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ACONSELHAMENTO CRISTÃO - 1

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ACONSELHAMENTO CRISTÃO - 2

ACONSELHAMENTO CRISTÃO

PRINCÍPIOS BÍBLICOS PARA ACONSELHAR

Introdução

Os termos conselhos e aconselhamento não pertencem ao espanhol segundo a Real


Academia Espanhola, pelo menos não na conotação que damos a ela. Esses vocábulos
são uma tradução do jargão evangélico da palavra inglesa counseling, uma palavra que
descreve uma das funções mais importantes do ministério pastoral e de todos os
membros de uma igreja.

Com expressão “aconselhamento bíblico” me refiro aquela que tem como fundamento
as Sagradas Escrituras. Com isto quero dizer que a Bíblia que define as motivações, os
objetivos e as estratégias do aconselhamento. São as Escrituras que nos dão o
fundamento teórico para a prática de aconselhar.

Com isto não me refiro somente a parte espiritual, senão todas as partes do ser humano
porque somos seres integrais. Às vezes cremos que como cristãos podemos aconselhar
só no campo espiritual, mas segundo as Escrituras todas as coisas são espirituais, todas
estão inter-relacionadas. Um problema de ira é espiritual, um problema matrimonial é
espiritual, etc. A Bíblia é suficiente para mudar vidas, não somente os problemas
espirituais (Salmo 119).

O conselheiro bíblico

Hoje em dia existe a ideia generalizada de que os únicos que podem dar os conselhos
são os psicólogos, psiquiatras, orientadores ou outros profissionais das ciências sociais.
Porém a Bíblia diz outra coisa, ela afirma que o conselho não é exclusivo para os
espertos ou profissionais. O aconselhamento não é uma ciência é uma questão
espiritual.

A Bíblia diz que o aconselhamento pode ser dado por parte de toda a igreja (Rm 15:1,
14; Ga 6:1-2; Cl 3:16; I Ts 4:18; 5:11; Hb 3:13; Tg 5:16). Adams, o expressa da
seguinte maneira: “Deus chama a cada um para aconselhar a outros em algum ponto,
algum tempo, sobre algo”. Com respeito a Gálatas 6:1, Adams continua dizendo: “A
ordem é clara: todos têm que restaurar qualquer irmão ou irmã a quem Deus tenha
colocado providencialmente em nosso caminho a cada dia”.

O aconselhamento bíblico é parte do discipulado cristão que Deus nos chama fazer na
Grande Comissão (Mt 28:19-20) como parte do Ide de Jesus, este nos diz que devemos
fazer discípulos em todas as nações. E parte do discipulado cristão é ajudar os crentes
que se conduzam segundo a Palavra de Deus, e uma forma de fazer isto é mediante o

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aconselhamento bíblico. Assim, que o mandamento da Grande Comissão é para todos


os crentes, o aconselhamento também é um mandamento para todos os crentes.

John McArthur por sua parte o descreve da seguinte maneira “desde os tempos dos
apóstolos, o aconselhamento era realizado na igreja como uma função natural da vida
espiritual do corpo de Cristo”. Depois de tudo o Novo Testamento manda aos crentes:
“admoestai-vos uns aos outros”; “exortai-vos uns aos outros”; “animai-vos uns aos
outros, edificai-vos uns aos outros”; “confessai-vos vossas ofensas uns aos outros, e orai
uns pelos outros, para que sejais curados”. Todos em um momento ou outro necessita
do conselho do outro, ou damos conselhos a outros. Isto é um ministério mútuo entre
crentes.

Supostamente, o cristão leigo não deve buscar problemas entre os irmãos para resolver,
isto é ser um intrometido, o que vem a ser pecado (2 Ts 3:11), mas sim, deve aconselhar
quando Deus colocar alguém em seu caminho.

É uma necessidade que cada ministério da igreja deve realizar pastores, missionários,
mestres de escolas dominicais, pastores de jovens, líderes de homens e mulheres, etc.
Cada um destes ministérios tem sob seu cargo a responsabilidade de uma parte do corpo
de Cristo, e estes tem a necessidade de receber conselhos bíblicos.

Por suposto, nego que possa haver especialistas em aconselhamento bíblico, e que
alguns casos poderiam precisar, tampouco há quem pense que aconselhamento seja
exclusivo destes últimos, a igreja em si é uma comunidade terapêutica.

Atkinson e Field nos dizem “A igreja deveria constituir a melhor comunidade


terapêutica do mundo. A diferença de qualquer outra, centrada em um conselheiro
psicólogo e seus clientes, a igreja não é uma comunidade artificial. Enfatiza aceitação
(Rm 15:7); o perdão (Ef 4:32); a compaixão (Fl 2:1; Cl 3:12) e a graça; isto é um amor
incondicional e divino (Jo 3:34,35; Rm 12:9, 10; I Co 13; Ga 5:13). Estas qualidades
nascem do ato de tem recebido a aceitação, o perdão, a compaixão e a graça de Cristo.
Portanto se crê numa verdadeira comunhão... A verdadeira comunhão deve oferecer
segurança, e ser o terreno perfeito para sarar as feridas e alcançar a maturidade”.

Agora, como disse anteriormente considero que pode haver especialista em


aconselhamento bíblico, e um que é chamado a isto é o pastor da igreja. O pastor é
essencialmente chamado para a tarefa de aconselhar, além do chamado para pastorear a
igreja, isto inclui o trabalho de aconselhamento. Adams menciona “se bem que todo
cristão tem de ser um conselheiro para seu irmão cristão. A obra de aconselhar, como
uma vocação especial é designada particularmente ao pastor”. O pastor foi chamado ao
aconselhamento como sua função ou ofício dentro da igreja, além do trabalho da
pregação.

Ao pastor Deus que lhe tem dado a carga e a autoridade para exercer o aconselhamento.
Adams menciona que os pastores são chamados a “buscar os problemas da igreja, com
intenção de cortá-los pela raiz. Como pastores não se requer que se façam cargo dos

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problemas com os quais tropeçam em seu caminho, senão que vigiem sobre as almas de
cada membro” (Hb 13:17).

Por outro lado, há pessoas com dons especiais dentro da igreja que podem auxiliar o
pastor em situações específicas. Por exemplo, pode ser que tenha pessoas que Deus
tenha dotado com uma mordomia excelente em finanças, portanto, o pastor pode
recorrer a elas quando encontrar uma pessoa com problema nesta área.

O conselho e a bíblia

No aconselhamento bíblico a revelação de Deus nas Escrituras tem preponderância.


Deus se revelou a nós através da bíblia, isto é o que os teólogos chamam de “revelação
especial”. Assim, Deus nas Escrituras nos revela de forma especial as verdades sobre si
mesmo, e sobre a relação do homem em quatro dimensões: sua relação com Deus, sua
relação consigo mesmo, sua relação com o próximo e sua relação com a criação.

Não há ninguém que conheça o homem do que Deus que o criou, e este se têm revelado
nas Sagradas Escrituras para guiar-nos nos assuntos práticos das Escrituras. Assim, as
Escrituras é a única fonte de autoridade para resolver nossos problemas espirituais (Sl
119:9; 24,98-100; Jo 3:16-17). O aconselhamento sem as Escrituras é um
aconselhamento sem o Espírito Santo. II Tm 3:16 nos diz que as Escrituras é útil para
aperfeiçoar os santos, mediante ao que podemos considerar os meios de aconselhamento
bíblico: ensino, repreensão e instrução. Deus é o único e verdadeiro conselheiro, nós
somente somos seus porta-vozes.

Adams nos diz: “Somente a palavra de Deus pode nos dizer como temos de mudar.
Somente na Bíblia se pode achar a descrição veraz do homem, sua situação apurada e
difícil e a solução que Deus dá em Cristo. Somente as Escrituras pode nos dizer que tipo
de pessoas temos de ser. Somente Deus pode mandar, dirigir e dar o poder para efetuar
as mudanças apropriadas que vão permitir que os homens, aos quais Ele redime, que se
renovem de sua própria imagem corrompida pela queda.”

A Palavra de Deus é suficiente para conduzir-nos numa vida piedosa. A Palavra trata de
tudo que precisamos. Não há um versículo para cada tema, isso seria muito simples,
mas fala sobre todos os temas. Podemos resumir isto na expressão „na Bíblia não está
tudo, mas fala de tudo‟. A Bíblia não é uma enciclopédia para irmos a ela com a atitude
de obter informações é incorreto. Ela não está acomodada assim. Obviamente, há temas
na Palavra de Deus que se têm versículos concretos, mas em muitos casos contamos
com princípios bíblicos, e isto tem de ser explicado as pessoas.

A Bíblia diz para pensarmos biblicamente e visualizemos desde a perspectiva da


escrituras. Contudo, o aconselhamento cristão deve ser feito a partir de uma cosmo
visão bíblica verdadeira. Portanto, seus conceitos sobre Deus, Jesus Cristo, o homem, o
pecado, os meios da graça, a vida e do mundo em geral; devem partir das Sagradas
Escrituras.

O aconselhamento e o ser humano

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O aconselhamento bíblico deve partir de uma antropologia bíblica e não de uma


humanista ou de outro tipo. Recomendo que um conselheiro cristão tenha lido livros e
tenha tido cursos de antropologia bíblica, já que é essencial o entender como Deus vê o
ser humano para poder aconselhá-lo de maneira adequada.

Continuando, cito aqui alguns princípios que vem da Bíblia sobre o ser humano:

1. Os seres humanos foram criados com a necessidade de conselho, isso da parte da


humanidade, desde Gêneses vemos um Deus que mostra como o homem deve viver.
Deus é chamado de Maravilhoso Conselheiro (Is 9:6).
2. O homem foi criado por Deus a sua imagem e semelhança para agradar a Deus;
ainda que esta imagem tenha sido distorcida pelo pecado desde a queda. Do
contrário do que dizem os psicólogos humanistas, o homem não é um animal, não
age por instintos (instinto sexual, instinto de sobrevivência) senão por decisões. O
homem não tem as respostas dentro de si mesmo; nem é autônomo como proclama o
humanismo, especialmente a linha de Carl Rogers. O único que tem as respostas é
Deus e Ele as tem revelado através de sua Palavra nas Sagradas Escrituras. O
homem é totalmente dependente de Deus que o criou, e o tem dado a vida e o tem
deixado viver, o homem definitivamente necessita de Deus.
3. O homem não é naturalmente bom senão que é pecador. O pecado é uma
transgressão da lei divina, uma afronta contra Deus (I Jo 3:6; Sl 7:11). Muitos dos
problemas humanos como o alcoolismo e a homossexualidades não deve ser taxado
como “enfermidades”, o faz este conceito é tirar a própria responsabilidade. Mitos
dos problemas do ser humano são originados do pecado (hamartiagênico, isto é,
engendrados pelo pecado) da pessoa seja este passivo ou ativo; e ainda quando o
sujeito passivo é responsável por suas reações pecaminosas. Nunca como
conselheiro devemos minimizar o pecado; lembremos que é uma rebelião contra
Deus, e tem que ser levado seriamente. Para o humanista Carl Rogers os
conselheiros devem ajudar os clientes para que aceitem seus pensamentos negativos,
os admitam e os validem. Para o conselheiro bíblico os pensamentos negativos são
pecados e o chama para a confissão de pecados e ao arrependimento.
4. O homem é responsável por seus problemas; os problemas não devem abaixar a auto
estima (Ef 5:29; Rm 12:2) nem são produtos dos pecados do demais. Há quem culpe
a sociedade ou outros; a Bíblia diz que eu sou o responsável por meus próprios
pecados (Jr 31:29-30); desde o Éden o homem busca esconder-se do que enfrentar
seus problemas e além do mais, lança a culpa em outro. A responsabilidade é a
capacidade de responder a cada situação da vida segundo os mandamentos de Deus.
5. Em nossa condição pecadora não somos aceitos por Deus (Sl 58:3; Rm 3:10-18; Sl
7:11); portanto, a pessoa ímpia não deve aceitar tal como ela é; nem crer que Deus a
aceita como ela é. Ainda que afirmemos paradoxalmente que “Deus ama o pecador e
odeia o pecado”, isto não implica que Deus aceita o pecador. O Salmo 7:11 nos diz
que Deus está irado com o ímpio todos os dias. Agora bem, é certo que os cristãos
são aceitos por Deus “no Amado” (Ef 1:6), que levou nossas culpas e nos aceita
porque nossos pecados foram perdoados, e também como cristãos devemos aceitar-
nos uns aos outros somente porque somos irmãos em Cristo (Rm 15:7); mas, neste
tipo de aceitação não existe nenhum tipo de implicação que nos digam que não se
pode fazer juízo sobre o pecado. Mateus 7:1-5 condena os juízos ilegítimos; a Bíblia
nos ensina a julgar de forma específica (Jo 7:24). Lembremos que, o “aceitar” o
comportamento pecaminoso ante os olhos da pessoa aconselhada é o mesmo que
aprová-lo.

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O aconselhamento e a santificação

O único tratamento para o pecado é a justificação pela fé e a santificação progressiva


por meio do Espírito Santo. O homem deve confessar seu pecado, arrepender-se aceitar
o perdão de Deus. De fundo o aconselhamento bíblico é uma aplicação dos meios de
santificação. Sproul nos menciona do papel santificador do Espírito Santo “É tarefa do
Espírito Santo fazer-nos santos. Ele nos consagra. O Espírito Santo cumpre o papel
santificador. Ser santificado é ser santo ou justo. A santificação é um processo que
começa no instante em que nos convertemos em cristãos. O processo continua até a
nossa morte quando o crente é feito justo pela última vez, completamente e para
sempre”.

A santificação nas Escrituras é um estado mas também é um processo. De certa forma


somos santos e igualmente Deus nos está santificando. Nenhum cristão pode afirmar “é
eu que sou assim”, isso é negar o processo de santificação. Nós como crentes estamos
sendo santificados. Estamos em construção, Deus está trabalhando em nossas vidas. O
aconselhamento do ponto de vista da santificação é mostrar a pessoa que Deus está
mudando ela ou ele através das circunstâncias, e não mudar as circunstâncias.

A santificação implica em mudanças pessoais. Todo homem pode mudar com a ajuda de
Deus (Mt 19:25-26). O mudar hábitos não é fácil mas é possível, os cristãos não pode
dizer que não pode (I Co 10:13; Fl 4:13). Lembremos que não há nada impossível para
Deus. A personalidade pode ser mudada, Deus nos dá excelentes exemplos nas
Escrituras de homens totalmente transformados como Israel, Pedro e Paulo. Não se deve
permitir que uma pessoa alegue de que ela é assim e que não se pode fazer nada a
respeito.

“O remédio de Deus para os problemas dos homens é a confissão” (Pv 28:13); este deve
ser primeiramente a Deus e depois as pessoas afetadas; a Bíblia demanda restituição.
Além do mais, confessar de que se tem pecado contra outra pessoa e pedir-lhe perdão, é
bom, se isto for possível, solicitar sua ajuda para romper as velhas pautas e estabelecer
novos padrões bíblicos.

O aconselhamento e o Espírito Santo

O Espírito Santo é conselheiro por excelência, e chamado por João “paracleto”


(conselheiro) e por Isaías de “o Espírito de conselho” (Is 11:2).

Ele é o autor da Palavra e, portanto, opera por meio da palavra de Deus (Jo 3:5; 15:3; Ef
5:26). Para que o aconselhamento seja realmente cristão, tem que ser levada em
harmonia com a obra regeneradora e santificadora do Espírito de Deus; recordemos que
o Espírito Santo junto com A Palavra produz as mudanças (Hb 4:12; 6:13; At 20:32).
John MacArthur nos diz “o novo nascimento é a obra soberana do Espírito Santo (Jo

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3:8). E todo aspecto do verdadeiro crescimento espiritual na vida do crente é produzido


por ele, utilizando as Escrituras (Jo 17:17). O conselheiro que passa por alto este ponto
experimentará o fracasso, frustração e desalento. Só o espírito Santo pode obter
mudanças fundamentais no coração; portanto, Ele é o elemento indispensável em todo
aconselhamento bíblico efetivo. O conselheiro, armado com a banda bíblica, pode
oferecer direção e passos objetivos para a mudança. Contudo, ao menos que o Espírito
Santo esteja obrando no coração do aconselhado, qualquer mudança aparente será
ilusório, superficial e temporário, e os mesmos problemas ou piores reaparecerão em
breve”.

Nas palavras de Jay Adams: “Se o aconselhar for um aspecto da outra santificação,
então o Espírito Santo, cuja obra principal no homem regenerado é santificá-lo, tem que
ser considerado como a pessoa mais importante no contexto de aconselhar, significa que
a função do conselheiro é simplesmente declarar o que Deus diz, as mudanças
correspondem somente ao Espírito de Deus. Daí a importância de ter uma boa
pneumatologia.

O aconselhamento e a glória de Deus

A meta do aconselhamento não é que a pessoa se sinta melhor senão que sinta a glória
de Deus. (Ef 1:6, 12, 14; 3:21; I Co 10:31). A sua segunda meta é aperfeiçoar aos santos
(Ef 4:11-16). Ao ser como Cristo, Deus será glorificado. O objetivo do aconselhamento
não é simplesmente o resolver os problemas, senão de como vamos viver a vida, como
Adão ou como Cristo, de uma maneira que demos liberdade a nossa natureza
pecaminosa ou de uma maneira que agrade a Deus.

Se Carl Rogers chama seu sistema de terapia centrada no cliente, os crentes têm o
aconselhamento centrado em Deus. O marido Bobgan expressa assim “no lugar de
centrar-se nos problemas ou procurar revelar o que há em seus corações, o pastor e sua
congregação devem ocupar-se ativamente na santificação, crescendo no fruto do
Espírito, aprendendo a andar no Espírito, tendo Jesus por centro da atenção e fazendo-se
semelhante a Ele, que é a meta de nossas vidas”.

O conselheiro não está para remover os problemas senão para que a pessoa se submeta a
vontade de Deus; não estão para que as pessoas se sintam bem, senão para que haja
mudanças em suas vidas e sejam santificados; tem que conduzir e exortar as pessoas
para que as suas normas de comportamento se conformem com as normas bíblicas; só
desta forma se glorificará a Deus. Isto especialmente quando toma forma noutética, isto
é, de exortação por pecado. O êxito no aconselhamento é medido em relação de que se
Deus é ou não glorificado; não importa se a pessoa tenha gostado ou não.

Lembre-se que o conselheiro não trata de impor suas próprias regras senão as normas de
Deus; e deve ser cuidadoso em não confundir ambas. Para evitar a dependência do
conselheiro se deve por meio do modelado e a prática supervisionada (hoje se fala
mentoria, nos tempos neotestamentários se falaria de discipulado); ensinar as pessoas a
usar as Escrituras por sua própria conta a fim de dar respostas aos seus próprios

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problemas. Uma forma de iniciar isto é promover o desenvolvimento de devocionais


pessoais (que supostamente inclua leitura e meditação da Bíblia) nos aconselhados.

O aconselhamento bíblico não consiste em escutar para que a pessoa se sinta bem; a
Bíblia chama o conselheiro para escutar; mas isto é antes de responder (Pv 18:13).
Escutar é interessante no que o outro diz e responder de uma maneira adequada de
acordo com as normas divinas. O humanista Carl Rogers menciona que o terapeuta deve
estar alerta e responder aos sentimentos expressados do cliente e ao conteúdo
intelectual. Para Rogers o terapeuta deve evitar contestar e responder ao sentimento
acompanhado pelas expressões. Refere-se que o importante é compreender o sentimento
do aconselhado e não responder ao que realmente está dizendo. Isto não é realmente
escutar, é somente intermediar os sentimentos da pessoa que normalmente estão
associados ao pecado. O aconselhado está esperando uma resposta bíblica e sábia para
poder aplicar no problema.

Por outro lado, o simples cartaz não é objetivo do aconselhamento bíblico senão que as
pessoas se sujeitem à vontade de Deus. Isto é o que realmente glorificará a Deus. O
aconselhamento bíblico neste caso é totalmente oposto ao aconselhamento humanista.
Por exemplo, para o conselheiro humanista Carl Rogers um dos elementos centrais da
terapia é a descarga emocional, isto é, a liberação dos sentimentos. Para ele esta
descarga emocional ou liberação dos sentimentos se volta ao propósito essencial do
aconselhamento. Mas como conselheiros cristãos sabemos que realmente a descarga
emocional não tem sentido se a pessoa o faz com o fim em si mesmo, e não com a
motivação de agradar a Deus.

Segundo Rogers quando o conselheiro mostra uma simpatia vigiada ante as atitudes
expressadas pelo cliente e reconhece e esclarece seus sentimentos, a entrevista está
centrada no cliente, no pecado do cliente, e não como deve ser as coisas. A entrevista
deva ter no centro a Deus e não a pessoa. Quando colocamos no centro as pessoas
estamos sendo humanistas, quando colocamos no centro a Deus estamos sendo cristãos.

Por outro lado, Adams nos diz que “cada conselheiro deve ver claramente que tudo que
faz no aconselhar não só o faz para o aconselhado senão também para Cristo e sua
igreja”.

O aconselhamento, a esperança e a soberania de Deus.

A esperança verdadeira está fundada nas Escrituras (Rm 4:18; II Pe 1:4). Adams
menciona que “num sentido, todo aconselhado necessita de esperança. O pecado produz
seus efeitos de abatimento e desânimo nas vidas de todos. Todo cristão está desanimado
em um ou em outra ocasião. Com freqüência, esta atitude deteriora no pecado com a
falta de esperança”.

Por outro lado, os psicoterapeutas só podem infundir falsa esperança (Pv 10:28; 11:7).
Quando as coisas não têm sentido para os seres humanos, para Deus tem sentido. Ele
sabe o que está fazendo em sua soberania, e é algo em que os crentes podem repousar

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(Rm 8:28). O conselheiro humanista não tem o recurso da soberania de Deus, só os


conselheiros bíblicos podem dar alento em meio às situações de crises onde se crê que
as coisas não têm sentido. Nos casos de Jô, José (Gn 50:20), Sadraque, Mesaque e
Abdenego (Dn 3:17) são testemunhas da soberania de Deus sobre os teus filhos.
Podemos confiar que a soberania de Deus é suprema.

Há esperança no Deus soberano. Nas palavras de Jay Adams “se Deus é soberano, a
vida não é absurda; tem um desígnio, um significado, um propósito”. Deus tem o
controle de tudo, Ele é quem permite que o mundo se transborde.

Portanto a esperança é realista. Romanos 8:28 diz que todas as coisas cooperam para o
bem, não que tudo vai ser “cor de rosa”. Ainda quando que a verdadeira esperança
aguarda que um bem resulte de provas, não procura negar a realidade do pecado nem do
sofrimento e dor que essas provas podem causar.

ACONSELHAMENTO E OS PROBLEMAS HUMANOS

Classificação dos problemas humanos

Há diversas formas de se classificar os problemas humanos. Josh McDowell em seu


manual para conselheiros de jovens os divide em áreas como problemas emocionais, as
relações com outros, problemas familiares, problemas sexuais, abusos, adicionais,
transtornos, assuntos educativos, problemas físicos e a vocação. Para Adams só há três
fontes específicas de problemas na vida: atividade demoníaca (principalmente
possessão), pecado pessoal, outros interpessoais como os matrimoniais, familiares, etc.
Muitas vezes o aconselhado irá buscar assessoria para resolver um problema de seus
filhos, seu cônjuge, um subordinado a seu serviço, etc.

Em geral, podemos classificar os problemas em duas grandes áreas: problemas


orgânicos e não orgânicos. Os problemas orgânicos são do campo da medicina, os
problemas não orgânicos são do campo do aconselhamento pastoral. Não há base
bíblica para reconhecer a existência de uma disciplina distinta chamada psiquiatria ou
psicoterapia. Realmente não existem problemas “mentais” não orgânicos. Escrevo
mentais entre aspas, devido a que realmente deveriam chamar-se problemas cerebrais, já
que os problemas mentais surgem de um mau funcionamento do cérebro humano, e não
da mente. O doutor em medicina Robert Smith o explica assim que a mente usa o
cérebro, mas ela não é o cérebro. Tumores, feridas, derrames cerebrais, etc., podem
afetar parte do cérebro e afetar o modo de pensar e atuar da pessoa, mas estas não são
enfermidades mentais senão orgânicas que podem ser provadas em laboratórios. Elas
podem ser as causas de que o cérebro esteja enfermo, mas não a mente. Se bem que as
partes afetadas do cérebro não estão disponíveis para mente, a mente não está enferma.
Neste caso há um dano cerebral, mas não uma enfermidade mental. O conceito de mente
enferma é uma teoria não provada cientificamente.

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É importante então, poder definir se o problema é orgânico ou não, se há suspeita de que


o problema possa ser orgânico o melhor é o conselheiro enviar ao médico para uma
revisão médica.

Também, não há o que duvidar de que o ser humano é um todo, isto é, que sua
dimensão física está estreitamente relacionada com sua dimensão espiritual (II Co 4:16),
portanto, há enfermidades físicas que podem vir de causas não orgânicas. Por exemplo,
uma pessoa pode ter colite à causa do estress, ou pode ter alucinações por não poder
dormir bem, e isto devido a culpas de certos pecados. “Os problemas psicossomáticos
são verdadeiros problemas somáticos (do corpo) que são resultado direto de uma
dificuldade psíquica interna”. As enfermidades psicossomáticas são enfermidades reais,
mas causadas por uma questão não orgânica devido a integridade do ser humano.

Por outro lado, um desequilíbrio na nutrição pode afetar a conduta, por exemplo, a
cafeína e o açúcar são normalmente estimulantes. A falta de exercícios, certas
enfermidades e medicamentos podem sortir efeitos em nossa conduta. Também é sábio
que uma pessoa que é alcoólica, drogado ou que tenha sofrido algum tipo d abuso é
recomendável que receba algum tipo de tratamento médico para ajudá-lo em meio ao
seu problema.

Por outro lado, só podem ser aconselhadas as pessoas que estão em estado sóbrio. “As
pessoas que tomam drogas ou bebidas alcoólicas não deveriam ser aconselhadas até que
estejam livres da influência da droga. Deve aprender algo sobre as drogas, de modo que
reconheça se a pessoa obra ou fala sob influência da mesma. Neste caso a conversa é
inútil. Quando as drogas interferem, o aconselhado tem de ir ao médico e pedir que se
reduza ou elimine a dose. O aconselhar só é possível com pessoas sóbrias”.

Ainda que a bíblia não seja uma enciclopédia para que possamos recorrê-la a um índice
sobre os problemas, ainda assim ela fala de todos os problemas humanos. Sempre
vamos encontrar na Bíblia princípios para tratar nossos problemas e os dos
aconselhados. Adams menciona assim: “tal como o conselheiro cristão sabe que não há
nenhum problema único que não tenha sido mencionado claramente nas Escrituras, sabe
também que há uma solução bíblica para cada problema”.

Em I Corintios 10:13, Paulo nos diz que não há problema que não seja comum aos
demais. Ninguém pode alegar que seu problema é diferente ou especial. Os elementos
básicos do problema que está enfrentando não são significadamente diferente daqueles
que outros tenham enfrentado. Cristo enfrentou os problemas que muitos têm
enfrentado; igualmente aos numerosos crentes que tem enfrentado os mesmos
problemas e têm saído firmes. Isto é importante para dar alento e esperança

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Tipos de aconselhamento

Em meu caso vou formular que há três tipos de aconselhamento cristão que podem ser
utilizadas em diversas ocasiões com problemas não orgânicos:

Aconselhamento noutético ou de admoestação

O aconselhamento noutético é um termo acunhado pelo Dr. Jay Adams, vem do grego
nouteteo ou nouthesia que significa: admoestar, advertir, instruir.

A palavra nouteteo ou nouthesia se refere à “instrução da palavra”, tanto para alento


como, em caso necessário, de repreensão ou de recriminação. Significa por em mente,
admoestar (At 20:31; Rm 15:14; I Co 4:14; Cl 1:8; Cl 3:16; exortando-vos” na Reina
Valera 1960; admoestando-vos na VM; I Ts 5:12, 14; II Ts 3: 15). Se traduz exortando-
vos em Cl 3:16.

Com aconselhamento noutético ou de admoestação me refiro aquela na qual se deve


exortar a um irmão por um pecado cometido. O que buscamos com a mesma é que a
pessoa regre sua vida no que diz respeito às escrituras. Incluem-se neste caso as pessoas
que necessitam ser restauradas.

Aconselhamento paraklético ou de consolo

O termo aconselhamento paraklético o acunho baseando-me no termo grego


“parakaleo” que significa “chamar de lado”. Se traduz com o verbo consolar em Mt
2:18; 5:4; Lc 16:25; At 15:32; 16:40; 20:12; II Co 1:4, duas vezes; v. 6; 2:7; 7:6,7,13;
13:11; Ef 6:22; Cl 2:2; I Ts 3:7. É traduzido “alentar” em I Ts 4:18, aparece como
animar em I Ts 5:11, “animai-vos uns aos outros”, “confortar” em Cl 4:8 e II Ts 2:17.

É importante que o termo “Parakletos” é o mesmo que se traduz como “Consolador” e


se usa para Jesus Cristo e logo para o Espírito Santo. Significa literalmente “chamar de
lado, em ajuda de um”, e sugere a capacidade ou adaptabilidade de prestar ajuda.
Usava-se nas cortes de justiça para denotar a um assistente legal, um defensor, um
intercessor, advogado, geralmente, que advoga pela causa de outros, um intercessor,
advogado, como em I Jo 2:1, do Senhor Jesus. Em seu sentido mais amplo, um que
socorre que consola. Cristo foi isso para os seus discípulos, pela implicação de suas
palavras “outro” Consolador, isto é, da mesma classe, ao falar do Espírito Santo (Jo
14:16). Em 14:26; 15:26; 16:7 o chama de Consolador.

Com este termo me refiro aquele aconselhamento que consiste em dar alento e apoio em
meio as situações difíceis da vida, que são parte da mesma. Por exemplo, as diferentes
situações de perda como a morte de um ente querido, um irmão enfermo no hospital,
entre outros.

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ACONSELHAMENTO CRISTÃO - 12

Aconselhamento jodegotica ou de guia

Este termo também é de minha autoria, e me baseio na palavra grega “jodegos” que
significa “guia no caminho” (jodos, caminho; jegeomai, conduzir, guiar). Este termo se
usa de forma literal em At 1:16, de guiar os cegos (Mt 15:14; Lc 6:39); de guiar às
fontes de água da vida (Ap 7:17). Também se usava figurativamente em (Mt 15:14;
23:16,24; Jo 16:13; Rm 2:19).

Com este tipo de aconselhamento me refiro aqueles casos onde se ajuda a tomar uma
decisão à pessoa conforme as Escrituras. Também é aplicável quando uma pessoa ocupa
algum tipo de acessória para resolver um problema de um terceiro, ou sobre um assunto
de outra natureza.

Como exemplos disso podemos citar aqueles que têm a ver com questões de decisões
vocacionais ou ocupacionais acerca de seu projeto de vida e questões acadêmicas, por
exemplo, a pessoa não sabe que profissão seguir, a pessoa tem problema na escolha do
emprego, a escolha de qual universidade assistir, a pessoa que não tem claramente o seu
chamado para o ministério cristão. Quando um conselheiro tem que dar um conselho
acerca destes casos vocacional-ocupacionais, chamo isto de “pastoral acadêmico” ou
“pastoral vocacional”. Se desejar mais informação sobre tema acesse o curso de MINTS
“pastoral acadêmica e vocacional”.

A BÍBLIA ANTE A PSICOLOGIA

Porque falar sobre a Bíblia e a psicologia em curso de aconselhamento Cristão? Porque


esta disciplina está cada vez mais inundando nosso contexto. Cada vez mais é frequente
ver os irmãos em Cristo recorrerem aos conselhos dos psicoterapeutas em detrimento
dos pastores ou outros cristãos. Constantemente veremos as pessoas falar e pensar de
forma psicológica, e isto cada vez mais com os crentes. Constantemente em nosso
jargão utilizamos os termos psicológicos como auto-estima, complexo, transtorno, etc.
Portanto, não podemos simplesmente ignorar este fenômeno como se não existisse.

Gary Almy inclusive chega a dizer “a igreja parece estar enamorada por doutores de
psicologia e psiquiatria, que tomam cada vez mais lugar na liderança em meio dela. Já
não é um grau teológico que permite um exercer responsabilidade na igreja, escola ou
instituto bíblico, senão mais um grau em psicologia”. Tanto tem afetado o cristianismo
que aqueles que querem ajudar as pessoas buscam primeiro se preparar em psicologia
que nos trabalhos pastorais.

Precisamente enquanto estava escrevendo este manuscrito tive um encontro com um ex-
companheiro de seminário. Este companheiro há muitos anos se formou no seminário
teológico, e hoje é um pastor de jovens em uma igreja conservadora em meu País. O
que me surpreendeu um pouco foi o que encontrei na universidade estudando
psicologia. Ele me explicava que decidiu estudar essa carreira para poder dar terapia aos
jovens com os quais trabalhava, já que considerava que com os conhecimentos
teológicos não poderia ir mais além com seus problemas. Para ele era uma forma de

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ACONSELHAMENTO CRISTÃO - 13

trabalhar mais “profundamente” com os problemas de seus jovens mediante a


psicologia, a qual ele via como uma ferramenta para seu ministério. Casos como estes
são comuns em nossas igrejas.

Nesta anedota podemos notar várias coisas, em primeiro lugar o ensinamento


generalizado de que as Escrituras não é suficiente para aconselhar, e em segundo lugar,
a elevação da psicologia ao lado das Escrituras.

A declaração da insuficiência das Escrituras

Considera-se que os conhecimentos teológicos e as Escrituras não são suficientes para


atender os diversos problemas que se apresentam na vida diária, já que alguns são
muitos “profundos”, e nisto as Escrituras fica curta, e seria muito simplista resolvê-lo
desta maneira. Muitos pastores hoje se sentem incapacitados para dar conselhos em
muitas áreas da vida das pessoas.

Willian Mcdonald o expressa da seguinte forma: “Em contradição a II Timóteo 3:16,


17, a Bíblia já é considerada suficiência como base para o aconselhamento.
Necessitamos psicoterapia. Já não se confia no Espírito Santo para que se produza as
mudanças necessárias na vida dos crentes. Os anciãos já não são competentes para
orientar. Tem que enviar as pessoas a um terapeuta profissional. Isto apesar do ato de
que Deus nos deu na palavra e mediante o Espírito todo necessário para vida e a piedade
(II Pe 1:3).” Além do mais, esta postura dá demasiada importância ao conselheiro
humano quando realmente quem produz as mudanças é Deus; o único especialista que
provoca a mudança é o Espírito Santo

As Escrituras afirma que toda igreja está na posição de dar aconselhamento (Rm 15:1,
14; Ga 6:1-2; Cl 03h16min; I Ts 4:18; 5:11; Hb 3:13; Tg 5:16) e que especialmente o
pastor um o chamado dentro da igreja (Hb 3:17). Creio que a melhor maneira de
aprender a dar conselho é capacitar-se em um seminário teológico para aprender a ter
um bom conhecimento e uso das Escrituras.

A elevação da psicologia ao lado das Escrituras

Vê-se claramente que a disciplina de psicologia como um aliado ao ministério. Inclusive


poderíamos dizer que se põe a psicologia ao lado das Escrituras, dando a entender que
as “verdades” da psicologia complementam as verdades das Escrituras.

Agora nos perguntamos pode a psicologia ser uma aliada do aconselhamento? As


verdades das Escrituras podem ser complementadas com as verdades da psicologia?
Vamos analisar vários pontos antes de dar respostas às estas perguntas.

O objeto de estudo da psicologia

A palavra psicologia etimologicamente significa estudo ou tratado da alma,


curiosamente segundo o dicionário da Real Academia Espanhola, a psicologia é uma
parte da filosofia que trata da alma, suas faculdades e suas operações. A Associação

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ACONSELHAMENTO CRISTÃO - 14

Psicológica Americana (APA) define a psicologia como a ciência que estuda a mente e
a conduta, não somente a humana senão a animal.

Observando tanto a sua definição etimológica como a sua definição atual podemos nos
dar conta de que tanto a alma como a conduta humana são áreas que a Bíblia trata
amplamente. Não há ninguém que conheça a alma do ser humano tão claramente como
aquele que é seu criador. Nem o ser humano mesmo conhece a si mesmo como o
criador. Por outro lado, as Escrituras descreve amplamente a conduta do ser humano, as
razões para sua conduta e as soluções para as mesmas. As Escrituras foi dada por Deus
para que soubesse como se comportar e como conduzir-se na vida. Em outras palavras,
as Escrituras descrevem como o homem deve se comportar.

Ainda que a Bíblia não seja um manual de arquitetura, nem de biologia, nem de outra
ciência humana, podemos afirmar baseando na definição atual de psicologia que a
Escritura é o melhor manual de psicologia. “A que parte pode dirigir-se uma pessoa
para que possa obter os dados necessários para fazer frente aos pontos principais no
aconselhar, a saber, o problema de como amar a Deus e o problema de como amar o
próximo?”

Portanto, realmente as Escrituras tratam da conduta humana e de prescrições de


soluções para esta, o único verdadeiramente capacitado para fazer este tipo de função é
o crente em Cristo, e especialmente os pastores ordenados por Deus. O aconselhamento
não é uma ciência, é algo espiritual, portanto, corresponde a igreja e não ao mundo.

A graça comum e as contribuições humanas

A graça comum ou gratia communis é aquela que se estende a todos os homens, em


contraste da graça salvadora ou gratia particularis que se limita aos eleitos. Por meio da
gratia communis podemos aceitar o que muitos teóricos não regenerados têm
produzido. Ainda que não tenha sido produzido por crentes, nem sido dedicado de
forma consciente para a glória de Deus; Deus em sua obra de graça comum neste
mundo os tem capacitado para fazer contribuições valiosas para a cultura e para a
edificação da igreja. “Se algo é verdade, é verdade de Deus”.

João Calvino, um dos grandes reformadores do século XVI, nos diz que “toda verdade
vem de Deus; consequentemente, se os homens perversos têm dito algo que seja certo e
justo, não devemos rechaçá-lo porque vem de Deus”. Quando lemos os autores pagãos
vemos neles esta admirável luz da verdade que resplandece em seus escritos, isto deve
servir de testemunho de que o entendimento humano, por mais que seja caído e
degenerado de sua integridade e perfeição, entretanto, não deixa de estar adornado e
ainda enriquecido de dons de Deus. Se reconhecemos que o Espírito de Deus é a única
fonte e manancial da verdade, não rejeitaremos, nem menosprezaremos a verdade onde
quer que a encontremos, a não ser que queremos fazer uma injuria ao Espírito de Deus,
porque os dons do Espírito não podem ser menosprezados sem que Ele mesmo seja
menosprezado e rebaixado.

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ACONSELHAMENTO CRISTÃO - 15

Assim seguindo o principio bíblico de “examinando tudo, retendo o bem, abstendo-nos


de toda espécie de mal” (I Ts 5:21-22), podemos utilizar alguns elementos da psicologia
como auxiliar do aconselhamento, isto especialmente da psicologia em seu sentido
descritivo, isto é, quando o que faz a psicologia é descrever o que Deus tem criado. Por
exemplo, por meio da psicologia evolutiva podemos compreender de melhor maneira o
desenvolvimento do ser humano para poder melhor atender suas necessidades
específicas segundo sua etapa de vida, seja na infância, na adolescência, quando adulto
e na velhice. Outro exemplo, poderia ser a psicologia educativa que nos ajuda a
compreender os diversos estilos de aprendizagem, inteligências múltiplas, necessidades
educativas especiais dos estudantes para poder integrá-los melhor no meio acadêmico.

Portanto, ainda que a psicologia se dedique a observar, descrever e classificar a conduta


humana, podemos, retomar aquilo que não contradiga as verdades escriturais; porque
ainda seus métodos de descrever e classificar o comportamento humano, em ocasiões,
estão muito distante de conformar-se ao modelo bíblico. Um exemplo disto é que no
atual DSM não está classificada a “orientação” homossexual como um problema, senão
que seria um problema se a pessoa não se sente bem com sua “orientação”.

A psicoterapia

Como crentes temos diversos problemas com a psicologia quando queremos tomá-la em
sentido prescritivo, isto é, quando falamos de psicoterapia, já que como mencionei em
parágrafos anteriores, a única fonte que pode prescrever a conduta humana e conduzi-
las são as Sagradas Escrituras. Inclusive posso afirmar em base que os psicoterapeutas
estão invadindo um terreno que corresponde aos pastores e conselheiros bíblicos.

Antes dizia que “se algo é verdade, é verdade de Deus”, mas com isso quero dizer o que
realmente é verdade. A psicoterapia não é uma ciência exata, existem dezenas de
posições teóricas, posso citar alguns: psicanálise, condutismo, terapia centrada na
pessoa, análise transacional, terapia racional-emotivo-condutal, logo terapia, etc. pelo
que não tem uma posição absoluta como tem as Escrituras, senão caem no relativismo
pós moderno do nosso mundo atual. McArthur descreve assim “a psicologia não é um
corpo uniforme de conhecimento científico como a termodinâmica ou a química
orgânica. Quando falamos de psicologia, nos referimos a uma coleção completa de
idéias e teorias, muitas delas contraditórias. A psicologia nem sequer tem provado ser
capaz de tratar com eficácia a mente humana e nem seus processos mentais e
emocionais”. A psicologia é em muitos casos uma pseudociência, já que em muitas
ocasiões não utiliza verdadeiros métodos de investigação, senão simplesmente a opinião
da sociedade. Os esposos Bobgan afirmam que “as teorias de acessoramento
psicológico são conjunto de opiniões humanas ajeitadas em marcos teóricos. São
invenções baseadas na percepção dos teóricos e em suas experiências pessoais. Estas
teorias servem de casa de espelhos para refletirem em suas próprias experiências
pessoais”. Entre os diversos os diversos problemas que tem a psicoterapia podemos
citar:

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ACONSELHAMENTO CRISTÃO - 16

Sua cosmo visão é humanista

Sua visão de mundo situa-se no centro o ser humano e não a Deus. Para o humanismo o
principal é a dignidade do homem e não a glória de Deus como é para fé cristã. Para a
maioria deste sistema o homem é essencialmente bom, e ele não pode encontrar sua
própria verdade e resolver seus problemas. Em troca a cosmo visão bíblica afirma que o
homem é pecador, e que necessita de Deus e de sua palavra para se orientar na vida.

A medida que a cosmo visão bíblica busca a santificação, o humanismo busca o


desenvolvimento pessoal; as Escrituras busca a glória de Deus e o humanismo a auto
realização. Os motivos e metas são distintos.

Muitos têm afirmado que psicologia é em si uma religião ao pressupor um sistema de


crenças tão complexo que poderia comparar-se a um sistema religioso. O psiquiatra
húngaro Thomas Szasz menciona “a psicologia não tão só uma religião que pretende ser
uma ciência, é de fato uma falsa religião que procura destruir a verdadeira...
psicoterapia é um nome que soa científico, moderno, para que estaria acostumado a
chamar-se a “cura das almas”... com o declive da religião e o crescimento da ciência no
século dezoito, a cura de almas (pecadoras), que era parte integral das religiões cristãs,
foi denominada cura de mentes (enfermas), e passou a fazer parte integral da medicina”.

Os diferentes sistemas são reducionistas

Com isto me refiro aos que apresentam como verdade sua própria postura e inclusive
como se fosse a única exclusiva. Existem diversos sistemas psicológicos: psicanálise,
condutismo, terapia centrada nas pessoas, análise transacional, terapia racional emotiva
direcional e um punhado mais de sistemas. Curiosamente nenhum está de acordo com o
outro. Jay Adams nos faz a pergunta: “Se os médicos estivessem tão divididos e
confusos, lhes confiaríamos nossos corpos?”.

Os sistemas psicológicos tem coisas que são “verdades”, mas nem toda verdade. Aplicá-
los de forma copleta seria irresponsabilidade já que a maioria deles vão em sentido
totalmente oposto ao bíblico. Recordemos que essa “verdade” parcial que tem é ao
mesmo tempo uma mentira parcial, portanto, não é uma verdade real.

Muitas vezes o que faz o mal chamado “psicoterapeutas cristão” é fazer um sincretismo
entre a fé e o paganismo humanista. Isto é jugo desigual que Deus condena. Os Bobgan
dizem: “praticamente sempre os que exercem a psicoterapia chamam “assessoramento
bíblico” ao que fazem, ainda quando o exercícios desta tem a ver mais com as teorias e
terapias seculares que com a Bíblia”.

A psicoterapia é determinista

Muitos pecados são chamados enfermidades ou resultado do contexto, tirando a


responsabilidade pessoal do homem ante estas condutas pecaminosas, e, portanto,
privando as pessoas de uma solução verdadeira e pronta, desde a perspectiva divina.

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ACONSELHAMENTO CRISTÃO - 17

McArthur diz que “ao pecado o chamam de enfermidade, por isso que as pessoas
pensam que precisam de terapia e não de arrependimento. Ao pecado comum se lhes
chama de conduta aditiva ou compulsiva”. Por outro lado, John Bettler nos diz “o salvar
os pecadores é o trabalho que Deus se ocupa. Se você está servindo em nome de Deus,
então você também tem que se ocupar nesta obra. O problema é que já não temos
pecadores. Temos vítimas. Temos filhos adultos de alcoólicos. Temos codependentes.
Mas não temos pecadores, não necessitam de salvação. Em vez disto, necessitam de
recuperação”.

Os exemplos são muitos, um homem adultera, é porque faz parte da crise dos quarenta;
outro se embebeda mas não tem culpa porque tem a enfermidade do alcoolismo; outro
rouba e diz ser cleptomaníaco, outro tem um problema e é culpa dos pais que não o
educaram bem. As mulheres são “vítimas inocentes”, cujos equívocos são por causa dos
maridos maus, e por ter sido abusada quando meninas, ou um desequilíbrio químico.
Todas as formas de evitar a responsabilidade, tal como fizeram Adão e Eva desde o
momento da queda, colocando a culpa no outro.

Ao dizer que o pecado é uma enfermidade, declaram que realmente não há cura para
ele. Por exemplo, os alcoólicos têm que declarar que sempre serão alcoólicos, e isto é
muito comum nos alcoólicos anônimos. Igualmente ao considerar a homossexualidade
simplesmente como uma alternativa sexual a mais, estão deixando o ser humano sem
esperança.

Mas ao tratar estes males como pecado tal e como declara as Escrituras há uma
esperança, há redenção em Cristo Jesus, “nem os fornicários, nem os idólatras, nem os
adúlteros, nem os afeminados, nem os que se deitam com varões, nem os ladrões, nem
os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os fraudulentos, herdarão o
reino de Deus. E nisto errais alguns; mas já haveis sido lavados, e haveis sido
santificados, já haveis sido justificados no nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito de
Deus” (I Co 6:10-11). “De modo que se alguém está em Cristo nova criatura é; as coisas
velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. (II Co 5:17).

CARACTERÍSTICAS, HABILIDADES E TÉCNICAS EM


ACONSELHAMENTO.

Faz alguns anos que se puseram em moda os perfis de personalidades para postos
vocacionais, daí surgiu a teoria de traços, segundo o qual para um tipo especifico de
oficio se necessitava de uma personalidade especifica. Agora pergunto, necessitamos de
algum tipo de personalidade para ser conselheiros? Minha resposta é sim. A única
personalidade que se necessita para ser conselheiro, é a do Senhor Jesus Cristo, por isso
temos que seguir crescendo e mudando a cada dia. Na continuação analisaremos uma
série de características, habilidades e técnicas que deve ter e manejar o conselheiro
bíblico.

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ACONSELHAMENTO CRISTÃO - 18

Características do conselheiro bíblico

Integridade

Para Roger Smalling a integridade é a virtude fundamental do líder cristão. Esta virtude
é vital para o conselheiro bíblico, por isso dedico o maior espaço entre as características
que anoto. Este deve ter consistência entre nas suas palavras e ações. Seus atos devem
ser congruentes com o conselho bíblico, a diferença do psicólogo que orienta de
maneira que não crê de forma pessoal e que nunca aplicaria em sua vida.

Nisso tem que se reconhecer o mito de que o conselheiro deve ser perfeito. Segundo
este mito os pastores e conselheiros devem ter uma vida matrimonial perfeita, uma vida
espiritual perfeita, etc. Ninguém é perfeito, todos são pecadores. Todos são pacientes,
um paciente aconselha outro paciente, o médico é o Senhor.

Devemos reconhecer que o pecado também influi na vida do conselheiro. Não podemos
dizer nada ao conselheiro, pois é uma área frágil em nossa vida. Inclusive o aconselhado
pode tentar e dar idéias para pecar. Por isso é importante, seguir o conselho de Paulo a
Timóteo “tem cuidado de ti mesmo” (I Tm 4:16) e o versículo em I Corintios 10:12
“quem pensa que está de pé, cuide-se para que não caia”.

Por isso, o conselheiro deve estar alimentando sua vida, e deve estar em constante
mudança ao ser tocado pela palavra. Vamos falar em aconselhar outros em áreas que
são debilitadas para nós, pelo que devemos trabalhar em nossos problemas, e se for
necessário remeter a outro, enquanto isso se trabalhará com ele.

O conselheiro bíblico também deve saber reconhecer seus próprios limites. Deve
reconhecer quando não se tem a competência para tratar de um caso particular e remeter
a outro conselheiro. Em algumas ocasiões não saberemos o que fazer com o caso, ou
poderemos manejá-lo, por exemplo, nem todos podem aconselhar um estuprador. Assim
em muitos casos será necessário remeter a pessoa a outro conselheiro para que possa
atendê-lo melhor.

Adams menciona que não devemos remeter o aconselhado a outro simplesmente com
um meio para evitar nossa própria responsabilidade no assunto. “Há de se lembrar que
Deus o colocou, providencialmente, ao cristão que erra em seu caminho, para que a ele
você ministre”. O remeter desta maneira não é ético nem cristão.

Por outro lado, é importante reconhecer que o que se diga em aconselhamento é


confidencial ainda que se diga abertamente. Ainda que o conselheiro não esteje
obrigado por lei a seguir o sigilo ou o segredo profissional como os psicólogos ou os
advogados; o conselheiro que guarda a devida confidencia será considerado íntegro. Por
outro lado, como nossa visão principal é buscar a glória de Deus, em algumas ocasiões
o que agrada a Deus é que rompamos a confidencia quando há de denunciar um abuso.

Por outro lado, não devemos dar lugar ao que se possa por em dúvida nossa integridade
por um mau testemunho, pelo que recomendo que nunca se dê conselho a uma pessoa

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ACONSELHAMENTO CRISTÃO - 19

do sexo oposto em lugares isolados. Uma alternativa para que isso não se suceda é co-
conselheira, isto é, dar conselhos entre duas pessoas, se é casado é o ideal.

Humildade

O aconselhamento é imprescindível, não sabemos que caso se nos vai apresentar para
atendermos e isso nos pode dar medo. Isto mostra a nossa incapacidade, já que muitas
vezes não sabemos “por onde entrar no assunto”, por isso temos que esperar em Deus.
Temos que lembrar que Deus tem o controle, Ele sabe o que vai acontecer. Devemos
reconhecer a soberania de Deus e ao mesmo tempo nossa pequenez. Ele se aperfeiçoa
na nossa debilidade (II Co 2:4-6). Não devemos nos sentir competentes por nós mesmos
senão lembrar que Deus não elege os capacitados, Ele capacita os eleitos. Ele é quem
nos faz competentes. Temos que reconhecer que é Ele que obra através de nós. Nós
somos canais.

Bondade (Rm 15:14)

Segundo Adams esta qualidade se refere a “atitude boa no coração de interesse e afeto
pelos demais. É um desejo de ajudar e dar a mão a outros em sua necessidade; uma boa
vontade que te impulsiona para os outros sem interesse egocêntrico”. O conselheiro
deve ser um homem ou mulher disposto a ajudar os outros em meio os problemas.

Como os que nos move é o interesse genuíno pela pessoa e não o dinheiro (como
acontece com muitos psicólogos), não nos preocupa o tempo que damos a pessoa e a
Deus.

Respeito

O respeito é considerar os outros digno de honra, e a bíblia constantemente nos chama


a isto (Rm 12:10; Fl 2:3; I Pe 2:17). Preste atenção nos aconselhados; mantenha um
volume de vos adequado e estabeleça um contato visual com as pessoas com quem está
falando. Devemos crer nos aconselhados (I Co 13:7). Não miniminize os problemas do
aconselhado. Mantenha em confidencia.

Conhecimento da Palavra (Rm 15:14; Cl 3:16)

Um bom conselheiro bíblico tem que conhecer a Palavra de Deus, sendo esta direção e
conteúdo de seu aconselhar. Por isso deve se conhecer os princípios da Palavra de Deus
para podê-los aplicá-los em diversas situações da vida. Este conhecimento só se obtém
com o estudo contínuo das Sagradas Escrituras de forma constante. Adams o expressa
da seguinte maneira “como o aconselhar é um ministério da Palavra, e como o Espírito
Santo muda às pessoas pela Palavra, é essencial um conhecimento sempre crescente da
Palavra”.

Os aconselhados podem ter dificuldades, devidas às crenças incorretas, por isso que é
necessário que o conselheiro conheça a Palavra para poder discernir o erro e corrigi-lo
de maneira adequada.

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ACONSELHAMENTO CRISTÃO - 20

Por outro lado, o conhecimento da Palavra não só deve ser teórico, deve ser o produto
de experiências, temos que viver. Não podemos falar somente em teoria da Palavra
temos que conhecer no viver diário, tem que aplicá-la em nossas vidas, para que se faça
viva em nós e assim possuamos um verdadeiro da mesma.

Sabedoria (Cl 3:16)

As Escrituras, especialmente o livro de Provérbios, nos diz que o temor do Senhor é o


principio da sabedoria (Pv 1:7; 2:5; 9:10; Jó 28:28; Sl 111:10). Podemos visualizar o
temor do Senhor, como “uma preocupação consciente de agradar a Deus em todos os
aspectos da vida”. Esta é uma atitude que todo conselheiro deve ter.

Agora também, a sabedoria é poder aplicar a Palavra em diversas situações da vida


cotidiana. Adams menciona “não é suficiente que você e seu aconselhado, conheçam o
que meramente Deus diz; devem aprender a encarnar e dar forma a verdade e a crença
na vida de cada dia. Quanto mais capaz é no uso e, especialmente, no por em prática a
verdade bíblica no viver de cada dia, mais apto será para fazer o outro a fazê-lo”.

O conselheiro deve ser um homem de fé e esperança, que crê firmemente nas promessas
escriturais. Ele deve confiar nas escrituras para poder dar esperança para quem não tem.
Tem que estar convencido de que as Escrituras é a verdade e estar disposto e ser capaz
de conduzir a outros às suas promessas com segurança e convicção.

Autoridade

O conselheiro deve ter autoridade, não dele, mas dado por Deus. A autoridade do
conselheiro repousa nas Sagradas Escrituras. Seja um pastor (I Ts 5:12,13) ou membro
que aconselha, exerce a autoridade que Deus lhe tem conferido (Cl 3:16; Rm 15:14).

Autenticidade (II Co 4:2)

Sejamos sinceros com nossas capacidades e limitações (I Co 2:1-3). Reconheçamos


nossas próprias debilidades (II Co 1:8; II Co 10: 13). Sejamos sinceros acerca das metas
e o programa que temos para o aconselhado. Temos que ser transparente em cada
momento com o aconselhado.

Habilidades do conselheiro

Ouvido ativo

Tem que escutar os fatos (Pv 18:13) mas escute-los de maneira ativa (Pv 18:15). Isto
custa muito aos pregadores, pois estão tão acostumados a falar que lhes custa escutar.
Mas tem que escutar o aconselhado se realmente desejamos ajudá-lo.

Empatia cristã

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ACONSELHAMENTO CRISTÃO - 21

Falo empatia cristã dado que é diferente da mundana. Na empatia mundana não está
Deus, é somente uma técnica para entender as pessoas. Na empatia cristã o que move é
o amor. Tem que se pensar de como nos sentiríamos no lugar do aconselhado e
identificarmos com o seu problema. Isto é olhar com compaixão como fez Jesus. Ao
conselheiro bíblico o que lhe move é a compaixão pelos demais. Jesus é o melhor
exemplo disso (Mt 9:35-38; Mc 10:21; Lc 7:11-15; Jo 11:33-35). Ver ao outro como se
fosse alguém futuramente (I Tm 5:1-2) e tratá-lo como se fosse um da nossa própria
família. E supostamente, dando-nos conta de nossa própria pecaminosidade (Ga 6:1).

Mack dá as seguintes sugestões para mostrar compaixão:

 Dizer que se preocupa com eles (Fl 1:8)


 Orar com eles e por eles (Cl 4:12,13)
 Alegrar e entristecer com eles (Rm 12:15)
 Tratá-los com gentileza e ternura (Mt 12: 20)
 Usar de delicadeza com eles (Pv 15:23)
 Ter graça ao falar com ele (Cl 4:6)
 Seguir amando-os e aceitando-os ainda que tenham rejeitado o
conselho (Mc 10: 21)
 Perdoar por qualquer coisa que tenham feito (Mt 18: 21-22)
 Estar disposto a suprir qualquer necessidade física se for necessário (I
Jo 3:17)
Ainda que o mundo nos diga que não temos que nos envolver emocionalmente com o
paciente, a bíblia diz para envolver emocionalmente (não sentimentalmente). Tem que
compartilhar a carga sem tirar-lhe a responsabilidade. Lembremos da Escrituras “alegrai
com os que se alegram e chorai com os que choram”.

Hospitalidade

Devemos ter o dom da hospitalidade, gerar confiança para que as pessoas se


aproximem para pedir conselho, especialmente, se está em funções pastorais.
Sinceramente tem pastores que dá medo de aproximar-se, que não geram esse suporte
necessário para ter confiança (Pv 27:6). Nas palavras de Wayne Mack “somos mais
receptivos ao conselho de alguém que sabemos que está com e por nós. Eles podem
falar com franqueza a respeito de nossos defeitos e ainda que incomodemos
temporariamente, pronto entenderemos que só estão nos ajudando porque tem interesse
em nós. Contrariamente, se alguém a quem nos sentimos estranho ou inimigo vem a
criticar, nossa tendência é-nos por na defensiva e suspeitar de suas motivações”.

Uso da Palavra

Tem que interpretar a palavra corretamente, em harmonia com o resto das Escrituras.
Um curso de hermenêutica é essencial para um bom conselheiro bíblico. “Se não temos
o cuidado de entender a Palavra de Deus com exatidão, podemos terminar dando uma
instrução parecida com a da bíblia sem sê-la na realidade”. Tem que ter o cuidado de
não confundir a Palavra com nossas próprias idéias.

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ACONSELHAMENTO CRISTÃO - 22

Mentoria

Um conselheiro deve ser o mentor ou um discipulador no sentido de que deva ensinar


ao aconselhado a aplicar as verdades das Escrituras em sua vida por si mesmo. Isto
ajuda a não criar uma dependência do conselheiro.

Técnicas de aconselhamento

Técnicas para reunir informação

É necessário conhecer os aconselhados para poder determinar suas necessidades reais e


poder atender melhor as pessoas. Em muitos casos, o aconselhado será um familiar, um
amigo, um aluno, ou simplesmente um irmão na fé. Se a relação futura for bastante
óbvia se conhecerá a pessoa, mas nem sempre será assim.

Haverá ocasiões onde o aconselhado é pouco conhecido pelo conselheiro, pois este
último deve de usar diversas técnicas para reunir informação acerca dos mesmos. Entre
as diversas técnicas para reunir informação podemos mencionar:

A observação

É fixar a atenção nas pessoas, fenômenos, atos ou situações para descrever o que se
captou. Pode ser espontânea ou planificada. É importante que a observação deva ser
objetiva - descrever os atos como se apresentam - e seletiva - dirigida a captar aspectos
significativos.

Em sessões de aconselhamento se deve observar muito bem o aconselhado, tanto em


suas expressões, gestos e posturas, como o tom como dizem as palavras. “Algumas
expressões de seu rosto revelam claramente nojo, dor ou outras emoções. Outras vezes
movem suas cadeiras para mais perto ou mais longe que quando entraram em casa. As
vezes um casal movem suas cadeiras para distanciar-se um do outro. Outras ocasiões as
famílias se orientam em si mesmas de um modo que revelam que está com boas
relações e que não está; ou qual dos filhos é favorecido pelos pais. O aconselhado em
certo momento esfrega os braços na cadeira ou olha o piso quando o conselheiro
menciona algo em particular”.

É recomendável ter um registro de observações, em forma descritiva (sem interpretar).


Um tipo de registro pode ser o registro anedótico que se utiliza em educação. Um
exemplo de registro anedótico:

Data Observador Situação Incidente Comentário

Expedientes

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Este tipo de instrumento se utiliza especialmente quando se dá aconselhamento de


maneira formal, sejam pastores, conselheiros educativos, etc. Proporciona uma visão
progressiva do desenvolvimento dos aconselhados. Inclusive os dados pessoais,
antecedentes familiares, história escolar, dados sobre saúde, resultado de teste, etc.

Entrevista

É a conversação entre duas ou mais pessoas, uma forma dinâmica para buscar
informação entre o entrevistado e o entrevistador. Segundo Adams, devido que o
aconselhar é autoritário, tem que ser direcionado. A palavra que se usa no Novo
Testamento para aconselhar (nouthesia) implica direção escritural, portanto, o tipo de
entrevista deve ser dirigida, guiada pelo mesmo conselheiro.

Formulários, inventários e testes

Os formulários, inventários e testes também são boas formas de recolher informação


acerca da pessoa. No apêndice 1 deste manual há um formulário para copiar informação
da pessoa.

Técnicas para usar em uma entrevista ou sessão de aconselhamento

Retroalimentar e resumir

Uma das formas onde se há mais mal entendidos é na comunicação falada. O


retroalimentar é uma forma de assegurar para que não haja uma interpretação errônea.
Basicamente, é dizer ao aconselhado em nossas palavras o que se entendeu acerca o que
este último disse. Podemos dizer algo assim, “irmão fulano, o que eu entendi foi...” ou
algo similar. Isto também ajuda a resumir o problema para sua posterior análise.

Perguntar

Eu recomendo fazer perguntas naturais, isto é, perguntas que nos ajudem a analisar
melhor o problema. O melhor é utilizar perguntas abertas para que estas tirem maior
informação para analisar o problema.

Dado que já sabemos que a razão de que as pessoas entram em problemas é o pecado, a
ênfase deve cair em “o que?” e não em “por quê?”. O “por quê?” leva a especular e a
evitar a própria responsabilidade, em contrário de “o que?” leva a solucionar os
problemas. Ex. O que se fez? O que você está fazendo? O que se pode fazer para
ratificá-lo? O que se pode fazer nesta situação? O que Deus pede para fazer nesta
situação? Quais deveriam ser as futuras respostas?

Tomada de notas

O conselheiro pode tomar notas no meio da sessão. Isto é bom especialmente quando o
problema for muito grande, e surgem várias coisas que você considera que devem ser
tratadas em outra sessão. Também é bom levar ao final da sessão um registro para
colocá-lo no expediente, especialmente quando se trata de aconselhamento formal.

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O silêncio

O bom conselheiro sabe manejar os silêncios. Sabe quando é o momento onde se pode
dar a oportunidade ao aconselhado para pensar em suas ações para uma decisão, ou por
se estar duvidando algum detalhe. Smalling o chama de “pausa incômoda”. Deste modo,
o silencio pode ser importante em um momento determinado.

Desabituação e reabituação

Muitas vezes um aconselhado quando tem problemas com sua conduta, necessita mudar
hábitos pecaminosos por outros que não são, e isto chamamos de dinâmica de
desabituação e reabituação, e de forma bíblica podemos chamar de “despojar do velho
homem, e vestir do novo homem” (Ef 4:17-32). Pelo que o conselheiro muitas vezes em
um plano fazer uma lista de coisas para despojar e outras para vestir o aconselhado. Isto
é, tirar hábitos pecaminosos e substituí-los por condutas cristãs.

As tarefas ou trabalhos para a casa

O deixar tarefas é uma forma de ajudar ao aconselhado a resolver seus problemas. Com
isso se ganha tempo de trabalho para o conselheiro, e ao mesmo tempo estimula o
aconselhado a não depender tanto do conselheiro, já que o conselheiro o está
discipulando para que ele mesmo possa resolver seus próprios problemas segundo os
métodos de Deus.

Entre as múltiplas tarefas a sugerir, estão:

 O estudo ou leitura de certas passagens bíblicas ou de temas


relacionados com o problema.
 Fazer um devocional pessoal, baseado em provérbios, e anotar os
versículos relacionados com o problema.
 Ler livros ou artigos designados ou ouvir alguma mensagem gravada e
escrever o que tem aprendido.
 A oração, não só de forma regular, senão como parte da solução de um
problema. Por exemplo, se pode designar a um aconselhado quando
estiver desanimado que faça uma oração (Lc 18:1).
 Fazer um diário onde o aconselhado escreva suas reações e
manifestações para um problema em particular.
 As folhas de desabituação/reabituação.
 Listas de pecados próprios, forças, dons, habilidades, formas de
compadecer-se um do outro, etc.
 Testes ou inventários de algum tipo. Por exemplo, o questionário
Houst-wagner sobre dons espirituais.
 Horários, planos e pressupostos, etc.
 As mesas de diálogo: os membros de cada família se sentam em uma
mesa a cada noite a falam sobre os seus problemas. As regras são
simples: O pai chama para a mesa, e em geral, como cabeça do lar, está
encarregado da reunião. A mãe deve atuar como secretária e anotar as
coisas. O diálogo se abre com uma oração. Se estuda a bíblia durante o
diálogo, para descobrir a vontade de Deus com respeito as questões

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ACONSELHAMENTO CRISTÃO - 25

entre os participantes. É conveniente iniciar com os próprios erros e


falar como corrigi-los.
 Modelos e entrevistas (Fl 4:9; 3:17), isto é, mostrar a outra pessoa de
como uma família ou pessoa resolve seus problemas. Outro exemplo
seria uma entrevista com uma família e que esta contasse como criaram
seus filhos tão obedientes.
 Tomas uma segunda lua de mel para renovar votos matrimoniais.

FASES DO ACONSELHAMENTO

Preparação prévia

Refiro-me como preparação prévia ao que sucede antes da sessão de aconselhamento. O


que se deve fazer primeiramente um conselheiro cristão é orar por si mesmo e por seus
aconselhados. Por outro lado, se é uma sessão informal como ocorre muitas vezes entre
irmãos em Cristo, isto se refere ademais em preparar o ambiente; e se o tipo de
aconselhamento é um pouco mais estruturado e formal como que realizam os pastores e
outros tipos de conselheiros bíblicos em instituições cristãs consistirá ademais de
manter um ambiente adequado, o revisar expedientes.

Com respeito ao ambiente, se deve tratar de que seja propício para o momento de
aconselhamento. Se for aconselhamento entre irmãos na fé pode ser realizado na igreja,
na escola dominical, um lar, etc. Se for um pouco formal no caso de um pastor ou um
conselheiro de uma instituição cristã ou igreja o melhor é que se faça em um escritório.

Se for necessário de que o ambiente seja cômodo para o aconselhado, que tenha
confidencias, que não tenha muitos detalhes para que funcionem como distração nem
tampouco vazio para que não seja frio.

Por outro lado, o ambiente deve promover um bom testemunho, o ideal é de que seja
fechado para que haja confidência desde que haja grandes janelas para que todos que
estão de fora vejam o que está acontecendo dentro. Lembro-me quando eu trabalhei
como conselheiro em um colégio cristão, tive uma grande ajuda da instituição, que me
proveram um escritório de que teria um bom ambiente devido que suas paredes e ao
mesmo tempo tinha uma grande janela que dava para fora, de onde se podia ver tudo o
que acontecia lá dentro. Quem quer que trabalhe com adolescentes sabe como estas
coisas são delicadas, e que facilmente pode mal interpretar os fatos de que um
conselheiro esteja só em seu escritório com uma estudante, pois este tipo de previsões é
adequado para preservar o testemunho cristão.

Por outro lado, se manusear o aconselhamento formal, é bom antes de receber uma
pessoa é revisar o expediente do mesmo, para conhecer seus antecedentes pessoais e
familiares, e familiarizar com a problemática prévia que se tem apresentado.

Inicio da sessão

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Nesta parte se saúda a pessoa, pode haver uma apresentação pessoal de ambas as partes
(em caso de não se conhecerem), e em caso de ser necessário muitas vezes quebrar o
gelo com algumas perguntas não tão relacionadas com o problema. Na maioria das
vezes as pessoas simplesmente irão falar dos problemas e nos pedir conselho
diretamente. Semelhantemente podemos ajudar com a frase “em que posso ajudar” ou
algo similar. O inicio também é um bom momento para orar pedir direção e sabedoria
de Deus para tratar o problema.

Se for a primeira sessão tem que se reconhecer que é de suma importância, já que a
primeira estabelecem-se normas, e em muitos casos só se conta com uma só reunião
para trabalhar um problema. Pode ser bom analisar quais as circunstâncias em que veio
a pessoa, já que a pessoa veio de forma voluntária atuará de maneira muito diferente se
a mesma veio remitida por outra, ou o pior dos casos se veio obrigado por outra. É
importante que o conselheiro determine neste momento se o aconselhado é cristão ou
não, se não for, é melhor iniciar com o que chamamos de pré-conselho, isto é,
apresentar o evangelho.

Por outro lado, se você se dá conta de que o caso de aconselhamento múltiplo, isto é,
que este apresente outras ou outras, é melhor deter na sessão e solicitar que na próxima
vez venha com as pessoas implicadas no problema. Por exemplo, isto pode suceder
quando uma pessoa tem problemas com o cônjuge, ou quando o matrimonio tem um
problema com o filho adolescente. O melhor é que a pessoa venha com o esposo ou
esposa para resolver o problema, ou que o casal traga o filho adolescente.

Por outro lado, tem que se reconhecer que nem sempre é possível conseguir que os dois
afetados venham ao aconselhamento. Assim, um caso como este que tem falar da pessoa
que está presente e não sobre a outra que não está (o falar de outra pessoa é pecado de
murmuração, e além do mais, não serve de nada). Tem que concentrar o caso em falar
de como a relação da pessoa presente com a ausente é correta diante de Deus.

Em caso de ser um segunda sessão, se pode pedir a tarefa deixada na sessão anterior.
Jay Adams se refere a isto: “ao principio de cada sessão o conselheiro pede o trabalho
de casa dado na sessão anterior. Algumas vezes tem que dedicar a metade da sessão
neste assunto, inclusive toda sessão”.

É importante sempre iniciar pontualmente as sessões já que isto reflete a pessoa como
verdadeiro interesse em ajudar a pessoa neste problema.

Desenvolvimento da sessão

Coleta de dados

Nesta parte a pessoa irá contar ao conselheiro seu problema. Pode em muitos casos o
conselheiro fazer perguntas ao aconselhado para ter melhor visão do problema. No caso
de ser uma situação de crise, as perguntas do conselheiro serão as chaves. Aqui é de
suma importância que se maneje bem a tomada de notas para que se possam reconhecer
os dados de uma maneira precisa.

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Tem que se ter dados suficiente para não se ter má interpretação tal como fez Eli quando
viu Ana; ou como os amigos de Jô; por isso é de suma importância dar ouvidos ao
aconselhado e reunir informação sobre a situação que enfrenta.

Necessitam-se muitas vezes tomar notas de assuntos físicos, como padrões de sonhos,
dieta, exercícios, medicação e outros. Considere a situação espiritual da pessoa, as
emoções do aconselhado, e outros aspectos que considere importante.

Identificar o problema

Nesta etapa o conselheiro deve identificar biblicamente o problema, baseados em dados


que conhece. A Bíblia põe nome aos diferentes tipos de problemas humanos, portanto,
devemos identificar os termos que utiliza para descrever os problemas que enfrentamos
no aconselhamento. Isto nos ajuda a identificar os problemas e sua solução.

Em muitas situações o conselheiro notará que não é só um problema, senão vários, ou


que o problema é suficientemente amplo para abarcar mais de uma sessão. Pelo que
deverá informar ao aconselhado de que o problema levará mais de uma sessão e
estruturar o processo em várias reuniões. Assim, o conselheiro e o aconselhado deverão
colocar-se de acordo com os objetivos, especialmente se for a primeira sessão. Alem do
mais, é importante que o aconselhado se comprometa em levar a cabo o processo de
aconselhamento em caso de levar mais de uma sessão.

O primeiro problema que apresenta o aconselhado não necessariamente é o que tem


maior importância, senão que tenha sido oferecido como sonda para ver como maneja
os problemas. Inclusive pode ter sido mencionado simplesmente para ver a reação
inicial do conselheiro ante este problema, para ver se menciona o que considera o “mais
grave” ou “mais pecaminoso”.

Quando identificamos o problema, devemos comunicá-lo ao aconselhado. Aqui


saberemos que determinado conselho deveremos utilizar, se é de consolo, de
admoestação ou de orientação. De qualquer maneira tem que explicar o problema de
maneira bíblica, e fazer que o aconselhado entenda o problema da forma que Deus o vê.

Solucionar o problema

Logo após identificar o problema do aconselhado do ponto de vista bíblico devemos


também buscar uma solução bíblica, e buscar de como levar essa solução bíblica a
prática.

Supostamente, em muitos casos tem que primeiramente motivar a pessoa para que tome
as decisões que manda a Escrituras para poder resolver o problema. Já que consolamos
admoestamos ou direcionamos, as pessoas devem tomar a decisão para que haja
mudança em suas vidas e comprometer-se a isso.

A melhor maneira de levar à prática a solução de um problema é com um plano. Um


plano deve incluir o objetivo ou objetivos bíblicos a serem alcançados, tanto a curto ou

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em longo prazo, e supostamente, as estratégias para alcançar tais objetivos e inclusive a


forma de avaliar que se tem cumprido os objetivos e as estratégias. Entre estas
estratégias devem incluir questões de horários, métodos, técnicas, procedimentos, etc.
Adams diz que o comprometer-se a um plano bíblico é totalmente essencial porque a
menos que o aconselhado faça o que Deus requer, o restante é inútil.

Desde a primeira sessão o conselheiro deve dar uma resposta bíblica, isto inclui de dar
esperança de que o problema tem solução em Cristo, pedir mudança nas condutas
pecaminosas, e dar bases bíblicas sobre os diferentes problemas que se enfrentam.

Término da sessão

Cada sessão deve ter seu próprio objetivo e agenda, ainda que se deva estar aberto à
flexibilidade de alterar, agregar ou propor algo da agenda. Como término da sessão deve
resumir o que se tem obtido e decidido na sessão. Podemos designar trabalho para a
casa (se for necessário) isto ajuda a pessoa à por em prática o que ela está aprendendo e
além do mais, para que seja mais rápido o processo. Se notarmos que se ocuparão outras
sessões, podemos estruturar o aconselhado no que vamos tratar na próxima sessão. A
oração final deve enfocar sobre o conteúdo vital da hora anterior.

Imediatamente depois da sessão

Logo após a reunião o conselheiro deve fazer um resumo escrito do que foi tratado na
reunião, e colocá-lo no expediente em caso de aconselhamento formal. Além do mais,
se o conselheiro se comprometeu em fazer uma diligencia, deve prepará-la para sessão
seguinte, ou para entregá-la ao aconselhado.

Seguimento

O seguimento deve dar sempre, independentemente se o processo tratar de uma ou


várias sessões. Sempre é recomendável perguntar a pessoa, como foi o plano designado?
O que aconteceu com a decisão bíblica tomada? Se obteve o proposto? Quais obstáculos
se apresentaram? E também podemos seguir orando pelo aconselhado e seus problemas.

CONSIDERAÇÕES PARA ACONSELHAR EM DIVERSOS CONTEXTOS

O aconselhamento a pessoas de diferentes idades

Em todos os casos tem que se adaptar a linguagem verbal e não verbal e estratégias às
características e necessidades do aconselhado. Este é o principio de encarnação das
Escrituras. Jesus teve que encarnar-se e Deus teve que revelar sua Palavra na Bíblia para
que pudéssemos entendê-lo. Igualmente Paulo fez para ganhar alguns para o evangelho
(I Co 9:19-23).

Em caso de aconselhamento de crianças tem que considerar que elas descrevem as


coisas a sua maneira, que não entendem as coisas abstratas, que tem períodos diferentes
de atenção aos dos adultos, etc. Com os adolescentes se pode falar um pouco mais
informal que com os adultos, mas sempre tendo os limites adequados, com os adultos

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manter o nível de respeito adequado especialmente quando se trata de adultos maiores


que o conselheiro. Recordemos que em muitos casos quando há menores de idade e o
aconselhamento é formal, é bom que os pais conheçam e o que está sendo aconselhado
aos seus filhos.

O aconselhamento em assuntos interpessoais

Em assuntos interpessoais, se deve preferir o aconselhamento múltipla como norma e


não como exceção; isto é para que conselheiro tenha uma visão total do sucedido ao
apresentar ambos os lados da questão (Pv 18:17; 14:15) e para chegar a soluções mais
efetivas. Na medida das possibilidades todos os afetados devem estar presentes para que
conselheiro possa escutar realmente todos os atos. A quantidade de participantes que
deveriam estar incluídos parece ser tão grande quanto o número de indivíduos que se
acham envolvidos no problema.

Cada um deve ouvir o que o outro tem a dizer, a fim de ter uma compreensão do
problema dos diversos pontos de vista.

Este tipo de aconselhamento é muito comum quando se dá aconselhamento pré-


matrimonial ou matrimonial e quando tem que mediar assuntos de resolução de
conflitos. Recordo que uma vez atendi um caso de fofoca, onde tive que trazer
praticamente dez pessoas ao meu escritório: a pessoa que foi ofendida, a pessoa que
provocou a fofoca, e outras mais que escutaram a fofoca. Isto para que assunto não
passasse a frente e frear realmente o pecado da fofoca.

Consideremos o seguinte exemplo de aconselhamento matrimonial segundo as


recomendações de Adams: “para começar, os cônjuges tem que vir juntos para serem
aconselhados. Não tem nenhum sentido dar-lhes horas separadas a cada um. Não só as
citações separadas levam a recolher dados mais parciais e deficientes, ainda falsos,
senão como o outro não está presente para retificar e ampliar o que seu cônjuge disse
(em conformidade com Pv 18:17), se dá ocasiões para que se criem suspeitas
desnecessárias e se propicia uma situação que tende a pessoa que está presente fale mal
da outra quando esta não está para o ouvir, o qual está proibido nas Escrituras”.

O aconselhamento e as situações de crises

As crises são partes normais da vida do ser humano. Há crises que se apresentam
simplesmente pela etapa da vida que atravessa uma pessoa, e outras que são
inesperadas.

A maioria das Epístolas foi escrita para resolver crises pessoais ou eclesiásticas. Talvez
a pior crise que as escrituras apresentam no Antigo Testamento é a de Jó. O pior do caso
é que seus amigos não souberam tratar a crise adequadamente.

O conselheiro que recebe uma pessoa em crise deve saber como atuar senão tornará a
crise maior ainda, e seja como os amigos de Jó.

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Novamente temos que dizer que o conselheiro bíblico deve basear seu conselho na
Palavra, mas nesses casos deve fazê-lo com maior intensidade, já que é necessário
confrontar ou consolar. Normalmente uma situação de crise é uma situação de urgência,
pelo que realmente o conselheiro deve aplicar são os primeiros socorros para ajudar a
pessoa no estado de emergência. Depois se pode dar um acompanhamento pastoral
completo.

Adams diz que há três elementos a considerar em uma crise: a situação de crise, o
individuo em crise e a resposta que tem que dar aos motivos da crise.

A situação de crise

A situação de crise deve ser analisada, o conselheiro deve analisar cada uma de suas
partes, e dividi-las para poder melhor manejá-las. Isso trará clareza tanto ao conselheiro
quanto ao aconselhado. O conselheiro deve esforçar-se em analisar a crise do ponto de
vista de Deus, e fazer com que o aconselhado veja da mesma maneira.

Adams diz: “Deus é soberano. Não importa quão grave seja a crise ou que pareça, nunca
está além da capacidade de Deus para resolvê-la. Além do mais, tampouco está fora do
alcance e interesse de Deus. Todo cabelo do aconselhado está contado”.

Portanto, a nossa função é fazer com que o aconselhado veja de que Deus está no meio
da crise. Isto nos dá a entender que a crise é limitada, “a situação não é perdida nem
impossível e nem sem esperança. Nem tampouco está demasiadamente fora de
controle”. Jesus está conosco, e isto nos dá a entender que a crise tem um propósito nos
planos de Deus. Deus sabe como operar em nossas vidas, assim como o fez na vida de
Jó. Por último, o reconhecer que Deus está no meio da crise nos alenta porque sabemos
que contamos com sua força e sabedoria.

O individuo na crise

Recomenda-se analisar o indivíduo em crise. Qual é o seu estado? Está totalmente


consciente ou não conta com suas faculdades? É cristão ou não-crente? Sua atitude
ajuda ou piora o assunto? O que tem feito até agora para resolver a crise? Com que
recursos conta?

As respostas aos motivos da crise

Recomenda-se neste caso ser totalmente direto devido às condições exaltadas da pessoa.
O melhor é orientar a pessoa a tomar um plano de ação. Tem que agir com autoridade
bíblica e levar a pessoa a tomar uma decisão e ações que requer em meio à situação de
crise. Por outro lado as ações devem ser concretas, isto é, devem dar passos específicos.

O aconselhamento e os não-crentes

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ACONSELHAMENTO CRISTÃO - 31

Às vezes sucede que pessoas não crentes se aproximam para solicitar conselho a nós
como parte da igreja. Não importa se você é um pastor ou simplesmente um membro da
igreja, você deve lembrar que o aconselhamento bíblico dirigidas à pessoas não-crentes
deve ser evangelística; entendendo que a mesma deve dar a seriedade ao pecado tal
como que Deus deu o seu Filho para morrer pelos pecadores. Um não-crente em
nenhum momento tem por motivo agradar a Deus, nem tem o Espírito Santo que é o que
muda e que santifica; pelo que um conselheiro bíblico está impossibilitado de dar
conselho, primeiro deve-se evangelizar para que possam ter o mesmo ponto de partida.

“Os que não são crentes não tem o desejo de servir a Cristo como o seu Senhor (I Co
12:13b); não tem a capacidade de entender as Escrituras (I Co 2); e não tem poder para
fazer a vontade de Deus (Rm 5:6). Em vez disso, tem um coração de pedra que não
pode ser tocado nem modelado até que o Espírito o transforme em um de carne (Ez
11:19). Ao menos que o Espírito regenerador de Deus seja derramado em seu coração e
o transforme, o não crente não pode amar a Deus ou ao seu próximo (Rm 5:5), ou seguir
algum mandamento de Deus (Ez 11:20)”.

Devemos usar nestes casos um “pre-conselho” ou uma fase prévia que inclua o
evangelismo da pessoa. Conselho prévio é a tarefa de apresentar a Cristo para as
pessoas não-crentes não só como a entrada para a vida eterna como também soluções
para seus problemas na vida. Ao dar um conselho prévio a um não crente, o conselho
deve deixar bem claro que desde o principio que não começou o aconselhamento que,
devido as circunstancias não foi possível fazê-lo.

Em todo momento se deve assinalar que nossa orientação é bíblica utilizando as


Escrituras como norma autoritária. Se deve mencionar a Deus com freqüência, orar nos
momentos adequados e apresentar o evangelho dentro do contexto do pecado e suas
conseqüências; e mostrar o pecado como origem de seus problemas.

ACONSELHAMENTO, EMOÇÕES E SENTIMENTOS.

Definindo as emoções e os sentimentos

É importante diferenciar emoções e sentimentos. As emoções segundo o Dicionário da


Real Academia Espanhola se referem uma alteração de ânimo, intensa e passageira. Isto
é, refere-se ao que sentimos em um determinado instante. Entre as diversas emoções
primárias podemos citar: a alegria, a tristeza, o medo, etc. Ao contrário, um sentimento
é um estado afetivo do ânimo produzido por causas que o impressionam. A diferença
das emoções que são instantâneas, os sentimentos é um estado em que a pessoa se
encontra.

Teologia das emoções e os sentimentos

As emoções e os sentimentos são bons em si mesmos. Deus nos fez assim, e tudo o que
Deus faz é bom e tem um propósito e um sentido. Além do mais, tudo o que fez é bom
(Gn 1:31). A capacidade de sentir é uma benção de Deus. Mediados por esta
capacidades de sentir podemos mostrar afeto, sentir gozo, mostrar compaixão, ter

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ACONSELHAMENTO CRISTÃO - 32

misericórdia, e muitas qualidades assenciais da vida cristã. Por meio do sentir é que
podemos cumprir com o mandato “alegrai-vos com que se alegram e chorai com ao que
choram” (Rm 12:15). Mas se fazemos da capacidade de sentir o summo bonun da
humanidade, isto não é outra coisa que simples e chato hedonismo.

Devemos aprender a exercer uma boa mordomia de nossos sentimentos e emoções; isto
é parte da Imago Dei do ser humano, nosso deus é um Deus emotivo. Deus é um Deus
de gozo, disse Sofonias 3:17 que “Ele se alegrará sobre ti com alegria, calará de amor,
se regozijará sobre ti com cânticos”. É um Deus que se ira (Jo 2:13-22), que chora (Jo
11:35), que se compadece (Mt 9:36; 14:14; 15:32) e que em toda as Escrituras nos deixa
ver o seu amor para conosco, expressado em sumo grau ao enviar o unigênito a morrer
na cruz por nós (Jo 3:16). Por essa capacidade de sentir podemos sentir-nos tristes pelo
pecado cometido a outros e por si próprio e desta maneira chegar ao arrependimento;
por esta capacidade nos indignamos ante a dor alheia e os males sociais como o
racismo, a xenofobia, o machismo, etc.

Temos que ver as emoções e os sentimentos como aliados e não como inimigos. Deus
nos fez desta maneira com um propósito. Cada uma das emoções que sentimos tem um
propósito determinado. Existem pessoas que põe ter uma lesão no córtex frontal perdem
a capacidade de sentir emoções. Estas têm um humor agradável, mas não são
conscientes do uso do tempo já que não sentem a pressão deste, não conhecem suas
preferências, nem sentem motivações, não podem entender as emoções dos outros e são
desinteressados ou atrevidos na relação com outros. São como o andróide Data de
“Viajem nas estrelas: A nova geração” que não podem entender as emoções humanas
nem ao menos senti-las.

Deus colocou as emoções dentro de nós e tem um propósito no nosso desenvolvimento


diário. O medo nos avisa que há um perigo e que devemos fugir, a raiva nos indica que
há uma ameaça e nos dá o vigor para defendermos dela, a tristeza busca que nos
recuperamos, a alegria nos faz sentir bem e, portanto, nos ajuda a recuperarmos do
estresse do viver diário e da enfermidade; e assim cada uma das emoções tem sua
função em nossa vida.

Agora, tem que reconhecer que com a queda do homem depravou também nossas
emoções e sentimentos, e que elas têm sido contaminadas com germes do pecado. Por
isso, em relação com nossas emoções primárias nos conduzimos muitas vezes de forma
pecaminosa, e muitos de nossos sentimentos como o ódio e o ressentimento são
verdadeiros pecados segundo a Bíblia.

Os problemas emocionais

Não podemos falar biblicamente sobre “problemas emocionais”; quando uma pessoa
está deprimida, ansiosa, hostil, etc.; o problema não reside em suas emoções senão na
forma como se comporta respondendo as suas emoções. As pessoas se sentem mal por

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ACONSELHAMENTO CRISTÃO - 33

causa de suas más ações (Gn 4: 6-7; I Pe 3: 16). As emoções são boas, são partes do que
Deus nos deu. Nosso problema reside em como manuseamos as emoções, isto é, em
como atuamos segundo nossas emoções. Supostamente que há emoções condutas que
são pecado, mas isso se deve a um manejo pecaminoso de nossas emoções, e por outro
lado, há sentimento que também são pecados diante de Deus.

Uma mordomia das emoções, inclusive o sentir e o atuar adequadamente. As emoções


se devem sentir, mas sem pecar; se reprimirmos as emoções podemos ficar enfermos ou
acumular até que explodimos; por isso devem ser expressada de maneira sã. Jesus se
irou, mas porque a glória de Deus foi apagada, só Ele pode irar-se sem pecar; ainda,
assim as Escrituras nos chama a irar sem pecar (Ef 4:26). Igualmente poderíamos falar
de como manejar adequadamente as emoções como a tristeza, o gozo, o medo, etc.
Somos responsáveis pelo que sentimos, é um dualismo não responsabilizarmos por isso,
como se os sentidos nos dominassem. Recordemos que na Bíblia as palavras referidas a
estados internos conotam sempre sua correspondente expressão exterior. Na como visão
bíblica os sentimentos e as ações estão estreitamente inter-relacionados. O amor não é
só um sentimento senão uma ação, igual a cada aspecto do fruto do Espírito.

A cultura de hoje em dia põe muita ênfase nos sentimentos; Nós como cristãos que
buscamos obedecer a bíblia devemos pensar de forma diferente. Nós cremos que as
condutas estão ligadas aos sentimentos, e não que os sentimentos produzem as
condutas. Um bom exemplo disso está em Gênesis 4:3-7 onde Deus diz a Caim: Se bem
fizeres não estaria exaltado? Hoje em dia uma resposta comum sobre porque não se atua
é: É porque não me desce”, isto é somente uma desculpa e uma rebeldia contra Deus,
um cristão deve atuar conforme o bem e isto produzira sentimentos positivos.

Conclusão

O presente manual oferece um marco teórico bíblico para sustentar o trabalho de


aconselhamento cristão. Este analisa os princípios bíblicos que subsidiam como
fundamento do aconselhamento para logo ver como se aplica na prática. É minha
intenção de que você possa aplicar em seu ministério os princípios e sugestões
detalhadas nas páginas deste manual.

A você cabe avaliar este material desde os parâmetros bíblicos e definir se aplica ou não
os princípios que nele se encontram.

Sigamos fazendo o trabalho que Deus tem nos encomendado a todos que formam o
Corpo de Cristo, façamos discípulos, e ensinando-os por todos os meios, incluindo o
aconselhamento sustentado nas Sagradas Escrituras, para a expansão do reino e para a
glória de Deus.

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ACONSELHAMENTO CRISTÃO - 34

É Proibida a reprodução dessa apostila para fins lucrativos


Adaptada exclusivamente para treinamento de Lideres e Obreiros na obra de Deus.

Dr. Jaime Morales Herrera - Seminario Internacional de Miami

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