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O rapaz que tinha zero a Matemática

de

Luísa Ducla Soares

Resumo

O Vasco era um menino que não gostava nada de matemática, e por isso todos
achavam que ele era burro. A professora perdia a cabeça com ele. Os amigos do Vasco
chegaram a levá-lo a um médico, onde fez radiografias, análises e muitas mais coisas, mas
nunca lhe descobriram nada. O Vasco sabia que não se passava nada com ele, pois apenas não
gostava de matemática.
Entretanto, os dias, os meses e os anos foram passando e o Vasco aprendeu a ler.
Devorava livros, era muito bom em todas as áreas menos na matemática, onde continuava a
tirar zero.
Um dia, a professora perguntou-lhe o que queria ser quando fosse crescido e o Vasco
respondeu que poderia ser engenheiro de pontes ou astronauta. Todos se riram, pois com os
cálculos dele, ou as pontes iriam todas cair, ou nas suas viagens ao espaço, iria de certeza
parar a outro planeta.
Uma das suas colegas, a Isabel, com pena dele convidou-o para a ir ajudar a fazer um
bolo para levar para a escola, pois iria fazer anos. O Vasco aceitou e lá foi. A Isabel ligou o
forno e pediu ao colega para pesar a farinha, o açúcar e contar os ovos para um bolo que desse
para 18 pessoas. Como ele não sabia multiplicar, teve muitas dificuldades e por isso resolveu
deitar os ingredientes “ao calhas”, sem ter a mínima noção das quantidades.
No dia seguinte, na escola, quando foram tentar comer o bolo da Isabel, ninguém o
conseguiu comer pois para além de estar cheio de óleo, e bolo estava muito doce. Isabel ficou
furiosa com o Vasco, e este teve que se esconder para escapar à sua fúria.
O menino foi para casa, e resolveu escrever um poema sobre a matemática. Os versos
saíam que nem jactos. Passou-os a limpo e no dia seguinte levou-os para a escola para os ler à
professora e aos seus colegas.
Ao chegar à escola, pediu para ler o seu poema e deixou os seus amigos todos
espantados e a professora corada. O poema do Vasco estava excelente e por isso foi para o
quadro de cortiça.
O Natal estava quase a chegar e o Vasco, este ano, queria uma consola de jogos. Avisou
a família que este ano queria dinheiro como prenda, pois iria juntá-lo todo para depois poder ir
ao hipermercado comprar a prenda que desejava.
No dia de Natal, os pais, os avós e até a dona da tabacaria lhe deram dinheiro. Todos
lhe perguntavam quanto tinha recebido mas ele trocava a conversa. Tudo porque não sabia
contar. A maneira que conseguiu encontrar para saber quanto dinheiro tinha recebido, foi
perguntar ao avô se lhe troca o dinheiro por notas mais altas. Assim ficou a saber que tinha
recebido 200 euros.
Depois do Natal, Vasco perguntou ao pai, à mãe e até aos primos se podiam ir com ele
fazer a sua compra. Ninguém tinha tempo para o acompanhar ao hipermercado, até que lhe
apareceu à sua porta o Raul. O Raul era um colega da escola, mas em quem o Vasco não
confiava muito. Mas como ele se ofereceu para ir com ele ao hipermercado, Vasco aceitou.
O Raul perguntava-lhe quanto é que tinha, e quantos jogos ia comprar. Vasco respondia
que não sabia, que ia ver, mas de repente o colega tira-lhe o dinheiro das mãos, escolhe a
consola e dois jogos, passa na caixa e paga. Entrega tudo ao Vasco e sai porta fora dizendo
que tinha coisas para fazer. O Vasco, ainda, lhe perguntou pelo recibo, mas nada recebeu.
Ao voltar para casa, encontrou o avô Mário, que quando ouviu o neto dizer o que tinha
comprado e quanto tinha gasto, lhe disse que tinha sido enganado. Enganado, perguntou o
Vasco. O avô respondeu-lhe que com o dinheiro que tinha, poderia ter comprado três jogos e a
consola, e ainda lhe sobrariam dezoito euros. Mas como ele não sabia matemática… tinha sido
enganado.
O menino pediu então uma máquina de calcular ao avô, mas ele disse-lhe que não
precisava, porque todos temos uma máquina de calcula. Chama-se cabeça e apenas precisa de
ser exercitada. Resolveram então passar o resto das férias a fazerem atividades que ajudassem
o Vasco a aprender matemática, mas sobretudo a gostar de matemática.
No primeiro dia de aulas, o Vasco levava uma ideia para a escola. Assim que a
professora pediu um voluntário para ir ao quadro inventar um problema, Vasco levantou o
dedo. Espantada, a professora pediu ao Vasco para se dirigir ao quadro e escrever o seu
problema. À medida que ia escrevendo, o Raul ia ficando cada vez mais irrequieto no seu lugar,
pois o Vasco estava prestes a contar a toda a turma quem é que o tinha enganado e em
quanto.
Assim, com a ajuda da matemática, Vasco conseguiu recuperar o resto do dinheiro que
o Raul lhe tinha levado. A partir, desse dia, imagino que o nosso amigo tenha passado a gostar
desta disciplina.

Matilde Folgado Felipe, nº. 12 – 6º A