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Verde, Vermelho, Dourado ± Capítulo 1

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Virei-me para Mary com um sorriso triunfante, e fui
imediatamente desapontado por sua expressão facial.
³Isso foi lindo, Edward,´ Mary sussurrou. Ela tocou
seus olhos com um pequeno lenço de seda. Não vi
lágrimas, e fortemente suspeitava que ela estivesse
fazendo uma ceninha. Olhei para ela
impacientemente.
³Não é para ser lindo,´ expliquei. ´É sobre quão
grande é a honra de um soldado que está apaixonado
com a guerra.´ Não consegui ver entendimento em
seus olhos, a garota era realmente de cabeça vazia e
estava testando minha paciência cada vez mais.
³Então se eu for para a guerra,´ tentei novamente, ³e
estiver longe por períodos largos de tempo... é por
minha lealdade a ela. Meu amor por você,´ ou
qualquer garota, já que não amava Mary e a
considerava ser bastante temporária, ³sempre estará
em segundo lugar. Apesar de que considerando meu
forte desejo em ser um soldado, até segundo lugar é
muito bom.´ Eu sorri para ela timidamente, na
esperança de um mínimo sinal de entendimento.
³Claro, Edward,´ ela disse com olhos bem abertos,
³o que te fizer feliz.´
Suspirei exasperado, e me levantei. Estendi minha
mão, ajudando-a a se levantar. Ela me olhou em
retorno com uma expressão confusa. Realmente não
me importava. Eu tinha muita certeza que uma vez
que já tivesse sido mandado para a guerra, ela
esqueceria tudo a meu respeito.
Eu estava bem consciente de que nossos pais
estavam discutindo a possibilidade de um
casamento. Pensei sobre isso enquanto ela se
levantava delicadamente, seu vestido branco de
musselina farfalhando ruidosamente à sua volta.
Como eu poderia considerar passar o resto da minha
vida com uma garota com quem eu não podia nem
ter uma conversa inteligente?
Mary era bonita, eu sabia disso. Todas as garotas
que meus pais me apresentaram eram bonitas. Ainda
assim nenhuma podia prender meu interesse por
muito tempo. Loira, com seu espartilho, altamente
criada Mary, muito menos. Eu não me importava
com esses detalhes superficiais, embora eu vestisse
um belo terno cinza e cabelos penteados, sempre que
necessário. Eu realmente não queria ferir seus
sentimentos, como fiz várias vezes com outras
garotas. Havia sempre algo de errado com elas. Elas
não eram a garota certa.
Mary era o tipo de garota que as pessoas
considerariam ser a esposa perfeita. Prendada,
educada, que sabe apoiar. Ela sempre teria um vaso
de flores frescas na mesa da sala de jantar e um beijo
recatado para mim pela manhã antes de eu sair para
trabalhar. Ela me receberia calorosamente quando
estivesse de volta, com uma dose de scotch em sua
mão. Completamente tedioso. Eu não procurava
aquele estilo de vida, de qualquer modo, não
buscava nenhum estilo. Minha mente e meu coração
já estavam marcados na glória de me tornar um
soldado.
Estendi meu braço para ela, mais por hábito que por
cortesia. Ela balançou seus cílios estupidamente e
colocou uma de suas mãos em meu braço.
Caminhamos através do vasto e verde jardim da
propriedade de minha família em silêncio. Isso não
era problema para mim, mas senti ser para ela. Ela
olhou em volta inquieta, constantemente fitando meu
rosto. Parecia-me que ela lutava para encontrar algo
para dizer, e aquilo estava começando a me irritar
seriamente, que ela obviamente não podia pensar em
nada. Tão tola.
³Está um belo dia,´ eu comentei. Ao menos um de
nós era capaz de segurar uma conversa, eu pensei,
virando minha cabeça ligeiramente, para que assim
ela não pudesse me ver revirando os olhos.
³Sim,´ ela suspirou de alívio, ³está um dia muito
bonito.´ Ela não disse mais nada e eu também não.
Recusava-me a ter uma conversa de apenas um lado.
Entrando em casa, caminhamos em passos largos até
a sala de estar. Esperando em um sofá de veludo
vermelho estava minha prima, Heather. Ela era do
lado da minha mãe, o que era bastante óbvio. Ela
tinha o cabelo cor de bronze, que era a marca
registrada.
Ela era dois anos mais nova do que eu e ainda não
tinha sido apresentada à sociedade. Contudo, ela
estava extremamente ansiosa para isso. Nesse ano
passado ela tinha começado a me fitar com um olhar
que me deixava desconfortável. Era o mesmo olhar
que via naquelas garotinhas bobas que meu pai
insistia que eu devesse conhecer.
³Olá, Edward,´ Heather cumprimentou contente,
levantando-se num salto. Franzi as sobrancelhas em
desaprovação do vestido que ela usava, era um
pouco adulto demais para ela. Um pouco decotado
demais, embora ela realmente não tivesse nada para
mostrar. Suspeitava fortemente que ela estava
usando um espartilho. Cheguei à conclusão que ela
só estava sendo esperançosa, embora seus esforços
parecessem prematuros.
³Olá, Heather,´ respondi sem emoção. ´Uma vez
que temos convidados, trarei a criada.´ Coloquei
Mary sentada no sofá e a deixei rapidamente.
Não era necessário, é claro. Tínhamos maravilhosos
empregados, muitos haviam se tornando bons
amigos meus. Um deles estaria presente quase que
de imediato. Era só uma desculpa para deixar a sala,
para ter um momento para mim mesmo, um
momento de paz. O fato de me tornar um homem
tinha provado ser muito mais estressante do que eu
tinha antecipado. Inclinei-me de costas contra a
parede perto da entrada, fitando o teto.
³Como estão as coisas com você e Edward?´ Ouvi
Heather perguntar. Franzi o rosto. Não gostava que
minha própria família bisbilhotasse sobre mim nas
minhas costas.
³Ele é muito doce,´ respondeu Mary
cautelosamente, ³ele recitou um poema para mim
hoje.´
³Foi um poema de amor?´ Heather pressionou. Ela
estava obviamente pescando por detalhes solícitos.
³Não tenho certeza.´ Eu podia ouvir a desaprovação
na voz de Mary. Apertei os lábios, tentando com
força reprimir a risada.
Naquele momento, Nelly, a criada, virou a esquina
do corredor e me pegou. Sorri timidamente para ela.
Ela levantou uma sobrancelha.
³O que está fazendo, Edward?´ Ela me repreendeu.
Nelly era uma das minhas favoritas. Uma mulher
grande, roliça, com bochechas suaves. Ela vinha em
acirrado segundo lugar, perdendo apenas para minha
mãe, como a favorita mulher em meu mundo. Eu a
adorava, e me sentia muito afortunado por ter mais
de uma mãe amorosa em minha vida. Pressionei um
dedo contra meus lábios, a urgindo para ficar em
silêncio.
³Esse é um olhar travesso em seus olhos, jovem
Edward,´ ela me reprimiu, mas manteve sua voz
bem baixa.
³Ele beijou a sua mão? Ou sua bochecha?´ Ouvi
Heather perguntar demasiadamente ansiosa atrás de
mim.
³Você está espreitando nas senhoritas?´ Nelly
sussurrou asperamente.
³Não... embora eu deseje que ele o fizesse,´ disse
Mary triste.
Nelly ridicularizou. ´Que garota estúpida,´ ela disse.
Pressionei uma mão por cima da minha boca
segurando as risadinhas que estavam escapando da
minha garganta. Nelly e eu rimos em sussurros
silenciosos.
³Você encontrará a menina certa,´ Nelly disse
depois que acalmamos nossas risadas. Encolhi os
ombros e me desviei de seu olhar fixo. ´Sei que vai,
Edward. Você é um bom homem, você tem um bom
coração.´
Deixei-a ver um pequeno sorriso. ´Obrigado, Nelly.´
Não acreditava realmente naquilo, embora fosse
difícil negar a sinceridade de Nelly. Era só que
amor, garotas e casamento simplesmente não eram
prioridades para mim. Eu já tinha uma quantidade
infinita de problemas para que conseguisse que
alguém na minha família entendesse que eu estava
loucamente apaixonado pela glória de me tornar um
soldado. Estava comprometido a isso e não podia ver
nada mais além. Estava cego.
³Vamos lá, então,´ disse Nelly, empurrando-me em
direção à sala de estar, ³não pode ser grosseiro com
seus convidados.´
Aquilo foi horrivelmente embaraçoso e Heather era
completamente culpada. De alguma forma ela
conseguiu flertar comigo, mantendo um tom
ciumento com Mary, e se auto-convidar para o
jantar, praticamente tudo ao mesmo tempo. Estava
muito irritado e muito ansioso para que as duas
fossem embora. Eu queria ser deixado em paz com
os meus sonhos de batalhas triunfantes que eu
lutaria, e ganharia.
Assim lá estávamos nós, sentados à mesa da sala de
jantar, esperando a chegada dos meus pais. Heather
fez algumas perguntas fúteis sobre os meus
interesses, meus passatempos, se eu iria à sua infame
festa de aniversário no próximo mês.
Mary permaneceu tímida, incapaz de pensar em uma
palavra para dizer. De repente senti pena dela.
Embora ambos tivéssemos sido formalmente
apresentados à sociedade, e éramos adultos, ainda
assim, éramos jovens. Crianças. Senti que ela não
estava pronta para ser uma mulher ainda, e vivia
expectativas além das suas capacidades. De qualquer
forma, por que todos nós tínhamos de crescer tão
rápido?
Os meus pais nunca chegaram. Estava começando a
ficar preocupado. Era um comportamento
extremamente incomum. Então serviram-nos a sopa,
e meus pais ainda não haviam chegado. Tentei
chamar a atenção do empregado, mas ele
rapidamente deixou a sala antes de que eu pudesse
sequer dizer uma palavra.
Olhei fixamente minha sopa. Algo estava errado,
sabia que estava. Essa sopa deveria ser tão
apimentada? Senti um suor lento se formando em
minha testa. Podia ouvir vagamente Mary e a
Heather conversando. Ao que parecia, Heather tinha
grandes planos para seu aniversário. Tive a
impressão de que ela sentia que finalmente tinha
idade o suficiente para se socializar com os adultos.
Minha sopa virou um borrão diante de meus olhos e
perdi meu apetite de repente.
Sem aviso, Nelly entrou correndo na sala de jantar.
Vi seus olhos bem abertos, sua boca se contorcendo.
Algo muito errado. Levantei-me num salto e corri
até ela, segurando seus braços.
³O que é, Nelly?´ demandei. Em algum lugar da
minha mente me toquei que estava sendo muito
grosseiro, mas não liguei para isso. Vi sua boca se
contorcer ainda mais, seus olhos em todos os
lugares, exceto para mim. ´Onde estão meus pais?´
Perguntei devagar.
Foi quando ela finalmente me encarou, com
lágrimas nos olhos. ´Eles estão sendo levados para o
hospital, Edward,´ disse ela suavemente.
³Por quê?´
³Eles estão muito doentes e precisam de assistência
médica.´
³Por quê?´
Ela suspirou fundo. ´Está espalhada por aí, estão
chamando de Gripe Espanhola.´
Meu coração caiu aos meus pés. Eu estava bem
ciente daquela doença, ciente de que qualquer um
com ela raramente sobrevivia.
Pensei em abrir minha boca e deixar sair uma
enorme quantidade de exigências. Tinha de ir ao
hospital, tinha de ver meus pais. Naturalmente meus
pais tinham levado o carro, mas eu ia ordenar a
Nelly que preparasse uma carruagem, ou um cavalo.
Eu montaria em pêlo se fosse necessário. Pensei em
dizer tudo isso e mais, mas não o fiz. Em vez disso,
abri minha boca e tossi sangue em minha camisa.

Verde, Vermelho, Dourado ± Capítulo 2


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Ninguém disse nada, nem mesmo minha mãe, mas


eu sabia. Talvez ela não, mas eu sabia que meu pai
tinha partido. Eu sentia o vazio em meu peito com
sua morte. Ele não durou muito, meu valente pai
com seus cabelos escuros. Ele se foi.
Minha mãe e eu estávamos agüentando mais tempo,
deitados lado a lado em nossas camas. Embora
sentisse que nossa luta era em vão. A febre era
devastadora e eu sentia dor por todo meu corpo,
pulsando em minhas veias. Sabia que eu estava
muito pior que minha forte mãe. Eu mal podia senti-
la quando ela tentava cuidar de mim em meu leito de
morte.
Estava tão tomado pela doença que nem ao menos
podia falar. ³Mãe´, eu quis dizer, ³não faça isso...
cuide de si mesma, não de mim.´ Eu tinha dezessete
anos, mal havia começado minha vida ainda, mas
sabia que ela estava se acabando. Como qualquer
bom soldado, eu era capaz de reconhecer uma
batalha perdida.
Em algum momento, consegui abrir meus olhos e
ver um pouco mais claramente. Eu lamentei tê-lo
feito. Mal conseguia ver Mary deitada em uma cama
no outro lado do quarto. Tão jovem. Seus olhos
estavam bem abertos. Eles não se moviam. Foi aí
que soube que ela estava morta, muito antes deles
jogarem um lençol por cima de seu pálido corpo. Eu
sentia muito nesse momento, sentia por não ter
conseguido amá-la.
De repente pude ouvir a voz frenética de minha mãe,
tão perto e ainda tão longe. Ela tinha dito meu nome,
aquilo sim ouvi, entretanto o resto foi um borrão.
Parecia que ela estava falando com alguém, não
tinha nenhuma idéia de quem. Um médico talvez?
Uma alucinação? Eu a podia sentir partindo, o vazio
em meu peito tornou-se mais forte.
Como meu pai, eu simplesmente soube. Minha linda
mãe de cabelos cor de bronze, com seus impactantes
olhos verde-esmeralda se foi. Não havia sobrado
mais ninguém. Eu queria mostrar meu pesar,
expressar meu remorso para a favorita mulher em
minha vida, mas a doença não me deixava. Eu nem
podia mais manter meus olhos abertos.
Envergonhava-me infinitamente o fato de que não
podia pagar meu respeito à minha mãe, nem mesmo
em meu próprio leito de morte.
Não tinha nenhuma idéia quanto tempo tinha
passado, poderia ter sido minutos, poderia ter sido
meses. Não tinha mais nenhum conceito de tempo,
era irrelevante. Eu estava morrendo, nada mais
importava. Morte. . . Isto não era o que eu tinha
ansiado desde sempre? Realmente era a glória de um
soldado, ou era a de uma orgulhosa morte?
Sim, eu concluí, nunca fui apaixonado por ser um
soldado. Eu estava apaixonado pela morte. Fazia
perfeito sentido para mim. Eu queria morrer.
Exceto... Não haveria nenhuma glória nesta aqui. A
vergonha regressou. Talvez todos esses pensamentos
somente eram o resultado da febre. Estava apenas
delirando.
Mas eu podia sentir. Morte. Era estranho, muito
mais real do que poderia ter imaginado. Uma força
poderosa se aproximando para levar o pouco de vida
que eu ainda tinha. Deixe vir! Pensei selvagemente.
Honorável ou não, eu estava preparado para ela.
Qualquer coisa para acabar com a dor.
Então aconteceu. Eu estava voando, minha alma
alcançando os céus. Logo a escuridão em meus
olhos partiria e tudo que eu veria seria luz. Reuniria-
me com meus pais. Estaríamos contentes, seguros e
em aconchego.
De repente, parei de voar e senti que estava sendo
colocado em algo duro e frio. O que tinha
acontecido? Eu tinha sido negado o paraíso? O que
eu tinha feito de errado? Estava desesperado para
ver a face de minha mãe novamente, balancei minha
cabeça de um lado para o outro, tentando forçar
meus olhos a se abrirem.
A nova dor que veio era algo além da imaginação
humana. Rasgou minha carne, partiu minha alma em
pedaços. O fogo estourou por minhas veias, e
parecia estar vindo de mais do que apenas uma
fonte. Meu pescoço, meu peito, minhas mãos, fogo
ardente insuportável.
Eu gritei, rugi, me debati. Tentei buscar cegamente
pelas chamas, para fazer delas cinzas com minhas
próprias mãos. Mas não podia me mover, enormes
pedras estavam me contendo. Então este é o Inferno?
Estou sendo castigado por não ser o homem que
todo mundo queria que eu fosse? Qual foi meu
pecado? Fiquei revoltado, eu NÃO tinha pecado, eu
não era um pecador! Como elas ousam, as forças
divinas de natureza, tomarem minha alma apenas
por ser humano! Bati meus dentes às tais pedras,
acreditando que poderia me livrar à base de
mordidas se precisasse.
Eu sinto muito.
Eu parei. Isso foi falado tão claramente, quase
pensei que tivesse sido dito em voz alta. Mas não
foi. Ouvi em minha cabeça. Lentamente, um pouco
de cada vez, abri meus olhos. Vi seu rosto e entendi.
Foi o pensamento dele que eu ouvi.
³Quem é você?´ sussurrei.
³Meu nome é Carlisle,´ ele murmurou. ³Você estava
morrendo. Sinto muito, eu tive que fazer o que
podia.´
³Você causou toda esta dor?´ Franzi minhas
sobrancelhas. Ele não conseguia me olhar nos olhos.
³Sinto muito,´ ele repetiu. ³Eu tenho pensado nisso
por muitos anos. Acreditei que o que eu estava
fazendo era o certo.´ Eu estive sozinho por muito
tempo.
³Por quanto tempo?´ perguntei.
Surpreso, ele me olhou com seus arregalados olhos
em tom marrom-dourado. ³O que você disse?´
³Por quanto tempo você esteve só?´
Ele continuou me encarando por um longo
momento. Foi aí quando percebi que eu tinha
respondido ao pensamento dele, que não foi dito em
voz alta.
Você pode ouvir o que estou pensando?
Abri minha boca para dizer que sim, mas então outra
onda de dor me atingiu. Meu corpo inteiro
estremeceu e ele agarrou depressa meus ombros.
Vai acabar logo, eu prometo.
³Logo quando?´ ofeguei. O mesmo olhar de
surpresa apareceu em seu rosto, juntamente com
outra coisa, mas eu não sabia dizer o que.
Concentrei-me enquanto a dor parava. Eu podia
ouvir orgulho na mente dele.
Eu sabia que meu pai tinha me amado, de um modo
obrigatório. Afinal de contas, eu era o filho de um
poderoso advogado. Era uma de suas realizações.
Porém, Carlisle parecia estar orgulhoso de quem eu
era como pessoa, em lugar de µaquele menino¶ que
meu pai exibia. Havia mais sobre meu pai do que
isso, mas eu estava tendo dificuldade em segurar
minhas recordações.
Olhei para Carlisle. A pele dele era muito pálida,
suas mãos eram frias e duras. Havia algo muito
ameaçador sobre ele, e ainda assim sua mente era
cheia de compaixão. E amor. Ele me amava como se
eu fosse seu próprio filho, eu podia ouvir isto. Sorri
para ele e ele sorriu em retorno. Vi um sorriso duplo,
em seus lábios e em sua mente.
Então o fogo relampejou novamente através de meu
corpo, e meu sorriso mudou para um rosto fechado
em dor. Meu peito pesou e se contorceu com a
pulsação correndo por cada célula do meu corpo.
Não conseguia olhar para Carlisle, sua face
horrorizada de arrependimento só me amedrontava
ainda mais. Sentia como se minhas vísceras
estivessem sendo invertidas, se transformando em
um corpo que não era o meu. Meus gritos eram uma
ação sem sentido contra a dor, eles só intensificavam
a sensação de estar morrendo.
Era uma morte nova, esta dor em meu coração se
apertando e se esticando para fora de meu peito.
Perguntei-me quantas vezes um homem poderia
morrer; se em primeiro lugar eu fosse de verdade um
homem, ou se eu fosse ao menos permanecer
humano. Um humano... Humanidade... Alma...
Isso durou por três dias. Estava tornando-me mais
ciente das horas que passavam, e então de todos os
minutos, enquanto sentia minha humanidade
deslizando por meu fraco aperto. E então meu
coração parou. Não foi um grande evento,
simplesmente apagou em meio ao nada. Vazio. Oco.
Porém eu nunca poderia me esquecer da dor desses
três longos dias. Se me concentrasse na memória dos
dentes afiados de Carlisle em minha carne, e sua
língua deslizando e selando as feridas, eu ficaria
perturbado.
Perturbado.
Morto.
Zumbi.
Abri meus olhos, nem havia percebido que eles
estavam fechados. Vi Carlisle pairando sobre mim.
Elevei minha mão lentamente, franzindo à minha
nova pele. Segurei minha palma próximo à visão do
rosto de Carlisle. Minha nova pele estava agora tão
pálida quanto ele.
Este era o momento no qual eu soube que tinha
morrido. O momento... Quando acreditei que tinha
perdido minha alma.

Verde, Vermelho, Dourado ± Capítulo 3


÷  
  
Não consigo relembrar aquele primeiro dia
claramente, ou suponho que teria sido o quarto dia.
Ainda assim, era o meu primeiro dia, como este
estranho ser novo. Fui tão esmagado pela novidade
de tudo que minha mente estava capturada pelas
sensações. Meus pensamentos eram dificilmente
lógicos ou sequer humanos. Eles eram crus e
predatórios.
Carlisle continuava falando comigo, me
assegurando, tanto com sua boca quanto com sua
mente. Era um pouco perturbador, para dizer ao
menos. Um eco de vozes bombardeadas na minha
cabeça. Logo, os ecos se acalmaram. Quando eles
pararam, olhei para Carlisle curiosamente. Ele
estava calmo, destituído de qualquer pensamento.
Quase parecia como se ele tivesse prática com
animal leitor de mentes como eu.
Um animal, uma descrição muito cabível. Minhas
memórias, o meu sentido de humanidade estava
desbotando-se rapidamente. Apesar dos meus
pensamentos irracionais, alguma pequena parte de
mim queria se agarrar àquelas memórias que
estavam desaparecendo. Mas a coisa que senti foram
os meus novos instintos, ferozes e perigosos. Eu
estava tanto aterrorizado e ainda assim...
Estranhamente empolgado comigo mesmo.
Passei a maior parte dos dias de quatro, rastejando
pelo chão e paredes. Inspecionava tudo, cheirava
cada odor com os meus sentidos aguçados
recentemente adquiridos. Permiti que a nova pele do
meu rosto deslizasse através das várias texturas.
Maravilha encheu minha mente enquanto sentia uma
dualidade estranha entre o que deveria ter sentido e o
que eu tinha me tornado.
Carlisle ficou imóvel em uma cadeira, olhando cada
movimento meu cuidadosamente. Seu rosto não
entregava nada. Uma vez, ele tentou me dizer para ir
deitar novamente na cama. Ele ousou me
interromper com seus pensamentos enquanto eu
estava correndo minha macia mão ao longo de um
cano no canto da sala. Virei meu rosto rapidamente
para ele, mostrei os dentes e rosnei. Ele nunca tentou
aquilo novamente.
Eram os instintos que me controlavam, com uma
sensação de poder, uma sensação de conhecimento
que se eu cedesse aos instintos, o poder seria ainda
maior. Eu o queria, precisava dele. Dê-me o poder
que é por direito meu! O monstro levantou seu rosto
de olhos vermelhos dentro de mim.
Em algum lugar na minha mente, estava um ser
racional, com pensamentos sensatos, normais. O
monstro de olhos vermelhos não se preocupava com
aquele ser, ele rangeu seus dentes e rosnou. Tive
pena do ser que o monstro odiava. O ser chamado
Edward.
Edward.
Automaticamente me virei à fonte do meu nome.
Carlisle olhou para mim com aqueles gloriosos olhos
dourados. Eu estava agachado em frente à porta. Eu
podia sentir odores do outro lado dela e farejei os
espaços que a porta não cobria. Eu precisava.
³Ficará mais fácil, Edward,´ disse Carlisle
suavemente. ³Uma vez que você tiver totalmente
aprendido autocontrole, fica mais fácil.´
³Como você pode tolerá-lo,´ sussurrei, minha voz
tinha ficado macia, musical e letal. Menos que o som
de sinos de prata retinindo e mais próximo do som
de uma lâmina rasgando carne. Lentamente rastejei
em direção aos seus pés. Seus olhos se alargaram
com minha aproximação, sua mente se encheu de
apreensão. Eu não estava tentando consolá-lo com as
minhas seguintes palavras, eu estava meramente
afirmando um fato. ³Estou com sede,´ rosnei
inadvertidamente. Fiquei surpreso por quão humana
a afirmação soou, apesar do som da minha estranha
voz.
³Sim,´ Carlisle concordou; seus olhos ainda abertos,
³Sei que você está. Eu tenho estado esperando pelo
momento apropriado para levá-lo para caçar.´
Caçar. Eu o encarei incredulamente. Minha
humanidade teve ânsias de vômito a essa idéia, mas
o monstro que crescia dentro de mim riu
ameaçadoramente na minha mente. Caçar, sim,
mas...
³O que caçamos?´ Perguntei com olhos estreitos.
³Animais,´ Carlisle respondeu simplesmente. ³Há
um parque próximo, há cervos.´
Não! Meus instintos gritaram para mim, rebelando-
se contra o pensamento. Animais não são o bastante!
Eu era o animal aqui, precisava de uma presa muito
mais forte para apaziguar o monstro que se tornava
mais forte. Minhas mãos em forma de garras
arrastaram minhas unhas pelo lado do meu rosto,
sabendo que não podia me machucar, mesmo se eu
quisesse.
³Com a passagem do tempo, fica mais fácil,´ repetiu
Carlisle. ³Com o sangue de animais, podemos
conservar o que temos de nossa humanidade.´ O
pouco que pode ter sobrado nele.
O pensamento dele me balançou; atirou-me contra o
concreto. Apoiei-me em uma parede e o encarei,
enquanto o pó se acomodava em minha volta. Como
eu não podia possuir alguma humanidade? Fui
humano uma vez, tive uma família, pais, uma vida
humana verdadeira. Embora as minhas memórias
estivessem desbotando rápido, eu tinha de me
agarrar. O meu pai valente, minha bela mãe, não
podia me esquecer. Sou humano, lutei com o
monstro, tenho um nome!
³Meu nome é Edward,´ rasguei através de secas
lágrimas, ³Meu nome é Edward...´ Não podia
produzir lágrimas, não importava o quanto tentasse.
O pó que se movia em volta de mim era a única
coisa que poderia servir de lágrimas.
³Sim,´ Carlisle assegurou, ³você é Edward Masen,
como você sempre será. E eu sou Carlisle Cullen.´
³Não,´ sussurrei, ³não sou mais um Masen.´
Uma enorme tristeza nublou o rosto e a mente dele.
Durante um momento, tudo o que ouvi e vi foi sua
pena e compaixão. Então ele me abriu sua mente.
Carlisle, jovem, aterrorizado e tendo convulsões
com a dor da transformação, escondido embaixo de
um saco de batatas podres.
³Então, você sabe,´ reconheci.
Sim, conheço a sua dor.
Inclinei minha cabeça, curioso. Não houve nenhum
eco daquela vez. Somente seus pensamentos claros.
Vi o rebanho de cervo passando, e Carlisle, fraco
com a fome. Ele caiu sobre o cervo, devastando seus
corpos como... como um monstro.
³Eu vejo,´ eu disse, sentindo-me ligeiramente
aterrorizado. Imediatamente percebi que a afirmação
tinha mais de um significado.
³Fica mais fácil,´ ele sorriu, ³isso melhora.´
Eu sabia que nesse ponto ele já tinha estado
explicando minha nova existência durante dias, e eu
escutei. Acho. Não, não tinha escutado realmente, eu
tinha rejeitado a maior parte das suas palavras.
Ainda assim, elas me voltavam, como se eu nunca
pudesse esquecer nada novamente. Entretanto, tive
de perguntar.
³O que me tornei?´
Ele respirou profundamente, uma ação que
diretamente contradisse suas seguintes palavras.
³Somos vampiros.´ Não perdi o seu plural.
Eu quis gritar com ele, rasgar sua garganta por dizer
tais palavras, negar tudo. O menino que era Edward
chorou dentro de mim, fazendo muitas perguntas. O
que irá acontecer comigo? Que tipo de vida eu terei?
Morrerei? Eu poderia morrer, mesmo por minhas
próprias mãos? Vagamente relembrei uma memória
humana. Um objetivo há muito tempo esquecido, o
desejo de morrer depois de uma longa e dura
batalha. Como um soldado orgulhoso.
A honra da morte, o orgulho de uma guerra bem
lutada, elas eram todas memórias inúteis para mim.
Um tempo esquecido, um tempo que nunca
aconteceria novamente.
Então uma memória mais fresca me veio. Deitado no
meu leito de morte, humilhado por uma febre mortal
e muito doente para sussurrar até uma palavra. Nem
mesmo uma palavra de adeus aos meus pais
humanos. E não podia me reunir a eles, nem na
morte e certamente nem no céu, sendo que minha
alma tinha sido perdida.
Eu quis morrer nesse momento, queria muito.
Carlisle inclinou-se para frente, apoiando suas mãos
em seus joelhos. ³Há poucas maneiras que um
vampiro pode morrer. Para todos os efeitos, você é
imortal.´ Ele surpreendeu-me, como se ele fosse o
leitor de mente aqui, não eu. Então percebi que eu
tinha ouvido isso antes, várias vezes de fato. Eu
tinha estado escutando afinal.
³Vivemos por uma eternidade,´ continuou Carlisle.
³Dediquei a minha existência para curar e salvar as
vidas humanas. Não sei quais as suas aspirações
serão, Edward, duvido que você as saiba também. ´
Ele sorriu tortamente. ³Mas temos um longo tempo
para descobrir.´
Suponho que ele pretendia que suas palavras
confortassem, mas tudo que pude pensar foi que eu
tinha toda a eternidade para assistir à alguém
desvanecendo.
Verde, Vermelho, Dourado ± Capítulo 4
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Carlisle se manteve perto de mim no parque, eu


podia senti-lo a menos de um pé de distância todo o
tempo. Era um pouco irritante, ser observado tão de
perto. Eu não me sentia assim desde que eu era...
Era... Não conseguia me lembrar. Uma criança,
acho. Uma memória estava me cutucando, enquanto
estava parado no parque com Carlisle, o céu era uma
noite sem lua.
A memória passou num flash em minha mente,
embora eu só a visse através de embaçados olhos
humanos. Ñ
 
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Balancei minha cabeça, afastando a memória para
longe. Cheiros estranhos estavam em toda minha
volta. Meus novos instintos estavam borbulhando
debaixo de minha pele. Para caçar, para matar. Tudo
o que precisava era o menor dos incentivos. Ou isso
era o que o monstro precisava. Estava ficando difícil
distinguir entre o monstro em minha cabeça e eu
mesmo. Éramos um só, e o mesmo, mas não
exatamente.
Então ela estava lá. Arregalados olhos castanhos
saturados de medo. Ela congelou de repente ao nos
ver. Sorri e respirei fundo. O sangue que eu podia
cheirar, pulsando em suas veias, me chamava como
um doce elixir. Não tão doce como os outros aromas
que cheirei antes, mas esse serviria. Este animal
seria meu.
Carlisle colocou uma repressora mão em meu
ombro.
³Lembre-se do que eu disse. Passos pequenos,´ ele
murmurou.
Então percebi nesse momento, éramos capazes de
falar tão suavemente que nem um animal podia nos
ouvir. Nossa presa não receberia aviso algum de sua
morte iminente. O veado ficou parado, olhos bem
abertos, quase como uma estátua. Apenas o
movimento de seu peito traia sua quietude. A sede
rasgou por entre meus pulmões, se arrebentando
minha garganta, um líquido vil preencheu minha
boca. Eu engoli com dificuldade.
³É veneno,´ Carlisle explicou. ³Paralisa nossa
presa.´
Interessante. Por mais que essas novidades me
assustassem, era difícil não estar maravilhado com
todos os incríveis detalhes. Veneno em minha boca.
Dentes afiados como lâminas. E como Carlisle havia
me mostrado antes, força superior que eu tinha que
manter cuidadosamente guardada. Podia quase
acreditar que havia adquirido poderes de um Deus
em meu obscuro novo mundo de insuportável sede e
desejos selvagens.
A orelha do veado se contorceu. Ela não piscou, ela
não se moveu. Mas aquele movimento era o único
incentivo que eu precisava. Posicionei-me de forma
agachada, mais que preparado para minha presa.
³Ainda não,´ Carlisle disse com uma rápida mão em
meu ombro, ³passos pequenos. Você precisa
aprender controle.´
³Não,´ vociferei, empurrando a mão de Carlisle e
pulando à frente.
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Ela estava em minhas mãos antes que até pudesse
pensar. Percorri meus dedos ao longo de sua coluna,
procurando pelo ponto mais vulnerável em suas
vértebras. Quebrei seu pescoço com um movimento
de meus dedos. Rosnei com poder e forcei meus
dentes em seu pêlo. Sangue deslizou em minha
garganta, preenchendo-me com um prazer cegante.
Então, o prazer esgotou-se rápido demais, e não
havia mais sangue algum no veado. Soltei o inútil e
seco corpo no chão. Tudo isso aconteceu em menos
de um segundo.
Virei para Carlisle. ³Mais,´ eu ordenei com um
rosnado. Lambi meus dentes ensangüentados. Ele
cautelosamente andou até mim e se agachou.
³Não vou mentir para você, Edward. Você pode ler
minha mente, então não há muita razão em fazê-lo,´
ele sorriu. Virei meus olhos. ³Sangue animal nunca
irá satisfazê-lo completamente, mas é o suficiente.´
³Que outro sangue há?´ franzi, sentindo-me
desesperado. Carlisle evitou meus olhos, e olhou
para o morto e mutilado animal.
³É sua escolha,´ ele sussurrou. ³Eu acredito que não
é apenas porque fui transformado em algo, que isso
não significa que não posso tentar ser melhor do que
aquilo que me tornei.´
³Você não respondeu minha pergunta,´ estreitei
meus olhos, ³e você está bloqueando seus
pensamentos.´
Ele suspirou. ³Esta é a vida que escolhi; apenas me
alimentar de animais e não de humanos.´
Humanos? Ele era louco? Eu era? Os aromas que
pude me lembrar de antes voltaram para mim, e
minha garganta explodiu em chamas com a nova
sede. Sim, humanos. Virei-me, preparando-me para
correr.
³Edward!´ Carlisle gritou enquanto se atirou, me
levando ao chão. Lutei, e por um momento parecia
que eu estava ganhando. Eu era mais rápido e um
melhor soldado. Eu podia acabar com ele tão
facilmente.
³Pense nisso, Edward, apenas por um momento!´
Carlisle me olhou, era intimidante. Quando parei de
lutar, ele falou novamente. ³Seu pai era um humano.
Sua mãe era humana. Toda sua família era humana.
Você realmente quer sugar cada um deles até
secarem?
Minha mandíbula se apertou. ³Talvez eu queira.´
Encarei em resposta.
³Está bem,´ ele disse de forma áspera. ³Vamos
escavar o corpo de seu pai e deixar você beber o
pouco de sangue que lhe resta. Você gostaria
disso?´ Estremeci com a imagem que ele estava
mostrando. ³Que tal deitarmos você ao lado de sua
mãe morta para que assim possa sugar todo o sangue
dela a noite toda, enquanto estão ambos a sete
palmos debaixo do chão. É mais de sua
preferência?´
Senti-me doente, não fisicamente, mas mentalmente.
Carlisle estava sendo impiedoso, mostrando meus
pais em sua mente como bonecos zumbis. Olhe mas
não toque. Então entendi o que ele estava dizendo.
Qualquer humano que eu ousasse matar seria
exatamente como meus pais, porque eram humanos
também. Assassinar humanos apenas me levaria para
mais longe de minha humanidade perdida. De
acordo com o mundo de Carlisle, ao menos. Em seu
mundo, ele poderia não ser humano, mas ele sentia
que era compassivo de estar perto o suficiente de
possuir humanidade.
E eu não estava me comportando com qualquer traço
de compaixão ou humanidade. Eu estava com fome
e monstruoso e envergonhado. Emoções passavam e
mudavam tão mais rápido para vampiros. Eu fui de
ser um monstro para ser µaquele garoto¶ que
desapontou minha mãe com sonhos tolos de guerra e
frustrei meu pai com rejeições constantes de garotas
que ele me apresentou.
Carlisle me levantou e colocou um braço ao redor de
meus ombros.
³Sinto muito, Edward. Eu sei que isso é difícil para
você.´
³Você nunca bebe sangue de humanos, então?´
murmurei.
³Nunca,´ ele respondeu.
³Tem algo errado comigo?´ preocupei. ³Sou o único
que quer mais do que apenas o brando sangue de um
animal?´
³Não,´ ele sorriu. ³Eu anseio por isso também. Mas
depois de anos de prática, posso resistir, e utilizar
minhas... habilidades para ser um médico melhor.´
Ele me deixou sem palavras. Não pude evitar
observá-lo, eu estava repleto de admiração. Jurei
naquele momento em ser melhor do que eu era.
Tornou-se um sonho, fazer meu novo amigo e novo
pai orgulhoso de mim. Eu irei resistir. Tinha
esperanças de que dessa vez, não seria um sonho
tolo.
³Vamos,´ ele disse, ³foi o suficiente para sua
primeira vez. Agora deveríamos te colocar em
roupas mais apropriadas.´
Olhei para ele, confuso. Então olhei para mim
mesmo. Ainda estava usando a vestimenta do
hospital. Olhei para a parte de trás e sorri
envergonhado.
Eu estava parado em frente a um espelho no
banheiro de Carlisle. Bati no meu cabelo enquanto
Carlisle observava minhas reações. Meu cabelo
ficou no mesmo lugar, congelado no tempo. Parecia
meio bagunçado e nem sequer um pente faria
alguma diferença.
³Você transpirou muito como resultado da febre,´
ele explicou, ³então seu cabelo ficou assim.´
Movi meus ombros e continuei me inspecionando. O
terno que ele me comprou serviu muito bem, mas
ainda me sentia desconfortável. Meus sentidos
aguçados podiam sentir cada fibra da roupa em
minha nova pele. Ah sim, minha pele, mais pálida
que o próprio branco. A luz do banheiro não ajudava
muito, me perguntei como eu ficaria na luz do sol.
Mas então, havia meus olhos. E eu soube que
nenhuma parte do garoto chamado Edward havia
permanecido, nem mesmo sua única conexão com
sua mãe. Seus olhos verdes como esmeraldas. Meus
olhos eram vermelhos. O sangue vermelho de um
caçador.

Verde, Vermelho, Dourado ± Capítulo 5


l  
 

Era fascinante como a cor do olho de Carlisle ficava


mais clara enquanto caçávamos, de marrom dourado
para caramelo. Meus olhos continuavam vermelho
sangue e isso me incomodava. Carlisle me assegurou
que meus olhos mudariam para dourado com o
tempo, depois que meu corpo tivesse gastado todo
meu sangue humano.
Eu queria ser como ele. Esse meu único confidente
era compassivo e dourado. Mas eu ainda estava
combatendo o monstro dentro de mim. Ou talvez
estivesse apenas lutando contra eu mesmo. Parecia
não haver nenhuma diferença entre os dois,
especialmente enquanto eu ainda era um selvagem
recém-criado. Enquanto eu permanecia neste estado
sedento de sangue, estava ficando cada vez mais
difícil se agarrar às minhas recordações humanas.
Quem eu uma vez fui.
Ouvir os pensamentos de todo o mundo era um
assunto diferente. Os pensamentos de outras mentes
ficavam tão altos que anulavam freqüentemente os
meus próprios pensamentos. Nesse primeiro ano,
Carlisle me manteve cuidadosamente escondido da
população humana. Ainda assim, se um humano se
aventurasse dentro de alguns quilômetros de minha
localização, eu podia ouvi-los claramente. Eu sentia
como se tivesse perdendo os dois: minha
humanidade e minha mente.
Levei um tempo para aprender a como controlar
meu novo dom, como Carlisle chamava. Eu tinha
dúvidas quanto a chamar isso de dom, se sentia mais
como uma maldição. Minha cabeça pulsava com os
pensamentos de outros, e ele me encontrava
freqüentemente em um canto, encolhido como uma
bola.
Ele me encontrou assim um dia, estremecendo e
encolhido tão apertado que eu nem podia vê-lo. As
vozes continuavam vindo a mim, rasgando minha
sanidade.
 

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³Por que eles não param de falar?´ Chorei sem
lágrimas.
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³Sim.´
Então focalize em minha voz e ignore o resto.
Fiz o que me disse. Levou muita concentração, mas
eu fui capaz de bloquear as outras vozes. Era como
se fossem dois rádios, lado a lado. As vozes e
Carlisle. Eu diminuí o volume de todas aquelas
vozes e aumentei a voz de Carlisle a todo volume.
Eu relaxei, enquanto deixava sair uma longa
respiração. Interessante como eu tinha deixado de
respirar todo aquele tempo, e que não tinha notado
que nem precisava respirar. Eu me desenrolei e
apoiei as costas na parede. Carlisle se sentou
próximo a mim e ambos olhávamos para frente.
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³Sim, Carlisle,´ eu suspirei. ´Obrigado.´

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³Dom,´ eu ridicularizei debaixo de minha
respiração.
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Ele me pegou ali. Eu realmente estava gostando da
nossa silenciosa comunicação. Tinha alguma coisa
bem mais profunda e mais pessoal sobre conversar
com alguém em sua mente. Isso removia tantos
detalhes superficiais envolvidos em uma conversa
normal, e ia direto para o coração dos problemas.
Estava começando a esquecer como eu conseguia
manter uma conversa com alguém antes.
 
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³Gosto?´ perguntei franzindo a testa.
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³Eu gosto de música,´ eu disse sem pensar.
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³Eu gosto de tocar piano.´
Nunca o questionei e apenas brevemente me
perguntei como ele conseguiu um piano tão rápido.
Ele o trouxe para casa logo no dia seguinte. Os
pensamentos dos outros não eram mais tão altos, e
eu podia me concentrar no embalar pacífico da
música. Sorri para mim mesmo, quando me dei
conta que não havia ninguém para golpear a minha
mão com uma régua. E mesmo se houvesse, eu
estava aprendendo a controlar.
Tantas coisas mudaram, não só meu corpo físico.
Mas também minha mente. Eu tinha muito mais
escolhas do que nunca tive antes. Já não era
obrigado a casar com alguma menina tola. Na
verdade, eu já não tinha a obrigação de amar
ninguém. Eu amava a idéia de me tornar um
soldado, mas é claro que era um sonho
desnecessário, considerando o que eu tinha me
tornado. A idéia de me tornar um soldado de repente
pareceu-me tão banal.
E então tinha Carlisle, seus próprios pensamentos o
traíam. Uma noite, quando voltava tarde do hospital,
eu o ouvi no quarto ao lado, se lamentando.
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Minhas mãos diminuíram seus movimentos sob as
teclas do piano, e escutei com mais atenção.
 
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Eu estava chocado. Certo que ele tinha sido bastante
severo durante os primeiros dias de minha nova
existência, mas considerando meu comportamento,
obviamente era uma dureza bem merecida. Eu era
perigoso.
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³Não,´ eu disse suavemente, enquanto fiquei parado
na entrada do quarto. Carlisle permaneceu imóvel,
com a cabeça em suas mãos.
Ele era meu amigo, meu camarada. Eu sabia seus
pensamentos mais íntimos, até mesmo os que ele
nunca expressou. Ainda assim lá estava ele, se
perguntando se ele tinha me feito o certo, enquanto
eu acreditava que tinha sido um bom confidente para
ele. Pelo menos, eu pensei que tinha sido um amigo
decente. Claramente precisava mostrar o quanto eu o
respeitava.
³Você me perdoa?´ ele sussurrou.
³Claro,´ eu respondi. ´Se não fosse por você, eu
nunca teria tido uma chance de ser o homem que
queria ser. Você me deu muito mais que outra vida,
você me deu livre-arbítrio.´
³Eu sinto muito, se eu condenei sua vida,´ ele disse.
Eu balancei minha cabeça e caminhei para ele.
³Você não me condenou,´ eu disse enquanto me
agachava em sua frente. ´Você me salvou.
Obrigado, pai, por me salvar.´
Ele me olhou surpreso, foi a primeira vez que o
chamei de pai, mas era a única palavra que faria
justiça ao meu respeito por ele. Eu sorri e esperei
não parecer forçado. Sentia um som de culpa em
algum lugar no fundo da minha mente. Perguntei-me
se eu estava sendo um hipócrita. Era parcialmente
uma mentira. Afinal, você precisava de uma alma
para ser salvo, e eu tinha perdido a minha.
E assim, esse foi meu primeiro ano. Assisti o
vermelho em meus olhos começando a enfraquecer,
e eles ficarem tingidos com um ouro muito escuro.
Para o fim do ano, eu ainda não estava lá, não era
dourado ainda. Porém, eu tinha ganho uma quantia
incrível de autocontrole. Aprendi a como bloquear
pensamentos, como aumentar o volume de um rádio.
Os pensamentos dos outros se tornaram um fraco
barulho de fundo que eu podia ignorar facilmente.
Carlisle era gentil comigo, ele também aprendeu a
nunca invadir minha mente com seus próprios
pensamentos até quando ele queria falar diretamente
comigo. Descobri que eu gostava muito de nossa
comunicação silenciosa, e me sentia ficando cada
vez mais próximo a ele. Este homem, este vampiro,
meu pai.
Um pouco de cada vez, ele abria sua mente para
mim, revelando como ele viveu durante os séculos.
Eu aprendi tudo que devia saber sobre vampiros.
Aprendi tudo das experiências dele, suas viagens,
inclusive os Volturi. Espantou-me descobrir que
estávamos praticamente sozinhos, embora haviam
poucos vampiros no mundo. No entanto, me
surpreendi ainda mais por perceber quão únicos
éramos no nosso estilo de vida. Bebíamos sangue de
animais e nunca sangue humano.
Eu soube quando aquele primeiro ano tinha
terminado quando me vi no espelho, uma cor
marrom dourada começou a vazar em meus olhos.
Quase lá. Logo, eu iria aprender como viver neste
mundo cheio de humanos e tentação.

Verde, Vermelho, Dourado ± Capítulo 6


š
   
Eu olhei no espelho. Franzi profundamente as
sobrancelhas, e depois as alisei. Levantei um canto
de minha boca, depois abaixei o outro canto.
Levantei minhas pálpebras e depois as deixei cair.
Mostrei minha língua. Suspirei. Meus olhos tinham
começado a mudar levemente, conseguia ver uma
vaga cor castanha na íris, mas o vermelho ainda era
bastante visível. Isto ia ser difícil.
Carlisle tinha me mantido bastante isolado durante
quase um ano. Tudo que tive como companhia era o
piano e livros. Quantias infinitas de livros,
colecionadas por Carlisle. Havia livros que eu nunca
tinha ao menos ouvido falar. Absorvi cada palavra,
inclusive os livros de medicina. Eu podia ler tão
rápido, aprender mais rápido ainda, em uma
velocidade cegante. Ainda assim, ficava entediado.
E então, estava na hora de me aventurar lá fora.
Carlisle tinha feito planos para eu reinvidicar os
bens de minha família. De alguma maneira ele tinha
convencido as pessoas apropriadas de que eu tinha
sobrevivido à epidemia e que estava me recuperando
todo esse tempo. Quando eu lhe perguntei, ele disse,
³Os humanos vão acreditar no que você lhes falar.´
Isto aliviou um pouco minha culpa, eu não era o
único que estava mentindo.
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Eu podia ver Carlisle no espelho, em pé na entrada.
Curvei minha cabeça e me apoiei contra a pia do
banheiro.
³Na verdade não,´ murmurei. ³Me lembre
novamente como é a história.´
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³E por que estamos fazendo isto hoje?´ Eu olhei
para ele no espelho, e ergui uma sobrancelha.
³Porque hoje´, ele sorriu largamente, ³está
nublado.´
Nós estávamos andando rua abaixo rumo a minha
casa. E quero dizer andando mesmo. Carlisle tinha
que caminhar ao meu lado com uma mão em meu
ombro todo o tempo. Primeiro, para ter certeza que
eu mantivesse o ritmo humano, e segundo, porque
eu estava fingindo ser cego. Usei pequenos e
redondos óculos de sol, para que assim ninguém
pudesse ver meus olhos vermelhos.
Carlisle tinha falado µmanso¶ com o advogado que
estava controlando os negócios de minha família.
Ele era um dos sócios de meu pai. Era um pouco
perturbador descobrir que os pensamentos dele eram
tão diferentes às suas palavras faladas. Ele me
ofereceu seus pêsames, dizendo que a morte de meus
pais foi uma grande lástima. Enquanto em sua
mente, ele se alegrava pelo ganho do controle da
firma de advocacia que a morte do meu pai lhe
permitiu. Todos os humanos eram assim tão
mesquinhos?
Eu tinha decidido não vender a casa, não podia dizer
o porquê, e talvez nunca saberia. A única coisa que
podia ter certeza era o senso de família que a casa
representava, e eu não podia deixar isso partir.
Assim, a casa iria permanecer em meu nome, sendo
cuidada pelo escritório de advocacia por tempo
indeterminado.
Então ali estávamos, dentro da casa que parecia
familiar mais e ainda assim diferente para mim.
Trabalhamos de forma eficiente, Carlisle e eu,
recolhendo tudo o que eu queria manter comigo. Ele
dizia do outro lado da casa, #, 

8 
 
8:  
; E eu respondia em nada mais do
que um sussurro, ele conseguiria ouvir cada palavra.
Etiquetamos as caixas, decidindo quais deveriam ser
enviadas a nós e quais permaneceriam lá. Tudo
levou uma hora. Satisfeito com nosso trabalho,
deixamos a casa pela parte dos fundos, cruzando o
vasto e verde gramado. Naquele momento, as
nuvens se abriram e um raio de luz solar acariciou
Carlisle. Eu congelei. Carlisle se virou.
$
* '4;
Sua pele estava brilhando, eu podia ver toda linha,
cada superfície. Olhei para minhas mãos na luz do
sol, minha pele estava brilhando também.
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: , ele disse. &

!
Fascinante e aterrorizante ao mesmo tempo. Respirei
profundo e acenei com a cabeça para que ele
continuasse andando.
O vampiro conduzindo o cego, bem cômico na
verdade. Entrelaçamos através de um mercado local
cheio de pessoas gritando suas autopromoções. Eu
cortei o fluxo de ar para meus pulmões, como
Carlisle havia me dito, para bloquear todos esses
cheiros humanos. Fechei meus olhos brevemente,
tentando controlar o volume de seus pensamentos.
³As melhores e mais frescas flores que você poderá
encontrar!´ gritou uma grande mulher em um
vestido cinza. '
  *
 
  
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³Peixe! Compre seus peixes aqui!´ Ñ
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  *
  


 
  
* ? !

Eu não pude deixar de me perguntar se existia tal
coisa como um humano que fosse fiel às suas
palavras. E me perguntei também de suas reações.
As multidões pareciam não perceber que estavam se
abrindo entre nós como o Mar Vermelho. Mas
ninguém sequer deu uma segunda olhada, com
exceção de alguns: >
 -
 
ou >
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       , e em seguida
estávamos fora de suas mentes. O que lhes causava
que nos ignorasse tão depressa?
³Eles nos temem,´ eu concluí em um sussurro.
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  +   

  -
  
  
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³Por quê?´
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!
Ñ, e ele deu ênfase
nessa palavra,
   
    
 
 


Os detalhes de nosso disfarce se tornaram muito
mais complicados para mim. Estávamos nos
escondendo em plena vista, era um paradoxo
fenomenal.
³Como você vê os humanos então?´
&  
-0
 *)
³Fé?´
Sim, acredito que se eu puder manter minha
sensibilidade em respeito à humanidade, talvez
minha alma seja julgada baseada nisso.
³Sua fé é absoluta?´
= ';
Naquele momento queria acreditar muito nele. Eu
sabia o que ele estava dizendo, ele acredita que
temos almas. Que poderíamos proteger nossas almas
ao sermos mais humanos. Não podia concordar e
não conseguia dizer nada mais desse assunto.
Porém mais do que qualquer outra coisa, eu queria
me afastar dos humanos.

Verde, Vermelho, Dourado ± Capítulo 7


÷   
Eles tinham estado lutando durante dias, os humanos
de Chicago. Olhei para fora da janela, agradecido
que estávamos em uma área longe das rebeliões.
Podia imaginar bem o que aconteceria com tanto
sangue humano derramado na minha frente. Eu lhes
mostraria uma luta que eles nunca imaginariam, nem
até em seus piores pesadelos.
Espiei Carlisle. Ele estava ouvindo as notícias na
rádio, ocasionalmente sacudindo sua cabeça.
9
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  !

 

.


, ele estava pensando. Suspirei. Ainda bem que
ele não podia ouvir os meus pensamentos. Eu
tornava-me mais ansioso à medida que o tempo
passava. Tendo de ficar confinado em um
apartamento, para que não pegássemos o cheiro de
sangue humano há quilômetros de distância, era
completamente maçante. Com certeza, nós como
vampiros, poderíamos ter sido muito mais
produtivos.
Estava no meu limite e pensando em várias coisas ao
mesmo tempo. Se pudesse pegar os causadores. . .
Conseguiria por um fim em todo esse assunto
sofrido rapidamente, e não deixaria nenhuma
evidência para trás. Ninguém nem notaria que outro
criminoso esteve no meio. Eu seria limpo sobre isso
e até lhes mostraria clemência, nenhuma tortura,
apenas uma morte rápida. Estava gostando do plano
que estava em formação na minha mente quando
Carlisle me interrompeu com os seus pensamentos.
7 !
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Decidi expressar meus pensamentos. Se os humanos
estavam se comportando como animais, talvez não
éramos melhores do que eles eram. Jogo justo.
³Poderíamos parar isto,´ eu disse casualmente.
³Não, não podemos,´ respondeu Carlisle severo. Eu
sabia que ele estava sério em suas palavras já que ele
as disse em voz alta, mas tive de discutir.
³Mas podemos,´ enfatizei, ³temos habilidades,
poderíamos terminar com toda esta luta.´
Ele levantou-se e cruzou seus braços. ³As nossas
habilidades não são para perpetuar a violência.´
Joguei meus braços para o ar. ³Isso é precisamente
para o que as nossas habilidades são. Somos
assassinos, é o que fazemos.´
³Não, eu sou um médico.´
³E você é vampiro.´
Encaramos um ao outro durante um momento. A
tensão de viver em um espaço tão confinado estava
obviamente atacando nossos nervos. Então ele
suspirou e tentou sorrir.
³Peço desculpas,´ ele disse graciosamente.
³Podemos ser assassinos, mas não somos heróis.´
³Então o que somos? Vilões?´ Respondi
asperamente.
Imediatamente lamentei tê-lo respondido assim e
olhei para baixo. Foi horrivelmente desrespeitoso,
certamente não podia me dar o luxo de perder o
único aliado que eu tinha em meu mundo escuro.
Era oficial, o meu último nervo se esgotou. Aliviei
minha carranca e olhei para baixo, esperando por
uma resposta.
Ele muito calmamente respondeu, ³Não, estamos
nos mudando.´
Por mais que eu não quisesse admitir, Carlisle estava
certo. A luta, os humanos começaram a chamar ³the
Race Riot´, era a distração perfeita. Era tempo para
mudar e começar realmente a viver. Ninguém nem
nos notaria deixando a cidade. Para não mencionar,
Carlisle tinha estado em Chicago por muito tempo,
ele não podia dizer que era mais velho do que trinta
e cinco sem despertar suspeitas. O disfarce pesou.
³Onde estamos indo?´ Perguntei.
³Ashland, Wisconsin. É uma área em que já estive
antes.´ Ele abriu sua mente e vi uma pequena
comunidade do norte, localizada perto de um grande
lago.
³O que farei lá?´ A imagem que ele me mostrou foi
agradável o bastante, mas não gostei da idéia de
passar ainda outro ano em exclusão.
³Eu estava pensando que você poderia ser o irmão
mais jovem de minha esposa que morreu.´ Bufei, era
divertido. Toda a alegria abandonou-me quando ele
disse suas seguintes palavras. ³Você pode registrar-
se em uma secundária, aprender como se comportar
em volta dos humanos.´
Tínhamos tudo no carro de Carlisle, um brilhante
modelo Ford T preto. Não conseguimos colocar o
piano, é claro, portanto aconselhei obter um segundo
veículo, uma picape talvez. Carlisle aceitou e
adquiriu um caminhão Dodge enferrujado. Logo
estávamos na estrada, segui o seu Ford enquanto
dirigia o caminhão, e fomos capazes de ter uma
conversa o caminho inteiro. Os talentos ocultos dos
vampiros eram certamente muito convenientes.
A mais ou menos meio caminho do nosso destino,
notei um carro lentamente dirigindo junto de nós.
Era longo e esbelto, uma máquina muito bela.
³Eu sempre quis ter um desses,´ mencionei.
 

4;
³Sim, o meu pai teve um se me lembro
corretamente. Ainda assim eu teria gostado de ter
um para mim mesmo.´
#


!*<
Podia praticamente ouvir o
sorriso em sua voz.
Ele comprou uma pequena casa nos arredores da
cidade, perto de uma floresta. Era a posição ideal.
Tínhamos mais espaço do que antes e pela primeira
vez, comecei a sentir-me em casa com ele.
Caçamos aquela primeira noite, para dar-me a
chance de explorar esta nova área. O jogo era muito
mais desafiante, ursos e búfalos. Aproveitei
imensamente. Era gratificante enfrentar um desafio
verdadeiro, me entregar à caça.
Um novo cheiro invadiu minhas narinas. Girei
minha cabeça e vi uma bela criatura. Uma cara
bonita, orgulhosa. Olhos dourados que brilhavam na
escuridão da noite. O leão da montanha curvou seus
ombros, o imitei. Meus músculos se tencionaram,
preparados para dar o bote. Agachei-me e mostrei
meus dentes para minha presa.
As palavras se foram de mim quando afundei meus
dentes na carne do leão da montanha. Como alguém
descreve a refeição mais deliciosa que eles já
provaram alguma vez quando não há nenhuma
comparação? O gosto do sangue deslizando por
minha garganta abaixo não era o único fator. O jeito
que esta criatura lutava, provocando um desafio a
cada um dos meus sentidos e habilidades, era
excitante. Mais do que qualquer coisa, eu aceitei o
desafio e ganhei cada vez.
Soltei o corpo inanimado no chão. Apontei meu
rosto para o céu estrelado e deixei sair um longo
rugido de alegria. Lutei contra o animal e saí
triunfante.
Depois que nos satisfizemos, nos sentamos em um
vasto campo, dois vampiros apenas tentando
sobreviver.
³Carlisle?´
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³Entendo que não estou mais com sede, mas também
não estou completamente satisfeito.´
Carlisle suspirou. '
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³Você alguma vez deseja por mais?´
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   )

 
   
   
   
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Eu podia dizer que havia mais em sua mente, então o
incitei. ³O que você deseja?´
& ! 
Isso não era algo que eu desejava. Não podia
imaginar compartilhar-me com alguém, nem mesmo
precisar de alguém. Eu tinha um objetivo simples,
fazer meu pai orgulhoso. Carlisle, um vampiro, o
meu pai e meu ídolo. Senti-me triste que ele
desejasse mais, quando eu não o fazia. Mais de mim
mesmo, talvez, mas certamente não companhia.
³Você deveria se limpar,´ Carlisle disse enquanto
andávamos de volta para a casa.
Sorri de modo esperto para ele. ³Você também.´
Ele fingiu ofensa. ³Quero que você saiba que não
tenho derramado uma gota de sangue em minha
roupa desde 1679.´
³Sério?´ Levantei uma sobrancelha. ³O que
aconteceu?´
³Bem... Tive um confronto particularmente
entusiasmado com um Alce.´
Rimos baixinho, e entrei no banheiro.
O meu queixo caiu quando olhei o espelho. Inclinei-
me para perto, virando meu rosto para um lado e
para o outro. Carlisle sorriu calorosamente no
espelho e piscou para mim. Não podia parar de
olhar. Meus olhos estavam cor de topázio.
Finalmente consegui, eu tinha terminado com o meu
primeiro ano. Eu era dourado.

Verde, Vermelho, Dourado ± Capítulo 8


ö  
Aquele verão foi suficientemente agradável.
Carlisle havia adquirido um Pierce Arrow. Eu estava
extático, era um carro deslumbrante, polido e
amarelo. Ele disse que dirigi-lo ao redor de Ashland
não seria beneficial ao nosso disfarce, mas nos
permitimos dirigir o carro em outro lugar. Apenas
uma coisa me incomodava.
³Como você comprou esse carro, Carlisle?´
' !

Levantei uma sobrancelha. Levou-me menos de um
segundo para compreender a verdade. ³Você o
roubou?´
Carlisle moveu os ombros. & 
 
 
!! 
,>

,
8
*
 < '4. Ele quase disse µfilho¶ em seus
pensamentos, mas parou a si mesmo. Embora ele
tenha aceitado que eu pensasse sobre ele como um
pai, porque ele era digno de tal respeito, ele não
tinha certeza de que eu aceitaria de ser referido
como seu filho.
E eu estava feliz, estando com meu pai e sendo seu
filho. Embora fosse perturbador aprender o lado
mais obscuro de nossa existência. Tínhamos que
mentir, trapacear e roubar para podermos nos
acomodar no mundo. Contudo, meus sentimentos
perturbados diminuíram rapidamente, quando
concluí que estes pecados realmente não fariam
diferença aos condenados. Indiferentemente, era
muito divertido.
Dirigimos até a cidade mais próxima e vasculhamos
por lojas de música. Comecei a colecionar tudo que
podia colocar minhas mãos em cima. Em uma loja,
Carlisle me passou uma pilha de papéis. Olhei para o
pacote, eram folhas de música em branco. 


,   
 
0 


  !:! 
/ , ele disse. Eu sorri. #,
. 

  

 '4; Eu franzi as sobrancelhas. Seus


pensamentos pausaram por um breve segundo, e eu
sabia que ele queria me chamar de µfilho¶. Então fiz
desse meu objetivo, provar a ele que eu era
merecedor de tal título.
Em sumo, um belíssimo verão, envolvendo tempo de
qualidade entre pai e filho para os estranhos, e um
reforço de camaradagem entre dois vampiros. Então
setembro apareceu, e era meu primeiro dia do ensino
médio. Bem, tecnicamente não era bem meu
primeiro dia, mas, meu primeiro dia como vampiro
fingindo ser humano em uma escola cheia de
suculentos humanos.
³Estou certo de que você ficará bem,´ Carlisle disse
depois de eu me vestir. ³Você exibiu grande controle
durante nossas viagens à cidade.´
³Parece que sim,´ respondi, pegando minha bolsa de
livros.
†
'4, eu ouvi enquanto saía pela porta.
Retornei exatamente às 15h50min, cinco minutos
após o final das aulas. Corri o caminho todo, ansioso
por escapar de todas aquelas mentes juvenis.
Encontrei Carlisle em seu escritório, um jornal
aberto em frente ao seu rosto. Fiz uma carranca,
soltando um sibilo.
³Como foi seu primeiro dia na escola, filho?´
Carlisle perguntou por de trás do jornal.
³Foi a experiência mais excruciantemente chata da
minha vida. . . Pai, ´ respondi secamente.
Carlisle gargalhou. Então, ele cuidadosamente
dobrou o jornal e o deitou em sua mesa. Ele estava
sorrindo e então ficou sério abruptamente.
³E os humanos? Como foi?´ ele perguntou. Movi
meus ombros, me jogando em uma cadeira. ³Teve
qualquer problema em resistir?´
³Bem, não foi tão difícil quanto eu imaginava,´ eu
disse. ³Estou bem certo de que humanos ficariam tão
surpresos quanto eu estava, se a refeição deles
começasse a andar de repente.´
Carlisle levantou as sobrancelhas, surpreso. ³O que
quer dizer?´
³Eu podia ouvir todos os seus pensamentos, cada
uma de suas insignificantes, minúsculas mentes.´
Apertei o canal do meu nariz. ³Foi exaustivo. Sim,
ocasionalmente um humano chegava muito perto, ou
havia uma brisa em minha direção. Contudo, apesar
da dor em minha garganta e o fresco fluxo de
veneno em minha boca, eu certamente não os achava
atraentes quando seus pensamentos triviais invadiam
minha mente.´
³Interessante,´ respondeu Carlisle, com um sorriso.
'
,
³Pelo quê?´ questionei.
³Por desenvolver uma conexão com a humanidade
tão cedo. É uma proeza incrível.´
Eu sorri, era um elogio maravilhoso. Quase me fez
sentir que depois de tudo eu tinha alguma chance de
viver às expectativas dele e ganhar meu valor.
Naquele ponto, a relação pai/filho era mais uma
piada interna do que uma realidade que eu tanto
ansiava.
³Então, você vai trabalhar no seu primeiro turno
noturno no hospital essa noite, correto?´ perguntei,
sem querer ser rude. Eu me importava com os
interesses dele tanto quanto com os meus próprios.
No entanto, eu poderia facilmente ter ficado
reclamando de ter que ficar na escola por horas,
então eu precisava de uma distração.
³Sim, isso mesmo,´ ele respondeu. ³Estou ansioso
para continuar meu trabalho.´
E assim foi por meses. Tínhamos nossa rotina. De
dia, eu agia como humano estudante de dezesseis
anos, e de noite, enquanto Carlisle trabalhava no
hospital, eu continuava com minhas composições
musicais. Tínhamos uma imensa quantidade de
privacidade, a qual adorava imensamente. Ainda
assim, ao mesmo tempo, compartilhávamos nossa
privacidade respeitosamente. Eu não aprendi que
havia ganhado meu valor até muito depois, pois eu
fiquei sem tempo de repente, quando achei que
tínhamos todo o tempo do mundo.
Os dois anos que tínhamos... Acabaram-se.
Eu ouvi Carlisle correndo para dentro de casa, seus
pensamentos estavam confusos e em um turbilhão.
Eu também podia sentir o cheiro, teria sido
impossível não notar. Sangue. Sangue humano.
Sangue humano fresco. Carlisle, eu pensei, o que
você fez?
'4

!
1 
 
81
Nunca o ouvi soar tão agitado antes, me deixava
nervoso. Corri até ele e o encontrei carregando uma
mulher humana. Sem palavras, me joguei de costas
contra uma parede.
 * 
  
   
!, ele me
implorou. Ele estava certo. Eu mal podia ouvir o
coração dela, estava tão fraco e desacelerando a uma
velocidade assustadora.
³O que você espera que eu faça?´ fechei a cara.

 
,


')
!
  


!

'
!
 
Meus olhos se arregalaram, chocado com suas
palavras. Mas se era o que ele precisava, então isso
era o que eu faria por ele. Acenei em consentimento.
O segui até seu escritório. Ele gentilmente deitou a
mulher em sua mesa. O que eu vi em seguida fez
minha mente nauseada. Ele a estava mordendo.
Pescoço, pulsos, tornozelos, peito. Criando feridas
da mesma forma que fez comigo.
'41(0
!1
Eu o agarrei e puxei nós dois para fora do escritório.
Sentamos ali, eu amedrontado e ele respirando
pesadamente. Então ele correu para o banheiro e
cuspiu sangue na pia. Ele ligou a torneira,
enxaguando a boca. Tudo que eu podia fazer era
sentar ali e encará-lo. Ele me viu pelo espelho.
³Obrigado,´ ele sussurrou. Movi meus ombros. Eu
faria qualquer coisa por ele. ³O nome dela é Esme,´
ele começou, ³ela tentou suicídio. Ela é especial e eu
não podia apenas deixá-la morrer.´
Sua mente abriu e eu vi Carlisle atendendo uma
garota de 16 anos. Ele estava cuidando de sua perna
quebrada. Sedosos cabelos cor-de-caramelo, rosto
doce e apaixonado. Era o mesmo rosto da mulher
contorcendo-se de agonia no escritório de Carlisle,
dez anos antes. Um rosto dourado. Eu soube então,
era a companhia que ele precisava. Eu não era
suficiente.
Ele justificou suas ações, tirar uma vida humana por
amor e companheirismo. Eu tive dificuldades em
justificar suas ações com a mesma rapidez que ele o
fez. Sim, já estávamos condenados, então mais um
ato pecaminoso e criminoso de roubar uma alma
humana não importava. Contudo, eu sabia que
Carlisle ainda lutava com sua consciência mesmo
que suas palavras falavam o contrário. Ele sabia
melhor do que não tentar me enganar.
Eu aceitei que essa mulher era o que ele precisava. O
que ele queria todo o tempo. Isso não significava
que eu tinha que gostar da situação ou dar minha
aprovação. Obviamente ele podia fazer o que
quisesse, com ou sem minha opinião. Nunca falamos
olho no olho sobre o assunto. Ele ainda acreditava
firmemente, agora mais que nunca desde que tinha
esta mulher, de que haveria um lugar para nós em
uma pós-vida. Ele tinha uma visão serena, quando
tudo o que eu via era esquecimento. Mas, em que
contemplar a pós-vida de um vampiro importava
para um imortal? Era uma discussão sem sentido.
Nenhum de nós encararia a morte tão cedo, isso se
algum dia a encontrarmos.
Então ouvimos um histérico grito de dor vindo do
escritório. E então começou...

Verde, Vermelho, Dourado ± Capítulo 9


÷      
Eu a ajudei, esta mulher, esta Esme. Minha
suposição sobre seu rosto tinha sido correta, ela era
uma mulher tremendamente apaixonada e amava os
outros sem reserva. A sua bondade comigo era
esmagadora no começo. Era difícil não sentir que eu
tinha de devolver aquela bondade, embora eu muitas
vezes falhei em fazê-lo.
Então, enquanto Carlisle trabalhava, eu ficava com
Esme. Ensinando a ela tudo que me havia sido
ensinado. Protegendo-a tanto quanto eu podia, assim
como quando eu era um recém-criado. Fomos caçar
juntos e ela falava comigo freqüentemente. Sua
mente estava tão aberta e honesta, era bem
refrescante. Especialmente depois de passar o dia
com mentes adolescentes.
Eles casaram-se rapidamente. Estive lá na pequena e
íntima cerimônia. Qualquer outra pessoa teria
questionado a velocidade de sua relação, mas eu
sabia que eles haviam se conhecido antes e isto era
de fato destinado a acontecer. Eles eram a alma
gêmea um do outro, e eu estava feliz pela felicidade
de Carlisle. Mesmo se isso significasse que nossas
vidas iriam mudar drasticamente.
Ainda assim, ela não era minha mãe, embora muitas
vezes visse isso ansiando em sua mente. Ela tinha
instintos maternais tão fortes que era difícil não
sentir as mesmas emoções. Era uma das muitas
desvantagens de ser um leitor de mentes. Era tão
difícil de vez em quando decifrar entre desejos
interiores de alguém dos meus. Eles muitas vezes se
misturavam.
³Isto é belo, Edward,´ ela disse à medida que ela se
aproximava de mim. Eu estava dedilhando o piano
como de hábito.
³Obrigado,´ respondi educadamente, sabendo que
ela esperava nada além de educação.
³Acho que de todas as canções que o ouvi tocar,
acredito que essa é minha favorita.´ Ela emitiu ao se
sentar ao meu lado no banco.
³Possivelmente será esse o título,´ eu disse ³A
Favorita de Esme.´
'
 


 *   ! ; 9
<


!
 


 
* 
Encolhi-me e ela notou.
³Sinto muito, Edward. Ainda não estou acostumada
com sua capacidade de ler mentes,´ ela disse
graciosamente.
³Levará tempo,´ respondi sem emoção. ³Carlisle
também levou algum tempo antes que se
acostumasse.´
³Desculpe-me, realmente não pretendo me
intrometer.´ Ñ
!


Olhei para ela, um rosto irradiando sinceridade. Eu
tinha dificuldade em decifrar a anatomia de Esme.
Ela conseguia de alguma forma ajustar um coração
de 100kg em um corpo de 50.
³Desejo falar com você sobre certo assunto.´ Ela
hesitou.
Suspirei. ³Eu apenas verei as palavras da sua cabeça,
Esme, se você não as disser em voz alta.´
As suas desculpas foram um sorriso.
³Como você se sente em relação a encontrar uma
companheira?´ Ela segurou sua respiração enquanto
esperava.
³Não sinto nada, na verdade. Não tenho nenhuma
necessidade de uma companheira,´ encolhi os
ombros.
³Mas, você não deseja encontrar uma companheira?
Sua outra metade?´ Ela franziu as sobrancelhas
preocupadamente.
³Não há outra metade,´ informei-a. ³Sou completo
comigo mesmo.´
Os ouvi naquela noite, falando sobre mim. Aumentei
o volume da minha música. Tentei tirá-los de
sintonia, dar-lhes privacidade conjugal tanto quanto
eu podia. Independentemente, sabendo que alguém
está falando de mim pelas costas nunca era
agradável.
³O que é Esme?´
³Estou preocupada com o nosso« seu« filho.´ =

 55 
 
!
;
Carlisle suspirou. ³Ele é nosso filho, Esme. Edward
só precisa de tempo, não tem sido fácil para ele.´
³Quantos anos ele tinha quando você o
transformou?´ Era demasiado jovem, talvez?
³Dezessete. Ele morria da Gripe Espanhola. A mãe
dele, antes de morrer, pediu que eu o salvasse.
Portanto eu o fiz.´ '   
  


5
A minha mente animou-se com isso, Carlisle nunca
havia mencionado minha mãe humana antes. Muito
sutilmente diminuí a música.
³Você acha que ele era muito jovem quando você o
transformou?´ A sua voz estava cheia da tristeza.
P-
  

 

 
 
 
  !) 
!


 

 
5
³Por que você diz isto?´
³Não é normal. Entendo que ele esteja vivo há mais
do que dezessete anos, mas que menino adolescente
não iria querer uma companheira?´ =




3 
 ! !! 5
³Edward não é um garoto,´ contrariou Carlisle, ³ele
é um homem no seu próprio direito. E ele tem sido
tudo menos normal. Ele é extraordinário.´
³Concordo,´ disse Esme cautelosamente, ³mas parte
meu coração vê-lo tão sozinho o tempo todo.´
9   
 !   
  
   )
!

-
5
³Eu sei, Esme, eu me sinto da mesma forma.´
Zombei desses dois. Quem eram eles para ditar o
que eu devia ou não devia ser? Só porque eles
tinham encontrado um ao outro, isso não lhes dava o
direito de decidir minha vida. Como Carlisle disse,
eu era um homem e fazia as minhas próprias
escolhas. Eu não gostei nem um pouco do modo que
eles pensaram em mim como somente um garoto.
Isso me lembrou de memórias humanas vagas
quando o meu pai humano me mostrava como
µaquele garoto¶ em reuniões sociais. Era irritante e
não menos irritante agora.
Estou isolando meu quarto à prova de som, eu jurei.
O primeiro ano de Esme chegou ao fim e eu tinha
terminado o ensino médio há muito tempo. Era hora
de nos mudarmos. Novamente. Esta mudança em
particular deixou-me preocupado e eu não tinha
nenhuma explicação. Carlisle tinha escolhido
Rochester, Nova York, como nosso novo lar. Esme
tinha pedido para ser encarregada das renovações e
decorações de casa. Tive de sorrir para aquilo, era
óbvio que mantínhamos nossa casa regularmente
sem o toque de uma mulher. Agora era a vez dela.
Explorei Rochester em dias nublados, inspecionando
esta área por algo novo. Estava ansiando por algo
diferente do que nossa charada humana habitual.
Nosso disfarce aquele tempo foi simples, eu era o
irmão mais jovem de Esme e o cunhado de Carlisle.
Mesmo nos nossos atos, eles não eram meus pais.
³Carlisle,´ eu disse, quando voltei em casa de uma
das minhas explorações, ³há uma universidade
aqui.´
Ele levantou os olhos surpreso. ³Você quer ir para a
universidade?´
³Eu contemplava medicina, de fato.´ A sua boca se
abriu ligeiramente, então rapidamente expliquei.
³Você terá de ficar a par das últimas tecnologias
médicas e não terá tempo para ir você mesmo.
Assim, posso aprender as técnicas eu mesmo e
compartilhar a informação.´
³É uma idéia brilhante, Edward. Isso me ajudaria
tremendamente.´ E naturalmente, seus pensamentos
o traíram. '


 
Eu teria amado virar doutor. Qualquer coisa, para
agradar o homem que tem sido meu pai de todos os
modos que contavam. Meu camarada. Meu aliado.
Sentia que minha fraqueza e incapacidade de resistir
ao sangue como ele podia, o desapontavam. Mas eu
podia ir à escola por ele, podia fazer ao menos isso.
Eu provaria o meu valor mais do que uma simples
companhia feminina. O ajudando com o seu objetivo
de vida em ser um doutor, provaria que era um
melhor vampiro, moral e compassivo como ele. Ou
isso provaria ser a minha ruína.

Verde, Vermelho, Dourado ± Capítulo 10


÷ ! "  
A Universidade foi. . . Tediosa. Aqui estava eu,
imensamente ansioso para o ensino superior, apenas
para ser gravemente desapontado. Primeiro ano de
universidade era como uma extensão do último ano
do ensino médio. Cada tema elementar
ridiculamente repetido por razões de humana
lentidão mental.
Combinado com o tédio e o assunto que eu estava
estudando, aromas humanos começaram a esmagar-
me. O pensamento de estudantes universitários eram
ligeiramente mais maduros do que estudantes do
ensino médio. Não, maduro não era a palavra certa
mesmo. Solícitos teria sido uma melhor maneira de
descrever meus colegas estudantes. Eles iniciaram a
fase adulta como uma criança numa loja de doces.
Superficiais e mesquinhos.
Carlisle sentiu minha crescente agitação. Ele
começou a me encontrar depois do trabalho e me
acompanhar para casa. Durante dita caminhada, eu
queria lhe mostrar todo meu recém-encontrado
conhecimento, embora não houvesse muito a ser
tido. Os humanos não haviam avançado na medicina
tanto assim.
Depois que eu terminasse de falar, ele educadamente
me perguntaria questões relativas à forma como eu
estava lidando com a escola. Eu desviava essas
perguntas com respostas curtas. Não queria contar
para ele como eu estava me sentindo. Começamos a
nos afastar. .
Eu estava na biblioteca da escola em uma noite,
estudando patente de medicamentos. Carlisle tinha
recebido uma jovem paciente que parecia
fisicamente como uma morta de fome. Ela jurou que
era um medicamento de uma certa patente, isso
obviamente a estava matando. Prometi a Carlisle que
iria procurar o assunto. Foi desconcertante constatar
que estes chamados ³medicamentos´ eram nada
mais de que uma alta mistura de álcool e drogas,
como a cocaína.
†
 

 
 
.   
 
!

)

  
Não tinha certeza porque esse pensamento
subitamente invadiu a minha mente. Eu tinha me
tornado bastante bom no bloqueio de outras mentes.
No entanto, foi o tom da sua ³voz´, mais do que suas
palavras, que me chamou a atenção. Quem seja que
fosse esse homem, ele não tinha boas intenções.
#,   ; > 
   ; >
 
 ;
Ouvidos humanos não teriam sido capazes de captar
o som, mas eu o ouvi tão claramente como se
estivesse bem do meu lado. Os gritos abafados de
uma mulher. Eu não pensei, simplesmente agi.
Eles estavam do lado de fora, de pé em uma sombra,
praticamente invisíveis na escuridão da noite. Ele a
tinha pressionada contra a parede e estava fazendo
certas coisas... Com suas mãos. Ela estava lutando
inutilmente, seu agressor era mais forte. Lágrimas
percorriam seu rosto abaixo. Ele tinha uma mão
sobre a boca dela e parcialmente sobre seu nariz. Ela
não conseguia respirar.
Puxei o homem para longe, me virei e o joguei
contra a parede segurando-o por seu pescoço. Seus
pés suspensos acima do chão. Eu me virei para a
mulher, seus olhos imensos em choque. Ela havia
sido golpeada, uma gota de sangue fresco escapava
desde o canto de sua boca.
³Corra´ a ordenei. Depois adicionei ³Agora´ quando
ela não havia se movido imediatamente. Ela correu.
Uma vitima em minhas mãos era o bastante, eu não
queria duas naquela noite.
Olhei fixamente para o homem. Ele arranhava minha
mão, a que eu pressionava em seu pescoço. Seu
coração estava batendo rápido. Só me levaria um
momento para quebrar seu pescoço e beber do rico
sangue que eu havia sido negado.
³Ela é minha namorada, por favor,´ ele suspirou; um
choro estrangulado. Ele me enoja. Como tantos
humanos podem não entender que luxúria e amor
deve sempre andar em companhia? Ele obviamente
não a amava.

3
  '4
³Não´, eu rosnei. Os dedos de Carlisle começaram a
tirar minhas mãos do pescoço do homem.
Eventualmente, ele foi libertado e correu para longe
de nós, dos monstros. Fiquei na mesma posição,
minha mão levantada prendendo o ar.
Vamos delatá-lo para as autoridades.
³Isso não será o bastante!´ virei meu rosto
subitamente e olhei para ele. ³Ele iria violá-la! Ele
irá violá-la na próxima vez que tiver oportunidade!´
³Isso não é para você decidir´, Carlisle respondeu
calmamente. Ele estava olhando em meus olhos. Vi
então que eles estavam negros. ³Não é sua
responsabilidade. As autoridades humanas irão
tomar conta deste problema.´
Claro que era a minha responsabilidade. Para que
servia essa força desumana seria se eu não poderia
parar os dolorosos pensamentos dos outros? Ele
passou um braço sobre meus ombros e me levou
embora. E quando aquela mulher fosse violada
novamente, talvez até morta, seu sangue estará em
minhas mãos.
Nós caçamos aquela noite no primeiro parque que
encontramos. Eu podia dizer que Carlisle estava
preocupado com a cor de meus olhos. Eu não disse
nada e ele simplesmente esperou por algum sinal de
que eu estivesse preparado para falar. A presa era
patética e fraca. Veados e alces, eles mal lutaram
antes de eu os matar. Seus sangues me deixaram
insatisfeito.
Não levou muito tempo para tomar minha decisão.
Decidi que esse era o caminho certo para eu tomar e
meus ³pais´ apenas estavam no meu caminho.
Estava na hora de colocar um fim nesse disfarce. Fui
até o escritório de Carlisle, calmo e seguro.
³Não estou mais fazendo isso´, eu anunciei
pacificamente. Carlisle foi apanhado completamente
de surpresa.
$ 
  


 
  <
; ³Se universidade é
demais para você, eu compreendo. Muitos têm
problemas...´.
³Não era disso que estava me referindo,´ o
interrompi.
³Então me diga, Edward, o que posso fazer por
você?´ Ele dobrou suas mãos e esperou
pacientemente.
³A única coisa que você pode fazer por mim´,
respondi, ³é parar de mudar a minha dieta. É apenas
natural para eu beber de seres humanos.´
$

³Edward, não estou tentando privar
você de forma alguma. Isto é simplesmente a dieta
que eu escolhi. Sempre foi aberto à sua escolha.´
Fechei meu maxilar. ´Então, eu escolho sangue
humano.´
Ele sentou para trás, seu rosto duro e imperdoável.
´Então vou ter de lhe pedir para ir.´
³Você está me jogando para fora da família?´
Perguntei incrédulo.
³Você não me deixa escolha, Edward. Não podemos
tê-lo aqui se este é o estilo de vida que você quer.´
Olhei para ele, apertando ainda mais minha
mandíbula. ´Eu estava apenas te divertindo enquanto
fiquei aqui,´ eu disse friamente. ´Agora você tem
Esme para amar, e você já não me ama mais.´
Dor atravessou seu rosto. ´Isso não é verdade,
Edward. Você é meu filho, eu sempre te amarei.´
³Então porque você insiste em causar-me esta dor!´
Eu gritei.
Ele levantou suas sobrancelhas. ;
³Eu estou farto disto,´ eu rosnei. ´Farto de estar em
dor o tempo todo porque nunca posso estar
satisfeito. O sangue de animais não é suficiente!´
'
) '4
Típico Carlisle. Sempre tão entendedor; isso apenas
me irritou mais. Ele não compreendeu nada. Ele não
entendia que me dando essa tal paciência, ele estava
me dizendo adeus.
³Sim,´ eu disse, minha voz estava pacífica
retornando ³é minha escolha e não sua.´ Com isso,
deixei para trás a única família que eu conhecia.

Verde, Vermelho, Dourado ± Capítulo 11


÷      #
    $  %& $'&
 

Eu corri e continuei correndo, por cidades e


metrópoles humanas. Tornei-me um vampiro vadio,
desgrenhado e sempre com fome. Minhas roupas
muitas vezes eram rasgadas pela vegetação rasteira
das florestas que passavam meu cabelo emaranhado
com galhos finos. Estava ficando mais difícil me
esconder em plena vista. Mas então concluí que não
havia nenhuma necessidade. Essa era a escolha de
Carlisle, não minha.
Não tinha começado a caçar seres humanos ainda,
continuei com animais. Era uma inevitável
necessidade. A ardência em minha garganta, os
músculos de meu estômago se contorcendo, era tudo
difícil demais para resistir, e tinha de matar o que
fosse conveniente. Assim, os meus olhos
permaneceram dourados durante a primeira parte de
minhas viagens. Odiava admitir para mim mesmo,
mas estava nervoso e era inexperiente quando se
tratava de caçar humanos. Não era tão simples como
caçar animais, cujos pensamentos subconscientes eu
não podia ler. Queria grandemente começar a caçar
humanos, mas me faltava a experiência de saber por
onde começar.
Sempre que encontrava um humano cujo sangue
apelava o suficiente, eu era repelido por seus
pensamentos que me lembravam de sua humanidade.
Era um conceito tão simples, caçar a minha presa
natural. Mas estava se provando ser bastante
complicado. Eu estava incerto se podia fazer esse
compromisso quando eu estava muito consciente de
sua humanidade e das imagens de seus entes
queridos em suas mentes. Os maridos, esposas e as
crianças que sentiriam imensamente a falta deles.
Era um compromisso que eu estava sem disposição
de fazer.
Ocasionalmente eu encontraria um humano cujos
pensamentos eram tão vis que era fácil para eu
ignorar a sua assim chamada humanidade. Houve
apenas uma conclusão que pude chegar. Caçar
humanos que não eram menos do monstro que eu
era. Agora tudo o que eu precisava era a
oportunidade, o estímulo mais leve e poderia fazer
esse compromisso. Tudo o que eu precisava era uma
justificação.
Então eu estava em Newark no que parecia ser o dia
perfeito, para vagar sem rumo por uma cidade cheia
de saborosos humanos. Sem aviso, o sol abriu
passagem pelas nuvens. Tive de me esconder.
Rápido. Amaldiçoei a mim mesmo enquanto me
metia atrás de uma lanchonete. Era
inacreditavelmente frustrante encontrar a mim
mesmo se escondendo mais uma vez.
O sol não estava desistindo. Rapidamente passei
meus dedos por meu cabelo, tirando toda aquela
folhagem. Alisei minha roupa o melhor que eu pude.
A sombra na qual eu estava, estava desaparecendo
rapidamente. Entrei silenciosamente na lanchonete,
meus olhos passaram por todo o lugar. Sentei-me.
³O que posso te servir?´ a garçonete disse.
³Por agora um copo de água, obrigado,´ respondi
com a voz que reservei para não assustar humanos.
Água eu poderia colocar para fora facilmente depois,
eu não iria ousar tentar nada mais.
³Trago já,´ ela disse felizmente. †
    

 * 

  
Claramente, eu tinha perdido meu juízo. Não
bastasse que estivesse me escondendo, mas eu tinha
escolhido um pequeno estabelecimento cheio de
humanos pungentes. E por cima de tudo, pelo que
ouvi da garçonete, eu estava chamando atenção
desnecessária para mim. Eu tinha de me distrair
desesperadamente e me encolher mais ainda em
minha própria concha. Então fechei meus olhos e
concentrei-me em suas conversas sem importância.
³... Só posso dizer, não encontramos nada ainda. ´
³Ele é um garotinho tão bom. Realmente espero que
eles descubram algo logo.´ Ñ.! 
³Eu também, minha esposa está enlouquecendo com
preocupação. Ela tem passando todos os dias com
Elice, a consolando.´
³Isto é muito bondoso da parte dela.´
³É, embora ela continue me mandando à loja para
buscar mais coisas. Quantas tortas de maçã uma
mulher pode assar de qualquer forma?´
³Mulheres e as suas prioridades. Acho que torta de
maçã irá ajudar Elice com essa tragédia.´ '
!


8
'!



3
 

!


!!
*  !
!

Meus olhos abriram rapidamente. Observei a
garçonete cautelosamente colocar um copo de água
na mesa. Algo em meu rosto a fez rapidamente
partir, mas ainda assim decidindo que eu sou lindo
de qualquer forma. Procurei com os meus olhos
apenas pelos homens que eu tinha ouvido conversar.
Havia dois deles. Pelos seus trajes, percebi que eles
trabalhavam com construção.
Rapidamente encontrei o homem que eu procurava.
Um cavalheiro grisalho, embora provavelmente não
houvesse nada gentil sobre ele. Agora que eu estava
olhando, eu podia ver como ele traia sua culpa em
modos minúsculos. Uma mudança em seus olhos. O
jeito que ele se movia em sua cadeira,
constantemente tentando encontrar uma posição
mais cômoda. Eles eram todos movimentos humanos
que não teriam sido notados por olhos também
humanos. Mas eu sabia.
Inalei o ar, procurando por seu cheiro. Então o
guardei na memória.
<intervalo>
O homem movia-se desajeitadamente. . Era cômico.
Ele andou os degraus que o levava ao porão, seus
passos eram golpes barulhentos que anunciavam sua
presença. Em suas mãos, ele transportava uma
grande bolsa de papel, emitindo cheiro forte de
comida humana. Ele acendeu o interruptor, depois
ofegou. A bolsa caiu e maçãs rolaram pelo chão.
Peguei uma maçã, rodando o fruto em minhas mãos.
³Quem diabos é você?´ o homem gritou.
³Não posso te dizer quem sou´ eu disse
serenamente, ³mas posso te dizer quem eu não sou.´
Comecei a descascar a maçã com as minhas pontas
dos dedos. ³Não sou Frankie.´
³O que você fez com o meu menino?´ ele disse
nervosamente.
Arqueei uma sobrancelha. ³O seu menino? Eu
estava com a impressão que ele é o filho do vizinho.
Se você se refere ao Frankie, bem, eu o libertei há
pouco tempo.´ Casualmente segurei uma das cordas
ainda atada à cadeira na qual me sentava.
³Honestamente, esse é o tipo de corda reservada
para o gado. Levou-me apenas um milissegundo
para mastigá-las.´ Estreitei meus olhos em sua
direção. ³Você é realmente patético, Henry.´
³Você não entende,´ ele começou a suplicar.
³Ah, acho que entendo tudo muito bem,´ eu disse
casualmente. ³Seu cheiro estava por todo aquele
menino.´
³Eu... quer dizer... explico... oh Deus...´ ele
gaguejou, caindo de joelhos.
Lancei a maçã de uma mão para a outra.
³Seriamente duvido que você possa explicar a sua
justificação para violar uma criança. ´
³Mas ele estava se debatendo!´ ele disse
defensivamente. ³Muito mais do que os outros, tive
de contê-lo. Foi culpa dele mesmo! Se ele tivesse
apenas me escutado, teria acabado mais rápido.
Então eu o teria deixado ir.´
³Outros?´ Comentei obscuramente.
Henry ofegou. Uma onda de imagens passou em
flashes por sua mente, cada criança que ele tinha
violado alguma vez na escuridão do seu porão.
Houve muitas crianças. Não senti nada além de pura
raiva.
Em um movimento cegamente rápido, eu estava em
sua frente. Peguei a maçã e a meti em sua boca.
Então agarrei este Henry, e o lancei através da sala.
Ouvi um osso quebrar. Prendi minha respiração,
depois ouvi seu batimento cardíaco. Ele ainda estava
vivo. Bom. Eu não queria matá-lo ainda. Andei
cuidadosamente, permitindo-o esperar pela minha
aproximação em um suspense torturante.
Ele colocou suas mãos em frente ao seu rosto. ³Por
favor, não me machuque.´
³Não se atreva a me dar ordens!´ Rugi. Agarrei sua
cabeça, e à força movi para o lado, revelando seu
pescoço e veias pulsantes.
³Por favor,´ ele pediu, ³prometo que não farei
novamente.´
³Claro que não fará,´ murmurei.
Mostrei meus dentes, preparando-me para o bote.
Uma imagem passou como um flash por sua mente
naquele momento, e vacilei. Ele me via como um
Deus vingativo, vindo para dar sua mais que
merecida punição.
³Quem é você?´ ele sussurrou.
³Só posso te dizer quem não sou. Não sou Deus. ´
Rasguei sua carne e arranquei suas veias.
O absoluto prazer e poder que percorreram por mim
eram estonteantes. Um assassinato justificado. Um
pecado justificado. Foi o momento que comecei a
perder a mim mesmo. Pelos próximos anos, um
monstro de olhos vermelhos tomou o meu lugar.

Verde, Vermelho, Dourado ± Capítulo 12


÷   #
   () &÷ ) *&
 ö
Nota da Autora: Violência e censura racial, mas, não
se preocupe, Edward toma conta disso
A primeira experiência nunca pode ser repetida, pois
só pode haver uma única primeira vez.
Aquele primeiro humano, um monstro vil, foi
simplesmente delicioso. A melhor refeição que eu
havia provado até aquele momento. Foi similar a
jantar no mais fino restaurante e comer o item mais
caro do cardápio. Então depois que você esteja
satisfeito, você sai andando sentindo-se como um
milhão de dólares.
Claro, eu não podia dizer com certeza. Eu havia há
tempos esquecido o gosto de comida humana. Ainda
assim, eu ouvi tal sentimento no pensamento de
alguém certa vez. Parecia uma comparação
adequada. O máximo que eu podia comparar com
algo de humanidade.
Recusei-me a refletir sobre meu primeiro
assassinato. Eu sabia que se pensasse demais, eu
desenvolveria sentimentos perturbados sobre o que
estava fazendo. Estava me agarrando a meus
sentimentos rebeldes. Sangue humano era minha
fonte natural de alimento, portanto eu estava certo e
Carlisle errado. Esta era minha assim chamada
lógica.
Enquanto passava por pequenas cidades americanas,
eu encontraria a vítima perfeita e rapidamente
seguiria meu caminho. Não fiquei em um lugar por
muito tempo, mas também não fui longe. Então, um
dia, avistei a pior chamada em um jornal que
pudesse ter visto, enquanto passava por uma
pequena cafeteria em Nebraska. Humanos
desaparecidos, a única evidência eram algumas gotas
de sangue. Eu sabia que eram minhas vítimas.
Eu havia sido tão descuidado assim? Achei que tinha
limpado meticulosamente no final de tudo. Foi uma
das primeiras lições que Carlisle me ensinou.
Destruir evidências. Se ele visse as notícias desse
artigo. . . Balancei minha cabeça, banindo aquela
linha de pensamento. Eu havia feito minha escolha.
Eu seguiria  regras, não as dele.
Mudei-me para o Canadá, era melhor deixar o país
por enquanto. Eu estava morando em Montreal por
quase um ano. Uma grande cidade com milhares de
humanos. Na época, a censura estava em pleno vigor
na América, fazendo de Montreal um paraíso seguro
para aqueles que queriam continuar sua devassidão.
Desnecessário dizer, eu não precisava procurar longe
por minha presa. Era irônico, um paraíso seguro para
humanos, ainda assim uma coleção de humanos
monstruosos, prontamente disponíveis para serem
tomados. Seguro, ainda assim perigoso.
Admiti para mim mesmo que a primeira vez havia
sido dramática demais, mas não continuei aquele
drama. Caí em uma rotina fácil. Passando por um
humano desavisado enquanto eu andava pela rua, na
escuridão da noite. Um momento, eles estariam
pensando coisas que não deviam, admitindo seus
cometidos crimes em suas mentes. No momento
seguinte, eles eram carregados para um beco, seus
corpos completamente drenados de sangue. Depois,
eu destruía evidências.
Fiz bem meu papel. Vestia-me agradavelmente. Era
educado com todos. Nunca levantava suspeita. Eu
era o assassino perfeito.
>
  
 
    
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!

- $

*0
Ah, aquela era minha deixa. Nunca deixava de me
impressionar como tais humanos vis consideravam-
se verdadeiros assassinos quando seu trabalho era
desleixado e patético na melhor das hipóteses. Um
verdadeiro assassino nunca, jamais é pego. Mas
então, eles eram apenas humanos e tinham suas
limitações. Eu não podia esperar que eles tivessem
minhas habilidades de força e velocidade.
Indiferentemente, eu era orgulhoso em minha busca
por monstros humanos. Os considerava como nada
mais que baratas meramente dignas de serem
esmagadas pela sola de meu sapato.
Eu era arrogante e ridiculamente cheio de orgulho.
Eu era um tolo.
Olhei de relance em um beco escuro. Um homem
estava pressionado contra uma mulher, a bochecha
dela empurrada contra uma parede. Seu rosto
contorcido de dor. Agachei-me e saltei. Um vulto
branco e uma leve brisa foi tudo que a mulher sentiu,
enquanto eu agarrava o homem e voávamos beco
abaixo. Drenei-o rapidamente e depois quebrei seu
corpo em pequenos pedaços. Despejei a evidência
em uma lixeira próxima e escondi os pedaços
debaixo dos escombros de um açougue. Ninguém
jamais saberia.
Cheirei o ar. A mulher ainda estava no mesmo local,
não tinha se movido um centímetro. Uma compulsão
absurda impulsionou-me, para ter certeza de que ela
estava ilesa.
³Oh, ´ ela suspirou enquanto olhava para cima.
† 
  
  

Ignorei seus estranhos pensamentos e perguntei
gentilmente, ³Você está bem?´
Ela ergueu a mão e disse ³Vinte dólares.´ 7




- / 
Levantei uma sobrancelha. ³Perdão?´
Ela bufou impaciente. ³Eu cobro vinte dólares.
Pagamento adiantado.´
Com a outra mão, ela ergueu sua saia até seu peito.
Rapidamente desviei o olhar, fixando meus olhos na
parede a seu lado. Claro que ela era uma prostituta,
eu não pude acreditar que não havia notado antes.
³Você não quer?´ ela disse, sua saia balançando
conforme caía. ³Oh, eu sei o que você quer. Quinze
dólares.´ Ela ficou de joelhos em minha frente.
Levantei-a por seus ombros e a pressionei contra a
parede. Coloquei minhas duas mãos em ambos os
lados de seu rosto e fixei meus olhos nos seus.
³Acredito,´ murmurei, ³que você precise de ajuda
com sua memória.´
³Minha... memória?´ Seus olhos brilharam.
³Sim, sua memória parece estar com falhas. Você
não me viu aqui esta noite, correto?´
³Mas ± o outro homem ± e então você...´ ela
gaguejou.
³Sim, havia um homem, mas ele foi embora. Eu
nunca estive aqui.´
³Havia um homem.´
³Sim, havia apenas um homem.´
³Apenas um homem,´ ela repetiu deslumbrada.
Satisfeito, removi minhas mãos e dei um passo para
trás. Eu a observei cambalear para fora do beco. Eu
poderia tê-la atacado, bem aqui e na hora. Ela era
uma testemunha, tomá-la teria sido um dano
colateral. Mas, afinal, ela foi a vítima nessa situação,
indiferente de sua profissão escolhida.
8
' - 
'




 
Hmm, intrigante. Com as mãos em meus bolsos,
caminhei até uma pequena loja de penhores. Três
homens, em sujas calças e camisetas de trabalho,
estavam batendo incessantemente em um velho
homem. Encostei-me em uma parede e observei. .
A
 , todos eles pensavam.
³Vocês não acham que isso é um pouco hipócrita,´
anunciei minha presença, ³considerando seu próprio
vestuário.´ Apontei para suas roupas.
Em toda comparação, roedores possuíam mais
inteligência que esses homens. Na verdade, eu diria
que roedores eram possivelmente mais espertos,
considerando seu forte senso de auto-preservação.
Mas, estes homens humanos não pensaram, apenas
agiram e me atacaram. Levantei minhas duas
palmas. Eles imediatamente caíram para trás
ruidosamente. O velho senhor se arrastou para o
fundo da loja. Bom, pensei, menos dano colateral.
Seriam três pelo preço de um esta noite. Sim, a presa
era abundante. Eu era um tubarão tropeçando com
um grande cardume de peixes, indefesos e a minha
mercê. Ainda assim estive lá por quase um ano. Eu
nunca poderia ficar em qualquer região por muito
tempo sem inevitavelmente levantar suspeitas. Era
hora de mudar de lugar. Novamente.

Verde, Vermelho, Dourado ± Capítulo 13


+  #
   , &( ) &  

A cidade estava em dificuldades. Após a queda do


mercado de ações, os humanos reverteram-se em
seres Neandertais. Era incrível para mim,ver como a
pobreza súbita fazia os humanos sucumbirem aos
comportamentos mais hediondos. Roubar, mentir,
trapacear. O caos no ar era praticamente palpável.
Faz as escolhas tão fáceis.
Enquanto os desafios diminuíam, comecei a me
perguntar o que eu ainda estava fazendo aqui na
América. Eu era tão cuidadoso quanto pudesse ser,
embora ocasionalmente vacilasse e meu erro
acabaria nos jornais. Pareceu-me bastante estúpido
estar no mesmo país que outros vampiros
conhecidos. Vampiros que não se alimentavam de
seres humanos, que eram plenamente capazes de
lerem os jornais nacionais.
³Opa, desculpe!´, o humano masculino disse.
Eu sorri agradavelmente. Era eu que tinha
estrategicamente me colocado no caminho desse
homem, a fim de induzir o que pareceria um
encontro por acaso.
³Está tudo bem´, respondi graciosamente.
Ele piscou, olhando para mim com uma mandíbula
travada e olhos vidrados. Seus pensamentos eram
tão excessivamente simples que apenas encontrei
uma imagem de mim mesmo em sua mente ± um
alto senhor vestindo um terno marrom e sapatos
usados. Eu tinha que me misturar ao ambiente. A
depressão havia afetado os humanos de todas as
formas, incluindo suas vestimentas. A imagem de
um homem bem vestido em um terno branco caro
naquela época não seria benéfica para mim.
Dei um sorriso ainda mais largo para o homem,
bloqueando sua saída do beco escuro e inclinando
meu ombro contra uma parede. Eu podia sentir o
cheiro da jovem garota que ele havia escondido num
caixote no final do beco. Ouvi os pensamentos dela
muito antes dos dele. Este homem certamente não
era o pai dela ou parente de nenhum grau.
Ainda assim, eu tinha de ser meticuloso em meus
esforços.
³Como você conhece a adorável Anna?´ Perguntei
docemente.
O homem branqueou. Seu rosto ficou tão pálido e
tenso que por um momento fiquei preocupado que
ele fosse ter um ataque cardíaco antes que eu tivesse
minha chance. A imagem do que ele tinha feito à
garota chamada Anna percorreu por sua mente,
assim como as imagens de várias outras meninas. O
caos da depressão era simplesmente uma desculpa
para ele. Ele já estava rondando por aí antes mesmo
de que qualquer um tivesse ouvido falar da quebra
no mercado de ações.
Eu dei um passo à frente lentamente. Ele cambaleou
para trás, tropeçando e batendo a cabeça nos
escombros atrás dele. Seus olhos estavam
arregalados, sua respiração ofegante, seu coração
batendo em um ritmo extremamente rápido. Suspirei
enquanto me aproximava dele. Eu já estava ficando
cansado desse jogo. Não podia prever o futuro, mas
sabia que Anna ficaria bem enquanto esse monstro
choramingando aos meus pés não existisse mais.
Avancei por seu pescoço... E ele deixou de existir.
Minha rotina havia se tornado fácil. Humanos eram
tão previsíveis. Eles seguiam as linhas de suas vidas.
Iam para o trabalho e escola, e aproveitavam seus
passatempos favoritos. Um dos quais também
gostava.
Eu estava agradecido pelos filmes. Os humanos
tinham finalmente entrado em uma indústria
cinematográfica em desenvolvimento e isso me
permitia estudar o comportamento humano em um
contexto muito interessante. Paixão, ódio, vingança,
ciúmes. Embora não pudesse sentir essas emoções
eu mesmo, sentia que as entendia bem,
simplesmente por observar as emoções encenadas
pela tela do cinema.
³Oh meu Deus, ela está grávida´, cochichou uma
mulher. ' 
 ! 

 . 



Virei meus olhos e reprimi a vontade de debochar.
Um jovem casal estava sentado algumas fileiras à
minha frente no cinema escuro. Suas conversas
baixinhas estavam começando a me irritar, assim
como seus pensamentos.
Ñ  8
   -     -   
 
!  
!
Esperei pacientemente para que o filme terminasse,
o que foi difícil, já que era uma pretensiosa história
de amor. Eu conhecia bem isso, de tanto ler a mente
das pessoas, que esse drama simplesmente não
acontecia na realidade. Como os humanos podiam se
apaixonar por um enredo tão banal, eu nunca
entendi.
Observei o jovem casal de cabelos claros sair do
cinema, de mãos dadas. Eles estavam obviamente
profundamente apaixonados. Senti pena deles, cegos
para tudo que acontecia à sua volta, e incapazes de
ver algo mais do que um ao outro. Esperei alguns
segundos antes de segui-los.
# .     -  
 * . !
*


 
 
Eu podia ouvi-los alguns passos à frente, rindo e
conversando sobre suas simples vidas. Meus passos
eram silenciosos enquanto deslizava através das
sombras.
³Fique perto de mim, Louise´, ouvi o rapaz
cochichar para sua amada.
³O que foi, Jack?´ Louise cochichou de volta.
³Acho que estamos sendo seguidos.´
Claro que estavam sendo seguidos, mas não por
mim. Eu tinha meus olhos no outro homem com um
sobretudo marrom, indo em direção a eles, entre eu e
o casal. Podia ouvir os pensamentos dele claramente.
9
)-  
 9
 

&  *

Podia sentir que ele estava prestes a atacar, um
ridículo plano de golpear e deixar o rapaz
inconsciente, e em seguida raptar a mulher, pairava
em sua mente. Corri e parei na frente dele,
bloqueando seu caminho, antes que ele pudesse
concluir seu pensamento.
³Essa é uma flor que não morrerá tão cedo,´ sibilei.
Ele me encarou, mandíbula fechada. Várias
perguntas bombardearam sua mente. ´Eu tenho te
seguindo há dias, George´, expliquei em um tom
entediado. ´Honestamente, você tem sido o jogo
mais tedioso até hoje.´ Então sorri
desagradavelmente. ´Se eu soubesse que você já
tinha matado µflores¶, eu teria terminado esse jogo
muito mais cedo.´
³Eles eram minhas flores.´ George resmungou,
franzindo a testa. ´Minhas lindas flores... minhas
lindas flores...´
³Não´, eu retruquei. ´Elas nunca foram suas para
que você as tomasse.´
Quebrei seu pescoço, e o suguei. Ele continuou
lutando em meus braços. Demorou algum tempo
antes que ele parasse de se contorcer.
Eventualmente, ele parou. Eles sempre paravam. Até
mesmo coisas que não são bonitas morrem. . .
Olhei para minha presa morta. Seu rosto
eternamente congelado em uma máscara de horror e
dor. Senti a mais estranha sensação me infiltrar. De
início, não pude distingui-la. Em seguida isso me
atingiu, quase como um ataque mental. Poderia estar
eu sentindo... Remorso?
Culpa; uma estranha emoção. E uma emoção
humana. Como se eu pudesse sentir qualquer
obrigação em relação a assassinos e violadores
humanos. . . Ainda assim, a culpa estava lá. Talvez
fosse apenas pelo fato dos rostos de Carlisle e Esme
continuarem a me perseguir, seus olhos dourados
cheios de decepção. Eu ressentia a imagem no
início, mas então comecei a pensar. .
Verdade, eu estava sendo arrogante em minha caça
aos monstros humanos. Um complexo Deus
complexo, se assim o preferir. E vendo os rostos
deles apavorados, antes que eu fosse pelo bote,
apenas reforçava aquela primeira imagem em minha
mente. Um jovem e zangado Deus, vingativo e
determinado a buscar justiça. Isso aumentava minha
arrogância e retidão. Ainda assim uma pergunta
ainda maior estava começando a se fazer mais alta
em minha mente.
Seria essa imagem de justiça minha... Ou do monstro
que deixei escapar?
Eu decidi continuar com minha arrogância e por de
lado o remorso. Além do mais, minhas presas eram
monstros ainda piores do que eu era. Suas vítimas
eram selecionadas aleatoriamente e se eram
escolhidas de propósito, era apenas devido a uma
mente perigosa e psicótica. No entanto, até mesmo a
minha presa mais perigosa estava começando a me
entediar. Foi uma conclusão óbvia em minha mente
± tudo que eu precisava era um desafio maior, uma
aventura maior. Um jogo melhor. Era hora de cruzar
o Oceano Atlântico.
¹Criatura pré-histórica; homem das cavernas;
selvagem.

Verde, Vermelho, Dourado ± Capítulo 14


'    #
    -) & .),  &
 

Era a aurora de uma nova década, a década de trinta.


Mudança estava no ar, mas eu não a sentia. Mudança
era para os humanos. Eu era eterno, congelado no
tempo.
Eu tinha viajado para a Inglaterra sob a pretensão de
educação estrangeira. Na verdade, eu não queria
nem estar no mesmo continente que os meus pais
adotivos. Eu não os queria lendo os jornais e
imaginando se o último homicídio era ato de seu
filho.
Culpa ± uma emoção muito estranha.
Era noite e incomumente nebuloso, até mesmo para
a cidade de Londres. O país inteiro era tão previsível
durante a noite, entre o nevoeiro e a humanidade.
Suponho que eu deveria ter sido iludido por um país
exótico preenchido com seres humanos e seus
sotaques exóticos. Mas isso teria sido uma reação
humana. E eu não era humano.
Ouvi os pensamentos da criança muito antes de estar
perto o suficiente para ouvir seu choro. Saltei sobre
a ponte e corri sem ser percebido pelo escuro,
apenas um borrão branco, eu poderia ter sido
confundido como parte do nevoeiro. Corri ao longo
da margem do rio até que os encontrei e fiquei bem
surpreso com o que ouvi.
Ñ 
!* !,; 
Uma fêmea? Esta era nova. Eu estava confuso,
porque é que uma mulher cometeria tal ato? Então
os vi ± desgrenhados, sujos e pobres. Ele era uma
criança pequena, duvidava que pudesse ter mais de
três anos. Havia um jeito em seus olhos enquanto ela
se inclinava sobre ele com uma faca de cozinha. Ela
estava completamente fora de sua mente.
Nos tempos modernos, ela provavelmente teria sido
diagnosticada com depressão pós-parto. Mas na
década de trinta, doença mental não tinha se tornado
uma coisa comum ainda. Tantos tinham sido
deixados sozinhos, sem tratamento e sem apoio.
Seus pensamentos tinham se tornado claro, ela não
podia mais reprimir a raiva que sentia, ela achava
que não tinha ninguém para pedir ajuda. Então eu
estava lá.
³Você realmente quer ferir a criança?´ anunciei
minha presença e vi a mim mesmo em suas mentes.
Um cavalheiro, em um terno bege e olhos pretos.
Eles sentiram medo, sim, mas também admiração
com minha beleza. A lua cheia empalideceu em
comparação com minha pele branca.
³Fique longe´ a mulher rosnou raivosamente para
mim ³você não me levará ainda.´
Então, ela não estava apenas falando maluquices, ela
também pensava que eu era o próprio demônio ±
pronto para levá-la para os poços do inferno, onde
ela achava que pertencia. Talvez esquizofrenia
tivesse sido um melhor diagnóstico, mas isso apenas
complicava as coisas. Ela estava completamente sem
conhecer suas ações; ela sinceramente acreditava
que estava fazendo o que ela tinha que fazer.
³Você é uma mãe,´ gentilmente a lembrei, ³ele é de
sua carne e sangue.´ Eu acenei com a cabeça para a
criança, que estava soluçando em prantos e olhando
para mim com olhos extremamente fundos.
O que eu estava fazendo? Dando uma de assistente
social? Uma coisa era bancar o negro deus
vingativo, mas isso era ridículo. Eu não era o seu
psicólogo, certamente não um padre ou mesmo um
amigo da família que poderia confortá-la
corretamente. Eu era perigoso para ela, e seu sangue
aromático.
³Fiquei longe!´ Ela gritou. Percebi então, que ela
não estava sozinha em sua própria mente e que
estava falando não apenas para mim. Ouvi as outras
vozes em sua cabeça, rosnando e rebatendo, os
verdadeiros demônios que eram uma ameaça para
ela. Sim, esquizofrenia.
Senti uma onda de pena. Eu sabia muito bem o
quanto horrível poderia ser ter uma multidão de
vozes em sua cabeça. Uma coisa é ouvir os
pensamentos desagradáveis dos outros, avareza,
luxúria, inveja, para citar alguns. Imagine vozes que
estavam te dizendo, não, ordenando, matar um bebê
inocente a sangue frio.
³Eles não são reais, Clara,´ disse gentilmente, pois
eu podia ouvir os demônios imaginários chamando o
seu nome, ³as criaturas em sua mente são apenas
assim, na sua mente. Eles não são reais.´
Seus lábios tremeram, seus olhos se arregalaram. Os
demônios falaram mais alto. Ñ
, eles cantavam.
³Você não quer fazer isso, Clara,´ Eu sussurrei,
dando-lhe minha voz mais sedutora. ´Largue a faca
e deixe a criança ir.´ Me inclinei lentamente para
frente. ´Deixe seu filho viver.´
Lágrimas caíram de seus olhos e a mão que estava
segurando a faca assustadoramente perto da garganta
da criança, tremeu. Eu tinha que agir rápido; aqueles
demônios estavam ficando mais altos a cada
segundo. Em um rápido movimento, me meti entre a
criança e a louca mulher. Sua faca pressionou contra
a minha barriga.
Ela reagiu mal, ou talvez tenham sido aqueles
demônios alucinatórios que estavam no controle de
seu corpo. Ela me apunhalou com a faca
repetidamente, a metade superior se rompeu e caiu
com barulho no chão. Medo atravessou seu rosto
ainda mais forte que antes. Segurei seus pulsos em
uma mão, gentilmente colocando minha outra mão
fria sobre sua bochecha.
³Eles não são reais´, eu cravei meus olhos nos dela,
desejando com todo o meu poder que ela enxergasse
a verdade de sua doença.
³Não!´ Ela lamentou penosamente. Ela lutou
inutilmente em minhas mãos. Mate, os demônios
cantaram novamente. Eles não estavam mais
ordenando-lhe para matar a criança que estava atrás
de mim aos prantos, eles estavam ordenando para
matá-la a si mesma.
Ela nunca iria ficar livre deles, eu podia ver isso em
seus olhos selvagens. Eles iriam sempre assombrá-la
até o dia que ela morresse. Entre as vozes dos
demônios, eu ouvi a voz verdadeira de Clara. 
3




 
³Não,´ eu sussurrei antes de pensar.
³Por favor´, ela soluçou. Lágrimas caíam em cascata
pelo rosto dela, fazendo seu perfume muito mais
poderoso. Encolhi-me internamente; eu deveria ter
ido caçar antes de bancar o assistente social para
uma estranha.
Ñ
. Ela continuou se contorcendo, a tensão em seu
corpo causando-lhe seu pulso a arrebentar em meus
ouvidos. Ñ
. A criança atrás de mim caiu ao chão,
chorando até dormir. * 

 

Franzi a testa; as coisas foram se tornando confusas
enquanto aquela dor seca na minha garganta
queimava. Os demônios estavam falando com ela ou
comigo? Ñ

³Clara, me ouça:´ Eu lutei com o monstro dentro de
mim, empurrando-o para o lado. ´Você pode viver,
vocês dois podem viver um vida longa e feliz. Você
precisa de ajuda.´ Ñ
. Aquela era uma palavra de
um dos demônios dela ou dos meus?
Ela mordeu seu lábio tão forte enquanto chorava que
começou a sangrar. Uma pequena ferida, quase
insignificante, um corte de papel teria sido mais
profundo. Minha garganta explodiu em chamas.
Sangue. Doce, aromático, sensual sangue, descendo
por minha garganta, preenchendo meus desejos
retorcidos. Sangue.
Ñ
Ñ
Ñ
Ñ
Ñ

³Desculpe-me.´ sussurrei. Torci os pulsos dela bem
levemente e mergulhei a faca quebrada em seu
coração.
Eu joguei o corpo de Clara sem vida no rio. Duvidei
que uma vez que o corpo viesse à tona, alguém lhe
daria muita importância. Um corpo morto no rio
Tamisa, em especial neste sórdido bairro, era
dificilmente uma coisa rara em Londres. Meus
movimentos foram rápidos o suficiente, e estava
escuro o suficiente, a criança não tinha visto meus
atos. Eu o peguei no colo, protegendo seu rosto e o
deixei no orfanato mais próximo que encontrei.
Eu fui embora.
Para longe de uma vida que eu não queria viver mais
e para um lugar que eu nunca deveria ter saído.
Fui para casa.

Verde, Vermelho, Dourado ± Capítulo 15


÷ l  /   
Olhei para o mar enquanto o barco de passageiros
cortava através das enormes ondas. Por trás de meus
óculos escuros, os meus olhos ainda eram
vermelhos. Tive de me perguntar como tal visão
seria recebida.
Naquela longa viagem de barco, comecei a pensar
em cada uma de minhas vítimas. Lembrei-me de
todas elas claramente, eu nunca seria capaz de
esquecer. Clara ouvia vozes em sua cabeça. . . Eu
ouvia vozes na minha cabeça. A prostituta tinha uma
profissão ilegal para sobreviver. . . Meus atos foram
ilegais para sobreviver. Henry era um monstro. . . Eu
era um monstro. George buscava a beleza. . . Eu
buscava beleza?
Mas não tinha de ser um monstro. Foi sempre a
minha escolha. Era isso o que eu andava buscando
todo aquele tempo? Era essa a lição que Carlisle
permitiu que eu aprendesse deixando-me ir? Pai
querido, amigo querido, rezo para que você me
perdoe por todos os meus pecados.
Cheguei a Rochester, Nova York, em
circunstâncias menos que agradáveis. Tive de
admitir a mim mesmo que eu estava fugindo,
fugindo do monstro dentro de mim. E fugindo para
as duas pessoas mais maravilhosas que eu já conheci
como um vampiro.
Carlisle ficou surpreso quando ele abriu a porta da
casa deles. Mas ele não estava zangado. Ele me
olhou com amor e felicidade. Baixei minha cabeça,
envergonhado do que eu tinha feito a ele. Eu não
disse uma palavra. Ele me falou rapidamente em sua
mente.
†
  '4
Ouvi Esme atrás dele, se perguntando quem estava
na porta e por que Carlisle não os deixava entrar.
Perguntei-me isso também, mas ele apenas ficou de
pé ali, em choque com meu regresso.
³Edward!´ Ela ofegou enquanto vinha à porta. Ela
correu para mim, lançando seus braços em volta da
minha cintura. Ela alcançou os meus óculos
escuros, querendo ver meu rosto completamente.
³Não, não tire, ´ murmurei, repelindo sua mão.
Ela acenou com cabeça desanimadamente, mas
aceitou. Ela também não queria ver os meus olhos
vermelhos.
³Estou tão contente que você voltou, ´ ela sussurrou
sinceramente. Ñ

* .;
³Sim, Esme, ´ respondi, ³Estou aqui para ficar.
Se... vocês me aceitarem.´ Abaixei minha cabeça
mais ainda pela vergonha.
³É claro, Edward, ´ disse Carlisle imediatamente.
#,
!

.
* 
Apesar de tudo, apesar da horrível fúria que deixei
para trás no dia que fui embora, apesar de todos os
meus atos horríveis contra a humanidade, eles me
trouxeram para dentro e me deram as boas-vindas
como um filho pródigo. Foi muito mais do que eu
teria esperado, mais do que eu merecia. O rosto
torturado de Clara passou como um flash na minha
mente. O meu segredo, que eu nunca seria capaz de
esquecer.
Culpa. Uma emoção muito, muito estranha.
³Tenho feito pintura e entalhação de madeira, ´
Esme tagarelou enquanto flutuávamos pela casa.
³Também peguei um grande interesse em
restauração e arquitetura.´ Ela parecia falar sem
parar, ela estava nervosa? '!
 


  

 
  

 
 !





. Sim, sim ela estava.
³Isso é maravilhoso, Esme, ´ eu disse no que
esperava ser um tom sincero.
Ela deixou-me ver um pequeno sorriso. ³Nunca
deixei de acreditar que você voltaria, Edward.
Carlisle tem estado solitário sem você.´
³Solitário?´ Perguntei, surpreso. ³Mas ele tem
você.´
³Ele tem estado solitário pelo seu filho.´ Ela franziu
a testa em uma maneira que isso deveria ter sido
óbvio.
³Sei, ´ foi a minha única resposta.
³Então aqui estamos, o seu quarto, ´ ela anunciou.
Fiz uma pausa, olhando-a com dúvida. Ela sorria
com antecipação, e os seus olhos estavam cheios da
esperança. Infiltrei-me em sua mente, mas encontrei
uma parede. Ela estava me bloqueando. Movi meus
ombros e abri a porta.
Meu quarto tinha sido modificado drasticamente.
Todas as minhas músicas estavam meticulosamente
organizadas ao longo de uma parede. Um sofá
apoiava-se contra outra parede. E as paredes foram
cobertas com o mesmo carpete felpudo dourado que
o chão. Luz penetrava da enorme janela, fazendo o
meu quarto parecer ainda mais belo.
 
 
 

 !

   
   - - 
  !
  .
   

* ! * '
!
-




 '

.  < ;
Virei para ela e sussurrei, ³Não. Estou pasmo pelo
que você fez por mim. Você me fez sentir que estou
realmente em casa. Obrigado, mãe, por tudo.´
Ela piscou, completamente atordoada. ³Oh...
Edward...´ '
 - 

   
 B 
C;
'*
 <
!
 -0.
³Eu sei, mãe.´ Envolvi meus braços em volta dos
seus ombros e dei um gentil aperto.
'

.  *
 
 * 
.

-0
Carlisle e eu estávamos sentados na varanda,
admirando o pôr do sol. Crepúsculo, o momento
mais seguro do dia para nós. Não tínhamos dito
muito e temia dizer algo. Queria que ele soubesse
que a minha fase adolescente estava acabada. Eu
nunca deixaria os meus pais adotivos passarem por
isso novamente. Eu tinha amadurecido durante o
meu tempo longe, e não estava seguro em como
expressar isso a ele.
³Esme está cursando Arquitetura na universidade, ´
ele disse do nada.
³Interessante. Ela fez um trabalho fabuloso com o
meu quarto.´ Os carpetes dourados foram
engenhosos, fornecendo a acústica perfeita para
minha música.
³Sim, ´ ele respondeu, ³embora eu me perguntasse
se o projeto a machucaria depois.´
³O que você quer dizer?´
Ele fez uma pausa. ³Ela estava tão certa do seu
retorno, como eu estava. Embora nós dois
soubéssemos que havia uma possibilidade distinta
que nunca o veríamos novamente.´
³Eu teria voltado eventualmente, ´ disse de modo
culpado, ³foi só uma fase passageira, nada mais.´
Ele suspirou. ³Quando você partiu, ela sentiu como
se tivesse perdido uma criança novamente.´
Isso não tinha me ocorrido. Eu estava bem ciente
que a tentativa de suicídio de Esme foi o resultado
de perder uma criança. Ela segurou o bebê durante
apenas três dias antes que ele morresse de uma
infecção pulmonar. Honestamente não percebi que a
minha partida traria a tona sua dor pela perda.
³Desculpe, ´ murmurei.
Carlisle sorriu. ³Como você pode ter notado, desde
que o deixamos entrar, você já esta perdoado.´
³Amo muito vocês dois, ´ eu disse com tanta
emoção quanto pudesse reunir. ³Quero que você
saiba, sempre serei dedicado a vocês dois.´
³É claro, ´ Carlisle sorriu, ³você é parte desta
família.´
E então eu era, como eu sempre tenho sido, e
sempre seria.
Verde, Vermelho, Dourado ± Capítulo 16
š01 

Permaneci isolado durante os primeiros dois anos


depois de meu retorno. Meus sempre leais pais
adotivos não questionaram meu isolamento, apenas
me deram quanto espaço que eu precisasse. Eu era
eternamente grato por isso. Não podia suportar
explicar que eu ainda estava lutando com minha
consciência. Eu nunca poderia impor minhas
memórias horríveis em meus pais.
Eles me deram tempo, e tempo eu tomei.
>

 


. *<
   
?

-
5 ³Está tudo bem, Edward?´ Esme
perguntou da porta do meu quarto.
³Tudo está bem, Esme. Peço desculpas pelo barulho.
Vou tentar mantê-lo ao mínimo.´ Gentilmente joguei
o disco de vinil com uma das mãos e ele pousou na
terceira prateleira perfeitamente.
Esme olhou entre eu, a pilha de discos no sofá e a
prateleira. ³Posso perguntar o que você está
fazendo?´
³Estou reorganizando minha música,´ respondi.
³Oh, desculpe-me, Edward,´ Esme disse
instantaneamente acanhada. ³Eu tentei organizar
tudo da forma que esperava que você fosse querer,
sinto muito mesmo«´
³Não precisa se desculpar, Esme,´ encolhi os
ombros. ³Eu prefiro as coisas em uma certa ordem.
Não posso esperar que você soubesse. Afinal, você
não é a leitora de mentes. ´ Eu sorri ironicamente.
Ela riu, dando um tapa brincalhão em meu ombro.
Então foi ficando quieta, ponderando seus
pensamentos, os quais, claro, eu ouvi claramente.
³Você sabe o que eu estava pensando?´ ela
finalmente perguntou.
³Eu normalmente sei,´ sorri afetadamente. Ela riu
novamente, balançando a cabeça.
³Vou reformular. Eu estava pensando que já faz um
tempo que caçamos juntos, só nós dois.´
³Você está certa, Esme, já faz um tempo. Eu
adoraria ir caçar com você.´
Ela irradiou alegria. ³E talvez você possa conceder
um favor no caminho...´
³Sim,´ eu sorri, ³Te ajudo com os materiais para seu
próximo projeto de renovações. ´
³Obrigado, Edward,´ ela sorriu.
³Disponha Esme.´
Estava eu pronto para interagir com outras pessoas
em qualquer nível normal? Não. Eu estava mentindo
para minha mãe ao fazer isso como se fosse tão
simples? Claro. Eu era um vampiro. Eu tinha que
manter tudo bem guardado. Eu tinha que pisar com
muito cuidado. Mas, eu estava tentando« Aquilo
tinha que contar como algo.
Bem alimentado e sentindo-me despreocupado,
fizemos nossa jornada de volta para casa ao
escurecer. Nós dois pausamos exatamente no mesmo
momento. Algo estava errado. Concentrei-me, mas a
única coisa que ouvia era Carlisle lamentando, 9

!
? 5 9 
!
? 5 Repetidamente.
Esme e eu trocamos olhares preocupados, acenamos
uma vez e corremos para dentro de casa.
Estatelada em cima da mesa, na bem iluminada
cozinha, estava uma garota, obviamente no ápice de
extrema agonia. Carlisle estava segurando a mão
dela, lhe dizendo o quanto sentia muito. Sim, ele
havia se desculpado a mim da mesma maneira. Ele
olhou quando fomos nos aproximando, seu rosto
pesadamente manchado com angústia.
³Por favor, mate-me!´ a garota gritou, arqueando as
costas em dor. ³Deixe-me morrer!´ A mão de Esme
voou até sua boca. Os sons que essa garota fazia
estavam partindo o coração da pobre Esme.
Então reconheci quem era essa garota, seria difícil
não lembrar. Todos em Rochester conheciam os
Kings. E ela era a noiva do filho deles. O potencial
de exposição que isso causava, apresentava um
grande perigo ao nosso disfarce.
³O que você estava pensando Carlisle?´ exigi.
³Rosalie Hale?´
³Eu não podia apenas deixá-la morrer,´ Carlisle
disse quietamente. ³Era demais ² horrível demais,
desperdício demais.´
³Eu sei,´ disse curtamente. Vi Rosalie Hale em sua
mente, espancada, roupas rasgadas, violada; deixada
para morrer na rua fria como um cachorro.
³Era desperdício demais. Não podia apenas deixá-
la,´ Carlisle repetiu em um sussurro.
³Claro que não podia,´ Esme concordou; sempre a
esposa que apóia.
³Pessoas morrem a todo o momento,´ lembrei-o
duramente. ³Você não acha que ela é um pouco
reconhecível demais? Os Kings armarão uma grande
busca-´  6
 ! 
 , *
<   ; Ouvi
Rosalie gritar em sua mente.  
 ) 
!

*8

. Eu rosnei.
A mesma imagem reluziu na mente de Carlisle.
Rosalie Hale, jogada no chão com a morte a sua
espreita. A beleza que ele viu, apesar de seu estado
torturado, prevaleceu sobre ele. Aí reside a ironia de
como a mente vampira funciona. Somos belos para
nossa presa intencional e somos apenas atraídos por
belas presas.
³O que faremos com ela?´ Exasperei, jogando os
braços para o ar.
Carlisle suspirou. ³Cabe a ela decidir, claro. Ela
pode querer seguir seu próprio caminho.´
Calculei o tempo rapidamente em minha mente.
Esme e eu fomos caçar por três dias.
³Quanto tempo faz, Carlisle?´ perguntei
quietamente, reprimindo meu aborrecimento.
³Dois dias,´ ele sussurrou.
Obviamente, ele estava desgastado, era hora de
aliviá-lo de seus afazeres. Coloquei uma mão em seu
ombro. Ele olhou para mim, a angústia ainda clara
em sua face. O que me impressionou foi que seus
olhos ainda estavam um topázio claro. Ele havia
feito melhor com essa Rosalie Hale do que havia
feito comigo ou Esme. Ele não consumiu uma gota
de seu sangue. Ainda assim, eu sabia que a tentação
ainda estaria aí.
³Descanse Carlisle,´ eu disse bondosamente. ³Vá
caçar. Eu ficarei com ela.´
Carlisle sorriu agradecido. Esme colocou seus
braços ao redor dos ombros dele e o guiou pelo
caminho.
Eu sentei e segurei a mão esquerda de Rosalie.
Certamente não era uma tarefa fácil. Ela reproduzia
os eventos em sua mente, agarrando-se a cada
detalhe vívido. Eu estremecia cada vez que o filme
mental começava de novo. Jaqueta rascada, botões
voando, cabelo arrancado pela raiz. Mas eu queria
essa tortura. Eu matei a tantos, vinguei outros. E
Rosalie Hale, foi a única que não salvei, porque eu
não estava lá.
Notei que ela mantinha sua mão direita em punho
apertado, unhas entrando na carne. Gentilmente abri
seus dedos e encontrei um objeto brilhante. Coloquei
o objeto em meu bolso. Ela não precisava desse
lembrete. Algumas coisas são melhores esquecidas e
esse objeto não era exceção.
Um botão de metal.

Verde, Vermelho, Dourado ± Capítulo 17


 ) 
Rosalie entrou pisando duro na casa. Esme e Carlisle
entraram atrás dela, parecendo envergonhados. Eu
apertei a ponta do meu nariz. Era o quarto piso que
ela destroçava na semana. Ela não tinha problemas
em destruir a casa, minha nova irmã, e ainda assim
ela passava horas se arrumando. Ela não parecia
entender que não importasse o número de vezes que
ela penteasse seu cabelo, ela nunca seria humana
outra vez.
³Dê uma chance a ela, Edward´± ele murmurou
enquanto vinha em minha direção.
Nós dois olhamos para o novo buraco feito no chão.
³Ela precisa aprender a se controlar, isso é ridículo´
eu apontei para a madeira despedaçada do chão
³Ela é uma recém-nascida, há de se esperar. E se eu
me lembro bem, você não tinha um comportamento
perfeito´ ele sorriu.
Tive que rir com essa. Eu acidentalmente havia
arrancado uma porta das dobradiças simplesmente
quando estava tentando virar a maçaneta.
³Os pensamentos dela estão perturbados´ eu
mencionei. ´O que a fez ficar assim dessa vez?´
Carlisle suspirou. ³Ela está traumatizada, tenho
certeza de que você pode entender isso.´ Eu
concordei. Ele continuou ³Eu estava tentando contê-
la, ela estava a ponto de fugir. Quando eu coloquei
meu braço sob o seu ombro, ela gritou µnão me
toque! ¶. Eu realmente não tinha a intenção de
assustá-la.´
Eu tinha decidido falar com a Rosalie quando
Carlisle e Esme saíram para ter um pouco de
privacidade. Eles nunca diziam nada em voz alta,
mas eu estava bem ciente de que ninguém conseguia
privacidade alguma quando eu estava por perto. Eu
tentava meu melhor para deixar claro que eu
respeitava a privacidade de todos e tentava desligá-
los sempre que eu pudesse. Medi meus passos em
direção ao banheiro da Rosalie, para que ela pudesse
me escutar bem antes que eu chegasse lá.
³Eu entendo.´ eu disse calmamente, enquanto me
apoiava na moldura da porta.
Ela me olhou com fúria em seus olhos. ´Você é um
homem. Não pode entender nada.´
Eu encarei o chão, procurando por palavras
diplomáticas. ´Meu sexo tem muito pouco a ver com
isso.´ eu murmurei. ´Entendo a vontade de vingança
pelos atos cometidos a você.´
³Como é possível você compreender?´ ela
debochou.
Fechei meus olhos, todos os rostos das vitimas das
minhas vitimas muito claros. ´Já passei por isso.´ eu
retruquei. ´Você precisa achar um jeito de superar
isso, Rosalie.´ Os lábios dela tremeram. ´Você não
pode fazer isso sozinha, o que está planejando.
Alguém tem que cuidar de você.´
Ela ofegou. ³Você não vai tentar me impedir?´ ela
disse, chocada.
³Não, como eu disse, eu entendo.´
Enfiei a mão dentro do meu bolso, tirei e mostrei
para ela. Um botão de metal. Ela o puxou da minha
mão, segurando-o com as suas duas próprias,
próximo ao seu coração. Então me olhou com
intensidade e abriu a mente.
O plano de Rosalie era simples, já estava sendo
desenvolvido em sua cabeça durante alguns dias.
Quando ela falava sobre o vestido de casamento, ela
se castigava, dizendo que era bobo e infantil. Mas eu
entendia o que era drama. Eu precisava deixar claro
para ela no entanto que assassinato pode ser
surpreendemente viciante. É difícil parar apenas no
primeiro. Ainda assim, ela me surpreendeu. Ela
estava determinada a não beber o sangue deles.
³Não quero nenhum deles dentro de mim.´ ela disse.
O membro mais novo da família acabou sendo muito
inteligente.
Eu sabia que meus pais não poderiam saber do plano
dela. Entre compaixão e paixão, Carlisle e Esme não
aprovariam. Aos olhos deles, não haveria
justificativa em matar estupradores. Mas eu entendia
melhor.
Andar com a Rosalie não era algo fácil. A mente
dela continuava a guerra entre seu ódio mortal pelos
homens que a tinham a machucado e sua vontade de
se agarrar a humanidade fortemente com os dez
dedos. Talvez alguns dedões também. No mais, era
difícil tentar manter uma pequena conversa com uma
garota cuja mente estava tão concentrada nos
aspectos cruéis do que nós tínhamos planejado fazer
nos momentos seguintes. Em vez disso, passei por
nosso plano de novo, só para me certificar que ela
entendia tudo que estava envolvido.
³Eles vão sair do clube de senhores depois da hora
de ter fechado, em aproximadamente vinte minutos.´
eu a lembrei. Ela revirou seus olhos. Eu suspirei.´Só
quero ter certeza que você sabe o que está fazendo,
Rosalie.´
³Eu sei o que estou fazendo, Edward.´ ela disse
protetoramente.
³Ao primeiro sinal de qualquer frenesi, estou tirando
você de lá. Não importa se matou a todos ou não.´
³Eu sei!´ ela disse irritada. ´Já falamos disso mil
vezes.´
³Você gosta mesmo de hipérboles, não gosta?´ eu
respondi secamente.
³Certo.´ ela suspirou. ´Vamos revisar mais uma
vez. Mas é a última.´ ela balançou seu dedo
indicador para mim.
Eu ri, então mudei minha expressão para uma mais
séria. ³Você intercepta os homens enquanto eles
andam em direção a residência dos King. Mate-os
rapidamente, quebre seus pescoços, mas não cause
nenhuma ferida aberta. Eu estarei por perto. Vou
sussurrar alto o bastante para que você escute e mais
ninguém. Você pode falar comigo em sua mente´.
Rosalie acenou freneticamente. Eu olhei para ela, ela
estava esplendida no vestido de noiva que tinha
roubado para a ocasião. Também notei que seus
olhos estavam tomando uma expressão determinada.
Sorri para mim mesmo. Ela seria uma bela de uma
caçadora.
' 
 ! 
 !
   6
 *
 ,
*
 ela repetia em sua cabeça.
Era um pensamento curioso. Royce foi seu noivo,
ela não sentia nada além de hostilidade pelo homem
com quem passaria o resto de sua vida?
³Você realmente o odeia tanto assim?´ eu perguntei.
Seus pensamentos repetitivos falharam durante um
breve momento.
³Eu apenas quero causar a ele tanta dor quanto ele
me causou.´ Ela fechou sua mandíbula.
Ergui uma sobrancelha. ´E isso te deixará
satisfeita?´
³Sim.´ Ela respondeu fervorosamente.
³Ótimo.´ Eu sorri. ´Porque apenas estou ajudando
você para que esse assunto se encerre. Do
contrário,´ eu apontei para a rua à frente, ´tudo isso
não tem sentido.´
³Pela última vez, Edward Cullen, eu sei o que estou
fazendo.´ Ela levantou seu queixo e marchou
adiante.

Verde, Vermelho, Dourado ± Capítulo 18


ö )   ),

Eu estava em admiração de minha linda irmã. Ela


era uma vampira recém-nascida e ainda assim se
segurava com um controle inacreditável. A tentação
estava lá, claro. Eu podia facilmente imaginar como
sua garganta queimava com uma dor seca já que
podia ler tudo isso em sua mente. Mas ela resistia,
entoando seu mantra repetidamente. '  



  


 . Ela apenas queria a morte
para seus atacantes. Ela sentia que os permitindo
viver enquanto ela chupava todo seu sangue seria
uma morte muito fácil. O horror em seus olhos
enquanto ela quebrava seus frágeis ossos humanos
era mais que suficiente.
Ela era uma assassina natural, nascida para causar
destruição para aqueles que mereciam ser punidos
dolorosamente. Uma vampira com olhos vermelho-
sangue, arrastando seu vestido de noiva de renda
branca na rua escura e fria, enquanto a neve flutuava
ao redor de seu cabelo como uma aréola. Eu estava
tão satisfeito quanto ela quando ouvi os
aterrorizados gaguejos nas mentes dos homens que
ela matou. Apesar de seus acentuados odores
humanos, o cheiro de nossa presa natural estar
impregnado nela e pesado em minha mente, ela
nunca bebeu o sangue deles. Nem sequer uma única
vez.
Rosálie era linda, uma fina espécime de vampira.
Mas sua mente era muito superficial, transparente e
clara como vidro. Minha lealdade permanecia com
minha família, antes de qualquer coisa e por tudo.
Naturalmente eu cuidaria dela como um irmão faria
com uma irmã. Isso era o certo. Sem importar de
toda minha admiração por seus talentos sensuais,
quebrando os pescoços dos homens que cruzaram
seu caminho sem nenhuma dificuldade, eu apenas
podia apreciar suas habilidades. Seu corpo, se assim
preferir. Mas sem ter a capacidade de ler mentes, eu
não sentia conexão alguma com ela. Ela era linda,
mas não era minha. E eu não era dela.
E então, a noite de terror que tinha caído sobre a
cidade de Rochester, Nova Iorque, tinha acabado.
Não em um banho de sangue, mas com a renda
esfarrapada de um vestido de noiva.
Eu estava recostado em meu sofá, lendo um atlas
dos Estados Unidos. Carlisle veio até meu quarto,
enraivecido. Ouvi seus confusos pensamentos de
fúria muito antes de ele ter entrado. Sua mente
estava completamente sem coesão.
Ele jogou um jornal aos meus pés e me encarou. Eu
olhei a manchete, ³Royce King brutalmente
assassinado´. Eu olhei de volta para ele, apertando
minha mandíbula.
³E você me acusa de falta de discrição´, disse
Carlisle entre seus dentes.
Balancei meus ombros. ³Era necessário.´
³Necessário?´ ele gritou. ³Exatamente como você
poder chamar isso de necessário?´
³Ela estava segurando sua raiva fortemente demais´,
respondi calmo. ³Era a única maneira de ela poder
seguir adiante.´
³Então você pensou que assassinar sete homens,
dois dos quais eram guardas inocentes, necessário?´
Eu sorri ao me lembrar dos guardas. Eu falei para
Rosalie onde Royce estava se escondendo, ela
correu imediatamente ao local. Eu sussurrei
urgentemente, ³Rosalie, cuidado, há dois guardas!´
Ela deu risada em sua mente e respondeu, ³Haviam
dois guardas´.
³Você acha isso engraçado, não acha?´ A raiva de
Carlisle me trouxe de volta ao presente. Coloquei
minhas mãos atrás da cabeça.
³De algumas formas, foi bem divertido.´ Eu sorri.
³Edward!´ ele rosnou. ³Eu não posso tê-lo aqui se
você continuar se comportando como um
adolescente rebelde!´ & 
 *  !
 *<

   ; ³Carlisle´, eu franzi, ³Eu não matei
aqueles homens.´
Todos os pensamentos chegaram a um ponto de
parada. Ele estreitou os olhos. ³Estes foram
claramente os atos de um vampiro´, ele afirmou.
³Sim´, eu concordei. ³Rosalie precisava encerrar
esse assunto´.
Parecendo derrotado, ele se sentou perto de mim no
sofá. Os dois olhamos o jornal com pensamentos
bem diferentes em nossas mentes. Eu estava
orgulhoso da forma que Rosalie lidou com toda a
situação. Ela não deixou cair uma única gota de
sangue. Enquanto os pensamentos de Carlisle eram
uma mistura de desapontamento e culpa. ' 

 
³Não, Carlisle´, eu interrompi seu raciocínio
calmamente. ³Você não criou um monstro.´
³Como pode estar tão certo?´ Carlisle franziu
preocupado.
³Ela não tinha interesse no sangue deles. Ela apenas
queria que eles sofressem do jeito que ela sofreu.´
³Mas se ela cometeu esses atos uma vez...´
³Não´, eu interrompi novamente, ³ela não fará isso
novamente.´
Eu a tinha encontrado naquela noite, o olhar perdido,
sentada na sala com o corpo desfigurado de Royce.
Ela não me olhou quando me aproximei dela. Ela
estava chorando, secas e pesadas lágrimas. Eu
deslizei um braço por baixo de seus joelhos e passei
o outro ao redor de suas costas. Eu a levantei e a
levei para casa. Assunto encerrado.
Ele viu o atlas no meu colo.
³Você percebe que nós teremos que nos mudar por
causa disso´, Carlisle disse.
³Eu estou bem ciente disso´, respondi colocando
uma mão no atlas. ³Eu estava pensando que o
Apalache seria legal. As montanhas são perto o
suficiente. ´
³Procurando por mais leões da montanha?´ Carlisle
sorriu.
Eu sorri de volta. ³Realmente, não há suficiente
nesta área.´
Ele deu uma risada. ³Está bem, então, hora de
termos uma reunião de família.´
Encontramos-nos na sala de estar, Esme sentava-se
perto de Rosalie, acariciando seu cabelo. Ela parecia
apreciar ser mimada. Eu permaneci indiferente, se
Rosalie não sentia nenhum arrependimento, então eu
também não sentiria. Carlisle, porém, parecia ter
outras coisas em mente.
³Rosalie,´ ele começou, ³é muito importante nesta
família não termos segredos.´ Ele me lançou um
ligeiro olhar. ³Apesar de respeitarmos a privacidade
uns dos outros, privacidade absoluta é praticamente
impossível nesta família.´ Ela concordou com
Carlisle e então olhou em minha direção. Eu sorri
suavemente. ³Preciso deixar isso perfeitamente
claro,´ Carlisle continuou. ³Eu não concordo com
seus atos contra aqueles homens, mas eu não a
impediria também.´ Ambos, Rosalie e eu, olhamos
para ele em choque. Ele sorriu. ³Estou apenas
dizendo que não podemos ter esse tipo de segredos.
Algum aviso teria sido melhor, já que agora teremos
que nos mudar.´
E foi o que fizemos. Todos os pertences
empacotados e prontos em pouco tempo.
Conveniente velocidade de vampiro. Rosalie estava
demorando em seu quarto, Esme me mandou para
ver qual era o problema. Ela estava sentada em seu
quarto vazio, afagando o vestido de noiva roubado
em seu colo. Eu me agachei ao seu lado.
³Você entende que não pode ficar com isso,´ eu
disse.
Ela suspirou, ³Oh, eu sei, mas foi tão adorável
enquanto durou.´ Ela me olhou séria. ³Você não
acha que eu fiquei linda nesse vestido?´
Era difícil responder honestamente. Apesar de
reconhecer sua imensa beleza, eu pessoalmente não
sentia nenhuma atração por ela. Eu tive que usar
diplomacia novamente.
³Sim, é um vestido muito bonito,´ eu disse. Ela
sorriu sem forças. ³Venha,´ Eu ofereci minha mão,
³eles estão esperando lá fora.´
Paramos a algumas milhas da casa enquanto Carlisle
cobria os pisos com querosene. Ouvimos o riscar do
fósforo e a casa ardeu em chamas.
³Eu deixei o vestido lá,´ ela sussurrou pra mim,
³mas fiquei com isso.´ Ela me mostrou sua mão
aberta. Um botão de metal.
Aquela era Rosalie. Bonita, de metal e sozinha. Por
um tempo senti que éramos camaradas lidando com
essa existência singular juntos. Ela era de verdade
uma irmã para mim, nada mais.

Verde, Vermelho, Dourado ± Capítulo 19


J $ , 
A cidade de Appalachia acabou sendo uma cidade
tediante de Virginia. As pessoas eram como o
tempo, sem graça e previsíveis. Havia pouco para se
interessar, havia pouco para se fazer. Era
absolutamente perfeito.
Das mentes humanas locais, eu podia discernir o que
eles pensavam dessa área como bonita e singular. A
beleza das florestas e montanhas. Contudo, para
vampiros que tem passado a maioria da suas
existências fingindo ser algo que eles não são, era
difícil apreciar o cenário. Novas experiências eram
incrivelmente raras.
Como de hábito, caímos na nossa rotina. Desta vez
Rosalie e eu pretendíamos ser as crianças adotadas
do muito caridoso casal Cullen. Isto permitiu que
Rosalie mantivesse o seu nome de nascimento, uma
tentativa bastante superficial de manter sua
humanidade. Também descobrimos que nós dois
gostávamos de automóveis. Para minha grande
surpresa, ela provou ser uma mecânica de mão
cheia.
Seria razoável assumir que nos tornamos próximos,
os irmãos Cullen. Contudo, também irritávamos um
ao outro. Não nos afastamos também, mas eu não
diria que éramos almas gêmeas. Éramos irmão e
irmã, nada mais.
'4  , !
 
 !   
?
Ouvi Carlisle enquanto eu passava por seu
escritório.
³O que posso fazer por você?´ Perguntei, suspeito
com o sorriso que ele usava.
³Só desejo conversar. Por favor, sente-se.´ Ele
apontou para a cadeira de couro. Sentei-me com
relutância, ele estava bloqueando os seus
pensamentos novamente. Ele cruzou suas mãos na
escrivaninha.
³Como você está se dando com Rosalie esses dias?´
Que pergunta estranha, eu não sabia como responder
inicialmente. ³Estamos civis se isto for o que você
está perguntando.´
Ele riu levemente. ³Quando encontrei Esme pela
primeira vez, ela tinha dezesseis anos. Apenas uma
criança.´ Virei os meus olhos; vi esta história na
mente dos meus pais adotivos já muitas vezes.
³Realmente não sabíamos que nos amávamos até
que eu a encontrasse naquele dia no necrotério.´
Eu estava ficando impaciente. ³Você tem um ponto,
Carlisle?´
Ele sorriu. ³O meu ponto é, às vezes leva tempo.´ $
   
<


!
De boca aberta, levou-me alguns momentos para
falar novamente. ³Não amo Rosalie dessa maneira,
Carlisle. Ela é apenas uma irmã para mim. E você
sabe que sou leal a esta família.´
Seus olhos caíram até suas mãos cruzadas. ³Sei,´ ele
disse com sua voz cheia da decepção.
Estreitei os meus olhos. ³É por isso por que você a
acolheu?´
³Não, não,´ ele disse muito defensivamente,
³Apenas esperava...´
³Você esperou mal,´ rebati. ³Não preciso de uma
companheira, não interfira novamente.´ Andei
duramente para fora do escritório.
Na minha saída, encontrei Rosalie com as costas
pressionadas contra a parede. Ela parecia magoada.
Ela é uma vampira. Com audição de vampiro. Ela
ouviu tudo. Suspirei.
³Você não me acha linda?´ ela disse em uma voz
pequena.
³Rosalie,´ tentei, usando minha voz diplomática,
³claro que você é linda, do seu próprio jeito. Eu teria
de ser cego para não ver que linda você é. Mas não a
amo. Sinto muito.´
Como uma pintura é bela, ou um por do sol é belo,
fui perfeitamente honesto com relação à sua beleza.
Como a beleza das florestas e montanhas, não era
nada novo para mim. Não era cego e podia ver
facilmente a beleza deles, ainda assim não
mantinham meu interesse. Apenas a parte última era
uma mentira, realmente não lamentei nunca não ter
me apaixonado por ela.
 6
 
    -)      0 
 -

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   Ouvi enquanto andava com
passos largos de volta ao meu quarto. Terrivelmente
irônico sério. A mente feminina trabalha de modos
estranhos. Ou mais especificamente, a mente
feminina vaidosa. Ela não teve nenhuma dificuldade
em acreditar que eu sentia muito, embora acreditasse
que todo o resto que eu tinha dito era mentira. Então
novamente, eu deveria ter sabido melhor. Atenção
para Rosalie era o equivalente a oxigênio para um
ser humano.
Esme, Rosalie e eu tínhamos ido caçar nas
montanhas. Rosalie quis arriscar-se a uma área
oposta a onde eu sabia que havia leões da montanha.
Ela foi bastante teimosa na sua resolução e de
qualquer maneira fez que nós concordássemos que
ela caçasse sozinha. Ao tempo em que Esme e eu
voltamos para casa, não havia nenhum sinal de
Rosalie. Os pensamentos dos meus pais estavam
cheios de preocupação, lembrando-se daquela vez
em Rochester. Senti que as suas preocupações eram
infundadas; Rosalie era perfeitamente capaz de se
cuidar.
A sua respiração estava errática quando ela
finalmente voltou, arrebentando-se pela porta. Ouvi
Esme silenciosamente decidir ficar no seu estúdio,
confiante que seu marido poderia cuidar dos
problemas. Saí do meu quarto, totalmente preparado
para fica ao lado de Carlisle.
³Por favor, Carlisle! Eu imploro a você!´ Ouvi
Rosalie suplicar enquanto eu entrava na sala
dianteira. Os olhos dela estavam selvagens com
preocupação. Ela estava coberta em manchas do
sangue. Sangue humano fresco. Imediatamente
cortei o ar dos meus pulmões. Era um cheiro do qual
eu não precisava.
Em seus braços, ela carregava um macho humano
adulto. Pelas marcas de garras por todas as partes do
seu corpo, assumi um ataque de animal. Pela mente
dele, eu podia ver que ele revivia o horror de um
ataque de urso. Ele estava obviamente em dor,
embora ele mantivesse os seus olhos abertos,
encarando Rosalie com admiração. E mais
importante do que qualquer outro detalhe, ele estava
morrendo.
³Por favor,´ ela suplicou novamente, ³nunca pedi
nada a você Carlisle. Agora peço esta única coisa.
Por favor, o transforme.´ '
 )  


 

!   =
 -

   =
  !
3. 
Carlisle parecia dividido. Eu, por outro lado, estava
mortificado. Um clã com mais de três vampiros era
praticamente não existente. Era preocupante manter
as aparências com quatro vampiros. Agora ela queria
acrescentar um quinto membro à nossa família? A
minha mente voou, tentando deduzir a logística de
cinco vampiros compartilhando a mesma casa.
³Você conhece este humano?´ Carlisle gentilmente
perguntou.
³Não, juro que nunca o vi antes na minha vida. Nem
ao menos sei seu nome...´ ela disse distraída.
³Emmett McCarty,´ falei. Eles me olharam com
surpresa. Balancei os ombros. Esse é o nome que ele
continua repetindo em sua mente. ´Emmett
McCarty. Agora você realmente conseguiu. Você foi
trazido a Deus por um Anjo para ser julgado´.
Parece que ele pensa que somos divindades. Sorri.
Rosalie fez um som suave. ³Ele pensa que sou um
anjo...´ ela sussurrou. Então ela virou um olhar feroz
a Carlisle. ³Você tem de transformá-lo agora. Por
favor, farei qualquer coisa, apenas o transforme!´
Virei meus olhos para toda essa cena acontecendo.
Carlisle ainda hesitava enquanto Rosalie continuava
pedindo.
³Ah pelo amor de Deus!´ Exasperei. ³Vá em frente
e o transforme, Carlisle. Ele está sangrando por todo
o tapete branco de Esme.´
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c c 
 c c 
ccc

!J 0 )

Emmett não era um homem pequeno. Sendo como


um urso, levou mais tempo para o veneno
transformá-lo completamente. Quatro dias.
Interessante o suficiente, ele não reagiu muito à dor.
Estou certo de que ter Rosalie a seu lado todo o
tempo ajudou tremendamente. Esme até trouxe água
e roupas limpas para que Rosalie pudesse se trocar
sem ter que sair do lado dele.
Eu estava aliviado em algumas formas. Agora que
ela havia encontrado Emmett, eu não precisava mais
lidar com as falsas esperanças de Carlisle. Por outro
lado. . . Cinco vampiros. Cinco vezes a quantidade
de força vampira. Talvez pudéssemos encontrar uma
boa caverna para morar. . .
Inicialmente, tive problemas com formular uma
opinião sobre este novo vampiro. Considerando seu
tamanho, era garantia de que ele seria um recém-
nascido problemático. Também estava bastante
incerto sobre o que ele acharia do nosso escolhido
estilo de vida. Esme escolheu animais por causa de
Carlisle. Rosalie fez a mesma escolha
principalmente porque não tolerava a idéia de estar
sozinha. E eu tinha o monstro em minha cabeça para
manter calmo.
Não precisávamos dessas complicações. Não
precisávamos de outro membro em nossa família.
Não precisávamos de mais outro intruso.
Ñ
 -
?  8   Ouvi atrás de mim. Meus
dedos estavam acariciando as teclas de marfim do
piano, minhas costas viradas para a família que se
aproximava, eu podia sorrir a salvo sem ninguém
notar. Esse Emmett tinha uma impressão ridícula
sobre minha irmã. Se seus pensamentos
continuassem nesses termos, eu me sentiria enjoado
todo o tempo.
Ñ    
 )    !    Eu
enrijeci. Virei-me em um borrão, permitindo que ele
visse minha rapidez. Ele deu um passo estranho e
involuntário para trás. Com sua nova pele e olhos
vermelho-sangue, ele parecia um urso albino. Eu
sorri falsamente.
'4 



 8
   * ?  
 
 
< !* Carlisle me repreendeu.
#,
. 
 
   
   , Esme
disse.
Bufei para eles, ficando em pé do outro lado da sala.
Culpa paternal era tão irritante.
Emmet olhou entre nós, não compreendendo a
silenciosa troca que havia acontecido. Seu rosto
estava enrijecido de concentração, tentando deduzir
o mistério.7   !
   

, ele
estava pensando. &:  Ñ
 !  
 

<;
³Emmett, querido,´ ouvi Rosalie sussurrar, ³Aquele
é Edward. Seja cuidadoso perto dele, ele pode ouvir
sua mente.´ Ela lançou um olhar de aviso para mim.
Revirei meus olhos.
³Ah, é?´ ele sorriu afetadamente. ³Que número eu
estou pensando?´ # 

 
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2 
   *    >

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 9 
 

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Cruzei os braços e ergui meu queixo. ³Bem-vindo à
família, Emmet. Vinte e cinco. Você terá muito que
aprender, dezesseis. Há regras que você precisa
seguir, quarenta e três. Se você pisar fora da linha,
irei forçá-lo a lidar com as conseqüências. Sete,
trinta e oito e o ‡último número foi dezessete. ´
Eu o ouvi rir em sua mente um segundo antes de
todos nós ouvirmos sua gargalhada. ³Diga-me
irmão,´ ele sorriu, ³acha que agüenta uma partida de
queda de braço?´
Eu estaria mentindo se dissesse que o primeiro ano
de Emmet foi fácil. Foi perigoso, como havia sido
para todos nós, e certamente manteve Esme ocupada
com renovações na casa. Ainda assim, sob o cuidado
amoroso de Rosalie, Emmett sobreviveu aquele
primeiro ano virtualmente ileso.
Eu não compreendia o relacionamento deles.
Carlisle e Esme pelo menos haviam compartilhado
uma história antes de serem companheiros. Entre
Rosalie e Emmett, parecia ser estritamente físico. Eu
não conseguia ver como eles não ficaram
rapidamente cansados um do outro. Estava além do
meu entendimento.
Mas, eu estava supondo, já que Emmett acreditava
que estava sendo levado para o fogo do inferno
quando Rosalie o trouxe até nós, seu relacionamento
com ela era uma simples indulgência. Uma gota no
oceano do pecado. Éramos, afinal, vampiros.
Por mais que eu preferisse a solidão, e minha família
entendia minha preferência, eu realmente achava que
passar tempo com meu novo irmão era igualmente
agradável. Era confortante que ele raramente
pensasse algo que não diria em voz alta. Ele faltava
fortemente aquele conflito entre pensamentos e
palavras faladas que a maioria possui.
³Eu gostaria de dar um presente a ela,´ ele começou
um dia enquanto sentávamos em um banco perto do
rio, ³mas não tenho certeza do que comprar dessa
vez.´ ' !
 
    8 ³Alguma
sugestão, irmão?´
³Hmm,´ pensei em voz alta, ³bem, estou certo de
que você está ciente do gosto de Rosalie por um
grande espetáculo.´
Ele riu alto. ³Bem verdade. Mas, quero dar algo
realmente especial.´ « 7  
! 
;
³Emmett,´ franzi o rosto para ele, ³você está
considerando propor casamento?´
Ele encarou seriamente o rio transbordante. ³Se eu
estiver, tenho sua benção?´
Balancei minha cabeça e sorri. ³Você não precisa da
minha benção. Minha aceitação de você como parte
de nossa família deveria ser o suficiente.´
³« esse sua forma indireta de dizer que eu tenho
sua benção?´>
 
,*
 ,  
! 
³Sim,´ suspirei. ³Em inglês claro, você tem minha
benção.´
Ele sorriu brevemente. ³Obrigado, eu estava
preocupado que você não fosse aprovar.´ >

<
,
 
!
 

³Emmett,´ eu interrompi seus pensamentos
bruscamente, ³Eu não tenho sentimentos por
Rosalie, além dos de um irmão para com uma irmã.´
³Ok,´ ele disse cautelosamente, ³Acho que presumi
que você fosse querê-la para si algum dia.´ ') 
8 
³Ela é bonita,´ concordei, ³entretanto, é bem óbvio
que ela não é meu par. Ela é o seu.´
Ele respirou aliviado. ³Obrigado, novamente.´
Cinco vampiros. Dois casais casados. Minha solidão
estava se tornando difícil de alcançar. Falei com
Esme e pedi um terceiro andar apenas para mim em
nossa nova casa. Pois tínhamos que nos mudar
novamente. O primeiro ano de Emmett estava
terminado.
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ccc

2÷  )
Conforme a década chegava ao fim, nós nos fixamos
em Hoquaim. A área era agradável, as florestas da
redondeza tinham muita vida selvagem. O clima do
dia a dia era nublado e infeliz. Era excelente.
Emmett tinha sorte de passar seu segundo ano como
vampiro em um lugar com condições tão
compatíveis.
Esme tinha renovado a casa perfeita para a nossa
família maior. E como o prometido, eu tinha o
terceiro andar apenas para mim. Rosalie deu alguns
ataques, é claro. Emmett milagrosamente conseguiu
acalmá-la, explicando que se ela ouvisse vozes em
sua cabeça durante todas as horas do dia, ela
também iria querer um andar inteiro de uma casa só
para ela. Fiquei surpreso, eu não tinha percebido que
o Emmett fosse tão bom em entender meu ³dom´.
Ainda assim, seu jeito com as palavras deixava a
desejar. Rosalie começara a acreditar que eu era
mentalmente problemático.
Estávamos caçando na floresta Hoh. Àquela manhã
eu estava pensando que aquela área combinava tanto
com o nosso estilo de vida que poderíamos ficar
durante bastante tempo lá, sem grandes dificuldades.
Estava errado.
³Que merda!´ Emmett de repente soltou. ´Que
cheiro é esse?´
Eu olhava na direção oposta no momento, então não
tinha idéia a que ele se referia. Virei-me e vi que os
outros retorciam seus narizes. O vento soprou
naquele momento, mandando o cheiro horrível
direito no meu rosto.
³Lobisomem,´ Carlisle sussurrou, aterrorizado.
Três lobos gigantescos apareceram das árvores e
lentamente entraram em nossa visão. Não eram
animais comuns, soube disso em um instante. Eles
eram seres pensantes, podia ouvir seus pensamentos
perfeitamente, chamando os nomes uns dos outros,
dando instruções. Uma cacofonia de chamados
mentais de lobo.
Eles pararam em uma formação em V, mostrando os
dentes e rosnando. O lobo da frente tinha o pelo
marrom avermelhado e olhos castanhos profundos.
Ele era obviamente o líder. Os pensamentos da
minha família estavam caóticos, completamente
despreparados para uma batalha.
O lobo líder estava prestes a saltar, eu podia ouvir
seus músculos se tencionando. Não podia
simplesmente permitir isso, eu tinha a minha família
para proteger. No exato momento em que o lobo se
atirou para frente, eu estiquei minha mão e agarrei
seu pescoço. Ele me encarou, seus grandes olhos
castanhos arredondados, e eu encarei de volta.
Nunca perdi o contato visual com esse lobo durante
todo o tempo.
Eu falei rapidamente, para que todos pudessem me
ouvir antes que se lançassem para o ataque. ´Eu
poderia matá-lo com um estalar de meus dedos, diga
a eles para se afastarem.´ Quando eu vi que os
outros dois tinham parado de se ir para frente, eu
continuei, falando deliberadamente. ´Mas eu não
vou te matar. Não significamos perigo para vocês.´
Muito gentilmente, eu soltei o lobo, permitindo que
ele desse alguns passos para trás sem nenhum
machucado. Ergui as palmas das minhas mãos e
disse: ³Nada de problemas agora, Ephraim Black.´
Dei três passos comedidos e lentos para trás e
esperei.
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As vozes deles se sobrepunham enquanto se
comunicavam em suas mentes. Era fascinante. Eu
não queria que eles soubessem que eu conseguia
ouvir cada palavra, achei que era melhor manter
minhas próprias habilidades de ler mentes no escuro
para eles, já que eram inimigos. Deixe que pensem
que eu tenho algum tipo de poder mágico, eu sorri
para mim mesmo.
Eu apontei para Carlisle, ³Esse é meu pai, e líder da
nossa família.´
³Obrigado, Edward.´ Carlisle disse. '
)- 
  , ! !
  .! . ³Meu nome é
Carlisle Cullen. Entendo que vocês pensam de nós
como seus inimigos naturais, mas posso garantir que
somos diferentes.´
 *


; *


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† * * 


*
 
9
    !


    

 
  5
³Minha família e eu´ Carlisle continuou em uma voz
calma e tranqüilizadora, ³não somos como outros
vampiros.´ Os lobos rosnaram mentalmente com
essa palavra. ´Nós não bebemos sangue humano, só
nos alimentamos de sangue de animais.
Os lobos trocaram olhares e então correram floresta
adentro.
³Que diabo foi tudo isso?´ disse um confuso
Emmett.
³Shh,´ ± eu alertei em um sussurro, ³eles voltarão
em um momento. Não diga uma palavra e não faça
nenhum movimento brusco, do contrário eles vão
atacar.´
³Você consegue ouvir os pensamentos deles?´
Carlisle me perguntou.
³Claramente.´ Respondi.
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Eu sorri; um luta justa.
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Fechei minha mandíbula, sabia o que ele estava
pedindo, uma luta não justa. Relutantemente,
balancei a cabeça.
Eles voltaram em seguida em forma humana. Cada
um deles tinha a pele cor bronzeada e cabelo bem
curto, preto como tinta. Aparentemente, não tinham
nenhuma vergonha. Todos usavam shorts
esfarrapados e nada mais. Era interessante ver que
nenhum deles parecia mais velho que vinte e cinco
anos.
Eles pararam a uns três metros de distância,
cruzando os braços e empinando os peitos
exatamente do mesmo jeito. Ninguém se atreveu a
dar mais um passo. Isso era uma sorte para nós,
considerando o cheiro horrível. Eles nos encararam
com ódio.
³Obrigado,´ Carlisle disse mantendo sua voz calma.
´Agradeço sinceramente seus esforços para
conversarem conosco civilizadamente. Essa é minha
esposa Esme, meus filhos Edward e Emmett, e
minha filha Rosalie.´ Ele apontou para cada um de
nós e acenamos enquanto íamos apresentados.
Pelo que eu tinha escutado dos lobos, * 
-

 )   !
  !   



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, e
por último,   *  †'Ñ E  '. As vozes
deles não pareciam mais se sobrepor. Interessante,
eu pensei. Só na forma de lobos eles conseguem se
comunicar através de suas mentes.
³Eu sou Ephraim Black,´ disse o líder deles.´Chefe
da tribo e protetor do povo Quileute.´ '



   
 ! -



  
³Nós não queremos lutar,´ eu disse. ´Nós pedimos a
vocês que deixem minha mãe e minha irmã voltarem
para casa em segurança.´
$-   '4. ´Emmett, Edward e eu iremos
discutir os assuntos com vocês,´ Carlisle ofereceu.
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3   *,
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*) 5
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5
³Deixaremos as fêmeas irem com uma condição,´
Ephraim restringiu. ´Se elas,´ ele apontou um dedo
para Esme e Rosalie, ³morderem um humano, então
haverá guerra.´
³De acordo.´ Carlisle disse graciosamente. ³Como
eu disse, nós não tocamos em humanos.´ Ele se
virou para as mulheres. ´Esme, Rosalie, por favor,
voltem para casa. Iremos encontrá-las brevemente.´
Rosalie olhou sem acreditar, alternando os olhares
entre Emmett e Carlisle. ´Não vou deixá-lo aqui,
você não pode esperar que eu«´
³Rosalie¬,´ Carlisle sibilou. Ela tremeu sob o olhar
intenso dele.
³Vamos,´ Esme a acalmou, colocando seus braços
ao redor de Rosalie. Enquanto elas andavam para
fora da floresta, Rosalie continuou olhando para trás
por cima de seu ombro. =


 
  
 

³Agora,´ Carlisle assumiu um tom profissional. ´Eu
proponho uma trégua.´
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 c c 
ccc

$ / 3 
³Rose,´ Emmett gritava enquanto batia na porta de
banheiro deles, ³Você cheira bem! Já saia daí!´
 
 

*
Eu suspirei e aumentei o volume da minha música.
Aparentemente, Rosalie estava convencida que o
fedor dos lobos estava impregnado. Ela dizia que
ainda poderia senti-lo em seu corpo. Ela tem se
banhado direto por três dias, enquanto o pobre
Emmett acampou fora da porta do banheiro deles,
tentando lidar com sua vaidosa esposa.
Já tive o bastante. Corri para fora do meu quarto e
encontrei Esme enquanto eu ia para a porta da
frente.
³Onde você está indo?´ Esme perguntou.
³Caçando,´ rosnei.
Eu não tinha fome particularmente, era mais pelo
conforto. Comida para confortar, como eu ouvia os
humanos dizerem, ao descrever suas refeições de
purês de batata e peru. Bem, aquele pensamento me
fez perder o apetite. Eu deixei de correr e me sentei.
Apoiei-me em uma alta árvore, sentindo a umidade
do musgo em minhas costas. Fechei meus olhos.
Uma criatura passou por perto. Sem abrir meus
olhos, eu alcancei e agarrei o cervo, afundando meus
dentes na carne. Uma matança limpa, nem uma gota
de sangue em mim. Cavei um buraco e lancei a
carcaça na terra. Então eu a enterrei.
³Eu posso sentir seu cheirar daqui,´ eu disse, ³então
melhor que você se mostre.´
Ephraim Black saiu por detrás de uma árvore
cautelosamente. Ele olhou por cima de seu ombro e
acenou com a cabeça uma vez. Uma exibição de que
estou seguro que ele queria que eu visse. Os outros
dois lobos estavam pertos, ele não estava só. E eu
sim.
³Então você come animais mesmo,´ ele disse.
!



    
³Carlisle é um líder maravilhoso, nós seguimos os
modos dele,´ eu sorri.
³Você nunca bebe sangue humano?´ ele olhou
franzindo.  


 )  *?  
  


* 
Eu estreitei meus olhos a ele. ´Nós já fizemos o
tratado, esta conversa é sem ponto.´
³Você não respondeu minha pergunta,´ ele disse,
cruzando seus braços orgulhosamente. '
 






³Olhe nos meus olhos, Ephraim Black,´ eu disse
severamente. ´Se eu provasse sangue humano eles
estariam vermelhos e eles não estão.
³Huh, isso é bom saber,´ ele respondeu. Verei meus
olhos. Como se ele já não soubesse, Carlisle tinha
explicado tudo quando eles se encontrarem para
fazer o tratado.
³Há quanto tempo você tem estado por aí?´
Ergui uma sobrancelha. ´Pergunta estranha, por que
você quer saber?´
Ele moveu os ombros. ´Nós temos histórias sobre os
frios, apenas queria saber se eu o poderia achar em
uma das histórias.´
Bufei.´Não sou tão velho.´
³Então,´ ele hesitou, ³ você nunca provou sangue
humano. . .´ '
!

 ?-

³Todos nós cometemos erros,´ movi os ombros.
´Estou certo que a esposa de Levi Uley entende
disso tudo muito bem.´ Os olhos dele estalaram em
surpresa e pura raiva. ´O braço dela está se
curando?´ Perguntei inocentemente.
  =
1 Um lobo preto saiu de meio
às árvores e me bateu no peito. Eu olhei para baixo,
minha camisa bege estava rasgada em pedaços.
³Você... arruinou... minha... camisa,´ disse
quietamente. ´Você arruinou minha camisa,´ eu
disse um pouco mais alto. ´Você arruinou minha
camisa!´ Eu gritei enquanto o observava furioso.
O lobo preto caiu no chão, tremendo e fazendo
barulhos estranhos. Olhei enquanto o lobo se
transformou em um homem, quatros patas se
transformaram em duas. Percebi então, os barulhos
eram risadas. A meu entender, maior prova de que
lobos eram instáveis.
³Seus idiotas!´ Eu rugi. ´Eu não feri um humano e
você me ataca por nenhuma razão. Você quebrou o
trato!´
O outro, Quil Ateara, avançou das árvores com um
olhar mortal em seu rosto. Levi se levantou para
vestir seus shorts. Ephraim caminhou para frente,
enquanto segurava para cima suas mãos em frente ao
outros dois, sinalizando que eles não deveriam
avançar. Eu estava agitado, sabendo que meus olhos
estavam negros pela raiva.
³Nós não quebramos o tratado,´ Ephraim disse
lentamente. ´Isto foi um simples acidente.´
Eu catei os pedaços rasgados de minha camisa.
´Simples acidente,´ eu disse entre os dentes.
Ele cruzou os braços. ´Não acontecerá novamente.´
³Acidente ou tentativa de assassinato?´ Eu cuspi.
Ele se eriçou. ´Nós manteremos o trato, enquanto
seu bando o honrá-lo.´
Por muito tempo, eu pensei comigo mesmo. Afinal
de contas, lobos não vivem para sempre e vampiros
sim. Nós viveríamos mais que estes cachorros. Este
trato não significaria nada com o tempo. Com minha
nova conclusão, me levantei e olhei diretamente para
o chefe deles em seu olho.
³Isto foi um teste, não foi?´ Eu acusei. ´Testando
meus limites, vendo a que ponto eu chegaria.´
³Talvez,´ Ephraim admitiu; sua mandíbula se
fechando com teimosia.  
 
 
 
!

* .

³Por que se incomodar a fazer o trato, se você nos
odeia tanto?´ Eu questionei. ´Claramente seu ódio
corre mais profundo, e você amaria nada além de ir
para guerra.´
Como eu também amaria, e tem apenas três deles,
nós poderíamos acabar com eles tão facilmente. Eu
poderia trair Carlisle, quebrar a cadeia de comando,
e acabar com eles eu mesmo. Era uma idéia muito
tentadora, todo este caso sórdido seria terminado.
Ephraim franziu em desgosto. ´Você pensa que sabe
tanto.´ Eu sabia que sim, eu podia ouvir seus
pensamentos. ´Estamos fazendo um favor para seu
bando, você deveria ser grato.´ Levi e Quil rosnaram
em acordo.
Se eles quisessem, eles poderiam me matar, bem
aqui e nesse instante. Mas eles não queriam, eu
podia ver em suas mentes. Tudo que eles queriam
era se livrar de nós. Ainda assim, eles estavam
obviamente nos espionando, assistindo a todos
nossos movimentos.
³Estou certo que você estará assistindo, esperando
um de nós fazer algum movimento errado,´ sorri
sem sinceridade.
Ephraim sorriu da mesma maneira. ´Sempre,´ ele
prometeu.
Eu não estava ansioso para voltar pra casa. Eu podia
imaginar bem as suposições que minha família iria
fazer. Foi um acidente, eu falei a mim mesmo.
Repeti a frase sem fim em minha cabeça, permitindo
que a mentira soasse mais convincente.
³Oh!´ Esme exclamou quando caminhei pela porta.
´O que aconteceu com você?´
³Foi um acidente,´ eu murmurei. Pelo canto de meu
olho vi Carlisle se aproximando.
³O que aconteceu?´ ele exigiu.
³Um acidente,´ repeti. Emmett e Rosalie desceram
as escadas naquele momento.
³Acidente uma ova, você fede a lobo!´ disse
Emmett.
Rosalie deu a volta imediatamente soltando um alto
gritinho, e correndo escada acima. Então, todos nós
ouvimos novamente a água do chuveiro.
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c c 
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0 ) $ /
A ironia era realmente chocante.
Tínhamos estado vivendo na área perfeita durante
alguns anos. Apesar de que não completamente em
paz. Os lobos estavam sempre lá, em cada passo do
caminho. Mas eles mantiveram o tratado e não
houve nunca outro incidente como aquele dia na
floresta. Eles não nos afugentaram.
Minha família e eu mantivemos as nossas mentiras
humanas sem defeitos. Nenhum de nós escorregou,
nunca despertamos nenhuma suspeita da nossa
identidade verdadeira. Carlisle continuou com a sua
prática médica, Esme era a mãe e esposa devotada,
enquanto Rosalie, Emmett e eu, éramos os
adolescentes mais bem-comportados. Nós não nos
afugentamos.
Eram os humanos. Os humanos de outro país tinham
decidido jogar uma bomba neste país e assim, houve
guerra. Isto forçou-nos a viver em uma área ainda
mais isolada, longe dos humanos e seus jogos de
matança. Nisso está a verdadeira ironia. Apesar de
todas as circunstâncias precárias que nos rodeavam,
apesar dos lobos e a nossa fachada humana, um
evento histórico que não tinha nada a ver conosco,
foi a causa de fugir. Se não tivéssemos escolhido o
nosso estilo de vida, um país partido pela guerra
nunca teria alterado as nossas vidas.
Mudamos-nos para Delta Junction, Alasca. Terras
neutras, cobertas com fria neve branca. Era
selvagem, mas se ajustava ao nosso objetivo.
Adquirimos uma cabana na borda da floresta. Era
um lugar apertado, com todos os cinco de nós. Não
havia absolutamente nenhuma privacidade.
Eu caçava sozinho. . . Freqüentemente.
Entretanto a caça naquela área era interessante. Os
ursos polares eram um desafio encantador, o modo
que eles ficavam de pé em suas pernas traseiras e
rugiam ameaçadoramente. Ergui-me nos meus dedos
do pé e rugi de volta. O urso curvou-se para baixo e
rosnou. Agachei-me e mostrei os dentes. Então, fui
para matar.
Depois de enterrar o cadáver, apoiei-me contra uma
grande rocha de gelo. A vantagem da Tundra era
como semelhante à temperatura exterior se parecia à
minha própria temperatura corporal anormalmente
fria. Era refrescante e familiar. Era também tedioso
de adormecer a mente.
O vento uivava, abafando qualquer música que eu
escutava, bem como o meu tocar do piano. A leitura
de livros era muitas vezes problemática, o papel
congelava antes mesmo que eu tivesse uma chance
de virar a página. Se eu pudesse ter passado mais
tempo na cabana aquecida, não teria sido tão ruim.
Mas ouvindo vozes de todo mundo em tal
proximidade, era insuportável. A minha única
salvação era a Tundra hostil.
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Virei rápido a minha cabeça, em direção à fonte dos
pensamentos. Eu não estava sozinho. Alguém estava
próximo o suficiente para eu ouvir sua mente,
alguém que não era humano. E esse alguém estava
languidamente encostado em um galho de árvore,
três metros acima de mim.
Uma mulher, com características faciais russas e
cabelo longo e grosso cor de branca neve. Ela sorriu
para mim, seus olhos dourados brilhando no sol
ártico. A vampira piscou, depois desapareceu. Eu
estava incerto se ela tinha sentimentos doentis a
mim, não senti nada malicioso em seus
pensamentos. Os meus olhos lançaram-se para todo
lugar, procurando esta nova vampira.
Senti algo levemente cutucar meu ombro, dei a volta
e encontrei-me face a face com a mulher estranha.
Seu sorriso era enorme, me deixou desconfortável.
Claramente, eu estava lidando com uma vampira
com experiência muito maior do que a minha.
³Olá,´ ela disse suavemente, forte sotaque europeu,
³posso perguntar quem você é?´
Arqueei uma sobrancelha. ³Você pode, embora eu
possa não responder. Então... você primeiro. ´ Um
nunca pode ser cauteloso demais.
Ela deu risadinhas. ³Sou Irina. Essa é a nossa área
de caça.´ Ela abriu os seus braços, indicando a
Tundra. O vento bateu e levantou o nosso cabelo.
³Nossa?´ Perguntei.
³O meu clã,´ ela sorriu. ³Vivemos aqui, em Denali.´
Acenei com cabeça. ³A minha família e eu
residimos em Delta Junction.´ Melhor indicar que eu
não estava completamente sozinho, haviam outros
que sentiriam minha ausência.
³Eu gostaria de conhecer a sua família, jovem,´ ela
disse afetada, deslizando um dedo por meu peito.
Repeli sua mão bruscamente.
³Meu nome é Edward Cullen,´ eu disse
deliberadamente. ³A minha família é forte, não
infringiremos o seu território. Somos uma família
pacífica, não queremos nenhum problema.´
Para minha surpresa, ela riu.
³Edward Cullen, você é estranho.´ Ela estava me
chamando de estranho? ³O meu clã virá conhecer
sua família no crepúsculo. Até lá... adeus.´ Ela
piscou, e correu para fora de minha vista.
³Carlisle,´ sussurrei alto o bastante para ele ouvir,
enquanto eu andava de volta para a cabana.
$
)'4;
³Encontre-me lá fora pelos fundos. Temos de
conversar,´ eu disse passando diretamente pela
cabana e porta afora pelos fundos. Não vi o ponto
em alarmar os outros desnecessariamente.
Eu estava andando para frente e para trás pela porta
dos fundos quando Carlisle emergiu.
³Há algum problema?´ ele perguntou.
³Não tenho certeza,´ franzi a testa. ³Encontrei outra
vampira aqui no Alasca. Ela tem olhos dourados.´
³Interessante,´ Carlisle murmurou. ³Apenas uma?´
9
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!
 

8
Sacudi minha cabeça. ³Não, ela disse que o clã dela
reside aqui também. Eles virão aqui ao crepúsculo.´
   
 
  ! ; Os olhos de Carlisle
alargaram-se. ³Você percebe uma ameaça?´
³Acho que não, pelo menos não nos pensamentos
dela...´
³Algo está obviamente te incomodando, Edward.
Diga-me o que é.´
³Quisera eu saber.´ Retomei meu passo. ³Algo sobre
ela me deixou muito desconfortável.´
Carlisle cruzou os seus braços. ³Você sabe o nome
dela?´
³Sim, ela é Irina. Ela disse que eles vivem em
Denali.´
% 
  
 
;
³Ser o que?´ Exigi.
³Diga-me,´ ele disse pacientemente, ³como era
Irina?´
Movi meus ombros. ³Cabelo longo, loiro. Olhos
dourados.´ Carlisle estava me olhando de modo
estranho, então continuei. ³Nos seus pensamentos,
ela se referiu a mim como um µespécime¶.´
Carlisle riu baixinho e virou para voltar ao interior
da casa. Sei do clã Denali, ouvi sobre eles pela
primeira vez enquanto estava na Itália. Não há nada
para se preocupar, Edward, tudo ficará bem.
Encarei a porta fechada, me perguntando como
Carlisle poderia ser tão indiferente sobre os
problemas à mão. Murmurei para mim mesmo, ³Que
inferno está acontecendo por aqui?´
c

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ccc

'-  ,


Eu estava determinado a tornar claro meu
desconforto para Carlisle, eu não podia acreditar que
ele iria dispensar meu mal-estar tão facilmente.
Marchei cabana adentro e fui em direção ao quarto
que ele e Esme compartilhavam. Que também servia
como escritório de Carlisle; um cômodo apertado, de
fato.
' '4
Parei nos meus calcanhares. Não gostei do tom de
voz de Rosalie. ³O que você quer Rose?´
Ela surgiu de seu quarto, braços cruzados e sorrindo.
³Ouvi que você conheceu uma garota.´
³Não, conheci uma vampira,´ corrigi.
³Ei, Emmett,´ ela chamou por cima de seu ombro,
³Edward conheceu uma garota!´ Uma risadinha
flutuou do quarto deles. Bufei e voltei para meu
caminho. Rosalie continuou em sua mente, ' 





!

  - 





* 

³Eu não fugi,´ gritei de volta para ela, ³ela fugiu de
mim!´
$  
 
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 '4  
 
< -
Sem olhar para trás, peguei um abajur e joguei nela.
Sua risada me seguiu pelo corredor.
'4;
Suspirei. ³O que foi Esme?´
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  *
 !

 
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;
³Tudo bem, mas, em um momento, Esme.´
 *  '4 E
 
 *  !   
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!
  
   
³Tenho certeza de que isso pode esperar alguns
minutos, nesse momento eu preciso discutir algo
com Carlisle...´
* '4;
Suspirei novamente. ³Está bem, vou pegar sua
madeira.´ Eu não podia ser rude com Esme, nem
podia negá-la auxílio. Virei e fui novamente para
fora.
Como qualquer cabana na selva, tínhamos as
ferramentas e amenidades apropriadas. Um bloco
para cortar madeira e um machado estavam
posicionados bem do lado de fora da porta dos
fundos. Claro, estes eram apenas enfeites, caso
acontecesse de algum humano desafortunado cruzar
com essa cabana cheia de vampiros. Eu arranquei
uma tora de uma enorme pilha e o parti em pedaços
limpos.
'4;
³Sim, Carlisle?´ parti outra tora.

0! , . Bufei quietamente. 
 

 

!
*

  
* 0
Curioso, pensei. ³Você nota uma ameaça, Carlisle?´
Ele riu. & 
   '4 !

 ,
 

  
   *
Murchei em frustração. Parti a próxima tora no
meio. Entre as duas metades em minhas mãos, ali
estava outra vampira. Ela tinha um rosto redondo,
mas feições semelhantes às de Irina. Seu cabelo loiro
cor de trigo alcançava seus joelhos. Ela sorriu
atraentemente, acenando com os dedos. Meus olhos
se estreitaram.
³Minha irmã não estava exagerando,´ ela disse
docemente, ³Você é um belo garoto.´
Eu a ignorei; recusava-me a entrar em seus jogos,
quaisquer que fossem.
³Meu nome é Katrina, mas você pode me chamar de
Kate.´ Ela sorriu brilhantemente.
³Meu nome é Edward,´ eu disse em tom entediado,
³você pode me chamar de... Edward.´
Seu sorriso cintilou. ³Que delicioso´ ela exclamou
³um verdadeiro desafio. ´
O verdadeiro desafio era sua mente, que era
demasiada simples. Seus pensamentos não
revelavam nada para mim, além daquele mesmo
desconforto que também senti com Irina. Eu não iria
tão longe a dizer que ela era densa, apenas que era
muito direta em seus pensamentos.
Decidi mudar meu próprio plano de jogo um pouco,
ao invés de permitir que a agitação tirasse o melhor
de mim. Era hora de jogar a carta da diplomacia.
³Perdoe-me Kate,´ disse sinceramente, ³mas tenho
tarefas as quais devo atender. Minha mãe necessita
de lenha e eu não posso me distrair.´
³Claro,´ ela deu uma risadinha. ³Que garoto tão
bonzinho você é.´
Eu fiz menção de olhar e bufar a ela, mas nesse
momento ela já havia desaparecido.
³Carlisle!´ gritei assim que entrei na cabana,
carregando uma volumosa pilha de madeira.
$
* '4;
³Acabei de encontrar mais um membro do clã de
Denali, Katrina,´ resmunguei.
³Nossa, você está popular hoje,´ Rosalie disse
maliciosamente. Virei e encarei. Ela ergueu uma
sobrancelha para o carregamento que eu segurava.
³Você cortou bastante madeira, Edward. Está se
sentindo frustrado?´ ela riu afetadamente.
³Isso não é engraçado, Rosalie,´ disse ferozmente.
³Ah, mas é sim,´ ela sorriu largamente. ³O
Insociável Edward continua fugindo de todas as
garotas.´ Com aquilo, joguei a pilha que estava em
meus braços. Logo ela estava enterrada em pedaços
de madeira.
³Edward!´ Esme corrigiu-me ao entrar.
³Desculpe-me, Esme, mas isso está cada vez mais
irritante. Isso é sério. Estas não são vampiras
normais. Há algo errado.´ Ela ergueu as
sobrancelhas em surpresa.
³Não há nada de errado, Edward,´ Carlisle
gargalhou da porta.
³O que você não está me dizendo?´ olhei
severamente.
³Aro mencionou as três irmãs enquanto estive na
Itália,´ ele começou. ³Elas são as originais por
detrás dos mitos sobre os súcubos.´ vi Esme e
Rosalie visivelmente enrijecerem pelo canto do meu
olho. ³Não há preocupações,´ ele adicionou
rapidamente. ³Elas começaram a sentir remorso por
suas presas e desde então adotaram um estilo de vida
pacífico.´
³Pacífico como?´ Esme perguntou.
³Elas não caçam mais humanos, apenas animais,´
explicou Carlisle.
³Mas, elas ainda são...?´ Rosalie tagarelou
sugestivamente. Emmett apareceu atrás dela e
deslizou um braço ao redor de sua cintura.
³Nada poderia me separar do meu anjo,´ Emmett
murmurou no ouvido dela.
³Elas não se comportam mais como súcubos,´
Carlisle adicionou. Ñ
     


. Ergui uma sobrancelha. Carlisle moveu os
ombros. ³Elas realmente vivem bem pacificamente
agora.´  
 -
 *   , !
  

 

³Carlisle,´ avisei, ³já tivemos essa conversa.´
³De acordo,´ Carlisle acenou. ³Contudo,´ ele
direcionou toda a família, ³quero que cada um de
vocês mantenha uma mente aberta quando elas
visitarem. Independente de seu passado, elas
mudaram seus modos. Elas são mais como nós do
que vocês possam imaginar.´
³Mente aberta?´ perguntei incrédulo. ³Claramente,
elas tem tentado me seduzir!´
9
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 * 

 
0 )  Os
pensamentos de Esme eram orgulhosos.
2 !*   )  !
  
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!. Rosalie estava sendo vaidosa, como sempre.
!
 
  

 -
  '4  !
* Carlisle pediu.
Terrivelmente engraçado ver Edward apurado assim,
Emmett sorriu largamente.
Olhei para cada membro da minha família. Então,
murmurei uma linha de xingamentos sob meu
fôlego, marchei para meu quarto e fechei a porta.
Com força.
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l"    


Eu nem ia me incomodar em ligar o meu rádio.
Aparentemente, tempo de guerra para os humanos
significava que a música country fosse mais popular.
Eu tremi. Decidi por minha coleção de discos.
Música de salão, talvez. Jazz tinha potencial.
Tchaikovsky, ah, sim. Música clássica era o curativo
tranqüilizante perfeito para mim no momento.
Coloquei o vinil no tocador e esperei que a calma se
espalhasse por mim.
O que não aconteceu.
Eles estavam conversando, rindo e pensando alto
demais. Eu deitei no chão e fechei meus olhos. Era
inacreditável o modo como minha família estava
agindo, tratando esse clã de vampiros como se eles
fossem velhos amigos. Pressionei minhas palmas
contra os ouvidos. A única coisa que isso conseguiu
foi deixar os pensamentos deles ainda mais altos. Eu
gemi em frustração.
Houve uma batida educada na porta. A ignorei. Sem
duvida era Rosalie vindo para tirar sarro de mim,
mais uma vez, por me esconder das fêmeas.
³Edward, posso entrar, por favor?´ Era Esme. Ela
parecia magoada. Chutei-me mentalmente por causa
dor emocional a minha mãe.
³Sim, pode entrar,´ disse calmamente.
Esme entrou no quarto, fechando a porta
gentilmente. Ela me lançou um olhar preocupado, e
então se deitou ao meu lado. Encaramos o teto por
um momento.
³Eles são adoráveis, Edward,´ ela começou.
´Carmen e seu companheiro, Eleazar, são
maravilhosos. Eu realmente acho que você iria
gostar deles.´
³Tem um macho no clã?´ eu perguntei surpreso.
³Sim.´ ela riu.
³Oh, presumi que todas as cinco eram irmãs«´
Ela riu de novo. ´Realmente não é dessa forma.
Carlisle estava certo, eles vivem pacificamente
agora.´
³Hmm.´ eu respondi.
³Tanya estava comentando sobre o seu gosto
fantástico para música. Ela disse que a Sinfonia n. 6
é uma das preferidas dela.´ Ela se levantou, me
olhando especulativamente. ´Por favor, se junte a
nós, Edward. Estamos passando um prazeroso tempo
com eles. Todos iríamos adorar sua companhia.´
Talvez eu estivesse julgando demais. Mesmo assim,
continuava sendo minha a decisão de com quem
dividir minha companhia. Eu ainda estava irritado
com Carlisle por pensar que a Rosalie poderia ser
minha companheira. Percebi que ele tinha a melhor
das intenções em mente, e não o culpava por isso.
Apenas não conseguia entender por que toda a
minha família estava tentando tomar essa decisão
por mim. Talvez eu devesse deixar minha opinião
mais clara, porque esconder no meu quarto
certamente não era tão claro assim.
³Certo, Esme,´ eu desisti. ´Vamos conhecer o clã de
Denali.´
Eles estavam espalhados no gramado coberto de
neve na frente da cabana, meio deitados em um
cobertor vermelho e grosso. Minha família estava
sentada com eles. Cada membro do clã usava roupas
estranhas, sedas de várias cores. Era como olhar um
desfile étnico. Perguntei-me se essas eram suas
roupas do dia-a-dia, ou apenas um show. Minhas
suspeitas voltaram. Eu parei na beirada do cobertor e
cruzei meus braços.
³Muito obrigado por se juntar a nós.´ Carlisle sorriu.
'

 *  *? !, * 
0


*0 Acenei uma vez.
Ele se voltou para os nossos convidados. ´Você já
conheceu Kate e Irina,´ Kate balançou seus dedos e
Irina moveu a cabeça, um sorriso dissimulado
aparecendo em seus lábios. ³Esses são Carmen e
Eleazar.´ Ele gesticulou para o casal espanhol que
estava sentado próximo, de mãos dadas. O sorriso
deles era amigável. Eu também acenei. ´E essa é a
Tanya.´
Tanya sorriu para mim, mostrando seus dentes
brancos. Mesmo sentada, eu podia ver que ela era
alta. Ela sentava com as pernas esticadas, seus
tornozelos cruzados. Ela era absolutamente
maravilhosa. E loira com cabelo avermelhado tom
de morango. Contive a vontade de revirar os olhos.
Pelo amor de Deus, todas essas loiras. Acenei para
ela e me sentei do outro lado do cobertor.
³Permita-me me desculpar, Edward.´ Seu sorriso
aberto me fez acreditar que desculpas não eram
sinceras. ´Minhas irmãs e eu temos velhos hábitos.
Gostamos da companhia de homens, mas não
tivemos a menor intenção de deixá-lo
desconfortável.´ Hmm é possível, mas eu ainda
tinha minhas suspeitas.
³Não pudemos evitar admirar sua beleza.´ Kate deu
uma risadinha.
³Você é um homem muito belo, Edward.´ Irina
elogiou.
Estava tendo dificuldades em responder
apropriadamente porque rapidamente eu estava
sendo bombardeado com os pensamentos de nove
vampiros. Seus pensamentos se misturavam; o que
tornou virtualmente impossível concentrar. Apertei a
ponta do meu nariz e fechei os olhos. Tudo o que
podia fazer era concentrar em minha respiração.
Desnecessário, claro, mas pelo menos era algo a
mais para me concentrar. Não adiantou. Levantei-me
rapidamente.
³Indo a algum lugar, Edward?´ Tanya perguntou
disfarçadamente.
³Preciso de um pouco de paz e tranqüilidade,´ eu
disse secamente, e fui embora. Atrás de mim, ouvi
Tanya continuar, com um tom confuso.
³Perdão, eu não quis ofendê-lo com nossa natureza
jovial.´
Carlisle suspirou. ³Edward muitas vezes necessita
de um tipo diferente de paz.´
³Entendo.´ Ela disse.
Corri para a floresta, deixando que a velocidade e
liberdade me tomassem. Achei uma clareira pequena
e me sentei. As estrelas tinham apenas acabado de
aparecer no céu escuro, elas espiavam pelos altos
topos das árvores.
'45,!

 ;
Revirei meus olhos. ´Sim, Tanya, alto e claro.´ Eu
não me importava muito, os pensamentos de apenas
uma pessoa eram muito mais fáceis de lidar. E a voz
da Tanya agora estava vazia de qualquer sinal de
brincadeira. Ela parecia realmente arrependida.
Decidi não culpá-la. Afinal, ela era uma estranha
que eu mal conhecia. Sem duvida eu era o culpado
pelo clima de hostilidade que estava sentindo.
³Sinto muito mesmo,´ ela sussurrou enquanto se
sentava ao meu lado. ´Carlisle explicou o seu dom e
como pode ser problemático para você às vezes.
Eu resmunguei. ´Isso é o mínimo que pode ser.´
³Minha irmã, Kate, e Eleazar também tem talentos
parecidos com o seu. Realmente entendo que pode
ser difícil.´
³Eles escutam vozes em suas cabeças e tem pessoas
ao redor que acham que eles têm problemas
mentais?´ Sorri fracamente.
³Não muito,´ ela riu. ´Deve ser difícil para você, ser
o único na sua família que tem esse tipo de dom.´
³Os outros têm dons também.´ Eu defendi.
³É claro,´ ela disse rapidamente. ´Mas nenhum que
permita que ouçam vozes em suas mentes e levem
terceiros a questionarem sua sanidade.´ Nós rimos.
Voltei a encarar o céu. ´Você está fazendo um belo
trabalho em bloquear seus pensamentos de mim.´
³Eu achei,´ ela franziu a testa, ³que isso faria mais
fácil para você, não?´
³Nem tanto,´ eu disse. ´Estou acostumado a me
comunicar tanto com palavras como com
pensamentos. É assim que eu sou, assim que tenho
sido desde o meu novo nascimento. Embora nove
mentes de uma vez possam ser um pouco demais.´
³Entendo,´ ela respondeu. ´Para aqueles que não
têm tais dons, pareceria« complicado. Mas isso
vem naturalmente para você, não é?´
³Sim« tão natural como essa vida pode ser.´
³Bem,´ ela sorriu, ³também tem esse lado.´
Sorrimos um para o outro. Era entranho encontrar
que certo entendimento estava crescendo entre nós.
Tanya parecia a irmã que eu teria escolhido. O tipo
de irmã que apoiava o jeito que eu sentia quanto a
minha existência, ao invés de alguém consumido
pela vaidade.
Naquela hora, não percebi nenhum motivo a mais
vindo da Tanya. Estava enganado.
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š( ),
O tempo que passamos no Alasca foi bastante
agradável. Estávamos longe da pressão da máscara
de humanos e passando tempo com vampiros que
compreendiam perfeitamente o estilo de vida que
escolhemos. O tédio do deserto ártico foi logo
substituído por uma atmosfera de uma família
estendida.
Eu nunca fui muito próximo com Kate e Irina
durante esses anos. Eu não tinha maus sentimentos
para com elas, mas o meu desconforto nunca
diminuiu quando eu estava perto delas. Tanya e eu,
por outro lado, muitas vezes íamos a passeios ou
viagens de caça, só nós dois. Conversar com ela era
fácil, ela se tornou uma espécie de confidente.
Minhas suspeitas sobre o clã desapareceram
completamente e cheguei a considerá-los da mesma
forma que a minha família fazia: velhos amigos.
Numa caçada em particular, Tanya e eu achamos
uma matilha de lobos árticos um tanto grande. Foi
um grande banquete. Sentamos-nos em uma caverna
perto, conversando calmamente.
Quantos anos você tinha quando foi transformado?
³Dezessete´, respondi automaticamente.
Ela balançou a cabeça: ³Eu tinha dezenove... quase
mil anos atrás...´.
³Hmm´, aquilo não era nenhuma informação nova,
então não me surpreendeu realmente.
³Eu era uma escrava e era boa para o meu mestre.´,
ela respondeu. &  *  - !   


! 
* * 
Eu olhei para ela com curiosidade, pensando se ela
queria que eu conhecesse o seu passado. Então, ela
abriu a sua mente. Vi homens de todos os cantos da
vida serem amados por ela. Ela os seduziu, os trouxe
de bom grado para a sua cama. E matou cada um
deles.
³Você gostava de brincar com a sua comida?´,
provoquei.
Ela olhou para baixo para suas mãos. ´Essa era a
maneira como nós caçávamos. Nós amávamos os
homens e de boa vontade eles morriam pelo amor
que nós dávamos a eles. Mas, como minhas irmãs,
eu comecei a desenvolver simpatia para com a
minha presa e não podia continuar.´
³Bem, isso eu realmente entendo.´ Embora eu não
aprovasse a sua forma anterior de caça, eu entendia
simpatia.
=) ;& ,!



;
Dei de ombros casualmente. ³Eu fiquei por aí
sozinho por algum tempo.´
³Você matou inocentes?´, sua voz aumentou uma
oitava.
Balancei a cabeça. ´Tornei-me um assassino de
outros assassinos menores. Eu acreditava que se eu
matasse homens que tivessem matado, ou que
estavam prestes a matar, meus atos seriam
justificados.´
³E eles foram?´ $ 
  
   !
& 
;
Eu me endureci, não disposto a discutir detalhes,
mesmo com Tanya. ´Pelas mesmas razões porque
você parou, eu imagino. A tomada da vida humana
se tornou demais.´
Ela deslizou para mais perto uma fração de uma
polegada. ´Você não respondeu à minha primeira
pergunta. Os seus atos foram justificados?´
³Não´, sussurrei, em seguida suspirei. ´Sempre, em
retrospecto, não é?´
³Sim, a verdade muitas vezes não pode ser
revelada... até que seja tarde demais´, ela sorriu.
Era bom ser bem entendido assim por outro
vampiro. Pelo menos eu pensei que era entendido.
Então o ano de 1945 foi se desenrolando e a guerra
dos humanos tinha terminado. Era hora de voltar à
nossa fachada humana. Peguei-me ansioso pela
oportunidade de provar ao meu pai que eu poderia
ser melhor do que aquilo que eu tinha sido. Tanya
me ajudou a colocar meus pertences nas malas em
meu quarto, na noite antes de partirmos, e eu
expliquei meus planos para ela.
³Eu posso nunca ser capaz de lidar com o sangue
como Carlisle consegue,´ eu disse, ³mas eu gostaria
de tentar. Estou pensando em voltar para faculdade
de medicina´.
³Essa é uma ambição fantástica´, disse ela com
ligeira admiração. ´Eu nunca vou entender como
Carlisle consegue fazer isso.´
³Sim, o autocontrole dele é fenomenal´, eu disse
calmamente.
³Oh, não se preocupe´, ela riu, dando um tapinha no
meu ombro. ´Eu tenho certeza de que você terá a
oportunidade de provar a si mesmo. Você irá se sair
brilhantemente bem, eu tenho certeza.´
³Obrigado, Tanya, só posso ter esperança.´
³Você pode fazer melhor do que ter esperança,
Edward, eu sei que você pode.´ Ela deslizou para
mais perto, passando um braço em torno de minha
cintura.
³Eu aprecio o seu entusiasmo.´, franzi enquanto
tentei me desvencilhar. Fiquei pensando sobre a
súbita afeição. Ela nunca se atreveu a ser tão atirada
antes. Ela não me soltava.
³Edward, você não acha que é hora de nos
tornarmos mais próximos?´
Virei minha cara amarrada para ela. ´Eu não entendo
o que você está dizendo, Tanya.´
³Oh, vamos lá,´ ela suspirou ofendida. ´Passamos
quatro anos juntos. Tenho sido muito paciente com
você.´
Eu pisquei. ´Você quer dizer, todo este tempo, a sua
amizade era apenas uma farsa?´
Ela fez um pequeno ruído de dor e se sentou no
chão. ´Eu nunca tentei te seduzir´, disse ela
tristemente, ³ou te levar para a cama. Eu estava
apenas tentando te conhecer, me abrir para você. Eu
tinha esperanças... de que um dia... você faria o
mesmo por mim.´
Eu me agachei e peguei suas mãos nas minhas.
´Tanya, eu não quero uma companheira, eu tenho
sido muito honesto com você sobre esse assunto.´
³Não sou linda o suficiente?´, ela perguntou com
tristeza.
³Claro que você é,´ eu disse sinceramente. ³Tal
como uma pintura ou um pôr do sol... ou uma
irmã...´
³Você não me ama´, ela disse suavemente e eu
poderia quase sentir o gosto da dor nas suas
palavras.
Ambos sabíamos que ela não estava se referindo ao
tipo de amor que se sente por um membro da
família. Eu soltei suas mãos, me sentei novamente e
fechei meus olhos. ´Sinto muito, mas eu não te
amo.´
³A mim?´, ela sussurrou. ´Ou será que você não
consegue amar a si mesmo?´
Eu não respondi e mantive os olhos fechados. Senti
uma brisa e rapidamente abri meus olhos. A última
coisa que eu vi foi uma madeixa de cabelos loiros
avermelhados desaparecendo.
Na manhã seguinte, nosso último dia no Alasca, fui
cumprimentado por Carlisle. Em suas mãos estava
uma folha de papel dobrado. '

 .*
  
., ele pensou para mim, '
 

, 

 . Eu balancei a cabeça e peguei
o papel de suas mãos. Ele sorriu com simpatia e
depois saiu para ajudar a família a carregar o
caminhão.
Abri o papel cuidadosamente e vi a letra firme de
Tanya.
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,
Seja livre, Edward.
Tanya
Entendi, então, o que ela estava fazendo por mim.
Não havia nenhuma dúvida em minha mente de que
eu a havia feito se sentir completamente rejeitada,
mas ainda assim, ela me deu o melhor presente que
ela poderia me dar. Ela estava me deixando ir.
**Nota da autora:
O poema utilizado é ³Bem, eu te perdi´ de Edna St.
Vincent Millay, 1931.
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2
 

Passei meses calmamente contemplando uma


explicação racional para a minha rejeição a Tanya.
Então ela veio: eu era egoísta ± até o fundo. Tudo
com o que me preocupava eram as minhas próprias
ambições, o que não deixava nenhum espaço em
minha vida para uma companheira. Eu não pensava
mal de minhas ações então, era para o melhor.
Ninguém deveria estar envolvido com uma criatura
tão egoísta como eu.
Tão egoísta eu era, que discuti com Carlisle sobre a
nossa seguinte locação. Eu queria voltar a Hoquiam,
ou algum lugar na Península de Olympic. Ele sentia
que era muito cedo desde a nossa última estadia. Ele
tinha razão, é claro. E o mais importante, ele estava
mantendo os meus melhores interesses em mente.
Ele e Esme tinham encontrado uma casa localizada
entre Lebanon e Enfield, em New Hampshire.
Estava convenientemente perto de Dartmouth, o
lugar perfeito para mim, para que eu atendesse a
faculdade de medicina.
Por mais agradecido que eu estivesse com o cuidado
dos meus pais, sentia mais culpa do que gratidão. E
Rosalie muitas vezes me lembrava daquela culpa
através de seus pensamentos, me acusando de ser
uma criança mimada. Jurei de provar que ela estava
errada, comprovar o meu valor.
Todos os dias ia para a faculdade pontualmente. Era
o melhor aluno e os professores adoravam o meu
trabalho. Realmente não era tanto um desafio. Já
naquele tempo, eu estava acostumado ao tédio da
faculdade e aturava silenciosamente. O meu único
alívio era o tempo que passava no fim do dia de
faculdade com Carlisle, compartilhando o meu
conhecimento recentemente adquirido.
³Como vocês podem ver deste corpo,´ o meu
professor falou de forma monótona, ³o fígado foi
pesadamente danificado.´ Ele cutucou o órgão morto
e sangue escoou. Olhei para longe, cortando o ar nos
meus pulmões. Os meus colegas de classe estavam
fazendo o mesmo, por outras razões. Um colega
correu da sala em velocidade humana máxima.
Podia ouvi-lo vomitando no corredor. Tive de
zombar. Eles pensam que náusea é um fardo
terrível« eles não tinham nenhuma idéia.
E assim foi dia após dia após dia. Tolerando o cheiro
enlouquecedor de sangue humano, os meus olhos
eram preto como carvão quase todo o tempo. Minha
família me tratava como uma dinamite ambulante.
Eu estava mal-humorado e propenso a explodir sem
motivo. Só Carlisle entendia o meu sacrifício.
³Faz dois anos desde que comecei a faculdade de
medicina,´ sentei-me no escritório de Carlisle, os
outros tinham ido caçar.
³Você não está sob nenhuma obrigação, Edward,´
ele disse amavelmente. ³Você não tem de fazer
isso.´
³Mas eu quero,´ objetei. ³Posso fazer isso, posso
terminar a faculdade, posso«´
Ele ergueu suas mãos. ³Mas você não tem
obrigação.´
Suspirei. ³Como você conseguiu terminar a
faculdade de medicina?´
³Pela maior parte estudei de longe,´ ele sorriu
timidamente. ³Claro, agora venho praticando sem
uma licença legal.´
Rimos. Cada vez que nos mudávamos não só
tínhamos de forjar certidões de nascimento, como
também tínhamos de forjar uma licença médica para
Carlisle.
³Memorizei milhares de livros,´ ele explicou. #,
!
  *<
 
   '4   !




,
Eu franzi. ³E sua resistência a sangue?´
³Anos e anos de prática,´ ele sorriu.
³Depois que o topo do crânio é cortado,´ o meu
professor ainda falava monotonamente, ³separamos
o cérebro da caixa craniana com muito cuidado.´ Ele
enfiou um escalpelo dentro do crânio aberto. ³Ah«
droga,´ ele resmungou enquanto sangue jorrava na
sua roupa. Os meus colegas de classe riram. Eu não
podia me mover, não podia fazer algum som.
Sangue gotejava pela frente do jaleco do meu
professor. A minha garganta queimou e meu
estômago se retorceu em nós dolorosos.
Dia após dia após dia«
Fiquei surpreso ao encontrar a casa vazia um dia,
depois de voltar da faculdade. Eu sabia que Carlisle
ainda estava no hospital. Lembrei que Esme e
Rosalie falavam sobre uma viagem de compras. Mas
onde estava Emmett? Oh Deus« Emmett«
'
 
 5

 
8!*
* ? 5

 
!
5
Andei cuidadosamente escada acima e para dentro
do banheiro que Emmett e Rosalie dividiam.
Lentamente deslizei as cortinas do chuveiro.
Encontrei Emmett lá, sentado embaixo da água
corrente, os seus joelhos erguidos até o seu peito,
seu rosto enterrado nas suas pernas. Sua roupa
ensopada com a água; parecia que ele esteve sentado
lá há algum tempo. Ele se balançava para frente e
para trás enquanto continuava sua lamentação
mental.
 
 .
 
35


 
 
 85
& 
 .
 5
 '45 $ 

'4
8
1
Agachei-me e coloquei uma mão no seu ombro, na
esperanças de confortá-lo. Ele se quebrou em
soluços. Então ele olhou para cima e me olhou.
Prendi minha respiração e o encarei em choque.
Seus olhos eram vermelho brilhante. Retirei minha
mão.
³O que você fez?´ Exigi em um áspero sussurro.
³Não pude parar,´ ele chorou, ³tive de fazer, não
pude me fazer parar, eu nem queria parar!´
Franzi a testa. ³Quantos?´
³Dois« ou três´ ele sussurrou. 9
<
³Talvez?!´ Gritei. Ele se jogou em mim e agarrou o
colarinho da minha camisa com ambas as mãos. Seu
rosto estava selvagem pelo medo.
³Por favor, Edward, me ajude,´ ele suplicou. ³Juro
que nunca acontecerá novamente. Havia dois deles,
uma fêmea e sua mãe. O cheiro era forte demais.
Não pude parar em somente dois. Sinto tanto! Por
favor! Nunca mais acontecerá novamente!´ O meu
colarinho começou a rasgar na costura.
³Tudo bem,´ eu disse lentamente, colocando minhas
mãos nos seus ombros. ³Não é a minha área. Você
deve falar com Carlisle sobre isso. Ele saberá o que
fazer.´
Ele baixou a cabeça em vergonha. ³Ele irá me
perdoar?´
³Bem« ele suportou o meu comportamento rebelde.
Ele me perdoou no segundo que voltei. Tenho
certeza que você ficará bem.´ Ele sorriu tristemente.
³Eu a amo tanto. Eu a desapontei,´ ele sussurrou.
³Rosalie precisa de você tanto quanto você precisa
dela. Ela te perdoará também. Nós todos iremos.´
³O que fazemos agora?´ Suas sobrancelhas juntas
com preocupação.
Pensei rapidamente. ³Teremos de nos mudar,
começar tudo novamente.´ Ele concordou com sua
cabeça, ainda tremendo pelo o que passou.
Era um pouco irônico. Aqui estávamos, nos
preocupando com minhas próprias experiências com
a faculdade de medicina, Emmett sendo aquele que
precisava de nossa atenção. A ironia parecia ser um
tema recorrente na minha existência. Ou talvez, essa
é somente a natureza de um vampiro.
Verdade seja dita, o deslize de Emmett era uma
desculpa conveniente. Eu não podia lidar mais com a
faculdade de medicina, e essa era a oportunidade
ideal de escapar de todo os cadáveres sangrentos.
Poderíamos ter ficado e limpar a desordem que ele
deixou para trás, ninguém saberia. Mas incitei a
família a se mudar para uma locação diferente por
um tempo. Por quê? Porque eu era egoísta. E ser
egoísta era muito mais fácil do que admitir a minha
fraqueza.
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ccc

    )) ,    4 

³Ah ha!´ Emmet disse alegre. ´São duas em três.


Quer tentar quatro de cinco?´, ele sorriu largamente.
Eu sorri enquanto me levantava, limpando os
detritos do solo da floresta das minhas roupas.
Estava começando a se tornar cansativamente
repetitivo. Durante o restante da década, tínhamos
passado tanto tempo adulando Emmett, garantindo
que ele não iria sair da linha de novo ± por assim
dizer. Eu o levei freqüentemente a viagens de caça,
ajudando-o a criar resistência novamente. E, claro,
depois que terminávamos a caça, ele me desafiava
para uma luta.
Ao menos, sentia que o estávamos mimando demais.
Não estávamos realmente, cada um de nós continuou
com os nossos assuntos habituais. Mudamos-nos
para Buffalo, Nova York. Carlisle continuou a sua
prática médica, Esme dedicou-se à renovação de
uma casa e Rosalie« bem« todos nós conhecemos
Rosalie.
No entanto, essas lutas teriam de acabar em algum
ponto.
³Vamos, Emmett,´ eu disse, ³estamos fora já por
bastante tempo. Temos de voltar para casa.´
Ele cruzou os braços. ´Você está tirando o corpo
fora do desafio?´
Eu suspirei. ´Você só terá que esperar até a próxima
vez. Prometemos a Esme que iríamos ajudar a
remodelar o porão, lembra?´
³Claro que me lembro´, ele bufou. ´Tudo bem, seja
um desmancha prazer.´ Então um ímpio malicioso
cintilou em seus olhos. ´Aposto uma corrida de
volta!´, e ele decolou.
Eu sorri, dando a ele uma pequena vantagem. Afinal,
eu era mais rápido, ele nunca ganharia essa. Contei
até cinco e depois disparei pela floresta.
Parei abruptamente quando alcancei a casa. Algo
não estava certo. Emmett chegou rapidamente e
continuou correndo. Parei-o com uma mão sobre o
seu peito, nunca tirando meus olhos da nossa casa.
³Você dá a volta pelos fundos.´, sussurrei
rapidamente ³verifique Esme e Rosalie.´ Um milhão
de perguntas surgiram em sua mente então eu
apressadamente acrescentei: ³Apenas confie em
mim.´ Ele balançou a cabeça e caminhou bem quieto
rumo a porta de trás.
Lentamente fiz meu caminho pela porta da frente,
nunca fazendo nenhum som. Virei-me e, de repente,
havia um alto vampiro em pé no meio da sala. Ele
me encarou, olhos arregalados. Eu avaliei sua
aparência em um milissegundo, seus braços eram
cobertos com cicatrizes de batalha. Imediatamente
me agachei e rosnei. Ele imitou a minha postura,
rosnados irrompendo dele. Ele se inclinou para a
esquerda, eu acompanhei o movimento
perfeitamente. Encaramos-nos fixamente, nos
lançando um ao outro repetidas vezes, sem que
nenhum de nós pegasse o outro com sucesso.
De repente, ouvi uma educada tosse à minha direita.
Rapidamente lancei os olhos nessa direção e vi um
Carlisle parecendo um pouco envergonhado.
³Este é Jasper Whitlock´, ele anunciou. ´Ele e sua
companheira chegaram hoje mais cedo. Eles querem
se juntar à nossa família.´'



 
  * 
³Oh« Peço desculpas´, eu disse a este Jasper
Whitlock. ´Eu não tinha percebido«´
Ele também se endireitou e disse: ³Nenhum dano
causado. Na verdade foi muito divertido´, ele sorriu.
´Talvez em alguma outra hora você possa me
mostrar seus movimentos.´
Eu sorri de volta. ´Você está me desafiando?´
³Qualquer hora em que você estiver pronto´, ele riu
descontraidamente.
Esme e Emmett entraram nesse momento. Ele
também estava parecendo um pouco envergonhado.
Esme tinha uma sobrancelha levantada. Ela olhou
brava para Jasper e depois de volta para mim.
³Não acontecerá novamente, mãe,´ eu sorri. Ela
revirou seus olhos e saiu.
³Ei Emmett, eu acho que temos um novo parceiro de
brincadeiras para você.´ Eu balancei a cabeça na
direção de Jasper. ´Ele está desesperado por um
novo oponente de luta.´
³Seria um prazer para mim,´ Jasper sorriu. Ele
andou rumo à Emmett e lhe deu um amigável aperto
de mão.
³Huh,´ Emmett disse, ³É um aperto decente que
você tem aí. A fim de se juntar a mim no quintal?´
³Mostre-me o caminho,´ Jasper sinalizou.
Mas antes que qualquer um pudesse se mover, antes
que pudéssemos piscar, uma pequena menina veio
pulando pelas escadas como um raio. Ela parou na
minha frente de uma vez, saltitando de emoção. Ela
tinha o cabelo curto, preto, espetado e um enorme
sorriso.
³Oh meu Deus, Edward´, ela tagarelou em alta
velocidade ³É tão bom finalmente conhecê-lo!´ Ela
deu um salto e desarrumou meu cabelo. ´Eu tenho
esperado tanto tempo, eu não posso acreditar que
finalmente estamos aqui. Na verdade eu posso
acreditar, mas ainda assim é tão maravilhoso. Não
acha? Ah, eu sei que nós seremos os melhores
irmãos que existem!´ Esta pequenina aberração
jogou seus braços em torno de minha cintura e me
apertou forte. Em seguida ela voou rapidamente
escada acima de novo, rindo por todo o caminho.
³Uh « aquela « hmm «´ Eu gaguejei, me
sentindo profundamente atordoado.
³Aquela´, disse Carlisle calmamente, ³era Alice, a
companheira de Jasper´.
³Ela tem muita energia´, Jasper sorriu.
³Eu percebi.´ disse o óbvio.
³Ouça´, ele começou, ³desculpe sobre
anteriormente´.
Balancei a cabeça. ´Está tudo bem, minha culpa,
realmente. Eu não deveria ter me precipitado
daquele jeito.´
³Não´, ele retrucou, ³A culpa é minha. Eu deixei
minhas emoções saírem de controle´. Levantei as
sobrancelhas.
³Jasper e Alice tem dons especiais.´, Carlisle
explicou ³Como você. Tenho certeza que você pode
entender isso, Edward, como é difícil lidar em ter
um dom´. Balancei a cabeça, é claro que eu
entendia. Então me voltei para Jasper.
³Qual é o seu dom?´, perguntei educadamente.
Ele olhou para baixo, parecendo embaraçado.
´Tenho o dom da empatia. Posso sentir e controlar
emoções.´
³Interessante, sua mente parece ser bastante focada
em emoções também.´ Ele olhou para cima
surpreso. ´Fiquei me perguntando por que sua mente
parecia livre de palavras´. Eu sorri enquanto tocava
minha testa com ponta dos dedos. ´Eu posso ler
mentes.´
Ele riu. ´Isso vai ser muito interessante.´
³Uma luta seria mais interessante,´ Emmett
murmurou.
Nós rimos, então Carlisle disse, ³Eu gostaria de
assistir, se vocês não se importam´. Eles sorriram e
avançaram para o quintal.
Eu estava sorrindo para mim mesmo enquanto
caminhava para o meu quarto, então meu sorriso
começou a se desaparecer. Estranho como
parecíamos aceitar esses recém-chegados tão rápido.
Eu deveria ter sido cauteloso, mas não fui. Senti-me
estranhamente em paz na presença de Jasper. Então,
um pensamento me atingiu« ele controla emoções.
Gostaria de ter passado mais tempo com este
pensamento, mas eu tinha chegado ao meu quarto.
Ou, o que costumava ser o meu quarto«
³Alice´ cumprimentei com um franzido. Ela parecia
estar mexendo em uma enorme pilha de roupas. Ela
olhou para cima e acenou entusiasmadamente.
´Errr« onde estão minhas coisas?´
³Elas estão na garagem´, ela sorriu, então voltou a
se concentrar na roupa.
Aparentemente, eu agora estava vivendo na
garagem.
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  ÷/ ÷)4
Sete vampiros« três casais« um teto. Achar uma
caverna para viver estava soando melhor a cada dia.
Carlisle tinha passado um bom tempo conversando
com Jasper, só os dois, no seu escritório. Eu sabia
que Carlisle queria que a conversa fosse privada. No
entanto, com a minha necessidade de proteger minha
família, eu escutei, para prevenir. Jasper estava
achando difícil aceitar completamente o jeito que
meu pai descrevia o nosso escolhido estilo de vida.
Em vários momentos da conversa, eu ouvi Jasper
pensar (
 !
  
 
   !
. E
então eu vi o amor em sua mente.
Sacudi a cabeça. Três casais« uma boa caverna não
devia ser tão difícil de achar.
Mas eu gostava do Jasper. Ele tinha um estratégico
jeito de pensar, organizado e sempre preparado. Eu
tinha que admirar isso nele. Estava claro que Jasper
tinha muita experiência em lidar com seu estilo de
vida antigo. Não havia dúvida que ele era o tipo de
homem que você gostaria de ter ao seu lado em uma
luta. E ele estava do nosso lado.
Mesmo assim« alguns de seus pensamentos eram
um pouco perturbadores. Com a sua outra ³família´,
eles tratavam os humanos como se fossem uma
criação de gado na estrada, lá para serem pegos.
Embora ele não tivesse tomado nenhuma decisão, a
idéia de trapacear era muito tentadora para ele. Mas
ele rapidamente mandava esse pensamento para
longe, sabendo muito bem que não era aceitável e
que iria magoar severamente Alice.
Alice. Que criaturinha bizarra. Eu ainda tinha que
entender seu dom. Ela dizia ter a habilidade de ³ver´
as coisas, o que quer que isso significasse. Ela era
tão pequenina, e mesmo assim tinha a capacidade de
controlar em Jasper alguns de seus desejos
assassinos. O relacionamento deles me fascinava.
Rosalie e Emmett eram mais óbvios sobre sua
relação, enquanto os meus pais tinham um
relacionamento mais espiritual. Alice e Jasper, no
entanto, pareciam ainda mais místicos que a própria
natureza dos vampiros.
Eu estava sentando no chão da garagem, tentando
reorganizar todos os meus pertences, quando a Esme
entrou.
³Já quase terminei com seu novo quarto. Fiz uma
coisa diferente com a parede sul.´
, 
-
 . ´Você gostaria de ver?´
Eu olhei para cima, seu rosto estava cheio de
esperança e excitação.
³Ok, Esme, vamos dar uma olhada.´ Eu levantei e a
segui para dentro da casa.
Entrei no meu novo quarto e minha boca abriu
levemente. A parede sul inteira era vidro. Dava tanta
luz, muito mais do que qualquer um de nós já
tínhamos experimentado em uma casa antes. Era
perfeito.
³Brilhante,´ eu murmurei.´Absolutamente
brilhante.´
Esme riu. ´Está lindo, não é?´ Eu concordei calado.
´Bom, tudo o que precisamos é acrescentar os
carpetes, e então seu quarto estará completo.´
³Obrigado, Esme. Como sempre, você fez um
trabalho extraordinário.´
Ela sorriu, e então saiu para pegar o resto das coisas.
Andei até a janela e olhei para o cenário abaixo. A
parede de vidro dava para o lago Erie, somente a
uma pequena distancia da fronteira com o Canadá. A
água era de um verde escuro e se movia
pacificamente. Era por isso que nós havíamos
escolhido a área, é claro, as condições do tempo
geralmente contavam com grandes quantidades de
chuva e nuvens. Embora não estivesse chovendo no
momento, em minha mente eu podia ver um
temporal lavando o chão. Era estranho, eu ainda não
tinha visto nada tão vívido assim antes. Era quase
como uma visão«
Eu me virei e achei Alice parada na porta. Ela
olhava com olhos grandes, de fada.
³O que foi isso?´ eu perguntei surpreso.
Ela sorriu. ´Isso foi o amanhã. Vai chover. Perfeito
para beisebol.´
³Beisebol?´ perguntei com uma sobrancelha
erguida. ´Nunca pude jogar beisebol, não com
vampiros...´
Ela riu, o som tocava como sininhos. ´Você pode em
uma tempestade. Há uma clareira a alguns
quilômetros daqui. Não vai chover; apenas trovões.´
³Você vê o futuro...´ eu declarei. ´Sempre é assim
tão claro?´
Ela moveu os ombros. ´A maioria das vezes, mas de
vez em quando fica um pouquinho borrado. Eu vi
Jasper e essa família perfeitamente. Sempre soube
que era aqui que deveríamos estar.´
Ela abriu a mente e eu vi a visão que ela devia ter
tido quando nos viu pela primeira vez. Eu vi meus
pais, parecendo serenos como sempre. Vi Emmett e
a Rosalie, flertando como sempre. E então vi a mim
mesmo, tocando piano. Foi o olhar em meu rosto
que me deixou mais perturbado. Um olhar de pedra,
distante. Eu sempre fui assim?
Alice mal interpretou minha careta como
desaprovação. Ela bateu suas mãos e deu uma
reverência.
³Obrigado, Alice,´ eu disse rapidamente, ³por
compartilhar sua visão comigo.´
Ela olhou e sorriu. ³É muito legal ter alguém que
possa ver o que eu vejo.´
³Sim, é´ eu concordei.
Minha primeira impressão sobre ela estava correta,
ela era uma aberração, assim como eu. Ambos
éramos aberrações em uma família de vampiros. Eu
tinha um pressentimento que iríamos nos dar muito
bem.
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ccc

!"       

³É cedo demais.´, eu disse com determinação.


³Por favor, Edward.´, Alice implorou. '

*<

. ³Eu sei que ele pode fazer com a nossa ajuda´.
Balancei minha cabeça. ³Nossa ajuda não terá
importância se Jasper tomar uma decisão
impulsiva.´
Ela fez bico. ³Você faz com ele pareça um monstro
fora de controle.´
³Não´, eu corrigi, ³eu faço com que ele pareça um
vampiro´.
Ela franziu a testa em frustração. ³Carlisle concorda
que é hora de construir a resistência de Jasper´.
Suspirei. ³A decisão final é de Carlisle, eu
suponho.´
³Então você vai ajudar?´ Os olhos dela brilharam
com entusiasmo.
³Alice«´
³Muito obrigada, Edward!´, ela exclamou, lançando
seus pequeninos braços em volta da minha cintura.
Eu afaguei seu cabelo espetado.
Suspirei. ³Eu sempre farei o que puder para proteger
esta família´.
Jasper queria ir para a escola. Em tantas mentes
humanas, eu ouvia as pessoas se desesperarem,
implorando para o tempo passar mais rápido para
que eles finalmente possam deixar a escola. Ainda
assim, íamos para o colégio de propósito, como uma
forma de nos mantermos inconspícuos. Jasper não
tinha que fazer isso, mas eu realmente concordava
que ele teria que aprender a resistir ao sangue
humano de alguma forma.
Carlisle criou uma história intrincada. O caridoso
casal Cullen havia aberto sua casa para adolescentes
problemáticos. É claro, os humanos não tinha
absolutamente nenhuma idéia que quão
problemáticos nós realmente éramos. Eles não
poderiam saber. Na superfície éramos os
adolescentes mais bem comportados que qualquer
um já encontrou. Tínhamos passado os últimos anos
às escondidas enquanto nos ajustávamos à nossa
nova e maior família. Todos nós estávamos bem
preparados para continuar com a nossa farsa
humana.
Estacionei a Mercedes-Benz 56 vermelha no
estacionamento já meio cheio da escola. Satisfeito
com a minha manobra delicada e rápida, me virei
para Rosalie com um sorriso.
= , ela pensou secamente, )      - 
Ñ  )

³Carlisle só concordou em deixar você trazer esse
carro para a escola se eu dirigisse´, retruquei.
 !:3  
<    8 
 !:!  , ela falou
com raiva enquanto abria a porta.
³Eu teria dirigido meu próprio carro, se você tivesse
terminado o trabalho de pintura noite passada´,
murmurei. O restante dos meus irmãos saíram
quietos.
³Tinta prata não é fácil de encontrar, sabia?´, ela
cruzou os braços e se inclinou em direção à porta de
passageiros.
³Um Chevrolet Bel Air´, ela reclamou para Emmet,
³o que ele está pensando?´ Emmett deu de ombros e
beijou sua bochecha.
³Agora, crianças´, Carlisle repreendeu enquanto se
aproximava de nós, ³estamos na escola agora´. Ele
estava trabalhando em um hospital próximo e optou
por simplesmente nos encontrar aqui no nosso
primeiro dia. ³Além do mais´, ele disse numa voz
muito baixa, ³temos uma platéia´.
Observei os olhos de Jasper se arregalarem enquanto
olhávamos ao redor. Uma pequena multidão de
camisas xadrez e saias rodadas haviam parado para
nos encarar. 2.  

  A!
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5


- *
*
5
Eu arrepiei. Não era isso que eu quis dizer quando
descrevi para ele meu primeiro dia de aula como
vampiro. Ele percebeu minha expressão facial e
rapidamente olhou para baixo, em vergonha. Poderia
ter sido pior. Pelo menos ele não podia ouvir o que
eles estavam pensando também, como eu podia.
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  - 

55
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   -  5
 

!

5
³Eles acham que Jasper e Rosalie são gêmeos´,
cochichei para Carlisle.
³Interessante´, ele respondeu, ³é um bom disfarce.
Rosalie?´
³Eu manterei meu sobrenome´, ela enrijeceu sua
mandíbula.
³Não importa para mim´, Jasper moveu os ombros.
³Então é Rosalie e Jasper Hale´, Carlisle balançou a
cabeça.
³Jasper Hale´, Alice de um gritinho, se agarrando ao
seu braço, ³você é o cara mais bacana da escola!´
Ela moveu seus cílios dramaticamente, induzindo
uma risada de Jasper e um revirar de olhos da minha
parte.
³Vamos´, Carlisle apontou para o escritório à frente.
Nós gentilmente acenamos com a cabeça e o
seguimos. Carlisle suavemente nos apresentou para a
secretária agitada e procedeu organizando nossos
horários. Tínhamos que tomar cuidado. Pelo menos
um de nós tinha que estar na mesma aula que Jasper.
Mas tivemos sorte, a escola era muito pequena e o
horário foi facilmente arranjado.
Estava tudo bem até a aula de inglês no terceiro
período. Emmett estava na mesma aula de geometria
com Jasper na sala do outro lado do hall. Ouvi os
pensamentos deles enquanto esperava no fundo da
sala a aula começar. Uma garota em uma saia rodada
rosa e blusa branca entrou na sala. Mal a percebi
naquele momento.
Ela passou perto do aquecedor, soprando seu aroma
em minha direção. Os músculos do meu estômago se
contraíram e minha mandíbula se cerrou com o jorro
de veneno fresco. Não era nada novo, eu tinha há
muito tempo me acostumado com as minhas reações
monstruosas aos humanos.
Olhei para a garota pelo canto do meu olho, um
movimento que nenhum humano perceberia. Ela
tinha um pescoço esbelto e de pele fina, sua
pulsação era muito visível. Ninguém veria um corpo
morto no fundo da sala« eu poderia beber todo o
seu sangue antes que qualquer um percebesse que
seu pescoço estava quebrado.
Minha garganta estava queimando, fogo subindo por
meu peito. Balancei minha cabeça. Não era certo. Eu
não deveria ter reagido tão fortemente. O que estava
errado comigo? Eu espalharia sua saia rosa e
ninguém notaria que ela estava caída« e morta«
Não! Eu jamais faria isso! Em meio à dor
flamejante, eu não tinha percebido que esses
pensamentos não eram meus«
Jasper.
Corri para fora e explodi na sala do outro lado do
corredor. O professor olhou para cima, surpreso.
Segurei Jasper pelos braços e acenei para Emmett.
³Realmente sinto muito.´, disse rapidamente para o
professor. ³Houve uma emergência familiar, temos
que sair´. Olhei para Jasper e disse numa voz baixa,
dura, ³Agora´. Ele balançou a cabeça, parecendo
culpado. Enquanto Emmett e eu escoltávamos Jasper
para fora da sala, vi uma garota sentada de olhos
arregalados no fundo da sala. Ela usava uma saia
rodada rosa.
³Entre´, ordenei, uma vez que havíamos chegado ao
carro. Jasper abaixou a cabeça e se sentou no banco
de passageiro. Virei-me para Emmett. ³Volte para a
sala de aula, invente uma história. Não me importa o
que. E diga aos outros que levei Jasper para casa´.
'
 * -
;Ele pensou.
³Provavelmente´, suspirei.
Ele acenou sorrindo e correu de volta para a escola.
Deslizei para dentro do carro e saí rapidamente do
estacionamento. Eu estava muito chateado com
Jasper, mas ainda mais comigo mesmo. Claramente,
eu precisava prestar mais atenção. Fui um tolo de
não perceber mais cedo que eram os pensamentos de
Jasper na minha cabeça e não os meus próprios. Ele
se sentou ao meu lado contrariado, mentalmente se
debatendo.
Depois de um momento de tenso silencio, ele falou.
³Eu não ia fazer nada, Alice teria visto´, ele
murmurou.
³Ela só vê as coisas quando as decisões estão
tomadas´, respondi.
³Eu sei´, ele cochichou.
³Bem, pelo menos eu podia ouvir o que está
acontecendo na sua mente naquele exato momento´.
Havíamos chegado em casa. Estacionei o carro, mas
nenhum de nós se moveu.
³Algum dia ficará mais fácil, Edward?´, ele me
perguntou tristemente. ) !.
5
³Eu sei´, suspirei. ³Ficou mais fácil para eu lidar
com isso, mas a dor nunca diminui´.
³Então por que você se incomoda em fazer isso?´,
ele perguntou em um tom confuso. ' 


5
³O que te fez decidir a fazer isso?´ retruquei.
³Por Alice´, ele cochichou.
³Bem, então, eu faço por Carlisle.´
Por Carlisle« minha família« eles, e somente eles.
Eu não tinha mais ninguém.
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 c c 
ccc

   

Se eu fosse resumir os anos 60, eu teria de citar


Charles Dickens e dizer, ³Foi o melhor dos tempos,
foi o pior dos tempos«´ De uma perspectiva
humana pelo menos. Da minha própria perspectiva,
só posso dizer que lamentava profundamente a
incapacidade de sentir náusea de verdade então eu
poderia vomitar em cada tendência psicodélica que
passava.
Sim, estou bem consciente que é uma perspectiva
muito áspera. Mas honestamente, camisetas tye-dye?
Mini saias obscenas? (Uma tendência de moda que
Rosalie não se importava e Emmett amava ver em
sua esposa). Lâmpadas de lava? LSD consumido em
grandes quantidades? Não entendia aquela década,
nem agora nem nunca.
Vivíamos em Upham, Dakota do Norte. Uma
pequena cidade perto do rio Sioux. Era 1967, o
verão do amor, eles o chamavam. Havia tanta paz no
ar que Jasper nunca tinha de usar o seu dom.
Novamente, o desejo de experimentar náusea era
grande.
³Então« eu estava pensando« em« uma coisa«´
Linda, uma loira de cabelo muito longo, estava
falando comigo no corredor da escola. Bem, mais
como sons estavam saindo de sua boca, sem a lógica
de orações completas. Os seus pensamentos eram
ainda mais lentos. ³Há esta coisa« sabe?´ '
5

5
 5
³Não era para você ser a presidente da escola?´
Polidamente a lembrei.
³Ah! Sim« certo,´ ela disse distraidamente. 

!
 
-
5
³Portanto, você tem uma reunião para assistir,
correto?´
³Sim«´ ela franziu, de boca aberta. 2 


 !


5
³Minhas desculpas,´ eu disse suavemente, ³estou
ocupado neste fim de semana e incapaz de ir a uma
viagem de acampamento com você.´
³Ah o« k,´ ela disse, ainda me encarando.
³Talvez alguma outra hora,´ menti e parti tão
rapidamente como eu poderia sem destruir o meu
disfarce humano. A menina estava tão inebriada que
eu seriamente duvidava que ela percebesse que
respondi os seus pensamentos e não suas palavras.
Na verdade, duvidava que ela se lembrasse da
conversa cinco segundos depois que ela terminou.
Uma menina pequena, com uma abundância de
cabelo encaracolado esperava no meu carro no
estacionamento. Suspirei. Judy Valance. Sua mãe
trabalhava para o jornal de cidade, mais
especificamente ela tagarelava sobre os podres dos
moradores locais na coluna de sociedade. Eu teria de
ter cuidado com esta menina. Não há dúvida que ela
iria correr para sua mãe, contando todos os detalhes.
A minha família e eu não podíamos permitir fofoca.
³Boa tarde, Judy,´ cumprimentei.
³Ah. Oi Edward. Eu estava apenas, hmm, meu
Deus,´ ela gaguejou. '!
 


 .  5

 - 
< 5
Bem, pelo menos ela era sincera. ³Desculpe, Judy,
mas devo partir rapidamente. A minha família e eu
estamos começando uma viagem de acampamento
mais cedo. Estamos partindo em algumas horas.´
Não era uma mentira completa, nós estávamos
discutindo a possibilidade de caçar naquele fim de
semana. Apenas não tínhamos planejado partir na
quarta-feira.
³Ah, sei,´ ela disse tristemente. Ela apertou seus
livros em seu peito. Compaixão correu por mim até
que eu ouvisse o seu seguinte pensamento. #
 !


!
.!!:3 - 
'




-
8
Ñ  

!

 



 
  
    !! 
 


 

  5
³Vejo-te na próxima semana, Judy,´ eu disse
secamente, entrando rápido no meu carro.
Obviamente, ela não merecia nenhuma compaixão
se ela me via como um objeto, um troféu. Uma
coisa.
Cuidadosamente pensei no que eu tinha de dizer a
Carlisle. Tínhamos passado tempo demais nesta
cidade. A minha rejeição a Judy não ia passar bem
com sua mãe. Senti que era hora de mudar
novamente. Abri minha boca enquanto entrava pela
porta da frente, depois parei.
Emmett estava na sala de estar usando um colete de
couro por cima de uma camisa listrada e calça boca
de sino com cores do arco-íris. Em volta da sua testa
estava uma fita enfeitada com contas. Rosalie então
entrou, usando o que parecia ser uma toalha de prato
colorida como um arco-íris.
³O que« é isso?´ Eu olhei para o seu traje estranho.
³É um mini vestido,´ ela riu.
³Não acho que nem é permitido legalmente você se
agachar nesse vestido.´ Olhei a bainha da saia com
desagrado.
³Ei, cara,´ Emmett sorriu, ³relaxe. Paz e amor,
baby.´ Ele levantou dois dedos, no gesto universal
do µV¶.
Eu o encarei ³Nunca« mais« me chame de
µbaby¶.´
Corri escada acima, ansioso para escapar para o meu
quarto. Foi lá, na escada, quando vi Jasper. Dúzias
de margaridas foram trançadas no seu cabelo. Ele
me olhou com uma expressão aflita.  * 
  '4 !* !*
Eu pus uma mão em seu ombro e disse em um
suspiro, ³Alice´.
³Alice,´ ele concordou, fazendo uma careta.
Nunca antes eu tinha sido tão grato de estar sem uma
companheira e ainda mais grato que eu poderia
sobreviver a este tempo terrível. Os meus
pensamentos finais sobre os anos 60 foram que
parecia ser a década que nunca iria terminar.
c

c c 
 c c 
ccc

5 ) 4


Houve momentos em minha existência onde eu
desejei poder dormir. Ensino Médio« Escola de
Medicina« Os anos 70«
³Não!´ eu gritei.
³Ah, vai, Edward,´ Alice choramingou. *;
*< ;
³Eu disse não, e é definitivo!´ me virei e olhei para
ela.
³Mas está na moda, estou apenas tentando fazer a
gente se misturar,´ ela disse com olhos arregalados.
³Não,´ eu repeti, cruzando meus braços.
³Mas, eu vi em uma visão, você vai ficar ótimo!´
³Mentirosa,´ eu disse secamente.
Ela estreitou os olhos. ³Se você não usar, os
humanos notarão que você parece diferente deles.´
Eu agarrei os ombros dela e disse firmemente,
³Nada, em toda a eternidade, jamais me convencerá
a usar um terno de poliéster branco.´
Ela fez uma cara feia e saiu da sala batendo o pé,
gritando, ³Jazz! Tenho algo pra você vestir!´
#

   '4, Jasper pensou,
sarcasticamente.
Deitei no carpete do meu quarto e fitei o teto. Tinha
que me perguntar quando essas décadas terríveis
acabariam? Eu acreditava mesmo que, em uma
cidade menor, a moda não seria tão ruim. Mas não,
a cidade de Glen Arbor, Michigan, era tão ruim
quanto se estivéssemos morando em Nova Iorque. E
a escola de Glen Arbor não era exceção.
Estávamos sentados na lanchonete da escola,
fingindo comer, como sempre. Esfarelei um pacote
de bolachas de água e sal enquanto tentava ao
máximo me desligar da conversa de Alice e Rosalie.
Seus pensamentos de moda eram tão triviais quanto
das mulheres humanas.
'
  !. 5




*<

 

5
O pensamento me chamou a atenção
imediatamente. Um filme estava repetindo-se na
mente da garota. Algum filme ridículo sobre um
vampiro chamado Martin, que drogava suas vítimas
antes de beber seu sangue. Absurdo, como se
algum dia precisássemos de artifícios tão frívolos.
Ñ 

   -)     !
5 (<

 5
Ela estava certa. Por alguma razão inexplicável, o
diretor fez um filme de um vampiro sem presas. Eu
tive que me perguntar se aquela garota, bem como o
diretor, percebiam quão perto estavam de entender a
verdadeira natureza dos vampiros. Claro, não
poderia me perguntar por muito tempo.
³Holly Austin está pensando de novo,´ murmurei
para Alice.
 8
<;
³Sim.´
'
. 
  
   

  

3
;
³Culpe George A. Romero,´ eu disse seco.
Assisti a mente de Alice enquanto ela procurava por
inconvenientes no futuro. Certo o suficiente, Holly
nos seguiria depois da escola e nos abordaria. Alice
enrijeceu quando viu a próxima visão. Jasper
bebendo o sangue da garota, como uma tentativa
nobre de proteger nosso disfarce.
 !
 
3  

 ela pensou
freneticamente.
³Claro que não,´ murmurei.
Os outros estavam olhando entre Alice e eu, com
expressões preocupadas.
³Uma garota humana está ficando muito
desconfiada,´ expliquei.
Ñ
, Emmett xingou,
     -


 5 )85
#


     

)8
 !
 
    

 * <, Rosalie estava
pensando.
#,


 
 ; Jasper perguntou.
³Não!´ Alice e eu dissemos ao mesmo tempo,
respondendo ao pensamento dele e a visão dela.
Olhamos nervosos ao redor, os humanos tinham nos
ouvido.
³Venham,´ instrui. Fiz sinal para os outros
seguirem.
Maldição, Holly percebeu nosso movimento e ficou
de pé na entrada da lanchonete.
³Eu cuido disso,´ murmurei para os outros. ³Holly,´
eu disse em uma voz reservada para humanos desse
tipo, ³Bom te ver novamente. No entanto, meu pai
encontrou um problema.´ Bom, ele teria um
problema se essa humana persistisse. ³Sinto muito,
mas precisamos falar com ele imediatamente.
Aproveite sua tarde.´
5 '
 ) 5 5 Seus olhos ficaram
vidrados. Eu sorri, confiante de que a havia
distraído com sucesso. Viramos em direção a saída.
³Por que vocês não têm presas?´ ela soltou.
Congelamos-nos. Felizmente, apenas alguns
humanos ouviram e estavam no momento
questionando a sanidade de Holly.
³Porque,´ Alice disse brilhantemente, ³não
combinava com nossas fantasias. Então decidimos
não nos incomodar com as presas esse ano.´
Brilhante, faltavam apenas algumas semanas para o
Dia das Bruxas e Alice providenciou uma saída
evasiva perfeita.
³Ah,´ Holly franziu as sobrancelhas.  *  


    <
5
3

5 $ 



!

;
³Vamos embora, agora.´ sussurrei para minha
família. Andamos até a porta o mais rápido que
nossa charada humana nos permitia.
Carlisle e eu ficamos em frente da grande janela de
vidro, observando o Lago Superior.
³É uma pena,´ Carlisle murmurou, ³eu estava
começando a gostar mesmo dessa região.´
³Sim,´ concordei, ³Emmett também. Embora eu
duvide que os ursos sentirão tanta falta da gente. ´
Carlisle riu. ³Você acha que essa Holly será um
problema?´
³Não,´ respondi, ³estou certo de que ela esquecerá
assim que partirmos.´
Ele acenou com a cabeça.
Foi praticamente a primeira vez que chegamos perto
da exposição. Mas lidamos com isso da mesma
maneira de sempre. Simplesmente desaparecemos.
c
c c 
 c c 
ccc

" ), )
Emmett estava escutando o álbum mais recente do
Michael Jackson em alto volume. Tive que sacudir
a cabeça para isso, era impressionante. O grito
agudo no meio da musica, a dança absurda sem
razão aparente, Emmett estava me dando nos
nervos.
Eu tinha gostado de alguns aspectos da música nos
anos 80, parecidos com o que eu gostei no início
dos anos 60« antes que os humanos começassem a
consumir grandes quantidades de LSD. A partir daí
tudo foi ladeira abaixo. Nos anos 80, no entanto,
houve alguns artistas interessantes, como Fleetwood
Max e U2. Embora eu tivesse dificuldade em
entender as baladas românticas do U2. Como era
possível amar alguém com ou sem a pessoa?
Humanos podiam ser tão confusos.
³Vamos caçar.´ Rosalie anunciou da porta do meu
quarto.
Ergui uma sobrancelha para ela. ³Nisso?´ eu
apontei ao seu vestuário. Ela estava usando uma
jaqueta branca de couro com babados.
Ela revirou os olhos. ³Claro que vou me trocar.
Você vem conosco?´
Suspirei e desviei meus olhos. ³Não, obrigado.´
Tantos anos haviam passado, nossa família havia
crescido para três casais. Eu tinha feito tanto
esforço para bloquear os pensamentos deles e
respeitar suas privacidades. E mesmo assim
ninguém respeitava a minha. Parecia que eles
achavam que eu não tinha nenhum senso de
privacidade, já que podia ouvir os pensamentos de
todos. Afinal, eu era nada mais do que uma
ferramenta útil na fachada humana que mantínhamos
pelo bem da obsessão médica do Carlisle. Talvez as
fêmeas humanas estivessem corretas em suas
impressões sobre mim, eu não era nada além de
³uma coisinha´.
Eu comecei a caçar muito mais do que antes.
Mesmo quando eu estava com a minha família, em
casa ou na escola, eu não estava realmente com
eles. Minha mente estava a milhões de quilômetros
de distancia, fantasiando com um lugar onde eu não
poderia ser invadido pelos pensamentos de outros. É
claro, não havia lugar assim para mim. Eu não
tinha nem o direito de tal paz. Eu tinha obrigações a
fazer e pecados a serem perdoados.
Quanto mais tempo eu passava sozinho, mais eu
pensava sobre minhas ações passadas. E mais
distante eu fiquei de qualquer tipo de resolução. Por
mais divertida que essa família tenha sido, eu ainda
estava condenado e sem alma.
Nós estávamos sentados na cafeteria, no começo de
outro longo e tedioso ano escolar. Eu encarava sem
interesse as rachaduras no teto da escola Rawling,
em Wyoming.
'
  '4; Alice pensou.
Olhei para as rachaduras, para cima e então para
baixo. Lá por 1987, Alice e eu tínhamos
aperfeiçoado nossa forma silenciosa de
comunicação.
 
 !
!
     
  -
 

-  8

Eu levantei uma sobrancelha e disse, ³E o que, por
favor, me diga, há na agenda?´
#  
*

! 
. ;
Eu olhei para seu sorriso. ³Oh, eu não sei,´ eu disse
com uma tristeza de zombação. ³Não sei se eu
posso resistir à gloriosa atração dos« fetos de
porcos.´ Minha família riu com o meu sarcasmo.
Eu tinha sorte de ter a Alice como parceira de
biologia esse ano. Fazia com que lidar com o tédio
fosse um pouco mais fácil. Em outros anos, eu
simplesmente trabalhava sozinho. Os humanos me
temiam e os professores não faziam objeções.
Todos me deixavam em paz.
³Hoje, turma,´ o Sr. Shwartz, professor de
biologia, disse num tom monótono, ³Eu decidi fazer
as coisas de um jeito diferente. Vocês vão se juntar
com parceiros diferentes.´
³E você não viu isto?´ Sibilei para Alice, baixinho.
³Decisão de último minuto.´ Ela murmurou.
³Lisa,´ o Sr. Shwartz continuou, ³Você fará par
com o Edward. Alice, com o Dave.´ Alice foi
pulando feliz até o alto jogador de futebol. Lisa,
uma pequena e loira, se aproximou à minha mesa
timidamente.
'.-
 , ela dizia a si mesma, = 


) 
 


      )   



*

 
 5
Tomou-me um pouco de esforço para esconder meu
sorriso. Bem, se ela me achava atraente, melhor
usar isso em minha vantagem. Eu me inclinei e
sussurrei no ouvido dela.
³Se você preferir, eu posso fazer todo o trabalho.
Não me incomodo.´ Eu dei a ela meu sorriso mais
doce. A respiração da Lisa ficou muito falhada.
(. 
  eu pensei presunçoso.
'4  
8 -<   Alice atirou através da
sala. Eu pisquei rapidamente em sua direção.
³Agora, cortem um pequeno X abaixo do esterno,´
Sr. Shwartz ensinou. =
 -
    = =4<,
eu pensei a mim mesmo. Eu tinha dois diplomas de
medicina, já havia trabalhado em humanos
crescidos. Lidar com um feto de porco era apenas
um insulto a minha inteligência. Por que eles
tinham que contratar os professores mais banais para
o colegial? Os humanos realmente se importavam
tão pouco com a educação de suas crianças?
Um bebê se contorceu nas mãos do médico,
chorando e coberto com os remanescentes do
parto«
Eu olhei para Alice com olhos arregalados. Ela me
olhou de volta com a mesma expressão. Depois que
a aula monótona finalmente terminou, me
aproximei da minha irmã.
³Essa foi sem dúvida a imagem mais repulsiva que
eu já vi.´ Eu murmurei.
³Foi só um porquinho, Edward, não é tanta coisa
assim.´
³Não foi a isso que eu estava me referindo.´
³Oh, aquilo.´ Ela disse baixinho.
³Sim, aquilo.´ Eu disse com severidade. ³Por que
diabos você está tendo visões de reprodução
humana?´
³Eu não sei,´ ela franziu seu rosto. E então,
abruptamente sorriu. ³Mas o que sei é que é uma
menina!´
c

c c 
 c c 
ccc

'67 ) , 

*Notas da autora do capítulo: Usei muito do


primeiro capítulo de Midnight Sun para este
capítulo, só para que vocês saibam.
Os anos se passaram. Eu suponho que poderia ser
poético sobre o tédio daqueles anos. A escuridão da
monotonia. Tudo era igual, dia após dia, ano após
ano. Entretanto, nem mesmo poesia faria justiça.
Muito pouco me surpreendeu durante todos aqueles
anos.
Jordon, Montana, 1995. Refeitório da escola.
Novamente.
Rosalie estava pensando sobre seu reflexo em uma
janela. Novamente. Emmet estava tentando imaginar
uma nova forma de competição. Novamente. Alice
estava observando Jasper cuidadosamente, e Jasper
estava« sofrendo.
Novamente e novamente.
'4;
=  
, eu pensei, movendo meu olhar para cima
e depois para baixo. O que ela tomaria como sina de
que a estava ouvindo, embora para mim tivesse
outro significado.
& 


. ;
Dei de ombros, não querendo dizer nenhuma palavra
sobre os pensamentos de Jasper.
Como ele estava indo? Ele estava atualmente
imaginando a forma mais estratégica de aniquilar
uma multidão de humanos inteira sem ser pego. Ele
jamais faria isso, é claro, era só uma forma de passar
o tempo para ele. Embora eu realmente sentisse que
ele viajava um pouco demais em suas fantasias.
Mas então, ele começou a reagir fisicamente a essa
fantasia. Ele estava pensando sobre como sua
garganta estava queimando, a corrente de veneno
fresco em sua boca«
Chutei sua cadeira. Não senti que minha atitude foi
rude, considerando que aquilo era algo que eu vinha
fazendo com regularidade.
Ele se virou e me lançou um olhar basilisco. =



 
 !
 , ele ameaçou em sua
mente, 

 
3
 !
 
* 
Franzi a testa e olhei para o lado. Ele deveria saber
que eu, de todas as pessoas, entendo quão perigoso
os pensamentos podem ser. Ele poderia estar apenas
pensando sobre um assassinato em massa naquele
dia, mas e o dia seguinte? Ou o próximo? Se ele
realmente estava comprometido com o nosso estilo
de vida como ele dizia, ele deveria abrir mão dessas
fantasias sombrias.
'41 Disse uma voz muito ansiosa. Fechei meus
olhos brevemente antes de responder.
³Relaxe, Alice,´ cochichei ³Está tudo bem.´
'!


8A!
 



;
Então eu vi a sua visão. Ela estava certa, droga.
Suspirei.
³Talvez hoje seja um bom dia para matar aula´,
murmurei.
³Com licença?´, Rosalie perguntou incrédula.
³Mantenha sua voz baixa´, cochichei. Lancei um
olhar agudo para Jasper.
&
- '4A.


 
* !-
A!

³Sinto terrivelmente que o mundo não gire ao seu
redor´, eu disse secamente.
A chuva caiu na distância e um trovão estrondou«
Virei minha cabeça para Alice, nós sorrimos.
³Quando?´, perguntei a ela.
³Em mais ou menos duas horas´, ela respondeu.
Virei-me para Emmett e disse, ³Vai chover, perfeito
para baseball.´ Ele deu um imenso sorriso.
Jogamos baseball até o sol desaparecer. Não foi o
jogo mais prazeroso. Rosalie continuou reclamando
sobre suas roupas ficarem sujas. Emmett estava
reclamando que as bases não estavam longe o
suficiente. Alice estava constantemente trapaceando,
usando sua visão para prever os eventos antes que
acontecessem. Jasper estava infeliz, e de despeito,
ele projetava sua raiva ao restante de nós.
Jogamos mal e brigamos no decorrer do jogo. Pobre
Esme teve suas mãos cheias, tentando resolver
nossos confrontos. Eventualmente, ela desistiu e se
sentou na beira da clareira. Carlisle apareceu por
volta da meia noite. Ele não disse uma palavra, nem
mesmo em seus pensamentos. Ele se sentou ao lado
de Esme, envolvendo um braço em volta de seus
ombros.
³Eu não trapaceei!´, rugi para Emmett.
³Você tem que ter trapaceado!´ ele rugiu de volta.
³Você deve ter sabido que eu estava esperando uma
bola curva!´
³Se você realmente quiser discutir trapaça, converse
com Alice.´ Eu disse.
³Alice não pode ler mentes´ ele encarou. De
repente, Emmett pegou sua virilha e cuspiu uma
rajada de veneno no chão. Olhei para o veneno e em
seguida para ele. ³Isso foi« nojento.´
³É o que eles fazem na TV,´ ele deu de ombros.
Jasper então lançou uma onda de calma, temperada
com sentimentos de culpa. Lancei a ele um olhar
reprovador.
³Desnecessário´ murmurei.
³Acho que precisamos de umas férias prolongadas
com a família´, Carlisle anunciou, dando um passo à
frente. Olhei para ele curioso. Visões de neve
encheram sua mente. ³Estamos indo para o Alaska.´
Dei um gemido. Férias para eles, tortura para mim.
Ótimo« simplesmente ótimo.
c

c c 
 c c 
ccc

÷ l ( ),  


A viagem de carro até o Alasca foi
desnecessariamente longa. Carlisle insistiu em
dirigir, embora eu lhe dissesse repetidamente que
chegaríamos lá muito mais rápido se eu dirigisse.
Eram tempos como esses que eu queria que eu não
fosse o único leitor de mentes. Assim poderia haver
alguém mais que ouvia os pensamentos altos de sete
outros vampiros, cada um com personalidades
fortes.
³Carlisle,´ Alice implorou novamente, ³ainda não
chegamos?´
Ele suspirou. ³Estamos quase lá, Alice.´
³Estamos acabando de passar por Anchorage agora,´
ressegurou Esme.
Suspirei e olhei para fora da janela. Toquei as
minhas próprias composições na minha mente, para
bloquear fora os pensamentos que me rodeavam.
Dirigimos dois carros para o Alasca, Rosalie e
Emmett estavam no carro adiante. Isso fez uma
pequena diferença para mim, os seus pensamentos
sempre se intrometiam.


 


 )5'

  



*<
 !; 





 !


 

$ ! 
  !  B!?* C5  

 5Jasper pensava tristemente.
 
)  


.
 *) 5


 
<5Emmett passou a imaginar
todas as coisas que ele gostaria de fazer em sua lua
de mel. Segurei a ponte do meu nariz.


-  !


36  



 - 

5 Rosalie comentava da sua
reflexão no espelho retrovisor. Eu nem queria saber
o que isto tinha a ver com algo.
³Chegamos,´ anunciou Carlisle.
³Graças a Deus!´ Exclamei, apressadamente saindo
do carro. Virei para o meu pai depois que ele
emergiu. ³Da próxima vez, dirigimos três carros.´
Ele sorriu fracamente e acenou com cabeça.
³Prazer em viajar com você, também,´ disse Jasper
secamente enquanto passava apressado por mim.
³O prazer foi meu,´ respondi no mesmo tom.
'4 !* ,  
;




Carlisle olhou a casa de cedro. Acenei
com cabeça. #,


 
 * ?  !  

! '
 
   

 ,
 96
 
   -
  !
   
 ! 
 !
!

0* ?  
&

 . Eu deslizei as minhas mãos para os meus
bolsos. * '4.
³Você sempre terá o meu completo apoio,´
sussurrei.
$-  '4
A porta se abriu antes que pudéssemos bater,
revelando três fêmeas demasiadamente
entusiasmadas.
³Querido Carlisle, é tão maravilhoso vê-lo
novamente,´ arrulhou Tanya.
³Esme, você está gloriosa como de hábito! µ Irina
soltou.
³Oh meu,´ suspirou Kate, ³esses são os membros
mais novos da sua família?´ Kate tomou uma das
mãos de Jasper e uma de Alice nas dela. ³Um prazer
enorme conhecê-los. Por favor, entrem!´ Ela andou
para trás, conduzindo-os para a casa. Carlisle me
olhou. Encolhi os ombros, dando sinal que eu estava
bem, e o resto de nós foi para o interior.
Paramos na sala de estar desajeitadamente. Eu senti
como se estivesse em um refeitório de escola
novamente, havia muito pouca diferença. Os meus
olhos seguiram a madeira na parede.
³Então, me digam,´ conversou Tanya com Alice e
Jasper, ³Como vocês encontraram os maravilhosos
Cullens?´  :
 -! <


, '4 Endureci-me com seus pensamentos.
³Tive uma visão,´ disse Alice timidamente.
³Uma visão,´ disse Tanya maravilhada. ³Que dom
fenomenal de se ter.´(
 

,
!

  '4
³Tem estado comigo desde a minha transformação,´
Alice moveu os ombros. ³Vi os Cullens e Jasper,
também.´
³Ah, sim, Jasper.´ Ela sorriu calorosamente para ele.
> *  
 )
 ,  
 !
 '
 ) 
  -
  , )
#, 
<

 /
;
Virei os meus olhos para o piso de madeira. Por
Carlisle, lembrei-me repetidamente.
³Oh, Deus,´ soou Tanya imediatamente embaraçada,
³Estou sendo tão rude. 

   


) 
Como vai?´ Rosalie
se endireitou com orgulho enquanto Tanya beijava
ambas suas bochechas.
³Estou bem,´ disse Rosalie, ³Emmett e eu já
estivemos em três luas de mel por enquanto.´
As mulheres Denali riram baixinho sabiamente.
³Emmett, querido, esperançosamente o quarto no
segundo andar servirá de uma lua de mel
temporária,´ piscou Tanya.
Emmett sorriu, abruptamente lançando sua esposa
por cima do seu ombro. Ela gritou durante todo o
caminho ao segundo andar.
% )   
 5 A minha cabeça voou para
Jasper. Ele estava oscilando, tendo dificuldades em
estar de pé sozinho. Alice correu ao seu lado, o
apoiando.
³Toda esta tensão sexual,´ Jasper respirou, ³acho«
preciso ir caçar« ou algo«´
³Irei com você,´ disse Alice rapidamente. Eles
tropeçaram para fora da casa.
Encarei Tanya com olhos estreitos. Eu sabia que
Esme já tinha lhes dito do dom de Jasper, tinha
deixado muito claro que ele tem dificuldades em
estar em volta de outros. Senti que ela deveria ter
estado deliberadamente causando problemas. Ela
estreitou os seus olhos diretamente de volta para
mim.
³Então, Edward,´ ela começou, cruzando os seus
braços, ´Como vai?´ ela perguntou em um tom
meramente interessado.
³Estou bem,´ respondi; meus olhos ainda estreitos.
³Você voltou à escola de medicina?´
³Sim, tenho dois diplomas de doutorado agora.´
A seca conversa era falada em um tom apenas.
³Frio demais, Edward?´ ela zombou.
³Insensível demais, Tanya?´ Repliquei, imitando a
sua voz.
Fechei os meus olhos, imediatamente lamentando
minhas palavras, embora os meus pensamentos
naquele momento fossem muito mais ásperos. Abri
meus olhos, totalmente preparado para pedir
desculpa, mas fui parado congelado por seu olhar
frio. Ela atirou o seu cabelo loiro morango por cima
de seu ombro e andou com força para fora da sala.
³Sinto muito,´ murmurei, tarde demais.
c
c c 
 c c 
ccc

š" /  
Nós passamos oito anos no deserto selvagem do
Alaska. Minha família, aparentemente, aproveitou
imensamente. Eu, por outro lado, passei a maioria do
tempo caçando sozinho e me ausentando da presença
dos outros o máximo que pude.
Alice, Kate e Irina foram a tantas viagens de
compras que perdi a conta. Não que eu tenha
realmente prestado atenção. Jasper, depois do
primeiro encontro, pareceu rapidamente ficar mais à
vontade com o clã de Denali. Eu suspeitei que a falta
de interação deles com humanos foi do que ele
pareceu gostar mais.
Emmett pediu Rosalie em casamento pela quarta
vez. Eles passaram pouco tempo no Alaska e logo
foram para Paris para sua lua de mel. Eles
prometeram voltar quando estivéssemos
restabelecidos em uma nova região. Eu não me
importava realmente com a ausência deles. Menos
para ouvir, menos para bloquear, caia-me muito
bem.
Agora, Eleazar e Carmen, eu nunca me importei.
Eles eram amáveis e gentis do seu próprio modo. De
todos os vampiros, eu me sentia mais confortável em
caçar com Eleazar, se eu caçasse com alguém de
qualquer forma. Carmen, sinto dizer, não me liguei a
ela. Grosseria da minha parte, mas ela parecia
entender e me deixar para lá.
Passei um infinito número de horas tocando o piano
da casa do clã. Era relaxante e terapêutico. Ninguém
ousava interromper enquanto eu tocava.
Oito muito longos anos. Senti que havíamos passado
tempo mais que o suficiente de férias. Aproximei-
me de Carlisle.
³Quanto tempo você planeja passar aqui?´
perguntei.
Ele olhou por cima do livro que estava lendo. ³Eu só
planejei que minha família tivesse férias
prazerosas.´
³Acho que já ficamos aqui tempo o suficiente.´
Ele acenou. ³Você está ansioso para voltar a um
estilo de vida mais humano?´
³Não exatamente,´ murmurei, ³mas, ainda tenho
objetivos que desejo realizar.´
³Tudo bem, Edward. Partiremos amanhã.´
³Obrigado, Carlisle.´
³Há algum lugar em particular que você tenha em
mente?´
Eu sorri. ³Eu gostaria muito de voltar para Olympic
Península.´
Ele riu. ³Claro. Acredito que Forks, Washington,
seria uma localidade ideal.´
E então, havia Tanya. Nós nos evitamos
completamente durante todo o tempo. Desnecessário
dizer, eu fiquei muito surpreso quando ela me
cumprimentou na manhã em que partimos. Ela ficou
de pé na entrada do quarto em que eu fiquei;
observando-me fazer as malas.
³Não precisa ser assim, você sabe´ ela sussurrou.
³Estou ciente. Foi sua escolha, não minha,´
respondi.
Ela bufou. ³Senhor Edward Cullen, tão frio e
contido. Você não tem nenhuma emoção?´
Meu maxilar apertou. ³Claro que tenho. Só não
estou demonstrando nenhuma emoção em direção a
você.´
³Você me odeia tanto assim?´ ela franziu a testa.
³Não, Tanya,´ suspirei. ³Simplesmente não quero te
dar a idéia errada.´
³Certo, a idéia errada,´ ela disse secamente. ³Tal
como a possibilidade de me amar?´
³Essa é uma idéia,´ murmurei.
Eu estava bem ciente de que todos os vampiros
presentes na casa podiam ouvir cada palavra. Fiz
uma promessa a Carlisle de lhe dar todo meu apoio.
Tinha a intenção de cumprir essa promessa,
realmente tinha.
³Você poderia me amar,´ Tanya disse quietamente.
³Tanya,´ eu comecei, minha voz mais severa do que
eu planejava, ³eu não vou continuar essa conversa
com você.´
³Você não encontrou outra, eu sei que poderia me
amar,´ ela disse teimosa.
³Não,´ eu disse firmemente.
³Mas, você poderia!´ ela gritou. ³Você poderia me
amar se permitisse a si mesmo!´
³Mas eu  te amo e jamais amarei!´ gritei de
volta, quebrando minha promessa.
³É porque você não se permite amar ninguém!´
³Eu não sou capaz de amar ninguém!´
³Por que é tão difícil para você acreditar que tem
uma alma gêmea?!´
³Porque você precisa de uma alma para ter uma
alma gêmea!´
Ela engasgou, chocada com minha declaração. #,



 
  
 
  
 : 
  ;
    
 ! 
 ,
.
  '4
>
 , -
  
3!
 ,  Eu balancei a
cabeça. Ela se virou e saiu do quarto.
Eu alcancei meu bolso e puxei um pedaço de papel
dobrado. Parecia não haver outra resolução. Deixei o
poema de Tanya no travesseiro de seda vermelha e a
deixei para lá.
c
c c 
 c c 
ccc

 8 9)  
Alice e eu casualmente entramos na loja e olhamos
ao redor. Era o único lugar na cidade para produtos
de acampamento, e na melhor das hipóteses era um
lugar bagunçando. O jeito que a loja era arrumada,
decorado com tantos pôsteres coloridos demais, a
meu ver parecia que os donos sentiam que seu
negocio era um pouco maior do que na verdade era.
Um garoto estava parado atrás de um balcão, loiro,
cabelo espetado e olhos obscenamente arregalados.
Eu me aproximei dele lentamente, sorrindo de forma
amigável.
³Olá,´ eu olhei para o nome na etiqueta pregada na
roupa dele. ³Mike. Minha família e eu precisamos
de produtos de acampamento.´
$5

 )5  *


5 Os pensamentos dele era
uma desordem sem sentido, até piores que os da
Rosalie. A boca dele repetidamente abria e fechava,
e ainda assim nenhum som saiu. A criança se parecia
com um peixinho dourado. Eu me inclinei no balcão
e falei lentamente, pelo bem dele.
³Você pode ser de assistência?´
³Oh!´ ele ofegou. ³Sim, sim, é claro que eu posso. O
que vocês precisam? Ñ   5 *


5
³Produtos de acampamento.´ Eu sorri.
³Tipo« de que tipo?´ Ele gaguejou.
Eu suspirei. ³Barracas, sacos de dormir, barracas,
ganchos, eu poderia continuar. Precisamos de tudo.´
 


 !   


5!  * 5
Alice pulou ao meu lado. ³Oi, Mike!´ Ela sorriu.
³Cuidado com os dentes,´ eu sussurrei baixo demais
para o humano escutar. Ela fez uma careta para mim.
³Estou muito interessada nos sacos de dormir com
capuz, você tem algum ³cor-de-rosa?
³Alice,´ eu sibilei. ³É uma loja de produtos de
acampamento, não vestidos para jantares de gala.´
Ela fez um biquinho e foi saltitando até a seção dos
sacos de dormir.
')-  5 
  5
Eu me permiti um sorriso breve. ³Ela é minha irmã.´
³Ok.´ ele disse abobado.
³Edward! ± Rosalie reclamou enquanto entrava na
loja. ³Eu não quero outra barraca barata dessa vez. ³
Os pensamentos de Mike se tornaram uma mistura
sem lógica de desejo e medo.
³Rosalie é minha outra irmã,´ eu expliquei a ele.
  
  5  )
 
 5
5
Eu impedi a vontade incrível de revirar os olhos.
³Mike, eu acredito que seria melhor se nós
simplesmente dermos uma olhada por aí. Eu o
chamo se precisarmos de algo.´ A cabeça dele foi de
cima para baixo, como um peixinho dourado.
Uma mulher apareceu nos fundos, suas expressões
faciais muito parecidas com as da criança. A mãe
dele, eu percebi. Ela olhou para o Mike, então para
nós três, nos observando remexer pelas caixas de
sacos de dormir nas prateleiras.
³Mike,´ eu escutei seu sussurro, ³quem são essas
pessoas?´
³Sei lá. Eles precisam de equipamentos para
acampar, um monte deles,´ ele deu de ombros.
³Tem algo em que posso ajudá-los?´ ela nos
chamou.
³Não, obrigada,´ Alice disse animadamente,
mostrando os dentes. A Sra. Newton piscou
rapidamente, claramente estonteada.
Eu sacudi a cabeça. Se Alice continuasse com isso
eu teria que arranjar uma focinheira para ela. Ou
talvez quebrar todos seus dentes. Eu lancei um olhar
de censura a ela e ela mostrou a língua para mim.
³Edward?´ Carlisle chamou quando entrou. ³Como
estamos indo?´
³Estamos bem, pai,´ eu respondi.
Ele foi até o balcão e falou com os humanos
deslumbrados.
³Meu nome é Carlisle Cullen, minha família e eu
acabamos de nos mudar para cá.´
³Que« legal,´ a Sra. Newton conseguiu dizer. Ela
se inclinou para frente, batendo os cílios. '
 ) 
- 5
Eu gemi internamente. Já era ruim o bastante quando
os humanos tentavam flertar comigo ou com meus
irmãos, mas quando eles flertavam o meu pai, já era
demais para agüentar.
³Carlisle, querido, parece que isso está tomando um
tempo tão longo,´ Esme disse amavelmente depois
de abrir a porta.
Carlisle sorriu para ela e então disse aos humanos,
³Essa é a Esme, minha esposa.´
      & 
   

       / 
      



5 a Sra. Newton pensava amarga.
É; a família toda é bem diferente, Mike pensou.
³Onde está o Jasper?´ Alice perguntou.
³Ele está esperando no carro com Emmett.´ Carlisle
respondeu.
Os pensamentos das minhas irmãs eram conflitantes.
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. !

  


 
  0!


 !


³Quantos filhos você tem, Sr. Cullen?´ a Sra.
Newton perguntou.
³Apenas cinco,´ Carlisle sorriu.
!
;1³Nossa, é bastante«´
³Eles são todos adotados,´ Esme explicou.
³Ah« entendo´ a Sra. Newton disse. ³É muito
bondoso da parte de vocês, adotarem tantas
crianças.´
Esme sorriu para o Carlisle. ³Nós decidimos há
algum tempo atrás abrir nossa casa para adolescentes
problemáticos. Tem sido uma experiência
maravilhosa.´ Carlisle se inclinou e beijou a testa
dela.
³Onde vocês moravam antes?´ a Sra. Newton
perguntou.
³Alasca.´ Carlisle respondeu.
2 5 
3! !

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*
  ==
65


-
5
³Pai?´
³Sim, Edward?´
³Iremos pescar esse ano?´ Eu apontei para os
produtos. ³Parece que eles têm uma boa seleção de
carretéis e anzóis.´
'* 
3! 
-;ele pensou. Eu
balancei a cabeça imperceptivelmente.
³Talvez em alguma outra ocasião possamos olhar o
material de pesca. Por agora, sacos de dormir e
barracas serão suficientes.´ Ele sorriu.
³Ok.´ eu disse.
Fizemos as nossas compras, dando a Mike Newton
uma comissão bem generosa. Depois, Carlisle e eu
sentamos no carro enquanto os outros foram para
casa com os novos equipamentos de acampamento,
mais conhecidos como nossos enfeites.
³Acho que correu tudo bem.´ Carlisle disse.
³Sim,´ concordei. ³Nosso disfarce está agora
firmemente estabelecido.´
³Você percebeu qualquer problema?´
³Não. A mulher, a Sra. Newton, estava pensando em
compartilhar suas novas informações com uma Sra.
Stanley. Pelo tom dos pensamentos dela, eu presumi
que essa Sra. Stanley é um tipo de rainha da fofoca.
Senti que se nós déssemos mais qualquer
informação, teria sido prejudicial.
³Ah, entendo. Bom pensamento, Edward.´
Dei de ombros.
Era verão de 2003. Nós nos fixamos na pequena
cidade de Forks, Washington. Não havia nada de
novo em viver na área, tudo era exatamente igual.
Carlisle trabalhava no hospital de Forks, Esme tinha
renovado uma grande casa perto do rio. Rosalie e
Emmett, e Alice e Jasper seguiam com seus
relacionamentos. Eu tocava piano. Lugar diferente,
mesmo tédio.
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Estacionei meu Volvo novo com cuidado, não
querendo me mexer. #   '4, Rosalie
pensou  )    - 
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  .
Suspirei, afrouxando meu punho em volta do
volante. Juntei-me à minha família enquanto
aguardávamos fora do carro, esperando pela
Mercedes de Carlisle.
Uma pequena multidão estava se formando no
estacionamento. Não era nada novo, apenas as
típicas boas-vindas que recebíamos em uma nova
escola. Os alunos da Forks High obviamente não
eram nenhuma exceção. Surpresa, admiração e
medo, tudo ressoando em seus pensamentos. Olhei
para longe, me apoiando na lateral do meu carro.
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5  
 


 5 Esses
pensamentos estavam vindo de uma pequena garota
com cabelo encaracolado. Olhei para ela por um
momento. Ela fez um bico com os lábios e estufou
seu peito. Era o suficiente para fazer um vampiro
sentir enjôo. Em seguida, ela caminhou em nossa
direção.
³Humana luxuriosa se aproximando, logo à frente´,
cochichei rapidamente para minha família. Cada um
sorriu para mim. Jasper colocou uma mão calma no
meu ombro e eu relaxei.
³Oi´, disse a pequena garota em uma voz estridente.
³Sou Jessica Stanley. Vocês devem ser a nova
família, ouvi tudo sobre vocês pela mãe do Mike´.
Ela parecia e soava como um chihuahua, exceto que
ela tinha a cabeça cheia de cabelo e sua pele estava
coberta com um suéter cinza e uma saia
combinando, ao invés de pelo. Do contrário, não
haveria nenhuma diferença.
³Então, quais são os seus nomes?´, ela perguntou
com um sorriso esperançoso. Todos reviramos os
olhos e lançamos um olhar conhecedor uns aos
outros. Alice deu um passo à frente.
³Sou Alice, esta é Rosalie, aquele é Emmett, Jasper
e Edward.´
³Uau,´ Jessica suspirou, encarando cada Cullen
macho. Ela não era sutil. Eu nunca vou querer me
lembrar de seus pensamentos, especialmente as
imagens. Suas fantasias eram technicolor.
Então eu pausei. Jessica Stanley« Sra. Stanley«
obviamente esta era sua filha. Pelo que eu podia
dizer, sua filha não ficava atrás da mãe; parecia que
ela era criada em meio a fofocas. Lembrei-me de
Judy Valance, de muitos anos atrás. Suspirei. Mais
uma garota com a qual precisávamos lidar com
muito cuidado.
³Prazer em te conhecer, Jessica´, eu disse
educadamente no mesmo momento em que vi
Carlisle encostando-se ao estacionamento, ³mas
acredito que temos que ir agora. Nosso pai chegou´.
Apontei para a Mercedes. Ela se virou e seu queixo
caiu quando Carlisle saiu de seu carro. Eu podia
jurar que vi uma gota de baba no canto da boca de
Jéssica. O carro ou o meu pai?  !


 

 !
  1 Meu pai«
infelizmente.
³Bom dia, crianças´, Carlisle disse acenando com a
cabeça.
³Bom dia, pai´, dizemos todos ao mesmo tempo.
Estávamos todos rindo histericamente em nossas
mentes e Carlisle parecia sentir isso. Ele nos lançou
um olhar reprovador. Ficamos quietos rapidamente.
³Uau, Dr. Cullen,´ Jessica tagarelou. ³Muito legal te
conhecer. Minha mãe me falou tanto sobre você.´
Carlisle levantou uma sobrancelha.
³Esta é Jessica´, apresentei ³filha da Sra. Stanley´.
Jessica sorriu largamente. ³Fofoqueira junior´,
cochichei rapidamente. Emmett teve que esconder
sua risada com uma tosse.
³Encantando em te conhecer, Jessica´, Carlisle disse
graciosamente. =
 
 , )  
36
³Temos uma reunião com o Sr. Green e não
podemos nos atrasar. Se você pudesse nos indicar o
escritório principal, eu ficaria muito grato´, ele
sorriu.
³Er« sim«´ ela engasgou. ³Bem ali´. Ela
vagamente acenou para sua esquerda, mantendo os
olhos colados em Carlisle. Claramente, não o
chihuahua mais brilhante do canil.
³Gentilmente agradeço Jessica. Por favor, dê minhas
considerações à sua mãe.´ Carlisle disse. Jessica
balançou a cabeça, de boca aberta.
Carlisle acenou, indicando que deveríamos ir na
frente e ele nos seguiria. Estávamos prestes a entrar
no pequeno prédio quando uma garota loira com um
enorme sorriso se aproximou.
³Oi,´ ela disse em uma voz que claramente era para
soar mais sofisticada e sensual, embora ela apenas
soasse boba para mim. ³Sou Lauren Mallory. Se
vocês precisarem de alguma ajuda com qualquer
coisa, pensem em mim como o comitê de boas-
vindas. ´. Ela riu; uma risada nasal falsa que era
direcionada mais aos seus pensamentos do que ao
que ela havia acabado de dizer. '   


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 -  


 8.
 
 5
Se as fantasias de Jessica eram vívidas, as de Lauren
eram diretamente pornográficas. Eu visivelmente
tremi.
³Obrigada, Lauren´, Alice sorriu, ³certamente
pediremos sua ajuda se precisarmos´.
³Ótimo! Bem-vindos a Forks!´ Lauren acenou
quando saiu. ' 
 
 *   A
  -


 5
Minha família olhou para mim, eu só balancei a
cabeça e dei de ombros. Então finalmente entramos
no prédio.
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!

  
8. 5pensou a secretária de cabelo
vermelho.
³Bom dia, você deve ser a Sra. Cope, eu sou Carlisle
Cullen e esses são meus filhos. Temos uma reunião
com o Sr. Green. ´
³Sim, claro, deixe-me ver seus papéis´, disse a
agitada Sra. Cope. Ela vasculhou alguns papéis por
perto e então levantou uma pasta grossa. ³Aqui
está´, ela sorriu largamente. ³O escritório do Sr.
Green é atrás da porta´, ela apontou para trás de si.
³Obrigado´, Carlisle balançou a cabeça, pegando a
pasta.
Carlisle bateu polidamente na porta do diretor.
³Entre´, disse o Sr. Green.
Entramos no pequeno escritório para encontrar um
homem gordo e careca. Seus olhos se arregalaram
quando ele olhou para nós. Carlisle apertou sua mão
e então se sentou, o restante de nós ficamos em pé,
não havia cadeiras o suficiente.
³Bem´, disse o Sr. Green trêmulo. ³Bem-vindos à
Forks High. Dr. Cullen, eu li os arquivos escolares
de seus filhos e, devo dizer, estou muito
impressionado com suas notas.´ Carlisle sorriu.
³Podemos não ser uma escola avançada como a que
seus filhos freqüentavam no Alaska, mas acredito
que realmente promovemos uma boa educação.´
³Tenho certeza disso´, Carlisle assegurou. ³Eu
apenas gostaria de discutir a Educação Física de
meus filhos´.
³Educação física?´, o Sr. Green perguntou com um
franzir na testa.
³Sim´, confirmou Carlisle. ³Meus filhos têm uma
rara condição de pele, da qual eu mesmo trato. É por
isso que minha esposa e eu os adotamos. Não é
contagioso, mas se exposta diretamente à luz solar,
suas peles podem ficar muito infeccionadas.´
³Oh, entendo.´ 
   
 
8  
-5³Bem, o uniforme de Educação Física da
escola é normalmente short e camiseta, mas também
fornecemos trajes longos. Isso é o bastante?´
³Será mais que suficiente´, eu sorri. ³Obrigado, Sr.
Green´.
³Certo, bem, vocês encontrarão seus horários na
pasta e um mapa do campus da escola´.
Carlisle abriu a pasta e distribuiu os papéis.
³Se precisarem de alguma coisa´, implorou o Sr.
Green, ³ por favor, venham me ver´.
³Certamente faremos isso´, Carlisle sorriu, se
levantando e ficando de pé.
Jessica Stanley estava caminhando em frente ao meu
Volvo quando chegamos lá fora. '  !




 
 -
 


 ,     5
 
5
Acompanhamos Carlisle até sua Mercedes. Ele
apertou nossas mãos e nos desejou boa sorte. O
asseguramos que tudo iria correr bem. Ignoramos
completamente Jessica, que estava zanzando perto
do meu carro. Então sua impaciência foi maior que
seu controle e ela correu para nossa direção
enquanto andávamos para nossas salas de aula.
³Vocês sabem para onde estão indo?´, ela quase deu
um gritinho. ³Quais são suas primeiras aulas? Posso
ajudar de alguma forma?´
³Não, está tudo bem´, eu disse, ³obrigado, mas
ficaremos bem.´
%) !
'4 Alice pensou.
³Necessário,´ eu cochichei.
³Suas namoradas vêm para essa escola aqui
também?´, ela soltou.
Emmett e Jasper passaram os braços ao redor de
suas esposas e sorriram para Jessica.
$, ela pensou,  5


   !  85
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5
Então ela olhou para mim especulativamente.
³É melhor irmos´, eu disse rapidamente para minha
família, apressando meu passo.
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5
 


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5
Eu queria bater minha cabeça na parede, não que iria
fazer muita diferença, mas ainda assim era tentador.
Ser considerado com luxúria por uma chihuahua era
verdadeiramente horrível. Bem-vindo a Forks,
pensei desanimando a mim mesmo.
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18 de Janeiro de 2005, às 8h45


Todos os vampiros eram mentirosos. Cada olhar,
cada posição, enquanto sustentávamos a nossa
pretensão no mundo humano, era uma mentira. Das
nossas roupas, que humanos usavam para se
aquecerem, até da bandeja de almoço no refeitório,
era tudo um pacote de mentiras. E mesmo assim, os
seres humanos eram ainda os piores mentirosos de
todos.
Eles traíram-se com cada pensamento. Eles nunca
diziam o que eles na verdade pensavam. Às vezes os
seus pensamentos eram tão contraditórios às suas
palavras ditas que eles se tornariam nada mais do
que uma comédia. Já que ouvi esses pensamentos,
todos os dias, dia após dia, durante mais de oitenta
anos.
E minha família de fato se perguntava o porquê eu
tinha escolhido uma existência solitária. Tentei
explicar a eles, mil vezes antes que eu finalmente
desisti, simplesmente como tediosamente chato tudo
era para mim. A vida era previsível, na melhor das
hipóteses.
Claro que eu não precisava de companhia, uma
parceira. Eu já tinha tido qualquer experiência que a
vida tinha para oferecer. Eu já as tinha ouvido em
cada mente demasiadas vezes, tanto em mente de ser
humano quanto de vampiro. Visto tudo isso em
filmes, programas de televisão e livros. Não importa
quanto originais ou desenvolvidos os humanos
pensavam que eles eram, eles afundavam nas
mesmas questões repetidamente. Era tudo
exatamente o mesmo, todo dia. Por que eu comporia
todo esse tédio com a experiência direta? Tremi com
o pensamento.
Eu não era sem propósito, entretanto. Todos
tínhamos desejos e escolhas. Neste ano, tínhamos
decidido todos permanecermos jovens, portanto
fomos matriculados em uma escola. Não pela
primeira vez, eu posso acrescentar. Todavia, isso nos
mantinha jovens. Mantinha-nos mais perto de
qualquer humanidade que nos prendíamos.
Esse era só um objetivo compartilhado, na minha
família. O meu objetivo individual centrava em volta
do meu pai, Carlisle. Tinha grande respeito por ele,
como um vampiro e como um homem. Não sentia
competição, como muitas vezes fazia com meus
irmãos. Não, o meu único objetivo era ganhar de
qualquer maneira o direito de ser igual a ele. Talvez
fosse em vão, mas isto não me impedia de tentar, e
eu realmente tentava.
E assim, dirigi minha família para a Forks High
School em silêncio, como eu tenho feito durante os
passados dezoito meses, nunca desafiando a juntar-
me a qualquer conversa previsível que eles estavam
tendo. Estacionei o meu carro, sentindo uma breve
excitação na escola. Alguma nova chegada na
cidade, que lamentável. Os humanos eram tão
facilmente distraídos por qualquer pequena
novidade.
Suspirei para mim mesmo, reunindo as minhas
coisas, meus acessórios. Seria apenas outro dia
tedioso nesta mentira. Nada diferente, nada fora do
ordinário. Tudo na mesma. Passei por uma
enferrujada picape vermelha que eu não tinha visto
no estacionamento antes. Nada de interesse naquilo.
Era tudo nada mais que uma mentira.
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Senti-me como Hades, arrastando abaixo a bela
Perséfone para o reino invisível e condenando-a a
uma eternidade de escuridão. Desviei o olhar do
livro de poesia e olhei para Bella. Ela estava
esparramada em minha cama, dormindo
profundamente. Fiz uma promessa e, para cumprir
tal promessa, ela jamais dormiria novamente.
E seria apenas escuridão para ela. Se eu desse tudo à
ela, combinasse todas as cores, tudo o que ela teria
seria negro.
Deitei ao lado de meu lindo amor. Não podia fazer
nada a não ser pensar em toda minha existência
passada enquanto a observava respirar
profundamente. Minha patética existência. Tudo era
sem importância antes dela. Eu havia sido um tolo,
confundindo meu isolamento por solidão. Minha dor
com apatia. Era ela, durante todo o tempo, que eu
estive procurando.
Tanto eu queria dar a ela, vida, amor, todo o planeta.
Ainda assim, vez após vez, eu falhei em prover o
que ela realmente precisava. E agora, ela me
concedia o mais espantoso favor. Sua mão em
casamento. Estiquei a mão e tracei delicadamente
sua face.
Egoísmo por anseio. Ou talvez anseio por egoísmo.
Os dois pareciam impossíveis de separar. Eu ansiava
por ela e a queria. Minha, por toda a eternidade.
E enquanto eu deitava ali, ponderando minhas ações,
lutei para chegar a conclusão de toda minha
insensatez. Eu havia chegado tão perto de permitir
que o monstro dentro de mim dominasse. Tão perto
de perder minha família, a mim mesmo. Tão perto
de perdê-la. Bella, aquela que eu estava precisando
durante todo aquele tempo.
Eu jamais seria capaz de expressar o que ela havia
feito por mim, pelo menos não em palavras. Eu
tentei dizer a ela, mostrá-la, quão grande é o meu
amor, um mar infinito. Eu fui tão estúpido de
acreditar que seu amor por mim não era tão
profundo quanto o meu por ela. Abandoná-la foi
verdadeiramente o pior dos erros que eu tinha feito.
Jamais tinha percebido que eu poderia ser amado tão
profundamente, que pudesse merecer tal amor de
qualquer um. Menos ainda de uma linda garota
humana.
Como pode ela me amar tanto? Eu, um monstro
desalmado. Bem, talvez eu tivesse uma alma. Como
Bella disse, ¶sejamos esperançosos¶. Eu apenas
podia esperar que ela fosse minha alma gêmea e que
ambos viveríamos, experimentando uma vida
gloriosa.
O anel de minha mãe coube perfeitamente em seu
dedo. O acariciei amorosamente. Pelo menos uma
vez, eu havia finalmente feito a coisa certa. Mas,
seria o suficiente? Logo eu estaria transformando-a
em um monstro como eu era. Crime, um pecado
horrível. Ainda assim, era o que ela queria; o que ela
precisava. Eu faria qualquer coisa por ela.
Então suavemente, finalmente cheguei a minha
conclusão. Tudo o que eu havia vivido; tudo que
havia feito, noventa anos de espera, foi tudo por uma
razão e uma razão apenas. A gloriosa experiência de
ser arrebatado por ela.
Bella, meu único amor. . . Você ultrapassou até o
mais brilhante espectro de cores. Você me salvou.
FIM.