Você está na página 1de 18

Felippe Augusto de Miranda Rgga

SOCIOLOGIA DO DIREITO
Ô f€11Ô1T1€110 juridico como fato social

15*-' edição

//ff* "““ /ff Í' /”“


0 I.
/'I/Cs Ff'-‹9=› lí» J/f~¿f'f°
_.. ur* /__F°f^ "'
*IF-19/0?/5%

Jorge Zahar Editor


Rio de Janeiro

Scanned with CamScanner


Copyright © 1970, 1981, EA. de Miranda Rosa

Todos os direitos reservados.


A reprodução não-autorizada desta publicação, no todo
ou em parte, constitui violação do copyright. (Lei 5.988)

1999
Direitos para esta edição contratados com:
jorge Zahar Editor Ltda.
rua .México 31 sobreloja
20031-144 Rio de janeiro, R]
tel.: (021) 240-0226 / fax: (021) 262-5123

Capa: Erico

Edições anteriores: 1970, 1973, 1974, 1975, 1977, 1978,


1981 (7“ ed. rev. e an1p.), 1984, 1992, 1993, 1994,
1996 (duas ed.), 1997
lu

CIP-Brasil. Catalggação-na-fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.

Rosa, Felippe Augusto de Miranda


RÕ94S Sociologia do direito: o fenômeno jurídico I
i como fato social/ Felippe Augusto de Miranda Í
Rosa. - Rio de Janeirozjorge Zahar Ed.

Bibliografia.
ISBN 85-7110-219-8

, 1. Sociologia jurídica. I.Título.

` 91-0902 $i
CDU -z 340.11
______._.-ú

Scanned with CamScanner


CAPÍTULO II

POSIÇÃO E AUToNoIvIIA DA
socIoLoGIA Do DIREITO
1 -- A 'visão sociológica do ƒenônwno juridico. A posição
da Sociologia do Direito entre as Ciências Sociais. 2 -_ Os
três modos de encarar o fenômeno jurídico e sua inter-re-
lação. Sociólogos e juristas diante da Sociologia juridica.
8 - Alguns dados históricos sobre seu desenvolvimento no
Brasil. 4 - A autonomia da Sociologia do Direito como So-
ciologia especial. 5 - Jurisprudência sociológica e Sociologia
jurídica. Criminologia e Sociologia da Criminalidade.

Scanned with CamScanner


“. .. Q___eStudO dqutrmário da lei jamais pode ser
1
estudo doutrinário esteja interessado na ideolo-
gia esta e sempre uma abstra o z. _, `0¢1a_
Com essas palavras, Al Ross, 1 o brilhante professor
e jurista escandinavo, colocou em questão um dos gran-
des problemas com que se defronta o estudioso moder-
no do Direito, qual seja, como dissemos antes, a neces-
sidade de melhor compreender o Direito como fato
social, e não apenas como um conjunto de normas que
formam um sistema lógico, disciplinador da vida em
sociedade.
O referido escritor, cujo crescente prestígio, após
as traduções inglesas de suas obras, tem sido apontado
por muitos (e é parte do significativo fenômeno da
grande influência que os sociólogos do Direito escandi-
navos têm, hoje em dia, na formulação doutrinária e
na orientação prática dos respectivos estudos), _ac:_res-
centou
.. à, idéia eX130Sta
. acima. que “mesmo se o jurista
ue
nao esta reconhecidamente Interessado no vinculo
E e se encon ra no conceito do “direito válido' que, como
foi demonstrado, é parte integrante de toda proposiçao
doutrinária”. E disse mais que tal conceito “se refere
à eficácia das normas como um fato soc1al”.2 _
- ' " vai dommand
^ A o J'urídico e , com eles, os que
os analistas do fenomen
' socia. .realflze 0
mundo con emporaneo e a superB‹Çfl0 meV1taVe1 dos for'

1 Em On Law and Justice, Stevens & Sons Ltd., L0ndI`€'S› 1958:


pág. 19.
2 Loc. cit., págs. 19 e 20.

Scanned with CamScanner


40 Sociologia do Direito

malismos estéreis, pela procura imperativo. _ de .Soluções


. aos problemas humanos de conv1ven_c1a, v
Ff*
;;r¿//1. ¶§ë_¬_mw
Sela ggmo a o socia que con Iciona suas man ggzagges
0°» â
ÃÍ.s]`5 conota ao como Icou 1 o e e S P0 9 S91' Parcialmen-
te sentido e pe1'Ce`DíÕ-.Q.-
Tal estudo. portanto, <
fogue sociológico da realidade jurídica. _E_sse enfoque
socio ogico e o o je o a oc1o ogia o 1re1to. elhm-
dizendo, ele se EI1'r`ig`e' 'p'ara o que constitui' o objeto dg
Socio ogia o Irei o, reconhecidas todas as dificuldades
que a sua identificação compor a.
Muitas são as dI'verge"nc1'as a respeito da natureza
e do conceito da Sociologia do Direito. O debate tem-se
alargado e a ele não tem estado alheia a Filosofia, es-
pecialmente a Filosofia do Direito, cujos cultores, em
fi{.¬¿6m;grande número, ocuparam e ocupam situação de relevo
,entre os mais notáveis autores que têm abordado 0
É-fffa, tema. rSs‹z›_ ggçnicu, e -
jozzoqcussão travada, pois adotandg u___r__n ponto de vista prin-
gfe -gr;§›¿lr__I1fig=:_¿1te__f_iIc›_;'so'f1'co os autores_ ue assim agiram assu-
__ _., ,
Ogi dico _e emento fac _ re ente ncëoâe . d e-
. . a, iglógiga, es -
.
trabamg Sâššâãâgleälmâ 1130 ÍmP°.rta .em desmerecer O
tais autôres sua ifn €01Ê{_1do e pioneiro, de muitos de
campo de es-tudo da S Pfgrlancia para _a delimitaçap _ do
muito grande Parünâciodogia do Direito e, sem duvida.
objeto próprib da disc? 1_ a necessidade de encontrar o
Senvolvidos estudos Si Inat_quenos _ocupa,_foram de.
l'
I

1
dos eleméntos sobre gl; Ica Ivos, destinados a obtenção
L
I

adequada dos elemento Quais P_I'oceder ap uma a_nal1Se


Direito, em relação à S __d.1s_t1nt1vos da Sociologlë 11°
fic __ S ciencias ou ramificações cientí-
aS. que lhe - . _.
' ~ da e_ maior
dlflculdad
mito iSao mais Próximas.
no separar o ,que Nao existe 1 é do
é Sociologia claro,
Di-
qm10 que constitui materia da Geografia Huma-
na" ou PSÍq1_1Íatr' .
um fenomen la, quand9› PQI`ë1'{1, 'Se procura situar
O entre 3' 5901010818. Juridica e a Hlstórla

'Il'-'¡ul~I

Scanned with CamScanner


oS¡Ç5e e Autonomia da Sociologia do Direito 41

do Direito, ou o D_1r_e1t_o Comparado, ou ainda os estudos


de Psico1og1a Jud1c1ar1a, §11_I'gem dificuldades de ordem
teórica e de natureza» PT‹'=1l310§¡››_ 01118» Superação é conve-
utente se cons1ga, em benef1c1o de apropriado entendi-
mente do que deve const1tu1r o exame do fenômeno
jurídico como fato soclal.
Um autor recente está a merecer referência neste
,/,gíx pesso. Trata-se de Edmond Jorion, que formulou exame
‹/¡¡,'¡,,,¡;¡‹,epistemo1Ógico interessante da Sociologia jurídica, z›. e
9P que avançou 81gUI}'1aS _00Il0111SoeS_ algo surpreendentes.
.Do D5°?
7° para Jo a Soclolo 1a do D1re1to e a C1enc1a do i-
c' D 4' reito constituem uma s_o __e¬ rnesma d1sc1plina. 4 No ge-
Efe'//f'*=' tÊlhé", ele' sí: afasta. §a_orient@ão
0;, PF”- ‹.1.i £_í.Ç_flr _9l1f?_ __S<âPëIÍo.. n1tídament_e_ aL
eitudq c_°1§_n_ti_fic_o do__fenômeno jurídico, e que vê a Ciêg-
cia do Direito como pgocupaga com o Direito como
norma., ou "d__e\1er_ se_r`f_, ao passo que a Sociologa do
Direito se preocupa apenas__c_Q__m__9,_.Di1“.eito__ como e o
ou realidade "ëxištente, ou ainda como “ser”, mas se
aproxlma, como 'veremos adiante, das posições de Julius
Stone. F' .
O brilhante professor belga assume, ainda, outras
posições pouco ortodoxas, mas o faz com grande fir~
meza de argumentação. §ustenta gue a Sociologia jurí-
dica deve tomar em consideração, além do Direito esta-
-. uo o ue cer os au ores en enem orcontrole
social”, o que se justifica pe a ese normológica q_1¿1__e__
ãiãili.° I e“I at o, 210'
P r1on prossegue ,"se o Dirëíto 'nao
“___”
pode finalmente ser dissociado totalmente da moral,_ele
não o pode ser a ƒortiori da pressão social ue emana.
`
das at maesnao-es a a1s e m . a- n.. e__S.an_Ç.ões
_ _I2..e_l1ä_i_S.
scniparázteiiàs íÉ@

Essa normatividade não-estatal, em verdade, T1313


Pode ser totalmente afastada das PIBOCUPEIÇOGS (10 5°'
ii

_ 3 EDMOND JoR1oN, De la Sociologia Jurídiqufiz Ed- Université


Llbre de Bruxelles, Bruxelas, 1967.
4 Loc. cit., pág. 222, .
'r' Em Social Dimensions of Law and Justice, 5159-nf°rd Um'
Versity Press, Stanford, Califórnia, 1966-
6 Loc. cit., págs. 223-224.

1___

Scanned with CamScanner


42 Sociología de D¡re¡t0

/Í¿*"'*S eiólego do Direito. forma' ão es ontãnea de norma


,,',Í;ͧ:}ffl dotada de for a coatšvate que se impõem no S mas
7‹¿._¡ ¡. al as vezes ma1s or emen e ue âts normas orlundas
¿0 Õ' do ~ ' _ A os 'es u1sa ores
/°,,LD'*'¿-E' dos estudiosos teoncos do fenomeno ]ur1d1co.
Não' é demais apontar, contudo, como fazem es
2 autores mais modernos e nos qua1s -_ma1s sensi.
3 V1,-¡ bilidade se faz presente _quanto _a So_c_1o1og1a jurí.
J É W dlca, dmlte se a encarado
0 #6 de três maneiras: e oe ser v1so '-o .' - .
0Fc=/^
,Í ;›..
- -1--'"'°
.I 3.8 EñI`Ífl'Íè_Í.fã-3.S ' Í 0 ' '
°' _."
'-'-' D' - ,
-
1
ÍTUW - . .
_ F¡¿¿¡_ pa ° """ 3 proprla na ureza,
Uol O 1I'e1Ov 3 3. l. 1
__________u '
Dry- aao essenc1a_'_ emos en a9,___¿ _L., - H I um
"_§;t~'›‹fi»z mbém oe ser encarao em ermos a equa os ..
,taí/1/z/¿ó. z 1 1 ae pro 1ss1ona os ur1s as corrío”“_u'fn Ícprzjlurllg
'H
JÍJÁ74, 5
' .-v`"' .
- ve", 9- 0 |i..z`_"í.'o`.'o
___... _

5”
*sea - ~= si:.sob.es_m
' 1 3, (319 of" ".."` - 0 i . .i' O 1I'€1O E, fi-
. . _¬1 Í . - . 1 . Í c , .a

"`o""o - ' ` Cla0


O'1;'_'fi.@ .z › z . o soc1a1s, captano a rea 1ae ur1d1ca__o_P
0(\ Í
' ,-... . - -s -. ;¡' caus - o 1nc11os =b
S. Í
' -ø es amos na area a oclolo ..
É possível dizer que, no Bras11, os estudos se hmi-
taram, i por muito tempo, quase exclusivamente ao D1-
reito como norma, ordenadamente forman d o um todo'
de princípios coerentes entre si, obedecendo a uma lo-
gica formal e dogmática. Ninguém negara que, no mun-
do da ciência tradicional do Direito, nossos aut01'6S
foram e continuam a ser do mais elevado nível, e aS
suas cogitações têm sido das mais fecundas. Sua PTO'
dução a respeito, por outro lado, e' copiosa.
A- Filosofia do Direito foi mais comedida. _APe5a1`
disso, a formação clássica e humanista, no Brasil, p1'0-
porcionou alguns desenvolvimentos importantes.. DBSÕG
a chamada Escola do Recife, com Tobias Barreto, _PaS'
sando por Clóvis Beviláqua e outros e hoje com M181191
Reale, cuja projeção internacional, especialmente euro-
o

'T ANGEL Szmcaez DE LA Tones, Curso de Sociología dd De'


orëcho, Ed. Revista Derecho Privado, Madri, 1965, págs. 67 o 63-

.J

Scanned with CamScanner


Posição
o Autonomia da Sociología do Direito 43

éio, é inegável, os estudos de Eilosofia do Direitoentre


1:iós atingiram caudal significativo e um desenvolvimen-
to epreciável. Reale” em es ecial com sua famosa e
@£Q`flÊúl
,
,
0ote.,0am1nh0S à me-
1ner compreensao, tambem, do direito como fato socialfi
""""A Sociologia do Direito no Brasil, porém, ainda en-
gatinha. Se essa é afirmação que só agora vai perdendo
veracidade em muitos outros paises, aqui ainda é intei-
ramente. válida. Os motivos, entretanto, são aproxima-
damente os mesmos observados em outras terras. Em
primeiro lugar, convém mencionar seu desenvolvimento
recente, a ponto de haver quem duvide ter ela alcan-
çado, ou não, autonomia como disciplinado estudo. Há
mesmo juristas e sociólogos eminentes que põem Àessa
autonomia em questão e tendem a negar independencia
ã Sociologia do Direito, ora da ciência dogm_ático-nor-
mativa do Direito, cára (šfiiiitalmente da Sociologia, sobre-
do da Sociolo ia a u ura. ___
tu O próprio šlf Ross, apesar das suas 'afirmações ja
citadas, parece ter sérias dúvizdaã ah proIÍOS11ä>a,nÍenI£flâg
de dizer ue, “na maioria, os ra a os a ega _
Sociologíal dó Direito se revelam como disfarçadas filo-
sofias de direito natural”, o que resultaria. do fato de
que “a Sociologia é, em sua origem, uma Filosofia P011-
tica mascarada”, acrescentando ainda que a SM11010813
jurídica de Gurvitch é sobretudo uma interpretaçao rne-
tafísico-espiritualista dos conceitos de direito e justiça.
enraizada no intuicionismo de Bergson e na fenomeno-
logia de Husserl. . .” "
Acreditamos que a observação de Alf Ross contenlla
boa parte de verdade, como já ficou di130 8- P1`0P0§1Í?0 da
influência dos filósofos do Direito no desenvolvimento
de nossa disciplina. O grupo oSP8z1'11'101 8» que Pertencem
ra,
*ii-n_|í

3 Ver ` ` te sua Filosofiflz do D'i'roiIÍO, Ed. Saraiva,


São Paulo, ,19Ii51ó.nciäaillrdegósito, ainda, ANGEL SANCHEZ DE -LA TORÊÉ
lim- Oii-, pág. 307; Luis REcàsÉNs Sicriiis, Bolt L” .S.°°z°Í%%Êa á.
Diritto, e oo;-go oo Renato Treves, Ed. Comunita, Milao, 1, P
sina 221.
9 Loc. oít., pág. 5.

Scanned with CamScanner


44 SQCi0|0gia do Direito

Luis Recaséns Siches, Luis Legaz jr Lacambra, Angel


Sanchez de La Torre e__ outros, cuja influencia na Sooio.
logia latino-americana e particularmente clara_ em Alfre.
do Poviña, por exemplo, oferece rico material para a
V
erificação de tal fato, sem prejuizo de importantes con.
n av a ø n

tribuições para a conceituaçao, a identificação da natu.


reza e do objeto da Sociologia do Direito.
Não são eles, porém, como bem deixa claro o mes.
mo Alf Ross, caso isolado. Os estudiosos ingleses do
fenom" eno J'urídico têm revelado,_
_ certamente, profundo
tendência para uma colocaçao filosófica das questoes
de Sociologia jurídica, como exemplifica o magnífioo
ensaio de Morris Ginsberg, sociólogo e psicólogo social,
sobre a realização da justiça na sociedade. 1°
A dependência da Sociologia jurídica, por vezes, dos
hábitos de estudo e reflexão dos juristas -- que mais
se preocupam com o fenômeno do Direito - e, outras
vezes, dos sociólogos, fazendo que se busque do mundo
da Ciência do Direito propriamente dita e do mundo da
Sociologia Geral e das sociologias especiais o material
com que trabalha, levam-na a um hibridismo aparente
e a dificuldades metodológicas de grande importância.
Isso constitui entrave ao seu estudo, desencoraja as
curiosidades e investidas dos pesquisadores.
Bor seu turno,__é __inog.áY¬e.L a_h.o.s,tili_daç__:le_ tradicional
.ÇÍOS jyristas___giant_e da _no¿fa d`iscip
` l'na
i , desenvolvida em-
Úéj/JT~ ~ 0 z de necessidades intensamente senti as e racio`iiál`-7
Dô "'11 ' HisOvada 1-. zn 0 ¬l1j_Ç10._ _l§Õ'__§,_ë
wwe
-
Í” 'fl91'” ` em ' Í im ortantes à. aceita ão em seu meio
503 '-'~ H ' "° 'H wo- oi-se is das técnicas de ana-
_ ""°~' =.'1"'l na j°| 'I ' .I .uno
t~ eme_ É natural que
. ocorra. A visão profissional se recusa
assim a aceitar,
l
i' im em Qualquer campo de atividade e de conhecimento, se
*mi , °°1°que em questão os modos de pensar e de funda-
.Sblz mental' _C111e serviram à própria formação especializada.
os ¿ÉnLfiÀ_
W* mLw›
1° Ithaca,IsNOir1׿S%:§Icl,.{
Press, Mona G - m
(ãvãõšustwe . Society,
. . -
Cornell Université'
I ú

Scanned with CamScanner


Posição e Autonomia da Sociologia do Direito 45

."¡- '.|| nun *|.______' _. ¿_._ .

¡¿§,;'_ticula.rn1en1;£z.
_ Ciência muito mais antiga do que a Sociologia com
um desenvolvimento teórico e doutrinário de grande en-
vergadura e um cabedal de aplicação prática que 001--
responde, precisamente, a material experimental copioso '
e variadissimo, 0 Direito possui tradições e técnicas pró-
_ 8

/-‹aQ¿° prias, sem par no campo das Ciências Sociais. Desen


;¿- v‹_)l_veran1,os .seus cultores, assim, ao lado de um conhe-
Â133‹.¡v cimento teorico-doutrinário muito grande, técnicas apu-
52° o e 1en es a s1sten'1as"Io 1cos de"“norm`a's`""de con-
(v.(:׿5@ dut”“a.` 2E_s_ situa oes ossivei ° _
;¿,) ¬ femas, a modelos redeterminados aos uais se a`ustam
soluçoes ou providencias preestabelecidas.
Dominam a C1ência do Direito, tradicionalmente, a
pesquisa teórica, a formulação de doutrinas e a cons- /
truçao dogmatico-normativa. ra as técnicas e os me- (-
todos da Sociolo
'-'_r--r-'
_ ia são i
'- *"-' """7-
N . .
"
ula oe 5°Í .
teor1cas estao baseadas em fatos soc1a1s e, da fase in-¿'‹:~/íqä
tensa de elaboração teorica, passou-se à experimenta- É
çao e a pesquisa da realidade observável na vida de todos 505'
os dias. '
Convém acrescentar que, pertencendo a profissoes
para cujo exercicio é exigida uma preparação universi-
tária, ainda dominada por métodos tradicionais, Q ju-
rista tende a se fixar principalmente nos aspectos dog-
máticos e sobre a “arte do raciocinio 'uriõl1'co”, consis-
tente, de um lado ' n ' ematicamente
normas e conceitos e de outro n disti ' os elemen-
'uridicamente r ` 0
artíc e
O jurista prático adota critérios para apreciar o que
. é relevante num caso particular, baseado nos sistemas
de normas e conceitos apreendidos na vida universitária
e n o es tudo poster1or,
' - o Juris
' ' t a t eo'rico _ elabora
___ ___,_. /ZeDe/1
concei-
_ Wa
tos baseados na prática da usti a "` "` C' ' _z><.~`/
_ . ° ' d
sente, empen an ose numa 1ncessante at1v1da e d e f or _ F<.i fz Ú/ff
fw

l
criado ela ` ' ` ` ' ' _ .
O teóric ireito cura obter o rau 1'1'1&1S 31130
de coerência interna com um mínimo de mudan 8 HO

1-__

Scanned with CamScanner


@×f.z4.«f~a~°i ‹ \fz2Y,<.ffi~1'f*~/'“'W¢" V<“"”f'^”f>”'~<“ C” ffiozz5
__Í°óW› 46
. . SOCIO|0g|a do D¡¡.e¡t.o

seu sistema conce tual (ze m°d°


/<c‹¿. .manutenção da máxima. se uran a uridica u se-a
^:5.zzf1/ a ossi i idade de prever a a lica ao de normas e ri .
D ÍÚJ "__' '1 IOS
' ' uridicos aos casos particulares. Dessa maneira
Ê,¡¡¿¿ ' criada uma im ressao e que 0 11110 60 0 irei o e
F z, - Qnstituído em grande parte de _r""in'c"i“"io`s ` ermanenteš'
M; Puzi mcidindi orma oes . rinci almente sobre as eg..
D5'
¿4¡l¿,6M¡ ms" ` pg¡;jfgzjçgs
¬'“ f ou secundários d.a_ ordem J uridica ou
,,, r " o as mudan as mais im or an es se do
(D Íetflra
_ 11
Logo, se novas cogitações invadem o seu mundo de
valores e formas de conduta, de regras formando um
todo sistemático, alterando-lhe a maneira de apresenta-
ção e insistindo na adoção de _ métodos experimentais,
no estudo, não da norma em si e em relaçao a outras
normas do mesmo e de outros sistemas igualmente in-
zfifiziif- teerados, lidfi-de-df-1
xjàsfaí meio social em gue ocorre, de.gue é resultado e gue,
gs: na or sua vez ela condiciona e modifi ' ' '
" seja
¿‹=f'°-¿¡ ue sua natural reaçao ` d e h o stilidade .
Não é menos verdade, entretanto, que os sociólogos
se têm mostrado curiosamente frios em relação ao de-
senvolvimento da Sociologia do Direito. Parece que o
fato de ter o Direito sido, por muito tempo e como foi
dito, a principal, se não a única, ciência social verda-
deiramente desenvolvida, e o fato de que os juristas,
em certa fase, foram numerosos e muito atuantes nos
P8-S§0S mais importantes para a formação da própria
ã1001€10g`1a 001110 Ciência, despertaram alguns ressenti-
en os e certas reservas intelectuais entre -os sociólo-
ägsc Alem disso, o chamado “imperialismo sociológico”
cioloâilštšcgifšgn cantlendencia de imergir o Direito na So-
tantes fiomes d variaçoes_ po_r_muitos_ outros impor-
_ os estudos sociologicos, rejeitou por bas-
tante tempo a 'dj'
~ Sociologia jurídiälfi de que se pudesse raiar de uma

11 JAN G'
da", eni La Sdä¶l:A'vAN L0°N= "La Sociologia del Dirítto in Olan-
Cflmunità, Milão, lgêiaê. del DÍTÍÊÚÚ, a cargo de Renato Treves, Efi-

Scanned with CamScanner


posição e Autonomia da Sociologia do Direito 47

É possível mencionar, como uma das causas do


3 relativamente pequeno interesse despertado pela
Sociologia do Direito entre nós, até há poucos
anos, a inexistência de uma tradição de estudos univer-
sitários, ou de instituições, com o recurso e as téonioas
de pesquisa. O pouco que se desenvolveu, assim mesmo
recentemente, no setor referido, dá ênfase a estudos
da realidade econômica,. educacional e de opinião pú-
blica sobre problemas gerais. O planejamento o 3 reaji-
zaçao de pesquisas de Sociologia do Direito, até aqui,
sao raros. Alguns esforços muito recentes pretendem
enfrentar o problema, porém ainda é cedo para se dizer
algo a respeito. 12
Apesar disso, alguns professores, juristas e sociólo-
gos brasileiros se têm dedicado ao assunto. O referido
Miguel Reale, ,embora mais preocupado com problemas
pertencentes `a Filosofia do Direito, invadiu o campo do
fato jurídico-social. Desde antes do início deste século,
porém, é possível assinalar a presença de trabalhos de
Sociologia jurídica entre nós. Paulo Egidio, nos Estudos
de Sociologia Criminal e em um folheto intitulado Intro-
dução Filosóƒica à Sociologia, aplicou os principios dur-
kheimianos expostos na Division du Travail Social a
Sociologia do Direito, segundo acentuou Fernando de
Azevedo. 13 Carlos Campos escreveu Sociologia e Filo-
sofia do Direito e E. Lima fez editar, pela primeira vez, o
seu conhecido livro Principios de Sociologia Jurídica, em'
1922, seguindo-se edições em 1931, 1933, 1936 e 1941, o que
revela o interesse e a utilidade desse trabalho.”
Desde a edição brasileira de Sociology of _La¶.v .de
Gurvitch, em tradução de Djacir Menezes, 15 9- 915019111”-
recebeu maior atenção, pois foi então Cl11e_S€ lngfeãñfë
francamente no campo da moderna orientaçao que V1
seguindo a teoria sociológico-jurídica. <Ê€11m1tad° Iffáäâ'
mente o seu âmbito de cogitaçoes 6, ja a801`9‹ä_Ca São
rizado melhor o objeto do seu estudo como a lmerl
12 O leitor é remetido à Introdl-1Çä0 _à 2-a edição efmpëigäãfäš
mente, à Introdução à 7.3 edÍÇãQ› Que dao conta as 1- P
modif° ' d d aqui descrito. _
lšcaçlâfd P?'ii?‹ii:›z`d§ de Sociologia, Ed. Melhoramentots, S%io1958
14 c onsultamos a e d'IÇ ao da 1936. íd. daKosmos
FfeliasEditora,
Bag °S'Rio, 1946 .
15 Sob o título Sociologia .Iur wa,

íií

Scanned with CamScanner


1
48 Sociologia do Direii o

social do fenômeno jurídico. .Essa .edição é de 1946


` r

Em artigos publicados em revistas _`jurídicas`, Ooéiio dê \

Medeiros abordou uma “Introduçao a Sociologia Juridica '.ÚlI¡. `2`;'€" Í_-

dos Municípios Brasileiros” 15 e Qscar Saraiva nós dou


um exame interessante da influencia _do pensamento
juridico norte-americano no Direito brasileiro, 1' em 1947
seguindo-se um ensaio de J. Flóscolo da Nóbrega soon; I
a “Sociologia do Júri”,18 entre outros trabalhos.
A edição da obra de Evaristo de Moraes Filho, inii-
tulada O Problema de uma Sociologia do Direito, em 1950,
foi o ponto mais alto da evolução desse periodo, seguindo.
se do mesmo autor outros livros, cujas implicações de
Sociologia Juridica são muito nítidas, representando con- 'I

tribuição valiosa para os estudos que nos ocupam agora.


Orlando Gomes, com sua grande autoridade de jurista,
tem, de 1955, A Crise do Direito, no qual o problema da
interação da sociedade em geral e das classes sociais
em particular com as normas jurídicas é objeto de exame.
A esses autores, mais recentemente, juntaram-se obser-
vações nos diversos livros de Paulo Dourado de Gusmão,
A. L. Machado Netto, os trabalhos de Roberto Lyra e
outros, dando maior vivacidade ao tratamento da ma-
Ora, apesar de tal desenvolvimento (e temos a cer-
teza de que omitimos numerosos estudos valiosos e auto-
res cuja contribuição terá sido importantíssima, como
por exemplo Pontes de Miranda), estamos longe da ri-
queza de material com que os outros países, principal-
mente os Estados Unidos, -a França, a Itália, a Holanda,
a Bélgica, a Espanha, a Noruega, a Suécia, a Dinamarca,
a Polônia e a Inglaterra expandiram a bibliografia teó-
rica e de interesse prático imediato, no campo da S0-

15 Revista Forense, 19-17, vol. 111, págs. 275 e segs.


17 Idem, vol. 113, págs. 325 e segs.
lt* Idem, 1948, vol. 117, págs. 14 e segs.
19, De Evaaisro na Monâits Flu-io, além de O Problema de uma
39050309111 do Direito, Ed. Freitas Bastos, Rio, 1950; O Problema do
Sindicato Único no Brasil e seus Fundamentos Soo'Íolô¿T¿003› R¡°'
1952; Difaaa da Trabalha a Mudança soa-faz, Rio, 1958; a Sucessãv
ms OÔTÍQGÇÕG8 6 az Teoria da Empresa, Ed. Forense, RÍ0› 1950'
entre outros; de ORLANDO GOMES, principalmente A Crise do Direito,
ed- Max Llmflnad, s. Paula, 1955; da A. LL Mac:-mio Nem. em
especial, T ' do ' ' e Soowlogia
- - do Conhecimento.
- ` o
BraSi1eir0,6<㔚l:, 19èläeretto Ed- Temp

Scanned with CamScanner


Posição e Autonomia da Sociologia do Direito
Í
c¡01ogia_do Direito. A inexistência' de pesquisa concreta
sobre hrpoteses determmadas, tera sido, seguramente 6
b principal elemento motivador de nossas deficiências.

O problema do cabimento, ou não, da Sociologia


4 do Direito constitui questão superada. Acredita-
mos que não haja mais, atualmente, bons funda-
mentos para a discussão quanto ã existência desse ramo
do pensamento e do estudo sociológico. Estão ultrapas-
sadas as dúvidas que dominaram as cogitações de tantos
sociólogos e juristas.
Em verdade, já 0 dissemoss, a partir da citada
Sociology of Law, de Gurvitch, obra que correu mundo,
esmaeceram os argumentos contra a admissibilidade da
Sociologia do Direito como disciplina autônoma, embora
as restrições, já mencionadas, que Alf Ross formulou
contra a obra do grande sociólogo francês. A minuciosa
análise que Gurvitch formulou a respeito da evolução da
-Sociologia jurídica, evidenciando a sua realidade em um
processo histórico que se acelerou com as obras de
Durkheim, Duguit, Lévy, Hauríou, Max Weber e Ehrlich,
na Europa, e os norte-americanos Wendell Holmes, Pound
e Cardozo, não deixou margens restantes para apoio dos
-que negam a existência e a validade dessa disciplina.
Eor outro lado, 0 exame cuidadoso do que ele deno-
minou sistemática jurídica, a rangendo a Microssociolo-
po 0 1a ur1 1c DEI*-I¡¡F¡'P1É'T-T1
soc1eda.des globais; e Soc1g1Qg1a Gen§_t1c_a_Ldo1D1r¬e¿t9,_c_g_m_
o exame de ori ens e da evolu ao do fenômeno Jurídico
s1tuou, já agora em plano rigorosamente c1ent1f1co, as
-cogfiagoes a respe1to do f_§n_g"m"'"_""'ñeno
jun 1T'0'"como' mani-
festa ão da real a e sociocultural
.Á`c'(. A oci ` , convém acentuar, talvez por
12-z. demais,
\ . .- . .... Eez;te,n.çe..ao.. ‹=.am¬v° <1°S fíêtllflêã
u °
agqáea - .
/95 ou “Ciência do Direito”. E SociologiakeSpe0_1§_, 0 A
Gg/ ea Sociologia da Arte, a Socio o 1a `Pol_1t1ca a `Soc1`oTo` ,
da E ucaçao, a oc1o og1a do Conhecrmento et . É
m€¿\^ Lã soc1o og1co, or anto ue deve SBT encarada
d~ . .

O/Ídëi-nšzdo Direito. E no ue tan e o desse fenomeno,
O
":eff'‹.)`u(`§/Jo
*ão ›¬/Dm;

Scanned with CamScanner


50 Sociologia do Direito

f ' mo enas de abordá-lo. Como


'á ' io o enfo ue_soc1o1ó _1co desse fenômeno ue e
a normatividade ur1d1ca se s1 u gm Os
b' t t
dois: o que tem como o Je o a na ureza mesma do
¡
í`1'10fl-1'f1@fl ä10aSe1nsi"'
ssa* of-_ _ . . .
O/}i A F1losof1a do D1re1to repetrmos, '
73 -- os problemas da natureza do que e juridico, suas çzmsas
J Pá `e seüsi ` pr1nc1p1os u 1mos, seu conteudo ético e
Ff .
¿;4 IIILIII O 8.X1O g1CO OI' Ou TO , 3,130
(Í W normativa do Direito norma ur1d1ca em si
`fƒ"('4
0.›¿? . como parte de um s1stema coerente,
g _ com reras interna
/Z roPr1a * °:` « , " 'j' " . ' .St 11€ SG Tí-Bem elos
fins e pe a es ru ura o própno s1s ema.
É, assim, diverso o modo de ver o mesmo fenômeno
031 jurídico. .a ' ia do Direito res onde à necess-
99 ' dade de que esse fe_l1Ô.me_no__ seja olhado de um ponto
de vist_a__ especial, como fato socral a que se aphcam as
Joc. zegrasgeràisáduë d_`oÊ1narn___Q§_c_l_e1_r1ai§_ fatos sqciais al'
70,/ as re ras ue lhe sao propr1as `Da1 a sua a
/34,” lpgia especial, cuida da realidade juridica. E por esse
pa motivo é aes
mz zz
I‹*11Õif39_ P-
Recon ecida a autonomia da Sociologia Jurídica.
no plano teórico e doutrinário, é de esperar que se possa
entrar no campo das verificações práticas, sempre ba-
seadas nas hipóteses teóricas que forem formuladas,
sobre a realidade da vida do Direito. -

Uma advertência se impõe, entretanto, no 01119, se


jm , 5 refere ao desenvolvimento da Sociologia Juríd1c_a2
Dfl @lfliM
:,‹.»,_, _ . ?9Ê
gÉ9
-f0‹‹,,¿f e,c@1enciou chamar
(1W_ __E»T1U013'
50411) '
20.
vei . ANGEL
' Sàncnzz Da.LA TORRE, Ice. cz`t.; MIGUEL REALE,
Loc. cat.: Lrns Rncàsún ' -
1-
erra da' Ed. Globo, Porto
S SICHES,
Alegre,Tratado de Socwlogw-, ed. brasl-
1965 e1;¢_

_..|í

Scanned with CamScanner


Posição e Autonomia da Sociologia do Direito 51

' 21° _ 0 Bran ei ,


Frankfurter e outros, see¿11dores, em parte, das dou-
tri 0.* -iu' ' I-oo .oo.¢. -u ø n |.- 22
M ssa r' nta ão se revela rincipalmente finalís ' i jo-
?? 'W minando a atrvrdade dos tribunars e procurando dar a`5
ÔÚ' declsoes Ju 1c1a1s e aos pronunciamentos doutrinários
em mate'r1a de D1're1'fo um fim social autênti ou se'
uma sens1b1l1dade maror à necessidade de realizacão -d
1 ust1ça como a socredade a encara , com o ab ran d amento
dos aspec os puramen e orma1s a at1vidade jud;_|,`c1ar1a,
A c amada “Jurisprudência Sociológica”, por seu
turno, não deve ser confundida no sentido que se dá,
entre nós_, ao vocábulo “jurisprudência”, Para o Direito
anglo-saxao, a palavra jurisprudence é virtualmente sinó-
nimo de “C1enc1a do Direito”, ou “Teoria do Direito”
e nesse sentido, aliás, Paulo Dourado de Gusmão 'á~ o
ut111zou entre nós.” Pois é a Ciencia do Direito voltada
para as finalidades sociais de toda a normatividade jurí-
dica que está no centro do pensamento dessa corrente
de estudiosos do fenêmeno do Direito.
Nos próprios Estados Unidos da América do Norte.
uma forte reação se manifestou contra as tendências da
Jurisprudência Sociológica, através do grupo neo-realista,
o que não retira importância ao extraordinário trabalho
daqueles estudiosos do direito vivo. Embora a Jurispru-
dência Sociológica não constitua rigorosamente Sociologia
do Direito,~os trabalhos que ela inspirou e inspira ainda,
aliados às preocupações que motivou, na aplicação do
Direito, têm contribuído com farto material para o de-
senvolvimento de nossa disciplina. _ _
.É verdade que Stone, o prolífico e profundo c1ent1s-
ta social e jurista australiano, defende a “Jur1sprudenc1a
Sociológica” como a única forma de colocar val1damente
o estudo do Direito?f* dentro de uma oríentaÇä0 179195*
lógica séria. Considera ele a Sociologia do Direito como
inviável e inútil, se dissocrada da Jur1s_prudenc1a Soâ1o-
lógica”. Já agora, entretanto, sua pos1ça0. 899531' 05

21 Gnonczs GURVITCH, Sf›0¡‹›¡f>9¡f1» J'“'*Íd'¡°“› já citada' pág' 188


22 JULIUSSTONE, Social Dirrrervsíows of Law and Justice, Ja
citada. _ -
23 Em Introdução à Úíév:cz`‹1 do Directo. Ed- Fmense RIO* 1966
24' Loc. cit., pág. 31.

_...

Scanned with CamScanner


@% méritos extraordinários de _seus trabalhos, vai-se tomam,
Sociologia do D¡,,,¡,“
J

do isolada e íridefensavel.-2°
. 1 1_ __.
m socioiagia
/2'J;*. o Direito se realizou, em grande __p_a_rt_e,,_, x¿inç¿¿1¡,¿¡0 ao
,M estudo da_ Criminologia. "Ts"s“o' 'fez que se estabeleíísfigiiíf
Q¡,z.,¡¡,,, com frequ'e“nc1'a, uma re'Ia''ça'_'toëndente a confun¿I"“1r'”§*

i
óo¿¡,," duas d1sciplinas.2“ Essa coñfs deve ser evitada e ob'e
o e cura -aim. ,_
todos os fenômenos ligados a ex1 s tenci a, a prevenção
e a repre SS8.0 O CI`1I'I18 . CELIIÇ8., POI' 8.
de or e st rica e na ureza 0 1 ica econômma
psicológica, médico sanitária e o _ ea nao aenas e
no o ofof 0 3.ITl0 0.' 0' -.r -0 'tífica e
e a maioria de seus aspectos não se situa dentro da
' rea, de e uisa e ormua ao ou rm ria da Sociolo 1a fz
Álaz. -~'t=='

9:1 0<=.i91.0sia _ ¿_q_i'mm›


Of/z4z;.z_ ultura em eral e tem al mas raízes noutros cam
de Socíologias especiais. Nela, sãp _estudadas as regula-
ridades tendenciais da delinqüência, suas relações com
é ëšiàbeleëef WF
.crimcffiamfiâ
nólogos, assim como os demais cientistas sociais e apli-
cadores praticos dos sis emas de controle social, para
¢
O fato delituoso penal, convém acentuar, é dos mais
ricos em material para investigações de Sociologia do
Direito. A isso, é de acrescentar a circunstância de que
a pesquisa sociológica em matéria criminal é muito fa-
cilitada, porque esse é um ramo do fenômeno jurídico
bastante conhecido pela média das pessoas e porque OS
fatos a examinar são da mais nítida significação socioló-
8108. do que o comum dos fenômenos jurídicos. Esse
" conjunto de característicos deve ter contribuído, portan-
' to, para o intenso uso dos fenômenos de Direito Crimi-
nal Para EIS DBSquisas de Sociología Jurídica e, em de-
_-I
-n

Sons Ltd., IE-ontãregfrol


ocupam ago 1 1. . Law and Human Justwe,
' Stevens &

navla , em La Sociologia dez Di,-ato, citq pág 40_

__ ...al

Scanned with CamScanner


Posição e Autonomia da Sociologia do Direito 53
corrência, para a confusão entre Sociologia do Direito
e Criminologia, a que nos referimos pouco antes
O interesse sociológico que a criminalidade apresenta'
aliás, constitui, em grande parte, objeto dos estudos do
Patologia Social,-'ii' nos quais os trabalhos de investiga ão
têm obedecido as técnicas mais modernas e continuãm
fornecendo copioso material para er1á1iSe_ sobre esse
aspecto da delinqüência, um trabalho de pesquise e ee,
tudo interdisciplinar, entre a Sociologia do Direito e os
que cuidam da desorganização social, será de grande
utilidade.

I” lIIí1¡>_¡ ¡ _

27 Ver Farrrra Aucusro na MIRANDA Rosa. Pflf0¡°9Ífi S°°“f'¡'


Zahar Editores, Rio, 1966, págs. 116 e segs-i RÚBERT FARIS: Sac tal
Díaofrgamfzation, The Ronald Press Co., Nova Y01'k› 1943; P355' 1 08
E Sega; MABEL A. ELL1or'r e FRANCIS E. MERRILL, 500101 D*3°"'9“'
nization, Harper & Brothers, Nova York, 1950, pág'S- 542 G Segs-3 etc'

Scanned with CamScanner