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UNIDADE I – A EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO SOCIAL

1. INTRODUÇÃO
O presente manual tem como horizonte prioritário “transformar” o futuro
profissional em um observador atento, curioso e “desconfiado” dos fenômenos
cotidianos em sua aparência imediata. Um profissional do dia-a-dia que se pergunta
sobre a cidade em que vive, sobre a cultura que compartilha, sobre sua origem; suas
crenças e valores, sobre os problemas da sociedade de que faz parte; sobre o
exercício dos seus direitos como cidadão e sobre o papel do estado; sobre os seus
hábitos de consumo; sobre suas expectativas e horizontes de vida, ou seja, tudo
aquilo que forma e interfere no psiquismo humano. Um profissional mobilizado,
sempre que possível, para o exercício da comparação histórica, para o olhar sensível
em relação ao “outro”, para a relativização cultural e para a comparação com outros
contextos regionais e internacionais.

2. Histórico da Sociologia:
A. Idéia do SOCIAL: Origem da Sociologia: O homem sempre indagou sobre dois
tipos de fenômenos: o físico e o social; o físico primeiramente, daí o surgimento
inicial das ciências da natureza (ciência = comprovação da investigação, antes desta
havia o senso comum); e depois, a ciência dos fenômenos sociais, do
comportamento, dá-se então o surgimento das ciências sociais.

O século XIX foi palco de mudanças na política, através da Revolução Francesa que,
ao instaurar os direitos civis e a ideia da soberania popular, passa a denominar
estrutura político-social do “Antigo Regime” como tradição. Foi também o palco das
transformações operadas pela chamada Revolução Industrial, que garantiria ao
mundo urbano o seu caráter moderno e racional em contraposição ao mundo rural,
visto como tradicional, ou seja, baseado ainda em uma concepção de tempo
orientada pela natureza e por uma estrutura social estática e atrasada. Do ponto de
vista social, a complexidade dessas transformações promoverá a emergência do
mercado de trabalho, de novos grupos de referência, novas atividades no mundo do
trabalho, novos valores e crenças, novas relações de poder, configurando uma
estrutura de pertencimento social diversificada, com diferentes atores e papéis
sociais. É nesse contexto que o saber sociológico se impõe como uma ciência capaz
de identificar e classificar as transformações em curso. Esse saber avança sob
impacto da rápida expansão das cidades, pela precariedade das condições da vida
social, pelos deslocamentos populacionais e pelo rompimento de costumes
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tradicionais. A Sociologia surge, portanto, como ciência mobilizada para entender e


explicar as transformações e as contradições da sociedade emergente que, em seu
curso histórico, experimentaria profundas mudanças na busca pela superação da
tradição e pela afirmação da modernidade.

B. QUESTÕES PERTINENTES
• Como as transformações do século XIX alteraram as relações entre indivíduo e
sociedade?
• Como a sociedade passa a expressar contradições em sua estrutura social com a
emergência de novos grupos sociais?
• Como se deu a modernidade?

C. Precursores da Sociologia
Idade Antiga: Aristóteles e Platão
Idade Média (Idade das Trevas): Santo Agostinho e São Thomas de Aquino
Idade Moderna: Maquiavel, Thomas Hobbes, Montesquieu e Jean Jacques
Rousseau.

D. CONCEITO
A Sociologia é a Ciência que estuda os fatos sociais para sua melhor compreensão.
Enquanto estuda a vida social humana, grupos e sociedades.
É uma tarefa fascinante e constrangedora, na medida em que o tema de estudo é o
nosso próprio comportamento enquanto seres sociais.
A esfera de ação do estudo sociológico é extremamente abrangente, podendo ir da
análise de encontros casuais entre indivíduos que se cruzam na rua até à
investigação de processos sociais globais [como, por exemplo, as migrações e as
novas tecnologias de comunicação].
A maior parte de nós vê o mundo em termos das características das nossas próprias
vidas, com as quais estamos familiarizados. A Sociologia mostra que é necessário
adotar uma perspectiva mais abrangente do modo como somos e das razões pelas
quais agimos. Ensina-nos que o que consideramos natural, inevitável, bom ou
verdadeiro pode não o ser, e que o que tomamos como 'dado' nas nossas vidas é
fortemente influenciado por forças históricas e sociais. Compreender as maneiras ao
mesmo tempo sutis, complexas e profundas, pelas quais as nossas vidas individuais
refletem os contextos da nossa experiência social é essencial à perspectiva
sociológica.
QUESTÃO: Por que podemos dizer que a Sociologia é fruto da Revolução Industrial?

O QUE INTERESSA À SOCIOLOGIA?


A sociologia volta-se o tempo todo para os problemas que o ser humano enfrenta
no dia-a-dia de sua vida em sociedade. Interessa a ela não o indivíduo isolado, mas
inter-relacionado com os diferentes grupos sociais dos quais faz parte, como a
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escola, a família, as classes sociais, etc. O principal objetivo da Sociologia é o Fato


Social.
· Finalidade das ciências sociais: explicar, compreender as relações do HOMEM com
outros sistemas. História – Homem x tempo; Economia - Homem x recursos; Direito
- Homem x Normas, SOCIOLOGIA – HOMEM X HOMEM.

3 POSITIVISMO
Segundo esta teoria os estudos da sociedade só deveriam ter validade quando feitos
com caráter científico.

A. Pontos do Positivismo:
1. Todo Conhecimento vem da experiência dos sentidos.
2. O modelo de conhecimento vem a ser o matemático e o científico.
3. A linguagem mais adequada à ciência fica sendo a matemática.
4. Todo conhecimento metafísico não é levado em conta.
5. A matéria fica sendo o princípio supremo.
6. O único Deus que merece nosso culto é a Humanidade. Humanismo: libertar o
homem das opressões religiosas e políticas.
7. Lema: Amor por princípio; Ordem por base e Progresso por fim.

B. LEI DOS 3 ESTÁGIOS:


Estado Teológico> Ver explicação do Professor
Estado Metafísico> Ver explicação do Professor
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Estado Positivo> Ver explicação do Professor

· Os estudos da sociedade devem basear-se em observações reais e não em meras


especulações.
· A ciência não tem emoção, daí, considerar essa nova ciência como a Física
Social, sendo a mais complexa e a menos geral das ciências;
· Considerou a sociedade sob dois aspectos: o estático e o dinâmico. Estático: são as
instituições permanentes que mantem uma sociedade (Ex.: família, linguagem,
religião, Estado...) e o Dinâmico: transformações necessárias às
mudanças (mudança das normas, criação de novas instituições,...). Daí , o
Estático é a Ordem e o Dinâmico é o Progresso.

4. ÉMILE DURKHEIM (1858-1917)


A. Apresentação: O método funcionalista de análise da sociedade traz como
referência à visão da sociedade como um organismo, isto é "semelhante a um
organismo vivo, um todo integrado, onde cada parte desempenha uma função
necessária ao equilíbrio do todo". O corpo e suas características passam a ser visto
como um modelo para a sociedade, a harmonia de suas diversas funções passa a ser
um "espelho" para o conhecimento da sociedade capitalista, que "como um corpo
biológico, que precisa ser bem observado, para em seguida, conhecer-te sua
anatomia e aí descobrir as causas e as curas de suas doenças".
Émile Durkheim é o principal teórico dessa corrente, apesar de Auguste Conte ser
considerado por muitos o "pai" da sociologia, pois ele foi o primeiro que empregou
o termo sociologia e a pensou como uma evolução do pensamento científico, vai ser
com Durkheim que a sociologia vai ganhar destaque obtendo um caráter científico
quando pela primeira vez ser considerada uma disciplina acadêmica. Deu à
Sociologia uma reputação científica foi o seu principal trabalho.
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O funcionalismo durkheimiano nos traz algumas características importantes para o


entendimento do funcionamento da sociedade capitalista:
Regras de conduta determina a ação de todos os indivíduos; sem essas regras a
existência da sociedade seria praticamente impossível.
O objeto de estudo da sociologia é o fato social, ou seja, as regras e as normas
sociais que orientam a vida dos indivíduos na sociedade.
Os fatos sociais devem ser analisados como se fossem coisas.

B. Fato Social: - Verdade/Realidade social; - socie do latim = pessoa; - é a maneira de


pensar, sentir e agir de um grupo ou uma sociedade.

· Características do Fato social:


Para Durkheim a sociologia é a ciência que estuda os fatos sociais. E estes fatos
sociais são na verdade essas regras de condutas e valores que são determinados
pelas seguintes características:

O fato social deve ser entendido normal, a partir das características apresentadas
acima. Mas podemos também perceber o fato social quando ele não está
respondendo as necessidades da sociedade, ou seja, quando existem problemas
que dificultam as sociedades de se desenvolverem de forma harmônica, nós termos
uma patologia social, ou seja, uma doença social. Exemplo: Casamento – nos 3
casos.

C. Divisão do Trabalho
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5. MAX WEBER - SOCIOLOGIA COMPREENSIVA


Esta escola da sociologia se desenvolve com as teorias de Max Weber. Destaca a
capacidade que temos de compreender os motivos e as intencionalidades de outras
pessoas. Os fatos são organizados em termos das intenções centrais dos indivíduos
e dos grupos, construindo, assim, tipos puros, modelos simplificados, que permitem
visualizar-se melhor as ações sociais.
Ao contrário de Durkheim e Comte, acreditou na possibilidade da interpretação da
sociedade partindo não dos fatos sociais já consolidados e suas características
externas (leis, instituições, normas, regras, etc., mas começando pelo indivíduo que
nela vive, ou melhor, pela verificação das “intenções”, “motivações”, “valores” e
“expectativas” que orientam as ações do indivíduo na sociedade. Sua proposta é a
de que os indivíduos podem conviver, relacionar-se e até mesmo constituir juntos
algumas instituições (como a família, a igreja, a justiça), exatamente porque quando
agem eles o fazem partilhando, comungando uma pauta bem parecida de valores,
motivações e expectativas quanto aos objetivos e resultados de suas ações. Por isto
é denominada Sociologia Compreensiva, ou seja, uma teoria que vai entender a
sociedade a partir da compreensão dos ‘motivos’ visados subjetivamente pelas
ações dos indivíduos.
Podemos entender isso melhor nas próprias palavras de Weber sobre a sociologia:
“Chamamos de sociologia (e é neste sentido que tomamos este termo de
significações a mais diversa) uma ciência cujo objetivo é compreender pela
interpretação a atividade social, para em seguida explicar causalmente o
desenvolvimento e os efeitos dessa atividade”.

5.1 AÇÃO SOCIAL


Ao contrário de Durkheim, Weber não pensa que a ordem social tenha que se opor
e se distinguir dos indivíduos como uma realidade exterior a eles, mas que as
normas sociais se concretizam exatamente quando se manifestam em cada
indivíduo sob a forma de motivação.
E Weber distingue quatro tipos de ação social que orientam o sujeito:
A ação racional com relação a um objetivo, como, por exemplo, a de um
engenheiro que constrói uma estrada, onde a racionalidade é medida pelos
conhecimentos técnicos do indivíduo visando alcançar uma meta.
A ação racional com relação a um valor, como um indivíduo que prefere morrer a
abandonar determinada atitude, onde o que se busca não é um resultado externo
ao sujeito, mas a fidelidade a uma convicção. Por esse tipo de ação podemos pensar
as religiões. Ninguém vai a uma igreja ou pertence a determinada religião, de livre
vontade, se não acredita nos valores que lá são pregados. Certo?

A ação afetiva, que é aquela definida pela reação emocional do sujeito quando
submetido a determinadas circunstâncias. Uma serenata pode ser vista como uma
ação afetiva para quem ama, não é mesmo? -
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A ação tradicional que é motivada pelos costumes, tradições, hábitos, crenças,


quando o indivíduo age movido pela obediência a hábitos fortemente enraizados
em sua vida. O ato de tomar chimarrão ou pedir a benção dos pais na hora de
dormir são ações que podem ser pensadas pela ação tradicional.
Weber vê como objetivo primordial da sociologia a captação da relação de sentido
da ação humana, ou seja, chegamos a conhecer um fenômeno social quando o
compreendemos como fato carregado de sentido que aponta para outros fatos
significativos. O sentido, quando se manifesta, dá à ação concreta o seu caráter,
quer seja ele político, econômico ou religioso. O objetivo do sociólogo é
compreender este processo, desvendando os nexos causais que dão sentido à ação
social em determinado contexto.

5.2 A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo


Uma contribuição relevante de Weber, neste caso, é demonstrar que a montagem
do modo de produção capitalista, no ocidente europeu, principalmente, contou com
a existência, em alguns países, de uma ‘pauta’ de valores de fundo religioso que
ajudou a criar entre certos indivíduos, predisposições morais e motivações para se
envolverem na produção e no comércio de tipo capitalista. Na crença dos
calvinistas, os homens já nasceriam predestinados à salvação ou ao inferno, embora
não pudessem saber, exatamente, seu destino particular. Assim sendo, e para fugir
da acusação de pecadores e desmerecedores do melhor destino, dedicavam-se a
glorificar Deus por meio do trabalho e da busca do sucesso na profissão. Com o
passar dos tempos, essa ideia de que a predestinação e o sucesso profissional
seriam indícios de salvação da alma foi perdendo força. Mas o interessante é que a
ética estimuladora do trabalho disciplinado e da busca do sucesso nos negócios
ganhou certa autonomia e continuou a existir independente da motivação religiosa.
Para Weber, ser capitalista é sinônimo de ser disciplinado no que se faz. Seria da
grande dedicação ao trabalho que resultaria o sucesso e o enriquecimento. Herança
da ética protestante, válida também para os trabalhadores.
Mas por que os católicos e as outras religiões orientais não tiveram parte nesta
construção capitalista analisada por Weber? Porque a ética católica privilegiava o
discurso da pobreza, reprovando a pura busca do lucro e da usura e não viam o
sucesso no trabalho como indícios de salvação e nem como forma de glorificar a
Deus, como faziam os calvinistas. Assim sendo, sem motivos divinos para
dedicarem-se tanto ao trabalho, não fizeram parte da lista weberiana dos primeiros
capitalistas.

5.3 Racionalização e Desencantamento do Mundo


Explicação do Professor
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6. MARXISMO
O marxismo surge após a era do desenvolvimento do capitalismo industrial, com a
ampliação da capacidade tecnológica de domínio da natureza pelo trabalho e pela
técnica. Nesta esfera acaba acontecendo muitas injustiças sociais, como excesso de
carga horária, exploração de mulheres e crianças, a robotização do operário
mediante a produção em série, etc.
É neste contexto que surge Karl Marx, juntamente com amigo Frederic Engels, com
quem vai escrever algumas obras. Para eles a natureza é dinâmica em sua evolução.
As condições materiais é que determinam as espirituais e não o contrário, como
Hegel diz. Por isto, o processo todo é chamado de materialismo dialético.

6.1 O conceito “trabalho” é muito importante no pensamento marxista. Diziam que


o modo como trabalhamos modifica nossa consciência e vice-versa; desta forma, a
sociedade se organiza conforme o modo de produção por ela utilizado.
O trabalho é algo positivo para Marx; só que no capitalismo o trabalhador perde-se,
aliena-se, ou seja, ele não tem ligação com o produto trabalhado por ele. Trabalho é
a relação dos seres humanos com a natureza e entre si, na produção das condições
de sua existência.
6.2 Conceito de Homem. Para eles, os seres humanos são diferentes dos animais
não por serem racionais (consciência), sociais ou políticos, mas porque são capazes
de produzir as condições de existência. Os homens são produtores: são o que
produzem e são como produzem. São historicamente determinados pelas condições
em que produzem suas vidas. Marx fala também da Alienação. Do latim Alienus:
estranho, estrangeiro.

6.3 Conceito de Mais Valia


O objetivo do sistema capitalista, como modo de produção, é justamente a
ampliação e a acumulação de riquezas nas mãos dos proprietários dos meios de
produção. Mas de onde sai essa riqueza? Marx diria que é do trabalho do
trabalhador. Veja um exemplo. Quantos sofás por mês um trabalhador pode fazer?
Vamos imaginar que sejam 15 sofás, os quais multiplicados a um preço de venda de
R$ 300,00 daria o total de R$ 4.500,00. E quanto ganha um trabalhador numa
fábrica? Imagine que seja uns R$ 1.000,00, para sermos mais ou menos generosos.
Bem, os R$ 4.500,00 da venda dos sofás, menos o valor do salário do trabalhador,
menos a matéria-prima e impostos (imaginemos R$ 1.000,00) resulta na acumulação
de R$ 2.500,00 para o dono da fábrica. Esse lucro Marx chama de mais-valia, pois é
um excedente que sai da força de cada trabalhador. Veja, se os meios de produção
pertencessem a ele, o seu salário seria de R$ 3.500,00 e não apenas R$ 1.000,00.
Então podemos dizer que o trabalhador está sendo roubado? Não podemos dizer
isso, pois o que aqui exemplificamos é consequência da existência da propriedade
privada e de os meios de produção nas mãos de uma classe, a burguesia.

6.4 Ideologia
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Marx elabora também o seu conceito de ideologia. Antes dele, seguindo-se Antoine
Destutt de Tracy no século XVIII, a ideologia era considerada como conjunto de
idéias de uma sociedade. Neste sentido, qualquer grupo tem a sua ideologia: as
associações, partidos políticos, grupos de Rock, grupos pastorais das igrejas, etc.
Para Marx e Engels, ideologia se apresenta como uma “falsa consciência”, ou seja,
um conjunto de idéias usado pela classe dominante para manter a classe explorada
na ignorância de sua situação.

6.4 A LUTA DE CLASSES


Explicação do Professor.

6.5 Passos para se chegar ao Comunismo


Para Marx, primeiro ocorre o Capitalismo, onde a classe explorada toma consciência
de sua situação e se organiza em grupos para politicamente chegar ao poder. Na
segunda etapa, o Socialismo, o proletariado está no poder, mas tolera-se ainda a
presença do Estado. E finalmente chega-se à terceira fase, quando o proletariado
dissolve o Estado e instaura-se a “ditadura do proletariado”, o Comunismo.
Para os revisionistas de Marx temos o Capitalismo, onde ocorre a exploração. Na
segunda etapa temos o Socialismo, onde a classe explorada toma consciência de sua
exploração e se organiza em grupos (associações de bairro, sindicatos, partidos)
para chegarem ao poder democraticamente. Não conseguindo chegar ao poder,
chega-se à terceira etapa com o Comunismo, onde o proletariado toma o poder à
força.

Questões
1. Como a teoria de Marx nos ajuda a entender a sociedade contemporânea?
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2. A pobreza no Brasil e no mundo pode ser pensada como sendo uma das
consequências do sistema capitalista? Por quê?

7. SOCIEDADE HUMANA
7.1. Estrutura Social
Estrutura social é, portanto, um conjunto ordenado de partes encadeadas que
formam um todo. Dito de outro modo, a estrutura social integra os indivíduos
dentro de uma ordem e aí define, por exemplo, o papel de cada um de seus
membros.
· O que é a Sociedade Humana: Veja a seguir algumas teorias que tentam explicar
sua origem:
A. Natureza Social (Aristóteles): segundo esta teoria o homem é inerentemente
social;
B. Necessidades Humanas (Platão): De acordo com esta teoria , desde cedo os
homens tem necessidades para suprir, pois há as diferenças nas aptidões. Com isso
o homem teria se unido ao outro, formando-se a sociedade.
C. EGOÍSMO OU INTERESSES INDIVIDUAIS (Maquiavel e Hobbes): Para essa Teoria,
o homem foi de início, pouco mais que selvagem, levando uma vida egoísta, visando
apenas a satisfação de seus desejos e impulsos. Com o tempo, no entanto,
compreendeu que vivendo em grupo e em paz conseguiria prosperidade material.
D. CONTRATO SOCIAL (Rousseau e Locke): Nesta teoria é caracterizado que o
homem não era bom, nem mau, mas simplesmente da natureza. Mas as forças que
o afetavam só poderiam ser controladas em cooperação, através de um contrato.

7.2 Grupo Social


Grupo é um sistema de relações sociais, de interações recorrentes entre pessoas.
Tipos:
▪ Grupo Educativo – escola;
▪ Grupo Religioso – igreja;
▪ Grupo Familial – família;
▪ Grupo Profissional – empresa;
▪ Grupo Político – partidos políticos;
▪ Grupo Sindical – sindicatos.

7.3 Processos Sociais:

1 Introdução:
“A sociedade é uma realidade, logo, dinâmica, ou seja, está sempre em processo
(em ação).

2 Formas de interagir:
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Os processos sociais básicos são a interação de padrões de comportamento que se


repetem na vida social. São eles: cooperação, competição, conflito, acomodação,
assimilação.
a. Cooperação : ação social que ocorre entre duas ou mais pessoas para a
realização de interesses comuns
b. Competição : processo social, consciente ou inconsciente, em que os
indivíduos disputam bens e vantagens limitadas.
c. Conflito : processo social, consciente, pelo qual as pessoas procuram
recompensas para eliminação ou enfraquecimento do oponente. É tenso, periódico.
d. Acomodação : processo social em que os indivíduos aceitam uma determinada
situação de conflito sem modificarem suas atitudes e ideias. Não elimina o conflito.
É aparente. Pode ter vários graus: coerção, tolerância, acordo (arbitramento e
mediação) e conciliação.
e. Assimilação: processo social em que os indivíduos modificam atitudes e valores a
fim de se integrarem ao meio social em que vive. Garante a solução de conflitos.

3 Tipos de Contato:
· Espacial: fatores geográficos dificultam a comunicação;
· Estrutural: diferenças biológicas isolam determinados grupos;
· Psíquico: ocorre por diferenças de interesses e ponto de vista;
· Habitual: diferenças de hábitos e costumes.

7.4 ORGANIZAÇÃO SOCIAL

7.4.1. Conceito:
Modo como os homens se organizam na sociedade.

7.4.2. Estratificação Social:


É a divisão da sociedade hierarquicamente sobreposta:
Envolve caráter nitidamente social; manifesta-se na formação de classes; é um
processo universal.
· Todas as sociedades se organizaram em classes durante a história.

A. Classes sociais:
Conjunto de pessoas com posições semelhantes. Ex.: por renda familiar, por
escolaridade, por profissão, por nível de consumo,...
* classes abertas: permitem a entrada de pessoas na classe;
* classes fechadas: castas

B. Mobilidade Social:
Mudança de indivíduo de uma classe para outra.
OBS.: O HOMEM SE ORGANIZA PARA O MELHOR ATENDIMENTO DE SUAS
NECESSIDADES.
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NECESSIDADE: Falta ou carência de alguma coisa que se deseja possuir.


Tipos:
· Primárias: essenciais para a sobrevivência do homem: alimentação, habitação,
trabalho, saúde, transporte, educação, lazer,...
· Secundárias: aquela que o homem pode passar sem ela: luxo, riqueza,...

7.4.3. As Instituições Sociais:

1. Origem:
· As instituições se originam nas necessidades dos homens, na falta e carência de
alguma coisa e a busca da satisfação destas;
· Nos costumes: (tradições e mores).

2. Função:
O objetivo ou função para a qual foi criada.
EX: Família = procriação, manutenção da sociedade.
Educacional= socialização do saber
Econômica= regular a produção e consumo de bens.

3 Estrutura:
Deve possuir uma organização pessoal e equipamentos, tudo que dá condições para
seu funcionamento.

4. Conceitos:
· Conjunto de normas, valores, ideias e padrões de conduta cristalizados, que
atendem a uma atividade vital básica ou a um conjunto de interesses fundamentais
para a vida social.
· São modos de agir, pensar e sentir, ideias e padrões de conduta relacionados com
a satisfação das necessidades fundamentais do grupo, tais como: segurança,
alimentação e etc.
· É uma estrutura relativamente permanente, de padrões, papéis e relações que os
indivíduos realizam segundo determinadas formas sancionadas e unificadas, com o
objetivo de satisfazer às necessidades básicas do homem.

5. Características:
ORIGEM: A instituição social é toda crença, todo o comportamento instituído pela
sociedade. As instituições desenvolveram-se dos costumes, onde continua radicada,
a instituição social divide-se em regulativa ou primária, cuja função tem importância
vital para a existência da sociedade e operativa a qual se atribui funções mais
restritas e que interessam a determinados grupos, em determinado tempo.
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SURGIMENTO E EXISTÊNCIA: Ela surge e persiste devido às necessidades dos


membros da sociedade, ela estabelece o modo socialmente aceito de agir, reagir e
de realizar as atividades sociais.
FUNÇÃO/ESTRUTURA:Toda instituição deve ter função, meta ou propósito do grupo,
cujo o objetivo seria regular as necessidades humanas, e, estrutura, conjunto de
equipamento, pessoal, organização e comportamento que servem de base para a
realização dos objetivos.

8. As principais Instituições Sociais:


· Política: Também chamada governamental, é responsável pela manutenção da
ordem, pela defesa da sociedade contra ataques externos, e pelo estabelecimento
das leis da sociedade.
· Família: Responsável pelo controle da função reprodutora, pela socialização da
criança e pela estratégia da segurança econômica de seus membros.
· Religiosa: O meio pelo qual o homem se ajusta ao seu meio ambiente sobrenatural,
um sistema unificado em crenças relativas às coisas sagradas que unem uma
comunidade moral única todos aqueles que as adotam.
· Econômica: São órgãos de alta manutenção, são fundamentais na sociedade e
levam os indivíduos ao atendimento de suas necessidades através do consumo de
bens.
· Educacional: Instituição formal de socialização, através da qual o indivíduo
aprende as coisas necessárias para ajustar-se a vida social.

UNIDADE II – O HOMEM E SUA CULTURA


1. A cultura do Homem:
· Diferença entre a Sociedade Humana e a Sociedade Animal: O homem sempre
viveu em sociedade, e não pode imaginar a sua existência fora dela. Na sociedade
Humana criam-se normas para frear os impulsos da individualidade, o homem usa
sua racionalidade para se comunicar, a sociedade sempre evolui em benefício do
grupo. Na sociedade animal existem as leis biológicas – instinto, não há variação de
geração para geração e dificuldades de adaptação.

1.1 Introdução :
“O ser humano é a única criatura do reino animal capaz de criar e manter cultura.
Cada sociedade humana possui sua cultura própria, de maneira que os membros de
uma sociedade comportam-se diferentemente dos membros de qualquer outra
sociedade, com relação a alguns aspectos significativos de comportamento.”

1.2 Conceito:
Cultura é um complexo total de conhecimentos, crenças, arte, moral, costumes e
quaisquer outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma
sociedade.
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1.3 Características:
- Processo Universal - Dinâmica e contínua
- Variabilidade: - Aprendida e transmitida de geração
- Tempo e Espaço para geração.
- Cumulativa

Crítica: Ora, as sociedades capitalistas têm em sua gênese a dominação como forma
de se impor e um dos meios de legitimação é a cultura. Portanto, quem tem o
acesso dos meios institucionais, como a educação, os meios de comunicação de
massa, etc., consegue, de um certo modo, ditar algumas “regras” na sociedade.

1.4 Processos Culturais:


· Aculturação: processo no qual ocorre a fusão de duas ou mais culturas. Ex. Cultura
Brasileira= européia+ africana+indígena
· Estagnação ou declínio: uma cultura pode isolar-se do resto do mundo e manter-
se estagnada em relação a cultura do resto do estado, do país continente,...Ex.:
quilombos.
· Subcultura: considera-se subcultura alguns hábitos e costumes que são próprios de
um determinado grupo ou espaço dentro de uma cultura maior. Ex.: cultura
japonesa no Brasil;
· Contracultura: O que vai contra o que é considerado correto pela sociedade
Ex.: cultura da violência.

1.5 Questões Pertinentes


· Multiculturalismo: Num determinado espaço social tem de conviver junto pessoas
identificadas com diferentes culturas.
· Etnocentrismo: Analisar a cultura dos outros por intermédio da nossa.
Etnocentrismo é uma visão do mundo onde o nosso próprio grupo é tomado como
centro de tudo e todas as outras são pensadas e sentidas através dos nossos
valores, nossos modelos, nossas definições do que é a existência.
O etnocentrismo é a atitude característica de quem só reconhece legitimidade e
validade às normas e valores vigentes na sua cultura ou sociedade. Os valores da
sociedade a que pertencemos são, na atitude etnocêntrica, declarados como valores
universalizáveis, aplicáveis a todos os homens, ou seja, dada a sua "superioridade"
devem ser seguidos por todas as outras sociedades e culturas.
No plano intelectual, pode ser visto como a dificuldade de pensarmos a
diferença; no plano afetivo, como sentimentos de estranheza, medo, hostilidade,
etc. Perguntar sobre o que é etnocentrismo é, pois, indagar sobre um fenômeno
onde se misturam tanto elementos intelectuais e racionais quanto elementos
emocionais e efetivos.
· Xenofobia: Ódio aos estrangeiros.
· Racismo: Rejeição a certos grupos étnicos.
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· Relativismo Cultural: Propõe analisar as diferentes culturas desde seus próprios


valores e recomenda mostrar-se tolerante com as diferentes expressões culturais.
Claude Lévi-Strauss, um dos pais da antropologia cultural criou a expressão
“relativismo cultural”, dizendo que nenhuma cultura detém critérios absolutos, que
lhe permitam julgar as atividades de uma outra cultura como “baixas e pobres” ou
“nobres e ricas”. Relativismo cultural é o oposto do etnocentrismo e nos coloca um
desafio importante: em nome do respeito à cultura alheia, devemos considerar que
todos os costumes existentes são igualmente legítimos.

Construção da Alteridade. A palavra alteridade, que possui o prefixo ALTER do


latim, significa se colocar no lugar do outro na relação interpessoal, com
consideração, valorização, identificação com o outro mantendo o diálogo.
O significado da palavra alteridade possui o sentido de colocar-se no lugar do
outro numa relação interpessoal junto com a consideração, valorização, e
dialogando com o outro. Isso ocorre com relações étnicas, religiosas, etc.

Cultura: nossa herança social (Professor: Nelson – Sociologia).


Quanto à origem do termo “cultura”, vem do latim -COLERE- que significa
inicialmente o cultivo das plantas, o cuidado com os animais e com a terra. Cuidado
com as crianças e sua educação; cuidados com os deuses (seu culto), com seus
antepassados e seus monumentos (memória).
Conceituar cultura sempre foi importante para todas as ciências criadas pelo ser
humano. As definições e conceitos dessa palavra variam, dependendo de onde está
inserida.
Cultura, às vezes, é confundida com aquisição de conhecimentos, com educação,
com erudição. A cultura é informação, é a reunião de conhecimentos aprendidos
teoricamente e também na prática que se passa aos semelhantes.
Para a sociologia o conceito de cultura tem um significado diferente: Conjunto de
crenças, regras, manifestações artísticas, técnicas, tradições, ensinamentos e
costumes produzidos e transmitidos no interior de uma sociedade.

Principais Características:
1. A Cultura é inventada. Não surgiu do nada, foi criada pelos indivíduos. Esta
invenção é composta por três elementos interdependentes:
• Um sistema ideológico ou componente mental constituído por crenças,
valores, costumes que o homem aceita ao definir o correto ou o incorreto;
• Um sistema tecnológico: habilidades, artes e ofícios que lhe permitem fabricar
bens materiais;
• Um sistema organizativo para coordenar eficientemente a conduta de um
indivíduo com os demais.
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2. A Cultura é aprendida. Não inclui respostas e predisposições hereditárias. O


comportamento humano ser mais aprendido que inato, a cultura afeta uma ampla
gama de comportamentos. É transmitida inconscientemente, especialmente nos
primeiros anos de vida. Pode também ser transmitida por influências externas que
provêm das amizades, das mídias. Três diferentes tipos de aprendizagem cultural:
• Formal, inculca-se na infância no ambiente familiar;
• Informal, aprende-se pela observação e inter-relação com o ambiente;
• Técnico, vem dos ensinamentos dos professores no ambiente
acadêmico.

3. A Cultura é partilhada socialmente. É um fenômeno de grupo, entendendo como


tal desde a sociedade até à família. Para que seja partilhada por socialmente é
necessário que seja aceite pela maioria da sociedade. Isto implica que os indivíduos
que não possuem certos aspectos culturais podem assumir o risco de serem
rejeitados.

4. A Cultura é diferenciadora. As culturas partilham certas semelhanças, mas


também podem ter grandes diferenças, o que dá lugar à diversidade cultural. Isto
leva a que existam diferenças significativas no comportamento dos consumidores
dos distintos países.
5. A Cultura é adaptativa. Altera-se de uma maneira gradual e constante, em
algumas sociedades muito lentamente, e noutras com grande rapidez.

6. A Cultura é organizada e integrada. Toda a cultura é coerente. Comportamo-nos,


pensamos e sentimos de uma maneira consistente com a de outros membros de
uma mesma cultura porque parece “natural” ou “correto” fazê-lo

7. A Cultura tem um caráter prescritivo. É constituída por normas e diretrizes da


sociedade que determinam quais é o comportamento apropriado segundo as
circunstâncias, logo constituem padrões de conduta que se não forem cumpridos
acarretam “sanções” e “castigos”
8. A cultura é dinâmica e é alterada ao longo do tempo.

Identidade Cultural.
A identidade cultural é um sistema de representação das relações entre
indivíduos e grupos, que envolve o compartilhamento de patrimônios comuns como
a língua, a religião, as artes, o trabalho, os esportes, as festas, entre outros. É um
processo dinâmico, de construção continuada, que se alimenta de várias fontes no
tempo e no espaço.
A identidade cultural é vista como uma forma de identidade coletiva
característica de um grupo social que partilha as mesmas atitudes. Está apoiada
num passado com um ideal coletivo projetado e se fixa como uma construção social
17

estabelecida e faz os indivíduos se sentirem mais próximos e semelhantes. É ela


responsável pela identificação e diferenciação dos diversos indivíduos de uma
sociedade, sendo está comparada em diversas escalas.
A identidade cultural de determinado povo está intimamente ligada à memória
deste, mas não pode ser vista como sendo um conjunto de valores fixos e imutáveis
que definem o indivíduo e a coletividade a qual ele faz parte. Faz parte do processo
de sobrevivência das sociedades a incorporação de elementos novos e isso é o que
as mantêm ao longo do tempo.

As duas faces da cultura: material e imaterial.


A cultura material consiste em todo tipo de utensílios produzidos em uma
sociedade – ferramentas, instrumentos, máquinas, hábitos alimentares, habitação
etc. – e tem uma relação direta com o estilo de vida dessa sociedade. Os seus
elementos podem ser chamados de bens culturais de natureza material.
A cultura não material, em contrapartida, abrange todos os aspectos morais e
intelectuais da sociedade, tais como: normas sociais, religião, folclore etc. A música,
por exemplo, tanto a erudita quanto a popular, faz parte da cultura não material. Os
seus elementos podem ser chamados de bens culturais de natureza imaterial.

Componentes da Cultura.
A cultura é todo orgânica, um sistema, um conjunto cujas partes se relacionam
estreitamente. Para melhor compreender o que é uma cultura, vamos estudar
alguns de seus componentes.
Os principais aspectos de uma cultura são: os traços culturais, o complexo
cultural, a área cultural e a subcultura.
Traços Culturais - são componentes mais simples da cultura. Eles são as unidades
de uma cultura. Ex. um lápis, um carro, uma pulseira, uma capa. Os traços culturais
são os componentes mais simples da cultura, e eles só têm significado quando
considerados no contexto de uma cultura especifica.
Complexo Cultural - a combinação dos traços culturais em torno de uma
atividade básica forma um complexo cultural. Ex: carnaval no Brasil é um complexo
cultural que reúne um grupo de traços culturais relacionados uns com os outros.
Área Cultural - região em que predominam determinados complexos culturais.
Esta consiste, portanto, em um espaço geográfico no qual se manifesta certa
cultura.
Padrão Cultural - conjunto de normas que regem o comportamento dos
indivíduos de determinada cultura ou sociedade. Quando os membros de uma
sociedade agem de uma mesma forma estão expressando os padrões culturais do
grupo. Ex. o casamento monogâmico.
O padrão cultural tem, portanto, uma relação direta com o processo de
socialização dos indivíduos.

Cultura e Progresso.
18

Cada geração passa por um processo de aprendizagem, nos quais assimilia a


cultura de seu tempo e se torna apta a enriquecer o patrimônio cultural das
gerações futuras. É na capacidade que os grupos têm de perpetuar e acrescentar
novos valores à cultura que reside à possibilidade de progresso. Todo progresso
é resultante da síntese de valores novos com componentes culturais já adquiridos.
Em geral, o enriquecimento do patrimônio cultural de uma sociedade se faz por
meio de dois processos: a invenção e a difusão.

Difusão Cultural.
Alguns traços culturais, como uma nova moda ou um equipamento
recentemente inventado, difundem-se não só na sociedade em que tiveram origem,
mas também entre outras culturas, geralmente por intermédio dos meios de
comunicação (jornais, televisão, cinema, rádio, Internet etc.).
Quando isso ocorre, dizemos que está havendo um processo de difusão cultural.

Retardamento Cultural.
Toda vez que há um desequilíbrio no ritmo de desenvolvimento dos diversos
aspectos da cultura, pode-se falar de retardamento ou demora cultura.
As mudanças são mais aceleradas em relação à cultura material do que em
relação à cultura não material.
Ex: A invenção da pílula anticoncepcional na década de 1960, encontra grande
resistência por parte dos setores religiosos, enquanto milhões de mulheres se
beneficia de tal invenção.

O fenômeno da aculturação.
Quando seres humanos de grupos diferentes entram em contato direto e
contínuo, geralmente ocorrem mudanças culturais, pois se verifica a transmissão de
traços culturais de uma sociedade para outra. Alguns traços são rejeitados; outros
são aceitos e incorporados, quase sempre com mudanças significativas, à cultura
resultante.
Esse processo de mudança cultural provocada pelo entre dois ou mais povos
culturalmente distintos, e no qual um grupo assimila cultura de outro grupo é
chamado de aculturação.

Marginalidade Cultural.
Quando duas culturas entram em contato e uma delas se impõe à outra pela
força, geralmente ocorrem – além da aculturação – conflitos emocionais nos
indivíduos que pertencem à cultura dominada. Aqueles que não conseguem se
integrar totalmente a nenhuma das culturas que os rodeia ficam à margem da
sociedade.

Cultura e Contracultura.
19

Contracultura é um movimento que tem seu auge na década de 1960, quando


teve lugar um estilo de mobilização e contestação social e utilizando novos meios de
comunicação em massa.
O conceito de “contracultura”, definidor de todas as práticas e manifestações
que visam criticar, debater e questionar tudo aquilo que é visto como vigente em
um determinado contexto sócio histórico. Contracultura: contestação de certos
valores culturais vigentes na sociedade.
Com respeito ao conceito de contracultura, não podemos simplesmente pensar
que ele vá simplesmente definir a existência de uma cultura única e original. Pelo
contrário, as manifestações de traço contracultural têm a importante função de
revisar os valores absorvidos em nosso cotidiano e, dessa forma, indicar novos
caminhos pelo qual o homem trilha suas opções. Assim, é necessário sempre afirmar
que contracultura também é cultura!

IDEOLOGIA E ALIENAÇÃO
Ideologia
Ideologia trata-se de um conjunto de ideias, modos de pensar e de se relacionar
para com os valores, as crenças, os costumes, as normas e os modos de encarar os
fatos de certos grupos de pessoas da sociedade.
Furter (1976) comenta que a ideologia burguesa opera com o poder das classes
dirigentes, através da reprodução de seus interesses, alienando as outras classes, e
impedindo que estas tomem a consciência de tal processo. Ele trata a ideologia
fragmentária, onde “a ideologia é fragmentária, isto é, sempre é elaborada em
função de objetivos concretos” (58p.). Para tanto, as classes dominantes “(...)
favorecem a elaboração de ideologias que justificam o status quo e impedem a
tomada de consciência autêntica” (53p.). Estas ideologias alienam, pois, de acordo
com o mesmo, “quebram a unidade dialética do pensar e do atuar” (53p.).

Alienação
Alienação trata-se de outro conceito que resulta em diferentes compreensões.
Quando referimos à pessoas alienadas, no senso comum, associamos à pessoas
desligadas, usuários de drogas, pessoas com desconhecimento ou desinteresse com
relação aos assuntos relatados nos jornais, entre outras conotações que, em geral,
referem-se ao desligamento da pessoa com o que é visto como algo que seria,
inicialmente, parte da vida dela. No caso dos exemplos acima citados, poderiam ser,
por exemplo, desligamento da sua consciência através do uso de drogas ou
desligamento de assuntos que são socialmente vistos como de importância.
Em ambos os casos, tratam o conceito de alienação como algo que a pessoa deveria
ter - consciência de si ou do que é relatado nos jornais, no caso do exemplo acima
citado – e que esta, de alguma maneira, não se importa em ter. No caso deste
trabalho, a alienação será tratada como o desligamento da pessoa de si mesma, de
20

sua existência e isso é visto como consequência de uma ideologia que faz com que
este se torne submisso a mesma, passando para si desejos alheios, sentimentos
alheios, normas alheias, pensamentos alheios, e toda uma existência alheia. Assim,
o indivíduo torna-se alheio a si, para dar espaço ao que é trazido pelos outros, neste
processo, “o eu desaparece” (BASBAUM, 1982, 46p.). De acordo com Basbaum (1982), as
máquinas de alienação são, em primeiro, a família e em segundo, a escola, ele
comenta que o antídoto para a alienação seria a rua, pois a família, a escola e o
trabalho são instituições que estão a serviço da alienação, se a situação das
instituições continuar como se encontra, a marginalização será o único meio de se
livrar da alienação.

2. Socialização:
Socialização é o processo pelo qual o indivíduo adquire as maneiras de agir, pensar,
sentir do grupo, da sociedade e da civilização em que vive. É o processo pelo qual se
transmite a cultura, ou seja, os valores e os costumes.
Influenciam neste processo a família, vizinhos, a comunidade, a escola, carga
genética.
Por meio do processo socialização, o indivíduo vai ocupar várias posições na
sociedade:
• Status: posição ocupada por um indivíduo na sociedade. É a posição
social ou o status que determina o comportamento ou papel social do
indivíduo, as normas de conduta a seres seguidas.
O Status pode ser atribuído ou adquirido. Status atribuído é aquele que não é
escolhido voluntariamente pelo indivíduo e não depende de suas ações e
qualidades. Por exemplo, o status de “primogênito” ou de “filho de operário”.
Já o status adquirido é obtido de acordo com as qualidades pessoais do
indivíduo. Por exemplo, Pelé tem status adquirido pelas qualidades de seu
futebol. O status adquirido está, então, associado à capacidade profissional,
intelectual e de liderança do indivíduo na sociedade.
• A cada posição social – status – corresponde um papel social, que é um
comportamento e conjunto de direitos, obrigações, e expectativas.
• É por meio do processo de socialização que se aprende o significado das
coisas na sociedade em que se está inserido: os valores e os costumes.

UNIDADE III – A PESQUISA SOCIOLÓGICA

1 Métodos sociológicos.
Distinguem-se sete métodos na sociologia: histórico, comparativo, funcional, formal
ou sistemático, compreensivo, estatístico e monográfico. O método histórico ocupa-
se do estudo dos acontecimentos, processos e instituições das civilizações passadas
21

para proceder à identificação e explicação das origens da vida social


contemporânea.

2 PESQUISA SOCIOLÓGICA: ENTREVISTA E QUESTIONÁRIO

Os levantamentos, muitas vezes, contam com os questionários como seu principal


instrumento para reunir informações. Os questionários podem ser aplicados
pessoalmente pelo pesquisador, ou enviados pelo correio ou por e-mail às pessoas
que responderão a eles (os chamados “questionários autoaplicáveis). O grupo de
pessoas que fazem parte do levantamento ou do estudo é denominado pelos
sociólogos de população. Em alguns levantamentos, essa população pode chegar a
vários milhares de pessoas.
Nos levantamentos, são utilizados dois tipos de questionários. Alguns contêm um
conjunto fechado de questões para as quais existe apenas uma série definida de
respostas possíveis – por exemplo, “Sim/Não/Não Sei” ou “É bem provável/É
provável/É pouco provável/É bastante improvável”. A vantagem desses
levantamentos é que as respostas são de fácil comparação e contagem, já que há
apenas um pequeno número de categorias envolvido.
Os questionários também deveriam levar em conta as características dos
entrevistados. Será que eles perceberão o objetivo do pesquisador ao fazer
determinada pergunta? Por exemplo, a pergunta “Qual o seu estado civil?” pode
confundir algumas pessoas. O mais apropriado seria perguntar “Você é solteiro,
casado, separado ou divorciado?”
É impossível estudar todas essas pessoas diretamente, por isso, os estudos de
pesquisa concentram-se na amostragem, ou seleção de uma pequena proporção do
grupo total. Um procedimento particularmente importante empregado para
garantir a representatividade de uma amostra é a amostragem aleatória, ou seja,
por sorteio.
2.3 PASSOS PARA A PESQUISA

1. ESCOLHA DO TEMA
2. FORMULAÇÃO DA HIPÓTESE
3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA – REVISÃO DE LITERATURA
4. ELABORAÇÃO DO QUESTIONÁRIO
5. DEFINIÇÃO DA AMOSTRAGEM
6. APLICAÇÃO DO QUESTIONÁRIO
7. RECEPÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS – RESULTADO, GRÁFICO
8. CONCLUSÃO DA PESQUISA
22

UNIDADE IV – O HOMEM NA SOCIEDADE

1. A CIDADANIA E A BUSCA DE UMA IDENTIDADE


A cidadania, mais que um conceito, é o resultado de diversas ações que levam uma
pessoa a se sentir um cidadão. Não dá para falar de cidadania sem falar em políticas
públicas. Hoje, quando analisamos as diversas políticas sociais, temos que entender
como as pessoas estão sendo atingidas por elas. Não basta dizer que todos têm
acesso à educação, devemos perguntar sobre a qualidade da educação pública, qual
o objetivo dessa educação e também não é o suficiente falar que há postos de
atendimento de saúde em todos bairros. Mas como é realizado esse atendimento,
se o paciente necessitar de exames mais complexos? Se precisar de um atendimento
especializado, terá acesso a ele? Não podemos nos esquecer, como nos diz a filósofa
Marilena Chauí, de que a sociedade brasileira vem tendo durante a sua história, a
construção de uma lógica social baseada na ideia do direito como uma dádiva das
elites dominantes para os historicamente considerados sem direitos. Uma sociedade
onde os direitos sempre foram baseados na tutela e no favor. Uma sociedade onde
as diferenças foram transformadas em desigualdades e essas em exclusões sociais.
Uma sociedade onde as leis sempre foram utilizadas para defender aqueles que tem
propriedades (capital) e punir quem não as tem (trabalhadores). Podemos perceber
que a cidadania está intimamente ligada à qualidade de vida que as pessoas
adquirem ao usufruírem seus direitos e também ao nível de participação política no
destino da sociedade em que está inserida. Mas será que cidadania seria somente
isso? Que direitos são esses e como eles são definidos? Quem os define? Será que
cidadania é um conceito idêntico em todos os lugares e épocas? Por que ela é
utilizada por diferentes correntes ideológicas (liberais, socialistas, sociais-
democratas, trabalhistas, neoliberais etc)? Será que ela tem o mesmo significado em
todas elas? Essas são questões que não podemos perder de vista ao analisarmos
esta temática. Mas, o principal de tudo, é que não podemos pensar cidadania como
uma questão individual, como querem os liberais, ela tem que ser pensada a partir
de toda a sociedade. E isso pede - e é necessário - que seja resgatado o papel dos
Movimentos Sociais e que se debata, com mais ênfase, os novos caminhos trilhados
pelos movimentos na atualidade. Hoje, na análise sociológica, a cidadania não é
apenas mais um conceito, ela, juntamente com o de classes sociais, deve ser vista
como um referencial de análise para articularmos as diversas concepções e questões
pertinentes e a problemática do acesso e da conquista aos direitos sociais. (Gilberto
Simplício)

2. Uma metamorfose ambulante: A identidade em tempos líquidos


Por Cristiano Bodart
Quando Raul Seixas trouxe a música “Metamorfose ambulante”, em 1973, provocou
em seus ouvintes uma reflexão bastante pertinente: o caráter metamórfico da
percepção da realidade e, consequentemente, da identidade.
23

Raul, conhecido por sua oposição ao modo de vida da sociedade ocidental,


questionou, por meio dessa música, a ideia de que precisamos ter um pensamento
petrificado em relação a realidade social e, consequentemente, termos uma
identidade fixa, imutável. Embora todos tenhamos identidades em mutações, a
referida música nos provoca uma reflexão bastante interessante.
Um estudioso do tema “identidade”, Stuart Hall, nos indica que a identidade não é
algo estático, tratando-se de “uma celebração móvel”, portanto “formada e
transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos
representados ou interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam”. Para esse
estudioso, nós, em meio ao mundo moderno marcado por múltiplas influências,
tendemos a assumir identidades variadas de acordo com o momento. Nossas
identidades são construídas a partir da influência de nossas experiências sociais
cotidianas. Como nossas experiências se dão em um fluxo contínuo, nossa
identidade será uma “metamorfose ambulante”.
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman bem apresentou em seu livro “Modernidade
Líquida”, que vivenciamos um período de grande fluidez, marcado por rápidas
mutações. Se a identidade é formada pelos contatos sociais que temos e este têm
sido cada dia mais superficiais e transitórios, consequentemente estaremos sujeitos
a sermos influenciados em nossa forma de pensar e agir, metamorfoseando nossa
identidade.
A posição de Raul Seixas de optar por ter uma identidade metamórfica ambulante
parece não ser uma opção no presente século, se é que era na década de 1970. Não
há opção, somos uma metamorfose ambulante!
A identidade é o conjunto de tudo que eu vivencio como sendo eu em contraponto
àquilo que percebo ou anuncio como não-eu. A identidade é marcada pela
diferenciação em relação aos outros indivíduos. Porém, estando inseridos em um
contexto social, acabamos influenciados por ele, o que nos torna, em certa medida,
iguais. Estamos atrelados a um “universo social”, o que nos permite termos uma
identidade social, étnica, religiosa, etc.
É importante mencionar que como não fazemos parte apenas de um grupo social e
que podemos adquirir características desses diversos grupos, os quais estamos
integrados, e essas características se manifestarão, ou não, em determinados
contextos. Mais uma vez identificamos que somos uma metamorfose ambulante e
que não temos uma “velha opinião formada sobre tudo”. Por ora, aponto essa
reflexão em torno do tema identidade e, de antemão, peço que não estranhe se eu,
amanhã, querer dizer “o oposto do que eu disse antes”… isso por que “eu prefiro ser
essa metamorfose ambulante”.

3. A MANIPULAÇÃO SOCIOLÓGICA
O linguista e filósofo norte americano Noam Chomsky elaborou a lista das “10
estratégias de manipulação” através dos meios de comunicação. Ele afirma que nas
décadas de 80 e 90 elaborou-se toda uma estratégia de manipulação dos povos
através dos meios de comunicação, facilitando assim o controle da opinião pública
24

para as estratégias e práticas adotadas pelos modelos neoliberais, que acabaram


por conduzir os rumos sociais a partir dos interesses econômicos.

1- A estratégia da distração – o elemento primordial do controle social.


Consiste em tirar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças
ditadas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do “dilúvio” de
distrações e de informações insignificantes. Essa estratégia é também indispensável
para que o público não se sinta interessado por conhecimentos essenciais na área
da ciência, da economia, da psicologia, da neurolinguística, e da cibernética.
“Manter o público distraído, longe dos verdadeiros problemas sociais, seduzidos por
temas sem importância real; manter o público ocupado sem nenhum tempo para
pensar, de volta ao ‘estábulo’ com o animais.”

2- Criar problemas e depois oferecer soluções.


Esse método também é chamado “problema – reação -solução”. Cria-se um
problema, uma situação prevista para causar determinada reação no público, para
que ele mesmo seja o mandante das medidas que sede seja fazer aceitar. Por
exemplo, deixar que se desenvolva ou que se intensifique a violência urbana, ou
organizar atentados sangrentos, afim de que o público seja o requerente de leis de
segurança e de políticas que causem danos à liberdade. Ou também criar uma crise
econômica para que o retrocesso dos direitos sociais e a destruição dos serviços
públicos sejam aceitos como um mal necessário.

3- A estratégia da gradação.
Para que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradualmente, a conta-
gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconômicas
radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 80 e 90.
Mudanças como privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa,
salários baixos... provocariam uma revolução se fossem aplicados de uma só vez.

4- A estratégia de atrasar a realização de algo.


Outra maneira de impor uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa
e necessária”, obtendo a aceitação pública, em determinado momento, para uma
aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro que um imediato. Primeiro
porque o esforço não é empregado imediatamente. Depois porque o público, a
massa tende a esperar ingenuamente que “as coisas vão melhorar amanhã” e que o
sacrifício exigido será evitado. Dessa forma, acostuma-se com a ideia da mudança e
ela é aceita, com resignação, quando chegar o momento.

5- Dirigir-se ao público como crianças (como criaturas de pouca idade).


A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos,
personagem se entonação particularmente infantis, muitas vezes perto da
debilidade, como se o espectador fosse uma criança ou um deficiente mental.
25

Quanto mais se tenta enganar o espectador, mais se tende a adotar um tom infantil.
Por quê? Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos,
pela sugestão, ela terá, provavelmente, uma resposta ou uma reação também
desprovida de um sentido crítico, como uma criança.

6- Utilizar mais o aspecto emocional que a reflexão.


Essa é uma técnica clássica para causar um curto-circuito na análise racional e no
sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional
permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou injetar ideias,
desejos, medos, compulsões ou induzir comportamentos.

7- Manter o público ignorante e medíocre.


Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos
utilizados para seu controlo e escravidão. “A qualidade da educação dada às classes
sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível para que ela se torne
bastante ignorante e seja impossível alcançar as classes sociais superiores”.

8- Estimular o público a ser complacente com a mediocridade.


Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.

9- Reforçar a auto culpabilidade.


Fazer o indivíduo crer que é somente ele o culpado pela sua desgraça porque não é
inteligente, é incapaz e não se esforça. Assim ao invés de rebelar-se contra o sistema
econômico, a pessoa se auto desvaloriza e se culpa, o que gera um estado
depressivo, cujo efeito é a inibição de sua ação. E sem ação não há revolução.

10- Conhecer o indivíduo melhor que ele mesmo.


Nos últimos 50 anos, o avanço acelerado das ciências gerou uma crescente brecha
entre os conhecimentos do público e aqueles utilizados pelas elites dominantes.
Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” desfruta de
um conhecimento físico e psicológico avançado do ser humano e consegue, assim,
conhecer o indivíduo com um melhor do que ele mesmo. Isso significa que, na
maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre as
pessoas, maior do que elas sobre si mesmas. Retirado de:
http://www.forumseculo21.com.br

UNIDADE V – SOCIOLOGIA APLICADA AO DIREITO


Por “escola jurídica” entende-se um grupo de autores que compartem determinada
visão sobre a função do direito, sobre os critérios de validade e as regras de
interpretação das normas jurídicas e, finalmente, sobre os conteúdos que o direito
deveria ter. Em outras palavras, cada escola jurídica oferece uma resposta diferente
26

a três questões: “o que é”, “como funciona” e “como deveria ser configurado” o
direito.
No decorrer da história do direito surgiram várias escolas jurídicas. Estas devem ser
consideradas como produto de determinadas épocas e culturas jurídicas. Isto não
significa, porém, que cada época tenha uma única escola jurídica. Ao analisar um
determinado período histórico podemos nos defrontar com a existência de várias
tendências, não sendo incomum detectar uma forte rivalidade entre elas
(concorrência entre teorias).

1. DIREITO NATURAL E JUSNATURALISMO (Ver explicação do Professor) >


Jusnaturalismo Grego.

2. MEDIEVO > Explicação do Professor.

3. ESCOLA DO DIREITO NATURAL RACIONAL > Explicação do Professor.