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ISSN 2177-3548

O papel das emoções na aprendizagem do comportamento simbólico*


The role of emotions in symbolic behavior learning
El papel de las emociones en el aprendizaje del comportamiento simbólico
Natalia Maria Aggio1, João Henrique de Almeida 2, Mariéle Diniz Cortez3, Julio C. de Rose4

[1] [2] [3] [4] Universidade Federal de São Carlos | Título abreviado: Emoções e comportamento simbólico | Endereço para correspondência:Rua Sete de
setembro, 2340, ap 52, Centro, São Carlos, São Paulo | Email: nanaggio@hotmail.com

Resumo: As emoções estão diretamente envolvidas em comportamentos importantes para


a preservação e a reprodução da espécie. É sabido que estímulos originalmente neutros não
diretamente relacionados com a sobrevivência e a procriação, como os símbolos, podem,
também, controlar respostas emocionais, ainda que sem treino direto. Neste artigo foram
discutidos a importância do estudo das emoções e como o ser humano aprende a responder
emocionalmente a estímulos inicialmente não diretamente relacionados a eventos emocio-
nais. Foram apresentados resultados de uma linha de pesquisa que, empregando o paradigma
da equivalência de estímulos, investigou como estímulos emocionais, ao se tornarem mem-
bros de classes de equivalência, transferem seus significados a estímulos neutros. Os resulta-
dos dos estudos descritos demonstram como estímulos emocionais influenciam na maneira
como atribuímos significado a símbolos e indicam variáveis relevantes para o estabelecimen-
to, modificação e manutenção destes significados. O estudo combinado das emoções e do
comportamento simbólico, a partir de um diálogo interdisciplinar entre psicologia evolutiva
e análise do comportamento, pode contribuir para o entendimento de aspectos evolutivos e
culturais que influenciam o comportamento humano.
Palavras-chave: emoções; símbolos; comportamento simbólico; transferência de significa-
do; psicologia evolutiva; equivalência de estímulos.

* Os dois primeiros autores contaram com bolsa de pós-doutoramento do Instituto Nacional
de Ciência e Tecnologia sobre Comportamento, Cognição e Ensino - INCT-ECCE (FAPESP,
processo no 2008/57705-8 e CNPq, processo no 573972/2008-7). A terceira autora conta com
bolsa de pós-doutoramento (FAPESP, processo no 012/21425-7). O quarto autor conta com
bolsa produtividade do CNPq. Todos os autores são membros do INCT-ECCE.

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Abstract: Emotions are directly involved in important behaviors related to preservation and
reproduction of species. It is known that originally neutral stimulus not directly related to
survival and reproduction, as the symbols, may also control emotional responses, even with-
out direct training. This paper discuss the importance of studying emotions and how humans
learn to emotionally respond to stimuli initially not directly related to emotional events. It
presents results of a line of research that, employing the paradigm of stimulus equivalence,
investigated how emotional stimuli as members of equivalence classes transfer their meanings
to neutral stimuli. The results from these studies demonstrate how emotional stimuli influence
the way we assign meaning to symbols and indicate some relevant variables for the establish-
ment, modification and maintenance of these meanings. The combined study of emotions and
symbolic behavior, considering an interdisciplinary dialogue between evolutionary psychol-
ogy and behavior analysis, can contribute to the understanding of evolutionary and cultural
aspects of emotion that influence human behavior.
Keywords: emotions, symbols, symbolic behavior, transfer of meaning, evolutionary psychol-
ogy, stimulus equivalence.
Resumen: Las emociones están directamente implicadas en comportamientos importantes
para la preservación y la reproducción de la especie. Se sabe que estímulos originalmente neu-
tros no directamente relacionados con la supervivencia y la procreación, como los símbolos,
pueden, también, controlar respuestas emocionales, aunque sea sin entrenamiento directo. En
este artículo se discuten la importancia del estudio de las emociones y como el ser humano
aprende a responder emocionalmente a estímulos inicialmente no relacionados a eventos
emocionales. Se presentan resultados de una línea de investigación que, usando el paradigma
de la equivalencia de estímulos, investigó como estímulos emocionales, al ser miembros de
clases de equivalencia, transfieren sus significados a estímulos neutros. Los resultados de los
estudios descritos demuestran como estímulos emocionales influyen en la forma en la que
atribuimos significado a los símbolos y qué variables parecen importantes para el estable-
cimiento, modificación y manutención de estos significados. El estudio combinado de las
emociones y del comportamiento simbólico, a partir de un diálogo interdisciplinar entre psi-
cología evolutiva y análisis de la conducta, puede contribuir para la comprensión de aspectos
evolutivos y culturales que influyen en el comportamiento humano.
Palabras-clave: emociones; símbolos; comportamiento simbólico; transferencia de signifi-
cado, psicología evolutiva, equivalencia de estímulos.

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Reproduzir, cuidar da prole, fugir de ameaças, aju- Izard, 1971). Alguns estudos demonstraram, por
dar os pares, atacar quando em perigo, defender exemplo, que é mais fácil identificar uma face ex-
território: estes são alguns exemplos de situações pressando raiva, em meio a faces expressando ale-
envolvendo emoções com as quais os ancestrais dos gria, do que o oposto (Esteves, Dimberg, & Öhman,
seres humanos tiveram que lidar mesmo antes do 1994; Hansen & Hansen, 1988; Öhman, Lundqvist,
desenvolvimento da cultura (Eisenberg & Miller, & Esteves, 2001). Esse tipo de resposta tem sido
1987; Ekman & Friesen, 1971; Hoffman, 2000; associada à importância evolutiva de reconhecer
Izard, 1971). As emoções sempre estiveram envol- prontamente situações de perigo.
vidas em comportamentos relacionados à preser- Identificar, de forma acurada, como um indivi-
vação e à reprodução da espécie, mas de que modo duo está se sentindo em uma determinada situação
esse tipo de comportamento teria dado origem a pode trazer benefícios tanto em relação a diminuir
adoração de imagens, ao medo de um gato preto ou a probabilidade de entrar em contato com uma situ-
a ambição por dinheiro? ção aversiva quanto em aumentar a probabilidade de
Questões acerca de como diferentes aspectos do entrar em contato com uma situação agradável. Um
ambiente adquirem significados arbitrários e espe- adolescente que pede dinheiro para a mãe quando
cíficos permanecem como enigmas intrigantes para esta chega do trabalho com uma expressão facial de
as ciências comportamentais e cognitivas (Tonneau, raiva e cansaço, por exemplo, provavelmente rece-
Abreu, & Cabrera, 2004). Considerando alguns au- berá uma resposta ríspida e, ainda, poderá ficar de
tores (Állan & Souza, 2009; Hauser, Chomsky, & castigo para pensar sobre a importância de econo-
Fitch, 2002; Tomasello & Call, 1997), pode-se afir- mizar dinheiro. Por outro lado, pedir dinheiro para
mar que a habilidade de produzir símbolos é um a mãe depois desta ter passado uma tarde prazerosa
grande diferencial na interação do ser humano em companhia da família aumenta a probabilida-
com seu ambiente. Neste artigo serão discutidos a de do pedido ser atendido e maximiza a chance de
importância do estudo das emoções e como o ser ganhar um “dinheirinho a mais”, como recompensa
humano aprende a responder emocionalmente a por ser um filho tão dedicado à família.
estímulos que, inicialmente, não têm relação direta Considerando tal exemplo, não é difícil en-
com eventos emocionais. tender a importância evolutiva das emoções. Mas,
voltando à questão apresentada no início do texto,
como estímulos previamente neutros podem ad-
O estudo das emoções quirir função de eliciar respostas emocionais? As
Apesar de ser um antigo alvo de investigações pesquisas sobre o condicionamento reflexo ajuda-
científicas, ainda não existe consenso sobre como ram a trazer algumas respostas a essa pergunta. No
definir o que é uma emoção e o quanto elas in- clássico experimento de Watson e Raynor (1920),
fluenciam no comportamento humano (Bradley & o emparelhamento sucessivo entre um rato branco
Lang, 2006). Alguns teóricos apontam que as emo- (estímulo neutro) e um som alto e repentino (estí-
ções têm papel crucial na resolução de problemas mulo aversivo) fez com que o pequeno Albert, um
adaptativos (Cosmides & Tooby, 1987; Tooby & bebê de nove meses de idade, passasse a apresentar
Cosmides, 1992). Outros propõem que as emoções respostas emocionais de medo diante do rato, mes-
exercem papel importante na chamada econômia mo quando o som aversivo não estava mais pre-
comportamental (Frank, 1988) ou, ainda, que de- sente. Os pesquisadores observaram, ainda, essas
terminadas emoções como, por exemplo, a culpa, mesmas reações diante de outros objetos brancos e
contribuem para o engajamento em comportamen- peludos semelhantes ao rato (até mesmo a máscara
tos que produzem consequências vantajosas a lon- de um Papai Noel evocava tais reações).
go prazo (Haselton & Ketelaar, 2005). No condicionamento clássico ou reflexo, quan-
É consenso, porém, que as emoções têm papel do um estímulo neutro é sistematicamente seguido
bastante relevante na sobrevivência e na adaptação pela apresentação de um estímulo incondiciona-
de nossa espécie ao ambiente (Eisenberg & Miller, do, ou seja, um estímulo que elicia uma resposta
1987; Ekman & Friesen, 1971; Hoffman, 2000; reflexa, o estímulo inicialmente neutro adquire as

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funções eliciadoras do estímulo incondicionado “referir-se a” são considerados, pelos analistas do


(Catania, 1999). Uma boa parte das fobias é expli- comportamento, como comportamentos e, portan-
cada por esse tipo de condicionamento, no entan- to, devem ser explicados sem o artifício de processos
to, há situações consideravelmente mais complexas mentais ou cognitivos (Matos, 1999).
do que aquelas criadas no experimento de Watson O paradigma da equivalência de estímulos
e Raynor (1920) que também envolvem respostas proposto por Sidman e Tailby (1982) é considera-
emocionais. Como explicar, por exemplo, as res- do, por diversos pesquisadores, como um modelo
postas emocionais de fiéis cristãos diante de uma experimental útil para se estudar empiricamente o
cruz ou a repulsa de um torcedor de futebol em comportamento simbólico (Barros, Galvão, Brino,
relação a uma cor que representa um time adver- Goulart, & McIlvane, 2005; de Rose & Bortoloti,
sário? Ou, ainda, como explicar emoções de medo, 2007; Sidman, 1994; Smyth, Barnes-Holmes, &
alegria ou comoção diante da leitura de um livro? Forsyth, 2006; Wilkinson & McIlvane, 2001). Esse
Em todos estes casos, estamos tratando de respos- paradigma permite o desenvolvimento, em uma
tas emocionais a símbolos. situação de laboratório, de relações entre estímu-
los, análogas às observadas no comportamento
O que são símbolos e como eles podem simbólico. Essas relações são chamadas de rela-
adquirir funções emocionais? ções de equivalência e os estímulos que apresen-
Símbolos são estímulos originalmente neutros que tam esse tipo de relação constituem uma classe de
adquirem significados arbitrários estabelecidos cul- estímulos equivalentes (Sidman, 1994). Esse tipo
turalmente. Esses símbolos mantêm suas caracte- de metodologia permite que as próprias relações
rísticas individuais originais e passam a ser tratados estabelecidas experimentalmente sejam variáveis
como seus referentes em determinados contextos, dependentes nos estudos, o que facilita o entendi-
estabelecendo uma relação de substitutabilidade mento de como elas são estabelecidas (Guinther &
(Bates, 1979). Dougher, 2010).
O desenvolvimento do comportamento simbó- Uma vez que uma das características das rela-
lico parece ter surgido tardiamente na história evo- ções simbólicas é a sua condicionalidade (Bates,
lutiva do homo sapiens moderno e, possivelmente, 1979), no paradigma de equivalência de estímulos,
foi este tipo de comportamento que permitiu sua o estabelecimento de discriminações condicionais
sobrevivência (Tattersall, 2008). Pinturas rupestres é pré-requisito para ocasionar a formação de clas-
e indícios de rituais funerários estão entre as pri- ses de equivalência. Entende-se por discriminação
meiras evidências de comportamento simbólico do condicional a discriminação em que a consequên-
homem. O surgimento do comportamento simbó- cia do responder na presença de um estímulo de-
lico contribuiu, também, para o desenvolvimento pende de, pelo menos, outro estímulo que designe
social e culminou no desenvolvimento de sistemas o contexto (Catania, 1999). Por exemplo, se estou
linguísticos complexos. em uma praia e peço a meu colega “me passe meus
A maneira pela qual os símbolos são utilizados é óculos, por favor”, ele, provavelmente, me entregará
parte essencial de nosso processo de interação com meus óculos de sol. Se eu estiver em minha escri-
o ambiente. Por esse motivo, pode-se considerar um vaninha, lendo um livro e fizer o mesmo pedido
símbolo como algo que é percebido pelos sentidos. ao meu amigo, ele, possivelmente, me passará meus
Ele pode ser escrito, falado, visto ou ouvido. O que é óculos de leitura e não os de sol.
importante acerca da representação física (qualquer Habitualmente, para o ensino de relações con-
que seja ela) de um símbolo é a maneira pela qual dicionais, utiliza-se o procedimento de emparelha-
ele é considerado pelos diferentes indivíduos ou pelo mento com o modelo (matching-to-sample). Neste
mesmo indivíduo em momentos distintos (Gray & são necessários, no mínimo, dois estímulos con-
Tall, 1994). Desta forma, o estudo do significado ca- dicionais diferentes (os estímulos-modelo) e dois
berá, segundo Skinner (1957), como responsabilida- estímulos discriminativos diferentes (os estímulos
de final à psicologia enquanto ciência experimental de comparação). As respostas diante dos estímu-
do comportamento. “Simbolizar”, “compreender”, los discriminativos são reforçadas de acordo com

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o estímulo-modelo presente. Por exemplo, diante A transitividade é observada em respostas que de-
da palavra “medo” (estímulo modelo), o participan- monstrem a emergência de uma relação entre dois
te terá duas opções de escolha, a palavra “aranha” estímulos que não foram diretamente relacionados
e a palavra “maçã” (estímulos de comparação). A entre si mas foram relacionados a um terceiro (e.g.,
escolha de um dos comparações estabelecido, pelo dado AB e BC, se A1 então C1, para transitivida-
experimentador, como correto irá produzir uma de e se C1 então A1, para simetria da transitivida-
consequência potencialmente reforçadora. de). Somente observando-se respostas nos testes,
Esse tipo de relação, chamada de relação de consistentes com o previsto pelo treino realizado,
quatro termos (i.e., estímulo condicional, estímu- pode-se ter evidências suficientes para considerar
lo discriminativo, resposta e consequência), é que a emergência de relações de equivalência. São estas
estabelece o potencial para a emergência de classes evidências empíricas da emergência de relações,
de estímulos equivalentes. Ao aprenderem discri- demonstrando o caráter reflexivo, simétrico e tran-
minações condicionais que possuem um ou mais sitivo das relações condicionais ensinadas, que per-
elementos em comum, os indivíduos são capazes de mitem assegurar que os estímulos relacionados são
emitir não somente o comportamento diretamen- substituíveis entre si, de modo que eles podem ser
te ensinado, mas também novos comportamentos tomados como símbolos uns dos outros (de Rose
que emergem sem treinamento explícito (Sidman, & Bortoloti, 2007). Assim, poderíamos condicionar
1986). Essa característica de emergência das rela- um papagaio a bicar a letra “v” diante de um círculo
ções, seu caráter gerativo, assegura que não se tra- verde e também a vocalizar “verde” diante do mes-
tem apenas de pares associados, mas de relações mo círculo verde. Porém, o papagaio provavelmen-
potencialmente simbólicas. Os critérios necessários te não vocalizaria “verde” diante da letra “v”, pois
para considerar as relações entre estímulos como de esta resposta não foi condicionada a este estímulo1.
equivalência são análogos aos providos pela teoria Uma criança autista que aprendesse as mesmas per-
dos conjuntos para definir relações de equivalência, formances no decorrer de um treino de linguagem,
ou seja, se uma relação apresenta as propriedades provavelmente apresentaria as relações emergentes.
de reflexividade, simetria e transitividade, ela é uma Na verdade, o teste de relações emergentes pode-
relação de equivalência e os elementos relaciona- ria demonstrar o caráter simbólico dos estímulos
dos (estímulos) são substituíveis entre si (Sidman envolvidos, comprovando que o comportamento
& Tailby, 1982). da criança apresenta uma “compreensão” além do
Para o estabelecimento de classes de estímulos mero condicionamento apresentado pelo papagaio.
equivalentes é necessário, inicialmente, o ensino de, Como definido anteriormente, estímulos que
ao menos, dois conjuntos de relações condicionais apresentam relações simbólicas passam a ser tra-
com um elemento em comum (e.g., as relações AB tados como seu referente (Bates, 1979). Isso sig-
e BC, incluindo os estímulos A1, A2, B1, B2, C1 e nifica que estímulos previamente neutros passam
C2). Posteriormente, para comprovar a formação a compartilhar o mesmo significado de estímulos
destas classes, são realizados testes verificando as significativos com os quais mantêm relação. A esse
propriedades citadas. Estes testes são, tipicamen- processo dá-se o nome de transferência de função.
te, realizados sem o reforço diferencial de respos- Segundo Bortoloti e de Rose (2007), a transferên-
tas corretas, pois caso contrário não seria possível cia de funções representa a extensão dos efeitos
concluir que as relações são de fato emergentes: comportamentais de um determinado estímulo
elas poderiam estar sendo condicionadas na pró- para os outros membros da classe. A transferência
pria situação de teste pelo reforço ali fornecido. A de funções ocorre quando a função de um ou mais
propriedade de reflexividade é observada quando
há a escolha do estímulo de comparação fisica- 1  Dizemos “provavelmente” pois este experimento não foi
mente idêntico ao estímulo-modelo apresentado realizado. Porém, os dados disponíveis indicam que não hu-
manos têm muita dificuldade com relações emergentes e as
(e.g., se A1 então A1; se B2 então B2). A simetria exibem (quando as exibem) apenas em situações experimen-
é caracterizada por uma reversibilidade de funções tais extremamente favoráveis (e.g., Schusterman & Kastak,
de modelo e de comparação (e.g., se B1 então A1). 1993, Sidman et al., 1982).

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membros de uma classe de estímulos equivalentes cedimento padrão de matching-to-sample, para a


é transferida para os outros membros, na ausência formação das classes de equivalência, com o ins-
de treino explicito. trumento de diferencial semântico, desenvolvi-
A transferência de funções já foi demonstrada do por Osgood e colaboradores (Osgood, Suci, &
em um grande número de experimentos, com di- Tannenbaum, 1957). O diferencial semântico per-
ferentes funções de estímulo (e.g., Barnes-Holmes, mite avaliar o significado de estímulos, por meio
Keane, Barnes-Holmes, & Smeets, 2000; Bortoloti de um conjunto de escalas com adjetivos bipola-
& de Rose 2007; de Rose, McIlvane, Dube, Galpin, res, de modo que é possível verificar se estímulos
& Stoddard, 1988; O´Toole, Barnes-Holmes, & abstratos equivalentes a estímulos significativos
Smyth, 2007; Perkins, Dougher, & Greenway, adquirem o significado destes.
2007). Além disso, este fenômeno apresenta, segun- Nesses experimentos, os estímulos significati-
do alguns autores (Dougher, Augustson, Markham, vos utilizados foram faces expressando diferentes
Greenway, & Wulfert, 1994; Ferro & Valero, 2008), emoções. O uso das faces como “referentes”, ou seja,
potencial para elucidar os efeitos de algumas desor- como estímulos significativos, foi adotado por se-
dens emocionais e processos terapêuticos baseados rem consideradas estímulos naturalmente salientes
em diferentes funções da linguagem. para humanos e outros primatas na comunicação
Tomemos como exemplo um caso de fobia a de sinais sociais (Parr, Winslow, Hopkins, & De
baratas. É bastante comum que, pessoas com aver- Waal, 2000). Apesar de, a princípio, o foco das
são a baratas apresentem, diante de tais insetos, investigações ter sido a validade externa do para-
respostas emocionais típicas de medo e ansiedade digma da equivalência de estímulos, o volume de
(e.g., sudorese, tremor, respostas de fuga/esquiva, pesquisas realizadas acabou por fornecer resultados
taquicardia, entre outras). A depender do estabe- que auxiliam no entendimento do desenvolvimento
lecimento de relações de estímulos aprendidas ou de símbolos emocionais.
derivadas que incluam experiências com esse inse- Em um experimento típico utilizando a meto-
to, é provável que estas pessoas passem a apresentar dologia proposta por Bortoloti e de Rose (2007),
respostas emocionais semelhantes também diante em uma primeira fase do procedimento, os parti-
da figura de uma barata ou até mesmo diante da cipantes são expostos a um treino de relações con-
palavra falada “barata” (mesmo que não exista ne- dicionais, via matching-to-sample, entre estímulos
nhuma barata no ambiente). Nesses últimos casos, abstratos e estímulos significativos (i.e., faces ex-
os símbolos (a figura ou a palavra falada) adquiri- pressando diferentes emoções). O treino, em geral,
ram as funções da própria barata dado que, assim envolve o ensino de, no mínimo, três classes de es-
como a barata, eliciam respostas emocionais que, tímulos, cada uma delas envolvendo uma emoção
anteriormente, ocorriam apenas na presença de tal diferente como estímulo significativo (e.g., alegria,
inseto, ilustrando um exemplo de transferência de tristeza e neutralidade) e quatro ou mais estímulos
função. abstratos. Após a fase de treino, são realizados tes-
tes para verificar a formação de três classes de equi-
valência distintas (classe alegre, classe triste e classe
O diferencial semântico como neutra). Uma representação esquemática deste pro-
medida de transferência de cedimento pode ser visualizada na Figura 1.
significado Uma vez verificada a formação das classes de
Com o objetivo de testar a validade do paradigma equivalência, os participantes são expostos à se-
da equivalência de estímulos como modelo expe- gunda fase do procedimento, que consiste na ava-
rimental do comportamento simbólico, Bortoloti liação de um ou mais estímulos abstratos de cada
e de Rose (2007) desenvolveram um método para uma das classes formadas, por meio do diferencial
avaliar se estímulos abstratos, isto é, sem signifi- semântico, para a verificação da transferência de
cado, adquirem a função de estímulos previamen- função. O estímulo (ou conceito) a ser avaliado é
te significativos quando se tornam equivalentes a apresentado no topo de uma folha e abaixo deste
estes. O método, de forma geral, combina o pro- é apresentado um conjunto de escalas bipolares de

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Figura 1. Esquema de treino hipotético com estímulos signifi-


cativos (faces expressando emoções) e estímulos abstratos.
As setas com traço contínuo indicam as relações treinadas di-
retamente e as setas tracejadas as relações testadas (relações
emergentes/derivadas).

sete intervalos que são ancoradas, em suas extre- Figura 2. Estímulo abstrato e conjunto de escalas do diferen-
midades, por dois adjetivos opostos (e.g., bonito- cial semântico.
-feio, alegre-triste, agradável-desagradável, etc.).
Para cada estímulo apresentado, o participante experimentais. A distância entre a avaliação feita
deve assinalar, em cada escala, quanto o estímulo pelo grupo experimental e a avaliação realizada
se aproxima de um dos dois adjetivos. Os intervalos pelo grupo controle em cada escala indica o grau
recebem valores numéricos entre -3 e +3 e cada um de transferência de função. Quanto mais próximos
destes valores indica a direção do polo escolhido os valores das avaliações feitas por ambos os gru-
(positivo ou negativo) e a distância em relação a pos em uma dada escala, maior é a transferência
ele, permitindo avaliar a qualidade e a intensidade de significado, indicando que o estímulo abstrato,
do significado do conceito apresentado. O intervalo inicialmente sem significado, adquiriu a função do
central de uma dada escala, por sua vez, equivale ao estímulo significativo após tornar-se equivalente a
ponto neutro, ou seja, indica que o conceito ava- este via treino de relações condicionais.
liado é igualmente relacionado aos dois adjetivos A medida quantitativa realizada por meio do
ou não possui relação com os adjetivos da escala. diferencial semântico permite mensurar e com-
No procedimento desenvolvido por Bortoloti e de parar, de forma fidedigna e acurada, o grau de
Rose (2007), o diferencial semântico é apresentado relacionamento entre os estímulos pertencentes a
em uma versão com treze escalas que foi validada uma mesma classe de estímulos equivalentes ou
no Brasil por Almeida, Bortoloti, Ferreira, Schelini pertencentes a diferentes classes. A Figura 3 apre-
e de Rose (2014). A Figura 2 ilustra um estímulo senta um resultado hipotético de transferência de
abstrato e o conjunto de escalas bipolares do dife- função para duas classes diferentes (classes forma-
rencial semântico, da forma como são usualmente das por dois conjuntos de estímulos abstratos con-
apresentados aos participantes. tendo apenas um estímulo significativo, sendo uma
A avaliação dos estímulos abstratos realizada face triste para uma classe e uma face alegre para
pelos participantes expostos ao treino de relações a outra classe). A figura apresenta a avaliação das
condicionais (grupo experimental) é comparada faces feitas por um grupo controle e avaliação de
à avaliação das faces (estímulos significativos) por um estímulo abstrato de cada uma das classes, feita
um grupo controle, ou seja, por um conjunto de por um grupo experimental, após a formação das
participantes que não é exposto aos procedimentos classes de equivalência. Em geral, os resultados tí-

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Figura 3. Resultados hipotéticos das avaliações no diferencial semântico dos estímulos


abstratos pelo grupo experimental e dos estímulos significativos pelo grupo controle.

picos nestes experimentos indicam que as avaliação ficativo (faces raivosas, alegres ou neutras), foi re-
dos estímulos abstratos pelo grupo tendem a seguir alizado um procedimento visando a reorganização
a mesma tendência da avaliação feita pelo grupo destas classes, ou seja, novas relações entre os estí-
controle para os estímulos significativos (as faces), mulos foram treinadas, estabelecendo novas classes
indicando a tranferência de função. de equivalência com os mesmos estímulos (e.g., um
Os estudos realizados com este procedimento estímulo originalmente equivalente a uma face ale-
vêm indicando, entretanto, que diferentes parâme- gre tornou-se, depois, equivalente a uma face raivo-
tros de treino podem ocasionar diferentes graus de sa). Os autores pretendiam investigar se, após essa
transferência de significado. Os resultados obtidos reorganização nas relações de equivalência, haveria
por Bortoloti e de Rose (2009), por exemplo, indi- mudança no significado estabelecido inicialmente.
caram que o emprego de uma tarefa de matching- Esta mudança foi medida observando-se as respos-
-to-sample com atraso para estabelecer as classes de tas no instrumento de diferencial semântico. O sig-
equivalência produz melhores resultados em ter- nificado que foi inicialmente atribuído às classes foi
mos de transferência de significado entre estímulos modificado e essas mudanças de significado foram
equivalentes do que tarefas de emparelhamento que mais robustas para um dos grupos que executou o
utilizam matching simultâneo. procedimento com matching com atraso.
Efeitos do matching com atraso na transferên- Estes estudos confirmaram que outra variável,
cia de função também foram encontrados por de a distância nodal, produz efeitos na transferência
Almeida e de Rose (no prelo). Após o estabeleci- de funções entre estímulos, como já havia sido in-
mento das classes de equivalência contendo cada dicado por Fields e colaboradores (e.g., Doran &
uma três estímulos abstratos e um estímulo signi- Fields, 2012). A distância nodal é a quantidade de

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Emoções e comportamento simbólico 027-039

estímulos intermediários, ou nódulos, interme- o diferencial semântico quando o estímulo avaliado


diando a relação entre dois estímulos: por exem- era equivalente às faces alegres do que quando era
plo, se as relações estabelecidas são AB, BC, e CD, equivalente às faces raivosas, indicando o efeito do
a distância nodal entre A e D é de dois nódulos (B tipo de emoção empregada como variável relevante
e C), enquanto a distância entre A e C é de um nó- na transferência de significado.
dulo apenas (B). No Experimento 2 do estudo de Dando continuidade a esta linha de investiga-
Bortoloti e de Rose (2009), os autores comprova- ção, Bortoloti, Rodrigues, Cortez, Pimentel e de
ram que a distância nodal entre os estímulos pode Rose (2013) investigaram o efeito da quantidade de
produzir diferenças nos níveis de transferência de treino (treino regular versus overtraining) na trans-
função. Observou-se que os estímulos abstratos ferência de função entre estímulos equivalentes.
a um nódulo de distância das faces apresentaram Metade dos participantes (estudantes universitá-
maior transferência de função que os estímulos rios) foi exposta a um treino regular e a outra meta-
abstratos que estavam a três nódulos de distância de a um treino com o dobro de tentativas do treino
das faces, indicando que a transferência de função regular (overtraining) com o objetivo de estabelecer
diminui à medida que se amplia a distância nodal. três classes de equivalência entre estímulos abstra-
Em 2011, Bortoloti e de Rose realizaram uma tos e estímulos significativos (classe alegre, classe
reanálise dos dados do Experimento 2 do estudo raivosa e classe neutra). Os resultados indicaram
conduzido em 2009 e encontraram evidências de que os participantes submetidos ao overtraining
que, além dos parâmetros de treino investigados apresentaram maior transferência de função que
diretamente na ocasião (i.e., atraso na apresenta- os submetidos ao treino regular e que, assim como
ção dos estímulos comparação e distância nodal), observado em Bortoloti e de Rose (2009, 2011),
o tipo de emoção expressada pelas faces utilizadas a transferência de funções foi mais intensa para
também pode interferir no grau de transferência a classe de equivalência que envolveu expressões
de função entre estímulos equivalentes. A reanáli- faciais de alegria do que para aquela que utilizou
se foi realizada quanto aos desvios médios entre as expressões faciais de raiva, apontando, novamente,
avaliações das faces pelo grupo controle e as ava- para o tipo da emoção como um parâmetro impor-
liações dos estímulos abstratos equivalentes pelo tante para o grau de transferência de significado.
grupo experimental. Quanto menor o desvio (i.e., a Atentando-se para o potencial de tal metodolo-
diferença entre o valor da mediana atribuída à face gia para estudar o papel das emoções no comporta-
em uma dada escala pelo grupo controle e aquele mento simbólico, estudos subsequentes, utilizando
atribuído ao estímulo equivalente pelo grupo expe- o mesmo procedimento, passaram a investigar a
rimental), maior o grau de transferência de função emoção como variável independente, mais especi-
entre uma expressão facial e estímulo equivalente ficamente, o papel da valência dos estímulos signi-
a ela. Por exemplo, se os valores da mediana das ficativos na transferência de função. A valência e o
avaliações da face alegre pelo grupo controle fos- alerta são considerados como as duas principais di-
sem iguais aos valores da mediana atribuídos ao es- mensões das emoções (Bradley & Lang, 1994; Lang
tímulo equivalente a ela pelo grupo experimental, 1995) e foi, exatamente a partir das pesquisas do
o desvio nessa escala seria igual a zero e indicaria diferencial semântico de Osgood e colaboradores,
um alto grau de relacionamento entre “referente” que essas dimensões começaram a ser estudadas
e símbolo. Os desvios foram calculados com rela- experimentalmente. A valência é uma dimensão
ção aos estímulos que estavam a um e a três nódu- que varia entre o prazer e o desprazer e o alerta va-
los das faces alegres e raivosas para os grupos que ria entre calma e excitação.
foram expostos a tarefa com matching simultâneo O efeito saliente da face alegre encontrado nos
ou atrasado. A reanálise confirmou os efeitos ob- estudos previamente descritos também foi obser-
servados no estudo de 2009 com relação ao papel vado em estudo conduzido por Silveira, Aggio,
da distância nodal e do atraso na transferência de Cortez, Bortoloti, Rico e de Rose (aceito), que in-
significado e, de forma interessante, evidenciou vestigou a estabilidade das classes de equivalência e
que ocorreram menos desvios nas avaliações com da transferência de significado ao longo do tempo.

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Estudantes universitários foram submetidos a um Uma possível explicação para a maior transfe-
treino de relações condicionais para estabelecer três rência de função da classe envolvendo as faces de
classes de equivalência (classe alegre, classe raivo- medo pode estar relacionada ao fato de que ex-
sa e classe neutra) e depois avaliaram os estímulos pressões de medo envolvem duas dimensões im-
abstratos equivalentes às faces via diferencial se- portantes em termos de avaliação de emoções: va-
mântico. Trinta dias após, os participantes foram lência negativa e alerta alto, gerando altos graus de
expostos novamente ao teste de equivalência e ao responsividade por parte do indivíduo. Balaban e
diferencial semântico. Os resultados mostraram Taussig (1994), por exemplo, encontraram evidên-
que um número maior de participantes atingiu cias de maior responsividade (reflex potentiation)
o critério de manutenção da classe alegre do que dos participantes para estímulos ilustrando cenas
da classe raivosa (11 e seis participantes, respecti- de medo do que para qualquer outro tipo de ima-
vamente) e que a transferência de significado foi gem com conteúdo desagradável.
maior na classe de equivalência envolvendo a face Os resultados aqui relatados tomados em con-
alegre, tanto no primeiro teste quanto no follow-up junto apresentam evidências bastante fortes de que
realizado 30 dias depois. Esses achados apontam o tipo de emoção empregada no procedimento
para a valência do estímulo significativo como va- influencia, de forma determinante, não apenas a
riável relevante não apenas para a transferência de transferência de significado entre estímulos equi-
função como também para a estabilidade das clas- valentes, mas também a formação e manutenção
ses de equivalência, ou seja, para a “memória” da de classes de equivalência. Em outras palavras, di-
relação simbólica. ferentes emoções parecem influenciar na maneira
De acordo com Bortoloti et al. (2013), este efei- como atribuímos significado a símbolos e no quan-
to tem sido consistente com alguns estudos que re- to esse significado se mantém ao longo do tempo.
latam respostas mais rápidas e intensas a faces ale- A capacidade de usar símbolos e sua inserção
gres (Batty & Taylor, 2003; Leppänen, Kauppinen, no cotidiano é tido por alguns teóricos como a ra-
Peltola, & Hetanen 2007), mas ao mesmo tempo, zão pela qual, dentre as espécies de hominídios,
inconsistente com alguns estudos que descre- apenas os humanos tenham sobrevivido (Tattersall,
vem respostas mais rápidas a expressões raivo- 2008). Isso atribui ao comportamento simbólico
sas (Esteves et al., 1994; Hansen & Hansen, 1988; um status importante na sobrevivência de espécie.
Öhman et al., 2001). As emoções também são entendidas como fatores
Considerando as evidências de que o tipo de importantes na preservação e reprodução da espé-
emoção empregada como estímulo significativo cie. A junção desses dois aspectos pode trazer con-
pode influenciar na transferência de função, Cortez tribuições para o entendimento de nossa evolução,
e de Rose (2014) investigaram o papel de diferen- assim como para a formação de nossa cultura. O
tes valências de faces expressando emoções sobre a presente artigo pretendeu realizar um diálogo in-
transferência de significado entre estímulos equiva- terdisciplinar entre a investigação do comporta-
lentes. Para tanto, foram empregadas, como estímu- mento simbólico por meio da análise experimental
los significativos, faces expressando tristeza e medo do comportamento, especificamente em relação a
e faces expressando alegria, que diferem acentuada- símbolos emocionais e os conhecimentos da psi-
mente entre si tanto em termos de valência como cologia evolutiva. Acredita-se que esse tipo de in-
em termos de alerta. Observou-se transferência de teração pode ajudar a avançar no entendimento
função entre os estímulos equivalentes para todas sobre esses importantes temas para ambas as áreas
as três classes formadas, porém, diferentemente dos de pesquisa.
estudos anteriormente descritos, verificou-se maior
transferência de função para as classes que utili-
zaram expressões de tristeza e medo (com maior
destaque para a classe que empregou expressões de
medo) do que para as classes de equivalência envol-
vendo expressões faciais alegres.

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Informações do Artigo

Histórico do artigo:
Submetido em: 27-04-2015
Primeira decisão editorial: 24-06-2015
Aceito em: 09-07-2015
Editor Associado: Edson M. Huziwara

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