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27º Congresso Internacional de Transporte Aquaviário,

Construção Naval e Offshore


Rio de Janeiro/RJ, 23-25 de outubro de 2018

ESTUDO DE HIDROELASTICIDADE EM ANÁLISE DINÂMICA DE UM CATAMARÃ


UTILIZANDO MÉTODO DE ELEMENTOS FINITOS

Brenno M. Castro, DEN e UFRJ/COPPE, Rio de Janeiro/Brasil, brenno@marinha.mil.br


Ricardo H. Gutiérrez, LEDAV/COOPE/UFRJ, Rio de Janeiro/Brasil,
Ulisses A. Monteiro, DEnO/COPPE/UFRJ, Rio de Janeiro/Brasil,
Luiz A. Vaz Pinto, DEnO/UFRJ, Rio de Janeiro/Brasil,
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INTRODUÇÃO

• O aumento da potência instalada nas embarcações trouxe à tona casos de


embarcações novas com problema de vibração excessiva em áreas de trabalho e
acomodações.

• Os níveis de vibração são excessivos são relacionadas a redução do conforto da


tripulação e dos passageiros, danos por fadiga em estruturas, mau funcionamento
em máquinas e equipamentos.

• É de suma importância o desenvolvimento de métodos confiáveis de previsão do


comportamento dinâmico de embarcações.
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OBJETIVO

Este trabalho consiste em apresentar uma metodologia de análise


numérica baseada em elementos finitos e na teoria acústica de
interação fluído-estrutura para a avaliação dinâmica de um
catamarã.

A metodologia proposta visa investigar as formas modais, suas


respectivas frequências naturais e o espectro de resposta do
catamarã devido aos espectros medidos experimentalmente na
máquina do leme no sistema propulsor
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METODOLOGIA
A discretização da estrutura do casco do
catamarã: membrana (chapeamento) e
elementos de vigas (perfis estruturais).

Para o domínio fluido, foi utilizado elementos


tetraédricos baseados na formulação de ondas
de pressão (elementos acústicos).

Os procedimentos visam considerar a influência dos efeitos


inerciais do fluido no casco do catamarã por ocasião da
investigação da sua resposta forçada e da sua análise modal.
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FUNDAMENTOS TEÓRICOS
equação da onda acústica
Dentro da análise de hidroelasticidade, empregou-se a não-homogênea e linearizada
teoria de ondas acústicas abordadas pelo trabalho de 2
1 ∂P ∂Q
∇ P− 2∙ = ρ ∇∙ ℱ + ρ
C ∂t ∂t
Sigrist (2015).
∂ρ 1 ∂P
≈ 2∙
∂t C ∂t
• Fluido é irrotacional, invíscido e compressível;
P o campo de pressão do fluído;
• A razão entre a massa específica do fluido e a Q o volume adicionado de fluido por
variação de pressão acústica em torno da pressão unidade de tempo e;
ℱ as forças de corpo por unidade de tempo
média é praticamente constante;
• Os deslocamentos das partículas de fluido junto à C= B ρ

estrutura submersa são pequenos de forma a manter B o módulo de compressibilidade do fluido


e ρ a massa específica do fluido.
a formulação linear da teoria acústica.
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FUNDAMENTOS TEÓRICOS
A dependência das variáveis de pressão do fluido e deslocamento da estrutura pode ser
vista nesta equação, como também a sua multiplicação por uma taxa de mudança de
∇∙ = L T
pressão virtual 𝛿𝑃 e efetuando a integração da equação ao longo do volume de controle
∇ = L do domínio.
Força da interface sobre o fluido
T
1 ∂P
L LP − ∙ = 0
c 2 ∂t T
1 ∂2 P ∂2 U
δP 2 d vol + L T δP L P d vol = T
− ρ0 n ∙ δP ∙ d S
V c2 ∂t V S ∂t 2

′ T U o vetor de deslocamento da estrutura submersa do casco


U= N Ue
FEM 𝜌0 a massa específica do fluido
T 𝑛 o vetor unitário normal a superfície de interação fluido-estrutura
P= N Pe
𝐵 o vetor de gradiente das funções de interpolação

1 T T T
2 N N
d vol Pe + B B d vol Pe + ρ0 N n N′ Td
S 𝑈𝑒 = 0
Vol c vol S
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FUNDAMENTOS TEÓRICOS
Fazendo uma analogia da equação com a equação dinâmica dos sistemas

1 T T T
2
N N d vol Pe + B B d vol Pe + ρ0 N n N′ Td S 𝑈𝑒 = 0
Vol c vol S

𝒇 𝒇 𝑻
𝑴𝒆 ∙ 𝑷𝒆 + 𝑲𝒆 ∙ 𝑷𝒆 + 𝝆𝟎 𝑹𝒆 ∙ 𝑼𝒆 = 𝟎 PARA O FLUIDO

f o índice que define as matrizes dos nós do domínio do fluído;


𝑓 1 T
𝑀𝑒 = vol c2
N N d vol a matriz de massa a nível de elementos do fluido;

𝑓 T
𝐾𝑒 = vol
B B d vol a matriz de restauração à nível de elementos do fluido; e

ρ0 𝑅𝑒 T = ρ0 N n T N′ Td S a matriz de massa do fluido acoplada à nível de elementos da


S

interface com a estrutura.


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FUNDAMENTOS TEÓRICOS
𝑃𝑅
As pressões do fluido atuando na interface são representadas pelo vetor de carregamentos 𝐹𝑒

𝑴𝑺𝒆 𝑼𝒆 + 𝑪𝑺𝒆 𝑼𝒆 + 𝑲𝑺𝒆 𝑼𝒆 = 𝑭𝒆 + 𝑭𝑷𝑹


𝒆 PARA A ESTRUTURA

FePR = R e Pe
FePR = N′ P 𝑛 d S FEM
T T
S 𝑅𝑒 = N n N′ Td
S
S

M𝑒𝑆 U𝑒 + 𝐶𝑒𝑆 U𝑒 + 𝐾𝑒𝑆 U𝑒 − R e Pe = F𝑒

Em síntese, os termos 𝝆𝟎 𝑹𝒆 𝑻 ∙ 𝑼𝒆 e 𝑹𝒆 𝑷𝒆 representam as matrizes de massa adicional [𝑴𝒇𝒔 ] e a


rigidez do fluído [𝑲𝒇𝒔 ], respectivamente.
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FUNDAMENTOS TEÓRICOS

EQUAÇÃO DO SISTEMA DINÂMICO

[𝑴𝑺𝒆 ] 𝟎 𝑼𝒆 [𝑪𝑺𝒆 ] 𝟎 𝑼𝒆 [𝑲𝑺𝒆 ] [𝑲𝒇𝒔 ] 𝑼𝒆 𝑭𝒆


𝒇 + 𝒇 + 𝒇 =
[𝑴𝒇𝒔 ] [𝑴𝒆 ] 𝑷𝒆 𝟎 [𝑪𝒆 ] 𝑷𝒆 𝟎 [𝑲𝒆 ] 𝑷𝒆 𝟎

Os índices s , f e fs denotam as matrizes da estrutura, do fluido e da interface fluido-estrutura,


respectivamente.

𝐶𝑓𝑒 define a matriz de absorvição de ondas que propagam no fluído demonstrada no trabalho de
Sigrist (2015)
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ANÁLISE EXPERIMENTAL
Foram realizadas medições a bordo de um catamarã, na Baia da Guanabara/RJ, com os seguintes objetivos:
 Identificar experimentalmente as frequências naturais verticais e os modos de vibração, que serão
comparados com os resultados numéricos;
 Obter os espectros de vibração do sistema propulsor, que servirão de excitação para o modelo
numérico. Parâmetro Valor
Comprimento total 29,20 m
Comprimento entre perpendiculares 27,80 m
Boca moldada 9,60 m
Pontal moldado 3,80 m
Calado de projeto 1,44 m
Velocidade de serviço 25,00 m
Tonelada Porte Bruto (TBP) 25,00 ton.
Deslocamento de projeto 119,00 ton.
Material Alumínio
Caixa de redução 2,53:1
Propulsores (passo fixo) 2
Locais onde os sensores foram instalados
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ANÁLISE EXPERIMENTAL
A figura (A) seguinte apresenta o
gráfico de Bode, para o acelerômetro
no tubo telescópico de BE (na direção
vertical), para a 1ª ordem do propulsor,
mostrando que há uma ressonância
em torno de 650 RPM.
A figura (B) apresenta o gráfico de
Bode que permitiu identificar
frequências de ressonância utilizando
o acelerômetro colocado no convés
principal próximo à antepara 25 (BE).
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ANÁLISE MODAL NUMÉRICA – ÁGUAS PROFUNDAS


Superfície livre
As condições de contorno do modelo são:
Impedância nula
 dinâmica livre do catamarã;
 superfície livre na face superior do
domínio do fluido;
 impedância nula nas faces laterais e
inferior (fundo) do domínio do fluido
Quanto aos parâmetros físicos, adotou-se
(análise em águas profundas); e
para o fluido uma densidade de 1025 kg/m³
e velocidade da onda acústica de 1450 m/s.
A condição de impedância nula está
Para a estrutura foram adotadas as
relacionada com propagação de ondas
propriedades do alumínio naval 6106 T5.
acústicas para o infinito.
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ANÁLISE MODAL NUMÉRICA

RESULTADOS OBTIDOS
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ANÁLISE MODAL NUMÉRICA – ÁGUAS RASAS

Efetuou-se de forma análoga a


determinação das formas
modais do catamarã para águas
rasas para as profundidades de
2, 4, 6 metros na variação da
altura do domínio do fluido.

Para a representação da reflexão de ondas no fundo do domínio do fluído, foi estabelecida a condição de impedância 5,5 ∙ 106 −
Hodges, Richard P. (2010), Underwater acoustics: analysis, design, and performance of sonar. Singapore: WILEY Ltda
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ANÁLISE DE VIBRAÇÃO FORÇADA

Com a obtenção das formas modais e a consistência


dos resultados do modelo numérico, realizou-se a
análise de vibração forçada na estrutura do casco.

Para tal, inseriu-se no modelo os espectros de


aceleração medidos nos pés de galinha e no
Foi utilizado o coeficiente de amortecimento global da
compartimento da máquina do leme
estrutura da embarcação em torno de 2% - Moro, L.,
Biot, M., Brocco, E., De Lorenzo, F., & Vassallo, P.
Obtiveram-se os espectros no convés principal nas (2013). Hull Vibration Analysis of River Boats. Iquitos -

regiões próximas à popa, às cavernas 15 (seção Peru: International Conference IDS2013 - Amazonia

mestra) e 25 (proa).
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ANÁLISE DE VIBRAÇÃO FORÇADA

Espectros de excitação Espectros de resposta


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CONCLUSÕES
A metodologia proposta utilizando a teoria de ondas acústica e medições experimentais demonstrou-se
adequada e exequível para a análise dinâmica da embarcação.

Os espectros de respostas obtidos demonstram que o catamarã possui deslocamentos da estrutura do casco
significativos, principalmente na popa. Esses deslocamentos estão na faixa de 1,50 a 3,97 mm.

Comparando-se esses resultados com o anexo B da norma ISO 6954, o catamarã satisfaz os critérios de
conforto da tripulação para as áreas de acomodação (meia-nau e popa).

Além disso, o presente método permite o desenvolvimento de futuros trabalhos voltados para a predição de
ruído da embarcação para a estimativa da assinatura acústica e para o mapeamento de ruído ambiente
(marinho) gerado pelas máquinas a bordo.
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DÚVIDAS

CT (EN) Brenno Moura Castro


Email.: brenno@den.mar.mil.br