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Farmacologia

básica e clínica dos


agentes atuantes
no sistema
nervoso central
Prof. Me. Jéssica Bassi da Silva
Psicoses
Alterações de pensamento, comportamento, presença de alucinações, delírios.
• Estados confusos induzidos por drogas
• Doenças do SNC (tumores, traumas, epilepsia, reações alérgicas, demências)
• Afetivas – depressão e mania esquizofrênicas
• Outras - Alzheimer

ESQUIZOFRENIA, estabilizante do humor, psicose pós-parto, hipomania aguda,


sintomas neuropsiquiátricos de demência e transtorno bipolar, autismo, transtorno
de déficit de atenção e hiperatividade
Esquizofrenia Efeitos devastadores:
Desde adolescência ou inicio idade adulta
Doença crônica
Diminuição qualidade de vida / produtividade
• Principal transtorno PSICÓTICO Necessidade de tratamento a longo prazo
• Afeta ~1% da população geral 10% suicídio
• Causas permanecem desconhecidas Sobrecarga para família e sociedade

Heterogeneidade etiológica (múltiplos fatores envolvidos)


FATORES GENÉTICOS

Complicações obstétricas,
Infecções virais,
Desnutrição durante a vida precoce,
Estresse materno durante gravidez.

FATORES AMBIENTAIS
Esquizofrenia

Sintoma positivos Sintomas negativos

• Delírios (paranoica) • Retraimento afetivo


• Alucinações (vozes) • Pobreza do discurso e seu conteúdo
• Incoerência do pensamento • Empobrecimento funcional
• Alterações afetivas • Distractibilidade
• Alterações psicomotoras • Isolamento social
(movimentos estereotipados)
• Anedonia
Sintomas catatônicos podem
predominar numa minoria de
quadros agudos.
Objetivo terapêutico
NÃO CURATIVO
• Controlar sintomatologia associada a doença
• Abolir os sintomas psicóticos
• Prevenção de surtos
• Impedir evolução de sintomas negativos (deficiência de memória e
aprendizado)

FARMACOTERAPIA FOCA NA REABILITAÇÃO, MELHORA DA QUALIDADE


DE VIDA, AUTOCUIDADO, RELAÇÕES SOCIAIS E POSSIBILIDADE DE
PARTICIPAR DO MERCADO DE TRABALHO
Córtex pré-frontal

Núcleo accumbens

Área tegmentada ventral


Vias Vias
hipodopaminérgicas
hiperdopaminérgicas

Via mesolímbica Via mesocortical

D2 D1

Sintomas negativos

Sintomas positivos
Antipsicóticos

Antagonista de
receptores
dopaminérgicos

Carlsson & Lindquist, 1963


Eficácia ⇿ % de bloqueio
de receptores D2 (80%)
Antipsicóticos
Certa preferência aos
receptores D2 em
relação aos D1
Típicos:
• Fenotiazínicos (clorpromazina), butirofenonas (haloperidol) e Tioxantenos
(flunentixol).
• Convencionais (clássicos) - primeiros an�psicóticos
• Mecanismo de ação: bloqueio prolongado de receptores DA
Altamente seletivos
aos receptores D2
Atípicos:
• Risperidona, clozapina.
• Redução dos efeitos motores adversos e melhora dos negativos
• “A�picos” - menos efeitos extrapiramidais
Administração sistêmica não diferencia receptores
dopaminérgicos, bloqueando receptores de outras regiões
Efeitos motores (via
nigroestriatal), maior
secreção de prolactina (via
tuberoinfundibular),
redução do prazer (via de
recompensa). Podendo até
piorar os sintomas
negativos.
Alterações motoras extrapiramidais
Ocorrem nas primeiras semanas,
Distonias agudas Diminuem com o tempo,
Reversíveis ao suspender ao tratamento

Depois de meses ou anos


Discinesias tardias Incapacitante, irreversível
Piora com a suspensão da terapia

Bloqueio de D2 na via nigroestriatal (controle motor)


Desvantagem dos medicamentos de 1a geração
Efeitos endócrinos
Via tuberoinfundibular: controle endócrino: bloqueia liberação de prolactina

• Aumento da [ ] de prolactina
• Edema de mamas, dor e lactação (homens e mulheres)
Antipsicóticos atípicos
Bloqueio de receptores M1
Bloqueio de receptores H1
Bloqueio de receptores alfa1
Epilepsia
Desordem EPISÓDICA do SNC, resultado de uma descarga excessivamente
sincronizada e sustentada de um grupo de neurônio (Hughlings & Jackson, 1890).
Para dor neuropática e depressão bipolar
• Caracterizada por convulsões Controlam despolarizações neurais
• Decorrente de despolarizações neurais reverberantes
• Depende da parte do cérebro afetada.
• Não há causa específica, ou decorre de lesões cerebrais (traumas, tumor, AVC)

• Afeta 1% da população mundial Uso Eficazes em controlas


limitados as crises em 70% do
pelos casos
EFEITOS
ADVERSOS
Epilepsia Envolvendo canais
iônicos importantes
no potencial de ação

Grupos de alterações neurológicas com quadros PERIÓDICOS de convulsão

Despolarização episódica de alta frequência por um


GRUPO de neurônios (focoepilépticos)

Dependendo do LOCAL e GRAU de propagação


Sintomas: lapso de atenção – convulsão completa (minutos)

Exemplo: Córtex motor – convulsões


Tronco encefálico – perda de consciência
Tipos de epilepsia

De acordo com a crise: PARCIAIS ou GENERALIZADAS

• SIMPLES: sem perda de consciência


• COMPLEXA: com perda de consciência

Quanto a atividade neuronal anômala


se espalha por todo o cérebro
Tipos de epilepsia

De acordo com a crise: PARCIAIS ou GENERALIZADAS

Quanto a atividade neuronal


anômala se espalha por todo
o cérebro

Manifestações
atinge o corpo todo

Manifestações se restringe
a 1 ou 2 partes do corpo
Antiepilépticos
PREVINE as crises REDUZINDO a atividade neuronal (epilepsia) ou
ANTICONVULSIVANTES são administrados por via endovenosa para
abortar a crise epiléptica (BZD - diazepam).

OBJETIVO: inibir a despolarização neuronal anômala


1. Modulando a condutância de canais de iônicos (Na+ e Ca++ )
(reduzindo a excitabilidade da membrana)

2. Facilitando neurotransmissão inibitória (GABA)


(Benzodiazepínico, fenobarbital, vigabatrina, gabapentina)

3. Reduzindo neurotransmissão excitatória


Fenitoína (Hidantal) Indicada para o tratamento de crises parciais
(com ou sem generalização secundária), crises
tônico-clônicas generalizadas e estado epiléptico

Efeitos agudos: Nervosismo, nistagmo, tremores das


extremidade, diplopia, visão turva, ataxia,
disfunção cognitiva, sedação, estupor, tremor,
coma

Efeitos crônicos: Deterioração intelectual, desvio de


personalidade, lentidão, OSTEOPOROSE,
hiperplasia gengival, hirsutismo, anemia,
descoloração da pele
Fenitoína (Hidantal)

Relação não-linear entre a dose


de fenitoína e concentração
plasmática no estado de
equilíbrio em cinco indivíduos

Fonte: (RICHENS; DUNLOP, 1975).


Carbamazepina (tegretol) Indicada para o tratamento de crises parciais
(com ou sem generalização secundária), crises
tônico-clônicas generalizadas e estado epiléptico

Efeitos agudos: Hiperexcitabilidade, sonolência,


ataxia, distúrbios cognitivos

Diplopia, visão turva, fadiga, náuseas,


Efeitos crônicos: sedação, ataxia, anemia - depressão intensa
da medula óssea , disfunção hepática,

alterações hormonais, RETENÇÃO


HÍDRICA
Carbamazepina (tegretol)
• Medicamento de 1a escolha (maior segurança)

• Potente indutor das enzimas microssomais hepáticas: acelerando o


metabolismo de fármacos como a FENITOÍNA, CONTRACEPTIVOS ORAIS,
VARFARINA E CORTICOSTEROIDES.

• CYP3A4: metabólito EPÓXIDO


Hepatotóxico
Mielotóxico
• PRÓ-FÁRMACO: Oxicarbamazepina (metabólito) (acumulado)
• Vantagem: não produção do epóxido
Ácido volpróico (depakene) Atua em crises parciais, generalizadas e
CRISES DE AUSÊNCIA

Anorexia, náuseas, vômitos, sedação, ataxia,


Efeitos agudos: tremores, distúrbios cognitivos.

Pode levar a
interromper o
tratamento
Disfunções cognitivas, alopecia,
hepatotoxicidade, obesidade, hirsutismo,
Efeitos crônicos: TERATOGENICIDADE
Tríade efeitos adversos:
Aumento de peso
SOPC
Hirsutismo
Fenobarbital (gardenal)
Banido para crianças em alguns países (cognição)
 100 anos de uso (1910)

Efeitos agudos: Sedação, HIPERATIVIDADE,


DISTÚRBIOS COGNITIVOS,
confusão mental.

Sedação, ataxia, nistágmo, anorexia,


Efeitos crônicos: disfunções cognitivas, apatia, ataxia,
náuseas, anemia, estupor, coma.
Outros fármacos
Disritmias cardíacas (fenítoina)
• Etossuximida Transtorno bipolar (valproato, carbamazepina, topiramato)
• Vigabatrina Ansiedade (gabapentina)
• Lamotrigna Dor neuropática (carbamazepina)
• Felbamato
• Tiagabina
• Topiramato
Usado também para profilaxia
de enxaqueca
Antiepiléptico Isoenzima Inibidores Indutores
Carbamazepina CYP1A2 Ciprofloxacina Carbamazepina
Claritromicina Fenobarbital
Fluvoxamina Fenitoína
Rifampicina
Tabaco
Fenobarbital CYP2C9 Ácido Valpróico Carbamazepina
Fenitoína Amiodarona Fenobarbital
Ácido valpróico Cloranfenicol Fenitoína INEFICÁCIA:
Fluconazol Rifampicina Digoxina,
Fluoxetina Ginkgo biloba Warfarina,
Miconazol Estatina,
Fluvoxamina Antihipertensivos.
Fenitoína CYP2C19 Oxicarbazepina Carbamazepina
Diazepam Fluvoxamina Fenobarbital
Topiramato Fenitoína
Cimetida Rifampicina
Omeprazol Ginkgo biloba
Carbamazepina CYP3A4 Cimetidina Carbamazepina
Tiagabina Cliclosporina A Oxicarbamazepina
Midazolam Diltiazen Fenobarbital
Alprazolam Eritromicina Fenitoína
Fluconazol Rifampicina
Cetoconazol