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Estudo e Análise de Treliças

Technical Report · April 2016


DOI: 10.13140/RG.2.1.1816.8724

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Idalia Gomes
Instituto Politécnico de Lisboa
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INSTITUTO POLITÉCNICO DE LISBOA
INSTITUTO SUPERIOR ENGENHARIA DE LISBOA
Área Departamental de Engenharia Civil

ESTUDO E ANÁLISE DE
TRELIÇAS

Unidade Curricular de Estática

Maria Idália da Silva Gomes

Abril de 2016
Estudo e Análise de Treliças Unidade Curricular de Estática

ÍNDICE DO TEXTO

1.1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 4

1.2. ABORDAGEM HISTÓRICA .......................................................................................... 5

1.3. DEFINIÇÃO DE TRELIÇAS .......................................................................................... 6

1.4. ESTATICIDADE DE UMA TRELIÇA ........................................................................... 9

1.4.1. Estaticidade global ............................................................................................. 14

1.4.2. Estaticidade interior ........................................................................................... 15

1.4.3. Estaticidade exterior ........................................................................................... 16

1.4.4. Conclusão ........................................................................................................... 16

1.5. CLASSIFICAÇÃO DAS TRELIÇAS QUANTO À LEI DE FORMAÇÃO ................. 18

1.5.1.
1.4.1. Treliça Simples.................................................................................................... 18

1.5.2.
1.4.2. Treliças compostas.............................................................................................. 19

1.5.3.
1.4.3. Treliças complexas .............................................................................................. 20

1.6. DETERMINAÇÃO DOS ESFORÇOS EM TRELIÇAS ............................................... 21

1.6.1.
1.4.1. Considerações ..................................................................................................... 21

1.6.2.
1.4.2. Equilíbrio dos nós ............................................................................................... 22

1.4.3.
1.6.3. Método de Ritter ................................................................................................. 23

2.1. EXERCÍCIOS PROPOSTOS ......................................................................................... 28

3.1.
2.1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................... 30

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Estudo e Análise de Treliças Unidade Curricular de Estática

ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1 - Tipos de treliças usadas em coberturas (coluna da esquerda) e pontes ou passagens


superiores (coluna da direita) ................................................................................................................ 5

Figura 2 - Ponte de Apollodorus sobre o Danúbio .................................................................................. 6

Figura 3 - (a) Treliça tridimensional - carrinho de avanço e (b) Treliça plana ....................................... 7

Figura 4 - Composição de uma treliça..................................................................................................... 7

Figura 5 - Ponte de treliça, com transmissão de cargas do pavimento para os nós da treliça ................. 8

Figura 6 - Barras de treliças sujeitas: à esquerda, à compressão e, à direita, à tracção ........................... 9

Figura 7 - Sistemas estruturais: (a) elemento triangular; (b) elemento rectangular e (c) elemento
poligonal ............................................................................................................................................. 10

Figura 8 - Treliça simples...................................................................................................................... 10

Figura 9 - Treliças estaticamente indeterminadas: (a) colocação adicional de uma barra e (b) colocação
adicional de um apoio móvel .............................................................................................................. 11

Figura 10 - Apoio móvel ....................................................................................................................... 12

Figura 11 - Articulação móvel da ponte D. Pedro II, Bahia, Brasil, 1885 ............................................ 12

Figura 12 - Articulação móvel da ponte ferroviária Zarate Brazo, Argentina, 1978............................. 12

Figura 13 - Articulação móvel da ponte Millennium, sobre o rio Tâmisa, Londres, 2000 ................... 12

Figura 14 - Apoio fixo ........................................................................................................................... 13

Figura 15 - Articulações fixas da ponte ferroviária, Argentina, 1978 ................................................... 13

Figura 16 - Articulação fixa da Estação Mapocho, actualmente Centro Cultural, Santiago, Chile, 1912
............................................................................................................................................................ 13

Figura 17 - Articulação fixa da ponte D. Pedro II, Bahia, Brasil, 1885 ................................................ 13

Figura 18 - Apoio pendular ................................................................................................................... 14

Figura 19 - Exemplos de apoios pendulares .......................................................................................... 14

Figura 20 - Treliça globalmente isostática estável ................................................................................ 16

Figura 21 - Treliça globalmente isostática instável ............................................................................... 17

Figura 22 - Treliça instável: (a) configuração imprópria, (b) número inadequado de barras e (c) treliça
interiormente isostática, exteriormente - número inadequado de reacções de apoio. ......................... 17

Figura 23 - Formação de uma treliça simples de ponte Howe .............................................................. 18

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Figura 24 - Formação de uma treliça simples de telhado Howe ........................................................... 18

Figura 25 - Estrutura de suporte para telhado, com a configuração de uma treliça simples de Fink .... 19

Figura 26 - Treliça composta................................................................................................................. 19

Figura 27 - Treliça composta................................................................................................................. 20

Figura 28 - Treliças complexas ............................................................................................................. 21

Figura 29 - Treliça simples de cobertura ............................................................................................... 21

Figura 30 - Equilíbrio no nó 1 ............................................................................................................... 22

Figura 31 - Equilíbrio no nó 3 ............................................................................................................... 23

Figura 32 - Corte da treliça pelo Método de Ritter ............................................................................... 23

Figura 33 - Corte da treliça pelo Método de Ritter, excepção............................................................... 24

Figura 34 - À direita, treliça simples e, à esquerda, corte da treliça pelo Método de Ritter.................. 25

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Estudo e Análise de Treliças

Pretende-se com esta sebenta que os alunos reconheçam as configurações de uma treliça,
estruturas normalmente utilizadas em coberturas de telhados, passagens superiores, pontes,
viadutos, entre outros; pretende-se ainda que identifiquem as características de uma treliça
ideal e o qual o significado de uma treliça estável ou instável; os alunos devem ainda saber
determinar a estaticidade de uma treliça e classifica-la quanto à sua lei de formação
(simples, composta e complexa); por fim os alunos deverão saber determinar os esforços nas
barras de uma treliça através do Método dos nós e do Método de Ritter.
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1.1. INTRODUÇÃO
Dá-se o nome de estrutura aos elementos resistentes de uma construção, de uma máquina, de
um objecto, entre outros. Ao olhar em nosso redor, podemos observar que tudo o que nos
cerca possui uma estrutura: o edifício onde nos encontramos; o computador que utilizamos; a
estante onde guardamos os nossos livros; até mesmo a cadeira em que nos sentamos apresenta
uma estrutura. Nós próprios temos uma estrutura, constituída por ossos, músculos e tendões.

A estrutura tem como função resistir aos esforços produzidos pelas acções que nelas actuam.
Para que uma estrutura cumpra as suas funções, esta deve resistir às acções (toda e qualquer
solicitação física imposta a uma estrutura) que actuam sobre ela ao longo da sua vida útil.

As acções, que solicitam a estrutura podem dividir-se quanto:


à natureza:
- cargas aplicadas (peso próprio da estrutura, o peso da sobrecarga, pressões, impulsos de
terras, …);
- deformações impostas (variações de temperatura, sismos, assentamento de apoios,
retrações, …);
- casos especiais (incêndios, explosões, …);

ao modo de aplicação:
- estáticas (peso próprio da estrutura, neve, pressões hidrostáticas, …);
- dinâmicas (vento, sismo, vibrações mecânicas, pressões hidrodinâmicas, …);

à duração:
- permanentes (peso próprio da estrutura, revestimento, retração do betão, impulsos de
terras, …);
- variáveis (sobrecarga, variações de temperatura, sismo, vento, …);
- acidentais (impacto, incêndios, explosões, …).

Ao realizar um projecto de estabilidade para além de se saber identificar os diferentes tipos de


forças a que as estruturas irão estar sujeitas, é necessário estimar quais as acções que poderão
solicitar a estrutura ao longo da sua vida útil e projectá-la de maneira a esta suportar
adequadamente as acções. Algumas destas acções são conhecidas com alguma exactidão,
nomeadamente: o peso próprio; o impulso de terras numa estrutura subterrânea; ou mesmo o
impulso da água num reservatório. Quando estas não são conhecidas é necessário determiná-
las estatisticamente.

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As treliças são um dos principais tipos de estruturas de engenharia, apresentando-se como


uma solução estrutural simples, prática e económica para muitas situações de engenharia,
especialmente em projecto de passagens superiores, pontes e coberturas. A treliça apresenta a
grande vantagem de conseguir vencer grandes vãos, podendo suportar cargas elevadas
comparativamente com o seu peso. Podemos ainda observar as estruturas treliçadas em postes
de alta tensão, vigas de lançamento, gruas e em inúmeras outras estruturas de engenharia.

1.2. ABORDAGEM HISTÓRICA

Pode-se observa na Figura 2 algumas das configurações clássicas de estruturas treliçadas que
foram utilizadas desde a Revolução Industrial (século XIX). Na época do desenvolvimento
das treliças, estas distinguiam-se pelas suas configurações, pelos materiais, pela capacidade de
resistirem a elevados esforços e ainda por apresentarem grandes vãos. Ainda hoje, as treliças
designam-se pelos nomes de quem as aperfeiçoou.

Treliça de Pratt
Treliça de Pratt

Treliça de Howe
Treliça de Howe

Treliça de Fink Treliça de Warren

Treliça de Fink Composta Treliça de Warren Modificada

Figura 1 - Tipos de treliças usadas em coberturas (coluna da esquerda) e pontes ou passagens superiores
(coluna da direita)

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As treliças surgiram como um sistema estrutural mais económico às vigas, sendo um dos
principais tipos de estruturas de engenharia. Estes sistemas estruturais foram utilizados
durante séculos para vencer grandes vãos. O engenheiro romano Apollodorus construiu sobre
o Rio Danúbio por volta de 105 d.C, uma ponte de treliça de múltiplos vãos. Cada vão de
ponte tomou forma similar à arqueada (Schmidt e Boresi, 1999), Figura 2.

Até à Revolução Industrial não ouve grandes avanços neste tipo de estruturas, mas durante a
revolução industrial, devido à falta de disponibilidade de ferro forjado na Europa e devido à
expansão das ferrovias, os engenheiros foram pressionaram a desenvolver treliças mais
racionais para a construção de pontes de grandes vãos mas com um baixo peso próprio.

No início do século XIX surge o ferro laminado, que apesar de menos económico que o ferro
fundido, apresentava uma melhoria substancial no seu comportamento face às tracções. Pela
primeira vez os projectistas tinham ao seu dispor um material capaz de realizar distintas
tipologias: estruturas suspensas, estruturas com vigas, estruturas em arco e uma melhoria nas
estruturas treliçadas.

A partir da década de 70 do século XIX, o aço começou a substituir o ferro fundido e o ferro
laminado, principalmente devido à sua maior resistência e ductilidade.

Figura 2 - Ponte de Apollodorus sobre o Danúbio [Schmidt e Boresi, 1999]

1.3. DEFINIÇÃO DE TRELIÇAS


Um sistema articulado plano rígido é definido como sendo um sistema de barras rígidas
delgadas complanares ligadas entre si por extremidades rotuladas, formando um sistema
estável. Esta estrutura é definida como treliça. O carregamento numa treliça é realizado nos
nós. A forma como as barras estão colocadas na treliça torna-a num sistema eficiente para
suportar estas cargas, ou seja, uma treliça pode suportar cargas pesadas comparativamente
com o seu peso próprio. A maioria das estruturas reais apresenta várias treliças unidas entre
si, formando uma estrutura espacial (Figura 3a). Cada treliça é projectada para suportar as

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cargas que actuam no seu plano, podendo assim serem tratadas como estruturas
bidimensionais, ou seja, os eixos das barras estão contidos num mesmo plano (Figura 3b).

(a) (b)
Figura 3 - (a) Treliça tridimensional - carrinho de avanço e (b) Treliça plana

A treliça é composta pelo cordão inferior (conjunto de elementos que forma a parte inferior),
cordão superior (conjunto de elementos que forma a parte superior), montantes (barras
verticais) e diagonais (barras inclinadas), como se pode visualizar na Figura 4.

Cordão Superior

Diagonais

Montante
s Cordão Inferior

Figura 4 - Composição de uma treliça

Na teoria de projecto, as barras de uma treliça simples são sujeitas somente a esforços
normais (tracção ou compressão), sendo estas barra elementos rectos indeformáveis, unidos
na sua extremidade por nós (articulações) consideradas perfeitas.

Estes elementos são bastante esbeltos podendo suportar pouca carga lateral, assim sendo, as
cargas devem ser aplicadas preferencialmente nos vários nós e não nos elementos rectos,
ficando os elementos estruturais que as constituem solicitados apenas por esforços normais.
Se houver necessidade de se aplicar uma carga entre dois nós ou quando for necessário aplicar
uma carga distribuída numa treliça, é preciso prever um sistema de transmissão de cargas para
os nós da treliça. É o caso de uma ponte com o sistema treliçado (Figura 5), deve ser previsto
um sistema de pavimento, onde um sistema de longarinas e vigas transversais irão transmitir a
carga para os nós.

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Figura 5 - Ponte de treliça, com transmissão de cargas do pavimento para os nós da treliça [Beer et al, 2006]

Na Figura 1, mostram-se vários tipos de treliças usadas em estruturas de sustentação de


telhados e pontes. Cada uma destas treliças apresenta um nome particular, sendo este
associado à sua configuração geométrica. A estas treliças dá-se o nome de treliça plana
(bidimensionais), como referido, todas as barras e as cargas estão no mesmo plano.

Os estilos de treliças de pontes mais comuns são a treliça tipo Warren, Howe e Pratt (Figura
1). A treliça Warren é talvez a mais comum quando se necessita de uma estrutura simples e
contínua. Estas treliças são usadas para vencer vãos entre 50 e 100 metros. Quando se
projectam pontes com pequenos vãos, também se podem utilizar as treliças tipo Warren, uma
vez que não é necessário usar elementos verticais (para amarrar a estrutura). O que não
sucederá em pontes com grandes vãos, estes elementos verticais são necessários para dar
maior resistência.

A treliça de pontes Pratt (Figura 1) é facilmente identificada pelos seus elementos diagonais
que, à excepção dos extremos, apresentam-se todos eles inclinados e na direcção do centro do
vão. Todas as barras diagonais à excepção das diagonais do centro, estão sujeitos somente à
tracção, enquanto que as barras verticais suportam as forças de compressão.

A treliça Howe (Figura 1) é o oposto da treliça Pratt. As barras diagonais estão dispostas na
direcção contrária do centro da treliça da ponte e suportam a forças de compressão.

Os materiais utilizados nas treliças incluem o aço, madeira, ferro e por vezes o alumínio. As
barras podem ser unidas por parafusos ou rebites, podem ser soldados ou por placas de metal,
outros meios. Nas treliças admite-se que o peso das barras são aplicados nos nós, assim
metade do peso de cada barra é aplicada em cada um dos seus nós, aos quais a barra está
unida. Como atrás referido, as barras são unidas por meio de conexões aparafusadas ou
mesmo soldadas, contudo é comum supor-se que estas sejam unidas por meio de rótulas,
assim sendo, as forças que actuam em cada extremidade de cada barra reduzem-se a uma
única força sem binário. Devido a este contexto, considera-se que as únicas forças aplicadas a

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uma barra de uma treliça são forças únicas aplicadas em cada extremidade desse mesmo
elemento, orientadas ao longo do eixo da barra. Cada barra pode ser tratada como um
elemento sujeito a duas forças opostas (Figura 6). Se a barra AB está sujeita à compressão, a
força F que a comprime converge para os nós A e B (Figura 6a), mas se a barra está sujeita à
tracção, a força F que a tracciona sai dos nós A e B (Figura 6b).
F F F F

(a) (b)
Figura 6 - Barras de treliças sujeitas: à esquerda, à compressão e, à direita, à tracção

No estudo das treliças admitem-se algumas simplificações:


as articulações entre as barras que constituem o sistema faz-se através de rótulas sem atrito
(articulações consideradas perfeitas e barras consideradas indeformáveis);
as cargas e os apoios aplicam-se preferencialmente nos nós da estrutura, embora em casos
especiais possam existir outras formas de carregamento;
o eixo de cada uma das barras contém o centro das articulações das suas extremidades (os
eixos devem cruzar-se todos no mesmo ponto).

Quando se verificam estas três condições as barras da estrutura treliçada ficam sujeitas apenas
a esforços normais, considerando-se treliças ideais. Esta é a grande diferença das treliças para
outras formas estruturais, as treliças estão sujeitas apenas a forças axiais (compressão ou
tracção). Ainda que possa existir flexão e forças de corte, isto porque, as hipóteses
anteriormente formuladas nunca se verificam completamente, uma vez que as articulações
internas (por mais perfeitas que estas sejam) oferecem sempre uma certa resistência ao
movimento de rotação das barras que nela convergem; contudo estes efeitos podem ser
desprezados, pois apresentam valores mínimos.

1.4. ESTATICIDADE DE UMA TRELIÇA


Considere uma estrutura com três barras, AB, BC e CA, estando estas barras ligadas nas suas
extremidades por nós, constituem assim um sistema triangular rígido, formando uma treliça
simples (Figura 7a). Esta estrutura é estável, ou seja, não altera a sua forma sob a acção da
força F, aplicada no nó B (força que lhe está a ser aplicada) e das reacções de apoio
correspondentes no nó A e C.

Em comparação, as estruturas representadas na Figura 7b e c, apresentam deslocamentos


quando sujeitas a forças exteriores. As estruturas supra referidas não se apresentam estáveis
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sob a acção da força F. Estes sistemas são submetidos a uma mudança de forma quando
sujeitos a uma acção, os seus elementos sofrem deslocamentos, como consequência são
treliças instáveis. Em geral, qualquer sistema de quatro ou mais barras ligadas por nós,
formam uma treliça instável, entrando em colapso sob qualquer combinação de cargas.
C'
C
Estrutura
em Colapso

F F B C
B F1 B' D' F2
B' C' B D
Estrutura Estrutura Estrutura
Original em Colapso Original

A C A D A E

(a) (b) (c)


Figura 7 - Sistemas estruturais: (a) elemento triangular; (b) elemento rectangular e (c) elemento poligonal
[adaptado de Schmidt e Boresi, 1999]

Começando com um triângulo rígido (três barra e três nós) (Figura 7a), pode-se acrescentar
mais duas barras não-colineares obtendo um novo nó. A estrutura resulta numa treliça ABCD
rígida.
Este método pode ser continuado até à expansão desejada da treliça, obtendo uma treliça
triangular básica. À treliça formada desta maneira, dá-se o nome de treliça simples (Figura 8).
B D

A C

Figura 8 - Treliça simples

Uma treliça simples é também estaticamente determinada, ou seja, as reacções de apoio e as


forças nas barras podem ser determinadas usando apenas as equações de equilíbrio da estática,
a estrutura apresenta o mesmo número de incógnitas para o mesmo número de equações
possíveis da estática.

Uma treliça estaticamente indeterminada é aquela em que as reacções de apoio e os esforços


nas barras não podem ser determinadas apenas pelas equações de equilíbrio da estática.

Na Figura 9a pode visualizar-se que a estrutura apresenta uma barra adicional (barra AD) e na
Figura 9b a estrutura apresenta quatro reacções de apoio; ambas as treliças são estaticamente

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indeterminadas, pois apresentam mais incógnitas do que as equações de equilíbrio da estática


plana. Embora estas sejam estaticamente indeterminadas, apresentam-se estáveis.

B D B
D

A C A C

(a) (b)
Figura 9 - Treliças estaticamente indeterminadas: (a) colocação adicional de uma barra e (b) colocação adicional
de um apoio móvel

As treliças à semelhança de outros sistemas estruturais podem dividir-se em hipoestáticas,


isostáticas e hiperstáticas; conforme o número de equações da estática disponíveis e se este
valor for superior, igual ou inferior ao número de incógnitas da estrutura. Contudo, para além
das incógnitas das reacções de apoio existe ainda a necessidade de calcular os esforços nas
barras da treliça. É assim necessário, fazer a análise da estaticidade: interior (número de
barras que é necessário calcular); exterior (número de incógnitas de reacções de apoio); e
global da estrutura.

Conforme matéria leccionada no capítulo anterior (Capítulo dos Esforços), verifica-se que as
estruturas apresentam três graus de liberdade no plano e seis graus de liberdade no espaço.
Para restringir estes graus de liberdade nas estruturas é necessário colocar vínculos (apoios)
na estrutura, por forma a impedir os movimentos de translação e rotação a que as estruturas
ficam sujeitas quando solicitadas pelas acções. De seguida apresenta-se um breve resumo dos
vínculos que as estruturas podem conter.

Apoio móvel
O apoio móvel introduz um vínculo na estrutura, impedindo o deslocamento na direcção
perpendicular à base do apoio. Introduzindo como reacção de apoio com a direcção do
deslocamento impedido. Este apoio permite a rotação do sólido em torno do ponto vinculado
e o movimento do ponto vinculado somente na direcção da base do apoio. Na Figura 10 pode
visualizar-se que o movimento impedido por este apoio é indicado a vermelho e os
movimentos permitidos, em azul; a reacção de apoio introduzida por este apoio também é
mostrada na figura, a preto.

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Rv
Figura 10 - Apoio móvel
Nas Figuras seguintes 11, 12 e 13, podem visualizar-se apoios móveis em três pontes
construídas em três épocas bem distintas.

Figura 11 - Articulação móvel da ponte D. Pedro II, Bahia, Brasil, 1885 [1]

Figura 12 - Articulação móvel da ponte ferroviária Zarate Brazo, Argentina, 1978 [1]

Figura 13 - Articulação móvel da ponte Millennium, sobre o rio Tâmisa, Londres, 2000 [1]

Apoio fixo
O apoio fixo introduz dois vínculos na estrutura, impedindo o deslocamento do ponto
vinculado em qualquer direcção do plano (pode ser visualizado na Figura 14 os movimentos
impedidos, a vermelho). Este apoio introduz reacções de apoio que podem ser decompostas

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numa força horizontal e vertical (segundo o plano xoy - podem ser visualizadas na Figura 14,
a preto). Este apoio permite a rotação do sólido em torno do ponto vinculado, é indicado a
azul na Figura 14.

Rv

RH

Figura 14 - Apoio fixo

Nas Figuras seguintes 15, 16 e 17, apresentam-se apoios fixos em estruturas distintas.

Figura 15 - Articulações fixas da ponte ferroviária, Argentina, 1978 [1]

Figura 16 - Articulação fixa da Estação Mapocho, actualmente Centro Cultural, Santiago, Chile, 1912 [1]

Figura 17 - Articulação fixa da ponte D. Pedro II, Bahia, Brasil, 1885 [1]

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Apoio Pendular

O apoio pendular impede o movimento na mesma direcção do eixo do apoio, portanto, a


reacção tem essa direcção desconhecendo-se apenas a sua intensidade. Este tipo de apoio
introduz uma incógnita. Se a reacção de apoio estiver à tracção designa-se tirante, caso esteja
à compressão designar-se-á por escora, a reacção deste apoio pode ser visualizado na Figura
18, a preto.

RH

Rv
Figura 18 - Apoio pendular

Na Figura 19, apresentam-se dois exemplos de apoios pendulares.

Figura 19 - Exemplos de apoios pendulares

No caso das treliças não serão considerados os apoios encastrados (apoio que introduz três
vínculos na estrutura, impedindo a translação e a rotação) uma vez que não existem
momentos neste tipo de estruturas.

1.4.1. Estaticidade global


O sistema rígido mais simples é constituído por três barras articuladas entre si. Se cada nó for
agregado ao sistema por intermédio de apenas duas barras obtém-se um sistema rígido, por
isso invariante (não varia a sua configuração geométrica) e estaticamente determinado. Uma
treliça formada deste modo é designada por treliça simples e é isostática.
Considerando assim uma treliça constituída por barras articuladas “b” e por nós “n”. O
número de incógnitas que irão aparecer na treliça (independentemente da forma como esta
está apoiada) será igual a “b”, já que é este o número de esforços internos existentes. Se
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admitirmos que esta estrutura tem “a” incógnitas de reacções de apoio, então é possível
afirmar que o número total de incógnitas do problema será igual a “a + b”.
O número de equações da estática plana será de “2n”, pois em cada nó aplicam-se as equações
de equilíbrio de um ponto material [Eq. 1].

r r ∑ F =0
∑ F = 0 ⇒ ∑ F x

=0
[Eq. 1]
 y

A terceira equação a que se poderá recorrer, será a do equilíbrio de momentos [Eq. 2], esta
equação não terá qualquer significado, pois todos os esforços nas barras que concorrem em
qualquer nó, não produzem momentos.

r r
∑M = 0 ⇒ ∑M z =0 [Eq. 2]

Assim sendo, para uma estrutura com “n” nós, é possível escrever “2n” equações da estática.
Uma treliça diz-se globalmente isostática ao verificar-se que o número de incógnitas é igual
ao número de equações disponíveis [Eq. 3].

a + b = 2n [Eq. 3]

O grau de estaticidade global (hg) [Eq. 4] de uma treliça é igual a:

hg = a + b − 2n [Eq. 4]

Se: hg < 0 ⇒ Treliça globalmete hipoestática


hg = 0 ⇒ Treliça globalmete isostática
hg > 0 ⇒ Treliça globalmete hiperstática

1.4.2. Estaticidade interior


Nas treliças, é ainda possível determinar a sua estaticidade interior (hi) [Eq. 5]. Admitindo que
a treliça está simplesmente apoiada, temos como número de incógnitas de reacções de apoio
“a =3” (por exemplo um apoio móvel - uma incógnita e uma apoio fixo - duas incógnitas). A
equação 4 pode assim escrever-se:

hi = 3 + b − 2n = b − (2n − 3) [Eq. 5]

Se hi < 0, há uma deficiência de barras, por isso a treliça é designada de interiormente


hipoestática. O equilíbrio apenas é possível mediante certas condições, que não sendo
verificadas levará o sistema ao colapso.
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Se hi = 0, esta relação é uma condição necessária para a estabilidade da treliça, porém não é
condição suficiente, porque uma ou mais das barras podem estar dispostas de tal modo que
não contribuem para uma configuração estável da treliça simples.

Se hi > 0, existem mais barras que as necessárias para evitar o colapso, o que sugere que a
treliça seja interiormente hiperestática e por isso estaticamente indeterminada. É no entanto
necessário analisar se a disposição das barras lhe permite manter uma configuração estável.

1.4.3. Estaticidade exterior


A estaticidade exterior [Eq. 6] é calculada a partir das condições de apoio do sistema. Os
apoios restringem os graus de liberdade e por isso o número de incógnitas “a” que surgem,
são calculadas a partir das equações de equilíbrio independentes da estática, no caso do plano
serão três. Se os apoios estiverem colocados por forma a impedir qualquer movimento do
sistema como corpo rígido o grau de hiperestaticidade exterior é então igual a:

he = a − 3 [Eq. 6]

Se: he < 0 ⇒ Treliça exteriormente hipoestática


he = 0 ⇒ Treliça exteriormente isostática
he > 0 ⇒ Treliça exteriormente hiperstática

1.4.4. Conclusão
Determinadas treliças, assim como noutros sistemas, é possível que a hiperestaticidade
exterior seja compensada com a hipostaticidade interior, resultando um sistema globalmente
isostático e estável. É o que se verifica na treliça representada na Figura 20.

F1
R

F2
Figura 20 - Treliça globalmente isostática estável

No entanto, se as ligações ao exterior estiverem incorrectamente localizadas, resulta um


mecanismo, apesar de grau de hiperestaticidade exterior compensar o grau de hipostaticidade
interior, Figura 21.

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F1
R

F2
Figura 21 - Treliça globalmente isostática instável

Na Figura 22a e c, a aplicação da Equação 5 leva à conclusão que os sistemas são isostáticos
interiormente, contudo os sistemas são instáveis, podendo entrar em colapso quando
estiverem sujeitas a solicitações. No caso da Figura 22a, as barras estão mal distribuídas,
formando uma treliça instável. O mesmo sucederá às treliças que não apresentem suficientes
barras ou reacções de apoio para prevenir o movimento, designado assim treliça instável
(Figura 22b e c, respectivamente).

(a) (b)

(c)

Figura 22 - Treliça instável: (a) configuração imprópria, (b) número inadequado de barras e (c) treliça
interiormente isostática, exteriormente - número inadequado de reacções de apoio.

Conclui-se assim, que se deve ter em atenção o uso das equações 4, 5 e 6, uma vez que estas
podem permitir tirar conclusões incorrectas sobre a estaticidade de uma treliça. Tal facto
deve-se a que um sistema de “b” barras com “a” número de incógnitas, devem estar
correctamente distribuídas, obtendo uma configuração estável para a treliça. Assim, ao
analisar uma treliça deve ter-se em consideração a sua estaticidade global, interna e externa,
não deixando de analisar os apoios externos e a sua distribuição, assim como a lei de
formação interna da treliça em questão.

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1.5. CLASSIFICAÇÃO DAS TRELIÇAS QUANTO À LEI DE FORMAÇÃO


É que é importante classificar as treliças quanto à sua lei de formação, pois os métodos de
resolução das mesmas dependem desta classificação. Quanto à Lei de formação, as treliças
podem ser: simples; composta; e complexas.

1.4.1.
1.5.1. Treliça Simples
Dá-se o nome de treliças simples às treliças formadas a partir de um triângulo inicial
indeformável (três barras e três rótulas) ao qual, para cada novo nó, adicionam-se duas novas
barras. As treliças simples verificam a isostaticidade interior, hi = 0.

Na Figura 23, está representada a sequência para a formação de uma treliça simples,
originando a treliça Howe de pontes. Tem este nome por ter sido inventada pelo engenheiro
americano William Howe, que a patenteou em 1840.

Como referido uma treliça simples parte de um triângulo formado por barras articuladas e
desse triângulo inicial são acrescentadas duas novas barras para cada novo nó.

Figura 23 - Formação de uma treliça simples de ponte Howe

As treliças simples também são bastante usadas em estruturas de suporte para telhados, é o
caso da treliça que recebe o nome de treliça Howe de telhado, Figura 24.

Figura 24 - Formação de uma treliça simples de telhado Howe

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Na Figura 25, podemos visualizar uma estrutura de suporte para telhado numa edificação de
uma treliça de Fink.

Figura 25 - Estrutura de suporte para telhado, com a configuração de uma treliça simples de Fink

1.4.2.
1.5.2. Treliças compostas
A treliça simples é composta por um triângulo base acrescentando-se duas novas barras não-
colineares para cada novo nó. Contudo, existem outras configurações de treliças que não
seguem esta configuração para a sua lei de formação. Estas configurações são geralmente
constituídas de duas ou mais treliças simples unidas entre si por barras também
indeformáveis. Exemplo disso são as treliças compostas.

As treliças compostas são formadas pela ligação de duas treliças simples por meio de:
um nó comum e uma barra (Figura 26a);
três barras não-paralelas entre si nem concorrentes num mesmo ponto (Figura 26b).

Se as barras fossem concorrentes num ponto ou mesmo paralelas entre si o sistema era
deformável e portanto instável.

(a) (b)
Figura 26 - Treliça composta

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Na Figura 27, pode observar-se uma treliça composta, esta une duas treliças simples por um
nó (ponto A) em comum. Para que a treliça seja estável é necessário colocar dois apoios fixos
(quatro reacções de apoio).

Figura 27 - Treliça composta

As ligações entre as duas treliças simples restringem os três graus de liberdade que cada uma
teria relativamente à outra. Se as treliças fossem ligadas entre si por um maior número de
barras do que os indicados nos dois exemplos anteriores, obtinham-se treliças compostas
hiperstáticas em vez de isostáticas.

1.4.3.
1.5.3. Treliças complexas
As configurações de treliças que não podem ser classificadas como simples ou compostas são
consideradas complexas. Uma treliça complexa pode ser composta de uma qualquer
combinação de elementos triangulares, quadriláteros ou mesmo poligonais.

Uma treliça complexa pode apresentar barras que se cruzam sem estas estarem vinculadas
umas às outras. Exemplo disso são as treliças apresentadas na Figura 28, todos os exemplos
apresentam barras que se cruzam sem qualquer nó. Estas treliças são estaticamente
determinadas e estáveis na sua configuração.

Uma treliça complexa é classificada por exclusão, ou seja, quando não é simples e nem
composta. Não é possível afirmar se a treliça é isostática pela simples análise da Equação 3,
que é uma condição necessária mas não suficiente para garantir a isostaticidade. O
reconhecimento de sua real classificação é feito pelo método de Henneberg (Leggerini e Kalil,
2009).

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Figura 28 - Treliças complexas

1.6. DETERMINAÇÃO DOS ESFORÇOS EM TRELIÇAS

1.6.1. Considerações
1.4.1.
Considera-se a treliça simples sujeita ao carregamento indicado na Figura 29, considerando as
reacções de apoio calculadas a partir das equações universais da estática.
A determinação dos esforços axiais das barras de treliças bidimensionais pode ser
determinada utilizando-se vários métodos dos quais abordaremos dois métodos analíticos:
Equilíbrio dos nós;
Método de Ritter ou das Secções.

4 P2 P3

2 6

HA 1 8
3 5 7
P1
VA VB

Figura 29 - Treliça simples de cobertura

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1.4.2.
1.6.2. Equilíbrio dos nós
Este método consiste em isolar sucessivamente cada um dos nós, marcar as forças exteriores,
activas e reactivas, e os esforços normais das barras que nele concorrem. Os esforços normais
das barras serão assim determinados como forças que garantem o equilíbrio do nó. Se a treliça
está em equilíbrio, todos os seus nós também o estão.

r r
Assim, aplica-se a equação ∑F = 0 que garante o equilíbrio de forças concorrentes num

ponto material, à qual correspondem as equações de projecção ∑Fx=0 e ∑Fy=0, tendo o


referencial de eixos ortogonais Ox Oy uma qualquer orientação.

É de notar que, se o nó tiver mais de duas barras para determinação dos esforços (ou seja duas
incógnitas), as duas equações da estática não chegam para determinar a solução do sistema. O
cálculo deve-se sempre iniciar pelos nós que possuam apenas duas incógnitas a determinar.
Assim, a sucessão de nós é feita de modo a que surjam apenas dois esforços como incógnitas
em cada novo nó. É aconselhável, no caso da nossa sensibilidade estática não nos permitir
antever a natureza do esforço, que sejam todos considerados à tracção, e assim, os sinais
obtidos já serão os sinais dos esforços actuantes: se for positivo (confirma o sentido arbitrado)
indica tracção; se for negativo indica compressão. A barra estará sujeita à compressão se a
força que a comprime converge para os nós e, estará à tracção se a força que a tracciona sai
dos nós.

Exemplifica-se a seguir o equilíbrio do nó 1 (Figura 30) e nó 3 (Figura 31).

Nó 1 N12

HA 1 θ
∑F y = 0 ⇒ N12 senθ + VA = 0 ⇒ N12
N13

∑F x = 0 ⇒ N12 cos θ + N13 + H A = 0 ⇒ N13


VA

Figura 30 - Equilíbrio no nó 1

A primeira equação permite concluir que a barra 12 está sujeita a um esforço de compressão.

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Nó 3
N32
∑F y = 0 ⇒ N32 − P1 = 0 ⇒ N 32

N31 N35
3 ∑F x = 0 ⇒ N31 + N 35 = 0 ⇒ N35

P
Figura 31 - Equilíbrio no nó 3

1.4.3.
1.6.3. Método de Ritter
O Método de Ritter consiste em cortar a treliça por uma secção obtendo duas partes
totalmente independentes. Contudo, só podem ser cortadas tantas barras (de grandeza e
sentidos desconhecidos) quantas equações da estática se possam escrever, já que de outra
forma o sistema de equações seria indeterminado. Se o cálculo for no plano (2D), deve-se
efectuar no máximo o corte a três barras, não devendo estas ser paralelas nem concorrentes
num ponto. Se as barras cortadas forem paralelas ou mesmo concorrentes num ponto, embora
se possa escrever as três equações da estática irá obter-se uma equação linearmente
dependente. Como a treliça está em equilíbrio, qualquer uma das partes resultantes do corte
ficará em equilíbrio, isto porque, qualquer barra cortada terá de ser substituída pelo esforço
que transmitia ao resto da estrutura.

Cortando a treliça pela a secção SS’, nada se altera sob o ponto de vista estático, desde que,
como referido, se substituam as barras cortadas pelos esforços normais nelas actuantes. Os
esforços são determinados para que garantam o equilíbrio da estrutura treliçada. É indiferente
analisar a parte esquerda ou a parte direita da treliça (Figura 32). Escolhe-se, aquela que
conduzirá a um menor trabalho numérico na obtenção dos esforços normais.

S S P2
4 4 P3
N24 N42
2 6
N25 2
N52
HA 1 8
5 3 7
3 N35 N53 5

VA P1
VB
S’ S’

Figura 32 - Corte da treliça pelo Método de Ritter

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A determinação das incógnitas é realizada a partir das equações universais da estática plana,
devendo ser escolhidas e usadas de uma ordem tal que permita a determinação directa de cada
uma das incógnitas. Assim são usadas três equações de momentos relativamente a três pontos
não colineares, sendo, cada um destes (pontos), a intersecção das linhas de acção de duas
forças incógnitas.

Usando a estrutura da parte esquerda da Figura 32, temos que:

∑M 5 = 0 ⇒ N 24

∑M 1 = 0 ⇒ N 25

∑M 2 = 0 ⇒ N 35

As forças obtidas com sinal positivo confirmarão os sentidos arbitrados.

Excepções ao Método de Ritter

Primeira excepção

Quando se deseja conhecer o esforço numa só barra não é condição obrigatória fazer o corte
apenas em três barras (Figura 33). Efectivamente se as demais, em qualquer número, se
intersectarem num único ponto, poderá cortar-se a estrutura com a intercepção nessas barras e
cortar ainda a barra cujo esforço é incógnito. Assim, escolhe-se a equação de momentos
relativamente ao ponto onde a maior parte das barras são concorrente e determina-se o esforço
da única barra que não é concorrente.

Pretende-se saber N24:

N24
S
N54
2
N56
HA 1
N57
3 5
S’
VA P1
Figura 33 - Corte da treliça pelo Método de Ritter, excepção

Assim temos: ∑M 5 = 0 ⇒ N 24

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Segunda excepção

Quando duas das três barras cortadas por uma secção de Ritter são paralelas (Figura 34) é
mais cómodo utilizar duas equações de momentos e uma equação de projecção numa
direcção, como equações de equilíbrio da estática.

S P2
2 4
6 2 N24

N23

HA 1 HA 3
5 1
3 N13
S’ P1
V VB VA
Figura 34 - À direita, treliça simples e, à esquerda, corte da treliça pelo Método de Ritter

∑M 3 = 0 ⇒ N 24

Assim temos: ∑M 2 = 0 ⇒ N13

∑F y = 0 ⇒ N 23

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Exercícios Propostos

Neste capítulo, apresentam-se alguns exercícios para resolução.


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2.1. EXERCÍCIOS PROPOSTOS

1. Das seguintes alternativas, qual não é característica de uma treliça ideal:


a) todas as barras são rectilíneas;
b) todas as barras apresentam na sua extremidade um nó;
c) à excepção do peso próprio da estrutura, todas as cargas na treliça estão aplicados nos
nós;
d) as barras estão sujeitas à flexão.

2. Considere uma treliça composta por 8 nós, 13 barras e 3 reacções de apoio. Desenhe a
treliça e responda:
a) Quantas equações independentes de equilíbrio estão disponíveis para se usar na
análise?
b) Existem quantas grandezas desconhecidas a determinar?
c) A treliça é estaticamente determinada ou indeterminada?
d) A treliça é estável ou instável

3. Classifique uma estrutura simples, composta e complexa.

4. Para a estrutura apresentada:


a) calcule os esforços nas barras;
b) confirme o esforço para a barra a).

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Referências Bibliográficas
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2.1.
3.1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Beer, Ferdinand P.; Johnston, Russell Jr.; Eisenberg, Elliot R.; Clausen, William E. (2006).
Mecânica vectorial para engenheiros - Estática. 7ª Edição. McGraw Hill, Rio de Janeiro ISBN
85-86804-45-2.

Cirne, José M. (2007/2008). Estática - Parte I. Sebenta de Resistência de Materiais.


Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra - Faculdade de Ciências
e tecnologia da Universidade de Coimbra.

Ghisi, E. (2004). Resistência dos sólidos para estudantes de arquitectura. Folhas de apoio da
unidade curricular de Resistência dos sólidos. Departamento de Engenharia Civil da
Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, Agosto.

Gonçalves, Maria M.; Gomes; Maria I. (2004/2005). Treliças. Sebenta de Mecânica Aplicada.
Departamento de engenharia Civil do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa.

Leggerini, Maria R.; Kalil, Sílvia B. (2008). Estruturas Isostáticas. Sebenta de Estruturas.
Departamento de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul.

Romão, X (2002/2003). Sistemas articulados Planos. Folhas de apoio à unidade curricular de


Mecanica I.

Schmidit, Richard J.; Boresi, Arthur P. (1999). Estática. Edição de Cengage Learning
Editores. ISBN 85-22102-87-2, 97-88522102-87-7.

Bibliografia em linha

[1] Escola Politécnica da USP - Tradição e Modernidade no Ensino de Engenharia.


Laboratório de estruturas e materiais estruturais. Cidade Universitária - São Paulo.
http://www.lem.ep.usp.br/. Consulta em Fevereiro de 2016.

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