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Natureza do Petróleo

e Seus Reservatórios

João Paulo Lobo dos Santos

Março/2012
1. Estrutura da terra
O conhecimento que se tem da constituição interna da Terra deve-se principalmente a
dados obtidos de forma indireta, já que os meios diretos restringem-se a uma fina
porção observável da crosta terrestre exposta na superfície ou então através de
perfurações de poços (com profundidade máxima de 10 km).
Entre os métodos indiretos e principais fontes de informações sobre a estrutura
interna da Terra, estão:
- o estudo da propagação das ondas sísmicas
- o estudo dos meteoritos;
- o estudo da temperatura terrestre e,
- o estudo da densidade ou variações gravimétricas da Terra.

1.1. Propagação das ondas sísmicas

A sísmica pode nos dar informações a respeito dos materiais de camadas profundas, até
do núcleo da Terra. Estas ondas têm a propriedade de viajar pelo interior da Terra,
sendo que algumas delas eventualmente retornam a superfície, emergindo em lugares
muito distantes daquele onde ocorreu o tremor original. Quando os dados de muitas
estações são comparados e analisados, pode-se tirar diversas conclusões a respeito do
material no interior da Terra.
Existem vários tipos de ondas sísmicas. Nas ondas P, ou ondas compressionais,
longitudinais ou Primárias, as partículas vibram na mesma direção de propagação da
energia. A velocidade das ondas compressionais na crosta terrestre é da ordem de 8,6
Km/s. As ondas compressionais podem se deslocar através dos sólidos, líquidos ou
gases e são as primeiras a serem registradas no sismógrafo.
Outro tipo de onda é conhecido como onda S, ou onda transversal, cisalhante ou
Secundária. Neste tipo de onda as partículas vibram perpendicularmente à direção de
propagação da energia. As ondas transversais não se propagam através de líquidos ou
gases e são duas vezes menos velozes do que as compressionais. A velocidade das
ondas transversais na crosta terrestre é da ordem de 4,8 Km/s.
Baseando-se no horário de chegada das ondas sísmicas, Mohorovicic notou que uma
onda P percorreu, de maneira relativamente lenta, uma trajetória através de materiais
situados a aproximadamente 20 km de profundidade, enquanto que uma outra,
percorrendo uma zona mais profunda, sofreu um aumento brusco de velocidade. O
limite entre estas duas zonas, onde as propriedades sísmicas dos materiais mudaram
acentuadamente, ele denominou de descontinuidade (atualmente descontinuidade de
MOHOROVICIC ou somente MOHO).
É definido então, como Crosta Terrestre ou Litosfera, a parte situada acima da
descontinuidade de Moho. Podemos subdividi-la em dois tipos:
Crosta Continental (SIAL) - constituída principalmente de silicatos de magnésio, ferro,
alumínio e sílica livre (SiO2).
Crosta Oceânica (SIMA) - em comparação com a crosta continental, possui menores
quantidades de potássio, sódio e sílica e porcentagens mais elevadas de cálcio, magnésio
e ferro.
De modo análogo às experiências de Mohorivicic, Beno Gutemberg descobriu uma
segunda descontinuidade situada a 2900Km abaixo da superfície, correspondendo à
interface manto-núcleo. Pequenas modificações no comportamento das ondas (P), tanto
no manto como no núcleo, determinaram subdivisões nestes em Manto Superior e
Inferior e Núcleo Externo e Interno.
Embora não se conheça ao certo a composição do material do manto, admitese segundo
esta ou aquela teoria que seja constituído de silicatos ricos em magnésio ou de sulfetos e
óxidos. Quanto ao núcleo, supõe-se composição semelhante aos meteoritos metálicos,
compostos essencialmente de Ferro e Níquel.
De acordo com a figura 1, a estrutura geral do globo terrestre é a seguinte:

Figura 1 – Estrutura da terra

1.2. Meteoritos

Uma outra fonte de informação sobre a constituição do globo é a fornecida pelos


meteoritos. Estes são corpos metálicos ou rochosos que atingem a camada atmosférica
em alta velocidade, sendo freados pelo atrito do ar, caindo na superfície terrestre. Entre
os meteoritos distinguem-se três grupos: - SIDERITOS – meteoritos metálicos,
compostos essencialmente de ferro e de níquel. - ASSIDERITOS - meteoritos rochosos
que apresentam principalmente silicatos e quantidade variável de ferro. -
LITOSSIDERITOS - grupo intermediário entre os dois primeiros.
Os assideritos possuem composição química similar àquelas rochas encontradas em
grandes profundidades, enquanto que para os sideritos não existem rochas similares na
superfície da Terra, o que torna plausível que o núcleo do globo tenha composição
semelhante a estes.

1.3. Temperatura da terra

E possível verificar-se que a temperatura aumenta progressivamente para o interior da


Terra através de poços, minas e vulcões, etc. Denomina-se então de gradiente
geotérmico o número de graus de temperatura que aumenta por cada metro de
profundidade na crosta terrestre. Seu valor médio é de 1° C para cada 30m, podendo
variar bastante de região para região.
1.4.Gravimetria

As observações da densidade e da gravidade do globo terrestre evidenciam, também,


que o interior e a crosta devem possuir constituições diferentes. Os dados gravimétricos,
porém, fornecem informações mais superficiais que os dados sísmicos.
Entre os fatores que influenciam os resultados das medidas gravimétricas estão:
- diferença entre o diâmetro equatorial e polar;
- irregularidade topográficas;
- movimento de rotação da Terra; e
- variações laterais de densidade.

Na teoria de Pratt, os continentes seriam constituídos de rochas mais leves (SIAL) e o


substrato dos oceanos de rochas mais pesadas. Estes blocos continentais siálicos
flutuariam no substrato denso de SIMA, segundo um plano de ajustamento isostático
regular, acima do qual as densidades das rochas são menores nas secções mais altas.
Na teoria de Airy, a crosta seria constituída de blocos de mesma densidade, de forma
tal, que quanto mais alto fosse o bloco (de SIAL), maior seria a sua raiz, mergulhados
num substrato mais denso de SIMA. Esta teoria é a mais aceita.

2. Deriva continental e tectônica de placas

2.1. Deriva continental

"Teoria segundo a qual a posição relativa dos continentes mudou no tempo geológico,
por translações horizontais". Argumentações para suporte da Deriva Continental:
a) Aspectos Geométricos: a África e a América do Sul, a Europa e a América do
Norte têm contornos aproximadamente encaixantes (Figura 2). O encaixe é
ainda melhor a nível de Plataforma Continental.

Figura 2 – Deriva continental


b) Argumentos Geológicos: (Estruturais. Estratigráficos e Paleontológicos) Muitas
estruturas, cadeias de montanhas e escudos, têm perfeita continuidade de um lado e do
outro do Oceano Atlântico.
c) Argumentos Paleomagnéticos: as rochas ígneas e sedimentares podem registrar a
posição dos pólos na época de sua formação. A rocha ígnea, na época de sua
cristalização, vai guardar os minerais magnéticos (magnetita, por exemplo) orientados
segundo o pólo da época. A época de formação destas rochas, por sua vez, é
determinada por datações radiométricas. Já nas rochas sedimentares, à época da
deposição de cristais detríticos de magnetita ou de hematita, estes ganharão, da mesma
forma, a orientação do pólo.
Verificou-se assim que, no decorrer da História Geológica, os pólos migraram,
partindo-se do princípio que o Campo Magnético Terrestre foi sempre dipolar. Caso, ao
contrário, os continentes tivessem ficado fixos e apenas o eixo do campo mudado de
posição, deveria haver coincidência das diversas posições do pólo a partir dos diversos
continentes para todas as épocas. E isto não acontece. A título de exemplo, temos a
História Magnética Sul-americana e Africana conjuntas, em um mesmo bloco
continental, até o Jurássico. A partir daí os 2 continentes se separaram.

2.2. Expansão dos oceanos

A Hipótese de Hess (1962) é, basicamente, que uma corrente ascendente vinda do


manto atinge a crosta na zona das cadeias meso-oceânicas e suas duas metades se
afastam carregando consigo, em sentidos opostos, fragmentos de crosta continental
(Figura 3).

Figura 3 – Expansão dos oceanos

Nas zonas de fossa cada porção de crosta é reabsorvida (senão estaria havendo
necessariamente uma expansão do Globo - o que é possível, mas não em taxas
compatíveis com estes movimentos crustais).

2.3. Placas Tectônicas

Levando em conta todas estas observações e associado ao fato da distribuição mundial


dos sismos corresponder exatamente às zonas onde há reabsorção e criação de Crosta,
foi proposta, no fim da década de 60, a subdivisão da mesma em um determinado
número de placas. Por placa se entenda "um setor esférico indeformável da litosfera
constituído seja exclusivamente de material oceânico, seja de crosta oceânica e
continental conjugadas".
Cada placa pode ter 3 tipos de limites, como mostrado na Figura 4:
- uma zona onde está se criando crosta (zona de expansão);
- uma zona de reabsorção;
- uma zona onde duas placas deslizam uma contra a outra.

Figura 4 – Limites entre placas tectônicas

A depender do autor, a superfÍcie do planeta pode ser subdividida em um determinado


número de placas. O mecanismo que gera o movimento das placas está baseado em
fontes térmicas internas da Terra (predominantemente radioativas). Há a formação de
correntes convectivas que transmitem ao manto superior seja energia térmica seja
energia mecânica. O manto superior está assim em estado plástico. As ondas sísmicas
perdem velocidade nesta zona. As deformações sofridas pela crosta são meros reflexos
epidérmicos do que se passa plasticamente no manto superior. Tais deformações são
feitas provavelmente através de pulsos, com retenção e liberação de energia
periodicamente.

3. Minerais e rochas

Mineralogia é a ciência da terra que estuda a química, estruturas molecular e cristalina e


propriedades físicas (incluindo óticas e mecânicas) de minerais, bem como a sua gênese,
metamorfismo, evolução química e meteorização. A Mineralogia é um campo de estudo
integrado, relacionado intimamente, de um lado com a Geologia e de outro lado com a
Física e a Química.
Um mineral é toda substância que ocorre na natureza, produzida por processos
inorgânicos, com composição química característica e usualmente possuidora de uma
estrutura interna tridimensional (cristalina) que muitas vezes é expressa por formas
geométricas externas.
Uma rocha pode ser constituída de um ou vários minerais. Quando formada por um
mineral chama-se monominerálica. Exemplo típico é dado pelos calcários (calcita) e
quartzitos (quartzo). Quando formada por mais de um mineral é denominada de
poliminerálica. O exemplo mais comum é o granito (quartzo, feldspato e mica). Estas
últimas são as mais comuns.
Existem rochas, todavia, que fogem os exemplos acima, porquanto são constituídas de
material vítreo, amorfo e de composição variada, que resultam de um rápido
resfriamento (lavas vulcânicas). Outra exceção é fornecida pelas rochas de natureza
biológica, como o carvão. Portanto, rocha pode ser definida como sendo um agregado
natural de minerais, material vítreo ou orgânico, que forma uma parte essencial da
crosta terrestre e tem características químicas e mineralógicas específicas, distintas dos
agregados mineralógicos adjacentes.
Minerais ainda não consolidados, tais como argila, areia e cascalho são designados de
sedimentos (se já sofreram algum processo de transporte pelo vento, águas, etc.) ou de
solo (se ainda não sofreram transporte).

3.1. Classificação das rochas

De acordo com a sua origem ou gênese, as rochas são classificadas em três grandes
grupos: ígneas ou magmáticas, metamórficas e sedimentares.
As rochas de origem ígnea constituem cerca de 95% do volume total da crosta, mas
ocupam apenas 25% da sua superfície, enquanto que as rochas sedimentares apesar de
contribuírem apenas com 5% do volume, cobrem 75% da superfície da crosta.

3.1.1. Rochas ígneas

Rochas Ígneas ou magmáticas - São aquelas produzidas pelo resfriamento e


solidificação de um magma. Magma é uma massa fundida ou semi-fundida que se
origina no interior da crosta terrestre, constituído por uma solução de silicatos e mantido
líquido por uma temperatura extremamente elevada. Os derrames dos numerosos
vulcões ativos no globo nos fornecem amostras de vários tipos de magma. Quando o
magma atinge a superfície da crosta recebe a denominação de lava.
As rochas ígneas são também consideradas como sendo primárias, pelo fato de se
originarem por resfriamento e consolidação de um magma, podendo posteriormente
derivar em rochas sedimentares e metamórficas. Além da composição, outro fator
importante é o local de cristalização dos magmas na crosta terrestre, definido
basicamente pela profundidade. Magmas cristalizados a grandes profundidades
solidificam-se lentamente, formando cristais bem desenvolvidos, enquanto extrudidos
na superfície originam rochas de granulação fina ou mesmo vítrea, sem cristais
desenvolvidos. No entanto, como são formadas por resfriamento rápido, este tipo de
rocha possui pouco ou quase nenhum espaço vazio, o que faz com que as rochas ígneas
não seja de interesse na prospecção de petróleo.

3.1.2. Rochas metamórficas

As rochas metamórficas são formadas no interior da crosta terrestre pela ação de altas
temperaturas, pressões e fluidos quimicamente ativos, atuando sobre as rochas pré-
existentes, produzindo modificações mais ou menos acentuadas.
As rochas ígneas são formadas a altas temperaturas, pela cristalização de um magma
fluido, enquanto que as rochas sedimentares são formadas a baixas temperaturas, a
partir de sedimentos depositados na superfície da Terra. Estes dois tipos são os pólos
extremos na escala de temperatura de formação de rochas. Nas temperaturas
intermediárias entre esses dois pólos, os minerais das rochas pré-existentes, que se
encontravam em equilíbrio no seu ambiente de origem, são obrigados a sofrer mudanças
para se adaptarem à nova situação. Às mudanças que sofrem os minerais e as rochas
constituem o que chamamos metamorfismo (meta = mudança, morfo = forma).
Esse tipo de situação ocorre, porexemplo, quando rochas sedimentares são soterradas
progressivamente a maiores profundidades numa bacia de deposição; quando são
comprimidas e deformadas pelos grandes movimentos da crosta terrestre geradores das
cadeias de montanhas (movimentos orogênicos), ou ainda, quando são penetradas
(intrudidas) por rochas ígneas que as aquecem e metamorfizam. Rochas ígneas,
solidificadas pelo resfriamento no interior (plutônicas) ou na superfície da crosta
terrestre (vulcânicas), também sofrem modificações semelhantes se reaquecidas e/ou
deformadas por alguma dessas causas.
Os principais agentes do metamorfismo são: temperatura, pressão, fluidos e tempo
geológico.
Este tipo de rocha ao sofrer o processo de metamorfismo, para se adaptar as novas
condições do meio, sofre um processo de compactação, o que faz com que sua
quantidade de espaços vazios restantes seja muito pequeno. Desta forma, assim como as
rochas ígneas as rochas metamórficas não possui espaços vazios para armazenar
petróleo exceto quando sofre algum tipo de fratura que cria espaços vazios na rocha.

3.1.3. Rochas sedimentares

As rochas sedimentares são formadas na superfície da Terra, portanto a pouca


profundidade e a temperatura ambiente, como resultado da desagregação e
decomposição das rochas pré-existentes e a subseqüente deposição mecânica ou
química dos produtos desta destruição, incluindo nelas também os produtos da atividade
orgânica dos seres vivos.
O ciclo sedimentar se inicia a partir do quebramento ou desagregação das rochas de uma
área fonte ou província geológica, a qual fornece fragmentos que são eventualmente
transportados e depositados em locais mais baixos topograficamente, constituindo os
sedimentos.
Por definição, o intemperismo encerra o conjunto de processos operantes na superfície
terrestre que ocasionam a desagregação e/ou decomposição das rochas. Basicamente,
uma adaptação dos minerais das rochas às condições superficiais, bastante diferentes
daquelas em que elas se formaram.
Pelo exposto acima, o intemperismo tem maior ou menor atuação sobre as rochas, a
depender:
 do tipo ou composição da rocha
 da topografia
 do clima e
 do tempo geológico

A composição química da rocha fornece suas características de resistência à abrasão,


tensão e compressão. A topografia fornece a gravidade, podendo, inclusive, modificar
localmente o clima de uma área. O clima, por sua vez, é o resultado das variações de
temperatura, umidade, do regime dos ventos, da evaporação, da insolação, etc., fatores
esses correlacionados com as atividades biológicas. Tais fatores dependem também da
latitude. E, finalmente, o tempo geológico que é o parâmetro mais importante que a
natureza dispõe, para a realização de seu constante modelamento da crosta terrestre.
Diversos são os fenômenos que agem em íntima correlação para a efetivação do
intemperismo. Eles podem ser de natureza física, química ou biológica, separados ou
conjuntamente, a depender das condições climáticas e da própria rocha em si.
O intemperismo físico é a desintegração das rochas da crosta terrestre pela atuação de
processos inteiramente mecânicos. É o processo predominante em regiões áridas, de
precipitação anual muito baixa, tais como desertos e zonas glaciais. Nestas regiões de
condições climáticas extremas, a desagregação das rochas é controlada por variações
bruscas de temperatura, insolação, alívio de pressão, crescimento de cristais,
congelamento, etc.
O intemperismo químico (decomposição através de reações químicas tipo: oxidação,
redução, hidrólise, hidratação, dissolução, etc.) é caracterizado pela reação química
entre os minerais constituintes das rochas e soluções aquosas diversas, na tentativa
destes minerais se adaptarem às condições físico-químicas do ambiente em que se
encontram. O principal agente de intemperismo químico é a água. A água meteórica
(chuva) pura não reage com a maioria dos minerais formadores de rocha, exceto os
minerais solúveis dos evaporitos (sais). Porém, as águas subterrâneas têm
freqüentemente seu pH diminuído (aumento de acidez) devido à dissolução de C02 da
atmosfera, formando ácido carbônico, e, também pela presença de ácidos húmicos,
resultante de processos biológicos. Estes ácidos aumentam a efetividade da água como
agente de decomposição das rochas.
O intemperismo biológico corresponde aos processos de decomposição e desagregação
de rochas relacionadas à atividade de organismos vivos. Geralmente atua aumentando a
efetividade dos processos químicos e físicos. Exemplos: atuação de raízes e escavação
de animais tipo minhocas; a segregação de gás carbônico; nitratos e ácidos orgânicos
como produtos finais do metabolismo de organismos, etc. Os fatores que controlam a
atuação destes processos estão também relacionados aos que determinam o
desenvolvimento de organismos vivos.
Para analisarmos a remoção e transporte dos produtos do intemperismo, devemos
considerar primeiramente a existência das três frações mencionadas acima: fração iônica
removida em solução verdadeira, fração argilosa removida em suspensão e fração
grosseira transportada por arrasto (tração) e saltação.
A energia, ou competência, e o poder de seleção do meio transportador são
características importantes na condução dos sedimentos. De um modo geral a seleção
(separação por tamanho) observada nos sedimentos, se inicia quando o agente
transportador perde competência para suportar em suspensão um determinado tamanho
de grãos.
As rochas sedimentares podem ocorrer na crosta três grupos distintos de sedimentos:
terrígenos ou clásticos, químicos e um terceiro constituído dos sedimentos biogênicos,
ou seja, aqueles gerados pela atividade biológica (deposição de carapaças animais, por
exemplo, construídas a partir de substâncias dissolvidas na água).
Os sedimentos transportados são, então, depositados tão logo o agente de transporte
perde sua energia. Posteriormente, estes sedimentos depositados, sofrem processos de
compactação e cimentação (denominados diagenéticos), vindo a constituir uma rocha
sedimentar.
Em geral, as rochas sedimentares formam-se de três diferentes modos:
 pela acumulação mecânica de fragmentos ou partículas de mineral ou rocha;
 pela precipitação química de certas substâncias dissolvidas na água;
 pela atividade orgânica.

A maioria dos sedimentos depositados mecanicamente, sob a forma de lama, areia e


cascalho, são produtos do intemperismo e da erosão superficial, consistindo de restos
desintegrados e decompostos de rochas mais antigas, transportados e depositados pela
água, pelo gelo ou pelo vento.
Os sedimentos depositados por processos químicos, por outro lado, consistem
principalmente de: carbonatos, sulfatos, silicatos, fosfatos e halogenados. A precipitação
pode ser causada diretamente pela evaporação ou indiretamente pela ação dos
organismos, como alguns tipos de bactérias e algas, que retiram o C02 da água.
Um terceiro tipo de sedimentos, geralmente associado aos sedimentos químicos, são os
biogênicos. Resultam da acumulação de restos de carapaças de organismos mortos ou
constituem edificações locais, como é o caso dos recifes de coral.
A história sedimentar da rocha não termina com a deposição dos sedimentos. Os
sedimentos passam a responder as novas condições de pressão e temperatura do
ambiente de soterramento que é a chamada diagênese. O processo diagenético varia na
dependência do estágio de soterramento e do tipo de rocha sedimentar.

4. Origem do petróleo

A origem do petróleo é um dos mistérios mais bem guardados pela natureza. Séculos de
especulações e experimentações propiciaram numerosas hipóteses e teorias, muitas
delas antagônicas e passíveis de discussões tão acaloradas quanto estéreis. Estas teorias
podem ser classificadas em inorgânicas e orgânicas. As teorias inorgânicas atribuem ao
petróleo uma origem a partir de processos exclusivamente inorgânicos, isto é, sem a
intervenção dos organismos vivos de qualquer espécie. Já as teorias orgânicas atribuem
aos organismos vivos um papel fundamental no processo de geração do petróleo.
Atualmente os geólogos e geoquímicos, em sua maioria, advogam uma origem orgânica
para o petróleo, mas não contestam a existência de hidrocarbonetos formados
inorganicamente na Terra e no espaço. Entretanto, existe um grupo relativamente
pequeno de geólogos e geoquímicos na Rússia e Europa Oriental para os quais a origem
orgânica do petróleo não está provada e é destituída de fundamentos.
Nas décadas de 60 a 70, foi estabelecido e firmado o conceito de rocha geradora, base
da Teoria Orgânica Moderna: “Se foi encontrado Petróleo, deve existir uma rocha
geradora a ela relacionada”. Portanto, são fatores para ocorrência de hidrocarbonetos em
rochas sedimentares:
 Existência de rochas ricas em matéria orgânica;
 Condições adequadas (tempo e temperatura);
 Rochas com porosidade e permeabilidade necessárias à acumulação e produção
de petróleo;
 Condições favoráveis para migração;
 Rocha impermeável para retenção do petróleo;
 Arranjo geométrico das rochas reservatórios e selante que favoreça a
acumulação de um volume significativo de HC.

A necessidade deste conjunto de fatores é o que chamamos de sistema petrolífero como


ilustrado na Figura 5.
Figura 5 - Os fatores geológicos necessários para a ocorrência de acumulações de
petróleo.

4.1. Transformação da matéria orgânica

Atualmente, aceita-se que a matéria orgânica depositada com os sedimentos é


convertida por processos bacterianos e químicos, durante o soterramento, num polímero
complexo (querogênio) contendo maior quantidade de nitrogênio e oxigênio. Este
processo é acompanhado pela remoção de água e compactação de sedimentos. Esta
transformação ocorre nas rochas geradoras que são de granulação fina (folhelhos e
calcários), cuja matéria orgânica, sob condições termoquímicas adequada, se transforma
em petróleo.
O petróleo, do mesmo modo que o carvão, jamais teria existido caso não ocorresse a
fotossíntese nos vegetais que viveram no passado. mar é a principal fonte de matéria
orgânica, que aí é sintetizada principalmente por algas microscópicas do tipo
diatomáceas e dinoflageladas. As algas do grupo das diatomáceas são, atualmente, as
responsáveis pela maior parte da fotossíntese realizada na Terra, fato que as torna as
maiores produtoras de matéria orgânica neste planeta - matéria orgânica potencialmente
geradora de petróleo. Essas algas são encontradas, atualmente, em todas as regiões do
globo terrestre: no mar, nos lagos, nos rios e nos solos úmidos. Os três principais
estágios da transformação da matéria orgânica nos sedimentos estão ilustrados na Figura
6.
Figura 6 - A transformação termoquímica da matéria orgânica e a geração do
petróleo.

A diagênese começa em sedimentos recentemente depositados, onde a atividade


microbiana é um dos principais agentes de transformação. Rearranjos químicos ocorrem
a pequenas profundidades. No final desta fase, a matéria orgânica consiste
principalmente de querogênio. Do ponto de vista da exploração do petróleo, as rochas
geradoras são consideradas imaturas.
A catagênese resulta do aumento da temperatura, durante a história de soterramento dos
sedimentos. A degradação termal do querogênio é responsável pela geração da maioria
dos hidrocarbonetos. É a principal fase de formação de óleo e gás úmido. As rochas
geradoras são consideradas maturas.
A metagênese é alcançada a grandes profundidades, onde há destruição dos
hidrocarbonetos líquidos, sendo preservado apenas o gás seco. As rochas geradoras são
consideradas senis ou supermaturas.
Na etapa de metamosfismo não ocorre formação de mais nenhum tipo de
hidrocarbonetos e caso a rocha geradoras atinja essas condições de pressão e
temperatura elevadas começa a ocorrer a degradação do HC gerado deixando como
remanescente gás carbônico e resíduo de gás metano.
Para ser classificada como geradora, uma rocha deve conter matéria orgânica em
quantidade suficiente e esta matéria deve ser adequada à geração de hidrocarbonetos.
Além disso, a rocha deve ter sido submetida a condições termoquímicas adequadas ao
processo de transformação da matéria orgânica em petróleo. Como exemplo de rochas
com potencial para ser geradora de petróleo temos os calcários e os folhelhos.

4.2. Migração do petróleo

A saída dos hidrocarbonetos a partir do querogênio e o seu transporte dentro e através


dos capilares e poros estreitos de uma rocha geradora constitui o mecanismo
denominado de migração primária. O movimento do petróleo, depois da sua expulsão
da rocha geradora, através de fraturas, falhas, discordâncias e das rochas permeáveis,
constitui a migração secundária (Figura 7). Caso ocorra algum rearranjo do óleo dentro
do próprio reservatório, na maioria das vezes em função de modificações na
composição do petróleo, esta migração é classificada como terciaria.

Figura 7 – Migração do petróleo

O aspecto mais importante na migração primária é o movimento da fase hidrocarboneto,


induzido por pressão que cria microfraturas, com subseqüente liberação de pressão,
expansão dos fluidos e, finalmente, transporte do óleo. Já para a migração secundária é
necessário que os hidrocarbonetos encontrem rochas permeáveis que possibilite o seu
deslocamento até atingir a rocha reservatório.

4.3. Rocha reservatório

Dá-se o nome de rocha-reservatório a qualquer rocha porosa e permeável capaz de


armazenar o petróleo expulso das rochas geradoras durante o processo de compactação.
Esta rocha pode ser ígnea, metamórfica ou sedimentar. A maior parte do petróleo até
hoje descoberto encontra-se em arenitos (Figura 8) e calcários que são rochas
sedimentares com muito espaço vazio para acumular petróleo. As rochas ígneas e
metamórficas em situações que sofreram fraturas aparecem em menor proporção como
rochas reservatórios (cerca de 1%).

Figura 8 – Testemunho e análise microscópica de arenito


Para que uma rocha seja classificada como boa rocha-reservatório, é necessário que
possua porosidade e permeabilidade adequadas.
A porosidade representa a porcentagem de vazios (espaços porosos) das rochas. Quando
todos os poros são levados em consideração, tem-se a porosidade absoluta. Se apenas
os poros conectados entre si são considerados, tem-se a porosidade efetiva. Todas as
rochas-reservatório têm uma certa proporção de poros não conectados. A maioria dos
reservatórios apresenta porosidade entre 10 e 20%. Uma rocha menos porosa pode ser
explorada, desde que sua espessura seja grande.
A porosidade deve ter continuidade lateral, para que o volume de óleo armazenado seja
comercialmente explotável. Denomina-se porosidade primária aquela controlada pelo
ambiente de sedimentação. Ou seja, o material detrítico ou orgânico pode acumular-se
de tal forma que espaços vazios (poros) são deixados entre os grãos de areia ou
fragmentos de conchas, por exemplo.
A porosidade primária é a porosidade mais importante em arenitos. Por outro lado, a
porosidade secundária desenvolve-se como resultado de algum processo geológico
após a rocha-reservatório ter sido litificada (consolidada). A porosidade secundária
desempenha importante papel em calcários. O tamanho dos poros varia desde
milimétricos até cavernas, no caso de porosidade secundária desenvolvida pela
dissolução da rocha carbonática original.
Compactação, cimentação e recristalização são processos geológicos que diminuem ou
até mesmo destroem a porosidade das rochas-reservatório. Grãos soltos de areia
transformam-se em arenitos através da compactação e cimentação. Caso a cimentação
seja completa, toda a porosidade é destruída. Na maioria dos casos, entretanto, a
porosidade deixada é suficiente para acumular volumes consideráveis de água, óleo ou
gás. A porosidade pode ser estimada visualmente ou com o auxílio de lupas ou
microscópios. Valores quantitativos são obtidos através de perfis ou através de ensaios
petrofísicos em testemunhos.
A permeabilidade é a medida da capacidade de uma rocha de permitir fluxo de fluidos.
É normalmente expressa em Darcy (D). Como esta unidade é muito grande, na prática
utiliza-se o milidarcy (mD).
A permeabilidade é determinada em aparelhos denominados permeabilímetros.
Normalmente, a permeabilidade encontrada nos reservatórios varia entre 5 e 1000 mD.
Verifica-se, na Figura 9, que rochas com a mesma porosidade podem ter
permeabilidades bastante diferentes.

Figura 9 - Foto de rochas-reservatório ao microscópio mostrando uma grande


variação da permeabilidade para porosidades semelhantes.
Uma rocha pode ser muito porosa, porém não permeável, como é o caso dos folhelhos.
O fraturamento da rocha pode aumentar consideravelmente sua permeabilidade.
A maioria dos campos petrolíferos brasileiros produz de arenitos: campos de Miranga,
Água Grande, Araçás e Buracica na Bacia do Recôncavo; Roncador, Marlim, Albacora
e Vermelho na Bacia de Campos e Canto do Amaro, Estreito, Fazenda Belém na Bacia
Potiguar.
Rochas com baixa ou nenhuma permeabilidade original podem, através de fraturamento
hidráulico, tornar-se boas produtoras de petróleo. Nos Estados Unidos (Kentucky),
existe um campo com 3.800 poços produtores em folhelhos fraturados. No Campo de
Candeias, no Recôncavo Baiano, também há produção em folhelhos fraturados, estando
neste campo o poço com maior produção acumulada de petróleo da Bahia. Na
Califórnia (EUA), existe um campo que produz em sílex fraturado. No México, Irã e
Iraque também existem campos produtores em calcários fraturados.
Rochas do embasamento cristalino, em diversas partes do mundo, também funcionam
como rochas-reservatório quando fraturadas. Podemos citar os campos de Rice Country
(Texas) e Carmópolis (Sergipe).

4.4. Rochas selantes ou capeadoras

As rochas selantes ou capeadoras são responsáveis pela retenção do petróleo nas trapas
(Figura 10). A rocha-reservatório é um recipiente onde o petróleo se acumula. Um
reservatório qualquer só pode conter fluido se suas paredes forem relativamente
impermeáveis. Desta forma, as rochas selantes Devem apresentar baixa permeabilidade
associada com alta pressão capilar, de modo a impedir a migração vertical do petróleo.

Figura 10 – Seção esquemática mostrando a presença da rocha selante

Uma boa rocha capeadora deve ser mais ou menos plástica, pois as rochas mais rígidas
são mais fraturáveis, deixando escapar o petróleo. Os calcários, quando puros, são
muito quebradiços e, portanto, inadequados como rochas capeadoras. Quando impuros,
entretanto, podem ter esta função. No Campo de Burgan, no Kuwait, as rochas
capeadoras são calcários impuros e folhelhos.
Camadas de anidrita (sal) são excelentes capeadores. A anidrita é impermeável e
plástica. Como exemplo, cita-se o Campo de Kirkuk, no Iraque. Nenhum material é
completamente impermeável. O capeamento, freqüentemente, é imperfeito, o que
acarreta a presença de exsudações na superfície.
Alguns arenitos e siltitos têm permeabilidade tão baixa que podem funcionar como
rochas capeadoras. Entretanto, fraturam-se com facilidade devido aos movimentos da
crosta terrestre. Conglomerados também são excelentes rochas capeadoras.

4.5. Armadilhas ou trapas

As armadilhas ou trapas são situações geológicas em que o arranjo espacial entre a


rocha reservatório e selante possibilita a acumulação de petróleo. De nada vale uma
bacia sedimentar dotada de rochas potencialmente geradoras e reservatórios se não
estiverem presentes as armadilhas para impedir a migração.
De um modo geral, as trapas podem ser classificadas, segundo Levorsen (1958), em três
tipos principais: estruturais, estratigráficas e combinadas.
As trapas estruturais são formadas por alguma deformação local, como resultado de
falhamentos e de dobramentos (Figura 11), sendo as mais evidentes nos mapeamentos
geológicos de superfície e as mais rapidamente localizadas em subsuperfície.

Figura 11 – Modelo de trapa estrutural

Pode-se identificar uma trapa estrutural por geologia de superfície, perfurações


estruturais, geologia de subsuperfície, por métodos geofísicos ou por combinação destes
métodos. A estrutura geralmente estende-se verticalmente por uma espessura
considerável, acarretando trapas em todos os reservatórios por ela afetados.
As trapas estratigráficas são formadas por alguma variação na estratigrafia, na litologia
ou em ambas (Figura 12). Podem ser primárias ou secundárias.
Figura 12 – Modelo de trapa estratigráfica

As trapas estratigráficas primária são produtos diretos do ambiente de sedimentação.


São também denominadas trapas deposicionais ou trapas diagenéticas. Já as trapas
estratigráficas secundárias são as que se desenvolveram após a deposição e diagênese da
rocha reservatório. Estas trapas estão freqüentemente associadas a discordâncias.
As trapas combinadas ou mistas (Figura 13) são as trapas formadas pela combinação de
fatores estruturais e estratigráficos em proporção aproximadamente igual.

Figura 13 – Trapas combinas ou mistas

Trapas combinadas típicas são formadas quando uma falha corta um arenito próximo à
sua mudança de fácies para folhelho (Figura 13) ou quando este mesmo arenito é
dobrado.

4.6. Relações temporais

Uma acumulação comercial de petróleo só ocorre após uma sequência predeterminada


de eventos. Por exemplo, se uma trapa se formar após a migração do petróleo, ela será
seca. Conseqüentemente, uma trapa formada muito tarde na história de uma bacia não é
atrativa do ponto de vista exploratório.
É importante que quando um óleo passe a ser expulso da rocha geradora ele encontre
um reservatório selado para ser abrigado. Caso seja trapeado a uma profundidade
grande este óleo pode se transformar todo em gás. Se o petróleo não encontrar uma boa
armadilha esse óleo pode migrar até a superfície, caracterizando exsudações.
5. Prospecção de petróleo
A descoberta de uma jazida de petróleo em uma nova área é uma tarefa que envolve um
longo e dispendioso estudo e análise de dados geofísicos e geológicos das bacias
sedimentares. Somente após exaustivo prognóstico do comportamento das diversas
camadas do subsolo, os geólogos e geofísicos decidem propor a perfuração de um poço,
que é a etapa que mais investimentos exige em todo o processo de prospecção.
Um programa de prospecção visa fundamentalmente a dois objetivos: (i) localizar
dentro de uma bacia sedimentar as situações geológicas que tenham condição para a
acumulação de petróleo e (ii) verificar qual, dentre estas situações, possui mais chance
de conter petróleo. Não se pode prever, portanto, onde existe petróleo, e sim os locais
mais favoráveis para sua ocorrência.
A identificação de uma área favorável à acumulação de petróleo é realizada através de
métodos geológicos e geofísicos que, atuando em conjunto, conseguem indicar o local
mais propício para a perfuração de um poço. Todo o programa desenvolvido durante a
fase de prospecção fornece uma quantidade muito grande de informações técnicas, com
um investimento relativamente pequeno quando comparado ao custo de perfuração de
um único poço exploratório.

5.1. Métodos geológicos

A primeira etapa de um programa exploratório é a realização de um estudo geológico


com o propósito de reconstituir as condições de formação e acumulação de
hidrocarbonetos em uma determinada região. Para esse fim o geólogo elabora mapas de
geologia de superfície com o apoio da aerofotogrametria e fotogeologia.

5.1.1. Geologia de superfície

Através do mapeamento das rochas que afloram na superfície, é possível reconhecer e


delimitar as bacias sedimentares e identificar algumas estruturas capazes de acumular
hidrocarbonetos. Os mapas geológicos, que indicam as áreas potencialmente
interessantes, são continuamente construídos e atualizados pelos exploracionistas.
Nestes mapas, as áreas compostas por rochas ígneas e metamórficas são praticamente
eliminadas, como também pequenas bacias com espessura sedimentar muito reduzida
ou sem estruturas favoráveis à acumulação.
Nesta fase existe a possibilidade de reconhecimento e mapeamento de estruturas
geológicas que eventualmente possam incentivar a locação de um poço pioneiro. As
informações geológicas e geofísicas obtidas a partir de poços exploratórios são de
enorme importância para a prospecção, pois permitem reconhecer as rochas que não
afloram na superfície e aferir e calibrar os processos indiretos de pesquisas como os
métodos sísmicos.
A aerofotogrametria é fundamentalmente utilizada para construção de mapas base ou
topográficos e consiste em fotografar o terreno utilizando-se um avião devidamente
equipado, voando com altitude, direção e velocidade constantes.
A fotogeologia consiste na determinação das feições geológicas a partir de fotos aéreas
(Figura 14), onde dobras, falhas e o mergulho das camadas geológicas são visíveis. As
estruturas geológicas podem ser identificadas através da variação da cor do solo, da
configuração de rios e de drenagem presente na região em estudo. Em regiões áridas a
ausência de cobertura vegetal permite a identificação direta das rochas presentes na área
de estudo.

Figura 14 - Interpretação fotogeológica onde


são nítidas as feições de diferentes tipos de rochas.

Além das fotos aéreas obtidas nos levantamentos aerofotogramétricos, Figura 14,
utilizam-se imagens de radar e imagens de satélite cujas cores são processadas para
ressaltar características específicas das rochas expostas na superfície.

5.1.2. Geologia de subsuperfície

Consiste no estudo de dados geológicos obtidos em um poço exploratório. A partir


destes dados é possível determinar as características geológicas das rochas de
subsuperfície. As técnicas mais comuns envolvem: (i) a descrição das amostras de
rochas recolhidas durante a perfuração, (ii) o estudo das formações penetradas e sua
profundidade em relação a um referencial fixo (freqüentemente o nível do mar), (iii) a
construção de mapas e seções estruturais através da correlação entre as informações de
diferentes poços e (iv) a identificação dos fósseis presentes nas amostras de rocha
provenientes da superfície e subsuperfície através do laboratório de paleontologia. Com
os resultados obtidos pode-se correlacionar os mais variados tipos de rochas dentro de
uma bacia ou mesmo entre bacias.
As informações obtidas em poços, diretamente associadas com a presença ou não de
hidrocarbonetos estão: (i) nos testes de fluorescência nas amostras de calha, (ii) no
detector de gás, (iii) perfis, (iv) testemunhos, (v) amostras laterais e (vi) testes de
formação. As perguntas a serem respondidas são:
Existe petróleo? Onde ele está (a que profundidades)?, Qual a quantidade?,
Qual a qualidade?, Quanto irá produzir?
O geólogo trabalha predominantemente na aferição direta das rochas e, utilizando-se de
diferentes técnicas, consegue identificar as estruturas mais promissoras para a
acumulação de petróleo em uma área. Esgotados os recursos diretos de investigação,
onde uma grande quantidade de informações é acumulada, a prospecção por métodos
indiretos torna-se apropriada em áreas potencialmente promissoras. No caso particular
da Plataforma Continental o emprego de métodos indiretos, ou geofísicos, tem
possibilitado a descoberta de acumulações gigantescas de hidrocarbonetos.

5.2. Métodos potenciais

A geofísica é o estudo da terra usando medidas de suas propriedades físicas. Os


geofísicos adquirem, processam e interpretam os dados coletados por instrumentos
especiais, com o objetivo de obter informações sobre a estrutura e composição das
rochas em subsuperfície. Grande parte do conhecimento adquirido sobre o interior da
Terra, além dos limites alcançados por poços, vem de observações geofísicas. Por
exemplo, a existência e as propriedades da crosta, manto e núcleo da Terra foram
inicialmente determinadas através de observações de ondas sísmicas geradas por
terremotos, como também através de medidas da atração gravitacional, magnetismo e
das propriedades térmicas das rochas.
A gravimetria e a magnetometria, também chamados métodos potenciais, foram muito
importantes no início da prospecção de petróleo por métodos indiretos, permitindo o
reconhecimento e mapeamento das grandes estruturas geológicas que não apareciam na
superfície.

5.2.1. Gravimetria

A prospecção gravimétrica evoluiu do estudo do campo gravitacional, um assunto que


tem interessado os geodesistas nos últimos 250 anos, preocupados em definir a forma da
Terra. Atualmente sabe-se que o campo gravitacional depende de 5 fatores: latitude,
elevação, topografia, marés e as variações de densidade em subsuperfície. Este ultimo, é
o único que interessa na exploração gravimétrica para petróleo pois permite fazer
estimativas da espessura de sedimentos em uma bacia sedimentar, presença de rochas
com densidades anômalas como as rochas ígneas e domos de sal, e prever a existência
de altos e baixos estruturais pela distribuição lateral desigual de densidades em
subsuperfície.
O mapa gravimétrico (Figura 15), obtido após a aplicação das correções de latitude,
elevação, topografia e marés, é denominado mapa Bouguer em homenagem ao
matemático francês Pierre Bouguer (1698-1758). A interpretação do mapa Bouguer é
ambígua pois diferentes situações geológicas podem produzir perfis gravimétricos
semelhantes. Portanto, a utilização individual do método gravimétrico não consegue
diagnosticar com confiabilidade a real estrutura do interior da Terra, muito embora
possa mostrar a existência de algum tipo de anomalia.
Figura 15 - Mapa de Bouguer da Bacia do Recôncavo,BA. As cores verde, amarela e
vermelha indicam embasamento progressivamente mais profundo.

Contudo, a gravimetria quando utilizado conjuntamente com outros métodos geofísicos


e com o conhecimento geológico prévio da área, permite um avanço significativo no
entendimento da distribuição espacial das rochas em subsuperfície. A maioria dos
grandes campos de petróleo no Recôncavo Baiano foi descoberta através da
interpretação de mapas gravimétricos.

5.2.2. Magnetometria

A prospecção magnética para petróleo tem como objetivo medir pequenas variações na
intensidade do campo magnético terrestre, conseqüência da distribuição irregular de
rochas magnetizadas em subsuperfície. Nos levantamentos aeromagnéticos as medidas
obtidas pelos magnetômetros dependem de vários fatores dos quais destacam-se:
latitude, altitude de vôo ou elevação, direção de vôo, variações diurnas e presença
localizada de rochas com diferentes susceptibilidades magnéticas. As variações diurnas
são causadas por atividades solares, denominadas tempestades magnéticas, e pelo
movimento de camadas ionizadas na alta atmosfera que atuam como correntes elétricas
perturbando o campo magnético terrestre.
As anomalias produzidas por rochas de diferentes suscetibilidades magnéticas podem
ser comparadas, por analogia, com a quantidade de magnetita disseminada nas rochas
(Figura 16). Existem outros minerais ferromagnéticos, mas nenhum em quantidades
significativas quanto a magnetita. Conseqüentemente, rochas básicas (baixo teor de
sílica), apresentam valores altos de susceptibilidade magnética e rochas ácidas (alto teor
de sílica) apresentam valores baixos. As rochas sedimentares apresentam, em geral,
valores de susceptibilidade magnética muito baixos, razão pela qual as medidas
magnéticas são relacionadas diretamente com feições do embasamento ou presença de
rochas intrusivas básicas.
Figura 16- Mapa de anomaliasMagnéticas. As cores mais intensas indicam a presença
do embasamento mais profundo.

Da mesma forma como os mapas gravimétricos, os mapas magnéticos obtidos, após as


devidas correções das medidas de campo, podem apresentar interpretações ambíguas e
devem ser utilizados em conjunto com outros métodos. O exame cuidadoso destes
mapas pode fornecer estimativas da profundidade do embasamento magnético ou
espessura de sedimentos, altos estruturais do embasamento e presença de rochas
intrusivas básicas.

5.3. Métodos sísmicos

O método sísmico de refração registra somente ondas refratadas com ângulo crítico
(“head waves”) e tem grande aplicação na área de sismologia. Foi através deste método
que a estrutura interior da Terra foi desvendada. Na área de petróleo sua aplicação é
bastante restrita atualmente, embora tenha sido largamente utilizado na década de 50
como apoio e refinamento dos resultados obtidos pelos métodos potenciais.
O método sísmico de reflexão é o método de prospecção mais utilizado atualmente na
indústria do petróleo pois fornece alta definição das feições geológicas em subsuperfície
propícias à acumulação de hidrocarbonetos, a um custo relativamente baixo. Mais de
90% dos investimentos em prospecção são aplicados em sísmica de reflexão. Os
produtos finais são, entre outros, imagens das estruturas e camadas geológicas em
subsuperfície, apresentadas sob as mais diversas formas, que são disponibilizadas para o
trabalho dos intérpretes.
O levantamento sísmico inicia-se com a geração de ondas elásticas, através de fontes
artificiais, que se propagam pelo interior da Terra onde são refletidas e refratadas nas
interfaces que separam rochas de diferentes constituições petrofísicas, e retornam à
superfície onde são captadas por sofisticados equipamentos de registro.
As fontes de energia sísmica mais utilizada são a dinamite e o vibrador em terra e
canhões de ar comprimido em levantamentos marítimos. Cada uma destas fontes emite
um pulso característico (amplitude e conteúdo de frequências) conhecido como
assinatura da fonte que se propaga em todas as direções. Este pulso elástico, ou
detonações, são de duração ou comprimento muito pequeno, da ordem de 200
milissegundos, e se refletem e refratam em cada uma das camadas geológicas em
profundidade, retornando à superfície com informações valiosas para a pesquisa de
petróleo.
Os receptores utilizados para registrar as reflexões destes pulsos são basicamente de
dois tipos: eletromagnéticos (geofones) para registros em terra, e de pressão
(hidrofones) para levantamentos na água. Tanto em terra quanto no mar a aquisição de
dados sísmicos consiste na geração de uma perturbação mecânica em um ponto da
superfície e o registro das reflexões em centenas (128 a 1024) de canais de recepção ao
longo de uma linha reta (Figura 17).

Figura 17- Esquema ilustrativo de levantamento sísmico. Os canhões e o cabo contendo


os hidrofones são estabilizados a 10-15 metros de profundidade.

Estes canais encontram-se eqüidistantes (20 a 50 metros) de modo que o canal mais
afastado muitas vezes encontra-se a vários quilômetros de distância da fonte de
perturbação, ou ponto de tiro.
No caso da sísmica para petróleo, o processamento de dados tem como objetivo
produzir imagens da subsuperfície com a máxima fidelidade possível, atenuando as
várias distorções “óticas” presentes no método. Geólogos e geofísicos interpretam estas
imagens na busca de situações mais favoráveis (Figura 18) à acumulação de
hidrocarbonetos ou para caracterizar reservatórios produtores, melhorando o
gerenciamento da produção.
O resultado final corresponde a uma seção composta por traços sísmicos colocados lado
a lado. Esta seção representa a imagem sísmica correspondente ao plano geológico
vertical ao longo do qual foi executado o levantamento.
Figura 18 – Mapa sísmico processado para interpretação.

A interpretação das feições geológicas presentes nas seções sísmicas pode indicar
situações favoráveis à acumulação de hidrocarbonetos. Estas situações são analisadas
em detalhe para a eventual perfuração de um poço pioneiro.

6. Referencias

THOMAS, J. E. Organizador. Fundamentos da Engenharia de Petróleo. Rio de


Janeiro: editora Interciência, 2001.

ALVES, A. C. et al. 1986. Geologia do Petróleo. Natal, Petrobras / UFRN. (Apostila).

FERREIRA, J. C. 1989. Geologia do petróleo. Rio de Janeiro, Petrobras. (Apostila).

PETROBRÁS. 2001. Banco de Imagens. Rio de Janeiro.

SANTOS, A. S. 1984. Qualidade da matéria orgânica. In Geoquímica do Petróleo.


Rio de Janeiro, Petrobras.

STUMPF, V. J. 1983. Noções básicas de geologia do petróleo. Aracaju, Petrobras.


(Apostila).