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Matemática Atuarial I

Luana Myrrha(UFRN) e Leonardo


Costa(UNIFAL)
SEGURO DE VIDA
Seja (x) o indivíduo de idade x que faz seguro de vida inteiro (vitalício)

Seja T = tempo de vida futuro (ou adicional) de x.

T é v.a. e T ϵ (0, ∞)
Falta definir as probabilidades associadas que podem ser expressas pela tábua
de mortalidade ou por uma função de distribuição de probabilidade. Para T
definido como acima, o mais apropriado seria definir um f.d.p. (Por que?)

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SEGURO DE VIDA

O desejo é que um beneficiário receba um valor


financeiro (digamos 100 mil) no momento de
morte, daqui a T anos.

Qual o valor presente (V. P.) hoje desses 100


mil que só serão recebidos daqui a T anos?

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SEGURO DE VIDA

O V.P. Será
T
 1  −δ T
100.000    = 100.000  e = 100.000  vT
 1+ i 

onde v= e− δ=
1 é o fator de desconto anual
1+ i

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SEGURO DE VIDA

Por exemplo, se i = 5% ao ano, então


v = 0,9524.
⚫ Se (x) morrer daqui a 5,5 anos, o V.P. (hoje)
dos 100 mil é:
VP= 100.000V 5,5= 100.000(0,9524)5,5= 76464,32
⚫ Se (x) morrer daqui a 32,3 anos, então:
32,3 32,3
VP= 100.000V = 100.000(0,9524) = 20480 ,84

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SEGURO DE VIDA

⚫ Se (x) morrer daqui a 50 anos, então:


50 50
VP= 100.000V = 100.000(0,9524) = 8720 ,37

Suponha que T é v.a. que assume apenas esses 3


valores:
5,5 anos, 32,5 anos e 50 anos

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SEGURO DE VIDA

Quanto (x) deveria pagar hoje por este seguro


de modo que a seguradora receba o
necessário para pagar, em média, a indenização
de 100.000 no futuro?

7
SEGURO DE VIDA

A resposta deverá ser uma “mistura”, uma


média ponderada dos V.P.'s possíveis.

Veja que, caso P (T = 50)≈ 0 então o prêmio não


deveria ser inferior a 20 mil.

Caso, por exemplo, P (T = 50)≈ 1 então o prêmio


deveria ser próximo de 8.700
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SEGURO DE VIDA
Considerando que não existem despesas administrativas,
impostos e lucro, o valor a ser cobrado deveria ser o valor
esperado dessa v.a (discreta).
Assim:

E (V .P.) = 76.464,32  P(T = 5,5)+ 20.480,84  P(T = 32,3)+ 8.720,37  P(T = 50 )


 
E (V .P.) = 100.000  v 5,5  P(T = 5,5)+ v 32,3  P(T = 32,3)+ v 50  P(T = 50 )
 
E (V .P.) = 100.000  E vT

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SEGURO DE VIDA

Se T fosse v.a. Contínua, então:



 
E vT =  vT  fT (t )dt
0

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SEGURO DE VIDA

Veja que, para calcular o valor necessário que se


deve ter hoje para pagar, em média, o
benefício futuro, foi necessário entender o
comportamento da variável aleatória T (tempo
de vida adicional do segurado)

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SEGURO DE VIDA
Para prosseguirmos com a teoria até aqui apresentada, faz-se
necessário a apresentação da notação que será utilizada. Essa
apresentação será feita a partir da seguinte:
Definição: Seja t = tempo entre a emissão da apólice do
seguro e a morte do segurado (veja que t não é v.a., e sim
uma realização do evento aleatório)
Denote:
⚫ b t = b(t) a função de benefício;
a função de desconto
t
⚫ vt = v

12
SEGURO DE VIDA

⚫ z (t ) = b(t )  v t
a função de valor presente
Veja que, como na prática não sabemos o tempo
de vida adicional de (x), devemos trabalhar
com a v.a. T. Considerando-se a natureza
aleatória do tempo de vida adicional, podemos
dizer que o valor a ser pago para cada
segurado também é v.a. e, assim:
z (T ) = b(T )  vT

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SEGURO DE VIDA

Chame de Prêmio Puro a parcela do prêmio,


suficiente para pagar sinistros. Neste sentido o
Prêmio Puro é o prêmio que propõe o
pagamento de despesas relacionadas ao risco
que está sendo assumido pela seguradora.

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SEGURO DE VIDA

Uma vez apresentada e estabelecida a notação,


começaremos nossos estudos de produtos
atuariais de seguros a partir do seguro de vida
temporário de “n” anos

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SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

O Seguro de Vida Temporário por n anos é o


seguro que pagará uma unidade monetária
(u.m.) somente se o segurado morre dentro
de n anos.
Para calcularmos o Prêmio Único Puro Atuarial
para um determinado tipo de seguro devemos
determinar as funções b(t) e v(t) como segue:

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SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

{
bt = 1 t≤ n
0 c.c.

t
v t = v , t≥ 0

{ T≤ n
T
zT = v
0 c.c.

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SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

Assim como anteriormente, o V. P. A. Que paga 1


u.m. ao beneficiário no final do ano de morte
do participante será dado pela Esperança
Matemática da v.a. z.

V.P.A. = E[zT]

18
SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

Exemplo 1: Considere uma pessoa de idade


30 que decide fazer um seguro de vida
temporário no período de 20 anos. Admita
que o tempo de vida adicional (T) desta
pessoa pode ser (bem) modelada pela
distribuição Uniforme de parâmetros 0 e 70,
ou seja:
T ~ U(0, 70)
19
SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

Suponha que i = 5% a.a., calcule o V.P.A. (ou o


Prêmio Único Puro Atuarial) que paga 1 u.m.
ao beneficiário no momento da morte do
segurado.
Solução
Veja que o cálculo do V.P.A. se limita ao cálculo
de uma esperança matemática, então:

20
SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

20 20
1
E[Z] =  z(t) f T (t) dt =  (0,9524)
t
dt
0 0
70

E[Z] =
1 1
70 ln(0,9524)
 t 20

(0,9524) |0 = 0,182 5

21
SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

Veja que, é suficiente para o segurado pagar 18,25


centavos hoje de forma a receber (o beneficiário)
1,00 u.m. na ocorrência de sinistro.

Caso o valor do benefício seja R$ 250 mil, o prêmio a


ser pago pelo segurado deverá ser de R$ 45.625,00
(considerando a mesma taxa de juros)

22
SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

Exemplo 2: Para proteger seu filho de 5 anos, uma


pessoa de 30 anos decide fazer um contrato de
seguro de vida temporário com benefício variável no
tempo.

⚫ Se morrer dentro de 10 anos o benefício será de R$


100.000,00
⚫ Se morrer entre 10 e 20 anos, o benefício será:
150.000 - 5t
23
SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

Veja que, para esse caso, o benefício é diferente


dependendo do momento de morte do
segurado, então:
Z = b(T )  vT = 100.000  v t t  10 
 
(150.000 − 5.000t )  v 10 < t  20 
t

24
SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

Assim,
10 20
vt vt
V.P.A.= E ( Z )= ∫ 100.000 dt+ ∫ (150.000− 5.000t) dt
0 70 10 70

25
SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

Observe que, no caso de Seguro de Vida


Temporário, existe a incerteza sobre a
ocorrência ou não da indenização e sobre o
momento do pagamento (e não apenas sobre
o momento do pagamento como acontece no
seguro de vida inteiro).

26
SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

Notação:

n n
A1x:n ]= ∫ z(t ) f T (t )dt= ∫ 1Vt f T (t )dt
0 0

27
SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

Veja que, nos exemplos anteriores (para T v.a.


contínua) ao considerarmos a f.d.p. de T como
uniformemente distribuída, estamos, na
verdade, modelando o tempo de vida adicional
do participante da seguinte forma:
n
1
A x:n ]= ∫ 1V t p x μ( x+ t )dt
t

28
SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

Ou seja, estamos reconhecendo que


f T (t )dt= t p x μ( x+ t )dt

onde tpx é P(T > t);


e μ(x + t)dt é a probabilidade de morte
instantânea do participante.

29
SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

De fato, pois veja que para que seja recebido o


seguro de vida (considerando o tempo
contínuo) o participante deve sobreviver
durante um período de tempo t e morrer em
t + dt com dt bem próximo de zero.

30
SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

Podemos escrever o V.P.A. relativo ao seguro de


vida temporário como:
n
A1x:n ]= ∫ 1Vt t p x μ( x+ t )dt
0

31
SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

Vejamos o significado da notação utilizada no


quadro:

32
SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

Como dito anteriormente, a vantagem desse


método de cálculo é que, uma vez
reconhecida a natureza aleatória do valor a
ser pago pela seguradora (de fato, pois a
seguradora compra o risco do segurado)
podemos calcular algumas outras medidas
além da esperança matemática. Um exemplo
de medida a ser apresentado é o próprio
cálculo da variância.
33
SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO
Utilizando Z como a v.a. representando o valor a ser
pago pela seguradora, o que queremos calcular é:

2 2 2
Var( Z )= E[ Z− E( Z )] = E( Z )− [ E( Z )]
Obs. Devemos lembrar que Z (ou z(T)) é a v.a. assim
definida: z(T) = b(T)vT.
Se b(t) é igual a zero ou 1 para todo t, o cálculo da
Var(Z) é facilitado, pois:

34
SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

j t j j tj
Z = [b( x)V ] = b( x ) V
Então
n n
E( Z j )= ∫ b(t ) j V jt f T (t )dt= ∫ 1V jt f T (t )dt
0 0
n n
E( Z )= ∫ 1(V ) f T (t )dt= ∫ 1W f T (t )dt
j j t t

0 0

35
SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

j
Assim, E[ Z ] com fator de desconto V é igual a E[Z] com
fator de desconto Vj
Notação: E[ Z j ]@V = E[ Z ]@V j
No exemplo anterior em que o participante tem 30 anos
e decide comprar um seguro de vida temporário por
20 anos considerando uma taxa de juros de 5% a.a.
teríamos:

36
SEGURO DE VIDA TEMPORÁRIO

20
1
=  [( 0,9524 ) ]
2 1 2 t
A
30:20] dt = 0,1256
0
70
Var(Z)= 0,1256 − ( 0,1825 )2 = 0,0904
DP = Var(Z) = 0,3007

37
SEGURO DE VIDA
Uma vez apresentado o seguro de vida
temporário, temos um ferramental teórico
maior que dará sustentação para o estudo do
seguro de vida inteiro:

38
SEGURO DE VIDA INTEIRA

O Seguro de Vida Inteira é o seguro que pagará


ao beneficiário 1 u.m. no momento da morte
do segurado.

Assim, b(t) = 1 para todo t


z(T) = 1vT

39
SEGURO DE VIDA INTEIRA

O V.P.A. É:
∞ ∞
A x= ∫ V t f T (t )dt = ∫ V t t p x μ( x+ t )dt
0 0
2 2
Var( Z )= A x− ( A x )
Veja que o cálculo do V.P.A. para o Seguro de
Vida Inteira é semelhante é ao cálculo do
Seguro Temporário, porém fazendo-se
n→∞.
40
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Exemplo 4:Um segurado contrata um Seguro


de Vida Inteira que pagará 80.000 a um
beneficiário em caso de morte. Considerando
o tempo de vida futuro modelado pela
distribuição uniforme de parâmetros a = 0 e b
= 80 e uma taxa de juros instantânea de 3%
a.a., qual seria o Prêmio Único Puro a ser pago
por esse segurado?

41
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Assim como feito anteriormente, o Prêmio


Único Puro será o V.P.A., ou seja, será a
esperança matemática do valor futuro e
aleatório (em termos atuais) a ser pago ao
beneficiário.
Resolução feita em sala

42
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Para visualizar o que ocorre com os segurados


individuais, vamos imaginar um conjunto de
300 segurados, todos com tempos de vida
futura T ~ U(0,80) e independentes.
Simulando cada um dos tempos de vida
adicionais, T1, T2, ..., T300, podemos obter o
seguinte histograma utilizando o software R:

43
SEGURO DE VIDA INTEIRA
Histogram of T
40
30
Frequency

20
10
0

0 20 40 60 80

44
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Código utilizado:
T <- runif(300, 0, 80)
hist(T)

45
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Veja que não sabemos qual é o tempo de vida adicional de


cada segurado. Caso soubéssemos com certeza o dia
exato em que o segurado irá morrer, então o valor que
devemos ter hoje para pagar esse benefício futuro seria
apenas o benefício do futuro trazido a valor presente.

46
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Como dito antes, o valor total a ser pago pela


seguradora para um beneficiário é uma v.a. e,
para nos ajudar a entender os riscos que a
seguradora corre ao assumir o seguro de um
único indivíduo, pensemos nos tempos de vida
adicional que geramos anteriormente.

47
SEGURO DE VIDA INTEIRA

O que faremos é trazer a valor presente (com


taxa de juros instantânea de 3% a.a.) o
benefício de 1 u.m. o valor pago no momento
da morte do segurado (que neste caso não o
é v.a. pois sabemos quais os valores
simulados).

48
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Note que, como usamos a mesma função de


distribuição de tempo de vida adicional (
uniforme(0,80) ), então podemos estar
gerando 300 cenários possíveis de sobrevida
de um único segurado. O valor de 1 u.m.
trazida a valor presente para cada uma das
300 gerações pode ser vista no histograma a
seguir (gerado no R).

49
SEGURO DE VIDA INTEIRA
Histogram of VP
30
25
20
Frequency

15
10
5
0

0.971 0.972 0.973 0.974 0.975 0.976 0.977

VP

50
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Para nos ajudar a entender melhor, pensemos


no caso em que o benefício requerido pelo
segurado é de R$ 200.000, então o gráfico
acima ficaria como:

51
SEGURO DE VIDA INTEIRA
Histogram of VP
30
25
20
Frequency

15
10
5
0

194200 194400 194600 194800 195000 195200 195400

VP

52
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Observe que, utilizando a distribuição Uniforme


para modelar a sobrevida do segurado, o risco
associado ao seguro formado para apenas uma
pessoa é relativamente alta.

53
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Código utilizado:
T <- runif(300, 0, 80)
hist(T)
v <- 1/1.03
5

54
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Devido à variabilidade elevada, pode ser de


interesse calcular o valor (digamos z) tal que

P ( Z ≤ z )= 0,9

Isto é, com 90% de chance o V.P. Deve ser


menor ou igual a z

55
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Quem é esse z?
− 0,03 T − 0,03T z
0.9= P (200000 e ≤ z )= P (e ≤ )
200000

0,9 = P(− 0,03T  log ( z ) − log (200000 )) = P T 
1
(− log (z )+12,21)
 0,03 

56
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Veja que T ~ U(0, 80), o que nos fornece:

8
P (T ≥ 8)= 1− = 0,9
80

57
SEGURO DE VIDA INTEIRA
 A distribuição uniforme para o tempo de vida só é
razoável para os homens entre 25 e 45 anos, mais ou
menos, pois qx é constante nesta faixa

 Para um seguro de vida inteira é mais razoável ter T


com distribuição não-uniforme, uma boa distribuição
para T é a Gama com os parâmetros α e β

 Vamos fazer mais alguns exercícios!

58
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Exemplo 5: Imagine um carteira com 100


indivíduos (todos de mesma idade) que
contratam hoje um seguro de vida inteira.O
benefício é de 10 unidades monetárias no
momento da morte. Seja a taxa instantânea de
juros δ = 0,06
Seja ainda T ~ exp(0,04). Qual o prêmio puro a
ser cobrado de cada segurado?
59
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Resolução no quadro.

60
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Veja que, o gasto médio com pagamento de


sinistros será de 400 reais, pois cada uma das
100 pessoas nesta carteira, pagará 4 unidades
monetárias para a seguradora honrar com
seus compromissos relativos à sinistros.

61
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Porém, o processo de risco dessa seguradora


pode ser um pouco mais complexo. Pensemos
o que aconteceria se 90% dos segurados
morressem já no primeiro ano? Certamente a
seguradora não teria tempo suficiente para
investir o dinheiro pago pelos segurados na
forma de prêmio e, esta, ficaria insolvente.

62
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Neste caso, pode-se dizer que o valor cobrado


pela seguradora seria diferente do Prêmio
calculado anteriormente. De fato, o prêmio
poderá ser (em alguns casos) bem maior que
o valor calculado anteriormente.
Seguindo essa linha de raciocínio, o que
desejamos saber é qual o valor que a
seguradora deve ter hoje de modo que
63
SEGURO DE VIDA INTEIRA

A probabilidade de que haja fundo para efetuar


todos os pagamentos no momento de morte
seja aproximadamente 95%.
Chamando de S o valor total a ser pago pela
seguradora em relação aos sinistros
ocorridos, queremos encontrar o valor h tal
que
P (S ≤ h)= 0,95

64
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Fazendo uma aproximação pela distribuição


Normal teremos:
 S − 400 h − 400 
P(S  h ) = P   = 0,95
 900 900 

ou seja,
h − 400
= 1,645  h = 30 1,645 + 40 = 449,35
900

65
SEGURO DE VIDA INTEIRA

Como existem 100 segurados em nossa carteira


e um custo total de 449,35, o Prêmio deveria
ser 4,49 e não de 4 unidades monetárias
como calculado anteriormente.

66
SEGURO DOTAL PURO

Os produtos atuariais de seguro de vida (inteira


ou temporária) cobrem o risco de morte do
segurado.
Existe um outro produto atuarial que cobre o
risco de sobrevida do segurado: o seguro
dotal.

67
SEGURO DOTAL PURO

Nesse tipo de seguro o segurado receberá um


benefício caso chegue vivo após o período de
cobertura do seguro. Ou seja, caso uma
pessoa de 30 anos decida contratar um
seguro dotal com período de 10 anos, ele (o
segurado) receberá a indenização caso
sobreviva até os 40 anos de idade.

68
SEGURO DOTAL PURO

Utilizando o mesmo raciocínio para cálculo de


Prêmio Puro no seguro de vida e,
reconhecendo que o gasto da seguradora com
o segurado é um v.a., devemos montar as
funções que nos auxiliarão no cálculo do
gasto médio da seguradora com o segurado e,
consequentemente, obteremos o cálculo do
Prêmio a ser pago pela cobertura do seguro.

69
SEGURO DOTAL PURO

Veja que o benefício poderá ser facilmente


reconhecido. Neste seguro, a seguradora irá
pagar um benefício (trazido a valor presente)
caso o segurado sobreviva ou não pagará nada
caso ele faleça no período de cobertura.

70
SEGURO DOTAL PURO

Os valores possíveis de nossa v.a. são:


zero ou vn.
Formalizando temos:

0, se 0  k  n − 1
bk +1 = 
0, se 0  k  n − 1
1, se k  n Z = n
V , se k  n
Vk +1 = V , se t  0
n

71
SEGURO DOTAL PURO

Esse tipo de seguro poderá ser útil para pagamentos


de bônus por uma empresa caso o funcionário
“sobreviva” nesta empresa por um certo período.
Ou ainda, poderá ser utilizada para pagamento da
faculdade do filho, caso este sobreviva até a idade
para cursar uma faculdade.

72
SEGURO DOTAL PURO

Notação:

Ax:n 1 = n E x = 0 xP (T  n) + V P(T  n)
n

Ax:n 1 = n E x = V n
n px
Var( Z ) = V 2n
n px n qx
73
SEGURO DOTAL PURO

Observe que o seguro dotal é o tipo de


produto atuarial que pode ser bem modelado
pela distribuição de bernoulli(p) onde p é a
probabilidade de sobrevivência do segurado
durante o período de cobertura, ou seja, o
parâmetro p é, da tabela de vida, dado por: npx

74
SEGURO DOTAL PURO

Sob esse ponto de vista, podemos pensar que o


seguro dotal poderia ser representado pela
v.a.:
Benefício  v n  X

onde X ~ Bernoulli( npx)

75
SEGURO DOTAL PURO

Encarando desta forma, a Esperança Matemática


do gasto da seguradora será:
( )
E Benefício  v n  X = Beneficio  v n  E ( X )
E (Benefício  v n
 X )= Beneficio  v n
p

Pois a esperança de um bernoulli(p) é igual a p

76
SEGURO DOTAL PURO

Veja que, se o benefício for igual a 1, teremos


encontrado a mesma Esperança Matemática
como feito anteriormente reconhecendo-se
as funções b(t), vt e z(t).
Observe ainda que podemos obter a variância
da mesma forma:
( )
Var Benefício  v n  X = Beneficio 2  v 2n Var( X )

77
SEGURO DOTAL PURO

Como X tem distribuição Bernoulli,Var(X) =


p(1 – p).
O resultado obtido é igual à variância obtida
anteriormente a partir da definição de
Variância.

78
SEGURO DOTAL PURO

Exemplo 6: Seja um segurado com 50 anos de


idade que decide fazer um seguro dotal que
paga R$ 250 mil se o segurado sobreviver
durante o período de 3 anos. Se a seguradora
compromete-se a remunerar o capital do
segurado à uma taxa anual de 3% a.a., qual
deverá ser o Prêmio Puro Único pago pelo
segurado?

79
SEGURO DOTAL PURO

Para resolução deste exercício considere a


tábua de mortalidade CSO-58

80
SEGURO DOTAL PURO

81
SEGURO DOTAL PURO

Exemplo 7: Considere um segurado com 47


anos que fez um seguro dotal puro de 10 anos
para receber R$ 100 mil reais. Considerando
a mesma taxa anual de 3%, qual será o Prêmio
Puro Único que deverá ser pago pelo
segurado?

82
SEGURO DOTAL PURO

Para resolver esse exercício sem fazer muitas


multiplicações de probabilidade de
sobrevivência ao longo dos anos, poderemos
utilizar a coluna lx para cálculo de
probabilidade de sobrevivência de maneira
mais eficiente.

83
SEGURO DOTAL PURO

Relembremos da tabela de mortalidade:


l48
l47  p47 = l48  p47 =
l47
e como calculamos a probabilidade de uma
pessoa de 47 anos sobreviver pelo menos até
os 49 anos?

84
SEGURO DOTAL PURO

P (Sobreviver de 47 até 48 e Sobreviver de 48 até 49)


= P(Sobreviver de 47 até 48∩ Sobreviver de 48 até 49)
= P (Sobreviver de 47 até 48)∗ P(Sobreviver de 48 até 49| Sobreviveu de 47 até 48)

l48 l49 l49


= p47  p48 =  = =2 p47
l47 l48 l47

85
SEGURO DOTAL PURO
Seguindo essa linha de raciocínio, podemos dizer então
que:
l48 l49 l50 l51 l52
5 p47 =    
l47 l48 l49 l50 l51
l49 l50 l51 l52
5 p47 =   
l47 l49 l50 l51
5 p47 =2 p47 3 p49
l52
5 p47 =
l47

86
SEGURO DOTAL PURO

Voltando ao exemplo 7, o Prêmio Puro poderá


ser o valor médio (ou esperado) que teremos
com esse segurado. Como o seguro dotal tem
natureza bernoulli, então:

100.000  v10 10 p47

87
SEGURO DOTAL MISTO

O Seguro Dotal Misto (muitas vezes chamados


apenas de seguro dotal) é o seguro que cobre
a vida e a morte do segurado. Esse seguro
paga uma certo valor se o segurado morrer
durante um período ou paga (o mesmo valor
ou uma quantia diferente) caso o segurado
sobreviva a este período, o que ocorrer
primeiro.

88
SEGURO DOTAL MISTO

Vejamos a notação no quadro:

89
SEGURO DOTAL MISTO

Vejamos nosso formalismo


estatístico/matemático. Primeiro vamos definir
a função benefício.
b(t )= 1

{
t
v t≤ n
v (t )= n
v t> n

{
T
v T≤ n
Z= n
v T> n

90
SEGURO DOTAL MISTO

O V.P.A. será dado pela esperança matemática de


nossa v.a. :
E (Z )= E (Z | T ≤ n) P (T ≤ n)+ E(Z | T > n) P (T > n)

Veja que o seguro dotal misto nada mais é do


que a soma dos seguro de vida temporário
com o seguro de vida dotal puro.

91
SEGUROS DIFERIDOS
Os produtos atuariais aqui apresentados podem
não ter a vigência contratada iniciada a partir
da assinatura do contrato. De fato, em alguns
casos o segurado pode querer que a vigência
se inicie alguns anos após a assinatura do
contrato de seguro. Como calcular para esses
casos o valor a ser pago pelo segurado?

92
SEGUROS DIFERIDOS
Partindo do princípio que todos já sabemos
como calcular o Prêmio Puro Único a ser
pago pelo segurado para os seguros de vida
vitalício, temporário, dotal puro e dotal e
considerando a natureza aleatória dos
produtos atuariais, pense no valor que a
seguradora deverá gastar, em média, com o
segurado cujo produto começará a vigorar
daqui a “m” anos.
93
SEGUROS DIFERIDOS
Pensemos, inicialmente, no seguro de vida
vitalício que paga 1 u.m. no momento de
morte do segurado. Porém, esse seguro de
vida começará a vigorar daqui a “m” anos.
Veja que, nesse caso:

94
SEGUROS DIFERIDOS

b (t )={0 t <
1 t≥ m
m

v (t )= vt

{ T≥ m
T
Z= v
0 c.c.

95
SEGUROS DIFERIDOS
Veja que o V.P.A. é:

m| Ax = E (Z ) =  v  fT (t )dt
t

96
SEGUROS DIFERIDOS
Resumo

97
Seguro de capital diferido
 Seguro de vida inteira com um período de carência
 Paga uma unidade após a morte somente se o segurado
morrer pelo menos m anos após a emissão da apólice

 tm
1se 
V t
tm
se
(t)=
b Z=

0setm 
0 se tm

Vt =V t
t


 


= = +
t t
m
\
A Vf(
t)
dt
xV p(
x
T t
)dt n x
m m
Resumo
Nome do Função Função V.P. da V.P.A
seguro benefíci desconto função
o b(t) V(t) Z(t)
Vida inteira 1
Temporário 1 se t≤n Vt Vset t≤n Ax
de n anos 0 se t>n t0 se t>n
V t V 1
Dotal puro 0 se t≤n 0 se t≤n A x:n 
de n anos 1 se t>n se t>n
Vn Vn Ax:n1 =nEx
Dotal Misto 1 se t≤n se t≤n
de n anos Vt se t>n V t se t>n
Vn Vn A x:n 
Diferido de 0 se t≤m o se t≤m
m anos 1 se t>m se t>m
Vt
Vt m \ Ax
SEGUROS DIFERIDOS
Para o caso em que T é discreto:

{
b (t )= 0 t < m
1 t≥ m
t
v (t )= v

{ T≥ m
T
Z= v
0 c.c.

m∣ A x= ∑ V j+ 1 j p x q x+ j
j= m
100
SEGUROS DIFERIDOS
Mudando o intervalo do somatório:

m∣ A x= ∑V m+ l+ 1
m+ l p x q x+ m+ l
l= 0
temos
m+ l p x = m p xl p x+ m
então
∞∞
m p x ∑V ∑
A = V mm p V l+l+11 p q = V mm p A
m| A x= V l p x+ mq x+ m+ l= V m p x∗ Ax+ m
m∣ x m x l= 0 l x+ m x+ m+ l m x x+ n
l= 0
101
SEGUROS DIFERIDOS
Veja que o seguro de vida inteiro diferido por “m” anos
é equivalente ao V.P.A. de um seguro de vida inteiro
calculado para uma pessoa de idade x + m
descontado m anos de juros e considerando-se a
probabilidade deste segurado não chegar vivo até a
idade de vigência de cobertura do seguro. É, na
verdade, o seguro de vida inteiro trazido a valor
presente atuarial à data de hoje.

102
SEGUROS DIFERIDOS
Outra forma de cálculo do mesmo seguro seria:
1
x: m]
m∣ A x= A x− A

Prova: (exercício)

103
SEGUROS DIFERIDOS
Caso o seguro seja diferido por “m” anos e
temporário por “n” anos, como será o cálculo
do V.P.A.? E o seguro dotal puro?
(exercício)

104