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Disciplina: Direito, Legislação e Ética

Curso: Engenharia de Produção


DISCIPLINA: Direito, Legislação e Ética
TEMA: Código Civil – Das pessoas naturais / Pessoas
PROFESSOR: Aurélio Ferreira
CURSO: Engenharia de Produção APOSTILA: 02

DIREITO CONSTITUCIONAL

Podemos dizer que o Direito Constitucional é o ramo do Direito que estuda as


normas que estruturam o Estado e as questões que envolvem o Estado e seus
cidadãos.

Ele é um dos ramos do Direito público, o motivo principal para que ele seja
do ramo do Direito Público é exatamente porque suas normas envolvem o
Estado.

Para Canotilho (jurista português) a constituição é a lei superior do nosso


ordenamento jurídico, na qual temos duas ideias básicas:

 Ordenar, fundar e limitar o poder do estado;

 Garantir os direitos e liberdades dos indivíduos.

Constituição é sob o ponto de vista material “um conjunto de normas


pertinentes à organização do poder, à distribuição da competência, ao
exercício da autoridade, a forma de governo, aos direitos da pessoa
humana, tanto individuais como sociais”.

A constituição Brasileira de 1988 é formal, escrita, dogmática, promulgada,


rígida e analítica.

 Formal: o conteúdo do texto escrito é solene.

 Escrita: redigida em um único documento.

 Dogmática: elaborada por um poder constituinte.

 Promulgada: é democrática (não é imposta).

 Rígida: para ocorrer mudanças deve haver um processo legislativo


rígido e específico.

 Analítica: mais detalhada, discursiva.

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CODIGO CIVIL – PESSOAS NATURAIS

PERSONALIDADE JURÍDICA

CONCEITO

O conceito de pessoa natural é o mais simples que se possa imaginar, é o ser


humano, que tem sua personalidade civil a partir do nascimento com vida, já
sua existência finda com a morte.

Personalidade civil é a aptidão genérica para adquirir direitos e contrair


obrigações. É o atributo necessário para ser sujeito de direito.

A pessoa natural para o direito é, portanto, o ser humano, enquanto sujeito


ou destinatário de direitos e obrigações.

AQUISIÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA

O nosso atual código civil adotou a teoria NATALISTA, onde determina que a
aquisição da personalidade jurídica se dá com o nascimento com vida, ou
seja, no instante em que o aparelho cardiorrespiratório inicia seu
funcionamento, o recém-nascido adquire personalidade jurídica, tornando-
se sujeito de direito.

Contudo o código civil também prevê alguns direitos ao nascituro, a partir


do momento da concepção.

Art. 1o Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil.

Art. 2o A personalidade civil da pessoa começa do nascimento


com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do
nascituro.

NASCITURO

É o ser concebido embora não nascido, é o que está por nascer, mas já
concebido no ventre materno. O Direito Civil põe a salvo os direitos do
nascituro, desde a concepção.

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Art. 2o A personalidade civil da pessoa começa do
nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a
concepção, os direitos do nascituro.

Como já mencionado o atual código Civil adotada a teoria NATALISTA, seria


de todo razoável o entendimento de que o nascituro, ainda não nascido,
teria apenas mera expectativa de direito.

CAPACIDADE PARA O EXERCICIO DO DIREITO

Uma vez adquirida a personalidade, toda pessoa passa a ser capaz de


direitos e obrigações, possuindo, portanto, capacidade para exercer seus
direito.

Capacidade de direito corresponde ao atributo da pessoa, natural, com


aquisição de personalidade, para ser titular de uma relação jurídica.

Quando essa pessoa natural puder exercer pessoalmente seu direito, tem-se
a capacidade civil plena.

Em regra todos podemos exercer capacidade para exercer seus direito,


contudo, existem pessoas que por limitações orgânicas ou psicológicas não
podem exercer tais direitos. Esse fenômeno é denominado INCAPACIDADE,
que pode ser Absoluta ou relativa.

O código civil descreve nos Art.s 3º e 4º respectivamente as pessoas que são


classificadas como incapazes.

INCAPACIDADE ABSOLUTA

É a falta total de capacidade para praticar pessoalmente os atos da vida


civil.

Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer


pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16
(dezesseis) anos. (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015)

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INCAPACIDADE RELATIVA

É uma capacidade intermediaria entre a capacidade civil plena e a


incapacidade absoluta.

Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos ou à


maneira de os exercer: (Redação dada pela Lei nº 13.146, de
2015) (Vigência)

I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;

II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; (Redação dada


pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)

III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não


puderem exprimir sua vontade; (Redação dada pela Lei nº
13.146, de 2015) (Vigência)

IV - os pródigos.

Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada


por legislação especial. (Redação dada pela Lei nº 13.146, de
2015) (Vigência)

Art. 5o A menoridade cessa aos dezoito anos completos,


quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da
vida civil.

Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:

I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro,


mediante instrumento público, independentemente de
homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor,
se o menor tiver dezesseis anos completos;

II - pelo casamento;

III - pelo exercício de emprego público efetivo;

IV - pela colação de grau em curso de ensino superior;

V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência


de relação de emprego, desde que, em função deles, o

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menor com dezesseis anos completos tenha economia
própria.

REGISTRO, NOME e DOMICILIO CIVIL.

Os acontecimentos mais importantes na vida das pessoas, do ponto de vista


da organização social, devem ser inscritos em registro publico, nos quais
estão elencados no art. 9º do Código Civil de 2002.

A finalidade principal é de prover a organização social, mediante o


fornecimento de certidões expedidas pelos cartórios.

Art. 9o Serão registrados em registro público:


I - os nascimentos, casamentos e óbitos;
II - a emancipação por outorga dos pais ou por sentença do
juiz;
III - a interdição por incapacidade absoluta ou relativa;
IV - a sentença declaratória de ausência e de morte
presumida.
Toda vez que ocorrer a inscrição de um individuo no registro civil, é
indispensável que lhe atribua um nome, para efeitos da sua identificação.

Tão indispensável quanto o nome é o domicilio, que pode ser definido


aquele local onde reside com ânimo definitivo. Ocorre que se o individuo
possuir mais de uma residência será considerado como domicilio “qualquer
um deles”.

Classificação do domicílio quanto à natureza

a) Voluntário: decorre do ato de livre vontade do sujeito, que fixa


residência em um determinado local, com ânimo definitivo.

b) Legal ou Necessário: decorre da lei, em atenção à condição especial


de determinadas pessoas. Assim, temos: (art. 76, CC)

 domicílio do incapaz: é o do seu representante ou assistente;

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 domicílio do servidor público: é o lugar em que exerce
permanentemente as suas funções;

 domicílio do militar: é o lugar onde serve, e, sendo da Marinha ou da


Aeronáutica, a sede do comando a que se encontra imediatamente
subordinado;

 domicílio do marítimo: é o lugar onde o navio estiver matriculado;

 domicílio do preso: é o lugar em que cumpre a sentença.

EXTINÇÃO DA PESSOA NATURAL

O código civil também determina quando se da a extinção da


personalidade da pessoa natural, que em regra geral é a Morte.

Art. 6º A existência da pessoa natural termina com a morte;


presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei
autoriza a abertura de sucessão definitiva.

Dentre os seus efeitos, destacam-se:

 a extinção do poder familiar;

 a dissolução do vínculo conjugal;

 a abertura da sucessão;

 a extinção do contrato personalíssimo, bem como outros, além dos


que possuem eficácia pós-morte.

Cuida-se da morte real. Do ponto de vista jurídico, contudo, há outras


acepções da expressão “morte”:

 Morte presumida, quando não for possível encontrar o cadáver para


exame, nem há testemunhas que presenciaram ou constataram a
morte, mas é extremamente provável a morte de quem estava em
perigo de vida. Nesses casos, não há certeza da morte, se houver um
conjunto de circunstâncias que indiretamente induzam a certeza, a lei
autoriza ao juiz a declaração da morte presumida. (acidente aéreo
que não acha o corpo);

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 Ausência é “um estado de fato, em que uma pessoa desaparece de
seu domicílio, sem deixar qualquer notícia” (Pablo Stolze, 2005, p. 140).
Ausente é o indivíduo que desapareceu, consciente ou
inconscientemente, voluntária ou involuntariamente.
(desaparecimento sem deixar noticia);
 Morte simultânea – o conceito de morte simultânea está descrito no
artigo 8º, que assim estabeleceu “Se dois ou mais indivíduos falecerem
na mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum dos
comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente
mortos”. A comoriência é, assim, a presunção de morte simultânea, de
uma ou mais pessoas, na mesma ocasião (tempo), em razão do
mesmo evento ou não, sendo essas pessoas reciprocamente herdeiras.

CODIGO CIVIL – PESSOA JURIDICA


CONCEITO

Grupo de pessoas naturais ou de patrimônio, criados na forma da lei e


dotado de personalidade jurídica própria para a realização de fins comuns;
são três os seus requisitos:

 Organização de pessoas ou de bens;


 Licitude de seus propósitos ou fins;
 Capacidade jurídica reconhecida por norma.

SURGIMENTO DA PESSOA JURIDICA

A pessoa natural surge no momento do nascimento com vida.


Da mesma forma, a pessoa jurídica possui um ciclo de existência.
De acordo com o Código Civil a existência legal da pessoa jurídica se da
com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro.
Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito
privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro,
precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do
Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por
que passar o ato constitutivo.
Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a
constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do
ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no
registro.

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Desta forma podemos concluir que é condição indispensável para a
atribuição de personalidade a pessoa jurídica a inscrição do ato constitutivo
ou do contrato social no registro competente.

COMEÇO E FIM DA PERSONALIDADE DA PESSOA JURÍDICA

A personalidade das pessoas jurídicas passa a existir com a inscrição de seus


atos constitutivos no registro competente e serão representadas, ativa e
passivamente, nos atos judiciais e extrajudiciais, por quem os estatutos
designarem ou, em não consignando, por seus diretores.
Seu domicílio é o local de sua sede, seu governo, administração ou direção.
As pessoas jurídicas de Direito Público iniciam-se em razão de determinação
constitucional ou de lei especial.
As pessoas jurídicas de direito privado têm como fato gerador a vontade
humana sem a necessidade de qualquer ato administrativo de concessão
ou permissão.
Elas nascem com o registro de seus atos constitutivos podendo ser unilateral
inter vivos ou causa mortis no caso das fundações, ou por ato jurídico
bilateral inter vivos no caso das associações e sociedades.
A capacidade das pessoas jurídicas decorre de sua personalidade que vem
com o registro de seus atos constitutivos e estende-se em todos os campos
do direito quer seja exercida por uma diretoria quer seja pelo seu órgão
legal.
A existência de uma pessoa jurídica pode terminar da seguinte forma:
 pela dissolução deliberada entre seus membros (CC., 1033, II),
 pelo decurso do prazo de sua duração (CC., arts. 69, 1ª parte c/c art.
1033, I),
 por deliberação dos sócios - maioria absoluta (CC., art. 1033, III),
 pela dissolução quando a lei assim determinar,
 pela dissolução em virtude de ato do governo (CC., art. 1125 e 1033,
V), quando lhe casse a autorização para funcionar, por determinação
do poder judiciário (CC., art. 1034, I e II).
Assim podemos concluir que a extinção da pessoa jurídica poderá ser de três
formas:
 Convencional: deliberada pelos sócios;
 Administrativa: resulta da cassação da autorização para funcionar, no
caso das pessoas jurídicas que dependem desta autorização
governamental para atuarem.

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 Judicial: extinção determinada pelo juiz quando a atividade
desenvolvida for perniciosa.

CLASSIFICAÇÃO DAS PESSOAS JURIDICAS

A melhor doutrina aponta a existência de pessoas jurídicas de direito público


Interno e Externo e de direito Privado, essa classificação esta prevista no art.
40 do Código Civil Brasileiro.

PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PUBLICO.

De acordo com a classificação prevista no Código Civil as pessoas jurídicas


de direito público se subdividem em Interno e Externo.
O art. 41 e 42 do código dispõe quem são as pessoas Jurídicas de Direito
Público.
Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno:
I - a União;
II - os Estados, o Distrito Federal e os Territórios;
III - os Municípios;
IV - as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada
pela Lei nº 11.107, de 2005)
V - as demais entidades de caráter público criadas por lei.
Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas
de direito público, a que se tenha dado estrutura de direito privado,
regem-se, no que couber, quanto ao seu funcionamento, pelas
normas deste Código.

Importante ressaltar que as pessoas Jurídicas de Direito Público serão instituídas por
lei, ao contrario das pessoas jurídicas de direito privado que são constituídas pela
vontade das partes mediante registro no cartório competente.

Art. 42. São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados


estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direito
internacional público.

PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO

O novo Código Civil com o intuito de simplificar a matéria relativa a pessoas


jurídicas de direito privado em seu art. 44, classifica as pessoas jurídicas de
direito privado em:

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Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado:
I - as associações;
II - as sociedades;
III - as fundações.
IV - as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de
22.12.2003)
V - os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003)
VI - as empresas individuais de responsabilidade limitada.

DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA

É quando a pessoa jurídica for usada para lesar terceiros (ex: fraudar
credores), o juiz, a pedido dos interessados ou do Ministério Público, pode
desconsiderá-la para responsabilizar seus sócios, como se o ato tivesse sido
praticado por uma pessoa física (art. 50);

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