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Perfil de Mulheres Empreendedoras: Um Estudo a Partir

da Teoria de Miner

PERFIL DE MULHERES EMPREENDEDORAS: UM ESTUDO A PARTIR DA


TEORIA DE MINER.
Profile of Women Entrepreneurs: A Study from the Theory of Miner.

#1 – Jandir Pauli
Doutorado em Sociologia - UFRGS
E-mail: jandir@imed.edu.br

#2 - Julia Cardozo dos Santos


Bacharel em Administração - IMED
E-mail: juliacardozo.adm@hotmail.com

Resumo: O objetivo deste trabalho é avaliar a presença de perfil empreendedor em mulheres


proprietárias de empresas de micro e pequeno porte. Para isso foi realizada uma pesquisa empírica
de enfoque quantitativo com 50 empresárias nos segmentos serviços e comércio na região norte do
RS. A base teórica que orientou a coleta e sistematização dos dados foi a teoria de John Miner (1996)
que distingue cinco tipos distintos de perfil empreendedor: o “realizador”, o “supervendedor”, o
“autêntico gerente”, o “gerador de ideias” e o “complexo”. Os resultados apontam que a ampla maioria
das mulheres (98%) apresenta traços do perfil Complexo, permitindo concluir que estas empresárias
apresentam um perfil empreendedor, uma vez que Miner nomeia este perfil como mais apto para
empreender em setores diferenciados de uma empresa. Em outros termos, o empresário
empreendedor é considerado complexo porque quando este apresenta estilos múltiplos consegue
executar atividades nos vários estágios de crescimento da empresa, podendo ampliar seus controles
e ao mesmo tempo delegar tarefas a terceiros. Tendo um perfil mais completo, têm discernimento
para buscar soluções diante de dificuldades.

Palavras-chave: Empreendedorismo feminino, Teoria de Miner, Perfil empreendedor.

Abstract: The aim of this study is to evaluate the presence of entrepreneurial women in proprietary
micro and small businesses. For it was made an empirical study of quantitative approach with 50
entrepreneurs in the services and trade sectors in the north of Rio Grande do Sul. The theoretical
basis that guided the collection and systematization of data was the theory of John Miner (1996) that
distinguishes five different types of entrepreneurial profile: the "director", the "super-salesman", the
"real manager", the "idea generator" and "complex". The results show that the vast majority of women
(98%) show traces of complex profile, allowing to conclude that these entrepreneurs have an
entrepreneurial profile, since Miner names this profile as the fittest to undertake in different sectors of
a company. In other words, the entrepreneur entrepreneur is considered complex because when it has
multiple styles can perform activities in various stages of growth of the company which may extend
their control while delegating tasks to others. Having a more complete profile, have discretion to seek
solutions when faced with difficulties.

Keywords: Women entrepreneurs, Theory Miner, Entrepreneurial profile.

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Gestão & Conhecimento, v. 9, nº 1, Jan./Jul. 2015:
Perfil de Mulheres Empreendedoras: Um Estudo a Partir
da Teoria de Miner

1. INTRODUÇÃO

O atual momento da economia é marcado pela instabilidade e necessidade de


consideração de uma maior diversidade de vetores de ordem socioeconômica na
viabilidade de um empreendimento. E um destes vetores é o perfil do empreendedor.
Neste espectro, são várias as teorias acerca do empreendedorismo que, como
sugerem Filion (2000), apontam para a necessidade de características como
pessoais como inovação, criação, enfrentamento de riscos, orientação de objetivos e
autoconfiança.
Em termos gerais, o empreendedor é definido na literatura como uma pessoa
criativa e inovadora, capaz de instaurar uma destruição do antigo, com vistas a criar
novos e mais ágeis processos. Os estudos clássicos de Schumpeter (1883-1950)
mostram que um novo processo sempre elimina um modelo antigo. Essa ideia pode
ser confirmada pela presença da mulher atual no mundo dos negócios, criando suas
próprias empresas e seguindo uma estratégia de crescimento pessoal e profissional,
através do empreendedorismo.
No caso específico do empreendedorismo feminino Takahashi e Graeff (2004)
afirmam que entre os motivos que explicam o crescimento do número de mulheres
em busca de ocupação profissional estão os seguintes: a) o crescimento do setor de
serviços, cujo perfil é majoritariamente feminino; b) maior flexibilização do mercado
de trabalho, permitindo a compatibilização entre o trabalho doméstico e o
remunerado; c) a redução dos postos de trabalho na indústria e; d) o aumento da
ocupação “por conta própria” e da informalidade em geral.
Entre os estudos sobre empreendedorismo feminino no Brasil, diversos
trabalhos têm contribuído de forma significativa para o desenvolvimento da temática.
Destacam-se as contribuições de Bulgacov et al (2010) que retratam as condições
de trabalho precária a que estão expostas as empreendedoras, sugerindo a
necessidade de políticas públicas para auxílio e proteção. Outro trabalho relevante
foi apresentado por Vale, Serafim e Teodósio (2011), mostrando que as mulheres
utilizam laços de proximidade para construir uma rede de suporte à ação
empreendedora. Flores, Gomes e Santana (2014) sugerem que, embora se registre
uma forte assimetria feminina em relação aos empreendedores masculinos, o
potencial dos laços estabelecidos entre as mulheres opera como estratégia para o
sucesso do empreendimento. Barbosa et al (2011) evidenciaram o potencial das
mulheres na criação de networks e seu empenho emocional da busca de atividades
nas quais pudessem desenvolver seus valores e realizar projetos. Cramer et al
(2012) fizeram uma importante análise da trajetória de mulheres empreendedoras e
suas estratégias de relacionamento de gênero a partir do contexto da sua ação
econômica. Outro trabalho significativo, de Jonathan (2011), mostra as estratégias
desenvolvidas pelas mulheres para gestão dos empreendimentos, promovendo
inovações na forma do seu exercício. Machado, Gazola e Anez (2013) investigaram
as razões de mulheres para empreender, destacando suas expectativas em
aumentar rendimentos financeiros e por satisfação pessoal. Ferreria e Nogueira
(2013) fazem uma reconstrução das trajetórias de mulheres empreendedoras para
mostrar seu processo de educação, preparação para abertura da empresa e
desenvolvimento de habilidades para lidar com condições adversas, especialmente o
machismo. Por fim, Gôuveia, Silveira e Machado (2013) salientam os elementos de
inovação, criatividade, senso de oportunidade e criação de valor como elementos
estruturantes do empreendedorismo feminino.

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Este estudo tem por objetivo identificar o perfil das mulheres empreendedoras
a partir da teoria de John Miner (1996) na medida em que os estudos disponíveis
sobre empreendedorismo feminino não realizaram tal abordagem. Este trabalho será
realizado a partir dos seus cinco perfis: realizador, supervendedor, autêntico gerente,
gerador de ideias e complexo. Para se chegar a composição desse perfil, o
problema de pesquisa questionou sobre quais são os fatores determinantes na
formação do perfil das mulheres empreendedoras. Para isto foi realizada uma
pesquisa com 50 mulheres empreendedoras com a aplicação de um inventário sobre
os cinco tipos de perfis indicados por Miner. O roteiro do estudo parte da
apresentação da teoria de Miner para, em seguida, apresentar o delineamento
metodológico do estudo com o detalhamento dos procedimentos de coleta de dados
e do modelo de análise utilizado para tratar as informações coletadas. A partir disto
serão realizadas a discussão dos resultados e as considerações finais do estudo.

2. O EMPREENDORISMO E A TEORIA DE MINER.

A discussão em torno do empreendedorismo na ciência administrativa em


razão das suas variações tipológicas e repercussões econômicas (Kautonen &
Palmroos, 2010, Block & Sandner, 2009; Greco et al., 2012; Block & Wagner, 2010;
Townsend, Busenitz, & Arthurs, 2010; Ummah & Gunapalan, 2012;). Em geral, as
pesquisas procuram identificar os motivos que levam indivíduos a empreender,
oscilando entre a necessidade em razão do desemprego ou fatores ambientais e
traços comportamentais ou traços de personalidade que estariam mais associadas à
ideia de percepção de oportunidades. (Leite e Oliveira, 2007).
Seguindo a trilha de que empreendedores são pessoas que estão atentas às
oportunidades, destacam-se as contribuições seminais de McClelland (1972) e
Kirzner (1979) que caracterizam empreendedores como sujeitos em busca de
autonomia e estão sempre em estado de alerta para não perder oportunidades
econômicas. Em outra direção, os estudos recentes como de Achchuthan &
Balasundaram (2012) e Zalio (2011) destacam que a necessidade por renda ou a
busca por uma melhor inserção no mercado de trabalho são elementos estruturantes
da ação empreendedora.
Quanto as tipologias, Pessoa (2005) classifica os empreendedores em três
grupos: os corporativos, que atuam no interior das organizações empresariais; o
empreendedor start-up, empenhado na criação de novos negócios; e o
empreendedor social, focado em projeto de responsabilidade social e ambiental. No
entanto, as tipologias clássicas estão nos estudos de Miner (1996), Vesper (1980),
Andersson (2000) e Filion (1999).
Minello e Scherer (2011) sistematizam estas tipologias, mostrando suas
aproximações e diferenças. Segundo os autores, a tipologia de Vesper (1980)
concentra-se nos meios empregados pelos empreendedores para agir, considerando
a pressão do tempo, fatores racionais e ambientais, além do investimento emocional
para solução de problemas. Sua proposta é que existam 12 perfis: autônomo,
formador de equipe, inovadores, multiplicadores, exploradores de escala,
agregadores de capital, aquisidores, formadores de conglomerados, especialistas
em compra e venda, especuladores e manipuladores de valor aparente. Andersson
(2000) aglutina as diferentes estratégias empregadas por este ator social em três
grupos: empreendedor estrutural, de marketing e técnico, enquanto Filion (1999)
elabora personagem para explicar o comportamento dos empreendedores,
nomeando-os de: lenhador, sedutor, jogador, hobysta, convertido e missionário.

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Este estudo faz a opção pela teoria de Miner (1996). Para o autor, embora
muitos estudos tenham tentado estabelecer o perfil dos empreendedores, há ainda
muita dificuldade em esclarecer o fato de que, mesmo com as mesmas
características, alguns consigam obter êxito e outros não. Diante disso, em suas
pesquisas, ele esclarece dois determinantes:
Primeiro, não existe um tipo único de empreendedor, mas sim quatro tipos
diferentes, cada qual com uma personalidade distinta. Segundo, cada tipo
de empreendedor deve seguir uma carreira profissional diferente para ser
bem-sucedido e deve se relacionar com a empresa de uma forma diferente
(MINER, 1996, p.9).

Em outro estudo, Miner (1996) continua nesses pontos dizendo que o êxito do
empreendedor reside na junção da personalidade com o comportamento. Para o
autor existem quatro tipos de empreendedores: o realizador, o supervendedor, o
autêntico gerente e o gerador de ideias. S teoria indica a existência de quatro estilos
de empresários, que são formados pelo conhecimento do perfil dos mesmos, aos
quais denomina de: “realizador”, “autêntico-gerente”, “gerador de ideias” e
“supervendedor”. A cada um deles há uma medida para alcançar o sucesso nos
empreendimentos. Segundo o autor, esses estilos podem ser encontrados segundo
as características de cada um dos perfis.

2.1. O realizador

O empresário realizador é aquele que se ocupa com tudo que acontece na


empresa, pois é generalista, planeja metas próprias, tem iniciativa e com sua energia
entende que suas ações lhes dão condições de controle sobre os negócios e sobre
a própria vida. O realizador vislumbra o futuro e cria perspectivas promissoras; é
competitivo e trabalha ativamente para realizar suas metas, influenciando-se com a
possibilidade de obter êxito e se compromete profundamente com a empresa para
garantir essa meta. O empresário realizador acredita fielmente na sua própria
pessoa, caracterizando-se como individualista por se orientar por metas pessoais e
refutar objetivos de outras pessoas (Miner, 1996).
Conforme Miner (1996), o empresário empreendedor que se configura como
realizador é o que mantém a postura de um clássico. Este sente necessidade de se
ocupar com a realidade, é severamente comprometimento e sua motivação é a
aquisição da satisfação em alta escala naquilo que realiza. Para isso, planeja
minuciosamente seu trabalho e sempre tem metas definidas, por essa razão, tem
grande possibilidade de ter sucesso. Identificam este perfil:

a) necessidade de realizar; b) desejo de obter feedback; c) desejo de


planejar e estabelecer metas; d) forte iniciativa pessoal; e) forte
comprometimento pessoal com a empresa; f) crença de que uma pessoa
pode mudar significativamente os fatos; e g) crença de que o trabalho deve
ser orientado por metas pessoais e não por objetivos de terceiros” (MINER,
1998, p. 33).

É sabido, segundo Miner (1996) que o realizador faz questão de avaliar e de


ver seu trabalho avaliado, pois ele faz parte dos empresários que cultivam a crença
de quem controla a vida são as ações, não as atitudes. Pode-se dizer, também, que
seu sucesso como empreendedor é validado pelo vigor, confiança, empenho e
convicção. É generalista, mas nem sempre se ocupa do gerenciamento geral da

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empresa. Para o Realizador, o excesso de centralismo na gestão tende a trazer


malefícios para a empresa. É capaz de administrar com sabedoria as crises e
conflitos que venham a acontecer, mas não está livre de chegar ao fracasso, se este
deixar de se aperfeiçoar nas regras de mercado; deixar de obter novos
conhecimentos para o desenvolvimento da empresa; se for limitado nas ações
evolutivas da empresa; ou ainda, quando a empresa cresce de tal maneira, que o
perfil Realizador não consiga administrar a complexidade.

2.2. O supervendedor

Miner (1996) define o supervendedor como “empresário bem-sucedido”, no


entanto, não chega a ser visto como “potencial empreendedor de sucesso”, mesmo
assim, estabelece metas e objetivos e consegue atingi-los, utilizando-se de
estratégias e ferramentas diversificadas. Ele é, reconhecidamente, um
supervendedor que sabe atender com maestria um cliente, por mais que este seja
exigente, formal, ocasional, jovem ou idoso. Ele simplesmente sabe vender; é perito
em entender e atender, envolvendo o cliente, sabendo usar suas estratégias de
venda e as ferramentas tecnológicas que tiver à mão, para persuadir e pressionar o
cliente.
Entre as características do estilo supervendedor estão:

a) capacidade de compreender e compartilhar sentimento com o outro


(empatia); b) desejo de ajudar os outros; c) crença de que os processos
sociais são muito importantes; d) necessidade de manter relacionamentos
sólidos e positivos com os outros; e e) crença de que uma força de vendas é
essencial para colocar em prática a estratégia da empresa (MINER, 1996, p.
56).

O empreendedor com o perfil do supervendedor colhe sucesso, porque ele se


destaca pela facilidade de comunicação com as pessoas, pelo atendimento sempre
especial e por buscar a satisfação do cliente desde a pré-venda, na venda e na pós-
venda, o que lhe garante a fidelidade do cliente. Como supervendedor, deve se
assessorar de pessoas que conheçam a área administrativa, dando a estas a
responsabilidade de cuidar da administração da empresa, enquanto ele se dedica às
vendas (MINER, 1996, p. 56).
Caso o empresário com perfil de supervendedor abraçar outras áreas da
empresa, faltando-lhe o conhecimento sobre elas, possivelmente faltará essa
identidade a seus talentos e terá dificuldade em acompanhar o processo de
crescimento do empreendimento. A ausência desses fatores poderá desembocar em
fracasso, nem sempre reversível (MINER, 1996).
Para o empresário supervendedor, de acordo com Miner (1996), a
manutenção de bons e fortes relacionamentos são a base da realização de bons
negócios, por isso, eles ocupam a maioria do seu tempo em vendas, precisando de
outra pessoa na administração dos negócios. Suas principais características são a
simpatia e a vontade de dar satisfação às necessidades de clientes; seu talento para
trabalhar em grupos é notável; seus relacionamentos buscam solidez e age com
positividade a qualquer situação, dando valor às pessoas, interagindo com elas e
recebendo a sua estima; não costuma dizer não, uma vez que é receptivo a
sugestões, ouve as opiniões e não impõe controles; ele tem um vínculo estreito com
vendas e se orienta para a ação muito mais do que para o planejamento.

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2.3. O autêntico gerente

De acordo com Miner (1996), o autêntico gerente é o empresário que gosta


de assumir as responsabilidades dentro de uma organização. Adota os mesmos
títulos de cargos utilizados em empresas, como: presidente, diretor, executivo de
uma área de negócio e possui competência em liderança de pessoas, é competitivo,
decidido, gosta de poder e de desempenhar funções dentro da organização.
O autêntico gerente é pessoa chave no crescimento da empresa, quando
chegam a ter uma quantidade significativa de colaboradores e responsabilidades,
passam a solicitar pessoas para coordená-los. A sua competência principal está em
conduzir os empreendimentos a um crescimento significativo. Emprega sua
persuasão de forma lógica e prática nas comunicações.
Em grandes corporações é comum encontrar profissionais com perfil e
características de autêntico gerente. Normalmente, este tipo de profissional procura
seguir carreira em empresas antes de se tornar empreendedor e iniciar o seu próprio
empreendimento, no qual podemos considerar o sucesso deste tipo de
empreendedor.
Como empreendedor, administrando o seu próprio negócio, pode
desempenhar as mesmas características como empregado de uma empresa,
utilizando os seus pontos fortes no gerenciamento dos negócios e de seus próprios
funcionários. Utiliza também estas competências fora da empresa, utilizando
argumentos para o convencimento das pessoas na compra de seus produtos ou
serviços.
Os possíveis fracassos deste perfil é a interferência de mais ou de menos em
pequenas empresas, por não possuir os devidos conhecimentos e nem as
habilidades decorrente ao negócio que está realizando e por fim, o afastamento do
foco de gerenciamento em outras atividades, não compreendendo que gerenciar é a
sua melhor qualidade e talento.
Gonçalves; Hoeltgebaum e Klemz (2010) analisando os estudos de Miner, os
autênticos gerentes, ao contrário dos supervendedores, têm talento para o
gerenciamento e, como vendedores também se destacam e conseguem fazer uma
carreira de sucesso. Também podem ser supervendedores, desde que a venda de
produtos seja gerenciada. O autêntico gerente apresenta características como: “a)
desejo de ser um líder na empresa; b) determinação; c) atitudes positivas em relação
à autoridade; d) desejo de competir; e e) desejo de se destacar entre os demais”
(MINER, 1996, p. 91).
Conforme Miner (1998), o autêntico gerente se caracteriza como aquele que
gosta de poder, mas não precisa de gerente, pois assume ele mesmo a função.
Sendo um bom vendedor que busca uma empresa grande e busca talentos para
administrar, desenvolve autoconfiança e persegue suas metas. O autêntico gerente,
além de gostar de ser um líder nato, desenvolve sua carreira em grandes empresas
antes dele mesmo se tornar um empresário, buscando se tornar um profissional
realizador, aceitando desafios e obtendo vitória em suas conquistas empresariais.
Um bom autêntico gerente deve se preparar e obter conhecimentos de como
gerenciar em grandes empresas antes de empreender em sua própria, para não
acabar sendo calamitoso. Deve estar preparado para mudanças no ambiente
externo e não mudar seu caminho de gerenciamento.

2.4. O gerador de ideias

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O gerador de ideias tem uma extraordinária capacidade de “[...] gerar grandes


e boas ideias para negócio, as quais são consideradas grandes vantagens
competitivas junto aos seus concorrentes” [...]” (GONÇALVES; HOELTGEBAUM E
KLEMZ (2010, p. 06). Eles se ocupam em encontrar formas de convivência no
mercado competitivo, através do desenvolvimento de novos produtos e novos
processos. É realmente um investidor da inovação. “Costuma sair-se bem em cargos
em que possam gerar as ideias, usar o raciocínio e ser visionário”, dizem Gonçalves;
Hoeltgebaum e Klemz (2010, p. 06).
O perfil do gerador de ideias engloba as características ideais para ocupar
cargo de gerência, mas, como bom empreendedor, é muito eficiente no
encaminhamento de clientes aos setores de vendas da empresa, usando raciocínio
lógico nas relações do mercado. De acordo com Miner (1998, p. 19), O gerador de
ideias é reconhecido através das seguintes características: a) desejo de inovar; b)
apego a ideias; c) crença de que o desenvolvimento de novos produtos é crucial
para colocar em prática a estratégia da empresa; d) bom nível de inteligência e; e)
desejo de evitar riscos.
Em termos de êxito, o gerador de ideias tem facilidade em obter sucesso e
até mesmo se destacar como especialista em qualquer setor da empresa ou do seu
próprio negócio. Seu talento exige liberdade para a criação, para a maturação de
novas ideias. A possibilidade de fracasso só acontece se o gerador de ideias
desfocar-se do processo criativo; não se especializar em novos conhecimentos; se
for reprimido, por qualquer razão que dificulte seu trabalho; e o excesso de
autoconfiança, que também pode ser um risco.
Na visão de Miner (1996, p. 19) sobre estes quatro perfis, o realizador é o que
tem maior chance de obter êxito. Diz ele “Entre os quatro tipos de empresários
existentes, os realizadores são os únicos que realmente devem atuar como
empreendedores para obter sucesso, pois poderão fracassar em outros cenários”.
O empresário gerador de ideias, segundo a teoria de Miner (1996), é Inventivo
em seus negócios, em produtos e em competitividade. Está sempre à procura de
novos nichos de mercado e, às vezes, ao ser levado pelo otimismo e pelo
entusiasmo, pode assumir riscos fora do planejamento. Nas suas características
pode ser incluído o fato de ser um tanto visionário, por isso, inovador e criativo e tem
facilidade de enunciar ideias originais, desenvolvendo argumentos que trazem
convencimento a outras pessoas ou a seus grupos. Como gerador de ideias se
entusiasma a seguir obtendo êxito pelos próprios esforços, para ter satisfação
pessoal repetidas vezes. Mesmo assim, valoriza a opinião dos outros e busca ser
flexível, não se incomoda em partilhar o poder.

2.5. O empreendedor complexo (união dos perfis)

Miner (1998) dá o nome de empresário complexo ao empreendedor àquele


que soma dois ou mais perfis, apresentando maior facilidade de empreender em
setores diferenciados de uma empresa. Miner (1996, p. 164) afirma: “Quanto mais
padrões possuírem, maior será sua probabilidade de sucesso”. O empresário
empreendedor é considerado complexo:

[...] quando um empresário possui estilos múltiplos, ele pode, se necessário,


executar um maior número de atividades nos vários estágios de crescimento
da empresa. Ele pode exercer maior grau de controle e delegar menos

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tarefas a terceiros. Ele pode exercer maior grau de controle e delegar


menos tarefas a terceiro (MINER, 1996 p. 164).

Em geral, os empresários complexos criam suas empresas sozinhos, uma vez


que agregando dois ou mais talentos firmam-se como pessoas competentes e
capazes, podendo efetivar seus planos de gestão sem grandes dificuldades. Eles
sabem lidar com grande potencial para promover o crescimento rápido da empresa e
obter sucesso. Tendo um perfil mais completo, têm discernimento para buscar
soluções diante de dificuldades (MINER, 1996).
O empreendedor “complexo” tem como característica dois ou mais estilos
acima. Quando se apresenta dois perfis predominantes, frequentemente acaba
sendo a combinação do realizador com o autêntico gerente. O autêntico gerente
surge sendo um realizador de ideias. Já quando acontecer de manifestar três perfis,
eles são: o realizador, autêntico gerente e gerador de ideias. Com essa união de
perfis, o empreendedor trabalha melhor suas habilidades caso precise enfrentar
mudanças quanto à competividade.
Quando o empreendedor demonstra perfil de supervendedor não corre o risco
de aparecer outro estilo de perfil, já que suas características não acordam com o
realizador. Esse perfil empreendedor que tem como característica mais que um
perfil, ele tem maiores chances de iniciarem seus empreendimentos sozinhos, mas
correm risco de falharem quando não cumprem suas funções conforme seu perfil.

3. MÉTODO E DELINEAMENTO DO ESTUDO

A organização metodológica deste estudo segue os fundamentos científicos


da pesquisa quantitativa, cuja análise foi realizada após o levantamento de dados
obtidos com a aplicação do formulário proposto por Miner (1996). A população da
amostra envolveu as proprietárias de 50 empresas de vários segmentos da cidade
de Passo Fundo/RS, pretendendo com isso buscar explorar o perfil do
empreendedorismo feminino no contexto estudado. A amostra estudada
corresponde ao total de empresas e as entrevistas foram realizadas com mulheres
proprietárias das mesmas.
O instrumento de coleta dados foi um questionário com 13 (treze) perguntas
relacionadas a dados socioeconômicos e 23 (vinte e três) perguntas visando obter o
perfil empreendedor das empresárias entrevistadas. Seguindo a teoria de Miner
(1998), esse tipo de formulário é chamado de formulário de autoavaliação, o qual foi
adaptado para este estudo com o objetivo de encontrar os estilos das empresárias
entrevistadas. As variáveis são apresentadas em grupos de quatro segmentos e
receberão uma pontuação, cujo somatório determinará o perfil de cada entrevistada:
realizadora, supervendedora, autêntica gerente e geradora de ideias. Nos casos em
que aparecem mais de um estilo esta será classificada como complexa. A análise a
ser usada será de estatística descritiva apresentada em tabelas (modelo abaixo e
gráficos).
Para a elaboração deste questionário foi baseado em uma revisão
bibliográfica deste estudo e nos objetivos estabelecidos. O instrumento possui duas
partes. Na primeira, foram perguntas socioeconômicas, entre nome da empresa (na
qual não foi divulgado no estudo), idade, sexo, renda, status de relacionamento, se
tem filhos, se possui imóveis e automóvel em seu nome, escolaridade e também se
montou a empresa por motivos financeiros ou por se identificar empreendedora. Na
segunda parte, questões que identifica o perfil empreendedor, segundo Miner
(1998), em um quadro em que a entrevistada assinala por meio da escala Likert,
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mensuração de cinco atitudes: não marcante, moderadamente não marcante,


indiferente, moderadamente marcante e marcante. O quadro classifica as respostas
obtidas somando os pontos (de 0 a 2) e identificando quatro perfis empreendedores:
realizador (combinado por 8 questões); supervendedor (4 questões); autêntico
gerente (5 questões) e gerador de ideias (4 questões), totalizando 21
questionamentos. Este modelo já foi utilizado no Brasil, com escala preponderante,
entre outros por Lenzi (2002), Rodrigues, Riscarolli e Zucco (2003), Hoeltgebaum et
al. (2006) em pequenas e médias empresas.
Assim para cada marcação das perguntas, no final é feito a soma das
marcações e multiplicado por 0, 0,5, 1, 1,5 e 2. Depois de feito isso, o somatório de
cada perfil é transferido para o quadro de avaliação, no qual apresenta os valores 7,
8, 5, 4 e 5. Nesse quadro é feita a analise se o somatório dos pontos for maior ou
menor do valor e avaliação, caso menor, a empreendedora não possui o perfil
analisado. Se for igual ou maior ao valor avaliado, a empreendedora possui o perfil
estudado. Ainda, quando apresentam dois estilos marcantes de perfil a empresária
pode-se determinar empresário complexo. Para conclusão deste, o somatório de
todos os estilos marcantes deve ser superior a 18.
A organização metodológica da coleta de dados seguiu os fundamentos
científicos da pesquisa quantitativa, cuja análise foi realizada após o levantamento
de dados obtidos com a aplicação do formulário proposto por Miner (1998).

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Tabela 1 – Modelo de classificação do perfil empreendedor.

Perfil seg. Miner Pontos somados Pontos de Igual ou maior da


avaliação soma
REALIZADOR 7 8
SUPERVENDEDOR 8 5 X
AUTÊNTICO GERENTE 5 4
GERADOR DE IDEIAS 4 5 X
SOMATORIO >18 24 18 X
COMPLEXO
Fonte: Adaptado de Miner (1998, p. 199)

Os dados foram coletados por meio de por meio de entrevista presencial ou


por meio eletrônico, Face Page e Google docs. Após, as entrevistas realizadas, os
dados foram tabulados no aplicativo Excel, onde também foram estatisticamente
calculadas, para serem analisadas.

4. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

Os dados econômicos e demográficos mostram que, em relação ao segmento


econômico há uma diferenciação significativa, compondo-se de 31 segmentos
diferentes, observe-se que a maioria está concentrada no setor de serviços:
confecções (36%), estética e beleza (18%), alimentos (10%) e prestação de serviços
(8%). Sobre a faixa etária, os resultados mostraram que há empresárias com idades
que variam de 18 a mais de 61 anos de idade. Salienta-se, porém, que o maior
número de empresas (34%) está na faixa de 41 a 50 anos. O segundo percentual
mais alto está em 24%, correspondente à faixa de 31 a 40 anos. Em relação ao grau
de instrução das entrevistadas, 24% cursam a academia, 36% são graduadas e 20%
são pós-graduadas. As demais, 20% se encaixam entre as que estudaram até o
ensino fundamental e ensino médio, sendo que 12% não chegaram a concluir o
ensino médio (8%) e o ensino fundamental (4%). Além disso, 4, 62% das
entrevistadas têm filhos, enquanto 38% ainda não os têm. A maioria das
empresárias são casadas (68%); as solteiras perfazem 24%; as separadas 6% e as
viúvas 2%.
Em relação ao perfil econômico, os dados mostraram que a maioria (40%)
registra rendimentos mensais entre R$3.390,00 a R$10.170,00. Em seguida
aparecem as que recebem entre R$2034,00 a R$3.390,00 (36%) e 4% que recebem
mais de R$10.170,00. 20% das entrevistadas não declaram renda, mas afirmaram
receber mais do que um salário mínimo por mês. Sobre a situação de moradia, 76%
das entrevistadas possuem casa própria; 12%, moram casa alugada e 12% moram
com algum familiar. 92% das empresas empregam de 1 a 10 funcionários; 6% de 11
a 20; 2% de 21 a 30. Nenhuma das empresas empregam mais de 30 funcionários.
Sobre a decisão de criar uma empresa, respondendo à pergunta: “Montou a
empresa para ajudar nas despesas do lar?” Em resposta, 74% das entrevistadas
disseram que Sim. Quando perguntadas se montaram a empresa por vontade
própria e espírito empreendedor?” Em resposta, 98% montaram suas empresas por
vontade própria e espírito empreendedor; já 2% não apontou essa possibilidade.
Feita essa aprsentação, foi analisado, conforme o objetivo do estudo, o perfil
de cada empresaria em relação ao seu perfil empreendedor, onde por meio de um

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da Teoria de Miner

estudo, foi identificado que, das entrevistadas, 98% delas possuem perfil Complexo,
que segundo Miner (1998) afirma que as empresárias com esse perfil possuem
maior incidência de êxito no desempenho de suas atividades. Segue a baixo uma
tabela que demonstra os dados tabulados e também as que não atingiram a
pontuação mínima de Miner (1998). A soma de cada coluna tem que atingir, pelo
menos os seguintes escores: Realizador 8, Supervendedor 5, Autêntico Gerente 4,
Gerador de Ideias 5 e o Complexo é o somatório de todas as colunas sendo maior
que 18.
Os resultados mostram que 49 das cinquenta empreendoras apresentaram
perfil complexo (Tabela 2 – anexo), sendo que a ampla maioria somou pontuação
acima de 38, indicando fortemente a ocorrência deste deste perfil como
característico. O quadro a seguir demonstra esse resultado, sendo que os dados
foram agrupados em três grupos: 1) com pontuação próxima da mínima exigida para
este perfil, que é de 18 pontos; 2) com pontuação mediana, caracteriado entre 23 e
30, e com pontuação elevada, a partir de 31 pontos:

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da Teoria de Miner

Gráfico 1: Escores na composição do perfil complexo.

Fonte: elaboração dos autores.

A seguir, foi analisada contribuição de cada um dos perfis na formação do


perfil complexo. Neste caso, notou-se um equilíbrio entre os perfis Realizador, com
33%, supervendedor (23%), autêntico gerente (23%) e gerador de ideias (21%). Em
síntese, embora a distribuição dos escores seja homogênea, a ideia de realização
parece estar presente nas motivações e aspectos constituintes do perfil
empreendedor, conforme mostra o gráfico a seguir

Gráfico 2: Participação dos perfis na definição do perfil complexo

Fonte: elaboração dos autores.


Uma terceira análise do estudo foi realizada a partir dos dados disponíveis na
Tabela 3 (anexo) a buscou pela quantidade de perfis ausentes (com pontuação
abaixo de 18 pontos), contrastada com os perfis marcantes, que atingiram a
pontuação máxima em cada um dos perfis, definidas da seguinte forma: realizador =
14 pontos, supervendedor = 10, autêntico gerente = 12 e gerador de ideias = 10. Os
resultados mostram que o Realizador foi o perfil que mais atingiu 100% da
pontuação, mostrando-se que como marcante em maior expressão. Em seguida
estão os perfis Autêntico gerente e Realizador. Este último apresentou o menor
número de perfis ausentes, sendo que apenas quatro empreendedoras

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da Teoria de Miner

entrevistadadas não conseguiram atingir os escores mínimos. Por outro lado, no


perfil Gerador de ideias foi observada uma inversão entre as ocorrências, dado que
nove empreendoras não atingiram o escore mínimo de pontuação e apenas sete das
50 empreendoras apresentaram este perfil como marcante. O gráfico a seguir ilustra
os resultados.

Gráfico 3: comparação entre perfil ausente e perfil marcante

Fonte: elaboração dos autores

Das 49 empreendedoras que apresentaram o perfil Complexo de Miner


(1998), 10 mostraram uma tendência a outro perfil. Segundo os dados, quatro
mulheres têm apenas um estilo de gestão, enquadrando-se no perfil “realizador”;
uma apresentou preponderância para o estilo “Supervendedor”; uma para “Autêntica
Gerente” e as outras quatro para “Gerador de Ideias”.
A análise dos dados permite concluir que as empresárias entrevistadas
apresentam um perfil empreendedor, uma vez que Miner nomeia este perfil como
mais apto para empreender em setores diferenciados de uma empresa. Em outros
termos, o empresário empreendedor é considerado complexo porque quando este
apresenta estilos múltiplos consegue executar atividades nos vários estágios de
crescimento da empresa, podendo ampliar seus controles e ao mesmo tempo
delegar tarefas a terceiros. Em geral, os empresários complexos criam suas
empresas sozinhos, uma vez que agregando dois ou mais talentos firmam-se como
pessoas competentes e capazes, podendo efetivar seus planos de gestão sem
grandes dificuldades. Eles sabem lidar com grande potencial para promover o
crescimento rápido da empresa e obter sucesso. Tendo um perfil mais completo, têm
discernimento para buscar soluções diante de dificuldades.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com a análise de todos os dados à luz do referencial teórico observou-se que


as mulheres tendem a ser empreendedoras não apenas para ajudar nas despesas
domésticas, mas também por serem auto independentes e realizar projetos que
promovam sua autorrealização. Os dados socioeconômicos apontam que parte
significativa das empresárias tem uma boa formação como ensino médio, graduação

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da Teoria de Miner

ou pós-graduadas, já são casadas, possuem filhos, imóvel no nome, carro próprio e


ganham uma renda que varia na faixa de R$2.034,00 ou mais de 10.170,00.
Concluindo o estudo com base no problema inicial e à luz da teoria de Miner
(19998), observou-se que o perfil empreendedor das empresárias é o complexo,
apresentando o perfil marcante na ampla maioria das empresarias. Isso quer dizer
que as mulheres reúnem condições importantes para o êxito no empreendimento,
mostrando-se preparadas para assumir suas tarefas empresariais, procurando
sempre se manterem atualizadas e com suas mentes abertas em relação a sua
gestão empreendedora.
Entre as limitações do estudo, a principal dificuldade encontrada na coleta de
dados foi em relação ao preenchimento e retorno do instrumento. O questionário foi
enviado a mais de 300 endereços e apenas 80 destas responderam, sendo que
destes, apenas 50 foram respondidos de forma correta, invalidando os 30
questionários restantes. Observou-se que algumas empresárias sentiram
desconforto em responder no que se tratava de sua renda, idade e escolaridade.
Outras preferiam não responder pela quantidade de perguntas a serem marcadas ou
por estarem com pressa e atarefadas em suas empresas.
Como o empreendedorismo feminino é um tema ainda pouco abordado a
partir da teoria aqui utilizada, estudos futuros poderiam ser replicados para comparar
resultados, bem como compreender as motivações para a formação do perfil
complexo no caso do empreendedorismo feminino, isto é, entender com mais
profundidades as causas ou fundamentos desta percepção das mulheres sobre sua
atuação no mundo empresarial.
Por fim, estudos futuros poderiam explorar melhor as estratégias das
mulheres empreendedoras para enfrentar a adversidade, especialmente as
alternativas para se tornarem competitivas em um contexto fortemente dominado
pelos homens. Seguindo a trilha inaugurada por Schumpeter, de que o
empreendedor rompe com o contexto estabelecido, estudos poderiam ilustrar a
inovação que estas mulheres promovem no âmbito da gestão de suas equipes, nas
lógicas de gestão de poder e nos valores que sua ação econômica desenvolve a
partir da prática empreendedora.

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Perfil de Mulheres Empreendedoras: Um Estudo a Partir
da Teoria de Miner

Anexo: Tabela 2 – Perfil empreendedor das entrevistadas

SUPERVENDEDO GERADOR
REALIZADOR AUT. GERENTE COMPLEXO
R IDEIAS
Entrev.
(Mín. 8 - (Mín. 5- Máx.10) (Mín. 4 - (Mín. 5 - > 18
Máx.14) Máx.12) Máx.10)
1 14 100% 8 80% 10 83% 10 100% 42
2 14 100% 9 90% 10 83% 8 80% 41
3 10 71% 9 90% 8 67% 9 90% 36
4 9 64% 7 70% 5 42% 10 100% 32
5 12 86% 10 100% 12 100% 9 90% 43
6 9 64% 8 80% 4 33% 5 50% 26
7 9 64% 8 80% 3 25% 6 60% 26
8 9 64% 1 10% 4 33% 2 20% 16
9 14 100% 10 100% 10 83% 8 80% 42
10 14 100% 8 80% 9 75% 9 90% 40
11 13 93% 5 50% 5 42% 8 80% 31
12 11 79% 5 50% 2 17% 5 50% 23
13 14 100% 10 100% 12 100% 10 100% 46
14 5 36% 3 30% 6 50% 5 50% 19
15 12 86% 7 70% 2 17% 6 60% 27
16 11 79% 8 80% 8 67% 5 50% 32
17 11 79% 10 100% 6 50% 7 70% 34
18 14 100% 8 80% 11 92% 8 80% 41
19 12 86% 10 100% 8 67% 8 80% 38
20 9 64% 9 90% 11 92% 5 50% 34
21 14 100% 10 100% 12 100% 10 100% 46
22 11 79% 9 90% 6 50% 10 100% 36
23 8 57% 9 90% 7 58% 6 60% 30
24 13 93% 9 90% 6 50% 8 80% 36
25 11 79% 10 100% 7 58% 8 80% 36
26 13 93% 5 50% 12 100% 9 90% 40
27 13 93% 8 80% 12 100% 7 70% 40
28 8 57% 4 40% 12 100% 7 70% 31
29 13 93% 8 80% 5 42% 5 50% 31
30 12 86% 5 50% 9 75% 8 80% 34
31 11 79% 10 100% 7 58% 11 110% 39
32 13 93% 8 80% 8 67% 7 70% 36
33 11 79% 5 50% 7 58% 4 40% 27
34 10 71% 9 90% 12 100% 7 70% 38
35 10 71% 6 60% 2 17% 3 30% 21
36 9 64% 8 80% 11 92% 8 80% 36
37 10 71% 6 60% 8 67% 5 50% 29
38 8 57% 6 60% 8 67% 10 100% 32
39 13 93% 10 100% 6 50% 4 40% 33
40 11 79% 10 100% 10 83% 9 90% 43
41 12 86% 8 80% 10 83% 9 90% 39
42 13 93% 10 100% 9 75% 5 50% 38
43 12 86% 8 80% 3 25% 9 90% 32
44 14 100% 10 100% 12 100% 10 100% 46
45 13 93% 9 90% 12 100% 8 80% 42
46 12 86% 10 100% 6 50% 8 80% 36
47 13 93% 7 70% 10 83% 8 80% 38
48 6 43% 7 70% 5 42% 8 80% 26
49 9 64% 6 60% 10 83% 4 40% 29
50 13 93% 8 80% 9 75% 4 40% 34
Legenda de cores: [ ]- perfil preponderante; [ ]- perfil ausente; [ ] não alcançou o perfil
complexo. Fonte: Autores ( 2014)

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Anexo: Tabela 3 : Empresárias com perfil marcantes e perfil ausente.

SUPERVENDEDO GERADOR
REALIZADOR AUT. GERENTE COMPLEXO
R IDEIAS
Entrev.
(Mín. 8 – (Mín. 4 – Máx. (Mín. 5 – Máx.
(Mín. 5 – Máx. 10)
Máx.14) 12) 10) >18
1 14 100% 8 80% 10 83% 10 100% 42
2 14 100% 9 90% 10 83% 8 80% 41
4 9 64% 7 70% 5 42% 10 100% 32
5 12 86% 10 100% 12 100% 9 90% 43
7 9 64% 8 80% 3 25% 6 60% 26
8 9 64% 1 10% 4 33% 2 20% 16
9 14 100% 10 100% 10 83% 8 80% 42
10 14 100% 8 80% 9 75% 9 90% 40
12 11 79% 5 50% 2 17% 5 50% 23
13 14 100% 10 100% 12 100% 10 100% 46
14 5 36% 3 30% 6 50% 5 50% 19
15 12 86% 7 70% 2 17% 6 60% 27
17 11 79% 10 100% 6 50% 7 70% 34
18 14 100% 8 80% 11 92% 8 80% 41
19 12 86% 10 100% 8 67% 8 80% 38
21 14 100% 10 100% 12 100% 10 100% 46
22 11 79% 9 90% 6 50% 10 100% 36
25 11 79% 10 100% 7 58% 8 80% 36
26 13 93% 5 50% 12 100% 9 90% 40
27 13 93% 8 80% 12 100% 7 70% 40
28 8 57% 4 40% 12 100% 7 70% 31
31 11 79% 10 100% 7 58% 11 110% 39
33 11 79% 5 50% 7 58% 4 40% 27
34 10 71% 9 90% 12 100% 7 70% 38
35 10 71% 6 60% 2 17% 3 30% 21
38 8 57% 6 60% 8 67% 10 100% 32
39 13 93% 10 100% 6 50% 4 40% 33
40 11 79% 10 100% 10 83% 9 90% 43
42 13 93% 10 100% 9 75% 5 50% 38
43 12 86% 8 80% 3 25% 9 90% 32
44 14 100% 10 100% 12 100% 10 100% 46
45 13 93% 9 90% 12 100% 8 80% 42
48 6 43% 7 70% 5 42% 8 80% 26
49 9 64% 6 60% 10 83% 4 40% 29
50 13 93% 8 80% 9 75% 4 40% 34

Legenda de cores: [ ]- perfil preponderante; [ ]- perfil ausente; [ ] não alcançou o perfil


complexo. Fonte: Autores ( 2014)

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