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REVISÕES DE LITERATURA

RISCOS BIOLÓGICOS EM
ODONTOLOGIA
∞uma revisão da literatura∞

Rebeca Hymer Galvão Oliveira*, Tatiana Frederico de Almeida**

Autora Correspondente: Rebeca Hymer Galvão Oliveira - Email: rebecahymer@hotmail.com


* Graduada em Odontologia pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública
** Professora adjunta a Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública

Resumo

São inúmeros os riscos ocupacionais a que cirurgiões-dentistas estão expostos, destacando-se os


riscos biológicos, pelo contato com pacientes, através de aerossóis como o caso do Microbacterium
tuberculosis e/ou com fluidos orgânicos que podem conter uma série desses microrganismos pató-
genos, que acarretam doença ocupacional pelos Vírus da Hepatite B, Hepatite C e do Human Immo-
deficiency Vírus.O presente estudo objetiva realizar uma revisão da literatura nacional sobre os riscos
biológicos a que a equipe odontológica está exposta no ambiente laboral. Foram selecionados estu-
dos nacionais publicados no período de 2002 a 2013, acerca dos Riscos Biológicos na Odontológia
com enfoque para o Microbacterium tuberculosis, Human Immnodeficiency Vírus, Hepatitis B e C Vírus
e Herpes Vírus hominis. As bases de dados utilizadas para o rastreamento foram: LiLacs, BBO e SciE-
LO. Empregou-se combinações de busca: “risco ocupacional”, “HIV e Odontologia”, “Hepatites e
Odontologia”, “tuberculose e Odontologia”, “herpes e Odontologia”. Foram encontrados 86 artigos,
após análise criteriosa selecionou-se 14 artigos que se enquadravam na temática proposta. Dos estu-
dos selecionados cinco foram revisão de literatura (35.7%) e nove foram estudos de corte transversal
(64.2%). Os estudos objetivaram elucidar riscos biológicos que a equipe odontológica está exposta.
A equipe odontológica está exposta a riscos biológicos no seu âmbito laboral, que são previníveis
através de protocolos de imunização e biossegurança.
Palavras-chave: Riscos ocupacionais; Exposição ocupacional; Odontologia.

BIOLOGICAL HAZARDS IN DENTISTRY


∞ a review of the literature∞

Abstract
There are numerous occupational risks that dentists are exposed, stand out biohazards, by contact
with patients through aerosols as the case of Mycobacterium tuberculosis and/or organics fluids that

DOI: 10.17267/2238-2720revbahianaodonto.v5i1.477
may contain a serie of these pathogenic microorganisms leading occupational disease by the Hepatitis B
Virus, Hepatitis C and Human Immodeficiency Vírus. To perform a review of the national literature about the
biological risks that dental staff are exposed in workplace. National studies published between 2002-2013
were selected, about Biological Hazards in Dentistry with a focus on Mycobacterium tuberculosis, Human
Immnodeficiency Virus, Hepatitis B and C Virus and Herpes virus hominis. The databases used for screening
were: LILACS, BBO and SciELO. Was employed search combinations: “occupational hazard”, “HIV and
Dentistry”, “hepatitis and dentistry”, “Tuberculosis and Dentistry “, “herpes and Dentistry”. 86 articles were
found, after careful analysis, were selected 14 articles that fit in the thematic proposal. Five of selected studies
were literature review (35.7%) and nine were cross-sectional studies (64.2 %). Studies aimed at elucidating
biological risks that the dental staff are exposed. The dental staff are exposed to biological hazards in your
work area, and that are preventable through immunization and biosafety protocols.
Keywords: Occupational hazards; Occupational exposure; Dentistry.

INTRODUÇÃO

Considerando o aspecto social que o trabalho tem, mudanças no conceito de comportamentos de ris-
é dever do Estado não apenas garantir o aces- cos o que exigiu alterações nos protocolos opera-
so do trabalhador a bens e serviços de saúde e cionais padrão (POP) em relação à biossegurança
às condições adequadas para execução do traba- do profissional de saúde, com a finalidade de esta-
lho, mas também criar condições para que o tra- belecer as diretrizes básicas para a implementação
balho seja acessível a todas as pessoas, já que é de medidas de proteção à segurança e à saúde dos
um dos itens de garantia da saúde social do indi- trabalhadores.(2,3)
víduo. Assim, as novas formas de organização do O Ministério do Trabalho e Emprego classifica
trabalho levam a uma nova visão sobre a saúde os riscos ocupacionais pela Portaria 3.214/78 com
do trabalhador, sendo definida como um conjun- uma série de Normas Regulamentadoras (NR),
to de ações que proporcionam o conhecimento, que consolidam a legislação trabalhista relativa à
a detecção ou prevenção de qualquer mudança segurança do trabalho, divididas em cinco grupos:
nos fatores determinantes ou condicionantes de a) Riscos Químicos (NR 9, 15 e 32): consideram-se
saúde individual ou coletiva com a finalidade de agentes de risco químicos as substâncias, compos-
recomendar e adotar medidas de prevenção e tos ou produtos que possam penetrar no organis-
controle de doenças e agravos.(1) mo do trabalhador pela via respiratória, nas formas
Os trabalhadores da área da saúde estão expos- de poeiras, fumos, gases, neblinas, névoas ou va-
tos aos mesmos riscos (químicos, físicos e ergonô- pores, ou que possam ter contato ou ser absorvido
micos) a que se sujeitam os demais trabalhadores pelo organismo através da pele ou por ingestão;
brasileiros, acrescidos daqueles representados por b) Riscos Físicos (NR 9 e 15): diversas formas de
agentes biológicos, uma vez que cotidianamente energia, tais como: ruído, temperatura, pressão,
se expõem ao contato com sangue e outros flui- radiações ionizantes e não ionizantes, vibrações,
dos orgânicos contaminados por uma variedade etc.; c) Riscos Ergonômicos (NR 17): qualquer fa-
imensa de patógenos desencadeadores de doen- tor que possa interferir nas características psico-
ças ocupacionais. Nos últimos anos, aconteceram fisiológicas do trabalhador, causando desconforto

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ou afetando sua saúde, como: ritmo excessivo de potencial como causas de patologias consideradas
trabalho, movimentos repetitivos, postura inade- graves nos profissionais expostos.(11,12)
quada, etc; d) Riscos Biológicos (NR 9): são repre- A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
sentados por vírus, fungos, bactérias, entre outros; (AIDS) é um quadro clínico mais avançado da in-
e) Riscos de acidentes: são aqueles que colocam o fecção pelo vírus HIV que é um retovírus com RNA
trabalhador em situação vulnerável e podem afetar pertencente à família Retroviridae e tem como sub-
sua integridade e seu bem estar físico e psíquico.(4) família Lentivirinae. Ela é considerada atualmente
A prática profissional odontológica apresenta uma grave pandemia, onde há manifestações de
como uma de suas principais características o risco doenças oportunistas graves e caracteriza-se pela
ocupacional em virtude de hábitos, posturas e pato- supressão mediada principalmente pelas células
logias advindas da profissão. O trabalho odontológi- T.(12-15)
co exige do profissional e sua equipe uma interação Há uma relação direta entre a Odontologia e a
direta e frequente com pessoas, materiais biológicos AIDS, já que o cirurgião-dentista deve ter conhe-
e equipamentos. Como é grande o risco ocupacional cimentos sobre os aspectos de biossegurança re-
advindo de agentes biológicos que o cirurgião-den- lativos à AIDS, deve diagnosticar manifestações
tista se depara, isso acaba se tornando um fator mo- bucais comuns que estão fortemente associadas à
tivacional para que o profissional se conscientize em infecção pelo HIV, quando estas muitas vezes são
relação à biossegurança no âmbito laboral.(5) as principais queixas dos pacientes, e deve adotar
Esses riscos, no entanto, podem ser mitigados conduta mais viável para o tratamento dessas ma-
com o uso de equipamentos de proteção coletivos nifestações.(16-18)
e individuais; cumprimento da NR 32 e adotando- O herpes simples pertence à família Herpes ví-
-se medidas de promoção e prevenção à saúde, a rus hominis, que representa a doença viral mais co-
exemplo do uso correto de equipamentos, seguin- mum no homem excluindo-se as infecções respira-
do a lei de ergonomia e ambiência adequadas, imu- tórias, se mostra com muitas peculiaridades, como
nização, etc.(6) permanecer em latência por períodos de tempo e
Na Odontologia, diversos fatores são contribuin- apresentar manifestações clínicas ou subclínicas
tes para as exposições ocupacionais com materiais em fases temporárias intercaladas.(19-21)
biológicos, como: o uso constante de instrumen- É comum na rotina odontológica o profissional
tos críticos, que penetram nos tecidos atingindo lidar com pacientes que apresentem manifestações
o sistema vascular, e os semi-críticos, que estão bucais provenientes do herpes, já que esta
em contato com a mucosa ou pele íntegra, saliva e apresenta-se como uma das doenças mais comuns
sangue visível ou não; o ritmo de trabalho intenso da mucosa bucal.(22-24) Não é recomendado o tra-
que consequentemente leva a um maior desgaste tamento odontológico desses pacientes, exceto os
do trabalhador, interferindo na sua atenção ao ma- de urgência, pois é grande o risco da autoinocula-
nusear os instrumentais em um campo visual res- ção do vírus por meio das mãos do operador, mes-
trito; o posicionamento paciente/profissional mui- mo com proteção devida, além de trazer descon-
to próximo; e o uso de instrumentais que facilitam forto para o paciente.(25,26)
a dispersão de fluidos no âmbito laboral.(7-10)
O Mycrobacterium tuberculosis, também denomi-
Segundo a Resolução n° 01 de 1988 do Conselho nado Bacilo de Koch, é causador da Tuberculose,
Nacional de Saúde, Cap. X, Art. 64, os agentes bio- que é uma doença de evolução crônica e infecto-
lógicos Hepatitis B Vírus, Hepatitis C Vírus, Human contagiosa.(27-29)
Immnodeficiency Vírus e o Mycobacterium tuberculo-
Sua transmissão se dá através de gotículas, es-
sis apresentam risco individual elevado e um grande
pirros, tosse e fala de um doente de tuberculose

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pulmonar, tendo seu período de incubação de qua- RESULTADOS
tro a 12 semanas.(30-32)
A equipe de saúde bucal é exposta ao risco de
contágio por esse agente, pois este se propaga por HUMAN IMMNODEFICIENCY VÍRUS
meio de gotículas expelidas por um doente com tu- (HIV)
berculose pulmonar ao tossir, espirrar ou falar. As-
sim, é necessário um ambiente de trabalho sempre Nesta revisão de literatura, após a associação de
ventilado, com presença de luz solar direta, para descritores já citados, dos 86 artigos encontrados,
remoção das partículas suspensas e eliminação cinco foram selecionados para análise deste tópi-
dos bacilos.(33,34) co, pois associaram o risco ocupacional do HIV
com a Odontologia (Apêndice A, Quadro 1).
Em relação ao local de realização dos estudos, o
METODOLOGIA estado do Rio de Janeiro foi o que mais contribuiu
com o número de trabalhos publicados, sendo
Este estudo é uma revisão de da literatura, que se dois artigos selecionados.(11,16) Os estados do Rio
baseia em artigos científicos nacionais sobre os Grande do Norte(35) e Paraná(36) contribuíram com
riscos biológicos que o cirurgião-dentista e demais um artigo cada.
membros da equipe de saúde bucal, como técnicos Sobre a origem institucional dos estudos publi-
e auxiliares, estão expostos no seu âmbito laboral. cados, houve o predomínio de universidades públi-
Os estudos utilizados foram retirados das se- cas, tendo seus autores provindos da UFPel (Uni-
guintes bases de dados: Scielo (Scientific Eletro- versidade Federal de Pelotas) sendo eles: Garcia
nic Library Online), BBO (Bibliografia Brasileira de & Blank;(11) UnB (Universidade de Brasília) com os
Odontologia), LILACS (Literatura Latino-America- autores: Caixeta & Brabosa-Branco;(16) UFRN (Uni-
na e do Caribe). Os artigos selecionados obedece- versidade Federal do Rio Grande do Norte) com os
ram aos seguintes critérios: publicações nacionais autores: Rodrigues, Sobrinho e Silva(35) e Unioes-
com limitação cronológica de 2002 a 2013, na lín- te (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), de
gua portuguesa que abordasse o risco biológico re- autoria de Murofuse et al.(36)
lacionado com a Odontologia, com enfoque para Sobre o principal tipo de estudo dos artigos se-
o Micocobacterium tuberculosis, Human Immnode- lecionados, a maioria foi estudo descritivo de cor-
ficiency Vírus (HIV), Hepatitis B Vírus e Hepatitis C te transversal, alguns abordavam o conhecimento
Vírus e Herpes Vírus hominis. do cirurgião-dentista frente a riscos ocupacionais
Os rastreamentos foram feitos em duas etapas, em relação ao paciente portador de HIV no seu
na qual na primeira se utilizou as seguintes asso- âmbito laboral.(11,16,35,36) Em sua maioria, utilizou-se
ciações de descritores para busca: “risco ocupa- a forma de questionário para tal investigação. Al-
cional”, “HIV e Odontologia”, “hepatites e Odon- guns estudos visaram reconhecer as condutas de
tologia”, “tuberculose e Odontologia”, “herpes biossegurança no cotidiano de trabalho dos cirur-
simples e Odontologia”, “exposição ocupacional”. giões-dentistas e de graduandos em Odontologia.
Foram excluídos aqueles estudos que não se rela- (36)
Morofuse et al.,(36) através de um estudo de cor-
cionavam com a temática e de outros idiomas que te transversal observacional, indicaram que os aca-
não o português. dêmicos ainda desconheciam os mecanismos de
Na etapa seguinte houve análise desses estudos transmissão do HIV, já que alguns tinham mais re-
que envolvia: local, autor/ ano, metodologia do es- ceio de contrair HIV, excluindo outras doenças que
tudo, objetivos e conclusões. poderiam ser contraídas da mesma maneira, como
a Hepatite B.

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O estudo do tipo de corte transversal observa- tamento odontológico, que podem atingir o cirur-
cional descritivo de Morofuse et al., (36) constatou gião-dentista e o pessoal auxiliar.(19,21)
que o risco biológico foi o mais citado pelos acadê-
micos, sendo este o mais valorizado. Em relação
à importância do uso do EPI, o trabalho de Mofo-
HEPATITIS B VÍRUS E HEPATITIS C
ruse et al., (36) focou a ocorrência de uso destes, VÍRUS
indicando que não é rotina o uso de todos os equi-
Dentre os estudos selecionados, seis enfatizaram
pamentos, sendo os mais utilizados: luvas (23%),
os riscos de exposição aos vírus da Hepatite B e C
gorro (21%) e máscara (17%). Complementam me-
entre profissionais e graduandos da área de Odon-
didas de proteção: jalecos de mangas compridas e
tologia (Apêndice A, Quadro 2).
calçados fechados.
Sobre o estado em que foi realizado o maior
Alguns autores investigaram o conhecimento de
número de artigos, Minas Gerais colaborou com
biossegurança durante a prática profissional.(16,18,36)
três,(24,37,38) e São Paulo,(24) Pernambuco(23) e Cea-
A maioria dos estudos salientou a necessidade de
rá(40) com um, respectivamente.
atualização dos cirurgiões-dentistas em relação
Com relação à origem institucional dos estu-
aos protocolos de biossegurança, como a inclusão
dos publicados, prevaleceu em maior número au-
de medidas de comportamentos seguros, desde a
tores provenientes de instituições públicas, sendo
formação profissional para evitar acidentes com
essas: da Universidade Federal de Minhas Gerais
exposição a materiais biológicos.(11,16,35,36)
(UFMG), Universidade Estadual de Montes Claros
(Unimontes), os autores: Ferreira et al.,(38) Martins
HERPES VÍRUS HOMINIS e Barreto,(37) Resende et al.,(39) da Universidade de
São Paulo (USP), com o autor Rocha et al.,(24) da
Apenas dois dos estudos encontrados nesta re-
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) sen-
visão tratavam da relação entre o risco ocupacio-
do seu autor Farias et al.,(23) e por fim da Universi-
nal do Herpes vírus hominis e profissionais da área
dade Federal do Ceará (UFC), de autoria de Lima
odontológica (Apêndice A, Quadro 2).
et al.(40) Na maioria dos achados prevaleceu o es-
Ambos os estudos selecionados eram dos mes- tudo epidemiológico de corte transversal.(23,37,38,40)
mos autores provenientes de instituições públicas
O aspecto mais abordado nos estudos sobre es-
(Universidade de Santa Catarina e Universidade de
ses agentes biológicos foi o alto risco de exposição
São Paulo), do ano de 2009.
da equipe odontológica.(23,24,37,38,39,40)
Os estudos adotaram como metodologia a revi-
Visando a imunização contra HBV, uma das
são de literatura. Aspectos importantes foram re-
mais eficazes condutas para prevenção desta doen-
lacionados com o vírus, como: classificação viral e
ça letal, pesquisadores analisaram a prevalência de
sua estrutura, frequência de acometimento, com-
vacinação e não vacinação e seus fatores associa-
prometimento dos tecidos envolvidos, capacidade
dos.(23,37,38,39,40) Os autores constataram que mesmo
de infecção, contágio, diagnóstico, orientações e
com a disponibilização da imunização ainda há
decisões clínicas seguida da suspensão de sessões
graduandos e profissionais de Odontologia que es-
clínicas.(19,21)
tão com o estado vacinal incompleto ou ausente.
Os estudos achados sobre a relação do Herpes Dentre os fatores associados a esse fato, a maio-
vírus hominis e o risco ocupacional na Odontolo- ria dos entrevistados citou a necessidade de mais
gia ainda é exíguo. Nos achados houve uma ênfase informações, seguida da falta de oportunidade ou
maior para o contágio, podendo ocorrer no consul- esquecimento, revelando a inexistência de conheci-
tório por conta de aerossóis gerados durante tra- mento por parte de uma pequena parcela de profis-
sionais.(23,24,37,38,39,40)

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Segundo Resende et al. (2010), na sua revisão para o adequado tratamento; também devem estar
narrativa da literatura, a imunização contra o HBV orientados sobre a biossegurança independente da
é indispensável, porém, mesmo para aqueles que confirmação de diagnóstico. Este estudo mostra
realizaram as três doses da vacina, não significa que a posição profissional/paciente contribui para
necessariamente que a imunização está ativa, por- transmissibilidade, já que é por meio dos aerossóis
tanto é necessário realizar após a vacinação teste que acontecem a maioria dos contágios.
quantitativo anti-HBs.
Dentre os seis artigos analisados, dois se referi-
ram ao vírus da Hepatite C, e enfatizaram, através DISCUSSÃO
de revisão de literatura, que o cirurgião-dentista
e sua equipe fazem parte do grupo de risco pela É evidente dentro desta revisão deliteratura que
alta probabilidade de exposição biológica ao agen- os achados sugerem que a exposição aos agentes
te, destacando a via parenteral como o modo mais biológicos representa um grande risco para o cirur-
frequente de transmissão. Rocha et al.,(24) conside- gião-dentista e sua equipe, por estarem em contato
raram a falta da vacina pelo fato do VHC possuir constante com fluídos e instrumentais perfurocor-
variados tipos de genomas. tantes. Assim, são necessárias medidas preventi-
vas de imunização e protocolos de biossegurança
Quanto ao risco de transmissão do HCV, este é
a serem seguidos corretamente.(16,24,36,39,40) Os estu-
baixo, já que a transmissão pós-exposição ocupa-
dos analisados nesta revisão de litertura destaca-
cional com paciente-fonte HCV positivo é de 1.8%,
ram a possibilidade de transmissão do bacilo de
tendo variação de 0% a 7%.(25)
Koch, Hepatites B e C, vírus do HIV e Herpes e os
conhecimentos sobre biossegurança no exercício
MYCOBACTERIUM TUBERCULOSIS da Odontologia.
Considerando que a Tuberculose (TB) ainda é
Apenas um estudo analisado focou a relação da
um grave problema de saúde pública no Brasil(29)
Odontologia com a Tuberculose, sendo ínfimo o
e que a principal via de transmissão é o ar conta-
número de estudos sobre este tema.
minado, aumenta assim a sua importância para a
O estudo selecionado é do estado de São Paulo
equipe odontológica, que deve estar atenta aos si-
e tem como origem a rede pública, a Universidade
nais e sintomas apresentados pelo paciente, ainda
Estadual de São Paulo e o autor Ramalho et al.(41)
que não seja responsável pelo tratamento, o cirur-
Neste estudo, do tipo revisão de literatura, os gião-dentista ainda deve estar atento às prescri-
autores enfatizaram vários aspectos relacionados ções de fármacos para pacientes sob terapia contra
ao Mycobacterium tuberculosis, dentre eles desta- a TB, para que não haja interação medicamentosa.
cam-se: a Tuberculose como um problema de saú- (41)
O estudo de Ramalho et al.,(41) se limita a uma
de pública do século XIV ao XIX, seguido por um revisão de literatura e análise de pesquisa realiza-
período de diminuição de casos, mas logo após, da no exterior. Com isso, é interessante que mais
um crescimento dos mesmos; a sua patogênese trabalhos nacionais sejam feitos para se ter uma
e transmissão, diagnóstico e os cuidados que o ci- informação mais concreta sobre a relação da Tu-
rurgião-dentista deve ter durante o atendimento. berculose e a Odontologia no Brasil.
No que tange ao diagnóstico, Ramalho et al. Em relação a Hepatites B e C, autores acreditam
(2006) enfatizaram que o CD e sua equipe devem que o cirurgião-dentista e sua equipe apresentam
estar atentos aos sinais da Tuberculose, pois, ape- um maior risco de exposição em relação a outros
sar de raros, podem estar presentes na cavidade profissionais, tendo obrigação de um conhecimento
bucal, assim como sintomas relatados pelo pa- atualizado sobre essas doenças infectocontagiosas.
ciente, para assim realizarem o encaminhamento (23,24,38)
Assim, um passo fundamental para introduzir

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o controle de infecção no consultório é a verificação feita com fármacos anti-retrovirais é necessária e
de imunização dos profissionais com a vacina contra o profissional deve concluir todas as suas etapas,
Hepatite B. Estudos de corte transversal demonstra- já que pode ocorrer abandono do tratamento por
ram um aumento de procura vacinal por esses profis- conta dos efeitos colaterais .
sionais, contudo essa prevalência ainda é abaixo do Dentre as investigações aqui avaliadas mostra-
esperado, partindo do ponto que as três doses são ram que o acidente com material biológico foi fre-
disponibilizadas em rede pública. As causas mais co- quente entre os profissionais de Odontologia, se-
muns da não vacinação ou da vacinação incompleta guido de exposição percutânea, que se explica pela
são a necessidade de maiores informações, esqueci- prática diária com instrumentais perfurocortantes.
mento e a falta de motivação(23,24,37,38,40) Estes achados (11,16,35)

estão de acordo com o estudo de revisão de literatu-


Vale destacar dentre os limites dos estudos rea-
ra de Resende et al.,(39) que verificaram que apesar da
lizados nacionalmente, que a maioria deles foi de
vacina ser segura e disponibilizada ainda é subutili-
corte transversal, quando as informações sobre ex-
zada. Isto mostra que ainda há necessidade de ações
posição e desfecho foram coletadas em um mesmo
educativas permanentesem relação a imunização e
momento do tempo, o que impossibilita a determi-
de auto-cuidado para o profissional da Odontologia.
nação da causalidade das doenças. Dessa maneira,
Segundo Rocha et al.,(24) como não há vacina outras metodologias de pesquisa de caráter quali e
contra Hepatite C, o cirurgião-dentista deve prati- quantitativo devem ser realizadas sobre a temática
car protocolos de biossegurança e medidas de con- deste estudo para a sua melhor compreensão.
trole de prevenção no consultório, caso a exposi-
Estudos sobre Herpes simples ainda são escas-
ção não seja evitada não é recomendado uso de
sos, apesar de ser uma patologia de rotina em con-
antivirais e uso de imunoglobulina, devendo o pro-
sultórios odontológicos.(21) Os trabalhos de revi-
fissional que sofreu o acidente biológico ter a soro-
são de literatura aqui analisados sugerem que o
logia coletada e ser acompanhado por seis meses.
tratamento odontológico em pacientes na fase ati-
Estudos nacionais de corte transversal sobre as
va da doença deve ser postergado para que não
Hepatites B e C que foram feitos através de ques-
haja uma inoculação do vírus para outras partes do
tionário auto-aplicáveis, mesmo tendo alto índices
corpo do paciente e que não seja um risco para o
de participação, se limitaram à informação sobre o
cirurgião-dentista e outros membros da equipe de
estado vacinal auto-referido, sem comprovação em
saúde bucal. (19,21)
cartão vacinal, por exemplo. Isto pode subestimar
Em suma, os trabalhos analisados concordam
a real frequência da vacinação.
que apesar de informações atualizadas e conheci-
Segundo Rodrigues, Sobrinho e Silva,(35) os cirur-
mentos sobre os riscos biológicos na Odontologia,
giões-dentistas encontram-se bem informados so-
os protocolos não são seguidos na prática, tornan-
bre as doenças que podem ser adquiridas na práti-
do o cirurgião-dentista um dos profissionais com a
ca profissional, mas, ainda há muitas controvérsias
maior risco de exposição de acidentes biológicos,
no que se diz respeito ao protocolo de atendimen-
havendo assim uma necessidade de implementa-
to para pacientes com diagnóstico confirmado de
ção de programas para a adoção de comportamen-
HIV, como a utilização de medidas especiais para
tos seguros por parte de toda equipe odontológica.
tratamento. Tal fato corrobora o estudo de Moro-
fuse et al.,(36) que observaram que os profissionais
têm mais receio em contrair HIV do que o vírus da
CONCLUSÕES
Hepatite B. Isto diverge de dados apresentados por
Gir et al.(34) que verificaram que o risco de contami- Ao término desta revisão da literatura com base
nação por HIV é de apenas 0,3 a 0,5%. Após expo- em achados científicos, os estudos sugerem que o
sição ao HIV, a recomendação de quimioprofilaxia

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cirurgião-dentista e sua equipe estão em constante 2. Almeida CAF, Benatti MCC. Exposições
exposição aos riscos biológicos. ocupacionais por fluidos corpóreos entre
trabalhadores da saúde e sua adesão à
Fatores contribuem para tal frequência, já que
quimioprofilaxia. Rev. Esc. Enferm. USP. 2007;
há uma rotineira manipulação de fluidos com san- 41(1):120-6.
gue visível ou não em um campo visual restrito, em
3. Brasil. Ministério da Saúde. Exposição
uma posição de trabalho mais próxima do paciente
a Materiais Biológicos: Protocolos de
e com aparelhos rotatórios que facilitam a disper- Complexidade Diferenciada 3. Brasília; 2011.
são de fluidos no ambiente, além do constante ma-
4. Brasil. Ministério do Emprego e do Trabalho.
nuseio de instrumentais perfurocortantes. Estes
Portaria MTB n. 3.214, 08 de junho de 1978.
fatores potencializam os riscos biológicos frente a Disponível em: http://portal.mte.gov.br/
algumas doenças, tendo destaque para Mycobacte- legislacao/normas-regulamentadoras-1.htm.
rium tuberculosis, Herpes Virus hominus, Human Im- 5. Shinohara EH, Mitsuda ST. Trauma acústico na
monodeficiency Vírus, Hepatitis B Vírus e Hepatitis C odontologia. Rev. CROMG.1998; 4(1): 41-5.
Vírus.
6. São Paulo. Secretaria do Estado da Saúde de
O cirurgião-dentista e sua equipe são responsá- São Paulo. Biossegurança: atualidades em DST-
veis para que os protocolos de biossegurança se- Aids. São Paulo; 2003.
jam seguidos corretamente, o que não se verifi- 7. Brasil. Ministério da Saúde. A, B, C, D, E de
ca na prática, aumentanto o risco de exposição a Hepatites para comunicadores. Brasília; 2005.
agentes biológicos de toda a equipe e também dos 24
pacientes. 8. Shimizu HE, Ribeiro EJG. Ocorrência
Recomenda-se que estudos de metodologias de acidente de trabalho por materiais
distintas sejam realizados sobre esta temática, já perfurocortantes e fluidos biológicos em
que a maioria deles é de corte tranversal ou revisão estudantes e trabalhadores da saúde de um
hospital escola de Brasília. Rev. Esc. Enferm.
da literatura. Também faz-se necessário investigar
USP. 2002;36(4):367-75.
mais a relação entre a Tuberculose e a Herpes sim-
9. Brasil. Portaria nº 485, de 11 de novembro de
ples e a Odontologia, já que são escassos os estu-
2005. Aprova a Norma Regulamentadora
dos nacionais sobre este tema.
n.º 32 (Segurança e Saúde no Trabalho em
Do ponto de vista da prática odontológica, ações Estabelecimentos de Saúde). Diário Oficial da
de natureza educativa a nível de graduação e pós- União 16 nov. 2005; Seção 1.
-graduação, assim como campanhas que atinjam 10. Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
rotineiramente toda a classe odontológica devem Serviços odontológicos: prevenção e controle de
ser incentivadas com o intuito de esclarecer me- riscos. Brasília; 2011. 156p.
lhor a importância das ações de biossegurança e 11. Garcia LP, Blank VLG. Prevalência de
imunização. exposições ocupacionais de cirurgiões-
dentistas e auxiliares de consultório
dentário a material biológico. Cad. saúde
pública.2006;22(1):97-108.
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1. Brasil. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de EAV, Rabello AP. Biossegurança e Odontologia:
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19. Consolaro A, Consolaro MFM-O. Diagnóstico
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peribucal e intrabucal na prática ortodôntica. 32. Brasil. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991.
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14(3):16-24. Previdência Social e dá outras providências.
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e parasitárias. Guia de bolso, 2004; 3( 2): 5-10. 33. Brasil. Ministério da Saúde. Tratamento
diretamente observado da tuberculose
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na atenção básica. Protocolo de
simples recorrente na prática ortodôntica:
enfermagem,2011;1(1):72-3.
devemos suspender o atendimento?. Rev. dent.
press ortodon. ortopedi. facial. 2009;14(2): 16- 34. Gir E, Caffer Netto J, Malaguti SE, Canini
24. SRMS, Hayashida M, Machado AA. Acidente
com material biológico e vacinação contra
22. Brasil. Ministério da Saúde. Cadernos de
hepatite b entre graduandos da área da saúde.
atenção básica: acolhimento à demanda
Rev. latinoam. enferm.2008;16(3).
espontânea. Brasília; 2011.
35. Rodrigues MP, Domingos Sobrinho M,
23. Farias ABL, Albuquerque FB, Prado MG,
Silva EM. Os cirurgiões-dentistas e as
Cardoso SO. Identificação de cuidados
representações sociais da Aids. Ciênc. saúde
preventivos contra as hepatites B e C em
coletiva.2005;10(2):463-472.
cirurgiões-dentistas da cidade do Recife. Rev.
Fac. Odontol Porto Alegre.2007;48(1):43-47. 36. Morofuse NT, Alves DCIA, Fáveo GC, Brotto
AO. Comportamento dos acadêmicos,
24. Rocha CT, Peixoto ITA, Fernandes PM,
docentes e técnicos-administrativos da clínica
Nelson-Filho P, Queiroz AM. Hepatite C na
odontológica da Unioeste: riscos ocupacionais

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e atividades desenvolvidas. Acta sci., Health sci. Odontológica: Riscos e Prevenção. Pesqui. bras.
2008;30(1):81-87. odontopediatria clín. integr. 2010;10(2):317-323.
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a hepatite B entre cirurgiões dentistas. Rev. Perfil de imunização dos alunos, professores
saúde pública. 2003;37(3):333-8. e funcionários do Curso de Odontologia da
Universidade Federal do Ceará. Arq. odontol.
38. Ferreira RC, Guimarães ALS, Pereira DR,
2006;42(3):161-256.
Andrade RM, Xavier RP, Martins AMEBL.
Vacinação contra hepatite B e fatores 41. Ramalho KM, Buscariolo IA, Adde CA,
associados entre cirurgiões-dentistas. Rev. bras. Tortamano IP. Reeclosão da tuberculose:
epidemiol. 2012;15(2):315-23. implicações para a odontologia. Rev. Assoc.
Paul. Cir. Dent.2006;60(4):285-90.
39. Resende VLS, Abreu MHNG, Teixeira R,
Pordeus IA. Hepatites Virais na Prática

APÊNDICE A

Quadro 1 - Sínteses de estudos sobre a relação do HIV e a Odontologia nas bases dados BBO, Lilacs e Scielo (2002-
2013)
(continua)

Título Autor/Ano Metodologia Objetivos Conclusão


Acidente de trabalho, Caixeta e Estudo Analisar O conhecimento
com material biológico, Barbosa-Branco, Epidemiológico prevalência sobre a
em profissionais de saúde 2005. descritvo- inquérito de acidentes biossegurança
de hospitais públicos do transversal com materiais não é o suficiente
Distrito Federal, Brasil biológicos em na prática para
2002/2003. profissionais de diminuir acidentes
saúde, dentre biológicos. Os
eles o cirurgião-cirurgiões –dentistas
dentista é a profissão com
maior prevalência
em acidentes
biológicos.
Os cirurgiões-dentistas Rodrigues, Estudo transversal Conhecer a visão Apesar de
e representações sociais Sobrinho e Silva, e etnográfico do cirurgião- informações
da AIDS 2005 dentista com atualizadas sobre
representação a doença, ainda há
social da AIDS. contradições nas
condutas práticas
Prevalência de Garcia e Blank, Estudo de corte Explorar a Há necessidade
exposições ocupacionais 2006 Transversal prevalência de implementação
de cirurgiões-dentistas e de acidentes de programas
auxiliares de consultório com materiais que visem a
dentário a material biológicos. biossegurança e
biológico correta conduta
da equipe
odontológica.

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Quadro 1 - Sínteses de estudos sobre a relação do HIV e a Odontologia nas bases dados BBO, Lilacs e Scielo (2002-
2013)
(conclusão)

Título Autor/Ano Metodologia Objetivos Conclusão


Acidente com material Gir et al., 2008 Estudo de corte Investigar indice Importância de
biológico e vacinação transversal de acidentes inclusão de medidas
contra Hepatite B entre descritivo perfurocortantes de biossegurança
graduando da área de retrospectivo. de graduandos e adoção de
saúde na área de comportamentos
saúde. seguros desde
a formação
profissional.
Comportamento dos Morofuse et al., Estudo de corte Observar Há uma
acadêmicos, docentes e 2008 transversal atividades necessidade de
técnicos - administrativos observacional exercidas atualização sobre
da clínica odontológica descritivo em âmbito a importância de
da Unioeste: riscos ambulatorial. biossegurança e
ocupacionais e condutas a serem
atividades desenvolvidas. seguidas

Quadro 2 - Sínteses de estudos sobre a relação do Herpes Simples e a Odontologia nas bases dados BBO, Lilacs e
Scielo (2002-2013)

Título Autor/Ano Metodologia Objetivos Conclusão


Herpes Simples Consolaro & Revisão de Elucidar a Existe a
recorrente na prática Consolaro, 2009 Literatura etiopatogenia, necessidade
ortodôntica: devemos epidemiologia de suspender
suspender o tratamento? e contágio do atendimento até
Herpes Simples. a cura clinica,
para bem estar
do paciente e
segurança do
profissional/
paciente.
Diagnóstico e tratamento Consolaro & Revisão de Esclarecer Importância do
do herpes simples Consolaro, 2009 Literatura diagnóstico e correto diagnóstico
recorrente peribucal tratamento do e orientação ao
e intrabucal na prática Herpes Simples. paciente com
ortodôntica Herpes Simples,
para que não haja
disseminação.

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Quadro 3 - Sínteses de estudos sobre a relação do Hepatites B e C e a Odontologia nas bases dados BBO, Lilacs e
Scielo (2002-2013)

Título Autor/Ano Metodologia Objetivos Conclusão


Vacinação contra Martins & Barreto, Estudo Analisar a A falta de informação
hepatite B entre 2003 epidemiológico prevalência de está ligada a ausência de
cirurgiões-dentistas de corte vacinação contra atualizações por parte
transversal HB entre cirurgiões dos profissionais.
dentistas em
Montes Claros-MG.
Identificação Farias et al., 2007 Estudo Elucidar medidas Há necessidade de
de cuidados epidemiológico preventivas contra expansão de campanhas
preventivos contra de corte Hepatites B e C. educativas contra VHB
Hepatites B e C em transversal e VHC em relação aos
cirurgiões-dentistas observacional cirurgiões-dentistas.
da Cidade do Recife
Perfil de imunização Lima et al., 2006 Estudo . Analisar índice Não é feita a devida
dos alunos, epidemiológico de imunização imunização, estando
professores e de corte por parte de alunos, professores e
funcionários transversal profissionais e funcionários susceptíveis a
do curso de observacional graduandos de doenças imuno-previníveis
Odontologia. Odontologia
Hepatite C na Rocha et al., .Revisão de Inquiris a Hepatite A existência do alto
Odontologia: Riscos 2009 literatura C e seus riscos risco de contaminação
e cuidados. e condutas de do cirurgião-dentista
prevenção. pelo VHC, requer
implementação
de protocolos de
biossegurança e
imunização.
Vacinação contra Ferreira et al., Estudo Analisar a A falta de imunização está
Hepatite B e fatores 2012 epidemiológico prevalência relacionada à escassez de
associados entre de corte de imunização conhecimento por parte
cirurgiões-dentistas transversal entre cirurgiões- dos profissionais.
analítico dentistas.

Hepatites Virais Resende et al., Revisão de Classificar tipos O cirurgião dentista


na Prática 2010. literatura de hepatites virais deve seguir normas
Odontológica: e suas implicações de biossegurança
Riscos e Prevenção. na prática e imunização para
odontológica. prevenção de exposições
com materiais biológicos
causadores das Hepatites
virais.

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Quadro 4 - Sínteses de estudo sobre a relação da Tuberculose e a Odontologia nas bases dados BBO, Lilacs e Scielo
(2002-2013)

Título Autor/Ano Metodologia Objetivo Conclusão


Reeclosão da Ramalho et al., Revisão de Elucidar a O CD deve
Tuberculose: 2006 Literatura reeclosão da estar atento a
implicações na Tuberculose na manifestações
Odontologia. Odontologia. bucais causadas
pela doença, como
conduzir tratamento
e precauções de
disseminação da
doença.

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