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Ministério do Ensino Superior

Escola Superior Pedagógica do Bengo


Departamento de Ensino, Investigação e Extensão de Ciências da Educação.

ACÇÕES PARA A REDUÇÃO DA DESISTÊNCIA ESCOLAR DOS JOVENS


E ADULTOS NAS TURMAS DE ALFABETIZAÇÃO.

Monografia apresentada ao Departamento de Ensino, Investigação e Extensão de Ciências da Educação como


requisito para a obtenção de grau de Licenciado em Ensino da Pedagogia.

Autores:

Joaquim Paulo Pedro

Jorge Geremias Bunga

Maurício António Samba

Região Académica I

◊ Luanda ◊ Bengo ◊

Caxito, Fevereiro de 2019.


Ministério do Ensino Superior
Escola Superior Pedagógica do Bengo
Departamento de Ensino, Investigação e Extensão de Ciências da Educação.

ACÇÕES PARA A REDUÇÃO DA DESISTÊNCIA ESCOLAR DOS JOVENS


E ADULTOS NAS TURMAS DE ALFABETIZAÇÃO.

Monografia apresentada ao Departamento de Ensino, Investigação e Extensão de Ciências da Educação como


requisito para a obtenção de grau de Licenciado em Ensino da Pedagogia, sob orientação do Docente MSc.
Alberto Kitanda Marcelino

Autores:

Joaquim Paulo Pedro

Jorge Geremias Bunga

Maurício António Samba

Região Académica I

◊ Luanda ◊ Bengo ◊

Caxito, Fevereiro de 2019.


SUMÁRIO

DEDICATÓRIA ..........................................................................................................................I

AGRADECIMENTOS .............................................................................................................. II

RESUMO ................................................................................................................................. III

ABSTRACT .............................................................................................................................IV

INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 1

Situação Problemática ................................................................................................................ 3

Problema Científico ...................................................................................................................4

Objecto de Estudo ....................................................................................................................... 4

Campo de Acção ......................................................................................................................... 4

Objectivos ................................................................................................................................... 4

Ideia a ser Defendida .................................................................................................................. 4

Justificação do Estudo ................................................................................................................ 4

Delimitação e Limitação do Estudo ........................................................................................... 5

CAPÍTULO I – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................... 7

1.1 – Definição de Termos e Conceitos .................................................................................. 7

1.2 - Abordagens Históricas sobre a Desistência Escolar nas Turmas de Alfabetização ....... 9

1.3 - Factores Determinantes da Desistência Escolar ........................................................... 11

1.4 – Causas da Desistência Escolar ..................................................................................... 11

1.4.1 - Alunos em risco de Desistência Escolar ................................................................ 14

1.5 - Consequências da Desistência Escolar ......................................................................... 14

1.6 - Abordagens Culturalista e Conflitualista sobre a Desistência Escolar ......................... 15

1.6.1 - Culturalista ............................................................................................................. 15

1.6.2 - Conflitualista .......................................................................................................... 16

1.7 - O Insucesso Escolar como Resultado da Desistência Escolar ...................................... 17

1.7.1 - Manifestações de Insucesso Escolar ...................................................................... 18

1.8 - O papel da Escola no Combate a Desistência Escolar.................................................. 18


1.9 - Papéis dos Pais e Educadores na Prevenção e Combate a Desistência Escolar ........... 20

CAPÍTULO II - METODOLOGIA ...................................................................................... 22

2.1 - Metodologia .................................................................................................................. 22

2.2 - Tipo de Pesquisa ........................................................................................................... 22

2.3 - Tipo de abordagem ....................................................................................................... 22

2.4 - Técnicas e Instrumentos de Pesquisa ........................................................................... 23

2.4.1 - Técnicas ................................................................................................................. 23

2.4.2 - Instrumentos de pesquisa ....................................................................................... 23

2.5 - População e Amostra .................................................................................................... 24

2.6 - Métodos de investigação utilizados .............................................................................. 24

2.6.1 - Método geral .......................................................................................................... 24

2.6.2 - Métodos de nível empírico ........................................................................................ 24

2.6.3 - Métodos de nível teóricos .......................................................................................... 25

2.6.4 - Método estatístico ...................................................................................................... 26

2.7 - PROCEDIMENTOS E DIFICULDADES ................................................................... 27

2.7.1 – Procedimentos ....................................................................................................... 27

2.7.2 – Dificuldades .......................................................................................................... 28

2.8. - APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS. ........ 28

2.8.1 –APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS DE ENTREVISTA


DIRIGIDOS AOS PARTICIPANTES .............................................................................. 28

2.8.2 – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS DE ENTREVISTA


DIRIGIDOS AOS PAIS E ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO. ................................ 31

2.8.3 –APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS DE ENTREVISTA


DIRIGIDOS AOS FACILITADORES ............................................................................. 33

2.8.4 - AULAS OBSERVADAS AOS FACILITADORES DURANTE A NOSSA


PESQUISA ........................................................................................................................ 35

CAPÍTULO III - ACÇÕES PARA A REDUÇÃO DA DESISTÊNCIA ESCOLAR DOS


JOVENS E ADULTOS NAS TURMAS DE ALFABETIZAÇÃO. .................................... 37

1ª Acção – Formação dos facilitadores ................................................................................. 37


2ª Acção – Realização de palestras ....................................................................................... 37

3ª Acção – Envolvimento de todos participantes no projecto de alfabetização .................... 38

4ª Acção – Refrescamento dos facilitadores ......................................................................... 38

CONCLUSÕES....................................................................................................................... 39

SUGESTÕES .......................................................................................................................... 40

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 41

APÊNDICE

ANEXOS
DEDICATÓRIA

Dedicamos este trabalho aos nossos queridos pais: Mateus Pedro e Feliciana Joaquim
Paulo, Jeremias Eugénio Bunga e Isabel Jorge, Adão Manuel Samba e Ana António dos
Santos, pelo apoio incondicional quer financeiro e moral que nos proporcionaram.

I
AGRADECIMENTOS

Agradecemos em primeiro lugar a Deus, pai todo-poderoso, por ter nos concedido o
dom da vida e permitir que chegássemos até ao momento da defesa do trabalho de fim do
Curso (monografia), visto que sem ele, isto não seria possível.

À Direcção da Escola Superior Pedagógica do Bengo pelo apoio, incentivo e atenção


que nos prestaram durante a nossa formação académica.

Aos professores pelo apoio académico, moral e social que nos proporcionaram durante
os quatro anos da nossa licenciatura, ao nosso tutor o incansável Profº. MSc. Alberto Kitanda
Marcelino e aos docentes André Nzuzi Wankunku, Gilberta Savimbo Martins e Paulo Van-
Dúnem.

Agradecemos ainda aos nossos pais e familiares, pelo apoio moral e financeiro
incondicional que nos proporcionaram.

Agradecemos também aos nossos colegas que directa ou indirectamente foram um


suporte para que chegássemos neste momento.

II
RESUMO

Este trabalho tem como a temática “Acções para a Redução da Desistência Escolar dos
Jovens e Adultos nas Turmas de Alfabetização”, com objectivo de elaborar acções para a
redução da desistência escolar dos jovens e adultos nas turmas de alfabetização, para
operacionalização do referido trabalho utilizamos a metodologia mista (qualitativo-
quantitativa), onde empregamos o método geral (dialéctico-materialista), aplicadas a uma
população de (50) cinquenta intervenientes e uma amostra de (45) quarenta e cinco
interlocutores, as investigações de campo permitiram concluir que os participantes das turmas
de alfabetização do bairro Açucareira Parque desistem por várias razões, tais como: o trabalho
do campo, questões financeiras, a venda ambulante, a falta de interesse e outras, a resistência
dos pais em levarem os seus filhos a lavra no momento das aulas tem contribuído para a
desistência dos participantes das turmas, que deve se aconselhar os pais e encarregados de
educação a não levarem os seus educandos à lavra no momento das aulas, e que para
minimizarmos o mesmo fenómeno, sugerimos que os pais e encarregados de educação devem
incentivar os filhos a irem à escola e acompanhá-los para se inteirarem do comportamento e
desempenho dos mesmos nas aulas ou provas, pois a presença dos encarregados na escola
onde o filho estuda ajuda na motivação do mesmo em aplicar-se mais de modo a mostrar ao
encarregado o quanto ele vale e contribui para que o mesmo não desista, que os facilitadores
incentivem os seus participantes a não desistirem das turmas de alfabetização, se trabalhe na
capacitação dos facilitadores no que diz respeito às metodologias a utilizar de maneira a
facilitar o participante a copiar a matéria do quadro para o caderno e que o Ministério da
Educação crie mecanismos tal como palestras que abordam assuntos relacionados à
desistência de modo que se minimize este fenómeno.

Palavras-chave: Desistência escolar, Jovens, Adultos e Alfabetização.

III
ABSTRACT

This work has the theme "Actions for the Reduction of School Dropout of Youth and
Adults in Literacy Classes", aiming to develop actions to reduce school dropout of young
people and adults in literacy classes, to operationalize the work we use methodology
(dialectical-materialist), applied to a population of 50 participants and a sample of 45
interlocutors, the field investigations allowed us to conclude that the participants in literacy
classes in the Açucareira Parque neighbourhood give up for various reasons, such as: field
work, financial issues, street vending, lack of interest and others, parents' resistance to taking
their children to school at the time of classes has contributed to the withdrawal of the
participants from the classes, who should advise the parents and education to not take their
children to school at the time of class, and that to minimize the same phenomenon, we suggest
that parents and caregivers should encourage their children to go to school and accompany
them to learn about behaviour and their attendance in the school where the son studies helps
in the motivation of the same to apply more in order to show to the person in charge how
much he is worth and contributes so that he does not give up, that the facilitators to encourage
their participants not to give up literacy classes, to work on facilitator training with regard to
the methodologies to be used in order to facilitate the participant to copy the material from the
framework to the notebook and for the Ministry of Education to create mechanisms such as
lectures that address issues related to dropout so as to minimize this phenomenon.

Key-words: School Dropout, Youth, Adults and Literacy.

IV
INTRODUÇÃO

A educação é o elemento chave na construção de uma sociedade baseada na


informação, formação, no conhecimento e no aprendizado. A parte considerável do desnível
entre indivíduos, organizações, regiões e países deve-se à desigualdade de oportunidades
relativas ao desenvolvimento da capacidade de aprender e concretizar inovações. A palavra
educação é por vezes empregue num sentido muito amplo, para designar o conjunto de
influências que a natureza ou os outros homens podem exercer, quer sobre a nossa
inteligência, ou sobre a nossa vontade. Uma das principais fontes de educação é a escola,
aquilo a que nós chamamos educação formal, embora todos nós, enquanto seres sociais e
socializáveis, possamos adquirir conhecimentos de uma forma não-formal e informal.

Uma das maiores riquezas de um país é a educação do seu povo e que uma boa
educação começa nas séries iniciais (Ensino Primário) com um ensino e instrução de
qualidade, numa interação entre o conhecimento e o educando. Porém, processo de
alfabetização inicial na maioria das escolas angolanas muitas vezes tem tido como resultado o
insucesso e uma defasagem muito grande, prejudicando a aprendizagem dos alunos que saem
das séries iniciais do ensino primário.

Entre vários problemas de educação, a desistência escolar dos jovens e adultos nas
turmas de alfabetização merece uma atenção particular, primeiro porque constitui uma
preocupação constante do Ministério da Educação, dos pais e/ou encarregados de educação e
da própria sociedade civil. Segundo, porque se trata de um fenómeno que causa prejuízos no
campo educativo, uma vez que os jovens e os adultos não concluem a escolaridade mínima,
vão engrossar a lista de analfabetismo e vão diminuir a listados que concluem a escolaridade
mínima. No campo social podemos verificar que os jovens e adultos que desistem as escolas,
muitas deles não são acolhidos em outras instituições, o que faz com que eles enveredam por
outros caminhos que de nada os dignificam, tais como, a droga, a prostituição, o alcoolismo, o
roubo e os actos de vandalismo. Do ponto de vista económico, estes jovens e adultos vão
engrossar a taxa de desemprego, ou então, são candidatos à mão-de-obra não qualificada,
auferindo baixos rendimentos, dificultando desta forma o seu bem-estar familiar e social.

A desistência escolar nas turmas de alfabetização é um fenómeno preocupante em todo


mundo e em especial nos países em desenvolvimento com recursos escassos. Este fenómeno
deve-se a vários factores que não só dependem do estudante, mas também envolvem outras
entidades como a comunidade e sociedade em geral. A desistência é um fenómeno que

1
prejudica ao indivíduo, entidade de ensino em causa, a comunidade e afecta directamente o
desenvolvimento do País.

Segundo Enguita et al. (2010), “a qualidade do sistema educacional de um país é, além


de um indicador dos níveis de desenvolvimento e bem-estar social, um indicador de como
será o futuro daquela nação”. Diversos trabalhos, como Lucas (1998), Barro (1991) e
Mankiw, Romer e Weil (1992) associam níveis educacionais a um maior crescimento
económico. Desta forma, o provimento de educação de qualidade que estimule o
desenvolvimento de crianças e adolescentes tem se tornado uma estratégia importante em
diversos países. No entanto, fornecer acesso à educação não é condição suficiente para que a
escola seja frequentada por potenciais alunos. Uma das grandes preocupações dos governos é
como manter os alunos na escola, diminuir os índices de reprovação e, principalmente, o da
desistência escolar.

A par disto, surge uma questão: Quais são as acções para a redução da desistência
escolar dos jovens e adultos nas turmas de alfabetização? Uma pergunta determinante, na
medida em que envolve uma situação com repercussões na vida pessoal e social desses
alunos.

Com este trabalho de pesquisa, pretende-se elaborar acções para a redução da


desistência escolar dos jovens e adultos nas turmas de alfabetização.

2
SITUAÇÃO PROBLEMÁTICA

Ao longo das nossas práticas no projecto “Sim Eu Posso” no terceiro ano, fomos
surpreendidos com os seguintes problemas:

No início para as inscrições no projecto de alfabetização tem havido muita aderência


dos jovens e adultos mostrando interesse às turmas, porém, destes após as confirmações de
matrículas e início das aulas, apenas alguns aparecem com regularidade e outros com muitas
ausências.

Os facilitadores em todas aulas que notarem ausência dos mesmos às aulas devem ir a
casa dos participantes de maneiras a saber o que realmente se passou, para poder encoraja-los
e motivá-los a aparecerem na aula no dia seguinte.

Em todas as aulas o alfabetizador tem que se debruçar sobre a importância do processo


da alfabetização na vida da cidadania em sabe ler, escrever e contar.

A motivação do educador deve ser o leme condutor para elevar a moral dos jovens e
adultos nas turmas de alfabetização devido alguns factores, que os mesmos têm praticado, tais
como:

 A lavagem de viaturas;
 O serviço de moto-táxi;
 A pesca;
 O trabalho do campo;
 A venda ambulante.
 Já para os participantes que estão na faixa etária dos 26 aos 50 anos notamos que estes
desistem porque eles têm como trabalho principal a agricultura, verificamos que muito
deles têm vontade de ir à escola, mas que se estes irem à escola e não forem a lavra
não terão como sustentarem as suas famílias.

Problema Científico

Com base ao acima exposto formulamos o seguinte problema científico:

Como contribuir para a redução da desistência escolar dos jovens e adultos nas turmas
de alfabetização?

3
Objecto de Estudo

Processo de alfabetização.

Campo de Acção

Redução da desistência escolar dos jovens e adultos nas turmas de alfabetização.

Objectivos

Geral:

 Elaborar acções para a redução da desistência escolar dos jovens e adultos nas turmas
de alfabetização.

Específicos:

 Fundamentar as bases teóricas que sustentam a desistência escolar dos jovens e


adultos nas turmas de alfabetização.
 Diagnosticar o estado actual sobre a desistência escolar dos jovens e adultos nas
turmas de alfabetização.
 Determinar acções para a redução da desistência escolar dos jovens e adultos nas
turmas de alfabetização.

Ideia a ser defendida

Com aplicação sistemática de acções educativas para a redução da desistência escolar


dos jovens e adultos nas turmas de alfabetização, trará melhorias no processo de
aprendizagem destes, no Município do Dande, Província do Bengo.

Justificação do Estudo

A escolha deste tema deveu-se em função de fazermos parte do Projecto Sim, Eu


Posso, vimos que nas turmas de alfabetização de princípio inscrevem-se muitos participantes,
mas ao decorrer dos meses os mesmos vão desistindo pouco a pouco, e no final do ano
acabam por terminar a minoria. Por esta razão, achamos este tema tão pertinente porque visa
despertar os autores do processo de alfabetização na melhoria das condições para reduzir o
índice de desistências dos jovens e adultos nas turmas de alfabetização.

4
É necessário que contribuamos na minimização da desistência dos jovens e adultos nas
turmas de alfabetização no nosso país porque ajudaremos alguns cidadãos na descoberta do
mundo que o rodeia e firmar melhor a sua identidade.

Este tema é de extrema importância, pós nos permitirá desenvolver uma profunda
investigação que poderá trazer mudança no que tange a desistência escolar dos jovens e
adultos nas turmas de alfabetização, e ajudará o futuro alfabetizador na mudança de atitudes
para minimizar a situação actual.

Como futuros licenciados em Ensino da Pedagogia, na opção Instrução Primária,


julgamos ser necessário que o facilitador seja cuidadoso, atentos na selecção dos métodos
para ajudar a reduzir o índice da desistência escolar dos jovens e adultos nas turmas de
alfabetização.

Delimitação e Limitação do Estudo

Delimitação do Estudo

Delimitamos o presente estudo aos jovens e adultos nas turmas de alfabetização.

Limitação do Estudo

O referido trabalho limita-se nas acções para a redução da desistência escolar dos
jovens e adultos nas turmas de alfabetização no Bairro Açucareira Parque.

Estrutura do Trabalho

O presente trabalho está estruturado em três partes:

1ª - Fundamentação teórica, onde consta definição de termos e conceitos, abordagens


históricas sobre a desistência escolar nas turmas de alfabetização, factores determinantes da
desistência escolar, causas da desistência escolar, alunos em risco de desistência escolar,
consequências da desistência escolar, abordagens culturalista e conflitualista sobre a
desistência escolar, o insucesso escolar como resultado da desistência escolar, manifestações
de insucesso escolar, o papel da escola no combate a desistência escolar e papéis dos pais e
educadores na prevenção e combate a desistência escolar.

2ª- Metodologia, onde consta tipo de pesquisa, tipo de abordagem, pesquisa descritiva,
técnicas e instrumentos de pesquisa, população e amostra, métodos de investigação utilizados,

5
método geral, métodos de nível empírico, métodos de nível teóricos, método estatístico, bem
como procedimentos e dificuldades, apresentação, análise e interpretação dos resultados.

3ª - Acções para a redução da desistência escolar dos jovens e adultos nas turmas de
alfabetização.

6
CAPÍTULO I – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

1.1 – Definição de Termos e Conceitos

Para compreendermos a nossa temática definimos alguns termos e conceitos.

Desistência Escolar

Segundo Montoya (2017), a desistência escolar é à saída de um aluno da escola antes


do final do ano lectivo que estava a frequentar ou em que estava matriculado, neste caso está
em situação de abandono escolar.

Para Benavente et al., (1994), a desistência escolar corresponde ao «abandono das


actividades escolares sem que o aluno tenha completado o percurso obrigatório e/ou atingindo
a idade legal para o fazer».

Segundo Karinny e Leonardo (2014), a desistência escolar é o que ocorre quando um


aluno deixa de frequentar a escola e fica caracterizado ao abandono escolar durante o ano
lectivo.

Para nós, as definições acima referenciadas, notamos que existe uma convergência.
Mas ainda assim, assumimos a definição apresentada pelos autores Karinny e Leonardo, por
esta apresentar fundamentalmente no geral a essência da desistência escolar. Sendo a
desistência escolar um problema social, pois pode resultar no abandono escolar, causando
assim, a carência de habilidades necessárias para um bom enquadramento na sociedade.

Jovens

Abramo (1994) salientou que juventude se refere a uma faixa de idade, um período de
vida em que se completa o desenvolvimento físico do indivíduo e ocorre uma série de
transformações psicológicas e sociais.

Juventude é o período do ciclo da vida em que as pessoas passam da infância à


condição de adultos, e durante o qual se produzem mudanças biológicas, psicológicas, sociais
e culturais que se realizam em condições diferenciadas, segundo as sociedades, as culturas, as
etnias, as classes sociais e o género, bem como segundo outras referências objectivas e
subjectivamente relevantes para aqueles que as vivenciam. Castro e Abramovay (2005).

7
Para Islas (2009), a juventude é uma fase em que o ser humano experimenta profundas
transformações físicas, psicológicas e sociais, é um momento em que a pessoa estabelece
novas relações com a família, com os amigos e consigo mesma.

De acordo com as definições acima mencionadas sobre jovens, nós achamos que as
ideias dos autores convergem. Entendermos por bem apoiar-nos na definição de Castro e
Abramovay, porque atinge essencialmente a todos os aspectos que caracterizam o jovem.

Adultos

De acordo o Dicionário Moderno da Língua Portuguesa (2012), adulto é que já está


em idade compreendida entre adolescência e a velhice. Que já atingiu todo seu
desenvolvimento.

Segundo Queiroz (2011), adulto é aquele que atingiu o máximo do seu crescimento e a
plenitude das suas funções biológicas. Que chegou a maioridade.

Segundo a Constituição da República de Angola (2010), é considerado adulto, todo


indivíduo a partir dos 18 anos.

Das definições acima apresentadas todas concorrem na convergência, mas nós


assumimos a definição apresentada pelo autor Queiroz, porque entendemos que a mesma
apresenta todos os requisitos para que um indivíduo seja considerado adulto.

Alfabetização

A alfabetização é um processo que, ainda que se inicie formalmente na escola, começa


de facto, antes de a criança chegar à escola, através das diversas leituras que vai fazendo do
mundo que a cerca, desde o momento em que nasce e, apesar de se consolidar nas quatro
primeiras séries, continua pela vida afora. Perez (2002)

Segundo Val (2006), define a alfabetização como sendo o processo específico e


indispensável de apropriação do sistema de escrita, a conquista dos princípios alfabético e
ortográfico que possibilitem ao aluno ler e escrever com autonomia.

Relys (2007) citada por Zamora (2010), defende que alfabetização é o processo social,
instrutivo-educativo, formativo das habilidades de leitura e escrita como via de acesso do
desenvolvimento da cultura e das potencialidades humanas.

8
De acordo com as definições acima mencionadas sobre a alfabetização, nós nos
apegamos na definição do Rely citada por Zamora. Compartilhamos esta definição, por
entendermos que a alfabetização é um processo social e não deve limitar-se a instruir
somente, além disso, de atingir o aceso à cultura e o desenvolvimento das potencialidades
humanas que serão ilimitadas em dependência das oportunidades que a sociedade lhe oferece.

1.2 - Abordagens Históricas sobre a Desistência Escolar nas Turmas de Alfabetização

No Brasil, durante décadas predominou a discussão sobre a eficácia dos métodos de


alfabetização, criando-se confrontos entre os chamados métodos sintéticos e analíticos
chegando-se a uma combinação de ambos nos chamados métodos analítico-sintético como é o
caso da palavração. Para prevenir as inevitáveis diferenças individuais na aprendizagem
inicial da leitura e da escrita e evitar os eventuais fracassos que os métodos em si não eram
capazes de contornar, elegeu-se um conjunto de pré-requisitos para uma alfabetização bem
sucedida, privilegiando-se principalmente uma maturidade dos aspectos percentuais e motores
aliada a um domínio da linguagem oral.

Sendo assim, a história desse país no que diz respeito à alfabetização tem sua uma
visível história acerca dos métodos de alfabetização, que gira, especialmente, desde o final do
século XIX, vêm-se gerando tensas disputas relacionadas com “antigas” e “novas”
explicações para um mesmo problema sendo a dificuldade dos jovens e adultos em aprender e
ler a escrever, especialmente na escola pública.

…Saber ler e escrever se tornou instrumento privilegiado de aquisição de


saber/esclarecimento e imperativo da modernização e desenvolvimento
social…

Neste prisma, podemos observar que a aprendizagem do ler e escrever vem se


traduzindo em estudos, que procuram diagnosticar e descobrir como deverá ser o processo de
aquisição dessas duas habilidades do ser humano, habilidades essas que não são natas. Por
isso a necessidade de analisar a maneira de como os educadores vêem esse processo dentro da
modalidade Educação de Jovens e Adultos da escola pública.

Não é possível ser gente senão por meio de práticas educativas. Esse processo de
formação perdura ao longo da vida toda, o homem não para de educar-se, sua formação é
permanente e se funda na dialéctica entre teoria e prática. Freire (2000)

9
Neste contexto a Educação de Jovens e Adultos, mesmo com todas as dificuldades
encontradas, em algumas escolas – sim, pois como já foi mencionado em outras palavras,
infelizmente tem educadores que são descomprometidos com a educação como um todo - esta
modalidade estar sendo trabalhada nesse viés, de perdurar a insistência da formação de
cidadãos conscientes se sua transformação humana.

Para ser um acto de conhecimento o processo de alfabetização de adultos demanda,


entre educadores e educandos, uma relação de autêntico diálogo. Aquela em que os sujeitos
do acto de conhecer (educador-educando; educando-educador) se encontram mediatizados
pelo objecto a ser conhecido. Nesta perspectiva, portanto, os alfabetizandos assumem, desde o
começo mesmo da acção, o papel de sujeitos criadores. Aprender a ler e escrever já não são,
pois memorizar sílabas, palavras ou frases, mas reflectir criticamente sobre o próprio processo
de ler e escrever e sobre o profundo significado da linguagem. Freire (2002)

Esta citação de Paulo Freire um marco na Educação de Jovem e Adulto, vem reforçar
mais ainda o compromisso dos educadores, não tirando do educando a sua parcela de
contribuição, para si mesmo e para o próprio educador que no viés do pensamento de Freire
deve ser um compromissado com a educação. O que de facto sabe-se que é a verdade.

Considerando a vontade de realizar a escolarização de todas as crianças em idade


escolar, de reduzir o analfabetismo de jovens e adultos e de aumentar a eficácia do sistema
educativo.

Ainda assim, apesar de todos os avanços e recuos que se foram sentindo no domínio
da educação, hoje a Lei de Bases do Sistema Educativo, que existe desde 2001 e, foi sofrendo
alterações, dando lugar à actual que data de 2016. Esta, nos seus Princípios gerais, no seu
artigo 9º refere-nos que “Todos os angolanos têm iguais direitos no acesso, na frequência e no
sucesso escolar nos diversos níveis de ensino, desde que sejam observados os critérios de cada
subsistema de ensino, assegurando a inclusão social, a igualdade de oportunidades e a
equidade, bem como a proibição de qualquer forma de descriminação”.

Nota-se que o sistema educativo tem tentado, ao longo dos tempos, responder às
necessidades resultantes da realidade social, havendo assim a necessidade de contribuir “para
o desenvolvimento pleno e harmonioso da personalidade dos indivíduos, incentivando a
formação de cidadãos livres, responsáveis, autónomos e solidários e valorizando a dimensão
humana do trabalho”.

10
É também conhecido que com o passar dos anos e com as mudanças ocorridas na
sociedade, também os anos da escolaridade obrigatória se foram alterando, sendo que na Lei
13/01, de 31 de Dezembro a escolaridade obrigatória era de 6 anos. Após estes 6 anos
obrigatórios, seguiu-se um alargamento de mais 3 anos. Já na nova Lei nº 17/16, de 7 de
Outubro passando a escolaridade obrigatória para 9 anos.

Assim, com esta evolução, podemos verificar que actualmente as preocupações do


Ministério da Educação se prendem com a igualdade de direitos no que respeita ao acesso e
sucesso escolares.

1.3 - Factores Determinantes da Desistência Escolar

O problema da desistência escolar preocupa os educadores e responsáveis pelas


políticas públicas. Há muitos motivos que levam o aluno a deixar de estudar, tais como: a
necessidade de entrar no mercado de trabalho, a falta de interesse pela escola, dificuldade de
aprendizado que podem acontecer no percurso escolar, doenças crónicas, deficiência no
transporte escolar, falta de incentivo dos pais, mudança de endereço e outros. Para serem
minimizados alguns desses problemas dependem de acções do poder público. Outros,
contudo, podem ser solucionados com iniciativas tomadas ao longo do ano pelos gestores
escolares e suas equipes, que têm a responsabilidade de assegurar as condições de ensino e
aprendizagem - o que, obviamente, se perde quando a criança não vai à escola.

Vários factores podem ocasionar a evasão escolar, dentre outros: ensino mal aplicado
por meio de metodologias inadequadas, professores mal-preparados, problemas sociais,
descaso por parte do governo, falta de interesse, dificuldade na aprendizagem, necessidade de
trabalhar para melhorar a renda familiar, a dificuldade de acesso à escola, baixo rendimento
escolar e falta de merenda escolar, são outros aspectos que podem ser decisivos para manter o
aluno dentro da sala de aula.

Segundo estudo feito pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef, 2015), o
trabalho infantil, o fracasso escolar, as desigualdades sociais e a baixa renda das famílias são
factores determinantes para a desistência escolar dos jovens e adultos.

1.4 – Causas da Desistência Escolar

As causas da desistência escolar ou falta de frequência do aluno são diversas.


Entretanto, levando em consideração os factores determinantes da ocorrência do fenómeno, de
acordo com Fontes (2002), pode classificá-las da seguinte maneira.
11
Escola: não atractiva, autoritária, insuficiente, despreparo e/ou ausência de motivação
por parte dos professores. A organização escolar pode contribuir de diferentes formas para o
insucesso dos alunos. Frequentemente esquece-se esta dimensão do problema. Vejamos
alguns casos típicos, nomeadamente, objectivos não partilhados. Se só alguns conhecemos
objectivos prosseguidos pela escola, ninguém pode identificar-se com ela. Não tarda que
alguns se sintam como corpos estranhos, contribuindo para a sua desagregação enquanto
organização, provocando a desmotivação generalizada; o elevado número de alunos por
escola e turma, tendem igualmente não apenas a provocar o aumento dos conflitos, mas
sobretudo a diminuir o rendimento individual e expectativas baixas dos professores e dos
alunos em relação à escola. Nas escolas onde isto acontece os resultados tenderão a confirmar
o que todos afinal estão à espera.

Professor: o educador como principal transmissor da herança cultural, tem como


missão propagar à ética as novas gerações. Antes de transmitir esta ética, o educador tem que
ser ético, ou seja, praticar esta ética em suas acções quotidianas.

O profissional que é ético tem como objectivo promover a estabilidade das relações
humanas, suas relações evidenciam alguns princípios como: dignidade humana, integridade
moral, honestidade, imparcialidade, compromisso em servir, excelência potencial,
crescimento, paciência, educação, encorajamento, flexibilidade e humildade.

O ser humano sem princípio ético é cheio de artimanha, mesquinho, egoísta não
acredita no potencial humano.

Infelizmente em nossas escolas existem muitos professores com ausência destes


princípios éticos, agem incorrectamente durante as suas actividades laborais descriminando o
aluno chamando de burro, vocês não dão nada, já estes reprovados; Outros intimidam os
alunos com reprovações caso não aceitam ter um relacionamento amoroso. Existem ainda os
que pedem dinheiro para que os alunos aprovem de classe. Nestes casos muitos preferem
desistir da escola do que serem desvalorizados.

Corrigir publicamente uma pessoa é o primeiro pecado capital da educação. Um


educador já mais deveria expor o defeito de uma pessoa, por pior que ele seja, adiante dos
outros.

12
A exposição pública produz humilhação e trauma complexos difíceis de serem
superados, um educador deve valorizar mais a pessoa que erra duque o erro da pessoa. Cury
(2003).

Aluno: o desinteresse, a baixa auto-estima, o mau relacionamento com colegas, a


inadaptação à escola, indisciplina, problemas de saúde, têm sido apontadas pelas escolas
psicométricas de inteligência como causas individuais da desistência escolar.

Estudos feitos por Fontes (2002), apontam, que embora a grande maioria dos alunos
que falha nos resultados escolares tem um desenvolvimento normal, mas deve ter-se em
devida conta que a instabilidade característica na adolescência, consta entre as muitas causas
individuais do insucesso escolar. Ela conduz, muitas vezes, o aluno a desinvestir no estudo
das matérias e a desistência escolar.

Pais/Irresponsáveis: desinteresse em relação ao destino dos filhos.

Os alunos oriundos das famílias desfavorecidas, nem sempre, são motivados pelos pais
para prosseguirem os seus estudos. Estes pais, ao mais pequeno insucesso dos filhos, colocam
logo a questão da saída destes da escola, contribuindo, deste modo, para as mais elevadas
taxas de desistência escolar.

Acessibilidade: problemas de transporte, dificuldade do aluno em chegar à escola


normalmente por morar longe da escola e por existirem poucos meios de transporte
disponíveis e com pouca flexibilidade de horários. Isto promove o desinteresse do aluno pela
escola e, em última instância, a desistência escolar. Dias (2010)

Social: trabalho com incompatibilidade de horário para os estudos, agressão entre os


alunos, violência em relação a gangues etc. Ninguém tem dúvidas em concordar que a actual
sociedade assenta num conjunto de atitudes que desencorajam o estudo e promovem o
insucesso escolar. Diversão, individualismo e consumismo, três atitudes essenciais na
sociedade actual, são em tudo opostos ao que a escola significa: atitudes reflectida, procura
incessante do saber e de valores perenes, etc.

Todas estas causas são concorrentes e não exclusivas, ou seja, a desistência escolar
verifica-se em razão do somatório de vários e diferentes factores e não, necessariamente, de
um especificamente. Detectar o problema e enfrentá-lo é a melhor maneira para proporcionar
o retorno efectivo do aluno à escola.

13
1.4.1 - Alunos em risco de Desistência Escolar

Devemos ter em atenção, qual o perfil dos alunos que vivem processos que poderão
conduzir a desistência. Segundo Benavente (1994), as periferias urbanas e as zonas rurais são
as mais atingidas pela desistência escolar. Filhos de trabalhadores agrícolas, de operários, de
artesãos, filhos de emigrantes e pertencentes a minorias étnicas são os que mais
frequentemente abandonam a escolaridade obrigatória.

Relativamente ao perfil do aluno em risco, este normalmente revela “um atraso escolar
importante, ausência de ambições escolares, ausência de interesse pela escola, pelas matérias
e pelas aulas e ambições quanto ao mundo do trabalho.” Benavente (1994) este é também,
regra geral,

“mais velho que os colegas do mesmo grau de ensino, não parece ser apoiado
pela família, vive num meio familiar intelectualmente desfavorecido e tem,
claro, um rendimento escolar insuficiente”. Benavente (1994)

Existem ainda outros indicadores que permitem identificar os potenciais casos da


desistência. Segundo Dupont e Ossandon (1987) citado por Benavente (1994) “a falta de
apoio dos professores, a falta de encorajamento, a falta de confiança dos alunos em relação
aos docentes, a ausência de empatia e de real interesse recíproco”.

Ou seja, o aluno em risco “não se sente bem na pele de estudante, sente-se muitas
vezes solitário e isolado; os seus professores não dão aulas interessantes nem lhes dão gosto
por aprender e a avaliação é mal vivida”. Benavente (1994) resumindo,

“zonas desfavorecidas, famílias com pouco diálogo, fracas ambições


escolares e fracos resultados, atracção pelo mercado de trabalho, professores
pouco motivantes e ausência de empatia caracterizam as situações de
potencial desistência escolar”. Benavente (1994)

Tais situações ocorrem, “no quadro de assimetrias e desigualdades sociais e de uma


instituição escolar cujos conteúdos e práticas não se adequam à diversidade de quem hoje a
frequenta”. Benavente (1994)

1.5 - Consequências da Desistência Escolar

Considerando todas as causas da desistência escolar acima referida, urge também a


necessidade de fazer referências as consequências que este fenómeno provoca-nos mais
variados domínios, nomeadamente:
14
Física: os alunos possuem um auto-conceito depreciativo, pois, acham-se feios e sem
jeitos; Sentimentos de estigmatização (Auto-desvalorização).

Emocionais: os alunos revelam problemas de comportamentos, sentimentos de


incompetência, danos de personalidade e de identidade, bem como a ausência de construção
de sonhos e projectos. Moroso (2003)

Sociais: os alunos acham-se maus e revelam dificuldades de integração social. Ainda,


no domínio social, a desistência escolar arrasta consigo consequências que se correlacionam
com o uso de drogas e álcool, com doenças sexualmente transmissíveis, com início precoce da
vida sexual, baixa auto-estima e auto-eficácia, com probabilidade maior de depressão, stress,
estilo explicativo pessimista, baixo desempenho académico e baixas habilidades sociais e
futuro comportamento anti-sociais (mentir, roubar, agredir, …). Por outro lado, esses jovens
que desistem as escolas, muitos deles, na idade adulta, não são bem acolhidos em instituições.

Educativo: a desistência escolar é um fenómeno que causa prejuízos no campo


educativo, uma vez que as crianças e jovens que não concluem a escolaridade mínima, vão
engrossar a lista de analfabetismo e vão diminuir a lista dos que concluem a escolaridade
mínima, contribuindo, deste modo, para o insucesso escolar.

1.6 - Abordagens Culturalista e Conflitualista sobre a Desistência Escolar

O fenómeno desistência escolar é clarificado por algumas correntes sociológicas,


englobando a questão de carácter educativo, social e cultural. Na sequência de várias
abordagens feitas por alguns autores, pretende – se apenas conhecer algumas teorias, como
sejam, os estilos educativos familiares, abordagens culturalista e conflitualista, de forma
sucinta que melhor se enquadram aos objectivos preconizados para o estudo e elaboração do
trabalho em apreço.

Ainda, as investigações realizadas para explicar a Desistência Escolar pela herança


cultural e conflitual tentam inventariar os conhecimentos escolares e extra-escolares e os
esquemas de pensamento dos membros das classes populares.

1.6.1 - Culturalista

Segundo Rangel (1994), nesta abordagem as investigações são centradas na família da


criança, ou na sua herança cultural ou orientação cultural.

15
No primeiro grupo, os autores tentam estabelecer uma correlação com o nível de
instrução dos pais, dos seus rendimentos, o tamanho da família, o encorajamento recebido dos
pais, a estrutura e a ordem do lar. Num segundo grupo, a análise é centrado no sistema de
valores próprios da família, nas suas motivações e ambições.

A partir dos primeiros resultados, numerosos trabalhos tentam lutar contra o insucesso
escolar promovendo alguns modelos de educação familiar. Segundo Léger e Tripier (1986)
citado por Rangel (1994), os trabalhos de investigações no domínio cultural oferecem a
vantagem de permitir uma acção imediata de transformação sem esperar profundas mudanças
políticas e sociais. É de realçar que a teoria acima mencionada, mostra que as investigações
do ponto de vista cultural, produzem efeitos imediatos, dando sugestões como decidir sobre as
possíveis ocorrências que poderão afectar directa ou indirectamente as instituições do ensino.

1.6.2 - Conflitualista

Segundo Rangel (1994), a crítica de etnocentrismo de classe conduz à ideia de que


nenhum modelo cultural é, em si superior aos outros. Se existe um modelo dominante é
porque ele é imposto por uma classe dominante.

Segundo Benavente e Correia (1980) citado por Sil (2004) uma das explicações para a
problemática do insucesso escolar surgida a partir dos anos 1970 tem a ver com a própria
escola, com os mecanismos que operam no seu interior e com o seu funcionamento e
organização, onde a necessidade de diversidade e de diferenciação pedagógica é sublinhada
pela teoria sócio-institucional que evidencia o carácter afectivo da escola na produção do (in)
sucesso escolar dos alunos.

Responsabilizar a escola pelo (in) sucesso escolar dos alunos não significa uma
referência à instituição em si, ao edifício onde o processo ensino – aprendizagem é melhor ou
pior desenvolvido e organizado, mas essencialmente a toda uma estrutura de carácter
administrativo e pedagógico que implica também a elaboração de uma análise a questões
como a avaliação dos alunos, a colocação dos professores, ou a falta de equipamentos e ou
infra-estruturas, a inexistência de uma efectiva abertura da escola à comunidade ou ainda à
análise das políticas educativas e de ensino e às realidades sociais.

A escola é encarada como sendo o principal agente de transformação dos alunos,


vindo a ganhar cada vez mais importância na ascensão social dos jovens dos estratos sociais
mais modestos.

16
A escola torna-se, hoje em dia, cada vez mais o objecto de análise e o campo de
intervenção de grande parte da investigação que assim procura entender melhor como aquela
funciona e que influência exerce sobre os alunos.

É de se concordar que os sentimentos de repulsa são expressos mais frequentemente


pelos professores em relação aos filhos de operários. Segundo Zimmerman (1978) citado por
Fontes (2002), é evidente que ainda nos nossos dias, devido à ignorância de alguns dos
professores, associada à herança de alguns hábitos negativos se tenham debruçado com mais
incidência sobre filhos dos pais pertencentes à classe média, deixando de lado os filhos
oriundos da classe desfavorecida. Este tipo de comportamento subestima cada vez mais a
criança oriunda da classe desfavorecida, criando nela um espírito de rebeldia para com o
professor, que inevitavelmente, poderá dar azo à desistência escolar.

Por outro lado, pode-se ainda constatar que à semelhança do que têm dito Bourdier e
Passeron (1985) no concernente à arbitrariedade das sanções, notações e julgamentos
escolares, alguns professores, que provavelmente, utilizam injúrias orais e castigos corporais,
como recursos didácticos durante a leccionação. A realidade vem revelando, anualmente, que
situações dessa natureza, só trás a diminuição do rendimento escolar, e que, gradualmente se
contribuem para o aparecimento de novos abandonos por parte dos educandos da escola
básica.

Fontes (2002), ressalva também que o elevado número de alunos por escola e turma,
tende igualmente, não apenas a provocar o aumento dos conflitos, mas, sobretudo a diminuir o
rendimento individual.

O mesmo autor tem razão quando ressalva sobre o elevado número de alunos na turma
ou escola, que contribui não só para conflitos, mas também na diminuição do rendimento
individual visto que o (a) professor(a) não consegue dar cobertura a todos os alunos de igual
forma, alguns começam a sentir rejeitados, desinteressados pela escola, diminui o rendimento
individual, cai no insucesso, dai aparece conflitos, faltas das presenças e atraso nas aulas, logo
a seguir a desistência, o que contribui para elevação da taxa de abandono escolar.

1.7 - O Insucesso Escolar como Resultado da Desistência Escolar

Segundo Fontes (2002), o drama do insucesso escolar é relativamente recente. É a


partir dos anos 60 que encontramos as suas primeiras manifestações. Foi então que se
começou a exigir que as escolas, por razões económicas e igualitárias, encontrassem formas

17
de garantir o insucesso escolar de todos os seus alunos. O que era atribuído até então ao foro
individual, tornou-se subitamente um problema insuportável sob o ponto de vista social. A
preguiça, a falta de capacidade ou interesse, deixaram de ser aceite como explicação para o
abandono todos os anos de milhares e milhares de crianças e jovens do sistema educativo.

A culpa do insucesso escolar dos alunos passou a ser assumida como um fracasso de
toda a comunidade escolar. O sistema não fora a capaz de motivá-los, reter, fazer com que
tivessem êxito. O desafio tornou-se tremendo, já que todos os casos individuais se
transformassem em problemas sociais.

1.7.1 - Manifestações de Insucesso Escolar

As manifestações de insucesso escolar são múltiplas, mas três delas são


particularmente referidas pela possibilidade que oferecem de se poder medir a própria eficácia
do sistema educativo:

 Abandono da escolar antes do fim do ensino obrigatório;


 As reprovações sucessivas que dão lugar a grandes desníveis entre a idade cronológica
do aluno e o nível escolar; Os níveis de fracasso que podem ser totais (em todas as
disciplinas ou quase) ou parciais (numa ou duas disciplinas);
 A passagem dos alunos para tipos de ensino menos exigentes, que conduzem a
aprendizagens profissionais imediatas, mas os afasta do ingresso no ensino superior.
(Idem).

1.8 - O Papel da Escola no Combate a Desistência Escolar

Segundo Wallon (2002), o homem é um ser essencialmente impossível, portanto, de


ter pensado fora do contexto da sociedade que nasce e vive. Em outras palavras, o homem não
social, o homem é considerado a molécula isolada do resto de seus semelhantes, o homem
visto como independente das influências dos diversos grupos que frequenta, o homem visto
como imune aos ligados da história e da tradição, este homem, simplesmente não existe.

Concordando com o pensamento de Wallon, o homem é um ser pensante, social que


não deve privar ou excluir seus pensamentos, isto significa que a escola deve estar preparada,
sintonizada com os desafios e conhecimentos extra-escolares. A escola é o local de inteira
inclusão e de novos saberes, por isso deve transformar o educando num ser social
pensante⁄existente.

18
A educação é o único caminho para a transformação humana e social dos indivíduos,
conduzindo-os para uma visão crítica, consciencialização e preparando-os para viverem em
sociedade e assumindo a sua cidadania (Idem).

É fundamental a escola desenvolver um trabalho que leve a transformação da


sociedade, buscando a construção de um ser que saiba planejar, superar obstáculos,
compreender e transformar a sociedade. Assim é a educação que forma pessoas conscientes
de seus papéis, que levam o educando e o educador a se tornarem agentes construtores e
transformadores do conhecimento.

A educação tem como objectivo contribuir para diminuir as desigualdades sociais e


para melhorar a qualidade de vida da comunidade. De acordo com Paro (2001), é próprio da
actividade educativa o facto de ela não poder realizar-se a não ser com a participação do aluno
que é concretizado na medida em que o aluno entra no processo e assume o seu papel de
objecto e sujeito da educação.

Em conformidade com o pensamento de Paro (2001), a escola não cresce sem a


participação do aluno, o aluno é o sujeito fundamental no processo de ensino e aprendizagem.

Para Paro (2001), a reprovação e a evasão escolar são: uns fracassos produzidos no
dia-a-dia, da vida na escola e na produção desse fracasso estão envolvidos aspectos estruturais
e funcionais do sistema educacional, concepções de ensino e de trabalho e preconceitos.

Diante do que foi exposto, a responsabilidade e compromisso da educação é o


permanente empenho na instrução dos alunos de modo que estes dominem os conhecimentos
necessários para os desafios, na sua vida e nas lutas sociais pela democratização da sociedade.
Nóvoa (2012)

O fracasso escolar não pode ser imputado integralmente aos educandos. Professores,
pais, a escola e a organização escolar são factores imprescindíveis no processo educativo.
Quando o professor aplica métodos activos de ensino deve ter clareza que somente são
válidos se estimulam a actividade mental dos alunos. Ao invés de adoptar a máxima
“aprendendo fazendo”, deve adoptar esta outra: “aprendendo pensando naquilo que faz”.
Libâneo (2002)

Enfim, torna-se necessário estabelecer relações de ensino/aprendizagem com os alunos


de modo a ensiná-los a ler e escrever com eficiência e não promovê-los simplesmente, sem os
pré-requisitos necessários para a série de promoção.
19
O acompanhamento eficiente da frequência, que também deve estar na pauta das
reuniões pedagógicas, ajuda a mapear o problema e identificar o motivo das faltas.
Dependendo da razão, é possível escolher a melhor forma de rever o quadro: conversas com
pais e alunos, visitas às famílias, aulas de reforço e campanhas internas e na comunidade.

Um dos caminhos que também levam a evasão escolar é o das punições por
indisciplina. A direcção não pode ser inflexível nem se colocar contra o estudante. A
indisciplina é sintoma de um desajuste que, em boa parte dos casos, está além da esfera
pedagógica, pelo que é fundamental trabalhar junto com a família do aluno com problema de
adaptação.

1.9 - Papéis dos Pais e Educadores na Prevenção e Combate a Desistência Escolar

Segundo Tiba (2003), os pais por sua vez têm que buscar integração junto à escola
para prevenir que seus filhos se deixem levar por essa problemática.

O ponto-chave é a prevenção por meio de informações que possam ser transformadas


em conhecimento dentro do indivíduo, dando-lhe possibilidade de discernir o que é certo do
que é errado.

É imperativo que os pais conversem sempre com os seus filhos sobre o assunto e
quanto mais cedo melhor. Uma criança que vai crescendo sendo acompanhada e orientada
pelos pais, torna-se um adolescente de opinião firme. Os educadores também precisam uma
postura que possa conduzir os alunos ao caminho do conhecimento e da preparação pessoal.
Acções como palestras são muito eficientes, mas nem sempre são eficazes, porque geralmente
são expositivas. É importante, mesmo arriscando que os alunos possam interagir com este tipo
de acção. Oliveira (2013)

Facto é que educar não é proibir, mas sim, informar, orientar e acompanhar. Pais e
educadores precisam estar sempre atentos a isso. Essa tríade tem bastante efeito se for sempre
posta em prática de forma contínua. É impossível também que além da preocupação com o
seu próprio filho, os pais se consciencializem que é necessário mobilizar toda a escola ou
comunidade, porque de nada adianta todo o cuidado com o filho, se ele sempre estará em
contacto com os outros jovens.

Deve-se que a questão do relacionamento entre a escola e a família no trato com os


jovens é de fundamental importância e ambos precisam andar sempre juntos para que possam

20
gerar sempre resultados, seja da evasão escolar, seja no desenvolvimento pessoal. Oliveira
(2013)

Segundo Nogueira (2014), a qualidade das primeiras relações é o processo de


vinculação na relação mãe-filho parece ser fundamental na estruturação e na organização da
personalidade do ser humano. De cada vez mais, a complexidade das relações familiares
influencia nas capacidades cognitivas, linguísticas e afectivas, no processo de autonomia e da
socialização, bem como na construção de valores das crianças e jovens.

Os pais devem de certa forma, acompanhar o desenvolvimento de seu filho, sobretudo


quando se manifesta o início da crise moral. O mesmo autor, diz que, os problemas da
educação dos filhos precisam ser tratados com maior carinho possível, visando uma
aproximação entre pais e filhos, que deve ser respeitosa e compreensiva para superar as
dificuldades.

Para Vianna (2004), há muito tempo que a relação entre pais e filhos tem sido
atribuída com os comportamentos dos jovens. A grande maioria dos estudos sobre a família e
a delinquência juvenil tem apontado a família como sendo um factor que potencia o
comportamento delinquente. Dentro desta questão da família estão as discussões conjugais,
problemas psicossociais dos pais e a delinquência no seio familiar, isto é, a presença de pais
também delinquentes.

De acordo com Candau (2000), a sociedade vale o que valem as famílias, e o


desenvolvimento psicológico e social de uma criança é impossível sem o desenvolvimento
psicológico e social dos adultos.

A família se constitui no maior agente socializante, isto é, as experiências da criança


na família, particularmente com a mãe, são da maior importância para determinar seu
comportamento em relação aos outros.

Em síntese, quanto mais próximos estiverem educador, escola e família, rumo à


educação dos jovens, mais e melhores serão os resultados, porque a prevenção e o combate à
desistência não é uma acção individualizada, mas sim trabalho em rede de relacionamento.

21
CAPÍTULO II- METODOLOGIA

2.1 - Metodologia

Segundo Sousa (2016), diz que a metodologia é estudo dos métodos ou de várias
teorias que definem etapas a seguir num determinado processo.

2.2 - Tipo de Pesquisa

Para chegar-se ao objectivo do trabalho usou-se o tipo de pesquisa descritiva.

A pesquisa descritiva trata da descrição das características de um determinado


fenómeno ou estabelecer relações entre variáveis que se manifestam espontaneamente.

Após a primeira aproximação, o interesse é descrever um facto ou fenómeno. Por isso


a pesquisa descritiva é um levantamento das características conhecidas, componentes do
facto/fenómeno/problema. É normalmente feita na forma de levantamentos ou observações
sistemáticas do facto/fenómeno/problema escolhido. Santos (2007)

Muitas são as pesquisas com esta denominação e a utilização de técnicas padronizadas


de colecta de dados, tais como a entrevista, o questionário e a observação sistemática. Nesse
caso, o pesquisador regista, analisa e interpreta os dados. É amplamente utilizada nas Ciências
Humanas e Sociais, com a utilização do método observacional; solicitada por instituições
educacionais, empresas comerciais, partidos políticos e outros.

2.3 - Tipo de abordagem

Optamos pela abordagem Mista (qualitativo-quantitativa).

Segundo Mezquita e Rodriguez (2004), na investigação pedagógica não exista um


esquema que aceite de modo geral uma única abordagem, já que em toda investigação
integram-se os aspectos quantitativos e qualitativos.

Para Creswel (2007), a abordagem mista preocupa-se em colectar, analisar e


interpretar tanto os dados qualitativos como quantitativos em um único estudo. A qualitativa,
caracterizam-se as descrições detalhadas das manifestações de conduta das pessoas, das suas
interacções, das situações e do ambiente, levando em conta o padrão cultural. Já a quantitativa
caracterizar-se-á por medir as variáveis em estudo com maior precisão possível, e os
resultados apresentar-se-ão em gráficos estatísticos.

22
2.4 - Técnicas e Instrumentos de Pesquisa

2.4.1 - Técnicas

Gil (2011) et al, citado por Quitumbo (2017), refere que as técnicas de obtenção de
dados que se podem utilizar numa pesquisa são normalmente dois tipos:

Observação

Segundo Gil (2011) a observação constitui elemento fundamental para a pesquisa, pois
é a partir dela que é possível delinear as etapas de um estudo: formular o problema, construir
a hipótese, definir variáveis, colectar dados, etc. Esta técnica foi aplicada sobre a forma de
grelha de observação dirigida aos facilitadores.

Entrevista

A entrevista é a técnica em que o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe


formula perguntas, com o objectivo de obtenção dos dados que interessam à investigação
(Idem). Esta técnica foi aplicada sobre a forma de guião de entrevista dirigidas aos
facilitadores, pais e encarregados de educação e aos participantes.

2.4.2 - Instrumentos de pesquisa

Grelha de observação

Segundo Gil (2011) et al, refere que a observação visa examinar o ambiente através de
um esquema geral para nos orientar e que o produto desta observação é registado em nota de
campo.

Ribeiro (2008) et al, citado por Quitumbo (2017), refere que a observação participante
é a melhor técnica de recolha de dados neste tipo de estudo.

A grelha de observação foi utilizada no momento em que nós fomos observar as aulas
leccionadas por outros facilitadores.

Guião de entrevista

Gandim (2006), refere que as entrevistas qualitativas podem ser relativamente abertas,
centrando-se em determinados tópicos, ou podem ser guiadas por questões gerais.

23
O guião de entrevista foi feito com perguntas abertas conforme é recomendado pelos
especialistas dentro da abordagem qualitativa com objectivo de recolher informações sobre as
causas da desistência na escola em estudo.

2.5 - População e Amostra

Na visão de Pocinho citado por Chemin (2012), população é o “somatório dos


indivíduos ou elementos, com qualquer característica comum e que estão sujeito a uma
análise estatística, por terem interesse para o estudo: quanto à sua origem, pode ser um
conjunto de pessoas, de animais, coisas ou acontecimentos”.

Amostra “é um subconjunto retirado da população, que se supõe ser representativo de


todas as características da mesma, sobre o qual será feito o estudo, com objectivo de serem
tiradas conclusões válidas sobre a população”. (Idem)

Para a concretização desta investigação tomamos como população (50) pessoas. A


nossa amostra está constituída por 45 pessoas, sendo 4 facilitadores, 36 participantes
desistentes nas turmas de alfabetização.

2.6 - Métodos de investigação utilizados

Neste âmbito, utilizamos os seguintes métodos de investigação:

2.6.1 - Método geral

Segundo Creswell (2007), o método dialéctico-materialista é um método universal do


conhecimento da realidade objectiva cujo núcleo é constituído pela antinomia dialéctica. Este
método constitui a base metodológica geral das investigações, penetra no mundo dos
fenómenos por meio da sua acção recíproca, da contradição inerente ao fenómeno e da
mudança dialéctica que ocorre na natureza e na sociedade. Este método permitiu a integração
dos demais métodos particulares, nomeadamente: de nível teórico, de nível empírico e de
nível estatístico.

2.6.2 - Métodos de Nível Empírico

O método do nível empírico estuda as características fundamentais e as relações


essenciais dos objectivos que são acessíveis à percepção sensorial.

Observação: consiste em conhecer as particularidades qualitativas dos processos que


se estudam e em pôr a descoberto as ligações e relações regulares que existe entre eles. Ramos
24
e Naranjo (2014). Esta técnica foi aplicada sobre a forma de grelha de observação dirigida aos
facilitadores.

Entrevista: é uma técnica de compilação de informação mediante uma conversa


profissional, para adquirir informação acerca do que se investiga. (Idem). Esta técnica foi
aplicada sobre a forma de guião de entrevista dirigidas aos facilitadores, pais ou encarregados
de educação e aos participantes.

Pesquisa documental: o investigador centra a sua investigação em determinados dados


obtidos nos próprios documentos e registos, que estão em arquivo. Estes documentos registam
factos sobre um determinado assunto ou uma determinada época. Alves (2012). Permitiu a
análise dos documentos que consistiu na consulta de documentos com o tema em abordagem,
contribuindo assim deste modo para a fundamentação teórica dos aspectos deste trabalho.
Entre as informações encontradas, Lei de Base nº 17/16 de 7 de Outubro da República de
Angola.

Pesquisa bibliográfica: é quando um investigador desenvolve a sua investigação a


partir dos estudos já efectuado por outros investigadores. Alves (2012).

2.6.3 - Métodos de Nível Teóricos

Histórico-lógico: permite realizar uma abordagem teórica sobre o campo de acção, no


sentido de estabelecer as suas regularidades ao longo da história, ou seja, o estudo do
fenómeno ao longo da sua evolução. Lakatos e Marconi (2003)

Análise-síntese: estas operações não existem independentemente uma da outra: análise


de um objecto realiza-se a partir da relação que existe entre os elementos que conformam o
referido objecto como um todo e por sua vez a síntese produz-se com base nos resultados
anteriores da análise. Creswell (2007). Possibilita a valorização teoria e prática das
informações que são obtidas tanto no estudo teórico como empírico que permitirá chegar à
conclusão dos resultados a ser alcançados.

Utilizamos este método, porque ajudou-nos na orientação do diagnóstico e estudo


sobre as acções para a redução da desistência escolar dos jovens e adultos nas turmas de
alfabetização, assim para descobrir os constrangimentos deste fenómeno e elaborar propostas
através desta pesquisa para compreender este processo.

25
Indutivo-Dedutivo: na actividade científica contemplam-se entre si, do estudo de
numerosos casos particulares através da indução, conseguem determinar-se generalizações e
leis empíricas que consta desta formulação, deduzem-se novas conclusões lógicas que são
sujeitas a comprovação experimentais. Ramos e Naranjos (2014)

2.6.4 - Método Estatístico

Usou-se de forma complementar, para revelação das tendências e relações dos


fenómenos. Podem ser descritivamente e inferencial para o processamento das informações,
que permitiram sintetizar, interpretar e apresentar dados percentuais através de tabelas.

Caracterização dos intervenientes

Tabela nº 1 – Distribuição da amostra dos participantes entrevistados de acordo com a


faixa etária e género.

Faixa – Etária Género Frequência


Masculino Feminino Fas Frs
12 anos – 20 anos 5 10 15 41,7%
21 anos – 29 anos 3 7 10 27,8%
30 anos – 38 anos 2 5 7 19,4%
39 anos – 47 anos ----- 4 4 11,1%
Total 10 26 36 100%

(Legenda: Fas – Frequência absoluta síntese/Frs – Frequência relativa simples)

A tabela nº 1 mostra-nos que a idade mínima dos participantes entrevistados é de 12


anos e a máxima de 47 anos. A faixa-etária dos 12 anos aos 20 anos, apresenta a maior
frequência com 15 participantes dando 41,7%. Relativamente ao género, dos 36 participantes
entrevistados, 10 são de género masculino, sendo os restantes 26 participantes de género
feminino.

Tabela nº 2 – Distribuição da amostra dos pais e encarregados de educação


entrevistados de acordo a faixa-etária e género.

Faixa – Etária Género Frequência


Masculino Feminino Fas Frs
30 anos – 39 anos 1 1 2 40%

26
40 anos – 49 anos 1 1 2 40%
50 anos – 59 anos 1 - 1 20%
Sub-Total 3 2 5 100%
Percentagem 60% 40% 100%

Como se pode constatar na tabela nº 2, a idade mínima dos pais e encarregados de


educação entrevistados é de 30 anos e a máxima idade é de 59 anos, sendo a maior frequência
de 2 encarregados varia entre as idades de 30 anos aos 39 anos e de 40 anos aos 49 anos,
tendo a sua percentagem de 40%, enquanto a de menor frequência é de 50 a 59 anos, sendo a
sua percentagem de 20%. Quanto ao género, o de género masculino foram a maioria com 3
pais e encarregados de educação, sendo a sua percentagem 60% e os restantes do género
feminino 2 na sua minoria.

Tabela nº 3 – Distribuição da amostra dos facilitadores entrevistados de acordo a faixa-


etária e género.

Faixa – Etária Género Frequência


Masculino Feminino Fas Frs
20 anos – 28 anos 2 1 3 75%
29 anos – 37 anos 1 - 1 25%
Sub-Total 3 1 4 100%
Percentagem 75% 25% 100%

A tabela nº 3, mostra-nos que dos 4 facilitadores entrevistados, a maior frequência de


3 facilitadores encontra-se na faixa etária de 20 a 28 anos idade, correspondendo 75%,
enquanto a frequência menor é de 1 facilitador que se encontra na faixa etária de 29 a 37 anos
de idade. Relativamente aos géneros, o género masculino é de 3 facilitadores entrevistados,
sendo a sua percentagem de 75%, e 1 do género feminino.

2.7 - PROCEDIMENTOS E DIFICULDADES

2.7.1 – Procedimentos

Para a realização deste trabalho, tendo em conta os objectivos da pesquisa utilizamos


os seguintes procedimentos:

 Aderir a um projecto de ensino, investigação e extensão Sim, eu posso;


27
 Depois tivemos que participar na formação de facilitadores;
 Depois da formação, fomos colocados numa turma como facilitadores auxiliares de
maneira a identificarmos os problemas e de seguida escolher um tema;
 Seleccionamos vários problemas, mas dentre os problemas a desistência dos jovens e
adultos nas turmas de alfabetização chamou-nos mais atenção;
 Elaboramos o ante-projecto com o auxílio do tutor;
 Demos entrada ao departamento do Conselho Científico da ESP- Bengo;
 Depois da sua aprovação fizemos pedido de um credencial ao Departamento de
Ciência de Educação de maneira a não encontrarmos constrangimentos quando
estivermos no campo, dai iniciamos a trabalhar na escrita da mesma.

2.7.2 – Dificuldades

Para a concretização do trabalho encontramos várias dificuldades tais como:

 Dificuldade na escolha do tema visto que todos os problemas eram pertinente e


careciam de um estudo;
 Dificuldade financeira;
 Dificuldade no que tange aos encontros semanais com o tutor e do grupo, visto que
nós os integrantes do grupo vivemos em locais diferentes (Luanda, Açucareira e Vila
de Caxito);
 Falta de um computador;
 Fraca alimentação no momento dos encontros

2.8. - APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS.

2.8.1 – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS DE ENTREVISTA


DIRIGIDOS AOS PARTICIPANTES

Sobre a questão, alguma vez já foste matriculado numa escola?

Dos 36 participantes entrevistados, 28 responderam que já haviam estudado antes da


alfabetização e 8 disseram que antes da alfabetização não haviam estudado.

Com base as respostas dadas, percebemos que na sua maioria já foram à escola antes
da alfabetização e a minoria não.

28
Notamos que dos nossos entrevistados a maioria já tinham sido matriculados numa
escola o que pressupõe que por razões de várias ordens desistiram; enquanto que os outros
responderam que nunca foram matriculados em uma escola.

Em relação à questão, os participantes têm gostado das aulas dos facilitadores?

Dos 36 participantes entrevistados, 10 responderam que têm gostado e 26 responderam


que não têm gostado.

Segundo as respostas dadas pelos participantes, o grupo entendeu que a maiorias dos
participantes entrevistados não gostam das aulas dos facilitadores, mas a minorias sim.

Se os facilitadores têm tido um bom relacionamento com os participantes?

Dos 36 participantes entrevistados, 06 responderam que os facilitadores têm tido um


bom relacionamento connosco e 30 responderam que os facilitadores não têm tido um bom
relacionamento connosco.

Olhando nestas respostas, entendemos que os facilitadores não têm assumido a postura
correcta para com os participantes.

Sobre a resposta, as explicações dos facilitadores têm sido de fácil entendimento?

Dos 36 entrevistados, a maiorias responderam que não tem sido fácil.

Com as respostas dadas, entendemos que os facilitadores não estão a cumprir com as
exigências estipuladas pelo projecto, isto é a utilização dos métodos correctos na transmissão
dos conteúdos.

Com base a questão, se já haviam falado com os participantes sobre a desistência


escolar?

Dos 36 participantes entrevistados, 22 responderam que sim e 14 responderam que


não.

De acordo com as respostas dadas, entendemos que apesar de na sua maioria dos
entrevistados responderem que já haviam falado com eles sobre a desistência escolar, ainda
muitos desconhecem esta problemática, e que se deve criar mecanismos para que todos
tenham o conhecimento desse mal.

29
Sobre a questão, se o que levou os participantes a desistir?

Dos 36 participantes entrevistados, 14 responderam que desistiram por falta de


condições financeira e 22 responderam que desistiram por causa do tipo de trabalho que eles
praticam que é o trabalho do campo.

No que diz respeito a esta questão, entendemos que nós como membros da sociedade
devemos divulgar mais quão importantes é a formação e lutar para a inclusão de todos ao
Sistema de Educação e Ensino.

O que fizeram os facilitadores quando começaste a faltar?

Dos 36 entrevistados, 8 responderam que os facilitadores vão até as nossas casas saber
o porquê que nós estamos a faltar nas aulas e aconselhou-nos a não continuar a faltar,
enquanto 28 responderam que os facilitadores não têm feito nada.

No que concerne às respostas dadas pelos participantes, entendemos que os


facilitadores não conhecem os seus papéis socializadores.

Sobre a resposta, os participantes consideram que o que se aprende na escola lhes faz
falta para o futuro profissional?

Os 36 participantes entrevistados responderam que sim.

Quando os participantes respondem que consideram que o que se aprende na escola


lhes faz falta, nós entendemos que os mesmos reconhecem o valor que tem a escola na sua
vida e que só desistem por algumas razões que a sociedade exige, tal como a procura do
sustento dos filhos, meios financeiros, desemprego, etc.

Com base a questão, se têm sido fácil copiar a matéria do quadro para o caderno?

Dos 36 participantes entrevistados, 22 responderam que sim e 14 responderam que


não.

Apesar da maioria dos entrevistados responderem que tem sido fácil copiar a matéria
do quadro para o caderno e a minoria disseram que não, entendemos que ainda deve se
trabalhar na capacitação dos facilitadores no que diz respeito às metodologias a utilizar para
facilitar o participante a copiar a matéria.

30
2.8.2 – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS DE ENTREVISTA
DIRIGIDOS AOS PAIS E ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO.

Sobre a questão, da experiência da escola, onde estudou?

Os 5 pais entrevistados responderam que tiveram uma boa experiência, pois tinham
um bom relacionamento com os funcionários da instituição em que estudaram.

Verificamos que os pais e encarregados de educação tiveram um bom relacionamento


com os elementos que constituem a escola onde estudaram.

Uma vez que os pais e encarregados de educação tiveram um bom relacionamento


com os intervenientes da escola onde estudaram, entendemos que passarão as mesmas
experiências aos filhos.

Em relação a questão, que importância teve à escola nas suas vidas?

Dos 5 pais e encarregados de educação entrevistados, 3 responderam que a escola teve


muita importância porque se hoje têm o emprego é graças aos estudos, se não estudassem não
teriam o emprego que ostentam, e 2 dos pais entrevistados responderam que à escola teve
muita importância porque se hoje sabem ler e escrever é graças a escola.

Constatamos que todos os pais e encarregados de educação reconhecem o valor que


tem à escola.

Sobre a resposta, se alguma vez o seu filho foi à escola?

Dos 5 pais e encarregados de educação entrevistados, todos pais responderam sim.

Em relação a esta questão e de acordo com as respostas, entendemos que os


encarregados estão preocupados com a formação dos educandos.

Com base a questão, se depois do seu filho entrar na turma de alfabetização mudou
alguma coisa?

Os 5 pais e encarregados de educação entrevistados, responderam que mudou.

Em relação a esta questão as respostas dos pais e encarregados de educação


convergem e percebemos que o trabalho dos facilitadores tem ajudado a população no que
tange ao processo de ensino-aprendizagem, aos valores morais, sociais e culturais.

31
Concernente a pergunta, o que senhor/senhora acha das aulas de alfabetização?

Todos os pais e encarregados entrevistados responderam que tem sido benéfico porque
tem ajudado muita gente a aprendera ler, escrever e a contar, ajudando as pessoas a abrirem as
suas contas bancárias bem como saber dirigir uma pessoa para outra.

Segundo as respostas dadas pelos pais e encarregados, entendemos que os pais e


encarregados de educação reconhecem a importância que tem as aulas de alfabetização.

Sobre a resposta, os pais têm ido a escola saber do comportamento e desenvolvimento


cognitivo do seu educando?

Dos 5 pais e encarregados de educação entrevistados, 2 responderam que sim e 3


responderam que não.

No que tange as respostas dadas pelos pais e encarregados de educação, percebemos


que estas dificuldades por parte dos pais e encarregados a não irem à escola dos seus
educandos para se inteirar do comportamento e do seu desempenho nas aulas ou provas, é um
dos factores que tem causado a desistência escolar de muitos participantes, pois a presença
dos encarregados na escola onde o filho estuda ajuda na motivação do mesmo em aplicar-se
mais de modo a mostrar ao encarregado o quanto ele vale. Esse é o valor que tem o esforço do
encarregado em ir á escola do filho.

Em relação a questão, se o pai tem encorajado os filhos a não desistirem da escola?

Os 5 pais e encarregados de educação entrevistados responderam que sim.

As respostas dadas pelos pais e encarregados de educação foram positivas e


motivaram-nos porque são estes tipos de pais e encarregados que nós precisamos.

Sobre a questão, se o que levou o seu educando a desistir da escola?

Dos 5 pais e encarregados entrevistados, 3 disseram que os seus filhos desistiram


porque no momento das aulas eles tinham que ir a lavra e 2 responderam que os seus filhos
desistiram das aulas por falta de vontade.

Entendemos que a resistência dos pais em levarem os seus filhos a lavra no momento
das aulas tem contribuído para a desistência escolar dos participantes das turmas.

32
Com base a questão, se considera ter tido alguma responsabilidade/interferência na
decisão do teu educando a desistir da escola?

Todos 5 pais e encarregados entrevistados disseram que não houve suas


responsabilidades/interferências para que os seus educando desistissem.

Apesar de todos os pais e encarregados de educação responderem que não houve suas
interferências no que diz respeito à desistência escolar dos seus educandos, entendemos que
houve sim interferência por parte deles, visto que os pais e encarregados de educação
insistentemente levam os seus filhos à lavra no seu horário escolar e esses por medo que não
lhes dêem comida ou que sejam castigados são obrigado a obedecerem os seus pais.

Questão sobre que conselho o pai deixa para que se diminua o índice da desistência
escolar nas turmas de alfabetização?

Dos 5 pais e encarregados de educação entrevistados, 4 disseram que os pais e


encarregados de educação devem conversar com os seus educandos, dando-lhes a conhecer o
valor que tem uma pessoa formada e 1 respondeu que os pais devem aconselhar os seus filhos
a não desistirem e a chegarem cedo à escola.

As respostas dadas pelos pais e encarregados de educação vão de encontro com o que
necessitamos com a nossa pesquisa.

2.8.3 – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS DE ENTREVISTA


DIRIGIDOS AOS FACILITADORES

Questão sobre a facilidade de trabalhar com os participantes nas aulas nas turmas de
alfabetização, sabendo que a maioria deles são de maioridade?

Dos 4 facilitadores entrevistados, 3 disseram que tem sido fácil trabalhar com os
participantes e 1 disse que não tem sido fácil.

Com base as respostas dadas pelos facilitadores, entendemos que na sua maioria estão
munidos de métodos e técnicas para trabalhar no projecto de alfabetização, mas alguns ainda
necessitam muita formação.

Opinião dos facilitadores sobre à desistência dos jovens e adultos nas turmas de
alfabetização?

33
Dos 4 facilitadores entrevistados, todos disseram que em suas turmas não há muitos
desistentes.

Os 4 facilitadores ao responderem que em suas turmas não há muitos desistentes,


entendemos que os facilitadores têm desempenhado as suas funções, que são instruir e educar.
Apesar disso, ainda há muito que se fazer para a minimização da desistência dos participantes
nas turmas de alfabetização, como palestras, formação contínua dos facilitadores, seminários,
etc.

Respostas dos facilitadores se o que tem sido feito para a redução da desistência na
turma de alfabetização?

Dentre os 4 facilitadores entrevistados, todos responderam que conversam com os


participantes explicando-lhes o valor que tem uma pessoa formada ou letrada na sociedade.

Segundo as respostas deles, entendemos que os facilitadores conhecem as suas


responsabilidades perante a sociedade.

Opinião dos facilitadores como procedem quando verificam a ausência de um


participante na turma?

Os 4 facilitadores foram unânimes nas suas respostas, dizendo que vão até a casa dos
mesmos e os aconselham a voltar a aparecer na turma.

Segundo as respostas dadas pelos facilitadores, entendemos que todos estão cientes do
seu papel social, sendo os facilitadores como segundo pais, então, têm o direito de se
preocuparem com todos eles e procurarem saber todos os dias da saúde deles e da sua família,
e incentivá-los a aparecerem sempre e sempre à turma.

Em relação que conselho os facilitadores deixam para que se minimize a desistência


escolar nas turmas de alfabetização?

Dos 4facilitadores entrevistados, 3 disseram que os facilitadores devem conversar com


os participantes explicando-lhes as dificuldades que os mesmos encontrarão na sociedade se
desistirem das turmas e que não vão aprenderem a ler e a escrever, e 1 disse que para que se
minimize a desistência escolar o governo deve criar políticas educativas como palestras,
formação contínua e seminários de modo que os participantes saibam o que perdem quando
desistem das turmas.

34
De acordo com as respostas dadas pelos facilitadores, nós corroboramos com as suas
respostas, pois é o que nós desejamos alcançar com a nossa pesquisa.

O que os facilitadores fazem quando verificam que um participante não consegue copiar
a matéria do quadro para o caderno?

Dos 4 facilitadores entrevistados, 3 disseram que quando o participante não consegue


copiar a matéria do quadro para o caderno, desenham no quadro alguns quadrados e bolinhas
de modo que o participante desenvolva a psicomotricidade e aprenda a copiar com facilidade,
um 1 disse que ensina o participante a pegar o lápis e como copiar as letras do quadro para o
caderno.

Com base as respostas dadas pelos facilitadores, entendemos que todos eles estão
munidos de técnicas para trabalharem nas turmas com indivíduos com dificuldade em copiar a
matéria.

Sobre a questão, se o que achas do projecto implementado pelo governo?

Dos 4 facilitadores entrevistados, todos disseram que é um excelente projecto porque é


um projecto que está a lutar para a erradicação do analfabetismo no país e em particular na
Província do Bengo.

Segundo as respostas dadas, o grupo entendeu que os facilitadores estão cientes da


estupenda importância que tem o projecto de alfabetização para a erradicação do
analfabetismo do país.

2.8.4 - AULAS OBSERVADAS AOS FACILITADORES DURANTE A NOSSA


PESQUISA

Ao longo da nossa pesquisa observamos 7 aulas e constatamos o seguinte:

 Os facilitadores comportam-se mal para com os participantes das turmas de


alfabetização e por vezes ofendem e maltratam-nos.
 Os facilitadores não têm uma relação saudável com os participantes.
 As metodologias utilizadas pelos facilitadores são as menos adequadas para o projecto
de alfabetização consubstanciado na pouca paciência e em alguns casos na fraca
preparação psicopedagógica.

35
 Os facilitadores não se preocupam com o desenvolvimento intelectual dos
participantes apenas pensam em cumprir o tempo estipulado e daí trabalhar na sua
monografia.
 Os facilitadores usam a linguagem não cuidada com os participantes.
 Os facilitadores não se preocupam quando notam a ausência dos participantes.
 Os facilitadores não são solidários quando uns dos participantes perdem um familiar.

36
CAPÍTULO III - ACÇÕES PARA A REDUÇÃO DA DESISTÊNCIA ESCOLAR DOS
JOVENS E ADULTOS NAS TURMAS DE ALFABETIZAÇÃO.

Metodologia das acções.

Ao nosso entender pensamos que, se levarmos acabo as presentes acções de uma


forma gradual, poderá elevar o nível de desempenho dos facilitadores, reduzir os níveis de
desistência dos participantes e incentivar a comunidade envolvente a participarem nas aulas
de alfabetização.

Para reduzir a desistência escolar dos jovens e adultos nas turmas de alfabetização
elaboramos as seguintes acções:

1ª Acção – Formação dos facilitadores

 Objectivo: Formar facilitadores para reduzir a desistência escolar nas turmas de


alfabetização.
 Promotor(a): Directora e os colaboradores do Projecto “SIM, EU POSSO”.
 Público-Alvo: Facilitadores do Projecto.
 Tendo uma sala para a formação dos facilitadores onde durante 6 meses lhes será
transmitido todos instrumentos necessários, tal como métodos e técnicas que
possibilitará ao facilitador estar apto para estar na turma de alfabetização como
facilitador.
 Período: 6 meses.

2ª Acção – Realização de palestras

 Objectivo: Realizar palestras que abordam o tema a desistência escolar para reduzir a
desistência escolar nas turmas de alfabetização.
 Promotor(a): Coordenação do Projecto e os facilitadores.
 Público-Alvo: Pais e Encarregados de Educação.
 Primeiramente emitir uma convocatória a Comissão de Moradores do Bairro em que
se pretende palestrar e essa por sua vez passa a informação a todos os munícipes a
respeito da convocatória que a receberam de modos a participarem, tendo como tema a
desistência escolar.
 Período: Mensalmente.

37
3ª Acção – Sensibilização da população para adesão às aulas de alfabetização para
reduzir a desistência escolar.

 Objectivo: Sensibilizar a população para aderirem às turmas de alfabetização para a


redução da desistência escolar.
 Promotor(a): Facilitadores.
 Público-Alvo: Participantes
 Distribuição de tarefa aos facilitadores, cada facilitador terá a responsabilidade de
passar casa a casa para sensibilizar a população a aderirem às turmas de alfabetização.
 Período: De 2 em 2 meses.

4ª Acção – Envolvimento de todos participantes no projecto de alfabetização

 Objectivo: Envolver todos participantes nas actividades ligados ao projecto de


alfabetização.
 Promotor(a): Governo da Província do Bengo, Direcção Provincial da Educação do
Bengo, Direcção do Projecto “SIM, EU POSSO” e facilitadores.
 Público-Alvo: Participantes.
 Distribuição de actividades a cada participante, cada participante terá a
responsabilidade de sensibilizar todos os seus familiares iletrados a aderirem às turmas
de alfabetização.
 Período: Trimestralmente

5ª Acção – Refrescamento dos facilitadores

 Objectivo: Efectuar sessão de refrescamento dos facilitadores para a redução da


desistência escolar nas turmas de alfabetização.
 Promotor(a): Directora e os colaboradores do Projecto “SIM, EU POSSO”.
 Público-Alvo: Facilitadores do projecto.
 Capacitação didáctico-Pedagógico aos facilitadores.
 Período: De 2 em 2 meses.

38
CONCLUSÕES

Com base aos nossos objectivos, a problemática e a ideia a defender chegamos as


seguintes conclusões:

A saída dos alunos (alfabetizando) da escola antes do término do ciclo de formação do


final do ano lectivo que estava a frequentar ou em que estava matriculado, é um fenómeno
nocivo que deve ser minimizado em todas as épocas, assim os principais intervenientes do
processo de ensino e aprendizagem devem tudo fazer na redução dos participantes que
desistem das aulas de alfabetização.

A possibilidade de concretizar o objectivo geral deste trabalho que consiste em


elaborar acções para a redução da desistência escolar dos jovens e adultos nas turmas de
alfabetização, foi possível através de várias abordagens e diferentes posicionamentos teóricos
que serviram como base para a constituição da presente obra e que nos leva a crer que os
principais problemas da desistência escolar dos jovens e adultos nas turmas de alfabetização
são de índole económico e social.

O diagnóstico feito nas turmas de alfabetização permitiu concluir que a maioria dos
jovens e adultos já tinham sido matriculados numa escola, o que deduzimos que o trabalho de
campo, questões financeiras, a venda ambulante, pouco incentivo por parte dos pais e a falta
de interesse destes estão na base da desistência escolar.

Para minimizar a actual situação sobre a desistência escolar dos jovens e adultos nas
turmas de alfabetização, foi elaborada uma proposta.

Realização de palestras

 Objectivo: Realizar palestras que abordam o tema a desistência escolar para reduzir a
desistência escolar nas turmas de alfabetização.
 Promotor(a): Coordenação do Projecto e os facilitadores.
 Público-Alvo: Pais e Encarregados de Educação.
 Primeiramente emitir uma convocatória a Comissão de Moradores do Bairro em que
se pretende palestrar e essa por sua vez passa a informação a todos os munícipes a
respeito da convocatória que a receberam de modos a participarem, tendo como tema a
desistência escolar.
 Período: Mensalmente.

39
SUGESTÕES

Com base as nossas conclusões sugerimos que:

Os pais e encarregados de educação devem ir à escola dos seus educandos para se


inteirar do comportamento e desempenho dos mesmos nas aulas ou provas, pois a presença
dos encarregados na escola onde o filho estuda ajuda na motivação do mesmo em aplicar-se
mais de modo a mostrar ao encarregado o quanto ele vale e contribui para que o mesmo não
desista.

Se minimize as barreiras e obstáculos que provocam a desistência escolar, tais como:


as questões financeiras, o trabalho do campo e a falta de interesse.

Os facilitadores incentivem os seus participantes a não desistirem das turmas de


alfabetização.

O Ministério da Educação crie mecanismos tal como palestras que abordam assuntos
relacionados à desistência escolar de modo que se minimize este fenómeno.

Se trabalhe na capacitação dos facilitadores no que diz respeito às metodologias a


utilizar de maneira a facilitar o participante a copiar a matéria do quadro para o caderno.

Os facilitadores devem estar munidos de métodos e técnicas adequadas para trabalhar


no projecto de alfabetização de maneira a instruírem e educarem de forma eficaz os
participantes.

40
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44
APÊNDICE
GUIÃO DE ENTREVISTA DIRIGIDO AOS PARTICIPANTES

Com o objectivo de compreender as causas da desistência dos jovens e adultos nas turmas de
alfabetização, elaboramos estas perguntas que gostaríamos que fossem respondidas com
franqueza porque prometemos guardar sigilo e anonimato das respostas com fim de
melhorarmos o referido fenómeno. Por isso, colabore.

1 – Já alguma vez foste matriculado numa escola? ……………….............................................

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2 – Têm gostado das aulas dos facilitadores? ……………….....………………...……………..

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3 – Os facilitadores têm tido um bom relacionamento com os participantes? ………………….

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4 – As explicações dos facilitadores têm sido de fácil entendimento? ………….………...……

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5 – Já tinham falado contigo sobre a desistência escolar? Quem o fez e como?…………….….

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6 – O que vos levou a desistirem das aulas?……………………………………………….……

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7– O que fizeram os facilitadores quando começaste a faltar?……………………………..…...

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8 – Consideras que o que se aprende na escola vos faz falta para o vosso futuro profissional?.

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9 – Tem sido fácil copiar a matéria do quadro para o caderno?…………………………….…..

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GUIÃO DE ENTREVISTA DIRIGIDO AOS PAIS E ENCARREGADOS DE
EDUCAÇÃO

Com o objectivo de Compreender as causas da desistência dos jovens e adultos nas turmas de
alfabetização, elaboramos estas perguntas que gostaríamos que fossem respondidas com
franqueza porque prometemos guardar sigilo e anonimato das respostas com fim de
melhorarmos o referido fenómeno. Por isso, colabore.

1 – Fale-me da sua experiência com a escola onde estudou? ………………………..…………

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2 – Que importância teve a escola na sua vida? ………………………………………………...

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3 – O seu filho alguma vez já foi à escola?……………………………………….……………..

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4 – Depois de teu filho entrar na turma de alfabetização mudou alguma coisa?………….…….

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5 – O que o senhor acha das aulas de alfabetização?…………………………………………...

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6 – Os pais têm ido à escola saber do comportamento e desenvolvimento cognitivo do seu
educando?……………………………………………………………………………………….

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7 – O pai tem encorajado o filho para não desistir da escola?…………….…………………….

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8 – O que levou o seu educando a desistir da escola?………………………………………......

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9 – Consideras ter tido alguma responsabilidade/interferência na decisão do seu educando em


desistir da escola?…………………………………….………………………………………….

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10 – Que conselho o pai deixa para que se diminua o índice da desistência escolar nas turmas
de alfabetização?…………………………………………....…………………………………...

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GUIÃO DE ENTREVISTA DIRIGIDO AOS FACILITADORES

Com o objectivo de compreender as causas da desistência dos jovens e adultos nas turmas de
alfabetização, elaboramos estas perguntas que gostaríamos que fossem respondidas com
franqueza porque prometemos guardar sigilo e anonimato das respostas com fim de
melhorarmos o referido fenómeno. Por isso, colabore.

1 – Tem sido fácil trabalhar com os participantes nas aulas, sabendo que a maioria deles são
de maioridade?…………………………….……………………………………………...…......

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2 – Quanto à desistência, na tua turma há muitos desistentes? ………………………..………..

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3 – O que os facilitadores têm feito para que não haja muita desistência escolar na turma? ......

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4 – O que os facilitadores têm feito quando nota que um participante não está a aparecer na
turma? ………………………………………………...…………………………………………

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5 – Que conselho os facilitadores deixam para que se minimize a desistência escolar? ..……

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6 – O que os facilitadores têm feito quando nota que um participante não consegue copiar a
matéria do quadro para o caderno? ………………………………………………..……………

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7 – O que achas deste projecto implementado pelo governo? …...……………………..………

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GRELHA DE OBSERVAÇÃO

Titulo: Observação das aulas dos facilitadores

Objectivo: Avaliar as aulas dos facilitadores.

Nº INDICADORES 2 3 4 5
1 Comportamento do facilitador.
2 A relação do facilitador com os participantes.
3 A metodologia utilizada pelo facilitador.
4 O acompanhamento do desenvolvimento dos participantes pelo
facilitador quanto a leitura e escrita.
5 Atitude do facilitador com os jovens e adultos.
6 Linguagem do facilitador com os participantes.
7 Solidariedade apresentada pelo facilitador em termos de óbitos ou
doenças.

LEGENDA

2 – Mau

3 – Suficiente

4 – Bom

5 – Muito bom
ANEXOS