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27/03/2019 Jurisprudência - TJPR

Processo: 0032817-72.2018.8.16.0000

Relator: Nilson Mizuta

Orgão Julgador: 5ª Câmara Cível

Data de Publicação: 20/02/2019 00:00:00

Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. EMBARGOS DE TERCEIRO.


INDISPONIBILIDADE DE BENS DECORRENTES DAS AÇÕES DA OPERAÇÃO
PUBLICANO. IMÓVEL ADQUIRIDO PELA ESPOSA DO RÉU EM CONDOMÍNIO
COM OS IRMÃOS. BEM ADQUIRIDO NA CONSTÂNCIA DO CASAMENTO.
REGIME DE COMUNHÃO PARCIAL DE BENS. METADE DO PATRIMÔNIO
PERTENCENTE AO CÔNJUGE. IMPOSSIBILIDADE DE LIBERAÇÃO DO
IMÓVEL BLOQUEADO. IRRELEVANTE SE O BEM FOI ADQUIRIDO ANTES DE
INSTAURADA A OPERAÇÃO. RÉU QUE RESPONDE COM TODO SEU
PATRIMÔNIO. DECISÃO MANTIDA.
1. Somente são excluídos da comunhão os bens que cada cônjuge possuía ao casar e os
que lhe sobrevierem na constância do casamento, por doação ou sucessão, além dos que
lhe forem sub-rogados, nos termos do art. 1.659, I, do CC.
2. A aquisição do imóvel antes de 2003, antes da deflagração da denominada “Operação
Publicano”, é insuficiente para afastar a indisponibilidade de bens que recai sobre o
imóvel, já que no caso de eventual condenação, o devedor/embargado responderá à
execução com todos os seus bens, presentes e futuros, nos termos do art. 789 do
NCPC/2015.
RECURSO NÃO PROVIDO.

Íntegra: PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PARANÁ


5ª CÂMARA CÍVEL - PROJUDI
RUA MAUÁ, 920 - ALTO DA GLORIA - Curitiba/PR - CEP: 80.030-901
Autos nº. 0032817-72.2018.8.16.0000

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Agravo de Instrumento n° 0032817-72.2018.8.16.0000


2ª Vara da Fazenda Pública de Londrina
Agravante(s): Maria Augusta Packer Hintz
Agravado(s): Ministério Público de Estado do Paraná e MILTON ANTONIO OLIVEIRA DIGIACOMO
Relator: Desembargador Nilson Mizuta

AGRAVO DE INSTRUMENTO. EMBARGOS DE TERCEIRO.


INDISPONIBILIDADE DE BENS DECORRENTES DAS AÇÕES DA OPERAÇÃO
PUBLICANO. IMÓVEL ADQUIRIDO PELA ESPOSA DO RÉU EM CONDOMÍNIO
COM OS IRMÃOS. BEM ADQUIRIDO NA CONSTÂNCIA DO CASAMENTO.
REGIME DE COMUNHÃO PARCIAL DE BENS. METADE DO PATRIMÔNIO
PERTENCENTE AO CÔNJUGE. IMPOSSIBILIDADE DE LIBERAÇÃO DO
IMÓVEL BLOQUEADO. IRRELEVANTE SE O BEM FOI ADQUIRIDO ANTES DE
INSTAURADA A OPERAÇÃO. RÉU QUE RESPONDE COM TODO SEU
PATRIMÔNIO. DECISÃO MANTIDA.
1. Somente são excluídos da comunhão os bens que cada cônjuge possuía ao casar e os
que lhe sobrevierem na constância do casamento, por doação ou sucessão, além dos que
lhe forem sub-rogados, nos termos do art. 1.659, I, do CC.
2. A aquisição do imóvel antes de 2003, antes da deflagração da denominada “Operação
Publicano”, é insuficiente para afastar a indisponibilidade de bens que recai sobre o
imóvel, já que no caso de eventual condenação, o devedor/embargado responderá à
execução com todos os seus bens, presentes e futuros, nos termos do art. 789 do
NCPC/2015.
RECURSO NÃO PROVIDO.

Vistos, relatos e discutidos os presentes autos de Agravo de Instrumento nº 0032817-72.2018.8.16.0000, do


Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de Londrina - 2ª Vara da Fazenda Pública, em que são:
agravante MARIA AUGUSTA PACKER HINTZ e agravados MILTON ANTONIO OLIVEIRA
DIGIACOMO e MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ.

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RELATÓRIO
Maria Augusta Packer Hintz opôs Embargos de Terceiro com pedido liminar em face de Milton Antônio de
Oliveira Digiácomo.
Narrou que fora casada com o embargado, sob regime de comunhão parcial de bens, mas divorciara-se.
Destacou que não é parte em nenhum dos processos da denominada “Operação Publicano”, na esfera cível
e/ou criminal, que envolvem seu ex-marido.
Arguiu que o decreto cautelar de indisponibilidade de bens recaíra sobre bens de sua propriedade, pois não
observada a meação dos bens adquiridos na constância do matrimônio e aqueles considerados “produto” e/ou
“fruto” de seu patrimônio particular, inclusive herança.
Noticiou que o imóvel objeto da Matrícula n. 26.145 do Cartório de Registro de Imóveis da 6ª Circunscrição
de Curitiba/PR, a que Milton Digiácomo informa ser proprietário da cota parte de 16,66% e que o Ministério
Público pretende a manutenção da indisponibilidade sobre 33%, fora adquirido em condomínio tão-somente
entre si e seus irmãos.
Aduziu que, apesar de casada à época da aquisição, seu esposo não participara do condomínio formado.
Argumenta que os recursos utilizados pertenciam ao seu patrimônio pessoal e não integravam o patrimônio
comum do casal. Sustentou que o bem em questão não poderá responder por eventual condenação imposta ao
seu ex-marido, ora embargado.
Requereu a concessão de medida liminar para suspender o procedimento de Alvará proposto por Milton de
Oliveira Digiácomo até o julgamento dos presentes embargos de terceiro e suspender os efeitos da
indisponibilidade sobre o imóvel objeto da Matrícula n. 26.145 do 6º CRI de Curitiba.
No mérito, a procedência dos pedidos para afastar a indisponibilidade que recai sobre o imóvel e declarar sua
propriedade exclusiva da quota-parte de 33% do imóvel, em condomínio com seus irmãos.
Determinada a emenda à petição inicial (mov. 19.1), a embargante anexou cópia atualizada a matrícula do
imóvel e esclareceu que não houve a alienação do imóvel e ainda é sua legítima proprietária. Destacou que
não promovera a partilha por causa da existência de ações de improbidade contra seu ex-marido, de maneira
que mantém a condição de terceiro para propor os embargos. Requereu o regular prosseguimento do feito,
com análise do pedido liminar (mov. 22.1).
Intimada sobre a pretensão de depósito do valor equivalente a 33,33% do imóvel (mov. 24.1), a embargante
não concordara com o pedido (mov. 27.1).

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Intimado, o Ministério Público postulou a rejeição dos pedidos liminares, a revogação da indisponibilidade
sobre o imóvel ante o depósito integral da quantia equivalente à quota-parte bloqueada e a intimação da
embargante para juntar o formal de partilha (mov. 30.1).
O magistrado , Dr. Emil T. Gonçalves, deferiu a quo “(...) em parte inaudita altera parte pela parte
embargante para suspender o procedimento de alvará judicial, autos nº 0016446-25.2017.8.16.0014 em
(mov. 33.1).trâmite neste 2ª Vara da Fazenda Pública até decisão final nestes autos”
Contra essa decisão, Maria Agusta Packer Hintz interpõe o presente recurso.
Argumenta que, diferentemente do alegado por seu ex-marido no procedimento de Alvará n.
16446-20.2017.8.16.0014, o imóvel objeto da matrícula n. 26.145 foi adquirido exclusivamente por si e seus
irmãos, em condomínio, sem a participação de seu então esposo. Sustenta que o nome de Milton de Oliveira
Digiácomo consta do registro somente porque eram casados no regime da comunhão parcial de bens à época
da aquisição do imóvel.
Aduz que adquiriu o imóvel com recursos exclusivos, sem a participação de seu ex-marido e, embora já
decretado o divórcio, a partilha somente não se efetivara por causa da indisponibilidade de bens determinada
na ação civil por ato de improbidade administrativa. Destaca que, independentemente da partilha, o imóvel
sequer integra a comunhão de bens do casal.
Assevera que possuía recursos suficientes para adquirir a cota-parte de 33,33% do imóvel, em condomínio
com seus irmãos, consoante demonstra sua declaração de Imposto de Renda, juntada aos autos. Registra,
inclusive, que o imóvel não integra a declaração de bens de seu ex-marido.
Afirma que o imóvel foi adquirido em 2003, antes da deflagração da denominada Operação Publicano e
sequer poderia ter sido adquirido com o produto de ilícitos praticados por seu então esposo. Salienta que não
existe vínculo entre os fatos em apuração no âmbito da ação civil pública por ato ímprobo e o imóvel objeto
da indisponibilidade de bens.
Requer a concessão da tutela provisória recursal para suspender os efeitos da indisponibilidade que recai sobre
o imóvel de matrícula 26.145 6º CRI Curitiba. No mérito, a reforma da decisão agravada.
O efeito almejado não foi concedido (mov.6.1 – Projudi 2).
Foram apresentadas as contrarrazões (mov.29.1 – Projudi 2).
A douta Procuradoria Geral de Justiça, pela lavra do Procurador, Dr. Saint-Clair Honorato Santos, se
manifestou pelo (mov.35.1 – Projudi 2).

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VOTO
Trata-se de agravo de instrumento interposto por Maria Augusta Packer Hintz contra decisão que, nos autos de
embargos de terceiro promovidos pela ora embargante contra Milton de Oliveira Digiácomo, indeferiu a
liminar almejada para afastar a indisponibilidade que recai sobre o bem, deferida nos autos de ação civil por
ato de improbidade administrativa a que responde o embargado.
Registre-se, inicialmente, o cabimento do presente agravo de instrumento, por se tratar de recurso dirigido
contra decisão que versa sobre tutela provisória, além de proferida em sede de embargos de terceiro, nos
termos do art. 1.015, I e parágrafo único, CPC:
“Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que
versarem sobre:
I - tutelas provisórias;
(...)
Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias
proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no
processo de execução e no processo de inventário.”
Os embargos de terceiro são admissíveis sempre que, quem não for parte no processo, sofrer constrição em
bem do qual seja possuidor ou de que tenha o domínio. Insere-se no conceito de terceiro, para fins de
legitimidade para propor os embargos de terceiro, a esposa do executado, para resguardar sua nomeação, ex vi
do art. 674, § 2º, I, do CPC:
“Art. 674. Quem, não sendo parte no processo, sofrer constrição ou ameaça de
constrição sobre bens que possua ou sobre os quais tenha direito incompatível com o
ato constritivo, poderá requerer seu desfazimento ou sua inibição por meio de embargos
de terceiro.
(...)
§ 2º Considera-se terceiro, para ajuizamento dos embargos:
I - o cônjuge ou companheiro, quando defende a posse de bens próprios ou de sua
meação, ressalvado o disposto no art. 843;”
Compete ao embargante, já na petição inicial, fazer prova sumária posse ou do domínio, assim como da
condição de terceiro, conforme prevê o art. 677 do CPC:
“Art. 677. Na petição inicial, o embargante fará a prova sumária de sua posse ou de seu

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domínio e da qualidade de terceiro, oferecendo documentos e rol de testemunhas.”


Suficientemente demonstrada a posse ou o domínio, cabe ao julgador suspender as medidas constritivas sobre
os bens litigiosos, nos termos do art. 678 do CPC:
“Art. 678. A decisão que reconhecer suficientemente provado o domínio ou a posse
determinará a suspensão das medidas constritivas sobre os bens litigiosos objeto dos
embargos, bem como a manutenção ou a reintegração provisória da posse, se o
embargante a houver requerido.”
A princípio, os documentos anexados aos autos são insuficientes para comprovar a posse alegadamente
exercida pelo embargante/agravante.
Extrai-se dos autos que o imóvel situado na rua Gutemberg, nesta capital, foi adquirido em 14 de março de
2003, na constância do matrimônio entre a ora agravante e Milton de Oliveira Digiácomo, réu na ação civil
pública por ato de improbidade administrativa que originara a indisponibilidade de bens (mov. 1.7).
Os bens adquiridos na constância do casamento, quando o matrimônio é regido pelo regime da comunhão
parcial de bens, a meação, nos termos do art. 1.658 e art. 1.659, I, primeira parte, do Código Civil (CC):
“Art. 1.658. No regime de comunhão parcial, comunicam-se os bens que sobrevierem ao
casal, na constância do casamento, com as exceções dos artigos seguintes.”
Por simples palavras: a metade do patrimônio amealhado na constância do casamento pertencente ao cônjuge.
Somente são excluídos da comunhão os bens que cada cônjuge possuía ao casar e os que lhe sobrevierem na
constância do casamento, por doação ou sucessão, além dos que lhe forem sub-rogados, nos termos do art.
1.659, I, do CC:
“Art. 1.659. Excluem-se da comunhão:
I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância
do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar;”
A interpretação deste dispositivo não possui a extensão que lhe é atribuída pela ora agravante.
Com efeito, a mera condição financeira para adquirir, com recursos exclusivos, o imóvel objeto da
indisponibilidade, não tem o condão de excluí-lo da meação, porquanto a presunção de mútua colaboração na
formação do patrimônio do casal, aplica-se a todo o tempo de duração da relação.
Nesse sentido:
“RECURSO ESPECIAL. CIVIL. DIREITO DE FAMÍLIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO
OCORRÊNCIA. UNIÃO ESTÁVEL. REGIME DE BENS. COMUNHÃO PARCIAL. BENS ADQUIRIDOS

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ONEROSAMENTE NA CONSTÂNCIA DA UNIÃO. PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE CONTRIBUIÇÃO DE


AMBOS OS CONVIVENTES. PATRIMÔNIO COMUM. SUB-ROGAÇÃO DE BENS QUE JÁ PERTENCIAM
A CADA UM ANTES DA UNIÃO. PATRIMÔNIO PARTICULAR. FRUTOS CIVIS DO TRABALHO.
INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. INCOMUNICABILIDADE APENAS DO DIREITO E NÃO DOS
PROVENTOS. 1. Ausência de violação do art. 535 do Código de Processo Civil, quando o acórdão recorrido
aprecia com clareza as questões essenciais ao julgamento da lide, com abordagem integral do tema e
fundamentação compatível. 2. Na união estável, vigente o regime da comunhão parcial, há presunção
absoluta de que os bens adquiridos onerosamente na constância da união são resultado do esforço comum
dos conviventes. 3. Desnecessidade de comprovação da participação financeira de ambos os conviventes na
aquisição de bens, considerando que o suporte emocional e o apoio afetivo também configuram elemento
imprescindível para a construção do patrimônio comum. 4. Os bens adquiridos onerosamente apenas não se
comunicam quando configuram bens de uso pessoal ou instrumentos da profissão ou ainda quando há
sub-rogação de bens particulares, o que deve ser provado em cada caso. 5. Os frutos civis do trabalho são
comunicáveis quando percebidos, sendo que a incomunicabilidade apenas atinge o direito ao seu
recebimento. 6. Interpretação restritiva do art. 1.659, VI, do Código Civil, sob pena de se malferir a própria
natureza do regime da comunhão parcial. 7. Caso concreto em que o automóvel deve integrar a partilha, por
ser presumido o esforço do recorrente na construção da vida conjugal, a despeito de qualquer participação
financeira. 8. Sub-rogação de bem particular da recorrida que deve ser preservada, devendo integrar a
partilha apenas a parte do bem imóvel integrante do patrimônio comum. 9. RECURSO ESPECIAL
PARCIALMENTE PROVIDO.”(REsp 1295991/MG, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO,
TERCEIRA TURMA, julgado em 11/04/2013, DJe 17/04/2013)
Destarte, o imóvel somente não integraria o patrimônio comum se decorrente diretamente de doação ou
sucessão ou se adquirido em substituição, isto é, sub-rogado, no lugar de imóvel adquirido nestas condições, o
que, ao menos em cognição sumária, não está demonstrado.
A aquisição do imóvel antes de 2003, antes da deflagração da denominada “Operação Publicano”, é
insuficiente para afastar a indisponibilidade de bens que recai sobre o imóvel, já que no caso de eventual
condenação, o devedor/embargado responderá à execução com todos os seus bens, presentes e futuros, nos
termos do art. 789 do NCPC/2015:
“Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o
cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei.”

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É irrelevante se a aquisição do bem é anterior ou posterior ao ato ímprobo atribuído ao agente, pois no caso de
condenação em penas pecuniárias, a integralidade do seu patrimônio responderá pela futura execução e, por
conseguinte, poderá ser tornado indisponível por força da cautelar.
Nesse sentido:
“PROCESSUAL CIVIL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. INDISPONIBILIDADE DE BENS. BENS
ADQUIRIDOS ANTES DO ATO IMPROBO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO.
PROVIMENTO DO RECURSO. 1. A jurisprudência do STJ abona a possibilidade de que a indisponibilidade,
na ação de improbidade administrativa, recaia sobre bens adquiridos antes do fato descrito na inicial. A
medida se dá como garantia de futura execução em caso de constatação do ato ímprobo. Irrelevante se a
indisponibilidade recaiu sobre bens anteriores ou posteriores ao ato acoimado de ímprobo. (Cf. AgRg no Ag
1.423.420/BA, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 28.10.2011; REsp 1.078.640/ES, Rel. Min.
Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 23.3.2010." e AgRg no REsp 937.085/PR, Rel. Ministro HUMBERTO
MARTINS, Segunda Turma, DJe 17/09/2012.0. 2. Configurado o dissídio jurisprudencial, com o acórdão
recorrido em dissonância com a jurisprudência desta Corte, impõe-se o provimento do recurso especial. 3.
Recurso especial provido.”(REsp 1301695/RS, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR
CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/10/2015, DJe 13/10/2015).
Por derradeiro, registre-se que a agravante alienou o imóvel em comento na fração de 1/3 em favor da JNC
Administração e Participação S/A., pelo valor ajustado de R$ 900.000,00.
Nesse contexto, no julgamento do agravo de instrumento nº 0034818-30.2018.8.16.0000, concedeu-se alvará
judicial para liberar o gravame com relação ao imóvel adquirido pela empresa, recaindo a indisponibilidade
sobre o preço depositado.
O fato, contudo, em nada prejudica a discussão do presente recurso, ao considerar que a meação passa a recair
sobre o valor total pactuado no compromisso de compra e venda.
Com isso, a discussão em torno da titularidade não mais cinge-se com relação ao imóvel, mas sim sobre o
valor depositado pela JNC Administração e Participação S/A.
Do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso interposto por MARIA AUGUSTA PACKER
HINTZ.

Ante o exposto, acordam os Desembargadores da 5ª Câmara Cível do


TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARANÁ, por unanimidade de votos, em julgar pelo (a) Não-Provimento

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do recurso de Maria Augusta Packer Hintz.


O julgamento foi presidido pelo (a) Desembargador Nilson Mizuta
(relator), com voto, e dele participaram Desembargador Carlos Mansur Arida e Desembargador Leonel
Cunha.
19 de fevereiro de 2019
Desembargador Nilson Mizuta
Juiz (a) relator (a)

Acessado em: 27/03/2019 23:55:04

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