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AULA 4 – Princípios do Direito do

Trabalho (1ª Parte).


1. Princípio da Proteção (Protetivo): considerado o mais importante
dos princípios trabalhistas.

1.1Desigualdades entre os sujeitos da relação jurídica trabalhista;


1.2Garantir a isonomia;
1.3Três princípios derivados:

A) Princípio do “in dubio pro operário/misero”: o interprete deverá


interpretar (dar sentido e alcance) a norma de maneira mais
favorável ao empregado. Ex.:

Art. 10. Até que seja promulgada a lei complementar a


que se refere o art. 7º, I, da Constituição:

...

II - fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa


causa:

...

b) da empregada gestante, desde a confirmação da


gravidez até cinco meses após o parto. (Vide Lei
Complementar nº 146, de 2014)

...

Súmula nº 244 do TST


GESTANTE. ESTABILIDADE PROVISÓRIA (redação do
item III alterada na sessão do Tribunal Pleno
realizada em 14.09.2012) - Res. 185/2012, DEJT
divulgado em 25, 26 e 27.09.2012.
I - O desconhecimento do estado gravídico pelo
empregador não afasta o direito ao pagamento da
indenização decorrente da estabilidade (art. 10, II, "b"
do ADCT).
II - A garantia de emprego à gestante só autoriza a
reintegração se esta se der durante o período de
estabilidade. Do contrário, a garantia restringe-se aos
salários e demais direitos correspondentes ao período
de estabilidade.
III - A empregada gestante tem direito à estabilidade
provisória prevista no art. 10, inciso II, alínea “b”, do
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias,
mesmo na hipótese de admissão mediante contrato
por tempo determinado.

B) Princípio da norma mais favorável/ da aplicação da norma mais


favorável: havendo mais de uma norma trabalhista igualmente
aplicável ao caso concreto, deverá ser aplicada a mais favorável ao
trabalhador.

B1) Independentemente da sua posição na hierarquia das normas:


hierarquia dinâmica das normas – autorização do art. 7º, caput, da
CF.

B2) Limitações ao princípio: arts. 620 (nova redação – reforma


trabalhista) e 623 da CLT.

B3) Teorias para aplicação do princípio:

 Teoria da acumulação (ou atomização): aplicação dos dois


diplomas normativos, extraindo-se de cada um as regras mais
favoráveis ao trabalhador, isoladamente.

 Teoria do conglobamento (ou conglobamento puro): aplicação do


diploma normativo que, no conjunto das normas, for mais
favorável, ao trabalhador.

 Teoria do conglobamento mitigado (ou por instituto): criação de


um terceiro diploma normativo, formado pelas regras jurídicas mais
favoráveis ao trabalhador, respeitando a unidade do instituto/
matéria.

C) Princípio da condição mais benéfica/ cláusula mais vantajosa: as


condições mais benéficas previstas no contrato de trabalho ou no
regulamento da empresa prevalecerão: serão incorporados
definitivamente ao contrato de trabalho.

Súmula nº 51 do TST
NORMA REGULAMENTAR. VANTAGENS E OPÇÃO
PELO NOVO REGULAMENTO. ART. 468 DA CLT
(incorporada a Orientação Jurisprudencial nº 163 da
SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005
I - As cláusulas regulamentares, que revoguem ou
alterem vantagens deferidas anteriormente, só
atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação
ou alteração do regulamento. (ex-Súmula nº 51 - RA
41/1973, DJ 14.06.1973)
II - Havendo a coexistência de dois regulamentos da
empresa, a opção do empregado por um deles tem
efeito jurídico de renúncia às regras do sistema do
outro. (ex-OJ nº 163 da SBDI-1 - inserida em
26.03.1999)
C1) Teorias para aplicação (para os casos de negociações coletivas
e sentenças normativas):

 Teoria da aderência ilimitada: as condições mais benéficas


incorporam–se definitivamente aos contratos de trabalho.

 Teoria da aderência limitada pelo prazo: as condições alcançadas


por força de sentença normativa, acordo coletivo e convenção
coletiva de trabalho apenas vigoram no prazo assinado, não
integrando, de forma definitiva, os contratos individuais de
trabalho.

 Teoria da aderência limitada por revogação ou ultratividade: as


condições mais benéficas vigoram até a edição de um novo diploma
normativo, que poderá revogar o manter as vantagens percebidas.

Súmula nº 277 do TST


CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO OU ACORDO
COLETIVO DE TRABALHO. EFICÁCIA.
ULTRATIVIDADE (redação alterada na sessão do
Tribunal Pleno realizada em 14.09.2012) - Res.
185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012
As cláusulas normativas dos acordos coletivos ou
convenções coletivas integram os contratos
individuais de trabalho e somente poderão ser
modificadas ou suprimidas mediante negociação
coletiva de trabalho.

 Obs1: ADPF 323/DF: Liminar (14/10/2016): “suspensão de todos os


processos em curso e dos efeitos de decisões judiciais proferidas no
âmbito da Justiça do Trabalho que versem sobre a aplicação da
ultratividade de normas de acordos e de convenções coletivas, sem
prejuízo do término de sua fase instrutória, bem como das
execuções já iniciadas”.
 Obs2: Reforma trabalhista (Lei 13.467/17):
Art. 614 - Os Sindicatos convenentes ou as empresas acordantes
promoverão, conjunta ou separadamente, dentro de 8 (oito) dias da
assinatura da Convenção ou Acordo, o depósito de uma via do mesmo,
para fins de registro e arquivo, no Departamento Nacional do Trabalho,
em se tratando de instrumento de caráter nacional ou interestadual, ou
nos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, nos
demais casos.
(...)
§ 3o Não será permitido estipular duração de convenção coletiva ou
acordo coletivo de trabalho superior a dois anos, sendo vedada a
ultratividade.

2. Princípio da primazia da realidade: toda vez que houver confronto


entre a verdade real e a verdade formal prevalecerá a verdade real.

2.1Elementos que devem ser analisados: hipossuficiência do


trabalhador, vulnerabilidade e a subordinação inerente ao
contrato de trabalho.

2.2Súmula 12 do TST (As anotações apostas pelo empregador na


carteira profissional do empregado não geram presunção "juris
et de jure", mas apenas "juris tantum").

2.3Artigo 9º da CLT: combater atos que visem desvirtuar, impedir


ou fraudar aplicação dos preceitos contidos na CLT (coibir o
ponto britânico, a pejotização, cooperativas fraudulentas etc.).

2.4Princípio da primazia da realidade e o princípio da legalidade:


art. 37, II da CF e a Súmula 331, II do TST.
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