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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ LEIGO

DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE


ARACAJU/SE.
JOSELITO VIEIRA SANTOS, brasileiro, casado,
benenficiário, inscrito no CPF sob nº , RG nº SSP/SE, filho de
e , nascida em //19, residente e domiciliado na Rua, nº , Ponto
Novo, Aracaju/SE, vem, respeitosamente, à presença de Vossa
Excelência, promover a presente:

AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANO


MATERIAIS C/C DANOS MORAIS
Em face da ENERGISA-, inscrito no CNPJ nº; Inscrição
Estadual nº, com sede.. Av., Centro, Aracaju/SE, pelas razões
que passa a expor.
I – PREAMBULARMENTE.

Requer o Autor lhe seja deferido os benefícios da justiça


gratuita, com fulcro no disposto ao inciso LXXIV, do
artigo 5º da Constituição Federal e na Lei nº 1.060/50, em
virtude de ser pessoa sem condições de arcar com os encargos
decorrentes de eventuais recursos decorrentes do litígio, sem
prejuízo de seu próprio sustento e de sua família, conforme
declaração em anexo.

II - DOS FATOS
A requerente morou em casa alugada por um período de dois
anos na rua professor Fernando Souto, nº 381-Centro, nesta
cidade de Maceió/AL, CEP:55290-000, conforme comprova o
contrato de aluguel incluso.

No dia “tal” de agosto de 2015, funcionários da CELALTE


passaram a tarde toda em diversas ruas do bairro
possivelmente fazendo a troca de fios e cabos de energia nos
postes. Por volta das 4 (quatro) horas da tarde deste mesmo
dia, ocorre que por imperícia ou desgaste natural da fiação
aconteceu um curto circuito no bairro, o que ocasionou a
queima de diversos aparelhos eletrônicos que estavam
conectados as tomadas das casas naquele horário.

Ocasionou na casa da requerente a queima imediata de “uma


televisão de 29 polegadas Philco, um receptor digital, um dvd e
um filtro de água (consta o documento que comprova a
existência de perícia feita por representante da CELATE em
anexo)

Poucos dias após o acontecido a Ré enviou cartas às


residências pedindo para que comparecesse a sede da mesma
para prestar uma “queixa administrativa”. Atitude essa que
encheu de esperança os moradores daquela localidade. A
requerente foi até a sede da mesma, e após concretização da
queixa a Autora descobriu que era mera quimera usada como
meio hábil pela empresa para lesar os clientes, pois esta se
escusou de cumprir com sua obrigação de reparar os danos
materiais sofridos pela requerente.

Mesmo diante de tal situação a Autora procurou por diversas


vezes resolver essa lide ainda na esfera administrativa, a qual
foi por vários dias à sede da Ré nesta cidade, mas não logrou
êxito, sempre tentando resolver de forma mansa e pacífica o
problema, sentindo-se impotente e humilhada, diante da
situação descrita, pois além do mais foi tratada com desídia
pelos funcionários da Ré.

A ilicitude baseia-se no fato de que a Autora não tem condição


de comprar aparelhos eletrônicos novos, e, portanto encontra-
se sem acesso aos bens eletrônicos de que tinha domínio por
culpa da ação de uma empresa inescrupulosa.

Dessa forma, em decorrências da ausência desses aparelhos


que para alguns pode ser pouco, para a demandante teve
grande valia, haja vista eram os únicos aparelhos eletrônicos
que possuía.
III - DOS FUNDAMENTOS
No tocante a motivação acho por bem seguir o critério
hierárquico da pirâmide normativa brasileira, trazendo
primeiro a dicção da norma hipotética fundamental pátria, e a
posteriori os amparos legais trazidos em leis ordinárias; assim
com intuito de fundamentar os argumentos do requerente
temos o que determina nos incisos V e X do
art. 5º da CF/88:
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional
ao agravo, além da indenização por dano material,
moral ou à imagem;
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a
honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito
a indenização pelo dano material ou moral
decorrente de sua violação;
Ainda no texto constitucional, capítulo VII-Art. 37, § 6º, é
assegurado ao terceiro que tenha sido lesado por pessoa
jurídica de direito privado prestadora de serviços públicos a
resposta por danos praticados.
§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de
direito privado prestadoras de serviços públicos
responderão pelos danos que seus agentes, nessa
qualidade, causarem a terceiros, assegurado o
direito de regresso contra o responsável nos casos de
dolo ou culpa.
Neste diapasão vejamos o Art. 6º do Código de Defesa do
Consumidor, no que trata da inversão do ônus da prova; e
o Art. 14, onde o fornecedor de serviços responde
independentemente de culpa por danos causados aos
consumidores, vejamos:
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: VIII - a
facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a
inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo
civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a
alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo
as regras ordinárias de experiências.
Art. 14. O fornecedor de serviços responde,
independentemente da existência de culpa, pela
reparação dos danos causados aos consumidores por
defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como
por informações insuficientes ou inadequadas sobre
sua fruição e riscos.
O legislador infraconstitucional munido de entendimento de
diversas situações fáticas em que aquele ente que viola direito
alheio e o causa um dano, ainda que exclusivamente moral,
esse já está na esfera dos atos ilícitos, como prescreve
o Art. 186 da lei 10.406/02, denominado Código
CivilBrasileiro, vejamos:
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária,
negligência ou imprudência, violar direito e causar
dano a outrem, ainda que exclusivamente moral,
comete ato ilícito.
Quanto à indenização, temos ainda o que assegura o Art.
927 do mesmo diploma legal, na toada da reparação dos danos
causados por atos ilícitos:
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito, causar dano a
outrem, fica obrigado a repará-lo.
Parágrafo único: Haverá obrigação de reparar o
dano, independentemente de culpa, nos casos
especificados em lei, ou quando a atividade
normalmente desenvolvida pelo autor do dano
implicar, por sua natureza, risco para os direitos de
outrem.
No que tange ao objeto digno de valor pecuniário, ou seja, as
indenizações a ser fixada têm o que dispõe na mesma carta de
2002:
Art. 944. A indenização mede-se pela extensão do
dano. Parágrafo único. Se houver excessiva
desproporção entre a gravidade da culpa e o dano,
poderá o juiz reduzir, equitativamente, a
indenização.
Diante da previsão legal acima colacionada, entendemos que a
pretensão da requerente é legítima, vez que existi uma extrema
ilegalidade que paira aos nossos olhos.

IV – JURISPRUDÊNCIA

APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO INDENIZATÓRIA-


CONCESSIONÁRIA PRESTADORA DE SERVIÇO DE
PÚBLICO - DESCARGA DE ENERGIA ELÉTRICA -
OSCILAÇÃO DA REDE - QUEIMA DE
EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA – CULPA
EXCLUSIVA DA VÍTIMA INEXISTENTE - EVENTO
INSERIDO NO RISCO DA ATIVIDADE
DESEMPENHADA PELA CELESC - APLICABILIDADE
DO ART. 37, § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA
- RESPONSABILIDADE OBJETIVA – VERBA DEVIDA.
Constitui obrigação da concessionária desempenhar
o seu mister com esmero Gabinete Des. Wilson
Augusto do Nascimento e, dada a natureza
remunerada do serviço prestado, suportar os riscos
dessa atividade, não podendo deles se desvencilhar
pela simples circunstância de que o autor se omitiu
de utilizar equipamentos opcionais de segurança.
Desse modo, forte na premissa de que toca à CELESC
a tarefa de modernizar a rede, com o escopo de evitar
ou minimizar sinistros oriundos da oscilação, é
patente o dever de indenizar, pois, à luz do que alude
o art. 37, § 6º, da Carta Magna, configurados estão os
requisitos da responsabilidade objetiva (ACV n.
2006.046616-5, da Capital, Rel. Des. Volnei Carlin, rj.
Em 10.9.07).
APELAÇÃO CÍVEL - INTEMPESTIVIDADE - RECURSO
PROTOCOLADO POR MEIO DO SERVIÇO DE
PROTOCOLO UNIFICADO - PRELIMINAR
REJEITADA - RESPONSABILIDADE CIVIL -
CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO -
FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA -
APLICABILIDADE DOS ARTS. 37, § 6º, DA CF/88,
E 14 DO CDC - RESPONSABILIDADE OBJETIVA -
INDENIZAÇÃO POR DANO MATERIAL DECORRENTE
DE QUEDA DE TENSÃO DA ENERGIA - QUEIMA DE
EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA - DANO
COMPROVADO - DEVER DE INDENIZAR - RECURSO
DESPROVIDO. Sendo a Centrais Elétricas de Santa
Catarina S. A. - CELESC concessionária de serviço
público, responde objetivamente, a teor dos
arts. 37, § 6º, da Constituição Federal, e 14 do Código
de Defesa do Consumidor, pelos prejuízos a que
houver dado causa, bastando ao consumidor lesado a
comprovação do evento e do dano, bem como do nexo
entre este e a conduta da concessionária, competindo
a esta a prova da culpa do consumidor, ou a
ocorrência de caso fortuito ou força maior para se
eximir da obrigação. Constitui obrigação da
concessionária desempenhar o seu mister com
esmero e, dada a natureza remunerada do serviço
prestado, suportar os riscos dessa atividade, não
podendo deles se desvencilhar pela simples
circunstância de que o autor se omitiu de utilizar
equipamentos opcionais de segurança. Desse modo,
forte na premissa de que toca à CELESC a tarefa de
modernizar a rede, com o escopo de evitar ou
minimizar sinistros oriundos da oscilação, é patente
o dever de indenizar, pois, à luz do que alude o
art. 37, § 6º, da Carta Magna, configurados estão os
requisitos da responsabilidade objetiva (ACV n.
2006.000345-1, Rel. Des. Rui Fortes, j. Em 27.5.09).
Claros são os entendimentos e as decisões reiteradas dos
tribunais nesse sentido, em repreender esse tipo de
comportamento asqueroso por parte de empresas que
monopolizam um determinado segmento do mercado; pois
algumas empresas de direito privado que prestam serviços
públicos a população na maioria das vezes age com excesso de
confiança, tratando assim o povo como submisso as suas
vontades.

V - DA PROCEDÊNCIA DA AÇÃO
E OUTROS PEDIDOS.
Diante do exposto requer o Autor a Vossa Excelência
que:
1) Seja concedido os benefícios da Justiça Gratuita por ser
pessoa carente, nos termos da Lei 1.060/50 e alterações
posteriores;
2) Seja aplicado ao feito o procedimento do Rito Sumário,
nos moldes do art. 275, inciso I, do Código de Processo Civil;
3) Seja a Ré citada no endereço indicado para, querendo,
oferecer contestação;
4) Seja aplicada, caso entenda cabível, a inversão do ônus da
prova, por se tratar de relação de consumo;
5) Requer que seja Condenado o Requerido a Reparação do
Dano Material, com o pagamento dos eletros queimados;
6) Requer a condenação do Requerido a indenizar o Autor
pelos DANOS MORAIS sofridos no importe de R$
12.000,00 (doze mil reais), com atenção aos efeitos
pedagógico e reparatório da medida, usando como norte os
preceitos adredes mencionados, principalmente o efeito do
desestímulo tendo em vista se tratar de atos lesivos aos direitos
do consumidor, e com vista ao relevante poder econômico da
parte;
7) Sejam todos os valores a serem pagos atualizados, com a
incidência de juros e correção monetária desde a data do fato,
art. 398 do CCB;
8) Seja o réu condenado ao pagamento de honorários
advocatícios de sucumbência, no percentual de 20% sobre toda
a repercussão financeira do processo.
Provara o alegado por todos os meios de prova em direito
admitidas em especial a documental, conforme segue em
anexo: queixa administrativa feita junto a CELPE e perícia feita
por especialista da mesma. Bem como por prova testemunhal,
e outras que se fizerem necessárias no decorrer do feito, assim
como o depoimento pessoal, do representante legal do
requerido, ou preposto, o que requer desde já.

Dá-se à presente causa, o valor de R$ 15.000,00 (treze mil


reais), para efeitos meramente fiscais.
Nestes termos,

Pede e espera deferimento.

Maceió, 10 de dezembro de 2015.