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FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS – PÓS GRADUAÇÃO

Especialização em Docência do Ensino Superior


Indivíduos e Sociedade: Uma Perspectiva Interdisciplinar
Prof.ª Inajara Rosa

Fichamento

A EDUCAÇÃO Proibida. Direção: Germán Doin, Produção: Daiana Gomez, Verónica


Guzzo, Franco Iacomella e Cintia Paz. Argentina, 2012.

APPLE, M.W. A política do conhecimento oficial: faz sentido a idéia de um currículo


nacional? In: MOREIRA, A.F.; SILVA, T.T. (Orgs.). Currículo, cultura e sociedade. São
Paulo: Cortez, 1994. p.59-91.

A “Educação Proibida” é um documentário produzido em 2012, que debate as


lógicas da escolarização moderna e a forma de entender a educação.
Através das cenas fictícias, o documentário propõe-se a questionar a forma como
as pessoas são preparadas na escola. Considerando a ausência de junção entre a teoria
e a prática, o tempo excessivo que a criança/adolescente passa em sala de aula, a
abordagem dos docentes para apresentação e entrega de conteúdo, além do layout
estrutural das escolas.
O documentário, intercala as cenas fictícias com dados históricos, dados de
pesquisas, além de entrevistas com diversos educadores. Dessa forma, revela as bases
da “Escola Moderna” desenhada nos moldes do ensino Prussiano, originário do padrão
militar. Onde o principal objetivo era doutrinar crianças e jovens para o sistema vigente,
assim como, prepara-los para a guerra.
O modelo Prussiano foi difundido no mundo todo. O padrão propunha a formação
de crianças através da separação em etapas, havendo conteúdos específicos para cada
fase. O currículo passa a ser um componente essencial para que esse processo pudesse
ocorrer com sucesso. Neste momento, a educação, ao invés de ser pensada por
educadores, era modelada por administradores.
Essa estrutura apresenta o sistema educacional como um sistema de exclusão
social. Um sistema de separação de classes.

MICHELLE BARROS DA SILVA


michellebarros.ti@gmail.com
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Prof.ª Inajara Rosa

Inseridas nesse contexto, as crianças perdem a vontade de aprender.


Em contrapartida, o documentário expõe as possibilidades de uma “nova escola”,
focando em respeitar o processo de ensino/aprendizagem, através do ensino prático. A
escola funciona como provedora de ferramentas para que essas crianças possam
construir suas próprias opiniões sobre a sociedade. Nessa nova proposta, a exploração
de espaços livres propõe a liberdade para as crianças. Em virtude de que, as crianças
absorvem a cultura em volta e também são capazes de aprender com os próprios erros
e acertos.
Contudo, esse novo modelo, exige a mudança de postura dos docentes.
Eliminando a figura do professor como detentor do conhecimento a ser aplicado na sala
de aula. Figura essa, que gera desconforto, falta de interesse e medo por parte dos
alunos. Entretanto, para que haja mudança de postura é necessário investimento e
incentivo para formação docente.
“A Educação Proibida”, assim como “A política do conhecimento oficial: faz sentido
a ideia de um currículo nacional? ” texto de Michael Apple, levanta uma crítica quanto a
existência e construção do currículo nacional.
Para Apple, o currículo não é neutro. Sendo parte de uma tradição seletiva.
Partindo da visão de alguém acerca do que pode ser considerado conhecimento legítimo.
Tratando-se de “um produto de tensões, conflitos culturais, políticos e econômicos
capazes de organizar e desorganizar um povo. ”
Apple não se opõe a existência de um currículo nacional e avaliações. Contudo,
um currículo nacional esbarra nas diferenças sociais, onde os alunos não possuem a
mesmo acesso ao conteúdo proposto. Tornando, dessa forma, a escola uma escola de
classes sociais.
O autor destaca em seu texto uma série de questionamentos e argumentos, com
a principal finalidade de levantar uma quantidade suficiente de questões graves,

MICHELLE BARROS DA SILVA


michellebarros.ti@gmail.com
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Indivíduos e Sociedade: Uma Perspectiva Interdisciplinar
Prof.ª Inajara Rosa

provocando o pensamento do leitor quanto às implicações decorrentes de seguir nesse


rumo.
O documentário e o texto, deixam dentre tantas questões, uma inquietação quanto
as formas de aprendizagem de cada indivíduo, considerando a sociedade na qual este
indivíduo/família está inserido. Seria possível eliminar essas diferenças através de um
currículo nacional? O currículo nacional apresenta-se como algo muito genérico quando
pensado como forma para desenvolvimento de novas habilidades. Com base nesse
pressuposto, um currículo nacional deveria ser pensado de forma minuciosa em amplos
debates realizados em escolas. Proporcionando o envolvimento de grande parcela da
sociedade.
Por fim, é preciso moldar o formato educacional desejado para o Brasil. E a partir
desse ponto, pensar num currículo.

MICHELLE BARROS DA SILVA


michellebarros.ti@gmail.com