salários de co n ­
tribuição corrigidos m onetariam ente, m ês a mês, to m an d o -se as m ensali­
dades anteriores ao afastam ento da atividade ou à data de en trad a do re­
querim ento.
C om isso, hodiernam ente, é a b an d o n ad o o p erío d o básico de cálculo
de 36 salários de contribuição, sendo substituído p or um lapso de tem po
m aior, am pliando-se cada vez m ais com o decurso do tem po.
D iante dessa m udança de cálculo, o legislador fixou um m ês inicial para
que se pudesse com eçar a co n tar o p erío d o contributivo. Dessa form a, o
prim eiro mês, em todos os casos, obviam ente se nele o segurado teve c o n ­
tribuições, será julh o de 1994, m esm o p a ra aqueles segurados que já esta-
vam n o sistem a antes desta data.
Benefícios do Regime Geral da Previdência Social

Suponha-se que o segurado “A” contrib u i para a Previdência desde ju lh o


de 1976, sem deixar de pagar n en h u m m ês sequer, este sujeito faz seu 65u
aniversário em 2006 e, assim , vem a p reen ch er todos os requisitos para a
concessão do benefício da aposentadoria p o r idade.
P ortanto, seu salário de benefício será calculado com base na m édia
aritm ética sim ples dos m aiores salários de contribuição existentes desde
julho de 1994 e não julho de 1976. Segundo o disposto acim a, 80% desse
p eríodo, ou seja, os 115 m aiores salários de contribuição, deixando de lado
os o u tro s 29 m enores.
Para fecharm os o raciocínio na apuração d o salário de benefício, de­
ve-se ain d a m ultiplicar a m édia aritm ética obtida com os salários de co n ­
tribuição (período básico de cálculo) pelo o u tro elem ento essencial: o fator
previdenciário.
D ispõe o § 7c do art. 29 da Lei nQ8.213/1991:
O fator previdenciário será calculado considerando-se a idade, a ex­
pectativa de sobrevida e o tem po de contribuição do segurado ao se
aposentar, segundo a fórmula constante do Anexo desta Lei.
Fórm ula:
(Id + Tc x a)
1+
100

F = fator previdenciário
Es = expectativa de sobrevida
Tc = tempo de contribuição
Id = idade
a = alíquota de contribuição - 0,31 (soma da contribuição patronal (20%) + alíquo-
ta máxima do empregado (11%))______________________________________

Veja-se que, na verdade, sào três variáveis:

a) íd - idade no momento da aposentadoria;


b) Tc - tempo de contribuição até o momento da aposentadoria;
c) Es - expectativa de sobrevida no momento da aposentadoria. É obtido em tábuas
biométricas (construídas pelo IBGE), conforme o Decreto n- 3.266/1999.

Seguindo exem plo acim a, o fator previdenciário seria:

12) Id = 65 anos x 365 = 23.725 dias;


22) Tc = 30 anos x 365 = 10.950 dias;
32) suponhamos que sua esperança de vida seja 10.8 anos;
4-) os cálculos são efetuados com 4 casas decimais:
Direito Previdenciário para Concursos

_ 3 0 x 0 ,3 1 1 + (6 5 + 3 0 x 0 ,3 1 )
" 10,8000 X 1 + 100

r 9,3000 74,3000
10,8000 X 100
F = 0,8611 x (1 + 0,7430)
F = 0,8611 x 1,7430
F = 1,500

O fator previdenciário surgiu com o in tu ito de evitar aposentadorias a n ­


tecipadas ou precoces, por este m otivo, n ão é aplicado à ap osentadoria p o r
idade, m as som ente se lhe for m ais benéfico (art. 7- da Lei nü 9.876/1999).
P o r fim, calcula-se o salário de benefício, que é, de acordo com o art. 29,
11, a m édia aritm ética sim ples dos m aiores salários de contribuição corres­
pon d en tes a 80% de to d o o período co n tributivo (para nós, os 115 m aiores
salários) m ultiplicada pelo fator previdenciário (1,500).

10.2.2 Cálculo das prestações do art. 20, II, da Lei r f 8.213/1991


Em se tratan d o de doença do trabalh o , assim entendida a ad q u irid a ou
desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é rea­
lizado e com ele se relacione d iretam en te, constante da relação elaborada
pelo M inistério d o Trabalho e da Previdência Social, o salário de benefício
será calculado, nas hipóteses do inc. II, p ara os benefícios de aposentadoria
por invalidez, aposentadoria especial, auxílio-doença e auxílio-acidente na
m édia aritm ética sim ples dos m aiores salários de contribuição c o rresp o n ­
d entes a 80% de todo o p erío d o contributivo (art. 29 da Lei n° 8.213/1991).

Atenção:
Não são consideradas como doenças do trabalho: a doença degenerativa, a
inerente ao grupo etário e a que não produza incapacidade laborativa.
CAPÍTULO

PRESTAÇÕES SOCIAIS
EM ESPÉCIE
Prestações Sociais em Espécie

Previdência Social é um sistem a de proteção social que assegura o sus­


tento d o trab alh ad o r e de sua fam ília q u a n d o ele não p o d e trab alh ar p o r
causa d e doença, acidente, gravidez, prisão, m orte ou velhice.

11.1 Benefícios devidos aos segurados

11.1.1 Aposentadoria por invalidez (arts. 42 a 47 da Lei n9 8.213/1991


e 43 a 50 do Dec. n° 3.048/1999)
A aposentadoria por invalidez, espécie de benefício p or incapacidade
ju n tam en te com o auxílio-acidente e o auxílio-doença, tem com o principal
objetivo substituir a rem uneração do segurado que se encontre incapaz to ­
tal e definitivam ente para o exercício de atividade que lhe garanta sobrevi­
vência, ou seja, em total im possibilidade de reabilitação do segurado.
É concedida ao segurado que, estan d o ou não em gozo de aux ílio -d o en ­
ça, for considerado incapaz para o trab alh o e insuscetível de reabilitação
para o exercício de atividade que lhe g aran ta a subsistência. Será devida
en q u an to o segurado perm anecer nessa condição.
Requisitos para concessão:
1. C ondição de segurado;
2. C arência: 12 contribuições m ensais. Ressalvada a hipótese de acidente
de qualquer natureza ou m oléstia grave, a carência é dispensada;

Atenção:
ÍÜ S S S ? Independe de carência a concessão de aposentadoria por invalidez aos se­
gurados especiais, desde que comprovem o exercício de atividade rural no
período imediatamente anterior ao requerimento do benefício, ainda que de
forma descontínua, igual ao número de meses correspondente à carência do
benefício requerido.

3. Incapacidade total e definitiva (p erm an en te) para o exercício de ativi­


d ad e que garanta a sobrevivência d o segurado e dos seus d ep en d en tes
(realizado por perito m édico do INSS).
N ão será devido quando o segurad o se filiar ao RGPS, já sabendo ser
p o rta d o r de doença ou lesão invocada com o causa para a concessão do b e­
nefício, salvo q u an d o a incapacidade sobrevier p o r m otivo de progressão
ou agravam ento dessa doença ou lesão. N esse caso, o benefício será devido,
cabendo à perícia m édica identificar esta situação.
Agora, se a m oléstia era preexistente e o segurado era incapaz, não im ­
p orta se estava de boa ou m á-fé, o segurado não receberá o benefício.
Direito Previdenciário para Concursos

Ressalta-se que se a m oléstia é de progressão e o segurado já a possuía


antes d e se filiar, para pleitear o benefício, deverá este com provar a p ro g res­
são d e m oléstia (ex.: doença de chagas).
A ap o sen tad o ria p o r invalidez é concedida q u an d o a perícia realizada
pelo INSS conclui que o segurado é irrecuperável para a sua atividade o u
inadaptável para outra. Portanto, para concessão do benefício é necessária a
realização de perícia m édica a cargo da Previdência Social. Som ente o p ro ­
fissional m édico habilitado e registrado n o INSS p o d erá avaliar a condição
do segurado. Se o segurado não tiver com o ir ao local da perícia (INSS), o
perito deverá ir até ele.
C om prova-se que o segurado possui incapacidade q u an d o nào tem
condição de desenvolver atividade rem u n erad a com patível com o grau de
compLexidade da atividade que exercia an terio rm en te ou quando a ativida­
de a qual ele p u d er desenvolver não lhe g a ra n tir posição social equivalente
àquela que ocupava anteriormente à enfermidade.
D estaca-se que o INSS pode subm eter, a q u alq u er tem po, o segurado à
reabilitação/habilitação, independentem en te de sua idade. Caso seja v eri­
ficada a reabilitação, o segurado deixa d e receber o benefício. Na prática,
n o rm alm en te, quando os peritos vislum bram a possibilidade de reabilita­
ção, é concedido o benefício de auxílio-doença e não o de ap osentadoria
p or invalidez.
O valor do benefício da apo sen tad o ria p o r invalidez será fixado em
100% d o salário de benefício, que, com o vim os, será calculado com base no
salário de contribuição.
Esse valor pode, excepcionalm ente, ser acrescido de 25% q u an d o o se­
g u ra d o necessitar de assistência p erm an en te de outra pessoa, sendo devido
ainda que o valor da aposentadoria atinja o lim ite m áxim o legal, e recalcu­
lado q u a n d o o benefício que lhe deu origem for reajustado.

11.1.1.1 Data de início do benefício


A data do início do benefício será:

• a co n tar do 16u dia do afastam ento da atividade, se


requerido no prazo de 30 dias;
Para o • ou a contar da d a ta da en trad a do requerim ento se
segurado requerido após 30 dias do afastam ento da ativida-
em pregado de;
• ou, ainda, a c o n ta r do dia im ediato ao da cessação
d o auxílio-doença.
Prestações Sociais em Espécie

• a contar da data do início da incapacidade, se re­


querido no prazo de 30 dias;
Para os • ou a contar da d ata da en trad a do requerim ento,
dem ais se requerido após 30 dias do afastam ento da ati-
segurados vidade;
• ou ain d a a c o n ta r do dia im ed iato ao da cessação
do aux ílio -d o en ça.

Em se tratan d o de segurado em pregado, os prim eiros 15 dias de in cap a­


cidade sào pagos pela em presa.
A aposentadoria por invalidez term in a, com o regra, com a m orte do se­
g urado, lem brando que os benefícios previdenciários sào personalíssim os,
extinguindo-se com a m orte.
Há outras hipóteses em que a apo sen tad o ria p o r invalidez term ina.
D entre as m ais im portantes estão:
a) q u a n d o o próprio segurado requer um a reavaliação da sua condição
física, e a perícia, verificando que o segurado está recuperado, possibi­
litará o seu retorno ao m ercado de trabalho, com redução gradativa da
aposentadoria;
b) se o segurado voltar à atividade voluntariam ente. Ao se aposentar p o r
invalidez, o segurado deverá afastar-se de to d a e qualquer atividade re­
m unerada, sob pena de cassação da ap o sen tad o ria, já que a incapacida­
de p erm an en te para o trabalho nào m ais existe;
c) se o segurado é considerado apto, após cinco anos, no m áxim o, de afas­
tam ento, e tiver o direito de reto rn ar à m esm a função, na m esm a em p re­
sa, cessa im ediatam ente a aposentad o ria no m om ento que o segurado
reassum e o cargo.
N o caso em que o próprio segurado solicita um a reavaliação de sua in ­
capacidade, constatando-se sua reabilitação, a redução gradativa da ap o sen ­
tad o ria por invalidez ocorrerá da seguinte forma:
a) q u a n d o a recuperação for total e o c o rre r d en tro de cinco anos, contados
da data do início da aposentadoria p o r invalidez ou do auxílio-doença
q ue a antecedeu sem interrupção, o benefício cessará:
a .l) de im ediato, para o segurado em pregado que tiver o direito de re­
to rn a r à funçào que desem penhava na em presa ao se aposentar, ser­
vindo para com provação o certificado de capacidade fornecido pela
Previdência Social;
a.2) após tantos meses quantos forem os anos de duração do auxílio-doen­
ça e da aposentadoria p o r invalidez, para os dem ais segurados.
Direito Previdenciário para Concursos

b) q u a n d o a recuperação for parcial ou o co rrer após cinco anos contados


da data do início da aposentadoria p o r invalidez ou do auxílio-doença
q ue a antecedeu sem interrupção, ou, ainda, quando o segurado for d e­
clarado apto para o exercício de trab alh o diverso do qual habitualm ente
exercia, a aposentadoria será m an tid a, sem prejuízo da volta à atividade:
b. 1) pelo seu valor integral, d u ran te seis m eses contados da data em que
for verificada a recuperação da capacidade;
b.2) com redução de 50%, no p erío d o seguinte de seis meses;
b.3) com redução de 75%, tam bém pelo p erío d o de seis meses, ao té rm i­
no do qual cessará definitivam ente.
N o que se refere à aposentadoria p o r invalidez em razão de doença
m ental, o benefício devido ao segurado ou d ep en d en te civilm ente incapaz
será pago ao cônjuge, pai, mãe, tu to r ou cu rador, adm itindo-se, na sua falta
e p o r p e río d o nào superior a seis m eses, o pagam ento a herdeiro necessá­
rio, m ediante term o de com prom isso firm ado no ato de recebim ento, p razo
esse q ue poderá ser prorrogado p o r iguais períodos, desde que com provado
o an d am en to regular do processo legal de tutela ou curatela (art. 162 d o
Dec. n fi 3.048/1999).
A inda no que tange à aposentadoria p o r invalidez d ecorrente de d o en ça
m ental, é im p o rtan te salientar que o INSS não m ais exige a apresentação
do te rm o de curatela, um a vez que o Dec. n° 5.699/2006 revogou o § l ü, d o
art. 162, do Dec. n« 3.048/1999.

11.1.2 Aposentadoria por idade


A apo sen tad o ria por idade, antiga “ap o sen tad o ria p o r v elh ice’, en co n tra
fu n d am en to nos arts. 201, § 7Ü, II, da CF, 48 a 51 da Lei nu 8.213/1991, e 51
a 54 d o Dec. nc 3.048/1999.
Esse benefício é um a das espécies d e aposentadorias program áveis que
tem com o principal objetivo prem iar o segurado em razão de sua idade,
assim o segurado só tem seu benefício deferido depois de um longo p erío ­
do contributivo. Visa garantir a m anuten ção d o segurado e de sua fam ília
q u a n d o a idade não m ais possibilite a co n tin u id ad e laborativa.
Ressalta-se, outrossim , que é um benefício previdenciário de p ag am en ­
to m ensal e sucessivo, substitutivo do salário de contribuição ou do ren d i­
m ento do trabalhador.
Requisitos para concessão do beneficio:
1. Idade m ín im a - hom em : 65 anos; m ulher: 60 anos, red u zin d o -se esse
prazo em 5 anos em se tratan d o de tra b a lh ad o r rural (regim e de eco n o ­
m ia fam iliar - o p ro d u to r rural, o g arim p eiro e o pescador artesanal),
p o rtan to , 60 anos para o hom em e 55 para a m ulher.
Prestações Sociais em Espécie

2. Ser segurado.
3. T er cu m p rid o o perío d o de carência de 180 contribuições (art. 142 da
Lei nü 8.213/1991).
O calculo da aposentadoria p o r idade deve ser feito com base no salário
de benefício de acordo com o art. 2 0 ,1, da Lei nfi 8.213/1991.
A p erd a da qualidade de segurado n ão será considerada para a conces­
são d a aposentadoria p o r idade, desde q u e o segurado conte com , no m ín i­
mo, o núm ero de contribuições m ensais exigido para efeito de carência na
data d o requerim ento do benefício.
Vale lem brar que a carência exigida p a ra os segurados filiados após 24-
7-1991 (data da edição da Lei nu 8.212) é de 180 contribuições m ensais e,
para os filiados anteriorm ente a essa data, aplica-se a tabela do art. 182 d o
Dec. n ü 3.048/1999, que é, na verdade, u m a regra de transição.
M enciona-se, ainda, que a ap o sen tad o ria p o r idade p o d erá ser d eco r­
rente d a transform ação de ap o sen tad o ria p o r invalidez ou auxílio-doença,
desde que requerida pelo segurado e ob serv ad o o cu m p rim en to da carência
exigida na data do início do benefício a ser transform ado.
O salário de benefício da ap o sen tad o ria p or idade é calculado pela m é­
dia d o s 80% dos m aiores salários de contribuição, com a utilização do fator
previdenciário.

11.1.2.1 Data de início do benefício


A d a ta do início do benefício consiste em um a renda m ensal de 70% d o
salário de contribuição, m ais 1% deste, p o r g ru p o de 12 contribuições, não
p o d en d o ultrapassar 100% do salário de benefício, sendo:

a contar da d ata do desligam ento do em prego,


Para o
se requerida e m 90 dias;
em pregado e
a co n tar da d a ta de en trad a do requerim ento;
o em pregado
se requerido após 90 dias do desligam ento ou
dom éstico
q u an d o não houver desligam ento.

Para os
dem ais a co n tar da d a ta de en trad a do requerim ento.
segurados

P o r fim, cum pre an o tar que o benefício de ap osentadoria cessa definiti­


vam ente com a m orte do segurado.
Direito Previdenciário para Concursos

11.1.2.2 Aposentadoria compulsória


A aposentadoria com pulsória por idade, a qual é um direito do em pre­
gador, sendo concedida ao segurado ho m em aos 70 anos e m ulher, aos 65
anos. C ham a-se com pulsória, pois ela será concedida in d ep en d en tem en te
da vontade do segurado, o qual preencheu todos os requisitos: idade, carên ­
cia e tem po de contribuição.
O em pregado apo sen tad o c o m p u lso riam en te terá d ireito a um a in ­
d en ização prevista na legislação trab alh ista, co n sid erad a com o d ata da
rescisão do co n tra to de trab alh o a im e d ia m en te an terio r à do início da
ap o sen tad o ria.

11.1.2.3 Trabalhador rural


N o que se refere à aposentadoria p o r idade do trab alh ad o r rural, há que
se tecer algum as considerações.
O prim eiro regime de aposentad o ria previsto p ara o trab alh ad o r r u ­
ral era o cham ado FUNRURAL (F un d o de A ssistência e Previdência d o
T rabalhador Rural), criado pela Lei n fl 4.214/1963 (revogada pela Lei
n- 5.889/1973). Era u m sistem a diferenciado de previdência para os traba-
lharores rurais, com benefícios e form as próprias de custeio, financiado p e ­
los p ro d u to res rurais, que, ao com ercializarem a produção, eram obrigados
a pagar para a previdência um percentual sobre o valor da venda.
C om a incorporação ao Sistema N acional de Previdência e Assistência
Social - SINPAS em 1977, que passou a receber as contribuições devidas
sobre a com ercialização e a conceder benefícios, o FUNRURAL foi extinto.
C om a edição da C onstituição Federal de 1988, que regulam entou o
RGPS, para a aposentadoria p o r idade dos trabalhadores rurais seria ne­
cessário apenas d em o n strar sua atividade rural, cabendo a com provação de
recolhim ento som ente após a vigência da Lei nL' 8.213/1991. Dessa form a,
som ente depois de 24-7-1991, data em q u e foi publicada referida lei, é que
se exige com provação de recolhim ento.
Para fins de com provação do efetivo exercício de atividade rural le­
vam -se em conta os m eses im ediatam ente anteriores ao requerim ento d o
benefício, ainda que de form a descontín u a, p o r p erío d o igual ao da carên ­
cia exigida para a concessão do benefício (art. 143 da Lei na 8.213/1991).
São requisitos p ara a aposentadoria p o r idade do trab alh ad o r rural, no
valor d e um salário m ínim o:
• idade;
• carência, apurada com base no tem p o de atividade rural, m esm o sem
com provação de recolhim ento;
Prestações Sociais em Espécie

• tem po de atividade rural d u ran te p e río d o igual ao de carência, de 180


m eses, ou conform e tabela de transição estabelecida pelo art. 142 da Lei
nc 8.213/1991, m esm o que de form a descontínua.
C om efeito, o art. 143 estabeleceu p razo certo, a saber, 15 anos, con tad o s
a p a rtir da data de vigência da Lei nL’ 8.213/1991 para esse tipo de benefí­
cio, prazo esse prorrogado até o dia 31-12-2010 pela Lei n- 11.718/2008,
que cuidou tam bém de estabelecer a regra de transição p ara a concessão
de ap o sen tad o ria p o r idade do em pregado rural, conform e dispõe o art. 3U:
Art. 3fl Na concessão de aposentadoria por idade do empregado ru ­
ral, em valor equivalente ao salário mínimo, serão contados para
efeito de carência:
I - até 31 de dezembro de 2010, a atividade comprovada na forma do
art. 143 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991;
II - de janeiro de 2011 a dezembro de 2015, cada mês comprovado
de emprego, multiplicado por 3 (três), limitado a 12 (doze) meses,
dentro do respectivo ano civil; e
III - de janeiro de 2016 a dezem bro de 2020, cada mês comprovado
de emprego, multiplicado por 2 (dois), limitado a 12 (doze) meses
dentro do respectivo ano civil.
O trab alh ad o r rural que não alcançar o tem po m ínim o de atividade
rural p ara fins de aposentadoria, p o d e rá so m ar a este tem po outros em
q u aisq u er atividades para fins de aposentadoria p o r idade pela regra geral,
fazendo ju s ao benefício ao com pletar 65 anos de idade, se h o m em , e 60
anos, se mulher.

Atenção:
A carência para os segurados especiais é substituída pela comprovação do
exercício de atividade rural por período igual ao número de meses corres­
pondente à carência do benefício requerido.

11.1.3 Aposentadoria por tempo de contribuição (arts. 201, § 7Q,


I, da CF, 55 e 56 da Lei nQ8.213/1991, e 56 a 63 do Dec.
t f 3.048/1999)
A ap o sen tad o ria p o r tem po de contrib u ição é espécie de ap osentadoria
program ável, substitutiva do salário de co n trib u ição ou do ren d im en to d o
trabalhador. Prestação esta que substituiu, com o advento da EC n- 20/1998,
a antiga aposentadoria por tem po de serviço. Trata-se de um benefício d e ­
vido a todos os segurados, exceto o especial que não co n trib u a com o co n ­
trib u in te individual, que tiver co n trib u íd o d u ra n te 35 anos, se hom em , ou
30 anos, se m ulher.
Direito Previdenciário para Concursos

Far-se-á necessária a distinção entre:


l ü) Segurados que antes da entrada em vigor da EC nfi 20 já haviam im ­
plem entado os requisitos para requerer aposentadoria proporcional
ou integral
A posentadoria proporcional - hom em : 30 anos de tem po de serviço;
m ulher: 25 anos de tem po de serviço. O salário de benefício desses segu­
rados será: aposentadoria proporcional, 70% do salário de benefício m ais
tantos 6% quantos forem os anos que p assarem da idade de 30 anos p ara
h om em e 25 anos para m ulher; aposen tad o ria integral, 100% do salário de
benefício.

Atenção:
Nessa situação não se aplica o fator previdenciário, pois esses segurados já
tinham direito adquirido, assim, aplica-se a legislação da época.

2-) Segurados que, quando a EC n- 20 entrou em vigor, já estavam vin ­


culados à previdência, mas não haviam im plem entado os requisitos
para a aposentadoria
A plica-se a regra de transição se não preferirem a regra nova, ou seja, a
opção fica a cargo do segurado.
A ssim , a regra de transição para:
a) A posentadoria proporcional para h o m em , som am -se os seguintes req u i­
sitos:

• 30 anos de tempo de serviço;


• 53 anos de idade;
• período adicional de contribuição equivalente a 40% do tempo que faltava para
a aposentadoria (tempo de serviço) no momento em que a EC n220 entrou em vigor.

b) A posentadoria proporcional para m ulher, som am -se os seguintes req u i­


sitos:

• 25 anos de tempo de serviço;


• 48 anos de idade;
• período adicional de contribuição equivalente a 40% do tempo que faltava para
a aposentadoria (tempo de serviço) no momento em que a EC na20 entrou em vigor.
Prestações Sociais em Espécie

c) A posentadoria integral p ara hom em , som am -se os seguintes requisitos:

• 35 anos de tempo de serviço;


• 53 anos de idade;
• período adicional de contribuição equivalente a 20% do tempo que faltava para
a aposentadoria (tempo de serviço) no momento em que a EC n* 20 entrou em vigor.

d) A posentadoria integral para m ulher, som am -se os seguintes requisitos:

• 30 anos de tempo de serviço;


• 48 anos de idade;
• período adicional de contribuição equivalente a 20% do tempo que faltava para
a aposentadoria (tempo de serviço) no momento em que a EC nc 20 entrou em vigor.

3G) Pessoas que ingressaram na previdência após a entrada em vigor da


EC n° 20, ou aqueles que se encontravam na situação anterior, m as
fizeram opção pela regra nova, ou seja, regra definitiva
Para a regra definitiva não h á mais apo sen tad o ria proporcional, apenas
a integral, e não há necessidade de idade m ínim a, b astando o tem po de
contribuição e o de carência. O tem po d e contribuição para hom em é 35
anos e, para m ulher, 30 anos.
Portanto, o tem po de serviço a n te rio r à EC n“ 20 é contado com o tem po
de contribuição.
Esse benefício tam bém cessa com a m o rte do segurado.

11.1.3.1 Data de início do benefício


Segue a m esm a regra da ap o sen tad o ria p o r idade, qual seja:
• a co n tar da d ata do desligam ento d o em prego,
Para o segurado
se requerida em 90 dias;
em pregado e
• a co n tar da data de en trad a do requerim ento,
o em pregado
se requerid o após 90 dias do desligam ento ou
dom éstico
q u an d o não houver desligam ento.

Para os dem ais


a contar da data de en trad a do requerim ento.
segurados

& Atenção:
Em regra, o segurado especial não possui direito à aposentadoria por tempo
de contribuição. Contudo, caso contribua como contribuinte individual, pode­
rá usufruir desse benefício após o cumprimento da carência exigida pela lei.
Direito Previdenciário para Concursos

Porém , é im p o rtan te ressaltar que n ão será co m putado com o p erío d o


de carência, nesse caso, o tem po de atividade rural não contributivo.

11.1.3.2 Aposentadoria do professor


A aposentadoria do professor da educação infantil, do ensino fu n d a­
m ental e do ensino m édio terá um a redução de cinco anos de contribuição
em relação à regra geral, desde que to d o o tem po de contribuição deste seja
de exercício efetivo do m agistério. E ntão tem os: 30 anos de contribuição
para o hom em e 25 anos de contribuição para a m ulher.
A idade para aposentadoria de professor, com o vim os, é reduzida em
cinco anos, m as para a obtenção dessa redução o professor tem que co m ­
provar tem po de efetivo exercício em função de m agistério na educação in ­
fantil, no ensino fundam ental ou no ensin o m édio, d u ran te todo o período.
N os term os da Lei nü 9.394/1996, são consideradas funções de m agis­
tério, além das exercidas p o r professores e especialistas em educação, no
d esem p en h o de atividades educativas, as executadas na direção de u n id ad e
escolar e as de coordenação e assessoram ento pedagógico.

11.1.3.3 Tempo de contribuição


C onsidera-se tem po de contribuição o tem po, contado de data a data,
desde o início até a data do req u erim en to ou do desligam ento de atividade
abrangida pela Previdência Social, descontados os p erío d o s legalm ente es­
tabelecidos, com o os de suspensão do co n trato de trabalho, de in terru p ção
de exercício e de desligam ento da atividade.
N esse particular, cabe ao c o n trib u in te com provar a interrupção, bem
com o o encerram ento da atividade pela qual vinha contribuindo, sob pena
de ser considerado em débito no p erío d o sem contribuição.
Essa com provação, geralm ente, se d á m ediante declaração, ainda que
extem porânea, e, para os em presários, co m base em distrato social, alte­
ração contratual ou d o cu m en to equivalente em itido p o r ju n ta com ercial,
secretaria federal, estadual, distrital ou m unicipal, ou p or o u tro s órgãos
oficiais ou ou tra form a adm itid a pelo INSS, nos term os do art. 49 do Dec.
nü 3.048/1999.
São exem plos de períodos com putad o s com o tem po de contribuição
(art. 60 do Dec. nc 3.048/1999), entre outros:
Art. 60. (...)
I - o período de exercício de atividade rem unerada abrangida pela
Previdência Social Urbana e Rural, ainda que anterior à sua institui­
ção, respeitado o disposto no inciso XVII;
Prestações Sociais em Espécie

II - o período de contribuição efetuada por segurado depois de ter


deixado de exercer atividade rem unerada que o enquadrava como
segurado obrigatório da Previdência Social;
III - o período em que o segurado esteve recebendo auxílio-doença
ou aposentadoria por invalidez, entre períodos de atividade;
IV - o tempo de serviço militar, salvo se já contado para inatividade
remunerada nas Forças Arm adas ou auxiliares, ou para aposentado­
ria no serviço público federal, estadual, do Distrito Federal ou m u­
nicipal, ainda que anterior à filiação ao Regime Geral de Previdência
Social, nas seguintes condições:
a) obrigatório ou voluntário; e
b) alternativo, assim considerado o atribuído pelas Forças Armadas
àqueles que, após alistamento, alegarem imperativo de consciência,
entendendo-se como tal o decorrente de crença religiosa e de con­
vicção filosófica ou política, para se eximirem de atividades de ca­
ráter militar;
V - o período em que a segurada esteve recebendo salário-m ater­
nidade;
VI - o período de contribuição efetuada como segurado facultativo;
A inda, no que se refere ao tem po de contribuição, o art. 62, § 2ü, do Dec.
na 3.048/1999, estabelece que servirá igualm ente com o tem po de c o n tri­
buição:
Art. 62. (...)
(...)
§ 2° ( . . . )
I - para os trabalhadores em geral, os docum entos seguintes:
a) o contrato individual de trabalho, a Carteira Profissional, a C ar­
teira de Trabalho e Previdência Social, a carteira de férias, a carteira
sanitária, a caderneta de m atrícula e a caderneta de contribuições
dos extintos institutos de aposentadoria e pensões, a caderneta de
inscrição pessoal visada pela Capitania dos Portos, pela Superinten­
dência do Desenvolvimento da Pesca, pelo D epartam ento Nacional
de Obras C ontra as Secas e declarações da Secretaria da Receita Fe­
deral do Brasil;
b) certidão de inscrição em órgão de fiscalização profissional, acom ­
panhada do docum ento que prove o exercício da atividade;
c) contrato social e respectivo distrato, quando for o caso, ata de
assembleia-geral e registro de empresário; ou
d) certificado de sindicato ou órgão gestor de mão de obra que agru­
pa trabalhadores avulsos;
II - de exercício de atividade rural, alternativamente:
Direito Previdenciário para Concursos

a) contrato individual de trabalho ou Carteira de Trabalho e Previ­


dência Social;
b) contrato de arrendam ento, parceria ou comodato rural;
c) declaração fundam entada de sindicato que represente o trabalha­
dor rural ou, quando for o caso, de sindicato ou colônia de pescado­
res, desde que homologada pelo INSS;
d) comprovante de cadastro do Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária - INCRA;
e) bloco de notas do produtor rural;
/) notas fiscais de entrada de mercadorias, de que trata o § 24 do
art. 225, emitidas pela empresa adquirente da produção, com indi­
cação do nome do segurado com o vendedor;
g) docum entos fiscais relativos a entrega de produção rural à coope­
rativa agrícola, entreposto de pescado ou outros, com indicação do
segurado como vendedor ou consignante;
/;) comprovantes de recolhimento de contribuição à Previdência So­
cial decorrentes da comercialização da produção;
/') cópia da declaração de im posto de renda, com indicação de renda
proveniente da comercialização de produção rural;
j) licença de ocupação ou perm issão outorgada pelo INCRA; ou
/) certidão fornecida pela Fundação Nacional do índio - FUNAI,
certificando a condição do índio como trabalhador rural, desde que
homologada pelo INSS.
N ão será com putado com o tem po d e contribuição, contudo, aquele já
considerado para concessão de qu alq u er aposentadoria do RGPS ou p o r
o utro regim e de Previdência Social. Se, p o r exem plo, o segurado for ap o ­
sen tad o pelo regim e próprio previdenciário da União, p o d erá aposentar-se
novam ente pelo RGPS, porém não p o d erá utilizar-se do tem po de serviço
público para contagem no regime geral,

11.1.4 Aposentadoria especial


Essa prestação encontra respaldo nos arts. 2 0 1, § l ü, da CF e I5 da EC
nü 20/1998 e está regulam entada pelos arts. 57 e 58 da Lei nü 8.213/1991 e
64 e 70 do Dec. n“ 3.048/1999.
T rata-se de um a aposentadoria program ável, de pagam ento m ensal e
sucessivo, substitutivo do salário de con trib u ição ou do ren d im en to do tra ­
balhador. Ela será concedida aos 15, 20 ou 25 anos de tem po de serviço,
d e p en d e n d o do tipo de serviço exercido pelo segurado, prejudicial à saúde
ou à integridade física.
É u m benefício concedido em razão da com provação do exercício, pelo
segurado, de atividade considerada excessivam ente gravosa, física ou m en ­
Prestações Sociais em Espécie

tal, p o rtan to , q uanto m ais desgastante fo r a atividade, m en o r será o tem po


de serviço necessário para aposentar-se. É um benefício concedido em ra ­
zão das condições particulares em que é executado.
C onform e leciona Fábio Z am bitte Ib rah im , em acepção mais am pla,
a m enção a benefícios especiais traduz as prestações, especialm ente ap o ­
sentadorias, concedidas a pessoas ou categorias próprias, o que incluiria,
atualm ente, a jubilação antecipada de professores de ensino fundam ental e
m édio, trabalhadores rurais, m ulheres e deficientes físicos, todos previstos
no art. 201 da CF.
D e acordo com o seu entendim ento, m esm o para aqueles que são sub­
m etidos a condições efetivam ente insalubres, form a-se consenso no sentido
de a jubilação antecipada ser verdadeiro legitim ador da violência frente à
saúde do trabalhador, o que não condiz com um o rd en am en to jurídico cen ­
trad o na dignidade da pessoa hum ana. A demais, em u m contexto de a m ­
pliação da expectativa de vida, a necessidade de m an u ten ção da capacidade
laborativa, com provável diferim ento do retiro do trabalho, dem anda ações
em saúde ocupacional, elim inando tais atividades nocivas, que seriam , no
m áxim o, adm itidas em raríssim as hipóteses.
Para o autor, os benefícios especiais da Previdência Social, no seu sen ­
tido am plo, refletem , em grande m edida, com pensações legais aos tra b a ­
lhadores que não possuem am biente salubre de trabalho e, eventualm ente,
vantagens de algum as categorias, com o os professores, e com pensações m í­
opes, com o a aposentadoria antecipada das m ulheres, que podem e devem
c o n tar com algum a co n trap artid a pela jo rn a d a dupla no trabalho e no lar,
mas que só rem otam ente poderiam d e m a n d a r a ap osentadoria antecipada.
Tais prestações extravagantes tam bém foram criadas com algum a facilida­
de devido ao descom prom isso do legislador frente ao cálculo atuarial, es­
pecialm ente pelo excedente contributiv o do passado, típico de um regim e
jovem de repartição. Porém , o presente benefício, nos term o s do d ireito
vigente, é lim itado aos segurados que ten h am atividades insalubres.37
Requisitos para concessão do benefício:
1. T em po de serviço (15, 20 ou 25 anos), pode-se co n tar tem po de serviço
especial em tem po de serviço com u m , se a pessoa trabalhou até 28-5-
1998, a lei traz um a tabela para se fazer a conversão. C onversão que
será feita se o segurado tiver trab alh ad o 20% do tem po necessário para
aposentadoria especial;
2. Exposição efetiva de form a p erm an en te a agentes nocivos quím icos,
físicos ou biológicos, bem com o a q u alq u er associação de agentes pre­

37 IBRAHIM , Fábio Zam bitte. Curso... cit., 14. ed., 2009, p. 629-630.
Direito Previdenciário para Concursos

judiciais à saúde ou integridade física (rol de atividades, ver anexo IV


do Dec. na 3.048/1999), ou seja, acim a dos lim ites de tolerância aceitos,
o q ue se presum e produzir a perda da integridade física e m ental em
ritm o acelerado;
3. C arência (art. 142 da Lei n- 8.213/1991).
C o m efeito, o segurado deve com provar a efetiva exposição aos agentes
nocivos quím icos, físicos, biológicos ou à associação de agentes prejudiciais
à saúde ou à integridade física pelo p erío d o d eterm in ad o em lei.
O term o exposição p e rm a n en te n ão significa que não poderá haver
q u alq u er interrupção da exposição. A inda que existam pequenos perío d o s
de tem po, d urante a jo rn ad a, em que n ão exista a exposição direta, sendo ta]
variação inerente à atividade, de m odo regular, não ocasional, nem in te rm i­
tente, estará configurada a exposição perm anente.
Será o tem po de exposição que d eterm in ará o grau de nocividade d o
agente. Dessa form a, quanto m aior a co n cen tração do agente nocivo, m en o r
o tem po necessário de exposição e vice-versa. A identificação da atividade
nociva d ependerá da relação de intensidade do agente com o tem po de ex­
posição.
São considerados agentes nocivos pelo INSS os seguintes:
a) físicos: os ruídos, as vibrações, o calor, as pressões anorm ais, as rad ia­
ções ionizantes etc.;
b) quím icos: os m anifestados p o r névoas, neblinas, poeiras, fum os, gases,
vapores de substâncias nocivas presentes no am biente de trabalho, ab­
sorvidos pela via respiratória, bem co m o aqueles que forem passíveis de
absorção por m eio de ou tras vias;
c) biológicos: os m icro-organism os, com o bactérias, fungos, parasitas, b a­
cilos, vírus etc.
A relação dos agentes nocivos quím icos, físicos, biológicos ou associa­
ção de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, considerados
p ara fins de concessão de aposentado ria especial, conta do anexo IV d o
Dec. n e 3.048/1999.

Atenção:
0 indivíduo, uma vez aposentado com esse benefício, não poderá voltar a
trabalhar em atividade especial, sob pena de perder o benefício, ou seja,
somente poderá voltar a trabalhar em atividade comum (sem exposição per­
manente a agentes nocivos).

Essa espécie de benefício adm ite a conversão de tem po de atividade


especial (em condições especiais) em tem p o de atividade com um , m as o
Prestações Sociais em Espécie

inverso não se adm ite. Assim , se o segurado tiver trabalhado em atividade


co m u m e hoje exerça atividade especial, não poderá converter seu tem po
de com um p ara especial (arts. 57, § 5e, e 9 6 , 1, am bos da Lei n* 8.213/1991).
Vejamos a redação dos citados artigos:
Art. 57. (...)
(...)
§ 5- O tem po de trabalho exercido sob condições especiais que se­
jam ou venham a ser consideradas prejudiciais à saúde ou à integri­
dade física será somado, após a respectiva conversão ao tempo de
trabalho exercido em atividade comum, segundo critérios estabele­
cidos pelo M inistério da Previdência e Assistência Social, para efeito
de concessão de qualquer benefício.

Art. 96. O tempo de contribuição ou de serviço de que trata esta Se­


ção será contado de acordo com a legislação pertinente, observadas
as normas seguintes:
I - não será adm itida a contagem cm dobro ou em outras condições
especiais;
C o n tudo, caso o segurado tenha exercido sucessivam ente duas ou m ais
atividades sujeitas a condições especiais prejudiciais à saúde ou à integrida­
de física, sem com pletar em qualquer delas o prazo m ín im o exigido para a
apo sen tad o ria especial, os respectivos p erío d o s serão som ados após a co n ­
versão.
O segurado deverá com provar, p e ra n te o INSS, o tem po de trab alh o p e r­
m anente, não ocasional n em interm itente, exercido em condições especiais
que prejudiquem a saúde ou a integridade física, d u ran te o perío d o m ín im o
de 15, 20 ou 25 anos, a d ep en d er do agente nocivo a que foi exposto.
Im p o rtan te ressaltar que, para aposen tad o ria especial, a lei não estabele­
ce q u alq u er distinção de tem po de trab alh o entre hom ens e m ulheres, todos
devem c u m p rir o m esm o tem po de atividade, sujeito a agente nocivo, para
a obtenção do benefício.
Esse benefício cessa com a m orte (regra geral) ou caso o segurado volte
a desenvolver atividade especial.

11.1.4.1 Data de início do benefício


a co n tar da d ata do desligam ento d o em prego,
se requerid o em 90 dias;
Para o segurado
a co n tar da data de en trad a do requerim ento,
em pregado
se requerid o após 90 dias do desligam ento ou
quando não houver desligam ento.
148 Direito Previdenciário para Concursos

Para os dem ais


a contar da data de entrada do requerimento.
segurados

11.1.4.2 Valor do benefício


A aposentadoria especial tem renda m ensal fixada em 100% do salário
de benefício.
P or se tratar de benefício, geralm ente, concedido a pessoas de idade
abaixo da m édia da m aioria dos aposentados, não há que se falar em aplica­
ção d o fator previdenciário.

11.1.4.3 Periculosidade e penosidade


Prevalece o en ten d im en to de que som ente os trabalhadores subm etidos
a condições insalubres têm direito à ap o sen tad o ria especial.
No que se refere à penosidade, relacionada à fadiga física ou mental
causada por horas de trabalho em excesso, repetição de tarefa, períodos de
descanso insuficientes, etc., embora prevista na Constituição Federal, não
foi regulada por lei específica, não estando no rol de atividades ensejadoras
de aposentadoria especial.
A exclusão da periculosidade é co rreta, conform e leciona Fábio Z a m ­
bitte Ibrahim , pois se o segurado escapa incólum e da atividade, não terá
sua saúde física m ais prejudicada do qu e q u alq u er o u tro trabalhador. A in ­
tenção da aposentadoria especial é am p arar aqueles que são, em tese, vul-
n erad o s pelos agentes nocivos e, p o rtan to , têm sua integridade física e/o u
m ental degradada em m aior intensidade. Daí os segurados que exercem
atividades com energia elétrica, inflam áveis, radiações ionizantes, entre o u ­
tros, não disporem do benefício da apo sen tad o ria especial, salvo, evidente­
m ente, a com provação da nocividade p o r outros m otivos. A lguns até foram
beneficiados, no passado, em razão d o en q u ad ram en to p o r atividade, antes
do advento da Lei nu 9.032/1995, en q u an to outros nu n ca foram previstos,
com o o frentista.38

71. 1.5 Auxílio-doença


E ncontra-se disciplinado nos arts. 59 a 63 da Lei nü 8.213/1991. Espécie
do gênero benefício p o r incapacidade, o qual é pago sucessivam ente su b sti­
tu in d o o salário de contribuição ou o ren d im en to do trabalhador.
É u m benefício não program ado (evento im previsível), devido ao se­
g u ra d o que se encontra incapacitado to talm en te para o exercício de suas

38 Idem , p. 639.
Prestações Sociais em Espécie

atividades habituais p o r m ais de 15 dias consecutivos, com possibilidade de


recuperar-se. Trata-se, portanto, de incapacidade tem porária do segurado
para o seu trabalho habitual, verificada m ediante exam e m édico-pericial a
cargo do INSS.
A ssim com o ocorre na aposentadoria p or invalidez, o segurado em gozo
de auxílio-doença estará obrigado, ind ep en d en tem en te de sua idade e sob
pena d e suspensão do benefício, a subm eter-se a exam e m édico a cargo da
Previdência Social, a processo de reabilitação profissional p or ela prescrito
e custeado e a tratam ento dispensado gratu itam en te, exceto o cirúrgico e a
transfusão de sangue, que são facultativos.
O auxílio-doença pressupõe a possibilidade de reto rn o do segurado à
atividade rem unerada, daí sua característica de provisoriedade. É isso que o
difere da aposentadoria p o r invalidez, u m a vez que p ara a concessão desta
pressupõe-se improvável o reto rn o do segurado à atividade rem unerada.
N ão existe um prazo estipulado em lei para a duração do aux ílio -d o en ­
ça, c o m p etin d o ao INSS avaliar cada caso.
Im p o rtan te ressaltar que a incapacidade deve ser analisada de acordo
com a atividade desem penhada pelo segurado. É necessário haver um a re­
lação en tre a atividade e a incapacidade, o u seja, esta deve d eco rrer daquela.
G eralm ente, com o vimos, esse benefício antecede a ap osentadoria p o r
invalidez, ou seja, o INSS antes de con ced er a aposentadoria p o r invalidez
concede o auxílio-doença.
Requisitos para a concessão do benefício:
1. C ondição de segurado;
2. C arência: 12 contribuições m ensais, exceto se a incapacidade for resul­
tan te de acidente de qualquer natureza ou das m oléstias elencadas no
a rt. 151 da Lei n c 8.213/1991, casos em que se dispensa a carência;
3. Incapacidade tem porária para o exercício de atividade que garanta a so­
brevivência do segurado e dos seus dependentes (realizado p o r perito
m édico do INSS).
Vale m encionar que o segurado em gozo de auxílio-doença é co n sid e­
rado pela em presa com o licenciado, cab en d o a esta o pagam ento referente
aos prim eiro s 15 dias de afastam ento.
P ortanto, o segurado em pregado tem seus 15 prim eiros dias de afasta­
m ento pagos pelo em pregador, valores estes considerados com o salário de
contribuição.
C u m p re salientar que os em pregadores não têm a responsabilidade
destes prim eiros 15 dias em se tratan d o de em pregado dom éstico. Para o
em pregado dom éstico prevalece a regra geral na qual o p ró p rio segurado é
que arca com esses dias de incapacidade. Em bora nesses casos o benefício
Direito Previdenciário para Concursos

to rn e-se devido som ente a p a rtir d o 16u dia consecutivo de incapacidade,


um a vez devido, o início do benefício retroage até a data de incapacidade.
D estaca-se a hipótese em que o em pregado afastou-se em licença m édi­
ca e voltou a trabalhar 110 15u dia. P osteriorm ente, voltou a se afastar em ra­
zão d a m esm a enferm idade. Se o segundo afastam ento ocorreu em m enos
de 60 dias d o prim eiro afastam ento, a em presa não está obrigada a pagar os
15 dias de afastam ento, prorrogando-se o benefício anterior. A previdência
é q u em deve pagar esse perío d o já com o auxílio-doença. Se houver eventual
pagam ento da em presa ao segurado n ão terá com o p ed ir com pensação ao
INSS, contudo, deve ser a m esm a doença.
Se o segurado vier a ser afastado em v irtu d e de o u tra doença ou até aci­
dente, não se lhe aplica a regra supracitada, ficando a em presa responsável
pelos prim eiros 15 dias.
Pode ocorrer, ainda, a seguinte situação: o segurado em pregado que, p o r
m otivo de doença, afastar-se do trab alh o p o r 15 dias, reto rn an d o à ativida­
de no 16ü dia e, pela m esm a doença, voltar a se afastar den tro do p erío d o de
60 dias, contados de seu retorno, não terá direito ao auxílio-doença a p a rtir
da data do novo afastam ento. Isso o co rre porque o segurado não chegou a
receber auxílio-doença, um a vez que reto rn o u à atividade no 16ü dia.
O auxílio-doença do segurado que exercer m ais de um a atividade a b ra n ­
gida pela Previdência Social será devido m esm o no caso de incapacidade
apenas p ara o exercício de um a delas. O valor do benefício nesta hipótese
será calculado com base som ente nos salários de contribuição da atividade
na qual o segurado se encontra incapacitado, sendo este recalculado caso
a im possibilidade de trabalho estenda-se p ara as dem ais atividades p o r ele
desenvolvidas.
C aso o segurado exerça m ais de u m a atividade e encontre-se incapaci­
tado definitivam ente para um a delas, deverá o auxílio-doença ser m an tid o
indefinidam ente, não cabendo sua tran sfo rm ação em aposentadoria p o r
invalidez en q u an to essa incapacidade n ã o se estender às dem ais atividades.
Trata-se de um a situação excepcional, u m a vez que o segurado não p o d erá
aposentar-se p o r invalidez se ainda possui condições de exercer parte d e
suas atividades habituais.
N ão será devido auxílio-doença ao segurado que filiar-se ao RGPS já
p o rta d o r de doença ou lesão invocada com o causa para a concessão do be­
nefício, tal com o se verifica na aposen tad o ria p o r invalidez, salvo q u an d o
a incapacidade for decorrente de progressão ou agravam ento dessa doença
ou lesão.
Saliente-se que, da m esm a form a co m o ocorre na aposentadoria p o r in ­
validez, será devido o benefício do auxílio-doença, in d ependentem ente de
Prestações Sociais em Espécie

carência, aos segurados obrigatório e facultativo, q u an d o sofrerem acidente


de trab alh o de qualquer natureza. Existem , portanto, duas m odalidades de
auxílio-doença: o com um e o acidentário.
N o que se refere ao auxílio-doença acidentário, vale salientar que o se­
g u ra d o em pregado que tenha usufruído desse benefício, ao té rm in o deste,
com o respectivo reto rn o à atividade, te rá assegurada a estabilidade provi­
sória d e 12 meses, nos term os do art. 118 da Lei nfi 8.213/1991.

11.1.5.1 Data de início do benefício


O auxílio-doença consiste em um a ren d a m ensal de 91% do salário de
benefício, sem fator previdenciário. A d ata do início do benefício será:

• a co n tar do 16Gdia do afastam ento da ati­


vidade, se requerido no prazo de 30 dias;
Para o segurado
• a c o n tar da data de en trad a do req u eri­
em pregado
m ento, se requerido após 30 dias do afas­
tam en to da atividade.

Para os dem ais a co n tar da data do início da incapacidade,


segurados após 30 se requ erid o no prazo de 30 dias;
dias do afastam ento a c o n tar da data de en trad a do req u eri­
d a atividade m ento, se requerido.

O term o final do auxílio-doença dá-se:


a) com a recuperação da capacidade de trabalho;
b) com a m orte do segurado;
c) com a conversão em aposentadoria p o r invalidez, sem pre com aprova­
ção de perito m édico ou auxílio-acidente de qualquer natureza, neste
caso se resultar seqüela que im plique redução da capacidade para o tra ­
balho que habitualm ente exercia;
d) se o segurado com pletar a idade p ara se aposentar.

11.1.6 Salário-família
Esse benefício encontra previsão legal nos arts. 7ü, XII, e 201, IV, am bos
da CF> 65 a 70 da Lei n* 8.213/1991, e 81 a 92 do Dec. nú 3.048/1999.
A EC n- 20/1998 estabeleceu que o salário-fam ília é u m benefício m en ­
sal devido ao segurado de baixa renda. M as quem são os segurados co n sid e­
rados de baixa renda? C om o ainda nào foi editada lei estabelecendo os p a ­
râm etros para tanto, aplica-se a regra tem porária, a p artir da rem uneração
do trab alh ad o r estabelecida no art. 13 da citada em enda. Logo, são conside­
rados trabalhadores de baixa renda aqueles que recebem até RS RS 862,60,
Direito Previdenciário para Concursos

valor estipulado pela Portaria Interm in isterial M PS/M F n1* 407/2011, rea­
ju stado pelos m esm os índices e na m esm a data em que são reajustados os
benefícios do RGPS.
Trata-se, portanto, de um benefício m ensal, devido ao segurado em p re­
gado, ao segurado trab alh ad o r avulso e a aposentados que tenham salário
de contribuição inferior ou igual a R$ 862,60, na proporção do respectivo
n ú m ero de filhos ou equiparados m enores de 14 anos ou inválidos. Será
devido, independentem ente do núm ero d e filhos os equiparados que se e n ­
caixem nessas condições.
N ão têm direito a esse benefício, co n tu d o , o em pregado dom éstico, os
segurados especiais e os contribuintes individuais ou facultativos, exceto
q u a n d o aposentados.
L em brando que o aposentado p o r invalidez ou p o r idade e os dem ais
aposentados com 65 anos ou m ais de idade, se do sexo m asculino, ou 60
anos o u mais, se do fem inino, terão direito ao salário-fam ília, pago ju n ta ­
m ente com a aposentadoria.

Atenção:
Não substitui o rendimento do trabalhador que já é pobre, mas o comple­
menta.

R equisitos básicos para a prestação, a qual dispensa carência são:


a) ser segurado de baixa renda e p erten cer a um a das categorias de segura­
do em pregados, exceto ao dom éstico, ao trab alh ad o r avulso;
b) possu ir filhos ou equiparados m enores de 14 anos ou inválidos de q u al­
q u e r idade;
c) ap resentar regularm ente atestado de vacinação obrigatória e certificado
de frequência escolar, quando for o caso.
O pagam ento do salário-fam ília é co n d icio n ad o à apresentação da certi­
dão d e nascim ento do filho ou da docu m en tação relativa ao equiparado ou
ao inválido, e à apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória e
de com provação de frequência à escola d o filho ou equiparado, a p a rtir dos
sete an o s de idade. As cotas do salário-fam ília serão pagas pela em presa,
m ensalm ente, ju nto com o salário, efetivando-se a com pensação q u an d o d o
recolhim ento das contribuições, conform e d ispuser o regulam ento.

Atenção:
A cota do salário-família não será incorporada, para qualquer efeito, ao sa­
lário ou ao benefício.
Prestações Sociais em Espécie

O salário-fam ília será pago, ressalte-se, in dependente de carência:

• ao em pregado, m ensalm ente, ju n to c


Pela em presa lário, efetivando-se a com pensação quando
do recolhim en to das contribuições.

Pelo sindicato
o u órgão gestor ao trab alh ad o r avulso, m ediante convênio.
d e m ão de obra

ao em pregado e trab alh ad o r avulso ap o sen ta­


Pelo INSS dos por idade, p or invalidez ou em gozo de
auxílio-doença, ju n tam en te com o benefício.

ao trab alh ad o r rural aposentado p or idade


aos 60 anos* se do sexo m asculino, ou 55 anos,
Pelo INSS
se do sexo fem inino, ju n ta m e n te com a ap o ­
sentadoria.

O direito ao salário-fam ília cessa:


a) p o r m orte do filho ou equiparado, a c o n tar do m ês seguinte ao do óbito;
b) q u a n d o o filho ou equiparado com p letar 14 anos de idade, salvo se invá­
lido, a co n tar do m ês seguinte ao da d a ta do aniversário;
c) pela recuperação da capacidade do filho ou equiparado inválido, a co n ­
ta r do m ês seguinte ao da cessação d a incapacidade;
d) pelo desem prego do segurado.

Atenção:
Como o salário-família não é um benefício substitutivo da remuneração do
trabalhador, pode ter valor inferior ao salário mínimo.

11.1.7 Salário-maternidade
Esle beneficio encontra-se disciplinado nos arts. 7*, XVIII, e 201, II, da
CF, arts. 71 a 73 da Lei ns 8.213/1991 e arts. 93 a 103 do Dec. n “ 3.048/1999.
O salário-m aternidade é devido à segurada da Previdência Social (em ­
pregada, trabalhadora avulsa, em pregada dom éstica, co n trib u in te indivi­
dual, facultativa ou segurada especial), d u ran te 120 dias, com início no p e ­
ríodo entre 28 dias antes do parto e a d ata de ocorrência deste, observadas
Direito Previdenciário para Concursos

as situações e condições previstas na legislação no que concerne à proteção


à m aternidade.
T rata-se de benefício previdenciário, substitutivo do salário de co n tri­
buição ou do rendim ento da segurada, co n ced id o p o r tem po d eterm in ad o ,
sendo que o objetivo principal desta prestação é a proteção da m u lh er e d o
bebê.
Requisitos para concessão do benefício:
a) condição de segurada;
b) existência de parto ou adoção;
c) carência de dez contribuições m ensais, no caso de co n trib u in te indivi­
dual, especial e facultativa.
O term o inicial desse benefício será 28 dias antes d o parto, ou a q u al­
q u er m om ento, desde que no perío d o d e 28 dias que antecedem o p a rto
até o d ia do parto. Excepcionalm ente, e com parecer favorável da perícia
do INSS, o início do benefício poderá ser antecedido em duas sem anas ou,
após os 120 dias, podem ser concedidas m ais duas sem anas (art. 93, § 3U, d o
Dec. n fl 3.048/1999).
O bserva-se, porém , que, caso a segurada precise de m ais tem po, será
concedido auxílio-doença ou aposen tad o ria p o r invalidez, e não salá­
rio-m aternidade.
O salário-m aternidade para a seg u rad a em pregada ou trab alh ad o ra
avulsa consistirá em um a renda m ensal igual a sua rem uneração integral,
cabendo contribuição sobre estes valores, já que o salário-m aternidade é
tam bém salário de contribuição. Salienta-se que o salário-m aternidade d e­
vido à trabalhadora avulsa será pago diretam en te pela Previdência Social.
C abe à em presa pagar o salário-m atern id ad e devido à respectiva e m ­
pregada gestante, efetivando-se a com pensação, observado o disposto n o
art. 248 da CF, q uando do recolhim ento das contribuições incidentes sobre
a folha de salários e dem ais rend im en to s pagos ou creditados, a q u alq u er
título, à pessoa física que lhe preste serviço. Essa regra é válida para to d o s
os benefícios requeridos a p a rtir de l ü d e setem bro de 2003, ain d a que os
afastam entos tenham sido anteriores, nos term os da Lei nü 10.710/2003.
Para as dem ais seguradas, inclusive a em pregada adotante, o INSS co n ­
tinua com o única fonte de pagam ento d o benefício, salvo a existência de
convênio.
O art. 73 da Lei na 8.213/1991 dispõe que:
Art. 73. Assegurado o valor de um salário mínimo, o salário-mater­
nidade para as demais seguradas, pago diretam ente pela Previdên­
cia Social, consistirá:
Prestações Sociais em Espécie

I - em um valor correspondente ao do seu último salário de contri­


buição, para a segurada empregada doméstica;
II - em um doze avos do valor sobre o qual incidiu sua última con­
tribuição anual, para a segurada especial;
III - em um doze avos da soma dos doze últimos salários de contri­
buição, apurados em um período não superior a quinze meses, para
as demais seguradas.
Estabelece a Lei nü 10.421/2002 que à segurada da Previdência Social
que a d o ta r ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança é devi­
do salário-m aternidade pelo período de 120 dias, se a criança tiver até um
ano de idade, de 60 dias, se a criança tiver entre um e quatro anos de idade,
e de 30 dias, se a criança tiver de quatro a oito anos de idade.
T ratando-se de adoção, vale ressaltar que o salário -m atern id ad e será
devido à segurada independentem ente de a m ãe biológica ter recebido o
m esm o benefício. C ontudo, nos term os d o art. 93-A do Dec. nü 3.048/1999,
nào será devido quando o term o de gu ard a não contiver a observação de
que é para fins de adoção ou som ente ap resen tar o nom e do cônjuge ou
com panheiro.
Para fins de concessão desse benefício, considera-se parto o evento
o c o rrid o a p a rtir da 23a sem ana de gestação, inclusive em caso de n atim o r­
to. A in terru p ção da gestação após este período, desde que não crim in o ­
sa, d ará direito à licença integral. A ntes disso, a segurada terá direito ao
salário-m aternidade correspondente a d u as sem anas.

11.1.7.1 Renda mensal do benefício


A renda m ensal do benefício do salário -m atern id ad e obedece às seguin­
tes regras:
I a) Para a segurada trabalhadora avulsa e em pregada: o salário -m atern id a­
de consistirá em um a renda m ensal igual à sua rem uneração integral
equivalente a um mês de trabalho;
2a) Para a em pregada dom éstica: o salário -m atern id ad e co rresp o n d erá ao
seu últim o salário de contribuição;
3Q) Para a segurada especial: o valor do salário -m atern id ad e co rresp o n d erá
ao salário m ínim o;
4a) Para a segurada co ntribuinte individual e facultativa: o salário -m ater­
nidade será o equivalente a 1/12 d a som a dos 12 últim os salários d e
contribuição, apurados em período n ão su p erio r a 15 meses.

11.1.7.2 Lei ns 11.770/2008


A Lei nü 11.770/2008 criou o ch am ad o “Program a Em presa C idadã”
d estin ad o à prorrogação p o r mais 60 dias da licença-m aternidade para a
Direito Previdenciário para Concursos

segurada em pregada. Assim» som ados aos 120 dias, o prazo total da licença
será d e 180 dias.
A em presa não está obrigada a p ro rro g a r a licença p o r mais 60 dias. Para
que a em pregada tenha direito é necessária a adesào da em presa ao P rogra­
ma. H avendo adesão, a em pregada deve fazer o requerim ento de p ro rro g a­
ção ju n to ao em pregador até o final do p rim eiro m ês após o parto, sendo
concedida im ediatam ente após a fruição dos 120 dias.
Essa prorrogação de 60 dias não é benefício previdenciário e não tem
natureza de salário-m aternidade. Caso a em presa venha a ad erir a este
program a, um a em pregada terá licença-m atern id ad e de 180 dias, m as sa­
lário m atern id ad e de apenas 120 dias. O s dem ais 60 dias serão pagos inte­
gralm ente, m as a cargo da em presa, que p o d e rá deduzi-los do IR. Essa p ro r­
rogação opcional de 60 dias não tem natu reza de benefício previdenciário,
um a vez que não é financiada pela Previdência Social.
O term o final desse benefício será:
1. 120 dias, excepcionalm ente, m ais d u as sem anas;
2. m o rte da segurada antes dos 120 dias.

11.1.8 Auxílio-acidente (arts. 86 da Lei r f 8.213/1991 e 104 do


Dec. r f 3.048/1999)
Trata-se de um benefício de pagam ento m ensal e sucessivo, tam bém
concedido p o r incapacidade do segurado, mas com o indenização, após a
consolidação das lesões decorrentes de acidente de q u alq u er natureza, se
resultarem seqüelas que im pliquem redução da capacidade para o trab alh o
que habitualm ente exercia. Possui natureza exclusivam ente indenizatória.
A ssim , o auxílio-acidente tem por finalidade indenizar o segurado (o
em pregado, o trab alh ad o r avulso, o segurado especial e o m édico residente,
exceto o em pregado dom éstico) em v irtu d e de acidente que lhe provoque a
redução da capacidade laborativa, confo rm e as situações discrim inadas no
anexo III do Dec. nu 3.048/1999.
Requisitos para o recebimento do benefício:
1. C ondição de segurado;
2. N ão há carência;
3. Seqüela resultante de acidente de q u alq u er natureza (a incapacidade
será verificada p o r perícia m édica d o INSS).
O bserva-se que não será concedido o auxílio-acidente nos casos de m u ­
dança de função, m ediante readaptação profissional prom ovida pela em ­
presa, com o m edida preventiva, em decorrência de inadequação do local
de trabalho.
Prestações Sociais em Espécie

Frisa-se que o auxílio-acidente m ensal corresponderá a 50% do salário


de benefício que deu origem ao auxílio-doença do segurado, corrigido até o
m ês a n terio r ao do início do auxílio-acidente, e será devido até a véspera d o
início de qualquer aposentadoria ou até a data d o óbito do segurado.
C o m o regra, o auxílio-acidente será devido a p a rtir do dia seguinte ao
da cessação do auxílio-doença, indep en d en tem en te de q u alq u er rem u n era­
ção o u ren d im en to auferido pelo acidentado, vedada sua acum ulação com
q u alq u er aposentadoria (art. 86, § 2a, da Lei n- 8.213/1991). Essa lei ain d a
d isp õ e no art. 86, § 3Ü, que:
Art. 86. (...)
§ 3CO recebimento de salário ou concessão de outro benefício, exce­
to de aposentadoria, observado o disposto no § 5o, não prejudicará a
continuidade do recebimento do auxílio-acidente.
N o que se refere ao segurado desem pregado, o Dec. nu 6.722/2008, en tre
o u tras m udanças, passou a ad m itir o benefício auxílio-acidente ao segurado
desem pregado, desde que tenha a qualid ad e de segurado q u an d o do evento
e preencha os requisitos exigidos pela lei. Assim estabelece o art. 104, § 7Ü,
do Dec. n* 3.048/1999:
Art. 104. (...)
(...)
§ 7a Cabe a concessão de auxílio-acidente oriundo de acidente de
qualquer natureza ocorrido durante o período de manutenção da
qualidade de segurado, desde que atendidas às condições inerentes
à espécie.
Situações que dão direito ao benefício:
a) redução da capacidade de trabalho q u e habitualm ente exercia (anexo 111
do Dec. nü 3.048/1999);
b) reduçào da capacidade para o trab alh o que habitualm ente exercia e exi­
gência de m aior esforço para o d esem p en h o da m esm a atividade;
c) im possibilidade de desem penho da m esm a atividade, porém após reabi­
litação poderá exercer ou tra atividade.

Atenção:
A doença relacionada ao trabalho é equiparada, para fins legais, a acidente
de trabalho. Vide art. 20 da Lei na 8.213/1991.

N ão será concedido o auxílio-acidente quando:


o segurado apresentar danos funcionais ou redução da capacidade labo-
rativa, sem repercussão na capacidade laborativa;
Direito Previdenciário para Concursos

• em razão de m udança de função d o segurado, m ediante readaptação


profissional prom ovida pela em presa, com o m edida preventiva, em d e ­
corrência de inadequação d o local de trabalho;
• em razão de doenças degenerativas;
• em razão de doenças inerentes à faixa etária;
• em razão de doença endêm ica a d q u irid a p o r segurado habitante de re­
gião em que ela se desenvolva, salvo com provação de que é resultante
de exposição ou contato direto d e term in a d o pela natureza do trabalho.
O benefício será devido a contar do dia seguinte ao da cessação do au ­
xílio-doença até a véspera de início de q u alq u er aposentadoria ou até a data
do óbito do segurado.
C om o o auxílio-acidente não visa su b stitu ir a rem uneração d o trab alh a­
dor, ele poderá ser fixado em valor in fe rio r ao do salário m ínim o.
Casos de extinção do benefício:
1. m o m en to em que o segurado se aposenta;
2. m o rte do segurado.

11.2 Benefícios devidos aos dependentes dos segurados

11.2.1 Pensão por morte (arts. 201,1eV, da CF, 74 a 79 da Lei


t f 8.213/1991 e 105 a 115 do Dec. t f 3.048/1999)
A pensão p o r m orte é um benefício exclusivo do d ep en d en te do segura­
do q u e sofre desfalque econôm ico por ocasião do óbito deste. Visa à m an u ­
tenção da fam ília no caso de m orte do responsável pelo seu sustento.
É tam b ém um benefício m ensal e sucessivo, substitutivo do salário de
contribuição ou do rendim ento do segurado falecido.
Requisitos para a concessão do benefício:
1. C ondição de dependente;
2. N ão há carência;
3. M orte do segurado.
O bserva-se que a pensão por m orte será devida ao conjunto dos d e p e n ­
d entes do segurado que falecer, apo sen tad o ou não, a contar da data:
1. do óbito, quando requerida até 30 dias depois deste;
2. do requerim ento, quando requerida após o prazo previsto no inciso a n ­
terior;
3. da decisão judicial, no caso de m o rte p resum ida (é u m a situação que a
lei equipara à m orte real).
Prestações Sociais em Espécie

A m orte presum ida do segurado, declarada pela autoridade judicial


com petente, depois de seis meses de ausência, será concedida pensão p ro­
visória.
E m caso de desaparecim ento do segurado em consequência de acidente,
desastre ou catástrofe, seus dependentes farão ju s à pensão provisória in d e­
p en d en tem en te da declaração de ausência, m ediante prova hábil.
Ressalta-se que, verificado o reaparecim ento do segurado, o pagam ento
da pensão cessará im ediatam ente, desobrigados os dependentes da reposi­
ção d o s valores recebidos, salvo má-fé.
O term o inicial do benefício é c o n tad o da data do óbito, da declaração
judicial de ausência ou da data em que o co rreu o sinistro (que levou à co n ­
clusão de que a pessoa pereceu).
De acordo com o art. 75 da Lei na 8.213/1991:
Art. 75. O valor mensal da pensão por m orte será de cem por cento
do valor da aposentadoria que o segurado recebia ou daquela a que
teria direito se estivesse aposentado por invalidez na data de seu fa­
lecimento, observado o disposto no art. 33 desta lei.
C aso haja mais de um dependente d a m esm a classe, deverá ser dividido
o valor da pensão. Será rateada entre to d o s, em partes iguais.
O salário de benefício será dividido pelo núm ero de dependentes, to d a­
via q u a n d o um dos dependentes p erd er essa condição, sua co ta-p arte será
dividida entre os outros dependentes e, q u an d o o últim o d ep en d en te p e r­
der essa condição, cessa o benefício. P ortanto, o benefício cessa q u an d o o
últim o dependente com direito a pensão perd er essa condição.
O pagam ento da cota individual da pen são p o r m orte cessa:
a) pela m orte do pensionista;
b) p ara o pensionista m enor de idade, ao com pletar 21 anos, salvo se for
inválido, ou pela em ancipação, ainda que inválido, exceto, neste caso, se
a em ancipação for decorrente de colação de grau científico em curso de
ensino superior;
c) p ara o pensionista inválido, pela cessação da invalidez, verificada em
exam e m édico-pericial a cargo da Previdência Social.
C aso o dependente m enor de idade to rn e-se inválido antes de com ple­
ta r 21 anos de idade, deverá subm eter-se a exam e m édico-pericial, não se
ex tinguindo a respectiva cota se confirm ad a a invalidez. C ontudo, se a in ­
validez sobrevier após os 21 anos e após o óbito, não há que se falar em
pensão por m orte.
Direito Previdenciário para Concursos

Atenção:
A pensão por morte pode ser cumulada com outros benefícios, exceto com
outra pensão por morte do cônjuge ou companheiro.

11.2.2 Auxílio-reclusão (arts. 201, IV, da CF, 13 da EC r f 20/1998, 80


da Lei i? 8.213/1991,2? da Lei r f 10.666/2003 e 116 a 119 do
Dec. n° 3.048/1999)
O auxílio-reclusâo será devido, nas m esm as condições da pensão p o r
m orte, sendo tam bém um a prestação co n tin u ad a, substitutiva do salário
de contribuição ou do rendim ento do trab alh ad o r devido ao conjunto de
d ependentes do segurado recolhido à p risão que nào receber rem uneração
da em presa nem estiver em gozo de auxílio-doença, de aposentadoria ou de
ab o n o de perm anência em serviço.
Logo, caso o segurado encontre-se recebendo qualquer dessas p resta­
ções, n ão terá direito ao auxílio-reclusão. Não há, necessariam ente, p erda
d o benefício pelo segurado em razão da prática de crim e, exceto nos casos
de crim e praticado contra a Previdência Social.
Im portante ressaltar que nào se trata de um direito do preso, m as de sua
fam ília.
O auxílio-reclusão, tal com o o salário-fam ília, é exclusivo dos segurados
de baixa renda, nos term os da EC nü 20/1998.
Requisitos para concessão do benefício:
1. condição de dependente do segurado recluso de baixa renda;
2. n ão há perío d o de carência;
3. detenção ou reclusão do segurado. Faz-se necessário que o segurado
do INSS se encontre detido ou recluso em razão da aplicação de sanção
pela prática de ato ilícito. O s depen d en tes do segurado, trim estralm ente,
terão que apresentar um a certidão com p ro v an d o que o segurado co n ti­
n ua d etido ou recluso. Im portante co n sig n ar que não há necessidade d o
trân sito em julgado da sentença con d en ató ria para que os dependentes
do segurado tenham direito ao benefício. O M inistério Público deverá
req u erer o benefício caso os filhos d o preso sejam m enores.
O term o inicial do benefício é a data d o efetivo recolhim ento do seg u ra­
do à prisão, se for requerido até 30 dias desta; caso contrário, observar-se-á
a data do requerim ento.
O benefício será m antido enquanto o segurado perm an ecer detido ou
recluso. Para a com provação da condição de preso do segurado, o beneficiá­
Prestações Sociais em Espécie

rio deverá apresentar trim estralm ente atestado, indicando que o segurado
co n tin u a detido ou recluso, firm ado pela autoridade com petente.
O valor do benefício será calculado n o s m esm os term os em que é calcu­
lada a pensão p o r m orte, conform e o art. 80 da Lei nü 8.213/1991.
Hipóteses de cessação do benefício:
a) m o rte do segurado (neste caso, os d ep en d en tes passam a receber a p e n ­
são p o r m orte);
b) p e rd a da condição de dependente;
c) o segurado solto, quando c u m p rir a pena, for prem iado com o regim e
ab erto ou obtiver o livram ento condicional;
d) caso o segurado fuja da cadeia.

11.3 Acumulação de benefícios


Ressalvados os casos de direito adqu irid o , não é ad m itid a a acum ulação
de benefícios previdenciários, inclusive q u a n d o decorrentes de acidente de
trabalho.

11.4 Pagamento dos benefícios


O benefício será pago diretam ente ao seu beneficiário, salvo em caso de
ausência, m oléstia contagiosa ou im possibilidade de locom oção, q u an d o
será pago a procurador, cujo m andato não terá prazo su p erio r a 12 meses,
p o d e n d o ser renovado (art. 109 da Lei na 8.213/1991).
C o m o se trata de crédito de natureza alim entícia, a lei objetivava g aran ­
tir que o próprio alim entando recebesse diretam en te os valores que g a ra n ­
tiriam o seu sustento.
C ontudo, atualm ente, em razão da adoção de meios eletrônicos de paga­
m ento, com depósito dos valores em conta bancária e m ovim entação p o r m eio
de cartões magnéticos, a aplicação desse dispositivo, na prática, é reduzida.
Em se tratan d o de beneficiário civilm ente incapaz, o pagam ento será
feito ao cônjuge, ao pai, à mãe, ao tu to r ou ao curador, adm itindo-se, na
sua falta e p o r período não superior a seis meses, o pagam ento a h erdeiro
necessário, m ediante term o de com prom isso firm ado no ato do recebim en­
to. O segurado m enor poderá, na form a do regulam ento, firm ar recibo de
benefício, independentem ente da presença dos pais ou do tutor.

11.5 Pagamento judicial


O s débitos da Fazenda Pública deco rren tes de decisão judicial são pagos
por m eio de precatório judicial, na form a do art. 100 da CF. T ratando-se d e
créditos decorrentes de benefícios previdenciários, possuem natureza ali­
m entícia, e, p ortanto, serão recebidos preferencialm ente, não integrando
sua ordem cronológica de apresentação e precedência.
Direito Previdenciário para Concursos

O s créditos considerados de p eq u en o valor, nos term os da Lei


nc 10.259/2001, com o aqueles que alcancem até 60 salários m ínim os, são
pagos m ediante requisição direta ao juiz, à au toridade pública com petente,
sem necessidade de expedição de precatório. O pagam ento deve ser feito no
prazo de 60 dias.
Por fim, im porta salientar que a C onstituição Federal veda o fraciona-
m ento, a repartição ou a quebra do valor da execução, a fim de que o paga­
m ento não se faça, em parte, na form a sim plificada da sim ples requisição e,
em parte, m ediante expedição de precatório.

11.6 Abono anual


Estabelece o art. 40 da Lei nü 8.213/1991 o cham ado abono anual, devi­
do ao segurado e ao dependente da Previdência Social que, d u ran te o ano,
recebeu auxílio-doença, auxílio-acidente ou aposentadoria, pensão p o r
m orte, auxílio-reclusão ou salário-m aternidade.
O ab o n o anual nada m ais é do que o décim o terceiro salário c o rresp o n ­
dente ao período em que o segurado o u seu d ep en d en te ten h a recebido
algum dos benefícios acim a citados.
Será calculado da m esm a form a q u e a gratificação de natal dos tra b a ­
lhadores, tendo p o r base o valor da ren d a m ensal do benefício no m ês de
d ezem bro de cada ano (art. 40, parágrafo único).
O recebim ento de benefício p o r p erío d o inferior a 12 meses, d en tro d o
m esm o ano, d eterm in a o cálculo do ab o n o anual de form a proporcional,
conform e a gratificação natalina.
N o que se reíêre ao salário-m aternid ad e, im p o rtan te salientar que o p a ­
g am ento do abono anual será efetuado no últim o m ês em que a segurada
recebe o benefício de m aternidade.
Para fins de cálculo, o período igual ou su p erio r a 15 dias, d en tro d o
mês, será considerado com o m ês integral.

11.7 Seguro-desemprego
E m bora a Lei nfl 8.213/1991 não preveja expressam ente o seg u ro -d e­
sem prego com o benefício, não se p o d e negar esse caráter. A situação de
desem prego involuntário é um a m odalidade de risco social, prevista nos
arts. 7fl, II, e 201, II, da CF. Trata-se de u m benefício integrante da Segurida­
de Social, de natureza assistencial, e não previdenciária.
É um benefício tem porário, que visa prom over a assistência financeira
do trab alh ad o r desem pregado d ispensad o sem justa causa, inclusive p o r
d espedida indireta.
Prestações Sociais em Espécie

O seguro-desem prego é objeto de legislação específica - Lei nQ7.998/1990


- e será devido ao em pregado, inclusive o dom éstico, q u an d o seu em p re­
gador op tar pelo recolhim ento do FGTS, ao pescador artesanal que d esem ­
penhe suas atividades individualm ente o u em regim e de econom ia fam iliar,
d u ra n te o perío d o de defeso, e ao trab alh ad o r com provadam ente resgatado
do regim e de trabalho forçado ou da condição análoga à de escravo.
0 em pregado terá direito ao seguro-desem prego desde que:
1 - tenha sido despedido sem justa causa;
II - tenha recebido salários de pessoa jurídica ou pessoa física a ela eq u i­
parada, relativos a cada um dos 6 m eses im ed iatam en te anteriores à data da
dispensa;
III - tenha sido em pregado de pessoa ju ríd ica ou pessoa física a ela
equiparada ou exercido atividade legalm ente reconhecida com o autônom a,
d u ra n te pelo m enos 15 m eses nos últim os 24 meses;
IV - não esteja em gozo de q u alq u er benefício previdenciário de pres­
tação continuada, excetuados o auxílio-acidente e o ab ono de p erm an ên cia
em serviço;
V - não esteja em gozo do auxílio-desem prego; e
VI - não possua renda própria de q u alq u er natureza suficiente à sua
m anutenção e de sua família (art. 3a, da Lei nü 7.998/1990).
O valor do seguro-desem prego varia entre três e cinco parcelas m ensais,
de form a contínua ou alternada, a cada perío d o aquisitivo de 16 m eses,
co ntados da data de dispensa (art. 4L' d a Lei nü 7.998/1990 e art. 2- da Lei
n- 8.900/1994).
O n ú m ero de parcelas é definido em função do n ú m ero de meses tra b a ­
lhados nos últim os 36 m eses anteriores à dispensa:
• de seis a 11 m eses - 3 parcelas;
• de 12 a 23 m eses - 4 parcelas;
• de 24 a 36 m eses - 5 parcelas (art. 2% § 2-, da Lei n2 8.900/1994).
O valor das parcelas, por sua vez, é definido a p artir da m édia aritm ética
dos salários dos últim os três m eses anteriores à dispensa, variável de acordo
com a faixa salarial do trabalhador.
O valor do benefício não poderá ser in ferio r ao valor do salário m ínim o.
T rata-se de um benefício de caráter pessoal e intransferível, sendo que,
em caso de m orte do beneficiário, fica g aran tid o aos descendentes apenas o
d ireito às parcelas vencidas.
O seguro-desem prego é financiado pela arrecadação decorrente das
contribuições do PIS/PASEF, nos te rm o s do art. 239 da CF.
Direito Previdenciário para Concursos

11.8 Benefício assistencial


Estabelecem os arts. 203 e 204 da CF:
Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar,
independentem ente de contribuição à seguridade social, e tem p or
objetivos:
I - a proteção à família, à m aternidade, à infância, à adolescência e
à velhice;
II - o amparo às crianças e adolescentes carentes;
III - a promoção da integração ao mercado de trabalho;
IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiên­
cia e a promoção de sua integração à vida comunitária;
V - a garantia de um salário m ínim o de benefício mensal à pessoa
portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir
meios de prover à própria m anutenção ou de tê-la provida por sua
família, conforme dispuser a lei.
Art. 204. As ações governamentais na área da assistência social serào
realizadas com recursos do orçam ento da seguridade social, previs­
tos no art. 195, além de outras fontes, e organizadas com base nas
seguintes diretrizes:
I - descentralização político-administrativa, cabendo a coordena­
ção e as normas gerais à esfera federal e a coordenação e a execu­
ção dos respectivos programas às esferas estadual e municipal, bem
como a entidades beneficentes e de assistência social;
II - participação da população, por meio de organizações represen­
tativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos
os níveis.
Parágrafo único. É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vin­
cular a program a de apoio à inclusão e promoção social até cinco
décimos por cento de sua receita tributária líquida, vedada a aplica­
ção desses recursos no pagam ento de:
I - despesas com pessoal e encargos sociais;
II - serviço da dívida;
III - qualquer outra despesa corrente não vinculada diretam ente aos
investimentos ou ações apoiados.

11.8.1Lei Orgânica da Assistência Social - LOAS (Lei 8.742/1993)


O art. I a d a Lei O rgânica da A ssistência S o c ia l- LOAS (Lei nü 8.742/1993)
estabelece que a assistência social, d ireito do cidadão e dever do Estado, é
Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os m ín im o s so­
ciais, realizada p o r m eio de um conju n to integrado de ações de iniciativa
pública e da sociedade, para g aran tir o aten d im en to às necessidades básicas.
Prestações Sociais em Espécie

11.8.1.1 Dos Benefícios de Prestação Continuada - BPC


O benefício de prestação co n tin u ad a, consistente no valor de um salário
m ín im o m ensal, é devido à pessoa p o rta d o ra de deficiência e ao idoso com
65 an o s (art. 34 do Estatuto do Idoso - Lei n- 10.741/2003) que com provem
não p o ssu ir m eios de prover a própria m an u ten ção e nem de tê-la provida
p o r sua fam ília (art. 20 da Lei n u 8.742/1993 com redação dada pela Lei
n* 12.435/2011).
Para fins de concessão deste benefício, considera-se com o pessoa p o r­
tad o ra de deficiência aquela que tem im p ed im en to s de longo prazo de n a­
tureza física, m ental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com
diversas barreiras, podem o b stru ir sua p articipação plena e efetiva na so­
ciedade em igualdade de condições com as dem ais pessoas (art. 20, § 2Ü, da
Lei nfi 8.742/1993 com redação dada pela Lei n° 12.470/2011).
E ntende-se com o incapaz de prover a m anutenção da pessoa p o rta d o ra
de deficiência ou idosa a fam ília cuja ren d a m ensal per capita seja inferior a
1/4 d o salário m ín im o (art. 20, § 3Ü, da Lei ne 8.742/1993 com redação dada
pela Lei n“ 12.435/2011).
Para cálculo da renda fam iliar considera-se o núm ero de pessoas que
vivem na m esm a casa: assim entendido: o requerente, o cônjuge ou co m ­
panheiro, os pais e, na ausência de um deles, a m adrasta ou o padrasto, os
irm ãos solteiros, os filhos e enteados solteiros e os m enores tutelados, desde
que vivam sob o m esm o teto.
N ad a im pede que o benefício seja pago a mais de um m em bro da família,
desde que com provadas todas as condições exigidas. C ontudo, o valor do b e­
nefício concedido anteriorm ente será incluído no cálculo da renda familiar.
Im p o rta assinalar que tal benefício não pode ser acum ulado pelo b e­
neficiário com qualquer o utro no âm bito da seguridade social ou de o u tro
regim e, salvo o da assistência m édica e d a pensão especial de natureza in -
d enizatória (art. 20, § 4a, da Lei n- 8.742/1993). O beneficiário recebe um
salário m ínim o p o r m ês e não tem d ireito a 13ü salário.
T rata-se de benefício sujeito a exam e m édico pericial e laudo, realizados
pelos serviços de perícia m édica do INSS. Caso não existam serviços no
m unicípio de residência do beneficiário,, fica assegurado o seu e n cam in h a­
m ento ao m unicípio m ais próxim o que c o n tar com tal estrutura.
O benefício deverá ser revisto a cad a dois anos para avaliação da co n ti­
n u id ad e das condições que lhe deram origem (art. 21 da Lei n- 8.742/1993).
O pagam ento do benefício cessa no m o m en to em que forem superadas
as condições que o criaram , ou em caso d e m orte do beneficiário, pod en d o ,
Direito Previdenciário para Concursos

ainda, ser cancelado quando se co n statar irregularidade na sua concessão


ou utilização.

11.8.1.2 Dos benefícios eventuais


Segundo o art. 22 da Lei nu 8.742/1993, en ten d em -se p or benefícios
eventuais as provisões suplem entares e provisórias que integram o rg an i­
cam ente as garantias do Sistema Ú nico de Assistência Social - SUAS e são
prestadas aos cidadãos e às fam ílias em v irtu d e de nascim ento, m orte, situ­
ações d e vulnerabilidade tem porária e d e calam idade pública.
A concessão e o valor desses benefícios serão definidos pelos Estados,
D istrito Federal e M unicípios e previstos nas respectivas leis o rçam entárias
anuais, com base em critérios e prazos definidos pelos respectivos C onse­
lhos d e Assistência Social.
O CNAS, ouvidas as respectivas representações de Estados e M unicípios
dele participantes, poderá propor, na m edida das disponibilidades o rça­
m entárias das três esferas de governo, a instituição de benefícios subsidiá­
rios n o valor de até 25% do salário m ín im o para cada criança de até seis
anos de idade.

11.9 Pensão especial dos portadores de Talidomida (Lei


n* 12.190/2010)
A talidom ida, substância usualm ente utilizada com o m edicam ento se­
dativo, anti-inflam atório e hipnótico, desenvolvida na A lem anha em 1954,
gerou m ilhares de casos de Focom elia (m alform ação ou ausência de m em ­
bro n o feto) devido aos seus efeitos teratogénicos.
Em razão disso, em 1965 a droga foi retirada de circulação, com pelo
m enos q u atro anos de atraso.
Em 1976 foram ajuizadas as prim eiras ações judiciais contra os lab o ra­
tórios e a União.
Em 20-12-1982 foi sancionada a Lei n “ 7.070, concedendo pensão ali­
m entícia vitalícia, que varia de m eio a q u atro salários m ínim os, de acordo
com o grau de deform ação, levando-se em consideração quatro itens de difi­
culdade: alim entação, higiene, deam bulação e incapacidade para o trabalho.
P or fim, em 13-1-2010, foi publicada a Lei nfl 12.190, concedendo in ­
d enização p o r dano m oral às pessoas co m deficiência física decorrente d o
uso da talidom ida, consistente no pagam ento de valor único igual a R$
50.000,00, m ultiplicado pelo n ú m ero d e p ontos indicadores da natureza e
do grau de dependência resultante da d efo rm id ad e física.
CAPÍTULO

DOS SERVIÇOS DA
PREVIDÊNCIA SOCIAL
Dos Serviços da Previdência Social

Ao lado dos benefícios previdenciários, en co n tram -se tam bém os ch a­


m ados Serviços da Previdência Social, q u e têm o objetivo de apoiar os se­
g u rad o s no exercício de suas atividades o u na sua relação com a Previdência
Social e com a própria sociedade.

12.1 Do serviço social


Previsto no art. 88 da Lei nü 8.213/1991 e no art. 161 do Dec.
nfi 3.048/1999, o deno m in ad o serviço social será prestado aos segurados e
d ependentes da Previdência Social com a finalidade de prestar ao beneficiá­
rio orientação e apoio no que se refere à solução dos problem as pessoais e
fam iliares e à m elhoria da sua inter-relação com a Previdência Social, p ara a
solução de questões relativas a benefícios, bem com o, q u an d o necessário, à
obtenção de outros recursos sociais da com unidade. Trata-se de verdadeira
atividade auxiliar do seguro social, desem p en h ad a p o r assistentes sociais,
integrantes do corpo de servidores do INSS.
Tem com o prioridade, além de facilitar o acesso aos benefícios e serv i­
ços previdenciários, esclarecer o usuário sobre seus direitos sociais e o m eio
de exercê-los, estabelecendo, ainda, o processo de solução dos problem as
sociais relacionados com a Previdência Social.
As ações do Serviço Social são desenvolvidas p o r assistentes sociais das
G erências Executivas do INSS e das Agências da Previdência Social, da se­
g u inte forma:
• P restar atendim ento individual e gru p ai aos usuários esclarecendo
q u a n to ao acesso aos direitos previdenciários, tais com o: benefícios e
serviços, condições e d ocum entos necessários para o requerim ento e
concessão dos benefícios previdenciários e assistenciais, m anutenção e
possibilidade da perda da qualidade d e segurado, entre outros.
• Realizar pesquisa social para identificação do perfil e das necessidades
d o s usuários.
• E m itir parecer social fornecendo elem entos para a concessão, m a n u ­
tenção, recurso de benefícios e decisão m édico-pericial, nos casos de
segurados em auxílio-doença previdenciário ou acidentário, cujas situ a­
ções sociais interfiram na origem , evolução ou agravam ento de d eterm i­
nadas doenças.
• A ssessorar entidades governam entais e não governam entais em assun­
tos de política e legislação previdenciária e assistencial.
• Realizar o cadastro dos R ecursos Sociais e G rupos O rganizados.39

39 Disponível em: <http://www.previdenciasocial.gov.br/conteudoDinamico.php?id=379>.


Direito Previdenciário para Concursos

O parecer social consiste no p ro n u n ciam en to profissional do assistente


social, com base no estudo de d eterm in ad a situação, p o d en d o ser em itid o
na fase de concessão, m anutenção, recurso de benefícios ou para em basar
decisão m édico-pericial, p o r solicitação do seto r respectivo ou p or iniciati­
va do p ró p rio assistente social (art. 385, § l c, da IN ntt 45/2010).

12.2 Da habilitação e da reabilitação profissional


Estabelece o art. 136 d o Dec. n° 3.048/1999:
Art. 136. A assistência (re)educativa e de (re)adaptação profissional,
instituída sob a denom inação genérica de habilitação e reabilita­
ção profissional, visa proporcionar aos beneficiários, incapacitados
parcial ou totalmente para o trabalho, em caráter obrigatório, inde­
pendentem ente de carência, e às pessoas portadoras de deficiência,
os meios indicados para proporcionar o reingresso no mercado de
trabalho e no contexto em que vivem.
C om pete ao INSS prom over a habilitação e a reabilitação profissional
aos segurados, inclusive aposentados, e, de acordo com as possibilidades
adm inistrativas, técnicas, financeiras e as condições locais do órgão, aos
seus dependentes, preferencialm ente m ed ian te a contratação de serviços
especializados (art. 136, § l e, do Dec. nü 3.048/1999).
D e acordo com o art. 137 do Dec. nn 3.048/1999, o processo de habili­
tação e de reabilitação profissional do beneficiário será desenvolvido p o r
m eio das funções básicas de:
Art. 137. (...)
I - avaliação do potencial laborativo;
II - orientação e acom panham ento da programação profissional;
III - articulação com a com unidade, inclusive mediante a celebração
de convênio para reabilitação física restrita a segurados que cum pri­
ram os pressupostos de elegibilidade ao programa de reabilitação
profissional, com vistas ao reingresso no mercado de trabalho; e
IV - acompanhamento e pesquisa da fixação no mercado de trabalho.
Q u a n d o indispensáveis ao desenvolvim ento do processo de reabilitação
profissional, o INSS fornecerá aos segurados, inclusive aposentados, em ca­
ráter obrigatório, prótese e órtese, seu reparo ou substituição, in stru m en to s
de auxílio para locom oção, bem com o eq u ip am en to s necessários à habili­
tação e à reabilitação profissional, tra n sp o rte u rb an o e alim entação e, na
m edida das possibilidades do Instituto, aos seus dependentes.
N o caso das pessoas p o rtad o ras de deficiência, a concessão dos recursos
m ateriais referidos no parágrafo an terio r ficará condicionada à celebração
de convênio de cooperação técnico-financeira.
Dos Serviços da Previdência Social

O INSS nâo reem bolsará as despesas realizadas com a aquisição de ó rte-


se ou prótese e outros recursos m ateriais não prescritos ou não autorizados
por suas unidades de reabilitação profissional.
A program ação profissional será desenvolvida m ediante cursos e/o u
treinam entos na com unidade p o r m eio de contratos, acordos e convênios
com instituições e em presas públicas ou privadas.
R essalte-se que o treinam ento do reabilitando, q u an d o realizado em
em presa, não estabelece qualquer vínculo em pregatício ou funcional en tre
o reabilitando e a em presa, bem com o en tre estes e o INSS.
C oncluído o processo de reabilitação profissional, o INSS em itirá cer­
tificado individual indicando a função p ara a qual o reabilitando foi capa­
citado profissionalm ente, sem prejuízo d o exercício de outra para a qual se
julgue capacitado.
N ão constitui obrigação da Previdência Social a m anutenção do segu­
rado n o m esm o em prego ou a sua colocação em o u tro p ara o qual foi rea­
bilitado, cessando o processo de reabilitação profissional com a em issão d o
certificado.
C abe à Previdência Social a articulação com a com unidade, com vistas
ao levantam ento da oferta do m ercado d e trabalho, ao d irecionam ento da
program ação profissional e à possibilidade de reingresso do reabilitando n o
m ercado form al.
0 art. 93 da Lei n- 8.213/1991 estabelece que a em presa com 100 ou
mais em pregados está obrigada a p reen ch er de 2 a 5% de seus cargos com
beneficiários reabilitados ou pessoas p o rtad o ras de deficiência habilitadas,
na seguinte proporção:
1 - até 200 em pregados, 2%;
II - de 201 a 500, 3%;
III - de 501 a 1.000,4%;
IV - de 1.001 em diante, 5%.
A dispensa de trab alh ad o r reabilitado ou de deficiente habilitado ao fi­
nal de con trato p o r prazo d eterm in ad o d e m ais de 90 dias e a im otivada, no
co n trato p o r prazo indeterm inado, som ente poderão o co rrer após a c o n tra ­
tação d e substituto em condições sem elhantes.
C u m p re assinalar que serão encam in h ad o s para os program as de rea­
bilitação profissional, p o r ordem de p rio rid ad e (art. 386 da IN n- 45/2010):
Art. 386. (...)
I - o segurado em gozo de auxílio-doença, acidentário ou previden­
ciário;
II - o segurado sem carência para a concessão de auxílio-doença
previdenciário, portador de incapacidade;
Direito Previdenciário para Concursos

III - o segurado em gozo de aposentadoria por invalidez;


IV - o segurado em gozo de aposentadoria especial, por tempo de
contribuição ou idade que, em atividade laborativa, tenha reduzida
sua capacidade funcional em decorrência de doença ou acidente de
qualquer natureza ou causa;
V - o dependente pensionista inválido;
VI - o dependente maior de dezesseis anos, portador de deficiência; e
VII - as Pessoas com Deficiência - PcD, ainda que sem vínculo com
a Previdência Social.
CAPÍTULO

DESAPOSENTAÇÃO
Desaposentação

D esaposentação é o nom e dado a u m a ação que visa à reversão da ap o ­


sen tad o ria obtida no RGPS ou m esm o e m Regimes Próprios de Previdência
de Servidores Públicos, com o objetivo exclusivo de possibilitar a aquisição
de benefício mais vantajoso no m esm o ou em o u tro regim e previdenciário.
A desaposentação possibilita aos aposentados que co n tin u aram a tra b a ­
lhar e c o n trib u ir para o INSS a obtenção de novo benefício, em m elhores
condições, em razão do novo tem po contributivo.
C om efeito, a desaposentação pode ser verificada em q u alq u er regim e
previdenciário, desde que ten h a com o objetivo a m elhoria da condição eco­
nôm ica do associado.
Para C arlos A lberto Pereira de C astro e João Batista Lazzari, a desapo­
sentação é um direito do segurado ao re to rn o à atividade rem unerada, com
o desfazim ento da aposentadoria por v o n tad e do titular, para fins de a p ro ­
v eitam ento d o tem po de filiação em contagem para nova aposentadoria, n o
m esm o ou em o utro regim e previdenciário.40
N ão há previsão legal expressa acerca da desaposentação, razão pela
qual o pedido é sem pre negado na via adm inistrativa. C ontudo, com o
p o n d era Fábio Z am bitte Ibrahim , a desaposentação nào contraria os pre­
ceitos constitucionais que visam a proteção individual, e estes não p o d em
ser utilizados em desvantagem para o indivíduo e a sociedade. A dem ais, a
ausência de previsão legal, em verdade, trad u z a verdadeira possibilidade
do indivíduo em d em an d ar o desfazim ento de sua aposentadoria, c o m p u ­
tando-se, assim, o tem po de benefício a se r revertido. O atendim ento desta
im p o rtan te dem anda social não produz q u alq u er desequilíbrio atuarial ou
financeiro no sistem a protetivo, além de atender de m aneira adequada os
interesses do segurado.41
C o m o se verifica, em bora não haja previsão legal expressa a p e rm itir a
desaposentação, não há qualquer vedação nesse sentido, o que se en co n tra
em consonância com o princípio da legalidade, segundo o qual o a d m in is­
trado pode fazer tudo, desde que não p ro ib id o p or lei.
O Superior T ribunal de Justiça já se pronunciou a respeito do tem a, a
saber:
Previdenciário. Mudança de regime previdenciário. Renúncia à apo­
sentadoria anterior com o aproveitam ento do respectivo tem po de
contribuição. Possibilidade. Direito disponível. Devolução dos valo­
res pagos. Não obrigatoriedade. Recurso improvido.

40 CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de direito
previdenciário. 7. ed. São Paulo: LTr, 2006.
41 Curso... cit., 14. ed., 2009, p. 724.
CAPÍTULO

CNIS - CADASTRO
NACIONAL DE
INFORMAÇÕES SOCIAIS
CNIS - Cadastro Nacional de Informações Sociais

O C adastro N acional de Inform ações Sociais - CNIS foi in tro d u zid o


em nosso o rdenam ento pelo art. 29-A d a Lei nü 8.213/1991, com a redação
dada pela LC na 128/2008.
O C N IS é a base de dados nacional q u e contém inform ações cadastrais
de trabalhadores em pregados e co n trib u in tes individuais, em pregadores,
vínculos em pregatícios e rem unerações. O INSS se valerá das inform ações
constantes desse cadastro sobre os vínculos e as rem unerações dos segura­
dos, p ara fins de cálculo do salário de benefício, com provação de filiação ao
RGPS, tem po de contribuição e relação d e emprego.
O INSS terá o prazo de 180 dias, co n tad o s a p a rtir da solicitação do pe­
dido, p ara fornecer ao segurado as inform ações constantes do CNIS.
A q u alq u er m om ento, o segurado p o d erá solicitar a inclusão, exclusão
ou retificação das inform ações constantes do CNIS, com a apresentação de
d o c u m en to s com probatórios dos dados divergentes.
Nos termos do art. 29-A, § 3a, a aceitação de informações relativas a v ín ­
culos e rem unerações inseridas extem p o ran eam en te no CNIS, bem com o
as retificações de inform ações an terio rm en te inseridas, fica condicionada à
com provação dos dados ou das divergências apontadas.
C onsidera-se extem porânea a inserção de dados decorrentes do d o c u ­
m ento inicial ou de retificação de dados an terio rm en te inform ados q u an d o
o d o cu m en to ou a retificação, ou a inform ação retificadora, forem apren-
sentados após os prazos estabelecidos em regulam ento.
D e acordo com o § 3“ do art. 19 d o Dec. nu 3.048/1999, considera-se
ex tem porânea a inserção de dados:
Art. 19. (...)
(...)
I - relativos à data de início de vínculo, sempre que decorrentes de
docum ento apresentado após o transcurso de até cento e vinte dias
do prazo estabelecido pela legislação, cabendo ao INSS dispor sobre
a redução desse prazo;
II - relativos a remunerações, sem pre que decorrentes de docum en­
to apresentado:
a) após o último dia do quinto mês subsequente ao mês da data de
prestação de serviço pelo segurado, quando se tratar de dados infor­
mados por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP; e
b) após o último dia do exercício seguinte ao a que se referem as
informações, quando se tratar de dados informados por meio da
Relação Anual de Informações Sociais - RAIS;
Direito Previdenciário para Concursos

III - relativos a contribuições, sempre que o recolhimento tiver sido


feito sem observância do estabelecido em lei.
N ão constando do CN IS inform ações sobre contribuições ou re m u n e ­
rações, ou havendo dúvida sobre a regularidade do vínculo, m otivada p o r
divergências ou insuficiência de dados relativos ao em pregador, ao seg u ra­
do, à natureza do vínculo, ou a procedência da inform ação, esse p erío d o
respectivo som ente será confirm ado m ed ian te a apresentação pelo seg u ra­
do da docum entação com probatória solicitada pelo INSS.
CAPÍTULO

PREVIDÊNCIA
COMPLEMENTAR
Previdência Complementar

15.1 Introdução
A tualm ente, as leis que regem a ch am ad a previdência privada com ple­
m e n ta r são as LC n ^ 108/2001 e 109/2001, regulam entada, p o r sua vez, pelo
Dec. n a 4.206/2002.
A LC na 108/2001 dispõe sobre a relação entre a União, os Estados, o
D istrito Federal e os M unicípios, suas autarquias, fundações, sociedades de
econom ia m ista e outras entidades públicas, e suas respectivas entidades
fechadas de previdência com plem entar, o que significa dizer que os ser­
vidores possuem sistem a previdenciário com plem entar regido p o r n o rm a
legal própria.
A LC n° 109/2001, p o r sua vez, trata da previdência com plem entar no
âm bito privado, seja em regim e aberto o u fechado.
A C onstituição Federal tam bém dispõe sobre o tem a em seu art. 202,
que estabelece que o regim e de previdência privada, de caráter com ple­
m e n ta r e organizado de form a au tônom a em relação ao regim e geral, será
facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício
contratado, e regulado p o r lei com plem entar.
C om efeito, a razão da existência de u m sistem a de previdência priva­
da com plem entar consiste no fato de q u e o RGPS d o INSS não se m o stra
suficiente para suprir as necessidades d o s que dela dependem . O seu obje­
tivo não é o utro senão o de com plem en tar o benefício oficial prestado pelo
INSS. Ele não substitui o sistem a oficial, apenas o com plem enta.

15.2 Características e finalidades


A relação jurídica na previdência privada com plem entar possui as se­
guintes características:
• trata-se de relação de trato sucessivo, pois p erd u ra no tem po, não se
esgotando em um a única prestação;
• é onerosa, pois há necessidade de co n trib u ição para o segurado fazer
ju s ao benefício;
• é sinalagm ática, ou seja, envolve d ireitos e obrigações em relação aos
envolvidos;
• é aleatória, em razão da incerteza q u an to às prestações;
• é privada, não sendo prestada pelo Estado.
N o que se refere à finalidade, os benefícios da previdência privada vi­
sam d a r à pessoa segurança e estabilidade, haja vista que o regim e oficial de
previdência, regido pelo RGPS, estabelece benefícios lim itados ao teto legal.
A ssim , pode-se dizer que a natureza do benefício da previdência privada é,
Direito Previdenciário para Concursos

nas palavras do Professor Sérgio Pinto M artin s,44 um a form a de p oupança


individual em vez de social.

15.3 Princípios
N o que se refere aos princípios aplicáveis à previdência privada, h á que
se d estacar o princípio da autonom ia d a vontade. Trata-se de sistem a fa­
cultativo, logo, se rege pela autonom ia privada da vontade em contratar. O
indivíduo tem a opção de e n tra r no sistem a, nele perm anecer, bem com o
dele retirar-se quando en ten d er conveniente.

15.4 Sistema
O regim e de previdência privada é regido p o r entidades de previdência
com plem entar, que tem com o finalidade precípua instituir e executar pla­
nos d e benefícios de caráter previdenciário.
H á várias espécies de sistem a de benefício (art. 7- da LC n- 109/2001),
a saber:
A ) Sistem a definido
O sistem a de benefício definido é aquele relacionado com a função ou o
salário do em pregado, no que diz respeito ao valor que será recebido.
B) Sistem a de contribuição definida
T rata-se de sistem a em que a pessoa sabe q u an to vai receber, m as não
sabe q u a n to terá de pagar m ensalm ente.
Pode o co rrer de a contribuição ser definida e o benefício indefinido, ou
seja, a pessoa sabe quanto vai pagar m ensalm ente, m as nào sabe qual será
o valor do benefício.
C) Sistem a de contribuição variável ou m isto
Tal sistem a possui características de benefício definido e de co n trib u i­
ção definida, variando a influência m ais para um ou outro, de acordo com
o plano concreto. Perm ite a conversão d o capital em um benefício definido
da form a de renda m ensal vitalícia, cujo valor será definido em razão do ca­
pital acum ulado, da expectativa de vida e d a taxa de ju ro s d u ran te o p erío d o
de fruição do benefício.
Segundo ensina Fábio Z am bite Ibrah im , o sistem a previdenciário co m ­
p lem en tar pode ser im plem entar ou m eram en te suplem entar. Será im ple­
m e n ta r quando desvinculado do RGPS, com a concessão do benefício
privado independente do público concedido pelo INSS ou sistem a p ró p rio
de previdência dos servidores públicos. Já o suplem entar existirá q u an d o

44 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito da seguridade social. 24. ed. São Paulo: Atlas,
2007. p. 466.
Previdência Complementar

o regim e privado pagar valor adicional ao RGPS, m as sem a obrigação de


m a n te r a m esm a rem uneração do trab alh ad o r q u an d o em atividade. O
co m p lem en tar em sentido estrito será so m en te aquele que m antiver o m es­
m o p atam ar rem uneratório do benefício. *5
Para o citado autor, atualm ente a previdência co m p lem en tar deveria ser
rotu lad a de im plem entar, já que a concessão de benefícios pelas entidades
de previdência privada independe da aquisição da prestação pelo RGPS,
com o dispõe a LC nu 109/2001, em seu art. 68, § 2U. Pelas regras atuais, o
p articipante de plano privado de previdência pode obter seu benefício p ri­
vado, m esm o não com pletando os requisitos necessários para a aquisição da
prestação paga pelo RGPS. O s sistem as público e privado são autônom os.

15.5 Ação do Estado


É a d m itid a a atuação do Estado na previdência privada co m p lem en tar
v isando resguardar os direitos dos participantes e assistidos, nas seguintes
hipóteses:
• form ular a política de previdência com plem entar;
• disciplinar, coordenar e supervisionar as atividades reguladas de previ­
dência com plem entar, com patibilizando-as com as políticas previdenciá­
ria e de desenvolvim ento social e econôm ico-financeiro;
• d e term in a r padrões m ínim os de segurança econôm ico-financeira e atu ­
arial (art. 44 da LC nu 109/2001), co m fins específicos de preservar a
liquidez, a solvência e o equilíbrio dos planos de benefícios, isolada­
m ente, e de cada entidade de previdência com plem entar, no co n ju n to
de suas atividades;
• assegurar aos participantes e assistidos o pleno acesso às inform ações
relativas à gestão de seus respectivos planos de benefício;
• fiscalizar as entidades de previdência com plem entar, suas operações e
aplicar penalidades;
• proteger os interesses dos participantes e assistidos dos planos de be­
nefícios.

15.6 Equilíbrio financeiro e atuarial


A sobrevivência d o regim e de previdência privada co m p lem en tar está
no cham ado equilíbrio financeiro e atuarial, o qual reflete a existência de
reservas m onetárias ou de investim entos, n u m erário ou aplicações suficien­
tes p ara o adim plem ento dos com prom issos atuais e futuros previstos em
Estatuto. Não se vislum bra aí som ente o m om ento atual, m as tam bém a

45 IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso... cit., 3. ed., 2003, p. 585.


Direito Previdenciário para Concursos

concretização dos direitos que ainda serão m aterializados, isto é, a razoável


certeza de adim plem ento dos benefícios que ainda estão p o r vir.
Para que exista tal equilíbrio, não é necessária a existência de co n tín u o s
superávites, m as sim plesm ente o en co n tro positivo ou nulo entre receitas e
despesas.
O equilíbrio atuarial, p o r sua vez, traz conceito m ais com plexo, ad u zin ­
do ao estudo da m atéria conceitos o riu n d o s da atuária, que é a ciência d o
seguro. Nesse tipo de equilíbrio a d o tad o cabe à entidade, ao desenvolver o
plano de benefício adotado, tra b a lh ar com um a gam a de variáveis existen­
tes, com o expectativa de vida, núm ero d e participantes, nível de rem u n e­
ração atual e percentual de substituição do benefício com plem entar, tu d o
d e n tro do perfil dos participantes.
O equilíbrio atuarial não visa o m ero en co n tro de receitas e despesas,
m as sim o equilíbrio da m assa, a criação e m anutenção de um sistem a pro-
tetivo variável, levando-se em consideração as variáveis m ais relevantes dos
participantes e assistidos, vislum brando seu status atual e fu tu ro .16

15.7 Entidades fechadas


As entidades fechadas de previdência com plem entar - EFPC são aq u e­
las em que o acesso é exclusivo (art. 31 da LC nu 109/2001):
Art. 31. (...)
I - aos empregados de uma empresa ou grupo de empresas e aos ser­
vidores da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
entes denom inados patrocinadores; e
II - aos associados ou m em bros de pessoas jurídicas de caráter pro­
fissional, classista ou setorial, denom inadas instituidores.
Pelo fato de serem acessíveis apenas a d eterm inadas pessoas, as e n tid a­
des fechadas são tam bém cham adas de fu n d o s de pensões.

15.7.1Constituição
Pelo fato de tratarem -se de entidad es desprovidas de finalidade lucra­
tiva, as entidades fechadas são constitu íd as sob a form a de fundação ou
sociedade civil.
As entidades fechadas constituídas p o r instituidores deverão, cu m u la­
tivam ente:
Art. 31. (...)
(...)

46 IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso... cit., 3. ed., 2003, p. 588-589.


Previdência Complementar

I - terceirizar a gestão dos recursos garantidores das reservas técni­


cas e provisões mediante a contratação de instituição especializada
autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil ou outro órgão
competente;
II - ofertar exclusivamente planos de benefícios na modalidade con­
tribuição definida, na forma do parágrafo único do art. 7Üdesta Lei
Complementar.

15.7.2Objetivo
A finalidade das entidades fechadas é a ad m inistração e execução d e
planos de benefícios de natureza previdenciária. É vedada a prestação de
o u tro s serviços que não façam parte do âm b ito de seu objeto.

15.7.3Classificação
As entidades fechadas podem ser classificadas da seguinte form a, nos
term o s do art. 34 da LC nü 109/2001:

a) de plano comum, quando administram plano ou conjunto


de planos acessíveis ao universo de participantes; e
De acordo com os planos
b) com multiplano. quando administram plano ou conjunto
que administram
de planos de benefícios para diversos grupos de partici­
pantes, com independência patrimonial.
a) singulares, quando estiverem vinculadas a apenas um
Oe acordo com seus
patrocinador ou instituidor; e
patrocinadores ou
b) multipatrocinadas, quando congregarem mais de um pa­
instituidores
trocinador ou instituidor.

15.8 Entidades abertas (arts. 36 a 40 da LC nõ 109/2001)


As entidades abertas de previdência co m p lem en tar - EAPC são co n sti­
tuídas unicam ente sob a form a de sociedades an ô n im as e têm p o r objetivo
in stitu ir e operar planos de benefícios d e caráter previdenciário concedidos
em form a de renda continuada ou pagam en to único, acessíveis a quaisquer
pessoas (art. 36). Essa, aliás, é a principal característica de tais entidades:
serem abertas a qualquer pessoa física, in d ep en d en te de profissão, residên­
cia ou idade.
N os term os do art. 38, dependerão d e prévia e expressa aprovação d o
órgão fiscalizador:
Art. 38. (...)
I - a constituição e o funcionam ento das entidades abertas, bem
como as disposições de seus estatutos e as respectivas alterações;
II - a comercialização dos planos de benefícios;
Direito Previdenciário para Concursos

III - os atos relativos à eleição e conseqüente posse de adm inistrado­


res e membros de conselhos estatutários; e
IV - as operações relativas à transferência do controle acionário, fu­
são, cisão, incorporação ou qualquer outra forma de reorganização
societária.
O s planos de benefícios p o r ela instituídos podem ser:
1) individuais: q uando acessíveis a q u aisq u er pessoas físicas;
2) coletivos: q u an d o tenham por objetivo g aran tir benefícios previdenciá­
rios a pessoas físicas vinculadas, d ireta ou indiretam ente (quando u m a
en tid ad e representativa de pessoas ju ríd icas contrate plano previdenciá­
rio coletivo para g rupos de pessoas físicas vinculadas ou filiadas), a um a
pessoa ju ríd ica contratante.
Q u an to ao direito de portabilidade, este tam bém é assegurado aos seus
participantes, inclusive para plano de benefício de entidade fechada, e ao
resgate de recursos das reservas técnicas, provisões e fundos, total ou p a r­
cialm ente. C ontudo, é vedado, para fins de portabilidade, que os recursos
financeiros transitem pelos participantes sob q u alq u er form a, bem com o
sejam entre eles transferidos.

15.8.1 Obrigações das entidades abertas


As entidades abertas deverão co m u n icar ao órgão fiscalizador, no prazo
e na form a estabelecidos (art. 39 da LC n u 109/2001):
Art. 39. (...)
I - os atos relativos às alterações estatutárias e à eleição de adm inis­
tradores e membros de conselhos estatutários; e
II - o responsável pela aplicação dos recursos das reservas técnicas,
provisões e fundos, escolhido dentre os membros da diretoria-exe-
cutiva.
O s dem ais m em bros da diretoria-executiva responderão solidariam ente
com o dirigente indicado na form a do inc. II deste artigo pelos d an o s e p re ­
juízos causados à entidade p ara os quais tenham concorrido.
D everão levantar, ainda, no últim o d ia útil de cada m ês e sem estre, res­
pectivam ente, balancetes m ensais e balanços gerais, com observância das
regras e dos critérios estabelecidos pelo órgão regulador (art. 40 da LC
n2 109/2001).
As sociedades seguradoras autorizadas a o p erar planos de benefícios
deverão apresentar nas dem onstrações financeiras, de form a discrim inada,
as atividades previdenciárias e as de seguros, de acordo com critérios fixa­
dos pelo órgão regulador.
Previdência Complementar

15.8.2Principais diferenças entre as entidades abertas e fechadas


Quanto à finalidade As entidades fechadas, ao contrário das abertas, são des­
lucrativa providas de finalidade lucrativa.
Ao contrário das entidades abertas (que podem desenvol­
ver outras atividades econômicas, desde que acessórias),
Quanto è possibilidade as fechadas têm como objetivo exclusivo a administração
de desenvolver outras e execução de planos de benefícios de natureza previden­
atividades ciária. salvo serviços relativos à saúde, desde que já esti­
vessem disponíveis em 30-5-2001, data da publicação da
LC nc 109/2001.
As entidades abertas, ao contrário das fechadas (em que
Quanto ao acesso o acesso é restrito), são acessíveis a quaisquer pessoas
físicas.

15.9 Natureza do contrato de previdência complementar


O contrato de complemcntaçâo de aposentadoria pela previdência com­
p lem en tar tem natureza de contrato de adesão. Segundo o Professor Sérgio
Pinto M artins,47 representa um a hipótese de poupança diferida, de longo
prazo.
É im p o rtan te destacar, nos m oldes d o art. 68 da LC nu 109/2001, que
as contribuições do em pregador, os benefícios e as condições contratuais
previstos nos estatutos, regulam entos e planos de benefícios da entidades
de previdência com plem entar não integram o co n trato de trabalho dos p a r­
ticipantes, assim com o, à exceção dos benefícios concedidos, não integram
a rem uneração dos participantes.

15.10 Concessão dos benefícios


Assim com o ocorre no RGPS, os benefícios serão considerados d ireito
ad q u irid o do participante q u an d o im plem entadas todas as condições esta­
belecidas previstas pelo regulam ento do plano aderido.
Im p o rtan te salientar que, nos term os do art. 68, § 2U, da LC nu 109/2001,
p or se tratarem de regim es autônom os e independentes, não há q u alq u er
vinculação com o RGPS q u an d o da concessão de benefícios pela previdên­
cia p riv a d a com plem entar.
A questão encontra-se inclusive sum ulada. Dispõe a Súm ula ntt 92 do TST:
Súm. nu 92 A posentadoria. O direito à complementação de aposen­
tadoria, criado pela empresa, com requisitos próprios, não se altera
pela instituição de benefício previdenciário por órgão oficial.

17 MARTINS, Sérgio Pinto. Op. cit., p. 471.


Direito Previdenciário para Concursos

15.11 Do regime disciplinar


O s ad m inistradores de entidade, os p ro cu rad o res com poderes de ges­
tão, os m em bros de conselhos estatutários, o in terv en to r e o liquidante
responderão civilm ente pelos danos ou prejuízos que causarem , p o r ação
ou om issão, às entidades de previdência com plem entar (art. 63 da LC
nü 109/2001).
São igualm ente responsáveis os ad m in istrad o res dos patrocinadores ou
instituidores, os atuários, os auditores indep en d en tes, os avaliadores de ges­
tão e o u tro s profissionais que prestem serviços técnicos à entidade, d ireta­
m ente ou p o r interm édio de pessoa ju ríd ica contratada.
A fiscalização com pete ao Banco C en tral do Brasil, à C om issão de Va­
lores M obiliários ou à Secretaria da Receita Federal, e co n statan d o a exis­
tência de práticas irregulares ou indícios de crim es em entidades de pre­
vidência com plem entar, noticiará ao M inistério Público, enviando-lhe os
d o c u m en to s com probatórios (art. 64 da LC n“ 109/2001).
Até a edição de lei que regule o assunto, cabe ao M inistério da Previdên­
cia e A ssistência Social, p o r interm édio, respectivam ente, d o C onselho de
G estão da Previdência C om plem entar e da Secretaria de Previdência C o m ­
plem entar, fiscalizar e regular as entidad es fechadas.
C aberá, igualm ente, ao M inistério d a Fazenda, p o r interm édio d o C o n ­
selho N acional de Seguros Privados - C N SP e da Superintendência de Se­
guros Privados - SUSEP, em relação, respectivam ente, à regulação e fiscali­
zação das entidades abertas.

15.12 Previdência fechada de entes públicos


O regim e com plem entar de previdência dos servidores públicos previs­
to pelo art. 202 da CF foi regulamentado pela LC nu 108/2001 e trata da re­
lação en tre a União, os Estados, o D istrito Federal e os M unicípios, inclusive
suas autarquias, fundações, sociedades de econom ia m ista e em presas co n ­
troladas, direta ou indiretam ente, en q u an to patrocinadores de entidades fe­
chadas de previdência com plem entar, e suas respectivas entidades fechadas.

15.12.1Planos de benefícios (art. 5oda Lei n9 108/2001)


O s planos de benefícios dessas en tid ad es atenderão as seguintes regras:
Art. 3U(...)
I - carência mínima de sessenta contribuições mensais a plano de
benefícios e cessação do vínculo com o patrocinador, para se tornar
elegível a um benefício de prestação que seja programada e conti­
nuada; e
Previdência Complementar

II - concessão de benefício pelo regime de previdência ao qual o


participante esteja filiado por interm édio de seu patrocinador,
quando se tratar de plano na m odalidade benefício definido, insti­
tuído depois da publicação desta Lei Complementar.

15.12.2 Reajustes
O s reajustes dos benefícios em m an u ten ção serão efetuados de acordo
com critérios estabelecidos nos regulam entos dos planos de benefícios, ve­
d ado o repasse de ganhos de produtividade, abono e vantagens de q u alq u er
natureza para tais benefícios.
N as sociedades de econom ia m ista e em presas controladas direta ou
in d iretam en te pela U nião, pelos E stados, pelo D istrito Federal e pelos M u­
nicípios, a proposta de instituição de plano de benefícios ou adesão a plano
de benefícios em execução será subm etid a ao órgão liscalizador, acom pa­
n h a d a de m anifestação favorável do órgào responsável pela supervisão, pela
coordenação e pelo controle do p a tro c in a d o r As alterações no plano de
benefícios que im plique elevação da co n trib u ição de patrocinadores serão
objeto de prévia m anifestação do órgão responsável pela supervisão, pela
coordenação e pelo controle (art. 4Uda LC n- 108/2001).
É vedado à União, aos Estados, ao D istrito Federal e aos M unicípios, suas
autarquias, fundações, em presas públicas, sociedades de econom ia m ista e
o u tras entidades públicas o aporte de recursos a entidades de previdência
privada de caráter com plem entar, salvo na condição de patrocinador.

15.12.3 Do custeio (arts. & e 7* da LC r f 108/2001)


O custeio dos planos de benefícios será responsabilidade do p atro cin a­
d o r e cios participantes, inclusive assistidos.
A contribuição norm al do p a tro c in ad o r para plano de benefícios, em
hipótese algum a, excederá a do participante, observado o disposto n o
art. 5C da EC nu 20/1998 e as regras específicas em anadas do órgão regula­
d o r e fiscalizador.
A lém das contribuições norm ais, os planos p o d erão prever o aporte de
recursos pelos participantes, a título de contribuição facultativa, sem co n ­
tra p a rtid a do patrocinador.
É vedado ao p atro cin ad o r assum ir encargos adicionais para o financia­
m ento dos planos de benefícios, além daqueles previstos nos respectivos
planos de custeio.
A despesa adm inistrativa da en tid ad e de previdência co m p lem en tar
será custeada pelo p atrocinador e pelos p articipantes e assistidos, a ten d en ­
do a lim ites e critérios estabelecidos pelo órgão regulador e fiscalizador,
sendo facultada aos patrocinadores a cessão de pessoal às entidades de pre­
Direito Previdenciário para Concursos

vidência com plem entar que p atrocinam , desde que ressarcidos os custos
correspondentes.

15.12.4 Estrutura (arts. & a 23 da LC r f 108/2001)


À sem elhança das previstas na LC nc 109/2001, no regim e co m p lem en tar
dos servidores públicos as entidades organizam -se sob a form a de fundação
ou sociedade civil, sem fins lucrativos, sen d o sua estru tu ra organizacional
constituída de conselho deliberativo, conselho fiscal e diretoria-executiva.
O conselho deliberativo, órgão m áxim o da estru tu ra organizacional, é
responsável pela definição da política geral de adm inistração da en tid ad e e
de seus planos de benefícios.
A com posição do conselho deliberativo, integrado por, no m áxim o, seis
m em bros, será paritária entre representantes dos participantes e assistidos e
dos patrocinadores, cabendo a estes a indicação do conselheiro presidente,
que terá, além do seu, o voto de qualidade.
A escolha dos representantes dos participantes e assistidos dar-se-á p o r
m eio d e eleição direta entre seus pares.
C aso o estatuto da entidade fechada, respeitados o núm ero m áxim o de
conselheiros e a participação paritária e n tre representantes dos p articip an ­
tes e assistidos e dos patrocinadores, preveja outra com posição, que ten h a
sido aprovada na form a prevista no seu estatuto, esta poderá ser aplicada
m ediante autorização do órgão regulador e fiscalizador.
O m andato dos m em bros do conselho deliberativo, que som ente p e r­
derá o m andato em virtude de renúncia, condenação judicial transitada em
julgado ou processo adm inistrativo disciplinar, será de q u atro anos, com
g arantia de estabilidade, p erm itid a um a recondução.
A instauração de processo adm inistrativ o disciplinar, para apuração de
irregularidades no âm bito de atuação d o conselho deliberativo da entidade
fechada, poderá d eterm in ar o afastam ento do conselheiro até sua co n clu ­
são, afastam ento esse que não im plica prorrogação ou p erm anência no car­
go além da data inicialm ente prevista para o térm in o do m andato.
CAPÍTULO

CRIMES CONTRA A
SEGURIDADE SOCIAL
Crimes contra a Seguridade Social

16.1 Noções introdutórias


O bjetivando coagir as em presas ao devido recolhim ento das co n tri­
buições devidas à Previdência Social, in stitu iu o legislador o rd in ário tipos
penais incrim inadores, com a finalidade de coibir crim es previdenciários.
A ntes da edição da Lei n- 9.983/2000, os tipos penais previdenciários,
em sua m aior parte, constavam do art. 95 da Lei n- 8.212/1991. Após a ed i­
ção d a citada lei, os tipos penais previdenciários passaram a constar do p ró ­
prio C ódigo Penal.
A ação penal será prom ovida pelo M inistério Público Federal, perante a
Justiça Federal, nos term os do art. 1 0 9 ,1, da CF.

16.2 Crimes em espécie

16.2.1 Apropriação indébita previdenciária (art. 168-A do CP)


Art. 168-A. Deixar de repassar à Previdência Social as contribuições
recolhidas dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencio­
nal:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
§ l- Nas mesmas penas incorre quem deixar de:
I - recolher, no prazo legal, contribuição ou outra im portância des­
tinada à Previdência Social que tenha sido descontada de pagam en­
to efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público;
II - recolher contribuições devidas à Previdência Social que tenham
integrado despesas contábeis ou custos relativos à venda de produ­
tos ou à prestação de serviços;
III - pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas
ou valores já tiverem sido reembolsados à empresa pela Previdência
Social.

16.2.1.1 Natureza do crime


T rata-se de crim e form al, pois o resultado não é necessário para a sua
caracterização, sendo, ainda, om issivo pró p rio , pois prevê um a om issão p o r
p arte d o agente.

16.2.1.2 Dolo
Para a configuração do delito, em b o ra não seja pacífico, não há neces­
sidade de com provação da existência d e dolo específico - anirnus rem sibi
habendi (ter a coisa apropriada para si m esm o). Basta a consciente e livre
v o n tad e do agente em reter os valores devidos ao INSS, in d ep en d en tem en te
de finalidade especial.
Direito Previdenciário para Concursos

U m a vez com provada a ausência dc desconto, haverá exclusão do c ri­


me, pois, com o se sabe, há presunção absoluta da retenção de tais valores
(art. 33, § 5C, da Lei nc 8.212/1991) e, p o r isso, serão cobrados do sujeito
passivo, m as sem a caracterização do ilícito penal.

16.2.1.3 Causa de extinção da punibilidade


Prevê o § 2U, do art. 168-A, d o CP, u m a causa de extinção da punibili­
dade:
Art. 168-A. (...)
(...)
§ 2fi É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, decla­
ra, confessa e efetua o pagam ento das contribuições, im portâncias
ou valores e presta as informações devidas à Previdência Social, na
forma definida em lei ou regulamento, antes do início da ação fiscal.
O objetivo da lei aqui é o de estim u lar o pagam ento da quantia devida.
Para que se verifique a exclusão, é necessário o recolhim ento integral d o
valor devido antes da ação fiscal, que se inicia, via de regra, pelo term o de
início da ação fiscal - TIAF. Logo, conclui-se que o recolhim ento a posterio-
ri não extingue a punibilidade, p o d endo , conform e o caso, ensejar o perdão
judicial, se feito antes da denúncia, confo rm e preceitua o § 3y, d o art. 168-A,
d o CP, que estabelece:
Art. 168-A. (...)
(...)
§ 3UÉ facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a
de m ulta se o agente for prim ário e de bons antecedentes, desde que:
I - tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de ofereci­
da a denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciária,
inclusive acessórios; ou
II - o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual
ou inferior àquele estabelecido pela Previdência Social, adm inistra­
tivamente, como sendo o m ínim o para o ajuizamento de suas exe­
cuções fiscais.
Pode, ainda, ensejar hipótese de a rrep en d im en to posterior, se efetuado
antes d o recebim ento da denúncia, nos term o s do art. 16 do CP, bem com o
trazer um a circunstância atenuante, se feito após o recebim ento da d e n ú n ­
cia (art. 65 do CP).
Segundo estabelece o art. 69 da Lei n- 11.941/2009, extingue-se a p u ­
nibilidade com o pagam ento integral d o s débitos o riu n d o s de tributos e
contribuições sociais, inclusive acessórios, que tiverem sido objeto de co n ­
cessão de parcelam ento.
Crimes contra a Seguridade Social

16.2.2 Sonegação de contribuição previdenciária (art. 337-A do CP)


Art. 337-A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e
qualquer acessório, mediante as seguintes condutas:
I - om itir de folha de pagamento da empresa ou de docum ento de
informações previsto pela legislação previdenciária segurados em ­
pregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônom o
ou a este equiparado que lhe prestem serviços;
II - deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da conta­
bilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as
devidas pelo empregador ou pelo tom ador de serviços;
III - omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, re­
munerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contri­
buições sociais previdenciárias:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
T rata-se de crim e com etido p o r p artic u la r contra a A dm inistração P ú ­
blica.

16.2.2.1 Natureza do crime


O crim e aqui previsto é de natureza m aterial. O resultado com põe o
tipo. Logo, é necessária a supressão ou redução de contribuição social para
a sua m aterialização.

16.2.2.2 Dolo
Exige-se a existência do dolo, ou seja, a vontade livre e consciente de
suprim ir, bem com o de reduzir o valor d a contribuição previdenciária, sob
pena d e exclusão da ilicitude, passando a co n stitu ir apenas m ero ilícito a d ­
m inistrativo.

16.2.2.3 Causa de extinção da punibilidade


Art. 337-A. (...)
(...)
§ l u É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara
e confessa as contribuições, im portâncias ou valores e presta as in­
formações devidas à Previdência Social, na form a definida em lei ou
regulamento, antes do início da ação fiscal.
D iferentem ente do que ocorre na apropriação indébita previdenciária,
aqui o pagam ento não é necessário, b astan d o a confissão antes do início da
ação fiscal. A tualm ente, o d ocum ento m ais utilizado para tanto é a ch am ad a
GFIP, a qual é elaborada pelas em presas m ensalm ente e tem a função de
evidenciar o devido p o r elas ao INSS.
Direito Previdenciário para Concursos

16.2.2.4 Perdão judicial


É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar som ente a de
m ulta se o agente for prim ário e de b o n s antecedentes, desde que o valor
das contribuições devidas, inclusive acessório, seja igual ou inferior àquele
estabelecido pela Previdência Social, ad m inistrativam ente, com o sendo o
m ín im o p ara o ajuizam ento de suas execuções fiscais.
Há tam bém a previsão de caso de redução de pena ou perdão para o
em p reg ad o r pessoa física, cuja folha de pagam ento m ensal não ultrapasse
RS 1.510,00. Nessas hipóteses, poderá o ju iz reduzir a pena de 1/3 até a m e­
tade ou aplicar apenas a m ulta, não havendo que se falar em p rim aried ad e
e b ons antecedentes.

16.2.3 Falsificação de documento público


A Lei n? 9.983/2000 acrescentou os §§ 3ü e 4ü ao art. 297, do CP, que
dispõem :
Art. 297. Falsificar, no todo o u em parte, docum ento público, ou
alterar docum ento público verdadeiro:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
(...)
§ 3HNas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir:
I - na folha de pagamento ou em docum ento de informações que
seja destinado a fazer prova perante a Previdência Social, pessoa que
não possua a qualidade de segurado obrigatório;
II - na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou
em docum ento que deva produzir efeito perante a Previdência So­
cial, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita;
III - em docum ento contábil ou em qualquer outro docum ento rela­
cionado com as obrigações da em presa perante a Previdência Social,
declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado.
§ 4CNas mesmas penas incorre quem omite, nos docum entos m en­
cionados no § 3a, nome do segurado e seus dados pessoais, a re­
muneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de
serviços.
A ssim sendo, a finalidade básica desse tipo penal, referente aos crim es
c o n tra a paz pública, é a preservação da veracidade das inform ações cons­
tantes nos d ocum entos públicos, os quais gozam dessa presunção.

16.2.3.1 Natureza do crime


T rata-se de crim e de natureza form al. A conduta prevista no § 3Ücarac­
teriza crim e pela ação e consiste na ação de in serir dados falsos. É crim e
Crimes contra a Seguridade Social

com issivo. Já a conduta tipificada no § 4- caracteriza crim e pela om issão. É


crim e omissivo.
Por fim, vale m en cio n ar que, caso a falsidade tenha sido utilizada com
o intuito de pagar contribuição previdenciária, será, na eventualidade de
lograr êxito, absorvida pelo crim e de sonegação de contribuição previden­
ciária, não se configurando concurso de crim es.

16.2.4 Inserção de dados falsos em sistema de informações


N os term os d o art. 313-A do CP:
Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção
de dados falsos, alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos
sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração Pú­
blica com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem
ou para causar dano:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.

16.2.4.1 Natureza do crime


T rata-se de crim e próprio, pois só p o d e ser praticado pelo fu n cio n ário
público autorizado, ou seja, o funcion ário público d o tad o de senha para
inclusão de dados no sistem a.
O crim e tam bém é form al e com issivo. D ecorre de u m a ação d o agente,
não sen d o necessária a produção de resu ltad o p ara a sua consum ação.

16.2.4.2 Dolo
Exige-se o elem ento subjetivo d o tip o (dolo específico). O sujeito visa
a obtenção da vantagem indevida para si ou p ara o u trem ou, ainda, para
causar dano.

16.2.5 Modificação ou alteração não autorizada de sistema de


informações
D ispõe o art. 313-B do CP:
Art. 313-B. Modificar ou alterar, o funcionário, sistema de inform a­
ções ou programa de inform ática sem autorização ou solicitação de
autoridade competente:
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos, e multa.

16.2.5.1 Natureza do crime


Assim com o a espécie penal anterior, é crim e próprio, form al e comissivo.
É próprio, pois som ente pode ser p raticad o p o r funcionário público. É
form al, haja vista que não há a necessidade da produção de resultado para
a sua consum ação.
Direito Previdenciário para Concursos

16.2.5.2 Dolo
D iferentem ente do delito anterior, aq u i basta o dolo genérico. A sim ples
m odificação ou alteração dolosa, com q u alq u er fim, caracteriza o crim e.

16.2.5.3 Causa de aumento de pena


E m bora irrelevante para a consum ação do delito, o resultado da co n ­
d uta é relevante, pois se trata de causa de au m en to de pena, prevista no
parágrafo único:
Art. 313-B. (...)
Parágrafo único. As penas são aum entadas de um terço até a metade
se da modificação ou alteração resulta dano para a Adm inistração
Pública ou para o administrado.
CAPÍTULO

RECURSOS
DAS DECISÕES
ADMINISTRATIVAS
Recursos das Decisões Administrativas

Em obediência ao princípio constitucional da am pla defesa e do co n ­


traditório, assegurados tam bém nos processos adm inistrativos, nos term o s
do art. 5Q, LV, da CF, das decisões do INSS que prejudiquem interesses dos
beneficiários, caberá recurso para o C o nselho de Recursos da Previdên­
cia Social - CRPS n o prazo de 30 dias, nos term os do art. 305 do Dec.
nu 3.048/1999.
Interposto o recurso, o INSS poderá refo rm ar sua decisão e, se a decisão
favorecer o interessado, deixar de e n cam in h ar o recurso para a instância
com petente. M antida a decisão do INSS, com as contrarrazões apresentadas
no prazo de 30 dias, o processo seguirá p ara a Junta de Recursos.
Proferida a decisão (acórdão) d o órgão julgador, a parte su cu m b en te
p o d erá in terp o r recurso se a decisão in frin g ir a lei, o regulam ento, en u n cia­
do ou ato norm ativo m inisterial.
O s recursos tem pestivos contra decisões das Juntas de R ecursos d o
C onselho de Recursos da Previdência Social têm efeito suspensivo e devo-
lutivo (art. 308 do Dec. n* 3.048/1999).
D estaque-se que a propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de
ação que tenha p o r objeto idêntico p ed id o sobre o qual versa o processo
ad m in istrativ o im porta renúncia ao d ireito de recorrer na esfera a d m i­
nistrativa e desistência do recurso interposto. Visa-se com isso aten d er ao
Princípio da Econom ia Processual, pois a decisão judicial fatalm ente irá
prevalecer sobre a adm inistrativa, não havendo, portanto, m otivo para a
continuação da lide.

17.1 Da justificação administrativa


A justificação adm inistrativa constitui recurso utilizado para su p rir a
falta o u insuficiência de d o cu m en to ou p ro d u z ir prova de fato ou circu n s­
tância de interesse dos beneficiários p e ra n te a Previdência Social.
N ão será adm itida a justificação ad m in istrativ a q u an d o o fato a co m ­
provar exigir registro público de casam ento, de idade ou de óbito, ou de
q u alq u er ato jurídico para o qual a lei prescreva form a especial.
Para o processam ento do pedido de justificação, o interessado deverá
ap resentar requerim ento, expondo, clara e m inuciosam ente, os pontos que
preten d e justificar, indicando testem un h as idôneas, em n ú m ero não infe­
rior a três nem superior a seis, cujos dep o im en to s possam levar à convicção
da veracidade do que se pretende com provar.
As testem unhas, na data e hora m arcadas, serão inquiridas a respeito
dos p o n to s que forem objeto da justificação, indo o processo concluso, a
seguir, à autoridade que houver designado o processante, a quem co m p eti­
Direito Previdenciário para Concursos

rá hom o lo g ar ou não a justificação realizada (art. 145, parágrafo único, d o


Dec. n c 3.048/1999).
Para a com provação de tem po de serviço, identidade, parentesco e d e­
p endência econôm ica é indispensável a apresentação de início de prova m a ­
terial, exceto em caso fortuito ou p o r força maior.
*

17.2 Orgãos julgadores


As Juntas de R ecursos e as C âm aras d e Julgam ento integram a e stru tu ra
do C onselho de Recursos da Previdência Social - CRPS.
As Juntas e as C âm aras sào com postas p or q u atro m em bros, sendo dois
representantes do governo, um das em presas e um dos trabalhadores.
O órgão com petente para un ifo rm izar a ju risp ru d ên cia adm inistrativa,
por m eio dos enunciados, é o cham ado C onselho Pleno, integrado p o r to ­
dos os m em bros das C âm aras de Julgam ento e pelo Presidente do CRPS.

17.2.1 Juntas de Recurso


As Juntas de R ecurso têm com petência para julgar, em prim eira in s­
tância, os recursos interpostos contra as decisões prolatadas pelos órgãos
regionais do INSS, em m atéria de interesse de seus beneficiários. As Juntas
de R ecurso encontram -se espalhadas p o r todos os Estados brasileiros.
Im portante, aqui, frisar que as Juntas deverão d a r prio rid ad e à análise
dos recursos interpostos dos segurados com idade igual ou su p erio r a 65
anos d e idade.

17.2.2 Câmaras de julgamento


Possuem sede na Capital do Estado e têm com petência para julgar, em
segunda instância, os recursos in terposto s contra as decisões proferidas pe­
las Juntas de Recurso que infringirem lei, regulam ento, enunciado ou ato
norm ativo m inisterial.
Possuem com petência para julgar tam b ém e, em ú n ica instância, os re­
cursos interpostos contra as decisões do INSS, em m atéria de interesse dos
contribuintes, inclusive a que indefere o pedido de isenção de co n trib u i­
ções, bem com o, com efeito suspensivo, a decisão que cancele a isenção já
concedida.

17.2.3 Conselho Pleno


Ao C onselho Pleno com pete un ifo rm izar a ju risp ru d ên cia prev id en ­
ciária, p o r m eio de enunciados, pod en d o , ainda, te r outras com petências
definidas no R egim ento Interno do C onselho de Recursos da Previdência
Social.
Recursos das Decisões Administrativas

17.3 Prazo de interposição


Segundo o art. 305, § Ia, do Dec. n“ 3.048/1999, o prazo p ara a in terp o -
siçào d e recursos, bem com o para o oferecim ento de contrarrazões é de 30
dias, contados da ciência da decisão e d a interposição do recurso, respec­
tivam ente.

17.4 Efeitos
O s recursos tem pestivos contra decisões das Juntas de R ecursos d o
C onselho de Recursos da Previdência Social têm efeito suspensivo e devo-
lutivo» nos term os do art. 308 do Dec. na 3.048/1999.

17.5 Depósito prévio


T rata-se de exigência feita som ente q u a n d o o recorrente for pessoa ju ­
rídica, quando discutido o crédito previdenciário. D essa form a, a regra nào
tem aplicação q uando o recurso versar sobre benefício ou, ainda, versar
sobre crédito interposto p o r pessoa física.
CAPÍTULO

CONSTITUIÇÃO
DO CRÉDITO
PREVIDENCIÁRIO E
DÍVIDA ATIVA
Constituição do Crédito Previdenciário e Dívida Ativa

18.1 Constituição do crédito


C o n fo rm e preçeitua o § 7ü, cio art. 33, da Lei nu 8.212/1991, o crédito
da Seguridade Social é constituído p o r m eio de notificação de lançam ento,
de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo
contribuinte.
A constituição do crédito previdenciário é tratad o pelo art. 456 da IN
M PS/SRP n* 971/2009, a saber:
Art. 456. (...)
I - por meio de lançamento p or homologação expressa ou tácita,
quando o sujeito passivo antecipar o recolhimento da im portância
devida, nos termos da legislação aplicável;
II - por meio de confissão de dívida tributária, quando o sujeito
passivo:
a) apresentar a GFIP e nào efetuar o pagamento integral do valor
confessado;
b) reconhecer espontaneam ente a obrigação tributária;
III - de ofício, quando for constatada a falta de recolhimento de
qualquer contribuição ou de outra importância devida nos termos
da legislação aplicável, bem com o quando houver o descum prim en-
to de obrigação acessória.
A constituição do crédito tributário relativo às contribuições se dá com
os seguintes d ocum entos (art. 460 da IN MPS/SRP na 971/2009):
Art. 460. (...)
I - Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Ser­
viço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o docum ento
declaratório da obrigação, caracterizado como instrum ento hábil e
suficiente para a exigência do crédito tributário;
II - Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o docum ento por
meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica;
III - Auto de Infração (AI), é o docum ento constitutivo de crédito,
inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descum pri-
mento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado m e­
diante procedim ento de fiscalização;
IV - Notificação de Lançamento (NL), é o docum ento constitutivo
de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária;
V - Débito Confessado em GF3P (DCG), é o docum ento que regis­
tra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos
em docum ento de arrecadação previdenciária e os declarados em
GFIP.
Direito Previdenciário para Concursos

Im p o rta salientar que, com a edição da Lei nü 11.941/2009, que deixa


expresso que o crédito da Seguridade Social é constituído p o r m eio de n o ti­
ficação de lançam ento, de auto de infração e de confissão de valores devidos
e não recolhidos pelo contribuinte, cujo exem plo atual é a GFIP, a antiga
notificação fiscal de lançam ento de débito (NFLD - co m unicado ao sujeito
passivo de que ele tem um débito com a Previdência Social, tendo este sido
lançado) deixa de existir. Para Fábio Z am bitte Ibrahim , isso era um a te n ­
d ên cia natural, pois, com a criação da Receita Federal do Brasil, todos espe­
ravam que os docum entos de constituição de crédito fossem equiparados.48

18.2 Dívida ativa: inscrição e execução judicial


U m a vez constituído o crédito previdenciário, o sujeito passivo terá as­
segurado seu direito de im pugnação do lançam ento, tanto no âm bito a d m i­
nistrativo com o no judicial.
C aso não obtenha sucesso na sua im pugnação, o sujeito passivo deverá
efetuar o recolhim ento do valor devido, sob pena de, não o fazendo, sofrer
a execução do tributo. A ação de execução visa ju stam en te coagir o deve­
d o r a q u ita r sua dívida, sendo tam bém o m eio aplicável p ara a obtenção de
valores devidos.
D ívida ativa é considerada crédito proveniente de fato gerador das o b ri­
gações legais ou contratuais, desde que in scrito no livro próprio e atendidos
os requisitos da Lei de Execução Fiscal - Lei na 6.830/1980.
C om efeito, a inscrição não constitui o crédito, o que já foi feito pelo lan­
çam ento, m as subsidia a em issão da certid ão de dívida ativa, que funciona
com o título extrajudicial de liquidez e certeza do valor devido.49
• In sc riç ã o
C o m o ensina Fábio Z am bitte Ib rah im , em bora a realização do lança­
m ento trate-se de com petência privativa da A dm inistração, a sua cobrança
deve seg u ir o rito tradicional, m ed ian te execução. Não há no Brasil exe­
cução adm inistrativa, o que possibilitaria ao sujeito ativo, p o r si próprio,
alien ar bens dos devedores para quitação do débito.50
Por isso, o débito original atualizado m onetariam ente, a m ulta variável
e os ju ro s de m ora incidentes, bem co m o outras m ultas previstas na Lei
n- 8.212/1991, devem ser lançados em livro próprio destinado à inscrição
da D ívida Ativa do INSS e da Fazenda N acional.
U m a vez inscrita, esta certidão textual do livro serve de título para o
INSS, p o r interm édio de seus p ro cu rad o res ou representantes legais, para

48 IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso... cit., 14. cd., 2009, p. 405.


49 Idem, p. 414.
50 Ibidem.
Constituição do Crédito Previdenciário e Dívida Ativa

prom over em juízo a cobrança da dívida ativa, segundo o m esm o processo


e com as m esm as prerrogativas e privilégios da Fazenda N acional.
O term o de inscrição da dívida ativa, au ten ticad o pela autoridade co m ­
petente, indicará obrigatoriam ente (art. 2-, § 52, da Lei n- 6.830/1980):
Art. 2“ (...)
(...)
§ 5* O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter:
I - o nome do devedor, dos cor responsáveis e, sempre que conheci­
do, o domicílio ou residência de um e de outros;
II - o valor originário da dívida, bem como o term o inicial e a forma
de calcular os juros de mora e demais encargos previstos em lei ou
contrato;
III —a origem, a natureza e o fundam ento legal ou contratual da
dívida;
IV - a indicação, se for o caso, de estar a dívida sujeita à atualização
m onetária, bem como o respectivo fundam ento legal e o term o ini­
cial para o cálculo;
V - a data e o núm ero da inscrição, no Registro de Dívida Ativa; e
VI - o núm ero do processo adm inistrativo ou do auto de infração,
se neles estiver apurado o valor da dívida.
A ausência de quaisquer desses requisitos provocará a nulidade da ins­
crição e do processo de cobrança, sendo ela sanável até a decisão de p rim ei­
ra instância, m ediante substituição da certid ão nula, devolvido ao sujeito
passivo, acusado ou interessado, o prazo para defesa, que som ente p o d erá
versar sobre a parte m odificada.
• E xecução Judicial
O crédito relativo a contribuições, atualização m onetária, juros de m ora,
m ultas, bem com o a outras im portâncias, está sujeito, nos processos de fa­
lência, concordata ou concurso de credores, às disposições atinentes aos
créditos da União, aos quais são equiparad o s (art. 51 da Lei nu 8.212/1991).
A cobrança judicial do crédito trib u tário não é sujeita a concurso de
credores ou habilitação em falência, concordata, inventário ou arro lam en -
to (art. 187 d o C TN ). E, de acordo com o art. 53 da Lei nü 8.212/1991, na
execução judicial da D ívida Ativa da U nião, suas autarquias e fundações
públicas, será facultado ao exequente in d icar bens à pen h o ra, a qual será
efetivada concom itantem ente com a citação inicial do devedor.
C aso não indique bens à penhora, tem -se a situação n o rm al prevista na
Lei nü 6.830/1980, na qual o executado é citado para, no prazo de cinco dias,
pagar a dívida com juros e m ulta de m o ra e encargos indicados na C ertid ão
de D ívida Ativa, ou g aran tir a execução.
Direito Previdenciário para Concursos

N os term os do art. 53, § l ü, da Lei n ü 8.212/1991, os bens p e n h o ra d o s


ficam desde logo indisponíveis.
A fim de evitar a p en h o ra de seus bens, o executado poderá g arantir a
execução p o r m eio de depósito em d in h e iro ou oferecer fiança bancária.
A lém do processo de execução, a discussão judicial da Dívida Ativa da
Fazenda Pública som ente é adm issível nas hipóteses de m an d ad o de segu­
rança, ação de repetição de indébito ou ação anulatória do ato declarativo
da dívida, esta precedida do depósito p rep arató rio do valor do débito, m o-
n etariam ente corrigido e acrescido dos ju ro s de m ora e dem ais encargos
(art. 38 da Lei nü 6.830/1980).
CAPÍTULO 19
QUESTÕES
COMENTADAS
DE DIREITO
PREVIDENCIÁRIO
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

1. (XII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAI. SUBSTITUTO - TRF3 - 2004). No


que tange ao benefício mensal de prestação continuada previsto no art. 203, V,
da CF, é incorreto afirmar que:
a) O legislador ordinário considera incapaz de prover a manutenção da pessoa
portadora de deficiência a família cuja renda mensal per capita seja interior
a */* do salário mínimo;
b) Por força da Lei n- 10.741/2003, o benefício pago ao marido idoso não será
computado no cálculo da renda familiar per capita para efeito de concessão
de outro benefício assistencial à sua esposa, maior de 65 (sessenta e cinco)
anos e que não possui meios de prover sua subsistência nem de tê-la provida
por sua família;
c) Com a m orte do beneficiário, o pagam ento do benefício é tran sferid o
aos seus dependentes, entendidos com o tais aqueles arrolados no art. 16
da Lei nfi 8.213/1991, desde que vivam sob o mesm o teto e continuem a
m an ter a condição de m iserabilidade;
d) O benefício não pode ser acumulado com qualquer outro no âmbito da Se­
guridade Social, salvo o da assistência médica.
C om entário: O pagamento do benefício de prestação continuada cessa no momen­
to cm que forem superadas as condições que o criaram, ou em caso de morte do
beneficiário, podendo ainda ser cancelado quando se constatar irregularidade na
sua concessão ou utilização.

2. (XII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2004). Assi­


nale a alternativa correta:
a) A partir da Lei nfl 9.876/1999, ficou garantida a concessão de salário-mater­
nidade, independentemente de carência, a todas as seguradas da Previdên­
cia Social;
b) A aposentadoria por idade pode ser requerida pela empresa, desde que o
segurado empregado tenha cumprido o período de carência e completado
65 (sessenta e cinto) anos de idade, se do sexo masculino, ou 60 (sessenta)
anos, se do sexo feminino;
c) A EC nu 41/2003 introduziu norma de eficácia limitada prevendo a criação
de sistema especial de inclusão previdenciária para trabalhadores de baixa
renda, a fim de que lhes seja garantido o acesso às aposentadorias por idade
e por tempo de contribuição;
d) É vedada a filiação ao Regime G eral da Previdência Social, na qu alid a­
de de segurado facultativo, de pessoa p articip an te de regim e pró p rio de
previdência.
C om entário: Não é permitida a inscrição como segurado facultativo à pessoa parti­
cipante de Regime Próprio de Previdência Social, salvo na hipótese de afastamento
sem vencimento. Nesta condição não é permitida a contribuição no respectivo re­
gime próprio.
Direito Previdenciário para Concursos

3. (XII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2004). “A”


foi empregado de “B” por 12 (doze) meses, deixando, logo depois, de exercer ati­
vidade remunerada. Ultrapassado o período de graça, “A” filiou-se novamente à
Previdência Social, tendo vertido contribuições por 04 (quatro) meses, quando
foi apurada, por meio de exame médico, sua incapacidade para o trabalho em
razão de úlcera gástrica. Diante disso, é correto afirmar que:
a) “A* não tem direito ao auxílio-doença nem à aposentadoria por invalidez,
visto que, a partir da nova filiação à Previdência Social, não reuniu as 12
(doze) contribuições mensais exigidas para a concessão desses benefícios,
não se tratando, ademais, de afecção constante na listagem interministeria]
referida no art. 26, II, da Lei n- 8.21371991;
b) “A” faz jus à percepção do auxílio-doença, p o r d eter a condição de se­
gurado, estar tem porariam ente incapacitado p ara o labor p o r mais de
15 (quinze) dias consecutivos e ter cum prido o período de carência, de­
vendo ser consideradas, quanto a esse últim o requisito, as contribuições
anteriores à perda da qualidade de segurado, já que foi vertido, a p a rtir
da nova filiação, 1/3 (um terço) das contribuições exigidas p ara o cu m ­
prim ento da carência definida para tal benefício;
c) “A” tem direito à aposentadoria por invalidez, por deter a condição de se­
gurado, estar temporariamente incapacitado para o labor e ter cumprido o
período de carência, devendo ser consideradas, quanto a esse último requi­
sito, as contribuições anteriores à perda da qualidade de segurado, já que foi
vertido, a partir da nova filiação, 1/3 (um terço) das contribuições exigidas
para o cumprimento da carência definida para tal benefício;
d) “A* faz jus à percepção do auxílio-doença, por deter a condição de segurado,
estar temporariamente incapacitado para o labor por mais de 15 (quinze)
dias consecutivos e porque independe de carência a concessão de benefício
por incapacidade nos casos de segurado que, após filiar-se ao Regime Gera]
de Previdência Social, for acometido de úlcera gástrica, afecção constante
na listagem interministerial referida no art. 26, II, da Lei nfi 8.213/1991.
Com entário; O prazo de carência do auxílio-doença é de 12 contribuições mensais,
exceto se a causa for: a) moléstia acidentária (acidente de qualquer natureza); b)
doenças relacionadas ao trabalho; e c) se o segurado for portador de moléstia grave.
Em se tratando de auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e salário-maternida­
de, em caso de perda da qualidade de segurado, as contribuições anteriores à perda
só contarão para efeito de carência, depois de o segurado contar, a partir da nova
filiação, com quatro contribuições mensais (1/3 da carência exigida).

4. (XII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2004). “X”


sempre verteu contribuições com base em quantia equivalente a 08 (oito) sa­
lários mínimos, aposentando-se em novembro de 1988. Atualmente, a renda
mensal de sua aposentadoria sequer chega a eqüivaler a 06 (seis) salários mí­
nimos, motivo pelo qual ingressou em juízo, pleiteando a revisão de seus pro­
ventos para que seja restabelecida, permanentemente, a correspondência com o
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

número de salários mínimos pelos quais contribuiu. 0(a) candidato(a), como


Juiz(a) Federal, julgaria o pedido:
a) Im procedente, já que o inc. IV do a rt. 194 da CF consagra a irredutibili-
dade do valor do benefício, mas nào garante a vincularão deste ao salário
m ínim o, que só foi assegurada d u ra n te a vigência do art. 58 do ADCT;
b) Procedente, já que a aposentadoria é substituto da remuneração percebi­
da pelo segurado na atividade, prevendo a Lei nc 8.213/1991 o reajuste dos
proventos de acordo com a variação do salário mínimo, em sintonia com
o disposto no inc. IV do art. 194 da CF, que assegura a irredutibilidade do
valor do benefício;
c) Improcedente, já que a revisão dos proventos da aposentadoria, de acordo
com os critérios agasalhados pela Súmula nL>260, do extinto TFR, só se apli­
ca aos benefícios concedidos anteriormente ao Decreto-lei n- 2.171/1984;
d) Procedente, já que a legislação previdenciária infraconstitucional estabelece
uma correlação estrita entre o valor dos salários de contribuição integrantes
do período básico de cálculo, apurado em número de salários mínimos, e o
valor mensal dos proventos.
Com entário: De acordo com a CF, é vedada a vinculação ao salário mínimo para
qualquer efeito. A Constituição desvinculou a previdência do salário mínimo
(art. 7*, IV).
A Lei n“ 8.212/1991 não vincula o valor dos benefícios ao valor do salário mínimo.
O maior e o menor teto de salário de benefício previsto na Lei n- 5.890/1973, a
partir da Lei na 6.205/1975, deixaram de ser vinculados ao salário mínimo. A única
coincidência é que o valor pago a título de previdência não pode ser inferior a 01
salário mínimo (piso).

5. (XII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2004). Assi­


nale a alternativa correta:
a) A assistência à saúde depende de filiação ao Sistema Único de Saúde - SUS
mediante o recolhimento de contribuições sociais pelo interessado;
b) Não integram o salário de contribuição: as importâncias recebidas a título
de incentivo à demissão e licença-prêmio indenizada; o valor total do pa­
gamento leito ao empregado viajante para indenizar as despesas com deslo­
camento, hospedagem e alimentação, quando excedente a 50% (cinqüenta
por cento) da remuneração mensal; as importâncias recebidas a título de
indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do em­
pregado não optante pelo FGTS;
c) Não estando no gozo de auxílio-doença, a aposentadoria por invalidez será
devida, ao segurado empregado, a contar da data do início da incapacidade
ou da data da entrada do requerimento, se entre essas datas decorrerem
mais de 30 (trinta) dias;
d) A renda mensal da aposentadoria p o r invalidez poderá su p erar o lim ite
m áxim o do salário de contribuição na hipótese de o segurado necessitar
da assistência perm anente de o u tra pessoa.
Direito Previdenciário para Concursos

Com entário: A renda mensal do benefício de prestação continuada que substituir


0 salário de contribuição ou o rendimento do trabalho do segurado não terá valor
inferior ao do salário mínimo nem superior ao limite máximo do salário de contri­
buição (art. 201, § 2U, da CF e art. 33 do PBPS), exceto no caso da aposentadoria por
invalidez do segurado que necessitar da assistência permanente de outra pessoa, em
que o valor será acrescido de 25%, nos termos do art. 45 do PBPS.

6. (XII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2004). Assi­


nale a alternativa incorreta:
a) O fato de a aposentadoria não poder ser objeto de penhora, arresto ou se­
qüestro, sendo nula de pleno direto a constituição de qualquer ônus sobre
ela, não obsta o desconto de mensalidades de associação de aposentados
legalmente reconhecida, desde que autorizadas por seus filiados;
b) Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições, até
3 (três) meses após o licenciamento, o segurado incorporado às Forças Ar­
madas para prestar serviço militar;
c) Salvo no caso de direito adquirido, não se admite a percepção simultânea
da aposentadoria da segurada com a pensão decorrente da m orte de seu
marido, também segurado;
d) A fórmula do fator previdenciário utiliza as seguintes variáveis: idade (Id),
tempo de contribuição (Tc) e expectativa de sobrevida (Es).
Com entário: Estabelece o art. 124, par. ún., da Lei de Planos e Benefícios da Pre­
vidência Social (8.213/1991): Salvo no caso de direito adquirido, não é permitido o
recebimento conjunto dos seguintes benefícios da Previdência Social:
1 - aposentadoria e auxílio-doença;
II - mais de uma aposentadoria;
III - aposentadoria e abono de permanência em serviço;
IV - salário-maternidade e auxílio-doença;
V - mais de um auxílio-acidente;
VI - mais de uma pensão deixada por cônjuge ou companheiro, ressalvado o direito
de opção pela mais vantajosa.
Parágrafo único: Ê vedado o recebimento conjunto do seguro-desemprego com qual­
quer benefício de prestação continuada da Previdência Social, exceto pensão por mor­
te ou auxílio-acidente.

7. (XII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2004). Assi­


nale a alternativa correta:
a) A retirada do abono de perm anência em serviço do rol dos benefícios do
Regime Geral da Previdência Social pela Lei n“ 8.870/1994 está em har­
monia com o princípio da seletividade, que perm ite ao legislador infra-
constitucional escolher quais as contingências sociais que serão cobertas
pelo sistema de proteção social;
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

b) A renda mensal inicial do auxílio-doença corresponde a 100% (cem por


cento) do salário de benefício, observado o limite máximo do salário de
contribuição;
c) A EC nfl 20/1998 manteve, como princípio regente da Seguridade Social, o
caráter democrático e descentralizado de sua administração, mediante ges­
tão tripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores e do
Governo nos órgãos colegiados;
d) O salário-família e devido mensalmente ao segurado empregado, exceto ao
doméstico, ao contribuinte individual e aos aposentados que tenham filhos
menores de 14 (quatorze) anos de idade ou inválidos.
Com entário: O abono de permanência, previsto no art. 40, § 19, da CF é um incen­
tivo à permanência no serviço público.
O servidor de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municí­
pios, incluídas suas autarquias e fundações, que tenha completado as exigências para
aposentadoria voluntária estabelecidas (§ Ia, inc. III) e que opte por permanecer em
atividade, fará jus a um abono de permanência equivalente ao valor da sua contri­
buição previdenciária até completar as exigências para aposentadoria compulsória.

8. (XII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2004). Assi­


nale a alternativa correta:
a) A partir da EC nu 20/1998, o professor que comprove exclusivamente tempo
de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil ou no
ensino fundamental, médio e superior tem assegurada sua aposentadoria
aos 30 anos de contribuição, se homem, e 25 anos de contribuição, se mu­
lher;
b) Os dados constantes do Cadastro Nacional de Informações Sociais - CNIS
gozam de presunção absoluta de veracidade;
c) A pensão especial devida ao ex-combatente que tenha participado de
operações bélicas durante a Segunda Guerra Mundial pode ser acumula­
da com aposentadoria do Regime Geral da Previdência Social;
d) A pensão mensal vitalícia devida aos seringueiros não é transferível aos de­
pendentes, ainda que reconhecidamente carentes.
Com entário: O art. 53, II, do ADCT, por sua vez, criou uma pensão especial em fa­
vor dos ex-combatentes que efetivamente tenham participado da 2UGuerra Mundial,
tendo sido regulamentado pela Lei nc 8.059/1990, que estabeleceu em seu art. 3Uque
tal pensão passaria a corresponder à pensão militar deixada por segundo-tenente
das Forças Armadas.

9. (XIII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2006). Po­


dem beneficiar-se do auxílio-acidente:
a) o estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como em­
pregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior, o autôno­
mo e o avulso;
Direito Previdenciário para Concursos

b) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, ainda que


vinculado a regime próprio de Previdência Social, o avulso e o garimpeiro;
c) o síndico de condomínio que receba remuneração, o empregado doméstico,
o titular de firma individual rural;
d) o avulso, o arrendatário rural que exerce suas atividades em regime de
economia familiar e o diretor empregado.
Com entário: Art. 18, par. ún., da Lei n. 8213/2001: Somente poderão beneficiar-se
do auxílio-acidente os seguintes segurados:
• empregados:
a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em cará­
ter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive
como diretor empregado;
b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em
legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de
substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário
de serviços de outras empresas;
c) o brasileiro ou o estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para tra­
balhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no
exterior;
d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição
consular de carreira estrangeira e a órgãos a elas subordinados, ou a mem­
bros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência
permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária
do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular;
e) brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos ofi­
ciais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo,
ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legis­
lação vigente do país do domicílio;
f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar
como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do ca­
pital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional;
g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com
a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Fe­
derais;
h) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que
não vinculado a regime próprio de Previdência Social;
i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcio­
namento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de Previdência
Social;
j) exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não
vinculado a regime próprio de Previdência Social;
• trabalhador avulso (aquele que presta, a diversas empresas, sem vínculo empre-
gatício, serviço de natureza urbana ou rural definidos no Regulamento);
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

• segurado especial pessoa física residente no imóvel rural ou em aglomerado ur­


bano ou rural próximo a ele que, individualmente ou em regime de economia
familiar, ainda que com o auxílio eventual de terceiros, na condição de:
a) produtor, seja proprietário, usufrutuário, possuidor, assentado, parceiro ou
meeiro outorgados, comodatário ou arrendatário rurais, que explore ativi­
dade:
1. agropecuária em área de até 4 (quatro) módulos fiscais;
2. de seringueiro ou extrativista vegetal que exerça suas atividades nos ter­
mos do inciso XII do caput do art. 2° da Lei nü 9.985, de 18 de julho de
2000, e faça dessas atividades o principal meio de vida;
b) pescador artesanal ou a este assemelhado que faça da pesca profissão habi­
tual ou principal meio de vida;
c) cônjuge ou companheiro, bem como filho maior de 16 (dezesseis) anos de
idade ou a este equiparado, do segurado de que tratam as alíneas a e b deste
inciso, que, comprovadamente, trabalhem com o grupo familiar respectivo.

10. (XIII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2006).


Descartando-se a hipótese de direito adquirido, considere as afirmativas abaixo:
I - É possível receber, conjuntamente, seguro-desemprego e pensão por morte.
II - É possível receber, conjuntamente, seguro-desemprego e auxílio-doença.
III - É possível receber, conjuntamente, seguro-desemprego e auxílio-acidente.
IV - É possível receber, conjuntamente, aposentadoria especial e auxílio-doença.
a) I, II e III são verdadeiras;
b) 1 e III são verdadeiras;
c) III e IV são verdadeiras;
d) I e II sào verdadeiras.
Comentário: Prevê o art. 124, par. ún., da Lei n. 8.213/1991:
Ê vedado o recebimento conjunto do seguro-desemprego com qualquer benefício de
prestação continuada da Previdência Social, exceto pensão por morte ou auxílio-aci­
dente.

11. (XIII CONCURSO PARA JUIZ SUBSTITUTO - TRF3/2006). Com relação ao


benefício de prestação continuada (art. 203, V, da CF), é correto afirmar-se que:
a) É devido ao idoso maior de 65 anos e às pessoas portadores de defici­
ência, nacionais e estrangeiros naturalizados e domiciliados no Brasil,
desde que não am parados pelo sistema previdenciário do país de origem;
b) É devido ao maior de 60 anos e às pessoas portadores de deficiência, nacio­
nais e estrangeiros naturalizados e domiciliados no Brasil, desde que não
amparados pelo sistema previdenciário do país de origem;
c) É devido ao maior de 65 anos e às pessoas portadores de deficiência, exclu­
ídos os estrangeiros naturalizados e domiciliados no Brasil, mesmo que não
amparados pelo sistema previdenciário do país de origem;
Direito Previdenciário para Concursos

d) É devido ao maior de 60 anos e às pessoas portadores de deficiência, exclu­


ídos os estrangeiros naturalizados e domiciliados no Brasil, mesmo que não
amparados pelo sistema previdenciário do país de origem.
Com entário: O benefício de prestação continuada, consistente no valor de 01 (um)
salário mínimo mensal, é devido à pessoa portadora de deficiência e ao idoso com
65 anos (art. 34 do Estatuto do Idoso), que comprovem não possuir meios de pro­
ver a própria manutenção e nem de tê-la provida por sua família (art. 20 da Lei
nü 8.742/1993).

12. (XIII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2006). São
considerados, atualmente, segurados especiais:
a) Os parceiros, os meeiros, os arrendatários rurais, os garimpeiros e os pesca­
dores artesanais;
b) Os parceiros, os meeiros, os arrendatários rurais e o pequeno produtor rural
que exerça suas atividades com auxílio, permanente ou não, de terceiros;
c) Os produtores rurais, parceiros, pescadores artesanais e assemelhados que
exerçam atividade individualmente ou em regime de economia familiar,
ainda que com o auxílio eventual de terceiros, bem como seus respectivos
cônjuges ou companheiros e filhos maiores de 18 anos;
d) Os produtores, parceiros, meeiros e arrendatários rurais e pescadores ar­
tesanais e assemelhados, que exerçam as suas atividades individualmen­
te ou em regime de economia familiar, com ou sem o auxilio eventual de
terceiros
Com entário: Nos termos do art. 11, VII, da Lei nL’8.213/1991, considera-se traba­
lhador especial a pessoa física residente no imóvel rural ou em aglomerado urbano
ou rural próximo a ele que, individualmente ou em regime de economia familiar,
ainda que com o auxílio eventual de terceiros, na condição de:
a) produtor, seja proprietário, usufrutuário, possuidor, assentado, parceiro ou
ineeiro outorgados, comodatário ou arrendatário rurais, que explore ativi­
dade:
1. agropecuária em área de até 4 módulos fiscais; ou
2. de seringueiro ou extrativista vegetal que exerça suas atividades nos ter­
mos do inc. XII, do caput, do art. 2a da Lei nfl 9.985/2000, e faça dessas
atividades o principal meio de vida;
b) pescador artesanal ou a este assemelhado, que faça da pesca profissão habi­
tual ou principal meio de vida; e
c) cônjuge ou companheiro, bem como filho maior de 16 anos de idade ou a
este equiparado, do segurado de que tratam as alíneas a e b deste inciso, que,
comprovadamente, trabalhem com o grupo familiar respectivo.

13. (XIII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2006).


Considere as afirmações abaixo e assinale a alternativa verdadeira:
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

I - O segurado facultativo que há cinco meses não paga contribuições ao INSS


poderá requerer à autarquia, aposentadoria por invalidez, desde que se encontre
total e permanentemente incapacitado para o trabalho.
II - A aposentadoria por invalidez torna-se definitiva quando o segurado com­
pleta 55 anos.
III - O segurado que cumpriu pena de doze anos em regime fechado e vem a
ser vítima de atropelamento no décimo mês após o livramento - tornando-se
total e permanentemente incapacitado para o trabalho, segundo a avaliação da
perícia médica do INSS - obterá a aposentadoria por invalidez, porque o INSS
reconhecerá a manutenção da sua qualidade de segurado.
IV - A aposentadoria por invalidez torna-se definitiva quando o segurado com­
pleta 65 anos.
a) I e III estão corretas;
b) 1 e IV estão corretas;
c) II e III estão corretas;
d) I e II estão corretas.
Com entário: O Regulamento da Previdência (art. 13) e a Lei de Planos de Bene­
fícios da Previdência Social (art. 15) estabelecem as hipóteses em que, embora o
segurado não esteja contribuindo, mantém a qualidade de segurado, quais sejam:
I - sem limite de prazo, quando em gozo de benefício;
II - até 12 meses após a cessação de benefício por incapacidade ou após a cessação
das contribuições, o segurado que deixar de exercer atividade remunerada abrangi­
da pela Previdência Social ou estiver suspenso ou licenciado sem remuneração, pra­
zo este que pode ser prorrogado para 24 meses, se o segurado já tiver pagado mais
de 120 contribuições mensais sem interrupção. Em caso de desemprego, o prazo
será acrescido de 12 meses, podendo assim chegar até 36 meses (§§ l11e 2U);
III - até 12 meses após cessar a segregação, o segurado acometido de doença de
segregação compulsória;
IV - até 12 meses após o livramento, o segurado detido ou recluso;
V - até 03 meses após o licenciamento, o segurado incorporado às Forças Armadas
para prestar serviço militar;
VI - até 06 meses após a cessação das contribuições, o segurado facultativo.

14.(XIII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2006). As­


sinale a alternativa incorreta:
a) A Seguridade Social é financiada por toda a sociedade, de forma direta e in­
direta, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados,
Municípios e contribuições sociais;
b) Também constituem receita da Seguridade Social, os valores recebidos a tí­
tulo de multa, correção monetária e juros moratórios;
c) Constituem contribuições sociais, as das empresas, incidentes sobre a
remuneração paga, devida ou creditada aos segurados e demais pessoas
físicas a seu serviço, desde que com vínculo empregatício;
Direito Previdenciário para Concursos

d) Também constituem contribuições sociais» as das empresas, incidentes so­


bre a receita ou o faturamento e o lucro.
Com entário: Segundo comando constitucional» a Seguridade Social, principal ins­
trumento de promoção da proteção social, será financiada por toda sociedade, de
forma direta e indireta, nos termos do art. 195 da CF, mediante recursos prove­
nientes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e das seguintes
contribuições sociais:
I - do empregador» da empresa e da entidade a ela equiparada, na forma da lei,
incidentes sobre:
a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a
qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empre­
gatício;
b) a receita ou o faturamento;
c) o lucro.
II - do trabalhador e dos demais segurados da Previdência Social, não incidindo
contribuição sobre a aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral da Pre­
vidência Social;
III - sobre a receita de concursos de prognósticos;
IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar.

15. (XIII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2006).


Considere as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta:
I - Nenhum benefício pago pela Previdência Social poderá ter valor inferior a
um salário mínimo.
II - O benefício assistencial de prestação continuada previsto no art. 203, V, da
CF não poderá ter valor inferior a um salário mínimo.
III - Todos os benefícios assistenciais não podem ser inferiores a um salário
mínimo, por expressa vedação constitucional.
IV - O auxílio-reclusão devido aos dependentes do segurado de baixa renda
pode ser inferior a um salário mínimo.
a) As afirmativas I e II estão incorretas;
b) As afirmativas I, III e IV estão incorretas;
c) As afirmativas III e IV estão corretas;
d) As afirmativas II e III estão corretas.
Comentário: No que se refere ao valor dos benefícios, é correto afirmar que pode
haver benefício com valor inferior a um salário mínimo, como a pensão por mor­
te, quando é dividida pela metade entre esposa e companheira, desde que o morto
recebesse benefício com valor de 01 salário mínimo ou já preenchesse os requisitos
para recebê-lo.
Quanto ao valor do auxílio-reclusão, vale dizer que será calculado nos mesmos ter­
mos em que é calculada a pensão por morte (benefício mensal e sucessivo, substi­
tutivo do salário de contribuição ou do rendimento do segurado falecido) - art. 80
do PBPS.
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

16. (XIII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2006).


Considere as afirmações abaixo e assinale a alternativa incorreta:
I - O salário-maternidade não poderá ter valor inferior a um salário mínimo,
nem superior ao do limite máximo do salário de contribuição na data de início
do benefício.
II - Não incide contribuição previdenciária sobre o salário-maternidade, o
auxílio-reclusão, a pensão por morte e as aposentadorias do Regime Geral de
Previdência Social.
III - Independe de carência o salário-maternidade devido às seguradas empre­
gada, empregada doméstica, segurada especial e trabalhadora avulsa.
IV - Se a segurada gestante, na mesma data de nascimento de seu filho, adotar
uma outra criança recém-nascida, terá direito a duas prestações de salário-ma­
ternidade mensais, no período de cento e vinte dias.
a) As afirmativas II e III estão incorretas;
b) A afirmativa III está incorreta;
c) A afirmativa IV está incorreta;
d) A afirmativa I está incorreta.
Com entário: O salário-maternidade é devido à segurada da Previdência Social
(empregada, trabalhadora avulsa, empregada doméstica, contribuinte individual,
facultativa ou segurada especial), durante 120 dias, com início no período entre 28
dias antes do parto e a data de ocorrência deste, observadas as situações e condições
previstas na legislação no que concerne à proteção à maternidade. Trata-se de bene­
fício substitutivo do salário de contribuição ou do rendimento da segurada, conce­
dido por tempo determinado, não podendo ter valor inferior a um salário mínimo
nem superior ao limite máximo do salário de contribuição.

17. (XIII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2006). As­
sinale a alternativa correta:
a) O dependente menor de idade que receba pensão por morte terá o seu bene­
fício cessado quando completar 21 anos, mesmo que antes desta idade tenha
se tornado comprovadamente inválido;
b) É devido o acréscimo de 25% calculado sobre o valor da aposentadoria
por invalidez ao segurado que necessitar da assistência perm anente de
outra pessoa, ainda que o valor do benefício atinja o teto legal;
c) É possível o recebimento concomitante de salário-maternidade e aposen­
tadoria por invalidez se, em razão de complicações no parto, a segurada se
tornou total e permanentemente incapacitada para o trabalho;
d) Havendo reajuste do valor da aposentadoria por invalidez, o recálculo do
acréscimo de 25% só será devido nas hipóteses taxativamente previstas em lei.
Com entário: A renda mensal do benefício de prestação continuada que substituir
o salário de contribuição ou o rendimento do trabalho do segurado não terá valor
inferior ao do salário mínimo nem superior ao limite máximo do salário de contri­
buição (art. 201, § 2Ü, da CF e art. 33 do PBPS), exceto no caso da aposentadoria por
invalidez do segurado que necessitar da assistência permanente de outra pessoa, em
que o valor será acrescido de 25% (art. 45 do PBPS).
Direito Previdenciário para Concursos

18. (XIII CONCURSO PARA JUIZ SUBSTITUTO - TRF3 - 2006). Qual das alter­
nativas demonstra a correta escolha do foro para o ajuizamento da ação previ­
denciária?
a) “A”, atualmente domiciliado em Garça, promove ação de revisão de benefí­
cio previdenciário em face do INSS, ajuizando a demanda na Comarca de
Gália, porque o seu benefício foi originalmente processado na Agência do
INSS dessa cidade, onde o mesmo residia à época;
b) “B”, atualmente domiciliado cm São Paulo, distribui ação revisional de be­
nefício previdenciário, cujo valor da causa é de RS 5.000,00, na Vara Previ­
denciária da Capital;
c) “D”, sempre tendo trabalhado e residido na Capital, ajuizou ação revi­
sional de benefício acidentário, cujo valor da causa é de RS 4.000,00, no
Juizado Especial Federal;
d) M C” atualmente domiciliado em Santos, propõe ação revisional de benefí­
cio previdenciário, na Vara Federal da Capital, com valor da causa de RS
70.000,00.
Comentário: Estabelece o art. 109,1, CF: Aos juizes federais compete processar ejulgar:
I - As causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem
interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falên­
cia, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho.
Com efeito, a regra para competência das ações de natureza previdenciária é que
elas deverão ser propostas, processadas, instruídas e julgadas perante/pelo Juiz Fe­
deral, vez que o INSS, a teor da Lei nfi 8.029/1990 e do Decreto na 99.350/1990, é
autarquia federal.
O art. 3a da Lei nu 10.259/01 dispõe: Compete ao Juizado Especial Federal Cível pro­
cessar, conciliar e julgar causas de competência da Justiça Federal até o valor de sessen­
ta salários mínimos, bem como executar as suas sentenças.

19. (XI CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF4 - 2004). Assi­
nalar a alternativa correta.
Um segurado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), assistido por con­
tador inescrupuloso, obtém fraudulentamente, mediante falsificação de sua
Carteira de Trabalho e Previdência Social, aposentadoria voluntária, recebida
mensalmente, durante 5 (cinco) anos, até que descoberto o crime.
a) O delito é exaurido e polivalente.
b) O delito continuado é circunstancialmente permanente.
c) O delito continuado é permanente com exaurimento instantâneo plúrimo.
d) O delito é eventualmente permanente.
Com entário: O crime em questão é o de falsificação de documento público. Art.
297, § 3a do Código Penal:
Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público ver­
dadeiro:
Pena - reclusão, de 02 (dois) a 06 (seis) anos, e multa.
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

§ 3* Nas mesas penas incorre quem insere ou fa z inserir:


I - na folha cie pagamento ou em documento de informações que seja destinado afazer
prova perante a Previdência Social, pessoa que não possua a qualidade de segurado
obrigatório;
II - na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que
deva produzir efeito perante a Previdência Social, declaração falsa ou diversa da que
deveria ter sido escrita;
III - em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as
obrigações da empresa perante a Previdência Social, declaração falsa ou diversa da
que deveria ter constado.
Nesse caso, tendo o segurado recebido, indevidamente, o benefício por cinco anos,
pode-se dizer que o delito é permanente, vez que a consumação do crime se prolon­
gou no tempo. Nesses crimes a situação ilícita se prolonga no tempo, de modo que o
agente tem o domínio sobre o momento consumativo do crime.

20. (XI CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF4 - 2004). Assi­
nalar a alternativa correta.
José propõe ação contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), postulan­
do a concessão de auxílio-doença, alegando ter sido acometido, há cerca de um
mês, de doença que o incapacita temporariamente para exercer suas atividades
habituais. Comprova que exerceu atividade abrangida pela Previdência Social
como empregado em empresa de mudanças pelo período de 6 (seis) anos. Con­
tudo, não exerce atividades laborais nem recolhe contribuições para a Previdên­
cia Social há 19 (dezenove) meses.
Nessa perspectiva, pelos termos da Lei nu 8.213/1991 (Lei Geral de Planos de
Benefícios de Previdência Social), se ficar comprovada a incapacidade temporá­
ria para suas atividades habituais, José:
a) fará jus ao benefício de auxílio-doença se comprovar que as suas contribui­
ções previdenciárias foram efetivamente recolhidas pelos empregadores nos
6 (seis) anos em que esteve empregado.
b) fará jus ao benefício de auxílio-doença se comprovar que esteve desem­
pregado nos últimos 6 (seis) meses pelo registro no órgão competente.
c) não fará jus ao beneficio de auxílio-doença se estiver capacitado para o exer­
cício de atividades mais leves do que a atividade habitual.
d) não fará jus ao benefício de auxílio-doença em nenhuma hipótese, pois per­
deu a qualidade de segurado da Previdência Social.
Com entário: O Regulamento da Previdência (art. 13) e a Lei de Planos de benefí­
cios da Previdência (art. 15) estabelecem as hipóteses em que, embora o segurado
não esteia contribuindo, mantém a qualidade de segurado.
Vide hipóteses no comentário da questão na 13.
Vale salientar que a finalidade do instituto da carência é beneficiar o segurado, que
perdeu sua condição de filiado, por algum motivo longe de sua vontade, a continuar
no sistema previdenciário, mantendo seu status de segurado, ou seja, com todos os
seus direitos inerentes a essa qualidade.
Direito Previdenciário para Concursos

21. (XI CONCURSO PARA JUIZ FEDERAI, SUBSTITUTO - TRF4 - 2004). Assi­
nalar a alternativa correta.
Em relação à carência para a concessão de benefícios da Previdência Social,
pode-se afirmar que:
I. numa ação em que seja postulada a concessão de aposentadoria por invalidez,
se o autor, empregado na construção civil, alegar incapacidade para o trabalho,
mas não contar ainda com 12 (doze) contribuições mensais para a Previdência
Social, a realização de perícia médica judicial será desnecessária, pois ele não fará
jus a benefício por incapacidade em nenhuma hipótese, por falta de carência.
II. a trabalhadora, grávida de 5 (cinco) meses, que obtém o seu primeiro empre­
go e com isso ingressa na Previdência Social, faz jus ao respectivo salário-mater­
nidade, independentemente de carência.
III. as contribuições pagas retroativamente pelo segurado contribuinte indivi­
dual no momento de sua inscrição na Previdência Social,desde que acrescidas
de juros de mora e multa devidos e que sejacomprovado o efetivo exercício
da atividade laboral que implique filiação obrigatória à Previdência Social, são
consideradas para fins de carência.
a) Está correta apenas a assert iva 11.
b) Está correta apenas a assertiva III.
c) Estão corretas apenas as assertivas I e III.
d) Estão corretas apenas as assertivas II e III.
Com entário: Estabelece o art. 26 da Lei nu 8.213/1991 que independem de carência
os seguintes benefícios:
1. Pensão por morte;
2. Auxílio-doença e aposentadoria por invalidez (acidente, doença relacionada a
trabalho e doença grave);
3. Auxílio-reclusão;
4. Auxílio-acidente;
5. Salário-família;
6. Salário-maternidade para as seguradas empregada, trabalhadora avulsa e empre­
gada doméstica;
7. Serviço social;
8. Habilitação e reabilitação profissionais;
9. Benefícios concedidos ao segurado especial, de acordo com o art. 39 do PBPS.

22. (XI CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF4 - 2004). Assi­
nalar a alternativa correta.
Pedro, segurado da Previdência Social, faleceu. Tinha dois filhos menores com
sua companheira, Maria. A mãe de Pedro, Dona Lorena, idosa e inválida, mora­
va com o casal e os filhos.
Em relação à pensão por morte de Pedro, pode-se afirmar que:
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

a) a pensão será dividida em partes iguais entre todos os dependentes, que são
Maria, os filhos e Dona Lorena, esta última desde que comprove que depen­
dia economicamente do filho falecido.
b) se Maria passar a viver maritalmente com outro homem de quem dependa
economicamente enquanto seus filhos ainda forem menores, a sua parte na
pensão reverterá em favor deles.
c) se, posteriorm ente à concessão do benefício, tomar-se conhecimento de
que Pedro tinha mais um filho m enor havido de uma relação com outra
mulher, este m enor também fará jus à pensão, mas passará a partilhar do
benefício apenas a partir de sua habilitação como dependente.
d) a pensão que os dependentes fazem jus será devida a partir da data do re­
querimento do benefício, em qualquer hipótese, ressalvada a prescrição
qüinqüenal das parcelas.
Com entário: A pensão por morte é um benefício exclusivo do dependente do segu­
rado que sofre desfalque econômico por ocasião do óbito deste. Visa à manutenção
da família, no caso de morte do responsável pelo seu sustento. Será devida ao con­
junto dos dependentes do segurado que falecer, aposentado ou não, a contar da data:
• do óbito, quando requerida até 30 dias depois deste;
• do requerimento, quando requerida após o prazo previsto no item anterior;
• da decisão judicial, no caso de morte presumida.

23. (XI CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF4 - 2004). Assi­
nalar a alternativa correta.
Em relação ao cálculo da renda mensal inicial dos benefícios de prestação con­
tinuada, pode-se afirmar que:
I. o fator previdenciário não é aplicado no cálculo do salário de benefício dos
benefícios que apresentam alto grau de imprevisão, como o auxílio-doença.
II. se, no período básico de cálculo do benefício, o segurado tiver percebido
benefício por incapacidade, a sua duração será considerada no cálculo da renda
mensal inicial, considerando-se como salário de contribuição no período a ren­
da mensal do benefício por incapacidade, que não pode ser inferior a um salário
mínimo.
III. no cálculo do salário de benefício são considerados os maiores salários de
contribuição correspondentes a 80% do período contributivo, que, no caso de
segurados que já eram filiados quando da edição da Lei nfi 9.876/1999 (que alte­
rou dispositivos das Leis n“ 8.212 e 8.213), se inicia na competência de julho de
1994.
a) Está correta apenas a assertiva I.
b) Está correta apenas a assertiva III.
c) Estão corretas apenas as assertivas I e III.
d) Estão corretas apenas as assertivas II e III.
Com entário: O fator previdenciário será calculado considerando-se a idade, a ex­
pectativa de sobrevida e o tempo de contribuição do segurado ao se aposentar. A
fórmula é a seguinte: a idade e o tempo de contribuição são o numerador. Assim,
Direito Previdenciário para Concursos

quanto maiores a idade e o tempo de contribuição, maior será o salário de benefício.


A expectativa de sobrevida, que é fixada pelo IBGE, considerando a média nacional
única para ambos os sexos (art. 29, §§ l ú e 8Ü, do RBPS e art. 32, § 12, do RPS), é o de­
nominador. Logo, quanto maior a expectativa de sobrevida, menor será o benefício.
O auxílio-doença não está sujeito a essa fórmula. Trata-se de espécie do gênero be­
nefício por incapacidade, o qual é pago sucessivamente substituindo o salário de
contribuição ou do rendimento do trabalhador.
Até a edição da Lei nu 9.876/1999, o salário de benefício era calculado sobre os 36
últimos salários de contribuição do segurado. Tratava-se de critério não muito ra­
zoável. Com efeito, com a edição da lei supracitada, o salário de benefício passou
a ser calculado de acordo com a média aritmética simples dos maiores salários de
contribuição correspondentes a 80% de todo período contributivo.

24. (XI CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF4 - 2004). Assi­
nalar a alternativa correta.
Em relação à sistemática de reajustes do benefício previdenciário no regime da
Lei n8 8.213/1991, pode-se afirmar que:
I. o valor do benefício reajustado não pode ultrapassar o teto de salário de bene­
fício então vigente, salvo direito adquirido.
II. reajusta-se o benefício pelo mesmo índice de reajuste salarial concedido à
categoria profissional a que pertence o segurado, ou do salário mínimo, no caso
de segurados não empregados, proporcionalmente à data de início do benefício
no caso de primeiro reajuste.
III. no primeiro reajuste do benefício, a aplicação do índice proporcional à data
de inicio do benefício ampara-se no fato de que todos os salários de contribui­
ção são corrigidos monetariamente quando do cálculo da renda mensal inicial.
a) Está correta apenas a assertiva II.
b) Está correta apenas a assertiva III.
c) Estão corretas apenas as assertivas I e II.
d) Estão corretas apenas as assertivas I e III.
Com entário: O salário de contribuição possui limites, um mínimo e um máximo. O
primeiro corresponde ao piso salarial da categoria profissional ou seu valor mensal
ajustado, podendo ser por dia ou hora; já o limite máximo, conhecido como teto, é
de RS 3.691,74 (trés mil seiscentos e noventa e um reais e setenta e quatro centavos),
fixados na tabela da Previdência Social, conforme portaria do MPS (EC n" 41/2003).

25. (XI CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF4 - 2004). Assi­
nalar a alternativa correta.
Para fins de aposentadoria por tempo de contribuição no Regime Geral de Pre­
vidência Social:
I. o tempo de serviço militar pode ser computado como tempo de contribuição.
II. o tempo de serviço de trabalhador rural anterior à edição da Lei nu8.213/91 pode
ser computado como tempo de contribuição somente se o segurado comprovar o
recolhimento das respectivas contribuições na época própria ou se indenizá-las.
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

III. o tempo em que esteve afastado do trabalho, em gozo de auxílio-doença,


intercalado entre períodos de atividade, não pode ser computado como tempo
de contribuição.
a) Está correta apenas a assertiva I.
b) Está correta apenas a assertiva II.
c) Estão corretas apenas as assertivas I e II.
d) Estão corretas apenas as assertivas II e III.
Com entário: Pode ocorrer que o segurado tenha exercido suas atividades, tanto na
iniciativa privada como no serviço público» podendo ter recolhido contribuições
para ambos os regimes previdenciários, sem que, todavia, em nenhum deles, tenha
o segurado cumprido todos os requisitos para se aposentar.
Verificada essa situação, a Constituição Federal permite a contagem do tempo de
contribuição para ambos os regimes para que, ao final, possa obter sua aposenta­
doria por tempo de contribuição ou por idade. Trata-se da chamada compensação
financeira entre os diversos regimes previdenciários.
A matéria encontra-se regulamentada pela Lei nü 9.796/1999, que dispõe sobre a
compensação financeira entre o RGPS e os regimes de previdência dos servidores
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, no caso de contagem
reciproca de tempo de contribuição para efeito de aposentadoria.

26. (XI CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF4 - 2004). Assi­
nalar a alternativa correta.
Em relação ao segurado contribuinte individual que se aposenta por invalidez
no atual regime da Lei n° 8.213/1991, pode-se afirmar que:
I. pode exercer atividade remunerada sem prejuízo de sua aposentadoria, desde
que a atividade seja compatível com sua incapacidade, mas fica obrigado a con­
tribuir para a Previdência Social e desta atividade não resulta direito a nenhum
benefício além daquele que já percebe.
II. deve ter o seu benefício imediatamente cancelado se, em perícia médica rea­
lizada pela autarquia previdenciária, for constatada a recuperação total da capa­
cidade laboral.
III. fica obrigado a se submeter a exames médicos a cargo da Previdência Social
enquanto estiver percebendo o benefício, independentemente da idade que pos­
sua, sob pena de suspensão da aposentadoria.
a) Está correta apenas a assertiva II.
b) Está correta apenas a assertiva III.
c) Estão corretas apenas as assertivas I e II.
d) Estão corretas apenas as assertivas II e III.
Com entário: O segurado que recebe aposentadoria por invalidez tem que se sub­
meter a todos os tratamentos recomendados e custeados pela Previdência Social,
sob pena de cessação do benefício, nos termos do art. 42, § 1-, da Lei 8.213/1991:
A concessão de aposentadoria por invalidez dependerá da verificação da condição de
incapacidade mediante exame médico-pericial a cargo da Previdência Social, podendo
o segurado, às suas expensas, fazer-se acompanhar de médico de sua confiança.
Direito Previdenciário para Concursos

27. (XII CONCURvSO PARA JU IZ FED ERA L SU B ST IT U T O - TR F4 - 2005/2006).


Dadas as assertivas abaixo, assinalar a alternativa correta.
I. A constitucional preservação do valor real dos benefícios previdenciários ga­
rante a plena reposição inflacionária nas datas-base de reajustamento.
II. O fator previdenciário será calculado considerando-se a idade, a expectativa
de sobrevida e o tempo de contribuição do segurado ao se aposentar, segundo a
fórmula legal.
III. A constância da relação entre a quantidade de salários mínimos e o valor
dos benefícios deve ser observada de abril de 1989 até 9 de dezembro de 1991,
época em que o Supremo Tribunal Federal teve como implementado o Plano de
Custeio de Benefícios da Previdência Social.
IV. São considerados para cálculo do salário de benefício os ganhos habituais
do segurado empregado, a qualquer título, inclusive o décimo terceiro salário
(gratificação natalina).
a) Está correta apenas a assertiva II.
b) Estão corretas apenas as assertivas II e III.
c) Estão corretas apenas as assertivas I, III e IV.
d) Todas as assertivas estão corretas.
Com entário: Para fim de cálculo do salário de contribuição, há que se levar em
conta também o denominado fator previdenciário, trazido pela Lei nc 9.876/1999,
que será calculado considerando-se a idade, a expectativa de sobrevida e o tempo de
contribuição do segurado ao se aposentar.
Segundo a regra do art. 58 do ADCT - a constância da relação entre a quantidade de
salários mínimos e o valor dos benefícios - deve ser observada no período de abril de
1989 até 9 de dezembro de 1991, época em que o Superior Tribunal de Justiça teve como
implementado o Plano de Custeio e Benefícios da Previdência Social. Só depois disso os
reajustes seguirão o critério estabelecido na Lei nü 8.213, de 24 de julho de 1991.

28. (II CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO- TRF3 - 1992). Assi­
nale a alternativa correta. O trabalhador rural:
a) está incluído no Regime Geral da Previdência Social;
b) possui regime próprio de previdência, o FUNRURAL;
c) não é contemplado em nenhum regime de previdência, estando sua situa­
ção, apenas, disciplinada na Constituição;
d) só estará incluído no Regime Geral da Previdência Social se empregado de
empresa agroindustrial.
Com entário: Os beneficiários do RGPS (Regime Geral da Previdência Social) divi­
dem-se em segurados e dependentes. Os segurados são titulares de direitos e obriga­
ções previdenciárias, por exercerem alguma atividade que determina sua vinculação
obrigatória (segurado obrigatório) ao sistema ou por contribuir facultativamente
(segurado facultativo). Dependentes são aqueles que dependem economicamente
do segurado, na forma da lei. É toda pessoa física filiada ao RGPS em razão do seu
vínculo com o segurado principal.
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

O trabalhador rural, na qualidade de segurado obrigatório especial» está incluído no


Regime Geral de Previdência Social.

29. (XII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF4 - 2005/2006).


Dadas as assertivas abaixo, assinalar a alternativa correta.
I. O período gozado de auxílio-doença nâo gera a perda da condição de segura­
do, mas tampouco é computado como tempo de serviço.
II. O auxílio-doença é benefício devido em casos de incapacidade temporária,
parcial ou total, e em caso de permanente incapacidade parcial.
III. A aposentadoria por invalidez é benefício pertinente à incapacidade laboral
total e permanente, verificadas inclusive as condições pessoais do segurado para
o exercício de novo trabalho.
IV. A preexistência de doença à filiação ao Regime Geral de Previdência SociaJ
não interfere na concessão de aposentadoria por invalidez ou auxílio-doença, pela
aplicação do principio da solidariedade que impera no Direito Previdenciário.
a) Está correta apenas a assertiva II.
b) Está correta apenas a assertiva III.
c) Estão corretas apenas as assertivas I e IV.
d) Todas as assertivas estão corretas.
Com entário: A aposentadoria por invalidez tem como principal objetivo substituir
a remuneração do segurado que se encontre incapaz total e definitivamente (de ma­
neira permanente) para o exercício de atividade que lhe garanta sobrevivência, ou
seja, havendo total impossibilidade de reabilitação do segurado.
F. concedida ao segurado que, estando ou não em gozo de auxílio-doença, for con­
siderado incapaz para o trabalho e insuscetível de reabilitação para o exercício de
atividade que lhe garanta a subsistência.
Não será devida quando o segurado se filiar ao RGPS já sabendo ser portador de
doença ou lesão invocada como causa para a concessão do benefício, salvo quando a
incapacidade sobrevier por motivo de progressão ou agravamento dessa doença ou
lesão. Se a moléstia era preexistente e o segurado era incapaz, não importa se estava
de boa ou má-fé; o segurado nâo receberá o benefício.
No que se refere ao auxílio-doença, vale ressaltar que será devido ao segurado que
se encontra incapacitado totalmente para o exercício de suas atividades habituais por
ntais de 15 dias consecutivos, com possibilidade de recuperar-se. Trata-se, portanto,
de incapacidade temporária do segurado para o seu trabalho habitual, verificada
mediante exame médico-pericial a cargo do INSS.

30. (X CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF4 - 2001). Assi­


nalar a alternativa correta.
Na condição de dependente do segurado da Previdência Social, faz jus aos be­
nefícios sem que seja exigivel prova da dependência econômica:
a) a filha solteira, independentemente da idade;
b) a mãe, desde que viúva;
c) o companheiro;
d) o irmão, desde que menor de idade.
Direito Previdenciário para Concursos

Com entário: Com efeito, dependente é aquele que depende economicamente do


segurado, na forma da lei. É toda pessoa física filiada ao RGPS em razão de seu
vínculo com o segurado principal.
Os dependentes estão inseridos no art. 16 da Lei nu 8213/1991 e são divididos em
trés classes, quais sejam:
Ia) cônjuge e ex-cônjuge com pensão alimentícia, companheiro(a) e filhos de qual­
quer condição menores de 21 anos, não emancipados ou inválidos de qualquer idade;
2â) pais;
3-) irmãos menores de 21 anos, não emancipados ou inválidos de qualquer idade.
Os dependentes de 1J classe gozam da presunção legal de dependência econômica.
Havendo mais de um dependente de 1J deve-se dividir o valor da pensão em cotas
partes iguais.

31. (X CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF4 - 2001). Assi­


nalar a alternativa correta.
O cálculo do fator previdenciário, elemento aplicado na apuração do valor dos
benefícios instituído pela Lei nfi 9.876/1999, é elaborado a partir das seguintes
variáveis:
a) o grau de insalubridade ou periculosidade da atividade, o sexo e a idade do
segurado ao se aposentar;
b) a idade, o tempo de contribuição e a expectativa de sobrevida do segura­
do ao se aposentar;
c) a espécie de segurado, o tempo de contribuição e a idade do segurado ao se
aposentar;
d) a natureza da atividade e a expectativa de sobrevida do segurado ao se apo­
sentar.
Com entário: O fator previdenciário será calculado considerando-se a idade, a ex­
pectativa de sobrevida e o tempo de contribuição do segurado ao se aposentar.
A fórmula é a seguinte: a idade e o tempo de contribuição são o numerador. Assim,
quanto maiores a idade e o tempo de contribuição, maior será o salário de benefício.
A expectativa de sobrevida, que é fixada pelo IBGE, considerando a média nacional
única para ambos os sexos (art. 29, §§ 7a e 8J, do RBPS e art. 32, § 12, do RPS), é o de­
nominador. Logo, quanto maior a expectativa de sobrevida, menor será o benefício.

n _ Tc x a . (Id + Tc x a)
Es + 100
F = fator previdenciário
Es = expectativa de sobrevida
Tc = tempo de contribuição
Id = idade
a = alíquota de contribuição - 0,31 (soma da contribuição patronal (20%) + alíquo-
ta máxima do empregado (11 %))______________________________________
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

32. (X CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF4 - 2001). Assi­


nalar a alternativa correta.
A incapacidade laboral proveniente de doença de que o segurado já era portador
quando se filiou à Previdência:
a) não enseja direito a auxílio-doença ou a aposentadoria por invalidez em
nenhuma hipótese;
b) somente enseja direito a auxílio-doença ou a aposentadoria por invalidez, se
o segurado comunicou à Previdência a existência da enfermidade quando
da filiação;
c) enseja direito a auxílio-doença, mas não a aposentadoria por invalidez;
d) enseja direito a auxílio-doença ou a aposentadoria por invalidez, se a in­
capacidade for posterior à filiação, resultando do agravamento ou pro­
gressão da doença.
Com entário: Não será devida a aposentadoria por invalidez ou auxílio-doença
quando o segurado se filiar ao Regime Geral de Previdência Social já sabendo ser
portador de doença ou lesão invocada como causa para a concessão do benefício,
salvo quando a incapacidade sobrevier por motivo de progressão ou agravamento des­
sa doença ou lesão. Nesse caso, o benefício será devido, cabendo à perícia médica
identificar esta situação.

33. (X CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF4 - 2001). Assi­


nalar a alternativa correta.
Os benefícios de prestação continuada, no caso de regime de economia familiar,
em atividade rural:
a) são concedidos a cada um dos membros do grupo familiar que preencher
os requisitos legais para a sua percepção;
b) cabem ao chefe ou ao arrimo, mas devem ser rateados proporcionalmente
entre todos os componentes do grupo;
c) cabem ao chefe ou ao arrimo de família, na proporção de 50%, sendo o
restante rateado entre os demais componentes do grupo;
d) cabem somente ao chefe ou arrimo de família.
Com entário: O benefício de prestação continuada, consistente no valor de 01 sa­
lário mínimo mensal é devido à pessoa portadora de deficiência e ao idoso com
65 anos (art. 34 do Estatuto do Idoso), que comprovem não possuir meios de pro­
ver a própria manutenção e nem de tê-la provida por sua família (art. 20 da Lei
n“ 8.742/1993).
Endente-se como incapaz de prover a manutenção da pessoa portadora de defici­
ência ou idosa a família cuja renda mensal per capita seja inferior a 1/4 (um quarto)
do salário mínimo.
Para cálculo da renda familiar considera-se o número de pessoas que vivem na
mesma casa, assim entendido: o requerente, cônjuge, companheiro(a), o filho não
emancipado de qualquer condição, menor de 21 anos ou inválido, pais, e irmãos
não emancipados, menores de 21 anos e inválidos. O enteado e o menor tutelado
Direito Previdenciário para Concursos

equiparam-se a filho mediante a comprovação de dependência econômica e desde


que não possuam bens suficientes para o próprio sustento e educação.
Portanto, enquanto a renda per capita tbr inferior a um lA do salário mínimo, o
benefício poderá ser concedido a quantos membros do grupo familiar necessitarem.

34. (X CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF4 - 2001). Assi­


nalar a alternativa correta.
A partir da Lei nu 9.032/1995:
a) a aposentadoria especial passou a ser concedida apenas ao segurado que
implemente o requisito de idade mínima de cinqüenta anos;
b) a aposentadoria especial foi assegurada apenas aos trabalhadores que já
haviam implementado um determinado percentual dos requisitos para sua
obtenção, não sendo mais cabível sua concessão aos demais segurados;
c) o direito â aposentadoria especial passou a depender mais das condições
de trabalho nocivas à saúde efetivamente enfrentadas pelo segurado e
menos da categoria profissional em que ele se enquadra;
d) passou a scr autorizada a conversão de tempo de serviço comum em tempo
de serviço exercido em condições especiais, para fins de concessão de apo­
sentadoria especial, bem como a conversão do tempo de serviço exercido
em condições especiais em tempo de serviço comum, para fins de concessão
de aposentadoria por tempo de serviço comum.
Com entário: A aposentadoria especial será concedida aos 15,20 ou 25 anos de tem­
po de serviço, dependendo do tipo de serviço , prejudicial à saúde ou a integridade
física, exercido pelo segurado. É um benefício concedido em razão da comprovação
do exercício, pelo segurado, de atividade considerada excessivamente gravosa, física
ou mental. Portanto quanto mais desgastante for a atividade, menor será o tempo de
serviço necessário para aposentar-se.
O objetivo é atender aos segurados que são expostos a agentes físicos, químicos e
biológicos, ou a uma combinação destes acima dos limites de tolerância aceitos, o
que se presume produzir a perda da integridade física e mental em ritmo acelerado,
e não da categoria profissional em que ele se enquadra.

35. (X CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF4). Assinalar a


alternativa correta.
A partir da EC na 20, de 15 de dezembro de 1998, pode-se afirmar que:
a) foi aumentada a idade exigida para a concessão de aposentadoria por idade;
b) foram abrandados os critérios a serem aplicados na comprovação do exer­
cício de atividade rural pela mulher trabalhadora em regime de economia
familiar;
c) foi instituída a aposentadoria por tem po de contribuição em substitui­
ção à aposentadoria por tempo de serviço;
d) foi extinta a aposentadoria especial.
Com entário: A aposentadoria por tempo de contribuição é outra espécie de apo­
sentadoria programável, substitutiva do salário de contribuição ou do rendimento
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

do trabalhador, que, com o advento da EC n* 20/1998, substituiu a antiga aposenta­


doria por tempo de serviço.
É um benefício que sofre constantes ataques, pois este não é tipicamente previdenci­
ário, já que não há qualquer risco social sendo protegido - o tempo de contribuição
não traz presunção de incapacidade para o trabalho.

36. (X CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF4 - 2001). Assi­


nalar a alternativa correta.
Quanto ao benefício de pensão por morte no atual regime (Lei nu 8.213/1991):
a) independe de carência;
b) no caso de destinação aos dependentes, para o reconhecimento do direito, é
irrelevante o fato do de cujus não deter a qualidade de segurado à época do
óbito;
c) o fato de o dependente já perceber benefício de aposentadoria por tempo de
serviço ou invalidez obsta o direito à pensão;
d) havendo mais de um pensionista, a parte daquele cujo direito à pensão ces­
sar não reverte cm favor dos demais pensionistas.
Com entário: Independem de carência, nos termos no art. 26 da Lei ne 8.213/1991,
os seguintes benefícios:
1. Pensão por morte;
2. Auxílio-doença e aposentadoria por invalidez (acidente, doença relacionada a
trabalho e doença grave);
3. Auxílio-reclusão;
4. Auxilio-acidente;
5. Salário-família;
6. Salário-maternidade para as seguradas empregada, trabalhadora avulsa e em­
pregada doméstica;
7. Serviço social;
8. Habilitação e reabilitação profissionais;
9. Benefícios concedidos ao segurado especial, de acordo com o art. 39 do PBPS.

37. (ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA - TRF4 - 2010). Indepen­


dentemente de contribuições, mantém a qualidade de segurado:
a) quem está em gozo de benefício, sem limite de prazo.
b) até doze meses após a cessação das contribuições, o segurado facultativo.
c) até três meses após a cessação das contribuições, o segurado facultativo.
d) até seis meses após o licenciamento, o segurado incorporado às Forças Ar­
madas para prestar serviço militar.
e) até doze meses após o licenciamento, o segurado incorporado às Forças Ar­
madas para prestar serviço militar.
Com entário: O Regulamento da Previdência (art. 13) e a Lei de Planos de Bene­
fícios da Previdência Social (art. 15) estabelecem as hipóteses em que, embora o
segurado não esteja contribuindo, mantém a qualidade de segurado, quais sejam:
Direito Previdenciário para Concursos

I - sem limite de prazo, quando em gozo de benefício;


II - até 12 meses após a cessação de benefício por incapacidade ou após a cessação
das contribuições, o segurado que deixar de exercer atividade remunerada abrangi­
da pela Previdência Social ou estiver suspenso ou licenciado sem remuneração, pra­
zo este que pode ser prorrogado para 24 meses se o segurado já tiver pagado mais de
120 contribuições mensais sem interrupção. Em caso de desemprego, o prazo será
acrescido de 12 meses, podendo assim chegar ate 36 meses (§§ 1° e 2C);
III - até 12 meses após cessar a segregação, o segurado acometido de doença de
segregação compulsória;
IV - até 12 meses após o livramento, o segurado detido ou recluso;
V - até 03 meses após o licenciamento, o segurado incorporado às Forças Armadas
para prestar serviço militar;
V/ - até 06 meses após a cessação das contribuições, o segurado facultat ivo.

38. (ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA - TRF5 - 2008). De acordo


com a Lei nü 8.213/1991, com relação ao salário-família é correto afirmar:
a) A cota do salário-família não será incorporada, para qualquer efeito, ao
salário ou ao benefício.
b) O salário-família será devido, mensalmente, ao segurado empregado, inclu­
sive ao doméstico, na proporção do respectivo número de filhos.
c) O aposentado por invalidez não terá direito ao salário-família, uma vez que
já recebe a respectiva aposentadoria.
d) Quando o pagamento do salário não for mensal, o salário-família será obri­
gatoriamente pago semanalmente.
e) A empresa conservará durante quinze anos os comprovantes dos pagamen­
tos do salário-família para exame pela fiscalização da Previdência Social.
Com entário: Nos termos da EC nfl 20/1998, o salário-família é um benefício mensal
devido ao segurado de baixa renda. Como ainda não foi editada lei estabelecendo
os parâmetros para tanto, aplica-se a regra temporária, a partir da remuneração do
trabalhador, estabelecida pelo art. 13 da citada Emenda.
De acordo com a Portaria Interministerial nu 407, de 14 de julho de 2011, o valor do
salário-família será de RS 29,43, por filho de até 14 anos incompletos ou inválido,
para quem ganhar até RS 573,91.
Para o trabalhador que receber de RS 573,92 até R$ 862,60, o valor do salário-famí­
lia por filho de até 14 anos de idade ou inválido de qualquer idade será de R$ 20,74.
Não tem direito a esse benefício, contudo, o empregado doméstico, os segurados
especiais e os contribuintes individuais ou facultativos, exceto quando aposentados.
Lembra-se que o aposentado por invalidez ou por idade e os demais aposentados
com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais de idade, se do sexo masculino, ou 60 (ses­
senta) anos ou mais, se do feminino, terão direito ao salário-família, pago juntamen­
te com a aposentadoria.
Obs.: Não substitui o rendimento do trabalhador que já é pobre, mas o comple­
menta. Logo, não será incorporado, para qualquer efeito, ao salário ou ao benefício.
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

39. (ANAI.ISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA - TRF3 - 2007). De acordo


com a Lei nc 8.213/1991, os membros do Conselho Nacional de Previdência
Social - CNPS e seus respectivos suplentes serão nomeados pelo:
a) Presidente da República, tendo os representantes titulares da sociedade
civil mandato de três anos, podendo ser reconduzidos, de imediato, uma
única vez.
b) Presidente da República, tendo os representantes titulares da sociedade civil
mandato de dois anos, sendo vedada a recondução.
c) Presidente da República, tendo os representantes titulares da sociedade civil
mandato de quatro anos, podendo ser reconduzidos, de imediato, uma úni­
ca vez.
d) Presidente do Congresso Nacional, tendo os representantes titulares da so­
ciedade civil mandato de três anos, sendo vedada a recondução.
e) Presidente da República, tendo os representantes titulares da sociedade
civil mandato de dois anos, podendo ser reconduzidos, de imediato» uma
única vez.
Com entário; Conforme preceitua o art. 3a»§ l fl, da Lei n- 8.213/1991* que instituiu o
Conselho Nacional de Previdência Social, os seus membros e respectivos suplentes
serão nomeados pelo Presidente da República, tendo os representantes titulares da
sociedade civil mandato de 2 (dois) anos, podendo ser reconduzidos, de imediato,
uma única vez.

40. (ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA - TRF3 - 2007). Considere as


seguintes assertivas a respeito da assistência social:
I. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente
de contribuição à seguridade social.
II. A participação da população, por meio de organizações representativas, na
formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis é uma das
diretrizes de organização das ações governamentais na área da assistência social.
III. É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a programa de apoio
à inclusão e promoção social até três décimos por cento de sua receita tributária
líquida.
IV. F. vedada a aplicação dos recursos de programa de apoio à inclusão e pro­
moção social dos Estados e do Distrito Federal no pagamento de despesas com
pessoal e encargos sociais.
De acordo com a Constituição Federal brasileira, está correto o que se afirma
APENAS em
a) I, 11 e III.
b) I, II e IV.
c) I, III e IV.
d) II, III e IV.
e) II e IV.
Comentário: Conforme preceitua o art. 203 da CF, a assistência social será prestada
a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social.
Direito Previdenciário para Concursos

As ações governamentais na área da assistência social serão realizadas com recursos


do orçamento da seguridade social, previstos no art. 195, além de outras fontes, e
organizadas com base nas seguintes diretrizes:
I - descentralização político-administrativa, cabendo a coordenação e as normas
gerais à esfera federal e a coordenação e a execução dos respectivos programas às
esferas estadual e municipal, bem como a entidades beneficentes e de assistência
social;
II - participação da população, por meio de organizações representativas, na formu­
lação cias políticas e no controle das ações em todos os níveis.
Aos Estados e o Distrito Federal é facultado vincular a programa de apoio à inclu­
são e promoção social até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida,
vedada a aplicação desses recursos no pagamento de:
I - despesas com pessoal e encargos sociais;
II - serviço da dívida;
III - qualquer outra despesa corrente não vinculada diretamente aos investimentos
ou ações apoiados.

41. (ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA - TRF3 - 2007). Ao se con­


ceder o benefício assistencial da renda vitalícia ao idoso ou ao deficiente sem
meios de subsistência estará sendo aplicado, especificamente, o princípio da:
a) equidade na forma de participação no custeio.
b) universalidade do atendimento.
c) universalidade da cobertura.
d) distributividade na prestação dos benefícios e serviços.
e) diversidade da base de financiamento.
Com entário: Estará sendo aplicado o princípio da distributividade na prestação
dos benefícios e serviços, previsto no art. 194, III, da CF, que se baseia no quanto
cada cidadão necessita receber para ter uma vida digna, justa. O sistema objetiva
partilhar a renda principalmente para aqueles mais carentes.
A regra da distributividade autoriza a escolha de prestações que, sendo direito co­
mum a todas as pessoas, contemplam de modo mais abrangente os que demonstrem
possuir maiores necessidades.

42. (ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA - TRF4 - 2007). Para um


trabalhador que não possua dependentes, o benefício salário-família não será
concedido; para o trabalhador que se encontre incapaz temporariamente para o
trabalho, por motivo de doença, não será concedida a aposentadoria por inva­
lidez, mas auxílio doença. Nesses casos, está sendo aplicado, especificamente, o
princípio constitucional da
a) seletividade na prestação dos benefícios e serviços.
b) universalidade na cobertura e no atendimento.
c) equidade na forma de participação no custeio.
d) diversidade da base de financiamento.
e) democratização e descentralização da administração.
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

Com entário: A aplicação do princípio da seletividade significa que as prestações


sejam fornecidas apenas a quem realmente necessitar, desde que se encontre nas
situações que a lei definiu. Algumas prestações serão extensíveis apenas a algumas
parcelas da população (salário-família e auxílio-doença, por exemplo).
Dessa forma, o que realmente este benefício seleciona são os riscos sociais carece-
dores de proteção. Uma vez selecionado o risco, todas as pessoas que incorrerem na
hipótese escolhida farão jus à proteção social.

43. (ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA - TRF4 - 2007). Considere as


assertivas sobre o Conselho Nacional de Previdência Social - CNPS:
I. Dentre os membros do CNPS encontram-se nove representantes da sociedade
civil, sendo três deles representantes dos aposentados e pensionistas.
II. Os membros do CNPS e seus respectivos suplentes serão nomeados pelo
Presidente da República.
III. Os membros do CNPS terão mandato de três anos, podendo ser reconduzi­
dos, de imediato, uma única vez.
IV. O CNPS reunir-se-á, ordinariamente, uma vez por mês, por convocação de
seu Presidente.
De acordo com a Lei nfi 8.213/1991, está correto o que consta APENAS cm
a) I, II e III.
b) I, II e IV.
c) I e IV.
d) II, III e IV.
e) II e III
Com entário: O Conselho Nacional da Previdência Social, criado pela Lei
n- 8.213/1991, é composto de 15 (quinze) membros, nomeados pelo Presidente da
República, sendo 6 (seis) membros do governo e 9 (nove) da sociedade civil. Dos
nove membros da sociedade civil, 3 (três) são representantes dos aposentados e pen­
sionistas, os outros 3 (três) devem ser representantes dos trabalhadores em ativi­
dade e, por íim, mais 3 (três) devem ser representantes dos empregadores (art. 3").
O CNPS reunir-se-á, ordinariamente, uma vez por mês, por convocação de seu Presi­
dente, não podendo ser adiada a reunião por mais de 15 (quinze) dias, se houver reque­
rimento nesse sentido, da maioria dos conselheiros (art. 311, § 3U,da Lei nü 8.213/1991).

44. (ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA - TRF4 - 2007). O salá­


rio-maternidade
a) será pago diretamente pela Previdência Social para a segurada empregada,
que deverá requerer o benefício até 30 dias após o parto.
b) deverá ser requerido pela segurada especial e pela empregada doméstica até
60 dias após o parto.
c) é devido pelo período de 60 dias para a segurada da Previdência Social que
adotar criança de até um ano de idade.
d) é devido pelo período de 45 dias para a segurada da Previdência Social que
adotar criança entre 1 e 4 anos de idade.
Direito Previdenciário para Concursos

e) da segurada trabalhadora avulsa, pago diretam ente pela Previdência So­


cial, consiste numa renda mensal igual à sua remuneração integral equi­
valente ao mês de trabalho.
Com entário: O salário-maternidade é devido à segurada da Previdência Social
(empregada, trabalhadora avulsa, empregada doméstica, contribuinte individual,
facultativa ou segurada especial), durante 120 (cento e vinte) dias, com início no pe­
ríodo entre 28 (vinte e oito) dias antes do parto e a data de ocorrência deste, consis­
tente em uma renda mensal igual à sua remuneração integral, cabendo contribuição
sobre estes valores, já que o salário-maternidade é também salário de contribuição.
Salienta-se que o salário-maternidade devido à trabalhadora avulsa será pago dire­
tamente pela Previdência Social.

45. (ANALISTA PREVIDENCIÁRIO 2005 / CESGRANRIO). É segurado facultati­


vo do Regime Geral da Previdência Social:
a) ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada,
de congregação ou de ordem religiosa;
b) pescador artesanal que exerça sua atividade individualmente ou em regime
de economia familiar;
c) prestador de serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a
uma ou mais empresas, sem relação de emprego.
d) estudante;
e) sindico de condomínio, desde que receba remuneração.
Com entário: Segurados facultativos são todos aqueles que não se enquadram como
segurados obrigatórios, filiando-se ao sistema protetivo em razão de ser do seu de­
sejo, porque querem participar dele ou nele permanecer. É aquele que, mesmo não
estando vinculado obrigatoriamente à Previdência Social, por não exercer atividade
remunerada, opta pela sua inclusão no sistema protetivo.
O rol (exemplificativo) dos segurados facultativos encontra-se no art. 11 do Decreto
nu 3.048/1999.
Nesta categoria estão todas as pessoas com mais de 16 anos que não têm renda pró­
pria, mas decidem contribuir para a Previdência Social. Por exemplo: donas de casa,
estudantes, síndicos de condomínio não remunerados, desempregados e outros.

46. (ANALISTA PREVIDENCIÁRIO 2005 / CESGRANRIO). Tício, marido de


Martha, faleceu em julho de 2004, desempregado. Havia trabalhado como em­
pregado, durante 20 anos, para a empresa “Carro dos Sonhos Lida.’', tendo ter-
minado o seu contrato de trabalho com a referida empresa em julho de 1999.
Em agosto de 2004, Martha formulou requerimento administrativo de pensão
por morte em uma Agência da Previdência Social e teve seu pedido indeferido.
A correta justificativa para o indeferimento da pensão por morte nesse caso é:
a) perda da qualidade de segurado do instituidor da pensão.
b) Ausência de inscrição de Martha como dependente designada por Tício,
antes de seu falecimento.
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

c) o fato de que Martha não comprovou sua dependência econômica de Tício,


requisito este indispensável para a qualificação de cônjuge como dependente.
d) o fato de Martha não ser segurada do Regime Geral da Previdência Social.
e) o fato de o período de carência fixado por lei para a concessão de pensão por
morte não ter sido cumprido.
Com entário: Como é sabido, em determinadas hipóteses, embora o segurado não
esteja contribuindo, mantém a qualidade de segurado, a saber:
I - sem limite de prazo, quando em gozo de benefício;
II - até 12 meses após a cessação de benefício por incapacidade ou após a cessação
das contribuições, o segurado que deixar de exercer atividade remunerada abran­
gida pela Previdência Social ou estiver suspenso ou licenciado sem remuneração,
prazo este que pode ser prorrogado para 24 meses, se o segurado já tiver pagado
mais de 120 contribuições mensais sem interrupção. Em caso de desemprego, o pra­
zo será acrescido de 12 meses, podendo assim chegar até 36 (trinta e seis) meses
m 1“ e 2U);
III - até 12 meses após cessar a segregação, o segurado acometido de doença de
segregação compulsória;
IV - até 12 meses após o livramento, o segurado detido ou recluso;
V - até 03 meses após o licenciamento, o segurado incorporado às Forças Armadas
para prestar serviço militar;
VI - até 06 meses após a cessação das contribuições, o segurado facultativo.
Portanto, Tício perdeu a qualidade de segurado a partir do 37u mês em que deixou
de exercer atividade remunerada.

47. (ANALISTA PREVIDENCIÁRIO 2005 / CESGRANRIO). A que percentual do


salário de benefício correspondem, respectivamente, as rendas mensais iniciais
do auxílio-doença, do auxílio-acidente e da aposentadoria por invalidez?
a) 100%, 91% e 50%.
b) 91%, 100% e 70%.
c) 91%, 50% e 100%.
d) 91%, 50% e 70%.
e) 50%, 91% e 100%.
Com entário: A renda mensal do benefício, que corresponde ao valor que o segu­
rado receberá mensalmente, é calculada aplicando-se um percentual ao salário de
benefício, variável de acordo com o beneficio pretendido, a saber:

Auxílio-doença: 91% do salário de benefício


Aposentadoria por inva­ 100% do salário de benefício
lidez
Aposentadoria por tem­ 100% do salário de benefício
po de contribuição
Aposentadoria especial 100% do salário de benefício
Direito Previdenciário para Concursos

Aposentadoria por idade 70% do salário de benefício + 1% deste por grupo de 12


contribuições mensais, até o máximo de 30%
Auxílio-acidente 50% do salário de benefício que deu origem ao auxi-
lio-doença
Pensão por morte 100% do valor da aposentadoria que o segurado rece­
bia ou daquela a que teria direito se estivesse aposenta­
do por invalidez na data de seu falecimento

48. (ANALISTA PREVIDENCIÁRIO 2005 / CESGRANRIO). Constitui espécie de


prestação da Assistência Social o benefício de prestação continuada que garante
01 (um) salário mínimo mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que
comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção e nem de tê-la
provida por sua família, ainda:
a) existência de anomalias ou lesões irreversíveis de natureza hereditária, inde­
pende da capacidade laborativa.
b) renda familiar mensal per capita inferior a 01 (um) salário mínimo.
c) qualidade de segurado do Regime Geral da Previdência Social.
d) não recebimento de benefício de espécie alguma, salvo o de assistência
médica.
e) idade mínima de 35 (sessenta e cinco) anos, para mulher, e de 70 (setenta)
anos, para homem.
Com entário: O benefício de prestação continuada, consistente no valor de 01 sa­
lário mínimo mensal, é devido à pessoa portadora de deficiência e ao idoso com
65 anos (art. 34 do Estatuto do Idoso) que comprovem não possuir meios de pro­
ver a própria manutenção e nem de tê-la provida por sua família (art. 20 da Lei
nu 8.742/1993).
Para fim de concessão deste benefício, considera-se como pessoa portadora de defi­
ciência aquela incapacitada para a vida independente e para o trabalho.
Endente-se como incapaz de prover a manutenção da pessoa portadora de defici­
ência ou idosa a família cuja renda mensal per capita seja inferior a 1/4 (um quarto)
do salário mínimo.
Importa assinalar que tal benefício não pode ser acumulado pelo beneficiário com
qualquer outro no âmbito da seguridade social ou de outro regime, salvo o da assis­
tência médica (art. 20, § 4“).

49. (ANALISTA PREVIDENCIÁRIO 2005 / CESGRANRIO). Salário-maternidade


é o benefício previdenciário pago à segurada gestante durante o período de afas­
tamento de suas atividades. Consiste em uma renda mensal inicial igual à remu­
neração integral, equivalente a 01 (um) mês de trabalho, para:
a) todas as espécies de seguradas;
b) a segurada especial.
c) a trabalhadora avulsa,
e) a empregada doméstica.
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

e) a contribuinte individual.
Com entário: A renda mensal do benefício do salário-maternidade obedece às se­
guintes regras:
Ia Para a segurada trabalhadora avulsa e empregada: o salário-maternidade consis­
tirá cm uma renda mensal igual à sua remuneração integral equivalente a um mês
de trabalho;
2d Para a empregada doméstica: o salário-maternidade corresponderá ao do seu úl­
timo salário de contribuição;
3a Para a segurada especial: o valor do salário-maternidade corresponderá ao salário
mínimo;
4a Para a segurada contribuinte individual e facultativa: o salário-maternidade será
o equivalente a 1/12 da soma dos 12 últimos salário de contribuição, apurados em
período não superior a 15 meses.

50. (ANALISTA PREVIDENCIÁRIO 2005 / CESGRANRIO). Quanto à contagem


recíproca do tempo de contribuição na administração pública e na atividade
privada, rural e urbana, assinale a alternativa incorreta:
a) É vedada a contagem de tempo de contribuição do serviço público com o de
contribuição na atividade privada, quando concomitantes.
b) Será adm itida a contagem em dobro ou em outras condições especiais,
previstas em lei.
c) Não será contado por um regime o tempo de contribuição utilizado para a
concessão de aposentadoria por outro regime.
d) A certidão de tempo de contribuição, para fins de averbaçào do tempo em
outros regimes de previdência, somente será expedida pelo INSS após a
comprovação da quitação de todos os valores devidos, inclusive de eventu­
ais parcelamentos de débito.
e) O benefício concedido com contagem recíproca de tempo de contribuição,
na forma do enunciado, será concedido e pago pelo regime a que o interes­
sado estiver vinculado ao requerê-lo, e calculado na forma da respectiva
legislação.
Com entário: Pode ocorrer que o segurado tenha exercido suas atividades tanto na
iniciativa privada como no serviço público, podendo ter recolhido contribuições
para ambos os regimes previdenciários, sem que, todavia, em nenhum deles tenha
cumprido todos os requisitos para se aposentar. Verificada essa situação, a Consti­
tuição Federal permite a contagem do tempo de contribuição para ambos os regimes
para que, ao final, possa obter sua aposentadoria por tempo de contribuição ou por
idade. Trata-se da chamada compensação financeira entre os diversos regimes pre­
videnciários. O que não se admite, em nenhuma hipótese, é a contagem em dobro.

51. (ANALISTA PREVIDENCIÁRIO 2005 7 CESGRANRIO). Caio, segurado do


Regime Geral da Previdência Social, divorciou-se de Dora, em julho de 1999,
ficando ajustado que pagaria uma pensão alimentícia no valor de 20% do seu
salário. Em janeiro de 2003, Caio casa-se com Ana e, fruto da relação nasce
Direito Previdenciário para Concursos

Márvio. Com o falecimento de Caio em agosto de 2004, quem tem direito ao


recebimento de pensão por morte, na qualidade de seu dependente:
a) Ana, somente.
b) Márvio, somente.
c) Ana e Márvio, somente.
d) Dora e Márvio, somente.
e) Dora, Ana e Márvio.
Com entário: A pensão por morte é um benefício exclusivo do dependente do se­
gurado, que sofre desfalque econômico por ocasião do óbito deste. Será, portanto,
devida ao conjunto dos dependentes do segurado que falecer, aposentado ou não.
Com efeito, Dora, que recebia pensão, Ana, atual esposa, e Márvio, filho, todos têm
direito à pensão por morte. A dependência econômica, nesses casos, por se tratarem
de dependentes da primeira classe, é presumida por força de lei. Assim, o valor da
pensão deverá ser divido. Será rateada entre Iodos, em partes iguais.

52. (VIII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2000). As­
sinale a alternativa correta:
a) o reajustamento de benefícios para preservar-lhes em caráter permanente o
valor real obedece ao critério da equivalência em salários mínimos.
b) a gratificação natalina dos aposentados e pensionistas tem por base a média
dos proventos percebidos no decurso do ano.
c) o princípio da precedência do custeio não engloba os benefícios e serviços
compreendidos na assistência social.
d) é adm itida a filiação de qualquer pessoa à Previdência Social, mediante
contribuição, independentemente de exercício de atividade remunerada.
Com entário: Segundo o art. 20 do Decreto n“ 3.048/1999 (RPS), filiação é o vínculo
que se estabelece entre pessoas que contribuem para a Previdência Social e esta, do
qual decorrem direitos e obrigações.
Para o segurado obrigatório a filiação é automática, pois decorre do exercício da
atividade remunerada. Já, para o segurado facultativo, a filiação só se verificará após
a inscrição formalizada com o pagamento da primeira contribuição.
Logo, pode-se concluir que é admitida a filiação, mediante contribuição, indepen­
dentemente de exercício de atividade remunerada (caso do segurado facultativo).

53. (VIII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TR1-3 - 2000).


Consiste a renda mensal inicial do benefício:
a) na média dos salários de contribuição apurados,corrigidos monetariamente.
b) na média dos salários de contribuição apurados, corrigidos monetariamen­
te, submetida ao coeficiente de cálculo do benefício conforme as regras do
menor e maior valor-teto.
c) na média dos salários de contribuição apurados, corrigidos m onetaria­
mente, submetida ao coeficiente de cálculo do benefício.
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

d) na média dos salários de contribuição apurados, corrigidos monetariamen-


tc os vinte e quatro primeiros, submetida ao coeficiente de cálculo do bene­
fício.
Com entário: O salário de benefício consiste na média aritmética simples das bases
de cálculo (salários de contribuição) contidas num certo período de cálculo, quan-
tum que se presta para a aferição da renda mensal inicial (RMI) do benefício de
pagamento continuado.

54. (VIII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2000). Ê


devida aposentadoria por invalidez ao segurado especial:
a) acometido de incapacidade laboral permanente, mediante doze meses de
contribuição facultativa, no valor de um salário mínimo.
b) acometido de incapacidade laboral permanente, mediante comprovação
de exercício da atividade vinculante pelo período de doze meses, no va­
lor de um salário mínimo.
c) acometido de incapacidade laboral temporária após completar 60 anos de
idade, no valor de um salário mínimo.
d) acometido de incapacidade laboral permanente, mediante comprovação de
exercício da atividade vinculante pelo período de doze meses, em valor su­
perior ao salário mínimo.
Com entário: São requisitos da aposentadoria por invalidez:
1) condição de segurado;
2) carência: 12 contribuições mensais. Ressalvada a hipótese de acidente de qual­
quer natureza ou moléstia grave, a carência é dispensada;
3) incapacidade total e definitiva (permanente) para o exercício de atividade que
garanta a sobrevivência do segurado e dos seus dependentes (realizado por pe­
rito médico do INSS).

55. (VIII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2000). É


correto afirmar sobre o benefício do auxílio-doença:
a) depende para sua concessão, em qualquer caso, de período de carência.
b) não enseja direito à percepção do abono anual.
c) extingue-se pela recuperação da capacidade laboral ou habilitação para
nova atividade e pela transform ação em aposentadoria por invalidez ou
por idade.
d) é indevido se o segurado desempenha mais de uma atividade abrangida pelo
regime geral e a moléstia prejudica só uma delas.
Com entário: O termo final (extinção) do auxílio-doença dá-se: a) com a recupe­
ração da capacidade de trabalho; b) com a morte do segurado; c) com a conver­
são em aposentadoria por invalidez, sempre com aprovação de perito médico ou
auxílio-acidente de qualquer natureza. Neste caso, se resultar seqüela que implique
redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia; d) se o segurado
completar a idade para se aposentar.
Direito Previdenciário para Concursos

56. (VIII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2000). As­
sinale a alternativa correta:
a) o início da relação jurídica de seguro social ocorre com o ato de inscrição na
Previdência Social.
b) a relação jurídica de seguro social se extingue pelo ingresso em nova ativi­
dade sem registro em carteira de trabalho.
c) a perda da qualidade de segurado acarreta a caducidade do direito a be­
nefícios, ressalvados os casos de preenchimento dos requisitos na vigên­
cia do estado de filiação.
d) a relação jurídica de seguro social inicia-se com o ato de inscrição e comple-
ta-se, quando for o caso, com o decurso do período de carência.
Com entário: Nos termos do art. 102 da Lei nü 8.213/1991, a perda da qualidade de
segurado importa em caducidade dos direitos inerentes a essa qualidade.
O § lc faz uma ressalva, ao estabelecer que a perda da qualidade de segurado não
prejudica o direito à aposentadoria para cuja concessão tenham sido preenchidos
todos os requisitos, segundo a legislação em vigor à época em que estes requisitos
foram atendidos.

57. (VIII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2000). As­
sinale a alternativa correta:
a) a existência de pessoa arrolada em qualquer das classes de dependentes
exclui do direito às prestações os das classes seguintes.
b) a condição de dependente da companheira não se caracteriza fora dos casos
de união estável que perdure por pelo menos cinco anos.
c) é direito do filho a qualquer tempo acometido de invalidez a percepção de
pensão por morte do ex-segurado.
d) o filho, com o implemento da maioridade, não perde a condição de depen­
dente do segurado, apenas não mais se presumindo e exigindo-se a compro­
vação da dependência econômica.
Com entário: São considerados dependentes do segurado (art. 16 da Lei
n- 8.213/1991):
• 1* classe: o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado,
de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido;
• 2* classe: os pais;
• y classe: os irmãos menores de 21 anos, não emancipados ou inválidos de qual­
quer idade.
O § lu do citado artigo estabelece que a existência de dependente de qualquer das
classes deste artigo exclui do direito às prestações os das classes seguintes.

58. (VIII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2000). As­
sinale a alternativa correta:
a) salvo no caso de direito adquirido, não é perm itido o recebimento con­
junto dos benefícios da aposentadoria e auxílio-doença.
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

b) é vedado para todos os efeitos o cômputo de tempo de atividade rural ante­


rior a novembro de 1991.
c) o direito à percepção de valores nâo recebidos em vida pelo segurado é in­
transferível e é vedado o pagamento aos seus dependentes.
d) não se computa como tempo de serviço o período em que o segurado esteve
na inatividade recebendo auxilio-doença.
Com entário: Consoante clara disposição da Lei nu 8.213/1991 - Lei de Planos e Be­
nefícios da Previdência Social salvo no caso de direito adquirido, não é permitido
o recebimento conjunto dos seguintes benefícios:
a) aposentadoria e auxílio-doença;
b) mais de uma aposentadoria;
c) aposentadoria e abono de permanência em serviço;
d) salário-maternidade e auxílio-doença;
e) mais de um auxílio-acidente;
0 mais de uma pensão deixada por cônjuge ou companheiro, ressalvado o direito
de opção pela mais vantajosa.

59. (VIII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2000). As­
sinale a alternativa correta:
a) o direito à constituição do crédito previdenciário extingue-se em dez anos,
interrompido o prazo recomeçando ele a correr pela metade do tempo.
b) a certidão negativa de débito é documento de expedição pelos órgãos da
Previdência Social destinado a apresentação à fiscalização previdenciária
sempre que solicitado.
c) só em casos de fundada suspeita de débito ou infração é permitido o exame
da contabilidade da empresa pela fiscalização previdenciária.
d) a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição do produtor rural
sobre ele recai apenas quando vende seus produtos no varejo diretam en­
te ao consum idor ou a adquirente domiciliado no exterior.
Com entário: Nos termos do art. 15 da LC nfi 11/1971, que institui o Programa de
Assistência ao Trabalhador Rural:
Os recursos para o custeio do Programa de Assistência ao Trabalhador Rural provirão
das seguintes fontes:
1 -d a contribuição de 2% (dois porcento) devida pelo produtor sobre o valor comercial
dos produtos rurais, e recolhida:
a) pelo adquirente, consignatário ou cooperativa que ficam sub-rogados, para essefim ,
em todas as obrigações do produtor;
b) pelo produtor; quando ele próprio industrializar seus produtos vendê-los ao consu­
midor, no varejo, ou a adquirente domiciliado no exterior;
II - da contribuição de que trata o art. 3a do Decreto-lei na 1.146, de 31 de dezembro
de 1970, a qual fica elevada para 2,6% (dois e seis décimos por cento), cabendo 2,4%
(dois e quatro décimos por cento) ao FUNRURAL.
Direito Previdenciário para Concursos

60. (VIII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2000). As­
sinale a alternativa correta:
a) a representação judicial do INSS por advogado constituído independe da
apresentação de instrumento de mandato.
b) os recursos interpostos de sentenças proferidas em ações previdenciárías
são recebidos apenas no efeito devolutivo.
c) é obrigatório o cômputo de tempo de serviço objeto de sentença proferida
em processo de justificação judicial.
d) as sentenças proferidas contra o INSS estão sujeitas ao duplo grau de
jurisdição obrigatório.
Com entário: Dispõe o art. 475, II, do CPC:
Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito, senão depois de con­
firmada pelo tribunal, a sentença:
i-U ;
II - proferida contra a União, o Estado e o Município.
Nessa categoria encontra-se o INSS, que é uma autarquia federal.

61. (IX CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2001). O


caráter democrático da gestão da seguridade social está sendo imprimido no
Brasil com o funcionamento dos seguintes órgãos, dos quais fazem parte repre­
sentantes dos trabalhadores, aposentados e empresários:
a) do Conselho Nacional de Seguridade Social; do Conselho Nacional de Saú­
de; do Conselho Nacional de Previdência Social e do Conselho Nacional de
Assistência Social.
b) do Conselho Nacional de Saúde; do Conselho Nacional de Previdência
Social e do Conselho Nacional de Assistência Social.
c) do Conselho Nacional de Previdência Social; do Conselho Superior dos Ser­
viços de Saúde e Segurança Social e do Conselho do Programa da Comuni­
dade Solidária.
d) do Conselho Nacional de Seguridade Social; do Conselho Nacional de Se­
guros Privados e do Conselho Nacional de Saúde.
Com entário: Cada subárea (Previdência Social, Saúde e Assistência Social) da Se­
guridade Social possui um Conselho Nacional e Conselhos Estaduais e Municipais.
O Conselho Nacional de Previdência Social, criado pela Lei nu 8.213/1991 (CNPS),
é um órgão colegiado composto de 15 membros nomeados pelo Presidente da Re­
pública, sendo 6 membros do governo e 9 da sociedade civil. Dos nove membros
da sociedade civil, 3 são representantes dos aposentados e pensionistas, os outros 3
devem ser representantes dos trabalhadores em atividade, e, por fim, mais 3 devem
ser representantes dos empregadores.
As principais funções do Conselho Nacional da Previdência Social são:
a) estabelecer diretrizes gerais e apreciar as decisões políticas aplicáveis à Previ­
dência Social;
b) controlar e executar programas no campo da Previdência Social;
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

c) encaminhar propostas orçamentárias ao Poder Executivo.

62. (IX CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2001). A


igualdade de direitos previdenciários significa:
a) que trabalhadores com vínculo empregatício, inclusive os domésticos, e tra­
balhadores avulsos, fazem jus aos mesmos benefícios e serviços.
b) que todos os trabalhadores, inclusive empresários, domésticos, avulsos e es­
peciais, terão direito aos mesmos benefícios, calculados do mesmo modo,
do Regime Geral de Previdência Social.
c) que aos trabalhadores avulsos são devidos os mesmos benefícios a que
fazem jus os trabalhadores com vínculo empregatício.
d) que aos trabalhadores domésticos são devidos os mesmos benefícios a que
fazem jus os trabalhadores vinculados às empresas.
Com entário: A CF assegura, em seu arl. 7“, XXXIV, a igualdade de direitos entre o
trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso.
• Assim, são garantidos aos avulsos os mesmos benefícios previdenciários assegu­
rados a segurados empregados:
• Aposentadoria por idade
• Aposentadoria por tempo de contribuição
• Aposentadoria por invalidez
• Aposentadoria por invalidez
• Auxílio-doença
• Auxílio-acidente
• Salário-maternidade (sem exigência de carência)
• Salário-família, se o avulso for de baixa renda.
• São benefícios garantidos aos dependentes do avulso:
• Pensão por morte
• Auxílio-reclusão, caso se trate de dependente de segurado de baixa renda.
É garantido ao avulso e aos seus dependentes o serviço de reabilitação profissional.

63. (IX CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2001). O


período de carência:
a) é contado desde o instante de filiação do segurado e até que haja a concessão
de qualquer prestação pecuniária pelo Regime Geral de Previdência Social.
b) cessa após o pagamento do benefício, com retorno do segurado à atividade
antes exercida na empresa.
c) não conta no período de fruição do salário-maternidade.
d) não é requisito para a obtenção do auxílio-doença pelo segurado espe­
cial.
Com entário: O auxílio-doença é uma das espécies de benefício previdenciário que
independem de carência, nos termos do art. 26 da Lei 1^8.213/1991 - Lei de Planos
e Benefícios da Previdência Social.
Direito Previdenciário para Concursos

64. (IX CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2001). Du­
rante o período de graça, o segurado:
a) não exerce atividade sujeita a filiação- obrigatória.
b) conserva o direito a todos os benefícios do regime geral.
c) só trabalhará naquelas atividades que, a critério médico, não prejudiquem
sua saúde ou integridade física.
d) receberá somente o salário-família e o auxílio-natalidade.
Com entário: Período de graça é aquele em que, mesmo sem contribuir, o segurado
mantém vínculo com a Previdência Social, com todos os direitos a essa condição, ou
seja, o segurado conserva todos os seus direitos (Decreto nfi 3.048/1999, art. 13, e Lei
de Planos de benefícios da Previdência, art. 15).
O legislador quis beneficiar o segurado que perdeu sua condição de filiado, por al­
gum motivo longe de sua vontade, a continuar no sistema previdenciário, mantendo
seu s ía it4 s de segurado, ou seja, com todos os seus direitos inerentes a essa qualidade.

65. (IX CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2001). Assi­
nale a alternativa correta:
a) o abono anual terá o valor baseado no salário de benefício que foi utilizado
no cálculo da prestação.
b) o abono anual, somado ao benefício devido no mês de dezembro não pode­
rá ultrapassar o limite máximo do salário de contribuição.
c) o abono anual não será pago ao dependente credor do auxílio-reclusão, se o
segurado até então preso receber o indulto de Natal.
d) o abono anual terá o valor calculado a partir da renda mensal devida no
mês de dezembro.
Comentário: Será devido o abono anual (gratificação natalina) ao segurado e ao depen­
dente da Previdência Social que, durante o ano* recebeu auxílio-doença, auxílio-aciden­
te ou aposentadoria, pensão por morte ou auxílio-reclusão, equivalente aos proventos
percebidos no mês de dezembro. Nada mais é do que o décimo terceiro salário.
Será calculado da mesma forma que a Gratificação de Natal dos trabalhadores, ten­
do por base o valor da renda mensal do benefício no mês de dezembro de cada ano
(art. 40, par. ún.).

66. (IX CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2001). A


aposentadoria por invalidez será cancelada:
a) após cinco anos, para o empresário que tiver direito a retornar à função que
desempenhava na empresa no momento em que se aposentou.
b) imediatamente, se o segurado recusar tratamento que depende de transfu­
são de sangue.
c) após tantos anos quantos forem os anos de duração do auxílio-doença e da
aposentadoria, quando o segurado for considerado reabilitado para o exer­
cício do trabalho.
d) mesmo que o segurado esteja apto para o exercício de atividade diversa
da que habitualmente exercia, desde que siga sendo paga pelo prazo de
dezoito meses.
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

Com entário: Aposentadoria por invalidez, espécie de benefício por incapacidade


juntamente com o auxílio-acidente e auxílio-doença, tem como principal objetivo
substituir a remuneração do segurado que se encontre incapaz total e definitiva­
mente para o exercício de atividade que lhe garanta sobrevivência, ou seja, havendo
total impossibilidade de reabilitação do segurado.
Se o segurado não recuperar totalmente a capacidade ou se a recuperar após 5 anos
ou ainda se ele for declarado apto para exercer atividade diversa daquela que ante­
riormente exercia,,a aposentadoria por invalidez cessa progressivamente: do ao
6“ mês após a recuperação, o segurado receberá 100% do valor do benefício; do 7a
ao 12U mês, o segurado receberá 50% do valor do benefício; do 13c ao 18u mês, o
segurado receberá 25% do valor do benefício.

67. (IX CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2001). O


benefício da assistência social é devido:
a) a quem dele necessitar, desde que comprove a idade legalmente prevista
ou a situação de portador de deficiência e que nenhum de seus familiares
possa prover-lhe o sustento.
b) a quem ainda não tenha direito a nenhum dos benefícios do regime geral e
nem possa prover o próprio sustento.
c) a quem seja considerado segurado de baixa renda e não tenha cumprido os
requisitos para a obtenção da aposentadoria por tempo de contribuição.
d) ao que deixou de perceber o seguro-desemprego e não faz jus à aposentado­
ria por idade.
Com entário: Nos exatos termos do art. 203 da CF, a assistência social será prestada
a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e
tem por objetivos:
I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice;
II - o amparo às crianças e adolescentes carentes;
III - a promoção da integração ao mercado de trabalho;
IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção
de sua integração à vida comunitária;
V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de
deficiência e ao idoso que comprovem nào possuir meios de prover à própria manu­
tenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei.

68. (IX CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2001). O


auxílio-reclusão será devido:
a) aos dependentes do segurado aposentado que falecer cumprindo pena de
reclusão.
b) aos segurados que não tenham direito à aposentadoria por tempo de contri­
buição ou idade se estiverem cumprindo pena privativa de liberdade.
Direito Previdenciário para Concursos

c) ao dependente, dispensada a carência, mediante certidão do efetivo reco­


lhimento do segurado de haixa renda à prisão.
d) em substituição ao auxílio-doença, ao segurado de baixa renda condenado
à pena de reclusão.
Com entário: O auxílio-reclusão será devido, nas mesmas condições da pensão por
morte, sendo também uma prestação continuada, substitutiva do salário de contri­
buição ou do rendimento do trabalhador, devido ao conjunto de dependentes do se­
gurado recolhido à prisão, que não receber remuneração da empresa nem estiver em
gozo de auxílio-doença, de aposentadoria ou de abono de permanência em serviço.
São requisitos para concessão do benefício:
1. condição dependente do segurado recluso de baixa renda;
2. não há período de carência;
3. detenção ou reclusão do segurado.

69. (IX CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2001). É in­
correto afirmar que a irredutibilidade no valor dos benefícios será assegurada
mediante:
a) adequados critérios de atualização do salário de benefício e atualização pe­
riódica do valor da renda mensal.
b) atualização monetária dos salários de benefício considerados nos últi­
mos trinta e seis meses que antecedem o requerimento da prestação.
c) a preservação do valor real da renda mensal inicial.
d) reajustamentos anuais, de conformidade com o índice Geral de Preços -
Disponibilidade Interna, ou qualquer outro capaz de garantir a manutenção
do poder de compra do segurado.
Com entário: A irredutibilidade do valor dos benefícios é um dos princípios consti­
tucionais da Seguridade Social (art. 194, IV, da CF).
Trata-se de condição para o desenvolvimento econômico social, garantia do poder
aquisitivo, sendo aplicado com enorme importância também para os benefícios de
Seguridade Social.
O art. 201, § 4a*, da CF/88 complementa este princípio assegurando-se o reajusta-
mento dos benefícios para preservar-lhe, em caráter permanente, o valor real, con­
forme critérios a serem definidos em lei.

70. (IX CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2001). Me­
diante justificação, processada perante a Previdência Social, a falta de documen­
to poderá ser suprida:
a) desde que a carteira de trabalho do segurado, relativa ao período questiona­
do, não esteja rasurada.
b) com confissão espontânea do empregador e recolhimento integral das con­
tribuições e seus acréscimos.
c) desde que haja correlação entre a atividade da empresa e a profissão do se­
gurado, mediante testemunhas.
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

d) quando testemunhas corroborem o registro de ocorrência policial de­


monstrativa do incêndio do estabelecimento no qual o segurado prestou
serviços.
Com entário: A justificação administrativa constitui recurso utilizado para suprir a
falta ou insuficiência de documento ou produzir prova de fato ou circunstância de
interesse dos beneficiários, perante a Previdência Social.
O art. 145 do Regulamento da Previdência Social (Decreto nü 3.048/1999) dispõe
que, para o processamento de justificação administrativa, o interessado deverá
apresentar requerimento expondo, clara e minuciosamente, os pontos que pretende
justificar, indicando testemunhas idôneas, em número não inferior a três nem su­
perior a seis, cujos depoimentos possam levar à convicção da veracidade do que se
pretende comprovar.

71. (IX CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2001). Assi­
nale a alternativa incorreta:
a) a ação referente a acidente do trabalho prescreve em cinco anos contados da
data cm que for reconhecida pela Previdência Social a incapacidade perma­
nente do segurado.
b) a perda da qualidade de segurado importa em caducidade dos direitos ine­
rentes a essa qualidade.
c) o direito aos benefícios é imprescritível.
d) prescreve em cinco anos, a contar da data em que deveriam ter sido pagas,
toda e qualquer ação para haver prestações vencidas.
Com entário: O direito ao benefício previdenciário em si nâo prescreve, mas tão
somente as prestações não reclamadas, no prazo de cinco anos, a contar da data em
que deveriam ter sido pagas.

72. (IX CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2001). No


Regime Geral de Previdência Social, o benefício de pensão por morte é devido:
a) em igualdade de condições, à esposa, ao filho menor de vinte e um anos e à
mãe do segurado falecido, desde que essa última comprove sua dependência
econômica em relação a ele.
b) em igualdade de condições, ao com panheiro da segurada falecida, as­
sim considerado aquele que com ela mantinha união estável quando da
morte, e ao filho da de cujus m enor de vinte e um anos, havido de distinta
união estável e que com ela não residia por ocasião do seu passamento.
c) à filha solteira do segurado falecido, que quando da morte era estudante de
curso universitário, tinha vinte e três anos de idade e vivia sob sua exclusiva
dependência econômica.
d) em igualdade de condições, aos pais e irmão inválido de segurado que, sem
ter outros dependentes, os mantinha sob sua dependência econômica.
Com entário: A pensão por morte é um benefício exclusivo do dependente do segu­
rado que sofre desfalque econômico por ocasião do óbito deste. Visa á manutenção
da família, no caso de morte do responsável pelo seu sustento.
Direito Previdenciário para Concursos

Os dependentes, por sua vez, estão inseridos no art. 16 da Lei nu 8213/1991 e são
divididos em três classes, quais sejam:
Ia) cônjuge e ex-cônjuge com pensão alimentícia, companheiro(a) e filhos de qual­
quer condição menores de 21 anos, não emancipados ou inválidos de qualquer idade;
2a) pais;
3U) irmãos menores de 21 anos, não emancipados ou inválidos de qualquer idade.

73. (IX CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2001). Quais
das seguintes características não é inerente ao regime de previdência privada,
nos termos da Constituição:
a) a dependência em relação ao Regime Geral de Previdência Social do qual
é complementar.
b) a presença das reservas matemáticas garantidoras dos benefícios.
c) a facultatividade de ingresso.
d) a contratualidade.
Com entário: Estabelece o art. 202 da CF:
O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma au­
tônoma em relação ao Regime Geral de Previdência Social, será facultativo, baseado
na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei
complementar.
A razão da existência de um sistema de previdência privada complementar consiste
no fato de que o RGPS do INSS não se mostra suficiente para suprir as necessida­
des dos que dela dependem. O seu objetivo não é outro senão o de complementar
0 benefício oficial prestado pelo INSS. Logo, pode-se dizer que ele não substitui o
sistema oficial, apenas o complementa.

74. (IX CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2001). Quem
já tenha vertido mais de cento e vinte contribuições, se ficar desempregado e
comprovar essa situação perante o órgão competente, terá:
a) mantida a qualidade de segurado pelo prazo improrrogável de doze meses,
salvo se vier a perceber benefício.
b) mantida a qualidade de segurado, desde que abra mão da percepção do
segu ro-dese mprego.
c) mantida a qualidade de segurado por até vinte e quatro meses contados da
data em que cessar o recolhimento das contribuições.
d) mantida a qualidade de segurado pelo prazo de trinta e seis meses.
Comentário: O Regulamento da Previdência e a Lei de Planos de Benefícios da
Previdência estabelecem as hipóteses em que, embora o segurado não esteja contri­
buindo, mantém a qualidade de segurado, a saber:
1 - sem limite de prazo, quando em gozo de benefício;
II - até 12 (doze) meses após a cessação de benefício por incapacidade ou após a
cessação das contribuições, o segurado que deixar de exercer atividade remunerada
abrangida pela Previdência Social ou estiver suspenso ou licenciado sem remunera­
ção. Este prazo pode ser prorrogado para 24 (vinte e quatro) meses, se o segurado
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

já tiver pagado mais de 120 contribuições mensais sem interrupção. Em caso de


desemprego, o prazo será acrescido de 12 (doze) meses, podendo assim chegar até
36 (trinta e seis) meses (§§ lü e 2Ü).

75. (X CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2002). Em se


tratando de financiamento da seguridade social, assinale a alternativa incorreta:
a) as contribuições sociais do empregador, da empresa e da entidade a ela equi­
parada poderão incidir sobre a folha de salários e demais rendimentos do
trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste
serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre a receita ou o
faturamento e o lucro;
b) as contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade so­
cial não poderão ser exigidas 110 mesmo exercício financeiro em que haja
sido publicada a lei que as instituiu ou modificou;
c) as contribuições sociais do trabalhador e dos demais segurados da Previ­
dência Social não incidirão sobre a aposentadoria e pensão concedidas pelo
Regime Geral de Previdência Social;
d) a diversidade de bases de financiamento está prevista na Constituição Fede­
ral e significa que a seguridade social será financiada por toda a sociedade,
de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenien­
tes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Muni­
cípios, além das contribuições sociais dos empregadores, trabalhadores e
sobre a receita de concursos de prognósticos.
Com entário: As contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade
social não são alcançadas pelo art. 150, III, b, da CF - princípio da anterioridade.
Com efeito, podem ser instituídas no mesmo exercício financeiro, todavia só podem
ser exigidas depois de decorridos o período de vacatio legis de 90 dias da data de
sua publicação da lei que as houver instituído ou modificado (art. 195, § 6U, da CF).

76. (X CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2002). Consi­


derando os princípios c regras gerais pertinentes à seguridade social, assinale a
alternativa incorreta:
a) o princípio da uniformidade determina que o elenco de prestações devidas
ao trabalhador urbano seja o mesmo atribuído aos trabalhadores rurais;
b) a regra da contrapartida impõe que nenhum benefício ou serviço da seguri­
dade social possa ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente
fonte de custeio total, estando nessa regra incluído o benefício de assistência
social;
c) as entidades beneficentes de assistência social, que atendam as exigências
estabelecidas em lei, gozam de imunidade subjetiva referente às contribui­
ções pertinentes à seguridade social;
d) o principio da seletividade e distributividade na prestação dos benefícios
significa que a seguridade social deve atender a todas as pessoas, de mol­
de a que a proteção alcance todos aqueles que se encontrem em situações
consideradas pela lei como de risco social.
Direito Previdenciário para Concursos

Com entário: O legislador deve abarcar, predefinir um rol de prestações, de eventos


sociais que ele pretende proteger. Fazendo isso ele delimita a área de proteção so­
cial no sistema da seguridade social, e isso se chama seletividade. O que realmente
este benefício seleciona são os riscos sociais carecedores de proteção. Uma vez se­
lecionado o risco, todas as pessoas que incorrerem na hipótese escolhida farão jus
à proteção social.
Já a distributividade seria o quanto cada cidadão necessita receber para ter uma vida
digna, justa. O sistema objetiva partilhar a renda, principalmente para aqueles mais
carentes.
A regra da distributividade autoriza a escolha de prestações que, sendo direito co­
mum a todas as pessoas, contemplem de modo mais abrangente os que demonstrem
possuir maiores necessidades.

77. (X CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2002). Não


são considerados dependentes do segurado:
a) o cônjuge separado ou divorciado, desde que não receba alimentos do
segurado;
b) a companheira, o companheiro e o filho não emancipado, menor de vinte e
um anos ou inválido;
c) os pais, comprovada a dependência econômica;
d) o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de vinte e um anos
ou inválido, o enteado e o menor tutelado, desde que comprovada a depen­
dência econômica.
Com entário: Dependente é aquele que depende economicamente do segurado, na
forma da lei. É toda pessoa física filiada ao RGPS em razão do seu vínculo com o
segurado principal, ou seja, a condição de segurado do dependente somente se ca­
racteriza por conta do vínculo com o segurado principal.
Os dependentes estão inseridos no art. 16 da Lei n- 8213/1991 e são divididos em
três classes, quais sejam:
1J) cônjuge e ex-cônjuge com pensão alimentícia, companheiro(a) e filhos de qual­
quer condição menores de 21 anos, não emancipados ou inválidos de qualquer idade;
2a) pais;
3J) irmãos menores de 21 anos, não emancipados ou inválidos de qualquer idade.

78. (X CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2002). Tra­


tando-se de carência, é incorreto afirmar que:
a) o período de carência é o número mínimo de contribuições mensais indis­
pensáveis para que o beneficiário faça jus ao benefício, sendo que, havendo
a perda da qualidade de segurado, as contribuições anteriores só serão com­
putadas depois que o segurado alcançar, a partir da nova filiação à Previ­
dência Social, no mínimo, 1/3 do número de contribuições exigidas para o
cumprimento da carência definida para o benefício pleiteado;
b) o período de carência para a concessão de auxílio-doença é de doze contri­
buições mensais;
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

c) o período de carência para a concessão de aposentadoria por invalidez é


de vinte e quatro contribuições mensais;
d) o período de carência da aposentadoria por tempo de contribuição, por ida­
de e a especial é de cento e oitenta contribuições mensais, à exceção daque­
les que já eram filiados ao sistema da Previdência Social até 24 de julho de
1991, que obedecerá à tabela própria.
Com entário: Carência é o número mínimo de contribuições mensais indispensá­
veis para que o beneficiário faça jus ao benefício, consideradas a partir do transcur­
so do primeiro dia dos meses de suas competências.
Para a aposentadoria por invalidez e auxílio-doença o prazo de carência é de 12
contribuições mensais, exceto se a causa tbr:
a) moléstia acidentária (acidente de qualquer natureza);
b) doenças relacionadas ao trabalho; c
c) se o segurado for portador de moléstia grave, essa última está provisoriamen­
te disciplinada no art. 151 do Plano de Benefícios da Previdência Social (Lei
nü 8.213/1991) e sempre atualizadas por portaria dos Ministérios da Saúde e da
Previdência Social (Lei nü 10.683/2003). Ex.: Aids, cegueira total, hanseníase, e
tuberculose ativa, entre outras.

79. (X CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2002). Em se


tratando de aposentadoria por invalidez, não é correto afirmar que:
a) o benefício é de trato continuado, cabendo a sua concessão quando verifica­
da a incapacidade total e definitiva do segurado para o trabalho, sendo que
para esse efeito não pode ser considerada doença ou lesão existente antes da
filiação, a menos que resultante de progressão ou agravamento do mal;
b) benefício nào é de caráter totalmente definitivo, posto que se nos exames
periódicos, a que venha a se submeter o aposentado, resultar demonstrada
a recuperação da capacidade laborativa, independentemente da idade do
beneficiário, é de ser cassado o benefício;
c) o retorno voluntário ao trabalho do aposentado por invalidez implica o can­
celamento automático da aposentadoria por invalidez, a partir da data do
retorno;
d) quando a recuperação for parcial ou mesmo quando o segurado for de­
clarado apto para o exercício de trabalho diverso daquele que habitual­
mente exercia, a aposentadoria por invalidez não será m antida, cabendo
somente a percepção de auxílio-doença.
Com entário: No caso em que o próprio segurado solicita uma reavaliação de sua
incapacidade, constatando-se sua reabilitação, a redução gradativa da aposentado­
ria por invalidez ocorrerá da seguinte forma:
a) quando a recuperação for total e ocorrer dentro de cinco anos, contados da data
do início da aposentadoria por invalidez ou do auxílio-doença que a antecedeu
sem interrupção, o benefício cessará:
Direito Previdenciário para Concursos

1) de imediato, para o segurado empregado que tiver direito de retornar à fun­


ção que desempenhava na empresa ao se aposentar, servindo, para compro­
vação, o certificado de capacidade fornecido pela Previdência Social;
2) após tantos meses quantos forem os anos de duração do auxílio-doença e da
aposentadoria por invalidez, para os demais segurados;
b) quando a recuperação for parcial ou ocorrer após cinco anos conlados da data
do início da aposentadoria por invalidez ou do auxílio-doença que a antecedeu
sem interrupção, ou ainda quando o segurado for declarado apto para o exercício
de trabalho diverso do qual habitualmente exercia, a aposentadoria será mantida,
sem prejuízo da volta à atividade:
1) pelo seu valor integral, durante seis meses contados da data em que for ve­
rificada a recuperação da capacidade;
2) com redução de 50%, no período seguinte de seis meses;
3) com redução de 75%, também pelo período de seis meses, ao término do
qual cessará definitivamente.

80. (X CONCURSO PARA JUIZ FEDERAI. SUBSTITUTO - TRF3 - 2002). Assi­


nale a alternativa incorreta:
a) a aposentadoria por tempo de serviço, com a EC nfi 20, de 15-12-1998,
transformou-se em aposentadoria p or tempo de contribuição, sendo exi­
gida do segurado a comprovação dc trinta e cinco anos de contribuição,
se do sexo masculino, ou trinta, se do sexo feminino, não tendo sido res­
guardado, nessa alteração constitucional, o direito adquirido aos que já
tivessem cum prido os requisitos para a obtenção do benefício com base
nos critérios da legislação anterior;
b) a aposentadoria por idade será dada ao segurado que completar sessenta e
cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de idade, se mulher, reduzi­
do em cinco anos o limite para os trabalhadores rurais de ambos os sexos e
para os que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, nestes
incluídos o produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal;
c) o professor, que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício nas
funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e mé­
dio, terá sua aposentadoria por tempo de contribuição aos trinta anos, se
homem, e vinte e cinco anos, se mulher;
d) fator previdenciário é encontrado tomando-se em consideração a idade, a
expectativa de vida e o tempo de contribuição, conforme critérios constan­
tes em lei.
Com entário: Após o advento da EC na 20/1998, é necessária a distinção entre:
• Segurados que antes da entrada em vigor da EC n* 20 já haviam implementado os
requisitos para requerer aposentadoria proporcional ou integral: Aposentadoria
proporcional - homem: 30 anos de tempo de serviço; mulher: 25 anos de tempo
de serviço.
• Segurados que, quando a EC na 20 entrou em vigor, já estavam vinculados à Pre­
vidência, mas não haviam implementado os requisitos para a aposentadoria:
Aplica-se a regra de transição, se não preferirem a regra nova:
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

a) Aposentadoria proporcional para homem: 30 anos de tempo de serviço; 53


anos de idade; período adicional de contribuição equivalente a 40% do tem­
po que faltava para aposentadoria - tempo de serviço - no momento em
que a EC nfl 20 entrou em vigor.
b) Aposentadoria proporcional para mulher: 25 anos de tempo de serviço; 48
anos de idade; período adicional de contribuição equivalente a 40% do tem­
po que faltava para a aposentadoria (tempo de serviço) no momento em que
a EC na 20 entrou em vigor.
c) Aposentadoria integral para homem: 35 anos de tempo de serviço; 53 anos
de idade; período adicional de contribuição equivalente a 20% do tempo
que faltava para aposentadoria (tempo de serviço) no momento em que a
EC n- 20 entrou em vigor.
d) Aposentadoria integral para mulher: 30 anos de tempo de serviço; 48 anos
de idade; período adicional de contribuição equivalente a 20% do tempo
que faltava para a aposentadoria (tempo de serviço) no momento em que a
EC nu 20 entrou em vigor.
* Pessoas que ingressaram na Previdência após a entrada em vigor da EC t f 20, ou
aqueles que se encontravam na situação anterior, mas fizeram opção pela regra
nova, ou seja, regra definitiva: Para a regra definitiva não há mais aposentadoria
proporcional, apenas a integral, nâo há necessidade de idade mínima, bastando
o tempo de contribuição e o de carência. O tempo de contribuição para homem
é 35 anos e para mulher 30 anos.

81. (X CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2002). Assi­


nale a alternativa que não guarda pertinência com o auxílio-doença:
a) trata-se de benefício devido em decorrência de incapacidade total e tempo­
rária para o trabalho, por mais de quinze dias;
b) o inicio do pagamento pelo órgão de Previdência Social para o segurado
é o décimo sexto dia de afastamento, sendo que os prim eiros quinze dias
são pagos pelo empregador, e o benefício previdenciário consistirá num a
renda niensal de oitenta por cento do salário de benefício;
c) para os segurados contribuinte individual, avulso, especial e o doméstico,
o termo a quo do pagamento do auxílio-doença corresponde ao início da
incapacidade, salvo em se tratando de segurado que requeira o benefício já
afastado da atividade por mais de trinta dias, quando, então, será devido a
partir da protocolização do pedido;
d) o segurado em gozo de auxílio-doença, não sendo suscetível de recuperação
para a sua atividade habitual, deverá submeter-se a processo de reabilita­
ção profissional para o exercício de outra atividade, cessando o benefício
quando considerado habilitado para esse fim em atividade que lhe garanta a
subsistência.
Com entário: O auxílio-doença é um benefício não programado (evento imprevisí­
vel), devido ao segurado que se encontra totalmente incapacitado para o exercício
de suas atividades habituais por mais de 15 dias consecutivos, com possibilidade de
Direito Previdenciário para Concursos

recuperar-se* consistente em uma renda mensal de 91% do salário de benefício, sem


fator previdenciário. A data do início do benefício será:
• para o segurado empregado: a contar do 16^ dia do afastamento da atividade, se
requerido no prazo de 30 dias; a contar da data de entrada do requerimento, se
requerido após 30 dias do afastamento da atividade; a contar da data do início
da incapacidade, se requerido no prazo de 30 dias.
• para os demais segurados: a contar da data de entrada do requerimento, se re­
querido após 30 dias do afastamento da atividade.

82. (X CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2002). Assi­


nale a alternativa incorreta, tratando-se de pensão por morte:
a) consiste num beneficio devido ao conjunto de dependentes do segurado,
aposentado ou não, enquanto persistir a situação de dependência;
b) consiste numa renda mensal correspondente a cem por cento do valor da
aposentadoria que o segurado recebia em vida ou do valor daquela que teria
direito se estivesse aposentado por invalidez na data do falecimento;
c) no rateio da pensão por morte, ao cônjuge sobrevivente será devido o
benefício na proporção de cinqüenta por cento, e o restante dividido, em
partes iguais, aos demais dependentes;
d) reverterá em favor dos demais a parte daquele cujo direito à pensão cessar,
sendo que a parte individual da pensão extingue-se pela morte do pensio­
nista e, para o filho, pessoa a ele equiparada ou o irmão, pela emancipação
ou ao completar vinte e um anos de idade, salvo se inválido, bem como para
o pensionista inválido, pela cessação da invalidez.
Comentário: De acordo com o art. 75 da Lei de Planos e Benefícios da Previdência
Social:
O valor mensal da pensão por morte será de cem por cento do valor da aposentadoria
que o segurado recebia ou daquela a que teria direito se estivesse aposentado por inva­
lidez na data de seu falecimento.
Os dependentes estão inseridos no art. 16 da Lei nc 8213/1991 e são divididos em
três classes, quais sejam:
Ia) cônjuge e ex-cônjuge com pensão alimentícia, companheiro(a) e filhos de qual­
quer condição menores de 21 anos, não emancipados ou inválidos de qualquer idade;
2a) pais;
3a) irmãos menores de 21 anos, nào emancipados ou inválidos de qualquer idade.
Caso exista mais de um dependente da mesma classe, deverá ser dividido o valor da
pensão. Será rateada entre todos, em partes iguais.

83. (X CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2002). Para


efeito de contagem de tempo de serviço, é incorreto afirmar que:
a) é vedada a contagem de tempo de serviço público com o de atividade priva­
da, quando concomitantes;
b) para efeito dos benefícios previstos no Regime Geral de Previdência Social
ou no serviço público é assegurada a contagem reciproca do tempo de con­
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

tribuição na atividade privada, rural e urbana, e do tempo de contribuição


ou de serviço na administração pública, hipótese em que os diferentes siste­
mas de Previdência Social se compensarão financeiramente;
c) não será contado por um sistema o tempo de serviço utilizado para conces­
são de aposentadoria pelo outro;
d) o tempo de serviço militar, bem como aquele em que o segurado esteve
em gozo de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez não podem
ser computados para efeito de contagem de tempo de serviço, visando à
obtenção de aposentadoria por tempo de serviço.
Com entário: Dispòe o art. 5 5,1 e II, da Lei nu 8.213/1991:
Art. 55. O tempo de serviço será comprovado na forma estabelecida no Regulamento,
compreendendo, além do correspondente às atividades de qualquer das categorias de
segurados de que trata o art. 11 desta Lei, mesmo que anterior à perda da qualidade
de segurado:
I - o tempo de serviço militar; inclusive o voluntário, e o previsto no § 1* do art. 143
da Constituição Federal, ainda que anterior à filiação ao Regime Geral de Previdência
Social, desde que não tenha sido contado para inatividade remunerada nas Forças
Armadas ou aposentadoria no serviço público;
II - o tempo intercalado em que esteve em gozo de auxílio-doença ou aposentadoria
por invalidez.

84. (X CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2002). Em se


tratando do benefício de assistência social, assinale a alternativa incorreta:
a) consiste na garantia de um salário mínimo mensal à pessoa portadora de
deficiência e ao idoso que comprove não possuir meios de prover a própria
manutenção ou de tê-la provida por sua família;
b) o benefício pode ser acumulado somente com o decorrente de pensão
por morte;
c) a condição de segurado não é requisito para a sua concessão;
d) falecendo o titular do benefício de assistência social, não há transferência
aos seus dependentes.
Com entário: A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independen­
temente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos:
I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice;
II - o amparo às crianças e adolescentes carentes;
III - a promoção da integração ao mercado de trabalho;
IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção
de sua integração à vida comunitária;
V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de
deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manu­
tenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei.
Direito Previdenciário para Concursos

O benefício da assistência social não pode ser cumulado pelo beneficiário com qual­
quer outro no âmbito da seguridade social ou de outro regime, salvo o da assistência
médica (art. 20, § 411).

85. (XI CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2003). Assi­
nale a alternativa correta:
a) a aposentadoria por invalidez, inclusive a decorrente de acidente do tra ­
balho, consistirá numa renda mensal correspondente a 100% do salário
de benefício, com a ressalva de que a renda mensal do benefício não terá
valor inferior a um salário mínimo e nem superior ao do limite máximo
do salário de contribuição;
b) a aposentadoria por invalidez, excluída a decorrente de acidente do traba­
lho, consistirá numa renda mensal correspondente a 100% do salário de
benefício, com a ressalva de que a renda mensal do benefício não terá valor
inferior a um salário mínimo e nem superior ao do limite máximo do salá­
rio de contribuição;
c) a aposentadoria por invalidez, excluída a decorrente de acidente do tra­
balho, consistirá numa renda mensal correspondente a 80% do salário de
benefício, mais 1% deste, por grupo de doze contribuições, não podendo ul­
trapassar 100% do salário de benefício, com a ressalva de que a renda men­
sal do benefício não terá valor inferior a um salário mínimo e nem superior
ao do limite máximo do salário de contribuição;
d) a aposentadoria por invalidez, inclusive a decorrente de acidente do tra­
balho, consistirá numa renda mensal correspondente a 80% do salário de
benefício, mais 1% deste, por grupo de doze contribuições, nâo podendo ul­
trapassar 100% do salário de benefício, com a ressalva de que a renda men­
sal do benefício não terá valor inferior a um salário mínimo e nem superior
ao do limite máximo do salário de contribuição.
Com entário: A aposentadoria por invalidez será concedida ao segurado que, es­
tando ou não em gozo de auxílio-doença, for considerado incapaz para o trabalho
e insuscetível de reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta a subsis­
tência. Será devida enquanto o segurado permanecer nessa condição. Corresponde
ao valor de 100% do salário de benefício e não poderá ter valor inferior ao salário
mínimo. Aliás, nenhum benefício que substitua o salário de contribuição ou o ren­
dimento do trabalhador poderá ter valor mensal inferior ao salário mínimo.

86. (XI CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2003). A em­
presa em débito com a Seguridade Social fica:
a) proibida de distribuir bonificações ou dividendos aos acionistas;
b) autorizada a atribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor
ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título
de adiantamento;
c) autorizada a atribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor
ou outro membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, salvo se a título de
adiantamento;
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

d) autorizada a requerer concordata, desde que não ultrapassado o limite legal


de seis meses em mora.
Com entário: Dispõe o art. 280 do Regulamento da Previdência Social - Decreto
nü 3.048/1999:
A empresa em débito para com a seguridade social não pode:
I - distribuir bonificação ou dividendo a acionista; e
II - dar ou atribuir cota ou participação nos lucros a sócio cotista, diretor ou outro
membro de órgão dirigente, fiscal ou consultivo, ainda que a título de adiantamento.

87. (XI CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2003). Sobre
a possibilidade de transmutação de benefícios, é correto afirmar que:
a) é irrelevante para a transmutação que se observe o princípio da norma mais
favorável;
b) somente pode ocorrer mediante iniciativa do titular;
c) a autarquia previdenciária pode, p or iniciativa própria, considerando-se
a avaliação clínica do segurado, converter o auxílio-doença que vinha
pagando em aposentadoria por invalidez;
d) a transmutação só pode ser aplicada quando, ao melhorar a situação do se­
gurado, não implicar maiores ônus aos cofres previdenciários. Nesta hipó­
tese, fica mantido o benefício anterior, que já vinha sendo recebido.
Com entário: Geralmente o auxílio-acidente antecede a aposentadoria por invali­
dez, ou seja, o INSS, antes de conceder a aposentadoria por invalidez, concede o
auxílio-doença.

88. (XI CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2003). O


segurado “A”, domiciliado em São Vicente, propôs ação condenatória, de va­
lor inferior a 60 salários mínimos, visando à concessão de aposentadoria por
idade em lace do INSS, distribuindo-a a uma das Varas da Justiça Estadual da
Comarca de São Vicente. Recebendo os autos, o MM. Juiz de Direito, de ofício,
declinou de sua competência para o Juizado Especial Federal Previdenciário de
São Paulo, nos termos da Lei n- 10.259/2001.
Assinale a alternativa certa:
a) o juiz agiu corretamente pois, já tendo sido instalado o Juizado Especial
Federal em São Paulo, é mais vantajoso para o segurado, em termos de cele­
ridade, que seja observado o rito da Lei nu 10.259/2001;
b) o juiz agiu corretamente porque a Comarca de São Vicente pertence à Seção
Judiciária de São Paulo, e já tendo sido instalado Juizado Especial Federal na
Capital, estaria cessada a competência federal delegada ao Juízo de Direito
da Comarca de São Vicente;
c) o juiz agiu incorretamente pois, não tendo sido instalado Juizado Espe­
cial Federal na própria Comarca de São Vicente, a ele caberia processar e
julgar o feito, nos termos do art. 109, § 3U>da CF;
d) o juiz agiu incorretamente pois, não tendo sido instalado Juizado Especial
Federal na própria Comarca de São Vicente, os autos deveriam ter sido re­
Direito Previdenciário para Concursos

metidos à Justiça Federal mais próxima, qual seja, a Vara Federal da Subse­
ção Judiciária de Santos.
Com entário: Prevê o art. 109, § 3B, da CF:
Serão processadas e julgadas na justiça estadual, no foro do domicílio dos segurados
ou beneficiários, as causas em que forem parte instituição de Previdência Social e
segurado, sempre que a comarca não seja sede de vara do juízo federal, e, se verificada
essa condição, a lei poderá permitir que outras causas sejam também processadas e
julgadas pela justiça estadual.

89. (XI CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2003). Não é
considerado tempo de contribuição para efeitos de aposentadoria:
a) o período em que a segurada esteve recebendo salário-maternidade;
b) o período de licença remunerada, desde que tenha havido desconto de con­
tribuição;
c) o tempo de exercício de mandato classista junto a órgão de deliberação
coletiva, independentemente de contribuição para a Previdência Social;
d) o tempo de serviço prestado às serventias extrajudiciais, desde que não te­
nha havido remuneração pelos cofres públicos e que a atividade não estives­
se à época vinculada a regime próprio de Previdência Social.
Com entário: Nos termos do art. 60, XI, do Regulamento da Previdência (Decreto
n- 3.048/1999):
Até que lei específica discipline a matéria, são contados como tempo de contribuição,
entre outros:
XI - o tempo de exercício de mandato classista junto a órgão de deliberação coletiva
em que, nessa qualidade, tenha havido contribuição para a Previdência Social.
Conforme se verifica, o tempo de exercício de mandato classista perante o órgão
de deliberação coletiva será contado como tempo de contribuição, desde que tenha
havido contribuição para a Previdência Social.

90. (XI CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2003). Assi­
nale a alternativa correta:
a) a habilitação e reabilitação profissional são prestações previdenciárias
na modalidade serviço que independem de carência;
b) a habilitação e reabilitação profissional são prestações assistenciais, daí por­
que independem de carência;
c) a habilitação e reabilitação profissional têm como público-alvo os beneficiá­
rios portadores de incapacidade total e definitiva para o trabalho, bem como
os portadores de deficiência, não sendo extensíveis aos seus dependentes;
d) no âmbito da habilitação e reabilitação profissional, o INSS tem o dever de
providenciar meios para a recuperação da capacidade laboral do segurado,
recolocando-o no mercado de trabalho.
Com entário: Nos termos do art. 26 da Lei nü 8.213/1991, independem de carência
os seguintes benefícios:
1. Pensão por morte;
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

2. Auxílio-doença e aposentadoria por invalidez (acidente, doença relacionada a


trabalho e doença grave);
3. Auxilio-reclusão;
4. Auxílio-acidente;
5. Salário-família;
6. Salário-maternidade para as seguradas empregada, trabalhadora avulsa e em­
pregada doméstica;
7. Serviço social;
8. Habilitação e reabilitação profissionais;
9. Benefícios concedidos ao segurado especial, de acordo com o art. 39 do PBPS.

91. (XI CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2003). No


que tange â pensão especial paga às vítimas da Talidomida, é correto afirmar-se
que:
a) essa pensão pode ser cumulada com eventual indenização a ser paga pela
União aos seus beneficiários;
b) essa pensão pode ser cumulada com pensão por morte previdenciária
deixada por cônjuge;
c) essa pensão só pode ser cumulada com aposentadoria por invalidez aciden-
tária;
d) essa pensão não pode ser cumulada com eventual rendimento ou indeniza­
ção que, a qualquer título, venha a ser paga pela União a seus beneficiários,
prevalecendo, nesta hipótese, e independentemente da opção do benefici­
ário, a pensão especial de que trata a Lei nü 7.070/1982, disciplinadora do
benefício em tela.
Com entário: A Lei n- 7.070/1982 criou uma pensão especial aos portadores de de­
ficiência física conhecida como Síndrome da Talidomida.
A pensão especial aos portadores da Síndrome de Talidomida, mantida pelo INSS
por conta da União (art. 4Cda Lei nu 7.070/1982), tem natureza indenizatória, por­
que é inacumulável com qualquer outra indenização pelo mesmo fato paga pela
União, inclusive o beneficio assistencial previsto no art. 203, V, da CF/88, e art. 20,
da Lei n- 8.742/1993 - LOAS, mas pode ser acumulada com outros benefícios de
natureza previdenciária (art. 3o, caput e § lu).
Ademais, a pensão por morte pode ser cumulada com outros benefícios, exceto com
outra pensão por morte do cônjuge ou companheiro.

92. (XI CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2003). No


que se refere ao salário de contribuição, é correto afirmar-se que:
a) o décimo terceiro salário integra o salário de contribuição para todos os
efeitos, inclusive o cálculo do benefício;
b) o salário-maternidade não integra o salário de contribuição;
c) as férias indenizadas acrescidas do terço constitucional integram o salário
de contribuição;
Direito Previdenciário para Concursos

d) os valores recebidos em decorrência de cessão de direitos autorais não


integram o salário de contribuição.
Com entário: Conforme art. 214, § 9L’, XXI, do Regulamento da Previdência Social
(RPS), que foi aprovado pelo Decreto nu 3.048/1999, os valores recebidos a titulo de
cessão de direitos autorais não integram o salário de contribuição do empregado,
desde que esta parcela não venha a substituir o salário do empregado.

93. (XII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2004). Assi­
nale a alternativa correta:
a) O tempo de serviço relativo à licença-prêmio não gozada pelo servidor pú­
blico estatutário será contado em dobro para efeito de obtenção de aposen­
tadoria no Regime Geral da Previdência Social, hipótese em que os diferen­
tes sistemas de Previdência Social se compensarão financeiramente;
b) O tempo de serviço do trabalhador rural, anterior à data de início da
vigência da Lei nfi 8.213/1991, será computado, para obtenção de aposen­
tadoria no Regime Geral da Previdência Social, independentemente do
recolhimento das contribuições a ele correspondentes, exceto para efeito
de carência;
c) O trabalhador rural volante, também conhecido como “boia-fria”, é consi­
derado segurado especial pela Lei nu 8.213/ 1991;
d) O Regime Geral da Previdência Social prevê, tanto para o segurado quan­
to para o dependente, indistintamente, as seguintes prestações: reabilitação
profissional, auxílio-reclusão e serviço social.
Com entário: Com a edição da Constituição Federal de 1988, que regulamentou
o Regime Geral de Previdência Social, para a aposentadoria por idade dos traba­
lhadores rurais seria necessário apenas demonstrar sua atividade rural, cabendo a
comprovação de recolhimento somente após a vigência da Lei na 8.213/1991. Dessa
forma, somente após de 24 de julho de 1991, data em que foi publicada referida lei,
é que se exige conipravação de recolhimento.

94. (XII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2004). No


que tange ao benefício mensal de prestação continuada previsto no art. 203, V,
da CF, é incorreto afirmar que:
a) O legislador ordinário considera incapaz de prover a manutenção da pessoa
portadora de deficiência a família cuja renda mensal per capita seja inferior
a Va do salário mínimo;
b) Por força da Lei n‘- 10.741/2003, o benefício pago ao marido idoso não será
computado no cálculo da renda familiar per capita para efeito de concessão
de outro benefício assistencial à sua esposa, maior de 65 (sessenta e cinco)
anos e que não possui meios de prover sua subsistência nem de tê-la provida
por sua família;
c) Com a m orte do beneficiário, o pagamento do benefício é transferido
aos seus dependentes, entendidos como tais aqueles arrolados no art. 16
da Lei nfl 8.213/1991, desde que vivam sob o mesmo teto e continuem a
m anter a condição de miserabilidade;
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

d) O benefício não pode ser acumulado com qualquer outro no âmbito da Se­
guridade Social, salvo o da assistência médica.
Comentário: O pagamento do benefício de prestação continuada cessa no momen­
to em que forem superadas as condições que o criaram, ou em caso de morte do
beneficiário, podendo ainda ser cancelado quando se constatar irregularidade na
sua concessão ou utilização.

95. (XII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2004). Assi­
nale a alternativa correta:
a) A partir da Lei ntt 9.876/1999, ficou garantida a concessão de salário-mater­
nidade, independentemente de carência, a todas as seguradas da Previdên­
cia Social;
b) A aposentadoria por idade pode ser requerida pela empresa, desde que o
segurado empregado tenha cumprido o período de carência e completado
65 (sessenta e cinto) anos de idade, se do sexo masculino, ou 60 (sessenta)
anos, se do sexo feminino;
c) A EC nü 41/2003 introduziu norma de eficácia limitada prevendo a criação
de sistema especial de inclusão previdenciária para trabalhadores de baixa
renda, a fim de que lhes seja garantido o acesso às aposentadorias por idade
e por tempo de contribuição;
d) É vedada a filiação ao Regime Geral da Previdência Social, na qualida­
de de segurado facultativo, de pessoa participante de regime próprio de
previdência.
Com entário: Não é permitida a inscrição como segurado facultativo à pessoa parti­
cipante de Regime Próprio de Previdência Social, salvo na hipótese de afastamento
sem vencimento. Nesta condição não é permitida a contribuição no respectivo re­
gime próprio.

96. (XII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2004).


Acerca da pensão por morte, é incorreto dizer:
a) Na ausência de outros dependentes da primeira classe, a pensão por mor­
te será rateada em partes iguais entre a companheira que, sem ser casada,
mantinha união estável com o segurado falecido e a ex-esposa, divorciada
do segurado mas que dele recebia pensão alimentícia;
b) A perda da qualidade de segurado do de cujus não prejudica o direito à
pensão por morte se já haviam sido preenchidos todos os requisitos para
obtenção da aposentadoria segundo a legislação em vigor na época em que
essas condições foram atendidas;
c) O cônjuge separado judicialmente que desistiu de receber pensão alimentí­
cia fará jus à pensão por morte se provar que continuou a depender econo­
micamente do segurado falecido até o óbito desse último;
d) Com a extinção da parte do último pensionista, e na ausência de outros
dependentes da prim eira classe, a pensão por morte reverterá em favor
dos dependentes da segunda classe.
Direito Previdenciário para Concursos

Com entário: Se antes da perda da qualidade de segurado houve preenchimento de


todos os requisitos para a concessão de aposentadoria, fica assegurado o direito do
trabalhador a essa proteção (direito adquirido). Têm igual direito os dependentes de
segurado que falece após a perda de sua qualidade. Se este tinha preenchido todos
os requisitos para a concessão da aposentadoria, seus dependentes terão direito à
prestação (art. 102, § 2°, da Lei nu 8.213/1991).

97. (XII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2004). "A”
foi empregado de “B” por 12 (doze) meses, deixando, logo depois, de exercer ati­
vidade remunerada. Ultrapassado o período de graça, “A” filiou-se novamente à
Previdência Social, tendo vertido contribuições por 04 (quatro) meses, quando
foi apurada, por meio de exame médico, sua incapacidade para o trabalho em
razão de úlcera gástrica. Diante disso, é correto afirmar que:
a) “A” não tem direito ao auxílio-doença nem à aposentadoria por invalidez,
visto que, a partir da nova filiação à Previdência Social, não reuniu as 12
(doze) contribuições mensais exigidas para a concessão desses benefícios,
não se tratando, ademais, de afecção constante na listagem interministerial
referida no art. 26, II, da Lei nL*8.21371991;
b) “A” faz jus à percepção do auxílio-doença, por deter a condição de se­
gurado, estar tem porariam ente incapacitado para o labor por mais de
15 (quinze) dias consecutivos e ter cum prido o período de carência, de­
vendo ser consideradas, quanto a esse último requisito, as contribuições
anteriores à perda da qualidade de segurado, já que foi vertido, a p artir
da nova filiação, 1/3 (um terço) das contribuições exigidas para o cum­
prim ento da carência definida para tal benefício;
c) “A” tem direito à aposentadoria por invalidez, por deter a condição de se­
gurado, estar temporariamente incapacitado para o labor e ter cumprido o
período de carência, devendo ser consideradas, quanto a esse último requi­
sito, as contribuições anteriores à perda da qualidade de segurado, já que foi
vertido, a partir da nova filiação, 1/3 (um terço) das contribuições exigidas
para o cumprimento da carência definida para tal benefício;
d) “A” faz jus à percepção do auxílio-doença, por deter a condição de segurado,
estar temporariamente incapacitado para o labor por mais de 15 (quinze)
dias consecutivos e porque independe de carência a concessão de benefício
por incapacidade nos casos de segurado que, após filiar-se ao Regime Geral
de Previdência Social, for acometido de úlcera gástrica, afecção constante
na listagem interministerial referida no art. 26, II, da Lei n2 8.213/1991.
Com entário: O prazo de carência do auxílio-doença é de 12 contribuições mensais,
exceto se a causa for: a) moléstia acidentária (acidente de qualquer natureza); b)
doenças relacionadas ao trabalho; e c) se o segurado for portador de moléstia grave.
Em se tratando de auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e salário-maternida­
de, em caso de perda da qualidade de segurado, as contribuições anteriores à perda
só contarão para efeito de carência depois de o segurado contar, a partir da nova
filiação, com quatro contribuições mensais (1/3 da carência exigida).
Questões Comentadas de Direito Previdenciário

98. (XII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2004). “X”
sempre verteu contribuições com base em quantia equivalente a 08 (oito) sa­
lários mínimos» aposentando-se em novembro de 1988. Atualmente, a renda
mensal de sua aposentadoria sequer chega a eqüivaler a 06 (seis) salários mí­
nimos, motivo pelo qual ingressou em juízo, pleiteando a revisão de seus pro­
ventos para que seja restabelecida, permanentemente, a correspondência com o
número de salários mínimos pelos quais contribuiu. O(a) candidato(a), como
Juiz(a) Federal, julgaria o pedido:
a) Improcedente, já que o inc. IV do art. 194 da CF consagra a irredutibili-
dade do valor do benefício, mas não garante a vinculação deste ao salário
mínimo, que só foi assegurada durante a vigência do art. 58 do ADCT;
b) Procedente, já que a aposentadoria é substituto da remuneração percebi­
da pelo segurado na atividade, prevendo a Lei n“ 8.213/1991 o reajuste dos
proventos de acordo com a variação do salário mínimo, em sintonia com
o disposto no inc. IV do art. 194 da CF, que assegura a irredutíbilidade do
valor do benefício;
c) Improcedente, já que a revisão dos proventos da aposentadoria, de acordo
com os critérios agasalhados pela Súmula nü 260, do extinto TFR, só se apli­
ca aos benefícios concedidos anteriormente ao Decreto-lei nc 2.171/1984;
d) Procedente, já que a legislação previdenciária infraconstitucional estabelece
uma correlação estrita entre o valor dos salários de contribuição integrantes
do período básico de cálculo, apurado em número de salários mínimos, e o
valor mensal dos proventos.
Com entário: De acordo com a Constituição Federal, é vedada a vinculação ao sa­
lário mínimo para qualquer efeito. A Constituição desvinculou a previdência do
salário mínimo (art. 7Ü>IV).
A Lei nü 8.212/1991 não vincula o valor dos benefícios ao valor do salário mínimo.
O maior e o menor teto de salário de benefício previsto na Lei nQ 5.890/1973, a
partir da Lei nü 6.205/1975, deixaram de ser vinculados ao salário mínimo. A única
coincidência é que o valor pago a título de previdência não pode ser inferior a 01
salário mínimo (piso).

99. (XII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2004). Assi­
nale a alternativa correta:
a) A assistência à saúde depende de filiação ao Sistema Único de Saúde - SUS
mediante o recolhimento de contribuições sociais pelo interessado;
b) Não integram o salário de contribuição: as importâncias recebidas a título
de incentivo à demissão e licença-prêmio indenizada; o valor total do pa­
gamento feito ao empregado viajante para indenizar as despesas com deslo­
camento, hospedagem e alimentação, quando excedente a 50% (cinqüenta
por cento) da remuneração mensal; as importâncias recebidas a título de
indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do em­
pregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS;
Direito Previdenciário para Concursos

c) Não estando no gozo de auxílio-doença, a aposentadoria por invalidez será


devida, ao segurado empregado, a contar da data do início da incapacidade
ou da data da entrada do requerimento, se entre essas datas decorrerem
mais de 30 (trinta) dias;
d) A renda mensal da aposentadoria p o r invalidez poderá superar o limite
máximo do salário de contribuição na hipótese de o segurado necessitar
da assistência perm anente de outra pessoa.
Com entário: A renda mensal do benefício de prestação continuada que substituir
0 salário de contribuição ou o rendimento do trabalho do segurado não terá valor
inferior ao do salário mínimo nem superior ao limite máximo do salário de contri­
buição (art. 201, § 2“, da CF e art. 33 do PBPS), exceto no caso da aposentadoria por
invalidez do segurado que necessitar da assistência permanente de outra pessoa, em
que o valor será acrescido de 25%, nos termos do art. 45 do PBPS.

100. (XII CONCURSO PARA JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO - TRF3 - 2004). As­
sinale a alternativa incorreta:
a) O fato de a aposentadoria não poder ser objeto de penhora, arresto ou se­
qüestro, sendo nula de pleno direto a constituição de qualquer ônus sobre
ela, não obsta o desconto de mensalidades de associação de aposentados
legalmente reconhecida, desde que autorizadas por seus filiados;
b) Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições, até
3 (três) meses após o licenciamento, o segurado incorporado às Forças Ar­
madas para prestar serviço militar;
c) Salvo no caso de direito adquirido, não se admite a percepção simultânea
da aposentadoria da segurada com a pensão decorrente da m orte de seu
marido, também segurado;
d) A fórmula do fator previdenciário uliliza as seguintes variáveis: idade (Id),
tempo de contribuição (TC) e expectativa de sobrevida (ES).
Com entário: Estabelece o art. 124, par. ún., da Lei de Planos e Benefícios da Previ­
dência Social (8.213/1991):
Salvo no caso de direito adquirido, não é permitido o recebimento conjunto dos seguin­
tes benefícios da Previdência Social:
1 - aposentadoria e auxílio-doença;
II - mais de uma aposentadoria;
III - aposentadoria e abono de permanência em serviço;
IV - salário-maternidade e auxílio-doença;
V - mais de urn auxílio-acidente;
VI - mais de uma pensão deixada por cônjuge ou companheiro, ressalvado o direito
de opção pela mais vantajosa.
Parágrafo único: F. vedado o recebimento conjunto do seguro-desemprego com qual­
quer benefício de prestação continuada da Previdência Social, exceto pensão por mor­
te ou auxílio-acidente.
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Cotnentários à Lei do Custeio da Seguridade Social. P orto Alegre: Livraria do Advogado,
2005.
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g id a s em c o n c u rs o s , p o r m e io de
ro te iro ló g ic o a p lic a n d o q u a d ro s ,
e s q u e m a s , ta b e la s e flu x o g ra m a s .

Vade Mecum Esquematizado


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G u s ta v o B re g a ld a N e ve s e
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