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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Faculdade de Engenharia
Transmissão de Energia Elétrica II

Manutenção em Linha Viva


(Período – 2016.2)

Alunos:
Beatriz Neves – 2010204064-11
Bernardo Carvalho -201120428811
Fabricio Bichara Moreira – 201120586511
Guilherme Vieira Cosentino – 201120421611
Igor Alt - 201120422911
João Carlos – 201110065111
Rafael Silva - 201110059111

Professor: Pós PhD José Eduardo Telles Villas


Sumário

1. Introdução
2. Métodos de trabalho
a. Trabalho à distância
b. Trabalho ao Potencial
3. Distância de segurança
4. Condições para realização de manutenção em linha viva
a. Planejamento e programação
b. Condições meteorológicas
c. Tempo de segurança
d. Cargas
4.1. Equipamentos e ferramentas para linha viva
a. Bastões isolantes
b. Testador elétrico portátil de bastões isolantes
c. Micro amperímetro
d. Vestimenta Condutiva
e. Bota condutiva
f. Andaime isolante
g. Cordas Isolantes
h. Testado dielétrico de cordas
j. Multímetro Digital
k. Termo higrômetro
l. Ferramentas universais
m. Parafuso tensor
n. Munhão
o. Teste de rosca dos munhões
4.2. Cuidados gerais com os equipamentos
4.3 Manutenção em Linhas Vivas-CA e CC
5. Referências
1. Introdução

A manutenção em linha energizada, também denominada “Trabalho em Linha Viva”


consiste na realização de manutenções nas linhas de transmissão e subestações sem a
necessidade de interrupção ou indisponibilidade das instalações de transmissão, desde que
sejam realizadas em conformidade com os critérios de segurança, técnicas e normas de
trabalho.O foco a ser apresentado aqui é a manutenção em linha viva CA, considerando uma
altura em nível do mar .

As principais vantagens são:


• Maximizar a disponibilidade da função transmissão;

• Aumento de confiabilidade do sistema de transmissão;

• Redução de desligamentos programados.


2. Métodos de trabalho
Para execução dos trabalhos em linha viva, falaremos de dois métodos de trabalho: distância e ao
potencial, descritos a seguir:

a. Trabalho à distância
No método à distância o trabalho é realizado sempre com ferramentas isolantes para se alcançar o
ponto sob intervenção no potencial. O eletricista fica separado das partes energizadas pelas ferramentas
isolantes, obedecendo-se as distâncias de segurança.
Neste método, o eletricista deve respeitar rigorosamente as distâncias de segurança para a
realização dos trabalhos.

Figura 01 – Representação da distância


de segurança nos trabalhos a distância

As distâncias mínimas de segurança para os trabalhos em linha viva são indicadas no item 3, Tabela 01.
b. Trabalho ao Potencial
Este método tem por finalidade permitir maiores recursos na manutenção, principalmente em linhas de
transmissão de alta e extra alta tensão, onde as distâncias de segurança são maiores, limitadas por fatores
ergonômicos, assim como nas subestações a partir de 230 kV.
O eletricista executa os trabalhos em contato direto com as partes energizadas e é isolado do potencial
de terra através da rigidez dielétrica do ar e em combinação com as
ferramentas isoladas.
Para se proteger contra os efeitos dos campos elétricos das partes energizadas, o eletricista deve utilizar a
vestimenta condutiva completa.

Figura 02 – Representação do trabalho ao


potencial
3. Distância desegurança
A distância de segurança é a mínima distância necessária para que o eletricista possa
se movimentar, inclusive manipulando equipamento ou ferramentas, de modo a não ocorrer
risco de abertura de arco elétrico em relação ao seu corpo.
Tabela 01:Distância de segurança em função dos níveis de tensão
Para trabalhos a distância, deverá ser considerada a movimentação do eletricista,
adicionando-se 0,60 m como distância ergonômica ou movimento inadvertido, conforme Figura 02.

Figura 03 – Representação da distância de segurança nos trabalhos ao potencial


4. Condições para realização de manutenção em linha viva

a. Planejamento e programação
Considerando que cada local das instalações de transmissão possui caraterísticas próprias,
é necessário que todo trabalho em linha viva seja precedido de uma análise completa das técnicas e
procedimentos a serem aplicados.

b. Condições meteorológicas
Os trabalhos em linha viva deverão ser realizados no período diurno sob condições
meteorológicas favoráveis.
O nível de umidade atmosférica acima de 70%, é impeditivo para a realização dos trabalhos,
uma vez que reduz as características isolantes dos equipamentos isolantes tais como bastões,
escadas, cordas e andaimes, provocando aumento da corrente de fuga com consequente risco de
descarga elétrica.
Tabela 02 – Condições meteorológicas

A previsão das condições climáticas (precipitação e umidade relativa) pode ser verificada através da página
do CPTEC na internet (www.cptec.inpe.br), através da previsão do tempo e meteogramas da previsão numérica.
Poderão ser consultados o município e as cidades vizinhas do ponto de intervenção nos dias de chuva acima
de 90% e ou umidade acima de 70% para previsão no dia anterior a intervenção. Nestes casos a possibilidade de
cancelamento ou reprogramação da manutenção poderá ser avaliada.
O monitoramento da umidade relativa do ar deverá ser feito através do termohigrômetro e não deverá
ultrapassar 70%.
c. Tempo de segurança
O tempo de segurança é um período previsto no planejamento de um determinado trabalho em linha
viva, suficiente para a equipe de manutenção se deslocar para posição segura em relação às partes
energizadas, após a ocorrência de um desligamento da linha de transmissão ou circuito, desde que o
desligamento não tenha sido provocado pela própria intervenção.

d. Cargas de trabalho
Antes da utilização de qualquer equipamento ou ferramenta, deverão ser verificadas as condições
de limitações das cargas mecânicas.
Os equipamentos de tração (bastões de tração, jugos, talhas) possuem a gravação das cargas
mecânicas de trabalho no seu corpo e que devem ser consideradas para cada tipo de intervenção que serão
submetidos.
Determinação do Vão de Peso
O vão de peso (Vp) pode ser determinado com a análise de uma parte da linha de transmissão.
Para seu cálculo, deve-se considerar a tensão vertical que atua na estrutura e os comprimentos dos vãos
desta. Esta tensão depende das distâncias de um ponto no topo da estrutura até um ponto mínimo da
curva da catenária. Estas distâncias podem ser calculadas para vãos adjacentes N-1 e N e são distâncias
horizontais. Assim a tensão vertical pode ser descrita como :

𝑉𝑛 = 𝐾 ′ . (𝐿 𝑁 − 1 + 𝐿𝑁)
Onde : K’ é um fator de proporcionalidade ; 𝐿 𝑁 − 1 e LN são as distâncias horizontais citadas
acima , relacionadas à vãos adjacentes.

Pode-se aproximar o comprimento dos vãos para o comprimento do cabo para a estrutura
mostrada na figura abaixo :

Figura 04: Trecho de uma linha de transmissão analisado para cálculo do vão de peso
O vão de peso , assim, passa a ser a soma do comprimentos L N-1 e LN, ou seja, ; 𝐿 𝑁 − 1 e LN
são as distâncias horizontais do topo da estrutura até o ponto mínimo da catenária. Logo:

VP= 𝐿 𝑁 − 1 + 𝐿𝑁

Para a situação de vãos contínuos em um terreno espelhado e considerando estes iguais, as


distâncias 𝐿 𝑁 − 1 𝑒 𝐿𝑁 são iguais , assim, tem- se :

𝐿 𝑁 − 1 = 𝐿𝑁

Logo o vão de peso para este caso é dado como:

VP= 2 . 𝐿𝑁
A força vertical nos vãos está diretamente relacionada ao tipo de vão de peso para cada
estrutura , como pode ser visto a seguir. Logo, o vão de peso deve ser determinado corretamente para
haver um correto dimensionamento desta força mecânica.
Cálculo da força vertical nos vãos de linhas de transmissão
O vão de peso (Vp), indicado na Figura 04, da torre sob intervenção deverá ser consultado na lista
de construção ou planta-perfil da linha de transmissão sob intervenção para o cálculo do esforço vertical
(P), conforme fórmula abaixo (Figura 04).A

Figura 05 – Força Vertical

Tabela 03 – Principais Cabos


1. Equipamentos e ferramentas para linha viva

a. Bastões isolantes
Os bastões isolantes são destinados a garantir o isolamento e as distâncias de segurança necessárias
nas intervenções em instalações elétricas. São fabricados em fibra de vidro com resina epoxy, preenchido
internamente com espuma de poliuretano. Apresentam boa resistência mecânica e alta rigidez dielétrica. A
Figura 05 ilustra as camadas do bastão isolante.

Figura 06 – Vista em corte do bastão isolante


Devido às suas características, são necessários alguns cuidados especiais para manter os bastões sempre
prontos para utilização.

Um dos mais importantes fatores no cuidado com os bastões de linha viva é conservá-los limpos e secos e
armazenados de forma correta e em locais apropriados.
Cuidados com os bastões:

• Os bastões devem estar sempre limpos e secos;

• Nunca devem ser colocados diretamente sobre o solo, utilizar sempre o cavalete
para bastões ou lona limpa;
• Quando não estiverem em uso, deverão ser armazenadas em uma sala fechada,
de preferência com umidade controlada através de desumificador. O local deve ser
mantido limpo e seco, sem a presença de infiltrações ou fontes de umidade;

• Devem ser armazenados apoiados sobre suportes apropriados;

• O transporte deve ser realizado em caminhão baú, sendo fixados nos suportes de
bastões localizados nas laterais internas do baú. Os pontos de contato entre suporte
e bastões devem ser protegidos com materiais que absorvam impactos e evitem
arranhar a superfície dos bastões;
• Evitar impactos mecânicos e contato com materiais metálicos;

• Sempre testar, antes de cada trabalho, as condições adequadas de isolação do


bastão através do testado portátil de bastões, mostrado na Figura 06. Este
instrumento simula o mesmo ensaio especificado pela norma ASTM F-711;
Figura 07 – Testador de isolação do bastão e indicação de APROVADO - REPROVADO

Passos para o teste em bastões


• Limpar os bastões com álcool isopropílico e flanela;

• Após aferição do testador, fazer o teste colocando o aparelho sobre o bastão, por partes
cobrindo toda a sua extensão;
• O ponteiro deve permanecer na faixa verde, que indica isolação adequada para utilização;
• Caso o equipamento acuse baixa resistência (faixa vermelha), efetuar limpeza e refazer a
leitura;
Limpeza dos bastões

A maioria das impurezas é removida da superfície do bastão, passando-se uma flanela


limpa e seca. Caso o bastão esteja impregnado com graxa ou gorduras, é necessário limpá- lo com uma
flanela umedecida com álcool isopropílico.
Após limpeza, realiza-se o teste de isolação com testador de bastões apropriado, conforme passos
indicados no item para o teste em bastões.

Reparo nos bastões

Caso o bastão apresente rupturas, rachaduras ou sofra algum impacto danoso, retirá-lo da atividade.

b. Testador elétrico portátil de bastões isolantes


O testador de bastões é um aparelho indispensável às equipes de manutenção para os ensaios
periódicos das ferramentas isolantes: bastões, varas de manobra, bastões de aterramento, escadas e
andaimes isolantes.
É um aparelho portátil para ensaios que oferece resultado imediato com a indicação de APROVADO ou
REPROVADO, equivalente a uma tensão aplicada de 100 kV em 30 cm.
Cuidados com o testador
• Verificar a tensão de funcionamento do aparelho: 127 ou 220V;

• Calibrar o aparelho conforme manual de instruções. O ponteiro deve estar


sobreposto à linha de calibração indicada no mostrados. Ver figura 06;
• A indicação do bastão teste deve ser indicado pelo ponteiro no final da escala na
cor vermelha, ver Figuras 06 e 07;

• Caso não haja indicação na região vermelha do bastão teste, desconectar o


aparelho da fonte e alimentação elétrica e efetuar a limpeza das placas metálicas
com flanela e álcool.
• Armazenar e transportar o aparelho acondicionado no estojo apropriado.

Figura 08 – Calibragem do testador e componentes


c. Micro amperímetro
O micro amperímetro é um aparelho utilizado para monitoramento da corrente de fuga em
bastões, escadas e andaimes feitos com materiais isolantes nos trabalhos de linha viva.
As leituras de corrente de fuga devem ser feitas durante a execução das tarefas, de forma
periódica, para manter a segurança nas condições de trabalho dos equipamentos com propriedades
isolantes.

Figura 09 – Micro amperímetro


Utilização e cuidados com o micro amperímetro
• Realizar teste de carga das baterias antes de se iniciar as tarefas;
• Verificar se o equipamento está com sua calibração em dia;
• Na utilização de escadas isolantes, instalar o aparelho na torre, fixando o cabo à
cordoalha que une as partes isolantes da escada como ilustrado na Figura 09.

Figura 10 – Esquema de ligação do


micro amperímetro

• Com a chave na posição Off, colocar a escada ou lança no potencial da linha;


• Ligar On e aguardar 05 minutos;
• Caso o valor seja acima de 60 microampères, recomenda-se realizar nova limpeza com
flanela e álcool isopropílico na escada ou andaime e repetir a operação de medição;
• Se o valor da corrente de fuga exceder os valores indicados na Tabela 05, retirar a
escada ou andaime do potencial, fazer inspeção visual e investigar as causas. Repetir a
medição, se persistir a corrente de fuga alta, retirar a escada ou andaime da atividade;
• Quando não estiver em uso, o micro amperímetro deve ser armazenado sem
• suas pilhas ou baterias.
d. Vestimenta Condutiva
A vestimenta condutiva é projetada para o trabalho em linhas de transmissão e
subestações até 800 kV e deve estar de acordo com a norma ABNT NBR 16135. É composta
de blusão, calça, meias, luvas e sacola para acondicionamento.
Permite ao eletricista equalizar o seu potencial com o campo elétrico do ponto
energizado onde serão realizados os trabalhos. Seu funcionamento se baseia no princípio da
gaiola de Faraday, tornando mais seguros os trabalhos de manutenção em sistemas
energizados. A gaiola de Faraday consiste em uma barreira condutora (roupa) que protege os
eletricistas dos efeitos do campo eletromagnético.

Figura 11– Vestimenta condutiva


Cuidados com a vestimenta condutiva

• Deve ser armazenada e transportada em embalagem plástica ou sacola, livre de poeira e


umidade;
• A lavagem deve ser manual com sabão neutro e suave. Não se deve esfregar para evitar
rompimento das microfibras metálicas. É proibida a utilização de alvejantes, cloro, água
sanitária. Secar na sombra ao ar livre;

• Testes de continuidade deverão ser realizados antes de cada utilização e a cada


três meses quando estiverem armazenadas sem utilização. Para o teste, basta verificar a leitura
de continuidade através de um multímetro entre extremidades da roupa: bainha do pulso direito
à bainha do pulso esquerdo; da bainha do tornozelo direito à bainha do tornozelo esquerdo; de
cada bainha do pulso à bainha do tornozelo oposto;

Como não existe um valor limite específico para o teste de continuidade para cada roupa
condutiva, o critério para sua retirada de utilização ocorrerá quando:
a. A medição indicar circuito aberto em algum dos pontos medidos;
b. A medição indicar valores de resistência três vezes acima dos valores do laudo de
ensaio de recebimento do fabricante;
c. Após registro de incômodo para o eletricista no trabalho ao potencial.
e. Bota condutiva
É um calçado desenvolvido para apresentar uma conexão elétrica eficaz e de baixa
resistência entre solado, palmilha e componentes com a vestimenta condutiva, sendo
destinada exclusivamente aos eletricistas que realizam manutenção em linha de
transmissão energizada, nas posições aéreas.
O calçado é fabricado em couro com solado condutivo, composto de borracha de baixa
resistência. Possui cordoalha flexível com baixa resistência elétrica com a finalidade de equalização
do potencial entre usuário, solado e vestimenta condutiva. A figura 11 mostra a bota condutiva,
cordoalhas de contato elétrico e rabicho.
Uma cópia dos manuais de utilização e laudos de ensaios do fabricante devem acompanhar
as embalagens e poderão ser consultados antes de sua utilização.

Figura 12 – Bota condutiva e cordoalha (rabicho)


Cuidados com a bota condutiva:
• Restringir o uso apenas em trabalhos de linha viva, nas atividades aéreas;

• Não se recomenda utilização no solo, pois ocasiona o desgaste e acelera a perda


das propriedades condutivas;

• Testes de continuidade deverão ser realizados antes de cada utilização e a cada três
meses quando estiverem armazenadas sem utilização. Para o teste, basta verificar a
leitura de continuidade através de um multímetro entre: solado- cordoalha e solado-
cordoalha do rabicho.

o Como não existe um valor limite específico para o teste de


continuidade para a bota condutiva, o critério para sua retirada de
utilização ocorrerá quando:
a. A medição indicar circuito aberto em algum dos pontos
medidos;
b. Após registro de incômodo para o eletricista no trabalho ao
potencial.
f. Andaime isolante
O andaime isolante é um equipamento utilizado para intervenções em instalações
elétricas energizadas com tensões de até 800 kV, principalmente em subestações.
Proporciona uma condição de acesso e posicionamento do eletricista, em alturas necessárias
para realização de diversos tipos de trabalhos pelos métodos à distância e ao potencial. O
andaime é fabricado com seções de bastões isolantes e possui módulos intercambiáveis que
possibilita a montagem seja feita de acordo com o tipo de intervenção.

Figura 13 – Opções de montagem do andaime isolante

Os cuidados de conservação e testes deverão ser similares aos Bastões Isolantes.


g. Cordas Isolantes

Somente as cordas de polipropileno, polidracon e hydee certificadas serão adotadas para trabalhos em
linha viva.

A utilização de cordas isolantes requer cuidados especiais, portanto os seguintes procedimentos para
utilização das cordas devem ser respeitados:

• Adotar cordas na cor branca para facilitar a identificação de sujeira;

• As cordas destinadas a trabalhos de linha viva devem ser exclusivamente utilizadas para esta
atividade;
• No caso das cordas Hydee, elas deverão ser usadas somente para içamento e descida de pessoal.

• Armazenar em local seco, de preferência ambiente com umidade controlada através de


desumidificador;

• Nunca guardar ou armazenar cordas sujas e ou molhadas;

• Respeitas o limite máximo de carga de trabalho das cordas conforme indicado na Tabela 06;
• Inspecionar e examinar rigorosamente as cordas antes de cada serviço. Em caso de
deterioração, sujeira excessiva, abrasão ou qualquer sinal que tome a condição de segurança
da corda suspeita.
• Se necessário, as cordas podem ser lavadas com sabão neutro e secadas à sombra em local
seco.
Principais cargas de trabalho das cordas

Carga máxima de trabalho (kg)

Para Estropos Para cordas de serviço


Tipo de corda recomendada 1/4" 3/8” 1/2” 5/8” 3/4”

Polipropileno¹ 107 240 381 508 726

Polidracon¹ 360

Hydee 440

Tabela 06 – Carga máxima de trabalho para cordas de polipropileno e polidracon

As cordas de polidracon e hydee podem ser utilizadas ao potencial, desde que


ensaiadas com o testador dielétrico de cordas antes de cada utilização e aprovadas.

As cordas de polipropileno apresentam características isolantes, porém não devem


permanecer entre um ponto energizado e qualquer ponto aterrado. Durante os serviços,
podem aproximar-se das fases no máximo metade da distância de segurança (Tabela 01).
Caso seja necessário utilizar em pontos energizados, sempre intercalar entre a corda de
polipropileno e o ponto energizado um bastão separados isolantes para cordas.
h. Testador dielétrico de cordas

O testador dielétrico de cordas é um instrumento destinado à verificação das características dielétricas das
cordas isolantes. O instrumento realiza ensaio equivalente a aplicação de 100 kV por 30cm. Permite a realização
do ensaio ao longo da extensão da corda, independente do comprimento.

Figura 14– Testadores de cordas


isolantes

O instrumento indica a reprovação da corda através de avisos luminosos e sonoros. Em caso de altos valores de
corrente de fuga (baixa resistência), não utilizar a corda na atividade.
Cuidados com o testador:

o Verificar a tensão do aparelho: 127 V ou 220 V;

o Verificar a carga da bateria antes de cada utilização;

o Realizar o auto teste de acordo com o manual do fabricante;

o Armazenar e transportar o aparelho acondicionado no estojo apropriado;

o Observar se o certificado de calibração do instrumento está em dia.


i. Bastão de contato ao potencial
O bastão de contato ao potencial, Figura 14, é uma ferramenta de extensão do
“rabicho” da roupa condutiva. Estabelece a continuidade entre as partes energizadas e a vestimenta do
eletricista e as partes energizadas durante uma atividade ao potencial. No final do trabalho, será o último
a ser desconectado, evitando assim o efeito da indução na vestimenta condutiva.

Figura 15 – Bastão de contato

j. Multímetro Digital ao potencial

O multímetro digital é utilizado para a realização da medição da continuidade da roupa condutiva


como mostrado na Figura 15.
Deve-se observar a continuidade da malha com
medições entre os seguintes pontos:
• Fitas e capuz;

• Fita e braço;

• Fita e perna;
Selecionar adequadamente a escala para ohms e
utilizar as pontas de prova ou garras tipo jacaré.
A carga da bateria deve ser verificada antes de cada
atividade.

Figura 16 – Medição de continuidade da roupa


condutiva
k. Termo higrômetro

O termo higrômetro é um instrumento digital ou analógico que permite a leitura de


temperatura ambiente e umidade relativa do ar.

Deverá ser instalado próximo ao local de realização das atividades de manutenção em


linha viva. A leitura da umidade relativa do ar não poderá exceder o limite de 70% para a
realização da manutenção em linha viva.
A carga da bateria deve ser verificada antes do início das atividades.

Figura 17 – Termo higrômetro


l. Ferramentas universais

A série de ferramentas universais deve ser utilizada em conjunto com o bastão isolante universal para
intervenções em instalações energizadas.
Essas ferramentas são dotadas de cabeçotes universais “dentados”, que permitem o seu perfeito
acoplamento com o bastão universal, propiciando operações de trabalho à distância.

Cada uma das ferramentas universais possui características próprias e tem como finalidade principal,
substituir a operação manual, mesmo que os ângulos ou posicionamentos de trabalhos sejam desfavoráveis.
A escolha da ferramenta deve ser adequada ao serviço que será executado, de acordo com sua função
específica. Não pode haver improvisações, pois para cada tipo de serviço deve existir a ferramenta certa. A
função e especificação de cada modelo de ferramenta universal deverão ser consultadas nos manuais do
fabricante.

Figura 18 – Exemplos de ferramentas universais


m. Parafuso tensor

Os parafusos tensores tipo olhal são responsáveis pelo acoplamento, ajuste e tracionamento dos bastões
tensores nos diversos métodos de trabalho para a troca de cadeia de isoladores.
Seu acoplamento é feito no olhal dos bastões tensores, através do cabeçote existente em uma de suas
extremidades.

Figura 19 – Parafuso tensor


Cuidados com os parafusos tensores:

• Realizar inspeções visuais antes de cada utilização para verificação da existência de:
o Deformações nas roscas;
o Corrosões porventura existentes e que tenham gerado danos nas roscas;

o Empenos no parafuso tenso.


Caso sejam identificados, deve-se retirar o parafuso de utilização e encaminhar para o RI
inspecionar e encaminhar para ensaios ou descarte.
• Sempre transportar e armazenar o parafuso com sua capa protetora e retirá-la somente na hora do uso;

• Evitar impactos mecânicos;

Para limpeza superficial, utilizar flanela seca; Manter limpos e secos.


n. Munhão
Os munhões foram projetados especialmente para o acoplamento entre bastões e parafusos tensores.
São construídos em liga de bronze e possuem rolamentos para torna- los leves durante sua rotação nos
parafusos tensores, feita através da chave catraca.

Figura 20 – Munhão e chave catraca

A instalação da porca de segurança (FLV1046-1) é recomendada, logo após a colocação dos munhões nos
parafusos tensores, como segurança adicional durante a operação de tração, atuando como apoio nos munhões.
o. Teste de rosca dos munhões:
Antes de cada utilização deve-se realizar o teste de rosca dos munhões com o gabarito.
O gabarito para teste de munhões (também conhecido como “não passa”) é construído em aço, é uma
ferramenta essencial na verificação periódica das roscas dos munhões, para constatação de desgaste em
seus filetes.
Ao fazer o teste, se o munhão permitir a sua introdução, mesmo que parcial, está caracterizado um
desgaste em sua rosca, certificando assim que ele está impróprio para uso.

Figura 21 – Gabarito para teste de munhões


2. Cuidados gerais com os equipamentos

Os equipamentos necessitam de cuidados permanentes coma finalidade de manter suas características,


qualidades e capacidades mecânicas, evitando assim, desgastes prematuros e condições inadequadas nos seus
desempenhos. Desta forma, devem-se tomar os seguintes cuidados com os equipamentos:

a. Inspecionar os equipamentos antes de cada utilização;

b. Mantê-los limpos e secos;

c. Não expô-los a agentes químicos, solventes ou substâncias corrosivas;

d. Nunca utilizar escovas ou lã de aço para limpeza das partes metálicas;


e. Proteger os equipamentos de impactos físicos durante o transporte e manuseio;
f. As roupas condutivas devem ser lavadas com sabão neutro, enxaguadas e secas à sombra local ventilado.
Não expor diretamente ao sol, nem lavar com água em alta pressão;
g. As articulações das partes metálicas podem ser lubrificadas sempre que necessário;
h. As ferramentas, instrumentos e acessórios devem ser transportados dentro de sacolas, estojos, tubos de
PVC, capas, dentro do baú de caminhão ou outro tipo de proteção até a hora de sua utilização;
i. Utilizar lona limpa e seca para organização das ferramentas antes da utilização;
j. Evitar contato direto com o solo.
4.3 Manutenção em Linhas vivas - CA e CC

As manutenções em linhas vivas CA e CC se diferenciam em alguns aspectos , os quais podemos destacar a


seguir :
- Praticidade de Acesso
Trata do nível de dificuldade para se acessar o local de manutenção de uma linha CA ou uma linha CC.
A linha CC, em situações de manutenção tem uma facilidade um pouco maior de acesso do que a linha
CA.Porém como esta facilidade é muito pequena no aspecto quantitativo, pode-se dizer que as duas
possuem praticamente o mesmos níveis de dificuldade e praticidade. Esta praticidade está ligada à
geometria da torre. O histograma abaixo( com uma estimativa do grau de praticidade variando entre 0 e
2,5) , ilustra essa comparação:
Gráfico 01: `Praticidade de acesso para manutenção CA e CC
- Grau de Dificuldade
As linhas CA e CC no que se refere à segurança da equipe de manutenção e ao grau de
dificuldade para realizar um procedimento de manutenção, tem resultados equivalentes .Estes
resultados foram baseados num levantamento de dados a partir de respostas de profissionais da
área técnica que trabalham com manutenção em linha viva. O gráfico anterior (Gráfico 01) foi
construído com o mesmo princípio. O histograma abaixo mostra esse grau de dificuldade :
Gráfico 02: `Grau de dificuldade de manutenção CA e CC
5. Referências
• Análise das distâncias de segurança adotadas em procedimentos de manutenção de linhas de transmissão
energizadas. UFSC. Eduardo Lenz, 2005.
• Cálculo das distâncias de segurança para manutenção em linha viva. Paulo Esmeraldo. Livro: Transitórios
elétricos e coordenação de isolamento – Aplicação em sistemas elétricos de alta tensão. FURNAS/UFF, 1987.
• IEC 61472:2004 – Live working – Minimum approach distances for a.c. system in the voltage range 72,5 kV to 800
kV – A method of calculation.
• Norma OSHA (Occupational Safety and Health Standarts) 1910.269
• Série GRIDIS nº01, Eletrobrás – Manutenção de linhas e redes energizadas. Catálogo de produtos Terex-Ritz, 2012.
• Catálogo de produtos Liat, 2012.
• ABNT NBR 16135:2012 – Trabalhos em linha viva – Vestimenta condutiva para uso em tensão nominal até 800 kV ca
• IDT-006P-09- Manual de detector de tensão Ritz.
• Manual de manutenção em Instalações Elétrica do Comitê de Operações da Eletrobrás de março de 1998.
• Apostila Fundação COGE/ABRATE – Curso de manutenção de linhas de transmissão energizadas, 2009.
• IEEE Vol. PAS-100 nº7,1981 – Safety aspects os live-line work methods.
• http://www.terexutilities.com.br/sobre/perguntas-frequentes/
• Garcia Luiz, Geraldo Leitão , 2014 , Análise de fatores críticos de sucesso na gestão de segurança em atividades de
manutenção em linha viva em transmissão em ultra –alta tensão.
• Caetano Bezerra, Flavius Vinícius, 2010 , Projeto eletromecânico de linhas aéreas de transmissão
• de extra alta tensão.
• Normas Regulamentadoras:NR 06 – Equipamentos de Proteção Individual (EPI);
• NR 04 – Serviços especializados em engenharia de segurança e em medicina do trabalho (SESMT); NR 10 –
• Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade; NR 17 - Ergonomia; NR 35 – Trabalho em Altura.

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