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IGREJA PRESBITERIANA CENTRAL DE ARAGUARI - IPCA

Classe de Novos Membros - EBD Lição 2 Setembro 2017


NOSSA IDENTIDADE
“Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as TRADIÇÕES que vos foram ensinadas, seja
por palavra, seja por epístola nossa”.
2 Tessalonicenses 2.15

Algumas Reflexões
“De onde vem nosso jeitinho, nosso modo de falar, nossa malandragem? Depois de mais uma
temporada de escândalo, a discussão em torno da origem do nosso caráter está de volta.
Afinal, quem somos nós, os brasileiros?”. Rodrigo Cavalcante - Revista Super
Interessante

“A nossa identidade é o que demonstra que somos diferentes. Temos forma própria de
pensar, de agir, de experimentar o cotidiano. Somos semelhantes uns aos outros e ao mesmo
tempo tão diferentes. A identidade faz com que nos conheçamos... Da mesma forma que há
uma identidade pessoal, há também uma identidade confessional... A Identidade confessional
é algo extremamente importante, pois nos insere no grupo por nós escolhido a fim de
expressarmos nossa fé e desenvolver nossa espiritualidade”. Paroquia São João Bosco –
São Paulo-SP

“Uma das coisas mais importantes para todo grupo é ter uma consciência clara da sua
identidade e objetivos. A identidade tem a ver com as raízes, a história, os fundamentos, as
características distintivas. Os objetivos são uma decorrência disso: à luz das raízes, da
identidade, das convicções básicas, irão ser traçados os alvos, as prioridades, as maneiras de
ser e viver no mundo”. Dr. Alderi Souza de Matos

A Relevância do Tema
Conhecer nossa identidade é conhecer a nós mesmos. Estudá-la é também estudar
acerca de quem somos. Isto se aplica perfeitamente à nossa identidade confessional.
Pertencemos a um grupo religioso e, portanto, nos identificamos com ele. No entanto, é
preciso saber quem realmente somos como indivíduos religiosos e como igreja. Precisamos
saber quem somos, quais são nossas raízes históricas, teológicas, denominacionais. Somos
presbiterianos, mas, o que isso quer dizer?

Temos Uma Origem Reformada (Calvinista)


Nossas raízes mais remotas são provenientes da Reforma Protestante no Século
XVI. Tal movimento religioso teve seu marco inicial na Europa (Alemanha) através do
protesto de Martinho Lutero (95 teses) em 31 de outubro de 1517. Consequentemente, o
movimento repetiu-se em outros países europeus, tendo na Suíça seu maior destaque nas
figuras de Ulrico Zuínglio (1484-1531) e posteriormente em João Calvino (1509-1564).
Com o passar dos anos o movimento reformado distinguiu-se dos demais ramos do
protestantismo (luteranos, anglicanos e anabatistas), sobretudo, por suas concepções
teológicas e formas de governo. Tais concepções foram preservadas e desenvolvidas ao
longo dos anos por diversos sucessores, em diversos países, tais como os puritanos
ingleses e os holandeses.
Tais sucessores tomaram João Calvino como o principal sistematizador das
doutrinas reformadas, e por esta razão, passamos a ser reconhecidos como cristãos
Reformados ou Calvinistas.
Desta forma, quando declaramos ser cristãos reformados estamos afirmando que
guardamos os princípios e valores doutrinários da Reformada Protestante, sob a
perspectiva bíblica do calvinismo. Historicamente, passou-se a denominar reformado ou
calvinista aquele cristão que crê não apenas nos tradicionais cinco Solas da Reforma, mas
também nos famosos 5 Pontos do Calvinismo:

Os Cinco “Solas”:
1. Sola Scriptura – Somente a Escritura é a regra de fé e prática para o cristão. Fonte única
e inerrante de revelação divina escrita;

2. Solus Christus – Somente pela obra expiatória de Cristo nossa salvação é realizada. Sua
expiação por si só é suficiente para nossa justificação e reconciliação com Deus;

3. Sola Gratia – Somente pela graça de Deus o homem pode ser resgatado salvificamente.
A graça de Deus em Cristo não só é necessária como é única causa eficaz da salvação.

4. Sola Fide – Somente pela graça mediante a fé o homem pode ser salvo. Nossa
justificação é pela graça por meio da fé somente em Cristo.

5. Soli Deo Glorie – Somente Deus deve ser glorificado na salvação dos homens. Ela é
obra exclusiva de Deus e, como tal, somente Deus deve ser glorificado.

Os Cinco “pontos”:
1. Depravação Total – O homem é totalmente depravado, isto é, sua natureza é corrupta,
perversa e totalmente pecaminosa. Todo o ser do homem foi afetado, bem como, toda a
raça humana.

2. Eleição Incondicional – Deus, antes da fundação do mundo, escolheu certos indivíduos


dentre todos os membros decaídos da raça de Adão para ser o objeto de Seu imerecido
amor. Esses, e somente esses, Ele propôs salvar.

3. Expiação Limitada – A obra redentora de Cristo foi intencionada para salvar somente
os eleitos e, de fato, assegurou a salvação destes. Sua morte foi um sofrimento
substitucionário da penalidade do pecado no lugar de certos pecadores específicos.

4. Graça Irresistível – Além da chamada externa à salvação, que é feita a todos que ouvem
o evangelho, o Espírito Santo estende aos eleitos uma chamada especial interna, a qual
inevitavelmente os traz à salvação. Ele nunca falha em trazer à salvação aqueles
pecadores que Ele pessoalmente chama a Cristo.

5. Perseverança dos Santos – Somente Deus deve ser glorificado na salvação dos homens.
Ela é obra exclusiva de Deus e, como tal, somente Deus deve ser glorificado.
IGREJA PRESBITERIANA CENTRAL DE ARAGUARI - IPCA
Classe de Novos Membros - EBD Lição 2 Setembro 2017

Adotamos os Símbolos de Fé de Westminster


Somos reformados. Cremos nos princípios elementares da Reforma Protestante. No
entanto, há algumas diferenças doutrinárias dentro protestantismo oriundo da Reforma
século XVI. Por esta razão, devemos salientar que como presbiterianos adotamos os
Símbolos de Fé de Westminster (Confissão de Fé, Catecismo Maior e Breve). Tais documentos
foram elaborados pela Assembléia de Westminster (1643-1648), convocada pelo
Parlamento Inglês com o objetivo de elaborar novos padrões doutrinários, litúrgicos e
administrativos para a Igreja da Inglaterra. A Assembléia de iniciou seus trabalhos na
abadia de Westminster (Londres), no dia 1º de julho de 1643, e continuou em atividade
durante cinco anos e meio. Foram realizadas mais de 1160 reuniões do plenário, com
centenas de ministros e teólogos.
Como presbiterianos, cremos na Palavra de Deus como nossa regra de fé e prática e
adotamos os símbolos de fé de Westminster como exposição do sistema de doutrinas
ensinadas na Escritura.

Algumas Considerações
Ao tratarmos deste assunto devemos recordar que o conhecimento acerca de nossa
identidade confessional irá nos levar a uma séria reflexão sobre nós mesmos. Muitos
simplesmente não a conhecem e ainda outros a desprezam. No entanto, ao contemplarmos
o fruto do que temos colhido nos perguntamos: onde temos falhado? Certamente
encontraremos muitas respostas ao considerarmos o nosso passado. Diante disso
reflitamos nas seguintes questões:

1. Qual é a nossa atual identidade confessional? O que nós somos no


presente? O que seremos no futuro?
2. Ao contemplarmos nossas produções musicais, teológicas, litúrgicas o
que evidenciamos?
3. Qual impacto a expressão de nossa fé (falada e vivida) tem causado no
mundo atual?

“O antigo evangelho está morto. Os liberais o substituíram por uma visão


mundanizada e politizada. Estas não são novidades recentes. Estão fazendo isto por
muitas décadas. A coisa mais surpreendente é como podem, até mesmo os
evangélicos conservadores, trocar o Evangelho real por uma mensagem de autoajuda
e auto realização. Os temas como pecado e salvação foram substituídos por assuntos
mais em voga e na moda, emprestados da psicologia moderna [...] Perdemos o rumo
do caminho, em nossos dias, e creio que são os distintivos da Fé Reformada que
apontarão o caminho de volta para a igreja”. Terry L. Johnson