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Terceira Civilização - Edição 445 - 01/09/2005 - pág. 20 - Diálogo Sobre Religião Humanística

Terceira Civilização - Edição 445 - 01/09/2005 - pág. 20 - Diálogo Sobre Religião Humanística

Terceira Civilização - Diálogo Sobre Religião Humanística

[21] Nascimento, Doença, Velhice e Morte - Parte 2

Esta é a continuação da vigésima primeira parte e a conclusão da série “Diálogo sobre a religião humanística” publicada na revista de estudo mensal da Soka Gakkai, Daibyakurengue, edição de abril de 2004.

KATSUJI SAITO: Neste artigo, gostaríamos de voltar nossa atenção para os últimos dias de vida de Nitiren Daishonin.

MASAAKI MORINAKA: Em setembro de 1282, Daishonin partiu de Minobu, onde morou durante os últimos nove anos, e empreendeu uma viagem até a residência de Munenaka,1 o mais velho dos irmãos Ikegami, na província de Musashi (parte da atual Tóquio). Foi ali que ele faleceu em 13 de outubro desse mesmo ano.

PRESIDENTE DA SGI, DAISAKU IKEDA:

Poderíamos dizer que a estada de Daishonin em Minobu foi o período em que ele cumpriu seu juramento. É certo que seus últimos anos — em especial, os quatro que transcorreram de 1279 até sua morte em 1282 — foram momentos de grande e inegável triunfo, que coroaram a luta de toda a sua vida.

SAITO: Na carta “Sobre as perseguições que recaem ao sábio”, 2 datada de 1279, Daishonin revela que cumprirá o propósito de sua existência (referindo-se à inscrição do objeto de devoção para toda a humanidade), e declara ainda, com total convicção, que nem mesmo as pessoas dominadas pelas poderosas funções da

nem mesmo as pessoas dominadas pelas poderosas funções da maldade poderiam prejudicá-lo por estar sob a

maldade poderiam prejudicá-lo por estar sob a proteção dos deuses budistas.3

PRESIDENTE IKEDA: Daishonin havia atingido um estado de vida tão elevado que era capaz de controlar ou ter à sua disposição o apoio e a proteção das funções universais. Era um estado de plenitude máxima por ter lutado e avançado durante toda a sua vida em prol da propagação da Lei Mística, o meio fundamental para conduzir todas as pessoas dos Últimos Dias à iluminação.

Na vida, o capítulo final é o mais importante. O presidente Toda (que faleceu em abril de 1958) costumava dizer:

“Não se pode avaliar uma existência antes de seu término. O resultado final é decidido pela felicidade ou infelicidade nos últimos anos.”

A vida do presidente Toda também foi

uma batalha implacável. Tendo assumido

o Kossen-rufu como sua missão pessoal,

desafiou a si próprio superando todos os seus limites e, nos últimos quatro anos de vida, pôde devotar-se livre e totalmente à realização de seu tão sonhado objetivo. Só de observar o modo como viveu, tenho certeza de que ele foi um verdadeiro vitorioso.

MORINAKA: Os últimos quatro anos de vida do presidente Toda correspondem à época em que o senhor, presidente Ikeda, dedicava-se ativamente como

Daniel de Aguiar da Cunha (841634-6) / pág. 1.

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coordenador da Secretaria da Divisão dos Jovens (função para a qual foi designado em março de 1954). Foi um período que marcou um crescimento impressionante nas atividades de propagação da Soka Gakkai, e durante o qual atingiu-se a meta de 750 mil famílias lançada pelo presidente Toda.

PRESIDENTE IKEDA: No transcorrer desses quatro anos, o presidente Toda empreendeu uma luta sem precedentes para consolidar firmemente a base do

Kossen-rufu e legar aos jovens sucessores

a liderança de nosso movimento. Foi como

se em cada uma de suas ações ele estivesse tentando nos ensinar: “É assim

que deve ser a conduta de um rei-leão do

Kossen-rufu!”

No capítulo final ou em nossos últimos anos, é crucial que vivamos felizes, com um senso de plena realização e a mais profunda tranqüilidade em nosso coração.

MORINAKA: Em outras palavras, a posição social ou a situação econômica não é o principal critério para se avaliar a

felicidade. A fé imbuída do espírito de não poupar a própria vida é a chave para transcender os sofrimentos de nascimento

e morte

PRESIDENTE IKEDA: Concordo. O propósito do budismo é nos possibilitar triunfar sobre as ilusões e os sofrimentos do nascimento e da morte e estabelecer um estado de vida interior sólido e indestrutível. O Nam-myoho-rengue-kyo é a Lei que possibilita nos libertar dessas ilusões e sofrimentos. Daishonin frisou isso desde o começo de sua eterna luta para

frisou isso desde o começo de sua eterna luta para propagar o ensino correto. Por exemplo,

propagar o ensino correto. Por exemplo, o trecho inicial de “Sobre atingir o estado de Buda nesta existência”,4 que tantas vezes já lemos, revela claramente o poder iluminador da Lei Mística.

MORINAKA: Nesse trecho consta: “Se o senhor deseja livrarse dos sofrimentos do nascimento e da morte que tem suportado desde o tempo sem início e atingir infalivelmente a suprema iluminação nesta existência, deve despertar para a verdade mística que sempre existiu inerentemente em todos os seres vivos. Essa verdade é Myoho-rengue-kyo. Recitar Myoho-rengue-kyo o possibilitará compreender a verdade mística inata em toda vida.” (Os Escritos de Nitiren Daishonin [END], vol. I, pág. 1.)

PRESIDENTE IKEDA: Daishonin diz que o

meio, ou Lei, para nos libertar das ilusões e dos sofrimentos do nascimento e da morte existe em nossa própria vida. Esse meio

o

Nam-myoho-rengue-kyo, “a verdade mística que sempre existiu inerentemente em todos os seres vivos”. Daishonin estabeleceu o meio pelo qual todas as pessoas podem viver com base nessa verdade mística; em outras palavras, revelou a Lei de Nam-myoho-rengue-kyo.

nada

mais

é

do

que

Nam-myoho-rengue-kyo é o nome do princípio místico. É a fé nesse princípio místico e é também o nome dado ao estado de vida que manifesta livremente esse princípio; ou seja, o estado de Buda. Nam-myoho-rengue-kyo é a entidade da Lei que possui simultaneamente tanto a causa como o efeito para atingir o estado de Buda.

Daniel de Aguiar da Cunha (841634-6) / pág. 2.

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O importante, em termos de prática, é a fé

correta. Daishonin enfatiza a todo instante a importância de uma fé imbuída do espírito de não poupar a própria vida, com

a disposição de nos dedicar sincera e plenamente à Lei.

SAITO: Por estimar demais a vida, o ser humano tende a se preocupar excessivamente em proteger seus próprios interesses. Por isso, ele se deixa dominar pelo medo e covardia, temendo perder seu prestígio ou posição social ou ser alvo de críticas e censuras.

Em “Carta de Sado”, Daishonin compara essa conduta humana ao modo como os peixes e os pássaros, que apesar de procurarem proteger-se do perigo, acabam sendo iludidos pela isca e pegos. Ele diz: “Os seres humanos são igualmente vulneráveis. Eles dão a vida por questões mundanas e superficiais, mas raramente pelos preciosos ensinos do Buda. É natural, portanto, que não atinjam o estado de Buda.” (The Writings of Nichiren Daishonin [WND], pág. 301.)

MORINAKA: Não acredito que haja alguém que não valorize sua vida. Todos os seres humanos querem viver da melhor forma possível, mas muitos se tornam tão obcecados por isso que acabam vivendo somente em função de “questões mundanas e superficiais”.

PRESIDENTE IKEDA: Embora todos, naturalmente, anseiem encontrar a felicidade, apegam-se a “questões superficiais” e se desviam “dos preciosos ensinos do Buda”, do caminho para a

“dos preciosos ensinos do Buda”, do caminho para a verdadeira felicidade. Isso é o que se

verdadeira felicidade. Isso é o que se deve temer acerca da ignorância ou escuridão fundamental, a qual também poderíamos chamar de estupidez fundamental do ser humano. Por mais inteligente que uma pessoa seja, se for vencida por sua ignorância ou ilusão, não poderá levar avante sua prática budista e sua vida acabará em fracasso. Esse é o tipo de pessoa que costuma voltar às costas e depreciar os ensinos do Buda e, por fim, acaba se tornando inimiga da Lei.

Eis por que Daishonin constantemente nos

ensina a importância de nos empenharmos

na fé com o espírito de não poupar a

própria vida, tendo em mente que “o corpo é insignificante, ao passo que a Lei é suprema”.5 A dedicação abnegada à Lei é

o que distingue a própria vida de

Daishonin. Ele também ensinou a seus seguidores que somente se empenhando

na fé com esse espírito poderiam atingir o

estado de Buda. Há muitos trechos de seus escritos em que ele afirma isso.

MORINAKA: Em “As catorze calúnias à Lei”, por exemplo, Daishonin declara: “Este

nosso corpo, no final, acabará integrando a terra das colinas e campos. Portanto, é inútil poupar a vida, pois não se pode apegar-se a ela eternamente, ainda que queira. Mesmo as pessoas longevas raramente passam dos cem anos. E todos

os acontecimentos de uma existência são

como breves sonhos durante um cochilo. ( )

“No ensino teórico do Sutra de Lótus há

um trecho que diz: ‘Não nos preocupamos

com nosso corpo, ansiamos unicamente pelo caminho insuperável.’6 Em um outro

Daniel de Aguiar da Cunha (841634-6) / pág. 3.

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trecho do ensino essencial consta: ‘Sem hesitar mesmo ao custo da própria vida.’ 7No Sutra do Nirvana lê-se: ‘O corpo é insignificante, mas a Lei é suprema. Uma pessoa deve dar a vida para propagar a Lei.’8 Dessa forma, o ensino teórico e o ensino essencial do Sutra de Lótus, como também o Sutra do Nirvana, afirmam que se deve dar a vida para propagar a Lei.” (WND, pág. 760.)

PRESIDENTE IKEDA: Em termos de eternidade da vida, nossa existência neste mundo é um acontecimento efêmero. Por isso, deveríamos valorizar ao máximo o tempo que temos aqui, e aproveitar nossa vida da melhor forma possível. No trecho que o senhor acaba de citar, Daishonin nos exorta a fazer da Lei a nossa base, pois quando buscamos sinceramente o ensino correto do budismo, sem poupar a própria vida, nós nos tornamos unos com a Lei e isso nos possibilita trilhar o caminho supremo: aquele que nos leva a atingir o estado de Buda.

MORINAKA: “Não poupar a própria vida” não significa dar a vida inutilmente devido à idéia errônea que se tem da conquista da glória.

PRESIDENTE IKEDA: É claro. Prezar a Lei é lutar com o coração de um rei-leão contra aqueles que perseguem e atormentam os praticantes e que buscam destruir a Lei. Significa também empenhar-se sem descanso, como fez Daishonin ao derrotar todas as funções maléficas que se opunham ao espírito da Lei. Podemos dizer que, por natureza, uma vida dedicada à Lei está vinculada a uma luta sem tréguas para triunfar sobre as forças obscuras e

luta sem tréguas para triunfar sobre as forças obscuras e destrutivas que existem em nossa própria

destrutivas que existem em nossa própria vida.

SAITO: Assim sendo, uma fé imbuída do espírito de não poupar a própria vida em prol da Lei significa ter a firme decisão de reunir a coragem para combater o mal. A chama do espírito de luta de Daishonin manteve-se acesa até o fim

PRESIDENTE IKEDA: A vida é uma batalha e budismo é vitória ou derrota. Quando manifestamos o espírito de luta e a determinação de atingir uma grande vitória pelo Kossen-rufu, podemos desfrutar livremente a alegria ilimitada da Lei. Se não empreendermos esse desafio, não poderemos adornar nossa vida, sujeita ao nascimento, à velhice, à doença e à morte, com as nobres virtudes da eternidade, felicidade, verdadeira identidade e

pureza.9

Nitiren Daishonin lutou até o último momento. Isso é evidente quando observamos sua atitude até o instante em que faleceu.

SAITO: Sim. Como já dissemos, Daishonin partiu de Minobu em 8 de setembro de 1282. Viajou rumo à residência de Munenaka, em Musashi, onde chegou no dia 18 desse mês10 e, ao longo do trajeto, hospedou-se nas casas de vários seguidores ou em pousadas.

MORINAKA: Em fevereiro desse ano, Daishonin escreveu “A prova do Sutra de Lótus”, endereçada a Nanjo Tokimitsu. A partir de então, seu estado de saúde começou a piorar. Daishonin disse a seus discípulos que havia saído de Minobu para

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visitar as termas de Hitachi11 a fim de tratar-se. Até hoje, apesar dos muitos estudos realizados ao longo dos séculos, não há como confirmar a qual Hitachi ele se dirigiu.

SAITO: Um ano antes, em 1281, parece que Daishonin teve uma premonição do momento de sua morte.12 Em uma carta endereçada à monja leiga Kubo, ele destaca a importância do momento final

PRESIDENTE IKEDA: Acredito que o mais

de

nossa vida.13 Não há dúvidas de que

importante é analisar se Daishonin tinha algum outro propósito em mente ao sair de Minobu, além de viajar em busca de cura em uma estância de águas termais.

ponderava seriamente sobre a maneira como ele próprio desejava morrer.

PRESIDENTE IKEDA: O presidente Toda também pressentiu a proximidade de sua

cerimônia histórica do dia 16 de março,14

MORINAKA:

O

senhor

acredita

que

a

morte e disse que ela ocorreria na

verdadeira

intenção

de

Daishonin

era

primavera, quando as cerejeiras

outra?

estivessem totalmente floridas. Até o

PRESIDENTE IKEDA: Bem, obviamente isto é apenas uma especulação. Será que Daishonin realmente queria visitar as termas a pedido de muitos de seus seguidores ou isso serviu de pretexto para

último momento de sua vida, ele continuou liderando o Kossen-rufu sem retroceder um único passo. Além disso, o último mês de sua vida culminou com a

quando passou o bastão do Kossen-rufu

deixar o monte Minobu sem despertar suspeitas das autoridades, que pensavam

aos jovens.

 

A do

coragem

presidente

Toda,

seu

que ele havia se retirado ali definitivamente.

MORINAKA: De fato, no trajeto de Minobu até Ikegami, Daishonin evitou passar por Suruga (parte da atual província de Shizuoka, na costa do Pacífico), onde se encontravam as terras de importantes oficiais do governo. O caminho que ele seguiu não foi uma reta. Circundou a encosta do monte Fuji ao norte. Outra

espírito de luta intrépido e sua determinação ficaram gravados indelevelmente em nosso coração. Até o último momento, ele ensinou a seus discípulos o que é lutar e o que é ser realmente um grande líder.

MORINAKA: Em uma carta [a Hakiri Sanenaga], escrita um dia depois de chegar a Ikegami, Daishonin refere-se

razão de ter evitado passar pela província

indiretamente à aproximação do momento

de Suruga era a possibilidade de que ali

de

sua morte, dizendo: “Planejo voltar para

continuassem a arder as chamas da Perseguição de Atsuhara.

casa [a Minobu] em breve. Mas, como estou doente, pode ser que algo inesperado ocorra.” (Gosho Zenshu, pág.

PRESIDENTE IKEDA: Obviamente, ele deve ter pensado muito antes de tomar uma decisão.

Obviamente, ele deve ter pensado muito antes de tomar uma decisão. 1376.) Daniel de Aguiar da

1376.)

Daniel de Aguiar da Cunha (841634-6) / pág. 5.

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PRESIDENTE IKEDA: Apesar de Daishonin mostrar-se grato a seus discípulos, que insistiram para que ele viajasse até as termas para convalescer-se, podemos deduzir que esse não foi o verdadeiro propósito de ter deixado Minobu.

SAITO: De acordo com uma antiga biografia de Daishonin, quando ele decidiu partir, declarou: “Pretendo ir a Ikegami, em Musashi.” Mas não se sabe ao certo se ele realmente disse essas palavras.

PRESIDENTE IKEDA: Acredito que, antes de deixar Minobu, Daishonin previu que sua vida se encerraria em Ikegami.

Quando o Buda Sakyamuni dirigiu-se para Rajagriha [capital do reino de Magadha, na antiga Índia], naquela que seria sua última viagem,15 disse a seus discípulos: “Meus irmãos, eu agora os exorto: ‘A decadência é inerente a tudo o que existe. Dediquem- se a sua salvação com diligência’!”16 Mediante sua própria conduta, Sakyamuni ensinou que o budismo existe no avanço e na luta constante pela Lei e pela felicidade das pessoas.

Da mesma forma, Daishonin continuou seguindo na liderança do movimento pelo Kossen-rufu até o último momento, mesmo em seu leito de morte, na residência da família Ikegami.

MORINAKA: Por exemplo, quando um sacerdote da escola Tendai chamado Ise Selo do Darma o desafiou a um debate [enquanto ele estava em Ikegami], Daishonin indicou Nitimoku Shonin para representá-lo, e o jovem sacerdote derrotou totalmente o sacerdote da escola

o jovem sacerdote derrotou totalmente o sacerdote da escola Tendai. Além disso, no dia 25 de

Tendai.

Além disso, no dia 25 de setembro, Daishonin proferiu uma preleção de sua “Tese sobre o estabelecimento do ensino correto para a paz da nação”, na residência de Ikegami. E em outra oportunidade, reuniu seus seguidores leigos e sacerdotes de Kamakura e das cercanias — Awa, Kazusa e Shimosa (hoje partes das províncias de Tiba, Ibaraqui e Saitama) para deixá-los cientes de que sua morte estava próxima.

SAITO: A essência do budismo exposto por Nitiren Daishonin encontra-se na luta para “estabelecer o ensino correto para a paz da nação”. A última preleção de Daishonin sobre essa tese deve ter sido uma ocasião extremamente solene — o momento em que confiou a seus discípulos a tarefa de conduzir essa batalha suprema à qual havia consagrado sua vida inteira.

MORINAKA: Vários outros fatos importantes ocorreram durante os dias finais de Daishonin. Entre eles, a designação dos seis sacerdotes seniores e a de Nikko Shonin como sucessor, a quem Daishonin transferiu a herança da Lei.

PRESIDENTE IKEDA: Daishonin lutou até o último momento. Instruiu seus seguidores a manterem o espírito de refutação e os exortou a trabalhar em união para concretizar o Kossen- rufu. Ele desejava ardentemente estabelecer uma base segura para a ampla propagação do ensino correto de forma que permanecesse por todo o futuro eterno dos Últimos Dias.

Daniel de Aguiar da Cunha (841634-6) / pág. 6.

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Então, chegou o dia 13 de outubro, os momentos finais de Daishonin. De acordo com o calendário moderno, isso

corresponderia aproximadamente ao dia 21

de novembro, período conhecido no Japão

como “pequena primavera”, porque o tempo costumava ser relativamente quente pouco antes do início do inverno.

Nitiren Daishonin faleceu por volta das oito horas da manhã, durante a hora do dragão. Conta uma lenda que, nesse momento, as cerejeiras floresceram fora da estação. Sem dúvida, a origem dessa lenda encontra-se no fato de o falecimento ter ocorrido numa manhã cálida e ensolarada, como se fosse um dia de primavera.

O Budismo de Nitiren Daishonin é o

“Budismo do Sol”. O sol brilhava no dia em que Daishonin proclamou pela primeira vez seu ensino, e também brilhava no dia em que deixou este mundo. Que característica apropriada para o Buda que ilumina a escuridão dos dez mil anos dos Últimos Dias da Lei!

Daishonin foi um grande mestre que, até o último momento, ensinou a seus seguidores o que é dedicar-se plenamente ao Kossen-rufu com um espírito inabalável. Seus leais discípulos Nikko Shonin e Nitimoku Shonin seguiram este seu exemplo de dedicação constante.

SAITO:A duração da vida difere de pessoa a pessoa. Do mesmo modo, os momentos finais de nossa vida são infinitamente diversos. Todos desejam ter uma vida longa e saudável, mas muito mais importante que isso é como vivemos e como morreremos.

mais importante que isso é como vivemos e como morreremos. PRESIDENTE IKEDA: Nitiren Daishonin faleceu aos

PRESIDENTE IKEDA: Nitiren Daishonin

faleceu aos 61 anos; Nikko Shonin, aos 88;

e Nitimoku Shonin, aos 74.17 O sucessor de

Nikko, Nitimoku, faleceu durante o trajeto de uma viagem a Quioto, onde planejava ter uma audiência com o imperador, para adverti-lo de sua crença em ensinos errôneos e a exortá-lo a abraçar o Budismo de Nitiren Daishonin.

Não há nada mais grandioso do que a vida

e a morte dos que vivem com o espírito

insaciável de lutar pela Lei e a felicidade das pessoas pelas três existências — passado, presente e futuro. Esse espírito é uma manifestação da eternidade de Myoho-rengue-kyo.

SAITO: O fato de Daishonin encerrar sua vida em Ikegami poderia ser interpretado também como uma cerimônia de “ingresso no nirvana como um meio”,18 para ensinar

a seus discípulos esse espírito de luta. Ou seja, ele usou sua morte como oportunidade para deixar gravado no coração das pessoas que elas somente podem coroar a vida plenamente se lutarem até o final.

MORINAKA: O ensino supremo do Budismo de Sakyamuni encontra-se no 16º capítulo do Sutra de Lótus, “Revelação da Vida Eterna do Buda”, particularmente em seu trecho em verso, que conclui revelando o “pensamento eterno” do Buda eterno — ou seja, o desejo constante do Buda de conduzir todas as pessoas à iluminação pelas três existências.19

SAITO: Acredito que, antes de falecer, Daishonin quis comunicar a seus discípulos

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seu grande desejo e juramento de

conduzir toda a humanidade à iluminação;

não só transmitirlhes a conclusão suprema

de sua própria vida, mas também o espírito

que esperava que eles herdassem. Talvez

por isso tenha escolhido passar seus

últimos dias na residência de Ikegami, por

ser o lugar mais apropriado para reunir

todos os seus principais discípulos.

A “natureza primordial inerente do

nascimento e da morte” revela-se quando

nos dedicamos ao Kossen-rufu

PRESIDENTE IKEDA: Há uma passagem do

23º capítulo do Sutra de Lótus, “Os Feitos

Anteriores do Bodhisattva Rei dos Remédios”, que afirma: “Sua doença será erradicada e não conhecerá a velhice nem a morte.” (The Lotus Sutra [LS] cap. 23, pág. 288.)20 Ao analisar este trecho em Registro dos Ensinos Orais, Daishonin diz que “a expressão ‘não conhecerá a velhice’ (referindo- se a ‘não envelhecer’ ou ‘juventude eterna’) diz respeito ao Buda Sakyamuni, enquanto ‘nem a morte’(referindo-se a ‘não morrer’ ou ‘vida eterna’) diz respeito a pessoas como os bodhisattvas que surgem da terra” (Gosho Zenshu, pág. 774). É extremamente importante a relação que se faz entre a qualidade de “imortal” ou “vida eterna” com os Bodhisattvas da Terra.

Os Bodhisattvas da Terra são bodhisattvas infinitos, que possuem em sua vida a Lei Mística eterna e que se empenham incansavelmente em propagá-la. Quando

Daishonin utiliza a expressão “não morrer”

ou “vida eterna”, ele a aplica a esses

bodhisattvas.

ou “vida eterna”, ele a aplica a esses bodhisattvas. Quando nos dedicamos ao cumprimento de nossa

Quando nos dedicamos ao cumprimento de nossa missão como Bodhisattvas da Terra, nossa vida, sujeita aos quatro sofrimentos de nascimento, velhice, doença e morte, passa a imbuir-se das quatro nobres virtudes — eternidade, felicidade, verdadeira identidade e pureza. Rompemos também a cadeia de sofrimentos do nascimento e da morte.

Viver e morrer devotando-nos eternamente à Lei Mística representa a verdade intrínseca da própria vida, que Daishonin chama de “natureza primordial inerente do nascimento e da morte”.

Ao analisar o significado de myoho, “Lei Mística”, Daishonin diz: “Myo representa a morte, e ho, a vida.” (WND, pág. 216.) Ele também afirma em Registro dos Ensinos Orais: “O Sutra de Lótus representa o ciclo contínuo de nascimento e morte, nascimento e morte.” (Gosho Zenshu, pág. 802.) E afirma: “Uma pessoa percorre a terra da natureza iluminada do Darma, inerente à própria vida, enquanto passa pelo ciclo de nascimento e morte.” (Gosho Zenshu, pág. 724.)

A Lei Mística eterna compreende tanto a vida como a morte. O nascimento e a morte de todas as formas de vida, o surgimento e a extinção de todos os fenômenos, são o nascimento e a morte no reino da Lei Mística.

Embora, em essência, nossa vida seja eterna, ninguém pode escapar do ciclo de nascimento e morte. A questão é se consideramos o nascimento e a morte como um ciclo interminável de sofrimento que se repete sempre nos seis caminhos,

Daniel de Aguiar da Cunha (841634-6) / pág. 8.

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ou se este ciclo será para nós um aspecto da Lei Mística, na medida em que vemos sua verdadeira natureza intrínseca, onde resplandecem as quatro nobres virtudes do Buda. Nitiren Daishonin foi quem abriu o caminho para que todas as pessoas convertessem os sofrimentos do nascimento, velhice, doença e morte em profunda alegria e tranqüilidade da eternidade, felicidade, verdadeira identidade e pureza.

SAITO: Outras escolas budistas pregam o escapismo dos sofrimentos do nascimento, velhice, doença e morte. Ensinam que esses sofrimentos fundamentais da existência humana são algo aborrecedor, e destacam a importância de afastar-se deles. Isso é expresso no conceito de “libertar-se dos sofrimentos de nascimento e morte”.

PRESIDENTE IKEDA: Nitiren Daishonin ensina que nossa vida, que incorpora os quatro sofrimentos do nascimento, velhice, doença e morte, é a própria Torre de Tesouro inseparável da grande Lei eterna de Nam-myoho-rengue-kyo.

Na Torre de Tesouro que constitui a vida de cada pessoa que crê na Lei Mística, esses quatro sofrimentos se convertem nas quatro virtudes, cuja fragrância pura emana de nossa vida.21 Essas são as quatro virtudes da eternidade, felicidade, verdadeira identidade e pureza. Em outras palavras, podemos manifestar em nossa própria vida — sujeita a nascer, envelhecer, adoecer e morrer — a intemporalidade (eternidade), a tranqüilidade e a alegria indescritíveis (felicidade), a inabalável autonomia (verdadeira identidade) e a

a inabalável autonomia (verdadeira identidade) e a perfeita integridade (pureza) que caracterizam o estado de

perfeita integridade (pureza) que caracterizam o estado de Buda.

MORINAKA: Nesse estado, é possível experimentar a alegria tanto na vida como na morte.

SAITO: O ponto-chave está em jamais nos distanciarmos ou fugirmos da realidade da condição humana. Algumas religiões, na busca do eterno, formularam o conceito de um paraíso que existe fora deste mundo. Em contraste, o Budismo de Nitiren Daishonin revela um meio para transformar tudo em alegria profunda e duradoura, sem jamais nos afastar da realidade do nascimento, da velhice, da doença e da morte.

PRESIDENTE IKEDA: Em Registro dos Ensinos Orais, Daishonin diz: “Ver o nascimento e a morte com repulsa e tentar fugir deles chama-se ilusão ou iluminação inicial.22 Perceber a natureza primordial inerente do nascimento, da velhice, da doença e da morte chama-se despertar ou iluminação original.

“Quando eu, Nitiren, e meus seguidores recitamos Nam-myohorengue- kyo, compreendemos a natureza primordial inerente do nascimento, da velhice, da doença e da morte, e a natureza primordial inerente do fluxo e refluxo.” (Gosho Zenshu, pág. 754.)

Isso descreve um estado de vida de liberdade absoluta, que atravessa o passado, o presente e o futuro. Tanto a vida como a morte passam a ser estados de grande alegria, possibilitando- nos voar livremente pelo vasto céu da Luz Tranqüila

Daniel de Aguiar da Cunha (841634-6) / pág. 9.

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que representa o estado de Buda.

Quando nossa vida e nossa morte são permeadas pelo estado de Buda, podemos nascer no lugar, no momento e sob a forma que desejarmos. Na morte também somos completamente livres. Daishonin diz que, quando morremos, regressamos ao mundo da realidade em pouco tempo, e começamos a nos dedicar novamente para compartilhar benefícios com todos os seres vivos.23

MORINAKA: Desse ponto de vista, poderíamos dizer que os membros falecidos da Soka Gakkai que expressaram desejos como “Logo estarei de volta para unir-me a vocês em nosso movimento pelo Kossen-rufu” ou “Foi uma vida de plena satisfação. Não tenho nenhum arrependimento” ou que especificaram o país no qual queriam se dedicar pelo Kossen-rufu em sua próxima existência, realmente conseguiram revelar a natureza primordial inerente do nascimento e da morte.

SAITO: Aqueles que vivem toda sua existência junto à Soka Gakkai podem sentir e experimentar em sua própria vida essa realidade ou natureza primordial.

PRESIDENTE IKEDA: O presidente Toda freqüentemente dizia que a prática do Budismo de Nitiren Daishonin nos permite compreender a eternidade da vida pelas três existências do passado, presente e futuro. Acredito que esta é uma observação que merece ser profundamente considerada.

uma observação que merece ser profundamente considerada. A chave para atingir a iluminação nos Últimos Dias

A chave para atingir a iluminação nos

Últimos Dias da Lei encontra-se em manter uma fé firme, que incorpore o espírito de não poupar a própria vida. Por meio de uma fé assim, podemos obter uma convicção inabalável dessa natureza primordial inerente do nascimento e da morte. Se os membros da Soka Gakkai podem enfrentar seus últimos momentos com serenidade é porque compreendem nas profundezas de seu coração a eternidade da vida como uma realidade.

Como é nobre e sublime a vida dos membros da Soka Gakkai por serem capazes de enfrentar a morte com um senso de plena realização e sem nenhum arrependimento. Essas pessoas comuns e anônimas são merecedoras de infinito respeito por serem “experts” na questão da inseparabilidade da vida e da morte.

SAITO: Em outras palavras, quando nos dedicamos ao grande juramento do

Kossen-rufu de conduzir todas as pessoas

à iluminação, podemos desenvolver um

estado de vida que nos possibilita ter a certeza da natureza primordial inerente do nascimento e da morte.

PRESIDENTE IKEDA: Quando mestre e discípulo compartilham esse mesmo juramento e espírito de luta, tornam-se unos. Essa é a essência da relação de mestre e discípulo no Budismo de Nitiren Daishonin. Quando o mestre mostra a seus discípulos a vida que ele mesmo estabeleceu mediante seu compromisso incondicional com esse juramento e espírito de luta, torna-se um modelo e o alicerce para a vida deles. Podemos observar isso na conduta de Sakyamuni,

Daniel de Aguiar da Cunha (841634-6) / pág. 10.

Terceira Civilização - Edição 445 - 01/09/2005 - pág. 20 - Diálogo Sobre Religião Humanística

Terceira Civilização - Edição 445 - 01/09/2005 - pág. 20 - Diálogo Sobre Religião Humanística

conforme descrita no Sutra de Lótus, e em Daishonin, mediante suas ações ao longo

de toda a vida.

A unicidade de mestre e discípulo é

atingida quando os discípulos mantêm

firmemente o mesmo juramento e espírito de luta de seu mestre. Os que seguem esse caminho na vida podem estabelecer

o mesmo estado de eternidade, felicidade,

verdadeira identidade e pureza que o Buda. Esta é uma vida iluminada para o nascimento e a morte no estado de Buda,

consciente da natureza primordial inerente

do nascimento e da morte.

SAITO: Em outras palavras, dedicando-nos

à luta pelo Kossenrufu, nós também

podemos estabelecer um modo de vida como o do Buda — uma vida que tem

como base a Lei Mística eterna. Não é isso

o que obtemos quando avançamos pelo

caminho de mestre e discípulo na Soka Gakkai em prol do Kossen-rufu?

PRESIDENTE IKEDA: Em cada atividade que realizava, o presidente Toda sempre pensava em seu mestre, Tsunessaburo

Makiguti, que foi o pioneiro do movimento pelo Kossen-rufu na era moderna, mediante sua dedicação abnegada para propagar a Lei. Em seus últimos anos, o presidente Toda fez uma observação comovente: “Sem o presidente Makiguti,

Como gostaria de estar agora

ao seu lado.”

sinto-me só

O dia 2 de abril deste ano marca o 46º aniversário de falecimento do presidente Toda. Enquanto ele estava vivo e mesmo depois de seu falecimento, até os dias de hoje, sempre me empenhei em avançar

até os dias de hoje, sempre me empenhei em avançar pelo grandioso caminho da unicidade de

pelo grandioso caminho da unicidade de mestre e discípulo. Esse é meu maior orgulho.

Perseverar no caminho de mestre e discípulo é o caminho para atingir um estado eternamente indestrutível pelo passado, presente e futuro. Este grande caminho de mestre e discípulo é a essência da religião humanística.

Entre todos os ensinos do Buda, o Sutra de Lótus é a única “escritura de inseparabilidade de mestre e discípulo”. Do mesmo modo, entre todas as religiões do mundo, o Budismo de Nitiren Daishonin é a única “religião da unicidade de mestre e discípulo”, dedicada a fazer com que todas as pessoas atinjam a iluminação. E o “grandioso caminho da unicidade de mestre e discípulo” se encontra nas atividades da Soka Gakkai, em suas ações práticas para realizar o Kossen-rufu.

Mediante essas ações embasadas na unicidade de mestre e discípulo, a Soka Gakkai, que visa a elevar o estado de vida de todas as pessoas em nosso planeta e possibilitar a cada uma delas tornar-se como um rei-leão, resplandecerá, infalivelmente, com um brilho perene, como a pioneira da religião humanística do século XXI.

NOTAS

1. Ikegami Munenaka: Um dos seguidores mais influentes de Nitiren Daishonin, que viveu

na região de Ikegami, província de Musashi (atual bairro de Ota, Tóquio). Junto com seu

irmão mais novo, Munenaga, perseverou na fé apesar da oposição de seu pai,

Yasumitsu. Depois de vinte anos de resistência, finalmente os irmãos conseguiram levar

seu pai a abraçar a fé nos ensinos de Daishonin.

2. Daishonin escreveu esta carta no momento mais crítico da Perseguição de Atsuhara,

em 1º de outubro de 1279, onze dias antes de inscrever o Dai-Gohonzon. Dirigindo-se a

todos os seus seguidores, Daishonin, então com 58 anos, diz que cumprirá o propósito de

seu advento, descreve como ele propagou a Lei enquanto enfrentava perseguições, e

encoraja seus seguidores em Atsuhara e de outras localidades a perseverarem

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Terceira Civilização - Edição 445 - 01/09/2005 - pág. 20 - Diálogo Sobre Religião Humanística

Terceira Civilização - Edição 445 - 01/09/2005 - pág. 20 - Diálogo Sobre Religião Humanística

intrepidamente na fé.

3. Nitiren Daishonin diz: “Podem ficar tranqüilos, pois nada — nem mesmo alguém

controlado por uma poderosa função maléfica —, poderá prejudicar Nitiren, porque

Brahma, Shakra, as divindades do Sol e da Lua, os quatro reis celestiais, a divindade do

Sol e Hatiman o estão protegendo.” (WND, pág. 997.)

4. Nesta carta, escrita em Kamakura em 1255, Daishonin declara que o caminho direto

para atingir a iluminação é recitar o Nam-myoho-rengue-kyo com a convicção de que a

Lei Mística é inerente à nossa vida.

5. “O corpo é insignificante, ao passo que a Lei é suprema”: Este é um trecho de

Anotações sobre o Sutra do Nirvana, do Grande Mestre Chang-an da China. Para

explicar o espírito de proteger e propagar o ensino correto, enfatiza que as pessoas

devem prezar mais o ensino que a própria vida.

6. Décimo terceiro capítulo do Sutra de Lótus, “Devoção Encorajadora” (LS13, págs. 194).

7. Décimo sexto capítulo do Sutra de Lótus, “Revelação da Vida Eterna do Buda” (LS 16,

pág. 230).

8. Anotações sobre o Sutra do Nirvana.

9. Quatro Virtudes: Quatro nobres qualidades da vida do Buda, também conhecidas

como paramitas das quatro virtudes — eternidade, felicidade, verdadeira identidade e

pureza. “Eternidade” significa constante e eterno; “felicidade” quer dizer tranqüilidade que

transcende todo sofrimento; “verdadeira identidade”, verdade e natureza intrínseca; e

“pureza”, livre de ilusão ou conduta errônea.

10. Segundo uma antiga biografia de Nitiren Daishonin (escrita em 1478), ele partiu de

Minobu ao meio-dia de 8 de setembro. Primeiro, ele fez seu trajeto até a província de Kai

(parte da atual província de Yamanashi), e ao longo do itinerário hospedou-se nas casas

de seus seguidores ou em pousadas. Ele passou a noite do dia 8 na casa de Shimoyama

Hyoe Shiro; a do dia 9 na casa do sacerdote leigo Ooi Shoji; a do dia 10, na residência de

Sone no Jiro; a do dia 11, em Kurokoma; a do dia 12, em Kawaguchi; e a do dia 13 em

Kurechi. No dia 14, ele dirigiu-se para a província de Suruga (parte da atual província de

Shizuoka), e passou a noite em Takenoshita. No dia 15, entrou na província de Sagami

(atual Kanagawa), atravessou o desfiladeiro de Ashigara e permaneceu em Sekimoto. No

dia 16, passou a noite em Hiratsuka. No dia 17, chegou à província de Musashi (que

abrange parte da atual Tóquio, Saitama e Kanagawa), e pernoitou em Seya. No dia 18,

ao meio-dia, ele finalmente chegou a Ikegami.

11. Na carta “A chegada a Ikegami”, endereçada a Hakiri Sanenaga, Daishonin fala de

seu propósito de visitar as termas de Hitachi. Ele diz: “Gostaria muito de levá-lo [um

cavalo] conosco até as termas de Hitachi, mas temo que alguém possa roubá-lo. Ao

mesmo tempo, fico imaginando que poderão ocorrer outras dificuldades. Assim, até

regressarmos das termas de Hitachi, deixarei seu cavalo aqui, aos cuidados de Mobara,

em Kazusa.” (Gosho Zenshu, pág. 1376.) Acredita-se que a localidade de Hitachi

mencionada na passagem poderia ser Hitachi, na atual província de Ibaraki, ou Hitachi,

na província de Fukushima. As explicações subseqüentes para sua menção às termas de

Hitachi são mais plausíveis: (1) Em Hitachi (atual área de Kakurai, cidade de Mito,

província de Ibaraki) encontrava-se o feudo de Yasaburo Saneuji, terceiro filho de Hakiri

Sanenaga. Como ali havia uma fonte de águas termais, pode ser que o clã Hakiri tenha

insistido para que Daishonin fosse para lá a fim de recuperar-se; (2) Outra fonte muito

conhecida desde os tempos antigos era as termas de Hitachi Yumoto, na atual cidade de

Iwaki, província de Fukushima. É possível que nos dias de Daishonin já houvesse

seguidores de seu ensino nesse lugar. Há cartas de Nitimoku Shonin endereçadas a

praticantes dessa região. Com base nisso, acredita-se que Daishonin visitou as termas a

pedido dos seguidores locais.

12. Em “Sobre a construção do templo Hatiman”, Daishonin escreve: “Sinto que minha

vida se aproxima do fim. (

)

Mesmo que consiga passar deste ano, será que conseguirei

viver um ou dois anos mais?” (Gosho Zenshu, pág. 1105.)

viver um ou dois anos mais?” (Gosho Zenshu, pág. 1105.) 13. Nitiren Daishonin diz: “Se, ao

13. Nitiren Daishonin diz: “Se, ao morrer, eu atingir o estado de Buda, mesmo que digam

que sou uma pessoa má, isso certamente provará o poder do Sutra de Lótus. Mas, por

outro lado, se eu terminar minha vida de maneira infeliz, isso seria uma desonra para o

Sutra de Lótus. (Isso, no entanto, não acontecerá de modo algum.) Portanto, se os outros

quiserem me chamar de mau, que chamem. Isso não me afeta.” (Gosho Zenshu, pág.

1476.)

14. Cerimônia de 16 de Março: Um evento no qual o presidente Ikeda (então coordenador

da Secretaria da Divisão dos Jovens) e membros da DJ se reuniram com o presidente

Toda no dia 16 de março de 1958, duas semanas antes de seu falecimento, em 2 de abril,

e juraram conduzir o movimento pelo Kossen-rufu.

15. De acordo com pesquisas do Dr. Hajime Nakamura (1912-1999), eminente especialista

japonês em estudos budistas, Sakyamuni compreendeu que o momento de sua própria

morte se aproximava e quis regressar ao lugar onde havia nascido. Empreendeu uma

viagem para anunciar sua morte iminente a seus discípulos que viviam em diversos

lugares e dar-lhes as últimas instruções. No curso dessa viagem, Sakyamuni faleceu em

um bosque de árvores sal, em Kushinagara. (Ver Nakamura Hajime Senshu [Coletânea

de Escritos de Hajime Nakamura], vol. 12.)

16. “Maha Parinibbana Suttanta” (O Livro do Grande Falecimento), in Sacred Books of the

Buddhists (Livros Sagrados dos Budistas), T.W. Rhys Davids, ed. Oxford, The Pali Text

Society, 1995, vol. 3, pág. 173.

17. Todas as idades mencionadas neste diálogo se baseiam na antiga e tradicional

forma de contagem japonesa, segundo a qual considerase que uma pessoa, ao nascer,

já tem um ano.

18. Extraído do seguinte trecho do 16º capítulo do Sutra de Lótus, “Revelação da Vida

Eterna do Buda”: “Como um meio hábil, aparento entrar no nirvana para salvar todas as

pessoa. Mas, na realidade, não entro em extinção. Sempre estou aqui, ensinando a Lei.”

(LS16, pág. 229.) Isso significa que o Buda entra no nirvana como um meio condutor, para

despertar nas pessoas o espírito de procura e conduzi-las à iluminação.

19. O capítulo “Revelação da Vida Eterna do Buda” é concluído com o trecho: “Medito

constantemente: como posso conduzir as pessoas ao caminho supremo e fazer com que

adquiram rapidamente o corpo de um buda?” (LS16, pág. 232.)

20. O trecho diz: “Este sutra provê um bom remédio para os males do povo de

Jambudvipa [o mundo inteiro]. Se uma pessoa enferma pode ouvir este sutra, sua doença

será erradicada e não conhecerá a velhice nem a morte.” (LS23, pág. 288.)

21. Daishonin diz: “Os quatro lados [da Torre de Tesouro] representam os quatro

sofrimentos de nascimento, velhice, doença e morte. Estes quatro aspectos da vida

dignificam a Torre de nossa vida individual. Utilizamos os aspectos do nascimento, da

velhice, da doença e da morte para adornar a Torre que é nosso corpo. Quando

recitamos o Nammyoho- rengue-kyo no nascimento, na velhice, na doença e na morte, a

fragrância das quatro virtudes emana [de nossa vida]. Nam representa o paramita da

felicidade; myoho é o paramita da verdadeira identidade; rengue representa o paramita

da pureza, e kyo, o da eternidade.” (Gosho Zenshu, pág. 740.)

22. Iluminação inicial: Também conhecida como iluminação adquirida. Conceito de que a

iluminação ocorre como resultado de manter a prática budista, dissipando as ilusões e

desenvolvendo a sabedoria. É usada em contraste ao conceito de iluminação original ou

inerente, ou seja, de que a iluminação ou o estado de Buda existe na vida humana de

maneira inata e intrínseca.

23. Daishonin escreve sobre a morte e o renascimento daqueles que atingiram o estado

de Buda: “Então, no intervalo de um instante ele regressará ao sonho do nascimento e

morte nos nove estados. (

)

Ele manifestará o poder livre e sobrenatural da benevolência

para beneficiar amplamente os seres vivos, sem impedimentos.” (Gosho Zenshu, pág.

574.)

Daniel de Aguiar da Cunha (841634-6) / pág. 12.