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E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

E-BOOK

FUNDAMENTOS
DE ECONOMIA
VOLUME 2
UNIDADE III - O PAPEL DO ESTADO

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SUMÁRIO
Apresentação...............................................................................................................................................................................................4
1. O Papel do Estado ..................................................................................................................................................................................6
1.1 O Papel do Estado e seus Objetivos ................................................................................................................................................................. 7
1.2 Importância para o Desenvolvimento Econômico e Social...................................................................................................................12
2. Políticas econômicas........................................................................................................................................................................... 14
2.1 Política fiscal............................................................................................................................................................................................................14
2.1.1 Situação fiscal...........................................................................................................................................................................................18
2.1.2 Por que gerar superávit primário?.....................................................................................................................................................19
2.2 Política monetária..................................................................................................................................................................................................22
2.2.1 Copom e taxa de juros...........................................................................................................................................................................27
2.2.2 Metas de inflação (Inflation target)..................................................................................................................................................29
2.3 Política externa.......................................................................................................................................................................................................32
2.3.1 Política cambial........................................................................................................................................................................................33
2.3.1.1 Regime de taxas de câmbio fixas.......................................................................................................................................35
2.3.1.2 Regime de taxas de câmbio flutuantes............................................................................................................................36
2.3.2 Política comercial.....................................................................................................................................................................................37
2.4 Política de rendas...................................................................................................................................................................................................38
2.4.1 Política de preços mínimos..................................................................................................................................................................39
2.4.2 Política de controle de preços.............................................................................................................................................................40

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2.4.3 Política de preços administrados.......................................................................................................................................................41


2.4.4 Política salarial..........................................................................................................................................................................................42
2.5 Comentários às políticas.....................................................................................................................................................................................44
2.5.1 Importância da coerência entre as diversas políticas.................................................................................................................45
3. Indicadores econômicos..................................................................................................................................................................... 47
3.1 Índices de preços...................................................................................................................................................................................................50
3.2 Indicadores da atividade econômica.............................................................................................................................................................53
3.3 Setor externo...........................................................................................................................................................................................................55
3.4 Emprego e renda...................................................................................................................................................................................................56
3.5 Mercado de crédito e preço do dinheiro......................................................................................................................................................58
3.6 Setor público...........................................................................................................................................................................................................60
4. Inflação................................................................................................................................................................................................... 61
4.1 Introdução................................................................................................................................................................................................................61
4.2 Causas da inflação.................................................................................................................................................................................................64
4.2.1 Inflação de demanda.............................................................................................................................................................................64
4.2.2 Inflação de custos....................................................................................................................................................................................65
4.2.3 Inflação Inercial........................................................................................................................................................................................66
4.3 O processo inflacionário brasileiro e seu combate....................................................................................................................................67
5. Resumo................................................................................................................................................................................................... 76

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APRESENTAÇÃO
Na sociedade do conhecimento em que vivemos, o capital intelectual
constitui recurso econômico, ao lado dos fatores terra, trabalho e capital,
tradicionalmente estudados pelas ciências econômicas. Essa realidade tem
provocado mudanças nas empresas. Gerir o conhecimento e otimizá-lo na
busca de soluções criativas é condição decisiva para que elas sobrevivam.
Nesse contexto, os cursos de economia desenvolvidos internamente
visam atender à demanda por um conhecimento que se faz necessário ao
profissional bancário que cada vez mais atua como verdadeiro consultor
econômico e financeiro de nossos clientes.
O programa de formação em economia é composto por três cursos.

Os dois primeiros (Fundamentos O último curso, Economia Aplicada


de Economia - Volumes 1 e 2), (40224), será realizado em sala de aula
na modalidade autoinstrucional, e irá proporcionar oportunidade para
disponíveis no Portal UniBB, que se analise o comportamento dos
abordam os aspectos conceituais agentes no cenário econômico e seus
da economia, como forma de reflexos no mundo dos negócios.
preparação para o último.

Dando continuidade a essa ação formativa, este segundo curso trata dos agregados macroeconômicos, da
Economia Internacional e do papel do Estado. Tem por finalidade que, ao final, você esteja apto a descrever a
dinâmica do mercado e dos agentes financeiros em suas inter-relações econômicas.

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O PAPEL DO
ESTADO

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1. O PAPEL DO ESTADO
Página 01
Neste tópico, estudaremos:
o papel do Estado e seus objetivos
políticas econômicas
indicadores econômicos
inflação

O objetivo é que, ao final, você possa:


identificar o papel do Estado, seus objetivos
e as políticas econômicas existentes;
relatar os indicadores econômicos e suas aplicações;
descrever os tipos e as causas da inflação.

Página 05 Página
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1.1 O PAPEL DO ESTADO E SEUS OBJETIVOS


Página 02
PáginaNa01
abordagem teórica da ciência econômica, o
principal papel atribuído ao governo na gestão Página 02
da economia até o final da década de 20 era o de
ágina 01 criar condições para que as forças do mercado
pudessem, livremente, alocar recursos produtivos
e distribuir o produto final do modo mais eficiente
Página 02
possível. Descartava-se, portanto, a possibilidade de
manipulação direta das forças de mercado.

Nessas condições, a interferência do governo na


economia limitava-se a assegurar os direitos naturais
ligados à vida, à liberdade e à propriedade. O Estado,
assim, assumia a defesa contra agressões externas,

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exercia a administração da justiça, da educação e da assistência social, e responsabilizava-se


pelo desenvolvimento de setores e de atividades que, embora socialmente indispensáveis,
não atraíam a iniciativa privada.
Página 03
O desempenho insatisfatório da maioria das economias ocidentais
no período entre as duas guerras mundiais — cujo maior exemplo foi
a derrocada da Bolsa de Wall Street — acarretou a reorientação do
papel dos governos na condução da economia, reconhecida que foi a
necessidade de se estruturar e orientar minimamente o mercado.

O período que se seguiu deixou claro que as formas de intervenção de que se podem valer
os governos apresentam diferentes graus de extensão e de profundidade, variando de
acordo com as situações específicas.

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Essa intervenção se processa por meio de um conjunto coordenado de medidas dentro da


política econômica adotada pelo poder público com vista a atingir objetivos definidos:

criar as condições necessárias ao


desenvolvimento econômico;

garantir a estabilidade econômica,


a manutenção do pleno emprego, a
estabilização dos preços e o equilíbrio
do Balanço de Pagamentos; e

induzir a repartição econômica pela


melhoria no perfil da distribuição
regional, funcional e pessoal da renda.

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Em outras palavras, cabe ao governo desempenhar três papéis básicos:

Alocador Distribuidor Estabilizador

A importância do setor público – ou do governo – também se revela a partir de uma lista de


tarefas desempenhadas por ele durante o processo de desenvolvimento. Sem estabelecer
ordem de prioridade ou importância, podemos dizer que é missão do setor público:
Página 03

realizar investimentos em infraestrutura, como estradas, geração de energia,


construção de escolas, hospitais, serviços urbanos etc.
Página 03

realizar investimentos em indústrias de base que, dada a sua importância


Página 08
estratégica ou o elevado volume de investimentos, são necessários ao
Página 09

Página 03
crescimento econômico.

Página 08
induzirPágina
os investimentos
09
do setor privado, indicando áreas prioritárias de
alocação de capital.
Página 13 Página 14

PAG 10
Página 08 Página 13 Página 09 Página 14

Página 20
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Página 03

efetuar despesas, desde que alocadas de maneira eficiente, principalmente


destinadas à manutenção da lei e da ordem, da promoção da educação e dos
cuidados com a saúde pública.
Página 03

desenvolver instituições de diversos tipos (cooperativas, sindicatos, sistema


Página 08 Página 09

bancário, extensão agrícola), pois são essenciais para a organização da


sociedade e seu desenvolvimento institucional.
Página 03
Página 13 Página 14

efetuar um grande conjunto dos serviços preliminares, como estatísticas,


Página 08 Página 09

levantamentos de recursos naturais, medidas de fluxos fluviais, geológicos e


levantamentos de solos de classificação, estudos de viabilidade industrial, de
transportes e dePágina
Página 13
energia,
14
Página 19
laboratórios
Página 20
de pesquisa, testes de matérias-primas,
Página
Página 18
08 Página 09
gina 17
controle de qualidade etc.
Página 03

Ministério
do Traba
lho e
Empr
ego

definir metas que promovam o desenvolvimento econômico de longo prazo.


CARTEIR

PREVID
A
DE TRA
E
ÊNCIA
BALHO

Página 20
SOCIAL

Página 13 Página 14
Página 19
Página 18 Página 26
gina 17
Página 23
Página 24

Ministério

Página 08 Página 09
do Traba
lho e
Empr
ego

CARTEIR

PREVID
A
DE TRA
E
ÊNCIA
BALHO PAG 11
Página 20
SOCIAL

Página 19
Página 18 Página 26
gina 17
Página 23
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Página 03

planejar. O planejamento do desenvolvimento é nada mais do que


executar todas as funções anteriormente mencionadas, vê-los como um
todo relacionado e consistente, e torná-los públicos para a informação
dos cidadãos do próprio país, de governos estrangeiros ou de investidores
Página 08 Página 09
interessados em desenvolver atividades no país.

Página 13 Página 14

1.2 IMPORTÂNCIA PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL

O sistema de mercado Página


é base03do capitalismo e
Página 20

gina 17
instrumento fundamental para
Página 18
Página a
19 destinação de

recursos nas diversas economias. Pela interação


da oferta e da demanda, os produtores têm à sua Ministério
do Traba
lho e
Empr
ego

disposição informações sobre as preferências dos


CARTEIR

PREVID
A
DE TRA
E
ÊNCIA
BALHO

SOCIAL

consumidores, alocando os recursos


Página 26 de acordo
Página 23
Página 24
com essas preferências.

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A concorrência, por sua vez, estimula a escolha mais econômica de técnicas de produção e
a permanente melhoria dos produtos.

Quando o mercado se mostra ineficaz em promover o crescimento econômico e em


proteger os setores mais vulneráveis, é provável que haja a intervenção do Estado para
regular os desequilíbrios do sistema de mercado e para fixar medidas capazes de acelerar
o crescimento econômico e o desenvolvimento social. Esse papel é desempenhado pelo
governo por meio de suas políticas.

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2. POLÍTICAS ECONÔMICAS

Temos falado que o governo age sobre o mercado por meio de suas políticas econômicas. E
quais são elas, especificamente? Veremos a seguir, a começar pela gestão financeira, o que é
feito pela política fiscal.

2.1 POLÍTICA FISCAL

A política fiscal compreende um conjunto de diretrizes do governo que envolve a


administração de seus dispêndios e a arrecadação de recursos. Em outras palavras, a política
fiscal cuida da origem e do destino das receitas do governo. Sua gestão tem por objetivo:

PAG 14
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1. acelerar ou desacelerar o ritmo de crescimento


econômico, via gastos e investimentos públicos;

2. acelerar ou desacelerar o ritmo de crescimento


do consumo, via política tributária;

3. diminuir as disparidades regionais e setoriais,


via incentivos fiscais;

4. estimular as exportações, via concessão


de incentivos fiscais;

5. desestimular as importações, via tarifas


alfandegárias e proibições.

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Também conhecida por política tributária, pode ser empregada com o propósito de atuar
tanto sobre o consumo quanto sobre o investimento privado. Se houver necessidade de
atuação sobre desequilíbrios no consumo, as medidas devem atingir o imposto de renda
pessoal ou o imposto sobre o consumo, ou ambos. Redução nas alíquotas desses impostos
estimulará o consumo, enquanto que elevação produzirá efeito contrário.

Os níveis de investimento privado podem ser alterados por meio de modificações nas
alíquotas de imposto de renda das empresas ou por isenções e créditos de impostos, como
IPI e ICMS. Podem ser alterados também por regulamentação das normas de depreciação e
de variação no crédito de imposto sobre as compras de bens de capital.

Redução nas taxas do imposto de renda das pessoas jurídicas


ou permissão para uma depreciação mais acelerada de
ando
Exemplific equipamentos tendem a aumentar os níveis de investimento.

P á g i n a 0 9
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Ainda na área da política fiscal, o Estado pode utilizar uma política de gastos públicos
com o propósito de evitar queda da demanda agregada ou do nível de emprego na
economia. Essa atuação se dá por meio dos dispêndios com consumo e investimentos
governamentais. Elevar despesas com transferências, obras públicas e infraestrutura,
manutenção e recuperação do patrimônio público são maneiras usualmente utilizadas,
mesmo quando geradoras de déficit orçamentário.

Nos momentos de economia aquecida, em situação próxima ao pleno emprego, medidas


em direção oposta podem ser tomadas, buscando a redução de tensões inflacionárias
determinadas pelo excesso de demanda.

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Página 05 Página 06
2.1.1 SITUAÇÃO FISCAL

Por situação fiscal entende-se a posição superavitária ou


deficitária nas contas públicas do governo. Por isso, sua
avaliação é fator decisivo para as definições da política fiscal.

Inicialmente, devemos entender que existem duas formas de


se apurar essa posição, conhecida por déficit (ou superávit)
primário ou nominal.

O déficit (ou superávit) primário não inclui as despesas financeiras com a dívida pública.
Se for nominal, significa que as despesas financeiras, ou seja, o valor gasto para pagar os
juros da dívida, estão sendo consideradas. O resultado nominal do governo é uma medida
Página 11 Página 12
mais completa, já que o número representa a total necessidade de financiamento do setor
público.
Como parte da política econômica, o governo divulga periodicamente suas metas de déficit
ou superávit, para sinalizar à sociedade sua política de endividamento e de gastos.

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2.1.2 POR QUE GERAR SUPERÁVIT PRIMÁRIO?


Página 08
ágina
Página
05 07 Página 06 Página 07
O superávit pode ser utilizado:

em períodos de crescimento econômico, como em períodos de recessão, para garantir


funding para redução do endividamento e para a sustentabilidade da dívida pública.
investimentos privados; Todavia, em períodos de recessão
(queda da arrecadação) fica mais
gina 11 Página 12 difícil gerar superávits, o que pode Pági
comprometer a sustentabilidade do
endividamento público.

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Portanto, a geração de superávits fiscais se justifica para atender


09
os objetivosPágina
de 09 Página 0
Página 08 Página 08 Página 08
Página
Página06econômica:
política 07 Página 07

Para financiar despesas Para estabilizar a economia. Para sustentar a dívida.


produtivas. Quando o governo Para reduzir a inflação ou o déficit Quando a dívida pública
12 Página 12grandes projetos Página 13 do Balanço Página PáginaPágina
14 Página 14
empreende em conta-corrente de 13 atinge níveis 13
insustentáveis,
de investimentos, é razoável Pagamentos, é necessário valer-se faz-se necessário programar
que elas sejam financiadas de superávits fiscais. Para atenuar um superávit primário e,
por empréstimos e não pelo os efeitos dos ciclos econômicos, dependendo da gravidade
aumento das alíquotas de as autoridades podem nivelar a do problema, um superávit
impostos. O governo poderá demanda agregada ao longo do nominal. Na verdade, o
optar por registrar superávits ciclo, o que pode produzir superávit superávit contribui para
para aumentar a poupança em fases de expansão da atividade. a sustentabilidade das
disponível para o setor privado. Choque negativo da oferta, choque políticas do Estado, ao emitir
positivo de demanda ou aumento sinal altamente visível aos Págin
relevante dos ingressos de capitais agentes econômicos sobre
Página 19 Página 19
Página 18 Páginajustificam
também 18 Página 18
a contração a prudência das autoridades
Página
Página17
16 Página 16
17 Página 17
fiscal para a geração de superávit. econômicas.

PAG 20
Ministér
io do
Tr
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Ponto importante a ser destacado em relação ao déficit


público e seu financiamento é a dívida pública e seu
comportamento ao longo do tempo. Uma medida muito
utilizada para avaliar a capacidade de pagamento do setor
público é a relação dívida/PIB.

O déficit público pode ser decomposto em déficit


primário, mais os juros incidentes sobre a dívida. Para
que relação dívida/PIB não cresça, o Governo deve
gerar superávit suficiente para compensar a diferença entre a taxa de juros e a taxa de
crescimento do PIB. Para esse cálculo, o conceito utilizado é o da dívida bruta do governo
geral (DBGG), porque abrange o total das dívidas de responsabilidade dos governos federal,
estaduais e municipais (incluindo administração direta e indireta e INSS) junto ao setor
privado, ao setor público financeiro, ao Banco Central e ao resto do mundo.

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Página
Página
0303

2.2 POLÍTICA MONETÁRIA

A política monetária envolve um conjunto de medidas executadas pelas autoridades


monetárias para controlar o volume da liquidez global à disposição dos agentes da
atividade econômica. É conduzida para o atingimento dos seguintes objetivos:

Página
Página
0808 Página
Página
0909

expandir os meios de pagamento corrigir distorções nos meios


de forma compatível com o BQ450 de pagamento induzidas pelo
crescimento
Página 09 do produto; Slide_19 Balanço de Pagamentos;
Slide_25

Página
Página
1414 estimular o crescimento de
Página
Página
1313
minimizar a taxa de inflação; setores econômicos ou regiões,
via crédito subsidiado.

Página 13 Página 14

Slide_39 Página
Página
2020 PAG 22
Página
Página
1919
Página
Página
1818
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Dadas as dificuldades para o atingimento M1 - Papel moeda em poder do


concomitante desses objetivos, as público + depósitos à vista.
autoridades monetárias buscam alcançar uma Base monetária - Passivo monetário
compatibilização aceitável entre o nível da do Banco Central, também conhecido
atividade econômica e a taxa de inflação. como emissão primária de moeda.
Inclui o total de cédulas e moedas
Embora o objetivo final seja o controle total em circulação e os recursos da
dos meios de pagamento, as autoridades não conta Reservas Bancárias. Reflete
conseguem atingi-lo diretamente. O que está o resultado líquido de todas as
sob controle direto das autoridades monetárias operações ativas e passivas do Banco
é somente a base monetária. Como existe Central.
uma relação previsível, no curto prazo, entre Multiplicador bancário - O
o volume dos meios de pagamento (M1) e multiplicador bancário é o fator
a base monetária (BM), pode-se controlar responsável pela criação indireta de
indiretamente o volume dos meios de moeda em uma economia. Pode ser
pagamento por meio do controle direto da base entendido como a variação total na
monetária, dado o comportamento esperado do oferta de moeda oriunda da variação
multiplicador bancário. de uma unidade monetária na Base
Monetária(dM/dB). Toda vez que o
sistema monetário empresta dinheiro,
haverá criação de moeda.

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Os instrumentos disponíveis para esse controle são:

a. Operações de mercado aberto (open-market): as operações de mercado aberto


consistem na venda e na compra de títulos da dívida pública pelo Banco Central. Quando
este objetiva aumentar a oferta de moeda, realiza operações de resgate desses títulos em
circulação, injetando, com isso, moeda no mercado; quando deseja reduzir a oferta de moeda,
realiza operações de colocação desses títulos, retirando, assim, moeda de circulação.

b. Redesconto ou empréstimo de liquidez: trata-se de uma linha de crédito do Bacen


destinada às instituições financeiras bancárias, cuja finalidade é a de suprir eventuais
necessidades de caixa. O nível da taxa de juros e os prazos são os instrumentos utilizados
para restringir ou ampliar a oferta de crédito em função da política monetária adotada.

c. Depósito compulsório: é o percentual sobre os depósitos à vista que os bancos são


obrigados a recolher ao Banco Central. Por meio desse instrumento, o Bacen controla o
efeito multiplicador dos meios de pagamento: quando aumenta a taxa de recolhimento
compulsório, reduz a proporção dos depósitos que podem ser convertidos em empréstimos.

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Embora esses mecanismos repercutam no volume e no custo do crédito disponível no


sistema econômico, é de extrema importância a definição de linhas de atuação específicas
relativas a essa área. Nesse sentido, o governo usualmente define uma política de crédito
com alguns objetivos básicos:

adequar a expansão dos saldos de


estimular o crescimento de setores prioritários
empréstimos bancários à expansão
e de regiões, via crédito subsidiado.
prevista para os meios de pagamento;

Ao perseguir esses objetivos, as medidas adotadas pelas autoridades procuram disciplinar


o crédito em todas as suas modalidades e buscam, em última análise, suprir a economia dos
recursos necessários ao desenvolvimento das atividades produtivas.

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Em decorrência de sua diretriz básica, a política de crédito pode apresentar-se sob


duas modalidades: P
Página 05 Página 06 Página 07

Com relação ao crédito com recursos livres, o volume de recursos


1 é distribuído segundo a demanda decorrente do funcionamento
normal do sistema econômico para o atendimento das atividades de
produção, distribuição e comercialização dos bens e serviços e nas
CRÉDITO COM
RECURSOS condições estabelecidas pelo mercado.
LIVRES Página 11 Página 12

O crédito direcionado, por outro lado, tem por finalidade estimular


CRÉDITO COM
a produção, distribuição e comercialização de determinados bens e
RECURSOS
serviços por meio de operações realizadas em condições financeiras DIRECIONADOS
(prazos e juros) melhores do que as observadas no crédito
P
com recursos livres. Alguns exemplos de créditos
15 direcionados:
Página
financiamento rural, financiamento imobiliário e linhas de crédito
Página 16
2
Página 17

do BNDES.

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2.2.1 COPOM E TAXA DE JUROS


O Comitê de Política Monetária (Copom) foi instituído em 20 de junho de 1996, com o
objetivo de estabelecer as diretrizes da política monetária e de definir a taxa de juros. A
criação do Comitê buscou proporcionar maior transparência e ritual adequado ao processo
decisório, a exemplo do que já era adotado pelo Federal Open Market Committee (FOMC)
do banco central dos Estados Unidos e pelo Central Bank Council, do banco central da
Alemanha. Em junho de 1998, o Banco da Inglaterra também instituiu o seu Monetary Policy
Committee (MPC), assim como o Banco Central Europeu, desde a criação da moeda única em
janeiro de 1999. Atualmente, uma vasta gama de autoridades monetárias em todo o mundo
adota prática semelhante, facilitando o processo decisório, a transparência e a comunicação
com o público em geral.

Em junho de 1999, o Copom adotou a sistemática de “metas de inflação” como diretriz de


política monetária. Desde então, as decisões do Comitê passaram a ter como objetivo o
cumprimento das metas de inflação definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Formalmente, os objetivos do Copom são: estabelecer diretrizes de política monetária,
definir a meta da taxa Selic e seu eventual viés, e analisar o Relatório de Inflação.

A taxa de juros fixada na reunião do Copom é a meta para a Taxa Selic (taxa média dos
financiamentos diários, com lastro em títulos federais, apurados no Sistema Especial de

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Liquidação e Custódia), a qual vigora por todo o período entre reuniões ordinárias do
Comitê. Se for o caso, o Copom também pode definir o viés, que é a prerrogativa dada
ao presidente do Banco Central para alterar, na direção do viés, a meta para a Taxa Selic a
qualquer momento entre as reuniões ordinárias.
0
Ao final de cada trimestre (março, junho, setembro e dezembro), o Copom publica o
19 Slide_25
documento “Relatório de Inflação”, que analisa detalhadamente a conjuntura econômica e
financeira do País, bem como apresenta suas projeções para a taxa de inflação.

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2.2.2 METAS DE INFLAÇÃO (INFLATION TARGET)


Página 13
Com a mudança do regime cambial em
janeiro de 1999, a taxa de câmbio deixou de
ser âncora nominal (referencial de preços) da
política econômica adotada no Brasil desde a
implementação do Plano Real em 1994. Como
a estabilidade de preços é condição necessária
para se atingir o crescimento sustentado,
era importante o governo reafirmar seu
compromisso com a manutenção dessa
estabilidade.

A alternativa encontrada pelos formuladores da política econômica foi o regime de metas


para a inflação (inflation target), adotado em vários países do mundo, como Nova Zelândia,
Página 18
7 Canadá, Inglaterra, Suécia, Finlândia, Austrália e Chile, entre outros. Esse sistema significa
uma atuação focada do Banco Central na obtenção de preços estáveis.

PAG 29
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Na prática, a fixação de metas utiliza os prognósticos da inflação como principal variável


indicativa da condução da política monetária. Em momentos em que a inflação projetada ficar
acima da meta estipulada, o Banco Central pode realizar um aperto monetário (aumentar a
taxa de juros), com o objetivo de reconduzir as expectativas de inflação para patamares mais
próximos da meta.

No Brasil, a sistemática de metas para a inflação foi estabelecida pelo


Decreto n° 3.088 de 21 de junho de 1999. Dessa forma, compete ao
Banco Central, por lei, utilizar os instrumentos de política monetária
necessários para o cumprimento das metas fixadas. As metas e
os respectivos intervalos de tolerância são fixados pelo Conselho
Monetário Nacional (CMN), até 30 de junho, com dois anos de
antecedência. Esse decreto considera que a meta foi cumprida
quando a variação acumulada da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor
Ampliado (IPCA) relativa ao período de janeiro a dezembro de cada ano calendário situar-se
Página 20
na faixa do seu respectivo intervalo de tolerância.

PAG 30
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Caso a meta não seja cumprida, o presidente do Banco Central do Brasil divulga
publicamente, por meio de carta aberta ao Ministro de Estado da Fazenda, as razões do
descumprimento, que deve conter:

descrição detalhada das causas do descumprimento;


providências para assegurar o retorno da inflação aos limites estabelecidos;
Página 14
prazo no qual se espera que as providências produzam efeito.

Ainda de acordo com o Decreto n° 3.088, o Bacen divulga, até o último


dia de cada trimestre, relatório de inflação abordando o desempenho do
regime de metas para a inflação, os resultados das decisões passadas de
política monetária e avaliação prospectiva da inflação.

Assim, o relatório apresenta à sociedade as condições da economia


brasileira e internacional que subsidiaram as decisões do Copom quanto à condução da
política monetária. Com esse procedimento,
Página 20 a condução do sistema de metas para a inflação
torna-se transparente para o público, podendo propiciar a credibilidade necessária ao sucesso
Página 19
do regime de metas para a inflação.

PAG 31
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2.3 POLÍTICA EXTERNA

Os impactos macroeconômicos das relações de um país com o exterior definem a estratégia


da política externa de cada país.

A política externa pode ser subdividida em política cambial e política comercial. Seus
objetivos são: Página 01

manter equilibrado o Balanço


de Pagamentos;

proteger setores industriais em


desenvolvimento;

desenvolver relações bilaterais


e multilaterais de comércio com
o resto do mundo.

PAG 32
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

2.3.1 POLÍTICA CAMBIAL


No âmbito da política cambial, a determinação da taxa de câmbio no mercado envolve
diversas variáveis, principalmente exportações e importações. Se tais variáveis forem as
preponderantes no mercado de divisas do País, a taxa de câmbio de equilíbrio deverá refletir
a competitividade da produção doméstica frente aos demais países.
Página 15 Pág
A competitividade também pode ser influenciada pela taxa de
câmbio: uma desvalorização cambial pode aumentá-la ou, no
inverso, uma valorização pode diminuí-la. Isso porque, quando se
desvaloriza o câmbio, aumenta-se o preço (em moeda nacional) dos
produtos importados e possibilita-se a diminuição dos preços dos
produtos exportados.

Assim, os governos podem procurar intervir nas taxas de câmbio. Podem desvalorizá-las
para aumentar as exportações e diminuir as importações. Com isso, conseguirão, talvez,
aumentar o nível de emprego e de renda do país. Se todos os países optassem por esse tipo
Página
de atuação, teríamos uma guerra comercial ou uma guerra21cambial.

PAG 33
N Págin
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

Outra variável que influencia a (e que pode ser influenciada pela) taxa de câmbio: as taxas
de juros. Estas, se elevadas dentro de um país, atraem capitais, podendo pressionar o
câmbio no sentido de uma valorização. Página 16 Pá
Página 15
Assim, a taxa de câmbio pode influenciar tanto o nível de produção
e de inflação, como o próprio comércio externo, os movimentos
de capital relacionados a esse país e vários outros aspectos de sua
economia. Por isso, o governo procura regulamentar o mercado
cambial com o objetivo de melhorar o desempenho das variáveis
econômicas de seu interesse.

Existem diferentes regimes cambiais. Entende-se por regime ou sistema cambial o


conjunto de regras, acordos e instituições por meio dos quais são feitos os pagamentos
internacionais e, portanto,Página 21se regula o mercado cambial.
pelos quais

N Página 22
O L
S
PAG 34
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

De maneira geral, há dois tipos de regime cambial: o de taxa fixa e o de taxas flexíveis,

o de taxa fixa; o de taxas flexíveis.

2.3.1.1 REGIME DE TAXAS DE CÂMBIO FIXAS


P
Página
No regime de taxas 15 fixas, o que se ajusta noPágina
de câmbio mercado16é Página 17
apenas a quantidade demandada e ofertada ao preço de referência (no
geral, em relação ao dólar) que é fixado. Nesse regime, o governo, por
meio de seu Banco Central, intervém de modo a equilibrar a oferta e a
demanda de divisas na taxa de câmbio estabelecida.

Dentro do regime de câmbio fixo, tem-se o sistema de bandas cambiais.


O Banco Central fixa os limites superior e inferior (uma banda) dentro
dos quais a taxa de câmbio pode flutuar. É considerado como câmbio
fixo, pois o limite de variação da taxa de câmbio é fixado. Nesse caso, o Banco Central é
obrigado a disponibilizar
Página 21suas reservas internacionais, quando requeridas.
Quando há excesso de oferta de divisas em relação a uma dada taxa de câmbio, o governo Página 23
entra no mercado adquirindo
N divisas pela taxa de câmbio fixada. Se ocorrer o inverso, o
Página 22
governo vende divisas que possui.
O L
S PAG 35
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

Nesse modo, as oscilações nas demandas e ofertas de divisas não influenciam a taxa de
câmbio. Repercutem apenas sobre o volume de reservas internacionais do país e sobre a
oferta de moeda primária nesse país. Quando o governo compra ou vende divisas, provoca
aumento ou redução na oferta de moeda nacional no país.

2.3.1.2 REGIME DE TAXAS DE CÂMBIO FLUTUANTES


Regime de taxas de câmbio flutuantes é aquele em que o sistema é de liberdade do
mercado cambial e o governo intervém apenas como ofertante e demandante de divisas
em função de suas necessidades, do mesmo modo que o setor privado. Dessa forma, as
alterações na oferta e na demanda de divisas têm efeito sobre a taxa de câmbio, que deverá
valorizar ou desvalorizar em função de tais alterações.

Com taxas de câmbio flutuantes, o ajustamento do Balanço de Pagamentos deveria ser


automático, com a entrada de divisas sempre se igualando à saída, sem haver movimentos
nas reservas. Essa é a grande defesa desse sistema: a economia estaria mais protegida de
choques externos sobre a demanda e o nível de emprego. O problema desse regime está
na maior volatilidade que provoca sobre o nível de preços e, consequentemente, sobre as
expectativas dos agentes, principalmente aqueles ligados ao comércio exterior.

Uma variante do regime de câmbio flutuante é o sistema de flutuação suja, onde o governo
não fixa a taxa de câmbio, mas intervém pontualmente, evitando grandes flutuações.

PAG 36
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

2.3.2 POLÍTICA COMERCIAL


No contexto da política comercial, os países normalmente
procuram influenciar o comportamento das importações
pela adoção de limites quantitativos (fixando cotas), tarifas
aduaneiras diferenciadas, subsídios à indústria nacional etc. Página 18
ágina 15 Página 16 Página 17

No que se refere às exportações, as práticas mais usuais


envolvem a concessão de subsídios, isenção de tributos,
abertura de linhas de crédito em condições favoráveis etc.

No entanto, em face das profundas transformações que


se verificam no ambiente econômico internacional, essas
gina 21 práticas, especialmente as de caráter protecionista, têm
sido discutidas no contexto da consolidação dos blocosPágina 23
Págin
N econômicos. Página 22
L
S

PAG 37
Página 13 Página 14

E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

2.4 POLÍTICA DE RENDAS

Enquadram-se no âmbito da política de rendas as diversas medidas que objetivam a


regulação de preços e rendimentos básicos da economia. Seus principais objetivos são:
Página 20
Página 19
Página 18
propiciar ganhos de poder garantir renda mínima a
aquisitivo aos salários, no caso determinados setores ou
de controle de outros preços; classes sociais;
Ministér
io do
Traba
lho e
Empre
g

redistribuir a renda;
reduzir o nível das tensões CART
EIRA
DE TR
ABAL
E HO

inflacionárias, visando à
PREV
IDÊN
CIA SO
CIAL

estabilidade de preços.
Página 26
Página 23 Na sequência, veremos os tipos mais comuns de políticas de rendas adotados no Brasil.
Página 24

PAG 38
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

2.4.1 POLÍTICA DE PREÇOS MÍNIMOS

A política de preços mínimos tem por objetivos:

1. proteger o agricultor contra “pressões baixistas”;

2. garantir a normalidade do abastecimento, evitando oscilações dos preços de


mercado, vendendo estoques reguladores;

3. financiar o agricultor dando-lhe condições de esperar melhores preços;

4. manter a renda do setor agrícola.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) fixa os preços mínimos (também conhecidos


como preço de garantia para os diversos produtos agrícolas) e o Banco do Brasil executa a política.

PAG 39
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

Página 19
Página 2.4.2
18 POLÍTICA DE CONTROLE DE PREÇOS

Essa política é adotada pelo governo na tentativa de interferir na


fixação dos preços pelas empresas privadas, especialmente no caso
de monopólios, oligopólios e de produtos essenciais, com o objetivo
de amortecer pressões inflacionárias. No Brasil, foi utilizada pelo
extinto Conselho Interministerial de Preços (CIP), tanto nos controles
sobre planilhas de custos das empresas, como nos congelamentos
de preços, quando dos choques heterodoxos na economia.

A utilização dessa política por períodos prolongados tem-se mostrado ineficaz em


economias de mercado, porque as empresas conseguem fugir dos controles Página 26
impostos,
que afetam diretamente suas margens
Páginade lucro
24 e as taxas de retorno. Quando o preço
permitido pelas autoridades situa-se em patamar inferior ao de livre mercado, as empresas
adotam, entre outras, medidas como cobrança de ágio, estocagem especulativa e ações
judiciais defendendo a liberdade de preços.

PAG 40
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

2.4.3 POLÍTICA DE PREÇOS ADMINISTRADOS

A política de preços administrados está relacionada aos Página 20


Página 19
produtos cujos preços são gerenciados pelo governo. É o
caso das tarifas de empresas concessionárias do governo e
monopólios do Estado, como energia elétrica, telefone, correios,
combustíveis. Os preços podem ser estabelecidos em função
dos custos de produção, de projeções sobre custos futuros e
de reposição da capacidade produtiva, ou, ainda, em razão de
critérios de interesse social ou político.
Ministé
rio do
Trabal
ho e E
mpreg

Foi frequente a utilização dessa política em tentativas de combate à inflação, uma vez que é
o

grande o peso desses produtos nos índices de preços ao consumidor e na cadeia produtiva.
Diversos governos deixaram de reajustar os preços ou os reajustaramC abaixo da inflação
ARTE
IRA D
corrente, com o objetivo de frear a elevação dos índices. Um dos reflexos deste Otipo de
E TRA
BALH
PREV E
IDÊN
CIA S
OCIA
política é a elevação do déficit público, sem eliminar a inflação. Exige, posteriormente, L
a
recuperação das tarifas, pressionando novamente os índices inflacionários.

Página 26
PAG 41

24
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

2.4.4 POLÍTICA SALARIAL

No Brasil, além das regulamentações específicas Ministé


rio do
Traba

relacionadas às condições de trabalho, a política


lho e Em
prego

salarial envolve um procedimento básico: a


fixação do salário mínimo, visando proteger
o poder de compra das classes assalariadas CART
EIRA
DE TR
ABAL
menos organizadas e de menor qualificação no PREV
IDÊN
E
CIA S
HO

OCIA
L
mercado de trabalho.

Inspirados na ideia do imposto de renda negativo do economista liberal norte-americano


Página 26
Milton Friedman (distribuição direta de recursos do Estado para pessoas com nível de renda
abaixo de determinado patamar), os programas de renda mínima têm-se multiplicado
no Brasil. Várias administrações públicas os estão aplicando, adicionando um contorno
educacional à filosofia inicial dos programas.

PAG 42
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

Em síntese, esses oferecem uma complementação de renda às famílias mais pobres, desde
que haja comprovação da assiduidade e do bom desempenho escolar das crianças dessas
famílias.

O Governo Federal também desenvolve programas de renda mínima focados em regiões


caracterizadas pela exploração de trabalho infantil. A satisfatória relação custo/benefício
e as consequências favoráveis em termos de educação, cidadania e distribuição de renda
têm impulsionado o crescimento desses programas.

PAG 43
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

2.5 COMENTÁRIOS ÀS POLÍTICAS


Página 21
A multiplicidade, a heterogeneidade e o poder de impacto dos
fatores determinantes do equilíbrio de mercado interferem
N continuamente na estabilidade geral do desempenho
Página 22
econômico. Os períodos prolongados de desempenho estável
O L são exceções históricas. As condições mais comuns do ambiente
econômico são a instabilidade, as oscilações e as flutuações.
S Por isso, economistas e formuladores de políticas públicas se
veem diante do desafio de aprofundar e utilizar o conhecimento
disponível para melhorar o desempenho da economia.

Usualmente, as medidas das políticas econômicas são preestabelecidas em um plano


econômico. O plano econômico é, portanto, uma exposição detalhada e sistematizada dos
objetivos que se pretende alcançar num dado período por meio da ação governamental, bem
como dos recursos existentes e de suas combinações, com vista aos resultados almejados.

Página 27 PAG 44

Página 28
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

2.5.1 IMPORTÂNCIA DA COERÊNCIA ENTRE AS DIVERSAS POLÍTICAS


Slide_36
No processo de sua formulação, a linha divisória entre
as diversas políticas é mais adjetiva que substantiva.
Uma não pode ser formulada sem que se leve em
consideração suas implicações nas demais. Assim, se
entendemos política econômica como um esforço das
autoridades para alcançar determinados objetivos,
um condicionante permanente desse processo será a
coerência entre as diversas medidas.

A falta de coerênciaSlide_40
entre as diversas políticas pode ocasionar apenas os custos pela sua
implementação, sem que se alcancem os benefícios pretendidos, porque os objetivos
buscados podem ser totalmente inviabilizados pela não adoção de medidas complementares
no âmbito de outras políticas.

A gestão do processo macroeconômico apresenta, assim, muitas dificuldades. Os


instrumentos fiscais, monetários e cambiais podem ter alto poder de impacto, alterando o

PAG 45
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

comportamento dos agentes econômicos na forma desejada pelos formuladores da política


econômica. Mas podem também ser neutralizados pelos seus efeitos adversos. O desafio é
compatibilizar objetivos, não raro, contraditórios.

Página
Por exemplo, os efeitos das políticas expansionistas sobre o nível de preços e os efeitos das 2
políticas contracionistas sobre os níveis de produto e emprego.
Página 22

Neste sentido, é necessária a harmonia entre os diferentes segmentos do poder público, que
formulam e conduzem as políticas econômicas para que se chegue a um objetivo comum.
Importante, também, que esferas diferentes do Governo não tomem medidas contraditórias
entre si.

A coerência entre as políticas passa, portanto, pelo equacionamento político das relações do
Estado.

a 27 PAG 46
Página 28
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

3. INDICADORES ECONÔMICOS

Para podermos analisar o cenário de uma economia, precisamos de informações sobre ela.
Para isso, são efetuadas inúmeras pesquisas por diversas instituições. Dos levantamentos
realizados resultam os indicadores econômicos.

Do ponto de vista macroeconômico, as principais informações utilizadas para a análise


de cenário são referentes à inflação, à taxa de juros, ao comportamento do governo, ao
crescimento da economia, ao emprego dos recursos disponíveis e à relação com o resto do
mundo por meio da taxa de câmbio e do Balanço de Pagamentos.

Considerando nosso modelo de fluxo de renda, os índices de inflação nos mostram como
está a evolução dos preços nas relações comerciais entre os agentes econômicos. Eles
refletem como está o equilíbrio entre oferta e demanda de produtos e serviços.

PAG 47
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

Já a taxa de juros nos remete ao preço do dinheiro


e ao financiamento das necessidades dos agentes
econômicos: famílias, empresas e governo. Os dados
sobre o crescimento da economia (PIB), produção
Página
industrial (oferta de bens) e desemprego de mão de23obra,
por exemplo, nos indicam a evolução da disponibilidade
Página 22
de bens, serviços e recursos para maior satisfação das
necessidades da sociedade.

As informações referentes ao relacionamento de uma


economia com o resto do mundo são obtidas no Balanço
de Pagamentos e seus desdobramentos, como o saldo
da Balança Comercial e o volume de investimentos
estrangeiros diretos, por exemplo. Por fim, a taxa de
câmbio reflete o comportamento da moeda do país em
relação às moedas de outros países, refletindo a riqueza
e o poder de compra de seus agentes econômicos em
relação aos de outros lugares do mundo.
Página 28 Págin
Página 31 PAG 48
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2
P
Página 23
Página 24 Ministé
rio do
Trabalh
o e Em
prego

O conjunto de indicadores pode ser dividido em dois tipos: os


que mostram o fluxo de uma variável e os que mostram o estoque
CART
EIRA
DE TR

dela. Por exemplo, o Produto Interno Bruto (PIB) é uma variável de


PREV
IDÊN
E
CIA S
ABALH

OCIA
O

fluxo. Ela mede o montante de bens e serviços produzidos numa


determinada região, num determinado período. É a soma de tudo
Página
que foi feito naquele 26 Um exemplo disso é a soma das
período.
Página 24 horas trabalhadas durante um determinado tempo.

Já o saldo das reservas internacionais é uma variável que


mede o estoque de moeda estrangeira que determinado país
tem em determinado momento. É semelhante ao saldo da
Página 29
conta bancária. Quando emitimos um extrato de nossa conta-
Página 31
corrente, obtemos o valor existente em depósito naquele
momento. Esse é um exemplo de variável estoque.

Depois desses esclarecimentos iniciais, podemos estudar os principais indicadores


utilizados na economia brasileira para a análise de cenário.
Página 29
PAG 49
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

3.1 ÍNDICES DE PREÇOS

O acompanhamento do processo inflacionário é fator decisivo para a análise e condução das


decisões econômicas. Para tanto, faz-se necessário aferir a variação e o comportamento dos
preços de uma economia. Isso é feito utilizando-se os índices de preços.

Índice de preços é uma estatística que se caracteriza por medir a variação dos preços de um
conjunto de bens e serviços em uma sequência de períodos de tempo. Existem índices de
preços por atacado e varejo.

No Brasil, existem vários indicadores de inflação, que divergem entre si por diversas razões: a
metodologia de cálculo, o local de pesquisa, o orçamento familiar (POF), o período de coleta
de preços. A seguir são apresentadas tabelas que contemplam diversos índices de preço.

PAG 50
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

Índice Metodologia Instituto de Período coleta Local de Orçamento Utilização


de cálculo pesquisa de preços pesquisas familiar

IGP-10 Laspeyres FGV 11 a 10 * * Tendência do IGP

Contratos em geral,
IGP-DI Laspeyres FGV 01 a 30 * * deflação das contas
nacionais.

IGP-M Laspeyres FGV 21 a 20 * * Contratos financeiros

Contratos setoriais e
IPA Laspeyres FGV **** Todo o Brasil - composição do IGP.

IPC Laspeyres FGV - 12 capitais** 01 a 33 SM Composição do IGP

Contratos de construção
INCC Laspeyres FGV - 12 capitais** - civil e composição do IGP

INPC Laspeyres IBGE 01 a 30 11 capitais *** 01 a 08 SM Contratos em geral.

Metas de inflação
IPCA Laspeyres IBGE 01 a 30 11 capitais *** 01 a 40 SM do Governo

IPC Geométrico FIPE 01 a 30 São Paulo 02 a 20 SM Contratos em geral.

ICV Salários em acordos


Laspeyres DIEESE 01 a 30 São Paulo 01 a 30 SM trabalhistas.
* O IGP-DI, IGP-M E IGP-10 são compostos pelos índices de preços no atacado IPA (peso 6), índice de preço ao consumidor (peso 3) e índice nacional
da construção civil (peso 1).
** Belém, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo.
*** Belém, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo.
**** IPA-DI: 01 A 30; IPA-M: 21 A 20; IPA: 10-11 A 10.

PAG 51
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

Legenda:

IGP-M................................................................................................................Índice Geral de Preços-Mercado


IGP-DI..................................................................................Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna
IPA................................................................................................................................... Índice Preço no Atacado
IPC......................................................................................................................Índice de Preço ao Consumidor
INCC...........................................................................................................Índice Nacional da Construção Civil
INPC.............................................................................................. Índice Nacional de Preços ao Consumidor
IPCA................................................................................ Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
ICV..................................................................................................................................... Índice de Custo de Vida
FGV................................................................................................................................ Fundação Getúlio Vargas
FIPE......................................................................................... Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas
IBGE..........................................................................................Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
DIEESE...................................Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos

PAG 52
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

3.2 INDICADORES DA ATIVIDADE ECONÔMICA

Slide_39

As atividades econômicas podem ser acompanhadas por meio de diversas informações. O


Banco Central do Brasil criou um indicador que procura informar mensalmente a evolução
Slide_47 Slide_50
global das atividades através do IBC-Br, que considera os dados dos diversos setores
econômicos (agricultura, indústria, comércio e serviços), e procura antecipar o resultado do
PIB, calculado pelo IBGE, que é divulgado posteriormente.

PAG 53
Slide_40 E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

Na agricultura, há duas informações importantes sobre a produção: a


área plantada e o volume colhido. O primeiro dado dá uma noção do
interesse dos produtores em produzir para a próxima safra, enquanto
o segundo indica como foi o desempenho das culturas na safra.
Ainda é possível verificar se há disposição para a produção, por meio
da informação sobre o volume de vendas de insumos, como o de
fertilizantes, por exemplo.

Na indústria, um dos principais indicadores é a utilização da capacidade instalada. Ele mostra o


nível de produção e também os limites da indústria em oferecer produtos ao mercado. Também
pode mostrar uma tendência ao aumento de preços, quando a indústria se aproxima dos limites
de produção dada determinada capacidade.

No comércio, as vendas no varejo mostram como os consumidores estão se comportando e se o


consumo está crescendo ou diminuindo. Outro dado, usado principalmente no exterior, refere-
se às encomendas feitas à indústria, indicando a vontade do comércio em repor estoques e sua
previsão de vendas no futuro.

Outras fontes de informações que também contribuem para se verificar o nível de atividade
econômica são aquelas relacionadas ao consumo de energia e ao de papelão para embalagens.

PAG 54
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

3.3 SETOR EXTERNO

Para verificar como está se comportando a economia em suas relações internacionais, duas
informações são essenciais:

e o volume de exportações
a taxa de câmbio;
e de importações.

Mas isso não basta. Com a evolução das relações internacionais, informações sobre o fluxo
de rendas, serviços e capitais são fundamentais para a leitura do cenário internacional.
Além disso, o comportamento de outras economias que são grandes produtoras e
consumidoras em nível internacional, como EUA, China e a União Europeia, interfere nas
relações e expectativas dos agentes econômicos do resto do mundo.

PAG 55
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

3.4 EMPREGO E RENDA

Neste segmento, há vários indicadores disponíveis. A taxa de desemprego é uma


informação importante sobre como o fator trabalho está sendo utilizado na economia. Os

Página 27
dados mais utilizados pelo mercado são os fornecidos pelo IBGE (PME – Pesquisa Mensal de
Emprego; PNADc – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).
P

Associado a esses dois indicadores, o rendimento médio praticado pelo mercado contribui
para se obter um dado importante sobre a capacidade de consumo da população, que é a
massa salarial, obtida pelo produto entre o salário médio e a mão de obra ocupada.

PAG 56
Página 27 Página
Página 28 |
E-BOOK FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

Página 31
O comércio varejista considera a capacidade de consumo
da população assalariada para traçar suas perspectivas de
vendas.

Com relação ao salário e a capacidade de consumo, o


DIEESE divulga, mensalmente, o valor do salário mínimo
considerado necessário para suprir as necessidades de uma
família, composta de dois adultos e duas crianças, de acordo
com o preceito constitucional, o “salário mínimo fixado
em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas
Página 30
necessidades Página
vitais básicas e às de sua 32 moradia, alimentação, educação, saúde,
família, como
lazer, vestuário,
Página 30higiene, transporte Página 32 social, reajustado periodicamente, de modo
e previdência
a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim” (Constituição da Págin
República Federativa do Brasil, capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7º, inciso IV) e, também,
com base na Cesta Básica Nacional (Decreto Lei n° 399/38).

PAG 57
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

Página 27
3.5 MERCADO DE CRÉDITO E PREÇO DO DINHEIRO
Página 28
Os dados relativos ao mercado de crédito referem-
se basicamente ao volume de demanda, o nível de
endividamento, condições de financiamento (prazos e juros)
e a inadimplência. Para o sistema financeiro, esses dados
são fundamentais para a gestão de riscos, lucratividade e
expansão dos negócios. Essas informações podem ser obtidas
junto ao Banco Central do Brasil.

Associada à oferta de crédito está a taxa de juros cobrada


pelos bancos de seus clientes na concessão de empréstimos.
Há duas informações bastante comuns no mercado: a taxa
média praticada no crédito direto ao consumidor às pessoas
físicas e a taxa cobrada na concessão de capital de giro às
empresas. Também é usual a divulgação da taxa média do
cheque especial e dos juros do cartão de crédito.

PAG 58
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

Outra informação muito importante é a taxa básica de juros (taxa Selic), que remunera os
títulos de dívida emitidos pelo governo. Ela serve de referência para todas as outras taxas
praticadas no mercado. Paralelamente a essa taxa, está a taxa praticada entre os bancos, que
remunera os certificados de depósitos interbancários (CDI).

PAG 59
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

Página 28 Página 29
Página 31
3.6 SETOR PÚBLICO

Com relação ao setor público, há várias informações importantes que indicam como está o
comportamento do governo, permitindo verificar que tipo de política fiscal ele está praticando.
O principal dado refere-se ao nível de endividamento do setor público. Ele se divide em dívida
bruta e dívida líquida. Normalmente é representado como percentual em relação ao Produto
Interno Bruto.

Os investimentos e os gastos públicos, mostram a conduta do governo em relação à gestão


Página
do caixa, que traz reflexos sobre a dinâmica do endividamento. Desses dados podem-se
Página 33 34
obter
dois indicadores que são acompanhados atentamente pelo mercado financeiro: o superávit
primário e o superávit nominal. Vimos nesta Unidade que o superávit primário reflete a
economia feita pelo governo, sem considerar os gastos com o pagamento de juros da dívida
pública.

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4. INFLAÇÃO Slide_47

4.1 INTRODUÇÃO

A inflação pode ser definida como o aumento


contínuo e generalizado dos preços numa economia
em um determinado período de tempo. Em um
processo inflacionário, os preços de um determinado
conjunto de bens estão subindo em um processo
dinâmico. Não podemos falar em inflação quando
sobe somente o preço de um único bem. Variações
pontuais de preço podem ocorrer em uma economia,
não caracterizando, necessariamente, um processo
inflacionário.

PAG 61
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

Taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumento dos riscos e deprimem os
investimentos.

Essas distorções se manifestam, por exemplo, no encurtamento dos horizontes de


planejamento das famílias, empresas e governos, bem como na deterioração da confiança
de empresários.

Ademais, um processo de alta inflacionária subtrai o poder


de compra de salários e de transferências, com repercussões
negativas sobre a confiança e o consumo das famílias. Por
conseguinte, o aumento generalizado de preços reduz
o potencial de crescimento da economia, bem como de
geração de empregos e de renda.

PAG 62
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

A variação de preços pode ser negativa. Nesse caso, a queda contínua e generalizada dos
preços é denominada deflação, fenômeno tão ruim ou pior que a inflação. Nela, todos os
preços “despencam”, incluindo salários, nível de produção, emprego e renda.

O processo inflacionário é muito complexo. Há vários tipos, com diversas causas e


consequências. Utilizaremos a abordagem mais tradicional, que define os tipos de inflação
pelas suas causas.

PAG 63
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

4.2 CAUSAS DA INFLAÇÃO

Slide_50
A teoria econômica aponta, tradicionalmente, duas causas para o processo inflacionário:
inflação de demanda e inflação de custos. Podemos, ainda, considerar mais duas possíveis
causas de inflação: estrutural, ou de estrangulamento, e inercial.

4.2.1 INFLAÇÃO DE DEMANDA


Por esta causa, o processo inflacionário decorre do excesso de demanda em relação aos
bens e serviços produzidos na economia. Há aumento da demanda não acompanhado
pela oferta. É tão mais provável quanto maior for a utilização da capacidade produtiva da
economia.

PAG 64
E-BOOK | FUNDAMENTOS DE ECONOMIA | VOLUME 2

Este excesso de demanda pode ser causado por expansão monetária: o governo incorre
em déficit público que, na impossibilidade de financiamento com recurso à poupança
privada (colocação de títulos públicos), será financiado por emissão de moeda, o que leva ao
aumento da oferta monetária. Essa situação ocasiona aumento no poder de compra que, se
não for acompanhado por incremento compatível no volume de bens e serviços produzidos,
provocará inflação.

4.2.2 INFLAÇÃO DE CUSTOS


Neste caso, o processo inflacionário é associado a uma
inflação de oferta, em decorrência das pressões de custo
que as empresas sofrem e que são repassadas aos preços.
Essas pressões podem ser de vários tipos: os choques de
oferta (aumentos nos custos das matérias-primas e dos
insumos causados, por exemplo, por elevação no preço
do petróleo, por quebra de safra, entre outras), aumentos
salariais decorrentes de negociações ou de política do
governo etc.

PAG 65
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4.2.3 INFLAÇÃO INERCIAL

A inflação inercial, muito conhecida dos


economistas brasileiros, surge das expectativas
inflacionárias. Os agentes econômicos acreditam
que o processo inflacionário continuará no
futuro apenas pelo fato de ter persistido no
passado. Nessa “cultura inflacionária”, os agentes
utilizam os mecanismos de indexação – correção
monetária de preços, salários, câmbio e ativos
financeiros –, procurando proteger seus ganhos
do processo inflacionário de deterioração. Esse
comportamento acaba realimentando a inflação,
tornando-a inercial, que poderia ser simplificada
com a seguinte frase: “a inflação existe hoje
porque existiu ontem”.

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4.3 O PROCESSO INFLACIONÁRIO BRASILEIRO E SEU COMBATE


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A história recente de combate à inflação
no Brasil teve seu início nos anos 1960,
quando os preços indicavam alta
generalizada e era necessário estabelecer
controles sobre sua elevação. Entre 1964
e 1984, as políticas que buscavam a
estabilização dos preços eram de cunho
monetarista, pois o diagnóstico da época
era de que havia excesso de demanda
sem a correspondente elevação da oferta
de produtos e serviços.

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Parte dessa demanda era ocasionada pela expansão das atividades econômicas que se deu,
em um primeiro momento, pela elevação dos salários e, depois, pela expansão da atividade
econômica por conta do “milagre” brasileiro.

É importante destacar que a introdução da correção monetária possibilitava o convívio com


a inflação, isto é, permitia eliminar uma série de distorções (ou pontos de estrangulamento)
decorrentes do processo inflacionário, viabilizando um combate gradual.
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A partir dos anos 1970, novos componentes foram
acrescentados às causas da inflação: a elevação dos preços
do petróleo no mundo e a alta da taxa internacional de juros.
Como o Brasil era muito dependente dessa matéria-prima
e a economia seguia crescendo, os preços dos derivados do
petróleo passaram a influenciar os preços (via custos) de todas
as atividades econômicas. Para financiar as necessidades
crescentes de petróleo, o Brasil tomava empréstimos no
exterior. Até 1984, as medidas seguiram sendo de controle da
expansão monetária.

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Com a volta da democracia e a ampliação da participação do povo nas decisões políticas,


o governo que se instalou a partir de 1985 buscou novas formas de combate à inflação. A
influência de economistas de cunho heterodoxo, que entendiam o processo inflacionário com
origens em outras variáveis e não apenas na expansão monetária, levou a novas tentativas de
controle dos preços, agora via congelamento destes.
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Do lado fiscal, inciativas tímidas de controle do déficit


operacional do governo foram feitas, mas sem obter
resultados efetivos. Diversos planos econômicos se
sucederam sem sucesso. Os efeitos de curto prazo logo eram
neutralizados com nova onda de elevação generalizada de
preços. Diversos planos se sucederam, mas não foram eficazes
em suas medidas.

No início dos anos 1990, um novo elemento no diagnóstico sobre a natureza da inflação
brasileira e as causas do fracasso dos planos anteriores se estabelece: além do descontrole
monetário e fiscal, a elevada liquidez dos haveres financeiros não monetários e suas
possibilidades de movimentações facilitava as reações dos agentes contra as políticas

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econômicas.
A rápida monetização das aplicações financeiras levava a um aumento abrupto da demanda de
bens de consumo, ativos reais e de risco, com as consequentes pressões inflacionárias. Outra
consequência era a ineficácia da política cambial, uma vez que a posição dos exportadores
permitia o retardamento no fechamento dos negócios e o aumento na demanda por ativos
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dolarizados forçava a desvalorização cambial.

As medidas adotadas pelo governo


Collor tinham como objetivo de reduzir
drasticamente a liquidez da economia via
confisco dos ativos monetários. Do ponto
de vista fiscal, a redução do déficit público
foi buscada via privatização de empresas e
ativos públicos. No setor externo, a abertura
do mercado a produtos estrangeiros
buscava aumentar a concorrência e ampliar
a oferta de produtos de consumo.

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Com o impeachment de Collor, a política econômica voltou a ser gradualista, sem choques,
através do controle dos gastos públicos e da expansão monetária. O Plano Real começou a ser
implantado nessa época. O diagnóstico dos economistas reconhecia que as principais causas da
inflação brasileira estavam no desequilíbrio do setor público e nos mecanismos de indexação.

Primeira fase Segunda fase Terceira fase


A primeira fase do plano A segunda fase A terceira fase (heterodoxa)
(ortodoxa) tratou do ajuste (heterodoxa) foi o processo caracteriza-se pela emissão
fiscal, para equacionar o de desindexação da da nova moeda, o Real, e a
desequilíbrio orçamentário economia por meio da intensificação do processo
da União com a criação do criação da Unidade Real de de abertura econômica do
IPMF (Imposto Provisório Valor (URV). Brasil.
sobre Movimentação
Financeira) e o FSE (Fundo
Social de Emergência).

O objetivo foi promover os efeitos da hiperinflação na moeda velha — o cruzeiro real — que
perderia sua função de unidade de conta. Todos os preços deveriam ser cotados em outro

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referencial (a URV), que faria a função de unidade de conta, mas não de meio de troca, que
continuaria sendo desempenhada pelo cruzeiro real. Quando todos os agentes tivessem
passado para o referencial de preços em URV, com os consequentes ajustamentos
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relativos e de conflitos distributivos, romper-se-ia a indexação e, portanto, a inflação inercial.

Esse processo ocorreu de março a julho 1994, quando, com


praticamente todos os preços expressos em URV, foi introduzida a
nova moeda, o Real (1º de julho). Este mecanismo caracterizou o
combate ao caráter inercial da inflação, dada a ausência de choques no
momento posterior à conversão.

Outras medidas no campo monetário foram: a restrição das operações


de crédito, a instituição de depósito compulsório de 100% sobre as captações adicionais do
sistema financeiro, a elevação das taxas de juros e o controle da demanda e da expansão
monetária. Estas medidas caracterizaram a “âncora monetária” do Plano Real.

No setor externo, houve a valorização da taxa de câmbio com o objetivo de incentivar as

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importações
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limitar a elevação dos preços internos, a chamada “âncora cambial”.
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O resultado imediato do Plano Real foi a rápida queda da taxa de
inflação. Nos meses seguintes à implantação, as taxas de inflação
passaram a oscilar, mas sempre com tendência de baixa. Em 1995,
a inflação anual ainda foi de dois dígitos – 14,8% – mas, a partir de
1996, já estava em um dígito. Ao contrário dos planos anteriores
em que a tendência de queda da inflação era revertida, passada a
fase inicial, o Plano Real representou uma contínua manutenção da
estabilidade de preços.

Durante os primeiros anos do Plano Real, a economia brasileira


ainda apresentava problemas estruturais sérios. A âncora cambial trouxe uma queda
significativa das reservas internacionais, forçando o país a tomar um empréstimo junto ao
FMI e a desvalorizar o Real no início de 1999. Somava-se a isso a elevação do endividamento
interno do país ocasionado por altas taxas juros. Todavia, o estabelecimento, a partir de 1999,
do tripé macroeconômico – alicerçado no sistema de metas para inflação, regime de câmbio
flutuante e realização de superávits primários condizentes com uma trajetória de redução do

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endividamento público – foi fundamental para a ampliação do sucesso do Plano Real e para a
estabilidade econômica do país.

Apesar do sucesso anti-inflacionário, duas importantes questões têm sido debatidas desde o
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início do Plano Real: os resultados das contas públicas e das contas externas.
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O conjunto de políticas econômicas adotado, que se baseia nas
metas de inflação, no câmbio flutuante e no controle do déficit
público, tem-se mostrado insuficiente para a manutenção da
estabilidade econômica. A livre entrada de capitais no país permite
a compensação dos elevados déficits em transação corrente no
Balanço de Pagamentos, permitindo, inclusive, a elevação das
reservas internacionais. O déficit público tem sido utilizado para
promoção do crescimento da economia, principalmente com
investimentos públicos em infraestrutura. Soma-se a isso fatores conjunturais internacionais
que exigem ações anticíclicas do governo, reduzindo impostos e estimulando setores
estratégicos da economia.

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RESUMO

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5. RESUMO

O papel do Estado na economia pode assumir vários aspectos, como, por exemplo, o
alcance do pleno emprego e a estabilidade dos preços.

Para que objetivos como estes sejam atingidos, são necessários instrumentos por meio
dos quais seja possível intervir na economia a fim de se obter o resultado desejado. Tais
instrumentos são as políticas econômicas.

Além disso, vimos também que os indicadores econômicos são importantes sinalizadores
que, analisados conjuntamente, representam o comportamento econômico atual, bem
como suas tendências, o que influencia as expectativas dos agentes.

Ao final, conceituamos inflação e identificamos seus vários tipos, percorrendo um histórico


de suas fases, ao longo das últimas décadas, na economia brasileira.

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