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JFAS – INSTALAÇÕES HIDROSSANITÁRIAS - FURG


SUMÁRIO
Capitulo 1 – Instalações Prediais de Água Fria ...................................................................................... 6
1. Instalações de Água Fria................................................................................................................. 7
1.1 Consumo de Água nos Prédios............................................................................................... 9
1.2 Reservatórios Superior e Inferior ........................................................................................ 10
1.2.1 Reserva de Incêndio ..................................................................................................... 11
1.2.2 Volume dos Reservatórios ........................................................................................... 11
1.2.3 Detalhes Construtivos dos Reservatórios .................................................................... 12
1.2.4 Outras tubulações ligadas aos reservatórios .............................................................. 13
1.3 Instalações de Bombeamento ............................................................................................. 16
1.3.1 Vazão a ser bombeada ................................................................................................. 16
1.3.2 Canalização de Recalque (Dr) ....................................................................................... 16
1.3.3 Canalização de Sucção (Ds) .......................................................................................... 17
1.3.4 Acessórios de uma Instalação Elevatória .................................................................... 17
1.3.5 Elementos de Cálculo ................................................................................................... 18
1.3.6 Especificação da Bomba ............................................................................................... 20
1.4 Dimensionamento da Tubulação de Água Fria ................................................................... 27
1.4.1 Aparelhos e equipamentos .......................................................................................... 27
1.4.2 Tubos de PVC empregados nas Instalações de Água Fria ........................................... 33
1.4.3 Dimensionamento ........................................................................................................ 34
1.4.3.1 Sub-Ramais ................................................................................................................... 34
1.4.3.2 Ramais........................................................................................................................... 36
1.4.3.3 Colunas .......................................................................................................................... 40
1.4.3.4 Barrilete......................................................................................................................... 51
1.4.3.5 Ramal Predial – Medição do Consumo de Água ........................................................... 55
Capitulo 2 Instalações Prediais de Esgoto Sanitário ........................................................................... 57
2. Instalações Prediais de Esgotos Sanitários .................................................................................. 58
2.1 Aparelhos Sanitários ............................................................................................................ 59
2.1.1 Vasos Sanitários ou Bacias Sanitárias .......................................................................... 59
2.1.2 Mictórios ....................................................................................................................... 61
2.1.3 Bidês.............................................................................................................................. 62
2.1.4 Banheiras ...................................................................................................................... 63
2.1.5 Lavatórios ..................................................................................................................... 63
2.1.6 Pias de Cozinha ............................................................................................................. 64
2.1.7 Chuveiros ...................................................................................................................... 64
2.2 Acessórios da Instalação de Esgotos.................................................................................... 65

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2.2.1 Caixa Sifonada .............................................................................................................. 65
2.2.2 Ralo Sifonado e Ralo Seco ............................................................................................ 66
2.2.3 Caixas Secas ou Caixas de Areia ................................................................................... 67
2.2.4 Caixas de Gordura ........................................................................................................ 67
2.2.5 Caixa de Passagem ....................................................................................................... 68
2.2.6 Caixas de Inspeção ....................................................................................................... 69
2.2.7 Poços de Visita.............................................................................................................. 69
2.2.8 Caixa Coletora............................................................................................................... 69
2.3 Descrição Sucinta da Instalação de Esgotos ........................................................................ 70
2.3.1 Ramal de Descarga ....................................................................................................... 70
2.3.2 Ramal de Esgoto ........................................................................................................... 70
2.3.3 Tubo de Queda ............................................................................................................. 71
2.3.4 Subcoletor..................................................................................................................... 71
2.3.5 Coletor Predial .............................................................................................................. 71
2.4 Dimensionamento ................................................................................................................ 74
2.4.1 Ramais de descarga ...................................................................................................... 74
2.4.2 Ramais de Esgoto ......................................................................................................... 75
2.4.3 Tubos de Queda............................................................................................................ 75
2.4.4 Subcoletores e Coletor Predial..................................................................................... 77
2.5 Sistema de Ventilação .......................................................................................................... 77
2.5.1 Generalidades ............................................................................................................... 77
2.5.2 Dimensionamento do sistema de ventilação .............................................................. 81
2.5.2.1 Ramais de Ventilação ................................................................................................... 82
2.5.2.2 Tubo ventilador de circuito e tubo ventilador suplementar ...................................... 83
2.5.2.3 Colunas de Ventilação .................................................................................................. 83
2.5.2.4 Barrilete de Ventilação................................................................................................. 83
2.5.2.5 Desvio de tubo de queda ............................................................................................. 85
Capitulo 3 Instalações Prediais de Águas Pluviais ............................................................................... 86
3. Instalações Prediais de Águas Pluviais ........................................................................................ 87
3.1 Calhas .................................................................................................................................... 87
3.2 Condutores Verticais (Tubos de Queda) .............................................................................. 88
3.3 Condutores Horizontais (Coletores) .................................................................................... 88
3.4 Ralos ou Grelhas ................................................................................................................... 88
3.5 Funil ...................................................................................................................................... 88
3.6 Caixas de inspeção ............................................................................................................... 88
3.7 Caixas de Areia ..................................................................................................................... 89

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3.8 Dados necessários ao projeto .............................................................................................. 89
3.8.1 Intensidade Pluviométrica ........................................................................................... 89
3.8.2 Área de Contribuição.................................................................................................... 90
3.8.3 Vazão de Projeto .......................................................................................................... 90
3.9 Dimensionamento ................................................................................................................ 92
3.9.1 Calhas ............................................................................................................................ 92
3.9.1.1 Método Hidráulico ....................................................................................................... 92
3.9.1.2 Método da NBR 10844/1989 ....................................................................................... 94
3.9.2 Condutores Verticais .................................................................................................... 96
3.9.3 Condutores Horizontais (Coletores) ............................................................................ 98

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INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA E ESGOTO

Por instalações prediais de água e esgotos, entende-se um conjunto ou rede de tubulações


que visam coletar da rede pública a água potável e encaminhá-la aos diversos pontos de consumo
(lavatórios, chuveiros, tanques...), recolhê-la após o uso e encaminhá-la de volta a rua, onde será
disposta em fossas sépticas ou encaminhada ao coletor público de esgotos.

Inclui-se nestas, as redes de esgoto pluvial ou águas pluviais, rede de água quente e a rede de
água para combate a incêndio.

Todas estas intalações visam o conforto dos usuários e seu programa objetiva economia,
segurança e funcionalidade.

Assim, as instalações prediais são compostas das seguintes partes:

Intalações de Água Fria – Seguem as prescrições da NB-92:1980  NBR-5626:1982 NBR-


5626:1998

Instalações de Esgoto Sanitário – Seguem as prescrições da NB-19:1978  NBR-8160:1983 


NBR-8160:1999

Instalações de Esgoto Pluvial ou Águas Pluviais - Seguem as prescrições da PNB-611:1978 


NBR-10844:1989

Instalações de Água Quente - Seguem as prescrições da NB-128:1968  NBR-7198:1993

Instalações Hidráulicas contra Incêndio – Seguem as prescrições da NB-24:1957  NBR-13714:1996

Nesta apostila são abordados os três primeiros tipos de instalações

“Se tiveres que tratar com água, consulta primeiro

a experiência e depois a razão! ” – Leonardo da Vinci

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Capitulo 1 – Instalações
Prediais de Água Fria

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1. Instalações de Água Fria
Chama-se ramal predial a tubulação que leva a água da rede pública para o prédio a ser
alimentado. Alguns autores chamam ramal de alimentação. Ele pode ser dividido em ramal predial
externo, que vai até o cavalete onde situa-se o medidor de consumo ou hidrômetro e ramal predial
interno, que vai do cavalete até os pontos de alimentação ou à torneira de bóia da caixa d’água (Figura
1-4, Figura 1-5, Figura 1-6).

Sistema de Abastecimento de Água


Externo ou público: consiste de uma rede de distribuição, geralmente operada por órgãos
públicos, e tem por objetivo levar a água potável até o alinhamento das edificações. Este sistema pode
ser intermitente ou contínuo.

Interno ou privado: rede de distribuição dentro da propriedade e vai até o último ponto de
consumo.

O sistema interno pode ser direto, indireto ou misto.

Sistema Direto: quando a água é levada da


rede pública diretamente aos pontos de
consumo (pias, caixas de descarga, tanques, ...).
Este sistema é ainda hoje comum nas periferias
das cidades do Brasil por motivo de economia
(dispensa a caixa d’água), mas seus usuários
ficam desprovidos de tal serviço por ocasião das
interrupções no sistema público de
abastecimento de água, relativamente comuns.
Dada a confiabilidade no sistema de
abastecimento de água, este é o sistema mais
adotado na grande maioria das residênciais dos
Estados Unidos e Europa. Este sistema é
também chamado ascendente (ver Figura 1-1 ).
Figura 1-1 Sistema de Distribuição Direto. Fonte: Carvalho
Júnior, 2013

Sistema Indireto: quando os pontos de


consumo são alimentados por um reservatório
situado na parte superior do prédio
(reservatório superior) o qual é abastecido
diretamente pela rede pública se existir pressão
suficiente nesta (Figura 1-2 e Figura 1-4), ou é
abastecido por um reservatório inferior, através
de um sistema de bombeamento, se a pressão
for insuficiente (Figura 1-5 e Figura 1-8). Este
sistema é também chamado descendente.

Figura 1-2 Sistema de Distribuição Indireto por Gravidade.


Fonte: Carvalho Júnior, 2013

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Sistema Misto: quando parte dos pontos de consumo são alimentados pelo reservatório superior e
parte diretamente da rede pública. Por exemplo, em algumas residências encontramos torneiras de
jardins, de tanques ou pias de cozinha sendo alimentadas diretamente pela rede pública (Figura 1-3 e
Figura 1-6).

Figura 1-3 Sistema de Distribuição Misto


Figura 1-4 Sistema Indireto (sem bombeamento).
Fonte: Macintyre, 1990

Figura 1-5 Sistema Indireto (com bombeamento). Figura 1-6 Sistema Misto de Distribuição. Fonte:
Fonte: Macintyre, 1990 Macintyre, 1990

Figura 1-8 Sistema Descendente (com bombeamento).


Figura 1-7 Sistema Descendente (sem Fonte: Creder, 1996
bombeamento). Fonte: Creder, 1996

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1.1 Consumo de Água nos Prédios

A quantidade de água consumida diariamente em um prédio, depende do fim a que se destina


o mesmo, isto é, se residencial, comercial ou público.

A Tabela 1-1 fornece uma estimativa do consumo unitário diário para diferentes tipos de
ocupação.
Tabela 1-1 Estimativa do Consumo de Água Diário. Fonte: Macintyre, 1990

Tipo de Uso Unidade Consumo (litros/dia)


1 – Uso Doméstico
Apartamentos per capita 200
Apartamentos de Luxo por dormitório 300 a 400
por quarto de empregada 200
Residência de luxo per capita 300 a 400
Residência de médio valor per capita 150
Residências populares per capita 120 a 150
Alojamentos provisórios de obra per capita 80
Apartamento de zelador 600 a 1000

2 – Uso Público
Edifícios de Escritórios por ocupante 50 a 80
Escolas, internatos per capita 150
Escolas, externatos por aluno 50
Escolas, semi-internatos por aluno 100
Hospitais e casas de saúde por leito 250
Hotéis com cozinha e lavanderia por hóspede 250 a 350
Hotéis sem cozinha e lavanderia por hóspede 120
Lavanderias por kg de roupa seca 30
Quartéis por soldado 150
Restaurantes por refeição 25
Mercados por m² de área 5
Garagens e postos de serviço p/ por automóvel 100
automóveis
Rega de jardins por m² de área 1,5
Cinemas e teatros por lugar 2
Igrejas por lugar 2
Ambulatórios per capita 25
Creches per capita 50

3- Uso Industrial
Fábricas (uso pessoal) por operário 70 a 80
Fábricas com restaurante por operário 100

Para cada tipo de prédio devemos também fazer uma estimativa da ocupação, isto é, da
população consumidora do mesmo. A Tabela 1-2 estima a taxa de ocupação dos diferentes tipos de
prédio.

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Tabela 1-2 Taxa de Ocupação de prédio. Fonte: Macintyre, 1990

Natureza do Prédio Taxa de Ocupação


Prédio de Apartamentos Duas pessoas por dormitório
Prédio de escritórios de
- uma só entidade locadora Uma pessoa para cada 7 m²
- mais de uma só entidade locadora Uma pessoa para cada 5 m²
Restaurantes Uma pessoa para cada 1,5 m²
Teatros e Cinemas Uma pessoa para cada 0,7 m²
Lojas (pavimento térreo) Uma pessoa para cada 2,5 m²
Lojas (pavimentos superiores) Uma pessoa para cada 5 m²
Supermercados Uma pessoa para cada 2,5 m²
Shopping Centers Uma pessoa para cada 5 m²
Salões de hóteis Uma pessoa para cada 5,5 m²
Museus Uma pessoa para cada 5,5 m²

O uso conjunto da Tabela 1-1 e da Tabela 1-2 permite determinar a população de um prédio e
o consumo total diário (litros/dia). Os exercícios a seguir, ilustram este procedimento.

Exercício 1

Estimar a população e o volume de água consumido diariamente em um prédio de apartamentos com


10 pavimentos, dois apartamentos por andar e com três dormitórios mais um dormitório de
empregada em cada um.

Solução:

Exercício 2

Estimar a população e o consumo diário de água em um edifício de escritórios com 8 andares e 100m²
por andar.

Solução:

1.2 Reservatórios Superior e Inferior


Segundo a NBR 5626/1998, ítem 5.2.5.1, a reservação a ser feita nos reservatórios (inferior e
superior) não pode ser inferior ao consumo diário (24 horas). É recomendado também que não seja
maior que o equivalente a três dias de consumo.

Quando a capacidade de reservação for menor que o consumo de um dia, corre-se o risco de
ficar sem água por interrupção no fornecimento, quer seja por falta de energia elétrica, quer por
ruptura na rede ou parada para manutenção da mesma.

Por outro lado, uma capacidade de reservação superior a três dias leva a reservatórios muito
grandes e cargas elevadas na estrutura do prédio, leva também a tempos de detenção (permanência)
muito grandes, favorecendo a contaminação da água, etc.

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1.2.1 Reserva de Incêndio
Para o combate a incêndios, é recomendável que uma certa quantidade de água esteja
sempre disponível nos prédios de edifícios. Como as instalações de combate à incêndios oneram o
orçamento da obra, estas só são exigidas em prédio com mais de 4 pavimentos, ou menores, desde
que apresentem risco, como lojas de roupas e tecidos, fábricas de fogos de artifício, depósitos de
papel e papelão, postos de abastecimento, etc. Em geral, em prédios de apartamentos ou escritórios
com até 4 pavimentos, é tolerado um sistema de combate ao fogo bem mais simples, através de
extintores de incêndio.

Nos prédios em que tal exigência se faça, um sistema de hidrantes e/ou mangotinhos é
estrategicamente disposto nos diversos pavimentos e é abastecido pelas colunas de incêndio, que por
sua vez, geralmente, são alimentadas pelo reservatório superior da edificação. Por esta razão, no
cálculo do volume do reservatório superior, deve ser incluída a reserva de incêndio.

A NBR 13741/2000 classifica os sistemas hidráulicos de combate à incêndio em três categorias


denominadas Sistema “Tipo 1”, “Tipo 2” e “Tipo 3”. Conforme o tipo de sistema exigido, a reserva de
água destinada para combate à incêndio será diferente. Por exemplo, um edifício de apartamentos
com altura de 20 m (>12m) exigiria um Sistema Tipo 1 (mangueira de diâmetro interno de 25 mm e
esguicho regulável) com uma reserva de incêndio suficiente para que duas saídas pudessem fornecer
80 L/min durante 60 min, isto é
𝐿
𝑉 = 2 ∗ 80 ∗ 60 min = 9600 𝐿
𝑚𝑖𝑛
Versões anteriores desta norma preconizavam, para o mesmo prédio, o sistema de hidrante
(mangueira de diâmetro 40 mm e esguicho de jato compacto de 16 mm) com duas saídas funcionando
simultaneamente e fornecendo 250 L/min durante 30min, cada uma delas. Neste caso, ter-se-ia:
𝐿
𝑉 = 2 ∗ 250 ∗ 30 min = 15000 𝐿
𝑚𝑖𝑛
Nota: Talvez pelo fato do sistema de mangotinhos ser de custo mais elevado, o seu emprego
não tem sido muito difundido e em muitas localidades o Corpo de Bombeiros tem tolerado, ou até
mesmo exigido, o emprego do segundo sistema.

1.2.2 Volume dos Reservatórios


Sempre que a altura da edificação exigir o emprego de dois reservatórios, é recomendado
armazenar 2/5 (40%) do consumo diário no Reservatório Superior, e o restante, 3/5 (60%) no
Reservatório Inferior.

Devemos observar que a NBR 5626/1998 recomenda que a reserva mínima seja aquela
correspondente ao consumo de um dia. Entretanto, interrupções no abastecimento, além de
ocorrerem, podem durar mais tempo que o desejável, e por isso, muitos projetistas não se prendem
a recomendação mínima, preferindo fazer reservas maiores do que esta. Assim, Macintyre
recomenda:
2
𝑅𝑒𝑠𝑒𝑟𝑣𝑎𝑡ó𝑟𝑖𝑜 𝑆𝑢𝑝𝑒𝑟𝑖𝑜𝑟 = 𝐶𝑜𝑛𝑠𝑢𝑚𝑜 𝐷𝑖á𝑟𝑖𝑜 + 𝑅𝑒𝑠𝑒𝑟𝑣𝑎 𝑑𝑒 𝐼𝑛𝑐ê𝑛𝑑𝑖𝑜
5
3 8
𝑅𝑒𝑠𝑒𝑟𝑣𝑎𝑡ó𝑟𝑖𝑜 𝐼𝑛𝑓𝑒𝑟𝑖𝑜𝑟 = 𝐶𝑜𝑛𝑠𝑢𝑚𝑜 𝐷𝑖á𝑟𝑖𝑜 + 1 𝐶𝑜𝑛𝑠. 𝐷𝑖á𝑟𝑖𝑜 = 𝐶𝑜𝑛𝑠. 𝐷𝑖á𝑟𝑖𝑜
5 5
= 1,60 𝐶𝑜𝑛𝑠. 𝐷𝑖á𝑟𝑖𝑜

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Exercício 3

Dimensionar os reservatórios para um consumo diário de 28000 litros.

a) Sem Reserva de Incêndio


b) Com reserva para dois dias e mais incêndio

1.2.3 Detalhes Construtivos dos Reservatórios


Os reservatórios com capacidade superior a 4000 litros devem ser divididos em dois
compartimentos iguais e comunicarem-se através do barrilete, provido de registro de gaveta, para
facilitar a limpeza ou conserto de qualquer dos compartimentos, permanecendo o outro em operação.

Tubulação Extravasora: Tubulação destinada a escoar o eventual excesso de água de


reservatórios onde foi superado o nível de transbordamento. Ambos os reservatórios, assim como cada
um de seus compartimentos, devem possuir tubulação extravasora (conhecida vulgarmente como
ladrão), para contornar eventuais problemas com a torneira de bóia ou dispositivo de interrupção do
abastecimento. Esta tubulação deve lançar suas águas livremente em local visível de modo a chamar
a atenção e servir de advertência ao zelador ou moradores. De acordo com a NBR 5626/1980, ítem
8.11, seu diâmetro deve ser no mínimo igual a uma bitola acima do tubo alimentador do reservatório
e nunca inferior a 25 mm.

Tubulação de Limpeza: Tubulação destinada ao esvaziamento do reservatório, para permitir


sua limpeza e manutenção. Os reservatórios devem ser providos de tubulação destinada à sua
limpeza, sendo esta dimensionada em função do tempo desejado para o completo esvaziamento do
mesmo. Araújo Coelho fornece uma tabela para escolha do diâmetro da tubulação de limpeza em
função do volume do reservatório (ou compartimento a esgotar) que é transcrita abaixo na Tabela 1-3.
Tabela 1-3 Diâmetro da tubulação de limpeza. Fonte: Araújo Coelho

Diâmetro Volume do Compartimento


(mm) (polegadas) (litros)
25 1 Até 1.800
32 1¼ 1.800 a 3.000
40 1½ 3.000 a 5.000
50 2 5.000 a 11.000
60 2½ 11.000 a 19.000
75 3 19.000 a 30.000
1000 4 Acima de 30.000

De acordo com a NBR 5626/1988, no ítem 5.2.8.3, o fundo do reservatório deve ter uma
pequena declividade no sentido da tubulação de limpeza de modo a facilitar o escoamento da água e
remoção de detritos remanescentes. Na tubulação de limpeza, em posição de fácil acesso e operação,
deve haver registro de fechamento.

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1.2.4 Outras tubulações ligadas aos reservatórios

Colar ou Barrilete: Abaixo do reservatório superior e acima da laje de cobertura, situa-se o


barrilete, que interliga as duas metades do reservatório e de onde partem as colunas. O barrilete é
feito para evitar que seja feito no reservatório um orifício para cada coluna de distribuição, que podem
chegar a mais de dez. Assim, as colunas são ligadas no barrilete.

Figura 1-9 Barrilete Ramificado. Fonte: Carvalho Júnior, 2013

Figura 1-10 Barrilete Concentrado ou Unificado. COLAR. Fonte: Carvalho Júnior, 2013

O colar permite o funcionamento contínuo do reservatório, mesmo que um de seus


compartimentos esteja em limpeza ou manutenção, pela simples manobra de registros (de gaveta).

Cada uma das colunas de água fria (CAF) que parte do barrilete deve ser a este ligada por uma
conexão conveniente (Tê, Curva, etc.) e deve ser provida de um registro de gaveta que permita isolar
essa coluna em caso de manutenção.

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Devem ser construídos barriletes para as colunas de incêndio. Neste caso, além dos registros
normais nas saídas do reservatório, deve ser prevista uma válvula de retenção que impeça o fluxo de
água da coluna para o reservatório. Observa-se que sempre que possível, o corpo de bombeiros utiliza
a água do reservatório predial para dar combate ao fogo, mas se necessário, liga as suas mangueiras
em um hidrante e joga água de um caminhão tanque na rede. As válvulas impedem que essa água vá
para o reservatório.

A tubulação de limpeza deve também ligar os compartimentos e ser dotada de registro de


gaveta.

As ligações da coluna ou colar com o fundo do reservatório devem ser bem executadas de
modo a evitar vazamentos. Isto é feito através de flanges.

Figura 1-11 Ligação da Tubulação com o Reservatório. Fonte: Macintyre, 1990

No reservatório inferior, cada compartimento (se for compartimentado) deve ser dotado de
uma tubulação de sucção. Na extremidade inferior desta tubulação deve haver uma válvula de pé com
crivo. Estes reservatórios devem possuir também válvulas de bóia (torneira de bóia), pois são
alimentados por gravidade direto da rede pública.

São também dotados de tubulação extravasora e de limpeza, tomando sempre o cuidado para
que estas não tenham qualquer contato com a rede de esgoto ou gases desta rede.

NOTA: Quando houver aparelhos sanitários na cobertura, como por exemplo na casa do
zelador, então pode ser usado um reservatório adicional sobre o reservatório superior. Neste caso, a
água é recalcada para este, e por gravidade vai àqueles. Neste caso deve ser usado mais um
automático de bóia superior.

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Figura 1-12 Detalhe das ligações no reservatório e vetilação da coluna. Fonte: Carvalho Júnior, 2013

Figura 1-13 Detalhes de um reservatório inferior. Fonte: Macintyre, 1990

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1.3 Instalações de Bombeamento
Chamamos recalque ou bombeamento a operação de elevação mecânica da água. Assim, a
bomba transforma a energia mecânica que recebe de um motor (elétrico, diesel ou gasolina) em
hidráulica, isto é, energia da água nas formas de cinética, pressão e altura.

Ocorre que a energia fornecida pela bomba, tem que ser suficiente para suprir não só a
elevação da água desde o reservatório inferior até o superior como também as perdas de energia por
atrito na canalização, nos acidentes como curvas, nos registros, etc.

Isto é feito através de condutos sob pressão e com o concurso de dispositivos capazes de
fornecer energia ao líquido. Esses dispositivos são as chamadas Bombas Hidráulicas.

Existem vários tipos de bombas, mas aqui vamos estudar as chamadas Bombas Centrífugas,
que são as mais usadas nas instalações prediais.

1.3.1 Vazão a ser bombeada


Depois de ter determinado o consumo diário e o volume do reservatório, resta determinar
em quanto tempo esse volume deve ser levado do reservatório inferior ao superior.

Se poderia pensar em elevar a água ao longo das 24 horas. Isso não é interessante porque
teríamos uma vazão muito pequena, uma bomba com uma vazão tão baixa que possivelmente não
exista no mercado e ligada o dia inteiro, gastanto energia e sofrendo desgaste constantemente.

Por outro lado, se poderia pensaria num sistema elevatório que funcionasse por pouco tempo,
digamos alguns minutos durante o dia. Isto levaria à vazão elevada, tubulações de grande diâmetro e
uma bomba com potência elevada. Esta alternativa, assim como a anterior, não é prática porque leva
a um sistema de recalque aro e ocioso, pois permanece a maior parte do tempo parado.

Se sabe que o consumo de água não é constante ao longo do dia, sofrendo picos em
determinados horários como das 10 às 13h e das 18 às 21h, por exemplo. Desta forma, é mais
interessante que a edução do volume total ocorra nestes intervalos, em que a água está sendo
consumida, e cesse no restante do tempo. Vejamos o que diz a norma a respeito:

Item 5.3.3 – No caso de edifícios com pequenos reservatórios individualizados, como é o caso
de residências unifamiliares, o tempo de enchimento deve ser menor do que 1 hora. No caso de grandes
reservatórios, o tempo de enchimento pode ser de até 6 horas, dependendo do tipo de edifício. Isso
quer dizer que o consumo de um dia deve ser bombeado em no máximo 6 horas ou que a vazão
horária mínima deve ser 16,66% do consumo diário. Assim,

𝑄 = 0,166 ∗ 𝐶𝑜𝑛𝑠𝑢𝑚𝑜 𝐷𝑖á𝑟𝑖𝑜 → 𝑃𝑎𝑟𝑎 6 ℎ𝑜𝑟𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝐵𝑜𝑚𝑏𝑒𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜


𝑄 = 0,20 ∗ 𝐶𝑜𝑛𝑠𝑢𝑚𝑜 𝐷𝑖á𝑟𝑖𝑜 → 𝑃𝑎𝑟𝑎 5 ℎ𝑜𝑟𝑎𝑠 𝑑𝑒 𝐵𝑜𝑚𝑏𝑒𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜

1.3.2 Canalização de Recalque (Dr)


Mesmo conhecendo-se a vazão a ser aduzida, temos um problema que do ponto de vista
hidráulico é indeterminado, isto é, podemos fazer a elevação da água de muitas formas. Dois modos
extremos seriam:

a) Com uma canalização de pequeno diâmetro, velocidade elevada, grande perda de carga e
bomba de maior potência;
b) Com uma canalização de pequeno diêmetro, velocidade baixa, pequena perda de carga e
bomba de menor potência.

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Entre as duas alternativas extremas, temos uma infinidade de soluções e por isso, o problema
é hidraulicamente indeterminado. Entretanto, se de alguma forma se determinar ou fixar, por
exemplo o diâmetro, então o problema está resolvido. É o que fez a norma NBR 5626/1982 no item
8.9.3 quando recomenda o uso da fórmula de Breese ou Forchheimmer para o cálculo do diâmetro de
recalque, baseado no chamado critério econômico:
4
𝐷𝑟 = 1,3 ∗ √𝑋 ∗ √𝑄

onde:

X: número de horas de bombeamento por dia, dividido por 24;

Q: vazão da bomba (em m³/s);

1,3: é um coeficiente que reflete a disponiblidade de materiais, mão de obra e equipamentos na


região, sendo largamente aceito o valor de 1,3 no Brasil;

Dr: diâmetro interno da tubulação de recalque (em m).

1.3.3 Canalização de Sucção (Ds)


Na tubulação de sucção se desenvolvem pressões negativas que facilitam o desprendimento
de gases normalmente dissolvidos na água e até mesmo a evaporação da própria água. Isto conduz à
formação de bolhas (também chamadas cavas) de gás na massa líquida que prejudicam (e podem até
interromper) o escoamento reduzindo drasticamente o rendimento da bomba. Disto, podemos
observar que nesta região o escoamento é muito crítico e devemos favorecê-lo ao máximo, fazendo
com que as velocidades aí desenvolvidas sejam menores que na canalização de recalque. Por esta
razão, é comum adotar um diâmetro para a tubulação de sucção “uma bitola comercial maior” do que
o diâmetro de recalque.

Exemplo: Dr = 8” então Ds = 10”

1.3.4 Acessórios de uma Instalação Elevatória


Para evitar ou minimizar as perdas de carga em uma instalação de bombeamento, deve ser
empregado um mínimo necessário de acessórios. Em geral, vamos sempre encontrar pelo menos os
acessórios indicados na Figura 1-14, isto é,

Válvula de Pé (VP): esta válvula tem a


finalidade de manter a tubulação de sucção sempre
cheia de líquido (escorvada), para que a bomba na
partida não precise trabalhar em “vazio”, isto é,
bombeando ar e em consequência, sem refrigeração.
Ela é na realidade uma válvula de retenção.

Crivo: é um filtro em forma de tela usado para


impedir a entrada de eventuais sólidos em suspensão.
A seção útil desta tela, isto é, a área de furos ou vazios,
através da qual a água escoa deve ser pelo menor seis
vezes maior que a seção do tubo de sucção. Quando
se adquire a válvula de pé com o crupo, esta condição
já é verificada. A distância entre o crivo e o fundo deve
ser pelo menos 10 cm para evitar que o
turbilhonamento provocado pela sucção revolva a
Figura 1-14Acessórios de uma instalação elevatória
areia depositada no fundo,

17
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Curvas: de preferência curvas de raio longo que produzam as menores perdas de carga. São
aquelas em que o raio de curvatura é maior que 1,5 vezes o diâmetro.

Registro de Gaveta: usado na saída da bomba. Embora seja muitas vezes empregado para
regular a vazão na linha de recalque, sua função é trabalhar totalmente aberto ou fechado, permitindo
ou não o escoamento.

Válvula de Retenção (VR): usada para sustentar o peso da coluna líquida quando o sistema
não estiver em funcionamento.

Saída de Canalização (SC): a saída de canalização também provoca perda de carga, como um
bocal.

1.3.5 Elementos de Cálculo


Na Figura 1-15é mostrado esquematicamente uma instalação elevatória, onde são
representados os principais elementos necessários ao dimensionamento hidráulico da estação de
bombeamento.

Desnível Geométrico de Sucção (altura de


sucção, altura de aspiração ou altura estática de
sucção) (hs): representa o desnível entre o eixo da
bomba e o nível da água no reservatório inferior.
Será considerada negativa se a bomba trabalhar
afogada.
Desnível Geométrico de Recalque (altura
de recalque, altura de recalque ou altura estática
de recalque) (hr): representa o desnível entre o
eixo da bomba e o ponto onde a canalização
deságua livremente. Se esta canalização desaguar
afogada, então é o desnível entre o eixo da bomba
e o nível da água no reservatório elevado.
Figura 1-15 Elementos de Cálculo

Desnível (altura) geométrico de elevação ou bombeamento (Hg): representa a soma das


alturas gemétricas de sucção e recalque.

𝐻𝑔 = ℎ𝑠 + ℎ𝑟

Comprimento Real da Canalização: corresponde ao comprimento medido ao longo da


canalização e pode ser dividido em Ls (comprimento real da canalização de sucção) e Lr (comprimento
real da canalização de recalque).

Comprimento Equivalente (virtual ou fictício): é o comprimento que deveria ter um tubo


retilínio para provocar a mesma perda de carga que a conexão considerada (tê, cotovelo, válvula, etc.)
de igual diâmetro.

Exemplo: joelho de 90° raio curto Dref= 2 ½ “ Ferro Galvanizado  Leq = 2,00 m

Plástico (PVC)  Leq = 3,70 m

Comprimento Total: o comprimento total para efeito de cálculo, corresponde à soma do


comprimento real com o virtual (L = Lreal + Lvirt).

18
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Perda de Carga Unitária (J): corresponde a perda de carga ou energia, quando a água escoa
entre duas seções da canalização distanciadas de 1 m. Corresponde também à declividade da linha de
energia do escoamento.

Para instalações prediais, com diâmetros relativamente pequenos, a Norma NBR 5626/1998
recomenda usar a fórmula de Fair-Whiple-Hsiao no seu dimensionamento. Por esta fórmula a perda
de carga é dada por:

 Canalizações de Ferro e Aço Galvanizado:

𝐽 = 20,2 ∗ 106 ∗ 𝐷 −4,88 ∗ 𝑄1,88 (D em mm, Q em L/s para obter J em kPa/m)

𝐽 = 0,00202 ∗ 𝐷 −4,88 ∗ 𝑄1,88 (D em m, Q em m³/s para obter J em mca/m)

 Canalizações de Cobre e Plástico:

𝐽 = 8,69 ∗ 106 ∗ 𝐷 −4,75 ∗ 𝑄1,75 (D em mm, Q em L/s para obter J em kPa/m)

𝐽 = 0,000869 ∗ 𝐷 −4,75 ∗ 𝑄1,75 (D em m, Q em m³/s para obter J em mca/m)

Altura Manométrica Total (H): para especificar uma bomba, precisa-se conhecer a vazão a ser
recalcada (Q) e a altura manométrica (H). Esta altura, para efeito de cálculo, pode ser desdobrada em
duas parcelas, uma relativa a sucção (Hs) e a outra ao recalque (Hr).

 Altura Manométrica de Sucção (Hs): corresponde à soma do desnível geométrico na sucção com
a perda de carga total na sucção

𝐻𝑠 = ℎ𝑠 + ∆ℎ𝑠
Chamando Ls o comprimento total de sucção, então teremos Ls = Lreal+Lvirtual, e

∆ℎ𝑠 = 𝐽𝑠 ∗ 𝐿𝑠

 Altura Manométrica de Recalque (Hr): da mesma forma, esta corresponde à soma do desnível
geométrico no recalque com a perda de carga total no recalque

𝐻𝑟 = ℎ𝑟 + ∆ℎ𝑟
Chamando Lr o comprimento total da linha dr recalque, então Lr = Lreal+Lvirtual, e
∆ℎ𝑟 = 𝐽𝑟 ∗ 𝐿𝑟
Desta forma, a altura manométrica total pode ser escrita na forma
𝐻 = 𝐻𝑟 + 𝐻𝑟
Potência: a potência fornecida pela bomba ao escoamento é dada pela expressão
𝛾∗𝑄∗𝐻
𝑃= (𝐶𝑣)
75
𝛾: peso específico da água (kgf/m³)
Q: vazão (m³/s)
H: altura manométrica (m)
P: potência (Cv)

19
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Potência da Bomba: a bomba é uma máquina hidráulica, e como toda máquina, não é capaz de
transformar toda energia que recebe em trabalho útil. Assim, à eficiência com que ela faz isso, nós
chamamos rendimento da bomba (𝜂𝐵 ). Então, a potência da bomba é dada por:
𝛾∗𝑄∗𝐻
𝑃= (𝐶𝑣)
𝜂𝐵 ∗ 75

Observações:
1) Os motores (elétricos, diesel, etc.) são especificados através da potência que podem fornecer
no seu eixo.
2) As bombas são especificadas através da potência que devem receber no seu eixo.
3) O valor da potência determinada pela expressão acima, serve tanto para especificar a bomba
hidráulica quanto o motor que acionará a mesma e é fornecida nos catálogos dos fabricantes.
São as chamadas “potências de placa”, impressas na carcaça da máquina.
4) Os motores elétricos também apresentam um rendimento 𝜂𝑀 menor que a unidade.Por isso,
a instalação elétrica que alimentará o motor, deve ser dimensionada para uma potência
𝛾∗𝑄∗𝐻
𝑃= (𝐶𝑣)
𝜂𝑀 ∗ 𝜂𝐵 ∗ 75
onde 𝜂𝑀 é o rendimento do motor.

1.3.6 Especificação da Bomba


O cálculo da potência, feito acima, serve para nos dar uma idéia, à priori, da potência do motor
elétrico e permite o dimensionamento da instalação (elétrica) que irá alimentá-lo, mas não precisamos
fazer este cálculo para dimensionar a bomba e o motor. Temos, entretanto, que dispor de catálogo
de bombas, fornecidos pelos fabricantes. Um exemplo de catálogo, é o apresentado na Figura 1-16.

Figura 1-16 Curvas Características de uma bomba KSB. Fonte: KSB Pump Catalog

20
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Figura 1-17Comprimentos Equivalentes a perdas localizadas, em metros de canalização de FERRO GALVANIZADO
retiínea

21
Figura 1-18 Perdas de Carga Localizada - sua equivalência em metros de tubulação de PVC rígido ou COBRE.

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22
Exercício 4

Um prédio de apartamentos com 13 andares e subsolo, onde deverá residir o zelador, possui
por andar dois apartamentos de 3 dormitórios e dois com 2 dormitórios. Em todos há um quarto de
empregada.

a) Calcular o volume dos reservatórios inferior e superior, prevendo uma reserva de incêndio
no reservatório superior, capaz de atender dois hidrantes com uma vazão de 250 L/min cada
um, durante 30 minutos.
b) Dimensionar o sistema de recalque e especificar a bomba.

Figura 1-19 Representação Isométrica de uma instalação de bombeamento de um prédio. Fonte: Macintyre, 1996

23
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Solução:

A Figura 1-19 mostra uma representação isométrica da instalação com todas as medidas
necessárias do cálculo.

a) Consumo Diário (Tabela Tabela 1-2)

- Estimativa da População
𝑎𝑝𝑡 𝑑𝑜𝑟𝑚 2𝑝𝑒𝑠𝑠 1𝑞𝑒𝑚𝑝𝑟𝑒𝑔 1𝑝𝑒𝑠𝑠
𝑃𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜: 13 𝑎𝑛𝑑𝑎𝑟𝑒𝑠 ∗ [2 ∗ (3 ∗ + ∗ )] + 13 𝑎𝑛𝑑𝑎𝑟𝑒𝑠
𝑎𝑛𝑑𝑎𝑟 𝑎𝑝𝑡 𝑑𝑜𝑟𝑚 𝑎𝑝𝑡 𝑞𝑒𝑚𝑝𝑟𝑒𝑔
𝑎𝑝𝑡 𝑑𝑜𝑟𝑚 2𝑝𝑒𝑠𝑠 1𝑞𝑒𝑚𝑝𝑟𝑒𝑔 1𝑝𝑒𝑠𝑠
∗ [2 ∗ (2 ∗ + ∗ )]
𝑎𝑛𝑑𝑎𝑟 𝑎𝑝𝑡 𝑑𝑜𝑟𝑚 𝑎𝑝𝑡 𝑞𝑒𝑚𝑝𝑟𝑒𝑔
𝑃𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜: 312 𝑝𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎𝑠 + 5𝑝𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎𝑠 (𝑜𝑢 1000𝐿 − 𝑧𝑒𝑙𝑎𝑑𝑜𝑟) = 317 𝑝𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎𝑠
𝐿
𝐶𝑜𝑛𝑠𝑢𝑚𝑜 𝐷𝑖á𝑟𝑖𝑜 (𝑇𝑎𝑏𝑒𝑙𝑎 1-1) = 317 𝑝𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎𝑠 ∗ 200 = 63.400 𝐿/𝑑𝑖𝑎
𝑝𝑒𝑠𝑠𝑜𝑎
- Reserva de Incêndio
𝐿
2 ℎ𝑖𝑑𝑟𝑎𝑛𝑡𝑒𝑠 ∗ 250 ∗ 30 min = 15.000 𝐿
𝑚𝑖𝑛
- Volume dos Reservatórios

Considerando uma reserva para dois dias, teremos:

Reserv. Superior: 2/5*63.400 L + 15000 L = 40.360 L = 40,36 m³

Reserv. Inferior: 3/5*63.400 + 63.400 L = 101,440 L = 101.44 m³

Observação: Estes são os volumes úteis dos reservatórios. A vazão a ser bombeada
diariamente é 63.400 L, que corresponde ao consumo diário do prédio. A reserva de incêndio não tem
que ser bombeada diariamente, pois ela não deve ser consumida dia-a-dia.

b) Sistema de Recalque

b.1) Diâmetro de Recalque


4
Fórmula de Bresse/Forchheimmer  𝐷𝑟 = 1,3 ∗ √𝑋 ∗ √𝑄

𝐶𝐷 63,40 𝑚3 𝑚3
𝑄= = = 21,13 = 0,00587 𝑚3 /𝑠
𝑇𝐵 3ℎ ℎ

4 3
𝐷𝑟 = 1,3 ∗ √( ) ∗ √0,00587 = 59,23 𝑚𝑚
24

Este é o diâmetro interno calculado prar a tubulação de recalque.

Adotar Di = 53,4 mm (DN 50 ou DE 60mm) *** Observar Tabela 1-4

b.2) Diâmetro de Sucção

Adotar DN 60 ou DE 75 mm (uma bitola maior)

24
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b.3) Cálculo da Altura Manométrica (H)

b.3.1) Recalque (DN = 50 mm)

Altura Geométrica (hr) 43,90


Comprimentos:
** Real
(0,50+1,40+1,10+5,50+1,30+39,40+10,80+3,75+1,60+0,40) 65,75

** Equivalentes (Virtuais)
1 Registro de Gaveta 1*0,80 = 0,80
1 Válvula de Retenção (Tipo Pesado) 1*10,80 = 10,80
7 Joelhos de 90° (cotovelos) 7*3,40 = 23,80
1 Joelho de 45° 2*1,50 = 3,00
1 saída de canalização 1 * 3,30 = 3,30
41,70 m
Comprimento Total de Recalque (Real + Equivalente) Lr = 107,45 m
Perda de Carga Unitária (Jr)
𝐽𝑟 = 0,000869 ∗ 𝐷 −4,75 ∗ 𝑄1,75
𝐽𝑟 = 0,000869 ∗ (0,0534)−4,75 ∗ (0,00587)1,75
𝐽𝑟 = 0,1198 𝑚𝑐𝑎/𝑚 Vr = 1,45 m/s

Perda de Carga no Recalque (𝛥ℎ𝑟)


𝑚𝑐𝑎 12,87
𝛥ℎ𝑟 = 𝐽𝑟 ∗ 𝐿𝑟 = 0,1198 ∗ 107,45 = 12,87 𝑚
𝑚

Altura Manométrica de Recalque 𝐻𝑟 = ℎ𝑟 + 𝛥ℎ𝑟 = 43,90 + 56,77


12,87

b.3.2) Sucção (DN = 60 mm)

Altura Geométrica (hs) 2,20


Comprimentos:
** Real (2,40 + 1,20 + 1,60) 5,20

** Equivalentes (Virtuais)
2 Registro de Gaveta 2*0,90 = 1,80
1 Válvula de Pé com Crivo 1*25,00 = 25,00
1 Joelho de 90° 1*3,70 = 3,70
2 Tê Saída Lateral 2*7,80 = 15,60
46,10 m
Comprimento Total de Sucção (Real + Equivalente) Ls = 51,30 m
Perda de Carga Unitária (Js)
𝐽𝑠 = 0,000869 ∗ 𝐷 −4,75 ∗ 𝑄1,75
𝐽𝑠 = 0,000869 ∗ (0,0666)−4,75 ∗ (0,00587)1,75
𝐽𝑠 = 0,0419 𝑚𝑐𝑎/𝑚 Vr = 1,45 m/s
Perda de Carga na Sucção (𝛥ℎ𝑠)
𝑚𝑐𝑎 2,15
𝛥ℎ𝑠 = 𝐽𝑠 ∗ 𝐿𝑠 = 0,0419 ∗ 51,30 = 2,15 𝑚𝑐𝑎
𝑚

Altura Manométrica de Sucção 𝐻𝑠 = ℎ𝑠 + 𝛥ℎ𝑠 = 2,40 + 2,15 4,55

25
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- Altura Manométrica Total

𝐻 = 𝐻𝑠 + 𝐻𝑟 = 4,55 + 56,77 = 61,32 𝑚

b.4) Especificação da Bomba:

Com Q = 21,3 m³/h  BOMBA KSB 32-200  φ rotorB = 186 mm

HM = 61,0 m ηB = 48%

PB = 10,5 cv

NPSHB = 2,9 m

NOTA: 1) Seria melhor procurer em catálgos de outros fabricantes uma bomba que trabalhe com
rendimento mais elevado, e aí provavelmente a potência seria menor;

2) O motor elétrico também deve ser especificado para esta potência. PM = 11,05 cv

26
JFAS – INSTALAÇÕES HIDROSSANITÁRIAS - FURG
1.4 Dimensionamento da Tubulação de Água Fria
A rede de água fria, é constituída de barriletes, colunas, ramais e sub-ramais (ver Figura
1-29, página 32).

- Barrilete de Distribuição

É uma tubulação que liga (comunica) os dois compartimentos do reservatório superior e tem
a finalidade de distribuir a água entre as diversas colunas de alimentação, evitando assim, a ligação
direta das mesmas ao fundo do reservatório através de igual número de orifícios (furos).

- Colunas de Alimentação (CAF)

Estas, derivam do barrilete e após um certo trecho sobre cobertura, descem verticalmente
alimentando os diversos pavimentos do prédio, através dos ramais.

- Ramais

São tubulações que partem da coluna de alimentação (CAF) e servem um conjunto de


aparelhos (pia, lavatório, chuveiro, caixa de descarga, etc.)

- Sub-ramais

São tubulações que ligam cada um dos aparelhos ao ramal. Assim, cada ramal alimenta vários
subramais e por conseqüência vários aparelhos. Cada subramal liga apenas um aparelho ao ramal. A
figura Figura 1-29 (página 32) mostra uma instalação com as partes acima descritas.

1.4.1 Aparelhos e equipamentos


A seguir, são apresentadas algumas figuras que procuram mostrar os aparelhos mais
freqüentemente encontrados nos prédios bem como as localizações das tomadas de água para o
funcionamento dos mesmos. É necessário que o projetista distribua ou localiza na planta baixa a
posição dos diversos aparelhos e equipamentos, para então situar as tomadas de água. Esta
localização dos pontos de alimentação é determinada em geral pela distância vertical acima do piso
acabado e uma distância horixontal medida em relação a uma das paredes do compartimento
(cozinha, banheiro, área de serviço, lavabo, etc.).

a) Ligacão de Válvulas de Descarga

As válvulas de descarga são aparelhos hidráulicos, construídos em bronze ou latão, destinados


a permitir a descarga de água, em vazão e volume adequados para promover a limpeza de vasos
sanitários e mictórios, mediante acionamento manual e fechamento automático. Podem ser
acionadas por botão ou alavanca. Para o perfeito funcionamento, exigem uma pressão mínima
fornecida no catálogo do fabricante. As de botão, possuem um um registro como parte integrante da
própria válvula, o que dispensa o uso de registro no sub-ramal. Este registro permite o fechamento da
passagem de água para manutenção e é acionado com chave de fenda. O tempo de fechamento pode
variar de 5 a 10 segundos e o volume de água gasto entre 8 e 12 litros por descarga.

27
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Figura 1-20 Medidas para Instalação de Válvula de Figura 1-21 Medidas para Instalação de Válvula de Alavanca.
Botão. Fonte: Macintyre, 1990 Fonte: Macintyre, 1990

b) Ligação de Caixa de Descarga

As caixas de descarga são reservatórios


cuja finalidade é acumular uma certa
quantidade de água para promover a
lavagem do vaso sanitário ou mictório. A
capacidade destas caixas varia de 10 a 20
litros e são esgotadas pelo acionamento de
uma alavanca. Alguns modelos são dotados
de um sifão que produz uma sucção
tornando a descarga mais eficiente. Elas
podem ser suspensas, embutidas na parede
ou acopladas ao vaso sanitário.

Figura 1-22 Caixa de Descarga Externa Alta. Fonte: Catálogo Tigre

28
JFAS – INSTALAÇÕES HIDROSSANITÁRIAS - FURG
Figura 1-23 Instalação de Vaso Sanitário com caixa de descarga embutida. Fonte: Macintyre, 1990

c) Instalação de água para mictórios

Figura 1-24 Instalação de Água para Mictórios. Fonte: Macintyre, 1990.

29
JFAS – INSTALAÇÕES HIDROSSANITÁRIAS - FURG
d) Ligações de água na cozinha

Figura 1-25 Instalação de Água em uma cozinha. Fonte: Macintyre, 1990

e) Instalações de água na área de serviço

Figura 1-26 Instalação de água para tanque e máquina de


lavar roupas. Fonte: Macintyre, 1990 Figura 1-27 Instalação de água para máquina de lavar
roupas. Fonte: Macintyre, 1990

30
JFAS – INSTALAÇÕES HIDROSSANITÁRIAS - FURG
f) A figura abaixo sintetiza as anteriores, mostrando a altura das tomadas de água para diversos
aparelhos e equipamentos.

Figura 1-28 Altura da tomada de água para diversos aparelhos. Fonte: Macintyre, 1990

31
JFAS – INSTALAÇÕES HIDROSSANITÁRIAS - FURG
Figura 1-29 Barrilete, Colunas, Ramais e Sub-ramais Fonte: Macintyre, 1990

32
JFAS – INSTALAÇÕES HIDROSSANITÁRIAS - FURG
1.4.2 Tubos de PVC empregados nas Instalações de Água Fria
Os tubos de PVC para instalações de água fria são normalizados pela ABNT e sua fabricação
segue as prescrições da NBR 5648, 5680, 7372 e outras.

A ABNT, no que diz respeito a diâmetros, classifica os tubos de PVC rígidos soldáveis através
de um número chamado Diâmetro Nominal ou DN que não corresponde exatamente à dimensão
alguma do tubo, dando apenas uma ideia do diâmetro interno dos mesmos. Já os tubos roscáveis (ou
rosqueáveis), são classificados através de um número chamado Diâmetro de Referência, expresso em
polegadas, que da mesma forma, não apresenta correspondência exata com nenhuma das dimensões
do tubo, e dá apenas uma idéia do diâmetro interno dos mesmos.

Os fabricantes, por outro lado, especificam os tubos de PVC rígidos soldáveis, para aplicação
em instalações prediais de água, através do Diâmetro Externo DE que corresponde exatamente a
medida de seu diâmetro. Esta especificação vem impressa no tubo. Ex: DN 32 mm.

Os tubos de PVC rígido roscável, para aplicação em água fria, são especificados pelos
fabricantes através do diâmetro de referência, que vem impresso no corpo do tubo. Ex: Ref ¾.

A Tabela 1-4 mostra a correspondência entre os diversos diâmetros de tubos de PVC rígido
empregados em instalações de água fria, e seus valores foram extraídos do Manual Técnico de
Instalações Hidráulicas e Sanitárias da Tigre, da bibliografia e de catálogos de fabricantes.
Tabela 1-4 Diâmetros Nominais, Internos e Externos

Bitola Dimensões
Soldáveis Roscáveis
DN Ref DE (mm) e (mm) DI (mm) DE (mm) e (mm) DI (mm)
15 ½ 20 1,5 17,0 21,0 2,6 15,8
20 ¾ 25 1,7 21,6 26,5 2,9 20,7
25 1 32 2,1 27,8 33,2 3,5 26,2
32 1¼ 40 2,4 35,2 42,0 3,7 34,6
40 1½ 50 3,0 44,0 48,0 4,4 39,2
50 2 60 3,3 53,4 60,0 4,7 50,6
60 2½ 75 4,2 66,6 75,5 4,7 66,1
75 3 85 4,7 75,6 88,3 4,8 78,7
100 4 110 6,10 97,8 113,1 5,0 103,1

Observação: Todos os cálculos de perda de carga que se fizerem necessários no dimensionamento da


instalação de água fria, serão feitos com base na fórmula de Fair-Whipple-Hsiao, onde o diâmetro a
considerar é o interno Di conforme item A.2.1 da NBR 5626/1998.

33
JFAS – INSTALAÇÕES HIDROSSANITÁRIAS - FURG
1.4.3 Dimensionamento
O dimensionamento segue a seguinte seqüência sub-ramais, ramais, colunas e barrilete.
Alguns autores, entretanto, preferem fazer o dimensionamento na ordem inversa por ser bem mais
prático.

1.4.3.1 Sub-Ramais
Cada sub-ramal liga diretamente o ramal à um aparelho apenas e seu dimensionamento se
baseia em ensaios realizados com cada tipo de aparelho. Os fabricantes dos aparelhos fornecem em
seus catálogos o diâmetro que recomendam para estas instalações. A NBR 5626/82 indicava os
diâmetros mínimos dos sub-ramais de ligação para os aparelhos mais comum (Tabela 1-5).

Se o aparelho não for de utilização comum, deve-se consultar o catálogo do fabricante. A NBR
5626/98 não apresenta mais a tabela que transcrevemos a seguir.
Tabela 1-5 Diâmetros mínimos dos sub-ramais

Diâmetro Nominal
Aparelho de Utilização
DN (mm) Ref. (pol)
Aquecedor de baixa pressão 20 ¾
Aquecedor de alta pressão 15 ½
Bacia Sanitária com caixa de descarga 15 ½
Bacia Sanitária com válvula de descarga* 32 1¼
Bacia Sanitária com válvula de descarga* 40 1½
Banheira 15-20 ½-¾
Bebedouro 15 ½
Bidê 15 ½
Chuveiro 20 ¾
Filtro de Pressão 15 ½
Lavatório 15 ½
Máquina de lavar pratos 20 ¾
Máquina de lavar roupas 20 ¾
Mictório de descarga contínua (por metro ou por aparelho) 15 ½
Mictório auto-aspirante 20 ¾
Pia de cozinha 15 ½
Pia de despejo 20 ¾
Tanque de lavar roupas 20 ¾

* Para válvulas de descarga, o diâmetro do sub-ramal fica na depedência da pressão disponível. Por
exemplo, a DECA recomenda que para residências de até 2 pavimentos, utilize-se a válvula Hydra de
1 ½’’. Para as residências de 3 ou mais pavimentos, e para edifícios, deve-se observar a tabela e o
gráfico mostrados na Figura 1-30 Faixas de Uso Válula Hydra. As recomendações da DOCOL podem
ser observadas a seguir.

34
JFAS – INSTALAÇÕES HIDROSSANITÁRIAS - FURG
Válvula Hydra LISA (2515)

Especificações

Para residências de até 2 pavimentos utiliza-se a válvula Hydra de 1 ½”. Para as residências de
3 ou mais pavimentos, e para edifícios deve-se observar a tabela e gráfico abaixo, na especificação da
válvula.

Bitola da Áltura Coluna



Válvula D’água (m)
1 ½” -- 2.5 a 6
1 ¼” 1 6 a 18
1 ¼” 2 18 a 33
1 ¼” 3 33 a 51

Figura 1-30 Faixas de Uso Válula Hydra

Obs.: Salientamos a necessidade de observância das faixas de uso para cada tipo de válvula,
quando da instalação das mesmas, para um funcionamento perfeito. Para que não haja dúvida, cada
modelo de válvula de 1 ¼“ recebe uma etiqueta na tampa, identificando quanto ao número e uso. Em
caso de válvula Hydra de 1 ¼” ser instalada com um número errado em relação à coluna d’água, basta
uma simples troca de embolo. Essa troca poderá ser efetuada pela nossa Assistência Técnica ou
elemento capacitado.

Sistema Anti-Golpe

A válvula Hydra é equipada com o sistema anti-golpe de aríete que proporciona um


funcionamento perfeito.

O sistema é basicamente um elemento de regulagem fabricado em acetal em três diferentes


modelos, um para cada faixa de altura de coluna d’água.

Esse sistema permite que o corte do fluxo de água, durante o fechamento, seja feito
paulatinamente, evitando grandes valores de sobrepressão que ocasionam ruídos e danos à
tubulação.

Em prédios de até 40 m.c.a, não se faz necessária a instalação de válvulas redutoras de


pressão, nem de caixas intermediárias, cuja função é reduzir a pressão na linha adutora das válvulas
de descarga.

35
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1.4.3.2 Ramais
O dimensionamento dos ramais deve ser feito com base em um dos dois critérios: Critério do
Consumo Simultâneo Máximo Possível ou do Critério do Consumo Simultâneo Máximo Provável.

1) Consumo Simultâneo Máximo Possível: segundo esse critério de dimensionamento,


considera-se que os diversos aparelhos alimentados pelo ramal sejam utilizados ao mesmo tempo, e
nesse caso, diferentes trechos do ramal aduzirão diferentes vazões, de tal modo que o trecho inicial,
mais próximo da coluna, será responsável pela alimentação de todos aparelhos.

Esta hipótese ocorre com frequência nos ramais que alimentam uma bateria de lavatórios,
chuveiros, bacias sanitárias e mictórios em banheiros de fábricas, internatos, quartéis, clubes, ginásios
de esportes, onde há um horário mais ou menos rigoroso de utilização.

Para esse tipo de dimensionamento, utiliza-se a Tabela 1-6 que fornece a relação entre a
capacidade hidráulica de um tubo de diâmetro qualquer e o tubo de diâmetro nominal DN 15 (1/2’’).
Em outras palavras, um tubo de diâmetro qualquer é expresso em termos de quantidade de tubos
DN15 necessários para dar a mesma vazão. Por exemplo, o tubo com diâmetro DN 25 equivale a 6,2
tubos de DN 15 do ponto de vista da capacidade hidráulica.
Tabela 1-6 Equivalência entre tubos de diversos diâmetros e o de 15 mm (1/2)

Diâmetro da Tubulação Número de tubos DN 15 (1/2) com a


DN (mm) Ref. (pol) mesma capacidade hidráulica
15 ½ 1
20 ¾ 2,9
25 1 6,2
32 1¼ 10,9
40 1½ 17,4
50 2 37,8
60 2½ 65,5
75 3 110,5
100 4 189,0

Exemplo 1: Dimensionar os ramais e sub-ramais que alimentam uma bateria de lavatórios


no banheiro de um ginásio de sportes.

SOLUÇÃO: A Tabela 1-4 indica que os sub-ramais que alimentam os lavatórios, devem ter diâmetro
mínimo DN 15 (soldável) ou ½ (roscável). Assim, a figura abaixo associa o equivalente 1 a cada sub-
ramal.

Ramal Equivalência Diâmetro


F-G 1 DN 15 ou ½
E-F 2 DN 20 ou ¾

36
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D-E 3 DN 25 ou 1
C-D 4 DN 25 ou 1
B-C 5 DN 25 ou 1
A-B 6 DN 25 ou 1

* Na extremidade de cada sub-ramal deve ser prevista a instalação de um joelho de 90° com bucha
de latão.

** Deve-se verificar a pressão disponível em cada aparelho.

Exemplo 2: Dimensionar os ramais e sub-ramais que alimentam uma bateria de chuveiros de um


quartel.

Bateria de chuveiros no banheiro de um ginásio de esportes

SOLUÇÃO: Atribua cotas para o ramal (1 m acima do piso acabado), fundo do reservatório (70 cm
acima da laje de cobertura), chuveiros (2,10 m acima do piso acabado), etc. e verifique as pressões
disponíveis nos aparelhos.

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2) Consumo Simultâneo Máximo Provável: segundo esse critério de dimensionamento,
considera-se que os diversos aparelhos alimentados pelo ramal não sejam utilizados ao mesmo
tempo, e nesse caso, a vazão de dimensionamento é menor que a vazão máxima possível. A estimativa
desta demanda pode ser feita tanto pela aplicação da teoria das probabilidades como a partir da
experiência acumulada na observação de instalações similares. A NBR 5626/1998 sugere a utilização
do método dos pesos relativos, baseado no segundo caso.

Os pesos relativos são atribuídos a cada aparelho em função da vazão de projeto de cada um.
A Tabela 1-7, extraída da NBR 5626/1998, indica os aparelhos mais comuns, suas vazões de
funcionamento e os respectivos pesos.
Tabela 1-7 Vazão e peso relativo para os aparelhos mais comuns (Fonte: NBR 5626/1998).

Aparelho Sanitário Peça de Utilização Vazão de Peso


Projeto (L/s) Relativo
Caixa de descarga 0,15 0,3
Bacia Sanitária
Válvula de descarga 1,70 32
Banheira Misturador (Água Fria) 0,30 1,0
Bebedouro Registro de Pressão 0,10 0,1
Bidê Misturador (Água Fria) 0,10 0,1
Chuveiro ou ducha Misturador (Água Fria) 0,20 0,4
Chuveiro Elétrico Registro de Pressão 0,10 0,1
Lavadora de pratos ou roupas Registro de Pressão 0,30 1,0
Lavatório Torneira ou Misturador (Água Fria) 0,15 0,3
Com Sifão Válvula de descarga 0,50 2,8
Integrado
Mictório Cerâmico
Sem Sifão Caixa de descarga, registro de pressão 0,15 0,3
Integrado ou válvula de descarga para mictório
Mictório tipo calha (por metro) Caixa de descarga ou registro de pressão 0,15 0,3
Torneira ou Misturador (Água Fria) 0,25 0,7
Pia
Torneira Elétrica 0,10 0,1
Tanque Torneira 0,25 0,7
Torneira de Jardim Torneira 0,20 0,4

No dimensionamento dos ramais, deveremos adicionar os pesos dos aparelhos ligados ao


mesmo e calcular a vazão através da expressão

𝑄 = 0,3 ∗ √Σ𝑃
onde:

Q é a vazão estimada no trecho de ramal considerado, em litro por segundo (L/s);

Σ𝑃 é a soma dos pesos relativos de todos os aparelhos alimentados pelo trecho (adimensional).

38
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Com a soma dos pesos, ou vazão calculada, entra-se no Ábaco e tira-se o diâmetro nominal
do respectivo trecho:

Figura 1-31 Ábaco - Diâmetros Nominais e Vazões em função da Soma dos Pesos. Fonte: Créder,1990

Nota: Alguns ábacos, semelhantes a este, fornecem o diâmetro externo DE ao invés do


nominal, como é o ábaco apresentado na referência Macintyre e no Manual de Instalações TIGRE. O
diâmetro obtido no ábaco, representa apenas um ponto de partida no dimensionamento, pois
devemos calcular as perdas de carga e verificar a pressão disponível nos pontos de alimentação dos
aparelhos.

Exemplos:

Σ𝑃 = 0,8 → 𝑄 = 0,268 𝐿/𝑠 𝑒 𝐷𝑁 = 20 𝑚𝑚


Σ𝑃 = 100 → 𝑄 = 3,0 𝐿/𝑠 𝑒 𝐷𝑁 = 40 𝑚𝑚
Σ𝑃 = 2500 → 𝑄 = 15,0/𝑠 𝑒 𝐷𝑁 = 75 𝑚𝑚

39
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OBSERVAÇÃO: Por este processo, não devemos somar as vazões, mas sim os pesos para todos os
trechos e só depois calcular a vazão.

OBSERVAÇÃO: Item A.1.2 “Este método é aplicável para as instalações destinadas ao uso normal da
água e dotadas de aparelhos sanitários e peças de utilização usuais; não se aplica quando o uso é
intensivo (como é o caso de cinemas, escolas, quartéis, estádios e outros). ”

Exercício 3:

Na figura vemos a representação da instalação que alimenta o banheiro em um prédio de apenas 1


pavimento.

(a) Dimensione os sub-ramais, os ramais e a coluna que desce do reservatório. O ponto de tomada
d’água está 10 cm acima do fundo do reservatório.
(b) Verifique a pressão disponível em todas as tomadas d’água.

1.4.3.3 Colunas
O dimensionamento das colunas é feito de modo semelhantes aos ramais, isto é, dimensiona-
se trecho por trecho (andar por andar), de acordo com a soma dos pesos dos ramais alimentados pelo
respectivo trecho de coluna. Com a soma dos pesos em um dado trecho, escolhe-se o diâmetro no
ábaco e calcula-se as perdas de carga. Com isto, temos condições de verificar a pressão disponível em
cada ponto da coluna.

NOTA: Se a coluna alimenta ramais superpostos que foram dimensionados pelo critério do consumo
simultâneo máximo possível, então ela deve ser dimensionada com base no mesmo critério.

40
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Vamos desenvolver a sequência de cálculos necessários ao dimensionamento das colunas,
que alimentam os ramais em um edifício de apartamentos, através de um exemplo.

Exemplo 4: Na Figura 1-32, vemos 7 colunas saindo do barrilete e alimentando 10 pavimentos cada
uma, sendo os seguintes os aparelhos alimentados e o peso correspondente, em cada ramal.

Coluna 1 1 Válvula Descarga 32 Coluna 5 1 Válvula Descarga 32


Σ𝑃 = 32 1 Pia Cozinha 0,7
1 Tanque 0,7
Coluna 2 1 Caixa descarga 0,3 1 Lav. Roupas 1,0
Coluna 7 1 Bidê 0,1 Σ𝑃 = 34,4
1 Lavatório 0,3
1 Chuv. Elétrico 0,1
Σ𝑃 = 0,8 Coluna 2 1 Válvula Descarga 32
Coluna 7 1 Bidê 0,1
Coluna 5 1 Pia Cozinha 0,7 1 Lavatório 0,3
1 Tanque 0,7 1 Chuveiro 0,1
1 Lav. Roupas 1,0 1 Banheira 1,0
Σ𝑃 = 2,4 Σ𝑃 = 33,8

Dimensione cada trecho, calcule a perda de carga em cada um e determine a pressão


disponível nas derivações dos ramais.

Figura 1-32 Barrilete Ramificado

Vamos dimensioná-las trecho por trecho e dispor os dados em forma de planilha. A NBR 5626
sugere um modelo de planilha que pode ser utilizado (ver página 42). A seguir, procura-se dar uma
descrição de cada coluna desta planilha e nas páginas seguintes mostra-se o preenchimento da
planilha para o execício proposto.

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PLANILHA DIMENSIONAMENTO DE COLUNAS

1 2 3 4 5 6a 6b 6c 7 8 9 10 11 12 13 14 15
Coluna Trecho Pesos Diâmetro (mm) Comprimento Dif Pressão Disponível
J hp
Q (L/s) Veloc. cotas
(mca/m) (mca)
CAF Andar Trecho Acum. DN Di DE (m/s) Real Equiv. Total (+ ou -) Montante Jusante

42
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Descrição da Planilha da NBR 5626/1998

Colunas 1 e 2 – Identificação da coluna e do trecho a ser dimensionado. Este procedimento deve ser
repetido para cada coluna de água fria (CAF) do prédio;

Colunas 3 e 4 – Colocamos os pesos correspondentes a cada pavimento (col 3) contribuinte, e os pesos


acumulados dipostos de baixo para cima (col 4);

Coluna 5 – Vazão calculada através da expressão

𝑄 = 0,3 ∗ √Σ𝑃
Coluna 6 – Diâmetro Interno do tubo escolhido no ábaco em função dos pesos acumulados da col. 4;

Coluna 7 – Velocidade do escoamento, obtida através da equação da continuidade V = Q/A. De acordo


com a NBR 5626/98, esse valor deve ficar abaixo de 3,00 m/s;

Colunas 8,9 e 10 – Comprimento real do trecho, comprimento equivalente às perdas de carga localizadas
e comprimento total do trecho (real + equivalente);

Coluna 11 – Perda de Carga Unitária J (mca/m) obtida através da fórmula de Fair-Whipple-Hsiao;

Coluna 12 – Perda de Carga no trecho em m.c.a, obtida do produto das colunas 10 e 11;

Coluna 13 – Diferença de cotas. Corresponde ao desnível geométrico entre o início (entrada) e o fim
(saída) do trecho. Considera-se positiva quando a cota de entrada for maior que a de saída, e negativa em
caso contrário;

Coluna 14 – Pressão disponível a montante do trecho. Esta corresponde a pressão disponível à jusante do
trecho anterior;

Coluna 15 – Pressão disponível a jusante do trecho. Esta é obtida, subtraindo da pressão à montante do
trecho, a perda de carga no trecho (col 12) e somando ou subtraindo o desnível geométrico entre o início
e o fim do trecho, isto é, (= col 14 – col 12 ± col 13).

43
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DIMENSIONAMENTO DAS COLUNAS - COLUNA 01

1 2 3 4 5 6a 6b 6c 7 8 9 10 11 12 13 14 15

Coluna Trecho Pesos Diâmetro (mm) Comprimento Dif Pressão Disponível


Q J hp
Veloc. cotas
(L/s) (mca/m) (mca)
CAF Andar Trecho Acum. DN Di DE (m/s) Real Equiv. Total (+ ou -) Montante Jusante
1 A-10 32 320 5.37 50 53.4 60 2.40 12.30 12.20 24.50 0.102369 2.51 1.85 1.34 0.68
2 10-9 32 288 5.09 50 53.4 60 2.27 2.80 2.30 5.10 0.093353 0.48 2.8 0.68 3.01
3 9-8 32 256 4.80 50 53.4 60 2.14 2.80 2.30 5.10 0.084211 0.43 2.8 3.01 5.38
4 8-7 32 224 4.49 50 53.4 60 2.00 2.80 2.30 5.10 0.074925 0.38 2.8 5.38 7.79
5 7-6 32 192 4.16 50 53.4 60 1.86 2.80 2.30 5.10 0.065471 0.33 2.8 7.79 10.26
1
6 6-5 32 160 3.79 50 53.4 60 1.69 2.80 2.30 5.10 0.055817 0.28 2.8 10.26 12.78
7 5-4 32 128 3.39 50 53.4 60 1.52 2.80 2.30 5.10 0.045917 0.23 2.8 12.78 15.34
8 4-3 32 96 2.94 40 44 50 1.93 2.80 2.30 5.10 0.089551 0.46 2.8 15.34 17.68
9 3-2 32 64 2.40 40 44 50 1.58 2.80 2.20 5.00 0.062804 0.31 2.8 17.68 20.17
10 2-1 32 32 1.70 32 35.2 40 1.74 2.80 2.20 5.00 0.098835 0.49 2.8 20.17 22.48

 Pressão muito baixa para Válvula de


Descarga 1 Tê saída Lateral (DN75) 8.0
 Aumentar o Diâmetro do Trecho A-10 para Trecho A-10 1 Reg Gaveta (DN 50) 0.8
DN60 1 Joelho 90º (DN 50) 3.4
 Vai dar pressão de 2.31mca no ponto 10 12.20 m
 Logo, usar válvula de 1 ½”

Observações: Coluna 6 – Consultar Ábaco da Página 36

Linha 1 x Coluna 8 = Comprimento Real foi arbitrado

Linha 1 x Coluna 14 = Presão no ponto A vem do cálculo do Barrilete (página 54).

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DIMENSIONAMENTO DAS COLUNAS - COLUNA 02

1 2 3 4 5 6a 6b 6c 7 8 9 10 11 12 13 14 15

Coluna Trecho Pesos Diâmetro (mm) Comprimento Dif Pressão Disponível


Q J hp
Veloc. cotas
(L/s) (mca/m) (mca)
CAF Andar Trecho Acum. DN Di DE (m/s) Real Equiv. Total (+ ou -) Montante Jusante
1 A-10 0.8 8.00 0.85 25 27.8 32 1.40 15.60 4.30 19.90 0.090151 1.79 2.80 0.53 1.54
2 10-9 0.8 7.20 0.80 25 27.8 32 1.33 2.80 0.90 3.70 0.082212 0.30 2.80 1.54 4.03
3 9-8 0.8 6.40 0.76 25 27.8 32 1.25 2.80 0.90 3.70 0.074161 0.27 2.80 4.03 6.56
4 8-7 0.8 5.60 0.71 25 27.8 32 1.17 2.80 0.90 3.70 0.065983 0.24 2.80 6.56 9.11
5 7-6 0.8 4.80 0.66 25 27.8 32 1.08 2.80 0.90 3.70 0.057657 0.21 2.80 9.11 11.70
2
6 6-5 0.8 4.00 0.60 25 27.8 32 0.99 2.80 0.90 3.70 0.049155 0.18 2.80 11.70 14.32
7 5-4 0.8 3.20 0.54 25 27.8 32 0.88 2.80 0.90 3.70 0.040437 0.15 2.80 14.32 16.97
8 4-3 0.8 2.40 0.46 20 21.6 25 1.27 2.80 0.90 3.70 0.104235 0.39 2.80 16.97 19.38
9 3-2 0.8 1.60 0.38 20 21.6 25 1.04 2.80 0.80 3.60 0.073102 0.26 2.80 19.38 21.92
10 2-1 0.8 0.80 0.27 20 21.6 25 0.73 2.80 0.80 3.60 0.039859 0.14 2.80 21.92 24.58

1 Tê Passagem Direta (DN75) 2.5


Trecho A-10 1 Reg Gaveta (DN 25) 0.3
1 Joelho 90º (DN 25) 1.5
4.30 m

Observações: Coluna 6 – Consultar Ábaco da Página 36

Linha 1 x Coluna 8 = Comprimento Real foi arbitrado

Linha 1 x Coluna 14 = Presão no ponto A vem do cálculo do Barrilete (página 54).

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DIMENSIONAMENTO DAS COLUNAS - COLUNA 03

1 2 3 4 5 6a 6b 6c 7 8 9 10 11 12 13 14 15

Coluna Trecho Pesos Diâmetro (mm) Comprimento Dif Pressão Disponível


Q J hp
Veloc. cotas
(L/s) (mca/m) (mca)
CAF Andar Trecho Acum. DN Di DE (m/s) Real Equiv. Total (+ ou -) Montante Jusante
1 E-10 34.4 344.00 5.56 50 53.4 60 2.48 10.60 12.20 22.80 0.109056 2.49 1.85 1.49 0.85
2 10-9 34.4 309.60 5.28 50 53.4 60 2.36 2.80 2.30 5.10 0.099452 0.51 2.80 0.85 3.15
3 9-8 34.4 275.20 4.98 50 53.4 60 2.22 2.80 2.30 5.10 0.089713 0.46 2.80 3.15 5.49
4 8-7 34.4 240.80 4.66 50 53.4 60 2.08 2.80 2.30 5.10 0.079820 0.41 2.80 5.49 7.88
5 7-6 34.4 206.40 4.31 50 53.4 60 1.92 2.80 2.30 5.10 0.069748 0.36 2.80 7.88 10.33
3
6 6-5 34.4 172.00 3.93 50 53.4 60 1.76 2.80 2.30 5.10 0.059463 0.30 2.80 10.33 12.82
7 5-4 34.4 137.60 3.52 50 53.4 60 1.57 2.80 2.30 5.10 0.048916 0.25 2.80 12.82 15.37
8 4-3 34.4 103.20 3.05 40 44.0 50 2.00 2.80 2.30 5.10 0.095401 0.49 2.80 15.37 17.69
9 3-2 34.4 68.80 2.49 40 44.0 50 1.64 2.80 2.20 5.00 0.066907 0.33 2.80 17.69 20.15
10 2-1 34.4 34.40 1.76 32 35.2 40 1.81 2.80 2.20 5.00 0.105291 0.53 2.80 20.15 22.43

Pressão muito baixa para Válvula de Descarga


Aumentar o Diâmetro do Trecho E-10 para 1 Tê saída Lateral (DN75) 8.0
DN60 Trecho E-10 1 Reg Gaveta (DN 50) 0.8
Vai dar pressão de 2.47mca no ponto 10 1 Joelho 90º (DN 50) 3.4
Logo, usar válvula de 1 ½” 12.20 m

Observações: Coluna 6 – Consultar Ábaco da Página 36

Linha 1 x Coluna 8 = Comprimento Real foi arbitrado

Linha 1 x Coluna 14 = Presão no ponto E vem do cálculo do Barrilete (página 54).

46
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DIMENSIONAMENTO DAS COLUNAS - COLUNA 04

1 2 3 4 5 6a 6b 6c 7 8 9 10 11 12 13 14 15

Coluna Trecho Pesos Diâmetro (mm) Comprimento Dif Pressão Disponível


Q J hp
Veloc. cotas
(L/s) (mca/m) (mca)
CAF Andar Trecho Acum. DN Di DE (m/s) Real Equiv. Total (+ ou -) Montante Jusante
1 B-10 33.8 338.00 5.52 50 53.4 60 2.46 7.80 12.20 20.00 0.107390 2.15 1.85 1.57 1.27
2 10-9 33.8 304.20 5.23 50 53.4 60 2.34 2.80 2.30 5.10 0.097932 0.50 2.80 1.27 3.57
3 9-8 33.8 270.40 4.93 50 53.4 60 2.20 2.80 2.30 5.10 0.088342 0.45 2.80 3.57 5.92
4 8-7 33.8 236.60 4.61 50 53.4 60 2.06 2.80 2.30 5.10 0.078600 0.40 2.80 5.92 8.32
5 7-6 33.8 202.80 4.27 50 53.4 60 1.91 2.80 2.30 5.10 0.068682 0.35 2.80 8.32 10.77
4
6 6-5 33.8 169.00 3.90 50 53.4 60 1.74 2.80 2.30 5.10 0.058555 0.30 2.80 10.77 13.27
7 5-4 33.8 135.20 3.49 50 53.4 60 1.56 2.80 2.30 5.10 0.048169 0.25 2.80 13.27 15.83
8 4-3 33.8 101.40 3.02 40 44.0 50 1.99 2.80 2.30 5.10 0.093943 0.48 2.80 15.83 18.15
9 3-2 33.8 67.60 2.47 40 44.0 50 1.62 2.80 2.20 5.00 0.065885 0.33 2.80 18.15 20.62
10 2-1 33.8 33.80 1.74 32 35.2 40 1.79 2.80 2.20 5.00 0.103683 0.52 2.80 20.62 22.90

Pressão muito baixa para Válvula de Descarga


Aumentar o Diâmetro do Trecho B-10 para 1 Tê saída Lateral (DN75) 8.0
DN60 Trecho B-10 1 Reg Gaveta (DN 50) 0.8
Vai dar pressão de 2.67 mca no ponto 10 1 Joelho 90º (DN 50) 3.4
Logo, usar válvula de 1 ½” 12.20 m

Observações: Coluna 6 – Consultar Ábaco da Página 36

Linha 1 x Coluna 8 = Comprimento Real foi arbitrado

Linha 1 x Coluna 14 = Presão no ponto B vem do cálculo do Barrilete (página 54).

47
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DIMENSIONAMENTO DAS COLUNAS - COLUNA 05

1 2 3 4 5 6a 6b 6c 7 8 9 10 11 12 13 14 15

Coluna Trecho Pesos Diâmetro (mm) Comprimento Dif Pressão Disponível


Q J hp
Veloc. cotas
(L/s) (mca/m) (mca)
CAF Andar Trecho Acum. DN Di DE (m/s) Real Equiv. Total (+ ou -) Montante Jusante
1 F-10 2.4 24.00 1.47 32 35.2 40 1.51 18.40 10.40 28.80 0.076840 2.21 1.85 1.37 1.01
2 10-9 2.4 21.60 1.39 32 35.2 40 1.43 2.80 1.50 4.30 0.070073 0.30 2.80 1.01 3.51
3 9-8 2.4 19.20 1.31 32 35.2 40 1.35 2.80 1.50 4.30 0.063211 0.27 2.80 3.51 6.03
4 8-7 2.4 16.80 1.23 32 35.2 40 1.26 2.80 1.50 4.30 0.056241 0.24 2.80 6.03 8.59
5 7-6 2.4 14.40 1.14 25 27.8 32 1.88 2.80 1.50 4.30 0.150777 0.65 2.80 8.59 10.74
5
6 6-5 2.4 12.00 1.04 25 27.8 32 1.71 2.80 0.90 3.70 0.128544 0.48 2.80 10.74 13.07
7 5-4 2.4 9.60 0.93 25 27.8 32 1.53 2.80 0.90 3.70 0.105744 0.39 2.80 13.07 15.48
8 4-3 2.4 7.20 0.80 25 27.8 32 1.33 2.80 0.90 3.70 0.082212 0.30 2.80 15.48 17.97
9 3-2 2.4 4.80 0.66 25 27.8 32 1.08 2.80 0.90 3.70 0.057657 0.21 2.80 17.97 20.56
10 2-1 2.4 2.40 0.46 25 27.8 32 0.77 2.80 0.90 3.70 0.031438 0.12 2.80 20.56 23.24

A pressão é baixa, mas esta coluna não


alimenta válvula de descarga, nem chuveiro. 1 Tê saída Lateral (DN75) 8.0
Trecho F-10 1 Reg Gaveta (DN 32) 0.4
Está Ok! 1 Joelho 90º (DN 32) 2.0
10.4 m

Observações: Coluna 6 – Consultar Ábaco da Página 36

Linha 1 x Coluna 8 = Comprimento Real foi arbitrado

Linha 1 x Coluna 14 = Presão no ponto F vem do cálculo do Barrilete (página 54).

Linha 10 = Se optou por não utilizar ∅ < 32 𝑚𝑚

48
JFAS – INSTALAÇÕES HIDROSSANITÁRIAS - FURG
DIMENSIONAMENTO DAS COLUNAS - COLUNA 06

1 2 3 4 5 6a 6b 6c 7 8 9 10 11 12 13 14 15
Coluna Trecho Pesos Diâmetro (mm) Comprimento Dif Pressão Disponível
Q J hp
Veloc. cotas
(L/s) (mca/m) (mca)
CAF Andar Trecho Acum. DN Di DE (m/s) Real Equiv. Total (+ ou -) Montante Jusante
1 G-10 33.8 338.00 5.52 50 53.4 60 2.46 7.80 8.80 16.60 0.107390 1.78 1.85 1.28 1.35
2 10-9 33.8 304.20 5.23 50 53.4 60 2.34 2.80 2.30 5.10 0.097932 0.50 2.80 1.35 3.65
3 9-8 33.8 270.40 4.93 50 53.4 60 2.20 2.80 2.30 5.10 0.088342 0.45 2.80 3.65 6.00
4 8-7 33.8 236.60 4.61 50 53.4 60 2.06 2.80 2.30 5.10 0.078600 0.40 2.80 6.00 8.40
5 7-6 33.8 202.80 4.27 50 53.4 60 1.91 2.80 2.30 5.10 0.068682 0.35 2.80 8.40 10.85
6
6 6-5 33.8 169.00 3.90 50 53.4 60 1.74 2.80 2.30 5.10 0.058555 0.30 2.80 10.85 13.35
7 5-4 33.8 135.20 3.49 50 53.4 60 1.56 2.80 2.30 5.10 0.048169 0.25 2.80 13.35 15.90
8 4-3 33.8 101.40 3.02 40 44.0 50 1.99 2.80 2.30 5.10 0.093943 0.48 2.80 15.90 18.22
9 3-2 33.8 67.60 2.47 40 44.0 50 1.62 2.80 2.20 5.00 0.065885 0.33 2.80 18.22 20.69
10 2-1 33.8 33.80 1.74 32 35.2 40 1.79 2.80 2.20 5.00 0.103683 0.52 2.80 20.69 22.97

Pressão relativamente baixa para Válvula de


Descarga 1 Tê saída Lateral (DN75) 8.0
Aumentar o Diâmetro do Trecho G-10 para Trecho B-10 1 Reg Gaveta (DN 50) 0.8
DN60 8.80 m
Vai dar pressão de 2.51 mca no ponto 10
Logo, usar válvula de 1 ½”

Observações: Coluna 6 – Consultar Ábaco da Página 36

Linha 1 x Coluna 8 = Comprimento Real foi arbitrado

Linha 1 x Coluna 14 = Presão no ponto G vem do cálculo do Barrilete (página 54).

49
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DIMENSIONAMENTO DAS COLUNAS - COLUNA 07

1 2 3 4 5 6a 6b 6c 7 8 9 10 11 12 13 14 15
Coluna Trecho Pesos Diâmetro (mm) Comprimento Dif Pressão Disponível
Q J hp
Veloc. cotas
(L/s) (mca/m) (mca)
CAF Andar Trecho Acum. DN Di DE (m/s) Real Equiv. Total (+ ou -) Montante Jusante
1 G-10 0.8 8.00 0.85 25 27.8 32 1.40 15.60 4.30 19.90 0.090151 1.79 2.80 1.28 2.29
2 10-9 0.8 7.20 0.80 25 27.8 32 1.33 2.80 0.90 3.70 0.082212 0.30 2.80 2.29 4.78
3 9-8 0.8 6.40 0.76 25 27.8 32 1.25 2.80 0.90 3.70 0.074161 0.27 2.80 4.78 7.31
4 8-7 0.8 5.60 0.71 25 27.8 32 1.17 2.80 0.90 3.70 0.065983 0.24 2.80 7.31 9.86
5 7-6 0.8 4.80 0.66 25 27.8 32 1.08 2.80 0.90 3.70 0.057657 0.21 2.80 9.86 12.45
7
6 6-5 0.8 4.00 0.60 25 27.8 32 0.99 2.80 0.90 3.70 0.049155 0.18 2.80 12.45 15.07
7 5-4 0.8 3.20 0.54 25 27.8 32 0.88 2.80 0.90 3.70 0.040437 0.15 2.80 15.07 17.72
8 4-3 0.8 2.40 0.46 20 21.6 25 1.27 2.80 0.90 3.70 0.104235 0.39 2.80 17.72 20.13
9 3-2 0.8 1.60 0.38 20 21.6 25 1.04 2.80 0.80 3.60 0.073102 0.26 2.80 20.13 22.67
10 2-1 0.8 0.80 0.27 20 21.6 25 0.73 2.80 0.80 3.60 0.039859 0.14 2.80 22.67 25.33

1 Tê Passagem Direta (DN75) 2.5


Trecho A-10 1 Reg Gaveta (DN 25) 0.3
1 Joelho 90º (DN 25) 1.5
4.30 m

Observações: Coluna 6 – Consultar Ábaco da Página 36

Linha 1 x Coluna 8 = Comprimento Real foi arbitrado

Linha 1 x Coluna 14 = Presão no ponto G vem do cálculo do Barrilete (página 54).

50
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1.4.3.4 Barrilete
O barrilete é uma tubulação que se origina no reservatório e distribui a água para as diversas
colunas.

Existem dois tipos de barrilete, como pode ser visto nas Figura 1-9 Barrilete Ramificado. Fonte:
Carvalho Júnior, 2013Figura 1-29 Barrilete, Colunas, Ramais e Sub-ramais Fonte: Macintyre, 1990
(ramificado) e Figura 1-10 Barrilete Concentrado ou Unificado. COLAR. Fonte: Carvalho Júnior, 2013 Figura 1-33
Barrilete UnificadoFigura 1-33 Barrilete Unificado (unificado).

1º) Barrilete Unificado (Colar)

Neste tipo de barrilete, as colunas de alimentação partem todas de um pequeno trecho, dando a
canalização o aspecto de um “colar”.

Como exemplo, vamos supor que as colunas já tenham sido dimensionadas e os pesos
acumulados no topo de cada uma sejam os indicados abaixo.

COLUNA ΣP Q (L/s)
1 480 6.57
2 16.8 1.23
3 25.4 1.51
4 480 6.57
Total 1002.20 9.50

Figura 1-33 Barrilete Unificado

Lembre que de acordo com o processo da NBR 5626/1998, não se somam vazões, mas sim pesos.
Assim, a vazão num dado trecho, por exemplo A-B, não corresponde à soma das vazões das colunas
alimentadas, mas a soma dos pesos, esta sim.

𝑄 = 0,3 ∗ √∑ 𝑃 = 0,3 ∗ √1002,2 = 9,50 𝐿/𝑠

Supondo que o reservatório seja dividido em dois compartimentos, então cada um deve
contribuir com a metade desta vazão, ou seja, 2 x 4,75 L/s.

Como a parte superior da canalização (barrilete e também o último trecho das colunas) é crítica,
com relação a pressão, convém que aí a perda de carga seja pequena. Para isso, é usual entre os
projetistas, limitar a perda de carga unitária a um máximo de 8% ( J ≤ 0,08 mca/m). Com J e Q, calcula-se
o diâmetro do barrilete pela fórmula de Fair-Whipple-Hsiao, que para Di fica na forma:

- Canalização de Ferro ou Aço Galvanizado

𝐷 = 0,2804 ∗ 𝑄 0,385 ∗ 𝐽−0,205

51
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- Canalização de Cobre ou Plástico

𝐷 = 0,2268 ∗ 𝑄 0,368 ∗ 𝐽−0,210


Na expressão, “J” deve ser expresso mca/m, “Q” em m³/s e Di resulta em metros.

Assim, com Q=4,75 L/s e J=0,08 mca/m acha-se D=0,0528 m. Adota-se barrilete com diâmetro
comercial Di = 53,4 mm (De=60 mm ou DN 50).

Devemos observar que, quando um dos compartimentos entrar em manutenção, o outro terá de
contribuir com toda a vazão (9,50 L/s) através desse tubo de 60 mm. Logo, haverá uma perda de carga
maior e o escoamento pode ser prejudicado (isso, somente durante o tempo da manutenção, limpeza,
etc.).

Alguns autores preferem que cada compartimento seja capaz de suprir a vazão total. Assim, com
Q=9,50 L/s e J=0,08 mca/m, tem-se que D=0,0695m. Adota-se barrilete com Di=75,6 mm (DN 75 e
DE=85mm).

2º) Barrilete Ramificado

A Figura 1-32 mostra um barrilete do tipo ramificado. O barrilete vai do ponto A até G e é
constituído pelos trechos AB, BC, CD, DE, EF, FG.

Este tipo de barrilete é dimensionado trecho por trecho de modo que para calcular qualquer
trecho, somam-se os pesos correspondentes a todas as colunas alimentadas pelo mesmo. Só, então,
calculamos a vazão e com J=0,08 mca/m, determinamos o diâmetro D.

TRECHO COLUNAS PESOS ΣP Q (L/s)


C–B 1, 2, 4 320+8+344 672 7.78
B–A 1, 2 320+8 328 5.43

D–E 3, 5, 6, 7 338+8+24+344 714 8.02


E–F 5, 6, 7 338+8+24 370 5.77
F–G 6, 7 338+8 346 5.58

HC = ID 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 338+8+24+344+320+8+344 1386 11.17

NOTA: Estamos admitindo que cada ramo, tanto HC como ID, seja capaz de suprir a vazão total.

Agora, com a vazão correspondente à cada trecho do barrilete e a perda de carga J = 0,08 mca/m,
calcula-se o diâmetro (interno) através da fórmula de Fair-Whipple-Hsiao.

Trecho B-C

Q = 7,78 L/s

J = 0,08 mca/m  Di = 0,082 m  Adotar DE 110 mm

52
JFAS – INSTALAÇÕES HIDROSSANITÁRIAS - FURG
Trecho A-B
Q = 5,43 L/s
J = 0,08 mca/m  Di = 0,0719 m  Adotar DE 85 mm
Trecho F-G
Q = 5,58 L/s.
J = 0,08 mca/m  Di = 0,0726 m  Adotar DE 85 mm
Trecho E-F
Q = 5,77 L/s.
J = 0,08 mca/m  Di = 0,0735 m  Adotar DE 85 mm
Trecho D-E
Q = 8,02 L/s.
J = 0,08 mca/m  Di = 0,0829 m  Adotar DE 110 mm
Trecho F-G
Q = 11,17 L/s.
J = 0,08 mca/m  Di = 0,0937 m  Adotar DE 110 mm
Observação:

(a) Nos cálculos acima, Di representa o diâmetro interno calculado. Deve ser adotado o Di comercial
imediatamente superior. Com isto, a perda de carga unitária “J’ passa a ser menor que 0,08
mca/m (para o cálculo da perda de carga).
(b) No cálculo acima, se admitiu que tanto o trecho H-C como o trecho I-D, são capazes de alimentar
sozinhos todas as 7 colunas do prédio. O trecho C-D deve receber o mesmo diâmetro.
(c) Alguns autores, supõem cada um dos compartimentos do reservatório alimentando metade do
prédio. Neste caso, como o peso total vale ΣP = 1386 teríamos o trecho H-C alimentando ΣP = 693
(7,90 L/s) e I-D outros ΣP = 693 (7,90 L/s). Logo,

Trecho H-C ou I-D


Q = 7,90 L/s.
J = 0,08 mca/m  Di = 0,0824 m  Adotar DE 110 mm
** Vemos que o diâmetro não se alterou.

A seguir é apresentada a planilha sugerida pela NBR 5626/1998 com os cálculos que se originaram
os dados que foram apresentados acima.

53
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DIMENSIONAMENTO DO BARRILETE

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15
Di calc Diâmetro
Colunas Peso Q Jef hp
Barrilete J= Di (mm) Comprimento Pressão Disponível
Alimentadas Acumulado (L/s) (mca/m) (mca)
Trecho 0.08 comercial DN DE Real Equiv. Total Montante Jusante
H-C = I- 1, 2, 3, 4, 5,
1 D 6, 7 1386 11.17 73.7 97.8 100 110 2.10 5.00 7.10 0.020841 0.15 0 1.95

2 C–B 1, 2, 4 672 7.78 64.50 75.6 75 85 1.85 8.30 10.15 0.037580 0.38 1.95 1.57
3 B–A 1, 2 328 5.43 56.50 75.6 75 85 8.90 2.60 11.50 0.020063 0.23 1.57 1.34

4 D–E 3, 5, 6, 7 714 8.02 65.20 75.6 75 85 3.40 8.30 11.70 0.039627 0.46 1.95 1.49
5 E–F 5, 6, 7 370 5.77 57.80 75.6 75 85 2.60 2.60 5.20 0.022294 0.12 1.49 1.37
6 F–G 6, 7 346 5.58 57.10 75.6 75 85 1.70 2.60 4.30 0.021023 0.09 1.37 1.28

1
0.000869 ∗ 𝑄1.75 4.75
𝐷𝑖, 𝑐𝑎𝑙𝑐 = [ ]
𝐽 𝑎𝑑𝑜𝑡
0.000869 ∗ 𝑄1.75
𝐽 𝑒𝑓𝑒𝑡𝑖𝑣𝑜 =
(𝐷𝑖 𝑐𝑜𝑚)4.75
Di calc: diâmetro interno calculado
Di com.: diâmetro interno comercial
J adotado: 0.08 mca/m
J efetivo: novo J (a partir do Di com.)

54
JFAS – INSTALAÇÕES HIDROSSANITÁRIAS - FURG
1.4.3.5 Ramal Predial – Medição do Consumo de Água

A medição do consumo de água


em um prédio é feita junto ao ramal
predial (ou ramal de alimentação).
Chama-se hidrômetro, o instrumento
ou dispositivo empregado pela
companhia concessionária dos
serviços de água para efetuar tal
medição. Ele é instalado em uma
estrutura chamada “cavalete” com
mostra a Figura 1-34 e divide o ramal
predial em interno e externo.
Figura 1-34 Instalação do Hidrômetro para medição do consumo de água.
Fonte: Macyntire, 1990.

A forma de dimensionar o ramal predial depende da maneira como é feita a distrubuição de água
no prédio [12].

(a) Sistema Direto de Distribuição: a água é levada da rede pública diretamente aos pontos de
utilizaçao (aparelhos) sem a intervenção de reservatório domiciliar. É um sistema que tende ao
desuso, mas ainda encontrado em residências unifamiliares de periferia dos centros urbanos. Seu
dimensionamento deve ser feito com base no consumo máximo provável dos aparelhos à ele
conectados (Plínio Tomaz) e num valor de velocidade limitado, por exemplo, 1 m/s.

Ex: Residência Unifamiliar com:

1 Cx Descarga 0,3
1 Bidê 0,1
1 Lavatório 0,3
1 Ch. Elétrico 0,1
1 Pia Cozinha 0,7
1 Tanque 0,7

𝑄 = 0,3 ∗ √∑ 𝑃 = 0,3 ∗ √2,2 = 0,45 𝐿/𝑠

Com Q=0,45 L/s e V=1 m/s, di = 0,024 m  adotar DE 32 mm

(b) Sistema Indireto de Distribuição: Neste caso a água é aduzida da rede pública para um
reservatório e este sim, fará a distribuição no prédio. O dimensionamento do ramal predial é feito,
então, com base no consumo diário do prédio e na velocidade máxima desejada na tubulação,
geralmente limitada a 1 m/s.

Assim,
𝐶𝑑
𝑄 = 86400 onde Cd representa o consumo diário do prédio.

55
JFAS – INSTALAÇÕES HIDROSSANITÁRIAS - FURG
Ex: Cd = 28.600 L/dia
𝐶𝑑 28,6
𝑄= = = 0,000331 𝑚3 /𝑠
86400 86400
Com V=1 m/s e Di = 0,0205m  Adotar DE 25 mm

56
JFAS – INSTALAÇÕES HIDROSSANITÁRIAS - FURG
Capitulo 2 Instalações Prediais
de Esgoto Sanitário

57
JFAS – INSTALAÇÕES HIDROSSANITÁRIAS - FURG
2. Instalações Prediais de Esgotos Sanitários
Estas constituem um conjunto de tubulações cuja finalidade é coletar e afastar do prédio as águas
servidas, desde os aparelhos até a rede pública ou outro destino final qualquer.

Estas instalações podem ser divididas em três partes: esgoto primário, esgoto secundário e
ventilação.

Instalação Secundária de Esgoto: é a parte do esgoto, ou da rede, que não está (ou não entra) em contato
com os gases provenientes da rede pública ou do sistema de tratamento (fossa séptica).

Esgoto Primário: é a parte do esgoto, ou da rede, que está (ou entra) em contato com os gases
provenientes da rede pública ou do sistema de tratamento (fossa séptica).

Ventilação: é uma parte da instalação, ligada a rede de esgoto primário, cuja finalidade é encaminhar à
atmosfera, os gases emanados desta, e assim impedir que entrem no ambiente interno das habitações. A
inexistência de ventilação permite o acúmulo desses gases na tubulação pprimária e quando atingem
certa pressão, rompem o fecho hídrico das caixas sifonadas, penetrando no interior das moradias.

As Figura 2-1, Figura 2-2, Figura 2-3 e Figura 2-4 mostram plantas baixas de instalações prediais
de esgotos diferenciando cada uma das partes.

Figura 2-2 Instalação de Esgoto - Prédios com vários pavimentos

Figura 2-1 Partes de uma instalação de Esgoto. Fonte:


Carvalho Júnior, 2013

58
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Figura 2-3 Instalação de Esgoto do Banheiro e Cozinha

Figura 2-4 Instalação de Esgoto - Prédio com um pavimento. Fonte: Carvalho Júnior, 2013

2.1 Aparelhos Sanitários

São aparelhos destinados ao uso da água para fins higiênicos, ou a receber dejetos e águas
servidas. A seguir, faz-se uma análise descritiva dos aparelhos sanitários mais comuns.

2.1.1 Vasos Sanitários ou Bacias Sanitárias


São aparelhos construídos em material cerâmico ou ferro esmaltado providos de desconector
com fecho hídrico de 5 cm de altura. Podem ter ou não orificio de ventilação no colo do desconector.

Podem ser de dois tipos:

(a) Comuns ou não aspirantes: são dotados de fecho hídrico, também chamado sifão, que impede o
retorno dos gases dos esgotos primários. Devido a ventilação, não atuam realmente (fisicamente)
como sifão, pois a pressão por ocasião da descarga é a atmosférica. Desta forma, a limpeza da
bacia ocorre pelo simples arrastamento dos dejetos por ação da água. A Figura 2-5 (a) mostra um
vaso sanitário deste tipo.

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(b) Auto-aspirantes ou auto-sinfonados: são também dotados de fecho hídrico (desconector) para
impedir o retorno dos gases da tubulação de esgoto primário, mas não possuem ventilação
própria, e por isso, por ocasião da descarga, se desenvolve uma pressão negativa que ajuda na
limpeza aspirando ou succionando a água de lavagem. Nestes, ocorre realmente a ação de
sifonamento, o que faz o escoamento ser mais intenso (vigoroso) por ocasião da descarga e a
limpeza mais eficiente (ver Figura 2-5 (b)). A fixação do vaso junto ao piso é feita por parafusos
com bucha e a espiga é adaptada a uma curva de 90° com 100 mm de diâmetro atravésde uma
junta de borracha em forma de anel.

(a) Vaso Sanitário Comum, sifão externo do tipo S. Catarina, também chamado “bacia de arraste”

(b) Vaso Sanitário Auto-sifonado


Figura 2-5 Tipos de Vasos Sanitários

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Figura 2-6 Detalhes da Instalação do Vaso Sanitário com Válvula de Descarga. Fonte: Manual Tigre

2.1.2 Mictórios
Existem vários tipos de mictórios. Podem ser individuais ou coletivos. Os individuais são em geral
construídos em ferro esmaltado ou louça. Os coletivos são calhas, presas à parede ou piso, executadas
em aço inoxidável ou alvenaria revestida com azulejos (não recomendável). Os mictórios de uso coletivo
são empregados em quartéis, escolas, clubes, fábricas, etc. É comum encontrar nestes locais uma bateria
de mictórios individuais em lugar de calhas coletivas.

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Figura 2-7 Sifão para Mictório. Fonte: Catálogo DECA

Os mictórios devem necessariamente ser protegidos por fecho hídrico. Todo mictório que não
seja dotado de fecho hídrico próprio, deve receber externamente um sifão desconector. Na Figura 2-7 se
pode observar o sifão 1681C indicado para o mictório. O efluente dos mictórios deve ser conduzido a uma
caixa sifonada (ou sifão) com tampa cega e o ramal de esgoto desta, deve ser ventilado. A alimentação de
água dos mictórios individuais é feita por caixa de descarga, válvula de descarga para mictório ou registro
de pressão.

2.1.3 Bidês
São bacias de louça vitrificada instaladas nos banheiros e destinadas a higiene pessoal. Possuem
uma duxa ou chuveirinho e podem ser abastecidas só com água fria ou água fria e quente (neste caso
precisam de misturador). São dotados de extravasor ou ladrão para prevenir o transbordamento e o
efluente deve ser conduzido a uma caixa sifonada antes do destino final.

Figura 2-8 Instalação de Bidê. Fonte: Catálogo TIGRE

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2.1.4 Banheiras
São fabricadas em ferro esmaltado ou louça vitrificada e se apresentam com beira quadrada para
serem revestidas externamente com alvenaria e azulejos, beira arredondada ou com saia, caso em que o
material da banheira prolonga-se em aba até o piso.

As dimensões encontradas no mercado são bastante variáveis. Sua altura interna varia entre 35 e
45 cm, largura interna aproximadamente 60 cm, largura externa entre 70 e 80 cm e comprimento de 1,20
a 1,80 m. São alimentadas com água fria ou água fria e quente, nesse caso, necessitando de misturador.
Seu efluente deve ser conduzido a uma caixa sifonada antes do destino final.

2.1.5 Lavatórios
Podem ser de coluna (pedestal) ou de consolo (suspenso). São construídos em louça vitrificada e
apresentam grande variedade de forma e dimensões. Constituem-se em elementos decorativos dos
banheiros sendo fabricados com desenhos modernos e em diversas cores. São dotados de extravasor ou
ladrão para prevenir o transbordamento e o efluente é conduzido a uma caixa sifonada antes do destino
final.

Figura 2-9 Ligação Lavatório sem Coluna. Fonte: Catálogo Tigre

Figura 2-10 Ligação Lavatório com Coluna. Fonte: Catálogo Tigre

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2.1.6 Pias de Cozinha
São bacias (cubas) de forma retangular, construídas geralmente em aço inoxidável, com paredes
ligeiramente inclinadas em direção a válvula de escoamento ou esgotamento. O efluente deve passar por
um sifão com bujão de visita (para pequenas desobstruções) antes de ir à caixa de gordura ou tubo de
queda. Os efluentes de pias não devem ser conduzidos às caixas sifonadas.

Figura 2-11 Instalação Pia de Cozinha. Fonte: Manual Tigre

2.1.7 Chuveiros
Os chuveiros são instalados sobre as banheiras ou em recintos denominados “box”. O box é
fechado por cortina, vidro inquebrável ou acrílico. Quando os chuveiros forem alimentados com água fria
e quente, deverão ser providos de misturador para a regulagem da temperatura da água. Os chuveiros
elétricos são alimentados apenas com água fria. Quando o chuveiro é instalado em box, a água do banho
pode ser coletada por ralo sifonado, caixa sifonada ou ralo seco, e neste caso, conduzida obrigatoriamente
a caixa sifonada do banheiro.

Figura 2-12 Instalação Chuveiro. Fonte: Manual Tigre

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2.2 Acessórios da Instalação de Esgotos
2.2.1 Caixa Sifonada
É a peça da instalação de esgotos que recebe as águas servidas de lavatórios, box, banheira, bidê,
tanque ou lavadora de roupas. Elas são dotadas de fecho hídrico para impedir o retorno de gases do
esgoto primário ao interior da habitação. Podem ser dotados de grelha ou tampa cega. Os esgotos das
pias de cozinha não devem ser conduzidos à caixas sifonadas e sim à caixas de gordura.

As caixas sifonadas são dimenisonadas pelo número de Unidades Hunter de Contribuição (UHC)
total dos aparelhos que contribuem na mesma, conforme item 5.1.1.2 da NBR 8160/1999.

Figura 2-13 Caixas Sifonadas

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As caixas sifonadas de PVC são padronizaas nos tamanhos DN 100, 150 e 250 mm (diâmetro) com
1, 3 ou 7 entradas de DN 40. A saída possui DN 40, 50 e 75 mm como mostra a Tabela 2-1 extraída do
manual de instalações da Tigre.
Tabela 2-1 Dimensões das Caixas Sifonadas TIGRE

Bitola da Caixa Altura da Caixa Diâmetro da Saída Quantidade de


(mm) (mm) DN entradas de DN 40
100 100 40 1
100 100 50 1
100 150 50 3
150 150 50 7
150 185 75 7
250 172 50 3

Vejamos o que diz a NBR 8160/1999 a respeito do emprego das caixas sifonadas.

Item 4.2.2.3 - Podem ser utilizadas caixas sifonadas para a coleta dos despejos de conjuntos de
aparelhos sanitários, tais como lavatórios, bidês, banheiras e chuveiros de uma mesma unidade
autônoma, assim como as águas provenientes de lavagem de pisos, devendo as mesmas, neste caso, ser
providas de grelhas.

Item 4.2.2.4 - As caixas sifonadas que coletam despejos de mictórios devem ter tampas cegas e
não podem receber contribuições de outros aparelhos sanitários, mesmo providos de desconector próprio.

Item 4.2.2.6 - Os despejos provenientes de máquinas de lavar roupas ou tanques situados em


pavimentos sobrepostos podem ser descarregados em tubos de queda exclusivos, com caixa sifonada
especial instalada no seu final.

Isto significa que se for empregado um tubo de queda exclusivo (tubo de queda secundário), não
é necessário instalar uma caixa sifonada em cada pavimento para receber os efluentes dos tanques e
máquinas de lavar roupas. No caso de optar por utilizar uma caixa sifonada em cada pavimento para
receber estes esgotos, a Tigre recomenda (e o mesmo vale para caixas que recebem o efluente das
banheiras) que a mesma seja com saída de DN 75, devido a grande formação de espuma normalmente
provocadas por estes aparelhos.

2.2.2 Ralo Sifonado e Ralo Seco


O ralo sifonado, como já mencionado, têm a função de captar as águas provenientes de box de
chuveiros ou da lavagem dos pisos. Os ralos são dotados de apenas uma entrada em forma de grelha. A
grelha pode ser de seção redonda ou quadrada, plástica ou metálica cromada.

O ralo seco tem a mesma função do ralo sifonado, não possuindo, entretanto, o selo hídrico
(sifão), o que torna mais rápido o escoamento de águas de terraço ou áreas de serviço. A aparência física
é a mesma e a Figura 2-14 mostra alguns modelos de ralos.

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Figura 2-14 Ralos Sifonados e Secos

2.2.3 Caixas Secas ou Caixas de Areia


É um acessório da instalação
empregado para coleta de águas pluviais
em pátios e terraços, quando se deseja
reter a areia carreada pela mesma. A
Figura 2-15 mostra esse tipo de caixas.
Nelas, a saída fica acima do fundo,
garantindo um volume para a retenção da
areia.
Figura 2-15 Caixas Secas

2.2.4 Caixas de Gordura


Como o nome indica, se destinam a reter a gordura do esgoto de pias de cozinha e restaurantes.
São fabricadas em vários tamanhos. A tampa deve ser cega e removível para permitir a limpeza periódica
da caixa.

1) Pequena (CGP) ou individual (CGI) – empregadas para atender a uma só cozinha.

-Diâmetro interno = 30 cm

- Parte submersa do septo = 20 cm

- Capacidade de retenção = 18 litros

- Saída – DN 75

2) Caixas de Gordura Simples (CGS) – empregada para duas cozinhas

-Diâmetro interno = 40 cm

- Parte submersa do septo = 20 cm

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- Capacidade de retenção = 31 litros

- Saída – DN 75

3) Caixas de Gordura Dupla (CGD) – empregada para atender de 3 a 12 cozinhas.

-Diâmetro interno = 60 cm

- Parte submersa do septo = 35 cm

- Capacidade de retenção = 120 litros

- Saída – DN 100

4) Caixa de Gordura Especial (CGE), prismáticas de base retangular – empregada para atender mais
de 12 cozinhas.

-Diâmetro interno = 40 cm

- Distância horizontal mínima entreo septo e a saída = 20 cm

- Saída = 100 mm

- Capacidade de retenção V = (2N+20)

V = volume da câmara de retenção, em litros.

N = número de pessoas servidas pelas cozinhas que contribuem para a caixa de gordura no turno de maior
afluxo.

NOTA: Item 4.2.6.1 da NBR 8160/1999

As pias de cozinha ou máquinas de lavar louças instaladas em vários pavimentos sobrepostos


devem descarregar em tubos de queda exclusivos que conduzam o esgoto para caixas de gordura
coletivas, sendo vedado o uso de caixas de gordura individuais nos andares.

2.2.5 Caixa de Passagem


É uma caixa utilizada para permitir a inspeção, limpeza e desobstrução das tubulações de esgotos,
tais como ramais de esgoto, subcoletores e coletores de esgoto. É uma caixa com apenas uma entrada e
uma saída. Devem ter as seguintes características [2, 3, 4]:

a) Quando cilíndricas, ter diâmetro mínimo de 15 cm e quando prismáticas, permitir a inscrição de


um círculo de 15 cm de diâmetro;
b) Ser providas de tampa cega, quando previstas em instalações de esgoto primário;
c) Ter altura mínima de 10 cm;
d) Ter tubulação de saída dimensionada pela tabela 2.2 de dimensionamento de ramais de esgoto,
sendo o diâmetro mínimo igual a DN 50.

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2.2.6 Caixas de Inspeção
É uma caixa destinada a permitir a inspeção, limpeza e desobstrução das tubulações de esgotos,
tais como ramais de esgoto, sub-coletores e coletores de esgoto, e também à junção de coletores e/ou
sub-coletores nas mudanças de direção ou de declividade. Devem ter as seguintes características: [2, 3,
4]:

a) Ter profundidade máxima de 1,00 m;


b) Quando cilíndricas, ter diâmetro mínimo de 60 cm e quando prismáticas, ter base quadrada ou
retangular com lado interno mínimo de 60 cm;
c) Ter tampa facilmente removível e que permita perfeita ventilação;
d) Ter fundo constituído de modo a assegurar rápido escoamento e evitar a formação de depósitos
de esgotos.

NOTA: Item 4.2.6.2 da NBR 8160/1999.

Em prédios com mais de dois pavimentos, as caixas de inspeção não devem ser instaladas a menos
de 2,00 m de distância dos tubos de queda que contribuem para elas.

As caixas de inspeção podem ser usadas para receber efluentes fecais.

2.2.7 Poços de Visita


É uma caixa destinada a permitir a inspeção, limpeza e desobstrução das tubulações de esgotos,
tais como ramais de esgoto, sub-coletores e coletores de esgoto, e também à junção de coletores e/ou
sub-coletores nas mudanças de direção, de declividade, de cota, de material do tubo ou de seção. Podem
ter mais de uma entrada de tubos de diâmetros diferentes, de materiais diferentes, em cotas diferentes,
e apenas uma saída. Devem ter as seguintes características:

a) Ter profundidade maior que 1,00 m;


b) Quando cilíndricos, ter diâmetro mínimo de 1,10 m e quando prismático, ter base quadrada ou
retangular com lado interno mínimo de 1,10 m;
c) Ter tampa removível e que permita perfeita vedação;
d) Ter fundo construído de modo a assegurar rápido escoamento e evitar a formação de depósitos
de esgotos;
e) Ser provido de escada que permita o acesso ao seu interior.

NOTA: Item 4.2.6.2 da NBR 8160/1999. Não devem ser colocadas caixas de inspeção ou poços de visita
em ambientes pertencentes a uma unidade autônoma, quando os mesmos recebem a contribuição de
despejos de outras unidades autônomas.

2.2.8 Caixa Coletora


Empregada em instalações situadas em nível inferior ao do logradouro público (subsolo). Ela é
que recebe todos os efluentes provenientes destes pavimentos e funciona como poço de sucção das
bombas elevatórias que encaminham seu conteúdo para um poço de visita no nível do logradouro.

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2.3 Descrição Sucinta da Instalação de Esgotos
A canalização de esgotos, destinada a recolher e encaminhar os efluentes dos diversos aparelhos
a rede pública ou outro destino final qualquer, é constituída de ramais de descarga, ramais de esgoto,
tubos de queda, subcoletores prediais e coletor predial. Vejamos uma descrição de uma destas partes.

2.3.1 Ramal de Descarga


É a tubulação que recebe diretamente os efluentes dos aparelhos sanitários. Esta faz a ligação
direta entre o aparelho e a caixa sifonada (ver Figura 2-1 a Figura 2-4). Os ramais de descarga fazem parte
do esgoto secundário.

Constitui exceção a essa definição, o ramal de descarga do vaso sanitário, que deve ser ligado
diretamente a um tubo de queda (TQP) e o ramal de descarga das pias de cozinha que deve ser ligado
diretamente a um tubo de gordura (TG).

A ligação do aparelho com a caixa sifonada deve ser individual, isto é, cada aparelho deve ser
ligado diretamente a caixa, exceto:

(a) Mictórios ou lavatórios em bateria: é permitido que mictórios ou lavatórios instalados em bateria
sejam ligados diretamente ao ramal de esgoto. Mesmo neste caso, este tubo que recebe o
efluente destes aparelhos deve passar por sifão ou caixa sifonada. No caso de mictórios, esta caixa
tem que ser dotada de tampa cega.
(b) Pias de cozinha com mais de uma cuba.

2.3.2 Ramal de Esgoto


Este faz parte do esgoto primário e faz a ligação entre os diversos ramais de descarga dos
aparelhos e um tubo de queda ou ramal de descarga do vaso sanitário (ou subcoletor predial). Observe
que para o vaso sanitário o ramal de descarga se confunde com o de esgoto (ver Figura 2-1 a Figura 2-4).

Os ramais de descarga bem como os ramais de esgoto constituem tubulações horizontais, e por
isso devem atender ao item 4.2.3 da NBR 8160/1999.

Item 4.2.3.1 - Todos os trechos horizontais previstos no sistema de coleta e transporte de esgoto
sanitário devem possibilitar o escoamento dos efluentes por gravidade, devendo, para isso, apresentar
uma declividade constante.

Item 4.2.3.2 - Recomendam-se as seguintes declividades mínimas: a) 2% para tubulações com


diâmetro nominal igual ou inferior a 75; b) 1% para tubulações com diâmetro nominal igual ou superior a
100.

Item 4.2.3.3 – As mudanças de direção nos trechos horizontais devem ser feitas com peças com
ângulo central igual ou inferior a 45°.

Item 4.2.3.4 - As mudanças de direção (horizontal para vertical e vice-versa) podem ser
executadas com peças com ângulo central igual ou inferior a 90°.

Item 4.2.3.5 - É vedada a ligação de ramal de descarga ou ramal de esgoto, através de inspeção
existente em joelho ou curva, ao ramal de descarga de bacia sanitária.

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2.3.3 Tubo de Queda
É a tubulação vertical (ver Figura 2-1, Figura 2-2 e Figura 2-3) que conduz o esgoto dos diversos
pavimentos até os subcoletores prediais (horizontais).

Conforme a parte da rede a que o tubo de queda esteja ligado, ele recebe denominação diferente.
Por exemplo, um tubo de queda que receba a descarga do vaso sanitário, está ligado ao esgoto primário
e por isso, recebe a denominação Tubo de Queda (TQ) ou Tubo de Queda Primário (TQP).

Do mesmo modo, aquele que recebe o efluente de tanques e máquinas de lavar roupas
(lavanderia) recebe a denominação Tubo de Queda Secundário (TQS) ou simplesmente Tubo Secundário
(TS). Se o tubo de queda receber o efluente de cozinhas (pias e máquinas de lavar louça), então será
chamado Tubo de Gordura (TG).

2.3.4 Subcoletor
É a tubulação que recebe os efluentes dos tubos de queda (ou ramais de esgoto) e os conduz ao
coletor predial. Devem de preferência ser retilíneos e sempre que enterrados, a conexão entre eles tem
que ser feita por caixas de inspeção ou de passagem.

2.3.5 Coletor Predial


É a tubulação que recebe os efluentes dos subcoletores via caixa de inspeção ou poço de visita e
os conduz diretamente ao coletor público (ou a fossa séptica).

As Figura 2-16 e Figura 2-17mostram respectivamente a planta baixa e o esquema vertical de uma
instalação de esgotos.

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Figura 2-16 Planta Baixa de Esgotos - Pavimento TIpo

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Figura 2-17 Esquema Vertical de Esgotos. Fonte: Macintyre, 1990

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2.4 Dimensionamento
O dimensionamento é feito com base no número de Unidades Hunter de Contribuição (UHC),
atribuídas a cada aparelho que contribui no trecho considerado.

Unidade Hunter de Contribuição: é um fator probabilístico que representa a frequência habitual


de utilização associada a vazão típica de cada uma das diferentes peças de um conjunto de aparelhos
diferentes, em funcionamento simultâneo, em horas de contribuição máxima no hidrograma diário.

2.4.1 Ramais de descarga


A Tabela 2-2 apresenta o número de Unidades Hunter de Contribuição para cada aparelho, bem
como o diâmetro nominal do ramal de descarga correspondente.
Tabela 2-2 Unidades Hunter de Contribuição dos aparelhos e diâmetro nominal minimo dos ramais de descarga

Diâmetro Nominal Mínimo


Aparelho Sanitário Número de UHC
do ramal de descarga (DN)

Bacia Sanitária 6 100


Banheira de Residência 2 40
Bebedouro 0,5 40
Bidê 1 40
De residência 2 40
Chuveiro
Coletivo 4 40
De residência 1 40
Lavatório
De uso geral 2 40
Válvula de descarga 6 75
Caixa de descarga 5 50
Mictório
Descarga Automática 2 40
De calha 2 50
Pia de cozinha residencial 3 50
Preparação 3 50
Pia de
Cozinha Lavagem de Panelas 4 50
Industrial
Tanque de Lavar Roupas 3 40
Máquina de Lavar Louças 2 50
Máquina de Lavar Roupas 3 50
2.4.2 Ramais de Esgoto
Os ramais de esgoto são dimensionados em conformidade com a Tabela 2-3, extraída da NBR
8160/1999.
Tabela 2-3 Dimensionamento de Ramais de Esgoto

DN (mm) UHC
40 3
50 6
75 20
100 160

A segunda coluna da tabela, corresponde ao número de UHC total dos ramais de descarga que
afluem à caixa sifonada, ou que contribuem neste ramal de esgoto.

Note que dimensionar uma caixa sifonada, significa escolher aquela que possua o número de
entradas (1, 3 ou 7) de acordo com o número de ramais de descarga afluente e com diâmetro de saída
dimensionado de acordo com o número de UHC que aflui a ela. Isto também é feito a partir da Tabela 2-3.

Deve-se observar que a declividade mínima para os trechos horizontais das tubulações, é 2% para
diâmetros até DN 75 e 1% para DN 100.

2.4.3 Tubos de Queda


Os tubos de queda podem ser dimensionados pelo somatório das UHC, conforme valores
indicados na Tabela 2-4
Tabela 2-4 Dimensionamento dos Tubos de Queda

Diâmetro Nominal do Tubo DN Número Máximo de UHC


Prédio de até 3 pavimentos Prédio com mais de 3 pavimentos
40 4 8
50 10 24
75 30 70
100 240 500
150 960 1900
200 2200 3600
250 3800 5600
300 6000 8400

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Vejamos alguns detalhes quanto a instalação dos tubos de queda.

Sempre que possível, devem ser instalados em um único alinhamento (vertical). Às vezes por
razões arquitetônicas ou estruturais, se torna necessário fazer o desvio; neste caso, devem ser feitos com
conexões formando ângulo central igual ou inferior a 90°, de preferência com curvas de raio longo ou
duas curvas de 45° (ver Figura 2-18).

Figura 2-18 Desvio de Tubo de Queda. Fonte: Macyntire, 1990.

Com relação a Tabela 2-4, a NBR 8160/1999 faz as seguintes restrições:

a) Nenhum tubo de queda que receba o efluente de vasos sanitários poderá ter diâmetro menor
que DN 100;
b) Nenhum tubo de queda deve ter diâmetro inferior ao da maior tubulação a ele ligada;
c) Nenhum tubo de queda que receba descarga de pias de cozinha deve ter diâmetro inferior a DN
75, exceto o caso de tubos de queda que recebam até 6 UHC em prédios de até 2 pavimentos,
quando então pode ser usado DN 50.

Item 4.2.2.6 NBR 8160/1999: Os despejos provenientes de máquinas de lavar roupas ou tanques
situados em pavimentos sobrepostos podem ser descarregados em tubos de queda exclusivos, com caixa
sifonada especial instalada no seu final.

Item 4.2.6.1 NBR 8160/1999: As pias de cozinha ou máquinas de lavar louças instaladas em vários
pavimentos sobrepostos devem descarregar em tubos de queda exclusivos que conduzam o esgoto para
caixas de gordura coletivas, sendo vedado o uso de caixas de gordura individuais nos andares.

Item 4.2.4.4 NBR 8160/1999: Devem ser previstos tubos de queda especiais para pias de cozinha
e máquinas de lavar louças, providos de ventilação primária, os quais devem descarregar em uma caixa
de gordura coletiva, dimensionada de acordo com 5.1.5.1.

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2.4.4 Subcoletores e Coletor Predial
O dimensionamento dos subcoletores e coletor predial é feito com base no número de UHC, de
acordo com a Tabela 2-5.

Nota: O coletor predial não deve receber diâmetro menor do que DN 100.
Tabela 2-5 Dimensionamento de subcoletores e coletor predial

Diâmetro Nominal Número máximo de unidades Hunter de contribuição em função das


do Tubo (DN) declividades mínimas
0,5% 1% 2% 4%
100 ----- 180 216 250
150 ----- 700 840 1000
200 1400 1600 1920 2300
250 2500 2900 3500 4200
300 3900 4600 5600 6700
400 7000 8300 10000 12000

Item 5.1.4.2 NBR 8160/1999: No dimensionamento do coletor predial e dos subcoletores em


prédios residenciais, deve ser considerado apenas o aparelho de maior descarga de cada banheiro para a
somatória do número de unidades de Hunter de contribuição. Nos demais casos, devem ser considerados
todos os aparelhos contribuintes para o cálculo do número de UHC.

2.5 Sistema de Ventilação

2.5.1 Generalidades
A instalação de esgoto sanitário funciona com escoamento livre, logo deve ser garantida a pressão
atmosférica no interior da tubulação. Por isso, é obrigatória a ventilação das instalações prediais de
esgoto, a fim de que os gases provenientes da rede pública, da fossa séptica ou aqueles gerados dentro
da própria tubulação possam ser encaminhados a atmosfera sem a menor possibilidade de penetrarem
no ambiente interno dos edifícios ou criar pressão dentro da tubulação.

A ventilação adequada evita o acúmulo desses gases e o consequente rompimento dos fechos
hídricos das caixas sifonadas e vasos sanitários por sobre-pressão. Pode acontecer também que a
ventilação inadequada favoreça o surgimento de sub-pressão (vácuo, rarefração ou aspiração) no interior
das canalizações de esgoto, com consequente rompimento do fecho hídrico. Isto pode acontecer por
ocasião de um escoamento intenso como aqueles provocados pela descarga de bacias sanitárias e
máquinas de lavar roupas.

A ventilação pode ser feita de duas formas:

- Através do prolongamento dos tubos de queda (ventilação primária);

- Através de colunas de ventilação (ventilação secundária).

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1) Através do prolongamento dos tubos de queda – Ventilação primária

Esta consiste no prolongamento dos tubos de queda (todos) até 30 cm acima da laje de cobertura
ou telhado.

Em prédios de um só pavimento, pelo menor um tubo ventilador de 100 mm, ligado diretamente
à caixa de inspeção ou em junção com o ramal de descarga do vaso sanitário, subcoletor ou coletor, deve
ser prolongado até acima da cobertura. Se este prédio for residencial e tiver no máximo 3 vasos sanitários,
o tubo de ventilação pode ser de DN 75 (3”).

Em prédios com 2 ou mais pavimentos, todos os tubos de quedas devem ser prolongados até 30
cm acima da laje da cobertura ou telhado, passando então, a se denominar Tubo Ventilador Primário.

2) Através de Colunas de Ventilação (CV) – Ventilação Secundária

Colunas de Ventilação: Tubo ventilador vertical que se prolonga através de um ou mais andares e
cuja extremidade superior é aberta à atmosfera, ou ligada a tubo ventilador primário ou a barrilete de
ventilação.

Barrilete de Ventilação: Tubulação horizontal com saída para a atmosfera em um ponto,


destinada a receber dois ou mais tubos ventiladores. Deve ser executada com aclive mínimo de 1% em
direção aquele ponto de saída (ver Figura 2-26).

As colunas de ventilação (CV) deverão ter a extremidade inferior ligada a um subcoletor ou a um


tubo de queda, e neste caso, em um ponto situado abaixo da primeira ligação de um ramal de esgoto ou
de descarga ao TQ, ou neste ramal de esgoto ou descarga.

Figura 2-19 Ligação de uma coluna a um Figura 2-20 Ligação da coluna abaixo do Figura 2-21 Ligação da coluna ao
subcoletor. Fonte: Macintyre, 1990 primeiro ramal de esgoto. Fonte: ramal de descarga ou esgoto. Fonte:
Macintyre, 1990 Macintyre, 1990

As colunas de ventilação devem ter diâmetro uniforme e sua extremidade superior aberta a
atmosfera e a 30 cm acima da cobertura (laje ou telhado), ou então, ligada ao prolongamento de um tubo
de queda (VP) a 15 cm, no mínimo, acima do nível máximo (de transbordamento) da água no aparelho
sanitário mais alto servido por ele. Esta recomendação serve para, em caso de entupimento e o ramal de
ventilação encher de água, assegurar que a mesma não possa penetrar na coluna de ventilação.

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Ramal de Ventilação: Tubo que faz a ligação entre o desconector (fecho hídrico ou sifão), ramal
de descarga ou ramal de esgoto de um ou mais aparelhos sanitários e a coluna de ventilação (CV) ou tubo
ventilador primário (VP).

A extremidade aberta deverá receber um terminal de ventilação tipo chaminé (chapéu), tê ou


outro dispositivo que impeça a entrada de água, objetos ou animais.

Se a laje de cobertura for utilizada para outras finalidades, como play-ground, piscinas,
churrasqueiras, etc., então tanto os tubos de queda quanto as colunas de ventilação devem ser elevadas
2 m (item 4.3.6.b). Se ficar a menos de 4 m (horizontalmente) de janela ou porta, então deverá ser elevada
1 m acima das vergas dos respectivos vãos (item 4.6.3.a).

Figura 2-22 Ligação do Ramal de Ventilação a CV. Fonte: NBR 8160/1999

A distância entre o ponto de conexão do ramal de ventilação com o ramal de esgoto até a conexão
(joelho, tê, junção) de mudança do trecho horizontal para a vertical, deve ser a mais curta possível.

Todo desconector (caixa sifonada ou sifão) deve ser ventilado e a distância (L) dele ao ponto de
ligação com o ramal ventilador que o serve, deve ser no máximo a indicada na Tabela 2-6, extraída da NBR
8160/1999, e no mínimo igual a 2 DN, onde DN é o diâmetro do ramal de esgoto a ser ventilado.
Tabela 2-6 Distância máxima de um desconector ao tubo ventilador

Diâmetro Nominal do Distância Máxima (m)


Ramal de Descarga DN
40 1,00
50 1,20
75 1,80
100 2,40

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Quando não for possível ventilar o
ramal de descargado vaso sanitário,
ligado diretamente ao tubo de queda
(L≤2,40 m), o tubo de queda então
deverá ser ventilado imediatamente
abaixo da ligação do ramal do vaso,
como mostra a Figura 2-23.

Figura 2-23 Ligação de ramal de ventilação quando da impossibilidade de


ventilação do ramal de descarga da bacia sanitária. Fonte: NBR 8160/1999

É dispensada a ventilação do ramal de


descarga de um vaso sanitário ligado
através de ramal exclusivo a um tubo de
queda a uma distância máxima de 2,40
m, desde que esse tubo de queda receba
do mesmo pavimento, e imediatamente
abaixo, outros ramais de esgoto ou de
descarga devidamente ventilados, como Figura 2-24 Dispensa de ventilação de ramal de descarga de bacia sanitária.
Fonte: NBR 8160/1999
mostra a Figura 2-24.

Ventilação em Circuito: Em colégios, clubes ou sanitários públicos, é frequente a instalação de


vasos sanitários em bateria (ou série), e nesse caso, com um ramal de esgotos comum. A ventilação agora,
deve ser feita em circuito, através do chamado “tubo ventilador de circuito” (VC) que liga a coluna de
ventilação a este ramal de esgoto, na região entre o último e o penúltimo vasos sanitários (entre os dois
vasos mais afastados do tubo de queda (TQ)). Isto é permitido para uma bateria com até 8 vasos sanitários
em prédios com um só pavimento, ou no pavimento mais alto de edifícios.

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Figura 2-25 Ventilação em Circuito. Fonte: NBR 8160/1999

Deve ser previsto um “tubo ventilador suplementar” ligando o “tubo ventilador de circuito” ao
“ramal de esgoto”, para cada grupo de oito vasos sanitários (a cada 8 vasos, mais um suplementar).

Quando se tratar de prédio com mais de um pavimento, e houver vasos sanitários nos andares de
cima contribuindo no mesmo tubo de queda (TQ), vejamos então o que diz a NBR 8160/1999 no item
4.3.21.

Quando o ramal de esgoto servir a mais de três bacias sanitárias e houver aparelhos em andares
superiores descarregando no tubo de queda, é necessária a instalação de tubo ventilador suplementar,
ligando o tubo ventilador de circuito ao ramal de esgoto na região entre o tubo de queda e a primeira
bacia sanitária.

Isto implica que havendo baterias de vasos superpostas (não se aplica a prédios de um pavimento,
e nem ao pavimento mais alto do prédio), e a bateria tiver mais de 3 vasos, já é necessária a interligação
do tubo ventilador de circuito e o ramal de esgoto, já entre o TQ e o primeiro vaso. O dito que, a bateria
precisa de um ventilador suplementar a cada 8 vasos (entre o último e o penúltimo), continua válido.

2.5.2 Dimensionamento do sistema de ventilação


O “sistema de ventilação secundária”, é dimensionado segundo os critérios apresentados abaixo
e de acordo com a NBR 8160/1999 no seu item 5.2.2.

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2.5.2.1 Ramais de Ventilação
São dimensionados de acordo com o número de aparelhos que vão ventilar, isto é, deve ser
computado o número de unidades Hunter de contribuição (UHC) dos aparelhos contribuintes no trecho
que o ramal de ventilação estiver conectado.

A escolha do diâmetro do ramal de ventilação é feita com auxílio daTabela 2-7, extraída da norma
NBR 8160/1999, onde se pode observar a influência, no diâmetro, da presença ou não de bacias sanitárias
entre os aparelhos.
Tabela 2-7 Dimensionamento de Ramais de Ventilação

Grupos de Aparelhos sem bacias sanitárias Grupos de Aparelhos com bacias sanitárias
Número UHC Diâmetro Nominal Número UHC Diâmetro Nominal
Até 12 40 Até 17 50
13 a 18 50 18 a 60 75
19 a 36 75 ---- ----

A norma NB 19/1978 era mais específica com relação a ventilação de desconectores. De acordo
com esta versão:

Item 4.6.14 NB 19/1978 – São considerados devidamente ventilados os desconectores, caixas


sifonadas ou sifões, quando ligadas a um tubo de queda que não receba efluentes de vasos sanitários e
mictórios, observadas as distâncias indicas na Tabela 2-6.

Isto elimina a “necessidade” de coluna de ventilação exclusiva para tubos de gordura e tubos de
queda que recebem o efluente exclusivamente de lavanderias (tanques e máquinas de lavar roupa). Neste
caso, é suficiente o prolongamento dos tubos de queda (gordura ou secundário) até acima da cobertura
do edifício.

Item 4.6.15 NB 19/1978 – São considerados devidamente ventilados os desconectores instalados


no último pavimento de um prédio, quando se verificarem as seguintes condições:

a) O número de UHC for menor ou igual a 15;


b) A distância entre o desconector e a ligação do respectivo ramal de descarga a uma tubulação
ventilada não exceder os limites da Tabela 2-6.

Item 4.6.16 NB 19/1978 – Consideram-se ventilados os desconectores das caixas retentoras e das
caixas sifonadas quando instaladas em pavimento térreo e ligadas diretamente a um subcoletor
devidamente ventilado.

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2.5.2.2 Tubo ventilador de circuito e tubo ventilador suplementar
Estes, só estarão presentes, quando dimensionarmos aparelhos instalados em bateria, como é o
caso de ginásios de esportes, colégios fábricas, etc. Para estas situações, onde se faça necessária a
ventilação em circuito, a NBR 8160/1999 no item 5.2.2.b) e 5.2.2.c) recomenda:

Item 5.2.2.b) – O diâmetro nominal do tubo ventilador de circuito não deve ser inferior aos limites
determinados na Tabela 2-8 (que é a mesma empregada para colunas de barrilerte e ventilação).

Item 5.2.2c) – O tubo ventilador suplementar deve ter diâmetro nominal, não inferior à metade
do diâmetro do ramal de esgoto que estiver ventilando.

2.5.2.3 Colunas de Ventilação


O diâmetro nominal das colunas de ventilação, é adotado de acordo com a Tabela 2-8 extraída da
NBR 8160/1999.

Nesta tabela entramos com o DN do tubo de queda ou ramal de esgoto que a coluna deve ventilar,
com o número de UHC correspondente a esse tubo de queda ou ramal de esgoto e o comprimento da
coluna de ventilação até acima da cobertura (se a coluna for ligada a um tubo ventilador primário,
considera-se o comprimento deste entre a ligação e a cobertura). Em função disso, tira-se o DN que a
coluna deve ter.

A coluna não é dimensionada por trechos, pois deve ter diâmetro uniforme de acordo com o item
4.3.14.a) da NBR 8160/1999. Logo, o número de UHC deve ser o total.

2.5.2.4 Barrilete de Ventilação


Quando não for conveniente o
prolongamento de cada tubo ventilador até
acima da cobertura ou telhado, pode ser
usado um “barrilete de ventilação”, a ser
executado na horizontal interligando os
tubos ventiladores primários e colunas de
ventilação, e com um aclive mínimo de 1%
até o trecho prolongado, isto é, aquele
trecho que se estenderá verticalmente até
acima da cobertura ou telhado. Um
exemplo disto é mostrado na figura Figura
2-26.

Figura 2-26 Barrilete de Ventilação. Fonte: Macintyre, 1990

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Tabela 2-8 Dimensionamento de colunas e barriletes de ventilação. Fonte: NBR 8160-1999

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2.5.2.5 Desvio de tubo de queda
O tubo ventilador primário e a coluna de ventilação devem ser verticais e, sempre que possível,
instalados em uma prumada; quando necessárias, as mudanças de direção devem ser feitas mediante
curvas de ângulo central não superior a 90° e com um aclive mínimo 1%.

Nos desvios de tubo de queda que formem um ângulo maior que 45° com a vertical, deve ser
prevista ventilação de acordo com uma das seguintes alternativas indicadas na Figura 2-27.

a) Considerar o tubo de queda como dois tubos independentes, um acima e outro abaixo do desvio;
ou
b) Fazer com que a coluna de ventilação acompanhe o desvio do tubo de queda, conectando o tubo
de queda à coluna de ventilação, através de tubos ventiladores de alívio, acima e abaixo do desvio.

Figura 2-27 Desvio de tubo de queda. Fonte: NBR 8160-1999

NOTA: Os itens 6, 7 e 8 da NBR 8160/1999 que dizem respeito, respectivamente, à execução, manutenção
e qualidade das instalações prediais de esgoto sanitário devem ser lidos com atenção. Estes itens definem
as responsabilidades e obrigações do empreendedor, contratante, projetista e executor das instalações.

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Capitulo 3 Instalações Prediais de Águas
Pluviais

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3. Instalações Prediais de Águas Pluviais
Chama-se instalação predial de águas pluviais ou instalação predial de esgoto pluvial ao conjunto
de tubulações (calhas, condutores e coletores) e demais acessórios (ralos, grelhas e caixas de areia)
destinado à coleta da água de chuva que cai nos telhados ou terraços, para encaminhamento, rápido e
seguro, ao coletor públic/o.

O projeto das instalações de águas pluviais segue as prescrições da NBR 10844/1989, que fixa as
exigências e critérios necessários a garantia de níveis aceitáveis de funcionalidade, segurança, higiene,
conforto, durabilidade e economia. Esta norma se aplica a drenagem de águas pluviais em coberturas e
demais áreas associadas ao edificio, tais como terraços, pátios, quintais e similares. Esta norma não se
aplica a casos onde as vazões de projeto e as caraterísticas da área exijam a utilização de bocas-de-lobo e
galerias.

3.1 Calhas
São canais, colocados horizontalmente, que captam as águas de chuva diretamente dos telhados,
impedindo que as mesmas caiam livremente causando danos nas áreas circunvizinhas, principalmente
quando a edificação é muito alta. Para residências de apenas um, ou no máximo dois pavimentos, muitas
vezes o projetista dispensa o uso de calhas, deixando que as águas escoem, de forma bem dispersa pelas
bordas das telhas, caindo sobre a superficie do terreno. [4]

As calhas podem ser executadas com uma grande variedade de materiais, como chapa de cobre,
galvazinada, PVC, cimento amianto e concreto.

Quanto à forma, podem se apresentar com seção semi-circular, retangular e trapeizodal. A Figura
3-1 ilustra alguma destas formas.

Figura 3-1 Alguns modelos de Calhas. Fonte: ECV Instalações

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3.2 Condutores Verticais (Tubos de Queda)
São tubos verticais, geralmente de seção circular ou prismática, que recolhem as águas das calhas,
coberturas ou terraços e as conduzem para o nível do solo para as redes coletoras.

Na extremidade superior podem ser soldados diretamente às calhas ou, através de ralos, aos
terraços. Na extremidade inferior, podem descarregar a água em uma caixa de brita (para evitar a erosão
do terreno) ou em uma caixa de areia, ou ainda ser ligados e a um condutor (coletor) horizontal, através
de curva de 90° com visita. Na Figura 2-17 podem ser vistos condutores verticais com as denominações
AP1, AP2, AP3 e AP4.

Os materiais mais comuns para fabricação dos condutores são o PVC e o cimento amianto. No
passado foi bastante empregado o uso de ferro fundido. A Figura 3-2 mostra os detalhes da calha ao
condutor.

Figura 3-2 Ligação da Calha ao Condutor. Fonte: Carvalho Júnior, 2013

3.3 Condutores Horizontais (Coletores)


São condutos livres que coletam a água dos condutores verticais e transportam-na até a sarjeta,
na rua, em frente ao lote. A rede de coletores situa-se no nível do terreno ou é presa ao teto do subsolo
se este existir.

3.4 Ralos ou Grelhas


São acessórios utilizados em terraços e áreas descobertas para evitar a entrada de folhas e outros
detritos nas tubulações.

3.5 Funil
É um alargamento feito no topo do condutor, junto à calha, e se destina a dar rápido escoamento
às águas da chuva.

3.6 Caixas de inspeção


São caixas de alvenaria ou concreto, dispostas a 25m no máximo uma da outra, e destinam-se a
desobstruções da rede. Devem ser empregadas sempre que houver uma mudança de direção na
tubulação horizontal.

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3.7 Caixas de Areia
Quando há possibilidade de entrada de areia nas grelhas das caixas de inspeção, estas devem ser
construídas de modo a reter a mesma, impedindo o carregamento para dentro da tubulação, e por isto,
recebem a denominação de “caixas de areia”. Isto é conseguido fazendo-se o tubo de saída da caixa 5 a
10 cm acima do fundo, garantindo assim, um certo volume para a retenção da areia. Periodicamente esse
material deve ser removido da caixa.

3.8 Dados necessários ao projeto

3.8.1 Intensidade Pluviométrica


Como a rede de esgoto pluvial é dimensionada para coleta e transporte da água de chuva, é
imperativo conhecer a intensidade pluviométrica, para a qual devem ser dimensionadas as calhas,
condutores e coletores.

Item 5.1.1 NBR 10844/1989. A determinação da intensidade pluviométrica “I”, para fins de
projeto, deve ser feita a partir da fixação de valores adequados para a Duração da Precipitação e o Período
de Retorno. Toma-se como base dados pluviométricos locais.

Item 5.1.2 NBR 10844/1989. O período de retorno deve ser fixado segundo as características da
área a ser drenada, obedecendo ao estabelecido a seguir:

T = 1 ano, para áreas pavimentadas, onde empoçamentos possam ser tolerados;

T = 5 anos, para coberturas e/ou terraços;

T = 25 anos, para coberturas e áreas onde empoçamentos ou extravasamento não possa ser tolerado.

Item 5.1.3 NBR 10844/1989. A duração da precipitação deve ser fixada em t = 5 minutos.

Para o dimensionamento das calhas, condutores e coletores, para a coleta de água de telhados,
terraços e pátios podemos recorrer a tabela 5 do anexo da NBR 10844 onde são apresentados dados de
Intensidade Pluviométrica em função do Período de Retorno (1, 5 ou 25 anos) e da Duração (5 min) para
várias localidades brasileiras (98), inclusive Rio Grande (RS), onde verificamos o valor 204 mm/h. Estes
dados foram obtidos da publicação “Chuvas Intensas no Brasil” de autoria do engenheiro Otto
Pfasfstetter.

Para localidades que não constem da tabela, pode-se adotar o valor prescrito para outra
localidade próxima e que tenha condições metereológicas semelhantes. Na impossibilidade disso,
vejamos o que diz o item 5.1.4.

Item 5.1.4 NBR 10844/1989. Para construções até 100 m² de área de projeção horizontal, salvo
casos especiais, pode-se adotar I = 150 mm/h.

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3.8.2 Área de Contribuição
Devido à ação de ventos e a inclinação do telhado, ou a existência de paredes que se sobressaem
em altura e por isso interceptam água da chuva, a área de contribuição efetiva, para o cálculo da vazão
de projeto, é um pouco maior que a projeção horizontal, mostrados na Figura 3-3, extraída da Norma. A
maioria dos autores não leva em consideração este incremento.

3.8.3 Vazão de Projeto


A vazão a considerar no dimensionamento do sistema de esgoto pluvial é calculada pela fórmula
racional fazendo o coeficiente de deflúvio C igual a 1:

𝑄 = 𝐶 ∗ 𝐼𝑚 ∗ 𝐴
𝐼𝑚 ∗ 𝐴
𝑄=
60
Q: Vazão de projeto em litros/minuto (L/min);

C: Coeficiente de deflúvio ou runoff igual a 1;

𝐼𝑚 : Intensidade pluviométrica em mm/h;

A: Área de contribuição (de telhado, terraço, etc.) em m²;

60: Fator de conversão de m²*mm/h para L/min.

Exemplo 1: Local – Rio Grande

Período de Retorno T = 5 anos

Duração da Chuva t = 5 minutos

Dados – Um telhado como monstrado na figura 3.3b com a = 6 m, b = 10 m e h = 0,60 m (caimento


de 10%). Calcular a vazão de projeto, para “uma água” (um plano de telhado) de contribuição.

0,6
SOLUÇÃO: 𝐴 = (6 + 2
)∗ 10 = 63 𝑚²

Intensidade Pluviométrica: 𝐼𝑚 = 204 𝑚𝑚/ℎ (TABELA 5 – anexo da norma)


204 ∗ 63
𝑄= = 214,2 𝐿/𝑚𝑖𝑛
60

Observação: Os calculistas utilizam, em geral, a área projetada do telhado, o que daria no nosso exemplo
6*10 = 60 m². Isto representaria, neste exemplo, uma diferença pequena, apenas 5%.

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Figura 3-3 Indicações para cálculos da área de contribuição. Fonte: NBR 10844

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Observações: Para as coberturas horizontais de laje (Item 5.4 da NBR 10844):

As superfícies horizontais de laje devem ter declividade mínima de 0,5% (0,5cm/m), de modo que
garanta o escoamento das águas pluviais, até os pontos de drenagem previstos (ralos, caixas, etc.).

A drenagem deve ser feita por mais de uma saída, exceto nos casos em que não houver risco de
obstrução. Isto evita que numa eventual obstrução da saída, a água empoce por não ter outro caminho
de fuga.

Grandes coberturas devem ser sub-divididas em áreas de contribuição menores, cada qual dotada
de caimento conveniente para ralo próprio.

Os trechos da linha perimetral da cobertura e das eventuais aberturas na cobertura (escadas,


clarabóias etc.) que possam receber água, em virtude do caimento, devem ser dotados de platibanda ou
calha.

3.9 Dimensionamento

3.9.1 Calhas
As calhas podem ser dimensionadas por meio das fórmulas convencionais da “hidráulica de
canais” ou pelo método proposto pela norma, através de tabelas, que evidentemente foram obtidas por
intermédio daquelas fórmulas. A vantagem de dimensionar diretamente com o uso das fórmulas é que
podemos faze-lo para qualquer forma de seção (semi-circular, retangular, trapezoidal, etc.) enquanto a
norma fornece tabelas para o dimensionamento de calhas semi-circulares apenas.

3.9.1.1 Método Hidráulico


Segundo esta forma de dimensionamento, devemos empregar a equação da continuidade e uma
equação aplicável a canais, por exemplo a de Manning.

Eq. Continuidade 𝑄 = 𝑆 ∗ 𝑉
2 1
1
Eq. Manning 𝑄 = 𝐾 ∗ 𝑛 ∗ 𝑅𝐻 3 ∗ 𝐼 2 ∗ 𝑆

Onde

Q = vazão de projeto (L/min);

K = 60.000 (Coeficiente de Conversão de m³/s para L/min);

S = área da seção molhada do escoamento da calha;

n = coeficiente de rugosidade de Manning;


𝑆
𝑅𝐻 = raio hidráulico (m)  𝑅𝐻 =
𝑃

P = perímetro molhado (m)

I = declividade (m/m)

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A Tabela 3-1, extraída da norma, sugere valores do coeficiente de rugosidade de Manning para
diferentes materiais de fabricação.
Tabela 3-1 Coeficiente de Rugosidade. Fonte: NBR 10844/1989

Material n
Plástico, fibrocimento, aço, metais não ferrosos 0,011
Ferro fundido, concreto alisado, alvenaria revestida 0,012
Cerâmica, concreto não alisado 0,013
Alvenaria de tijolos não revestida 0,015

Exemplo 02: Calha de Seção Semicircular

Que área poderá ser escoada por uma calha semicircular de PVC (n=0,011) de 125 mm de
diâmetro, sendo sua declividade igual a 1% e a intensidade pluviométrica (Im) local de 204 mm/h?

I = 1% = 0,01 m/m (ou 1 cm/m)

D = 0,125 m

n = 0,011
𝐷2
𝜋∗
4
𝑆= 2
= 0,00613592 𝑚²
2𝜋𝑟
𝑃= = 𝜋 ∗ 𝐷/2
2

𝐷2
𝑆 𝜋∗ 𝐷 0,125
8
𝑅𝐻 = = 𝐷 = = = 0,03125 𝑚
𝑃 𝜋∗ 4 4
2

2 1 2 1
1 1
𝑄 = 𝐾 ∗ ∗ 𝑅𝐻 3 ∗ 𝐼 2 ∗ 𝑆 = 60000 ∗ ∗ (0,03125)3 ∗ (0,01)2 ∗ (0,00613592) = 332 𝐿/𝑚𝑖𝑛
𝑛 0,011

60∗𝑄 60∗332
Sabendo-se que 𝑄 = (𝐼𝑚 ∗ 𝐴)/60, tem-se que: 𝐴 = 𝐼𝑚
= 204
→ 𝑨 = 𝟗𝟕, 𝟔 𝒎𝟐 𝒅𝒆 𝒕𝒆𝒍𝒉𝒂𝒅𝒐

Exemplo 03: Calha de Seção Retangular de largura “a” e altura de água “b”

Supor n = 0,011 (Alumínio)

a = 125 mm

b = 62,5 mm

𝑆 = 𝑎 ∗ 𝑏 = 0,125 ∗ 0,0625 = 0,0078125 𝑚²


𝑃 = 𝑎 + 2 ∗ 𝑏 = 0,125 + 2 ∗ 0,0625 = 0,250 𝑚
𝑆
𝑅𝐻 = = 0,03125 𝑚
𝑃

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2 1 2 1
1 1
𝑄 = 𝐾 ∗ 𝑛 ∗ 𝑅𝐻 3 ∗ 𝐼 2 ∗ 𝑆 = 60000 ∗ 0,011 ∗ (0,03125)3 ∗ (0,01)2 ∗ (0,0078125) = 422,7 𝐿/𝑚𝑖𝑛

60∗422,7
Sabendo-se que 𝑄 = (𝐼𝑚 ∗ 𝐴)/60, tem-se que: 𝐴 = 204
→ 𝑨 = 𝟏𝟐𝟒, 𝟑 𝒎𝟐 𝒅𝒆 𝒕𝒆𝒍𝒉𝒂𝒅𝒐

3.9.1.2 Método da NBR 10844/1989


Esta forma de dimensionar uma calha, consiste em escolher em tabelas apropriadas (calculadas
através das fórmulas da hidráulica) a calha adequada para escoar as águas drenadas pelos telhados.

A norma sugere a Tabela 3-2 que permite escolher a calha semicircular com o diâmetro adequado
para escoar diferentes vazões de acordo com a declividade. Esta tabela foi confeccionada para coeficiente
de rugosidade de Manning igual a 0,011.
Tabela 3-2 Capacidades de calhas semicirculares com coeficiente de rugosidade n=0,011 (vazão em L/min). Fonte: NBR
10844/1989

Diâmetro (mm) Declividade


0,5% (0,005 m/m) 1% (0,01 m/m) 2% (0,02 m/m)
100 130 183 256
125 236 333 466
150 384 541 757
200 829 1167 1634

Uma vez determinada a intensidade pluviométrica da chuva crítica, facilmente calcula-se a vazão
unitária Qu (para escolher a vazão drenada de 1 m² de telhado) e com a área total do telhado, calcula-se
a vazão da calha.

Exemplo 4: Área de telhado = 170 m²


𝑚𝑚
𝐼𝑚 ( )
𝑄𝑢 = (𝐼𝑚 2
∗ ℎ ) /𝐼 2
𝑚
60 𝑚𝑖𝑛

𝑄𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 𝑄𝑢 ∗ 𝐴
** Para 𝐼𝑚 = 150 𝑚𝑚/ℎ  Qu = 2,5 L/min.m²
L 𝐿
𝑄𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 2,5 . m2 ∗ 170 m2 = 425
min 𝑚𝑖𝑛
Escolha  Calha com D 125 mm e declividade 2%

** Para 𝐼𝑚 = 204 𝑚𝑚/ℎ  Qu = 3,4 L/min.m²


L 𝐿
𝑄𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 3,4 . m2 ∗ 170 m2 = 578
min 𝑚𝑖𝑛
Escolha  Calha com D 150 mm e declividade 2%

94
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NOTA: Alguns autores apresentam nestas tabelas, a área máxima de telhado que elas podem
drenar. São muito práticas, e abaixo apresentamos algumas opções de escolha, para calhas semicirculares
com Im = 204 mm/h e Im = 150 mm/h.
Tabela 3-3 Capacidade de calhas semicirculares, em termos de área drenada

(a) Im = 204 mm/h (b) Im = 204 mm/h


n = 0,011 Área de Telhado a Esgotar (m²) n = 0,012 Área de Telhado a Esgotar (m²)
D (mm) 0,5% 1% 2% D (mm) 0,5% 1% 2%
100 38 54 76 100 35 49 70
125 69 98 138 125 63 90 127
150 112 159 225 150 103 146 206
175 169 240 339 175 155 220 311
200 242 342 484 200 222 314 443
250 438 620 877 250 402 568 804
300 713 1008 1426 300 654 924 1307

(c) Im = 204 mm/h (d) Im = 204 mm/h


n = 0,013 Área de Telhado a Esgotar (m²) n = 0,015 Área de Telhado a Esgotar (m²)
D (mm) 0,5% 1% 2% D (mm) 0,5% 1% 2%
100 32 46 64 100 28 40 56
125 58 83 117 125 51 72 101
150 95 134 190 150 82 116 165
175 143 203 287 175 124 176 248
200 205 289 409 200 177 251 355
250 371 525 742 250 322 455 643
300 603 853 1207 300 523 739 1046

(e) Im = 105 mm/h (f) Im = 105 mm/h


n = 0,011 Área de Telhado a Esgotar (m²) n = 0,012 Área de Telhado a Esgotar (m²)
D (mm) 0,5% 1% 2% D (mm) 0,5% 1% 2%
100 52 73 104 100 47 67 95
125 94 133 188 125 86 122 172
150 153 216 305 150 140 198 280
175 230 326 461 175 211 299 422
200 329 465 658 200 301 426 603
250 596 843 1193 250 547 773 1093
300 970 1371 1939 300 889 1257 1178

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(g) Im = 105 mm/h (h) Im = 105 mm/h
n = 0,013 Área de Telhado a Esgotar (m²) n = 0,015 Área de Telhado a Esgotar (m²)
D (mm) 0,5% 1% 2% D (mm) 0,5% 1% 2%
100 44 62 88 100 38 54 76
125 79 112 159 125 69 97 138
150 129 183 258 150 112 158 224
175 195 276 390 175 169 239 338
200 278 394 557 200 241 341 482
250 505 714 1009 250 437 618 875
300 821 1160 1641 300 711 1006 1422

Observe que quanto mais rugosa (maior o n) a superfície da calha, menor é a capacidade de vazão
e consequentemente menor é a área que podem drenar.

Exemplo 5: Determinar o diâmetro necessário a uma calha semicircular com n=0,011, para drenar uma
área de 170 m², em uma região cuja intensidade pluviométrica seja:

a) Im = 150 mm/h. Da tabela vem:

D = 125mm se decliv = 2%

D = 150mm se decliv = 1%

D = 175mm se decliv = 0,5%

b) Im = 204 mm/h. Da tabela vem:

D = 150mm se decliv = 2%

D = 175mm se decliv = 0,5%

3.9.2 Condutores Verticais


O dimensionamento dos condutores verticais é feito de forma completamente empírica, com
dados extraídos da experiência, da observação, pois:

(a) Não se aplicam a eles as fórmulas de condutos forçados (sob pressão) porque a seção do
escoamento não fica completamente cheia e a carga d’água é muito reduzida de modo que o
escoamento mais se aproxima da “queda livre”. O escoamento é, na verdade, de uma mistura de
água e ar (bifásico) e não apenas de água.
(b) Não se aplicam a eles as fórmulas de hidráulica de canais (com superfície livre) porque estas não
admitem declividade infinita, a qual, levaria a velocidade ao infinito.

Assim, diferentes projetistas adotam diferentes critérios para a escolha do diâmetro dos
condutores verticais, todos, fruto da experiência (observação) e desprovidos de uma fundamentação
teórica consistente.

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Desta forma, alguns admitem que o condutor vertical:

1) Escoa a mesma vazão que um condutor horizontal com mesmo diâmetro, à seção plena e com
velocidade de 0,5 m/s;
2) Escoa a mesma vazão que um condutor horizontal com mesmo diâmetro, à seção plena e com
velocidade de 0,005 m/m (0,5%);
3) Deve ter 1 cm² de área da seção trasnversal para cada m² de telhado ou cobertura drenado;
4) Deve ter 0,5 cm² de área da seção transversal para cada m² de telhado ou cobertura drenado;
5) Segundo Macintyre, os valores corretamente adotados no Rio de Janeiro, correspondem
aproximadamente a um condutor horizontal, à plena seção e com declividade de 4%.

Podemos observar que seja qual for o critério adotado, ele é “arbritariamente adotado”.

Os critérios (2) e (3) dão resultados muito parecidos. Vamos adotar aqui, o critério (3) pela
simplicidade, isto é, o condutor vertical deve ter 1 cm² de área da seção trasnversal para cada m² de
telhado ou cobertura drenado. A Tabela 3-4 mostra, de acordo com o critério (3), a área que pode ser
drenada por tubos de diferentes seções. De acordo com esse critério, não há qualquer influência da
rugosidade da parede sobre a capacidade de escoamento do tubo.
Tabela 3-4 Condutores Verticais

Diâmetro (mm) Área a ser Drenada (m²)


50 19,6
75 44
100 79
150 177
200 314

Exemplo 6: Dimensionar as calhas (n=0,011) de seção circular e os condutores verticais para escoar a
água do telhado da figura abaixo. Adotar Im = 204 mm/h (Rio Grande).

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Solução:

Calha p/ Im = 204 mm/h  Qu = 3,4 L/min.m² e Q = 3,4*240 = 816 L/min.

Tabela 3-2  Calha de 200 mm com I = 0,5% tem capacidade para 829 L/min ∴ OK!

Se observarmos a Tabela 3-3, verificamos que aparece nela também a calha de 175 mm com I =
1% cuja capacidade é exatamente 240 m² de telhado.

Condutores Verticais (Tabela 3-4):

240m²/44m² = 5,5 logo  6 condutores de 75 mm ou

240 m²/79m² = 3,03 logo  3 condutores de 100 mm

3.9.3 Condutores Horizontais (Coletores)


Os condutores horizontais devem ser dimensionados com superfície livre, isto é, como canais,
com declividade uniforme e no mínimo 0,5%.

De acordo com o item 5.7.2 da NBR 10844/1989, o dimensionamento dos condutores horizontais
deve ser feito para escoamento com lâmina de altura igual a 2/3 do diâmetro interno (D) do tubo. Ainda,
de acordo com o mesmo item, as vazões para tubos de vários materiais e inclinações usuais estão
indicados na Tabela 3-5, extraída da norma.

Vejamos o que mais prescreve a norma a respeito de condutores horizontais:

Item 5.7.3 Nas tubulações aparentes, devem ser previstas inspeções sempre que houver conexões
com outra tubulação, mudança de declividade, mudança de direção e ainda a cada trecho de 20m nos
percursos retilíneos.

Item 5.7.4 Nas tubulações enterradas, devem ser previstas caixas de areia sempre que houver
conexões com outra tubulação, mudança de declividade, mudança de direção e ainda a cada trecho de
20m nos percursos retilíneos.

Item 5.7.5 A ligação entre os condutores verticais e horizontais é sempre feita por curva de raio
longo, com inspeção ou caixa de areia, estando o condutor horizontal aparente ou enterrado.

Exemplo 7: Suponha que cada um dos três condutores verticais do problema anterior termine em uma
caixa de areia, e que estas caixas estejam conectadas por condutores horizontais que se prolongam
lateralmente ao prédio, até a sarjeta. Dimensionar estes condutores horizontais, supondo ainda, que não
recebam qualquer contribuição do piso do pátio.

Para simplificar, se poderia dimensionar um condutor horizontal com seção única ligando as três
caixas de areia. Neste caso, ele teria que ter capacidade para escoar à 2/3 do diâmetro a vazão total de
816 L/min. Pesquisando a Tabela 3-5 poderíamos escolher aquele com D = 150 mm e 1% de declividade.

Poderíamos também, pensar em utilizar seções diferentes para cada trecho do condutor
horizontal. Neste caso, cada trecho recebe a contribuição de um único condutor. Podemos dividir a vazão
em três partes, e dimensionar cada trecho da seguinte forma.

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1° trecho  Q = 816 L/min/3 = 272 L/min  Tabela 3-5 D = 100 mm com I = 1%

1° trecho  Q = 2* (816 L/min/3) = 544 L/min  Tabela 3-5 D = 100 mm com I = 4%

3° trecho  Q = 3* (816 L/min/3) = 816 L/min  Tabela 3-5 D = 150 mm com I = 1%

Tem que observar se o terreno permite que use declividades de 4%.


Tabela 3-5 Capacidade de condutores horizontais de seção circular (vazões L/min). Fonte: NBR 10844/1989

Exercício Proposto:

Para o prédio mostrado abaixo, dimensionar as calhas, os condutores verticais e os coletores. Faça
para I = 150 mm/h e I = 204 mm/h.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] Catálogo de Especificações DOCOL – Módulo II;

[2] Instalaões Hidráulicas Domicilares; Ronaldo Sérgio de Araújo Coelho. Ed. Hemus;

[3] Instalações Hidráulicas e Sanitárias; Hélio Creder. Livros Técnicos e Científicos Editora. 5ª Ed. 1991;

[4] Instalações Hidráulicas e Sanitárias; Ruy Honório Barcellar. Ed. McGraw-Hill. 1977;

[5] Instalações Hidráulicas Prediais e Industriais; Archibald Joseph Macintyre. Livros Técnicos e Científicos
Editora. 3ª Ed. 1996;

[6] Instalações Prediais Hidráulico-Sanitárias; Vanderley de Oliveira Melo & José M Azevedo Netto. Ed.
Edgard Blücher Ltda. 1998;

[7] Manual técnico Tigre : orientações técnicas sobre instalações hidráulicas prediais / Tigre S. A. –
Joinville : Tigre, 2010;

[8] Instalações Hidráulicas e o Projeto de Arquitetura; Roberto de Carvalho Júnior. Ed. Blucher, 2013;

[9] NBR 5626/1982 ou NB 92/1980: Normas para Instalações Prediais de Água Fria. ABNT;

[10] NBR 10844/1989: Instalações Prediais de águas pluviais. ABNT;

[11] NBR 8160/1999: Sistemas prediais de esgoto sanitário – Projeto e execução. ABNT;

[12] Previsão de Consumo de água; Plinio Tomaz. Navegar Editora, 2000.

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